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TELEVISÃO: UM “FAST FOOD” ENVENENADO PARA A ALMA - Parte I: A televisão em si mesma (e seu uso)
Marcelo Andrade oferece um muito abrangente e certeiro estudo sobre os malefícios da televisão, do qual publicamos hoje a primeira parte. A seguir: A televisão e o homem - corpo e alma; Televisão, sociedade e ideologia; e finalmente, uma Análise detalhada dos diversos gêneros da televisão, assim como uma Apertada análise de alguns outros instrumentos modernos. O corpo de Referências bibliográficas virá igualmente publicado no final.

TELEVISÃO: UM “FAST FOOD” ENVENENADO PARA A ALMA

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.. 5 PARTE 1– A TELEVISÃO EM SI MESMA (E O SEU USO) 6 1.1 - O APARELHO TELEVISOR.. 7 1.2 - A TELEVISÃO E O SEU USO.. 7 1.3 - CARACTERÍSTICAS DA PROGRAMAÇÃO EM GERAL. 9 1.4 – TELEVISÃO, IMAGEM, SOM E TEXTO.. 12 1.5 - IMAGEM... 12 1.6 - SOM E MÚSICA.. 16 1.6.1 - SONS E “EFEITOS SONOROS”. 16 1.6.2 - AS “PARADAS DE SUCESSO”. 18 1.6.3 - OS “JINGLES”. 19

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1.6.4 - TELEVISÃO E ROCK.. 20 1.7 - TEXTO.. 22 1.7.1 - A NARRATIVA NA TELEVISÃO.. 22 1.7.2 - SENSACIONALISMO.. 27 1.7.3 - TELEVISÃO E O SILOGISMO.. 29 1.7.4 - A TELEVISÃO E O TRIVIUM... 31 1.8 - TEORIA DA COMUNICAÇÃO, A TELEVISÃO E O MEIO.. 32 1.8.1 - TEORIA DA COMUNICAÇÃO. 32 1.8.2 - TELEVISÃO, A COMUNICAÇÃO, O MEIO E O FIM... 33 1.9 - MENSAGEM SUBLIMINAR.. 36 1.10 - REALIDADE E TELEVISÃO.. 39 1.10.1 COR, “CLOSE”, VELOCIDADE, FRAGMENTAÇÃO E FLUXO. 39 1.10.2 - IRREALIDADE DOS CENÁRIOS TELEVISIVOS.. 40 1.10.3 - DETURPAÇÃO DO REAL E A CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA REALIDADE 42 1.10.4 - INTERMEDIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA.. 45 1.10.5 DETURPAÇÃO EM CONCRETO.. 46

3.12.2 - REFERÊNCIAS.. 108

Os insensatos desprezam a sabedoria e a doutrina.

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(Pv 1,7)

INTRODUÇÃO

Muito se estuda sobre a televisão, sob os mais variados ângulos. Há análises dela como mídia de massa, relações com o poder, “marketing”, aspectos sociológicos etc. Pesquisa-se, também, sua relação com a saúde, especialmente com a obesidade e o seu liame com a violência. Obviamente, há um grande estudo, “de dentro”, ou seja, de pessoas que trabalham para e pela televisão, necessário para abastecer e manter sua vasta programação e sua razão de ser. Porém, apesar do vastíssimo material que se encontra sobre a televisão, não são muito populares os estudos feitos contra ela. Há pouca bibliografia especificamente sobre isto, mesmo em outras línguas. Encontra-se facilmente algo contra determinados programas (ou gênero deles), mas não contra a televisão em si mesma, contra ela como meio. Isto é algo suspeito, já que a televisão é um equipamento poderoso e presente na maioria esmagadora dos lares e em muitos locais públicos, em todo o mundo. Segundo dados do IBGE, 96,9% dos domicílios do Brasil possuíam ao menos um aparelho televisor no ano de 2011.[1] No mundo desenvolvido, a porcentagem é similar. Nosso trabalho estará focado mais no ataque ao meio que ao conteúdo, ainda que nos anexos, abordemos certas classes de programas. Mas, há sentido em atacar a televisão como meio, já que este seria normalmente imparcial? Não haveria sentido em atacar apenas o conteúdo televisivo em espécie? Não. A tecnologia, em muitíssimos casos, é portadora de uma mentalidade intrínseca a ela, pouco importando o seu uso concreto. Destaca Mander (1978) que a própria natureza do fato televisivo estaria assim condicionando definitivamente os conteúdos em função do meio, tornando impossível outro uso da televisão, que não o atual.

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A tecnologia da televisão, a programação, o seu jeito de ser, foram forjados de tal modo que o meio e o conteúdo estão intimamente ligados. Uma analogia proposta por Mander (1978) são os armamentos. Não se usam armas de guerra para a paz, para evitar mortes, mas para matar. É verdade que um país pode e deve se defender de uma agressão injusta mas, mesmo assim, as armas serão usadas para o combate e para a destruição de vidas. E pouco importa o armamento em espécie - se é uma granada ou se é um fuzil, os dois têm a mesma finalidade - variando apenas o grau de letalidade. Assim, se fôssemos contrários aos armamentos de guerra, não precisaríamos atacar espécie por espécie, bastaria o enfrentamento do gênero. Entendemos a televisão, atualmente, de modo similar, como portadora de uma mentalidade própria. Na realidade, como detentora de uma ideologia, independentemente de seu conteúdo programático. Desta forma, é possível um ataque à televisão como meio. Com base neste objetivo, nasceu este modesto trabalho. Ele é dividido em quatro partes para melhor didática: a análise da televisão em si mesma (e o seu uso), os efeitos que ela causa no homem (corpo e alma), a influência dela na sociedade e sua ideologia (mais a conclusão) e os “anexos” nos quais analisaremos algumas classes de programas (e alguns outros instrumentos modernos). É bem verdade que as partes se cruzam, de modo que um tópico ou uma análise pode repercutir em todas as divisões.

PARTE 1– A TELEVISÃO EM SI MESMA (E O SEU USO)

1.1 - O APARELHO TELEVISOR

A definição encontrada na Wikipedia é esta: A Televisão (do grego tele - distante e do latim visione - visão) é um sistema eletrônico de reprodução de imagens e som de forma instantânea. Funciona a partir da análise e conversão da luz e do som em ondas eletromagnéticas e de sua reconversão em um aparelho — o televisor — que às vezes recebe erroneamente também o mesmo nome do sistema ou pode

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desenhos animados etc. o televisor ou aparelho de televisão capta as ondas eletromagnéticas e através de seus componentes internos as converte novamente em imagem e som. Trata-se de uma das atividades mais difundidas no mundo.montfort. depois a uma novela e assim por diante. as emissoras possuem uma grade de programas bastante variada[3]. documentários. telefilmes. minisséries. Como cada emissora tem sua grade de programação própria: o que marca o uso da televisão é a abundância de programas desconexos. programas de auditório. segundo o IBGE.[2] 1.br ainda ser chamado de aparelho de televisão. Muitos canais (podem ser mais de cem. que são em seguida convertidas de forma a poderem ser difundidas por meio eletromagnético ou elétrico. nos Estados Unidos. depois a uma partida de futebol. Na Europa se gastam quatro horas por dia. Normalmente. cujas partes tornam-se indistintas. Tudo isto recheado por publicidade. Ficcional: seriados.org. assistidos em sequências ilógicas. assiste-se a um telejornal. um amálgama feito como um corpo justaposto. Assim. O conteúdo de um programa de televisão pode ser: Factual: telejornais. via cabos. O que se vê é algo extremamente resumido em suas partes.A TELEVISÃO E O SEU USO Uma emissora ou estação de televisão é uma organização. superficial e misturado. fragmentado. se somarmos os ditos “pagos”) podem ser sintonizados.Montfort Associação Cultural http://www. como resultado do produto televisivo. companhia ou empresa que transmite conteúdo através da televisão aberta. Esse é o uso próprio da televisão feito pelo telespectador. Uma transmissão televisiva pode ser realizada via sinais analógicos ou via sinais digitais. que igualmente não possui liame lógico entre si. Alguns autores acrescentam um terceiro tipo: lúdico. telenovelas. Somando-se a isto uma mudança frequente de canais feita pelos telespectadores[4] temos. cinco horas por dia[5] e no Brasil. seriam mais 5 / 46 . As câmeras e microfones captam as informações visuais e sonoras. entrevistas etc. reality shows. depois a um filme. tanto por meio de cabos quanto por meio aéreo.2 .

montfort. 1) Informação Visual: transmite mensagens através de uma linguagem que independe do conhecimento de um idioma ou da escrita por parte do receptor(.39). O índice de audiência interfere de modo direto. portanto. A TV tem hoje uma agilidade muito grande.). superficialidade. já que ela pode ser ‘vista’ e ‘ouvida’ de várias maneiras diferentes. A massificação da televisão começou nos anos 50 do séc. instantaneidade. 1. p. Índice de Audiência. que considerar como vai tratar uma notícia. Os satélites mostram fatos do outro lado do mundo.. nos Estados Unidos. depois do trabalho e do sono. atinge a todos. Pequenas emissoras já possuem unidades móveis de jornalismo para reportagens ‘ao vivo’ que são instaladas com rapidez e velocidade.3 . 3) Alcance: a TV é um veículo abrangente e de grande alcance. a ponto de a emissora se posicionar dentro de padrões (trilhos) que são os resultados de aceitação por 6 / 46 . envolvimento. Instantaneidade e Superficialidade. É a mídia dominante dos últimos 50 anos. mudança rápida.br de três horas por dia. aos 65 anos de idade.Montfort Associação Cultural http://www. p. citado por Nascimento (2006. o processo se deu a partir dos anos 60.. 2) Imediatismo: transmite informação contemporânea quando mostra o fato no momento exato em que ele ocorre através da imagem – o signo mais acessível à compreensão humana. O jornalismo na TV tem. porque o aparato técnico para uma transmissão está muito simplificado. No Brasil. são sete as características do telejornal. Alcance. 64-65). fragmentação. imediatismo.CARACTERÍSTICAS DA PROGRAMAÇÃO EM GERAL Sobre a programação em geral. Segundo Dorr (1986). podemos dizer que ela possui onze características principais: informação visual. De acordo com Paternostro (1999. alcance. XX.org. 4) Índice de Audiência: a medição do interesse do espectador orienta a programação e cria condições de sustentação comercial. as quais podemos estender facilmente para a televisão em geral: Informação Visual. índice de audiência. as pessoas teriam passado nove anos na frente do televisor. Envolvimento. Ela não distingue classe social ou econômica. É a terceira atividade mais realizada pelo homem. Imediatismo. repetição e fluxo informativo.

