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CONCEITOS TEÓRICOS E EXERCÍCIOS PROPOSTOS DE ELETROMAGNETISMO

C Ca ap pí ít tu ul lo o V VI II II I: : F FO OR RÇ ÇA AS S E E C CI IR RC CU UI IT TO OS S M MA AG GN NÉ ÉT TI IC CO OS S, , M MA AT TE ER RI IA AI IS S E E I IN ND DU UT TÂ ÂN NC CI IA A 71

Capítulo VIII

FORÇAS E CIRCUITOS MAGNÉTICOS, MATERIAIS E INDUTÂNCIA

8.1 – FORÇA SOBRE UMA CARGA EM MOVIMENTO

B v Q F

× = (Unidade da força: N)

Se ambos os campos elétrico e magnético estão presentes, a
força sobre uma carga pontual Q, chamada força de Lorentz, é:

( ) B v E Q F

× + = em N, ou ( ) B v E f
v

× + ρ = em N/m
3


8.2 – FORÇA SOBRE UM ELEMENTO DIFERENCIAL DE CORRENTE

( ) ( ) ( ) B dt v I B v Idt B v dQ F d

× = × = × = ⇒ B L Id F d

× =

Para um condutor retilíneo, com . cte B =

, obtemos: B L I F

× =

Módulo da força F

: θ = sen L I B F onde θ é o ângulo entre os
vetores L

e B

Sentido da força F

: Regra do produto vetorial, indo de L

para B

.

Nota: Caso os vetores L

e B

sejam perpendiculares (θ =90
o
), pode-se usar a conhecida
“Regra dos 3 dedos da mão esquerda” para obter o sentido de F

. Assim, com o
dedo indicador apontando B

e o dedo médio apontando L

(ou I), obtém-se o dedo
polegar apontando o sentido de F

.


Exemplo: Determinar as forças de repulsão entre 2 condutores filamentares retilíneos longos e
paralelos, separados por uma distância d por onde fluem correntes I iguais e opostas.

Solução:

Os sentidos das forças estão indicados na figura.
As duas forças possuem mesmo módulo, o qual é obtido do
seguinte modo (no vácuo):
L B F I = onde
d 2
H B
o o
π
µ = µ =
I

Logo: L
d 2
F
o
I
I
π
µ = ⇒
d 2 L
F
o
π
µ
=
2
I
[N/m]

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8.3 – FORÇA ENTRE ELEMENTOS DIFERENCIAIS DE CORRENTE

Densidade do fluxo magnético no ponto 2 devido ao elemento diferencial de corrente no ponto 1:
2
12
R 1 1
o 2 o 2
R 4
a L d I
H d B d
12
π
×
µ = µ =

Relembrando, a força diferencial em um elemento diferencial de corrente é expressa por:
B L Id F d

× =

Substituindo B

por
2
B d

, e
2 2
L d I L Id

= , a quantidade diferencial da força diferencial no
elemento diferencial de corrente no ponto 2 torna-se:
( )
2 2 2 2
B d L d I F d d

× =

Substituindo
2
B d

:
( )
2
12
R 1 1
o 2 2 2
R 4
a L d I
L d I F d d
12
π
×
µ × =

( )
2
12
R 1
2
2 1
o 2
R
a L d
L d
4
I I
F d d
12

×
×
π
µ = ⇒
∫ ∫
(
(
¸
(

¸

×
×
π
µ =
2
12
R 1
2
2 1
o 2
R
a L d
L d
4
I I
F
12

Nota: A segunda integral é necessária para obter o campo magnético em 2 devido à corrente no
ponto 1. Pelo demonstrado, é melhor dividir o problema de calcular a força magnética em
duas partes: primeiro calcula-se o vetor campo magnético, e depois calculamos a força.


