You are on page 1of 140

COMPORTAMENTO DE DUTOS ENTERRADOS SUJ EITOS A MOVIMENTOS

DE MASSA EM SOLOS



Julio Gomes de Almeida Pequeno
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação em Engenharia
Civil, COPPE, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre em
Engenharia Civil.

Orientadores: Márcio de Souza Soares de Almeida
Maria Cascão Ferreira de Almeida





Rio de Janeiro
Março de 2013
ii

COMPORTAMENTO DE DUTOS ENTERRADOS SUJEITOS A MOVIMENTOS DE
MASSA EM SOLOS

Julio Gomes de Almeida Pequeno

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO
LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE)
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS
REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM
CIÊNCIAS EM ENGENHARIA CIVIL.

Examinada por:
________________________________________________
Prof. Márcio de Souza Soares de Almeida, Ph.D.

________________________________________________
Prof. Maria Cascão Ferreira de Almeida, D.Sc.

________________________________________________
Prof. Francisco de Rezende Lopes, D.Sc.

________________________________________________
Prof. José Renato da Silva Moreira de Oliveira, D.Sc.

________________________________________________
Prof. Cristina de Hollanda Cavalcanti Tsuha, D.Sc.





RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL
MARÇO DE 2013

iii







Pequeno, Julio Gomes de Almeida
COMPORTAMENTO DE DUTOS ENTERRADOS
SUJEITOS A MOVIMENTOS DE MASSA EM SOLOS /
Julio Gomes de Almeida Pequeno. – Rio de Janeiro:
UFRJ/COPPE, 2013.
XVI, 124 p.: il.; 29,7 cm.
Orientadores: Márcio de Souza Soares de Almeida
Maria Cascão Ferreira de Almeida
Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa
de Engenharia Civil, 2013.
Referencias Bibliográficas: p. 121-124.
1. Interação Solo-Duto. 2. Centrífuga Geotécnica. 3.
Movimentos de Massa de Solos. I. Almeida, Márcio de
Sousa Soares de et al. II. Universidade Federal do Rio de
Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia Civil. III.
Titulo.



iv

AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, Selma e Isaias, que me apoiaram e incentivaram em todos os
momentos desde o início.
Aos meus orientadores, Márcio e Maria, que me deram oportunidade de trabalhar no
Laboratório da Centrífuga quando ainda era aluno de graduação. Acreditaram em mim
e novamente me acolheram nesta empreitada do mestrado.
Ao professor José Renato, que também depositou um voto de confiança em mim e
que certamente me ensinou muito ao longo destes anos.
Ao amigo Antônio Virgílio, pelo incentivo.
Ao amigo Alexandre Marinho, que foi um grande exemplo e incentivador em minha
formação acadêmica desde os tempos do ensino primário.
Aos grandes amigos que fiz na graduação, Leonardo Louback, Flávio dos Ramos,
Carlos Riobom, Patrick de Souza e José Vargas.
Aos grandes amigos que fiz no mestrado, Diego Hartmann, Jaelson Budny, Vinícius
Lorenzi, Marcellus Magnus e Diogo Santos.
Aos amigos de trabalho, Vanessa Ochi, Lúcio Flávio, Aloésio Drosemëyer, Fernanda
Fronza e Paulo Coelho.
Aos companheiros de ensaios de laboratório, Khader Rammah, Pablo Noreña e Diego
Fagundes.
À toda equipe do Laboratório de Geotecnia, que sempre se mostrou comprometida e
em sintonia com os alunos de mestrado.
E a ela, minha melhor amiga e fonte de inspiração, Helena Portugal. A ela dedico este
trabalho e agradeço o companheirismo e, principalmente, a paciência e o incentivo nas
horas de tristeza.




v

Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)

COMPORTAMENTO DE DUTOS ENTERRADOS SUJEITOS A MOVIMENTOS DE
MASSA EM SOLOS

Julio Gomes de Almeida Pequeno

Março/2013

Orientadores: Márcio de Souza Soares de Almeida
Maria Cascão Ferreira de Almeida

Programa: Engenharia Civil

O presente trabalho tem por objetivo contribuir para o entendimento, do ponto
de vista geotécnico, do comportamento de dutos enterrados sujeitos a movimentos
laterais de massa de solo. O foco principal desta pesquisa é a avaliação dos esforços
gerados nos dutos durante estas movimentações, variando-se a profundidade de
enterramento dos dutos. Para tanto, dois modelos centrífugos de dutos, um rígido e
outro flexível, foram idealizados, construídos e instrumentados. Um dispositivo,
denominado de Pá Instrumentada, também foi criado para simular o movimento
horizontal de massa contra os dutos. Poropressões e recalques foram medidos na
fase de adensamento. Ensaios de mini T-bar foram realizados durante os ensaios
centrífugos para a medida da resistência não drenada da argila antes da fase de
movimentação horizontal. Forças verticais e horizontais na Pá e nos dutos foram
medidas durante todas as fases de ensaios. Os resultados de medidas de
movimentação lateral do solo contra o duto diferem dos resultados obtidos
anteriormente relativos à movimentação de duto contra o solo.
vi

Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)


BEHAVIOUR OF PIPELINES BURIED IN SOIL MASSES SUBJECTED TO
MOVIMENTS

Julio Gomes de Almeida Pequeno

Março/2013

Advisors: Márcio de Souza Soares de Almeida
Maria Cascão Ferreira de Almeida

Department: Civil Engineering

The present work aims at a better understanding, from the soil mechanics, of
the behavior of pipelines buried in a soil mass subjected to movements. The main goal
is to evaluate the generated forces in the pipeline due the mass soil movement. For
that, centrifuge simulation was made for different buried pipeline depths. For the
centrifuge simulation, two models of pipelines, rigid and flexible, were designed, built
and instrumented. For the simulation of the soil mass movement against the pipeline, a
new instrument, called “shovel”, was created. T-bar tests were performed on the
centrifuge tests to measure the undrained shear strength of the remolded soil before
the horizontal movement stage. Vertical and horizontal forces on the shovel and on the
pipeline model were measured on every centrifuge test stage. The results of the
horizontal movement of the soil against the pipeline models are different from previous
results where the pipeline was carried against the soil.


vii

ÍNDICE
1.  INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1 
1.1.  Motivação e Objetivos ...................................................................................... 1 
1.2.  O Papel da Modelagem Física em Centrífuga para a Geotecnia ..................... 1 
1.3. Estrutura da Dissertação ...................................................................................... 2 
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ....................................................................................... 4 
2.1. Introdução ............................................................................................................ 4 
2.2. Movimentos de Massa ......................................................................................... 4 
2.2.1. Movimentos de Massa ................................................................................... 4 
Escoamentos ........................................................................................................... 6 
Escorregamentos .................................................................................................... 7 
2.2.2. Movimentos de Massa Submarinos ............................................................ 11 
2.3. Aspectos Gerais Dos Dutos Enterrados ............................................................ 13 
2.4. Interação Solo-Duto ........................................................................................... 16 
2.5. A Modelagem em Centrífuga Geotécnica .......................................................... 20 
2.5.1. Conceituação da Modelagem Centrífuga .................................................... 21 
2.5.2. A Centrífuga de Tambor da COPPE-UFRJ ................................................. 24 
2.6. Considerações Parciais da Revisão Bibliográfica .............................................. 34 
3. METODOLOGIA ....................................................................................................... 35 
3.1 Introdução ........................................................................................................... 35 
3.2. Concepção do Duto A ........................................................................................ 35 
3.3 Concepção do Duto B ......................................................................................... 45 
3.4 Concepção da Pá Instrumentada ........................................................................ 50 
3.5. Concepção dos Ensaios Centrífugos ................................................................. 53 
3.5.1 O Solo Utilizado ............................................................................................ 54 
3.5.2 Fase de Adensamento ................................................................................. 55 
3.5.3 Fase de Investigação por ensaio de T-bar ................................................... 59 
3.5.4 Fase de Movimentação Horizontal ............................................................... 60 
3.5.5 Fase de investigação do perfil final de umidade .......................................... 63 
3.6. Considerações Parciais da Metodologia ............................................................ 64 
viii

4. ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS .............................................. 65 
4.1. Introdução .......................................................................................................... 65 
4.2. Fase de Adensamento ....................................................................................... 65 
4.2.1 Duto A ........................................................................................................... 65 
4.2.2. Duto B .......................................................................................................... 78 
4.3. Fase de Investigação por ensaio de T-bar ......................................................... 84 
4.4. Fase de Movimentação Horizontal ..................................................................... 90 
4.4.1. Duto A .......................................................................................................... 90 
4.4.2. Duto B .......................................................................................................... 95 
4.4.3 Normalização dos Resultados da Fase de Movimentação Horizontal ......... 98 
4.4.4 Comparações entre os Esforços da Pá e dos Dutos .................................. 105 
4.4.5. Avaliação dos Esforços em Função do Enterramento do Duto ................. 108 
4.5. Fase de Investigação do Perfil Final de Umidade ............................................ 112 
4.5.1 Relação entre Perfil de Umidade e Perfil de Resistência Não Drenada .... 114 
4.6. Considerações Parciais da Análise e Apresentação dos Resultados .............. 116 
5. Conclusões ............................................................................................................. 117 
5.1. Introdução ........................................................................................................ 117 
5.2. Materiais e métodos ......................................................................................... 117 
5.3. Fases dos ensaios ........................................................................................... 118 
5.4. Propostas para Pesquisas Futuras .................................................................. 120 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 121 


ix

ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 2.1. Figura esquemática de um rastejo. .............................................................. 7 
Figura 2.2. Escorregamento rotacional. .......................................................................... 8 
Figura 2.3. Figura esquemática de um escorregamento translacional. .......................... 9 
Figura 2.4. Diferentes orientações do duto em relação ao movimento de massa de solo
(Michaelsen, 2011): (a) Transversal, (b) Longitudinal e (c) Oblíquo. ........................... 10 
Figura 2.5. Tipos de movimentos de massa submarinos segundo a ISSMGE (adaptado
de Locat e Lee, 2000). .................................................................................................. 12 
Figura 2.6. Malha dutoviária brasileira segundo Michaelsen (2011). ........................... 14 
Figura 2.7. Terminologia de dutos enterrados (Bueno e Costa, 2009). ........................ 15 
Figura 2.8. Força horizontal normalizada (Oliveira et al., 2010). .................................. 18 
Figura 2.9. Força vertical normalizada (Oliveira et al., 2010). ...................................... 19 
Figura 2.10. Esquema do modelo utilizado por Borges e Oliveira (2011). ................... 20 
Figura 2.11. Força versus deslocamento para o = 45° (Borges e Oliveira, 2011). ...... 20 
Figura 2.12. Modelo sujeito à aceleração radial em centrífuga. ................................... 22 
Figura 2.13. Perfil de tensões verticais: modelo e protótipo (adaptado de Taylor, 1995).
...................................................................................................................................... 22 
Figura 2.14. Correspondência entre modelo e protótipo quanto às tensões inerciais e
gravitacionais (adaptado de Taylor, 1995). .................................................................. 23 
Figura 2.15. Variação do eixo da centrífuga da COPPE-UFRJ (Oliveira, 2005). ......... 25 
Figura 2.16. Painel de Controle (a) e Esquema do Motor de Rotação (b). .................. 26 
Figura 2.17 – Movimentação do atuador radial (Oliveira, 2005). .................................. 27 
Figura 2.18 - Movimentação do atuador angular (Oliveira, 2005). ............................... 28 
Figura 2.19. Novo programa de aquisição de dados. ................................................... 29 
Figura 2.20. Canal de amostras da centrifuga. ............................................................. 30 
Figura 2.21. Caixa de amostra do canal com dimensões em mm (Oliveira, 2005). ..... 30 
Figura 2.22. Ferramenta de Investigação mini T-bar empregado. ............................... 32 
Figura 2.23. Tendência de resistência do solo quanto à velocidade normalizada. ...... 33 
Figura 2.24. Influência da velocidade normalizada na resistência (Oliveira et al., 2010).
...................................................................................................................................... 33 
Figura 3.1. Esquema da concepção do modelo do Duto A. ......................................... 37 
Figura 3.2. Projeto do modelo do Duto A (cotas em mm). ........................................... 38 
Figura 3.3. Desenho do suporte do Duto A. ................................................................. 39 
Figura 3.4. Sistema duto-rótulas-suportes posicionado na caixa de ensaio. ............... 39 
Figura 3.5. Direções e sentidos adotados para a calibração do Duto A. ...................... 40 
Figura 3.6. Sistema de calibração do Duto A. .............................................................. 41 
x

Figura 3.7. Curva de calibração na direção 1 sentido positivo (Dir 1+). ....................... 42 
Figura 3.8. Curva de calibração na direção 1 sentido negativo (Dir 1-). ...................... 42 
Figura 3.9. Curva de calibração na direção 2 sentido positivo (Dir 2+). ....................... 43 
Figura 3.10. Curva de calibração na direção 2 sentido negativo (Dir 2-). .................... 43 
Figura 3.11. Esquema de ensaio proposto por Oliveira (2005) – duto movimenta-se
contra o solo. ................................................................................................................ 46 
Figura 3.12. Projeto do Duto B – Vista frontal (cotas em mm). .................................... 47 
Figura 3.13. Vistas frontal e lateral do Duto B (cotas em mm). .................................... 47 
Figura 3.14. Duto B desenvolvido. ................................................................................ 48 
Figura 3.15. Curva de calibração da célula de carga. .................................................. 48 
Figura 3.16. Sistema de calibração da componente horizontal. ................................... 49 
Figura 3.17. Calibração da componente horizontal. ..................................................... 49 
Figura 3.18. Modelo do Duto B durante o ensaio centrífugo. ....................................... 50 
Figura 3.19. Projeto da Pá instrumentada (dimensões em mm). ................................. 51 
Figura 3.20. Considerações para o dimensionamento da Pá instrumentada (dimensões
em mm): (a) Duto A e (b) Duto B. ................................................................................. 51 
Figura 3.21. Pá instrumentada. .................................................................................... 52 
Figura 3.22. Curva de calibração da Pá na direção 1. ................................................. 52 
Figura 3.23. Curva de calibração da Pá na direção 2. ................................................. 53 
Figura 3.24. Argila em estado amolgado empregada nos ensaios. ............................. 54 
Figura 3.25. Colocação do solo pelo método de grumos. ............................................ 56 
Figura 3.26. Camada uniformizada após a colocação dos grumos de argila. .............. 57 
Figura 3.27. Transdutores de poropressão no interior da caixa da centrífuga. ............ 58 
Figura 3.28. Posição dos transdutores de poropressão em relação aos dutos (cotas em
mm). .............................................................................................................................. 58 
Figura 3.29. Extensômetro a laser durante o adensamento. ........................................ 58 
Figura 3.30. Cravação do T-bar durante a fase de atuação. ........................................ 59 
Figura 3.31. Pá simulando a movimentação horizontal da massa de solo. .................. 61 
Figura 3.32. Esquema de cravação e movimentação da Pá instrumentada em relação
ao duto. ......................................................................................................................... 62 
Figura 3.33. Processo de obtenção do perfil de umidade (Fagundes, 2010). .............. 63 
Figura 3.34. Obtenção do perfil de umidade (Fagundes, 2010). .................................. 64 
Figura 4.1. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios 1
e 5 – Duto A). ................................................................................................................ 68 
Figura 4.2. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios 2
e 6 – Duto A). ................................................................................................................ 68 
xi

Figura 4.3. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios 3
e 4 – Duto A). ................................................................................................................ 69 
Figura 4.4. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 1 e 5 – Duto A). ............ 70 
Figura 4.5. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 2 e 6 – Duto A). ............ 70 
Figura 4.6. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 3 e 4 – Duto A). ............ 71 
Figura 4.7. Esforços durante os primeiros 30 minutos de adensamento. .................... 72 
Figura 4.8. Curva recalque versus tempo padrão adotada para o Método de Asaoka. 73 
Figura 4.9. Método de Asaoka para obtenção do recalque final (Almeida, 1996). ....... 74 
Figura 4.10. Curva representativa de Recalque versus Tempo. .................................. 74 
Figura 4.11. Recalques medidos nos primeiro 6 minutos de adensamento. ................ 75 
Figura 4.12. Recalque versus Tempo para os ensaios do Duto A. .............................. 76 
Figura 4.13. Grau de Adensamento versus Tempo nos ensaios do Duto A. ............... 76 
Figura 4.14. Força Vertical versus Grau de Adensamento nos ensaios do Duto A. .... 77 
Figura 4.15. Força Horizontal versus Grau de Adensamento nos ensaios do Duto A. 77 
Figura 4.16. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios
1 e 4 – Duto A). ............................................................................................................. 79 
Figura 4.17. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios
2 e 5 – Duto A). ............................................................................................................. 79 
Figura 4.18. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios
3 e 6 – Duto A). ............................................................................................................. 80 
Figura 4.19. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 1 e 4 – Duto A). .......... 80 
Figura 4.20. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 2 e 5 – Duto A). .......... 81 
Figura 4.21. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 3 e 6 – Duto A). .......... 81 
Figura 4.22. Curva Recalque versus Tempo nos ensaios do Duto B. .......................... 82 
Figura 4.23. Grau de Adensamento versus Tempo nos ensaios do Duto B. ............... 82 
Figura 4.24. Força Vertical versus Grau de Adensamento nos ensaios do Duto B. .... 83 
Figura 4.25. Força Horizontal versus Grau de Adensamento nos ensaios do Duto B. 83 
Figura 4.26. Perfis de resistência não-drenada dos ensaios com o Duto A. ................ 85 
Figura 4.27. Perfis de resistência não-drenada dos ensaios com o Duto B. ................ 86 
Figura 4.28. Proposta para obtenção de S
u
para normalização dos esforços. ............. 87 
Figura 4.29. Distribuição de S
u
no Duto A. ................................................................... 88 
Figura 4.30. Distribuição de S
u
no Duto B. ................................................................... 89 
Figura 4.31. Proposta para normalização dos esforços na Pá instrumentada. ............ 89 
Figura 4.32. Esquema para o entendimento da fase de movimentação horizontal. ..... 91 
Figura 4.33. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 1). ...................................................... 92 
Figura 4.34. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 2) ....................................................... 92 
Figura 4.35. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 3). ...................................................... 93 
xii

Figura 4.36. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 4). ...................................................... 93 
Figura 4.37. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 5). ...................................................... 94 
Figura 4.38. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 6). ...................................................... 94 
Figura 4.39. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 1). ...................................................... 95 
Figura 4.40. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 2). ...................................................... 96 
Figura 4.41. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 3). ...................................................... 96 
Figura 4.42. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 4). ...................................................... 97 
Figura 4.43. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 5). ...................................................... 97 
Figura 4.44. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 6). ...................................................... 98 
Figura 4.45. Forças Horizontais Normalizadas no Duto A. ........................................... 99 
Figura 4.46. Forças Verticais Normalizadas no Duto A. ............................................... 99 
Figura 4.47. Forças Normalizadas na Pá para ensaios com o Duto A. ...................... 100 
Figura 4.48. Forças Horizontais Normalizadas no Duto B. ......................................... 100 
Figura 4.49. Forças Verticais Normalizadas no Duto B. ............................................. 101 
Figura 4.50. Forças Normalizadas na Pá para os ensaios com o Duto B. ................. 101 
Figura 4.51. Forças Horizontais Normalizadas para os dois dutos. ........................... 102 
Figura 4.52. Forças Verticais Normalizadas para os dois dutos. ............................... 102 
Figura 4.53. Forças na Pá Normalizada para todos os ensaios. ................................ 103 
Figura 4.54. Forças Resultantes Normalizadas no Duto A. ........................................ 104 
Figura 4.55. Forças Resultantes Normalizadas no Duto B. ........................................ 104 
Figura 4.56. Força Normalizada na Pá x Força Vertical Normalizada – Duto A. ........ 105 
Figura 4.57. Força Normalizada na Pá x Força Horizontal Normalizada – Duto A. ... 105 
Figura 4.58. Força Normalizada na Pá x Força Resultante Normalizada – Duto A. .. 106 
Figura 4.59. Força Normalizada na Pá x Força Vertical Normalizada – Duto B. ........ 106 
Figura 4.60. Força Normalizada na Pá x Força Horizontal Normalizada – Duto B. ... 107 
Figura 4.61. Força Normalizada na Pá x Força Resultante Normalizada – Duto B. .. 107 
Figura 4.62. Forças Verticais Normalizadas x Enterramentos do Duto. ..................... 108 
Figura 4.63. Forças Horizontais Normalizadas x Enterramentos do Duto. ................. 109 
Figura 4.64. Forças Resultantes Normalizadas x Enterramentos do Duto. ................ 109 
Figura 4.65. Razão entre as Forças Horizontais Normalizadas e as Forças na Pá
Normalizadas. ............................................................................................................. 111 
Figura 4.66. Razão entre as Forças Verticais Normalizadas e as Forças na Pá
Normalizadas. ............................................................................................................. 112 
Figura 4.67. Esquema para obtenção dos perfis de umidade final empregado. ........ 113 
Figura 4.68. Perfis de umidade final – ensaios com o Duto A. ................................... 113 
Figura 4.69. Perfis de umidade final - ensaios com o duto B. .................................... 114 
Figura 4.70. Correlação entre resistência não drenada e índice de liquidez. ............. 115 
xiii


ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 2.1. Características dos principais movimentos de encostas na dinâmica
ambiental brasileira (Augusto Filho, 1992) ..................................................................... 5 
Tabela 2.2. Relações de escala entre modelo e protótipo. ......................................... 24 
Tabela 2.3. Frequência do motor de rotação associada ao fator de escala N. ............ 26 
Tabela 3.1. Características geométricas e mecânicas do modelo e do protótipo. ....... 38 
Tabela 3.2. Coeficientes de calibração e de interferência. ........................................... 44 
Tabela 3.3. Dados obtidos na caracterização do solo. ................................................. 54 
Tabela 3.4. Parâmetros de Modelo Cam-Clay (Pequeno, 2010). ................................. 55 
Tabela 4.1. Dados de preparação da camada reconstituída - Duto A. ......................... 66 
Tabela 4.2. Dados de preparação da camada reconstituída - Duto B. ......................... 78 
Tabela 4.3. Valores de S
u
para normalização dos esforços nos dutos. ....................... 88 
Tabela 4.4. Valores de S
u
para normalização dos esforços na Pá instrumentada. ...... 90 


xiv

LISTA DE SÍMBOLOS

a
r
Aceleração Radial
C
c
Coeficiente de Compressibilidade
C
i,j
Coeficiente de Interferência
C
r
Coeficiente de Recompressibilidade
C
v
Coeficiente de Adensamento Vertical
d deslocamento
D* Projeção da Parcela do Duto em Contato com o Solo
D Diâmetro do Duto
E Módulo de Young
E
a
Empuxo Ativo
E
p
Empuxo Passivo
E
u
Empuxo sob Condições Não Drenadas
F
1b
Força na Direção 1 (Dado de Saída do Sistema de Aquisição –
Bits)
F
1R
Força na Direção 1 (Valor Real Calculado)
f
2
Frequência de Rotação do Motor
F
2b
Força na Direção 2 (Dado de Saída do Sistema de Aquisição –
Bits)
F
2R
Força na Direção 2 (Valor Real Calculado)
F
h
Força Horizontal
F
m
Força em Escala de Modelo
F
p
Força em Escala de Protótipo
g Aceleração Gravitacional Terrestre
G
S
Densidade Real dos Grãos
H* Profundidade até a Geratriz Superior do Duto
H Profundidade até a Geratriz Inferior do Duto
H/D Enterramento do Duto
h
f
Altura Final do Solo
h
I
Altura Inicial do Solo
xv

h
m
Profundidade no Modelo
h
p
Profundidade no protótipo
I Inércia à Flexão
I
L
Índice de Liquidez
k Coeficiente de Recompressibilidade – Modelo Cam-Clay
K Rigidez
K
m
Rigidez em Escala de Modelo
K
p
Rigidez em Escala de Protótipo
L Comprimento do Duto
N Relação entre o Campo Inercial e o Campo Gravitacional (Fator
de Escala)
N
b
Fator de Barra
N
h
Esforço Horizontal Normalizado
N

Esforço na Pá Normalizado
N
R
Força Normalizada Resultante
N
v
Esforço Vertical Normalizado
P Força
r Raio da Centrífuga
S Recalque
S

Recalque Final
S
u
Resistência ao Cisalhamento Não Drenada
Su
A
Resistência Não Drenada na Profundidade Z
A
Su
B
Resistência Não Drenada na Profundidade Z
B
Su
C
Resistência Não Drenada na Profundidade Z
C
Su
N
Resistência Não Drenada para Normalização
t Espessura
t Tempo
Taxa
1
Razão entre h
i
e h
f
Taxa
2
Razão entre a Massa de Solo e h
i

Taxa
3
Razão entre a Massa de Solo e h
f

t
m
Tempo em Escala de Modelo
xvi

t
p
Tempo em Escala de Protótipo
T
v
Fator Tempo de Terzaghi
U Grau de Adensamento
v Velocidade de Penetração da Mini T-bar
V Velocidade Normalizada
w
o
Umidade Inicial do Solo
W
L
Limite de Liquidez
W
P
Limite de Plasticidade
x
m
Deslocamento em Escala de Modelo
x
p
Deslocamento em Escala de Protótipo
Z
A
Profundidade até a Geratriz Superior do Duto

Z
B
Profundidade até o Centro do Duto
Z
C
Profundidade até a Geratriz Inferior do Duto
o Coeficiente de Calibração
¸ Peso Específico Natural
AS Variação inicial de recalque
k
a
Coeficiente de Empuxo Ativo
k
b
Coeficiente de Empuxo Passivo
ì Coeficiente de Compressibilidade – Modelo Cam-Clay
I Volume Específico para Tensão Confinante Equivalente a 1,0
kPa na Reta Virgem - Modelo Cam-Clay
N Volume Específico para Tensão Confinante Equivalente a 1,0
kPa na Reta de Recompressão - Modelo Cam-Clay
u Ângulo de Aplicação da Força Normalizada Resultante
e Aceleração Angular

 




1

1. INTRODUÇÃO
1.1. Motivação e Objetivos
O presente trabalho teve como motivação uma pesquisa conjunta entre o
CENPES/Petrobras e a COPPE/UFRJ em modelagem centrífuga de problemas de
interação solo-duto.
Esta dissertação objetivou a criação de modelos centrífugos para a simulação da
movimentação de massas de solos contra dutos enterrados, situação típica de dutos
em encostas. Foram desenvolvidos e instrumentados, nos laboratórios da COPPE,
dois modelos de dutos e um modelo de Pá, para promover a movimentação do solo
em centrífuga.
A criação de modelos miniaturizados e instrumentados que traduzam bem a realidade
dos problemas estudados constitui sempre um grande desafio e uma forte motivação
para a pesquisa.
O tema abordado também é bastante relevante para o contexto mundial atual. As
dutovias são responsáveis pelo transporte de recursos e bens vitais para o homem. A
preocupação dos engenheiros com a manutenção da integridade dos dutos deve-se à
crescente importância deste na vida moderna.
As análises dos resultados obtidos nos ensaios centrífugos visam aprofundar a
compreensão dos mecanismos de interação solo-duto em situações de dutos
enterrados em encostas. Com base nesta pesquisa objetiva-se a obtenção de
premissas de cálculos mais realistas para os projetos de dutos em encostas, visando
uma maior garantia da integridade destes.

1.2. O Papel da Modelagem Física em Centrífuga para a Geotecnia
A modelagem em centrífuga é um ramo especial da modelagem física com
grande importância a Geotecnia moderna (Schofield, 1980). Através dela é possível
simular diversas situações de interesse da engenharia com grande economia de
tempo e recursos.
2

Apesar de sua importância, atualmente a modelagem física tem perdido espaço para a
modelagem numérica, devido ao crescente desenvolvimento das técnicas
computacionais (Oliveira, 2005).
Randolph e House (2001) estudaram os aspectos complementares dos dois tipos de
modelagens, física e numérica, enumerando algumas razões pelas quais a
modelagem física torna-se essencial quando comparada com a numérica, em termos
tanto de pesquisa quanto de projeto.
- Processos construtivos com geometrias complexas, grandes deformações e
complexas interações com o solo, como por exemplo: capacidade de carga de
estacas e desempenho de âncoras enterradas;
- Fenômenos ligados ao adensamento secundário, como por exemplo: estacas
carregadas por aterros;
- Efeitos de carregamentos cíclicos, como por exemplo: liquefação induzida por
terremotos;
- Complexidade de comportamento do solo, como por exemplo: anisotropia e
não linearidade do solo.
Ainda que a modelagem numérica não esteja no escopo desta pesquisa, é importante
ressaltar a importância do papel que ela possui, juntamente com a modelagem física,
de melhor entender os fenômenos geotécnicos.

1.3. Estrutura da Dissertação
A linha de raciocínio desenvolvida para esta dissertação está dividida em cinco
capítulos, sendo este o primeiro, como descritos a seguir:
- O capítulo 1 apresenta a motivação e objetivos da pesquisa;
- O capítulo 2 faz uma revisão bibliográfica dos conceitos que fundamentam os
temas abordados na dissertação;
- O capítulo 3 apresenta aspectos importantes da concepção dos modelos
centrífugos e da metodologia adotada para o estudo da interação solo-duto;
- O capítulo 4 apresenta e analisa dos resultados obtidos nos ensaios
centrífugos realizados;
3

- O capítulo 5 sintetiza as principais conclusões obtidas, apresentando
sugestões para futuros trabalhos que possam vir complementar os estudos
aqui realizados.

4

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. Introdução
O presente capítulo apresenta uma revisão sobre os diferentes temas
necessários ao entendimento da pesquisa, enfocando os seguintes aspectos:
Movimentos de Massa, Dutos Enterrados e Modelagem Centrífuga. Os aspectos
inerentes aos Movimentos de Massa são importantes por serem os principais agentes
naturais responsáveis por movimentos laterais em linhas de dutos enterrados.

2.2. Movimentos de Massa
As causas dos movimentos de massa são, antes de tudo, de origem natural.,
pois há uma tendência na formação dos relevos que tais movimentos ocorram até que
se atinja um nível base. Assim, pode-se dizer que os coeficientes de segurança das
encostas naturais estão próximos a unidade, bastando chuvas atípicas ou
intervenções humanas para que tais mecanismos se desencadeiem. Estes
movimentos de massa podem gerar esforços e deslocamentos em linhas de dutos,
enterrados ou não, que possuam trechos localizados em áreas com tendências aos
movimentos.

2.2.1. Movimentos de Massa
As paisagens compreendem vertentes ou encostas com declividades e formas
muito variadas. Tais mudanças estão relacionadas aos processos dominantes de
intemperismo, erosão e escorregamentos. (ABGE, 1998). As encostas tendem para
um estado central, em equilíbrio dos processos atuantes, de forma a manter
configuração mais estável possível. No Brasil, os movimentos de massa são mais
frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste (Tominaga et al., 2009).
Pesquisadores no mundo todo estudaram profundamente a questão dos movimentos
de massa. Guidicini e Nieble (1984) citam algumas classificações difundidas no
mundo, dentre elas se destacam as classificações de Baltzer (1875), Terzaghi (1925),
Ladd (1935), Terzaghi (1950), Varnes (1958) e Freire (1965). Em língua portuguesa,
5

Guidicini e Nieble (1984) destacam as classificações de Freire (1965), Vargas (1966) e
Costa Nunes (1969).
Augusto Filho (1992) propõe uma classificação simples para os principais movimentos
de massa brasileiros, observando a dinâmica dos movimentos, conforme Tabela 2.1.

Tabela 2.1. Características dos principais movimentos de encostas na dinâmica
ambiental brasileira (Augusto Filho, 1992)
Processo Característica do Movimento, Material e Geometria
Rastejo (Creep) Varios planos de deslocamento (interno);
Velocidade muito baixas a baixas (cm/ano) e decrescentes com a
profundidade;
Movimentos constantes, sazonais ou intermitentes;
Solo, depósito, rocha alterada/fraturada;
Geometria indefinida
Escorregamentos
(Slides)
Poucos planos de deslocamento (externos);
Velocidades médias (m/h) a altas (m/s);
Pequenos a grandes volumes de material;
Geometria e material variáveis;
Quedas (Falls) Sem planos de deslocamentos;
Movimento tipo queda livre ou em plano inclinado;
Velocidades muito altas (vários m/s);
Material rochoso;
Pequenos a médios volumes;
Geometria variável;
Corridas (Flows) Muitas superfícies de deslocamento (internas e externas à massa em
movimentação);
Movimento semelhante a um líquido viscoso;
Desenvolvimento ao longo das drenagens;
Velocidades médias a altas;
Mobilização de solo, rocha, detritos e água;
Grandes volumes de materiais.

Freire (1965), apud Guidicini e Nieble (1984), caracteriza os movimentos coletivos de
solo e rocha dividindo-os três tipos fundamentais: escoamentos, escorregamentos e
subsidências.
6

Os dois primeiros tipos caracterizados por Freire estão diretamente ligados à proposta
deste trabalho. Os escoamentos e escorregamentos podem gerar esforços e
deformações excessivos nas linhas de dutos. Desta forma, os aspectos abordados
com maior ênfase são os que dizem respeito a esses dois fenômenos. As
subsidências, apesar do papel importante para um completo entendimento dos
movimentos de massa, são apenas citadas.
Os escoamentos correspondem a deformações, ou movimentos contínuos,
apresentando ou não superfície definida de movimentação. Em termos de movimentos
recebem dois tipos de classificação: corrida (escoamento fluido-viscoso) e rastejo
(escoamento plástico).
Os escorregamentos correspondem a um deslocamento finito ao longo de uma
superfície bem definida. Segundo a geometria desta superfície, os escorregamentos
podem ser diferenciados em rotacionais ou translacionais.
As subsidências correspondem a um deslocamento finito e com direção
essencialmente vertical. Podem ser classificadas em três tipos: as subsidências
propriamente ditas, os recalques e os desabamentos.
As características principais dos dois tipos de movimentos, que possuem ligação direta
ao tema desta pesquisa, propostos por Freire (1965), apud Guidicini e Nieble (1984),
são detalhadas a seguir.

Escoamentos
O conceito dos escoamentos não é caracterizado pelo fator velocidade. Os
movimentos podem ser tanto rápidos, como nas corridas, ou lentos, como nos
rastejos.
Os rastejos são definidos como movimentos lentos e contínuos do material da encosta
com limites indefinidos, com velocidades da ordem de alguns milímetros por ano.
Podem envolver grandes massas de solo, como em taludes de uma região inteira.
Uma característica importante é que em muitas vezes não é possível diferenciar a
área em movimento da área em repouso. A movimentação da massa é provocada pela
ação da gravidade, somado a fatores como variação de temperatura e umidade.
Guidicini e Nieble (1984) analisam outro fator característico dos rastejo que os
diferencia dos escorregamentos, que é o mecanismo de deformação. O mecanismo de
7

deformação dos rastejos se assemelha ao de um fluido muito viscoso. A tensão a
partir da qual os terrenos passam a sofrer fluência é inferior à tensão de cisalhamento
que caracteriza a ruptura e pode ser denominada por tensão de fluência. Enquanto as
tensões atuantes no talude forem inferiores a esta tensão de fluência, o material se
mostrará estável. Ao atingir esta tensão, dar-se-á o início do rastejo. Quando as
tensões atingirem valores iguais a da resistência máxima de cisalhamento, o
movimento de escorregamento será iniciado.
Na superfície do movimento, o rastejo pode ser evidenciado pela não verticalidade de
alguns elementos como, por exemplo, árvores e postes (Figura 2.1).


Figura 2.1. Figura esquemática de um rastejo.

As corridas são formas rápidas de escoamento de uma massa de solo. Possuem um
caráter essencialmente hidrodinâmico, atribuído à presença de excesso de água. A
massa de solo, nestes casos, flui como se fosse um líquido, ao atingir certo grau de
fluidez. O grau de fluidez pode ser atingido em três situações, sendo elas pela simples
adição de água, pelo efeito de vibrações ou pelo processo de amolgamento de argilas
muito sensíveis.

Escorregamentos
Os escorregamentos são os tipos de movimentos de massa de solo que ocorrem com
mais frequência na região sudeste do país, principalmente na Serra do Mar, segundo
Tominaga et al. (2009).
8

Pode se definir escorregamentos como movimentos rápidos de solos e rochas, com
volumes bem definidos, que se dá sob ação da gravidade, em direção para baixo e
para fora do talude ou da encosta.
Em termos gerais, um escorregamento ocorre quando a relação entre resistência ao
cisalhamento do material e a tensão de cisalhamento na superfície potencial de
movimentação decresce até atingir o fator de segurança unitário, no momento do
escorregamento (Guidicini e Nieble, 1984).
A velocidade em que o fenômeno ocorre pode atingir valores da ordem de alguns
metros por segundo e é função da natureza do terreno, da causa inicial do movimento
e da inclinação da superfície do talude.
Os escorregamentos também podem ser caracterizados pela geometria e a natureza
dos materiais instabilizados. Desta forma eles ainda recebem a diferenciação,
podendo ser considerados como escorregamentos rotacionais, translacionais ou em
cunhas.
Os escorregamentos rotacionais, ou circulares, são caracterizados por apresentar
superfície de ruptura aproximadamente curva ao longo da qual se dá o movimento
rotacional da massa de solo (Figura 2.2).


Figura 2.2. Escorregamento rotacional.

Muitas vezes a ocorrência deste tipo de movimento está associada à existência de
solos homogêneos de grandes espessuras. O mecanismo de inicialização do
movimento, por sua vez, em muitos casos, está diretamente ligado a alguma
intervenção humana, como a execução de um corte na base destes materiais para
9

construção de edificações ou implantação de estradas. A natureza também pode
contribuir de algumas formas, sendo uma delas através da erosão causada por rios no
sopé das encostas.
Os escorregamentos translacionais, ou planares, são considerados os mais frequentes
de todos os tipos de movimentos de massa. A superfície formada durante a ruptura é
planar e se dá devido à heterogeneidade na geomorfologia do talude.
Este tipo de escorregamento tem como característica a ocorrência do plano de ruptura
de grande extensão, ocorrendo em profundidades baixas, variando na maioria das
vezes entre 0,5 e 5,0 m. Podem também ocorrer tanto em taludes com declividades
altas como em taludes de baixa declividade.
Como nos escorregamentos rotacionais, o material movimentado é constituído por
solo, por rocha, ou uma combinação de ambos.
Geralmente nos escorregamentos translacionais em solo, a superfície de ruptura plana
está condicionada a alguma predisposição estrutural do substrato do maciço. Os
escorregamentos translacionais em rocha ocorrem nos planos de fraqueza da rocha
que estão intimamente associados à estrutura geológica da mesma (Figura 2.3).


Figura 2.3. Figura esquemática de um escorregamento translacional.

Sob os aspectos dos estudos dos movimentos de massa e suas influências nas linhas
de dutos, Freitas (2004) e Suzuki (2004) apresentam trabalhos que, apesar de serem
10

em locais diferentes, se complementam e ajudam a melhor compreender a interação
solo-duto.
Freitas (2004) fez uso de instrumentação de campo para identificar os movimentos de
massa. Ela também fez uso de instrumentação para observar os esforços gerados no
duto pelos movimentos de massa. O duto por ela instrumentado é o ORBIG (Oleoduto
Rio de Janeiro Baía de Ilha Grande). Para complementar seus estudos, ensaios de
laboratório em amostras indeformadas também foram realizados.
Suzuki (2004), por sua vez, estudou os solos residuais e coluvionares da Serra do
Mar, em regiões onde o oleoduto Curitiba-Paranaguá atravessa. Ela também fez uso
de instrumentação para monitoramento de regiões onde se observava movimentos de
massa do tipo rastejo. Mais uma vez, o estudo foi complementado por bateria de
ensaios de laboratório em amostras indeformadas.
Do ponto de vista de dutos enterrados em massas de solos sujeita a movimentos,
Michaelsen (2011) indica três configurações de orientação de dutos instalados em
regiões suscetíveis a movimentos, conforme Figura 2.4.


Figura 2.4. Diferentes orientações do duto em relação ao movimento de massa de solo
(Michaelsen, 2011): (a) Transversal, (b) Longitudinal e (c) Oblíquo.

As configurações simplificadas propostas pela Figura 2.4, segundo Sandroni (2004)
podem não representar as condições reais encontradas em que o duto está instalado.
A movimentação da massa de solo, em relação ao duto, pode ocorrer de forma
inclinada. O traçado da linha de duto também apresenta trechos em curva em sua
extensão, não sendo apenas caracterizado por trechos retilíneos.
11

Resguardadas as considerações de Sandroni (2004), as configurações propostas de
formas simplificadas ajudam à compreensão dos fenômenos pertinentes aos
processos da movimentação de massa de solo e suas influências nas linhas de dutos.
Para o presente trabalho, a configuração adotada para os estudos em modelagens
físicas é a que diz respeito à Figura 2.4 (a), a configuração do duto transversal ao
movimento de massa.

