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T e o l o g ia
S is t e m á t ic a
Pe c a d o ■ Salvação AS ÚLT1 MAS COISAS

A IGREJA

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ra d u z id o p o r

M a rc elo G on çalves

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D eg m ar R ibas

I a Edição Rio de Janeiro - 2010

TEOLOGIA
S is t e m á t ic a
Pe c a d o • Salvação AS ÚLTI MAS COISAS

A IGREJA

Todos os direitos reservados. C o p y rig h t © 2010 para a língua p ortu g u esa da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Título do original em inglês: Systematic Theology, Volume One and Two Beth any H ouse Publishers, G rand Rapids, M ichigan, EUA P rim eira edição e m inglês: 2003 Prep aração dos originais: Esdras B en th o e A nd erson G ran geão Revisão: Esdras B en th o e G u n ar Berg T radutores: M arcelo Gonçalves e D egm ar Ribas Capa: A lexand er Diniz A daptação de p ro je to gráfico e E d itoração: Oséas F. M aciel CD D: 2 3 0 -Teologia Sistem ática ISBN: 978-85-263-0980-7 As citações bíblicas fo ram extraídas da versão A lm eida Revista e Corrigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em co n trário . As citações bíblicas assinaladas pela sigla AEC referem -se a A lm eida Edição Contemporânea (São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil/Vida, 1990). As citações bíblicas assinaladas pela sigla BJ referem -se a A B íblia de Jeru salém , N ova Edição, Revista e A m pliada (São Paulo: Paulus, 2010; T erceira Im pressão, 2004). As citações bíblicas assinaladas pela sigla NTLH referem -se a N ova Tradução na Linguagem de H oje (B aru eri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2000). As citações bíblicas assinaladas pela sigla NVI referem -se a N ova Versão Internacional (São Paulo: Vida,

2001).
As citações bíblicas assinaladas pela sigla RA referem -se a A lm eida Revista e A tualizada (B arueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002). Para m aiores inform ações sobre livros, revistas, periódicos e os últim os lançam entos da CPAD, visite nosso site: h ttp :w w w .cpad.com .br. SAC — Serviço de A tend im ento ao Cliente: 0800-701-7373 Casa Publicadora das Assembleias de Deus Caixa Postal 331 20001-970, Rio de Janeiro, RJ, Brasil Ia edição: 2010

“C o m o o clím ax e a síntese de décadas de ensino e escritos de N orm an Geisler, esta obra inestim ável despertará o interesse de todos que apreciam abordagens filosóficas, históricas e apologéticas da Teologia. Explicações e definições de term os-ch ave to rn a m esse texto acessível para u m a am pla gam a de leitores, com eçand o pelos estudantes que iniciam na Teologia. Im pressionante no seu fôlego e nos detalhes, os tópicos são apresentados de m an eira lógica que estim ula tan to o aprendizado quanto à dissem inação do con h ecim en to adquirido. Estam os diante de u m a obra enciclopédica, que contém pérolas incontáveis escondidas em u m texto agradável. E tu do isso reunido em u m a só capa.” G ary R. Haberm as M estre da Universidade Liberty

“Em nossa época, são raros os estudiosos que respondem às objeções de críticos e céticos co m a perícia do Dr. N orm an Geisler. Para nós, felizm ente, ele apresenta as evidências bíblicas e a análise lógica dos tem as de m aneira clara e precisa, que lh e ajudará m u ito bem no seu estudo das doutrinas bíblicas.” D r. Jo h n F. A nkerberg Presidente do In stitu to de Pesquisas Teológicas A nkerberg

“Os m elh ores teólogos são aqueles que tam bém se destacam na Filosofia. Só que neste caso, logicam ente, n em sem pre conseguim os com preend er exatam ente o que eles estão querendo dizer. N orm an G eisler tem o dom singular de ser ao m esm o tem po um filósofo e u m teólogo que lida com conceitos profundos n u m a m aneira que o h om em simples consegue com preend er com facilidade. C onseqüentem en te, esta teologia sistem ática não ficará som ente n a escrivaninha dos estudiosos, mas tam bém na do pastor, e freqüentará tam bém a m esa de café de m u itos leitores leigos.” Dr. Paige Patterson Presidente do Sem inário Teológico Batista do Sudeste dos E.U.A.

