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ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO

PROCURADORIA-GERAL FEDERAL
PROCURADORIA FEDERAL JUNTO À FUNDAÇÃOCULTURAL PALMARES
Via L2 Norte SGAN - Quadra 601 -Conjunto L - Prédio ATP - CEP 70830-010 -Brasília- DF
E.mai!. pf.fcp@palmares.gov.br - Te!.: (61) 3424-0109 - Fax: (61) 3424-0125
OFíCIO PF/FCP/PGF/AGU   - Brasília 01 de novembro de 2014.
REFERÊNCIA:
SEU OFíCIO N.º PRM/STM/GAB3/748/2013-
INQUÉRITO CIVILPÚBLICO 1.23.002.000480/2012-81
Senhora Procuradora:
Atendendo sua solicitação feita no ofício referenciado na epígrafe, estamos
encaminhando as informações bem como Minuta do Plano de Consulta para Comunidades
Quilombolas afetas por empreendimentos no processo de licenciamento ambiental, no anexo
Memo. N.º 651/2013/DPA/FCP/MINC.
Peço desculpas pelo atraso na remessa das informações tendo em vista que diversos
outros pedidos sobre o mesmo assunto foram encaminhados a esta Procuradoria que, por
equívoco, não atendeu a tempo essa específica requisição.
Na oportunidade informo que a equipe técnica do Departamento de Proteção ao
Patrimônio Afro-Brasileiro-DPA/FCP junto com esta Procuradoria Federal estará realizando a
primeira visita técnica às comunidades que poderão ser afetadas com o empreendimento de
mineração da Mineração Rio Norte nos próximos dias 02 a 06 de fevereiro. Nesse sentido,
gostaríamos de contar com a presença de Vossa Senhoria para acompanhar a Fundação nesses
primeiros movimentos preparatórios para a Consulta a ser realizada como requer a Convenção
169/0IT.
Ate íosa nte,
\ D0Lucia de Lim::ai:Biõe:;:rt"':;ni:;;O:------
na Procuradoria Federal junto à
FundaçãoCultural Palmares
Ilustríssima Senhora
TICIANAANDREA SALES NOQUEIRA
DD. Procuradora da República na
Procuradoria da República no Município de Santarém/PA
Ministério Público Federal
Avenida Barão do Rio Banco, 252, Centro-
68005-310 - SANTARÉM/PA

1t' FUNDAÇÃO CULTURAL
MEMO No" 6'3 12013IDPAJFCP/MINCo
A Procuradora Chefe da Fundação Cultural Palmares,
"r,
. PrG/FCP/MinC
  {Ii I II 1200 1.5'
As tr :ZV7 ns,
 
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Brasília, 07 de Novembro de 2013.
Assunto: OFICIO PRMISTMlGAB31758/2013 - Recomendação 13" OfíciolPRMISTM No"
4/2013 - EIAlRIMA Zona Central e Oeste - Platô Cruz Alta, Cruz Alta Leste, Peixinho,
Rebolado, Escalante, Jamari e Baroni - Flona de Saracá Taquera.
Senhor Procuradora,
1. Em atenção ao despacho exarado de Vossa Senhoria encaminho Nota Técnica, para adoção
de providências cabíveis.
2. Na oportunidade esclareço a Vossa Senhoria que são 14 comunidades quilombolas
localizadas na área de abrangência do empreendimento e que para a realização das reuniões
informativas preparatórias para o processo de Consulta Pública, demandam tempo em virtude da
distância dessas comunidades e de recursos orçamentários para pagamento de passagens e diárias
dos técnicos.
Atenciosamente,
4
Quadra 601 Norte - SGAN - Lote L - Ed. ATP. Brasília I DF. Brasil.
CEP: 70830-010. Te!. 55 (61) Fax: 55 (61) 3226-0351. Site: www.palmares.gov.br
       
1,... FUNDAÇÃO CULTURAL
NOTA TÉCNICA N.O 6 <>2 12013IDPAlFCPIMINC.
Brasília,07 de Novembro de 2013.
Assunto: OFICIO PRMISTM/GAB31758/2013
Recomendação 13° OfíciolPRMlSTM N.o 4/2013
EIAIRIMA Zona Central e Oeste - Platô Cruz Alta,
Cruz Alta Leste, Peixinho, Rebolado, Escalante,
Jamari e Baroni - Flona de Saracá Taquera.
