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Revista da Fapese, v.3, n. 2, p. 39-62, jul./dez.

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Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) como Indicadores da Qualidade dos Solos
Fabiana Ferreira Felix*

R e s u m o

do por serem altamente tóxicos, lipossolúveis e persistentes. O uso desses

poluentes pode contaminar o solo, direta ou indiretamente, através das aplicaferir, conseqüentemente, na vida do solo. A toxidez dos poluentes nos solos

O

Sandro Navickiene **

Haroldo Silveira Dórea***

s Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) aldrin, clordano, dieldrin, DDT, endrin, heptacloro, mirex, toxafeno, bifenilas policloradas (PCBs), hexaclorobenzeno, dioxinas e furanos tiveram seu uso suspenso e bani-

ções realizadas nas culturas, e, a depender da concentração acumulada, interpode ser estabelecida por valores determinados na legislação de um país. O presente estudo buscou fazer um levantamento bibliográfico sobre os POPs com o objetivo de relacionar suas características físico-químicas, o comportamento destes e a qualidade do solo. O comportamento dos POPs no solo depode migrar do solo por lixiviação, evaporação ou escoamento superficial para

pende de suas propriedades físico-químicas, as quais indicam se a molécula contaminar o ar ou a água e ir bioacumular-se ao longo da cadeia alimentar. As

propriedades dos POPs, tais como pressão de vapor, solubilidade, coeficiente de adsorção (Koc), coeficiente de partição-octanol-água (Kow) predizem bem o comportamento desses poluentes no solo e podem ser utilizados como indicadores da qualidade do solo. No Brasil, o Estado de São Paulo possui valores

orientadores para solos que estabelecem valores limites para áreas contaminaPOPs encontrados impedirem o uso do solo. luição; Propriedades Físico-Químicas.
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das para serem aplicadas medidas de prevenção ou intervenção se os níveis de PALAVRA-CHAVE: Poluentes Orgânicos Persistentes; Qualidade do Solo; Po-

Engenheira Agrônoma, Msc. em Agronomia. Bolsista de Desenvolvimento T ecnológico Industrial – CNPq, Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe – ITPS, Laboratório de Solos e Química Agrícola, Rua Campo do Brito, 371 - Bairro São José - Aracaju/SE - 49020-380, Email: fabianaffbr@yahoo.com.br; ** Químico, Doutor em Química, Professor Adjunto da Universidade Federal de Sergipe, Departamento de Química, Av. Marechal Rondon, s/nº - Jd. Rosa Elze - São Cristóvão/SE - 49.100.000, E-mail: sandnavi@ufs.br. *** Químico Industrial, Doutor em Química, Professor Associado da Universidade Federal de Sergipe, Departamento de Química, Av. Marechal Rondon, s/nº - Jd. Rosa Elze – São Cristóvão/SE – 49.100.000, E-mail: hdorea@ufs.br.

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Fabiana Ferreira Felix; Sandro Navickiene; Haroldo Silveira Dórea

1. Introdução
A situação atual dos ecossistemas terrestres mostra uma tendência a um stress ocasionado pela ação antrôpica por conta do uso de produtos agrícolas na esperança de salvar a produção de alimentos. Entretanto, o que ocorreu durante anos foi um acúmulo de compostos poluentes nas camadas do solo, os quais ao longo da cadeia trófica causam efeitos tóxicos aos seres vivos, que fazem parte da teia alimentar (Gaynor, 2001). A visão sobre o uso de pesticidas foi ampliada e a conscientização do público e dos usuários começou a acontecer, a partir do lançamento do Livro Silent Spring (A Primavera Silenciosa), publicado em 1962, Rachel Carson mostrou como o DDT [1,1’-(2,2,2tricloroetilidano)-bis(4-clorobenzeno), ou 1,1,1-tricloro2,2-bis-(p-clorofenil)-etano] penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do homem, com o risco de causar câncer e dano genético. Além do DDT, o aldrin, dieldrin, endrin, clordano, heptacloro, mirex, toxafeno, bifenilas policloradas (PCBs), hexaclorobenzeno, dioxinas e furanos, são os outros 11 Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), que foram listados como prejudiciais ao meio ambiente e a saúde humana, principalmente por serem lipossolúveis e por serem bioacumláveis ao longo da cadeia alimentar (Fernícola e Oliveira, 2002). Graças as suas características físico-químicas é que esses poluentes estão presentes no que podemos chamar de componentes fundamentais para a vida, a água, o ar e o solo. O solo é de vital importância para os seres vivos, isso por que é deste componente que vem a maioria dos alimentos, minerais e combustíveis. Os vegetais, por exemplo, necessitam do solo para o seu desenvolvimento e produção, pois através das raízes obtém a água e os nutrientes de que precisam. Por conta disto, a Embrapa (1999) define o solo como uma coleção de corpos naturais, constituídos por partes sólidas, lí-

quidas e gasosas, tridimensionais, dinâmicos, formados por materiais minerais e orgânicos, que contém matéria viva e podem ser vegetados na natureza. Infelizmente, o uso de pesticidas pode contaminar o solo, direta ou indiretamente, já que, através das aplicações realizadas nas culturas, e, a depender da concentração acumulada, interferi, conseqüentemente, na vida. Para entender o processo de contaminação do solo é que procuramos fazer uma análise sobre o que vem ocorrendo ao nível de pesquisas científicas sobre o comportamento dos Poluentes Orgânicos Persistentes nos solos. Assim, um estudo detalhado sobre esses POPs e sua interação com alguns tipos de solo é essencial para que possa conhecer e buscar meios para minimizar tais contaminações. Diante do exposto, é que este estudo tem como objetivo fazer um levantamento bibliográfico sobre os Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) e relacionar suas características físico-químicas com o seu comportamento em relação ao solo, para descrevê-los como indicadores da qualidade do solo.

2. Material e métodos
Inicialmente foi feito levantamento bibliográfico sobre Poluentes Orgânicos Persistentes tendo como fontes de pesquisa os periódicos, monografias, dissertações, teses, livros e informações encontradas na internet. O acesso ao material utilizado foi através de pesquisa pelos portais SCIELO (http://www.scielo.br), Portal Periódico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior - CAPES (http:// www.periodicos.capes.gov.br/portugues/index.jsp), GOOGLE (http://www.google.com.br/) e visitas presenciais à Biblioteca Central da Universidade Federal de Sergipe, UFS. Foi indispensável também o acesso aos sites de instituições como Agency for Toxic Substances and Revista da Fapese, v.3, n.2, p. 39-62, jul./dez. 2007

uma vez que. Se para aplicar esses pesticidas os solos são revolvidos. e afetar os próprios cursos de água superficiais (Tomita e Beyruth.usda. Food and Agriculture Organization FAO (www. principalmente os vegetais dependem desse recurso natural e deles retiram os nutrientes necessários para se desenvolver e produzir. Uma vez no solo. é necessário que tal solo seja fértil e produtivo. através do perfil dos solos. a contaminação interfere no ambiente global da área afetada (solo. CETESB.embrapa. pela incorporação direta na superfície através. enterrados ou infiltrados. com uma importância vital para todas as atividades humanas e para a sociedade propriamente dita (Gaynor. que dão. jul. Revista da Fapese. 2002). no tratamento de sementes com fungicidas e inseticidas. 1999). e ao mesmo tempo livre de qualquer tipo de contaminação (Gaynor. águas superficiais e subterrâneas. de forma planejada. 2001). prejudicando seu desenvolvimento (Musumeci.esb. 2007 3. A contaminação do solo tem-se tornado uma das preocupações ambientais. fauna e vegetação). pelas águas das chuvas. Além desse dano. É também considerado como sendo a camada superior da crosta terrestre. uma vez que tais produtos não tenham sido manejados corretamente. geralmente.sp. v. ou pela eliminação de ervas daninhas por herbicidas. acumulados. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB (www. Global Environment Facility GEF (www.GEA (http:// www. de grande complexidade e muito dinâmico (Embrapa. que nela tenham sido depositados.org). área contaminada (AC) pode ser definida como sendo uma área onde há comprovadamente poluição ou contaminação causada pela introdução de quaisquer substâncias ou resíduos.org). um solo contaminado.. A partir daí é possível observar a importância do solo. Ou seja. Um solo agricultável é aquele cujas características físicas e químicas indicam condições apropriadas para o desenvolvimento e produção vegetal.epa. De acordo com a CETESB (2006). pois podem levar ao endurecimento.br).cdc. A figura 1 mostra o movimento desses produtos em ecossistemas.wwf.ucp. 1992). características específicas a cada tipo de solo (CETESB. é um recurso natural cujas características dependem do material original e outros parâmetros. como via de propagação de poluentes.br).gov. como organismos vivos e fatores climáticos. 2004.2. 2001). United States Department of Agriculture . indiretamente.3. 2001). acidental ou até mesmo natural.gov) e WWF (http://www.cetesb.gov). pode ocasionar a contaminação de lençóis freáticos.gefweb. além de ser um problema para o lençol freático. no controle de fungos patogênicos.atsdr. o excesso de pesticidas pode competir com os elementos nutrientes das plantas. p. este é o maior problema.pt/gea). aumentar a mineralização da matéria orgânica.fao. Grupo de Estudos Ambientais da Escola Superior de Biotecnologia . armazenados. compromete a produção de alimentos e consequentemente o topo da cadeia alimentar.USDA (www. 39-62. Para que os alimentos produzidos em um determinado tipo de solo sejam de qualidade e em quantidade suficiente para atender as necessidades da população./dez. com o tempo. Os pesticidas é um dos poluentes que atingem o solo e o contaminam. ar. United States Environmental Protection Agency . n. 2006). da aplicação intencional. Os seres vivos. A lixiviação dos pesticidas. Solo e poluição ambiental O solo é um corpo vivo. Isso ocorre se esses pesticidas acabarem com a vida (microbiota) do solo e. cuja descontaminação apresenta grande dificuldade.USEPA (www. para o risco de poluição das águas. Ou seja.Poluentes Orgânicos Persistentes (Pops) como Indicadores da Qualidade dos Solos 41 Disease Registry – ATSDR (www. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA (www. podendo mesmo estar na origem de problemas de saúde pública (Flores et al. as moléculas dos pesticidas podem ser transportadas em grandes quantidades.gov). indiretamente pela pulverização das partes verdes dos vegetais e pela queda de frutos ou folhas que receberam aplicação de tais produtos.org). O uso de pesticidas por prolongados períodos pode provocar mudanças radicais na estrutura do solo. pelo fato de intoxicá-los. .

