TRATAMENTO DOCUMENTAL

(CIRCUITO DO DOCUMENTO)

Texto: Júlio Nogueira Revisão: Aldina Ribeiro

“Um dos meios de particular alcance para o desenvolvimento dos serviços prestados por parte das bibliotecas é, como se sabe, a cooperação. Na realidade, a troca de experiências, a divulgação de informações à distância, a complementaridade na selecção dos fundos, a circulação das espécies, etc., tornaram-se hoje em dia uma necessidade crescente, face ao elevado número de livros e documentos produzidos e à sempre maior variedade e especificidade dos interesses manifestados pelo público utilizador.” Cabral, Luís; Real, Manuel - A Biblioteca Pública: Aspectos Tipológicos e Linhas Gerais da sua Evolução. Lisboa: Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, 1982, p. 11.

Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares / 2006

1/79

SUMÁRIO
Introdução Selecção e Aquisição Representação de Assuntos Indexação Definição Ferramentas de Apoio Disponíveis Manual SIPORbase Lista de Cabeçalhos de Assunto para Bibliotecas Tesauros Método Provisório Classificação Definição Cronologia das Classificações Bibliográficas Classificação de Harris Classificação Decimal de Dewey Classificação Expansiva de Cutter Classificação da Biblioteca do Congresso Classificação Decimal Universal Classificação de Assuntos Classificação dos Dois Pontos Classificação Bibliográfica de Bliss Classificação Internacional de Rider Classificação para Bibliotecas Chinesas Informação Complementar sobre Classificações Método Provisório Cotação Definição Antecedentes – Síntese Emprego da CDU em Cotas Sistemas de Cotação Quadro Comparativo Método Provisório Catalogação Definição O Formato UNIMARC Notas sobre o UNIMARC Proposta de Siglas UNIMARC-Autoridades Método Provisório Arrumação Conclusão Bibliografia Técnica Básica

Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares / 2006

2/79

INTRODUÇÃO
O acervo de uma biblioteca é constituído, entre outro material, por documentos. Os documentos podem apresentar-se em vários tipos de suporte de informação: papel (impresso, policopiado ou manuscrito), vídeo, cd, cd-rom, dvd, electrónico, etc. Assim sendo, o termo «biblioteca», bem ou mal empregue, já não se restringirá ao seu sentido etimológico («-teca-» ou compartimento, depósito, sala, móvel = alojamento de/para «-biblio-» ou livro), passando a abranger «bedeteca», «hemeroteca», «ludoteca», «mediateca», etc., e, por extensão, no presente texto, «centro de recursos educativos» ou quaisquer outras designações adoptadas pelos estabelecimentos de ensino. Para além da acepção mais corrente, faz-se uso do termo «colecção», em ciências documentais, para designar o conjunto de documentos que se apresentam num tipo específico de suporte de informação: colecção de vídeos, colecção de cds, colecção de documentos electrónicos... As colecções são objecto de tratamento documental. O tratamento documental consiste na selecção, aquisição, [marcação de posse], indexação, classificação, atribuição de cotas ou cotação, catalogação e arrumação. Por respeito às normas nacionais, Regras Portuguesas de Catalogação ou RPC, e internacionais, International Standard Bibliographic Description ou ISBD (Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada), a catalogação, ou descrição documental, deve ser invariável em qualquer biblioteca. O mesmo não acontece com os demais procedimentos do tratamento documental, que ficam a critério de cada biblioteca. A título ilustrativo, veja-se o tratamento dado a Os Lusíadas em seis bibliotecas seleccionadas para o efeito: Catalogação: Camões, Luís de, 1524?-1580 Os lusíadas / Luís de Camões. - [edições não coincidentes nas seis bibliotecas] Indexação Biblioteca do Congresso – Biblioteca Municipal de Odivelas Literatura portuguesa-epopeia Biblioteca Nacional da Alemanha Belletristik Biblioteca Nacional de Lisboa – Biblioteca Nacional de Pequim [Autores estrangeiros] [Poesia portuguesa] Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro – Classificação Biblioteca do Congresso PQ9198 Biblioteca Municipal de Odivelas 821.134.3-13 Biblioteca Nacional da Alemanha 59 Biblioteca Nacional de Lisboa 821.134.3-13"15" Biblioteca Nacional de Pequim I552.131/C149/TF Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro 19 869.1 Cotação Biblioteca do Congresso PQ9198 .A2 1979 Biblioteca Municipal de Odivelas 82.POR-1 CAM Biblioteca Nacional da Alemanha A 49355 Biblioteca Nacional de Lisboa CAM. 1093 V. Biblioteca Nacional de Pequim I552.131/C149/TF Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro I-150,7,42 Alguns elementos da catalogação e o facto de três bibliotecas não efectuarem a indexação aquando da entrada de documentos são as únicas correspondências exactas encontradas entre

Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares / 2006

3/79

as seis bibliotecas. Qualquer bibliotecário, ao assumir funções, deve conhecer o motivo deste tratamento diferenciado. O presente texto visa fornecer, a professores e auxiliares de acção educativa com funções nas bibliotecas escolares de Odivelas, noções sobre as fases do tratamento documental, as quais deverão ser complementadas através de encontros personalizados, sempre que os professores assim o entenderem.

