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TERCEIRIZAÇÃO DE ATIVIDADES MEIO NO ESTADO DE RORAIMA

Tyrone Mourão Pereira1

SUMÁRIO: Introdução. 1. Princípio da Legalidade. 2. Da Possibilidade de Contratação de serviços especializados. 3. Da limitação aos contratos de prestação de serviços especializados. 4. Do Fiscal do Contrato e do Preposto da Contratada. Conclusão. Bibliografia.

RESUMO No presente artigo científico busca-se analisar a possibilidade de contratação de prestação de serviços especializados de limpeza, conservação, vigilância, transporte e copeiragem pelo Estado de Roraima. Embasado no Princípio da Legalidade, infere-se que há possibilidade apenas no que diz respeito as atividades-meio dos entes públicos, não sendo cabível adotá-la para o exercício de atividades pertinentes a atribuições de cargos efetivos próprio de seus quadros, nem para funções que impliquem no exercício de poder de polícia ou na prática de atos administrativos.

PALAVRAS CHAVE: - Terceirização; - Prestação de serviços especializados e - Ordenamento jurídico. INTRODUÇÃO O serviço público pode ser prestado das seguintes formas: serviço centralizado: é o realizado pelo Poder Público por seus próprios órgãos e sob sua responsabilidade; - serviço descentralizado: segundo o saudoso autor Hely Lopes Meirelles, é todo aquele em que o Poder Público transfere a
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Procurador Geral Adjunto do Estado de Roraima.

aprovado em 17 de dezembro de 1993. por lei. IVO inadimplemento das obrigações trabalhistas. formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços. não criando novas pessoas jurídicas. do Tribunal Superior do Trabalho. a autarquias. implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações.102. de conservação e limpeza. Na jurisprudência destaca-se o Enunciado 331. que não constituem o objeto principal da entidade contratante (tomadora dos serviços). de 20. IIA contratação irregular de trabalhador.sua titularidade ou.” . IIINão forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei n. in verbis: “Contrato de prestação de serviços – Legalidade. pela autarquia. IA contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal.º 6. bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador. não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública Direta. determinado serviço público ou de utilidade pública. em que o órgão ou entidade contrata com terceiros. desde que tenha participado da relação processual e conste também do título executivo judicial.º 7. salvo no caso de trabalho temporário (Lei n. por outorga ou delegação.83).019. da Constituição da República). desde que inexistentes a pessoalidade e a subordinação direta. Por terceirização entende-se a contratação de empresas especializadas (prestadoras de serviços) para a execução de atividades meio. pois a Administração executa o serviço centralizadamente mas o distribui entre vários órgãos. Indireta ou Fundacional (art. por parte do empregador. Os meios de prestações de serviços podem ser através de execução direta. 37. Em outras palavras terceirização é o ato de concentrar a energia da empresa nas suas atividades vocacionais e realizar a execução indireta das necessárias atividades de apoio com fornecedores especialistas e idôneos. dentro da mesma entidade. em que pelo qual há divisão interna de competência. ou seja.º 256.Revisão do Enunciado n. unicamente a execução do serviço.06. Há outorga quando o Estado cria uma entidade e a ela transfere. há delegação quando o Estado transfere. empresas privadas ou particulares individualmente. através de empresa interposta. pela empresa privada e por meio de execução indireta. II. para que o delegado o preste ao público em seu nome ou por sua conta e risco nas condições regulamentares e sobe controle estatal. entidades paraestatais. sua execução. simplesmente. E serviço desconcentrado. por contrato (concessão) ou ato unilateral (permissão ou autorização). de 3-1-74). que é realizada pelo próprio ente estatal.

º 200. coordenação. Já o inciso III define a terceirização legalmente admissível. sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum. Neste diapasão segue o entendimento do mestre administrativista Hely Lopes Meirelles (2001. 82) “A legalidade como princípio de administração (CF. inciso II. conforme o disposto no artigo 37. nos termos do Decreto –Lei n. em toda a sua atividade funcional. 37. do artigo 10: “Art. diferenciando a situação geral do caso particular em que o tomador dos serviços é órgão da administração direta.) § 7º Para melhor desincumbir-se das tarefas de planejamento. não é capaz de caracterizar vínculo empregatício. a Administração Pública obedecerá. DA POSSIBILIDADE DE CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS No âmbito Federal. mesmo quando a própria administração pública é a tomadora dos serviços. autarquia ou fundação. assim. sob pena de praticar ato inválido e expor-se a responsabilidade disciplinar. caput). Segundo o qual. significa que o administrador público está. condiciona o ingresso no serviço público à aprovação em concurso público. p. 2. de conservação e de limpeza e também a contração de serviços ligados à atividade-meio do tomador. o administrador tem a sua atividade sujeita aos ditames da lei. desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. supervisão e controle e com o objetivo de impedir o . conforme o caso”. mediante empresa interposta. Neste caso. O inciso II distingue em relação à pessoalidade do tomador dos serviços. há norma legal favorável à transferência da execução de tarefas auxiliares da administração pública para a iniciativa privada. Permite a contratação de serviços de vigilância.. A execução das atividades da Administração Federal deverá ser amplamente descentralizada. uma vez que a Constituição da República Federativa do Brasil. na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. civil e criminal.Infere-se daí que. (. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Nos termos do artigo 37.. dentre outros o Princípio da Legalidade. e deles não se pode afastar ou desviar. 10. 1. art. de 25/02/67. caput. conforme dispõe o § 7º. o inciso I consagra a ilegalidade da mera intermediação da mão de obra. da Constituição da República Federativa do Brasil. mesmo a contratação irregular de trabalhador.

de 7 de julho de 1997.crescimento desmesurado da máquina administrativa. mediante contrato. § 1º As atividades de conservação. Ressalta-se que o Decreto Federal não vincula as demais esferas de governo. instrumentais ou complementares. do artigo 1º. copeiragem. 2º e 3º. iniciativa privada suficientemente desenvolvida e capacitada a desempenhar os encargos de execução. em oposição. à execução indireta.”. total ou parcialmente. que “dispõe sobre a contratação de serviços pela Administração Pública Federal direta. de equipamentos e de instalações serão.º 538 de 30 de março de 2006. 2º A contratação de empresa especializada para execução de atividades meio deverá ser precedida e instruída com plano de trabalho aprovado pela autoridade máxima do . respectivamente: “Art. no âmbito do quadro geral de pessoal. autárquica e fundacional e dá outras providências. a matéria foi regulamentada pelo Poder Executivo Federal. salvo quando se tratar de cargo extinto. possibilita a execução indireta de atividades materiais acessórias.”. Dispõem os artigos 1º. recorrendo sempre que possível.271. a Administração procurará desobrigar-se da realização material de tarefas executivas. instrumentais ou complementares aos assuntos que constituem área de competência legal do órgão ou entidade. transportes. Autárquica e Fundacional. na área. da citada Lei. O caput. Autárquica e Fundacional. do citado Decreto. § 2º Não poderão ser objeto de execução indireta as atividades inerentes às categorias funcionais abrangidas pelo plano de cargos e salários do órgão ou entidade. que “Dispõe sobre a contratação de serviços pela Administração Pública Estadual Direta.” “Art. No Estado de Roraima.º 2. ao passo que seu parágrafo primeiro contém enumeração de atividades a serem preferencialmente executadas através de contratação e seu parágrafo segundo. de preferência. xerografia. vigilância. limpeza. e dá outras providências. objeto de execução indireta. recepção. exclui a execução indireta para as atividades inerentes às categorias funcionais abrangidas pelo plano de cargos do órgão ou entidade. 1º No âmbito da Administração Pública Estadual Direta. desde que exista.” Nos termos do Decreto n. telecomunicações. aplica-se o disposto na Lei Estadual n. manutenção de prédios. poderão ser objeto de execução indireta as atividades materiais acessórias.

caracterização exclusiva do objeto como fornecimento de mão-de-obra. pois. Autárquica e Fundacional. materiais ou financeiros disponíveis. de preferência mediante execução indireta. ou a quem esta delegar competência. no mínimo: a) justificativa da necessidade dos serviços. e conterá. frisando que os empregados do fornecedor são subordinados ao próprio fornecedor. III . III . recepção.subordinação dos empregados da contratada à administração da contratante. setoriais ou que reflitam a variação de custos. II . O mencionado dispositivo tem a seguinte redação: . manutenção de prédios. copeiragem. 3º É vedada a inclusão de disposições nos instrumentos contratuais que permitam: I .justificativa da necessidade dos serviços.666/93.órgão ou entidade. Vale lembrar que a ampla possibilidade de contratação desses serviços é evidenciada pelo inciso II. após procedimento licitatório poderão contratar a realização da prestação de serviços especializados de conservação. xerografia. ou a quem esta delegar competência. de equipamentos e de instalações. dos artigos citados que a contratação de empresa especializada para execução de atividades meio deverá ser precedida e instruída com plano de trabalho aprovado pela autoridade máxima do órgão ou entidade. setoriais ou que reflitam a variação de custos. materiais ou financeiros disponíveis. que a Administração Pública Estadual Direta. Extrai-se. que contém lista. b) caracterização exclusiva do objeto como fornecimento de mão-de-obra. Com efeito. vigilância. da Lei Federal n. c) subordinação dos empregados da contratada à administração da contratante.” Grifos não originais Infere-se. a contratação deve ser de serviço especializado e não de mão-de-obra.demonstrativo de resultados a ser alcançados em termos de economicidade e de melhor aproveitamento dos recursos humanos.º 8. limpeza. de caráter exemplificativo. ainda. no mínimo: I . b) relação entre a demanda prevista e a quantidade de serviço a ser contratada e c) demonstrativo de resultados a serem alcançados em termos de economicidade e de melhor aproveitamento dos recursos humanos. telecomunicações. II . Impõe a norma também que é vedado constar nos instrumentos contratuais: a) indexação de preços por índices gerais. contendo.” “Art. mediante contrato. transportes.relação entre a demanda prevista e a quantidade de serviço a ser contratada. dos serviços cuja administração pública deve preferencialmente transferir a terceiros.indexação de preços por índices gerais. do artigo 6º.

Neste sentido. mediante concurso público. DA LIMITAÇÃO AOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS Para se evitar a terceirização sem limites o que configuraria fraude à disciplina constitucional para o provimento de cargos na Administração Pública. publicidade. adaptação. 37. De fato. assentada na livre acessibilidade e na seleção mediante concurso. considera-se: (. e das leis posteriores que o regulamentaram. nos seguintes termos: “O grande problema surgido em torno da terceirização.toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração. 175 da Constituição. devem-se verificar os parâmetros que podem servir à identificação de áreas ou atividades não transferíveis à iniciativa privada.“Art. operação. a contratação de serviços deve obedecer a algumas limitações. os órgãos públicos não podem delegar a terceiros a execução integral de atividades que constituem sua própria razão de ser.Serviço. excetuados os serviços públicos que venham a ser objeto de concessão. bem como a Lei nº 8. transporte. principalmente a partir da vigência da atual Constituição Federal.” Grifos não originais 3. tais como: demolição. foi a sua utilização como válvula de escape à realização de concursos públicos. manutenção.987.. A terceirização sem limites configuraria fraude à disciplina constitucional para o provimento de cargos na Administração Pública. Consultor Legislativo da Área VIII Administração Pública. locação de bens. reparação.) II. de 13 de fevereiro de 1995. 6º Para os fins desta Lei. em um artigo de setembro de 2001: “A primeira diretriz reside na exclusão da possibilidade de terceirização da própria atividade-fim do órgão da administração. nos termos do art. conservação. conserto. seguro ou trabalhos técnico-profissionais. II da Constituição”. instalação. O recurso à terceirização para a prática desse tipo de desvio é denunciado por Luciano Ferraz. com vistas a contornar a regra do art. montagem. Assim é que uma . citadas por Flávio Freitas Faria. destacam-se três possíveis diretrizes para fixação de limites à terceirização na Administração Pública.. Mesmo no que concerne às atividades-meio.