Assim. estrutura. O solo pouco estruturado.3. através do manejo de suas propriedades.42 Fabiana Ferreira Felix. v. para as moléculas que atingem esta fase ocorre a mineralização que é á transformação do metabólito em CO2. propício a sofrer erosões. capacidade de troca iônica. pois estes compostos apresentam propriedades específicas que interagem com as propriedades dos solos (Goss.. 39-62. como filtração e lixiviação. n. Adaptado de Tomita e Beyruth (2002) Figura 1. As moléculas também podem ser transformadas em outras. Por fim. químicas e biológicas do solo e dos fatores climáticos. simultaneamente e em diferentes intensidades. permeabilidade. Movimento dos pesticidas no ecossistema. Segundo Prata (2002). A interação de solos e pesticidas freqüentemente tem dificultado a avaliação do comportamento de determinado pesticida no ambiente (Ferracini et al. Entre estes mecanismos podem ser destacadas a adsorção. 1992). conhecidas como produtos de transformação ou metabólitos. São elas responsáveis pelo mecanismo de atenuação física de poluentes. troca e a neutralização. 2001). ao sofrer um escoamento superficial ou volatilização. podem ser incrementados. ao lado da atividade biológica. Prata (2002) descreve que as moléculas dos pesticidas podem seguir diferentes rotas. 2002).2. serem absorvidas por raízes e plantas. serem lixiviadas para camadas superficiais (horizontes) do perfil do solo. Revista da Fapese. ou ser novamente liberadas para a solução do solo. ou que já foi muitas vezes cultivado./dez. o que se dá fundamentalmente via organismos. 1999). condutividade elétrica e matéria orgânica. Essas por sua vez. precipitação. densidade. As propriedades químicas dos solos são: pH. teor de nutrientes. oxidação. tende a contaminar as plantas 10 vezes mais que um solo estruturado e estável (Leite. o fato das moléculas. p. H2O e íons minerais. possibilitando ainda condições para que os processos de atenuação química e biológica possam ocorrer. vai depender das propriedades físico-químicas da molécula. são responsáveis pelos principais mecanismos de atenuação de poluentes nesse meio. porosidade. As propriedades físicas do solo são: textura. a fixação química. propriedades físicas. elas podem ser retidas aos colóides minerais e orgânicos e depois passarem para formas indisponíveis. que invariavelmente ocorrem no solo e. Sandro Navickiene. jul. fluxo de água. processo conhecido como dessorção. 2007 . ar e calor (Brady e Weil. Haroldo Silveira Dórea Para entender como ocorre o contanto entre pesticidas e solo.

verificou que os tipos de solos encontrados contribuíram para agravar o impacto da agricultura na qualidade da água. após as extrações químicas utilizadas em análises de forma que não alterem significativamente a natureza da molécula nem estrutura da matriz. 1999). Assim. 2007 . 2001). atuando na determinação da quantidade de água a ser mantida no solo. por meio de ligações químicas e retenção nas frações húmicas (sorção externa e penetração nos vazios internos). com boa permeabilidade da água. Resíduos ligados são compostos que persistem no solo. presentes no solo (Brady e Weil. Poluentes orgânicos persistentes (POPs) Os produtos químicos melhoram nossa qualidade de vida. com 0. 39-62. Já a estrutura é dada pela forma da estruturação conjunta das partículas que o compõem o solo.06 mm) e argila (partícula mineral basicamente constituído de silicato hidratado de alumínio com diâmetro menor que 0. também. bem como influenciar a mobilidade dos contaminantes (CETESB. O transporte e mobilidade de poluentes no solo dependem também da forma e tamanho das partículas que compõem um dado solo. 1999). Marques (2005) estudando o impacto de agrotóxicos em áreas pertencentes à bacia hidrográfica do rio Ribeira de Iguape. 2004). 2002). A matéria orgânica do solo é uma das principais responsáveis pela formação de resíduos ligados. A matéria orgânica é considerada quimicamente reativa e promotora das populações microbianas que atuam no processo de degradação. portanto baixa adsorção. criando os epaços porosos entre os agregados. influenciando na sua biodisponibilidade (Prata. pois esta afeta a sorção dos pesticidas nas partículas de solo. planta ou animal. conseqüentemente. composta basicamente de dióxido de silício.063 a 2 mm). A textura é um indicador da proporção de areia (material de origem mineral finamente dividido em grânulos. fator dominante da interação entre o solo e o contaminante orgânico. 2000) cita como características mais importantes do solo: textura. mas alguns provocaram importantes efeitos colaterais.002 mm e 0. n. Alleoni (2002) relaciona alguns processos e atributos às frações granulométricas e ao potencial de lixiviação de poluentes.2. solos cujas frações granulométricas predominante seja argila.Poluentes Orgânicos Persistentes (Pops) como Indicadores da Qualidade dos Solos 43 O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA. 2002) foram encontradas estreitas relações entre potencial de lixiviação de pesticidas e a textura do solo. prejudiciais à saúde humana e aos ecossistemas (Flores et al. A permeabilidade. pode ser definida como uma medida geral de quão fácil é a penetração da água em um determinado tipo de solo. em São Paulo (Baixo Ribeira. p. as moléculas tendem a ser mais adsorvidas. Prata (2002) define a sorção como sendo a transformação e absorção radicular das moléculas que juntamente com as condições de pluviosidade e temperatura governam o transporte dos pesticidas no solo. Estes espaços porosos é a chave para a retenção de água e seu movimento através do solo. Se por um lado os pesticidas permitem que a produção de alimentos cresRevista da Fapese. Apesar da importância de cada propriedade do solo.. que é controlada pela estrutura do solo. “médio” para solos com predomínio de silte. classificou o potencial de lixiviação de poluentes como: “alto” para solos cujas frações granulométricas predominante seja areia. silte (fragmento de mineral formado por partículas com diâmetros compreendidos entre 0. 4. jul.. e potencial de lixiviação de poluentes “baixo”./dez. O maior potencial de lixiviação ocorre em solos altamente permeáveis e solos arenosos com baixo teor de matéria orgânica (Brady e Weil. Nos trabalhos de Mattos e Silva (1999) e (Filizola et al. Planícies Fluviais e Planície Litorânea). na forma de molécula original ou de seus metabólitos. é o teor de matéria orgânica a variável mais importante. É.3. permeabilidade e teor de matéria orgânica. já que eram solos de texturas predominantemente arenosas. É ainda o principal mecanismo de dissipação dos resíduos dos pesticidas no meio ambiente. Solos argilosos possuem maiores sítios de retenção (sítios de ligação) e. v.002 mm). e os arenosos oferecem poucos sítios de ligação e.