SELECÇÃO E AQUISIÇÃO
Sob a rubrica «Fundo Documental», na página http://www.rbe.min-edu.pt/index.htm, o Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares (GRBE) ocupa-se, em pormenor, das duas fases iniciais do tratamento documental, selecção e aquisição, pelo que resta apenas complementar a informação ali veiculada com algumas fontes de notícias bibliográficas infantis e juvenis, que se julga poderão vir a ser úteis no processo de selecção e aquisição de documentos. Na página http://www.rbe.min-edu.pt/pnl/livros_recomendados.htm do GRBE, o texto «LER +: Plano Nacional de Leitura» divulga uma lista documentos seleccionados e particularmente adequados a cada ano de escolaridade. No topo da página http://www.leitura.gulbenkian.pt/ da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), encontram-se os apontadores «Catálogo», «Rol de Livros», «Livros da Minha Vida» e «Boletim Cultural», cujas listas respectivas contêm uma grande variedade bibliográfica, acompanhada, em algumas, por recensões e notas críticas. O Serviço de Apoio à Leitura (SAL) do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB), página http://sal.iplb.pt/index1.php, publica o «Guia de Orientação à Leitura», actualmente com uma selecção de 150 títulos, divididos por cinco áreas temáticas e três faixas etárias, entre os seis e os doze anos de idade. O SAL anuncia a ampliação do Guia para breve. A página http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/infantil/links.htm, do «Projecto Vercial», é dedicada à literatura infantil, e a página http://guida.querido.net/naveg.htm, «Escritores de Sonho(s)», traz notas biográficas e bibliografia sumária de escritores portugueses de literatura infantil e juvenil. A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) fornece o acesso à sua base de dados e à lista de páginas electrónicas dos seus associados, bem como o acesso à pesquisa bibliográfica de todas as publicações por estes editadas, na página http://www.apel.pt/. Toda esta informação é também publicada em cd-rom, em edições actualizadas anualmente, com a vantagem de se poderem efectuar pesquisas por vários pontos de acesso ou expressões de pesquisa: assunto, ano de publicação, editoras, autores, títulos, etc. Sob a cota «PE. LIT», na sala de leitura infantil da Biblioteca Municipal D. Dinis (BMDD), podem ser encontradas as publicações: - Histórias para Gente de Palmo e Meio: Literatura Portuguesa para Crianças e Jovens, ISBN 972-8695-01-2; - A Literatura Infanto-Juvenil na Viragem do Século: Obras Publicadas pela Primeira Vez em Portugal entre 1999 e Abril de 2001, ISBN 972-8436-25-4; - Literatura para a Infância e a Juventude: Sugestões de Leitura, ISBN 972-8436-02-5; - Malasartes: Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude, ISSN 0874-7296 (inclui recensões e notas críticas); - O Mar nos Livros para Crianças: Recolha Bibliográfica, Lisboa, Câmara Municipal, [2000]; - Vamos Ler! Vamos à Biblioteca!, ISBN 972-98605-2-1; e - Viajar nos Livros: Guia Orientador de Leitura, ISBN 972-8436-36-X. Na sala de leitura de adultos da BMDD, tem-se acesso ao boletim anual Ler: Livros & Leitores, da Fundação Círculo de Leitores, e, sob a rubrica «Literatura Infantil e Juvenil», na página http://www.cm-odivelas.pt/Extras/BMDD/abc_bibliotecas.asp#6 da BMDD, existe uma lista de ligações a páginas nacionais e estrangeiras, com alguma bibliografia.

Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares / 2006

4/79

Ainda relativamente à BMDD, o SABE coloca ao dispor dos professores bibliotecários interessados a listagem completa das colecções existentes na sala de leitura infantil, bem como na sala de leitura juvenil. É importante registar que a aquisição faz-se, não só através de compra, como também por meio de permuta e de recepção de ofertas. E, numa época que se caracteriza pela chamada «explosão da informação» ou «explosão documental», é primordial estabelecer formas de gestão integrada das colecções, como, por exemplo, pela implementação do empréstimo interbibliotecas, que se torna viável com a criação de um catálogo colectivo. A BMDD, através do SABE, propõe-se assumir a tarefa de construção desse catálogo colectivo, visando criar condições para que o empréstimo interbibliotecas possa vir a ser uma realidade, se os estabelecimentos de ensino de Odivelas assim o desejarem.

REPRESENTAÇÃO DE ASSUNTOS
As duas fases de que se falará a seguir, indexação e classificação, têm a ver com a análise de documentos, no sentido de determinar o(s) assunto(s) básico(s) de que tratam, e merecem uma nota introdutória especial conjunta, na forma de adaptação de um trecho do texto O Conhecimento e a sua Representação, da autoria de Alice Ferry de Moraes e Etelvina Nunes Arcello, em conformidade com o que se segue: “Na descrição do conteúdo de um documento, são utilizadas palavras que condensam o assunto e o identificam com o objectivo de facilitar a recuperação e a transferência do conhecimento. Estas palavras são representações de representações (textos, conceitos) e consequentemente guias parciais e imperfeitas. São hierarquizadas de acordo com correntes teórico-metodológicas. São, ainda, condensadas em classificações bibliográficas que, além de serem utilizadas na arrumação de documentos em estantes, pretendem organizar o conhecimento nelas reproduzido. As representações são baseadas em acções sociais, reflectem momentos históricos, teorias, ideologias e culturas, e, embora se aproximem da realidade, podem ter «leituras» diversas. O mercado de informações exige que haja equivalência formal nas representações para que haja um «construtor» sociocultural. A representação não deve alterar o objecto representado, mas isto torna-se impossível na medida em que a representação é uma «leitura» do objecto.” O objectivo desta introdução é ressaltar o valor de que se revestem as duas fases mencionadas e a consequente atenção redobrada que lhes deve ser dada.

INDEXAÇÃO
Definição Pôr em ordem alfabética, ou em outra ordem, qualquer série de palavras ou frases destinada a auxiliar a localização de informações específicas, é a acepção corrente do termo «indexação». Esta definição não se distancia muito do significado em ciências documentais: operação destinada a representar, através de uma linguagem documental ou natural, o resultado da análise de um documento, visando a sua recuperação. A operação pode fazer-se de três modos distintos: automático, analítico e sintético. Na indexação automática, a representação do conteúdo do documento é feita através da selecção automatizada de termos extraídos do próprio documento, operação que, por exemplo, torna possível a pesquisa à Internet.

Serviço de Apoio Este conceito foi proposto por Jean Riddle Weihs, exactamente em sentido inverso, na obra The Integrated Library: Encouraging Access to Multimedia Materials, Arizona: Oryx, 1991. Não será de todo despropositado sugerir a estes bibliotecários, em particular, que lançassem um olhar retrospectivo sobre a história e antecedentes do livro. No processo da evolução, chegará eventualmente o momento em que o livro, na forma e nos materiais pelos quais é hoje conhecido, seja, por sua vez, substituído. Pode-se à partida apontar alguns inconvenientes da aplicação do conceito de «biblioteca integrada»: os custos de aquisição de mobiliário adequado, praticamente inexistente no mercado nacional; os custos de aquisição de caixas, estojos ou capas protectoras, consoante os tipos de suporte; o comprometimento da conservação preventiva dos documentos, quer pelo manuseio de materiais justapostos, ora rijos ora flexíveis, quer pelo menosprezo às condições especiais de acondicionamento que alguns suportes requerem, nomeadamente quanto a uma temperatura ambiente diferenciada. Enquanto a maior parte dos documentos deve ser mantida a uma temperatura constante entre os 19º e 21º C, já as películas (fotografia, vídeo, microfilme) devem ser mantidas a uma temperatura constante de 15º C aproximadamente. Embora os diferentes tipos de suporte estejam fisicamente separados entre si, com cotas igualmente diferenciadas, a organização integrada é mesmo assim assegurada, de modo virtual, no catálogo bibliográfico automatizado, através do correcto controlo das formas autorizadas de nome de autor, de assunto e de classificação, bem como pelo preenchimento, quando necessário, dos campos «488» (ligação entre registos) e «500» (título uniforme) no formato UNIMARC. Consequentemente, é decisivo garantir o acesso irrestrito ao módulo de pesquisa do catálogo bibliográfico (não confundir com a base bibliográfica, cujo acesso é reservado aos professores bibliotecários), pois este é justamente o seu objectivo principal. Daí advém a importância do catálogo colectivo da Rede Concelhia de Bibliotecas Escolares. Por fim, não será demasiado reiterar que, na biblioteca de livre acesso, é essencial o uso de um bom sistema de sinalização para a orientação do utilizador. Esta sinalização pode ser afixada no solo (direccional), painéis, paredes e tecto, e, relativamente às estantes ou outro mobiliário destinado à armazenagem de documentos, em porta-títulos de topo, laterais e de divisões. Desaconselha-se, no entanto, a sua utilização maciça, no sentido de evitar a poluição visual. Caso não se preveja a utilização de chapas metálicas, existem no mercado fitas adesivas com

Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares / 2006

78/79

protuberâncias, próprias para a sinalização direccional, adequadas aos utilizadores com deficiência visual. O tema da arrumação de documentos muito provavelmente será retomado em textos que futuramente serão elaborados e apresentados sobre organização e dinamização de bibliotecas.

CONCLUSÃO
Procurou-se, no presente texto, falar de tudo um pouco ou lançar pistas sobre as fases do tratamento documental, enquadrando-as, quando possível, no contexto das bibliotecas escolares, sendo constante a preocupação de evitar juízos de valor ou de prescrever metodologias. A decisão sobre as propostas apresentadas, incluindo as que dizem respeito ao catálogo colectivo que a BMDD, através do SABE, pretende gerir, cabe exclusivamente aos órgãos directivos dos estabelecimentos oficiais de ensino de Odivelas, que, para os assuntos directamente relacionados com as bibliotecas escolares, se assim o entenderem, poderão designar os professores bibliotecários como interlocutores directos no estabelecimento e manutenção de contactos, que se prevê sejam vários, com os funcionários afectos ao SABE, nomeadamente no decurso da automatização dos catálogos bibliográficos de cada biblioteca escolar e do catálogo colectivo da Rede Concelhia de Bibliotecas Escolares. Cumpre aqui apresentar agradecimentos especiais à Dr.ª Gina Rafael, da Biblioteca Nacional de Lisboa, e ao Dr. Stephen Rice, da Biblioteca Estadual de Connecticut, cujo apoio prestado demonstra a importância de que se reveste a cooperação interbibliotecas e entre os profissionais da área. ♦ Para solicitações de esclarecimentos, marcação de reuniões, comentários, críticas e sugestões, é favor estabelecer contacto através do endereço electrónico: Julio.Nogueira@cm-odivelas.pt.

BIBLIOGRAFIA TÉCNICA BÁSICA
Blanc-Montmayeur, Martine; Danset, Françoise – Lista de Cabeçalhos de Assunto para Bibliotecas. Lisboa: Caminho, 1999. Faria, Maria Isabel; Pericão, Maria da Graça – Dicionário do Livro: Terminologia Relativa ao Suporte, ao Texto, à Edição e Encadernação, ao Tratamento Técnico, ... Lisboa: Guimarães, 1988. Faria, Maria Isabel; Pericão, Maria da Graça – Novo Dicionário do Livro: Da Escrita ao Multimédia. Lisboa: Círculo de Leitores, cop. 1999. IFLA. UBCIM – Names of Persons: National Usages for Entry in Catalogues. München [etc.]: K. G. Saur, 1996. IFLA. Steering Group for an Authorities Format – UNIMARC/Autoridades: Formato MARC Universal para Registos de Autoridade: Versão Provisória. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1989. Portugal. Biblioteca Nacional. Área de Classificação e Indexação – SIPORbase: Sistema de Indexação em Português: Manual. 3.ª ed. rev. e aumentada. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1998. Portugal. Ministério da Cultura – CDU: Classificação Decimal Universal: Tabela de Autoridade. 3.ª ed. abrev. Lisboa: Biblioteca Nacional, 2005. Portugal. Ministério da Cultura – Manual UNIMARC. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1999. Portugal. Ministério da Cultura – Recomendações para a Construção de Registos de Autoridade de Autor Pessoa Física. 2.ª ed. Lisboa: Biblioteca Nacional, 2005. Portugal. Ministério da Cultura – Regras Portuguesas de Catalogação - I: Cabeçalhos; Descrição de Monografias; Descrição de Publicações em Série. 3.ª reimp. Lisboa, Biblioteca Nacional, 2000. Obs.: A maior parte desta bibliografia pode ser encontrada, sob a rubrica «Publicações Técnicas», na página http://www.bn.pt/livraria/livraria-pub-tecnicas.htm da Biblioteca Nacional de Lisboa.

Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares / 2006

79/79

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful