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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

Solonildo Almeida da Silva

O caminho lato sensu da precarização do trabalho docente universitário na Uece

Orientadora: Profª. Pós - Dra. Susana Vasconcelos Jimenez.

FORTALEZA – CE Agosto de 2005

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

Solonildo Almeida da Silva

O caminho lato sensu da precarização do trabalho docente universitário na Uece

Dissertação apresentado ao Curso de Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade do Centro de Humanidades e Centro de Estudos Sociais Aplicados, da Universidade Estadual do Ceará, como requisito parcial para obtenção do grau de mestre em Políticas Públicas e Sociedade. Orientadora: Profª. Pós - Dra. Susana Vasconcelos Jimenez.

FORTALEZA – CE Agosto de 2005

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Universidade Estadual do Ceará
Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade

Título do Trabalho: O caminho lato sensu da precarização do trabalho docente universitário AUTOR: SOLONILDO ALMEIDA DA SILVA

Apresentado em: 05/08/2005

Conceito obtido: __________________

Banca Examinadora

_____________________________________________

Susana Vasconcelos Jimenez, Profª. Pós - Drª.
Orientadora

______________________________________________

Luís Távora Furtado Ribeiro, Profº. Dr.
Examinador externo UFC/FACED

______________________________________________

Maria Socorro Lucena, Profª. Drª.
Examinadora interna Uece/CED

ilustramos o processo de mercantilização dos cursos lato sensu com a história da Universidade Estadual do Ceará (Uece). do Centro de Educação (CED) e da lato sensu. Apresentamos o ensino superior brasileiro e a trajetória de sua legislação a serviço do mercado de pós-graduação. defendemos a centralidade ontológica do trabalho e denunciamos a apropriação do trabalho pelo capital. Antes destinada a formação de mão de obra para direção e cargos de comando financiada pelo Estado.18 RESUMO A universidade pública brasileira passa por processo de um novo direcionamento de seu papel histórico. . Por fim. agora. Em nosso estudo. Em seguida. expomos dados de um curso de especialização com vista a detalhar esse processo. assume o papel de autosustentabilidade cobrando taxas de seus alunos e fracionando o pagamento de seus docentes. Identificamos a mercantilização e a precarização do trabalho docente.

19 .

20 Se o capitalismo não é capaz de atender as necessidades básicas dos trabalhadores. Trotski DEDICATÓRIA . que morra o capitalismo e não o trabalhador de fome.

AGRADECIMENTOS .21 Aos trabalhadores.

Marcus Flávio. À professor Luís Távora. À professora Simone Cesar da Silva. pela paciência de ler o projeto de qualificação da dissertação e pelas observações valiosas. A todos que direta ou indiretamente contribuíram para a produção dessa dissertação . pela atenção e experiência política.. pela excelência em seu trabalho e dedicação.22 À professora Susana Jimenez. por sua força e empenho na coordenação do Programa de Mestrado e Fátima. que me acompanha desde o ingresso no curso de especialização em Formação de Formadores e as demais etapas de meu desenvolvimento profissional como professor. À Vera Uchoa. pelos anos de convivência. minha orientadora em tudo. pela revisão do trabalho. pelo bom humor. Ao Professor Horácio Frota. À professora Socorro Lucena. Ao professor Rômulo Soares e a professora Jackline Rabelo. . Deribaldo Santos.1. companheiro de todas as horas e avaliador da presente dissertação. pelos anos de convivência e sua participação em diversas fases de minha vida acadêmica: compartilhando comigo como professora de estágio em 2003. o ingresso nesse mestrado e o aceite irrestrito em participar do exame de qualificação. À Funcap pelo auxílio financeiro. o primeiro de nós cinco a defender a dissertação e deixar a professora Susana com mais tempo para os demais orientados e ao Adeive Derquiam pelos constantes telefonemas e presença no exame de qualificação. Evilásio. À professora Ana Dorta. pela compreensão. Aos alunos-trabalhadores do Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade: Augusto César. empenho e colaboração na realização dessa pesquisa. Experiência viva na luta por uma nova sociabilidade contra a lógica do capital.

...........................................2................... 1....................................... Capítulo IV – Uma ilustração exemplar do caminho lato sensu da precarização do trabalho docente ................A precarização do trabalho no contexto da crise estrutural do capital .......................................................................................................... 1........................................1 Sobre o ensino superior .....2......................................1 Notas sobre a centralidade ontológica do trabalho.......................2 A legalização da mercantilização da pós-graduação ........................ Capítulo III – Mercantilização e precarização do trabalho docente da Uece ............. Considerações Finais ............ 3.................1 O trabalho precário como necessidade do capital na contemporaneidade ...................................................................................................................... 3.................................. Lista de siglas e abreviaturas ............................................................................ 3........1 O Ensino Superior Brasileiro: a legislação a serviço do mercado .......................................................... Referências Bibliográficas ...2 O CED .................... 3..............................1.............................3 O Lato sensu .................................................................... 3..........................................2.....1 A Uece ...................... Capítulo II ........................... 2.... 3....................................................... Anexos: 11 12 13 15 20 20 24 29 29 46 54 54 54 58 60 60 61 63 71 72 78 85 89 .......................... 2.................3 A precarização do trabalho docente na Uece...2 O processo de mercantilização da Uece ........23 SUMÁRIO Lista de tabelas ...2 Notas sobre a precarização do trabalho docente universitário............................................................. 3. Introdução ....................1 Emolumentos a serem praticados nos cursos da Funece 3......................................... Capítulo I – Reafirmando a centralidade do trabalho (referencial teórico) ......1..................................................................2 O trabalho na ordem do capital .............................3................................... 3..............................................................2.... Lista de gráficos ............................

....................................24 Lista de tabelas Tabela 01: Número de cursos de pós-graduação lato sensu ofertados pela PROPGPQ da Uece por período escolhido .................................. Tabela 07: Custeio par o período: setembro de 2000 – setembro de 2001 ................ Tabela 02: Número de cursos ofertados pela Uece e CED no período de 1999 |...................... Tabela 05: Custeio para o período: março de 2000 – março de 2001 .................................................................... Tabela 03: Número de cursos ofertados pela PROPGPQ da Uece por período escolhido (detalhado por ano) .... Tabela 08: Corpo docente do período março de 2001 – abril de 2002 ............... Tabela 04: Corpo docente do período: março de 2000 – março de 2001 .......... Tabela 10:Corpo docente do período: dezembro de 2003 – dezembro de 2004 .......... Tabela 09: Custeio para o período: março de 2001 – abril de 2002 ....... 68 69 70 80 80 81 81 82 82 83 83 ...................... Tabela 11: Custeio para o período: dezembro de 2003 – dezembro de 2004 .................. Tabela 06: Corpo docente do período: setembro de 2000 – setembro de 2001 ..............2004 ........................................................................

.......2004 em valores absolutos .............. Gráfico 06: Número de docentes efetivos da Uece .......................................................... Gráfico 02: Número de cursos ofertados pela Uece e pelo CED no período de 1999 |-..................25 Lista de gráficos Gráfico 01: Número de cursos ofertados pela PROPGPQ da Uece por período escolhido em número absoluto ..................... Gráfico 04: Nº de Docentes Efetivos e Substitutos-Visitantes da Uece ...........................................................................................................................2004 em percentuais .... Gráfico 03: Número de cursos lato sensu ofertados pela Uece e pelo CED no período de 1999 |-.............................. Gráfico 05: Nº de Docentes Efetivos e Substitutos-Visitantes da Uece ............. 69 69 70 72 74 75 ....

Estados Unidos da América FGTS .Fundação Educacional do Ceará IBGE .Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CCQ – Círculo de Controle de Qualidade CCS – Centro de Ciências da Saúde CCT – Centro de Ciências e Tecnologia CD – Conselho Diretor CED – Centro de Educação Cefet – Centro Federal de Educação Tecnológica Cepe .Secretaria de Administração .Imposto Nacional de Seguridade Social ISS .Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico IDJ – Instituto Dom José Iepro – Instituto de Estudos.Coordenação de Educação Continuada e a Distância Nurece .Master Business Administration MEC – Ministério da Educação Necad .26 Lista siglas e abreviaturas AL – América Latina BM – Banco Mundial Capes .Câmara de Educação Superior Cesa .Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade MBA . Pesquisa e Extensão CES .Conselho de Ensino.Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FMI – Fundo Monetário Internacional Funcap – Fundação Cearense de Apoio à Pesquisa Funece – Fundação Universidade Estadual do Ceará Funeduece .Instituto de Estudos e Pesquisas do Movimento Operário.Comissão Executiva do Vestibular CFE – Conselho Federal de Educação CLT – Consolidação das Leis do Trabalho CMAE -Curso de Mestrado Acadêmico em Educação CNE – Conselho Nacional de Educação Consu – Conselho Universitário Esquema I – Curso de Formação Pedagógica EUA .Imposto Sobre Serviço LDB .Pró-Reitoria de Graduação PROPGPQ – Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa PROPLAN – Pró-Reitoria de Planejamento SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência Sead .Centro de Estudos Sociais Aplicados CEV .Lei de Diretrizes e Bases da Educação MAPPS . Pesquisas e Projetos da Uece IES – Instituição de Ensino Superior IMO . INSS .Núcleo Regional de Pós-Graduação OMC – Organização Mundial do Comérico Prograd.

União das Repúblicas Socialistas Soviéticas UVA – Universidade Estadual Vale do Acaraú .Secretaria da Educação Uece – Universidade Estadual do Ceará UFC – Universidade Federal do Ceará Unam – Universidade Autônoma do México Urca – Universdiade Regional do Cariri URSS .27 Seduc .

os elementos fundamentais que configuram a crise estrutural do capital (Mészáros) e suas implicações nas relações entre trabalho e educação. para fins de revisão. (2) Examinar. com posse de documentos institucionais. apontamos os seguintes objetivos específicos: (1) Investigar. partimos para a coleta de dados a fim de dar conta do nosso objeto de pesquisa. inicialmente. intitulado A política de precarização do trabalho docente na universidade pública brasileira: o caso da Universidade Estadual do Ceará (Uece). a vinculação da problemática com os interesses e necessidades do mercado. sobretudo. a produção bibliográfica voltada para a explicação da centralidade do trabalho como protoforma da atividade humana. desta forma. procuramos examinar os principais determinantes que corroboram para o processo de precarização do trabalho docente na universidade pública. após percorremos algumas veredas. os impactos do embaciamento das relações de conflito entre capital e trabalho docente. À luz das relações entre trabalho e educação.28 Introdução Neste trabalho. Entretanto. como objetivo geral de nossa pesquisa. os principais caminhos trilhados pela pós-graduação lato sensu da Uece enquanto elemento que contribui para o fenômeno relativo à precarização do trabalho docente universitário. levando em consideração. Após nossa qualificação no projeto de dissertação do Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade (Mapps). as perdas de conquistas trabalhistas dos profissionais da educação orientadas pelo modelo vigente de organização e gestão do trabalho. Assumimos. analisar. buscamos desvelar o caminho da pós-graduação lato sensu da Universidade Estadual do Ceará (Uece). à luz das relações entre trabalho e educação. percebemos que o enfoque precisava seguir O caminho lato sensu da precarização do trabalho docente universitário. com base nesse entendimento. sob o olhar da enunciada crise estrutural do capital. Para tornarmos possível nossa pesquisa.da Uece. (3) Ampliar o campo da pesquisa sobre o .

como via importante de efetivação da referida precarização. dissertações ou teses. por sua vez. A pesquisa documental. Com vistas ao alcance dos objetivos da pesquisa. Daí. lançamos mão da pesquisa bibliográfica. O levantamento bibliográfico ofereceu os referenciais básicos para a realização adequada do estudo e voltou-se para: (a) a identificação na ontologia marxiana dos elementos necessários à compreensão da centralidade do trabalho no processo de produção e reprodução social. assim como a precarização do trabalho docente universitário na esteira do referencial teórico marxiano. Analisamos o conjunto de documentos disponíveis que tratam da pós-graduação lato sensu da Uece. constatamos a ausência de catálogos e outros tipos de materiais que facilitariam a aventura. buscamos evidenciar que a realidade concreta é o resultado da história das relações de lutas de classe entre os interesses antagônicos do capital e . além do mais.29 fenômeno relativo à precarização do trabalho docente. a importância do desenvolvimento de nosso estudo. foi de difícil aquisição. ou levantamento documental. nas diferentes formas em que este se manifesta. com destaque para o mesmo centro. e d) a redução do papel do Estado na manutenção da universidade pública e a privatização do ensino superior. do exame documental e da entrevista não estruturadas. Os registros da Uece não estão sistematizados em livros. a introdução dos cursos de especialização de caráter privado no contexto da universidade pública. articularizando. O material coletado para a viagem. recaiu sobre (1) o quadro docente da Uece e (2) os dados relativos a gênese e a evolução dos cursos de pósgraduação lato sensu na Uece. que procura sistematizar as informações gerais sobre a temática e enxergar o presente como resultado de múltiplas determinações. (b) as implicações do atual processo de reestruturação do capitalismo e da aludida crise acima mencionada sobre o mundo do trabalho. (c) a revisão da literatura pertinente à precarização do trabalho. permitindo uma compreensão mais rica e contextualizada do objeto.

Constatamos diversos estudos que prenunciam a crise do capitalismo contemporâneo e seus reflexos nas condições de trabalho. na divisão dos homens em classes sociais e na sociedade administrada pelo capital representado pelo Estado. Procuramos ressaltar. A Ontologia do Ser Social. na primeira. Vale destacar que. com vistas à contribuição na construção do referencial teórico e à contextualização do objeto da pesquisa. por sua vez. aí reunidos à formação e à prática docente. . com a Estética. outorgada pela Fundação Cearense de Apoio à Pesquisa (Funcap). de Aristóteles a Hegel. Participamos. Educação e Formação Docente” (três créditos). ou seja.1 Na esteira de Marx e Lukács. da necessidade de acumulação de lucros e da formação profissional do trabalhador. Tal referencial funda-se na ontologia marxiana. constituem as principais obras de sua maturidade. mais especificamente. intitulada “Reafirmando a centralidade do trabalho (referencial teórico)”. redigiu sua Ontologia do Ser Social. contém bases filosóficas sólidas que superam as ontologias. como na educação. ainda. a partir de Marx. Dentre as referidas atividades. no Curso de Mestrado Acadêmico em Educação (CMAE) e contamos com o apoio concedido pela bolsa de incentivo à pesquisa científica. cursamos a disciplinaseminário “Trabalho. do Grupo de Pesquisa Trabalho. os fundamentos ontológicos que respaldam a nossa compreensão de mundo e a leitura que fazemos da atual condição do trabalho no contexto de crise estrutural do capital. colaborando. reconhecendo. que. sendo que parte dessa tarefa foi desenvolvida através da participação nos grupos de estudos do IMO. resgatada por Lukács. Mészáros. expressa uma nítida intenção revolucionária e uma crítica radical ao capitalismo que se fundamenta na exploração do homem pelo homem. Dividimos o trabalho em quatro partes. assim como das discussões. estudos e avaliações do referido grupo.30 trabalho. com as atividades relativas à investigação em foco. priorizamos a leitura do material bibliográfico indicado por nossa orientadora. que o homem é responsável pela construção de sua própria história. pois. discorre sobre a crise estrutural do capital. ao longo de nossa pesquisa. de Lukács. a partir da reafirmação da centralidade do trabalho. que. Educação e Luta de Classes do Instituto de Estudos e Pesquisas do Movimento Operário (IMO).

a seguir. em sintonia com as determinações dos organismos internacionais. algumas considerações finais relevantes ao estudo que. Sérgio. Revista Outubro. fazer docente e desenvolvimento da universidade pública dentro do contexto de crise estrutural do capital. ainda. Apresentamos. dentre outras contribuições. No segunda parte abordamos as transformações sofridas pelo trabalho docente no contexto de crise estrutural do capital. apresentamos “o processo de mercantilização da Uece”. permitindo com que apontássemos. na quarta parte.º 5. a pesquisa contribui para o desvelamento das relações trabalho-educação no cenário das peculiaridades concretas do capitalismo contemporâneo. Acreditamos que estes problemas foram instigadores durante o processo de pesquisa e nortearam a descoberta dos aspectos e peculiaridades da relação de contrato de trabalho precário.31 Apoiados nas contribuições dos teóricos supracitados. 1 Ver LESSA. radicalmente. n. apontam encaminhamentos de luta em defesa do emprego estável para os docentes do ensino superior. dentre outros. do desemprego em massa associado ao emprego precário. enfatizam as condições do trabalho na contemporaneidade. Aceitando por fundamento a centralidade do trabalho na constituição da vida social. apresentamos um exemplo da relação entre os cursos lato sensu e a precarização do trabalho docente universitário. Para tanto. isto é. os verdadeiros entraves que existem na relação capital-trabalho. sobre a organização do ensino superior brasileiro e a flexibilização da legislação educacional a favor do mercado e. em sua tradução nacional e regional. inicialmente.Lukács e a ontologia: uma introdução. Finalizamos este capítulo apresentando como está ocorrendo o processo de mercantilização e a precarização do trabalho nas universidades latino – americanas. No terceira parte discorremos. associado à lógica mercadológico-empresarial. Antunes e Coggiola. dedicamos um subcapítulo para explicitarmos a necessidade do trabalho precário para o capital. . 2001. de conformidade com a ontologia marxiana. Por fim.

a Universidade mantém parte do quadro docente em relações de contrato de trabalho cada vez mais precárias. assim.32 Diante do exposto. denominado Programa Especial de Formação Pedagógica. “certificado” através de convênios existentes entre a Secretaria de Educação e as universidades públicas cearenses Uece. desenvolvem programas especiais de formação de professores como Magister. faz-se necessário ressaltar a relevância desta pesquisa. em particular os cursos de pós-graduação lato sensu. 2 O Magister é um programa que visa qualificar os professores da rede oficial do Estado do Ceará em curso de nível superior (licenciatura) para atuar nas séries terminais do ensino fundamental (5ª . Atuando nesses programas como nos cursos regulares de formação de professores. na avaliação das políticas públicas para a educação superior. sabendo-se que uma parcela significativa dos docentes das redes oficiais de ensino estadual e municipal é formado ou. da Coordenação de Educação Continuada e a Distância (Necad) do Centro de Educação (CED/Uece). Universidade Federal do Ceará (UFC). em geral e. que.8ª séries). Universidade Estadual do Vale Acaraú (UVA) e Universidade Regional do Cariri (Urca) -. Esquema I e Progestão2. atualmente. sobretudo. além dos cursos regulares de graduação. visa oferecer complementação pedagógica ao bacharel ou tecnólogo de curso superior conforme . melhor dizendo. o Esquema I.