085/2005 TCU-Plenário: “Deve haver o acompanhamento rigoroso do cumprimento.º 8... desde que observe os dispositivos legais constantes na Lei Federal n. da Lei n. no quadro funcional do órgão ou entidade. designado nos termos do artigo 67. bem como atos de inscrição. e ainda os atos de decisão ou de homologação em processos administrativos.. de todas as usas obrigações . excluídas da hipótese de execução indireta atividades que importem expedição de autorizações.º 538. (.” Grifo não original Desta feita. não admite transferência contratual a pessoas estranhas à administração pública. para com seus empregados que lhes são subordinados. cujas atribuições sejam exatamente as de exercer essas atividades. pudesse optar pela contratação externa de serviços. 4.º 8. do Enunciado 331 do TST e o disposto no artigo 71.666/93. certidões ou declarações.º 2. (. transporte e copeiragem. portanto.) Dessa forma.666/93 e na Lei Estadual n. licenças. Esta competência. deve verificar se as empresas especializadas contratadas estão cumprindo com as obrigações trabalhistas e previdenciárias. Ficam. Essa diretriz é conseqüência direta da exigência constitucional de concurso público.666/93.segunda diretriz para excluir a viabilidade de execução indireta de algumas atividades é a existência de cargos permanentes. a prática de atos administrativos demanda seja o sujeito do ato competente para tal. § 2º. ainda que sejam tidas como atividades-meio em relação às finalidades do órgão público. que poderia ser burlada caso a administração. da Lei n. registro ou certificação. Nesse diapasão segue Acórdão n.º 8. o Fiscal do Contrato. vigilância. de 30 de março de 2006. via de regra outorgada mediante lei formal.) A terceira diretriz impeditiva de execução indireta de atividades próprias dos órgãos e entidades públicas reside no exercício do poder de polícia e na prática de atos administrativos em geral. conservação. pelos fornecedores de serviços. DO FISCAL DO CONTRATO E DO PREPOSTO DA CONTRATADA Ante o disposto no inciso IV. Atividades dessa natureza são insuscetíveis de execução indireta. ao invés de realizar certame da espécie.. o Estado pode após realização prévia de procedimento licitatório contratar empresa especializada para prestação de serviços especializados de limpeza.

cabendo-lhe atestar o recebimento dos serviços prestados mediante termo de recebimento circunstanciado. nem para funções que impliquem no exercício de poder de polícia ou na prática de atos administrativos.666/93 e na Lei Estadual n.º 8.º 538.666/93.º 8. BIBLIOGRAFIA GASPARINI. alínea “b”. 5ª ed. ainda.” Acórdão n. exigindo cópias dos documentos comprobatórios da quitação dessas obrigações. 2001.º 892/2005 TCU-2ª Câmara “O fiscal do contrato é o responsável por sua perfeita execução. MELLO.666/93. Seguem julgados: “Deve haver a designação de representante para acompanhar e fiscalizar a execução dos contratos.666/93.º 8. não sendo cabível adotá-la para o exercício de atividades pertinentes a atribuições de cargos efetivos próprio de seus quadros. tal prática é lícita apenas no que diz respeito as atividades-meio dos entes públicos. conforme arts. Direito Administrativo.º 3. 67 e 73 da Lei n. São Paulo: Malheiros. bem como devem ser observadas as disposições sobre recebimento de bens e serviços constantes do art. de 30 de março de 2006. quanto à viabilidade legal de terceirização de serviços pelo Estado de Roraima. 67 da Lei n. da Lei n.666/93. I. em obediência ao art. São Paulo: Saraiva.097/2005 TCU-1ª Câmara CONCLUSÃO Ante o exposto. conservação. previdenciárias e tributárias relacionadas ao respectivos contrato de terceirização. vigilância. de. 14ª ed. conforme previsão do artigo 68. 2001. devendo haver um preposto representante da empresa. Diógenes. desde que observe os dispositivos legais constantes na Lei Federal n. Celso Antônio Bandeira Administrativo. Curso de Direito . conclui-se que.” Acórdão n. com o intuito de se resguardar de eventuais condenações judiciais por responsabilização subsidiária. podendo o Estado após realização prévia de procedimento licitatório contratar empresa especializada para prestação de serviços especializados de limpeza.” Ressalta-se. da Lei n.º 8. que os empregados do fornecedor são subordinados ao próprio fornecedor.trabalhistas. aceito pela Administração no local da obra ou serviço para representá-la na execução do contrato. 73. transporte e copeiragem.º 8.

São Paulo: Malheiros. Jerônimo. 2001. SILVA. Direito Administrativo. Maria Sylvia di. Hely Lopes de. 23ª ed. 2001. José Afonso da. Consultor Legislativo da Área VIII Administração Pública. 13ª ed. 2ª Edição Ampliada e Revisada. 22ª ed.MEIRELLES. São Paulo: Malheiros . . 2001. Flávio Freitas. Curso de Direito Constitucional Positivo. FARIA. LEIRIA. PIETRO. Gestão da Terceirização & Gestão de Contratos. Leiria & Pietzsch Editora Ltda. São Paulo: Atlas. Direito Administrativo Brasileiro. Artigo de setembro de 2001. 2006.