Universidade Estadual de Campinas

Instituto de Economia

Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (UNICAMP-IE-NEIT) Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC) Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP)

ESTUDO DA COMPETITIVIDADE DE CADEIAS INTEGRADAS NO BRASIL: impactos das zonas de livre comércio

Coordenação Geral do Projeto: Luciano G. Coutinho (NEIT-IE-UNICAMP), Mariano F. Laplane (NEIT-IEUNICAMP), Nelson Tavares Filho (MDIC/SDP), David Kupfer (IE-UFRJ), Elizabeth Farina (FEA-USP) e Rodrigo Sabbatini (NEIT-IE-UNICAMP)

Campinas, Março de 2003

em especial acordos Mercosul-União Européia e ALCA. O objetivo de reduzir os déficits setoriais já muito elevados e/ou ampliar os superávits comerciais das cadeias competitivas tem como norte a necessidade de sustentação de um saldo comercial elevado (i. é consenso a necessidade de geração de expressivos superávits comerciais como condição imprescindível à sustentabilidade macroeconômica. um amplo debate sobre a retomada de políticas industriais ativas no país. Em primeiro lugar. Critérios que atendessem à importância da cadeia para a corrente de comércio do país e ou à relevância para o tecido industrial brasileiro permitiram selecionar 18 cadeias produtivas. De maneira geral. Portanto. de modo a explorar oportunidades e ou reduzir as ameaças impostas pela perspectiva de incremento da liberalização comercial. quais seriam as ações políticas mais relevantes para que cada cadeia e o conjunto da economia pudessem alcançar posições competitivas mais avançadas. igual ou superior a 3% do PIB) nos próximos anos de tal modo a assegurar a solvência intertemporal das contas externas do país. a saber.2 Objetivos Foram dois os principais objetivos que nortearam este estudo. especialmente aqueles específicas à cada cadeia produtiva. este objetivos foram plenamente atingidos. procurou-se descrever. . cada documento gerado apontaria as ações específicas necessárias para o desenvolvimento competitivo das cadeias. com será visto adiante. Com efeito. Em segundo lugar. procurou-se avaliar quais seriam os impactos que novas rodadas de liberalização comercial.e. Nota metodológica A metodologia adotada procurou privilegiar a confecção de análises setoriais específicas. Complexo Saúde e Biotecnologia aplicada ao agronegócio que foram escolhidos pela importância para o desenvolvimento tecnológico do país. imporiam à estrutura industrial do país. sucintamente. desta forma. através da redução do déficit em transações correntes de modo a permitir que a taxa de juros doméstica possa se reduzir irreversivelmente. relançando. Para cumprir este objetivo considera fundamental a retomada de políticas de competitividade que aliem instrumentos de política industrial e de política de comércio exterior. As exceções ficam para dois segmentos. a partir de uma análise sobre a situação competitiva de 20 cadeias industriais brasileiras. conduzidas por especialistas acadêmicos brasileiros em cada uma das vinte cadeias previstas.

sobre desempenho recente da cadeia no mundo e no Brasil. Foram também utilizados dados da PIA-IBGE e diversas outras fontes específicas a cada cadeia. sobre impactos na estrutura produtiva da cadeia em um cenário de nova rodada de liberalização comercial. Sempre que possível. incrementando assim suas oportunidades e ou reduzindo suas ameaças potenciais. destaca-se o uso de bancos de dados de comércio exterior da SECEX1. em especial com países que participam da negociação da ALCA e com a União Européia. especialistas e instituições envolvidas Cadeia Automobilística Bens de Capital Biotecnologia–Agronegócios Biotecnologia-Complexo da Saúde Café Cerâmica Cítricos Construção Naval Cosméticos Couro/Calçados Eletrônica de Consumo Farmacêutica Informática Madeira/Móveis Papel e Celulose Petroquímica Plásticos Siderurgia Tele-equipamentos Têxtil/Confecções Consultor (Instituição) Fernando Sarti (NEIT-IE-UNICAMP) Roberto Vermulm (USP) John Wilkinson (UFRRJ) Carlos Gadelha (Fiocruz) Maria Silvia Maccioni Saes (USP) Galeno Ferraz (UFRJ) Marcos Neves (USP) João Carlos Ferraz (UFRJ) Renato Garcia (Poli/USP) Achyles Barcelos (UNISINOS) Mauro Thury V. Sá (UNICAMP) Jacob Frenkel (UFRJ) José R. sobre dados brasileiros de comércio exterior da cadeia. e. por fim. 1 As posições do sistema harmonizado (NCM-SH) que formam os dados de comércio de cada cadeia foram propostas pelos especialistas. Dória Porto (NEIT-IE-UNICAMP) Márcia Azanha (USP) Maria da Graça D. e o consultor que executou a análise. Fonseca (UFRJ) João Furtado (UNESP) Maria Carolina Souza (NEIT-IE-UNICAMP) Germano M. o especialista deveria executar um termo de referência. contendo sobretudo reflexões sobre as tendências e o padrão competitivo (inclusive tecnológico) da cadeia.3 O Quadro 1 abaixo descreve as cadeias estudadas. sobre um conjunto de recomendações de ações políticas que reforçassem a competitividade da cadeia. da ONU. Por isto. da UNCTAD. Quadro 1 – Cadeias estudadas. . ressaltando a heterogeneidade institucional de especialistas. além de informações sobre tarifas. também da UNCTAD (Trains). certos dados agregados podem apresentar divergência com outras fontes. de Paula (UFU) Rafael Oliva (CELAET) Victor Prochnik (UFRJ) Quanto às fontes de dados quantitativos. sobre o grau de proteção comercial praticada no Brasil e contra os produtos brasileiros.