Montfort Associação Cultural http://www. pois isto afugentaria a audiência. o ritmo da TV proporciona uma natureza superficial às suas mensagens. pois consegue transportá-lo para ‘dentro’ de suas histórias. 74).) fez com que a própria televisão passasse a oferecer programas tão fragmentados que produzissem eles próprios o efeito de sentido do zapping. citado por Leal (2006.. A montagem desse verdadeiro quebra-cabeça (. mas que não são sua causa e sem consequências). Podemos acrescentar mais quatro características às sete supra elencadas: a fragmentação.br parte do público-telespectador. p. Ora. No caso de uma exposição oral. sem reais antecedentes (a não ser a eventual repetição anterior de informações análogas à em tela. Para se desenvolver um tema e/ou uma tese são necessárias muitas páginas no caso de meio impresso.montfort. E ainda Duarte[6] (2004. instantânea. daí a necessidade de se abordar os temas de modo raso. 7) Superficialidade: o timing. 5): O surgimento do controle remoto delegou ao telespectador a tarefa de seleção e ordenação de fragmentos de programas que ele próprio optava para ver. 32) sustenta: Basicamente. combinando a fragmentação temática com a incessante rotação dos mesmos elementos. (grifo nosso).org. ou semihipnótico. pelo menos aparentemente. 5) Envolvimento: a TV exerce fascínio sobre o telespectador.. aleatória. Os custos das transmissões. Ela é ‘captada’ de uma só vez. mas de trechos de informações. servem para interpor-se entre o receptor e o fato. p. de forma. as emissoras enfrentam um grande problema: como impedir que ele passe desse estado para o sono profundo? (Algumas pessoas tem uma proteção natural e adormecem logo 7 / 46 . De acordo com Setzer (2009): Como o telespectador está normalmente num estado de consciência de sonolência. no exato momento em que é emitida.(grifo nosso). a repetição e o fluxo. E essas "informações" não revelam aquilo que lhes está por trás.. há uma exclusão de temas centrais: os produtos televisivos se constroem como fluxos resistentes ao significado. através da multiplicação não de informações. Com essa excessiva fragmentação. as emissoras não disponibilizariam tanto tempo para algum tema. 9) Mudança rápida (ou velocidade). Coelho (1987. ao contrário de jornal ou revista. a mudança rápida. 6) Instantaneidade: a informação da TV requer ‘hora certa’ para ser vista e ouvida – a mensagem é momentânea. apresentadas como que soltas no espaço. 8) Fragmentação. seriam necessárias horas e mais horas. e não para abreviar o caminho entre ambos. mas servem exatamente para ocultar o que representam. os compromissos comerciais e a briga pela audiência impedem o aprofundamento e a análise da notícia no telejornal diário (. p.). Não tem como ‘voltar atrás e ver de novo’..

alterar os ângulos. SOM E TEXTO 8 / 46 . os mesmos telejornais e todas as semanas os programas se distribuem de maneira fixa pelos dias certos na grade de programação das emissoras – introduz uma temporalidade particular marcada. avisos etc. Todo dia há sempre os mesmos programas nos mesmos horários[7]. a superficialidade.br depois de ligarem a TV. Não existe um que dura o dia todo. E ainda. Estas “mudanças rápidas” podem ocorrer dentro dos programas. 11) Fluxo constante. Estas onze características são a essência da programação televisiva. É sempre “mais do mesmo”. cambiar constantemente os focos nos apresentadores e nos atores. p. IMAGEM. a mudança rápida. (grifo nosso).montfort. por novos começos.org. um tempo ritual que é. também. publicidades. seja de novela.Montfort Associação Cultural http://www. Instaura-se. pelo menos um pouco. Em especial. um ritmo a partir do qual seus produtos seriam elaborados e no qual estariam integrados. A programação que se repete – todos os dias haverá as novelas. (BARBOSA. A matriz cultural do tempo organizado pela televisão é dependente da lógica da repetição e do fragmento. Williams (2005) caracteriza a televisão como “fluxo” ininterrupto de imagens. 2007. seja de filmes etc. a fragmentação.4 – TELEVISÃO. 14). 10) Repetição (ou circularidade). As mudanças se operam também mediante a alternância dos programas. (grifo nosso).) Os diretores de imagem usam justamente o truque de mudarem a imagem constantemente para chamarem. subsistem nas interrupções abruptas provocas pelos intervalos comerciais. Quando não. sem as quais a televisão não seria o que é. 1. por exemplo. Em nenhum momento ela se desliga ou congela a imagem de propósito. etc. as “atrações” são hebdomadárias. inexoravelmente. Outro item que reforça a repetição são as reprises que ocorrem com frequência. independente do programa – aliás. a atenção do telespectador. rotina. há uma sequência ininterrupta de programas. a repetição e o fluxo constante são nefastos para o telespectador e serão abordados neste trabalho em vários tópicos. portanto. que toda hora devem mudar os “quadros”. isso mostra que o estado normal de sonolência não depende do programa. A televisão não para.

os três elementos têm as mesmas características da fragmentação.2): Os textos televisivos constroem-se a partir de diferentes linguagens sonoras e visuais. da repetição. gestos. a diferentes sistemas de significação visuais. na televisão. combinará a imagem e o som e com eles formará as três “potências” da televisão.montfort. vestuário. 9 / 46 . escrita ou falada de qualquer extensão. Segundo Platão e Fiorin (1996): "Um texto é uma ocorrência linguística. É possível “ler” imagens.org. semântica e formal. cenários. iluminações.IMAGEM[11] Imagem é o que procede de outro de maneira a se lhe assemelhar na espécie. expressões faciais etc. 2007). da mudança rápida. 1. É uma unidade de linguagem em uso. Nosso sentido mais elevado é a visão. o mais perfeito e o mais universal[8]. Tomás. Trata-se de textos complexos que articulam o verbal. Assim um ovo não é imagem de outro ovo. é o mais espiritual dos sentidos. dotada de unidade sociocomunicativa. a vista está livre da modificação do órgão e do objeto.br Na televisão existem a imagem. as imagens e os sons são muito importantes.”[9] O texto. como veremos nos tópicos seguintes. O texto fará a “síntese” entre a imagem e o som (BARBOSA.Montfort Associação Cultural http://www. o som e o texto. da superficialidade e do fluxo. Na análise de S. que são percebidos nos primeiros segundos ao ligar o aparelho. Eles são os elementos mais graves que “entrarão” em nossas almas. Na televisão. E imagem não implica igualdade. Segundo Duarte[10] (2002.[12] Já um desenho de um ovo é a sua imagem. e estes dois sentidos são os que fazem a vida intelectual. Depois vem a audição.5 . cores. Por isso. o musical. p.

pode advir um programa de “talk shows” cujas “entrevistas” não terão ligação nenhuma. Ou seja. a identificação e o amálgama. a construção das imagens segue um liame lógico. programas dramáticos etc.. por suas características de mudanças rápidas.br O Papa S. mas resulta em uma obra acabada. fragmentação. a estruturação de imagens é justaposta. seguirá necessariamente uma cena sem o derrotado vivo. que também não respeitarão sequência lógica nenhuma. (ERAUSQUIN et. mesmo que a as imagens sejam pobres e não mostrem nenhum conteúdo.. propicia o transvasamento. p. um telejornal mostrará notícias sem liame nenhum.[14] Na televisão. Um exemplo por analogia: uma criança que colou fotos aleatórias numa cartolina. de uma narrativa ou estória que se quer contar e/ou mostrar. cujo melhor exemplo é o cinema. ainda assim serão importantes. Na bricolagem. por colagem ou por bricolagem. Assim. Na estruturação por montagem... tampouco de obra acabada. Podemos dizer que a estruturação das imagens em movimento pode ser feita de três formas: por montagem. Não se tem a ideia de fim. tendo como finalidade uma obra terminada. engrenados todos eles em cadeia pelos blocos publicitários. concursos. 110) analisando os telejornais afirma: 10 / 46 .montfort. Quanto mais elaborada ela é. em razão de um enredo. Como um livro que se lê.) A razão pela qual se usam as representações nas igrejas é a de que aqueles que são iletrados possam ler nas paredes o que não podem ler nos livros (. com começo meio e fim. com blocos interrompidos por publicidades. repetição e fluxo. mais do que o contraste ou a surpresa crítica. a estruturação se opera por colagem. na qual a sequência de imagens é necessariamente hierárquica. o filme resultante deste trabalho terá unidade. num produto final uno e útil. permitindo a quem assistiu entendê-lo e interpretá-lo. A justaposição de informativos. uma cena de duelo com esgrima na qual o derrotado foi morto. sem lógica ou hierarquia como na colagem. divergindo da colagem e se aproximando da montagem neste ponto.. o mecanismo de estruturação das imagens é feito mediante a justaposição destas. De fato a imagem encerrará uma mensagem. Na colagem.org. Assim. Tais emendas de imagens seguem propósitos estranhos a um enredo e/ou a uma estória. na qual a união dos retalhos não segue liame lógico nenhum. 1983. por exemplo. mais rica será a mensagem ou ensinamento. al. por exemplo. programas musicais. sem ter em mente uma obra final. Exemplo por analogia: uma colcha de retalhos. Mas. com começo meio e fim.)[13] Esta afirmação do papa é muito citada e discutida. mas que se ultimou numa colcha. p.Montfort Associação Cultural http://www. E findo o telejornal. 69-70) Machado (2005. Inexistem hierarquia e lógica na sucessão das imagens. Gregório Magno escreveu: “(.

Muanis (2005) afirma: Como se vê. estável.) (grifo nosso) No mesmo sentido. Talvez porque o esforço para interpretá-las seja mínimo. dos jogos e das 11 / 46 . o ambiente em que a ação se passa. [em] um real dado. por exemplo.2) ao comentar o telejornal fala em recortes: “em seus aspectos “mecânicos”. etc. mas essa colagem jamais chega a constituir um discurso suficientemente unitário. Quando se lê um romance.. porque a interpretação dos fatos se torna muito fácil e a música ajunta um novo encanto à ação dramática. Quando uma pessoa lê. pré-estabelecido [como] um material a ser recortado (. é substituído pelo prazer continuado. quando se lê algo filosófico ou científico. p..org.br “. elas necessariamente sucedem-se com muita rapidez. como justificaremos adiante..) O poder do cinema provém de que ele fala por meio da imagem. Na realidade. [Acredita-se]. inexiste na televisão a figura de “obra acabada” com começo meio e fim. 2005) “sem pé nem cabeça”.Montfort Associação Cultural http://www. etc. ensina: (. associando-se ideias ou lembranças a elas. é necessário imaginar os personagens. pois caso contrário perde o fio da meada.. pensando-se no que elas significam. Nós vivemos num mundo obcecado por imagens. mesmo se tratando de uma alma rude e primitiva. portanto. discorrendo sobre o cinema. (. Em ambos os casos. desprovida de capacidade ou ao menos do desejo de fazer esforço para a abstração e a dedução que acompanha o raciocínio.. pelo cinegrafista. é impossível acompanhá-las conscientemente. nem criticar calmamente o que está sendo transmitido e compará-lo com nosso conhecimento prévio como o permite um livro – na velocidade individual de cada leitor. no espetáculo cinematográfico. Setzer (2009) comenta que as imagens não requerem esforço intelectual por parte do espectador: Comparemos com a leitura (em relação à imagem). o que na tevê seria operacionalizado.)” Ao fim e ao cabo... elas são mais sedutoras que textos e jogos. E Leal (2006. Para a leitura e audição. pois. (grifo nosso). resultante da sucessão de figuras concretas. agravada por uma velocidade exagerada. nada termina e tudo se perde num fluxo de imagens (WILLIAMS. desde o início a televisão opera algum afastamento do lúdico. não se consegue nem prestar atenção durante um tempo razoável. Pio XI[15]. ao recortar o real em imagens. Em razão das imagens serem de fácil apreensão. Mas na TV. este poder atua ainda com maior força. por outro lado. Com isso. No cinema falado. entre outros. lógico ou organizado a ponto de ser considerado ‘legível’ como alguma coisa ‘verdadeira’ ou ‘falsa’”. sempre se requer atenção e um esforço mental que.montfort.. que a inteligência recebe com alegria e sem esforço. ela é forçada a prestar atenção no que está lendo. as imagens já vêm prontas.. uma colagem de depoimentos e fontes numa sequência sintagmática. é necessário associar conceitos constantemente. mas curiosamente pobre no poder de analisálas. o pensamento está muito ativo..

Deve ser e será o principal instrumento cultural do proletariado”. direcionar. por exemplo. a de interpretar o que está vendo. P. dada a sua importância e capacidade de influência. quando quer depreciar um fato usa outra e assim por diante. 1. A competição com a imagem. (PEREIRA. mas que não oferece imagens de apelo que prendam a atenção do telespectador. é bastante difícil. que vai afetar a vida de milhares de pessoas. (. como Josef Stálin. assim se utiliza muito na televisão a manipulação delas com o intuito de embutir uma ideologia sorrateiramente.br brincadeiras. avançar no tema. Mao Tsé-tung e Fidel Castro.org. Por ser imagem a televisão fala à compreensão mais elementar do interlocutor. as cores servem para hierarquizar.. mas com uma dose de adrenalina maior. como cenas de uma perseguição policial. p.SOM E MÚSICA 12 / 46 . usa uma cor. pode simplesmente deixar de ser divulgado por um telejornal se. trabalhadas pela forma. pela beleza e pela facilidade de absorção. como.66) As imagens sempre foram veículos para ideologizar as pessoas. destacar. mas a título de exemplo: Lênin. em virtude do pouco tempo do noticiário.. 29).6 . por exemplo. E é isto que a televisão faz. Desta forma. p. Segundo Guimarães (2003. portanto. orientação que foi seguida atentamente pelos principais líderes de regimes socialistas. já que suas narrativas são extremamente sedutoras. Tudo isto mostra que as imagens são muito poderosas e o seu manuseio inadequado pode conduzir o telespectador para pensamentos inadequados ou até mesmo para a ausência deles. 2005. o cinema é para nós a mais importante. etc. E o principal na televisão é a imagem: Nas salas de redação utiliza-se de forma ordinária a definição de que tevê é imagem. Um assunto de interesse público. houver algo menos importante.montfort. É a tevê se alimentando e sendo alimentada pela "ditadura da imagem" (VIEIRA BARBOSA.. independentemente de sua importância no contexto social ou político. 2005. é muito usado para dados positivos e o vermelho para coisas negativas. na época da Revolução Russa de 1917. O azul. quando a televisão quer por em destaque um tema. Fugiria ao escopo deste trabalho.2)[16] Como o objeto da visão são as cores[17]estas são importantíssimas.) a tevê se tornou refém da imagem.Montfort Associação Cultural http://www. por exemplo. uma mudança no sistema de ensino. já afirmava: “De todas as artes. pela riqueza de informação.

Os “efeitos sonoros” são sons criados ou editados artificialmente para enfatizar os programas televisivos. situações artificiais. treinando os telespectadores para reagir ante determinados sons. Isto é parecido com o que se faz com cães treinados. choros etc. por exemplo. Similar ao som do telefone: quando este aparelho “toca”. sobre aquilo que vai acontecer. Assim. O espectador é o consumidor. p. Podem emular risos. está vinculado a uma determinada programação. são explorados para atrair a atenção do telespectador ou buscar sua adesão ou concordância. São as “chamadas”. Assim como as imagens. a depender. mais ou menos sutis.br 1. são diferentes umas das outras e se alternam. Mais uma vez é um mecanismo artificial que pode levar o telespectador a uma compreensão falsa ou a um sentimento forçado. sobre aquilo que teria acontecido. ao máximo. o resultado final é uma colagem de sons. teria sido engraçada. sabe-se que há alguém do outro lado da “linha” que quer falar. sem dúvida. de modo que o som do anúncio de um telejornal será diferente de uma “chamada” de um “talk show” que o seguirá. então. reconhece-se de imediato um cantar de um pássaro. 1999. para mostrar que uma piada tola. músicas que. A televisão cria. no final. muitos distantes de belas melodias. ouvem-se risos (o efeito sonoro) ao fundo. também. sobre aquilo que deverá fazer ou desejar para que possa fruir. reforçando a característica da fragmentação e da mudança rápida. os jogos eletrônicos etc. O espectador está sendo continuamente alertado. totalmente desarmônico. já se prepara para determinada “atração” televisiva. e.SONS E “EFEITOS SONOROS” O som não está adstrito à música na televisão. Estes sons.org. porém acaba sendo. Deste modo. jingles.6.Montfort Associação Cultural http://www. por exemplo.1 .montfort.. que algum apresentador contou. mas isto não gera uma ação ou uma expectativa em quem ouviu o canto. 13 / 46 . um conjunto de sons “x”. Quando o telespectador ouve tais sons. o cinema. (SÁ in NOVAES et al. não segue lógica nenhuma. aplausos. Isto somado ao fato destes sons serem pobres e muito curtos. A televisão cria muitos sons com o objetivo de gerar certo comportamento e/ou expectativa para o telespectador. o grande produto desta máquina refinada. reforça um quadro de pobreza cultural que a televisão espelha. até. Durante todo o tempo o espectador recebe sinais. assim. 138) Isto é bem diferente dos sons da natureza. o prazer que a programação lhe oferece. sobre o próprio veículo televisivo. estas “chamadas”. nos quais determinados gestos ou sons emitidos pelo dono e/ou treinador geram ações por parte do cachorro.

Tudo à custa da indução ao consumismo e o que é pior.2 . p. Cuida-se de músicas sentimentais que povoam as rádios. 1988.OS “JINGLES” 14 / 46 .6. Para aumentar ainda mais a renda da televisão e das empresas de selo musical haverá. prazeres. E é claro que os cantores ficarão famosos. Há uma perfeita interação entre a televisão e as empresas de selo musical. p. sempre abusando do ritmo e possuindo uma mesma estrutura temporal periódica ou cíclica (STEFAN SCHADLER. os grandes sucessos de público geralmente têm melodias de estrutura simples e esquemas repetitivos de fácil memorização. pois a fama proporcionada pela veiculação na televisão gerará enorme venda.72) Para Marcondes Filho (1988. isto é. Tornam-se “sucessos musicais”. 73): As canções trabalham com temas populares (amor. cuja notoriedade é inversamente proporcional à qualidade. fantasias que.AS “PARADAS DE SUCESSO” A televisão fomenta. citado por MARCONDES FILHO. engrossando o coro das “celebridades”.org. quer em formato físico quer em formato eletrônico. Estas músicas ou “discos” devem atender a uma mentalidade mercadológica. Deles se esperam as mesmas músicas e os mesmos “comportamentos” dos “famosos”.Montfort Associação Cultural http://www. 1. apesar de mais rica e artisticamente mais nobre. em breves intervalos de tempo. por serem mais comuns. vida).br 1. Além disso. do empobrecimento musical e da tortura nos ouvidos.3 .montfort. Estas “canções” seguem uma mesma lógica e natureza. atormentado os ouvidos nos mais variados locais e sendo repetidas ad nauseam. dificulta a aprovação da massa de consumidores porque não se enquadra em sua cultura musical. a alternância dos “sucessos musicais”. normalmente pouco sofisticada.6. Esta é uma exigência para que uma canção se torne altamente popularizada: a rejeição de uma estrutura complexa que. são chamadas modais (o termo vem da estatística e quer dizer o mais frequente). para não dizer cria. muitos “hits” ou “paradas de sucesso”.

seja um eletrodoméstico. Trata-se de um mau procedimento.. 5 ). Já esses “jingles” procuram “grudar” na cabeça das pessoas a lembrança de algum produto. seja um produto televisivo. Há. o “jingle” é desleal. produto ou serviço”[18] A música. um ataque à gramática nos “jingles”. Não passam de um “chiclete de orelha” que custa para ser desgrudado.org. mas. 2005. que prima pela boa gramática. Nós partimos do princípio de que já temos alguma intimidade com o consumidor. A INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Ele pode ser mais ou menos jovem. introduzir-se à força pelos ouvidos ou pela mente. Isso não é coincidência. [. 2): A grande vantagem do jingle é que. definiu o “jingle” como sendo a “mensagem publicitária em forma de música. citado por SANTOS e HEINIG. externar suas emoções. pois é aquilo que a sabedoria popular chama “chiclete de orelha”. p. pois a indústria da música cria-os justamente para “fisgar” os ouvintes.72). mas com subterfúgios e ardis. ver o mundo por seus olhos. 41. p.br A fragmentação está para a imagem assim como os “jingles” estão para a música. coloquial. sempre que se escreve em publicidade. Assobiam ou cantam. p. portanto. no XXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. p. p. usar seus adjetivos. mesmo falando com consumidores sérios. acaba tendo um expressivo poder de “recall”.. com o uso de linguagem coloquial. mas que muitos e muitos anos depois ainda são lembradas pelos consumidores. como executivos ou senhores da terceira idade. Sampaio[19] (2003. e pela elegância. A música entrou e subverteu uma parte do cérebro [. busca a elevação do homem. é necessário falar a língua do consumidor.. pois tenta conquistar a mente não com raciocínio. etc. 2012. E Sacks[20] (2007. como uma arte nobilíssima. ainda. pode conter gírias ou não. As pessoas ouvem e não esquecem.7) O “jingle”. 15 / 46 . como provam as peças veiculadas durante um período e tiradas do ar.] Por isso.] Um jingle publicitário ou a música-tema de um filme ou programa de televisão podem desencadear esse processo para muitas pessoas. mas guardam o tema consigo. (FIGUEIREDO[21]. em Campo Grande-MS. fácil de cantarolar e recordar. via raciocínio.montfort. é o oposto da retórica. O jingle é algo que fica. Todo texto publicitário é coloquial. para “pegar” e “não sair mais da cabeça”. citado por Monteiro (2008. pela lealdade no convencimento de ideias. pois obriga as pessoas a se lembrarem de coisas sem importância. por ser música.Montfort Associação Cultural http://www. Neste sentido. p.. criada e composta para a propaganda de uma determinada marca. E mais. refletir sua ideologia. informal.51) citado por Monteiro (2008. geralmente simples e cativante. com “slogans” e até com erros mais grosseiros. a abordagem a ser utilizada deve ser sempre leve.

superficial. c) O ritmo dá uma estrutura à melodia. Tudo é veloz. b) A harmonia é o conjunto de princípios sobre os quais se baseia o emprego de sons simultâneos.TELEVISÃO E ROCK[22] Não é coincidência que a massificação da televisão tenha ocorrido em paralelo com a do rock. de baixo nível. p. Toda forma musical tem três elementos: melodia. que seria como o conteúdo dos programas se revela pobre. que pode ser classificado de tirânico” (LABOUCHE. as ondas do mar (LABOUCHE. 2002. no qual a sucessão de eventos e programas segue mais rápida do que deveria.5). p. em função de uma linha melódica (LABOUCHE.br 1. 2007. ninguém pode negar. estes três elementos estão dispostos de forma hierárquica nesta sequência: a) A melodia é a sucessão de sons cuja escrita linear constitui uma forma. a teoria dos acordes e da simultaneidade dos sons. “Há a prevalência do ritmo (na televisão) sobre outros elementos narrativos” (BARBOSA. Um apoia o outro. ela é “desafinada”. não se pode conceber a “música rock” sem o ritmo. A estrutura do rock é similar a da televisão: “O ritmo é o elemento mais importante no rock. harmonia e ritmo. Nas melhores músicas. 2002. Pois bem. p.Montfort Associação Cultural http://www. ou seja.4).17). 2002. 6). “A harmonia no rock consiste e se limita ao uso de acordes essencialmente dissonantes ou 16 / 46 . pois ela. há um abuso do ritmo.montfort. de uma cantiga popular que diferencia uma peça musical de outra (LABOUCHE . A melodia. p. temos na televisão o primado do ritmo. A frase melódica se desenvolveu segundo a cadência imposta pelo compositor.3. que se revela o elemento mais importante dentro desta análise. 17) Não existe harmonia na televisão. A harmonia é arte de juntar. o canto dos pássaros. de combinar sons. De fato. é a ciência. Há uma grande afinidade entre eles. é o arranjo particular das notas musicais. A televisão subverteu a lógica dos três elementos da forma musical. a combinação das partes instrumentais ou das vozes. p. faz combinações desconexas com os programas exibidos. como já exposto no tópico 1.4 . A natureza que nos cerca está cheia de ritmos: as estações. interpretando a televisão sob o ângulo da música.6. as batidas do coração.org. 2002. é o tema de uma sinfonia. o galope dos cavalos.