3 Notas sobre a centralidade ontológica do trabalho Qual o limite do homem? Será que o homem possui uma essência ahistórica? O capitalismo é a última possibilidade de organização da sociedade humana? Para tentar responder essas três indagações e outras. A reestruturação produtiva vem generalizando a níveis nunca dantes observados na civilização moderna. Compreendemos que estamos inseridos num contexto marcado pela crise estrutural do capital. que teve a árdua missão de investigar os fundamentos ontológicos do legado de Marx. recorreremos ao Georg Lukács. ex-integrante do Partido Comunista Húngaro. . Quem se atreve a dizer: jamais? De quem depende a continuação desse domínio? De quem depende a sua destruição? Igualmente de nós. construiu uma obra das mais zelosas que denominamos de Ontologia de Lukács. por fim. resolução 2/97 do Conselho Nacional de Educação. intitulado de Galileu do século XXI. Aos 86 anos de vida. no nosso texto. a miséria material e moral da classe trabalhadora. escrevemos dois sub-capítulos que abordam os seguintes aspectos: a centralidade do trabalho e o trabalho sob o capital. Afim de esclarecermos os determinantes de tal cenário. considerado uma personalidade rara na filosofia contemporânea. 1.33 Capítulo I – Reafirmando a centralidade do trabalho (referencial teórico) Quando os dominadores falarem Falarão também os dominados. Os caídos que se levantem! Os que estão perdidos que lutem! Bertold Brecht Neste primeiro capítulo tratamos de esclarecer o nosso referencial de análise da realidade. o PROGESTÃO/UECE é um Programa de Formação Contínua a Distância para gestores e técnicos em educação.

portanto. sem questionamento. é o próprio homem. assim como a necessidade de o homem mudar o rumo de sua história. e que. O limite do homem.34 Para se contrapor à concepção conservadora. Lukács publica sua Estética. repensa as relações entre Hegel e Marx (FREDERICO. 1996:9). superadora dos limites da liberdade. por isso. porque não dizer. Entretanto. essa máxima permanece atual. A ontologia lukácsiana tem o claro objetivo de reafirmar a possibilidade ontológica da emancipação humana. A obra de Lukács é cada vez mais necessária para todos aqueles que buscam compreender o pensamento ocidental contemporâneo. é com “Ontologia do ser social” que desenvolve o legado intelectual iniciado por Marx. A busca pela emancipação humana é o rumo para superar o capitalismo e evitar a barbárie da exploração do homem pelo homem. Com a leitura dos textos originais de Marx. Grifos do original. Em 1963. Lukács. igualdade. citado por Frederico (1997:13). tornou-se um “outro Lukács”. rompeu. o último grande livro de filosofia marxista e representa uma das mais importantes obras de todo o século XX. 1997). . segundo a qual aos homens correspondem uma essência a-histórica de proprietários. diz que “o conhecimento de si mesmo e o conhecimento da totalidade coincidem” e que o proletariado “é ao mesmo tempo sujeito e objeto de seu próprio conhecimento”. obra escrita por Marx em 1844. não há como ser superada a sociedade capitalista. Lukács. da cidadania e da democracia burguesa. após o acesso aos originais de “Manuscritos econômicofilosóficos”. Em pleno século XXI. a “Ontologia do ser social” é. definitivamente com suas próprias idéias. Para Frederico (1997). deve-se comprovar que não há limites ao desenvolvimento humano. defendidas em “História e consciência de classe”. cuja idéias centrais haviam sido apresentadas no livro “Introdução a uma estética marxista” (1957). fraternidade e. “a não ser aqueles construídos pelos próprios homens” (LESSA.

“a sociedade capitalista não pode ser compreendida pelas visões parciais do economista. nós devemos primeiro conhecer o mais desenvolvido. Marx parte de uma metodologia histórica. o critério para se julgar a produção artística” e “o caráter unitário da realidade.35 Frederico (1997:34). inicialmente. citando as idéias de Lukács. como articulação dialética de essência e aparência. se não podemos esgotar o nosso objeto de estudo. o homem pode conhecê-lo” (FREDERICO. A sociedade não é uma colcha de retalhos. O cotidiano é o ponto de partida e de chegada. 56-57). a verdade do indivíduo é a verdade das possibilidades postas pelo próprio desenvolvimento da realidade social”. Algo só é efetivo para o pensamento porque existe na realidade (FREDERICO. ou seja. do historiador etc. 1997:39-40). devemos recorrer ao que disse Marx. Lukács. devemos. conhecer a anatomia do homem. conteúdo e forma” (idem. a totalidade. inicialmente. superar seus limites habituais (idem. afirma “o mundo é obra humana e. portanto. 1997:49). O pensamento lukacsiano de que devemos partir das necessidades postas pelo dia-a-dia lembra-nos que o comportamento cotidiano do homem é o começo e o fim de toda ação humana. Marx prenunciava que. Frederico (1997:52). para conhecer algo menos desenvolvido. diz que “o realismo é um método. o caminho para se chegar à verdade e. 38). do sociólogo. apoiando-se nas idéias de Lukács. é dele que deriva a necessidade de o homem objetivar-se. analisa: “se o homem é um ser social. também. considera o gênero humano o resultado de um longo processo que teve início com a criação do trabalho e de ferramentas para atuar sobre a natureza. as categorias devem. Pretendemos estudar a totalidade do fenômeno de nosso objeto. Para estudar a relação do sujeito com o objeto. decorrer da própria realidade. . reforçando essa idéia. ela é uma totalidade viva e articulada”. Para conhecer a anatomia do macaco.

Segundo Lessa (1996).. a esfera biológica e o ser social. postula que “o conhecimento de si mesmo e o conhecimento da totalidade coincidem” e que o proletariado “é ao mesmo tempo sujeito e objeto de seu próprio conhecimento”.. contudo. suas atividades são conscientemente orientadas. responde de maneira sempre nova às situações postas pela vida.36 A precarização do trabalho docente existe independentemente da nossa consciência sobre esse fenômeno. Aliás. na história de todos os seres humanos. A defesa feita por Lukács da tese marxiana de que os homens fazem a sua própria história. Ao transformar a natureza para atender suas necessidades mais imediatas. e não pela consciência humana. Na perspectiva lukacsiana. mas é o ser que determina a consciência. A essência e o fenômeno são momentos da realidade objetiva. produzidos pela realidade. sempre em processo contínuo de construção. Lukács. (. O conjunto de todos os conhecimentos sobre a natureza e acerca da sociedade é um processo de acumulação consciente do mundo dos homens. a esfera biológica tem como fundamento a reprodução da vida. . por sua vez. os acontecimentos nunca se repetem. a história é algo exclusivo do ser social do homem.) é esta produção do novo que revela um dos traços ontologicamente mais marcantes do trabalho: ele sempre remete para além de si próprio. Lukács atesta a existência de três esferas ontológicas indissoluvelmente articuladas entre si: a esfera inorgânica (ou mineral).. Lessa (1996) afirma que. incapaz de desprender-se de sua condição inorgânica e biológica.) a história humana jamais se repete: a reprodução social é sempre e necessariamente a produção do novo. Neste sentido. a tese central de Marx é reencontrada no sentido da reafirmação de que não é a consciência que determina o ser.. A esfera mineral limita-se ao incessante processo de tornar-se mineral. o indivíduo também transforma a si próprio e à sociedade. ainda que em circunstâncias que não escolheram. o ser social. é a base para compreender que (. citado por Frederico (1997:13).

assim. pois o homem elabora na mente sua construção antes de transformar a realidade. de forma cada vez mais eficiente. “ao transformar a natureza. regula e controla seu intercâmbio material com a natureza” e “atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a. Volume 1 de O Capital.4 O trabalho na ordem do capital O trabalho é considerado parte da maldição divina. Inicialmente. decorrente do pecado original (Gênese. sobretudo. que Galileu reconheceu explicitamente o valor das observações feitas . ou seja. na natureza. 2) o objeto de trabalho e. do Livro 1.. o trabalho é exclusivamente humano. Mas é.37 Se.95). passando a ser cada vez mais indireta. como e para que fins produzir. processo em que o ser humano. III. no mundo dos homens a história é o desenvolvimento das relações sociais. nos textos científicos e técnicos. 1. conforme discutiremos a seguir. só existe devido ao trabalho vivo. o trabalho ficou subjugado ao capital e o ato do trabalho deixou de ser livre. p. ou seja.. impulsiona. Segundo Marx. a relação do trabalho humano era direta com a natureza. conforme Marx.95). no século XV. no Capítulo V “Processo de Trabalho e Processo de Produzir Mais Valia”. o desenvolvimento da vida é o desenvolvimento das espécies biológicas. ele surge no processo de trabalho humano. O trabalhador perdeu a liberdade de escolher o que.94 . O valor. 3) o instrumental de trabalho. o indivíduo e a sociedade também se transformam” (idem. transformar o meio nos produtos materiais necessários à reprodução social (1996 p. com o que a história humana se consubstancia como um longo e contraditório processo de acumulação que é o desenvolvimento das ‘capacidades humanas’ para. ao mesmo tempo modifica sua própria natureza” (1996) Portanto. “o trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza. O trabalho é a essência da gênese humana. Os elementos componentes do processo de trabalho são: 1) o próprio trabalho. 19). um desenvolvimento social que se dá na presença da mesma base genética (. com sua própria ação.)o trabalho produz objetiva e subjetivamente algo ‘novo’. entretanto perdeu o seu caráter humanizador quando foi apropriado pelo capital. Conclui o autor que.

6 Filósofo e idealista alemão. sem o qual a atividade do espírito evaporaria. pois o mesmo considerava a ciência um sistema dedutivo. química e teologia. 5 Escritor e filósofo francês. Bacon () fundamentou seus estudos nas “artes mecânicas”. o trabalho é a mediação entre o homem e o seu mundo. É considerado por alguns estudiosos o inspirador das idéias de Rousseau. a algumas ciências como a meteorologia. Buscou estudar a origem. Leibniz (16461716)3. em geral. As idéias de Bacon e de Locke (1632-1704)4 tornaram-se dominantes no iluminismo que. Daí a necessidade da 3 Matemático. porém. mas também da vida e da civilização. o homem é fundamentalmente bom. liberdade e imoralidade são postulados da razão. portanto. No que concerne à metafísica. 4 Filósofo inglês. não só em proveito da ciência. Contribuiu com o debate sobre o método dialético. isto é. enunciou a teoria do calculo diferencial (1676. É considerado o último racionalista. também. Hegel (1770-1831)7 formulou uma teoria filosófica do trabalho. não considerava possível a separação nítida entre o trabalho manual e o intelectual (arte). pois no trabalho o homem satisfaz suas necessidades e estas têm um crescimento indefinido. ele se opõe à teoria de Descartes quando diz que a essência da substância física consiste não na extensão mas na força. . Estudou teologia onde produziu ensaios sobre a filosofia moderna. por outro lado. o limite e o alcance do conhecimento humano. Daí. o homem deve afastar-se o mais possível do mundo. dos marinheiros. Nesse percurso. ciências e artes. acima das religiões. ispirou-se em Descartes. Exerceu grande influência na sociedade de seu tempo. Adotou como regra teórica fundamental que a bondade é natural do ser humano. marca a busca pela dignidade do trabalho manual. dos músicos. dos agricultores. que atuam sobre a natureza e com a luz da experiência gerava um saber capaz de atuar sobre a natureza. contribuindo para a Revolução Francesa. Discutiu sobre a moral e defendeu o conceito de que as idéias de Deus. considerava a importância do trabalho dos artesãos. Locke se ateve. 7 Filósofo alemão. pois julgava necessário o esforço mecânico. corrompe-se em contato com a sociedade.38 pelos artesãos mecânicos para a pesquisa cientifica e a dignidade do trabalho manual. Considerado por alguns filósofos como o criador da filosofia moderna. Kant (1724-1804)6. O trabalho é que torna o homem realmente homem. entre outros. com vista à satisfação das necessidades humanas. Para ele. Seu conceito filosófico era o de que a filosofia é absoluta. filósofo e físico alemão. para escapar à corrupção. Enquanto Rousseau (1712-1778)5 divulgava suas idéias sobre solidariedade social em sua obra Emílio – sua obra prima (1762). dos comerciantes. Descartes ()não deu importância à dimensão técnica ou instrumental da ciência.

na produção de conhecimentos a serviço da classe trabalhadora.39 divisão do trabalho. o trabalho é cristalizado na mercadoria e possui duplo caráter: trabalho concreto e trabalho abstrato. mas o trabalhador não. A venda da força de trabalho tornou-se a única alternativa do trabalhador livre para obter. compreendeu o caráter natural ou material da relação criada pelo trabalho entre o homem e o mundo. que. sendo o primeiro. através do salário. que se tornou mercadoria. ao contrário do caráter espiritual atribuído por Hegel. também estudou poesia e literatura. Para Marx. sua sobrevivência. É na sociedade capitalista que a força de trabalho constitui-se uma mercadoria. O trabalho alienado manifesta a contradição entre a individualidade do trabalhador e o trabalho como condição de vida que lhe é imposta pelas relações das quais faz parte como objeto e não como sujeito (MARX. 1996). mormente na sociedade capitalista. Suas idéias influenciam as ações dos trabalhadores em todo o Mundo. Hegel acreditava que a divisão do trabalho levaria o homem a ser substituído pela máquina. o homem adquire a consciência de si mesmo como gênero humano. pois a própria habilidade torna-se mecânica e gera a substituição do trabalho humano pela máquina. As idéias de Hegel influenciaram os estudos de Marx (1818-1883)8. entretanto. 1996). . no trabalho alienado. Isso acontece. Produzindo seus meios de subsistência. apesar de apropriar-se dos princípios hegelianos. Pelo trabalho. considerado o fundador do socialismo científico. que 8 Filósofo. em “A ideologia alemã”. até hoje. os homens produzem indiretamente sua própria vida material” (MARX. Não foi com o trabalho que o homem teve sua condenação à extradição do paraíso perdido. Na sociedade capitalista. o trabalho não é uma condenação para o homem decorrente do pecado original. progresso este condicionado pela organização física humana. mas constitui o modo específico do ser e de fazer-se homem. Influencia. Segundo Marx. bacharel em Direito. os homens começaram a distinguir-se dos animais quando “começaram a produzir seus próprios meios de subsistência. Filosofia e História.

sem levar em conta as múltiplas formas em que é empregada. tendo como base a divisão de classes sociais (burguesia e proletários). separou-se de outras dimensões da vida social e individual. deflagrada na década de 1970 e agravada nos últimos anos da década de 1990 (ANTUNES. A crise do sistema econômico capitalista. independe da variação das características particulares dos diversos ofícios. à dimensão qualitativa dos diversos trabalhos úteis. 1905”. a política e a sexualidade. a ascensão burguesa. 1985. 1845/6”. O trabalho humano. 1995 e 2002). 1996 e 1998 . estudou. o termo precarização do trabalho tenta dar conta das formas de ocupação do homem no mundo do trabalho que se efetivam por 9 Filósofo. 10 MESZAROS. tendência à universalização do capitalismo10. como a organização familiar. Dentre elas. sobretudo na Europa. apoiada nos princípios de liberdade de mercado. 1964 e 1996 MARX e ENGELS. sociólogo e economista alemão. produziram uma vasta literatura. A ideologia Alemã.40 corresponde ao valor de uso. Segundo Marx e Engels (1820-1898)9. o trabalho abstrato refere-se ao dispêndio de energia humana. o trabalho operou uma ruptura com a tradição cristã. a relação entre capital e trabalho. assumindo ao segundo. Conheceu Marx na Universidade de Berlim e. Manifesto Comunista). segundo Marx. Século XXI: socialismo ou bárbarie? . que separava a vida espiritual do mercado. a partir daí. também.O capital. que eqüivale ao valor de troca da mercadoria. incluindo-se a divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. o fundamento da exploração e da dominação social no modo de produção capitalista. Nos séculos XVIII e XIX. Dessa qualidade de trabalho. literatura. essencialmente. I. gerou a necessidade do uso de novos termos para explicar as diversas situações de trabalho atípicas ao próprio sistema. Portanto. e constitui-se como atividade natural de produção e troca de valores necessária à reprodução material da vida social (MARX. de autodeterminação individual e de racionalidade científica. em “A ética protestante e o espírito do capitalismo. o trabalho humano abstrato cria o valor das mercadorias. em “A ideologia alemã. o processo de divisão técnica do trabalho na manufatura. enquanto atividade econômica. é. Como caracterizou Max Weber.

Entretanto. Robert Castel (1998) caracterizou o conceito de precarização como uma construção do final do século XX. além do direito a descanso semanal remunerado. configurando as políticas pertinentes ao estado do bem estar social (welfare state). assim como a remuneração pelo trabalho executado. A crise estrutural do capital multiplicou as taxas de desemprego a um patamar que não parecia ser possível. . Robert. produzindo um amplo sistema de proteção social e a elevação da qualidade do regime de trabalho assalariado com rígidos limites nas demissões. houve um significativo desenvolvimento na estrutura sindical e amplas conquistas trabalhistas e de seguridade social.41 fora do registro em contrato de trabalho assalariado tradicional. quando o sistema capitalista conheceu uma crise estrutural. com um local de atividade do trabalhador definido pelo contratante. Portanto. conforme diferentes graus de desenvolvimento das economias e fruto das lutas dos trabalhadores11. o estado de bem estar social sucumbiu no final da década de 1970. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. e férias. atividades e tarefas definidas e o registro da jornada de trabalho. nesta situação decorre que as condições do trabalhador encontrado nessa relação levam a um padrão inferior à condição de assalariamento. Entendemos por trabalho assalariado tradicional aquele que é regido por um contrato de trabalho entre o empregador e o empregado por um período indefinido. 1998. resultado da redução de acumulação capitalista. geralmente remuneradas. que elevou as taxas de inflação e as taxas de desemprego. sem precedentes. A acumulação capitalista do período pós-guerras elevou o crescimento da economia de algumas nações. Petrópolis: Vozes. e um crescente número de trabalhadores 10 Ver CASTEL. a idéia de precarização do trabalho tem como referência o regime de trabalho assalariado sem tempo determinado para o fim do contrato. Nesse período. quando estava consolidada a “sociedade do assalariamento” que garantiu conquistas trabalhistas acordadas em negociações coletivas e ampliação de direitos e garantias do trabalho.