8.4 – TORQUE EM UMA ESPIRA INFINITESIMAL PLANA

Para a espira infinitesimal retangular da figura e da definição de torque ( F r T

× = ) , obtém-se:

B S d T d

× = I (Unidade de T

: Nm)

Definindo o momento magnético diferencial da espira como:

S d m d

I = (Unidade de m

: Am
2
)

podemos escrever o torque na espira como sendo:

B m d T d

× =

De uma maneira geral, para B

constante em toda área S, temos:

B m B S T

× = × = I

Notas:
• As equações acima são também válidas para qualquer forma de
espira de corrente, como por exemplo a espira circular.
• O torque na espira ( T

) atua de tal maneira a alinhar o momento
magnético ( m

) produzido pela espira com o campo magnético externo ( B

).
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8.5 – A NATUREZA DOS MATERIAIS MAGNÉTICOS

Existem 3 tipos de momentos magnéticos em um átomo causados por:
1
o
) Rotação (spin) do elétron em torno de seu próprio eixo:
spin
m

2
o
) Rotação do núcleo em torno de seu próprio eixo:
núcleo
m

3
o
) Movimento circular (órbita) do elétron em torno do núcleo:
orb
m

Dependendo da combinação desses momentos magnéticos pode-se classificar 6 tipos diferentes de
material, conforme mostrado na seguinte tabela.

CLASSIFICAÇÃO
DO MATERIAL
MOMENTOS
MAGNÉTICOS
B µ µµ µ
R
VALORES USUAIS

ALGUNS EXEMPLOS
E COMENTÁRIOS
1 – Diamagnético
0 m m
spin orb
= +


B
int
< B
apl
,
B
int
≅ B
apl
µ
R
< 1,
µ
R
≅ 1
H, He, NaCl, Cu, Au, Si, Ge, S,
grafite, gases inertes.
2 – Paramagnético
pequeno
spin orb
m m = +


B
int
> B
apl
,
B
int
≅ B
apl

µ
R
> 1,
µ
R
≅ 1
K, O, Al, Be, tungstênio, terras-
raras, vários sais.
3 – Ferromagnético
orb spin
m m

>>
B
int
>> B
apl µ
R
>> 1
10
3

R
<10
6

Fe, Co, Ni, ligas. Domínios
magnéticos fortes
4 – Antiferromagnético
orb spin
m m

>>
B
int
≅ B
apl
µ
R
≅ 1

Óxido de magnésio. Momentos
adjacentes se opõem e cancelam
5 – Ferrimagnético
orb spin
m m

>
B
int
> B
apl µ
R
> 1
10<µ
R
<10
3
Ferrites. Momentos adjacentes
desiguais paralelos e opostos
6 – Superparamagnético
orb spin
m m

>
B
int
> B
apl µ
R
> 1
1 < µ
R
< 10
Fitas magnéticas de gravação.
Matriz não magnética.


8.6 – MAGNETIZAÇÃO E PERMEABILIDADE MAGNÉTICA

Magnetização M

é definido como sendo o momento magnético total por unidade de volume, isto é:

v
m
lim m
v
1
lim M
total
0 v
v n
1 i
i
0 v ∆
= ∑

=
→ ∆

=
→ ∆

(Unidade: A/m – mesma unidade de H)

onde n é o número de dipolos magnéticos por unidade de volume ∆v

A lei circuital de Ampère relaciona o campo magnético H

com a corrente de condução I que
produz este campo, isto é:


• = L d H

I

Por analogia, pode-se também relacionar o campo M

com uma corrente, I
m
, que produz este
campo, sendo esta corrente chamada de corrente de magnetização.

• = L d M

m
I
A lei circuital de Ampère em termos da corrente total, I
T
, é expressa por:



µ
= L d
B
o

T
I
onde:
I
T
= I + I
m
= soma das correntes de condução e de magnetização
µ
o
= 4π×10
-7
= permeabilidade magnética do vácuo (unidade: H/m)
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Substituindo as correntes pelas suas expressões com integrais, obtemos a seguinte expressão geral
que relaciona os 3 campos B

, H

e M

em qualquer tipo de meio:

M H
B
o

+ =
µ
⇒ ( ) M H B
o

+ µ = (Análoga a P E D
o

+ ε = )

Para um meio linear e isotrópico, pode-se relacionar M

linearmente com H

por:

H M
m

χ = (Análoga a E P
o e

ε χ = )

sendo χ
m
chamada de susceptibilidade magnética (constante adimensional).

