João Jose Gremmelmaier

Ano 2435
Primeira Edição
Curitiba / Paraná Edição do Autor 2010

Autor: Edição do Autor

João Jose Gremmelmaier Ano 2435

Nome da Obra: As opiniões contidas no livro são dos personagens, em nada assemelham as opiniões do autor, esta é uma obra de ficção, sendo os nomes e fatos fictícios. É vedada a reprodução total ou parcial desta obra. Sobre o Autor; João Jose Gremmelmaier nasceu em Curitiba, Paraná, Brasil no ano de 1967, formou-se em Economia e atuou como microempresário por mais de 15 anos. Escreve em suas horas de folga como hobby, alguns jogam, outros viajam, ele faz tudo isto, mas não abre mão de ficar a frente de seu computador, viajando em estórias, e nos levando a viajar com elas pelo mundo da fantasia. Autor de Obras como a série Fanes, Guerra e Paz, Mundo de Peter, Heloise e Anacrônicos, as quais se assemelham no formato da escrita, por começarem como estórias aparentemente normais, e logo partem para o imaginário utilizando recursos que interligam de forma sutil e inteligente as diversas estórias entre si, fazendo com que o leitor crie um certo grau de curiosidade em relação as demais estórias. CIP – Brasil – Catalogado na Fonte Gremmelmaier, João Jose Ano 2435, Romance de Ficção, 325 pg./ João Jose Gremmelmaier / Curitiba, Pr / Edição do Autor / 2010 1. Literatura Brasileira – Romance – I - Titulo 85 – 0000 CDD – 978.000

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Gostaria de agradecer a todos que me incentivaram a escrever, a pensar e ser quem sou, nunca duvido da mão de Deus na minha vida, mas não esperem entender meu Deus, ele é meio estranho mesmo! J.J.

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Inicio
Estou a caminhar, o ano é 2435, esta cidade não para de crescer, mais da metade do pais já mora nela, muitos falam dos anos em que o pais era um continente, hoje já nem tão grande, nasci num pais que fora invadido nos anos de 2200 por muitos malucos, muitos fugitivos, muitos sonhadores, entre quais meus pais, vieram de uma região que diz a historia, foi já muito rica e produtiva, mas a muito que nações como Holanda, Dinamarca, Letônia, Finlândia, Hungria, Irlanda, foram sumindo nos últimos 200 anos. O mar sobe agora mais calmamente, mas chegou a subir no meio da crise polar, de degelo, 22 metros em um ano, foi no ano de 2254, o caos tomou o mundo, se viu países inteiros entrando em guerra por espaço, e no deserto do Saara surgir cidades inteiras, de nações que nunca existiram ali, mas tomaram espaços a força, falam de um tempo, que tínhamos um vizinho ao sul chamado de Uruguai, e um a oeste chamado Paraguai, a Argentina ainda sobrevive as montanhas, muitas áreas produtivas do mundo sumiram, uma das maiores nações do mundo, a antiga Rússia da época do comunismo, perdeu mais de 60 por cento de suas terras, para as águas, cidades gigantes foram mudadas de lugar na china onde o topo dos grandes prédios de Xangai viraram atração turística, a quase 200 km a dentro do mar, a Austrália quase dividida ao meio em duas grandes porções de terra, que os antigos diziam ser uma só, o mapa do mundo se alterou, dizem que numa floresta que havia entre o Brasil e o norte dos Andes, perdeu—se com muitas plantas e animais sem ao menos estudarmos eles, a vida quando falamos do passado, é algo estranho, não imagino como seria estas florestas, temos imagens de péssima qualidade, não são tridimensionais, as cores parecem muito exageradas, o passado parece sem graça, mas insistem em nos ensinar, quero ir aos Palácios de Jogos, exercitar a mente em jogos alucinantes, e não em livros de papel, parece que não tinha a menor graça este mundo do passado, outra coisa, nem 5

consigo imaginar, falam em fabricas, vemos em filmes mais ruins ainda, onde as pessoas trabalhavam com suas mãos, tolice, querem nos impressionar; Dizem que este mês teremos um grande evento de Jogos e aprendizados, musica e energia, dizem que alucinógenos no passado eram proibidos, falam que até os naturais como a maconha era proibido, hoje o governo incentiva o plantio até nas sacadas mais altas, embora ache que lá em casa nunca vai nascer, os ventos vindos do mar, são muito fortes; Moro em uma cidade no Brasil, cidade de São Paulo, vivo no centro, 32 milhões de habitantes só na cidade, as cidades anexas como Barueri, já somam mais de 6 milhões, falam que cidades como Rio de Janeiro, já foram 200 metros a baixo, mas estão a planejar o subir mais da cidade, não sei para onde, já que esta metrópole se estende entre três pólos, Belo Horizonte, São Paulo, e a Nova Rio, nunca me canso de conhecer esta cidade, ela é linda, imensa, e não me imagino em um dos campos de produção industrializado, dizem que somos um pais de sorte, pois embora tenhamos perdido parte do território, ganhamos em muito em terras produtivas, países como nós e os Estados Unidos viramos refugio de milhões de povos, falava de meus pais que moravam na Holanda, a Nova Holanda, tomada da Mauritânia a força, a mais de um século, gerou as guerras daqueles anos, hoje cultivam ao deserto, tiram o sal da água do Mar distante, a energia atômica virou regra, diziam que os países tinham carros a combustão, deveria ser uma fumaça só, não sei como não viram que iríamos passar por isto, será que os humanos não eram tão inteligentes aquele tempo, ao ponto de ver o que iria acontecer, e nada fazer? Os campeonatos de dança e jogos, a muito dominam os meus domingos, sabe que quando estou com o meu grupo, de 125 pessoas, dançando, me esqueço do colégio, das coisas chatas, dos aborrecimentos, parece que estou em outro mundo; Eu estava dançando e parei, aqueles olhos me pararam, não sei por que, mas ela parou e tive sensação se ser para mim, 6

no meio de tantos, os demais me cutucaram e me perdi no passo, o sorriso dela não foi de condenar, foi de apoio, e mesmo tentando me achar no passo não consegui, quando prestei atenção no passo novamente perdi ela de vista, foram muitos pegando no pé, eu havia errado a coreografia que eu mesmo tinha feito, olhei em volta e não vi a moça, fiquei a pensar quem era, e por mais que tentasse, os domingos por dois meses, procurei aqueles olhos e não os vi; Esqueci, meu nome é João, eu tenho 16 anos, todos vividos nesta megalópole de 175 milhões de habitantes, que consideram os campeonatos de dança, um tipo de distração, mas ainda estão tirando sarro de mim, não sei como vou ao futuro, mas a universidade de engenharia me chama, dizem que tenho boas notas e uma bolsa de estudos para os melhores em dança, virou tradição, não entendo nada de alguns esportes do passado, que diziam ser populares neste pais, a mais de 400 anos, mas é muito tempo para lembrar; Eu fui ao mega-shopping e me deparei com a turma, Cezar, Paulo e Carina, que sempre encontram comigo na lanchonete Monster, coisas naturais, e vi aqueles olhos sentados a mesa, a falar com Cezar e não acreditei, parei a frente deles, os cumprimentei, e a menina falou; — Prazer Paula! Minhas palavras não saíram, pensei como estava fazendo papel de bobo e ela falou; — Não falou seu nome! — João! — Apenas João? — Apenas, tenho nome de um tataraneto, uma tradição de família, então melhor só João! — Tem medo do passado? — Não parece possível as historias que contam! — Não parece, por que? — Tem gente que diz que trabalhávamos com as mãos! 7

Paula pensa que o menino era bonitinho e perguntou; — Este sotaque é holandês? — Sim, o seu parece local! — Mas não é, é de uma cidadezinha nos Estados Unidos! — Onde? — Não ouviu falar menino! — Não vai dizer que veio de uma cidade de campo, nunca fui a uma, as vezes parece meio triste viver ao campo, sem a agitação! — Você acha que estes alucinógenos, fazem o que, além de uma sensação fraca de felicidade! — Acho divinas elas! — Não tem idéia do que é divino, menino! Eu olhei para ela, estava todo bobo, uma menina com aqueles olhos verdes, bonita falando comigo, podia até discordar dela e não mandou eu a bicas, era como chamavam as entradas destes lugares, sinônimo de entrada e saída, quer mandar alguém embora, manda a bicas, e ela se irrita, quando discordei dela, pensei que mandaria—me a bicas, mas quando pensei isto, ela falou algo que Cezar olhou para a moça e depois para mim; — João, se lhe mandar a bicas, me interne! Eu sorri sem graça, mas por que ela disse aquilo, não entendi, Carina olha para nós meio sem graça e Paula falou; — Desculpe menina, estou atrapalhando? — Não, é que acho estranho a forma que os três lhe olham! — Carina, eles se fazem de homens, mas ainda não aprenderam o básico! — E o que é o básico? — Sexo é o básico, Carina, mas eles ainda são virgens, eu prefiro a alucinógenos, mas eles falam de mais e fazem de menos! 8

— Sabe que regem muito os nascimentos, desde que surgiram os imortais, eles nos excluem, nem sei como são, as vezes acho que eles não existem, pois nunca vi um! — Acho que eles são horríveis, pois ninguém viu um, por que eles não se mostram, se fossem bonitos, ou inteligentes! — Uma boa pergunta, mas o que ensinam aqui sobre imortais? – Pergunta Paula; — Dizem que vieram do interior da terra, e tomaram as terras na Europa na terceira década deste milênio, mas os relatos falam de gigantes, os vídeos mostram grandes guerreiras, mas não mostra guerras, e sim, tentativas e estratégias! – João; — Eu gostaria de conhecer imortais, e você? – Paulo que depois do cumprimento falou a primeira vez; — Eu acho que conheço alguns, mas como saber, na minha terra, dizem que eles são como nós, sem diferença! — Dizem que são geneticamente diferentes! – João; — Alguns, outros na mesma genética, mas sem envelhecimento, estão tentando ver qual a seqüência genética que os permite envelhecer lentamente! – Paula; — Não acredito nisto, Paula! – João; — Esta quase conseguindo menino, mas quer saber, imortais não são o problema, sabem que toda a historia do degelo, foi inventada, pois como alguém vai assumir que fizeram besteira a mais de 300 anos! — Você acha que não foi um degelo natural? — Não foi natural, e deve ter sido uma imensa correria, pois pense em o mar subindo quase 2 metros por mês, quando começou, a tendência foi primeiro tentar deter, quando viram os diques da Holanda virem serem inundados, 500 mil mortes em uma noite trágica, as pessoas acordaram que não tinha mais volta, quando a água do mar começou invadir grandes rios, matando peixes, tubarões surgindo em rios a 100 km do mar, já 9

era tarde, não teriam tempo de reagir, e começaram as guerras por terra, mas não pode ter sido natural! — E o que poderia ter sido? — Não sei, ou se sei, não posso provar, ou se posso provar não posso dizer, e se pudesse saber, provar e dizer, de que me adiantaria, é passado mesmo! – Paula; — Mas acha que foi o que? Paula olha os demais e fala; — Alguém diz para ele que o assunto esta chato? Carina sorriu e falou; — Não de corda ao João para este tipo de assunto, ele se perde em indagações sobre o passado, e não para, ele geralmente é quem manda as meninas embora do grupo! – Carina; — E você Carina, do que gosta? — Gosto de dança, balada e musica eletrônica! — Só disto? – Paula; — Não, gosto também do pessoal aqui, e de alguns alucinógenos! Eu tomei mais um alucinógeno, uma injeção na altura do pescoço e ouvi a menina falar baixo; — Hot, Hot — e mexer com a mão; Vi tudo em múltiplas corres, nunca havia experimentado um alucinógeno como aquele, vi a minha frente como se a menina estivesse nua, dançando para mim, tentei pegar o papel para anotar a coreografia, mas nada consegui, e quando voltei ao normal, Carina e a menina não estava mais na mesa, e Paulo perguntou; — O que houve, João! — Por que? — Você parece ter viajado longe, ficou estático ai mais de meia hora, qual a marca deste alucinógeno, amigo, parece do bom! 10

— O de sempre, mas fiquei quanto tempo? — Mais de meia hora! — E onde foi a menina? — Ela conversou um pouco e arrastou Carina para perto daqueles rapazes lá ao longe! – Paulo aponta e olho a menina, que olhava para um rapaz mais velho, deveria ter minha idade, vi Carina a olhar para o rapaz, e pergunto a Paulo – Por que tenho a impressão de conhecer aquele rapaz? É de algum grupo de dança? — Não sei, mas também tive a impressão de o conhecer, mas não sei de onde! Ouvi Cezar falar; — Ele é um imortal, lembra que a menina falou que conhecia alguns! — Um imortal, como sabe? – Perguntei; — Vocês conhecem o rosto dos retratos tridimensionais dos livros de historia, Peter Carson! Olhei incrédulo, tínhamos um imortal na mesa e perguntei; — Ela disse de que cidadezinha dos Estados Unidos ela era? — Não, mas lá eles conhecem mais imortais, e aquele não parece um ser feio, por sinal, Carina esta babando por ele! – Cezar; — Ele além de tudo é rico, pelo que sei! – Paulo; — Não sei por que alguém quer ser rico? – Respondi, mas o grupo em volta da menina era grande, e tinha me dopado no lugar de a dar atenção, mas por que viajei tão profundo naquele momento, não entendi, a mesa do rapaz, estava cheia, e quando olhei para Cezar, ele estava estranhando o comportamento de Carina, e viu o rapaz a beijar, ele ficou perdido, quis partir para uma confusão, mas olhou os seguranças, estavam sempre bem atentos, locais daqueles eram bons para viajar, sair da real, e falei para ele; 11

— Ela volta amigo, sabe disto! — Não tinha de a disputar com alguém rico! Olhei para lá e Paula me olhou, e quando viu que estava bem, veio com duas meninas de nossa idade, deixando lá Carina, que beijava o menino que deveria ter mais de 400 anos, estranho isto, alguém nos livros de historia que eu achava não serem reais, estava na mesa a 30 metros; — Paulo, esta é Pietra, e esta Sharon! Ela olhou para Cezar e falou chegando perto dele; — Acha que vai acontecer o que lá? — Eu gosto dela, menina! Vi a menina, ela era linda, beijar Cezar, e ele meio perdido, parou de olhar a outra e olhou nos olhos da moça, e falou; — Não sou bom como você disse em sexo! — Lhe ensino, Cezar! Não conseguia tirar os olhos da moça e vi a moça de nome Sharon, chegar ao meu lado e falar; — Gosta de olhar? Olhei para ela, meio perdido, ela pegou o alucinógeno, a mesa e vi se tornar em uma rosa, pensei se ainda estava viajando, pois não havia uma rosa ali, por sinal, em alguns países fora proibida a plantação delas, por que eu não tinha nem idéia, mas vi os lábios dela chegar aos meus, a que estava com Paulo já o beijava, e quando ela me beijou, senti os lábios carnudos, a moça beijou—me com vontade, com calor, e vi quando o ela afastou os lábios, o rapaz parado ao lado da mesa olhar para nós e perguntar; — Querem ir a uma festa diferente? — Diferente? – Cezar; — Ela lhe ama menino, não a vou tirar de você! – O rapaz falou encarando Cezar que falou; — Aceitamos o convite, mas quando? 12

— Estou com um voador a porta, podemos ir agora, se não estiverem ocupados! Levantamos e fomos ao voador do rapaz, vi os seguranças cumprimentarem o rapaz, eles nunca cumprimentam ninguém, dizem ser parte da profissão, mas quando vi o grande veiculo aéreo a porta, os seguranças da casa nos aguardavam entrar, muitos convidados, não era uma festinha, e não mais de 5 minutos, estávamos ao ar, e fomos a uma cobertura da Anhanguera, num prédio novo de mais de 100 andares, paramos na cobertura, e vimos as grandes caixas, e embora estivesse acompanhado da moça, não conseguia tirar os olhos daquela menina, Paula era o nome, mas por que achava—me atraído a ela, senti os lábios da moça me beijarem, vi que não tinha alucinógenos no local, a moça não tinha aquele olhar de quem estava dopada, estava sóbria, lúcida e me beijava, me deixei levar pelos beijos, vi ela me encostar em um sofá e tirar minha camisa, o bronze artificial era o mais moderno da cidade, para poder ter uniformidade na cor do grupo, eu vi ela tirar sua blusa, não era uma festa, era uma aula de sedução, e ela encostou seus seios no meu peito, e beijou— me com calma, vi ela afastar os lábios ao lado, e vi ela beijar um lábio ao lado, demorei para reparar que era Paula, me excitei ao ver as duas se beijarem, e vi Sharon tirar a blusa da menina e ela me beijar, deveria estar sonhando, para alguém aos 16 anos, virgem, não esperava ser assim minha primeira vez, e ouso as duas falarem; — Nós vamos com calma, João! As duas voltaram a se beijar, olhei para Cezar, ele estava com Carina aos braços, Paulo estava com a outra menina, e eu no céu, dois aviões ao sofá, e quando elas me possuíram, me deixei levar e quando acordei, depois de uma noite incrível, estava sozinho a cama, de meu alojamento, olhei em volta, pensei se foi uma alucinação, não podia saber, tinha babado na fronha, e olhei em volta, pareceu um sonho, mas meu corpo parecia ter o cheiro dela ainda; 13

Levantei e fui ao corredor, e vi uma menina a sair do quarto de Paulo, ela me olhou e fez sinal para não fazer barulho, sabia que aquela era uma região para rapazes, as grandes cidades, construíram prédios como estes para estudantes, na parte de baixo o colégio, e um quarto, não mais que cama e banheiro, para os alunos, vantagem é que a quantidade permitia um aluguel barato, dizem que antigamente se comia em casa, não vejo motivos para isto, por que despender tempo em algo tão sem sentido, Paulo me olhou e perguntei; — Como vim parar aqui? — João, amanha me paga, perdemos uma baita festa por você ficar totalmente grogue, pensamos que iria apagar, ainda bem que tinha uma moça que fez primeiros socorros, e nos deu uma carona até aqui! — E a menina? — Ela só veio me dar um beijo, mas acho que Cezar se entendeu com Carina! — Já era tempo dos dois saírem da defesa para o ataque, mas ainda não lembro como vim parar aqui, estava alucinado, achava estar com duas meninas, e de repente acordo em casa! — As meninas até tentaram algo, mas você apagou, uma delas chamou a moça que lhe atendeu, e achou melhor nos deixar no alojamento, não queriam problemas com menores, na festa deles! — Pelo jeito paguei o mico! — O micão! Entrei de novo e tentei dormir, não parecia ser verdade, mas sabia bem que alucinógenos causavam isto, eles ainda preferem estes efeitos aos auto índices de suicídio do século passado, quando uma leva de desespero tomou muitos países, e suicídio virou moda, estranho isto, nunca pensaria em tirar minha vida, mas os relatos diziam que muitos preferiam a isto ao futuro que se apresentava, as guerras do passado, depois o 14

grande gelar do inicio do milênio, depois soluções irresponsáveis, e mais guerras; Acordei e fui a aula, vi Cezar com Carina, a primeira vez desde que se olharam a primeira vez, os dois sorriram e Cezar falou; — O que aconteceu ontem amigo, apagou? — Não sei, alucinei, mas Paulo disse que atrapalhei a festa! — A dele com certeza, mas a nossa não, amigo! — Não entendi, estava bem e de repente tudo mudou, alucinei geral! — As vezes acontece, com você não acontecia, mas até os imunes um dia passam por isto, amigo! — Esta falando do que? — Tentou impressionar a menina e deve ter exagerado em algo, pois nunca vi alguém perder a cor daquele jeito! — Lembro de pouca coisa, mas sabe que aqueles olhos verdes podem mesmo ter me feito perder a compostura, mas da próxima vez me controlo! — João, lá as pessoas estavam sóbrias, estavam falando varias línguas, acho que você resolveu tomar alucinógeno por todos eles! – Carina; — Sóbrios, mas que graça teria a festa? — Não sei, a menina virou para você e disse que cuidava de você, ela estava falando de sexo, amigo João! – Carina; Ri, pois aquilo não fora alucinação, não o começo da conversa, mas me precipitei, e foram as aulas, muito chato, nunca fora de estudar muito, já tinha minha colocação de trabalho, era ser um aluno nota 7 e estaria empregado, em nada me valia uma nota maior, pois não tinha outro cargo para mim, se meus pais ainda estivessem vivos, mas nem isto, as aulas eram a mesma coisa, a parte de cálculos eu gostava, mas o resto, parecia historia sem sentido, aprender genética, para que se nunca passaria perto de alguém doente, ou com disfunção 15

genética, já que com o avanço da tecnologia se identificava isto na primeira semana de gestação e se induzia mutações genéticas para evitar problemas hereditários, dizem que houve um tempo que não era assim, mas por que não entendo, uma vez uma professora falou que a ética medica no passado não permitia, e não entendi, onde ética se encaixa em evitar que alguém nasça com problemas, que o geraram problemas durante a vida, eles falam que no inicio do milênio, paises que passavam os 80 anos de expectativas de vida eram tidos como paises evoluídos, acho difícil, pois hoje dificilmente morreremos antes dos 140 anos, somente se sofrermos um acidente, ou exagerarmos na dose de estimulantes, mas gosto disto, mas aqueles olhos verdes me pegaram mesmo, a queria ver de novo, mas achava difícil, fiz papel de bobo, fui querer impressionar e me dei mal; As festas de fim de ano estavam chegando, as tradicionais férias, este ano sobrara um pouco, e queria ver se passava em Buenos Aires, a famosa cidade flutuante, dizem ser agitada, mas como nunca fui a uma cidade flutuante, cidades destas, que tem não mais de 7 milhões de habitantes, devem ser bem calmas, mas queria conhecer isto, e sabia que Janeiro viria e iria a ela; Sexta acabou com uma festa no colégio, daquelas que eram mais controladas do que o normal, achava que o mundo não merecia festas em colégio, professores não sabem ensinar, estava uma chatice, mas quando vi, Paulo com a menina da semana anterior agucei os olhos, mas não vi nada, os demais foram dançar, se divertir e um rapaz parou a mesa e falou; — João Moreira se não me engano? — Sim, me conhece? — Passou mal na minha festa semana passada, não esqueço dos problemas! Olhei o rapaz, era o tal Peter Carson, ele estava nos livros de historia, nos de ficção, e a minha frente, não sabia o que perguntar e falei o que me pareceu idiota depois; 16

— Verdade que tem mais de 400 anos? O rapaz sorriu e falou; — Perdi a conta, mas se ver minha irmã por ai diz que quero falar com ela? — Sua irmã? — Paula Carson, sei que ela conversou com você a semana passada! — Ela é sua irmã? O rapaz não respondeu e saiu no sentido da festa e foi falar com algumas pessoas e Paulo parou ao lado com a menina; — Sozinho, o que esta acontecendo com o mais famoso galanteador de São Paulo? — Famoso, nada comparado a alguns! — Vi que o rapaz veio lhe falar, algum problema? Ia responder, mas me perdi naqueles olhos me olhando e vindo a mesa, e falei; — Não, nenhum problema, mas estou confuso! — Já? – Paulo; Olhei a menina com Paulo, quase perguntei quantos anos ela tinha, pois comecei a ligar a historia, mas parecia algo inimaginável, aquelas que se contava, mas não se sabia se era real e Paula chegou a mesa e falou; — Posso sentar? – Ela me olhou aos olhos com malicia e falei; — Seu irmão a esta procurando! Paula olha para trás e nem fala nada, e olha para mim; — Ele é chato assim mesmo, não estranhe? — Sabe que estou intrigado? – Falei fazendo sinal para ela sentar; — Intrigada estou eu, você me deixou sozinha a uma semana, como vai compensar o tempo que perdi com você? — Compensar? 17

— Sim, investi em você e quando vi estava sozinha numa festa que todos se arranjaram, espero não me deixar só hoje também! Ela foi direta, encostei na cadeira e guardei o alucinógeno no bolso, ela me pegou de jeito, o que falar, estava quase fugindo quando ela falou; — Não vai nem falar? Paulo riu e resolvi ir ao ataque, não sabia o que ganhava com isto, mas se continuasse naquele caminho, naquele patético caminho, não daria em nada, e perguntei; — Não sei se lhe devo nada menina, quer dizer, se não estou enganado, minha avó é mais nova que você! Ela me olhou, olhou Paulo e falou; — Espero que trate minha sobrinha com mais carinho que este aqui, Paulo! — Sobrinha? – Falei e engasguei , estava com Paula Carson a mesa, a menina mais encantadora que conheci, fui mal educado e vi ela se levantar e ir ao centro da festa e abraçar o irmão e por lá ficou, os dois depois de um tempo saíram juntos, e pensei no que havia falado e me calei, burro, se queria realmente a mandar embora, consegui, Paulo olhou para mim quando a menina os deixou e falou; — Esta doente, João? — Devo estar, acabo de jogar minha felicidade numa frase idiota, agressiva e discriminatória! — Você não esta bem, se recolhe, não esquece que amanha tem mais dança, e espero que não se perca no passo? — Se não olhar para as pessoas, não me perco, mas acabo de perder algo maior, acho que ... – ia me lamentar mas vi uma menina de minha idade, de minha sala e atravessei o salão e fomos dançar, se tinha uma coisa que sabia fazer era dançar, e me diverti um pouco, não me alucinei naquele dia, estava decepcionado comigo, a menina a frente sorria, e eu a beijei, normal ficar com alguém, as coisas que normalmente 18

me deixariam feliz em uma festa, mas não estava, a menina tinha me fisgado e eu tinha me recusar a ficar no anzol, agora com o queixo furado, parecia faltar algo, a festa foi acabando, deixei a moça na ala feminina e foi a minha cama, aquela noite me virei na cama, não conseguia dormir, muita coisa estava fora do lugar e como estava a pensar no que havia feito, me deparei com minha frase idiota e nem tinha o que discutir, a menina iria sair com outro e nunca mais a veria, se ela foi lá, talvez me dando uma segunda chance, me cobrando ficar com ela e no lugar disto, a fiz sair dali, com uma frase estúpida, não me conformava, e fiquei deitado até tarde, quase perdi a condução da tarde, que ia ao ginásio de apresentação, no cento de tudo encontrei o pessoal da dança, e lá estavam Cezar e Carina, Paulo com um sorriso e eu com cara de vamos dançar, pois já dancei mesmo; Quando adentro o Palácio de Cristal com meu grupo de dança, esqueço o mundo, a batida forte, com muitos gritos metálicos de cordas e sons estridentes, com uma batida que nos faz vibrar, dançar, alucinar os demais, este é meu mundo, onde esqueço que existe planeta fora daquele salão, o grupo começa, meias hora, acelera o ritmo, fazemos o fim da introdução e nos concentramos na perfeição, e no fim, com sorrisos, lagrimas e muita adrenalina, encerramos o movimento, e olho em volta, as pessoas aplaudindo, e quando saímos do salão, a menina do dia anterior me beija, deveria estar feliz, mas não era os lábios que desejava, mas cada um colhe os frutos que plantam, e vimos os outros 10 grupos se apresentarem, 20 horas de dança, e daí sim começa a festa para valer, as janelas do Palácio de Cristal escurecem e a musica toma o lugar, os salões laterais se abrem e mais gente vem para dentro, e as festas se arrastam, estava abraçado com Miriam, ela me beijava quando disse que estava longe, não podia mentir para ela, mas sabia que ela ficaria brava, estava prestes a jogar mais uma pela janela, ela saberia mais sedo ou mais tarde mesmo, mas a abracei; — Miriam, quem destes dançando mais lhe interessa? 19

— Esta me desprezando João? — Não, mas queria saber, sabe como é, não acredito que um cara como eu a fizesse feliz por muito tempo? — Esta achando-se pouco, João, você é o melhor dançarino do grupo, você é dos mais cobiçados da escola, você tem função determinada, a maioria nem isto tem! — Isto nunca entendi, por que alguns não tem função se eu tenho, nem sou tão grande coisa! — Dizem que você não estuda, mas sabe das coisas, tem gente que estuda e não sabe de nada, vi ontem aquele imortal lhe cumprimentar pelo nome, acha que os imortais cumprimentam qualquer um? — Não sei, nunca havia visto imortais antes! — Mas tem duas lhe olhando desde que estamos abraçados? — Tem? — Sim, uma de olhos azuis e uma de olhos negros! Logo atrás de nós! — Sabe que dizem que um parente muito distante, quando estas terras eram muito maiores, fez fortuna nestas terras, mas para mim é como muitas coisas, lenda, mas que para estes imortais, é ontem, e o que será sonho para nós, são o amanhã para eles, e quando não formos mais pó, eles ainda caminharam por estas terras! — Parece ter ódio deles? — Não acho certo, Miriam, como alguém pode viver só 140 anos, e alguns, viu o menino que me cumprimentou ontem? — Sim! — Dizem ter mais de 400 anos, e é uma adolescente ainda! — Vendo por ai, mas para que viver tanto, se nem temos o que fazer, imagine estudar o dobro? 20

— Deus me livre, mas eles mataram nossos deuses! — Não leve a ferro e fogo, por isto esta tão longe, vi a menina lhe dar bola ontem, dizem que pos a menina para correr, ontem duvidei, mas pelo jeito o fez, você é especial João, não se deixe enganar! — Mas não deveria os descriminar, não devo fazer com eles o que eles fazem com a gente, pois me igualo a eles! — Tem de acalmar! – Senti os lábios de Miriam me beijarem e fiquei ali, estava querendo achar uma desculpa, mas não tinha, eu me irritava mesmo diante de imortais, por que, não sabia, mas quando soube que a menina era irmã de Peter Carson, não consegui resistir; Miriam me olhou e falou; — As duas vem direto a você, quer que saia? — Não, acho que nem é comigo! — E se for? — Sabe que estou a fim de atravessar sua porta hoje, Miriam! — Olha que hoje até deixava, mas amanha iria me arrepender! João a beijou e viu duas moças sentarem ao lado de Paulo e falar com a menina; — Pietra, estamos preocupadas, o que esta fazendo? — Me apaixonando, o que mais? — Sabe que Peter vai ficar bravo! — Ele não pode me prender para sempre, estou chegando na idade de me acertar com alguém, por que ele não entende? — Sabe bem os planos dele! — Ele seguia os próprios planos, não os dos outros, ele vai querer me obrigar a algo! — Não, mas sabe que pode lhe mandar para Comptche novamente? 21

— Mãe, tem de relaxar um pouco, eles são só humanos querendo evoluir, depois que o pai brigou com Call, faz o que, 200 anos, parece que tudo virou problema para ele! Vi a menina, não parecia ter mais de 14 olhar para Paulo e falar; — Não entenda-me mal menino, mas não quero ver minha filha apaixonada por alguém que não estará aqui dentro de 120 anos, vi historias tristes de amores, ver quem se ama morrer é triste, mas o meu amor voltou, mas não gostaria disto para minha filha! Paulo somente neste momento se tocou do que deveria ter falado no dia anterior, que a menina era uma imortal, mas olhou serio para ela e falou; — Não sei seu nome, senhora? — Caterina! — Sei que posso não ser imortal, mas não existem casos de humanos que adquiriram a imortalidade? — Existe, mas a maioria não encara aquilo, que é o adquirir da imortalidade com naturalidade! — Por que? — Existem diferenças genéticas entre nossas espécies, na verdade não somos nem humanos e nem imortais, somos o que alguns chamam de Fanes, mas esta denominação não se encaixa na historia exatamente! — Não entendi! — Seu nome é Paulo, não é? — Sim! — Quando meu companheiro, fez o que fez, a mais de 400 anos atrás, era para que os humanos estivessem vivendo 1300 anos, e não os meros 120 anos que vivem hoje, 120 deveriam estar em estado de jovens entre 20 e 30 anos, no corporal, mas o que aconteceu, os governos não estavam preparados para isto, e quando começou a leva de suicídios dos que não conseguiam evoluir, começaram a autorizar estes 22

estimulantes, que hoje é mais comum que comida, o governo de vocês não esta querendo os humanos evoluindo, e não posso dizer que eles não tivessem razoes para isto, mas veja, induzir vocês quimicamente a regredirem, é parte do que o governo chama de controle de futuro, pois os 120 anos, bem vividos, sem doenças, e uma morte no que seria o auge da vida, bem cômodo, mas quero ver quando for a hora dos que estão no poder morrer, dentro de 20 ou 30 anos como vão ficar as leis! — Esta a dizer que deveríamos estar vivendo 1300 anos? – Falei sem sentir; A moça me olhou, entendi de onde vinham aqueles olhos azuis da moça que estava ao lado de Paul, lindos, não diria que ela tinha mais que 14 anos, mas falava com uma experiência de séculos, a filha dela era quase equivalente em idade a ela, estranho, seres preparados para viver a eternidade, que passariam normalmente em qualquer lugar, e a beleza da menina era muito grande; — Sim, você deva ser João Moreira? — Me conhece? — A 16 gerações conheci um parente seu, menino, os Moreiras sempre foram aliados, mas nunca se dedicaram a serem especiais! — O que quer dizer com isto? — Você deveria não existir, menino, se seu antecessor tivesse escolhido pela imortalidade, mas ele entrou em uma briga financeira com Peter, coisa sem sentido, ele deixou muitos herdeiros, pelo menos isto! Paulo olhou para ela e perguntou; — Esta a dizer que se sua filha escolhesse João não estaria falando nada? A moça olhou para a que me acompanhava e falou; — Por que os meninos são tão inseguros assim? – Caterina; Miriam riu e me beijou e olhou para Paulo e falou; 23

— Estaria a falar sim, mas este ai já esta encrencado, não estamos falando dele! Não entendi a frase e Pietra olhou para a mãe, e falou; — Eu quero tentar mãe, não pode me negar isto! — Não posso, no papel é muito mais do que maior de idade, tem a idade para ser uma ancestral distante dele, mas tem de saber que dará trabalho, e que seu pai vai interferir! — Com ele me acerto! A menina, moça, mulher, idosa, não sei, se levanta com a outra, as duas foram abraçadas até uma parte que não dava mais para ver, Miriam olhou para mim e perguntou; — Sabia que a menina era tão velha assim? Paulo olhava para mim e falei; — Acho que até Paulo já sabia, ou não? Pietra olha para mim e fala; — Sabe que minha tia esta interessada em você! Não respondi, mas Miriam olhou para a menina e perguntou; — O que ela quis dizer com escolher pela imortalidade? — Seu parceiro é uma Fanes, eles são geralmente os mais bonitinhos, mas os mais ordinários, mas deve ter lido sobre Joaquim Moreira, esta nos livros de historia deste planeta, chegou a Presidência? — Sim, uma linha de poder que depois de um tempo, entrou em uma derrocada, dizem que ele tinha algumas amantes? — Ele tinha amores menina, a diferença é que elas sabiam umas das outras, meu pai tem 16 companheiras, não 15 amantes, mas isto é normal em nossa sociedade, onde entre os imortais, para cada homem, temos 99 mulheres, a vida entre humanos para as mulheres é mais confortável, pois não tem tamanha concorrência! 24

— Esta a dizer que existe uma falta terrível de homens entre os imortais? — Sim, mas por isto meu pai não pode reclamar de tentar – olha para Paulo, a menina iria falar algo pois ela olhou para ele com malicia e deu um beijo – de convencer um humano no caminho da imortalidade! — Mas teria toda a concorrência, se ele se tornasse imortal? – Miriam; — Menina, não sei o que acha dos rapazes que se envolve, mas prefiro os sinceros, as vezes um sincero não muito fiel, é mais fiel que um pseudo homem para a vida, que de vocês não é muito longa! Não resisti ficar quieto e perguntei; — Mas que papo é este podermos viver 1300 anos? — Menino, se um dia parar de tomar estes alucinógenos, vai entender, olha em volta, olha os seres de mais de 100 e verifique que eles são os que mais precisam destes alucinógenos, mas olhe para eles, e não para o que eles tentam aparentar! — Não entendi? — Não damos nada de graça, e este assunto esta chato! – A menina virou—se para Paulo e o beijou, e quando vi Miriam estava a me olhar e pergunta; — Minha avó tem 100, mas ela sempre esta a reclamar das coisas, mas ela não esta mal, sempre digo que ela parece muito bem, acho que ela esta falando daquelas fotos dos idosos em livros de historia, com rugas, dificuldade de locomoção, e tudo mais! — Mas não adquirimos isto pela manipulação genética? A menina sorriu e voltou a beijar Paulo, Miriam me puxou para dançar e fomos ao centro, minha cabeça estava a pensar nas coisas que ouvi, e pensei o que a senhora, não conseguia pensar nela como senhora, falou, e fiquei a pensar e dançar sem prestar muita atenção em volta e Miriam sorria ao 25

dançar e quando voltamos a mesa de canto, vi ela aplicar um entorpecente, cheguei a pegar um no bolso, mas olhei aquilo e não o fiz, como tudo em volta, as pessoas usavam com tamanha naturalidade, talvez minha primeira festa sem usar aquilo, olhei em volta, e notei que os seguranças me olharam mais seriamente naquele dia, por que, se não estava a usar nada, então observei que eles olhavam mais para os que não estavam a usar o entorpecente, sempre pensei que estavam ali para isto, mas não, estavam a controlar os que não usavam, voltamos a dançar e Miriam disse que estava lindo, e a beijei com vontade, a muito não me sentia tão vivo, estranhei, olhei em volta, a maioria estava mais a dançar pelo entorpecente, não tinham mais o brilho nos olhos, de quando chegamos, e fizemos as apresentações, olhei que quando voltamos os seguranças estavam a falar com Paulo se ele não iria tomar o entorpecente, não era somente eu, então eles viram a menina olhar para o segurança e lhe mostrar a sua identificação, e os dois seguranças pararam de olhar para o casal, apenas para mim, Miriam estava totalmente mole, aos meus braços quando o segurança olhou para mim e perguntou; — Algum problema, não esta a usar o controle contra problemas sociais! Eles sempre colocavam como se aquilo fosse uma medida contra os índices de suicídio do passado, os próprios seguranças tomavam mas um pouco menos que os demais, eu iria falar e vi Peter chegar a minha pequena mesa e olhar para o segurança e falar; — Ele esta comigo segurança! — Desculpe, não sabia senhor Carson! Estranhei a formalidade, era um rapaz quase de minha idade, e toda aquela formalidade; — Tudo bem João? — Tudo, mas não entendi?

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— Entendeu, não é burro, Fanes administram até 100 pensamentos ao mesmo tempo, não é como a moça ao seu lado menino! — Esta a dizer que por isto mesmo sem me dedicar tenho uma vaga no futuro e alguns não tem? — Na verdade sempre mantive as vagas abertas aos Moreira, mas isto nem sou eu que faço, mas é outro assunto! — O que é isto, uma divida de família? — Divida, não, um dia ensinei a imortalidade a uma moça, que era apaixonada por um parente distante seu, e isto gerou ciúmes, mas o que posso fazer, não penso sem negar as coisas, mentir, mas já administro isto melhor! — Mas o segurança me obrigaria a me dopar? — Com certeza, controle é isto, mas a maioria vai sempre achar que estão ai para eles não exagerarem, não existe exagero, pode tomar a maior dose possível, e nada aconteceria! — Mas passei mal ontem, por que? — A pergunta, é o que você lembra, pois sei que o que aconteceu João, mas nos denominamos de Carson, pois somos os controladores das memórias, então não estranhe todos falarem que você passou mal, mas você não lembrar de nada, mas me preocupo com minha irmã! O rapaz olha para o lado, e a filha beijava Paulo como se nem ai para quem estava ali e depois deste olhar a menina olhou para ele, pareceu que os dois se entenderam com os olhares, o que significava não entendi; — João, ser imortal tem seus problemas, você vai ver sua filha lhe alcançar a idade, ou algo muito próximo, é inevitável, pois a aproximação da idade, ao infinito, gera isto! — O que quis dizer com se preocupa com sua irmã, dei um fora daqueles nela ontem! — Tem algo que não entendo nos Fanes, eles em si, podem viver uma eternidade e não aprendem nem quem são, 27

mas tudo bem, sei que ela é mais teimosa que eu, apenas cuida para não a machucar, e não me verá por perto! — Não? — Quer dizer, se minha filha mais velha estiver por perto, estarei por perto! — Mais velha? – Falou a menina como se ele a estivesse chamando de velha; O rapaz sorriu e olhou para Paulo e falou; — Bem vindo ao grupo, cuidado, ela não tem controle, depois não me diga que não avisei! — Vai o por para correr? – Pietra; — Correr, como era o nome daquele rapaz em Dallas, ele deve estar ainda correndo! – O rapaz ria com espontaneidade, Miriam aos meus braços estava toda mole, como se não tivesse controle mais do corpo, olhei em volta, os olhos ativos, da maioria das pessoas, os corpos soltos nos sofás, olhei para Cezar e Carina, estavam moles, o volume das conversas foi crescendo, o salão esvaziando, nunca tinha visto uma festa até o fim, milhares de pessoas em pequenas mesas, em grupos a conversar, mas até o sentido da conversa se perdia, quantas vezes achei que esta parte era a mais interessante da festa, e olhei um grupo ir ao centro, Miriam parecia olhar o infinito, e olhei para os demais, todos entorpecidos, o rapaz se direciona ao grupo no centro da pista, uma pista para mais de 10 mil pessoas, agora com não mais de 20 pessoas, e ouvi o segurança a minhas costas; — Desculpe senhor, não sabia que era um deles! Olhei para ele e não falei nada, e ouvi ele dizer; — Pode ir lá, olhamos ela para o senhor! Paulo e Pietra levantaram—se e a menina esticou a mão para mim e não fiquei ali, quando me levantei, a cena era aterradora, milhares de pessoas encostadas, a olhar o infinito, o fim das festas nunca existia, era o que os demais achavam que seria, isto que Peter deve ter falado, pois sei que o que era real, 28

e o que não era, mas sóbrio, vi que quando cheguei ao centro, a musica não era a que tocava, aos meus ouvidos, era uma musica estilo Punk, inglês, e olhei em volta, e vi Paula chegar a minha frente e falar; — Pelo menos hoje esta lúcido! – Ela falou isto e me beijou, não sabia mais se ela estava brava, não sei por que ela me beijou, e depois de um tempo me olhou – Não vai nem retribuir o beijo? — Lhe devo desculpas! — Desculpado, mas por que decidiu entrar para o grupo? — Não sei se decidi, Pietra me esticou a mão e vendo que era o único grupo que estava consciente do que acontecia, achei que não custava olhar o que estava acontecendo? — Hoje é uma dia especial, meu irmão chega aos 18 anos cronológicos, para os imortais é uma data importante, nosso metabolismo desacelera, ele vivera com a aparência de hoje por mais de 30 milhões de anos! — Esta a dizer que é uma festa de maioridade para ele? Vi a menina sorrir, basicamente os presentes não olhavam para nós, estávamos lá mas não existíamos, lembro ter falado a uma semana que nunca havia visto um imortal, mas a maioria nunca veria, os seguranças viam pois estavam a controlar as coisas, enquanto dançávamos os seguranças acompanhavam aquela leva de seres, quantas horas se perderia nisto, tinha de tudo ali, de prefeito a governador, quem comandava este comercio, por que? Esta pergunta bateu em minha mente, mas sorri e quando Paula olhou para traz; — Sharon, lembra do nosso menino? — Sabe que hoje parece mais vivo que a semana passada! — Sabe que não me lembro de nada? – Falei tentando escapar do vexame; Sharon olhou para Paula e falou; 29

— Não se faz isto menina, induzir o pensamento dos outro, tudo bem, mas agora vou ter de ensinar como gosto tudo de novo! — Quando acabar a festa lhe deixo tirar uma casca, hoje ele esta sóbrio, mas a magia o deixou meio tonto, era de esperar, sabe disto! Sharon sorriu e me deu um beijo e depois saiu na direção de uma garota, e fiquei sem entender, fora alucinação minha ou dos demais; — Dos demais, não sua! – Ela falou como se respondendo meus pensamentos, e pensei ser maluquice, mas estava são; Sacudi a cabaça e a menina me beijou e falou; — Vou lhe dar uma chance, senhor Moreira, mas se me chamar de velha de novo, lhe mato! — Desculpe, foi totalmente grosseiro, mas me sinto arredio, até agressivo diante da idéia de Imortais! — Não somos Eternos João, apenas não sabemos quando vamos morrer! — Mas me é estranho! — Se não quiser a imortalidade tudo bem, mas se quiser o primeiro passo vai ser difícil! — Difícil? — Sim, tem de largar os estimulantes, mas para isto, tem de evitar alguns alimentos, eles colocam neles, tem de evitar algumas coisas normais, cerveja, refrigerante, frituras, mas o pior, é a abstinência de estimulantes, não sei como é, mas dizem ser muito difícil largar! — Esta a dizer que somos viciados nisto? — Sim, vocês são viciados e não é fácil largar, pois se fosse, os humanos estariam vivendo 1300 anos, e isto quebraria alguns paises, pois eles teriam de proibir natalidades, teriam de educar para mais de uma função, pois não tem como você viver a função que lhe ensinam hoje, daqui a 1000 anos, mas nem eu 30

sei o que é isto ainda, mas sei que no meu tempo, muitos queriam ser médicos, hoje, ninguém sonha com isto, pois não dá mais dinheiro! — E vocês, fazem o que? — Assim como você, sou filha de dois Fanes, mas quando adquiri a imortalidade, me fiz esta pergunta, o que fazer, mas eu administro galáxias, não preciso de uma função remunerada, como Fanes, posso comer pedra, para sobreviver! — Esta brincando? A menina riu, fiquei sem saber se era serio, mas ela olhou serio para mim e falou; — Passa neste endereço, quando deixar a moça no alojamento! Eu olhei para traz e ela falou; — Dentro de meia hora começa tudo de novo, e depois de 3 horas voltam a lerdeza, se pensar que estão todos aqui há 20 horas, e ficaram até a madrugada de domingo, quando vão para casa, e dormem e voltam a normalidade de suas vidas, sabe que para mim é muito ruim ficar em ambientes assim, me sinto deprimida! Paula me acompanhou até a mesa, sentei e vi que os olhos já estavam voltando, nunca pensei em algo assim, um fluxo continuo de acontecimentos e entorpecimentos, vi a menina sumir no sentido do pessoal, o segurança também acompanhou os demais saírem e chegou ao meu lado; — Sempre quis saber, por que alguns podem tanto, aquele rapaz, nunca vi alguém tão forte como ele! — Já o viu brigar? — Eu era uma criança, mas vi, mas eu envelheci, e ele esta como no dia que o vi a primeira vez! Não falei mais nada, e olhei a moça voltando, o segurança tomou seu lugar novamente, eles nunca conversavam com a gente, quer dizer, se passar a ser alguém especial, eles falaram comigo, mas por que? Mais uma 31

pergunta a responder, Miriam me abraçou, e vi ela me beijar, e falei; — Vai ficar, estou cansado! — Me deixa no alojamento, também estou achando meio chato hoje! Fomos ao alojamento, vi que Miriam estava entregue, a deixei a porta e peguei o endereço no bolso, era central, lembro quando construíram o grande prédio, sobre o que dizem ter um rio embaixo dele, chamaram o prédio de Tiete, uma imensa construção, com pistas 12 pistas por sentido, por 6 andares, e aquele prédio, 200 andares, num contorno do que chamam de antigo centro, mas para mim, ABC é central, periferia é BH, Rio de Janeiro, ou mesmo Curitiba, isto é periferia. Cheguei pela entrada sul do prédio, uma imensa rampa, onde os manobristas recolhiam os carros dos moradores e visitantes, cheguei de Táxi terrestre, não tinha dinheiro para um aéreo, estava a economizar para as férias, mostrei o cartão na portaria, e ele indicou o fim de um corredor, já estivera ali, a ala dos especiais, somente gente rica entrava ali, local de governadores, prefeitos e muitos empresários de nome, no mundo tinham residência, passei o cartão num leitor e este me indicou o elevador, no mesmo encostei o cartão e o elevador subiu rapidamente, nem reparei nas pessoas me olhando, não era alguém que devesse estar ali, nem tinha roupas para isto, mas pareciam saber que eu era esperado, deveria ser impressão, o elevador abriu a porta e vi um agito geral, era uma festa, olhei ao longe, era uma cobertura, mas não sabia existir tamanho espaço com um só dono na cidade, os espaços como o que eu residia, tinha pouco mais de 12 metros quadrados entre banheiro, e quarto, o padrão de todos os estudantes e trabalhadores solteiros, sonhava em ter uma companheira, mas teria de trabalhar 30 anos para ter direito a um quarto de casal, e o normal era somente depois disto, procurar uma companheira; 32

O local era imenso, o local deveria estar com umas 300 pessoas até não era muita gente, já vi festas em lugares menores que este com mais de 3 mil pessoas, uma rapaz veio servir, eram aperitivos de Salmão, raros e caros e sucos, não tinha nem bebida alcoólica, os salmões tinham seus locais de desova em áreas geladas, das quais alguns rios deixaram de existir, pois com o subir dos mares, foram alagados, os poucos lugares de desovas, hoje são controlados, pois não se quer perder mais esta espécie de peixe, peguei um, era fresco, acho que nunca havia provado algo assim, estava muito bom, e o suco era sem açúcar, estranhei um pouco, mas era outra coisa que se tornou rara, os campos todos em sistemas automatizados de alta produção, davam prioridade a outros tipos de alimentos, mais protéicos e de maior produtividade. Reparei que existiam pessoas de varias idades, quer dizer, variava entre uns 12 anos e uns 30, mas hoje em dia a pessoa ia aos 120 com aparência de no máximo 40, ficava difícil saber ao certo, e ouvi uma moça ao meu lado; — Pelo jeito é novo no grupo? — Nem sei se sou do grupo ainda! — Prazer, sou Renata, a anfitriã, seu nome? — João Moreira, Paula me convidou! — Moreira, sabe que em direito parte disto deveria ser seu? — Esta brincando, não esta? A moça sorriu, Renata, olhos lindamente azuis, deveria ter uns 60 anos, quer dizer, aparentava uns 60 anos, e pensou quantos anos ela teria para ter aquela aparência, 60 na minha comparação, não sei na de vocês, jovem, bela, no meio de uma vida; — Isto não importa João, tenho a aparência de quando descobri a imortalidade! — Como vocês fazem isto, vocês respondem pensamentos! 33

— Conheci pessoalmente Joaquim Moreira, um parente distante seu, mas quando o conheci, não era imortal, tinha sofrido algumas coisas, como com câncer de colo do útero, naquela época se usava quimioterapia, passei 6 meses sem cabelo nenhum rapaz, mas um dia os Carson iriam novamente se aproximar dos Moreira! — Dizem que brigamos, mas por que? — Por que tive uma filha de Peter, e seu parente, que tinha outras mulheres, não se conformou, e o que era uma briga racional virou financeira, mas o menino ali a frente, não se importava com estes detalhes, e o seu parente, deveria ter entendido, pois antes nem poderia ter tido o filho! — Mas quantos anos tinha Peter quando isto aconteceu? — 14, e eu tinha meus 24 anos, a mesma aparência daqueles anos que para mim parecem ser uma eternidade atrás! Olhei a moça, alguém capaz de se envolver com um menino, o que deveria ter acontecido, obvio que não era de meu interesse esta parte mas perguntei ; — Por que diz que parte disto deveria ser meu? — Seus bisavós foram para a Holanda, a New— Amsterdã, era uma cidade flutuante, mas algo deu errado, e a cidade começou a afundar, e os negócios de sua família junto! — Nunca entendo esta parte da historia, como uma cidade flutuante pode afundar, sem ninguém falar por que? — Eles teriam de aceitar, que nem tudo é apenas caso do destino, mas ninguém vai falar disto! — Como assim? — Nada ainda, com calma você vai ficar sabendo! Conhece o pessoal ou vai ficar só olhando? — Sabe onde Paula esta? — Deve ter ido se trocar, mas já vem! — É lindo o local, é seu?

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— Em parte! – Ela não foi precisa na resposta, cheguei a uma sacada e olhei para baixo, parte da cidade, imensa por todos os lados, a cidade nunca parava, girava economicamente este pais, os políticos, embora isolados em Brasília, viviam em parte nesta grande cidade, de onde se comandava o pais; Ela me apresentou para algumas pessoas e era incrível o que o meu nome estava fazendo, vi uns poucos políticos, alguns empresários, mas depois que cheguei, vi que houve uma parte de pessoas que chegaram depois, não ficaram muito, e uma leva que parecia mais a vontade, pareciam em casa, os demais não, naquele dia, conheci a filha de Renata, diria que tinha a mesma idade de Pietra, mas não podia exatar, ali nada era exato, conheci um menino de nome Paulo, era também da idade de Pietra, parecia ter uma leva de pessoas com a mesma idade aparente, depois mais um tempo, os políticos e empresários haviam saído, eu via que no lado mais ao norte do salão, havia uma imensa cortina vermelha, sabia que usavam isto as vezes para separar ambientes ou mesmo a parte interna de casas, obvio, em quantidades pequenas, usavam no palácio de cristal uma preta para separar as áreas de dança que eram acesas apenas depois dos shows, mas aquilo me passou desapercebido na maioria do tempo; Renata estava ao meu lado, não entendi por que, a anfitriã da festa se por ao meu lado; — João, a festa já esta quase acabando para os demais, agora que os conhecidos vem a festa, até agora era fazer sala! — Esta dizendo que só agora que Paula vem a festa? — Sim, mas foi bom alguns verem você, muitos estavam curiosos! — Não entendi nada ainda? — Sabe qual a função que foi lhe determinada menino? — Assessor de Marketing e Produção, das companhias de Construção da Ponto! 35

— A Ponto, foi criada por Joaquim Moreira a mais de 400 anos, mas Assessor de Marketing, é a primeira função, mas estou falando das que virão a seguir, já que sua sociedade não escolhe mais funções, aceitam como se tudo sempre tivera sido assim! — Esta da dizer que vou crescer na empresa, por isto eles estão querendo me conhecer, eles sabem o que vou fazer, mesmo eu não sabendo? — Na verdade, escolheram em conjunto, uma regra estranha, temos 10 mega empresas que controlam este pais, e a cada 40 anos, uma indica o próximo presidente, da nação, estamos falando de sua função em 10 anos! Eu parei naquela informação, alguém parada ao meu lado estava dizendo que o presidente do pais, dentro de 10 anos, era escolhido pelas empresas, e eu, que começaria na empresa dentro de 4 anos, seria o escolhido, era algo impensável para mim, mas a reverencia e atenção que os demais me deram, tendia a confirmar isto; — Mas se você falar a alguém isto, fora destas paredes, se troca os nomes, não tem idéia de como é fácil induzir um povo a votar menino! — Desculpe se parecer incrédulo! A moça sorriu e falou; — Paula esta chegando ai atrás, agora posso lhe deixar em boas mãos! A moça não olhou para trás, mas quando me virei, vi ela e Sharon, a me olhar e caminhar para mim, ela pegou em minha mão e falou; — Ainda bem que veio, era sua ultima chance comigo! — Por que você resolveu me escolher, já que eu só estou dando motivos para o contrario? Ela sorriu e me beijou, achava que estava confuso, e estava mesmo, ela me abraçou e caminhamos com Sharon medindo—me, e a menina, e paramos em frente a uma senhora 36

de uns não sei quantos anos, talvez das pessoas mais velhas que tenha visto em minha vida, as pessoas não tinham mais aparência de velhos, pensei no que Caterina havia falado, e ouvi; — Mãe, este é João, meu namorado! Eu engasguei, era a mãe da menina, e ela falou; — Não deve estar acostumado a ver pessoas velhas por ai, mas tudo depende da idade que descobrimos a imortalidade menino, mas tem de cuidar direito de minha filha, é meu tesouro! — Vou tentar não a machucar! — Bom menino, mas ela é mais perigosa que você! – A senhora olha para a filha e fala. – Pega leve com ele, não sabe nada, pelo que vi! — Sei disto mãe, mas vou com calma! Vi Peter Carson chegar ao lugar, muitas das crianças presentes foram cumprimentar ele, e Paula falou; — A maioria é filho ou filha dele, não se preocupe! Neste momento vi vindo de dentro, meio desajeitado Paulo com Pietra, havia esquecido que os dois sumiram junto com o pessoal; — Quer ficar agora na reunião dos com mais de 400 ou menos de 400? Olhei Paula, nunca alguém me fizera uma pergunta tão estranha, mas em si não tinha como responder sem ofender, e falei; — Na que você estiver! — Sabe que tendo a passar nas 3 reuniões, a dos com mais de mil, a com mais de 400, pois estou nesta faixa, e as com menos de 400, as crianças, os menor de 12 anos, não estão na festa! — Nunca entendi isto, vocês crescem normal até os 12 anos, É isto? 37

— Temos níveis de crescimentos, que tem um crescimento aparentemente normal até os 12, depois crescemos mais lentamente até os 18, e por fim, quando chegamos aos 22 nosso metabolismo para de envelhecer por um tempo que não sei qual é! — Não conhece ninguém com esta idade? — Seria isto, a pessoa mais velha que conheço tem só 52 milhões de anos, então não sabemos aonde iremos? — E esta pessoa não passou dos 22 anos? — Sim esta pessoa não passou dos 22 anos, embora os humanos atuais morram com 35 anos cronológicos, e nem se dão conta disto! — Reparei que sua mãe é a mais velha presente! — Ela descobriu a imortalidade, na mesma época que eu, ela tinha 41 anos, por isto ela tem a aparência da época, muitas imortais a respeitam por acharem que ela é muito mais velha! – A menina riu; Vi outras pessoas chegarem ao grupo, algumas com aparência de 20, outras mais novas, e Sharon abraçar Paula e falar; — Temos de ter meninas novas, conheço todas! — Sabe que às vezes lhe estranho, Sharon? — Paula, se um dia Kátia voltar, volto à condição de ter alguém para a vida, foram os melhores 200 anos de minha vida, mas Call tinha de implantar esta porcaria, aquilo me deprime! — Ele fez os cálculos, o planeta não agüentaria amiga! Sharon sorriu e beijou Paula, não fora apenas sonho, e Peter foi a um palco e falou; — Crianças, lembro que não se deve abusar, este prédio é físico, não agüenta todas vocês, sabem disto, mas por isto em homenagem aos meus 18 anos, olha que jurava que faria eles antes, mas antes tarde que nunca, prometo não esperar até os 22 para dar outra festa! 38

Ouve um agito geral e Paula virou—se para Sharon e perguntou; — Vai tocar hoje? — Ahau e Bia já devem estar chegando, sabe que a muito não toco, depois que descobriram que era uma imortal, pararam de vender meus discos, e desisti de bater para gravarem, eles tinham razão, mas o que chamam de musica hoje, não tem poesia! Não falei, sabia que podia ofender, estava vendo que minha língua se continha mais sem alucinógenos, uma hora me deu vontade, e vi o que se dizia ser vicio, mas me segurei, Paula estava ali, parecia que quando ela me dava a mão, a vontade ia embora, a cortina se abriu, e vi uma imensa sala, mas ela ia no sentido onde não tinha prédio, era imensa, mas olhei do lado de fora, não cabia, não existia, antes de entrar nela, achei ser uma ilusão de ótica, ou uma projeção tridimensional, mas Paula me puxou para lá, vi algumas pessoas estranhas, sabia quem eram, Tesália e Dalila, imperatrizes numa festa de 18 anos, aquelas vestes mostravam tudo, estranhei, as pessoas não olhavam aqueles corpos esculturais, Paula olhou para mim e falou; — Os demais já viram mais que isto, João! Não entendi, mas vi algumas moças, lindas, jovens, estava na ala dos mais de mil, e Paula foi me apresentando, ouvi muitas vezes perguntarem para a menina ―Por que esta com este mortal?‖ ela não respondia, mas sabia que estavam me descriminando, se antes, os políticos estavam a ser agradáveis, estas não foram, e quando sentamos, vi que ali rolaria sexo, haviam camisinhas, a muito não usava—se isto, diziam que com os alucinógenos as mortalidades acidentais caíram, mas também a natalidade caiu em mesma proporção, mas pelo que vi, nenhum daqueles no salão do palácio de cristal faria sexo, mas aqui, parecia que aconteceria, estava me sentindo mais ligado na tomada, mas as vezes me dava dor de cabeça, Paula vendo que tinha alucinógenos no bolso, os 39

pegou, e vi pela primeira vez algo que achava ser mentira das historias, eles desintegraram na mão dela, virando pó; — Sei que vai ser difícil João, quero que tente, nem sei se vai querer tentar, mas é a única condição, estas portas estão sempre abertas para sóbrios, sãos, mas sempre fechadas para alucinados, eles pirariam aqui dentro! Eu a beijei e ela falou; — Tem de saber as regras daqui menino? — Regras? — Sim, imortais gostam de sexo, sabe que estamos fora do tempo, é só olhar para sala ao lado, eles estão estáticos em movimentos tão lentos que temos de ficar fixos na imagem para ver o movimento, estamos fora do planeta, se olhar para fora, é outro planeta na sacada, mas aqui quando a musica virar padrão pode ser atacado por alguém, tem de saber se quer ou não! — Mas acha normal isto? — Temos mais mulheres imortais que homens, então sabe que tem mulheres que mesmo elas se fazendo de desinteressadas, quando o ritmo se unificar, vão querer! — Perguntei pois estou com você! — Esta? — Não me apresentou a sua mãe como seu namorado? — Verdade, aquilo foi o mais formal que já cheguei de uma relação, por que não sei, acho que estamos com destinos traçados! — Por que você fala assim? – Perguntei no sentido de ser algo que ela queria, não fui gentil, o pai dela embora tivesse pouco mais que minha idade, estava ali; — Por que gostei de você, espero não ter me enganado! — Estranho isto, você atacou, as meninas recuam! — Elas são programadas para resistir, fui educada para experimentar! 40

Nós sentamos distante do centro do salão, basicamente vieram poucos homens mesmo, mas Paula me isolou, nos pondo numa posição de aguardo, ela não sabia como me sentiria lá, vi alguns chegarem ao centro, nunca havia visto aquilo, sexo é uma coisa, sentia—se as fragrâncias de rosa no ar, e uns poucos a serem devorados por deusas, aquilo era algo bem estranho, elas não usavam camisinha, pareciam querer algo mais, não só sexo, Paula foi me explicando quem era quem, ficamos ali umas 2 horas, e fomos ao grupo de pouco mais de 400 anos, ali vi que haviam rapazes, mas mesmo ali tinha uma leva maior de mulheres, mas eram bem mais rapazes na comparação, e sentamos ao fundo novamente, vi ela me beijar, o pai dela não estava ali, deveria ficar um tempo no salão ao lado, onde haviam muito mais mulheres, mas não dava para diferenciar algumas que lá estavam, em idade das que aqui estavam, mas esta era a leva que descobriu a imortalidade, escolheram por ela, era estranho isto, não tinha mais noção de certo, vi uma rapaz chegar e beijar Paula, senti ciúmes, e ela falou quando o rapaz se afastou; — Não somos muito fieis aqui João, nem sei se esta pronto para isto! — Pensei que estávamos juntos? — Estamos, mas quero saber se não me enganei com você! – Vi ela me beijar e os seus braços tiraram minha camisa, ela pos ao lado, e vi ela puxar o zíper lateral de minha calça, que descolou do corpo, ela me deixou de sunga, e tirou sua blusa, me puxou a seus seios, desta vez esta lúcido, o cheiro dela era delicioso, beijei seus seios, ela me acariciou e me beijou, ela parecia uma menina mais nova, mas sabia o que fazia, deveria ter mais que minha vida, em experiência, ela me fez a excitar e somente depois vi ela me por uma camisinha e vir sobre mim, olhei em volta, alguns casais faziam sexo, mas os demais não achavam aquilo não natural, vi Paulo e Pietra chegarem junto ao nós e a menina beijou—me, vi nos olhos de Paulo o ciúmes, mas quando Paula que estava sobre mim, o 41

puxou para ela e o beijou, ele não entendeu, mas a beijou, fui eu que senti ciúmes, a Paula tirou a blusa de Pietra e senti os lábios da menina novamente, e os seus seios tocando meu peito, fez o mesmo com Paulo e enquanto beijava a menina vi os dois se beijarem, Paula me deixou ali com Pietra que trocou de camisinha, Paulo entrou com mais naturalidade que eu na troca de namoradas, mas aqueles olhos azuis me encantaram e não neguei fogo, mas fiquei sem jeito em alguns momentos, era algo estranho, dois amigos de anos sendo trazidos para um mundo estranho, bem estranhos, depois de tudo aquilo, vimos os demais pararem no tempo, e as duas nos porem na parede, e ouvi as palavras, da boca de Paula; — Tenho de saber se me aceitaria como sou? — Mas sou um mortal? — Esta é a segunda pergunta! — Eu não sei o que foi que aconteceu aqui? — Nós imortais, temos de escolher alguém, e tentar o trazer a imortalidade, nossos filhos seriam imortais, não precisando ser iniciados, mas teria de saber se saberia entender, que não existe imortal saciável por um mortal, nem por imortal, e não negamos esta necessidades física! — Esta a dizer que teria outros? — Quero dizer que você seria meu, e nossos filhos seriam nossos, eu provavelmente nas festas teria outras relações, você teria outras relações, mas que estaria comigo! — Parece uma loucura, estas festas acontecem sempre? — Não, mas me aceitaria assim? — Tenho ciúmes, não sei se entende disto? — Entendo, mas não ache que não sinto ciúmes, dizem que somos a cada dia mais possessivas! — Eu não sei se lhe amo Paula, é sedo para dizer isto? — Sei disto, mas gostaria de mim a ponto de tentar um amor? 42

— Sim, você é incrível, mas me sinto inseguro! — Um sim, agora tenho de saber outra coisa? — Fale, qual a outra exigência? — Quer ser um imortal? Não é uma exigência, mas facilita, você envelhece mais calmamente mesmo que não aceitando a imortalidade, mas o queria trazer a imortalidade João! Aquelas palavras me fizeram pensar, não estava ela se pondo como uma imortal, e sim, me convocando a imortalidade, eu não soube o que falar, ouvi Paulo ao lado dizer sim a Pietra, olhei com duvida, ela com certeza lia minhas incertezas, meus pensamentos, senti ela fazer isto antes, mas olhei para ela e sorri, ela sorriu de volta, ela soube que não era um sim, mas falou; — Pelo menos me deixa lhe tentar induzir a isto? — Mas por que eu? — Por que? – Ela me olhou e falou algo que talvez não estivesse preparado para ouvir. – Por que você é bonito, é inteligente, tem um futuro, mas principalmente, não conhece a mim como os que estão aqui, eles não tem como me amar João! — Por que eles não lhe amariam, vi que beijou um menino! — O nome daquele rapaz é Paulo, como seu amigo, mas é irmão de Pietra! Mas a maioria me teme aqui dentro, são poucos que não tem medo de mim, de Peter, eles nunca me amariam por eu! — Mas por que eu? — Não quer tentar, vai me por para fora, depois do dia de hoje João? Sorri, pois minhas duvidas não eram sanadas por palavras, a beijei e senti tristeza nos seus lábios e passei a mão em seus cabelos e falei; — Eu tento, mas saiba que não sou fácil! 43

— João, vamos fazer um trato? — Fala! — Tentamos, mas usando sinceridade, você deve achar que leio seus pensamentos, só os que você produz no momento que estamos juntos, e não leio sentimentos, não que não possa, mas não é fácil entender, sentimento é complicado, mas queria que usássemos de sinceridade, pois se não for assim, não vai dar certo! — Sabe que estranho isto! Ela me beijou e nos vestimos, a noite estava apenas começando, as duas nos ensinaram coisas, que eu imaginava impossível, aquela peça, que parecia fora do tempo, dava para ver as pessoas do lado de fora, em movimentos muito lentos, olhando para cima, haviam quartos, mas estávamos no ultimo andar, não haviam estes mais de 20 andares a mais, mas foram dias me ensinando, não sabia se aquilo era uma alucinação, no terceiro dia, quando acordei, suava, estava ainda em não mais de minutos, o relógio parecia de tempos em tempos passar um segundo a frente, num relógio digital, não se via, pois só mostrava o dia, ano, hora e minuto, para que se queria saber segundos, estava a suar na cama, meu corpo parecia ter febre, e vi a menina sentar—se a cama, e me dar a mão, não deu resultado, senti aliviar, mas era algo dentro de mim, ela olhou para fora do quarto e depois de poucos minutos vi Renata adentrar a sala com Peter, estranho a naturalidade que tinham com seres despidos, como eu estava a cama e Peter falou; — Tem de o apoiar irmã, já vi crises de dias, até semanas, aura de cura ajuda, mas como não é doença, o corpo esta acostumado com a droga, ele não precisa dela, mas as células na folga de trabalho químico que o produto gerava, estão reclamando, o amigo dele teve a reação forte ontem, um dia depois, é dos fortes, mas nestes que a reação é mais forte! Perguntei sem saber de onde vinha o tremor, nunca havia sentido algo como aquilo, febre nunca soube o que era, minha cicatrização era melhor que a dos demais; 44

— Mas o que estou passando? — Reação de abstinência a entorpecentes, é muito difícil à escolha de sair dela! Pensei em pedir um, que mal teria, mas vi na lagrima dos olhos de Paula o mal que o pensamento tinha, e tentei ser forte, mas sabia que estava a tremer, sentir frio, minhas mãos não fixavam nada, ela me deu de comer a boca, naquele dia, ela me abraçou e falou; — Não queria que desistisse João, mas a escolha é sua! — Estou tentando Paula, mas é horrível isto! – Estava a nem conseguir segurar algo, o corpo parecia querer a droga, o pensamento nisto acalmava, era como se o corpo fosse viciado, nunca pensei nisto, também não lembrava de ter passado mais de dois dias sem o usar, desde a infância, houve uma vez, mas foi durante uma greve e a falta foi suprida por importações, nunca havia me dado conta da rapidez que o governo fez os estoques chegarem, depois daquilo não me lembrava de ter tido outra greve, o que será que puseram a mais na droga, pois os salários eram apenas suficiente, mas os gastos diminuíam, estávamos em um mundo onde o prazer era em grandes festas, e com muitos estimulantes, vi que pensar era uma forma de não deixar me entregar as drogas, mas tinha horas, que quando ela saia para pegar comida ou para ir ao banheiro, que ela me soltava as mãos, eu tremia, minha cabeça parecia que iria explodir, o que seria de alguém sem um toque daquele tentar passar por isto, ela voltou rápido, mas falou; — Paulo esta tendo complicações respiratórias, mas o corpo dele não tem mais febre! — Por que disto? — Por que ele usava fumar maconha, em doses elevadas, para acalmar, o pulmão dele vai reclamar! — Mas ...— senti um calafrio, ela me deu a mão, e pareceu diminuir, ela olhou para o prato e este veio a mão dela sem ela largar a minha mão e assim sem tocar a colher ela me 45

deu de comer, ela era incrivelmente bonita, e especial, às vezes me vinha as historias do passado a mente, não entendia do porque, mas ela disse que os demais tinham medo dela, não sei por que me veio isto a mente, mas ela não me tratara mal, cuidara de mim, lembrei de quando minha mãe ainda era viva e fora morta, estranho como acasos aconteciam, mas se considerar o nível de mortalidade por assassinato no pais, muito próximo de zero e já era este valor quando ele era pequeno, e perdeu os dois pais por arma de fogo, em assalto, mas o que levaram, um relógio, uma amostra de sangue, e uma carteira que não tinham como usar sem serem rastreados, ela me fez lembrar minha mãe, cuidando de mim, e esta lembrança me fez estranhar, pois só agora me dei conta que naquele ano tivemos problemas de fornecimento de alguns produtos alimentares para os mais novos, sempre fora definido a alimentação por idade, eles diziam que isto nos garantia um vida melhor no futuro, até hoje temos estas propagandas, será que já consumíamos estimulantes, e não sabíamos, desde quando sou viciado, lembrei de cada problema que tive, geralmente desculpas referente a alguma comida, pois não podia ser genético, e Paula estava ali e em beijou e falou; — A partir de amanha, pode ser pior João! — Pode ser pior? — Pode, a partir de amanha seu amigo começa a melhorar, e você piorar! — Mas seu irmão disse que eu era forte! — João, seu amigo tem noção de uma existência, uma cabeça que desenvolve um pensamento por vez, você não, pode administrar milhões de pensamentos ao mesmo tempo, o vicio é mais incrustado ao cérebro, que é o maior fator de tudo que parece sentir João! — Esta dizendo que a partir de amanha piora, como pode ser?