“Em u m a era que co lo ca a sua ênfase na especialização, N orm al G eisler é u m exem plo de pessoa que apresenta a rara e preciosa habilidade de reun ir as três áreas necessárias para se exercer a Teologia Sistem ática: form ação filosófica m inuciosa, facilidade nas diversas categorias de teologia, e a capacidade de fazer a exegese do texto bíblico. Não con h eço n in g u ém que reú na estas três capacidades m e lh o r do que ele, e o V olum e 1, ju n ta m en te com os demais, é fru to de u m a vida de labor nestes cam pos. E, quando estas habilidades se com binam co m a excelência que G eisler apresenta co m o u m com unicad or, o resultado é verdadeiram ente m arcan te. Estou m u ito feliz em , finalm en te, ver esta Teologia Sistemática ser colocada à disposição da igreja. J. P. M oreland D istinto M estre em Filosofia, Faculdade de Teologia Talbot, Universidade de Biola “Tendo sido grand em ente beneficiado com o estudo da Teologia sob a orientação do Professor N orm an G eisler há cerca de vinte anos, desejei por algum tem po ver sua vasta

pesquisa teológica com pilada n a fo rm a de u m a Teologia Sistem ática. C o m a publicação deste prim eiro volu m e, o m eu desejo está se torn and o realidade! Para as pessoas que valorizam o pensar m inucioso, a lógica firm e, a ju sta ponderação e as perspectivas teológicas aguçadas, esta teologia sistem ática se con stitu i em ‘leitu ra indispensável.’ “ D r. R on Rhodes Presidente do M inistério “R easoning F rom S crip tu res”

SUMÁRIO
VOLUME TRÊS: “PECADO” E “SALVAÇÃO”

P a rte I: H u m a n id a d e e P eca d o (A n tr o p o lo g ia e H a m a r tio lo g ia ) Capítulo Capítulo C apítulo C apítulo U m : A O rigem dos Seres H um anos ............................................................................... 11 Dois: A N atureza dos Seres H u m a n o s............................ ............................................... 37 Três: A Origem do P eca d o ................................................................................................... 65 Q uatro: A N atureza do P e c a d o ......................................................................................... 83

C apítulo Cinco: Os Efeitos do P e c a d o ..............................................................................................103 C apítulo Seis: A D errota do Pecado ..................................................................................................131 P a rte II: S a lv a ç ã o (S o te r io lo g ia ) C apítulo C apítulo C apítulo C apítulo C apítulo C apítulo Capítulo C apítulo Capítulo Capítulo Sete: A Origem da S alv ação ...............................................................................................157 Oito: As Teorias da Salvação .............................................................................................177 Nove: A N atureza da S a lv a çã o .........................................................................................195 Dez: As Evidências da S a lv a ç ã o ....................................................................................... 229 Onze: O A lcance da Salvação (Expiação Lim itada ou Ilim itada) ...................... 263 D oze: O A lcance da Salvação (U n iv ersa lism o )......................................................... 301 Treze: A Exclusividade da Salvação (Pluralism o) .....................................................321 Q uatorze: Os Efeitos da Salvação (Infantes e Pagãos) ............................................339 Q uinze: A Condição para a Salvação ........................................................................... 375 Dezesseis: O Teor da S a lv a ç ã o ..........................................................................................427

A p ên d ices Apêndice Apêndice Apêndice Apêndice Apêndice U m : A vida hu m ana com eça m esm o na concepção? ...........................................453 Dois: Será que a vida hu m ana com eça na fixação do óvulo no ú te r o ? .........459 Três: A D upla P red estin a çã o ...........................................................................................465 Quatro: Será que Jesus era descendente físico de A dão?....................................... 469 Cinco: O Perfeccionism o W esleyano ............................................................................473

B ib li o g r a f ia ...............................................................................................................................................487

PARTE

UM

HUMANIDADE E PECADO
(ANTROPOLOGIA E HAMARTIOLOGIA)

A ORIGEM DOS SERES HUMANOS

on form e analisam os no V olum e 2, todos os teólogos evangélicos crêem que os prim eiros seres hu m anos foram criados d iretam ente por Deus. Tendo isto em m ente, con cen trar-n o s-em os nas condições originalm ente criadas para Adão e Eva, nas quais oco rreram tan to a tentação com o a Queda. Tudo isso servirá com o preparação do cenário para um a abordagem da origem da alm a de cada ser h u m an o segundo Adão, bem co m o servirá com o con texto para a com preensão da depravação in eren te herdada pela hum anidade, desde a época da Criação.