2. Hoje. O vínculo empregatício vem. que. Diário do Nordeste. 12 “O mundo vive hoje o que se pode chamar da sociedade do desemprego.5% era considerada normal. 28 de abril de 2004. ressaltamos que o capital vê o trabalho precário como possibilidade de superação da sua crise estrutural. uma taxa de desemprego de 2. Esta verdade não nego: Mas uns se aquecem na praia. Francisco. além dos trabalhadores autônomos na economia informal12. o contrato de trabalho por tempo parcial (part-time).A precarização do trabalho no contexto da crise estrutural do capital Sei que o sol nasce para todos.. Capítulo II . part-time etc. temporário. Inversão na relação crescimento econômico e emprego. p. traduzindo em números absolutos. Claúdio Feldman No segundo capítulo apresentamos as mudanças no mundo do trabalho no cenário de crise do capital.. o normal passou a ser um nível de 6% a 7%. a subcontratação (terceirização). sendo substituído por formas atípicas de trabalho: contigencial. (. Finalizamos com a pontuação de algumas políticas para o ensino superior implementadas em universidades latino-americanas em prol de liquidar a universidade pública e favorecer as IES de iniciativa privada. significa mais de 800 milhões de pessoas desempregadas em todo mundo” TEIXEIRA. Desta forma. Na sociedade do desemprego. o emprego por tempo determinado. estão trabalhando ou procurando trabalho. como também aposentados e pensionistas continuam trabalhando.42 inseriu-se em situações laborais atípicas como: o contrato não regulamentado. crianças com menos de 14 anos. .) Se na década de 1950. (Caderno Negócios. segundo Teixeira (2004). E outros batendo pregos.

esteiras rolantes nas linhas de a síntese de múltiplas . que preconizava a implementação de um sistema de organização científica do trabalho. e o trabalho. O engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915). Tal medida marcou o aprofundamento da divisão entre o trabalho intelectual (concepção). um ser biológico. mas. O labor. Portanto. publicou Os princípios da administração científica. em última análise. introduziu. no Estado de Michigan. reservado aos dirigentes e funcionários com alto nível de especialização. determinações historicamente determinadas. fazendo do homem.1 O trabalho precário como necessidade do capital na contemporaneidade Como vimos anteriormente. O trabalho constitui esse impulso que separa o ser social das outras esferas do ser. o homem é parte da natureza. cria objetos. A Ford Motor Company. é um processo em que participam o homem e a natureza. reservado aos operários das linhas de montagem. uma maior contradição entre o capital e o trabalho nesses novos procedimentos organizacionais aplicados à indústria que ficaram conhecidos como taylorismo. e o trabalho manual (execução). eterna síntese da relação homem e natureza. ele dá um salto de sua vida orgânica para o ser social sem desaparecimento de sua condição natural. partindo do uso das energias naturais de seu corpo e de seu potencial intelectual e com o intermédio dos demais elementos da natureza. A divisão do trabalho. dando início nos Estados Unidos a uma mudança inovadora nos métodos de produção.43 2. relações sociais. redundando na humanização do homem e da natureza. fundada em 1903. deveria ser intensificada. em 1913. fracionado em etapas do processo produtivo de forma que o trabalhador desenvolvesse tarefas especializadas e repetitivas. essencialmente humano. segundo Taylor. Seus estudos tinham como base suas observações sobre os tempos e os movimentos dos trabalhadores com o objetivo de aumentar a produtividade no interior das fábricas. entretanto. O industrial norte-americano Henry Ford (1863-1947) adotou em sua fábrica de automóveis as teorias de Taylor. sobretudo. em 1911.

produzido entre 1908 e 1926. por sua vez. Durante a primeira metade do século XX. onde a demanda por bens de consumo crescia lentamente. pressupunha produtos mais baratos e salários mais elevados. salários mais elevados (e maior exploração da força de trabalho) e redução do número de horas dedicadas ao chão da fábrica. bem como o desemprego no pós-crise de 1929. são explorados nesse filme. conseqüência das novas formas de exploração do capitalismo. Ford considerava que a produção em massa exigia consumo de massa. no primeiro. a produção em série e o surgimento da sociedade de consumo. permitiram a formação e o desenvolvimento de grandes empresas que se uniram para enfrentar a concorrência no mercado e também para expandirem sua atuação além de suas fronteiras originais. com a expansão do fordismo. numa fábrica. e. A organização da produção fordista. só atingiu as indústrias de outros países. filme dirigido por Charles Chaplin (Estados Unidos. a visão é ampliada na esfera econômica e social. incentivada pela propaganda. após a Primeira Guerra Mundial (19141918). Em conseqüência. a fabricação de um único modelo em grande escala e a especialização do trabalhador eram algumas das características fundamentais do fordismo. que. O automóvel modelo Ford T. com a acentuada divisão do trabalho e a especialização dos operários. a forma de organização está associada ao interior das fábricas. temos uma comédia sobre o cotidiano de um operário. verificou-se a queda dos custos de fabricação dos automóveis. A diferença básica entre o taylorismo e o fordismo é que. foi um dos primeiros carros a serem fabricados em grande escala. no segundo. A padronização das peças. houve um grande aumento da produtividade e produção em escalas não vivenciadas na humanidade até aquele momento.44 montagem dos automóveis. 1936). O padrão de produtividade adotado pela indústria norte-americana. Em Tempos modernos. nas décadas de 1920 e 1930. No princípio do fordismo. O conjunto de novidades criaria condições para o desenvolvimento da sociedade de consumo. Com o aumento da produção em ritmo superior ao aumento da capacidade .

a famosa quinta-feira negra do capitalismo. com a especulação financeira. como a de 1929. o desemprego. expressão de sua incapacidade como redentor dos trabalhadores e da humanidade. Publicou Riqueza das nações em 1776. ainda mais. como a construção civil. pela população norte-americana.45 de consumo e. Keynes publicou. Com a crise de 1929. escrito durante a depressão. no aumento do déficit público para induzir o crescimento da economia etc. na intervenção nas taxas de juros para facilitar os investimentos produtivos. teve alguns aspectos influenciados pelas idéias da doutrina econômica desenvolvidas pelo inglês John Maynard Keynes (1883-1945). A teoria geral do emprego. evitando o risco de uma 13 O liberalismo. resultado da euforia econômica pós-Primeira Guerra Mundial. defendendo que o Estado deve intervir na economia com o objetivo de evitar crises. do juro e da moeda. nessa obra defendia que as regras do mercado – lei da oferta e da procura – seriam suficientes para organizar a economia. a inflação. em 29 de outubro de 1929. Nesse contexto. É de domínio público que a recuperação da crise dos anos 1930 aconteceu em conseqüência dos pesados investimentos públicos. a fome e as diversas mazelas do capitalismo foram espalhadas pelo mundo. exclusivamente. A política econômica adotada nos Estados Unidos a partir de 1933. Como o preço dessa crise não iria ser pago. Assim. o liberalismo13 foi posto em questionamento. principalmente nos setores que tinham maior capacidade de geração de empregos. em 1936. acreditava no controle do câmbio para estimular as exportações. teoria econômica desenvolvida no período da Revolução Industrial. não havendo a necessidade de intervenção do Estado. conhecida como New Deal (novo acordo). . sendo o mais destacado o economista escocês Adam Smith (1723-1790). um novo modelo socioeconômico teria de garantir a expansão capitalista. baseada no aumento constante da produtividade e da produção. teve vários teóricos. Contrariando as teses dos liberais. precisava elevar a demanda. ocorre a queda de valorização das ações de empresas negociadas na Bolsa de Nova York. ocorreu a quebra da Bolsa de Nova York. A produção fordista. o keynesianismo. também.

preocupandose com condições de saúde. A adoção das técnicas de produção fordistas-tayloristas e o modelo econômico keynesiano conseguiram recuperar alguns postos de trabalhos perdidos na grande depressão. com a educação e o sistema previdenciário. com a polarização do mundo em dois extremos: capitalismo. de trabalho. habitação. Estava garantido o aumento dos lucros dos capitalistas. antes restritos à classe dominante. foi a solução encontrada para atender os interesses do capital em detrimento da classe trabalhadora. 14 15 Ou forma de organização social em que a mais-valia era apropriada pelo Estado. veementemente esconjurado com a queda do muro de Berlim em 1989. como a de 1929. o espectro do comunismo estava vagando nas telas da Guerra Fria. como: saúde. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). educação. os trabalhadores passaram a ter acesso a serviços básicos. saneamento básico e incorporação ao mercado de consumo. nos anos de 1950. implementadas em maior ou menor intensidade conforme a economia dos países. “comunismo”14. por fim. os países europeus ocidentais foram forçados a criar uma densa rede de proteção social. arrecadava mais imposto e investia em infraestrutura para dar maior fluidez aos investimentos capitalistas. Na Europa. nos moldes do keynesianismo. . Com a ascensão ao poder de partidos social-democratas. nesse período. por sua vez. O Estado do Bem-Estar Social deveria suprir as necessidades básicas da população. que adotaram políticas sociais conhecidas por welfare state ou estado de bem-estar social15. representado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). como representante dos interesses do capital. O Estado. A classe trabalhadora teve.46 nova crise. para evitar a disseminação de ideais revolucionários e o crescimento de partidos comunistas (como o francês e o italiano). como resultado de um forte mercado consumidor. socialistas e trabalhistas. representado pelos Estados Unidos da América (EUA) e. vindo a ser condenado pelos paradigmas contemporâneos da academia e. constantes aumentos dos salários com o objetivo de expandir o mercado consumidor e garantir a estabilidade dos lucros dos capitalistas. O Estado.

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O modelo taylorista-fordista-keynesiano criou as condições para o crescimento das economias capitalistas centrais no período pós-segunda-guerra. Contudo, as maiores conquistas sociais e trabalhistas nos limites do capitalismo, como salários mais elevados, direito de greve e de organização sindical, salário mínimo, jornada máxima e seguridade social, não resistiriam por mais de três décadas. Era necessária uma nova doutrina econômica para justificar a permanência do capitalismo como única forma possível de sociabilidade humana. No final dos anos 1950, no Japão, na fábrica de automóveis da Toyota, os processos produtivos desenvolvidos pelo engenheiro japonês Taiichi Ohno, passaram a ser adotados em outros países. O toyotismo ou ohnismo, como ficou conhecido, paulatinamente substituiu a linha de produção, típica da fábrica fordista. No modelo flexível, a produção é baseada por equipes de trabalho ou células de produção. Cada equipe é encarregada de todo o processo produtivo e elevado controle de qualidade. Esse método é conhecido como círculos de controle de qualidade (CCQ).
O desenvolvimento do toyotismo tem gerado novas relações de trabalho. A palavra de ordem passa a ser flexibilidade e, para aumentar as taxas de lucros dos capitalistas, a estabilidade passa a ser a palavra mais combatida, no momento. As novas relações de trabalho são caraterizadas pelos baixos salários, perda de direitos trabalhistas, superexploração dos trabalhadores em relações precárias de contratação (tempo determinado, banco de horas etc.). Flexibilização da legislação trabalhista, extinção de conquistas legais e salariais do período fordista e uma mudança do modelo de sindicato combativo para o sindicato colaborativo. Os serviços básicos, antes, oferecidos pelas políticas públicas de estado de bem-estar social como: saúde, educação, habitação, saneamento básico, agora, deve ser pago pelos próprios trabalhadores (AUTOR, ANO:PÁG).

Nessa primeira década do século XXI, o taylorista-fordista-keynesiano não atende mais as necessidades do capital. A volta às teorias do liberalismo econômico (neoliberalismo) se efetivou nas décadas de 1970 e 1980. O governo da primeiraministra Margareth Thatcher, no Reino Unido, no final da década de 1970, foi o primeiro, entre os países de economia central, a adotar o programa neoliberal. Logo depois, na década de 1980, o então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan

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fez o mesmo. Entre os países de economia periférica, o Chile foi o neoliberal pioneiro, nos anos 1970, durante os anos de ditadura do general Pinochet16. Como sabemos, a teoria neoliberal foi propagada na Europa e na América do Norte, como uma reação ao Estado do Bem-Estar Social. Sua origem está no texto de Friederich Hayek, O caminho da servidão. Para os neoliberais, o objetivo do capitalismo estava ameaçado pelas reivindicações trabalhistas (sindicatos) e pelos gastos sociais. Cortar os gastos e manter uma taxa de desemprego que diminuísse o poder dos sindicatos foram as soluções apontadas pelos neoliberais para eliminar esses obstáculos. Assim, a terceirização e a privatização de empresas estatais fazem parte da política neoliberal. No Brasil, os governos de Fernando Collor de Melo (1990-1992), Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002), adotaram políticas de privatizações de empresas estatais, quebra dos monopólios públicos de produção e distribuição de energia e de telecomunicações. Um conjunto de reformas constitucionais – no sistema tributário, na administração pública, na legislação sindical, trabalhista, educacional etc. – objetivou criar um ambiente favorável para o grande capital. A flexibilidade do trabalho, assim como das leis trabalhistas, em todo o mundo, contribuem para o aumento e a intensificação do trabalho despendido pelo trabalhador. Consultorias que “terceirizam” as atividades de segurança, limpeza, serviços administrativos, ensino etc. são mecanismos conhecidos na busca de salvar os lucros dos capitalistas e oprimir intensivamente a classe trabalhadora. Em síntese: materialização do conflito capital e trabalho.

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Em 1970, o Chile elegeu, por voto popular, o primeiro governo socialista da América do Sul. Foi uma rápida experiência. Três anos depois de eleito, o presidente Salvador Allende foi deposto, e, supostamente cometeu suicídio. Uma junta militar, chefiada por Augusto Pinochet e apoiada pelos Estados Unidos, iniciava uma das mais sangrentas ditaduras da América Latina, que teria fim em 1989 com a eleição direta do presidente democrata-cristão Patrício Aywin.

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No atual estágio do capitalismo, da busca de superação da crise estrutural, decorre uma múltipla processualidade, caracterizada pela desproletarialização do trabalho industrial fabril nos países de estágio capitalista mais avançado, com maior ou menor destaque nas áreas industriais de economia periférica. A classe operária industrial tradicional foi numericamente reduzida e, ao mesmo tempo, verificou-se uma expressiva expansão do trabalho assalariado, a partir do crescimento do assalariamento no setor de serviços; percebeu-se uma heterogeneização do trabalho, deflagrada, inclusive, com o crescimento do contigente feminino no trabalho operário. Nesse contexto, verificou-se também uma subproletarização intensificada, inserida na expansão do trabalho parcial, temporário, precário, subcontratado, terceirizado, que marca a sociedade no capitalismo avançado (ANTUNES, 1995:41). Por conseguinte, o trabalho efetivo, em tempo parcial, temporário, terceirizado ou subcontratado, não estruturado ou informal expressam a fragmentação e a diversificação do trabalho. É nítida a existência, na sociedade contemporânea, de trabalhadores ocupados e desocupados que participam das estatísticas de crescimento da pobreza e da insegurança. Instauram-se palavras de ordem do grande capital como: flexibilização do trabalho e competitividade. Essas “modas” do sistema econômico vigente impedem a redução da jornada de trabalho e empregos estáveis, atravancam o avanço das forças produtivas, proclamam o desemprego como algo inexorável, camuflando... “uma necessidade do capital para recuperar a taxa de lucro” (COGGIOLA, 2002:482). Em uma escala sem precedentes na história moderna, os proletários, oprimidos pela força do capital, deixam de exercer o seu papel histórico de tornar-se o coveiro do capital, para ampliar o número de suicídios gerados pela falta de emprego que causaram crescentes depressões psicológicas e frustrações no homem contemporâneo. Alguns teóricos de plantão do capital apostam que “o desemprego atual em massa é resultado direto de dois fatores: a mudança tecnológica e a ampliação natural do exército de reserva. Contrariando esse discurso, concordamos com

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Coggiola (2002:488), quando defende a manutenção do trabalho, afirmando que a “precarização das condições trabalhistas” tem “o propósito de ampliar o trabalho produtivo”, responsável direto da mais-valia. As privatizações de todo tipo de atividades econômica têm como objetivo principal garantir a taxa de acumulação capitalista, também nos setores de trabalho improdutivo17, como é o caso da educação, da saúde e da previdência social. O desenvolvimento tecnológico atingido pela humanidade no período vigente é significativamente inferior ao que poderíamos ter alcançado, caso não houvesse o processo contraditório do choque entre o capital e o trabalho. Enquanto o capital requer maior exploração do trabalhador e simultaneamente seu maior envolvimento na produção de mercadoria, o regime social vigente barra a possibilidade de elevar a produção para atender às necessidades reais dos trabalhadores, como o acesso à educação e à saúde, não permitindo melhores condições de vida muito menos um trabalho verdadeiramente emancipado, onde o trabalhador mantenha o controle sobre o seu trabalho. As atuais condições de produção flexível e emprego precarizado eliminam, ademais, a possibilidade de aceitar o mito da “soberania do consumidor”, pois a maioria da humanidade não pode participar em condições estáveis do consumo da variedade de mercadorias (COGGIOLA, 2002:489).
A miséria social, o desemprego, a destruição de conquistas trabalhistas e o aviltamento do trabalho, a flexibilidade e a precarização, a exploração ímpar das nações oprimidas (via dívida externa e dezenas de outros mecanismos), a tendência sistemática para crises internacionais cada vez mais freqüentes e agudas, e para guerras imperialistas de conquista, o desenvolvimento da criminalidade sob todas as suas formas e sua penetração até a medula dos ossos do Estado, a tendência para Estados cada vez mais criminosos e cada vez mais policiais, as ameaças e os ataques ao meio ambiente e às próprias condições de sobrevivência da espécie humana, não são tendências conjunturais, nem sua simultaneidade inédita um produto do acaso, mas manifestações visíveis da crise mais profunda e duradoura do capitalismo em toda sua história (COGGIOLA, 2002:491).
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“A informatização não constrói sociedades de classe média `, poi s essa camada social deriva do passado pré-monopolista, quando as camadas de profissionais mantinham uma posição intermediária entre capitalistas e operários por sua vinculação ainda indireta com o processo de acumulação. O proletariado e dominante e crescente porque também inclui os trabalhadores improdutivos, que não geram diretamente mais-valia, mas são indispensáveis para a realização da mesma no mercado: no passado, atuavam fora do alcance do capital, mas foram sendo integrados à acumulação, por serem transformados em ramos capitalistas as atividades de distribuição, serviços, financiamento e comercialização. O capitalismo impede que a redução da jornada de trabalho seja efetivada sem afetar a remuneração do trabalhador” (Coggiola, 2002:483).

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Outro autor que trata da questão é Marcelino (2004). Segundo ele, a precarização do trabalho consiste no emprego intensivo de renovados meios de exploração dos trabalhadores, que deles extrai dos mesmos as duas formas possíveis de mais-valia: a absoluta e a relativa. O aumento da jornada de trabalho, a desregulamentação do uso da força de trabalho e a flexibilização de contratos são expressões fiéis da crise do modo produção vigente que, no mando do capital, necessita, nesse momento histórico, recompor suas taxas de lucro e elevar seu poder de controle sobre o processo de produção e sobre os trabalhadores18. Concordamos com Marcelino (2004:15), quando afirma que “qualquer condição de trabalho sob o capitalismo é, a princípio, precária” e na reestruturação produtiva, nova configuração desse modo de produção, a guerra ideológica contra os trabalhadores, transforma material bélico em belos jardins suspensos, onde as mais belas rosas têm em suas pétalas a qualidade total, o espectro de competitividade e da produtividade, assegurando que um exército de abelhas operárias lutem entre si, como única forma de assegurar um certo número de pólen para o seu sustento mínimo e a garantia da manutenção da abelha rainha – o Capital. As lutas dos exércitos de abelhas operárias entre si, no jardim fértil, porém macabro, é o principal mecanismo que garante, no atual momento histórico, os ataques às conquistas dos trabalhadores decorrentes das lutas do período histórico fordista que correspondeu aos parcimoniosos anos dourados do, denominado, Estado de bem-estar social (Welfare State). Uma das formas encontradas para evitar que se cumpra a máxima “trabalhadores do mundo inteiro uni-vos” foi o processo de precarização do trabalho com um elemento central do regime flexível: a terceirização, dividindo os trabalhadores em duas categorias: estáveis e temporários e fragilizando a organização da luta dos trabalhadores em terreno cada vez mais pantanoso onde, se já não era possível “sair do pântano puxando pelos próprios cabelos “, agora, torna-se mais complexo “sair do pântano puxando pelas cabeças calvas”. Dito de
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Ver Antunes, 1995.