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— Confia em mim, estou aqui! – Ela falou e aquela noite ela dormiu comigo, eu não conseguia nem me virar, mas vi quando pareceu tudo mudar, as cores das paredes, e muitas coisas passarem em minha cabeça, não sei quando começou, pareceu que vivi naquilo a vida, as pessoas eram reais, me ofereciam o entorpecente que recusava, mas sentia o corpo se deteriorando, vi muitos amigos me oferecendo dizendo que se não tomasse iria me matar, foi um dia inteiro eles me falando que ou eu voltava a tomar, ou teria uma vontade grande de me matar, vi meninas variadas, falando que não queriam que eu morresse, vi a imagem de Paula me oferecendo o produto e quando vi isto, me batia a cama, não queria, mas não conseguia segurar ela que estava prestes a me aplicar o produto, quando senti a mão dela nas minhas e um ser surgir em minha mente, por trás da imagem dela, ela em si, e as duas saíram no braço, o ser dentro de mim que queria que tomasse era forte, e vi a que estava dentro de mim ganhar no braço da imagem de Paula, ela estava ao chão com uma lagrima nos olhos quando consegui mexer o braço e segurar a aplicação, quando fiz isto, a moça se desfez no ar, olhei ao chão e Paula não estava mais lá, senti as mãos delas na altura de minha barriga, deveria estar dormindo, e consegui dormir um pouco; Não sei quantos dias dormi, mas foram alguns, lá sabia que estava fora do tempo, mas foram pesadelos atrás de pesadelos, todos falando para tomar a droga, às vezes sentia um frio terrível, as vezes sentia fome, mas não acordava, não de verdade, ouvia as vezes Paula falar com alguém, ela estava ali, mas não consegui a ver, por vezes achei que iria morrer, tive duvida se era o melhor, mas como poderia escolher continuar me enganando, e me deparei com muitas conversas, Paulo veio me ver e falar com ela algumas vezes, ele parecia pela voz melhor, mas não conseguia dominar o corpo, era como se a mente tivesse desconectada, do resto do corpo, assim que um tetraplégico deveria sentir, mas eles ainda teriam a vista, eu nem isto, talvez coma, mas sabia disto apenas pela historia de 47

acidentes trágicos, mas nenhum próximo de mim, minha mente era testada em conflitos, sentia que Paula aparecia lá as vezes, quando me sentia muito fraco, mas ela evitava, entendi que o enfrentamento era meu, e não dela, mas as vezes tive vontade de morrer, as dores, o frio, ela ali perdendo tempo de sua vida, por um fraco, mas depois via que era reação de depressão, me veio a mente se os primeiros casos de suicídio não foram em testes destas drogas, pois a muito não se ouvia casos de suicídio, mas o que eles falariam se alguém tentasse sair, e morresse, em casa sozinho, que não tomou o estimulantes, e teve uma depressão e se matou, fazia sentido, não estariam mentindo, mas não falariam que a pessoa estava tentando se livrar da droga, e se tentaram pela comida, e alguns não mantiveram quantidades, suficientes e se mataram pela depressão causada, podia ter sido de tantas formas, tentei achar a razão e sabia que agora queria sair, podia não virar um imortal, mas era importante me livrar daquilo, mas não teria como ver os demais se matarem e nada fazer, será que era verdade que seria presidente, e se fosse, o que poderia fazer, será que Paula me amava mesmo, ou estavam pensando no futuro, em ter o presidente como amigo, minha mente estava me traindo, mas de qualquer forma, queria sair daquilo. Senti Paula sentar—se a meu lado, ela dormia ao meu lado, mas de manha sentava—se, sabia que estava com fome, mas senti a cabeça melhor, menos dor, não cessaria, não assim de um dia para outro, minha mente pensava se resistiria à tentação, quando lá fora, com um aplicador a mão, era tão fácil encostar no pescoço e deixar ele me entorpecer, ouvi duas vozes entrarem; — Como ele esta irmã? — Melhor, acho que esta quase saindo! — Como sabe? – Uma voz feminina que não identifiquei; — A mente dele já esta menos confusa, menos sonhos, mais pensamentos! – Paula; 48

— Sabe que até para nós é um conhecimento, ver o quanto os Fanes serão mais difíceis de trazer desta praga! – Peter; — Não sei como Call concorda com isto? – A pessoa que não conhecia — Ele não toma, é fácil ver os demais morrerem, e mesmo que tomasse, ele é imortal, o corpo dele não absorveria, seria apenas dor de barriga! – Peter; — Pai, eles tem de ser alertados disto? — A ultima vez que tentamos isto, perdemos Call para eles, e geraram a ultima guerra filha! — Mas acha justo? — Filha, esquece que os Fanes, parte morreram sem nem saber por que morriam, pois aquela menina, não parou, antes da mãe dela morrer para pensar! — E como esta ela? — Tocando uma leva de meninas, do outro lado do universo! — Quanto mais longe melhor! — Ela não sabe onde nos achar, filha! — Mas como podemos ver os Fanes no lugar de ir a imortalidade, morrerem aos 120 naquele plano de extermínio! Estas palavras vieram a mente, acharam as frases da companheira de Peter, e pensei que tudo isto era para manter a estabilidade, sem terras, sem mortes seria uma catástrofe, obvio que mesmo assim, estaríamos recusando a evolução, pois se nossas cabeças estavam no mais produtivo, estávamos matando esta parte, mas para que produtividade, eu mesmo estava a pensar que estava com tudo certo, e quando agora vejo que poderíamos mais, me envergonho e tento abrir os olhos e Paula surge a minha frente, tento mexer lateralmente a cabeça, mas ainda não consigo, mas um sorriso meio sem movimentos sai de meus lábios; 49

— Bem vindo! – Fala Paula, não consegui olhar os demais, mas ouvi um pequeno som de alegria e alivio dos dois ao lado, que se despediram e saíram, foi mais dois dias, para conseguir sentar sozinho a cama, agora o toque dela me ajudou a ver onde estavam os comandos, ela era especial, muito especial, e quando a beijei, no terceiro dia, ela falou; — Esta precisando de uma escova! Sorri, ela tinha razão, e perguntei com palavras meio tortas pelo novo manusear das palavras; — Quantos dias dormi? — 12 dias, intermináveis 10 dias de alucinações, mas enfrentou eles, agora vai ter de reaprender a dominar seu corpo! — Por que disto? — Falei que não seria fácil, lembra? — Lembro, — esta palavra saiu muito torta e ela sorriu, aquele sorriso me fez sorrir – mas é ruim não comandar o corpo, o que esta acontecendo? — O produto super acelera o celebro, seu amigo passou pela primeira faze melhor, mas somente ontem conseguiu sair da cadeira de roda, você esta mexendo melhor a perna que ele! — Esta a dizer que éramos acelerados pela droga, por isto podíamos dançar de 20 a 30 horas seguidas? — Sim, e para compensar a exaustão da segunda, o corpo pedia uma dose extra na segunda, e vocês lhe davam, na quinta estavam melhor e vinha tudo de novo! Eu tentei dar alguns passos, o corpo estava firme, mas demorei para os primeiros passos, mas assim que os dei, pareceu que tudo voltou, fui a um banho, a menina me acompanhou, ainda não estava muito bom, mas era uma reação normal, embora nunca havia tomado um banho com uma garota me olhando, ela me alcançou a toalha, estava com um olhar malicioso, mas não sentia meu corpo ainda, pensar que tudo aquilo para se livrar de um vicio, que não sabia ter, sai do 50

quarto e me deparei com o local que estava, atrás de uma parede de vidro, de cima a baixo, aquele mundo que não era o da outra sala, olhei ao meu lado Paula, e os dias seguintes foram de exercícios físicos e mentais, Paulo estava com problemas em administrar as pernas, pensei o que seria o reverter disto, será que teria jeito, escravos de um vicio, naqueles dias fora do meu mundo, vi natureza pela primeira vez, não aquela de parques criados, e sim, mata fechada em um mundo paralelo, vi seres alados nem tão pacíficos, que quando o irmão dela criou aquele local, a 430 anos atrás, ele o colocou em um tempo acelerado, então enquanto os seres viveram 430 anos, aqueles seres alados, evoluíram quase 4 milhões de anos, ela falou o exato, mas não era um numero para guardar, e sim para curtir, ela conta a primeira vez que fora a aquele mundo, e leva ele a uma imensa roseira, nunca havia visto algo como aquilo, um cale retorcido, de mais de 20 metros com largura de mais de 6 metros, com milhares de pontas de rosas, vivas, não tinha mais muitas, ou quase nenhum espinho no caule daquela roseira, imensa para uma roseira, ela foi me contando historias que pareciam irreais, mas aquilo era um lugar impensável para ele, os planetas isolados, era uma regra, que diziam ter, mas como nunca vira outro ser, até aqueles dias, não achava real, a duvida sempre fora meu forte, mas o que posso fazer, a menina estava a mostrar que tudo era diferente na verdade, do que eu acreditava, sabia que era uma mudança sem volta, estávamos a conversar, a intimidade entre nós estava crescendo, mas cada noite parecia parecer uma moça diferente, as vezes queria ela apenas para mim e ela me trancava no quarto, e ali ficávamos mas era estranho como na magia na parte mais baixa me sentia mais viril, ia mais longe, do que apenas com ela, ela me explicava estas coisas, que achava impensável a 15 minutos, que foi o tempo que meu relógio marcou quando voltamos para a sala ao lado, eu e Paulo pegamos uma condução e fomos para o quarto, cheguei em meu quarto e olhei a cartela de alucinógenos sobre a escrivaninha, e pensei, como algo assim, tão inofensivo, podia ter me gerado tamanha dor, peguei a 51

cartela de pseudo alucinógenos, pois teria de me passar por ser normal, e toquei os verdadeiros e sem pensar os transformei em pó, pois não poderia ter provas, mas teria de me controlar, sabia que poderia alguém trocar e eu virar um viciado novamente, não queria, estava a estranhar, uma noite, que começara a algum tempo, pois para mim jurava que tinham se ido mais de 90 dias, eu deitei e ouvi Paulo bater a porta e falar, já entrando; — João vai mesmo deixar os alucinógenos? — Por que Paulo? — Me sentia mais vivo antes, mais ativo, já pensou na queda da produtividade nos bailes? — Tem de escolher amigo, eu vou tentar! — Ela que me desculpe, mas eu preciso! – Vi Paulo aplicar novamente, e a feição dele mudar, ele estava há 90 dias em purificação, não era como algo continuo, ele ficou branco, depois o sentei em minha cama, ele vomitou, quando achei que ele iria, ver que voltar era um erro, vi ele aplicar um segundo, sabia que seria um problema, pois ele sabia de mais, ou não sabia, olhei ele acalmando o corpo, o conduzi ao quarto e levei para o meu os falsos frascos, e ele nitidamente estava tendo uma super alucinação, mas o deixei ali, na manha seguinte, vi ele na aula, e ele veio a mim, sabia que teria de ter uma ação normal, e ele falou; — João alucinei ontem legal! — O que aconteceu? — Não sei, sabe quando juro que fui a uma festa de 90 dias, mas foi ontem, não aconteceu, e que havia purificado o corpo, sofri um bocado, você também, mas hoje cedo acordei e vi que viajei, acho que a menina nem existiu! — Esta falando de quem? – Perguntou Miriam abraçando—me; — Ele alucinou que fez sexo ontem, em uma noite de mais de noventa dias de duração, nunca alucinei assim! 52

— Não falei de sexo? — Mas me olhou como sempre que se perde na cama a se masturbar! O rapaz sorriu e falou; — Deve ter sido tudo alucinação, nem imagina como viajei! — Se fosse você segurava a língua, eles lhe tiram os alucinógenos! – Falei, sabia que não deveria estar falando assim, mas ele escolheu o caminho, e Miriam perguntou; — Depois de me deixar no alojamento fez o que? — Acho que dormi, estava cansado, não sei por que, mas na quarta já estou melhor, não sou mais criança, mas no fim de semana tem mais! Miriam me abraçou e falou; — Pensei que amanheceria do meu lado? — Me disse que iria se arrepender hoje cedo, achei melhor não! — Sabe que em certo momento achei que ontem a noite o segurança estava olhando para vocês dois? — Eu me lembro que ele veio e me pediu para tomar uma dose, que estava muito serio, mas não discuto, neste tipo de coisa, faço! Paulo olhou para mim, ele tinha outra impressão, mas ele escolhera o caminho, ele sabe o que aconteceu, mas ele que tem de tomar a decisão, entendi que o reverter seria semi impossível agora, mas ainda estava a pensar nos beijos da noite anterior, e Miriam olhou para mim e falou; — Tem uma moça de olhos verdes vindo direto para cá! Olhos verdes, deveria ser Paula, e ouvi em minha mente; ―Não precisa ser agradável, soube que seu amigo pulou fora!‖ Sorri para Miriam e falei olhando para Paula; 53

— Tudo bem Paula? – Não soltei o braço de Miriam, e para Paulo era a confirmação que era alucinação; — Tudo, vim ver se seu amigo sabe de minha sobrinha, ela não dormiu em casa! — Paulo, sabe da ..como é o nome dela mesmo? – Perguntei; — Pietra, não a vi, nem sei o que foi real e alucinação de ontem para hoje? ―Ela gostou dele, estamos preocupados, ela achava que ele resistiria, ela enfrentou o pai para isto!‖ Olhei serio para Paulo e falei; — Precisamos conversar, amigo! Miriam viu que era serio, e o conduzi a um canto sem câmeras, a menina me deu todas as dicas para passar desapercebido, e olhei para ele serio e perguntei; — Paulo, é serio, ela gostou de você! — Mas o que posso fazer, alucinei! — Acha mesmo que as duas a cama, foi alucinação amigo? Paulo me olhou com uma cara de interrogação e perguntou; — Mas por que não falou antes? — Você lembra de vomitando na minha cama, sei que lembra, não preciso falar para os outros o que vivemos lá, mas tem de ver que ela queria algo a mais, ela enfrentou o pai para ficar com você, acha pouco? — Verdade, o pai e a mãe, embora aquela mãe dela, era uma gata! — Você não presta, perde a virgindade e acha que pode sair por ai, falando merda? — Mas por que esta me falando?

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— Para com isto ai, vai passar mal, e atrasar tudo, não esta cansado, sei que a dança foi a mais de 90 dias, podia dançar 6 dias sem drogas e ainda não estaria cansado! — Mas acha que ela vai voltar? — Eu acho, mas queria saber se vai estar comigo, ou com os demais? — Sou um fraco João! — Fraco, você acordou no primeiro dia, eu demorei 12 dias para acordar naquele quarto, acho que eu sou o fraco, apenas quando descido algo, vou até o fim! — Mas procurei as ampolas e haviam sumido, achei ser alucinação mesmo! — Sabe bem que eles revistam nossos quartos, se achassem muitas lá estranhariam, como estava com o estoque em alta, levei para o meu cubículo! — E não ia me falar nada? — Não aqui amigo! — Esqueço que tudo é monitorado, mas vi que esta evitando? — E cada dia vou evitar mais, e a tendência da escola é me apoiar, a um consumo mais moderado, como o de seguranças e políticos! — Não me falou disto ainda? — Me disseram que se falar, muda tudo, não posso amigo! — Certo, mas o que faço? Alcancei um dos conjuntos meus para ele, e olhei o que ele me passou, desintegrei na mão o dele, e falei; — Tem um conjunto, depois falamos nos alojamentos! — Obrigado amigo! Voltamos para a roda e Paula me olhava e falou; — Espero que se ela aparecer me falem? 55

Balancei a cabeça e vi Paula olhar para o aplicador que estava a mão de Paulo e sorriu, olhou para mim e falou; — Temos ainda de conversar, João Moreira? — Soube que conheceu Joaquim Moreira? – Respondi vendo Miriam sorrir e ela falar; — Sempre me chamando de velha, mas .. – Paula olha para Miriam e fala – na cama não me disse que eu era velha, experimente, vale a pena! – Ela devolve o olhar para mim. – Mas uma semana e já me esqueceu, mas sei que tirei a primeira casca, não espere que não tire mais de uma! Miriam viu que estavam falando de sexo, e Paulo viu que os dois estavam em meio a uma encenação, e todos viram a menina ir embora como chegou; — Entendi direito ou a levou para cama a semana anterior, quando ninguém estava olhando? – Paulo; — Dizem que foi uma alucinação, sabe do que estou dizendo! – Falei; — Entendo, mas acha que Pietra vai me procurar? — Todos aqui ouviram ela dizer para a mãe que queria tentar ficar com você amigo, estamos falando em virar rico, pois os Carson estão no topo dos mais ricos do mundo! — Os Moreira também, mas isto não lhe faz rico amigo! – Paulo; — Verdade, esqueci que Joaquim deixou um imortal como descendente, mas não o conheço, tenho de me contentar com o meu empreguinho, depois com meu futuro, já que tenho um bom futuro, como Miriam me lembrou! Miriam sorriu, me abraçou e perguntou; — Como ela conseguiu o que tento há anos e segura— se? — Ela me despiu e não tive como dizer não! — Safado, e fala como se iria de novo com ela a cama! – Miriam; 56

— Miriam, sei que se alguns outros lhe dessem bola, iria também, não vamos se fazer de santos! — Como aquele irmão dela? – Falou Miriam; — Como aquele homem com cara de menino, que dizem satisfazer por noite as 16 companheiras! – Falei para ver a reação; — Ele dá conta de 16, isto o põem como um excepcional amante! – A moça falou meio sem sentir e ficou rocha depois com o olhar de Paulo e o meu encarar, fui ao ouvido dela e falei; — Se quiser lhe apresento ele! Ela passou para um sorriso e veio a meu ouvido e falou; — E vai me cobrar como este favor? Pensei besteira, e ouvi em minha mente; ―Sendo sincero, não tem problema!‖ Olhei ao longe e a vi, olhei para o outro lado, e vi Pietra, meu olhar foi acompanhado por Paulo, e ele foi até ela, o que falaram não sei, mas ele veio meio descontente, as aulas tinham acabado e falei com Paulo e marcamos no alojamento, e quando cheguei com Miriam ele ia sair, e falei; — Vamos conversar lá dentro, aqui fora não dá! – Falei olhando as câmeras, fui ao banheiro e Paulo estava a parede a falar, alto; — João, ela disse que se decepcionou comigo! — Calma amigo, tem de relaxar e decidir o que vai fazer? — Sabe as conseqüências! — Ainda serão leves, você tem de escolher amigo! Miriam levantou—se e foi a meu ouvido e falou; — Acho que vim na hora errada! Sorri com um ar malicioso, ela viu que eu queria ela, mas falei em seu ouvido; — Vai nos deixar na mão Miriam? 57

Eu estava querendo saber o que estava sentindo, e a beijei, levantei sua blusa e seus seios firmes me tocaram, ela ficou sem jeito, mas a deitei a cama, Paulo via aquilo incrédulo, e quando Miriam viu ele a beijando, a moça sorriu, esta mesmo aprontando, os três deitaram na cama apertada, e quando alguém bateu a porta, os três se vestiram rápido, e um segurança a porta falou; — Tudo bem por aqui? – Olhou os dois, Miriam estava ao banheiro; — Tudo, algum problema senhor! — Alguém afirmou que um rapaz e uma moça entraram neste quarto! — Certo que meu cabelo esta longo, mas para moça, estou longe disto! O segurança olhou com malicia para os dois, e pediu desculpas e saiu pela porta, os dois fecharam, sentaram—se na cama, nem 5 minutos depois, bateu na porta de novo, fiz sinal para Miriam para entrar embaixo da cama, fiquei a porta do banheiro e Paulo atendeu a porta, o segurança me olhando a porta do banheiro, com os braços, fechando a porta, falou; — Tenho de dar uma olhada, senhor! — Por que disto senhor? — Sabem das regras ou não sabem, podem ser expulsos! Pensei que não podia ser expulso, pensei no toque da obscuridão e quando o rapaz pediu para que saísse da porta do banheiro já tinha outro a porta, os seguranças olham—se e o da porta fala; — Caio, pode deixar que faço a revista! — Ele é um especial? — Sim, os dois são especiais, eu faço a revista! Eu abri a porta, não estava querendo nada diferente, e os dois seguranças viram que não tinha nada demais, o segurança pediu desculpas e saíram e Miriam sai debaixo da cama, e falou; 58

— Especiais, o que ele quis dizer? — Nada de especial, dizem que o sistema estabelece caminhos para poucos, que levam a algo, nós dois fomos escolhidos, mas sabe que neste local alguns foram! — Como souberam? — Se você for, lhe será informado, mas o que, nem idéia! — Esta a dizer que são escolhidos a algo a mais, mas não o que? — Nunca soubemos, qual a diferença? Miriam sorriu, mas fora uma maluquice, e se chegassem antes, ela ouviu mais uma batida a porta, e foi ao banheiro, abri a porta e vi a menina a porta perguntar; — Sabe onde esta Paulo? — Entra, eles vão vir averiguar mesmo! Paulo olhou Pietra e fui ao banheiro e sai com Miriam, e falei; — É bom conversarem! Saímos pela porta e a segurança já vinha, mas vendo que estávamos saindo do quarto, o segurança falou; — Pelo jeito vou ter de cuidar só de você! — Caio, sabe que ela entrou há poucos segundos, só veio me chamar, mas Paulo esta lá, ele não consegue esquecer alguém que ele deu o fora! O segurança olha os dois saindo de costas, e olha para a porta, bate, e vê o rapaz sozinho, ao quarto, Paulo via a menina, mas o segurança não viu, olhou tudo, e quando saiu, pediu desculpas, só cumpria ordens, com cara de quem não entendeu nada, uma entra e outra sai, eu olhava aquilo do fim do corredor, quando o segurança saiu, deixei Miriam em seu cubículo, e sai a andar, não sabia se estaria tudo bem, sentei a um parque, da cobertura do colégio, antigamente vinha correr neste local, hoje poucos correm aqui, comecei a olhar as coisas diferentes, os seres com mais de 120 anos reclamavam de dores 59

insuportáveis, dor de cabeça, e coisas assim e pensei nas conseqüências do largar antes do tempo, eles eram internados na clinica de idosos, nunca ninguém saia vivo de lá, todos sabiam que entrar lá era morrer, mas uma coisas passou a minha mente e teria de verificar, pois os seres que via a rua, eram mais jovens que a mãe de Peter Carson, as vezes esquecia que era a mãe de Paula, mas o que isto queria dizer, será que o crescimento era até os 22 anos, pois vira algumas pessoas a festa, que pareciam ter a aparência dos senhores, mas a diferença, era que estavam bem, usavam um sorriso no lugar de uma carranca, a própria Renata, linda, mas a aparência era a de algumas pessoas que eu achava com mais de 60, mas somente agora estava a pensar nisto, será que na idade de estacionar o crescimento, algo acontecia, e o produto gerava reação que gerava a morte, pois não era normal pensar nisto, nem olhava os demais, lembra que uma vez, uma moça de nossa turma de dança, me apresentou uma que dançava a 5 anos na turma posterior a nossa, e não havia nem olhado para ela, não reparávamos nos alem de nossas turmas, pois estávamos sempre dopados; Comecei a observar e encenei tomar uma dose de estimulante, e os seguranças que me olhavam, relaxaram, reparei nas multi câmeras, os sistemas com olhos eletrônicos, com mais de 2 mil focos diferentes pegando detalhes e estruturas, reparei que com duas daquelas eles cobriam toda região, eles nos vigiavam, mas por que, sempre pensei que fosse pelos suicídios, as vezes ouvíamos alguém falar disto, mestres pensei, não, quem falava eram as equipes de prevenção, aquelas que todo o ano nos induziam as doses certas, mas todos sabiam que tomávamos acima da media, mas o que fazer; Uma moça sentou—me ao meu lado e falou; — As câmeras pegam quem pensa demais rapaz, tem de aprender disfarçar! 60

Olhei a moça, deveria ter uns 20, não tinha como ter certeza, e perguntei; — Do que esta falando? Olhei nos olhos dela, e ela olhou nos meus, não era normal fixar a vista nos olhos de alguém, a mente acelerada sempre estava à milhas do local, estimulada a pensar muito mais rápido, mas muito menos profundo; — Sei que é um escolhido, sempre monitoramos as conversas! — Ouvi isto, mas não sei ainda o que significa! — Que estaremos em lados contrários da luta, por mais de 100 anos! — Acha que o problema é este, moça? Ela me olha como se querendo perguntar algo e fala; — Não tem lugar seguro neste local para falarmos moça! Vi ela fixar a vista nos pontos de monitoração e falar; — Mas acha que nos ouvem daqui? — O sistema lê nossos lábios! — Merda! – Falou a moça e sorri; — Calma, vamos dar uma volta! – Estiquei para ela um dos meus entorpecentes e ela tentou recusar, mas vendo as câmeras, aplicou, me olhou mais curiosa ainda após isto; Saímos a andar por uma serie de corredores, e quando chegamos a um em especifico, parei e olhei para ela; — Quem é você? — Alguém que esta estranhando as coisas, seus entorpecentes são falsos! — Eles me obrigariam a tomar moça, se não tivesse encenando! — Mas se for uma pessoa do controle! — Daí terei de enfrentar mais 30 dias difíceis! — 30 dias? 61

— Você pelo jeito nunca deixou de usar este entorpecente, mas para pensar usa uma quantidade pequena! — Sim, dizem que se não usarmos não chegamos aos 120 anos! — Em parte a informação esta certa, mas se não tomar, pode chegar bem mais longe que isto, mas vai envelhecer, vai ter problemas de doenças, e outras coisas que não temos até os 120 anos! — Esta a me dizer que isto é um controle? — Sim, mas para se purificar, demora mais de 30 dias sem tomar, e não pense que dá para eles não perceberem, pois no mínimo um dia de coma você sofreria! — E você quem é? — Um ninguém, mas que por algum motivo entrou na lista dos escolhidos, mas nem os escolhidos sabem disto moça! — Mas esta me contando? — Se for do controle, antes dos 120 saia da cidade, volte ao campo, se esconda e veja até onde você vai viver! — Você apostaria em quanto a mais? — Vivemos 10% do que fomos programados, moça! — 10%, esta a dizer que viveríamos mais de mil anos? — Sim, mas teríamos doenças, os empregos se atropelariam, a super população sem comida seria imensa, controle, mas controle necessário! — Sou contra controles! – Falou a moça quase gritando; Eu olhei em volta, estávamos no setor de limpeza, então não havia muito o que fazer, quando vi um senhor as costas chegar perto simplesmente a puxei aos lábios e a beijei, ela estranhou, mas quando olhou em meus olhos, viu o reflexo de alguém, e o segurança nos barrou e falou; — Bonito, duas crianças se encontrando as escondidas! Olhei para o rapaz, e mostrei minha identificação, vi que a moça não se mexeu, coloquei a mão no bolso dela e puxei 62

uma identificação que ela viu surgir em minha mão, e mostrei ao segurança; — Estudantes, melhor voltarem às áreas comuns! — Estamos voltando! – Falei pegando as identificações, e as colocando no bolso, a moça me acompanhou e perguntei – Como não tem nem identificação? — Muitos a cidade não tem, quando perdemos o emprego, deixamos de ter, passamos a ser os sem nome, e vagamos pela cidade, existem lugares que nos fornecem os estimulantes e um prato de comida, e uma veste decente por mês, os banheiros é que são muito ruins, mas hoje em dia, pelo menos comemos, e a noite vamos aos alojamentos femininos e dormimos; Eu achava que meu mundo era estranho, mas uma cidade daquela tinham os desempregados, já havia ouvido falar deles, mas não nesta parte da cidade, e saímos a andar, ela me apresentava os cantos escuros e escusos da cidade, pegamos o trem bala e estávamos quase em Barra Mansa quando desembarcamos, era outra cidade, e a mesma cidade, as ligações dos pontos mais distantes, entre eles haviam bolsões de pobreza, descemos e ela me mostrou onde ela morava, um abrigo de sobreviventes, eles não eram nem identificados, estranho isto, pois uma vez sem identificação, você não consegue mais posição de trabalho; — Por que me olhava moça! — A muito observamos os escolhidos, mas nunca havia visto alguém sóbrio, eles parecem se perder com o tempo! — Não respondeu! Adentramos a uma casa de periferia, eram moradias comuns, nunca havia ido em uma casa com cozinha, ali tinha uma, e 12 quartos em volta, e a moça falou; — Pai este é um escolhido! O homem olha desconfiado, deveria ter uns 80 anos, e fala; 63

— Esta maluca, trazendo um deles a nossa.. — o senhor interrompe a frase e pergunta – o que ele sabe de nós? — Já falou mais que eu, pai! – A moça foi enfática e o senhor olhou em meus olhos, era uma forma de teste de sobriedade, e perguntou; — Há quanto tempo não toma um estimulante rapaz, esta muito sóbrio! O senhor me alcançou um dos deles e agradeci, tinha os meus; — 91 dias senhor! – Falei olhando a reação; — Esta maluco, pode se matar por causa disto! – O senhor olha para a moça e pergunta. – Ele sabe o que fazemos? — Não, mas ele sabe de coisas que não sabemos pai! — Como o que? A moça pega o aplicador e põem na mesa; — Que isto é a forma de controle até dos escolhidos pai! O senhor olha para mim, ele media meus atos, acho que a muito não via alguém sóbrio, e perguntou; — Mas como pode ficar sem, sabemos que quando falta nos abastecedores, temos dores de cabeça, vi gente quase morrer pela falta! — A dor de cabeça, foi terrível no primeiro mês senhor, depois entrei em coma, e só depois disto, consegui entender o que é o que tem a mão, não é uma forma de purificação, e sim, de viciador, mas para nós que consumimos isto desde criança, esta nos alimentos infantis, nos leites especiais, quando paramos de tomar, nós temos crise de abstinência, o que quer dizer isto, o corpo esta viciado no estimulante, e a falta dele o faz pedir mais, os primeiros dias, a dor de cabeça e febre são normais, depois, depende de cada um, mas os que voltam da coma rápido, onde enfrentamos os medos de não conseguir, por alguns dias perdemos o controle motor do corpo, não é fácil se livrar disto que tem a mão! — E como conseguiu? 64

— Tive ajuda, pois sabe que 30 dias fora da vista, do controle é difícil! — Mas carrega consigo sempre uma dose, por que? — São falsos pai, ele me mostrou, não é alucinógeno, por sinal me senti mais acordada depois que ele me aplicou! — Por que aplicou um alucinógeno falso em minha filha? — Às vezes quando se esta sendo vigiado, tem de se estar pronto para parecer normal senhor! — Mas eles podem ver em seus olhos que está sóbrio? — Se alguém sóbrio aparecer lá, pois não tem mais gente sóbria naquela região onde sua filha me achou! — Mas por que nos viciariam assim, sabemos que os controles começaram há 200 anos, quando os imortais induziram alguns nossos ao controle, mas as melhoras genéticas e estruturais, somadas a crise do degelo, fez muita coisa mudar! — Senhor, não conheço toda a historia, tenho só 17 anos, mas quem me ajudou a me purificar foi uma imortal, e eles falam que ouve um racha interno entre eles há 200 anos, parece que existiam duas castas e uma resolveu pelo controle, pois não teriam como explicar ao ser humano em si, que ele não viveria mais que 10% do que poderia viver! – Eu escolhi as palavras, mas mesmo assim ficaram estranhas até para mim; — Não entendi? – Falou o senhor; — Senhor, quando nos induziram geneticamente, nem sei como isto acontece, nosso genoma apontou para uma vida de perto de 1300 anos, mas tínhamos na época, perto de 8 bilhões de habitantes no planeta, isto foi anterior a briga de 200 anos, a uns 400 anos atrás, e diante da realidade, tinham duas frentes, uma pouco populosa, dos imortais, e uma de humanos mortais, mas que não teria como sem as mortes por mais de mil anos se manter, daí começou as guerras, depois a fome por áreas cultiváveis sumindo aos milhares, o aumento de áreas desérticas, que acabaram virando cidades, e mais guerras, mas 65

a 200 anos atrás, não sei quem, decidiu que mesmo com uma população de 3 bilhões, não tínhamos mais espaço a viver, controlar isto, hoje vivemos os 10% primeiros anos de nossas vidas, por que disto, evitar problemas de saúde, pois estamos na faze mais produtiva e ainda em desenvolvimento do corpo, mas algo acontece aos 120 anos, acho que o corpo começa a rejeitar o estimulante, sabe bem que quando se chega lá, se fala em dores de cabeça forte, e sintomas que eu senti, mas para sair do vicio, o corpo esta rejeitando o estimulante, e talvez isto que os gere a morte senhor! O senhor olha para a filha e fala; — Temos de falar isto aos demais, achava que entendia o problema, mas o rapaz esta nos mostrando que o problema é um disfarce, tudo que vemos e ouvimos desde criança foi adulterado! — Por isto o trouxe pai, mas sabemos que deixa de ser seguro a partir de amanha! — Sei disto filha, mas realmente fez o certo, mas rapaz, o que faria para mudar isto? — Isto não posso falar senhor, meu futuro foi determinado por computadores, mas pretendo forçar a porta e subir o máximo possível, se me deparar com pessoas que não pensam é mais fácil! — Acha que vai até onde? — Senhor, minha família já foi alguma coisa neste pais, quando ele era maior, pretendo ver se chego até lá, mas ainda é um sonho! — Qual seu nome? — João Moreira! — Parente dos Moreira, das grandes empresas? — Parente Pobre, sem futuro exato, mas às vezes os que estão lá, esquecem que existem lugares bem piores a viver! — Mas acha que teria uma saída? 66

— Senhor, não temos terras produtivas e nem gente suficiente para trazer todos de uma vez, sofri para valer, e sei que sem clinicas de recuperação, a maioria voltaria ao vicio, não podemos apenas suspender a produção, a dor de cabeça e alucinação depois, faria terem assassinos as ruas, não sei ainda o que fazer, mas estava pensando sobre isto! — Fala como se fosse muito difícil? – A moça; — Somente quem viver o sair disto, vai entender, mas senhor, não sei se teria como ajudar aqui agora, pois precisamos primeiro, de mais frascos de pseudo estimulantes, pois os demais não poderiam desconfiar, depois temos de trazer de grupos pequenos, e com uma desculpa para não aparecerem por no mínimo 30 dias, pode ser feito em menos, mas não queremos pessoas cambaleando as ruas, chamando a atenção, e por terceiro, precisaria ensinar algumas coisas a estas pessoas, para que elas possam começar a reagir! — Sabe que não temos nem identificação, eles nos olham aos olhos quando vamos comer, seriamente! — Senhor, chega lá meio sóbrio, e aplica a frente deles algo que não fará efeito e eles lhe darão comida, mas acho que posso verificar outra forma! — Ainda mais coisa? — Tenho de tentar, estranho de uma hora para outra, tudo mudar em sua vida! Conversamos e voltei a escola, ao meu alojamento e antes de entrar, Paula me esperava a entrada do bloco dos rapazes, olhei para o segurança, e saímos a andar, pegamos uma condução e fomos ao prédio que fora um dia antes, pegamos o elevador, e paramos no mesmo andar, cobertura, quando abriu o mesmo, era outro lugar, era a laje superior do grande prédio, ela me olhou e falou; — Estranhando?

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— Sim, ontem tinha um espaço que não é normal nem aos ricos, hoje, algo bem padrão a laje superior de um prédio imenso! — Você pensou em mim hoje à tarde, senti, mas o que queria perguntar? — O que aconteceu há 200 anos, por que houve um racha entre vocês? Vi a menina estalar um dedo e tudo surgir do nada, uma sala imensa e sentei com ela me olhando; — Historia triste, nada alem de divergências amorosas, mas que separou o grupo, meu irmão brigou com o melhor amigo, mas isto separou em grupos, mas tudo por mulher, nada do que vê foi pensado, mas conseqüência de anos, sem planejamento em um planeta se transformando, os anos de degelo foram terríveis, foram migrações forçadas, foram milhões morrendo, não foi fácil nem ver as coisas, foi triste mesmo! — Mas ainda é triste, milhões de dopados a se achar especiais, acha isto bom? — João, não é nada bom, mas temos de ver que foram os humanos que escolheram isto, não posso obrigar eles a entender, que o universo é suficiente para eles viverem bem, mas preferiram a forma mais cômoda, controlar os seus! — Acha que teria como ser diferente? — Sempre tem, mas verá que nem tudo é como você conhece, mas terá de escolher em que lado ficar! — Se for um imortal, sei que serei descriminado, mas por que preciso viver apenas 130 anos quando muito! — O que quer fazer? — Conheci um grupo de sem identificação hoje, estranho que tem gente que o governo isola da existência, mas os mantêm mesmo assim sobre controle! — Não respondeu? 68

— Não tenho recursos para fazer Paula, senão montaria uma fabrica, e os colocaria a trabalhar lá, mas como eles que selecionariam as pessoas, poderíamos trazer alguns a lucidez e juntos traçarmos planos maiores! — Sempre me disseram que os Moreira eram malucos mesmo, suicidas em si! — Não tem como me ajudar? — Tenho, mas é maluquice, mas se já tem um destino traçado, por que não mostrar que pode mais que os outros, não é! — Você tem razão que eles vão estranhar! Paula me beijou, e olhando em meus olhos falou; — Mas terei de falar com meu irmão! — Acha que ele vai ser contra? — Acho que ele é maluco como você! Eu sorri e ela falou; — Mas agora temos de voltar, acho que amanha vamos ao banco abrir uma conta para você! — Vamos abrir uma conta? — Conjunta, quero saber se estará gastando com outras! — Com certeza! – Falei e vi ela sorrir, estranhava isto, ela queria sinceridade na relação, preferia que se fosse o caso tivesse outra mas falasse; — Já decidiu o que vai produzir? — Sim, embalagem para estimulante, e se conseguir registro, estimulante! — Não entendi? — Paulo é bioquímico, preciso falar com ele, mas tem de ser em locais assim! — Amanha vemos isto! Ela me acompanhou até a ala dos rapazes, cheguei lá e Paulo estava a minha porta com a chave e falou; — Pietra me falou que queria me falar! 69

— Vamos entrar! Paulo me olhou e perguntei; — Vai estar com a gente, ou não? Paulo viu que fui direto, ele sentou—se e falou; — Pisei feio na bola, sabe que passei mal o dia inteiro, agora sei para que são as falsas injeções, para reduzirem as dores de cabeça, pois sem elas pareceria que não estava tomando, pois é incrível o que dez dozes fizeram, quase perdi aquele sorriso por isto amigo! — Mas escolheu que lado Paulo! — Não gosto de deixar os outros nisto, mas você sempre tem planos, não tem? — Sim, mas quero você nisto comigo! — O que vamos fazer? — Sair juntos do grupo de dança, pois somos escolhidos e vamos mostrar nosso valor aos cargos que nos determinaram 2 anos antes! — Não entendi? — Paulo, vamos montar uma fabrica, e vamos pedir autorização para produzir os alucinógenos, mas isto conversamos com calma amanha, você será o bioquímico da fabrica, temos de saber o que isto faz, para melhor enfrentar o que pretendo fazer! — Mas acha certo ganhar dinheiro com isto? — Paulo, quero a cada 30 dias, tirar 30 pessoas disto, mas para isto, tenho de ter refeitório, ter alguém que saiba o que tem lá dentro, e também quem esta no grupo, mas principalmente, não teremos imortais a segurar a mão de todos e lhes absorver parte das dores e dos sintomas! — Mas eles não vão concordar! — Paulo, qual a primeira coisa que me perguntou? — Certo, pensaram que estamos fazendo o que eles querem, mas isto é arriscado! 70

— Paulo, dentro de 2 meses, seremos imortais, não estamos falando de nós, e sim dos demais! — Mas eles podem nos banir! — Podem, mas se fizermos direito, vamos ampliar as coisas, quero estar em 4 ramos, mas não tenho dinheiro ainda, por isto amanha nos falamos! — Pelo jeito lúcido resolveu pensar! — Sim! Paulo se despediu e fui descansar, a primeira medida, quando acordei foi bater a porta de Paulo, pedir para ele se vestir a rigor, viu pelas minhas vestes isto e fomos ao administrador da escola, que nos recebeu com cordialidade, afinal éramos escolhidos; — O que trás os dois tão cedo a minha sala? — Senhor, estamos hoje à tarde, sendo chamados a participar de algo maior, o que não sei, mas estamos aqui pois teríamos de nos afastar do grupo de dança, não nos sobrara muito tempo! — Soube que incluíram seus nomes nos escolhidos, mas não sabia que iniciavam tão cedo assim! — Também não senhor, nunca conheci um escolhido! – Falei; O diretor olhou—nos como se pensando e falou; — Sabem que temos reclamações no sistema contra os dois? — Reclamações? – Perguntei como se não soubesse; — Dizem serem visitados por meninas, mas vou revelar isto, é raro sair um escolhido destes corredores, geralmente nem passam em escolas, apenas estudos particulares, específicos, então vou tirar do sistema, mas me mantenham informado! — Com certeza senhor, não falo mais por ignorar mesmo o que pretendem! 71

Paulo não falou nada ao meu lado e quando saímos ele iria falar algo e me viu olhando a câmera e se calou; As aulas chatas de sempre, e ao meio da tarde nós dois fomos avisados que havia um carro nos esperando, e vimos que éramos observados por todos os seguranças, entramos no veiculo aéreo com vidros escuros e Paulo recuou, era um carro de detenção, e olhei o senhor a frente e falei; — Algum problema senhor? — O senhor foi visto conversando com não nomeados, e nossa função é verificar os por que? – Fala um senhor, não mais sabia a idade, deveria ter uns 60, mas era um chute; — Senhor, eu e meu amigo Paulo, fomos chamados a empreender a instalação de uma nova fabrica de aplicadores de estimulantes na região de Barra Mansa, nada de mais olhar a condição dos não nomeados a disposição! Paulo olha para o senhor com a mesma empáfia, eram especiais, escolhidos a algo a mais, não podiam baixar a guarda, seguiu os meus passos, e ouviu; — Estava em campo, sabe que é perigoso? — Por que acha que estamos ampliando os estimulantes naquela região senhor, minha educação foi para o lado da administração e a do meu amigo, bioquímica, sabemos que temos de controlar os demais! Eu pegue um dos frascos e me apliquei, estava muito sóbrio, e o senhor poderia desconfiar, Paulo estava com dor de cabeça e fez o mesmo, não sabia se a cara de mal dele era dor de cabeça ou queria impressionar, mas os senhores, falaram; — Desculpem—nos, fazemos nosso papel! — Entendemos isto senhor, não faz mais do que a função, isto que nos gera a sociedade boa que vivemos! Saímos da viatura e os demais viram isto, mas depois veio uma segunda, também com vidros escuros, mas com padrão passeio e não os dos controladores; 72

Paulo entrou e viu Pietra e Paula, mas ao lado dela tinha um rapaz, e do outro lado, Peter Carson que me olhou e perguntou; — Se me convencer, faremos negocio! Abri a porta e sai, Paulo fez o mesmo, não iria jogar meus planos assim, andei no sentido do alojamento, nem olhei para traz, se era para me desculpar com o diretor, o faria, mas não estava disposto a expor tudo, não a um desconhecido; Paulo entrou comigo em meu cubículo e falou; — Por que saiu de lá? — Não vou entrar nisto para perder Paulo, Pietra veio com o irmão, e Paula com o irmão, se quiserem ajudar, tudo bem, se não, arranjo outra forma! — Mas como? — Ainda não sei, mas se ele não quer ajudar por ajudar, pois ele sabe mais que nós o que acontece, sinal que não se importa! — Mas se era apenas um teste! — Saberemos amanha! Eu me fechei ao quarto, peguei meu editor holográfico e fiz varias simulações de ganho, e varias planilhas, vários caminhos, eu me dediquei a pensar por 10 dias nas possibilidades, vi que estar sóbrio diante de uma sociedade alucinada, me fez ver bem a frente, por 30 dias Paula não foi me ver, então soube que não era serio, pois ela não teria de jogar assim, não se me amasse, Pietra foi ver algumas vezes Paulo, ela o queria, lhe ensinou vários caminhos, que não fui ensinado, coisas malucas sobre magia, mas dediquei—me aos planos, mandei para duas fabricas de equipamentos, pedidos de algo especifico, e para uma de carregadores de ampolas, descobri que nunca me dariam autorização para produção do alucinógeno, e este estranhamente era produzido nos hospitais de fim de vida, um mercado fechado, pensei, não queriam concorrência, mas eles gostaram da planilha de montagem e 73

preços que conseguiria praticar montando uma fabrica, e no dia de numero 32 que havia me recusado a explicar para Peter, sabia que podia ser um teste, mas não estava ali para ser testado, um senhor sentou—se a minha mesa, na hora das refeições, evitei os olhos, pois ele estava sóbrio, conhecia das fotos dos relatórios históricos, era Call, o humano que controlava as produções das fabricas de alucinógenos; — Deve ser João Moreira? — Sim, e você? — Todos me conhecem apenas por Call! — Lembro de ter lhe mandado uma planilha um tempo atrás, mas não exato quando! – Joguei como o rapaz e apliquei uma dose antes da refeição, regra que seguíamos desde criança; — Agora entendi por que esta na lista dos especiais menino, mas estou a fim de financiar o que falou! Não o olhei, mas tive vontade; — Esta falando serio senhor? — Sim, mas vi que também verificou dados de produção do estimulante, o que pretendia? — Não sei, estava pensando, acho que na produção, do começo ao fim, uma cadeia produtiva de custos baratos, mas soube que não é aberto a produção, mas não entenderam, não queria produzir, o rapaz que me apoiaria com a parte Bioquímica não entende nada disto, então pensei apenas em embalar! — Esta falando como se a produção fosse fácil menino, não tem idéia de o que vai lá dentro! — Verdade, mas entendi que é complicado, pois meu amigo não entendeu nada e ele é um gênio nisto, sinal que é complicado! – Pensei que não fora nos passado o real, mas já tinha 6 amostras que Paulo não tinha como testar antes de termos um lugar para isto;

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O ser sorriu, e olhou os demais, vi que dois rapazes sentaram ao meu lado, evitei os olhos, mas estes estavam dopados e ouvi o ser falar; — Rapaz, não gostamos de gente xeretando nisto, suas planilhas são boas, mas não gostamos de concorrência! — Senhor Call, se fosse concorrência, primeiro eu teria dinheiro, segundo não teria mandado para o senhor, e terceiro, seria um suicida, não vejo onde viu concorrência! – Sabia que a comida nos dava uma lucidez razoável, era o normal agir assim naquele momento; — Sabe que as vezes esqueço que existem seres especiais entre nós, você parece conseguir dopar parte do cérebro e pensar com outra parte! — Não entendi senhor? Call fez sinal para a segurança que estava tudo bem, os demais sabiam que eu era um especial, mas era evidente que o senhor a minha frente dominava as coisas locais; — Rapaz, quando for a hora, trabalhara para mim, não agora! — Algo que não saiba? — Que vai ter maus dias no colégio, pois não vamos facilitar! — Isto já sei, dois inimigos de peso, pelo jeito vou para a lista dos sem identificação! — Quem mais conseguiu de inimigo? — Um parente distante, Joaquim Moreira, depois foi aquele Imortal, Peter Carson, agora outro imortal, Call sem sobrenome, estou mesmo morto! O senhor tentou me encarar, mas estava a olhar distante, e falou; — Pelo jeito tem 3 imortais como desafeto, sabe que vai ter problemas!

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— Senhor, se não gosta de dinheiro, problema seu, pois aquela sua forma de produção é ridícula, sua forma de administrar, anos 2000, ou melhor, do tempo que era mortal, mas se não gosta de dinheiro, na verdade não precisa, como os outros dois, não posso fazer nada! — Sabe que esta batendo forte! — Se soubesse o que esta coisa faz a nossa mente, difícil segurar a língua, mas não é imortal suficiente para provar isto! – Foi um desafio, e o ser sabia que tinha tocado num ponto frágil, ele imortal vivia de dopar os seus, mas fiz como quem nem sabia o que falava, ele bateu irritado na mesa e os seguranças se mexeram, eram treinados a evitar reações violentas, até os dois seguranças do meu lado, por intuição avançaram sobre o senhor, estranho, alguém me disse que éramos espécimes inteligente, mas não neste estado, como era estranho ser o único lúcido alem do ser a minha frente; — Não sabe o que fala rapaz! Estiquei para ele um dos meus estimulantes, ele olhou para mim, era uma ação normal entre nós, os viciados, ele nem poderia reclamar, e levantou—se irritado, obvio que me pus numa condição ruim, havia me colocado num mundo que não era meu, mas não recuaria, fiz umas planilhas e vi que algo estava errado, e soube por acaso que não era um produto e sim uma reação a algo que outros produziam, pois as fabricas não tinham fornecimento de produtos químicos, e sim uma nave entregava uma vez a cada 15 dias, uma grande quantidade de um liquido incolor, as embalagens eram da cor que melhor lhe agradasse, mas fiquei a pensar no que era aquilo; Quando no fim daquela tarde, um senhor me procurou e fui chamado à sala de reuniões, onde não havia câmeras, e vi o meu terceiro problemas, este conhecia a fama, aprendera a atirar com a mãe, diziam que ele em um ambiente fechado, derrubava um exercito antes de puxarem uma arma; — Você deve ser João Moreira? 76

— Sim, todos estão me perguntando isto! — Quem andou lhe procurando? — Desculpe, não fui agradável, mas eles reagem a minha ação, os que me procuraram, Peter Carson e este Call não sei do que! — Dois estrangeiros, sabe que não gosto deles! — Sei que não é o que aparenta, senhor! – Falei como se querendo uma pergunta; — Como saberia que não é o que aparenta? — Conheci uma menina, Paula Carson, ela me iludiu direitinho! — Aquilo não é ilusão, é magia! — Não falava da magia, falava dos sentimentos senhor! – Chamei de senhor, mas o ser não aparentava nem minha idade; Observei por um vidro atrás dele, que haviam mais seres a ouvir a conversa e falei; — Mas o que um qualquer vai querer com imortais, não é! — Não estamos em uma sociedade justa rapaz! — Mas ainda vivemos senhor! — Acha mesmo que sabe o que é viver, nem sabe o que se passa ao lado de você, não tem capacidade de concentração, não tem capacidade de tiro, hoje não tem mais graça as guerras, os seres estão tão entorpecidos que morrem sem nem ver quem os matou! — Eu acho que não é lugar para falarmos disto Joaquim! O ser me olhou e falou; — Nisto tem razão! Ele se levantou e falou; — Me acompanha! Levantei, era difícil encenar o tempo inteiro, e o segui, entramos em um carro e o ser falou no controlador; — Cobertura! 77

O aero veículo subiu e nem 10 minutos depois estávamos pousando em um imenso prédio, ao sul se via o mar, imenso, era o prédio mais a sul da cidade, abaixo dele, os estaleiros, mais ao norte, as fabricas de cidades flutuantes, adentramos um lugar grande para os padrões normais, mas não era magia, era físico, o rapaz dispensou os demais e olhou para mim; — Deve ter agitado os demais com suas planilhas de custo, sabe se é possível? Pela primeira vez olhei nos olhos do ser que falou; — Você esta sóbrio, como? — A pergunta é até quando, pois quando descobrirem, voltarei a ser uma lesma ambulante! — Acha que é possível? — Sim, mas não tenho recursos, os Carson não mostraram mais do que interesse pessoal, não quero algo assim, Call como humano deveria se preocupar, mas não se preocupa, como posso eu, um nada, querer fazer algo! — Você vive lá, deve ver coisas horríveis! — Não tem idéia do horrível senhor, entre as grandes concentrações que fazem parte desta mega cidade, tem bolsões de não existência, acho que nisto era mais sincero matar todos e começar de novo, a lhes explorar como exploram! — Sabe que pode estar se condenando a morte? — Estou morto, não sabia, mas estava, vivi em 30 dias o que não vivi na vida, nos 17 anos anteriores, descobri que ainda existem caçadores de Fanes, descobri que existem resistências não armadas, mas que nada podem pois são viciados, era tirar deles o abastecimento e suas dores seriam tantas que desistiriam da resistência, descobri que Imortais não se preocupam, mas como falei, já estou morto mesmo! — Sabe que nunca fui a favor do plano de Call, não rachamos em dois grupos, e sim, 4 deles, o alimentar, o dos estimulantes, os dois tocados por Call e a esposa, o náutico e 78

armamentício, e o de entretenimento, mas somos aliados quando de algo externo, como você! — Imaginei, mas como disse, amanha me dopam, me convencem que foi uma alucinação, me tiram da lista de especiais e pronto, mas vivi estes dias! — Não vai lutar pela idéia? — Não entendeu, estou lutando! — Mas não puxou ninguém para dentro, que luta é esta? — Passei a mais de 130 empresários as planilhas, e cheguei a algumas conclusões, entre elas que os seres lá em baixo, se acham felizes, segundo, que não existe lado certo, terceiro, é fácil para vocês, uma população de não pensantes! — Esta querendo levar um tiro, rapaz! — Sabe que não vou levar um tiro, vocês dirão que não tomava o estimulante, o que tem razão e dei um tiro na cabeça, ninguém vai contestar! O ser riu a minha frente e vi Paula entrar no local e falar; — Disse que ele acredita nisto, J! — Você o enganou direitinho, ele acha mesmo que é uma droga, nem tem idéia do que é tudo isto! Não falei, sabia que era uma ensina alimentar, não um vírus, mas queria ver até onde eles iriam, Paula olhou para mim com aqueles olhos verdes, mas não foi como antes, já não me encantou, e ela leu os meus pensamentos como sempre, e não sorriu; — Ele não é tão burro assim, J! — Esta gostando deste traste? — Ele sabe que é uma enzima, como não sei, mas ele sabe, mas a pergunta é se ele teria coragem mesmo de se matar! — Ele esta provando que sim, ele desafiou Call, em publico, não daria dois dias a ele! Aqueles olhos me olharam e perguntou; 79

— Por que o desafiou João? — Quem disse que o desafiei! — Todos falam! — Vocês não entendem de nada, imortalidade sem propósito, diria meu pai, mas de que me adianta explicar! — Mas se deixou tentar por ela? – A moça retrucou; — Ate sonhei com ela, mas vi que era sonho, apenas isto, talvez não entenda, mas vender—se por um objetivo é uma coisa, sem ele, não tem por que, como seu amigo falou, estou morto mesmo! Os dois se olharam e falaram em uma língua que não entendi, então um motorista me largou a rua, a 12 quadras da escola, obvio que dariam um fim em mim, mas quando era o que estava a querer saber, não sabia mais o que fazer, estava perdido; Depois de 2 quadras, vi que não chegaria a escola sem problemas, passei a mão na carteira, nada de documentos, e uma barragem de investigação ao frente, não podia correr, não podia me esconder, podia fazer uma identificação, até a materializei em minha mão, mas a desfiz e caminhei a ele e um ser me encostou na parede, só me perguntou; — Tem identificação? — Perdi o emprego ontem! – Respondi; Um gritou para o outro; — Um desocupado! Me jogaram em um canto e me chutaram, muito, eu estava um lixo, mas eles jogaram os meus estimulantes sobre mim e falaram; — Some, esta região é para trabalhadores! Andei duas quadras e sentei—me, não sabia o que fazer, e vi uma moça sentar—me ao meu lado; — Pensei que duraria mais! 80

Olhei a moça, era obvio que nem tudo que vivi era real, mas sabia pensar, e senti a moça me aplicar uma dose de alucinógeno, olhei para ela, uma infiltrada, lhe apertei a jugular, força nos braços eu tinha e ela perdeu a consciência, peguei a identificação dela, e vi que era segurança de controle, uma das tantas que existiam na cidade, mas vi que ela tinha muitos créditos em espécie, alguém a estava pagando, eu não queria ser pego, mas agora já era tarde, cai na encenação, mas quem era, quais de tantos, era quem descobrira, pois os demais não temeria, me veio à mente tanta possibilidade, nunca havia tentado pensar tanto, e vi que podia ser o que quisesse sóbrio, mas dopado, nada; Estávamos em um canto, oculto nas sombras de uma cidade imensa, a moça desacordada, a levantei, visualizei o andar rápido de um veiculo, eles passavam a toda nesta região, quando a menos de 20 metros empurrei a moça, o veiculo a acertou em cheio, ela voou mais de 30 metros, não olhei para traz, se fosse uma imortal me encontraria de novo, se não, no céu nos encontraríamos, andei no sentido da periferia, e vi que a realidade era mais cruel do que o que a moça havia falado, muitos machucados, muitos sem comida, mas todos munidos do entorpecente, comprei uma toca de frio, mais para esconder os machucados ao rosto que qualquer coisa, no dia seguinte estaria bem, mas em si, sabia que algo estava errado, tudo estava errado, dormi em uma rua que não existia nos mapas, abaixo da superfície, um dia deve ter havido uma grande avenida ali, mas se via muitos jovens sem ocupação ao rua, e parei em uma ponta a observar; Da moça havia pegou 4 coisas, a identificação, os Créditos, os estimulantes, e uma arma, sabia que conseguiria algo pelos estimulantes, eram dos caros, mas dentro de uns dias, não agora, achei um local para ficar, paguei em créditos, o senhor sorriu mas sabia que não queria ser identificado, era algo normal a aquele local, no dia seguinte, achei um rapaz a rua, que nitidamente estava a roubar outros mais lentos, mas 81

quando ele tentou pegar minha carteira, o segurei, ele esperneou, era muito jovem, uns 11 anos, o encostei na parede e um mais jovem veio pelas costas e falou; — Solta meu irmão senão lhe mato! Olhei o menino, estavam dopados, não sentiam nada, o menino esticava um paralisador, sempre disseram que era doido, mas não queria experimentar; — Calma, não o quero mal! O menino foi avançar e peguei o paralisador, e olhei para o que segurava na parede e falei; — Me ajuda, ou vou ter de lhe quebrar? — Se me soltar! Os demais não interferiram, não haviam câmeras, não existia controle, apenas o vicio, soltei o menino e ele saiu correndo, ele parou e viu que não correria, e ficou intrigado; Um outro senhor olhou e falou; — Não liga, só querem comer, estes estimulantes dão fome, sabe disto! Comercio, comercio e mais comercio, nada era pelas pessoas, mas se era para entrar na guerra, entraria, o mundo lá fora era pior que este, e o menino chegou perto e falou; — Não vai correr atrás? — Cair em sua arapuca, já fui criança menino! — Disse que precisa de ajuda! — Sim, você deve conhecer a área! — Como poucos! — Onde podemos montar algo grande, fora dos olhos? — Vai pagar ou quer na faixa! — Na faixa, pois os gastos serão muito altos! O menino olhou em meus olhos e falou; — Você não é como os outros, você foca os olhos! — Você também, não toma os alucinógenos? 82

