You are on page 1of 2

Pina Bausch: muito além da dança Pina Bausch, a coreógrafa que colocou a dança de pernas para o ar, uniu o balé

e o teatro para retratar os sentimentos e acabou se apaixonando pelo Brasil. A coreógrafa alemã Pina Bausch é conhecida por colocar a dança do século ! de pernas para o ar ao unir o balé cl"ssico com elementos dram"ticos do teatro. #o mundo das artes, poucas pessoas, como ela, conseguiram mexer tanto com os sentimentos do p$blico. %& que Pina Bausch conta no palco e na platéia é um teatro que liberta todas as nossas inibiç'es%, cra(ou com sabedoria o cineasta )ederico )ellini, que foi o primeiro a le(ar a coreógrafa para o cinema *no filme + la #a(e ,a, de -./01. 2entimentos em comum Bausch nasceu no interior da Alemanha, em -.3!, na cidade de 2olingen, e desde menina desen(ol(eu um senso de obser(ação das pessoas. Aos -4 anos, ganhou uma bolsa de estudos e mudou5se para #o(a 6or7, onde se tornou bailarina do 8etropolitan &pera. 8as ficou mesmo conhecida quando foi con(idada a (oltar 9 Alemanha para dirigir a companhia de dança :an;theater <uppertal, em -.=0. )oi l" que ela resol(eu tirar a dança dos padr'es r>gidos e criou uma no(a linguagem para unir o erudito ao popular. & que Bausch queria mesmo era romper com a fronteira imagin"ria que di(ide o palco da platéia. +m ("rios de seus espet"culos, os bailarinos interagem com o p$blico de uma forma bastante inusitada. Passam pelos assentos mostrando fotos antigas, ser(em bebida, contam experi?ncias de (ida, con(ersam. Pode parecer estranho, mas isso cria uma cumplicidade entre p$blico e bailarino. %Pina busca(a criar pontes entre a coreografia e o espectador. Por isso, o palco não é o $nico lugar em que sua dança acontece%, di; o @ornalista e cr>tico )abio ABpriano, autor do li(ro Pina Bausch, sobre a (ida e a obra da coreógrafa. Co minucioso ao simples Para tradu;ir as emoç'es humanas em gestos e mo(imentos, ela criou um método de trabalho baseado em perguntas e em in(estigação. Antes de criar qualquer peça, propunha quest'es aos bailarinos durante os ensaios. +les podiam responder 9s perguntas (erbalmente ou atra(és de mo(imentos 5 e tudo era gra(ado. Assim, Bausch conseguia extrair representaç'es aut?nticas sobre nossa forma de sentir.

BAUSCH FEZ "REVOLUÇÃO NA EXPRESSÃO" & trabalho da bailarina, que estreou como coreógrafa em -.D/, caracteri;a5se por uma @unção de teatro e dança moderna, que refletia sentimentos humanos como a triste;a e o amor.

Leia abaixo declaraç e! de coreo"r#$o!% bailari&o! e dire'ore! de co()a&*ia! de da&ça !obre Ba+!c*, %Pina Bausch (em de um periodo que modifica a dança no mundo inteiro, que tem muito a (er com a 2egunda Euerra 8undial, com esse sofrimento todo. +la modifica o @eito de fa;er o espet"culo. & que aprendemos com ela é esse @eito, não reprodu;ir a dor da guerra. & que interessa é a fantasia que ela tinha, aquela liberdade. :odos nós, diretores de teatro, coreógrafos, aprendemos com ela uma re(olução na expressão, ela é um grande monstro do bem.% F(aldo Berta;;o, coreógrafo, criador da +scola do 8o(imento %Pina Bausch partia de interrogaç'es sobre a própria nature;a humana. #os $ltimos anos ela esta(a se en(ol(endo com as cidades e os pa>ses, ela começou a olhar para cada lugar que para(a e ia retratando5o. #ão tinha um roteiro, mas tinha uma ideia, um ponto de partida, e fa;ia laboratório com seus bailarinos.% Fn?s Bogéa, diretora art>stica da 2ão Paulo Aompanhia de Cança

fa. fa(orecendo o processo sobre o produtoI  Jso de elementos do teatro.Carac'er-!'ica! de !+a obra As obras de Bausch são multi5facetadas e criadas a partir de propósitos curiosos. desconcertante. sentir. assim como o indi(idual e o grupal. mas com um senso de honestidade sobre o que se prop'e retratar. geradas a partir da experi?ncia de (ida de seus bailarinos. A repetição de mo(imentos simples ou frases de mo(imentos também é um traço caracter>stico de seus trabalhos e ser(em para intensificarem as tend?ncias f>sicas e emocionais da coreografia. +m suas apresentaç'es. as obras de Pina Bausch apresentam algumas caracter>sticas marcantes e que podem ser pontuadas. misturas irGnicas e muita sensibilidade. os bailarinos da companhia estão quase sempre (estidos em elegantes tra@es. confuso. cGmica ou mais abstrataI  +feito de distanciamento e momentos cGmicos inesperadosI  Aproximação do real. como exemplos:  Hepetição de mo(imentosI  Jso da (o. fragmentado. . com que o p$blico se identifique. não sendo seres MperfeitosNI  :ransitoriedade de significados em cenaI  Aonstante incompletude. busca e transformação em um pensar. é mostrado de uma forma sutil e com bastante criati(idade e imaginação. usando5a sim de um forma cr>ticaI  Apro(eita a experi?ncia de (ida dos atores bailarinosI  Aoloca aç'es diferentes de forma simultLnea no palcoI  Jsa de mo(imentos repetiti(os e estranhos para demonstrar que bailarinos também tem conflitos. tanto com os sentimentos mais dolorosos quanto os mais sutis. textos. #ão parece ser dif>cil responder ao trabalho de Bausch5 ele é real. porém sem qualquer @ulgamento ou atitude moral. contra uma representação formal e artificialI  :écnicas de colagemI  Heflexão sobre as relaç'es humanasI  Aaos grupal. preparados como para que um grande e(ento. como a própria (ida. o maligno e o benigno.intrigante. e dos sons do próprio corpoI  Fmpro(isaçãoI  8o(imentos do cotidianoI  8o(imentos abstratos ou puros usados de forma narrati(a.ao in(és de integrado. a comédia (esus a tragédia.er. Ce maneira geral. :emas comuns como a dicotomia inerente nas relaç'es entre homem e mulher. como cen"rios. + isso é o que fa. +les são um con(ite 9 reflexão. construção de uma dramaturgiaI  Erandiosidade no quadro c?nico * roupas e maquiagens1 que definem papéis sexuais e sociaisI  Kuebra de expectati(a no p$blico para mo(imentos (irtuos>sticosI  Jso do exagero e do absurdoI  & corpo é usado para estimular a nostalgiaI  #ão recusa a técnica do ballet. mediadas por seu t>pico @ogo de perguntas.