atingindo diretamente a saúde do ser humano. alguns chegaram a permanecer no solo por mais de três décadas após a aplicação. n. A contaminação do leite. Tais poluentes podem ser encontrados nos seis continentes do mundo. Da mesma forma. bioacumularem. são transportados pelo ar.44 Fabiana Ferreira Felix. devido a sua persistência. Desta forma. causarem efeitos adversos à saúde humana e ao meio ambiente. serem transportados a longas distâncias e assim. v. Poluentes Orgânicos Persistentes. de acidentes e através da poluição ambiental. mesmo em regiões onde nunca foram fabricados ou manipulados. os POPs podem destruir. A exposição ocupacional ou acidental a alguns POPs revela-se muito preocupante para a saúde humana. lipossolubilidade e semi-volatilidade conferem a habilidade de resistir à degradação.. heptacloro. jul. Desta forma é possível deduzir que a persistência de organoclorados no solo pode significar que esses poluentes continuaram acumulando-se nos ovos mesmo muito tempo depois de as fumigações terem cessado. rompendo o ecossistema natural. 2004. 39-62. 2002). 2001). clordano. Na agricultura os inseticidas organoclorados foram amplamente utilizados. A maior parte da exposição humana. doenças do sistema imunológico (Flores et al. 2002). que é 0. esses compostos permanecem no meio ambiente por longos períodos de tempo resultando na bioacumulação ao longo da cadeia alimentar (Gaynor. Isso porque possuem propriedades tóxicas. p. 2004). danos ao sistema nervoso. Sandro Navickiene. quando expostos a eles (Ziglio. com POP é um fenômeno mundial (Flores et al. desorganizar ou inferir na rede hormonal dos seres humanos e dos animais (sistema endócrino). a esses compostos orgânicos. má-formação de humanos e animais de todo o mundo. Gaynor (2001) relata que os níveis médio de dieldrin presente nos ovos recolhidos onde o solo fora fumigado com aldrin e dieldrin eram superiores a 5 mg/kg – cinqüenta vezes maior que o limite determinado pela Portaria nº10 de 1985 da ANVISA.3. além de doenças do sistema nervoso central e periférico. quanto pelo fato de não respeitarem fronteiras (Duarte. os resíduos ou subprodutos não intencionais como as dioxinas e os furanos (Fernícola e Oliveira. Entre os inúmeros efeitos dos POPs para a saúde estão uma ampla variedade de efeitos biológicos como os defeitos congênitos em seres humanos e em animais. São conhecidos doze POPs: os pesticidas aldrin. Os seres humanos ficam expostos aos POPs através da alimentação. representam uma classe de poluentes químicos que podem trazer sérias ameaças aos seres vivos e ao meio ambiente.1 mg/kg por ovo. o câncer. da próstata e dos testículos. Além de que. tanto pelos seus efeitos comprovadamente adversos. 2007 . ou principalmente. 2002). dieldrin. a maioria deles já foram banidos ou tiveram seu uso reduzido em boa parte do mundo (Nass e Francisco. 2004). Todavia./dez. é atribuída à rede de alimentação.2. DDT. A presença dos poluentes orgânicos persistentes no meio ambiente é uma das grandes questões da atualidade. 2006). Haroldo Silveira Dórea ça. Mesmo presente em concentrações pequenas. onde se acumulam em ecossistemas terrestres e aquáticos (Duarte. rios. Revista da Fapese. se bioacumulam. mas causaram danos irreversíveis ao meio ambiente. Duarte. lençóis freáticos.. esses destruidores endócrinos são responsabilizados por uma série de efeitos. alergias e hipersensibilidade. são resistentes à degradação. os POPs (Persistent Organic Pollutants). 2002). por outro lado causam problemas ao ambiente (solos. 2002). devido às propriedades farmacológicas de suas moléculas. Segundo Lemos (2002) as características de persistência. inclusive o leite materno. como aumento da incidência de câncer de mama. Supõese que as doenças reprodutivas sejam causadas por produtos químicos que rompem as funções endócrinas. pela água e pelas espécies migratórias através das fronteiras internacionais e depositados distantes do local de sua liberação. endrin. atmosfera). mirex e toxafeno. os químicos de aplicação industrial como as bifenilas policloradas (PCBs) e hexaclorobenzeno. principalmente por essas atividades de alto risco englobarem a agricultura e a manipulação de resíduos perigosos (Fulgêncio.

. de nome IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry) (1R. CLORDANO O nome IUPAC do clordano é 1. Fulgêncio. Apesar das inúmeras restrições. 2002). Já o dieldrin é um metabólito do inseticida aldrin.7R. permanecendo inalterado no local por vários anos. v.3.7. Os maiores índices desse composto ocorre quando se tem elevados teores de matéria orgânica (GEF.7methanoindene. utilizado no tratamento de sementes (milho. além da proteção de estruturas da madeira (ATSDR. sendo este último frequentemente mais aplicado (ATSDR.são inseticidas organoclorados sintéticos.4S. pode atingir corpos d’água pelo escoamento superficial em solos urbanos e agrícolas (Oliveira. podendo causar efeitos letais específicos em peixes e pássaros que se alimentam de peixes contaminados (GEF.10. mamíferos). é pouco provável que atinja águas subterrâneas. cana de açúcar e em frutíferas.8aR)1.8.6S. ocorrem através de sedimentos da erosão e do transporte (GEF.2. Podem ser encontrados no ar.1-trichloro-2. 1994).7. Uma vez no solo. A elevação em nível da toxicidade do clordano em solo é um indicador para o risco ambiental.5. Assim. pelo processo de biodegradação.7. 1994). frutas e flores ornamentais) e até mesmo durante a estocagem dos produtos (Leite.10-hexachloro-1.8aR)1. GEF. na proteção das culturas do milho e batata. que é mais resistente à biotransformação e degradação abiótica.4:5.4a.8-dimethano-naphthalene. são encontrados no solo resíduos de dieldrin em concentrações maiores e com maior freqüência que de aldrin. no solo.4. O dieldrin é adsorvido rapidamente. 2002. pois se liga fortemente às partículas do solo.2.2. bioacumulativa e que pode ser transportada. 2006). 2002b).2. varia de 2 a mais de 15 anos (Jesus. o aldrin é convertido em dieldrin. ALDRIN E DIELDRIN O aldrin. É um inseticida considerado um dos poluentes ambientais mais perigosos devido à sua capacidade de bioacumulação./dez. 2006). Revista da Fapese. que foram intensamente usados nos Estados Unidos e em outros países. jul. GEF.8octachloro-2. Devido a essa conversão rápida.3. DDT O DDT tem como nome IUPAC 1.8R. nas lavouras antes das colheitas (beterraba. sendo por este absorvido devido rápida adsorção às partículas do solo (GEF 2006).4.8a-octahydro6.4a.4aS. 2007 . flora e alimentos. persistente. 2002a.10-h exachloro-1. O aldrin é um pesticida utilizado para controle de térmitas. 2002a).2. Seu uso intensivo resultou na contaminação de solo.1. 2006). 4. quando é aplicado às plantas. 2002a.3.Poluentes Orgânicos Persistentes (Pops) como Indicadores da Qualidade dos Solos 45 4.1. e o dieldrin. organismos aquáticos e terrestres (ATSDR. fauna (peixes. p.7-epoxy-1.4. Além de contaminar os alimentos. 2002a. 2002.4. sedimentos. O transporte de aldrin e dieldrin.8R. 2006).4.2bis(4-chlorophenyl)ethane.6. 2002).5. Machado Neto. solo. aves.8a-hexahydro1.6. como resultado de contaminações ambientais (Leite.4aS.3. ou ainda. É uma substância tóxica.5S.4:5. pelo perfil. na atmosfera. a grandes distâncias (ATSDR.8. bichos da madeira e gafanhotos. água. n. 2006). É um inseticida utilizado em culturas de arroz. Apesar do clordano não sofrer lixiviação no solo.10. o fato deste poluente permanecer por longos períodos de tempo. sementes oleaginosas. ainda é aplicado em muitos paises do mundo (ATSDR. 4. cujo nome IUPAC é (IR.8.4. cebola.3alpha. fixados fortemente a pequenas partículas do solo.3. ocasiona a absorção deste poluente pelas plantas em crescimento e conseqüentemente a sua contaminação.4S. 2006).5.5S. sua molécula atinge o solo. algodão).8-dimethanonaphthalene (HHDN). 39-62. Contudo. A estimativa da meia-vida do DDT.7alpha-hexahydro-4. ATSDR.