— Não, dizem que era alérgico a lactose, nunca tomei! Olhei o menino e perguntei; — Então vai me ajudar ou não? — O que ganho com isto? — Nem sei ainda menino, mas depois comemos algo, mas tem coisas que não poderemos comer! — Lhe mostro um lugar! Eu segui o menino, sabia que era um caminho sem volta, nem tinha mais noção de onde estava, as placas apagadas, mas ele me mostrou o que parecia uma grande caverna, era muito úmido e falou; — Nos escondemos aqui, quando a segurança resolve re—socializar alguns! — Bom saber que fazem isto, me avisa quando for para correr! — Você vem lá de cima, o que pode ter de ruim lá! Tirei um alucinógeno e mostrei ao menino; — Isto que tem de ruim lá em cima, são seres sem direito de pensar como eu e você! — Mas eles querem que vivamos bem! Olhei o menino e perguntei; — Quando teve o ultimo problema de saúde menino? — Dor de barriga vale? — Não! – Respondi sorrindo; Ele sorriu, olhei o local, não era uma caverna, era um antigo estacionamento, base de concreto, bem deteriorado, se via as vigas dos prédios que vieram acima, e furaram estas, mas era coberto, teríamos de refazer duas calhas, e estaria muito mais seco, vi a entrada, uma parede em L, e olhei em volta, aquilo era um buraco, alguém um dia teve algo bem escondido ali, mas muito tempo mesmo, ainda usavam Televisores tridimensionais, ri por um momento, o menino me 83

ajudou e no fim sentamos em uma lanchonete próxima e ele perguntou; — Posso dividir com meu irmão? — Deve! O menino assoviou e uma menina, de uns 10 apareceu e com ela um menino mais novo ainda, e o menino que me apontara o Paralisador veio junto, passei a ele o mesmo, pedi 4 sanduíches a mais, que o senhor quis receber antecipado, cada um comeu um pedaço do sanduíche e guardou mais da metade, vi que estavam economizando comida, vi os olhos da menina mais nova, também estava sóbria, mas os outros dois eram bem mais lentos, mesmo a criança, não era certo isto, fomos ao local que o menino havia me mostrado e perguntei; — Quem é o dono? — Não tem dono, quer dizer, quem é dono no prédio de 200 andares acima, mas eles nem olham para baixo! — Sabe o que tem ai em cima? — Dizem ser um colégio! Pensei, caminhei no sentido do mesmo, não duvidava estar nos alicerces do grande colégio, mas se tivesse, teria como puxar energia, ajeitamos as coisas, e cada um se ajeitou em um canto, fechamos as portas, pesadas, mas era um canto que os demais não vinham, ainda não sabia por que, mas o menino falou; — A noite alguns dizem que seres da noite tomam o local! — Seres da noite? – Perguntei incrédulo; — Sim, nunca vi, mas não durmo aqui, mas com um adulto, com identificação, deve ser seguro! Pensei no que o menino falou, não tinha a identificação, mas como os de cima deveriam ter, era normal pensar isto, as crianças dormiram e fui a um canto, onde tinha um espelho e tirei a toca e vi que onde haviam chutado já estava bom, as vezes queria saber como estavam as coisas no colégio acima, 84

mas não tinha idéia, aquela noite foi até confortável, um pouco úmida, mas ali tinha espaço, acordei sedo e olhei em volta, estava sem o capuz e o menino me olhou e perguntou; — Alguém lhe pegou de jeito! — Seguranças, sempre muito educados com os demais! O menino riu e falou; — O que vamos fazer? Os corredores eram grandes, vi algumas lâmpadas e as desmontei, algumas armações de ferro, portas, algumas ferramentas, tudo muito rudimentar, trabalho braçal, lembrei de ouvir meus pensamentos, que para que alguém faria as coisas com suas mãos, desparafusei duas grandes placas, e pus com ajuda do menino na entrada da porta, o que dava a impressão depois de entrado, que era uma peça sem saída, colocamos algumas placas na parte onde pingava umidade, e prendi umas luminárias, nos seus lugares, recolhi disjuntores e fios, fiz toda a ligação, e quando achei os fios dez andares acima da luz da escola, vi também cabos de informação, ainda não era a hora, mas puxei a luz e as crianças sorriram ao ver que teríamos luz, pensei que poderia ter aprendido mais nos dias entre os imortais, mas não tinha mais como retornar, no dia seguinte, compramos colchões velhos, e um computador pessoal bem antigo, em uma sala mais a baixo, pegamos uns sofás que pusemos para secar, e algumas coisas, tínhamos um local para morar, mas puxei o sistema e por dois dias, tentei ter acesso, não sabia o que a segurança estava achando disto, mas alertei as crianças para ficarem de olho; Nestes dois dias, eu e Pedro, o menino mais velho, fomos esvaziando os 10 andares acima de nós, fomos empilhando coisas, abrindo espaços, e o menino no fim do 2 dia perguntou; — O que pretende? — Não sei ainda, mas preciso fazer algo, mas para isto, preciso pensar, e mexer os músculos me faz cansar o suficiente para dormir e ter algumas idéias! 85

— Você é maluco? — Sou, eu estudava na escola acima de nós, tinha como os demais falavam, um futuro, e escolhi mudar isto, provocar, e descobri que me queriam como um fantoche, prefiro ser livre, pensar e agir, mesmo sem objetivo, do que trabalhar para que um babaca faça dinheiro! O menino sorriu, podia não ter me apercebido, mas tinha uma família a cuidar, mas sabia que o dinheiro escassearia e comecei a pensar, tinha de ter algo que pudesse fazer, mas quando consegui acesso ao sistema, vi como estavam as coisas, meu quarto estava ainda vazio, desculpa, intercambio em uma cidade flutuante, olhei o menino e falei; — Dentro de 6 dias vamos passear! — Para onde? — Buenos Aires, mas precisamos de roupa! — Eu consigo! – Falou o menino; Sorri, terminei naquele dia os encanamentos, os banheiros existiam, mas estavam a muito abandonados, fechamos todas as entradas de água ou ratos, tínhamos crianças ali, quando no 4º Dia com água e luz, lavamos um antigo banheiro, imenso banheiro, deveria ser algo para muitas pessoas usarem, mas só tinha um chuveiro, desentupimos e o lugar com azulejos brilhou, e foi o primeiro banho depois de dias, e até ganhamos cara de seres civilizados; Os dez andares para cima estavam limpos, agora iríamos para baixo, e Pedro perguntou; — Por que estamos fazendo isto? — Não gosto de ser surpreendido, então se soubermos que não tem entrada, fora a que tem lá em cima, estamos tranquilos, outra coisa, isto para quem não conhece, nos dá vantagem de se esconder, podendo servir para que possa lhes ensinar o básico! — Vai me ensinar a escrever? – Perguntou o menino; — Mais que isto! 86

Descemos um andar, a umidade das paredes, fomos cobrindo com as placas que achamos, sempre separávamos ao centro das peças o que nos podia ser útil, estávamos lá quando ouvimos a menina gritar a cima e Pedro subiu correndo, eram dois meninos mais velhos, estavam a despir a menina e um apontou uma arma para Pedro e falou; — Fica quietinho, que estouro seus miolos! Não poderia olhar aquilo, e dei a volta e subi pelo outro lado, e quando o rapaz se virou, eu o acertei a cabeça, uma das crianças, a mais nova estava ao chão sangrando, na cabeça, o menino apontou a arma para mim e vi Pedro avançar sobre ele, não deu tempo de falar para não fazer nada, o menino o acertou e mirou em mim, uma raiva me tomou, olhei o menino no chão, outro baleado, a menina despida e apontei a minha arma para o menino, ele recuou, era fácil atirar em desarmados, e atirei, pegou no braço dele, outros dois entraram pela porta, vi que eram uma gangue, quando me viram armado saíram pela porta e sumiram, o marginal sangrava no braço, olhei o menino que outra ora estivera com o imobilizador na mão, entrar com um sorriso e soube que ele que trouxera os demais, e ouvi; — Esta em maus bocados, eles virão com tudo! Não pensei e descarreguei a arma, o menino tombou na porta, fechei a porta, e pedi para a menina se vestir, e ela foi ver o irmão, ao chão sangrando na cabeça, puxei para dentro o menino morto a porta e o que estava com o braço sangrando amarrei, e fiz um torniquete na perna do menino, se estivesse dopado, ele não sentiria aquela dor, mas não daria aquilo a ele; A menina não falava muito, mas falou; — Por que nos defende João! — Acha certo isto? — Eles não nos matam assim! — Mas lhe engravidam e vem mais um por ai, não é uma adulta ainda para ter filhos, menina! — Obrigada, mas eles vão voltar! 87

— Quem são? — Eles controlam tudo aqui, eles que mandam! — Quantos são? — Mais de 50! — Amarra aquele ali, e pega o sal que achamos no deposito! — O que vai fazer? — Eles são carne, melhor que de rato! — Os outros vão reclamar! — Menina, matamos um, eles virão com força, mas sem um informante! — Pensei que Guto era amigo! — Também pensei, mas aqui não existe amigos, e sim ameaça, mas os demais devem estar se escondendo no caminho para cá! — Com certeza, pois quando eles vêem é para badernar geral! Pedro abriu os olhos, se via a dor, e com a ajuda da menina, levamos os dois 10 andares acima, e os sentei lá e desci, fiz a menina prometer cuidar deles por um tempo, e fechei uma porta pesada atrás dela, e desci os dez andares pela escada correndo, um bicho tomou meu corpo, cortei os meninos em pedaços, e pendurei na peça, com sal grosso, tirei os colchões e fechei as portas para as escadas a para cima preguei uma placa escondendo ela, a para baixo, em um dos lados, preguei e deixei a outra visível, era algo que me guiava, não sabia o que, mas algo me mandava os conduzir para baixo, peguei a arma do menino, e o imobilizador do outro, a cena não era boa de ver, aquelas pernas, braços, cabeças de 3 crianças penduradas na peça, e esperei eles chegarem, ouvi os barulhos, vi quando um veiculo se lançou na porta da frente e a arrancou, depois um puxou as placas, até aquele momento era festa, mas se viu os rostos de revolta, ao ver os corpos aos pedaços, se foram salvar alguém, não teria mais o que salvar, eu tinha 5 88

tiros, não mais que isto, em uma das descidas das escadas, abaixado, apenas a cabeça para fora, as luzes da parte onde os corpos estavam acesas e o resto em um breu, um rapaz maior veio a frente, e falou bravo; — Quem foi o desgraçado que fez isto com meu irmão! Dei o primeiro tiro que atravessou a cabeça do rapaz, que caiu lentamente e os demais começaram a atirar em todos os sentidos, sem ver para onde, dei mais dois tiros, poderiam me matar, mas teriam trabalho, três mortes a mais, estava virando um matador, já eram com a moça da segurança, 7 mortes, não tinha como matar todos eram muitos e corri pelas escadas abaixo, os demais ouviram os movimentos e um carro jogou a luz e tudo acima pareceu iluminar-se, corri para baixo, desci dois andares a correr, e esbarrei em algo, não sabia quem estava ali, mas vi os olhos brilhosos, não sabia onde estava, mas senti as mãos me pegarem, e me arrastarem, os demais nem vi, mas ouvi os tiros, algo me bateu a cabeça e desacordei por um tempo; Acordei com um balde de água fedida a cara, e uma moça me olhava de frente e emitiu um som que não entendi; Olhei em volta, alguns rapazes presos, amarrados como eu, poucos para 50 pessoas, 4 exatamente; Um deles xingou quando a moça falou, e finalmente entendi, ela falava um dialeto de Português antigo, e olhou para mim e falei lentamente; — Meu nome é João Moreira! — Por que invadem nosso mundo? — Desculpe, eu lhes perturbei, mas eles queriam me matar, não tinha outra saída! — Então confessa que é culpado por isto! — Sim! Os demais estavam muito malucos ainda para falar mais lentamente para a moça entender, mais cantado, um deles olhou para mim e falou; 89

— Quando seus amigos nos soltarem está morto! — É burro mesmo, estamos mortos, não entendeu! O rapaz olhou em volta, eram mais de 300, os olhos brilhavam ao escuro, e me olhou; — O que eles tomam, para os olhos brilharem assim! Não respondi, eles poderiam ser Fanes, poderiam ser humanos dejetos das guerras nucleares, escondidos, poderiam ser até outra espécie, mas não me cabia saber isto, os atrai, e isto que importava, mas quando vi arrastarem as crianças para dentro me irritei; — E vocês, por que invadem nosso mundo e arrastam nossas crianças para cá! – Olhei a moça seriamente; — Aquele local é parte do nosso mundo! — Discordo, aquilo foram escravos como eu e estas crianças que montamos para que seres acima de nós vivam bem, não foi você que construiu! — Você não fez nada menino, é uma criança, eles nos forçaram a muito tempo a construir as bases, depois nos largaram aqui, não podemos viver ao sol, nosso mundo é os esgotos destes seres que parece não gostar também! — Moça, lá em cima, tem um exercito de dopados como estes ai, mas as crianças não tem nada a ver com isto, estes seres atiraram e bateram nelas, mas deixe elas irem, peço por elas, não por mim! A moça anda até a menina, e olha os olhos dela e vê que o menino no colo dela estava machucado, ela o tocou, vi as feridas se fecharem, ela tocou Pedro ao chão, estava desacordado, deve ter perdido muito sangue, antes dela abaixar-se, a menina falou; — Obrigada moça! Ela tocou Pedro e a bala sai do corpo e se faz uma cicatriz, e ela olha para mim e fala; — Elas não matamos, mas sabe que não sairão daqui! 90

— Obrigado! – Agradeci sem sentir, a moça me olhou estranho, mas não entendi por que; — Sabe que os mataremos? — Sei, mas as mantendo vivas, tudo bem! Lá em cima estão todos viciados, não é vida aquilo moça! — Não entendo você, parece mais forte do que mostra, sabe se defender mas não nos atacou como estes ai! — Eles são o que a sociedade os fez, matadores, assassinos, exploradores dos demais, da desgraça dos demais, eu não sou nada, não preciso viver! Os demais entenderam que era o fim, a menina segurou minha mão e fala; — Mas quem vai nos proteger! — Eles vão lhe proteger, pequena menina, são melhores que eu nisto, tentei lhes dar um lar, o que consegui, quase os matar? — Você nos deu um lar! Uma lagrima correu em meus olhos, achava mesmo que iria morrer, mas lá encima estava morto, ali em baixo estava morto, não tinha diferença; Me jogaram em uma cela, e não comi, sentia a quantidade de entorpecente nela, se era para morrer, tinha de ser ciente de quem era, a fome, depois de um tempo pareceu ser insignificante, no escuro do local, dava para ver que era limpo, mas um breu total, vi que conseguia controlar minha retina as vezes a ponto de enxergar, estranhei isto, mas para que ver, o fim estava breve mesmo; Não sei quanto tempo fiquei lá, quando fui levado a um local escuro, tudo o era, sentia as pessoas em volta e amarrado as costas sentia um cheiro de carne fresca ao ar, sangue mais exato, agucei a vista, estava curioso de ver o que estava acontecendo, queria saber o que seria meu fim, olhei em volta, os 4 rapazes estavam pendurados, aos cantos, escorrendo sangue, foram cortados abaixo do queixo até a barriga, escorria 91

sangue, e os intestinos de uns tendiam para fora, eles estavam vivos ainda, pois estavam dopados, estranho algo assim, sangravam muito e esta falta de sangue os mataria, pelo menos não resistiria ao corte, morreria rápido; Olhei para a moça a minha frente, e ela viu que a via, pois a olhei aos olhos; — Tem direito a um ultimo pedido, mas não vale pedir a liberdade! — Não entende que aqui embaixo és livre, lá encima seria escrava, mas não tenho nenhum pedido! — Mas temos de lhe oferecer, se não quer nada, podem o pendurar! Senti alguns fazerem barulho e não ofereci resistência, me amarraram a uma corda e me penduraram, já sabia o que iria acontecer, e ouvi um choro, sabia quem era, olhei ao fundo e olhei para a senhora e falei; — Se tenho direito a um ultimo pedido, não queria que elas presenciassem isto! — Por que, se é a regra da casa? — Não pode me satisfazer nem o ultimo pedido, por que me propôs ele moça! – A olhei aos olhos, eram de aparecia humana, mas aquele brilho nos olhos era estranho, vi que as crianças estavam com o mesmo brilho, deveria ser o que fazia meus olhos verem no escuro, mas fechei os olhos, e senti a moça encostar a faca em meu pescoço, morte estúpida; Um silencio se fez e ouvi a moça falar; — Por que intercede por ele? — Por que ele é um dos nossos, se não sabe mais ver isto, perdera a liderança Magda! Mantive os olhos fechados, nem queria saber de quem era a voz, parecia conhecida, mas fosse quem fosse, não me importava mais, estava morto mesmo; Incrível o que a mente pensa em dias que não temos mais esperança, ela lembra do passado, ela se apega a momentos 92

bons ou ruins, dependendo do dia, mas sem objetivo, ela apenas corre o passado como se procurando a sua vida, me achei em dois pontos, a imagem da minha mãe, não lembrava de meu pai, e da menina agradecendo, mas depois de uma interminável discussão, alguém me desamarra o tórax, como ainda estava com as mãos amarradas, inclinado a frente, e com os pés amarrados, cai de cara do chão, esfolei o queixo e o lado esquerdo do rosto, mas nem me mexi, estava morto, será, ouvi a menina falar para alguém; — Obrigada por o salvar! — Ele é importante, mas não sabe disto menina! Somente nesta hora reconheci a voz, era a de Pietra, não olhei, mas era ela, como não olhei a menina veio até mim e falou; — Nem olha quem lhe salva? Olhei meio que sem entender, não queria ajuda, queria o direito a morrer, mas sabia que ela lia meus pensamentos, e perguntei por que? — Es especial João, nunca entendi por que saiu daquele carro! — Sabe por que Pietra, mais do que eu! Ela não argumentou, sabia de algo, mais que eu, mas me falou; — Às vezes esqueço que as pessoas sentem emoções, mas saiba que não o queremos mal! — Às vezes esqueço que imortais não sentem! A menina não gostou da frase, se viu na feição dela, e me fala; — Peter pediu para o poupar, se quiser mudo de idéia! Eu não era de recuar e ela sabia, olhei para Magda e falei; — Pode me matar, ela já mudou de idéia! Magda me olha, não sei o que passou na mente dela, mas ela veio a mim e me desamarrou; 93

— Alguém que não teme a morte não merece morrer! Pietra me olhou e falou; — Sabe que não temos como apoiar a idéia, você era vigiado, o que esperava! — Sinceridade, apenas isto! — Mas alguém o havia entregue, se o apoiássemos seriamos retalhados! — Desculpa, mas se vocês não podem, Call não pode, JJ não pode, ninguém pode, ou melhor, ninguém se importa, dá para o pessoal de Magda na comida dela, entendi que não querem! Pietra some no ar, sabia que podia nem ser ela e Pedro veio a mim e me abraçou, a menina olhou para ele e falou; — Dani! – Sorri, ela sempre disse que não tinha nome, que não importava, mas ainda estava em terras estranhas; — Quem é você que Peter intercede mas não aceita a ajuda! Olhei a moça e falei; — Sabe que lhe dopam pela comida? Ela me olhou desconfiada e perguntou; — Como sabe? Apontei os rapazes e falei; — Eles estão vivos, comeram o que me deram, deveriam esta com dor de cabeça, mas estão vivos por não sentir dor! Magda olhou os rapazes, eles ainda olhavam para elas, era a forma que gostavam de matar, mesmo que saíssem dali, morreriam; — Mas como podemos não comer? — Pelo que entendi, são Fanes! — Sim, da cidade Prata, mas ela se inundou, alguma entrada subterrânea de água! — Mas por que vivem aqui, escondidos? — Dizem que não somos bem vindos lá em cima! 94

— Eu sou um Fanes, e vivia lá em cima, qual a diferença? — Não sei, mas por que não disse que o era? — Você sabia que eu era, não preciso falar que sou homem, assim como não preciso dizer que sou Fanes! — E as crianças? Eu ri, a moça não sabia nem em que mundo vivia, teria de saber mais e sabia que ela dominava dons, ou magia, não sabia, pareceu dons; — Como esta nossa casa? — Isolada, os da cidade isolaram ela, depois da cena de morte que você montou, daí amontoamos alguns lá mortos, eles isolaram tudo! — Posso ir lá ou sou prisioneiro? — As vezes tinha de pensar antes de falar! — Verdade, não teria todos querendo me matar! A moça indicou o caminho, tive de reverter a retina, para enxergar, era muita frequência de luz, olhei as pilhas, moscas, carne estragada, desperdício, mas sabia que as que havia salgado, estavam boas, e nem me preocupei com o não comer carne, não era mesmo chegado a magia, nem cheguei a imortalidade e já havia quase morrido, estava meio perdido, olhei para Pedro e falei; — Tem aquele cal no terceiro anda, vamos usar ele! — Para que? — Não gosto de comer mosca! – Falei sorrindo, Magda aparece a minhas costas com óculos bem negros e vê que eu enxergava lá, e perguntou; — Vai fazer o que com esta carne podre? — Se tivessem salgado, teríamos comida, mas assim, apenas lixo, mas quero perturbar, então vamos incomodar e gerar uma saída! — Não entendi! 95

Peguei uns sacos e levei ao 12º andar, não estava nada gostoso aquele cheiro, fechei a entrada dos cabos, ergui uma parede dupla de armações metálicas, e na entrada de ar, colocamos todos os pedaços de gente, estava podre, as moscas vieram junto, no chão do local, jogamos cal, fechamos o lugar, isolando o andar, e lavamos a nossa casa, e Magda viu que tínhamos até conforto, eles estavam pior instalados, e perguntou; — Tem um espaço grande, mas o que pretende? — Não sei ainda, mas perdi uma chance de viajar e ainda nem sai daqui – Olhei o menino e falei – Pedro, me pega aquele pé de cabra no segundo piso! — Vai nos mostrar ao mundo? — Não, mas aos poucos vão aparecendo, os demais vão se assustar com a gente, mas já que alguns lideres estão desconfiados, podemos ter uma leva nova de ataque, daí desço lá mas desta vez, sem desperdício! — Não quer aproveitar aqueles pendurados? — Lógico que vamos, ou vai jogar no lixo! A moça sorriu, ela não era ruim, mas respondia pela segurança dos seus; Pedro trouxe o pé de cabra, forcei e abri a porta, e uma leva de seres viram eu e as crianças a andar a rua, sentamos na lanchonete em frente e pedimos dois sanduíches, eram mais saldáveis que as comidas dos Fanes, o senhor nos olhou e perguntou; — Pensei que tinham morrido! Olhei-o serio e perguntei; — Sobraram quantos ainda? — Uns 10, mas o pessoal esta mais tranquilo, o que foi aquilo? — Nos escondemos, na escuridão eles se mataram, mas ainda tinha dois escondidos e não podia arriscar a vida das crianças! 96

— Vão morar ali ainda? — Sim! – Comemos os sanduíches e voltamos ao local, instalamos as portas de novo, a parede de proteção e não deu o fim do dia, alguém estava a arrombar a porta, as crianças subiram e os rapazes me viram sentado ao sofá, estava com uma faca na mão, era para eles pensarem, e um falou; — Quem é você, comeu tudo, agora veio buscar mais? — Não, salguei, não quero ter de matar mais do que preciso! Os rapazes me apontaram as armas e falei; — Por que não paramos com esta coisa idiota rapazes, querem mesmo morrer? — Mas você matou dos nossos! — Eles que vieram me caçar, sabem disto, não mexi com ninguém! — Mas você é perigoso! — Sou perigoso! – Eu me levantei, os rapazes recuaram, eu dei uns passos em direção da escada de descida – Querem mais alguma coisa? — Nós vamos lhe matar! Quando vi um deles destravar a arma pulei na escada e desci rápido, primeiro anda, vazio, apagado, segundo andar, vazio, apagado, terceiro andar, aceso, 4 deles abertos a barriga, vivos, os rapazes olharam aquilo, antes de falarem estavam imobilizados, por vários seres, e Magda me olhou e perguntou; — Fazemos o que? — Sangra, depois salga, assim podemos comer com calma! Os rapazes viram que não sairiam vivos, penduraram os rapazes de ponta cabaça e mataram os deixando sangrar, e fui a cidade, e Pedro foi ao meu lado, e perguntei; — Onde era a base deles? — Eu mostro! 97

Adentramos um prédio, haviam garotas lá, novas demais, algumas empunharam as armas, e falei; — Quem quiser ficar, estou assumindo o lugar, mas terão de obedecer a mim! — Kiko vai voltar e lhe matar! – Falou uma; Olhei a menina e falei; — Mortos não voltam, outra coisa, amanha não quero lhe ver com estes metais a boca, e quero este lixo arrumado! — Você matou ele? Não respondi, olhei os armamentos, mas o que queria estava num canto, sistema de comunicação para cima, li os alertas e olhei a menina e perguntei; — Quando eles lançaram este alerta? — Antes de ontem, o pessoal deve vir hoje! Olhei Pedro que atravessou o local avisando todos que os seguranças viriam, foram fechando portas atrás de portas, o que era uma cidade, virou uma serie de corredores, sem vestígio de vida, e olhei para a menina e perguntei; — O que eles geralmente falam? — Nem passam aqui, mas parece que um viria, pois estão procurando alguém especial! — Sabe quem? — Kiko disse que mandaram uma foto, ele foi lá buscar o cara depois de avisar que ele estava aqui! Acessei o sistema e minha foto tridimensional foi projetada e as 4 meninas recuaram, eu era o cara, e olhei elas e perguntei; — Querem sair deste buraco? — Eles não vão vir ressocializar ninguém, eles vem para limpar a área, de tempos em tempos fazem isto! — Então espero que saibam atirar! Fui passando uma arma para cada, e peguei uma leva de armas, bati em cada porta e avisei que eles vinham limpar a 98

área e fui armando o pessoal, as crianças foram sendo levadas para o buraco, e os demais seguiram elas, olhei Magda a porta e falei; — Não os matem, são sobreviventes como vocês! Os demais viram os seres, surgirem de todos os lados, e os conduzirem para baixo, os corredores para as demais partes, foram sendo fechados, embora a cidade se unisse por baixo, quando se dava o alerta, separavam-se em milhares de pequenos grupos, as meninas armadas foram juntas as crianças, eram crianças também, sabia que elas não gostariam de ver os mortos, mas marginais, se eles queriam viver, teriam de mudar de lado, acessei o sistema dos marginais, eles vendiam as pessoas, quando precisavam diziam onde conseguir o que, mas nestas investidas, muitos morriam, os que não interessavam a eles, tinham acesso a rede de informação, olhei as minhas informações, todas normais, somente com acesso especial, com senha se teria os verdadeiros dados, pensei quando a moça falou em Kiko e digitei, não acreditava ser, mesmo sendo uma senha de 4 dígitos, mas abriu as informações; ―Procurado por matar uma segurança, por ser perigoso, com adendo de estar armado, atirar para matar!‖ Soube que não teria boa recepção, mas também sabia que atirariam em todos, não estavam querendo sobreviventes, olhei a hora da visita surpresa, dentro de duas horas, mas tinha um adendo pichado na parede; ―Desgraçados, nunca na hora mesmo!‖ Peguei as granadas, as armas, e posicionei na entrada do túnel, haviam outras, mas teriam de entrar por ali, olhei a sujeira aos cantos, derramei gasolina naquela vala cheia de lixo, e escorreu no sentido da entrada, estava cheio, o cheiro era até agradável comparado ao cheiro do local, e quando chegou a hora, estava eu sentado a frente da entrada, suicídio puro, e vi os seguranças com coletes e toda as proteções possíveis, tinham lança mísseis as mãos, não tinham noção de onde estavam, mas se era guerra, era guerra, eles me olharam e 99

alguns ficaram tensos, uma coisa era pegarem as pessoas de surpresa, covardemente, mas a idéia era simples, joguei o fósforo na manilha e o fogo foi correndo com violência para o lado deles, alguns foram pegos de surpresa, deixei duas granadas no veiculo e corri para o local dos marginais, e quando os seres me viram correndo, avançaram rápido, o carro explodiu, vi alguns pegando fogo, mas eram poucos, eu estava a frente do local, eles teriam de ver para onde eu ia, esperava que não conhecessem o local tão bem; Ouvi o rapaz pedindo reforço e a estática não deixou claro se eles ouviram, vi um deles mirar um lança mísseis e me joguei ao chão, a explosão detonou com uma coluna, muita poeira se viu ao ar, ouvi mais duas explosões, corri para dentro, fechei a porta atrás de mim, e desci por um tubo, e comecei a rastejar por baixo deles, era um piso suspenso, uma granada ao fundo explodiu e mais lança mísseis foram acionados, vi a leva de seguranças acima de mim, uma granada que havia deixado mais ao fundo, onde entrei explodiu, e senti o calor passar por mim, mas os rapazes sobre mim, deveriam ter mais de 100 adentram o local, eu acelerei o meu rastejar, e o rapaz atira um lança mísseis a mais para o fim do local, valentes, ouço o estrondo e depois um grande estalo, tentei rastejar mais rápidos, os idiotas não perceberam nada antes de virem a ultima coluna estalar, um prédio de 100 andares desaba a cabeça, o pó entra dos mínimos lugares, mas lembro da minha perna presa, desacordei de novo; Acordei mais de 30 horas depois em uma sala, não sabia onde estava, olho em volta, e vejo Dani me olhando e ela grita; — Ele acordou! Vi Paula vir lá de dentro e me olhar, não a encarei, era mais fácil sem olhar nos olhos dela; — Sabe que é mais resistente que seu antecessor, ele saia do prédio antes de demolir!

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Olhei os demais, o corpo estava doido, mas Pedro veio ao lado da irmã, e sorriu, e a menina pegou em minha mão, estranho formar uma família assim; — Pedro, onde estamos? — Na casa da moça ali! – Fala apontando para Paula; — O que fazemos aqui Paula? Ela me olha, não estava com uma cara de paz e falou; — Alguém derruba o prédio de segurança da cidade, e me pergunta o que estou fazendo aqui? Não falei nada, ela não havia respondido, e sabia disto; — Queria mesmo morrer lá pelo que entendi? — Gosto de me sentir útil, se derrubei o prédio certo em milhões de prédios, já é um começo! — Você não tem noção do caos que uma cidade destas vira sem segurança, alguns grupos a anos no submundo saíram de lá atirando em tudo, matando, tem noção do que é isto? — Sim, eles estão morrendo com as balas que os senhores de cima armaram eles para matar os de baixo, mas na ausência de alguém em cima que lhes desse medo, os marginais, que matavam, estupravam, extorquiam na cidade que não existe, a mando dos de cima, resolveram por as mangas de fora! — O povo não tem culpa João! Segurei firme a mão de Dani e olhei para ela e falei; — Sabe que agora lá é mais seguro que aqui, tinham de estar escondidos! — Pai, você é importante! Nunca alguém havia me chamado de pai, era uma responsabilidade para a vida, olhei a menina e a abracei e falei; — Vocês são mais importantes, são o futuro, pois vivemos de passado! — Mas você teria morrido lá! – Dani; 101

— A moça ali não contou que se fosse para morrer teria morrido, pois não sou imortal! Eu vi que Paula me olhou, mas não desviei os olhos, virei para Pedro e falei; — Tem de os proteger, menino! Ele sorriu e falou; — Quando pediu ajuda, não disse que iria derrubar a segurança da cidade sozinho, senão nem teria perguntado se me pagaria! Ri, pois o menino achava um feito, e obvio que Paula não gostou do rumo da conversa e falou; — Tem de ficar mais um dia, daí pode levar eles para onde quiser! Olhei para ela e perguntei; — Algum motivo para esperar amanha? — Nada grave, mas para sua informação, quase toda a cidade subterrânea veio a tona, pois dizem estar impossível respirar até o décimo andar na área afetada! — Menos mal, não perco aula! – Me esforcei para me levantar, não estava contente em estar ali, e senti ela me aplicar algo ao braço, e apaguei novamente, estava muito fraco, pois já era o meu terceiro apagar, o terceiro da vida; Acordei e a cabeça estava pesada, vi a ampola ao lado da cama, estava em uma hospital, as crianças não estavam ali, abri as retinas, senti o entorpecente na veia, olhei para a porta, seguranças, olhei para a janela, muito alto, olhei a mesa, entorpecentes, e xinguei, mas tudo bem, olhei o relógio na parede, fechei os olhos e ouvi um rapaz vir ao quarto e falar; — Entregaram ele ontem, mas não parece alguém capaz de derrubar um prédio! Uma segunda voz falou; — Mas foi ele, considere que mais de 3 mil pessoas morreram nesta ação, e continuamos tirando gente dos 102

destroços, mas a pergunta é como os meus homens afirmam que ele estava lá, poucos segundos antes de vir tudo a baixo! — Esta a dizer que estavam o caçando e ele trouxe um prédio sobre ele? — Estas informações são de segurança médico, acha que quando ele pode responder a um interrogatório? — Amanha, pois foi entregue inconsciente e fizemos um exame de sangue, alguém o dopou, mas o índice de entorpecente estava baixo, ele pode ter tentado se matar senhor, ele estava quase são! — Mais isto, alguém deixou o cara são, e os meus homens entram em campo sem saber que não era um assassino e sim um maluco que tinham a frente! O medico falou algumas coisas e soube que teria se sair dali, pois 3 mil mortes não eram 7 ou 20, eram 3 mil, mas me veio uma idéia mais maluca ainda, e sabia onde iria, quando saísse dali, estava entorpecido, mas não gostei do que Paula fez, se era guerra, teríamos guerra; O medico saiu pela porta, eu olhei o entorpecente, apliquei ele e peguei mais dois deles, abri a janela, muito alto, peguei a colcha da cama, e amarrei as duas pontas, peguei nas amarras nas duas extremidades, olhei para baixo e pulei, era suicídio, mas quando soltei a colcha senti os braços estenderem e desacelerar, o tecido sintético não resistiria muito, nas se desse para chegar mais baixo, seria um ganho de vida, quando vi que a velocidade diminuiu, avistei uma janela no prédio em frente, e adentrei por ela, era um cubículo, a moça se assustou, pedi desculpas e sai pela porta, passei pelas escadas e desci rapidamente, sabia que ainda não tinha escapado, olhei uma linha de saída de água, e me esquivei por ela, sabia muito bem onde iria, quem mata 3 mil, mata outros 3 mil, seria pena de morte mesmo; Ainda assim seria melhor que ressocialização, olhei em volta e senti o corpo acelerando pelo túnel, uns cortes aqui, 103

outros ali, mas parei doidamente 10 andares abaixo, apliquei outro no pescoço, sabia das consequências, mas estava com muita dor, os braços ainda latejavam de ter segurado no lençol por mais de 80 andares, depois mais 10 cortes por andar que desci por aquele duto de metal, me ajeitei e olhei para o local, era um duto de divisão, teria de caminhar por um dos lados e voltar a descer, esperava não escolher o que acabava na rua, mas comecei a andar, escolhi o norte, pois o prédio em si, que havia saído, era a sul, caminhei mais de 6 mil metros e um duto começou a descer, queria ir mais baixo possível, quando me deparei com uma proteção de arames finos souber que estava no caminho certo, não queriam ratos subindo por ali, forcei com o pé e continuei a descer, passei daí a ter ratos de companhia, sabia que a partir de agora, seria sem entorpecente, mas quando cheguei a parte abaixo da rua vi que o ar estava bom, mais mentira, alguns me viram surgir numa ponta da rua e um senhor me apontou, e outro veio a mim e falou; — Você não é João Moreira? — Lhe conheço? — Não, mas esta em todas as noticias! O senhor, deveria ter uns 90 anos, estica um jornal de papel, a muito não via um, com sua cara estampada, a palavra herói ao lado da foto não me agradou e falei; — Não sou herói senhor, mas poderia me informar como chego a região do antigo prédio? — Esta desorientado pelo jeito, fugiu de onde? — De um hospital acima, 3 mil mortes não me darão nem direito a julgamento! — Tinham falado que era um prédio desativado da policia, mas ninguém falou em 3 mil mortes! — Senhor, o prédio que veio a baixo, é um prédio de 100 andares, não este que parece na foto, aquele central da segurança! O senhor olha para o outro e fala; 104

— Ele disse que foi o prédio central, não este da periferia! Muitos olham para ele, e o senhor fala; — Ajudo o senhor a chegar lá! Ele me indicou o caminho, muitos me olhavam, estava a querer saber das crianças, o resto arranjava depois, depois de 10 horas andando, minha cabeça começou a latejar, o senhor me ofereceu um entorpecente, quase aceitei, mas disse não, queria a lucidez, e sabia que seria muito ruim desta vez, mas me sentia traído, se antes eu achava que fora enganado, agora fui largado a sorte, passei por alguns túneis, em um o senhor falou; — Este caminho dizem ser mais rápido, mas ninguém sobrevive! — Então vou por ele, agradeço senhor a ajuda! — Mas é perigoso! Sabia que era, podia ser outro grupo, outro tipo de perigo, mas entrei no local, vi as escadas descendo e quando desci 10 andares, agucei mais a vista, e vi um rosto familiar a frente e falei; — Tudo bem Magda? — Não sou Magda, ela é minha irmã e inimiga! — Preciso de inimigos mesmo, já não me serve todos os primatas acima! Alguém chegou a moça e falou algo, e ela falou; — Meu segurança disse que estão pagando bem por sua cabeça, fora do corpo! — O que é bom preço para você, não sei seu nome? — Marise! — Qual o preço de minha cabeça, já que vou a perder, quero saber o preço! — 10 mil créditos! 105

— Sabe que isto me faz mais importante do que sou, mas lhe explicaram por que querem este valor? — Não! – O rapaz cochicha no ouvido dela e ela me olha e pergunta; — Você é João Moreira? — Sim, sou João Moreira! — Sabe que ninguém acredita nas historias lá de cima, alguém capaz de derrubar um prédio para matar 200 seguranças, corajoso! — Eles não diriam a verdade, moça! — Por que não? — Eles estão com tumultuo generalizado, mesmo sem falar que o prédio central de segurança veio a baixo, imagine se eles falarem! — Você implodiu o prédio central deles? — Não, eles explodiram, mas isto é detalhe técnico! — Por que eles fariam isto? — Por que seguranças quando vêem para baixo, vem dopados, e alguém se preocupa se o lança mísseis esta detonando a coluna de estruturação de um local como este? — Esta a me dizer que não fez, foi acaso? — Não acredito em acaso moça, vim por este caminho por que dizem que ninguém sobrevive a ele, tinha de ter irmãos Fanes nele, mas nosso lugar não é neste buraco! — Mas não conseguimos nos adaptar a luz lá de fora! — Sei disto, mas tem de acreditar mais em vocês e menos nas pessoas que lhes prendem aqui em baixo, pois fui entregue a eles, por Paula Carson, não por um humano! — Tem certeza disto! — Queria não ter moça, eu amei aquela menina! Ela me olha com desconfiança e fala; — Lhe deixo na entrada do reino de minha irmã, mas tem de se cuidar, ela é uma aliada dos Carson! 106

— Sei disto, mas prefiro morrer lutando, ou pela mão dos irmãos, e não entregue a sorte em um hospital, outra coisa, as comidas estão todas com energético, isto não as deixam aguçar a vista lá fora, perdem o controle físico, isto é físico, não é dom! — Tem certeza? — Tenho! Um rapaz me conduziu mais 12 horas por caminhos subindo e descendo, senti quando nos aproximamos, o cheiro de pó me fez prender um pano ao rosto, e na entrada do reino de Magda o rapaz me deixou e um veio a frente e falou; — Não é bem vindo, João Moreira! — Fala para Magda que preciso apenas de uma informação, não quero a complicar! Sentei e fiquei esperando, o ar estava pesado, mas demorou um pouco e Magda veio a frente e falou; — O que quer menino, já não nos complicou suficiente? — Quero apenas saber se sabe onde estão as crianças! — Por que quer saber, quase nos matou, a todos! — Mente tão mal quanto Paula, Magda, sabe que não fiz, mas tudo bem da próxima vez trago eles para seu lado com lança mísseis, os Fanes já foram respeitados, agora, patéticos! — A menina esta cuidando deles! — Cuidando ou os envenenando, pois foi legal ela me entregar aos seguranças, dopado! — Ela não faria isto! — Não vou discutir, posso passar por seu reino ou terei de voltar as 12 horas e fazer por cima? — O que vai fazer! — Sumir, se os meus não me querem por perto, os primatas acima querem me condenar à morte por mortes que não vão relatar, o que posso fazer! — Por que diz que ela lhe entregou? 107

— Não vou discutir isto, ela lhe dá veneno e diz ser amiga, quando um dia, acordarem, ela os esta entregando, pois eles são Fanes Imortais e vocês a mostra que eles eram normais a 400 anos, mas tudo bem, posso passar ou não! — Não! Dei meia volta e comecei a andar e ela gritou; — Sabe que esta terra é de minha inimiga! Não falei, olhei para ela, e uma hora depois, vi que havia uma escada e comecei a subir, me deparei com uma rua, na saída de um beco, a cidade tinha poeira no ar, olhei para cima, tudo coberto, estava ainda nos esgotos, no submundo, voltei a andar no sentido que precisava, e depois de mais uma hora, adentrava a lanchonete a frente do antigo lar, o senhor me olhou e falou; — Todos dizem que morreu! — Então sou um espírito, mas como esta o local? — Uma bagunça, você puxou para você o peso, eles nem sabem o que desabou do lado de fora! — Nem eu ainda, mas com certeza alguém morreu, e sabe que se matam aqui em baixo, nada acontece, lá em cima, pena de morte! — Sei, as crianças estão ai dentro! Estranhei, e andei até o local, e me deparei com alguém se passando por mim, e olhei para o ser em meu formato e falei; — Bonito, não tem coragem de dizer que me entregaram a morte? Pedro me olha assustado, mas se esconde; — Tudo bem Pedro, sou perigoso, mas estava preocupado! — Olhei Dani, e olhei ela com uma boneca e o menino mais novo ao canto, não eram eles, senti alguém chegar pelas costas e dei um passo ao lado, e o tiro atravessou a parede, segurei a arma e a puxei para mim, pessoas sem coordenação, dopados, me senti tonto, dor de cabeça, e vi o ser 108

puxar o gatilho, senti o tiro atravessar o pé, não estava tão dopado ainda! Puxei a arma e atirei no ser, e mirei na cabeça do meu clone e atirei, não tinha certeza dos demais, mas vi Pietra mudar de forma e desviar a bala, Pedro era ele mesmo, achei pelo olhar de susto, os demais, muito firmes nos disfarces, mas vi a menina se transformar e Pedro se assustar, era Paula, e olhei as duas e perguntei; — Estão brincando de casinha, onde esta Dani? — Sobre cuidados! — Sei, uma multi presença não deixariam solta, imaginei! As duas se olham e Paula fala; — Tem de entender, você saiu do controle! — Sei disto, estou saindo da cidade mas antes preciso de Dani, onde ela esta? — Por que vai sair, pensei que iria brigar! — Eu me escondi aqui, você sabe disto, Pietra sabe disto, e vocês sabiam onde estava, ela não lhe comunicou que matariam alguém, mas vieram, então as controlam, não quero ser controlado, e vocês, deveriam saber disto, vocês me despertaram! — Foi um erro! — Foi mesmo, mas agora estou dopado, mas sei quem sou, antes não fazia diferença, agora faz, montei uma família aqui, e acha que vale a briga, a afastar de mim? — Você nem tem como a dar o melhor! — Vocês lembram do que é o melhor, pensei que eram heróis em um passado, talvez tenham sido, mas duas covardes, velhas nos pensamentos, não na aparência, considerava que alguém havia feito algo incrível, mas hoje sei que foi apenas historia para os demais acreditarem que eram especiais! Eu sabia que tinha alguém a porta, mas não olhei; 109

— Nos adaptamos as existências, João! — Sim, um fantoche, as suas exigências, mas tudo bem, Peter Carson, de herói a um qualquer, e imagino o que aconteceu, não estão preparados para o futuro, falar é uma coisa, fazer é outra! – Só nesta hora olhei para ele; — Não sabe o que fala! — Então me responde uma coisa, o que faria se tivesse ficado naquele carro e fosse convincente, teria financiado, ou era apenas discurso! Peter se calou, era sabido que mesmo séculos depois, ele não conseguia mentir, e perguntei de novo; — Então se não pode me responder isto, me responde, se sente bem andando entre estes seres lá em cima, ou mesmo os pobres Fanes, sem comida por baixo de nós todos dopados! — Não entende, não tivemos escolha! — Não, não tiveram, vocês são uma farsa, e me transformaram em um problema, e nem coragem de enfrentar tem, vão brincar de casinha com os meninos enquanto dopam Dani, para não terem problemas, cômico, deveriam ser símbolo de evolução, e fazem o que, cruzam os braços, desistiram, legal! Sentei, odiava sentir a verdade, sabia que havia falado ela, como não sabia, mas eles de alguma forma tinham me falado a verdade e Pedro me abraçou e falou; — Não chore, eles não são ruins! — Pedro, eles estão dopando sua irmã, para que, seduzirem com a magia, e a transformar em um deles, mas não por que a querem, e sim por terem medo do que ela pode! — Mas por que? — Viu os Fanes, acha que eles estão bem? — Não, definhando com fome! — Eles não os estão matando, tem medo da pena de um por um, estão deixando que eles se matem! 110

— Mas não aparentam mal! — Não, mas me doparam e entregaram aos seguranças, e se puseram em meu lugar, no de sua irmã, mas nem a conhecem! — Esta o pondo contra nós, por que? – Paula; — Diziam que a verdade liberta, as vezes mata, pois ninguém tem coragem de assumir a verdade! — O que teria feito, se fosse nós? – Peter; — Desculpa, não sou você, não crio mundos, não tenho milhões de soluções na mão, vocês dois tem, e se os dois mais poderosos não querem, desculpa, não serei eu a enfrentar, mas sei que minha fuga será breve, eles me pegam em breve, 3 mil mortes eles não deixaram barato! — Se inteirou do problema, não tínhamos com não o entregar! – Paula; Olhei para Pietra, e perguntei; — Concorda com isto, mesmo? — Sabe que foi um jogo, a muito Paulo é dos nossos! — Sei disto, mas a pergunta não foi esta! — Acho que tinha outras saídas, mas eles não ouvem, sabe disto! — Não, eles se perderam, são crianças em corpo de criança, e experiências de bons caminhos, que esqueceram no passado, mas quer saber, sei que devem estar vindo, vocês são tão previsíveis quanto os demais, vão matar mais quantos aqui, não lhes importa, não é? — Não temos a ver com isto! — Quer saber, Peter Carson, meu antecessor estava certo, você não pensa, age por impulso, mas fazer o que, imortais não foram feitos para pensar e resolvem que os demais não o vão fazer! Terminei a frase e vi os seguranças tomando o lugar, olhei para Pedro e falei; 111

— Sabe onde se esconder, aqui não é seguro! O menino pegou o irmão e desceu a escada, o segurança foi atrás mas o menino sumiu no escuro, algemaram-me, Peter, Paula e Pietra viram isto, pensei que estava morto, vi eles se desintegrando no ar, os seguranças tentaram achar o menino com lanternas, mas não viram nada, era um breu total, vi quando eles voltaram e falaram; — Teremos de voltar depois, para procurar, é grande demais! Fui amarrado, e estávamos saído pela porta, deveriam ter mais de 200 seguranças ali, estava tudo fechado, sinal que pelo menos alguém avisou os demais, não sei de onde veio o primeiro tiro, mas vi um por um caindo, pediram reforço, mas o túnel de acesso estourou quando um grupo desceu, fechando aquele caminho, vi as 3 meninas virem a frente e uma me desamarrar, e falar; — Sabe que pensei que eles não sairiam mais! Não falei nada, mas os senhores pararam a minha frente e um falou; — Por que os imortais o entregaram? — Eles tem de manter suas posições, para conseguirem mudar algo, se todos estiverem sendo perseguidos, não vai funcionar! Menti, queria acreditar na mentira, sabia quando entrei no local que tudo estava sendo monitorado, nisto sempre fui rápido, observação, mas mais alguém, alguns, poriam em minha lista de mortes; — O que faremos agora? — Preciso de um lugar tão amplo como este, mas não pode ser este, eles sabem onde fica! — Mas o que vai fazer? — Desintoxicação, vocês são mais ativos que os lá de fora, pois suas doses de veneno! – Estiquei uma ampola. – É 112

menor que a deles, mas precisamos estar cientes de quem somos e o que podemos, para os enfrentar! — Mas vai demorar uma eternidade! – Falou uma das meninas; — Alguém tem um mapa deste lugar, de antes dos grandes prédios? — Temos, mas aqui dizia que um rio cruzava a cidade, mas se a chuva nem chega ao chão, como tem um rio! – Falou um rapaz, cheguei perto e olhei o mapa, precisávamos de uma base e escolhi uma bem localizada, seria algo impensado, o leito do antigo rio, mas teríamos uns problemas, e a organização estava a precisar de reforços; — Sei que o que vou falar parece maluquice, mas em si, o sistema se mantêm por lhes viciar, e sair disto não é fácil, eu mesmo terei uma dose forte de recaída, pois eles me doparam por um dia inteiro, mas quando tivermos o nosso pessoal purificado, ai vamos agir, mas precisamos de união nesta hora! — Mas o que ganharemos com isto? — Vida, doenças, e morte digna! — Doenças? – Perguntou um senhor; — Estamos todos na puberdade, quando morremos, então quando alcançarmos os mil anos, teremos doenças da idade, mas se querem viver apenas 130 anos, e os últimos 10 com dores, tudo bem! — Esta a dizer que podemos viver mais! — Nunca vi ninguém morrer, alguém viu alguém morrer de causa natural aqui? Todos se olharam e um falou; — Mas os levamos, ao hospital quando começam as dores! — Sim, mas alguém os viu morrer? — Não! – Um senhor falou;

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— Acho que nos matam, não morremos, pois nunca soube de alguém que saiu de lá, mesmo que os familiares levem antes do tempo, morre, aquilo não é um hospital, é um matadouro, mas nós é que somos mortos! — Mas como ter certeza! — Não sei, todas as minhas certeza estavam erradas, tudo que aprendi foi que poderia ser especial, me disseram, se comporta e será presidente desta nação, mas não posso ser presidente vendo as coisas como vejo! — Você é um dos escolhidos, e esta aqui, a nos liderar? – Falou uma das meninas; — Me chamavam assim, mas só quem vive lá para se inteirar do que é isto, mas não estamos falando deles, e sim de nós! Os demais começaram a falar, um rapaz indicou um antigo ponto de acesso, ele mostrou uma fotos, eles faziam passeios lá há 10 anos, olhei e gostei, dei as instruções, as meninas pareciam ter aderido a idéia, estranho de onde vêem as alianças, quando se esta num barco furado, algumas frases ainda passavam por minha cabeça, sabia que estavam monitorando eles quando houve a conversa, mas não sabia se o outro lado sabia, os demais foram cruzando os espaços desta imensa cidade, e fui com o mapa, olhando os antigos metrôs, interessante, ligações que poderiam ainda esta lá, a cidade esta bem acima daquilo, 10 andares, pouco para uma cidade, mas era mais de 30 metros acima do nível normal, olhei os traçados dos novos metrôs e trens, me pegaram em uma armação por eu não conhecer mais do que falavam da cidade, e desci a área de Magda e falei; — Vão ficar sobre o muro, ou vão aderir! — Não podemos ir contra eles, agora sabemos ser verdade, mas não podemos! — Não podem, devem, mas eles esperam mais de você que esta inércia Magda, ele espera que reaja! 114

— Mas se ele não lhe ajudou! — Magda, vamos fazer um trato, nada de aparecer antes da hora, nada de se meter em encrenca, e nada de consumir comida contaminada? — Por que disto? — Não é a hora do desafio, é hora de olhar em volta e aprender, não é hora de se queimar em praça publica! — Mas não temos comida? — Vamos produzir, e vamos se locomover, mas preciso saber se vem com seu povo e quantos ainda estão definhando aqui em baixo! — Quero ir, mas preciso de ajuda! — Querer já é um caminho, vamos primeiro mudar de lugar! — Por que? — Lhes monitoram aqui Magda, e lhe envenenam aqui, quer mais motivos que isto? — Certo, para onde? — Em 3 dias venho com um veiculo na passagem que dá ao reino de sua irmã! — Acha que ela vai nos deixar passar? — Esta na hora de pararem com isto Magda, nem quero saber quem fez o que, mas é hora de união, e não de separação! — Acha que ela vai me ouvir? — Não sei, tente, sabe que são poucos, eles lá também são poucos, e se não unirem todos, não vão conseguir! — Vou tentar, mas o que acha que os Carson vão fazer? — Espero que façam vistas grossas, outra coisa, melhor começar a tirar o seu pessoal, esconde eles por 6 dias, eles vão detonar tudo neste lado! — Acha que vão trazer a baixo? — Espero que não, pois tenho amigos acima no colégio, ou colegas, seria o mais real esta definição! 115

— Sabe que é uma peça importante João! Não respondi e fui ao comunicador, uma câmera com os dois meninos e falei para ela; — Pedro, vamos sair da cidade, acho que temos de ir a norte! — Acha que conseguimos? — Depois de BH decidimos para onde, lá vamos ficar visíveis! — E nossa irmã? — Pedro, se formos a tirar de lá, perco todos, não posso arriscar tudo agora! Começamos a caminhar para fora, sabia bem que todos os lugares eram vigiados, mas aquele era um local montado, e esta certeza me fez jogar a isca;

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Cidades Flutuantes
Dois meses faziam que tinha visto Paula naquele local pela ultima vez, estranho sentir algo e a realidade lhe insistir em outra, não sei como reagir a tudo, estou a me entender com as meninas, mas tem um buraco de confiança, deixei de confiar, principalmente em mim, estava a olhar em volta em uma manha, com todos os esforços, conseguimos trazer a lucidez, não mais de mil pessoas nestes 2 meses, e não foi fácil, estávamos em um mundo onde as pessoas não tentavam entender, somente depois de recuperadas, as pessoas entendiam o acontecido, sei que meus planos não tem como dar certo, sem ajuda, e as vezes me perco, a cidade acima de nossas cabeças tem mais de 170 milhões de habitantes, mas temos mais 4 milhões nos subterrâneos, fizemos um local de tratamento sobre o leito do antigo rio Tiete, ainda hoje, quando fica muito úmido verte alguma água por ele, mas é uma água fedida, podre, estamos escondidos e ao mesmo tempo visíveis; Chego a um local que fica entre três pontos do metro que reativamos, este só abrange o centro da cidade, mas nos ajudou a organizar as coisas, abrimos 12 avenidas, sabemos hoje que é mais fácil enfrentar que fugir, os seguranças ainda fazem operações em alguns lugares, com apoio de marginais que eles alimentaram no subsolo das cidade, mas aos poucos depusemos mais de 6 mil deles, existe ainda 3 grupos, mais chegados a BH, não estamos muito preocupados, neste ponto, instalamos um antigo sistema, que conectamos através do colégio a segurança da cidade, estamos a vigiar eles, como eles nos vigiavam, com seus próprios sistemas, sei hoje que o único que parece estar brigado com o grupo é Call, os outros 3 pontos se apóiam, apoio que se consolidou a mais de 400 anos, mas como Call domina a fabricação do produto em mais de 300 nações, ele comanda o mundo, mas tem uma parte do globo sempre independente, vendo pelos sistemas, uma região sem sistema, onde os imortais vivem, os verdadeiros imortais, os 118

que nasceram para isto, e estavam aqui diante de alguns Fanes conseguirem a imortalidade; — João, eles vão agir na região do Autódromo! — Avisa o pessoal e manda os ônibus para lá e esvazia, padrão! O rapaz pegou o comunicador passou as instruções e pensei em o que poderíamos fazer e perguntei; — Os rapazes vêem de onde? — Da sede local! — Fala para o pessoal trazer a baixo, quando eles entrarem! — Sabe que eles odeiam isto! — Carlos, estamos os enfraquecendo, pois eles nem tem como divulgar isto! — Sabe que as vezes tenho medo de represália! — Sei disto, mas por isto os monitoramos, sabe o que eles pretendem desembarcar na cidade Flutuante de Santos? — Não, mas o cargueiro veio da Rússia, alta tecnologia, é algo grande! — Vamos ficar de olho, não queria ter de atacar cidades flutuantes, mas se for o caso, fazemos! — Seria uma serie de mortes desnecessárias! — Sei disto, mas não perde eles de vista, e se a cena estacionar, muda de foco, eles às vezes percebem que estamos olhando! — Estou olhando com atenção, mas sempre escolhendo um foco de gente próxima, padrão deles! Me retirei e fui ao que chamava de minha base, onde tudo começou, sabia que as câmeras foram desligadas, depois que eles reviraram o local e mataram até os ratos em uma ação depois das mortes para minha soltura a 62 dias, sentei na sala e Pedro perguntou; — Quando vamos pegar minha irmã? 119

— Amanha Pedro, mas preciso que mantenha a calma, certo! — Estou preocupado e o Mino chora muito sem ela! — Sei disto, mas vamos resolver! – Eu sentei e refiz os planos, subi na peça superior onde tínhamos já um estoque de aplicadores, como analgésico e não estimulante, e falei com uma das meninas e perguntei; — Como estão as coisas? Katy me deu um beijo e falou; — Tudo pronto, nosso escolhido! A beijei, as três me tratavam bem, mas elas sabiam que pensava em outra mas não reclamavam, não na minha frente, foi a forma de achar um equilíbrio, tínhamos uma entrada para cima, pelo colégio, era a área de calefação, eles tiveram de abrir uma porta, para verificar as moscas que tomaram a ventilação, não conseguiram tira as pilhas de carne morta, sem abrir uma porta, deixaram lá, oculta, para se um dia alguém fizesse isto novamente, fiquei nos braços de Katy aquela tarde, sabia que seria pedreira no dia seguinte, peguei os produtos de tingimento e eu e Pedro tingimos os cabelos de loiro, pegamos os falsos aplicadores, identificadores falsos, e atravessamos a cidade, subimos pela região do Tiete, e entramos na refrigeração do grande prédio, seriam mais de 3 horas subindo, o menino estava bom nisto, mas nem sabia se teria resultado, não saberia se ela estaria lá, ou se poderia ser uma arapuca; Depois de um tempo, nos deparamos com a saída de ar no topo do prédio, os músculos reclamavam o esforço, Dani olhou Pedro e sorriu, mas olhou desconfiada para mim, estranhei, não sabia se era real, sabia que era um mundo de ilusão, a menina estava na ilusão, nós na realidade; Pedro deu a mão para ela, senti as energias do prédio e meu radio tocou; — Arapuca! – Alguém falou do outro lado; 120

— Sabia! – Fui à porta e indiquei para Pedro entrar no encanamento, com a irmã, e ela me olhou e falou; — Acha mesmo que ela estaria aqui! Pedro chutou a menina correu para o fim do prédio e pulou ao ar, ela olhou assustada, e viu o paraquedas abrir, com a palavra; ―Traidora‖ — Não, mas ele queria ver a irmã! — E arrisca por isto, não merece a liderança que lhe dão! – Fala Paula olhando para ele, eu estava segurando a maçaneta, fora da realidade, aprendera uns truques, a porta do outro lado, dava em uma peça que não existia, e olhei para Paula, e falei sem sentir; — Esta linda! — Vai me cantar, tem de se mandar, não entendeu? — Você tem razão, eu não mereço a liderança, mas o que posso fazer, eles não tem os verdadeiros lideres, e a falta da menina, me faz fazer coisas assim, Pedro, e principalmente Mino sentem falta dela, mas não entende isto, nunca alguém sentiu sua falta, não é Paula! — Não precisa atacar o tempo inteiro! — Mas toda vez que me desarmo, alguém me apunhala Paula, o que espera? — Eles entrarem pela porta, para fazer de conta que tudo esta normal! — Mas não esta normal, sabe disto! — Você implodiu mais um prédio ontem, o que espera ganhar com isto? — Estou esperando Dani para deixar eles em paz, mas vocês não os querem em paz, então não reclamem! — Sei que não iria embora se ela estivesse bem! — Um dia vou acabar matando ela Paula, e quando isto acontecer, esquece, não vai ter mais volta! 121

— Mas por que não para de implodir? — Por que não para de mentir! Eu larguei a fechadura e andei até ela, ela me olhava assustada, a beijei, e quando a porta abriu, simplesmente sai pela porta, empurrando a moça da limpeza para fora, a fechei e quando abriu de novo, os seguranças adentraram o local, enquanto estava a abrir o saguão no colégio, e atravessando para o esconderijo, confirmei por radio se haviam pego Pedro, confirmaram que ele estava bem, e eu relaxei um pouco, mas meu pensamento estava em onde estava a menina, não era na cidade, eles a levaram para algum lugar, comecei a fuçar nas sedes de empresas relacionadas, nos quartos de colégios, eu estava fuçando quando Magda entrou na sala e falou; — Tem uma menina multi presença identificada ao sul daqui, no mundo dos demoníacos, uns 30 km! — Altura da rua? — Mais de 100 metros do chão de lá, não sei daqui! — 30 km? — Aproximado, lá é uma floresta ao chão, visualizaram ao acaso! — Valeu! – Comecei a fuçar, e achei um prédio da Carson & Carson, a mais de cem metros, 32º andar, e comecei a fuçar, na verdade estava no 30º andar, a cidade estava sobre uma plataforma flutuante, olhei pelas imagens e vi que ela estava bem cuidada, mas lhe davam os estimulantes, não entendia isto, por que este medo, será que teria uma ajuda fora deste mundo, olhei para Magda e falei; — Liliane Canvas existe? — Sim, mas esta do outro lado do universo! — Precisava aprender o básico, não tenho como defender estas crianças! — Tem alguém que poderia lhe ajudar, sabe tanto dons quanto magia! — Quem? 122

Magda não respondeu, não entendia muito destas coisas, as vezes falava de mais por ignorar tudo, ou quase tudo, não tinha tempo de recuar, Pedro entrou pela porta e me viu olhando para Dani e perguntou; — Mas será ela? — Esta é, precisava que achassem que éramos bobos, mas pela primeira vez, vou fazer algo que não acredito Pedro! — O que vamos fazer? — Vamos afundar uma cidade! — Esta maluco? — Não, ela tem mais de 600 metros em prédios, mas ela vai afundar 200 metros, e forçara eles fecharem as comportas, e uma evacuação! — Esta pensando em tirar minha irmã de lá assim? — Não, vamos tirar ela de lá, duas horas antes! — Mas quando? — Não sei ainda Pedro, hoje arriscamos! — Era aquela moça de novo! Peter mostra a cena da moça chegando até a menina e os dois ouvem; — Vamos a tirar daqui! — Não esta se precipitando Paula! — Ele sabe onde ela esta, e falou em afundar a cidade, tem noção disto! Paulo entra logo após e fala; — Irmã o que esta acontecendo? — Paula disse que aquele rapaz vai afundar a cidade, para tirar a menina daqui! — Não entendi ainda por que a manter aqui? – Paulo; — Ele esta nos ouvindo, melhor não falarmos! Paulo olha para a câmera e fala; — Por que deixam elas ligadas? 123

— Não comandamos isto Paulo! — Sabe que assim complicam tudo! Pedro olha para Magda e ela fala; — Temos de mudar de lugar! — Não, vamos jogar, acha que estamos fazendo o que agora! — Achava que ela estava lhe monitorando? — Uma pergunta, acha mesmo que Paula fica na forma de Dani, 24 horas por dia esperando que apareçamos lá? — Não, ela não ficaria, ela sabia que estavam indo, mas você foi da mesma forma! – Magda; — Sim, acha que é fácil para mim entregar os pontos, dizer não, fazer o que tem que ser feito! — O que vai fazer? Fiquei quieto, e fomos a uma sala bem a cima, e quando entramos na área do colégio, falei; — Pedro, Magda, tudo é monitorado, como não sei, mas é, então o segredo de tudo é a mentira, minto para mim às vezes! — Mas por que disto! — Pretendo afundar 3 pontos da cidade, uma no Rio, uma em Santos e uma em Niterói, não estou sendo racional, mas mandaram algo grande para cá, esta nos 3 portos, não sei o que é, mas não quero saber, quer dizer, algo me induz o que é! — O que? — Magda, eles tiveram problemas em Tókio há um ano, eles adquiriram grande quantidade de entorpecente na forma de gás e bombardearam a cidade com isto, mas se fizerem isto, sabe bem o que acontece, vêem em grande quantidade depois e nos matam todos! — Fizeram isto lá? — Sim, mas as mortes não são declaradas, mas anunciaram um plano de remodelamento e repovoamento das 124

regiões degradadas, em outras palavras, mataram pois precisavam do espaço, mas aqui, vão matar por que não precisam de nós! — Acha seguro ficarmos? Tirei uma mascara de uma caixa e falei; — Acha que só produzimos injetores? — Soube do caso e se precaveu? – Pedro; — Sim, mas vamos distribuir e vamos esperar, eles estarão ejetando nos 3 limites, sul para o gás subir por tudo, mas quero todos os nossos bem armados e prontos a ir a rua no dia! — O que quer que faça? — Quem você queria me apresentar! — Ela não vem a cidade, ela fica agora num mundo paralelo, nem Peter tem acesso! — E ela nos ajudaria? — Não sei, mas o que podemos fazer, se não tentarmos? João pega as coordenadas, saíram e na sala fala; — Magda, eles a tiraram de lá, temos de a achar de novo! Magda saiu e Pedro olha para a menina a imagem e pergunta; — Como vamos saber quem é, nunca? — Vamos tentando, um dia acertamos! — Ela pode nos esquecer! Nos juntamos aos mais novos e fomos ao centro, e na manha seguinte embarcamos com 12 pessoas para a região da serra do mar, quando entramos na parte que deveria ser unida com Santos, vimos que teríamos de achar outro caminho, os seguranças estavam nos esperando, eu fui direto e nem tive duvida, apresentei a identificação e o senhor me olhou, desviei os olhos, como se estivesse aéreo, e ele me fez passar, os demais passaram, eu era o mais problemático, mas as vezes poderiam nos fazer entrar e prender depois, por isto, esperamos 125

em local visível mais de uma hora, e de uma hora para outra, entramos no esgoto e sumimos da aparência, as cidades flutuantes, eram fixas em imensas estruturas flutuantes, existiam edifícios de mais de 200 andares sobre elas, mas isto era no centro do grande complexo, nas pontas existiam pequenos prédios, mas o equilíbrio era sempre a distribuição de peso, os cálculos muito bem feitos, pensei em afundar tudo de cara, mas não daria o efeito, então pensei em algo mais trágico, a cidade era como se tivesse postas em 10 sentidos, estas pontas tinham prédios menores, mantendo o equilíbrio do conjunto, se detonasse 3 destas ligações, o peso do outro lado seria superior e começaria a afundar, se não houvesse um rombo de pressão, equilibraria, e nada aconteceria, então era algo impensável, 3 explosões seguidas de 3 falhas de compressão, impossível diriam alguns, mas ainda esperava que tivessem tirado a menina dali, armamos as 3 bombas, e fomos a parte subterrânea, e instalamos três expanssores, eram maquinas que encostavam em duas paredes na ponta mais estreita, e quando acionados, pressionariam para foram, a primeiro momento, ajuda a compensar a pressão, mas quando rasga o casco, vira calamidade. Fomos a uma saída de emergência, na parte baixa da cidade, era uma provocação, das grandes, mas entramos em 2 boias, era inicio da noite, lua nova, remamos com calma, sem chamar a atenção, e paramos em outra entrada já em terra, eu acionei por radio, e vi as três explosões, a cidade balançar com as explosões, estar em um andar alto não era boa coisa, a cidade inclinou lentamente, quando começou a ameaçar a estabilizar, vi a parte inferior começar a ceder, nem precisávamos ter feito tanto, o projeto foi mal feito, vi a grande torre central de mais de 230 andares, se soltar do casco inferior e tender inteira sobre os prédios laterais, rasgando o fundo da grande estrutura, ela tendeu com força e virou, ergueu aquela imensa parte baixa da cidade, tocando ao fundo, e deitando a cidade sobre o mar, a correria foi grande, os noticiários 126

falavam de erro de cálculos, mas mesmo eu não gostei de ver aquilo, era uma medita extrema, não queria assim, mas não queria morrer, se eles querem dinheiro e mentira, quero direito de viver, estava sentado a olhar o fundo rasgado e de pé da cidade, quando meu radio toca e ouço; — João Moreira? — Sim! Fiz sinal para os demais se mandarem e entrei no bote, e remei ao escuro da baia; — Joaquim Moreira! — Algum problema, não cansaram de me procurar ainda? Deitei no bote e joguei uma ancora, era para não ir a beira, deitado para dar a impressão de vazio, estava com uma faca a mão; — Espero que não tenha nada haver com o acidente de hoje em Santos! — Acidente ou incompetência de dopados a projetar! — Vai dizer que foi você! — Não fui, sabe disto, mas vi umas imagens intrigantes por sistema, do prédio central abrindo um rombo no fundo da armação e tendendo inteiro sobre os outros, vai dizer que foi atentado, mas sabe que não foi! — Mas o que fazia olhando para aquele lugar? — Tem uma pessoa que esta presa em Santos, torça para não ter acontecido nada a ela! — E resolveu a tirar de lá de balsa! — Fazer o que, vocês colocaram medidas de repreensão em todas as entradas! Peguei a faca e rasguei o fundo do bote e fui entrando pelo buraco ao mar, somente minha cabeça ficou ao radio; — Sabe que mais um pouco, o pegamos ai! 127

Ouvi o helicóptero e afundei a cabeça e o mesmo chegou perto iluminando o local, e não tinha ninguém lá, quando o helicóptero recolheu a luz, levantei a cabeça e ouvi no radio; — Não vai falar, ou já desligou! — JJ, teria de ser mais do que filho de uma grande mulher, teria de saber o que quer da vida para escolher melhor o lado que tomar! — Eu escolhi rapaz, mas acha que ganha o que com isto? Só vi o menino com o lança mísseis detonar o helicóptero, e falei; — Recolhe o helicóptero, virou pó, outra coisa, melhora os projetos, troca os engenheiros, assim facilita demais as coisas! Deixei o radio na balsa com a tecla de retransmissão apertada, e nadei até a encosta, e os demais se mantiveram longe, com calma e lentamente andei ate um ponto, troquei de roupa, por uma seca, e com calma, fomos a beira olhar o acontecido, a cidade inteira olhava, por que andaríamos no sentido oposto; Saímos de lá e fomos para o Rio de Janeiro, de New Rio, haviam imensas pontes entre partes firmadas sobre rocha sólida, mas o porto foi para o focinho do Cavalo, imensas plataformas, e a cidade fixa em pontos mais altos, e ligada por grandes estruturas flutuantes, mais próximas ao que eles chamam de morros, para mim seriam ilhas, mas é parte cultural que usa cidade que já esteve pouco mais de 200 metros abaixo, lembro que um dia mergulhei com o pessoal, para conhecer o pão de açúcar, coisa sem sentido, dentro da água não teria açúcar, lembro das instalações metálicas enferrujadas, o mar ali é bem gelado para se mergulhar. Demoramos 12 horas para chegar a New Rio, tivemos de ir por meios comuns, os trens bala estão vigiados, e uma vez neles, desembarcaríamos sem termos para onde correr, mas que seria mais rápido seria, mas estávamos chegando e vi que ainda 128

enfrentaríamos problemas, nas tevês holográficas, em todos os lados, as cenas do acidente em Santos, e minha foto, como responsável, as noticias estavam a todo lado, se não fossem pessoas sempre dopadas a rua, não teríamos chego tão longe, mas olhei o pessoal e falei; — Vão ter de entrar primeiro, senão perdemos todos! — Não quero ir sem você!— Pedro; — Eu sei, mas se me prenderem, ainda tem vocês a continuar, mas se prenderem todos, acaba aqui! — Mas.. – Pedro ia reclamar e abaixei até ele e falei; — Por sua irmã, tem de ser forte! — Mas se não voltar? — Não posso prometer que vou voltar Pedro, mas darei o melhor de mim! Duas moças afastaram ele e foram passando, entrando na cidade, eu fiquei a olhar eles irem, poderia passar, mas na duvida, achei melhor não arriscar, ter uma cara normal, as vezes facilita, as vezes não, eu olhei o pessoal já dentro da cidade, agora era minha vez, algo dizia que iriam me pegar, eu quase dei meia volta, mas meu destino era aquele, passei e os dois rapazes me olharam, nem senti os outros dois chegarem por trás e me encostarem na parede, não olhei mais nada, alguém me algemou e fui jogado em uma viatura, a noticia corria rápido, haviam pego a grande ameaça, os noticiários por onde passava via a cena de eu sendo preso, me puseram algemado a uma mesa em uma sala e fiquei ali um bom tempo, pedi para a moça me aplicar o estimulante, e ela nem discutiu isto, pegou um dos meus, desconfiada, aplicou um dos dela, melhor assim, estaria zureta em algum tempo, estava me acostumando com a recuperação, o que não era bom, mas enfrentaria meus medos, estava eu sentado a sala quando um senhor veio a minha frente e falou, ao que estava ao lado; — Isto é a ameaça? — Sim senhor! 129

O senhor olhou para a moça que fazia a segurança e perguntou; — Ele tomou o estimulante? — Sim senhor! — Reclamou de algo? — Não, ate me lembrou da hora do estimulante! O senhor me olhou e perguntou; — Como é seu nome? — João! — De que? — Moreira, senhor! — Sabe do que é acusado? — Sei, mas sei que de algumas coisas não sou culpado, mas o que importa! — Do que não é culpado? — De afundar esta ponta da cidade, por exemplo! — Mas isto não aconteceu, quero de algo que aconteceu? — Não sou culpado de, deixa para lá, não lembro mesmo! — Como não lembra? — Senhor, eu sou acusado de ter derrubado prédios, exemplo, o primeiro, nem sei o tamanho que tinha, pois cada contra informação dizia uma coisa, — fiz uma cara de dopado – mas não fui eu que idiotamente, caça alguém na base de um prédio de mais de 100 andares com lança mísseis, sabe bem o que trouxe o prédio para baixo, pois vocês monitoram as ações, alguém atirou uma vez, duas, quatro, covardes matando não registrados com lança mísseis, dopados que nem sabiam o que faziam, lembro até hoje do estouro as minhas costas, e do estalo, depois não lembro de mais nada, dois meses para voltar a andar senhor, eu não sou imortal, levei sorte, da rua acima segurar metade do prédio, pois era para ter morrido, e não ser acusado de suas inconsequências! 130

— Não acha que vou acreditar em você! — Já disse que não importa, vocês precisam de um culpado, olha as cenas do acidente em Santos, a cidade sacode, o prédio maior se vê sacudir, eu não vi explosão, mas vi o prédio tender ao lado, levando a cidade, quando virou se viu o fundo com os furos do rasgo do prédio central, vão me culpar, mas ai é engenharia, mas também não importa! — Vai negar que estava aqui para destruir a cidade? — Estou atrás de uma filha para mim, uma menina de 10 anos, que os Imortais sequestraram, sabe bem do que falo, alguém que eles tem medo, não estou preocupado com cidades flutuantes, não estou preocupado se vão fazer o que Moreira falou, entorpecer todos e matar para reestruturar as antigas bases, pois estão precisando de espaço, pouco me lixo para Peter Carson falando que se me comportasse seria presidente, eles ditarão quem será desta vez, e muito menos se Call esta perdendo o controle, ouvi dizer por ai que eu nem estava tomando os estimulantes, vocês inventam tanto que até acreditam nas mentiras! O senhor me olhou com uma cara de desconfiança, eu não poderia saber destas coisas e perguntou; — Quem é você rapaz, eu soube da ação a pouco e me diz que já sabia? — Você acha que manda na segurança, ignora tudo senhor! – A isca foi jogada, mas o senhor olhou para mim e perguntou; — Pelo que entendi, vão atacar as três pontas de desembarque, aqui, Santos e Paranaguá? — Senhor, o senhor sabe que não entraria em Santos, seria como entrar aqui, não conseguiria, nem identificação tenho de acesso a certos lugares, mas acredita mesmo que fui eu? — E quem seria? 131

— Isto não sei, sou apenas um rapaz de 16 anos, acha que tenho quanto em experiência nisto? — Mas por que lhe culpariam? — Senhor, se algo acontecer aqui, hoje, acha que dirão que foi quem, mesmo o senhor sabendo que me pegaram, sem nada que pudesse destruir uma formiga! — Acha que vai acontecer? — Senhor, tem homens, mulheres e crianças lá em baixo, que são estuprados, e mortos como ratos por seus homens, um dia eles vão se encher disto! — Mas são rale! — São, então um desafio senhor, tire a identificação e sai a rua, não importa se alguém lhe conhece, nem vai lhe olhar, vai apanhar antes mesmo de dizer algo, e se falar um a, apanha mais, mas não é homem para isto, a segurança perdeu a noção de responsabilidade, poder demais para pessoas dopadas, sabe bem que eles mataram mais de 3000 pessoas naquela operação para me matar, mas se matassem o dobro lá em baixo, não teríamos um problema, mas como eles por acidente derrubaram um prédio, alimentaram algo que não tinha, pois quem iria acreditar nisto, não é! — Eles cumprem ordens! — Estupram crianças com sua assinatura, depois dão um tiro na cabeça como se fossem ratos, com sua assinatura senhor! — Não! — Então não sabe nem quem comanda senhor! Olhei para a moça e falei; — Me veria mais um entorpecente? O senhor estranhou e falou; — Você pensa muito para alguém dopado o tempo inteiro!

