INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTARÉM

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE SANTARÉM

Educação e Comunicação Multimédia

Ética e Deontologia

Ética de Confúcio

Elaborado por: Fábio Santos e João Silva Docente: Ramiro Marques Turma: ECM 2, Pós-laboral

Confúcio
K'ung Ch'iu (孔子)

Biografia
K'ung Ch'iu, conhecido como Confúcio (no ocidente), foi um dos mais importantes e influentes filósofos chineses. Nasceu em 552 a.C. na península de Shandong (山东省), que mais tarde seria chamada de terra santa. O mais novo de onze filhos ficou sem o pai (Shu-Liang He) aos três anos, tendo sido obrigado a trabalhar desde cedo para ajudar a numerosa família. Aos quinze anos decide dedicar-se à aprendizagem, viaja por vários reinos mantendo um íntimo contato com o povo, pregando a necessidade de mudança no sistema de governo do seu pais. As suas ideias eram consideradas perigosas e radicais pelos seus governantes mas influenciaram os seus discípulos, entre eles o seu único neto, Zisi. O mais importante foi, contudo, Mencius.

Virtudes do Confucionismo
A base do confucionismo são os conceitos (gémeos) de Jen a Li. 1. Jen: bondade, benevolência, aquilo que torna o homem mais humano. 1.1. Virtude das virtudes: Confúcio disse nunca ter visto esta virtude verdadeiramente expressa. Apesar de não a descrever, caracteriza-a: 1.1.1.É mais preciosa que a própria vida – um homem de Jen sacrificaria a vida para preservar a Jen, e por isso é uma vida que vale a pena viver; 1.1.2.É o sentido de dignidade da vida humana – um sentimento de humanidade para com os outros e de autoestima para connosco: 1.1.2.1. Tais sentimentos aplicam-se a todos os homens: não apenas uma nação ou raça, é a base de

todos os relacionamentos humanos; 1.2. Deve-se estender o Jen aos outros.

2. Li: principio do ganho, benefício, ordem, propriedade, cortesia: um guia concreto para a ação humana. 2.1. Guia concreto para os relacionamentos humanos e guia para ordem da vida; 2.2. Confúcio reconhecera que era necessário uma sociedade ordenada para que se pudesse exprimir; 2.3. Relações humanas: 2.3.1.A forma correta de proceder: positivos em vez dos negativos; 2.3.2.Principais componentes da propriedade que enfatizam a abertura das pessoas umas com as outras: 2.3.2.1. 2.3.2.2. Reificação de nomes: linguagem usada de acordo com a verdade das coisas; Doutrina do meio: ação correta é o caminho entre os extremos. Confúcio dedicou um livro

apenas para este ponto, considerava de grande importância; 2.3.2.3. Os cinco relacionamentos: Pai e Filho: amoroso / reverencial; Irmão mais velho e mais novo: respeitoso / carinhoso;

2.3.2.3.1. 2.3.2.3.2.

1

2.3.2.3.3. 2.3.2.3.4. 2.3.2.3.5. 2.3.2.4.

Marido e Esposa: terno / compreensivo; Amigo mais velho e mais novo: atencioso / respeitoso; Mestre e subornado: benevolente / leal;

Respeito pela idade: a idade dá o valor a todas as coisas, objetos, instituições e indivíduos;

2.3.3.Princípio da ordem social e ritual (limites e autenticidade do Li): 2.3.3.1. 2.3.3.2. 2.3.3.3. Toda a ação afeta alguém: existem limites para a individualidade; Confúcio procurou ordenar todo um estilo de vida; Não devemos improvisar as nossas respostas porque estamos a perder quanto ao saber reagir;

3. Yi: justiça, a disposição moral para fazer o bem, uma condição necessária para Jen ou para o homem superior. 3.1.1.O Yi conota um sentido moral: a capacidade de reconhecer o que é certo e bom, a capacidade de sentir, de acordo com as circunstâncias, qual é a coisa certa a fazer, sabedoria moral, intuição. 3.1.2.Algumas ações devem ser realizadas pela simples razão de que estão certas, independentemente do seu resultado e não por outra razão; 3.1.2.1. 3.1.2.2. O valor está na ação correta, independentemente da intenção ou das consequências do ato; Assim, Yi é diferente do estoicismo (intenção com o determinismo suave) ou o utilitarismo

(consequências com o livre-arbítrio); 3.1.2.3. O Confucionismo é semelhante à ética de Kant do dever: a ação é feita como um bem em si

mesmo, não como um meio para um fim; 3.1.3.Agir segundo Yi é bastante próximo de praticar Jen.