persistente no ambiente. O contato com áreas contaminadas expõe a população em geral (GEF. 2007 4.4. estabilidade elevada e volatilidade parcial. ENDRIN O nome IUPAC do endrin é: (IR. . Foi detectado no ar. respectivamente).53 e 5.8aR)-1. na água e nos organismos vivos do Ártico.6. v.7methanoindene. A fonte principal de exposição humana é o alimento. 2006).5.46 Fabiana Ferreira Felix.8. sendo encontrado no solo mesmo após 12 anos do seu uso. talvez seja o fator responsável pela pouca variação de níveis de DDT encontrados no solo. adsorve-se fortemente a sedimentos suspensos e do fundo do corpo d’água (ATSDR. bem como evaporar para a atmosfera e. A maior parte do pesticida presente na água encontra-se ou estava firmemente ligado a partículas do solo e a após ser lixiviado pode depositarse no leito de rios e mares (Jesus. lixiviação.2. 2002). bioacumulável. vão favorecer o transporte a longas distâncias. sorgo e outros pequenos grãos. Devido a sua toxidade. Seu uso declinou devido à crescente resistência desenvolvida pelos insetos. Para GEF (2006). No solo. Sandro Navickiene. 39-62.4a. n.5. após precipitação pluviométrica pode contaminar as águas de superfície por drenagem (GEF. quando liberado na água o endrin é fortemente adsorvido no sedimento (Assumpção.7. Foi usado em vários países como inseticida.4. Este POP pode contaminar as águas superficiais e subterrâneas pelo escoamento superficial procedente de solos contaminados.7. o endrin pode ser transportado para corpos d’água superficiais por escoamento de águas pluviais ou de irrigação (ATSDR. tais como peixes.8R. As concentrações de DDT encontradas nas águas de superfície dependente das existentes no solo e nas águas pluviais. em épocas passadas. nas culturas de algodão. entre os anos de 1953 e 1974 no controle de pragas do solo.10. p.4.4S. de sementes de milho. É um pesticida de elevada toxicidade aguda. De acordo com Jesus (2002) a evaporação.8-dimethanonaphthalene. Isso porque é adsorvido fortemente às partículas do solo e tende a ficar imóvel devido ao seu elevado valor de coeficiente de partição baseado no carbono orgânico (Koc). invertebrado e outros organismos da água. 6.10-h exachloro-1.5. Suas propriedades físico-químicas de solubilidade baixa na água. 2006).6. Uma vez no solo. Este composto orgânico pode permanecer em áreas contaminadas durante muitos anos. É um inseticida organoclorado que foi isolado do clordano em 1946.3. Devido aos elevados valores das constantes log Koc e Kow (4. este poluente possui meia-vida longa. compromete a biota aquática. porém pode desaparecer pela evaporação e pela oxidação lenta no heptachloro-epoxide (um produto ainda mais persistente).7-epoxy-1. trigo e maçã. 2006). 2005). A assimilação deste composto pelos animais é rápida (ATSDR. e tem sido encontrado em ecossistemas remotos (GEAESB.7R. já que possui natureza hidrofóbica e forte sorção as partículas do solo.34-5.2. é extremamente persistente. Haroldo Silveira Dórea Os mecanismos que contribuem para as maiores perdas de DDT no solo são: transformação química.4. 2006).8heptachloro-3alpha. rodenticida e avicida. Foi extensivamente usado.4:5. 2002b).7. 2006). ou volatilização./dez.3.8a-octahydro-6.4aS. 2002). É tóxico para o ambiente da água e perigoso para a vida selvagem (GEF.8. 2002). 1996a). volatilização e a absorção pelas plantas (ATSDR. são resultados de seu uso na agricultura. 4. HEPTACLORO O nome IUPAC do heptacloro é 1. quando usado de acordo com as doses recomendadas Revista da Fapese. Os resíduos de heptacloro presentes no solo. O Heptacloro é persistente e relativamente estacionário no solo. jul. 6S.5S. É altamente tóxico.4. Quando liberado na água.7alpha-tetrahydro-4. ou de descargas de resíduos líquidos de procedência industrial (Lima. O uso de endrin na agricultura foi a principal fonte de contaminação do solo e do sedimento aquático. A meia vida do heptacloro em solo foi calculada em 9-10 meses.

MIREX O nome IUPAC do mirex é: dodecachloropentacyclo [5. e de 12 anos no solo. os efeitos perigosos foram detectados somente em concentrações mais elevadas que as usadas normalmente (GEF . WWF. A contaminação das plantas ocorre com a absorção de emissões do ar. há pouca informação disponível com relação à lixiviação do mirex em locais de aterros. pondo em perigo também os vegetais. se dá pelos resíduos nos alimentos. mas os níveis geralmente encontrados estão abaixo dos máximos recomendados (Oliveira.8]decane.0. segundo Fernícola (2002). O toxafeno não é tóxico para plantas. A principal via de exposição ao toxafeno. e a segunda do uso em programas de controle das formigas de fogo. pois reduz a sua capacidade de germinação. em diferentes aplicações.9. para a população em geral.Poluentes Orgânicos Persistentes (Pops) como Indicadores da Qualidade dos Solos 47 para a agricultura.0 3.7. É um inseticida de contato. Diversos setores industriais empregam as PCBs: capacitores e transformadores elétri- Revista da Fapese. é usada como retardador do fogo em plásticos. 2002). n. A primeira decorre da manufatura e do uso do mirex.6. dependendo do clima e do tipo do solo. A meia-vida nos solos da zona temperada pode alcançar 2 anos (GEAESB. com o nome de declorano. p. GEF. 2006. em todo mundo (Oliveira.6. o toxafeno passou a ser utilizado como inseticida substituto. quase insolúvel na água.9. É um POP muito resistente à degradação. Na atmosfera é volatilizado facilmente (Oliveira.8. transformando-se em fotomirex pela luz ultravioleta (Fernícola.8]decane ou perchloropentacyclo [5. 2002b).2. Não existem fontes naturais conhecidas e a produção do composto encerrou-se em 1976. com alguma ação acaricida. v. É bioacumulado por organismos aquáticos. Geralmente é utilizado em combinação com outros pesticidas. 4.04. 2007 . duas rotas bem estabelecidas da contaminação do ambiente. não sistêmico. É tóxico para peixes e crustáceos. Depois que o DDT foi proibido. Dados de regiões tropicais indicam que a dissipação do heptacloro do solo pode ser mais rápida em regiões tropicais do que em regiões temperadas (Lima. 2002b).0. 2002). 2002b). nos anos 70. 4.03.04. De acordo com Fernícola (2002)./dez.3. apesar de isto poder representar uma fonte de contaminação. BIFENILAS POLICLORODAS (PCB) PCBs (bifenilas policloradas) é o nome genérico dado à classe de compostos organoclorados resultante da reação do grupo bifenila com cloro anidro na presença de catalisador.3. ou de depósitos de material retardador de fogo. A mesma substância química.6. Este poluente tem tempo de meia vida de 10 anos em sedimento e água. na América do Sul e na África do Sul. 2006). 39-62. De 1972 a 1984 foi o inseticida mais utilizado. borrachas e materiais elétricos. 2006). adere aos sedimentos aquáticos e é bioacumulado. 2006).0 2. o mirex foi liberado para o ambiente durante sua produção ou formulação para uso como retardante de chama e pesticidas. e é pouco provável que se mobilize em um solo com alto conteúdo de matéria orgânica. jul. 2006). O mirex (Figura 7) foi anteriormente usado como inseticida para matar formigas no sudeste dos EUA. de tal forma que é improvável que se movimente do solo para a água subterrânea (WWF. além de ser muito tóxico para peixes. Seu tempo de meia vida no solo é de 100 dias a 12 anos. 2002. TOXAFENO O nome IUPAC do toxafeno é apenas toxafeno. 4.3. resultado da evaporação da superfície do solo. Na China e na Austrália é usado para combater cupins e a formigas cortadeiras e cochonilha-do-abacaxi (Fernícola. Historicamente. Não se dissolve facilmente em água e fixa-se às partículas do solo e do sedimento.02. Existem.