IPEA. ofertados pelos estudos setoriais resumidos na seção seguinte. por dados primários e secundários. com grau de detalhamento mais intenso. por sua vez. São Paulo. MRE. estas últimas obtidas em mídia especializada e entrevistas com lideranças empresariais. FINEP. Rio de Janeiro e outras cidades. prescindiu-se de metodologias econométricas – que utilizam modelos de equilíbrio geral e parcial e procuram estimar impactos de redução tarifária. diferentes equipes do IPEA vinham trabalhando justamente nestes modelos. cabe ressaltar que cada um dos trabalhos foi acompanhado durante sua execução e após seu término por diversos técnicos do governo (MDIC. Esta opção por uma análise mais qualitativa e menos embasada por técnicas estatísticas. MCT. o que. tanto para a negociação comercial. com os resultados dos efeitos microeconômicos. . Além disto. INMETRO. entre outros) e por lideranças empresariais e sindicais. Desta forma. permitiria uma mais fácil adaptação dos resultados a uma ação de política mais seletiva. conforme o caso. pretendeu esmiuçar características específicas de cada cadeia. porém. Antes. principalmente por informações qualitativas. cuja conclusão permitiria uma comparação entre os resultados macroeconômicos da liberalização. inclusive em dois seminários públicos realizados. BNDES. estimados por esta análise econométrica. e. em Brasília. quanto para ações de incremento da competitividade.4 Qualquer uma das análises deveria sempre estar embasada por referências bibliográficas nacionais e estrangeiras.

91 52. com cerca de 1% das exportações mundiais destes mesmos segmentos.19 64. 3 Soja. Do ponto de vista comercial. 63% das exportações e 67% das importações do país.44 53. linha branca. aeronaves.19 % Importações Brasileiras 51. Biotecnologia e Construção Naval.189 282. carnes.14 51.76 % Exportações Brasileiras 69.031 283. bebidas.8% ao ano entre 1996 e 2000.17 % Empresas Estrangeiras em (A) 35. e Informática. não ferrosos. neste conjunto de cadeias. Todas as outras cadeias cresceram menos que a média e ou retraíram suas vendas. o que significou um ligeiro acréscimo da participação das cadeias no total da indústria brasileira.16 69.00 50. Destaca-se aqui o movimento de desnacionalização da indústria brasileira no período. Ainda que importantes ausências sejam sentidas3 a representatividade do conjunto não é desprezível. Conforme discutido anteriormente. representaram uma corrente de comércio de US$ 71 bilhões em 2001.80 69.15 65.882 % de (A) no total da Indústria brasileira 50.76 51. . álcool. Telequipamentos. vale destacar que as exportações destas 18 cadeias brasileiras contribuíram.66 67.98 64. para um resultado deficitário de cerca de US$ 4. acompanhando a média do país nos últimos anos. uma vez que.514 310.09 * R$ milhões constantes de 2000 (IPA-industrial) Fonte: NEIT-IE-UNICAMP a partir de IBGE-PIA e SECEX A Tabela 2 mostra que cresceram acima da média do total da indústria (2. a participação de empresas estrangeiras no faturamento cresceu de 36% para cerca de 52%. Siderurgia.00 52.10 64. em 1999. sendo que as duas últimas representam ainda menos de 5% do total do faturamento. as cadeias estudadas2 representavam em 2000 cerca de 53% do faturamento da indústria brasileira.71 63.77 51. Tabela 1 – Síntese do desempenho recente de 18 cadeias industriais brasileiras Faturamento* (A) 1989 1996 1997 1998 1999 2000 268.9 bilhões neste ano. O faturamento deste grupo de 17 cadeias industriais cresceu em termos reais cerca de 3.86 47. isto é. etc.84 62. No entanto. açúcar.8% aa) apenas as cadeias Automotiva. a prevalência de superávit com o Mercosul e 2 Por questões metodológicas excluiu-se da presente síntese os segmentos de Complexo Saúde.5 Um esforço de síntese Desempenho agregado das cadeias estudadas Como a Tabela 1 mostra abaixo.335 308.88 71. nota-se também aqui a assimetria dos fluxos comerciais brasileiros.