Substituindo M

na expressão geral, e arranjando os termos, obtemos a conhecida relação:

H B

µ =

onde:
o R
µ µ = µ = permeabilidade magnética absoluta (unidade: H/m)
m R
1 χ + = µ = permeabilidade magnética relativa (constante adimensional)

Nota: Por analogia com J H

= × ∇ , pode-se chegar a:
m
J M

= × ∇ e ( )
T o
J B

= µ × ∇ .

8.7 – CONDIÇÕES DE CONTORNO PARA O CAMPO MAGNÉTICO



Aplicando a lei de Gauss do campo magnético ao pequeno cilindro da figura e fazendo ∆h→0:

0 S d B
S
= •


⇒ 0 S B S B
2 n 1 n
= ∆ − ∆ ⇒
2 n 1 n
B B =

Logo, a componente normal da densidade de fluxo magnético é contínua, isto é, não se altera.

Aplicando a lei circuital de Ampère ao pequeno circuito fechado da figura, fazendo ∆h→0, temos:

enlaçada
I L d H = •


⇒ L K L H L H
2 t 1 t
∆ = ∆ − ∆ ⇒ K H H
2 t 1 t
= −

Logo, a componente tangencial do campo magnético sofre uma descontinuidade de K, isto é, altera-
se de K quando existe uma distribuição superficial de corrente na fronteira entre os 2 meios. Em
forma vetorial, a expressão para o campo magnético acima é dada por:

( ) K a H H
12 n 2 1

= × − (Nota:
12 n
a

= versor normal à fronteira dirigido da região 1 para a 2)
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Se não existe distribuição de corrente na fronteira, isto é, se K = 0, obtém-se:
2 t 1 t
H H =

Logo, a componente tangencial do campo magnético é contínua, isto é, não se altera quando não
existe uma distribuição superficial de corrente (K) na fronteira entre os 2 meios.


8.8 – CIRCUITO MAGNÉTICO

A análise de circuitos magnéticos é feita por analogia com circuitos elétricos de corrente contínua
constante. O quadro abaixo indica a analogia entre as equações desses circuitos.

CIRCUITO ELÉTRICO CIRCUITO MAGNÉTICO
1) Intensidade de campo elétrico
V E ∇ − =


1) Intensidade de campo magnético
m
V H ∇ − =


2) Diferença de potencial elétrico

• =
B
A
AB
L d E V


2) Diferença de potencial magnético

• =
B
A
AB , m
L d H V


3) Lei de Ohm, forma pontual
E J

σ =
3) Densidade de fluxo magnético
H B

µ =
4) Corrente elétrica

• =
S
S d J

I
4) Fluxo magnético
Φ = • ∫

B dS
S

5) Resistência (R)
S
L
R
σ
=
5) Relutância (ℜ)
S
L
µ
= ℜ
6) Lei de Ohm
I V R =
6) Lei de Ohm para circuitos magnéticos
Φ ℜ =
m
V
7) Lei de Kirchhoff das malhas

= • 0 L d E


7) Lei circuital de Ampère

= •
enlaçada
I L d H

ou

= • NI L d H




Exemplo: Seja um toróide de núcleo de ar, de área de seção reta
S = 6 cm
2
, raio médio r
m
= 15 cm, envolvido por um
enrolamento com N = 500 espiras onde circula uma
corrente I = 4 A. Calcular a intensidade do campo
magnético H no interior do toróide.

Solução 1: Usando a equação do circuito elétrico análogo:
L H N Fmm = Φ ℜ = = I
Wb / Aesp 10 25 , 1
10 6 10 4
10 15 2
S
r 2
S
L
9
4 7
2
o
m
o
× =
× × × π
× × π
=
µ
π
=
µ
= ℜ
− −

Wb 10 6 , 1
10 25 , 1
4 500 N Fmm
6
9

× =
×
×
=

=

= Φ
I

2 3
4
6
m / Wb 10 67 , 2
10 6
10 6 , 1
S
B



× =
×
×
=
Φ
=
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m / Aesp 2120
10 4
10 67 , 2 B
H
7
3
o
=
× π
×
=
µ
=