resinas plastificantes. 2002). Revista da Fapese. quando estão presentes no solo. a volatilização no solo é o maior processo de remoção na superfície. lubrificantes. vazamentos em transformadores. Haroldo Silveira Dórea cos. Conforme Salgado (2002) a incorporação de PCBs no meio ambiente ocorreu no passado. turbinas de transmissão de gás. Plantas. pesticida (utilizados como conservantes) e papel carbono (Penteado e Vaz. Historicamente. aterros.75. representa uma possível fonte adicional de exposição para as populações que habitam áreas vizinhas aos sítios de resíduos perigosos. o HCB é extensamente disseminado no ambiente. Os dados mais extensivos são do Programa Nacional de Monitoramento de Solos dos EUA. sem qualquer precaução. O destino e o transporte deste poluente. capacitores ou trocadores de calor. óleos de corte. 4.2. jul. 2002). sistema de transferência de calor. O HCB foi detectado em 11 desses locais. v. Segundo GEF (2006) o HBC é transportado a longas distâncias. armazenamento irregular de resíduos contendo PCBs.9 anos) são os maiores processos de remoção a baixas profundidades. Sandro Navickiene./dez. bombas de vácuo.6-22. tempo suficiente para contaminar e bioacumular todos os seres vivos do local (GEF. também pode expor as populações à contaminação. evaporação de plastificantes. aditivo anti-chama. 39-62. passando por uma lenta degradação fotolítica. É muito persistente no solo. são pouco prováveis de migrarem para águas subterrâneas. em 1972. Além de tais propriedades. Porém. principalmente em razão da liberação de efluentes industriais em mananciais e de resíduos em depósitos de lixo. Os dados sobre HCB no solo são muito limitados.7 anos) e anaeróbica (meia-vida de 10. ou de solo contaminada. para impedir o crescimento de fungos (Toledo. água e solo. 2007 . adesivos. aveia e centeio.0 mg/kg (Toledo. evaporação durante processos de incineração. Já em Cubatão. no Brasil. enquanto a biodegradação aeróbica (meia-vida de 2. As bifenilas policloradas. sendo muito tóxico para a vida aquática. os níveis de HCB em solos de áreas contaminadas variaram de 1. Segundo Toledo (2002). a ingestão de água. deposição de emissões veiculares próximas às rodovias e por aplicações no solo de lodo de esgoto contaminado. 2001). Devido a sua mobilidade e à estabilidade química.1 a 325.3. incorporando-se com facilidade ao ciclo ar.9. HEXACLOROBENZENO (HCB) O nome IUPAC do hexaclorobenzeno é Hexachlorobenzene ou perchlorobenzene. 2006). n. vazamentos de fluidos hidráulicos. não se decompõem quimicamente com facilidade e permanecem por longos períodos neste meio. com uma média de concentrações de 10 a 440 mg/kg peso seco. 2002). Outras formas de contaminação se dar por acidente ou perda durante o manuseio de PCBs ou fluidos contendo PCBs. onde as concentrações de uma variedade de pesticidas foram determinadas em 1483 locais. as condições específicas do meio ambiente representam influências importantes na definição do destino e transporte destas substâncias no ambiente. fluídos hidráulicos. deposição úmida nas porções aéreas devido à captação do poluente pelas raízes (Salgado. em 37 estados. A meia vida estimada é de 3 a 22 anos. A principal aplicação agrícola para o HCB é no tratamento de sementes de produtos agrícolas como trigo. 2001). uma vez presentes no ambiente. o HCB tem muitos usos na indústria e na agricultura. já que os vegetais encontrados em nestas áreas acumulam as PCBs presentes no solo por deposição seca nas partes aéreas. p. em razão das fortes ligações com as estruturas do solo. cevada. As PCBs. cultivadas em áreas contaminadas.48 Fabiana Ferreira Felix. plastificante para borracha. por sua vez dependerá de suas propriedades físicas e químicas (Penteado e Vaz.

às quais estão relacionadas ao seu comportamento ambiental e determinam à afinidade natural das substâncias por um ou por outro compartimento do ambiente (Prata. A cal é uma outra fonte de liberação de altos níveis de dioxina em várias rações animais. segundo Nascimento (2002) são aplicações de lodo de esgoto em fazendas. 2002). baixa solubilidade em solventes apolares.. 39-62. Os resultados da exposição em animais selvagens causa a redução da fertilidade. invadem a cadeia alimentar e se acumulam nos tecidos adiposos dos seres vivos superiores. As dioxinas. As dioxinas penetram no ambiente como resultado da utilização dos inseticidas e de outros produtos clorados. O conhecimento de tais propriedades vai ajudar a entender. A cal contaminada era produzida pela Solvay. As principais rotas de entrada das dioxinas na rede trófica e na dieta alimentar humana envolvem os seguintes compartimentos: ar planta animal e água/sedimento et al. ter um tempo de meia vida de 10 a 12 anos. estes poluentes possuem facilidade em disseminar no meio ambiente. Os furanos são compostos formados essencialmente como subprodutos não intencionais em processos químicos e de combustão. DDT e toxafeno se concentram em maiores quantidades nas regiões mais frias do planeta. Propriedades físico-químicas importantes para os POPs Quando nos referimos a qualidade do solo em relação aos pesticidas. Essas substâncias podem causar efeitos adversos ao meio ambiente e à saúde. uma multinacional belga (Nascimento.3. 2002). DIOXINAS E FURANOS O nome IUPAC das dioxinas é 2.e][1. 2004).10. já que são compostos semi-voláteis. como ingrediente.8tetrachlorodibenzo[b. Não existe o nome IUPAC para os furanos. n. Estado de São Paulo. aplicação de praguicidas no solo e em culturas. através de dispersão atmosférica. cristalinos. peixe (Canizares Uma das fontes relacionadas à liberação de dioxina no solo.Poluentes Orgânicos Persistentes (Pops) como Indicadores da Qualidade dos Solos 49 4. esses compostos podem retornar à atmosfera com o material particulado resuspenso ou sob a forma de vapor.7. onde nunca foram utilizados. jul. na ração que alimentava esses animais. podendo. podendo afetar a saúde humana. A partir dos solos. Descobriu-se que. os indicadores e coeficientes expressam as propriedades físico-químicas destes poluentes. por exemplo. em conservantes de madeira e no descarte direto de resíduos. p. só foi descoberta após uma serie de investigações feitas pelo Greenpeace juntando dados da Alemanha e do Brasil. 2002)./dez. neurológicas e no desenvolvimento (Martins. de produtos químicos tóxicos e persistentes como PCBs. próximo aos pólos. Os furanos e as dioxinas são considerados subprodutos produzidos de forma intencional (Martins. Segundo ATSDR (2006). surpreendentemente altas. v.3. Devido ao caráter persistente e por serem altamente lipossolúveis. Os critérios da Environmental Protection Agency EPA apontam o coeficiente de adsorção. estava presente. 2002). As dioxinas tendem a permanecer relativamente imobilizadas nos solos e sedimentos.2. Um caso recente ocorrido no Brasil é o da contaminação deste produto na fábrica da empresa Solvay. são compostos sólidos. 2002). Inicialmente o governo alemão diagnosticou uma contaminação por dioxinas no leite de vacas. no Município de Santo André. incluindo disfunções imunoquímicas. por que a concentrações. 5. a meia-vida no solo e a solubilidade em água como sendo as proRevista da Fapese.4]-dioxin. de acordo com Nascimento (2002). que apresentam elevado ponto de fusão. a polpa cítrica importada do Brasil. São introduzidas nos corpos hídricos por deposição direta a partir da atmosfera ou por processos de escoamento superficial e erosão. A cal contaminada por dioxinas no processo industrial. O impacto das dioxinas e furanos são similares. defeitos genéticos e morte do embrião (Martins. 2007 . praticamente insolúveis em água e persistente no ambiente. A persistência da dioxina no ambiente varia de composto para composto.

É a principal propriedade na determinação do potencial de volatilização de um composto. solubilidade. Assim. não expressa diretamente a taxa de volatilização de um ingrediente ativo. Não se deve esquecer que estes poluentes potencialmente perigosos.79 355. 2006).2 4. 39-62. as concentrações determinadas nesses locais são comparadas aos valores orientadores para a definição da condição da qualidade do solo. estocadas ou utilizadas e isso é um dado importante na condução dos estudos efetivos do histórico do local.056 (25ºC) 0. (11)Fernícola (2002).44 2.34 5. Quanto maior a pressão de vapor. v. Na tabela 1. Já a CETESB (2001) aponta esses parâmetros tanto para avaliar o nível de contaminação de águas como para a contaminação de solos.57 6.73x10-8 (25ºC) 2.50 Fabiana Ferreira Felix.2 (24ºC) 4.8 6. milímetros de mercúrio (mmHg).18 6.67 5. quantidade por metro quadrado (psi) e atmosferas (atm) (PANNA.34 3. 2001). n.056 (20ºC) 0. (5)Leite (2002).8 364.027 (27ºC) 0.763 3. (10)Toledo (2002).23 (25ºC) Insolúvel Insolúvel Meia-vida (dias) 730 a 14245(a) 365 a 7305(c) 730 a 5479(a) 730 a 14245(a) 3652 a 4383(d) > 4383 (g) 3650 a ) 4383(b 986 a 8336(b) > 730 (e) 4383(f) 5.3(25ºC) 0.54 a 6. Varia com a temperatura.00 6. Sandro Navickiene. Haroldo Silveira Dórea priedades físico-químicas dos pesticidas mais relevantes no resultado final para sua classificação em relação à contaminação das águas (Ferracini et al.08 2x10-4 (25ºC) 0.7x10-3 (25ºC) 3x10-7 (25ºC) 0. (f)Fernícola (2002). (g)GEF (2006). É uma medida da tendência de volatilização em seu estado puro em função direta da temperatura.50 Log Koc 7.3.08 188.2. (2)Salgado (2002).93 373. (e)Lima (2002).7 a 498. mesmo em concentrações baixas. estão presentes. A pressão de vapor de um determinado composto ou substância é a medida de quão rapidamente este irá evaporar. (3)Oliveira (2002a). aumentando e diminuindo com esta.49 a 5. (9)Lima (2002).. (7) 1.7x10-7 (25ºC) 3.28 5.69 100 a 4383(g) 10 a 548(b) Revista da Fapese.5 68.93 380.89x106 (25ºC) 7.3 5. 2001). (d)Nascimento (2002).2x10-4 (25ºC) 1. geralmente.7 a 5. Pode ser expressa por meio de unidades como: mili-Pascal (mPa)./dez.3x10-5 (20ºC) 3x10-4 (20ºC) 3 x 10-74 (25ºC) 4x10-4 a 6.93 380. (4)Jesus (2002). (6)Nascimento (2002).8 409. (b) Adeola (2004).005 (25ºC) 0. 2007 . (c)Oliveira (2002a).186 (25ºC ) 0.60x10-7 (20ºC) 5.9x105 (25ºC) 1.7 414 a 413.24 a 0.2x105 a 2.6 3.2 5. Assumpção (2002).91 6.49 459. Pressão de vapor (p) é definida como sendo a pressão exercida pela substância ou composto em um sistema fechado e em equilíbrio.4-0. Tabela 1. que são as principais características dos doze POPs encontradas na literatura. Desta forma.8 545. são apresentado os valores de pressão de vapor. nos pontos onde foram processadas. log Kow e log Koc.67 Aldrin(1) HCB(10) Clordano(3) DDT(4) Dieldrin(5) Dioxinas(6) Endrin(7) Furanos(8) Heptacloro(9) Mirex(11) PCB(2) Toxafeno(12) 284.4x10-10 (25ºC) 2. (8)Martins (2002). p. Principais propriedades dos Poluentes Orgânicos Persistentes Massa Molar Pressão de vapor (mmHg) Solubilidade (mg/L) Log Kow 6.73 3.67 5. maior a tendência do contaminante estar no estado gasoso (CETESB. (a)Gaynor (2001). jul. conhecendo as propriedades do solo e dos pesticidas é possível estabelecer critérios de avaliação da qualidade do solo. (12)Oliveira (2002b).50 Fonte: (1)Machado Neto (2002).59 (25ºC) 0.