em 2001. China. Tailândia e Taiwan.9 4.0** 31. descritas na Tabela 3 abaixo.2 12.2 % Empresas Estrangeiras * 86. sobretudo) e significativamente superavitária.0** 66.2 4. Filipinas.0** 72.4 0.9 1.2 35.7 0.8 * % m 2000 ** Estimativa Fonte: NEIT-IE-UNICAMP a partir de PIA-IBGE Se as cadeias estudadas forem agrupadas segundo o saldo acumulado no período 19962001.0** 51.3 4.9 3.7 37.1 1. distribuindo assim os quase US$ 118 bilhões de resultados negativos das 10 cadeias deficitárias em 44% para a UE e 31% para o Nafta. têm déficits maiores com a UE do que com o NAFTA. não sanadas pela forte pressão concorrencial representada pela abertura unilateral com apreciação cambial em boa parte dos anos 90. encontraremos o mesmo perfil assimétrico. Indonésia.5 40. Destaca-se também a cadeia automobilística (autoveículos e autopeças).8 65. Singapura. Coréia do Sul.0** 15.0** 60. Malásia.4 6. fortemente deficitária com a UE (em autopeças. além de bens de capital mecânicos. 4 Hong Kong. As cadeias deficitárias.6 ALADI (excluindo México).4 1. Com exceção da Cadeia de Têxtil e Confecções (que inclui algodão).9 1.07 0.9 60.5 2.6 53. reconhecidamente setores industriais com deficiências competitivas.9 0. não apenas na distribuição geográfica do saldo. de pequeno déficit com NAFTA e de grande déficit com UE e “Ásia”4.1 90. mas também no volume de déficit e ou de superávit. com o Nafta.0** 22.6 4.2 2. Japão. todas estas cadeias fazem parte do complexo químico e do complexo eletrônico.1 3.4 50.00** 19. Tabela 2 – Importância de 18 cadeias no faturamento da indústria brasileira e de empresas estrangeiras em cada cadeia % no Faturamento da indústria* Automotiva Petroquímica Bens de Capital Siderurgia Têxtil Transformados Plásticos Papel e Celulose Telequipamentos Farmacêutica Madeira e Móveis Couro e Calçados Cosméticos Informática Bens Eletrônicos de Consumo Citrícola Naval Cerâmicas de Revestimento Café Total Selecionadas 9.2 8.5 39. .

238 -6.210 -9. como a siderurgia.995 -3.751 -29.829 * Inclusive Mercosul.472 11. destacam-se cadeias que já eram competitivas desde os anos 80.350 1. é importante ressaltar que muitos dos resultados comerciais.221 -6.130 -8.903 Aladi* 3.626 2. .767 2.388 6.566 -7.341 -17.210 1.596 -19.872 1. Também neste caso.056 -730 -782 -3. oferta de matérias-primas.560 7.779 5. como no caso de cadeias intensivas em escala.913 531 419 46 2.341 -6.329 -23.730 2.051 24. custo de energia e de mão-de-obra) ou construídas. Cadeias superavitárias tiveram sua competitividade natural incrementada por políticas setoriais ativas5 até pelo menos os anos 80.471 16.529 4.522 -12.221 -6.678 -13.903 Aladi* 240 769 3.715 -16.235 UE -493 -1.272 -376 1.193 -16. ou nos acasos ainda não analisados.566 NAFTA -166 -1. como aeronáutica e soja.522 -12.086 6.826 -13.882 -5.177 -3.769 1.702 13.829 * Inclusive Mercosul. apresentados por estas cadeias são resultado da política econômica de períodos anteriores.322 -26.566 NAFTA 7. pela retração dos preços internacionais (cadeias do agronegócio e de mineração).045 -5.6 bilhões (ver Tabela 4). aqui estudados.627 -32.131 489 520 2 8.318 Total Brasil -19.515 24. em alguns casos.914 406 -14 20.483 193 1. 5 Como nos casos da siderurgia e do setor de papel e celulose.235 UE 10. graças às vantagens naturais (clima.932 -122 93 28.376 -51.119 7.302 -5.837 -90 551 1.931 6.001 5.318 Total Brasil -19.330 -13. mas também tiveram seu desempenho exportador prejudicado pela valorização cambial do período 1994-1999 (o caso de couro e calçados é paradigmático) e.562 -425 -809 -6.097 -36.036 443 84. positivos e negativos.7 Tabela 3 – Cadeias deficitárias em 1996-2001: saldo acumulado em US$ milhões Cadeia Cosméticos Plásticos Automobilística Têxtil-Confecções Eletrônica de Consumo Telequipamentos Farmacêutica Petroquímica Informática Bens de Capital Total Deficitárias Total 18 Cadeias Total -426 -1. exclusive México Fonte: NEIT-IE-UNICAMP a partir de SECEX As demais 8 cadeias estudadas aportaram um superávit comercial acumulado pelo período 1996-2001 da ordem de US$ 84. exclusive México Fonte: NEIT-IE-UNICAMP a partir de SECEX Sem a pretensão de exaurir a análise a partir destas informações.530 -32.108 -23.282 2.767 2. Tabela 4 – Cadeias superavitárias em 1996-2001: saldo acumulado em US$ milhões Cadeia Siderurgia Café Couro-Calçados Cítricos Celulose e Papel Madeira-Móveis Cerâmica Naval Total Superavitárias Total 18 Cadeias Total 37.044 -117.