C

AS CONDIÇÕES ORIGINAIS NA CRIAÇÃO
Deus é absolutam ente p erfeito1e, conseqüentem ente, sua criação tam b ém foi perfeita. Moisés declarou: “Ele é a R o ch a cu ja obra é perfeita” (D t 32.4). Davi acrescentou: “O cam in h o de D eus é p erfeito” (2 Sm 22.31). Jesus disse: “Sede vós, pois, perfeitos, com o é perfeito o vosso Pai” (M t 5.48). Nada m enos do que a perfeição pode vir de u m Ser absolutam ente perfeito, e é próprio de u m ser perfeito criar som en te coisas perfeitas, já que os efeitos carregam a im agem da sua Causa.2

A BASE BÍBLICA PARA O ESTADO ORIGINAL DE INOCÊNCIA E PERFEIÇÃO
D e acordo com Gênesis 1-2, Adão e Eva foram criados em to tal inocência. Não havia n e n h u m tipo de m alícia na sua natu reza ou no am biente onde eles foram inseridos. Eles “não se envergonhavam ” (G n 2.25), e ainda não con h eciam o “bem e o m a l” (3.5). Em sum a, além de não con h ecerem n e n h u m tipo de culpa por qualquer tipo de pecado, eles tam b ém eram inocentes co m relação ao pecado. A lém disso, m esm o a tentação do “sereis co m o Deus, sabendo o b em e o m a l” (G n 3.5) im plica que eles não con h eciam o m al antes de caírem . N a verdade, foi som ente ao degustarem o fru to proibido que: “foram abertos os olhos de am bos, e co n h eceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (3.7). De acordo com o Novo Testam ento, pela desobediência, Adão e Eva se to rn aram pecadores (R m 5.12; 1 T m 2.14) e tro u xeram condenação sobre si m esm os e sobre toda a sua posteridade:
1 Vide volume 2, capítulo 4. da Humanidade.” 2 Cf. Tiago 1.17; vide também volume 2, capítulo 18, sob o título “A Natureza

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

“Por u m a só ofensa veio o ju ízo sobre todos os h om ens para cond enação” (R m 5.18).3 Antes disso eles eram ilibados.

Um Estado de Virtude e Retidão
A lém de serem inocentes, sem m alícia, Adão e Eva eram m o ra lm en te virtuosos em fu n ção do estado em que foram criados, pois D eus os dotou de perfeição m oral. Salom ão escreveu: “Vede, isto tão -som en te achei: que Deus fez ao homem reto, mas ele buscou m uitas invenções” (Ec 7.29).4 A palavra hebraica para designar “r e to ” éyashar, e significa “retidão,” “honestidade,” ou “integridade”; ela é a m esm a palavra utilizada em conexão co m “ju s to ” (D t 32.4), “re to ” (Jó 1.1), e “p u ro ” (Jó 8.6). C onseqüen tem ente, yashar não d enota m eram en te a ausência de maldade, mas tam bém a presença da bondade — não se trata, sim plesm ente, da ausência de vício, m as a presença real da virtude. Existem duas visões básicas a respeito da origem deste estado de pureza na criação. A Visão Sobrenatural Jo n ath an Edwards (1703-1758) sustentou que este estado original teria sido u m estado de graça sobrenatural no qual Adão foi criado antes da Queda, m as que em função do pecado foi perdido:
A história [de Gênesis 1-3] nos leva a su por que o pecado de A dão, no que diz respeito ao fru to proibido, foi o primeiro pecado co m etid o . E este n ão p od eria ter o co rrid o , caso, até aquele m o m e n to , ele n ão tivesse sem pre sido perfeitam en te íntegro — íntegro desde o prim eiro m o m e n to da sua existência; e, co n seq ü en tem en te, n ão tivesse sido criado, ou trazido à existência, de fo rm a íntegra. [A lém disso], em u m agente m o ral, sujeito às obrigações m orais, é a m esm a coisa, ser perfeitam en te inocente e ser perfeitam en te integro. Precisa ser a m e sm a coisa, p orq u e n ão p od e m ais haver u m m e io -te rm o en tre p ecad o e integridade, ou en tre estar certo e estar errado, n u m sentido m o ral, da m esm a fo rm a que n ão pode h aver tam b ém u m m e io -te rm o en tre ser re to e ser to r to , n u m sentido n a tu ra l. ( W JE , 1.178)