O prolongamento da jornada de trabalho dos professores temporários dáse de forma discreta. conseguiu dividir e contrapor os trabalhadores em estáveis e subcontratados. chamados. tudo com amparo legal).19 Os professores com contrato de trabalho temporário (caso da UVA. Como a remuneração de seu trabalho fica vinculada à carga horária de aulas. o Banco do Estado do Ceará – BEC (federalizado e em processo de privatização). por mais perversa e desfavorável que se apresente. nivelando-os por baixo. contribuição previdenciária. uma despesa extra e uma jornada de trabalho não remunerada. nesse momento. Para fragilizar o movimento a Justiça exigiu o funcionamento de 40% dos trabalhadores. o contrato de trabalho já determina o fim do trabalho). que pode variar de três a oito meses após as aulas ministradas e. pago aos professores. encargos trabalhistas para o empregador que não se responsabiliza pelo fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS). de certa forma. no Brasil. sente nos gastos diários com refeições. a greve do bancário em 2004 é a maior greve da categoria. o professor. o esforço para compreender os mecanismos de resistência da classe trabalhadora tem que dar conta da realidade imposta pela crise estrutural do capitalismo que. desde 1987. terá seu trabalho vivo dispensado nas próximas disciplinas. que necessita deslocar-se cerca de 400 km de seu domicílio e pernoitar por vários dias em outra cidade. foi assumida pelos trabalhadores do setor financeiro (bancários). de um modo geral. 19 A greve. décimo terceiro salário. apesar das relações contraditórias dos sindicatos que assumem seu caráter combativo e. a consciência dos trabalhadores tece teias de resistência ao domínio do capital. efetivamente ministradas. aviso prévio (pois. Urca etc) reduzem os. férias (muitos dos professores utilizam-se de suas “férias” para trabalhar etc. alojamento e tempo de deslocamento.52 outra forma. não leva em conta as titulações acadêmicas. em outros momentos buscam soluções em mesas de negociação com o opressor (sindicato colaboracionista). o valor da remuneração do trabalho. segundo a imprensa. Reconhecemos que a luta de classes é elemento central no processo histórico. A propósito. instrumento de luta legítima da classe trabalhadora que. caso o docente reivindique sua remuneração antes da conveniência da contratante. Outro elemento significativo é que a empresa contratante paga a força de trabalho dos professores conforme seu calendário de conveniência. desta forma. Ainda mais. a conjuntura. contratou 100 trabalhadores temporários para atender a .

sua formação acadêmica deu-se em mestrado e/ou doutorado financiados por agências de fomento à pesquisa (CNPq. portadores de título de doutor ou mestre. mesmo assim. Mais do que a “qualidade” dos cursos superiores vendidos pelas “consultorias”22. desta forma. portanto. “ Impedir: A mercantilização do Ensino Superior – houve uma rápida expansão da iniciativa privada no ensino superior nos últimos anos – o número de matrículas triplicou entre 1992 e 2003. EX. ou significativa parcela destes. definindo normas gerais adequadas e critérios claros de autorização e supervisão de cursos. que mantém salários regulares. pós-graduação etc em nome da UFC. em geral. Esse processo ocorreu sem o devido controle de qualidade. nas universidades públicas e. 20 Segundo o informativo do Ministério da Educação. e. parte do sistema produtivo. os trabalhadores estáveis continuam em greve 40 dias. realizada junto aos professores do Centro de Educação da UECE que confirmam nossa afirmação. públicas ou da Rede de Ensino Fundamental Oficial. agrega-se confiabilidade ao curso superior quando o elenco dos professores possui algum vínculo. 22 Consultorias são as empresas terceirizadas que vendem os cursos seqüências. APOEMA etc. Detalhe: as máquinas eletrônicas de saque são abastecidas por trabalhadores terceirizados. os contratados precariamente. as atividades docentes no ensino superior privado servem como complementação orçamentária com data imprecisa para recompor as perdas dos proventos oriundas das crises econômicas impostas pelo Estado capitalista. clara ampliação da taxa de lucro por meio do aumento do Justiça. Isso significa agregação de valor nos históricos escolares dos “compradores de diplomas”. Como garantir a sua subsistência sem salário por extenso período? Bem.53 Como todo trabalhador. TCC. são princípios constitucionais presentes na proposta de reforma universitária”. extensão. preferencialmente. com a criação de inúmeras escolas sem corpo docente qualificado e sem a infra-estrutura mínima necessária ao seu funcionamento. em geral. Conter a expansão desordenada e consolidar o papel regulador do Estado. a redução de custos de contratação de professores promovida pela terceirização permite um ganho de competitividade em termos de preços de mensalidades. IDJ. Brasília – DF. graduação profissional. . UECE. julho de 2005. 21 Ver pesquisa de SILVA (2004). em particular no caso da mercantilização do ensino20. sobretudo fora do espaço da sala de aula. formação de professores. UVA e Urca. Funcap etc)21. mesmo que seja de professor substituto. são recrutados das IES. os professores necessitam de remuneração para garantir subsistência e reprodução da força de trabalho. Capes. O bom funcionamento dos cursos superiores pagos requer um quadro de trabalhadores com elevado nível acadêmico. Com o tempo de estudo dos alunos reduzido.

correm o risco de não serem mais convidados para ministrar outras disciplinas. Castel (1999). como a de vender apostilas aos seus alunos e repassar o valor da venda para a contratante. em larga medida. Em A logística da precarização. aponta que “a precarização do trabalho é um dos aspectos determinantes da fragmentação do proletariado. poder absoluto da contratante. além de comunicar aos alunos inadimplentes que estarão impossibilitados de assistir aulas e realizar avaliações até segunda ordem (negociação de dívidas oriundas de taxas e mensalidades escolares). Lima (1996). O desemprego estrutural. são cumpridas pelos professores que. todavia. sem nenhum acréscimo em seu salário por essa nova função. trabalhadores em condições precarizadas. apesar de expresso no contrato. não são passíveis de negociação para garantir. Muitas vezes. As análises de Antunes. Harvey (1994). Marcelino (2004:119). Como afirma Antunes (2002:16): . tendo como pano de fundo o neoliberalismo e a reestruturação produtiva da era da acumulação flexível (2002:15) As profundas mutações no interior do mundo do trabalho são visíveis e ampliadas com lentes de aumento para atender a lógica do capital na produção de mercadorias. o cumprimento do estabelecido. a relação metabólica entre o homem e a natureza são expressão fiel da crise enfrentada pelo capital nas últimas décadas. e os prazos de recebimento de seu salário. sustentada em Antunes (1995 e 1999). ao menos. Gounet (1999). o professor assume novas funções. dão. na tentativa de esvaziamento e enfraquecimento da luta de classes ensejada pelo capital”. suporte às formulações presentes neste capítulo. Os professores não possuem poder de negociar o valor de sua remuneração. as quais vale ressaltar. Essas funções incorporadas não estão estabelecidas em contrato formal.54 total da mais-valia. caso desobedeçam.

trabalho-por-hora são conhecidos como operários hifenizados. trabalho-precário. assim. férias anuais. trabalho precarizado. sua força de trabalho é contratada e remunerada por hora ou por período em que é indispensável. 30). O trabalhador precarizado tem uma vida parcial e de intensa sazonalidade. é part time. A retração dos gastos públicos com a educação e sua transferência para o capital privado é o ajuste necessário para sobreviver com a crise fiscal do Estado capitalista (idem. pois as modas passam a exigir novas roupagens. isto é. Por conseguinte. cabe ao trabalhador acompanhar as exigências do mercado. a natureza descartável dos cursos supracitados. que o trabalhador precisa obter para manter-se empregado. quando as dimensões da crise estrutural do capital apresentavam sinais de um quadro crítico (ANTUNES. Percebe-se. do número de desempregados “. 13º salário. que Antunes chamou em “Adeus ao trabalho? “de subproletariado moderno. . O conhecimento. onde o imperativo é o trabalho temporário. licença saúde etc. portanto. trabalho-por-tempo. O proletariado precarizado. explicando-se. Os operários em trabalho-parcial. a influência na educação do modelo de produção vigente que prioriza o predomínio da produção descartável. por exemplo. o direito a final de semana remunerada.55 A lógica do sistema produtor de mercadorias vem convertendo a concorrência e a busca da produtividade num processo destrutivo que tem gerado uma imensa precarização do trabalho e aumento monumental do exército industrial de reserva. fabril e de serviços. está relacionado à tendência decrescente do valor de uso das coisas. investindo incansavelmente em sua formação profissional. Um curso de pós-graduação lato sensu. portanto. O autofinanciamento do trabalhador por sua formação foi traçado desde o início dos anos 70. 2002: 29). A condição de vida dos trabalhadores precarizados é marcada pela ausência de direitos trabalhistas historicamente conquistados nas lutas de classes. se torna “obsoleto” em pouquíssimo tempo. evitando-se. constituindo-se uma das características dos trabalhadores no final do século XX e início do século XXI. assim.

hoje o terceiro maior fabricante de automóveis do planeta. O capital coloca trabalhadores competindo entre si.56 Nunca foi tão atual a teoria do exército industrial de reserva elaborada por Marx. a formação necessária para 23 “O toyotismo ou modelo japonês pode ser entendido. disputando uma vaga no mercado de trabalho com remuneração cada vez mais baixa e qualificação elevada. 2002: 230. inventou e passou a fabricar várias máquinas de tear. O toyotismo24 reduz o desperdício ou o tempo ocioso do trabalhador. O desemprego estrutural apresenta sua outra face na reestruturação produtiva do capital. Concordamos com Antunes (2002). homens e mulheres. Era o surgimento da Toyota Motor. o departamento de motores se desmembrou da companhia-mãe e produziu quatro unidades de um sedã chamado “AA”. em 1973 e em 1979. “(. Muitos são os recrutados e poucos são os escolhidos para entrar no exército do subproletariado. As imprevistas elevações dos preços do barril do petróleo. O crescimento econômico no modelo taylorista-fordista-keynesiano estava em crise. flexibilização do trabalho (em conformidade com a legislação trabalhista vigente e possibilidade de intensificação com as reformas neoliberais) e desregulamentação baseados no toyotismo23. Em 1937. 1995. sendo que basicamente ela se diferencia em maior ou menor intensidade do fordismo” Antunes. caminhando numa direção que foi apontada por Kiichiro Toyoda. em regime de tempo parcial. Nos anos 1970. no Japão. entendendo por complementação a qualificação. subemprego. resumidamente.. em trabalhos assalariados temporários. altitude mais acentuada do relevo após a crise estrutural do capital que teve seu ápice nos anos 70 do século passado e permanece atual. no pós-segunda guerra.). a pressão dos sindicatos por aumentos salariais era violentamente combatida pelos capitalistas que não estavam dispostos a manter o welfare state. o filho do fundador. part time etc.. marcam a crise estrutural do capital (Mészáros. . Os que ficam de fora constituem o exército de desempregados. marcada pela flexibilização da produção. Primeiro. ou a expressão desse novo proletariado (p. quando o fundador. como a forma de organização do trabalho que nasce a partir da fábrica Toyota. sob o comando de Shoichiro Toyoda. quando afirma que: Nas últimas décadas. paralelamente a redução dos empregos estáveis. O essencial é que o trabalhador seja remunerado tão somente pelo tempo de trabalho efetivamente executado ou prescrito e não receba pelo trabalho complementar necessário para sua execução. 202). Sakiichi Toyoda. Essa é uma forte manifestação desse novo segmento que compõe a classe trabalhadora hoje. 24 A Toyota surgiu em 1890. ampliando as esferas de assalariamento e de exploração do trabalho sob as formas de precarização. Somente em 1933. em madeira. aumentou em escala explosiva o número de trabalhadores. depois utilizando o ferro como matéria-prima. 1995). a empresa resolveu pesquisar na área automotiva. atrás apenas da GM e da Ford” (SILVA. 2001).

responsável por uma produção mais homogeneizada. Goez. bem como por não conseguir uma vaga no mercado de trabalho estável ou temporário. a qual deveria ser substituída pela máxima do proletário. Offe. Mescla da produção em série fordista como o cronômetro taylorista. porém desqualificou-se e precarizou-se em diversos setores. “empreendedorismo”. O desemprego estrutural. entre outras. “qualidade total”. apto a exercer com qualidade a negação dos valores de sua classe. além de observar-se o individualismo exacerbado que põe em cheque a luta coletiva. fundado na produção em massa. O trabalhador torna-se mais qualificado em vários setores com uma relativa intelectualização do trabalho. atinge uma massa de trabalhadores sem qualificação e. No toyotismo/fordismo25. O capital exige do trabalhador cada vez mais “qualificação” em troca de menor remuneração onde sua máxima é “quanto mais intelectualizado for o trabalhador. com a experiência japonesa do ‘toyotismo’ nos permite constatar” (ANTUNES. por outro lado. 2002:210). além de fundar-se no trabalho parcelar e fragmentado. as férias remuneradas etc. O capitalismo vigente põe seus ovos de ouro com palavras gravadas como: “produtividade”. . Hoje. 2002:210). o trabalhador sente-se culpado por não atender às exigências do capital como formação em nível superior. 2002: 191) Contrariando os autores que defendem o fim da centralidade do trabalho (Habermas. com uma linha demarcatória nítida entre elaboração e execução” (Antunes. Para Antunes (2002). “quanto mais intelectualizado for o trabalho. “competitividade”. concordamos com a defesa de Antunes 25 “de maneira sintética endentemos o binômio fordismo/taylorismo como sendo expressão do sistema produtivo e do seu respectivo processo de trabalho que dominaram a grande indústria capitalista ao longo de boa parte do século XX. precariza o trabalhador qualificado que assume funções polivalentes e multifuncionais. “empregabilidade”. a classe trabalhadora fragmentou-se. Além do mais o ritmo de trabalho foi intensificado. “responsabilidade social”. (ANTUNES. “o fordismo e o taylorismo já não são únicos e mesclam-se com outros processos produtivos (neo-fordismo e neo-toyotismo). entre outros). sendo em alguns casos até substituídos. heterogeneizou-se e complexificou-se ainda mais nesse início do século XXI. segundo a qual. o deslocamento. ainda vigente em sua forma híbrida ou mesclada. hoje. maior será sua remuneração”. maior será a efetiva exploração pelo capital”.57 assumir a função.

capaz de atender as novas demandas do capital em sua nova configuração. Como explicita Antunes. vivem. constituindo-se como elemento essencial para a manutenção do sistema capitalista. onde o cronômetro e a produção em série são substituídos pela flexibilização da produção. (2002:197). a relação metabólica entre o homem e a natureza são expressão fiel da crise .58 (2002). portanto. se não são idênticos aos trabalhadores de meados do século passado. em condições semelhantes as dos trabalhadores produtivos. mais propensa a rebeldia” (ANTUNES. trabalhadores em condições precarizadas. quando afirma que “os trabalhadores hoje. O enorme leque de trabalhadores precários. 2002:217). e o toyotismo passa a substituir o modelo taylorismo-fordismo. 2002:217). Sua subjetividade poderia ser. portanto. um papel de menor relevo nas lutas anticapitalista (ANTUNES. quando afirma que “novos processos de trabalho emergem. junta-se com o enorme contigente de desempregados. portanto.196). surge um novo modelo de trabalhador: flexível. que denomino subproletariado. no plano da materialidade. parciais. A produção torna-se flexibilizada. para Marx. sendo os professores trabalhadores que exercem atividades imateriais. uma vez que esses segmentos sociais não tem mais nada a perder no universo da sociabilidade do capital. resultando a desregulamentação dos direitos do trabalho e. temporários etc. estes são geradores de um antivalor no processo de trabalho capitalista. teria. pelo seu maior distanciamento (ou mesmo exclusão) do processo de criação de valores. O desemprego estrutural. Ora. tampouco estão em vias de desaparição” (p. Concordamos com Antunes (2002:210). por novas formas de adequação da produção à lógica do mercado”. improdutivos são os trabalhadores cujo trabalho é consumido como valor de uso e não como trabalho que cria valor de troca. “sua condição de despossuídos e excluídos os coloca potencialmente com um sujeito social capaz de assumir ações mais ousadas. acompanhando esse processo. por novos padrões de busca de produtividade. trabalhadores improdutivos.

um professor que é contratado no período para exercer atividades docentes em uma IES. A estatística revela que o emprego formal – aquele regido pela CLT – é artigo em extinção. 03. (. não mantém vínculo empregatício com a instituição. no primeiro caso. no entanto estar vinculado a elas.5% da população ocupada no país têm carteira assinada. um professor (sub)contratado para cumprir uma carga horária em um curso de graduação. pois não estende aos trabalhadores com contrato nessa modalidade. Exemplificando. No segundo caso.6% População sem crachá. uma configuração de precariedade no trabalho. enquanto “autônomo”. segundo o IBGE em março de 2004. Pág. a (sub)contratação e o trabalho por tempo determinado cumprem de modo geral. Para cada analfabeto sem trabalho. não há possibilidade de vinculação do trabalhador a um sindicato.2 Notas sobre a precarização do trabalho docente universitário 26 Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico (IBGE). pois o trabalhador é contratado diretamente como mão-de-obra para cumprir tarefas em uma ou várias empresas por tempo determinado. . há três pessoas qualificadas procurando emprego. Podemos considerar o trabalho por tempo determinado.59 enfrentada pelo capital nas últimas décadas.8% de desempregados no Brasil. A subcontratação não deixa de ser uma relação de trabalho por tempo determinado. encerra o contrato após ministrar a carga horária e.. apenas 39. sobretudo às regras de dispensa como aviso prévio entre outros. Caderno negócios. está vinculado à instituição pelo período de vigência do contrato no regime celetista (Consolidação das Leis do Trabalho CLT) ou estatutário (servidor público). seu contrato é por tempo determinado. o propósito de reduzir custos com o trabalhador e desarticular o movimento sindical26. todos os direitos daqueles contratados por tempo indefinido. 2. além de gerar instabilidade e insegurança. Em ambas as condições de trabalho..) 12. sem. configura-se como uma associação permanente de assalariados e tem por objetivo manter e melhorar as condições de emprego e renda.. Portanto. que. E mais. em uma concepção ampla. em sua definição clássica.9% de desemprego contra sem instrução de 11.) Mais tempo de estudo gera desocupação. portanto. tendo como pano de fundo o neoliberalismo e a reestruturação produtiva da era da acumulação flexível. 2 de maio de 2004. Com mais de oito anos a taxa 14.. Diário do Nordeste. (. o desemprego atinge com força a classe média brasileira.

no México. organizado por Pablo Gentili (2001). A seguir. destinado a financiar a prestação de serviços educacionais. ainda. explicitando. utilizamos as contribuições de Aboites (2001). ao Estado o papel de fiscalizar ou autorizar o “papel educativo” das Instituições de Ensino Superiores privadas). O conjunto dos autores da referida obra ainda que não discuta com os autores mais radicais na interpretação da realidade no sentido marxiano. como os da América Latina. montaram uma série de estratégicas para as políticas públicas educacionais sobre o comando do Banco Mundial que. tendo como chão de realização a situação vigente no Brasil. Leher (2001). oferece muitos elementos para compreender-se a problemática da (con)fusão dos limites entre o público e o privado nas universidades latino-americanas. com a conseqüente avaria nos investimentos em infraestrutura. assume o papel de Ministério Mundial da Educação. . hoje. intensas mudanças na organização dos seus sistemas nacionais de educação. cabe. as novas modalidades de privatização e mercantilização do ensino superior. Os regimes neoliberais de governo. Mollis (2001) e Trindade (2001) para compreender melhor a questão da universidade nos países de língua latina. e c) redefinição do papel do Estado – abandono do Estado educador por um Estado avaliador (o ensino superior público atende cada vez menos a população e. expressão da crise estrutural do capital conforme aponta Mészáros. Gentili (2001) sintetiza essas medidas comuns em todos os países latinos: a) redução do investimento público. no contexto de profundas mudanças promovidas pelas políticas neoliberais na América Latina. na Argentina e na Venezuela (como países representantes do que ocorre em toda a América Latina e Caribe). para atender às necessidades de recuperação das taxas de lucro.60 O livro “Universidades na penumbra: neoliberalismo e reestruturação produtiva”. Gentili (2001). constitui um esforço de intelectuais que discutem o presente e os desafios das instituições de ensino superior. Nas últimas décadas do século XX. a crise estrutural do capital exigiu dos países de economia periférica do capitalismo. redução dos gastos com docentes e pessoal técnico-administrativo. O livro denuncia as conseqüências das políticas neoliberais no campo universitário. b) aprovação de leis gerais de educação.

os espaços públicos e gratuitos são significativamente raros tanto no ensino quanto na pesquisa e na extensão. decidindo por uma intensa ampliação de matrículas e privatização com a criação de novas IES sobre o domínio privado e cobrança de taxas. mesmo que as taxas. preparadas para atender a demanda por educação superior pública 27 28 Dados disponíveis na página eletrônica www. Uece e Cefet -CE). É nítido o aumento das IES privadas. principalmente. Hoje. Termo utilizado por Gentili (2001) apud Gentili (2000) . Se. possa representar otimismo para os “novos” capitalistas da educação. pois a noção de público e gratuito não se aplica a todas às atividades acadêmicas das universidades públicas. Em todo o Estado do Ceará.inep. A precariedade do trabalho docente nas instituições públicas está diretamente relacionada ao crescimento das IES privadas. portanto. inscrições. assim como o número de matrículas nestas instituições. para ingressar e permanecer em IES (pública e. o número de IES privadas é de 70. segundo dados oficiais do governo (INEP. Em Fortaleza. contra 30 IES públicas27. A saída encontrada pelos docentes das IES públicas. contra 3 IES públicas (UFC. a reestruturação jurídica derrubou o muro entre o público e o privado. matrículas e mensalidades nas IES privadas sejam “populares”. disponível na Internet). pois. “censo educacional 2004”. levou ao crescimento do espaço privado dentro das universidades públicas. inscrições e mensalidades nos cursos superiores públicos.61 Após um período de restrição de vagas no ensino superior. a expansão das vagas nas IES (mesmo que privadas). por outro lado. ou melhor.gov. para recompor seus salários que perderam o poder de consumo ao longo das últimas décadas do século XX e mais intensamente no período vigente. a delimitação das fronteiras entre o público e o privado está cada vez mais complexa e desafiadora. por um lado. ainda constituem impedimento a ser enfrentado pelos alunos mais pobres. agora. o aumento da oferta do (super)mercado28 educacional não atende aos interesses públicos de acesso ao ensino superior das classes populares.br. o número de IES privadas chega a 31. como o monopólio do setor púbico sobre a universidade. privadas). apenas 10% do total de IES na capital cearense.