esse elemento essencial da arte musical não é importante no rock. assim como o corpo serve à alma. menos melódica é a sua música. Quanto mais selvagem é o povo. Por que na televisão e no rock há uma “obsessão” pelo ritmo? Porque tanto num quanto no outro há um materialismo vil. narrativa não linear. futuro Papa Bento XVI disse certa vez: "O rock é uma expressão básica das paixões que. p. tudo isto ao som da música do estilo rock. 2002. riqueza de referências culturais e forte carga emocional nas imagens apresentadas[23]. sujeitando o espiritual ao material. “A melodia. ilógico. 17 / 46 . Cuida-se de algo extremamente irracional. Os ritmos são constantes na natureza.19).br empobrecidos. contrários ao cristianismo. o vai e vem das ondas etc. a elementos metafísicos.montfort.Montfort Associação Cultural http://www. Como o rock hoje em dia.org.O videoclipe ou teledisco. A melodia se refere a construções espirituais. o rock e a televisão se revelam muito mundanos. Se quisermos “ver” o rock basta assistir ao videoclipe. O cardeal Joseph Ratzinger. é o videoclipe para a visão.5: videoclipe. Entre os selvagens só se conhecia o ritmo e era comumente associado a danças imorais e a transes. E o que é o rock para audição. p.18). pode assumir características de culto ou até de adoração. justapostos e misturados. O correto seria o ritmo servir à melodia. em número restrito e repetidos constantemente” (LABOUCHE. . Ver anexo 4. com planos (imagens) curtos. São elementos integrantes do mundo material. o ciclo do dia. é caracterizado por uma montagem fragmentada e acelerada." Isto se aplica bem ao videoclipe. como um culto pagão. em grandes plateias. despertador de baixas paixões e obcecado por um ritmo literalmente alucinante. assim existem as estações do ano. se quisermos “ouvir” o videoclipe basta escutar o rock. na sua versão mais comum. Aqui a rainha da música não passa de uma miserável” (LABOUCHE 2002. multiplicidade visual. Pior do que a televisão e o rock é a fusão dos dois. E isto existe. Ao inverter esta lógica.

nesse jogo. numa sequência interminável que se repete no outro dia. pela fragmentação em blocos. introduzem a ideia de instante. (DUARTE 2002.[24] A narrativa na televisão é sui generis dada suas particularidades. minisséries que. mas um corte abrupto interrompendo de maneira arbitrária o tempo. A televisão. depois dos comerciais. b) desenvolvimento (desenrolar dos fatos apresentando complicação e clímax) c) desfecho (arremate da trama). E. por mudanças rápidas de programas e situações etc. p.montfort. 2007. p.Montfort Associação Cultural http://www. Convencionalmente.7. são obrigadas a múltiplos clímax para garantir com o suspense a permanência do espectador até o próximo bloco. Gérad Genette define narrativo como uma representação de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos.1 . combinado por uma fragmentação. marcada por um fluxo interminável de informações. o enredo da narração pode ser assim estruturado: a) exposição (apresentação das personagens e/ou do cenário e/ou da época). literária etc. em virtude do sensacionalismo reinante em vários programas. assim. 7) A noção de tempo é pervertida na narrativa televisiva: A lógica narrativa da programação da TV é construída por essas sequências de “agoras”. o que ocorre com a estruturação narrativa de novelas. por exemplo. pervertendo a lógica narrativa. Existe a narrativa de aventura. reais ou fictícios. por meio da linguagem.TEXTO 1. A exposição e o desfecho acabam por servir a ele. seja ela real ou ficcional. Mas ambos.A NARRATIVA NA TELEVISÃO Narrativa é originária do latim e quer dizer conhecer. (BARBOSA. Veja-se. Não é um novo agora que marca a emissão. transmitir informações. Após um programa um novo agora introduz um outro.7 .org. As emissões cerimoniais. são tempos narrados. há uma sucessão artificial deles.17) E a narrativa televisiva volta-se para a imagem: 18 / 46 . o agora. instante e agora.br 1. É um meio de se contar uma história. exagera o “clímax”. e mais particularmente da linguagem escrita.

p. Ainda Barbosa (2007. Introduz uma espécie de suspensão do tempo – o presente do telespectador – por um passado que agora está na tela e é apresentado como presente vivido. misturando ficcional e factual. as pessoas ao comentaram sobre o capítulo “da noite anterior”.montfort. Mais do que o mundo das coisas contadas está em cena o mundo das coisas vistas. “a novela mente” etc. 30) endossa que a televisão perverteu a narrativa ao comentar: Com a televisão. p. Valores próprios de um imaginário governado pelo afeto. instaurando “o mundo das coisas contadas” (RICOUER[25]. temos um monólogo controlável e uma representação do real (ângulo da 19 / 46 . é comum ouvir frases como: “tal comportamento não é compatível com a vida real”. E pouco importa a natureza do programa. p. não há diferença entre narrativa ficcional ou não ficcional.4): O ritmo e a composição das cenas televisivas são governados pela ideia de fluxo: um contínuo de imagens que não faz distinção dos programas constitui. etc). lugares conhecidos ou desconhecidos. e agora”. aliás. de qual gênero narrativo se trata. [grifo nosso). p. Daí também o embaralhamento de significações que o público produz em relação aos gêneros televisuais.br A narrativa da TV destaca a imagem.12) afirma: A narrativa da televisão – seja ela de que gênero for – produz a transição entre a experiência que precede a construção do texto e a que lhe é posterior (a do público) e só ganha sentido quando passa a figurar nesse novo mundo. para Williams (op. ao mesmo tempo. também. pela inter-penetrabilidade de todos os gêneros e pela transformação do efêmero em chave de produção e em proposta do gozo estético da TV. dados financeiros. a narrativa ficcional e a real. 1995. conforme o interesse das emissoras e/ou dos produtores será dito que tal programa se baseia na realidade ou não. comédia etc. A manipulação ideológica desta forma é mais fácil. A luz que permite a construção imagética reproduz pessoas em presença.Montfort Associação Cultural http://www. caleidoscópio de imagens múltiplas (BARBOSA. drama. publicidade. Assim.15) Há um “tudo misturado. o fluxo televisivo produz a metáfora mais real da substituição dos grandes relatos pela equivalência de todos os discursos (informação. segundo Barbosa (2007. O que vale é o fluxo e o ritmo.11) afirmando que a televisão abusa das sensações: A narrativa da televisão se constrói apelando ao sensório. se é drama. se é ficcional ou factual. 115-116). cit. frequentemente há esta advertência nos “créditos”. Uma telenovela é por definição uma ficção. O sensorial é o discurso dominante: um mundo que se constitui sob a forma de imagens e uma época marcada pelas imagens do mundo Caldas (2008. Pouco importa. p. Neste sentido. a forma televisão. 2007. Barbosa (2007. de propósito. pela afetação e pelas sensações são colocados diante do público.org. Para Barbero (2001)[26].). Isto só é possível porque a televisão confunde. “no dia-a-dia não é assim”. Assim. Porém. fazem-no como se a novela fosse factual. p.

porque seria impossível esgotar todas as visões possíveis do acontecido. nas flexões. pois não se pode acrescentar nada mais ao relato. Em “A comunicação do grotesco”. Sodré afirma que o veículo impõe ao receptor a sua maneira especialíssima de ver o real” (1971:61). Nós somos forçados a existir num universo não racional. No indiciário. Na maioria dos gêneros de Hollywood mencionados. um aspecto diferente. e o meio técnico serve para manter essa relação imagem/receptor Na narrativa televisiva não há argumentos nem linearidade nem fim nem começo. é forma social. não há princípio nem fim. Este não é o caso da maioria dos vídeos descritos: nós nunca sabemos por que certas coisas acontecem. na qual inexiste o liame de causa e efeito.br câmera.63) diferencia o cinema da televisão. Tudo isso que compõe o universo oral e que vem para a mídia eletrônica. mas complementar ao de outra testemunha. Há. como argumentação. com começo. As narrativas factuais. onde por acaso não podemos esperar qualquer desfecho do tipo comum. As narrativas ficcionais são ditas “vazias”. na realidade. com um relato fortalecendo e complementando o outro. já destacara quando analisara a cultura de massa.Montfort Associação Cultural http://www. fundadas na existência real de acontecimentos são ditas “cheias”. Todo enredo envolve narrativa. a estética das aparências. Entra nesse regime de visibilidade pública. O código televisivo nos limitaria a uma experiência de consumidor-dominado. não há linearidade discursiva. o mistério é resolvido no final. mas nem toda narrativa envolve o enredo. A narrativa da televisão é ilógica e sem enredo. cujo uso do código compete ao emissor. não aposta na argumentação crítica. para que o espectador deixe o cinema seguro de que está vivendo num mundo racional. A tevê. Para Sodré. Existem só os fatos. Isso tudo é incompatível com o que nós entendemos como discurso crítico. cada testemunha poderia dizer um detalhe. ao ligarmos a televisão.montfort. já estaríamos fazendo parte de uma teleorganização. pontuada pelo indiciário. resultando num todo uno. ou até precisamente o que está acontecendo. A socialização com gestos. p. Verón chamou de indiciário. existe uma diferença importante que novamente sugere uma deslizada para dentro do pós-modernismo. não aposta nos conteúdos Kaplan[27] (1987. autor com certa influência na obra de Sodré. aí. O resultado final seria uno. p. 20 / 46 . seleção das imagens etc) que nos é imposta.org. nos sinais. meio e fim.[28] Ao proceder assim. Vimos por todos os exemplos supracitados que a televisão não segue esta ótica. aspecto este que Edgar Morin. Sodré (2001) comenta: E. A televisão entra aí. a televisão lembra a ideologia nominalista. não há argumentação. sim. O enredo de uma narrativa é uma sucessão de eventos conduzidos forçosamente pela relação de causa de efeito. A televisão é o grande médium indiciário. citado por Trevisan (2011.46): enquanto isso é familiar dos gêneros clássicos de Hollywood. nós estamos dando explicações para o que é mostrado. Ela não precisa.

A mídia cria diariamente a sua própria narrativa e a apresenta aos telespectadores (. e VIEIRA BARBOSA. o denuncismo.7.. p.103). a técnica sensacionalista serve a determinados propósitos midiáticos: O sensacionalismo tem servido para caracterizar inúmeras estratégias da mídia em geral. o discurso sensacionalista tem as seguintes características: a) variedade na apresentação gráfica. ocupa. Permitindo a contradição e a confusão. A mentira produz a contradição. a busca pelo espetáculo. Neste caso. a fragmentação e descontextualização do fato. Os telespectadores.. A onda popularesca. embalados pelo “estado hipnótico” diante da tela de televisão. O sensacionalismo. ele se torna como se fosse uma ficção. o horário nobre da televisão brasileira. o mau gosto. entre outros. a verdade produz a unidade. Para Amaral (2011. foi o resultado da criação de um escritor. a simplificação. a exploração do interesse humano.) como se essa narrativa fosse a própria história do mundo. 67). que mescla reportagens sobre aberrações com entrevistas que desnudam por completo a intimidade alheia. 1. são sensacionalistas. anulando-se. da sexualidade e do consumo. 47-48). Ao misturar a ficção com a não ficção. se transformou em pedra angular de diversos programas televisivos.2 . pois como o acontecimento imaginário não existiu. 2005. Segundo Pedroso (1994.Montfort Associação Cultural http://www. a banalização da violência. a televisão cria o relato factual “vazio”. agora. acreditam que aquilo que veem é o mundo em estado “natural”. a deformação. combinado com outras características. (VIEIRA BARBOSA. a invencionice produziria testemunhos díspares. muito comumente. p. Um relato destrói o outro. ao passar pelo filtro modificador da televisão. embora. 21). os acontecimentos tenham existido. No mesmo sentido escrevem CASALI et al. é “o” próprio mundo (ARBEX 2001.br pois o fato a que ele se refere inexistiu. p. a ridicularização das pessoas humildes. os prejulgamentos e a invasão de privacidade tanto de pessoas pobres quanto de celebridades. p.SENSACIONALISMO As narrativas na televisão. a ocultação de fatos políticos relevantes. Num caso de um evento mentiroso inventado e/ou combinado por duas pessoas. Cada parte ao querer enriquecer o pseudoevento diria uma irrealidade diferente da outra parte. seria comum a contradição.org.montfort. por exemplo. 21 / 46 . como superposição do interesse público.

