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Embora a descoberta da NFL faz-se muitas vezes através do apoio a uma equipa específica, muitos são aqueles que

tropeçam de jogo em jogo até ficar com uma perceção da modalidade sem no entanto chegar a assumir um compromisso com um dos 32 emblemas da liga rainha. Para a maioria dos estrangeiros a realidade Americana é um universo longínquo que não tem correspondência nem no seu quotidiano nem no seu património familiar pelo que a escolha poderá revelar-se complicada. Tornar-se “adepto” de uma equipa é ainda assim um passo essencial para qualquer fã de futebol americano pela intensidade que proporciona a ligação afetiva tanto nas vitórias como nas derrotas. Se ainda não tiver par prepare-se porque estamos prestes a encontrar o clube pelo qual “torce desde pequenino”… O facto de o ter feito através da leitura de um breve artigo pode ficar entre nós. http://www.testosteronasports.blog.br/wp-content/uploads/2013/06/lebron-james-football.jpg

De LeBron para Tannehill: O Futebol como segunda modalidade
O Futebol Americano é para muitos fãs uma modalidade descoberta após um contacto mais prolongado com outra modalidade Estado-unidense. O caso mais frequente é o da NBA que pela relativa popularidade do basquete no continente Europeu consegue captar as atenções de muitos habitantes do velho continente. Nos países da Europa do norte o hóquei no gelo local poderá ser o eixo de ligação com a NHL assim como os nossos leitores brasileiros com ligações a países de língua hispânica poderão ter ligação com o baseball da MLB. Em todo o caso quem diz ligação a uma modalidade diz forçosamente ligação a uma equipa e isso poderá deixar-nos uma pista sobre o seu futuro clube da NFL. Escolher a equipa da NFL mais próxima da sua equipa favorita da NBA poderá trazer uma certa coerência à sua decisão. Ao apoiar as modalidades de determinada área o seu gosto desportivo ganha um certo regionalismo bastante apreciado entre os apaixonados pelo desporto e que contrasta com qualquer decisão feita por questões de performance (o fã que só aparece quando a equipa consegue bons resultados é frequentemente alvo de gozo). Ao fazer essa escolha deverá aliás preparar-se para levar com resultados potencialmente desapontantes. Se a sua equipa da NBA for boa a probabilidade do seu equivalente NFL ser proporcionalmente mau é altamente provável. O fenómeno explica-se pelo facto de uma modalidade tradicionalmente talentosa conseguir subjugar as atenções dos locais em detrimento das suas modalidades vizinhas que, desleixadas, perdem a força necessária para dar a volta à situação e entrem num círculo vicioso que vinca as preferências desportivas de determinada região para o todo sempre (ou assim parece). Não sinta portanto necessidade em fazer desse critério a sua escolha pois os próprios Norteamericanos optam muitas vezes por escolher equipas localizadas a milhares de quilómetros de distância para conseguir temporadas do melhor que a modalidade pode oferecer. Um dos exemplos mais explícitos dessa tendência é o caso dos Los Angeles Lakers que conseguem adeptos um pouco por todo o lado no continente Norte-Americano. Escolher a sua equipa com base na localização de outra que já aprecia é uma boa opção para quem privilegia a coerência em detrimento da performance.

