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Revista Política Externa - Diplomacia e Democratização Vol. 22 nº 2 - Out/ ov/Dez 2!

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Egito – Crônica de uma revolução em cursopor $alem %. asserA onda de revoltas que tomariam de assalto o mundo árabe, da Tunísia ao Egito, à íbia, ao !"men, ao #a$rein, à %íria e al&m, tem causas comuns aos vários processos revoltosos e semel$anças entre eles' ( )ovo *apão rumo a +,+,por ao&i 'ana&a-esde que passou a ser governado por %$in.o Abe, em de.embro de +,/+, o *apão entrou numa sequ"ncia de ambiciosas re0ormas econômicas e culturais com o ob1etivo de retomar o crescimento interrompido $á quase duas d&cadas A estrat&gia petrolí0era c$inesa2 o avanço da C$ina nos países perimetrais por (elipe $antos( apetite c$in"s por petr3leo e a reação dos países peri0&ricos quanto às investidas c$inesas t"m alterado relativamente a din4mica da geopolítica regional' 5ara onde vai a C$ina sob a quinta geraçãopor )lo*oal*o %u+uene, (il-o)o 67!!! Congresso do 5artido Comunista C$in"s, no 0inal de +,/+, concluiu8se a transição entre a quarta geração, de 9u *intao, e a quinta geração, liderada pelo novo secretário8geral então escol$ido, 6i *inping, que acumula tamb&m, como seu antecessor, a 0unção de presidente da C$ina' A :i0a não & 0o0apor .uca /0ouri( acrônimo :i0a 0oi presença constante nos protestos de 1un$o que mudaram o #rasil' !mpactos socioeconômicos da Copa do ;undo :i0a +,/< e seu legado para o 0utebol brasileiropor (ernan*o 1lumensc-ein e Die+o avarroA Copa do ;undo :i0a +,/< & parte dos megaeventos esportivos que o #rasil acol$e desde os *ogos 5an8Americanos de +,,=' A região avançou> os acad"micos americanos, nãopor 2ariano E. 1ertucciEstudos acad"micos americanos sobre a relação entre Estados ?nidos e Am&rica atina costumam lidar com a questão do ponto de vista da política e@terna dos E?A para a região' Aepensando as relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina2 trinta anos de trans0ormaçBespor 34ra-am 5o6ent-al( artigo compara o relacionamento entre os E?A e a Am&rica atina de D, anos atrás com o atual' :alta ambição para #alipor Pe*ro *e )amar+o tornou8se um líder agrícola' eto)as Eltimas duas d&cadas, o #rasil

7amos renegociar o ;ercosulFpor .os7 1ota0o+o 8onçalves( ;ercosul que está aí não & o ;ercosul que 0oi negociado pelo Tratado de Assunção' GEu vi o mundoH ( princípio do multilateralismo nas gestBes de política e@terna de Cardoso e de ulapor Da6isson 1el7m 5opes( artigo tem como principal argumento que as diversas maneiras pelas quais o princípio do multilateralismo 0oi apreendido e tradu.ido -in4micas do processo decis3rio em política e@terna a partir de uma perspectiva cognitiva2 o papel das imagens no caso da 5olítica E@terna !ndependente I/JK/8/JK<Lpor (94io 3l4er+aria *e :ueirozEste artigo tem como ob1etivo avaliar o papel de elementos

cognitivos, mais especi0icamente o papel das imagens na criação e implementação da G5olítica E@terna !ndependenteH

%eria a política e@terna brasileira um problema para o !tamaratMF por 8onçalo 2ello 2ourão( autor comenta, de um ponto de vista pessoal, o artigo de %ean #urges, de título inverso, publicado no volume +/, nN D desta revista Iedição de 1an'C0ev'Cmar' +,/D – G%eria o !tamaratM um problema para a política e@terna brasileiraFHL' -iplomacia e democrati.açãopor 3ntonio *e 3+uiar Patriota )a Eltima d&cada, a política e@terna brasileira tem sido capa. de se renovar e se antecipar às mudanças que estavam em curso na ordem internacional'

Diplomacia e *emocratização por Antonio de Aguiar 5atriota em ,/C,JC+,/D , comentários )a Eltima d&cada, a política e@terna brasileira tem sido capa. de se renovar e se antecipar às mudanças que estavam em curso na ordem internacional' Essas trans0ormaçBes 0oram revelando, ao mesmo tempo, uma maior dispersão do poder global, bem como a inclusão de mais países em desenvolvimento no processo de tomada de decisão' A diplomacia brasileira conquistou mais espaço e a inserção participativa do #rasil no cenário internacional tem sido seguida por uma incorporação crescente da sociedade brasileira nos debates da política e@terna do país' ?m processo de re0inamento da relação entre democracia e diplomacia está em curso no #rasil $o1e em dia' !n t$e last decade, #ra.ilian 0oreign policM $as been able to reneO itsel0 and to anticipate to c$anges t$at Oere in course in t$e international order' T$ose trans0ormations $ave been revealing, at one time, a larger dispersion o0 global poOer as Oell as more inclusion o0 developing countries into decision maPing processes' #ra.ilian diplomacMQs conquer o0 more space and #ra.ilQs more participative insertion in t$e international arena $ave been 0olloOed bM a groOing incorporation o0 t$e #ra.ilian societM into t$e debates o0 t$e countrMQs 0oreign policM' A process o0 re0inement o0 t$e relations$ip betOeen democracM and diplomacM is in course in #ra.il noOadaMs' R possível a0irmar que a política e@terna brasileira tem se renovado e se antecipado às mudanças de uma ordem internacional em constante trans0ormação' 9á uma d&cada, seguindo as diretri.es e as lin$as de ação indicadas pelo e@8presidente ula, estabeleceu8se um con1unto de ob1etivos e de iniciativas que continua a estruturar a inserção internacional do #rasil' Essa plata0orma de inserção compreende avanços nas mais diversas áreas de atuação da política e@terna brasileira, especialmente no re0orço de parcerias tradicionais, na articulação de novas parcerias – em particular, no mundo em desenvolvimento – e na promoção do multilateralismo' Em uma d&cada na qual a (rgani.ação ;undial do Com&rcio I(;CL e a Con0er"ncia das )açBes ?nidas sobre Com&rcio e -esenvolvimento I?)CTA-L identi0icaram que o maior dinamismo do com&rcio global deu8se entre países em desenvolvimento, o #rasil apro0undou a integração na Am&rica do %ul e apro@imou8se de outras regiBes do G%ulH, como a S0rica e o (riente ;&dio' -a mesma maneira, em um período em que se observou um processo de descongelamento do poder global, o #rasil associou8se com convicção a outros países que trabal$am pela re0orma da governança global e pela atuali.ação de seus processos decis3rios' %ão e@emplos desse movimento iniciativas como o T+, comercial, na (rgani.ação ;undial do Com&rcio, e a crescente coordenação entre os #A!C% e o T<, que de0ende a re0orma do Consel$o de %egurança das )açBes ?nidas' ( compromisso com a integração regional 0igura como prioridade da ação e@terna do #rasil e marca nossa inserção internacional' A atenção di0erenciada a cada um dos países vi.in$os tem ampliado as agendas bilaterais, 0ortalecendo a coesão em uma região que se distingue, cada ve. mais, pelo crescimento com progresso social, democracia e pa.' As "n0ases na eliminação da desigualdade econômica, na inclusão social e na participação cidadã caracteri.am o compromisso regional com a redução de assimetrias, com o 0ortalecimento da soberania e com a de0esa da democracia' )o 4mbito do ;ercosul, a integração tem permitido a ampliação dos 0lu@os do com&rcio, mas tamb&m maior diálogo político e integração social' A ?)A%? , que está prestes a

con0igurar espaço de livre com&rcio, tem enveredado por áreas de cooperação que vão de de0esa e integração 0ísica à observação eleitoral' 5or sua ve., a CE AC constitui espaço de concertação política e converg"ncia dos mecanismos de integração na região, estabelecendo compromissos de ação con1unta para a promoção do desenvolvimento sustentável' )as Eltimas duas d&cadas, assistimos a aceleradas alteraçBes na distribuição do poder econômico e geopolítico mundial' Esse período coincide com um processo de apro@imação entre o #rasil e países que v"m despontando como polos emergentes de poder, como S0rica do %ul, C$ina, Undia, AEssia, Turquia, os países da A%EA), entre outros' A 0ormação de grupos como o !#A%, criado em +,,D, e o #A!C%, reunido em um mecanismo 0ormal desde +,,K, insere8se no quadro mais amplo de redesen$o da arquitetura internacional' Esses mecanismos t"m contribuído para unir as vo.es de países crescentemente enga1ados na criação de uma ordem internacional mais representativa do s&culo 66!, ao mesmo tempo em que se apro0unda sua coordenação em di0erentes áreas, das questBes econômicas e 0inanceiras à promoção do desenvolvimento sustentável' )o 4mbito do #A!C%, o #rasil trabal$ou para que representantes de seus países se reunissem periodicamente, nas principais capitais diplomáticas do mundo, o que tem 0ortalecido o diálogo entre seus membros, de modo a englobar temas que vão al&m do econômico80inanceiro, conte@to no qual o termo G#A!C%H 0ora inicialmente inserido' Em uma d&cada na qual o relacionamento com os países do %ul 0igurou como um dos elementos que mais singulari.aram a ação internacional do #rasil, a criação de novas e e0etivas parcerias com o mundo em desenvolvimento tem dotado a diplomacia brasileira de pro1eção verdadeiramente universal' )a Am&rica atina, no Caribe e na S0rica, o maior enga1amento diplomático brasileiro tem rendido dividendos concretos em setores que não se restringem à ampliação do com&rcio e dos investimentos bilaterais' -a mesma maneira, o (riente ;&dio, a Ssia e o 5ací0ico despontam como novos interlocutores em temas de pa. e segurança, com&rcio e investimentos, promoção do multilateralismo, parceria para o desenvolvimento, entre outros' 9á quase tr"s anos, o início de um período de e0ervesc"ncia no mundo árabe, com demonstraçBes de novas aspiraçBes por maior participação política e mel$ores perspectivas de emprego e renda, com a de0esa de liberdade de e@pressão e respeito aos direitos $umanos, representou importante marco nas relaçBes internacionais contempor4neas' -e certa 0orma, o #rasil soube antecipar8se a essas constataçBes, antevendo a import4ncia de se estabelecer contatos mais diretos e densos com o (riente ;&dio e o )orte da S0rica' A reali.ação das CEpulas Am&rica do %ul8S0rica IA%AL e Am&rica do %ul85aíses Srabes IA%5AL, a inclusão do #rasil como país observador na iga Srabe, em +,,D, e na ?nião A0ricana, em +,,V, e o recon$ecimento do Estado 5alestino pelo #rasil, em de.embro de +,/,, inscrevem8se nessa l3gica' ;ais recentemente, outras iniciativas inserem8se nesse mesmo espírito' A adesão do #rasil ao Tratado de Ami.ade e Cooperação da Associação de )açBes do %udeste Asiático IA%EA)L, tornando8se 5arceiro de -iálogo da organi.ação em +,/+, responde a um momento de crescente dinamismo na Ssia' A maior apro@imação em relação aos países do %ul não transcorre em pre1uí.o do apro0undamento das parcerias com os países do )orte' ( #rasil tem 0eito es0orços para a moderni.ação de uma agenda de diálogo e de cooperação com os polos estabelecidos da economia global' As relaçBes com os Estados ?nidos, a Europa, o *apão, o Canadá e a (ceania t"m sido atuali.adas, com a inclusão de novos temas na agenda, sendo atribuída "n0ase especial à educação, ci"ncia, tecnologia e inovação' Em +,,=, o relacionamento #rasil8?nião Europeia 0oi alçado à condição de parceria estrat&gica, o que representou signi0icativa elevação do nível de interlocução e ampliação das áreas de

cooperação bilateral' A criação do :3rum de Altos E@ecutivos com os Estados ?nidos, em +,,=, representou um dos mais bem8sucedidos mecanismos de cooperação que o #rasil mant&m nessa mat&ria, o que tem dinami.ado o contato entre as duas sociedades' Como resultados concretos, estão a abertura de novos Consulados dos Estados ?nidos no #rasil e a 0acilitação do processo de emissão de vistos, por e@emplo' ( estabelecimento de um mecanismo 0ormal para debater e desenvolver pro1etos de combate à discriminação social nas sociedades brasileira e norte8 americana, por meio de plano de ação con1unta assinado em +,,W, tamb&m 0oi iniciativa pioneira' -urante o governo -ilma Aousse00, os Estados ?nidos converteram8se no maior receptor de estudantes brasileiros pelo 5rograma Ci"ncia sem :ronteiras' :oi, tamb&m, assinado o Tratado de Cooperação Econômica e Comercial ITECAL em +,//, com "n0ase em inovação' (s presidentes -ilma Aousse00 e #aracP (bama associaram8se na iniciativa da 5arceria para Toverno Aberto e restabeleceram diálogo entre os ;inist&rios da -e0esa, interrompido desde a denEncia do acordo militar bilateral, em /J==' %ão temas que 0igurarão entre os principais itens da agenda da visita de Estado da presidenta -ilma a Xas$ington, em outubro de +,/D' ( enga1amento com o multilateralismo em suas mEltiplas vertentes 0igura como importante vetor da plata0orma de inserção internacional do #rasil desenvolvida ao longo dos Eltimos de. anos' )os 4mbitos comercial, 0inanceiro, ambiental, social e de pa. e segurança, o #rasil tem buscado promover a democrati.ação da ordem internacional, elevando a vo. dos países em desenvolvimento nos grandes debates contempor4neos' Como 0ruto desse es0orço, & possível a0irmar que a política e@terna brasileira tem, atualmente, participação em todos os debates internacionais de cun$o estrat&gico, da consolidação do conceito de desenvolvimento sustentável às consideraçBes políticas associadas à proteção de civis em con0litos armados, das discussBes sobre os impactos do c4mbio no com&rcio internacional à re0orma da governança econômica e política global' A política e@terna do governo -ilma Aousse00 0oi construída sobre as bases s3lidas que $erdou do período +,,D8+,/,' A plata0orma de inserção do #rasil, 0or1ada na Eltima d&cada, consolidou8se e atuali.ou8se no governo -ilma Aousse00' ( apro0undamento da integração regional se tem 0eito acompan$ar da ampliação e da dinami.ação das relaçBes com um nEmero cada ve. maior de parceiros em mat&ria de com&rcio, investimentos, ci"ncia, tecnologia e inovação' A contribuição ativa aos grandes debates políticos e conceituais tem sido acompan$ada pelo alcance verdadeiramente universal da diplomacia brasileira' *á não $á quem questione a ideia de que a ordem internacional evolui em direção à multipolaridade' Embora ainda persistam re0le@os da ordem unipolar precedente, não $á dEvidas de que os Eltimos anos criaram condiçBes para a consolidação de uma política e@terna brasileira de abrang"ncia global' -esde +,,D, 0oram criados == novos postos no e@terior, +, deles na S0rica' Atualmente, o ;inist&rio das AelaçBes E@teriores conta com uma rede total de ++= postos' Em de.embro de +,//, o #rasil tornou8se um dos do.e países do mundo que mant"m relaçBes diplomáticas com todos os demais membros da (rgani.ação das )açBes ?nidas' #rasília desponta como uma das principais capitais diplomáticas do mundo em desenvolvimento, abrigando /DD Embai@adas residentes' Esse aumento tem gerado resultados concretos para o com&rcio e@terior brasileiro, propiciando mel$ores condiçBes para identi0icar oportunidades de com&rcio e investimentos, uma ve. que tamb&m aumenta a capacidade de apoiar as empresas nacionais e outros atores da sociedade brasileira com interesses cada ve. mais presentes no e@terior' )esse conte@to, o com&rcio e@terior brasileiro praticamente quadruplicou de +,,D a +,/+, enquanto o com&rcio global cresceu menos de /<,Y no período' (s dividendos obtidos em decorr"ncia dessa ampliação da presença global do #rasil envolvem, evidentemente, componente político importante, com inegáveis impactos sobre nossa pro1eção mundial'

-e 1aneiro de +,// a 1ul$o de +,/D, a presidenta -ilma Aousse00 0e. <V viagens ao e@terior' )o mesmo período, o #rasil recebeu <W visitas de c$e0es de Estado e de governo estrangeiros' Como ministro das AelaçBes E@teriores, at& 1ul$o de +,/D, participei de /W/ atividades no e@terior, entre visitas bilaterais, eventos multilaterais e acompan$amento da presidenta da AepEblica' -urante esses dois anos e meio, o #rasil 0oi visitado por c$anceleres estrangeiros em J/ ocasiBes' Aproveitando essas mudanças quantitativas e qualitativas, a diplomacia brasileira tem contribuído para a escol$a do #rasil e de cidadãos brasileiros para e@ercer 0unçBes de relevo em 3rgãos multilaterais' A vocação para o diálogo e a capacidade de angariar consensos, características estabelecidas da diplomacia brasileira, t"m tra.ido crescente recon$ecimento ao #rasil e a seus nacionais' A recente escol$a do brasileiro Aoberto A.ev"do para o cargo de diretor8geral da (rgani.ação ;undial do Com&rcio, por e@emplo, não seria possível sem essa interlocução sobre temas de com&rcio e desenvolvimento com todos os quadrantes do mundo, incluindo tanto países desenvolvidos quanto em desenvolvimento' A eleição do pro0essor *os& Tra.iano da %ilva para a (rgani.ação das )açBes ?nidas para a Alimentação e Agricultura I:A(L 0oi, de maneira recon$ecida, re0le@o da associação de seu nome aos programas na área de segurança alimentar reali.ados no #rasil' ( nEmero de brasileiros em importantes cargos internacionais tem crescido de maneira signi0icativa' -esde +,//, os brasileiros Aob&rio (liveira %ilva, #ráulio :erreira de %ou.a -ias, Aoberto :igueiredo Caldas e 5aulo de Tarso 7annuc$i, entre outros, 0oram eleitos ou designados para cargos em instituiçBes multilaterais' )o mesmo período, o #rasil 0oi eleito para seis comit"s e consel$os de organi.açBes internacionais' Essas eleiçBes e designaçBes não são uma 0inalidade em si' Elas re0orçam a autoridade do #rasil em temas prioritários para nossa agenda internacional, abrindo novos canais de comunicação e de promoção de pautas pela via da cooperação' -a mesma 0orma, o !tamaratM, nos Eltimos dois anos e meio, tamb&m tem sido capa. de antecipar8se a desa0ios internacionais por interm&dio de uma ação que alia a preservação de conquistas 1á reali.adas, a denEncia de assimetrias e a proposta de novos camin$os' -e maneira propositiva, ampliaram8se os espaços de atuação e a capacidade de propor questBes para os debates internacionais' Temas como o debate sobre segurança alimentar, o vínculo entre pa., segurança e desenvolvimento, a proteção de civis e a responsabilidade ao proteger são algumas das ideias que, recentemente pro1etadas pela diplomacia brasileira, t"m gan$ado crescente espaço nos debates de política e@terna' A ampliação do ;ercosul, com a incorporação da 7ene.uela e da #olívia como membros permanentes – esta Eltima em processo de adesão – e de Tuiana e %uriname como Estados associados, e a diversi0icação da agenda da ?)A%? podem ser analisadas por essa perspectiva' Tamb&m & possível a0irmar que a 0orma de responder aos desa0ios da atualidade de maneira c&lere e moderna re0lete8se, igualmente, no crescente contato do !tamaratM com a sociedade civil' Como política pEblica, a política e@terna deve representar, de maneira 0idedigna, os interesses dos cidadãos brasileiros em prol do desenvolvimento e da pa., em sintonia com os anseios globais por um mundo mais 1usto e estável' ( #rasil carrega, em sua política e@terna, os mesmos princípios, valores e prioridades que o mobili.am internamente, pro1etando8se no mundo de maneira aberta e plural, re0le@o da abertura e da pluralidade da sociedade brasileira' A adoção de um modelo de desenvolvimento que tra. como elemento central um crescimento sustentado, aliado à redução das desigualdades $ist3ricas, tem contribuído para maior inclusão em termos econômicos, sociais e de participação política' Com esse espírito, no plano internacional, o #rasil tamb&m tem buscado ampliar a participação dos países em desenvolvimento na de0inição de temas e agendas de interesse comum' A de0esa da democracia & pleito comum de nossa sociedade, e uma política e@terna que represente os verdadeiros ob1etivos nacionais deve ser, de modo inescapável, crescentemente participativa'

)a d&cada de /JW,, a redemocrati.ação abriu grandes possibilidades para a inserção internacional do #rasil' :oi superada a di0iculdade, característica de período anterior, de discutir certos temas políticos com convicção e credibilidade no plano multilateral' A diversi0icação do diálogo deu8se não s3 no 4mbito do processo decis3rio interno, mas tamb&m no ambiente internacional' ?m dos ob1etivos deste artigo & dar visibilidade ao trabal$o reali.ado pela diplomacia do #rasil, no atual governo, em direção a maior diálogo com a sociedade' Em mesa de debate da :eira de iteratura !nternacional de 5aratM de +,/D, o 0il3so0o 7ladimir %a0atle a0irmou, sabiamente, que Gn3s temos agora um tipo de demanda política que passa pela capacidade de ler o que aparece nas ruas' IZL ?ma democracia & sempre uma democracia em invençãoH' A verdadeira democracia e@ige do Estado uma atitude simult4nea de receber as demandas da sociedade e empreender trans0ormaçBes positivas duradouras' Com essa perspectiva, a política e@terna brasileira se tem preocupado em trabal$ar por um mundo cada ve. mais inclusivo, mais democrático e mais participativo' ;as esse es0orço será mais bem8sucedido na medida em que soubermos estabelecer, no plano interno, um padrão tamb&m inclusivo, democrático e participativo' A ampliação do diálogo com a sociedade 0oi estimulada por ocasião da Con0er"ncia das )açBes ?nidas sobre -esenvolvimento %ustentável, a Aio[+,' As e@peri"ncias da Comissão )acional para a Aio[+,, da CEpula dos 5ovos, dos -iálogos sobre %ustentabilidade e da mobili.ação das mídias sociais buscaram na 0orça popular o impulso à 0ormulação das posiçBes brasileiras' Com o 0racasso de iniciativas anteriores de debates em temáticas ambientais e de desenvolvimento sustentável, o multilateralismo vin$a de uma sequ"ncia de insucessos' A capacidade do #rasil em e@ercer liderança nesse tema permitiu a construção de consenso entre governos, e o contato amplo com a sociedade civil aumentou a credibilidade desses es0orços' (utras iniciativas pontuais tamb&m merecem ser citadas nesse conte@to' ( seminário G ado a ado2 a Construção da 5a. no (riente ;&dio – um 5apel para as -iásporasH, reali.ado em #rasília, em 1ul$o de +,/D, reuniu representantes das diásporas 1udaica e árabe para dialogar sobre como a conviv"ncia $armoniosa pode lançar lu. sobre maneiras de alcançar a pa. no (riente ;&dio' ( seminário GAtuais -esa0ios à 5a. e %egurança !nternacional2 a )ecessidade de Ae0orma do Consel$o de %egurança das )açBes ?nidasH, organi.ado em 5raia do :orte, em maio de +,/D, representou a primeira e@peri"ncia de discussão sobre o tema da re0orma com acad"micos, 1ornalistas, membros de ()Ts, al&m de representantes governamentais, de maneira aberta e inclusiva' :requentes e diversi0icados t"m sido, tamb&m, os contatos com estudantes e com o meio acad"mico' Em palestra na ?niversidade :ederal do A#C, em 1ul$o de +,/D, recebi uma carta, assinada pelo Trupo de Ae0le@ão sobre AelaçBes !nternacionais ITA8A!L, que reivindica maior transpar"ncia e democracia na política e@terna brasileira' ( momento não poderia ser mais oportuno' )a ocasião, de0endi que, para continuar a desenvolver um ol$ar pr3prio sobre o que acontece no mundo, será importante que o governo brasileiro saiba captar e@pectativas da sociedade e 0acilitar o con$ecimento e a compreensão sobre as opçBes de política e@terna' Esse es0orço con0ere maior legitimidade e equilíbrio a nossas posiçBes' ;ais do que isso, permite e@trair um novo elemento de sociali.ação que comprova o acerto de abrir8se uma discussão sobre diplomacia a outros atores' A relação entre democrati.ação e política e@terna envolve, necessariamente, o uso de canais variados de contato direto com a população, e as mídias sociais cumprem importante papel nesse sentido' Estabelece8se, assim, um processo que envolve não somente a prestação de contas sobre o trabal$o reali.ado pelo !tamaratM, mas tamb&m a coleta de comentários, sugestBes e críticas a essa atuação, possibilitando a 0ormulação de políticas pEblicas atentas à evolução dos anseios nacionais' A criação do canal -iplomacia 5Eblica no ;inist&rio das AelaçBes E@teriores

ampliou os espaços de interação, antes limitados ao contato com a imprensa e agora abertos a toda a sociedade' A comunicação do ;AE passou, dessa maneira, a um estágio posterior de interação com o pEblico, não apenas prestando contas e in0ormando o que 0oi 0eito, mas tamb&m recebendo sugestBes, críticas e comentários' A participação do !tamaratM nas mídias digitais tem sido recon$ecida como uma das mais atuantes no mundo' A página do ;inist&rio no :acebooP 1á recebeu mais de +< mil GcurtidasH, nosso álbum no :licPr tem mais de D'K,, 0otos, e nossos vídeos no \ouTube 1á 0oram vistos mais de W,, mil ve.es' ( per0il do ;inist&rio no TOitter, que conta com mais de W= mil seguidores, está entre as +, maiores contas relacionadas a temas de política e@terna em nEmero de seguidores, de acordo com recente estudo publicado pelo TOiplomacM'Esses 0atos 0a.em do !tamaratM re0er"ncia em comunicação e interação social entre as principais c$ancelarias do mundo' A diplomacia do governo -ilma caracteri.a8se, tamb&m, por especial atenção ao setor empresarial' *á 0oram reali.adas mais de /D, 0eiras de neg3cios no e@terior e promovidas mais de <, missBes de investimento no #rasil' )as viagens internacionais, a presidenta -ilma tem mantido contato pessoal com empresários' Essa abertura ao empresariado brasileiro e estrangeiro revela, ao mesmo tempo, a e@ecução do papel governamental em duas 0rentes2 o contato com a sociedade, para ouvir opiniBes e demandas, e a trans0ormação dessas perspectivas em realidades concretas' Com esse espírito, avaliando8se que o ;ercosul 0igura como o principal mercado e@terno para manu0aturados brasileiros e como importante ambiente econômico de investimentos que t"m origem ou destino no #rasil, identi0icou8se a necessidade de ampliar os contatos econômicos entre as empresas de seus países membros' Em novembro de +,/+, a presidenta -ilma Aousse00 participou da 67!!! Con0er"ncia !ndustrial Argentina, organi.ada pela ?nião !ndustrial Argentina I?!AL e pela Con0ederação )acional da !ndEstria IC)!L em os Cardales, ocasião em que altas autoridades e empresários dos dois países e@aminaram a integração econômica bilateral como resposta aos desa0ios da inserção internacional no mundo contempor4neo' 5or iniciativa da 5resid"ncia 5ro Tempore brasileira, 0oi reali.ada a primeira edição do :3rum Empresarial do ;ercosul em de.embro de +,/+, atendendo a uma demanda concreta do empresariado nacional e dando impulso a um relacionamento mais pr3@imo com os grupos empresariais de nossos s3cios no bloco' -urante min$a gestão à 0rente do ;inist&rio das AelaçBes E@teriores, compareci regularmente a Audi"ncias 5Eblicas na Comissão de AelaçBes E@teriores e de -e0esa )acional da C4mara dos -eputados e na Comissão de AelaçBes E@teriores e -e0esa )acional do %enado :ederal, ocasiBes que me permitiram apresentar e prestar contas da condução da política e@terna brasileira aos representantes parlamentares, bem como ouvir uma pluralidade de reaçBes ao trabal$o e0etuado' A coordenação com outros ;inist&rios e 3rgãos do 5oder E@ecutivo tamb&m tem rendido bons 0rutos' A interlocução com o ;inist&rio do -esenvolvimento %ocial e Combate à :ome e com a %ecretaria de -ireitos 9umanos da 5resid"ncia da AepEblica, por e@emplo, tem articulado interesses de política e@terna e e@peri"ncias e@itosas no 4mbito interno' A criação da -ivisão de %egurança Alimentar, -esenvolvimento e 5a. no !tamaratM insere8se nessa perspectiva, bem como a organi.ação da !!! Con0er"ncia Tlobal sobre Trabal$o !n0antil, a reali.ar8 se em outubro de +,/D' Em antecipação à carta que me 0oi dirigida em %ão #ernardo do Campo, o ;inist&rio das AelaçBes E@teriores vem trabal$ando para apro@imar a política e@terna dos cidadãos brasileiros' -esde o primeiro semestre de +,/D, em coordenação com a %ecretaria8Teral da 5resid"ncia da AepEblica, o !tamaratM vem trabal$ando na criação de um 0oro consultivo de política e@terna' A ideia de comunicar8se com a sociedade civil não & necessariamente nova' )o ;ercosul, no 4mbito das AeuniBes Especiali.adas sobre Agricultura :amiliar IAEA:L, a participação da sociedade civil tem ocorrido como e@emplo de "@ito, o que representa inspiração para a democrati.ação em toda

a agenda de integração regional' ( Comit" de %egurança Alimentar da :A( tamb&m desenvolve iniciativas de interlocução e debate sobre medidas para garantir a segurança alimentar em nível mundial' ( que & novo & o 0ato de tratar8se de um mecanismo permanente, estruturado, com 0unçBes consultivas e que terá comunicação de mão dupla2 e@por posiçBes, esclarecer simpli0icaçBes porventura disseminadas por veículos de comunicação em massa, bem como receber insumos, ouvir a sociedade, o@igenar os debates, tra.er novas ideias e propostas' A geração atual constatará trans0ormaçBes substanciais na política internacional, como a ultrapassagem dos Estados ?nidos pela C$ina como a maior economia mundial, um tipo de mudança que não ocorria desde o s&culo 6!6, quando a economia dos Estados ?nidos superou a do Aeino ?nido' A modi0icação do centro de poder econômico tamb&m será seguida de uma multipolari.ação cada ve. maior do poder político, ampliando a capilaridade do sistema internacional' (s #A!C% provavelmente adquirirão import4ncia crescente na de0inição da agenda internacional, e os países em desenvolvimento representarão uma vo. cada ve. mais 0orte para a busca de seus ob1etivos comuns' )esse conte@to, a re0ormulação da ordem global terá consequ"ncias signi0icativas para países como o #rasil, e estamos preparando8nos para essas trans0ormaçBes' A con0ormação de um mundo cada ve. mais multipolar abre enormes oportunidades de atuação para o #rasil' -e maneira con1unta, surgem, tamb&m, novas responsabilidades' Como escreve ;ois&s )aím em T$e End o0 5oOer, os modos e os lugares de mani0estação de poder e in0lu"ncia t"m se diversi0icado' Em compasso com o descongelamento do poder internacional em direção à multipolaridade, observa8se tamb&m maior aspiração da sociedade civil à participação nos processos decis3rios nacionais e internacionais' -e certa 0orma, isso tra. novas responsabilidades para os governos no plano dom&stico e tamb&m para a comunidade internacional' Trata8se de adaptar nossos m&todos de trabal$o a um novo tempo, que dese1amos cada ve. mais democrático' Com a redemocrati.ação no plano interno, o #rasil passou a go.ar de maior legitimidade para promover a democrati.ação dos processos decis3rios no plano internacional' Ao mesmo tempo, o aper0eiçoamento da ação da democracia brasileira envolve uma abertura crescente do governo aos insumos da sociedade civil' )esse espírito, o !tamaratM está adotando iniciativas especí0icas que apontam na direção de uma diplomacia mais aberta à interação com a sociedade' ( ;inist&rio das AelaçBes E@teriores quer, agora, sistemati.ar essa interação de maneira permanente e institucional' Assim como ocorre no plano dom&stico, estou cada ve. mais convencido de que a e0etiva mobili.ação da opinião pEblica ao redor do mundo & 0undamental para o equacionamento de certos impasses que perduram $á d&cadas no cenário internacional, como aqueles associados à 0alta de legitimidade do Consel$o de %egurança das )açBes ?nidas, às di0iculdades para a solução do con0lito entre !srael e 5alestina e à atenção aos interesses dos países em desenvolvimento no sistema multilateral de com&rcio, por e@emplo' A maior participação das sociedades & 0undamental para pressionar os governos ao redor do mundo a evoluir em direção aos grandes ob1etivos que nos unem como cidadãos' A diplomacia do diálogo trans0orma8se na verdadeira 0onte de poder da política e@terna do #rasil neste início de s&culo' Consultar a sociedade civil signi0ica dotar a política e@terna de maior legitimidade, 0orça e criatividade' otas ]/^ #anco ;undial, +,/D' _

]+^ %elecionado para o cargo de diretor8geral da (rgani.ação ;undial do Com&rcio em maio de +,/D' _ ]D^ Eleito para o cargo de diretor8geral da (rgani.ação das )açBes ?nidas para a Alimentação e Agricultura em maio de +,// _ ]<^ Eleito para o cargo de diretor8e@ecutivo da (rgani.ação !nternacional do Ca0& em setembro de +,//' _ ]V^ -esignado para o cargo de secretário8e@ecutivo da Convenção sobre -iversidade #iol3gica em 1aneiro de +,/+' _ ]K^ Eleito para a Corte !nteramericana de -ireitos 9umanos em 1un$o de +,/+' _ ]=^ Eleito para a Comissão !nteramericana de -ireitos 9umanos em 1un$o de +,/D' _ ]W^ ( #rasil 0oi eleito para2 Consel$o Econômico e %ocial da ()? IEC(%(CL, em outubro de +,//> Consel$o E@ecutivo da (rgani.ação das )açBes ?nidas para a Educação, Ci"ncia e Cultura I?)E%C(L> Consel$o da (rgani.ação ;arítima !nternacional, em novembro de +,//> Consel$o de Administração e o Consel$o de (peraçBes 5ostais da ?nião 5ostal ?niversal, em outubro de +,/+> Consel$o de -ireitos 9umanos em novembro de +,/+> Comit" (rgani.acional da Comissão de Construção da 5a. das )açBes ?nidas em de.embro de +,/+> _ ]J^ TOiplomacM %tudM +,/D, disponível em $ttp2CCtOiplomacM'comCtOiplomacM8studM8+,/DC' _

$eria a política externa 4rasileira um pro4lema para o ;tamarat,< = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brC<DJCseria8politica8e@terna8brasileira8problema8itamaratMC

$eria a política externa 4rasileira um pro4lema para o ;tamarat,< por Tonçalo ;ello ;ourão em ,+C,JC+,/D , comentários

( autor comenta, de um ponto de vista pessoal, o artigo de %ean #urges, de título inverso, publicado no volume +/, nN D desta revista Iedição de 1an'C0ev'Cmar' +,/D – G%eria o !tamaratM um problema para a política e@terna brasileiraFHL' GAespondendo à pergunta inicial, creio poder di.er que essa política e@terna não & um problema para o !tamaratM, nem & um problema para o #rasil' E & para essa política e@terna que vai se abrindo, aos poucos, o cenário internacionalH, di. o articulista' 5ara ele, o !tamaratM esteve na vanguarda em muitas 0ormulaçBes, entre elas, a abertura de Embai@adas residentes em todos os países das Am&ricas e o processo de criação da CE AC e da ?nasul> a reali.ação das reuniBes de cEpula com os países cariben$os> as cEpulas Am&rica atinaCS0rica e Am&rica atinaC5aíses Srabes> o estabelecimento das +,, mil$as de mar territorial> a criação do Tratado de Cooperação Ama.ônica> e a tentativa de 0acilitação do diálogo com o !rã' T$is article is a commentarM t$at re0lects onlM t$e aut$orQs oOn personal vieOs about %ean #urgesQ article publis$ed in volume +/, nN D o0 t$is 1ournal under t$e title H%eria o !tamaratM um problema para a política e@terna brasileiraFH T$is aut$or responds to t$e criticism made bM #urges t$at !tamaratM $as been little productive, too concerned Oit$ domestic policM issues, and isolationist' As consideraçBes a seguir pretendem comentar, de um ponto de vista estritamente pessoal, o interessantíssimo artigo do pro0essor doutor %ean #urges, de título inverso, publicado no volume +/, nN D da revista 5olítica E@terna de 1an'C0ev'Cmar' +,/D IH%eria o !tamaratM um problema para a política e@terna brasileiraFHL' R alvissareiro que um pro0essor, nos antípodas, se ocupe com os problemas e di0iculdades da 0ormulação e e@ecução da política e@terna brasileira' Talve., por&m, essa mesma condição de antípoda l$e empane um pouco a perspectiva em seu en0oque' Antípoda, agora, não mais geográ0ico, mas te3rico' *á ao pretender ser Gprovocativo e incitar ao debate a respeito da política e@terna brasileira e o papel do !tamaratM em sua 0ormulação e implementaçãoH o artigo parece ser ing"nuo ou perde perspectiva' Anos de discussão interna no #rasil, sobre o assunto, inclusive atrav&s desta revista

5olítica E@terna, onde seu artigo & publicado e que 1á se dedica, $á mais de +, anos, a esse e outros temas, 0a.em com que $o1e não necessitemos mais de incitação para continuar a discuti8lo' Talve. a pr3pria 0rase inicial do artigo se1a a mais clara a0irmação do primeiro dos dois grandes equívocos que o constroem2 G( #rasil ingressou no cenário internacional'H R uma a0irmação respeitável, mas que, acredito, de0orma a perspectiva que creio mais pr3@ima da realidade, a de que & o cenário internacional que se abre para o #rasil' %erá, talve., devido a essa distorção, que grande parte da apreciação do pro0essor #urges se mostrará equivocada' 5or e@emplo, 1á em seu segundo parágra0o, a0irma o pro0essor que o #rasil Gv"8se em posição de ser mais um 0ormulador que um seguidor de regrasH' (ra, não & essa, claramente, a dicotomia que nos interessa, a n3s, brasileiros2 não seguir regras al$eias não signi0ica, necessariamente, ter a obrigação de 0ormular novas' %igni0ica, para n3s, desde uma perspectiva mais igualitária das relaçBes internacionais, buscar entendimentos para a 0ormulação con1unta de novas regras' E não se trata, aqui, de uma postura %ul8%ul ou %ul8)orte, mas de uma postura globali.ante2 a responsabilidade pela 0ormulação das regras e a capacidade de 0ormulá8las & e deve ser de todos' ( outro equívoco que perpassa o artigo, naturalmente, & o que está sub1acente à pergunta de seu título e à resposta positiva que l$e dá e que o autor 0ormula, claramente, no 0inal de seu segundo parágra0o2 Go ponto 0orte da política e@terna brasileira – a instituição do !tamaratM e seu corpo $ierático de diplomatas pro0issionais – talve. se1a, no atual momento, sua grande 0raque.aH' )ão & 0ácil para um diplomata pro0issional – o que quer que isso queira di.er – participar de uma discussão acad"mica a respeito do !tamaratM, ainda mais se 0or para de0end"8lo, pois sempre tenderá a ser visto como corporativo e míope em sua perspicácia e $ierostático – se me permitem o neologismo – em sua postura' ;as, como creio que tampouco se1a 0ácil para o leitor – se1a ele acad"mico ou não ler com absoluta isenção o que o diplomata tem a di.er sobre o assunto, espero contar com es0orço de leitura semel$ante ao es0orço de isenção que procurei seguir nessas consideraçBes2 perdoe8me, portanto, o leitor, se comprometo sua inoc"ncia ou ingenuidade' A robuste. do !tamaratM, de acordo com o pro0essor #urges, será responsável pela 0raque.a da atual e da possível 0utura política e@terna do #rasil' Entre outras, porque, segundo o pro0essor, a instituição padeceria, atualmente, de conservadorismo e incapacidade de inovação, assim como de Gcautela de0ensiva e tend"ncias burocráticas isolacionistas que se converteram na marca desse corpo diplomáticoH' (u, por outras, não se abriria às sábias opiniBes e consel$os acad"micos ou de outras proced"ncias' A inatividade e a oclusão da poderosa instituição seriam, assim, os responsáveis diretos por vir o #rasil a perder a boa ocasião que o presente l$e o0erece, de ter uma política e@terna, o que o !tamaratM não estaria sabendo aproveitar' Esse segundo equívoco & plenamente amparado pelo primeiro, ou se1a, a di0iculdade em aceitar a possibilidade de que se pretenda 0a.er uma política e@terna seguindo par4metros outros que não os determinados pelo cenário internacional em que se ingressa> a di0iculdade em aceitar que o cenário internacional possa se abrir para novas propostas de paisagem' Corolário dessa distorção, tamb&m, & a 0Etil cobrança, altamente contestável para um país como o #rasil, de que a política e@terna não se1a, como requer e parece e@igir o autor, Grelegada à peri0eria da política internaH' ( que quer di.er issoF `ue a política interna, então, deve ser relegada à peri0eria da política e@ternaF `ue ambas devem ter o mesmo pesoF R, na verdade, um 0also problema'

( autor, ainda nos pr3dromos de seu artigo – e ainda que sem atribuí8la diretamente ao !tamaratM – di. que Ga rígida estase da política e@terna brasileira contempor4nea tem que ser ree@aminadaH' )ão sei bem o que entender por Gpolítica e@terna brasileira contempor4neaH2 será a dos Eltimos dois anosF> a dos Eltimos /, anosF> a dos Eltimos +, anosF> será a dos Eltimos dois mesesF -e qualquer modo, & um equívoco2 a política e@terna brasileira contempor4nea – dos dois Eltimos meses ou dos Eltimos +, anos – nunca esteve em GestaseH ou em qualquer outro quadro clínico de estagnação' Terá circulado em bai@a ou alta pressão, mas nunca paralisado' E@igir da política e@terna de um país a vibração constante de uma ativa taquicardia 0a. tanto mal quanto a um coração' !nclusive, e para usar uma e@pressão clássica do 1argão pro0issional do diplomata, que talve. o autor con$eça, $á momentos, como di.ia TalleMrand, em que & urgente esperar' ;as o pro0essor não quer esperar e nos e@ige uma vibração constante' %obretudo agora, quando, entende ele, o #rasil deve agarrar uma oportunidade que se l$e o0erece e o !tamaratM correria o risco de Gse trans0ormar em um obstáculoH, 1ustamente Gem um momento em que o sistema global passa por um período de rápidas mudançasH' )os meus poucos D, e mais anos de carreira, muitas ve.es li que Gpassamos por um momento de rápidas, grandes mudançasH' ;as o pro0essor tem ra.ão, o momento atual & de rápidas mudanças' 5or&m, o pro0essor tamb&m sabe que $á mudanças e mudanças' ?ma intervenção no !raque, no A0eganistão ou na íbia, por e@emplo, 0oram grandes mudanças, como as intervençBes na Am&rica Central ou na !ndoc$ina> mas tamb&m não 0oram' ;atar #in aden 0oi uma grande mudança, mas matar Toussaint ouverture tamb&m 0oi> 0oram e não 0oram' :oi tudo, ontologicamente, como di.em os $isp4nicos, más de lo mismo' Ademais, o pro0essor sabe, tamb&m, que rápidas mudanças não signi0icam, necessariamente, progresso – at&, muitas ve.es, pelo contrário2 podem representar estagnação ou mesmo regressBes' A !nglaterra 0e. corpo mole no au@ílio aos republicanos espan$3is e agora quer, ansiosamente, vender armas aos rebeldes sírios2 $á progresso nesta rapide.F Como gostava de di.er um embai@ador antigo, a urg"ncia dos outros não &, necessariamente, a min$a urg"ncia' -i. o pro0essor, então, que Go sistema global passa por um período de rápidas mudançasH e corremos o risco – o #rasil e o !tamaratM – de não estar à altura daquelas trans0ormaçBes globais' ;as, o que & isso que o pro0essor c$ama de Gsistema globalH que se trans0ormaF `uais são essas Grápidas mudançasFH %erá o sistema global que se trans0orma o do atual Consel$o de %egurançaF %erão rápidas mudanças as sucessivas negociaçBes 0alidas condu.idas pelo `uarteto na 5alestinaF %erá rápida mudança o mundo c$amado desenvolvido querer eleger o candidato me@icano à (;CF %erá sistema global o continuado boicote a Cuba e o comportamento singelo 0ace a outros sistemas, igualmente ou mais comprometedoresF %e1am o que 0orem, as Grápidas mudançasH do pro0essor estariam encontrando no #rasil aquelas ne0astas Gcautela de0ensiva e tend"ncias burocráticas isolacionistasH que caracteri.ariam, atualmente, o !tamaratM' Assim, para o pro0essor #urges – e & ele quem e@empli0ica – as posiçBes brasileiras com relação à criação da ?nasul e da CE AC, com relação à intervenção na íbia e na %íria, com relação à questão 5alestina e at& mesmo com relação à sugestão de uma nova Aesponsabilidade ao 5roteger seriam Gcautela de0ensivaH e Gtend"ncia burocráticaH' R natural que pense assim, pois nem por um momento pBe em questão o 1ulgamento cínico, sobre a valori.ação da Aesponsabilidade ao 5roteger, que ele pr3prio atribui àqueles que t"m o que ele c$ama de Gcálculos s&rios sobre questBes de poderH IGcálculos s&riosFH o que & istoF & não levar a s&rio a Aesponsabilidade ao 5roteger e se descuidar de algumas vidas $umanas irrelevantes para aqueles mesmos Gcálculos s&riosFHL> em nen$um momento se pergunta sobre a legitimidade escatol3gica das intervençBes na íbia ou na %íria> em nen$um momento se pergunta sobre a real

validade do interminável e impro0ícuo percurso dos es0orços internacionais para a obtenção da pa. na 5alestina> em nen$um momento considera o 0ato de que os demais países sul8americanos e não apenas o #rasil, estão igualmente enga1ados, uns mais outros menos, na construção da ?nasul e da CE AC' R verdade que, talve., não se1a esse o escopo do artigo, que seria apenas um e@ercício de 1ulgamento sobre o !tamaratM e a política e@terna brasileira> mas os posicionamentos do #rasil naquelas questBes são peremptoriamente desquali0icados no artigo, em nome de um cenário internacional congelado em torno de noçBes, cu1a perversidade apenas tem concorrido para pereni.ar essa mesma perversidade' )ão compactuar com aquela perversidade signi0ica, para o autor, GcautelaH e GburocraciaH e, portanto, corroboraria um claro GnãoH, em resposta à pergunta que se 0a. de se a atual política e@terna & ou não importante para o #rasil' )ão compactuar com aquela perversidade seria, então, para o pro0essor, algo assim como um Gcálculo pouco s&rioHF R verdade, o autor considera, candidamente, que, em certo momento, a política e@terna 0oi GestrategicamenteH importante para o #rasil' ;as quandoF `uando – di. ele – por causa de um ou outro discurso presidencial nas CEpulas da Terceira 7ia e em -avos, Ginstaurou8se nas capitais do )orte a opinião implícita de que o #rasil passara a ser um interlocutor viável na Am&rica do %ulH' (u se1a, 0oi importante para o #rasil porque, em um momento 0ortuito, 0oi importante para as Gcapitais do )orteHZ Eis aí um 1ulgamento, não geográ0ica, mas teoricamente antípoda' E, assim, ao considerar, então, em seu artigo, que a 0orça do !tamaratM 0a. a 0raque.a da política e@terna do #rasil, será, mais uma ve., baseando8se em valores al$eios que não questiona, que ele nos condenará' -edu., então, que uma política e@terna como acredita ser a brasileira, que valori.a, invariavelmente, a preservação da soberania – sua e al$eia – e a preservação da Gautonomia do país, e@pressa em termos de multilateralismo, direitos $umanos, democracia e desenvolvimentoH, & uma política e@terna problemática, em seu entender, pois, entre outras consideraçBes2

aL Gos demais Estados importantes do sistema internacional, principalmente as pot"ncias econômicas e militares estabelecidas, veem8se desconcertadasH com ela> bL Gdesconcertante para os de 0ora, & a tend"ncia simult4nea e quase idealista de a0irmar a centralidade das normas do direito internacionalH> cL Gdesconcerta as capitais do )orte a para eles incompreensível atitude brasileira 0rente a situaçBes como a do !rãH> dL Ga postura brasileira parece não entender que algumas questBes são vistas como transcendendo os conceitos Oest0alianos de soberania, o que e@ige a reconsideração de atitudes voltadas para o cerceamento das iniciativas multilateraisH'

Caberia perguntar, a respeito de cada um desses e@emplos2

aL quantos e quais são os GEstados importantes do sistema internacionalH e para quemF (s Estados ?nidos, a AEssia e a :rança, ou a Argentina, a #olívia e AngolaF E o que & o Gsistema internacionalHF ?m Consel$o de %egurança inoperante e a (TA), ou uma ?nasul e uma ?nião A0ricana em construçãoF %e aquelas pot"ncias se veem desconcertadas, não se veem tamb&m desconcertados os países que são por elas 0eridos em suas soberaniasF bL desconcertante, para n3s, & questionar a centralidade das normas de direito internacional, sobretudo quando este questionamento se 0a. em nome da ra.ão da 0orça

de uma soberania autoritária, em detrimento de outras soberanias cu1a Enica e singela ra.ão & o direito internacional>

cL desconcerta, tamb&m, muitas outras capitais do mundo a dupla medida, no caso de GsituaçBes como a do !rãH, quando se trata de GsituaçBes como a de !sraelH, por e@emplo> dL do mesmo modo, se poderia di.er que outras posturas não entendem que algumas questBes s3 possam ser vistas Oest0alianamente e não possam ter outra solução a não ser no seio das iniciativas multilaterais'

( pro0essor #urges parece não entender que a realidade internacional pode – e sobretudo deve – ser vista de vários modos e que não pode ser aceitável que a Enica visão correta e 0ecunda se1a a dos GEstados importantes do sistema internacional, principalmente as pot"ncias econômicas e militares estabelecidasH, que ele parece entender, aliás, que se desconcertam com muita 0acilidade e 0requ"ncia' ;as o que nos desconcerta são a 0acilidade e 0requ"ncia com que se leem artigos repetindo assertivas perversas como2 Go #rasil estaria se apro@imando da posição australiana e canadense, que reivindica o pleno domínio do ciclo dos combustíveis nucleares, implicando o con$ecimento de como construir rapidamente uma bomba, caso essa necessidade se apresente no 0uturoH' -esconcerta, tamb&m, que o pro0essor opine que o #rasil deva considerar assinar acordos que impon$am limites à sua soberania, em nome do e@traordinário princípio que ele declara2 G?m en0oque um pouco mais realista do sistema internacional seria particularmente Etil neste assuntoH Igri0o meuL' (ra, como se sabe, o #rasil 1á & parte em diversos instrumentos internacionais com aquele vi&s> e aquele GrealismoH, que nos & cobrado, & brandido em nome de uma determinada postura, para desquali0icar outras posturas por supostamente irrealistas' R este en0oque GrealistaH do pro0essor que permite, por e@emplo – e a 1usti0ica – a aus"ncia, sem dEvida in1usti0icável, no Tribunal 5enal !nternacional de uma ou outra pot"ncia' -esconcerta mais ainda, que o pro0essor considere que o #rasil Gvem mostrando tend"ncias imperialistasH e adu.a os e@emplos2 na #olívia – quando, pelo contrário, o atual e o anterior governo brasileiros 0oram mesmo censurados por parcelas da opinião pEblica nacional por não terem mostrado aquelas tend"ncias –> no patrul$amento anticontrabando da 0ronteira com o 5araguai – quando se sabe que são epis3dios 0requentes, $á anos, as incursBes ocasionais tanto brasileiras como paraguaias, cá ou lá –> em pressBes políticas a portas 0ec$adas sobre a 7ene.uela e o Equador – negociação diplomática IGa portas 0ec$adasH, censura o pro0essor, como se todas as negociaçBes diplomáticas se devessem 0a.er no cenáculo de um audit3rio universitárioL & meramente pressão políticaF :rancamenteZ :inalmente, depois disso tudo, o autor 1á não mais nos desconcerta, quando encerra seu capítulo sobre nossa 0raque.a di.endo, deslavadamente, no artigo, que Go problema & que tanta preocupação em manter uma 0ac$ada substantiva de respeito pela soberania pre1udica o e@ercício do poder necessário às atividades de administração regionalH' (ra, que direito temos n3s de nos arvorar em administradores regionais, ou buscar aquele poder que o autor considera GnecessárioH para tanto e muito menos e@ercitá8loF E, sobretudo, que direito tem o autor de se arvorar na empá0ia de e@igi8lo de n3sF Esta di0erença em nossa postura & o que o pro0essor #urges, embebido porventura de todos os conceitos de relaçBes internacionais baseados em relaçBes de domínio e opressão e não de parceria, não possa talve. entender' Escapa a ele, assim, todo o es0orço de política e@terna que vem sendo reali.ado – e não s3 pelo #rasil – no sentido de desenvolver parcerias, no sentido de

estabelecer semel$anças, no sentido de resgatar e@peri"ncias comuns, no sentido de procurar mudar as relaçBes de domínio e opressão nas relaçBes internacionais' %e o !tamaratM não esteve na vanguarda da 0ormulação inicial de uma ou outra iniciativa de política e@terna do #rasil, como clama o pro0essor – e, de resto, nen$um serviço diplomático em nen$um país do mundo o esteve sempre – o !tamaratM esteve, certamente, no 0ulcro de sua e@ecução' E em muitas outras 0ormulaçBes, esteve, sim, na vanguarda' A abertura de Embai@adas residentes em todos os países das Am&ricas e o processo de criação da CE AC e da ?nasul> a abertura de Embai@adas residentes em quase todos os países da S0rica> a reali.ação das reuniBes de cEpula com os países cariben$os> as cEpulas Am&rica atinaCS0rica e Am&rica atinaC5aíses Srabes> a criação da Ag"ncia #rasileira de Cooperação> a luta pela re0orma estrutural das )açBes ?nidas, inclusive do Consel$o de %egurança e do Consel$o de -ireitos 9umanos> o estabelecimento das +,, mil$as de mar territorial> a criação do Tratado de Cooperação Ama.ônica> a tentativa de 0acilitação do diálogo com o !rã> a intensi0icação de cursos de treinamento de diplomatas estrangeiros de países em desenvolvimento> a moderni.ação do sistema consular em apoio às comunidades brasileiras no e@terior> a reali.ação da Aio8J+ e, posteriormente, da Aio[+,> etc' ( pro0essor #urges utili.a8se do enga1amento mais intenso com a S0rica, durante o governo ula, para insinuar, candidamente, que o !tamaratM a ele se opôs, adu.indo o que di. ser o e@emplo de alguns embai@adores que se teriam aposentado, para não compactuar com a nova política' (ra, se dois ou tr"s embai@adores o 0i.eram – e o 0i.eram com muita dignidade e & grande o respeito por eles dentro e 0ora do !tamaratM – grande 0oi, tamb&m, o entusiasmo dos que dentro do ;inist&rio das AelaçBes E@teriores impulsionaram aquela política, voluntariando8se, inclusive, para ir servir nos novos postos que se abriam na S0rica, na Ssia, na Europa e nas Am&ricas' Tudo isso vai 0rontalmente de encontro ao que a0irma o pro0essor sobre o !tamaratM, no sentido de que suas Gestruturas e tradiçBes burocráticas dominantes não são propícias à incorporação de inovaçBesH' 5ois a verdade & que o !tamaratM conserva e inova' )em podia ser de outro modo' A política e@terna de um país tem a mesma condição parado@al, com relação aos $omens, que tem a 9ist3ria2 n3s vivemos no curto pra.o de nossas vidas, a política e@terna vive nesse curto pra.o mas, tamb&m, no longo pra.o da vida e da $ist3ria do país' Esse parado@o talve. e@plique a impaci"ncia generosa do pro0essor #urges, ao recomendar que o !tamaratM Gse adiante e assuma a 0renteH, para não correr o risco de Ga0errar8se a sua posição de0ensiva e acabar correndo o risco de se ver marginali.ado, à medida que outros minist&rios e ag"ncias, sentindo8se 0rustrados, acabem por se distanciar e desenvolvam sua pr3pria capacidade de política internacional independenteH' 5ois isso, tamb&m, o !tamaratM vem 0a.endo' Estabeleceu escrit3rios regionais em oito Estados da :ederação, estrutura nacional que em pouquíssimos outros serviços diplomáticos pode ser encontrada semel$ante' -esenvolve, atrav&s da :undação Ale@andre de Tusmão – :?)AT, entre outros de seus organismos, relação estreita e 0ecunda com os mais de V, cursos de AelaçBes !nternacionais e@istentes nas universidades de todo o país' Estabeleceu, atrav&s da mesma :undação e do !nstituto de 5esquisa em AelaçBes !nternacionais – !5A!, vasto programa de publicação de trabal$os sobre os aspectos mais variados das relaçBes internacionais, produ.idos por autores das mais variadas origens, brasileiros e estrangeiros e a0errados às mais variadas opiniBes' 5romove seminários e encontros setoriais sobre aspectos diversos das relaçBes internacionais e da política e@terna, com a participação ampla da academia e da c$amada sociedade civil, inclusive estrangeira' ( ministro das AelaçBes E@teriores talve. se1a o

mais assíduo 0requentador de comissBes do Congresso )acional> e o porta8vo. do ministro encontra8se, quotidianamente, com a imprensa, $ábito não tão comum na grande maioria dos países' ;ais de V, diplomatas – inclusive mais de /, embai@adores – estão lotados em outros 3rgãos da administração pEblica – 0ederais, estaduais e municipais – contribuindo para estabelecer vínculos operativos entre aqueles 3rgãos e o !tamaratM' ( pro0essor #urges & generoso e, com boas intençBes, a0irma, como vimos, que Ga rígida estase da política e@terna brasileira contempor4nea tem que ser ree@aminadaH' Talve. o pro0essor possa, tamb&m, ree@aminar seus conceitos sobre a política e@terna brasileira e o !tamaratM' Talve. possa pensar sobre a nature.a das iniciativas de política e@terna condu.idas pelo ;inist&rio, que não pretendem bombardear ningu&m, nem e@ercer nen$uma esp&cie de domínio sobre quem quer que se1a, nem 0abricar bomba atômica, nem obrigar os outros a 0a.er isso ou aquilo em suas casas, nem entregar as relaçBes internacionais ao poder discricionário de quem ten$a o poder da 0orça e não ao poder do direito, nem impor soluçBes sem negociação e@austiva' !niciativas que pretendem estabelecer relaçBes de parceria e cooperação nas relaçBes internacionais e não manter o cenário atual que se orna de uma paisagem de depend"ncia e domínio' Aespondendo à pergunta inicial, creio poder di.er que essa política e@terna não & um problema para o !tamaratM, nem & um problema para o #rasil' E & para essa política e@terna que vai se abrindo, aos poucos, o cenário internacional' Talve. não pela porta estreita cu1a c$ave tranca as grandes pot"ncias ou pela porta grande da subservi"ncia a elas e a seus par4metros mas pelas outras portas, pelas muitas outras portas de quem em algum momento acredita que o poder da ami.ade e da construção de um mundo solidário & maior que o poder do interesse e do egoísmo' 5orque o #rasil, como de resto todos os demais países, não & uma entidade amor0a e sem coluna, mas & o somat3rio de todos e cada um dos brasileiros' E nesse sentido o pro0essor #urges tem ra.ão, todos devem poder contribuir para a 0ormulação da política e@terna' ( cirurgião cardíaco deve ouvir o pneum3logo, o anestesista, o $emat3logo e outros especialistas com muito cuidado, antes de operar> mas quem opera o coração com bisturi certeiro com algum sucesso, & ele, não o dentista'