Nas palavras de Hugo Aboites (2001:192). incentivo à educação superior 29 A UNAM é a principal e maior universidade mexicana. A greve na Unam foi uma resistência histórica noticiada pela imprensa no mundo todo teve uma longa duração. As reformas no ensino superior mexicano representaram um processo de reestruturação capitalista que envolveu um pacto entre o Estado e os grandes empresários que decidem o que deve ser feito com a educação pública. avaliação educacional como garantia do cumprimento das metas.). “os estudantes se declararam em greve e fecharam a universidade em protesto contra uma série de medidas que traduzem diretamente à universidade o pacto empresarial-governamental sobre a educação. relatando sobre “A privatização da Educação Superior no México: novas e velhas realidades”. sistemas de educação virtual (a distância). Foi uma greve que só terminou com a ocupação semimilitar da universidade e a prisão de mil estudantes e alguns acadêmicos” (ABOITES. em nome do Estado. passando a ser nutrida pelo suor dos trabalhadores que contribuem duplamente com a instituição (pagamento de impostos e pagamentos diretos ao caixa universitário). quase um ano (de abril de 1999 a fevereiro de 2000). e a abertura dos laboratórios e centros de pesquisas universitárias para as empresas.62 com a captação de recursos diretos dos alunos (taxas. deixa de ser amamentada pelos cofres públicos. aumento de matrículas no ensino superior. como nos demais países latino-americanos. Nesse contexto. é possível “pensar seriamente na possibilidade de que sejam diretamente os empresários os que. a qual configura-se na abertura da educação ao mercado e. inscrições. a cobrança de mensalidades e taxas na educação pública aos estudantes. são encarregados da educação pública”. matrículas. 2001:197) . contra uma proposta educacional superior cada vez mais excludente. malgrado a resistência histórica dos estudantes e professores na Universidade Nacional Autônoma do México (Unam)29 nos anos 1990. As políticas públicas para a educação superior na América Latina (AL) seguem um mesmo mapa: convênios com a iniciativa privada. no ensino superior no México. estabeleceram a privatização em seu sentido mais stricto. Após mais de uma década de transformações no ensino superior. Assim. “na esfera político-social a privatização significa que o Estado adota a classe empresarial como o interlocutor fundamental e praticamente único em relação à educação e à universidade”. a universidade brasileira está deitada em berço esplêndido. responsável por grande parte da pesquisa e geração de lideranças políticas do País. mensalidades etc. As transformações.

A abertura comercial da educação determina redução-limitação da presença e manutenção da educação pública e gratuita. segundo o discurso dos empresários da educação na formação de cidadãos empreendedores. A universidade pública pode continuar oferecendo serviços gratuitos desde que mantenha um serviço privado paralelo para captar recursos para seu funcionamento. criativos. . eficientes. que oferecem cursos de caráter técnico com dois anos de duração. eficientes e flexíveis diante do quadro de instabilidade do emprego. os empresários industriais que tomam as decisões fundamentais sobre o funcionamento: programa do curso. cotas etc. Exemplo explícito é a expansão de cursos de mestrados profissionais. desobrigando o Estado de financiar integralmente a universidade pública. nem tampouco abertura para representação estudantil e de professores e funcionários no Conselho Universitário. recinto de fácil instalação. portanto. Uma característica comum na expansão das matrículas na educação superior da AL é o aumento da oferta de cursos superiores de curta duração (dois anos)30 sobretudo na área das humanidades e da administração. repletas de valores e competências. avaliação e contratação de professores. A educação superior da AL. assim como a cobrança de mensalidades.). segundo Aboites (2001). trabalhadores entusiasmados. do capital) diante das novas necessidade de recuperação da taxa de lucro. o Conselho Diretivo é composto por empresários e funcionários estatais e municipais. as mudanças no cenário educacional são acompanhadas de políticas públicas capazes de atender passo a passo os interesses empresariais que avançam com propostas pedagógicas inovadoras. admissão de alunos. apesar dessas características o Estado continua definindo como instituições públicas. através da exploração intensiva da mais-valia. que buscam recursos privados para os programas acadêmicos. foram criadas quarentas Universidades Tecnológicas. 30 No México. Nestas instituições não existe um currículo científico-humanista. que não requer grandes investimentos iniciais para funcionamento. A existência da educação pública está condicionada ao processo de modernização e participação direta da iniciativa privada na condução da educação pública.63 privada e canalização de fundos públicos para a educação privada (bolsas. sobretudo o que restou de caráter público e gratuito foi(é) incapaz de atender aos interesses da sociedade (leia-se. Nesse contexto. adaptado às novas exigências da sociedade da comunicação e do conhecimento.

ou seja. como prefere o ramo empresarial. os condutores da educação ficarão sem uma ampla gama de opções para tornar o gasto mais eficiente. deixando de assumir o papel de Estado-educador.64 O crescimento dos (hiper)mercados ou shopping’s populares de educação superior em toda a AL parece atender fielmente as recomendações do Banco Mundial (1997:31) apud Aboites (2001:207) para a expansão da educação superior. Para compreender melhor a complexa diluição da fronteira entre o público e o privado na educação superior. de qualidade. . a partir de parâmetros avaliativos atrelados à lógica mercantil e à eficiência empresarial. principalmente a partir da década de 90 do século passado (Exames Nacionais). atuar como mero regulador da atividade educacional nacional. a criação de instituições não universitárias e o aumento de instituições particulares. garantir que as instituições de ensino privadas (e públicas. já que claramente significa responsabilidades diferentes para a Secretaria de Educação Pública. Se não ocorre esta reorientação – diz o Banco -. ou seja. com o cumprimento do dever de casa recomendado pelo Banco Mundial. sobretudo dos pobres (parcela cada vez mais ampla da população). Os países da América Latina e do Caribe. demonstrou ser custoso e pouco apropriado para satisfazer as múltiplas demandas do desenvolvimento econômico e social. em amplo processo de privatização de suas funções) atendam a um certo número de exigências ou. a institucionalização de avaliação periódica e sistemática dos sistemas de ensino. abdicando desse compromisso para exercer a personagem de Estado-avaliador. conduzindo ao fim da gratuidade na educação pública e ao afastamento dos estudantes. Daí. quanto ao acesso e à permanência em todos os níveis educacionais. basta ler atentamente a recomendação do Banco Mundial (1997) apud (idem:209): A reestruturação da educação deve levar em conta duas novas realidades na América Latina e no Caribe. A introdução de uma maior diferenciação no ensino superior. A primeira é a descentralização. pode contribuir para satisfazer a demanda cada vez maior de educação pós-secundária e fazer com que os sistemas de ensino se moldem melhor às necessidade do mercado de trabalho. A outra é o importante papel que o setor privado tem na educação latino-americana e a necessidade e que as Secretarias de Educação Pública se convertam em (apenas) Secretarias de Educação. vão brincar com parceiros privados. quando diz: O modelo tradicional de universidade européia de pesquisa com seus programas em um único nível.

ainda. fazem parte do arsenal jurídico para atender às políticas públicas impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). saúde e meio ambiente. Emendas Constitucionais. A aprovação da Lei 9. informática. marketing. as carreiras preferidas pelos jovens atualmente são: administração. Considera. 132). negadora da pluralidade cultural. o projeto de Lei 9. mas também a liberalização de serviços até então sua responsabilidade. orientada para a privatização das universidades públicas e para o reconhecimento pragmático do mercado como única fonte de “inovação e de qualidade”. Em sua análise sobre os relatórios de 1993.394/96. que autoriza à União a contratar docentes e técnicos administrativos na forma do emprego público. Segundo Mollis (2001). afinal..962/2000. que “isso inclui não apenas a venda de bens e serviços de propriedade ou de prerrogativa exclusiva do Estado. gratuita e de qualidade”. regido pela CLT. Leis Complementares. A educação procura responder aos desafios da protelada “sociedade do conhecimento”. fala-se em “defesa da escola pública. Medidas Provisórias. o que entendemos por “privatização”? Leher (2001:152-153) esclarece que. a autora identifica uma caracterização economicista. que dispõe sobre as diretrizes e bases da educação nacional no Brasil. defendida pelos pós-modernos. como educação. “contra as privatizações no ensino superior” etc. além de Decretos. Banco Mundial e pela . 1994 e 2000 daquela instituição. mas. “genericamente. intitulado “A americanização das reformas universitárias: caso argentino”. Nas bandeiras de luta dos trabalhadores em educação e do movimento estudantil.65 O texto de Mollis (2001). a-histórica. pela desregulamentação e estabelecimento de contratos de gestão de serviços públicos por provedores privados”. “o fomento das profissões orientadas ao setor de serviços reforça o predomínio de um perfil empresarial globalizado e. expressa de forma contundente o cenário das reformas universitárias impostas pelo Banco Mundial na AL. consequentemente. o termo ‘privatização’ designa as iniciativas que ampliam o papel do mercado em áreas anteriormente consideradas privativas do Estado”. ciências da comunicação” (p.

das péssimas condições para o exercício da docência. O direcionamento da universidade para fins privados de acumulação não podem ser comparado linearmente com as alternativas emergenciais de sobrevivência adotadas por alguns professores. com contrato de trabalho de 40 horas semanais. temos a expressão mais perversa. reconhece o potencial econômico na transformação dos serviços públicos educacionais em mercadorias. No Brasil. Leher (2001) alerta sobre as alternativas adotadas por alguns professores diante dos baixos salários. nas rodadas de Seattle. em geral. no caso da Uece e estatutário. reconfiguração da autonomia da universidade e a reprodução ampliada do capital (p. O regime de emprego público temporário é pela CLT. conforme aponta Leher (2001). os Tratados de Livre Comércio tentam viabilizar. embora a descaracterização do regime de dedicação exclusiva seja nefasta para o ensino público. os dois regimes de contrato de trabalho não garantem a estabilidade do emprego e podem interromper o contrato conforme conveniência da universidade. A partir desse processo. no caso da Universidade Federal do Ceará (UFC). O processo de privatização da educação constitui um dos instrumentos básicos para a reestruturação do regime de acumulação capitalista na AL. é preciso diferenciar a ‘grande privatização’ das ‘estratégias de sobrevivência’ adotadas por professores diante do estrangulamento econômico imposto pelos baixos salários.66 Unesco. entretanto. .. independente do acordo de duração do contrato que. 182). A Organização Mundial do Comércio (OMC).. As políticas de privatização universitária necessitam de aprovação de legislações que favoreçam um violento processo de precarização das condições de trabalho intelectual. Com contratos de trabalho de 20 horas semanais têm que assumir três disciplinas ou uma carga horária de 12 horas semanais em sala de aula. atualizando as recomendações do Consenso de Washington para a educação superior dos países periféricos. cinco disciplinas ou 20 horas semanais em sala de aula. o mercado de cursos a distância. e. porém. prorrogável por igual período. extensão e pesquisa31: (. com mais de 2/3 31 O quadro de professores substitutos – docentes de contrato temporário é desvinculado da pesquisa. o mercado de serviços educacionais deve destruir todas as barreiras estabelecidas em leis nacionais protecionistas. de formação de professores em municípios do interior com verbas do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental.) existem outras modalidades de privatização do trabalho acadêmico. É a ‘grande privatização’ que fecha o ciclo: política de governo. A dinâmica latino-americana de privatização do ensino superior ocorre em velocidades distintas. é de 12 meses. como os cursos de extensão. principalmente.

onde a universidade pública deixa de atender a sua missão e mescla-se à iniciativa privada (TRINDADE. 2001). Capítulo III – Mercantilização e precarização do trabalho docente da Uece Haverá legiões de jovens que mal sairão da universidade e já serão devedores. (Hugo Aboites. o processo é mais gradual e lento. 2001) . No México. cerca de 1/3 das matrículas estão em instituições privadas.67 dos matriculados no ensino superior no setor privado. O estímulo ao processo de privatização acompanha o amplo método de precarização do espaço público.

Privadas . aquelas que incorporam em seus colegiados representantes da comunidade.mantidas e administradas pelo Governo Federa.mantidas e administradas pelo poder público municipal.mantidas e administradas pelos governos dos estado. e. assim como. do CED e dados sobre os cursos lato sensu. obteve junto ao Conselho Nacional de Assistência Social o Certificado de Assistência Social32. Podem ser: Federais . ii.instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. Estaduais . ii) Instituições privadas sem fins lucrativos. inclusive cooperativas de professores e alunos que incluam. aquelas de vocação exclusivamente empresarial. na sua entidade mantenedora.instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendam à orientação confessional e ideológica específicas. comunitárias. aquelas cuja mantenedora. representantes da comunidade. 32 Natureza Jurídica das Mantenedoras: Públicas e Privadas. acadêmica e formação. As públicas são criadas ou incorporadas. filantrópicas. sem fins lucrativos.são as instituições de educação ou de assistência social . são mantidas e administradas por pessoas físicas ou pessoas jurídicas de direito privado e dividem-se entre Instituições privadas com fins lucrativos ou privadas sem fins lucrativos. Quanto a sua vocação social. a relação precária dos docentes da Instituição também constituem este capítulo. Podem se organizar como: i) Instituições privadas com fins lucrativos ou Particulares em sentido estrito . ii. reúnem-se por critérios administrativos classificados. em sentido estrito. em pública (criada por Projeto de Lei de iniciativa do Poder Executivo e aprovado pelo Poder Legislativo) ou privada (criada por credenciamento junto ao Ministério da Educação). ou Municipais .1 O Ensino Superior Brasileiro: a legislação a serviço do mercado 3. confessionais. Um breve histórico da Uece. no Brasil.instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.68 Neste terceiro capítulo traçamos o perfil do ensino superior brasileiro a partir da sua legislação e do seu processo de regulamentação da inserção do mercado. 3.1.3 Sobre o ensino superior O ensino superior brasileiro organiza-se de forma administrativa.a) Comunitárias . mantidas e administradas pelo Poder Público. por sua vez. mantidas e administradas pelo Poder Público e estão classificadas em Federais.b) Confessionais . Estaduais e Municipais.São as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. As IES. que podem ser: ii. As privadas. a seguir: segundo a natureza jurídica de suas mantenedoras. classificamse ainda em particulares. as constituídas por motivação confessional ou ideológica. Públicas – São instituições criadas ou incorporadas.c) Filantrópicas .

Os cursos de pós-graduação lato sensu são voltados para o nível de especialização. os quais podem oferecer diferentes possibilidades de carreiras. de mercado. uma de suas diversas modalidades. Os diplomas e certificados são modelos de comprovação da educação superior com validade em todo território nacional. A educação superior tem três bases: o ensino. públicas ou privadas. mais direcionados à área profissional. por sua vez. A organização da formação do ensino superior brasileiro inicia-se com cursos de graduação ou seqüenciais. que desenvolvem atividades regulares de ensino. bem como cursos em nível de pósgraduação. Faculdades Integradas. a pesquisa e a extensão. pode-se aperfeiçoar a formação com cursos de pós-graduação stricto sensu ou lato sensu. sem qualquer remuneração. que podem ser oferecidos por instituições de ensino superior que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição da população em geral. e com caráter de educação continuada. e Institutos Superiores de Educação. estão os cursos de especialização. As instituições universitárias podem ser classificadas em: Universidades. não computando o tempo de estudo individual ou em grupo sem assistência docente e o destinado à elaboração de monografia ou trabalho de conclusão de curso. como acadêmica ou profissional. os cursos de aperfeiçoamento e os cursos designados como Master Business Administration (MBA) ou equivalentes. Têm carga horária mínima de 360 horas. são constituídas de Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefet’s) e Centros de Educação Tecnológicas (CET’s). Universidades Especializadas. e Centros Universitários. de formação de quadros profissionais de nível superior. pesquisa e extensão. cada qual com sua aplicação específica ao curso em questão. Faculdades Isoladas. As IES não universitárias. .69 Quanto à organização acadêmica. Dependendo da escolha. Nesta categoria. em caráter complementar às atividades do Estado. pelo menos. As universidades são instituições pluridisciplinares. as IES oferecem cursos superiores em.

Mas. incide o disposto no artigo 206. o qual inscreve a "gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais" entre os princípios que regem o ensino no território brasileiro. o acesso à pós-graduação exige a conclusão da graduação (artigo 44. incisos I e II. A oferta desses cursos34. de 3 de abril de 2001. da Constituição Federal. 208. principalmente quanto ao credenciamento da instituição junto ao MEC.ou temas mais gerais que proporcionam um diferencial na formação acadêmica e profissional. inciso IV. típica dos mestrados e doutorados. mas há um certo consenso em ser. os procedimentos diferem da “defesa de dissertação ou tese” diante de uma banca. que podem incluir desde o aprofundamento da formação da graduação em determinada área . reconhecimento e renovação de reconhecimento por parte da Capes. gradativamente extensiva ao ensino médio.como as especializações dos profissionais da área de saúde . composta geralmente de uma avaliação e de uma entrevista a única exigência formal a ser cumprida pelo interessado se refere à posse de um diploma de nível superior33. com aulas.70 ou por instituições especialmente credenciadas para atuarem nesse nível educacional. independe de autorização. Geralmente têm um formato semelhante ao dos cursos tradicionais. 33 Fundamentalmente.º 1. Geralmente estes cursos não exigem que o aluno apresente previamente um projeto de estudos e embora haja a obrigatoriedade da apresentação de uma monografia ao final do curso. tal seleção. lembrando o art. No que concerne à pós-graduação. . seminários e conferências. as instituições de ensino possuem a prerrogativa de fixar exigências complementares e decidir sobre a compatibilidade da área de formação com o aprofundamento de estudos desejado. consagra a obrigatoriedade da oferta do ensino fundamental gratuito. Tais cursos têm finalidades muito variadas. porém deve atender às exigências da Resolução CNE/CES n. segundo a legislação vigente. inciso III. 34 Vale destacar a gratuidade do ensino ofertando em Instituições Oficiais. da LDB). O critério de seleção para o ingresso em um curso de pós-graduação lato sensu é definido de forma independente em cada instituição. ao lado de trabalhos de pesquisa sobre os temas concernentes ao curso.