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— Dopado, sabe como se pensa sem isto a cabaça senhor? — Não! — Não pensa, a cabeça estoura de dor, por abstinência, mas não provei esta dor por querer, e sim por ter ficado 3 dias nos escombros até que uma criança me viu lá e me tiraram, esta criança que procuro, a devo minha vida, e não vou deixar imortais a transformarem em algo que não quer ser! — Quer dizer que quando o entregaram estava dopado, por causa desta dor? — Sim, mas estava inteiro, incrível o que aquele toque de cura deles fazem, a moça me dopou e me entregou, mas não foi ela que me tirou de lá, sabe quando se olha um sorriso bonito e uns olhos encantadores e não pensa que aqueles olhos verdes vão lhe trair! — E o que faria em Santos? — Meus informantes disseram que era o ultimo paradeiro dela, mas o mesmo me disse para vir ao Rio, acho que agora não terei mesmo como verificar! Aplicaram o estimulante, o senhor olha a moça e pergunta; — São de verdade, pois não confio nele! — Estou dando dos meus senhor, para evitar problemas! — Sabe que quando pulou do hospital, assinou sua culpa! — Senhor, estava acordado há 12 horas, quando ouvi o medico, ou sei lá quem, dizer que seria culpado de 3 mil mortes, que saída eu tinha! — Fugiu por que sabia que ninguém acreditaria? — Ninguém vai acreditar, o que é matar um estudante de 16 anos, a desafiar as grandes corporações que tocam este mundo, senhooorrr! – A ultima frase saiu torta, pelo estouro e pelo balançar do prédio, não sabia em que andar estava, mas estava algemado a uma mesa, fixa ao chão, se afundasse, iria junto, mas o que era minha morte, os demais seguraram-se e 133

houveram mais 3 estouros, até olhei a moça, o susto, não pedi para me soltar, ela não o faria, mas o senhor olhou-me e falou; — Segurança, verifique o perímetro! A moça saiu o prédio balançava de um lado a outro, mais de um metro de movimento, era como estar em um barco imenso e ele enfrentasse uma tempestade, o senhor saiu atrás, teria de esperar, sentei na cadeira e o senhor me olhou; — Não tem medo de morrer! — Senhor, eu estou morto, você sabe disto! Aquele movimento me fez sentir enjoo, olhei pela janela, lado das explosões e me acalmei e olhei o senhor e falei; — Manda prenderem de alguma forma, esta ponta, seja com navio ou cabos, se o engenheiro foi o mesmo, vamos virar! — Você parece entender isto! — Um dia resolvi irritar uma pessoa e acabei aqui senhor! — Vai negar que matou a primeira Segurança? — Na época me arrependi, mas depois que vi eles agindo senhor, não matei mais que uma animal, mas não é por aquela morte que morrerei! — Confessa que a matou? — Senhor, acha que fui para o lado dos sem identificação, por que quis? — Armamos e você caiu, mas não entendi esta historia ainda! — Faz alguma coisa, não é hora de conversar senhor, ou quer ver mais uma cidade afundar, e estar nela? – Falei bem alto, o senhor saiu pela porta, minha mão tocou a algema e ela se desfez em pó, estes truques eram eficientes, olhei pela janela e vi que começou a inclinar mais, iria virar, me pendurei na janela pelo lado de fora e quando começou a inclinar de vez, sai andando pela parede do prédio, uns 45º de inclinação, me 134

levantei e corri no sentido, pois já iria virar de vez, imaginava o pânico das pessoas, se olhasse para traz, veria prédios inteiros entrando na água, na rua alguns começaram a escorrer pelas avenidas, carros sendo arrastados, veículos aéreos sendo atingidos por péssimos motoristas, a base que subia estava no térreo e olhei o prédio, estava a nível do chão, mas de pé na parede do prédio, ajudei uns a se colocar ali, e ouvi uns prédios se soltando, fiz sinal para a moça a minha frente correr e vi a base do prédio que estava, se soltar e o prédio se chocar com o anterior, e foram se desprendendo, segurei em um poste, torcendo para o prédio acima de minha cabeça não ceder, era pequeno, não mais de dez andares, a base deveria o segurar um tempo, ajudei alguns a se posicionar, o desprender do prédio, abriu um rombo na rua, olhei uma galeria de água, abri ela e a moça viu que era um caminho, alguns outros me seguiram, e quando saímos na ponta oposta, se via o mar a poucos metros, um barco vinha de socorro, fiz sinal para ele, e ajudei os que me seguiram entrarem no barco e o senhor me olhou e falou; — Você não é o procurado? — Não é hora de condenar senhor, ajuda estes que vou indicar o caminho a outros, a estrutura vai ceder geral em instantes! Falei e o senhor ouviu o estrondo, voltei pelo caminho, e fiz sinal para alguns que ali era uma saída, não sei se eles saíram do outro lado, pois ouvi o prédio a minha cabeça ceder, me joguei abraçando um poste da rua, fora do caminho do prédio, e vi a cidade inclinar, ver de fora era uma coisa, de dentro, outra! Um carro batel no poste do lado, ele estivera na parede do prédio que cedeu, uma mulher me olha apavorada, abri a porta e tirei o filho dela e lhe dei a mão, ela agarrou ela e o carro sumiu para baixo, na água, sabia que estava cada vez mais baixo, quando o nível da água me permitiu nadar, fiz sinal para a criança segurar-se em mim, a moça deveria me seguir, não teria como a levar também, quando cheguei na altura do 135

bueiro, falei que iríamos mergulhar, era prender a respiração e torcer para sair do outro lado; Eu mergulhei e comecei a nadar no que andara antes, senti a moça atrás vi alguns corpos boiando, mas continuei, e quando sai do outro lado, fui a superfície, a mulher apareceu a minhas costas, e vi o barco anterior e alcancei o menino e depois ajudei a moça a subir, olhei para o senhor, e mergulhei, não seria preso, a água estava gelada, depois de um tempo olhei para traz, o afundar da ponta sul da cidade, levou junto parte da cidade anexa, nas encostas, olhei o porto, arrancado a força, nadei e subi em uma lateral, e quando sentei em uma pedra, vi o fundo torcer na direção sul sobre a cidade, ali morreram muitos, não foram poucos, será que tinha o direito de fazer isto? Olhei os milhares de barcos sendo postos a água, alguns milhares de pessoas boiando, mas a inversão do fundo, quem projetara isto, fizera era uma arapuca contra pessoas normais, vi que muitos foram trazidos a costa, os barcos deixavam gente e saiam de novo, vi ao longe o barco do senhor que ajudou a tirar as primeiras pessoas, e pensei que lugares assim, espalhados pelo mundo, são arapucas tecnológicas, pois quem os projetava estavam dopados, como confiar em algo assim? Depois de um tempo, caminhei no sentido da estrada e olhei em volta, teria de achar uma forma de voltar, passei em uma loja e comprei um conjunto de laminas para barba, um boné, e um protetor solar, daqueles de poucos créditos, mais óleo que creme, mas com fator alto de proteção, parei diante de uma cidade em pânico, em um banheiro publico, raspei o cabelo, olhei em volta, joguei os restos no vazo e acionei o sistema de filtragem biológica, fui ao espelho e passei o protetor solar com bronzeamento artificial a cabeça, e no rosto, esperei um momento, coloquei o boné e sai pela porta, na correria a cidade estava um caos, peguei um trem bala voltando ao centro de São Paulo, e quando lá cheguei, um dos rapazes olhou para mim e perguntou; 136

— Não estava preso? — Como esta o pessoal? — Voltando, mas que aparência é esta? — Tinha de sair no tumultuo, mas temos de mudar os planos! — Por quê? — A terceira entrada é Paranaguá! — Tem certeza? — Sim, e mesmo que fosse Niterói, eles teriam de fechar muitas pontas, mas alguém me indicou Paranaguá, mas quer dizer que nosso fornecedor de informações esta nos deixando passar algo, olha os demais portos, e vê se tem algum grupo de ação que não alterou os planos mesmo com este caos! — Verifico, mas eles estão preocupados! — Sei disto, mas estou apenas repensando, muitos morreram lá, eu quase morri lá! — Mas dizem que tem mil vidas! Sorri, sabia que diziam que era alguém de sorte, mas precisava falar com alguém, e vi Magda a porta; — A moça quer falar com você! — Ela deve estar brava! — Está, ninguém gosta deste tipo de morte João! — Eu sei, sai nadando com uma criança as costas, estranho como parece que meus caminhos são desenhados, era para estar morto, se estivesse em qualquer outro ponto daquela cidade! — Mas poderia ser agora? Olhei o rapaz e ele falou; — Eles chegam em 6 horas! — Avisa Pedro que estou bem, o resto, deixa no silencio, vamos nos posicionar de acordo com o que falarem, perdi um tempo falando para alguém o que queria, e ele morre, assim não vale! 137

Olhei Magda e perguntei; — Onde? Magda pegou em minhas mãos e vi tudo mudar em volta, e vi uma moça sentada, ela não se virou, mas Magda soltou minha mão e sumiu, caminhei até ela e sentei; — João Moreira, por que sempre carregam mortes as costas os com este sobrenome! Não sabia o que falar, na verdade queria evitar o pior mas o que fiz, não foi bom, deveria ter agora a culpa de mais de um milhão de mortes, 7 era muito, 3 mil era muito, um milhão, será que era muito? — João, você tem de conhecer as leis, pois vai acabar com os seus assim! — Por quê? — Uma lei da matéria, bem complexa, a raiz de tudo é uma, mas o equilíbrio da matéria, faz que para cada morte que tenha as costas, outro de sua espécie morra também, certo que em si, compensou parte na própria manobra suicida, mas precisa saber disto! — Quer dizer que se mato um humano, um dos meus morre, mas como? — Pode ser de varias formas, desde um tropeção e uma batida de cabeça, a um enfarte! — Nem sei se tenho direito de pedir ajuda, nem sei seu nome, na verdade! — Todos me conhecem por Rose! — A das historias? — Sim, Rose das historias infantis, mas nada infantil! A moça me olhou a primeira vez, tinha olhos cor de mel, não parecia com as descrições dela, mas tinha se passado mais de 400 anos, outra imortal; — Você não tem de pedir ajuda, precisa de ajuda João! 138

— Não me dei bem com aqueles truques, quer dizer, magia! — Você se deu bem sim João, mas usa apenas o necessário, não sai criando fantasias, acompanho seu caminho, mas tem de saber mais, nisto concordo! — Teria como me ajudar? — Sim, mas teríamos de ter um trato menino, tem de parar de matar gente sem necessidade, você fez de uma forma perfeita, mas estas mortes levara as costas pela eternidade! — Não quero o imortalidade! — Mentir é uma das coisas que podem atrapalhar menino! — Por que acha que estou mentindo? — Por que não lhe falaram que já é imortal, mas você caiu direitinho no plano dos Carson! — Não entendi ainda isto? — Peter Carson domina a magia, e uma delas, é estabelecer o futuro, por desenhos, ele desenha, e você por mais que saiba que não deveria ir por ali, vai e as conseqüências se ampliam, como a sensação de que iria ser preso na entrada da cidade flutuante no Rio! — Como sabia? — Descobri algumas coisas interessantes, e uma é o que vou falar agora, quando conheci Liliane, eu era arrogante, e ela usou isto, para fazer o que ela queria, mas ela dominava os Dons e me ensinou, aprendi com uma excepcional mestre, mas os dons me surgem a flor da pele, era senti-los e desenvolver, não são todas as pessoas que são assim, poucas são, eu achava que conhecia as coisas, mas não conhecia o amor, quando conheci Peter Carson, aprendi a Magia, ele domina as coisas com tamanha naturalidade, que com a ajuda dele, depois de anos inerte, conseguimos devolver o equilíbrio a magia, mas ele e Paula, em espírito, são ela a mãe, ele o filho, estranho mas seria assim, mas algo mudou nas forças do universo, nem Paula 139

e nem Peter sabem o total das coisas ainda, mas lembro de você João, gostei do nome, mas nunca fora nomeado antes, mas tinha curiosidade o que aconteceria quando encontrasse Paula, os dois são atraídos um para o outro, amor e ódio muito próximos, estranho, mas estou a lhe observar desde pequeno, desde que os Dragões mataram seus pais! — Vai dizer que foram mortos? — Foram, e sabe que isto não podia ser coincidência, já lhe falaram isto antes, mas não nomearam, mas nem imagina o agito que sua vinda fez ao mundo menino! — Esta me confundindo, não entendi nada! — Tem uma regra, o universo é regido pela energia, pela magia e pelo dom, Peter a magia, Paula deveria ter aprendido o dom, e você a energia, mas ela usa os dons sem sentir, todos nós perdemos energia no uso, mas ela ganha, mas para ela é Magia, sem percepção não há como denominar, mas os três juntos, magia, dons e energia, formam o universo, você é a energia, você pode dizer quando algo vai acontecer, antecipar sentindo a energia no ar, mas sofre com a morte, pois é a retirada da energia, transformando em não existência, ou almas, como entender melhor! — Não esta me dando muito valor? — Estou, mas sabe bem que os demais lhe respeitam, ou não sabe? — Acho que não! — Mentir não vale, lembra disto! — Não sou tão confiante em mim assim! — Certo, mas as coisas as vezes se alteram, não sei por que, você escolheu pelo fim das existências e o ressurgir, talvez tenha razão, Liliane cada vez mais fora de controle, Peter perdendo o caminho fácil, Paula querendo uma existência e resolveu pelo fim, mas somente você sabe como tudo começou, ouvi alguns dizendo, ele não tem como recriar as existências, mas somente você sabia como recomeçar e nem sei se a idéia é 140

esta, mas de repente nasce Dani, a menina, o ser mais poderoso que conheço, e eles nem olharam para ela ainda João, eles a mantêm lá para você ir buscar, mas quer saber, isto é desconfiança, você a criou e veio a encontrar! — Esta maluca, ou eu que não entendi nada, não tenho como criar alguém mais nova que eu! — Por isto tem de sentir as energias João! — O que não sei que sabe? — Dani é mais velha que eu, em existência, ela nasceu em 1978, neste país, mais ao sul, ela é mãe de Pedro, e do pequeno, não lembro o nome, mas ainda nem adulta é, e não foi iniciada, seus pais eram Fanes, não é uma menina de multi presença, ela é de multi estados, em cada mundo, ela interage como um ser próprio, é diferente, ela não adoece, não envelhece mais que horas por ano! — Esta a dizer que Dani não é apenas a criança que aparenta? — Ela é uma criança e você veio a achar, por que não sei! — Quem você acha que sou, pois não me convenceu disto ainda! — Seria meu pai em alma, mas se pensar que você desistiu desta existência, da continuidade, é um inimigo! — Acha que sou algo que não entendo? — Você seria a energia do mundo, você é o controle, é quem pode trazer Liliane ao caminho, e impor a Peter o caminho, mas para isto, tem que querer, mas algo fez Paula vir à vida, não sei o que aconteceu, antes pensei que ela veio atrás de Peter, ela não sabe ainda, deixar claro, serão milhões de anos para ela e ele saberem, mas sempre pensei que ela veio para ajudar Peter a reiniciar o universo, mas acho que não, pois a menina Dani, é anterior a vinda dela, mas ela nem sabe quem tem a mão, mas atraiu a ela, como ela e Peter atraem sempre! 141

— Podemos discutir isto, ou é isto e pronto? – Falei irritado; — Podemos discutir enquanto lhe ensino, mas sei que não é Fanes, sei que não é Imortal, e não é Carson, um Moreira especial, mas estranho, bem estranho! — Você disse que seria a energia, mas por que geraria algo em vida, não na não existência? — Você semeou Pedro, tem idéia da idade do menino? — Uns doze! — Ele nasceu em 2008 João! — Como sabe? — Isto é dom, ver as linhas das vidas vividas, ou magia, sentir a idade das pessoas, mas tem de se tocar as pessoas para isto, não a toquei, e tem a energia vital, que é a idade que ela aparenta! — Acha que ele é meu filho? — Ele parece com você, lhe ouviu, lhe segue, lhe respeita, Dani o espera, mas mesmo Paula quando lhe trouxe a imortalidade, trouxe para entender, perto de você, o todo! Mas ignora seus planos, ela deveria pensar em Dani, mas esperou achar algo diferente, não sei o que ela lembrou disto, mas parece que era algo apenas entre você e Dani, que recobra este ano a consciência de quem é, ou do por que veio ao mundo, mas pode ser que ela não lembre, pois ela parece estar na sexta existência dela! — Que maluquice, mas como posso ser algo assim, como posso não saber o que vim fazer? — Não sei, deveria saber, mas não sabe ou não se permitiu lembrar, pois realmente deveria já saber! — Poderia ser outra coisa? — Sim, pois Paula não lembra de Dani e você não lembra de nada, que deveria ter sido aos 10 anos, mas se não for você, teria de repensar tudo! 142

— Acho que passou algo desapercebido, mas entendo a ação de Paula pelo menos! — Ela sempre foi apegada ao menino mais velho, Peter é tudo para ela, antes de lembrar já era muito, mas eles não acharam a saída! — Sabe o que pensava quando lia as suas historias? — Não, o que pensava! – Vi que Rose me olhou aos olhos neste momento; — Que vocês esqueceram do básico, não há necessidade de haver dois seres para uma criação, ouvia falar e me pareceu não fazer sentido, certo que estava sempre entorpecido, mas numa coisa é certo, sinto as energias, mas já pensou que matéria é nada mais que energia, Peter não tem como gerar matéria, sem energia, Liliane não tem como mudar de forma, sem alterar a estrutura da energia, os dois usam energia, mas cada qual com um nome, obvio, com frequências diferentes, o que faz um poder bloquear o outro, mas tem uma frase de Peter, esta nos livros de historia, ―Nunca acredite na historia, ela é contada pelos vitoriosos!‖, o mundo não é dividido, é uno, não existe dons, magia e energia, é tudo, é aquela física que aprendemos no colégio, acha que quando desmaterializo uso o que, magia, dons, ou o que? — Mas eles reagem diferente, um tira a força outro me faz absorver a energia! — Rose, se eu usar a minha energia, é dom, se usar a do meio, é Magia, mas é a mesma coisa, você sente como se estivesse recebendo energia pois esta, é o meio que esta lhe fornecendo, e sempre viria mais energia, pois nunca saberia a energia antes do comando de fim, que não deveria ter vindo! — Mas como poderia bloquear os Dons? Se a energia é própria? — Não vi meninas deixando de ser multi-presença nas terras da magia, ou aconteceu? — Não, continuava em todos os mundos! 143

— O dom continuava, mas a interação, não lhe era permitida, uma coisa é o planeta lhe fornecer energia, outra é o colocar em estado de recepção de energia, daria a sensação de que as coisas não funcionavam! — A lógica é boa, mas por que você viria ao planeta? — Se vim, vim só agora, acho difícil que fosse por uma criação de 400 anos, teria vindo lá atrás, e na mesma condição, sinto a força da menina, mas não sei se a criei, ou é uma evolução, estamos apenas divagando sobre o assunto Rose, mas por que se for quem diz, viria só agora? — Não sei! — Esta é a parte que não faz sentido, pois pelo pouco que sei, Paula saberia de tudo, toda a existência, e lembraria do acontecido, e não me permitiria atrapalhar, mas o que vejo, são os dois me monitorando, eles não sabem o que vou fazer, tudo que fizeram foi se aproximar, e me deixar quebrar a cara! — Também não entendi isto, ela lhe seduz e lhe entrega, o que ela pretende? — Ela me deu a imortalidade, foi o que você disse, como sabe? — Tens o brilho dos imortais na aura! — Dani também tem? — Não, ela não tem, mas sei que ela vive a muito tempo, mas não consigo ver uma única aura nela, por isto disse que parece ter 6 existências, mas pode ser a primeira! — Certo, se consegue esconder esta aura? — Que saiba não, nunca vi alguém imortal que escondesse isto! — Por que Peter esta fazendo 18 anos só agora? Rose olha para mim e fala; — Ai esta um dos possíveis motivos, quando se adquire os 18, se ganha o total controle dos dons, ou das Magias, nos

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dois isto é igual, mas dizem que é a idade ideal de um imortal, entre 18 e 22 anos, não entendo disto! — Outra coisa, por que temos sempre a impressão, eu tenho, de algo esta me observando! — Não sei, tenho isto, mas se você estivesse aqui, nada estaria nos olhando, isto que quer dizer? — Sim, não falo das frequências de energia, falo de inteligência de caminho, como se algo nos guiasse! — Peter por muito tempo procurou algo acima, mas depois da historia das 100 almas, ele não procurou mais! — Mas sinto algo, e não estou maluco, meio dopado, mas não maluco! — Como esta desenvolvendo resistência a estes venenos? — Uso como droga mesmo, quando sei que as coisas vão sair do real, exigência de força, acima do normal uso para poder sobreviver, agora sei que sobreviveria de qualquer forma! — Tem de cuidar com isto, ninguém sabe ainda todas as consequências disto! — Mais uma pergunta, como Paula sabe tudo que fazemos? — Ela sente grupos com mais de 10 pessoas, mas ela lhe identificou observando, ela percorria o mundo a lhe procurar, ela parecia procurar algo, somente depois de lhe encontrar, falou algo para Peter, ele ficou bravo, mas viu que ninguém, nem ele, nem a mãe dela lhe fez resistência, ouvi dizer que ela lhe apresentou a mãe como namorado, ela nunca teve alguém a serio João! — Esta é mais uma incógnita, mas parece me vigiar de alguma outra forma? — Ela agora sabe seu cheiro, dizem que é uma forma de magia, mas podemos ver se podemos fazer apenas pela energia, não pela magia, não pelo dom! 145

— Sabe que tudo que ela me ensinou, somente parte guardei! — Imagino que não seja fácil, mas me passou outra coisa a mente! – A moça olhou preocupada; — O que pode ter lhe passado desapercebido? — Você já viu o poder do Carbono! — Sim, vi fazer, mas sabe que não tem nem energia e nem dom ali! — Não? — Rose, observa alguém fazer, não é a pessoa que esta fazendo, é como induzir um caminho, sente a energia, ela já esta determinada, mas a pessoa desenha achando ser ela que esta escolhendo, mas esta em um consciente maior! — Esta a afirmar que o desenho apenas mostra o caminho que você sente? — Sim, veja quanta energia Peter usa para abrir uma porta espaço tempo, você mesmo, quanto usa? — É uma magia, não usaria energia! — Mas repare que não recebe também, nada, é natural, mas se você atravessa uma porta feita, como um portal, criado por alguém, no espaço tempo, perde uma imensa quantidade de energia! Rose me olha e pergunta; — Acha que tudo foi determinado? — Sim, e quem desenha os acontecidos? — Paula, ela pode ter feito antes, mas o que nos serviria saber isto? — Nada, se não soubermos o que ela quer, vou começar a apelar a partir de hoje! — Como assim? — Trouxe duas cidades a pique, e não queria as mortes, mas fiz, não pensei, apenas segui o que parecia certo, me deixei 146

levar para a cidade, mesmo sabendo que seria preso e ela afundaria, é hora de fazer diferente! — Mas se for o que ela desenhou? — Pense Rose, como ela sabe o que farei? — Ainda no controle que ela tem de seus atos? — Sim, ela não tem nada de controle nas Fanes abaixo da cidade, mas sabia que iria para lá, senti que deveria ir e fui, eu sinto o caminho e me deixo levar, mas se no lugar disto, fizer diferente! — Ela saberia que estamos falando? — O que não sei, mas saberia, ela nos induziu a isto! — E o que não faríamos de forma alguma? — Não é isto em jogo, se ela me desenhou aqui, quando lá em cima, eu viria, mesmo sem querer, isto foi desenhado antes! — Mas por quê? — Não foi você que disse que ela deveria saber das coisas, mas não demonstrou algumas coisas? — Sim, como a sua vinda, ela lhe procurou em 3 lugares, pensando bem, o planeta é imenso, os três na cidade que vive, impossível, não improvável, mas o que faria? — Eu não posso fazer muita coisa, mas pense, você lembra do outro lado, tem tudo a haver com lá, mas esquece o que acha, o que viveu aqui, você lá, era grudada em quem? — Liliane! — O que a historia lhe induziu? — A deixar ela para fora, sem a trazer para perto! — Certo, por que Liliane mudou? — Ela sentia um ódio, que diziam ser proveniente de você, do outro lado! — Mais uma pergunta, não canso disto! Por que pensaram ser eu, e não uma energia negativa ao ar! — Não entendi? 147

— Energia de possessão, quando alguém acha que outro é seu, tudo em volta murcha, seca, o que chamam de seca pimenteira no meu país! — Esta falando da relação dela com Peter? — Perguntando, não lembro disto, não pareço ser o que falou! — Mas por que não seria você? — Pense, se ela desenhou, e eu estivesse lá, eu inevitavelmente veria, pois não existe o desenho, e sim a intenção, não é matéria, é intenção, se ela veio a terra, me desenhando vir depois, qual a única coisa que poderia fazer para não fazer o que ela queria? — Vir junto ou antes do que ela falou! — Qual a data de nascimento de Paula? — Fevereiro de 2008! — Quem vem depois de um ser especial? — Seria uma maluquice! — Sim, mas que não a faria saber de Dani, e não saber de Pedro, pois reescreveria a historia! — Tenho de observar, mas faz sentido, mas daí você seria normal? — Uma alma em primeira existência, com todo potencial de primeira existência, esquece que a linha Moreira é de Carson, ou de fazedores de almas! — Você pelo jeito comeu livros nestes meses! — Eu não sou especial, quer dizer, tenho uma boa mira, ela me quer vivo, mas sofrendo, ou me ensinando, mas o meu caminho cruzou ao acaso, ou como vocês falam, Pedro pode ter me atraído, mas sabe que se for isto, ele sabe! — Não havia pensado nisto, ele sabe, você depois que o conheceu, tudo desandou em relação a Paula!

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— Não aconteceu, vi o sorriso dele ao olhar para Paula no formato de Dani, se eu via no comportamento que não era Dani, ele também veria, pois viveu muito mais com ela! — Sabe que podemos estar redesenhando a historia? — Por enquanto, suposições Rose, mas se fosse você, reaproximava Liliane, mostrava para ela o caminho da energia, pois ela acalma, não sei você, mas Dons me enervam, experimentei uma vez, e me deixou mais irritado, é um caminho que sempre a tirara do bom caminho, deixando ao escolhido o bom caminho! — Sabe que pensei que o ensinaria, mas tem uma leva de pensamento rápido! — Dizem ser de família! — Moreira era esperto, mas um teimoso! — Esqueço que quando falo com vocês, conheceram seres a mais de 400 anos! A menina sorriu e falei; — Vai me ensinar o que? Ela me ensinou muitas coisas, e fomos testando o que achávamos, descobrindo um terceiro caminho, que na verdade era o caminho básico, e vi a moça me olhar no fim e falar; — Sabe que não é feio! — Agora vai me cantar? Senti os lábios dela, estas imortais não seguram os impulsos, senti o corpo quente dela, e nem me dei conta o quanto foi gostoso, ela sorriu depois de um tempo e falou; — Esta linha Carson é terrível mesmo! Sorri, era um elogio estranho, mas era, ela me ensinou coisas mais do que básicas, estranhava sentir o que usaria e o que não usaria, e ela falou; — Então pense como pode usar o que acha que não vai usar! 149

Sorri, fazia sentido, depois de uns 30 dias, ela me beijou e deixou em minha base, tocou minha cabeça e meu cabelo voltou a sumir, foi como um piscar de olhos, olhei a minha frente de Magda estava ali, e ela perguntou; — Acha que conseguiu algo? — Não, acho que não tem um caminho fácil, quanto tempo fiquei lá? — Dois minutos! Sorri e olhei o rapaz vir atrás de mim e falar; — Prenderam eles, na entrada da cidade! — Onde? — No caminho da Dutra! — O que podemos fazer? — Não sei, você que faz os bons planos! — Como os acharam? — Pedro ficou visível, ele pareceu sair por um caminho errado! — Havia o avisado que estava bem? — Sim, não fazia um minuto! Senti uma vontade grande de ir ao local e falei a Magda; — Sabe onde esta Dani? — Um prédio aqui no centro, aquele demoníaco esta nos ajudando! — Depois temos de falar, preciso saber se tem como contatar Liliane! — Por que, ela é perigosa! — Não deu frutos com Rose, tenho de tentar algo mais radical! — Vou verificar! Olhei o rapaz e falei; — Ele esta onde exatamente? Ele me indicou no mapa e falei; 150

— Vou lá! Me prepare .. — pensei e veio a mente, — um carro, tem a avenida que abrimos, direto até lá! O rapaz sorriu e olhei Magda, minha mente estava tão confusa, que jurei que a informação do carro veio dela, poderia ser apenas impressão; Olhei o rapaz e perguntei; — Quem passou a mensagem? — Prica escapou! — Avisa ela que estou chegando em meia hora! — Vai correr? — Sim, vou correr! Sai e peguei o carro, vi que minha mente sentiu uma lerdeza após me afastar, ainda reflexo do remédio, mas olhei em volta, não, isto fazia mais de 30 dias, dirigi calmamente com o radio ligado para o edifício no centro, que sabia ser dos Carson, e subi calmamente a rua, atravessei o portão e me direcionei ao topo, nem pensei, estava com a imagem de caminhando no túnel, rapidamente, quando o elevador abriu e vi Dani correr a mim e falar; — Você veio! Não falei nada, sentamos e ela viu tudo mudar em volta e falou; — Onde estamos? — Você sabe onde, Dani! Ela me encarou com um olhar de duvida e perguntou; — Vai me abandonar por isto? — Não, mas tenho de ajudar Pedro, sabe disto! — Mas ele não gosta de você, não sei por que? — Ele gosta de Paula, ele tem ciúmes Dani! — Mas como pode ele gostar de Paula, se ele conheceu ela a pouco! – Vi na aura dela que mentia. — A pouco, mais de 12 existências atrás, ele gosta dela, mas ela acha que sou ele, então esta com ciúmes! 151

— Você sabe das existências? — Sim, mas não sei quem é você? — A geradora! — Não entendi! — Antes da existência, antes da matéria, eu criei o que você conhece como Pedro e Paula, mas para mim é Xi e Xo, dois seres de existência, mas tenho a idade que quiser João! — Sabe que me enganou direitinho! — Desculpe, mas faz parte de conhecer os limites, conhecer as existências, quem passa a Xi e Xo o que pode acontecer sou eu, mas vivo e eles aprendem, mas passo de um corpo a outro, nasço e morro muitas vezes em uma existência! — Pedro falou quem é, ou já sabia? — Ele não precisa saber que sei, ele escolheu alguém, mas nem sabe que sou eu que o gerou, ele nem tem idéia de tudo João! – Não tive certeza de onde era verdade e onde mentira no que a menina falou.7 — Sabe que me assusta isto? — Imagino, eles pensando que você é e pode o que ele pode! — Mas o que faço? — Não sei, ignoro o que Xo fez? — Imaginou a minha existência, cada segundo, ela em si, sabe tudo que farei, mas se não fizer, o que acontece? — Não sei, ele não ajudou muito em me achar? — Não, ele lhe sente e se deixa ir pelos caminhos mais difíceis, vi que ele não é apegado a seu filho mais novo, nem sei como agir referente a isto! — João, eu não preciso de sexo, eu não preciso de interação para gerar seres, eles vem a vida, nestes corpos humanos, é doido, mas na não existência, é natural, gosto de ter dois filhos, e netos, criando universos! — Quer ficar ou voltar? 152

— Voltar, mas sabe que não deveria estar aqui! — Onde estamos mesmo? – Perguntei sorrindo; — As arvores lentas que vê ao fundo, são seres inteligentes João! Olhei, era estranho um mundo assim, mas dei a mão para ela e caminhamos por aquele mundo e saímos na altura da avenida que tínhamos de chegar, ir reto sempre é mais fácil, olhei para ela e falei; — Me espera aqui? — Sim, é uma arapuca! — Sei disto! Vou cair, mas antes livrar os demais! — Você é bom, menino! Sorri e apareci na avenida, e os seguranças a minhas costas se assustaram, e olhei Pedro, que sorriu, ele sabia que era uma arapuca, e olhei para Prica, fiz sinal para os seguranças a minhas costas, ela olhou para eles e manteve-se escondida; — Por acaso estão me procurando assassinos! Os seguranças me olharam, e um deles me apontou, quando ele veio no meu sentido, vi Pedro soltar as mãos, e falei em sua mente para ser discreto e soltar os outros, e olhando o segurança senti o rapaz as costas bater em minha perna, e cai de joelho; — Me chamou de que?— Perguntou um brutamonte; — Sabe do que o chamei, ou é surdo também! — Quer apanhar? — Vocês vão bater de qualquer forma, não se faça do que não é! O rapaz as costas me deu uma paulada na cabeça e desmaiei, mais um desacordar, estava virando padrão, mas desta vez acordei amarrado, e vi um senhor, que pensava ter morrido entrar pela porta; — Você é resistente rapaz, não morreu? 153

— Pensei que teria de contar aquela historia para boi dormir de novo, não perco tempo desta vez! — Sei que não foi historia criada rapaz, pesquisei, os rapazes realmente lhe detonaram lá em baixo, mas não havia me dito que era imortal! — Não teria graça se falasse! – Provoquei; — Foi lá para ser pego, não entendi! — Não entende de magia senhor, eu não sou dono do meu futuro! – Sentia Paula perto, sabia que ela estava me ouvindo, sentia ela em minha mente, mas a confundi com imagens e lugares que nunca fui; — Não entendi? — Senhor, esta guerra é entre imortais, quanto mais mortais por no caminho, mais mortais morreram! — Sabe que tem gente falando que foi um herói lá! — Falam besteira demais, não sabem o que é ser um herói como Peter Carson! — Não é contra o menino? — Senhor, não tenho como ser contra um filho! — Esta me confundindo! Vi Peter surgir por uma porta e me olhar, ele perguntou; — Por que veio? — Sabe a resposta, mas não acredita nela! — Mas quem esta no controle? — Quem sempre esteve, a pessoa que gerou eu e sua mãe, ou acha que tudo que fazemos é acaso! — Sei que não é, mas por que disse que não é dono do seu futuro? — Somente sua mãe pode responder isto, não sei onde irei, mas sabia que tinha de estar aqui! — E resolveu abrir o jogo?

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— Estes humanos estão morrendo por um caminho que não tracei, não desenhei, não imaginei, sabe do que estou falando filho! Peter olha assustado para mim, eu estava jogando, meus pensamentos embaralhados, mostravam o que falava, sabia que era real, então minha aura era de quem falava a verdade, mas tinha pontos de mentira onde não fazia sentido ao menino e ele saiu pela porta, hora de enfrentar a morte, olhei o senhor e falei; — Como vai ser! — Você irritou o menino, nunca o vi sem palavras, sempre com resposta para tudo! — Às vezes não olhamos para o lado senhor, como o senhor querendo me culpar do que sabe, não fui eu! — Mas matou uma segurança? — Sim, pena de morte, o que posso fazer, naquele segundo, não sabia que era um imortal! — Mas terá de responder por isto! — Respondo, outra coisa, serei culpado por que confessei, pois não tem prova! O senhor olha para mim com uma cara de indagação e fala; — Esta aqui por que quer, se entendi? — Sim! Vi a porta abrir as costas e Paula vir e olhar para o senhor e falar; — Posso falar com ele antes de o matar? — Pode, não sei ainda como o matar, derrubamos um prédio de 200 andar encima dele, e olha como esta! Paula olhou irritada para o senhor, depois para mim; — Onde pôs a menina? — Não lhe diz respeito onde ela esta Paula! 155

Sentia o caminho, estranhei isto, as invasões em minha mente vinham de 3 pontos, dois atrás da parede, e olhei para ela esperando a resposta; — Esta me confundindo, esta forçando sua mente dizer que estou com a pessoa errada, faz isto desde que o conheci, agora sei que encenou direitinho, cheguei a acreditar que não lembrava, mas não pensei em suas memórias, poderia lhe deixar inconsciente do caminho, mas por que falar para Peter! — Ele tem de saber que fez isto por que o ama mais que a mim, que não fui eu que transmiti o medo e raiva a Liliane, que não fui eu que imaginei ela fora de controle! Sabia pelo olhar dela que falei de mais, mas não recuaria, e falei mais; — Sabe que minto, mas Peter não precisa saber de tudo por mim, sabe disto! O rosto de certeza foi a duvida de novo, soube que a confundi, e ela fala; — Entrou no jogo, mas por que deixou se levar! — Quer que fale para eles gravarem isto, não é bom Paula! Ela sabia que estava sendo tudo gravado e vi ela estalar um dedo, vi um inseto parar no ar e ela falar; — Sabe que posso apagar tudo, mas por que agora? Eu fui a ela e a beijei, ela me empurrou com raiva, eu a segurei, e a beijei de novo; — Não o quero? Eu quero algo diferente! — Não disse que não terá algo diferente Paula, mas não esta no caminho certo! Eu a beijei novamente e ela me beijou finalmente; — Não entendo como pode me amar, Xi! — Xo, sabe que lhe amo, mas nunca foi em matéria, com emoções conturbadas como ciúmes, era puro, como fomos criados! 156

Paula me olhou, e falou; — Você não é Xo! — Sabe que não, ou não sabe? Ela me olha aos olhos, estava perdida, ela não sabia, e olhou para mim e me beijou, estávamos em um tempo estático, a encostei na parede, não deveria estar indo por este caminho, mas sabia que nada tinha mais a perder, ou tinha tudo a perder; — Quem é você, o que é você, o que criei! — Um ser sem memória, apenas isto! — E o que seria se tivesse memória? — Talvez tivesse um ciúmes tão grande de você, que acabasse com tudo! Ela me olhou como se lesse as entrelinhas e falou; — Alguém com muito ciúmes, mas não achei esta pessoa! — Não olhou direito Paula! — Não lhe entendo! — O mesmo Paula! — Não precisa me chamar assim, sabe disto! — Você não entendeu nada, aqui sou João, e você Paula, mas sabe bem, isto foi definido antes dos dias, então o que tem de errado em meu nome! A menina não entendeu, mas me beijou, afastou o lábio dos meus e falou; — O que faço com você! — Eu me viro, ou não reparou o que imaginou! — Isto não estava lá, sei disto! — Tudo mudou, quando vi que viria, mudei tudo Paula! — Mas segue minha criação! — Mas sem memória, não é isto?

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A moça estala o dedo, o inseto a voar era sinal de retorno, vi que Peter acompanhou a conversa e adentrou com o chefe da segurança; — Acha que podemos o condenar senhor Carson! — Se ele matou mais de um milhão de pessoas, não serei eu que o julgarei senhor! Paula olhou para mim e falei; — Primeira existência, mais novo que você! Ela sorriu, não entendi o sorriso, mas aquele sorriso que queria, o resto poderia ser algo muito estranho nos anos para a imortalidade, vi os dois saindo e o senhor me olhar; — Pelo jeito tem grandes inimigos mesmo! — Eles não têm como se posicionar senhor, sem gerar uma guerra e muita desconfiança! — Jurei que iria bater forte agora! Pensei nisto, mas quando senti este caminho fui por outro, mas sabia que poderia estar me condenando ao isolamento, pois era o que acontecia, com o pessoal que não tinham como matar, isolavam de um mundo em uma cela fora da existência, ótimo castigo para um imortal, péssimo para mim; — Não vai reclamar? — Senhor, não posso fazer nada, tinha de falar com Paula, minha vida não teria sentido se não falasse com ela e isto fiz! — Você é estranho, parece não temer, às vezes parece dopado, mas nunca vi o efeito disto em imortais! — Uns 10 mil anos por aplicação, a menos, mas quanto é diminuir 10 mil de infinito! – Sorri; O senhor achou que era uma piada e sorriu, outros seguranças chegaram ao senhor e falaram; — Dois prédios caíram juntos há 5 minutos! O senhor me olhou e falei; 158

— Já deveria ter fugido, assim vai parecer que não fui eu! Os seguranças não gostavam da insinuação e olhei um deles, o que havia me prendido; — Mas não deixa de ser um assassino, rapaz, apenas tem uma permissão para isto! O chefe dele olhou irritado para mim e falou; — Não esta facilitando! — Quer um culpado ou um julgado! O senhor olha para mim e fala; — Um culpado! Estalei o dedo e surgi na realidade que havia deixado Dani, e andei uma hora até o ponto e lhe dei a mão e ela falou; — Sabe que tudo isto é gerar incerteza? — Tenho de desafiar as idéias dela, senão nada terá sentido de verdade! Surgimos em uma praça e liguei para a base e falei; — Eles escaparam? — Onde esta João? — Voltando, avisa Pedro que preciso falar com ele, que é bronca! — Aviso, mas ele lhe ama! Eu de Dani caminhamos calmamente pelo caminho, a cidade estava a correr nos sentidos das quedas e adentramos a região pelo colégio, e quando descemos os andares a cara de susto de Pedro foi grande mas quando Dani lhe estendeu os braços, ela era mãe dele em duas conotações, embora ele de uma outra forma fosse mãe de todos nós, era estranho isto; — Você a trouxe de volta! — Sim, mas precisamos conversar, pode ser lá no nosso esconderijo? — Bronca? — Sim! – olhei para Dani e falei – nos acompanha? 159

Ela fez que sim, olhei Magda e falei; — Consegue um lugar novo para nós, não amanheceremos aqui! — Problemas? — Sim, problemas dos grandes, Paula sabe onde nos escondemos! — Como ela saberia! — Xo, é evidente demais! A moça me olhou e sorriu, e os demais não entenderam, com exceção de Dani, mas o olhar de Pedro foi estranho, e ele olhou Dani e perguntou; — Estava tão próximo assim? — Sim, vamos subir! – Dani; O menino subiu quieto, sentei, olhei para ele sem falar nada, ele olhou para Dani e perguntou; — Você falou para ele? — Ele descobriu sozinho Pedro! — Por que escolheu este nome horrível! — Pois é teimoso como uma pedra, filho! — O que ele sabe? — Que esta num caminho pré determinado, imaginado por ela, e que isto o levara a aproximar-se dela, mas você provocou isto, é um absurdo ter ciúmes! — Eu não tenho ciúmes! Dani sorriu e me olhou; — Pedro tenho de ser sincero, você não sabe o que esta fazendo, ela lhe ama, mas você não entende isto, não em uma existência física! — Como pode dizer que ela me ama, ela lhe entregou! — Sim, ela seguiu os caminhos, ela queria uma reação, ela acha agora que posso ser você de verdade, e isto não sei se é bom ou ruim! 160

— Você entrou no jogo? — Sem saber as regras, pois você não foi sincero, Xi! – Ainda não sentia como se Pedro fosse Xi, mas parecia que ele estava assumindo o que duvidava. — Ela não gosta de me chamar assim, ela sempre disse que me irritava com isto! — Imagino, se dois seres conseguem brigar por uma toalha molhada, imagine por uma existência mal calculada, mas acho que os dois não tem como consertar as coisas assim Pedro, você nasceu junto com ela, mas nasceu da geradora imortal, ou quer dizer, nasceu imortal, ela nasceu mortal e esta com tamanho para ser sua irmã, mas não mulher! — Não a quero como mulher! – Estranhei a frase, isto parecia algo mais para um controlador que para Xi em si, mas não sabia ainda se Pedro era ou não Xi, e vi que a interferência mental em Dani, quando ele estava perto, era forte, nada que ela falasse poderia levar como verdade. — Então desiste, ela quer experimentar uma existência, e não ficar lá a encaixar peças, mas se não entendeu isto, desisto, da próxima vez, me entrego à condenação que já esta assinada para mim, prisão na não existência e vocês que destruam tudo! — Não pode fazer isto! – Pedro; — Agora não posso, me chamou a uma arapuca para isto acontecer, para se livrar de mim! — Mas não sabia que você tinha ciência! — Não muda nada, você não entendendo o que ela quer, não vai adiantar, o caminho que ela desenhou para mim, é para o ser que você esta se mostrando, um ser sem entender da existência, mas você que escolhe! O menino me olhou e olhou para Dani e perguntou; — Do que ele esta falando? — Ela sabe ler mentes, ela sabe que não é ele, por mais que seja um ser de primeira existência, ele deveria lembrar das coisas, estar num caminho de desastre, mas consciente do por 161

que, um caminho de purificação e apego, mas ele não é você, e ela sabe disto! – Fiquei olhando Dani, e quase ouvi outra coisa quando ela disse ―não é você‖, ela ia falar outra coisa, mas não sabia o que. — Mas o que faço? — Sabe o que fazer, mas tem de ver se aguenta, pois ela quer uma existência, todos estão nesta existência, sem ninguém a controlando, a melhor das formas de existência, onde as pessoas, fora João, seguirão o caminho que ela estabeleceu, e a conhecendo um pouco, um final juntos, mas como vai mudar isto, se você não veio no corpo que ela queria que viesse! — Mas ela seduziu ele, um absurdo! Eu levantei e falei; — Pedro, eu gosto de vocês, mas se é para ser assim, estou abandonando o barco, não tenho o que fazer nele, a não existência vai o forçar a tomar um caminho, pois não vou ficar no meio do caminho! — Vai nos deixar? – Dani; — Sabe que não tenho outro caminho, tudo indica a ficar e nada mudar, eu não tenho de acabar com ela no fim, eu, você e ele sabemos, este caminho vai me fazer apaixonado em pouco tempo, ela já o ama, e acha que sou eu, ou quer que seja, pois se não for eu não tem idéia de onde achar! — E se pedir para ficar! – Pedro; — Sabe que não tenho como ficar, estou seguindo o que dizem ser algo que você sabe fazer, tudo me indica a ficar, então vou pelo outro caminho, pois eu ficar é o que ela imaginou! — Mas vai fazer falta! — Se achar que posso, volto! Eu desci, o que os dois conversaram não sei, mas virei para o pessoal e falei; — Pessoal, eu Prica, Katy e Trina vamos a Paranaguá, assim que chegarmos lá, eu ligo para vocês, Magda vai achar 162

um lugar melhor, isto amanha vai estar cheio de seguranças, melhor não ficar ninguém, muda até o pessoal da rua, fecha as três entradas, e preparem tudo! — Acha que virão? — Tenho certeza! – Falo olhando Magda, não sei se ela entendeu, mas as meninas ajeitaram as coisas, poderia ter mais gente infiltrada, mas não sabia quem, pensei se ela me cortaria para mostrar a mim que eu era imortal, era bem capaz, mas não era o que estava pensado, ela sabia onde tinha de estar, eu não, as meninas e eu embarcamos em um caminho para Santos, sabíamos que seriamos desviados, mas aprendi nestes poucos dias, que não iria para onde falasse que estava indo, Prica viu quando embarcamos para longe, e perguntou; — Estamos indo para onde? — Buenos Aires! — Mentiu por quê? Eu a beijei e abracei as três e perguntei; — Se alguém achar que estou abandonando o barco, na verdade o estou por um leve momento o deixando a deriva, quero ver quem se mexe! — Por que disto, por que deixou Pedro, Dani e o menino de fora? — Eles tem um caminho a correr e acho, que estava atrapalhando! — O que faremos lá? — Vou usar créditos e começar um plano maior! — Estamos nele? – Trina; — Não, ficaram em Sampa! As três sorriram; Desembarcamos em Buenos Aires, 3 dias depois, fomos em um cargueiro, pagamos passagem mais era uma forma discreta de chegar lá, o senhor estranhou, mas um dinheirinho a 163

mais, era sempre bem vindo, quando desembarcamos vimos a grande cidade, não havia terra a vista em sentido nenhum, era estranho; Não falava bem o castelhano, mas fomos para a parte de desocupados da cidade, vi que o sistema era o mesmo, mudamos de país, mas estávamos sobre as mesmas regras, cidades vigiadas, gente dopada para todos os lados, nos munimos de nossos falsos estimulantes e nos misturamos como turistas, estava a procurar uma parceria, e sabia que ali era onde encontraria alguém, que precisava encontrar, na minha mente passava os métodos de imortalidade, estava disposto a passar as três meninas, mas nas superfície sabia que não teria como ter a mesma liberdade antes de 3 dias, elas repararam nas diferenças tanto de temperatura, era mais ameno, e de cultura, existiam basicamente brancos a rua, no Brasil a mistura era bem maior que ali, olharam os olhos da maioria, totalmente dopados, e viram o anunciar de uma nova leva de espaços que o governo retomara, fizeram o mesmo que em Tókio ali, então abriram o caminho; Meu castelhano não era nada bom, e quando chegamos no destino olhei o ser mais idoso que já havia visto na vida, sabia que ele estaria ali, mas não sabia ainda o que me chamava à vida do senhor, um ser que saiu do Brasil nas primeiras décadas dos anos dois mil, eu mesmo achei por anos ser uma lenda urbana, mas algo me trazia a aquele lugar, quer dizer, me indicavam BH, e fui a BA, não de Bahia, e sim de Buenos Aires, mas adentrei um grande prédio, eram milhares de portas individuais, me informei na entrada e bati em uma porta e o senhor veio a ela e me olhou; — Que Gusta? — Francisco Pombo? O ser me olhou de cima a baixo e perguntou; — Mais um curioso? — Bem curioso, senhor! 164

— Qual a curiosidade? — O que eram os Laikans, senhor? Ele me olhou desconfiado, e olhando as meninas juntas perguntou; — Todos Brasileiros? — Sim, todos Brasileiros! Ele fez sinal para entrar, o cheiro do local era impecável, parecia ter um aroma especial, o quarto pequeno, três por três mais um banheiro de um por um, o ser abriu um armário e tirou três banquinhos de metal e pano, retrateis, e ofereceu um para cada, sentei e o senhor me olhou; — Por que a curiosidade? — Senhor, me meti em encrenca, e as coisas estou montando, não sai com boas referencias do Brasil, mas a minha curiosidade é saber se existem mesmo, para mim, com 16 anos, é muita coisa! — Você e uma delas é uma Fanes, esta aura deve ser Fanes, a sua é muito branca, a moça é mais fácil de dizer ser uma Fanes, é um amarelo vivo e duas devem ser humanas, auras invisíveis de tão fracas, mas o que um Fanes quer comigo? — Aprender a ler auras senhor! — Por que? — Já deve ter ouvido falar de Peter Carson, Paula Carson, Call e Joaquim Moreira, todos querem minha cabeça, preciso saber diferenciar eles! — E quem me indicou a você? — Uma Fanes, Rose! — Uma boa menina, mas como ela esta? — 16 anos agora! — E como entrou nisto, desconfio de todos e pergunto isto! 165

— Estava na lista de especiais, e os demais tentaram me usar, bem estranho isto para mim ainda! — Vejo que não se dopa, sabe que se pegarem você a rua, sóbrio, é internação direto! — Sei disto senhor, mas não tenho medo de internação, e sim das consequências de largar depois! O ser me olhou e falou; — O que sabe? — Básico de Magia e de Dons, senhor! — E por que Rose não lhe ensinou a ler auras, ela é boa nisto! — Eu quando vejo sua aura senhor, não a vejo como deveria, vejo espectros negros em volta, as vezes vejo estes espectros, e Rose disse que o senhor seria uma pessoa que me ajudaria a entender isto! — Você vê que tipos de espectros? — Não sei quantos tem, existem seres negros em forma, tem seres brancos mas sem forma, brancos com forma e uns que são de outras cores, que Rose falou serem espíritos que se perderam! — Isto é raro, você vê todas as frequências, raros veem com a mesma naturalidade, mas identifica as auras? — Dos vivos e destes de varias cores, mas os demais não! — Eles não são espíritos, são filhos da criação! — Filhos da criação? — Dizem ter um ser que gerou o inicio de tudo, os dois seres fundamentais, sabe do que digo? — Os seres acima de Peter Carson, que dizem um deles ter encarnado em Paula! — Isto, mas isto para mim é mito, menino! – João viu que Francisco omitiu sua aura neste instante, pensou que ele estava mentindo; 166

— Qual parte? — Da menina ser um ser acima dos espíritos como Peter, mas muitos acreditam, o que você acha! — Eu acredito senhor, Xo e Xi, existiam, Xo veio em Paula, mas isto, é difícil de explicar, de entender! — Como os chamou? – Francisco olhou as meninas, pareceu meio contrariado. — Pelo nome que eles se denominavam, antes da matéria! — Vai me dizer que acredita nesta maluquice! — Se lhe falasse que conheci uma menina, aparência de 10 anos, que tem a aura negro puro, não é cor, é total ausência de cor, se vê a aura absorver tudo em volta! — Aura negra, como pode existir! – Vi sua aura, olhei para Prica, ela pareceu mudar de aura, estranhei, entendi que algo ainda não estava claro para mim, o senhor estava omitindo totalmente sua aura, então ele queria poder mentir. — Peter chegou perto do negro conta a historia, mas aquela cor, não é cor, é ausência de cor mesmo! — Mas o que acha ser a menina? — Ela gera sem relação senhor, ela aos dez anos, tem dois filhos, ambos com mais de 400 anos, mas na aparecia, crianças como ela, quer dizer, eles parecem mais velhos! — Dois filhos? — Vi que isto realmente o senhor estranhou. — Sim! — Acha que viu uma geradora, é o que esta dizendo? — Não sei se existe, ela se denomina assim! — Seria algo incrível, estes seres que surgiram do nada, mataram a crença em deus a mais de 400 anos, agora o que posso fazer, ensino os poucos que me procuram, mas estando sempre me escondendo, fica difícil achar gente que se interesse! 167

— O que vi aqui é o mesmo que vi no Brasil, gente sem vontade senhor, mas o que são estes espectros que vejo! — A lenda diz que são os seres que a pedido de outros seres, interagem nos planetas, os brancos com forma, são seres de intercessão de espíritos, não entendo os por quês, os negros são almas que não querem o bom caminho, mas são mais determinados em desviar os caminhos, os brancos sem forma, dizem ser os seres que interagem e seguem os caminhos da geradora! — Mas quais os motivos disto? — Esta é a pergunta que não consegui responder a Rose! — Mas tinha uma teoria antes? — Achava que eles ditavam o caminho de deus, quando ele falou por minha boca, achei-me um escolhido, mas estava um andar abaixo de deus, eu briguei com o ser acima da geradora, rapaz! — Francisco, eu acredito em deus, e não vejo em Paula, Peter ou mesmo Liliane um deus, mesmo em Dani, a geradora, acho que são filhos de algo, não pode ser acaso, são seres criados, com existências, mesmo Paula e o seu par, não são mais que crianças sem experiências, não em existência, então ou digo que Peter Carson é um deus, e ele não é, e sabe disto, ou existe algo a mais! — Por que acha isto? – Vi que os olhos do senhor brilharam; — Por que eles estão em um ciclo, mas um ciclo evolutivo, o que quero falar, o ciclo diz que na primeira existências lembraram de quem eram aos 10 anos, e foi se somando um ano a partir daí, mas pense, que ciclo gera repetição e uma continuidade com degeneração, o de deus, ou o de algo criado? — De algo criado, mas eles formam universos! — Não sei como acontece, mas falei com Paula, ela disse que Peter concentrou a magia, e começou sentir o seu eu ser 168

atraído, e correr em direção a uma massa crescente, não era a magia dele, podia ser a energia a ativar, mas não matéria dele, algo criou o universo sobre interação dele, mas se a magia dele é presa à existência, a terra, ele faria um universo dependente deste, e não independente, mas não é o que falam! — Mas é pouco para estabelecer isto! — Sim, Rose disse que a existência onde eles estavam, era inexistência, mas pense, não existência não teria interação, eles se falavam, se comunicavam, existiam, poderia não ter a matéria, mas já era existência! — Verdade, o que mais acha? — O ultimo ponto, quando no inicio das guerras, muitos dos espíritos iniciais, lembraram de quem eram quando voltaram da maldição de Liliane, não é regra a volta da memoria aos 22 ou foi imposição ou foi uma dádiva, não foi dado por dom, por nada, aconteceu anos antes do preciso! — Esta tentando me convencer que tem algo maior, acima? — Não sei, trocando uma idéia, a idéia de chamar estes seres sem cor, negros como tudo de bruxos, não sei de quem veio, mas almas interagindo e mudando o futuro, não estão a serviço de nenhum ser que conheço, nem dos espíritos, pois não interagem, sopram mas não interagem, tem de ter algo a mais! — E por que acha que seria este caminho? — O senhor parecia desconversar, não querer aquele assunto as vezes. — Por que não é um caminho que todos vêem, passa desapercebido, totalmente oculto! — Faz sentido, mas qual seria a função dos Laikans então? — Não sei, teria de ver um para saber se são humanos, ou são Carson! — Não entendi? 169