Din@micas *o processo *ecisArio em política externa a partir *e uma perspectiva co+nitiva? o papel *as ima+ens no caso *a Política Externa ;n*epen*ente B"CD"-"CDEF = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brC<<<Cdinamicas8processo8decisorio8politica8e@terna8partir8 perspectiva8cognitiva8papel8imagens8caso8politica8e@terna8independente8/JK/8/JK<C

o papel *as ima+ens no caso *a Política Externa ;n*epen*ente B"CD"-"CDEF = Política Externa -in4micas do processo decis3rio em política e@terna a partir de uma perspectiva cognitiva2 o papel das imagens no caso da 5olítica E@terna !ndependente I/JK/8/JK<L por :ábio Albergaria de `ueiro. em ,DC,JC+,/D , comentários Este artigo tem como ob1etivo avaliar o papel de elementos cognitivos, mais especi0icamente o papel das imagens na criação e implementação da G5olítica E@terna !ndependenteH – 5E! I/JK/8 /JK<L, um plano de ação que moldou a estrat&gia brasileira de inserção internacional em um conte@to paradigmático, marcado por mudanças estruturais notáveis' Como resultado, o estudo concluiu que os processos de tomada de decisão da 5E! 0oram pro0undamente vinculados a um con1unto de crenças, valores e imagens que os tomadores de decisão e 0ormuladores de políticas levaram com eles, orientando e muitas ve.es determinando a 0ormação dos interesses nacionais' T$is article aims at evaluating t$e role o0 cognitive elements, more speci0icallM t$e role o0 images, at t$e establis$ment and implementation o0 t$e so8called G!ndependent :oreign 5olicMH – 5E! I/JK/8/JK<L, a plan o0 action t$at s$aped t$e #ra.ilian strategM o0 international insertion in a paradigmatic conte@t, marPed bM remarPable structural c$anges' As a result, t$is studM concluded t$at 5E!Qs decision8maPing processes Oere deeplM bound to a set o0 belie0s, values and images t$at t$e decision maPers and policM maPers actors carried Oit$ t$em, guiding and o0ten determining t$e 0ormation o0 t$e national interests' ;ntro*ução Comumente di.8se que a política e@terna de um país representa os interesses e ob1etivos deste ator, em suas diversas 0ases e 0aces, no plano internacional, perante outros Estados' Tendo como ponto de partida esta assertiva, o elemento central da análise sobre o tema recai, consequentemente, nas açBes estatais e nos elementos condicionantes destas açBes como, por

e@emplo, os estímulos o0erecidos por seus $om3logos na condução de sua política e@terior I7EATa#EATEA, /JJ,> 7!TE7A)!, /JJV> ( !7E!AA, +,,VL' Assim, ob1etivamente, a nature.a de0inidora das açBes no campo da política e@terna, de acordo com Xil$elmM I/JWW> p'/<WL, tem como re0er"ncia o con1unto de atividades políticas pelas quais cada Estado promove seus interesses perante os demais países' Contudo, a inegável comple@idade e amplitude do escopo de ação destas unidades re0erencias levaram Aussel I/JJ,> p' +VVL a uma de0inição mais abrangente – e coerente com o atual cenário global transnacional – para o que vem a ser política e@terna2 a área particular da ação política dos governos, abrangendo tr"s grandes dimensBes2 político8diplomática, militar8estrat&gica e econômica – e que se pro1eta no 4mbito e@terno ante uma miríade de atores e instituiçBes governamentais e não governamentais' ogo, neste comple@o cenário em que os destinos de seus atores se entrelaçam num conte@to 0avorável a cone@Bes das mais variadas ordens, tanto no plano bilateral como multilateral, surgem algumas questBes paradigmáticas, dentre as quais2 por que e como as decisBes de política e@terior são tomadasF `uais os limites e@plicativos de suas condicionantes dom&sticas e e@ternasF As respostas para estas perguntas dependerão de uma s&rie de variáveis de nature.a diversa, que vão desde crit&rios materiais e ob1etivos at& aqueles elementos ditos não tangíveis, locali.ados no campo das ideias' Como e@emplos destas variáveis podemos citar2 capacidade militar e tecnol3gica> geogra0ia> recursos naturais e $umanos> o papel desempen$ado por grupos de interesses e pelas burocracias dom&sticas especiali.adas> o processo de 0ormação de identidades entre os Estados ou, em outras palavras, do con1unto de signi0icados que estes atores atribuem a si pr3prios em relação aos outros em um dado conte@to ou, ainda, o papel das ideias e crenças compartil$adas legitimando, restringindo, capacitando eCou constituindo a ação dos tomadores de decisão' R válido pontuar que por estar diretamente vinculada à consecução dos interesses vitais dos Estados desde sua g"nese vest0aliana, quanto à política e@terna observa8se que a produção intelectual sobre o tema, em sua ampla maioria, dialoga com o quadro te3rico do Aealismo, onde o Estado, mais que o ator re0erencial deste sistema anárquico, &, tamb&m, para e0eitos analíticos, um ator unitário, monolítico e ma@imi.ador de poder' )a medida em que o estudo dos processos decis3rios em política e@terna cresce em import4ncia e se desenvolve, surgem novos en0oques que passam a questionar alguns destes pressupostos' Como dito, variáveis tais como o ambiente dom&stico, limites de ordem cognitiva e o papel das burocracias e das culturas organi.acionais passam a ser considerados 0atores importantes e a resultante desta miscel4nea característica do processo de tomada de decisBes & o desenvolvimento de uma pro0usão de abordagens te3ricas que nos o0erecem lentes analíticas concorrentes e, por ve.es, tamb&m complementares – a depender, claro, da maior ou menor inter0er"ncia das variáveis consideradas – na e@plicação de padrBes pelas quais as açBes de política e@terna são tomadas' )este sentido, al&m do clássico modelo do ator racional – em que o Estado & visto como um ente uni0icado na 0ormulação e implantação de sua política e@terna – o estudioso do tema disporá de amplos 0rameOorPs te3ricos e@plicativos alternativos como as abordagens sociais e cognitivas, baseadas em crenças, valores e aspectos culturais I*EA7!%, /J=K> 7EATa#EATEA, /JJ,> T( -%TE!) e bE(9A)E, /JJD> ETA(, /JJK> A(9A !C9, /JW=> 9EAa, /JJ<L> os modelos organi.acionais e burocráticos I%)\-EA e -!E%!)T, /J==> A !%() e 9A 5EA!), /J=+> A !%() e aE !b(7, /JJJ> C(9E), +,,<L> o modelo interativo, baseado na teoria dos 1ogos de

dois níveis I5?T)A;, /JWW> ;! )EA, /JJ=> ;! )EA e A(%E)-(A:, /JJ=> 5A9AE, /JJ=L, dentre outros mais' 5artindo8se, então, da premissa básica de que a política e@terna de um Estado &, em geral, condicionada por uma interação contínua entre 0atores internos e e@ternos, autores como a0er I/JW<L a0irmam ser necessário levar em consideração o e@ame de duas dimensBes distintas, por&m complementares2 as normas de 0uncionamento da ordem mundial em um dado momento e as modalidades especí0icas de inserção estatal na din4mica de 0uncionamento deste sistema' Assim, considerando a validade desta premissa na tradição da política e@terna brasileira, pressupBe8se que a estrutura do sistema internacional, em termos de distribuição de poder, bem como as variaçBes de ordem con1untural, podem representar 0atores de constrangimento eCou pressão capa.es de in0luenciar diretamente na escol$a das opçBes de ação que de0inem os rumos da agenda e@terna do país I( !7E!AA, +,,VL, o que nos leva a re0letir acerca das perguntas ora levantadas quando aplicadas ao caso do #rasil' 5ortanto, para veri0icar empiricamente por que e como as decisBes de política e@terior são tomadas, bem como quais seriam os limites e@plicativos de suas condicionantes, escol$eu8se, como recorte temporal, o período compreendido entre /JK/ e /JK<, considerado, do ponto de vista da política e@terior, emblemático e com pro0undas repercussBes na con0iguração das relaçBes internacionais brasileiras' !sso porque, con0orme nos revela a análise $istoriográ0ica, a política e@terna brasileira constituiu8se, principalmente a partir dos anos /JK,, em um instrumento atrelado ao pro1eto nacional de desenvolvimento, deslocando8se do tradicional ei@o esteC(este, marcado pelas disputas ideol3gicas da Tuerra :ria, rumo a uma perspectiva mais universalista das relaçBes internacionais, onde se destaca a emerg"ncia de uma percepção da import4ncia do ei@o )orteC%ul, notadamente marcada por uma conotação de ordem econômico8social' Esta mudança perceptiva, por seu turno, 0orneceu as bases sobre as quais emergiu uma conscienti.ação interna quanto ao estágio de subdesenvolvimento do país e sua necessária pro1eção em termos de política e@terna I%! 7A, /JJV> ( !7E!AA, +,,VL' )este sentido, a política e@terna vigente durante o curto período de *4nio `uadros no poder I1an'C/JK/8ago'C/JK/L, a c$amada 5olítica E@terna !ndependente I5E!L, que se estende de /JK/ at& /JK<, ao 0im do governo de *oão Toulart, será o ob1eto desta análise por ser a 5E!, como aponta %ilva I/JJV> +KL, Go primeiro 0ormato $ist3rico de um novo paradigma de política e@terna, o primeiro a se impor, de 0ato, como alternativa ao americanismo vigente desde Aio #rancoH' As lentes conceituais que condu.em esta investigação são aquelas 0ornecidas pela c$amada abordagem cognitiva, uma ve. que, na comple@a equação que dá 0orma ao processo decis3rio, aqui buscaremos analisar o papel das imagens – ou das estruturas de con$ecimento sub1etivas, como as de0ine #oulding I/JK/L – como ordenadoras de pre0er"ncias e guias de comportamento na condução de nosso ob1eto de estudo2 a 5E!' 5ara cumprir tal ob1etivo, o artigo encontra8se estruturado em tr"s partes' Em um primeiro momento, discorre8se sobre as principais características da abordagem cognitiva tendo, como base, uma breve revisão de parte da literatura pertinente' )a sequ"ncia, analisa8se o conte@to $ist3rico em que se instituiu a 5olítica E@terna !ndependente para que, por 0im, se veri0ique o papel da abordagem cognitiva, mais especi0icamente das imagens, nos processos decis3rios relativos à 5E!' 34or*a+em co+nitiva e política externa A aplicação da análise cognitiva como 0ator de e@plicação para o processo de tomada de decisão em política e@terna desenvolveu8se, sobremodo, a partir da d&cada de /JV, como crítica à

$omogenei.ação dos atores internacionais 0eita pela literatura realista, naquele momento tida como o grande mainstream te3rico no campo das relaçBes internacionais' Temos, então, como uma das medidas reativas à criticada ortodo@ia presente nas premissas realistas, a abordagem cognitiva buscando, por meio de um con1unto de propostas analíticas2 investigar os elementos sub1etivos que in0luenciam o comportamento dos atores no processo decis3rio e, tamb&m, demonstrar que os mesmos não podem ser tratados como atores unitários ou $omog"neos' ogo, os estudos precursores da abordagem cognitiva buscaram encontrar na mente $umana a dimensão sub1etiva de eventos singulares como os con0litos internacionais e, para tanto, se concentraram no estudo de personalidades patol3gicas e de sua in0lu"ncia nos rumos da política internacional colocando, então, sob os $olo0otes das Ci"ncias %ociais, as dimensBes psicol3gicas e culturais como guias das açBes comportamentais dos tomadores de decisão I9EAa, /JJ<> =V8KL' )ão tardou para que estes es0orços trans0ormassem a análise cognitiva – amplamente ancorada naquelas atividades mentais de processamento das in0ormaçBes do ambiente no qual estamos inseridos – em uma subárea no campo de estudo da política e@terna' )a Gprimeira geraçãoH de estudiosos da análise cognitiva destacam8se as obras de autores como 9arold e ;argaret %prout I/JV=L e Aic$ard %nMder et al' I/JK+L' ( trabal$o desenvolvido pelos %prouts, por e@emplo, estabeleceu a distinção entre o ambiente operacional – o cenário real, onde os 0atos dom&sticos e e@ternos estão acontecendo e, ao mesmo tempo, moldando as lin$as de procedimento e conduta internacional – e o ambiente psicol3gico, este Eltimo integrado por imagens, ideias, valores, crenças e percepçBes' Eles propBem que 0atores ambientais somente in0luenciam as açBes decis3rias que compBem a política e@terna do Estado na medida em que são percebidos e considerados no processo de concepção desta política' Como resultado deste es0orço intelectual, o e@ame do ambiente psicol3gico sobre o sistema operacional assumiu crescente import4ncia e tornou8se um lídimo ob1eto dos estudos de política e@terna' ( arcabouço conceitual elaborado pelos %prouts consolidou8se como um importante marco te3rico e seguiu in0luenciando os estudos que l$e sucederam' ;ic$ael #rec$er et al' I/JKJL, por e@emplo, retomaram o conceito de ambiente psicol3gico em suas investigaçBes sobre as variáveis sub1etivas que contribuem para a compreensão do processo decis3rio e, tamb&m, sobre o poder de 0iltragem das imagens' )esse sentido, apontaram que o ambiente operacional, 0ormado por elementos e@ternos Icapacidade militar e econômica, estrutura política, grupos de interesse, elites competitivas etc'L, indiscutivelmente a0eta o resultado das decisBes tomadas, por&m, s3 depois de 0iltrado pelas imagens e atitudes daqueles que as tomam, o que re0orça o papel das percepçBes destes atores como um elemento 0undamental na análise da política e@terna de um Estado' Em sua pesquisa sobre a política e@terna de !srael, #rec$er I/J=+L avança signi0icativamente em termos de inserção dos aspectos culturais no escopo dos processos decis3rios em política e@terna' Como uma de suas contribuiçBes, 0a. a distinção entre o que ele de0ine como prisma atitudinal, a saber, a ideologia e as características de personalidade ou predisposiçBes psicol3gicas da elite decis3ria, e as imagens do ambiente, por assim di.er, as percepçBes que, de acordo com sua tipologia, representam o mais importante input para a 0ormação da política e@terna de um país' ( trabal$o de %nMder et al' I/JK+L destaca8se como outra re0er"ncia basilar neste campo de estudo e & considerado por muitos o ponto de partida no e@ame das variáveis cognitivas 0ormadoras da política e@terna I9EAa, /JJ<> p' =KL' Em :oreign 5olicM -ecision ;aPing2 An Approac$ to t$e %tudM o0 !nternational 5olitics, %nMder e seus colaboradores demonstram a

validade e@plicativa das teorias be$avioristas no estudo dos processos decis3rios e, concomitantemente, a relev4ncia das percepçBes dos tomadores de decisBes neste processo' Aepresentando apenas uma pequena amostragem da literatura que se desenvolveu sobre o binômio política e@terna8análise cognitiva, v"8se que este emergente 0rameOorP te3rico8conceitual 0oi determinante para que, dali em diante, se irrompessem as 0ronteiras estabelecidas pela 3tica dominante de que as decisBes em política e@terna são uma resultante mec4nica da ação de uma entidade racional unitária, o Estado' 5aralelamente, a abordagem cognitiva adicionou novas clivagens, de ordem sub1etiva, na análise da política e@terna ao apresentar8se, alternativamente, como uma perspectiva que a v" como resultado das percepçBes que t"m da realidade os grupos ou indivíduos que tomam as decisBes em nome do ente estatal I( !7E!AA, +,,V> /=L' Aelevante para os prop3sitos deste artigo &, tamb&m, a contribuição de (le 9olsti I/JKJL' Em T$e #elie0 %Mstem and )ational !mages2 A Case %tudM, 9olsti discute o papel das imagens nacionais como importantes elementos organi.adores de percepçBes na 0orma de guias de comportamento tendo, como re0er"ncia, um cenário moldado, em boa medida, por variáveis de nature.a sub1etiva' 5ara o estudo do papel das imagens no processo decis3rio, 9er. I/JJ<L indica, ainda, as contribuiçBes dos esquemas interpretativos propostos na obra de %$ut. I/JK=L' Em Common8 %ense and %cienti0ic !nterpretation o0 9uman Action, %$ut. nos apresenta o ator decis3rio como um agente que tra. para cada encontro um con$ecimento arma.enado Iestabelecido por meio de crenças, valores e atitudesL que l$e permite tipi0icar outros atores de acordo com esquemas interpretativos ou road maps cognitivos' 5or 0im, mas não menos relevante, um segundo passo na de0inição de imagens signi0icativas para análise de política e@terna está no entendimento e recon$ecimento da import4ncia da cultura internacional para o estudo de elementos cognitivos na política e@terna' -e acordo com esta abordagem, tão logo os valores internacionais se1am incorporados pelo quadro cognitivo de grupos nacionais, estes passam a 0a.er parte de sua cultura internacional' ( conteEdo das imagens &, neste conte@to, tanto parte integrante como 0ator de grande import4ncia na sua de0inição I9EAa, /JJ<> p' W<L' 7"8se, portanto, que na medida em que os estudos sobre os impactos das variáveis sub1etivas na política e@terna vão se tornando mais comple@os e so0isticados, 0ica cada ve. mais claro que as percepçBes dos policMmaPers antecedem o processo de tomada de decisão e estão ligadas a um con1unto de crenças, valores e imagens que os atores carregam consigo, orientando a condução da política e@terna' Em suma, a literatura sobre o papel da análise cognitiva nas relaçBes internacionais nos permite observar que as imagens, valores e mapas cognitivos, dentre outros elementos adotados por esta abordagem te3rica, contribuem para 0ormar um sistema de crenças que irá atuar, no processo decis3rio, como um 0iltro da realidade, permitindo aos tomadores de decisBes selecionar e ordenar as in0ormaçBes em 0unção de suas metas e pre0er"ncias em meio a um sistema internacional comple@o, din4mico e anárquico' )ão constitui, portanto, tare0a di0ícil entender o porqu" de Aenouvin e -uroselle I/JK=, p' KL terem en0ati.ado que estudar as relaçBes internacionais sem levar em conta 0atores como as concepçBes pessoais do $omem de Estado implicaria negligenciar um 0ator importante, por ve.es essencial' ogo, v"8se que a ess"ncia dos argumentos que 0undamentam a análise cognitiva tem como uma de suas premissas basilares a assertiva de que as imagens construídas pelos agentes decis3rios acerca de quem & e pode vir a ser o ente que representam e, tamb&m, as imagens que pro1etam dos demais atores atuantes no cenário internacional, desempen$am uma importante 0unção na condução do processo decis3rio na política e@terior de um país' 5ortanto, recon$ecida a potencial

in0lu"ncia desta abordagem, a questão que se coloca &2 em que medida ela ocorre e em que circunst4nciasF )a busca de respostas, nos t3picos seguintes analisaremos a validade empírica dos argumentos cognitivos com relação ao papel de um de seus elementos constitutivos – as imagens – no caso da 5olítica E@terna !ndependente' O cen9rio internacional nos anos "CD! e a PE; ( cenário internacional no 0im dos anos /JV, e início dos anos /JK, & marcado por grande tensão' 7ivia8se um período de incerte.as e instabilidade, sob a ameaçadora sombra de uma $ecatombe atômica que, da Aevolução Cubana I/JVJL, passando pela construção do muro de #erlim I/JK/L, atingiria seu ápice no epis3dio da crise dos mísseis, em /JK+, em Cuba, decorrente da decisão sovi&tica de instalar na il$a cariben$a lançadores de ogivas nucleares capa.es de atingir a capital norte8americana, Xas$ington, decorridos apenas quin.e minutos do lançamento I;AE, /JJV> /D=> ;AT)( !, /JJKL' A Tuerra :ria inaugurou, assim, uma nova 0orma de equilíbrio, precisamente de0inida pelo conceito de equilíbrio do terror, tradu.ido, em sua perspectiva mais pessimista, pela teoria da -estruição ;Etua Assegurada' A l3gica do sistema internacional, marcada pela bipolari.ação do poder planetário, condu.iu à emerg"ncia de um con0lito ideol3gico que, nas palavras de ;agnoli I/JJK> <=L Gcontrapun$a uma democracia liberal associada à economia capitalista de mercado dos Estados ?nidos a um sistema político unipartidário associado à economia estati.ada e centralmente plani0icada da ?nião %ovi&ticaH' Concomitantemente, as relaçBes internacionais e@perimentaram um período de pro0undos rearran1os estruturais no que di. respeito ao surgimento de novos atores na sccne mondiale, 0ruto do processo de descoloni.ação da Ssia e da S0rica que resultou na criação de de.enas de novos Estados que, ressalte8se, apesar de conquistada a independ"ncia política, permaneceram economicamente vulneráveis e dependentes' %ob a alcun$a de Terceiro ;undo, estes novos países, 1untamente com a Am&rica atina, 0icaram marcados e@atamente por carregar o pesado 0ardo de manter pro0undos vínculos de depend"ncia econômica, ou com os países capitalistas desenvolvidos I5rimeiro ;undoL ou com países socialistas de economia plani0icada I%egundo ;undoL' As reaçBes a estas mudanças paradigmáticas não tardaram em se 0a.er sentir no entorno estrat&gico imediato do #rasil' )a Am&rica atina, sob os auspícios da Comissão Econômica para a Am&rica atina e o Caribe ICE5A L, 0oi 0ormulada a Teoria da -epend"ncia tendo, como e@poentes, pensadores como Celso :urtado, 9elio *aguaribe, (sOaldo %unPel, :ernando 9enrique Cardoso e En.o :alleto' -e acordo com esta perspectiva, as assimetrias e@istentes entre a peri0eria, e@portadora de produtos primários, e os países industriali.ados, centro do sistema econômico mundial, tin$am origem, por um lado, na divisão internacional do trabal$o – causada pela deterioração das relaçBes de trocas, 0avorável aos países produtores de manu0aturados de alto valor agregado – e, por outro, nas açBes das elites dos países peri0&ricos que, aliados aos interesses do capitalismo internacional, contribuíam para acentuar as e@ternalidades negativas do subdesenvolvimento ICAA-(%( e :A ETT(> /J=V, p' //VL' Como consequ"ncia, criou8se um cenário de e@cessiva depend"ncia em relação aos centros din4micos do capitalismo mundial tendo como principais vetores destas relaçBes assim&tricas2
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as distorçBes geradas por uma balança comercial de0icitária, o a0lu@o de capitais e a elevação da ta@a de 1uros internacionais e, tamb&m,

o crescente distanciamento no ritmo de desenvolvimento cientí0ico e tecnol3gico entre os países do centro e da peri0eria'

ogo, os es0orços para superar este quadro de depend"ncia estrutural, segundo o pensamento cepalino, deveria se basear em tr"s estrat&gias2
• • •

industriali.ação por substituição de importaçBes, promoção de e@portaçBes de produtos industriali.ados e mudanças nas instituiçBes internacionais que resultassem no estabelecimento de uma nova ordem mundial, mais democrática e que, por conseguinte, desse maior atenção às necessidades dos países em desenvolvimento ICA -A%, +,,,L'

:oi neste conte@to que o presidente *4nio `uadros, ao assumir o poder em /JK/, buscou utili.ar a política e@terna como um elemento de trans0ormação do #rasil' As bases da 5olítica E@terna !ndependente I5E!L 0oram e@plicitadas em artigo assinado por *4nio e publicado em agosto de /JK/, na revista :oreign A00airs, poucos dias antes de sua renEncia à 5resid"ncia' Com a 5E!, o país se desloca da tradicional aliança com os Estados ?nidos – como dito, uma característica da política e@terna brasileira desde o barão do Aio #ranco – para uma estrat&gia de inserção internacional mais pragmática, marcada pela busca de associaçBes com países do Terceiro ;undo, re0le@o direto da aplicação dos corolários de0inidores da 5E!2 a autonomia e a universali.ação I;AE, /JJV> p' /D=> ( !7E!AA, +,,V> p' WW8J/L' Con0orme observa ima I/JJ<L, a partir desta nova perspectiva as relaçBes com os E?A passaram a ser concebidas não mais como um instrumento para aumentar o poder de bargan$a do país, mas como a consequ"ncia da pr3pria ampliação deste poder, que deveria ser construído autonomamente pelo #rasil' 5or conseguinte, este poder deveria resultar de uma ação e@terna global, considerando8se a possibilidade de novas alianças orientadas mais pelos interesses nacionais do que por um alin$amento político8ideol3gico' -esta maneira, retomando o que 0oi a0irmado na introdução deste artigo, a 5E! trou@e, como um de seus ob1etivos basilares, libertar a política e@terna brasileira da rigide. ideol3gica da Tuerra :ria, deslocando8a para uma visão mais universalista das relaçBes internacionais com destaque para a emerg"ncia do ei@o )orteC%ul demonstrando, assim, conson4ncia com um dos grandes legados da emblemática Con0er"ncia de #andung' A autonomia apregoada pela 5E! não tardaria em materiali.ar8se como açBes de política e@terna' -urante a 7!! Aeunião de Consulta da (rgani.ação dos Estados Americanos I(EAL, reali.ada em 1aneiro de /JK+, a delegação brasileira, liderada por %an Tiago -antas, mani0estou8se contrária à suspensão de Cuba da entidade, assim como às propostas norte8americanas de sançBes econômicas e diplomáticas à il$a de :idel Castro I( !7E!AA, +,,V> p' JJL' 5aralelamente, ocorrem conversas para o reatamento de relaçBes com a ?A%% e demonstra8se simpatia pela entrada da AepEblica 5opular da C$ina na ()?' d lu. destes acontecimentos, os E?A, como esperado, não tardaram em demonstrar sua insatis0ação com a aplicação da 5olítica E@terna !ndependente e, concomitantemente, com a postura brasileira, sentimento este que vin$a se desen$ando desde a Con0er"ncia Econômica !nteramericana de 5unta del Este, reali.ada em agosto de /JK/' )a ocasião, a delegação de Cuba, c$e0iada por Ernesto C$e Tuevara, então presidente do #anco Central cubano, não subscreveu a Carta resultante do encontro que, em lin$as gerais, apresentava as diretri.es de um programa de desenvolvimento para os países latino8americanos baseado na concessão de ?%e +, bil$Bes pelos E?A'

Em seu retorno a Cuba, C$e Tuevara passou por #rasília e ali recebeu, das mãos de *4nio `uadros, a condecoração da Trã8Cru. da (rdem do Cru.eiro do %ul' ( epis3dio não desagradou apenas aos E?A, mas tamb&m, internamente, às 0orças conservadoras que $aviam apoiado *4nio `uadros e que agora passavam a ver a 5E! como uma ameaça a seus interesses, o que evidenciava que os constrangimentos político8ideol3gicos dos quais o país buscava manter dist4ncia ainda representavam um importante vetor condicionante das açBes tanto no plano e@terno como dom&stico I;AE, /JJV> p' /DW8/<,L' Em = de setembro de /JK/, apenas duas semanas ap3s a renEncia de *4nio `uadros, assume o poder *oão Toulart I/JK/8K<L que prontamente rea0irmou a continuidade da 5E! como guia das açBes e@ternas do país, con0orme con0irmado no pronunciamento de seu c$anceler, A00onso Arinos de ;ello :ranco I1ul'C/JK+8set'C/JK+L, durante a /Kf %essão da Assembleia Teral das )açBes ?nidas, reali.ada em ++ de setembro daquele ano' *á ao 0inal desse ano, como dito $á pouco, #rasil e ?A%% t"m suas relaçBes reatadas,decisão esta que, apesar da conotação ideol3gica, teve como 1usti0icativa interesses econômicos e comerciais do país baseados, segundo *4nio `uadros, na busca de novos mercados não apenas na Am&rica atina, mas tamb&m na Ssia, S0rica e (ceania' Como & possível in0erir8se dos 0atos at& aqui apresentados, a implantação da 5E! trou@e, como resultado mais signi0icativo, a construção de uma nova percepção do papel e da inserção do #rasil no cenário internacional' Corroborando esta assertiva, (liveira I+,,V> p' /,<L, ao comentar as consequ"ncias da 5E!, argumenta que $ouve o estabelecimento de um temário tendo em vista 0ortalecer uma posição autônoma do #rasil no 4mbito das relaçBes internacionais e, tamb&m, uma proemin"ncia da diplomacia econômica' Com isso, o país se opun$a à divisão do mundo em .onas de in0lu"ncia automaticamente alin$adas às superpot"ncias e, consequentemente, re1eitava o papel de uma pot"ncia regional subordinada' ogo, as principais características da 5E! podem ser, assim, resumidas2
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diversi0icação das relaçBes internacionais do #rasil com ob1etivos econômicos> "n0ase nas relaçBes )orteC%ul e não mais no alin$amento tradicional baseado na divisão esteC(este> por conseguinte, atuação isenta de compromissos ideol3gicos> busca de um maior protagonismo no processo decis3rio internacional> e de0esa dos princípios da autodeterminação dos povos e da não intervenção> orientação anticolonialista e antirracista> ação solidária em prol do desenvolvimento e do desarmamento I;AE, /JJV, p' /DJ8/<,> ( !7E!AA, +,,V> p' /,VL'

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:inda esta síntese das principais características da 5E!, 0a.8se na sequ"ncia, à guisa de conclusão, uma análise do papel das imagens na 0ormulação e condução da 5olítica E@terna !ndependente' 5ara tanto, buscaremos delinear os mapas cognitivos originados das crenças compartil$adas pela elite decis3ria integrante da 5E!, de 0orma que possamos, ao 0inal, identi0icar algumas das percepçBes seletivas que agiram como guias das açBes tomadas por estes agentes no conte@to dos processos $ist3ricos que as geraram' O papel *as ima+ens na PE;

Aetomando o que 0oi dito na introdução deste artigo, o estudo da 5olítica E@terna !ndependente & emblemático, dentre outros motivos, por se tratar do primeiro 0ormato $ist3rico de um novo paradigma das relaçBes internacionais do #rasil, o l3cus de decisão onde o americanismo vigente desde Aio #ranco deu lugar à multilateri.ação das açBes e@ternas do país' -urante a 5E! buscou8se o alin$amento com uma agenda de assuntos que privilegiava temas como a descoloni.ação, desarmamento, desenvolvimento nacional e autodeterminação dos povos, 0atores estes que Ge@pressavam a determinação do #rasil de suplantar as dis1untivas empobrecedoras da con0rontação ideol3gica e assumir uma posição independente no cenário internacionalH I;AE, /JJV> /DJL' )ascia, então, uma nova Gideia de #rasilH, amparada na negação de 0ronteiras ideol3gicas e na ampliação de parcerias estrat&gicas' 7"8se, portanto, que a assertiva de #rec$er et al' I/JKJL de que a imagem que o país tem de si pr3prio e dos demais atores do cenário internacional & um elemento de grande relev4ncia para a compreensão do processo decis3rio aplica8se comodamente à 5E!, desde sua concepção at& a sua e0etiva implementação' (s 0atos apresentados ao longo destas páginas nos permitem observar que, no caso da 5E!, os elementos e@ternos do ambiente operacional atuaram diretamente no resultado do processo decis3rio, entretanto, depois de 0iltrados pelas imagens dos tomadores de decisão que, por conseguinte, selecionaram e ordenaram as in0ormaçBes 0iltradas em 0unção de metas e pre0er"ncias evidenciando, outrossim, a seletividade como uma característica inerente às percepçBes' )esse sentido, no conte@to $ist3rico em que a 5E! 0oi 0ormulada, a política e@terna do país internali.ou em sua concepção uma pro1eção no mundo daquilo que o #rasil &2 um país de dimensBes continentais, multicultural e multirracial, que dese1ava preservar sua liberdade absoluta para tomar decisBes' As palavras do ministro A00onso Arinos na abertura da 67! %essão (rdinária da Assembleia Teral da ()? não dei@am dEvidas quanto a esta nova percepção orientadora da política e@terna brasileira2 R IZL inevitável que países como o #rasil se1am levados a tomar posição independente no panorama mundial, no 1usto empen$o de in0luir na atenuação das tensBes, na solução das diverg"ncias e na conquista gradativa da pa.' IZL ( mundo não está somente dividido em este e (este' Esta separação ideol3gica 0a. esquecer a e@ist"ncia de outra divisão, não ideol3gica, mas econômico8social, que distancia o 9emis0&rio )orte do 9emis0&rio %ul' IZL ( #rasil tem uma posição ideol3gica de0inida, mas procura sempre, nas suas relaçBes internacionais, inspirar8se no dispositivo IZL da Carta de desenvolver entre as naçBes relaçBes amistosas 0undadas no respeito ao princípio de igualdade de direitos dos povos e de seu direito de autodeterminação, e tomar todas as demais medidas necessárias para consolidar a pa. no mundo' Em consequ"ncia, as di0erenças ideol3gicas não impedirão, por si mesmas, que o #rasil manten$a relaçBes com outros Estados' I;AE, /JJV> p' /</8/<KL' R importante notar que $á uma imagem, determinante na condução da 5E!, de que o #rasil estaria condenado em decorr"ncia de seu subdesenvolvimento, Ga não ser que 0osse adotada uma política emancipat3ria e revolucionária, que apontasse para a re0orma das estruturas sociais vigentesH I-A)TA%, /JK<, apud %! 7A, /JJV> p' +WL' ogo, o #rasil, cônscio de seu papel e da necessidade de desenvolver8se para bem cumpri8lo, como previamente dito, estabeleceu os dois princípios basilares de sua política e@terna2 a autonomia e a universali.ação de suas relaçBes internacionais, o que levou muitos a a0irmarem, pois, que a 5E! nasceu como resultado da percepção de que o #rasil 1á não mais poderia limitar8 se ao pan8americanismo' Esta percepção 0oi determinante ao atuar, simultaneamente, como um

0iltro da realidade na construção de imagens e um curso de ação – ligado a um con1unto de crenças e valores – precedente ao processo de tomada de decisBes da 5E!' E 0oi a partir do despertar desta nova consci"ncia – ressalte8se novamente, amparada nas 0ormulaçBes cepalinas que 0orneceram os substratos intelectuais para a construção de uma identidade comum, em particular para a Am&rica atina e, em geral, para os países peri0&ricos, conectando8os como uma unidade coletiva no plano internacional – que o #rasil buscou a associação com os países do Terceiro ;undo em detrimento de um alin$amento automático e apriorístico com os E?A' Assim, romper com os enquadramentos da Tuerra :ria signi0icou ao #rasil maior autonomia e liberdade de diálogo e desenvolvimento de suas relaçBes internacionais Ieconômicas, sobretudoL, independentemente das posturas ideol3gicas de seus interlocutores' E 0oi, assim, sob a in0lu"ncia deste mapa cognitivo construído no 4mbito da 5E!, que o #rasil agiu como uma 0orça determinante para que 0osse convocada a primeira Con0er"ncia das )açBes ?nidas sobre Com&rcio e -esenvolvimento I?)CTA-L, reali.ada em Tenebra, em /JK<' Ao encontro das premissas da 5E!, di.ia o argentino Aaul 5rebisc$, então designado como secretário8geral da ?)CTA-, que o com&rcio internacional deveria ser um instrumento de desenvolvimento dos países em desenvolvimento e era e@atamente esta a proposta da ?)CTA-2 a criação de um sistema de pre0er"ncias no qual os países em desenvolvimento tivessem acesso imediato e irrestrito ao mercado dos países desenvolvidos que, por outro lado, não poderiam e@igir reciprocidade I`?E!A(a, +,/+> p' =+L' 5ortanto, observa8se que a imagem que o #rasil teve de sua posição no cenário internacional condu.iu os atores tomadores de decisão a conceberem a 5E! baseada em uma 0orte crítica ao sistema bipolar da Tuerra :ria enquanto elemento constrangedor das possibilidades do desenvolvimento nacional' Esta nova visão que o #rasil passava a ter de si mesmo, de um país autônomo em suas decisBes, &, para0raseando 9er. I/JJ<L, uma imagem que deriva, pois, de estruturas cognitivas geradas $istoricamente e que, ao mesmo tempo, estão em sua origem e são seus componentes' ( legado desta seleção contínua de estímulos identi0icada na 5E!, baseada em atitudes, e@pectativas, necessidades e elementos culturais, construiu um quadro cognitivo amplo e consistente que consolidou uma imagem do país vis8à8vis à do sistema internacional vigente e que viria a ser o corolário das açBes brasileiras em oposição ao que o c$anceler *oão Augusto de AraE1o Castro Iago'C/JKD8mar'C/JK<L c$amou de Gcongelamento do poder mundialH, rea0irmando, portanto, a posição do #rasil contra alin$amentos automáticos e a divisão do mundo em .onas de in0lu"ncia' )onsi*eraçGes 0inais ( trabal$o investigativo empreendido ao longo destas páginas permitiu veri0icar, com base na literatura analisada sobre a in0lu"ncia de 0atores cognitivos no processo decis3rio em política e@terna, que a percepção antecede a tomada de decisBes e está ligada a um con1unto de crenças, valores e imagens que os atores carregam consigo orientando e, muitas ve.es, determinando suas açBes neste processo em que a construção de identidades, ou imagens, vem a ser 0ator determinante na 0ormação dos interesses nacionais' ;ais especi0icamente para os prop3sitos deste estudo, 0oi possível observar que as imagens, no conte@to da 5olítica E@terna !ndependente, 0uncionaram como um guia de comportamento baseado em uma seleção contínua de estímulos relevantes para a compreensão do processo decis3rio, permitindo, então, que estes atores – dualmente 0ormuladores e e@ecutores da política e@terna – selecionassem, em meio às comple@as e multi0acetadas nuances da ignescente

con1untura da &poca, as in0ormaçBes relevantes para a construção de metas e pre0er"ncias orientadoras' -ito isto, a análise empírica levou8nos à conclusão de que variáveis cognitivas, especi0icamente as imagens citadas, desempen$aram papel de grande relev4ncia na 0ormulação da política e@terna brasileira, muitas ve.es servindo como um 0iltro das in0ormaçBes consideradas prioritárias para a condução da 5olítica E@terna !ndependente' Consonante com este modus operandi, o resultado prático da 5E! 0oi uma maior conscienti.ação do #rasil quanto ao seu papel na arena decis3ria mundial, baseado em posturas autônomas e em relaçBes diversi0icadas com atores de mati.es distintas' Cabe, no entanto, salientar que a abordagem cognitiva, embora importante, por si s3, não & su0iciente para e@plicar a 5E!' )esta direção, estudos complementares capa.es de estabelecer pontes de diálogo com os aspectos cognitivos levantados, condu.idos a partir de outras abordagens, como o modelo do ator racional e o modelo burocrático, poderiam o0erecer instrumentos investigativos valiosos para uma precisa visuali.ação das lin$as de ação condutoras do processo decis3rio durante o período analisado' Con0orme observado ao longo deste estudo, mesmo que de 0orma não e@plícita, para uma compreensão mais ampla e acurada do quadro decis3rio que caracteri.ou a 5E! 0a.8se necessária uma análise em que pesem tanto o papel das imagens como, tamb&m, o papel de variáveis ob1etivas como as relaçBes de poder e os interesses dos atores envolvidos' -essa 0orma, concede8se, igualmente, o devido valor aos elementos materiais das relaçBes internacionais Ipois são eles que de0inem os limites das açBes estatais assim como os custos relativos pela escol$a de determinadas opçBesL sem, contudo, perder de vista a import4ncia do signi0icado atribuído pelos atores decis3rios a essas 0orças determinantes' 5odemos, então, in0erir que as imagens não di.em respeito apenas ao ambiente social no qual estes atores interagem, mas tamb&m ao conteEdo de questBes materiais e ao signi0icado de poder que & constituído, principalmente, por ideias e conte@tos culturais onde as identidades tomam 0orma' Assim sendo, recon$ecendo, por e@emplo, a validade da l3gica construtivista Oendtiana no caso da 5E!, podemos assumir a premissa de que Gmaterial resources onlM acquire meaning 0or $uman action t$roug$ t$e structure o0 s$ared PnoOledge in O$ic$ t$eM are embeddedH IXE)-T, /JJV> p' =DL o que, consequentemente, nos leva ao silogismo de que os Estados não são verdades materiais puramente ob1etivas' 5or 0im, cumpre en0ati.ar o quão relevante & entender a ag"ncia de burocracias especiali.adas no processo dom&stico de 0ormulação de política e@terna e construção de imagens e que, no caso em tela, consubstanciou8se, sobremodo, na 0igura do ;inist&rio das AelaçBes E@teriores, protagonista que desempen$ou papel central na orientação estrat&gica de inserção internacional do #rasil, aspecto este que, apesar de sua inegável import4ncia, 0oi pouco e@plorado neste artigo dados os limites investigativos previamente estabelecidos' Assim, se1a à guisa de reparação à lacuna dei@ada, ou como um start point para estudos complementares, cabe re0erenciar, com relação à atuação do !tamaratM durante este recorte temporal, a a0irmação de Aussel I/JJ,, p' +VJL de que a 5E! 0oi um marco de0inidor da e@tensão do papel doravante desempen$ado pelo ;inist&rio das AelaçBes E@teriores, uma ve. que sua autonomia decis3ria, tanto na 0ormulação como na implementação desta política, 0ortaleceu8se sobremaneira no período, 0a.endo da corporação diplomática, 1untamente com o c$e0e do 5oder E@ecutivo, os atores centrali.adores do processo de tomada de decisBes'

ogo, a 5E!, ao abrir espaço para a construção de um quadro cognitivo amparado em uma crescente articulação 0uncional do !tamaratM com segmentos8c$ave da estrutura organi.acional dom&stica, como as :orças Armadas e grupos empresariais, contribuiu signi0icativamente para rati0icar o papel central e decisivo do !tamaratM na 0ormulação da política e@terna brasileira' otas ]/^ Termo cun$ado por :rancisco Clementino de %an Tiago -antas, enquanto ministro das AelaçBes E@teriores de *4nio `uadros Iset' C/JK/8 1ul' C/JK+L' _ ]+^ !niciado em /J<K, com a independ"ncia das :ilipinas, o processo de descoloni.ação no p3s8 %egunda Tuerra ;undial atingiu seu ápice com a libertação das colônias portuguesas na S0rica, concluída em meados da d&cada de /J=, com as independ"ncias de Tuin&8#issau I/,C,JC/J=<L, %ão Tom& e 5ríncipe I/+C,KC/J=VL, Cabo 7erde I,VC,=C/J=VL, Angola I//C//C/J=VL e ;oçambique I+VC,KC/J=VL' _ ]D^ Cun$ado pelo $istoriador 0ranc"s Al0red %auvM, o termo Terceiro ;undo 0oi utili.ado pela primeira ve. em /JV+, em artigo de sua autoria publicado no peri3dico Q(bservateur, para designar o grupo de países em desenvolvimento situados 0ora dos dois blocos de poder da Tuerra :ria' _ ]<^ 5ouco depois, em de.embro de /JK/, o artigo tamb&m 0oi publicado no nN /K da Aevista #rasileira de 5olítica !nternacional, na seção de -ocumentos' _ ]V^ A primeira iniciativa política dos países do Terceiro ;undo 0oi a reali.ação de uma con0er"ncia que rea0irmasse sua postura anti8imperialista e o posicionamento de equidist4ncia com E?A e ?A%%' A Con0er"ncia de #andung, reali.ada na !ndon&sia, em abril de /JVV, propôs uma nova 0orma de polari.ação colocando em lados opostos os países ricos e industriali.ados do )orte e os países pobres e e@portadores de produtos primários do %ul' )esta concepção ideol3gica a con0rontação este8(este cedia lugar à con0rontação )orte8%ul' 5osteriormente em #elgrado I/JK/L 0oi reali.ada uma nova con0er"ncia que resultou na 0undação do ;ovimento dos )ão Alin$ados rea0irmando as premissas político8ideol3gicas de #andung' ( ;ovimento voltou a se reunir no Cairo, em /JK<, em usaca, em /J=,, e em Argel, em /J=D, para discutir as políticas terceiro8mundistas e as questBes atinentes à economia mundial e aos interesses destes países como os preços dos produtos primários e os 1uros internacionais, en0im, 0atores que constrangiam sua capacidade de bargan$a e contribuíam para acentuar as assimetrias e@istentes em relação aos seus $om3logos do )orte' _ ]K^ 5ouco depois, em outubro, ocorreu a crise dos 0oguetes em Cuba e o #rasil, diante do delicado cenário de crise que se apresentava, acompan$ou a posição dos E?A e, na (EA, votou a 0avor do bloqueio de Cuba' _ ]=^ ( rompimento das relaçBes diplomáticas entre #rasil e ?A%% aconteceu em outubro de /J<=, ap3s um período de intenso desgaste político entre os dois países' A situação vin$a se arrastando desde o ano anterior, quando o governo -utra lançou uma 0erren$a campan$a contra o 5artido Comunista' ( estopim deste entrevero veio ap3s a publicação de um artigo pela imprensa sovi&tica onde -utra 0oi c$amado, dentre outras coisas, de 0ascista, covarde, lacaio dos E?A e general do ca0&' _

]W^ A ?)CTA- – ?nited )ations Con0erence on Trade and -evelopment – 0oi convocada por meio da Aesolução J/= da ()?' _ ]J^ (s E?A se opuseram radicalmente à ideia, pois alegavam que a proposta da ?)CTA- e dos países em desenvolvimento I5E-sL, contrários à cláusula do TATT da )ação mais :avorecida, criaria s&rias distorçBes comerciais uma ve. que, se levada a cabo, resultaria no controle das mat&rias8primas por parte dos 5E-s e, consequentemente, no controle do sistema econômico dos países desenvolvidos' _ 1i4lio+ra0ia A !%(), Tra$am T'> 9A 5EA!), ;orton' G#ureaucratic 5olitics2 a paradigm and some implicationsH' World Politics, v' +<, /J=+' A !%(), Tra$am T'> aE !b(7, 5$ilip' Essence of Decision: Explaining the Cuban missile crisis. )ova \orP2 ongman, I/JKJL /JJJ' A;A-(, A' GA política e@terna de *oão ToulartH' !n2 A #?`?EA`?E, *'A' Sessenta Anos de política externa brasileira ( !"#$ !!#%. Crescimento& moderni'a()o e política externa. %ão 5aulo2 )?5A!C?%5, /JJK' #AEC9EA, ;ic$ael> %TE!)#EAT, #lema> %TE!), *anice' GA :rameOorP 0or Aesearc$on :oreign 5olicM #e$aviourH' *ournal of Conflict +esolution' )ova \orP, v' /D, nN/, /JKJ, pp' =V8/,/' #AEC9EA, ;ic$ael' ,he -oreign Polic. S.stem of /srael Setting /mages Process ' )eO 9aven2 \ale ?niversitM 5ress, /J=+' #(? -!)T, bennet$' ,he /mage 0no1ledge in 2ife and Societ.' ;ic$igan2 ?niversitM o0 ;ic$igan 5ress' /JK/' C(9E), %amM' G-ecisão, poder e racionalidade na análise da política e@ternaH' !n2 %;(?T%, ;arie8Claude' As no3as rela(4es internacionais: pr5ticas e teorias' #rasília2 Editora da ?n#, +,,<, pp' =D8JW' CA -A%, Aicardo X' 6 7rasil e a 89C,AD' #rasília2 T$esaurus, +,,,' CAA-(%(, :ernando 9enrique> :A ETT(, En.o' Depend:ncia e desen3ol3imento na Am;rica 2atina' Aio de *aneiro2 aa$ar, /J=V' -A)TA%, %an T$iago' GEstudos, con0er"ncias e discursos de :rancisco Clementino de %an Tiago -antasH' +e3ista 7rasileira de Política /nternacional' Aio de *aneiro, 7!! I+=L, set' Cde., /JK<' T( -%TE!), *udit$ e bE(9A)E, Aobert' G!deas and :oreign 5olicM2 An AnalMtical :rameOorPH, in2 T( -%TE!), *' e bE(9A)E, A' Ieds'L, /deas and -oreign Polic.& 7eliefs& /nstitutions and Political Change' !t$aca and ondon, Cornell ?niversitM 5ress, /JJD, cap' /' 9EAa, ;ônica' GAnálise cognitiva e política e@ternaH' !n: Contexto /nternacional, v' /K, nN /, /JJ<, pp' =V8WJ' 9( %T!, (le' GT$e #elie0 %Mstem and )ational !mages2 A Case %tudMH' !n2 A(%E)A?, *ames )' Ied'L' /nternational Politics and -oreign Polic.. )ova \orP2 T$e :ree 5ress, /JKJ, pp' V<D8VV,' *EA7!%, Aobert' Perceptions and <isperceptions in /nternational Politics. 5rinceton2 5rinceton ?niversitM 5ress' /J=K'

A:EA, Celso' 6 7rasil e a crise mundial' %ão 5aulo2 5erspectiva' /JW<' ETA(, *e00reM' GCulture and 5re0erence in t$e !nternational Cooperation TOo8%tepH' American Political Science +e3ie1. v' J,, nN /' Xas$ington -C, /JJK' !;A, ;aria Aegina %oares' GE1es analíticos M con0licto de paradigmas em la política e@terior brasilegaH' Am;rica 2atina=/nternacional, /JJ<, v' /, nN +' ;AT)( !, -em&trio' 6 mundo contempor>neo. +ela(4es internacionais: !?@$A###. %ão 5aulo2 ;oderna, /JJK' ;! )EA, 9elen 7' /nterests& /nstitutions and /nformation& Domestic Politics and /nternational +elations' 5rinceton2 5rinceton ?niversitM 5ress, /JJ=' ;! )EA, 9elen 7'> A(%E)-(A:, #' 5eter' G-emocratic 5olitics and !nternational Trade )egotiations2 Elections and -ivided Tovernment as Constraints in Trade iberali.ationH' *ournal of Conflict +esolution, v' </, nN /, pp' /<=8//=8/<K, /JJ=' ;AE' A pala3ra do 7rasil nas 9a(4es 8nidas: !?B$ !!@. #rasília2 ;AEC:?)AT, /JJV' ( !7E!AA, 9enrique Altemani' Política Externa 7rasileira' %ão 5aulo2 %araiva, +,,V' 5A9AE, A' GEndogenous -omestic !nstitutions in TOo8 evel Tames and 5arliamentarM (versig$t o0 t$e European ?nionH' *ournal of Conflict +esolution, v' </, nN /, pp' /<=8/=<, /JJ=' 5?T)A;, Aobert' G-iplomacM and -omestic 5olitics2 t$e ogic o0 TOo8 evel TamesH' !n2 E7A)%, 5eter et al. Double$Edge Diplomac.: an /nteracti3e Approach ' #erPeleM2 ?niversitM o0 Cali0ornia 5ress, /JWW' `?E!A(a, :ábio Albergaria' <eio ambiente e com;rcio internacional ' +f ed' Editora *uruá2 Curitiba, +,/+' AE)(?7!), 5ierre> -?A(%E E, *ean8#aptiste' /ntrodu()o /nternacionais' %ão 5aulo2 -!:E , /JK=' C DistEria das +ela(4es