Senhor Diretor,
1. Trata-se de nota técnica referente à Recomendação 3° OFÍCIO/PRMISTM N.04,
de 22 de Outubro de 2013 expedido pela Procuradoria da República do Pará, que trata do
licenciamento ambiental da Zona Centra e Oeste - Platô Cruz Alta, Peixinho, Rebolado, Cruz Alta
Leste, Escalante, Jamari e Barone.
2. A recomendação em apreço solicita a esta Fundação Cultural Palmares-FCP que
inicie o procedimento formal de Consulta Prévia, para a região do Platô Cruz Alta, uma vez que já
se havia se comprometido a tanto (ex vi teor da ata de reunião AGU, Procuradoria Federal, fl.147 do
ICP 480/2012-81) iniciando os trabalhos em no máximo 15 dias do recebimento desta
recomendação. Salienta ainda que o MPF dispõe de modelo de consulta prévia formulado pelo MPF
em Belém, adotado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará -
IDESP(Decreto 767 de 20 de Junho de 2013), e que poderá ser adotado para o caso em tela.
3. Neste sentido, venho prestar os seguintes esclarecimentos:
• No dia 29/10/2013, esta Fundação Cultural Palmares, reuniu-se com representantes da
MRN, onde foi apresentado o Projeto de Lavra de Bauxita nos Platôs da Zonas Central e Oeste,
onde foram acordados os seguintes encaminhamentos: MRN irá fornecer material para a Fundação
Palmares sobre o empreendimento minas da zona central e oeste para inclusão no Plano de
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CE?:   Te!.: 55 (61) 3424-0100. Fax: 55 (61) 3226-0351. Site: www.p m res.gov.br
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Consulta, com cópia para o ICMBIO, ARQMO, MRN e demais envolvidos; A Fundação Palmares
também irá informar formalmente para as comunidades sobre a tramitação do processo de
licenciamento ambiental, tendo em vista as medidas referentes ao componente quilombola,
conforme Portaria Interministerial 419/2011.
• São 14 comunidades quilombolas localizadas na área de abrangência do empreendimento:
Comunidade Boa Vista, Comunidade Moura, Comunidade Sagrado Coração, Comunidade
Tapagem, Comunidade Curuça Mirim, Comunidade Jamary, Comunidade Abuí, Comunidade
Paraná do Abuí, Comunidade Mãe Cué, Comunidade Juquirizinho, Comunidade Juquiri Grande,
Comunidade Palhal, Comunidade Último Quilombo do Erepecú e a Comunidade Nova
Esperança, Último Quilombo do Erepecu e Nova Esperança.
• Para que as comunidades quilombolas sejam devidamente consultas nos moldes
determinados pela Convenção 169 da OIT, esta FCP tem realizados reuniões informativas no
processo de licenciamento para que as comunidades quilombolas possam dirimir todas as suas
dúvidas sobre o empreendimento. Após essas reuniões informativas, a data, horário e local da
Consulta Pública, serão agendados em consenso com as comunidades quilombolas e esta FCP.
• As reuniões informativas são preparatórias para a Consulta Pública.
• O Governo Brasileiro criou um Grupo de Trabalho Interministerial coordenada pela
Secretaria Geral da Presidência da República para trabalhar na regulamentação das Consultas
Pública - Convenção 169 da OIT.
• Enquanto não há uma definição do governo sob de que forma as comunidades quilombolas
devam ser consultas, esta FCP vem realizando as consultas públicas respeitando o princípio de boa-
fé, da informação, do respeito da diversidade e da interculturalidade.
• Esta FCP, nesse momento não dispõe de recursos orçamentários e financeiros para
pagamento de passagens e diárias dos técnicos que realizarão as reuniões informativas nas 14
comunidades quilombolas localizadas na área de abrangência do empreendimento, o que
demandará tempo em face da localização dessas comunidades quilombolas.
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• Esta FCP estará oficiando as comunidades quilombolas sobre as medidas que serão adotadas
para o processo de Consulta Pública, bem como entrará em contato com as comunidades
quilombolas afetadas a fim de agendar as reuniões informativas, tão logo tenha orçamento liberado
para o custeio de passagens e diárias dos técnicos desta FCP.
4. Segue para conhecimento minuta do plano de consulta
Esta é a Nota Técnica.