Confere. os cursos conferem certificado a seus concluintes. 37 Artigo 52. havendo escassez de pessoal qualificado. da LDB. inclusive para o exercício da docência. Todavia. Os cursos de stricto sensu são direcionados para a continuidade da formação científica e acadêmica. A habilitação para o exercício do magistério superior deve ser obtida em programas de mestrado ou doutorado36 . ou renovação. são uma modalidade de pós-graduação mais voltada às expectativas de aprimoramento acadêmico e profissional. tem a validade nacional do diploma condicionada ao reconhecimento prévio do curso (Parecer CNE/CES 0079/2002). para elaboração de monografia ou trabalho de conclusão de curso. nestas não estando computado o tempo de estudo individual ou em grupo.394. as instituições tendem a contratar mais mestres e doutores. como todo programa de pós-graduação stricto sensu. com duração máxima de dois anos35 e com o caráter de educação continuada. Mas. nem o tempo reservado. e as médias variam de um a sete. além de que. Cabe à Capes avaliar separadamente cada curso. os cursos de pós-graduação lato sensu têm duração mínima de 360 (trezentos e sessenta) horas. obrigatoriamente. o curso deverá apresentar média maior que três. de 20/12/96. quando do credenciamento. como mestrado e doutorado. Os quatro anos de doutorado são referentes ao cumprimento das disciplinas e a elaboração da tese junto à orientação O mestrado profissional enfatiza estudos e técnicas diretamente voltadas ao desempenho de um alto nível de qualificação profissional. . 36 Artigo 66 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional .71 De modo geral. sem assistência docente. de 3 de abril de 2001.n. sem o título stricto sensu37. e. Para ser reconhecido. A avaliação é realizada a cada três anos. até para lecionar na educação básica. inciso II. porque a qualificação do corpo docente é fator importante na avaliação institucional. de alunos com nível superior. pois. Responde a uma necessidade 35 Conforme a Resolução CNE/CES N. idênticos graus e prerrogativas. Esta ênfase é a única diferença em relação ao acadêmico.º 9. no qual o aluno desenvolve a dissertação e cursa as disciplinas coerentes com sua pesquisa. Direcionados ao treinamento nas partes de que se compõe um ramo profissional ou científico. é admitida a docência. O curso de mestrado tem a duração de dois anos. é exigida licenciatura plena.º 1.

º1. A Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) é o órgão responsável pela avaliação periódica dos programas de mestrado e doutorado. sua principal característica é a não gratuidade. 3. em seu Art. independem de autorização. estabelece normas para o funcionamento de cursos de pós-graduação. provavelmente. para “instituições especialmente credenciadas”. 6. 6.2 A legalização da mercantilização da pós-graduação A Resolução do Conselho Nacional de Educação da Câmara de Educação Superior (CNE/CES). geralmente. sob nenhum ponto de vista. Tal tática. “Incluem -se na categoria de curso de pós-graduação lato sensu os cursos designados como MBA ou equivalentes”.1. na referida Resolução. reconhecimento e renovação de reconhecimento (grifos nossos).º. segundo padrões de exigência mais simples ou mais rigorosos do que aqueles tradicionalmente adotados pela pós-graduação. necessitam de autorização. oferecidos por instituições de ensino superior ou por instituições credenciadas para atuarem nesse nível educacional. abrangendo os programas de mestrado e de doutorado.º 1.72 socialmente definida de capacitação profissional de natureza diferente da propiciada pelo mestrado acadêmico e não se contrapõe. Portanto. . que os cursos de pós-graduação stricto sensu.º. Vale ressaltar que os cursos devem atender ao dispositivo da Resolução CNE/CES n. Determina. Para atender ao super(mercado) da educação. delibera que os cursos de pós graduação lato sensu. 1.º. no seu Art. A referida Resolução. conforme o mesmo artigo. da iniciativa privada. à oferta e expansão desta modalidade de curso. nem se constitui em uma alternativa para a formação de mestres. que buscam ganhos no (super)mercado da educação superior. de 03/04/2001. a oferta de cursos de pósgraduação lato sensu não é exclusividade das IES´s. consultorias e demais empresas. Compreendemos que esse artigo flexibiliza a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu para instituições não universitárias. parágra fo 1.º. n. entretanto. institutos. reconhecimento e renovação de reconhecimento. em seu Art. estando liberada a porta de entrada para fundações. de 3 de abril de 2001.

ou melhor. . os programas de mestrados e doutorados não admitem alunos sem a graduação plena. a pós-graduação lato sensu é a última etapa de educação formal possível. nesse contexto. após o cumprimento de. em seu Art. haja vista que. n. revogada. Para os portadores de diplomas de cursos superiores de formação específica. isentos de pagamentos de mensalidades escolares.º. de 5 de outubro de 1999. no mínimo. Com a revogação dessas resoluções. na Resolução. na mesma Resolução.º. do Conselho Federal de Educação. 6. e n.º 3. o número máximo de docentes sem diplomas de cursos de pós-graduação stricto sensu era de 1/3 (um terço) do quadro docente do curso. da Câmara de Educação Superior (CES). portanto. conforme o Art. 38 39 Também conhecidos como graduação profissional. Ainda. Esse artigo alarga a possibilidade de oferta de cursos de pós-graduação lato sensu. temos que o corpo docente dos cursos de pós-graduação lato sensu deverá ser formado com. tecnológos38 e egressos de cursos superiores de formação específica (cursos seqüenciais)39. isto é. licenciados. são oferecidos para matrícula de portadores de diploma de curso superior. 360 (trezentos e sessenta) horas e que não haviam defendido a dissertação ou tese de conclusão de curso. de 06 de outubro de 1983. aos portadores de diplomas de bacharéis. parágrafo 2. Os cursos de pós-graduação lato sensu. pondo a cabo a possibilidade de aquisição de certificado de especialização em programas de mestrado e doutorados acadêmicos. de 50% (cinqüenta por cento) de docentes portadores de grau de mestre ou título de doutor. 9. de 05 de outubro de 1999.73 foi inserida para tornar mais atraente para os alunos-clientes a aquisição desses cursos nacionais com “qualidade” internacional. Nas Resoluções n.º. o super(mercado) das especializações ficou restrito aos curso ofertados com essa finalidade. gratuitos. era possível a emissão de certificados de especialização para os estudantes de programas de pós-graduação stricto sensu reconhecidos pelo MEC. Abertos. oferecendo aos portadores desses certificados um diferencial competitivo das especializações tradicionais.º 3.º 12/83. no mínimo.

também de graduação. transforma a Funeduece em Fundação Universidade Estadual do Ceará (Funece). somente em alguns município do interior do Estado do Ceará (Aracoiaba. é uma instituição multicampi que ministra cursos de graduação. Jucás. somavam 287 alunos. mas somente com as águas de março de 1975. distribuemse pelos seguintes municípios cearenses: Quixadá. Faculdade de Filosofia do Ceará e Faculdade de Filosofia Dom Aureliano de Matos). somavam 4. através da Lei º 10. sete faculdades.2. Mulungu. assim. totalizando 16. a Uece.º 9. Itapipoca. Segundo dados fornecidos pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). um instituto e três campi avançados no interior. Itapipoca e Guaiuba). no semestre letivo de 2005. por sua vez. Pela Lei n.1. além de desenvolver atividades de extensão na capital e no interior do Estado do Ceará. além da televisão Educativa – Canal 5.262. totalizando 309 alunos de seqüenciais. (Escola de Administração do Ceará. Os cursos seqüenciais. a Uece contava com 12.74 3. incorporaram-se as várias unidades de Ensino Superior existentes na época. mantida pelo Governo do Estado do Ceará. . Senador Pompeu. Crateús. ofertados. Iguatu.379 alunos. Limoeiro do Norte.1 A Uece A Universidade Estadual do Ceará – Uece. Escola de Enfermagem São Vicente de Paula. Já os cursos de licenciaturas breves. Itarema. Faculdade de Veterinária do Ceará. o Poder Executivo autorizou a criação da Fundação Educacional do Ceará (Funeduece). Novas Russas. Cruz. Suas unidades de ensino.2 O processo de mercantilização da Uece 3. formando.527 alunos de graduação.753. através da Funece. Tauá. entre cinco centros. de 18 de outubro de 1973. pós-graduação. de 18 de maio de 1979.148 alunos matriculados em seus diversos cursos de graduação na unidade de Fortaleza. O Governo do Estado do Ceará. enquanto que nas unidades do interior. Baturité e Pentecoste. Maracanaú. contavam com 116 alunos matriculados na unidade da capital e 193 na unidade do interior. Escola do Serviço Social de Fortaleza.

e do vice-reitor. tendo como base a realidade local sob a luz dos saberes universais produzidos acerca das pesquisas educacionais.1. bem como aos desafios da interiorização do desenvolvimento do Estado do Ceará. A primeira turma de especialização ofertada na Uece foi no ano de 1979. As decisões são deliberadas por um Conselho. composto pelas várias coordenações. em 1998. em 2005. além de incentivar novas experiências e produções científicas. Os cursos de graduação são ofertados. Ciências Contábeis. é composto pela Direção e vice-direção do Centro. Pedagogia e Serviço Social. Coordenação de Ensino Lato Sensu e Coordenação de Educação a Distância (Necad). em 1975. de modo a responder às graves questões enfrentadas pelas escolas.75 Em síntese. tem seu marco no Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa). Coordenação e vice-coordenação do Curso de Pedagogia. 3. a Uece tem priorizado a formação de profissionais voltados para o magistério. com o objetivo de atender os desafios da formação inicial e continuada de professores e gestores para as escolas cearenses.2. os cursos de graduação em Administração de Empresas. Administração Pública. o curso de pedagogia passa a ser abrigado pelo mesmo. . a Universidade contava com 19.472 alunos regularmente matriculados. Já a história de seus cursos de pós-graduação lato sensu. Por toda a sua história. Manassés Fonteles. após a criação do Centro de Educação (CED). que abrigava. Vale destacar que. em Fortaleza. além de representação discente e de servidor e pelo Colegiado do Curso de Pedagogia. Atualmente. prof. Assis Araripe. prof. desde sua origem. e Coordenação e vice-coordenação do Curso de Mestrado Acadêmico em Educação (CMAE).2 O CED O CED teve sua pedra de fundação na administração do Magnífico Reitor.

o Curso de Formação Pedagógica (Esquema I) e o Curso de Formação de Professores para O Ensino Fundamental em Áreas Específicas (Magister). também são professores. O CMAE. com três habilitações distintas: i) magistério das disciplinas pedagógicas do ensino médio. que. Os cursos lato sensu do Centro. admissão de graduados ou transferência facultativa. todos em graduação. são 86 turmas. em geral. Atualmente. com início de atividades letivas no primeiro semestre de 2003. geralmente. A primeira turma de discentes fez seleção para ingresso no ano de 2002. O ingresso de estudantes neste curso de graduação ocorre pelo exame vestibular semestral. nas férias de julho e janeiro. em duas etapas: extensão e pós-graduação lato sensu especialização. Recentemente. destinados aos membros de conselhos escolares e demais gestores da rede oficial de ensino municipal e estadual. Esse calendário de atividades atende aos interesses dos alunos dos diversos cursos. foi pensado desde a instalação da pedra fundamental do Centro. como as Licenciaturas Breves. dentre as quais 56 já concluídas e 30 em andamento. ocorrem. intensivamente. O primeiro curso de especialização abrigado pelo Centro foi o de Gestão Escolar. É um curso gratuito. 3. com 19 turmas concluídas e uma em andamento.2.76 Possui um único curso de graduação em Licenciatura Plena em Pedagogia. nos finais de semana e. contando. Além do curso regular de Pedagogia. com início em novembro de 1997 a julho de 1998. ii) magistério das séries iniciais do ensino fundamental e iii) administração escolar. financiado pelo Tesouro Estadual. e à disponibilidade dos próprios docentes do CED. executou o Programa de Formação de Gestores – Progestão. mantém os Programas Especiais de Formação de Professores.3 O Lato sensu .

. docentes da Instituição. ex-Pró-Reitor de Pósgraduação e Pesquisa. recebiam uma bolsa de auxílio nos meses letivos (janeiro ou junho). no mínimo. os docentes devem possuir. no Núcleo Regional de Pós-Graduação (Nurece). O Nurece contou com 68 cursos efetuados e 1. Os cursos eram ofertados. J. responsável pela oferta de cursos de pós-graduação lato sensu de especializações modulados. aos docentes das diversas IES´s. 19 de março de 2005. Esse relaciona 38 cursos no período de janeiro de 1988 – janeiro de 1994. o certificado de 40 UECE. substitutos ou não possuir vínculo funcional com a Funece. que os coordenadores dos cursos de pós-graduação lato sensu da Uece. Fortaleza.892 alunos até o ano de 1994. após a experiência da Uece com o Nurece. ainda. foram extintos após a predominância de discentes na segunda formação e que. Entrevista concedida a Solonildo Silva. tendo início a primeira turma no ano de 198840. especificamente. pois. não são.77 A época. Quanto aos professores dos cursos de especialização. digitado. visitantes. prioritariamente. 41 SAMPAIO. disponibilizou-nos um mapa de oferta dos cursos do Nurece. a Uece. Projeto de Avaliação dos Cursos de Especialização Modulados Núcleo Regional de Pós-Graduação – NURECE. lecionavam com formação acadêmica limitada ao grau de licenciado ou bacharel. “a Capes não viu com bons olhos a oferta de pós-graduação para os professores do magistério do ensino básico. De modo geral. cuja atuação na área de: i) formação do magistério superior e ii) formação do magistério de educação básica. abrigou em sua Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPGPQ). J. desvirtuava os seus objetivos”41 O Professor Aldo Marques da Silva. C. Silva (2005)42 e Sampaio (2005) nos informaram que. Os cursos eram financiados com recursos da Capes. os alunos não pagavam taxas ou mensalidades e. pagos pelos alunos. dezembro de 1994. podem ser do quadro efetivo. ainda. a Universidade expandiu a oferta de cursos de pósgraduação lato sensu. Fortaleza. segundo o professor José Jackson Coelho Sampaio. que não possuíam certificado de curso de especialização. Silva (2005) nos informou. Acredita-se que os Cursos de Especializações Modulados do Nurece. da Assessoria do Núcleo de Ensino de Pós-Graduação da PROGPQ da Uece. necessariamente. isto é. com um diferencial: os cursos passaram a ser autofinanciados.

Disse. que as relações dos “tarefeiros” com a Funece e com o Iepro. Sampaio (2005) e Silva (2005). a relação desta com o Iepro e os valores de taxas e emolumentos autorizados. Percebemos. Moura (2005)44 disse que. envolvido em diversos cursos lato sensu da Uece. corresponde a R$ 40. 23 de março de 2005. Fortaleza. são “tarefeiros”. isto é. 44 MOURA. a execução dos valores da unidade hora/aula estipulada em Resolução. E. realizada em Fortaleza – Ce. Entrevista concedida a Solonildo Silva. são bastante frágeis. ainda deve ser descontado o Imposto Sobre Serviço (ISS). que foi convidado e recusou a orientação de monografia em um determinado curso de especialização em que o coordenador do curso informou que o emolumento a ser pago seria de R$ 200. M. atua também no desenvolvimento de recursos humanos. 42 43 SILVA. 05 e 07 de maio de 2005. bem abaixo da remuneração proposta pela Resolução 199/CD. . Ainda. O Iepro foi fundado em 1995. que lhe foi apresentada. com base nas informações fornecidas por Moura (2005). Apesar da resolução 199/CD de 17/02/2003. não recebe o valor mínimo estabelecido na remuneração de professor com o grau de mestre que. segundo a resolução vigente apresentada. Para Silva (2005). ainda. que dispõe sobre as atividades auto-sustentadas da Funece. A. não sendo garantido ao menos. os “tarefeiros” não têm contrato escrito com a Funece e seus pró-labore são pagos pelo Instituto de Estudos. “cumprem a tarefa de ministrar aulas ou orientar monografias”. Fortaleza.00.78 especialista em acordo com as legislações vigentes e seu curriculum vitae ser selecionado pelo coordenador do projeto do curso de especialização.00. Afirmou que sobre o valor praticado. cuja finalidade é contribuir para o desenvolvimento técnico-científico das instituições públicas e privadas do Ceará e da região. Entrevista concedida a Solonildo Silva. M. os “tarefeiros” recebem um valor abaixo do estabelecido na resolução vigente. Além das atribuições que o próprio nome encerra. segundo Silva (2005). “é uma sociedade civil sem fins lucrativos. pago à União.Fonte: material de divulgação do Iepro durante a SBPC 2005. treinamento e consultoria”. Pesquisas da Uece (Iepro)43 que executa o orçamento do curso aprovado com o projeto. de R$ 35. pago ao município de Fortaleza e o Imposto Nacional de Seguridade Social (INSS). os professores dos cursos de especializações ofertados pela Uece.00.

ativos ou inativos. comumente. Fortaleza. participarem de bancas de avaliações de monografias de especialização. quando obtêm orientando podem dar continuidade as suas pesquisas acadêmicas junto ao aluno e elevam o seu curriculum acadêmico. . Enquanto que o segundo tem a duração mínima de 360 horas de disciplinas teóricas. nos cursos de aperfeiçoamento e/ou 45 LIMA. Entrevista concedida a Solonildo Silva. não havendo obrigatoriedade de oferta de outras turmas pela Universidade. Os coordenadores dos cursos de pós-graduação lato sensu podem ser docentes do quadro da Funece. Os professores. S. ambos dando direito a certificado. 25 de abril de 2005. enquanto que seu quadro docente deve ter a proporção mínima de 50% dos professores com a titulação de mestre nos cursos de aperfeiçoamento e de 2/3 de mestres nos cursos de especialização. A Uece tem dois tipos de cursos de pós-graduação lato sensu presencial: i) aperfeiçoamento e ii) especialização. a titulação mínima necessária é de mestre. ainda. ou. que participam gozam de prestígio e. M. L. excepcionalmente. por força de convênio ou ausência de docentes titulados na área específica do curso. além de. além de 90 horas destinadas à preparação da monografia. Para assumir a coordenação dos cursos de pós-graduação lato sensu da Uece. constitui motivo de orgulho para o profissional e que o grupo de professores que circula nos cursos lato sensu da Uece é muito restrito. Ressaltamos que os cursos de aperfeiçoamento ou especialização da Uece são transitórios. e ministrar no máximo duas disciplinas por curso ou turma que coordene. O coordenador poderá assumir a coordenação de até dois cursos ou turmas simultâneas. As normas não determinam limite máximo para os casos de acúmulo do cargo de vice-coordenador especializações. o convite aos professores para fazerem parte do elenco de docentes de um curso de especialização da Uece. requer no mínimo 120 horas de disciplinas teóricas e não há exigência de defesa de monografia. não ser do quadro da Funece.79 Para Lima (2005)45. O primeiro.