A(9A !C9, 5aul Egon' GEconomic Culture and :oreign 5olicM2 T$e Cognitive AnalMsis o0 Economic 5olicM ;aPingH' /nternational 6rgani'ations, v' </, nN /, /JW=' A?%%E , A' Política Exterior . ,oma de decisiones en Am;rica 2atina' #uenos Aires2 TE , /JJ,' %! 7A, Ale@andra de ;ello'G( #rasil no continente e no mundo2 atores e imagens na política e@terna brasileira contempor4nea'H !n2 Estudos DistEricos, v' W, nN /V, /JJV, pp' /8DW' %5A(?T, 9arold> %5A(?T, ;argaret' GEnvironmental :actors in t$e %tudM o0 !nternational 5oliticsH' *ournal of Conflict +esolution, v' /, nN <, /JV=, pp' D,J8D+W' %)\-EA, Aic$ard> #A?Cb, 9' X'> %A5!), #urton' -oreign Polic. Decision <aFing: An Approach to the Stud. of /nternational Politics' )ova \orP2 :ree 5ress o0 Tlencoe, /JK+' %)\-EA, Tlenn 9'> -!E%!)T, 5aul' Conflict among 9ations:7argaining& Decision <aFing and S.stem Structure in /nternational Crises' 5rinceton2 5rinceton ?niversitM 5ress, /J=='

7EATa#EATEA, \aacov' ,he World in ,heir <inds: /nformation Processing& Cognition& and Perception in -oreign Polic. Decision <aFing' %tan0ord2 %tan0ord ?niversitM 5ress, /JJ,, pp' D<+8 D<W' 7!TE7A)!, Tullo' 6 contencioso 7rasil x Estados 8nidos da inform5tica: uma an5lise sobre formula()o de política exterior' %ão 5aulo2 Al0a8(megaCEdusp, /JJV' XE)-T, Ale@ander' GConstructing !nternational 5oliticsH' /nternational Securit.& +, I/L, /JJV' X! 9E ;\, ;' Política /nternacional: enfoGues . realidades' #uenos Aires2 TE , /JWW'

HEu vi o mun*oI O princípio *o multilateralismo nas +estGes *e política externa *e )ar*oso e *e 5ula = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brC<V,Cmundo8principio8multilateralismo8gestoes8politica8 e@terna8cardoso8lulaC

HEu vi o mun*oI O princípio *o multilateralismo nas +estGes *e política externa *e )ar*oso e *e 5ula por -aOisson #el&m opes em ,VC,JC+,/D comentários

( artigo tem como principal argumento que as diversas maneiras pelas quais o princípio do multilateralismo 0oi apreendido e tradu.ido, durante os mandatos presidenciais de :ernando 9enrique Cardoso e ui. !nácio ula da %ilva, pelas elites brasileiras 0ormuladoras de políticas, & uma poderosa metá0ora para e@plicar como o #rasil está acostumado a conceber a sua presença no mundo e os seus pap&is políticos vis8à8vis outros países em desenvolvimento e países desenvolvidos' Al&m disso, a questão do multilateralismo lança lu. sobre os di0erentes

signi0icados práticos que os 0ormuladores brasileiros de políticas, sob :ernando 9enrique Cardoso e ula da %ilva, atribuem ao tão citado lema hdemocrati.ação das relaçBes internacionaish' T$is article $as as a main argument t$at t$e diverse OaMs t$e principle o0 multilateralism $as been sei.ed and translated into policies during CardosoQs and ula da %ilvaQs presidential terms bM t$e #ra.ilian policMmaPing elite is a poOer0ul metap$or to e@plain $oO #ra.il used to conceive o0 its presence in t$e Oorld and its political roles vis8à8vis ot$er developing countries and t$e developed ones' ;oreover, t$e question o0 multilateralism s$eds lig$t on t$e di00erent practical meanings #ra.ilian policMmaPers under Cardoso and ula da %ilva Oould ascribe to t$e o0t8cited Gdemocrati.ation o0 international relationsH motto' T$e conceptual relations$ip betOeen GdomesticH and GOorld8sMstemicH democracM also deserves some consideration in t$is article' -esde a 5resid"ncia de *os& %arneM, no advento da )ova AepEblica, 0a.8se not3ria a instrumentali.ação da institucionalidade democrática dom&stica em bene0ício da inserção internacional do #rasil' Em seu primeiro discurso no pElpito da ()?, em /JWV, %arneM tratara de sublin$ar nossas abonadoras características democráticas, como quem quisesse apresentar ao mundo o #rasil – renovado em suas 0undaçBes políticas – que debutava na cena internacional' -e lá para cá, reportam8se progressos no nível de integração do #rasil às principais instituiçBes das relaçBes internacionais' -i0erentemente do que se passava nos anos do regime militar, o país voltou a ser interlocutor em arran1os multilaterais, aderiu a importantes regimes normativos e passou a pleitear maiores responsabilidades na gestão con1unta da ordem internacional' Telson :onseca *r' I/JJWL entende que, na rai. dessa guinada de orientação da política e@terna brasileira I5E#L, está o conte@to da Tuerra :ria, determinante para que o #rasil, durante a vig"ncia de tal período, adotasse um modelo de inserção internacional por ele bati.ado de Gautonomia pela dist4nciaH' Consistiu, segundo o autor, em um Gnão alin$amento especí0icoH, que se apro@imava das posiçBes do Terceiro ;undo, mantendo lealdade a valores ocidentais Ip' DK/L' ( mundo do p3s8Tuerra :ria proporcionou as condiçBes para um novo bali.amento da política e@terior do #rasil' Com a 0ragmentação e dispersão das temáticas e os emergentes padrBes de alin$amento e coali.Bes diplomáticas, abre8se Guma nova brec$a para os países em desenvolvimentoH I:onseca *r', /JJW, p' DKVL' %egundo o presidente :ernando 9enrique Cardoso I+,,KL, o país pôde, en0im, distanciar8se de uma Gpredisposição arcaica à não participação e à não submissão às regras de conviv"ncia internacional, estrat&gia que $avia sido elaborada com requintes de so0isticação intelectual para nos de0endermos dos e0eitos da Tuerra :riaH Ip' K/K8K/=L' Cita como e@emplos desse novo posicionamento nacional a ativa participação nas negociaçBes re0erentes ao 5rotocolo de bMoto, a assinatura tardia do Tratado de )ão 5roli0eração )uclear e o comprometimento com uma s&rie de tratados internacionais de direitos $umanos' )a sua autobiogra0ia política, Cardoso IidemL c$egou a admitir abertamente a in0lu"ncia e@ercida pela concepção de Gautonomia pela participaçãoH sobre a sua visão da 5E#, tanto como ministro das AelaçBes E@teriores I/JJ+8/JJDL quanto como presidente da AepEblica I/JJV8+,,+L' Abai@o, tal conceito será mais 0ielmente reprodu.ido, nas palavras do seu 0ormulador2 A autonomia, $o1e, não signi0ica mais Gdist4nciaH dos temas pol"micos para resguardar o país de alin$amentos indese1áveis' Ao contrário, a autonomia se tradu. por GparticipaçãoH, por um dese1o de in0luenciar a agenda aberta com valores que e@primem tradição diplomática e capacidade de ver os rumos da ordem internacional com ol$os pr3prios, com perspectivas originais' 5erspectivas que correspondem à nossa comple@idade nacional I:onseca *r', /JJW, p' DKWL'

7ale c$amar a atenção para o sentido que :onseca *r' I/JJWL imprime à noção de autonomia' Trata8se, segundo ele, da 0aculdade que cada Estado preserva de 0ormular a sua norma de conduta nas relaçBes internacionais' Todo Estado deveria, por suposto, ser capa. de pensar e e@ecutar a pr3pria estrat&gia de pro1eção internacional, sem inter0er"ncia de outros Estados, desde que em adequação à normatividade vigente entre as naçBes' d diplomacia brasileira, o autor recon$eceu como principal recurso à mão, para e0eito de pro1eção internacional do país, a $ist3rica legitimidade para persuadir os demais atores, não com armas, mas com ideias' Tal legitimidade se desdobraria em duas dimensBes2 uma bilateral Icumprimento dos acordos bilaterais, paci0ismo, etc'L e outra multilateral Ipropensão à negociação, compromisso com a ordemL' Aesumidamente, para0raseando a c&lebre citação atribuída a %an Tiago -antas, & como se na intangibilidade dos princípios residisse a nossa grande arma' %endo assim, tanto a volta à institucionalidade democrática quanto a promulgação da Constituição :ederal de /JWW são marcos para a in0le@ão da 5E#' 5ara um governo cioso por coer"ncia entre o que se 0a.ia internamente e o que se pregava internacionalmente, era imperioso a1ustar os termos da inserção internacional do #rasil ao demandado pelo meio ambiente internacional' -onde, portanto, a adesão, sob a 5resid"ncia de Cardoso, aos regimes normativos de )ão 5roli0eração )uclear e de promoção e proteção de direitos $umanos Ide resto, mandamentos constitucionais, nos termos bastante e@plícitos do artigo <'N da Constituição :ederal de /JWWL' ( presidente Cardoso recon$eceu o ne@o entre a democrati.ação das sociedades nacionais e a democrati.ação das relaçBes internacionais' A via multilateral, tão incensada nos seus anos de gestão de 5E#, representava o camin$o GprogressistaH pelo qual se obteriam Gvalores universaisH tais como Ga preservação da pa. e da democraciaH em cada país> no que respeita à ordem internacional, buscava8se maior transpar"ncia, institucionali.ação e Gdemocrati.ação crescente dos processos deliberativos nos 3rgãos internacionaisH ICardoso, +,,K, p' K,+L' ( multilateralismo era, por assim di.er, a pro1eção no nível sist"mico da democracia e@perimentada internamente, marcada pelo Gaspecto multirracialH e pela Gcultura sincr&tica de nosso povoH Iidem, p' K,DL' A tradição principista da 5E# e a preocupação com a correspond"ncia entre discurso e prática diplomática tamb&m invadem as re0le@Bes de Celso a0er I+,,JL' %ob a alegação de, recentemente, nos anos de governo ula da %ilva, estar $avendo ruptura com o $ist3rico apartidarismo do !tamaratM, o pro0essor e e@8c$anceler do governo :9C alertou2 GA dimensão de continuidade con0ere coer"ncia à ação diplomática e contribui para a credibilidade da política e@terna do EstadoH Ip' A+L' ;ais uma ve., evocava8se o conceito de coer"ncia e o entendimento de que o Gcr&ditoH brasileiro nas relaçBes diplomáticas advin$a da previsibilidade e da con0iabilidade de seu tradicional padrão comportamental' Em a0er, nossa autoridade para enunciar propostas a outros atores & trans0ormada em um – talve. no principal – instrumento de 5E#' Aspectos con1unturais, identi0icados com as necessidades de governos democraticamente eleitos, deveriam acomodar8se, a 0im de legitimar8se, ao que & mais permanente na plurissecular tra1et3ria internacional do Estado brasileiro' ui. ampreia I/JJKL 0oi ainda mais e@plícito na proposição de uma correlação entre a inserção quali0icada do #rasil no mundo e a adesão à normatividade do c4none ocidental' 7iu na democrati.ação do regime político, e@perimentada a partir de /JWV, um Gativo patrimonialH conquistado pelo Estado brasileiro – isto &, um elemento que distinguia os países integrados à rede de relaçBes internacionais modernas de países atrasados ou peri0&ricos> um traço corroborador do progresso do país e um indicador de civilidade e de so0isticação institucional' )as suas palavras2

`uer seu pro1eto nacional contemple uma vocação de $egemonia regional ou internacional IZL, o #rasil sem dEvida está reunindo um bom potencial para dar um salto qualitativo tanto no seu desenvolvimento interno quanto na sua inserção internacional' Esse potencial & a resultante de diversos avanços que o país tem conseguido a partir da sua consolidação como uma democracia, uma sociedade ma1oritariamente urbana, uma economia industrial moderna e diversi0icada e com um grau crescente de interação com o mundo' IZL ( primeiro desdobramento ]da globali.ação^ & a acentuação da $omogenei.ação da vida internacional em torno das duas 0orças centrais da democracia e da liberdade econômica' R evidente que continuará $avendo e@ceçBes a essa tend"ncia, mas o provável & que elas se con0inem cada ve. mais à peri0eria do sistema internacional I ampreia, /JJK, p'</8<DL' ( e@presso recon$ecimento da 0orça das ideias e das concepçBes morais nas relaçBes internacionais do #rasil encontrou c$ão 0irme na teori.ação de :onseca *r' I/JJWL sobre o tema da legitimidade' %egundo o autor, de0iniram8se, ap3s a Tuerra :ria, t3picos que passaram a constituir o Gcorpo $egemônico das políticas legítimasH, correspondentes, em larga medida, ao discurso das pot"ncias ocidentais2 (s temas são bem con$ecidos2 democracia e direitos $umanos, problemas $umanitários, liberdade econômica e criação de condiçBes iguais de competição, combate ao narcotrá0ico e ao crime organi.ado, a solução multilateral para crises regionais, de0esa do meio ambiente, movimentos para institucionali.ar, em organismos multilaterais, as propostas e teses nessas questBes etc' %ão os temas que de0inem o espaço de proposição das pot"ncias e, consequentemente, um espaço de disputa entre interpretaçBes I:onseca *r' /JJW, p' +/K8+/=, "n0ases acrescentadasL' 5ara al&m das din4micas dom&sticas, a democracia liberal – e a sua e@tensão coerente no nível sist"mico, o multilateralismo – constituiu8se em ideia80orça das relaçBes internacionais $odiernas' R instigante perceber o apelo ideol3gico das 0ormas democráticas em um mundo globali.ado2 travam8se guerras e intervençBes militares pela deposição de tiranos, cu1os países são agrupados em um $ipot&tico Gei@o do malH> associam8se regimes não democráticos à megalomania bonapartista, ao culto ao terrorismo, à gan4ncia nuclear ou à ine0ici"ncia econômica> impBem8se embargos e sançBes de toda sorte às naçBes condu.idas por líderes autoritários' Ante o e@posto, como não ser democrata em um mundo regido por Gleis moraisH liberais democráticasF Em pre0ácio à obra publicada em +,,<, pouco depois de sua saída da 5resid"ncia da AepEblica, Cardoso arguiu, tendo por motivação as críticas que se 0i.eram ao modelo de inserção econômica internacional do #rasil durante o seu governo2 (s mais radicais dirão2 0açam como em Cuba, como a C$ina anteriormente à abertura de sua economia aos 0lu@os 0inanceiros e ao mercado internacional, ou, quem sabe agora, como a ;alásia2 isolem8se' :ácil di.er, di0ícil 0a.er e, pior, $á que se pagar um preço não dese1ávelZ ICardoso, +,,<, p' 6!L' Adalberto Cardoso I+,,DL desvelou uma importante característica da gestão presidencial de :9C – que, con0orme entendo eu, & per0eitamente e@tensível à 5E# daquele período' ( autor c$amou a política produ.ida sob :ernando 9enrique Cardoso de Ga arte do possívelH, uma ve. que, alegadamente, ela restringia8se Gà otimi.ação dos meios, em lugar de ser o momento da elaboração e negociação de pro1etos de sociedadeH Ip' +KL' (s 0ins estavam postos pela globali.ação, ao que o presidente brasileiro se adaptava, mimeti.ando as açBes bem8sucedidas – a estrat&gia do GmimetiP3s adaptativoH Iidem, p' +KL' ogo, a Garte do possívelH compreendeu a adoção de uma l3gica das adequaçBes, em oposição à l3gica das consequ"ncias'

%e admitida como pertinente ao campo de estudos da 5E# a relação acima e@plorada, reveste8se de mais sentido a noção, introdu.ida por Ale@andre 5arola I+,,=L, de Gpragmatismo democráticoH, no intuito de e@plicar a gestão da política e@terior do #rasil sob os auspícios do presidente ui. !nácio ula da %ilva e de seu c$anceler Celso Amorim' 5arola relata que, desde o discurso de posse, em +,,D, ula da %ilva colocou em destaque e estabeleceu como bandeira de política e@terna do seu governo a democrati.ação das relaçBes internacionais' 5or ser encarada como meta prioritária para as interaçBes dos Estados, e não somente como regime político dom&stico dese1ável, a democracia tornou8se ordenadora da diplomacia brasileira, servindo de plata0orma para a elaboração de políticas no plano internacional' Essa mudança na condução da 5E#, de alguns anos para cá, e@plica8se tentativamente da seguinte maneira2 enquanto a democracia 0oi concebida como o destino para o qual todas as naçBes convergiriam, mais cedo ou mais tarde, ao tempo da 5resid"ncia de Cardoso, sob ula da %ilva ela se trans0ormou em Gargumento propositivo de crítica e re0orma da ordem internacionalH I5arola, +,,=, p' <+/L' Aecon$ecidamente, um dos mais importantes 0ormuladores da concepção lulista de política e@terna 0oi o e@8secretário8geral do !tamaratM, %amuel 5in$eiro Tuimarães, para quem o ob1etivo principal de grandes países peri0&ricos, tais como o #rasil, deveria ser participar das Gestruturas $egemônicasH – isto &, das organi.açBes intergovernamentais multilaterais – de 0orma Gsoberana e não subordinadaH, promovendo redução da Gvulnerabilidade diante da ação dessas estruturasH ITuimarães, +,,=, p' /K/L' -e certa maneira, os valores democráticos passaram a servir de alicerce pragmático para o pleito por mudanças nas instituiçBes internacionais e a de0esa do que 0osse percebido, em 0ace das conting"ncias, como o interesse nacional' Em poucas palavras2 o mimetismo dava ve. a uma esp&cie de consequencialismo re0ormista' Tratando do tema ap3s a sua saída do governo, ula da %ilva 0e. comentário que a1uda a iluminar a sua visão acerca da nature.a das relaçBes internacionais – e do papel das instituiçBes multilaterais no mundo contempor4neo2 %e voc" ler o meu discurso de posse, voc" vai descobrir que estava na min$a cabeça a questão do multilateralismo, estava na min$a cabeça a questão do 0ortalecimento da relação %ul8%ul, e estava na min$a cabeça ter uma relação prioritária com o continente a0ricano e com a Am&rica atina IZL, e por isso eu coloquei no meu discurso o compromisso do #rasil com o multilateralismo, com o continente a0ricano e latino8americano – apesar de termos 0eito uma política muito abrangente e termos pensado em todo mundo I ula da %ilva, +,/DL' A 1ustaposição entre multilateralismo e cooperação %ul8%ul não & 0ortuita> como tampouco o & a menção a S0rica e Am&rica atina' )essa operação discursiva, o e@8presidente da AepEblica descortina o entendimento de que as instituiçBes internacionais deveriam ser postas a serviço da revisão do status quo vigente, de modo a resgatar os menos desenvolvidos – nomeadamente, os a0ricanos e os latino8americanos – da condição peri0&rica' A Gdemocrati.ação das relaçBes internacionaisH &, dentro de tal conte@to simb3lico, o outro nome para a bandeira da redução das desigualdades entre as naçBes' Celso Amorim tamb&m repisou o tema' Em discurso de $omenagem a Aui #arbosa, numa re0le@ão sobre o atual papel do Consel$o de %egurança das )açBes ?nidas e a demanda brasileira pela e@pansão do seu nEmero de membros, em novembro de +,,=, o então c$anceler 0ormulou em abstrato sobre o multilateralismo e suas di0iculdades2 )aturalmente & di0ícil conciliar o ideal democrático em sua 0orma mais pura, que inspirava o pensamento de Aui #arbosa, e a necessidade de um 3rgão com decisão rápida e e0ica. em temas que e@igem soluçBes muitas ve.es em caráter de urg"ncia, como são os da pa. e da segurança internacionais' )ão creio, $onestamente, que $a1a respostas absolutas ou irre0utáveis para esta contradição intrínseca' ( que podemos alme1ar no atual estágio da relação entre os Estados & um

sistema que busque equilibrar da mel$or 0orma crit&rios de representatividade e de e0icácia IAmorim, +,,W, p' ++8+D, "n0ase acrescentadaL' Ao 0alar da tensão entre o interesse nacional – pro1etado a partir das inst4ncias o0iciais – e os interesses privados ou setoriais, Amorim I+,,=L o0erece insumo para re0le@ão' Evocando primeiramente T$eodore Aoosevelt, lembrou que Estados não t"m amigos, t"m interesses' )ão obstante, admitiu a possibilidade de $aver um equacionamento 0avorável entre o interesse nacional e a solidariedade, de modo que, no limite, a solidariedade Ientendida aqui como a atenção ao interesse do GoutroHL poderá corresponder ao autointeresse de longo pra.o' Arrematou o raciocínio da seguinte maneira2 nem sempre poderemos 0a.er tudo aquilo que consideramos 1usto' A gente 0a. – dentro daquilo que ac$a que & 1usto – aquilo que a gente pode' 9á uma 0rase de ]#laise^ 5ascal muito interessante2 Gnão se podendo 0a.er com que o que & 1usto 0osse 0orte, 0e.8se com que o que & 0orte 0osse 1ustoH' Adaptando um pouquin$o2 n3s procuramos 0a.er a 1ustiça dentro daquilo que & possível' Eu posso, em teoria, ac$ar que poderia 0a.er mais' ;as tamb&m ten$o os meus limites, ditados, evidentemente, por interesses que e@istem por aí IAmorim, +,,=L' Em Eltima análise, & esse o tipo de crit&rio operacional de 1ustiça que o multilateralismo 0requentemente proporcionará2 a solução de compromisso' A "n0ase no pragmatismo distancia a gestão da 5E# de ulaCAmorim da ret3rica da legitimidade baseada na coer"ncia internoCe@terno' ( multilateralismo continua a ser propugnado, considerado o espel$o da democracia dom&stica na política internacional' Embora não se abandone a dimensão normativa Idemocracia como imperativo categ3rico contempor4neoL, as instituiçBes democráticas são antes valori.adas por nossa diplomacia como 0erramental para criar constrangimentos políticos às pot"ncias, de modo que elas se1am obrigadas a tomar decisBes transparentes, legítimas e representativas I5arola, +,,=L' ( processamento das muitas contradiçBes entre a orientação pragmática e o apego a valores democráticos no encamin$amento da política e@terna brasileira não & tare0a banal' )o que tange, por e@emplo, ao multilateralismo, :ilipe )asser I+,,JL aclara2 A escol$a pelo multilateralismo não está assentada somente na adesão incondicional a princípios de ação e@terna' Trata8se, sobretudo, do meio que o #rasil elegeu para pro1etar in0lu"ncia no plano internacional e 0a.er valer o que seus agentes diplomáticos de0iniram como interesse nacional' 5ode parecer contradit3ria a ideia de que um Estado busca ampliar seu poder nacional por meio de participação em um arran1o multilateral – concebido originalmente para limitar o uso arbitrário do poder por parte dos Estados' (corre que a de0esa do interesse nacional & necessariamente caudatária de uma leitura particular da visão de mundo da elite de política e@terna a respeito de quais são os interesses do país no mundo e do que se pode col$er das relaçBes internacionais para o país' IZL 5ara uma pot"ncia m&dia, peri0&rica e incapa. de impor suas vontades por 0orça das armas ou pelo volume de seus capitais, o multilateralismo tem se a0igurado como arena natural para que consiga pro1etar poder ou e@pressar sua autonomia em termos de política e@terna I)asser, +,,J, p' /+K> /+=L' 5arece evidente ao autor da passagem a con1ugação, por um lado, de cálculo racional, lastreado por discurso de 0undo a@iol3gico, do corpo diplomático nacional e, por outro, o diagn3stico de relativa impot"ncia militar do #rasil no concerto internacional' Consciente de tais limitaçBes materiais, o Gpragmatismo democráticoH buscou apropriar8se de 03runs internacionais multilaterais para pro1etar mensagens e imagens 0avoráveis ao país' 5arola I+,,=L e )asser I+,,JL arrolaram como loci pre0erenciais dessa intensa mobili.ação discursiva da 5E# nos Eltimos anos2 a (rgani.ação ;undial do Com&rcio Ia partir da reunião interministerial de Cancun, em +,,D, e da criação do T+, agrícola, $erdeiro do grupo de CairnsL, a (rgani.ação das )açBes ?nidas Ivide o

insistente pleito pela re0orma de seu Consel$o de %egurança e o incremento da participação do #rasil nas operaçBes de pa. da ()?L, a (rgani.ação dos Estados Americanos Iespecialmente nas crises regionais que envolveram a 7ene.uela, o Equador e a ColômbiaL, o ;ercado Comum do Cone %ul e, a partir de +,,W, a ?nião das )açBes %ul8Americanas Icriada em #rasília e concebida para ser o arrimo institucional da 5E# regionalL' Em que pesem as ambiguidades embutidas no conceito de Gpragmatismo democráticoH Iou nas práticas a ele associadas e por ele inspiradasL, não se trata, decididamente, de um o@imoro, tampouco de uma contradição insanável' A superação de pontos de estrangulamento l3gico no discurso da 5E# Icoer"ncia internaL, ou entre o discurso e a prática estabelecida por seus agentes autori.ados, passa pelo correto diagn3stico do problema, seguido de prescrição e0ica.' R nesse sentido que, em recon$ecimento e@plícito de $aver conteEdos antit&ticos na política e@terna e@ecutada pelo governo ula da %ilva, o ministro Amorim c$egou a indicar, mais de uma ve., o m&todo dial&tico como rem&dio para combater incongru"ncias' R bastante provável, contudo, que a 5E# de ulaCAmorim não se1a sint&tica, no rigor da e@pressão, e, sim, conciliadora da premissa racionalista Iutilitarismo, custoCbene0ício, pragmatismoL com a dimensão a@iol3gica Idemocracia como Gimperativo categ3ricoHL das relaçBes internacionais' Aparentemente, ela apenas logrou Gencai@arH duas perspectivas compatíveis entre si, apesar de não necessariamente coerentes, sem gerar inovação conceitualCte3rica Ino nível das de0iniçBes primáriasL' A possibilidade de processamento dial&tico que concebemos Ientre interesse nacional, pensado em termos de pro1eção de poder, e apego a valores democráticosL requereria o transcurso de um tempo $ist3rico alargado, su0iciente para que contradiçBes emergissem, arestas 0ossem aplainadas, trans0ormaçBes essenciais acontecessem e, 0inalmente, a dita síntese se consumasse' Cabe, para e0eito de ilustração, tra.er à baila uma radiogra0ia con1untural' %e $á, certamente, pontos de contato diversos entre a doutrina da Gautonomia pela participaçãoH I:onseca *r', /JJWL e a noção, bem menos sedimentada na literatura, de Gpragmatismo democráticoH I5arola, +,,=L, tamb&m e@istem descontinuidades que, ainda nos idos de +,,<, pudemos detectar' Con0orme registramos em te@to publicado àquela &poca2 Com o ocaso da Tuerra :ria, Telson :onseca *r' c$egou a contemplar uma nova atitude da diplomacia brasileira diante do mundo, IZL ]marcada^ pelo ímpeto participativo do paísZ na con0ormação da ordem ]internacional^' )o entanto, di0icilmente será sustentável que o #rasil ten$a alcançado ]real^ autonomia no período' %e aconteceu, o 0oi em nível bastante limitado' IZL A contribuição brasileira para o novo quadro político, se $ouve, não passou da marginalidade I#el&m opes e 7ello.o *r', +,,<, p' DDJL' ( argumento dos autores era de que a propalada Gautonomia pela participaçãoH não se convertera em uma e0etiva in0lu"ncia do #rasil na con0iguração das relaçBes internacionais ap3s a Tuerra :ria, tendo este permanecido 0ortemente in0luenciado por campos gravitacionais delimitados pelas pot"ncias – destacadamente, os Estados ?nidos da Am&rica' 5renunciava8se o elemento distintivo da gestão da 5E# sob ulaCAmorim2 a tentativa pací0ica de revisão da ordem internacional via participação nos grandes 03runs multilaterais, sob o moto da democrati.ação das relaçBes internacionais, que, com a devida maturação, autori.ou a cun$agem do conceito de Gpragmatismo democráticoH por Ale@andre 5arola I+,,=L' E@trapolando a 0ace con1untural do assunto em tela, guiado pelos 0atos e interpretaçBes aqui colocados em apreciação, concluo que a evolução mutante da política e@terna, no decurso da )ova AepEblica brasileira e, mais particularmente, nas duas Eltimas d&cadas Isob as presid"ncias de Cardoso, ula da %ilva e Aousse00L, evidencia uma recombinação comple@a e sutil de

elementos conceituais – di0icilmente apreensível ao observador menos atento –, a respeito da qual o tratamento concedido ao tema do multilateralismo na 5E# & eloquente' otas ]/^ 5ontualmente, nos anos de Tuerra :ria, o #rasil negou8se a pactuar com os articuladores da ordem internacional' :oi assim quando se deu a recusa de envio de $omens para a Tuerra da Coreia, em /JV,, o rompimento com o :undo ;onetário !nternacional, em /JVW, e a não assinatura do Tratado de )ão 5roli0eração )uclear, em /JKW' _ ]+^ Cabendo notar que, mesmo em tempo de ditadura militar, algumas instituiçBes democráticas, embora inoperantes, 0oram 0ormalmente mantidas' Al&m disso, malgrado o universalismo da 5E#, conservou8se o 0oco no norte desenvolvido, o que contribuiu para a moderni.ação e a consolidação industrial do país I:onseca *r', /JJW, p' DK/L' _ ]D^ 5ara colet4nea de te@tos sobre política e@terna de %an Tiago -antas, c0' essa e 9olanda Iorg'L I+,,JL' _ ]<^ ( con1unto de crit&rios que caci0am um eventual Gsalto qualitativoH do #rasil no mundo, em ampreia I/JJKL, inclui não apenas a consolidação democrática de um 4ngulo 0ormal, mas a urbani.ação, a industriali.ação e a relativa e@troversão do EstadoCsociedade nos Eltimos tempos' Tra. a inspiração das teorias da moderni.ação, em voga nos anos /JK,, tais como as de AostoO, T$e %tages o0 Economic TroOt$, a )on8Communist ;ani0esto, e 9untington, 5olitical (rder in C$anging %ocieties' _ ]V^ Tanto :onseca *r' I/JJWL quanto Cardoso I+,,KL são mais en0áticos nesse entendimento, pelo que atribuem à democracia a condição de Gvalor universalH' _ ]K^ !sso 0ica bem ilustrado não apenas no e@certo do presidente Cardoso, acima reprodu.ido, mas tamb&m, e principalmente, nas passagens creditadas a Telson :onseca *r' I/JJWL e Celso a0er I+,,JL' _ ]=^ Comentadores da 5E# de ulaCAmorim não dei@aram de apontar essas incoer"ncias' Cito dois e@emplos recentes2 ;agnoli I+,,JL c$amou a atenção para o 0ato de que o abrigo concedido ao presidente $onduren$o ;anuel aelaMa, na Embai@ada brasileira em Tegucigalpa, sob prete@to de de0esa das instituiçBes democráticas na Am&rica atina, entraria em c$oque com o preceito constitucional da não inger"ncia em assuntos dom&sticos de outros Estados> Asano, )ader e 7ieira I+,,JL, por sua ve., condenaram a postura ambígua do #rasil no Consel$o de -ireitos 9umanos da ()?, especialmente nos casos que envolveram as violaçBes de direitos $umanos em países como Coreia do )orte e %ri anPa, porque o0ensiva ao compromisso 0irmado no artigo <'N da C:CWW' _ ]W^ %obre a l3gica das imagens nas relaçBes internacionais, ensina o pro0essor Aobert *ervis I/JWJL2 G;uitos 0atores a respeito do Estado, que contribuem pesadamente para a 0ormação de sua imagem, são permanentes ou semipermanentes e, portanto, estão al&m do controle de seus tomadores de decisão' A geogra0ia e a $ist3ria e, em larga medida, os sistemas político, econômico e social de um Estado, não podem ser manipulados IZL' Enquanto os elementos básicos de uma imagem são di0íceis de alterar, detal$es desta imagem, que podem in0luenciar 0ortemente a maneira como o receptor ]da imagem^ age, são mais suscetíveis à mudançaH Ip' /D>

/VL' _ ]J^ Conv&m resgatar aqui o conceito de Gespaço de proposiçãoH de :onseca *r' I/JJW, p' /JD> /JVL' Trata8se, em breves lin$as, dos limites predeterminados pelas condiçBes ideol3gicas e de poder de uma &poca, em cu1o interior se legitimam as posiçBes de política e@terna' _ ]/,^ ( m&todo dial&tico implica, por de0inição, a superação das contradiçBes entre dois elementos antit&ticos quaisquer, o que gera, por conseguinte, um terceiro elemento sint&tico, ontologicamente distinto dos dois genitores' _ ]//^ Em livre e@ercício de par3dia, em ve. de autonomia pela participação, sugerimos rotular a 5E# sob :9C de Gparticipação pela adequaçãoH I#el&m opes e 7ello.o *r', +,,<, p' DDJL' _ ]/+^ ( conceito, que não merece um tratamento mais cuidadoso e sistemático por parte do autor, parece pretender um contraponto com o Gpragmatismo responsávelH, aplicável às gestBes de 5E# dos governos militares de ;&dici e Teisel' _ 1i4lio+ra0ia Amorim, C' I+,,=L, GA nova política e@terna independenteH' Transcrição de palestra concedida por ocasião do !! Curso para -iplomatas %ul8Americanos' Aio de *aneiro, + a +, abr' +,,=' iiiiiiii I+,,WL, A diplomacia multilateral do 7rasil: um tributo a Aui #arbosa' #rasília, :undação Ale@andre de Tusmão' Asano, C' et al' I+,,JL, G( #rasil no Consel$o de -ireitos 9umanos da ()?2 a necessária superação de ambiguidadesH, Política Externa, setembro de +,,J' #el&m opes, -' e 7ello.o *r', *' I+,,<L, G#alanço sobre a inserção internacional do #rasilH, Contexto /nternacional, Aio de *aneiro, vol' +K, n' +, p' D/=8DV+' iiiiiiiiiiiiiii I+,/DL, Política externa e democracia no 7rasil: ensaio de interpretação $ist3rica' %ão 5aulo, Editora ?nesp' :onseca *r', T' I/JJWL, A legitimidade e outras Guest4es internacionais' %ão 5aulo, 5a. e Terra' Cardoso, A' I+,,DL, A D;cada neoliberal e a crise dos sindicatos no 7rasil' %ão 5aulo, #oitempo' Cardoso, :' 9' I+,,<L, G5re0ácioH in2 Tiambiagi, :' ?rani, A' e Aeis, *' T' Iorg'L, +eformas no 7rasil: balan(o e agenda' Aio de *aneiro, )ova :ronteira' iiiiiiii I+,,KL, A arte da política: a histEria Gue 3i3i' Aio de *aneiro, Civili.ação #rasileira' Tuimarães, %' 5' I+,,=L, Desafios brasileiros na era dos gigantes' Aio de *aneiro, Contraponto' *ervis, A' I/JWJL, ,he 2ogic of /mages in /nternational +elations ' )ova \orP, Columbia ?niversitM 5ress' a0er, C' I+,,JL, G5artidari.ação da política e@ternaH, 6 Estado de S.Paulo, +,C/+C+,,J, p' A+'

ampreia, ' :' I/JJKL, G( #rasil e o mundo no s&culo 66!2 uma visão do !tamaratMH, Política Externa, %ão 5aulo, v' V, n'D, p'D=8<J, de.' /JJK' essa, A' e 9olanda, C' #' de Iorg'L I+,,JL, San ,iago Dantas: textos de política internacional ' #rasília, Editora :undação Ale@andre de Tusmão' ula da %ilva, ' !' I+,/DL Gj7aleu a pena a e@peri"ncia agressiva na política e@ternaQ, di. ula sobre os /, anos de governoH' Transcrição de depoimento ao !nstituto ula' -isponível na internet em2 $ttp2CCOOO'institutolula'orgCvideosC/DJWCFnovovideok..aCvOacM!Alpagedik/' Acesso em /< de agosto de +,/D' ;agnoli, -' I+,,JL, G( inimigo americanoH, 6 Estado de S.Paulo, +<C/+C+,,J' )asser, :' I+,,JL, G5a@ #rasiliensis2 solidariedade e pro1eção na construção de um modelo de enga1amento do #rasil em operaçBes de pa. da ()?H' -issertação apresentada ao !nstituto Aio #ranco como requisito parcial para a obtenção do título de mestre em -iplomacia' #rasília, +,,J' 5arola, A' I+,,=L, A ordem inHusta' #rasília, :undação Ale@andre de Tusmão'

Vamos rene+ociar o 2ercosul< = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brC<K/Crenegociar8mercosulC

Vamos rene+ociar o 2ercosul< por *os& #ota0ogo Tonçalves em ,KC,JC+,/D , comentários

( ;ercosul que está aí não & o ;ercosul que 0oi negociado pelo Tratado de Assunção' ( articulista di. que o povo brasileiro tem o direito de opinar se pre0ere o ;ercosul de Assunção ou o ;ercosul bolivariano' G( governo atual, tão a 0avor de consultas populares, deveria apoiar a iniciativa de uma renegociação do Tratado de Assunção' ( mundo mudou muito de /JJ/ aos dias de $o1e, assim como os quatro s3cios do ;ercosul' Acredito que o #rasil e seus vi.in$os sul8 americanos teriam muito a gan$ar com o lançamento de uma rodada de negociaçBes comerciais no subcontinenteH' ;uito se discute se o #rasil deve ter um papel protagônico na sua

circunst4ncia político8geográ0ica sul8americana ou se deve seguir so.in$o no seu camin$o do desenvolvimento econômico e social, optando por um isolacionismo ao sul do Equador' G)ão ten$o dEvidas de que a primeira opção & a mel$orH, conclui' ;ercosur t$at is in place is not ;ercosur O$ic$ Oas negotiated bM t$e TreatM o0 Asunci3n' #ra.ilian population $as a saM O$et$er it pre0ers Asunci3n ;ercosur or #olivarian ;ercosur' T$e current government, as in 0avor o0 popular consultations, s$ould support t$e initiative o0 a renegotiation o0 t$e TreatM o0 Asunci3n' T$e Oorld $as c$anged a lot 0rom /JJ/ to todaM, as Oell as t$e 0our ;ercosur partners' ! believe t$at #ra.il and its %out$ American neig$bors $ave muc$ to gain bM launc$ing a round o0 trade negotiations in t$e subcontinent' T$ere is a debate O$et$er #ra.il s$ould $ave a leading role in its political and geograp$ical circumstances or must 0olloO alone on t$e pat$ o0 economic and social development, opting 0or isolationism sout$ o0 t$e Equator' ! $ave no doubt t$at t$e 0irst option is t$e best -esde /JJ/, quando o #rasil se 1untou à Argentina, ao 5araguai e ao ?ruguai para, em Assunção, propor a criação do ;ercado Comum do %ul I;ercosulL, o país não concluiu, com sucesso, nen$uma nova e ambiciosa negociação de acordos internacionais de com&rcio' )o plano mundial, a Aodada -o$a da (rgani.ação ;undial do Com&rcio continua paralisada por visBes bem distintas dos principais parceiros do com&rcio internacional' )o plano $emis0&rico, a proposta norte8americana de criação de uma .ona de livre com&rcio do Canadá à 5atagônia 0racassou por ra.Bes políticas, comerciais e econômicas que colocaram o #rasil e os Estados ?nidos em posiçBes antagônicas' )o plano sul8americano, algum progresso moderado 0oi alcançado pelas negociaçBes liberali.antes entre o ;ercosul e a Comunidade Andina de )açBes, embora os resultados at& agora obtidos pareçam indicar que tais acordos, parciais e implementados em velocidades di0erentes, carecem de dinamismo na geração de mais com&rcio' )o plano político, os ob1etivos de integração regional v"m so0rendo reveses importantes nos Eltimos de. anos' %ob a liderança de C$áve., 7ene.uela, #olívia e Equador, 1unto a alguns países centro8americanos e cariben$os, criaram a A #A, onde instrumentos comerciais e econômicos se con0rontam no espírito e na letra com aqueles ainda prevalecentes na Comunidade Andina de )açBes' Esta, por sua ve., vem so0rendo com as diverg"ncias entre Colômbia e 7ene.uela, $o1e um pouco atenuadas, e com a decisão de C$ile, 5eru e Colômbia de 0ormarem, com o ;&@ico, a Aliança do 5ací0ico com o ob1etivo de reorientar suas economias em direção ao din4mico universo asiático' Em termos geopolíticos, as iniciativas bolivarianas camin$am para uma e@acerbação do vel$o con0lito )orte8%ul entre países e@ploradores e países e@plorados, enquanto que a costa andina da Am&rica do %ul se v" atraída para dar as costas aos Andes e à :loresta Ama.ônica e ol$ar para a distante Ssia como o seu novo polo de atração' ( ;ercosul & a instituição que mais vem so0rendo com tais iniciativas centrí0ugas' ( governo brasileiro, por iniciativa da dupla ulaCAmorim re0orçou o discurso de integração sul8americana e apoiou a criação de um novo e ambicioso 0oro político sul8americano – ?)A%? – com o ob1etivo especí0ico de e@cluir os Estados ?nidos de quaisquer iniciativas novas nas diversas áreas de cooperação regional' 5or outro lado, o #rasil abandonou totalmente a utili.ação das instituiçBes do ;ercosul como o 0oro adequado para a solução de controv&rsias dentro do grupo' `uando se agravou a controv&rsia entre a Argentina e o ?ruguai em torno dos e0eitos poluentes das papeleiras novas a se instalarem na margem esquerda do Aio 5araná, o #rasil, contra solicitaçBes uruguaias, se recusou a considerar a controv&rsia como de compet"ncia do ;ercosul e pre0eriu de0ini8la como de caráter bilateral entre os dois s3cios platinos' A partir desse momento 0ica claro que a c$ancelaria brasileira abriu mão de sua tradicional política de prestigiar 3rgãos regionais em troca de vantagens, reais ou imaginárias, de uma maior "n0ase nos diálogos bilaterais com os seus vi.in$os sul8americanos'

Apesar de sua aparente inconsist"ncia, a l3gica desta reviravolta diplomática era clara' Era preciso abrir espaços bilaterais para desenvolver as iniciativas de simpatia político8ideol3gica com a 7ene.uela, #olívia e o Equador sem submet"8las aos controles, 0ormais e materiais, das regras liberali.antes de movimentação de bens, serviços, capitais e pessoas, que são os 0undamentos inspiracionais do Acordo de Assunção de /JJ/' A bilaterali.ação Gà outranceH das relaçBes sul8americanas e@plicam o n3 em pingo dQágua que 0oi dado pelo #rasil e Argentina, com apoio relutante do ?ruguai, de admitir a 7ene.uela no ;ercosul, mesmo a custo de se criar uma grave crise diplomática com o 5araguai, o mais 0rágil membro do clube dos quatro' Como bem di. a sabedoria popular, não dá para assobiar e c$upar cana ao mesmo tempo' As inconsist"ncias da diplomacia sul8$emis0&rica brasileira 1á se 0a.em sentir de 0orma gritante' A morte de C$áve. na 7ene.uela impBe pesada $ipoteca sobre os ideais bolivarianos de instalação na região de um socialismo do s&culo 66!' As relaçBes com a #olívia continuam a.edas e, nas Eltimas semanas, t"m sido palco de um grande abalo na estrutura interna do !tamaratM, em 0unção do epis3dio da 0uga do senador Aoger 5into ;olina para o #rasil' As relaçBes comerciais com a Argentina se deterioram na medida em que se agrava a crise cambial e 0inanceira do país vi.in$o' ?ruguai e 5araguai voltam a namorar a ideia de negociar acordos comerciais com países de 0ora da .ona, decepcionados que estão com o encol$imento das duas maiores economias da região' ?ma pequena lu. de esperança se acende em 0unção das negociaçBes atuais entre o ;ercosul e a ?nião Europeia' 5ara garantir sucesso em tão complicada negociação, o !tamaratM, em boa $ora, está reutili.ando o $abilidoso estoque de Gambiguidade criativaH, em que a negociação com a ?nião Europeia & 0eita pelo ;ercosul, por&m sua implementação será em velocidades di0erentes e, bingom, com a 7ene.uela de observadora' Contra 0atos, não $á argumentos' 5or iniciativa da diplomacia brasileira, com apoio oportunista da Argentina dos birc$ners, o ;ercosul dei@ou de ser uma .ona de livre com&rcio e uma união aduaneira, ambos imper0eitos' ( ;ercosul & $o1e um clube político importante, que cobre a maioria do espaço 0ísico e econômico da Am&rica do %ul, e simpati.a de maneira con0usa com uma visão neobolivariana das relaçBes $emis0&ricas' :eli.mente, vivemos $o1e no #rasil um regime democrático de direito, aberto a controv&rsias e di0erenças de opinião' A contrapartida da liberdade & o respeito aos contratos assinados como bem assinalou ula na sua GCarta ao povo brasileiroH' ( ;ercosul que está aí não & o ;ercosul que 0oi negociado pelo Tratado de Assunção' Ac$o que o povo brasileiro tem o direito de opinar se pre0ere o ;ercosul de Assunção ou o ;ercosul bolivariano que aí estám ( governo atual, tão a 0avor de consultas populares, deveria apoiar a iniciativa de uma renegociação do Tratado de Assunção' ( mundo mudou muito de /JJ/ aos dias de $o1e, assim como os quatro s3cios do ;ercosul' `ualquer que se1a a pre0er"ncia ideol3gica dos interlocutores pEblicos e privados do ;ercosul no #rasil, 0orçoso & constatar que e@iste um dese1o generali.ado de que o #rasil saia do seu imobilismo negociador e de0ina uma nova política comercial que a1ude o #rasil a se a1ustar às oportunidades que se delineiam no mundo com a consolidação da C$ina e da Ssia, em geral, como motores din4micos do com&rcio internacional, com a recuperação da economia americana, sobretudo no campo da inovação tecnol3gica, e com o provável, embora lento, desenvolver de um novo equilíbrio europeu entre a economia de mercado e o estado de bem8estar social' -a min$a parte, acredito que o #rasil e seus vi.in$os sul8americanos teriam muito a gan$ar com o lançamento de uma rodada de negociaçBes comerciais no subcontinente com as seguintes características2

(b1etivos comerciais2 continuar com um programa de desgravação tari0ária e redução de barreiras não tari0árias com a CA), respeitadas as assimetrias entre os países de maior dimensão econômica e os países menores' Em ve. de alme1ar o Glivre com&rcioH, o acordo buscaria apenas alcançar Gmais com&rcioH' ( programa de desgravação tari0ária deveria se associar a um programa paralelo de integração regional das cadeias produtivas' (s custos iniciais e inevitáveis da abertura comercial seriam compensados por gan$os a serem obtidos pela agregação de valor ao longo da cadeia produtiva com a regionali.ação dos insumos, mat&rias8primas e bens intermediários' ( princípio de conteEdo local seria substituído pelo princípio do conteEdo regional' ( produto 0inal, obtido pela regionali.ação dos insumos ao longo da cadeia produtiva teria livre circulação no 4mbito subcontinental e gan$aria competitividade quando e@portado para 0ora do subcontinente> (b1etivos econômicos2 a integração regional de cadeias produtivas pressupBe um programa intergovernamental de converg"ncia dos principais par4metros macroeconômicos, sempre respeitadas as assimetrias entre partes grandes e pequenas' A e0icácia da liberali.ação comercial e a converg"ncia macroeconômica não se dão no abstrato' Ela pressupBe um ambiente setorial e microeconômico 0avorável aos investimentos produtivos, atrav&s do aumento dos investimentos e substanciais mel$orias na in0raestrutura subcontinental de energia, transporte e comunicação' 5ara tanto, seria revitali.ado o programa !!A%A de in0raestrutura, $o1e administrado no 4mbito da ?)A%? 1unto com uma rodada de um acordo sub8regional de garantia recíproca de investimentos a 0im de garantir segurança 1urídica aos investidores regionais' )o campo da in0raestrutura, não bastaria acelerar os investimentos 0ísicos' %erá preciso complementá8los com um programa de converg"ncia regional dos marcos regulat3rios naqueles tr"s campos, $o1e basicamente de0inidos no 4mbito interno da cada país> (b1etivos políticos2 no caso do #rasil, a integração latino8americana não & uma opção de política governamental, mas sim um mandato constitucional, e@presso no parágra0o Enico do artigo quatro da Constituição de /JWW' Cabe à 5resid"ncia da AepEblica instruir o !tamaratM a propor um programa de iniciativas que deem subst4ncia aquele mandato constitucional'

( mandato constitucional brasileiro não necessariamente coincide com os ob1etivos políticos dos outros países da Am&rica do %ul' )ão obstante, o #rasil, atrav&s do !tamaratM, tem uma longa $ist3ria de negociaçBes de acordos de cooperação nas mais diversas áreas da atividade $umana' Entre eles, a título ilustrativo, trago à colação o Tratado de Cooperação Ama.ônica, $o1e colocado em um nível bai@o de prioridade' )ão creio e@istir mel$or 0oro para 0ortalecer a cooperação regional em mat&ria de meio ambiente, mudanças climáticas, sustentabilidade agrícola, preservação dos recursos naturais, combate ao crime organi.ado, lavagem de din$eiro, trá0ico de drogas, do que o 0ornecido pelo Acordo de Cooperação Ama.ônica' ;esmo países distantes dos ecossistemas ama.ônicos, como C$ile, Argentina e ?ruguai s3 teriam a gan$ar com uma elevação da prioridade dos ob1etivos do Tratado, por ra.Bes que dispensam maiores e@plicaçBes' ;uito se discute se o #rasil deve ter um papel protagônico na sua circunst4ncia político8geográ0ica sul8americana ou se deve seguir so.in$o no seu camin$o do desenvolvimento econômico e social, optando por um isolacionismo ao sul do Equador' )ão ten$o dEvidas de que a primeira opção & a mel$or'

(alta am4ição para 1ali = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brC<KDC0alta8ambicao8baliC

(alta am4ição para 1ali por 5edro de Camargo )eto em ,=C,JC+,/D , comentários

)as Eltimas duas d&cadas, o #rasil tornou8se um líder agrícola' A posição de líder na e@portação de inEmeras mercadorias 0oi seguida por liderança nas negociaçBes na (;C' A criação do T+,, que teve in0lu"ncia na reunião ministerial de Cancun, e os dois contenciosos vitoriosos do #rasil – o do açEcar e o do algodão – são o lado bem8sucedido dessa liderança' A reunião ministerial de #ali, em de.embro pr3@imo, seria uma oportunidade para 0ortalecer a organi.ação multilateral' A rodada de negociaçBes, c$amada Aodada do -esenvolvimento, em

que a agricultura está no centro, novamente e@igiria liderança do #rasil' 5or&m, isso não está acontecendo' !n0eli.mente, ine@iste ambição do #rasil para a reunião de #ali' !n t$e last + decades #ra.il became an agricultural leader' T$e position as e@port trade leader in innumerous commodities Oas 0olloOed bM a trade negotiations leaders$ip in t$e XT( 0orum' T$e creation o0 t$e Agriculture T+, group o0 countries Oit$ in0luence in t$e Cancun ministerial meeting and t$e tOo important agriculture e@port subsidies disputes are t$e success0ul side o0 t$is leaders$ip' A0ter t$e 0ailure to obtain a minimum consensus in t$e so called mini ministerial meeting $eld in Teneva in *ulM +,,W t$e -o$a round stalled' T$e lacP o0 interest o0 t$e Oorld largest economM and trader $as part responsibilitM' T$e ?% trade agenda is 0ocused in regional agreements ignoring -o$a' T$e #ali ministerial meeting ne@t -ecember Oould be an opportunitM to strengt$en t$e multilateral organi.ation' A decision on still e@isting agriculture e@port subsidies, t$e easier understood distortion in Oorld trade, Oould give political signi0icance to t$e meeting' A round o0 negotiations called -evelopment round O$ere agriculture is in t$e center Oould again $ave required #ra.il leaders$ip' T$is does not $appen' T$e election o0 t$e neO -irector Teneral s$oOs clearlM it is possible to obtain success Oit$out t$e support o0 t$e developed countries' !t requires ambition un0ortunatelM t$is time none@istent 0or t$e #ali meeting' ( intervalo entre o início da Aodada de negociaçBes comerciais no 4mbito do antigo Acordo Teral sobre Tari0as Aduaneiras e Com&rcio ITATTL, denominada ?ruguai, e o da Aodada seguinte, -o$a, em +,,/, a primeira da (rgani.ação ;undial do Com&rcio I(;CL, & de /V anos' )esse período, o setor agrícola do #rasil gan$ou competitividade em virtude de signi0icativos avanços estruturais' As e@portaçBes agrícolas cresceram, no período, cerca de <,,Y' Tornamo8nos os principais e@portadores de açEcar, carne bovina e de aves, so1a em grão e 0arelo, 3leo e 0umo' *á &ramos os primeiros em ca0& e suco de laran1a' !niciamos um processo que nos levará ao topo para leite, carne suína, mil$o e arro.' A liderança no com&rcio internacional tin$a que ser acompan$ada pela liderança política nos 03runs internacionais de com&rcio' A participação do #rasil nas negociaçBes agrícolas da Aodada ?ruguai 0oi modesta' 9istoricamente, o #rasil sempre teve seu papel, resultado da qualidade de nossa diplomacia, nas negociaçBes do antigo TATT' 5or&m, não era evidente a percepção de que o avanço na equidade do com&rcio agrícola, com redução das distorçBes, era importante para o desenvolvimento nacional' ( #rasil participava levado pela vi.in$a Argentina, no grupo de países criado e liderado pela Austrália, denominado Cairns' A Aodada ?ruguai durou oito anos' (s resultados obtidos para o setor agrícola 0oram dois2 o Acordo sobre Agricultura e o Acordo sobre %anidade e :itossanidade' Embora, em 5unta del Este, no lançamento da Aodada ?ruguai, em /JWK, os E?A tivessem o discurso da eliminação dos subsídios no setor agrícola, este 0oi abandonado no percurso' ( resultado 0inal 0oi basicamente consolidar o status quo nesse tema' ( #rasil e demais países acabaram aceitando o consenso com a promessa de negociaçBes 0uturas' ( avanço que representou a Aodada 0oi a obtenção desses dois acordos importantes, que certamente di0icultam retrocessos' A Aodada ?ruguai produ.iu, por&m, dois outros grandes acordos de enorme interesse para os países desenvolvidos' ( Agreement on Trade8Aelated Aspects o0 !ntellectual 5ropertM Aig$ts ITA!5%L, acordo sobre propriedade intelectual, e o Teneral Agreement on Trade in %ervices ITAT%L, acordo sobre serviços' Ambos representam gan$os signi0icativos para os países desenvolvidos' onge aqui de não valori.ar a questão da propriedade intelectual e a e@ist"ncia de regras multilaterais para serviços, mas & preciso registrar que os países em desenvolvimento obtiveram muito menos em agricultura'

( crescimento da participação do #rasil no com&rcio internacional agrícola destacou a necessidade de redu.ir as iniquidades e@istentes nas regras multilaterais consolidadas na (;C' ( setor privado passou a acompan$ar as negociaçBes, desenvolvendo posiçBes e pressionando por prioridades' )a reunião ministerial da (;C em Cingapura, em /JJK, estavam presentes dois representantes do setor privado agrícola' )a reunião de %eattle, em /JJJ, eram mais de +, participantes' A posição de líder comercial veio acompan$ada do crescimento de participação política' Em +,,/, era evidente que o #rasil não poderia mais ser apenas caudatário de posiçBes levantadas pela Austrália e a Argentina no grupo de Cairns' A Austrália 0icava cada ve. mais pr3@ima dos E?A, c$egando depois a assinar um acordo de livre com&rcio com o governo norte8 americano' A Argentina permanecia, in0eli.mente, com posicionamentos erráticos, resultado de políticas internas anacrônicas' ( início do desenvolvimento dos dois contenciosos agrícolas em +,,/ – do algodão com os E?A e do açEcar com a ?nião Europeia I?EL – embutiam o interesse de passar a liderar o processo político das negociaçBes agrícolas' ( #rasil c$egou em de.embro ao `atar com estrat&gia e visão di0erentes das que se esperava na nova Aodada' %ob o impacto do atentado terrorista às torres g"meas de )ova \orP, $ouve consenso em torno da declaração que prometia para o setor agrícola2
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a eliminação dos subsídios à e@portação> a redução dos subsídios de apoio interno> a crescente abertura dos mercados agrícolas'