Solução 2: Usando a lei circuital de Ampère:

= •
enlaçada
I L d H

⇒ I N r 2 H
m
= π × ⇒
m
r 2
N
H
π
=
I
⇒ m / Aesp 2120
10 15 2
4 500
H
2
=
× × π
×
=





Exemplo: Seja um toróide de núcleo de aço-silício (figura abaixo) de área de seção reta S = 6 cm
2
,
raio médio r
m
= 15 cm, com um entreferro
ar
= 2 mm, o qual está envolvido por um
enrolamento com N = 500 espiras. Calcular a corrente I que deve circular no enrolamento
para que a densidade de fluxo magnético em todo o núcleo seja B = 1 Wb/m
2
.


Solução:

Escrevendo a equação do circuito elétrico análogo:
Φ ℜ + Φ ℜ = =
ar aço
N Fmm I

ou,
ar , m aço , m
V V N Fmm + = = I

ou,
ar ar aço aço
L H L H N Fmm + = = I

Daí,
N
L H L H
ar ar aço aço
+
= I

Fazendo B
aço
= B = 1 Wb/m
2
e levando na curva do aço-silício (ver figura acima) obtemos:
200 H
aço
= Aesp/m

Fazendo B
ar
= B = 1 Wb/m
2
, obtemos:
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5
7
o
ar
ar
10 9577 , 7
10 4
1 B
H × =
× π
=
µ
=

Aesp/m

Logo,
( )
A 56 , 3
500
002 , 0 10 9577 , 7 002 , 0 15 , 0 2 200
5
=
× × + − × π ×
= I

Nota: Se desejarmos considerar o aumento da área da seção transversal por onde passa o fluxo no
ar (devido ao espalhamento de fluxo quando o mesmo passa do ferro para o ar), utiliza-se o
fator de espraiamento k, fazendo
ferro ar
kS S = , sendo k > 1.

8.9 – ENERGIA DE UM CAMPO MAGNETOSTÁTICO

A energia total armazenada no campo magnetostático no qual B

é relacionado linearmente com H

é obtida por:


• =
vol
H
dv H B
2
1
W

[J] (Análoga a:

• =
vol
E
dv E D
2
1
W

)

Notas: a) Fazendo H B

µ = , ou
µ
=
B
H

obtemos:

µ =
vol
2
H
dv H
2
1
W ou

µ
=
vol
2
H
dv
B
2
1
W

b) A densidade de energia (em J/m
3
) é dada por:

µ
= µ = • =
2
2 H
B
2
1
H
2
1
H B
2
1
dv
dW



8.10 – AUTO-INDUTÂNCIA E INDUTÂNCIA MÚTUA

Auto-indutância ou indutância própria ou simplesmente indutância, L, de um circuito fechado
(espira ou bobina) é definida como a razão entre o fluxo total enlaçado pelo circuito (Λ) e a corrente
(I) que produz este fluxo. (Ver figura).

I I
Φ
=
Λ
=
N
L (Unidade: Henry, H)
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Nota: A equação da indutância pode também ser obtida a partir da energia no campo magnético
(W
H
) devido a corrente I que flui no circuito fechado. Assim, temos:

2
I
H
W 2
L = ⇒
2
I L
2
1
W
H
=


Indutância mútua, M, entre 2 circuitos fechados é definida como a razão entre o fluxo total
enlaçado pelos 2 circuitos e a corrente que produz este fluxo. (Ver figura).

1 1
I I
12 2 12
12
N
M
Φ
=
Λ
= (Unidade: Henry, H)

Nota: Em termos de energia mútua, temos:

( ) ( )dv H H
1
dv H B
1
M
vol
2 1
vol
2 1 12

• µ =

• =

2 1 2 1
I I I I


onde:
1
B

,
1
H

= campo que resulta de I
1
(com I
2
= 0)
2
H

= campo que resulta de I
2
(com I
1
= 0)

Na obtenção de M
21
, o lado direito da expressão
acima não varia, pois o produto escalar é
comutativo.
Portanto,

21 12
M M =


Exemplo: A figura mostra 2 solenóides coaxiais de raios r
1
e r
2
, r
1
< r
2
, com n
1
e n
2
espiras/m.
Determinar (em H/m) as auto-indutâncias L
1
e L
2
e as indutâncias mútuas M
12
e M
21
.