— Seres com a minha aura, Francisco, são geradores de novas almas, geramos espíritos novos, mas não vejo como pode um universo existir, sem algo controlando isto depois de um tempo, sabe que crenças são complicadas! — Sei, então a aura branca é de geradores de almas? — Sim, novas almas! – Francisco falou aquilo, eu olhava sua aura e quase tive certeza que ele já sabia disto, mas por que estaria me comunicando isto, por que estaria repetindo isto. — São raros neste mundo pelo jeito? — Sim, isto estranhei, mas agora compreendo, planetas como o nosso existe a tanto tempo, que não precisam de muitas almas novas, para continuar, somos bem numerosos em certas galáxias se multiplicando! — Também demonstração de algo maior rapaz! — Tudo tem, mas é que as pessoas as vezes se acham muito, e se perdem, mas mesmo eu sigo uma trilha as cegas, mas acho que posso conseguir muito Francisco, ou nada, mas quero saber onde vou conseguir paz em minha alma, pois quando se briga com imortais, acabamos sempre gerando coisas assim! — Esta confuso, mas o que falou faz sentido, mas pretende o que na cidade? — Não sei ainda, acho que consigo um emprego, preciso sumir um pouco! — Querendo se esconder deles? — Não existe esconderijo deles, mas quero pensar antes de fazer uma burrada por ai! O senhor sorriu e me falou; — Sabe que os alojamentos de casal são uma fortuna? — Imagino, mas só preciso de um simples, o resto ajeito, agora sei como! Descemos e pedi um quarto para cada uma e um para mim, e fomos ao meu, Francisco viu eu pegar o papel e falar; 170

— Este é o dom que mostra que tudo é mais Francisco! — O Dom do Carbono, ou Magia do Carbono? — Chame de Carbono, pois não é nem dom e nem Magia, mas estou tentando descobrir o que é! Vi que o senhor pareceu não entender, ou não se surpreendeu, mas se despediu, eu adentrei a um quarto imenso e as meninas sorriram, e fui a um banho, tinha carregado estas 3 a alguns meses, Prica, Katy e Trina, elas serviam a um bando de marginais, mas se alguém me falasse que uma delas era Paula, não duvidava, até duas poderiam ser, mas não estava preocupado com isto, poderia me acostumar com este espaço sobrando e bem a meu gosto, vi Prica adentrar nua ao banheiro e me beijar, e falar; — Não entendi aquele papo de meu companheiro, Xi! — Quantas vezes preciso falar isto, Xo? Trina adentrou também o banheiro e falou; — Não quero saber de mentiras hoje Xi! Katy veio ao banheiro e me beijou, e falou; — Acha que vou deixar você com qualquer uma Xi? Três lábios, três corpos, minha vida tem sido assim por mais de 2 meses, eu não reclamo não, estava me viciando nisto, mas se a idéia era ser especial, eram especiais, e me perdi nos três corpos, e dormi como criança, estava eu a retomar com Prica, sentada ao colo, nua, a beijando os seios quando Rose apareceu com uma menina ao lado, Liliane; — Podiam bater antes de entrar? Rose sorriu e Prica não parou, ela não iria fazer de conta de estar preocupada; — Tem certeza que não viemos numa hora imprópria Rose? Prica parou e foi ao banheiro, pus uma roupa e Rose falou; — Conhece Liliane? 171

A medi de baixo a cima, e falei; — Prazer, João Moreira! – Olhei Rose – E como esta você? Rose sorriu e falou; — Fizemos as pazes, mas não entendi o que quis com aquele papo com Francisco? — Descobrir o todo, não metade! — Mas concordo com você, são a mesma coisa! – Falou Liliane; — Pelo menos alguém, mas tem mais coisa ai? — Como assim? — Rose, 12 existências como você, após um confronto recebem as informações de quem são, sem terem 22 anos, ou não era uma regra, ou como falei para Francisco, existe algo a mais! — Acha que algo coordena as coisas, mas por quê? – Prica a porta; Olhei para Rose que entendeu que era Paula; — Por que não sou Xi, e se não sou e ele esta por ai, alguém previu isto e me deu as informações do que precisava, não ache que alguém que a 3 meses dançava na escola, dopado, vira alguém que pensa em coisas como as que estou pensando, sem algo mais por cima, ou do lado, não sei! Liliane me olhou e perguntou; — O que fez com Rose, ela sabe o que pensa? — Pacto da Orquídea, já que Rosa precisaria ter uma quantidade de terra, e não a temos facilmente! — Você fez um pacto com ela? – Prica; — Temos de conversar depois! – Falei olhando para ela; As duas vêem as três sumirem e olho para Liliane e falo; — Agora podemos falar! — Eram Paula? 172

— Sim, eram Paula, mas ela acha que sou Xi, ser da criação, mas não sou, e acho que tem mais coisa ai, não existe diferença de Magia e Dom, não na pratica, apenas precisa saber de onde vai tirar a energia, mas precisava de uma coisa! Liliane! — O que? — Entender o que o ser que esta no corpo de Paula sente e pensa, acho que ela não tem experiência, ela deve estar confusa como você esteve na primeira existência, mas o que acontece se ela perder o controle? — Não tenho idéia, se for Xo, a muito não uso este termo, ela não tem noção de matéria, ela não tem noção de anti matéria, ela nem deveria poder se materializar! — Xi também se materializou Liliane! — Tem certeza? — Tenho! Acho que 6 dias depois de Paula! — Mas por quê? — Ele viu os planos dela, e veio mudar tudo, não foi ele que lhe forneceu aquela disfunção toda, já estava pensado, já havia sido imaginado daquela forma, nem que tentasse, conseguiria ser diferente, pois não sabia que teria de desviar o que via como caminho natural! – Olhei para Rose – Magda também é uma forma de Paula! — Ela esta tentando se inteirar das coisas, pelo jeito! — Ela esta no controle, sabe mais que nós, então nosso trabalho é maior, ela vai induzir Peter, ela tem o controle das lembranças, então se ela brilhar, fechem os olhos! — Mas pode estar induzindo sua memória? — Sim, por isto estou dividindo o que sei, não posso simplesmente chegar a descobrir que não sou nada disto e que explodiram o universo ao lado e trouxeram o irmão mais novo! — Reinold é diferente de você! – Rose;

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— Liliane, sei que não gosta do caminho, remoeu a morte de Marco muito tempo, mas todos perdemos aqui, acho que o problema é entendermos que Marco, se ressurgir, o universo volta a vida, é tudo cíclico, não tem de odiar por isto, já que estará lá, não existe não existência, pois algo existia lá, mesmo que memórias e conversas, e não sei em que caminho estou, estou mais na sorte que nos planos! — Acha que ela vai fazer o que? — Ciúmes, ela vai dizer que estou aqui, quando sair por aquela porta provavelmente estarão batendo a porta, e me prendendo! — E acha isto normal? — Não, mas ela não sabe o que sinto, mas precisava que Rose soubesse o que pensava, ela não vai entender isto! Rose sorriu e falou; — Por que parece que sabia que ela sairia? — Sempre fico na duvida, mas não avisou que viria também! — Sabe o que penso João! — Quando estou lá fora, aqui dentro, vem uma palavra por século, não quero escrever, então me perco na frase, e paro de prestar a atenção! — Vocês dois tem alguma coisa? — Liliane, temos alguma coisa! Rose sorriu da minha frase e falou; — Sabe que pensei que ia me puxar para a suruba! — Acho que Paula não o faria! Ela riu e Liliane fala serio me olhando; — Acha que onde isto vai dar? — Liliane, se pensar que Paula induziu antes de vir, a quase extinção de uma das famílias dos Fanes, a sua, eu levaria para o pessoal, mas não entendo este papo de mãe de criação, de geradora! 174

— Por que acha que ela planejou isto tudo? — Não sei, estou começando a entender agora só parte e mesmo assim não faz sentido, é difícil imaginar que os seres criadores não soubessem que não existia diferença de dom e magia, e mesmo assim, deixam dois irmãos se pegarem a existências, não faz sentido! — Mas como eles saberiam? — Eles geraram vocês, tudo que vocês sabem, eles sabem, eles os instruíram, obvio que os dois conseguem recomeçar o universo, mas será que a idéia era esta, qual a idéia, falta algo! — Mas é maluquice achar que esta nas bruxas! — Não sei o que são as bruxas, mas em nada são ou fazem parte, mas vou descobrir! Liliane me olha e pergunta; — Não entendi o que quer rapaz! — Viver, pois perdi 16 anos de minha vida, e você, o que esta fazendo? — Ajudando em um mundo distante! — Este é seu mundo menina, não o fim de mundo! — Perdi tudo que tinha aqui! — Tão bonitinha e com decisões tão definitivas, estranho isto! — Vai me cantar e Rose? Rose me olhou e sorriu e falei; — Desculpe, não era uma cantada, era uma frase de efeito, mas sabe que não recuso um bom sexo, nem um sorriso bonito, menina! Prica ressurgiu e Rose falou; — Explica depois para ela, que era brincadeira! — Eu gosto desta brincadeira! – Falei olhando para Prica; — Nos falamos! 175

As duas somem e olho para Prica e ela fala; — Por que fez isto? — Por que não se mostra como é Paula? — Não sei, gosto de aparentar diferente! Eu cheguei ao lado dela e falei; — Sabe que não quer fazer um pacto comigo, o que lhe chateou? Ela me olhou e falou; — Você me engana sempre, quando penso não ser você, parece ser, quando tenho certeza que gosta de mim, se entrega a três moças a cama, o que quer João Moreira? — Alguém que você pôs numa historia, e que não tem idéia do que você sente, ou se sabe o que sente, mas não posso dizer que lhe condeno, não é fácil assumir um sentimento, mesmo os ódios nos são temporários! — Não lhe odeio! — Mas tudo indica que vai odiar, não é? — Sim, tudo me diz que é você, e você me prova sempre não ser, mas se não é você, quem é! — Importa mesmo, não veio para se livrar dele de vez? — Não sei como posso comparar uma emoção aqui com uma lá, não existem segredos lá, tudo é dividido, mesmo meus sonhos mais animais, ele sempre soube, ou você, tive uma chance e fugi! — Por que não consigo acreditar nisto? — Mas é verdade! — O que você sabe sobre a geradora Paula? — Lenda, não mais que lenda! — Xi veio ao mundo por ela, não por um ser criado por Peter, pois saberia quem ele era, mas se os segredos não existiam, como você não sabe da geradora, quem esta mentindo? — Não estou mentindo João! 176

A abracei e falei; — Por que não diz o que pretende, lhe ajudo, nem que seja conquistar seu irmão, o faço! — Não é isto, quer dizer, em parte é, mas nem sei mais, aqui as coisas são diferentes! — Sabe que vão pegar pesado quando sair por aquela porta? — Como sabe? — Você não mente, não é! — Tem de ver que minha função é lhe atrapalhar, lhe confundir, mas você esta fazendo isto comigo! — Os dois mentindo assim, vamos se complicar Paula! Ela sorriu e me beijou, e me jogou a cama as costas, aqueles olhos me fizeram me perder em meus pensamentos, e por um momento, quase falei tudo, mas a beijei e lhe tive aos braços, Paula sorriu e assumiu a aparência de Prica, e vi as duas surgirem ao lado, ela estava querendo algo a mais, mas ainda não sabia o que; Perdi um tempo e sai pela porta, e vi a policia entrando por ela, policia local, e um senhor falar em castelhano; — Mãos a cabeça! Levantei as mãos com calma e um outro me algemou e me jogou ao chão, fui arrastado dali e nem olhei para Francisco, não queria o complicar, me jogaram em uma viatura, a cidade não era tão grande, mas não tinha a beleza natural, muitos prédios iguais, algo construído as pressas, tudo foi assim a 300 anos, mais uma sala, e um senhor veio a porta e perguntou; — Hablas castelhano? — Não! – Respondi em português mesmo; O senhor sentou-se a minha frente e falou num português claro;

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— Não é nosso inimigo rapaz, mas temos que saber o que veio fazer aqui? — Se não me engano, tenho de falar com Call que deve estar a chegar na cidade! — Sabia que ele pediria sua prisão, estranhamos isto! — Eu também, mas tenho de ganhar a vida, no meu país, não tenho mais chances, os Carson foram para lá, e não são amigos dos Moreira, não da parte normal da família! — Acha normal alguém afundar duas cidades? — Senhor, não acredite em tudo o que o governo de lá fala, eles em si tinham-me preso quando aconteceu, mas isto não vão falar, mas se quer acreditar, não lhe culpo! — Alguns o estão chamando de Anjo, não entendo por quê? — Sou alguém que deveria estar sentado esperando para ser presidente daquele país senhor, mas não gosto de gente mandando em mim! — Mas todos seguimos as determinações maiores! — Vocês, quer dizer, mas eu não! Senti alguém entrando as costas, nem olhei, a energia era forte e vi Call sentar-se ao meu lado, ele veio acompanhado, deveria ser Kátia, olhos que fariam qualquer um se perder, mas nem olhei muito e ouvi; — Nos encontramos de novo, pelo jeito não mentia quando disse que tinha inimigos nos Carson! — E nem falei a verdade Call! — Por que? — Omiti meu brilho de imortal, e nem falei o que os Carson pensam quem sou? — Esta é a pergunta! O que eles pensam que você é a ponto de o porem nesta historia! — Eles pensam que sou o ser que ao lado de Paula, criamos os espíritos! 178

— E você é isto? — Não, mas por mais que fale que não sou, os dois não acreditariam, então assumi a posição de talvez, e isto irritou eles! — Agora entendi o por que Peter esta meio perdido, mas tentou me provocar também, posso saber por que? — Lhe mostrei meu valou, mas não quis ouvir, vocês todos, sem exceção estão ficando arrogantes demais! — Gosta de uma briga pelo jeito, não segura a língua! — Já falamos disto, não toma esta sua droga, então não sabe o quanto isto solta a língua da gente, mesmo não querendo acabamos falando de mais! — Mas não era isto que pretendia falar comigo, ou era? — Não, ainda preciso de um emprego, e se esta com engenheiros como os de Moreira no Brasil, cidades podem afundar apenas por ele esquecer de verificar o índice de corrosão das águas do mar em seus projetos! — Esta a dizer que não foi você? — Estou a dizer que nem tive chance de terminar o plano e a cidade de Santos já havia tombado, a regra em si era ela estabilizar e afundar aos poucos, mas não foi o que aconteceu, e sabemos disto! — Esta a dizer que erraram feio nos cálculos lá? — Sim, e sei que eles projetaram pelo menos 20 cidades flutuantes para a Argentina, entre elas a que estamos, não quer ter de nadar ou andar pelo fundo, até a costa mais próxima, senhor? — Saberia fazer estes cálculos de ajuste? — Sim, saberia, mas tem de ver se quer! Encarei o rapaz, estranho estes imortais que sabemos a idade e tem nossa aparência, as vezes fica difícil não pensar no ser com 18 anos, mas fiquei a esperar a resposta e Call falou

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em Castelhano com o senhor ao lado, que pareceu preocuparse, parte não entendi, parte sim, mas tinha de esperar; — Eu o contrato, mas tem onde morar? — Sabe bem que qualquer porta para nós vira um palácio, não é o problema senhor! — Soube que andou conversando com um ser que os demais deixam quietos na cidade, poderia me dizer por que? — Curiosidade, não acredito que Paula Carson seja o deus maior, e fui conversar, mas posso dar apenas uma dica senhor? — Fale! — Reduz a doze dos engenheiros, e dos químicos, qualquer dia esta mistura afunda cidades inteiras, no planeta! — Sabe que isto não posso fazer! — Sei que tem medo, mas não posso ensinar um imortal que o universo é tão infinito como sua vida, e cabe muita gente, mesmo com 1300 anos, senhor! — Não gosto deste papo! — Senhor, se é para me contratar e por um fecho em minha boca e cálculos, esquece, me prende, afunda com este barco a deriva e com dois furos que vocês montaram, e na comodidade da imortalidade, nem olham para ele! — Quer me irritar de novo, estou vendo isto! Me calei, era difícil não ter raiva do que estava vendo, mas como não queria magoar os brios do senhor a frente me calei; — Você parece saber muito para não ser quem eles acham que é! — Eu sei quem é a pessoa que eles procuram, senhor, e esta pessoa me contou coisas incríveis, mas quem me contou a maioria das coisas foi Paula, depois conheci Rose, e por ultimo Liliane em pessoa, não sou bom em guardar dados, mas rostos bonitos guardo fácil! 180

— Esta a dizer que já se inteirou de tudo, mas por que esta fugindo então? — Fugindo, não é isto, mas teria de conhecer a historia inteira, e não estou disposto a ficar repetindo! — Sabe que eles não gostam de encrenqueiros por perto! — Então me deportem, tem gente que ficaria feliz lá! — Os políticos estão bem a fim de fazer isto, mas se nos der um motivo para não, podemos analisar! — Não estou afim de dar motivos, sabe disto, mas estranho o como os sistemas mundiais se interligaram a ponto de quando se tem uma denuncia, agem rápido, mas não pretendo como disse, dar motivos! — Sabe que não esta facilitando? Não respondi, a discussão vinha a minha mente, não era exatamente esta, mas de alguma forma, sei que teria por onde sair ileso, mas me recusei ao caminho, poderiam estar redesenhando, mas não tinha os por que ainda, fiquei a olhar para o rapaz a minha frente; — Ou pode aceitar um emprego e recalcular todos os projetos, vejo que esta ainda tomando alucinógeno, nunca vi um imortal dependente disto, sabe que é estranho? — Não, mas aceito um emprego, estou mesmo precisando me acalmar um pouco! — Mas terá de manter a boca fechada no trabalho! – Call; — Isto é fácil, não preciso sair do meu quarto para recalcular isto! — Mas o quero fisicamente lá, rapaz! — Onde? Ele me esticou um cartão identificador, e me deu um passe, estava a partir deste instante legalmente na cidade, estranho que não fiz nada para ele me manter ali, e me mantive da mesma forma; 181

A polícia me deixou ao quarto e Francisco bateu a minha porta logo após, e perguntou; — Lhe deixaram livre? — Não fiz nada de ilegal aqui, ainda! Francisco sorriu e falou; — Sabe que tem coisa que não entendo João, mas vai ficar até quando, para discutirmos? — Achei um emprego, começo amanha, e quando tudo acalmar, vou começar meus planos! — Que Planos? — Estes são meus senhor, com todo respeito, mas é bem pessoal! Francisco sorriu sem jeito e falei; — Não me leve a mal Francisco, mas aqui é tudo gravado! Nos dois voltamos a nossos quartos, adentrei ao quarto que criara, fora do tempo, uma artifício de magia, mas estava a começar a criar meus planos, e neste quarto, ao lado de fora, um grande espaço com maquinas, laboratório, e muito o que fazer, sentei a cama olhando para fora, e foram surgindo prédios, e mais prédios, mas os barracões eram para produzir aplicadores, mascaras, vi Paula surgir ao meu lado, e falar; — Se livrou mais uma vez, o que pretende trabalhando para ele! — Ganhar dinheiro, alguém tem de por comida em nossa casa! — Sabe que não precisa disto João! — Não sei, você não sabe, e daí, já interrogou o pobre Pedro? — Por que acha que faria isto? — E Dani?

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— Não sou assim, mas realmente ela vive a muito tempo neste planeta, ela já esteve na forma de vários seres, mas sua aura é de primeira existência, confunde a gente! — É que existências, estabelece que você esquece por um tempo, ela nunca esqueceu, nunca parou de viver, desde a primeira existência, ela pode ter ficado velha e renascido, onde queria, ou se auto gerado, ela é capaz de se auto gerar e criar algo que faça com que sua memória transite para o novo ser, e o atual morra, ela não se preocupa com estes pequenos detalhes! — E como sabe disto? — Não sei, mas tenho certeza disto! — Você continua me deixando confusa! Eu a beijei, ela recuou e falou; — Se não é Xi, melhor não! — Então melhor não aparecer por aqui Paula! — Esta me pondo para correr? — Eu não sou Xi, já lhe disse isto, mas se vier vou lhe beijar e não só isto, então se acha que não devemos, me deixa trabalhar! — O que esta fazendo, este mundo é para criar vida, e não produção automatizada! — Meu mundo faço o que quero! — Mas para que? — Tenho de saber como as coisas podem funcionar, ou não, Paula! Eu dei um passo atrás, senão a beijaria de novo, se ela não sabia se queria, agora eu sabia que a desejava, mas não seria fácil segurar os impulsos; — E se tiver na forma de suas amiguinhas! — Se não é certo, não é a forma que a fará certa ou errada! 183

— Mas se quiser? – Ela falou com uma cara de menor carente; — Quando você se decidir, sabe onde me encontrar! Ela me olhou desconfiada, eu sabia que ela poderia se passar por qualquer pessoa, mas não queria parecer fácil, embora minha mente sempre disse que ela me fascinava, mas vi ela sumir de minha frente, me prendi a instalar equipamentos de produção automatizada, e comecei a desenhar um grande estaleiro, desenhei o oceano em meu mundo, mas não sabia nada de biologia para criar seres, comecei pela base e comecei a projetar os prédios do centro para as pontas, e ver quais as conseqüências de cada erro e acerto, estranho criar uma cidade em um papel sentado a cama e a ver se materializar ao cais ao fundo, era um bom projeto, refiz os cálculos, e no fim de tudo, acrescentei o desgaste e a erosão, vi o prédio central ficar mais sensível, ai estava o problema, erosão por maresia, reforcei os cálculos e redesenhei, e fiz os testes, ampliei as laterais de equilíbrio, dando a impressão de que o equilíbrio estava as pontas, mas cada 10 quadras, tinha seu equilíbrio estrutural, projetei um sistema de proteção, onde se uma das partes tendesse ao naufrágio, a cidade se desprendesse dela, podendo se desprender em até 100 pedaços todos estáveis, e em caso de colapso total, a cidade não virasse, o contrapeso sempre jogando água de um lado a outro e compensando, para em caso de necessidade maior, ela afundasse lentamente, quando terminei os testes e os cálculos, tinha trabalhado mais de 6 dias seguidos, do lado de fora, nada mais que minutos, sai do quarto e bati na porta de Francisco; — Mais calmo agora? — Sim, deve ter visto minha aura de agitado! — Sim, mas precisa de algo? — Não sei, o que se faz nesta cidade para se distrair? — Os concursos de dança, viraram atração mundial! — Não sou bom em Tango! 184

— Nem eu, mas podemos assistir e me fala de seus planos! — Impressionar e mexer com a cidade, este é meu plano! Saímos os dois, como toda boa cidade, um local especial para os concursos de dança, mas neste existia a parte inferior, onde cada grupo se apresentava, e a parte superior, onde milhares de pessoas olhavam e davam suas notas aos grupos, reparei nos grupos, quase senti falta daquilo, mas lembrei que tinha de me dopar para esta lá em baixo, estava a olhar com Francisco quando uma moça chegou ao nosso lado e falou; — Pelo jeito meu marido ficou impressionado com você, rapaz! — Por que ficaria? – Olhei a moça, Kátia, a esposa de Call; — Por que ele não deixa as pessoas serem arrogantes com ele! — Mas é arrogante com todos, mas não sei se ele ficou impressionado ou esta intrigado, por não saber muito de mim! — Ele sabe tudo de você rapaz, acha que algo passa desapercebido dele? — Não sei, amanha começo a trabalhar, hoje, vim conhecer um pouco a cidade! — Sabe no que caba isto? — Sim, sei bem no que acaba isto! – Falei olhando nos olhos da moça, os olhos de Paula, de Peter, não poderia ser diferente, irmã dos dois não seria diferente; Virei para Francisco e perguntei; — Quantos Laikans se perderam com as enchentes? — Eles ainda estão lá, almas não precisam de ar, para eles, é apenas um meio diferente, mas estão lá ainda! — Qualquer dia gostaria de ter esta experiência! — Qualquer dia! – Respondeu Francisco; — Do que estão falando? – Kátia; 185

— Um mito antigo, almas aprisionadas na forma de Lobos, Francisco era um excepcional libertador de almas, mas veio as guerras, depois os degelos, e muitas almas ainda estão lá embaixo para serem libertas! — Mais de 200 metros de água e querem ir lá? Francisco olhou para a moça e falou; — Alguns estão em seco, mas tem alguns que estão a 20 metros, 100 metros, e até uns 200 metros, mas difícil é localizar eles! — Por que? – Perguntei; — Antes juntava relatos de quem os havia visto, hoje em dia, estes seres ai, nem vêem a sombra deles, imagine um lobo! Ele tinha razão, as coisas estavam meio sem parâmetros, e depois de um tempo, voltamos aos alojamentos, deixei Francisco no dele, e tranquei a porta do meu, alguém bateu a porta, fiz de conta que estava dormindo e não atendi; Pela manha, fui a grande construção, era uma fabrica e tinham um estaleiro de anti mão, a fazer uma destas cidades flutuantes, as atuais eram imensas, foram sendo juntas umas a outras, e ampliando, sobre bases bem frágeis, e Call me recebeu e me apresentou a um engenheiro; — Não sei por que senhor, insiste neste desafio! — Pablo, temos de saber se a cidade aguentaria algo como o que aconteceu no Brasil, lá morreram mais de um milhão de pessoas, não queremos isto, ou queremos, e sabe que depois do incidente, os compradores vão querer fazer testes de resistência? — Mas quer que ele sabote uma cidade, e verificar se ela resiste, e os prazos de entrega! — Eu acredito nos cálculos Pablo, senão não estaria propondo isto a nosso amigo aqui! O engenheiro me olhou com desconfiança e falou; — Como eles fizeram lá, sabe? 186

— Sei, mas o que fez ela afundar não foi o que eles fizeram, em teoria, a cidade deveria ter afundado lentamente, mas ela tendeu com força e girou 90º, e sabe o que isto significa, toda a estrutura da cidade se desfez pois os cálculos são para ela resistir de pé, e não deitada! — Esta a dizer que erraram no calculo e a cidade girou, e os prédios maiores puxaram os menores, lhes arrancando da estrutura de fixação? — Sim, eu estava prestes a entrar na cidade quando vi o prédio central, de mais de 200 andares, quando da pequena explosão, ele balançou, com o balanço, rasgou a estrutura, e tendeu com cidade e tudo, para o mar! — Então não foi apenas terrorismo, foi erro mesmo! — Sim, a ideia de testarmos, é que no Brasil, as cidades Flutuantes estão a poucos quilômetros da encosta, então chegaram milhares de barcos para socorrer, o que aconteceria em uma cidade como Buenos Aires, 4 horas de barco rápido para o primeira chegar! — Entendo a preocupação, mas por que acha que acontecera? — Não sei, mas pense, testar pode nos custar alguns dias de trabalho a mais, mas não teríamos as mortes para nos pesar a consciência! O engenheiro concordou e passei as coordenadas, e quando estava tudo pronto eu olhei para o engenheiro e falei; — Teria como por algumas câmeras para verificarmos as vibrações, quero ver se isto resistiria depois de 10 anos de maresia! — Podemos, acha que pode ter sido a maresia que corroeu as estruturas lá? — Corrói no mundo inteiro, mas o importante, é que se tivermos estes testes e cidades preparadas para isto, podemos ganhar mercado, acho que nisto que Call esta pensando! – Falei 187

olhando para o engenheiro, que sabia que muitas desconfianças dos compradores se gerou quando do problema estabelecido; Tudo programado, as três bombas detonaram, sacudiu, se rasgou a parte oposta, e mesmo sendo nova, Call viu o prédio central balançar até tender lateralmente, o calculo era melhor feito, pois não levou a cidade inteira, mas o engenheiro olhou para Call e falou; — Mas nunca alguém chegaria a ter acesso para fazer uma detonação destas! — Lá acabou tendo, a cidade quando nova, muita vigilância, depois as próprias construções ganham adendos fora dos projetos! – Vi Call me olhar e falar – E o que faço agora, você acabou de detonar um contrato, pois tinha de entregar esta cidade! — Se me permitir, sei com calcular isto, e refazer! — Não entendeu, não temos tempo! – Fala Call bem alterado; Olhei para Call e falei; — Quer uma emprestada eu consigo! – Ficou com tom de brincadeira e sabia que Call não gostaria, e falou serio; — Isto não é brincadeira menino! Peguei meu caderno e desenhei um imenso portal dimensional, e quando ele se abriu, dois navios automáticos, puxaram de meu mundo para o mundo real, a cidade que havia projetado e testado, e o engenheiro olhou a imensa cidade, e Call também deixou o queixo cair, e falou; — Mas é segura? — Tenho duas, testamos na primeira, mas os cálculos induzem a compensar, e esta tem um sistema independente a cada dez quadras, se a cidade começar a balançar, ela desprende a parte que esta fora do controle, e a estabilidade se mantêm! O engenheiro viu a primeira ao longe e a segunda, idêntica a primeira começar a passar pelo portal, e perguntou; 188

— Mas de onde vêem estas estruturas? — Isto é um assunto entre eu e Call, não podemos abrir assim uma fundo de reserva! Call queria testar a cidade, ele estava a fim de dizer que os engenheiros dele eram melhores que eu, mas eles armaram as bombas, as aberturas de rasgo, e novamente se ouviu os 3 estouros, o grande prédio, de mais de 300 andares, balançou, mas no terceiro balanço, estabilizou, onde havia acontecido as explosões, o sistema havia isolado, desprendido, e onde havia os rasgos de estrutura metálica, as divisões se lacraram e não deixaram passar de 12 seções, e o engenheiro falou; — Bem estável, você que projetou? — Sim, mas nem todos os sistemas de defesa foram ativados, em ultimo caso, a cidade pode flutuar como sendo até 100 divisões, evitando o afundar, dando condição de concerto e reconecta novamente! Call olhou para mim e falou; — Vai querer receber pelas cidades, é obvio? — Obvio, mas o importante, é ganharmos mercado Call, pois temos um material que passa por mais de 100 tipos de testes, e toda a base, é feita em fibra de carbono, quer dizer, não enferruja, não vamos ter problemas em 100 anos! — Esperto, mas quantas pessoas comporta uma cidade destas? — Não muitas, 3 milhões de pessoas, por acoplagem! — Vou querer verificar linhas de metro, ônibus, e coisas assim! – Call; — Senhor, tudo é passível de ampliar ou enxugar, mas evitando na estrutura, o resto, acho passível de discussão! Call viu a cidade chegar perto, fomos a ela com um rebocador, e o engenheiro foi verificando todos os adendos, de segurança, de transporte, de estrutura de controle, e no fim ele passou um relatório a Call que me olhou; 189

— Pensou muito nisto menino, meu engenheiro ficou impressionado! — Este é o começo Call! — Vi que é alguém de ação, não só de ficar a olhar as coisas, é bom ver isto, soube que não atendeu a porta ontem a noite! — Nem sei quem bateu, alguém especial? — Sim, alguém especial, mas é bom ver que não se deixa levar pelas tentações do dia a dia! Fiquei curioso para saber quem, mas não perguntei, obvio que ficaria sabendo, e quando Pablo chegou perto falou; — Senhor Call, esta em ordem, temos apenas de mudar a sinalização para Francês, mas o resto, perfeito! — Não sabia que ia para a França, desculpa! – Sorri; O engenheiro olhou para mim e perguntou; — Qual a estrutura de soldagem das bases, vi que foi feita toda em uma única solda, não conseguimos fazer isto aqui, pois temos de ver que 25 km de raio, é coisa muito grande! — Temos de verificar isto! – Falou Call, sabendo que não fora soldado, mas não iria abrir o jogo com o seu engenheiro; O primeiro dia foi tranquilo, bem produtivo e Call me convidou a ir a sua casa, no fim daquele dia, as coisas mudaram, o senhor sorria, era outro, mas fiz por merecer, e sabia que nem tudo naquele sorriso era sincero; Um prédio simples no centro da cidade, e obvio, Magia correndo as paredes, uma vez no apartamento, tudo mudava, era um mundo verde, com uma casa de campo ao fundo, a esposa dele veio nos receber, com um sorriso maroto demais para quem estava a frente do marido, e apresentou a filha, aparência 16, imortais tinham isto, eles tinham filhos e estes chegavam a aparência dos pais, e continuavam com aquela aparência por séculos, era difícil ver as coisas assim, a 190

sociedade em si, embora aparentasse jovem não se mantinha naquela linha dos imortais; — Seja bem vindo a nossa casa, senhor Moreira! – Falou Kátia; — O prazer é todo meu, senhora! — Senhora me deixa velha, pode me chamar por Kátia! Call olhava a esposa, nitidamente não era a areação que ele esperava, mas me ofereceu um suco a tomar, aceitei e sentamos a uma mesa, e ele foi direto; — O que pretende Rapaz, sei que tem algo em mente! — Crescer, não é o que todo jovem quer hoje em dia! – Sabia que não, era uma provocação, pois os jovens só queriam dançar e viver a vida. — Mas dizem que você já montou até família, é imortal a quanto tempo para ter uma filha de dez anos! — Dani? — Sim! — Ela tem mais de 600 anos Call! – Olhei para Call, estava mentindo, pois Dani tinha mais de 400 na ultima existência, mas quantas ela tinha, nem tinha ideia, era um jogo de números. — Mas você não tem mais de 17 anos? — Não, não tenho mais de 17 anos, senhor! – Estava a usar o senhor e senhora para provocar mesmo; — Mas como achou ela? — Ela me achou, mas esta historia é triste senhor, poderíamos falar de algo mais produtivo? — Você montou uma fabrica em seu mundo paralelo, pelo que entendi? — Sim, montei uma fabrica, precisava fazer os testes de resistência, antes de tudo! — Já havia testado quilo, esperto, mas sabe que me devia aquela cidade, pois me convenceu a testar a outra! 191

— Me disseram que o senhor era alguém justo, será que me falaram de outro ser? — Você não acha justo me apropriar daquilo, esta em meu estaleiro! — Verdade e não poderei sabotá-lo! — Quem manda fazer algo resistente a sabotagem! — Esta falando serio em não me pagar Call? — Me de um bom motivo para lhe pagar? — Regra básica, nunca se passa a perna em um mago, se perde três vezes o que ganhou! — Você não é um mago! Não respondi, não era mesmo, mas ele não teria como saber, ou teria, não sabia exatamente, mas achei que ele não engoliria esta; — E se concordar em lhe pagar, qual seria o preço? — Nisto você me pegou, posso saber o quanto os demais vão lhe pagar, mas sei o meu custo nisto, mas para não brigarmos, 20% do que eles pagarem! — Esta pedindo muito rapaz! — Call, eu entrei com todo o material, toda a especificação técnica, por que não os 20%! — Terei de pensar, mas este acerto fazemos amanha! Vi na aura de Call que estava mentindo, mas não me preocupei, se ele quer guerra, terá guerra, sempre se diz que quem esta na chuva é para se molhar, eu gostava do guarda chuva; As conversas estavam chatas, bem chatas na verdade, Call foi atender um segurança e Kátia olhou para mim e perguntou; — Não atende a porta a noite? A filha dela estava ali e ela não disfarçou, fora ela que batera a porta, mas se tinha de jogar, jogaria; 192

— Estava cansado, mas juro que se soubesse havia aberto a porta! Ela sorriu e a filha me olhou mais maliciosamente, não entendi, será que a menina não era filha do empresário a minha frente; — Do que falavam? – Call; — Que estou meio cansado, e se não fosse mal para o senhor, esta na hora de me recolher! — É cedo, mas nos vemos amanha rapaz! Levantei-me e sai pela porta ao meio de um jardim florido para a cidade de prédios altos no centro, caminhei calmamente até o prédio onde estava acomodado, vi Prica a porta me esperando, e subimos, o rapaz da portaria não gostou mas ela também tinha quarto naquele prédio; — Algum problema Paula? — Não sei, sua prisão esta determinada, eu que pergunto se tem algum problema? — Teria como entrar em contato com Sharon? — Por que? — A qualquer momento Kátia vai bater aquela porta! — Ela vai adorar isto, mas não me respondeu? — Call me deve 20% de uma cidade flutuante, acho que é mais fácil me mandar prender! — E mantêm a calma? — Só preciso de uma borracha menina, você me ensinou isto! — Mas por quê? — Ele se desviou, não sei por que, mas você deve saber? — Sim, as guerras emocionais e financeiras foram grandes! — Imaginei, mas .. – vi Sharon surgir as costas de Paula e falar; — Tem certeza disto, menino? 193

Não respondi, apenas a olhei e senti alguém bater a porta, e passei com Prica pela porta ao meu mundo, e nem vi quem estava a porta, mas deveria ser a moça, e se não fosse, não sei, olhei para Paula e perguntei serio; — O que faz aqui? — Não me quer? — Você que disse não ser certo! — Mas você reescreveu sua historia, e não entendi como! — Não sei como, mas ..— Puxei ela e beijei, e a deitei a cama, e não sai dali por algum tempo, e olhei meu mundo a fora, se corroendo e perguntei para Paula; — O que ele esta fazendo? Paula olhou para a deterioração, e falou; — Ele esta tentando entrar em seu mundo, mas sem a chave, como ele é mais forte, pode destruir seu mundo; — E quem disse que ele é mais forte! — João, ele é um Mago, Imortal, você é um Imortal que nem Bruxo é! — Verdade! Olhei para fora e abri a porta, tirei a chave de proteção, e vi o rapaz se materializar a porta e me olhar, ao lado de Prica, e perguntar; — Onde esta minha esposa? — Na porta ao lado, com Sharon! – Falei tão naturalmente que ele me olhou desconfiado; — Não esta com ela, por quê? — Você não entendeu, meu coração tem dono Call! — Por que abriu a porta, não teve graça assim! — Não tem haver com graça, e sim com regra, se não abrisse, seu mundo seria destruído Call, sabe da regra, e não o quero mal! — Acha que é mais forte que eu? 194

— Não, mas sei as regras, e você deveria não bobear com as regras, invadir um mundo fechado, requer motivo, o qual não tem, mesmo que destruísse meu mundo para entrar, o seu se perderia, sabe disto! Call me olhou serio, e depois para a moça ao meu lado; — Ela sabe o que você é? — Call, esta é Prica, ou melhor, Paula Carson! Call recuou, e Prica mudou de aparência, e olhou Call e falou; — Continua a jogando fora, e acha que o problema é Peter! — Ela não se controla! — Call, ninguém se controla, esta num mundo que você criou, humanos sendo assassinados ao melhor da vida, quer o que, ela quer viver, e você se fazendo de empresário, é como meu irmão, dois adolescentes, que não cresceram ainda! — Mas por que esta ao lado deste daí? — Quando tiver certeza que ele não é Xi, deixo ele! — Mas ele não lhe disse que é um impostor? – Call; — Sim, mas eu não ensinei tudo que ele sabe Call, você, Peter, Moreira, estão o tentando pegar, e não conseguiram, não é qualquer um que faz isto, ele sabe que a prisão dele esta determinada, e esta aqui com calma, nem se preocupando com isto, e sabe bem que se for verdade, ou mentira, ele tem um objetivo, e não sei qual é ainda! — Acha que ele esta no papel de um farsante, pois fica mais fácil? — Pode ser isto, ele jogou uma Geradora, em carne e osso, nesta existência, o que quer dizer isto? — Não sei, não entendo de geradoras? — Aquela Dani, que alguns dizem ser filha dele! — Ela é uma geradora, e o que ele quer com isto? 195

— Geradoras falam com os Anjos, aqueles que chamamos de Bruxas, e induz um futuro, ele não viria por uma geradora à toa! — Mas ele não teve os pais mortos? — Call, qual a melhor forma de ninguém saber se você é quem afirma, é não ter pais, eles mortos! Call me olhou, a discussão estava boa, e ele perguntou; — O que é você? — Call, ela esta buscando uma desculpa para estar a minha cama, ela sabe que não deveria, mas a possibilidade de eu ser Xi, lhe dá esta liberdade, e não há cobrança de Peter e nem da mãe, apenas isto! — Ela não é assim rapaz! – Call; — Não sei ainda, ela sabe o que penso, mas não tento saber o que ela pensa, me complica, eu não gosto de sentir ódio, muito menos por mim! — Ele diz o que na mente dele? – Call pergunta a Paula; Eu ri e ela me olhou serio; — Ele não sabe Call, eu estabeleci a existência dele, mas por algum motivo ele descobriu as coisas, e esta a recuperar sua historia por fatos, não por memória, ele deveria a ter, mas não tem, mas ele sabe coisas que não são normais, e a força dele, é muito grande! — Quanto grande? — Eu não ensinei ele a criar a galáxia que esta ao céu, Call! Call me olhou, estava engraçado, os dois querendo saber quem eu era, e falou; — Mas se sabe que não vou pagar, por que esta tão calmo? — Se você foi mesmo um excluído, com diz as historias, Os Famosos Excluídos de Comptche, deveria pensar mais, e 196

voltar a ser quem era, este mundo de mandar matar, ou prender não é o seu Call! — Mas por que minha esposa estaria ao lado com Sharon? — Por que não sei, mas Sharon ainda a espera, ela disse ter tempo para que Kátia acorde para a verdade! – Paula; — Mas por que? – Call pergunta me olhando; — Call, se quer destruir um mundo, mesmo adultério não é motivo, sabe disto, principalmente adultério induzido, já que pelo jeito queria ter feito isto ontem, mas não preciso eu, um qualquer de 16 anos ensinar a você as regras! Call olha nós dois e vai a porta, mas não consegue abrir, e me olha; — Mas você me deixou entrar, por que? — Tem de pensar Call, onde esta? — Em um mundo de existência, preso a este prédio, foi fácil lhe achar assim! — Mas agora, esta onde? — No seu mundo, você impõem as regras, pode não me deixar sair! — Não é isto, deixa as duas um pouco, faz o que, lá fora, 10 segundos, elas nem se apresentaram ainda, nem discutiram ainda, para você interromper! — Verdade, mas não as vai trazer para cá? — Este mundo ou se entra por aquela porta, ou somente Paula tem permissão de entrar, então é bem fechado, a dois, as vezes ela vem com outra forma, mas sei que é ela por isto! Paula me olhou e eu a abracei e Call sumiu da nossa frente, ele iria pela porta normal agora; — Acha que o que esta acontecendo na porta ao lado? – Paula; — Sinceramente? — Esta palavra me lembra meu irmão, mas é obvio! 197

— Acho que ele vai achar Sharon com a filha dele a cama, mas qual o problema? — Acha que as duas viriam? — Acho, mas Kátia viria mais tarde, não enquanto ele estivesse acordado, ele demoraria um pouco mais para chegar, os seguranças que controlam aqui o avisariam e ele viria, não coisa de minutos e sim de dias! — Você não presta Xi! — Se eu aceitar que me chame assim, daí sim você vai sumir, ficara claro que não sou eu, Xo! — Certo João, onde paramos? A beijei e depois de uns dias, ela se foi sumindo ao ar, e abri a porta e olhei Sharon e falei; — Ainda não, Call vem buscar a filha! — Sabe que ela até que beija bem? — Meu pai vai entrar por aquela porta? — Sim, ou acha que isto era uma arapuca para quem? — Para minha mãe, mas por que? Estiquei a mão e ela me deu a mão e olhei para Sharon e falei; — Desta vez ele deve estar a esperar um pouco, não quer deixar um clone ai, ele vai bradar alto, mas nada além disto! As duas sorriram e vi dois clones, um de cada moça, surgir, e ficamos translúcidos, no lugar, e Call bateu a porta, e Sharon atendeu, ele empurrou com tudo, e viu a clone da filha a cama, e por um segundo perdeu as palavras; — Ketlen , o que esta fazendo aqui? — Sabe o que pai, ou não sabe, mas este seu funcionário me fugiu duas vezes, uma ontem, outra hoje! — Mas filha, não quero que se envolva com esta ai! — Também sinto sua falta Call! – Sharon; — Não se aproxime delas, não a quero por perto! 198

— Quanto ódio, sabe que não entendo destas suas brigas com Peter, ou quer dizer, entendo, já falamos isto antes, mas parece que esqueceu! — Ela é minha companheira, não entendeu? — Entendi, mas és bobo, tinha três mulheres que lhe amavam, e no fim, depois de anos sendo feliz, resolveu mudar de lado, não entendo isto Call! — Você não tem de se meter Sharon, sabe disto! — Mas quando você a coloca nisto, você que pode perder, não esquece, João é um Moreira, linhagem Carson, perder alguém para eles é fácil, sabe disto, mas quer arriscar de novo! — Eu apenas não consigo a segurar, mas pelo jeito nem a filha consigo? — Quer o que, estes seus dopados funcionários, acham que foi um sonho no dia seguinte, ela se aproveita! — Mas filha? — Pai, não sou mais criança, sabe que não controla nada em casa, o que quer, que fique a esperar a eternidade, este parece saber o que faz pois o senhor o levou lá em casa, nem seu engenheiro o senhor levou! — Não se envolve com Pablo! — Pai, ele é gostosinho, mas não é nada mais que sexo, ele dopado até que é bom de cama, mas como sempre, ficam inertes, e saímos sem nem eles verem! — Vai voltar comigo Filha! A menina olhou para Sharon e falou; — Vai ter de o esperar sozinho, se Paula não acabar com ele! Sharon sorriu e viu a moça sair com o pai, e a clone olhar eles invisíveis e falar; — Acha que ela vem? 199

— Quase certeza, deve ter visto Call por ai, e esta esperando! — Mas se ele vier atrás! — Vem pela porta, e deixa dois clones ai, você sabe que não vai ser mais que uma briga, não com você! A clone se esticou na cama e antes de passarmos pela porta ela falou; — Isto não é uma cama, mal dá para um, como você consegue! Rimos e atravessamos a porta, e Sharon me olhou e perguntou; — E Paula? — Deve voltar em minutos, sempre brava, sabe como é, esta historia de ser Xi, ela esta ficando perdida! — Ainda nisto? – Senti a moça ao lado me olhar e perguntar; — Por que meu pai ficou tão bravo? A puxei aos lábios e a beijei, não a respondi com palavras, e sim com carinho, pensar que quando estava sempre dopado, ficava para depois, nunca para o momento, Sharon entrou no jogo de sedução, estávamos a se curtir naquela cama, a um dia, e a moça perguntando como podia, e me deparei com um fato, Call criou um mundo em mesmo tempo que o exterior, ou semelhante, mas vi quando Kátia entrou com outra Sharon pela porta e olhou a filha e nem conseguiu ralhar, Sharon que estava ao meu lado levantou—se e falou; — Minha menina, como esta? — Pensei que já havia me esquecido? — Você que não me procura Kátia, sabe disto! Vi as duas se beijarem com força, e obvio que Call arrastou outra clone para casa, e vi que aquelas se amavam, estranho não se entregarem a algo muito mais forte que as duas; 200

Ketlen me olhou e falou; — Nunca entendi este amor? — Já entendeu de amor, ou é apenas sexo menina! — Você é muito novo para entender isto? — Pode ser, mas posso ser bem mais velho também! A garota não entendeu, mas o que se podia fazer, sei que depois de um tempo, as duas saíram entrando em uma porta ao ar, e ficamos ali um tempo grande, até Paula surgir, e nos olhar a cama e Ketlen perguntar; — Seu quarto é sempre tão disputado? — Ketlen, esta é Paula Carson, deve ter ouvido falar dela! — Sua namorada? — Bem mais que isto, ela é para existências, e não para uma vida, menina! — Fala isto e leva ela para cama? — Esqueceu como nos conhecemos Paula? — Era para lhe provocar, achei que lembrava, naquela época! Sentei a cama, e olhei para ela, obvio que eu esta nu, e ela me olhou e falou; — Não tem vergonha? — Vergonha, o que é isto? Ela chegou perto e me beijou e falou; — Você não presta, é como meu irmão, não prestam! — Não apresentava ele a ela, que ela iria ficar mais maluca ainda! — João, o que faço com você! A puxei na cama e a beijei, a moça ficou sem jeito, sempre os rapazes eram objeto, estranho sentir-se como fazia os demais se portarem, mas não a queria como objeto e sim, contato, era pior do que isto, Paula leu meus pensamentos e sorriu; 201

— A pergunta continua em aberto! Ri e a moça veio ao lado e perguntou; — Por que esta briga continua? — Por que as vezes, temos de complicar, acha fácil para eles viverem a mesmice menina, eles brigaram pois precisavam, acha que eles não vão se entender, não conhece a eternidade, ela sempre nos faz brigar, e retornar, mas este aqui não presta mesmo! — Você foi carinhoso, mas por que não disse que tinha outra? – Ketlen me olhando; — Por que depois do que ouvi lá fora, pensei que não estava pensando em algo para a eternidade, e tenho de concordar com Paula, a eternidade muda todos os preceitos, nem chegamos a milhões de anos e estamos brigando, quando chegarmos a milhões? — Mas eu gostei de você! Eu a beijei, senti o ciúmes de Paula, mas não a soltei, e falei; — Não sou alguém tão fiel a Paula, assim como ela tem os amores dela, somos seres que deveriam estar livres, e ficamos a ver os demais viverem, e nós apenas a olhar, temos o direito de viver, não é que não gostei, pois você é incrível menina! Paula olhou a menina e falou; — Você beija bem menina, e sabe que imortais não seguram seus desejos, não queira ele como um mortal, ele não é! — Mas onde vamos parar assim? – Ketlen; — Quem disse que vamos parar, Ketlen! – A beijei a inclinei novamente a cama, ela sentiu meu corpo novamente, até senti a maldade em seus pensamentos, não sabia se aquilo viciava, mas estava virando alguém que nem me reconhecia a cama, e quando as duas adormeceram, pensei em qual confusão me esperava porta a fora, e por um tempo fiquei a pensar nas 202

possibilidades, mas tinha coisa que eles teriam de aprender, e uma delas, é que bons projetos pode até se copiar, mas é difícil implementar; Quando Ketlen acordou foi ao banho, e Paula me beijou e falou; — Sabe que as vezes parece que você é Xi! — Você não conhece a forma de pensar de Xi, ele nunca lhe dividiria com outro, teria sido realmente um teste que ele não passaria! — Fala sério que aquele menino é Xi? — Falo, mas sabe bem que ele tem ciúmes de nós, e isto vai acabar em uma guerra, Paula! — E se o quiser como meu Xi! — Teria de aprender muito, mas você também é possessiva, vocês ainda vão a guerra, mas estarei aqui, sabe onde, quer dizer, posso não ficar nesta cidade, mas sabe onde me achar! — Este seu mundo é feio! — Concordo, mas é que quero viver o mundo real, não só o de ficção! — Acha que consegue mudar a cabeça do pai desta daí, nem Peter conseguiu! — Peter não quis, você quer dizer? — Verdade, ele não quis, ele gosta do amigo, e mesmo tendo de afastar-se da irmã, ele o fez! — Nunca acredite nas historias que contam Paula! – Falei e ela me olhou; — Acha que ela nunca se afastou do irmão? — Olhou os olhos de Ketlen? Paula me olha, e fala; — Você é perigoso, João Moreira!

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— Ninguém neste universo é mais perigoso que você, Paula Carson, mas não quer dizer que acima dele, não exista alguém que possa com você! Abracei Paula e depois fomos a um banho, quando a moça saiu pela porta, já era manha, e logo depois, vi os seguranças baterem a porta, pedirem identificação e me algemarem, como era identificado, não apanhei, pois sinal que tinha emprego, tomei minha dose de alucinógeno antes de ir com eles e Francisco estava a porta vendo me prenderem pela segunda vez, mas meu sorriso deixou ele intrigado, fui levado ao prédio central, e com toda a calma, sentado a uma cadeira, e um senhor que não havia visto sentou-se a minha frente e falou; — Você é João Moreira? Evitei olhar aos olhos do senhor e respondi; — Sim, João Moreira! – Falei bem pausadamente; — O que o traz a cidade? — Propus um serviço nos Cais, para senhor Call, ontem ele disse que iria me contratar, até me deu uma identificação! — Sabe que esta identificação é falsa? — Não, não pode ser falsa senhor! — Mas é, e esta preso por falsidade ideológica, e será deportado a seu país, ainda hoje! — Ótimo, então por que esta me interrogando, já que tudo que quer e se livrar de mim? — Me afirmaram que é um Terrorista, que afunda cidades, fez até uma demonstração para este imortal, Call, quero saber por que se ele controla tudo, quer nos destruir! — Ele não quer lhe destruir, e não foi uma demonstração de terrorismo, e sim um teste, ele tinha dois modelos de cidades flutuantes a vender a França, e pediu para que testasse a segurança, a primeira, não resistiu, a segunda, perfeita nos cálculos, ficou intacta, senhor! 204

— Por que o esta defendendo, sabe que foi ele que pediu sua prisão? — Não acredito nisto senhor, ele não me pareceu este tipo de pessoa! — Então ele lhe enganou direitinho, deve lhe dever dinheiro, pois não teria motivo aparente, a não ser que tenha dado em cima da filha dele! — Fugi dela duas vezes senhor, talvez tivesse que ser como a maioria, não fugir! – Encarei ele como quem acusa de algo; — Esta insinuando algo, João Moreira? — Não, mas se a pergunta era se fui a cama com ela, não fui a cama com ela! — Sabe que se ela lhe acusar de assedio, terei de lhe segurar aqui? — Não ganharia nada com isto senhor, somente problemas maiores! — Sabe a que esta condenado no Brasil? — Sei, a não existência, já que não podem me matar! — Acha normal? — Tenho de tentar algo e a não existência, é um bom lugar! — Se pensa que pode escapar de lá, acho que não entendeu o como aquilo é feito! — Senhor, a não existência, é uma porta, onde só se tem um lado, o outro, não se tem mais, assim que se passa, mas isto quer dizer, ficarei lá, por um tempo imenso, para mim, mas lá não tem tempo, então não existe volta se não for no segundo que se entrou! — E mesmo assim quer ir? — Não quero, tenho um visto, que sei ser legal, mas se o senhor afirmar que ele é ilegal, seria a minha palavra contra a sua, ninguém vai verificar mesmo, e me deportam, mas sei que 205

é legal, sei que não tem motivo para isto, mas se quer, paciência, onde assino a deportação? O policial me olhou, ele sabia que não tinha motivo, mas ele cumpria ordens, se tinham de me deportar, deportariam, e vi 3 rapazes me tirarem da sala, daí apanhei, já não tinha identificação, mudavam de lugar, não mudavam de atitude, com o olho roxo, cara esfolada, fui embarcado em um Avião de origem Brasileira, quer dizer, estava condenado assim que pus o pé nele, mas mantive a calma, se tinha algo que não podia mais reclamar, era disto; Desembarquei em Brasília, e fui levado a policia federal, lá me identificaram e com uma condenação daquelas, ninguém me poupou de mais uma surra, fiquei preso 3 dias em uma cela, e no quarto dia, me levaram a uma cela especial, sabia que era a não existência, e lá fui atirado, em um dia qualquer, de um ano qualquer; Tentei olhar em volta, nada vi, era escuridão total, senti as energias do local, havia energia, tentei ver meu corpo, mas nem corpo eu tinha ali, era sem matéria, ou anti-matéria, lembrei que estava em um lugar sem tempo, na teoria, mas não acreditava nisto, alguém que entrou antes de mim, pode estar ali a milhões de anos, para ter passado um ano do lado de fora, comecei lembrar da minha pequena existência, teria tempo de pensar, mas algumas coisas me deixaram triste, ninguém interferiu por mim, era mais um teste, mas deste talvez não saise, e se daqui me livrasse, seria outra pessoa, não mais João Moreira, pensei na magia, e nada aconteceu, mas pensei na energia e tentei a puxar para mim, absorver ela, e quando fiz isto, por estranho que pareça, vi meu corpo de não existência, não tinha forma, não tinha, me veio a duvida se não seria mesmo Xi, cheguei a conclusão que não, mas fui formado para ser, é como se tudo que eu pudesse fazer, ele também podia, pois fui posto em seu lugar, uma existência por uma semente poderosa, vi as coisas se aproximarem, não fui arremessado numa corrida em sentido de algo, mas sim, as coisas sendo 206

atraídas a mim, vi a massa se unificando em mim, mas era eu, mas senti algo estranho, eu vi aquela energia surgir do nada, e se unificar a massa maior, e quando aquela energia tocou a massa, esta não reagiu, entendi, precisava de mim ali, naquele momento, toquei a massa e a mesma brilhou com a energia que transpus a ela, e se fez luz, se fez um universo, estava olhando assustado para ele, eu como um ser sem forma, e vi Peter Carson a falar com Reinold e pensei no que era aquilo, olhei em volta outras almas, que haviam sido jogadas na não existência, estavam todas translúcidas, e alguns me olharam e perguntaram em mente, sem palavras, o que seria agora, e respondi que cada um deles, seria uma espécime, a correr por este universo novo, criado para eles, alguns duvidaram mas viram os corpos se desfazerem, a prisão estava desfeita, olhei a porta ao fundo, não sabia se queria sair por ela, Peter voltou a sua infância, ele ainda era um sonhador, naquela hora, mas uma coisa me veio como certeza, alguém guiava os passos maiores, Peter não teria conseguido, teria se perdido um caminho de imortalidade, e nada do que aconteceu, com aquele moleque de minha idade, teria acontecido, mas não queria voltar pela porta, enquanto ali, tinha de pensar, mas depois de um tempo, em meu corpo translúcido, me direcionei a porta, pensei em me tornar invisível aos olhos, mas não teria como, mas se saísse, seria com os demais me olhando, diriam que eu era Xi, também não queria isto, pensei em um tempo estático, parado mesmo, e girei a maçaneta, adentrei a sala, o segurança estático, a câmera gravando, mas não era tempo mais lento, era estático mesmo, sai pela porta e do lado de fora, Peter e Paula falavam com uma moça que não conhecia, e sai dali, e me direcionei a rua, Brasília era uma cidade tradicional, patrimônio da humanidade, não estava acostumado com ruas largas, arvores as ruas, olhei o prédio as costas, e comecei a andar, cheguei em um canto, não havia ninguém olhando, e os tempo voltou a andar normalmente, abri uma porta e surgi no primeiro esconderijo, me olhei no espelho, e mudei meu nariz, mudei milha sobrancelha, cresci um pouco, olhei em volta, 207

alterei minha aura para a de um Fanes, desenhei o local, como um local agradável, mas dentro da existência, sabia que conseguiria novos inimigos que antes foram amigos, estranhei a facilidade que consegui fazer isto, mas não era para brincar de casinha de novo, e desenhei um novo mundo, deixei o meu lá, abandonado, e murchando, como se não tivesse mais minha energia para manter o mundo todo, meu novo mundo, era apenas uma ilha, em meio a um oceano por todos os lados, entendia agora a decepção de Xi, ele ajudara a formar todos os universos, e seu filho nunca desconfiou, era uma forma de educação, mas o sentido da educação não entendia ainda, estava sentado em meu novo sofá, nova cara, nova identidade, quando vi uma leva de Fanes tomarem o lugar e Magda vir a frente, ela me olhou e perguntou; — O que faz invasor? — Desculpe, não sabia que este lugar aconchegante era de você! A moça olhou em volta, sabia que era um dos olhos de Paula e perguntou; — Quem é você? — Vim procurar uma mãe para mim, mas não a achei? — Como ela é? — Não me leve a mal, mas agora ela deve ter uns 10 anos, nome Dani, se não mudou de nome novamente! — Você é um dos filhos de Dani, qual o seu nome? — Joaquim! — Joaquim de que? — Só Joaquim, ela nunca teve um segundo nome, por que eu teria! A moça olhou para o seu lado, acompanhei o olhar, e surgiu Paula, que olha para mim e fala, ela estava com uma lagrima aos olhos, mas poderia ser apenas impressão; — Quantos filhos esta menina tem? 208

— Não sei, eu era apenas o pequeno Joaquim, mas tinha aquele menino maior, Pedro! — Ela lhe deixou com quantos anos? – Paula; — Eu disse que queria conhecer o mundo, tinha uns 9 anos, Pedro uns 11, ela tinha quase meu tamanho na época! — Pedro ainda tem 11 anos, rapaz! Olhei em volta e falei; — Peço desculpas, mas não queria incomodar, achei o lugar vazio, por sinal, o que aconteceu, tanto espaço e ninguém por ai? — Nada que lhe interesse, mas você que arrumou isto? — Desculpe! – Eu estalei um dedo usando Dons, e tudo se desfez – Não quero meter-me no que não me diz respeito! — Vai para onde? — Vim ver se Dani ainda estava por aqui, mas Pedro sempre dizia que um dia um rapaz entraria nestes túneis e sairiam daqui, nunca entendi, pelo jeito o rapaz veio e os levou, sorte deles! — Pedro sabia que o rapaz viria? – Paula; — Sim, quem é você, me parece conhecida? — Paula Carson! — Desculpe, vim da New Europa, não ouvi falar, é conhecida? — Não, mas alguns falam de mim! — Posso me ir, ou devo algo, não sei os costumes daqui? Paula olhou para Magda que falou; — Por mim, não nos incomodando, tem muito espaço a partir daquela porta! — E muita sujeira! – Falei meio irritado, me despedi e sai, nem olhei para traz, sabia pelas energias que Paula estava a minhas costas, e olhei onde antes tinha a base dos marginais, olhei em volta, peguei um pouco de pó e soprei ao ar, isto era Dom, e a menina viu os entulhos se erguerem, a cidade viu, 209

acima, o prédio se refazer como se fosse, novinho em folha, sentei-me na antiga base e olhei em volta, muita coisa diferente, e vi Paula na forma de Prica, adentrar o local e me olhar; — Sabe que esta invadindo? — Tudo bem, era seu o amontoado de pó? — Era, não gostamos de intrusos! — Vou dormir hoje, amanha vou ao norte, não vão me ver mais mesmo, povo estúpido e mesquinho! — Me chamou do que? — Ouviu, mas vou apenas dormir aqui, se puder fechar a porta, quando sair, seria bom, evita que mais intrusos entrem em seu grande castelo de pó, amanha trago a baixo, antes de ir embora! Falei irritado, nem estava, mas precisava sentir aquilo, sentia minha mente sendo vasculhada, e embaralhei com magia, parecia que estava pensando em uma moça, do outro lado do oceano, e a moça ficou ali parada, arrumei um canto e deitei; — Vai mesmo me desafiar? — Não criança, vai dormir, tem espaço suficiente, só me deixa, estou cansado! Estava mesmo cansado, mas como dormir, com alguém lhe vigiando, alguém que pode entrar em sua mente, quando você bobeia, foi uma noite tensa, Paula ficou ali e ainda pela manha surgiram as outras duas, e sai, e perguntei; — Quer que fique assim, ou prefere o pó? — Assim esta melhor! Segui o caminho bem longo para saída, ela não sabia por onde havia entrado, mas me seguiu, teria ela agora no meu encalce, quem sabe fosse bom, mas não tinha identificação, e quando puxei uma bússola, ela me viu olhando e perguntou; — Acha que consegue se localizar por isto ai? 210

— Ainda está aí? — Não me respondeu! — Sim, vai me indicar ao norte, quero chegar mais longe possível, em Brasília começo a oeste, e quando começarem as montanhas, volto ao norte, de lá me viro! — Vai para onde? — México, ou Estados Unidos, mas sem urgência para chegar! — Algum motivo especial? — Não, mas nada nestas terras me pareceram especiais, dopados atrás de dopados, não me deixaram ir a região da Turquia, dizem que lá vivem imortais, seria algo a conhecer, mas somente conhecendo as coisas! — Seu nome é Joaquim mesmo? — Não lembro de lhe ter dito meu nome! — Mas é Joaquim ou não é? — Estava procurando uma mãe para mim, para ela sou Joaquim, para os demais, tanto faz, mas por que me segue? — Quero ter certeza que vai embora! — Me disseram que a cordialidade aqui era outra, mas devem ter conhecido outras pessoas! — Não sou Brasileira, nasci numa terra que não existe mais, esta abaixo da água rapaz, não acho graça nesta sua estupidez! — Então me deixa ir e se livra de mim de vez! — Alguém muito poderoso para passar desapercebido! — Desapercebido, eu não tento chamar a atenção, o que fiz que chamou a atenção? — Refez com um toque um prédio de 200 andares! — Não lembro de o ter feito, não o fiz, esta maluca! Paula se calou e voltei ao norte, ela atrás, estava me incomodando, e quando chegamos a uma lanchonete, paguei com créditos e comi, com fome, era algo que não estava 211

acostumado, carne de rato, mas estava gostoso, era o que interessava, a moça sentou-se ao meu lado e me encarou; — Você me parece conhecido! — Dizem que me pareço com uma fuinha, mas nunca vi uma fuinha! — Meu nome é Prica! Não falei nada e continuei a comer, e ela me olhou com aqueles olhos de Prica, mas conhecia aquele olhar; — Não tem namorado a perturbar moça, esta me seguindo a quase um dia! — Não me dou bem com namorados, acabo os matando! — Mais um motivo para ficar longe de ti! Levantei após pagar e tomei o norte novamente, e a moça as minhas costas, era perto de 2 da tarde do dia seguinte quando saímos em uma passagem em Bragança Paulista, ela me viu fazer sinal para um veiculo, ele parou e entrei e falei para onde iria, e o motorista perguntou; — Vai deixar a moça ai? Olhei para fora e perguntei; — Vai junto ou não? Ela caminhou calmamente e adentrou ao veiculo, e pedi uma corrida até BH, o rapaz sorriu, não era uma corrida de poucos creditos e Prica ou Paula, falou; — Por que acho que você não é quem aparenta? — E quem seria, que vai perseguir até o fim do mundo? — Alguém se escondendo de mim? — E por que teria de me esconder de você? — Por que lhe mandei para a morte! — Certo, é um bom motivo para se esconder de você, mas se tivesse me mandado para morte, só para saber, curiosidade, quer me mandar para a morte de novo, por isto esta me perseguindo? 212

— Não, é maluquice minha, me prender a algo que não deveria ter deixado acontecer, mas agora sei que ele se foi! Paula olhou para fora, uma lagrima escorreu em seus olhos e perguntei; — Estou enganado ou esta procurando alguém por ai, que mandou para a morte, esta lagrima é por este ser? — Sim, esta lagrima é por este ser, mas você disse que Pedro esperava alguém lá! Olhei com uma indagação, e o motorista se assustou ao volante ao ver a moça mudar de forma, e Paula me olhou; — Por isto sabia meu nome? — Sim, mas como dizia, Pedro disse que esperava alguém, ele disse quem? — Não, ele falava isto com Dani, pareciam ter uma missão, mas nunca entendi isto também! — Ele não disse quem? — Ele falava que seria um rapaz, uns 16 ou 17 anos, mas por que? — Um nome? — Não lembro, posso ter esta cara jovial, menina, mas tenho mais de 300 anos! — Isto eu sei, eu tenho mais de 400, mas ele não falava nada? — Não, mas ele e Dani sempre se deram bem, se achar ela, acha ele, e pergunta para ele! — Ele nega o que é, quando falo com ele, se faz de desentendido, mas vi nos olhos de Dani, quando falei que o mandei para não existência, tristeza, e no de Pedro, alegria, sei que aquela aparência de criança é apenas aparência, mas me deixei levar! — Pelo que entendi, mandou quem amava para não existência? 213