39-62. A sua semi-volatilidade favorece o seu aparecimento em fase gasosa e a sua adsorção em partículas atmosféricas. significando que moléculas com esta característica apresentam menor probabilidade de serem carreadas dissolvidas no escoamento superficial. portanto determinam à mobilidade do poluente (CETESB. este valor pode ser expresso em logaritmo de Koc (log Koc).9x105 mmHg a 25ºC. por serem semi-voláteis. Alta solubilidade em água favorece a lixiviação dos defensivos (GEF. 2000). Devido à alta variação em escala desta medida. 2006). quanto menor o valor da solubilidade. quanto maior a pressão de vapor. os riscos de exposição dos consumidores de topo. Substâncias ou moléculas com valores pequenos de Koc são mais propensas a serem lixiviadas do que aquelas com maior Koc. Revista da Fapese. seu estado puro. diminuem com aumento da massa molecular. Solubilidade em Água (Sw) é a medida do quanto uma determinada substância irá se dissolver na água. FAO. Este coeficiente vai indicar a concentração do poluente na solução do solo. que serão depositadas posteriormente por intermédio da neve ou das chuvas.3. ou seja. Essa propriedade é importante por indicar o potencial de volatilização de um poluente. maior a tendência desse poluente encontrar-se no estado gasoso. com pressão de vapor entre 2. mas alta solubilidade nos lipídeos. Quanto menor o valor de Koc. o quão rapidamente ele irá evapora do solo. até encontrarem temperaturas mais baixas (Duarte. o toxafeno é quase insolúvel na água e o furanos e o DDT são insolúveis em água. Quanto maior o valor. o que tem como principal conseqüência a sua acumulação nos tecidos adiposos. Alleoni (2002) comenta que a tendência dos pesticidas serem lixiviados no perfil do solo está intimamente relacionada com sua solubilidade em água e seu potencial de ser retido pelas partículas do solo. Pelo valor da solubilidade é possível determinar o quanto a substância irá se dissolver na água. Assim. como é o caso do homem. 2001). Tais propriedades vão indicar que alguns poluentes podem ser encontrados tanto na fase gasosa do ar quanto sorvido em partículas orgânicas sólidas ou partículas contendo carbono orgânico em suspensão no ar. Os POPs. 2006).2x105 a 2. É expressa como sendo a quantidade mínima de um composto ou substância que irá se dissolver completamente em um litro de água. jul. É normalmente expressa em mg L-1 ou ppm ou µg L-1 ou ppb. de acordo com a temperatura (CETESB. 2001). é o mais volátil de todos POPs. A pressão de vapor mostra a tendência que o composto tem de volatilizar.Poluentes Orgânicos Persistentes (Pops) como Indicadores da Qualidade dos Solos 51 A partição do contaminante entre as fases líquida e gasosa do solo é determinada pela pressão de vapor da substância e sua solubilidade em água. a líquida e a gasosa são móveis e. 2002). Enquanto alguns POPs são pouco solúveis em água. o que facilita o transporte aéreo por longas distâncias (Fulgêncio. p. mais solúvel em água (PANNA. maior será a concentração do POP na solução do solo. Os POPs são compostos que possuem baixa solubilidade na água. embora isto ocorra quando aderidas a sedimentos (Prata e Lavorenti. e consequentemente. Poluente com altos valores de Koc são tipicamente pouco solúveis na água e são preferencialmente sorvidos ao solo. v. Assim. Quando isto ocorre. 2006)./dez. Kow. aliada à sua persistência (intervalo de tempo que um composto é capaz de permanecer no ambiente antes de ser degradado em outros compostos mais simples). 2006). n. 2007 . em geral.2. 2002. menos solúvel na água será o poluente (PANNA. são condensados diretamente na superfície do solo ou nas partículas presentes em aerossóis. Das três fases constituintes do solo. De acordo com Paraíba e Saito (2005) a pressão de vapor e a solubilidade. podem ser transportados pelos ventos na forma gasosa por milhares de quilômetros. potencia a sua perigosidade ao nível da cadeia alimentar. O Koc está correlacionado com o coeficiente de partição octanol-água. O clordano. Coeficiente de Adsorção (Koc) é a concentração do ingrediente ativo em estado de sorção (aderido às partículas do solo) e na fase de solução (dissolvido na água do solo). Esta característica.

O Coeficiente de Partição-Octanol-Água (Kow) é a medida de como uma substância química se distribui entre dois solventes imiscíveis: água (solvente polar) e octanol (solvente apolar). O Kow é importante para definir o destino das moléculas orgânicas no ambiente e as combinações entre as substâncias. PANNA. O uso de POPs na agricultura resulta em resíduos no solo. determinado em estudos laboratoriais. que abrangem os processos de mineralização. água. GEF.3. absorção e transporte). Para compostos fracamente adsorvidos. Koc.52 Fabiana Ferreira Felix. indica que o mirex adsorve fortemente à matéria orgânica no solo e aos sedimentos (Fernícola. 2002). ou via alimentar. Como resultado final. são propriedades importantes. 2006). Em condições tropicais. 2002). dióxido de enxofre e substâncias intermediárias que podem ter relevância ambiental (FAO. o coeficiente de sorção e a meia-vida do poluente no solo. conseqüentemente. De acordo com Fernícola (2002). v. uma vez que o heptacloro pode permanecer no solo durante muitos anos. 2002a. Também a partição dos contaminantes entre as fases sólida e líquida do solo pode ser estimada a partir do coeficiente octanol-água . 2002). n. e o potencial de volatilização (concentração no ar do solo/concentração no solo). 39-62. não se espera que seja lixiviado para água subterrânea na maioria dos locais (Lima. Pesticidas lipofílicos (log Kow > 4. para o heptacloro indica alta tendência à adsorção ao solo e. jul. Para Jesus (2002) a forte adsorção de DDT ao solo pode ser prognosticada pelo coeficiente de partição carbono orgânico (Koc). os resíduos de inseticidas são menos persistentes que em condições temperadas(ATSDR. é um número sem unidade definida com valor dependente da temperatura. mais solúvel em água e menos solúveis em octanol). mede a afinidade do poluente orgânico no solo e pode ser usado como um indicador da afinidade do poluente pela matéria sólida do solo. É a proporção (razão) entre a concentração de uma substância na fração de octanol e a concentração que está solubilizada na camada de água. degradação. indica um alto potencial de bioconcentração e biomagnificação (soma das sucessivas absorções de um poluente feitas por via direta. semanas ou anos) requerido para a concentração da substância ser dissipada no ambiente em 50%. conteúdo de umidade e profundidade de contaminação. o movimento dos gases no solo pode ser um importante mecanismo de transferência entre as fases sólida e gasosa do solo (CETESB. 2000./dez. pesticidas com meia vida longa e alto Kow tendem a se bioacumular (PANNA. temse compostos minerais como gás carbônico.2. 2006). Assim.biodegradação) e abióticos (causados por processos físico-químicos como hidrólise. a fração orgânica do solo. o qual compõe em seus cálculos. O decréscimo é causado por processos biológicos (causado por degradação com atuação de organismos vivos . O valor de Kow provê a indicação sobre a polaridade das moléculas e é frequentemente usado como base para entendimento de como estas possa se distribuir nos tecidos adiposos dos animais. para o heptacloro. ácido clorídrico. 2006). por espécies aquáticas) na cadeia alimentar aquática. Os hidrofílicos (log Kow < 1. Haroldo Silveira Dórea O coeficiente de sorção de um poluente no carbono orgânico do solo. Já o coeficiente de adsorção ao carbono orgânicos do solo (log Koc). Sandro Navickiene. o potencial de lixiviação (a concentração na água do solo/concentração no solo). p. o valor de coeficiente de adsorção (Koc). tendem a apresentar baixa sorção ao solo e ao sedimento e baixa bioconcentração (aumento imediato da densidade de um poluente assim que passa da água para um organismo aquático) à vida aquática (Regitano. O potencial de lixiviação de um poluente orgânico é frequentemente estimado com o auxilio do índice GUS de Gustafson (1989). Segundo Lima (2002) o coeficiente de partição octanal/água (log Kow). fotólise e oxidação. que podem persistir durante anos. Revista da Fapese. Além de Kow e Koc. Por exemplo.(Kow). 2001). Persistência é expressa como meia-vida (t1/2) e é o tempo (em dias. Para Leite (2002) a meia vida do inseticida no solo depende de fatores tais como tipo. tendem a se acumular em materiais lipídicos. como por exemplo. mais solúvel em octanol e menos solúvel em água). formação de resíduos ligados. 2007 .