4. Hsiao: piedade filial, reverência. 4.1. Os pais são reverenciados pois são a fonte da nossa vida: sacrificaram muito por nós; 4.2. Deve-se praticar o bem e fazer com que o nome de família seja conhecido e respeitado: trazer honra à família; 4.3. Se alguém que respeitamos e admiramos, nos salva a vida ou alguém que se sacrificou por nós (como, aliás, os pais), devemos-lhes reverência; 4.4. Hsiao implica dar aos pais, não só o cuidado físico, mas também riqueza emocional e espiritual; 4.5. Quando os pais morrem, os seus objetivos e propósitos não cumpridos devem ser os dos filhos; 4.6. Os primórdios do Jen são encontrados no Hsiao, vida familiar; 4.6.1.Uma vez que a reverência e respeito são compreendidos como pai, Hsiao pode ser prorrogado por generalização à família, amigos, a sociedade e a humanidade; 4.7. Respeito por uma questão de reverência afeta quem somos.

5. Chih: a sabedoria moral, a fonte dessa virtude é conhecimento do certo e do errado. Chih é adicionado ao confucionismo por Mencius (o discípulo mais respeitado de Confúcio), que acreditava que as pessoas são basicamente boas quando nascem; 5.1. Desde que é feita a divisão entre o bem e mal (na nossa mente) estas ideias são inatas; 5.2. Para Mencius o homem é um animal moral. Para Confúcio o homem tem o potencial de ser bom. 5.3. Segundo Mencius qual a origem do mal?

2

5.3.1.De circunstâncias externas: natureza e as necessidades de sobrevivência; 5.3.2.Da sociedade e da cultura existirem em desordem: a moral seria portanto uma desvantagem; 5.3.3.Da falta de conhecimento: não procuramos descobrir as opções que temos. Não desenvolvemos os nossos sentimentos e sentidos.

6. Chun-tzu: o homem ideal, o homem superior, uma pessoa gentil, no sentido mais significativo. 6.1. Alguém que está em casa no mundo: não precisa de nada para si mesmo, está à disposição dos outros e completamente para lá da ambição pessoal; 6.2. É inteligente o suficiente para satisfazer qualquer coisa sem medo; 6.3. Poucas pessoas podem atingir este ideal, a virtude central é, naturalmente, o Jen; 6.3.1.As relações pessoais vêm antes de qualquer outra coisa (ou seja, antes de pensar, raciocinar, estudar); 6.3.2.As cinco virtudes do ego impessoal: 6.3.2.1. 6.3.2.2. 6.3.2.3. 6.3.2.4. 6.3.2.5. Bondade; Integridade; Honra; Sabedoria; Sinceridade;

7. Te: O poder pelo qual os homens são governados, o poder do exemplo moral. Toda a arte de governar consiste na arte de ser honesto. 7.1. Os padrões de prestígio são usados no serviço de governação do país. 7.2. Governo é bom se conseguir manter: 7.2.1.Suficiência econômica; 7.2.2.Suficiência militar; 7.2.3.Confiança do povo.

Compreender as virtudes
Para verdadeiramente compreender as virtudes devemo-nos perguntar “como devo viver?”, “que tipo de pessoa devia ser?”; e não “o que deve ser feito nesta situação?”. Ou seja, devemo-nos focar no carácter pessoal. Uma pessoa é virtuosa quando tem os traços de carácter certos e em equilíbrio. Uma virtude é um traço permanente que faz de alguém um bom amigo, um bom cidadão. É um meio-termo entre os extremos. Todos os homens devem ter virtudes gerais, independentemente das suas circunstâncias particulares. Certas virtudes ajudam o homem a cumprir a sua função na sociedade enquanto esta incluir esse papel. Por outro lado, o vício mina a essa capacidade do homem ser um bom amigo, bom cidadão e para cumprir bem a sua função na sociedade.

