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Coletivo Voe

Formação LGBT

Sexo Biológico / Gênero: São as características mensuráveis dos indivíduos, tais como órgãos genitais, hormônios e cromossomos. Você pode ser homem (pênis, testículos, cromossomos XY, altos níveis de testosterona), mulher (vagina, ovários, cromossomos XX, altos níveis de estrogênio e a progesterona) ou ainda interssexual/hermafrodita (uma mistura dos dois anteriores). Identidade de gênero: Diz respeito a se a maneira como você vê a si mesmo, sua subjetividade, condiz com o sexo biológico com o qual você nasceu. Você pode ser cisgênero, quando essas duas características estão em concordância (nasceu homem e reconhece-se como homem ou nasceu mulher e reconhece-se como mulher) ou transgênero, quando há discordância (tem uma subjetividade feminina, mas nasceu num corpo masculino ou tem uma subjetividade masculina, mas nasceu em um corpo feminino). Muitas vezes recorre-se a cirurgias de reaquequação de sexo. Orientação sexual: Refere-se á inclinação do seu desejo afetivo-erótico. Diz respeito a se você sente-se atraído afetivamente e sexualmente por pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo. São muitas as nuances que a orientação sexual pode tomar: heterossexual (atração pelo sexo oposto), homossexual (atração pelo mesmo sexo), bissexual (atração por ambos os sexos), assexual (indiferença ou ausência de atração sexual), panssexual (atração por todas as nuances de gênero: homens, mulheres, transsexuais...) . Observação: usa-se o termo “orientação sexual”, pois diz respeito à uma inclinação natural da sexualidade, e não a uma escolha do indivíduo. É errado o uso de termos como “opção sexual” ou “preferência sexual”.

e à desvalorização de tudo o que é atribuído ao feminino damos o nome de machismo. Já o homem detinha o poder de transcender os espaços público e privado. o chefe da tribo.Expressão de Gênero: Diz respeito a como você mostra a si mesmo para os outros e a sua relação com os padrões heteronormativos da sociedade. comporta-se e interage com os demais e com os marcadores de gênero prédeterminados pela sociedade (meninos jogam futebol. afetuosa e com predestinação para a maternidade. Observa-se essas assertivas na história em si. podem usar vestidos. A mulher carregava consigo a honra da família. o samurai. salto alto etc). as drag queens (artistas performáticos que se travestem de maneira exagerada) etc. a visão da sociedade foi construída quase que exclusivamente por homens. Assim. a qual deveria zelar enquanto submissa ao pai e. tem cabelo curto etc. vestem rosa. eram restritos. Essa hierarquia social explica. Já da mulher esperava-se ser casta. Por exemplo. O sujeito histórico e ocupante dos espaços de poder constituiu-se como masculino. como o crossdressing / travestismo (usar roupas e acessórios característicos do sexo oposto). na qual o ser feminino (ou o seu comportamento) é tomado como inferior. vestem azul. o papa. esses espaços privados ocupados pela figura feminina são o seu habitat. principalmente nas relações de gênero e sexualidade. veste-se. Essas relações de poder acabam por traduzir-se em uma hierarquia social. aos limites do domicílio. Sua figura constituía-se de um ser que deveria ser viril. o padre. o porquê da aversão da sociedade em geral quando há pessoas que não seguem o modelo hegemônico vigente na sociedade. Neste conceito cabem variações que não são obrigatoriamente vinculadas à orientação sexual e identidade de gênero. a essa valorização do masculino em detrimento do feminino. Os espaços ocupados pelas mulheres eram aqueles que não requeriam grande poder de decisão. de acordo com a ideologia hegemônica. assumir cargos de poder e decidir sobre a vida dos filhos e da esposa. no século XIX. o rei. passiva. o lugar onde a mulher viveria sua casta vida. muitas vezes. MACHISMO E HOMOFOBIA Ao longo do tempo. associados diretamente às relações de . o guerreiro. meninas brincam de bonecas. são restritos a esferas privadas e sob a tutela ou mesmo sob o comando dos homens. enquanto os espaços ocupados pela mulher. posteriormente. em grande parte. autoritário e com dever de prover o sustento da família. como o homem sendo o imperador. É referente à forma como você age. sensível. enquanto submissa ao marido. o pensador. geralmente.