Em paralelo à aprovação 0ormal dos dois contenciosos, internamente no ;inist&rio da Agricultura se desenvolvia a visão de que a posição do #rasil e@trapolava o grupo de Cairns' Este se tornara pequeno' ?ma nova aliança era necessária para en0rentar uma negociação com mais de uma centena de países' A reali.ação da reunião ministerial em Cancun, em +,,D, consolidou o novo posicionamento do #rasil' As negociaçBes emperravam, e, poucos meses antes da reunião no ;&@ico, E?A e ?E tentaram novamente a e@peri"ncia que tin$a tido sucesso na Aodada ?ruguai, na c$amada reunião de #lair 9ouse, quando produ.iram acordo bilateral que acabou sendo imposto a todos' -essa ve. a proposta bilateral teve e0eito inverso, pois a diplomacia do #rasil, a partir de Tenebra, iniciou contatos que culminaram com a criação do $o1e c$amado T+, agrícola, que teve sua primeira reunião entre ministros em Cancun' ( T+, tin$a um grande denominador comum que era a eliminação total dos subsídios à e@portação' Com a 0orça desse ponto comum e a liderança do #rasil 0icou claro, no ;&@ico, que acordos bilaterais do tipo #lair 9ouse – que $aviam decidido a Aodada anterior – não tin$am mais espaço' -e maneira paralela ao contencioso do #rasil, pois não eram partes 0ormais, quatro países da S0rica $aviam se aglutinado em torno do que se c$amou de !niciativa do Algodão' Eles c$egaram a Cancun mobili.ados para eliminar a concorr"ncia predat3ria no com&rcio internacional desse produto'A surpresa do T+, aturdiu os E?A e a ?E, que imaginaram seu rápido es0acelamento' `uando 0icou evidente que e@istia clara coesão em torno do denominador comum dos subsídios à e@portação, re0orçada pela iniciativa a0ricana, que contava com 0orte apoio de ()Ts europeias, E?A e ?E se viram e@tremamente pressionados' )o momento em que o problema paralelo em torno dos temas colocados em pauta – na reunião de Cingapura – se agravou, a reunião 0oi abortada sem qualquer tipo de acordo e apresentada como 0racasso'

onge de ser 0racasso, Cancun provocou importante trans0ormação' 5oucos meses depois, a ?E se reuniu na !rlanda e in0ormava estar preparada para aceitar a eliminação dos subsídios à e@portação' ?m dos pontos da declaração de -o$a $avia sido obtido' :altavam os outros dois' ( sucesso do T+, inebriou a diplomacia brasileira, que acelerou enorme roteiro de articulaçBes' onge de querer aqui criticar o dese1o de se tornar 0orça de relevo no campo internacional, nos parece, por&m, que esqueceu que aquele grupo reunido em Cancun tin$a um denominador comum que os unia 0ortemente' Alianças são essenciais para avançar em negociaçBes multilaterais, sendo essencial recon$ecer com clare.a o que as une' Com a inegável liderança carismática do presidente ula, al&m do seu gosto por viagens ao e@terior, o #rasil cresceu em seus posicionamentos internacionais' )as negociaçBes da Aodada -o$a, colocada como principal – se não a Enica – 0rente de negociação comercial, in0eli.mente, o #rasil passou a obter 0racassos' )a reunião ministerial seguinte, reali.ada em 9ong bong, o #rasil c$egou com 0orte posicionamento, pressionando por maior acesso aos mercados agrícolas dos países desenvolvidos' ( con0ronto com a ?E 0oi evidente' Ap3s dias de debate, a reunião terminou com uma declaração que logrou pouco progresso em qualquer dos temas agrícolas' A ?E, que 1á $avia declarado estar disposta a, no 0im da Aodada, eliminar seus subsídios à e@portação, nada adiantou no tema acesso a mercados' A negociação sobre a terceira 0rente da declaração de -o$a, a questão dos subsídios agrícolas de apoio interno, tema que pressionaria os E?A, 0oi dei@ada de lado pelo #rasil e, portanto, pelo T+,, sendo pouco debatida em 9ong bong' A 0orte mobili.ação dos países a0ricanos na !niciativa do Algodão conseguiu colocar em pauta o produto> por&m, dei@avam de relacionar, nos termos em negociação na Aodada, a questão das distorçBes no mercado internacional com os subsídios internos norte8americanos' Esse posicionamento e@igiria a liderança do #rasil, que optou em não utili.ar a decisão do contencioso, 1á obtida naquela data, e a mobili.ação a0ricana para avançar nessa terceira 0rente agrícola de -o$a' ( 0racasso na obtenção de declaração consensual, em Cancun, produ.iu avanço no posicionamento europeu sobre os subsídios à e@portação' ( suposto sucesso de 9ong bong, obtendo declaração consensual, não produ.iu qualquer avanço nos outros dois temas da Aodada, acesso a mercados e subsídios de apoio interno' ( con0ronto & muitas ve.es necessário para avançar' A ?E compreendeu, em Cancun, que teria que mudar' )ão s3 iria estar no 0oco das críticas em todas as pr3@imas reuniBes da Aodada -o$a, como amplos setores da sociedade europeia tamb&m criticavam essa política de subsídios, vista como anacrônica' ( passo em 9ong bong deveria ser atacar os subsídios norte8americanos, que, embora classi0icados como de apoio dom&stico, t"m importante e0eito nas e@portaçBes daquele país' A partir de 9ong bong, as reuniBes se multiplicaram' T+,, TV, T<, T+, com TDD, reuniBes e mais reuniBes, nas quais o #rasil bril$ou' )a Eltima reunião do T<, reali.ada em 5otsdam, 0icou claro que o #rasil apreciava o destaque de ser um dos quatro, por&m, não tin$a a representatividade para estar lá so.in$o' (s debates t&cnicos tamb&m ocorreram em paralelo e o presidente do Comit" de Agricultura 0oi produ.indo rascun$os de possíveis declaraçBes de avanços' As questBes críticas 0icavam para um con0ronto ministerial' Em 1ul$o de +,,W, reali.ou8se em Tenebra uma reunião con$ecida como miniministerial' ogo no início, o diretor8geral da (;C, 5ascal amM, apresentou um te@to' )ele incluía seu entendimento do que seria um mínimo aceitável por todos' )a procura do consenso entre /V+ países, & mais

importante saber os pontos inaceitáveis, pois se sabe com anteced"ncia que o dese1ado individualmente não será atingido' A proposta de amM teve como primeiro apoiador o #rasil, e a Undia como primeiro opositor' ( T+, 0raturou8se na 0rente de todos' ( te@to de amM pouco pressionava os E?A na questão dos subsídios de apoio interno' Ao colocar como nível má@imo de subsídios aos E?A valor pouco abai@o ao que a negociadora norte8americana $avia o0erecido ao c$egar a Tenebra, dei@ou o país muito con0ortável' A Undia vin$a pressionando pela metade do valor proposto' amM se equivocara ao dei@ar os E?A menos in0eli.es do que os outros' ( debate que seguiu centrou8se na proposta das c$amadas salvaguardas especiais de interesse da Undia, em que o #rasil tem mani0esta diverg"ncia' A Undia não se interessou em colocar que poderia trocar um sacri0ício na sua ambição em salvaguardas por um avanço nos subsídios norte8 americanos' (s E?A tampouco 0i.eram o inverso, at& sabendo que o item seguinte da agenda de Tenebra eram os subsídios ao algodão' ( equívoco de amM não 0oi trabal$ado pelo #rasil, at& porque 1á o tin$a aprovado e visto sua liderança se esvair' A reunião de Tenebra precisaria pressionar os E?A, mais pelo e0eito político do que econômico' ( #rasil somente manteria liderança para pressionar seus parceiros do T+, com uma proposta que pressionasse tamb&m os E?A' A aus"ncia de sucesso na reunião 0icou com a tentativa de culpar a Undia, cu1o negociador parecia satis0eito em voltar a -el$i com esse r3tulo' )a sequ"ncia, a Aodada -o$a perdeu momento, 0icando cada dia mais evidente que di0icilmente c$egaria a um 0inal' ( #rasil passou a colocar nas reuniBes seguintes a necessidade de os E?A avançarem na redução de subsídios de apoio interno – antes tarde do que nunca' ( contencioso do algodão c$egou ao 0inal ap3s todas as postergaçBes possíveis, permanecendo os E?A impassíveis na necessidade de redu.ir subsídios' ?m acordo de compensação 0inanceira, de valor signi0icativo, ap3s o #rasil ameaçar com represálias, inclusive em propriedade intelectual, 0oi assinado at& que uma nova legislação altere os subsídios do algodão' ( E?A negociam ativamente acordos comerciais no 4mbito do c$amado T55 ITrans 5aci0ic 5artners$ipL e mais recentemente com a ?nião Europeia no que seria um grande acordo transatl4ntico' A agenda comercial norte8americana & intensa' Em Tenebra &, por&m, o principal empecil$o para avanço da Aodada -o$a' `uer muito e cede pouco' A reunião ministerial de #ali se apro@ima e a ambição do #rasil parece muito limitada' %equer a proposta bem8sucedida em Cancun, que motivou a criação do T+, agrícola, de eliminar 0inalmente os subsídios à e@portação & apresentada' Este tema traria equidade das regras para a indEstria de manu0atura com as regras agrícolas' A apro@imação das duas seria muito importante' R preciso preparar o 0im desta discriminação' As negociaçBes que antecedem #ali trabal$am temas de 0acilitação de acesso a mercados, certamente interessantes, por&m, estão longe de tra.er a equidade que vem se tentando negociar desde 5unta del Este, +V anos atrás' R verdade que o T+, agrícola, atrav&s da liderança do #rasil, apresentou para #ali proposta de redu.ir à metade os limites dos subsídios clássicos a e@portação' !ncluiu tamb&m interessante e inovadora regra para subsídios ao cr&dito para e@portação, que consolidaria um dos e@pressivos gan$os do contencioso do algodão' Embora a proposta este1a no camin$o correto, 0altou ousadia ao tentar somente a metade do necessário' ;esmo essa aprovação, de metade, não 0icou mais 0ácil' ;etade pode ser mais di0ícil do que o todo'

( con0ronto & necessário para e@plicitar a iniquidade e obrigar a avançar' R preciso dar evid"ncia aos pontos de entrave e seus responsáveis' %eria importante alguns avanços concretos para que a negociação não se1a vista como uma 0arsa, em particular para os países em desenvolvimento' A Aodada -o$a tem no coração o tema agrícola' R c$amada de Aodada do -esenvolvimento' R para ter a ambição de corrigir grandes iniquidades no com&rcio internacional' %ubsídios à e@portação agrícola, clássicos ou indiretos, são a iniquidade de mais simples compreensão, certamente não a Enica ou a maior' )em mesmo a opinião pEblica dos países desenvolvidos apoia esta distorção' %eria o tema per0eito para dar sentido $ist3rico à reunião de #ali e para o 0ortalecimento do multilateralismo, tão importante para o #rasil' A ambição que o #rasil demonstrou ao apresentar candidatura à diretor8geral da (;C, à revelia dos países desenvolvidos, não está presente nas propostas para #ali' ( resultado eleitoral mostrou que & possível vencer' Antes de tudo, por&m, & preciso tentar'

Repensan*o as relaçGes Esta*os >ni*os/3m7rica 5atina? trinta anos *e trans0ormaçGes = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brC<KVCrepensando8relacoes8estados8unidosamerica8latina8 trinta8anos8trans0ormacoesC

Repensan*o as relaçGes Esta*os >ni*os/3m7rica 5atina? trinta anos *e trans0ormaçGes por Abra$am oOent$al em ,WC,JC+,/D , comentários ( artigo compara o relacionamento entre os E?A e a Am&rica atina de D, anos atrás com o atual' Enquanto os Estados ?nidos são $o1e uma sociedade envel$ecida, com menor poderio e in0lu"ncia mundial, os países da Am&rica atina, que en0rentaram a -&cada 5erdida dos anos /JW,, evoluíram econômica e socialmente' Agora, corresponde aos E?A viver a sua -&cada

5erdida' ( desemprego, que teve um 0orte aumento em +,,W8+,,J, vem cedendo de 0orma bastante lenta' A renda 0amiliar caiu, ao mesmo tempo em que a concentração de renda se intensi0icou enormemente' Em termos gerais, a $ist3ria da Am&rica atina e do Caribe & mais positiva $o1e do que $á D, anos' (s pr3@imos anos podem ser auspiciosos para a cooperação interamericana, não devido à 0ilantropia dos Estados ?nidos, nem ao 0ato de Xas$ington temer certas tend"ncias regionais ou in0lu"ncias e@ternas sobre a Am&rica atina, mas porque as trans0ormaçBes ocorridas nas Am&ricas, do )orte e do %ul, geram um potencial de sinergia e de oportunidades mEtuas' T$e article compares t$e relations$ip betOeen t$e ?'%' and atin America D, Mears ago to t$e present' X$ile t$e ?nited %tates is noO an aging societM, Oit$ less poOer and global in0luence, t$e countries o0 atin America, O$ic$ 0aced t$e ost -ecade o0 t$e /JW,s, evolved economicallM and sociallM' )oO, corresponds to t$e ?'%' to live t$eir ost -ecade' ?nemploMment, O$ic$ $ad a strong increase in +,,W8+,,J, $as been losing verM sloOlM' :amilM income 0ell, O$ile t$e concentration o0 Oealt$ $as intensi0ied greatlM' #roadlM speaPing, t$e $istorM o0 atin America and t$e Caribbean is more positive todaM t$an D, Mears ago' Aut$oritarian governments t$at $eld poOer in muc$ o0 %out$ America and Central America Oere, in most countries, replaced bM government c$osen in 0ree elections' T$e ne@t 0eO Mears maM be auspicious 0or inter8American cooperation, not because o0 p$ilant$ropM in t$e ?nited %tates, nor t$e 0act t$at Xas$ington 0eared certain regional trends or e@ternal in0luences on atin America, but because t$e c$anges occurred in t$e Americas, )ort$ and %out$, generate a potential 0or sMnergM and mutual opportunities' Trinta anos atrás, a Am&rica atina passava por uma violenta crise 0inanceira e por uma pro0unda depressão econômica' As consequ"ncias de dívidas e@ternas e d&0icits 0iscais de proporçBes insustentáveis se 0a.iam sentir' Em /JW+ – o ano em que, pela primeira ve. em <, anos, a renda bruta latino8americana apresentou declínio – as instituiçBes 0inanceiras começavam a 0al$ar e a pobre.a e o desemprego aumentavam' A industriali.ação de substituição de importaçBes e as economias estatistas, em grande medida, $aviam esgotado seus bene0ícios' ( que viria a ser con$ecido como a -&cada 5erdida $avia começado' Ap3s muitos anos de relativa calma, os con0litos militares se disseminaram' ( longo con0lito entre a Argentina e o Aeino ?nido, que tin$a como ob1eto as !l$as ;alvinasC:alPlands produ.iu o primeiro c$oque militar de que se tem notícia entre um país latino8americano e um país e@terno ao $emis0&rio' Atritos intensos corroeram as relaçBes entre Argentina, C$ile, 5eru e Equador, 0a.endo com que con0litos armados se trans0ormassem em possibilidade real' As tensBes de 0ronteira se acirraram entre 7ene.uela e Colômbia, Tuatemala e #eli.e e )icarágua e Colômbia' As guerras civis da Am&rica Central, com o envolvimento crescente de naçBes e@ternas ao istmo, incluindo Cuba e Estados ?nidos, escalavam em viol"ncia e despertavam pro0unda preocupação' (s Estados ?nidosenga1aram8se em intervençBes militares abertas e secretas na Am&rica Central, desrespeitando suas pr3prias leis e as regras do direito internacional' Aegimes autoritários repressivos Iprincipalmente na Argentina, no C$ile e no ?ruguaiL cometiam violaçBes sistemáticas dos direitos $umanos e, nos Estados ?nidos, o rec&m8empossado governo Aeagan parecia 0ec$ar os ol$os a esses abusos' )os Estados ?nidos, a imigração de latino8americanos se acelerava, mas, devido a di0iculdades econômicas internas, eram muitos os que clamavam por políticas restritivas' ;edidas adotadas pelo :ederal Aeserve para reverter a in0lação norte8americana e@acerbaram as pressBes colocadas sobre a economia e o setor 0inanceiro latino8americanos' (s Estados ?nidos contribuíram pesadamente para muitos dos problemas latino8americanos2 dívida, com&rcio internacional, crescimento, pobre.a, repressão e tamb&m para os violentos

con0litos ocorridos na Am&rica Central' A posição adotada por Xas$ington em relação a essas questBes calcava8se principalmente no conceito de $emis0&rio (cidental, ou se1a, a ideia de que os países das Am&ricas di0erenciam8se do restante do mundo, guardando uma relação especial uns com os outros sob a liderança dos Estados ?nidos, e tamb&m na ainda poderosa estrutura de rivalidade entre os Estados ?nidos e a ?nião %ovi&tica, a Tuerra :ria' As autoridades norte8 americanas recon$eciam a enorme diversidade e@istente entre os mais de D, países da Am&rica atina e do Caribe, com suas di0erentes dimensBes, $eranças coloniais, populaçBes indígenas, 0lu@os de imigração, geogra0ia, recursos naturais e relaçBes com a economia mundial' !sso, entretanto, não os impedia de pensar a região em termos abrangentes, de ver os países latino8 americanos e os Estados ?nidos como tendo 0ortes interesses e perspectivas em comum, e de 0ormular a cooperação interamericana com o ob1etivo principal de solucionar os problemas de alta prioridade para os Estados ?nidos, sem levar em conta os interesses da Am&rica atina e do Caribe' ( -iálogo !nteramericano 0oi convocado em /JW+ por pessoas que acreditavam que a postura adotada por Xas$ington em relação à Am&rica atina baseava8se em conceitos e prioridades equivocados e ultrapassados' 5reocupava8nos pro0undamente o intenso 0oco colocado pelos Estados ?nidos sobre a Am&rica Central, a 0alta de sensibilidade do governo dos Estados ?nidos com relação às crescentes di0iculdades econômicas que assolavam a Am&rica atina e o retrocesso dos es0orços norte8americanos visando à proteção dos direitos $umanos 0undamentais e à promoção da governança democrática' E nos perturbava o desgaste das comunicaçBes interamericanas e@empli0icado na concord4ncia tácita, se não e@plícita, de Xas$ington em relação à decisão do governo militar da Argentina de invadir as !l$as ;alvinasC:alPlands, seguido pelo apoio prestado pelos serviços de intelig"ncia dos Estados ?nidos à Trã8#retan$a em sua bem8 sucedida campan$a contra as 0orças argentinas' )osso ob1etivo, ao convocar a reunião que levou ao primeiro relat3rio do -iálogo, 0oi o de promover um mel$or interc4mbio e o apro0undamento da compreensão mEtua, a 0im de ameni.ar o impacto produ.ido pelos Estados ?nidos no restante do $emis0&rio e de incentivar os governantes norte8americanos a atentar para os assuntos de interesse de ambas as partes – as questBes prioritárias para Xas$ington e as de import4ncia para os demais países da região' Era nossa e@pectativa que os latino8americanos tivessem interesse principalmente por questBes regionais, nas quais concentramos nossas discussBes interamericanas' Todos os participantes tin$am plena consci"ncia de que os Estados ?nidos tin$am interesses e políticas globais, aos quais suas políticas para a Am&rica atina geralmente se subordinavam, mas era nosso dese1o 0a.er que a agenda política dos Estados ?nidos se a0astasse de seu 0oco na Tuerra :ria e passasse a dar maior atenção aos problemas em comum e às perspectivas de cooperação' 9o1e as coisas são muito di0erentes' )ão se trata apenas de a Tuerra :ria ter c$egado ao 0im e a ?nião %ovi&tica ter dei@ado de e@istir' ;ovimentos políticos que, D, anos atrás, seriam causa de intervenção direta pelos Estados ?nidos, atualmente ocupam o poder em diversos países latino8 americanos – #rasil, ?ruguai, El %alvador e AepEblica -ominicana, por e@emplo' Alguns deles praticam estreita cooperação com os Estados ?nidos, cenário que poucos de n3s poderiam sequer imaginar em /JW+' Xas$ington vem tentando se subtrair aos caríssimos enga1amentos militares no (riente ;&dio e na Ssia (cidental, que ningu&m poderia ter previsto D, anos atrás, e en0renta $o1e graves ameaças partindo de adversários não estatais, que então eram inimagináveis' A preponder4ncia dos Estados ?nidos em termos globais entrou em declínio, e a antes estável e pr3spera ?nião Europeia vem lutando contra persistentes di0iculdades' A C$ina surgiu como uma 0orça participante, assertiva e poderosa no cenário mundial' (s países emergentes – Undia, #rasil, Coreia e outros – são grandes motores do crescimento econômico global'

3s trans0ormaçGes nos Esta*os >ni*os (s Estados ?nidos, tamb&m, mudaram muito' %ua economia vem, cada ve. mais, abandonando o setor manu0atureiro para se concentrar no de serviços, cu1a produtividade & aumentada pelas revoluçBes nas tecnologias de comunicação' %ua população cresceu, principalmente com a absorção de nEmeros in&ditos de imigrantes, e envel$eceu, 0a.endo com que um nEmero cada ve. maior de cidadãos dependa dos programas de seguridade social e de saEde' As pessoas migraram para o sul e para o oeste, alterando a din4mica política do país' (s imigrantes, a maioria deles provenientes do ;&@ico, da Am&rica Central e do Caribe, não se restringem mais aos tradicionais pontos de entrada, dirigindo8se agora para outras cidades espal$adas pelos Estados ?nidos' Esses imigrantes e seus descendentes t"m $o1e uma participação e um peso cada ve. maior na política norte8americana e serão responsáveis por grande parte da e@pansão da 0orça de trabal$o at& +,V,' ;uitas dessas trans0ormaçBes 0oram positivas2 inovaçBes tecnol3gicas, maior igualdade de oportunidades para as mul$eres e minorias &tnicas, maior acesso ao ensino superior e a inEmeros bens de consumo, al&m do notável 0ortalecimento das universidades de pesquisa, que atraem talentos de todo o mundo' `uanto a outros aspectos, entretanto, esses anos 0oram marcados por deterioração' -esta ve., 0oram os Estados ?nidos que tiveram uma -&cada 5erdida' ( desemprego teve um 0orte aumento em +,,W8+,,J, e vem cedendo de 0orma bastante lenta' A renda 0amiliar caiu, ao mesmo tempo em que a concentração de renda se intensi0icou enormemente' Em /JW,, o /Y dos norte8americanos de renda mais alta concentravam /,Y da renda nacional' Em +,,=, esse mesmo /Y respondia por D,Y da renda do país' Agora, são os Estados ?nidos que t"m níveis insustentáveis de endividamento, desequilíbrio 0iscal maciço e políticas econômicas irresponsáveis, muitas ve.es 0orçadas por interesses especiais e pela busca de vantagens na arena da política interna' Com a queda da receita tributária e o aumento dos d&0icits, os serviços pEblicos norte8americanos não recebem 0inanciamento su0iciente, e sua tão alardeada in0raestrutura vem se deteriorando' A qualidade do ensino primário e secundário decresceu em comparação a outros países industriais' Em termos de capacidade de leitura e de con$ecimentos de ci"ncias, os resultados dos estudantes norte8americanos situam8se na 0ai@a m&dia entre os países da (C-E, e os resultados em matemática estão bem abai@o da m&dia' -eclínio econômico, desigualdade crescente, desgaste da coesão social e menor competitividade econômica contribuíram para acelerar a deterioração política' As cisBes políticas e econômicas se e@acerbaram, apro0undando o abismo entre as costas e o interior, o rural e o urbano, imigrantes e anti8imigrantes, religiosos e seculares e entre grupos de cidadãos de di0erentes níveis de renda, g"neros, orientaçBes se@uais e 0ai@a etária' Com a consolidação das empresas de mídia e a 0ragmentação de seus mercados, essa polari.ação vem se e@acerbando, uma ve. que um grande nEmero de cidadãos se v" e@posto unicamente aos argumentos que con0irmam suas pr3prias ideias' A ret3rica da con0rontação substituiu o discurso cívico' As instituiçBes dos Estados ?nidos, antes inve1áveis, dei@aram de 0uncionar' !nstituiçBes políticas de todos os tipos perderam credibilidade pEblica2 o Congresso, o presidente, os partidos, os meios de comunicação e at& mesmo os tribunais' `ualquer e@ame s&rio das relaçBes entre os países do $emis0&rio, $o1e em dia, tem que levar em conta as pro0undas dEvidas sobre a capacidade dos Estados ?nidos de desenvolver e sustentar políticas corretas, tanto na es0era dom&stica quanto na internacional' O pro+resso *a 3m7rica 5atina

Em termos gerais, a $ist3ria da Am&rica atina e do Caribe & mais positiva' (s governos autoritários que ocupavam o poder em grande parte da Am&rica do %ul e da Am&rica Central 0oram, na maioria dos países, substituídos por governos escol$idos em eleiçBes livres' !sto posto, a nature.a das coali.Bes que ocupam o poder e dos partidos de oposição varia muito, como variam tamb&m a qualidade dos poderes *udiciários e egislativos, da mídia e das organi.açBes da sociedade civil' As instituiçBes estatais e as organi.açBes não governamentais se desenvolveram e gan$aram 0orça, embora em ritmos di0erentes e com características bastante diversas' As instituiçBes políticas se tornaram mais participativas e representativas em diversos países, os governos militares e a impunidade generali.ada são $o1e menos comuns' ;as o controle institucional sobre os atos do poder E@ecutivo viu8se gravemente en0raquecido em diversos países, e a e@ig"ncia de prestação de contas ainda & prática rara em muitos deles' -ando continuidade a uma tend"ncia 1á visível D, anos atrás, os países latino8americanos se tornaram mais populosos, urbani.ados, al0abeti.ados e modernos' As ta@as de mortalidade in0antil tiveram 0orte declínio, a e@pectativa de vida aumentou e o acesso a água potável, redes de esgoto, eletricidade e serviços de comunicação se e@pandiu' :oi alcançado um acesso amplo ao ensino primário e secundário, embora estes se1am de qualidade desigual e, de modo geral, continuem apresentando graves de0ici"ncias' ( crescimento econômico, as transiçBes demográ0icas e a mobilidade social geraram uma classe m&dia signi0icativamente maior que, em muitos países, v"m recon0igurando a economia, a sociedade e a política' As trans0ormaçBes econômicas ocorridas na Am&rica atina, principalmente nos Eltimos quin.e anos, 0oram notáveis' (s anos /JW, 0oram muito di0íceis' )a d&cada de /JJ,, alguns países tiveram anos de bom crescimento, à medida que as políticas liberais de abertura de mercados se 0irmaram, embora os limites e a vulnerabilidade do en0oque do Consenso de Xas$ington – liberali.ação, abertura para investimentos e@ternos, privati.ação e desregulamentação – tamb&m se tornaram evidentes' Estados e0icientes, instituiçBes 1udiciárias s3lidas e independentes e regulamentação e0ica. são 0atores necessários para o bom 0uncionamento dos mercados' ?m crescimento econômico impressionante veri0icou8se nos Eltimos de. anos, principalmente na Am&rica do %ul' )o cerne desse crescimento encontrava8se uma agricultura moderni.ada, centrada em produtos de e@portação tradicionais e não tradicionais> o desenvolvimento de nic$os setoriais voltados para a nova economia mundial> 0orte desenvolvimento dos recursos naturais, particularmente por meio da atração de investimentos internacionais> investimentos signi0icativos Iembora ainda insu0icientesL em in0raestrutura> e a e@portação de commodities, bens manu0aturados e serviços pelas multilatinas, empresas multinacionais estabelecidas na Am&rica atina que operam em todo o globo' Embora as e@portaçBes de alguns países ainda se limitem basicamente a bens primários destinados a alguns mercados especí0icos, outros países diversi0icaram suas e@portaçBes em termos de setores e destinos, com base em termos de troca bem mais vanta1osos' Embora esses avanços ten$am gerado um dinamismo econômico que seria di0ícil imaginar D, anos atrás, algumas sub8regiBes continuam estagnadas e imersas em pobre.a, e muitos países en0rentam gargalos causados por in0raestrutura insu0iciente, escasse. de mão de obra quali0icada e escolari.ada, mercados restritos, 0alta de capacidade inovadora e a incapacidade de converter avanços tecnol3gicos em viabilidade comercial' Esses problemas, caso não en0rentados, colocarão em @eque a competitividade 0utura da região' )a Am&rica atina, as pro0undas desigualdades de rique.a e de renda continuam e@istindo, embora um pouco atenuadas nos Eltimos anos Iao contrário dos Estados ?nidos, onde essas desigualdades v"m se agravandoL' ?ma distribuição mais ampla dos bene0ícios de um maior crescimento redu.iu a pobre.a e@trema, o que 0oi alcançado, em grande medida, por programas sociais, aumentos dos salários mínimos e trans0er"ncias condicionais de renda aos mais pobres'

A base dessas conquistas positivas 0oi o surgimento, em alguns países – #rasil, C$ile, Colômbia e 5eru, principalmente – de um alto grau de previsibilidade, ou se1a, estabilidade nas e@pectativas quanto às regras do 1ogo e aos procedimentos necessários para a alteração dessas regras' A estabilidade de e@pectativas liberou energias criativas de todos os tipos – não apenas por parte dos investidores, e@ternos e nacionais, mas tamb&m de estudantes, pais, organi.açBes não governamentais e governos' A con0iança na estrutura operacional 0acilita a tomada de decisBes mais racionais e de longo pra.o por todos' 5assa assim a ser muito mais 0ácil superar o cortoplacismo – os en0oques de curto pra.o – e construir políticas e instituiçBes viáveis no longo pra.o' -ecerto que nem todo o quadro & tão animador' ;uitos dos países da Am&rica atina e do Caribe continuam so0rendo de altos níveis de viol"ncia, embora esta não se1a mais provocada por con0litos entre países ou por guerras civis internas' ( que restou dos movimentos insurgentes no 5eru e na Colômbia está, em sua maior parte, sob controle' A viol"ncia dos dias de $o1e, responsável por um nEmero de mortes comparável ao das provocadas pelas guerras civis, vem da criminalidade, tanto organi.ada quanto não organi.ada, da reação dos cart&is do crime aos es0orços redobrados dos governos com o 0im de destruir ou conter esses cart&is, e da incapacidade dos Estados mais 0racos de proteger a segurança de seus cidadãos' Essa viol"ncia & particularmente alta na 7ene.uela, no ;&@ico, no #rasil, ainda na Colômbia e em partes do Caribe' onge de o0erecer soluçBes práticas, os Estados ?nidos são vistos como uma das causas do problema, em virtude da demanda interna por drogas, de sua insist"ncia em criminali.ar o trá0ico de drogas Italve. tornando8o assim ainda mais violentoL e de seu papel como 0onte das armas canali.adas para o crime, os cart&is de drogas e as gangues de 1ovens da Am&rica atina' Embora os indicadores de igualdade ten$am mel$orado em muitos países da Am&rica atina, a região continua sendo a mais in1usta de todo o mundo' (s gan$os recentes em termos de distribuição de renda 0oram alcançados em um período de 0artura' %e esses gan$os irão ou não sobreviver a um rev&s econômico, se e quando o boom das commodities vier a declinar, & uma questão incerta' Trandes segmentos da população – principalmente os povos indígenas, os a0rodescendentes e os pobres das áreas rurais – continuam so0rendo grandes privaçBes em muitos países' ( apoio aos governos democráticos e às políticas voltadas para o mercado & sempre limitado e precário nos países onde as 0rustraçBes populares são intensas' 3 3m7rica 5atina em um novo mun*o Traças aos inegáveis Iembora desigualmente distribuídosL avanços sociais políticos e econômicos alcançados pela Am&rica atina nos Eltimos D, anos, vários países da região são $o1e atores importantes nas relaçBes internacionais' ( #rasil & o que mais se destaca, mas ;&@ico, C$ile, Colômbia, Argentina e 5eru tamb&m dei@aram de ocupar posição coad1uvante no cenário mundial, e o mesmo pode ser dito da 7ene.uela e de Cuba' (s países latino8americanos estão e@pandindo sua es0era de ação, em termos políticos e comerciais, na S0rica, Ssia, Europa e no (riente ;&dio, muitas ve.es perseguindo interesses e políticas independentes ou at& mesmo contrários às políticas e interesses dos Estados ?nidos' As naçBes latino8americanas, al&m disso, v"m construindo novas organi.açBes regionais de nature.a econômica e política sem a participação dos Estados ?nidos' As iniciativas regionais e sub8regionais internas à Am&rica atina – o ;ercosul, a ?)A%? e a CE AC – atraíram a atenção de muitos latino8americanos'A (rgani.ação dos Estados Americanos I(EAL, a CEpula das Am&ricas e outras instituiçBes pan8americanas 0oram en0raquecidas, sua missão e sua e0icácia estão $o1e em questão'

9á D, anos, eram muitos os que, em Xas$ington, se preocupavam com o envolvimento da ?nião %ovi&tica nas Am&ricas, seus estreitos vínculos com Cuba, seu apoio aos sandinistas da )icarágua, sua solidariedade com o :;) de El %alvador e seus laços com os militares peruanos' Agora, a ?nião %ovi&tica dei@ou de e@istir e a presença da AEssia nas Am&ricas & modesta e limitada' A C$ina, ao contrário, tin$a pouca import4ncia para a Am&rica atina D, anos atrás' 9o1e, ela & o principal parceiro comercial de vários países sul8americanos, e o maior investidor e emprestador internacional para alguns deles' A presença da C$ina no $emis0&rio (cidental supera a que a antiga ?nião %ovi&tica, a Aleman$a na.ista ou qualquer outra pot"ncia e@tra8$emis0&rica algum dia c$egou a ter, desde que os países da Am&rica atina conseguiram sua independ"ncia' Alguns países latino8americanos tamb&m desenvolveram relaçBes comerciais importantes com o *apão, a Coreia, a Undia e o %udeste Asiático' As relaçBes comerciais com a Europa continuam a ter import4ncia, e ambas as partes t"m interesse em intensi0icá8las' ( ;&@ico e os vi.in$os mais pr3@imos dos Estados ?nidos na Am&rica Central e no Caribe continuam a manter vínculos estreitos com o Estado norte8americano, principalmente em questBes demográ0icas, de mercado de trabal$o, comerciais, 0inanceiras e culturais' ( ;&@ico, o segundo maior parceiro comercial dos Estados ?nidos, envia para o norte W,Y de suas e@portaçBes, e sua economia depende do turismo, das remessas e dos investimentos norte8 americanos, e tamb&m dos retornos dos crescentes investimentos me@icanos nos Estados ?nidos' ;ais de /,Y da 0orça de trabal$o me@icana trabal$a nos Estados ?nidos' )ovos níveis de cooperação e de con0lito em uma s&rie de questBes – questBes interm&sticas a meio camin$o das políticas internacionais e internas, contendo 0acetas de ambas e causando impacto nos dois lados das 0ronteiras cada ve. mais porosas – tornam particularmente di0ícil a administração dessas relaçBes' As questBes cruciais não são t3picos tradicionais de política e@terna, e sim saEde, educação, drogas, viol"ncia, questBes legais e policiais, licenças de motorista, comunidades de aposentados, bene0ícios de seguro8saEde e muitas outras questBes práticas' Enquanto isso, as relaçBes internacionais dos países da Am&rica do %ul são muito mais diversi0icadas em nEmero e qualidade do que D, anos atrás' (s sul8americanos, portanto, t"m menor tend"ncia a buscar en0oques interamericanos ao tratar de questBes globais mais amplas' )amin-os *i0erentes A visão da Am&rica atina como uma região coerente e cada ve. mais uni0icada, que 1á de partida era problemática, gan$ou re0orço em inícios da d&cada de /JJ,, quando era comum ver os países latino8americanos avançando em ritmos di0erentes, mas no mesmo camin$o e na mesma direção, tendo o C$ile como líder' Em anos mais recentes, contudo, 0icou claro que os di0erentes países da Am&rica atina percorreram camin$os diversos' 9á muitas variantes, mas uma distinção 0undamental demarca dois grupos2 os países da Alternativa #olivariana e os demais' (s países da Alternativa #olivariana ICuba, 7ene.uela, #olívia, Equador, )icarágua e talve. ArgentinaL estão enga1ados em uma visão de desenvolvimento mais inclusiva e igualitária' A globali.ação e o capitalismo de mercado despertam pro0unda descon0iança, e sua pre0er"ncia vai para a democracia plebiscitária, mais que para as instituiçBes representativas liberais' A maioria dos demais países, inclusive alguns dos mais in0luentes entre eles, v"m tentando se a1ustar à globali.ação e tirar partido das energias din4micas e dos substanciais recursos o0erecidos pelo capitalismo global' ;as esses países tentam tamb&m contrabalançar os e0eitos negativos do capitalismo em termos de igualdade e coesão social por meio de políticas redistributivas e de

0ortalecimento das instituiçBes e mecanismos compensat3rios de uma boa governança democrática' Essa divisão em dois grupos, cada um deles reunindo países $eterog"neos, &, na prática, mais imprecisa do que absolutamente nítida' Ambos encontram8se ainda em elaboração, e não $á modelos ideol3gicos estabelecidos' (s países de ambos os grupos mesclam elementos pragmáticos e ideol3gicos' -e modos di0erentes, ambos buscam mel$ores termos de enga1amento com o capital internacional e mel$ores termos de troca em suas relaçBes econômicas com o resto do mundo' (s países desses grupos respondem de 0orma tática às pressBes internas e às limitaçBes e oportunidades internacionais, sem se adequar a gabaritos consistentes ou a dogmas rígidos' E todos esses países, pelo menos em parte, so0rem a in0lu"ncia das qualidades e circunst4ncias pessoais de seus líderes, do legado de suas e@peri"ncias $ist3ricas e de suas instituiçBes divergentes' >ma visão prospectiva Ap3s D, anos de trans0ormaçBes, os Estados ?nidos são $o1e uma sociedade envel$ecida, com menor poderio e in0lu"ncia mundial' ( país necessita urgentemente investir em educação e em in0raestrutura, restaurar a solv"ncia 0iscal, e@pandir suas e@portaçBes e revitali.ar suas instituiçBes políticas' (s Estados ?nidos coe@istem no $emis0&rio (cidental com os países da Am&rica atina e do Caribe que, de modo geral, v"m 0ortalecendo e diversi0icando suas economias, re0orçando suas instituiçBes, e@pandindo suas classes m&dias e se enga1ando ativamente em relaçBes internacionais produtivas' (s pr3@imos anos podem ser auspiciosos para a cooperação interamericana, não devido à 0ilantropia dos Estados ?nidos, nem ao 0ato de Xas$ington temer certas tend"ncias regionais ou in0lu"ncias e@ternas sobre a Am&rica atina, mas porque as trans0ormaçBes ocorridas nas Am&ricas, do )orte e do %ul, geram um potencial de sinergia e de oportunidades mEtuas' Em questBes que vão desde com&rcio internacional a energia, mudanças climáticas, saEde pEblica, ensino superior e desenvolvimento de in0raestrutura, os pr3@imos anos talve. ven$am a testemun$ar um interc4mbio sem precedentes' E@iste agora a oportunidade signi0icativa de re0ormular uma das relaçBes bilaterais mais importantes de todo o mundo2 as relaçBes entre o ;&@ico e os Estados ?nidos' A complementaridade das tend"ncias demográ0icas, econômicas, sociais e políticas veri0icadas nos dois países talve. torne possível a construção de uma cooperação estreita e sustentável em uma ampla gama de questBes2 desenvolvimento de in0raestrutura, produção de energia, ensino superior, saEde pEblica, migraçBes e mercado de trabal$o, administração de 0ronteiras e segurança dos cidadãos' )ovos conceitos e novas políticas, normas e instituiçBes irão e@igir uma nova mentalidade e atitudes di0erentes de ambos os países' C$egou tamb&m o momento de intensi0icar os es0orços no sentido de incentivar a sinergia entre os Estados ?nidos e o #rasil em uma ampla gama de questBes não restritas ao nosso $emis0&rio2 como lidar com as mudanças climáticas, como evitar e controlar as pandemias globais, conter a proli0eração nuclear, 0ortalecer as instituiçBes e os sistemas de governança global e re0ormar as regras e práticas internacionais sobre com&rcio, 0inanças, investimentos, propriedade intelectual e trans0er"ncia de tecnologia' 9á tamb&m imensas oportunidades de construir cooperação na es0era do ensino superior, com iniciativas que, com o tempo, viriam a gerar bons dividendos' )o presente estágio, os países da Am&rica atina e do Caribe não são seguidores naturais da liderança norte8americana' Eles de0inem seus pr3prios interesses e 0or1am seus pr3prios en0oques' 5olíticas e atitudes presunçosas e impositiva dos Estados ?nidos dei@aram de 0uncionar' !nstituiçBes como a (EA, que se baseiam na ideia de uma $armonia 0undamental

unindo todas as Am&ricas devem ser repensadas' ( 0ortalecimento da (EA e@ige mais do que renovar equipes e re0ormular orçamentos e práticas administrativas' 5ara que esse 0ortalecimento ven$a a ocorrer, será necessário que os países da Am&rica atina, os Estados ?nidos e o Canadá e@aminem con1untamente a questão de quais programas regionais concretos ou qual cooperação em arenas globais mais amplas de 0ato 0a.em sentido' Em termos mais gerais, esse & o desa0io das relaçBes interamericanas ap3s trinta anos de trans0ormaçBes' ,radu()o Patrícia Iimbres otas ]/^ ( ;ercosul & um sistema de mercado comum do qual são membros plenos Argentina, #rasil, 5araguai, ?ruguai e 7ene.uela> a #olívia & membro em processo de adesão e C$ile, Colômbia, Equador e 5eru são membros associados' A ?)A%? & a ?nião de )açBes %ul8Americanas, uma organi.ação política e de segurança abrangendo /+ países sul8americanos, à qual & 0iliado o Consel$o de -e0esa %ul8Americano, responsável por questBes de segurança' A CE AC, a Comunidade de Estados atino8americanos e Cariben$os, inclui todos os países das Am&ricas, com a e@ceção do Canadá e dos Estados ?nidos' _ ]+^ Este ensaio & uma adaptação da palestra pro0erida pelo autor no :3rum %ol ;' inoOit. do -iálogo !nteramericano, reali.ado em W de 1un$o de +,/+' _ ]D^ 5ara uma importante declaração sobre essas mudanças necessárias, ver Aobert 5astor, T$e )ort$ American !dea I(@0ord ?niversitM 5ress, +,/,L' _

3 re+ião avançouJ os aca*Kmicos americanosL não = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brC<K=Cregiao8avancou8academicos8americanos8naoC

3 re+ião avançouJ os aca*Kmicos americanosL não por ;ariano E' #ertucci em ,JC,JC+,/D , comentários

Estudos acad"micos americanos sobre a relação entre Estados ?nidos e Am&rica atina costumam lidar com a questão do ponto de vista da política e@terna dos E?A para a região' -essa abordagem egoc"ntrica se originam erros pro0undos na compreensão do 0ato contempor4neo de que as naçBes latino8americanas t"m grande latitude na 0ormulação de suas políticas e@ternas' Al&m disso, a maioria desses estudos 0al$am em observar 0atores urgentes e relevantes, tais como a cooperação internacional no domínio da energia, das drogas, da migração e do meio ambiente' American academic studies about t$e relations$ip betOeen t$e ?nited %tates and atin America usuallM deal Oit$ t$e issue 0rom t$e perspective o0 t$e ?% 0oreign policM to t$e region' T$is sel08 centered approac$ originates deep mistaPes in t$e understanding o0 t$e contemporarM 0act t$at atin American nations do $ave large latitude in 0ormulating t$eir oOn 0oreign policies' ;oreover, most o0 t$ose studies 0ail in observing urgent and relevant 0actors suc$ as international cooperation in energM, drugs, migration and environment' ( estudo do 0oco adotado e dos debates privilegiados pelos acad"micos contribui para a compreensão de como as políticas são entendidas e debatidas na es0era pEblica, c$egando, algumas ve.es, a esclarecer os processos de sua 0ormulação' )o entanto um e@ame mais atento dos estudos acad"micos sobre as relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina publicados das Eltimas tr"s d&cadas, abrangendo /=< artigos submetidos à revisão por pares e /K= livros não editados, revela uma descone@ão com muitos dos temas e realidades atuais da região' As relaçBes internacionais e outras áreas de investigação sobre temas globais, tais como economia política internacional e segurança são insu0icientemente representadas nos estudos acad"micos tratando do $emis0&rio ocidental' A maior parte das pesquisas, ao contrário, trata de política e@terna' ;ais de J<Y das publicaçBes acad"micas sobre a região mencionadas acima poderiam ser quali0icadas como análises de política e@terna, e não de temas mais atuais da teoria das relaçBes internacionais ou da economia política internacional' E, dentro dos estudos de política e@terna, & privilegiado, essencialmente, o estudo do processo de 0ormulação da política e@terna dos Estados ?nidos' 5raticamente todos IWJYL os trabal$os contendo análises das relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina tomam a política e@terna norte8americana como 0oco central de seu entendimento das questBes Estados ?nidosCAm&rica atina' Cerca da metade dos artigos e livros IV/YL centram8se nas iniciativas da política e@terna norte8 americana e nas reaçBes dos Estados ?nidos e dos países latino8americanos à política e@terna de seus parceiros $emis0&ricos' E quase <,Y dos trabal$os publicados analisam e@clusivamente a política e@terna dos Estados ?nidos com relação à Am&rica atina' Como consequ"ncia direta desse en0oque, quase nen$uma atenção vem sendo dada à economia política internacional e às questBes de segurança, o que, por sua ve., levou a serem desconsiderados alguns dos temas de maior import4ncia e de maior di0iculdade da agenda política da atualidade, tais como trá0ico de drogas, migraçBes, meio ambiente e cooperação na área da energia'

Em ra.ão da postura autocentrada da academia norte8americana, são relativamente poucos os artigos e livros que tratam da política e@terna dos países do Caribe, da Am&rica do %ul – inclusive, e principalmente, do #rasil – e at& mesmo do ;&@ico com relação aos Estados ?nidos' Consequentemente, veri0icam8se graves 0al$as em nossa compreensão do 0ato de que os Estados8naçBes das Am&ricas t"m grande latitude na 0ormulação de suas pr3prias políticas, principalmente em uma região onde a in0lu"ncia norte8americana vem se tornando mais di0usa' (utras 0al$as re0erem8se às migraçBes e questBes relacionadas às drogas e aos temas e desa0ios de segurança energ&tica $o1e en0rentados pelos Estados ?nidos' R bastante provável que esses problemas s3 possam ser en0rentados por meio de uma cooperação sustentada com países como o ;&@ico e o #rasil' Entretanto, a política e@terna desses países com relação aos Estados ?nidos não vem sendo su0icientemente estudada' Apenas /+,JY dos artigos e livros en0ocam as relaçBes Estados ?nidosC;&@ico, e menos de DY tratam da política e@terna me@icana com relação aos Estados ?nidos' -a mesma 0orma, menos de VY dos artigos e livros analisam as relaçBes Estados ?nidosC#rasil e apenas +Y e@aminam a política e@terna brasileira com relação ao Gcolosso do )orteH' Essas 0al$as são de import4ncia crítica' Toda e qualquer política e@terna in0ormada deve se basear em uma compreensão dos pontos de vista de ambos os lados da mesa de negociaçBes' Enten*imentos *íspares As de0ici"ncias – e at& mesmo a parcialidade – das atuais pesquisas sobre as relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina tornam8se ainda mais evidentes quando as publicaçBes revistas por pares são comparadas às de acad"micos estabelecidos na Am&rica atina' (s acad"micos estabelecidos nos Estados ?nidos tratam das políticas e@ternas latino8americanas em apenas D,/Y de suas publicaçBes, e W=Y desses trabal$os colocam os Estados ?nidos no centro de suas análises' Ao mesmo tempo, as interaçBes de política e@terna entre os Estados ?nidos e a Am&rica atina são tratadas em apenas /CD de suas publicaçBes' As implicaçBes desse padrão são claras2 ao lermos esse corpo de trabal$os, 0icamos com a impressão de que o termo GrelaçBes Estados ?nidosCAm&rica atinaH & usado como sinônimo de Gpolíticas dos Estados ?nidosH' Essa distorção veri0icada nas pesquisas e na literatura especiali.ada tem e0eitos práticos e políticos' ( mais importante deles & o de ter contribuído para a opinião convencional de que a mel$or 0orma de entender as relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina & entender, antes de tudo, o processo de 0ormulação da política e@terna norte8americana' Essa postura, entretanto, produ. uma imagem distorcida dos 0atores que 0ormaram o $emis0&rio em termos $ist3ricos e, o que & mais importante, continuam atuando nos dias de $o1e' R certo que a 0ormulação de políticas não segue automaticamente as publicaçBes acad"micas' ;esmo assim, ideias 0ormuladas com base em pesquisas acabam por gan$ar in0lu"ncia graças ao trabal$o de institutos de pesquisa, editoriais, revistas especiali.adas e outros canais' (s acad"micos t"m participação no governo – como consultores ou ocupantes de cargos – e os responsáveis pela 0ormulação de políticas, em algum ponto de suas carreiras, so0reram a in0lu"ncia das pesquisas acad"micas' R muito provável que a perspectiva autoc"ntrica que vem dominando a postura norte8americana com relação à Am&rica atina $á quase tr"s d&cadas ven$a a gerar uma visão de mundo muito

peculiar sobre os temas políticos em questão' A partir daí, & 0ácil c$egar a uma concepção $egemônica das relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina, principalmente porque continua a predominar nos círculos políticos um modelo político nunca con0irmado, segundo o qual os Estados ?nidos são o ator e os países latino8americanos, os ob1etos dependentes e inde0esos' As pesquisas condu.idas por acad"micos estabelecidos na Am&rica atina mostram um maior equilíbrio, embora não se1am menos provincianas que a de seus colegas norte8americanos' Em =/Y dos estudos sobre as relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina, os acad"micos latino8 americanos dão prima.ia às políticas de seus pr3prios países' Em cerca de metade dos trabal$os, eles tratam das interaçBes e@ternas entre Estados ?nidos e Am&rica atina, embora coloquem "n0ase na política e@terna norte8americana para a região em /KY dos artigos' 5adrBes semel$antes 0icam evidentes quando comparamos a produção acad"mica dos Estados ?nidos com a produção acad"mica da Am&rica atina em questBes de economia política internacional' A integração econômica e o regionalismo são abordados em menos de /,Y dos artigos de autoria de acad"micos estabelecidos nos Estados ?nidos publicados em peri3dicos especiali.ados' Esse mesmo t3pico, entretanto, & o tema de quase <,Y dos artigos publicados nesse tipo de peri3dico por acad"micos latino8americanos' Consequentemente, as iniciativas de integração Icomo, por e@emplo, a Srea de ivre Com&rcio das Am&ricas, o ;ercosul, as interaçBes :TAA8 ;ercosul e a )A:TAL, que desempen$am papel central na 0ormulação das políticas latino8 americanas, são tratadas de 0orma sumária nas pesquisas e nos trabal$os acad"micos provenientes dos Estados ?nidos' A di0erença – e suas implicaçBes sobre as maneiras como os acad"micos e os 0ormuladores de políticas de ambas as margens do Aio Trande encaram o mundo e a região – irá se tornar cada ve. mais marcante à medida que cresce a tend"ncia à integração sub8regional por interm&dio de instituiçBes como a CE AC e a ?)A%? ' Al&m disso, enquanto os debates latino8americanos sobre política e@terna a partir de inícios da d&cada de /JJ, centravam8se na converg"ncia, os especialistas em AelaçBes !nternacionais privilegiavam o e@ame dos interesses especí0icos dos países e a tend"ncia à diverg"ncia, salvo no caso de $aver interesses em comum' Apesar de os desdobramentos recentes nas áreas das migraçBes, da segurança energ&tica e da viol"ncia associada às drogas con0irmarem a nature.a Ginterm&sticaH Iou se1a, a interação das políticas internacionais e dom&sticasL das atuais relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina, os padrBes veri0icados nos trabal$os de pesquisa mostram a in0lu"ncia praticamente insigni0icante e@ercida pelo estoque de con$ecimentos disponíveis aos 0ormuladores de políticas' Apenas /KY dos artigos e livros sobre as relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina tratam do meio ambiente, das migraçBes ou das drogas' Al&m disso, alguns t3picos interm&sticos, tais como remessas, 0ornecimento de energia e saEde pEblica são totalmente ignorados' ?m padrão semel$ante 0ica evidente no que se re0ere ao e@ame do papel dos atores não governamentais nas relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina' Empresas multinacionais, organi.açBes religiosas e grupos de guerril$a são temas que, supostamente, e@erceram impacto signi0icativo nas questBes $emis0&ricas' )o entanto, apenas KY dos trabal$os publicados sobre as relaçBes entre os Estados ?nidos e a Am&rica atina deram atenção a esses atores não estatais, dei@ando que sua atuação nas questBes $emis0&ricas 0osse relegada à área das especulaçBes'

Ademais, a literatura especiali.ada recente praticamente desconsidera as questBes mais tradicionais de segurança, tais como a dissuasão de pot"ncias não $emis0&ricas e os riscos da proli0eração nuclear e da guerra' $uperan*o a o4sessão Al&m das di0erenças regionais em termos de perspectivas de pesquisa, os padrBes encontrados nos estudos sobre as relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina, em termos mais gerais, divergem tamb&m das tend"ncias vigentes no campo mais amplo das relaçBes internacionais, no qual as análises de política e@terna recebem atenção marginal se comparadas à economia política internacional, às questBes de segurança e à teoria das relaçBes internacionais' Essas di0erenças demonstram que pouco diálogo e poucas trocas intelectuais v"m ocorrendo entre os estudiosos das relaçBes internacionais e os especialistas em relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina' 5ara que essa situação se1a sanada, será necessário que os acad"micos da área das AelaçBes !nternacionais e@pliquem, testem e, quando necessário, desenvolvam novas teorias tratando das causas e dos interesses envolvidos nas prementes questBes políticas $emis0&ricas' ;uitas dessas questBes prestam8se tamb&m às análises quantitativas $o1e preponderantes nas AelaçBes !nternacionais' ;ensuraçBes estatísticas podem contribuir para a avaliação dos níveis, graus e dimensBes das assimetrias veri0icadas entre os países de ambas as margens do Aio Trande' A teoria dos 1ogos pode especi0icar os termos, as condiçBes e o grau de con0ormidade Iou diverg"nciaL com os acertos multilaterais' E a álgebra baMesiana pode contribuir para a identi0icação das condiçBes que promovem a cooperação ou a de0ecção' ;as tudo isso & mais simples na teoria do que na prática' At& +,/D, a Associação de Estudos atino8Americanos I atin American %tudies Association – A%AL – a maior associação pro0issional de indivíduos e instituiçBes dedicados ao estudo da Am&rica atina – nunca possuiu uma seção de GAelaçBes !nternacionaisH Iembora, a partir de +,//, ven$a o0erecendo um pr"mio para o mel$or livro publicado sobre assuntos internacionais e política e@terna da regiãoL' As oportunidades de 0inanciamento para pesquisas sobre a política internacional do $emis0&rio são relativamente escassas, principalmente para 1ovens pesquisadores' Al&m disso, a atual $ierarquia de prestígio no campo das relaçBes internacionais não 0avorece a especiali.ação em questBes da região' !sso vale principalmente para os Estados ?nidos e, cada ve. mais, tamb&m para outros países' ;esmo que alguns acad"micos, individualmente, se dispon$am a um e@ame de consci"ncia e passem a adotar em suas análises das relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina a mentalidade, as 0erramentas e os ob1etivos de pesquisa das AelaçBes !nternacionais, esses es0orços provavelmente não serão su0icientes para o0erecer de 0orma sistemática, no estudo das questBes interamericanas, um en0oque equilibrado e prático que leve em conta os temas das AelaçBes !nternacionais' Tovernos, institutos independentes de pesquisa, centros de pesquisa ligados a universidades e 0undaçBes de todo o $emis0&rio tamb&m devem participar, contribuindo para rede0inir e construir novos apoios institucionais para a produção de pesquisas avaliadas por pares que tratem de temas relevantes para a 0ormulação de políticas' ?m maior nEmero de 0undaçBes, institutos de pesquisa e 0inanciamentos tamb&m elevam a prioridade con0erida à produção de pesquisas revisadas por pares que tratem das questBes mais prementes que a0etam o $emis0&rio' )a qualidade de principal instituição, a A%A tem que incentivar e apoiar a criação de uma seção dedicada às AelaçBes !nternacionais que possa reunir o trabal$o de especialistas em AelaçBes !nternacionais, tanto os mais e@perientes quanto os mais

1ovens, em torno de uma agenda de pesquisa centrada na política das relaçBes Estados ?nidosCAm&rica atina' Tamb&m os governos deveriam contribuir para o 0inanciamento de 0ormação acad"mica e pesquisa sobre essas questBes nos principais programas de pesquisa em AelaçBes !nternacionais' A criação de um canal para a publicação de pesquisas te3ricas e metodologicamente rigorosas revistas por pares sobre as questBes interm&sticas do trá0ico de drogas, da segurança energ&tica e do crime organi.ado, para citar apenas alguns e@emplos de temas políticos candentes, seria uma adição importante ao nEmero relativamente restrito de canais disponíveis para a publicação de pesquisas sobre a política e a economia do continente americano' Apenas se lançadas a partir de plata0ormas dessa nature.a, pesquisas inovadoras poderão contribuir de 0orma sustentável para soluçBes 0ormuladas de comum acordo para os problemas que a0etam o $emis0&rio como um todo' ,radu()o Patrícia Iimbres

;mpactos socioeconMmicos *a )opa *o 2un*o (i0a 2!"E e seu le+a*o para o 0ute4ol 4rasileiro = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brC<JDCimpactos8socioeconomicos8copa8mundo80i0a8+,/<8 legado80utebol8brasileiroC

;mpactos socioeconMmicos *a )opa *o 2un*o (i0a 2!"E e seu le+a*o para o 0ute4ol 4rasileiro

A Copa do ;undo :i0a +,/< & parte dos megaeventos esportivos que o #rasil acol$e desde os *ogos 5an8Americanos de +,,=' Ap3s a Copa do ;udo virão os *ogos (límpicos Aio +,/K' A Copa destaca8se, entre vários motivos, pela e@cel"ncia do país, recon$ecida internacionalmente na prática do 0utebol e porque várias cidades vão sediar alguns dos K< 1ogos por D+ equipes nacionais' Este artigo trata principalmente dos impactos socioeconômicos da Copa do ;undo e do tipo de legado que pode dei@ar para o #rasil' Todo o investimento reali.ado em construção e re0orma de estádios e in0raestrutura relacionada se tradu. diretamente em o0erta para os clubes de 0utebol, de um lado, e de desa0ios de aprendi.ado em um novo patamar, de outro' T$e +,/< :i0a Xorld Cup is part o0 sports mega8events t$at #ra.il $as been $osting since t$e +,,= 5an American Tames t$at Oill include t$e +,/K Aio (lMmpics' 9oOever, t$e Cup stands out because o0, among several reasons, t$e internationallM recogni.ed e@cellence o0 t$e countrM in t$e practice o0 t$is t$is sport and because several cities Oill $ost some o0 t$e K< games to be plaMed bM D+ national teams' T$is article deals mostlM Oit$ analMses o0 t$e socioeconomic impacts o0 t$e Cup in #ra.il and t$e Pind o0 legacies t$at it maM leave to t$e countrM' ;ntro*ução A Copa do ;undo :i0a +,/< insere8se em um ciclo de grandes eventos esportivos reali.ados no #rasil – iniciado pelos *ogos 5an8Americanos de +,,=, e que continuará ainda com os *ogos (límpicos de +,/K – e com isso em um ciclo de momentos de investimento, aprendi.ado, desa0ios e oportunidades' A Copa, contudo, se destaca neste conte@to por diversas ra.Bes, tais como a sua presença em diversas cidades de todo o país e a relação direta com o 0utebol, atividade na qual o #rasil tem relev4ncia internacional' ( #rasil tem uma e@peri"ncia anterior na reali.ação de uma Copa do ;undo, em /JV,' )aquele evento, /D seleçBes disputaram ++ 1ogos, com um pEblico estimado de /,,< mil$ão de espectadores' -esde então, os desa0ios e as oportunidades levantadas pela reali.ação de uma Copa se elevaram substancialmente' A Copa do ;undo de +,/< seguirá o molde das Eltimas ediçBes da competição, no qual participarão D+ seleçBes disputando um total de K< 1ogos, sendo <W 1ogos na primeira 0ase Ide classi0icação por pontosL, e /K 1ogos na segunda 0ase Ieliminat3rias, incluindo oitavas e quartas de 0inal, semi0inais, disputa de terceiro lugar e 0inalL' A transmissão dos 1ogos ao vivo pela televisão, ine@istente à &poca, $o1e ocorre em escala global, multiplicando a plateia dos 1ogos, a visibilidade dos eventos e as oportunidades econômicas associadas, que vão desde o licenciamento de produtos at& a pr3pria promoção das cidades8sede no cenário global' 7eri0ica8se durante as 0ases de investimento e operacionali.ação do evento uma s&rie de impactos sobre as diversas atividades da economia' Constroem8se ainda neste processo importantes legados, compostos em parte da in0raestrutura que continua a ser utili.ada, mas tamb&m de progresso no sentido da e0ici"ncia microeconômica, por meio dos procedimentos de aprendi.ado e das novas práticas que emergem em 0unção da pressão evolutiva do evento' 5articularmente interessante neste conte@to, por seus problemas, desa0ios e possibilidades, & o ambiente institucional, legal e econômico que cerca a atividade do 0utebol pro0issional' 5or um lado, o 0utebol pro0issional se revela continuamente como uma vocação nacional, amplamente recon$ecida por outros países' 5or outro, tem sido $istoricamente limitada a capacidade do 0utebol brasileiro para gerar impactos socioeconômicos para o país' (s clubes brasileiros t"m notoriedade pela e@portação de grandes 1ogadores, car"ncia de in0raestrutura 0ísica e 0requentes crises 0inanceiras' )este aspecto, o 0utebol & um dos grandes depositários potenciais do legado da Copa do ;undo, o que incrementa sua relev4ncia no conte@to deste estudo'

Este artigo se propBe a consolidar algumas análises quantitativas e qualitativas re0erentes aos impactos socioeconômicos da Copa do ;undo :i0a +,/<' !nvestimentos, impactos e legado e@amina os tipos de legado que o evento pode dei@ar, e@aminando sua complementaridade com o pr3prio processo de investimento' !mpactos econômicos da Copa investiga, em termos quantitativos, os impactos econômicos da Copa do ;undo atrav&s de metodologia baseada na ;atri. !nsumo85roduto, al&m de caracteri.ar em maior detal$e a questão do legado microeconômico, com impactos de m&dio a longo pra.o sobre a e0ici"ncia da economia brasileira' ( 0utebol no #rasil e a Copa +,/< aplica a metodologia de ;atri. !nsumo85roduto para avaliar o impacto econômico da atividade do 0utebol pro0issional, al&m de discutir como os legados microeconômicos e de in0raestrutura interaragem com o 0utebol como atividade econômica' ;nvestimentoL impactos e le+a*o ( debate sobre os impactos dos grandes eventos esportivos como a Copa do ;undo :i0a +,/< versa necessariamente sobre duas grandes questBes, quais se1am2

( impacto dos investimentos e gastos operacionais necessários para a reali.ação do evento> e ( legado que os eventos dei@am para os países e cidades8sede ap3s sua reali.ação'

-entro de uma visão tradicional da avaliação de impactos, estas duas grandes questBes guardam pouca relação intrínseca' Assim, muitas ve.es o imperativo de produ.ir um legado & apresentado como condicionante na 0ormatação dos planos de investimento da 0ase de operacionali.ação de modo a garantir a persist"ncia de impactos positivos, ou mesmo de 1usti0icar a reali.ação dos eventos 0rente à sociedade' 5or e@emplo, o pro1eto dos grandes estádios pode estar condicionado à sua utilidade em eventos esportivos de menor porte e escopo local, al&m da moderni.ação da in0raestrutura urbana em aspectos tais como iluminação pEblica, saneamento e transporte' Esta relação encontra8se ilustrada no `uadro /'

;uitas ve.es e@iste, contudo, considerável complementaridade entre as questBes da operacionali.ação e do legado' -iversos gargalos da economia brasileira nas suas matri.es de tecnologia, capital $umano, con$ecimento tácito acumulado e desenvolvimento institucional passam por uma intensa pressão evolutiva na presença de alvos e pra.os bem de0inidos' Ao mesmo tempo, a superação destes desa0ios a0eta as e@pectativas e redu. diversos 0atores de incerte.a que pesam sobre o investimento de 0orma geral, sobre a 0ormulação de planos a longo pra.o e sobre a visibilidade das sedes como cidades mundiais de grande relev4ncia' Este con1unto de impactos & parte do legado microeconômico, pelos seus potenciais e0eitos duradouros sobre a e0ici"ncia no 0uncionamento da economia I`uadro +L'

;mpactos econMmicos *a )opa ;mpactos econMmicos estima*os A demanda adicional por bens e serviços gerada durante a preparação para a reali.ação dos K< 1ogos da Copa do ;undo :i0a +,/<, bem como durante a operacionali.ação do evento, podem ser categori.adas para 0ins operacionais em tr"s 0ontes2

!nvestimentos2 atividades de 0ormação de capital visando à Copa do ;undo :i0a +,/<, incluindo atividades que seriam reali.adas de qualquer 0orma, embora de 0orma mais redu.ida ou em um período de tempo mais e@tenso> (peração do evento2 atividades de preparação e gestão do evento, por parte do (rgani.ing Committee e das equipes de segurança responsáveis> e ocal

Consumo dos visitantes2 atividades de compra de bens e serviços por parte dos turistas atraídos direta ou diretamente pela Copa do ;undo :i0a +,/<'

A demanda adicional por bens e serviços gerada pela Copa do ;undo :i0a +,/< a0eta de 0orma direta e indireta todos os setores da economia responsáveis por atend"8la' ( impacto direto se dá na medida em que a construção de um estádio representa um aumento na produção do setor de construção civil, que se re0lete na contratação de mão de obra adicional e no subsequente 0lu@o de renda da produção, que abrange desde os empregados, acionistas at& o setor pEblico' (s impactos indiretos, por sua ve., estão relacionados ao caráter interligado da economia, isto &, qualquer empresa, para produ.ir, precisa consumir insumos vindos de outros setores Iquer se1am produtos 0ísicos tais como equipamentos ou materiais de construção, ou serviços como eletricidade, seguros, etc'L' Este & o denominado consumo intermediário' Assim, o aumento na produção dos setores diretamente demandados pela Copa e@ige que estes consumam uma quantidade maior de insumos Ipor e@emplo, o setor de construção civil demandará mais vigas, oriundas do setor siderErgicoL' (s produtores destes insumos, por sua ve., precisam aumentar tamb&m seu pr3prio consumo intermediário Ias siderErgicas precisarão consumir mais eletricidadeL, e assim sucessivamente' 7"8se assim que a Copa do ;undo gera uma cadeia potencialmente e@pressiva de impactos econômicos que, em con1unto, são denominados de impactos indiretos' E@iste outro canal análogo de interligaçBes entre setores que gera uma cadeia de impactos semel$antes' Trata8se do consumo das 0amílias na medida em que a remuneração dos trabal$adores e acionistas de cada setor & convertida, parcial ou integralmente, na aquisição de bens e serviços para suas 0amílias, de 0orma que um acr&scimo na produção causa um incremento no consumo destes bens e serviços' Assim, por e@emplo, o salário de um operário envolvido na construção de um estádio pode contribuir para a aquisição de um autom3vel novo, o que representa um incremento à demanda do setor automotivo, e assim sucessivamente' ( con1unto das consequ"ncias causadas atrav&s do canal de consumo das 0amílias & c$amado de impacto indu.ido, ou e0eito8renda' 5ara capturar a totalidade destes Ge0eitos multiplicadoresH, a :T7 desenvolveu um modelo de !nsumo85roduto Estendido, baseado na ;atri. !nsumo85roduto I;!5L do !nstituto #rasileiro de Teogra0ia e Estatística I!#TEL' Este modelo representa a economia brasileira por meio de VV atividades econômicas, //, categorias de produtos e /, per0is de rendaCconsumo da população, e permite estimar os impactos totais Idiretos, indiretos e indu.idosL das atividades relacionadas à Copa sobre a produção nacional, emprego, renda e arrecadação tributária' Atrav&s da utili.ação do modelo de !nsumo85roduto Estendido, estima8se que, al&m dos impactos de Ae +J,K, bil$Bes gerados diretamente, a Copa do ;undo :i0a +,/< gerará adicionalmente uma produção de Ae //+,=J bil$Bes atrav&s das cadeias de impactos indiretos e indu.idos' )o total, a economia brasileira produ.irá Ae /<+,DJ bil$Bes adicionais no período +,/,8+,/<, gerando D,KD mil$Bes de empregos8ano e Ae KD,<W bil$Bes de renda para a população' Esta produção tamb&m

ocasionará uma arrecadação tributária adicional de Ae VW,JK bil$Bes, entre as es0eras municipais, estaduais e 0ederais' (s setores mais bene0iciados pela Copa do ;undo :i0a +,/< serão os de construção civil, alimentos e bebidas, serviços prestados às empresas, serviços pEblicos Ieletricidade, gás, água, esgoto e limpe.a urbanaL, e serviços de in0ormação' Em con1unto, estes setores devem ter sua produção aumentada em Ae V,,/W bil$Bes' 5e+a*os potenciais Entendidos de 0orma ampla, os impactos socioeconômicos da Copa do ;undo :i0a +,/< t"m diversas interpretaçBes e estão condicionados a diversos 0atores' -ependem de que o país consiga reali.ar os investimentos e açBes necessárias a tempo de que o evento se1a reali.ado de 0orma bem8 sucedida' -epende tamb&m da capacidade de aproveitamento dos legados, trans0ormando8os em bens perenes' :inalmente, depende de que se1am alcançados estes ob1etivos de 0orma economicamente e0iciente, sem disp"ndios e@cessivos ou má alocação de recursos pEblicos e privados' -entro deste 0rameOorP, a análise de insumo8produto reali.ada neste estudo cumpre um papel importante, por&m parcial' Ela permite estimar os impactos socioeconômicos duráveis de um con1unto bem de0inido de atividades e açBes, valendo a $ip3tese de que tais atividades serão reali.adas dentro dos par4metros pressupostos' -esta 0orma, ela deve ser complementada por outras análises, quais se1am, a avaliação dos condicionantes para a boa reali.ação do evento, o aproveitamento dos legados, a e0ici"ncia econômica das atividades, minimi.ando na medida do possível os gastos e@cessivos, desnecessários ou mal direcionados' )este sentido, destacam8se duas categorias importantes de condicionantes para que os impactos da reali.ação da Copa con0orme mensurados se concreti.em como legado' ( primeiro & uma condição de e0etividade2 as diversas necessidades de in0raestrutura das cidades8sede devem ser atendidas a tempo, atrav&s de açBes e investimentos nos setores pEblico e privado' Algumas destas necessidades requerem açBes especí0icas para a Copa, enquanto que outras podem ser atendidas no conte@to de açBes e atividades mais amplas' ( segundo condicionante se re0ere à e0ici"ncia na reali.ação e utili.ação dos legados' %em o plane1amento e controle adequados, poderão ocorrer gastos e@cessivos ou desnecessários, al&m da alocação de verba para 0inalidades inadequadas' ;ais ainda, sem um plane1amento e0etivo para a utili.ação p3s8Copa da in0raestrutura esportiva construída, corre8se o risco de grandes desperdícios de capital' 5ara analisar estes aspectos & necessário 0a.er re0er"ncia às e@peri"ncias internacionais e brasileiras com megaeventos, bem como às realidades da gestão pEblica e economia urbana no #rasil' Entretanto, tais campos de estudo são pouco e@plorados e consolidados na literatura, tornando esta análise predominantemente e@plorat3ria' 5e+a*o microeconMmico Al&m do legado direto derivado do aproveitamento continuado dos ativos construídos para o evento, a reali.ação do evento tra. um novo patamar de e@ig"ncias em termos de pra.os e padrBes de qualidade para os diversos investimentos' ( aprendi.ado institucional e t&cnico ao longo dos diversos agentes pEblicos e privados em 0unção destas pressBes evolutivas constitui um importante legado potencial sobre a e0ici"ncia microeconômica da economia brasileira'

( papel evolutivo da Copa do ;undo se dá principalmente atrav&s da e@posição e ampli0icação das de0ici"ncias institucionais e 0ontes de risco, que 1á e@istem antes da reali.ação dos pro1etos necessários para a reali.ação do evento, mas que não alcançavam e@pressão su0iciente para evidenciar8se ou provocar soluçBes' )este sentido, a Copa do ;undo :i0a +,/< não s3 antecipa questBes estruturais que seriam en0rentadas por uma grande economia em tra1et3ria emergente como a brasileira, como concentra questBes presentes que, por a0etar de maneira di0usa a um grande nEmero de agentes, não se tornariam necessariamente agendas viáveis de re0orma' ( peso simb3lico da Copa do ;undo como pro1eto de interesse nacional e o compromisso 0orte e crível com datas preestabelecidas para o evento esportivo propriamente dito estabelecem condicionantes para a mobili.ação de uma massa crítica de recursos políticos e institucionais de maneira a prevalecer sobre certos aspectos que geram incerte.as na 0ormatação e plane1amento de grandes pro1etos no país' !sto deve ser visto como um avanço no contraste com a e@ecução de um pro1eto convencional, onde e@istem questBes que desa0iam o plane1amento desde a atribuição de responsabilidades civis at& a gestão da mão de obra sob as limitaçBes da legislação trabal$ista no #rasil' Contudo, mesmo estas soluçBes temporárias e particulares implicam em um es0orço de determinação dentro dos pra.os relevantes, o que gera con$ecimento tácito, não codi0icável, sobre as práticas de articulação institucional, aper0eiçoamento dos processos de 0ormulação de políticas pEblicas e a coordenação de responsabilidades entre as es0eras 0ederal, estadual e municipal do governo' )as mesmas lin$as, o setor privado so0re pressBes sobre seus d&0icits de produtividade que se solucionam em parte atrav&s da adoção de tecnologias mais atuali.adas e adequação a padrBes e normas t&cnicas, mas tamb&m atrav&s da geração de con$ecimento tácito' )ota8se que, se por um lado, as comple@idades especí0icas de um grande evento esportivo como a Copa do ;undo tra.em par4metros institucionais e tecnol3gicos especí0icos ao evento, por outro os processos de adaptação e operacionali.ação produ.em como legado um PnoO8$oO especí0ico à realidade socioeconômica brasileira e local' Esta categoria de PnoO8$oO, por não ser codi0icável ou e@plicitada, não pode ser comissionada como parte das atividades de 5l- do governo e empresas, sendo contudo 0undamental para minimi.ar as incerte.as do processo de investimento presentes sobre as diversas atividades da economia como um todo' ;ais ainda, ao mesmo tempo em que apresenta desa0ios bem de0inidos como 0onte de pressão evolutiva, grandes eventos esportivos como a Copa do ;undo :i0a +,/< podem tra.er novas e@ternalidades ao pr3prio processo de adaptação ou aos seus resultados' A adaptação das cidades8sede para o evento e sua grande e@posição na mídia mundial durante o pico de interesse na Copa dei@am um potencial legado urbanístico que se torna particularmente relevante em 1ogos geogra0icamente descentrali.ados como os que serão reali.ados no #rasil em +,/<' Enquanto grandes cidades com larga e@peri"ncia na reali.ação de grandes eventos e@perimentam mais um momento de teste e evolução nos seus diversos processos pEblicos e privados, os centros regionais passam por um momento ímpar de e@posição a novos desa0ios e acesso a novas oportunidades no que se re0ere à construção do con$ecimento tácito, da evolução das suas políticas urbanas – em aspectos tão variados quanto mobilidade, segurança pEblica e sustentabilidade – e na divulgação do seu potencial para o #rasil e para o mundo' -entro do processo de aprendi.ado, emergem em muitos casos novos paradigmas e ob1etivos que não 0a.iam parte do con1unto de condicionantes pr&vios' ?m caso lapidar & o da iniciativa Treen Toal na Aleman$a em +,,K, que trou@e m&tricas ambientais como targets complementares para a reali.ação daquele evento' 5roduto, entre outros 0atores, do Gurbanismo verdeH alemão que

procura conciliar a preservação das 0lorestas naturais remanescentes com o desenvolvimento das cidades, a iniciativa Treen Toal & um produto da interação entre as metas da reali.ação da Copa e o ambiente institucional e social nas quais estas se concreti.arão' -eve8se notar, em todos estes casos, que as soluçBes que emergem da pressão evolutiva representada por um evento de grande porte como a Copa devem ser consideradas como o resultado de respostas especí0icas a desa0ios concretos, o que pode tra.er diverg"ncias sobre seu impacto sobre o panorama socioeconômico mais amplo' Ao concentrar e 0ocar problemas que não se encontravam em primeiro plano precisamente por ocorrerem de maneira distribuída, sem que os agentes econômicos pudessem individualmente pressionar por soluçBes, o processo de aprendi.ado testa os limites das estruturas de gestão pEblica ou privada nos seus aspectos institucionais, tecnol3gicos e sociais pree@istentes e que produ.iam os resultados anteriores' )este sentido, o grande legado microeconômico da Copa está precisamente nesta ampli0icação de desa0ios' `uando surgem diverg"ncias sobre soluçBes imediatas tomadas em um 4mbito e@ecutivo, comprometido com metas de0inidas de pra.o e padrão, se tornam alvo de críticas, evidenciam8se 0atores estruturais latentes que nem sempre eram transparentes ou not3rios' Ao levantar uma variedade de questBes que perpassam as políticas pEblicas, a questão urbana, a e0ici"ncia do setor privado e da articulação entre as diversas es0eras de tomadas de decisão, os desa0ios da Copa e@igem uma maior e0ici"ncia sist"mica, cu1os e0eitos em grande medida se generali.am pela atividade econômica de 0orma geral' O 0ute4ol no 1rasil e a )opa 2!"E ;mport@ncia socioeconMmica *o 0ute4ol Esta seção tem como ob1etivo apresentar a cadeia produtiva do 0utebol no #rasil, identi0icando seus principais plaMers e 0lu@os monetários envolvidos e sua import4ncia socioeconômica' )este sentido são estimados os impactos diretos e indiretos da cadeia produtiva do 0utebol sobre o emprego, renda e tributação da produção no país' Adicionalmente uma simulação & apresentada dos impactos potenciais sobre a economia brasileira de mudanças no per0il dos clubes, em relação ao benc$marP europeu' 5ara alcançar tais ob1etivos, a :T7 aplicou o ;odelo de !nsumo8 5roduto Estendido a uma base de dados do setor 0utebol brasileiro e europeu, coletada 1unto a 0ontes o0iciais do setor' A cadeia produtiva do 0utebol tem como seu ei@o principal um con1unto de empresas e instituiçBes identi0icadas con1untamente como entidades do 0utebol2 clubes, 0ederaçBes, administraçBes de estádios e outras instituiçBes relevantes' A atividade econômica de tais entidades pode ser caracteri.ada resumidamente como a produção de cinco produtos80im2 direitos 0ederativos e eventuais comissBes de agenciamento associadas, cotas de patrocínio, direitos de licenciamento de marca, direitos de transmissão e receitas de estádios Ibil$eteria, consumo nos estádios e programas de s3cio torcedorL' Esta cadeia envolve ainda outras empresas e instituiçBes2 patrocinadores, empresas licenciadas e empresas de comunicação' Este con1unto de empresas e instituiçBes & denominado o setor 0utebol' (s 0lu@os monetários diretos do setor 0utebol no país alcançavam em +,,J a ordem de Ae D,V bil$Bes anuais' Tais 0lu@os são 0ortemente concentrados nas entidades do 0utebol, cu1a produção & de Ae +,/ bil$Bes anuais' (s principais responsáveis por este 0aturamento são os clubes da %&rie A, que con1untamente respondem por K=Y das receitas do grupo em questão' ( setor 0utebol & tamb&m um importante gerador de emprego e renda' (s =WD clubes de 0utebol pro0issionais geram con1untamente mais de D, mil empregos diretos 0ormais, correspondendo a

uma massa salarial anual de quase Ae =K, mil$Bes' Como um todo, estima8se que a cadeia produtiva do 0utebol gere D=/ mil empregos aos patamares de atividade de +,,J, com renda indu.ida de Ae V,= bil$Bes e Ae /,/ bil$ão em impostos sobre a produção' ( valor adicionado gerado pela cadeia produtiva do 0utebol alcança, assim, o patamar de Ae K,V bil$Bes anuais, representando ,,+Y do 5!# brasileiro' Embora o 0utebol 1á se1a atualmente um setor importante da economia brasileira, sua participação pode crescer substancialmente em 0unção de mudanças no per0il dos clubes em um cenário potencial no qual os clubes brasileiros desenvolvam sua rentabilidade at& um patamar comparável àquele veri0icado nos clubes europeus' )este cenário, estima8se que os 0lu@os monetários diretos do setor 0utebol nacional podem vir a somar Ae +/,V bil$Bes' Estas mudanças poderão contribuir com mais de Ae +W bil$Bes para a e@pansão do 5!# brasileiro, o que corresponde a um impacto de ,,JY em relação ao 5roduto !nterno #ruto do país em +,,J' Como consequ"ncia, a cadeia produtiva do 0utebol passaria a gerar um valor adicionado de Ae D<,= bil$Bes anuais' %iatos *e *esenvolvimento 7eri0icam8se $iatos substanciais entre o cenário potencial traçado no estudo citado e a realidade atual do setor' Entre os aspectos destacados incluem8se2

!nsu0iciente e@ploração e desenvolvimento do potencial econômico associado ao branding dos principais clubes e competiçBes Iinclusive no conte@to internacionalL, principalmente devido à pirataria, a di0iculdades de governança dos clubes e à incompatibilidade entre os calendários brasileiro e internacional> !nsu0iciente geração de receitas de estádios, com bai@as ta@as de ocupação e valor agregado da visita muito aqu&m do potencial, principalmente devido à 0alta de atratividade das competiçBes, do bai@o desenvolvimento da relação clube8torcedor, e da não e@ploração do potencial de rentabilidade dos estádios> #ai@o aproveitamento do potencial e@portador do setor 0utebol brasileiro, com destaque para a e@portação de direitos 0ederativos, devido à incapacidade dos clubes nacionais de desenvolver e reter talentos> e #ai@a geração de renda e emprego de bai@a qualidade por parte dos clubes da GbaseH, por parte de de0ici"ncias no calendário de competiçBes e nas trans0er"ncias de rique.a por parte dos clubes de maior arrecadação'

Estas questBes t"m dois grandes 0atores em comum' 5rimeiramente, evidencia8se uma transição não concluída' -e um lado, está em questão um modelo de gestão dos clubes que não se ad&qua às necessidades de um esporte pro0issional de nível mundial como o 0utebol brasileiro' -e outro, não predominam ainda práticas de administração que recon$eçam o 0utebol como grande vocação econômica nos seus diversos aspectos' ?m passo simb3lico que 1á vem sendo adotado por muitos clubes, neste sentido, & a conversão da sua pessoa 1urídica para a modalidade de uma empresa, com todos os par4metros econômicos e 1urídicos em que isto implica' !sto coloca, em particular, a questão da sustentabilidade 0inanceira das atividades dos clubes em primeiro plano, tra.endo com isto pressão considerável e continuada sobre a gestão de seus diversos ativos, desde a geração de 1ogadores novos nas categorias de base at& os mecanismos de moneti.ação das e@ibiçBes e do prestígio do clube' 5e+a*o *a )opa so4re o 0ute4ol

(s clubes de 0utebol são um depositário not3rio de grande parte da in0raestrutura diretamente produ.ida para a Copa do ;undo :i0a +,/< na 0orma de estádios novos e grandes re0ormas na in0raestrutura' Como 1á discutido, o 0utebol se destaca no #rasil como vocação esportiva not3ria e atividade econômica de porte signi0icante e potencial econômico ainda maior' )este conte@to, todo o investimento reali.ado em construção e re0orma de estádios e in0raestrutura relacionada se tradu. diretamente em o0erta para os clubes de 0utebol, de um lado, e de desa0ios de aprendi.ado em um novo patamar, de outro' A organi.ação geográ0ica da Copa e a disparidades regionais brasileira interagem de maneira a ampli0icar este e0eito' (s grandes centros econômicos do país tendem a ser tamb&m grandes centros turísticos e grandes produtores de 0utebol' )a medida em que uma in0raestrutura relevante & construída tamb&m nas cidades mais distantes, eleva8se a capacidade de competição dos clubes locais e a visibilidade do seu 0utebol em um escopo mais amplo, com impactos que vão desde os direitos televisivos at& a e@portação de 1ogadores' Cabe notar que nen$uma discussão e@ ante esgota o assunto, precisamente porque parte signi0icativa do legado microeconômico da Copa consiste das liçBes que emergem da sua reali.ação' ( 0utebol no #rasil & assunto particularmente 0&rtil neste sentido' 5or um lado, trata8se de um 0enômeno amplamente recon$ecido como uma vocação revelada do país, com d&cadas de tradição, cultura e práticas pr3prias' 5or outro, as de0ici"ncias dos modelos pr&8empresariais de gestão do 0utebol v"m sendo recon$ecidas e a atividade encontra8se em 0ase de transição, evoluindo soluçBes especí0icas que re0letem con$ecimento tácito, di0ícil de codi0icar' Ademais, o legado microeconômico da Copa para o 0utebol & produto direto tamb&m dos problemas que são levantados pela sua reali.ação nas respectivas sedes' )a medida em que surgem parcerias pEblico8privadas para ceder os estádios a clubes de 0utebol, e@iste um comple@o problema de coordenação institucional do qual devem emergir modalidades de concessão e entendimentos sobre a divisão de responsabilidades' Tal processo gera precedente e con$ecimento tácito sobre a questão mais ampla da in0raestrutura do 0utebol – não s3 apenas de captura, mas tamb&m de gestão – que não emergiria de outro modo' ( 0utebol se revela como um grande potencial bene0iciário na medida em que a reali.ação da Copa do ;undo no #rasil pode cobrir alguns dos $iatos estruturais da cadeia produtiva do 0utebol que inibem a e@pressão de todo o seu potencial socioeconômico' -esta 0orma, e@iste a oportunidade da renovação e e@pansão da sua in0raestrutura o que poderia contribuir substancialmente para mel$orar o branding dos clubes e das competiçBes nacionais' -e 0orma complementar, a visibilidade das cidades em escala global ampli0ica tamb&m a visibilidade de seu 0utebol, ampliando o potencial e@portador do setor 0utebol brasileiro' )este sentido, ao apresentar um grande volume de oportunidades e desa0ios de maneira regionalmente desconcentrada, a Copa do ;undo tende a intensi0icar este processo, apresentando pressão particular sobre as inter0aces com os ambientes institucionais e econômicos que podem ter muito a contribuir para a e@pansão e amadurecimento do 0utebol como neg3cio' O4servaçGes conclusivas Este artigo procurou abordar as questBes do impacto da Copa do ;undo :i0a +,/< e seu legado sob dois 0ocos principais' ( primeiro 0oi um es0orço de mensuração do impacto sist"mico dos gastos diretamente associados aos investimentos e à operação da Copa, utili.ando metodologias baseadas na ;atri. !nsumo85roduto' Conceitualmente, a ;atri. !nsumo85roduto representa a

estrutura de ligaçBes intersetoriais na economia, mostrando a composição da pauta de insumos e de demandantes para cada setor' )este sentido, o resultado deste tipo de análise engloba, al&m dos gastos diretos propriamente ditos, os gastos indiretos, resultantes do aumento na atividade à medida que a demanda adicional se propaga pela cadeia produtiva' ( mesmo tipo de cálculo 0oi 0eito para o Gsetor 0utebolH, considerando sua import4ncia na economia durante um ano sob o cenário atual e sob um cenário potencial em que os clubes t"m rentabilidade similar com a de clubes de 0utebol em países desenvolvidos, como os europeus' ( segundo 0oco do trabal$o 0oi e@aminar em maior detal$e a questão do legado da Copa – os e0eitos duradouros de sua reali.ação em um $ori.onte de tempo mais longo que o da reali.ação do evento' -estarte, e@iste uma concepção tradicional de legado que tem grande import4ncia, por ser parte da equação entre custos e bene0ícios que 1usti0icam a decisão de sediar grandes eventos esportivos' Esta visão do legado, centrada no aproveitamento continuado dos ativos 0ísicos e tangíveis construídos para a Copa, se re0lete ainda em uma antiga e densa lin$a de discussão na literatura internacional cu1as conclusBes retrospectivas nem sempre inspiram otimismo' )este sentido & importante ao avaliar o legado potencial em termos mais amplos e que considere tamb&m os ativos intangíveis e a inter8relação com o 0utebol nacional como importante setor gerador de renda, empregos e tributos na economia brasileira' )este aspecto, o legado microeconômico deriva da indução de um processo de adaptação e acumulação de con$ecimento tácito em 0unção de um período de concentrada pressão evolutiva' -e um lado, a Copa do ;undo & capa. de indu.ir uma adaptação para processos e práticas mais e0icientes nos setores pEblico e privado na medida em que concentra desa0ios latentes que se encontravam di0usos ou eram adiáveis, mas agora se de0rontam com pra.os e padrBes bem de0inidos' Este & um mecanismo pelo qual um período de intensa pressão evolutiva pode tra.er avanços t&cnicos e de gestão nos setores privados e pEblicos, al&m de novas práticas de coordenação que passem ao largo de gargalos e aumentem a e0ici"ncia' -e outro, o con$ecimento adquirido atrav&s da reali.ação Ilearning8bM8doingL de atividades sob pressBes de pra.o e padrão de e@ecução não s3 consolida o con$ecimento tecnol3gico e gerencial presente nos diversos arcabouços te3ricos de que sua reali.ação necessariamente se vale, mas gera con$ecimento especí0ico e conte@tual' Este con$ecimento tácito & pouco adaptável à transmissão via manuais e educação t&cnica, particularmente porque & re0erenciado pelas circunst4ncias locais e o conte@to institucional, 1urídico e político' ( 0utebol tamb&m se destaca como importante depositário do legado microeconômico da Copa do ;undo, con0orme de0inido em !nvestimento, impactos e legado, discutido no conte@to do evento em !mpactos econômicos da Copa e aplicado ao 0utebol em ( 0utebol no #rasil e a Copa +,/<' -iversos 0atores interagem com um panorama do 0utebol pro0issional brasileiro no qual se observa um processo de moderni.ação em curso, 0requentemente esbarrando em gargalos internos e sist"micos' )ovos desa0ios, associados a grandes oportunidades e grandes problemas de gestão, t"m o potencial de propagar a pressão evolutiva da Copa do ;undo :i0a +,/< para a moderni.ação do 0utebol pro0issional no #rasil' Cabe ressaltar, 0eitas estas observaçBes 0inais, que o legado microeconômico deriva de um con1unto de desa0ios associados a uma intensa pressão sist"mica para a evolução de soluçBes e adaptaçBes' Tais resultados são, em seu conteEdo, contingentes a todos os aspectos institucionais, 0inanceiros, legais, 1urídicos e políticos que condicionam os diversos agentes, e &

virtualmente impossível e@aurir suas possibilidades, ou mesmo 0iltrar todas as interaçBes entre agentes que se mostram relevantes' )este sentido, deve8se destacar que e@iste um con1unto de gan$os de e0ici"ncia que são possíveis em diversos pontos das cadeias de tomada de decisBes das instituiçBes pEblicas e privadas, e que se evidenciam pelo mecanismo descentrali.ado da tomada de decisBes em 0unção de ob1etivos bem de0inidos' Estes avanços são o produto de uma aliança entre o plane1amento e a adaptação descentrali.ada ao longo da economia e das instituiçBes' -e maneira mais geral e abstrata, esta articulação pode ser uma lição da Copa do ;undo :i0a +,/< para a reali.ação de eventos comple@os no #rasil no 0uturo' 1i4lio+ra0ia :T7 5ro1etos I+,/,L' j!mpactos socioeconômicos da Copa do ;undo :i0a +,/<Q' Ernst l \oung' :T7 5ro1etos I+,//L' j;ensuração socioeconômica e 0inanceira do 0utebol pro0issional brasileiroQ' ;inist&rio do Esporte'

3 (i0a não 7 0o0a = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brC<KJC0i0a8nao80o0aC

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( acrônimo :i0a 0oi presença constante nos protestos de 1un$o que mudaram o #rasil' A Copa das Con0ederaçBes contribuiu como gota dnágua para transbordar o copo de insatis0açBes da população com os serviços pEblicos no país' ( autor discute se o #rasil terá vantagens com a reali.ação da Copa do ;undo no país em +,/< e de0ende a posição de que não terá' :!:A, t$e Oorld 0ootball association 0ederation, Oas one o0 t$e reasons 0or t$e *une protests t$at Oiped most #ra.ilian cities' T$e so called G:!:A patternH t$at $as been required 0or everMt$ing t$at $as to deal Oit$ t$e Xorld Cup became a request 0or public services in #ra.il bM t$e croOds t$at demonstrated t$at mont$' T$e article discusses O$et$er #ra.il Oill bene0it 0rom t$e $osting t$e Xorld Cup ne@t Mear and its aut$or t$inPs it Oill not' ( acrônimo :i0a 0oi presença constante nos protestos de 1un$o que mudaram o #rasil' %em que se d" à constatação ares de import4ncia e@agerada – para não repetir a vel$a piada do 1apon"s que se ac$ava responsável pela e@plosão da bomba atômica em 9iros$ima por ter acontecido no mesmo instante em que ele deu a descarga em seu ban$eiro –, não será demais di.er que a Copa das Con0ederaçBes, ou das ;ani0estaçBes, contribuiu como gota dQágua para transbordar o copo da insatis0ação ampla, geral e irrestrita' 5orque a e@ig"ncia do tal padrão :i0a para as escolas, $ospitais, transportes coletivos como se viu em tantos carta.es e 0ai@as e se ouviu em tantos coros dos ativistas, 0oi despertada pela apresentação dos novos estádios nas seis cidades brasileiras que sediaram o torneio' Estádios, ou arenas – como virou moda di.er apesar do evidente atropelo à Eltima 0lor do ácio, pois 0utebol se 1oga na grama, não na areia, a não ser na praia –, suntuosos, 0araônicos, megalomaníacos, padrão :i0a' !mpossível ol$ar por 0ora para o belíssimo ;an& Tarrinc$a, em #rasília, onde se gastou mais de Ae / bil$ão e meio de din$eiro pEblico, e não se c$ocar com a e@travag4ncia' 5ior apenas & con$ec"8lo por dentro e se dar conta do acabamento de terceira, in1usti0icável diante do taman$o do investimento, embora coerentemente adequado para uma cidade que não tem clubes nem na primeira nem na segunda divisBes principais do 0utebol nacional' Em :ortale.a a impressão & semel$ante, agravada pela região miserável em que está o novo Castelão e numa cidade em que a principal praia, na avenida #eira8;ar & tão poluída que proíbe o ban$o em suas águas' -iaboli.ada, a :i0a se de0ende, ao di.er que não e@igiu bele.uras e as imputa às coisas nossas, como garante não ter e@igido as demoliçBes em torno do ;aracanã, en0im suspensas na base do desespero pelo governo 0luminense' Como um mantra, a :i0a repete que não pediu que o #rasil sediasse a Copa do ;undo, ao contrário – e não dei@a de ter ra.ão' A maior parte da gastança, que não considerou as prioridades corretas como os legados de mobilidade urbana nas /+ cidades da Copa do ;undo, & mesmo de responsabilidade dos governos municipais, estaduais e 0ederal' ;esmo em %ão 5aulo, onde o ;orumbi 0oi descartado por capric$o, em nome de levar progresso para !taquera, como se praças esportivas 0ossem 0ator de desenvolvimento, o que o Engen$ão,

erguido para receber os *ogos 5an8Americanos de +,,=, no Aio, desmente sobe1amente – para não 0alar do %occer CitM, no %oOeto, em *o$anesburgo, na S0rica do %ul' ( que a :i0a não pode negar & que as mais recentes escol$as das sedes de Copas de ;undo obedecem, não por coincid"ncia, um suspeito roteiro2 a S0rica do %ul em +,/,, o #rasil em +,/<, a AEssia em +,/W e o `atar, em +,++, t"m em comum o pouco controle social e, nos tr"s primeiros casos, a corrupção desen0reada' ( `atar tamb&m obedece à l3gica do tudo por 0a.er, mas, lá, o din$eiro 1orra dos poços de petr3leo' )ão 0oi por acaso, portanto, que a !nglaterra, pronta para começar aman$ã qualquer que se1a a competição esportiva, candidata a receber a Copa de +,/W, teve apenas um voto no Comit" E@ecutivo da :i0a' ?m votom Esc4ndalo cu1a e@plicação está na vigil4ncia que a imprensa brit4nica e@erceu desde que 0oi anunciada a candidatura' A gigantesca multinacional das quatro letras que signi0icam, em 0ranc"s, :&d&ration !nternationale de :ootball Association, vive de seus altos patrocínios, dos direitos de T7 e dos 0estivais de 0utebol que organi.a pelo mundo a0ora, nas mais diversas categorias' (rgul$a8se de ter +,J 0iliados, mais que a ()?, que tem /J+, e que o Comit" (límpico !nternacional, o C(!, com +,<' 5alco permanente de denEncias de lavagem de din$eiro, propinas dos mais diversos tipos, seus dirigentes, mesmo assim, são ba1ulados por reis, rain$as, presidentes, primeiros8ministros, ditadores, governadores e alcaides de todas as partes do mundo' %ob a 0alácia de ser entidade apolítica, 0a. permanentemente política da pior qualidade ao conviver, como conviveu e convive, com ditaduras espal$adas pelo mundo em nome do esporte, que estaria acima de tudo, do bem e do mal' E@emplo gritante se deu em /J=W, na Argentina de Aa0ael 7idela, onde aconteceu a mais sombria de todas as Copas' )ão se trata de di.er, como simploriamente tem sido repetido no #rasil, que a :i0a inter0ere na soberania dos países que recebem seus torneios, porque & inimaginável pensar que os Estados ?nidos, em /JJ<, ou a :rança, quatro anos depois, ou a Aleman$a, em +,,K, ten$am negociado suas soberanias para sediar as Copas do ;undo que organi.aram' )ão, aviBes da :i0a não tomarão nosso espaço a&reo, nem seus submarinos e 0ragatas vigiarão nosso litoral, simplesmente porque a :i0a não tem nem aviBes, nem submarinos, nem 0ragatas' ;ais realista será considerar, como, di.iam nossas av3s, que o que & combinado não & caro nem barato e que cada país combina como 0a.er a 0esta da :i0a do 1eito que puder' -aí as isençBes de impostos, a quebra de leis que proíbem a venda de bebidas alco3licas em estádios, a liberação das 0ronteiras sem apresentação de passaportes para quem tiver ingressos etc' Tudo previsto pelo c$amado Caderno de Encargos, antecipadamente aceito pelos países candidatos' !mpositiva, a :i0a não quer saber se quem 0ará sua 0esta terá lucro ou não' !mporta garantir o seu, cada ve. maior, à medida que as Copas se sucedem'

)a S0rica do %ul, por e@emplo, a entidade lucrou Ae < bil$Bes e =,, mil$Bes, V,Y a mais que quatro anos antes, na Aleman$a, e espera lucrar algo em torno de Ae V bil$Bes no #rasil' Estima8se que seu lucro na primeira Copa disputada em solo a0ricano ten$a signi0icado um pre1uí.o para os organi.adores quase da mesma magnitude, na casa dos Ae < bil$Bes' R claro que essa conta não deve ser 0eita apenas calculando o quanto se gastou e o quanto entrou no país, pois $á os gan$os indiretos, 0uturos, como o do esperado aumento do 0lu@o de turistas graças à divulgação em escala planetária das atraçBes do país' ;as, no caso a0ricano, o que se sabe & que o anEncio não s3 não 0oi tão bom assim como, ainda por cima, restaram ele0antes brancos que 1á vivem sob a ameaça de serem implodidos, tais são os gastos para mant"8los ociosos, modelo que o #rasil reprodu. ao erguer estádios em Cuiabá, ;anaus, )atal e #rasília' -urante megaeventos como Copas do ;undo e (limpíadas, & sabido que o din$eiro dei@ado pelos turistas costuma ser in0erior ao gasto em temporadas normais, porque quem vem de 0ora não & o $abitual $3spede de bons $ot&is, ou o cliente de restaurantes re0inados, ou o consumidor inveterado dos produtos locais, mas, sim, o a0icionado por esportes, que quer ver os 1ogos, se alimenta em lanc$onetes e se $ospeda de pre0er"ncia em albergues e quetais, com din$eiro contado' )a verdade, os bons $ot&is são o0icialmente tomados pelos $omens da :i0a e seus convidados 7ips, a preços bem abai@o das diárias cobradas normalmente' Algu&m 1á disse que uma Copa do ;undo & a oportunidade que o país sede tem de 0a.er um anEncio de si mesmo por um m"s' R verdade, s3 que com o risco de 0a.er um mau anEncio' E & o que se teme que ocorra no #rasil, principalmente se o povo que 0oi às ruas em 1un$o passado tiver tomado gosto a ponto de voltar no ano que vem' %egundo o que 1á 0oi dito pelo presidente da :i0a, se isso acontecer 0icará demonstrado que a escol$a do #rasil 0oi um erro' -ependerá, & claro, do ponto de vista' A imprensa alemã tem mani0estado admiração e at& mesmo uma certa inve1a dos brasileiros que não se calaram como eles, em +,,K' Aliás, & curioso como a imprensa estrangeira se surpreendeu ao dar de cara com um #rasil reivindicante' R tão 0i@a a ideia do país 0estivo, do Carnaval, das belas mul$eres e do 0utebol, que todos se esquecem dos mil$Bes nas praças na campan$a das -iretas *ám e do impeac$ment de :ernando Collor, relativamente recentes, assim ignoram os inEmeros con0litos que pontuam a 9ist3ria de norte a sul do #rasil' -e outro lado, por aqui, $á quem diga que at& mesmo o tal padrão :i0a & politicamente incorreto para escolas e $ospitais, porque com o -)A da e@clusão, $a1a vista o embranquecimento visto nos estádios que receberam os 1ogos da Copa das Con0ederaçBes, ou das ;ani0estaçBes' At& mesmo num 1ogo da )ig&ria, na nova :onte )ova, na negra %alvador, o 0enômeno 0oi perceptível, devido aos altos preços dos ingressos'

%im, na nossa #elíndia, a Copa & e@clusividade da porção belga' 5rova de que, di0erentemente do que se disse do papa, a :i0a não & 0o0a'

Para on*e vai a )-ina so4 a Nuinta +eração = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brCV/KCc$ina8quinta8geracaoC

Para on*e vai a )-ina so4 a Nuinta +eração por Clodoaldo 9ugueneM :il$o em //C,JC+,/D , comentários