2.2.2. Movimentos de Massa Submarinos
Os movimentos de massa de solo até agora vistos foram caracterizados
essencialmente para ambientes terrestres. Entretanto, existem milhares de
quilômetros de linhas de duto assentadas em ambientes submarinos, dando suporte à
indústria petrolífera. Essas linhas de duto também sofrem forte influência de
movimentação de massas de solo. Para tentar expandir o universo dos dutos
enterrados sujeitos aos movimentos de massa para o mundo offshore, uma
caracterização dos tipos de movimentos de massa ocorridos neste ambiente será
introduzida neste item.
Locat e Lee (2000) relatam que o ambiente submarino está sujeitos aos mesmos
movimentos de massa observados em terra. Porém, em ambientes submarinos, estes
movimentos tendem a se apresentar em extensões que podem exceder 100 km. Deste
modo, seus impactos em qualquer atividade offshore devem ser integrados em
grandes áreas.
Ward e Day (2002) reafirmam que movimentos de massa podem acontecer em
qualquer lugar onde exista a presença de taludes e que os maiores escorregamentos,
na Terra, ocorrem nos ambientes subaquáticos.
Os materiais que envolvem os movimentos de massa submarinos são os mesmos
encontrados nos movimentos terrestres, ou seja, rochas, solos e a combinação de
ambos.
De acordo com Le Tirant (1979), apud ABGE (1998), os solos marinhos não se
distinguem, significativamente, dos presentes nos depósitos terrestres, com exceção
de algumas peculiaridades:
- A diagênese dos solos é, normalmente, menos desenvolvida em ambientes
marinhos;
12

- Em termos de formação, o ambiente marinho é mais deposicional do que
erosivo, de modo que as propriedades dos sedimentos são mais uniformes do
que as dos solos existentes em terra. Os solos marinhos seguem, comumente,
um padrão de deposição em função da lâmina d’água, em que as
granulometrias mais finas encontram-se em águas mais profundas;
- Os solos marinhos possuem saturação próxima a 100%, o que permite
simplificações nos modelos de projeto. Entretanto, a possível presença de
gases dissolvidos torna-se um fator complicador para a análise geotécnica.
Sobre os mecanismos de iniciação dos movimentos de massa submarinos, alguns
mecanismos são peculiares deste tipo de ambiente, como o diapirismo e a ação de
ondas.
A Sociedade Internacional de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica
(ISSMGE) propõe a classificação dos movimentos de massa submarinos de acordo
com a Figura 2.5. A grande diferença, quando comparado como os movimentos de
massa terrestre, está nas correntes turbidíticas, oriundas de movimentos do tipo
avalanche, corridas de detritos e corridas de lama. De forma simplificada, e a título de
curiosidade, as correntes turbidíticas consistem em fluxos induzidos pela ação da
gravidade, sobre misturas de água e partículas sólidas (sedimento), devido à diferença
de densidade entre a mistura e o fluido ambiente (Ávila et al., 2005).


Figura 2.5. Tipos de movimentos de massa submarinos segundo a ISSMGE (adaptado
de Locat e Lee, 2000).

13

2.3. Aspectos Gerais Dos Dutos Enterrados
Dutos enterrados sempre foram utilizados para propiciar uma vida mais
confortável ao ser humano. Desde os primórdios, transportando água ou resíduos,
esses dutos facilitaram e ajudaram no desenvolvimento da sociedade como a
conhecemos hoje. Essas obras fascinam ainda hoje os engenheiros que, com o
passar do tempo, puderam aperfeiçoar seus métodos de construção. Atualmente, os
dutos enterrados são utilizados para transportar água, eletricidade, óleo, gás e outros
bens essenciais à manutenção da vida.
O dimensionamento seguro desses dutos garante a eficácia no sistema de distribuição
desses preciosos bens. Entretanto, a falha pode levar a estrutura à ruptura e, como
consequência, ao derramamento e à interrupção dos serviços. Dependendo do
produto transportado, essa ruptura pode levar a desastres ambientais de grandes
proporções. Bueno e Costa (2009) relatam que os dutos enterrados constituem um
modo seguro, barato e menos ofensivo ao meio ambiente do que qualquer outro
método de transporte de fluidos.
No Brasil, segundo Michaelsen (2011), a malha dutoviária brasileira, com dados
atualizados até o ano de 2009, é composta por mais de 500 linhas de dutos
destinados ao transporte de petróleo, derivados, gás natural e outros produtos,
somando aproximadamente 17 mil km de extensão. A Figura 2.6 apresenta a malha
dutoviária brasileira atualizada até 2009.

14


Figura 2.6. Malha dutoviária brasileira segundo Michaelsen (2011).

Antes de dar início ao estudo dos dutos enterrados é necessário entender o que é um
duto, também conhecido por conduto, tubulação, dutovia, entre outros. A Figura 2.7
apresenta a terminologia indicada por Bueno e Costa (2009) para os dutos e para uma
seção típica de instalação de dutos enterrados onshore.

15


Figura 2.7. Terminologia de dutos enterrados (Bueno e Costa, 2009).

De um modo geral, os dutos são classificados em duas categorias: rígidos e flexíveis.
Moser e Falkman (2008) definem como duto flexível aquele que pode sofrer deflexão
transversal de pelo menos 2% sem sofrer danos estruturais. Por exclusão, os
materiais que não seguem este critério são classificados como rígidos.
Existem muitos tipos de materiais atualmente no mercado com os quais os dutos
podem ser construídos, que incluem o concreto rígido, o termoplástico flexível e
materiais compósitos. A escolha do material adequado depende de fatores como o tipo
de produto transportado, condições climáticas e ambientais do local de instalação e
tipo de solo no qual será enterrado. Um duto deve possuir resistência, rigidez e
durabilidade suficiente para cumprir bem a sua função durante a vida útil para a qual
ele foi dimensionado.
Entende-se por resistência de um duto a capacidade de resistir a tensões que podem
ser causadas por carregamentos devidos a pressões internas, carregamentos
oriundos do solo, cargas vivas, recalques diferenciais, deflexões longitudinais, entre
outros. A rigidez é importante para combater as deflexões que possam vir a ocorrer.
Quanto à durabilidade, o duto precisa ser resistente a fenômenos causados pela sua
exposição ao meio ambiente como, por exemplo, a corrosão e a abrasão.
Cada tipo de duto pode ter um ou mais limites a respeito de seu desempenho que
precisam ser considerados pelo engenheiro projetista. Para os dutos rígidos, as
tensões geradas em suas paredes, oriundas da combinação de carregamentos
externos e das pressões internas, são os parâmetros fundamentais a serem avaliados.
A rigidez nos dutos flexíveis é o parâmetro mais importante no combate à flambagem
excessiva.

16

2.4. Interação Solo-Duto
Além da necessidade de serem dimensionados estruturalmente, todos os dutos
enterrados devem levar em consideração os aspectos geotécnicos em seu
dimensionamento. O solo que os envolvem é responsável pela transmissão dos
esforços. Por isso, é fundamental a consideração da interação solo-duto.
Randolph e Gouvernec (2011) relatam que, primariamente, os parâmetros de entrada
para o dimensionamento de linhas de dutos submarinos são os que estão diretamente
relacionados com as forças de interação entre as linhas de duto e o leito marinho. As
forças devem ser sempre consideradas nas direções vertical, lateral e axial.
Para as direções axiais e laterais ao duto, a profundidade de enterramento exerce
grande influência na restrição aos deslocamentos das linhas. Essa restrição, por sua
vez, tem ligação direta com a geração de esforços no duto, podendo eles ser maiores
ou menores, dependendo da quão restrita se apresentar a linha de duto.
Randolph e Gouvernec (2011) ainda descrevem que a obtenção dos dados de entrada
para o dimensionamento das linhas, referentes à interação solo-duto, é um grande
desafio para o engenheiro projetista, por quatro razões principais:
- Dificuldade de prever o enterramento do duto, devido a efeitos dinâmicos
envolvidos no processo de instalação;
- Investigações convencionais do leito marinho fornecem informações
imprecisas da resistência do solo, principalmente, nos 0,50 m superficiais,
onde dificilmente são realizados ensaios de laboratório;
- Um dimensionamento aceitável deve levar em consideração os possíveis
movimentos que a linha de duto pode estar sujeita em toda a sua extensão;
- Usualmente, não é possível fazer uma avaliação conservativa das forças de
interação solo-duto, uma vez que a estimativa via limites superior e inferior é
requerida de modo a se ter todos os estados limites satisfeitos.
Oliveira (2005) pesquisou a interação solo-duto em modelagem centrífuga, tendo
como motivação a flambagem em dutos devido à variação térmica. Neste estudo, o
autor analisa as componentes verticais e laterais da resistência do solo como função
da profundidade de enterramento do duto e do comportamento do solo de envoltória.
Um fator importante para entender os mecanismos da interação solo-duto é a
tendência à instabilidade na direção vertical ou lateral da linha. Palmer et al. (1990)
descrevem a flambagem vertical como estando relacionada ao fato do duto estar
17

enterrado, enquanto a lateral estaria diretamente relacionada ao fato do duto estar
parcialmente enterrado, ou totalmente desenterrado.
Segundo Oliveira (2005), a linha de duto sempre buscará a configuração de menor
resistência para impor a movimentação contra o solo. Em dutos semi-enterrados e em
solos menos resistentes, a tendência de deslocamento é lateral, com o peso do duto
oferecendo resistência maior ao levantamento. Para os dutos enterrados em
profundidades maiores e em solos mais resistentes, a tendência de deslocamento é
vertical. Neste caso, o duto encontra maior resistência lateral do solo e, em
consequência, maior dificuldade de romper este solo lateralmente. Destas
considerações, conclui-se que a resistência do solo e a profundidade de enterramento
do duto são fundamentais para a análise da interação solo-duto.
Para o estudo da interação solo argiloso-duto em modelagem centrífuga, Oliveira et al.
(2010) avaliam a influência do enterramento sobre os esforços gerados durante o
deslocamento lateral da linha de duto, tanto vertical como horizontal. As parcelas
verticais e horizontais dependerão de fatores como a natureza do solo, a profundidade
de enterramento e o peso do duto.
Para o deslocamento horizontal do duto Oliveira et al. (2010) propôs a normalização
dos esforços horizontais N
h
por meio da equação 2.1, onde F
h
é a força horizontal
medida, D* é a projeção da parcela do duto em contato com o solo no início do
movimento lateral, S
u
é a resistência não drenada medida em ensaio T-bar na altura
média do duto e L é o comprimento do duto.

N
h
=
P
h
S
u
Ð
-
L
(2.1)

Ao correlacionar os esforços horizontais normalizados às profundidades de
enterramentos dos dutos nos ensaios centrífugos, Oliveira et al. (2010) chegaram ao
gráfico apresentado na Figura 2.8.
18


Figura 2.8. Força horizontal normalizada (Oliveira et al., 2010).

Um aspecto importante observado neste trabalho é o crescimento dos valores das
forças horizontais de acordo com o crescimento do enterramento H/D. Um pico inicial
de resistência também pode ser observado em todas as curvas. Oliveira et al. (2010)
atribui este comportamento a possíveis efeitos de sucção que podem ser responsáveis
por mobilizar o solo atrás do duto.
Para os esforços verticais, Oliveira et al. (2010) também propuseram a normalização
dos esforços pela resistência não drenada, diâmetro e comprimento do duto (equação
2.2) e chegou à Figura 2.9.

N
¡
=
P
¡
S
u
Ð
-
L
(2.2)

19


Figura 2.9. Força vertical normalizada (Oliveira et al., 2010).

Para os esforços verticais, o comportamento observado indica o decréscimo dos
esforços em função do enterramento H/D, onde H é a distância entre a geratriz inferior
do duto e a superfície do solo. Conforme (Oliveira et al., 2010) este comportamento
era esperado.
Borges e Oliveira (2011), através de modelagens numéricas da interação entre solo e
dutos enterrados, chegaram a resultados semelhantes aos de Oliveira et al. (2010).
Neste estudo, variou-se profundidade de enterramento do duto, bem como sua direção
de deslocamento, segundo a Figura 2.10. A Figura 2.11 mostra a influência da
variação da profundidade de enterramento para deslocamentos do duto segundo um
ângulo o de 45°. Os autores concluíram neste trabalho que existe uma relação direta
entre carregamentos verticais e horizontais. Mais uma vez nota-se a influência da
profundidade de enterramento nos esforços gerados no duto durante o deslocamento.
Esses esforços são maiores quanto maiores forem as profundidades de enterramento.


20

Figura 2.10. Esquema do modelo utilizado por Borges e Oliveira (2011).


Figura 2.11. Força versus deslocamento para o = 45° (Borges e Oliveira, 2011).

Os resultados de Oliveira et al. (2010) foram aplicados à proposta desta dissertação. A
normalização dos esforços propicia a comparação entre os dois trabalhos. Entretanto,
algumas ressalvas devem ser feitas. A proposta de Oliveira et al. (2010) indica a
movimentação do duto contra a massa de solo, enquanto nesta pesquisa avalia-se a
movimentação da massa de solo contra dutos com particularidades de restrições de
movimentos. Outro fator importante são as profundidades de enterramento utilizadas
pelo autor que são inferiores às empregadas nesta pesquisa.

2.5. A Modelagem em Centrífuga Geotécnica
As considerações sobre a modelagem física em centrífuga geotécnica são
divididas em duas partes principais. Primeiramente é feita uma revisão sucinta da
modelagem centrífuga e suas aplicações em geotecnia, tendo em vista os estudos
realizados pela COPPE-UFRJ nos últimos anos em assuntos diversos.
Destes estudos, podem ser citados Gurung et al. (1998), sobre transporte de
contaminantes, Calle (2007) em aterros de resíduos sólidos, Oliveira (2005) em
interação solo-duto em solos argilosos, Pacheco (2006) em interação solo-duto em
solos arenosos, Motta (2008) em estudo do comportamento mecânico de solos
21

oriundos de barragens de rejeito, Fagundes (2010) em estudo de fundações offshore e
Hartmann (2012) em modelagem de aterros estruturados.
Na sequência são apresentados a centrífuga de tambor da COPPE/UFRJ, seus
componentes principais e as ferramentas desenvolvidas especialmente para uso em
ensaios centrífugos.

2.5.1. Conceituação da Modelagem Centrífuga
Modelar fisicamente significa simular um problema de engenharia em escala
reduzida, ou em grandeza real, tentando considerar todas as grandezas referentes a
este problema sob condições controladas e respeitando as relações de escala
inerentes aos modelos e protótipos estudados. Segundo Randolph e House (2001),
este tipo de modelagem é de grande utilidade em situações em que o protótipo, ou o
problema real, possui processo construtivo complexo, por exemplo, quando está
sujeito ao fenômeno de adensamento, enfrenta carregamentos cíclicos ou sofre o
processo de transporte de contaminantes em solos.
A modelagem física em centrífuga parte do princípio que os modelos estudados são
submetidos a um campo de aceleração radial, ou centrípeta, que, respeitando os
efeitos de escala, simula o campo gravitacional terrestre aumentado em muitas vezes.
A modelagem em centrífuga, do ponto vista geotécnico, precisa levar em consideração
dois aspectos fundamentais da formação dos solos: 1) os solos possuem
características estratificadas, pois são originalmente formados a partir da deposição
em camadas de sedimentos; 2) o comportamento dos solos, com respeito às sua
resistência e compressibilidade, é função do histórico de tensões a que já foram
submetidos e do estado de tensões atual em que se encontram. A grande vantagem
deste tipo de modelagem é a possibilidade de se utilizar no modelo o mesmo solo do
protótipo estudado.
A relação de escala entre modelo e protótipo é baseada na lei básica de modelos
centrífugos. Esta lei diz que uma amostra de solo sendo testada em centrífuga tem a
superfície livre de tensões e um perfil de nível de tensões que cresce com a
profundidade a uma taxa que é função do peso específico do solo e da aceleração
radial submetida na centrífuga. Desta forma, um modelo bem dimensionado possui,
em uma determinada profundidade h
m
, um nível de tensões equivalente ao de um
22

protótipo a uma profundidade h
p
, onde h
m
= N.h
p
, sendo N.g a aceleração radial na
centrífuga, equivalente a N vezes a aceleração da gravidade terrestre g.
Uma consideração importante sobre os modelos centrífugos é que a aceleração radial
a
r
a que o modelo está sendo testado varia com o raio da centrífuga r, e com o
quadrado da velocidade angular ω. A aceleração da gravidade à qual o protótipo está
sujeito pode ser considerada constante dentro do universo geotécnico (Figura 2.12).
Com isso o perfil de tensões do modelo difere levemente do perfil de tensões do
protótipo, pois não é linear (Figura 2.12). Para contornar este erro, a determinação
cuidadosa do raio no qual a análise do modelo é executada é suficiente para a
obtenção com segurança do nível de tensões do modelo.


Figura 2.12. Modelo sujeito à aceleração radial em centrífuga.


Figura 2.13. Perfil de tensões verticais: modelo e protótipo (adaptado de Taylor, 1995).

23

De forma resumida, o modelo está sujeito a um nível de tensões induzido pelo campo
de aceleração radial imposto pelo movimento circular uniforme provocado pela
centrífuga. Enquanto isso, o protótipo estudado tem seu nível de tensões devido ao
campo gravitacional terrestre. A Figura 2.14 ilustra a diferença de campos radial e
gravitacional, os quais modelo e protótipo estão sujeitos.


Figura 2.14. Correspondência entre modelo e protótipo quanto às tensões inerciais e
gravitacionais (adaptado de Taylor, 1995).

Uma das grandes vantagens da modelagem centrífuga é a relação existente entre
tempos de adensamento no modelo e no protótipo. O fenômeno de adensamento é um
problema geotécnico que está diretamente ligado à dissipação do excesso de
poropressão gerado por carregamentos.
O grau de adensamento vertical pode ser estimado através do parâmetro T
v
proposto
por Terzaghi (expressão 2.8). Este parâmetro é o mesmo tanto para o modelo quanto
para o protótipo, sendo diretamente proporcional ao tempo de adensamento t e o
coeficiente de adensamento c
v
do solo. O parâmetro T
v
também é inversamente
proporcional ao quadrado das profundidades h de drenagem consideradas para o
modelo e para o protótipo.
Na expressão a seguir, os subíndices m e p referem-se ao modelo e ao protótipo,
respectivamente.

I
¡
=
c
¡
t
m
h
m
2
=
c
¡
t
p
h
p
2
(2.3)
24

Utilizando h
m
= N.h
p
, como visto anteriormente, tem-se que:
t
m
=
t
p
N
2
(2.4)

A equação acima indica que o tempo de adensamento no modelo corresponde ao
tempo de adensamento no protótipo dividido pelo quadrado da aceleração radial
aplicada durante o ensaio. Para exemplificar, se um modelo em centrífuga for
adensado durante 10 horas a uma aceleração 100 vezes a aceleração da gravidade
(100G), isso corresponderia a um período de adensamento do protótipo de 100.000
horas, ou seja, aproximadamente 11 anos e 5 meses. Isso indica que em poucas
horas é possível moldar uma camada de solo adensado, pronta para ser ensaiada.
Taylor (1995) comenta os perigos do uso indiscriminado da equação 2.4, expondo que
nem todos os fenômenos relacionados ao tempo respeitam tal relação. É o caso do
fenômeno de fluência dos materiais, ou seja, a deformação ao longo do tempo de um
material submetido a uma carga constante. Neste caso, a relação entre tempo de
modelo e protótipo é a mesma, ou seja, 1:1, pois este comportamento pode ser
considerado um fenômeno de relaxação. A Tabela 2.3 apresenta resumidamente as
principais relações de escala entre modelo e protótipo em modelagem centrífuga de
problemas estáticos.

Tabela 2.2. Relações de escala entre modelo e protótipo.
Parâmetro
Relação de Escala
Modelo / Protótipo
Parâmetro
Relação de Escala
Modelo / Protótipo
Gravidade N Deformação 1
Comprimento 1/N Força 1/N²
Densidade 1 Momento Fletor 1/N³
Massa 1/N³ Tempo (difusão) 1/N²
Tensão 1 Tempo (relaxação) 1


2.5.2. A Centrífuga de Tambor da COPPE-UFRJ
Projetada e montada pela empresa G-MAX Scotland Ltda no ano de 1995, a
centrífuga da COPPE/UFRJ já foi utilizada em dissertações, teses e pesquisas
25

anteriores. Dentre os temas estudados durante esses anos estão análises da
interação solo-duto, estudos sobre fundações em leito marinho, construção de
barragens de rejeito e transporte de contaminantes em solos. A seguir serão descritos,
de forma objetiva, os principais componentes da centrífuga. Uma descrição completa e
detalhada deste equipamento pode ser encontrada em Oliveira (2005), com
atualizações em Fagundes (2010) e Neto et al. (2010).
Pode-se dividir a centrífuga da COPPE em oito componentes principais, sendo eles: (i)
motor de bascular, (ii) motor de rotação, (iii) atuador radial, (iv) atuador angular, (v)
sistema de aquisição de dados, (vi) canal de amostras e (vii) ferramentas de
investigação. Cada um desses componentes será descrito a seguir.

i. Motor de Bascular
O motor de bascular tem a finalidade de movimentar o canal de amostras de
forma a posicioná-lo na configuração mais adequada aos ensaios e manutenção do
equipamento. Basicamente, ele é um motor eletro-hidráulico que permite a rotação do
tambor em ângulos de 0° a 90°, ou seja, da posição horizontal até a posição vertical,
podendo ser travado em ângulos intermediários (Figura 2.15).


Figura 2.15. Variação do eixo da centrífuga da COPPE-UFRJ (Oliveira, 2005).




26

ii. Motor de Rotação
O motor de rotação (Figura 2.16b) controla a rotação da centrífuga com a
precisão que os ensaios exigem. Ele é composto por um motor elétrico associado a
um inversor de potência que, através de uma polia de borracha, transfere sua rotação
ao tambor da centrífuga sob uma razão de 1:3. Seus comandos são dados através de
um painel de controle (Figura 2.16a), onde a velocidade de ensaio pode ser
administrada e sua variação observada desde o repouso até a velocidade de ensaio
escolhida.


Figura 2.16. Painel de Controle (a) e Esquema do Motor de Rotação (b).