Como será visto a seguir. nestes casos a presença de empresas multinacionais.e eletrônico (que explicitou o abandono de políticas setoriais claras. agregando assim ainda mais dificuldade para a condução de políticas que têm como meta a geração de consistentes superávits comerciais. como a Lei de Informática) representariam situações típicas. . química (inclusive farmacêutica) e automobilística.8 Os resultados deficitários também são função das características da cadeia produtiva no Brasil – sabidamente ainda menos competitivas do que países desenvolvidos – mas também espelham a ausência de políticas específicas. considerados como vetores fundamentais para a retomada do desenvolvimento da economia brasileira. Ou seja. Neste caso. as cadeias do complexo químico – envolvidas num longo e não coordenado processo de reestruturação pós-privatizações . tanto de liberalização comercial gradual quanto de desenvolvimento industrial. Além disto. a reestruturação microeconômica defensiva e com alto índice de desnacionalização patrimonial. estimulou fortemente as importações de componentes de cadeias como as eletrônica. a prevalência de comércio intra-firma e o emprego de estratégias de global sourcing lançou novo problema para a diminuição dos saldos comerciais: a menor sensibilidade das importações à tarifas e câmbio vis-à-vis o crescimento econômico. as políticas de liberalização dos anos 90 estimularam o aumento da elasticidade-renda das importações e ampliaram o papel das empresas estrangeiras nos fluxos comerciais.

optou-se pela criação de uma tipologia que relacionasse. por outro. em elos diferentes ou não. desta forma. importantes elos do setor papeleiro têm sérias deficiências competitivas. Do ponto de 6 Por exemplo. graças ao primeiro pressuposto. Ou seja. . devem ser considerados como um dos mais importantes vetores de desenvolvimento econômico ao assegurarem sustentabilidade às principais variáveis macroeconômicas. por conseqüência. por um lado. só para citar um exemplo de combinação possível na configuração de um segmento industrial. tendem a ser competitivas. Em segundo lugar. na Cadeia de Celulose e Papel. deve-se reconhecer que prevalece a heterogeneidade competitiva: podem ser encontradas em uma mesma cadeia. nas novas rodadas de liberalização nenhuma cadeia se defrontará exclusivamente com oportunidades ou ameaças competitivas. tanto grandes empresas fortemente competitivas e atualizadas tecnologicamente. esta simbiose entre política comercial e política de desenvolvimento industrial é considerada fundamental para a geração de superávits comerciais consistentes. Nestas cadeias. um agrupamento pelo desempenho comercial em 2001. em especial aqueles em negociação. agrupar as cadeias por seu grau de competitividade. quanto pequenas empresas descapitalizadas e não competitivas. um maior grau de desenvolvimento industrial (inclusive tecnológico) e. No Grupo 1. nem sempre a barreira encontrada pelos produtos brasileiros é tarifária. mais uma vez. e. São em geral superavitárias no período 1996-2001 e. Como foi discutido. Estes.9 Foco de análise: efeitos da liberalização x prioridades de políticas Em uma tentativa de sintetizar mais de 2000 páginas de resultados. o que sugere uma negociação mais ampla do que apenas discutir a redução de tarifas. uma melhor inserção qualitativa na ordem competitiva mundial. encontram-se cadeias que se defrontariam com menores ameaças dada a liberalização prevista. a prioridade da política negociadora é garantir maior acesso a mercados externos. objetivando. parte-se do pressuposto que a posição negociadora do Brasil e as políticas de competitividade devam ser empreendidas com a meta de gerar saldos positivos (e/ou de reduzir déficits) na balança comercial de cada cadeia. privilegiando. Dois foram os pressupostos que nortearam esta tentativa de agrupamento. além disto. respeitando-se a heterogeneidade6. os tipos de políticas prioritárias para cada cadeia. a intensidade prevista dos efeitos (ameaças e oportunidades) de novas rodadas de liberalização. Evitou-se também. Em primeiro lugar. Por esta razão.

