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Por outra noção de renascimento - geral - geral - Estadão
0:04 • 15 JANEIRO DE 2014
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Por outra noção de renascimento
30 de outubro de 2010 | 3h 46

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Lorenzo Mammì

O Outono da Idade Média é um livro de escrita tão fluente e evocativa, que é fácil esquecer sua pregnância polêmica. Em parte, a responsabilidade é do próprio Huizinga. Formado em filologia indo-europeia, pertencente a uma geração moldada pelas poéticas simbolistas, chegou à história medieval por vias transversas, mais por gosto e oportunidade do que por formação sistemática. Um tom intuitivo e rapsódico permeia o livro. Não obstante, ou talvez justamente por isso, a obra prima de Huizinga é um texto de referência fundamental, não apenas para entender o período que aborda, mas também como testemunha do clima cultural em que foi escrita. Saiu em 1919, intervindo numa questão candente da historiografia da época: a noção de Renascimento. A esse respeito, Jacob Burckhardt (A Cultura do Renascimento na Itália, 1860) estabelecera um paradigma que começava a ser questionado: para ele, a sociedade italiana dos séculos 14 e 15 produzira os primeiros "homens modernos", caracterizado por individualismo, relação desencantada com a natureza, independência em relação à religião, sentido da história, etc. Parecia uma descrição sólida. Mas, ao descer nos detalhes, embaçava. Todos os traços que Burckhardt indicara como típicos do homem renascentista podiam ser encontrados também em épocas anteriores. Outros aspectos marcantes, como a superstição e o gosto por complicadas alegorias, pareciam traços ainda medievais. O Renascimento seria realmente um fenômeno italiano? Como situar a extraordinária floração artística franco-flamenga, que é do mesmo período? O ponto de partida da obra de Huizinga é justamente essa última interrogação. No ensaio incluído na edição brasileira, Anton van der Lam liga a origem do livro a uma grande exposição de primitivos flamengos, organizada em Bruges em 1902. É por volta dessa data que se começa a discutir a existência de um Renascimento nórdico, autônomo e concorrente em relação ao italiano. Huizinga escolhe o caminho oposto, mais ousado. A questão não seria incluir a cultura franco-flamenga na Renascença, mas mostrar como a Renascença permanecia, no fundo, medieval. A primeira vista, sua posição não é conflitante, e sim complementar à de Burckhardt. O suíço foca sua atenção nas cidades-estados italianas; Huizinga escolhe o Ducado de Borgonha, última floração do feudalismo. Burckhardt acompanha a ascensão de uma nova classe dirigente que é fundamentalmente burguesa, mesmo quando se ornamenta de títulos nobiliários; Huizinga descreve uma aristocracia feudal se fechando paulatinamente em rituais e princípios que perderam sua função originária, e sobrevivem apenas como "jogos" magníficos. O conceito central de Burckhardt é "humanismo"; de Huizinga, "cortesia". Mas a separação não é tão fácil. Visto pela perspectiva de Huizinga, até o
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Não possui a potência sintética de Burckhardt. de Erwin Panofsky. era incompreensível para os italianos da época.vida. que encontrou a morte numa guerra contra os Suíços que nada acrescentaria à riqueza de seu reino.br/noticias/geral. na divisão dos temas e na própria estrutura do texto. há ± um mês Pablo Ortellado recomenda Ministério Público pede suspensão de aulas e obras na USP Leste .estadao.opiniao.Brazil Faria Lima São Paulo Brazil Vacations Iguassu Falls Sao Paulo Por outra noção de renascimento . último duque de Borgonha.br 18.deutzbrasil. era vontade de reconstruir a sociedade inteira. E nesse sentido. LORENZO MAMMÌ É PROFESSOR DE FILOSOFIA NA USP E CRÍTICO DE ARTE E DE MÚSICA Márcio Becker Góis recomenda O neoliberal Bolsa Família .com .com.461 pessoas recomendaram isso. ou ao menos foi colocada em novo patamar. Atrás do outono da Idade Média.Links patrocinados Fios e Cabos Elétricos Ampla linha de produtos para baixa e média tensão. Mas é justamente o ponto de vista de Carlos que Huizinga descreve. É um historiador-esteta.br Anuncie aqui Grupo Estado Copyright © 1995-2014 Todos os direitos reservados Trabalhe Conosco Fale Conosco Termo de Uso Mapa Site Assine O Estado de S. de extraordinária sensibilidade.ipce. há ± 2 meses Pablo Ortellado recomenda Comemorar o quê? .br Motores a Diesel Preços Ótimos Peças e motor originais Deutz. por exemplo.politica. entrevê-se o outono da belle époque. encontra-se também na cavalaria medieval.geral .Estadao. da arte e da cultura.com. qualidade máxima www. com a publicação de Renascimento e Renascimentos na Arte Ocidental.br Opinião São Paulo Brasil Política Internacional Saúde Ciência Educação Planeta Cultura Blogs Tópicos Estadão Digital No celular No Tablet No Facebook RSS Infográficos Fotos TV Estadão Tempo Webmail Isso não é normal Revista Piauí O Estado de S.por-outra-nocao-de-renascimento. O próprio conceito de "estado como obra de arte". central em Burckhardt. Mas toda a historiografia posterior. válido apenas pelas regras arbitrárias que os participantes compartilham.0. Evidentemente. a história das mentalidades da escola dos Annales. há ± 2 meses Gato recebe por sete m eses benefício do Bolsa Fam ília . adquirem a forma de um jogo.com . Temos motores para máquinas e estacionário www.632109. há ± 2 meses Caf Usp recomenda TJ determina desocupação imediata de reitoria da USP vida.br 9. esquecendo o passado recente. uma antevisão do que será. em Huizinga passa a indicar uma estetização da vida. A discussão teve outros protagonistas e reviravoltas. sem modificá-la. na base desse interesse está uma crise de confiança na racionalidade da história.Paulo Portal do Assinante Conheça o jornal Grupo Estado Curso de Jornalismo Responsabilidade Corporativa Nosso Código de Ética Demonstrações Financeiras Portais Limão Território Eldorado ILocal Agência Estado Portal de Fornecedores Publicidade Como anunciar Prêmio de Mídia Cannes http://www. apenas em 1957. lhe deve algo. numa conferência proferida em plena Guerra Mundial.com.htm 2/2 . É nesses momentos que os traços característicos de uma cultura mostrariam com mais clareza seu funcionamento. O gesto de Carlos o Temerário. O próprio Huizinga.economia. aliás. Enem vaza e m inistério anuncia cancelam ento do exam e .Estadão humanismo se torna um jogo cortês.com.politica. a feiura do real. Não é possível ler O outono da Idade Média sem reconhecer. dizia Burckhardt. Mas há outro aspecto do livro de Huizinga que destaca sua relevância histórica e sua atualidade: a valorização dos períodos de decadência como momentos em que as convenções culturais. se encarregou de estabelecer a ligação (mesmo fingindo que não).politica . sobre a importância de modelos semimíticos nas decisões políticas. Para o primeiro.063 pessoas recomendaram isso. se descolando de sua funcionalidade sócio-econômica. mais tarde. adquire outra coloração em Huizinga. há ± um mês Pablo Ortellado recomenda Comissão aprova proposta que dá poder para igrejas questionarem leis no STF . Paulo Classificados: 11 3855 2001 Ache Empregos Estadão. há ± 2 meses Michel Amary recomenda É preciso preservar o Masp . Pode-se dizer que se encerrou. nem a precisão cirúrgica de Panofsky. que encobrisse.geral .15/1/2014 President Lula Rio De Janeiro .educacao Estadao. é claro. Estadão PME .