poder entre os sexos. A questão da AIDS é pouco discutida. que coloca tudo aquilo que ameaça o ser humano como sendo algo externo a ele. Devido a sua diferença. Para uma pessoa do sexo feminino que possui características de gênero e/ou comportamento masculino. mantendo confusões como essa em vigor e sustentando ideias infundadas. o racismo ou o antissemitismo. o “aidético” era aquele que tinha relações homossexuais. Nesse entendimento.” A infinidade de sinônimos para referir-se a homossexualidade (bixa. Algumas . Outro componente da homofobia é a projeção. Assim. o homem afeminado “desce” de sua posição valorizada para ocupar um lugar desvalorizado. uranista. considera-se que ela está ocupando espaços que não são seus por direito e sua condição passa a ser desprezada. por muitos anos. uma vez que o mal da AIDS não chegaria até elas (heterossexuais). Assim. machorra. enquanto que para com a heterossexualidade encontraremos quase nenhum ou nenhum sinônimo indica a tentativa de através da semântica desqualificar uma vivência (a da própria sexualidade e afetividade). ela é uma manifestação arbitrária que consiste em qualificar o outro como contrário. diferente daqueles com os quais se identifica. atribuído às mulheres. o mal é sempre algo que está fora do sujeito e. Por exemplo. Para a psicologia. boiola. O homem é desvalorizado se ocupar o lugar feminino estando com outro homem. pederasta). acreditou-se que a AIDS era uma doença que contaminava exclusivamente homossexuais. viado. inferior ou anormal. desvalorizado se tiver trejeitos de mulher. ainda. as pessoas podiam se sentir protegidas. a projeção é um mecanismo de defesa dos seres humanos. esse outro é posto fora do universo comum dos humanos. Uma pessoa do sexo masculino que possui características de gênero e/ou comportamento feminino está ocupando um espaço de poder considerado inferior ao que lhe é determinado. Dessa forma. sapata. pois seria acreditado que a ele seria cabido a superioridade dos comportamentos masculinos. HOMOFOBIA: “Assim como a xenofobia.

submetida a olhares clínicos.65 violações de direitos humanos de caráter homofóbico por dia. terapias e tentativas de “cura”. na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. nesse período. A homofobia implica ainda numa visão patológica da homossexualidade. vitimando 4. o desejo é projetado para fora e rejeitado. envolvendo 1. a partir de ações homofóbicas.713 vítimas e 2.809 violações de direitos humanos contra LGBTs. Outros dados: (Fonte: Carta Capital) . os números do relatório apontam que. Assim.69 pessoas diariamente.pesquisas apontam ainda para o medo que o homofóbico tem de se sentir atraído por alguém do mesmo sexo. Nesse sentido. foram reportadas 18. Os números oficiais foram sistematizados cm base em dados do Disque Direitos Humanos – Disque 100. VIOLÊNCIA HOMOFÓBICA: Segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) em julho de2012. no ano de 2011 foram denunciadas 6. podemos entender a complexidade do fenômeno da homofobia que compreende desde as conhecidas “piadas” para ridicularizar até ações como violência e assassinato.275 suspeitos. no Disque Saúde e na Ouvidoria do Sistema Único de Saúde (SUS). bem como em e-mails e correspondências diretas encaminhadas ao Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT e à Coordenação-Geral de Promoção dos Direitos de LGBT. Apesar da subnotificação.

pode levar essas pessoas a serem vítimas de violência homofóbica ou atitudes de ódio. É por essa razão que os homossexuais não são mais as únicas vítimas da violência homofóbica. “A divisão dos gêneros e o desejo (hetero)sexual funcionam mais como um mecanismo de reprodução da ordem social que como um mecanismo de reprodução biológica da espécie.” “Pode até ser gay. transsexuais. um autônomo de 42 anos teve sua orelha decepada ao abraçar seu filho de 18 anos em uma feira.TRANSFOBIA: “fobia” de quem tem diferente identidade de gênero. mas creio que ela não achou algum homem que fez bem o serviço. em entrevista ao G1. bissexuais.” “Até tenho amigo gay. assim. Fobia de quem é transgênerx: travestis. Conta a vítima. A homofobia é o medo de que essa equivalência seja reconhecida. a homossexualidade torna-se insuportável quando reivindica publicamente sua equivalência à heterossexualidade. Exemplos de expressões de homofobia velada:    “Minha amiga diz que é lésbica. transexuais. mas não preciso ver gays se beijando na rua. Em São João da Boa Vista. mulheres heterossexuais que têm personalidade forte. Mesmo com resposta negativa eles atacaram. Mas e se fosse um casal gay. Foram pai e filho as vítimas. que se dirige também a todos os que não aderem à ordem clássica dos gêneros: travestis. independentemente de sua orientação sexual. interior de São Paulo. Exemplo: as expressões de afeto em público são algo garantido com segurança a todas as pessoas (desde que sejam heterossexuais).” HOMOFOBIA OPRIME A TODOS: Afetividade em espaço público entre duas pessoas do mesmo sexo. tamanha agressão seria menos grave? HOMOFOBIA VELADA: Aceita na esfera íntima da vida privada. mas vá ser dentro da sua casa”. . homens heterossexuais delicados ou que manifestam grande sensibilidade. A homofobia torna-se. dessa vez. que um grupo de jovens perguntou se eles eram um casal gay. uma guardiã das fronteiras sexuais (hetero/homo) e de gênero (masculino/feminino).

