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EXMO(A). SR(A). DR(A). JUIZ(ÍZA) DE DIREITO DO _____ J.E.C. DA COMARCA DE ARACAJU/SE.

KETRY SILVA GUIMARÃES, brasileira, solteira, funcionária pública, portadora do CPF n. 016316225-52 e CI n. 1.357.859, SSP/SE, residente e domiciliada na Rua José Alves Pereira, n. 87, apto. 04, Farolândia, Aracaju/SE, CEP 49030-460, por conduto de seus bastantes procuradores e advogados signatários, devidamente, constituído e qualificado na cártula mandatária anexa, com endereço profissional na rua Francisco Gumercindo Bessa, 94, Grageru, nesta Capital, onde recebem as intimações deste juízo, vem, respeitosamente ante Vossa Excelência, propor AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS
em face da TIM NORDESTE S.A., pessoa jurídica de direito privado, situada na Av. Ministro Geraldo Barreto Sobral, n. 215, Lojas 51/53, Aracaju/SE, CEP 49026-010, tendo em vista os fatos e fundamentos jurídicos seguintes: DOS FATOS A autora é consumidora dos serviços prestados pela empresa de Telefonia Celular a TIM Nordeste S/A, através da linha de número (79)9154-8939. Referido contrato foi celebrado em 30 de dezembro de 2008, no qual aderiu inicialmente ao plano de serviços TIM Brasil, com um pacote de 250 minutos. Quando a autora ingressou nos quadros de clientes da requerida, foi instituída uma promoção , Boas Vindas 41, onde o cliente, ao promover sua adesão, poderia realizar ligações DDD , utilizando a operadora 41, a preço de ligação local. A divulgação dessa promoção chegou até a requerente mediante mensagem de texto encaminhada a sua linha, nos seguintes termos: “Aproveite! Faça DDD ilimitado c/ o código 41 p/ TIM e fixo com preço de ligação

Segue abaixo o conteúdo da mensagem: “ Ativada com sucesso. Insos *144 ” (enviada em 08/01/2009. chegando a receber uma mensagem de texto. requerendo a solução para o problema que se instaurou. a autora de pronto realizou o procedimento de adesão à referida promoção. apesar das inúmeras ligações. passando as cob ranças a serem realizadas em conformidade com a promoção a qual aderiu. que insistia em cobrar indevidamente as ligações interurbanas realizadas com o DDD 41. . confirmando a contratação mencionada. Assustada. sem observar o preço das ligações locais. Insos *144” (enviada em 08/01/2009. em seu aparelho de celular. e abertura de reclamações. certa de que estaria realizando ligaçõ es para outros celulares de outr os Estados da mesma operadora. a preço de ligações locais. às 16:57) Obedecendo ao disposto na divulgação promovida pela demandada. fic aram devidamente registrados dois protocolos: 1) 2009030409777 aberto à s 10:23 hs de 9/02/09 e 2) 2009033380009 aberto às 12:53hs de 12/02/09. Dos vários procedimentos administrativo s de reclamação. ao receber a primeira conta após sua adesão. No entanto. passou a entrar em contato com a operadora constantemente.local por 2 meses! Ligue *144 e ative sem custo Boas Vinda 41. nada foi resolvido. abrindo vários procedimentos administrativos no escopo de que suas contas fossem revisadas. Com esta informação. No entanto.às 17:01) Assim. que não solucionaram o problema que se instaurou. chegando assim a segunda conta com os vestígios do erro da empresa requerida . passou a utilizar sua linha de telefonia celular da operadora TIM. entrou em contato com a operadora que informou que as ligações foram c obradas a preço normal e que não havia qualquer promoção ativa em sua linha. foi surpreendida com a cobrança de um valor absurdo e inimaginável pro causa das ligações interurbanas. para efetuar ligações interurbanas para outros celulares também da TIM e fixo. Agora você faz para celular TIM e telefone fixo ao preço da tarifa local extra pacote do seu plano por 60 dias.