http://1.bp.blogspot.com/RSs7mJ47r1w/UiuOK5tqeHI/AAAAAAAAC4s/HPfdKd2Zu24/s1600/TheRealMapoftheUSA.j pg Corpo de Europeu alma de Texano: A paixão por uma região
No seguimento do raciocínio que nos faz escolher uma equipa pela sua proximidade regional com outra do nosso gosto, é perfeitamente possível escolher a sua “franquia” de raiz e marcar no mapa dos USA a sua nova terra adotiva. A Escolha poderá ser feita tanto pela experiência como por uma apreciação platónica embora a primeira opção seja a mais recomendável (a emotividade é a palavra mestre da apreciação desportiva). Por experiência entende-se a viagem que fez no verão passado à Florida e que o marcou o suficiente para fazer do golfinho o seu novo animal favorito ou do estágio profissional que fez em Chicago e que o deixou feito urso. Até poderá ser por uma viagem meramente concretizada nos seus sonhos: Se passa as horas vagas a imaginar cowboys galopantes nos desertos do Texas talvez o seu equivalente de capacete seja a melhor opção para si. Dar asas à sua imaginação e criar uma ligação pela região por aquilo que ela é na sua cultura e geografia através da experiencia poderá ser uma opção altamente compensadora pela sua emotividade e pela sua coerência natural. No caso da escolha pragmática falamos em optar por uma análise feita do zero. Se retirarmos da equação a questão da performance, poderá ser interessante contemplar a cultura dos adeptos de determinada região. Será que esta região tem muitos ou poucos adeptos? Como são os adeptos? Identifico-me com eles? Qual é o valor de apreciação da modalidade naquela zona? Se conseguir respostas positivas a essas perguntas talvez tenha encontrado uma opção satisfatória. Por outro lado a cultura regional da modalidade poderá não ser o único critério. Se optar por perder-se nas páginas wikipedia e escolher, como que por catálogo, a região que lhe parece ter “melhor pinta” poderá criar a partir desse contacto uma relação com a sua equipa da NFL. A parte mais problemática da escolha pragmática reside na sua artificialidade. Escolher uma equipa da NFL é uma decisão forçada pelo que se acrescentar o esforço da escolha regional poderá criar uma sequência lógica demasiado artificial e que terá dificuldade em resistir aos desaires desportivos da sua franquia NFL. Ter algo consistente para se consolar nos momentos difíceis é por vezes essencial para manter o seu compromisso que queremos obviamente o mais duradouro possível (até ao cemitério entende-se). http://static5.businessinsider.com/image/5106f2716bb3f7e816000002-900-525/nfl-fans-map.jpg
Mapa da repartição dos adeptos da NFL

A Escolha regional é no caso da experiência pessoal talvez a melhor opção. Combina o sentimento de pertence aos critérios de respeitabilidade. No caso de uma região escolhida a dedo assegure-se que a zona que descobriu o fascina de alguma forma.

http://www.pashalaw.com/wp-content/uploads/2013/01/nfl_a_baugh_576.jpg Qual é o Barcelona da modalidade? A Escolha pela performance
Já que vai dedicar preciosas horas do seu Domingo à noite a seguir uma equipa o melhor poderá ser optar pela “mais forte”. Se o raciocínio faz sentido a sua aplicação prática colide com a realidade: Não existem equipas sempre ganhadoras. A NFL é o reflexo dos Estados Unidos, um país continente que abriga grandes cidades com potenciais financeiros muito parecidos e que, no caso do futebol americano, aplica uma gestão criteriosa das forças em jogo através de diversas limitações e do Draft que privilegia sempre a equipa com mais dificuldades. Numa lógica americana o Messi seria jogador do Celta Vigo durante os seus primeiros anos na liga Espanhola e o Barcelona ganharia o campeonato uma vez por década, estando a prazo condenado a tornar-se uma equipa do fundo da tabela numa liga dominada pelo Valladolid. A Evolução na NFL é constante e faz-se de fluxos lentos que ao longo de décadas vai fazendo dos campeões derrotados: É apenas uma questão de tempo. Ao escolher uma equipa pela sua performance devemos portanto retirar da equação qualquer tentativa de encontrar uma equipa dominadora ao estilo do nosso “soccer”. Resta-nos a escolha pelo património e a escolha pelo “bom momento” da equipa. Quando falamos de uma equipa como o Real Madrid pensamos numa longa tradição de dominação e por consequente de uma profunda cultura desportiva que reflete o seu património na modalidade. Escolher a sua equipa da NFL com base no seu historial poderá ser uma opção positiva. A NFL faz-se de equipas de poucos anos e de equipas centenárias. A dimensão verdadeiramente comercial do futebol americano faz nascer e morrer equipas conforme a sua situação financeira e as leis da oferta e da procura (as equipas vivem de adeptos). Por vezes estabelecer uma filiação na história total da equipa é um exercício complicado que faz-se de mudanças de nomes ou até de localizações e que nos obriga a questionar se o clube de há 50 anos pode realmente ser considerado como herdeiro legítimo do clube de hoje. Em todo o caso escolher a sua equipa com base na sua história e importância poderá fazer tanto sentido como escolher uma equipa particularmente recente e ter o prazer de assistir ao seu começo. Ambas as opções possuam uma vantagem significativa sobre a apreciação do momento: O Passado está sempre aqui para quem quiser contempla-lo. http://tribktla.files.wordpress.com/2013/10/adrian-peterson.jpg
Adrian Peterson considerado melhor running back do momento consegue cativar muitos fãs