Já em solos arenoso.09 e 88. ligações hidrofóbicas. são classificados como poluentes lixiviantes por causa do valor do índice GUS. DDT.Poluentes Orgânicos Persistentes (Pops) como Indicadores da Qualidade dos Solos 53 A meia vida no solo depende. mostrando. Matéria orgânica e sua relação com os POPs O conteúdo de matéria orgânica do solo é um fator que altera a mobilidade do solo. tiveram a comercialização e distribuição proibida. p. foi de 41. n. que disciplina as condições a serem observados no manuseio. do Ministério da Agricultura e Pecuária. Em 1985. Cotta (2003) cita que vários mecanismos têm sido propostos para adsorção de pesticidas pela matéria orgânica./dez. 1983). Em 1983. aplicado nas mesmas dosagens. ligações de hidrogênio. dependendo da natureza do pesticida e da superfície da matéria orgânica. Segundo Machado Neto (2002) a meia vida do solo depende da textura. proibindo a fabricação. foi de 79. Machado Neto (2002). De acordo com Oliveira (2002a). A matéria orgânica e argila são os componentes do solo e sedimento que mais influem na adsorção de pesticidas. inibe a captação de PCBs pelas plantas. também. que o solo ali amostrado apresentou baixa concentração de matéria orgânica e que mesmo não tendo sido observado nenhuma relação entre os níveis de carbono orgânico e o nível de contaminantes. considerando a necessidade de resguardar a saúde humana e animal e o meio ambiente da ação de pesticidas comprovadamente de alta persistência e/ou periculosidade(MAPA. comenta que a meia-vida de aldrin aplicada no solo argiloso. a meia vida do aldrin. Dois ou mais podem ocorrer ao mesmo tempo.69. nico foram aquelas que apresentaram os maiores teores de compostos organoclorados em estudo. 329. nas dosagens de 3. os organoclorados aldrin. respectivamente. pesticidas com Koc > 300 mL g-1 são fortemente adsorvidos pela matéria orgânica. solo. O potencial de perda de pesticidas pela água superficial ou lixiviação depende da combinação de pesticida. Evolução das legislações dos POPs no Brasil As restrições quanto ao uso de PCBs foram implantadas pela Portaria Interministerial Nº. em 1974. BHC. maior a tendência de adsorção dos contaminantes.53 dias. Quanto maior o teor de matéria orgânica dos sedimentos. toxafeno. armazenamento e transporte de PCBs e/ou resíduos contaminados com PCBs (Brasil. com pesticidas da classe DRIS durante 20 anos. através das raízes. (2000) observaram em uma área contaminada. de 10 de junho.3. portanto uma forte relação entre a concentração de matéria orgânica e o aumento da capacidade de sorção do solo a compostos orgânicos estranhos. v. 39-62. Ghiselli et al. 2002). Os mecanismos mais prováveis de adsorção de pesticidas na matéria orgânica são: atração de Van der Walls. foi assinada a Instrução Normativa Nº.48 e 45 dias. transferência de carga e troca iônica. 6. 36. 9 e 15 kg/ha. A perda de resíduos de aldrin foi maior em solo limo-arenoso que em solo limo-argiloso. 1. 97. 2007 . 1985). 19. heptacloro. de 2 de janeiro de 1981. O autor cita ainda que. endrin.21. 1981). Revista da Fapese. comercialização e uso deste produto (Brasil. das propriedades de cada solo. de 2 setembro de 1985. jul. Os poluentes cuja meia-vida no solo é relativamente alta e o coeficiente de sorção no solo é relativamente baixo. ou com alta solubilidade em água. as amostras com os mais altos níveis de carbono orgâ- 7. o clordano é adsorvido pela matéria orgânica no solo. De acordo com Salgado (2002) a forte sorção de PCBs à matéria orgânica do solo e argila. e volatiliza lentamente com o tempo. Segundo GOSS (1992) em solos orgânicos raramente ocorre perda de pesticida por escoamento superficial e lixiviação.2. pela Portaria nº. clima e fatores de manejo. Este fato pode ser comprovado ao compararmos os teores de matéria orgânica com os resíduos quantificados. É pouco provável que o POP se mobilize de um solo com alto conteúdo de matéria orgânica (Lima.

54 Fabiana Ferreira Felix. em 2005. o Tratado Internacional denominado Convenção de Estocolmo. 2002). de 20/06/ 2005 (MRE. somente foi promulgado no Brasil. considerando um cenário de exposição genérico (CETESB. foram alvos para uma imediata ação por parte da Convenção de Estocolmo. para proceder à substituição ou eliminação do uso do heptacloro (Lima. controle. Em maio de 2001. 39-62.º 5. fiscalização e também o destino da embalagem. aplicação. quando foi assinado o Decreto Legislativo nº.2. 2002).472. Este valor indica a qualidade de um solo capaz de sustentar as suas funções primárias. o país terá um prazo de cinco anos. após sua entrada em vigor. produção e liberação de POPs. por serem estes. foi criado um grupo de especialistas que identificou. adotada. Haroldo Silveira Dórea Em 1995. utilizados como instrumentos para prevenção e controle da contaminação e gerenciamento de áreas contaminadas sob investigação. A CETESB estabelece que valores orientadores são concentrações de substâncias químicas que fornecem orientação sobre a condição de qualidade de solo e de água subterrânea. Em 1999. Impõe ainda a obrigatoriedade do receituário agronômico para venda de pesticidas ao consumidor. que define um solo como limpo ou a qualidade natural da água subterrânea. A aplicação de valores limites na avaliação de áreas contaminadas é um auxílio importante para a gesRevista da Fapese. com base em critérios científicos. aprovando o texto da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes. o heptacloro ainda é utilizado no Brasil. O Valor de Prevenção é a concentração de determinada substância acima da qual podem ocorrer alterações prejudiciais à qualidade do solo e da água subterrânea. principalmente como preservativo de madeira. diretos ou indiretos. os POPs. Também exige registro dos produtos nos ministérios da Agricultura e da Saúde e no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis -IBAMA. 2005). protegendo-se os receptores ecológicos e a qualidade das águas subterrâneas. em 22 de maio de 2001./dez. O Valor de Intervenção é a concentração de determinada substância no solo ou na água subterrânea acima da qual existem riscos potenciais. que permite criar exceções específicas. doze poluentes químicos orgânicos persistentes. a CETESB. jul. devendo seguir os procedimentos de gerenciamento de área contaminada (CETESB. O Valor de Referência de Qualidade é a concentração de determinada substância no solo ou na água subterrânea. 2005). A Convenção de Estocolmo entrou em vigor no Brasil em 2004. Entretanto. publicou a primeira lista de valores orientadores para Solos e Águas Subterrâneas para o Estado de São Paulo. Quatro anos depois. A área será classificada como Área Contaminada sob Investigação quando houver constatação da presença de contaminantes no solo ou na água subterrânea em concentrações acima dos Valores de Intervenção. n. de 07 de maio. a CETESB publicou uma nova lista de valores orientadores agora contemplando 84 substâncias. v. Entretanto. Em 2001.3. p. sendo definidos três valores orientadores para solo e água subterrânea. indicando a necessidade de ações para resguardar os receptores de risco. o texto da Convenção de Estocolmo sobre POPs. também conhecidos como “os doze sujos” (the dirty dozen). Sandro Navickiene. Para tanto. 2005). à vida selvagem e ao meio ambiente (Nass e Francisco. o Brasil assinou. teve início uma série de negociações para controlar o uso. De acordo com um mecanismo daquela Convenção. quando foi assinado o Decreto n. foi criada a lei dos agrotóxicos para proibir o uso de substâncias que representem riscos à saúde humana e ao meio ambiente. e o Relatório de Estabelecimento de Valores Orientadores para Solos e Águas Subterrâneas no Estado de São Paulo. contemplando 37 substâncias. 204. à saúde humana. químicos capazes de trazer um enorme malefício aos seres humanos. 2007 . que tem a finalidade de banir a utilização e comercialização dos 12 POPs citados anteriormente. Esta lei regulamenta desde a pesquisa e fabricação dos pesticidas até a comercialização. Assim.

Assim. mas que ainda possuem reservas do mesmo. por exemplo. dimentos (Filizola et al. Ocorrência de POPS em solos do Brasil Os solos constituem um sumidouro natural para os POPs que tendem a se adsorver fortemente à fração de carbono orgânico e permanecer relativamente imóveis neste “depósito”. mecanismo que favorece a distribuição dos poluentes no globo em função de sua volatilidade que dependerá da temperatura de acordo com a latitude. água. 2004).Poluentes Orgânicos Persistentes (Pops) como Indicadores da Qualidade dos Solos 55 tão ambiental nos âmbitos estadual e municipal. Os POPs são ou foram amplamente utilizados e responsáveis por grande parte da contaminação ambiental. A preocupação em se estudar o comportamento e níveis de pesticidas neste estado. Apesar do uso intensivo de pesticidas no Brasil.. 2006). o gradiente de concentrações dos POPs em direção aos pólos é sempre positivo. uma vez ultrapassados. 2002. que quaisquer destes valores orientadores. 2002). Marques. alguns países continuam utilizado estes inseticidas. pelo fato das regiões frias possuírem menos insolação a estabilidade destes compostos é maior que nos trópicos. com base na existência de valores de investigação. 2003. ou descarte inadequado do produto no ambiente. Várias evidências conclusivas demonstram. entretanto. dá-se devido ao poder econômico da região e ao uso intensivo de tais compostos na agricultura. que determinam a necessidade de uma medida de remediação/ contenção/ defesa ao perigo. No Estado de São Paulo. possa tendenciar níveis de contaminação por POPs baixos ou não detectáveis.. 2002). se- . Apesar de ser um estudo realizado em áreas de São Paulo. entretanto. assim. Diferentes agências ou órgãos podem ter. bem como pelos resíduos industriais produzidos que. a CETESB tem atuado na expansão sobre esse tema. os valores mostrados na Tabela 2 são tomaRevista da Fapese. há poucos valores publicados na literatura sobre a ocorrência de Poluentes Orgânicos Persistentes em solos brasileiros. sendo os estados do sudeste do Brasil os que mais estudam este assunto. Quando se trata de solos de áreas contaminadas (AC)./dez. Apesar do que foi definido na Convenção de Estocolmo (UNEP. 2005. desde que se faça um levantamento ao longo do tempo que permita traçar a trajetória predominante de contaminação (UNEP. Apenas no Estado de São Paulo. Essa aplicação só será possível com a criação de leis. criando normas que auxiliam no controle e intervenção de AC. contaminam o meio ambiente como um todo.2.3. 2005) e até em leite humano (Flores et al. CETESB. jul. geralmente. e valores de intervenção. que irão. estão citados os valores orientadores de apenas cinco POPs para solos do estado de São Paulo. o tipo de dado revisado em cada nível e os diferentes objetivos finais. ainda não existe uma legislação específica para as questões que envolvam essas áreas. fazendo com que o processo de destilação global resulte na acumulação destes compostos nesta região. p. Na tabela 2. quando lixiviados. fornecem proteção e são melhores do que a inexistência de qualquer parâmetro de avaliação (Leite. Cotta. ou destilação global. por décadas. n. Devido às variações de temperatura. muitas vezes em decorrência de “doações não solicitadas” feitas por países onde o uso do composto foi proibido. diferentes valores considerados como “seguros”. há comprovados níveis de POPs encontrados em solos. 39-62. Talvez o fato de estarmos em um país tropical. 2007 8. determinar a necessidade de uma investigação detalhada. Os poluentes constituem uma matriz típica para se traçar o histórico de contaminação pelos POPs em um dado local. as variadas perspectivas das agências regulamentadoras. Estas diferenças refletem. publicado pela CETESB (2005). O uso do de tais produtos representa um risco de contaminação global. De acordo com Duarte (2002) a tendência desses organoclorados é migrar dos trópicos para os pólos graças ao “efeito gafanhoto”. por isso estão sujeitos a valores orientadores que objetivam proteger a saúde pública. v.. em decorrência de utilização incorreta.

0015 0. Considerações finais As propriedades físico-químicas dos POPs.55 0. evaporação ou escoamento superficial para contaminar o ar ou a água. elaborarem estudos.2 0. n. Valores orientadores de POP para solo do Estado de São Paulo Substância (1) Fonte: CETESB (2005) Procedimentos analíticos devem seguir SW-846. para as águas da superfície e lençol freático? E as pessoas que ali freqüentaram não teriam sido contaminadas. A questão é saber se os poluentes possuem boa afinidade com solos com elevada matéria orgânica. as leis estaduais não contemplam limites que estabeleçam os níveis de POPs que por ventura sejam encontrados em solo sergipano. Cabe. Apesar de não possuir um histórico detalhado do uso de POPs em Sergipe. visto que. 39-62.Área de Proteção Máxima Aldrin Dieldrin Endrin DDT PCBs Solo (mg kg-1de peso seco)(1) Prevenção Intervenção em áreas Agrícola (AP Max) (2) 0.001 0. pelo contato com o solo e o ar contaminado por tais compostos? Será que em solos desses locais há quantidade de POPs presentes e em que concentrações e em áreas próximos a tais lugares. A perda de áreas agricultáveis pelo fato de estarem contaminadas constituem perda em produção agrícola. não podemos concluir que não possam ser encontradas tais substâncias neste estado. podemos deduzir que em algum período das últimas décadas. sendo bioacumulado ao longo da cadeia alimentar. pesquisas e publicações com uma lista preliminar de valores orientadores para proteção da qualidade de solos e das águas subterrâneas. com metodologias de extração de inorgânicos 3050b ou 3051 ou procedimento equivalente. Comprovada a presença de valores máximos permitidos para qualquer Poluente Orgânico Persistente em solos agrícolas. da superfície do solo. p.010 0. além de doenças ocasionadas pela freqüente visita a tais locais. sobretudo depois da Revolução Industrial e da Revolução Verde. log Kow. 2007 .01 Revista da Fapese. migra do solo por lixiviação. 9. para que seja possível elaborar uma lei estadual com valores orientadores. Haroldo Silveira Dórea dos como referência para outros estados do Brasil.4 0. ou até mesmo em lodo de esgoto. o poluente encontrado constitui uma ameaça ao meio ambiente.56 Fabiana Ferreira Felix. Embora o uso e níveis de pesticidas em Sergipe sejam menores que em outros estados. Em Sergipe. (2) APMax . jul. não estão sendo lixiviadas.043 0. as atividades agrícolas na área deverão ser interditadas. já que permanece no solo por vários anos e a depender de suas propriedades físico-químicas. Sandro Navickiene. log Koc predizem bem o comportamento desses poluentes no solo e podem ser utilizados como indicadores da qualidade do solo. resíduo produzido em Estações de Tratamento de Esgoto que vem sendo utilizado na agricultura.0003 0. tais como pressão de vapor. aos órgãos competentes preocupados com a qualidade dos agroecossistemas. nestas áreas.003 0. por exemplo. ou seja. Pouco se sabe sobre a ocorrência de POPs em aterro sanitário e/ou lixões.2. menos áreas plantadas. estariam com valores que comprometeriam o desequilíbrio do ecossistema? Tais questões serão respondidas após estudo em solos e áreas potenciais de contaminação. menos produção Tabela 2. v. Tal fato somente será esclarecido quando forem realizados estudos com objetivo de encontrar níveis de POP em solos de Sergipe. os agricultores tenham usado na lavoura concentrações desordenadas de inseticidas. solubilidade.3./dez. Será que essas substâncias.

mas também para aquelas áreas que representem direta ou indiretamente perigo para a população e meio ambiente como é caso dos aterros sanitários e lixões. 39-62. v. prejuízo para o produtor e para a população. já que a presença de POPs no solo. do Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA. de 2004./dez.Poluentes Orgânicos Persistentes (Pops) como Indicadores da Qualidade dos Solos 57 de produtos agropecuários. bem como. e a Portaria N. 2007 .2. as quais estabelecem valores limites para a presença de POPs em água.º 357.º 518. Essas pesquisas devem estabelecer valores não só para solos de áreas agrícolas. jul. É preciso investir em pesquisas com o objetivo de estabelecer valores orientadores para POPs em solo em todo território nacional. Apesar de no Brasil existerem leis federais como a Resolução N. mesmo em baixas concentrações. n.3. representa preocupação por causarem efeitos tóxicos nocivos aos seres vivos. de 2005. Revista da Fapese. do Ministério da Saúde. p. não há. contudo. leis que estabeleçam valores para o solo.

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