mais atrativa ela será. g) destaque do aspecto insignificante e duvidoso dos acontecimentos. de atrair a audiência pelos motivos mais baixos possíveis. dá a entender que conhece todos os aspectos do fato a ser relatado e se arvora em senhora 22 / 46 . 1986. por meio de um apresentador. o sensacionalismo é feito pelo trinômio: escândalo-sexo-sangue. Para Casali et al. p. é um discurso totalmente apelativo e forçado. E há todo um exagero na construção das imagens e. sons. cores. h) omissão de aspectos dos acontecimentos. das classes sociais. e) adequação ideológica às condições culturais. citado por ANGRIMANI. p. i) acréscimo de aspectos dos acontecimentos. choros e súplicas do que pela relevância do conteúdo narrado na televisão”.org. então. motivador. (2008. Presta-se básica e fundamentalmente satisfazer as necessidades instintivas do público. despolitizador e avaliativo. Segundo Marcondes Filho (1986) [29]. por meio de formas sádica. 45). pois quando mais escabrosa for uma cena. j) discurso repetitivo. o sensacionalismo tem raiz na imagem. 1995. k) discurso informativo de jornais em fase de consolidação econômica e empresarial. p.montfort. caluniadora e ridicularizadora das pessoas. l) modelo informativo que torna difusos os limites entre o real e o imaginário. Cuida-se. (MARCONDES FILHO. 15) De acordo com Vieira Barbosa (2005). muito menos a formar. políticas e econômicas. (a imprensa sensacionalista) não se presta a informar. se for o caso. p. nos cenários gráficos. citado por Angrimani (1995.15). Outra característica da narrativa sensacionalista é a “onisciência” (PEDROSO. f) exploração exacerbada do caráter singular dos acontecimentos.br b) exploração de estereótipos sociais. c) valorização da emoção em detrimento da informação. Ao anunciar uma determinada manchete.Montfort Associação Cultural http://www. Ou seja. a televisão. 1): “A atenção do telespectador brasileiro tem sido mantida muito mais por shows de luzes. d) exploração do caráter extraordinário e vulgar dos acontecimentos. 1994.

na qual a conclusão se depreende das premissas. 1. não mereceria esse tratamento. 16). logo Sócrates é mortal. característica esta generalizada em praticamente todos os programas televisivos. O silogismo. que explica bem a natureza ilógica da televisão: 23 / 46 . Há nesta estrutura um encadeamento lógico. Fabrica uma nova notícia que a partir daí passa a se vender por si mesma. p. Como se fosse dona absoluta da realidade.” (MARCONDES FILHO. a sua carga emotiva e apelativa e a enaltece. que é a forma de pensar humana. o que interessa é a versão fabricada que se fez dos acontecimentos da vida para captar a atenção dos telespectadores. Ou seja. a repetição.3 . Como as características do conteúdo televisivo englobam a fragmentação. p.br máxima dos eventos. cuida-se de uma farsa completa. 1986. A televisão tem conteúdo circular. (de acordo com as características supracitadas) os acontecimentos conforme lhe apetece. em outras circunstâncias editoriais. (ANGRIMANI. os fatos são “espetaculares”. dos temas abordados. próprio dos sofismas. “O jornalismo sensacionalista extrai do fato. E pouco importa se. cuida-se do oposto do fundamento do silogismo. 1995. compreende a premissa maior. 15) “Sensacionalismo é tornar sensacional um fato jornalístico que. exagerar etc. da notícia. a superficialidade etc.montfort. por meio da televisão.Montfort Associação Cultural http://www. Sfez (1994. p. As notícias. a premissa menor e a conclusão. Como o adjetivo indica.TELEVISÃO E O SILOGISMO A televisão tem uma estrutura antissilogística. trata-se de sensacionalizar aquilo que não é”. diminuir.13) criou o neologismo “Tautismo”.org. Sócrates é homem. Outro absurdo é fazer as “manchetes” mais importantes que o conteúdo. detendo o poder de realçar. realmente. tornaram-se um engodo. Um exemplo clássico: todo homem é mortal.7. citado por ANGRIMANI 1995.

4 . são: a estatística. quase autista) (.A TELEVISÃO E O TRIVIUM O trivium[30] é formado pelas artes liberais da gramática. Na televisão são utilizadas várias falácias. gadgets culturais. Mander (1978. o número. Ora. é justamente aí que a origem epistêmica esfuma-se e o tautismo torna-se a forma simbólica da comunicação.. etc. Mas é também uma grade que permite interrogar campos. televisão. da lógica e da retórica. chegando a influenciar a própria imprensa escrita. isolado dos outros. do Argumentum ad novitatem (apelo à novidade. as coisas são boas porque são novas).. publicidade.montfort. ele revela o seu jogo de espelhos e pouco a pouco os unifica.) O tautismo é. mas atingidos pela mesma doença tautística. Nesta linha: o melhor cantor seria o mais ouvido. da opinião etc..br neologismo formado pela contração da palavra ‘tautologia’ (o ‘repito. a verdade independe da estatística. Algumas das formas mais fortes de “argumento”. p. aparentemente heteróclitos. Seu poder desdobra-se nas práticas e. estudam-se a natureza e a função da linguagem. um determinado carro por ter sido o mais vendido. Interrogando esses campos.org. 24 / 46 . nas quais se infere o que o maior número de pessoas “acha” de determinado assunto e isto será a verdade definitiva. do apelo à multidão. O homem moderno perdeu a capacidade de raciocinar e a televisão contribuiu com isto. como. Exagera-se a importância das pesquisas de opinião. aquilo pelo qual uma nova realidade chega a nós. ela se impõe por si mesma e a razão do homem é capaz de compreendê-la. do apelo à emoção. 1. formação permanente. a produção cinematográfica e a produção dos editores de romances e de ensaios. relações públicas. retomando esses elementos constitutivos (tecnologia como imperativo e tecnologias do espírito). a quantidade é mais fácil que qualidade. confere-lhes um segundo vigor. rádio etc. a quantidade e o “opinionismo” Isto leva o telespectador a pensar sempre em termos quantitativos e não em termos qualitativos. marketing. seria o melhor etc. relações na empresa. educação. por exemplo. pois.Montfort Associação Cultural http://www. distribuição. O maior será sempre o melhor. sem distância entre o sujeito e o objeto. Ora.7. 327): na televisão. logo provo’ tão atuante na mídia) e o ‘autismo’ (o sistema de comunicação torna-me surdo-mudo. Passando por esses canais. o tautismo desempenha seu papel em várias frentes ao mesmo tempo: produção. na televisão. Por meio dele.

da imagem. bom caráter e moral. p. na forma de colagem. como a mensagem subliminar. A retórica é a disciplina para persuadir sobre tudo o que for conveniente. pelo pathos e pelo ethos.Montfort Associação Cultural http://www. levando à confusão do factual com a ficção. Em relação ao ethos. a gramática nos dá a regra no falar. a eficácia. pois ela é um instrumento per si ilógico. O primeiro requer que o emissor prove a veracidade do que é dito. O segundo requer que o emissor ponha os ouvintes numa disposição favorável ao seu propósito.22): A primeira condição para escrever é ter lido muito. a televisão exagera na emoção e apela ao sensacionalismo. já que o logos é falseado na televisão.montfort. para provar seu discurso. Outra coisa que fere a retórica é que a televisão usa sempre uma linguagem familiar. A retórica é formada pelo logos. além do que foi dito no tópico dos “jingles” acrescentamos Houaiss (1990. A dialética (ou lógica) é a disputa aguda que distingue o verdadeiro do falso. de maneira ordenada. A linguagem televisiva é opoente per diametrum do trivium. E continuar a ler para descobrir as virtudes que se pode tirar dos outros e incorporar a si próprio. é proporcional à eversão do ensino do trivium. facilmente e sem erro”[33] Confrontando esta definição com a televisão. Ela não é cultora da gramática. a lógica nos dá o raciocínio e a retórica.br Segundo Hugo de São Vítor. no Didascálicon[31]: “A gramática é a ciência de falar sem erro. A longa decadência intelectual que o mundo conhece. do som e do texto.[32] A definição de lógica para S. Em relação ao pathos. eles ouviram muito mais do que leram. A verdade é que a grande maioria dos repórteres com quem se vai dialogar são de uma pobreza vocabular espantosa. podemos dizer que não há lógica na televisão. A estruturação. nivelando as pessoas. Um curso sério é muito mais um direcionamento de leitura do que um débito para com a palavra oral.org. que já dura séculos.” Ou seja.[34] Vemos que a televisão não respeita essa estrutura. como já foi desenvolvido nos tópicos anteriores demonstra que a natureza da televisão passa ao largo da lógica. 25 / 46 . Tomás é: “arte diretiva dos atos próprios da razão para que o homem alcance a ciência. Nos cursos de Comunicação. não há lealdade. a elegância no falar. a televisão usa ardis. O terceiro requer que o emissor inspire boa reputação. quando ela subverte a realidade.

em vez de ser algo que se comunica. 1. 26 / 46 . código Morse.8. Ele é formado por um conjunto de sinais. um grupo etc. Pode ser uma pessoa.. b) Receptor: a quem se destina a mensagem. Na teoria da comunicação. se perde. assim deve-se tratar um pai diferente de um amigo. a situação à qual a mensagem se refere.1 . oral ou escrita. f) Referente: o contexto. Pode ser a língua.montfort.2 .8 . um grupo. A mensagem. provocando uma perversão na dignidade dos tratamentos. torna-se ela mesma. A COMUNICAÇÃO. gestos.TELEVISÃO. idade. é constituída pelo conteúdo das informações transmitidas.8. Pode ser a voz. O objeto da televisão. uma instituição etc. O MEIO E O FIM A televisão implodiu as relações saudáveis entre os elementos da comunicação. em razão de cargo.TEORIA DA COMUNICAÇÃO. e) Mensagem: é o objeto da comunicação.br O correto é tratar as pessoas de modo desigual. A TELEVISÃO E O MEIO 1.Montfort Associação Cultural http://www. sons etc. Na televisão são todos “amigos” e o pronome usado é sempre “você”. etc. 1. d) Canal: é o meio no qual a mensagem circula. alguns elementos são fundamentais: a) Emissor: quem emite a mensagem.org. organizados de acordo com determinadas regras. que é o objeto de toda a comunicação.TEORIA DA COMUNICAÇÃO. c) Código: é o modo pela qual a mensagem é feita. Pode ser uma pessoa. o papel etc. uma empresa.

sendo sensorialidade.22. (Os Meios da Incomunicação. assume uma outra configuração. a chance de poder dizer e contradizer O discurso da televisão tem formato de um diálogo. remota. enquanto ouvinte e espectador. p. tiram-lhe a distância da emancipação. intransitivos. citado por Sodré. Não deixa de ser um controle: “a forma de poder exercido pela tevê decorre de sua absoluta abstração com respeito à situação concreta e real da comunicação humana. Al.6): “a sociedade da comunicação é uma sociedade em que a comunicação real vai ficando cada vez mais rara. A televisão pode ser apresentada como uma incomunicação. citado por Inês Sampaio (2004. p. sendo por tanto prioritariamente forma. p. 2008.21) reforça que a televisão subverteu a lógica narrativa: O essencial dela (TV) é o código. como que exterminados. O que acontece na esfera dos media.30). Ela propõe uma conversa na qual só ela pode falar.montfort. mas uma correlação pessoal entre um e outro no intercâmbio. se comparadas com comunicações impressas. p. portanto de uma responsabilidade.br “A televisão fala menos do mundo exterior e mais de si mesma. a sua própria forma. sendo estética. cortam de um modo peculiar as reações do receptor. são liquidados pela pregnância desse envelope.org. ao mesmo tempo. se aceita definir comunicação como um intercâmbio. Os programas que as novas mídias emitem. eu sou eu e eu sou você” (Eco.20) Sodré (2001. ou seja. sob coação do “don’t talk back”. p. 2006. Eles cativam o público. Baudrillard. é uma contradição. mas sem dar a possibilidade ao telespectador de falar. termo já usado por alguns estudiosos. ou seja. 2005) e Fausto Neto (1976) E para Marcondes Filho (2004). Nesta abstração baseia-se o controle social do diálogo” (SODRÉ. Outros autores que usam a expressão “incomunicação” são Baitello Júnior et. citado por Ferreira (2010. mas. 1977. 51-52): O comportamento do público. citado por CALDAS. os conteúdos são minimizados. e não uma responsabilidade psicológica ou moral.Montfort Associação Cultural http://www. Sobrevive dizendo ao telespectador “eu estou aqui. como o espaço recíproco de uma palavra e de uma resposta. difícil e vive- 27 / 46 . é que são antimediadores. é que se fala de tal maneira que nunca se pode responder [grifo nosso]. p. citado por Moreira (1979) afirma que: o que caracteriza os meios de comunicação de massa. desse invólucro que é a televisão. que fabricam a não comunicação. num processo de auto referencialidade. Ora. essa aderência sensorial a que ela convida as pessoas. Habermas.

