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SOTAU R.

virtual Odontol - Vol 5 Ano 2 - 2008

18

CURVA DE SPEE EM ORTODONTIA: REVISÃO DE LITERATURA

http://sotau.sind.googlepages.com/revista

Curve of Spee in Orthodontics: literature review

Raphael de Oliveira Bernardino * Tatiana Goldsmid Galvão Prota de Rezende *

Bernardino RO, Rezende TGGP. Curva de Spee em Ortodontia: revisão de literatura. SOTAU R. virtual Odontol. 2008, 2(5):18-21.

Resumo
O sucesso do tratamento ortodôntico é influenciado pela habilidade do ortodontista em fazer um planejamento correto e da sua capacidade de dominar mecânicas para tratar os inúmeros tipos de más oclusões, porém há grandes chances de ocorrerem falhas. A curva de Spee faz parte da prática diária na Ortodontia, porém poucas pesquisas já realizadas se dedicaram a avaliar a relação entre a profundidade da curva de Spee e as estruturas dento-faciais. Esse trabalho visa, portanto fornecer aos ortodontistas um melhor conhecimento sobre a curva de Spee.

Abstract
The success of the orthodontic treatment is influenced by the ability of the orthodontist in doing a correct planning and of his/her capacity to dominate mechanics to treat the countless malocclusions types, however there are great chances of happening flaws. The curve of Spee is part of the daily practice in Orthodontics; however few researches accomplished already if they dedicated to evaluate the relationship between the depth of the curve of Spee and bite-facial structures. This work seeks therefore to supply orthodontists a better knowledge on the curve of Spee.

Palavras-Chaves Curva de Spee, Mordida Profunda, Morfologia Craniofacial

Keywords Curve of Spee, Morphology Deep Bite, Craniofacial

*

Alunos da 8ª Turma de Especialização em Ortodontia do CTA.

ocorre um aumento na sobremordida. A perda do perímetro do arco relatada para nivelar a curva de Spee. A sobremordida é difícil de ser tratada ortodonticamente e oferece grandes chances de recidiva. quanto maior for a sobremordida. sendo que sua definição completa ocorre com a erupção dos segundos 1-3 molares permanentes . A sobremordida pode ser definida como o trespasse entre os incisivos superiores e inferiores. quando o segundo molar erupciona. perda dentária. Tanto a sobremordida quanto as diferentes profundidades da curva de Spee diminuem significantemente com o aumento da idade em .2008 19 pacientes jovens que passaram por tratamento 8 ortodôntico .0 mm. maior será a curva de Spee. pois dificilmente a autocorreção ocorrerá 6 naturalmente . Em casos onde a sobremordida excede os valores normais durante a fase de dentição mista. durante o tratamento. Freqüentemente está relacionada com retração gengival. valores a cima de 3. a correção ortodôntica é indicada. com idade entre 8 e 11 anos. As mudanças que ocorrem com o aumento do perímetro do arco dental são de extremo interesse para ortodontia. A curva de Spee pode ser considerada um problema. Ela pode ser considerada normal quando apresenta valores 6 entre 2. Outro trabalho estudou a influência da mecânica intrusiva de acentuação e reversão da curva de Spee no grau de reabsorção radicular dos incisivos superiores e inferiores. que é de grande importância no diagnóstico ortodôntico. que normalmente 14 não é interessante para a mecânica ortodôntica . Em crianças com dentição mista. que ocorre com a erupção dos segundos molares 3 permanentes . Portanto a recidiva da sobremordida está correlacionada com a curva de Spee pós-contenção. ou seja. interferências severas nos movimentos de abertura.Vol 5 Ano 2 . na elaboração do plano de tratamento. 19 inclinações dentais corretas e a relação interarcos . é um dos fatores que deve ser observado. Foi constatado que o grau de reabsorção radicular está diretamente relacionado INTRODUÇÃO A instalação da curva de Spee ocorre pela inclinação axial para mesial do primeiro molar permanente. A curva de Spee é uma importante característica do arco inferior e se apresenta severa em pacientes com más oclusões de Classe II com mordida profunda. O aumento no comprimento do arco inferior pode estar relacionado com o nivelamento da curva 15 de Spee em função da sua profundidade . sendo que ela aumenta entre 8 e 11 anos. virtual Odontol . Na fase de pós-contenção. diminui dos 12 aos 13 anos. A variação da profundidade da curva de 11 Spee influencia significantemente a sobremordida . sendo que o aumento da distância intercanina. em indivíduos com oclusão normal as características que se manifestam com maior freqüência são: curva de Spee suave. protrusão e lateralidade da mandíbula durante a mastigação e problemas temporomandibulares. maior será a recidiva da sobremordida. sendo que ela representa o alinhamento da superfície oclusal dos dentes posteriores de acordo com suas posições individuais no arco. provavelmente devido à 5 esfoliação e erupção dos dentes .0mm . Um desses estudos demonstrou que o uso de arco retangular ao invés do redondo não foi eficaz no controle da 20 protrusão durante o nivelamento da curva de Spee . com uma orientação mais ou menos curvada. o que proporcionará o 15-17 sucesso no tratamento ortodôntico . Alguns trabalhos comparam diferentes técnicas de mecânica ortodôntica para correção de sobremordida e nivelamento da curva de Spee e suas conseqüências para o paciente. A mudança na sobremordida em diferentes idades pode se dar devido à esfoliação e erupção dos dentes.SOTAU R. na estética Dentofacial e na estabilidade 13 da oclusão estática e funcional . sendo que o nivelamento dessa curva com redução da mordida profunda é um dos objetivos 4 do tratamento ortodôntico . porém a quantidade de nivelamento da curva de Spee durante o tratamento 2 não está relacionada à recidiva da mesma . Com a utilização de correta mecânica ortodôntica. não haverá vestibularização desses dentes durante o nivelamento da curva de Spee. A determinação da recidiva da sobremordida pode estar relacionada com características individuais de cada paciente e não na estabilidade da 12 curva de Spee conseguida no final do tratamento . Outro fator a ser considerado é o tamanho dos arcos dentários. A posição dos incisivos superiores e inferiores não é afetada pela variação existente na 9-11 profundidade da curva de Spee .0 a 3. Segundo Angle. não é um fator principal na causa da vestibularização dos incisivos inferiores. pois acarreta em recidiva 18 pós-tratamento ortodôntico . pois seu nivelamento resulta em aumento da vestibularização dos incisivos. REVISÃO DE LITERATURA A curva de Spee vai sendo definida pela substituição dos dentes decíduos pelos permanentes até a sua definição completa. apresentando-se como um aspecto necessário para a avaliação dos resultados dos 7 tratamentos e sua estabilidade . estabiliza entre 11 e 12 anos. E quanto maior o valor da curva de Spee pós-contenção. estabiliza novamente dos 13 aos 16 anos e diminui após a 5 erupção dos 3º molares por volta de 19 anos .

Yavuz I. Bergersem EO. Pacientes com más oclusões de classe II. È feito um plano horizontal no modelo da arcada inferior que se quer fazer a medição./fev. com a quantidade de correção da sobremordida e 21 com a intrusão dos incisivos superiores . European Journal of Orthodontics 2006 28: 262-68. Foi concluído neste estudo que não houve diferença estatisticamente significante entre as duas técnicas de tratamento ortodôntico da 19 sobremordida . Jakobsen JR. Post – treatmente development of curve of Spee. Figueiredo MC. onde Y é a circunferência do arco em milímetros e X é a soma em milímetros da profundidade máxima do lado direito e esquerdo 29 da curva de Spee . 9. Barbosa CS. REFERÊNCIAS 1. McNamara JÁ. Devido à correlação entre a profundidade da curva de Spee e a mordida profunda. 31-34. Zaher AR.. a curva de Spee é extremamente positiva. sendo que após tratamento ortodôntico a profundidade de ambos os lados desta curva são freqüentemente instáveis. Angle Orthod 2004 junho. Ceylan I.br Lie F. 6. Crepaldi. Sakima MT. R Dental Press Ortodon Ortop Facial 2006 set. Então a profundidade da curva de Spee é medida através da seguinte equação: Y = 0. Desenvolvimento da dentição mista (serial online) 2002 jul. PortalOdontologia. participaram de um estudo para comparar dois métodos de correção de sobremordida. 1982. ele consiga obter sucesso no final do tratamento ortodôntico. 74: 349-55. Zentner A. que vai do centro da incisal dos incisivos inferiores à ponta da cúspide distal dos segundos molares inferiores. divisão 1. 2.com. Bishara SE. 3.1723. em pacientes Classe II. Faculdade de . Existem algumas características que relacionam a anatomia craniofacial com mordida profunda. Universidade de São Paulo.SOTAU R. Guedes-Pinto AC. A curva de Spee é altamente variável entre os indivíduos e é influenciada pela morfologia craniofacial através da dimensão craniofacial vertical e pela posição mandibular em relação 26 base anterior do crânio . o que pode acarretar em 4 recidivas . Avaliação cefalométrica comparativa de dois métodos de correção da sobremordida. Bayadas B. um dos grupos foi tratado com aparelhos fixos e arco contínuo de liga níguel-titânio com curva de Spee reversa e o outro grupo foi tratado com mecânica de intrusão da técnica do arco segmentado. mista e permanente. Crepaldi A. Alguns pesquisadores criaram uma equação para mensurar a profundidade da curva de Spee. CONCLUSÕES O ortodontista deve saber que a característica genética em relação à curva de Spee 30 pode ser fator decisivo para a oclusão dentária . virtual Odontol . 2005. Investigation of the changes in the positions of upper and lower incisors. Bauru: Faculdade de Odontologia de Bauru. Portanto a importância do conhecimento da mesma. and irregularity index in subjects with different depths of curve of Spee. 7.. MV. Estudo da recidiva da sobremordida relacionada com a curva de Spee. estudos relatam que a linha intermaxilar não influi na curva de 27 Spee . 8. Gsuyu IM. Porém. Fonseca RC. o que pode garantir a estabilidade do mesmo. Os pacientes foram divididos em dois grupos. Atasaral N. Estudo com implantes metálicos (dissertação). Universidade de São Paulo. 10. Pinzam A. a dimensão maxilar é pequena e há tendência a 24 retrusão mandibular . division 1 malocclusions: extraction VS nonextraction treatments. 4. para que junto com o correto diagnostico e escolha certa do plano de tratamento. Fritas MR. Estudos relatam que após tratamento ortodôntico e reversão da curva de Spee não há relação estatisticamente significante da posição final dos incisivos inferiores com sobremordida e 11 apinhamento . overbite.2462x – 0. Di Nicoló R. Angle Orthod 1988 julho. O nivelamento da curva de Spee durante o tratamento ortodôntico fica estabilizada por um 22. Nesta. 23 longo período após tratamento ortodôntico .Vol 5 Ano 2 . Disponível em: www. A profundidade da curva de Spee e a largura do corpo da mandíbula diminuem quando há um aumento nas superfícies das áreas da parte 25 anterior do gôniaco . 11: 138-150. Por isso. JBO 2001 jan. 58: 237-256. tratadas ortodonticamente (dissertação). Parra SL. Bayati P. divisão 1. O longo eixo de todos os dentes inferiores deve convergir para um ponto da curva de Spee e esse ponto é oposto ao ponto do côndilo 28 mandibular . Kuitert R. com sobremordida de no mínimo 4 mm. alguns autores desenvolveram métodos para mensurar a curva de Spee. Desenvolvimento da sobremordida nas dentições decídua. Freitas KMS. com “oclusão normal” e com classe II. o ângulo gôniaco é mais fechado. na fase pós-contenção. overjet. em jovens leucodermas brasileiras. 5./out. A longitudinal study of anterior vertical overbite from eight to twenty years of age. Comparisons of the dental arch changes in patients with Classe II.2008 20 Não há diferença significativa na mensuração dos lados direito e esquerdo da curva de Spee. divisão !. Crepaldi AA. 64: 35158. Departamento de Odontologia. Avaliação da recidiva da sobremordida relacionada com as curvas de Spee e ocluso-incisal em casos tratados com extrações (dissertação). Angle Orthod 1994. há a necessidade de planificar a curva de Spee durante o tratamento ortodôntico. Estudo comparativo da sobremordida e da profundidade das curvas de Spee e oclusão-incisal.

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