Tom ás de A quino (1225-1274) e os seus seguidores na Igreja católica tam bém sustentavam o m esm o p o n to de vista, ou seja, que a retidão original não era natu ral, mas sobrenatural. U m erudito católico afirm ou que foi necessário que D eus transm itisse a
3Como já vimos, a palavra antropologia, que significa “estudo dos seres humanos,” vem, em parte, do vocábulo grego anthropos, que normalmente ocorre (na Bíblia) nas suas formas original ou derivativa. Apesar de algumas traduções coloquem unilateralmente as variações de anthropos como “hom em” ou “homens” (por exemplo, em Romanos 5.18, conforme acima), existem outros exemplos bíblicos onde anthropos se refere a “um ser humano” (independente do gênero) ou a “pessoas” (de ambos os gêneros). Nos léxicos especializados, isto é amplamente confirmado; por exemplo, Harold K. Moulton define anthr— pos como “um ser humano,” “um indivíduo” [metaforicamente], “o homem interior” (Analytical Greek Lexicon Revised {léxico Grego Analítico Revisado} (Grand Rapids.- Zondervan, 1993, 77-78). Com relação aos usos soteriológicos de anthropos, as pessoas que defendem que esta palavra, em todas as suas formas, sempre e somente significa “homens” ficam obrigados a sustentar que Deus deseja salvar somente indivíduos do sexo masculino. passagens foram acrescentados pelo autor. 4Todos os grifos nas

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Adão esta retidão sobrenatural na criação “a fim de proporcionar u m rem édio para esta doença ou langor da natu reza hu m ana, que surge da natu reza da organização m aterial” (citado por Shedd, H CC, 1.143). O conh ecid o teólogo reform ad o W illíam G. T. Shedd (1820-1894) criticou esta visão com o u m a “relíquia da idéia gnóstica acerca da m atéria” (ibid., 1.147), e a rejeitou pois, “se assim o fosse, D eus teria criado o h o m em já em estado de pecado” (ibid., 1.148).5 A Visão Natural Shedd argum entava que este estado de perfeição n a criação era natural, ou seja, a própria natu reza com a qual D eus criara Adão era m o ra lm en te reta e perfeita. Ele observou que a m esm a palavra (hebraico: yashar) é utilizada por D eus para se referir a Jó: “Este era h o m em sincero, reto e tem en te a Deus; e desviava-se do m a l” (Jó l . l ) . 6 A ju stiça original está contida n a própria idéia de u m h o m em que foi criado pelas m ãos do Criador. Ela é parte do seu dote de criação, e de nada precisa ser acrescentada. A obra do Criador é perfeita, e não precisa de n e n h u m a espécie de aperfeiçoam ento, (op. Cit. 1.145) Em sum a, de acordo com a visão natu ral, com o Deus é perfeito, Ele é incapaz de criar um a criatura im perfeita. Logo, o estado natu ral de Adão e Eva, desde o m o m en to da criação, era, necessariam ente, de perfeição.

Um Ambiente Perfeito
A lém de um a natu reza perfeita, Adão tam bém recebeu u m am biente perfeito. No Éden não havia pecado, aquele lugar era u m paraíso de bondade. D eus o havia criado (G n . 2.8ss), e tudo o que D eus criou era “m u ito b o m ” (G n 1.31). No Éden não havia n e n h u m a im perfeição m o ral (ou m etafísica); em todos os sentidos aquele era um lugar, sem m áculas. Não havia n e n h u m a tendência ao m al por parte de Adão, e nada de ru im acerca do am biente ao seu redor. A criação não estava su jeito à corru p ção, da fo rm a co m o ficou depois da Q ueda (R m 8.22). Não havia m o rte no gênero h u m an o (R m 5.12) e tan to a natu reza in tern a quanto extern a eram absolutam ente perfeitas.

Um Estado de Domínio
No estado original da criação, a hum anidade não era serva da natu reza, mas exercia seu sen horio sobre ela. O h o m em n ão era escravo do seu braço forte; ao contrário, a natu reza lhe servia, pois ela estava su jeito à hum anidade. D eus disse aos seres hum anos: “Enchei a terra, e sujeitai-a; e dom inai sobre os peixes do m ar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o anim al que se m ove sobre a te rra ” (G n 1.28).