A Tabela 2.3 fornece a relação entre frequência angular, dado de entrada no painel de
controle, e a correspondente aceleração gerada no modelo.
Tabela 2.3. Frequência do motor de rotação associada ao fator de escala N.
N f
2
[Hz] N f
2
[Hz] N f
2
[Hz] N f
2
[Hz]
10 6,69 60 16,38 110 22,18 160 26,75
20 9,46 70 17,70 120 23,17 170 27,58
30 11,58 80 18,92 130 24,11 180 28,38
40 13,38 90 20,06 140 25,03 190 29,15
50 14,96 100 21,15 150 25,9 200 29,91




27

iii. Atuador Radial
O sistema de atuação radial serve como um braço mecânico, cuja função é
fazer algum instrumento interagir com a amostra segundo um movimento de
aproximação ou afastamento em relação ao centro de rotação da centrífuga (Figura
2.17)

Figura 2.17 – Movimentação do atuador radial (Oliveira, 2005).

Seu funcionamento é feito por intermédio de um motor de passo, acoplado a uma linha
de transmissão com um curso de 100 mm, ligado ao computador via porta serial. Para
acioná-lo, executa-se um programa que permite controlar seu movimento de retração
ou extensão com precisão de milímetros. Tal programa permite também escolher a
velocidade de deslocamento.

iv. Atuador Angular
Também conhecido por turntable, o atuador angular é composto por um motor
de corrente contínua, engrenagem e tacômetro, solidarizados ao eixo de rotação
(Figura 2.18). É um sistema que gira junto ao tambor da centrífuga. Desta forma,
qualquer movimento imposto ao atuador angular é relativo ao canal de amostras.

28


Figura 2.18 - Movimentação do atuador angular (Oliveira, 2005).

Do mesmo modo que o atuador radial, os comandos do atuador angular também são
dados através de um computador externo, onde a velocidade angular e o ângulo a ser
deslocado podem ser escolhidos.

v. Sistema de Aquisição de Dados
O sistema de aquisição para esta pesquisa foi atualizado, por isso é diferente
dos sistemas utilizados em trabalhos anteriores. Neto et al. (2010) e Fagundes (2010)
atualizaram o programa de aquisição de dados, deixando-o com interface mais
amigável para o usuário. Apesar destas modificações, crescentes dificuldades quanto
à confiabilidade e qualidade dos dados lidos durante alguns ensaios demandaram a
modificação do sistema de aquisição de dados.
O sistema anterior fazia uso de alimentação e transmissão de sinal via anéis
deslizantes (slip rings). Com o tempo de uso esses anéis começaram a apresentar
sinais de desgaste e queda na qualidade e confiabilidade dos dados obtidos.
Para contornar essa situação, o sistema de aquisição foi substituído por um novo
sistema baseado em telemetria. Com esse novo sistema, somente a alimentação
passou a ser por meio dos anéis deslizantes e o sinal passou a ser captado
diretamente pelos computadores via telemetria, melhorando consideravelmente a
qualidade do sinal referente à instrumentação dos ensaios.
Um novo programa para a aquisição dos dados também foi desenvolvido. Este novo
programa permite maior flexibilidade quanto às taxas de aquisição dos dados que
agora podem ser escolhidas e podem variar de 0,1 a 10 leituras por segundo. Ele
permite também a introdução das curvas de calibração dos instrumentos de ensaio,
garantindo avaliação mais rápida e segura dos dados recebidos em tempo real. A
29

Figura 2.19 ilustra um ensaio em andamento, onde é possível notar a clareza dos
sinais lidos.


Figura 2.19. Novo programa de aquisição de dados.

vi. Canal de Amostras
É a parte da centrífuga destinada a receber o solo a ser ensaiado. Possui um
raio interno de 500 mm com altura de 250 mm (Figura 2.20). Segundo o fabricante,
este canal possui estrutura para receber ensaios com velocidades de até 900 rpm, ou
N igual a 450. Existe a possibilidade de todo o canal ser utilizado com solo, facilitando
assim a execução de vários ensaios em uma única camada de solo reconstituída,
tendo uma extensão de aproximadamente 3,0 m. Porém, em termos práticos, os
ensaios são reduzidos a amostras reconstituídas em uma caixa, por questões de
instrumentação, uma vez que não seria possível ter acesso em vôo a toda superfície
de solo moldada.

30


Figura 2.20. Canal de amostras da centrifuga.

A caixa de ensaio utilizada possui dimensões internas de 210 mm de altura, 260 mm
de largura e 178 mm de profundidade (Figura 2.21). Com esta caixa, o raio interno do
canal diminui para 472 mm. Para contrabalancear o sistema, uma caixa idêntica a esta
fica localizada em posição diametralmente oposta.


Figura 2.21. Caixa de amostra do canal com dimensões em mm (Oliveira, 2005).

(vii) Ferramentas de Investigação em Ensaios Centrífugos
Ao reconstituir uma camada de solo em modelagem centrífuga, é importante
avaliar o comportamento geotécnico de resistência deste solo de modo a permitir a
comparação entre diferentes ensaios. Essa avaliação pode ser feita por meio de
31

ensaios de laboratório, coletando-se amostras das camadas reconstituídas, ou in situ,
através de algum tipo de ensaio especial durante os ensaios centrífugos.
Nos estudos realizados com a centrífuga da COPPE-UFRJ, basicamente dois tipos de
ensaios de investigação in situ foram executados ao longo dos anos: ensaios
miniaturizados de cone e T-bar.
O primeiro tipo de ensaio, o de cone, foi desenvolvido e aplicado por Motta (2008). Ele
é uma ferramenta de investigação indicada para ensaios com solos arenosos e
siltosos. O segundo tipo, o ensaio de T-bar, é melhor indicado para trabalhos em solos
argilosos. O ensaio de T-bar é o método de investigação utilizado nesta pesquisa. Ele
é empregado para avaliar a resistência e variabilidade das camadas reconstituídas nos
diferentes ensaios na modelagem centrífuga.
O ensaio consiste na penetração com velocidade constante de uma barra cilíndrica na
camada de solo reconstituída. A resistência não drenada S
u
é avaliada através da
expressão 2.5, onde P é a força medida pela célula de carga durante a cravação, D é
o diâmetro do cilindro, L é o comprimento do cilindro e N
b
é o fator de barra.

S
u
=
P
N
b
ÐL
(2.5)

O valor analítico de N
b
, segundo Randolph e Houlsby (1984) e Stewart e Randolph
(1991), depende da rugosidade da superfície do cilindro, descrita por um fator de
aderência o . Os valores de o variam entre 0 e 1, sendo 0 para uma superfície
perfeitamente lisa e 1 para uma superfície perfeitamente rugosa. Através de soluções
da Teoria da Plasticidade, os valores dos limites superior e inferior encontrados para
N
b
foram respectivamente 12, para um cilindro completamente rugoso, e 9, para um
cilindro perfeitamente liso. Randolph e Houlsby (1984) recomendam para uso geral a
utilização de N
b
equivalente a 10,5, a média aritmética entre os limites,

e este valor
tem sido utilizado para a interpretação dos resultados de T-bar.
Como o T-bar empregado nos ensaios, Figura 2.22, possui como dimensões os
valores D = 0,005 m e L = 0,02 m e um fator N
b
= 10,5, a expressão 2.5 se resume à
expressão 2.6. Para P, a força medida pela célula de carga no ensaio de T-bar, em
kN, e S
u
em kPa, tem-se:
32

S
u
= 1,uSP (2.6)


Figura 2.22. Ferramenta de Investigação mini T-bar empregado.

A velocidade de penetração dos ensaios de T-bar em centrífuga pode ser avaliada
pela proposta da normalização da velocidade proposta por Finnie e Randolph (1994).
A velocidade normalizada V é calculada pela expressão 2.7. Nela, v é a velocidade de
penetração, D é o diâmetro do T-bar e c
v
é o coeficiente de adensamento do solo. Em
função da velocidade normalizada, é possível prever se o comportamento do solo
durante a penetração do T-bar é drenado, parcialmente drenado ou não drenado

I =
¡Ð
C
¡
(2.7)

Oliveira et al. (2011) apresentam um estudo da influência da variação da velocidade
normalizada na resistência obtida pelo T-bar. Este estudo mostra que identificação do
comportamento de drenagem sofre forte influência do tipo de solo analisado.
Geralmente, o comportamento observado nestes estudos segue a tendência
apresentada na Figura 2.23.

33


Figura 2.23. Tendência de resistência do solo quanto à velocidade normalizada.

Por sua vez, Finnie e Randolph (1994) recomendam a utilização de velocidades
normalizadas superiores a 30 para a obtenção de um comportamento não drenado e
velocidades normalizadas inferiores a 0,1 para o comportamento predominantemente
drenado.
No estudo de Oliveira et al. (2011) é possível identificar que a recomendação de Finnie
e Randolph (1994) pode, em alguns casos, não caracterizar bem o comportamento do
solo durante os ensaios. A Figura 2.24 apresenta alguns resultados de obtenção da
curva de variação da resistência em função da velocidade normalizada. Percebe-se
nessas curvas que existem situações aonde o comportamento não drenado somente é
caracterizado a partir de velocidades normalizadas superiores a 100.


Figura 2.24. Influência da velocidade normalizada na resistência (Oliveira et al., 2010).
34

2.6. Considerações Parciais da Revisão Bibliográfica
Foi apresentado neste capítulo um resumo das teorias que dão suporte aos
estudos aqui apresentados. Inicialmente tratou-se da questão dos movimentos de
massa em solo e os mecanismos que podem interferir na vida útil dos dutos. Um breve
comentário sobre os movimentos de massa submarinos foi apresentado, indicando
que em poucos aspectos os movimentos de massa terrestres e submarinos se
diferenciam.
Em seguida, alguns aspectos sobre o comportamento mecânico dos dutos enterrados
sujeitos aos movimentos de massa de solo foram abordados, visando melhor estudar
estes fenômenos por meio da modelagem física em centrífuga.
Para finalizar, a modelagem física em centrífuga é introduzida, levando-se em
consideração seus principais aspectos. Alguns trabalhos pretéritos desenvolvidos na
centrífuga da COPPE são considerados e a centrífuga, propriamente dita, tem seus
componentes descritos. A atualização do sistema de aquisição de dados da centrífuga
é um tópico importante ressaltado neste capítulo.
A ferramenta de investigação para ensaios centrífugos, mini T-bar, foi apresentada e
as considerações sobre as velocidades de cravação durante os ensaios foram
ressaltadas.




35

3. METODOLOGIA
3.1 Introdução
O presente capítulo objetiva a apresentação da metodologia empregada na
concepção dos modelos físicos reduzidos a serem utilizados nos ensaios centrífugos e
os equipamentos projetados para a execução dos ensaios. As características
geotécnicas do solo empregado nos ensaios são apresentadas.
Dois modelos físicos reduzidos foram criados para simular a movimentação de massa
contra dutos enterrados. O primeiro modelo, denominado Duto A, é composto por
rótulas de fixação em suas extremidades. O segundo modelo, denominado Duto B, é
baseado na concepção de duto utilizada por Oliveira (2005) e consiste em um modelo
de duto em formato de T, cujo método de fixação é feita por meio da haste transversal
ao duto.
Por meio da rótula empregada nas extremidades do Duto A, foi possível aumentar o
comprimento do modelo de duto estudado, em virtude das limitações espaciais da
centrífuga. A utilização do modelo do Duto B foi naturalmente adotada com a
finalidade comparação com o outro duto. O Duto B já havia sido utilizado em
pesquisas anteriores. A comparação entre ambos os modelos enriquece o
entendimento da interação solo-duto.

3.2. Concepção do Duto A
Na concepção dos ensaios centrífugos, uma massa de solo será mobilizada em
direção ao duto, deslocando-o e provocando nele o surgimento de tensões e
deformações. O primeiro modelo de duto apresentado é o que possui suas
extremidades rotuladas, o Duto A.
Para que o modelo reduzido proposto represente bem a realidade é necessário que
sejam respeitadas as relações entre o modelo e o protótipo, conforme as premissas
dos modelos centrífugos.
No caso do modelo do Duto A, assumindo trabalhar como corpo flexível, o principal
parâmetro de interesse é a rigidez à flexão para um carregamento distribuído.
36

No que segue, m e p são os subscritos associados ao modelo e ao protótipo,
respectivamente. Sendo a rigidez do protótipo K
p
, descrita pela Lei de Hooke, equação
3.1, a substituição das relações da modelagem centrífuga, equações 3.2 e 3.3, fornece
a relação entre as rigidezes do modelo e do protótipo, equação 3.4.

F
p
= K
p
x
p
(3.1)
F
p
= F
m
N` (3.2)
x
p
= x
m
N (3.3)
K
p
= K
m
N (3.4)

Seja uma linha de duto sujeita a movimentos de massa de solo ao longo de uma faixa
L de seu comprimento, conforme ilustrado na Figura 3.1. Dois pontos pertencentes às
extremidades deste comprimento L podem ser considerados engastados, uma vez que
a massa é indeslocável fora do intervalo. Por outro lado, dentro deste intervalo há o
deslocamento da massa de solo. Dentro deste intervalo existem pontos onde os
momentos fletores são nulos, ou seja, que podem ser associados a rótulas. O trecho
da linha de duto no interior destes pontos corresponde ao Duto A e este duto
encontrar-se-ia bi-rotulado. Ao fazer esta consideração, e acrescentando rótulas às
extremidades do modelo de duto, tem-se que o comprimento efetivo do mesmo L’
corresponderia a 0,5L, o comprimento efetivo de uma viga biengastada sujeita à
flambagem, segundo Hiebler (2004). Deste modo é possível contornar as limitações
espaciais da caixa de amostra da centrífuga e simular um protótipo maior de duto, a
partir do modelo bi-rotulado.

37


Figura 3.1. Esquema da concepção do modelo do Duto A.

Da Resistência dos Materiais (Hiebler, 2004) tem-se que a rigidez K associada a um
deslocamento unitário no meio do vão de uma viga bi-apoiada sujeita a um
carregamento uniformemente distribuído pode ser obtida através da equação 3.5.

K = 48EII'
-3
(3.5)

A inércia à flexão I de uma seção circular tubular é calculada por

I =

4
64
-
n(Ð-2t)
4
64
(3.6)

onde E corresponde ao módulo de elasticidade, D ao diâmetro externo, t à espessura
e L’ ao comprimento efetivo do trecho do duto A. Ao se adotar o alumínio para a
confecção do modelo de duto, a Tabela 3.1 compara as principais características
geométricas e mecânicas do modelo e do protótipo em aço.


38

Tabela 3.1. Características geométricas e mecânicas do modelo e do protótipo.
Parâmetro Modelo Protótipo
Material Alumínio Aço
E (kPa) 0,65 x 10
8
2,00 x 10
8

L (mm) 177 9000
D (mm) 9 457
t (mm) 1,0 127
I (m
4
)4 2,0 x 10
-10
1,3 x 10
-3
K (kN/m) 1,1 x 10
2
5,8 x 10
3

Segundo a Tabela 3.1, a razão entre as rigidezes do protótipo e do modelo calculada
com base nas Equações 3.5 e 3.6 é de 50. Desta forma os ensaios centrífugos devem
ser executados com campo de aceleração radial N de 50 G para que o modelo
centrífugo seja representativo do comportamento real do protótipo.
O projeto do Duto A, A, é apresentado na Figura 3.2.


Figura 3.2. Projeto do modelo do Duto A (cotas em mm).

Dois suportes precisaram ser projetados para que o duto pudesse ser posicionado na
caixa de ensaio. O projeto do suporte de encaixe para instalação do duto na caixa é
apresentado na Figura 3.3. O sistema duto-rótulas-suportes já posicionado na caixa de
amostras pode ser observado na Figura 3.4.

39


Figura 3.3. Desenho do suporte do Duto A.



Figura 3.4. Sistema duto-rótulas-suportes posicionado na caixa de ensaio.

Strain gauges, ou extensômetros, foram colados no meio do duto para o
monitoramento, ao longo dos ensaios, das deformações e obtenção dos respectivos
esforços. Num total, quatro strain gauges foram colados em dois eixos transversais do
duto, identificados como direções 1 e 2.
A calibração do sistema duto com strain gauges foi feita aplicando-se carregamentos
distribuídos conhecidos no duto. Durante a calibração, ao se aplicar um carregamento
em uma determinada direção do duto, perceberam-se a geração de esforços nos
Duto A
conector
rótula
strain gauges
Caixa de amostras suporte
40

strain gauges posicionados no eixo ortogonal à aplicação do carregamento. Essa
constatação indicava que ao se aplicar um carregamento em uma determinada direção
e sentido do duto, seria necessário levar em consideração a interação com a outra
direção e sentido, de modo a poder quantificar de forma segura os esforços realmente
atuantes durante os ensaios.
A interpretação destes resultados por meio de uma calibração confiável do Duto A
constituiu um grande desafio deste trabalho. Primeiramente foi necessário
compreender que esforços seriam gerados durante os ensaios e como o duto
absorveria os mesmos. Para tal, foram obtidas quatro curvas de calibrações distintas,
uma para cada situação considerada, conforme descrito a seguir e ilustrado na Figura
3.5:

- Aplicação de carga vertical, no sentido de cima para baixo – Direção 1 positivo;
- Aplicação de carga vertical, no sentido de baixo para cima – Direção 1
negativo;
- Aplicação de carga horizontal, no sentido da esquerda para direita – Direção 2
positivo;
- Aplicação de carga horizontal, no sentido da direita para esquerda – Direção 2
negativo.


Figura 3.5. Direções e sentidos adotados para a calibração do Duto A.

Ao considerar duas direções ortogonais e sentidos positivos e negativos durante a
calibração todas as possibilidades de geração de esforços no duto poderiam ser
avaliadas. Além disso, o esforço resultante no duto seria uma combinação,
41

adotada linear, dos esforços medidos nas duas direções ortogonais e sentidos
positivos e negativos.
As calibrações nas duas direções e nos dois sentidos foram realizadas aplicando-
se carregamentos distribuídos ao duto, conforme indicado na Figura 3.6.


Figura 3.6. Sistema de calibração do Duto A.

As Figuras 3.7, 3.8, 3.9 e 3.10 apresentam as quatro curvas de calibração obtidas.
Em cada uma delas figuras observam-se as curvas de calibração associadas à
direção de aplicação da carga e a curva correspondente aos esforços gerados na
direção ortogonal. A diferença entre elas está em seus coeficientes angulares. A
curva mais verticalizada, com o coeficiente angular maior, diz respeito aos esforços
sentidos na direção ortogonal à aplicação do carregamento. Caso esta reta fosse
exatamente vertical, ter-se-ia o sistema ideal, onde nenhum esforço estaria sendo
gerado na direção ortogonal.

42


Figura 3.7. Curva de calibração na direção 1 sentido positivo (Dir 1+).


Figura 3.8. Curva de calibração na direção 1 sentido negativo (Dir 1-).

y = 2,1975x ‐ 4417,4
R² = 0,9987
y = 0,2368x ‐ 355,88
R² = 0,9978
0
100
200
300
400
500
600
700
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500
C
a
r
r
e
g
a
m
e
n
t
o

d
i
s
t
r
i
b
u
í
d
o

[
N
/
m
]
Leitura [bits]
Curva de calibração - Dir 1+
Dir2 Dir1+
y = 0,9883x - 1992,5
R² = 0,9702
y = -0,2402x + 350,24
R² = 0,999
0
50
100
150
200
250
300
350
0 250 500 750 1000 1250 1500 1750 2000 2250 2500
C
a
r
r
e
g
a
m
e
n
t
o

d
i
s
t
r
i
b
u
í
d
o

[
N
/
m
]
Leitura [bits]
Curva de calibração - Dir 1-
Dir2 Dir1-
43


Figura 3.9. Curva de calibração na direção 2 sentido positivo (Dir 2+).



Figura 3.10. Curva de calibração na direção 2 sentido negativo (Dir 2-).

Estas curvas de calibração permitiram mensurar a interferência de uma direção sobre
a outra e possibilitou a criação e a determinação de coeficientes de interferência,
y = 0,2408x - 490,43
R² = 0,9986
y = -4,1723x + 6256,1
R² = 0,5039
0
100
200
300
400
500
600
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500
C
a
r
r
e
g
a
m
e
n
t
o

d
i
s
t
r
i
b
u
í
d
o

[
N
/
m
]
Leitura [bits]
Curva de calibração - Dir 2+
Dir 2 + Dir 1
y = -0,2378x + 474,31
R² = 0,9988
y = -4,6003x + 6805,6
R² = 0,9865
0
100
200
300
400
500
0 250 500 750 1000 1250 1500 1750 2000 2250
C
a
r
r
e
g
a
m
e
n
t
o

d
i
s
t
r
i
b
u
í
d
o

[
N
/
m
]
Leitura [bits]
Curva de calibração - Dir 2-
Dir 2- Dir 1
44

identificados por C
i,j
. Os subíndices i e j indicam a interferência na direção i ao se
aplicar o carregamento na direção j. A Tabela 3.2 apresenta os coeficientes de
calibração α e os de interferência C
i,j
oriundos das quatro curvas de calibração. O
coeficiente de calibração α corresponde coeficiente angular da curva obtida na direção
de aplicação do carregamento. Os coeficientes de interferência C
i,j
correspondem às
relações entre os coeficientes angulares das duas curvas obtidas em cada calibração.

