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IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos, Traumas e Memórias. De 01 a 04 de outubro de 2013.

FAED-UDESC, Florianópolis, SC

Discurso midiático: dominação social ou imparcialidade discursiva? O MST na perspectiva da revista Veja.

Miguel Pereira dos Santos1

Resumo: Esta comunicação objetiva apresentar uma análise sobre o posicionamento da Revista Veja, referente à mobilização dos movimentos sociais no Brasil de luta pela terra, especificamente o caso do Movimento dos trabalhadores Sem Terra (MST). Para este trabalho, temos como foco principal os conflitos ocorridos durante a atuação do MST na década de 1980 e a abordagem da revista no que diz respeito à falta de políticas públicas efetivas para a questão agrária no país. Fazer uma relação entre grupos hegemônicos e mídias de massa se faz necessário, pois estas, se analisadas de uma perspectiva de poder do discurso midiático, influenciam e direcionam a opinião pública da sociedade civil. Assim, pretendemos discutir, ainda, o discurso dos grupos hegemônicos, que representam uma única versão dos fatos, transformando um discurso político, aqui o do MST, em um simulacro da opinião pública nacional.

Palavras-chave: História da Mídia; MST; Revista Veja.

A reflexão que nos impulsionou a escrita deste trabalho acerca da luta pela terra no Brasil leva em conta os aspectos negligenciados pela historiografia atual que pouco discute os movimentos sociais atuantes na contemporaneidade. Estes, por sua vez, são áreas estudadas em sua completude dentro da Sociologia e Antropologia e, no campo da História, este debate é ainda recente. Não pretendemos aqui fazer um mergulho ao interior da produção acadêmica da área e analisar todas as suas facetas, mas objetivamos focalizar e problematizar exclusivamente os aspectos relevantes que se desenvolvem no seio do movimento de luta pela terra, no caso o MST, e suas amplitudes e visibilidade no contexto da visão midiática do ponto de vista hegemônico dos meios de produção e da notícia. O recorte temporal da década de 19802 se justifica pela atuação dos sem-terra no Brasil nesse período, principalmente no Rio Grande do Sul, onde, de fato, surgiu o MST com as características que conhecemos hoje. Para dar fundamento a nossa pesquisa, usaremos como método de comparação alguns dados do “Jornal Sem-terra” para analisarmos as reportagens da Veja, no período em questão. O artigo será dividido em três momentos que consideramos importante. No primeiro momento faremos um breve balanço dos antecedentes históricos da luta pela terra no Brasil. Em

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Graduando em História pela Universidade Federal de Ouro Preto. E-mail: miguel.hist@gmail.com

a população brasileira julga os atos do MST na atualidade. através da mídia hegemônica. da formação das lutas camponesas (FERNANDES.) Processo de formação de nosso País. então. são temas raramente abordados no discurso contemporâneo. Outros exemplos importantes podem ser citados: as lutas dos quilombos. Em seguida analisaremos. Essa medida visava. contra a exploração e. em associações civis. Os indígenas lutaram pela preservação de suas áreas diante da ação dos portugueses. identificando como ela concebe a luta pela terra na década de 1980. a luta de resistência começou com a chegada do colonizador europeu. pois. na intenção de povoar a região centrooeste brasileira. a emergências das Ligas Camponesas etc. a História da luta pela terra no Brasil é desde de nossas origens coloniais um (. o público a qual se destina. FAED-UDESC.. SC seguida. em outros avançamos. as reportagens da Veja. suas diversas e criativas formas de resistências. Um breve histórico da luta pela terra no Brasil Para pensar a luta pela terra no Brasil se faz necessário compreender que ela não começou apenas com o surgimento dos movimentos sociais. as lutas contra o cativeiro. p. há 500 anos. Assim sendo. Por fim concluímos com a análise de como o discurso midiático influencia no pensamento popular e como. seus editores etc. Começaram. no governo getulista.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. que marcam a história dos trabalhadores desde a luta dos escravos. 3 A marcha para o Oeste foi uma política de governo de Getúlio Vargas. 2000. a chamada “marcha para o oeste”3. contra a expropriação. buscaremos mostrar algumas reportagens em contraponto com o Jornal Sem Terra. as organizações de lavradores dos anos 1950/1960. devido ao fato de ali existirem muitas terras ociosas. Para essa análise. desde quando os povos indígenas resistem ao genocídio histórico.. O terceiro momento buscará analisar de forma superficial as características principais da Revista Veja.25). diminuir as pressões existentes no centro-sul do país. então. No trabalho historiográfico é impossível se prender a um recorte temporal. levando os moradores dessa região para regiões que produzissem 2 2 . Já no descobrimento do Brasil essas lutas ganham visibilidade. no entanto. por conseguinte. ainda. abordaremos através do Jornal Sem Terra como se iniciou as questões referentes à Reforma Agrária na década de 1980 – momento em que culminou-se o MST que conhecemos hoje. a busca pela conquista de terras por trabalhadores na cafeicultura no período do ciclo do café. Ela percorre nossa História e está presente em vários períodos. desde a colonização. contra a expulsão e contra a exclusão. contra o cativeiro da terra. os posseiros já buscavam terras para plantar. Traumas e Memórias. em alguns momentos retrocedemos no tempo. como o MST. Florianópolis. De 01 a 04 de outubro de 2013. da luta dos imigrantes. Assim.

deixando marcas significantes na condução de um país que apresenta um território tão enorme e com tanta terra improfícua. A concentração de terras no Brasil tem suas origens no descobrimento. de áreas de uso e propriedades comuns. em que a concentração de terras era ainda maior. nessa conjuntura. Florianópolis. Somos fruto da teorização de muitas experiências de luta que nos antecederam e só assim. buscando compreender nossos antecedentes históricos. matérias primas e gêneros alimentícios para ajudar a preço baixo na implantação da industrialização na região Sudeste. de maneira explícita. E este é o papel que o MST vem desenvolvendo ao longo dos anos. favorecendo. compreende-se que a formação do MST na década de 1980 foi apenas mais um processo de muitos que fazem parte da História agrária brasileira. Compreende-se. p. SC Assim. A luta pelo acesso a terra vem seguindo a nossa história. 2009. Sabe-se bem que somos herdeiros das lutas históricas dos povos ameríndios. desapropriação ou arrecadação pelo poder público e associado. a implementação de vários assentamentos. FAED-UDESC. Assentamentos rurais aqui são entendidos como a ocupação e uso de terras para fins agrícolas.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. mas pelo pouco que esta bandeira representa. Não estamos vivendo o auge da conquista de acesso à terra.161). dos brancos. se pensarmos um Brasil do século XVIII. dos movimentos camponeses como a Liga Camponesa de resistência. Mas para chegar ao que temos hoje em assentamentos rurais foram preciso muitas lutas e conflitos. Os assentamentos rurais. dos negros. 3 . sendo o patrimônio fundiário envolvido resultante de processo de aquisição. pelos trabalhadores e/ou pelos agentes públicos. a processo de reforma agrária (MEDEIROS & LEITE. O MST ao longo dos anos conquistou um espaço importante no cenário nacional. representam hoje na história do Brasil uma vitória ainda em fase inicial. que desempenharam e desempenham um papel fundamental para a economia do país. que se torna necessário lutar por novos meios para a sua obtenção. Traumas e Memórias. Assentamentos rurais não devem ser confundidos apenas como propriedades rurais. por sua vez. seremos capazes de entender as razões da luta dos Sem Terra hoje. dos estrangeiros. Somos fruto de muitas reflexões. avançamos razoavelmente. a partir dessa perspectiva. De 01 a 04 de outubro de 2013. É consideravelmente importante ressaltar ainda a importância da implementação da questão agrária em um país. com isso. agropecuários e agroextrativistas em que um grupo de trabalhadores sem terra ou com pouca terra obteve a posse usufruto e/ ou propriedade sob a forma de lotes individuais e. em alguns casos. que só existe o MST hoje porque antes dele a sociedade brasileira já tinha se organizado por justiça social e contra a dominação burguesa.

