Quando a arte brinca de “pega-pega” com os jogos da memória

No dia 10 de novembro de 2011 assistia ao jornal do canal de televisão francoalemão ARTE. Quando eu vejo uma reporta em a respeito de uma instala!ão controvertida "ue #avia sido censurada em $erlim. % acontecimento foi em torno da e&posi!ão 'T(r an T(r) *olen + ,eutsc#land. 1000 -a#re .unst und /esc#ic#te' 0*orta 1 *orta) 1000 anos de arte e #ist2ria3 do 4useu 4artin /ropius-$au. A proposta curatorial procurava marcar uma reapro&ima!ão entre a *ol5nia e a Aleman#a6 pa7ses "ue mantiveram #istoricamente rela!8es de tensão. %u seja6 seria uma e&posi!ão em "ue a curadoria confundir-se-ia com os projetos de rela!8es diplom9ticas entre os dois pa7ses: 1 A arte en"uanto potente narrador da #ist2ria. A curadora Anda Rottenber 26 pretendia entender a constru!ão;desconstru!ão e as continuidades;descontinuidades dos discursos elaborados #istoricamente a respeito desta rela!ão milenar entre Aleman#a e *ol5nia. Neste caso podemos perceber "ue esta e&posi!ão < monumento6 lo o meio de celebra!ão6 "ue evoca nas passa ens da #ist2ria os momentos de pa= e de uerra entre os dois pa7ses. Talve= estejam buscando nos tra!os do passado as e&peri>ncias de solidariedade e de boa vi=in#an!a6 sem dei&ar de lado as marcas das tens8es. A arte como ferramenta da #ist2ria) documento;monumento6 escreve narrativas6 ele e para o tempo presente outras lembran!as. Afinal) ?@an pasado sesenta A siete aBos A unos d7as desde a"uel 1C de septiembre de 1DEE en "ue tropas alemanas destruAeron el *alacio Real de Farsovia #asta sus cimientos mientras sofocaban fero=mente el #eroico levantamiento del Ej<rcito de la *atria *olaca. Feintid2s aBos #an pasado desde "ue desapareci2 el tel2n de acero en Europa A veinte desde "ue el Ganciller alem9n @elmut .o#l A el *remier de *olonia -an .r=As=tof $ielecHi firmaran6 el 1I de junio de 1DD16 el ?Tratado de buena Fecindad A Gooperaci2n Amistosa entre la RepJblica Kederal de Alemania A la RepJblica de *oloniaL6 cuAa versi2n ori inal se e&#ibe como parte de
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« La casa de exposiciones Martin-Gropius-Bau y el Palacio Real de Varsovia han proyectado juntos la exposición que se ha ateriali!ado en el arco del pro"ra a internacional de cultura de la Presidencia polaca del #onsejo de la $nión %uropea para el a&o '(11) %l proyecto ha sido supervisado* en cuanto a contenidos* por un consejo cient+,ico consultivo enca-e!ado por el Pro,esor ./adys/a0 Bartos!e0s1i) La curadora je,e es 2nda Rotten-er"* historiadora del arte polaca que ya ha sido curadora de nu erosas exposiciones de reno -re internacional y diri"ió durante uchos a&os la Galer+a 3acional de 2rte Moderno 4ach5ta en Varsovia 6) 7n8http899000)-erliner,estspiele)de9de9a1tuell9,estivals911:"ropius-au9 "-:,r!:ita:span9 "-:pro"ra :spa9'(11: "-:pro"ra :span9 "-11:polen:span)php) ' historiadora e crítica de arte. Entre 1993 e 2000, foi diretora da Galeria Nacional de Arte Zachęta em Varsó ia e c!radora do "a ilh#o $olon%s na &ienal de Vene'a. (oi mem)ro da A*+A *nternacional $or m!itos anos e com c!radora de ,rias e-$osi./es de arte $olonesa e de arte da E!ro$a +entral.