Tabela 3.2. Coeficientes de calibração e de interferência.
Direção (j) α [Nm
-1
bits
-1
] C
i,j

1+ 0.2368 0.11
1- 0.2402 0.24
2+ 0.2408 0.06
2- 0.2378 0.05

A calibração do duto instrumentado e a determinação destes coeficientes foram
importantes para a análise dos resultados com o Duto A. Ficou estabelecido que o
esforço obtido em uma determinada direção, F
1b
ou F
2b
, seria a combinação linear dos
esforços reais, F
1R
e F
2R
, para as duas direções, aplicando-se os coeficientes de
interferência, segundo as expressões 3.7 e 3.8.
Nestas expressões o subíndice b diz respeito aos dados de saída em bits medido nos
ensaios centrífugos. O subíndice R diz respeito ao esforço real obtido por meio da
combinação linear dos esforços nas direções ortogonais 1 e 2 medidos em bits.

F
1b
= F
1R
+C
1,2
F
2R
(3.7)
F
2b
= F
2R
+ C
2,1
F
1R
(3.8)

A resolução deste sistema de equações conduz a.

F
1R
=
P
1b
-P
2b
.C
1,2
1-C
2,1
.C
1,2
(3.9)
45

F
2R
=
P
2b
-P
1b
.C
2,1
1-C
2,1
.C
1,2
(3.10)

Admitindo-se que, na fase de adensamento, os esforços no duto possam ser
considerados estritamente verticais no sentido de cima para baixo (direção 1+) e que
qualquer esforço obtido para a direção horizontal seja devido à interferência, valores
iguais a 0,110 e 0,055 foram obtidos para os coeficientes a serem aplicados nas
direções vertical e horizontal, respectivamente. Na direção horizontal o valor obtido
refere-se à média entre os dois coeficientes de interferência para esta direção. Desta
forma, as equações 3.9 e 3.10 fornecem.

F
1R
= 1.uu6. (F
1b
- u.uSSF
2b
) (3.11)

F
2R
= 1.uu6. (F
2b
- u.11F
1b
) (3.12)

O aqui exposto foi levado em consideração na análise dos resultados com o Duto A
apresentada adiante.

3.3 Concepção do Duto B
A concepção e emprego do Duto B são baseados no modelo de duto utilizado
por Oliveira (2005), onde ele faz uso de um modelo de duto em forma de T invertido,
instrumentado com strain gauges e célula de carga de tração e compressão. O
esquema de ensaio utilizado por Oliveira (2005) pode ser observado na Figura 3.11.
As principais diferenças entre o modelo de duto de Oliveira (2005) e o empregado aqui
estão basicamente na geometria e na concepção do ensaio centrífugo propriamente
dito. Na concepção de Oliveira, o modelo de duto é arrastado contra o solo por meio
do atuador horizontal da centrífuga, enquanto nesta pesquisa, o modelo de duto
encontra-se estático o movimento do solo contra o duto é simulado pela Pá
instrumentada.

46


Figura 3.11. Esquema de ensaio proposto por Oliveira (2005) – duto movimenta-se
contra o solo.

Como no duto A, este modelo também é instrumentado. Ele possui strain gauges e
uma célula de carga de tração-compressão. Os strain gauges são empregados no
monitoramento dos esforços horizontais gerados no duto durante os ensaios e a célula
de carga monitora os esforços verticais.
Detalhes da idealização deste modelo são apresentados nas Figuras 3.12 e 3.13. A
Figura 3.14 apresenta a versão final do modelo.

47


Figura 3.12. Projeto do Duto B – Vista frontal (cotas em mm).


Figura 3.13. Vistas frontal e lateral do Duto B (cotas em mm).
48


Figura 3.14. Duto B desenvolvido.

A calibração deste duto foi dividida em duas partes. A primeira é relacionada aos
esforços verticais esperados, tendo-se utilizado uma célula de carga tração-
compressão de 250 N e calibrada a partir da aplicação de esforços de tração e de
compressão previamente definidos. A Figura 3.15 apresenta a curva de calibração da
célula de carga.


Figura 3.15. Curva de calibração da célula de carga.
y = ‐0,1499x + 300,13
R² = 0,9999
-200
-150
-100
-50
0
50
100
150
200
250
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500
F
o
r
ç
a

[
N
]
Leitura [bits]
Curva de Calibração - Célula de Carga (250 N)
49

A segunda parte da calibração refere-se aos esforços horizontais sentidos pelo duto.
Neste caso, o sistema utilizado foi o de se aplicar ao duto um carregamento
distribuído, conforme a Figura 3.16.


Figura 3.16. Sistema de calibração da componente horizontal.

A curva de calibração obtida por meio deste sistema é apresentada na Figura 3.17, a
seguir. As componentes positivas e negativas da força indicam as duas direções em
que o duto foi calibrado. A Figura 3.18 apresenta o modelo de duto durante a
aplicação nos ensaios centrífugos.


Figura 3.17. Calibração da componente horizontal.
50


Figura 3.18. Modelo do Duto B durante o ensaio centrífugo.

3.4 Concepção da Pá Instrumentada
Uma Pá conectada ao atuador foi utilizada para impor deslocamentos ao solo e
assim simular o movimento de uma massa de solo contra o duto. Sua movimentação
durante o ensaio centrífugo é promovida pelo atuador angular. A instrumentação na Pá
possibilita o conhecimento dos esforços gerados durante o processo.
A Pá instrumentada foi construída com base na Figura 3.19. A espessura de 6 mm foi
adotada para que durante os ensaios, a Pá não apresentasse deformações
excessivas. Strain gauges foram instalados para o monitoramento das forças geradas
durante os ensaios.
O comprimento de 60 mm foi determinado para que a mesma porção de massa de
solo atingisse os dutos, considerando os diferentes comprimentos dos mesmos,
conforme Figura 3.20.

51


Figura 3.19. Projeto da Pá instrumentada (dimensões em mm).


Figura 3.20. Considerações para o dimensionamento da Pá instrumentada (dimensões
em mm): (a) Duto A e (b) Duto B.

Com base nas considerações adotadas, a Pá instrumentada construída é apresentada
na Figura 3.21.

52


Figura 3.21. Pá instrumentada.

Uma vez desenvolvida, as últimas etapas do projeto da Pá foram a instrumentação e a
sua calibração. A instrumentação foi feita por strain gauges, posicionados dois a dois
em ambos os lados da Pá. A calibração foi feita aplicando-se carregamentos
conhecidos. As Figuras 3.22 e 3.23 apresentam as curvas de calibração obtidas, uma
para cada direção de atuação da Pá (ver Figura 3.19).


Figura 3.22. Curva de calibração da Pá na direção 1.

y = -0,1029x + 214,2
R² = 0,9985
0
20
40
60
80
100
120
140
160
500 700 900 1100 1300 1500 1700 1900 2100 2300
F
o
r
ç
a

(
N
)
Leitura [bits]
Curva de Calibração da Haste Instrumentada - Direção 1
53


Figura 3.23. Curva de calibração da Pá na direção 2.

Apesar de calibrada em duas direções, a direção adotada para a execução dos
ensaios centrífugos foi a direção 2.

3.5. Concepção dos Ensaios Centrífugos
Sobre os aspectos da modelagem centrífuga e sua concepção, os ensaios com
os dois tipos de dutos são basicamente os mesmos. O que os diferencia é somente o
tipo de duto em si. Os ensaios centrífugos foram divididos em quatro fases:

- Fase de adensamento;
- Fase de investigação por ensaio de T-bar;
- Fase de movimentação horizontal;
- Fase de Investigação do perfil de umidade final

As quatro fases e o tipo de solo utilizado nos ensaios serão tratados separadamente,
começando pelo tipo de solo empregado nas modelagens.

y = 0,078x - 156,49
R² = 0,9969
0
20
40
60
80
100
120
140
160
1800 2000 2200 2400 2600 2800 3000 3200 3400 3600 3800 4000
F
o
r
ç
a

[
N
]
Leitura [bits]
Curva de Calibração da Haste Instrumentada - Direção 2
54

3.5.1 O Solo Utilizado
O solo empregado nos ensaios foi uma argila marinha, a mesma utilizada por
Fagundes (2010). Esta argila, retirada do Campo de Roncador na Bacia de Campos
por meio de amostragem com JPC (Jumbo Piston Core) de comprimento de até 21,0
m e abaixo de uma lâmina d’água de aproximadamente 2000 m, foi utilizada na
modelagem em sua forma totalmente amolgada, sendo reconstituída por adensamento
em centrífuga.
Do ponto de vista geotécnico, este solo trata-se de uma argila de cor cinza, como
apresentado pela Figura 3.24, com 1% de areia média, 5% de areia fina, 47% de silte
e 47% de argila, classificada como CH, argila de alta compressibilidade, na
classificação unificada USCS. Os parâmetros obtidos em ensaios de caracterização
são apresentados na Tabela 3.3 a seguir.

Tabela 3.3. Dados obtidos na caracterização do solo.
Distribuição Granulométrica Limites de Atterberg Densidade real dos grãos
areia média areia fina silte argila W
P
W
L
G
s

1% 5% 47% 47% 83% 24% 2,57


Figura 3.24. Argila em estado amolgado empregada nos ensaios.

Ensaios de adensamento oedométrico realizados por Pequeno (2010) em amostras
reconstituídas em laboratório indicaram coeficientes de compressibilidade C
c
e
recompressibilidade C
r
iguais 0,5 e 0,1 respectivamente. O coeficiente de
adensamento C
v
observado nesses ensaios foi de 1,5 x 10
-8
m²/s, valor médio.
55

Pequeno (2010) apresentou também para este solo parâmetros de estado críticos
baseados no Modelo Cam-Clay, obtidos através de adensamentos oedométrico e
hidrostático. Esses resultados são apresentados na Tabela 3.4 na sequência

Tabela 3.4. Parâmetros de Modelo Cam-Clay (Pequeno, 2010).
Tipo de
adensamento
Quantidade
Parâmetros de Compressibilidade
Parâmetros Cam-Clay
C
c
C
r
λ κ N Г
hidrostático 1 - - 0,20 0,04 3,49 3,33
oedométrico 2
0,51 0,12 0,22 0,05 ‐  ‐ 
0,52 0,11 0,22 0,04 ‐  ‐ 


3.5.2 Fase de Adensamento
A primeira fase de execução dos ensaios centrífugos, denominada de fase de
adensamento, engloba todos os aspectos de preparação do solo para os ensaios.
O solo durante a preparação tem suas características mecânicas destruídas por meio
de amolgamento e é preparado de modo a ter no início do ensaio centrífugo umidade
próxima ao valor ao seu limite de liquidez. Esta escolha foi baseada na experiência de
trabalhos anteriores, como Fagundes (2010). Essa umidade garante boa
trabalhabilidade e consistência, evitando que o solo colapse durante a preparação do
ensaio.
Para isso, inicialmente, retirou-se a umidade da amostra que se encontrava em
câmara úmida e acrescentou-se água destilada até a obtenção da umidade de
interesse. Esse processo foi repetido após cada ensaio, reaproveitando sempre o
material ensaiado. Desta forma, pode ser dito que todos os ensaios foram realizados
sempre com a mesma amostra de solo.
Após a adição de água destilada, em quantidade calculada em função da massa e
umidade do material, o solo foi homogeneizado manualmente e novamente retirou-se
a umidade em cinco pontos distintos. A umidade então adotada foi a média das cinco
umidades obtidas e essa foi a umidade inicial de cada ensaio. Após este processo
colocou-se o solo preparado na caixa de amostra da centrífuga.
56

O método de colocação do solo adotado foi o grumos, ou clay lumps, também utilizado
por Oliveira (2005) e Fagundes (2010) em ensaios centrífugos em argila. O outro
método existente, o de colocação no solo em estado de lama, despenderia muito
tempo na fase de adensamento. A grande vantagem deste outro método está na
camada mais homogênea e superfície mais regular e suave.
O método de grumos consiste na colocação de modo controlado de pequenos grumos
de argila até a formação da camada inicial desejada como mostrada na Figura 3.25.
Para tal, a centrífuga deve estar com seu eixo em posição horizontal.


Figura 3.25. Colocação do solo pelo método de grumos.

Como observado na Figura 3.14, a caixa da centrífuga, antes da colocação dos
grumos de argila, foi preparada com uma camada de geotêxtil, seguida por uma
camada de papel filtro. O geotêxtil foi empregado para garantir a dupla drenagem
vertical e a drenagem horizontal durante o adensamento e assim acelerar o processo.
O papel filtro impediu que parte desta argila passasse pelo geotêxtil e o colmatasse.
Sua outra função foi a de manter o solo após o ensaio livre de fibras provenientes do
geotêxtil, garantindo a reutilização do solo nos ensaios seguintes.
Após a conclusão de colocação por meio de grumos, a superfície da camada de solo
recebeu um tratamento para torná-la a mais uniforme possível, conforme Figura 3.26.

57


Figura 3.26. Camada uniformizada após a colocação dos grumos de argila.

O adensamento em centrífuga era iniciado após a formação da camada de argila.
Antes, porém, era necessário bascular a centrífuga, levando-a de sua posição
horizontal inicial para a posição com eixo vertical. Daí, então, era iniciada a rotação até
atingir um campo de aceleração radial equivalente a 100 G, por um período de 18 h,
período indicado por Fagundes (2010) ao utilizar o mesmo solo.
Realizou-se o monitoramento do adensamento por meio de dois transdutores de
poropressão instalados no interior da camada de solo em profundidades diferentes,
Figuras 3.27 e 3.28, com extensômetro a laser direcionado para a superfície da
camada, verificando o recalque com o passar do tempo Figura 3.29.
Apesar de observado que as 18 h adotadas para o adensamento não foram suficientes
para se atingir um grau de adensamento superior a 90%, o tempo adotado mostrou-se
de grande importância durante a realização dos ensaios. Primeiramente, por ser
tempo suficiente para que o percentual de adensamento ocorrido, geralmente superior
a 60%, nas profundidades dos transdutores de poropressão, como será apresentado
mais adiante, garantisse a formação de uma camada com consistência satisfatória
para os ensaios. Em segundo lugar, as 18 h garantiam a execução dos ensaios em
relação ao tempo despendido no laboratório.

58


Figura 3.27. Transdutores de poropressão no interior da caixa da centrífuga.


Figura 3.28. Posição dos transdutores de poropressão em relação aos dutos (cotas em
mm).


Figura 3.29. Extensômetro a laser durante o adensamento.
Transdutores de
poropressão
Extensômetro a laser
59

A respeito da quantidade e altura inicial de solo que a camada deveria ter para que, ao
final do adensamento, as profundidades de enterramento fossem correspondidas, a
solução proposta foi a de estabelecer taxas. Estas taxas foram definidas como sendo
as razões entre a massa de solo e altura inicial e massa de solo e altura final. Elas
foram propostas com base na massa de solo, altura inicial e altura final após o
adensamento, utilizando-se de experiências passadas como a de Fagundes (2010) e
projetos anteriores utilizando o mesmo solo.
Ao final de cada ensaio essas taxas eram atualizadas como sendo a média das taxas
dos ensaios anteriores. Deste modo era possível estimar com confiabilidade a altura
da camada após o adensamento. Ao se atingir a altura desejada após o adensamento,
dava-se início a fase seguinte, a investigação.

3.5.3 Fase de Investigação por ensaio de T-bar
Na fase de investigação é realizada uma investigação geotécnica com o intuito
de obter parâmetros que possam ser comparados com os demais ensaios. Para a
investigação em questão foi empregado o ensaio de penetração de mini T-bar, Figura
3.30. O parâmetro obtido nestes ensaios é o perfil de resistência não-drenada.


Figura 3.30. Cravação do T-bar durante a fase de atuação.

A velocidade de cravação adotada foi de 0,5 mm/s, velocidade na qual o
comportamento do solo durante a cravação pode ser considerado não drenado, de
acordo com a velocidade normalizada introduzida por Finnie e Randolph (1994). Esta
60

velocidade de cravação indica uma velocidade normalizada de 167, superior à
velocidade mínima que garante comportamento não drenado durante a cravação do T-
bar (ver Figura 2.23).
Para execução do ensaio ao final da fase de adensamento era necessário desacelerar
a centrífuga até o estado de velocidade angular nula, conectar o T-bar no atuador
radial e, em seguida, reacelerar a centrífuga até a velocidade de ensaio. A velocidade
de ensaio correspondente a um campo de aceleração radial de 50 G e foi aplicada em
todos os ensaios. Ao se atingir este valor, esperava-se por um curto período de tempo
até que o excesso de poropressão gerado durante a reaceleração se dissipasse. Este
procedimento não durava mais do que 15 min. Após este período procedia-se à
cravação do T-bar.
Nos ensaios com o Duto B a profundidade média de penetração foi de 25 mm,
enquanto no outro duto, a profundidade média atingiu 50 mm. A diferença entre as
duas profundidades está no modelo construído do Duto B, que não permitia que o
atuador radial atingisse profundidades maiores.
Finalizado o ensaio de T-bar, a centrífuga era novamente desacelerada até a rotação
nula. O instrumento T-bar era retirado e em seu lugar, também no atuador radial,
colocava-se a Pá instrumentada que simularia a movimentação horizontal do solo,
dando início à fase seguinte, a movimentação horizontal.

3.5.4 Fase de Movimentação Horizontal
As duas fases anteriormente apresentadas foram estabelecidas como fase de
preparação para esta fase. Com a camada de solo reconstituída e investigada, a
simulação de movimentação da massa de solo contra o duto poderia então ser
executada e os resultados comparados com os demais ensaios.
A movimentação horizontal do solo foi simulada através da movimentação da Pá
instrumentada, engatada no atuador radial e com movimentação induzida pelo atuador
angular, Figura 3.31.

61


Figura 3.31. Pá simulando a movimentação horizontal da massa de solo.

A profundidade de cravação da Pá foi adotada como sendo duas vezes o diâmetro do
duto abaixo da diretriz inferior do mesmo. Deste modo, a profundidade de cravação
variou em função da profundidade de enterramento do duto.
A velocidade angular de atuação adotada foi de 0,02°/s, a mesma utilizada em todos
os ensaios com os dois tipos de duto. Essa velocidade angular equivale a uma
velocidade tangencial, na profundidade de enterramento médio da Pá nos ensaios, de
0,000375 m/s. Ao se adotar a expressão 2.7 para o cálculo da velocidade normalizada,
obtém-se 468, indicando o comportamento não drenado dos ensaios centrífugos.
O parâmetro D da expressão 2.7 foi considerado como sendo o valor médio de entre o
comprimento de cravação da Pá nos ensaios, correspondente sempre a 18 mm, e a
espessura da mesma, de 6 mm. Logo, para o cálculo da velocidade normalizada o
valor de D adotado foi de 9 mm.
A cravação e posicionamento da Pá, Figura 3.32, eram feitos antes de se reiniciar a
rotação da centrífuga. O posicionamento inicial da Pá em relação ao duto correspondia
sempre a seis vezes o diâmetro do duto, ou seja, 54 mm. A posição final correspondia
sempre a 18 mm, ou dois diâmetros.

62


Figura 3.32. Esquema de cravação e movimentação da Pá instrumentada em relação
ao duto.

O início da atuação angular com a Pá se dava após a dissipação do pequeno excesso
de poropressão gerado durante a reaceleração até 50G da centrífuga.
O término desta terceira fase era caracterizado pela chegada da Pá a uma distância
de 18 mm do duto. Ao alcançar este valor, a centrífuga era parada e levada à posição
horizontal, onde poderia ser realizada a última fase do ensaio.

63

3.5.5 Fase de investigação do perfil final de umidade
A última fase é baseada na experiência de Oliveira (2005), onde é dito que a
determinação do perfil de umidade após a centrifugação tem fundamental importância
no estudo da resistência do solo reconstituído em ensaios centrífugos. É possível
através do perfil de umidade relacionar os valores de umidade com os valores de
resistência não drenada obtidos com os ensaios de T-bar.
O método aqui adotado é o mesmo que Oliveira (2005), Motta (2008) e Fagundes
(2010) adotaram para extrair um perfil contínuo de solo ao final de seus ensaios. Ele é
baseado nos extratores de amostra indeformada do tipo Shelby para solos moles e
consiste na cravação de um tubo de PVC com 50 mm de diâmetro e 150 mm de
comprimento, com chanfro de 45° em uma de suas extremidades.
Ao cravar este tubo no solo e tamponando a extremidade fora do solo com um pistão
(Figura 3.33) foi possível efetuar uma amostragem contínua da camada de solo
ensaiada.
Para extrair o perfil do solo do interior do tubo, empurrou-se o pistão contra o solo. À
medida que o solo era empurrado e retirado do tubo, seções com aproximadamente 5
mm eram cortadas e colocadas em cápsulas para serem levadas para estufa e, assim,
obter o perfil final de umidade, Figura 3.34. A obtenção dos perfis de umidades seguiu
as indicações da norma NBR 6457, onde as cápsulas são levadas à estufa com
temperatura controlada em torno de 105°C por 24h ou até a constância das massas
das cápsulas.