Ramalhete (2013) menciona a relação estabelecida por Marshall McLuhan entre a televisão e o cubismo. Segundo Williams (2005) existe a impossibilidade de análise individual do produto. que se deva escrever um texto. estão mais ligados. a apreensão “totalinstantânea” de alguma coisa.” O meio e o conteúdo. por mais fragmentada que seja a programação . Segue-se a análise sobre qual meio seria melhor. onde. ela seria o próprio “produto final”. Toda ação humana é dividida em finalidade. um dos autores mais citados pelos estudiosos de televisão e mídia em geral. separado da programação. jamais se realiza em sua plenitude. As pessoas assistem à televisão e não a um programa na televisão. . em importância. as pessoas dizem que vão assistir à televisão e não a um programa específico. E finalmente se executa a ação. de fato. o que importa é que seja uma novela. A televisão viola a relação da finalidade com o meio.[35] O primeiro.faria parte de uma mesma unidade não acabada e com limites pouco marcados dado o fluxo contínuo de imagens. Marshall McLuhan[36]. por exemplo. por exemplo. se há a pintura cubista de uma pessoa. as costas estarão do lado de uma orelha que estará do lado do pé.montfort. cunhou uma expressão que se tornou famosa. ao apresentar as imagens e informações de modo desconexo. Há uma confusão entre “meio e fim”. ilógico e fragmentado. é a finalidade: compreende-se. por exemplo. na televisão: “o meio é a mensagem”. A televisão. no qual a televisão 28 / 46 . se é a máquina de escrever ou um editor de texto no computador: opta-se pela segunda opção. em razão da natureza física da televisão. Esta pequena frase diz muito sobre a televisão.que é eivada de publicidades. Também em relação ao tempo. meios e execução.org. na encenação de uma comunicação que.br se na ilusão da comunicação. as pessoas gostam de assistir às novelas “em abstrato” e não a uma “em concreto”. Segundo ele. de modo delirante.Montfort Associação Cultural http://www. Desta forma. sons e texto que nunca se encerram. diversidade de gêneros etc. Uma certa programação foi construída para a televisão e vice-versa. possui o mesmo mecanismo. “chamadas”. Normalmente. Assim. Pouco importa quais são os atores ou o tema. do que poderia parecer à primeira vista. Essa escola de arte moderna pretende. porque ao invés dela ser um canal pelo qual se teria acesso a determinado conteúdo. Ele estaria intrinsecamente ligado à dinamização do canal.

depois. 29 / 46 .e ver o apresentador preferido. Na realidade. 41). o que interessa é o meio. o assistir a um telejornal num determinado canal. citado por Marcondes Filho (1988.montfort. que as pessoas realizam a compra deles não tendo em vista o que se vai fazer com eles (finalidade). as notícias são apresentadas de modo rápido e em sequências sem liame nenhum. fala-se sobre crise no Oriente Médio. mas essa gera alguma consequência na sua mente. O que vale é o “espetáculo da notícia” e não a notícia em si mesma. do enredo de seus programas.MENSAGEM SUBLIMINAR Subliminar é qualquer estímulo abaixo do limiar da consciência que produz efeito na atividade psíquica (CALAZANS 2006 . Assim.4 : Telejornal. É interessante observar. ouvir sua “música” . na linha da confusão entre meio e finalidade. ao querer mostrar tudo quase que instantaneamente. Televisores de “LCD” e “LED” e mais recentemente “3D” estão entre os mais sedutores. Se o telespectador mudar de canal e assistir às mesmas notícias em outro telejornal. p. melhor será. Barbero.9 . A fascinação vem da forma espetacular e não do que se transmite oralmente. Abandona-se a economicidade e a ordenação à finalidade por completo. Neles.p.na realidade um conjunto de sons ilógicos . anuncia-se o aumento do preço do pão e finalmente. O meio é a mensagem. noticiam-se os resultados de competições desportivas. Como exemplo. temos os telejornais. pouco se aprende. funcionaria essa comparação. Ele está ligado ilogicamente a um determinado canal. tanto faz a notícia. não ficará satisfeito.org. que muitos dispositivos eletrônicos modernos seduzem de tal forma. a pessoa não percebe ou não sabe que viu ou ouviu uma determinada imagem. Quanto mais funções tiverem. mas pelo aparelho em si mesmo (meio).Montfort Associação Cultural http://www. Ver anexo 4. Ainda que sejam inúteis para determinados usuários. Cubismo e televisão formam uma combinação perfeita e horrível. do conteúdo falado. 39). Ou seja.br pretende o domínio completo. 1. diz que não tem sentido analisar a TV apenas a partir do texto.

Quando vemos uma imagem cheia de enxertos. b) método de embutir imagens: Os anúncios feitos com adição de imagens sobrepostas são caríssimos. Inconscientemente os homens distinguem a figura do fundo. pinturas ou fotos dentro de outra imagem. citado por CALAZANS. que associada ao desenho. d) projeção taquicoscópica: O taquicoscópio foi projetado pelo doutor Hal Becker. As imagens com enxertos são construídas colocando cuidadosamente desenhos. enquanto o subconsciente assimila e guarda o fundo na memória. São pintadas várias coisas. Essas propagandas são feitas para serem vistas rapidamente. A televisão está infestada deste tipo de técnica como. Eles aparecem como se um artista tivesse escondido engenhosamente figuras obscenas ou consideradas tabus dentro de um anúncio. pois são muito trabalhosos e devem ser feitos de modo que as imagens não fiquem explícitas. como sexo. citado por Machado. A velocidade é tão alta (1 segundo / 3000). 2006) quando foram feitas algumas pesquisas inaugurais e importantes. pode possuir diversos sentidos e interpretações. e focalizam somente a figura.Montfort Associação Cultural http://www. Eles são como pílulas subliminares para o subconsciente.montfort. homossexualidade etc. e por mais rápido que viremos a folha. Esse instrumento é um projetor de flashes usado em uma tela de cinema ou mesa de luz para exibir imagens e palavras em alta velocidade. na maioria das vezes não os percebemos conscientemente. Porém nosso inconsciente capta essas imagens. pois eles estão muito bem escondidos. os anúncios não endereçados ao consumo consciente. cm o fito de exercer um feitiço hipnótico (McLUHAN 1979.br A técnica subliminar é conhecida desde os anos 50 (CALAZANS. que o que for projetado só é percebido pelo nosso inconsciente. 30 / 46 . geralmente remetendo a assuntos tabus. e patenteado em 1962. Magron e Silva (2002) podem ser seis as categorias das mensagens subliminares: a) inversão de figura / fundo: As percepções visuais e auditivas podem ser divididas em figura e fundo. de modo que quando vemos essa imagem não percebemos conscientemente esses enxertos. elas já ficaram gravadas na memória. por exemplo.org. 2006) Segundo Wilson Key (1993)[37]. Em algumas propagandas os publicitários escrevem uma frase. e não para serem estudadas pelos leitores. c) duplo sentido: O duplo sentido é uma técnica subliminar muito utilizada por ser dificilmente detectado.

Comportamento intuitivo.montfort.. Níveis de adaptação ou valores de julgamento. esta ilusão é mais satisfatória emocionalmente do que o seria a realidade de fato. de modo que ela passe a apresentar palavras ou frases escondidas. por exemplo. Numa cena as músicas são acrescentadas para dar um fundo dramático. Essas frases são percebidas inconscientemente. Percepção consciente. todas mixadas. sirenes. Ele explica que os sinais audíveis e subliminares são mixados. no mínimo em dez áreas: Sonhos. Memória. Hal Becker. Comportamento verbal. Psicopatologia. desperta lágrimas nos espectadores. qualquer pessoa pode perceber conscientemente dúzias de palavras SEX enxertadas em algumas ilustrações.br e) luz de baixa intensidade e som de baixo volume: Essa técnica da luz é utilizada para sombrear partes de uma figura. Os silêncios também fazem parte do som inserido. São usadas gravações de barulhos de carros. Sons e silêncios são alternados. Com um pouco de treino para a investigação perceptiva relaxada. apitos.[38] 31 / 46 . Um som de rua. O resultado final é uma ilusão precisa da realidade. com frases dizendo: “Não roubo”. A técnica do som em baixo volume é utilizada em algumas lojas para evitar roubos. também fabrica e vende processadores que inserem mensagens subliminares em trilhas sonoras. a cena nem é tão forte. para ser aplicado num filme deve ser todo montado. criar suspense ou expectativa. Limites de percepção. patenteador do taquicoscópio de alta velocidade. melancólica. A conclusão do autor é de que: Os seres humanos podem ser programados por aqueles que controlam a mídia para terem determinadas perspectivas culturais (ou conceitos) ou trabalharem com determinados grupos de percepção. e que o estímulo subliminar aproxima-se tanto das mudanças de volume na música audível que seria impossível provar que a mensagem contém informação subliminar f) luz e som de fundo: A luz e o som de fundo são amplamente utilizados nas produções de filmes. “Não sou ladrão”. mas devido à música triste. mas ela permanece subliminar. “Eu sou honesto”. Reação emocional. Se for bem construída.org.Montfort Associação Cultural http://www. Ainda para Key. Às vezes. e influenciam o comportamento das pessoas. O comportamento do grupo é mensurável e previsível em termos de probabilidades estatísticas. de modo a criar efeitos diferentes nos expectadores. crianças. pássaros. que acabam não furtando nenhum objeto ou mercadoria. Se bem elaborados e aplicados. Comportamento aquisitivo. criam efeitos de emoção em quem assiste as cenas. mensagens são emitidas em baixo volume. Ao mesmo tempo em que tocam músicas. os efeitos do estímulo subliminar são sentidos nos seres humanos.