5 É contraditório se propor que Deus deu a Adão a retidão sobrenatural na criação e ao mesmo tempo sugerir que havia uma “doença ou langor da natureza humana.” 6Entretanto, a justiça de Adão era original; Jó, apesar de ser reto e sincero, viveu depois da Queda. O fato de Jó “se desviar do m al” demonstra que ele tinha consciência do mal, o que Adão, de acordo com Gênesis, não tinha.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

Um Estado de Responsabilidade Moral
Tudo isso não significa que Adão não precisaria prestar contas a nin g u ém que estivesse acim a dele. Na verdade, ele estava em estado de subordinação, pois “E ordenou o SEN H O R Deus ao h om em , dizendo: De toda árvore do jardim com erás livrem ente, mas da árvore da ciência do bem e do m al, dela não com erás; porque, no dia em que dela com eres, certam en te m o rrerá s” (G n 2.16-17). D eus lh e havia dado u m a ordem , e Adão tin h a a responsabilidade de obedecer ao Criador. C o m o sabem os, foi exatam ente neste ponto que Adão falhou, de m aneira m iserável (G n 3.1ss; cf. R m 5.12-21; lT m 2.14). Adão estava livre no sentido em que suas ações fo ram autodeterm inadas;7 D eus falou de m aneira bastante específica: “De toda árvore do jardim com erás livremente” (G n 2.16). Quando Adão escolheu desobedecer esta ordem , D eus o considerou culpado, com a seguinte pergunta: “C om este tu da árvore de que te ordenei que não comessesl” (3.11). As palavras grifadas claram ente indicam que houve um ato de autod eterm inação (cf. v. 13). Tu fizeste isso, disse Deus. P ortan to, tu tam bém serás responsável pelo teu ato, sustentou o Criador. N inguém m ais fez com que Adão e Eva com etessem o pecado, n e m m esm o o próprio Diabo, que foi o au to r da tentação. Assim é a natu reza autod eterm inad a da liberdade.8 O bviam ente, estas pessoas perfeitas em u m paraíso perfeito não estavam livres de um intru so im perfeito. Satanás, u m arcan jo decaído, havia se rebelado con tra o Criador, levando consigo u m terço dos anjos do céu (Ap 12.4, 9). Através do engano astuto, o grande enganador persuadiu Eva e, por seu interm édio, Adão à desobediência contra D eus (R m 5.19; 1 T m 2.14). Por u m a decisão livre e não-coagida das suas vontades, o casal perfeito no paraíso perfeito caiu n a im perfeição — e ju n to co m eles todo o m undo veio tam bém abaixo. A sua desobediência gerou a m o rte e a destruição (R m 5.12-21; 8.20-23). E im p ortan te salientarm os que Adão e Eva não fo ram seduzidos a m en tir, a fraudar, a roubar ou a am aldiçoar. Na verdade, a sua natu reza m o ral era perfeita; logo, eles não eram vulneráveis a este tipo de tentação. O mandamento que Deus lhes deu para não comerem do fruto proibido não fo i uma ordem para se afastarem daquilo que fosse intrinsecamente mau. Eles não tin h am qualquer problem a com este tipo de coisa, pois estavam protegidos pelo seu estado íntegro e virtuoso. A sua vulnerabilidade estava no teste que teriam de enfrentar: Será que eles obedeceriam simplesmente porque aquilo lhes havia sido dito? “É assim que Deus disse?” foi u m a das arm adilhas que eles en fren taram por parte do Diabo (G n 3.1). A sua responsabilidade m o ral para com D eus dizia respeito a u m ob jeto que era m o ralm en te n eu tro. Deus poderia ter dito, por exem plo: “Não co lh a n en h u m a m argarida do jard im .” P ortanto, co m o já estudam os, a questão não era do pecado ser in eren te à substância que eles to caram ; a ten tação do pecado foi no sentido de seduzilos a desafiar D eus e, p o steriorm en te, to rn arem -se conscientes do m al que representa u m a escolh a feita em oposição à sua vontade. Nenhum mal interior ou exterior os levou a transgredir. Som en te u m uso grosseiro da liberdade, erron eam ente exercido, desencadeou a obediência e as suas lúgubres conseqüências. Aqui, talvez, esteja a solução de u m p roblem a espinhoso: Se Adão e Eva tivessem com etid o ou tros pecados antes de co m er o fru to proibido, será que estas outras transgressões teriam antecipado a Queda? A resposta para isso pode m u ito bem estar no
7Vide capítulo 3, adiante. 8 Ibid.