3

Um homem torna-se virtuoso quando é ensinado. Quando age de acordo os ditames da virtude. É então que começa a entender o que é ser virtuoso. Tenta sê-lo mas por vezes falha, os desejos e os ditames nem sempre coincidem. Querer ser virtuoso significa que o homem valoriza os seus pares e uma sociedade boa e eficiente. A justiça exige um homem virtuoso. Assim, a felicidade do homem só pode ser alcançada através de uma vida virtuosa. As virtudes foram passadas ao longo do tempo. Aristóteles ensinou a coragem, a generosidade, a magnificência, altivez, gentileza, simpatia, honestidade, perspicácia e a sabedoria. A tradição cristã prega a fé, esperança, caridade, castidade, a piedade, a humildade e a obediência. No Confucionismo, uma pessoa moralmente superior preocupa-se com o dever e não tanto com o desejo. Este age de acordo com os seus princípios e não é insensível aos outros. A humanidade (Jen) significa amar os outros. Isto consegue-se (utopia) sendo-se sério, generoso, honesto, diligente e verdadeiro. O decoro (Li) é importante ao seguir as regras estabelecidas pela sociedade para que se preserve a harmonia. Outro traço importante é a piedade filial (Hsiao), devendo-se apoiar os pais com reverência. Para além destas características, o Confucionismo enaltece outras virtudes como a lealdade, ajustiça, a abertura de espírito, a benevolência, a dignidade, a sabedoria, a coragem e a justiça.

Ética de Confúcio na Economia
A palavra economia denota o uso de recursos materiais para a satisfação de certos requisitos. Nos dias de hoje a economia tornou-se uma ciência ligada ao estudo da filosofia da vida, as teorias de economia não se podem desenvolver de forma independente ao estudo do ser humano, pois, tais teorias não teriam fundamento ou valor. O Confucionismo, sendo uma parte fundamental da filosofia chinesa, estudou diversos problemas da vida humana e do seu ponto de vista, tendo tocado diversas vezes na economia. Estes pensamentos encontram-se nos Analectos de Confúcio, também chamados de Diálogos de Confúcio. Uma nação procura o desenvolvimento económico com o propósito de melhorar a vida da sua população, tornando-se próspera. O sucesso da política económica advém da aplicação eficiente da força de trabalho e dos recursos naturais. Esta força de trabalho só se mostra disponível ao governo se este for, em si, virtuoso, pois sem o apoio do povo, não haveria ninguém para defender o território, desenvolver os recursos e implementar planos económicos. Confúcio afirmou que apenas uma classe governadora integra pode explorar os seus recursos eficientemente, de tal modo que, o povo enriquece e vive em paz e prosperidade. A virtude é o elemento central para o desenvolvimento económico e os benefícios monetários secundários, pois caso contrario o povo, vendo-se privado da sua propriedade, vira as costas ao governo, revoltando-se contra este. O povo deve ser educado e ensinado sobre os valores morais. Se a população entender e praticar as virtudes, a justiça irá prevalecer, tal como o desenvolvimento da nação. O governo deve então procurar esse desenvolvimento para toda a população e não apenas para um grupo de elite. Por outro lado, a imposição de demasiados impostos sobre a população, constitui um fardo pesado. Existem instâncias em que um governo que procura incentivar o desenvolvimento económico, deve baixar os impostos e não aumentar.