G#ama-se ?$ereHL "ue tradu=indo para o portu u>s seria ?pe a-pe aL6 fa=endo referencia a uma brincadeira de crian!as. No entanto6 a forma de construir rela!8es com a mem2ria não são em nada #armoniosas. E o motivo estava relacionado aos usos dos lu ares de mem2ria. Tratou-se de um forte esfor!o de escavar nos ar"uivos6 a partir dos trabal#os da mem2ria6 remoendo as tens8es entre lembran!as e es"uecimentos com o objetivo de mostrar6 ao fa=er uso de um patrim5nio cultural6 "ue e&iste uma #eran!a comum entre os dois pa7ses "ue estão para al<m das #ostilidades. as pessoas compreenderam que trata-se de um ato de censura. Estes 1000 anos de #ist2ria6 arte e pol7tica narrados a partir de objetos6 documentos e obras de arte selecionados contaram com a presen!a dos presidentes dos dois pa7ses na noite de abertura6 no dia 2M de setembro6 evidenciado a sua importNncia. = <p) #it) http899000)-erliner. como comemorar um evento e que conhecem o único meio de manter a memória coletiva. % lu ar de mem2ria e a brincadeira6 as formas de participa!ão do patrim5nio6 o respeito 1 mem2ria das vitimas do na=ismo6 psicoterapia para falar dos traumas6 controle6 . pois pode vir a ser desacreditada. esta é uma decisão arriscada.la e&posici2n en 4artin-/ropius-$au. Tr>s semanas depois da abertura da e&posi!ão6 a video-instala!ão '$ereH' do artista polon>s Artur OmijePsHi foi censurada6 erando disc2rdia. No calor da #ora6 a ima em < cortada e aparecem os di=eres "ue e&plicam "ue o filme foi feito em uma cNmera de a= de um campo de concentra!ão. E a medida em "ue as pessoas vão se envolvendo com a brincadeiraQ o movimento torna-se mais 9 il e a cNmera entra no jo o6 acompan#ando de perto a dinNmica do momento. a questão é saber por queLE6 responde Artur OmijePsHi ao rep2rter do jornal televisivo.estspiele)de))) >?radu@ao inhaA . *ara apresentar aos seus contemporNneos "ue e&istem outros momentos e a!8es "ue precisam ser lembrados. No v7deo aparecem #omens e mul#eres de diferentes idades6 "ue vão entrando aos poucos em um porão Jmido e frio6 os primeiros e&pressam esta sensa!ão de frio ou de um corpo tenso6 friccionam as mãos e fa=em um breve a"uecimento. ? Eles se consideram pessoas respeitáveis que sabem como manter a memória. A obra em "uestão data de 1DDD.L M %bservamos "ue < o tratado de boa vi=in#an!a e coopera!ão amistosa o documento c#ave e6 talve=6 o erador da necessidade de #aver pes"uisas no campo da #ist2ria "ue mostre e6 sobretudo6 e&pli"ue "ue esta rela!ão entre os dois pa7ses < anti a6 como demostra a e&posi!ão6 < milenar. Gome!a o jo o com risos e uma certa lentidão6 o en"uadramento ainda esta distante dos jo adores.

Não < autori=ado o riso.il -usuniety-!-0ysta0y-0Berlinie*arty1uly*1. Talve=6 a brincadeira de pe a-pe a na cNmera de a= pudesse ser interpretada como uma maneira de #omena ear as crian!as "ue foram vitimas. w tym w USA i wielokrotnie w Niemczech !raca ta nig"y "ot#" nie wzbu"ziła po"obnych prote$t%w 6 in8 http899000). % "ue si nifica brincar de pe a-pe a em uma cNmera de a= de um campo de concentra!ão na=ista: Reria a brincadeira ou a nude= o desrespeito 1 mem2ria das vitimas do na=ismo: ?Ninguém me disse em que esse vídeo é ofensivo L comentou Anda Rottenber 6 na mesma reporta em. *or "ue nesta situa!ão politica esta obra foi compreendida como ofensiva: *or "ue esta obra não foi vista como objeto de refle&ão: Artur desloca o documento #ist2rico6 no caso a cNmera de a=6 altera na lin#a interpretativa o lu ar politico da tra <dia. inclusive nos E#$ e na $lemanha% &%%%' nunca havia suscitado protestos semelhantes(U. *or "ue era necess9rio retir9-lo da mostra ?