FAED-UDESC. Traumas e Memórias. de 1995 a 1999 foram assentadas 372. Para uma melhor compreensão veja: SPAROVEK. Em meio a tantas mudanças significativas. como A marcha do sal de Gandhi. proporcionadas pelo acesso à terra. produzido por Carter quando este estuda a Marcha a Brasília em 1997. Antes de entrar de fato na origem a que se destina nosso trabalho. não adianta ser assentado e não receber condições de trabalhar a terra. melhorias na qualidade de vida. a análise das reportagens da Veja em respeito à luta pela terra. aumento da arrecadação tributária. descaracterizando toda a estrutura da região e transformando-as em chácaras de recreio de grandes empresários. Gerd. como entender o descaso com reforma agrária no Brasil? Cabe lembrarmos. ou de qualquer outra forma de organização social ou política não é tarefa fácil.866 famílias. e Reforma Agrária no Brasil”. isto é. SC O acesso à terra é importante. Para isso. A qualidade dos assentamentos da reforma agrária brasileira. redução dos problemas urbanos decorrentes do crescimento das cidades e muitos outros4. Objetivamos apenas fazer alguns apontamentos importantes. Tal condição socioeconômica leva os trabalhadores rurais a venderem seus lotes para pequenos empresários. aumento de oferta de alimentos e matérias-primas para o mercado interno. 5 Em uma análise da representatividade do MST no cenário mundial.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. De 01 a 04 de outubro de 2013. acreditamos ser necessário analisar quais processos históricos levaram o MST a se tornar um dos maiores movimentos populares do Brasil ou até mesmo da América Latina5. a marcha dos direitos civis Selma – Montgomery. Sabemos bem que traçar o percurso histórico de um movimento. que levaram os Sem Terra a se organizarem em prol de uma política agrária que fosse condicente com a realidade brasileira. obtenção de divisas. Incorporar terras que se encontram ociosas ao processo produtivo da agricultura e transformá-las em assentamentos rurais pode causar mudanças significativas em um país. tentando comparar suas reportagens com as análises feitas pela Revista Veja. segundo o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma agrária). Florianópolis. mas em um país onde as disparidades econômicas são enormes. 4 4 . São Paulo: Páginas & Letras Editora e Gráfica. 2003. comparando a outros eventos importantes que ocorreram no mundo ao longo da História. Entre elas. todavia. usaremos como pano de fundo o Jornal Sem Terra. sendo o governo brasileiro o que mais investiu em projetos de reforma agrária mundialmente. indicamos como chave de leitura o texto “Desigualdade social. a marcha indígena de Trinidad a La Paz entre outras. O surgimento do MST e o Jornal Sem Terra. ocorridos na década de 1980. que. podemos citar a criação direta e indiretamente de empregos. Democracia.

Traumas e Memórias. Outro é a de ampliar ainda mais esta campanha. O número de famílias era de. dentro de suas atribuições. comunidades de base e demais entidades a nível nacional – bem como a opinião pública em geral através dos meios de comunicação – jornal. somando. então. Diante da citação percebemos. publicado até hoje6.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. não havia naquele estado terras que pudessem ser desapropriadas para o sistema de Reforma Agrária. O Jornal. Assim. estes foram despojadas de suas terras por um grupo de índios Kaingang em maio de 1978. levando-a a todas as regiões do Estado e País. rádio e televisão. a intenção do jornal. de acordo com o jornal. que seria divulgar o movimento para que assim conseguisse adeptos e patrocinadores para a campanha em favor dos Sem Terra. uma é a de manter constantemente informado todos os colaboradores desta campanha de solidariedade. SC O Jornal Sem Terra surgiu da necessidade de informar a população acerca das condições de vida dos acampados do pequeno município de Ronda Alta. 1. FAED-UDESC. opção contestada pelos colonos que queriam permanecer na região. (Boletim informativo da campanha de solidariedade aos agricultores sem-terra número I.100. este último grupo acampouse à beira da estrada. um número de 500 famílias. além de informar sobre o acontecido no acampamento. Outro grupo foi assentado perto da fronteira com o Uruguai e o restante ficou na região de Ronda Alta. De 01 a 04 de outubro de 2013. As informações não seriam apenas da região do Rio Grande do Sul. Florianópolis. De acordo com o governo. aproximadamente. que teve a sua primeira edição em Maio de 1981. Desse grupo de acampados surgiu a ideia da produção do Jornal Sem Terra. através de suas entidades representativas – sindicatos e federações de trabalhadores rurais e urbanos. o jornal oficial dos Sem Terra. mas também serviria como meio para divulgar o que estava ocorrendo no resto do país em relação à luta pela terra. 2). Pág. além das atribuições acima citadas. O trecho é longo mas acreditamos ser fundamental. metade foi transferida para a Amazônia por um programa de colonização do governo. O texto do primeiro boletim informativo Sem Terra propõe o seguinte: Estamos apresentando o primeiro número deste Boletim informativo que. No que respeita os acampados de Ronda Alta. a solução seria a transferência desses colonos para outras regiões ao Norte do país. se tornando. Dessas famílias. sabendo que os que outrora foram para outras regiões estavam voltando a seu Estado de origem pelo fato de o governo não dar assistência 5 . a partir de então. no estado do Rio Grande do Sul. denunciava o governo por negar a existência de terras na região. Em seguida. aproximadamente.