comportamentos e atividades para cada sexo.. àquela que promove a superioridade de um gênero sobre o outro. outros homens que recusem o modelo tradicional ou a virilidade dominante e acabam. utilizando linguagem inclusiva. porém. são reconhecidos como tendo uma posição feminilizada. notadamente do outro gênero social. legitimando a violência contra mulheres e todos aqueles que. as que são bissexuais ou homossexuais não se sentirão representadas. Para as que são não haverá problema. sobretudo. . Via a mesma linha de raciocínio. Essa frase exclui o grupo dos homens heterossexuais e dos bissexuais. são estes os objetos privilegiados desta violência homofóbica/sexista.. para a equidade entre os gêneros assim como para a valorização e reconhecimento da diversidade afetiva:      contribuindo com a desconstrução de gênero – não atribuir certas características. participando de espaços de discussão a respeito do tema.SEXISMO: A ideologia que sustenta a superioridade da raça branca é designada sob o termo “racismo”. Essa é uma maneira de excluir um grupo (no caso o homossexual e bissexual) através de uma simples frase. Poder esse diferenciado segundo o pertencimento de gênero – mulheres. mantendo contato com o movimento LGBT. Mantido por um pensamento essencialista. crianças e. não se omitir em casos de manifestações machistas/homofóbicas – não se utilizando da repressão. em determinadas circunstâncias. Através dessa simples frase pode ser entendido que todas as mulheres da sala de aula são heterossexuais. por isso. em determinados contextos. mas no questionamento e na conscientização a respeito do tema. debatendo e trocando experiências com companheir@s de trabalho a respeito do tema. Linguagem inclusiva: Exemplo: educador(a) está na sala de aula e em determinada parte da aula fala sobre constituição de família. atribui qualidades e defeitos que seriam inerentes e específicos de cada sexo.”. pois pela simples frase a pessoa entendeu que na sala existem apenas homens homossexuais. homens não-viris. Diz a seguinte frase: “Pois quando as mulheres tiverem seus maridos.”. homens e mulheres que optam por práticas homoeróticas.” Há outros sujeitos que. De que maneira um professor pode contribuir para a inclusão das pessoas. mas também idos@s. sendo vítimas de violência de gênero. violência de gênero é uma violência em que a questão do poder desigual entre os envolvidos é a marca. dá -se o nome de “sexismo”. que abarque todas as orientações sexuais. imagine que @ educador(a) fala a seguinte frase: “Pois quando os homens encontrarem os seus maridos. Portanto... partilham de posição tida como feminilizada: não só mulheres. Trata-se de uma posição que pode ser perpetrada tanto por homens quanto por mulheres. Provavelmente heterossexuais e bissexuais não se sentirão representados. “O sexismo seria a discriminação em relação às pessoas de outro sexo.