individuais. inciso VI: “ são direitos básicos do consumidor: a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais.078/90 . Sabe-se que o direito positivo brasileiro. no espoco de ser agasalhada com sua tutela. através da Lei 8. fornecendo -lh e uma resposta definitiva quanto a s ua situação. assim. pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos a prestação de serviços. independente da existência da culpa. diante da impossibilidade de solucionar a presente celeuma de forma amigável e administrativa. mas acabou sendo surpreendida não só com a suspensão dos serviços. como também com a inserção de seu nome nos cadastros de proteção ao crédito . prestador de serviço e serviço. bem . coletivos e difusos” e 14: “o fornecedor de serviços responde. devendo tal indenização ser operada através da responsabilidade objetiva. afastou-se da dicotomia clássica entre a responsabilidade contratual e a extracontratual. a prova do dano e o nexo de causalidade entre este e o defeito do serviço para que esteja configurado o dever de indenizar. mesmo diante do conhecimento de que estava encaminhando contas com valores que não correspondiam ao realmente devido. É o que se infere de seus artigos 6. evidenciada inclusive a cumulatividade da indenização do dano moral e patrimonial.Necessário afirmar que em momento algum a demandada chegou a concluir o atendimento da autora. faz-se necessário ressaltar que a relação existente entre a autora e a requerida corresponde a uma relação de consumo porque presentes os requisitos que lhe compõe: consumidor. A autora ficou aguardando um posicionamento para que pudesse efetuar o pagamento correto pela utilização dos serviços da empresa requerida . vem a requerente bater às portas do Poder Judiciário. deixando-a sem qualquer tipo de solução a respeito da situação j á descrita. para estabelecer a responsabilidade nas relações de consumo. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS A priori .º. Bastando. Assim.

é objetiva. 927 e seguintes do Código Civil .078/90 . o consumidor deverá prova tão somente o dano e o nexo de causalidade entre este e o defeito do serviço . desrespeitando a consumidora como cliente e como cidadã. Como preleciona o Mestre Ronaldo Alves de Andrade. SP. diante de sua responsabilidade pelos danos causados.078/90 . Esta atitude da requerida configura acidente de consumo decorrente do serviço defeituoso. que deveriam ter sido contabilizadas com se fossem ligações locais. seja pelo que dispõe os artigos 6.como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos” . revolta. e 14 da Lei 8. arcando o fornecedor de produtos e serviços com a . patente que a conduta da requerida em promover a cobrança indevida das ligações inte rurbanas. Manole. “ a responsabilidade civil por ato de serviço. quando havia saldo suficiente para o pagamento dos mesmos . ocasionou não só transtornos à requerente. mas dor . Curso de Direito d o C onsumidor. ou pelo preceituado pelos artigos 186. 2006. significando isso que. por parte da requerida. Ilustre Julgador(a). diante de um dano provocado por um serviço. provocando dano moral indenizável a sua consumidora . 8. o prestador de serviços tem a obrigação de indenizar. demonstrando claramente o erro de seus procedimentos . Ba rueri. 184) Assim. por insuficiência de fundos. Com o advento da Lei n. em virtude da conduta da requerida que promoveu a devolução dos cheques já mencionados. não há qualquer dúvida a respeito da prática de conduta defeituosa . onde a mesma enviou mensagem de texto ao seu celular confirmando sua inserção nos benefícios oferecidos . além dos danos à sua imagem com a inscrição de seu nome nos cad astros de proteção ao crédito. para obter a respectiva reparação. trata-se de postulação de dano moral puro. deixou de observá-los quando da cobrança das faturas mensais . conforme dispõe o caput do art. No caso.º.” (And rade. Pág. seja a título de danos morais e/ou materiais. No caso em epígrafe. que mesmo tendo conhecimento da adesão da autora à promoção. o consumidor não deve ser submetido a qualquer constrangimento injustificado. Ronaldo Alves de . inciso VI. 14 do C DC.

bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. DANO MORAL OCORRENTE. RECURSO PROVIDO DE FORMA sentido é o entendimento . 8. a quem deve ser atribuído o ônus de compr ovar que agiu com lisura e bom senso ( art. o que no caso in tela representa possibilidade remota. CARÁTER PUNITIVO E PEDAGÓGICO.) § 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I . pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços. de acordo com o Código de Defesa do Consumidor é objetiva.que. PROMOÇÃO DE NATAL TIM 500 MINUTOS. independentemente de culpa. como no caso em epígrafe. a requerida deve ser responsabilizada pelos danos causados aos consumidore s. TELEFONIA MÓVEL. independentemente da existência de culpa. A responsabilidade objetiva obriga ao fornecedor ou prestador de serviços a responder pelo s fatos e vícios resultantes de seu empreendimento. vindo a ca usar danos materiais e morais à demandante. Apenas para por uma pá de cal no assunto. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO DA RÉ QUANTO AO PROCEDIMENTO PARA ADESÃO AO REFERIDO PLANO. AUTORA QUE ENTENDE TER SIDO INSERIDA AO PLANO PROMOCIONAL.. “Art. parágrafo 3. inclusive quando é evidenciada a existência de defeito na prestação dos serviços. inciso VIII.a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.. o defeito inexiste.º.078/90 . do CDC ). senão absurda.” (grifei) A responsabilidade do fornecedor ou prestador de serviços . O fornecedor de serviços responde. da Lei. acaso provasse uma das hipóteses do art. DEVER DE RETIFICAÇÃO DE FATURA. é de bom alvitre ressaltar que apenas se eximiria o requerido da obrigação de reparar os danos sofridos pelo autor.º. 6. E como tal. 14. Neste jurisprudencial: EMENTA: CONSUMIDOR. tendo prestado o serviço.responsabilidade de indenizar -lhe eventuais danos morais. II . 14.(. especialmente quando não oferece a segurança devida e necessária aos seus clientes para a utilização dos produtos e serviços comercializados. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA.

já que não se trata de pretensão ressarcitória. causar dano a outrem. . 186 e 187). Julgado em 08/07/2009) grifos nossos. por conseguinte. por ato ilícito (arts. gerando o dever de indenizar. Destarte. há que ser garantida a reparação.PARCIAL. e sim meramente reparadora (e punidora). Sem dúvida alguma. A falha na prestação dos serviços é clara . No caso dos autos. Turmas Recursais. causando danos a requerente que também teve sua imagem abalada junto aos credores dos títulos devolvidos. Segunda Turma Recursal Cível. no escopo de se r ressarcida pelos danos causados pelo requerido . Da mesma forma. a questão mais controvertida quanto à indenização pelo dano moral é determinar o quantum indenizatório. com anteparo nos fundamentos fáticos e jurídicos supracitados. Quanto a avaliação do dano moral. sua inserção nos cadastros de inadimplentes . como se fossem ligações locais . determina a obrigação de ressarcimento por parte do agente causador do dano: Artigo 927. causando a impossibilidade de pagamento das faturas emitidas e. Aquele que. Relator: Afif Jorge Simões Neto. Não há que se falar em indústria do dano moral. o Código Civil em seu artigo 927. fica obrigado a repará-lo. coibin do os abusos e extirpando os excessos. a requerida deixou de realizar as cobranças das ligações interurbanas com o DDD 41. inegável que a conduta da requerida é dotada de negligência e imperícia. Mas quando restar maculado o direito constitucional prevalente à preservação da dignidade humana. a autora almeja que sua pretensão seja agasalhada pela Tutela Jurisdicional do Estado . eis que também é tarefa do Judiciário separar o joio do trigo. (Recurso Cível Nº 71001899152.