prevalecem cadeias em que oportunidades e ameaças são localizadas e ou se anulam. entre outras. Celulose e Papel. e onde predomina o comércio intra-firma. no Grupo 4 encontram-se cadeias que participam intensamente da corrente de comércio. No Grupo 2. Encontram-se neste grupo importantes segmentos da base industrial (Bens de Capital Seriados e Petroquímica). mas que sofreu forte desindustrialização nos anos 90. por exemplo. De qualquer forma. Neste caso. Isto é. desenvolvimento tecnológico (produtos e processos) e apoio a cooperação inter-firmas (entre nacionais e ou destas com as estrangeiras) são essenciais para a superação ou a forte redução destas deficiências competitivas. a ação negociadora e as políticas de competitividade devem ser mais seletivas e precisas. pró-diferenciação de produtos (marcas e design. potencialmente competitiva (dado o acesso privilegiado a matérias-primas). Cítricos). por exemplo). não emergindo qualquer prioridade entre elas. de certificação ambiental (Madeiras). No Grupo 3. Encontram-se neste grupo as cadeias do agronegócio (Café. de heterogeneidade comprovada (no tamanho e na competitividade das firmas). Não são necessariamente sensíveis à novas rodadas de liberalização. Deveriam ser empreendidas sólidas políticas de competitividade para reduzir tais deficiências durante o prazo de maior proteção. diferenciação via marcas e distribuição comercial (Cosméticos). Ações como reestruturação patrimonial (promover concentração e saneamento financeiro). a prioridade da política de negociação é postergar ao máximo a desgravação tarifária. mas este . estão as cadeias que têm sérias deficiências competitivas – por razões diversas – e que são cronicamente deficitárias. por exemplo em Cosméticos e Móveis). políticas pró-internacionalização. mas forte geradora de empregos. prevaleceriam ações que reforcem posições competitivas já alcançadas. Neste caso. sobretudo no que tange a agregação de valor nas exportações (via diferenciação de produtos) e no apoio a internacionalização de empresas. Encontra-se também a Cadeia de Têxtil e Confecções. ou são pouco tradeables (Cerâmica). outra cadeia bastante heterogênea.10 vista da política de competitividade. certos segmentos da indústria têxtil – de grandes empresas integradas e com alto índice de mecanização – são bastante competitivos. como Siderugia. sempre deficitárias. seja por deficiências tecnológicas. a cadeia de Transformados Plásticos. De fato. Finalmente. uma vez que são mais dependentes. próreestruturação patrimonial e fundiárias/ambientais (Madeira) deverão ser empreendidas. especialmente para melhorar e ou controlar a distribuição nos mercados externos (via marcas próprias ou redes. mas convivem com outros segmentos – em especial confecções – com deficiências competitivas. os fluxos comerciais continuam dependendo da posição competitiva de cada cadeia. seja pelo alto grau de informalidade. intensivas em mão de obra (Couro e Calçados) e intensivas em escala. seja pela escala produtiva e patrimonial deficiente. além da Cadeia de Construção Naval.

uma política de negociação que priorize o adiamento da desgravação tarifária. têm ênfase em Defesa. as mais ameaçadas. Isto significa que a prioridade de política é uma negociação que promova o aumento da relevância da filial local na estrutura mundial das empresas e que. as cadeias do Grupo 2. imponha significativa retração dos déficits de cada cadeia. . agrupadas pelo saldo comercial em 2001 e pela tipologia acima descrita. Tais estratégias. definem o desempenho comercial da cadeia. Entram em cena as estratégias das empresas estrangeiras que controlam estes setores. manutenção de políticas de conteúdo local e ou de comércio administrado. Por exemplo. acesso a mercados e políticas de apoio ao desenvolvimento tecnológico continuam sendo muito relevantes. permita alcançar superávits comerciais ou. Adiamento da desgravação. desta forma. pelo menos. tomadas de acordo com a importância conjuntural e estrutural da filial brasileira na rede corporativa. mas serão tão ineficientes quanto menor for a capacidade de negociação com as empresas estrangeiras. ordenando graus de prioridade de cada ação política (de Negociação ou de Competitividade) por cadeias. assim como prioridade em políticas de competitividade para a superação da condição pouco competitiva das cadeias. isto é.11 condicionante não é o único nem o mais relevante. O Quadro 2 abaixo tenta resumir esta tipologia.

por tipos e cadeias Política Comercial Bens de capital Naval Petroquímica Plásticos Têxtil/confecções Política Industrial Capital Estrangeiro Acesso Defesa Promoção Modernização Reestruturação Quadro 2c – Grupo 3: Mapa de prioridades de políticas. Farmacêutica Informática Teleequipamentos Relevante Muito Relevante Fonte: ver texto acima Prioritário Política Industrial Capital Estrangeiro Acesso Defesa Promoção Modernização Reestruturação .12 Quadro 2a – Grupo 1: Mapa de prioridades de políticas. por tipos e cadeias Política Comercial Cerâmica Cosméticos Madeira e Móveis Política Industrial Capital Estrangeiro Acesso Defesa Promoção Modernização Reestruturação Quadro 2d – Grupo 4: Mapa de prioridades de políticas. por tipos e cadeias Política Comercial Automobilística Eletrônica Cons. por tipos e cadeias Política Comercial Café Celulose e Papel Cítricos Couro e Calçados Siderugia Política Industrial Capital Estrangeiro Acesso Defesa Promoção Modernização Reestruturação Quadro 2b – Grupo 2: Mapa de prioridades de políticas.