Figura 3.33. Processo de obtenção do perfil de umidade (Fagundes, 2010).
64


Figura 3.34. Obtenção do perfil de umidade (Fagundes, 2010).


3.6. Considerações Parciais da Metodologia
Foram apresentados neste capítulo os dois modelos de dutos e a Pá para
simulação do movimento de massa de solo. Para cada um destes instrumentos foram
apresentados os seus respectivos procedimentos e curvas de calibração. Relatou-se o
desafio maior encontrado durante a instrumentação e a calibração do modelo do Duto
A.
A argila marinha empregada nos ensaios centrífugos foi caracterizada
geotecnicamente e seus parâmetros de compressibilidade foram apresentados.
As quatro fases em que a modelagem centrífuga foi dividida foram descritas,
assinalando os aspectos mais pertinentes de cada uma delas.
65

4. ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
4.1. Introdução
O presente capítulo relata os resultados obtidos durante as quatro fases dos
ensaios centrífugos com os dois tipos de dutos. A apresentação destes resultados
será dividida por fases de ensaios: adensamento, T-bar, movimentação horizontal e
investigação do perfil de umidade final. Serão abordados, em cada fase, os resultados
relativos aos dois dutos estudados.
Foram doze os ensaios realizados, sendo seis para o Duto A e seis para o Duto B. Os
ensaios foram definidos para as profundidades de enterramento do duto equivalentes
a 100, 150 e 200%. Apesar dos ensaios com o Duto B terem sido realizados
primeiramente, os resultados obtidos para o Duto B são apresentados após os
resultados do Duto A. Os resultados são apresentados a seguir.

4.2. Fase de Adensamento
Os resultados da fase de adensamento consistem do entendimento da dissipação do
excesso de poropressão, do monitoramento do recalque e dos esforços gerados no
duto durante todo o processo.
Do monitoramento da dissipação do excesso de poropressão são apresentadas as
análises envolvendo os transdutores de poropressão e os recalques medidos pelo
extensômetro a laser. Durante o adensamento, esforços nos dutos também foram
monitorados. Esses esforços também são apresentados nesta análise.

4.2.1 Duto A
Os primeiros resultados avaliados para o Duto A são os referentes à preparação do
solo antes e após o processo de adensamento para a determinação da altura da
camada correspondente ao enterramento de interesse do duto. A Tabela 4.1
apresenta esses dados para o duto em questão.


66

Tabela 4.1. Dados de preparação da camada reconstituída - Duto A.
Ensaio
h
i
[mm]
h
f
[mm]
w
o

[%]
massa de
solo [g]
Taxa
1
Taxa
2
[g/mm]
Taxa
3
[g/mm]
H/D
[%]
H/D
meta
[%]
1 116,5 78 83,5 8380 1,49 71,9 107,4 200 200
2 108,0 70 84,8 7540 1,54 69,8 107,7 111 100
3 113,0 76 85,8 8070 1,49 71,4 106,2 178 150
4 110,0 75 83,6 7940 1,47 72,2 105,9 167 150
5 117,0 78 83,5 8200 1,50 70,1 105,1 200 200
6 107,0 70 83,9 7600 1,53 71,0 108,6 111 100

Nesta tabela, são apresentados os dados para os seis ensaios realizados com o Duto
A. Os parâmetros nela apresentados são:
- h
i
– altura inicial da camada de solo;
- h
f
– altura final da camada de solo (após o processo de adensamento);
- w
o
– umidade inicial de colocação do solo na caixa de ensaio;
- massa de solo – massa de solo colocada na caixa de ensaio antes do início do
processo de adensamento;
- Taxa
1
– razão entre h
i
e h
f
;
- Taxa
2
– razão entre massa de solo e h
i
;
- Taxa
3
– razão entre massa de solo e h
f
;
- H/D – enterramento obtido no ensaio.
As três taxas apresentadas têm um papel importante na estimativa da quantidade de
material e alturas, inicial e final, para obtenção do enterramento de interesse do duto.
A Taxa
1
é a razão entre as alturas final e inicial das camadas de solo antes e após do
adensamento. Com esta taxa foi possível estabelecer um parâmetro de controle. Ao
utilizar um tipo de solo com umidade controlada, foi possível prever o recalque da
camada após as 18 horas de adensamento. Pode-se notar na Tabela 4.1 que a média
do parâmetro Taxa
1
obtido nos seis ensaios foi de 1,50, com desvio padrão de 0,03.
Esta taxa, na prática, pode ser adotada para outros tipos de solos.
Não sendo suficiente o critério de adoção da Taxa
1
no controle de qualidade dos
ensaios, a criação dos parâmetros Taxa
2
e Taxa
3
mostrou-se necessária. Desta forma,
além de se controlar as alturas de solo, tornou-se possível também o controle da
massa de solo empregada. Para as Taxa
1
e Taxa
2
as médias obtidas foram
respectivamente 71,1 g/mm e 106,8 g/mm, com desvios padrões respectivos de 1,0
g/mm e 1,3 g/mm.
67

De nada valeriam estas taxas se o controle de qualidade durante a preparação do solo
em si não apresentasse boa repetibilidade. Para isso o parâmetro fundamental
escolhido foi o w
o
, umidade inicial do solo. Escolhida como sendo um valor próximo ao
valor do limite de liquidez do solo, a média obtida nos seis ensaios, de acordo com a
Tabela 4.1, foi de 84,2 com desvio padrão de 0,9.
Apesar dos cuidados e da boa repetibilidade na montagem das amostras, as
espessuras das camadas variaram, promovendo alguma variação nos valores finais de
H/D. A meta estipulada era de atingir enterramentos correspondentes a 100, 150 e
200%. Os valores de H/D obtidos podem ser observados na Tabela 4.1. O maior erro
encontrado foi no ensaio 3, onde o valor de H/D esperado era de 150% e o obtido foi
de 178%, correspondendo a um erro de 19%.
Pode se atribuir ao método de grumos as divergências entre os valores de
enterramentos programados e obtidos. Entretanto, a metodologia aplicada mostrou-se
adequada na estimativa da quantidade de solo a ser utilizada na modelagem
centrífuga.
Conhecendo-se os dados preliminares referentes à Fase de Adensamento, são
apresentados a seguir os resultados dos recalques obtidos durante as 18 h de ensaio,
monitorados com os transdutores de poropressão e extensômetro a laser.
Para facilitar a compreensão e a comparação entre os ensaios, estes resultados são
analisados dois a dois de acordo com a profundidade de enterramento, iniciando-se
pelos resultados da avaliação da dissipação do excesso de poropressão durante os
ensaios. Observa-se que estas curvas não são curvas como as de adensamento
convencional, uma vez que a espessura da camada varia com o tempo, enquanto o
transdutor de poropressão se mantém parado na mesma posição durante todo o
processo.
As Figuras 4.1, 4.2 e 4.3 apresentam estas avaliações. Nestas figuras, o tempo 0 h
corresponde à centrífuga em 1 G. O pico observado de poropressão gerada
corresponde à aceleração da centrífuga atingindo 100 G e o restante do ensaio
corresponde à dissipação deste excesso de poropressão.

68


Figura 4.1. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios 1
e 5 – Duto A).


Figura 4.2. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios 2
e 6 – Duto A).

69


Figura 4.3. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios 3
e 4 – Duto A).

Os demais resultados da Fase de Adensamento foram medidos com a utilização do
extensômetro a laser. Estes dados serão abordados mais adiante ao se analisar os
esforços gerados no duto durante o adensamento em função do grau de
adensamento. A seguir são apresentadas as análises dos esforços verticais e
horizontais no duto em função do tempo de adensamento. Os métodos empregados
para os cálculos destes resultados seguem as premissas e curvas de calibração
introduzidas no capítulo de metodologia. As Figuras 4.4, 4.5 e 4.6 demonstram esses
esforços para os seis ensaios, tomados dois a dois de acordo com os respectivos
enterramentos H/D. Novamente nestes gráficos o eixo do tempo segue as mesmas
premissas abordadas ao se avaliar a geração e a dissipação do excesso de
poropressão.


70


Figura 4.4. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 1 e 5 – Duto A).


Figura 4.5. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 2 e 6 – Duto A).

71


Figura 4.6. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 3 e 4 – Duto A).

Observa-se que os esforços gerados no duto nos três diferentes enterramentos
possuem comportamentos similares, tanto para as forças verticais quanto para as
horizontais observadas. As forças verticais medidas nos ensaios com H/D iguais a
111%, ensaios 2 e 6, divergiram bastante uma da outra. Os esforços verticais do
ensaio 6 foram bem inferiores aos valores obtidos nos demais ensaios e não foi
possível identificar os fatores que levaram a essa condição.
As forças horizontais medidas foram similares, indicando valores inferiores às forças
verticais. Esse comportamento já era esperado, devido ao caráter unidimensional do
processo de adensamento. Os pequenos valores de forças horizontais medidas
podem ter origem na assimetria do sistema, caracterizada por processos construtivos
imperfeitos, como a colagem dos strain gauges, e variações geométricas nas camadas
de solos reconstituídas.
Em todos os ensaios são observados esforços negativos no início do adensamento.
Tal comportamento pode ser explicado pela acomodação do solo no interior da caixa
de amostra ao se bascular a centrífuga antes do adensamento. O solo de consistência
mole tendeu a apresentar grandes deformações durante este processo. Este
fenômeno pode ser melhor observado ao se selecionar um ensaio qualquer e refinar o
início deste ensaio, conforme a Figura 4.7 a seguir.

72


Figura 4.7. Esforços durante os primeiros 30 minutos de adensamento.

O sinal negativo observado nos gráficos indica um movimento do solo na direção
vertical, porém no sentido de baixo para cima, levantando o duto. Esse movimento é
contrário aos recalques devidos ao adensamento, observados logo após o início da
aceleração radial.
Sobre as forças verticais geradas no duto, observa-se o crescimento gradual durante
todo o processo. Essas forças tendem a apresentar maior crescimento ao final do
processo de adensamento. Para tentar compreender melhor o comportamento
apresentado pelas curvas das forças verticais, a proposta introduzida foi a de
apresentar os gráficos de adensamento não mais em função do tempo, em horas, e
sim em função do grau de adensamento obtido a partir das curvas de recalque através
do Método de Asaoka (1978), modificado por Magnan e Deroy (1980).
Este método foi desenvolvido com a intenção de se obter valores dos recalques finais
(S

) e valores de C
v
no campo ao fazer uso de placas de recalques. Ao utilizar os
dados adquiridos com as placas de recalques, este método não é restritivo quanto às
variações dos coeficientes de compressibilidade e permeabilidade ao longo do
processo de adensamento. Este método admite que o coeficiente de adensamento
mantém-se constante durante todo o processo.
Com base nas curvas de recalque versus tempo das placas de recalque, Asaoka
subdividiu o tempo em intervalos iguais e associou cada tempo ao seu respectivo
recalque. É recomendável neste processo que o intervalo de tempo mínimo adotado
seja de 30 a 90 dias, segundo Almeida (1996). É necessário enfatizar que este é o
tempo de campo, ou seja, do protótipo. Em modelagem centrífuga, utilizando N
73

equivalente a 100 G, este intervalo estaria compreendido entre 3,0 x 10
-3
e 9,0 x 10
-3

dias, ou 4,32 e 12,96 minutos. Entretanto intervalos desta ordem tornariam as análises
muito laboriosas, pois gerariam muitos pontos a serem analisados, algo em torno de
42 pontos, se for considerado que mais de 60% do recalque aconteceria após 15
horas de adensamento em centrífuga. Deste modo, e observando que o método
recomenda a adoção de um intervalo de tempo mínimo, o intervalo adotado (At) foi de
0,5 horas do modelo. Com base nessas considerações a curva recalque versus tempo
padrão adotada nas análises é a apresentada na Figura 4.8.


Figura 4.8. Curva recalque versus tempo padrão adotada para o Método de Asaoka.

Com base nestas considerações foi possível estimar o recalque final com base na
Figura 4.9, a seguir. O grau de adensamento então pode ser avaliado para qualquer
tempo através da razão entre o recalque medido em um tempo qualquer S(t) e o
recalque final S

, expressão 4.1. A única ressalva da aplicação deste método está na
recomendação de que os valores de recalques empregados na análise sejam
superiores ou iguais a 60% do recalque final.
74


Figura 4.9. Método de Asaoka para obtenção do recalque final (Almeida, 1996).

u =
S(t)
S
×
(4.1)

Algumas considerações precisaram ser feitas ao aplicar a curva da Figura 4.8.
Observaram-se durante os ensaios grandes deslocamentos do solo devidos à baixa
consistência inicial do solo durante a aceleração da centrífuga. As Figuras 4.10 e 4.11
apresentam um ensaio representativo aonde é possível identificar estes intervalos
iniciais de recalque.


Figura 4.10. Curva representativa de Recalque versus Tempo.
75



Figura 4.11. Recalques medidos nos primeiro 6 minutos de adensamento.


Os recalques iniciais (AS) são fruto de acomodações da camada preparada com
grumos no início do ensaio. Para contornar este fenômeno, correções foram feitas nos
tempos e recalques iniciais de cada ensaio. Adotou-se como tempo inicial o tempo
correspondente ao maior valor de poropressão gerado durante a aceleração da
centrífuga.

As curvas corrigidas de recalque versus tempo para a aplicação do Método de Asaoka
são as apresentadas na Figura 4.12, a seguir. O Grau de Adensamento (U) em função
do tempo para os ensaios com o Duto A são apresentados na Figura 4.13.

76


Figura 4.12. Recalque versus Tempo para os ensaios do Duto A.


Figura 4.13. Grau de Adensamento versus Tempo nos ensaios do Duto A.

O passo seguinte deste processo é a avaliação do comportamento dos esforços
gerados no Duto A durante o processo de adensamento em função do grau de
adensamento. Esta avaliação é apresentada nas Figuras 4.14 e 4.15, separando os
gráficos em forças verticais e horizontais.

77


Figura 4.14. Força Vertical versus Grau de Adensamento nos ensaios do Duto A.


Figura 4.15. Força Horizontal versus Grau de Adensamento nos ensaios do Duto A.

Ao observar a geração de esforços no duto em função do grau de adensamento,
verifica-se que a curva de força vertical sofre variação aproximadamente linear até
próximo ao grau de adensamento correspondente a 50%. A partir deste valor ela
passa a variar a taxas cada vez maiores. Isso indica que conforme o adensamento
caminha para a sua finalização, as forças verticais no duto aumentam mais
rapidamente.
78

As forças horizontais no duto tendem a ser menores que os verticais como já
esperado, devido à natureza unidimensional do adensamento. Entretanto pode ser
observada pequena variação destes esforços que podem estar associada a não
simetria do sistema e, principalmente, a influência dos esforços verticais, como
observados na fase de calibração.

4.2.2. Duto B
A apresentação dos resultados dos ensaios com o Duto B utiliza os mesmos gráficos
obtidos para o Duto A. Estes gráficos incluem as avaliações da dissipação do excesso
de poropressão, os recalques e dos esforços gerados no duto, todos em função do
tempo e do grau de adensamento.
A Tabela 4.2 resume os principais parâmetros considerados na preparação dos seis
ensaios aplicados para este duto. A nomenclatura dos parâmetros é a mesma adotada
para o Duto A.

Tabela 4.2. Dados de preparação da camada reconstituída - Duto B.
Ensaio
hi
[mm]
h
f

[mm]
w
o

[%]
massa de solo
[g]
Taxa
1

Taxa
2

[g/mm]
Taxa
3

[g/mm]
H/D
[%]
H/D
meta
[%]
1 112,0 71,0 83,5 7700 1,58 68,8 108,5 200 200
2 99,0 66,0 82,8 6990 1,50 70,6 105,9 111 100
3 106,0 67,0 85,0 7397 1,58 69,8 110,4 144 150
4 112,0 75,0 85,7 7570 1,49 67,6 100,9 211 200
5 107,0 65,0 81,9 7045 1,65 65,8 108,4 100 100
6 107,0 68,5 81,2 7340 1,56 68,6 107,2 139 150

Analogamente ao Duto A observa-se que a repetibilidade dos ensaios é aceitável. As
médias dos parâmetros Taxa
1
, Taxa
2
e Taxa
3
são respectivamente 1,56, 68,5 g/mm e
106,9 g/mm. Os desvios padrão destes parâmetros são 0,06, 1,7 g/mm e 3,3 g/mm,
com a mesma ordem de grandeza dos ensaios anteriores.
As profundidades de enterramento do duto H/D apresentaram erros relativos ainda
menores que os observados nos ensaios com o Duto A. O maior erro foi o do Ensaio
2, onde a profundidade de enterramento obtida foi de 111% e a profundidade
planejada correspondia a 100%. Essa diferença indica um erro relativo de 11%.
79

As Figuras 4.16, 4.17 e 4.18 apresentam a dissipação do excesso de poropressão
durante o adensamento em centrífuga, comparando ensaios com mesmo H/D. Para
estes ensaios, optou-se por usar somente o transdutor de poropressão, o PPT2. É
necessário lembrar que os ensaios com o Duto B foram os primeiros a serem
realizados e que a opção em se utilizar dois transdutores para a avaliação do
adensamento se deu somente durante a realização dos ensaios do Duto A.


Figura 4.16. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios
1 e 4 – Duto A).


Figura 4.17. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios
2 e 5 – Duto A).
80


Figura 4.18. Dissipação do excesso de poropressão durante o adensamento (ensaios
3 e 6 – Duto A).

A análise dos recalques seguirá as mesmas premissas adotadas para o Duto A e será
abordada ao se avaliar os esforços com a variação do grau de adensamento. A seguir
são apresentados os esforços gerados no duto durante o adensamento somente em
função do tempo. As Figuras 4.19, 4.20 e 4.21, apresentam os esforços gerados no
Duto B durante o adensamento.


Figura 4.19. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 1 e 4 – Duto A).

81


Figura 4.20. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 2 e 5 – Duto A).


Figura 4.21. Forças no duto durante o adensamento (ensaios 3 e 6 – Duto A).

O que pôde ser notado nestes últimos três gráficos é que os esforços verticais gerados
durante o adensamento no duto são superiores aos gerados no Duto A. Essa
constatação vem do fato do Duto B ser mais rígido do que o Duto A. Os esforços
verticais também possuem o mesmo comportamento observado anteriormente.
Os esforços horizontais medidos durante esta fase variaram pouco em torno de zero,
sendo caracterizados por uma curva praticamente horizontal, como pode ser visto.
82

Isso confirma as expectativas de geração de esforços estritamente verticais durante o
adensamento, considerado unidimensional.
Para finalizar as análises dos dados de adensamento para o Duto B, são
apresentados os gráficos dos esforços em função do grau de adensamento. Conforme
já indicado, a análise aqui empregada segue os mesmos preceitos adotados ao
analisar o Duto A. A Figura 4.22 a seguir apresenta as curvas de recalque versus
tempo para todos os ensaios do duto B. A Figura 4.23 apresenta as curvas de grau de
adensamento versus tempo.


Figura 4.22. Curva Recalque versus Tempo nos ensaios do Duto B.


Figura 4.23. Grau de Adensamento versus Tempo nos ensaios do Duto B.
83

Para finalizar, são apresentadas nas Figuras 4.24 e 4.25 as variações dos esforços
verticais e horizontais em função do grau de adensamento.


Figura 4.24. Força Vertical versus Grau de Adensamento nos ensaios do Duto B.


Figura 4.25. Força Horizontal versus Grau de Adensamento nos ensaios do Duto B.

Os gráficos das forças verticais e horizontais em função do grau de adensamento são
apresentados na mesma escala para comparação. Observa-se que o Duto B
84

apresenta forças verticais maiores que o Duto A. Diferentemente do Duto A, as forças
verticais do Duto B, em função de U apresentam uma taxa de variação inicial
decrescente até aproximadamente 10% e, depois passa a crescer com taxa de
variação aproximadamente constante até próximo de 75%. A partir deste patamar, As
forças verticais passam a crescer com taxas cada vez maiores. Novamente, quando
grande parcela do adensamento já ocorreu, é observado um crescimento abrupto
nestes esforços.
Quanto às forças horizontais, no Duto B elas tendem a variar pouco quando
comparado à variação observada no Duto A.
Com a apresentação destes resultados finaliza-se a análise empregada para a Fase
de Adensamento.

4.3. Fase de Investigação por ensaio de T-bar
A análise dos resultados da segunda fase dos ensaios centrífugos forneceu os
perfis de resistência não-drenada obtidos por ensaio de T-bar ao final de cada
reconstituição da camada de solo por adensamento. Por sua vez, estes perfis
permitiram a utilização de uma proposta de normalização dos ensaios da fase
seguinte. Estes resultados são apresentados a seguir.

4.3.1. Duto A
Devido ao modelo construtivo do Duto A, o ensaio de cravação de T-bar pôde
atingir profundidades médias de 50 mm na camada de solo. Os perfis de resistência
não drenada em cada ensaio podem ser observados na Figura 4.26. A teoria utilizada
para cálculo dos perfis é a mesma apresentada no capítulo 2, Revisão Bibliográfica,
pela expressão 2.11.