— Na verdade, poderia ter interferido e o tirado de lá, o que dá na mesma, não o fiz, ele foi, e agora tenho de jogar com o que posso, pois não tenho o único ser que estava, de um jeito torto, me ajudando! — Não estou entendendo nada! — Melhor assim! — Sabe que no original não é feia menina, mas é uma imortal, pelo que falou, eu sou apenas um Fanes, tentando viver meus 1300 anos! — Vi que tem tendência a Imortal, mas pelo jeito esta longe de querer algo assim? — Não tenho a pretensão da eternidade, talvez quando estiver mais velho, mude de idéia, mas daí vejo se ainda é alcançável! — Sabe que se nos cruzarmos de novo, não pretendo ser tão xereta assim! — Tudo bem, é que não sou de falar, meu mundo é do silencio, as vezes passo dias sem falar com alguém mesmo! — E gosta disto? Olhei para ela e não sorri, o sorriso era algo característico de mim, e teria de mudar, pensei um pouco e pensei forte, antes só do que mal acompanhado, ela leu isto em minha mente, e falou; — Acho que quando achei quem deveria levar a eternidade, o matei! — Sabe que a Dani sempre dizia que não existe não existência, mas se ele achar em algo a se agarrar lá dentro, ele pode voltar, se era imortal, pode ser que demore uma eternidade para ele, mas para você não passaria de alguns dias! — Mas no que ele se apegaria, se eu o trai? — Não sei, mas não o conhecia, esqueceu? — Verdade, mas terei de falar com Dani, pelo jeito Pedro me engana sempre! 214

— Quer uma dica com Dani, primeiro não diz que falei isto, pois ela vai entrar na defensiva, mas chega perto dela, com a tristeza que esta sentindo, e diz que acabou fazendo o que fez, ela tende a abrir o jogo, ela tem um coração de mãe! — Quer que diga que você esta por perto? — Só diz para Pedro, que eu estou por perto, ele fala para Dani! — Certo, mas vai mesmo a BH? — Não, meu destino é um templo submerso em uma área que era dos Estados Unidos da América, templo de Tampa, dizem que apenas o topo da pirâmide esta acima da agua, quero mergulhar lá e conhecer algo diferente! — Conheci quando estava na superfície, é bonito, vale a pena mesmo! Vi a menina sumir ao meu lado e o motorista perguntar; — Você disse ter mais de 300 anos? — Deveria prestar mais atenção na estrada, senhor! — Desculpe, mas é um imortal? — Não, existem 3 seres sobre o planeta, os humanos, que vivem bem mais pouco, os Fanes, que são em sua maioria transformados em imortais, e os Imortais! A viagem foi cheia de perguntas, e quando chegamos a BH, fui ao submundo e comprei um caderno e um lápis, e apaguei as cidades flutuantes, Call deveria me xingar naquela hora, mas o que poderia fazer, estava preso a existência de meu mundo, que definhava, ele sentiu meu mundo definhando, estava a ver a noticia de que a engenharia no centro da grande metrópole trouxe de novo dos restos o prédio que caíra dias antes, vi as noticias, e em meio a tudo ainda as noticias da morte das pessoas e da execução do responsável, ouvi um rapaz ao meu lado falar; — Acabaram com um grande líder, eles vão ter o que merecem! 215

Olhei em volta, algumas pessoas tinham lagrimas nos rostos, estranhei, eu estivera fora pouco tempo, mas líder não era, ou era, não sabia se deveria fazer algo, mas um rapaz chegou ao meu lado e perguntou; — Ouvi dizer que você é um imortal, vocês são nossos inimigos! Alguns se muniram de estiletes e facas, olhei em volta, era raiva, eles precisavam descarregar em alguém; — Primeiro não sou imortal, e acho que não entenderam a noticia, Guerreiro Moreira era um imortal, eles não o condenaram a morte, e sim a não existência, mas se acham que eu sou o problema, enfrento! — Eles mataram nosso líder! Vamos lhe matar! – Gritou uma moça, se não fosse trágico era cômico, senti que alguém manipulava as mentes, e olhei ao fundo um rosto, ela não fora embora ainda, mas não usaria magia mesmo, fiz fogo as mãos e alguns recuaram, olhei o rapaz e falei; — Quem dera, as pessoas aprendessem com os erros rapaz, pois tem gente que mataria 10 vezes uma pessoa, só para provar que esta certa! Falei olhando para ela, e estalei o dedo, um redemoinho surgiu, pequeno a minha volta, estalei o segundo e meu corpo se vez pó, e transitei em meio a eles para fora dali, não queria confusão, acelerei o vento e fui a noroeste, depois mais ao norte; Por dentro eu sentia algo crescendo dentro de mim, era uma magoa grande, que tentava estrangular, mas que escorria por dentre os dedos, eu não sabia se estava bem ou mal, estava estranho, coautoria na produção de universos, não era pouca coisa, mas estava a ver que mesmo se eu não tivesse morrido, ela continuaria a tentar me por numa posição que não queria; Parei a beira do Lago Titicaca, sabia que magia corria por aquelas terras, mas não queria a magia, apenas descanso, em uma pequena vila, consegui trocar meus créditos, e consegui 216

uma pousada, estava cansado, Dons cansam a gente, mas não usaria Magia nenhuma, e quando no meu quarto, um frio grande lá fora, aparece uma moça a minha porta; — Você não me engana, sei que é João Moreira! — Quem é João Moreira? — Perguntei; — Você sabe, quase apanhou por ele! — Guerreiro Moreira, se chama João? – Perguntei, pois todos o chamavam de novo guerreiro, ou guerreiro Moreira, nada de João Moreira; — Sabe bem demais da historia para não ser ele! — Com quem falo? — Meu nome é Rose! — Pode aparentar com a pequena Rose, mas Rose me conhece da Etiópia, ela não falaria assim comigo! — Você conhece Rose? — Uma parecida na aparência com este seu jeito, mas ela não fala cantado, e não tira os olhos dos olhos, quando fala! Sabia que era Paula, ela ainda no meu encalço mas tinha de esperar ela falar; — Sabe quem devo ser, mas por que você me deixa ler seus pensamentos? — Bloqueios nunca funcionaram com não Fanes, para que me desgastar! — Você não pode ser ele, pois não saiu por aquela porta, mas sinto como se fosse! — Sente? — Sim, você me olha nos olhos, quando fala, não desvia, Rose também faz isto, mas você faz mais intensamente, e algo em mim diz que é você! — Mas como poderia? — Dani não lembra de você, e Pedro não lembrou também! 217

— Agora pelo menos sei com quem falo, mas Pedro disse quem é, ou apenas ficou se fazendo de criança? — E quem ele é? — Um ser mais velho provavelmente que eu e você juntos, mas ele não diz isto, Dani quando eu perguntava a data de nascimento dele, dizia que era incerta! — Incerta? — Qual a idade dos deuses, incerta, eles nasceram antes dos calendários, antes da existência, acho que Dani queria dizer isto! — Não vai dizer que é você, não é? Sabia que ela tocaria o chão e minha imagem talvez se deformasse, para a anterior, não teria o como evitar, e olhei para ela e perguntei; — Para que quer saber, morto ele não servia, vivo não servia, para que quer saber? — Para ter certeza, você não pode ser ele, mas se for, você sabe mais que eu, pois eu não sai da não existência sem a ajuda de Peter! — Isto é sinal que ainda terei de ir lá mais uma vez, Paula! — Por que? — Por que Peter não sabe como tirar alguém da não existência, ele não sabe nem gerar existência sozinho, mas tudo bem, se for o caso irei novamente, mas preciso me afastar de você, esta conseguindo matar algo dentro de mim, não gosto disto! — Sabe onde pecou? — Alguns pontos, mas quando apaguei as cidades flutuantes, ficou visível, elas não definharam, apenas sumiram! — E fez do mesmo jeito! — João Moreira morreu Paula, e não foi você que o matou, você apenas desenhou todas as possibilidades, mas 218

nelas, não acho que tivesse me poupado da não existência, então não me venha com lagrimas que não lhe caem bem! — Mas se você é Xi, sabe por que fiz! — Eu não sou Xi, e já lhe disse onde ele esta, mas não acredita, quer que seja eu, me mataria quantas vezes possível, para provar que esta certa, então para mim acabou Paula! — Não pode acabar, nossas vidas estão entrelaçadas! — Não, sua vida e a de Pedro estão entrelaçadas, a minha não, e no caminho, vou acabar morrendo! — Es imortal! — Sabe que a única coisa que mata um imortal, é sua própria vontade de morrer, então não me custa acabar de vez com isto! Estava deitado, o frio era imenso, mas sentei-me a cama, não queria usar magia, mas estava ficando insuportável, e ela falou; — Não entende que eu te amo! — E quem você odeia Paula, você faz o que com eles, pois se você não sabia sair da não existência, eu não sair, força Peter ter de me buscar, mas não vai pedir isto a ele, pois ele vai dizer que se não era eu, para que salvar, e se ele fosse, deveria a ele isto, desculpe, mas todas as saídas, não me eram viáveis, você não pensou nisto, apenas achou que eu sairia e pronto, mas as instruções foram diferentes, e não quero sair de lá, deixa eu lá, todos felizes, espancando imortais no país inteiro, gente que não tem nada a ver com isto, mas o que pode fazer o ser mais poderoso do universo! Ela me olhou a sentou-se ao meu lado, eu a encarei, e ela falou; — Mas você foi carinhoso, você disse que me queria? — Disse, mas sempre espero que as pessoas que falam do outro lado, também mostrem o que sentem, é fácil estar aqui, e com Peter lá, bloqueando aqui, para que ele nem desconfie, 219

pois lá esta triste, lá quer o irmãozinho, aqui, quer me tentar matar uma segunda, terceira ou quarta vez! — Não lhe quero matar, mas não entende, você não quer mais a existência, você disse que seria a ultima! — Xi pode ter falado isto, eu não falei, Xi é um cabeça dura, já lhe disse isto, mas não acredita, então fica com seu irmão, chora para ele lhe consolar, mas me deixa livre, assim não mata mais o que já esta quase morto! O meu frio estava aumentando, eu não estava usando nem dom nem magia, e muito menos energia, ela tocou em minhas mãos, pareceram queimar de tamanha temperatura, e falou; — Sabe bem onde acaba isto? — Desejei isto no táxi, que você brilhasse e apagasse tudo, não sabendo nada, não posso fazer nada, mas poderia tentar recomeçar, ou me afundar de vez, que é o que vai provavelmente acontecer! — Não quero você sem memória, você é especial pois lembra, mas não posso lhe deixar se matar! — Por que não Paula, este nem é o corpo que me pertence, tudo que preciso é um gelo a mais, e tudo acaba bem! Ela estava tentando passar calor para mim, mas estava a sentir o corpo congelar, não estava mais a pensar, às vezes as coisas morrem dentro da gente, e o que podemos fazer, morrer é sempre uma boa dica, se deixar congelar, ela me olhou e vi uma lagrima em seu rosto; — Não pode me deixar, João, mesmo que não seja Xi, não entendeu que lhe amo! Tentei falar, mas as palavras já não saiam, estava quase me indo, mas lembrei, imortais não vão, ficam onde estão, isto me irritou, e uma faísca de energia correu meu corpo, e ela sorriu, ela sentiu o corpo voltando a vida, mas as palavras nunca ajudam nesta hora; 220

— Mas como pode me amar, Paula, se nada que digo você acredita! — Me prove que estou errada! Passei a mão a cabeça e pensei em como, mas senti o abraço dela, e não soube dizer não a ele, mas olhei para ela e falei; — Mas não terei mais aquela aparência! — Por que? — Por dois motivos, Dani e Pedro! — Vai voltar comigo? — Não, você vai me encontrar amanhã, e daí vai me levar para sua casa, e me apresentar a sua mãe! — Ela vai desconfiar! — Vai, mas sou um Fanes, não sou bonito, e não sei falar Português direito! — Certo, isto é loucura! — Sei que é, mas se quer uma prova, terá uma prova! Depois me mata mesmo, pois vai descobrir que ama aquele projeto de gente, mas tudo bem! — E como fica Ketlen? — O pai dela me deportou, o que posso fazer, Call vai perder um contrato de mais de 1 trilhão de créditos, mas ele não quis me pagar uma pequena fatia disto! — Sabe que tive vontade de afundar a cidade, quando ele resolveu lhe entregar! — Com ele me acerto depois, mas já sei o que serei, me encontre amanha, a tarde, pode ser na área de passeio, lá que os perdidos de amor passeiam, e lá que os perdidos na cidade se encontram! — Não vai se congelar de novo? — Lembrei que não morreria, ficaria um picolé pela eternidade, até degelar, não fico bem de picolé! – Eu a puxei 221

sobre mim e falei – Ou acha que minha coberta vai sair assim, por ai sem permissão! Ela me beijou, estávamos virando um casal problemático, eu não a largava e ela não me largava, e íamos de extremos, onde sempre eu me dava muito mal, mas tudo bem, estava acostumando; Naquele dia, fiz um pacto com ela, um pacto que sentia que ela conseguia bloquear, e vendo o caminho que ela bloqueava, aprendi que também poderia bloquear, no fim, um pacto apenas de aparência, pois nem ela e nem eu estavam prontos para dividir tudo. Nova imagem, nova identificação, nova roupagem chego ao colégio na manha seguinte e peço para falar com o diretor da mesma; — Quem vem a nós? — Senhor, meu nome é Joaquim Cezar, meu pai tem uma linha de construção naval, em New Europa, e estamos pensando em ampliar para as terras locais, mas preciso me manter nos estudos, fora de confusão, enquanto me instalo na cidade; — Vai requerer prédio próprio? — Vou, mas se puder me conseguir uma instalação modesta, posso me virar por enquanto! — Sempre é bom ter grandes nomes a destacar nossa escola! — Sei que não estão tão por cima diretor, mas concordo que tenho que estudar! O diretor fez uma cara de poucos amigos, mas viu que tudo era questão de tempo, eu dei entrada nos documentos, paguei os créditos do ano, deixando tudo acertado, e fui a agencia que tinha a frente, abri uma conta e depositei os créditos que tinha, procedência, e tudo mais, de lá fui a parte da prefeitura de concessões, e pedi uma grande concessão de 222

ampliação sobre o mar da cidade, o rapaz primeiro me achou maluco, depois viu que estava falando serio; — E quando pretende instalar, se for concedido? — Assim que liberarem os atracadores trazem de New Europa a primeira parte, e depois de instalada, vemos as possibilidades, podemos gerar muitos impostos a mais para o município, rapaz! — Pelo jeito vem com capital para se instalar? — Sim, mas tenho de ter a concessão, se não, escolho outro lugar, o mundo é grande rapaz! O prefeito veio lá de dentro, me olhou e perguntou; — Você que esta a fazer este pedido de concessão? — Sim, deve ser o prefeito, Joaquim Cezar, prazer! Evitei os olhos, todos sempre meio dopados; — Sua família é do ramo de construção naval, pelo que entendi? — Sim, com a desistência da Call Companhia Naval, iremos fornecer a New Paris, um projeto francês de séculos, que vai sair do papel senhor! — Acha que teriam capacidade de entregar uma para nós, temos de refazer duas pontas de cidade, e não queremos mais esta Call Naval por perto, se me entendo? — Sabe que sempre se tem licitações! — Sei, mas se sua empresa estiver disposta a entrar, podemos até segurar a licitação para semana que vem, já instalado na cidade, pode participar desta licitação! — Sem problemas, mas acha que demora a minha concessão? O prefeito olhou para o rapaz e fez que podia fazer, sai com a concessão para duas flutuantes, era algo impensável, mas uma vez feito isto, o empresário, eu, sai a rua, e fiz que liguei para alguém, e redesenhei as duas cidades flutuantes, 223

elas em si tinham sua propulsão, e sua geração de energia, eram auto suficientes; Era inicio da tarde, quando eu fui ao passeio, e lá fiquei a observar a cidade a baixo, um passeio alto, era como chamávamos a área do prédio central, que fora erguida uma sacada em volta, estava a mais de 200 andares acima do nível da cidade, disseram que dali se viu a cidade de Santos afundar. Estava a olhar os presentes, vi Paula sentada com Peter, ele falava algo que não ouvia, sentei a olhar o mar, bem ao fundo, e mais ao fundo, já aparecia a primeira cidade vindo, na direção da parte sudoeste daquele ponto, um ponto onde a cidade tocou o mar, mas não avançou, e um rapaz estava a observar por um binóculos, tinham alguns para se olhar ao fundo, e começou falar alto para o outro olharem, foi uma correria aos binóculos. Peter olha ao longe, e chega as costas com Paula e fala; — A prefeitura estava agitada hoje, um empresário europeu vem a cidade, e parece que vem mesmo, irmã! — Não estou para falar disto, Peter! — Tem de esquecer, sabe bem que não existência é complicado, lembra quando me bati para lhe achar, e lhe trazer de volta? — Lembro, mas eu gostava dele, ele não era Xi, e aquele menino ainda se faz de desentendido! — Acho que não é ele, deve ser outro! Soube que apareceu mais um ser estranho nesta cidade, levantou um prédio com um toque! — Este até conheci, Magda me deu o serviço, Joaquim Cezar, empresário que estava a procurar Dani! — Não fala assim da menina, é apenas uma criança, mana! — Vai ver suas mulheres, estou me enchendo de você hoje! 224

Peter olhou para ela, sem notar que eu estava a observar, mas o todo das pessoas olhando a grande cidade se aproximar, a agitação se espalhou, um já ligou a Tv holográfica manual, e vi a reportagem em tempo real; — Estamos falando ao vivo com o prefeito, o que tem a nos dizer deste novo empreendimento na cidade, quando alguns pensavam em tirar suas empresas da parte deficitária! — Uma empresa de tradição naval, nos pediu concessão para ampliar em dois pontos a cidade, e esperamos que seja uma boa leva de espaço, e de novos ares para a cidade! — Mas qual o objetivo da empresa? — Ela pediu concessão para duas levas de 3 milhões de habitantes, mais permissão para instalação de um estaleiro para construção de Cidades Flutuantes! — Mas este empresário não é o mesmo que construiu Santos? — Não, eles são os que estão construindo a New Paris! A repórter se despediu e começou mais uma leva de programa infantil, e olhei para o lado e Paula me olhava; — Vai entrar de vez na briga? — Estava aprendendo, agora já sei como me virar, esta vendo aquele prédio alto, bem ao centro? — Sim, parece ter uma área assim? Como esta! — Tem, mas é particular, nosso apartamento, quando tiver coragem! Ela olhou ao longe, posso jurar que um clone dela surgiu no outro ponto, mas não tinha como ir lá agora, seria mais um dia para a balsa chegar ao local, depois seriam as encostas de ampliação e de instalação, em uns 5 dias deveria estar com aquela pequena leva de espaços a vender, em uma delas, a outra, tinha uma leva de seres a trazer a superfície; — Vamos conversar ou apenas ficar fazendo de conta? – Perguntei; 225

— O que pretende? — Unificar forças, já tenho os meus funcionários, mas para isto, eles têm de estar isolados da cidade! — Certo, qual o segundo plano? — Me oferecer para remodelar a cidade antiga! — Vai extorquir eles? — Lógico, tenho de pagar salários! Paula me olhou e falei; — Quer dar uma volta? — Onde? – Ela perguntou; — Não sei, a cidade é você que vai me apresentar! — Não acho interessante lhe apresentar tão animada para minha família hoje! — Não falei para ser animada, diga que sou um chato, que não larga do seu pé, mas você que escolhe? — Não sei, João! — Joaquim! – Consertei; Ela riu, e a convidei a descer ao mirante, era hora do café da tarde, e fomos ao restaurante e obvio, o prefeito me vendo, já veio a mesa e falou; — Conhecem-se a muito tempo? – Prefeito; — Não, ele estava perdido lá em cima, coisa de turista mesmo! Se conhecem? – Paula; — Sim, Joaquim Cezar é um empresário europeu vindo a cidade, pequena Carson! — Você é uma Carson, e não iria me contar? – Eu perguntei; O prefeito sorriu e falou; — Juntem-se a nós, tem muitos querendo conhecer o novo empresário que pôs a cidade em polvorosa hoje! — Não era a intenção prefeito!

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Sentamos a mesa e algumas apresentações, e obvio alguns olhares de interesse financeiro sobre minha carteira, e o prefeito perguntou; — Fora estes dois empreendimentos, tem algum plano a mais de investimento na cidade, rapaz? — Tenho, mas não sei que isto se fala abertamente, na minha terra se evita concorrência desnecessária! — São todos amigos, rapaz! — Tenho interesse em dois segmentos, um é o de Cidades Flutuantes, mas o segundo, é de revitalização de antigas regiões, soube que tens muitas áreas degradadas na cidade, prefeito, não sei como se lida aqui com isto, lá se vende trechos aos empresários, e eles se responsabilizam pela reestruturação e projetos novos sobre estas áreas, lógico que sempre com a aprovação das prefeituras envolvidas! — Sabe que temos um grande problema neste sentido, senhor, mas sabe que se mostrar interesse em alguma área, eu posso estudar a viabilização! — Outra coisa que preciso saber prefeito, como estão os níveis de sem cadastro de sua cidade, acha que conseguimos funcionários para o estaleiro ou acha melhor trazer de fora! — Neste momento de guerra em si, acho melhor procurarmos nas periferias das cidades! — Gosto de gente direta prefeito, fiquei curioso, qual o montante de recursos que a cidade vai desembolsar para a construção de Santos? — Um trilhão e meio, é o que esperamos, mas queremos capacidade ampliada, para no mínimo, 2 milhões de habitantes! — Posso ser indiscreto prefeito? — Seja! — O que esta pesando mais, é o valor ou o numero de habitantes? — O valor, mas esperamos que esteja em nossa concorrência! 227

— Espero que minha fabrica esteja aqui em 5 dias, senhor! — Esta a dizer que tinha uma linha para vir para cá, mas por que agora? — Eu tinha elas em construção, Call venceu em 3 concorrências, mas agora sei onde o vencer, senhor, mas ele jogou o custo lá em baixo e ganhou Londres, vai perder o prazo em Paris, e Roma, estou vindo ao novo mundo, senhor, mas sei que aqui poderei produzir com mais incentivos, que é o que ele esta fazendo! — Acha que ele vem com que preço? — Dois milhões de habitantes, ele ganhou de mim com uma proposta de um e trezentos em Londres! — Vai tentar baixar este preço? — Vou tentar, por isto estamos vindo para cá prefeito! — Sabe que aqui temos os Moreira, que também fazem uma boa concorrência! — Compreendo senhor, não estou no desespero, mas tenho ganho concorrências por prazos não cumpridos, então as vezes vale mais o estar pronto do que o não saber o como se faz! — Você é novo, parece falar bem! — Estou tentando aprender, meus pais vão ficar na Europa por enquanto, mas se gostarem, vem para o Brasil! — Acha que teria como bater o preço deles, estamos cheios de empresas que não cumprem o que esta no papel! — Soube que Call contratou um dos rapazes que sabotou aqui, e que os engenheiros dele, achando que a cidade era forte, lhe desafiaram a fazer o mesmo e a cidade ruiu! — Todos falam disto, mas sinal que ele vem com peso! — Vou fazer minha proposta, prefeito, se acharem ser boa, faremos negocio! Virei para Paula e perguntei; 228

— Não vai me dizer seu nome mesmo, ou vou ficar apenas com o sobrenome? — Paula Carson, mas por que tudo isto? — Tudo o que? — Vem com uma leva de construção para a cidade, acha que vale o esforço? — Com certeza vale! Pedi algo e Paula pediu algo bem mais natural que eu, mas se era europeu, tinha de esbanjar no gasto comendo pouco, era o padrão momentâneo, e depois de um tempo, fiz que apliquei minha dose, mesmo ali tinham seguranças, e sai pela porta com Paula, e falei; — Nos falamos amanha? — Não iria me deixar em casa? — Pensei que não iria encarar de cara, estava triste, lembra! — Mas você é insistente! – Paula; Sorri, e fomos a uma condução e saímos na direção do prédio dela, e adentramos ao apartamento, Paula olhou triste e falou; — Já me deixou em casa, não precisa mais nada! — Esta melhor! Posso lhe fazer companhia enquanto ninguém chega! Dani olhou para Pedro, e falei; — Só as crianças estão em casa, assim pode me mostrar a casa que mora! — Não acho apropriado! — Tem certeza? A mãe de Paula surgiu da cozinha e olhou ela e perguntou; — Não vai convidar o rapaz para entrar! Pude sentir o ar de mal goro que veio de Pedro, e ela me olhou sem graça; 229

— Fica para outra ocasião! — Tudo bem, espero você estar melhor! Sai e no lugar de voltar ao quarto, desci ao submundo, e olhei o pessoal todo organizado para uma investida e falei; — Acham que vão aonde? Todos me olharam e um rapaz veio a frente e falou; — O que tem a ver engravatadinho! Minha feição voltou a ser a anterior e o rapaz recuou e falou; — Mas disseram que lhe mataram? — Reúne o pessoal, vamos mudar em estilo! — Mas vão fazer mais cidade, vão nos afundar mais ainda! – O senhor da pastelaria; O pessoal se reuniu, estavam ali as lideranças de 200 subúrbios internos, e olhei para eles e falei; — Em 5 dias, vamos morar na primeira cidade, preciso organização, tenho espaço lá para 3 milhões de empregados, que vão tocar desde restaurantes, bares, tudo em si, e mais um grande estaleiro, vantagem, estaremos em uma área nossa, controle nosso, todo sistema nosso, alguém tem duvida sobre isto? — Esta a dizer que vamos todos a legalidade? — Quem quiser, a segunda parte, farei um acordo de revitalização das áreas abaixo, quero os Fanes nisto! – Falei olhando as duas irmãs, mesmo sabendo que ambas eram Paula — vamos ter um bairro para isto, e não um buraco, e com o tempo, muito espaço, mas sabem qual o plano maior! — Os trazer a lucidez! — Lhes trazer, eles, quando acordarem já tomamos o poder, mas vamos com calma, certo! — Pensamos que iríamos a ação novamente, alguém levantou o prédio da segurança de novo! 230

— Sim, mas por isto vamos tirar o pessoal daqui, mas em 5 dias, tudo estará pronto, vou dar identificação e chave de moradia a cada um presente, tudo bem? — Mas vamos trabalhar para você? – Perguntou um senhor; — Não, no papel, somos uma cooperativa, de funcionários, mas isto com calma veremos, acho que teremos dois clientes quentes, construir, Santos, e construir a parte afundada do Rio de Janeiro! — Quer dizer que vamos ganhar dinheiro, refazendo o que destruímos! — Sim, e vamos remodelar esta parte de baixo, e vamos, tocar, mas com toda a liberdade, entenderam! — Sim, mas pensamos que você tinha morrido! — Eu também, mas dizem por ai que sou imortal! Outra coisa, eu peço silencio ainda sobre minha sobrevida, ainda é cedo para isto! — Quer mesmo que achem que você morreu? — Se alguém desconfiar que estou vivo, complica tudo! Eu estava mentindo, sabia que deveria ter até Pedro disfarçado no meio, mas queria a informação indo a frente; Sai de lá retomando minha aparência, que poucos viram e fui ao colégio, lá me deram um quarto especial, não sabia que existiam quartos com tamanho maior, mas aquele tinha, uns 6 metros quadrados as mais; Amanheceu e fui a beira de acoplagem, e alguns caminhões da prefeitura, pois tinham o projeto, começaram a abri uma avenida, naquele ponto, fui ao mestre de obras e perguntei; — Qual o plano da prefeitura, rapaz? — 6 pistas, de ida e seis de volta!

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— Então vamos fazer o seguinte! – Apontei o dedo numa marcação a 3 metros da outra avenida – Esta vendo aquele ponto lá quase na avenida, de marcação? — Sim! — Só preciso alisar o solo de lá para cá, a plataforma de ligação já esta pronta, rapaz! — Esta dizendo que a plataforma, vai poupar este trabalho? — Este, mas não o trabalho! O mestre de obras me viu abrir a planilha e olha os detalhes, e vê que teriam trabalho. Viram a grande cidade cada vez mais perto, chegou a um ponto e ancorou, os demais ficaram a olhar aquela imensa ilha flutuante, e alguns olhavam mais atrás, outras duas, chegavam ao local, uma era um estaleiro gigante, em formato de C, ao fim da cidade, tinham prédios em um semicírculo, e ao centro um grande espaço tomado pelo mar, todos olhavam impressionados e eu tentando parecer normal aquilo, mas era encantador mesmo, os rapazes viram que as pontes de ligação estavam suspensas, e quando começaram a descer, viram a mesma se estender exato até o ponto que eu tinha falado, outras três pontes se afixaram, e os demais viram a imensa cidade, uma empresa particular de segurança, manteria a cidade vazia por enquanto, mas a cidade mesmo imensa, fomentava o crescimento. Fui ao cento da cidade e comprei um espaço comercial em um centro comercial de 20 andares, todas pequenas salas de não mais de 20 metros quadrados, imensos corredores, nossa sede da grande imobiliária que teria, estava a precisar vender a créditos, podendo receber em parte do salário direto, até 30% dele, por mais de 3 milhões de moradias, por mais de 30 anos, uma fonte de renda ao futuro, e esta era apenas o começo;

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Cidades
Estava João em seu novo nome, na tarde de seu segundo dia com este nome, Joaquim Cezar, a ver onde iria, e vê os moveis e equipamentos a chegar no escritório, e quando terminou o primeiro, viu uma das moças que falara no dia anterior a porta olhando-o e falar; — Você que é Joaquim Cezar? — Sim, você? — Patrícia 89, nasci no 89 sem denominação de pais! — Vamos então aumentar a linha Cezar, a não ser que queira carregar o 89 no nome? — Não faço questão senhor! — Então passa a ser Patrícia Cezar, tem alguma experiência em secretariado? — Não, acho que nem estou entendendo por que eu, me indicaram o lugar em uma reunião lá em baixo, não sei se tem noção? — Sim, deve haver uma irmã sua a se apresentar hoje também? — Sim, ela estava a ser revistada na entrada do local, sabe que somos descriminados! Levantei e falei; — Me aguarde aqui, tudo bem? — Vai fazer o que? — Evitar entrar em guerra! Desci rapidamente na portaria e a moça já estava nua numa sala, e olhei os seguranças e perguntei; — Quem é o responsável por isto? — Desculpe senhor, não tem autorização de entrar aqui? — Então me respondam, onde esconderam as roupas de minha funcionaria, pois vou cobrar isto do superior de vocês! — Ela não tinha identificação? 234

— Sei bem como se some com identificações, iam fazer o que, matar ela no fim para evitar problemas? — Senhor esta nos ofendendo! — Vou perguntar pela ultima fez, quem é o responsável? Olhei serio para eles e um senhor veio lá de dentro e falou; — Quem se atreve a destratar meus rapazes! — Joaquim Cezar, vão ouvir falar de mim muito, mas é bom saber quem não contratar na parte nova da cidade! Os rapazes se tocaram de quem era, o grande empresário que apostava na melhora, e o senhor fala; — Desculpe, mas ela não tinha identificação! — Torço senhor, que um dos seus nunca tire e de sumiço na identificação de uma filha ou filho seu, pois aqui se faz, e se paga os crimes! — Não nos gore! — Onde esta a roupa dela, agora? — Mas ela.. — Estava subindo para pegar a identificação e deve ter falado, mas como estavam querendo se divertir, se esqueceram de ligar para cima, não é isto? – Falei cinicamente; — Vão ter outros? — Sim, mas espero que não aconteça de novo, sabem o que tem de fazer, pois senão, a briga será mais dura da próxima! — Cumprimos ordem! — Não fale besteira senhor ou vai acreditar quando matarem sua esposa em uma revista que foi acidente, ou ela não tinha identificação! Um rapaz trouxe a roupa e a moça vestiu e subimos e um deles xingou na minha saída, a moça agradeceu e fomos à sala e olhei para as duas e falei; 235

— Peço desculpas por aquilo, mas preciso de vocês duas trabalhando aqui! — Sabe que teremos problemas? — Sei, mas em 3 dias resolvemos! — O que vai acontecer em 3 dias? — Vocês terão uma casa, na nova ilha, sei que é longe, mas nada que em 3 horas de ida e volta não se de para fazer, mas depois de vendida a cidade inteira, iremos para lá, ficara mais perto! — Mas por que nós? — Como é seu nome? — Priscila 89! — Então a partir de hoje, Priscila Cezar, o esquema é o seguinte, Patrícia vai trabalhar na mesa da direita, e vai vender imóveis, tem uma lista, depende da renda, e da ocupação, todos os lugares pré determinados, mas temos duas cidades a ocupar, e quando for do grupo, lá de baixo, Priscila, você vai dar a identificação, e a função, e vai encaminhar a Patrícia, que vai lhes determinar onde e o cartão de acesso, assim como a chave de acesso, para cada um dos moradores! — Como vamos fazer com aqueles que tem filhos, que não tem registro? — Você vai tomar a informação Priscila, e vai criar os registros, todos que não tiverem sobrenome você vai por Cezar como sobrenome, tudo bem? — Tudo, mas vai ter mais de um milhão de Cezar na cidade? — Vai, mas vamos deixar nossa marca, certo! — Esta querendo entrar na historia? — Este é o começo, este local vai ficar agitado, mas a partir de amanha, estamos distribuindo funções e residências, as suas já estão no sistema, certo? — Obrigada por me tirar lá de baixo! 236

— Isto não é sociedade, é covardia, mas sei bem que ainda teremos problema, mas em 20 dias, nosso escritório se muda para a nova cidade, em prédio próprio, muitos aqui vão querer ter cede lá, e vamos vender os lugares mais cobiçados, e ganhar com isto! — Mas acha que tem lugar para todos? — Nem todos vão querer vir meninas, mas ai tem um segundo projeto, e um terceiro projeto! — Vai mesmo abraçar todos os filhos excluídos? — Eu em si quero tentar, mas o desafio é grande! Fui na parte de dentro, peguei dois uniformes, bem sex e dei as duas e falei; — Este é um uniforme do local, a fachada eles vão instalar hoje, depois estes cartões de créditos, para vocês passarem em uma loja na parte baixa, fazer cabelo, unha, e dar uma geral, tudo bem? — Tudo, assim eles nem vão nos reconhecer! — Vou ter de ficar de olho, pensei que o lugar era mais serio! Me despedi das duas e desci a direção e pedi para falar com o gerente; — Senhor Joaquim, algum problema? — Sim, uma das moças que veio pegar identificação foi detida por sua segurança, despida, pensei que o lugar era de respeito, mas se não for, vou a outro lugar senhor! — Mas ela não tinha identificação? — Sabe a resposta, pois se estava começando, não tinha e alguns vão vir para se cadastrar e receber as suas, espero que não aconteça de novo! — Mas o que vai receber? — Senhor, a cidade não teria mais de um milhão de funcionários se não apelasse para os sem registros, sabe bem disto! 237

— Vou avisar os seguranças, mas são ordens? — Desculpa, mas ordens, assassino é assassino em qualquer lugar, senhor! — Esta me ofendendo? — Se acha certo eles as estuprarem e matarem, e repetir que estou lhe ofendendo, tiro as pessoas daqui senhor, lugar vago tem aos milhares na cidade! O senhor viu que estava falando serio, e falou; — Desculpe, não sou a favor, mas sabemos que acontece! — E fazem vistas grossas, minha educação é diferente, não gosto disto! — Desculpe novamente senhor! — Que não se repita! — Providenciarei! Mas quantos empregos vai gerar, se esta buscando um milhão entre os não registrados? — Mais de 3 milhões de empregos senhor! — Então será dos grandes empregadores? — Sim, mas não gosto deste costume local, os seguranças poderem fazer o que querem, não tenho firmeza a trazer minha família assim! — Nem todos são assim! Não respondi, me despedi e sai pela porta e o senhor deve ter chamado os rapazes, pois eles nem me olharam quando sai, e fui à prefeitura e pedi para falar com o rapaz do dia anterior, e ele me atendeu com café e o prefeito apareceu logo a seguir; — Bem vindo rapaz, soube que começou com peso, mas veio fazer o que aqui? — Lembra do que falamos ontem, tenho interesse em duas regiões de reformar, a do antigo canal do rio e o do Anhanguera, as cidades baixas, se puder verificar? — O que pretende? 238

— No sentido do rio, o transporte é deficitário, tenho interesse de passar uma linha de ligação por ali, daí fazer as reformas, não precisa se preocupar com as retiradas, dou meu jeito! — Não quer ajuda dos seguranças? — Soube que trouxeram um prédio de 200 andares ao chão ajudando, não quero estar lá se algo assim cair! — Já chegou a Europa isto? — Chegou bem mais, mais uma coisa prefeito, o projeto para a cidade nova, aceita parte da proposta em sistema de troca? — Não entendi? — Lhe forneço uma cidade de 4 milhões, e fico com 2 milhões, como parte quase integral dos pagamentos! — Teria capital para isto? — Teria, e conseguiria fornecer mais rápido, pois tenho um projeto pré feito de uma cidade de 4, seria apenas ajeitar as estruturas da cidade! — Faz a proposta, não estou mesmo querendo gastar tudo aquilo, mas tem os moradores, eles compraram e precisamos os alocar em algum lugar! — Outra coisa, estou chamando parte do pessoal sem registro, para se apresentar em fila ordeira amanha no centro da cidade, vai ser uma fila de dois dias, imensa, mas se pudesse segurar os seguranças, sei que não estou acostumado com a forma que eles agem aqui, quase mataram uma hoje, no centro, e era só me ligar e confirmar, mas preferiram a despir, sabe bem o que aconteceria, não queria me decepcionar com a cidade assim, a primeira impressão ontem foi boa, mas hoje quase recuei! — Vou falar com o secretario de segurança, mas por que disto?

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— Prefeito, vou gerar emprego em escala, e se não for os sem registros, teria de perder talvez meses para começar a funcionar, não quero demorar tanto! — Certo, mas pelo jeito veio para fazer historia, soube que Moreira esta pensando em conversar com você! — Faço serviços a terceiros, não tem problema! — Gosto de gente que não vê todos como inimigos? — Vou hoje ao Rio, ver se eles querem que participe de uma concorrência lá também! — Sabe que lá é um problema portuário! — Sim, mas quero ver pois ouvi que ele não faria licitação lá! — Ouvi isto, eles tem uma lei de urgência! — Conhece o prefeito de lá? – Perguntei sem rodeio; — Sim, somos uma metrópoles única, nos conhecemos todos! — Não me apresentaria ele, Prefeito! — Pode ser, tem compromisso para agora, iria bem tomar um café da tarde com ele! — Vamos nesta! Peguei minha paste e fomos ao centro, subimos no mesmo prédio do dia anterior, e sentamos a uma mesa a olhar bem ao fundo a instalação da segunda cidade, e o prefeito falou; — Acha que teríamos como fazer um negocio em uma cidade em parceria? — Teríamos, mas tenho de saber se estaria disposto a pagar quanto por isto, prefeito? — Vai ter de cobrar? — Pelo menos o custo, é de 30% do valor da cidade, mas preciso, mas vai lhe custar menos de 500, para quem estava pensando em 1500, é uma economia de um trilhão de créditos prefeito! 240

— Esta a me dizer que a margem é imensa nestas coisas? — Tem a manutenção, de no mínimo 10 anos, isto sempre encarece, e nisto que entra a necessidade de lhe cobrar algo! — Sabe que a concorrência vai tentar propor algo, o nosso secretario não é de confiança absoluta! — Não tenho medo de concorrência, prefeito! O prefeito se levantou e cumprimentou o outro e apresentou-me e este falou; — Este é o empresário que esta agitando os sem documentos da cidade? — Não queria agitar tanto, mas soube que esta contratando uma cidade sem licitação, e queria saber se teria chance de fornecer! — Temos pressa rapaz! — De quanto, 12 dias, é o tempo que posso fornecer! — Temos um recurso escasso, a parte que caiu da cidade, era de mais de 800 mil habitantes, teria como fornecer? — Estava a falar com o prefeito aqui, posso fazer uma proposta semelhante ao senhor! — Como assim? — A região que instalou a cidade lá, é firme como aqui, poderia fazer um trato que pode valer mais do que apenas os 800 mil habitantes, tenho duas cidades em construção final, na Europa, cada qual para 4 milhões de pessoas, mas poderia a fornecer! — Mas não tenho mais do que 800 bilhões para a compra rapaz! — Sei que não deve ser fácil senhor, mas se ouvir a proposta? — Estou ouvindo! — Forneço a cidade com 4 milhões para você, e parte do pagamento fica em propriedades que manterei em meu nome, 241

forneço ao senhor 2 milhões de excepcionais moradias, e ainda reformo o antigo porto, com adendo mais moderno, em uma das laterais da cidade, por 650 bilhões! — Esta falando serio? — E lhe entrego em 12 dias, a partir da assinatura do acordo! A cidade, o porto total pode demorar um pouco mais, mas a cidade vem com um imenso porto lateral, que deve ser maior que o que tinham lá! — Tem uma amostra do projeto? – Perguntou o prefeito; Abri a minha pasta e tirei um imenso papel holográfico, que desdobrei com calma, e ele olhou a dimensão da cidade flutuante, e olhou incrédulo para aquilo e falou; — Tem isto quase pronto lá? — Se olhar ao fundo prefeito, pretendo começar a produzir aqui também! — Vi, agora entendo onde vão tantos funcionários, não esta construindo casinhas, esta construindo empreendimentos! — Podemos ter um acordo prefeito? O mesmo olhou o projeto, com prefeitura, administração, segurança, e tudo novo, e falou; — Sabe que talvez seja o melhor negocio que fiz, desde que assumi a cidade, acho que aquele acidente ainda é capaz de me fazer governador! — Nunca entendi esta cidade, ela abrange varias prefeituras, e 5 governos estaduais, ainda estou me acostumando com isto! — Mas vai acostumar, e até gostar, mas soube que tem projetos para nossa região também? — Tenho de ir lá e falarmos pessoalmente, queria poder instalar um pólo de turismo sobre o que foi um dia o pão de açúcar! — Mas como seria isto?

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— É uma cidade na forma de três C sequenciais! Acho que tenho uma foto aqui! – Tirei a foto e mostrava a cidade, com 3 grandes baias artificiais sobre a qual se tinha uma areia branca, que ficava sobre a armação, o mar entrava nos 3 C e produzia 3 imensas praias, e o prefeito perguntou; — E o que nos custaria isto? — Quero a concessão de uso, do espaço, obvio, sempre tem os espaços públicos, da segurança, e de toda a estrutura local, que sedemos, mas se pensar em arrecadação que gera um local destes, as vezes vale a instalação, daí quero junto instalar algumas fabricas nas partes do fundo! – Mostrei para o prefeito que as fabricas ficavam na parte oposta, e ele sorriu e falou; — Vieram mesmo para mexer na estrutura, estão ampliando para onde mais? — Escolhemos aqui primeiro, mas depois vamos abrindo os planos, sempre com muita cautela! — Esta é a forma cautelosa, como seria sem cautela? — Estamos a 5 anos estudando a nossa vinda, achamos que seria uma oportunidade vir agora! — E quando vamos assinar a compra da primeira cidade, concordo integralmente com o plano que apresentou Rapaz, haviam me oferecido a 800 bilhões, uma cidade para 800 mil pessoas, esta me oferecendo mais barato uma cidade com 2 milhões, podemos até fechar o acordo de uso da antiga região do Pão de Açúcar! — Quer o contrato padrão, ou algo mais especifico prefeito? — O meu especifico não tem tudo que tem no seu padrão, garanto rapaz! Puxei um contrato e o prefeito olha o contrato e pergunta; — Quer os recursos, como esta aqui? — Sim, 50% na entrega, 50% após um mês, com todas as vistorias aprovadas! 243

— Sabe que nunca li um contrato assim, parece mais vantajoso, você não tem medo de não resistir a inspeção? — A minha primeira o prefeito ao seu lado esta coordenando as inspeções, ele que pode dizer se é um bom padrão? — Fala amigo, o que acha do nível de construção? — Encantador, os rapazes estão fiscalizando as instalações próprias, e as instalações programadas! Mas esta bem acima da antiga cidade, moderna tanto em equipamento como em acabamento! O prefeito assinou, primeira cidade vendida, com 2 milhões de residências próprias, teria de redesenhar o porto, mas não teria problema para isto, peguei o referente ao projeto da cidade praia e fabrica e pus a frente do prefeito e falei; — Este é o da cidade turística, não sei se quer levar a eles para olhar? — Pelo que entendi, esta parte comporta outros 4 milhões de habitantes, mas com espaços de turismo, e industrias, é isto? — Sim, cada qual terá os seus registros, é que isto demora mais para instalar e para por para funcionar prefeito, mesmo os hotéis temos de treinar no padrão internacional! — O Rio voltando a ter Praia, sabe que nem pensei que um dia poderia falar isto rapaz, mas sei que muitos mesmo falando mal, vão lá andar a praia! Separei as copias do prefeito e um assessor chegou ao prefeito e perguntou; — Prefeito, mas não tínhamos um acordo com Moreira? — Rapaz, estamos economizando 150 bilhões, com entrega mais rápida, não tenho como recusar! O assessor olhou os documentos e falou; — Isto é serio, mas como pretende entregar isto a tempo? Olhei para ele e falei; 244

— Vai demorar mais tempo, tirar os restos da antiga cidade, mas podemos depois ver como fazemos com aquilo, não é prefeito! — Com certeza, acha que o porto volta a funcionar em quanto tempo? — 25 dias, o prazo normal para total instalação dos acessos, a cidade em si é rápido, mas os acessos, túneis de metro desfeitos, e coisas assim é que geram mais tempo! — Quem lhe olha, não diria que tem tanto menino, parece se esconder atrás de uma simplicidade! — As vezes tento parecer mais, mas não faz parte de minha educação senhor! — Pelo jeito vai agitar mais ainda os sem registros! — Prefeitos, estava fazendo meus levantamentos, contando as periferias e os sem registros ocultos, devem ter mais de 4 milhões deles, e acho que vai me faltar mão de obra! — Esta falando serio? – O prefeito do Rio de Janeiro; — Sim, mas fica entre nós, vamos nos virando com o que temos, e evitamos falar que temos este problema, não queremos que tenhamos uma leva de seres vindo a cidade, não é prefeitos! — Pensando como político também, mas sabe que teremos muito espaço a reaproveitar se os tirarmos do submundo! — Mas espero não ter de brigar com os seguranças prefeitos, eles são poucos, então não pretendo malucos entrando lá, e matando mão de obra que pode nos tornar um lugar gostoso e integrantes dos pontos turísticos mais visitados do mundo! — Vai pelo jeito em todos os sentidos? — Sim, mas com calma chegamos a cada detalhe! – Falei e pedi um vinho de qualidade, e o garçom serviu com toda a pompa e os dois prefeitos sorriram e sabia que estava 245

comprando uma briga de gigantes, mas sabia também que teriam grupos tentando me sabotar; Me despedi e subi para a parte superior e vi ao longe a segunda cidade flutuante fixa, as três divisões em seus lugares, sentei e digitei o contrato de intenção para a cidade de Santos, mas estava a jogar, sabia que alguém passaria o que fiz, e iria tentar me bater no preço, e obvio, queria ver eles produzirem na qualidade e nas condições, o que ganharia era o menor preço, e sabia que eles podiam oferecer algo menor e com preço mais em conta, mas estava pronto para isto; Paula surgiu ao meu lado e perguntou; — Fazendo o que ai? — Algo para perder uma concorrência! — Para perder? — Sim, algo que alguém possa ver pelas câmeras, e simplesmente bater o preço! — Não quer ganhar? — Quero, meu projeto é melhor, mais lucrativo para a cidade, mas não é o que vai ganhar! — Preço final, é isto? — Sim, mas como esta, mais calma hoje? — Não sei, você agitou todos no submundo, acha que tem espaço para todos? — De sobra, mas quero terminar com o medo com 1000 fabricas, produzindo de tudo, e mais de 4 milhões de funcionários, e começar a treinar o pessoal para os hotéis, restaurantes e lanchonetes, seu irmão não quer abrir um Monster, nas praias do Rio de Janeiro? — Pode ser, quer dizer que agora é um grande empresário? — Aquele seu namorado vai reclamar! — Moreira? — Sim, JJ Moreira! 246

— Ele não é meu namorado! — Já falou para ele isto? — Quer brigar, é isto? — Não, mas sabe como é, fica difícil me segurar em publico, e as vezes as pessoas olham, tem muita coisa a concertar nesta sociedade, e uma das coisas, é a diminuição dos seguranças, sem os 4 milhões de desocupados, terão de reduzir os números! — Acha seguro? — Seguro para os habitantes, sim, eles matam mais que qualquer coisa! — O medo deles evita roubos! — Mas eles extorquem e roubam, pequenos comércios Paula! — Sabe que não gosto deles também, mas sempre olho com receio seus planos! — Nem os tenho ainda, então acalma! — Vai me levar em casa hoje? — Se me convidar a entrar! — Sabe que vi como Pedro agiu ontem, ele realmente ficou furioso! — Então vai ficar mais furioso, convida Moreira, preciso falar com ele! — Mas por que? — Moreira acha que é seu namorado, não acha? — Sim, mas não quero ele! — Mas quer provocar o menino, não quer? — Sim, esta querendo uma praga longe de você? — Pragas não me afetam, mas preciso fechar um acordo com ele, e se ele respeitar, ganhamos os dois, se ele não respeitar, ele vai se bater com as contas! — Acha que Call vai tentar entrar na concorrência? 247

— Ele esta excluído da concorrência, por mal conservação do projeto anterior, ainda vai sofrer um processo da prefeitura! — Conseguiu isto do prefeito? — Nem precisei pedir, mas ele esta feliz em alguns pontos, menos desempregos, economia numa obra que ele pensou que iria esvaziar os cofres, prédios públicos novos, e menos custo com segurança! — Ele deve estar sorrindo de orelha a orelha! — Esta! – Sorri. – Mas liga para Moreira! Vi Paula ligar para o rapaz e marcar com ele em sua casa, e nós dois fomos para lá, e adentramos a casa e Paula me apresentou a mãe e falou; — Mãe, este é o rapaz que não deixei entrar ontem! — Prazer, desculpe a falta de educação dela ontem! — Eu que fui inconveniente senhora! — Faz o que na cidade? — Construo! — Não é você que esta agitando a cidade? — Nem sei ainda como as coisas funcionam na cidade para estar por dentro das agitações! — Empresário de fora? — Sim, mas estou estranhando um pouco os costumes locais! Começamos a conversar, vi Paula ir abrir a porta e Moreira entrar e olhar para mim, ela lhe deu um beijo e vi a cara de Pedro, mas sem o encarar, e o empresário veio a mim e falou; — Você que me tomou um cliente hoje? — Não sei, se fala do prefeito do Rio de Janeiro, foi! — Paula disse que gostaria de conversar! — Sim, sei que terceiriza os estaleiros, terei um aqui e um no Rio de Janeiro, se precisar de local, tenho bons preços, e 248

acho que podemos fazer um acordo, eu ganho às vezes, você ganha as vezes, e ninguém morre de fome! — Pensei que iria entrar de sola! — Vou, mas não preciso ganhar sozinho Moreira! — Soube que tem planos grandes para a cidade, mas não entendi? — Isto que queria falar, pois estou a fim de ganhar dinheiro, nossas empresas não entram em mercados para fechar, ampliamos a cada ano! — E vai fazer o que? — Quero tanto no Rio, como aqui e em Paranaguá, instalar praias turísticas, mas aos fundos, com muito espaço novo, fabricas, umas mil por empreendimentos, mas preciso de parcerias, tanto para construir, como para crescermos juntos! — Estava falando com o rapaz que pago no Rio, ele me mostrou o projeto das praias, aquilo é serio? — Em 3 meses verá tudo aquilo instalado! — Então vai inverter as prioridades? — Pretendo ter pelo menos 40 praias destas, em 5 anos, entre o Rio e Paranaguá, quero aproveitar a mão de obra barata do país, mas não quero estar sozinho, não sou imortal, então não preciso de dinheiro como vocês, por uma eternidade, para mim alguns trocados chega! — Soube que vai propor algo impensado para Santos! — Sobre isto que queria conversar Moreira! — Não entendo, não tenho como competir como falou, e não sou suicida! — É imortal, não existem suicidas entre os imortais Moreira! — O que pretende? Abri a pasta e estiquei para ele e falei; — Esta é a minha proposta para a cidade, mas acho que podemos fazer algo maior ai? 249

— Como assim? Peguei o desenho e apontei; — Eu instalei esta cidade flutuante a oeste e esta a leste, se reparar, a cidade se encaixa no meio exato das duas, gerando apenas a sobra para nosso projeto, que pretendo em parceria com você, instalar ali! — Ai fala em portos, mas acha que teríamos fluxo? — Teremos, o de oeste, carga, o do leste, turismo e luxo! — Mas quem viria ver esta parte da cidade? Cliquei um entra, e se viu uma sequência de 3 praias com suas fabricas e parques entre a entregue e o mar, e olhei para ele e falei; — Preciso de parceria para instalar isto e administrar! — Mas para que tantos imóveis, acha que eles largaram o anterior por que? — Na verdade tenho ainda que falar com Call, mas os planos são ganhar dinheiro, não sei se gosta? — Sim, minha mãe me fez imortal, e me fez empresário, mas não gosto desta sua forma de fazer! — Por que? — O que ganho em não participar da concorrência? — Quem disse que não vai participar? – Falei olhando serio para ele; — Não entendi! — Você vai propor este volume que esta em sua mão, lhe vendo a cidade, e me paga 300 bilhões por ela, embolsa outros 350 bilhões, mas o lucro ainda será nosso, pois terá um milhão de imóveis bem localizados e eu terei outro milhão de imóveis! — Você é maluco mesmo, esta dizendo que vou ser eu que vou oferecer isto? — Sim, e vamos propor ao prefeito, autorizar as demais implantações, e lhe proporei participação em algumas fabricas, se tiver interesse! 250

— O que vai propor a Call? — Ainda tenho de falar com ele, é uma maluquice, mas tenho de ver se ele vai concordar! — Maluquice como esta? — Sim, mas ainda tenho de falar com ele! Olhei Paula adentrar para falar com a mãe e falei; — Es um cara de sorte rapaz! — De olho em minha namorada, sabe que nossa relação é aberta! — Não entendi? — Esqueço que vem da Europa, mas imortais tem relações abertas, pois ficamos chatos com o tempo, mas ela esta triste por ter perdido alguém! — Conheci ela ontem no centro, ela estava a chorar, era alguém especial? — Alguém que alguns apostaram ser a pessoa errada, ela se posicionou de uma forma que somente depois teve a certeza que não deveria! — Ela amava este rapaz? — Acho que sim, mas ela não é fácil Joaquim, um xará! — Sim, um xará, mas por que diz que ela não é fácil? — Esta interessado pelo jeito! — Ela é linda! – Estava a observar a reação de Pedro à sala e ouvi; — É mesmo, mas ela nunca foi minha totalmente, ela parecia esperar alguém especial, e quando pareceu, ela perdeu o chão! — Acha que ela se omitira de uma relação nova? – Perguntei; — Acho que pode demorar um pouco, mas com certeza ela se recupera, imortais sempre se recuperam! — Nem que como picolés eternos? Joaquim Moreira sorriu e falou; 251

— Reparou que o menino não tira os ouvidos da nossa conversa? — Sim, acho que ela o encantou também, mas é uma criança ainda! — Me disseram que ele é mais velho que eu e você, rapaz! — Que eu é fácil, mas que você? — Sim, tem a idade de Paula! — Imortais, as vezes me esqueço que ela não deve se interessar por mortais! — Se ela se interessar, ela vai insistir em lhe trazer a imortalidade! Olhei para Pedro e perguntei, para provocar; — Também a acha bonita? Ele corou e falou; — Mas é muito velha para mim! — Com certeza! – Falei olhando ela vir à sala, ela deu um beijo em Moreira, ela também estava a entrar no jogo, e fiquei a observar o menino, sua fúria; — Estavam falando de que? – Paula; — De você, obvio! – Moreira; — Homens, mudam de país, mas não mudam por dentro, só pensam em mulher! — Falamos antes de dinheiro, mas acho que faremos bons negócios! — Bom saber, sabe que ele me cantou ontem Moreira? — Ele escolheu uma péssima ocasião, mas como adivinhar! — Tinha de ver o agito na cidade, quando a cidade apareceu ao fundo ainda no alto mar! — Soube, ele veio tomar a cidade e não a comprar! Paula me olhou e falou; 252

— Um dia vamos ter de conversar o que queria com aquela cantada? A olhei e nada falei, ela ficou sentido as energias do menino e da menina, e reparou em algo, pois ela olhou para Dani e falou; — Algum problema Dani? — Você nem gostava dele, já esta com dois rapazes, ele nem teve tempo de sair e já esta se oferecendo! — Verdade, mas ele não era quem achava ser, senão já teria saído, pois lá não tem tempo Dani! — Tempo tem, mas tão lento que nem eu consigo sentir a não existência! — Pelo menos Pedro pareceu feliz ontem, não entendi isto, ele nega mas sente algo estranho! — Sabe que o rapaz era especial? — Sei, mas não acreditei nele, então terei de me consolar! — Estranho você! — Eu não estranho, pois sei hoje que não adianta tentar entender, não lhe entendo também, e desisti de tentar Dani! Paula olhou para mim e falou; — E que papo é este de querer falar com Call? — Depois também tenho de falar com seu irmão, ele investe em turismo se não estou enganado? — É o ramo que ele mais se apegou? — Tenho uns espaços interessantes a ocupar aqui e no Rio! — Quer abraçar toda a estrutura? — Sim, toda a estrutura! Moreira me olhou e perguntou; — Mas quer mesmo que proponha isto? — Queria marcar eu, você e o prefeito amanha, daí vemos a reação dele, e saberemos se teremos problemas! 253

— Sabe que Call estava muito bravo, falou que você não é nada na Europa e surge aqui, para atrapalhar os negócios dele! — Por isto quero conversar com ele! — Vai propor algo que gere dinheiro, pois ele quer isto, que saiba a esposa dele gasta muito! — Não conheço, mas posso verificar isto também! Os dois sentaram-se a sala e Mari, a mãe de Paula, juntou-se a nós, Dani estava a tentar ler minha mente, e não sei o que ela viu pois me olhou e falou; — Você é apenas um Fanes, pensei que todos fossem imortais? — Não, a escolha é estranha, mas se for para ir a imortalidade, quero ir aos 22 e não aos 17 anos menina! — Fala como se pudesse mudar de idéia? — Estou procurando alguém que me faça pensar na eternidade, não achei ainda! — Um romântico, vi que falavam de Paula, sabe o que aconteceu? — Pouco, eu a perturbei ontem, em meio a lagrimas, não comecei num bom dia! — Na minha frente ela não chorou! — Não entendi isto, algo referente a Pedro não a ver chorar, mas não entendi! Dani olha para Pedro e Paula fala do outro lado da mesa, abraçada a Moreira, que parecia meio incomodado com isto; — Me disseram que sua família quase faliu na Europa! — Perdemos grandes concorrências, e mudamos de estratégia, mudamos o lugar onde bater e resolvemos entrar no ramo imobiliário e no ramo industrial de baixo custo, mas ainda estamos desenvolvendo os planos! — Fala no plural, quem esta a suas costas? – Moreira; 254

— Meus pais, eles são empresários que não sei se largarão a New Europa, mas são meu apoio a novos projetos! — Sabe que família é importante, mas como estão os caçadores de Fanes na Europa? — Livres, eles em si nos caçam na covardia, mas cada dia ficam mais frágeis, mas são uns covardes! — Tem casos tristes na América rapaz! Paula me olhou e falou; — O que vão fazer em paralelo? — Pelo que entendi, uma concorrência, depois uma serie de empreendimentos, mas vamos precisar mesmo de todo desocupado da cidade, este seu pretendente, vai ser o maior empregador da cidade, vai bater Call, o prefeito e seu irmão juntos! — Então teremos um candidato a governo? – Paula; — Não sei, mas ele esta dando o sobrenome aos novos contratados, ele vai fazer historia na cidade, pois em 100 anos, ele vai ser o sobrenome mais numeroso da cidade, e todos lembraram dele! — Alguém que surge do nada, e vem com tudo, ainda é uma incógnita para mim! – Paula; — Ela se interessou Joaquim Cezar, pois ela não fala assim de qualquer um! – Mari; — Mas respeito à tristeza dela no momento, não quero me aproveitar numa hora destas! Todos me olharam, o que pensaram não sei, mas uns sorrisos de malicia se fizeram e um de raiva a ponta da mesa, e Paula falou; — Não tem ciúmes rapaz, de ter um namorado? — Não temos nada ainda moça, mas isto que não entendi ainda, não estava triste por outro, não era seu namorado? — Era o único que havia apresentado a minha mãe como namorado Joaquim, era algo que achava ser para a eternidade! 255

Iria fazer um comentário e segurei o comentário e Paula leu meus pensamentos e respondeu; — É verdade o que pensou rapaz, eu o amava e não o defendi da não existência, não precisa se acanhar nas palavras, pois isto que me remói por dentro! Me senti mal pelas palavras dela e se viu em minha feição, deveria aprender a segurar as palavras e Mari falou; — Não ligue rapaz, ela sempre desafia, este rapaz que ela falou, também desafiava o tempo inteiro, não segurava as palavras, falava mesmo, vejo que é diferente dele, pois aquele não seguraria a frase! — Estranho algo assim, na minha terra não levantamos barreiras de pensamento, mas as pessoas respeitam os pensamentos alheios, estranho isto! — Entendo isto, fui a Europa há um mês e eles realmente não escondem, mas ninguém fica a entrar nas mentes, é questão de educação! – Moreira; — Desculpe, não o queria chatear, às vezes esqueço que as pessoas não são iguais a mim! — Não precisa se desculpar, apenas estranho, mas não quero estragar a conversa com choradeiras! — Vai mudar quando para sua nova casa? — Dois dias, a prefeitura esta a fazer as vistorias finais! — Acharam algo errado? — Não, mas eles são lentos mesmo, mas entendo a cautela depois do acontecido! — Acha que o prefeito vai topar uma mudança radical como a que me mostrou? — Não vejo por que não, ele quer impostos, e quando ver o que vamos vender, vai ver que muitos vão querer comprar! — Não entendi, mas amanhã conversamos disto, estou chato mesmo! – Moreira;

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Todos sorrimos e depois de um tempo, me despedi e voltei ao alojamento, lá chegando tinha uma leva de seguranças a me esperar e vi Call a sair de um carro e me barrar, a segurança do local se posicionou para me defender e Call estranhou, acostumado a mandar e fazer sem nada contra olhou o diretor e falou; — Esta ao lado dele agora? — Senhor Call, ele não é inimigo desta cidade, muito pelo contrario, não gostamos de seus seguranças induzindo empresários a saírem do país! Eu olhei para o diretor, e falei; — Diretor, não somos inimigos, pode tranquilizar os demais! — Tem certeza? — Ele é apenas um imortal senhor, mas os seguranças são mortais! – Olhei o segurança de Call e fiz fogo à mão e olhei para ele – Ele não quer queimar inteiro antes de puxar uma única arma! Os seguranças estranharam mas recuaram, o rapaz era um Fanes, não apenas um humano, olhei para Call e falei; — Estava mesmo precisando falar com você, Senhor Call! — Assunto? — Nada que os demais possam ouvir, antes de você concordar, se não concordar, somente eu e o senhor saberemos o que conversamos! — Tem uma proposta? — Sim, entrei em contato com Moreira, ele que vai ganhar a licitação da cidade aqui, não eu! — Esta dividindo, não entendi? — Podemos falar em um local mais propicio? — Algum lugar que não conheça? 257

— Não, minha casa esta pronta em 2 dias, esta sobre análise, então teria apenas meu cubículo! Call fez sinal para que eu entrasse, olhou para os demais e entrou sozinho, quando entrou no meu cubículo, lhe ofereci a cama e falei; — Sei que posso parecer um inimigo Call, em parte não gostei do que fez, mas não posso reclamar aquele João tinha língua muito grande! — Era dos seus? — Meu engenheiro, ele sabia magia e facilitava os controles de qualidade, ele fazia em um lugar que não entendo, mas os resultados eram muito bons, mas se o perdemos, pus o carro a frente e resolvi vir de vez, algo para um ano, mas que ele me fez antecipar! — Mas não tem nada na Europa de onde vem? — Da Europa, mas lá, Fanes são caçados, estamos em sociedades mais escondidas, verá que mesmo aqui tem sociedades Fanes escondidas que trarei a tona, é mais fácil controlar os caçadores, com as coisas mais visíveis! — A guerra não declarada ainda esta nos submundos da Europa? — Sim e ganhar as coisas escondido fica difícil! — E o que tem a propor! — Uma maluquice me passou a mente Call, tínhamos 8 bilhões de moradores neste planeta quando começamos os índices de controle, mas hoje estamos com pouco mais de um bilhão de meio, pois a maioria esta morrendo antes de desabrochar dos hormônios, estamos na Europa em um declínio perigoso de população e os Fanes de lá estão preocupados! — Eles acham que estamos caminhando em rota de extinção? — Na verdade eles estão analisando os números, mas sabe que podem demorar tempo demais para decidir, já que os 258

nascimentos são controlados, e as mortes todos nós sabemos quando acontece! — E fala assim como se fosse natural? — Entre nós Call, nunca falaria isto lá fora, e nunca me verá discutir isto diante de outros seres, vai ver que vou me aproximar dos Carson e dos Moreira, mas não quer dizer que tenha lado, eu sou um Fanes, não sou imortal, e nem humano, mas eles me vieram com uma idéia, é maluca mas teria de ver se interessa! — Fala! — Eles desenvolveram uma dose mais potente do controle, mas este composto reduz a apetite sexual, o que mantêm o controle mas permitindo em uma propaganda de marketing, dizer que a ciência desenvolveu um novo produto, que nos permitiria ir ate uns 250 anos de idade, saudáveis, eles estão pensando economicamente, pois o produto seria mais caro, você controlaria, como sempre, mas eles teriam mais cem anos de vida, pagando mais caro, e teríamos uma chance maior de controlar os nascimentos no índice de não aumentar muito, mas nos dar maior fluxo de capital, com um controle maior! — Não gosto da idéia rapaz! — Então esquece que me ouviu falar disto, pois não queremos brigar, é apenas uma forma de ganhar mais e de controlar algo que sabe que esta acontecendo, o mercado reduzindo a cada dia! — Não vai insistir? — Me mandaram propor, não insistir, se não entende de mercado, me alertaram disto, quando os seus se extinguirem, ninguém vai segurar nem os Fanes nem os imortais, pois pode ser imortal hoje Call, mas foi um humano, é o seu povo que vai morrer, não o meu e nem os imortais! — Acha que daria dinheiro? — Lógico que daria, mas obvio que não ofereceríamos 250 anos direto, ofereceríamos 30 anos a mais, 5 anos antes de 259

dar os 5 anos, mais 30, mantendo um controle que pode nem chegar a mais 100 anos, mas que poderíamos achar o ponto de equilíbrio! — Vou ter de pensar nisto! — Agora então vamos falar de negócios, pois você se apoderou de duas cidades minhas na Argentina Call! — Eram suas? — Sim, o rapaz era um imortal dopado, um gênio, mas dopado, nunca vi alguém com a resistência daquele, mas ele me fornecia coisas que não vou conseguir com o mesmo custo! — Então por que do rapaz me desafiar? — Ele deveria estar mostrando os produtos, viria após ele, mas não me deixou nem chegar e já se livrou de alguém que não podemos invadir suas fabricas, e quero saber se vamos jogar limpo ou como pretendeu jogar comigo lá fora? — Você é direto, vi que tirou uma venda de Moreira e lhe propõem algo aqui? — Tinha outras duas cidades prontas, além daquelas, difícil bater elas, mas Call, vou precisar de estrutura de distribuição nas cidades, e vou precisar de parceiros em vários ramos, quero saber, seremos aliados ou inimigos, já que vi que arrogância lhe cai como uma luva! — Por que me acha arrogante? — Lhe digo que tem uma forma de ganhar não por 120 anos e sim mais 130 anos encima das mesmas pessoas com preço maior, e qual foi a frase, não gosto da idéia! — As vezes acho que me acostumei a ser o único nisto! — Acho que os Fanes vão voltar a superfície, escondidos estamos morrendo e vamos querer o direito de nos identificar como os Imortais, esta na hora de sairmos da sombra, podem querer nos deixar de fora, mas não vamos aceitar assim, sem mais nem menos! — Qual a media de vida atual de um Fanes? 260

— Não sabemos Call, estamos todos envelhecendo pouco, mas foram-se 430 anos, e ninguém morreu! — Não sabem nem por alto? — Estamos apostando nos 1300, mas é apenas uma aposta Call! — Sabe que não vou permitir isto! — Se quiser bater, no lugar de ganhar dinheiro, vai perder país a país, até lhe mandarmos de volta a Comptche! — Não temos como fazer isto! — Quer brigar, ou um trato de acordo, pois não ficaremos mais escondidos, esta fácil de mais você financiar aqueles caçadores e morrermos sem ninguém ver! — Não os financio! — Mas financia os Seguranças em ações de extermínio, o que dá na mesma! — Vou ter de pensar, mas acha que eles engoliriam a historia? — Lógico que sim, mas tem de decidir, não vamos entrar neste mercado sujo! — Não acho sujo, é necessário! — Call, se acha que é necessário, recuse a imortalidade, é fácil condenar aos outros, o que não tem vontade para você, eu não quero a imortalidade, apenas o direito de viver a minha vida, de virar velho, mas não entende isto! — Fala bem para um não local! — Sabe como absorvemos isto, disseram-me que casou com uma Fanes! — Sim, mas estou com problemas em casa! — E quem não tem? — Fiz burrada, este seu engenheiro tinha tudo para ajudar, mas realmente por uma ninharia, perdemos um grande arrogante, mas ele seduziu minha filha, e quando ele foi condenado e ela soube que mandei o deportar, fugiu de casa! 261

— Mas isto não é problema para você, ou é? — Veio para o Brasil, não sei aonde ela esta! — Crianças, sempre imprevisíveis! — Não teve graça! — Se quiser peço para olharem por ai, pois sei que seus seguranças, bem treinados, vão estuprar e matar ela e lhe entregar o corpo depois! — Mas o que poderia fazer? — O arrogante estava se infiltrando e gerando necessidade de cidades flutuantes Call, acha que quem ganha com uma cidade afundando! — Você o infiltrou, então tem acesso aos sem registro? — Sim, mas ela vai precisar trabalhar, verifico se ela vai se apresentar sem identificação em algum lugar! — Agradeço, mas sei que ela não vai querer voltar! — Nisto não posso fazer nada Call, mas posso ajudar a achar! — Pensei que era mais um farsante! — Sou um farsante, mas sou um que tem costas com dinheiro, e sabe como nos tratam por ter dinheiro, outra coisa, se precisar de uma cidade para entregar em dia a New Paris, tenho uma pronta a lhe vender, mas teríamos de ver o preço! — Não disse que tinha duas? — Duas sobrando, mas você tem 15 dias para entregar ainda, eu tenho ela e posso perder a concorrência e ficar com ela sobrando! — Verdade, mas é semelhante as que ele mostrou? — É o padrão, pois elas são projetadas a um tamanho maior, se acoplar ate 12 delas, então tem de ver se interessa! — Interessa, se perder aquela concorrência terei de pagar as multas, foi o pior movimento que fiz, Paula com raiva do que fiz, apagou as cidades, esqueci que estava mexendo com sentimentos! 262

— Não entendi o que ela sentia por este rapaz? — Complicado, ela se deixou enredar, ela se apaixonou, e pelo jeito o rapaz era bom em mexer com as pessoas desta forma! — Estou tentando me aproximar dela, mas parece muito triste! — Cuidado ali, Peter sabe ler mentes! — Não estou mentindo em meu interesse, mas ler mentes não é o problema! — Se cuida, mas quanto vai pedir pela cidade? — Quanto pagaria por ela, já que perdi duas delas por isto! — Pago o preço de estaleiro, se estiver nas especificações, 800 bilhões de créditos! — Seus engenheiros estão onde? — Em Buenos Aires! — A minha reserva esta nos Arais, me comunico e eles começam a se locomover para o local de entrega! — Ainda tem a vantagem de já estar na antiga Europa? — Fazer o que, minhas reservas são de lá! — Quer os créditos quando? — Assim que os engenheiros verem se serve, não esquece que a sinalização não foi feita, mas tem todo sistema de transportes, e de portos, mas assim que verificar, lhe passo o numero de minha conta! — Sabe que tem gente que vai ficar revoltado, pois estavam pensando em competir! — Sei disto, mas não se acostume com o preço! — Sei que vende mais barato que isto! — Na verdade meu preço é mais caro, mas deixo reservas pessoais, que vendidas aos pouco, podem me gerar entradas de recursos, por 30 ou 40 anos! 263

— Entendi, vende a créditos pessoais em folha de pagamento, com prazos longos de pagamento, e tem recebíveis por anos, não havia pensado nesta estratégia! — Mas pense no que falamos e se mudar de idéia, sabemos como fazer o marketing disto! — Vou pensar, pelo jeito você é o começo? — Alguns cansaram de ficar escondidos Call! Se despedimos e ele saiu pela porta e o diretor veio a mim e perguntou; — Como esta menino, sabemos que ele não é muito agradável com a concorrência! — Ele que entregou meu engenheiro, ele fazia faculdade aqui, mas estava em formação paralela, João Moreira, uma grande perda para as empresas! — Era um dos que apostava no rapaz? — Sim, gênios não nascem todo dia, mas Call não soube lidar e o perdemos, agora ele vai ter de me pagar pelos prejuízos! — E ele vai pagar? — Não tem saída, ou paga ou perde uma concorrência, ou me paga o preço, ou paga a multa de não cumprimento da concorrência, e daí sim ele estaria em maus bocados, mas não o quero falindo, nos faria mais mal que bem! — Sabe que nós Brasileiros não nos preocupávamos se ele falisse! Sorri e me despedi, e fui descansar, teria mais um dia agitado no dia seguinte; Amanheceu e fui a estrutura, e passei uma foto de Ketlen e dei instruções referente a moça, depois marquei com o prefeito e quando surgi na prefeitura com Moreira o prefeito estranhou; — Prefeito podemos falar em um lugar sem ouvidos? — Perguntei; 264

— Sim rapaz, veio com reforço! — Apenas conversar! — Certo, vai mudar de planos! Não falei e entramos na sala, Moreira olhou em volta e vi os pássaros parados ao ar do lado de fora e o prefeito olhou-me e falou; — O que aconteceu? — Estava falando com Joaquim Moreira ontem e ele me convenceu a lhe propor algo! — Mais investimentos? Estiquei o papel com projeção holográfica, era bem melhor que projetos estáticos, e falei; — Prefeito, estou instalando, esta parte, — Uma das cidades cresceu no papel – e esta parte — a outra também surgiu — e o estaleiro, mas Moreira me disse que tinha planos turísticos a cidade, e que também tinha projetos que iria por longe, pois não tinha local para instalação perto do oceano e ontem conversando, resolvemos fazer a concorrência em conjunto, no valor de 650 bilhões, mas viemos pedir concessão de um porto turístico, um de carga, uma área industrial e a área de praias! – A cada clique parte foi se materializando no papel e o prefeito olhando encantado me olhou; — Quer dizer que o que era muito ontem virou uma parte? — Sim, somos empresários e gostamos de ganhar dinheiro senhor, e achamos que podemos ganhar com isto, estamos projetando para o futuro prefeito! — Ainda vai querer refazer as duas áreas? — Sim, verifiquei ontem mais 6 áreas, e queria pedir que retirasse os Seguranças das cidades baixas! — Por que?