As especializações da Uece na atualidade. executados pela Comissão Executiva do Vestibular (CEV). direção escolar da rede estadual e outros. A seleção e matrícula dos alunos. os de seleção para professor substituto da Uece46. no mínimo. os candidatos devem possuir. o projeto é encaminhado para o Conselho de Ensino. 46 Nas seleções para o cargo de professor substituto para a UFC. matrículas e mensalidades. um curso de especialização para efetuar a inscrição no processo seletivo. por enquanto. quando a intenção é ocupar uma rara vaga no serviço público. regra geral. em geral.80 Os cursos lato sensu são moedas de ouro na livre concorrência por uma vaga no mercado de trabalho. que dará seu parecer em reunião do conselho e os demais membros do Cepe o aprovação ou não. UVA e Urca. Estando em acordo. Para citar alguns editais consultados. não é exigida a certificação do candidato em cursos de especializações como pré-requisito para inscrição. a ser exigido. Observando os editais de seleções e concursos públicos. Para os cargos de professor do ensino médio. A Uece. podem definir a classificação do candidato dentro das vagas ou fora da mesma na ausência deste título. o Art. Após aprovação nas duas instâncias. sobretudo. fica fácil de perceber o peso do certificado de aperfeiçoamento ou especialização nas provas de títulos. a exigência de certificado de especialização passou. Garantia de formação ou garantia de mercado para seus cursos lato sensu? Por outro lado. era a única Instituição cearense a fazer essa exigência. até o presente momento. Pesquisa e Extensão (Cepe) da Uece. os certificados de cursos lato sensu. o curso é julgado pela Secretaria de Finanças e Convênios da PROGPQ. para cargos públicos relacionados aos profissionais com curso superior para área de educação. O principal disparate é que. que o encaminha para avaliação de um conselheiro. nascem de projetos individuais de professores que submetem seu projeto de curso ao colegiado de seu curso e ao Conselho de Centro para avaliação. que encaminha ao Iepro. Após aprovação do curso. também. é lançado um edital para a abertura de inscrições e matrícula do curso de especialização. Em último edital para professor substituto do Cefet março de 2005 -. 66 da LDB 9394/96 diz “A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós- . como Instituições de Ensino Superior cearense. o acesso a um dos cursos lato sensu requer um significativo investimento financeiro para custear as despesas com inscrição. são os passos finais para a realização do curso.

A formação docente. . na América Latina e em todo o mundo. plano. que não existe em função da vida das pessoas. estratégia. No contexto da projetite. Será que o modelo adotado nos cursos de pós-graduação. técnica. mas das necessidades de uma determinada máquina administrativa e financiaria. visão a longo prazo. sustentava atividades gratuitas para sua comunidade acadêmica e para a sociedade. o que continua faltando é o projeto – imaginário coletivo. prioritariamente em programas de mestrado e doutorado” e. A instituição projeto. a universidade. antecipação do futuro. o “projeto. É surpreendente a quantidade de instituições e pessoas que vivem e sobrevivem à custa de projetos. tempo artificial. (TORRES. o Banco Mundial vem assessorando e financiando “Projetos de Melhoria da Qualidade da Educação “ (idem. as atividades de extensão. o sindicato e outros setores da sociedade são vítimas de uma epidemia chamada projetite (TORRES. em seu parágrafo único do mesmo artigo . programa. ação pontual e de curta duração. 67). ou seja. como garantir a sobrevivência de cursos gratuitos na universidade pública? Já faz algum tempo que as atividades desenvolvidas pela universidade públicas deixaram de ser gratuitas. Podemos citar. hoje. com suas entradas presas pelo fio de uma agência financiadora. submetidas ao tempo dos projetos. como exemplos. não poderá chegar aos cursos regulares de graduação como alternativa de sobrevivência de suas atividades? A nossa utopia é de que nossa pesquisa não se transforme em registro histórico do tempo em que a universidade pública. 66). 2001. Geramos com eles uma análise sobre a oferta destes cursos na Uece permitindo-nos compreender o contexto em que ela surgiu. Destaca que "em meio a essa projetite. ainda. utopia – capaz de articular e orientar a tarefa e a transformação educativa”. os cursos auto-financiados pelos alunos. 2001:66) Tivemos acesso a dados referentes a oferta dos cursos lato sensu na Uece através da PROPGPQ. apoderou-se da educação. No capitalismo periférico. é usado para designar metodologia.81 Para Torres (2001:67). desde o final da década de 1980. A autora considera que o que está em jogo é a exacerbação do dinheiro para fazer qualquer coisa. O graduação. experiência e inovação”. o ensino na pós-graduação e os projetos de pesquisa.

PERÍODO FREQÜÊNCIA FREQÜÊNCIA SIMPLES/ABSOLUTA RELATIVA/PERCENTUAL a) 1979 |-. Tabela 01: Número de cursos de pós-graduação lato sensu ofertados pela PROPGPQ da Uece por período escolhido.1984 9 1.03% TOTAL 527 100.1999 109 20. finalmente. Gráfico 01: Número de cursos ofertados pela PROPGPQ da Uece por período escolhido em número absoluto.82 primeiro curso de pós-graduação da Uece ocorreu no ano de 1979.2004 290 55. reflete a pouca idade da Instituição que nesse ano de 2005 vem completar seus trinta anos. sem a exigência de apresentação de monografia de final de curso. na modalidade de aperfeiçoamento. de c) 87 para d) 109. Podemos observar na tabela 01 .07% c) 1989 |-.00% Fonte: PROPGPQ.Número de cursos de pós-graduação lato sensu ofertados pela PROPGPQ da Uece por período escolhido .1989 32 6. . a evolução no crescimento da oferta de cursos que saltou de a) 9 para b) 32.51% d) 1994 |-. de d) 109 para e) 290 com 266% no período de 1979 a 2004. seguido de b) 32 para c) 87.e no gráfico 01 . com aumento de 272%. Classificamos a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu em intervalos de cinco anos que contam a sua história de vinte e cinco anos. um incremento 356%.71% b) 1984 |-. apesar de recente. com 125% e. portanto.Número de cursos ofertados pela PROPGPQ da Uece por período escolhido em número absoluto -. 2005. A história da pós-graduação na Uece.1994 87 16.68% e) 1999 |-.

a saber: tabela 02 Número de cursos ofertados pela Uece e CED no período de 1999 |-. Gráfico 02: Número de cursos ofertados pela Uece e pelo CED no período de 1999 |-. 2005 e CED.2004.2004 em valores absolutos e gráfico 06 Número de cursos ofertados pela Uece e pelo CED no período de 1999 |-. 300 200 100 0 290 228 62 UECE CED TOTAL Cursos Lato Sensu Fonte: PROPGPQ.2004 em valores absolutos.2004 em percentuais. Organizamos os dados apresentados a seguir na tabela e gráficos.1984|-.83 600 500 400 300 200 100 0 527 290 9 32 87 109 NÚMERO DE CURSOS 1979|-.1999|-. no gráfico 02 Número de cursos ofertados pela Uece e pelo CED no período de 1999 |-.2004.1989|-.TOTAL 1984 1989 1994 1999 2004 Fonte: PROPGPQ. 2005 e CED. Tabela 02: Número de cursos ofertados pela Uece e CED no período de 1999 |-. Gráfico 03: Número de cursos lato sensu ofertados pela Uece e pelo CED no período de 1999 |-2004 em percentuais. 2005.1994|-. . 2005. 2005. ORIGEM FREQÜÊNCIA FREQÜÊNCIA SIMPLES/ABSOLUTA RELATIVA/PERCENTUAL Uece 228 79% CED 62 21% TOTAL 290 100% Fonte: PROPGPQ.

95% 1. 2005. 2005 e CED.71% 0. No período de 1999 a 2004.51% 2.23% 16.19% 0.68% 8. 62 cursos estavam vinculados ao CED.16% . a Uece ofertou 290 cursos de especializações lato sensu. representando 21% do total de cursos de especialização.98% 6.23% 3.26% 6.90% 3.52% 3. Destes.64% 20.33% 2. Tabela 03: Número de cursos ofertados pela PROPGPQ da Uece por período escolhido (detalhado por ano).09% 6.52% 1.36% 1.00% 0.57% 0. Os 228 cursos correspondentes a 79% foram ofertados pelos demais Centros da Universidade. Ano 1979 1980 1981 1982 1983 Total Parcial 1984 1985 1986 1987 1988 Total Parcial 1989 1990 1991 1992 1993 Total Parcial 1994 1995 1996 1997 1998 Total Parcial 1999 Número de Cursos Valor Relativo 4 0 1 3 1 9 1 5 8 7 11 32 23 10 20 17 17 87 12 8 21 33 35 109 43 0.84 Cursos Lato Sensu 21% UECE CED 79% Fonte: PROPGPQ.76% 0.28% 1.19% 1.07% 4.19% 0.80% 3.

00 R$ 300.85 2000 2001 2002 2003 Total Parcial 53 55 55 84 290 10.00 R$ 800.00 R$ 700.94% 55.00 R$ 400.00 R$ 1.000.000.44% 15.00 Mestrado Profissional R$ 350.00 Mestre R$ 40.00 Fonte: PROPGPQ.00 Lato Sensu R$ 800. Podemos observar.00 c) Remuneração de Coordenação: unidade = mês Valor mínimo Valor máximo Extensão R$ 400. 2005 e CED.00 b) Remuneração de Secretário: unidade = mês Valor mínimo Valor máximo Extensão R$ 150.00% Total 527 Fonte: PROPGPQ.06% 10.44% 10.00 Seqüencial R$ 500.2. nos intervalos apresentados na tabela 03 Número de cursos ofertados pela PROPGPQ da Uece por período escolhido (detalhado por ano) que.000.600.00 Mestrado Profissional R$ 1.3.00 R$ 50. temos 55% dos cursos do total de cursos ofertados pela Instituição ao longo de 25 anos de pós-graduação lato sensu. 2005.00 R$ 500.1 Emolumentos a serem praticados nos cursos da Funece a) Remuneração de Professores: unidade = hora/aula Valor mínimo Valor máximo Especialista R$ 30.00 R$ 90.00 Seqüencial R$ 200.03% 100. 2004 TAXAS VALOR R$ .00 R$ 1. no último quinqüênio.00 R$ 2.00 Doutor R$ 50.00 R$ 60. 3.00 Lato Sensu R$ 250.

Matrícula Mestrado Acadêmico e Doutorado (semestral) 4.00 R$ 30. no sistema federal. retirou a possibilidade da emissão desses certificados. Certificado de Especialização 1ª via 5. Inscrição para Seleção de Curso de Especialização 2. Diploma de Doutorado 1ª via 9. A Resolução n. Diploma de Mestrado 1ª via 7. que é responsável pela movimentação financeira do curso.00 R$ 80. 2004 Valor Mínimo R$ 40.3 A precarização do trabalho docente na UECE Os dados fornecidos pela PROPGPQ/Uece. Diploma de Doutorado 2ª via 10.00 - Valor máximo R$ 100.00 O professor Aldo Marques da Silva.00 R$ 120. assim. elucidou nossas dúvidas acerca dos valores praticados por alguns cursos que ficam abaixo dos valores mínimos determinados pela resolução 199/CD de 17/02/2003.º 12/83. que fixa as condições de validade dos certificados de cursos de aperfeiçoamento e especialização para o magistério superior. do Conselho Nacional de Educação. Expedição de 2ª Via de declaração e de Histórico escolar Fonte: PROPGPQ.º 01/2001.00 R$ 100.00 R$ 10.86 DISCRIMINAÇÃO 1.00 R$ 100. Certificado de Especialização 2ª via 6.00 R$ 120. A resolução em vigor. Observando o gráfico 04 – Nº de Docentes Efetivos e Substituto – Visitante da Uece -. da Assessoria do Núcleo de Ensino de PROPGPQ da Uece. . era formado por 852 professores e passou para 1059 no ano de 2003. retirando. 3. Inscrição para Seleção de Curso de Mestrado e Doutorado 3. em 1996. Diploma de Mestrado 2ª via 8. Informou que o coordenador do curso pode fazer um esclarecimento e justificar outros valores praticados que não estão em acordo com a referida resolução. do Conselho Federal de Educação. basta que ocorra um acordo formal com o Iepro. são reveladores. a possibilidade de especialização gratuita na esfera pública. temos a evolução do número de docentes que.00 R$ 50.00 R$ 50.00 R$ 60. Validação de título de Pós-Graduação obtido no exterior 11. autorizava a emissão de certificado de especialista para os alunos matriculados em cursos de mestrados que houvessem concluído os créditos das disciplina obrigatórias e optativas e fossem aprovados no exame de qualificação de seu projeto de mestrado. n.00 R$ 100.00 R$ 60.

965 e 969. .º de Docentes Efetivos e Substituto-Visitante da UECE 1117 1200 1059 978 965 969 883 1000 852 909 800 600 400 200 0 An o 1 An 99 o 6 1 An 99 o 7 1 An 99 o 8 1 An 999 o 2 An 00 o 0 2 An 00 o 1 2 An 00 o 2 20 03 Número de Docentes Fonte: PROPGPQ/Uece A Uece. respectivamente. Destacamos que.No ano de 1997. traçamos a escala evolutiva da precarização do trabalho docente na Uece. temos o maior número de professores na Uece que foi de 1. percebemos leves variações neste cenário. em 1996. a Uece não conseguiu mais atingir ou superar o seu maior índice no que se refere a número de docentes (1. para 909 docentes. a Instituição contava com 852 docentes. o número volta a crescer para 1059. no quadro docente da Uece. ao longo do período de 1996 a 2003. teve uma variação no número de docentes que compõe o seu quadro. 2001 e 2002. apesar do crescimento do ano de 2003. finalmente. Durante 2000. No ano de 1998. passando este número para 883 docentes. E. no ano de 1999.117. houve uma queda. podemos identificar que. houve um aumento. em 2003. No gráfico 05. correspondente a 978. De acordo com os dados dos gráfico 01.117 em 1998).87 Gráfico 04: N. Porém.

respectivamente) nos totais de 978.117 professores em atividade. no ano de 2003. no cotidiano. Logo. Por fim.88 Gráfico 05: Nº de Docentes Efetivos e Substitutos-Visitantes da Uece Ano 2002 Ano 2000 Ano 1998 Ano 1996 22% 17% 17% 17% 11% 14% 20% 7% 78% 83% 83% 83% 89% 86% 80% 93% SUBSTITU TOVISITANTE EFETIVOS Fonte: PROPGPQ/Uece Em 1996. o percentual de professores substitutosvisitantes foi de 11% (95) em um total de 883 docentes em atividade. Acreditamos ser relevante este dado por esclarecer que este processo está sendo conduzido de maneira gradual e ascendente por mais que. 965 e 969. em 1999. a comunidade acadêmica não o perceba com tanta intensidade. Talvez esta seja a verdadeira intenção: passar despercebido o processo de precarização do trabalho docente. o percentual de professores substitutos-visitantes foi reduzido para 22% (228) no total de 1. . o número de docentes substitutos-visitantes foi aumentado para 20% (180) do total de 909 docentes em atividade. No ano de 1997. 168. além de ser fruto de uma caminhada de.059 professores em atividade. Para o ano de 1998. no mínimo. esses dados nos permite afirmar que a política de precarização do trabalho docente implantada atualmente na Uece não é tão recente. Enquanto que. Outra questão interessante é que em sete anos o número de professores contratados precariamente na Uece cresceu em 15%. para não gerar conflitos que o emperrem. 2001 e 2002. a participação de professores substitutos-visitantes na Uece correspondeu a cerca de 7% (61) do total de 852 professores em atividade. o valor relativo de professores substitutos-visitantes apresenta 14% (184) do total de 1. Nos anos de 2000. 168. os docentes substitutos-visitantes representaram valor relativo de 17% (165. sete anos.

o valor relativo de professores efetivos apresente 86% (963) do total de 1.89 Com o gráfico 06. A autora afirma que esse tipo de contratação deixou de ser em caráter excepcional para constituir-se uma regra comum na Instituição. visualizamos a oscilação da contratação categoria docente durante o período de 1996 a 2003. Marinho (2003) destaca. em sua monografia “A docência temporária na Uece: reflexos neoliberais e crise na universidade” . em 1999. Por fim.059 professores em atividade.117 professores em atividade. Gráfico 06: desta Número de Docentes Efetivos da UECE 1200 963 1000 791 729 788 813 797 801 831 800 600 400 200 0 o 1 An 99 o 6 1 An 99 o 7 1 An 99 o 8 1 An 99 o 9 2 An 00 o 0 2 An 00 o 1 2 An 00 o 2 20 03 Número de Docentes Em 1996. 965 e 969. o percentual de professores efetivos foi reduzido para 78% (831) no total de 1. correspondeu a cerca de 93% (791) do total de 852 professores em atividade.797. no ano de 2003. An Fonte: PROPGPQ/Uece . a participação de professores efetivos na Uece. respectivamente) nos totais de 978.801. o percentual de professores efetivos foi de 89% (788) em um total de 883 docentes em atividade. o número de docentes efetivos foi reduzido para 80% (729) do total de 909 docentes em atividade. No ano de 1997. Enquanto que. 2001 e 2002. os docentes efetivos representaram valor relativo de 83% (813. representando cerca de um terço dos professores da Uece com contratos temporários. Nos anos de 2000. o processo de contratações de professores por tempo determinado para atender a necessidade da Uece no suprimento de carências decorrentes de afastamentos diversos de docentes efetivos para atender os cursos de graduação e outras atividades da Universidade. Para o ano de 1998.

diz que eles “serão propostos através de projetos auto-sustentáveis. Portanto. cursos de especializações lato sensu e pelo CMAE. no caso específico da Uece. nos cursos lato sensu. programas especiais de formação de professores. em “A crise do capital e a precarização do trabalho docente: o caso do Centro de Educação da Universidade Estadual do Ceará”. Nas normas citadas. identificou significativa participação de professores com contrato temporário em atividades do CED como saída para complementação de renda diante da baixa remuneração paga pela Funece aos seus docentes com esse tipo de contrato. pesquisa e extensão) da Universidade e da organização sindical dos docentes. influenciados pelo fenômeno da precarização do trabalho docente. Enquanto que. sem financiamento amparado no custeio da Uece e sem carga horária incluída na carga horária contratual de docente do quadro da Funece”. o curso lato sensu. As normas para o funcionamento dos cursos de pós-graduação lato sensu presenciais. acreditamos que o fenômeno parece atingir proporções significativas através do CED. Diante do exposto. art. 2º. conforme § 1º do art. No CED temos: (1) a presença significativa de professores . foram: fragilização do tripé (ensino. pelo curso de pedagogia. visitantes e substitutos. em seu capítulo I – Da Finalidade e Criação. observamos que a Uece possui um número insuficiente de docentes para atender as suas atividades na graduação. concorrem os professores efetivos. responsável pelas disciplinas pedagógicas dos cursos de licenciatura. “pode ser oferecido com carga horária incluída na carga horária contratual de docente do quadro da Funece”. 2º. somente em casos excepcionais. Outros achados da autora. fica manifesto que os docentes destes cursos são contratados em caráter de transitividade e que a Uece não dispõe de recursos humanos para atender a demanda dos cursos lato sensu.90 Silva (2004) por sua vez. a uma vaga nas disciplinas curriculares dos diversos cursos autosustentáveis ofertados pelo CED.

91 substitutos47. Ver anexos da dissertação. (3) professores de fora do CED e da Uece. por conseguinte. que não passaram por processo seletivo expresso em edital para a docência nessa Universidade. 47 48 SILVA (2005). (2) professores substitutos e efetivos intensivamente envolvidos com cursos pagos de formação docente48. atuando livremente nos cursos pagos acima referidos. .

00 (trinta reais) para aqueles que desejam solicitar o certificado de conclusão do curso. julgamos que os quatro projetos atendiam a nossa necessidade. mais a taxa de R$ 30. terceira e quinta turmas. totalizando ao final do curso R$ 2.00 (trinta reais) para aqueles que desejam solicitar o certificado de conclusão do curso. estavam em desobediência com as normas do Conselho Diretor (CD) da Funece. mais a taxa de R$ 30. os alunos da terceira turma pagaram uma taxa de inscrição de R$ 50. ao final do curso.00 (cento e trinta reais). o projeto da turma IV não estava disponível no momento em que nos foi fornecido o material e não obtivemos em outro momento. II.00 (cinqüenta reais)e quinze parcelas de R$ 130. segundo o coordenador do projeto não estavam disponíveis naquele momento. totalizando. R$ 1. Exploramos neste capítulo os dados do corpo docente de um curso lato sensu da Uece.00 (cinqüenta reais)e 13 parcelas de R$ 130. Os alunos da primeira e segunda turmas.00 (cento e trinta reais). ofertados pelo CED da Uece. a quarta turma não obtivemos os dados que. segunda. Os projetos foram fornecidos pelo coordenador de cinco turmas concluídas do mesmo curso. Enquanto que os alunos da quinta turma pagaram uma taxa de inscrição .Uma ilustração exemplar do caminho lato sensu da precarização do trabalho docente. Entretanto. Elaboramos tabelas com dados coletados em projetos de cursos de aperfeiçoamento/especialização. Recebemos quatro projetos (turmas I. Observamos que os diversos custeios praticados nas diferentes turmas de um mesmo curso e a oscilação dos valores pagos ao pessoal envolvido com o curso. III e V).740 (um mil e setecentos e quarenta reais). Por sua vez. só apresentamos dados da primeira. pagaram uma taxa de inscrição de R$ 50.000 (dois mil reais). projetos de cinco cursos de especializações do período 2000 – 2004. Solicitamos de um coordenador de cursos de especializações lato sensu. Como nossa intenção era de obter dados ilustrativos sobre os cursos.92 Capítulo IV .

Os alunos. O coordenador informou. não necessitam da certificação do mesmo. com atraso ou mesmo devido ao fim do contrato de trabalho como professor temporário da Seduc. segundo o coordenador. Um outro dado significativo é que nem todos os alunos que cumprem as exigências para conclusão do curso.00 (cento e setenta). a quarta e a quinta turmas do curso passaram a ter a tutela do CCT para proporcionar uma mensalidade aos alunos com valor inferior ao praticado pelo CED. aparentemente. Além.00 (trinta reais) para aqueles que desejam solicitar o certificado de conclusão do curso. . os cursos eram executados pelo CED e. no primeiro momento. acompanhando a tendência do mercado.00 (dois mil e seiscentos reais). Ainda. daqueles que ficam desempregados durante o curso.93 de R$ 50. totalizando ao final do curso R$ 2. mais a taxa de R$ 30.00 (cinqüenta reais) e dezessete parcelas de R$ 150. que exige dos alunos clientes um maior investimento. por turma. que a inadimplência dos alunos é elevada e está relacionada em muitos casos aos vínculos precários dos alunos-professores que recebem seus proventos e vale-transportes da Secretaria de Administração (Sead)/ Secretaria da Educação (Seduc) do Estado do Ceará. a média é de cerca de 40% dos alunos. Conforme os dados expostos.600. em geral. ainda. após a terceira turma. apesar do elevado investimento para a conclusão do curso. Essa mudança ocorreu devido à restrição imposta pelo CED de que o curso não podia lançar edital para novas turmas com valores abaixo dos por ele praticado. que concluem os créditos das disciplinas e chegam a concluir o curso apresentando sua monografia. passam longo período para pegá-los na PROPGPQ. não chegam a apresentar a monografia de conclusão de curso. chegam a solicitar seus certificados ou. o curso passou a ser executado pelo Centro de Ciências e Tecnologia (CCT). Segundo o coordenador dos cursos analisados. Provavelmente. mesmo quando o fazem. percebemos o significativo aumento do valor das taxas e mensalidades do curso em estudo. Neste contexto.

94 Na tabela 04. Tabela 04: Corpo docente do período: março de 2000 – março de 2001 TURMA IDENTIFICAÇÃO ‘TITULAÇÃO INSTITUIÇÃO DE ORIGEM (SIGLA) I I I I I I I I I I I I Prof. apresentamos os valores pagos aos professores por hora aula. R$ 400.00 e R$ 300. I Prof. correspondendo a sua maior titulação: Doutor -R$ 50. que classificamos como outro. L Coordenador Doutor Doutor Doutor Mestre Especialista Doutor Doutor Mestre Mestre Mestre Mestre Mestre Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece SITUAÇÃO EMPREGATÍCIA Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Substituto Efetivo Efetivo Outro* Efetivo *Servidor Na tabela 05. E Prof. D Prof. Os valores pagos por orientação de monografia não constavam no projeto do curso. G Prof. sendo 10 com vínculo de professor efetivo.00. C Prof. os dados nos informam que são 11 os professores envolvidos no curso. Tabela 05: Custeio para o período: março de 2000 – março de 2001 TURMA INSTRUTOR UNIDADE CUSTO UNITÁRIO I I I I I I Doutor Mestre/ Especialista Coordenador Sub-coordenador Secretário Orientação de Monografia **Não discriminado Hora aula Hora aula Mês Mês Mês Por Apresentação R$ 50. o sub-coordenador e o secretário do curso recebem por mês: R$ 900. com a Uece.00. seis são mestres e um é especialista. F Prof.00 R$ 30. H Prof. respectivamente. os dados nos informam que são 12 os professores envolvidos no curso. um com vínculo de . sendo nove com vínculo de professor efetivo. J Prof. O coordenador.00.00 R$ 300. Mestre/Especialista R$ 30. Todos os envolvidos têm vínculo temporário. B Prof. um com vínculo de professor substituto e um com vínculo de funcionário/servidor administrativo.00 ** SITUAÇÃO EMPREGATÍCIA Temporária Temporária Temporária Temporária Temporária Temporária Na tabela 06.00 R$ 400. Outro dado revelado nesta tabela é que cinco professores são doutores.00. A Prof.00 R$ 900.

os dados nos informam que são 14 os professores envolvidos no curso. correspondendo a sua maior titulação: Doutor -R$ 40. com a Uece. H2 Prof. cinco são mestres e um é especialista. O valor pago por orientação de monografia (após defesa) R$ 250. que . O coordenador.00. I2 Prof.00. Tabela 06: Corpo docente do período: setembro de 2000 – setembro de 2001 TURMA II II II II II II II II II II II II IDENTIFICAÇÃO Prof.00. B2 Prof. F2 Prof. L2 Coordenador TITULAÇÃO Doutor Doutor Especialista Doutor Doutor Mestre Mestre Doutor Mestre Mestre Doutor Mestre INSTITUIÇÃO DE ORIGEM (SIGLA) Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece SITUAÇÃO EMPREGATÍCIA Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Outro* Efetivo Efetivo Efetivo Substituto Efetivo Efetivo *Servidor Na tabela. Tabela 07: Custeio par o período: setembro de 2000 – setembro de 2001 TURMA INSTRUTOR UNIDADE CUSTO UNITÁRIO II Doutor Hora aula R$ 40.00 II Orientação de Por apresentação R$ 250.00 II SubCoordenador II Secretário Mês R$ 250. C2 Prof. um com vínculo de professor substituto e um com vínculo de funcionário/servidor administrativo. apresentamos os valores pagos aos professores por hora aula. D2 Prof.00 e R$ 250. que classificamos como outro. o sub-coordenador e o secretário do curso recebem por mês: R$ 800.00 II Mestre/ Hora aula R$ 25. G2 Prof. respectivamente. Outro dado revelado nesta tabela é que seis professores são doutores. E2 Prof. J2 Prof. A2 Prof. sendo 12 com vínculo de professor efetivo. Mestre/Especialista R$ 25.00 Monografia *Inexistente SITUAÇÃO EMPREGATÍCIA Temporária Temporária Temporária Temporária Temporária Na tabela 08.95 professor substituto e um com vínculo de funcionário/servidor administrativo.00 Especialista II Coordenador Mês R$ 800. Todos os envolvidos têm vínculo temporário.00.

00.00 SITUAÇÃO EMPREGATÍCIA Temporária Temporária Temporária Temporária Temporária Na tabela 10. Tabela 09: Custeio para o período: março de 2001 – abril de 2002 TURMA INSTRUTOR UNIDADE CUSTO UNITÁRIO III III III III III III Doutor Mestre/ Especialista Coordenador Sub-Coordenador Secretário Orientação de Monografia *Inexistente Hora aula Hora aula Mês Mês Por apresentação R$ 40. sendo nove com vínculo de professor efetivo com a Uece. o sub-coordenador e o secretário do curso recebem por mês: R$ 600. D3 Prof. C3 Prof. J3 Prof.00. F3 Prof. B3 Prof. respectivamente.00 R$ 600.00 e R$ 250. Mestre/Especialista R$ 25. Todos os envolvidos têm vínculo temporário. E3 Prof. L3 Prof. apresentamos os valores pagos aos professores por hora aula.00 R$ 200. temos 13 professores envolvidos no curso. correspondendo a sua maior titulação: Doutor -R$ 40. com a Uece.00 R$ 250. M3 Prof.00.00. I3 Prof. O valor pago por orientação de monografia (após defesa) R$ 200.00 R$ 25.96 classificamos como outro. H3 Prof. A3 Prof. Outro dado revelado nesta tabela é que oito professores são doutores. N3 Coordenador TITULAÇÃO Doutor Doutor Doutor Mestre Doutor Especialista Doutor Mestre Doutor Mestre Doutor Doutor Mestre Mestre INSTITUIÇÃO DE ORIGEM (SIGLA) Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece Uece SITUAÇÃO EMPREGATÍCIA Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Outro Efetivo Substituto Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Na tabela 09. cinco são mestres e um é especialista. Tabela 08: Corpo docente do período março de 2001 – abril de 2002 TURMA III III III III III III III III III III III III III III IDENTIFICAÇÃO Prof. O coordenador. um com vínculo de professor aposentado da Uece e um com vínculo de professor efetivo da UFC e um com vínculo de . G3 Prof.

Tabela 10:Corpo docente do período:: dezembro de 2003 – dezembro de 2004 TURMA V V V V V V V V V V V V V IDENTIFICAÇÃO Prof. respectivamente.00 R$ 250. O coordenador.00 R$ 200. D5 Prof. Esse conjunto .00. O valor pago por orientação de monografia (após defesa) R$ 200. E5 Prof. J5 Prof. M5 Coordenador TITULAÇÃO Doutor Doutor Doutor Mestre Especialista Mestre Mestre Especialista Mestre Doutor Mestre Mestre Mestre INSTITUIÇÃO DE ORIGEM (SIGLA) Uece Uece UFC Uece Uece Uece Uece Uece Urca Uece Uece Uece Uece SITUAÇÃO EMPREGATÍCIA Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo (aposentado) Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Efetivo Na tabela 11.200.00 e R$ 250. B5 Prof. sete são mestres e dois são especialistas. F5 Prof.00 R$ 40. L5 Prof. C5 Prof. em alguns casos. A5 Prof. Tabela 11: Custeio para o período: dezembro de 2003 – dezembro de 2004 TURMA INSTRUTOR UNIDADE CUSTO UNITÁRIO V V V V V V Doutor Mestre/ Especialista Coordenador Sub-Coordenador Secretário Orientação de Monografia *Inexistente Hora aula Hora aula Mês Mês Por Apresentação R$ 40. o sub-coordenador e o secretário do curso recebem por mês: R$ 1. correspondendo a sua maior titulação: Doutor -R$ 40.00. temos o coordenador e.00. além dos professores que ministram aulas nas diversas disciplinas das turmas de especializações.00 R$ 1. do curso.00. apresentamos os valores pagos aos professores por hora aula. Mestre/Especialista R$ 40. G5 Prof. a figura do sub-coordenador. Todos os envolvidos têm vínculo temporário. I5 Prof. H5 Prof. Outro dado revelado nesta tabela é que quatro professores são doutores.00 SITUAÇÃO EMPREGATÍCIA Temporária Temporária Temporária Temporária Temporária Como podemos observar nos dados anteriores. além do secretário do curso e dos professores orientadores de monografias.97 professor efetivo da Urca.200.

Levando-se em conta que os dados apresentados referem-se ao mesmo curso. que leva em conta fatores objetivos como: titulação acadêmica. Enquanto que os fatores subjetivos são diversos. podemos alegar adequação do calendário à disponibilidade do docente. dispõe sobre as atividades auto-sustentadas da Funece.º 199. entre outras. . é nítida a variação dos valores perpetrados em cada turma. apesar de possuírem contrato com a Uece. isto é. conhecimento e experiência no setor de estudo da disciplina a ser ministrada. seja de professor efetivo ou substituto. afetividade do coordenador com o professor. sua relação com o curso é transitória.98 de pessoal envolvido com as especializações possui vínculo temporário. de 17 de fevereiro de 2003. n. a Resolução do Conselho Diretor da Funece. Para entender essa variedade de taxas e emolumentos praticados nos cursos. avaliação do coordenador sobre o desempenho docente feita pelos alunos. O professor de determinada disciplina pode ministrá-la em determinada turma e não ser convocado para a turma seguinte. a relação destas com o Iepro. A definição do corpo docente de cada turma é realizada pelo coordenador.

Enfim. Na área da educacional percebemos o processo cada vez maior da proletarização da categoria docente nos mais diversos níveis de ensino.99 Considerações Finais Receba em teus braços O meu pecado de pensar. Desta forma. Dentro desse contexto compreendemos que o trabalho ganha uma nova forma: alienado. Assim. Com o trabalho vestido com a roupagem do capital. vemos algo absurdo: a necessidade do capital criar mecanismos que favoreçam a ascensão da exploração do homem pelo homem. Como se não bastasse notamos que a precarização também vem tomando os contornos da . este passa a não mais conseguir manter minimamente a classe trabalhadora empregada. Clarice Lispector A presente dissertação pretendeu trilhar o caminho lato sensu da precarização do trabalho docente universitário. vemos um crescimento latente do desemprego e como alternativa para os trabalhadores o capital oferta as chamadas formas atípicas de contratação de trabalho. sobretudo. Com isso. massacrante etc. desvendando a relação existente entre a explosão da oferta de cursos de pós-graduação lato sensu e o fenômeno da precarização do trabalho docente universitário. com a agudização da sua crise. Inicialmente. o trabalho sob a ótica do capital deixa de ser a razão de viver do ser humano para tornar-se a única forma de sua sobrevivência. que denominamos neste estudo como o fenômeno da precarização do trabalho. reafirmamos com nosso estudo a centralidade do trabalho e o reconhecimento que vivemos no momento da crise estrutural do capital conforme aponta Mészáros. exploratório. apresentamos algumas considerações finais que achamos relevantes com relação a temática. sendo que esta é conseguida através da venda da força de trabalho do ser humano despossuído de qualquer condições objetivas para continuar existindo restando-lhe apenas esta alternativa.

em 1996. Em contrapartida. E mais uma vez. Percebemos também com estes dados que eles provocam um clima de instabilidade entre os docentes. neste período assistimos a diversos ataques ao ensino superior público com os cortes de verbas públicas. a 7% e em 2003 a 22% do total de docentes em atividades na Uece. principalmente a partir da década de 1990. no final da década de 1970. houve uma corrida por esses cursos. Isto demonstra que. Por outro lado. No caso do nosso estudo . Tal Universidade tem um número significativo de professores de contratação precária (substitutos e visitantes) cerca de um terço do corpo docente.100 educação. como catalisadores. Esta Instituição apresenta ainda um histórico de ascensão na contratação temporária: número de professores substitutos-visitantes correspondia. entre outros. Com o intuito de deixar esclarecido o poder de aligeiramento que a política de pós-graduação lato sensu apresenta destacamos o caso da Uece. estruturais e humanas para atendê-la. Isto prova o quanto a referida IES está atendendo as determinações do capital. em ambos os processos. Tanto o processo de privatização das IES públicas como o da precarização do trabalho docente universitário ganham novos rumos com a legalização da oferta de cursos lato sensu auto-sustentáveis. privatizados. Estes agem. com a diminuição dos concursos públicos para professores. .investigamos como este processo acontece no Ensino Superior – podemos afirmar que paralelamente a luta travada pela burguesia para o fim das instituições universitárias públicas houve o favorecimento para a tendência de priorizar-se a contratação precária dos docentes destes espaços educativos. os plantonistas do capital apontam como saída para a propalada crise do ensino superior a busca de recursos de outras fontes (privadas) para financiar e manter as atividades acadêmicas nas IES. Os cursos lato sensu estes já nasceram. as universidades passaram a receber uma maior demanda porém não tinham condições financeira.

Pelo contrário. Todavia. O agravante que observamos com a proliferação dos cursos de especialização é o fato de a Universidade através do Iepro contratar um grande número de docentes precariamente. Existe uma crença generalizada entre os docentes e alunos de cursos de pós-graduação de que a titulação representa a possibilidade de retorno financeiro e ascensão profissional. abre trilhas para o não financiamento do Estado de suas atividades de ensino e remuneração adequada de seu quadro docente. não contribui para a defesa de sua existência. a pesquisa e demais atividades acadêmicas em um ambiente público e gratuito. afastando. o convite para ministrar uma disciplina em um dos diversos cursos de pós-graduação constitui possibilidade de renda extra diante de baixos salários. De modo geral. Por outro lado. . além de retirar do aluno da pós-graduação a possibilidade de exercer o estudo. cada vez mais. Atualmente. são contratados precariamente. não oferece amostra grátis para seu público. tal IES conta com inúmeros cursos lato sensu e stricto sensu autofinanciados. para os professores efetivos da Uece ou mesmo os que possuem contrato de substituto. pois o quadro docente da Uece é constituído de professores com salários cada vez mais defasados. a classe trabalhadora do acesso ao ensino e ao seu desenvolvimento profissional. No entanto. submetendo-os à lógica privativa da universidade pública. O (super)mercado da pósgraduação na Uece. os dados coletados apresentam que todos os envolvidos nos cursos lato sensu da Uece. atualmente. a arena para reposição de perdas salariais na privatização branca da Universidade.101 Voltando nossa atenção para a Uece percebemos que a alternativa mais utilizada é a venda de cursos de pós-graduação. isso não ocorre. Inclusive a Uece tem até um instituto responsável (Iepro) pela aprovação e gestão dos recursos provenientes dos cursos de natureza privada. Os contratos são tão flexíveis que não constam números de professores com este “vínculo”.

102 Além da contratação de professores substitutos. a condição do professor enquanto trabalhador que não tem garantido. gratuita. orientação. . Além disso. o que está em questão é a não possibilidade de realização de concursos públicos para a participação nesses referidos cursos. aos professores precários são pagos valores menores do que o sugerido pela legislação da Funece. ainda mais. horistas e visitantes. coordenação etc). conclamamos todos os constituintes da comunidade ueceana a atentar-se para esta questão e fortalecer a luta em defesa de: uma universidade pública. no que trata a remuneração dos professores dos cursos lato sensu. elevação das taxas e mensalidades dos alunos matriculados nos cursos. o valor monetário do trabalho exercido pelo professores precários apresentam diversos valores praticados em um mesmo curso fragilizando. ou ainda a desvinculação da carga horária dos professores efetivos as horas-aula trabalhadas nestes cursos e assim como a oferta integralmente gratuita das especializações para a comunidade em geral. A nossa exemplificação de um curso lato sensu da Uece apresenta dados elucidativos acerca da complexa relação de mercantilização de cursos e sua conseqüente geração da necessidade de contratação de docentes sem vínculo institucional. laica e voltada para a produção social. Desta forma. Algumas vezes. sequer o cumprimento da determinação do CD da Uece que estabelece a remuneração dos docentes. Por fim. defendemos que os cursos lato sensu na Uece constituem o caminho encontrado para chegar-se seguramente a precarização do trabalho docente universitário como também contribuem para a acentuação do processo de privatização da Instituição. Mesmo com o cumprimento das determinações legais. a Universidade tem alargado a política do trabalho precário e fragmentado com a implementação de cursos lato sensu na lógica do capital: flexibilização dos valores pagos aos docentes (hora-aula.

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