não existe”. elas perderiam a nitidez. visto que. são imagens muito pobres. Duarte (2002.1 COR. VELOCIDADE. em nossa casa. Isto é absolutamente artificial e cria uma “intimidade” que inexiste com atores. Para Eco (1979. assim como na fotografia tradicional. De acordo com o Wikipédia[39]: RGB é a abreviatura do sistema de cores aditivas formado por Vermelho (Red). p.Montfort Associação Cultural http://www.br 1. "datashows". havendo 480 linhas efetivas. As cores não são fidedignas. em razão disso a televisão vê-se impelida a optar por uma forma de captação de imagens que evite a profundidade de campo. surge a necessidade de fazer sempre “close” nos personagens e/ou focar em exagero o que se quer mostrar. O propósito principal do sistema RGB é a reprodução de cores em dispositivos eletrônicos como monitores de TV e computador. etc.10.org. A imagem da TV analógica é extremamente grosseira. FRAGMENTAÇÃO E FLUXO. A imagem digital é melhor e chega a ser 1080X1920 linhas. Mesmo assim.REALIDADE E TELEVISÃO 1. “CLOSE”.10 . com essa técnica. Todas elas são formadas por apenas três cores básicas. cria a ilusão de uma relação de cordialidade. o que a obriga a operar preferencialmente com enquadramentos em planos médios ou fechados Como muito bem notou Setzer (2009): “É interessante notar que. scanners e câmeras digitais. Como as imagens formadas não são boas. que. Verde (Green) e Azul (Blue). nem sempre vemos as coisas de maneira próxima. com efeito.4) comenta: Um outro aspecto decorrente das tecnologias empregadas nesse processo comunicativo advém do fato de os aparelhos televisivos funcionarem com baixa resolução. se um telespectador 32 / 46 . personagens. 343): a presença agressiva de rostos que nos falam em primeiro plano. apresentadores. E na natureza não é assim.montfort. no sistema NTSC (e que vale para o PAL-M do Brasil) cada linha exibe cerca de 640 pontos. .

cozinhas etc. pois se pode repousar a vista numa paisagem. se procura reproduzir a natureza. não guardam relação de analogia com o mundo natural nem com os ambientes que nos cercam. p.montfort.IRREALIDADE DOS CENÁRIOS TELEVISIVOS Os cenários[40] que fazem parte de vários programas televisivos[41] são irreais. exterior de edifícios etc.10.org.37) observa: “Nós não tratamos com elementos de uma realidade atual.Montfort Associação Cultural http://www. quando observamos um pássaro voando: a ave voa tendo como fundo uma paisagem quase fixa que muda aos poucos. as ruas. evolui-se de um cenário mais parecido com o teatro para um cenário virtual.34. ocupa tão somente o espaço na tela da televisão” (CARDOSO. (2002. Na televisão.br aproxima-se da tela.34) Trata-se de elementos voltados para a irrealidade: 33 / 46 . (2003.2 . Isso contraria a experiência que temos com a visão de objetos no mundo real. ferro. mas com uma nova realidade sinteticamente gerada” A construção destes cenários virtuais conta com o uso de técnicas computadorizadas e visam somente aparecer na televisão: “este cenário não se encontra instalado em nenhum palco ou estúdio. quartos. 157): “Em todos os cenários analisados. mostram Adam et al. por exemplo. Neste sentido. os móveis etc. pelo contrário. Tampouco temos um fluxo constante. sejam externos: ruas. mesmo quando há velocidade envolvida. Um cenário de uma peça de teatro comum. as casas. pois começa a ver os pontos.. ele não vê a imagem mais nítida. p. p. uma árvore viva se apresenta inteira e não aos pedaços. Não vemos fragmentação na natureza. tecido ou qualquer outro material de nosso mundo físico” (CARDOSO 2002. 1. fachadas de casas. obervamos que a grande maioria das figuras é abstrata e estilizada.” As mudanças que vemos na natureza não são abruptas. Por exemplo. por exemplo. não havendo um compromisso com a representação da realidade” E Leopoldseder. Ela impõe uma velocidade que não existe no mundo real. os interiores de moradias. 2002. Na televisão tudo muda rápido: quer uma paisagem de fundo quer um pássaro voando. citado por Cardoso. Os materiais usados são distintos dos usuais e comuns: “não é construído em madeira. p. sem liame com a realidade. sejam internos: salas.

37) 1.3 . se alguém diz que viu um “atropelamento na TV”. não viu realmente. 2002. Não existe identidade. semelhança.Montfort Associação Cultural http://www. no máximo. não é a cena. na vida real. É muito importante levar isso em conta: quando a televisão reproduz uma cena. O que se viu foi uma representação ou uma imagem deste atropelamento. Para Arbex (2001): “A televisão (. velhos e mais “feios” que nos vídeos. Ora. pode existir. na realidade. criando uma aparência artificial.. 34 / 46 . Ainda que a televisão tenha mostrado com nitidez. isto não deixa de ser uma representação ou imagem do ocorrido. não é porque a televisão apresenta uma imagem familiar imediatamente reconhecível da realidade que se pode considerar como equivalentes a imagem que ela propõe e a realidade (Toussaint. eles são mais baixos.org. 1999.br “Podemos observar que os programas que se encontram hoje no ar trazem cenários futuristas com superfícies lisas. em razão da imagem. extremamente limpas”(CARDOSO. é um simulacro da realidade. quando se vê atores nas ruas.) não é mera “observadora” ou “repórter”: tem o poder de interferir nos acontecimentos. p. eles parecem diferentes de quando “estão” na televisão. Mesmo nos programas ditos factuais.DETURPAÇÃO DO REAL E A CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA REALIDADE A televisão mostra imagens da realidade e não a realidade.” O que a televisão mostra. Normalmente. O único modo de alguém ter visto esta cena seria mediante a presença física próxima do acontecimento. um acontecimento da vida. está sendo induzido a uma espécie de ilusão”. Tanto é verdade que. 35) O telespectador frente a eles é iludido: “Ao observar um homem em um espaço virtual.11) E a representação oferecida pela televisão será sempre distorcida porque ela mostrará a cena com o filtro das características da reprodução televisiva. isto é uma imagem.10. (CARDOSO. p. p.. o telespectador. neste momento. Assim por exemplo.montfort. do som e da narrativa já comprometidas. metalizadas. 2002. A televisão sempre “embeleza” os atores com excessos de maquiagem e ângulos favoráveis.

Compare-se com o teatro: nele. administração das consciências. [grifos nossos]. permite que se transmitam imagens e falas mudando em curtos períodos tanto o espaço como o tempo. Realmente. Do mesmo modo. neste sentido último. Então não é apenas a questão do efeito de conteúdo que está em jogo. o espectador é colocado mentalmente num mundo que não é o real e pode observar toda sorte de situações que conflitam com as 'leis' da natureza. p. a criação de uma vida vicária. p. onde o indivíduo imerge. Dessa maneira.montfort. conforme Novaes (1999. faz dar mais valor à representação que o representado. Ou ainda.31) : A televisão não mostra lugares. acompanhar o que está ocorrendo. substitutiva. Em outras palavras. se uma cena de curta duração transmite algo relativo a uma certa localidade e um certo tempo. o espectador de uma peça de teatro pode. No entanto. b) construção de uma nova realidade. no sonho as imagens são criadas pelo próprio sujeito. colocar-se na pele de cada personagem. Moniz afirma: a televisão cria um ambiente simulativo. p. a TV. ela não supera os abismos de tempo entre os continentes com suas transmissões na velocidade da luz: ela encerra um outro tempo.[grifo nosso].Montfort Associação Cultural http://www. O que está em jogo ali é uma administração do tempo do sujeito. não trás lugares de longe para muito perto. sejam considerados 'fábricas de sonhos'. Ela cria uma outra realidade e amplia sua própria realidade. 13) nota que ele “passa a tomar a realidade representada como realidade diretamente expressa. a próxima cena pode transmitir algo que se passa em outra localidade totalmente diversa. e se passa na velocidade humana normal. isto é.a televisão é um lugar em si.6) E Sfez (1994. Isto leva o telespectador a uma confusão entre o real e a imagem do real. e no passado ou no futuro em relação à cena anterior. como o cinema. o telespectador é colocado numa situação totalmente irreal – o que é também o caso do cinema. cada cena dura um tempo relativamente longo.br Há dois efeitos desta representação da realidade: a) distorção do real. Setzer (2009) sustenta: Uma palavra sobre a irrealidade da imagem e da fala da TV. 35 / 46 . confusão primordial e fonte de todo delírio. com as particularidades de suas análises afirmam a mesma coisa. Em outras palavras. identificarse com ela. Faz tomar o mapa pelo território.org. A televisão cria um novo espaço e tempo para Bucci e Kehl (2004. Esta. Quem sabe por isso o cinema e. em cada cena.” Muitos estudiosos. 9) e Fragoso (2000. passarse a vivenciar o mundo real tal qual ele é. hoje. p. quando transmitem filmes ou novelas. Talvez por isso seja muito comum sair-se de uma sala cinematográfica e levar-se alguns momentos para se 'baixar novamente à Terra'.

(Essência do Cristianismo. um exemplo grave. uma outra natureza. uma segunda natureza. produzindo uma ilusão ainda mais intensa de que o mundo esteja sendo representado 'como realmente é'. pois a verdade está no profano.org. embora tenha vivido no século XIX. sem dúvida. p. analisando o uso social da televisão como meio de informação e de documentação. temos aqui um momento importante que marcará o paradigma pós-moderno: a imagem não representa mais o real.51). Por assim dizer a imagem televisiva vai além do real. rompeu-se o nosso contacto direto com o planeta. 30). p. A codificação da imagem por signos é substituída pelos simulacros. no seu primeiro argumento contra a televisão. como se fosse essa a verdade e não aquela do mundo real”. sociedade contemporânea.br Mander (1978. 1842) Para Ferreira. E para Eco (1979. como astronautas flutuando no espaço. 335): 36 / 46 . numa espécie de corporificação do próprio princípio da realidade. afirma que ela se transformou na. portanto.5): No caso da televisão.(MARCONDES FILHO. a aparência ao ser. mas o supera. p. 56) Fuerbach. 1988. p. a representação à realidade. diz: Ao passarmos a viver em ambientes completamente artificiais. citado por Marcondes Filho (1988. Desligados. Para Fragoso (2000. à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta.montfort. mais real do que a realidade” “O telejornalismo cria. citado por Marcondes Filho (2009. 343): Filosoficamente. p. alterando-se o nosso conhecimento do mesmo. e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado. televisão é neste contexto um exemplo recente. tem palavras podem ser aplicadas hoje em dia: Nosso tempo. 37): “A notícia tornou-se mais verdadeira que a própria verdade. uma vez que acelera grandemente o problema. prefere a imagem à coisa. Enquanto nos antigos regimes de produção as imagens procuram captar ou representar o real. o aparente realismo das imagens em movimento produzidas com câmera se associa à possibilidade de transmissão ao vivo.Montfort Associação Cultural http://www. Estas condições favorecem a implantação de realidades arbitrárias. mas a partir de simulações feitas anteriormente dele. a imagem.[tradução nossa] Barbero. exagero. Segundo Schmidt. que impõe a milhões de lares no país. a cópia ao original. Ou seja. tornando-se tão fascinante que o real não mais é tomado por si. estilização e síntese. O que é sagrado não passa de ilusão. citado por Marcondes Filho (1988. p. p. na TV temos simulacros que simulam a presença do real por meio da saturação. não podemos agora distinguir o alto do baixo ou a verdade da ficção.