Essa relação de desqualificação é estendida quando se refere à relação entre duas pessoas do sexo feminino. e não o homossexual enquanto indivíduo. psicológico e físico são reforçados pelo casamento e que filhos de casais do mesmo sexo podem se beneficiar de serem criados por dois pais dentro de uma união legalmente reconhecida e apoiada por instituições da sociedade. que pretendem “corrigir” a orientação sexual dessas mulheres. de outro. a mulher lésbica ou bissexual ‘ainda não encontrou um homem de verdade’. Outro argumento em apoio ao casamento homossexual é a afirmação de que o bem-estar financeiro. Adoção homoparental: é a adoção de crianças por homossexuais. Piauí. as legislações de dez estados brasileiros reconhecem o casamento igualitário: Paraná. O dia 29 de agosto é do Dia da Invisibilidade Lésbica. o desaparecimento da hierarquia sexual estabelecida. Quando não é tratada de maneira pejorativa. Espírito Santo. Sergipe. Muitos comportamentos homofóbicos surgem justamente do medo da equivalência de direitos entre homo e heterossexuais. Alagoas. Atualmente não há na constituição . Por consequência dessa ótica. Um argumento a favor de casamento homossexual é o de que negar aos casais do mesmo sexo o acesso ao matrimônio e a todos os seus benefícios legais conexos representa uma discriminação baseada na orientação sexual. Podemos entender então que a homofobia compreende duas dimensões fundamentais: de um lado a questão afetiva. onde o objeto do preconceito é a homossexualidade como fenômeno. QUESTÕES LEGAIS Casamento Homoafetivo: é o casamento entre pessoas do mesmo sexo biológico ou da mesma identidade de gênero. ‘queria ser um homem’”.com. uma vez que isso significa.html) OS DIREITOS LGBTs: A questão não se resume aos indivíduos homossexuais. a homofobia compreende também questões da esfera pública. claro. Os defensores do reconhecimento legal de casamento homoafetivo geralmente se referem ao seu reconhecimento como casamento civil igualitário. São Paulo e o Distrito Federal. como a luta por direitos. Atualmente. Ou. considerado o passo anterior ao casamento civil igualitário. muitas vezes é feita através de pareceres judiciais. (http://ativismodesofa. A principal preocupação manifestada por aqueles que se opõem é saber se casais de pessoas do mesmo sexo têm a capacidade de serem pais adequados. Isso se traduz também quanto à sua sexualidade. embora muitos outros países estejam fazendo debates nas diversas jurisdições nesse sentido. de certa maneira. como discutimos. a legalização. “Enquanto o homem gay ‘não tem salvação’. A adoção homoparental é legal apenas em 14 países. não são raros os casos de estupro corretivo de mulheres lésbicas e bissexuais. Ceará. diminuída.A INVISIBILIDADE LÉSBICA: Já vimos que tanto o ser feminino como as suas características foram sempre historicamente subjugadas ou consideradas inferiores. a relação lésbica é invisibilizada – a sociedade em geral age como se mulheres não-heterossexuais não existissem. Em 2011 o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união homoafetiva estável. ou seja. Bahia. principalmente pela desqualificação do prazer pelo órgão sexual feminino. Como o assunto muitas vezes não é especificado por lei (ou julgado inconstitucional). a dimensão cultural que destaca a questão cognitiva. mostrar a elas o que é certo em termos de práticas sexuais. de uma rejeição ao homossexual. ‘tá tentando chamar atenção’ ou ‘está só experimentando’. Mato Grosso do Sul.br/2012/08/a-invisibilidade-lesbica-e.blogspot.

alegando que além de discriminatória. Se aprovada. Funcionaria assim como a legislação contra o racismo. O Ministério Público recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Nome Social: é o nome pelo qual pessoas com transtorno de identidade de gênero (transexuais e travestis) preferem ser chamadas cotidianamente. Maria da Penha Gomes Fontenele. discriminação e violência contra a população LGBT. A crítica existente é que não se leva em conta o comportamento de risco.brasileira leis que determinem a adoção homoparental. PL122: O Projeto de Lei da Câmara nº 122/2006 tramita no Congresso Federal e prevê punições para incitação de ódio e intolerância.366/93. logo. a PL 122 será uma das maiores conquistas do movimento LGBT brasileiro. Em novembro de 2008. os casos são julgados individualmente. A liminar foi concedida em agosto de 2006. que já existe e se mostrou eficiente ao combate ao preconceito. Doação de sangue por homossexuais masculinos: Outra forma de discriminação legal é a proibição determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) de que os homossexuais masculinos doem sangue. O Ministério Público Federal no Piauí ingressou com ação civil pública na tentativa de eliminar tal proibição. em contraste com o nome oficialmente registrado que não reflete sua identidade de gênero. a proibição é inócua. quando o Ministério da Saúde determinou. que os bancos de sangue de todo o país rejeitem doadores que se declarem homossexuais. pois basta que o doador minta sobre sua orientação sexual para que seu sangue seja aceito. Uma das vitórias do movimento LGBT em 2013 foi a conquista da emissão de cartões com o nome social no Sistema Único de Saúde (SUS). . a pedido da ANVISA. pela Portaria 1. A proibição já existia desde 1993. a proibição de doação continua em vigor. Enquanto mantidos os termos da sentença. proferiu a sentença mantendo a negativa da doação de gays e homens bissexuais. mas posteriormente derrubada. a juíza substituta da 2ª Vara Federal de Teresina. conforme Resolução nº 153. de 2004. mas o simples fato de ser homossexual.