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O USO DA TECNOLOGIA DE TUBOS DE GEOTÊXTIL PARA CONTROLE DE EROSÃO MARINHA E FLUVIAL

Nathalia Paiva Barbosa de Castro, nathpbc@yahoo.com Allonda Geossintéticos Ambientais, Consultora. Luiz Gustavo Burihan Escobar, lge@allonda.com Allonda Geossintéticos Ambientais, Diretor. Paula de Mello Martins, paula@allonda.com Allonda Geossintéticos Ambientais, Eng. Geotécnica.

RESUMO
A utilização de tubos de geotêxtil para controle de erosão já conta com um histórico iniciado nos anos 60 na Holanda. Esta aplicação teve seu inicio em obra de proteção costeira e vem sendo aplicada em inúmeros países como, por exemplo, Estados Unidos, México, Alemanha, Brasil entre outros. A Engenharia também vem lançando mão dos beneficios desta tecnologia para a proteção de margens contra a erosão fluvial em áreas que perderam sua mata ciliar, onde é possível criar defletores de fluxo para a restituição dos sedimentos carreados. Os tubos de geotêxtil são elementos tubulares, que para esta aplicação, são preenchidos por emulsão (água + material granular). As propriedades hidráulicas do geotêxtil tecido permitem que a parte sólida seja retida e a parte líquida drene através de seus poros. Através de alinhamento ou empilhamento, os tubos preenchidos formam, em tempo reduzido em relação a técnicas convencionais, estruturas tais como ilhas artificiais, diques, quebra-mares, espigões e outras de mesmo gênero. Este trabalho tem por objetivo apresentar a tecnologia de tubos de geotêxtil aplicada ao controle de erosão marinha e fluvial, mostrando suas vantagens ambientais e operacionais, além de suas potenciais aplicações. PALAVRAS-CHAVE: TUBOS DE GEOTÊXTIL, CONTROLE DE EROSÃO, SEDIMENTOS.

É possível verificar a eficiência dos tubos de geotêxtil em muitos casos de aplicação marinha e/ou subaquática tais como criação de ilhas artificiais. Lawson 2006. Germany and Brazil. Weggel 2008). such as the United States. INTRODUÇÃO Com importante papel na manutenção dos diques na Holanda. Cantré 2002. As a matter of fact. Alemanha e Brasil.ABSTRACT Geotextile tubes technology utilized as an erosion control system has a background that started in the 1960’s in the Netherlands. structures such as artificial island. showing its environmental and operational advantages. Nos dias de hoje este procedimento já é amplamente dominado. and water. Castro 2005. where can be installed groynes to properly conduct the flow of the river and to recover the sediments that was lost. Nowadays Engineering has also been benefited using this technology to control the erosion caused by rivers in margins without natural vegetation. The tubes when aligned or stacked can create in a shorter time. diques. EROSION CONTROL. as primeiras aplicações de tubos de geotêxtil ocorreram na década de 60. México. em virtude das muitas aplicações já feitas em diversos paises tais como Estados Unidos. . espigões quebra-mares entre outras obras de mesmo gênero (Pilarczyk 2000. the first application was a shoreline protection and since then this innovative technology has been used in many countries all over the world. groynes and breakwaters. SEDIMENTS. usually sand. dykes. This paper has the objective of presenting the geotextile tubes technology applied as a marine and riverine erosion control system. besides potential applications. Mexico. When used for marine and riverine applications. Martins 2006. A Figura 1 apresenta a primeira aplicação da tecnologia de tubos de geotêxtil no mundo. geotextile tubes are elements that are filled with slurry composed by granular material. in comparison to conventional techniques. The retention of the solid part and free pass of the water are provided by the hydraulic properties of the woven geotextile. KEYWORDS: GEOTEXTILE TUBES.

DESCRIÇÃO DA TECNOLOGIA O geotêxtil constituinte do tubo deve ser capaz de desaguar materiais com altos teores de umidade. Pilarczyk 2000. Este processo de filtragem e retenção envolve uma série de fatores que devem atuar simultaneamente para que o produto final seja uma estrutura compacta e monolítica composta por elementos dispostos na geometria desejada. 1962). sob normas técnicas e utilizando método de cálculo apropriado (Plaut 1998. Castro 2005. Figura 1: Primeira aplicação de tubos de geotêxtil para proteção costeira (TC Nicolon – Holanda.a qual foi executada em 1962 na Holanda. A questão do dimensionamento do geotêxtil consiste em análise de tensões em função das solicitações impostas. A tecnologia de controle de erosão através de tubos de geotêxtil tem tido grande . Martins 2006). Cantré 2002). as quais englobam as de âmbito mecânico e hidráulico. aproveitando suas propriedades de retenção da parte sólida e livre passagem da parte líquida (Vidal e Urashima 1999.

80 metros. o qual é um material inerte e livre de contaminação. A seguir alguns casos de obra são citados mencionados.200 metros lineares de tubos de geotêxtil cheios com areia local até a a altura de 1. As unidades se mantiveram intactas e sem danos causados a avenida. A tecnologia de tubos de geotêxtil permite com que os elementos sejam criados no próprio local. ventos e tempestades. As Figuras 2 e 3 mostram os tubos de geotêxtil já instalados durante e após forte tempestade. nas dimensões necessárias suportando com estabilidade e segurança os esforços gerados por correntes marítimas e fluviais. O material de preenchimento dos tubos é normalmente composto por areia e água. O uso de rochas envolve complexidades na hora do transporte até o local que normalmente é de difícil acesso e principalmente em ambiente costeiro as forças envolvidas são elevadas o que implica em rochas de grandes dimensões. além disso. O uso de material local implica em evitar a importação de material exótico àquele habitat como é o caso do enrocamento. principalmente em tempos de ressaca. tanto para controle de erosão marinha quanto fluvial. na cidade de Sea Isle no estado de New Jersey – EUA foram instalados aproximadamente 1. o que usualmente está disponível no local. além de ondas. . prática mais freqüente em obras desta natureza ou concreto. CASOS DE OBRA Muitas têm sido as aplicações ao redor do mundo.aceitação em atuais projetos em função das questões ambientais envolvidas. Em 1997. o geotêxtil tecido normalmente usado é de polipropileno. A estrutura foi utilizada para proteção da orla e restauração da avenida que há tempos vinham sendo destruídas pela ação das ondas.

Figura 2: Estrutura em tubo de geotêxtil durante a tempestade.geotube. estado da Carolina do Norte – EUA. foi alcançado através de espigões instalados perpendicularmente a praia conforme é mostrado na Figura 4. (http://www. a restituição dos sedimentos erodidos pela ação marinha.com/) Figura 3: Após a tempestade (http://www. ou seja.geotube.com/) Outro caso que se pode citar é o que aconteceu em 1995 na orla de Bald Head Island. O engordamento da praia. .

O dique Matadouro – Braço Alto do Vianna estava sendo erodido pela correnteza . A Figura 6 mostra espigões instalados em São Joao da Barra – RJ – Brasil.com/). (TC Nicolon – 1995 – disponível em http://www.com/) A Figura 5 mostra claramente o acumulo de sedimentos na lateral do tubo de geotêxtil.geotube. Figura 5: Acúmulo de sedimentos na lateral do espigão em Bald Head Island – NC / EUA.geotube.Figura 4: Foto aérea da orla de Bald Head Island na Carolina do Norte – EUA (TC icolon – 1995 – disponível em http://www.

em função dos bancos de areia. . que uma vez desprotegidas iniciam seu processo de erosão (Przedwojski et al 1995). Foram instalados cinco espigões constituídos de tubos de geotêxtil. Isto diminui sua velocidade na parte central. e leva a correnteza para as margens. evitando o início de novo processo de erosão. conforme os ciclos de cheia e seca. costumam acumular os sedimentos carreados ao longo de seu curso. ANÁLISE DO DESEMPENHO Rios com calha arenosa. principalmente no período de chuvas. por exemplo.do rio Paraíba do Sul. em que os trabalhos foram finalizados em outubro de 2008. Diminuição da velocidade na região das margens Proteção das margens pelo tubo de geotêxtil. em que a vazão do rio é máxima. Figura 6: Zona de remanso e deposição de sedimentos em processo de formação entre os espigões. sem que haja deposição exagerada e formação de bancos de areia. O uso da tecnologia de tubos de geotêxtil para controle de erosão fluvial permite que os bancos de areia sirvam de material de preenchimento o que traz os seguintes beneficios: O fluxo volta ao eixo central do rio.

4. muitos fatores ligados. É importante que haja controle do processo de enchimento. É necessário considerar a componente de ondulação e marés para o caso de zona costeira e para ambientes fluviais há apenas a corrente mediante o fluxo do rio. apresentam estabilidade suficiente para suportar as adversidades da natureza.O solapamento da estrutura deve ser prevenido através de tapete de ancoragem que não só estabilizam a base do tubo como protege os sedimentos ali existentes de serem carreados. utilizando os equipamentos corretos e o material de preenchimento compatível com as propriedades hidráulicas do geotêxtil tecido utilizado. uma vez preenchidas. CONCLUSÕES Há quase 50 anos esta tecnologia vem sendo aplicada com sucesso em inúmeros trabalhos realizados para controle de erosão marinha e fluvial. mas em alguns casos um funil com injeção de água e areia também pode ser utilizado. Ë usual o enchimento das unidades por meio de bombeamento. Para o uso de espigões. furacões e fortes correntezas. Em alguns casos. a região entre as estruturas gera zona de remanso e deposição de sedimentos o que restitui margens e praias. desde ao dimensionamento até ao processo de instalação devem ser observados. recomenda-se a proteção dos tubos de geotêxtil. somados às vantagens ambientais. seja para controle de erosão fluvial ou marinha. Os elementos tubulares podem ser empilhados em formato de pirâmide quando maiores alturas são necessárias. É possível recuperar praias e margens de rios rapidamente através desta tecnologia conforme casos de aplicação em diversos paises. para uma aplicação bem sucedida. o que aumentará a vida útil em função da proteção contra os raios UV e em situações de vandalismo. tais como tempestades. As unidades em geotêxtil tecido. Segundo Pilarczyk 2000. Problemas que por anos permaneceram sem solução puderam ser resolvidos com simplicidade e baixo custo. .

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