Solução: Da seção 7.2, e sendo N = n
o
espiras, n = n
o
espiras/m:
z z
a n a
N
H

I
I
= = bem dentro do solenóide
0 H =

fora do solenóide

Assim, para o solenóide 1 (interno) temos:
¦
¹
¦
´
¦
> ρ
< ρ =
=
1
1 z 1 z
1
1
r
r
para
para
0
a n a
N
H

1
1
I
I


Similarmente, para o solenóide 2 (externo) temos:
¦
¹
¦
´
¦
> ρ
< ρ =
=
2
2 z 2 z
2
2
r
r
para
para
0
a n a
N
H

2
2
I
I


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a) Cálculo de L
1
e M
12
em H/m (supondo I
2
= 0):

1 1 1
I I I
1 1 1 1 1
1
n N
L
Φ
=
Φ
=
Λ
=

onde
2
1 1 0 1 1 0 1 1 1
r n S H S B π µ = µ = = Φ
1
I
Logo:
2
1
2
1 0
1
r n
L
π µ =

[H/m]
1 1 1
I I I
12 2 12 2 12
12
n N
M
Φ
=
Φ
=
Λ
=

onde
2
1 1 0 1 1 0 1 1 1 12
r n S H S B π µ = µ = = Φ = Φ
1
I
Logo:
2
1 2 1 0
12
r n n
M
π µ =

[H/m]

b) Cálculo de L
2
e M
21
em H/m (supondo I
1
= 0):

2 2 2
I I I
2 2 2 2 2
2
n N
L
Φ
=
Φ
=
Λ
=

onde
2
2 2 0 2 2 0 2 2 2
r n S H S B π µ = µ = = Φ
2
I
Logo:
2
2
2
2 0
2
r n
L
π µ =

[H/m]
2 2 2
I I I
21 1 21 1 21
21
n N
M
Φ
=
Φ
=
Λ
=

onde
2
1 2 0 1 2 0 1 2 21
r n S H S B π µ = µ = = Φ
2
I
Logo:

12 2
1 2 1 0
21
M
r n n
M
= π µ = [H/m]

Atenção: Adotando agora n
1
= 50 espiras/cm e n
2
= 80 espiras/cm; r
1
= 2 cm e r
2
= 3 cm, para os
2 solenóides coaxiais da figura, calcular os valores numéricos de L
1
e L
2
e M
12
e M
21
.
m / mH 5 , 39 L 2 50 10 4 L
1
2 2 7
1
= ⇒ × π × × × π =


m / mH 4 , 227 L 3 80 10 4 L
2
2 2 7
2
= ⇒ × π × × × π =


m / mH 2 , 63 M M 2 80 50 10 4 M M
21 12
2 7
21 12
= = ⇒ × π × × × × π = =


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8.11 – EXERCÍCIOS PROPOSTOS

8.1) Assume-se que o material ferromagnético da
figura possui permeabilidade constante igual
a µ. Sendo S
1
= S
2
= S
3
= S = a área da
seção reta em qualquer parte do núcleo,
1
,

2
e
3
= os comprimentos médios do braço
esquerdo, braço central e braço direito,
respectivamente (com
1
=
3
= 2 e
2
= ),
determinar:
a) A indutância L
2
da bobina de N
2
espiras
do braço central;
b) A indutância mútua M
21
entre as duas bobinas.

Respostas: a)
2
S N
L
2
2
2
µ
= ; b)
4
S N N
M
2 1
21
µ
= .

8.2) Um condutor retilíneo muito longo estende-se sobre o eixo y, possuindo
uma corrente I
1
, no sentido indicado. Um condutor de forma retangular
rígida, com corrente I
2
no sentido ABCDA, é posicionado no plano xy ao
lado do condutor retilíneo, conforme mostrado na figura. Determinar:
a) Os vetores forças sobre cada um dos lados do condutor retangular;
b) O vetor força resultante sobre o condutor retangular;
c) O fluxo total devido a I
1
que atravessa o condutor retangular;
d) A indutância mútua entre os 2 condutores.