a resposta de ordem jurídica aos efeitos do resultado lesivo produzido. efetivamente. o peso do ônus financeiro é. incentivando-o. Consubstancia-se. fundamentado no poder discricionário do Julgador. ao invés de reprimir. Deverá traduzir-se em montante que represente advertência ao transgressor e à sociedade de que não se aceita o comportamento em questão. portanto. Com anteparo nestes fundamentos é que a autora almeja seja feito o prudente arbitramento. cujas contingências não quadram fatal e inevitavelmente com as previsões legislativas. sob pena de. um mal necessário. incentivar a conduta lesiva. pois. em um mundo em que cintilam interesses econômicos. o valor que faça com que o ofensor se evada de novas indenizações. para que tenha o esboço do quantum na mensuração do dano moral. Deve. além de ser um fator de dissuasão. além do caráter compensatório. A determinação do montante indenizatório deve ser fixado. Citando ensinamento de CARLOS ALBERTO BITTAR. que segundo Pedro Batista Martins é uma necessidade inelutável. por parte do Douto Julgador. Se o reconhecimento desse poder fosse um mal seria. Enfim. em importância que reflita de modo expressivo no patrimônio do agressor. serve também como sanção exemplo. A indenização. pois ser quantia economicamente significativa. . mostra à sociedade que o ato lesivo não ficou indene. Conjuga-se assim. em razão das potencialidades do patrimônio do requerido. o ilustre doutrinador ressalta que a indenização do dano moral deve ter um valor que desestimule o ofensor de continuar na prática de atos lesivos. a novas práticas reprováveis em detrimento de toda sociedade. portanto. a resposta pecuniária mais adequada aos lesionamentos de ordem moral.A reparação do dano moral. afim de que sinta. a teoria da sanção exemplar do caráter ressarcitório. evitando outras infrações danosas. tendo em vista a gravidade objetiva do dano causado e a repercussão que o dano teve na vida do prejudicado. A jurisprudência pátria é vastíssima quanto ao tema e deve ser tomada por base quando do prudente arbitramento do quantum indenizatório. que decorre da incessante mobilidade da vida social. Arbitrar indenização em valor ínfimo é o mesmo que agasalhar com a Tutela Jurisdicional do Estado a conduta do ofensor. da indenização a que faz jus.

pela citação da requerida. o juiz pode conceder. devidamente arbitrado pelo Douto Magistrado. SPC.ex. no prazo de cinco dias. como também em seu ambiente de trabalho. antecipadamente. Roga ainda. inclusive os objeto do pedido de exibição. principalmente junto ao seu ambiente de trabalho e ao mercado creditício. para que. se faça presente em audiência oportunamente designada. a adequação das contas com base na tarifação promocional. Desta feita. munido de defesa e dos documentos pertinentes. posto neles verifica-se a inscrição do nome do autor no Serasa. bem como a condenação ao pagamento de indenização. evitando prejuízos maiores. declarando a vigência da promoção nos termos contratados. enquanto se discute a presente lide.DA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA Consoante o disposto no art. Já o perigo da demora fica claramente evidenciado no prejuízo que terá a autora. 270 do CPC. via carta registrada. Roga. na pessoa de seus representantes legais. que estão não só afetando seu crédito na praça. e a necessidade do cancelamento destas restrições. a fim de evitar a inadimplência da requerente junto a todas as instituições e pessoas jurídicas que se utilizam da consulta aos referidos órgãos. faz-se necessário a presença dos seguintes requisitos: prova inequívoca. a título de danos morais. além das custas processuais e dos honorários advocatícios arbitrados em 20% sobre o valor da condenação. com as correções legalmente previstas a serem impostas a partir da data do ato lesivo – Súmula 54 do STJ. SPC Brasil e SERASA. IV – DO PEDIDO Ex positis. ainda. sob pena de revelia. por débito inexistente.III . os efeitos da pretensão da autora. p. a autora requer o provimento de seus pedidos imediatos e mediatos. Para tanto. pela proibição de nova inclusão nos cadastros de proteção ao credito sob pena de incidência em multa diária a ser convertida a favor da autora. Tanto a prova inequívoca como a verossimilhança encontram-se por demais presentes nos documentos acostados. vem a requerente rogar para que o demandado promova a exclusão da inscrição de seu nome nos órgão de proteção ao crédito. verossimilhança das alegações e iminência do dano irreparável ou de difícil reparação. agravando ainda mais sua moral. .

00 (dezoito mil e quatrocentos reais).722. da Lei n.400.º. faz -se necessário requerer a aplicação do art. pede deferimento. ante a inquestionável verossimilhança das aleg ações dispostas. . Dá-se à causa o valor de R$ 18. Aracaju. Leila Lima Santos. OAB/SE n. 8. inciso VIII. principalm ente o depoimento do representante legal do demandado. 2. Nestes termos. Nesta quadra. pela inquestionável hipossuficiencia da autora ante o requerido. 6. bem como. provas testemunhais e documentais. 13 de setembro de 2010.Protesta e requer provar o alegado por todos os meios em direito permitido.078/90 ao caso dos autos.