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fato de lhes ser im possível pecar em outras questões, ju stam en te por terem sido criados perfeitos. C ertam en te Satanás tam bém lhes teria tentado nestas outras questões, se isto lhes fosse possível, m as não existe qualquer indicação de que isto te n h a ocorrido. E m u ito mais provável que som en te a desobediência àquele com ando específico de Deus desencadearia a Q ueda e precipitaria toda a criação na m o rte e no desastre.

A BASE TEOLÓGICA PARA O ESTADO ORIGINAL DE INOCÊNCIA E PERFEIÇÃO
A condição perfeita do estado originalm ente criado deriva da natu reza de D eus com o um ser absolutam ente perfeito. O argu m ento segue a seguinte linha: (1) D eus é um ser absolutam ente perfeito. (2) U m ser absolutam ente perfeito é incapaz de produzir um a criação im perfeita. (3) Logo, a criação original foi feita n a perfeição.

Deus É um Ser absolutamente Perfeito
C om o está questão j á foi dem onstrada em ou tra parte desta obra,9som ente reverem os o esboço da idéia. A base bíblica para a perfeição m o ral de D eus pode ser encontrada em diversas passagens. “Ele é a R o ch a cu ja obra é perfeita, porque todos os seus cam inhos ju ízo são; Deus é a verdade, e não há nele in ju stiça; ju sto e reto é ” (D t 32.4). “O cam in h o de Deus é perfeito [...] D eus é a m in h a fortaleza e a m in h a força, e ele perfeitam ente desem baraça o m eu cam in h o ” (2 Sm 22.31). “Tens tu notícia do equilíbrio das grossas nuvens e das m aravilhas daquele que é perfeito nos con h ecim entos?” (Jó 37.16). “O cam in h o de Deus é perfeito; a palavra do SEN H O R é provada” (SI 18.30). “A lei do SEN H O R é perfeita e refrigera a alm a” (SI 19.7). “O SEN H O R, tu és o m eu Deus; exaltar-te-ei e louvarei o teu nom e, porque fizeste m aravilhas; os teus conselhos antigos são verdade e firm eza” (Is 25.1). “Sede vós, pois, perfeitos, co m o é perfeito o vosso Pai, que está nos céus” (M t 5.48). “Q uando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado” (IC o 13.10). “[Aquele] a quem anunciam os, adm oestando a todo h o m em e ensinando a todo h om em em toda a sabedoria; para que apresentem os todo h o m em perfeito em Jesus C risto” (C l 1.28). “Toda boa dádiva e todo d om perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há m udança, n em som bra de variação” (T g 1.17). “Na caridade, não há tem or; antes, a perfeita caridade lança fo ra o te m o r” (1 Jo 4.18). A base teológica para a perfeição de D eus tam b ém pode ser fundam entada por outro raciocínio. Por um lado, o nosso co n h ecim en to do im perfeito im plica u m parâm etro daquilo que é “Perfeito” por excelência; porque não se pode saber o que não é perfeito se não souberm os o que é “Perfeito,” é preciso haver u m Perfeito (D eus). D a m esm a form a com o não se pode saber se u m círcu lo é falho, a não ser que se saiba o que é u m círculo preciso, as im perfeições m orais tam bém não podem ser detectadas se não possuirm os algum conceito de perfeição m oral. A lém disso, sendo Deus u m Ser m o ral, conclui-se, a partir de três dos seus atributos m etafísicos, que Ele precisa ser m o ra lm en te perfeito. O raciocínio apresenta a seguinte conclusão:
9 Vide volume 2, capítulo 14.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

(1) A natureza de Deus é moralmente perfeita. (2) Deus é infinito, imutável e necessário pela sua própria natureza.10 (3) Logo, Deus é moralmente perfeito de forma infinita, imutável e necessária.

Um Ser absolutamente Perfeito É Incapaz de Produzir uma Criação Imperfeita
Como já verificamos, esta premissa está fundamentada em princípios de analogia e causalidade, que já foram defendidos anteriormente.1 1 De forma breve, o efeito precisa guardar semelhança com a causa na sua atualidade, mas não na potencialidade.1 2Assim, se o Criador faz algo com perfeição moral, Ele também precisa apresentar as mesmas características que transmitiu à coisa criada, pois uma causa não pode transmitir uma perfeição que não possui, nem pode compartilhar daquilo que não tem para compartilhar. Contudo, ao contrário da Causa de todas as coisas, o efeito precisa ser limitado — ele precisa ter potencialidade para ser/ou não ser algo diferente do que ele é, seja de forma acidental ou substancial.1 3 Assim, apesar do efeito ser similar à sua causa no que tange à sua atualidade, ele pode ser divergente nas suas potencialidades e limitações, já que Deus é Pura Atualidade.