Respostas: a)
x
2 1 o
AB
a 2
b
a F
π
µ I I
− = ,
y
2 1 o
BC
2
2
a F ln
π
µ I I
= ,
x
2 1 o
CD
a 4
b
a F
π
µ I I
= ,
y
2 1 o
DA
2
2
a F ln
π
µ I I
− = ; b)
x
2 1 o
R

a 4
b
a F
π
µ I I
− = ;
c) 2
2
b
1 o
ln
π
µ I
= Φ ; d) 2
2
b
M
o
12
ln
π
µ
= .

8.3) Duas placas infinitas, formadas de materiais magnéticos homogêneos, lineares e isotrópicos,
de espessuras 3 e 4 [mm], localizam-se no vácuo conforme a figura abaixo. Se

a
z
tem a
direção indicada e

H a a a
1
2 3 = + +
x y z
[kA/m] na região (1), ache o ângulo entre o campo
vetorial

H e o vetor unitário

a
z
nas regiões (1), (2), (3) e (4).




Respostas:
θ
1
= θ
4
= 36,70
o
,
θ
2
= 56,14
o
;
θ
3
= 65,91
o
.


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8.4) Um condutor filamentar infinito situa-se sobre o eixo z e conduz uma corrente I
1
no sentido
z
a

+ . Um segmento reto de condutor sólido se estende de P
A
(–, l, 0) a P
B
(+, 1, 0).
Determinar:
a) O campo magnético H

gerado pelo condutor infinito em um ponto genérico sobre o
segmento condutor;
b) O valor diferencial de força dF que surge devido ao campo magnético H

do item (a)
atuando em um ponto genérico no segmento condutor quando este conduz uma corrente I
2

no sentido
x
a

+ ;
c) O torque resultante
total
T

sobre o segmento condutor em relação ao ponto P
0
(0, 1, 0).

Respostas: a)
)
) (
1 (x 2
x I
2
x y
1
+

=
π
a a
H ;
b)
z
2
2 1 o
1 (x 2
xdx I I
a dF
) +
=
π
µ
;
c) ( )
y
2 1 o
total
arctg

I I
a T −

=
π
µ
.

8.5) Um eletroimã com a armadura de ferro em forma de ∪
produz força suficiente para manter uma barra de ferro
suspensa. Seja µ
R
= 1800 para o ferro da armadura e da
barra, e os ampères-espiras aplicados à bobina NI = 1
[kA]. O comprimento médio total ao longo da
armadura e da barra é de 1 [m] com uma seção
transversal de 0,1 [m
2
]. Uma lâmina de cobre de 1
[mm] entre a armadura e a barra previne o contato
ferro-a-ferro.
Adotando µ
cobre
= µ
o
, determinar:
a) fluxo magnético produzido pelo eletroimã;
b) A massa da barra de ferro (g = 9,8 m/s
2
).

Respostas: a) Φ = 0,0492 [Wb]; b) m = Φ
2
/(µ
o
g S) = 1965,6 [Kg].

8.6) Uma espira condutora circular de raio a está localizada sobre o plano z = 0 e nela circula
uma corrente I na direção
φ
+ a

. Para um campo uniforme ( ) 2 a a B B
y x o

+ = , calcular a
magnitude (módulo) e a direção (vetor unitário) do torque na espira.

Respostas: I
o
2
B a T π =

; ( ) 2 a a a
y x T

+ − = .

8.7) Seja uma bobina solenoidal (solenóide) de N espiras, com núcleo de ar, raio da seção reta
igual a a e comprimento do núcleo igual a .
a) Determinar, usando a Lei Circuital de Ampère, a expressão que fornece o campo
magnético resultante no interior do solenóide;
b) Determinar, utilizando a definição de indutância, a expressão que fornece a indutância
própria da bobina solenoidal.