38) 37 / 46 .4 . 2004. que “percorreu” os canais. altera as noções tradicionais: Intromissão de eventos distantes na consciência cotidiana. Assim.INTERMEDIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA Dentro da lógica de deturpação da realidade. em um programa de viagens que mostra o apresentador em Veneza. acha que “conheceu” Veneza. 30): O telespectador torna-se casa vez mais consumidor de experiências estranhas e de comunicação. citado por Marcondes Filho (1988. os quais ele não poderia experimentar de outro modo diferente da comunicação. ainda que virtual. num processo mediante o qual são alteradas as noções tradicionais de familiaridade e experiência. p.org. Segundo porque a televisão é incapaz de explorar os sentidos do tato e do olfato. um real humanizado. de um falso sentido de dramaticidade. Reyher. 1. (. em vez de experimentá-los”. diz que “vivem-se as emoções dos outros. por exemplo. Desta forma. A televisão. a televisão também media ou substitui as experiências. a TV é também encarada como estímulo de uma falsa participação. imaginam-se gostos. vê-se ar puro em vez de respirá-lo. p.Montfort Associação Cultural http://www.) Fácil veículo de fáceis sugestões. de um falso sentido do imediato. 42). e assimila ao contrário.. Ora isto não é verdade: Primeiro porque. o telespectador. ao intermediar as experiências. E ainda.10. 1986). que são redimensionadas pelo acesso dos agentes a elementos referenciais presentes nesse plano global de comunicação (INÊS SAMPAIO. Ele se torna consumidor de ambientes. Todas estas análises demonstram que a televisão pretende perverter a realidade. tampouco. por causa da turvação da realidade que a televisão produz. perceberam-se os aromas.. filtrado e feito argumento. as quais aparecem como integrantes complexas – pois interessantes – do seu horizonte perceptivo (Williams. não se sentiu o clima do local. que o que foi visto é uma imagem ou representação e não o fato em si. Para Marcondes Filho (1988. como já foi dito. que já teve a “experiência” da visita.montfort. P.br Singular situação de quem se apresta para um contato com o real bruto.

da forma como este deseja informar os fatos ou como a empresa jornalística em questão assim preferir. As brincadeiras normais das crianças envolvem elementos da realidade: carros. vimos que a construção de uma nova realidade faz parte da natureza da televisão e se opera em abstrato para todos os programas. aviões etc.2: Desenhos animados. sobre o fato exposto. comentarista. Neste tópico. os quais seguem resumidos abaixo: • Via da citação: onde a notícia é passada omitindo detalhes nos quais poderia ser percebida a notícia como um todo e não cortada. cavalos. o delirante. E depois os bordões comuns (e ridículos) dos desenhos povoarão a mente das crianças. explora-se. a criança só terá o irreal.org. Sem falar que a linguagem e o tema encontrados nos desenhos são sempre pobres. assim ela brinca com um carro e o faz pular vários metros. citado por Frazão (2007. p. 501-5).br Outro exemplo disso são os desenhos animados. articulista) é levada em consideração. 38 / 46 . Em muitos desenhos animados são mostrados animais que conversam. p. podendo fazê-las repetir sem parar as mesmas frases. servindo a propósitos específicos. Niceto Blázquez[42] (1999. para situações concretas. A criança usa os brinquedos e completa a realidade com sua imaginação. Ora. omitir ou rejeitar a veracidade dos fatos.10.7) detalhou alguns padrões utilizados pela grande imprensa – especialmente a televisão – para alterar. • Via do comentário: a opinião do jornalista (apresentador.montfort. Ver o anexo 4. independendo da vontade da maioria dos operadores da televisão. quando não totalmente impróprios. Na televisão. • Via da reconstrução: na qual a notícia é construída novamente pelo profissional que a manuseia. Imagine-se a confusão na cabeça de uma criança. na televisão. tudo isto não existe. Há uma harmonia saudável entre a realidade e a imaginação. ela é “automática”.5 DETURPAÇÃO EM CONCRETO Nos tópicos anteriores. 1. a deturpação da realidade mediante ação deliberada para nublar a veracidade dos fatos.Montfort Associação Cultural http://www. espaçonaves em planetas longínquos.

pode ser feita facilmente.org. 39 / 46 . In: WIKIPEDIA. [2] TELEVISÃO. 103): A mídia cria diariamente a sua própria narrativa e a apresenta aos telespectadores (. ou seja. disponível em . Assim.. acreditam que aquilo que veem é o mundo em estado “natural”. Acesso em: 20 set. uma manifestação que se queira mostrar como “poderosa”. a televisão pode fazer um “close” e/ou aproximação de forma a não se perceber espaços vazios. funcionais.. • Via de mudança: a qual discute que o silêncio e a mudança têm seus efeitos comparados á censura. Em muitas delas se contam mais de 24 “atrações” por dia.) como se essa narrativa fosse a própria história do mundo. pois as câmaras permitem uma adulteração completa por meio de ângulos e “closes”. Os telespectadores. Para Arbex (2001.montfort. [3] Basta consultar as “grades de programação” de emissoras na internet.Montfort Associação Cultural http://www. [1] IBGE. dogmáticos ou políticos. é “o” próprio mundo. embalados pelo “estado hipnótico” diante da tela de televisão. a omissão dos fatos se dá intencionalmente. se na realidade não houve muitas pessoas presentes. Mas até mesmo a deturpação da imagem. p. Acesso: 30 ago 2013. • Via do silêncio: também chamada “desertização audiovisual” ocorre quando o silêncio. Ora. por exemplo. 2013. Disponível em: . deve ter muita gente. seja por interesses ideológicos.br • Via da ocultação: na qual um fato de grande relevância é exposto apenas com uma versão dos fatos. por seu turno.

de Nova York.Rep.7% mudam de canal para evitar os comerciais.br/comueduc/article/download. embora 48% achem menos agradável assistir à TV dessa forma. Mais alguns dados referentes à pesquisa: entre os telespectadores que adotam a postura de mudar de canal durante um programa. Outros 14. Elizabeth Bastos.usp. Já 22. [5] LIMA.a.5% dos telespectadores (portadores de controle remoto) mudam de canal durante um programa. 2013. Acesso em 5 set. 2011.4% afirmam mudar de canal para “ter certeza de que não estão perdendo um programa melhor”2. 48. Disponível em: Acesso em: 2 set. 2013.Thaís Pinheiro.revistas. de 1993 a 2001.br [4] “Hoineff resgata a pesquisa publicada em setembro de 1988 pela revista Channels. Televisão: ensaios metodológicos. Dados mais atuais reforçam essa tendência dos telespectadores. (Revista Comunicação & Educação • Ano XI • Número 1 • jan/abr 2006 -Roseane Andrelo).78. 2004. Segundo pesquisa feita pelo Ibope Mídia.montfort. In: WIKIPEDIA.3. Acesso em: 20 set. De acordo com ela. Porto Alegre: Sulina. 29.Montfort Associação Cultural http://www. [9] TEXTO. o número de casas com TV com controle remoto aumentou de 30% para 88%. [7] Basta consultar a “grade de programação” das emissoras. 40 / 46 . 2013 [6] DUARTE.4% justificam essa atitude dizendo que o programa estava aborrecido. Correlação entre o hábito de assistir televisão e o risco de desenvolver diabetes. Disponível em www. Já um levantamento feito pela MTV mostra que 73% do seu público muda de canal até durante o programa favorito”.3% entendem que é divertido mudar constantemente de canal. Q. [8] I. Outros 28.org. Disponível em: .

379. em Leange Severo Alves. O Poder das Imagens: Cinema e Propaganda Política nos Governos de de Hitler e Roosevelt(1933 . IX. [14] É melhor se ater antes aos conceitos do que as palavras que os definem. 105. [11] Quando falamos sobre imagens. 1983.montfort. 2013. Q. [15] Vigilanti Cura.Montfort Associação Cultural http://www. pois pode haver diferença na nomenclatura usada pelos autores.html [16] PEREIRA. Disponível em .va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/hf_pxi_enc_29061936_vigilanti-cura_po.1. com algumas adaptações. Wagner. a.org. Assim. estão excluídas imagens relativas ao gosto. Elizabeth Bastos. Esta classificação foi baseada. [12] I. Rep. Acesso em 2 set. 2005. O autor escreveu um livro sobre este tema e uma 41 / 46 . estamos nos referindo somente às que são relativas à visão.vatican. p.35.1945). [13] Carta a Sereno.br [10] DUARTE. Disponível em: http://www. aos sons etc.

br [19] SAMPAIO.org. Rio de Janeiro: Campus. Tomás. Alucinações musicais: relatos sobre a música e o cérebro. tradução).montfort. Rafael. (MOTTA. além de Labouche (2002). Oliver. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras.pdf [17] Segundo S. 2007. [20] SACKS. Celso.org. Laura Texeira. ver: e 42 / 46 .intercom.Montfort Associação Cultural http://www. [18] http://www. Propaganda de A a Z: como usar a propaganda para construir marcas e empresas de sucesso.1602. [21] FIGUEIREDO. Redação publicitária: sedução pela palavra.org/anais/wpcontent/uploads/mp/pdf/ANPUH.S23. 2003. 2005 [22] Para saber mais. São Paulo: Pioneira Thomson Learning.br pequena resenha sobre ele está disponível em: http://anpuh.

postmodernism and Consumer Culture.Montfort Associação Cultural http://www. [25] RICOEUR. Acesso em: 20 set. por isso nosso estudo é resumido. Jesus-Martin e REY. In: WIKIPEDIA. 2001.org. London: Methuen. p. [27] KAPLAN.br [23] VIDEOCLIPE. 1993. German. 2013. [28] Segundo Aristóteles. São Paulo: Realizações Editora. E também organizou outro livro que inclui a mesma temática: O mal-estar no pós-modernismo – teorias. Ann escreveu um livro sobre o tema: Rocking around the clock: Music Television. O esquema foi feito com base no livro O Trivium de Irmã Miriam Joseph. [26] BARBERO. 265. 43 / 46 .montfort. 264 do livro O trivium. 2011. Os exercícios do ver. São Paulo: Editora SENAC. Disponível em: . p. E. II e III Campinas: Papirus. Paul Tempo e Narrativa. I. 1987. práticas. Hegemonia audiovisual e ficção televisiva. [24] Foge ao objetivo deste trabalho esmiuçar todas as características da narrativa e sua relação com o “discurso”. É fundamentado em Aristóteles. 1994-1995. Vol. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora.

261 livro trivium [35] S.2-3. Tomás. Imprensa. junho de 1990. geometria e música) formavam as antigas “sete artes liberais”.. [33] S. Antonio.a6 44 / 46 .montfort. lec. [34] P. [31] P. astronomia.1. Anal. I. 13 livro do trivium [32] HOAISS.org. I Post.Montfort Associação Cultural http://www. Tomás.br [29] Marcondes Filho. n. 1986 [30] Junto com o quadrivium (aritmética.q108. O capital da Notícia.

montfort. texturas. Foge ao escopo deste trabalho relacioná-las. telejornais etc. envolvendo crianças japonesas que assistiam a determinado desenho animado. foram emitidas mais de 50 imagens muito coloridas (que seriam as mensagens subliminares) em apenas 5 segundos. a cena em grego: skené. em uma fase. 2013.org. reconheceu uma imagem subliminar em um de seus desenhos. [41] Programas de auditório. estilo “mangá”. mas não era contra a televisão globalmente. citamos o caso da empresa Disney.br [36] Interessante observar que este autor escreveu um livro sobre o trivium. [38] Há várias provas do uso de mensagem subliminar na televisão. Acesso em 21 set. [37] Wilson Key é autor do livro A era da manipulação. bem como todos os objetos no seu interior. o que fez ocasionar um “curto circuito” no cérebro das crianças gerando ataques epiléticos.Montfort Associação Cultural http://www. como cores. todos com a finalidade de caracterizar a personagem. 45 / 46 . no qual. [39] RGB. Mas. “talk show”. estilos. Disponível em: . mobiliário e pequenos objetos. [40] A definição dada pelo Wikipedia é: “Um cenário. ou a decoração em francês: décor 1 . a título de exemplo. Centenas delas tiveram de ser internadas. e tendo como base os perfis psicológico e econômico determinados na sinopse ou em um briefing”. que. em 1999 de forma discreta. Um outro exemplo ocorreu em 1997. Scritta Editorial.1993. In: WIKIPEDIA. é composto de elementos físicos e/ou virtuais que definem o espaço cênico.

montfort.br [42] BLÁZQUEZ. Niceto.Montfort Associação Cultural http://www. Ética e meios de comunicação.org. São Paulo: Paulinas.tcpdf. 1999 46 / 46 Powered by TCPDF (www.org) .