85


Figura 4.26. Perfis de resistência não-drenada dos ensaios com o Duto A.

Observa-se na Figura 4.26 que os perfis de resistência não drenada apresentam
padrões similares em todos os ensaios. Os valores de S
u
variaram de ensaio para
ensaio, apesar do controle na preparação das amostras. Entretanto, pode ser
considerada aceitável para os ensaios.
Para melhor entender as curvas desta figura, os valores positivos de S
u
indicam o
processo de cravação do T-bar no solo e os valores negativos indicam a retirada do
equipamento do solo.
De um modo geral, durante a cravação os valores de S
u
obtidos foram maiores que os
valores durante a retirada do equipamento. Esse comportamento é o esperado, pois
durante a cravação ocorre amolgamento da camada de solo.

4.3.2 Duto B
Os ensaios de cravação do T-bar nos ensaios com o Duto B se diferenciaram
dos ensaios com o Duto A somente quanto à profundidade de cravação atingida.
Como já explicado, as profundidades menores são provenientes da impossibilidade
física devido à presença do modelo do Duto B. A Figura 4.27 apresenta todos os perfis
de resistência não drenada obtidos nos ensaios.
86


Figura 4.27. Perfis de resistência não-drenada dos ensaios com o Duto B.

Os mesmos aspectos observados nos ensaios com Duto A podem ser observados nas
curvas dos ensaios de T-bar com o duto B. A profundidade média de cravação obtida
foi de 24 mm. Novamente os valores positivos correspondem ao processo de cravação
do equipamento.
As curvas da Figura 4.27 indicam repetibilidade razoável dos ensaios, apesar do
ensaio 3 apresentar um perfil de solo mais resistente.
Ao analisar os perfis de resistência não drenada obtidos nos ensaios do Duto B, nota-
se que por algum motivo os solos nestes ensaios apresentaram grau maior de
adensamento. As feições das curvas e os valores de S
u
indicam este comportamento.
O porquê destas diferenças pode ser explicado por uma maior drenagem durante os
ensaios com o Duto B. Nenhum fator que pudesse identificar essa drenagem superior
foi observado durante os ensaios e não houve diferenciação na montagem dos
ensaios entre os dois dutos.
Ressalta-se que a comparação entre os graus de adensamento é feita
qualitativamente ao observar as feições das curvas de perfis de umidade. Este grau de
adensamento nada tem a ver com o grau de adensamento obtido pelo método de
87

Asaoka, onde não foi possível observar variação nos graus de adensamento entre os
dois dutos.

4.3.3. Parâmetros de Normalização da Fase de Movimentação Horizontal
Os ensaios de T-bar aplicados indicaram que, apesar do controle na montagem
dos ensaios, as camadas reconstituídas pelo processo de adensamento apresentaram
variações quanto à resistência.
Com base nos resultados de T-bar, critérios foram adotados para a comparação entre
os resultados obtidos para os dois dutos na fase de movimentação horizontal. Estes
critérios basearam-se na normalização dos resultados por meio de parâmetros de
resistência não drenada.
Dois meios de estabelecer um valor de S
u
de normalização, chamado de S
uN
, foram
introduzidos. O critério adotado para a normalização dos esforços nos dutos é
baseado na Figura 4.28, onde o valor de S
uN
é a média entre os valores de S
u
medidos
nas geratrizes superior e inferior do duto e o valor de S
u
na profundidade
correspondente ao centro do duto.


Figura 4.28. Proposta para obtenção de S
u
para normalização dos esforços.

A Tabela 4.3 apresenta os resultados de S
uN
para os ensaios com os dois tipos de
duto.

88

Tabela 4.3. Valores de S
u
para normalização dos esforços nos dutos.
Duto Ensaio
H/D
[%]
H* [mm]
Z
A
[mm]
Z
B

[mm]
Z
C

[mm]
Su
A

[kPa]
Su
B

[kPa]
Su
C

[kPa]
Su
N

[kPa]
D
u
t
o

A

1 200 18,0 18,0 22,5 27,0 2,8 3,2 3,8 3,3
2 111 10,0 10,0 14,5 19,0 2,0 2,5 2,8 2,4
3 177 15,9 15,9 20,4 24,9 2,7 2,9 3,3 3,0
4 167 15,0 15,0 19,5 24,0 4,1 4,4 4,5 4,3
5 200 18,0 18,0 22,5 27,0 4,1 4,1 4,1 4,1
6 111 10,0 10,0 14,5 19,0 2,8 2,7 2,9 2,8
D
u
t
o

B

1 200 18,0 18,0 22,5 27,0 6,2 6,9 - 6,9
2 111 10,0 10,0 14,5 19,0 4,1 4,6 5,4 4,7
3 144 13,0 13,0 17,5 22,0 7,9 8,3 8,7 8,3
4 211 19,0 19,0 23,5 28,0 5,5 7,3 - 7,3
5 100 9,0 9,0 13,5 18,0 4,6 4,9 5,7 5,1
6 139 12,5 12,5 17,0 21,5 4,4 5,2 5,9 5,2

As células em branco na Tabela 4.3 indicam que o ensaio de T-bar não alcançou a
penetração nas profundidades indicadas. Para esses casos, o valor adotado para S
uN
corresponde ao valor de S
uB
.
As Figuras 4.29 e 4.30 são provenientes da Tabela 4.3 e indicam se a adoção de S
uN
,
como a média das tensões nas profundidades consideradas, pode ser satisfatória. A
tendência de perfis de S
u
aproximadamente lineares ao longo das profundidades dos
dutos sugere que a adoção do valor médio torna-se razoável.


Figura 4.29. Distribuição de S
u
no Duto A.

89


Figura 4.30. Distribuição de S
u
no Duto B.

A normalização dos esforços medidos na Pá instrumentada foi adotada como sendo a
razão entre a área abaixo da curva de perfil de resistência não-drenada até uma
determinada profundidade e essa profundidade. Como nos ensaios com o Duto B a
profundidade média atingida pelo T-bar foi inferior à profundidade média atingida pelo
Duto A, a profundidade adotada foi de 24 mm. A Figura 4.31 apresenta o esquema
considerado para a obtenção de um valor único para cada ensaio para a normalização
dos esforços. A profundidade Z nela observada corresponde à profundidade de
cravação da Pá em cada ensaio. A Tabela 4.4 apresenta os parâmetros de
consideração para a obtenção dos valores de S
uN
a serem aplicados à Pá.


Figura 4.31. Proposta para normalização dos esforços na Pá instrumentada.
90

Tabela 4.4. Valores de S
u
para normalização dos esforços na Pá instrumentada.
Duto Ensaio H/D [%] Z [mm] Área [kPa.mm] Su
N
[kPa]
D
u
t
o

A

1 200 25,02 58,92 2,4
2 111 24,98 54,45 2,4
3 177 25,01 62,03 2,5
4 167 24,96 93,03 3,7
5 200 25,00 110,16 4,4
6 111 25,01 71,07 2,8
D
u
t
o

B

1 200 24,81 125,04 5,0
2 111 22,34 88,42 4,0
3 144 25,07 176,13 7,0
4 211 24,81 111,78 4,5
5 100 24,37 116,65 4,8
6 139 24,98 107,35 4,3

Com a Tabela 4.4 são concluídas as análises dos resultados da segunda fase da
modelagem centrífuga. Os resultados aqui obtidos corroboram com os da primeira
fase, indicando repetibilidade aceitável em todos os ensaios. Esses resultados
também fornecem subsídios para as análises dos resultados da Fase de
Movimentação Horizontal, apresentada a seguir.

4.4. Fase de Movimentação Horizontal
Os resultados obtidos nos Dutos A e B e na Pá durante a simulação do
movimento de massa de solo nos ensaios centrífugos são apresentados. Para os dois
dutos, têm-se os esforços verticais e horizontais. Para a Pá têm-se o esforço nela
gerado durante os ensaios. São utilizadas nas análises as curvas de calibração
obtidas para a pesquisa e apresentadas no capítulo de metodologia.

4.4.1. Duto A
As análises dos resultados da Fase de Movimentação Horizontal levam em
consideração os esforços gerados no duto, sendo eles esforços verticais e horizontais,
e os esforços gerados na Pá. Para melhor compreensão dos resultados obtidos, a
Figura 4.32 caracteriza cada etapa importante dos gráficos que serão apresentados
mais adiante.
91


Figura 4.32. Esquema para o entendimento da fase de movimentação horizontal.

O esquema apresentado pela figura acima indica que A é o ponto de partida para o
início do ensaio. Neste ponto é iniciada a aceleração centrífuga até que se atinja a
velocidade de ensaio. No ponto B, a velocidade de ensaio correspondente a 50 G é
atingida.
O trecho BC corresponde ao período de dissipação do pequeno excesso de
poropressão gerado pela reaceleração da centrífuga e sentido pelos transdutores de
poropressão.
Em C, inicia-se a cravação da Pá no interior da massa de solo até a profundidade de
interesse, atingida no ponto D. Ao cravar a Pá no solo, um pequeno excesso de
poropressão é novamente sentido pelos transdutores e o tempo de espera da
dissipação deste pequeno excesso corresponde ao trecho DE.
Em E a Pá começa a se deslocar em direção ao duto. Esse deslocamento
corresponde ao trecho EF. O fim do deslocamento da Pá ocorre em F, onde também
se inicia o deslocamento da Pá em direção a sua posição inicial, que termina em G,
caracterizando o fim do ensaio.
Nota-se que o trecho de maior interesse destes ensaios é o trecho EF, trecho onde há
o deslocamento da Pá na direção dos dutos.
Os resultados obtidos ao longo do tempo para o Duto A são apresentados nas Figuras
4.33 a 4.38 a seguir.

92


Figura 4.33. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 1).


Figura 4.34. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 2)

93


Figura 4.35. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 3).


Figura 4.36. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 4).

94


Figura 4.37. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 5).


Figura 4.38. Forças no Duto A e na Pá (Ensaio 6).

O ensaio 1 com H/D correspondente a 200% apresentado na Figura 4.32 indica que a
movimentação da Pá não se deu por completa. Por algum motivo desconhecido, o
atuador angular finalizou seu movimento antes do programado. Entretanto, o ensaio
não foi descartado, pois como será abordado adiante, a movimentação normalizada
atingida neste ensaio foi superior a 2,0. Isso garantiu o aproveitamento parcial deste
95

ensaio ao se comparar o efeito da profundidade de enterramento H/D nos esforços
gerados no duto.


4.4.2. Duto B
Os dados obtidos na Fase de Movimentação Horizontal para o Duto B são
apresentados nas Figuras 4.39 a 4.44.


Figura 4.39. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 1).

96


Figura 4.40. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 2).


Figura 4.41. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 3).

97


Figura 4.42. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 4).


Figura 4.43. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 5).

98


Figura 4.44. Forças no Duto B e na Pá (Ensaio 6).


4.4.3 Normalização dos Resultados da Fase de Movimentação Horizontal
Seguindo a proposta de normalização utilizada por Oliveira et al. (2010), por
meio da expressão 2.1 apresentada no capítulo de Revisão Bibliográfica, os gráficos
da fase de movimentação horizontal obtidos para os dois dutos puderam ser
analisados em conjunto. A normalização dos deslocamentos é feita pelo diâmetro dos
dutos.
As Figuras 4.45, 4.46 e 4.47 apresentam a normalização das Forças Horizontais (N
h
),
Verticais (N
v
) no duto e na Pá (N

) nos ensaios com o Duto A.

99


Figura 4.45. Forças Horizontais Normalizadas no Duto A.


Figura 4.46. Forças Verticais Normalizadas no Duto A.

100


Figura 4.47. Forças Normalizadas na Pá para ensaios com o Duto A.

As Figuras 4.48, 4.49 e 4.50 apresentam a normalização dos esforços para os ensaios
realizados com o Duto B.


Figura 4.48. Forças Horizontais Normalizadas no Duto B.

101


Figura 4.49. Forças Verticais Normalizadas no Duto B.


Figura 4.50. Forças Normalizadas na Pá para os ensaios com o Duto B.

Para comparar os resultados obtidos com os Dutos A e B, as Figuras 4.51, 4.52 e 4.53
apresentam os resultados de todos os ensaios realizados.
102


Figura 4.51. Forças Horizontais Normalizadas para os dois dutos.


Figura 4.52. Forças Verticais Normalizadas para os dois dutos.

0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0
N
h
δ/D
Ensaio 1 - H/D = 200% (A) Ensaio 2 - H/D = 111% (A) Ensaio 4 - H/D = 167% (A)
Ensaio 5 - H/D = 200% (A) Ensaio 6 - H/D = 111% (A) Ensaio 3 - H/D = 177% (A)
Ensaio 1 - H/D = 200% (B) Ensaio 2 - H/D = 111% (B) Ensaio 3 - H/D = 144% (B)
Ensaio 4 - H/D = 211% (B) Ensaio 5 - H/D = 100% (B) Ensaio 6 - H/D = 139% (B)
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0
N
v
δ/D
Ensaio 1 - H/D = 200% (A) Ensaio 2 - H/D = 111% (A) Ensaio 3 - H/D = 177% (A)
Ensaio 5 - H/D = 200% (A) Ensaio 6 - H/D = 111% (A) Ensaio 4 - H/D =167% (A)
Ensaio 1 - H/D =200% (B) Ensaio 2 - H/D =111% (B) Ensaio 3 - H/D = 144% (B)
Ensaio 4 - H/D = 211% (B) Ensaio 5 - H/D = 100% (B) Ensaio 6 - H/D = 139% (B)
103


Figura 4.53. Forças na Pá Normalizada para todos os ensaios.

De um modo geral, as maiores forças verticais e horizontais foram observadas nos
ensaios com o Duto A. Esse comportamento indica que o sistema de duto mais rígido
é o do Duto A.
Quando comparado os esforços normalizados verticais e horizontais aplicados nos
dutos durante os ensaios, verifica-se que os horizontais são levemente superiores aos
verticais para o Duto A. Por outro lado, no Duto B, os esforços horizontais observados
foram bastante superiores aos esforços verticais. Essa tendência de esforços
horizontais superiores era esperada, pois a Pá movimenta o solo horizontalmente
contra o duto.
Outro comportamento observado é a tendência dos esforços horizontais serem
mobilizados ligeiramente antes dos esforços verticais.
Para os esforços gerados na Pá, nota-se a influência da profundidade de enterramento
dos ensaios. Quanto maior era o enterramento do duto, maior era o enterramento da
Pá. Com isso a Pá possuía maior área de contato com o solo a ser deslocado e, como
consequência, maiores foram os esforços nela obtidos durante os ensaios.
Com base nos esforços horizontais e verticais normalizados, é possível obter os
esforços resultantes normalizados nos dutos (N
R
), calculados por:
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0
N
P
á
δ/D
Ensaio 1 - H/D = 200% (A) Ensaio 2 - H/D = 111% (A) Ensaio 4 - H/D = 167% (A)
Ensaio 5 - H/D = 200% (A) Ensaio 6 - H/D = 111% (A) Ensaio 3 - H/D = 177% (A)
Ensaio 1 - H/D = 200% (B) Ensaio 2 - H/D = 111% (B) Ensaio 3 - H/D = 144% (B)
Ensaio 4 - H/D = 211% (B) Ensaio 5 - H/D = 100% (B) Ensaio 6 = H/D = 139% (B)
104

N
R
= _N
¡
2
+N
h
2
(4.2)

A aplicação desta expressão fornece as Figuras 4.54 e 4.55 apresentadas a seguir.


Figura 4.54. Forças Resultantes Normalizadas no Duto A.


Figura 4.55. Forças Resultantes Normalizadas no Duto B.

0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0
N
R
δ/D
E1 (B) - H/D = 200% E2 (B)- H/D = 111% E3 (B) - H/D = 144%
E4 (B) - H/D = 211% E5 (B) - H/D = 100% E6 (B) - H/D = 139%
105

4.4.4 Comparações entre os Esforços da Pá e dos Dutos
Outro aspecto importante desta fase é a comparação entre os esforços
gerados na Pá e nos dutos. Essa comparação é feita em termos de forças verticais,
horizontais e resultantes, todas normalizadas. Os resultados são apresentados nas
Figuras 4.56 a 4.61 a seguir.


Figura 4.56. Força Normalizada na Pá x Força Vertical Normalizada – Duto A.


Figura 4.57. Força Normalizada na Pá x Força Horizontal Normalizada – Duto A.
106


Figura 4.58. Força Normalizada na Pá x Força Resultante Normalizada – Duto A.


Figura 4.59. Força Normalizada na Pá x Força Vertical Normalizada – Duto B.

107


Figura 4.60. Força Normalizada na Pá x Força Horizontal Normalizada – Duto B.


Figura 4.61. Força Normalizada na Pá x Força Resultante Normalizada – Duto B.

É possível notar nos gráficos acima um comportamento bem típico da evolução das
forças na Pá em relação às forças nos dutos. As forças na Pá no início de seu
movimento crescem rapidamente, enquanto que as forças no duto crescem mais
lentamente. Esta situação se inverte ao se atingir um determinado deslocamento da
Pá, onde as forças no duto passam a crescer mais rapidamente, enquanto que na Pá
observa-se uma desaceleração da variação da força por ela sentida. Este
comportamento é notado nas forças verticais e horizontais no duto. Esta análise é feita
108

de forma puramente qualitativa, uma vez que não é possível observar nestes gráficos
nenhuma tendência da variação destas forças em função de qualquer parâmetro,
como a profundidade de enterramento, por exemplo.

4.4.5. Avaliação dos Esforços em Função do Enterramento do Duto
A última etapa desta análise diz respeito à comparação dos resultados até aqui
obtidos com as profundidades de enterramento dos ensaios. Para este estudo,
consideraram-se os esforços gerados no duto e na Pá correspondentes ao
deslocamento normalizado (o/D) de 4,0. Os resultados são apresentados nas Figuras
4.62 a 4.64 a seguir.


Figura 4.62. Forças Verticais Normalizadas x Enterramentos dos Dutos.

y = ‐0,0214x + 7,8598
R² = 0,9979
y = ‐0,0106x + 3,9248
R² = 0,9998
0
1
2
3
4
5
6
7
8
50 100 150 200 250
N
V
H/D [%]
Dados [Duto A] Média [Duto A] Dados [Duto B]
Média [Duto B] Linear (Média [Duto A]) Linear (Média [Duto B])
109


Figura 4.63. Forças Horizontais Normalizadas x Enterramentos dos Dutos.


Figura 4.64. Forças Resultantes Normalizadas x Enterramentos dos Dutos.
y = ‐0,0074x + 2,3975
R² = 0,8448
y = ‐0,0196x + 7,3269
R² = 0,911
0
1
2
3
4
5
6
7
50 100 150 200 250
N
H
H/D [%]
Dados [Duto B] Média [Duto B]
Dados [Duto A] Média [Duto A]
Linear (Média [Duto B]) Linear (Média [Duto A])
y = ‐0,0069x + 9,6303
R² = 0,1351
y = 0,0463x + 6,5222
R² = 0,9516
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
50 100 150 200 250
N
P
á
H/D [%]
Dados [Duto A] Média [Duto A] Dados [Duto B]
Média [Duto B] Linear (Média [Duto A]) Linear (Média [Duto B])
110

Nas Figuras 4.62, 4.63 e 4.64, as regressões lineares são feitas a partir da média
entre os ensaios com enterramentos semelhantes, considerando cada tipo de duto. É
possível concluir com esta análise que tanto os esforços horizontais quanto os
verticais nos dutos, durante a movimentação da massa de solo, tendem a serem
menores conforme a profundidade de enterramento dos dutos aumenta.
Esta tendência contraria o comportamento observado por Borges e Oliveira (2011) e
Oliveira (2005) onde é indicado que os esforços tendem a serem maiores, quão
maiores forem os valores de H/D. Entretanto, é necessário relembrar que nos ensaios
de Borges e Oliveira (2011) e Oliveira (2005) os modelos adotados fazem uso da
movimentação horizontal do duto contra o solo. Nesta pesquisa, o solo é movimentado
contra o duto pela Pá.
A Teoria de Rankine para Empuxos Laterais em Solos pode dar suporte ao
entendimento do fenômeno observado. Esta teoria diz que os empuxos ativos e
passivos, E
a
e E
p
respectivamente, podem ser calculados através das expressões:

E
u
= u,Syz
2
«
u
- 2c
i
z¸«
u
(4.4)

E
p
= u,Syz
2
«
p
+ 2c
i
z
¸
«
p
(4.5)

onde ¸ corresponde ao peso específico natural do solo, z é a profundidade em relação
ao nível do terreno, c’ é a coesão efetiva, κ
a
é coeficiente de empuxo ativo e κ
p
é o
coeficiente de empuxo passivo.
Para a condição não drenada aplicada nos ensaios centrífugos, tem-se que |’ = 0 e c’
= S
u
. Deste modo, κ
a
= κ
p
= 1 e o Empuxo Passivo, relevante para o caso presente, E
up

pode ser calculado por:

E
up
= u,Syz` + 2S
u
z (4.6)

111

A expressão 4.6 indica que o E
up
é função dos parâmetros ¸, z e Su (a equação 4.6 é
válida para S
u
constante). Para profundidades maiores, maiores serão os valores de
S
u
. Deste modo, tem-se que E
u
cresce com a profundidade.
A equação 4.6 é geral e, portanto, se aplica tanto à Pá quanto ao duto.
Consequentemente, os esforços à frente do duto (ação) e atrás do duto (reação)
podem, a princípio, ser estimados com base nesta teoria. Desta forma, os esforços
horizontais e verticais no duto devem se alinhar com esta teoria. Esta pode ser uma
linha de continuidade a nível teórico que explique os resultados aqui obtidos de
esforços horizontais, e verticais, diminuindo com o aumento de sua profundidade de
enterramento.
Outra abordagem que pode ser feita a partir destes dados é a comparação entre os
esforços gerados nos dutos com os esforços gerados na Pá Instrumentada, também
em função da profundidade de enterramento. Neste caso, é apresentada a razão entre
os esforços nos dutos com os esforços na Pá, todos normalizados. Os resultados
obtidos são os apresentados nas Figuras 4.65 e 4.66, a seguir.