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Respostas: a)

H a =
NI
z
; b) L
N
o
=
µ π
2 2
a

.
8.8) Um toróide, que possui seção transversal quadrada, é limitado pelas superfícies z = 0, z =
20 [mm], ρ = 30 [mm] e ρ = 50 [mm]. A superfície em ρ = 30 [mm] conduz uma corrente
distribuída cuja densidade superficial é

K a = −10
z
[kA/m]. Determinar:
a) As densidades superficiais de correntes correspondentes às outras três superfícies, isto é
( )

K
ρ=50
,
( )

K
z=0
e
( )

K
z=20
;
b) O campo magnético

H no interior do toróide;
c) A energia total armazenada (W
H
) no interior do toróide, cuja permeabilidade relativa é µ
R

= 20.

Respostas: a)
( ) z 50
6a K

=
= ρ
[kA/m],
( ) ρ =
ρ
= a K

300
0 z
[A/m] e
( ) ρ =
ρ
− = a K

300
20 z
[A/m];
b)

H a = −
300
ρ
φ
[A/m]; c) W
H
= 72,6 [mJ].


8.9) A figura mostra uma bobina com N = 400
espiras enrolada num núcleo de material
ferromagnético formado com 2 materiais
diferentes: (1) ferro fundido e (2) aço fundido.
Determinar a corrente I na bobina, se a
densidade de fluxo magnético no ferro fundido
é B
1
= 0,5 T.
Nota: Ver em anexo as curvas B-H destes
materiais.

Resposta: I = 2,41 A






8.10) Determinar o módulo da intensidade de campo magnético no interior de um material para o
qual:
a) a densidade de fluxo magnético é 4 mWb/m
2
e a permeabilidade relativa é 1,008;
b) a suscetibilidade magnética é –0,006 e a magnetização é 19 A/m;
c) temos 8,1×10
28
átomos/m
3
, cada átomo possui um momento de dipolo de 4×10
-30
A.m
2

e χ
m
= 10
-4
.

Respostas: a) H = 3.160 [A/m]; b) H = 3.170 [A/m]; c) H = 3.240 [A/m].

8.11) Em um certo material magnético
φ
ρ = a 5 H
3
A/m e µ = 4×10
-6
H/m.
Determinar, para ρ = 2 m:
a) J ; b)
m
J c)
T
J

Respostas: a) .
z
a 80 J = [A/m
2
]; b)
z m
a 6 , 174 J = [A/m
2
]; c)
z T
a 6 , 254 J = [A/m
2
]
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8.12) a) Usando a lei circuital de Ampère, demonstrar que o campo magnético H

produzido por
uma lâmina de corrente com densidade superficial de corrente K

uniforme é expresso
por:

N
a K
2
1
H


× =

sendo:
N
a

= versor normal à lâmina orientado para o lado desejado

b) Uma espira retangular condutora está
posicionada sobre o plano z = 0 conforme
mostra a figura ao lado, sendo seus vértices em
A(1,2,0), B(3,2,0), C(3,6,0) e D(1,6,0). Uma
pequena corrente I circula no sentido anti-
horário na espira, que está submetida a uma
densidade de fluxo magnético B

produzido por
2 lâminas de corrente
x 1
a 400 K

= A/m em
z = 3 m, e
z 2
a 300 K

− = A/m em y = 0, no
espaço livre. Determinar:
b.1) O campo vetorial total B

sobre a espira
devido as 2 lâminas de corrente;
b.2) As forças resultantes sobre os 4 lados da espira e força total resultante;
b.3) O torque total resultante T

em relação ao centro da espira, usando a fórmula
F r T

× = .
(Nota: Supor as forças aplicadas nos centros de cada lado da espira);
b.4) O torque total resultante T

, usando a fórmula B S T

× = I .

Respostas: a) Demonstração;
b.1)
x o y o
a 150 a 200 B

µ + µ = ;
b.2) 0 F =

,
CD z o AB
F a 400 F

− = µ = I ,
BC z o DA
F a 600 F

− = µ = I ;
b.3)
y o x o
a 1200 a 1600 T

I I µ + µ − = ;
b.4)
y o x o
a 1200 a 1600 T

I I µ + µ − = (igual ao obtido no item anterior).

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Anotações do Capítulo VIII