LUCIAN
Coordenadora de
ÇALVES
trimônio Afro-Brasileiro
LVPG
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MINUTA
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PLANO DE CONSULTA PÚBLICA
"Projeto de Lavra dos Plâtos das Zonas Centrais e Oeste - Mineração Rio do Norte"
1- Objeto da consulta
O artigo 15 da Convenção 169 da OIT ao referir-se especificamente à exploração de
recursos minerais, determina que a consulta deve ocorrer "antes de se empreender ou autorizar
qualquer programa de prospecção ou exploração dos recursos existentes nas suas terras".
Vale ressaltar ainda que em se tratando de um empreendimento de longo prazo e sujeito à
diversas etapas de licenciamento, a consulta não deve se resumir a único momento, como
recomenda a OIT.
2 - Quem realiza a consulta
O artigo 6° da Convenção 169 identifica de maneira clara que as partes do processo de
consulta são os governos e os povos indígenas e tribais.
Assim o Estado (o Poder Executivo) é o interlocutor legitimo dos povos interessados num
processo de consulta prévia.
Dentro do Estado, é importante que a consulta seja realizada pelo órgão, ou pelos órgãos
do Estado com competência para decidir sobre a matéria objeto da consulta.
Assim, ainda que articulada pela Fundação Cultural Palmares, a consulta deve possibilitar
a interlocução direta dos quilombolas com os órgãos responsáveis pelas decisões (DNPM e
Ibama) de forma a se assegurar as condições para a construção de acordos que são os objetivos da
consulta prévia prevista na Convenção 169.
Caberá ao governo definir no plano de consulta quais serão os órgãos envolvidos, como
será a participação de cada um deles e quem responderá pela coordenação do processo.
O INCRA, por exemplo, é ator imprescindível no processo uma vez que é sua a
responsabilidade por identificar, delimitar e titular as terras quilombolas, dentre elas, as ocupadas
pelas comunidades que serão consultadas.
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3- Quem será consultado
As comunidades quilombolas diretamente afetadas pelo empreendimento.
Nos procedimentos de consulta, há de se tomar em conta e respeitar o fato que tais
comunidades compartilham de terras de uso comum, concebidas como um espaço coletivo e
indivisível que é ocupado e explorado por meio de regras consensuais entre os diversos grupos
familiares que compõem as comunidades.
Ascomunidades deverão identificar no plano de consulta quais as suas instâncias legítimas
para participar da consulta (comunitários, lideranças comunitárias, associação do território,
associação municipal) e qual será o seu papel de cada uma delas no processo.
4 - Participação do particular (empreendedor)
Há de se buscar uma forma de participação do empreendedor que não cause qualquer tipo
de constrangimento para os quilombolas, assegurando-se o caráter "livre" da consulta
Nesse sentido, no processo da consulta deverão ser previstos tantos momentos com a
participação da empresa quanto etapas sem a sua participação de forma a se possibilitar um
diálogo mais livre entre os quilombolas e o Estado.
S - Informações sobre o empreendimento e impactos
As informações sobre o empreendimento e seus impactos para as comunidades são
subsídio fundamental ao processo de consulta. O princípio da boa fé que deve nortear a consulta
prévia implica informar de maneira clara e completa as comunidades sobre o projeto e
especialmente sobre os impactos que o mesmo pode ter sobre os seus territórios e sobre a forma
como utilizam seus recursos naturais que conformam parte de sua cultura e identidade étnica.
Como afirma a OIT, o governo deve garantir que os povos interessados tenham acesso a
toda informação relevante e que possam compreendê-Ia em sua totalidade de forma a ter
condições de avaliar os impactos do empreendimento.
No plano de consulta devem ser especificados os meios pelos quais se garantirá aos
quilombolas a informação completa, independente e em linguagem e formato acessíveis.
Lembrando que a Convenção 169, no seu Artigo 7° (3), prevê inclusive a realização de
estudos para avaliar os impactos sobre esses povos.
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Ainda com relação a essa questão é preciso ter em conta as assimetrias de informação e
formação e as diferenças de visões de mundo entre as partes envolvidas no processo. É
fundamental assegurar os meios adequados de comunicação com base em um enfoque
intercultural que possam efetivamente possibilitar a compreensão do projeto nas suas diversas
dimensões.
Não basta, portanto, oferecer a informação, mas é necessário disponibilizá-la em
linguagem e formato que possibilitem sua real compreensão por essa população. Ademais, deve
ser garantido o tempo suficiente para a sua compreensão e discussão interna.