Ressalte-se que o esforço de síntese apresentado abaixo mascara involuntariamente a heterogeneidade competitiva da indústria. extensão de preferências para outros países/regiões e. Ameaças Antes de descrever as tipologias propostas para o caso das ameaças. mas também situações de acesso limitado a mercados externos. Exposta a esta nova e forte pressão competitiva. tributação onerosa e infra-estrutura precária). certas cadeias produtivas encontrariam dificuldades endógenas para reagir positivamente. . conforme já discutido anteriormente. no limite. fragilidades sistêmicas (especialmente financiamento escasso e caro. a saber. C) extensão das preferências para outros países/regiões anulando as vantagens que beneficiariam as empresas brasileiras. reconhecendo-se. constrangimento agravado do Balanço de Pagamentos e do desemprego). de antemão. a saber. se faz necessário ressaltar que os efeitos aqui discutidos levam em conta não apenas o caso mais geral. casos em que as negociações para integração comercial falhariam completamente. que podem ser percebidas pela leitura atenta de cada uma das Notas Técnicas do estudo.13 Foco de análise: oportunidades e ameaças Num esforço de síntese procurou-se agrupar as oportunidades e ameaças que cada cadeia enfrentaria em um cenário futuro de hipotética liberalização comercial acelerada. A) aumento significativo de importações oriundas do NAFTA e/ou da UE. deficiências tecnológicas marcantes e baixa capacidade de inovação. provenientes dos EUA e do Canadá.g. No primeiro caso se coloca a ameaça de um significativo incremento das importações oriundas dos parceiros das duas integrações comerciais previstas que têm maior desenvolvimento industrial. A rápida desproteção tarifária do mercado brasileiro evidenciaria importantes diferenciais competitivos em relação a estes parceiros mais desenvolvidos. é preciso compreender que cada cadeia tem peculiaridades marcantes. potencializando assim efeitos macroeconômicos negativos (e. São identificados quatro conjuntos de ameaças. o que certamente provocaria aumento significativo das importações. a perspectiva de liberalização comercial acelerada ou imediata. as limitações impostas por esta tentativa. além do risco de ocorrência de processos de desindustrialização e de desnacionalização. B) forte redução das exportações para a América Latina. isto é. D) deslocamento de Investimento Direto Estrangeiro do Brasil para outros destinos concorrentes. quase sempre condicionados por escalas (empresariais e produtivas) ineficientes. exclusive o México. Pretendeu-se aqui sintetizar estes efeitos. ou seja.

A estas cadeias mais expostas. Além disto. que é de 21. é preciso considerar que o potencial de ganho de acesso a mercados a partir da desgravação tarifária continental será quase sempre muito menor do que o risco potencial de aumento de importações. Assim. podem ser citadas as demais cadeias do complexo químico estudadas (Farmacêutica e Cosméticos). Conforme Tabela 5 abaixo. sejam aqueles em que o foco de política é seletivo (Grupo 3). além de uma negociação direta com as empresas estrangeiras. Não por acaso. em alguns casos o mercado da América do Sul é muito relevante para as exportações das cadeias. Têxtil e Confecções e Couro e Calçados. Têxtil-confecções. O segundo conjunto de ameaças seria materializado na perda de market share das exportações brasileiras nos mercados da América Latina. Se o objetivo da atuação estatal for o de garantir elevados superávits comerciais – para isto lançando mão de políticas que reduzam as deficiências competitivas das cadeias já deficitárias – fica ainda mais evidente que para estas cadeias ameaçadas se faria necessário adotar uma estratégia simultânea de adiamento da liberalização comercial combinada com sólidas políticas industriais. e de elos da cadeia de Celulose e Papel e de Madeira e Móveis. sob a TEC7. vale ressaltar que os estudos concluíram que a imensa maioria dos produtos comercializados pelo Brasil enfrentam barreiras tarifárias significativamente menores do que aquelas praticadas pelo Mercosul. Ou seja. . podem ser agregadas cadeias dos outros grupos.14 As cadeias mais ameaçadas por aumentos de importações são aquelas já identificadas como mais dependentes de sólidas políticas de competitividade e de estratégias de negociação para defesa da proteção. Cadeias com importante presença de empresas estrangeiras. especialmente no Agronegócio. cadeias fortemente ameaçadas como Plásticos. da Automobilística.11%). como a Siderurgia. Bens de Capital e Petroquímica (Grupo 2) encontram importante espaço para suas vendas externas nos países vizinhos da América Latina. petroquímica e transformados plásticos (Grupo 2). do complexo eletrônico. os países da ALADI (exceto México) representam 25. Com efeito. São elas: bens de capital. Automobilística e Eletrônica de Consumo também destinam parte significativa de suas exportações para a ALADI. 7 Exceções podem ser encontrados nos produtos vendidos para o México e em picos tarifários no estadunidenses e canadenses. como Farmacêutica.51% das exportações das 18 cadeias estudadas (acima dos resultados do total Brasil. sejam aquelas em que prevalecem políticas de negociação com multinacionais (Grupo 4). Outras cadeias enfrentam importantes barreiras não tarifárias.