Se optarmos por escolher uma equipa em bom momento de forma poderemos ter alguma segurança num futuro próximo. No entanto no meio de tantas equipas de qualidade poderá ser difícil escolher pois, como já o referimos, a dominação é muito relativa. A melhor opção será neste caso olharmos para certo aspeto do jogo que apreciamos. Aprecio mais as qualidades do ataque ou da defesa? Impressionam-me mais as ações de um corner ou as de um quarterback? Prefiro o jogo corrido de um running back ou o trabalho conjunto de uma primeira linha defensiva? Cada equipa terá as suas especialidades e, por consequente, grandes jogadores nestas posições. Deixar-se seduzir por determinado jogador é muitas vezes uma forma de escolher a sua equipa mas os riscos são grandes. Se optar por essa opção prepare-se para o pior: Se uma saída do jogador para outras paragens ou um fim de careira antecipado afetar o seu interesse pela equipa talvez esta não seja a melhor opção.

A Perfomance é um fator de curto prazo assim como o tempo presente pode não estar à altura do passado histórico. O Ideal é portanto encontrar uma equipa com um historial que o cativa e com um momento presente que corresponde às suas expectativas da modalidade. Se conseguir combinar esses dois fatores estará numa posição confortável e com boas memórias para recordar num futuro menos risonho. http://www.changingthetide.org/wp-content/uploads/2014/01/choice.jpg

A Teoria do Caos: De tudo se faz um fã
A lista de possíveis indicadores para a escolha da sua equipa é praticamente interminável e grandemente aleatória. Há quem escolhe a sua equipa com base no conselho de um amigo. Outros optam pela equipa com o equipamento que consideram mais bonito. Alguns fazem intermináveis exercícios comparativos entre a sua equipa favorita e a equipa da NFL, seja porque esta tem uma mascota semelhante, uma cor de equipamento parecida ou porque o seu jogador de soccer preferido foi à cidade da equipa passar férias o verão passado. Tudo pode ser um fator na escolha desde que esse ato de irracionalidade seja suficientemente forte para justificar a sua fidelidade a longo prazo. Escolher uma equipa é uma experiência entusiasmante e que compromete o nosso gosto pela modalidade de uma forma mais profunda. Criarmos uma ligação com certa equipa, e isso é particularmente verdade no futebol americano, não implica um “clubismo” ultraortodoxo que não permite a apreciação de qualquer outra. Se o Superbowl consegue atrair a atenção de tantos é principalmente porque a liberdade de pensamento e apreciação prevalece sobre qualquer sectarismo que nos enclausura no universo da nossa equipa de predileção. A nossa equipa é portanto uma componente extra na nossa experiência com a modalidade e não deve ser em nada um fator limitador da nossa visão global. Amar a sua equipa implica respeitar os seus adversários. Agora que conhecemos os critérios é tempo de olharmos para as nossas equipas