6 - Metodologia do processo de consulta
A consulta prévia deve realizar-se por meio de uma metodologia com enfoque étnico e
pertinente culturalmente. A metodologia escolhida para a consulta deve assegurar aos quilombolas
a real oportunidade para conhecimento, reflexão e deliberação, respeitando-se os seus processos
internos de tomadas de decisão.
O plano de consulta deverá expressar os acordos entre as partes com relação à metodologia
e cronograma do processo. Como subsídio a esse diálogo, apresentamos uma proposta de
metodologia.
(a) Etapa preparatória - definição do plano de consulta
Etapa inicial destinada a acordar entre os quilombolas e os agentes estatais os termos do
plano de consulta. Deve prever:
• Momento inicial entre as lideranças quilombolas e agentes estatais para troca inicial de
expectativas e sugestões para o plano de consulta.
• Momento para os quilombolas para discutirem e deliberarem internamente sobre as suas
propostas de plano de consulta.
• Momento final entre quilombolas e agentes estatais para discussão e aprovação do plano de
consulta.
(b) Etapa Informativa
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Essa etapa tem por objetivo garantir que os quilombolas tenham acesso à informação e
ampla compreensão dos motivos, implicações e impactos do empreendimento de forma que
possam fundamentar a sua decisão.
Sua realização implica uma preparação anterior por parte do governo: o levantamento e
sistematização em linguagem didática as informações sobre o empreendimento e seus impactos.
Deve ficar claro que não se trata de uma etapa para posicionamentos e definição de
acordos, mas de esclarecimento sobre o empreendimento e seus impactos. Portanto, os
depoimentos e declarações emitidos nessa etapa não podem ser utilizados como indicativo de
concordãncia dos quilombolas com o empreendimento. Deve ser garantido um clima de ampla
liberdade para se externar dúvidas e opiniões sem comprometimento com a decisão final.
Sugere-se que sejam realizadas reuniões em mais de uma comunidade para ampliar as
possibilidades de participação. Será preciso definir juntamente com os quilombolas: quantas
reuniões, local das reuniões, os participantes de cada uma delas (de quais comunidades), número
de participantes; convidados e tempo de duração das reuniões.
Recomenda-se a contratação de consultores especializados para produção do material
informativo e facilitação do processo de repasse da informação.
(c) Etapa de Avaliação Interna
Os quilombolas e suas associações representativas devem contar com um prazo razoável
para fazer uma análise e chegarem à sua avaliação sobre como o empreendimento afetará seus
direitos e sua qualidade de vida. O tempo também possibilitará aos quilombolas a acordarem
internamente seu posicionamento e as propostas para o diálogo com o Poder Público.
No momento de definição do plano de consulta, deverá ser acordado qual o prazo, quantas
reuniões informativas e qual suporte os quilombolas necessitarão para a realização dessa etapa.
(d) Etapa de Diálogo com Poder Público
A etapa de diálogo deve ser iniciada com a apresentação pelos quilombolas das conclusões
a que chegaram. Com o apoio de um facilitador independente devem ser evidenciados e debatidos
os pontos de divergências e levantadas possiveis alternativas de acordo. Recomenda-se a
contratação de consultor especializado independente para facilitar o diálogo.
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(e) Etapa de Nova Avaliação Interna
Após essa etapa, deverá ser garantido um novo momento de debate interno para que os
quilombolas tenham a oportunidade de compartilhar e avaliar os resultados da etapa e chegar um
posicionamento. No momento de definição do plano de consulta, os quilombolas deverão indicar
qual o prazo, quantas reuniões e qual suporte necessitarão para a realização da avaliação interna.
(f) Etapa de Decisão
Essa etapa tem como objetivo consolidar os acordos ou formalizar a impossibilidade de se
obter o consentimento dos quilombolas. No caso de se chegar a acordos, eles serão detalhados
nessa etapa formalizando-se os compromissos de cada uma das partes e as formas de
monitoramento do seu cumprimento. Recomenda-se a contratação de consultor especializado
independente para facilitar essa etapa.
7 - Cronograma
O cronograma do processo de consulta deve ser definido com o devido cuidado de forma a
se assegurar o respeito aos procedimentos de tomada de decisão próprios dos quilombolas que
normalmente demandam prazos maiores que aqueles que o Poder Público disponibiliza.