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— A filha do empresário Call fugiu e esta escondida na cidade, não queremos um acidente e gerar uma guerra com aquele arrogante! — A filha dele fugiu mas por que? — Algo a ver com estar apaixonada por João Moreira, o que foi mandado a não existência! Moreira me olhou e falou; — Ele tinha pego a filha do Call também? — Parece que sim, conhecia a menina? — Incontrolável, mas nunca se apaixonou por nada! — Este cara morto me deixa com mais problemas que quando vivo! – Falei; — Conhecia ele? – O prefeito; — Prefeito, o projeto da cidade que vê a frente, foi feito e testado por ele, ele fazia projetos para cidades flutuantes, tinha boas idéias, mas era um viciado em dança e alucinava geral! Moreira me olhou e perguntou; — Esta a dizer que ele que desenvolveu estes imensos projetos com segurança tripla contra qualquer atentado? — Foi, não entendi por que mudou de lado, mas ele havia desviado 2 cidades para vender para Call, mas parece que os dois brigaram e chegamos hoje sem ele e com a filha de Call no submundo da cidade! O prefeito olha para mim e pergunta; — Já alertou os seus, ela vai tentar um emprego com certeza? — Com certeza foi a primeira coisa que fiz, mas como os seguranças estão sempre de olho nas meninas mais bonitas, vim pedir para os tirar de lá! — Vou pedir não queremos problemas! O prefeito olhou aquele projeto e Moreira olhou os detalhes e falou; 266

— Trabalhou a noite inteira pelo jeito, para transformar o que falamos em projeto! — Me dedico ao que acredito, Moreira! Saímos de lá e na saída uma das moças me esperava a porta da prefeitura, me despedi de Moreira e fui ao local de alocação e vi Ketlen em um canto, fui a ela e primeiro olhei os demais, olhei para Patrícia e perguntei; — Como estamos? — Filas intermináveis, mas muitos sorrisos amimam a gente! — Fica de olho e desconfiando, dá aquele sobrenome que combinamos! — Certo! Entrei na sala e olhei a menina e falei; — Ketlen se não estou enganado! — Me conhece? — Alguém que conheci lhe conheceu, mas seu pai pediu para lhe achar, mas antes que saia correndo, primeiro tem alguém que quer lhe falar! — Quem! — Alguém que oficialmente continua morto, ou melhor, na não existência! A moça me olhou desconfiada e perguntou; — Esta a dizer que ele não morreu? — Não, Paula o tirou de lá, mas não falou para ninguém, nem para o irmão, então preciso que fique entre nós isto! — Bem que tinha ouvido um rumor, mas não acreditei! — Ele quer lhe ver, mas primeiro temos de a tirar daqui sem que os demais lhe vejam! A moça sorriu e me olhou com desconfiança; — Mas se for uma arapuca de meu pai? — Tem de escolher se quer correr o risco menina, é mais fácil fugir, mas ele não pode aparecer ainda! 267

— E se meu pai souber que ele esta vivo? — Ele não quer mal ao rapaz Ketlen, apenas não tinha noção disto na época! — Como assim! — Ele tinha pedido 10% do valor de uma cidade, para passar a seu pai, seu pai para não pagar a multa, vai me pagar 80% do valor pela mesma coisa! — Você esta vendendo para ele, o que não quis pagar para João, mas como ele fica! — Ele lhe explica isto, não eu! Olhei para a garota e pedi para as moças que precisava de uma forma de tirar ela dali, 18º andar, precisava chegar ao térreo, e de lá, mais 12 andares para o fim das áreas de transporte e estacionamento, e somente abaixo disto, a antiga cidade, pensar que ignorava a alguns meses a existência destes lugares, estava a descer pelo elevador e vi os seguranças se retirando, fomos descendo até o ultimo piso do estacionamento, entramos em uma passagem de nível, e começamos descer novamente agora por uma grande rampa, ela viu muitos pré comércios que não conhecia, me olhou e perguntou; — Onde estamos? — Na cidade sobre a cidade, onde João é um Herói, e não um procurado moça! — Esta a dizer que existem mesmo pessoas aqui? — Vamos levar eles ao mundo, mas em condições melhores! — Vamos? — Se entrar neste mundo, verá que não tem saída ou assume seu papel ou esquece dele e o tenta destruir, mas eles precisam dele! — E quem é você? Não respondi e olhei um dos seguranças do local, a nossa organização e falei; 268

— Rapaz, ela precisa ver João Moreira! O rapaz me olhou e apontou um caminho, a moça me olhou como se fosse finalmente real, lhe olhei aos olhos e falei; — Naquela pequena moradia, no fim desta rua, espera ali, ele já deve aparecer ali! — E se o encontrar com outra? – Perguntou ela; — Daí volta para casa e faz de conta que não viu nada moça! Ela caminhou e o segurança me olhou e falou; — Por que não disse para ela? — É a filha do Mega Empresário Call! Não podemos por tudo a perder por ciúmes ou coisas assim! — E o que ela faz aqui? — Em poucas horas estaremos começando a ocupar uma das cidades, daí vamos começar a mudar as coisas! — Sabe que podemos ter guerras por isto? Olhei o rapaz e falei; — Prefere ver quem esta lhe matando e poder reagir ou nem o ver e morrer sem guerrear? — Ver quem me ataca, acha que eles vão gostar disto? — Estou tentando os acalmar, mas sempre tem resistência dentro dos próprios grupos, estas são as mais difíceis! — Vai lá? — Sim, estou esperando alguém para chegar lá! O rapaz viu uma moça vir a ele, Paula na forma de Prica e mudei de forma e fomos ao local e lá chegando olhei para a menina e sorri, ela sorriu e me abraçou, era estranho alguém se apegar a você, Prica fez uma cara de poucos amigos e sentamos e ela perguntou varias vezes se estava bem, e falamos de varias coisas, entre elas que ela não deveria estar ali, que não era um bom lugar, os seguranças não respeitavam nada, mas ela me olhou e perguntou; 269

— O que tem com ela? Sorri, eu preocupado com ela e ela com Prica, olhei para Prica, que foi a forma de Paula e Ketlen olhou para a moça e falou; — Obrigada por o ter salvo! — Ele é mais difícil de matar que isto Ketlen, mas ele tinha de passar por isto, olhando para traz vai parecer que ele projetou isto antes, mas aqueles anos pensando no nada, lhe fizeram pensar em muitas coisas! Ela me olhou e me deu um beijo e falou; — Não sei por que lhe amo João, mas você foi diferente, e quando lhe acho você se faz de morto! — Eu não posso aparecer ainda Ketlen, eu vou sair por aquela porta ainda, mas isto eles não sabem! — Vai sair por aquela porta, mas eles vão lhe jogar para dentro! — Não podem, a condenação é ser jogado a não existência, a volta não é esperada, não existe pena máxima acima disto, mas eles ficariam assustados e não é a hora ainda! — Quer dizer que vai enfrentar isto ainda? — Sim, amigos como Joaquim, vão preparar o caminho, ele é melhor empresário que eu, mas tem de cuidar-se, pois tenho meus planos, mas você tem de estar bem! — Quero estar ao seu lado! — Sabe que você ficando aqui, seu pai vai vir com tudo e não podemos enfrentar isto ainda! — Mas o que faço? — Eu jogaria com seu pai, mas você tem de fazer isto, pois aqui em baixo, tudo vai mudar! — Mas ele pode me tirar daqui! — Você é cidadã americana, maior de idade, você faz o que quer menina! — Mas como viveria? 270

— Joaquim arranja um emprego para você, uma moradia e aposto que ele tem uma função de peso para você! — Confia nele? — Como um grande irmão, pensamos igual Ketlen! — Mas ele faria o que por mim? Paula me olhou e falou; — Ele precisa não brigar com seu pai, tem de ser mais maleável até tudo instalado Ketlen, ele não pode lhe esconder, mas pode lhe dar cobertura para conversarem e um posto que seu pai não tenha como reclamar! — E o que seria? — Não sei, ele disse que você queria falar com João antes! — Não estava acreditando que você estivesse vivo! – Ela falou me olhando aos olhos, e vi uma lagrima e a abracei, ela olhou depois para Paula e ela nos abraçou também, um triangulo perigoso, mas digno dos tempos do irmão de Paula, não esqueçam que fiz um pacto de Orquídeas com Paula, então estava dividindo com ela o que queria desta estória; — Acha que tenho de voltar? — Joaquim vai lhe conduzir para cima, e depois vai sentar com seu pai e explicar as coisas, não sei como seu pai vai se portar, ele parece fora de controle, mas temos de tentar, não pode ficar escondida, a melhor forma é enfrentar! Ela me abraçou de novo, vi um sorriso e Paula a conduziu ate a parte onde o segurança estava e dois minutos depois aparecia como Joaquim e começamos o caminho de volta, mas agora fomos para a entrada da nova cidade, o prefeito estava lá e apresentei a moça e ele relaxou e falou; — Menos uma tensão? — Sim, liberam hoje ou não prefeito!

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— Sim, sabe que eles estão mais registrando que fazendo controle, eles testaram os materiais e as estruturas, mas por quê? — Vamos a meu local de reunião na cidade, prefeito! — E vamos como? — Temos sistemas de transportes tanto na vertical como na horizontal da cidade caro prefeito! O prefeito sorriu e adentramos a um veiculo da prefeitura e atravessamos a cidade vazia, e bem ao centro, tinha um imenso prédio, se lia na entrada, Empreendimentos Cezar, adentramos ao local, e fomos a parte da empresa, do andar de numero 180 ao 280, fomos a parte de reuniões, um imenso salão, ultimo andar, acima de nós apenas as antenas de comunicação, se via a cidade a baixo, e sentamos a uma mesa, Ketlen estranhou o local, não era magia, nem dom, era real, um mundo palpável, peguei o comunicador e liguei para Call; — Call, é Joaquim Cezar! — Algum problema? — Temos que conversar, pessoal! — Achou ela? — Sim, mas ela é maior de idade, esta com identificação de Americana, legalmente na cidade, não tenho como passar por cima das leis! — Mas ajeito as leis em Brasília, me mande ela de volta! — Call, filhos não se trata como empresa, tem de conversar com ela, e não a prender num quarto, já que sabe que não a prenderia, ela fugiria de novo! — Ela esta a sua frente? — Sim, Paula me ajudou a achar ela, mas não quer que fale isto! — Por quê? — Ela também esta cansada desta briga Call! — Esta onde? 272

— Inaugurando com o prefeito a cede de minha empresa na cidade nova! — Tem aéreo pouso? — Lógico que tem Call, pensa que esta falando com quem! — Deve ser o prédio mais imponente? — Sim, 280 andares bem no centro, padrão! Call desligou e olhei a moça e falei; — Ketlen, primeiro eu vou falar com ele, mas tem de ver que guerras assim, não se mantêm, ele é seu pai e teria de estar sempre longe de sua mãe! — Sei disto, mas alguém me disse que me ofereceria uma função? — Primeiro quero falar com seu pai, depois sei que tem formação em publicidade e acho que vamos precisar de uma assessora de marketing para a companhia que deve surgir assim que seu pai deixar de ser teimoso! — Quer que trabalhe para ele? — Não, para nós não é prefeito! — Este local é incrível, um espaço destes tem um valor incalculável numa cidade destas! — Sabe que cada um impressiona como pode, mas prefeito, pensou sobre o projeto de mais sedo? — Você veio mudar tudo pelo jeito, mas não tenho como dizer não, mas esta oferecendo 10% a mais de moradias, se reformar a parte que estava falando, não temos gente para isto! — Sei disto senhor, mas cada coisa a sua vez, não vamos priorizar quantidade, e sim qualidade! — Sabe que Call me reduziu os estimulantes, disse que precisava estar mais atento a você, posso perder uns anos por isto! — Anos bem vividos, mas se Call parar de ser teimoso, teremos uma solução para isto e não uma guerra! 273

Vi o veiculo parar 100 andares a baixo, e pedi um momento e desci pelo elevador os deixando lá e olhei Call vir com a segurança de sempre e lhe cumprimentei e ele falou; — Ela esta onde? — Lá em cima! — Vai me proibir de a tirar daqui? — Não, senão nem teria chamado, não acha? — Verdade, achou ela rápido! — Plantei uma informação falsa no submundo, a de que João estava vivo, e ela caiu rapidinho, mas não falo de meus métodos para ela! — Mas se a quiser tirar, sabe que terá uma discussão! — Não esta pensando com a razão Call, esta usando muitos dons ultimamente, pois isto nos tira um pouco a calma! — Tenho exagerado, mas pelo jeito veio conversar antes! Olhei os seguranças e ele fez sinal para esperarem e adentramos a região, um hangar de pouso tomando um andar inteiro a mais de 180 pisos acima da rua, Call olhou impressionado e falei; — Igual ao que vai entregar em Paris! — Bom saber, mas estava pensando e vendo os valores de mercado, acha que podemos ganhar com o ampliar da expectativa de vida? — Sim, mas por isto estou me instalando, eles tem de ter sonhos maiores para dar certo! — Quer dizer que tem planos maiores? — Call, sabe que planos para a década é para humanos dopados! — Mas se passa por um? — Não gosto de ter resistência e sabe que a segurança estranha nós não precisarmos disto! — Sei, eles estranham mesmo, mas o que proporia se topasse? 274

— Primeiro, vamos precisar de uma assessora de marketing para esta empresa, adivinha em quem pensei? — Em minha filha? — Cabeças ocupadas não fazem besteira, Call! — Mas se não topasse? — Não precisaríamos da assessora, você teria de ficar a buscando cada vez mais longe! — Certo, mas tenho de ver qual o produto que tem para fornecer! — Call, os corpos dos humanos fica mais resistente depois dos 110 anos e isto gera os problemas de continuidade, mas esqueceu de uma coisa, simples! — O que? — Não precisa depois dos 100 anos aplicar o produto, e sim, controlar o vicio, a resistência é ao vicio, e não ao controle! — Esta a dizer que eles estão sofrendo como uma desintoxicação? — Sim, testamos em humanos na Europa, eles precisam apenas de controles e não de viciantes entre os 100 e 150, depois disto, pode voltar com os viciantes, a próxima reação de desintoxicação será aos 210 anos, e pode controlar mais 30 anos e depois voltar a ativa, mas não pretendo os deixar viver tanto! — Quer dizer que tem forma de controle até quantos anos? — Até uns 320 anos, nossas cobaias estão ainda vivendo Call! — Não sabem mais pois os estudos ainda estão andando? — Sim, não sei por que não se preocupou com isto? — As vezes pensamos em algo as pressas, mas sabe que nem tudo foi como eu queria, mas assumo a responsabilidade e não sei recuar as vezes! 275

— Isto às vezes eu também não sei Call, mas pretendo aos poucos melhorar, não sou de vivenciar as coisas e não aprender com elas, sermos perseguidos, nos manteve unidos, as vezes as pessoas pensam em enfraquecer com isto, e nos dão força! — Às vezes esquecemos o que são os verdadeiros Fanes, aqueles que comiam pedra para sobreviver! — Graças a nossa deusa, não vivi esta parte, mas dizem que foi triste! Olhei serio e Call falou; — Acha que ela conversaria comigo? — Se for conversar, ela pareceu querer chamar mais atenção que fugir Call, mas as vezes as pessoas no lugar de olhar para a filha, ficam lembrando do passado e se perdem! — Verdade, mas pelo jeito conseguiu aliciar Paula? — Ela ainda não sei como tratar, linda e indecisa, mas sabe bem o que pretendo a cidade, não sou de esconder! — Sabe que quando anunciei hoje cedo que entregaria a cidade em Paris, o mundo se agitou, você vai me custar caro, mas melhor pagar por algo que se vai receber, do que pagar multas sem retorno algum! — Sabe que o mercado esta bem previsível, mas sabe que o plano de marketing, é algo a se aplicar, e a reversão não se aplicara a pessoas com mais de 110 ano, não teríamos como o fazer, temos de induzir o tratamento a partir dos 90 anos para os novos, e uma chance aos com 110, mas acima disto, não teríamos chance! — Não daria certo? – Perguntou Call; — Daria certo, mas deixaria um furo no marketing Call! — Certo, não se preocupa com estes? — Call, me preocupo, mas este é o seu mercado, não o meu! — Não sei ainda como fazer? 276

— Call, temos um prédio inteiro novo para suas instalações, e a partir dele vamos ampliar, a notícia vai correr o mundo, e sabe que os governos vão se ajeitar aos poucos a isto! — Certo, escolheu aqui, mas podia ser em qualquer lugar! — Se tivesse ganho a concorrência para a New Paris, teria sido lá o lançamento Call! — Participaram e perderam, interessante, alguém com uma visão de mundo mas que esta apenas começando! — Sabe que nós Fanes quando alcançamos os 10 anos, batemos de longe os Humanos a nível intelectual! — Sei disto, nunca cheguei perto de Peter Carson, e ele ainda tinha déficit de aprendizado! — Call, todo Fanes tem, não é déficit, é complicação mental, vocês pensam um pensamento apenas, mas quando estamos aos 10 começamos pensar vários pensamentos ao mesmo tempo, e isto, nos deixa bem confusos, demoramos para administrar isto até os 14, mas quando alcançamos o controle, tudo fica claro como vidro bem limpo, enxergamos os problemas em mais de 100 possibilidades, então quando João projetou esta cidade, ele se prendeu a 100 possibilidades de erro por vez, sabe no que deu! — Sei, vejo que quando entregar a cidade em Paris, os meus clientes vão querer este nível de acabamento, você em si esta se pondo como fornecedor! — O rapaz pensou nesta cidade dos 14 aos 16 quando vocês o mandaram a não existência, se ele estiver pensando lá como pensava aqui, ele vai achar uma saída Call! — Acha que tem saída? — Ele era um teimoso, ele se agarrava a possibilidades e enquanto ele acreditar, ele vai tentar! — Seria um problema! — Dele se sair eu cuido, vocês não sabem negociar com um gênio! – Falei sorrindo; 277

Fiz um sinal para os grandes elevadores internos e fomos a ele, estes elevadores sentia-se a aceleração e a desaceleração, e quando abriu a porta falei; — Call, tem uma sala ao lado, se quer falar com ela, acho que nos que não somos da família, não precisamos ter acesso a isto! Call olhou a filha e falou; — Filha, precisamos conversar! — Não vou voltar pai! — Não vim discutir, apenas conversar filha! Ela se ergueu e foram a sala ao lado, não sei o que se passou lá, mas quando voltaram ela me olhou desconfiada, e olhou para o prefeito e falou; — Pelo jeito prefeito, estes dois acabam de fazer uma aliança perigosa prefeito! – Ketlen; — Perigosa, preciso prender os dois? – Falou rindo o prefeito; — Precisa, eles vem com uma arma ao mercado e nem sabia que tínhamos esta possibilidade! — Arma? – Fala ficando serio o prefeito; Eu ri e Call também e ele falou; — Prefeito, eu e Joaquim Cezar estamos em um estudo genético, que pode permitir, aos humanos viverem em perfeita saúde, tirando os efeitos do fim da vida, e a ampliando em 40 anos, aproximadamente! — Estão falando serio? — Estamos prefeito, mas temos de terminar os estudos, mas a tecnologia já existe, e pode ser aplicada a partir dos 90 anos e os levar a viver até agora, até os 260 anos! – Call; — Este era o assunto que tratavam lá fora? — Isto não pode sair desta sala ainda, Prefeito, sabe bem que a função de controle atual é essencial, mas teríamos de 278

primeiro mudar umas leis em Brasília, para depois implementar! – Falei; — Estão realmente falando que posso viver bem até os 260 anos, esta é uma ótima noticia! — Estamos tentando reduzir também os efeitos colaterais dos últimos 10 anos de vida, mas ainda estamos trabalhando prefeito! Paula me olhou, primeiro passo dado, ela sabia que abrindo uma exceção era um passo imenso, e trazendo a filha de Call para dentro, uma aliada de peso, ela me olhou e falou; — Call, queria apenas dizer uma coisa! Vi que Call olhou desconfiado para ela; — Fale Paula! — Não tenho nada a ver com sua briga com Peter! Vi o sorriso dele, às vezes poucas palavras mudam o clima do local e o prefeito sorriu, sua mente mostrava um contentamento, pois se os Carson, os Moreira e Call não estavam contra o novo empresário, e ainda sem mais de um milhão de antigos desocupados, ele estava a ser monitorado pelos demais e vi Paula me sorrir e sorri de volta, Ketlen vendo aquele sorriso sorriu, ela pensava que se Paula se interessasse por mim, teria João para ela, em si era real; Call atendeu um intercomunicador e me olhou preocupado; — Pablo me falou que não avistaram a cidade! — Assim que terminarmos aqui, vamos lá! Call relaxou e Paula falou; — Problemas? — Não, apenas tenho de apresentar a um Argentino a região de Tarbes, no que antes foi um pais imenso, hoje a antiga França se mantêm junto as antigas montanhas, entre elas Tarbes! Call me olhou e falou; 279

— Então esta a um dia de Paris? — Sim, a um dia de entregar com 12 dias de antecedência a cidade, Call! Call sorriu e ouvi ele falar para os seus olharem mais para o lado de Tarbes, e vi Call olhar para mim e falar; — Estavam olhando para o lado errado, agora viram, ele pediu desculpas pelo atrapalho! — Compra um óculos para este seu engenheiro Call, a cidade é imensa! Call sorriu e nos despedimos, as coisas estavam calmas e precisava voar para França como se fosse parte de casa, mas não era, então olhei Paula e ela sorriu como se não fosse problema; — Ketlen, se for nossa assessora de Marketing, apenas gostaria de pedir uma coisa? – Falei olhando a moça; — O que precisa? — Tem de aprender a manter as informações mais fechadas! Ela sorriu, e Call viu que eu iria por freios na língua da filha, sabia que acabaram falando de mais, por uma frase dela, e adentramos ao elevador e Call perguntou; — Pensei que Paula viria junto? — Melhor não, assim acertamos detalhes que não precisam ser públicos! Call sorriu, adentramos a aeronave dele e apenas dei as coordenadas, o piloto acertou no curso e o veiculo saiu do chão em direção ao leste, primeiro sobre parte da cidade, depois sobre o mar, que tomou aquele planeta nas mãos, a temperatura media do planeta aumentou perto de 12 graus no ultimo século, a água quando absorvia energia, demorava mais tempo para a soltar, do que a terra, com menos terra, o planeta aqueceu mais um pouco, Call gostou das planilhas que passei a ele e sabia qual o meu temor, mas não iria fugir disto, 3 horas depois estávamos já sobrevoando terra indo agora um pouco mais a 280

norte e Call sorriu ao olhar a grande cidade sobre o mar, e pousamos ao centro, ele viu que os seus já estavam a falar com os transportadores e descemos a cidade, Call olhou o engenheiro, lembrei dele, mas ele não de mim, fomos apresentados, e o ser me olhou e falou; — Parece a que perdemos vindo para cá! Call sorriu, era igual, mas o que podia falar, me olhou e depois para o engenheiro e falou; — Este senhor era o empregador do João Moreira, Pablo! O engenheiro não entendeu, mas ficou claro que era de mim que haviam roubado as duas cidades flutuantes, Call olhou cada detalhe enquanto a cidade transitava pelo mar ao norte, estávamos já quase sobre a região que fora um dia a grande Paris, e vimos uma serie de administradores a chegar ao local, e cumprimentarem Call e olharem encantados a cidade, e um falou em inglês; — Senhor Call, pensamos que não teria uma reserva! — As vezes dilatamos um contrato que podemos e cumprimos os demais, muitos falam demais, sem saber o que esta acontecendo! — Mas ela esta nas especificações! – Perguntou o prefeito da futura cidade; — Não cobrarei por adendos a mais, mas cobre as especificações e teremos de acertar com um acordo de imobilizados! — Como assim? – O prefeito; — Este rapaz ao meu lado, é Joaquim Cezar, e junto com as empresas dele, estamos implantando uma revolução no antigo tratamento de sobrevida, com qualidade nas mesmas especificações, mas podemos ganhar mais de 40 anos de força de trabalho, qualidade de vida e principalmente, pagamento de impostos prefeito! — E querem começar a partir daqui? 281

— É uma cidade nova, terá leis novas e pessoas novas, este tratamento só tem valor a pessoas com menos de 90 anos, prefeito! — Acha que temos interesse? — Tem de ver se quer ficar para depois, pois implantaremos na grande São Paulo, se quer os seus implorando depois ou fazer parte da primeira leva! — E as leias lá? — Brasília esta já estudando o meu projeto que mandei a pouco, eles gostaram da idéia, tem de ver senhor que estamos falando em sobrevida até os 260 anos, com a mesma qualidade dos 90 anos! — Certo, temos de falar nisto, pois sabemos que és um grande pagador de impostos Call, e isto gera o pagamento da maioria dos gastos públicos, mas teria algo a mais? — A cidade comporta um crescimento de 100 anos, a exigência era de no mínimo 30 anos, prefeito! — Pensamos que teríamos de fazer nova licitação, sabe que a administração deste crescimento é do senhor? — Sei, mas por isto pretendemos assim que a prefeitura estiver instalada, mandar nossas pretensões referente aos nossos investimentos! Eu me mantinha meio quieto, meu francês era apenas o básico, teria de aprender um pouco mais, e Call reparou que observava mais do que falava, mas quando o prefeito foi querer por defeito, e os seus engenheiros adentraram a cidade, um deles veio a eles, e falou; — Prefeito, esta acima dos nossos padrões! — Como assim? — Tem mais de 300 esquemas de segurança por divisão, tem uma sede para cada 300 mil habitantes, mas com total proteção a dados, a imagem, e principalmente, a cidade é feita para quase toda quadra flutuar independente, se tivermos um caos total, muito além das especificações! 282

O prefeito olhou Call e falou; — Sabe que chamei os melhores, pois achei que iria nos entregar refugo! — Este projeto demorou mais de 3 anos de calculo para sair do papel prefeito, não é algo que foi feito do dia para a noite, mas é uma cidade base, nosso melhor produto, tem gente que pede o melhor e quer pagar o mínimo, e depois vem reclamar! O prefeito achou que foi um elogio, mas os engenheiros estavam a babar e um deles virou para mim, e perguntou algo e falei; — Meu Francês não é bom! Call sorriu, ele sabia que entendia, mas não estava a participar, mas o rapaz insistiu em Inglês; — Mas de quem é um projeto tão perfeito! Olhei o rapaz e falei; — O engenheiro que projetou isto, esta na não existência rapaz, não preciso falar disto! O rapaz me olhou assustado e perguntou; — Era um imortal? — João Moreira! – Falei e olhei os rostos, estava a criar uma lenda, e o prefeito me olhou e perguntou; — Mas não era o terrorista? — Não prefeito, ele testa resistência de cidades, se você explodir todas as balsas desta cidade, todas num cronometrar perfeito, primeiro, não terá fogo, não terá instabilidade, e ela não afundara, ele não era um qualquer, gênios são poucos, mas eles geralmente acham inimigos onde não se precisa! — Então esta a afirmar que esta cidade passaria em qualquer teste de superfície? — Ele testou uma destas a fazendo navegar no Golfo de Omã, e sabe que nem navios pequenos passam mais lá senhor! 283

— Esta a dizer que uma cidade destas é feita para navegar até sobre minas? — Era um teste senhor, não recomendamos por mais de 6 dias, mas a cidade agüentou as explosões por 6 dias, e veio a pique, depois disto ele somou duas camadas de Fibra de Carbono, nas bases, e não fizemos um teste deste novamente ainda! Call sorriu, era algo impensável navegar com uma cidade destas em um golfo como o de Omã que no fim das guerras, antes da área lateral ser alagada, foi cheia de minas de superfície, e submersas, uma cidade pelo peso, tinha um calado de mais de 90 metros de profundidade, então rasparia nas duas estruturas, e o engenheiro olhou para o prefeito e falou; — Ela tem mesmo uma carapaça digna de um submarino nuclear Prefeito! Call viu o prefeito assinar a entrega e falar; — Pelo jeito andei ouvindo muita fofoca Call! — Compreendo, mas não sou de fugir a uma multa, se fosse o caso, a pagaria, mas não entregaria menos que o melhor! Eu ri, pois sabia que era mentira, Call me olhou com malicia nos olhos e falei; — Prefeito, este é o projeto mais moderno de cidade já implementado! — Bom saber! Vi o prefeito fazer a transferência para Call do pagamento, e naquele momento entrava na lista dos grandes nomes, não antes, mas estava a criar um problema, e uma solução, e quando Subimos na estrutura que era pré determinada para as empresas de controle de Call, ele estaria na cidade, independente de ganhar ou não uma concorrência, e com um produto que sabia-se o preço e quanto cada cidadão usava, em si, o maior pagador de impostos, por isto seu dinheiro se mantinha e ampliava, se tivesse índice de 284

crescimento positivo, mas estava no negativo a 200 anos, então ele me ouviu mais por falta de opção do que por querer mesmo a solução; — Sabe que mesmo os nossos laboratórios, parecem de ultima geração! — Mas são, a geração que vira Call! — Joaquim Cezar, o rapaz que me fez impressionar um Francês, viu a cara do engenheiro? — Sabe o produto que vendo Call, se quiser fornecimento, sabe o preço, mas ninguém acreditaria, mas gosto da forma que fiz em Santos, oferecer a um preço menor, e ficar com parte dos imóveis em meu nome! — Eles sempre deixam as ampliações por nossa conta! – Call; — Call, na grande São Paulo, estarei empregando mais de 4 milhões de pessoas, estou as colocando perto do trabalho, mais fácil de controlar, e pretendo revitalizar toda a cidade antiga! — Vai os tirar de lá, por que quer as terras? — Tem áreas de tamanha concentração, que eles não refazem os antigos prédios, por não ter como sem uma guerra, refazer as bases! — Esta pensando em 100 anos, eles não pensam assim! — Estou pensando em meu filho, em mil anos tocando isto! — Não quer mesmo a imortalidade? — Call, eu tenho um filho, e confio nele, ele vai ser um grande homem, mas ainda é uma criança a instruir! — Esqueço que os Fanes começam cedo, mas sabe que um menino eu sempre quis, mas nem tudo acontece com deve! — Tem de parar de culpar ela por isto Call! — Como sabe? 285

— Fala com magoa, não adianta culpar quem não tem culpa! — Ela me tira do serio, ela me faz sempre achar que ela encontra o irmão ainda, ela não me poupa disto! Eu estava pensando na filha e descobri que ele falava da esposa, e falei; — Call, não tenho nada a ver com isto, mas tem de ver que ela esta com você, e não com o irmão, tem de parar de analisar como a sociedade o faz, pois a imortalidade é feita para vocês se entenderem, e não para se condenarem! — Sabe que a muito não falo com ninguém, me escondo atrás de uma violência, Peter era meu melhor amigo, o único que entendia o que eu sentia! — E o que mudou? — Eu escolhi este caminho, que pela primeira vez vejo que era da extinção, mas não sei se posso reverter isto! — Aquele maluco do João, sempre dizia que criar universos é mais fácil do que administrar amores! — Gostava dele! — Call, eu acredito nele, ele vai sair, não sei como, quando, mas ele vai dar um jeito! — Fala como se ele fosse algo muito especial! — Ele queria outro caminho, tentei mostrar para ele que as pessoas não se tratam com violência, mas ele achava que podia criar mil mundos e por os humanos a viver os dias que lhe são direito, mas era um sonhador! — Ele me falou isto, mas não levei a serio! — Ele não era fácil Call, ele batia para ser ouvido, e isto não é bem aceito em uma sociedade de dopados e pessoas que não estão mais acostumados aos demais batendo! — Verdade, mas por que acha que se ele vai voltar não voltou ainda?

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— Call, ele esta fora do tempo, ele pode voltar até antes de ter entrado, e se passar por alguém normal, ninguém entende aquele local, mas imagino que o primeiro ano, sem os alucinógenos que ele tomava, ele vai estar muito mal, depois ele vai organizar as idéias, e somente depois disto, ele ou cria um mundo imaginário e vive, ou sai e faz o que bem entende! — Esqueci que ele era um viciado, ele realmente vai ter as dores insuportáveis de cabeça, vi gente ter isto por dez anos! — Com analgésicos, imagine sem eles? – Afirmei; Call olhou-me e balançou a cabeça como se entendesse, para sair ele teria de pensar, mas como pensar com a cabaça estourando, e falou; — Vai dar um pulo em casa? — Não posso, tenho de estar no Rio de Janeiro hoje à noite! — Vai entregar uma cidade lá? — Vou, menor que esta, mas o projeto fixado sobre o Pão de Açúcar. Vai fazer aliados e inimigos, mas tenho de estar lá, se puder me dar uma carona de volta! — Não gosta muito de usar os Dons pelo que vi! — Eles me irritam Call, magia acalma, mas Dons, irritam! Call sorriu e voltamos a grande São Paulo e enquanto sobrevoamos a cidade, Moreira entregava a proposta à prefeitura e protocolava as formas e mesmo sabendo que era uma cartada de mestre, pois por aquele preço, era difícil alguém vencer, fui ao Rio de Janeiro com Paula e lá chegando fomos a prefeitura e o prefeito fala; — Joaquim Cezar, vi que a cidade esta chegando, mas Moreira me ligou mais cedo e me indagou sobre outros projetos! — Sim, ontem falamos da parte turística, hoje quero saber se liberaria um novo porto, e uma região industrial na parte dos fundos das praias! 287

— Pensei que estava ainda nos planos de ontem? — Prefeito, amanha começo a fixar a cidade nova, e já estão chegando hoje, os rebocadores para começar a reforma do antigo porto, a parte pesada é rápida, o difícil são sempre os acabamentos! — Certo, mas pelo jeito conseguiu bons aliados? — Ainda estou tentando me acertar com isto! Os assuntos foram técnicos e fomos a cidade, e Paula viu que estava meio confuso, não sabia administrar tudo que estava armando e ela falou; — Acha que terá problemas? — Vou ter problemas, mas preciso falar com seu irmão! — Por que? Abri uma porta no ar e ela passou a frente, olhou a grande praia a frente e me olhou; — Onde estamos? — Estamos navegando no sentido do Rio de Janeiro, mas preciso de parcerias! Paula olhou em volta, viu os grande prédios na mesma altura, viu as calçadas estilizando ondas e lembrou de um tempo muito distante, fora naquele lugar num passado distante, mas era na real, os prédios no fundo, no lugar de ter os antigos poucos andares, eram todos em altura padrão de 100 andares a toda a volta, e olhou a praia e pensou o como algo assim lhe fazia falta, senti os pensamentos dela, e ela caminhou a praia e me olhou; — Este lugar é incrível! — Decidi viver a vida, mas quero lhe perguntar uma coisa Paula! — Fala? — Vai estar até quando aqui ao meu lado? Ela me bloqueou e sorri e ela não gostou; 288

— João, sabe que meu destino é interligado a outra pessoa! — Não perguntei em outra existência, não perguntei daqui a uma vida, perguntei algo palpável Paula! — Acha que fico até quando? — Eu não sei, queria lhe amar para sempre, mas sei que vai ficar chato, e quando isto acontecer, não lhe seguraria, pois a mataria! — Você é diferente, lembra meu irmão falando, um conquistador, e ao mesmo tempo, alguém que não demonstra apego, mas sei o que sente, esqueceu? — Esqueceu que sabe o que quero que saiba Paula! — Mas não parece esconder nada! — Mas sabe que posso até me passar por outro, ou vai dizer que não ficou na duvida? — Fiquei, mas estou aqui, o que quer mais? — Saber se esta aqui, ou se é apenas meus olhos a colocando ai! — Sabe que tenho de controlar as coisas, mas volto em minutos! Vi ela sumir da minha frente, e fui à avenida, peguei o caderno e comecei a terminar o projeto, mas não fechei traços, mas reforcei o que não estava a vista, e fiz duas replicas da cidade que entregaria no Rio, encaixadas ao fundo da praia, ninguém estava a olhar mesmo, ou se estavam, eu não sabia, dois portos, entre as divisões, e uma área imensa verde, entre as duas cidades e mais duas cidades, um parque com arvores, com grama, chafariz, parte temático e uma montanha falsa, dividindo a cidade, depois de tudo um novo porto e aeroporto e um aeronaves; Estava sentado em um banco e vi Paula e Peter surgir a areia lá a frente, vi o rapaz olhar o local, e sorrir, olhou para onde eu estava e guardei o caderno, em minha pasta e os dois vieram caminhando até mim; 289

— Joaquim Cezar, pelo que vi ainda não sei se é um perigo ou um aliado! — Diria que sou um novo rumo! — O que quer falar? — Sei que seu ramo é entretenimento, e teremos muito entretenimento nesta cidade, de festivais de dança, recriei o espaço para shows como os dos anos 2 mil, quando tinham um local de Samba, eu acho, não sei ainda como resgatar isto, mas acho uma ótima forma de entretenimento, queria parceria no tocar de 6 parques temáticos, e mais de 200 hotéis, que não são minha especialidade! — Duzentos, vai começar pequeno? — Vou, mas sabe que não posso inaugurar tudo de cara, precisamos de gente, e não tenho mais que 4 milhões de sem registro e outros 3 milhões desempregados! — Certo, mas posso dar uma olhada? — Sim, tem um aero—móvel na orla nos esperando! Os dois me seguiram e primeiro foi na direção das praias, e os dois viram as 3 grandes praias, sobrevoamos os portos numa curva de 60º, e quanto olharam a cidade em anexo, Peter perguntou; — Esta a falar em administrar tudo isto? — Sim! – Sobrevoamos após os portos a parte ao fundo dos grandes prédios da orla, 10 quadras com prédios todos nivelados e separados por grandes avenidas, depois a região comercial e depois a industrial; — Tem parceria para a industrial? — Em parte Moreira entra neste empreendimento! Viramos no estremo do porto, se fizesse um ângulo de 60º a direita voltaria as praias, virei a esquerda e os dois viram a grande montanha a frente, a área verde e pousei a entrada do parque e Peter me olhou;

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— Vai dizer que os parques temáticos estão todos embaixo da montanha? — Sim, 6 entradas independentes, 6 parques diferentes! Vi os dois olhando em volta, pareciam estar em meio a uma cidade das antigas, com área verde ao centro, e entramos no primeiro parque e pegamos uma condução, mostrei os detalhes aos dois e quando saímos novamente voamos até o estremo da cidade e Peter olhou para traz, estávamos a mais de 40 km das praias em linha reta, e ele viu a ultima parte da cidade as duas partes acopladas na parte do parque central, era uma cidade em volta daquela área verde e falou; — Se quer um parceiro, acho que vai precisar de muitos! — Vou, falei com Moreira ontem, ele vai me apresentar parte dos empresários, se tiver pessoas interessadas, não estamos ainda com a cidade instalada, temos 15 dias para somar no projeto! — Pretende esta com isto instalado em 15 dias! — Peter, sou um homem de negócios, esta aposta é um projeto que quero vender igual para os EUA, tenho algo semelhante, chamado de New York, uma cidade de mais de 20 milhões de habitantes, com parque, com divisões flutuantes ligadas por pontes e ligações mas olhando por cima, pareceria serem partes desconectas pois tem 10 metros de água, em canais artificiais! — Então esta pretendendo enfrentar o desafio do governo americano, de reerguer New York? — Quero provar que é possível, se eles quiserem pagar, venderei! Paula estava me olhando com carinho e Peter percebeu e perguntou; — O que tem com minha irmã? Olhei para Paula e falei fechando as ligações mentais; — Desculpe, mas este convite não tem haver com isto! – Fui seco; 291

— Não vai responder rapaz! — Se tivesse certeza de algo, falaria, mas a conhecia a 3 dias, é muito cedo, e nem sei ainda o que ela quer com isto! Peter olhou para Paula e falou; — Ela sente algo, esta me bloqueando! — Não quero ouvir de você isto e sim dela! Paula olhou para mim, não fui simpático, não pedi nada, estava expondo o que queria, e ouvi no final; — Soube que convenceu Call a ampliar o tempo de vida, até onde vai com isto? — Até onde achar seguro! — O que quer dizer com isto? — Vocês tem de parar de brigar por algo que os dois sabem que acontece, Kátia, mas não vou me meter nisto! — O que quis dizer com isto? – Peter; — Que Kátia e Ketlen, ficam no meio e não é justo, tive de tirar sua filha do meio dos sem documento hoje, sabe bem o que pode acontecer se os seguranças pegarem ela lá em baixo! — Ela sabe se defender! — Não estou preocupado com ela, e sim com a cidade acima Peter! — Veio bem informado, mas por que disse que acontece? — Se Call que é cego de amor vê, os demais devem fazer muito para não ver, não é por estarem fora do tempo, que não deixam evidencias, Peter! — Certo e o que faria? — Eu não preciso fazer nada, ele ainda lhe tem como amigo, mas ele assumiu o que precisava, sabia que não tinha como criar mundos, ele nunca conseguiu nem um mundo com retardo de tempo, ele fez como sabia fazer, e pressionado por guerras que não foi ele que causou, enquanto você e Liliane se fizeram de quem não concordavam, não apresentaram algo que ele tivesse como seguir! 292

— Esta a dizer que entende ele? — Até você entende Peter, ele tinha um planeta depois de 200 anos de guerras com 5 bilhões de habitantes, um mar tomando tudo, tecnologia que não tinha como recusar pois seu povo estava fugindo dos grandes centros inundados, não esquece que cidades com Londres foram fixadas sobre naves Fanes, pois não tinha como fazer algo tão rápido em um mundo inundando, e daí veio a ultima leva de guerras, a por terras e comida, mas sem terra, 5 bilhões de vivos, 3 bilhões de mortes, mas grandes áreas cultivadas sumindo, a temperatura subindo não resolvia muita coisa sem terras plantáveis, acha que quantos anos demoraram para conseguirem produzir nos Pirineus, ele assumiu o que precisava, esta na hora de pararem para pensar nisto e sair destas guerras bobas! — Mas sei que ele tem ciúmes! — Não se faça de inocente, Peter Carson, todos sabemos que foi uma desculpa você se por contra os planos, tinha uma irmã lá, na verdade ficou na comodidade, Liliane esta somente agora se controlando e Paula, não facilitou nada isto! — De onde você vem rapaz? — Do submundo dos submundo, não é importante isto! — Esta escondendo algo! — Estou, descobri que os da América não respeitam nossos pensamentos no ultimo dia, não gosto de gente olhando o que não os diz respeito! — Sabe que não gosto de gente que tem medo de mostrar quem é! — Mas não mostra tudo, muito cômodo! – Ataquei, sabia que era fácil desconfiar, mas não queria também parecer inocente; Peter me olhou e falou; — Negócios podemos ter, mais não queria se aproximando de minha irmã! — Isto não lhe diz respeito Peter Carson! 293

— Esta a me desafiar? — Não, sei que é bom em desafios, todos sabemos isto, mas quem vai decidir se fica por perto ou não é ela, não vai ser eu e nem você! Peter olhou Paula e ela falou; — Homens, discutindo sobre o que não lhes diz respeito! Peter me olhou serio e falou; — Sabe que não pretendo mudar de posição referente a Call! — Como disse no começo, não tenho nada a ver com isto mesmo! — Vou pensar em o que podemos fazer em comum acordo, mas pelo menos sei que não veio brincar de ganhar dinheiro! — Passar bem! – Falei e vi os dois adentrar uma porta e sumir em um destino desconhecido, puxei o caderno e terminei os portos e os transportes, e entrei no veiculo e fui a um prédio no cento da cidade, de frente ao parque, e olhei para baixo, adentrei ao prédio e passei por um portal em direção ao do centro da cidade de São Paulo, e olhei para a sala, tomei a minha forma, e adentrei em silencio a peça, olhei Ketlen sentada a olhar para fora, e ela se assustou a me ver ali e falou; — Pensei que não viria? — Vamos sair daqui Ketlen! Fomos ao portal e passamos para a cidade que estava indo em sentido do Rio e ela olhou para fora, e perguntou; — Onde estamos? — Um trecho novo que esta indo ao Rio! – Abracei ela e a beijei – Estava com saudades destes lábios! — Nem sentiu falta! — Esta vendo outra aqui? — Não, mas não quer dizer que não tivesse! 294

— Paula deve chegar em breve, mas a maioria nunca vai entrar neste apartamento! — Esta fora do tempo? — Não, é que não tem porta para ele, é um apartamento no andar de numero 102, de um prédio de 100 andares! — E a entrada é por São Paulo? — Teremos um assim em Paris e um em Londres, mas seu pai não pode desconfiar que sabe bem que ele me capa! — Não brinca com isto! Sorri e fomos a sacada e ela olhou a imensa cidade e falou; — Tudo isto vai vender? — Parte vou administrar, mas parte vou vender, mas quer ver o que os trará para cá? — Não disse que não tem entrada? Subimos a cobertura e pegamos um veiculo aéreo e descemos a rua, e entramos no prédio e fomos a um andar baixo, e ela adentrou ao apartamento, um banheiro de 4 metros quadrados, e um quarto de 20 metros quadrados com camas espaçosas e um pequeno canto particular, e olhou para mim e falou; — Vai vender espaços desejados, mas sabe que muitos vão reclamar! — Inveja é isto menina! Ela me beijou e voltamos ao apartamento e quando entramos Paula estava a nos olhar e falou; — Não posso nem deixar Peter em Casa e já esta com outra? — Sabe que somos um, o que quer mais do que saber até o que sinto? — Saber por que foi tão duro com Peter? — Por que ele tem de pensar, ele não é burro! — Mas você disse que Ketlen é filha dele! 295

Eu olhei para Ketlen e perguntei; — Isto é segredo para alguém, ou só eu e você sabemos? — Paula, Call sabe que não sou filha genética dele, desde que nasci, não é segredo isto! Paula olha para a moça e pergunta; — E acha isto normal, sua mãe se encontrar com ele? — Minha mãe é ciumenta, ela quer controlar os dois, mas como sabe que não consegue nenhum dos dois, ela tenta manter as rédeas, sem saber bem onde vai parar! — E você sabia disto e não me conta? — Eu falei, não disse para Peter que ele escondia coisas? — Falou, perguntei o que você quis dizer, e ele não soube o que falar! Ketlen me olhou e perguntou; — Vai ter um apartamento no centro do tamanha de 100 apartamentos, e acha que quanto tempo para meu pai desconfiar? — Ele vai saber em breve, mas não sei como falar ainda certas coisas! Paula sorriu e falou; — Quando ele souber que João Moreira é o mesmo que Joaquim Cezar, ele vai lhe matar! Ketlen me olhou com desconfiança e perguntou; — Ela esta falando serio? — Sim, acha que não vi você sorrindo quando Paula sorriu para mim? — E não ia me contar? — Já iria, mas lá é outra pessoa, ele não tem os mesmos escrúpulos, e controla a língua somente às vezes! Paula me abraçou e a beijei, minhas meninas eram lindas, e não me neguei a elas, estávamos a ir a um encontro de peso, mas com o comunicador ligado, estava atento a cada passo da 296

segurança, pois era a minha grande ameaça, eles podiam começar uma guerra, mas sabia que tudo era questão de tempo; Estava deitado quando o meu comunicador tocou e ouvi do outro lado; — Joaquim, estamos com uma grande entrada de seguranças pela região da Marginal! — Estou indo! Nem falei nada, deixamos Ketlen ali e eu e Paula surgimos em meio a um conflito, seguranças metralhando gente, surgi em meio a uma correria e corpos ao chão, olhei para os seguranças e um me apontou uma metralhadora, dopado, peguei o comunicador com toda a calma e liguei para o secretario de segurança; — Secretario, o que seus homens estão fazendo na área da marginal! — Quem? — Joaquim Cezar! — Sei que os defende, mas temos indicio de uma desordem, não vou permitir que interfira! — Então liga para as famílias e informa que morreram, pois não vou morrer por que es um irresponsável! — Não pode os matar! — Tem um me apontando uma metralhadora, crianças e mulheres mortas ao chão, acha que isto é desordem, vejo como chacina, mas não pretendo morrer hoje! — O que faz ai? — Pedi para o prefeito tirar os seus daqui hoje e sei que ele deu a instrução, estava com ele, se quer que eles se divirtam, escolheu o lugar errado, Secretario! Fiz fogo com a mão e os Seguranças viram uma leva de Fanes as minhas costas fazer o mesmo, Paula tocou uma criança ao chão e ela abriu os olhos e não poupamos assassinos, quinze minutos depois, quando a ordem de 297

suspender a operação estava sendo passada ao radio, não haviam mais seguranças vivos, olhei Paula e ela leu meus pensamentos, e Magda as minhas costas fez um rapaz atender a ligação e falar; — Sim! — Tem ordens de suspender a missão! — Senhor, ligue para o outro lado, muitos estão mortos! — Quem esta lhes atacando? — São Fanes, eles revidaram o fogo, alguns morreram! — Aguenta ai, vou ligar para alguém! O meu comunicador tocou e atendi; — Fala secretario? — Vai responder por estas mortes! — Se me fizer responder pelas mortes secretario, vai responder por matar mulheres e crianças, aos milhares, pois é a cena que tenho a minha frente, vai ter cenas indo ao ar de seguranças fazendo o que melhor fazem, matando inocentes, espancando, torturando, agora entendo onde me alertaram que a cidade não era segura, na segurança, mas pensei como institucional e não como primeira pessoa! — Não pode fazer isto! — Estou mandando os que se entregaram para cima, mas estou na sua sala em 10 minutos com o prefeito e com toda uma leva de políticos e empresários! — Mas o que vem fazer aqui! — Hoje o senhor vira um sem identificação, vamos ver se gosta do tratamento que ensinou aos seguranças! Desliguei e olhei Magda, e falei; — Adultera as identificações, põem 3 mil sobreviventes de baixo escalão para cima! – Olhei para Paula – Consegue alguém para por estes nomes no sistema? — Sem problemas! 298

Paula estava a socorrer os primeiros baleados e vi Peter surgir ao meu lado e falar; — Não sabe que não o apoiarei nisto? — Se mantêm na posição cômoda, Peter Carson, pois assim dá razão a Call, em todos os atos, e vira cúmplice de cada morte, coautor! Paula olhou para mim e depois para o irmão, ela falou algo, mas não sei o que foi, se ela deixasse aberto este caminho, ele saberia que tinha um pacto com ela, e não pretendíamos que ele soubesse por enquanto; O meu comunicador tocou e ouvi; — O que aconteceu Joaquim! — Prefeito, estava em uma reunião na região da Marginal, e os seguranças que pedi para tirar daqui, chegaram metralhando tudo, ou tira este secretario ou vou ter de repensar tudo o que falei! — Mas ele disse que não haveria operação hoje! — Para mim o que vi hoje era lenda, concurso de escalpos, já havia ouvido falar, mas para mim, prova que o secretario ou não controla o seu pessoal, ou não esta nem ai para a verdadeira segurança! — Mas tudo bem com você? — Levei sorte, Paula Carson estava comigo aqui, senão não sei! — Eles atiraram nos dois? — Estavam como sempre prefeito, 3 doses consecutivas de alucinógenos, sabe bem que eles não reconhecem nem os filhos assim! — Mas faria o que se fosse eu? — Prefeito, castigo para os demais respeitarem, o transforma em um sem cadastro, e se alguém dos grandes que desceram tivesse sobrevivido, recomendava o mesmo, assim

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como para os que coordenaram em suas salas, pois alguém com certeza controlava tudo isto! — Quer um exemplo, para não haver mais disto! — Uma coisa é eles continuarem fazendo pensando nunca ser com eles, outra é pensarem que podem acabar aqui em baixo! — Vou falar com as pessoas, sabe quantos mortos? — Mais de 3 mil não identificados, foi o que contamos até agora! — Certo, e seguranças? — Uns 500 deles! — Sabe que tem gente que vai reclamar! — Quero mais que reclamem prefeito, tem gente que não sabe o que é ser humano, mas os faço falir e jogo no submundo, sei bem fazer isto! — Lhe ligo na sequência! Falei com o prefeito olhando para Peter a minha frente, e ele falou; — Vai mesmo pedir a destituição deles? — Sim, ou acha que pego leve com covardes! — Sabe onde esta minha filha? — Não a sente? — Não quando ela me bloqueia, quase sempre! — Então não posso lhe ajudar! Virei as costas e falei para Magda; — Manda eles para cima sem armas, vamos ter gente lá dentro, e com o tempo, vamos por um deles no comando! Peter olha para mim e fala; — Acha que eles vão engolir? Ele olha para Paula, era obvio que ela havia falado algo; — Peter, se quer se fazer de cego, continua nisto, o que esta fazendo aqui? 300

— Segui a magia, sabia que alguém estava usando! — Um controlador, mas era sua irmã, mãe, não entendi isto ainda! Peter some no ar e Paula brada; — Por que o afasta, assim me afasta! Sabia que era encenação, mas se no jogo, jogue; — Eu não sei calar para certas coisas, João estava certo, eles matam crianças! — Mas vai fazer o que agora? — Esperava ter você do meu lado, mas se não estará lá, compreendo! Olhei o pessoal, dei as instruções e dois minutos depois estava a entrar na sala do secretario de segurança, antes mesmo de qualquer um, já o conhecia, ele quase me enganou, se fazendo de não informado, mas estava apenas numa cômoda situação, aquilo de controlar os demais e ninguém falar nada, senti os seguranças a porta e levantei minhas proteções, todas elas, não interessava se iriam sentir, e olhei o ser e falei; — Haviam me falado que fazia parte e não acreditei! — Do que esta falando, matou dos meus! — Matei, para me defender, agora vai ter de explicar por que seus homens atiraram sem pedir a identificação! — Mas lá não tem ninguém sem identificação! — Tinha eu, uma leva de meus seguranças, Paula Carson, eles mataria todos e diriam o que, fomos encontrados mortos? Vi Call entrar pela porta e me olhar e falar; — Não deveria estar lá! — Você Call, pensei que fossemos aliados? — Não pensei que você estaria lá, eles precisam de diversão! — E matam crianças para se divertir Call? — Não são gente! 301

— Pensei que poderíamos fazer negócios, esquece, estou tirando as minhas empresas da cidade! — Não vai desistir de dinheiro assim? — Dinheiro é fácil conseguir Call, mas Peter se pôs contra minha ação, agora você, os dois pensam igual, e se fazem de inimigos, que se virem, vou soltar a minha criação e vocês que se virem! — Do que esta falando? — O secretario; — João Moreira saiu hoje sedo, com tudo parado pela porta que entrou, deve estar agora, com a filha de Call em algum lugar, quer dizer de Peter, sei lá, mas vocês que se entendam, agora entendo o que querem, matar todos, sejam bem cruéis, eu vou terminar de instalar, o que me propus, mas estou encerrando os meus projetos! — E os sem registro? — São da cidade, estava a tirar mais de dois milhões de lá, se virem com a revolta deles, não estão nem ai para isto, outra coisa, não vou amanhecer num país destes, se acham que ganham algo com o que fizeram, ganham, minha retirada, não vou ter um filho numa cidade onde o chefe de segurança manda matar e o maior empresário assina a autorização! Eu sai pela porta e vi o senhor olhar para os seguranças mas eles não conseguiram se mexer e olhei para Moreira e falei; — Entrego o que me propus, mas esquece o resto dos projetos, a cidade não me quer por perto, não ficarei! O prefeito me olhou e falou; — Mas o que aconteceu? — Prefeito, vocês sempre viram o chefe de segurança matar crianças e nunca falaram nada, vejo que teria de bater em todos, não sou João Moreira, então me retiro, não querem evolução, não querem viver mais, não querem uma cidade melhor, eu não vou ficar batendo em pedra para vocês verem que estão no caminho de animais, e não de pessoas civilizadas! 302