*orta 1 *ortaL: T um v7deo de 1DDD6 "ue tem uma trajet2ria de no minimo de= anos de circula!ão6 Anda ? observou que !ere" foi mostrado em todo o mundo.manuten!ão e conserva!ão da mem2ria6 direito ao es"uecimento6 sacralidade6 morte6 monumento < documento.B'(1*1)ht l .a1t)pl9Pols1i-. Neste momento6 o artista atua de #istoriador.iar os consensos e acordos que or"ani!a e apa!i"ua a vida) 2o e -aralhar os te as e as atitudes que a cada lu"ar e o ento ca-e no ca po do poss+vel* a arte aponta para a possi-ilidade do novo e tece a sua própria pol+tica) 6 7n8 http899000)!ona ix)co )-r9cultucando9'(119119'B9cc-n--a-re-exposicao-co -o-ras-de-artur-! ije0s1i9 H «Rottenberg zauważyła.o pressuposto de que ais do que dar visi-ilidade a i a"ens e ideias criadas e outras partes* a arte G capa! de* a partir dela es a* desa. Não6 se undo normas culturais6 o lu ar de uma tra <dia6 posto "ue < sa rado6 não < lu ar de brincadeiras. As per untas de Artur partem do presente) "uem decide como devemos nos relacionar com a mem2ria: Gomo e por"u> #9 um controle dos usos e das formas de operar mem2rias: Quais são as possibilidades de vida diante da mem2ria da dor: T valida a manuten!ão de uma Jnica narrativa: T preciso reconstruir os espa!os6 resinific9-los para pens9-los e viv>-los de outra maneira: %u6 seria mesmo a mel#or escol#a resistir ao es"uecimento: % "ue si nifica viver no pa7s ou na cidade6 ao lado dos campos de concentra!ão na=istas: Qual < a for!a ou peso destes testemun#os na vida cotidiana das pessoas6 entre lembran!as e es"uecimentos: Estas problem9ticas foram potenciali=adas com o B « 2 ostra inte"ra o projeto Pol+tica da 2rte* iniciado e '((C* na Dunda@Eo Foaqui 3a-uco* so. *ensa o monumento no presente6 o situa nos jo os dos poderes contemporNneos. że "Berek" był pokazywany na całym świecie. Remove padr8es culturais de comportamento diante da morte6 das vitimas e6 dos assassinos. Quem decide o lu ar do sentimento na lembran!as de uma dor6 lamento coletivo: Afinal6 "ual < a proposta provocadora de Artur: Ao mesmo tempo em "ue o seu v7deo-instala!ão < retirado do 4useu 4artin /ropius-$au o podemos ver replicado na internet e em e&posi!ão em uma sala do Gentro Gultural $anco do Nordeste na cidade de Kortale=a6 nordeste do $rasil S.

% trabal#o de Artur não foi pensado para falar da"ueles "ue atuaram ou foram vitimas do na=ismo6 a sua refer>ncia est9 direcionada ao presente6 aos vivos. Garolina Ruoso) /raduou-se em @ist2ria pela Vniversidade Kederal do Gear9 0VKG3 e neste per7odo participou do Waborat2rio de 4useolo ia do 4useu do Gear9 0WA4V3. E pes"uisa) ?A cria!ão de um museu de arte) son#os e tens8es na institucionali=a!ão de um campo das artes em Kortale=a6 Gear96 $rasil 01DE0 + 1DD03L. . No ano de 200D atuou como diretora da /aleria Ant5nio $andeira. E < aluna do doutorado em @ist2ria da Arte na Vniversit< *aris 1 *ant#<on-Rorbonne6 com orienta!ão do professor .omini"ue *oulot.r. . Gursou o 4estrado no *ro rama de *2s-/radua!ão em @ist2ria do Norte e Nordeste da Vniversidade Kederal de *ernambuco 0VK*E3 onde desenvolveu a pes"uisa "ue resultou no livro ?% 4useu do Gear9 e a lin ua em *o<tica das coisas6 01DI1-1DD03L publicado pela Gole!ão ?%utras @ist2riasL editado pelo 4useu do Gear9 em 200D.v7deo ?$ereHL e eraram desconfortos na estão pol7tica das mem2rias do #olocausto. E <6 neste ponto preciso6 "ue Artur OmijePsHi toca no tema do #olocausto fa=endo a critica ao espet9culo da mem2ria.