)o 67!!! Congresso do 5artido Comunista C$in"s, no 0inal de +,/+, concluiu8se a transição entre a quarta geração, de 9u *intao, e a quinta geração, liderada pelo novo secretário8geral então escol$ido, 6i *inping, que acumula tamb&m, como seu antecessor, a 0unção de presidente da C$ina' (s novos dirigentes partem de uma base quantitativa s3lida e assumem uma C$ina que & $o1e respeitada no mundo, mas terão pela 0rente o desa0io de promover as re0ormas que a quarta geração não pode levar adiante, em virtude da crise mundial, ou porque não teve a determinação para implementá8las' ( ob1etivo seria trans0ormar a C$ina de um país desigual e em desenvolvimento, com uma renda per capita em torno de seis mil d3lares, numa economia de renda m&dia entre de. e quin.e mil d3lares, nos pr3@imos de. anos, com uma distribuição muito mais $omog"nea e com serviços sociais modernos e uma redução de seu passivo ambiental' Essa & a trans0ormação à qual deverá se dedicar a quinta geração' -uring t$e /Wt$ C$inese Communist 5artM Congress, t$e transition 0rom t$e <t$ to t$e Vt$ generation o0 t$e Communist leaders$ip in t$e countrM Oas concluded, alt$oug$ 0ormallM t$is onlM $appened in ;arc$ t$is Mear' T$e c$allenge 0or t$e Vt$ generation is to trans0orm C$ina not onlM into t$e largest economM in t$e Oorld, but also into a developed countrM, Oit$ positive social, tec$nological and environmental indicators, a good middle income and no $uge inequalities' )o 67!!! Congresso do 5artido Comunista C$in"s, no 0inal de +,/+, concluiu8se a transição entre a quarta geração, de 9u *intao, e a quinta geração, liderada pelo novo secretário8geral então escol$ido, 6i *inping, que acumula tamb&m, como seu antecessor, as 0unçBes de presidente da C$ina' )a c$e0ia do governo, i beqiang substituiu Xen *iabao como primeiro8ministro, presidindo o Consel$o de Estado' A transição ocorreu sem percalços, apesar dos eventos e@traordinários do Ano do -ragão, como o epis3dio rocambolesco e trágico do secretário do 5artido em C$ongqing, #o 6ilai, e sua esposa Tu bailai, que agora está tendo sua conclusão com o 1ulgamento de #o 6ilai' A transição que se $avia iniciado muito antes do 67!!! Congresso s3 0oi 0ormalmente concluída, no mel$or estilo socialista c$in"s, na sessão da Assembleia )acional 5opular de março deste ano quando, depois de decidida a direção do 5artido, 0oi acertada a composição do governo' )ão 0oi uma transição simples nem rotineira' onge estão os dias do Trande Timoneiro, quando esses eventos eram dramáticos e imprevisíveis, pois dependiam da leitura correta da vontade de ;ao' ;as, mesmo nos dias mais burocráticos de $o1e, com uma direção colegiada e sem as disputas ideol3gicas do período maoísta e do início da era de -eng 6iaoping, uma mudança na direção de um 5artido Comunista que tem mais de J, anos de e@ist"ncia e mais de K, no poder não & algo trivial e sem sobressaltos e surpresas' )este caso, a signi0icação era ainda maior por se tratar de uma transição entre geraçBes com a substituição de praticamente todo o Comit" 5ermanente, cu1o nEmero 0oi redu.ido de nove para sete, e de boa parte do 5olitburo e do Comit" Central e da Comissão ;ilitar' )a verdade, trata8se, em certa medida, de uma transição em dois estágios, pois uma parte importante dos membros do Comit" 5ermanente dei@ará a cena ao 0inal do primeiro período de 6i *inping, permitindo uma recomposição do centro do poder para a segunda parte do mandato do atual secretário8geral, à lu. dos resultados dos primeiros cinco anos' 5or se tratar de uma mudança de geraçBes & 1usto indagar8se sobre qual o legado da quarta geração e qual sua contribuição para a $ist3ria do 5CC' ( legado da quarta geração & discutível' 5or um lado, ela conseguiu superar crises como a de +,,W preservando a estabilidade e o crescimento' Em +,/+, o ano do 67!!! Congresso, em que nada poderia dar errado, o 5artido conseguiu digerir a crise de #o 6ilai, al&m de outros incidentes graves, absorveu, com uma combinação de repressão e medidas corretivas, graves distErbios sociais causados por desmandos ou erros das autoridades e reali.ou sem tropeços o 67!!! Congresso e a trans0er"ncia

do poder para a quinta geração' Em compensação, as sempre 0aladas, mas nunca levadas a cabo, re0ormas políticas 0oram de novo 0icando pelo camin$o ante a necessidade de preservar a estabilidade e o controle do 5CC' )o campo econômico, o diagn3stico & semel$ante, embora mais positivo, ante a magnitude dos desa0ios, sobretudo a partir de +,,W' Aí as re0ormas, cu1o conteEdo estava diagnosticado desde o 6! 5lano `uinquenal, 0oram apenas iniciadas e somente ao 0inal do período começaram a ser implementadas no bo1o da correção dos e@cessos praticados para 0a.er 0rente à crise' ( rebalanceamento interno da economia, com a redução do peso dos investimentos e o aumento do consumo das 0amílias e o e@terno, com a redução do superávit comercial, pareciam estar camin$ando, mas não está claro se tais sinais se devem ao a1uste macroeconômico de curto pra.o ou se re0letem um e0etivo rebalanceamento interno e e@terno' A mudança de modelo, com a passagem de uma economia quantitativa e e@tensiva para uma economia qualitativa e intensiva, teve alguns avanços, mas as resist"ncias às mudanças nos setores estatais e em nível das autoridades locais, entre outras, combinadas com a resposta à crise, inviabili.aram trans0ormaçBes mais pro0undas' )a área e@terna, $ouve uma releitura do cenário global e uma tentativa de aggiornamento da política e@terna, mas não está claro se as respostas 0oram adequadas para tranquili.ar os temores com a ascensão c$inesa, sobretudo em nível regional, e para 0a.er 0rente ao reenga1amento dos E?A na Ssia e no 5ací0ico' Ao 0inal do período da quarta geração, assiste8se a uma deterioração da imagem regional da C$ina e do esquema de parcerias estrat&gicas, elemento8c$ave da política e@terna c$inesa no este da Ssia' 6i *inping e seus compan$eiros da Comissão 5ermanente do 5olitburo recebem assim uma C$ina onde a supremacia do 5artido 0oi preservada e a estabilidade e a integridade territorial de0endidas, mas uma C$ina onde a 4nsia por re0ormas cresceu e onde o 5artido, $á K, anos no poder e 1á sem um apelo ideol3gico 0orte, tem que moderni.ar8se, uma C$ina que & $o1e a segunda maior economia do mundo, mas onde os temas dos desequilíbrios, da instabilidade e da insustentabilidade do modelo cresceram na pauta, uma C$ina que abriu espaços no mundo e 0ortaleceu sua presença, mas & ainda de0iciente em so0t poOer e uma pot"ncia assim&trica, sem condiçBes de questionar o poder norte8americano' (s novos dirigentes partem de uma base quantitativa s3lida e assumem uma C$ina que & $o1e respeitada no mundo, mas terão pela 0rente o desa0io de promover as re0ormas que a quarta geração não pôde levar adiante, em virtude da crise mundial, ou porque não teve a determinação para implementá8las' 9á mesmo aqueles que acreditam que, dadas as resist"ncias às re0ormas, a Enica 0orma de reali.á8las será por meio de uma crise' %3 uma recessão abriria espaço para a nova geração de re0ormas' ( diagn3stico 0inal sobre a quarta geração, tornado pEblico at& mesmo em 3rgãos do 5artido & o de que se 0alou muito sobre re0ormas, mas pouco 0oi 0eito' ;as em que consistiriam essas re0ormasF ( 6!! 5lano, o estudo C$ina +,D, e o debate econômico interno dão indicaçBes claras das mudanças a serem reali.adas' Como dito acima, tais propostas partem de um diagn3stico de esgotamento do atual modelo por ra.Bes internas e e@ternas' A "n0ase anterior das re0ormas 0oi no campo econômico e a nova geração de re0ormas deveria concluir tais mudanças, avançando, por e@emplo, na privati.ação das empresas estatais e em mais "n0ase nas re0ormas nos campos social, ambiental e tecnol3gico' As re0ormas anteriores, ao partirem de uma economia altamente regulada e 0ec$ada, com um plane1amento estatal centrali.ado e dirigista e com uma participação predominante do Estado na produção, tin$am que ser dominadas por uma 3tica liberal, como, aliás, demonstram os debates entre as alas de esquerda e de direita do 5artido' :eitas essas re0ormas, a nova geração deveria

dar "n0ase aos aspectos institucionais, a um mane1o macroeconômico mais so0isticado e a uma regulação moderna com transpar"ncia e responsabilidades claras' A abertura e@terna no campo comercial 0oi 0eita e agora 0altaria reali.ar a abertura da conta de capitais' A moderni.ação do setor manu0atureiro 0oi pro0unda, mas os setores agrícola e de serviços deveriam passar por mudanças semel$antes' A imitação, a manu0atura e as inovaçBes ao longo da curva deveriam agora ser complementadas por inovaçBes em produtos e processos nas sete indEstrias estrat&gicas emergentes, colocando a C$ina em posição de liderança na nova onda tecnol3gica' Ao 0a.er uma síntese dos ob1etivos das re0ormas os c$ineses indicam que elas visariam a trans0ormar a economia c$inesa de uma economia e@tensiva, com "n0ase na quantidade e na ta@a de crescimento do produto, em uma economia intensiva, com "n0ase na qualidade de vida da população' ( ob1etivo seria trans0ormar a C$ina de um país desigual e em desenvolvimento, com uma renda per capita em torno de seis mil d3lares, numa economia de renda m&dia entre de. e quin.e mil d3lares, nos pr3@imos de. anos, com uma distribuição muito mais $omog"nea e com serviços sociais modernos e com uma redução de seu passivo ambiental' Essa & a trans0ormação à qual deverá se dedicar a quinta geração, tentando levá8la adiante sem que a economia c$inesa en0rente uma crise e sem que o processo político e social so0ra uma ruptura' %e bem8sucedida, a C$ina assumiria uma nova 0ace e estaria em condiçBes de concluir, antes de +,V,, seu processo de ascensão trans0ormando8se não s3 na maior economia do mundo, mas num país desenvolvido, de renda m&dia e com indicadores sociais, ambientais e tecnol3gicos mais positivos' 6i *inping e seus colegas da Comissão 5ermanente e do 5olitburo terão pela 0rente desa0ios cruciais em cada uma das áreas para a preservação da ascensão c$inesa e do socialismo com características c$inesas' )ão parece $aver mais espaço para postergar as respostas a tais desa0ios' Al&m disso, eles agora teriam que ser en0rentados em con1unto, uma ve. que a dicotomia entre os planos econômico e político não poderia mais ser mantida e que no plano e@terno a nova estrat&gia c$inesa deveria combinar desenvolvimento, diplomacia e de0esa' A nova equipe política terá assim que demonstrar uma e@traordinária capacidade de liderança para dentro e para 0ora e um espírito inovador para identi0icar e tril$ar novos camin$os' 5ara a reali.ação dessas tare0as, a quinta geração conta as análises, diagn3sticos e planos desenvolvidos pela quarta geração e com a consolidação do princípio da liderança coletiva que coloca a "n0ase na unidade de prop3sitos em nível dos 3rgãos dirigentes do 5artido Desa0ios no plano político )o plano político, o 5artido cresceu e $o1e tem mais de W, mil$Bes de membros, recrutados de 0orma mais diversi0icada e incorporando um maior nEmero de pessoas com 0ormação superior e empresários, na lin$a das Tr"s AepresentaçBes' -urante a era 9u *intao, a -ireção Teral do 5artido aprimorou os crit&rios de seleção, avaliação e promoção procurando incorporar elementos das elites dos estamentos acad"mico e empresarial, re0orçando o componente meritocrático do sistema c$in"s' !sso transparece na composição das inst4ncias do 5artido, em que o nEmero de graduados em universidades e de doutores vem crescendo signi0icativamente' Apesar desse es0orço de aprimoramento da máquina partidária, a quarta geração dei@a a cena política sem ter conseguido promover as re0ormas políticas no sentido da construção de um estado de -ireito, da promoção da transpar"ncia e dos direitos $umanos e da introdução de mecanismos mais democráticos para a escol$a dos dirigentes e para a toma de decisBes' Essa 0alta de progressos mais substanciais no plano político & mais preocupante porque à di0erença do período de -eng 6iaoping, 9u \aobang e a$ao aiMang, o debate ideol3gico arre0eceu e os líderes ossi0icados e os marec$ais da revolução de muito dei@aram a cena política' *á lá se vão DV anos

do 0im da Aevolução Cultural e os valores materiais concentram $o1e os interesses dos c$ineses que querem todos 0icar gloriosamente ricos' Essa redução da in0lu"ncia da lin$a de esquerda poderia ter aberto o camin$o para re0ormas mais abrangentes no plano político, mas o espectro da perda de controle pelo 5artido e do 0im da ?A%%, assim como os interesses corporativos da gigantesca máquina partidária inibiram uma nova geração de re0ormas que retomasse as tentativas 0racassadas de 9u e a$ao' )ão & que o debate intelectual não prossiga com as correntes a 0avor da abertura e@ercendo a pressão possível dentro dos limites intro1etados pelos intelectuais e compatíveis com a continuação do debate' 9ouve uma distensão e avanços ocorreram, mas os ciclos de 0ang e s$ou não 0oram superados' Esses ciclos de curta duração são de import4ncia capital para entender a din4mica do poder na C$ina e a capacidade do 5artido de garantir a estabilidade e promover o crescimento e as trans0ormaçBes necessárias para a continuidade da ascensão c$inesa' Esses ciclos, característicos do período socialista, são descritos de várias 0ormas, como os ciclos de abertura e 0ec$amento, de 0le@ibili.ação ou controle, de mudanças ou de ossi0icação' `ualquer que se1a sua designação eles são um instrumento importante para compreender o que está ocorrendo na cena política c$inesa' Tais ciclos são con$ecidos como 0angCs$ou, ou se1a, 0le@ibili.ação e restrição e t"m a ver com a din4mica das re0ormas e da necessidade de promover uma maior abertura com a tentativa de manter o controle do processo e coibir e@cessos e trans0ormaçBes mais pro0undas que poderiam levar a uma desestabili.ação do regime' Ao longo do período -eng vários ciclos dessa nature.a ocorreram envolvendo as 0orças pr38re0orma e as alas conservadores' Cristali.ou8se a clivagem entre o político e o econômico com as re0ormas na área política sendo sacri0icadas e a estabilidade sendo preservada a qualquer preço Is$ouL em 0avor da abertura e re0orma no campo econômico I0angL' %3 durante o período -eng, especialistas identi0icam entre /J=W e /JWJ seis ciclos de 0angCs$ou' )a área dos direitos $umanos e do estado de -ireito tamb&m ocorreram progressos, mas sempre pontuais e limitados' )o caso do estado de -ireito o vel$o problema de a ele submeter os membros do 5artido segue sem solução' )o caso dos direitos $umanos a repressão aos críticos do regime segue 0uncionando' Claramente, o nível de repressão e controle & $o1e e@cessivo, mesmo tendo presente as características especiais da C$ina em termos de $ist3ria, dimensão, população e espírito de contestação' Con0rontado com o progresso avassalador das mídias sociais que trans0ormou a C$ina no país com o maior nEmero de internautas do mundo o 5artido procurou dar a essa evolução tecnol3gica uma resposta na mesma lin$a pela via da so0isticação dos controles eletrônicos' -urante todo esse período as mani0estaçBes populares v"m se intensi0icando e gan$ando novos contornos' ( nEmero de mani0estaçBes de alguma signi0icação 1á está na casa das quatro mil por ano e $o1e elas se propalam com grande velocidade com a internet e despertam apoio e simpatia em todo o país' Assim, embora as causas sigam sendo locali.adas e as reivindicaçBes muitas ve.es semel$antes às que provocavam as antigas petiçBes, que, aliás, seguem sendo 0eitas em grande nEmero, elas $o1e tendem a despertar um respaldo nacional e a trans0ormar8se de eventos singulares em questionamentos de práticas do 5artido, do governo e das empresas, e de pedidos de 1ustiça individual em plata0ormas para questionar políticas' (s e@emplos mais recentes de %i0ang e `idong e o 0ato de que as autoridades locais voltaram atrás em suas decisBes e pareceram recon$ecer as demandas populares poderiam sinali.ar uma nova abertura para processos decis3rios mais participativos e inclusão de crit&rios ambientais na avaliação de pro1etos' A temática das mani0estaçBes tamb&m vem so0rendo evolução ao incorporar crescentemente demandas ambientais, questionamentos de práticas das autoridades locais e reivindicaçBes na área dos direitos $umanos' d tradicional agenda das reivindicaçBes dos trabal$adores migrantes, das desapropriaçBes de terras agrícolas e de combate à corrupção

1untam8se novas demandas que tornam a agenda das reivindicaçBes sociais mais moderna e abrangente e com capacidade de trans0ormar8se em uma plata0orma nacional de abertura e re0orma' (s acontecimentos durante +,/+ e a preocupação central do 5artido em evitar distErbios e garantir um Congresso sem turbul"ncias, numa demonstração clara de que a estabilidade está garantida, levaram a um novo ciclo de 0ec$amento' 5or outro lado, a queda de #o 6ilai e a possível investigação de a$ou \ongP$ang, tsar da segurança no período de 9u *intao e membro do Comit" 5ermanente, parecem sinali.ar a condenação, ao mesmo tempo, das tentativas de volta de 0iguras carismáticas e personalistas, em 0avor da direção colegiada e da unidade do 5olitburo, e a derrota de uma tentativa, ainda que oportunista, de retomar uma lin$a mais ideol3gica e de esquerda' A queda de a$ou, se con0irmada, indicaria que a liderança de 6i *inping estaria 0ortalecida, abrindo camin$o para as re0ormas' 9u Angang em artigo às v&speras do 67!!! Congresso conclui com a a0irmação de que mantida a unidade do 5artido e de seus 3rgãos centrais o 5olitburo e sua Comissão 5ermanente a estabilidade da C$ina estaria garantida e a C$ina seria tão s3lida como o monte Tai, uma das cinco grandes montan$as sagradas da C$ina' Com a estabilidade garantida e a unidade do 5artido assegurada a quinta geração poderia concluir a tare0a de trans0ormação da C$ina em uma pot"ncia desenvolvida' )essas circunst4ncias, a grande interrogação sobre os camin$os da quinta geração no plano político & sobre sua disposição para promover, nesse plano, um processo de re0orma e abertura semel$ante ao reali.ado no plano econômico ou seguir apostando no enri1ecimento da estabilidade e no monop3lio do poder pelo 5artido' A $ist3ria recente dos períodos de transição na liderança indica que uma resposta a essa questão provavelmente teria que esperar o Terceiro 5leno a reali.ar8se no segundo semestre de +,/D' ( período inicial seria dedicado à consolidação da nova liderança e à resposta aos desa0ios na área econômica' A despeito das especulaçBes sobre o passado de simpatia de 6i *inping pelas causas liberali.antes seu per0il parece assemel$ar8se ao de 9u *intao2 uma 0igura de centro, escol$ida mais por não despertar críticas do que por suas convicçBes e pela liderança de uma ala comprometida com as re0ormas no plano político' Ao mesmo tempo, parece consolidar8se o diagn3stico de que as re0ormas são inadiáveis, tanto porque a estabilidade a qualquer preço terminará por redundar na perda da estabilidade, como porque às re0ormas econômicas deverão estar associadas re0ormas políticas que irão mudando a 0ace da C$ina' )ão $averia alternativa a um camin$o de 0le@ibili.ação da estabilidade que promovesse um camin$o de duas vias para as re0ormas políticas2 o atendimento das reivindicaçBes pontuais no campo do 0ortalecimento do estado de -ireito, da luta contra a corrupção e os desmandos das autoridades, na redução da desigualdade e no estabelecimento de uma nova relação campo8cidade, e na redução do passivo ambiental' ;as ao lado dessa lin$a de re0ormas possíveis e de 0le@ibili.ação da estabilidade deveria tomar corpo um novo con1unto de medidas que corpori0icariam a de0inição de um novo modelo de regime político que acol$esse conquistas democráticas do (cidente e retivesse as características do socialismo com características c$inesas' ( grande desa0io estaria 1ustamente em desenvolver um modelo de organi.ação política que não 0osse uma incorporação acrítica do liberalismo ocidental ao estilo da glasnost de Torbac$ev, mas que conseguisse combinar e0ici"ncia e e0icácia, com participação e transpar"ncia' ?m modelo que dei@asse de associar respeito às liberdades individuais à anarquia e à contrarrevolução' ?m modelo, em suma, que reali.asse no plano político algo semel$ante à combinação entre mercado, plani0icação e Estado, resultado, ainda que imper0eito, das re0ormas denguistas e que conseguisse desenvolver uma concepção te3rica e prática de um sistema político do socialismo com características c$inesas que combinasse a liberali.ação burguesa com os valores da

civili.ação espiritual socialista ou mesmo com os valores mais tradicionais da cultura c$inesa $erdados de Con0Ecio' A aus"ncia de um enga1amento da quinta geração num claro camin$o de moderni.ação política poderia levar a uma ruptura do processo político liderado pelo 5CC$ e ao resultado que 1ustamente se pretende evitar com a estabilidade e os controles' As mudanças no mundo e na sociedade c$inesa apontam para a necessidade de mudanças' A questão & se elas se reali.arão sob a liderança do 5artido e sua quinta geração ou serão 0eitas à revelia dos atuais centros de poder' As consequ"ncias de um $ard landing político seriam desastrosas para a C$ina e para o mundo ao interromper a ascensão c$inesa e potenciali.ar os riscos de con0lito a nível regional e global, com a ascensão de correntes nacionalistas e autoritárias' ?m retrocesso político viria associado a uma crise econômica e poderia levar a um longo período de perda de estabilidade, crescimento e perda da integridade territorial na C$ina, semel$ante ao ocorrido na AEssia' Esse resultado trágico ainda & evitável, mas requer um claro compromisso da nova liderança com trans0ormaçBes, ainda que especí0icas e graduais, nos sistemas político e 1urídico, dentro de um pro1eto abrangente em m&dio pra.o de construção de um novo sistema político socialista com características c$inesas' Desa0ios no plano econMmico d di0erença do plano político em que 0alta ainda uma concepção global da direção das re0ormas a serem reali.adas, no plano econômico o 6!! 5lano `uinquenal cont&m um diagn3stico do esgotamento do modelo de desenvolvimento c$in"s e um con1unto de propostas coerentes para promover sua trans0ormação e reali.ar os ob1etivos paralelos de rebalanceamento da economia e mudança de seu paradigma de crescimento' Al&m disso, durante +,// e +,/+ o processo de rebalanceamento começou para 0a.er 0rente à mudança na economia mundial e para corrigir os desequilíbrios gerados pelos programas de resposta à crise' As re0ormas tamb&m 0oram sendo mais bem e@plicitadas e consolidado o consenso em torno da necessidade de sua e@ecução' As mudanças tamb&m começaram em muitos campos 0acilitando a tare0a de seu prosseguimento e apro0undamento' )a área do rebalanceamento, o ob1etivo de colocar a economia c$inesa numa nova tra1et3ria de crescimento na qual as ta@as de dois dígitos não mais se repetirão, com a ta@a de crescimento caindo para algo em torno de =Y, 0oi em parte atingido' Começou tamb&m a mudança de "n0ase entre investimento e consumo e a redução do peso do setor e@portador' ( rebalanceamento e@terno tamb&m 0oi promovido com a 0le@ibili.ação do c4mbio, medidas de abertura da conta de capitais e de promoção das importaçBes e de redução do saldo comercial' (s 0lu@os de !-E c$in"s tamb&m 0oram incentivados e não s3 as grandes empresas estatais, sobretudo nas áreas de energia, agrícola e de mineração, mas empresas m&dias e privadas nos setores industrial, de construção e de serviços passaram a investir no e@terior' ( rebalanceamento da economia c$inesa ainda está longe de ser concluído, tanto no plano interno, como no e@terno' (s analistas, aliás, divergem sobre se ele de 0ato começou ou se o que estamos vendo re0lete apenas um a1uste con1untural como consequ"ncia do prosseguimento da crise e da queda do crescimento na Europa e nos emergentes e da redução do preço das mat&rias8primas como consequ"ncia dessa queda e sobretudo da redução do ritmo de crescimento na C$ina' ;esmo a mudança nas participaçBes dos investimentos e do consumo no 5!# poderia re0letir mais a con1untura do que uma mudança em longo pra.o, com as indEstrias pesadas desaquecendo mais que as leves e os investimentos em in0raestrutura e construção caindo em 0unção do a1uste 0iscal e monetário para redu.ir a in0lação e o ritmo insustentável de crescimento'

9á sinais nos dois sentidos' 5or um lado, o a1uste 0oi mais 0irme e duradouro do que inicialmente previsto, com as ta@as de crescimento caindo ao longo de +,/+' A impressão que se tem & que o governo procurou 0a.er um a1uste 0ront loaded a 0im de dei@ar às novas autoridades maior raio de manobra a partir do 0inal de +,/+ e em +,/D' Com a in0lação sob controle e algum nível de saneamento das 0inanças locais e de correção dos desequilíbrios o novo governo poderá ter maior raio de manobra para iniciar seu período seguindo com o a1uste, com uma calibragem 0ina da política macro e o apro0undamento das re0ormas estruturais' 5or outro, o aumento da massa de salários e a redução dos lucros, reverteram a tend"ncia à queda na participação no 5!# do consumo das 0amílias, a 0ormação bruta de capital 0i@o atingiu níveis mais compatíveis com sua sustentabilidade e o saldo comercial como percentagem do 5!# contraiu8se' 9á, portanto, sinais de um rebalanceamento tanto interno como e@terno' 5ara que o rebalanceamento da economia prossiga duas variáveis parecem centrais2 primeiro, o governo teria que resistir à tentação de voltar a in1etar recursos na economia, mantendo uma política monetária e 0iscal sem vi&s e@pansionista> segundo as novas autoridades deveriam encetar desde o início de +,/D as re0ormas para a mudança do modelo de crescimento' ( 6! 5lano 1á contin$a um esboço das re0ormas e elas 0oram e@plicitadas e gan$aram maior coer"ncia no 6!! 5lano, atualmente em e@ecução' ( diagn3stico representa um processo de decantação de pesquisas e análises e de comparaçBes internacionais' ( receituário & completo e coerente' :altou a implementação abrangente e persistente das medidas' ( diagn3stico do 6!! 5lano & o de 0inal de um ciclo e esgotamento de um modelo' )esse sentido, as re0ormas não são mais opcionais e a insist"ncia em seguir o mesmo rumo levará a uma ruptura na tra1et3ria de crescimento' ( diagn3stico parte da crítica do modelo atual e identi0ica as consequ"ncias de um crescimento acelerado por tr"s d&cadas e a necessidade de corrigir os desequilíbrios gerados' Como as re0ormas 0oram sendo postergadas, pelas resist"ncias internas e depois pela crise de +,,W, o primeiro8ministro passou a repetir o re0rão de que a economia c$inesa estava desequilibrada e descoordenada e que esse curso era insustentável' ( prolongamento da crise e a apro@imação do Congresso do 5artido levaram, contudo a um novo adiamento 0icando agora para a quinta geração a tare0a de levar adiante as re0ormas' ;as em que consiste essa mudança de modeloF %em procurar ser e@austivo, seguem alguns e@emplos signi0icativos para demonstrar o alcance, pro0undidade e comple@idade da passagem de uma economia quantitativa para uma economia qualitativa' ( mundo e os c$ineses se acostumaram com uma C$ina crescendo a dois dígitos' ( desa0io agora & crescer menos, mas mel$or' ?ma parte da desaceleração 1á 0oi 0eita nos anos de +,// e +,/+' Como disse um analista c$in"s WY & dese1ável, mas =Y são aceitáveis e não devem causar preocupação' A questão que se coloca & se será possível aterrissar em sete ou se o crescimento do 5!# cairá para algo em torno de quatro ou VY ou se a combinação de um movimento cíclico com uma política macro pr38 cíclica e uma agenda de re0ormas não levará a uma crise na economia c$inesa' Essa questão $o1e a0eta o mundo todo dadas as dimensBes da economia c$inesa e de seu com&rcio e@terior' ?m claro e@emplo disso & o impacto da C$ina sobre o preço das mat&rias8primas' A trans0ormação do consumo dom&stico no motor da economia implica, entre outras coisas, em redu.ir signi0icativamente a ta@a de poupança da população' ;as, como se tornou lugar8comum a0irmar, a população c$inesa não poupa tanto por tradiçBes culturais e sim porque tem que 0a.er 0rente à aus"ncia de serviços pEblicos e de esquemas de segurança social, sobretudo no campo' ( Estado terá que redu.ir seus investimentos em in0raestrutura e canali.ar recursos para as áreas de educação, saEde, cultura e la.er e para a constituição de um sistema previdenciário com cobertura universal e bene0ícios ra.oáveis, tendo presente uma população de /,D bil$ão de

pessoas e uma mudança da pir4mide etária c$inesa' Ao 0a.er isso o Estado terá que reciclar8se completamente para dei@ar de 0a.er aquilo que, apesar dos e@ageros e equívocos tem 0eito ra.oavelmente bem ao longo dos anos, investir em in0raestrutura, para prover serviços de qualidade a uma gigantesca população' !sso implicará tamb&m reciclar os WD mil$Bes de membros do 5artido para que se trans0ormem em prestadores de serviços e dei@em de ser classe privilegiada' Atacar a desigualdade social, que vem crescendo de 0orma assustadora em paralelo ao crescimento do 5!#, passou a ser não s3 uma e@ig"ncia econômica pela necessidade de promover o consumo das 0amílias, mas uma e@ig"ncia política e social para garantir a estabilidade do regime' As disparidades de renda pessoal, regional e entre o campo e a cidade aumentaram signi0icativamente durante o período de crescimento acelerado' Embora não $a1a registro de que -eng 6iaoping ten$a pronunciado a 0rase G& glorioso 0icar ricoH essa 0rase & 0requentemente atribuída a ele e citada para 1usti0icar as re0ormas econômicas liberali.antes e a operação dos mecanismos do mercado' ;as mesmo se a 0rase 0osse verdadeira a dist4ncia entre os níveis de renda $o1e, tendo presente que a C$ina vive, no 1argão do 5artido, sob a ditadura do proletariado e na 0ase inicial do socialismo onde o desenvolvimento das 0orças produtivas e a eliminação da pobre.a são tare0as prioritárias, & di0ícil de 1usti0icar e aceitar e poderia se não 0or corrigida levar a uma nova luta de classes' A promoção do consumo e a redução da desigualdade tem sido ob1eto de medidas $ori.ontais como aumentos salariais, e@pansão da cobertura dos seguros de saEde e da previd"ncia social e re0orma da educação e e@tensão da educação básica gratuita' Al&m disso, o governo tem procurado mel$orar a situação dos /<, mil$Bes de trabal$adores migrantes estendendo8l$es gradualmente bene0ícios que dependem da resid"ncia e assim iniciando uma re0orma de 0ato do sistema do domicílio 0i@o I$uPouL' A abolição do G$uPouH dependerá tamb&m da e@ecução do programa de $abitaçBes populares em curso o qual pretende construir em cinco anos DK mil$Bes de moradias' A re0orma dos setores produtivos & outra dimensão importante do programa' )a agricultura, as re0ormas passam por uma modi0icação do sistema de uso da terra e por uma migração mais signi0icativa da população do campo para as cidades' 5ela primeira ve. em +,// a população urbana superou a rural, mas ainda cerca de <=Y da população c$inesa & classi0icada como rural' )a indEstria trata8se de redu.ir o peso das indEstrias pesadas altamente consumidoras de energia e recursos naturais em 0avor das indEstrias leves o que implicaria tamb&m em uma redução do setor estatal que concentra a maioria das indEstrias de base, como a química, a siderErgica e a de cimento' Al&m disso, o ob1etivo & passar de uma economia meramente manu0atureira com base na c3pia e na montagem para uma economia criativa com a concepção de novos processos e produtos e o lançamento de marcas internacionais' ?m dos elementos importantes do plano 0oi a escol$a de sete grandes setores como indEstrias estrat&gicas emergentes2 proteção ambiental e reciclagem, novas tecnologias da in0ormação, biotecnologia, novas 0ormas de energia, novos materiais, veículos movidos a energia renovável e equipamentos de alta per0ormance' ( ob1etivo & 0a.er com que tais setores, que o governo c$in"s, ap3s cuidadosos estudos, identi0icou como aqueles que liderarão a nova onda tecnol3gica p3s8 crise, alcancem uma proporção de WY do 5!# em +,/V e /VY em +,+,' Caso esses planos do governo central se1am e0etivamente implementados o processo de inovação tecnol3gica na C$ina passaria por uma pro0unda trans0ormação' At& agora, o crescimento industrial c$in"s apoiou8se em trans0ormaçBes pontuais ao longo da curva mel$orando processos e produtos, mas não

criando novas tecnologias e produtos' Agora tratar8se8ia de criar uma economia da inovação e assumir a liderança do processo inovativo no mundo' A tentativa de mudar o padrão de inovação na C$ina & um componente central da mudança de modelo' Ao escol$er, sete indEstrias estrat&gicas emergentes, a C$ina busca, a um s3 tempo, identi0icar indEstrias8c$ave para a solução de problemas do modelo c$in"s de crescimento, como apostar em setores que de0inirão o novo paradigma tecnol3gico e onde a tecnologia ainda está em 0ase de desenvolvimento' )ão se trataria, portanto, de um catc$ing8up com os países desenvolvidos e suas multinacionais, mas de disputa pela C$ina da liderança do processo de inovação tecnol3gica' )o setor terciário, as trans0ormaçBes não seriam menos importantes e buscariam recuperar o atraso desse setor e 0a.er com que ele absorvesse uma percentagem crescente da 0orça de trabal$o' -entre essas trans0ormaçBes teria papel central a modi0icação do setor 0inanceiro, $o1e basicamente estatal, com a privati.ação dos grandes bancos c$ineses e provavelmente sua divisão' Essa trans0ormação e@igiria uma revolução no marco regulat3rio do setor 0inanceiro envolvendo a liberali.ação da remuneração aos investidores, moderni.ação das bolsas de valores e a trans0ormação da bolsa de 6angai na principal bolsa da Ssia e a abertura da conta de capitais, $o1e altamente regulada' Tais re0ormas abririam camin$o para a trans0ormação do renmenbi em uma moeda livremente conversível' ?ma das áreas prioritárias do plano & a que di. respeito ao meio ambiente e à trans0ormação da C$ina em uma economia verde, com a redução do gigantesco passivo ambiental dei@ado pelo crescimento quantitativo' Entre as mudanças prioritárias estão a de modi0icação da matri. energ&tica com a redução do peso do carvão em 0avor de 0ontes renováveis, o desenvolvimento de veículos com combustíveis alternativos, a redução da poluição industrial, que tem levado a mani0estaçBes populares cada ve. mais agressivas e 0requentes, e a recuperação do solo e dos cursos de água' A questão ambiental & multi0acetada e requererá um grande es0orço regulador para colocar como condição de qualquer pro1eto importante um e0etivo estudo de impacto ambiental e um processo de consulta às populaçBes potencialmente a0etadas' As autoridades ambientais do governo central não t"m tido a 0orça necessária para impor tais crit&rios às autoridades locais, mais preocupadas em atrair investimentos e promover o crescimento' A questão ambiental tem tamb&m uma crescente dimensão internacional na medida em que a C$ina & $o1e o país que, depois dos E?A, mais contribuiu para o aumento das emissBes de carbono e que deverá pro@imamente tornar8se o primeiro' As questBes acima representam apenas uma parte do que estaria envolvido com a mudança de modelo de crescimento' Al&m disso, dentro de cada uma das áreas apontadas a agenda de re0ormas envolve muitas outras medidas' ?ma leitura do 6!! 5lano, dos planos setoriais e do documento C$ina +,D, permite ter uma visão mais completa da magnitude da tare0a que terá pela 0rente a quinta geração' ;ais que e@plicitar mudanças e analisar novas políticas necessárias para implementá8las o que importa, a um nível mais agregado, & assinalar alguns desa0ios centrais para levar adiante a mudança do modelo' Al&m dessa vinculação maior entre as es0eras política e econômica 0ica tamb&m claro que as medidas estão interligadas e que se torna di0ícil, senão impossível, avançar por áreas ou setores' (s resultados na área social dependem da moderni.ação das políticas pEblicas em vários setores, a agenda ambiental está ligada às re0ormas nas áreas de ci"ncia e tecnologia e industrial' Essas vinculaçBes tornam a coordenação de políticas comple@a e e@igirão não s3 uma política macroeconômica bem calibrada, mas uma estreita coordenação entre as políticas macro e

microeconômicas e entre os vários ob1etivos setoriais' ( desa0io na área de e@ecução de políticas torna8se muito maior' A quarta geração 0oi dominada por engen$eiros e egressos das escolas de ci"ncias e@atas' %eu per0il era bem tal$ado para e@ecutar obras e tocar investimentos' As soluçBes para os problemas pareciam estar em seguir adiante com a moderni.ação da in0raestrutura e, quando $ouvesse ameaça de ruptura no crescimento, como aconteceu com a crise de +,,W, simplesmente aumentar o ritmo e o volume dos investimentos' (s desa0ios que t"m a quinta geração pela 0rente são de outra ordem' 5ara levar adiante as re0ormas terão que ter presentes as intercone@Bes entre as áreas mas, mais que isso, recon$ecer que esse tipo de re0ormas requer outro tipo de governo e de regime político' :eli.mente, a maioria da liderança da quinta geração parece 0ormada em ci"ncias sociais e, portanto, com mais capacidade para apreciar inter8relaçBes e duvidar das respostas' Todos aqueles que acompan$am o desenvolvimento c$in"s 0icam impressionados com a magnitude e velocidade das mudanças' %eguramente, os resultados quantitativos 0oram impressionantes e a paisagem 0ísica mudou' `ualquer visitante que passe alguns anos sem vir à C$ina 0icará impressionado ao retornar com o que verá nas cidades, nas .onas industriais, nas estradas e 0errovias e mesmo no campo e nas áreas mais a0astadas' A moderni.ação camin$ou a passos largos' Essa moderni.ação dei@ou um custo elevado, político, social e ambiental' Aecalibrar as mudanças passando a "n0ase da quantidade para a qualidade permitirá en0rentar esse passivo e 0a.er da C$ina um país di0erente, num sentido mais pro0undo e talve. menos espetacular que as megal3poles de $o1e' `uando de sua Eltima visita à C$ina o pro0essor Antônio #arros de Castro assinalou que estava sempre se surpreendendo com a C$ina, pois o país parecia renovar8se a cada momento 0a.endo com que um observador da realidade c$inesa, mesmo um observador arguto como ele, tivesse sempre a sensação de que a C$ina que estudara e analisara era a C$ina do passado e que uma nova C$ina deveria ser compreendida para saber com ela relacionar8se e en0rentar seus desa0ios' A transição para a quinta geração tra. a e@pectativa para a população c$inesa e para o mundo de que a )ova C$ina será não s3 maior, mas mel$or' Desa0ios nas relaçGes internacionais (s desa0ios na área e@terna não são menos importantes que os internos' A ascensão c$inesa e dos demais países emergentes e em desenvolvimento e a crise mundial colocaram na ordem do dia a questão de um ordenamento multipolar e um multilateralismo renovado' A trans0ormação da C$ina na segunda economia mundial e a possibilidade de que ela nos pr3@imos anos ultrapasse a economia norte8americana colocaram em questão alguns dos pressupostos básicos da política e@terna c$inesa' A prioridade para o desenvolvimento interno e a de0esa do status quo no plano internacional 0oram relativi.adas, a questão da assunção pela C$ina de novas responsabilidades entrou na ordem do dia, a avaliação do poder c$in"s em suas várias dimensBes tornou8se tema de permanente re0le@ão na academia, no 5artido e nas :orças Armadas e as relaçBes com os E?A assumiram o caráter de relação bilateral mais importante no mundo' Aessurgiu tamb&m com 0orça o debate, muitas ve.es com 0ortes tons nacionalistas, sobre o renascimento c$in"s e a superação de0initiva do s&culo das $umil$açBes, voltando a C$ina a ocupar em sua região e no mundo o papel central que tivera o !mp&rio do ;eio' A C$ina combina as características de segunda economia mundial e país em desenvolvimento e &, portanto, uma pot"ncia assim&trica' %eu desenvolvimento e não a e@tensão de seu poder militar & a garantia de sua ascensão' ( reino do meio deve seguir tendo uma política e@terna que priori.e o interno sobre o e@terno, o desenvolvimento sobre a ampliação de sua in0lu"ncia e@terna' (

dilema da C$ina & que o e@terno passou a condicionar o interno tornando di0ícil re1eitar novas responsabilidades' A C$ina 0oi talve. o país que mais se bene0iciou do status quo com o envolvimento da superpot"ncia em guerras e com a e@tensão e@cessiva de seu braço militar, com o crescimento acelerado dos E?A e das economias europeias e a trans0ormação da C$ina no centro manu0atureiro do mundo, com a acumulação de reservas e o 0inanciamento da dívida norte8 americana, com a globali.ação e a abertura de sua economia ao com&rcio e aos investimentos' )ão interessava à C$ina desa0iar a ordem estabelecida, mas sim dela bene0iciar8se e seguir ascendendo e consolidando seu status de pot"ncia regional e global' A crise dramati.ou a ascensão c$inesa, destruiu alguns dos mecanismos centrais da ordem econômica internacional e colocou a multipolaridade na ordem do dia e@igindo uma releitura dos princípios básicos da política e@terna c$inesa' A C$ina 0oi sendo cada ve. mais c$amada a assumir novas responsabilidades e embora ainda $a1a uma corrente que de0enda o não envolvimento e o status quo, passou a gan$ar 0orça uma corrente mais internacionalista com duas vertentes básicas2 a do multilateralismo e a do e@pansionismo' )o primeiro campo estão aqueles que de0endem que a multipolaridade entrou na ordem do dia e que a C$ina deve re0orçar uma mel$or repartição do poder mundial e a construção de um novo multilateralismo' )essa vertente, uma questão importante passou a ser não a dicotomia sobre a assunção ou não de novas responsabilidades, mas sim que tipo de responsabilidades' 9á aqueles que de0endem que a C$ina 1unto com os demais emergentes deveria aumentar sua vo. e voto e de0inir responsabilidades de acordo com seus interesses' (utros pensam que sendo a atual ordem construída de acordo com os interesses do (cidente e não interessando à C$ina desa0iá8la o mel$or & aceitar, dentro de limites que não con0litem com o desenvolvimento c$in"s ou com seus interesses estrat&gicos, responsabilidades que l$e são atribuídas' ( caráter assim&trico da C$ina 0a. com que a questão das dimensBes e limites de seu poder se1a um tema de grande relev4ncia nos debates sobre estrat&gia e política e@terna' )esses debates, pesam os argumentos sobre a desestabili.ação decorrente de uma corrida armamentista e o colapso da ?A%% e a necessidade de que a C$ina e@erça contenção e redobre sua paci"ncia, sabendo dosar suas respostas aos desa0ios colocados pela superpot"ncia' -o outro lado, estão as correntes nacionalistas que advogam que a nova C$ina não tem por que aceitar imposiçBes ou ameaças, sobretudo à sua integridade territorial' A relação com os E?A assumiu novas caraterísticas determinadas pela ascensão c$inesa e o declínio relativo da superpot"ncia' (s E?A seguem sendo a Enica superpot"ncia e de longe a maior pot"ncia militar do mundo com gastos que ultrapassam de longe os gastos c$ineses com suas :orças Armadas' ;as o poderio econômico dos E?A viu8se mati.ado tanto em termos da dimensão e capacidade de crescimento de sua economia, como em termos da superioridade de seu modelo' Esses desenvolvimentos voltaram a colocar na ordem do dia a questão da sustentabilidade do poder militar norte8americano' -epois de 0lertar com a ideia de um T+, em que a C$ina seria um coad1uvante dos E?A na manutenção da ordem mundial, os dois países passaram a recon$ecer que os elementos de diverg"ncia em seus ob1etivos, estrat&gias e modelos tornavam irreal esse tipo de construção' (s E?A voltaram a sua estrat&gia de contenção e enga1amento e a C$ina re0orçou seu discurso sobre o Gdesenvolvimento pací0icoH e seus interesses estrat&gicos invioláveis2 seu modelo de desenvolvimento, seu regime político, sua soberania e sua integridade territorial'

A relação com os E?A 0oi assumindo novos contornos' %ua agenda tornou8se mais comple@a, combinando crescentemente a prioridade para as questBes econômicas e comerciais com um diálogo político8militar cada ve. mais intenso' (s E?A recon$eceram mais e@plicitamente a ascensão c$inesa e os desa0ios por ela colocados e rede0iniram sua estrat&gia e reposicionaram suas 0orças na virada para o 5ací0ico' Esse reposicionamento implica uma mudança que vai al&m de uma resposta ao crescente poderio da C$ina' A relação atl4ntica e a import4ncia da Europa como parceira e da AEssia como inimiga estão em declínio' A globali.ação comandada pelos 0lu@os entre a Europa e os E?A cede lugar a uma globali.ação onde a Ssia do este passa a ter papel determinante' )os pr3prios E?A, a Costa este volta a ter sua in0lu"ncia redu.ida em relação à Costa (este' A geogra0ia estrat&gica e econômica do mundo começa a ser redesen$ada' A relação entre a C$ina e os E?A tem $o1e uma import4ncia central não s3 para os dois países, mas para o mundo' ?ma possibilidade & que essa relação se torne prisioneira do dilema da pot"ncia $egemônica em declínio e da pot"ncia em ascensão' (s E?A passariam a re0orçar os elementos de contenção da C$ina, aumentar a aposta militar e buscar a interrupção da ascensão c$inesa' Con0rontada com essa atitude, a C$ina mudaria de uma estrat&gia e contempori.ação e de gan$ar tempo para consolidar sua ascensão, para uma estrat&gia de aproveitar o mel$or momento e propiciar a decad"ncia de0initiva da superpot"ncia' ( risco de um con0lito cresceria na medida em que os dois lados perseguissem uma disputa pela $egemonia' A outra opção, propalada pela C$ina, & a da re1eição da busca da $egemonia, da construção de uma nova relação entre pot"ncias baseada no recon$ecimento e respeito das di0erenças e dos interesses estrat&gicos 0undamentais dos dois lados' )essa visão, os elementos de cooperação superariam os de con0ronto e os dois lados trabal$ariam pela construção de uma nova ordem internacional, baseada não na disputa pela $egemonia, mas na repartição do poder' A ascensão c$inesa tra. à tona o tema do renascimento c$in"s e da superação do s&culo das $umil$açBes, com seus sentimentos de nacionalismo e revanc$ismo' `ualquer análise da política e@terna c$inesa que não recon$ecesse o papel central do período que vai da Tuerra do opio at& o 0inal da invasão 1aponesa e a derrota das 0orças nacionalistas seria 0al$a e incompleta' A import4ncia desse período para a compreensão do posicionamento da C$ina no mundo decorre de vários 0atores' 5rimeiro, o sentimento da superioridade c$inesa e de sua cultura e o c$oque representado pelas sucessivas derrotas e $umil$açBes a partir da Tuerra do opio' %egundo, a percepção de que o comportamento das pot"ncias ocidentais e depois do *apão era dominado pelos ob1etivos de $egemonia e dominação e de imposição da vontade dos mais 0ortes sobre os mais 0racos e que o conceito de civili.ação não se distinguia da barbárie numa relação desigual' Terceiro, a sensação de que os valores da cultura c$inesa não poderiam prevalecer contra a superioridade material do (cidente' Essa percepção rapidamente dividiu8se em dois campos2 aqueles que ac$avam que a cultura c$inesa era perene e in0initamente superior à (cidental e que a disparidade de 0orças devia8se e@clusivamente ao domínio do progresso t&cnico, e a segunda que acreditava que a cultura clássica c$inesa tin$a um vi&s antiprogressista que a tornava inimiga dos tempos modernos e comprometida com o 0eudalismo, a apatia e a dominação interna por uma classe' `uarto, o sentimento de revanc$ismo e a busca de recuperar o lugar perdido na ordem mundial, com a C$ina voltando a ocupar a posição central que detivera por s&culos' :inalmente, um nacionalismo que combina o elemento positivo de crença na superioridade c$inesa e o negativo de 0rustração com as $umil$açBes so0ridas e a determinação de não permitir que elas voltem a se repetir' Essa visão di0iculta uma releitura do passado c$in"s e a reconciliação com o pensamento clássico e com a superação das inimi.ades' As vicissitudes do neocon0ucionismo e as relaçBes com o *apão são dois e@emplos da import4ncia do s&culo das $umil$açBes na visão contempor4nea c$inesa'

A crescente incerte.a sobre os rumos da relação com os E?A e os riscos crescentes que uma mudança de curso nessa relação leve à interrupção da ascensão c$inesa, v"m 0orçando a C$ina a mudar os contornos de sua política e@terna, tentando consolidar sua liderança regional e desenvolver novas parcerias, valendo8se de seu poder econômico' )o plano regional, desperta temores, mas tamb&m abre oportunidades' (s temores derivam da percepção de que a C$ina, em longo pra.o, comportar8se8á como as pot"ncias ocidentais que a precederam e procurará impor sua $egemonia' (s E?A atiçam tais temores e procuram, com seu reposicionamento para o 5ací0ico, demonstrar que estarão comprometidos em de0ender seus aliados contra a e@pansão do poder c$in"s' (s con0litos territoriais nos mares do este e do %ul da C$ina mostram os riscos dessa evolução' :eli.mente, at& agora a relação entre a Undia e a C$ina tem evitado converter8se em uma disputa pela liderança regional' ;as claramente $á um reposicionamento dos principais atores e um aumento da tensão na região, embora ainda a níveis controláveis' A estrat&gia c$inesa de gan$ar tempo e 0a.er valer seus atrativos econômicos está longe de esgotar8se e a grande maioria dos países parece pre0erir não ter de optar entre a C$ina e os E?A' A C$ina vem trabal$ando tamb&m de 0orma consistente na diversi0icação de suas relaçBes e na incorporação de novos países a seu esquema de parcerias estrat&gicas, bem como na revisão da import4ncia e do conteEdo de algumas de suas parcerias tradicionais' )o primeiro caso, as parcerias com a S0rica e a Am&rica atina e o Caribe são um bom e@emplo' )os dois casos a C$ina tem sabido combinar seu interesse em diversi0icar e criar novas 0ontes de mat&rias8primas para atender sua crescente demanda por recursos naturais e produtos agrícolas, com a não inger"ncia nos assuntos internos dos países e aceitação dos di0erentes regimes, ainda que pouco palatáveis, e de promoção do desenvolvimento e da cooperação %ul8%ul' )o segundo, a tentativa em curso de rede0inir sua relação com a AEssia dando8l$e um papel mais estrat&gico, baseado numa grande parceria energ&tica e numa contenção do poder $egemônico dos E?A, & um bom e@emplo' As relaçBes com a Undia tamb&m passam por um período de busca de distensão e mel$oria econômica, sobretudo no gigantesco d&0icit comercial $indu' ( novo cenário internacional 0e. com que duas questBes gan$assem crescente import4ncia nos debates internos na C$ina e na 0ormulação da política e@terna c$inesa2 a import4ncia do so0t poOer e a construção de um novo multilateralismo' )os dois casos, a análise c$inesa parte da constatação de que a C$ina padece de um grave d&0icit em relação ao (cidente' (s atrativos do modelo de desenvolvimento c$in"s e a sua capacidade de garantir altas ta@as de crescimento e superar crises são mati.ados pelas características do sistema político e pela dominação de um partido Enico' ( consenso de 5equim tem di0iculdade em impor8se como um modelo de desenvolvimento, embora ten$a elementos claramente superiores ao desacreditado Consenso de Xas$ington' A cultura c$inesa como cultura universal padece da di0iculdade do 5artido em aceitar uma releitura do passado imperial c$in"s e da incapacidade, apesar de es0orços recentes nesse sentido, em demonstrar sua validade para a solução dos problemas contempor4neos e para a construção de um novo regime c$in"s' A 0amiliaridade com a cultura ocidental e o 0ato de que ela esteve por s&culos associada a uma dominação do (cidente, e a singularidade e diversidade da cultura 0a.em da pro1eção global da cultura c$inesa um pro1eto comple@o e de longo pra.o' :alta tamb&m à C$ina uma cultura popular industrial e criativa que pro1ete ao mundo uma imagem positiva e moderna da nova C$ina' d in0erioridade do $ard poOer c$in"s se 1unta a di0iculdade em construir e pro1etar um so0t poOer que equilibre, ainda que parcialmente, o poder c$in"s ao dos E?A' A diplomacia c$inesa não tem uma tradição multilateral importante' Amparada nos princípios da de0esa do status quo, da redução de seu enga1amento no cenário internacional e na necessidade de construir relaçBes bilaterais 0ortes, a C$ina não desenvolveu uma diplomacia multilateral mais

criativa e a0irmativa' ( contraste com o #rasil não poderia ser maior' ( período atual, ao colocar a possibilidade de um novo ordenamento internacional, vem despertando na C$ina um debate sobre a necessidade de desenvolver uma diplomacia multilateral muito mais ativa, baseada na busca de novos conceitos e de novas parcerias e alianças' -isso são e@emplos o enga1amento c$in"s no #A!C%, no T+, e no #A%!C e a tentativa de repensar o ordenamento internacional e de e@plorar os contornos de uma ordem multipolar não $egemônica e um novo multilaterismo que crie um alicerce s3lido para a repartição mais equitativa do poder e para a superação da busca da supremacia e da $egemonia, no que poderia denominar8se como a construção de uma multipolaridade $armoniosa' Essas análises encontram8se ainda em estágio embrionário embora 1á comecem a surgir certos contornos do que poderia constituir um novo ordenamento p3s8$egemonia norte8americana com o 0ortalecimento da (rgani.ação de Cooperação de 6angai e a proposta russa de construção de uma comunidade euro8asiática' :alta, contudo, uma visão uni0icadora e consistente do que poderia ser esse novo ordenamento' !sso & natural, pois estamos vivendo um período de transição em que a pot"ncia $egemônica resiste em compartil$ar poder e as pot"ncias ascendentes não t"m nem uma proposta coerente, nem a capacidade de levar adiante modi0icaçBes globais, trabal$ando na margem e nas modi0icaçBes pontuais' ?ma crítica da ordem atual e uma visão inicial do que poderia ser uma multipolaridade $armoniosa poderia partir de um reencontro entre as culturas ocidental e oriental e da busca de um sincretismo criativo, que respeitando as individualidades das duas culturas, re1eitasse a ideia de superioridade cultural e trabal$asse nas áreas de 0ronteira entre os dois pensamentos, na .ona cin.a onde o (cidente e o (riente diluem suas di0erenças e se con0undem' )omo levar a*iante as re0ormas )um regime autoritário como o c$in"s, de liderança colegiada e supremacia do 5artido sobre o governo as lin$as políticas são $o1e de0inidas não mais pela vontade imperial dos líderes, mas pelo con0ronto cotidiano de lin$as e interesses e pelo vai e vem permanente de relat3rios entre as inst4ncias burocráticas do 5artido e do governo' )a grande maioria dos casos, será esse processo de acomodação de camadas que irá de0inindo a lin$a que 0inalmente resultará como vitoriosa' (s que estão no topo não podem prescindir dos que v"m abai@o e lá c$egaram, menos por sua capacidade de impor suas posiçBes e muito mais por sua capacidade de compor, negociar e respeitar limites' !sso se deve não s3 à escola do 5artido que, como a de qualquer instituição burocrática vai moldando seus integrantes, mas pela tradição cultural oriental que valori.a a $ierarquia, a ordem e os valores comunitários sobre os individuais' %e aceitarmos que re0ormas ainda que imper0eitas e incompletas 0oram 0eitas e que, mesmo que muito do plane1ado ten$a 0icado no papel, mudanças 0oram sendo introdu.idas, parece interessante ver como o que 0oi 0eito pode ser levado adiante e quais os rumos que o processo de re0ormas tomou para superar as resist"ncias, corrigir seu curso e 0a.er 0rente às circunst4ncias internas e internacionais' R claro que não e@iste uma tipologia Enica do processo de mudanças e que ele dependerá do tema a ser abordado' Assim, a re0orma do campo di0ere da re0orma do setor industrial em alguns aspectos, com a re0orma da agricultura tendo um impulso local mais pronunciado, enquanto que a re0orma industrial depende mais de um empurrão do centro' Al&m disso, & claro que o primeiro passo para as re0ormas & $aver um dese1o e uma determinação de levar adiante mudanças' -ito em outras palavras, & preciso ter uma orientação inicial pr38 re0orma compartil$ada pela liderança e propalada ao país' 5or ora, 0or t$e saPe o0 t$e argument, consideremos que a quinta geração procurará reali.ar re0ormas cu1o alcance e conteEdo irá 0icando claro à medida que a liderança se consolide e que o processo de re0ormas prospere e

gan$e um impulso pr3prio resultante de seu pr3prio sucesso e do respaldo no 5artido e na população para as mudanças' )essas circunst4ncias, parece Etil especular sobre qual a mel$or 0orma de levar adiante tais re0ormas, não s3 para evitar que a agenda re0ormista se1a liquidada antes de consolidar8se, como para permitir que tal agenda gan$e contornos mais amplos e abarque questBes mais di0íceis e comple@as, como a nature.a do sistema político e a revisão da $ist3ria c$inesa, para citar dois tabus que no 0undo constituem um todo Enico' ?ma das 0ormas clássicas de 0a.er avançar re0ormas 0oi procurar circunscrever seu 4mbito geográ0ico ou burocrático' Esse camin$o para as re0ormas não s3 acompan$ava a 0orma c$inesa de evitar um ataque 0rontal e procurar avançar aos poucos, como atendia ao preceito de utili.ar a prática como crit&rio da verdade e o pragmatismo, tateando as pedras ao cru.ar o rio' (utro camin$o 0oi levantar o debate a nível intelectual criando grupos de discussão te3rica e produ.indo te@tos e artigos de circulação mais ampla ou restrita aos 3rgãos do 5artido' (utra estrat&gia para levar adiante as mudanças, que se relaciona com a tática de circunscrever o 4mbito das re0ormas, mas não se con0unde com ela, & o gradualismo' ;esmo em momentos de 0ang e de auge do espírito re0ormista as re0ormas 0oram sendo implementadas gradualmente' !sso não s3 visava a evitar retrocessos, o que, aliás, nem sempre se conseguiu, mas tamb&m a permitir um processo de decantação e correção de curso caso a orientação das re0ormas se revelasse equivocada' ( gradualismo, se tin$a a vantagem de permitir ir dosando a oposição às re0ormas tentando evitar as mar&s de s$ou, tin$a tamb&m o risco, especialmente presente na área política, de retirar ímpeto às re0ormas tornando8as praticamente irrelevantes' Assim, as e@peri"ncias com democracia intrapartidária, eleiçBes locais e outras tentativas de introdu.ir alguma mudança no 5artido 0oram se tornando tão tímidas que terminaram por não constituir uma agenda re0ormista' Aetornando ao tema inicial, podemos agora indagar sobre quais as liçBes que se poderia tirar para os dias de $o1e e para a agenda re0ormista da quinta geração da discussão acima' %em uma orientação geral pr38re0orma vinda de cima e do centro, ou se1a, do Comit" 5ermanente do 5olitburo, 0ica di0ícil vencer as resist"ncias dos interesses constituídos' Como não $á um centro ditatorial para impor sua vontade a orientação pr38re0ormas demandará unidade e consenso' Como acontece nos casos de construção do consenso tende a prevalecer o mínimo denominador comum' -ada a e@pectativa sobre as mudanças e a necessidade impostergável de implementá8 las não parece $aver dEvidas de que a direção do centro será pr38re0ormas' Para on*e vai a )-ina (s sinais que v"m sendo emitidos desde o 67!!! Congresso e a partir da A)5 em março são no sentido de que as re0ormas serão implementadas' )o plano político a campan$a de massas em nível do 5artido e das :orças Armadas, condu.ida pelo pr3prio 6i *inping, procura dar resposta aos temas cone@os da corrupção, burocratismo, e mordomias, ob1eto de quei@as 0requentes da população e elemento corrosivo do 5artido' Como disse 9u *intao em seu discurso de despedida a corrupção & uma doença que pode ser 0atal' A ela estão associados todos os outros elementos que derivam da impunidade e da 0alta de transpar"ncia e arrog4ncia no e@ercício do poder' ( diagn3stico c$in"s do 0im da ?A%% atribui uma import4ncia central ao esclerosamento do 5artido' A designação de Xang `is$an para c$e0iar a Comissão -isciplinar 0oi tamb&m vista como um sinal de que a luta contra a corrupção será levada a s&rio' Esse pode ser um ponto inicial, mas está longe de esgotar a agenda política' ;as & um sinal' )o plano econômico, onde i beqiang tem assumido a liderança, outros sinais v"m sendo dados, o principal deles a recusa em aplicar novos estímulos signi0icativos à economia, sinali.ando que a liderança está con0ortável com uma ta@a de crescimento muito menor' )a verdade, e@iste uma

dial&tica entre crescimento do 5!#, crise e re0ormas' ;anter a ta@a de crescimento do 5!# em torno de =Y promove o a1uste redu.indo os riscos da bol$a imobiliária, da superprodução no setor estatal e do endividamento das autoridades locais' ;as a sinali.ação macro deve ser acompan$ada de medidas especí0icas o que vem sendo 0eito com a auditoria das 0inanças locais, a mel$or regulação do setor 0inanceiro e o corte de capacidade nas indEstrias pesadas e a redução dos procedimentos administrativos' ( a1uste em curso tem que ser calibrado em 0unção da crise que ainda pesa sobre a economia global e das políticas de saída do a0rou@amento monetário, sobretudo nos E?A, e de seu impacto nos emergentes' As re0ormas vão assim sendo iniciadas com um ol$o no cenário e@terno e outro nos setores atingidos e no 5!# c$in"s, com vistas a manter o crescimento num nível I=YL que nem promova um retrocesso na agenda de re0ormas, nem leve a uma queda brusca no crescimento e a uma crise' Como disse i beqiang Gre0ormar & como remar contra a corrente' `ualquer parada & um retrocessoH' )o plano e@terno, assiste8se a um es0orço de recomposição das relaçBes no este da Ssia, muito a0etadas no período 0inal da quarta geração, a uma retomada do diálogo com os E?A e à emissão de sinais de que os c$ineses estão preparados para ser mais cooperativos em temas caros aos norte8americanos' Al&m disso, prossegue a rede0inição das relaçBes com a AEssia e são 0eitos intentos de camin$ar no aprimoramento das relaçBes econômica, política e 0ronteiriça com a Undia' 6i *inping reiterou o camin$o do desenvolvimento pací0ico, mas alertou que a C$ina não sacri0icará seus interesses nacionais, nem aceitará rever seus direitos legítimos' )o plano comercial, & muito possível que a C$ina se mova na direção de uma participação na 5arceria Transpací0ica e que passe a integrar mega8acordos de Eltima geração, movendo8se em direção a uma nova 0ase em seu processo de abertura e integração na economia global' ;as por cima dessas distintas dimensBes do debate uma questão central parece colocar8se2 a da globalidade das re0ormas' A nature.a da agenda re0ormista $o1e parece não mais admitir o parcelamento das re0ormas e a separação entre o econômico e o político' igada a essa questão está a do gradualismo na implementação das re0ormas' Como em todo processo dessa nature.a & impossível controlar todas as variáveis e determinar a priori o curso dos acontecimentos, mesmo para o 5CC$' ( processo de re0ormas & por de0inição um processo de desequilíbrios os quais devem ser corrigidos à medida que o processo camin$a' Assim, embora o processo possa, dentro da tradição c$inesa, ir sendo implementado atrav&s de e@peri"ncias locali.adas e de 0orma gradual, mantendo8o sob controle, a nature.a das re0ormas necessárias e a pro0undidade do processo indicam que, não s3 acidentes de percurso poderão ocorrer, como o processo poderá gan$ar um ritmo pr3prio, 0ora do controle de 5equim' 6i *inping em seus pronunciamentos iniciais procurou 1ustamente sinali.ar a necessidade impostergável de re0ormas e sua determinação para preservar a estabilidade' R a reiteração do legado de -eng 6iaoping em cu1a estátua, em %$en.$eng, 6i *inping colocou 0lores, em seu p&riplo pelo sul em 0avor das re0ormas, reeditando a $ist3rica viagem de -eng' (s primeiros slogans e 03rmulas começam a surgir para de0inir o discurso da quinta geração2 os tr"s erres, re0orma, re1eição e re1uvenescimento e a reali.ação do son$o c$in"s' A re0orma e a abertura não podem parar, & preciso re1eitar a e@travag4ncia e os desmandos e o re1uvenescimento da C$ina a pro1etará rumo a seu ob1etivo de trans0ormar8se numa pot"ncia desenvolvida e reali.ar o son$o c$in"s' 5or seu turno, i beqiang comparou o processo de re0ormas a uma partida de To onde devem ocorrer movimentos no centro e nas beiradas do tabuleiro, em 5equim e nas 5rovíncias' Todas essas 03rmulas poderiam ser resumidas, como o 0e. 6i *inping, na e@pressão Ga Enica rota para o socialismo com características c$inesas & o processo de re0orma e aberturaH'