Dei as costas e sai, não fiquei para ouvir, estava revoltado, inverti os motores de aproximação da cidade e perguntei quem estaria comigo e alguns ficaram, outros com medo se recolheram, eu desatraquei as duas cidades, com quem quis fazer parte naquele fim de tarde, e comecei a por elas na direção do mar novamente, para águas internacionais, liguei para o prefeito do Rio de Janeiro, e confirmei a entrega do que fora pago, mas que esquecesse os demais projetos, estava me retirando do país, muitas perguntas se fizeram na manha seguinte, e quando em águas internacionais, acoplei as duas praias, uma de cada lado, prontas para impressionar, as duas levas de cidades que vieram da região de São Paulo, sentei a praça, e fiquei a pensar o que fazer, estava sem saber recuar, a cidade estava me olhando sentado, mais de 2 milhões de cabeças resolveram me seguir das quais, mais de 200 mil Fanes, levantei as proteções de ataque, e as de magia, e os dons e vi Rose surgir a minha frente e falar; — Pensei que estava na não existência? — Hoje queria estar Rose, precisava não pensar, mas lá se pensa mais que aqui, como se muda um povo por dentro, como fazer um bando de animais virarem seres humanos, isto que não sei responder! — Esta julgando eles por poucos! — O povo nem quer saber, matar sem identificação é como matar ratos, Peter, Call, Paula, Moreira, todos fazendo vistas grossas, você e Liliane, todos, não quero ver isto, já vivi muito para 16 anos, não quero viver isto pela eternidade! — Mas vai desistir assim? — Vou, não posso brigar com todos, energia para isto tenho, mas não quero, eles tem de escolher, não eu, se todos querem morrer, por que eu preciso os fazer sobreviver, democracia não é a vontade da maioria, eles querem morrer aos 120 sem dor, eles querem matar uns aos outros, por que não sei, querem sentir o prazer de tirar o escalpo de uma criança 303

morta a metralhadora cruelmente, desculpe, que prazer tem nisto! — Eu já desisti de entender humanos, até Fanes João, não tem nada de bonito na maioria, poucos fizeram a historia e a maioria fez pela crueldade, mas com se diz, deram uma cara romântica, apontando a parte bonita, não a feia! — Mas não quero fazer parte disto! — E este pessoal, eles acreditaram em você! — É neles que estou pensando Rose, senão já tinha feito merda! — Certo, eu ajudo a administrar a cidade, mas tenho de saber a idéia? — Uma cidade turística, temos praias, parques temáticos, linhas de transporte, hotéis, cassinos, estava a começar a treinar o pessoal, mas nem sei se posso fazer isto, estamos em lugar de ninguém, quem viria aqui? — Quem não concorda em estar lá! — E quem não concorda Rose? — Eu não concordo! – Ouvi as costas e olhei para Liliane e algumas moças as costas, mas não era quem queria ali e sabia que estava sendo mesquinho, estava pensando em mim e não nas pessoas, respirei fundo e olhei para ela e agradeci; — Obrigado pelo apoio, mas nem sei se estou no caminho mais! — Tem coragem menino, 99 por cento das pessoas não fazem nada de valor, esta a fazer o que acredita, mas viu que não teria como fazer, e Call vai pagar pela língua grande! — Não sei o que ele quer? — A filha, que esta lá em cima a sua cama! – Paula que surge as minhas costas, olho para ela e nem pergunto nada; — João, tem de parar de pensar no que se passou, tem gente que confiou em você! – Rose;

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Estava sentado e olhei em volta, precisava fazer algo, mas nem sabia o que ainda, mas obvio que haviam duas coisas a fazer e ambas eram muito complicadas de administrar, olhei para Paula e ela falou; — Estou aqui, não estou? — Esta? — Estou seu bobo! Sorri e Rose viu que estava mais encrencado do que parecia, e falei; — Certo, esta cidade é muito grande para 2 milhões de pessoas, ela comporta 16 milhões, então sabemos o que fazer? — Nem idéia? – Paula; — Lembra de como era sua casa, quando o planeta não era assim, sem muitos lugares para viver? — Sim, sala, cozinha, quartos, muito espaço? — Então vamos remodelar, e vai sobrar espaço aos turistas, mas os habitantes vão viver bem, depois vamos registrar nossa existência, e por ultimo, terei de ser as duas pessoas, a temida e o empresário, pois vou erguer os dois pontos com muitas fabricas, automatizadas, e dois grandes estaleiros! — Esta falando serio? – Rose; — Sim, e pode falar para todo imortal e Fanes, que são bem vindos a cidade, e não teremos drogas nela! — Vão querer nos tirar do mapa! – Liliane; — Vão, pois é mais fácil fazer isto, mas não vamos se preocupar com isto? – Falei; — E como os vamos dar de comer? — Eu remodelo meu mundo, pode ser uma serie de campos plantados e com colheitadeiras automatizadas, isto não é problema! Paula me olhou e falou; — Sabe que gastara muita energia para isto? 305

— Sei? — Sabe, quer me deixar, é isto? — Não, mas não os deixarei morrer de fome, estamos em meio a um planeta lotado de vida, então vamos definir espaços, criar peixe, camarão, mariscos, podemos ter uma grande produção disto, e se alguém reclamar que estamos aqui, andamos para outro lugar! — Sabe que ninguém vai nos querer por perto? — Na verdade não sei! – Paula me olhou serio, ela sabia que estava escondendo algo, e vi uma serie de aero veículos chegarem perto, eu baixei as seguranças e Paula me olhou, e tomei a forma de Joaquim Cezar e Rose sabia que vinham políticos e não estava a fim de os receber, mas sabia que teria de os iludir; Vi Moreira vir a frente, com o prefeito de 3 grandes cidades, ao lado de um senhor que não conhecia, o presidente, ao fundo vinha Call e o chefe da segurança, então sabia que provavelmente não teria acordo; Paula havia sumido, e a vi surgir no ultimo veiculo com Peter, e ouvi; — Alguém pode me explicar o que esta acontecendo? – Falei; — Joaquim, o prefeito quer conversar com você! – Moreira; — Pode falar prefeito! — Mas quem tem aqui é de confiança? — Liliane Canvas, minha deusa, Rose e as meninas multi presença, uma leva de pouco mais de 200 mil Fanes, ninguém que não possa ouvir! O prefeito olhou em volta, e Call observou, o rapaz não era um qualquer, estava cercado dos inimigos de outra hora, e aliados também, e Paula veio a frente e falou; — Eles querem saber o que pretende, pois lhes oferece um projeto e abandona como se estivesse fugindo ou armando! 306

— Na verdade tudo que vêem aqui, é 1 por cento do que pretendia implantar nos próximos 50 anos, mas não sou de ver covardes matando crianças, com proteção de imortais que se omitem ou assinam embaixo! – Olhei para Call e falei – Quando falei que estávamos em rota de extinção, em números, não foi para você descer nos submundos e matar mais 3 ou 4 milhões de pessoas – olhei para o chefe de segurança – Não era para ver covardes de sorte se fazendo grande coisa, se tirar sua identificação, nem cheirar melhor que eles você cheira, pois eles não cheiram a covarde — olhei para Peter – e quando falei em reerguer as coisas, era pensando em futuro, mas parece que quer apenas os imortais, e de preferências seus filhos no comando — olhei para Paula e falei – e não sei o que sentira quando olhar João de volta! — Não sou covarde! Não me dei trabalho em responder e o prefeito falou; — Desculpe, a culpa foi minha, autorizei a operação, mas o que são 10 mil mortes, um peso a menos, tem de ver que não temos como administras os demais! Olhei para ele e falei; — Lhe disse que iria os transformar em trabalhadores, mas não era o que queriam, mas não sei o que fazem aqui? O presidente veio a frente e falou; — Senhor, não nos conhecemos, mas não pode apenas tirar investimentos de nosso país, criou um grande investimento de outros em um caminho que desistiu, ou retorna alguns investimentos ou terá de arcar com as multas, referente a isto! — Presidente, acaba de assinar em baixo do meu não retorno, não sai de lá por não achar um bom mercado, mas por achar que me enganei com o investimento, não pode me obrigar a manter um investimento, não existe lei internacional que possa me processar, pode tentar, mas não vai ganhar nada, e pagara as custas, mas tenho ainda uma divida com Moreira, 307

mas a parte que acordei com ele e com o prefeito do Rio, será entregue, eu arco com meus compromissos, mas não manterei investimentos em um país em crise social, pois quando as pessoas deixam de ser humanas para virarem animais, é uma crise social e de personalidade! — Esta nos chamando de animal? Olhei a menina brincando ao parque ao fundo e falei; — Esta vendo aquela menina Presidente, linda menina correndo feliz pela primeira vez a luz do dia, era isto que os seguranças caçavam nos submundos, e não acho que alguém que mate com uma metralhadora uma criança daquela, nem quem assina a ordem ou quem faz vistas grossas, seja mais que um animal, se tem uma coisa, que sei é identificar problemas, já havia apontado ao prefeito que não aceitaria um caso destes, ele me aponta com milhares de casos como sendo natural! — Mas elas nem deveriam ter nascido! — Mas estas que não deveriam ter nascido, são a esperança que em 100 anos, tenhamos humanos na face deste planeta, pois Call – olhei para ele – Seu medicamento esta transformando os demais em estéreis, e o índice de assexuados que nasce já esta em 12%, mas nem estão ai para isto – Olhei para Peter – Outra coisa, magia não existe, assim como Don, é a mesma coisa, se não sabe disto, não entende de energia – olhei o prefeito – se para você 10 mil mortes não é nada, João disse que vai derrubar amanha todas as sedes dos seguranças da sua cidade, e não disse nada, vocês que se virem com o que criam, Brasileiro como vocês! Os demais se olharam, e Paula olha para mim e pergunta; — Como pode afirmar que ele saiu, se não o sinto? — Dizem que o pai sente o filho! Os demais se calaram, Call me olhou e perguntou meio sem medir as palavras; — Era dele que falava, alguém que estava aprendendo, mas ele esta fora de controle! 308

— Ele assim como vocês, ou acha que alguém além do chefe da segurança sabe o que faz entre as 19 e as 24 horas todo dia? — Do que ele esta falando? – Pergunta o prefeito; — Pergunta para Call, para Peter Carson, para os Imortais, o que faz vocês ficarem fora do ar por 5 horas todo dia, e pergunta também por que ele não vai lhe levar mais aos 260 anos como falamos ontem, é um covarde, escondido atrás de uma imortalidade que não merece! — Esta me ofendendo, rapaz! – Call; — Achei que seriamos amigos, mas não vi isto, vi alguém incapaz de amar, vocês se perderam e pior, fizeram de tudo para estar como os bonzinhos, mas esqueceram de que a vida é o que se faz todo dia! Senti a praga vindo de Peter e olhei os braços endurecendo e Call olhou para Peter e sorriu e quando tudo estava quase estático, Rose olhando assustada para Peter, Paula falou; — Por que isto irmão? — Ele esta fora do controle, tomamos as cidades e reassumimos tudo! — Não respondeu! — Você esta interessada nele, não esta na cara, vai o defender? — Sim, esqueceu que estava lá, que estes ai autorizaram matar aquela menina, que fui eu que a trouxe a vida! — Mas como o presidente falou, não deveria ter nascido! — Não falou isto irmão! — Desculpe, mas sempre estive a apoiar a idéia de Call, apenas não acho que eles realmente mereçam uma chance, olha em volta Paula, eles acham certo matar uns aos outros, eles nem estão ai se algo assim afundar, só pensam no dinheiro que vão gastar, não entendeu isto? 309

O prefeito olhou assustado e olhou Call; — Esta a falar que ele sempre apoiou o que? — Prefeito, tudo isto é uma ilusão, este lugar não existe, esta a imaginar, não deveria ter se dopado tanto! Call olhou em volta e os políticos sumiram, os imaginei em seus gabinetes, mas ele olha para Peter e fala; — Mas acha que aquele João não vai dar problema? — Call, eles se matam desde que eles lhe forçaram a tomar o caminho de controle, eles resolveram por isto, mas tenho de concordar que os Fanes não escolheram este caminho! Eu estava estático, mas via e ouvia tudo, e Liliane olha incrédula para Peter e fala; — Esta falando em matar todos eles, mas por que? — Não serei eu que os matarei, Liliane, eles se matam desde que se entendem por gente, eles não estão preocupados com isto! — Mas não acredito que seja a favor? – Paula; — Ele lhe encantou mesmo! Paula sorriu e falou; — Você acha mesmo que ganham o que com isto? — Mantemos os controles, eles estão se extinguindo, e nem se preocupam com isto! O sorriso de Paula deixou Peter em alerta e olhando para ela viu a imagem dela falando com João, e perguntou; — Quando falou com aquele João? — Hoje ainda! — Não lhe entendo? — Peter, acha mesmo que tudo isto foi criado como? Peter olha em volta e não sabia, se tinha uma coisa que não deixava rastro de magia era o carbono e olhou para ela, eu sorria por dentro; — Não tem sinal de magia e nem dom! 310

Rose riu, e Call olhou a menina e perguntou; — O que fazem aqui? — Somos... digamos fadas madrinha de João Moreira! — Então isto foi feito por vocês? – Peter; — Não, lembra da frase que Joaquim falou, se você não sabe que magia e dom não existe, não entende nada de energias irmão! – Rose; — Esta a dizer que ele criou isto, João, com energia! Rose riu e não resisti, me estiquei dentro da estatua e Peter me olhou enquanto a estatua se desfazia em pedaços ao chão, praga em que Peter tivera preso por mais de 10 anos, Call também me olhou e olhei para Paula e falei em sua mente, pois sabia que Peter ouvia; ―Este seu irmão é pior do que pensei, fez comigo o que disse que nunca faria, para Liliane!‖ Liliane sorriu e olhou para Peter e Rose olhou para ele também, julgar era fácil; — O que você é? – Call; Tomei a forma de Pedro e olhei para Call e falei; — Me chamam de Xi! Vi no rosto de Peter e Call que estava sendo convincente, e Peter gaguejou; — Mas por que pai? — Tinha de garantir a vida, e o que estão fazendo, esta mesmo na hora de recriar vocês, todos fora de controle, tenho de melhorar as matrizes pois no lugar de melhorarem e procurarem melhorar, trazer mais a luz, estão querendo o fim de uma criação que foi sua! — Mas não lembro? — Então deveria fazer como os sábios, antes de ter ciência, não sair matando ou exterminando, mas não, o poder subiu a cabeça! 311

Me tornei translúcido, e Paula fechou os olhos, mas não brilhei, apenas viram tudo em volta sumir e eles desabaram na água, estavam em meio ao oceano, e Peter olha para Paula e pergunta, em meio a água; — Sabia que ele era Xi? — Pedro, sim sabia, já havia falado isto! — Não se faça de boba irmã? Era estranho ela me mostrar isto, geralmente ela bloqueava, mas quando a cidade ressurgiu inteira em outro ponto, Liliane me olhava e perguntou; — Não entendi? — Nem eu ao total, achava que viriam negociar, e não vieram! — Como assim? — Liliane, sente o que aconteceu aqui? Liliane recua com o dom dos Felinos e fala; — Estranho, é como se os políticos não estivessem aqui! — E não estavam, eram todos imagens criadas por Peter, então não discuti com mais que Call e Peter! — Mas o que eles queriam com isto? — O que querem, quer dizer? — Sim! — Tenho minhas desconfianças, mas vou verificar! — Por que não fala? — Se tivesse certeza do lado de cada um falaria, mas ainda não sei Liliane, vocês são irmãos em espírito, eu um farsante, pois não sou Xi! Passei a Rose o que ela podia me ajudar a abri uma porta, para o escritório do Prefeito e este se assusta com a minha aparição; — Joaquim Cezar, por que esta nos deixando? — Preciso saber a posição real, Prefeito! 312

— Qual a duvida! — Call e Peter me induziram a acreditar que o senhor era o responsável pela ordem de matar aquelas crianças! — Mas sabe que não mando na segurança, peço, não ordeno! Mas os políticos estão pedindo o afastamento do atual chefe, mas isto pode demorar! — Não fale para ninguém, mas ainda não desisti da cidade! O prefeito sorriu e sai pela mesma porta que entrei, apareci na cobertura de Moreira e ele se assusta; — Pensei que não teríamos mais os acordos! — Não pretendo abandonar os acordos Moreira, mas precisava lhe falar pessoalmente que não confio nem em Call e nem Peter, e mesmo que eles afirmem que não entregarei, verá a cidade ao mar, 6 dias antes, certo! — Mas pareciam interessados, até queriam participar! — Os dois nunca brigaram Moreira! — Tem certeza disto? — Tenho, mas não posso ficar muito tempo, eu entro em contato! Sumi por uma porta, e me deparei a frente de Pedro na forma de João e ele me olhou assustado, Dani me abraça e falo; — Pedro, não tenho nada contra você, mas Peter sabe quem é você, se cuida! — Como ele saberia? — A ligação dele por Paula esta crescendo, ele manipula ela para achar que não era você, mesmo tudo mostrando o contrario, ele a quer, mas não precisa acreditar em mim, mas levanta as proteções, ele amaldiçoou pelas costas aquele rapaz que esteve aqui estes dias, Joaquim! — Pelas costas? – Perguntou Dani; — Sim, ele não mente, mas pode fazer mal da mesma forma, ou de formas mais cruéis! 313

Senti os dois surgirem as minhas costas e ouvi Peter falar; — O que faz aqui? Olhei com calma para ele e falei; — Vim ver 4 pessoas, mas não você, Peter Carson! Olhei para Paula e falei; — Preciso lhe falar! — Fale! — Queria dizer que menti para você e pedir desculpas! — Mentiu? – Paula; — Sim, mas não foi para lhe magoar, mas não acreditei em Xi quando ele disse que Peter estava mentindo! — Do que estão falando? – Peter; — Mas ele não mente! — Não precisa mentir com palavras Paula, ele sempre disse com cara de arrependimento que ainda tinha Call como amigo, e todos nós pensamos que estivessem brigado, sempre falou com saudades de Kátia, mesmo tendo saído do quarto dela há segundos! — Quem é você para vir a minha casa me desmoralizar! – Peter; Estalei um dedo e voltamos todos ao teto do edifício, e olhei para ele e falei; — Se mora no teto vazio de um prédio, sinal que não tem nada! — Mas por que não falou que tinha voltado antes? – Paula; — Por que Xi a ama, e não podia me por diante de um amor maior que o meu! — Mas eu te amo! Olhei serio para Paula, as palavras foram nada pensadas;

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— Paula, eu também lhe amo, mas assim como eu, Peter e Pedro lhe amam, Paulo também a ama, não posso ficar em meio a isto! — Mas não pode me deixar agora que sei que errei antes! – Paula; — Mas não tenho como ficar, sabe que eles me mandam para lá de novo! — Mas ... – Alguém bateu a porta e vi os seguranças a entrar pela porta e me jogar ao chão, ela olhou para eles e falou – Larguem ele! Os seguranças olharam assustados; — Não Paula, sabe que tenho de voltar lá! — Mas se não sair mais? — Você esta aqui, é o que importa! Os seguranças me levaram pela porta e desliguei meu corpo das dores, enquanto era espancado novamente, e vi pelos olhos de Paula Peter perguntar; — O que ele quis dizer com tem de voltar lá! — Ele não é Xi, ele é um criador, como você, Peter! — Mas como um criador? — Nada, não entenderia! – Ela olhou Pedro e se abaixou aos olhos dele e falou – Sabe que lhe amo, por que não me deixa lhe amar! Vi Pedro perder as palavras, e Dani o cutucar; — Vim na forma errada! — Nada que a imortalidade não conserte, Xi! — Mas pensei que me odiava? — Pensei amar uma pessoa, mas vi que seguirem caminhos determinados é fácil, quando se perde o caminho, que se descobre quem é quem, Liliane mais humana, Peter mais carrasco, estranho como se as pessoas não fossem nada sem a livre escolha Pedro! — Sabe que tenho de aprender muito ainda! 315

— Quero dividir com você, mas preciso ter alguém ao meu lado! — Mas e Peter? — Ele é sua criação mais perfeita, pensei em conquistar a sua criação mais perfeita, mas não quero ele mais que você! — E este João? — Um bom rapaz, mas quando ele voltar falamos! — Acha que ele voltara? — Esta sua criação sempre volta Pedro, mas ainda não olhou direito para ele! — Minha criação? — Sim, criação sua, mas nunca havia vindo ao mundo em parto normal, sempre Dani o trazia! Peter ouvia a historia e perguntou; — Não querendo me meter neste encontro de família, mas não entendi nada! — Depois lhe explico Peter! – Paula; — De quem esta falando? – Pedro; — Xi, quando passava de um terço da criação, sempre mandava um ser para se divertir, para aliviar a tensão, o que sempre me gerou a vontade de vir, lembra disto! — Mas não estou lá para o ter mandado! — Você não veio, mas sabe que a existência se repete, e quando você não estava disponível para cumprir meu desígnio, ele veio a existência, com seu charme, seus poderes, seus intuitos suicida e encantador, não me culpe por lhe amar duplamente Pedro! — Esta a dizer que ele é Xiuhtecuhtli? — Sim, sabe que aconteceria, é só pensar direito! Dani olha para Paula e fala; — Faz sentido, mas por que ele quer ir a não existência de novo? 316

— Ele sabe que Peter se bate na não existência, e lá não existe tempo, ele tem no mínimo duas passagem por lá, a primeira ele já fez, mas ainda tem de ajudar Peter a me tirar de lá, em algo que para mim é distante, mas para a não existência, não existe tempo, é tudo no mesmo segundo! Peter olha para Paula e fala algo, mas sou trazido a minha realidade por mais um chute, e uma dor grande no estomago, não queria reagir, mas agora seriam poucos mais; Mais uma vez mandado a Brasília e jogado novamente na porta de não existência, e me deparei com o silencio e meus pensamentos, mais nada, até os pensamentos de Paula se perderam, primeiro sem carne, a dor sumiu, olhei em volta e pensei em o que fazer, não sabia se aquilo era real, mas ela me deu o caminho, desta vez foi para mim, Pedro pode pensar que era uma explicação para ele, mas não, era para mim, e concentrei-me, olhei Paula e vi ela como uma criança a minha frente, 10 anos, cheguei perto e lhe dei a mão, ela não me via, mas como não havia ido na memória dela, podia ser eu mesmo, Xi, ou algo parecido com Xi, e ouvi ela em meu pensamento; — Sabe que não lhe quero mal, mas preciso viver um pouco, você sempre se diverte e eu? – Estranhei, ela não deveria me reconhecer em forma alguma. — Eu te amo, Xo! Ela sorriu e a inverti e ela viu Peter vir a ela, e a abraçar, e apenas vi ele a olhar, ela olhar para traz, não me viu mais, e os dois meio perdidos, estavam a tentar juntar as energias, ela me olha e pensa; ―Não vai me ajudar?‖ ―A porta, Xo!‖ Ela olhou para a porta e Peter acompanhou o olhar dela, ela vinha a eles, e quando passou próximo a eles, se agarraram e vi ela atravessar a porta, com Peter, o menino gostava dela, pois arriscou a própria existência, mas não era isto que me importava, ela estava bem, olhei em volta e vi seres jogados a 317

não existência, Magda, Marise, e outros seres em não existência, nem falar entre eles, não havia comunicação para seres normais, as abracei em uma não existência e a moça me olhou e perguntou; ―Quem é você?‖ ―Magda, vim apenas a tirar daqui!‖ ―Sabe quem sou?‖ ―Você, Marise, e alguns olhos familiares‖ — vi um sorriso que me deixou a duvida de tudo que sentia, pois ali estavam Mari, Sharon, Cati, Sheila, Kátia, Ketlen, e algumas pessoas que não conhecia, mas que pela feição imaginei quem eram, pensei mais um tempo, e quando Ketlen veio a mim e perguntou; ―Sabe quem somos?‖ ―Ketlen, um clone com sua imagem me enganou direitinho!‖ Vocês não imaginam quantas duvidas são capazes de passar em minha mente em uma eternidade de segundos, fui unindo forças e quando tinha uma leva de mais de mil pessoas, envolta, a moça voltou e perguntou; ―Sabe quem nos prendeu aqui?‖ ―Você sabe?‖ – Perguntei; ―Não, nem lembro de ter vindo, lembro de uma festa, e de nada mais!‖ Olhei todas e falei; ―Queria que se pudessem me ouvir, é importante!‖ Vi elas chegarem perto, todas moças ou adolescentes, e falei; ―Quando sairmos, o tempo estará parado, mas assim que entrar lá, abrirei uma porta e passaremos para um local distante de lá, mas antes de podermos nos preparar, quem lhes pôs aqui, estará lá para nos confundir, peço apenas uma coisa!‖ ―Fala rapaz!‖ – Cati; 318

―Não acreditem em tudo que virem, o mundo lá fora para alguns é bem diferente de quando entraram!‖ ―Em que ano retornaremos?‖ – Sharon; ―2435!‖ Sharon me olhou e falou; ―Mas ninguém deu por nossa falta?‖ ―Alguém se passa por cada uma de vocês lá, não sei quantas pessoas estão envolvidas, mas para cada uma aqui, tem alguém lá!‖ Olhei ao fundo e vi um casal se aproximando e vi os dois ainda se mantinha juntos, mesmo na não existência, isto que era amor, não sabia quem era, mas todos me seguiram, e quando saímos com tudo parado, abri uma porta para a cidade flutuante e obvio que quando Magda se deu de cara com ela mesmo, foi um choque, e quando outras pessoas, como Ketlen também se depararam com isto, alguém sabia que as coisas não saíram como ela pensava, e ouvi em minha mente; ―Temos de falar!‖ ―Temos mesmo, apareça!‖ As moças estavam em meio ao oceano e Cati pergunta; — Onde estamos? — Em meio ao Atlântico, não sei em que ano você sumiu? — Pietra era uma criança de 6 anos! Olhei Pietra, ainda uma criança, ausência de tempo os fez saírem como entraram, mas era muito complicado; — Ela nem sabe que você sumiu, mas vai ser estranho! — Mas Peter não identificou que não era eu? — Não sei como isto aconteceu, moça, eu tenho 17 anos, isto foi a mais de 400 anos! — Mas por que tem cidades flutuantes? – Sharon; — Por que não temos mais pólos, cidades como Comptche sumiram a 200 anos! 319

Rose chega perto e fala; — Esta a dizer que todas elas estavam na não existência? Liliane vê alguns clones sumirem ao ar, os de Magda, de Ketlen, os de Marise e entendeu que muito do que viam, era uma farsa, e viram Paula surgir no local e olhar para João; — Precisamos falar, João! — Já falamos! Terminei de apresentar o pessoal e Paula me olhou; — Eu acredito no que falei antes, que lhe amo! — Mas as deixaria lá? — Eu gosto do que sou, bem ao estilo que Pedro gostava! — Mas mentiu para ele sobre quem eu sou! — Não é mentira, pode ser que seja mesmo isto! — Paula, eu nunca existi, pode ser que este ser que falou existiu, mas não sou eu, pois ele era Pedro, então sou alguém independente, mas é real que tenho muito conhecimento, mas acredito ser algo diferente! — Não vai me condenar pelo que fiz? — Não, mas terei de apresentar algumas pessoas, pois Ketlen ainda é uma criança, já que lá não tem tempo! — Como pode trazer tantos de volta! Pela primeira vez vi o casal e o rapaz chegou a mim e falou; — Qual o seu nome rapaz! — João Moreira, mas não estou em minha aparência! — Obrigado, mas como pode o mundo ter mudado, como fomos parar na não existência! — Não sei, vocês devem ter descoberto algo terrível, mas informo que alguém se passou por vocês estes anos inteiros! A moça olhou para mim e perguntou; — Mas por que alguém faria isto?

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— Para Peter Carson não perceber, para que mais, o que todos estes que vieram tem em comum! O rapaz olhou o grupo e falou; — Seremos gratos eternamente! Meu nome é Paul! — Não me agradeçam, perderam a parte mais cruel do ser humano! — Muitas guerras? — Muitas! Entendi quem eram e depois afastei Paula e perguntei; — Por que tudo isto, Paula? — Ela amavam ele, apenas queria me sentir amada! — Isto é crueldade! — Vai deixar de me amar João? A peguei pela cintura e falei; — Acha que vou deixar você por ai, mas se fizer isto com alguém perto, sinceramente, lhe deixo lá e não volto para buscar! — Não teria coragem! — Não me conhece, sou um Moreira, esqueceu, fazemos e depois sofremos pelo que fizemos! — Mas por que me condena, estava a querer me sentir viva! — Se para sentir-se viva, tem de tirar a vida dos demais, não sabe ainda o que é viver Paula! Ela me beijou e quando abriu os olhos, estava em meu mundo, e me viu sumir de sua frente, e muitos clones sumiram no mundo, queria saber quem ela havia alterado, e olhei Caterine, e falei; — Me acompanha? Ela balançou a cabeça afirmativamente e surgimos a frente de Peter e ele estranha Cati ao meu lado, e falou; — O que fazem juntos? 321

— Vim conversar, mas não tenho o dia inteiro, Peter! — O que fazem juntos? — Acabo de tirar sua amada da não existência, mas não tenho nada haver com isto, ela estava lá a mais de 400 anos! — Mas quem estava aqui! — Tem uma chance para saber Peter! Sumi deixando Cati olhando Peter, não quero nem saber o que aconteceu, mas fiz o mesmo com Sharon diante de Ahau, com Kátia e Ketlen diante de Call, cada uma delas retornei aos mundos onde deveriam estar, e olhei em volta e Magda e Marise, e as duas falaram; — Não entendemos, alguém se passou por nós este tempo inteiro? — Sim, me enganou direitinho em alguns casos! — Mas como lhe agradecemos o que fez? Olhei com malicia as duas e pensei, o que seria daquele mundo sem estas pessoas, e olhei para Rose, e pensei alto e ela falou; — Realmente, talvez eu tenha tido sua única experiência fora Paula! Ri, e as duas sorriram, estavam a maliciar e falei; — Ela me encanta, fazer o que! — Sabe que teremos represália? — Levanta na forma de dons a proteção Rose, pois não é para saber se ela vai atacar, mas se ela esta presente! — Entendi, e vai fazer o que? — Tenho de falar com ela, sabe disto! — Você é tão teimoso quanto Peter! — Se foi um elogio, obrigado! — Não foi! Eu olhei em volta e surgi em frente a Paula que me olhou; 322

— Me prendeu aqui, por quê? — Precisamos conversar, e quero saber se é você mesmo! — Mas o que quer conversar? Sentei e ela viu tudo mudar em volta, meu mundo ficou feio e cheio de irregularidades e sem forma definida, e olhei para ele e falei; — Desta vez não vou abrir, se querem falar com você que esperem! — Mas quer falar sobre o que? Olhei para ela e falei; — Primeiro se desarma, não vim brigar com você Paula! — Mas não esta facilitando! — Quero saber quando for você e não uma enganação! — Mas vai dizer que não foi gostoso? — Foi falso, não importa se na hora for bom, se depois com um ato você acaba com tudo! — Mas pensei que gostava? — Como posso se você estava com Peter também a cama, em varias versões de você, se estava com Call a cama, se estava com Ahau a cama, e quantos outros! — Sentiu ciúmes? — Não, apenas achei que você me amava, e quando os vi na não existência, fiquei na duvida, se realmente ama alguém! — Mas por que, eu sou sua quando com você! — Mas também é quem bem entende, estava a olhar os mundos, e muita coisa em si, mostra que não sei de nada! — Ficou perdido? — Não, eu sei o caminho que não devo seguir, mas queria a ter ao lado, e não sei se você entende o que fez! — Mas elas só atrapalhavam João!

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— Elas tinham suas funções, mas vi que assim como você não confiava em seu irmão, ele não confiava em você! — Ele não confia nem nas meninas dele e nem Call em Kátia! — Vocês acham que um esta enganando o outro, não quero fazer parte disto Paula, me enchi disto, não quero ser diferente, mas como posso aceitar isto? Ela sentou-se ao meu lado e falou; — É uma pena não confiar em mim! – Vi ela brilhar, inverti a retina e fiquei olhando ela pela magia e ela depois de brilhar falou. – Pensei que nunca desconfiaria, mas não posso permitir que continue a saber João! Olhei para ela e sacudi negativamente a cabeça; — Queria só lhe dizer uma coisa Paula! Ela me olhou com indagação; — Queria dizer que lhe amei, como nunca amei nada, mas se acha que a vida é algo que se apaga, não entendeu isto! Eu lhe toquei o braço e surgimos no teto do apartamento sobre o antigo rio Tiete e olhei para ela como se tivesse doido dizer adeus, eu amava aquele ser, por que não sabia, mas sabia que se eu fiz aquilo para me entender com ela, quando ela tentou me apagar a memória, me decepcionou, surgi em meu mundo e uma lagrima me veio ao rosto, autorizei a entrada de quem forçava a entrada e vi Peter surgir a minha frente e perguntar; — Onde ela esta? — Vai com calma Peter, ela fez isto por você, não por mim! — Mas ela me usou? — Peter, ela acabou de tentar apagar minha memória, então não posso lhe ajudar, ela me quer fora disto! — Você gosta dela?

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— É difícil afastar-me, mas não tenho como ficar por perto! Olhei para fora e o mar azul surgiu, ao fundo e vi a grande cidade se materializar lá e Peter olhou e falou; — Vai os proteger? — Tem gente Peter, como seu amigo Paul, que jamais se desconfiaria, ela não mediu forças para ter você aos braços, mas se você omitiu dela parte, para ela é como se não confiasse nem nas suas meninas, então ela sentiu-se duplamente traída, mas se puder me deixar com os meus, não sei o que faremos ainda! Vi Peter sumir da minha frente e muitas lágrimas vieram ao olho, e não sabia o que sentir, não era fácil não amar aquela menina;

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Comptche
Haviam se passado três meses que havia isolado parte do pessoal em meu mundo e as coisas estavam a se ajeitar, com a ajuda de Rose, e algumas moças, estávamos sempre cercados de Dons, pois sabíamos quando falhava que alguém com magia se aproximava, estava eu a colher a plantação de milho em um grande vale, quando senti a distorção da realidade e vi surgir um rapaz a minha frente, não conhecia, mas ele me olhou e perguntou; — Deve ser João Moreira? — Sim, quem vem de Azul? — Meu nome é Paco, e preciso lhe falar! — Algo de meu interesse? — Tudo indica que Paula vai sair do controle! — Peter não resolve? — Os dois brigaram há dois meses, ele não fala os motivos, mas para ter idéia, os oceanos recuaram 20 cm nos últimos 2 meses! — E o que precisa falar, Paco? — Me disseram que você gostava dela, e precisava de alguém que interviesse, todos que pedi para falar com ela voltaram sem memória! — Bem típico, mas ela esta onde? — Conhece Comptche? — Que saiba estaria a mais de 100 metros abaixo da água! — A cidade flutuante de Comptche? — E onde esta Peter? — No Rio de Janeiro, parece que algumas coisas saíram do controle! — Imaginei, mas por que eu? 327

— Peter me indicou você, quer dizer ele me indicou um menino chamado Pedro, mas não o acho? — Peter não sabe de Pedro? — Não, ele disse que poderia ajudar! Fiz sinal para a outra maquina e Patrícia me olha e fala; — Problemas? — Patrícia, vou ao Rio de Janeiro, fala para o pessoal que se não voltar em 10 dias, fazerem eleições novas e se prepararem para luta! — Acha que ela nos desafiaria? — Acho que não, mas assim elas acham que vão ter função, os Fanes gostam disto! Olhei para o rapaz e perguntei; — Você o que faz? — Musico, mas sou um Mago! — Um Mago, a muito não ouso isto, desde o tempo que jogava! Paco sorriu, era um jogo infantil do inicio da década, abri uma passagem e me deparamos com o Rio de Janeiro a frente e surgimos a porta de Joaquim Moreira, e ele me olhou desconfiado; — Voltou? — O que esta acontecendo Moreira? — Ela esta triste, algo ela fez que não consegue reverter! — Você nem queira saber o que ela fez Moreira, e pior, ela não se arrepende de nada! — Aquele menino no primeiro mês estava sempre com ela, depois ele sumiu, Dani sumiu na semana que você desapareceu! — Talvez esteja no meu destino mesmo, mas onde esta Peter? — Ele não vai querer falar com você! — Ele me culpa pelo que, ter sobrevivido? 328

— Não, ele acha ainda que você é Xi! Paco me olhou desconfiado e perguntou; — Você é Xi? — Não, Pedro é Xi, mas ele não mudou em nada, ela deve ter tentando o acalmar, mas ele não tinha calma, e deve estar na forma de um dos anjos! — Do que esta falando? — Xi, sempre vinha a terra se divertir, mas ele sempre usou as formas mais normais, qualquer dos nove anjos mais famosos ele usava, mas esta é uma historia que ainda estou aprendendo! — Esta a dizer que ela esta aprontando? — Tenho quase certeza, sabe quando alguém pensa em desfazer algo e vai pelo caminho mais difícil? — Como assim? — Sabe como se desfaz uma magia de rosas? – Perguntei para Moreira, ele sacudiu negativamente e Paco falou; — Jogando sal grosso nas raízes da roseira, ela seca e o feitiço se desfaz! — Mas se você tiver um pacto que somente pode ser desfeito, destruindo um mundo como o de Peter? — Teria de criar guerras! – Paco; — Acho que tudo isto ainda é referente ao amor de Peter por Caterine! — Acha que o problema esta no passado? — A roseira de Sheila, morreu com 100 metros de água salgada Paco! Paco me olhou assustado e perguntou; — Como você sabe destas coisas? – Estranhei a pergunta e me pus em alerta; — Dizem que sou uma encarnação das coisas que Xi poderia fazer, mas não acredito nisto! — Mas absorve a verdade? 329

— Somente longe de Paula, perto ela me engana, ela me atrai e distorce a realidade, é o meu entorpecente! — Mas.. — Preciso falar com Peter, alguém me leva lá, ainda sou inimigo numero um da cidade! — Eu levo! – Moreira; Saímos ao Aeroporto e pegamos um veículo e saímos em direção ao norte, senti as proteções de magia atravessarem a gente e vi o veiculo perder propulsão e descer mais a frente e Moreira falar; — Temos de caminhar um pouco! Caminhamos mais de duas horas por uma avenida, tudo abandonado, nada funcionava, quando Moreira olhou a frente e viu Peter nos olhando, cheguei perto e falei; — Precisamos falar! — Sobre o que? — Peter, não seja criança e mimado, não lhe cai bem! — Certo, entrem! Olhei para Caterine e ela me cumprimentou e perguntou; — Qual o problema? — Ainda não sei, se todos cruzam os braços e alguém me bate a porta, apareço, mas quero saber se o problema é real ou apenas uma distração! Peter me olhou e perguntou; — O que quer dizer? — Peter, não sou um inimigo, vocês é que se perderam e demorei para entender onde! — Mas fez estragos! — Não fiz nada comparado ao que fez Peter, temos 200 metros de mar salgado a matar um amor que dura mais de 11 existências entre você, Cati e Sheila, e acha que foi acaso? — Mas não tive saída, sabe disto! 330

— Peter, Guto Rocha, era uma das personalidades de Paula! — Esta a dizer que ela queria isto? — Como falava para Paco, ela esta tentando ainda, minha pergunta é uma só! — Qual? — Já defendeu seu amor plantando uma muda onde Paula não soubesse? — Acha que ela vai tentar matar todas as rosas? — Não sei como vocês fazem, mas senti as energias, o planeta esta meio grau acima da media, não deveria estar com um oceano 20 cm mais baixo! — Acha que ela vai fazer o que? — Se proteger as mudas, deixa ela fazer, entra no jogo, parece que todos deixaram de pensar, qual o peso desta aliança com ela para você Peter! — Ela me enganou, ela tomou a ligação de Katia e como recebia pelo mesmo canal, não notei, Katia me odeia agora! — Ela não lhe odeia e sabe disto ou não sabe? — Mas por que esta aqui? — Por que esta se escondendo do problema e não enfrentando! — Mas o que posso fazer? — Para pra pensar Peter, o que ela fez, ela vai fazer de volta, ela enganou Xi, ela é boba mesmo, acha que a não existência prende ele, mas ele é irracional, vai jogar sua ira sobre você e eu, não sobre seu amor, ela acha que pode com ele, mas vocês não prepararam o futuro, então tem de recomeçar Peter! — Mas se me afastar ela as vai prejudicar de novo! Olhei para Caterine e ela falou; — Ele tem razão Peter, ele pode prejudicar seus filhos, filhas, amores, acha que nos deixamos encantar pela forma que 331

você sempre olhou ela, e isto que nos fez diferente, não nos defendemos dos amigos, e sim dos inimigos! — Outra coisa! – Falei; — O que? – Peter; — Esta sua proteção, protege contra amigos, não contra Paula, Pedro, Dani e seres evoluídos! — Mas sempre funcionou! – Peter; Brilhei e Peter sentiu os dons, magias e energias, olhei nos olhos dele e Paco recuou, era obvio que eu evoluíra e terminei; — Protege os seus, eu vou a Comptche! Peter me olhou e falou; — Vai fazer o que? — Isto saiu do controle há 200 anos Peter, eu não estava aqui, mas pense, Pedro estava, Dani estava, eles não me enganam com este aparente estado de inércia e cuida que tem mais um! — Acha que o menino mais novo também é problema? — Quem é a defesa dos dois, alguém que ninguém olha, se duvidar Xi pode nem ser Pedro! – Falei; Peter me olha e pergunta; — Mas como pode ter todo controle? — Peter Carson, você é existência, energia na matéria, anti-energia na anti-matéria, ine-energia na inexistência, mas em si você é existência, não existe dom, magia e energia existe na forma que você quiser, mas melhor controlar, uma antienergia, como a sua, como a de Paula, destruiria esta galáxia, esta existência! — Esta a dizer que a energia e minha existência estão ligadas a nível acima de tudo? — Acima de tudo, fora Xi e Xo, e os seres acima deles, mas os dois podem adulterar a forma que vemos as coisas, o que acha que são lembranças, o que é o amor, o ódio, ela lhe 332

quer longe agora, se defendendo, não faça isto, seja Peter Carson e mostre que a cria pode superar o criador quando tem vontade! — Mas não posso a destruir! — Não falei em destruir, não existe para Xi e Xo destruir, eles não precisam de energia Peter, eles criam do nada energia, eles não precisam de magia, dom, e não sei por que, mas sei que posso fazer o mesmo, mas me iludo facilmente, então não posso acreditar no caminho que me parece lógico, e este caminhar na falta de lógica que me trouxe até aqui! — Quer dizer que não existe morte para Xi e Xo? — Não, ela o quer por no lugar de Xi, ela tem como o preparar para isto, e Xo quer lhe destruir por isto, acha que ela sabe tudo que faz, não esquece, o ultimo na teoria ter saído da existência é Xi, mas ele ainda pode estar nos guiando por caminhos tortuosos! — E por que você esta aqui, se ele esta no controle? — Peter, você parou de procurar, mas a resposta esta no Eterno, não em Xi e Xo! — Você acredita no Eterno? — Ele existe e você o ouve, mas não o compreendemos facilmente! — Então acha que você foi produzido para gerar duvida? — Sabe que esta é uma das mais poderosas armas do Eterno, então não duvide! — Ou melhor, duvide! – Peter falou; Sorri e Caterine sorriu, os outros dois não entenderam; Eu me toquei de algo e toquei o chão e Peter viu Paco se desfazer no ar, Moreira olhou assustado, olhei em volta e vi uma empregada sumir, e ao longe, duas moças desaparecerem, e Peter me olhou; — O que fez?

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— Esta é uma proteção de energia, sei que Paula não mantém clones e nem impostores nesta forma de energia! — Mas tão próxima? — Precisava que ela soubesse que iria a Comptche, mas não sabia quem era o informante! — Desconfia de todos? — Sim, não sei os métodos de Xi, mas acho que são piores que este, acho que ele reescreveu a historia antes de vir, acho que mandou Pedro e veio após, como o filho mais novo de Dani, que posso estar enganado, mas é usada, ou é um anjo, o que significaria que Pedro, Dani e o menino poderem ser a mesma pessoa! — Mas ele pode ainda estar entre nós? — O que vou falar é maluquice Peter! — Fala! — Não confie em mim! Peter me olha assustado e pergunta; — Por que? — Anjos são formas de vida de Xi, eu posso ser um deles, e não ter ciência disto, mas se for, ele sabe o que sei, não domino tudo, a única coisa que me põem esta duvida, é o ciúmes dos seres próximos a Pedro, da minha pessoa, mas pode ser por ser um anjo mais conhecido, como Xiuhtecuhtli! — O primeiro anjo, mas acha que nem você é confiável? — Estou dizendo que carrego desconfiança até nos meus pensamentos, quando penso em ir a direita, forço o corpo ir a esquerda! — E gera mais resistência! — E as pessoas pensando, podem me odiar, mas Paula me ensinou a imortalidade antes mesmo de me dizer o que achava que eu era, Pedro me esperava, Dani não sabia se eu era Xiuhtecuhtli ou não, então não sei exatamente como agir, mas vou a frente! 334

— Mas como posso fazer algo baseado na energia! — Peter, quando você faz baseado na sua energia, é Don, quando faz baseado na energia da terra, Magia, quando faz baseado na existência, sabe a sentir, é energia! — Esta a dizer que posso fazer naturalmente? — Sim, vi você se bater na primeira criação do universo, você aplicou magia, nada aconteceu, quando coloquei energia, foi atraído para onde eu estava, e daí sim, uma faísca fez um universo! — Você estava lá? — Lembra quando resgatou Paula? — Sim! — Lembra que ela bloqueou os pensamentos e olhou para trás? — Você estava lá? — Me apresentei na forma de Xi, pois ela me reconheceria apenas assim, e quer dizer, aos 10 anos ela sabia que eu era Xi, e sabia o que queria, hoje fica claro que estamos todos ligados, mas repare que fui mandado em dois pontos do passado a partir do futuro, para interferir numa historia de mais de 400 anos, poderia não ter olhado para o lado, mas este livre arbítrio parece algo do Eterno! — Então não criei um universo? — Se for lá, tem de confiar na energia, e não na magia, ou Don, Peter! — E como soube? — Isto não sei, se me perguntar o que regeu seus atos, digo que foi algo escrito por Paula, mas o que regeu meus atos, não sei! — E vai a Comptche? — Tenho de tentar falar com ela! — Sabe que ela apaga memórias? 335

— Peter, amor pode se ocultar na memória, mas não se apaga! Olhei para Moreira e perguntei; — Me daria uma carona para Comptche? — Não quer fazer uma porta? – Peter; — Não, quero dar tempo para ela pensar, ações requerem reação pensada e não no susto! Moreira me olhou e depois para Peter, despedimo-nos e sai pela avenida, andamos a pé e Moreira perguntou; — Por que se escondeu, todos querem seus produtos? — As vezes as pessoas tem de querer mudar Moreira! — Acha que eles vão mudar? — Acho que não sabem o que querem, se acostumaram a alguém ordenar e eles fazerem! Andamos, empurramos o veiculo um pouco a frente, Moreira o ligou e contornamos a magia de Peter e fomos a noroeste por um tempo, depois a norte, vi a pequena ilha artificial já ao longe, algumas montanhas mais altas viraram ilhas, e pedimos permissão e deixamos o veiculo no Aeroporto ao sul, olhei aquela pequena cidade, e vi aqueles olhos a frente, Moreira sorriu, mas vendo a feição de Paula, recuou, a segurança da cidade estava ao lado dela, aqueles olhos me faziam perder o rumo, verde, pensei fundo em verde, estava a desviar a cabeça, vi neste momento que nem meus pensamentos estavam puros, não quando olhava aquele olhar, ela me falou a mente; ―O que faz aqui?‖ Sorri e olhei para o alto, um grupo de aeronaves de defesa, esperta, olhei para o ser ao lado dela e falei; — Muc, não somos inimigos! — Sabe quem sou? — Uma criação de Paula, ela às vezes esquece que fez um pacto comigo! 336

Paula me olha e fala; — Não tem olhado nada! — Não o que já sei, como esta? — Triste! — Não a sinto triste! — Veio resgatar aquele chorão? — Quem? — Aquele filho de Dani, o único que não consegui por na não existência, ele distorce com o choro o portal! — Não esta olhando novamente Paula! — Você mentiu para mim? — Não, esquece que não sei, estou aprendendo, não mentindo! — Acha que o menino é especial? — Se fosse, ele entrava e saia de lá, não é! Paula me olhou e falou; — Só você sai de lá, mas não entendo como? — Nem eu, mas esta linda! — Não entendo o que veio fazer? — Trazer seu irmão ao amor Paula, ele esta perdido, e Xi ganha se isto acontecer! — Agora esta do meu lado? — Não, do meu lado! — Não lhe entendo! — Já discutimos isto Paula! Muc me olhou e falei em sua mente; ―Amigo, eu amo sua deusa e ela não sabe o que sente, apenas isto!‖ O ser sorriu e Paula olhou o ser; ―Eu o odeio!‖ Vi o ser reunir os seus e sair dali e falei; — Daí, me ajuda ou continua neste caminho sem saída! 337

— Não entendo por que não tem saída! — Amores não se apagam Paula, pode brilhar, pode interferir, pode matar as rosas, mas o amor não morre! — Sabe o que estou fazendo! Como? — Infantilidade de primeira existência, mas não posso lhe deter! — Por que não pode? — Você quer o amor de todos, mas não sabe amar, as pessoas recebem o que doam, e não o inverso! — Mas amo Peter! — Mente mal até para você Paula, sei que fez de tudo para que ele estivesse do seu lado, mas não podia não lhe recolher de lá, e ao mesmo tempo, não adivinharia o que aconteceu, se não tivesse visto, mas o que posso eu fazer! — Parar de explicar para Peter como me barrar! — Mas o que posso faze, lhe amo! Paula me olhou e falou; — Mas veio apenas conversar? — Preciso ver o menino! — Sabia que tinha algo ai, é seus olhos? — Você não olha mesmo ao lado! – Concentrei no verde, e olhei o mar em volta, e Paula olhou o mar ficar verde de algas marinhas, me olhou e falou; — O que esta fazendo? — Tentando controlar meus pensamentos! — Não entendi! — Já olhou nos olhos de Mino? — Não, por que? — Nem eu, e costumo olhar nos olhos, ler a alma pelos olhos Paula! — O que quer dizer com isto?

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— Você esta matando sua alma Paula, sua alma verde esta morrendo, se perdendo, você fez isto com Peter, aprisionou sem saber por que as almas azuis, algumas negras, mas não entendeu! — Não! — Quase todos nascemos como o mar, livre, em nossas almas azuis, mas nos primeiros dias de vida, primeiras horas, definimos o que seremos, ou alguém define por nós, mas poucos mantém a alma azul, mesmo a verde é difícil, mas as negras que são fortes, pois o que é o negro, se não a soma de todos, ou ausência de alma! — Esta ficando maluco! — Sim, mas por que me queria de volta? Moreira me olhou, não entendeu a pergunta; — Queria você nisto, me abandonou! — Foi difícil lhe ver brilhar com brilho de 90 dias, me apagaria totalmente de sua memória! — E sabia disto? — Quando bloqueou, soube! — E não fez nada além de se afastar? — Gosto de sofrer, mas sabendo por que, não por ignorância! — Sabe que te odeio da forma mais estranha, mas não entendi ainda quem é você! — Já falamos disto, mas não de pé em um Aeroporto! Ela me olhou e perguntou serio para Moreira; — E você, o que faz aqui? Olhei para ela, ela sabia mais que eu, ou algo havia me enganado; ―Sabe que podemos nos enganar, mas não para sempre!‖ ―Não sei, me fala o que me passou desapercebido?‖ Moreira sorriu e vi aquele sorriso antes, era Pedro, estranho, mas sabia que ele estava nisto, mas ela sem querer 339

me deu uma arma e quando pensei nisto ela olhou para mim e perguntou; — Arma? Sorri e o sorriso de Pedro sumiu, ele não ouvia os pensamentos dela, e perguntou também; — Arma? Do que estão falando? Eu bloqueei Paula e ela se irritou e vi que era uma guerra e que Pedro não entendera, mas fazer o que, seres como eu e ele somos iguais, isto era algo que considerei uma arma e olhei para Paula e falei; — Posso falar com Mino? — Por que? — Quer mesmo que volte lá e tire Dani, desnecessário, só preciso falar com ele, não me faça ir lá de novo! Paula sorriu com malicia e falou; — Acha que a coloquei ao alcance? — Se me deixar apenas falar com ele, pode ser que não precise a procurar! — Você esta mentindo, mas não sei por quê? Olhei para Pedro e falei; — Ela é bobinha mesmo, não é? — O que sabe, Xi? — Sei que você, Tlaloc, não me é problema, mas sabe que me divirto com isto! Pedro me olhou com raiva; — Não repita isto, Xi! — Certo Tla! Paula me olhou e perguntou em minha mente; ―Vocês são o mesmo ser?‖ ―Não, somos independentes, mas seguimos o caminho de nosso ser maior, que nem sei se esta presente, ou esta apenas mexendo os palitinhos!‖ 340

―Mas não é Xi?‖ ―Xi, que ele falou é abreviatura, adivinha de que?‖ ―Xiuhtecuhtli?‖ Olhei nos olhos dela, estava jogando e ela estava começando a entender o problema, ela procurava Xi em uma pessoa, mas poderíamos ter ele e mais 9 seres fazendo seu caminho, e 9 deles como eu, sem saber que estavam o fazendo; Sei que a maioria boiou, mas tem a crença antiga dos 9 lordes do mal, ou arcanjos, ou anjos caídos, eles são as 9 faces humanas de Xi, as formas que ele vinha ao mundo, ele mesmo antes da existência se divertia, e estes seres sempre caminharam pelo planeta lhe fazendo as vontades, enquanto Xo, visualizava os caminhos a ponto de os incutir na realidade, Xi gostava de desviar isto, os 9 lordes, ou 9 faces angelicais, eram a forma dele se impor, me coloquei como um anjo caído e olhei para Paula, ela não sabia se estava falando a verdade, pois era um pensamento que nunca lhe veio a mente, embora devesse conhecer Xi melhor que eu, ela estava ainda em sua primeira experiência na matéria, ela mesmo depois de mais de 400 anos, não administrava bem isto e me olhou como se tivesse a traído, e falei; — Sabe que não acredito nesta lagrima Paula, e não espere que lhe chame por um sinônimo de luz, quando deixa a luz ao longe! Ela olhou em volta, o mar estava todo verde, as algas estavam a crescer, e ela não entendeu, estava fazendo o que, por quê? — Você quer mais alguma coisa! — Sim, esquece para que Xi usava os seres como eu? — Para sentir-se vivo! — Mas uma coisa ele não esperava Paula! — O que? ―Vou ter de falar, não entende mesmo?‖ ―Eu tento lhe odiar João!‖ 341

— Paula, sabe que te amo, e a única coisa mais poderosa que a energia, que pode trazer a vida coisas impensadas, o que é? — Esta jogando comigo, me deixou! — Eu lhe deixei? O que queria com minha volta? — Não sabia que você era Xiuhtecuhtli! — Isto muda o que? — Você estava a serviço dele, o tempo inteiro! — Se não entendeu ainda, eu volto dentro de 100 anos! Pedro me olhou e falou; — Não pode continuar se omitindo, você faz parte! — Tla, não entendeu, eu não estou a serviço de Xi, mas ele que se vire sozinho! — Não pode largar o barco! Não respondi e olhei para Paula e falei; — Quando se cansar disto, sabe onde me encontrar! — Mas não entendi! – Paula me olha, não era para entender e sim pensar, estava ali por que, não era por Xi, mas se ela não entendia isto, o que posso fazer, voltar a meu mundo de faz de conta; Vi o pequeno Mino aparecer as costas dela e fixei os olhos nos olhos negros dele, a primeira vez que fiz isto, e ele entendeu que estava livre e Paula olhou para traz e falou aos seguranças; — Tirem ele daqui! Os seguranças tentaram chegar perto, mas não conseguiram, Paula olhava o pequeno pela primeira vez, aqueles olhos negros, as algas abriam um misto de flor ao mar, ninguém estava olhando para o mesmo, mas eu sentia o cheiro da rosa ao ar, e para quem olhava de fora, toda a região foi tomada por um vermelho ao mar, milhares de rosas mutantes tomaram o lugar e Xi falou; — Não pode ter independência, Xiuhtecuhtli! 342

— Então peço o meu fim! Ele me olhou e talvez Paula somente neste momento tenha entendido quem estava ali, ela nunca havia visto Xi em forma humana, ninguém que olhava para ele, lembrava, ou nem se dava ao trabalho de olhar, era o fato dele passar desapercebido, foi quando procurei a pessoa que passou desapercebido ao todo que enxerguei quem era Xi, ele me olhou firme; — Se quer seu fim, que seja feito seu desejo! Paula viu uma lamina de fogo vir do céu sobre mim, e a matéria ficou em pó sobre o chão, e ele me viu em alma e falou ao céu; — Ele quer o fim, por que o poupa! Paula olha para cima, não entendia isto, Xi falava com alguém superior, vi uma luz descer sobre mim, não entendi, iria demorar para entender, mas vi minha carne se refazer, e o menino me olhar e falar; — Não é Xiuhtecuhtli! — Não reconhece nem seus criados, nem seus pedaços Xi? – Falei o encarando; — Não pode ser parte e não aceitar meu desígnio! — Xi, sou independente do seu desígnio! – Paula vê eu lentamente encostar no chão e Moreira ao meu lado some e o menino perde a carne e se mostra em não existência a nossa frente e fala; — Mas se é Xiuhtecuhtli, como pode ser independente do seu criador! — Se as crias são presas ao criador, lhes sobra uma única coisa, Xi, prender minha existência a outro ser, um criado por mim, e assim, viver pela minha cria, você vive por suas crias, vive da vida de Xo, mas a farei livre de você! — Não pode, ela é minha! Olhei para Paula e falei; 343

— Paula Carson, não quero saber o que Xi quer, teria coragem de mudar, de tentar de novo? — Sabe que não lhe amo! — Sei que não sabe amar Paula, não que você ama outro! Xi olha revoltado e vejo uma rajada de raios caírem sobre a cidade, uma leva de seres saiu correndo, e Paula vê sua carne desaparecer, e somente nesta hora entende que ela tinha de escolher, não era eu, era ela que tinha de mudar de caminho, ela olhou o mar depois de minutos, e viu as rosas, Xi olhou nos olhos dela o vermelho, e não o verde, seus olhos foram ao ódio e me olhou; — Você não pode adulterar a alma verde dela? — Você escondeu ela no verde, mas ela nunca teve uma alma verde, sabe disto, ela se encontrou nos espinhos, no vermelho das rosas, somente agora entendi que você redesenhou tudo antes de vir, você a queria odiada, para que lhe amasse, no lugar de entender o que vinha buscar na existência, achou melhor a convencer a nunca mais vir, isto não é amar, é maldade em si, Xi! — Eu a amo, ela não pode amar mais alguém que a mim! — Isto é estranho Xi, ela ama mais a mim, uma pequena fatia de sua existência, do que de você! — Mas ela então ainda esta me amando! — Não, para ela lhe amar, você teria de a ter permitido amar, mas ela não sabe ainda o que é isto, eu não a estou pedindo para me amar, estou pedindo a ela que a me deixe ensinar-lhe o que é amor, pois hoje sei algo que você não sabe o que é! — Eu destruo tudo, mas não vou deixar um ser criado me superar! — Estou esperando, Xi! Paula me olhou e vi ela retomar a carne e Xi olhar revoltado para ela, e falar; — Também vai me desafiar? 344

— Quem é você, para mim, apenas uma criança chorona, não foi como se apresentou a mim? Ele olhou revoltado, ele brilhava a ponto dos demais desviarem o rosto, mas Paula olhou para os Ogros e eles se retiraram, a cidade estava a pegar fogo ao fundo, olhei aos céus e choveu forte sobre a cidade, e Xi me olhou, ele não sabia ainda o que fazer, os olhos de Paula continuavam vermelhos, vivo, olhou para Xi e falou; — Não sou sua, geramos juntos, mas se me quer lá como escrava, esquece! — Coloco outra em seu lugar! — Prefiro uma existência, a eternidade ao lado de quem se faz de compreensivo e não sabe amar! — Acredita que pode mesmo viver em um mundo que criei? Paula me olha assustada, e olhei com calma para ela e olhei em volta, as roseiras subiam pelas laterais da balsa fixando suas raízes nas frestas da grande construção metálica, será que a única pessoa interessada não apareceria, às vezes penso que as pessoas entendem as entrelinhas, mas parecia que novamente teria de estar sozinho nisto; — João, ele pode destruir o universo! — Não enquanto estiver aqui, e se sair agora, ele sabe, perde o direito de intervir, ele esta pensando em como nos ameaçar Paula e não achou um jeito, ele não lhe criou, vocês foram criados pelo mesmo ser, superior a ele, ele não tem certeza de ter outra lhe esperando, ele tem medo, olha nos olhos dele, uma criança ruim! Paula olhou para Xi, estava transfigurado, o cheiro de rosa tomava o local, e vi Peter se materializar as minhas costas e falei; — Pensei que não viria? — Me disse que estaria em Comptche! Paula nos olhou sem entender e falei; 345

— E acha que o que queima ao fundo? Peter olhou o fogo cedendo, os ogros ajudando as pessoas a se proteger, e olhou para Paula e falou; — Achou alguém a altura? Ri, pois ele desta fez nem sabia o que estava acontecendo, mas era verdade, mal com mal se retribui; — Peter, queria lhe apresentar a forma física de Xi! — Falou Paula apontando para o espectro, ainda tinha a sensação de traição vindo dela, mas Peter em meio as rosas, era alguém diferente, seu brilho era diferente, e ouvi Xi falar; — Filho, estes dois querem destruir tudo, não posso deixar! Peter me olhou, e falei; — É verdade, eu quero destruir este mundo inteiro! — Ele esta falando serio, filho ele esta junto com sua mãe, para destruir tudo, ela prefere uma existência de emoção a eternidade ao meu lado! Peter olha para mim, e pergunta; — O que é você, que o confunde assim? Xi me olhou, Paula também, sorri e sem uma resposta exata falei; — Quando descobrir lhe conto! — Filho, ela tentou me jogar na não existência, ele distorceu a verdade, ele foi um dia Xiuhtecuhtli, mas ele se apaixonou por ela, e mudou, ele esta fora de controle! Somente nesta hora entendi que não era Xiuhtecuhtli, as vezes demoramos para perceber, estava a pensar quando Paula sorriu, e Xi olhou para ela e falou; — O que tem de engraçado! — Demorei para pensar, a imortalidade nos tira a rapidez de pensamento Xi, você não sabe como sair da não existência, você não se deixou jogar lá pois não sabia sair! 346

— É obvio que não sei, esqueceu das leis básicas, somente o Eterno sai de lá vivo, Peter fez algo incrível, mas somente o eterno controla a não existência! Peter me olhou, ele entendeu, eu não era o Eterno, sabia disto, mas era alguém com a proteção dele, pois pensei que sair de lá era algo inerente a Xi, mas não era, e ouvi; — Mas não é o Eterno? – Peter; — Não sei quem sou, mas não sou o Eterno! Xi se assustou, e olhou para o filho e falou; — Ele é Xiuhtecuhtli, não se deixe confundir filho! — Por que esta com medo de mim, pai? – Peter olha em volta, um mar de rosas aquáticas, elas estavam tomando a pequena cidade flutuante, e olhando para mim falou – Obrigado pelas rosas! — Sei de onde cada um tira o seu brilho, você é do cheiro da rosa, mas eles não entenderam isto! — Como sabe? — Sinto a magia no cheiro, mas tem de saber uma coisa! — O que? — Xi re-imaginou toda a existência antes de vir, nem Paula e nem você seguiram as cegas, mas seguiram por onde ele os forçou visualizar, ele não quer Xo vivendo, ele se permite 9 existências a cada universo criado, mas não deixa uma para quem diz querer pela eternidade, estranho isto, mas ele não é ruim, apenas acha ter posse sobre a existência, que nem sabe fazer, você descobriu a matéria, ele se apoderou dela, você descobriu a magia, Liliane descobriu o Don, ele se apoderou dele, mas ele ignora o que lhe falei! — Mas como se ele criou tudo? — Peter, ele não criou, você não criou a matéria, você a descobriu, é diferente! Peter me sorri e Paula olha para Xi e fala; — Estes dois as vezes ficam chatos com estes papos! 347

— Eles estão se aliando contra nós Paula! — Xi, eu achando que você era ele, me prendi a ele pela eternidade, na época, ele havia sumido e me isolado, mas uma de minhas existências fez um pacto da orquídea com ele, é diferente da rosa, é um pacto sobre as águas aéreas, sobre a vida solta ao ar, não presa a terra, ele não esta tramando, ele não quer apenas que nosso filho nos odeie! — Mas o que ele ganha com isto? — Ele é um anjo, Xi, um anjo de luz, foi sempre os anjos negros, nesta existência, fui os anjos brancos, mas sabe que existem os anjos de luz, brancos mas sem rosto, ele deve ser um anjo, pois você o sente, mas não o domina, ele sente, e não domina, muitas vezes ele sabe do que acontece enquanto caminha, o caminho dos anjos, Xi! — Não esta com raiva de mim? — Não lhe entendo, você quer tudo, e não me permite nada! — Sou a existência, como quer algo além de mim Xo? — Quero sentir, quero amar, quero algo que não seja a sua forma de sentir, sou apenas possessiva, não sou nada além disto! Peter me viu ouvindo eles e falou; — E como ficamos? — Acha que acabou? — Não? — Seu pai não quer uma existência a sua mãe, ele não esta aqui para facilitar, mas estou aprendendo, não sei o que posso, o que devo, mas sei que não acabou! — Mas ele nem percebeu onde estamos! — Ele esta num mundo que ele acha ser dele, ele ignora o que você se bate a fazer aqui, ele se bate em tentar interagir, ele só vem se divertir e atrapalhar! — Fala como se o conhecesse? 348

— Não conheço, mas esta realidade atual, foi ele que imaginou, não foi o que Paula quis, e sei que fui instrumento mesmo tentando não ser, mas não a podia ignorar, não podia deixar todos lá, seria o fim de tudo, se me entende! — Entendo, mas eles vão se entender? — Acho que não! – Sorri e Paula se aproximou de mim e falou; — Como posso aceitar isto? Eu lhe dei a mão e ela me olhou, seus olhos voltaram ao verde e ela falou; — Mas assim ele me controla? — Não aqui? Paula me olhou e beijou-me, não sei o que os outros dois sentiram, pois não olhei ela nos olhos, era isto que me fazia saber o que ela queria que fizesse, mas me perdia como sendo minhas idéias, ela afastou os lábios e ouvi; — Não pode escolher ele, ele sou eu? — Se fosse você não estava reclamando! – Paula; — Verdade, mas o que pretende, você me fez fazer isto, o que posso fazer, ignorar? — O que sempre fez, não era você que vinha se divertir, se divirta! Peter me olhou e sumiu ao ar, olhei Xi aos olhos e ele falou; — Não é certo, quem é você? — Um Fanes, apenas isto, que Paula ensinou a imortalidade, as magias, Rose os Dons, e que por uma sorte do destino, estava no lugar certo na hora certa! Sorri e Paula me abraçou;

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Continua....

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