Na definição dos prazos de cada etapa, além dos aspectos culturais, é preciso tomar em
conta:
• Que as discussões envolverão quilombolas de um conjunto de 14 comunidades distribuidas
por uma extensa área rural ( comunidade Boa Vista, Comunidade Moura, Comunidade
Sagrado Coração, Comunidade Tapagem, Comunidade Curuça Mirim, Comunidade
Jamary, Comunidade Abuí, Comunidade Paraná do Abuí, Comunidade Mãe Cué,
Comunidade Juquirizinho, Comunidade Juquiri Grande, Comunidade Palhal, Comunidade
Último Quilombo do Erepecú e a Comunidade Nova Esperança, Último Quilombo do
Erepecu e Nova Esperança).
• Que as comunidades estão localizadas a grande distância da sede do município (de 6 a 12
horas de viagem por barco) e acessíveis apenas por via fluvial
• As dificuldades de comunicação com os quilombolas uma vez que não há comunicação por
internet ou telefone com as comunidades.
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No que tange ainda ao cronograma, uma questão a ser equacionada no plano de consulta
diz respeito à retomada dos trabalhos da pesquisa geológica em área sobreposta às terras
quilombolas.
8 - Monitoramento Independente do Processo
Durante os processos de consulta, é fundamental a participação um terceiro ator
responsável por zelar pelo cumprimento das leis e dos termos do plano de consulta. Assim sendo,
recomenda-se que o Ministério Público Federal participe de todas as etapas da consulta.
9 - Recursos para a realização da consulta
O governo deverá assegurar os recursos necessários para as diferentes etapas do processo
de consulta de forma a garantir as condições necessárias para adequada participação dos povos
interessados.
Deve ser incorporado dentro dos custos do processo de consulta o apoio logístico aos
quilombolas para a realização das etapas de avaliação interna.
Há de se definír no plano de consulta qual será a contribuição da empresa tendo em vista
que é parte interessada na consulta. No entanto, é crucial assegurar que essa colaboração
financeira não comprometa a independência da informação produzida e a imparcialidade de
facilitadores, nem tampouco represente constrangimento para os quilombolas.
O Governo poderá solicitar ao responsável pela atividade ou empreendimento que garanta
as condições técnicas, logisticas e operacionais necessárias para que os membros das comunidades
quilombolas diretamente afetadas participem das reuniões informativas e Consulta Pública.
10 - Registro
Para assegurar a transparência do processo, é importante que todo o processo seja
devidamente documentado de preferência por consultor independente.
Os registros devem ser disponibilizados a todos os participantes em prazos adequados para
sua análise e certificando-se que estejam em linguagem e formato acessível aos quilombolas.
Também se recomenda que os registros sejam amplamente divulgados.
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11 - Efeitos da consulta
A consulta tem como objetivo obter o consentimento e construir acordos com os povos
interessados. Caso o acordo seja alcançado deve ter efeito vinculante. E deverão ser estabelecidos
os mecanismos para monitorar o seu cumprimento.
Dentre os cenários de resultado da consulta, há de se considerar também a possibilidade de
não se chegar a um acordo implicando a não autorização do empreendimento ou a necessidade de
revisão do seu projeto original.
SEGUNDA PARTE
1- Quando se realiza a consulta?
Quando a Fundação Cultural é consultada na fase de Licença Prévia, antes da
emissão de manifestação conclusiva procede-se à realização de Consultas Públicas em
comunidades impactadas diretamente por empreendimentos.
2- Como é realizada a consulta?
A Consulta é realizada uma única vez, com base no formato das Audiências
Públicas indicado na Resolução CONAMA n009/87, contudo num formato mais simplificado.
A Fundação, juntamente com a comunidade e empreendedor, organiza a
mobilização, a agenda e o cronograma de execução.
3-Qual a programação da consulta?
A programação inclui em alguns casos, reunião entre Fundação Cultural Palmares e
Comunidade num horário para ouvir diretamente sem interferência do empreendedor. Em outros
casos, a consulta é realizada diretamente.
A Consulta, em geral, inclui uma apresentação inicial da Fundação Palmares, que é
mediadora do processo, na qual inclui em resumo o papel da FCP e os direitos das comunidades,
além de informações específicas sobre a situação da comunidade e da região.
Em seguida, o empreendedor apresenta de forma clara o empreendimento em
questão com seus impactos e suas propostas de mitigação.
Na sequência, a comunidade manifesta-se abertamente e tem oportunidade de
esclarecer suas dúvidas.
Em se havendo consenso e anotadas em ata as reinvindicações das comunidades,
dá-se por encerrada a Consulta.
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