Como em todo período inicial o ob1etivo dos líderes & consolidar sua posição e sinali.ar suas prioridades no rumo do Terceiro 5leno do Comit" Central do 5artido que, desde o 0amoso 5leno de /J=W, & considerado o momento decisivo para cada geração di.er a que veio' Essa reunião está agora marcada para novembro de +,/D e a e@pectativa & que nela se1am anunciados os planos para levar adiante as re0ormas' Agora s3 nos resta esperar que a quinta geração ten$a, mais do que a quarta, capacidade para levar adiante as trans0ormaçBes necessárias para a C$ina'

3 estrat7+ia petrolí0era c-inesa? o avanço *a )-ina nos países perimetrais = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brCV+DCestrategia8petroli0era8c$inesa8avanco8c$ina8paises8 perimetraisC

3 estrat7+ia petrolí0era c-inesa? o avanço *a )-ina nos países perimetrais por :elipe %antos em /+C,JC+,/D , comentários

( apetite c$in"s por petr3leo e a reação dos países peri0&ricos quanto às investidas c$inesas t"m alterado relativamente a din4mica da geopolítica regional' ( dragão asiático tem veementemente investido em produção e e@ploração de 3leo e gás natural, tendo como estrat&gia principal a entrada em mercados em que a presença europeia e americana ainda permanecem incipientes' A C$ina, menos preocupada com questBes $umanitárias e aspectos políticos democráticos como precondição para reali.ar neg3cios, tem ativamente investido em países como %udão, !rã, 7ene.uela, dentre outros' ( gigante asiático & criticado por países desenvolvidos por suas estatais empregarem no e@terior mão de obra c$inesa e terem bai@os padrBes de segurança ambiental' ( 0ato de os c$ineses evitarem a concorr"ncia direta com as grandes petrolí0eras tem resultado em vantagens à entrada de estatais c$inesas em países que em geral são ignorados pelas principais economias globais' T$is article aim to investigate t$e energM approac$ o0 5AC government toOards its neig$boring countries, including t$e motivations and implications o0 t$is policM in t$e region' T$is article Oill analM.e t$e C$inese peace0ul ascent and t$e causes and consequences o0 its energM 0oreign policies in manM regions o0 t$e great continent, suc$ as t$e Central Asian %tates, %out$ 5aci0ic states and t$e outcomes o0 t$e Aussian, American and C$inese delicate relation in t$e energM 0ield' ;ntro*ução As estrat&gias energ&ticas entre países de0inem os poderes das naçBes' A partir do momento em que o acesso a reservas energ&ticas & estabelecido, eles adquirem soberania e certa compet"ncia para de0inir suas estrat&gias de desenvolvimento'

Ainda no início da d&cada de /JJ,, a C$ina era autossu0iciente na produção de petr3leo' 9o1e esse quadro se reverteu, tornando8se importador líquido desta mat&ria8prima' Atualmente, não se sabe com e@atidão qual & o nível de depend"ncia, acredita8se que at& +,+,, a C$ina precisará suprir K,Y de sua demanda por petr3leo e D,Y da demanda por gás natural' )o período de /JJW a +,,W o crescimento do consumo por petr3leo cresceu em m&dia cerca de K,DY por ano' Em de. anos, o consumo de petr3leo quase duplicou, de 0orma que em /JJW era <'++W mil$ares de bpd passando para ='JJJ mil$ares de bpd ao ano, em +,,W' A produção dom&stica não acompan$ou o crescimento da demanda, de 0orma que em /, anos aumentou em m&dia /,KY de D'+/+ mil$ares de bpd I/JJWL para D'=JV mil$ares de bpd I+,,WL'

-esde sua abertura em +,,+, o apetite c$in"s por petr3leo, como & evidenciado pelo grá0ico, e a reação dos países peri0&ricos quanto às investidas c$inesas t"m alterado relativamente a din4mica da geopolítica regional' ( dragão asiático tem veementemente investido em produção e e@ploração de 3leo e gás natural, tendo como estrat&gia principal a entrada em mercados onde as presenças europeia e americana ainda permanecem incipientes' A C$ina, menos preocupada com questBes $umanitárias e aspectos políticos democráticos como precondição para reali.ar neg3cios, tem ativamente investido em países como %udão, !rã, 7ene.uela, dentre outros' ( gigante asiático & criticado pelos países desenvolvidos por suas estatais empregarem no e@terior mão de obra c$inesa e terem bai@os padrBes de segurança ambiental' ( 0ato de os c$ineses evitarem a concorr"ncia direta com as grandes petrolí0eras, tem resultado em vantagens à entrada de estatais c$inesas em países que em geral são ignorados pelas principais economias globais'

(onte *as importaçGes c-inesas *e petrAleo A tabela ilustra a atual tend"ncia do consumo c$in"s de petr3leo' (bserva8se que a depend"ncia c$inesa por petr3leo se concentra no (riente ;&dio, enquanto países a0ricanos, Ssia Central e AEssia tamb&m participam diversi0icando a depend"ncia c$inesa com os países árabes' Este estudo concentra seus es0orços em entender as relaçBes c$inesas com seus países peri0&ricos, compreendendo as relaçBes com a AEssia, !rã e os países da Ssia Central' Analisa8se tamb&m a ameaça do Estreito de ;alaca e as comunicaçBes marítimas' Política petrolí0era nos países peri07ricos ( colapso da ?nião %ovi&tica no início da d&cada de /JJ, modi0icou e revelou uma nova ordem no continente asiático, ou se1a, a reorgani.ação dos Estados da Ssia Central' Essa região & composta por cinco Estados, Ca.aquistão, `uirguistão, Ta1iquistão, ?.bequistão e Turcomenistão, a maioria 0a. divisa com outros países, como !rã, A0eganistão, 5aquistão, Undia e C$ina, totali.ando apro@imadamente D mil quilômetros de 0ronteiras' A grande quantidade de recursos naturais nesta região, principalmente petr3leo e gás natural t"m gerado disputas acirradas por campos produtores de países como C$ina, Estados ?nidos e AEssia' Todos buscam controlar as reservas e tentam aumentar sua in0lu"ncia nesta estrat&gica

região' (utros Estados como !rã e Turquia sempre tiveram in0lu"ncia nesta área, devido a traços religiosos e a in0lu"ncia cultural que predominam at& $o1e na cultura destes países' -esde o incidente de setembro de +,,/ nos Estados ?nidos, os americanos t"m utili.ado o conte@to de ameaça terrorista para prevalecer na região' Alin$ados, C$ina e AEssia temem esta crescente ocupação americana na região e compartil$ado es0orços para manter o controle de ameaças terroristas na Ssia Central' A C$ina visando estabilidade social na 5rovíncia de 6in1iang, região no )oroeste C$in"s, com grande parcela muçulmana, tem reali.ado muitos es0orços para manter a integridade territorial, temendo e evitando movimentos separatistas que se 0ormaram na região )oroeste C$inesa I;arPetos, +,,JL' -escon0ia8se que a minoria ?igur ten$a participado de treinamentos em campos de milícia da Al8 `aeda no A0eganistão' ( governo c$in"s teme essa in0lu"ncia separatista na região, e por isso, vem re0orçando a segurança IA)-AEX%8%5EE-, !A(, -A))AE?T9EA, +,,V2VKL' -e acordo com T$rassM )' ;arPetos, os interesses da AepEblica 5opular da C$ina IA5CL na Ssia Central se concentram prioritariamente em duas questBes2
• •

os movimentos separatistas de in0lu"ncia muçulmana> manter a Ssia Central como um Gquintal estrat&gico e estávelH e, ultimamente, 0a.er da região 0onte primária de diversos recursos energ&ticos, tornando8se o principal parceiro comercial da C$ina'

-epois do colapso da ?nião %ovi&tica, muitos Estados na Ssia Central tiveram que lidar com disputas de 0ronteiras com o gigante asiático' A necessidade energ&tica que a C$ina demanda, 0e. com que a A5C tomasse medidas amenas contra as disputas em troca de segurança e e@ploração de 0ontes energ&ticas' Essa 0le@ibilidade 0acilitou a entrada de petrolí0eras c$inesas, permitindo a e@ploração e prospecção de recursos naturais' (utro 0ator decisivo no avanço para a região Centro8Asiática 0oi a necessidade de redu.ir a depend"ncia marítima como via de acesso ao petr3leo e gás natural' ( rápido avanço c$in"s & uma investida para dominar a região e garantir o acesso à energia' (bserve na tabela a evolução das importaçBes2 em +,,D, =DY das importaçBes de petr3leo eram oriundas do (riente ;&dio e S0rica' Em +,,W, o total de importaçBes dessas regiBes redu.iu para KKY, enquanto as importaçBes da Ssia Central em +,,W atingiram /+,DY' ( Ca.aquistão 0oi o primeiro país a se bene0iciar do apetite c$in"s' R o país com a maior reserva comprovada na Ssia Central com cerca de V,D bil$Bes de toneladas de petr3leo' Em +,,V, o governo c$in"s adquiriu a compan$ia nacional de petr3leo do Ca.aquistão, 5etroPa.aP$stan !nc', por ?%e <,/W bil$Bes' ( neg3cio incluiu tamb&m a e@ploração da reserva bumPol %out$, e desde /JJ= o total de investimentos c$ineses no país atingiu mais de ?%e /, bil$Bes' ( pro1eto pioneiro no Ca.aquistão 0oi a construção de um oleoduto que sai de AtMrau I(este de Ca.aquistãoL para Alas$anPou Ina 5rovíncia de 6in1iang, C$inaL' Este oleoduto está em operação desde +,,K, e transporta /,8+, mil$Bes de toneladas de petr3leo por ano' Esse pro1eto $o1e consegue 0ornecer mais de /,Y da demanda do mercado c$in"s, os investimentos neste pro1eto totali.aram ?%e =,, mil$Bes' ( duto possui /,<DK quilômetros de comprimento e & tamb&m utili.ado pela AEssia, atrav&s de suas operaçBes no Campo bumPol )orte, e@plorado pela russa uPoil Compan$ia de 5etr3leo'

)o `uirguistão, a C$ina 1á destinou ?%e J=, mil$Bes em ativos militares em agosto de +,,J, investiu outros ?%e =,, mil$Bes construindo um oleoduto conectando Ca.aquistão e `uirguistão' Este oleoduto tem D',,, quilômetros, sendo que +<, quilômetros estão locali.ados na 5rovíncia de 6in1iang, local em que o 3leo & re0inado e processado' Adicionalmente, a C$ina investiu ?%e J,, mil$Bes em in0raestrutura, com lin$a 0&rrea e rodovia ligando o país à C$ina, al&m de ter assinado um acordo de compromisso para investir mais ?%e J bil$Bes para desenvolver in0raestrutura de dutos de petr3leo e gás' Apesar de todos os investimentos em outros países, a região mais proeminente em gás natural & o ?.bequistão, que estabeleceu acordo com a C$ina em 1ul$o de +,,V' ( neg3cio & estimado em ?%e /,V bil$ão, deste total ?%e JV, mil$Bes em 0ormato de empr&stimo de longo pra.o, e um adicional de ?%e DV, mil$Bes como empr&stimo de curto pra.o' ( país possui reservas de gás natural equivalentes a /,+Y do mundo' -este acordo, ?%e V,, mil$Bes serão para desenvolvimento energ&tico, baseado em contratos assinados pelas duas partes, que incluem a e@ploração e o desenvolvimento de cinco blocos de petr3leo na costa do ;ar de Aral' ( Turcomenistão &, $o1e, uma das Eltimas regiBes ine@ploradas, com promissoras reservas de gás natural' :oi assinado entre ambos os países um contrato de D, anos com o ob1etivo de 0ornecer D, bil$Bes de metros cEbicos de gás entre +,,J e +,DJ' (s ativos serão trans0eridos por um gasoduto que será posto paralelamente ao 1á e@istente duto no Ca.aquistão, o Atasu8 Alas$anPou duto, que atravessará os territ3rios do Ta1iquistão' A agressividade dos investimentos c$ineses não 0icou restrita apenas na Ssia Central' Contratos com os russos estão evoluindo rapidamente, apesar de sua relação instável' Especialistas caracteri.am essa relação como natural e sensível' )atural pela quantidade de reservas energ&ticas que a AEssia possui, e sensível, pelos con0litos $ist3ricos que ambos os países tiveram durante muitos s&culos' A relação sino8russa 0oi restabelecida com os acordos reali.ados em +,,/ para de0inir os par4metros geográ0icos de suas 0ronteiras' A AEssia tem usado o oleoduto de Atasu8Alas$anPou para e@portar a maioria de sua produção petrolí0era para a C$ina' 5etr3leo oriundo da parceria de e@ploração no bloco bumPol, no )orte do ;ar Cáspio, participação que 0oi adquirida quando o governo c$in"s comprou a 5etroPa.aP$stan !nc' em +,,V' ( 5ro1eto E%5(, na sigla em ingl"s East %iberian 5aci0ic (cean I(ceano do 5ací0ico este %iberianoL, & considerado o maior desa0io das relaçBes bilaterais sino8russas' ( oleoduto está em operação desde +,,J' ( ob1etivo deste empreendimento & 0ornecer energia para os mercados do este Asiático, *apão, Coreia e C$ina' Este novo oleoduto conectou a C$ina com a E%5( e o transporte de petr3leo & estimado em D,, mil barris por dia' ( contrato 0oi assinado no início de +,,J pelos dois países com pra.o de operação de +, anos' ( início da construção desse oleoduto 0oi em maio de +,,J no territ3rio c$in"s e seu t&rmino em setembro de +,/,' )o territ3rio russo, a e@tensão para o terreno C$in"s & de K< quilômetros reali.ada pela Transne0t, de %Povorodino, para o Aio Amur na 0ronteira entre ambos os países, e a c$inesa, Corporação )acional de 5etr3leo, irá construir a outra sessão que ligará o duto com a cidade de -aqing, com e@tensão de JJ+ quilômetros' ( interesse da C$ina pelos seus países peri0&ricos não se restringe à sua demanda por energia, mas tamb&m por outras questBes de suma import4ncia para sua estabilidade política e integridade territorial'

A C$ina ao apoiar o desenvolvimento dos Estados da Ssia Central indiretamente redu. a ta@a de ocupação dos portos nas principais 5rovíncias do este C$in"s e ao mesmo tempo abre mercados consumidores nos seus países peri0&ricos, possibilitando a entrada dos produtos manu0aturados c$ineses e balanceando o $iato de desenvolvimento que e@iste entre o este e o (este C$in"s' 9á tamb&m outras questBes, como segurança nacional, em que os interesses das duas pot"ncias regionais e o poder unipolar americano tem se convergido, o combate ao terrorismo nacionalista isl4mico' Este que tem sido um problema evidente na 5rovíncia de 6i1iang' )esse aspecto e@iste uma cooperação mEltipla entre os tr"s países' ( domínio e a in0lu"ncia que a C$ina e@erce na região poderá estabelecer uma rota comercial barata, rápida e segura para os bens energ&ticos do (riente ;&dio e ao mesmo tempo poderá estabili.ar e proteger as 0ronteiras do (este C$in"s' %em mencionar que o preço desta energia transportada por oleodutos e gasodutos possibilita economias entre ?%e /8+ d3lares por barril de petr3leo quando comparado ao uso de transporte marítimo I;arPetos +,,J, p' +,L' Em relação à investida americana na Ssia Central, a C$ina e a AEssia compartil$am a mesma visão, ao verem que a estrat&gia americana na região visa GcontençãoH' Esta estrat&gia 0oca em redu.ir ou limitar a in0lu"ncia de ambos os países, tentando competir com a AEssia e a C$ina' (s E?A t"m se es0orçado para e@plorar e controlar o acesso a recursos naturais na região, estando presente no A0eganistão e no 5aquistão, que de uma maneira ou de outra, & uma 0orma de conter a integração logística para o oeste, T$rassM )' ;arPets, menciona em sua análise p' WK T$eM believe t$at t$e ?nited %tates e@ploited t$e post8JC// environment to establis$ strategic supremacM in t$e region, suc$ as Central Asia, O$ere previouslM t$e ?nited %tate Oas not a ma1or plaMer' !n contrast, Aussia is vieOed as a muc$ lesser poOer t$an t$e %oviet ?nion and t$ere0ore a countrM Oit$ O$ic$ C$ina needs to cooperate in order to o00set ?% in0luence' Toget$er t$roug$ t$e %C( t$eM $ave enoug$ strengt$ to resist ?% penetration in Central Asia, somet$ing t$eM could not $ave done separatelM' A entrada americana nesta região ainda & 0eita via os mecanismos de mercado, especialmente nos setores de recursos naturais e tem tamb&m, in0luenciado sua posição atrav&s de concessBes militares' A C$ina percebeu a necessidade de manter uma relação íntima com a Ssia Central a 0im de proteger suas 0ronteiras vulneráveis, como as 5rovíncias de 6in1iang e do Tibete' Ambos os países temem a presença americana na região, mas a C$ina tamb&m se preocupa com a possibilidade da AEssia interagir mais com o (cidente, e com isso pre1udicar os ob1etivos c$ineses na região' 3s relaçGes sino-iranianas %egundo as liçBes de $ist3ria, o imp&rio 5ersa e o imp&rio C$in"s sempre tiveram grande import4ncia e in0lu"ncia nas culturas das mais variadas regiBes do globo' Alguns especialistas tendem a di.er que o son$o das relaçBes bilaterais sino8iranianas & restabelecer a rota da seda' A C$ina desde o início do atual s&culo tem demonstrado maior apetite energ&tico, e o !rã com sua preponder4ncia $ist3rica, ambos, sinali.am que querem reativar seu status $ist3rico, como uma 0orma de reconstruir as condiçBes do passado' ( !rã possui peculiaridades que são essenciais para a compreensão desta análise, possui relativamente grande população, capacidades econômicas 0ormidáveis, produção energ&tica e@pressiva, posição geográ0ica estrat&gica e grande in0lu"ncia no mundo muçulmano' %uas

condiçBes evidenciam este país como elemento8c$ave em qualquer tentativa de controlar ou iniciar um processo de pa. nesta região' ( restabelecimento das relaçBes diplomáticas entre Teerã e #ei1ing ocorreu em /J=/, quando o !rã recon$eceu a legitimidade do governo c$in"s e abriu sua Embai@ada na capital c$inesa neste mesmo ano' ( interesse de ambos os países convergia para um inimigo comum no passado, G;oscouH' As relaçBes bilaterais entre !rã e Estados ?nidos 0icaram deterioradas com a Aevolução !raniana, seguida da guerra entre o !rã e o !raque' -esde a Aevolução ;uçulmana, o governo iraniano se tornou teocrático, com vocação populista' Em contraste o governo c$in"s implementou re0ormas econômicas, adotou princípios de ascensão pací0ica e declarou uma política e@terna independente e em muitos aspectos alin$ada com os interesses americanos' )esta relação triangular, os Estados ?nidos agem de 0orma a comprimir e ao mesmo tempo trabal$ar como um 0ator potenciali.ador' (s embargos unilaterais americano corroeram as relaçBes iranianas com o restante do mundo, mas ao mesmo tempo, 0orçaram o !rã a procurar o este Asiático como alternativa econômica, o que indiretamente bene0iciou, em especial, a C$ina' Essa atitude unilateral americana criou oportunidades para que a C$ina entrasse livremente no mercado iraniano, especialmente em participaçBes nos setores energ&ticos deste país' As relaçBes sino8iranianas concentram8se em setores como energia e militar' A C$ina se situa como principal 0ornecedora de armamentos convencionais e mísseis balísticos, e & $o1e a maior compradora de produtos energ&ticos deste país, principalmente gás e petr3leo cru' )o ano de +,,K, !rã se tornou o primeiro 0ornecedor de petr3leo para o mercado c$in"s, 0ornecendo mais de /VY da demanda, mas em +,,J, Arábia %audita se tornou o primeiro e@portador de petr3leo para a C$ina' ( petr3leo tem maior import4ncia nesta relação, mas o gás natural tem tamb&m grande parcela neste com&rcio bilateral' ( !rã e@porta para a C$ina gás T), pois ambos assinaram um contrato estimado em ?%e +, bil$Bes de d3lares, com termo de +V anos, iniciado em +,,J' 5ara viabili.ar o transporte e a importação massiva de petr3leo e gás do !rã, como tamb&m de outros países da região, a C$ina está construindo terminais portuários em :u1ian, Tuangdong e %$ang$ai' Al&m disso, ao acompan$ar investimentos em gás lique0eito, neg3cios no segmento naval e na construção de navios t"m se consolidado' Com isso, -alian %$ipbuilding !ndustrM Corp' 0ec$ou contrato com a iraniana (il TanPer CompanM para construção de DV navios tanques' #ei1ing e Teerã compartil$am interesses em muitos pro1etos que permeiam a Ssia Central e o (riente ;&dio, procurando alternativamente uma rota segura capa. de evitar as rotas marítimas de comunicação, atualmente dominadas pelos E?A' Entre muitos pro1etos, os principais são o \adavaran8%inopec, o duto #andar Abbas – um duto que poderá interligar !rã com o duto do Ca.aquistão no ;ar do Cáspio –, e o duto )ePa8%ari – que sairá do !rã, atravessando o 5aquistão c$egando à Undia Iduto !5!L, onde a C$ina indiretamente poderá se bene0iciar' -esde +,,<, o pro1eto da reserva de petr3leo \adavaran tem estado sob suspeita de ser um memorando militar, e@istindo dEvidas sobre sua real característica energ&tica' )o dia /W de março de +,/,, a c$inesa %inopec e o !rã assinaram um acordo de ?%e + bil$Bes para desenvolver o poço de petr3leo \adavaran' A rede de notícias o0icial do !rã declarou que o atraso no acordo se deveu a questBes comerciais, não tendo nen$uma relação controversa nuclear' )o período o governo c$in"s não reali.ou nen$uma declaração devido às sançBes que estavam sendo impostas a Teerã, lideradas pelos E?A em +,/,'

( pro1eto será desenvolvido pela %inopec em duas 0ases' A primeira produ.irá WK mil barris diários, por um período de quatro anos' A segunda adicionará mais /,, mil barris diários de produção para serem desenvolvidos nos tr"s anos seguintes à conclusão da primeira 0ase' ( bloco \adavaran tem uma pot"ncia de produção de D,, mil barris diários de petr3leo cru, com D,+ bil$Bes de barris de reservas recuperáveis e reservas recuperáveis de gás estimadas em W, bil$Bes de metros cEbicos' ( duto do ;ar Cáspio para o Ca.aquistão & um pro1eto em que #ei1ing pretende conectar o petr3leo de Teerã para o ;ar Cáspio, e depois atrav&s do Ca.aquistão entregar esse petr3leo para o mercado C$in"s' ( pro1eto ainda não evoluiu devido aos con0litos e@istentes entre a divisão do ;ar Cáspio, uma disputa entre a AEssia, !rã, Ca.aquistão, Turcomenistão e A.erbaid1ão' )en$um acordo 0oi 0irmado devido a o0erta atual instigada pela AEssia, o ;; /, I;odi0ied ;edian ineL que di0ere da proposta iraniana' Al&m disso, as recentes rodadas de sançBes reali.adas pelos E?A e pela ()? dei@am o Ca.aquistão numa situação descon0ortável 0rente aos interesses americanos, apesar de $aver grande interesse do Ca.aquistão em redu.ir sua depend"ncia com a AEssia' ( duto )ePa8%ari, concluído em +,,D, & um cons3rcio de empresas c$inesas liderado pela %inopec e C)5C, que transporta petr3leo cru russo do ;ar do Cáspio at& o mercado iraniano' Em +,,V, C)5C gan$ou um leilão para desenvolver o bloco b$oudas$t no (este iraniano' ( principal obstáculo à relação sino8iraniana & a $egemonia americana' (s interesses americanos e europeus, al&m de pouca transpar"ncia nas negociaçBes entre os dois países, tamb&m contradi.em o discurso c$in"s de ascensão pací0ica' (utros acreditam que o volume dos neg3cios reali.ados entre esses dois países & tão enorme que di.em distorcer os preços de petr3leo nos mercados internacionais I;arPetos, +,,J2W<L' As recentes investidas americanas contra o !rã t"m, no curto pra.o, indiretamente reestruturado as relaçBes bilaterais entre C$ina e !rã' (s Estados ?nidos t"m pressionado a C$ina atrav&s de outros mecanismos para 0orçá8la a colaborar com as intençBes americanas de acabar com o governo teocrático no !rã' )este período de sansBes econômicas impostas pelas )açBes ?nidas, Estados ?nidos e alguns países do continente europeu, como contramedida à Arábia %audita t"m aumentando sua produção para viabili.ar os embargos econômicos no !rã' ;uitos diplomatas no (riente ;&dio sugerem que #ei1ing no curto pra.o irá de certa maneira colaborar com as sansBes impostas pela ()?, mas no longo pra.o a C$ina irá certamente 0avorecer o !rã' O *uto ;P; e o Estreito *e 2alaca A C$ina e a Undia obviamente, devido a suas densidades demográ0icas, assumirão em um 0uturo pr3@imo a liderança no consumo energ&tico' Ambos os países estão su1eitos a um bloqueio naval nas il$as das regiBes sul ou leste do ;ar da C$ina ou no Estreito do ;alaca' ( Estreito do ;alaca tem uma dist4ncia de +,< quilômetros de largura má@ima, & o ponto de tr4nsito mais movimentado e estreito, onde diariamente circulam V, mil navios' Todos os dias, // mil$Bes de barris de petr3leo passam por ele' ?m acidente ou um ataque terrorista em uma região como esta poderia 0acilmente bloquear a passagem e tornar a rota ca3tica'

A C$ina considera o 5aquistão como essencial na rota da seda como tamb&m estrat&gico para viabili.ar acesso a Ssia Central, região repleta de rique.as e insaciável por neg3cios' Aota comercial que o 5aquistão nega para a Undia, independente das intervençBes motivadas pelos interesses norte8americanos na região' )ão obstante, o 5aquistão & tamb&m capa. de 0ornecer acesso à energia pelo mar ou terra, para países como !ndon&sia, ;alásia e Tail4ndia' E@iste enorme interesse desses países, como tamb&m de muitos outros na construção de um duto onde C$ina e Undia iriam se bene0iciar, o pro1eto !5! I!rã85aquistão8UndiaL pretende interligar esses tr"s países dando acesso ao petr3leo produ.ido no !rã atrav&s do 5aquistão' ;ais de /, anos se passaram, e muitas rodadas de negociaçBes 0oram reali.adas, mas at& o momento nada 0oi concluído' -esde +,,/, o 5aquistão tem so0rido s&rias ameaças à sua segurança nacional, principalmente desde que os E?A se estabeleceram na região, tentando Gpromover estabilidade e combater o terrorismoH' 5ermeado por incerte.as, a insegurança no 5aquistão impede a evolução de um acordo, onde C$ina e Undia não de0inem uma agenda concreta que viabili.e o desenvolvimento desta rota indispensável para o desenvolvimento de ambas as naçBes' ( !rã e o 5aquistão 1á assinaram no dia +D de maio de +,,J em Teerã, um acordo no valor de ?%e =,V bil$Bes, em que ambos os presidentes, o iraniano ;a$mud A$madine1ad e o paquistan"s Asi0 Ali aardari, concordaram em comerciali.ar gás natural oriundo do !rã' )o ano seguinte, em 0evereiro de +,/,, os dois países adicionaram artigos ao acordo dando abertura para a participação da C$ina e da Undia no pro1eto a qualquer momento do seu desenvolvimento' -e acordo com um especialista internacional da ?niversidade de 5equim, o pro0essor a$ang 6i.$en, GC$ina must seeP a 0aster, c$eaper, and sa0er oil route t$an t$e ;alacca %trait and t$e T$ai canal is an important optionH I am, +,,J2+DDL' A geogra0ia e a instabilidade política do 5aquistão são os principais estrangulamentos que en0raquecem a concreti.ação do pro1eto' Al&m disso, a comple@idade política no !rã tamb&m 0avorece às incerte.as neste pacto, inviabili.ando o compromisso de países como C$ina e Undia na evolução deste pro1eto' Com tantos impasses, os c$ineses en@ergaram outra possibilidade que $á de convir com suas demandas iminentes' A 0im de evitar a insegurança nas rotas marítimas, e@istem algumas opçBes, como por e@emplo2

a construção de um oleoduto atrav&s do porto paquistan"s de TOadar para a 5rovíncia de 6in1iang, no )oroeste C$in"s> a construção de um canal similar ao do 5anamá na Tail4ndia, a construção de gasoduto e oleoduto que sairá de ;Manmar c$egando na 5rovíncia de 9unan'

• •

?ma abordagem cooperativa Gmilitar8energ&ticaH tem sido discutida atrav&s da criação do GCanal 5anamá AsiáticoH, seria um pro1eto que atravessaria o bra !st$mus, e depois poderia prosseguir via mar at& seu destino 0inal' A primeira opção não evoluiu devido aos problemas políticos e da car"ncia de segurança na região' *á a segunda opção tem viabilidade, mas os problemas políticos que a Tail4ndia tem en0rentado nesta Eltima d&cada, sinali.am quão delicado pode se tornar um investimento c$in"s dessas proporçBes' -essa 0orma, os c$ineses optaram pela terceira opção que consequentemente evitará o tr4nsito no Estreito de ;alaca, garantindo a entrega segura de energia para o gigante asiático'

( pro1eto c$in"s e ;Manmar conectará o porto de %ittOe a bunming, capital da 5rovíncia de \unan, na região %udoeste c$inesa, possibilitando um atal$o de cerca de /'+,, quilômetros, tornando esta rota relativamente mais segura, esse acordo & de +V de de.embro de +,,J' ( acordo entre estes países para a construção do gasoduto e do oleoduto 0oi entre a C$ina )ational 5etroleum Corporation IC)5CL e o governo de ;Manmar, em que a C)5C irá desenvolver e@clusivamente o pro1eto, construir e operar os dutos' ( governo de ;Manmar irá prover a segurança de toda a e@tensão desta lin$a, que irá percorrer toda costa oeste deste país atrav&s do estado de AraPan c$egando em buming, na 5rovíncia de \unan' As construçBes 0oram iniciadas em outubro de +,,J, com a inauguração de um porto al&m dos dutos com e@tensão de ==/ quilômetros' A construção 0oi inaugurada pelo primeiro8ministro c$in"s no dia < de 1un$o de +,/,, o pro1eto está estimado num total de ?%e +,V< bil$Bes de d3lares, sendo que ?%e /,V bil$ão para o oleoduto e ?%e /,,< bil$ão para o gasoduto' )onsi*eraçGes 0inais A C$ina pela primeira ve. conseguiu sucessivamente assegurar reservas energ&ticas na Ssia Central' %uas motivaçBes estão abertas a discussBes, destacando8se o desenvolvimento das regiBes oeste da C$ina, que resultará na estabilidade dom&stica e regional' 5aralelamente, iniciou8se o restabelecimento da antiga Grota da sedaH, abrindo as portas para o início de um pro1eto de longo pra.o que determinará uma rota alternativa energ&tica IcomercialL para o mercado europeu e vice8versa' Trupos &tnicos e@tremistas e movimentos separatistas nas 5rovíncias de 6in1iang e Tibete, 0ortalecem a necessidade da C$ina em e@pandir suas relaçBes com a Ssia Central' A C$ina se preocupa com possíveis mani0estaçBes nestas regiBes, 1usti0icadas pelos movimentos &tnicos em março de +,,V e abril de +,/, no `uirguistão, como tamb&m os movimentos separatistas que ocorreram em 6in1iang em 1ul$o de +,,J' A relação diplomática russo8c$inesa & caracteri.ada como natural e sensível' A entrada americana na região da Ssia Central tem criado um ambiente mais propenso para cooperação de ambos os países, tentando evitar a estrat&gica de contenção implementada pelos E?A na região' %ua presença no A0eganistão e no 5aquistão não & bem vista pelos dois países' A decisão c$inesa em construir o duto paralelo de petr3leo e gás em ;Manmar tem grande embasamento' ( governo c$in"s tem maior con0iança no governo de ;Manmar em prover segurança no seu país para os dutos, realidade que di0ere quando se compara com o governo do 5aquistão' ( 5aquistão, apesar de sua posição estrat&gica, não possui nen$um recurso natural para o0erecer à C$ina, desta 0orma a urg"ncia na construção do duto portuário TOandar & irrelevante' Al&m disso, os dutos AraPan8\unan terão maior utilidade no transporte de petr3leo e gases por navios8tanques c$ineses de regiBes como este A0ricano e (este Asiático, sem contar com a produção de gás que ;Manmar irá 0ornecer ao gasoduto' (utros assuntos de relev4ncia como a con0rontação do !rã com o (cidente, devido ao seu controverso programa nuclear e as recentes sansBes impostas pela ()?, complementadas pelas sansBes europeias e do pr3prio congresso americano impostas a empresas americanas que 0a.iam neg3cios neste país, con0ormam o abandono da C$ina pelo pro1eto !5!' A apatia c$inesa pelo acordo de )ão 5roli0eração )uclear sinali.a que a C$ina não deve cooperar com as intençBes americanas de minimi.ar as capacidades econômicas do !rã no longo pra.o' A C$ina nunca se posicionou ou sequer participou deste ambiente de disputa nuclear, onde #ei1ing

1amais se pronunciou a respeito de seu vi.in$o Coreia do )orte, uma das ra.Bes, provavelmente, são os desacordos que a C$ina e os E?A t"m sobre a il$a de TaiOan' A C$ina pela primeira ve. con0eriu sucesso no transporte de energia para seu país, camin$o que & capa. de evitar as $abilidades de ataques das 0rotas de navios americanos' Apesar de ainda ser possível interceptar navios c$ineses que 0a.em transporte de energia de regiBes estrat&gicas como o (riente ;&dio, S0rica e Am&rica do %ul' A discussão sobre o reativamento da rota da seda, e, consequentemente, a construção de vias e canais de transporte de energias Ique sairiam de países como Turquia, !rã, !raque, Arábia %audita e inevitavelmente atravessariam regiBes que $o1e so0rem tremenda intervenção e@terna, como A0eganistão e 5aquistãoL & de signi0icante import4ncia e merece grande atenção para a evolução das análises geopolíticas' A ascensão da Undia e da C$ina como gigantes econômicos irá, irreversivelmente, viabili.ar esse processo num 0uturo incerto, região que esteve nesta d&cada passada sob intensa intervenção' ( des0ec$o deste epis3dio irá determinar o 0uturo do desenvolvimento da economia global e irá por 0im, acabar com a $egemonia (cidental de grandes imp&rios do passado' !nvoco aqui, aos mais variados especialistas em geopolítica brasileiros a iniciar uma investida nos estudos desta região, para podermos tecer nossos comentários e com a responsabilidade de primeira nação multi&tnica, dei@ar a sociedade a par dos interesses que o (cidente tem empregado nesta região, desde a %egunda Tuerra ;undial' otas ]/^ A produção dom&stica de petr3leo está estagnada 1á por um bom período de tempo, como pode ser observado no ap"ndice /' _ ]+^ 5$ili AndreOs8%peed, 6uanli iao and Aoland -annreut$er' T$e %trategic !mplications o0 C$inaQs EnergM )eeds' T$e !nternational !nstitute 0or %trategic %tudies p' =' _ ]D^ -an #lument$al' Concerns Oit$ Aespect to C$inaQs EnergM 5olicM' -isponível em2 $ttp2CCOOO'aei'orgCdoc ibC+,,W,=+DiC$inaEnergM%trat'pd0 _ ]<^ ;inoria &tnica em que a religião muçulmana & predominante, no noroeste c$in"s' _ ]V^ ( crescimento da demanda por gás natural na C$ina tem sido em m&dia =,WY ao ano' _ ]K^ 5age, T$e Xall %treet *ournal GAussia (il route Xill (pen to C$inaH2 acessado em ,+ de setembro de +,/,' _ ]=^ (il l Tas *ournal I5ennXell CorporationL, p' /,= XatPins, Eric' GC$ina to #egin Construction o0 JJ+8Pm E%5( E@tensionH2 acessado em /K de maio de +,,J' _ ]W^ _ )ational (il Corporation'

]J^ A Turquia tem tamb&m import4ncia neste processo, mas como esse artigo não 0oca nas relaçBes entre Turquia e C$ina, não iremos analisá8las' _ ]/,^ Aeativar a rota da seda e ter in0lu"ncia cultural como no antigo imp&rio 5ersa' _

]//^ _

Em

que

os

E?A

ainda

participavam

na

retaliação

da

e@pansão

comunista'

]/+^ ( governo iraniano adotou medidas econômicas estatistas alin$adas com uma ideologia religiosa nacionalista' _ ]/D^ A imposição de embargos econômicos, abriu uma oportunidade para países como C$ina, para e@plorar livremente o mercado de energia iraniano sem a disputa direta com outros países' _ ]/<^ CA A#AE%E, *o$n> C$ina and !ran2 5artners 5er0ectlM ;ismatc$ed, disponível em 2 $ttp2CCOOO'1amestoOn'orgCuploadsCmediaC*amestoOn8C$ina!ran;ismatc$'pd0' _ ]/V^ C$inaQs %inopec, !ran linP $ttp2CC$i'baidu'comCaromacnCblogCitemC ,KD<aW,a,/De+c/DJVcaKb/W'$tml' _ \adavaran -eal, /WC,DC+,/,, disponível em2

]/K^ :!%9E %(), *ames> :rom t$e %ilP Aoad to C$evron2 T$e Teopolitics o0 (il 5ipelines in Central Asia,/+C/+C+,,=, disponível em2 $ttp2CCOOO'sras'orgCgeopoliticsio0ioilipipelinesiinicentraliasia' _ ]/=^ CA A#AE%E, *o$n> C$ina and !ran2 5artners 5er0ectlM -ismatc$ed' _ ]/W^ Atrav&s da liberdade de e@pressão, valori.ação do A;# e liberdade dos povos do Tibete e 6in1iang' _ ]/J^ %( (;(), *aM ?'%' Enlists (il to %OaM #ei1ingQs %tance on Te$ran' T$e Xall %treet *ournal, +,C/,C+,,J' -isponível em2 $ttp2CConline'Os1'comCarticleC%#/+VVJ,/,,D=,DJ+J,V'$tml' _ ]+,^ ( 1ogo de interesses nesta região tem dimensBes $ist3ricas, estrat&gica para o restabelecimento da rota da seda, caso se1a reativada, a rota marítima perderá import4ncia signi0icativa' _ ]+/^ # A)b,%pep$en ' C$ina 9angs :ire on !ran85aPistan pipeline' C$ina #usiness ,JC,DC+,/,' _ ]++^ ?m pequeno 0eto de terra que passaria pelo sul de #angPoP c$egando a 5$uPet' _ ]+D^ A Tail4ndia so0reu golpe militar em +,,K, e $o1e e@iste uma disputa entre os partidos amarelo e vermel$o, con0litos que muitas ve.es se tornam violentos' _ 1i4lio+ra0ia A)-AEX%8%5EE-, 5$ili, !A( 6uanli and -A))AE?T9EA Aoland' GT$e %trategic !mplications o0 C$inaQs EnergM )eedsH' T$e !nternational !nstitute 0or %trategic %tudies p' =' # ?;E)T9A , -an' GConcerns Oit$ Aespect to C$inaQs EnergM 5olicMH' -isponível em2 $ttp2CCOOO'aei'orgCdoc ibC+,,W,=+DiC$inaEnergM%trat'pd0'

;AAbET(%, T$rassM )', G5AC interests in Central AsiaH, c$apter /, C$inese %trategic !nterests in Eurasia' ChinaJs Energ. Keopolitics L ,he Shanghai Cooperation 6rgani'ation and Central Asia , Aoutledge, / edition +,,J' A)-AEX%8%5EE-, 5$ilip, !A( 6uanli and -A))AE?T9EA, Aoland' GT$e %trategic !mplications o0 C$inaQs EnergM )eedsH' T$e !nternational !nstitute 0or %trategic %tudies, +,,V' ;AAbET(%, T$rassM )', GAussia and ?% interests in2 Central Asia2 C$inaQs AoleH, c$apter / – C$inese %trategic !nterests in Eurasia' ChinaJs Energ. Keopolitics L ,he Shanghai Cooperation 6rgani'ation and Central Asia& Aoutledge, /st edition +,,J' ,he Wall Street *ournal +,C/,C+,,J' G?'%' Enlists (il to %OaM #ei1ingQs %tance on Te$ranH' -isponível em2 $ttp2CConline'Os1'comCarticleC)AiX%*i5?#2%#/+VVJ,/,,D=,DJ+J,V'$tml' CA A#AE%E *o$n, ;iddle East !nstitute, ;anuscripts /WC,WC+,,K' GC$ina and !ran2 5artners 5er0ectlM ;ismatc$edH' -isponível em2 $ttp2CCOOO'1amestoOn'orgCuploadsCmediaC*amestoOn8 C$ina!ran;ismatc$'pd0' ;AAbET(%,T$rassM )', p' WD c$apter D – GClas$es and Coe@istence #etOeen t$e T$ree ;a1or 5oOers in EurasiaH' ChinaJs Energ. Keopolitic L ,he Shanghai Cooperation 6rgani'ation and Central Asia Aoutledge, ContemporarM C$ina %eries' C$inaQs %inopec, !ran inP \adavaran -eal /WC,DC+,/,' $ttp2CC$i'baidu'comCaromacnCblogCitemC,KD<aW,a,/De+c/DJVcaKb/W'$tml -isponível em2

G)ational !nterests o0 !ran in t$e Caspian %ea' #a$man Ag$ai -ibaH, ,JC/,C+,,J' 5$- !nternational aO o0 t$e %ea' -isponível em2 $ttp2CCOOO'paMvand'comCneOsC,JCsepC//,+'$tml' :!%9E %(), *ames' G:rom t$e %ilP Aoad to C$evron2 T$e Teopolitics o0 (il 5ipelines in Central AsiaH, /+C/+C+,,=' -isponível em2 $ttp2CCOOO'sras'orgCgeopoliticsio0ioilipipelinesiinicentraliasia' *o$n Calabrese ;iddle East !nstitute, ;anuscripts /WC,WC+,,K' C$ina and !ran2 5artners 5er0ectlM ;ismatc$ed' ;AAbET(%, T$rassM )', p' W< c$apter D – GClas$es and Coe@istence #etOeen t$e T$ree ;a1or 5oOers in EurasiaH' ChinaJs Energ. Keopolitics& ,he Shanghai Cooperation 6rgani'ation and Central Asia' Aoutledge, ContemporarM C$ina %eries' %( (;(), *aM' G?'%' Enlists (il to %OaM #ei1ingQs %tance on Te$ranH' ,he Wall Street *ournal, +,C/,C+,,J' ;AAbET(%, T$rassM )', c$apter D, p' D+, ChinaJs Energ. Keopolitics L ,he Shanghai Cooperation 6rgani'ation and Central Asia' Aoutledge' # A)b, %tep$en' China 7usiness, ,JC,DC+,/,' GC$ina 9angs :ire on !ran85aPistan 5ipelineH' T$is paper 0irst appeared in T$e *amestoOn :oundation' -isponível em2 $ttp2CCOOO'atimes'comCatimesCC$inai#usinessC C,JCb,/'$tml' C$ina %aMs )o to !ran85aPistan8C$ina $ttp2CCdespardes'comCFpk/V,V+' 5ipeline, +DC,DC+,/,' -isponível em2

A;, XillM Xo8 ap' GC$inaQs 5etroleum -iplomacMH, c$apter /+ p' +DD' China ,urns to <ultilateralism& -oreign Polic. and +egional Securit. ' Edited bM Tuoguang Xu and 9elen ansdoOne' Aoutledge, ContemporarM C$ina %eries'

China Dail.' G(il, Tas pro1ects Energi.e Aelations Oit$ ;Manmar #M a$ang *in and `in *i.eH, ?pdated2 ,<C,KC+,/, ,K2V/' -isponível em2 $ttp2CCOOO'c$inadailM'com'cnCOorldC+,/,8 ,KC,<CcontentiJJD+,KK'$tm '

O ovo .apão rumo a 2!2! = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brCVV,C1apao8rumo8+,+,C

O ovo .apão rumo a 2!2! por )aoPi TanaPa em /DC,JC+,/D , comentários -esde que passou a ser governado por %$in.o Abe, em de.embro de +,/+, o *apão entrou numa sequ"ncia de ambiciosas re0ormas econômicas e culturais com o ob1etivo de retomar o crescimento interrompido $á quase duas d&cadas' Entre os ob1etivos do governo estão atingir at& +,+, um orçamento equilibrado e acabar com a cultura corporativista que vige no *apão' ( artigo 0a. um resumo desses ob1etivos' T$e )eO *apan agenda, set up bM t$e %$in.o Abe government t$at started in -ecember +,/+, $as among its main goals to maPe t$e countrM get rid o0 its corporatist culture and to reac$ a balanced budget until +,+,, O$en ToPMo Oill $ost t$e (lMmpics' T$e need 0or radical c$anges in *apan started to be more acutelM 0elt a0ter t$e tragedies o0 ;arc$ +,//, O$en an eart$quaPe and a tsunami resulted in ma1or losses and caused a serious accident at :uPus$ima nuclear plant' T$e article is a summarM o0 t$is agenda' 3s tare0as relativas a ener+ia e meio am4iente +lo4al se converteram em NuestGes políticas e em oportuni*a*es econMmicas a partir *e "" *e março *e 2!"" Ap3s // de março de +,//, quando um terremoto e o grande tsunami atingiram o este do *apão, tivemos a in0elicidade de so0rer graves acidentes nos reatores nucleares de :uPus$ima -aiic$i' Em seguida, todos os nossos V< reatores nucleares 0oram paralisados, o que signi0icou o aumento da quantidade de combustíveis 03sseis usados nas usinas el&tricas do *apão, representando um aumento de <, bil$Bes de d3lares no custo da eletricidade' (s d&0icits de balança comercial aumentaram, e o preço do petr3leo e do gás natural lique0eito subiram nos mercados globais' )essas circunst4ncias, cortes no consumo de energia e 5l- sobre energia renovável se tornaram de import4ncia vital para a sociedade 1aponesa' Alguns a0irmam que o *apão superou duas crises do petr3leo nos anos /J=,, e a economia do país sobreviveu com base em uma menor depend"ncia em combustíveis 03sseis, e que o mesmo acontecerá agora' -esta ve., entretanto, a situação & di0erente' )as crises do petr3leo dos anos /J=,, o aumento do preço dos combustíveis 03sseis a0etou a todos, inclusive os países desenvolvidos' )o caso da indEstria 1aponesa, a adoção de m&todos de substituição 0oi possível em ra.ão dos altos índices

de investimento' (s setores industriais com alto consumo de petr3leo, como a 0undição de alumínio e alguns ramos da petroquímica tiveram suas atividades suspensas em territ3rio 1apon"s, a produção tendo sido trans0erida para outros países' 5or meio de substituiçBes dessa nature.a, a indEstria 1aponesa se tornou menos dependente do consumo de petr3leo' Tivemos que levar em conta um novo impulso do lado da demanda' Cresceu a demanda por produtos 1aponeses de alta e0ici"ncia energ&tica, como pequenos autom3veis e produtos el&tricos' :oram essas mudanças na demanda global que 0i.eram com que o *apão se tornasse o )Emero / I( *apão como nEmero /L' -esta ve., entretanto, o alto custo da eletricidade a0eta unicamente a indEstria 1aponesa' 'anto a ciKncia como as tecnolo+ias *evem ser inte+ra*as em nossa a+en*a A segurança nuclear converteu8se na principal tare0a para o governo de %$in.o Abe' 5ara controlar o preço da eletricidade, a reabertura das usinas de energia nuclear & indispensável' )o entanto, a 0im de assegurar sua segurança, novas ci"ncias e tecnologias t"m que ser adotadas' Antes de // de março de +,//, as grandes empresas produtoras de eletricidade eram responsáveis por seus pr3prios sistemas de controle' Ap3s os graves acidentes de :uPus$ima, a Ag"ncia de Aegulamentação Atômica assumiu o poder de proteger a segurança dos reatores nucleares' A 0im de se adequar às novas determinaçBes da Ag"ncia, novos crit&rios de segurança v"m sendo introdu.idos em cada usina' E, para controlar os reatores de :uPus$ima -aiic$i, novas tecnologias, como a rob3tica, v"m sendo adotadas' -evo acrescentar algo acerca dos mecanismos de controle das redes inteligentes Ismart8gridL de transmissão de energia' ;edidas de apoio do tipo tari0as 0eed8in, com vistas a incentivar a energia renovável, 0oram introdu.idas ap3s // de março' Ap3s a adoção dessas medidas, vários tipos de energia renovável Igeot&rmica, e3lica e solarL estarão prontos a entrar em operação' )o entanto, para absorver essas novas energias renováveis, um mecanismo de redes inteligentes deve ser introdu.ido' E, a 0im de aliviar a carga dessas redes, serão necessários reservat3rios de eletricidade' 5r&dios residenciais inteligentes equipados com baterias e carros el&tricos serão outras maneiras de aliviar essas redes inteligentes' A indEstria 1aponesa tem grande interesse em investimentos em 5l- visando novas tecnologias e con$ecimentos cientí0icos' 3 e0iciKncia tornou-se a priori*a*e nOmero " para a ativação *e ener+ias renov9veis Estamos agora no segundo estágio da introdução de energias renováveis' )o primeiro estágio, quando uma maior geração de energia se tornou necessária no período ca3tico que se seguiu ao // de março, a energia renovável gan$ou prestígio' Agora, entretanto, estamos levando em conta a sustentabilidade de nossa economia' A qualidade e os preços das energias renováveis estão em discussão neste segundo estágio' -o ponto de vista da e0ici"ncia, a energia geot&rmica apresenta um e@celente desempen$o' )o entanto, no *apão, as 0ontes termais são locais de recreação e moradia' (s $ot&is 1aponeses locali.ados nessas áreas resistem à introdução da energia geot&rmica' E a Ag"ncia de 5roteção Ambiental & contrária ao desenvolvimento desse tipo de energia por ra.Bes de proteção ecol3gica' Teremos que encontrar um equilíbrio entre a energia renovável e o meio ambiente' $erão aplica*os crit7rios para *eterminar se proPetos especí0icos *e ener+ias renov9veis tKm ou não via4ili*a*e econMmica (s graves acidentes ocorridos em :uPus$ima -aiic$i tiveram um grande impacto sobre o 0uturo da energia nuclear no *apão' Atualmente, a opção8.ero para a energia nuclear vem obtendo apoio crescente' )o entanto, a opção8.ero tra. tr"s tipos de problemas' ( primeiro são os altos preços dos combustíveis 03sseis' %e os preços da eletricidade continuarem altos, & muito provável que

um grande nEmero de empreendimentos manu0atureiros trans0ira para o e@terior sua produção' ( segundo problema relaciona8se à vulnerabilidade geopolítica do *apão' %e continuarmos tão dependentes dos combustíveis 03sseis, a crise no estreito de 9ormu. tornará vulnerável o 0ornecimento de energia em nosso país' -o ponto de vista da segurança econômica, a energia nuclear & indispensável' ( terceiro problema di. respeito à postura 1aponesa quanto a não proli0eração nuclear' Entre os países que não possuem armas nucleares, o *apão & o Enico capa. de produ.ir plutônio a partir de resíduos nucleares' Esse tratamento especial con0erido ao *apão se deve ao Tratado sobre Energia )uclear 0irmado entre o *apão e os Estados ?nidos' 5ossuímos grandes quantidades de plutônio que pode ser usado no ciclo de combustíveis nucleares' Caso o *apão escol$a a opção8.ero, os princípios da não proli0eração que deveriam ser aplicados a uma s&rie de países não detentores de energia nuclear irão perder sua 0orça' )o caso de o !rã se decidir pelo uso de energia nuclear, o modelo 1apon"s seria de grande import4ncia' A qualquer momento, a !AEA I!nternational Atomic EnergM AgencML pode ter acesso, para 0ins de inspeção, a todas as instalaçBes 1aponesas' A !AEA tem equipes de peritos lotados em regime permanente em todas as usinas nucleares do *apão, o que garante a transpar"ncia do sistema' ( ;odelo *apon"s deve portanto ser preservado' Crit&rios de viabilidade econômica e política devem ser mantidos nas políticas energ&ticas que o *apão 0uturamente adotar' 27to*os *e *esre+ulamentação terão Nue ser empre+a*os nas 9reas *o 0ornecimento *e ener+ia el7trica e aNuecimento `uando o *apão se decidiu pela abertura de sua sociedade durante a Aestauração ;ei1i, 0oi necessária a adoção do capitalismo desenvolvimentista' )o processo de alcançar os demais países, 0oram introdu.idos sistemas de painel de comando' Correspond"ncia um a um da sede central com as 5rovíncias e as 0ábricas eram características desse sistema' )o caso da energia, a separação entre eletricidade e gás 0oi adotada em todo o país e continuou em vigor at& // de março de +,//' )o entanto, da perspectiva da e0ici"ncia energ&tica, a eletricidade e o aquecimento a gás deveriam ser 0ornecidos con1untamente' :oi necessária a adoção de m&todos de desregulamentação com o ob1etivo de quebrar o corporativismo 1apon"s' A otimi.ação parcial alcançada com o sistema de painel de controle 0oi escol$ida pelo setor industrial 1apon"s' A partir de // de março, m&todos de desregulamentação v"m sendo intensamente discutidos, resultando na introdução de novos crit&rios' Estamos ingressando em uma era de alta competitividade' 'anto a o0erta *e alimentos Nuanto a sustenta4ili*a*e econMmica *a socie*a*e serão postos em Nuestão a partir *o ponto *e vista *a sustenta4ili*a*e *o meio am4iente +lo4al Antes de // de março de +,//, contávamos com a energia nuclear para 0a.er 0rente às questBes do aquecimento global' %egundo as previsBes do governo 1apon"s para +,V,, a energia nuclear seria responsável por V,Y da eletricidade consumida' Agora, entretanto, essa energia 0oi substituída por combustíveis 03sseis, em pre1uí.o das metas estabelecidas para lidar com o aquecimento global' )essas circunst4ncias, nossa indEstria vem se concentrando no pro1eto de cidades e pr&dios inteligentes' Economi.ar energia se trans0ormou na principal prioridade de nosso setor industrial, uma ve. que temos que en0rentar o problema da sustentabilidade' As atividades de 5l- v"m centrando nessas questBes' )o conte@to dessas mudanças básicas, novos en0oques v"m sendo adotados tamb&m em outras áreas' -a perspectiva da sustentabilidade da sociedade global, os sistemas de 0ornecimento de alimentos em nível mundial devem ser repensados' A sustentabilidade global vem sendo tratada com 0oco no 0ornecimento de energia, redução da demanda por energia e sistemas de 0ornecimento de alimentos' 3 +arantia *a Nuali*a*e *os alimentos ter9 Nue ser posta em Nuestão

(s problemas dos alimentos devem ser discutidos levando em conta seus aspectos quantitativos e qualitativos' )o passado, o problema da segurança alimentar no *apão se limitava à proteção ao arro.' Em inícios da d&cada de /JJ,, quando as negociaçBes da Aodada ?ruguai sobre liberali.ação do com&rcio 0oram discutidas no 5arlamento 1apon"s, o en0oque centrava8se em assegurar quantidades su0icientes de alimentos' 5ara proteger o arro., 0oi aprovado um aumento de =,,Y em sua tari0a' !sso ocorreu $á duas d&cadas' -esde então, aprendemos muito sobre segurança alimentar' ?ma das liçBes 0oi que tari0as elevadas não bastam para proteger o 0ornecimento de alimentos' A m&dia etária entre os agricultores 1aponeses subiu para KK anos' A regulamentação impun$a limites aos novos ingressos originários do setor empresarial 1apon"s' ( 0uturo da produção de alimentos & muito incerto, e nosso acesso a alimentos deve ser estudado a partir de perspectivas mais amplas' )essas circunst4ncias, a qualidade dos alimentos passou tamb&m a ser e@aminada' `uanto à qualidade, as indEstrias 1aponesas contam com boas práticas' Essa & a situação atual com relação ao 0ornecimento de alimentos' ( setor industrial 1apon"s tem capacidade de assegurar a qualidade' )ovas dimensBes v"m se abrindo para n3s' 3 otimização ampla *e to*o o processo *e o0erta *e alimentos ser9 posta em Nuestão 5ara que a indEstria 1aponesa possa tratar do processo de 0ornecimento de alimentos como um todo, todos os 0atores da situação devem ser questionados' Essa preparação 1á vem ocorrendo em diversos setores industriais 1aponeses' 5odemos ver a semel$ança com a situação ocorrida na d&cada de /JD,, quando biic$iro ToModa, 0undador da ToMota ;otors Co', deu início à produção de autom3veis 0abricados no *apão' 5ara montar um autom3vel, os materiais e as peças devem ser testados um a um' %e 0orem encontrados problemas, o setor de 5l- passará a se concentrar naquela área especí0ica, con0orme necessário' )o processo de montagem industrial, a coordenação de todos os setores & da maior import4ncia' Ap3s a montagem, qualquer produto deve ser testado em 0uncionamento' %e o resultado não 0or satis0at3rio, o produto deve ser submetido à análise meticulosa' Ao aplicarmos esses procedimentos ao 0ornecimento de alimentos, temos que e@aminar a totalidade do processo de sua produção' %ementes, sistemas de produção agrícola, composição nutricional etc' devem ser estudados' *untamente com a energia, os alimentos são a prioridade mais alta na agenda da sustentabilidade global' )o *apão, tanto o setor energ&tico quanto o setor agrícola eram 0ec$ados à competição' Essas duas áreas de import4ncia crítica para a proteção do meio ambiente global devem ser abordadas em paralelo' 3 0im *e atin+ir uma otimização parcial nas pr9ticas *e ca*a 9rea ( mais comum & que, no primeiro estágio de operaçBes, crit&rios de otimi.ação parcial se1am aplicados com vistas a assegurar a qualidade' ;esmo no caso de produtos agrícolas processados, desde os agricultores at& o acesso dos consumidores, a aplicação da otimi.ação parcial & uma 0orma comum de gerenciamento da qualidade' )a verdade, o período de validade dos alimentos processados signi0ica um grande desperdício' 5ara garantir a qualidade dos alimentos, 0oi determinado que a data de validade se1a impressa nos produtos' (s comerciantes t"m que descartar os produtos que ten$am ultrapassado essa data' Algo está errado' Temos que mencionar o en0oque industrialista 1apon"s' biic$ito ToModa introdu.iu o conceito 1ust in time Ina $ora e@ataL a 0im de redu.ir custos' Em seus primeiros tempos, a ToMota ;otors Co' não possuía capital su0iciente para acumular estoques' 5ara ele, não $avia período de validade' A perspectiva da otimi.ação ampla deve ser adotada no 0ornecimento de alimentos' A sustentabilidade se converteu na prioridade a ser levada em conta' )a escala global, a otimi.ação ampla deve ser buscada' A indEstria 1aponesa passou a considerar a sustentabilidade no conte@to global' )om vistas Q a*oção *e en0oNues movi*os pela *eman*aL a totali*a*e *a conectivi*a*e *as re*es in*ustriais *ever9 ser Nuestiona*a

5ara tratar do problema dos alimentos em escala global, devemos estudar o processo em sua totalidade, desde os agricultores, passando pelo sistema de produção e distribuição de alimentos at& as escol$as 0eitas pelos consumidores' (s níveis da produção e da distribuição são regulamentados pelo governo' A regulamentação governamental não costuma ser nem e0iciente nem consistente' (s grupos de interesses obedecem a essa regulamentação unicamente porque pretendem continuar em operação' Essa regulamentação interrompe a conectividade industrial' ?m sistema industrial racional e@ige a adoção de um en0oque movido pela demanda' biic$iro ToModa introdu.iu um sistema de produção racional em termos da demanda' %egundo ele, os en0oques movidos pela o0erta acarretam grandes estoques e posiçBes 0inanceiras vulneráveis' )o caso da produção de alimentos, signi0icam descartes e desperdício' )o setor de alimentos, novos tipos de conectividade industrial devem ser estudados da perspectiva da sustentabilidade de nossa sociedade global' 3 a+en*a *o ovo .apão se+un*o a Economia 34e A Economia Abe IAbenomics – Abe[eco8nomicsL apresentou algum sucesso em seu primeiro estágio' Al&m disso, o acesso à T55 ITrans85aci0ic 5artners$ipL trará algum grau de liberali.ação dos recursos econômicos 1aponeses' )o entanto, teremos muitas questBes a serem tratadas' !rei apresentar uma s&rie de previsBes sobre as tend"ncias 0uturas da sociedade 1aponesa' ?ma questão importante a ser levada em conta & o envel$ecimento da população, um problema que irá a0etar tamb&m outros países asiáticos' A análise da Gsociedade grisal$aH, portanto, será de algum interesse para outros países' Tanto o conservadorismo como o liberalismo serão 0atores importantes em nossas consideraçBes' Re*e0inir o conserva*orismo so4 o +overno 34e ( -5 I iberal -emocratic 5artML vem ocupando um papel de liderança na política 1aponesa, e costuma ser visto como um partido conservador' Ap3s a %egunda Tuerra ;undial, o sistema da Tuerra :ria manteve8se por muito tempo no este Asiático' `uando o *apão voltou a ser um país independente, ap3s o Tratado de %ão :rancisco, 0oi necessário dar continuidade à ocupação militar norte8americana, devido à Tuerra da Coreia que ocorria a essa &poca' ( Tratado de %egurança *apão8Estados ?nidos endossava a independ"ncia do *apão, e as lideranças do -5 aceitaram a situação' -esde então, o sistema político 1apon"s vem sendo composto por uma combinação do -5 com *%5, *apanQs %ocialist 5artM' ( -5 era 0avorável aos Estados ?nidos, enquanto o *%5 0avorecia o plane1amento social' ( sistema da Tuerra :ria se re0letia na política interna 1aponesa' Essa 0oi a ra.ão de o -5 ser considerado um partido conservador' ( povo 1apon"s repudiava a in0lação veri0icada ap3s a %egunda Tuerra' ?ma legislação 0iscal 0oi adotada a 0im de alcançar o equilíbrio orçamentário' )o período da reconstrução econômica, 0oram necessários enormes gastos 0iscais, mas o sistema de equilíbrio orçamentário continuou em vigor at& /JKV, quando ocorreu a primeira grande depressão posterior à %egunda Tuerra' ?m orçamento complementar 0oi elaborado, e o d&0icit orçamentário 0oi 0inanciado pela emissão de Títulos do Toverno *apon"s' Essas medidas garantiram o sucesso da recuperação econômica, superando a depressão de /JKV' )o entanto, ap3s /JKV, a emissão de Títulos do Toverno *apon"s 0oi incorporada à elaboração dos orçamentos' ( -5 desconsiderou o sistema de equilíbrio orçamentário, recusando qualquer compromisso político' -ata daí o surgimento dos PeMnesianos 1aponeses' ( -5 era pr38Estados ?nidos e 0icou con$ecido como um partido liberal, uma ve. que seus membros eram 0avoráveis aos gastos com previd"ncia social' )os sistemas políticos posteriores à %egunda Tuerra, & impossível distinguir o verdadeiro conservadorismo, que & 0rontalmente contrário aos d&0icits orçamentários' 9o1e, o valor total dos Títulos do Toverno *apon"s a serem resgatados & enorme,

representando o dobro do 5!# 1apon"s' A Economia Abe não assume o compromisso de equilibrar o orçamento em um primeiro estágio' %e o preço dos Títulos vier a apresentar uma queda abrupta, seu resgate seria incerto, o que poderia levar ao temor de não pagamento' ?ma tal situação poderia resultar em desordem social' ( conservadorismo de0ende a preservação da ordem social' )ão conseguimos encontrar esse tipo de conservadorismo entre os membros do -5 e necessitamos de uma rede0inição desse termo' 5i4ertarmo-nos *o corporativismo PaponKs ( corporativismo 1apon"s se re0letia na grande diversidade de despesas pEblicas' Todos os setores industriais e sociais querem estar representados na alocação dos recursos 0iscais' ( -5 atendia a esses tipos de reivindicaçBes e e@ig"ncias, con0igurando o corporativismo 1apon"s' ( -5 conseguiu a estabilidade política atraindo grandes votaçBes' ( preço dessa estabilidade, entretanto, era a imensa dívida nacional' 5ara 0inanciar essas reivindicaçBes, 0oram mantidos os altos impostos para o setor empresarial' Continuou sendo praticada uma alíquota de <,Y para a tributação das empresas Iincluindo as ta@as municipaisL' )os países asiáticos vi.in$os, como Cingapura, TaiOan, 9ong bong e outros, entretanto, os impostos empresariais caíram para /=Y' As indEstrias 1aponesas mais in0luentes sempre contaram com um sistema de proteção e@terno muito diversi0icado, e v"m agora reorgani.ando seus modelos empresariais e gan$ando liberdade para trans0erir suas instalaçBes industriais para qualquer local do mundo' (s cidadãos 1aponeses, entretanto, não contam com essa liberdade de movimento' Essa & a crua realidade no *apão' A discrep4ncia entre os setores empresariais e os indivíduos se tornou demasiadamente aguda, e os políticos se recusam a entender a situação' Temos que trans0ormar o corporativismo 1apon"s em algum tipo de gerenciamento social de autogoverno' R $o1e da maior import4ncia distinguir entre autoa1uda, a1uda con1unta e a1uda pEblica' R necessário dar uma solução para a assimetria veri0icada nos graus de liberdade con0eridos aos indivíduos e aos setores empresariais' R possível atin+ir o eNuilí4rio *a 4alança prim9ria at7 2!2!L Nuan*o terão início os .o+os Olímpicos *e 'ANuio< Temos a grande sorte de T3quio ter sido escol$ida para sediar as (limpíadas de +,+,, ap3s as do Aio de *aneiro' Temos a tradição de estabelecer metas em nossas políticas' )os casos em que metas concretas 0oram estabelecidas, en0oques coerentes tornaram8se possíveis' Em +,+,, nove anos terão decorrido ap3s o // de março de +,//' Temos que encontrar soluçBes sustentáveis para as questBes de energia e meio ambiente, e tamb&m para a sustentabilidade global' A indEstria 1aponesa precisa adotar novas práticas com relação a energia, alimentos e meio ambiente, usando nossas vantagens em termos de 5l- industrial' `uanto à sustentabilidade na es0era interna, novas 0iloso0ias sociais devem ser 0ormuladas em bases pro0undas' Esses es0orços permitirão que se1a alcançado o equilíbrio da balança primária' 5assaremos agora a descrever alguns cenários possíveis at& +,+,' Em seguida, tentarei mostrar quais deveriam ser nossas metas para +,+,, assim como os camin$os para c$egar at& elas 3plicação *e nossos con-ecimentos aos países vizin-os *o 5este 3si9tico :alando 0rancamente, do ponto de vista do *apão, questBes territoriais com a Coreia do %ul e a C$ina não eram esperadas em inícios do s&culo 66!' -o ponto de vista do observador e@terno, suspeita8se que o *apão não ten$a a capacidade de en0rentar questBes territoriais' ?m ponto deve ser mencionado2 a recuperação econômica 1aponesa ap3s // de março de +,//' A sustentabilidade do crescimento econômico se trans0ormou em um problema importante para a C$ina e a Coreia do %ul' 9ouve muitas re0er"ncias às armadil$as para as economias emergentes' )o caso da C$ina, uma outra questão se soma a essas armadil$as2 a transição de um regime de partido Enico para uma economia de mercado' A C$ina, portanto, necessita das liçBes ensinadas

pelas práticas 1aponesas' A Coreia do %ul não alcançará sustentabilidade caso se aten$a ao mercado c$in"s, e precisa diversi0icar suas relaçBes com os países do este Asiático' ( mercado 1apon"s, agora em 0ranca recuperação, será de grande import4ncia para a Coreia do %ul' 3s 4ol-as no .apãoL nos Esta*os >ni*os e na )-ina )o presente estágio $ist3rico, a C$ina tem que aprender sobre os processos de bol$as e quebras que ocorrem nas economias capitalistas' )o caso da economia 1aponesa, a grande valori.ação do Men ap3s o Acordo 5la.a de /JWV se converteu em uma das causas da bol$a' ( Men, que teve seu poder de compra aumentado em termos das moedas estrangeiras, 0oi aplicado internamente na tentativa de aumentar a demanda interna' dquela &poca, o desenvolvimento urbano se converteu na prioridade má@ima' Antes, e@istiam mitos com relação ao preço da terra' Capitais especulativos 0oram canali.ados para a compra de terras, e o aumento nos preços 0uncionou como garantia nos empr&stimos contratados por proprietários de terras' )o pico da bol$a, caso 0osse possível convencer o !mperador a se mudar para bMoto, a antiga capital do *apão, e a vender o 5alácio !mperial, a quantia au0erida seria su0iciente para comprar todo o estado da :l3rida' As bol$as tiveram causas e e0eitos' %ua missão era aumentar a demanda interna' 5ara tal, a demanda por terra deveria aumentar' )o caso dos Estados ?nidos, a causa 0oram os empr&stimos subprime' Comparei o caso c$in"s com os empr&stimos subprime norte8americanos' Com base nessa comparação, & possível a0irmar que $á alta probabilidade de a bol$a c$inesa vir a e@plodir' 3s causas *o r9pi*o pro+resso )a C$ina, os planos de urbani.ação 0oram priori.ados' 5ara mel$orar as condiçBes de vida de W,, mil$Bes de trabal$adores rurais, trans0eri8los para áreas urbanas se converteu na prioridade nEmero /' :oram criadas metas para o crescimento social $armônico' Esse & o pano de 0undo das bol$as c$inesas' `uando e@aminamos o 0ator temporal do estouro das bol$as, menores gastos reali.ados pelos setores empresariais em ra.ão do aumento dos custos do uso da in0raestrutura podem criar maiores possibilidades de isso vir a ocorrer' A ine0ici"ncia tamb&m & importante, e pode se converter na causa do estouro das bol$as' Propostas Nuanto a soluçGes para o pro4lema *o sistema 4anc9rio paralelo Bs-a*o6 4an&in+F c-inKs (s governantes c$ineses devem estar perple@os com o taman$o e a comple@idade das práticas do s$adoO banPing' Em 1ul$o Eltimo, teve lugar em %ão 5etesburgo, na AEssia, o encontro do T+, que reuniu ministros da :a.enda e presidentes dos #ancos Centrais' )essa ocasião, o problema do s$adoO banPing c$in"s deveria ter sido um dos principais temas em discussão, o que entretanto não ocorreu, porque os representantes da C$ina a0irmaram que a questão não tin$a maior import4ncia' As reuniBes do T+, 0oram criadas para tratar as condiçBes econômicas di0íceis veri0icadas ap3s a derrocada do e$man #rot$ers' ;as o governo c$in"s recusou8se a ser colocado como ob1eto de discussão, mesmo em se tratando de um dos problemas mais importantes a serem e@aminados no nível do T+,, pre1udicando as atribuiçBes do grupo' -a perspectiva do *apão, temos muitas sugestBes a o0erecer' Citarei alguns temas2 como lidar com in1eçBes de din$eiro pEblico em instituiçBes 0inanceiras atravessando di0iculdades, os sistemas de supervisão a serem adotados ap3s essas in1eçBes, cooperação internacional em meio a incerte.a 0inanceira etc' )ossos 0racassos relativos a empr&stimos não ressarcidos nos ensinaram algumas liçBes que podemos compartil$ar com outros países' )osso camin$o para o ano +,+, inclui nosso compromisso para com os países vi.in$os'

E+ito S )rMnica *e uma revolução em curso = Política Externa $ource >R5?$ttp2CCpoliticae@terna'com'brCVV<Cegito8cronica8revolucao8cursoC

E+ito S )rMnica *e uma revolução em curso por %alem 9' )asser em /<C,JC+,/D , comentários A onda de revoltas que tomariam de assalto o mundo árabe, da Tunísia ao Egito, à íbia, ao !"men, ao #a$rein, à %íria e al&m, tem causas comuns aos vários processos revoltosos e semel$anças entre eles' 5or&m, cada revolta seguiu um curso pr3prio e vai c$egando a resultados diversos' -entre as causas comuns, $á aquelas que se repetiam no seio de cada sociedade, de cada país, e $á aquelas que acometiam – e o seguem 0a.endo – o con1unto dos povos árabes como um coletivo, e não mais como Estados ou sociedades singulares' (s males internos, encontráveis em praticamente todos os países árabes, constituem uma lista ra.oavelmente con$ecida2 centrali.ação do poder e autoritarismo policialesco, corrupção, pobre.a e desigualdade social, desemprego, d&0icit democrático' %u0iciente material para revoltas' ( risco maior2 o de que grupos radicais mais violentos, 1á em ação no !raque, na %íria e em tantos outros lugares, trans0ormem o Egito em mais um campo de batal$a e, talve., de guerra civil' T$e Oave o0 revolts t$at Oould assault t$e Arab Oorld, 0rom Tunisia to EgMpt to ibMa to \emen to #a$rain to %Mria and beMond, $ave common causes to various processes and similarities betOeen t$em' 9oOever, eac$ revolt 0olloOed a proper course and is reac$ing di00erent results' T$e internal problems in almost all Arab countries constitute a list 0airlM Oell PnoOn2 centrali.ation o0 poOer and aut$oritarian police state, corruption, povertM and social inequalitM, unemploMment, democratic de0icit' Enoug$ material 0or revolts' About t$e ;uslim #rot$er$ood in EgMpt, deposed bM t$e armM in *ulM, t$e aut$or saMs t$at, $aving e@perienced somet$ing o0 poOer, tend not easilM accept t$e de0eat and maM resort to violence' T$e greater risP is t$at most violent radical groups, alreadM in action in !raq, %Mria and manM ot$er places, Oill turn EgMpt into anot$er battle0ield and per$aps into a civil Oar'

?m verdureiro, na Tunísia, ateou 0ogo ao pr3prio corpo e começou assim a onda de revoltas que tomariam de assalto o mundo árabe' -a Tunísia ao Egito, à íbia, ao !"men, ao #a$rein, à %íria e al&m' %e & possível aceitar esse evento dramático como ponto inicial e estopim de um 0enômeno $ist3rico de grande envergadura – o aspecto simb3lico dos pontos de partida não pode ser ignorado – e se & possível veri0icar tanto causas comuns aos vários processos revoltosos quanto semel$anças entre eles, o 0ato & que cada revolta seguiu um curso pr3prio e vai c$egando a resultados diversos' -entre as causas comuns, $á aquelas que se repetiam no seio de cada sociedade, de cada país, e $á aquelas que acometiam – e o seguem 0a.endo – o con1unto dos povos árabes como um coletivo, e não mais como Estados ou sociedades singulares' (s males internos, encontráveis em praticamente todos os países árabes, constituem uma lista ra.oavelmente con$ecida2 centrali.ação do poder e autoritarismo policialesco, corrupção, pobre.a e desigualdade social, desemprego, d&0icit democrático' %u0iciente material para revoltas' 5ara al&m desses problemas comuns, vividos de modo singular por cada sociedade, $á uma pesada $erança de 0rustraçBes e impot"ncia que acomete o coletivo 0ormado por povos e países' A 0rustração e o sentido de impot"ncia estão ligados à sensação de 1á não ter em mãos as r&deas do pr3prio destino e de estar à merc" de vontades mais poderosas' ( símbolo mais potente dessa sensação & a questão da 5alestina, uma trag&dia que continua a se apro0undar e a impor derrotas políticas que se vão adicionando à s&rie de derrotas militares do s&culo que passou' Ao longo do tempo decorrido desde que começaram as revoltas, $ouve uma tend"ncia a privilegiar as e@plicaçBes 0undadas sobretudo nas ra.Bes internas, ainda que comuns' E isso se relaciona com a adoção de uma c$ave de interpretação que l" os processos revoltosos como, sobretudo ou apenas, tentativas de emancipação individual em 0ace de estruturas estatais autoritárias' Considerar tamb&m aquele con1unto de 0rustraçBes mais generali.ado e mais di0uso demandaria um apro0undamento da investigação sobre o que poderia consistir numa identidade árabe para al&m do pertencimento a um país e sobre questBes nacionais árabes que não são restritas a Estados particulares e podem ser pensadas como coletivas' A combinação de identidade e questBes nacionais, uma e outra relacionadas a um coletivo árabe abrangente, tra. à super0ície o tema da relação entre o árabe e o religioso, mais especi0icamente o !slã, e o tema da centralidade do mundo árabe, de sua locali.ação geográ0ica e política no tabuleiro de poder mundial' As revoltas não podem ser entendidas, enquanto se desenrolam, sem um ol$ar para o que se convenciona c$amar !slã 5olítico' E certamente não podem ser sequer a0loradas sem a adoção de uma c$ave de interpretação que tente desvendar os 1ogos de poder em que estão inseridas' %ão essas as preocupaçBes que guiam esta tentativa de contar alguns momentos do processo revoltoso tal como ele se desenrola no Egito, desde a rápida e em certa medida surpreendente queda de ;ubaraP, ap3s alguns dias de grandes mani0estaçBes e de repressão violenta, entre 1aneiro e 0evereiro de +,//' Des*e o inícioL a contrarrevolução em marc-a

Entre o período inicial do processo egípcio Iaqueles dias de 1aneiro e 0evereiro de +,// que culminam com a renEncia do presidente de tr"s d&cadasL e meados de +,/+ Iquando em 1un$o se con$eceu o novo presidente eleito, membro da !rmandade ;uçulmanaL, o Egito 0oi governado por um Consel$o %upremo das :orças Armadas' Ao longo desse tempo, o Consel$o acenou com e de 0ato operou algumas mudanças, um re0erendo sobre emendas à Constituição, eleiçBes parlamentares e presidenciais, ao mesmo tempo em que continuava a reprimir nas ruas as mani0estaçBes populares que não davam tr&gua, e em que tentava manter as r&deas do poder' Ao começarem as revoltas no mundo árabe e à medida que se 0oram cun$ando nomes para o 0enômeno, $ouve quem se insurgisse, desde o início, contra o nome Gdespertar árabeH que muitos usavam, por considerar que, ao retratar os povos árabes como adormecidos, não 0aria 1ustiça aos levantes que esses povos iniciavam periodicamente, sempre 0rustrados, sempre abortados pelos detentores do poder e por seus apoiadores' ( risco que esse diagn3stico queria anunciar era o da contrarrevolução' ;uito cedo, o Egito começou a nos apresentar um quadro que ilustrava e@emplarmente essa din4mica de contrarrevolução' Em poucos dias, em meados de +,/+, alguns golpes de caneta nos mostraram a 0ace de um regime que, tendo dei@ado cair o líder que passara a concentrar o essencial da re1eição popular, se recusava a morrer' 5rimeiro, a estrutura de poder ainda intacta, à 0rente da qual estavam os militares e que incluía parte signi0icativa do *udiciário, produ.iu vereditos que em larga medida dei@avam impunes representantes do regime, quer por crimes cometidos durante a revolta, quer por outros, anteriores' Em seguida, operou8se a volta da lei marcial' :inalmente, a Corte Constitucional tomou decisBes que levaram à dissolução do 5arlamento, que $avia sido eleito na virada de +,// para +,/+ e era composto de uma esmagadora maioria dos partidos islamitas, que a0irmaram a legalidade da candidatura de A$mad C$a0ic – Eltimo primeiro8 ministro de ;ubaraP e $omem do coração do regime e de seu aparato de segurança – à 5resid"ncia e abriram as portas para que uma eventual eleição do candidato da !rmandade ;uçulmana ao mesmo cargo 0osse invalidada' A tranquilidade com que o regime Ios militares e seus tribunaisL operava essas 1ogadas estava 0undada em dois 0atores de con0iança2 a crença no cansaço, talve. e@austão da população para protestar e a crença de que 1á teria tido tempo de se instalar, em parte da população e na opinião pEblica internacional, o medo da !rmandade ;uçulmana, que poderia ser assim mais 0acilmente impedida de c$egar ao poder' Con0iava8se, provavelmente, que a população e@austa quisesse acima de tudo ordem e que mesmo os democratas liberais pre0eririam os militares aos islamistas, quando bem 0eitas todas as contas' Esse cálculo trabal$ava, no entanto, com uma inc3gnita de monta, o taman$o do apoio popular à !rmandade, e presumia que revolucionários e islamistas não se con0undiam e eram, na verdade, e@cludentes uns dos outros' )aquele momento, os discursos e@plicavam as decisBes então recentes como golpes contra a !rmandade antes de serem golpes contra a revolução e naturali.avam essa distinção, e tendiam a legitimá8los, os golpes, em nome do medo do !slã 5olítico'

ds portas do segundo turno da eleição presidencial, a !rmandade sustentava um discurso de tranquilidade, talve. ainda segura de sua enorme 0orça e, quem sabe, con0iante de que era inescapável a sua c$egada ao poder, mais cedo ou mais tarde' E nisso tin$a ra.ão' ;as se a revolta egípcia devia o0erecer uma trans0ormação do modo como se 0a.ia política e se construía a sociedade, e não apenas proceder a uma mudança de detentores do poder, esse ob1etivo maior acabava de so0rer um duro golpe, ainda que 1á esperado' O vence*or levouL mas isto era sA o começo Em maio de +,/+, aconteceu o primeiro turno das eleiçBes presidenciais, que teve como resultado um 0ace a 0ace entre, 1ustamente, o representante do antigo e ainda presente regime, A$mad C$a0ic, e o candidato da !rmandade ;uçulmana, ;o$amad ;ursi' E a eleição deste segundo por margem apertada no segundo turno 1á podia ser lida como sinal da divisão que acometia o país e da resili"ncia do regime' Este resultado, no entanto, não 0oi anunciado de imediato' Ao 0inal, depois de alguns dias de atraso e de grandes dEvidas sobre o que viria, o vencedor 0oi e0etivamente declarado vencedor' ;as isto não signi0icava, necessariamente, que as instituiçBes estavam 0uncionando' -esde o começo das revoltas no mundo árabe, mais de um se perguntava se a democracia era possível naquelas paragens' E ainda que não se1a 0ácil di.er o que & e@atamente uma democracia ou decidir se pode $aver mais de um tipo, talve. se1a seguro di.er que ela tem a ver com o desen$o de instituiçBes sadias e com que essas 0uncionem de modo a redu.ir o e@ercício arbitrário do poder' Teria sido a decisão da comissão eleitoral que declarou vencedor o vencedor o anEncio de uma nova eraF A dEvida era legítima' A demora do anEncio não podia se 1usti0icar senão porque algo estava sendo co.in$ado em outra co.in$a e, por um bom momento, pensou8se que o candidato do regime seria declarado vencedor' 9avia algumas $ip3teses sobre o que podia estar acontecendo' (s militares talve. estivessem testando a disposição popular e aquela dos partidários da !rmandade para saber se passaria uma vit3ria de A$mad C$a0ic como corolário do golpe a prestaçBes que estavam dando' (u se estava negociando com a !rmandade e com os interessados e@ternos, entre eles Estados ?nidos, o que seria um novo status quo de compromisso' ( 0ato de que tal acordo 0oi costurado e era do con$ecimento de muitos se 0e. sentir nas rápidas boas8vindas que muitos, inclusive os $istoricamente e autodeclarados temerosos da !rmandade, como !srael, deram ao resultado' Aceitou8se, talve., o inevitável – a não ser que se quisesse arriscar mais revolta e possivelmente viol"ncia – e se contava com a capacidade dos militares de assegurar que a 5resid"ncia seria despida de poderes e, por isso mesmo, com que a !rmandade 0racassasse na 0unção' (u então um acordo $avia sido costurado 0a.endo da !rmandade a pr3@ima aposta para a estabilidade da região, uma estabilidade que não sacudisse o equilíbrio de poder e o arran1o vigente' Aos ol$os do (cidente, ou de parte dele, com o primeiro cenário estaria desen$ado um parado@o do tipo que vigorou na Turquia por tanto tempo2 os militares como garantia de uma democracia para a qual os islamistas seriam um perigo'

Ainda que não tivessem sido as instituiçBes a imporem limites ao poder, mas sim o que se poderia c$amar 0luidamente de vontade popular – uma vontade que impôs ao poder de plantão um cálculo que se pensa vencedor – não deve $aver engano, a c$egada da !rmandade à 5resid"ncia era um evento de monumental import4ncia' A !rmandade, que $á muito vin$a 0a.endo prova de uma crença tranquila em sua pr3pria 0orça, 0a.ia tamb&m os seus cálculos, e acreditava poder disputar o Egito com os militares e com 0orças e@ternas' `ue ten$a ou não $avido um acordo que incluía a !rmandade, esse 1ogo acabava apenas de começar' ;slamistasL *e espectro a possíveis alia*os -esde que $aviam começado as revoltas, eram esperadas grandes vit3rias dos movimentos isl4micos quando as populaçBes árabes 0ossem às urnas votar livremente' E 0oi o que aconteceu, na Tunísia, no Egito, e tamb&m no ;arrocos' Essas vit3rias decorriam da combinação de uma consci"ncia generali.ada e pro0unda da identidade religiosa com uma ra.oável incompet"ncia dos demais grupos políticos que disputam a lealdade dos cidadãos' )o (cidente, essas vit3rias esperadas 0oram por muito tempo percebidas como um espectro a pairar sobre as revoluçBes árabes e sobre o pr3prio (cidente' ( temor declarado era de que, atrav&s de procedimento democrático, as eleiçBes, os árabes escol$essem mal, escol$endo os islamistas, e 0ec$assem para si as perspectivas de construírem sistemas políticos liberais' Esse susto, por um lado, parecia ignorar o caráter autoritário dos regimes contra os quais os revoltosos se levantavam, ou, como essa ignor4ncia & de di0ícil sustentação, dei@ava entender que autoritarismo isl4mico seria pior do que outros, por ser isl4mico – um dos estere3tipos 0avoritos em nosso tempo' 5or outro lado, enquanto se cantavam as odes à liberdade, parecia emergir a tese de que os árabes não deveriam ser livres para errar> se de 0ato se tratasse de erro' -esa0ios de monta aguardavam e ainda aguardam os povos árabes, alguns deles relacionados à construção de sociedades e de sistemas políticos novos, num conte@to em que a cultura e a identidade muçulmanas são centrais' Como nesse e@ercício o direito tende a ter papel 0undamental, e como pensava8se que nessas sociedades $averia um retorno em 0orça do direito isl4mico, anunciava8se o desa0io aos $omens e mul$eres árabes de representar e interpretar esse direito de modo a garantir direitos 0undamentais, a dignidade $umana e a liberdade' Aespeitado o direito dos árabes de escol$erem livremente, não devia, no entanto, restar dEvida de que a subida dos movimentos políticos isl4micos alimentava e era alimentada por 1ogos de poder na região' 7ários interesses pareciam convergir em 0avor dos islamistas' A Arábia %audita, que sempre teve ligaçBes privilegiadas com os grupos isl4micos conservadores, via na ascensão desses grupos, ainda que não especialmente da !rmandade Egípcia, como 0icou claro mais tarde, uma c$ance de incrementar seu poder e sua in0lu"ncia na região, marcando pontos contra o !rã e contra a %íria' A Turquia o0erecia a replicação de seu modelo como receita e visava com isso incrementar seu status e poder'

As pot"ncias ocidentais pareciam passar a en@ergar a !rmandade ;uçulmana e o modelo turco como a mel$or alternativa de estabilidade, quando os regimes clientes iam sucumbindo, e como potenciais aliados contra a percebida ameaça iraniana' ( espectro ia assim aparecendo mais simpático, para alguns' O novo E+ito e a Nuestão Palestina 9ouve quem duvidasse que as revoltas árabes tin$am algo a ver com a questão 5alestina' Ainda que se quisesse acreditar que as 0rustraçBes ligadas às derrotas militares para !srael e à continuidade da ocupação não participavam da vontade de revolta, em determinado momento pareceu claro que as mudanças em curso a0etariam inevitavelmente o 0uturo do que se costuma c$amar de con0lito árabe8israelense' Em novembro de +,/+, oito dias de con0rontos entre israelenses e o 9amas palestino pareceram anunciar mudanças nas características do con0lito e de seu entorno, assim como iriam servir como primeira inst4ncia concreta em que se poderia testar o comportamento do Egito sob uma 5resid"ncia da !rmandade ;uçulmana em relação à 5alestina e aos alin$amentos políticos e@istentes na sua região' )o momento em que se c$egou a um acordo, que incluiu o cessar80ogo e 0oi al&m, anunciando a possibilidade do 0im do bloqueio à 0ai@a de Ta.a, o 9amas apareceu como vitorioso em mais de uma 0rente' 5or um lado, demonstrara ter avançado no estabelecimento de um equilíbrio de 0orças mais vanta1oso no plano militar e, por e@tensão, emprestara maior credibilidade à sua tese de que não $avia alternativa à resist"ncia armada, no con0ronto com !srael' 5or outro lado, no plano político, emergia novamente como ator central na representação do povo palestino, em parte à custa da Autoridade 5alestina' ;as o conte@to em que se c$egou a um acordo revelava outro dado novo e anunciava algumas interrogaçBes' ( dado novo 0undamental era o papel trans0ormado do Egito' ( país, sob a 5resid"ncia de ;ursi, procedia a um e@ercício de equilíbrio entre, de um lado, as demandas da opinião pEblica, egípcia, árabe e muçulmana, bem como as posturas $ist3ricas da !rmandade ;uçulmana, à qual o 9amas deve suas origens, e, de outro lado, as e@pectativas internacionais e regionais em relação à estabilidade, simboli.ada nos acordos de pa. com !srael' Essa posição, de todo modo, era radicalmente di0erente daquela dos tempos de ;ubaraP' )o entanto, a postura egípcia, de certo malabarismo, era parte de um cenário de incerte.as' ?ma leitura usual da situação no (riente ;&dio pinta uma oposição entre, em um polo, uma aliança de partidários da resist"ncia, que inclui !rã e %íria e, ao menos em princípio, at& aquele momento, o 9amas, e, em outro, os países classi0icados como moderados' )o cenário que se 0oi desen$ando ap3s as revoltas árabes, o 9amas 0oi atraído para uma maior pro@imidade, natural, por ra.Bes $ist3ricas, com o Egito da !rmandade e, por outras ra.Bes, com outros países tais como Catar e Turquia' )aquele momento, parecia que tanto a c$amada moderação quanto a opção pela resist"ncia seriam testadas' 9avia uma dEvida sobre se o Egito 0aria pender a balança para a de0esa da questão 5alestina e para o 0ortalecimento do 9amas, ou se, ao contrário, este Eltimo seria atraído para o campo dos que $aviam entregado o destino da 5alestina aos Estados ?nidos e a !srael' 2ursiL *e 0antoc-e a *ita*or<

Em 0ins de novembro de +,/+, o presidente ;ursi decretou para si maiores poderes, colocando suas decisBes ao abrigo de qualquer contestação pelo *udiciário e impedindo que a Assembleia Constituinte e o 5arlamento pudessem ser dissolvidos pelos tribunais' ogo depois, estabeleceu um pra.o curto, de /V dias, para um re0erendo sobre a nova Constituição que $avia sido elaborada por uma comissão liderada pelos islamistas' Estava então ;o$amad ;ursi se revelando um novo ;ubaraPF Enquanto alguns 0a.iam essa pergunta, poucos talve. se lembrassem de que, quando assumira o cargo, $avia uma e@pectativa generali.ada de que 0osse um presidente desprovido de reais poderes' 5oucos dias antes de sua posse, os militares $aviam emitido decretos limitando as prerrogativas do presidente, dissolvendo o 5arlamento e reservando para si poderes legislativos e responsabilidade pela política e@terna' )o entanto, de um modo que surpreendeu a muitos, em alguns lances, o presidente egípcio tomara mais tarde medidas que golpeavam o poder dos militares e pareceram con0irmar as apostas da !rmandade ;uçulmana de que ela estava em condiçBes de gan$ar o braço de 0erro pelo poder no Egito' (s dois momentos em que ;ursi se mostrou mais ousado no es0orço de a0irmar seu poder 0oram, primeiro, as mudanças na cEpula das :orças Armadas, em agosto de +,/+, e, mais tarde, a adoção do citado decreto que colocavam seus atos ao abrigo do controle do *udiciário' )as duas ocasiBes, a a0irmação dos poderes do presidente se seguiu a eventos que aumentavam o seu prestígio' )o primeiro caso, as demissBes dos militares vieram depois de uma campan$a militar no %inai, em resposta a um ataque contra guardas egípcios' )o segundo, o decreto veio depois que o Egito mediou com sucesso a tr&gua entre 9amas e !srael' A assunção de novos poderes, naquele segundo momento, estava intimamente ligada à tentativa de aprovar a nova Constituição por re0erendo popular' Aos ol$os de muitos, tanto o que parecia ser uma virada autoritária do presidente quanto a nova Constituição levantavam novamente as dEvidas sobre o 0uturo democrático dos países árabes p3s8revoltas, em que partidos isl4micos iam assumindo o poder' 9avia aqueles, no entanto, que de0endiam as açBes da então nova liderança egípcia como medidas de proteção do que se adquirira com as revoltas, contra a inter0er"ncia do que restava das 0orças do regime anterior, contra as 0orças da contrarrevolução' Eni+mas *a revolução e+ípcia 5ersistiu, desde que tivera início a sequ"ncia de revoltas no mundo árabe, uma s&rie de dEvidas sobre o Egito e seu 0uturo' Algumas di.iam respeito ao 0uturo da sociedade egípcia e da sua organi.ação política, outras ao 0uturo de seu posicionamento no 1ogo político regional e mundial' As respostas a esses dois con1untos de perguntas passavam, no entanto, pela solução, ainda que parcial, de alguns quebra8cabeças sobre o presente, sobre o cenário político egípcio de cada instante e sobre as posiçBes dos vários atores, sobre as divisBes que os opun$am uns aos outros e sobre as alianças que os uniam' A0inal, como caracteri.ar os eventos egípcios a cada momento dadoF Tratava8se de uma oposição entre 0orças remanescentes do regime anterior e 0orças revolucionáriasF (u seria uma

divisão entre islamistas e liberaisF (u uma disputa de poder entre militares e civis, ou entre os militares e a !rmandade ;uçulmanaF E, não se pode esquecer, quais eram e são as pre0er"ncias dos atores e@ternos e como estes e@erciam e e@ercem sua in0lu"nciaF R verdade que cada ator, considerando seus ob1etivos e tentando atingi8los, operava e operará, por ve.es, 0lutuaçBes em seu comportamento e em suas alianças' Assim, por e@emplo, os liberais e os islamistas estavam no início unidos na tentativa de derrubar o regime de ;ubaraP e logo estavam se en0rentando no que respeitava a uma nova Constituição' -e todos os enigmas persistentes nessa revolução egípcia, um dos mais obscuros era aquele que respeitava às relaçBes entre as duas 0orças políticas mais impressionantes daquele país2 o establis$ment militar, de um lado, $erdeiro e centro do poder que comandou o Egito por quatro d&cadas, al&m de operador 0undamental na economia egípcia, e a !rmandade ;uçulmana, de outro, marginali.ada pelas mesmas quatro d&cadas, mas cu1a 0orça se mani0estara assim que eleiçBes livres aconteceram' )o momento em que a posse de ;ursi, como presidente eleito, era posta em dEvida e 0oi 0inalmente permitida, pareceu claro que cada um dos dois lados 0a.ia uma aposta de que seria capa. de preservar o má@imo do pr3prio poder ao mesmo tempo em que colocaria em @eque o poder do outro' ;uito cedo, como visto, o presidente parecera demonstrar o bem 0undado da aposta 0eita pela !rmandade ;uçulmana ao demitir lideranças eminentes da cEpula militar' -esde sempre, no entanto, $avia quem dissesse que e@istia uma articulação, um acordo, entre as duas 0orças, do qual o 0ortalecimento da 0igura do presidente podia ser parte integrante' (u esse acordo se estaria 0a.endo com a pr3pria cEpula ou diretamente com o corpo militar, independentemente da vontade da cEpula' Algumas indicaçBes dessa articulação apareceram em várias ocasiBes' ?ma delas 0oi a e@tensão dos poderes de polícia do E@&rcito, concedida pelo presidente em meio à 0orte divisão que opun$a seus partidários àqueles que re1eitavam o regime de urg"ncia em que se estava então, no início de de.embro de +,/+, tentando aprovar a nova Constituição' ;as o que podia 0a.er com que duas 0orças que a $ist3ria de meio s&culo do Egito deveria manter opostas encontrassem interesses comuns e 0ossem levadas a cooperarF ?ma pista para esse enigma particular pode ser esta2 tanto os militares quanto a !rmandade ;uçulmana tin$am interesse em que o poder continuasse concentrado e muito verticali.ado, de modo a preservar a !rmandade de competição e preservar a dimensão do aparato militar como ator político e econômico' E, & claro, desde 0ora, muitos dese1avam essa centrali.ação do poder para evitar os riscos de instabilidade que um país como o Egito, se não contido por uma mão 0orte, poderia tra.er ao 1ogo de poder regional' >ma se+un*a revolução< Em 1ul$o de +,/D, o e@perimento egípcio com a democracia evidentemente ainda não c$egara a bom termo' )aqueles dias, o presidente ;ursi c$egou a repetir o que di.ia, antes de cair, ;ubaraP2 Gsou eu ou o caosH' E de novo a ameaça parecia não surtir e0eito'

%e não 0oi o caos o que se seguiu a ;ubaraP, 0oi ao menos certamente um cenário de convulsão social, um doloroso parto de que não se sabia, e não se sabe, se nascerá uma nova ordem democrática ou se um natimorto virá 0rustrar tantas e@pectativas' Como dito, o primeiro arran1o que se pretendeu o substituto institucional à era de ;ubaraP resultou de um compromisso entre as :orças Armadas, um poder essencial e $ist3rico, e a !rmandade ;uçulmana, a organi.ação política mais estruturada e com maior penetração no tecido social egípcio' Esse arran1o parecia ter agora esgotado suas possibilidades' Ele não respondera às e@pectativas de mil$Bes de pessoas que passaram a pedir a saída do presidente e, com ele, da !rmandade' ( arran1o parecera ter trabal$ado para uma nova concentração do poder e dera a impressão de querer servir à agenda política do grupo antes de abordar os pro0undos problemas da sociedade egípcia' 5or 0alta de compet"ncia, ou por 0alta de vontade, os problemas econômicos se perpetuaram, a 0ragilidade institucional permaneceu inteira e o c3digo autoritário ainda vigia' E as multidBes voltaram às praças' ;as cabia ao int&rprete ser cauteloso' Tantas ve.es ao longo do processo revoltoso, as revoltas no mundo árabe 0oram representadas como um en0rentamento entre o povo e o regime' %eria talve. mais apropriado 0alar em uma divisão da sociedade, os regimes se bene0iciando de maior apoio popular do que se admite' )o Egito, naquele momento, isso era ainda mais verdadeiro' A representatividade e a 0orça da !rmandade e de outros grupos islamistas não se des0i.eram no ar e, por isso, o Egito estava e0etivamente dividido' E o desa0io maior então era, como & $o1e, evitar que a divisão se tornasse viol"ncia generali.ada' Tampouco desaparecera o poder das :orças Armadas e, caindo o presidente ;ursi, como ao 0inal caiu, sua queda terá decorrido da perda do apoio dos militares' Assim como terá decorrido da perda de apoio de pot"ncias interessadas cu1a in0lu"ncia tamb&m permanecia, ainda que com variaçBes' Algu&m terá notado o parado@o no 0ato de que as mesmas multidBes que pediam por democracia 0este1assem o ultimato, dos primeiros dias de 1ul$o de +,/+, dado pelas :orças Armadas, que leram, corretamente, como um comando para a renEncia' (s militares rea0irmavam assim o seu papel de árbitro Eltimo, ao menos nessa segunda 0ase da convulsão egípcia' Esse 0ato so.in$o serve a indicar que se estava mais perto do meio do camin$o do que do seu 0inal' 5ara o entorno e o mundo, a e@peri"ncia egípcia parecia anunciar, pela segunda ve. em menos de tr"s anos, surpresas e mais incerte.a' 3 ;rman*a*e e o 0uturo *as Primaveras Em tr"s de 1ul$o de +,/D, os militares depuseram o presidente ;ursi em comunicado lido com a presença e o apoio de setores oposicionistas, inclusive os c$amados liberais, e de sala0istas que at& ali eram aliados da !rmandade ;uçulmana' Teria sido a queda da !rmandade e seu presidente no Egito obra de outros que não a pr3pria !rmandadeF E a quem interessava a sua quedaF

%empre se poderá di.er que a !rmandade c$egara ao poder por conta de sua e@tensa e pro0unda penetração no tecido social egípcio e por conta de sua organi.ação, uma organi.ação que contrastava com o cenário das oposiçBes ao regime anterior, ine@istentes ou desarticuladas> e sempre se poderá di.er que caiu por conta de sua incapacidade para governar de outro modo que não 0osse autoritário, centrali.ador e ine0iciente' )o entanto, a partir de sua c$egada ao poder no Egito e na Tunísia, e durante um bom tempo, a !rmandade parecia ter sido a escol$ida, por várias pot"ncias relevantes, da região e de 0ora dela, como a mel$or sucessora para os regimes que caíam, corroídos por seus pr3prios males> uma sucessora que garantiria a estabilidade dos 1ogos de poder regionais e preservaria alguns interesses vitais dos Estados ?nidos e seus aliados' -iante do 0racasso da e@peri"ncia no mais relevante dos países árabes, alguns se perguntam se o pro1eto que colocou ou permitiu a c$egada da !rmandade ao poder 0a.ia realmente esta aposta ou se se tratou apenas de permitir que a e@peri"ncia, 0adada desde o início à 0al"ncia, queimasse para sempre a ideia do governo do !slã 5olítico nesses moldes' Ainda que a inc3gnita continue sem resposta, um ol$ar detido sobre alguns 0atos talve. o0ereça alguma lu.' R incontestável que os militares a0irmaram novamente seu poder no cenário egípcio, um poder que sempre esteve lá' :i.eram8no desta ve. de um modo mais $ábil, carregados pela vontade popular dos mil$Bes que enc$iam as ruas e praças' Algo muito di0erente da imagem da 1unta militar que toscamente, e diretamente, assumiu o poder enquanto dava adeus a ;ubaraP' A queda da !rmandade embaral$ou novamente os interesses e as posiçBes dos vários atores regionais e das pot"ncias' A Arábia %audita recebeu muito bem a mudança e pareceu mesmo ter obrado para a queda de ;ursi, e o indício disso era a presença dos sala0istas ao lado dos militares' *á o Catar, sob novo comando, depois da sEbita troca de emir e de c$anceler, na passagem de 1un$o para 1ul$o de +,/D, 0oi mais comedido na reação, mas certamente viveu a coisa como uma derrota real, depois de ter investido tanto na !rmandade como a pr3@ima alternativa, não s3 para a Tunísia e o Egito, mas tamb&m para a %íria, e como e@pressão de seu poder regional' A pr3pria mudança no comando do país 1á era sinal de que a aposta se esgotava' Tamb&m a Turquia demonstrou seu incômodo com as mudanças no Egito, tendo 0eito apostas semel$antes às do Catar' (s Estados ?nidos, que $esitaram em condenar ou em dar as boas8vindas à mudança 0orçada de comando no Egito, nunca estão muito distantes dos militares daquele país e da ideia de que estes representam uma garantia de estabilidade, especialmente nas relaçBes com !srael' !nteressante notar que a %íria, que tanto denunciava e ainda denuncia a inter0er"ncia de todos esses atores, Arábia %audita, Catar, Turquia, Estados ?nidos e outros, no seu con0lito interno, pareceu 0este1ar a queda da !rmandade no Egito, apesar de não se poder di.er que os militares egípcios compon$am ou este1am dispostos a compor o c$amado campo da resist"ncia' *ustamente, naquele momento a oposição síria, en0raquecida, lutava para encontrar alguma unidade em meio a dEvidas sobre o lugar que devia caber à !rmandade em seu seio'

-e todo modo, qualquer que se1a o resultado vindouro das revoltas árabes, ao que parece, a !rmandade 1á não era a solução' O E+ito como ele era ( Egito parecia, então, dar de0initivamente ra.ão aos que desde o começo alertavam para o perigo da contrarrevolução' Em poucos lances, toda esperança parecia pronta a ser enterrada e o Egito voltava a se parecer com o que era sob ;ubaraP' (s militares, que nunca perderam o status de 0orça preponderante na política egípcia, voltam a comandar desde o centro do cenário, sem constrangimento' E voltava o estado de emerg"ncia que vigorou por trinta anos sob ;ubaraP' ( pr3prio ;ubaraP se apronta para voltar à liberdade, enquanto são presas as lideranças da !rmandade ;uçulmana, que volta a ser perseguida e violentamente reprimida' E permanecem a pobre.a e a desigualdade e@tremas, assim como não muda a estrutura autoritária do poder' 9ouve, no entanto, e por um tempo, esperança' ( regime de quatro d&cadas caiu rapidamente, pela mão das multidBes que enc$iam as ruas' Essas mesmas multidBes se insurgiram contra a tomada do poder por uma 1unta militar e mantiveram a pressão at& que se reali.assem eleiçBes e assumisse um governo eleito' A !rmandade ;uçulmana, a 0orça de oposição mais signi0icativa ao regime anterior, a mais organi.ada, aquela com apoio popular mais amplo, venceu, por conta de tudo isso, eleiçBes parlamentares e a presidencial' ;as governou mal' )ão soube gerenciar os graves problemas econômicos e deu sinais demasiados de querer concentrar poder e determinar so.in$a o desen$o do novo Egito' Enquanto 0a.ia isso, pareceu em alguns momentos vencer o braço de 0erro que a opun$a aos militares' !sso não durou' As multidBes voltaram às ruas e pediram a queda do presidente eleito, saído das 0ileiras da !rmandade' Elas talve. não tardem em se arrepender por terem 0este1ado quando, pela boca de um general 0oi decretada a queda e 0oi dado o golpe' Ao ler seu comunicado, o c$e0e das :orças Armadas estava cercado de representantes dos partidos e grupos que, em princípio, tin$am a1udado a 0a.er a revolução' Estes, sabendo ou sem saber, legitimaram assim a volta dos militares ao comando das coisas, legitimaram a contrarrevolução' !sso talve. se1a apenas um erro de quem não estava acostumado ao e@ercício da democracia' ;as para al&m do erro de quem legitimou o golpe, está o 0ato de que as 0orças que estavam no poder com ;ubaraP não se des0i.eram no ar e continuavam intensamente ativas' E mais ainda2 os vários atores, da região e de 0ora dela, pro0undamente interessados no papel que segundo eles deve desempen$ar o Egito, tamb&m trabal$aram intensamente para determinar ou in0luenciar as resultantes do processo de revolta popular e de reviravoltas políticas' ( resultado, por ora, & a volta do Egito ao que ele era antes, com algumas, talve. perigosas di0erenças'

Agora a !rmandade 1á não opera na clandestinidade e, ao assumir o governo e depois, ao sair às ruas para reclamar o retorno à legitimidade conquistada nas urnas, revelou8se por completo' Tendo e@perimentado algo do poder, tenderá a não aceitar 0acilmente a derrota e talve. recorra à viol"ncia, especialmente na medida em que, e@posta, so0re tamb&m brutal viol"ncia' E o risco maior2 o de que grupos radicais mais violentos, 1á em ação no !raque, na %íria e em tantos outros lugares, ven$am trans0ormar o Egito em mais um campo de batal$a e, talve., de guerra civil' %etembro de +,/D