6 Para uma melhor compreensão do impacto do MST no Rio Grande do Sul confira: Origem e consolidação do MST no Rio Grande do Sul. possuem autorização para permanecerem e trabalharem a terra. totalizando um universo de quatro milhões e setecentos mil leitores(. como a principal revista semanal de informação brasileira. A Revista Veja e a Questão agrária no Brasil A Revista Veja foi fundada em 11 de setembro de 1968 e se consolidou a. a primeira fase desse momento histórico da luta pela terra e da formação do MST. quarenta e quatro por cento dos executivos mais graduados do Brasil. De 01 a 04 de outubro de 2013. Florianópolis. Ao analisar a década de 1980 segundo as concepções de Fernandes (2000). Acampados no contexto do MST são grupos de famílias que estão ocupando uma determinada propriedade ainda não desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e estão à espera da deliberação da justiça para a permanência na região. 2010. por pessoas da classe média e formadores de opinião.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. p. O público de Veja é formado. os colonos eram forçados a se mudarem para a cidade em busca de condições melhores.). quarenta e quatro por cento dos profissionais liberais e quarenta e sei por cento das pessoas com renda anual superior a oitenta e quatro mil reais são leitores de Veja (2005.13). Em alguns casos. 1999. já os Assentados são aqueles que já foram conduzidos a uma propriedade já liberada pelo INCRA.. partir de então. Combatendo A Desigualdade Social: O MST e a Reforma Agrária no Brasil. 7 É interessante compreender a diferenciação entre acampados e assentados. eles eram até mesmo “obrigados”. Abaixo reproduziremos alguns dados sobre a revista. compreendido entre 1978 e 1985. Traumas e Memórias. que podem ser obtidos em seu endereço eletrônico. no final do período militar e com a busca crescente pela modernização do país. p. Miguel (Org. 6 . Diante da situação em que se encontrava o país nesse período. período da luta pela democracia. trinta e nove por cento são leitores com segundo grau completo e trinta e seis por cento de pessoas com terceiro grau. SC necessária aos assentados7. em grande parte. Esse processo é entendido em seu caráter mais geral. O público da Veja é formado por sessenta e sete por cento de pessoas da classe A e B. 65-66).. na década de 1980. In: CARTER. fazendo com que assim as grandes cidades crescessem de forma desordenada. o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) nasceu do enfrentamento e resistência contra a política de desenvolvimento agropecuário instaurada durante o regime militar. Com uma tiragem semanal de um milhão e duzentos mil exemplares. pois as construções de barragens impulsionava a expulsão de suas terras. de transição política e de rupturas.(. e de certo sentido. vinte e três por cento da classe C e dez por cento da classe D. da luta contra a expropriação e contra a exploração do desenvolvimento do capitalismo.. além de tudo.) Quanto ao nível de escolaridade. a classe trabalhadora nesse período retoma suas perspectivas conquistando novos espaços no campo e na cidade (FERNADES. FAED-UDESC.)..

cuja eliminação poderá trazer só a ordem social. edição de número 44. sendo que o governo não dispõe nem de meios. O que notamos é que quando a questão agrária é noticiada. a seguinte frase vem em destaque: invasor que pisar aqui leva chumbo. Fonte: Jornal Sem Terra. De 01 a 04 de outubro de 2013. 19/06/1985: 19) O semanário considera que o governo não é capaz de colocar em prática as proposta pensadas no plano. 19/06/1985: 22). finalmente foi apresentada a proposta do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA). A carta ao leitor é iniciada com os seguintes dizeres: o governo do presidente José Sarney está pagando um alto preço pela encenação feita em torno da reforma agrária (Veja. não poderá interferir na propriedade “privada” dos grandes latifundiários.504 (Estatuto da Terra). no entanto. Com 21 anos de atraso. Na verdade. há. pelo ministro Nélson Ribeiro. como bem salienta a revista “um latifúndio em São Paulo ou em Minas Gerais tem área equivalente a uma fazenda de porte médio no Pará” (Veja. 8 7 . a revista pretende discutir. de Junho de 1985. Os interesses burgueses sempre estão em primeiro plano quanto à escolha de suas reportagens. FAED-UDESC. Florianópolis. Vem que tem. Durante os anos de publicação da Veja encontram-se algumas referências em relação à questão agrária. Traumas e Memórias. os argumentos são favoráveis e deixa claro que a questão agrária deve ser pensada. a saber: a edição de número 876 de 19 de Julho de 1985 e a de número 928.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. em que são destacadas em suas capas reportagens referentes à questão agrária. para essa ordem. quando o ministro levou-a ao Congresso Nacional e às lideranças dos partidos. em que apresenta-se como reportagem principal a questão agrária. o Plano Nacional de Reforma Agrária. no norte de Goiás (o famoso jagunço). A apresentação foi em 27 de maio de 1985. ano em que o então presidente Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco criou a Lei 4. que data de 18 de Junho de 1986. Na edição de 19 de junho de 1985. Ao lado. o editor sabe bem que o problema fundiário no Brasil é gritante. “radicais” etc. proposta por Sarney8. estampada na capa. o Plano deveria ser apresentado e aplicado em 1964. em outras não passam apenas de pequenas propriedades de terras. SC Diante dos dados supracitados ficam evidentes os motivos pelo qual as reportagens da revista referentes à questão agrária não se baseiam em concepções da classe trabalhadora Sem Terra. até porque o que é considerado latifúndio em uma região do país. é necessário implementação da racionalidade do governo e não de discursos eloquentes e planos vagos. Além de tratar da violência no campo. focamos nossa análise apenas em duas revistas da década de 1980. no entanto. o fazem de forma deturpada. a figura de um guardião da fazenda Camarões. sempre tratando os envolvidos como “baderneiros”. em suma. nem de competências e nem de força para isso. ainda. “vândalos”.

em 1995. na década de 1980 O país inteiro mede 850 milhões de hectares e os imóveis rurais ocupam 567 milhões de hectares. com 41 assassinatos entre os 318 mil trabalhadores rurais que disputam 3 milhões e 200 mil hectares de terras agrícolas. Desses 567 milhões. dizendo que o vacilo do ministro encarregado do setor fundiário Nelson Ribeiro foi apresentar “o projeto num plenário de trabalhadores rurais. deixa transparecer por trás de seu discurso que só é legal se essas terras saírem das terras consideradas “terras devolutas”. o autor concorda com os termos da reforma. eleger prioridades claras e enfrenta-las com coragem” (Veja. 9 8 . Já em 1996. de acordo com a reforma. a reforma agrária do ponto de vista do discurso midiático. Sendo assim a proposta do governo não é nada espantosa quando propõe a divisão das terras brasileiras. 409 milhões compõem latifúndios (propriedades com grandes extensões de terras acima de 1000 hectares). 1999. como se precisasse mais do apoio deles do que dos fazendeiros para o plano da reforma” (Veja 19/06/1985: 23). ou seja. Traumas e Memórias. Nas palavras da Veja: “O grande equívoco da situação atual está na atitude de se tomar a reforma agrária como uma palavra de ordem. Em contrapartida. Ou seja. a Conferência Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. no entanto. Uma análise importante se faz necessária aqui. 57% da população rural dispõem de três por cento das terras. SC Sabe-se que a questão da terra no Brasil vem desde nossa colonização e que as raízes dos problemas não estão limitadas e isoladas no tempo.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. em que. 10 milhões de famílias do campo não possuem terra para tirar dela seu sustento (Veja. em vez de isolar os problemas concretos que existem em áreas perfeitamente conhecidas. Em outras palavras. Na outra ponta da questão. os grandes latifundiários deveriam continuar intocáveis. a reforma deveria ser pensada juntamente com eles e não com os próprios Sem Terra. pode-se concluir que para o autor da reportagem a questão agrária é sim necessária9. pois a reforma mais interessava aos grandes fazendeiros. registraram-se 409 conflitos agrários. com o assassinos de 54 lavradores e de pelo menos três jagunços a serviço de fazendeiros (LINHARES & SILVA. FAED-UDESC. mas. 19/06/1985: 21). sendo atendidos em média 1. 19/06/1985: 19). deveria ser pensada a partir de uma elite. De acordo com dados da revista. e não da classe dos Sem Terra. De 01 a 04 de outubro de 2013. No Brasil. Partindo do ponto de vista de que no Brasil existiam grandes latifúndios improdutivos. Ainda de acordo com dados de 1995 e 1996 essa situação ainda continua semelhante. PÁG. entre produtivos e improdutivos.13).5 milhão de famílias por ano. aqui apresentado pela revista Veja. Finalmente. Florianópolis. Vejamos o trecho da reportagem em que o autor confirma este argumento. quinhentas famílias detêm 43% das terras agrícolas e correspondem a três por cento da população rural. os mesmos conflitos aumentaram para 750. seriam distribuídos 130 milhões de hectares ociosos aos Sem Terra. metade das áreas dos latifúndios nada produz. como citado anteriormente. Diante desses dados.