4

A China teve uma economia baseada na agricultura desde há milhares de anos. Para desenvolver a economia nacional, o governo ajudou a população a adquirir propriedade, para que possam viver me paz e sem confrontos entre si. As colheitas serão suficientes para alimentar o povo mesmo em anos de fome e este estará disposto a defender a sua própria propriedade. Este só apoiará as políticas governamentais se estas enaltecerem o interesse público. Por outro lado, numa nação onde os que possuem propriedade constituem uma minoria, vão levar a restante população à pobreza e à fome. A nação entrará no caos e num estado de insegurança e incerteza. Deve-se então combater e desigualdade de riqueza, ajudando a população a adquirir propriedade, criando assim oportunidades de emprego, desenvolvendo os recursos naturais e economia e melhorando a vida desta. O desenvolvimento económico deve visar o enriquecimento de toda a população para que não haja desemprego e para que o número de produtores seja maior que o número de consumidores. Numa nação em que a população trabalhe muito e que seja bem recompensada, é natural que não aja falta de capital. Se tanto o governo como a população enriquecem os recursos podem ser explorados para benefício da população, os negócios e a indústria irá florescer resultando no melhoramento da vida de todos.

Nota Final
Deste modo, os ensinamentos de Confúcio, bem como de alguns dos seus discípulos, estão muito presentes na cultura oriental que floresce cada vez mais. Nações como a China, a Coreia e o Japão têm tido desenvolvimentos económicos acentuados nos últimos anos e foi muito graças ao Confucionismo. Existe a preocupação de enriquecer toda a população e não apenas um segmento minoritário. Confúcio, já no seu tempo descrevia, como sendo atroz um governante que deixa de executar politicas publicas para criar lucro privado. O Confucionismo está bem presente nos países orientais e é ensinado em cada vez mais escolas pelo mundo. Tanto os seus livros como os dos seus discípulos são analisados ainda nos dias de hoje, tirando-se muitas conclusões e lições sobre as virtudes do homem. Claro que nas nações em que se ensinam estas virtudes à população, esta irá crescer retendo alguns destes e podemos ver agora o fruto desse ensinamento, com grandes potências internacionais a crescer, enquanto outras, que não se guiam por estas virtudes, vêm o seu crescimento económico cada vez mais baixo. O Confucionismo centra-se numa crença na ordem moral, através da reflexão, educação e compreensão, distinguindo-se o bem do mal. Apesar disto, a ética de Confúcio, ao desvalorizar o individuo face ao todo, tende a eliminar diferenças individuais, levando a um pensamento uniformizado e conformista que irá sufocar elementos fulcrais como a criatividade ou a inovação, cada vez mais necessárias num mundo em constante mudança. Assim, em países intimamente ligados ao pensamento de Confúcio, a mudança irá dar-se de uma forma muito mais penosa e vagarosa, pois esta é quase abolida em detrimento de um pensamento convergente. Deve haver por isso um equilíbrio, balançar as virtudes de Confúcio e de seus discípulos com a abertura e o apoio à individualidade do homem. A preocupação com os valores morais e o ensinamento destes deve ser prioritário para que o respeito e a humanização das relações interpessoais sejam mais valorizados nas sociedades ocidentais, tal como o incentivo à criatividade, inovação e à mudança de velhas tradições deve ser facilitado nas sociedades orientais.

5

Bibliografia
       Muller, A. Charles. The Analects of Confucius. Disponível em: http://www.acmuller.net/con-dao/analects.html; Ames, Roger; Rosemont, Henry. The Analects of Confucius. Ballantine Books (1999); Legge, James. The Chinese Classics. Disponivel em: http://www.sacred-texts.com/cfu/; Lau, D. C. Note on Confucius, The Analects. NY: Penguin (1979); Chin, A. The Authentic Confucius: A Life of Thought and Politics. New York (2007); Riegel, Jeffrey. Confucius. Disponível em: http://plato.stanford.edu/entries/confucius/; Thompson, John Paul. Confucius on Government. Disponível em: http://www.worldissues360.com/index.php/confucius-on-government-54239/;  Wertz, Richard. Confucianism. Disponível em: http://www.ibiblio.org/chinesehistory/contents/02cul/c04s04.html;   The Internet Classics Archive. Confucius. Disponível em: http://classics.mit.edu/Browse/index.html; Bauman, Nathan. Analects of Confucius Journal. Disponível em: http://nathanbauman.com/odysseus/?p=4031.

Apresentação
 http://prezi.com/nwrlvikkfub0/?utm_campaign=share&utm_medium=copy

6

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful