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A ECONOMIA INFORMAL NA ZONA URBANA DE PORTO DE MOZ * SANTOS, Alaelson de Freitas, SILVA, Aristeia R.

, SILVA, Jididias R, CUNHA, Keila Cintia, SANTOS, Maria Edina C, MELO,Samuel Fontoura.

RESUMO
O presente estudo teve como objetivo averiguar a dinâmica de crescimento do mercado informal na zona Urbana de Porto de Moz, estado do Pará, no período recente, já que notou - se uma crescente elevação dessa atividade nos últimos anos. Este estudo está dividido em três partes principais, em um primeiro momento foi caracterizado por uma pesquisa de cunho bibliográfico, onde se buscou as mais diversas considerações de autores que discutem a temática pesquisada. Em um segundo momento se fez o uso da pesquisa de campo quando foi entrevistada uma amostra da população que exerce a atividade informal, em especial os vendedores ambulantes que convivem diretamente com essa realidade. A pesquisa de campo efetivou-se por meio de questionários e entrevistas, e os resultados obtidos foram analisados a partir do referencial teórico. A proposta foi a de recompor o processo pelo qual o setor informal surge como um conceito impreciso, buscando entender as mudanças na percepção da natureza deste segmento e de sua inserção na estrutura produtiva. Nas considerações finais, foram ressaltados os principais resultados aprendidos ao longo deste estudo, em destaque as causas que provocaram o crescimento dessa atividade na cidade, também averiguamos a sastifação dos indivíduos entrevistados em relação a sua atividade exercida, através do estudo apontamos as possíveis soluções para este problema, destacando a necessidade de políticas públicas desenhadas especificamente para o setor informal. Palavras-Chaves: economia informal, necessidade, desemprego.

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*Trabalho apresentado a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) campus Almeirim – Pará, no período de 22 a 25 junho de 2011, para o Programa de Iniciação Científica, nas disciplinas de Interação na Base Real (IBR) e Seminários Integradores (SINT) sob orientação das Professoras Msc. Ligia Valadão e Msc. Sandra Silva.

2007. quando o individuo trabalha por conta própria. urge a necessidade de responder as seguintes problemáticas: Quais fatores contribuíram para o aumento da economia informal na área urbana de Porto de Moz? Qual a relevância dessa atividade econômica para a cidade? Que estratégias podem ser empregadas a fim de diminuir essa prática? Analisando a problemática tem-se como hipótese que entre os fatores incidentes deste fenômeno os mais provocadores são a migração rural–urbana e a relação eleição – desemprego. pôde-se constatar que a economia informal vem se acentuando gradativamente no decorrer dos últimos anos. mas à sua expansão. Outros pesquisadores definem como economia informal a prática de atividades sem vínculos empregatícios. A idéia era especificar um objeto de análise por meio da organização da produção. dizendo que o conceito teórico do setor informal varia segundo a formação e ideologia de cada analista. . em específicos. p. apud COSTA e BEZERRA. 23) afirma que o debate em torno da definição e compreensão do setor informal no Brasil está associado não propriamente à sua origem. Ele é empregador e ao mesmo tempo empregado. após uma observação na área urbana do município de Porto de Moz. identificar quais os fatores que contribuíram para transformação desse mercado na área urbana de Porto de Moz.INTRODUÇÃO A economia informal ou paralela encontra-se em destaque no mercado competitivo e globalizado. A partir desses pressupostos definiu-se como objetivo. verificar também a relevância dessa atividade econômica para a cidade e averiguar as estratégias que possam ser empregadas a fim de amenizar essa prática. assim.Basicamente. existem duas correntes teóricas que analisam essa mudança estrutural com enfoque no setor informal. Paiva (1996. não contribui com a previdência social ou não tem carteira assinada e por certo está privado dos direitos trabalhistas. pag. a compreensão da dinâmica de crescimento da economia informal na área urbana do município de Porto de Moz.1. MACHADO (1993. 59) fala sobre o conceito de mercado informal. ou seja. acentuando-se de forma generalizada em todo país inclusive nas pequenas cidades. Neste contexto. 2003. apud HIRATA.

o conceito de economia informal é bastante divergente entre os profissionais que estudam o fenômeno. Do ponto de vista econômico o fundamental é o não cumprimento das leis.afirma ainda. Enquanto uns definem o trabalho informal como aquele cujas atividades produtivas são executadas à margem da lei. como a concessão de incentivos e financiamentos com juros e formas de pagamentos acessíveis a qualquer pequeno empreendedor através do “CredPará”. Segundo Paiva (1996. 59) o conceito teórico do setor informal varia segundo a formação e a ideologia de cada analista. apud COSTA e BEZERRA. Sua denominação vem do fato de que a maioria . outros o definem como aquele vinculado a estabelecimento de natureza não tipicamente capitalista. ou seja. especialmente da legislação trabalhista. A relevância existe por que mostrará o quadro atual da economia informal da zona urbana do município de Porto de Moz. Existem várias definições a respeito da economia informal. Para melhor compreensão do termo. economia informal é a: “Parte da economia que abrange pequenas unidades dedicadas à produção ou venda de mercadorias ou à produção de serviços. pesquisamos diversos conceitos sobre a economia informal.DA DEFINIÇÃO DE ECONOMIA INFORMAL É vasta a literatura a respeito do tema economia por se tratar de um assunto importante que sempre fez parte da vida do ser humano e nos últimos anos tem-se dado destaque especial a economia informal uma vez que esta tem crescido de forma acelerada no Brasil.que a compreensão de seu desenvolvimento ao longo do tempo é fundamental para a tomada de decisões. 2 .Banco do Brasil e outras instituições. p.O entendimento desta temática é importante porque mostra o funcionamento de várias atividades que estão à margem da formalidade. ou seja. Blumenschein1 conceitua a economia informal como sendo a produção de bens e serviços que não são detectados no cálculo oficial do Produto Interno Bruto (PIB) e. Com esse estudo pode-se também contribuir apontando possíveis soluções e estratégias para se amenizar a prática da economia informal. 2003. mas inseridas na economia e que muitas vezes são as únicas opções de sobrevivência de famílias inteiras.

. 2000) discorre sobre esse fato afirmando que o mercado informal utiliza-se da “produção de bens e serviços baseados no mercado. Conforme citado anteriormente. pois este deixa de arrecadar uma enorme quantidade de impostos. a economia informal destaca-se principalmente quando o setor formal entra em crise. pois. P. A economia informal tende a crescer em períodos de recessão prolongados e em um quadro de grande desemprego como estratégia de sobrevivência da população. 26) Para a geografia a economia informal tem um conceito mais abrangente.” (NOVISSIMO DICIONÁRIO DE ECONOMIA.2004. camelôs. essas atividades integrariam o “circuito inferior da economia”.pag. ou seja. coloca esse fenômeno como reflexo da globalização.191 apud CHILIGA.PAG.. Indústrias de fundo de quintal. produtos considerados ilícitos pela lei brasileira. legal ou ilegal.(MELHORAMENTOS DICIONÁRIO DE GEOGRAFIA.Mas essa prática traz uma desvantagem para o governo. abrigando formas econômicas mais atrasadas de desenvolvimento simultaneamente com a modernização da economia. Smith (1994 apud RIBEIRO.] atividades de produção. não reconhece impostos. 2000. motivado pela necessidade de uma grande parcela da população integrar-se à economia informal.dessas unidades não é constituída de acordo com as leis vigentes. que se desenvolvem a margem dos controles oficiais. que escapa da detecção das estimativas oficiais do Produto Interno . define-se economia informal na visão da geografia como sendo as: [. Assim. não mantém uma contabilidade de suas atividades. 1998. estes compram produtos na maioria pirateados. Como esses indivíduos não possuem recursos financeiros suficientes para adquirir produtos de marcas famosas. pelo fato dessas mercadorias não serem taxadas com os impostos de importações. Para Milton Santos. cuja importância para a economia não é facilmente mensurada pelos levantamentos oficiais. utiliza-se geralmente de mãode-obra familiar e seus eventuais assalariados não registrados. que por certo seriam revertidos à sociedade. fiscais ou de outro tipo. além de falar do não cumprimento das leis. A vantagem para estes indivíduos é que estes produtos são encontrados à preços acessíveis. circulação e comercialização de bens e serviços não regulamentados. isto é. 26). 2004. trabalhadores autônomos não cadastrados são exemplos de economia informal. apud CHILIGA.

a venda de produtos pirateados. por um lado. o desemprego bateu à porta de muitos.exemplo disto. outros para sobreviverem resolveram integrar esse grupo informal. Seria.Bruto (PIB)”. estima-se que grande parte da renda adquirida na economia informal é imediatamente gasta na economia oficial. De acordo com Camargo (2001. contraditório dizer que a economia informal não gera recursos ao governo. Ribeiro (2000) converge na idéia diferente de Smith afirmando que: “Se. Para Camargo o ingresso na economia informal se dá pela necessidade dos indivíduos aumentarem a renda familiar ou até mesmo conseguir uma renda e não por que esta seja uma atividade atrativa como afirma Ribeiro. as crises . telefone e até mesmo em compras no supermercado. Com relação à produção de bens legais seriam toda prática econômica que são “socialmente aceitas”. supracitado. A maioria das pessoas que integram a economia informal. uma boa parte da renda obtida retorna ao governo em formas de impostos diretos. portanto. a miséria se alojou nos lares e a única alternativa encontrada é a prestação de serviço no setor informal da economia. Muitos desses indivíduos perderam seus empregos. mas sim motivados pela necessidade de sobrevivência. a venda de produtos adquiridos através de notas frias. 2003) as ofertas de emprego no setor formal diminuíram. por outro lado. na conta de luz. como omissão de renda. utilizando-se da mão-de-obra da família e fazendo uso da criatividade. Para Smith a economia informal não produz renda para a somatória do PIB. permuta de produtos e serviços. o crescimento da economia informal pode fornecer fortes incentivos para atrair os trabalhadores do setor formal. ressaltando um efeito positivo sobre esta” Ribeiro defende a idéia de que embora a economia informal gire em torno de produtos considerados muitas vezes “ilegais”. apud CACCIAMALI. não está nela por vontade própria. pois esta não paga os impostos devidos ao governo. enquanto que os ilegais comporia a venda de produtos roubados ou contrabandeados e outras atividade que pela lei são consideradas ilegais mas que ainda se observa nas ruas.

3 . Isso mostra a importância da economia informal para vida das pessoas e para economia de maneira geral.vem contribuindo para amenizar os conflitos entre as classe sociais. Isso ocorre devido à aparência de autonomia no trabalho que inibe ou oculta a relação. . permanência na atividade (grau de satisfação. que se encontra numa forma disfarçada de assalariamento. ou seja. motivo que levou à atividade). segundo o autor a prática do trabalho informal.econômicas que afetam as indústrias são fatores primordiais para desencadear esse processo de migração da formalidade para informalidade. 2004.onde forneceu-se informações para formulação de uma compreensão do problema proposto. expectativas se pretende continuar). tempo na atividade. onde as perguntas foram de ordem: pessoal (faixa etária.METODOLOGIA Num primeiro momento o artigo fundamenta-se em uma pesquisa bibliográfica destinada a focalizar as considerações diversas sobre a economia informal no Brasil.com os dados em mãos foi realizada a tabulação dos mesmo com auxilio do programa Excel e Word. número de filhos. p 41) o trabalho informal contribui para evitar o conflito de classes. que antecede a investigação de campo que se realizou com a aplicação de um questionário com 8 perguntas abertas e fechadas a 15 vendedores ambulantes da zona urbana de Porto de Moz. capital e trabalho. escolaridade e local de origem). estado civil. Na visão de Prandi (1978. pois ela movimenta o setor econômico de todos os lugares e por isso a importância de estudos para identificar a economia informal em diferentes contextos. apud DURÃES. ingresso na atividade (atividade anterior. como a que esta pesquisa se propõe a realizar no Município de Porto de Moz.

Sua população estimada em 2004 era de 28 091 habitantes. detectou-se que dentre os 15 (quinze) entrevistados 66 % tem apenas o nível fundamental. Grau de Escolaridade 7% 27% 66% Nivel Fundamental Nivel Médio Sem escolaridade Idade 13% 13% 47% 20 a 30 anos 27% 31 a 40 anos 41 e 50 anos 51 a 60 anos Gráfico 1 – Grau de Escolaridade dos entrevistados Gráfico 2 – Faixa etária dos entrevistados Verificou-se também que 87% das pessoas entrevistadas não freqüentam mais o ambiente escolar e que apenas os 13 % restantes freqüentam a escola pelo período da noite. estando a uma altitude de 15 metros.( gráfico 2). O município já foi palco de vários conflitos ambientais em função de desse e de outros problemas foi criado a Reserva Verde para Sempre em 2004. reserva esta aceita por alguns e por outros não. . Durante a pesquisa.4 . Possui uma área de 17504.89 km².RESULTADOS 4. Isto vem firmar a idéia de que o segmento informal é composto por pessoas excluídas do mercado de trabalho devido à falta de qualificação. A criação da reserva Verde para Sempre é apontada neste estudo como sendo um dos fatores que influenciaram o crescimento da economia informal na zona urbana de Porto de Moz.1 – Do local da Pesquisa Nosso local de pesquisa é a cidade de Porto de Moz um município brasileiro do estado do Pará. Com relação à idade dos entrevistados constatou-se que 27 % possuem entre 20 e 30 anos. “Localizado a uma latitude 01º44’54” sul e a uma longitude 52º14’18” oeste. 27 % cursaram o ensino médio e 7% nunca freqüentaram a escola. (gráfico 1 ). 47 % apresentam a idade entre 31 e 40 anos e 13 % entre 41 e 50 anos de idade e 13% de 51 a 60 anos.

e que 53% dos entrevistados vem da zona rural e 47% da zona urbana. 27 % pertenciam a algum órgão do governo. Entre as empresas que estes trabalhadores atuaram 60% eram madeireiras. 27% entre 1 a 5 anos e 13% tem mais de 12 anos ( ver gráfico 5 ). Origem 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Rural Urbana Gráfico 3 – Origem A maioria dos entrevistados já trabalhou em alguma empresa antes de ingressar na informalidade. principalmente de outras cidades ( ver gráfico 3 ).Com relação ao tempo na atividade informal a maioria. 48% dos entrevistados tem mais de 5 filhos. e 7% exerciam prestação de serviços (gráfico 4). Atividade Anterior 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Madeireiras Orgão do Governo Prestação de Serviços Tempo na Atividade 12% 27% 61% 1 a 5 anos 6 a 11 anos Mais de 12 anos Gráfico 4 – Atividade anterior Gráfico 5 – Tempo na atividade . que quanto ao número de filhos. 60% possuem de 6 a 11 anos na atividade.Observou-se ainda.

mais avançado.dependendo dos dias ( gráfico 7 ) . ajudar na renda familiar e outro por não encontrar vaga no mercado formal. Grau de Sastisfação 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Renda Mensal 1 a 2 sálarios 2 a 3 sálarios 37% 63% Ótima Boa ou Média Gráfico 7 – Renda mensal Gráfico 6 – Grau de Satisfação Com relação aos motivos que levaram a pessoa a iniciar nessa atividade são vários. com 74% das pessoas. é sobre a renda. onde constatou-se que a maioria dos indivíduos que praticam a atividade autônoma possui um perfil sócio econômico parecido. Entre os entrevistados 63 % disseram ganhar de 2 a 3 salários mensais com as vendas e 27% das pessoas disseram que ganham 1 a 2 salários mínimos podendo variar para mais ou para menos. entre eles. isso se deu em função da necessidade desses indivíduos ingressarem na atividade muito cedo e por não disporem de tempo e dinheiro para prosseguirem em seus estudos. 26% ingressaram para aumentar a renda familiar.boa e média respectivamente e dizem que se surgir outra atividade eles deixam de trabalhar na informalidade ( ver gráfico 6 ). Outro dado fundamental para se atingir os objetivos desta pesquisa. 5 .Quanto ao grau de satisfação há uma grande divergência 56 % consideram a atividade ótima e pretende continuar enquanto que 45 %. o desemprego foi mais expressivo. A maioria cursou apenas o ensino fundamental. em relação ao nível de escolaridade. cursaram apenas o ensino médio.DISCUSSÃO A partir desse levantamento cabe-nos realizar uma análise do quadro atual da economia informal na zona Urbana de Porto de Moz. e os que tiveram acesso a um ensino. .

mas depois que criaram essa reserva eles foram embora e muita gente ficou sem trabalho.na prefeitura.S. A maioria dos trabalhadores informais tem sua origem na zona rural isso se deu em função do processo migratório das pessoas da zona rural para a cidade que no município se acentuou após a criação da reserva Verde para Sempre que ocupou mais de 80% das terras do município. “Eu sempre trabalhei tirando madeira da mata pra sobreviver. mas não deu certo. a gente tem que apoiar o prefeito se não a gente perde o emprego.M.Muitos dos entrevistados entraram no comércio informal a partir da impossibilidade de continuar trabalhando no cargo. o jeito foi à gente mudar pra cidade pra ver se encontrava trabalho aqui. pelos baixos salários e pelas muitas horas de trabalho.C. o jeito foi vender esses bagulhos na rua. mas também questões políticas.( M. geralmente pais de família que ingressaram nesta atividade em função da necessidade do aumento da rendar familiar e também por não possuírem outro tipo de renda ou emprego fixo. As únicas fontes empregadoras do município são a Prefeitura e o comércio.após mudança de governo. principalmente pelo número de vagas que oferece. A falta de emprego formal no município é fator determinante para o ingresso na atividade informal de vários dos entrevistados.quando a Madernorte chegou lá no Peiturú onde a gente morava.Verificou-se também que há uma predominância das pessoas com mais de 30 anos. mas quando chegou à política. mas ele perdeu e eu também perdi meu emprego. pois o novo prefeito só renovou o contrato do pessoal dele”. O comércio na zona urbana deixa ainda muito a desejar.S 36 anos.” (J.vendedora de verduras nas ruas de Porto de Moz). 47 anos vendedor de calçados e bolsas na rua de Porto de Moz) . comecei a trabalhar para eles. eu até que apóie. inviabilizando a presença de madeireiras que não de adequaram ao novo perfil exigido. “Olha eu trabalhava como merendeira em uma escola aqui da cidade. Para se conseguir uma vaga no quadro funcional da Prefeitura envolvem-se não só os quesitos de formação.

pois segundo eles. conseguem obter uma renda muito melhor de que quando trabalhavam no mercado formal. resultando de um processo doloroso. ressaltamos que embora a economia informal não contribua diretamente com soma do Produto Interno Bruto. a maioria afirmou estar contente com o exercício da atividade autônoma. p. e recheado de tensões sociais. 2004. de certa forma ela retorna seus lucros para economia formal. relacionadas à ampliação do exército industrial de reserva num quadro de estagnação econômica. seja através de compras no supermercado. . p.Com relação aos motivos que levaram as pessoas entrevistadas a ingressarem na informalidade destacam-se a falta de emprego formal e a necessidade de se aumentar a renda família já que ganhando apenas um salário não daria para suprir as necessidades básicas da família. ou pagamentos de impostos diretos inclusos na conta de água.. preferência social pela informalidade é tudo menos espontânea. na qual afirma que. Nesse contexto Souza (1980. energia e telefone. A 11) converge em uma idéia diferente da de Ribeiro. A. não se dá pela atratividade do setor..]. A 11) Barbosa (2004. mas sim pela necessidade de se aumentar a renda familiar ou conseguir uma renda para manter a família. p. assim chamada. Assim sendo. 143) afirma que: [. (BARBOSA.] e certo que existem pessoas ocupadas no setor formal que recebem renda superiores ás recebidas por alguns grupos empregados no setor formal e que por este motivo não teriam motivação para trocar sua ocupação atual por um setor formal [... Com relação ao grau de satisfação. a migração do trabalhador formal para a informalidade.

que buscam na cidade através da informalidade um meio de sobrevivência. Essas duas premissas legais. a partir de 1980.esmagada pelo fato de não se encontrar apto ou preparado profissionalmente.CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao finalizar este trabalho chegamos a algumas conclusões que. contudo.7 mil moradores locais vivem da criação de búfalos (Bubalus bubalis L. o SNUC. é reserva extrativista conforme o art. Entretanto. sendo esse apenas um dos vários fatores que encontramos no decorrer de nossa pesquisa. proíbe a criação de animais de grande porte em Unidades de Conservação . A abertura do país à livre concorrência. embora parciais. protegendo os meios de vida e a cultura da população extrativista local.entretanto há situações e casos que abrir . 2º do Decreto Federal. por terem maiores oportunidades de acesso aos recursos disponíveis na cidade. Lei Nº 9. verificou-se um intenso crescimento da economia informal após a criação da reserva Verde para Sempre esta. o enxugamento nas empresas devido a incertezas econômicas. A positividade ou negatividade em relação a economia informal deixa uma lacuna no mercado de trabalho onde observamos o trabalhador e provedor da família carente de oportunidade.985 de 18 de julho de 2000. levou a falência de muitas indústrias.) nos campos naturais das várzeas. se mostram contraditórias no caso da Resex “Verde para Sempre”. são importantes para melhor compreensão da realidade e para caminhos para as novas reflexões a respeito do tema estudado. ele garante a prática de atividades econômicas tradicionais nas unidades de uso sustentável que permitem a presença de moradores. pois metade dos 1. atividade que desenvolvem há pelo menos duas gerações. provocou o aumento do número de desempregados ou de trabalhos precários. a Resex tem por objetivo assegurar o uso sustentável e a conservação dos recursos naturais renováveis. também. Embora regulamentada e com regras de proibição para algumas atividades muitos moradores desse espaço desenvolvem uma pequena agricultura que serve de subsistência familiar. Em Porto de Moz.UC e por outro lado.o mesmo ocorrendo em relação a extração madeireira que era a base central dos trabalhadores. A restrição pela criação da reserva é um dos focos responsáveis pelo êxodo rural dos mesmos.

É indiscutível a importância do trabalho informal para vida das pessoas que sobrevivem dessa atividade e para própria economia formal.Moçambique no continente africano e Paraguai.Essas melhorias se dariam através da organização de associações. Não caracterizamos ou definimos o crescimento dessa atividade a um restrito fator.também registram essa atividade. então como enquadrar homens e mulheres com a idade acima dos 30 anos que na sua maioria são semianalfabetos. o estudo estava sempre em segundo plano. servente e outros. seja ele na agricultura. mas ainda existe a necessidade de algumas melhorias para que os trabalhadores deste setor possam ter melhores condições de trabalho e posteriormente ingressar no mercado formal.pesca ou no extrativismo florestal. Com relação à relevância da economia informal para o município esta vem incrementar a economia local. situação exigente da economia informal.Uruguai no Sul americano. como: braçal. o mercado de trabalho apresenta-se severamente competitivo com regras de incorporação duras e reais.Embora considerado à margem da legalidade o fluxo de recursos que gira dessa atividade incorpora envolve todos os setores da formalidade. Vale ressaltar também que a disponibilidade de horários são estabelecidos por eles próprios.demonstram satisfação e até realização pessoal e financeira. criação . apenas observa-se que se dá como uma saída diante da realidade econômica. Eles são oriundos de uma cultura onde quase sempre imperava o trabalho familiar. O paradoxo das economias em questão está no limite do certo e do errado.o que difere um dos outros é a forma de tratamento a cada um deles. ficando apenas um pequeno percentual para o sustento próprio. restringir ou coibir é um risco que as instituições governamentais ainda não desejam correr. Os empregos que lhes eram destinados eram de suporte e serviços gerais. Afinal essa não é uma atividade restrita ao Brasil. pois na contramão desse pensamento existe um leque de opções os quais esses órgãos podem implantar com o objetivo de enquadrar na legalidade ou estabelecer regras de atuação de forma que ambos estejam beneficiados e de comum acordo.países como: Angola.observamos dentre alguns entrevistados estabilidade e pensamento investidor com o intuito de expansão e diversificação.uma vez que o capital de giro é quase sempre todo investido. pois a renda é revertida na própria cidade.

Durante a realização da pesquisa. e o publico alvo da pesquisa foi uma pequena amostra do segmento informal. encontramos algumas limitações. como a obtenção de levantamento de dados junto aos órgãos públicos.de locais apropriados. Mesmo assim. . treinamento e orientação promovidos por órgãos governamentais a partir das políticas públicas adequadas a essa realidade. conseguiu-se obter uma confirmação inegável de que a economia informal é sem dúvida uma fonte de renda e geração de emprego para o município.

59 . Disponível: www.flexibilizacao. Monografia de conclusão do Bacharelado em Ciências Sociais da Faculdade de filosofia e Ciências Humanas da UFBA.br/index.Jornal Valor. In: CAMARGO. 2000.07 de jun. . P.A-11. Disponível em: http://www. 1978.ufba.Monografia de conclusão do curso de geociências da universidade estadual de Londrina.N.hsw.3. Edições Símbolo.fazenda. 2004.pdf. Disponível: revistas. Causas. Londrina. Tese apresentada Mestrado em economia do setor publica na Universidade de Brasília.empresasfinancas. php/rad/article/download/891/107.uol.geo. Uma abordagem alternativa do setor informal no Brasil.2003/jun. INDRIUNAS. 1991.São Paulo. Trabalho Informal. de 2002.com. 121-143. Acesso em 29 de maio 2011. A economia informal. Acesso em 12/02/2011.php/revistafarn/article/view/91. A.br/arquivos/dilza_chiliga. BRUMENSCHEIN.A-14. R.F e BEZERRA. Luiz. Disponível em: www. M. F. CHILIGA. BRASILIA. SALVADOR.receita. Disponível em: 2004. Rio de Janeiro: Paz e Terra.J.revistafarn.) Distribuição de rendas no Brasil. Os reflexos da mudança do Camelódromo para o Shopping Popular. Como funciona a economia informal.pdf. p. p. Natal. COSTA.br/revistafarn/index. São Paulo. J. Maria Cristina.1/2. Disponível: www. efeitos e comportamento da economia informal no Brasil.M. n. Dilza Fátima. O desdobramento acelerado da economia informal e suas Transformações nas relações de trabalho na sociedade.gov.p.br/Publico/estudotributarios/TrabAcademicos/Textos/Rober toCausasEfeitoseComportamentodaEconomiaInformalnoBrasil. Jornal Valor.Acesso em 12/02/2011.C.REFERÊNCIAS BARBOSA.Acesso em 12/02/2011.pdf. 2004. Sofrimento e alienação no século XXI: O trabalho nas ruas de Salvador. CACCIAMALI. v. http://www. e GIAMBIAGI. M.inf. B. As economias informal e submersa: conceitos e distribuição de renda. DURÃES.R. F.68 jul.Pucsp. 17 de jun de 2004.uel. Roberto Name.br.br/monografiaBruno. (Org. Acesso em 2 de junho de 2011. RIBEIRO. Revista da FARN.