94 1.86 42.14 0.45 35. as filiais brasileiras poderiam perder seu status enquanto “centrais de distribuição” para os países da América do .00 50.21 3. Isto pode ocorrer porque segmentos brasileiros com menor capacidade competitiva – mas ainda assim exportadores para os vizinhos da América do Sul – enfrentariam diretamente seus congêneres do norte. assim. perderiam importantes mercados exportadores.26 42. levará a uma perda de espaço das exportações brasileiras das cadeias acima citadas. Se a liberalização continental reorientar as estratégias das multinacionais. portanto. acumulado 1996-2001 Cadeia Plásticos Têxtil-Confecções Cosméticos Informática Telequipamentos Automobilística Farmacêutica Petroquímica Bens de Capital Cerâmica Total 18 Cadeias Celulose e Papel Total Brasil Eletrônica de Consumo Madeira-Móveis Siderurgia Couro-Calçados Café Cítricos Naval % Aladi* 62. dado o elevado diferencial competitivo ante os parceiros mais desenvolvidos. provavelmente.95 25. Esta concorrência direta com empresas mais competitivas.51 23. na disputa por mercados agora liberalizados.15 Tabela 5 – Brasil e cadeias selecionadas: participação das exportações para ALADI. o que aumentará a pressão competitiva nestes mercados e.45 47.10 38. um elevado grau de correlação entre o primeiro tipo de ameaça (aumento da pressão competitiva) o segundo tipo (ameaça de perda de espaço exportador nos países latinoamericanos). poderá resultar em perdas comerciais para as empresas brasileiras de menor competitividade que. ainda.17 58.80 * Inclusive Mercosul. este segundo grupo de ameaças atingiria cadeias que também estavam ameaçadas pelo aumento de importações.11 19. que uma liberalização comercial continental no âmbito da ALCA pode levar a um aumento das exportações dos EUA e do Canadá para os mercados latino-americanos. Os estudos caso a caso indicam. exclusive México Fonte: NEIT-IE-UNICAMP a partir de SECEX Há. Assim.86 9. mais competitivos.60 9.91 11.88 38. da mesma forma que o primeiro grupo de ameaça acima descrito. Este mesmo risco está presente em cadeias controladas por empresas multinacionais.93 21.91 38.

Estas ameaças recaem sobretudo nas cadeias do Grupo 1. a integração comercial nas Américas pode promover uma alteração nas estratégias das empresas multinacionais que têm filiais produtivas no Brasil. aguçado o risco de ocorrência de uma indesejável e onerosa “guerra fiscal” no âmbito continental. por exemplo. mas não o único). Como já foi discutido. Neste caso. que. que é de probabilidade não desprezível. destaca-se a possibilidade de haver um deslocamento de investimentos produtivos do Brasil para outros países da América Latina (o México é o maior candidato. China (Têxtil e Confecções e Calçados). a partir de outras bases locacionais inclusive em países que lhes ofereçam incentivos fiscais e financeiros diferenciados. Reflexos deste hipotético deslocamento poderiam ser sentidos no aumento das importações e na retração das exportações. Finalmente. vale ressaltar que os efeitos potenciais de criação de comércio para as cadeias mais competitivas dos países do norte podem ser tão mais intensos quanto mais emperradas forem as negociações entre Brasil e EUA para a criação da ALCA. Com efeito. Neste caso. o que implicaria em reduções das exportações brasileiras destas cadeias. e. seriam discriminadas em benefício das empresas norte-americanas. uma vez que o comércio intraregional seria liberalizado. o acesso das cadeias brasileiras aos mercados mais relevantes não seria preferencial.16 Sul. Por fim. da produção e de empregos em cadeias como Automobilística. justamente as que têm maiores oportunidades para ampliar suas vendas para EUA. além de menos competitivas. Seria. portanto. Equipamentos de Telecomunicação. Farmacêutica. O terceiro conjunto de ameaças é composto por um perigo específico: o risco dos mercados mais importantes da ALCA e da UE estenderem as preferências comerciais oferecidas ao Brasil e demais países sul-americanos para terceiros. tende a prevalecer a estratégia americana de proliferação de acordos bilaterais EUA-demais países. poderiam não se viabilizar plenamente as oportunidades de ganho comercial. Canadá e UE. Estas cadeias poderiam deixar de se aproveitar da nova rodada de liberalização se os países demandantes estendessem as preferências para. o que tornaria a penetração das exportações oriundas do norte da região ainda mais deslocadora das exportações brasileiras. neste caso. Dentre estas alterações. Vietnã (Café) ou Coréia do Sul e Japão (Siderurgia). Neste caso as matrizes poderiam centralizar tal tarefa. sobretudo para concorrentes importantes na Ásia. tais empresas poderiam operar com menores custos sem prescindir do importante mercado brasileiro. assim. . entre outras. no último conjunto podem ser reunidas as ameaças relacionadas ao desvio de investimentos diretos estrangeiros (IDE). Além disto.