Figura 4.65. Razão entre as Forças Horizontais Normalizadas e as Forças na Pá
Normalizadas.

y = ‐0,1757x + 77,282
R² = 0,9662
y = ‐0,0781x + 21,889
R² = 0,9586
0
10
20
30
40
50
60
70
50 100 150 200 250
N
H
/
N
P
á

[
%
]

H/D [%]
Dados [Duto A] Média [Duto A] Dados [Duto B]
Média [Duto B] Linear (Média [Duto A]) Linear (Média [Duto B])
112



Figura 4.66. Razão entre as Forças Verticais Normalizadas e as Forças na Pá
Normalizadas.

Novamente, nesta análise, são feitas regressões lineares a partir das médias dos
dados obtidos com os ensaios de enterramentos semelhantes para ambos os tipos de
dutos. Percebe-se que nos ensaios com o Duto A as razões entre as Forças
Horizontais Normalizadas e as Forças na Pá normalizadas são maiores do que as
observadas no Duto B. Este comportamento também é notado para as Forças
Verticais Normalizadas e contribui para o entendimento de que o Duto A de fato
absorveu maiores forças oriundas dos movimentos de massas de solo.

4.5. Fase de Investigação do Perfil Final de Umidade
Os resultados da última fase da modelagem centrífuga constam da
apresentação dos perfis de umidades final da camada de solo reconstituída.
Considera-se que estes perfis apresentados pouco diferem do perfil que a camada
teria imediatamente após o término da fase de adensamento. Cabe aqui considerar
que a umidade próxima a superfície das camadas tendem a sofrem processo de
y = ‐0,2904x + 94,826
R² = 0,9917
y = ‐0,1252x + 37,319
R² = 0,9968
0
10
20
30
40
50
60
70
80
50 100 150 200 250
N
V
/
N
P
á

[
%
]

H/D [%]
Dados [Duto A] Média [Duto A] Dados [Duto B]
Média [Duto B] Linear (Média [Duto A]) Linear (Média [Duto B])
113

secagem por evaporação durante as fases seguintes ao adensamento das camadas.
O processo de cálculo para a obtenção dos perfis segue o esquema descrito na Figura
4.67 a seguir.


Figura 4.67. Esquema para obtenção dos perfis de umidade final empregado.

Com base nesta figura, os perfis de umidade de umidade final foram obtidos e as
Figuras 4.68 e 4.69 ilustram estes perfis para todos os ensaios com os dois tipos de
dutos.


Figura 4.68. Perfis de umidade final – ensaios com o Duto A.
114


Figura 4.69. Perfis de umidade final - ensaios com o duto B.

A análise dos perfis de umidade final obtidos fornece uma visão do processo de
adensamento como esperada. Observa-se que o teor de umidade tende a ser menor
conforme maior é a profundidade, com exceção dos teores de umidades mais
próximos a superfícies. Os valores mais baixos na superfície indicam perda de
umidade por evaporação, decorrente do intervalo entre o fim do adensamento até a
coleta das amostras para os ensaios de obtenção da umidade.
Os perfis de umidade obtidos com o Duto B são notadamente inferiores aos do Duto A.
Essa diferença confirma a tendência dos ensaios com o Duto B terem apresentado
perfis de resistência não drenada superiores e graus de adensamento também
superiores. Novamente, este comportamento pode ser explicado pela maior drenagem
do sistema apresentada nos ensaios com o Duto B.

4.5.1 Relação entre Perfil de Umidade e Perfil de Resistência Não Drenada
Wood e Wroth (1978) propuseram uma equação relacionando a resistência não
drenada de solos reconstituídos com seus respectivos índices de liquidez (I
L
). Esta
equação é apresentada a seguir:

Su = 17uc
-4,605 I
L
(4.7)
115

O limite de liquidez é definido por:

I
L
=
w-w
p
I
p
(4.8)

onde w
p
é o limite de plasticidade e I
p
é índice de plasticidade do solo. Para a argila
utilizada nesta pesquisa, estes parâmetros equivalem a 24% e 59% respectivamente.

Ao correlacionar os perfis de umidade com os perfis de resistência não drenada
obtidos nos ensaios com o Duto A através da equação proposta por Wood e Wroth
(1978) foi possível obter a Figura 4.70. Esta análise foi feita somente com o Duto A,
pois com o Duto B não foram atingidas profundidades representativas durante os
ensaios de T-bar.


Figura 4.70. Correlação entre resistência não drenada e índice de liquidez.

Desde modo, chega-se ao fim da apresentação da análise dos resultados, dando início
ao próximo capítulo da dissertação, o capítulo de conclusões e recomendações para
pesquisas futuras.
116

4.6. Considerações Parciais da Análise e Apresentação dos Resultados
Este capítulo apresentou as análises dos ensaios centrífugos realizados para
os dois modelos de dutos. Desta análise, obtiveram-se os parâmetros de controle de
qualidade da preparação inicial de cada ensaio realizado. Também foi possível obter e
comparar os perfis de resistência não drenada, obtidos com o mini T-bar, para cada
ensaio.
Na Fase de Movimentação Horizontal os valores dos esforços gerados nos modelos
de dutos ao se arrastar o solo com o auxílio da Pá foram calculados. Por meio destes
esforços medidos, a análise viabilizou a comparação entre modelos de dutos, bem
como a comparação da decomposição destes esforços em componentes horizontais e
verticais.
A influência da profundidade de enterramento nos esforços gerados no duto também
foi avaliada.
Por fim, como um último controle de qualidade, perfis de umidades foram tirados ao
término de cada ensaio. Esses perfis foram relacionados aos perfis de resistência não
drenada.












117

5. Conclusões
5.1. Introdução
O presente trabalho teve por objetivo abordar por meio da modelagem
centrífuga a questão da interação entre dutos enterrados em solos com tendência a
movimentos de massa, sob o ponto de vista da geotecnia. Serão apresentadas neste
capítulo as conclusões e as considerações finais obtidas em todas as etapas dos
processos abordados nesta dissertação.

5.2. Materiais e métodos
Inicialmente, sob os aspectos gerais dos assuntos aqui abordados, é
necessário enfatizar a importância da modelagem centrífuga para o estudo de
problemas relacionados à Geotecnia moderna. A possibilidade de abordar temas
complexos, que exigiriam elevados custos e tempo, de forma reduzida em centrífuga é
com certeza um ponto importante aqui aplicado.
A possibilidade de criar os dois modelos reduzidos instrumentados foi um grande
desafio apresentado durante a pesquisa. Em especial, o modelo de duto A, bi-rotulado,
cuja concepção demandou criatividade e engenhosidade da equipe envolvida. Desde
seu projeto até a sua efetiva utilização nos ensaios, muitos caminhos tiveram que ser
percorridos. A instrumentação utilizada nesta pesquisa é o resultado de muitas
análises, estudos e tentativas. A calibração do modelo do Duto A pode ser descrita
como um das etapas mais difíceis encontradas no percorrer da pesquisa. Mais uma
vez, as curvas e parâmetros de calibração aqui utilizados são frutos de muitas horas
de estudo, tentativas e discussões produtivas entre os membros da equipe.
O modelo do Duto B naturalmente se mostrou mais fácil de trabalhar, tendo em vista
tratar-se de um modelo típico geralmente empregado em pesquisas com modelagem
física de problemas de interação solo-duto.
A utilização da Pá instrumentada foi outro ponto importante que, juntamente com o
modelo do Duto A, caracteriza uma ferramenta inovadora. Sua concepção e sua
instrumentação agregaram novos conhecimentos à equipe envolvida no trabalho.
Certamente esses novos conhecimentos darão suporte à concepção de novos
118

equipamentos e modelos a serem empregados em futuras pesquisas relacionadas à
modelagem em centrífuga.
Quanto ao solo, a argila marinha utilizada apresentou-se como um bom modelo de
solo durante os ensaios. Entretanto, alguns aspectos precisam ser levados em
consideração para a sua utilização em futuras pesquisas. A adoção da umidade inicial
próxima ao limite de liquidez se mostrou razoável para os ensaios realizados. Porém,
a adoção de um valor ligeiramente menor poderia facilitar os ensaios em alguns
aspectos, como por exemplo: melhor consistência dos grumos ao preparar os ensaios,
menor deslocamento do solo durante a basculação da centrífuga e menor tempo
despendido na fase de adensamento.
A maior dificuldade encontrada referente ao solo utilizada foi a previsão e
determinação das profundidades de enterramentos dos ensaios. Apesar de todo o
controle durante a preparação dos modelos, as profundidades de enterramento
apresentaram diferenças entre o projetado e o efetivamente atingido. Essas diferenças
podem ter afetado diretamente os resultados obtidos na fase de Movimentação
Horizontal. O método de grumos utilizado talvez não seja o mais apropriado para o
objetivo proposto nesta pesquisa. A adoção da preparação dos ensaios com a argila
em estado líquido talvez seja o mais indicado.
Um ponto importante observado nos resultados dos ensaios realizados é a tendência
dos esforços observados nas etapas dos ensaios centrífugos serem maiores no Duto
A.
O modelo de rótulas aplicado no modelo de Duto A pode explicar os maiores esforços
nele observado. As rótulas empregadas no duto garantiram maior rigidez ao sistema
do Duto A.

5.3. Fases dos ensaios
A Fase de Adensamento mostrou-se importante na concepção dos ensaios
centrífugos, nela foi possível reconstituir as camadas de solo a serem ensaiadas.
Cuidados precisaram ser tomados na preparação destas camadas, como o controle de
umidade e quantidade de solo. Foi possível observar o comportamento do duto
durante o adensamento e quantificar os esforços nele gerados.
119

A Fase de Investigação mostrou-se adequada ao conseguir obter perfis de resistência
não drenada do solo para cada ensaio. O mini T-bar empregado mostrou-se como
uma competente ferramenta de investigação. Com os perfis de resistência foi possível
estabelecer parâmetros de comparação entre os ensaios e assim garantir um controle
de qualidade. Com ele também foi possível a normalização dos esforços medidos nos
dois modelos de duto e, assim, fazer a comparação entre os ensaios.
Na Fase de Movimentação Horizontal, os resultados apontaram uma tendência de
decréscimo dos esforços no duto conforme a profundidade de enterramento
aumentava. É possível perceber que em ambos os dutos, durante esta fase, a
tendência dos esforços horizontais foi de serem mobilizados ligeiramente mais rápidos
do que os esforços verticais. Em outras palavras, os dutos sentiam esforços
horizontais pouco antes de começar a sentir os esforços verticais.
Nesta mesma fase do ensaio também foi possível observar que os esforços
horizontais medidos foram sempre superiores aos esforços verticais. Para o Duto B, os
esforços horizontais medidos foram muito superiores aos esforços verticais. Para o
Duto A, os esforços horizontais observados foram levemente superiores aos verticais.
É muito importante deixar claro que todo deslocamento do duto nos estudos aqui
apresentados são referentes aos deslocamentos da Pá. Isso pode explicar a tendência
de crescimento dos esforços no duto durante todo o deslocamento do solo.
Foi observado também que para maiores enterramentos do duto, menores eram os
esforços sentidos por ele devido ao movimento de massa induzido pela Pá.
Para a última fase de ensaio, os ensaios com o Duto B apresentaram perfis com
menores valores de umidade final. Isso indica que os graus de adensamento nestes
ensaios foram maiores do que os obtidos com o Duto A. Porém, não foram observados
durante os ensaios fatores que pudessem explicar o acontecido. Por alguma razão, os
ensaios com o Duto B apresentaram maiores drenagem nos sistemas montados.
Os perfis de umidade correlacionaram bem com a proposta de Wood e Wroth (1978).

120

5.4. Propostas para Pesquisas Futuras
Primeiramente, é importante ressaltar que a concepção dos modelos de duto e
Pá instrumentados teve nesta pesquisa. Sendo assim, é imprescindível a contínua
melhoria destes modelos.
Sob o ponto de vista dos aspectos adotados nesta pesquisa, o estudo da influência da
variação das profundidades de enterramento dos dutos, através da adoção de maiores
profundidades, ainda que não seja aplicado na prática, porém para estudos
acadêmicos, seria de grande importância para o melhor entendimento dos
comportamentos observados.
A adoção de outros tipos de solos para as modelagens centrífugas, como solos
arenoso ou solos artificiais, também agregaria novos conhecimentos aos estudos dos
dutos enterrados sujeitos a movimentos de massa.
Utilização da Teoria dos Empuxos de Terra de Rankine para tentar explicar os valores
de esforços medidos no duto.





121

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABGE, 1998, Geologia de Engenharia, Antonio Manoel dos Santos Oliveira e Sérgio
Nertan Alves de Brito Editores, Associação Brasileira de Geologia de Engenharia, São
Paulo, 576 p.

ALMEIDA, M. S. S., 1996, Aterros sobre Solos Moles: da Concepção à Avaliação
do Desempenho, Editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
Brasil, 215 p.

ASAOKA, A, 1978, Observation Procedure o Settlement Prediction, Soil and
Foundation, Japanese Society of Soil Mechanics and Foundation Engineering, Vol.
18, n° 4, pp 87-10.

AUGUSTO FILHO, O, 1992, Escorregamentos em Encostas Naturais e Ocupadas:
Análise e Controle. Instituto de Pesquisas Tecnológicas, São Paulo.
ÁVILA, M. D., GIACOMEL, R. S., CORREA, I. C. S., BRITTO, D. U., BORGES, A. L.
O. e MAESTRI, R. D., 2005, Análise de Estruturas Primárias em Depósitos
Gerados em Laboratório e sua Relação com a Dinâmica das Correntes
Turbidíticas de Baixa Densidade, 3° Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo e
Gás, Salvador, BA.
BORGES, R. G. e OLIVEIRA, J. R. M. S., 2011, Multidirectional Analysis of
Pipeline-Soli Interaction in Clay. Frontiers in Offshore Geotechnics II, Taylor e
Francis Group, London.
BUENO, B. S. e COSTA, Y. D. J., 2009, Dutos Enterrados: Aspectos Geotécnicos.
Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo.
CALLE, J. A. C., 2007, Comportamento Geomecânico de Resíduos Sólidos
Urbanos, Tese D.Sc., Universidade federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
FAGUNDES, D. F., 2010, Modelagem Centrífuga de estruturas Offshore Assentes
em Leito Marinho, Dissertação M.Sc., Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro.
FINNIE, I. M. S., RANDOLPH, M.F., 1994, Punch-Though and Liquefaction Induced
Failure on Shallow Foundations on Calcareous Sediments, Proceeding
122

International Conference on Behaviour of Off-Shore Structures – BOSS ’94, Boston,
Vol. 1, pp. 217-230.
FREITAS, N. C., 2004, Estudos dos Movimentos de um Colúvio no Sudeste Brasileiro,
Dissertação M.Sc., Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
GUIDICINI, G. e NIEBLE, C. M., 1984, Estabilidade de Taludes naturais e de
Escavação, Editora Edgard Bluncher, São Paulo.
GURUNG, S.B., ALMEIDA, M. S. S. e BICALHO, K. V., 1998, Migration of Zinc
Through Sedimentary Soil Model, Proc. of the International Conference Centrifuge
98, Tokyo, Vol. 1, pp. 589-594.
HARTMANN, D. A., 2012. Modelagem Centrífuga de Aterros Estruturados com
Reforços de Geossintéticos, Dissertação M.Sc., Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Rio de Janeiro.
HIEBLER, R. C., 2004, Resistência dos Materiais, 5
a
Edição, Editora Pearson, São
Paulo.
LOCAT, J. e LEE, H. J., 2000. Submarine Landslides: Advances and Challenges,
Proceedings of the 8
th
International Symposium on Landslides, Cardiff, UK.
MAGNAM, J. P. e DEROY, J. M., 1980, Analyse Graphique de Tassement
Observes Sons ler Ouvrager, Bull-Liaison Laboratoire dês Ponts e Chauses, Paris,
109, set-out, p. 9-21.
MICHAELSEN, F. M., 2011, Risco Geotécnicos em Dutos: Instrumentação para o
Monitoramento de Oleodutos e Gasodutos em Encostas Instáveis, Trabalho de
Diplomação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul.
MOSER, A. P. e FOLKMAN, S., 2008, Buried Pipe Design, McGraw-Hill, United
States of America, 3
rd
Edition.
MOTTA, H. P. G., 2008, Comportamento de um Rejeito de Transição em
Centrífuga Geotécnica, Dissertação M.Sc., Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro.
NETO, J. L. S., OLIVEIRA, J. R. M. S., ALMEIDA, M. S. S., FAGUNDES, D. F.,
ALMEIDA, M. C. F., 2010, Retrofits to COPPE Mini-Drum Geotechnical Centrifuge,
International Conference on Physical Modelling in Geotechnics (ICPMG), Zurique,
Suíça.
123

OLIVEIRA, J. R. M. S., 2005, Modelagem em Centrífuga de um Problema de
Interação Solo-Estrutura, Tese D.Sc., Universidade federal do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro.
OLIVEIRA, J. R. M. S., ALMEIDA, M. S. S., ASCE, M., ALMEIDA, M. C. F. e BORGES,
R. G., 2010, Physical Modelling of Lateral Clay-Pipe Interaction, Journal of
geotechnical and Geoenvironmental Engineering, ASCE.
OLIVEIRA, J. R. M. S., ALMEIDA, M. S. S., MOTTA, H. P. G., ALMEIDA, M. C. F.,
Influence of Penetration Rate on Penetrometer Resistance, Journal of
Geothecnical Engineering.
PACHECO, L. A., 2006, Modelagem Física e Numérica de um Duto Enterrado em
Areia Sujeito a Deslocamento Lateral., Dissertação M.Sc., Universidade Federal do
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
PALMER, A. C., ELLINAS, C. P., RICHARDS, D. M. e GUIJT, J., 1990, Design of
Submarine Pipelines Against Upheavel Buckling, 22
nd
Annual Offshore Technology
Conference, Houston.
PEQUENO, J. G. A., 2010, Determinação de Parâmetros de Estado Crítico do
Modelo Cam-Clay de Argila Marinha Reconstituída do Campo de Roncador,
Trabalho de Diplomação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
RANDOLPH, M. F., HOUSBY, G. T., 1984, The Limiting Pressure on a Circular Pile
Loaded Laterally in Cohesive Soil, Géotechnique, Vol. 34, n° 4, pp – 613-623.
RANDOLPH, M. e GOUVERNEC, S., 2011, Offshore Geotechnical Engineering, Spon
Press, United States of America, 1
st
Edition.
RANDOLPH, M. F., HOUSE, A. R., 2001, The Complementary Roles of Physical
and Computational., The International Journal of Physical Modelling in Geotechnics,
Vol. 1, n° 27, 151-158.
SANDRONI, S. S., 2004, Instrumentação Geotécnica para Monitoramento de
Tubulações de Aço que Atravessam Línguas Coluviais no Sudeste Brasileiro, 5°
Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia, ABMS, Vol. 1, p. 233-
250, São Paulo.
SCHOFIELD, A. N., 1980, Cambridge Geotechnical Centrifuge Operations,
Géotechnique, Vol. 25, n° 4, pp. 743-761.
124

STEWART, D. P. e RANDOLPH, M. F., 1991, A New Site Investigation Tool for the
Centrifuge, Proceedings International Conference on the Centrifuge Modelling –
Centrifuge ’91, Boulder/Colorado, p. 531-538.
SUZUKI, S., 2004, Propriedades Geomecânicas de Alguns Solos Residuais e
Coluvionares ao Longo do Oleoduto Curitiba-Paranaguá, Dissertação M.Sc.,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
TAYLOR, R. N., 1995, Geotechnical Centrifuge Technology, 1
st
Ed., Blackie
Academic e Professional.
TOMINAGA, L. K., SANTORO, J., AMARAL., R., 2009, Desastres Naturais:
Conhecer para Prevenir, Instituto Geológico, São Paulo.
WARD, S. N. e DAY, S., 2002. Suboceanic Landslides, Yearbook of Science and
Technology, McGraw-Hill.
WOOD D. e WROTH C. P., 1978. The Use of Cone Penetrometer to Determine the
Plastic Limit of Soils, Ground Engineering, Vol. 11, n° 3, pp 37.