os problemas da terra no Brasil não são de questão nacional. o presidente faria um pronunciamento em entrevista coletiva a imprensa declarando que a reforma inicialmente tocaria apenas em terras devolutas. Ronaldo Caiado. a revista sequer cita-o. como poderia ter brotado qualquer outra sigla” (Veja. que também atuavam de maneira legítima na luta pela terra. Entretanto. brotou a UDR. e isso foi seguido pelo presidente Sarney. pois na segunda feira da semana seguinte a reportagem. SC Assim sendo. de 18 de junho de 1986. utilizandose de termos pejorativos. cada um deveria ser pensado de forma isolada. a revista trata-o como um campeão (página 25). maior produtor de soja do país. quando se refere aos Sem Terra. apresenta. por exemplo. Em nenhum momento das reportagens o semanário faz referência aos Sem Terra – como se a discursão não tivesse alguma relação com estes. Ao falar dos latifundiários. então líder da UDR. mas ignorar a existência de outras entidades. 10 9 . estavam sem alguém que falasse por eles. Daí. No entanto. a revista o trata como indicador saudável. A outra edição analisada da Veja que retrata a questão da terra no Brasil é a de número 928. A solução do ponto de vista da Veja era então permanecer como estava.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. FAED-UDESC. movimento organizado desde 1984. Ao falar da criação da UDR. e que apenas as terras improdutivas é que “eventualmente” entrariam na mira a reforma10. Infelizmente não encontramos nenhuma referência a esta coletiva em outras fontes. e não na sua totalidade. a revista faz apontamentos de como os fazendeiros estavam se unindo através da União Democrática Ruralista (UDR)11 para enfrentar a reforma agrária do governo. trata-os como causadores de desordem e baderneiros. De 01 a 04 de outubro de 2013. A luta dos Sem Terra já aparecia no cenário nacional tendo como representação maior o MST. Sabemos dessa informação a partir da própria revista. como os fazendeiros enfrentam a reforma agrária do governo”. os problemas poderiam até ser resolvidos desde que os interesses da elite agrária permanecessem intactos. Mais uma vez o governo recuou para atender aos anseios da elite. Traumas e Memórias. nos parece muito intencional. Florianópolis. Assim. estampado na capa. os fazendeiros detentores de interesses na maioria das vezes legítimos. 18/06/1986: Não sabemos de fato se a entrevista coletiva aconteceu. sem interferência nos latifúndios. Outro ponto em que nos parece que a revista valoriza uma classe e inferioriza outra está relacionado à maneira como ela se dirige. A edição. que tem como título principal “A força da UDR. pois “na verdade. ao falar de cada grupo em questão. do latifundiário Olacyr. e sempre estabelecidos. Reconhecemos que a reportagem pretendia reportarse a UDR. Nesta edição. Eles estão isolados em regiões diferentes e para resolvê-los. e que não aceitaria invasão.

Traumas e Memórias. Sabemos que pela dimensão territorial do Brasil e. FAED-UDESC. em 27 dias. O motivo da caminhada foi o não cumprimento. não se vê tal ponto de vista em relação aos “baderneiros”. O autor da reportagem tem razão ao falar dos Sem Terra e como na edição que analisamos anteriormente. A UDR. diz apenas que “(. que não se criou espontaneamente nem foi fomentada pelo governo. como explicam a origem da UDR na edição 928. E a Veja? Nada fala a respeito. se organizavam para combater os sem-terra com seus jagunços. p. além de representar a elite latifundiária do país. no entanto. 19/06/1985: 20). protestavam contra a violência no campo.04). Com essas palavras o Jornal Sem Terra inicia sua reportagem sobre o percurso dos Sem Terra a Porto Alegre. sem.. é relativamente um número muito baixo de pessoas que participaram da caminhada. quilômetro por quilômetro. como fica claro no seguinte trecho: “Em Santa Catarina. Pois foi com força e com fé. se conquista. Fé pelo ideal da Reforma Agrária. edição de número 54. de acordo com o próprio jornal. então. pelo menos na década de 1980. que não a deseja” (Veja. A UDR se resume a um braço representativo dos latifundiários para manter a estrutura fundiária do país. Para percorrer 450 quilômetros a pé. Contudo. que 250 dos 6500 acampados da Fazenda Annoni percorreram. não fazer nenhuma referência ao MST? Saber da existência do movimento eles já sabiam. entre 27 de maio e 23 de junho. Além disso. Força para vencer. Com força e com fé. que poderia fazê-la avançar rapidamente – a mobilização popular. O governo poderia ter evitado (Jornal Sem Terra. Florianópolis. Aqui se referem ao MST. SC 38). no Sul do país acontecia uma caminhada organizada pela direção do MST com destino a Porto Alegre. O que a revista não sabia era que este ingrediente estava sendo preparado. Foi uma das mais significativas manifestações pela Reforma Agrária na história da luta pela terra no Brasil. 18/06/1986: 38). sob chuva ou sob sol. Seus membros. deixar claro e tenta explicar a origem deste movimento. em fins de fevereiro entre os acampados e o Ministério da Reforma Agrária. existe um grupo de lavradores que se denominam Movimento dos Sem Terra e essa organização reivindica a imediata desapropriação de 1000 hectares que seus membros ocupam no oeste do Estado” (Veja.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. considerando que nesse momento aproximadamente 12 milhões de pessoas lutavam pela terra.. 11 10 . já significa um avanço em relação à luta pela terra no Brasil. vamos a Porto Alegre a pé. Enquanto esta reportagem era escrita. os 450 quilômetros que separaram o acampamento no município de Sarandi. somente com muita força e com muita fé. do compromisso assumido pelo Governo Federal de desapropriar 32 mil hectares de terra no Rio Grande do Sul para assentar as 1500 famílias acampadas desde outubro de 1985 na fazenda Annoni. de Porto alegre. sobre o asfalto ou sobre pedras. tendo a certeza de que a Terra não se ganha. Por que.) no atual quadro da reforma agrária brasileira falta um ingrediente principal. enfrenta os sem-terra com a violência. De 01 a 04 de outubro de 2013.

passadas mais de duas décadas de lutas. estão em suas páginas de forma não tão visível como as que analisamos aqui. FAED-UDESC. podendo se resumir a famosa frase “onde os fracos não tem vez”. fez saques. Entretanto. encontramos apenas duas reportagens da Veja que fazem referência a ela12. através de alguns trechos de reportagens. é evidente como o discurso se permeia em prol do interesse da elite latifundiária do país e. Fizemos uma busca básica nos índices que ligasse diretamente ao nosso objeto de estudos. como o discurso da Veja pensa a questão agrária brasileira enfatizando o caso do MST. mesmo sendo a UDR de criação recente. Porém. Por sua vez. mas infelizmente não tivemos a oportunidade de fazer uma busca sistematizada em todas as edições da década de 1980. Nas edições analisadas. Se existem outras reportagens referentes à questão agrária. Porém. No Brasil a questão agrária se compara as ações de banditismos das grandes cidades. De 01 a 04 de outubro de 2013. e ao analisar estas reportagens percebemos que o que vem a ser questionado são as concepções dos grandes proprietários de terras e não o real problema brasileiro dos Sem Terra. Fazendo uma viagem desde os anos 1980 até a primeira década do século XXI. como exemplo. Ainda hoje a reforma agrária representa uma ambiguidade num mundo de verdades relativas. Considerações finais Sabemos muito bem que os anos 1980 foram um período de várias lutas e conquistas no que se refere à busca pela terra e pelos direitos sociais no Brasil. podemos considerar a escolha da revista em noticiar alguns eventos (UDR) e não dar a importância devida a outros (MST). Terra Acreditamos que possam existir outras reportagens com menor grau de visibilidade.. ainda há muito a ser feito. assim. por ser um órgão de representação burguesa. o MST em nenhum momento é analisado nas duas edições trabalhadas e temos apenas uma referência ao movimento de forma superficial na primeira edição. Na segunda revista analisada. Florianópolis. por mais que a Veja trate da questão agrária. mas nada foi encontrado. em relação à questão agrária. é evidente que ela já considerava a luta pela terra uma questão de vandalismo.) O MST começou fazendo marchas de protesto. uma mobilização popular e muito foi conquistado. Criou-se. partiu para a invasão de latifúndios improdutivos.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. Dizer que na década de 1980 a revista Veja considerava o MST como ela o retrata hoje seria um grande equívoco e estaríamos sendo anacrônicos do ponto de vista historiográfico. tomou prédios públicos e promoveu invasão de terras produtivas. conseguimos perceber. Traumas e Memórias. percebemos que. já se encontrava estampada na capa da revista. 12 11 . (. ao menos. fingia não perceber o quanto a sociedade brasileira estava contestando a política agrária do país. como já mencionamos anteriormente.. SC ou. Sua evolução reforça a ideia que eles não querem só a terra.

não apontando o lado positivo do movimento. O movimento é visto. que pensam ser o semanário imparcial e fiel com a verdade. As informações prestadas pelo semanário da Veja tende a influenciar de forma negativa o pensamento social e leva a sociedade a pensar de forma inconsciente e fantasiosa. como arcaico e não mais representa a sociedade brasileira.. pois a sociedade concebe. construindo sua visibilidade de forma marginalizada e criminal. as classes dominadas contestarão as informações jornalísticas. Sabemos que infelizmente seus objetivos são alcançados. Aqui é possível perceber como o MST é descaracterizado pelo semanário e sempre aparece como imagem de violência e vivendo na ilegalidade.. farão a denúncia sistemática da manipulação e da distorção (ABRAMO. sua análise de conteúdo e forma. Florianópolis. ao longo dos anos. portanto. diante dos órgãos de comunicação. não deixando que a sociedade perceba a importância que o movimento desempenha na política nacional no que diz respeito à questão agrária brasileira. farão a comparação militante entre o real acontecido e o irreal comunicado.. os Sem Terra como “baderneiros que vivem a custo do governo. Acreditamos que um dia (. a desmistificar o jornalismo e a imprensa. que o ideal do movimento não é apenas a terra. bandeira esta combatida pela revista há anos. A bandeira anacrônica. 12 . então. Traumas e Memórias. O que podemos considerar é que as reportagens da Veja giram em torno dos interesses da classe dominante e tendem a manipular a população dita leiga. cada vez mais. que a revista Veja vem. FAED-UDESC. no entanto. Diante das análises. Como algumas de suas lideranças já admitiram. Por meio de seus setores mais organizados.) as classes politicamente dominadas tenderão. em sua grande maioria. tentando levar o público leigo a pensar que o MST só causa vandalismo e desordem. nesse sentido. concluímos. por sua. discurso este semelhante ao da Veja. o primeiro justificando o segundo. verdadeiros vândalos e vagabundos”. A revista aponta. a revista tenta caracterizar as ações do movimento como ilegais. deu no que deu (Veja. tentando desconstruir o movimento como legítimo. Como socialismo e banditismo são duas faces da mesma moeda. (.) Passarão a intensificar sua postura crítica. Em outra edição do ano de 2006 a Veja apresenta seu discurso elitista novamente: O MST nasceu em 1984 como um movimento social destinado a lutar pela reforma agrária – uma causa da segunda metade do século passado que já não faz sentido na realidade brasileira. 12/03/2003: 57). 2003: 49). nunca passou de pretexto para as verdadeiras motivações de seus líderes: a “revolução socialista”. eles desejam o poder (Veja. Em suma. SC já conseguiram bastante. 26/04/2006: 42). Este.IV Entre o Discurso e a Espada: Conflitos. De 01 a 04 de outubro de 2013. vez busca a revolução socialista..

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