. mesmo nos segmentos/cadeias mais competitivos. Na cadeia de Couro e Calçados e Têxtil. como é o caso das cadeias de Café. Dificilmente as divergências em relação a este tema serão resolvidas no âmbito de acordos regionais de comércio. não obstante a alta competitividade da produção nacional. Este conjunto de ameaças está correlacionado com a tipologia de cadeias reunidas no Grupo 4 acima. duas características gerais podem ser destacadas em relação às oportunidades que poderiam surgir com o êxito dos acordos com a ALCA e com a UE. Com efeito. os estudos também contemplaram uma identificação das oportunidades existentes em cada cadeia. É importante ressaltar que nas cadeias do agronegócio. Por serem cadeias cujos produtos já são competitivos. particularmente no caso da ALCA. Em primeiro lugar. o que constituiria uma das mais graves ameaças para este grupo de cadeias. fica evidente a heterogeneidade de situações seja entre segmentos dentro de uma mesma cadeia. Cítricos e Siderurgia. em futuras negociações no âmbito da OMC. devendo ocorrer. O risco de deslocamento de investimentos explicitaria a perda de relevância de filiais já instaladas e a menor atratividade para novos projetos. Em segundo lugar. destaca-se a percepção de que. Em um esforço de sintetizar a detalhada análise técnica realizada pelos consultores. que envolvem difíceis negociações na fase de implementação dos acordos e/ou implementação de ações políticas de melhoria da competitividade de cada cadeia e da economia como um todo. a melhoria do acesso dos produtos ao mercado europeu e americano dificilmente se daria de maneira expressiva com a assinatura dos tratados regionais. já que novos investimentos viriam em menor volume para o Brasil. a liberação do comércio de produtos agrícolas continua pendente na OMC desde a Rodada Uruguai e encontra forte resistência por parte dos países desenvolvidos. Oportunidades Conforme mencionado. as oportunidades descritas estão submetidas a condições diversas. seja entre as cadeias de cada grupo descrito. em que a prioridade da ação política recai especialmente sobre a necessidade de coordenar esforços para aumentar a importância da filial brasileira de empresas estrangeiras. além do acesso aos mercados desenvolvidos.17 seriam disponibilizados menores recursos para a conta de capital do balanço de pagamentos do país. outrossim. As cadeias nas quais existem as melhores possibilidades de expansão das exportações são aquelas já descritas no Grupo 1. o aumento do comércio dependeria quase exclusivamente da redução das barreiras não tarifárias existentes tanto na UE quanto no mercado norte-americano. o aumento das exportações estaria condicionado à garantia de preferência tarifária em relação aos concorrentes asiáticos. Papel e Celulose.

Neste caso. deflacionado pelo IPA setorial. Cosméticos. listar o grau de proteção vigente – no Brasil e enfrentado por nossas exportações. a necessidade de negociação direta com as corporações é pré-condição para a melhoria do perfil de comércio. Encontram-se também os resultados dos modelos macroeconômicos realizados pelo IPEA-RJ (equilíbrio geral) e pelo IPEA-Brasília (equilíbrio parcial). as ameaças imediatas superam as oportunidades potenciais. Contudo. Devem ser considerados para estimar a participação da cadeia no faturamento da Indústria. Telequipamentos e Bens Eletrônicos de Consumo. Neste sentido. Informática. procurando: quantificar importância e desempenho recente de cada cadeia8. a realização dessas possibilidades é improvável no curto prazo. Podem divergir de agregações oriundas de outras fontes em cada um dos estudos individuais.18 Um outro grupo de oportunidades está relacionado ao potencial aumento das exportações de produtos de empresas multinacionais presentes no Brasil. Nestes casos. . elencar os principais impactos das zonas de livre comércio em discussão na estrutura e no desempenho da cadeia. Trata-se de cadeias em que o principal condicionante de um aumento de exportações reside no comércio intra-corporativo e depende da estratégia das empresas multinacionais que aqui atuam. apontar brevemente a capacidade competitiva da cadeia. via aumento das exportações e substituição de importações. Neste caso a melhoria do comércio é condicionada fortemente por uma decisão das matrizes em delegar às filiais brasileiras uma posição relativa mais favorável enquanto plataforma de exportação. conforme discutido. Este é claramente o caso das cadeias de Cerâmica. a possibilidade de aumento da exportação dentro dos novos acordos comerciais serviria como forma de superar a limitação do mercado nacional (e regional). Madeira e Móveis e Plásticos. Essa é a situação das cadeias Automotiva. uma vez que são essas as cadeias que possuem maior déficit de competitividade. tais como a Petroquímica e os Bens de Capital. Nas demais cadeias as oportunidades de melhoria do volume das exportações são limitadas e dependem mais de políticas de desenvolvimento da competitividade do que propriamente do acesso a mercado via redução de tarifas. principalmente para os EUA e para a Europa. Farmacêutica. Os acordos de comércio também oferecem oportunidades potenciais para as cadeias nas quais a escala de produção representa um fator importante para a sua expansão. onde a presença de subsidiárias de multinacionais é expressiva. 8 Dados de faturamento são uma estimativa da PIA-IBGE. Síntese dos resultados por cadeias No arquivo Caderno ECCIB encontram-se breves resumos de cada uma das cadeias estudadas (com exceção de Biotecnologia-Agronegócios).