A BASE HISTÓRICA DO ESTADO ORIGINAL DE INOCÊNCIA E PERFEIÇÃO Os Pais da Igreja Primitiva
Ireneu (c. 125-c. 202 d. C.)

Ireneu defendia que Deus não concedeu a perfeição absoluta à humanidade — somente Deus seria absolutamente perfeito. Adão era finitamente perfeito, entretanto ele não foi testado nesse respeito. Dessa forma,
Se [...] qualquer pessoa disser: “Qual o problema? Será que Deus não poderia ter apresentado o homem como um ser perfeito desde o princípio?” Que esta pessoa saiba que como Deus é, na verdade, não gerado e imutável no que diz respeito a si mesmo, todas as coisas lhes são possíveis. Mas as coisas criadas precisam ser inferiores àquele que as criou, a partir do simples fato da sua origem posterior; pois não é possível que coisas recentemente criadas não tenham sido criadas. Todavia, justamente por terem sido criadas, elas não atingem um estado de perfeição [absoluta]. (AH, 1.4.38.2). No princípio, Deus tinha o poder de conceder perfeição [absoluta] ao homem; mas como este último havia somente sido criado recentemente, não existe a possibilidade de ele a ter recebido, ou mesmo que a tivesse recebido, não a poderia ter contido, ou se a contivesse, não poderia tê-la retido, (ibid.)

1 0 V id e v o l u m e 2 , c a p í t u l o s 3 - 5 . c a p í t u l o 2.

1 1 V id e v o l u m e 1, c a p í t u l o 7 - 9 p a r a m a i o r e s d e t a l h e s .

1 2 V id e v o l u m e 2 ,

13 U m ser que se torna a lg o d ife re n te daquilo que é e x e m p lifica u m a m u d a n ça su b sta n cia l; u m ser q u e rece b e algo

d iferen te d aq u ilo q ue te m é u m e x e m p lo de m u d a n ça acid en tal. V id e ta m b é m o v o lu m e 2, c a p ítu lo 4, sob os a rg u m e n to s de T om ás de A q u in o e m defesa da im u ta b ilid a d e d e D eus.

A ORIGEM DOS SERES HUMANOS

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Teófilo (c. 130-190d.C.) Tendo Deus completa a criação dos céus, da terra, do mar e de tudo o que neles há, no sexto dia, Ele descansou no sétimo dia, de todas as obras que havia feito [...] e depois de formar o homem, Deus separou para ele um local situado na região do Oriente, com excelente luminosidade, com uma atmosfera viva, com uma rica variedade das melhores plantas; e ali o colocou. (TA in Robert e Donaldson, ANF, II.2.19)

Os Pais Eclesiásticos Medievais Os grandes teólogos da Idade Média corroboravam com a idéia da perfeição de Adão a partir do momento da criação. Agostinho se apresenta como um caso marcante:
Agostinho (354-430 d. C.) A natureza humana, na verdade, foi primeiramente criada sem mácula e sem pecado; mas esta natureza de homem, da qual todos nascem a partir de Adão, agora, deseja um médico, porque não está mais sã. (ONG, 3) Da mesma forma, afirmamos que não existe um bem imutável além do verdadeiro e bendito Deus; que as coisas feitas por Ele são, na verdade, boas por sua causa, porém mutáveis porque não feitas a partir dele, mas a partir do nada. (CG, 12.1) Anselmo (1033-1109 d. C.) O homem tendo sido feito em santidade e foi colocado no paraíso [...] por assim dizer, no lugar de Deus, entre Deus e o Diabo, para conquistar o Diabo por meio da resistência à tentação, e assim vingar a honra de Deus e envergonhar o Tentador, porque este homem, mesmo sendo mais fraco e habitando neste mundo, não deveria pecar, mesmo diante da tentação do Maligno. (CDH, LXXII) Tomás de Aquino (1225-1274) Isto também fica claro a partir da própria integridade do estado original, em virtude do qual, apesar de continuar em sujeição a Deus, as forças inferiores do homem estavam sujeitas às superiores, e não se constituíam em impedimento à sua ação. E a partir daquelas que precediam, fica claro que, no que concerne ao seu próprio objeto, o intelecto é sempre verdadeiro [...] Portanto, fica claro que a retidão do estado original era incompatível com qualquer fraudulência do intelecto. O paraíso era um lugar adequado para o homem no que diz respeito à incorruptibilidade do estado original. Só que esta incorruptibilidade foi concedida ao homem, não de forma natural, mas por um dom sobrenatural da parte de Deus. Portanto, para que ela pudesse ser atribuída à graça de Deus, e não à natureza humana, Deus criou o homem fora do paraíso, e só depois ali o colocou para viver o período completo da sua vida terrenal; para, depois de alcançar a vida espiritual, ser transferido dali para o céu. (ibid., Ia. 102.4)

Os Líderes da Reforma
Martinho Lutero (1483-1546) A imagem de Deus, na qual Adão foi criado possuía uma beleza e uma nobreza supremas. A lepra do pecado não contaminava nem a sua razão, nem a sua vontade, mas todos os

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seus sentidos eram puros, interior e exteriormente. O seu intelecto era muito claro, sua memória muito boa e a sua vontade muito sincera. A sua consciência era tranqüila e segura, sem nenhum medo da morte e sem preocupações. Somando-se a estas perfeições interiores, estava também a força corporal bela e suprema em todos os seus membros, com a qual ele sobrepujava todas as outras criaturas viventes na natureza. Pois, creio firmemente que antes do pecado, os olhos de Adão eram tão nítidos e sua visão tão aguçada que ele superava o lince e a águia. Adão também superava em força os leões e os ursos, que são animais fortes, da mesma forma que lidamos hoje em dia com pequenos cães. (WLS, 878) Se quisermos falar de filósofos de destaque, falemos então dos nossos primeiros pais enquanto eram puros e não-contaminados pelo pecado. Pois eles tinham o conhecimento mais perfeito de Deus. E, na verdade, como eles não conheceriam aquele cuja imagem eles já tinham sentido em si mesmos? (ibid., 1046-47) João Calvino (1509-1564) A nossa definição de imagem para ser incompleta fique bem claro em quais faculdades o homem atinge excelência, e em quais ele deve ser considerado como espelho da glória divina. Isto, entretanto, não pode ser conhecido de melhor forma do que se fazendo o uso do remédio providenciado para a corrupção da natureza. Não se pode duvidar que quando Adão perdeu o seu estado original, ele se tomou alienado de Deus. Portanto, embora saibamos que a imagem de Deus não foi completamente erradicada, nem completamente destruída no ser humano, ela foi, contudo, tão corrompida, que tudo o que restou não passa de uma terrível deformação; e, dessa forma, a nossa libertação se inicia com esta renovação que é obtida por intermédio de Cristo, que é, portanto, chamado de segundo Adão, porque é Ele quem nos restaura para a integridade substancial e verdadeira. (ICR, LXVV)

Os Mestres Pós-Reforma
Ja có Armínio (1560-1609) O homem, tendo sido posto em um estado deintegridade, caminhava em passos confiantes no caminho dos mandamentos de Deus; por este ato desagradável ele colidiu ou ofendeu a própria lei, e decaiu do seu estado de inocência (Rm 5.15-18) [...] o homem cometeu este crime, depois de ter sido ali colocado em um estado de inocência e adornado por Deus com dons tão excelentes quanto o “conhecimento de Deus,” a “justiça e a verdadeira santidade”. [Gn 1.26-27; Cl 3.10; EÍ4.24] (WJA, 1.485) “Apesar de haver tantas condições para não se pecar, especialmente no ato em si, o homem não se absteve deste pecado” [Gn 2.16-17], (ibid.) Charles Hodge (1797-1878) Na imagem moral de Deus, está incluída na justiça original: (1) a harmonia perfeita e a subordinação devida de tudo aquilo que constitui a sua razão; suas afeições e apetites à sua vontade; o corpo era o órgão obediente da alma. Não havia rebelião da parte sensual contra a parte racional da sua natureza, tampouco qualquer tipo de desproporção

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entre ambas que demandasse um controle ou equilíbrio por parte de outros dons ou influências; (2) E além deste equilíbrio e harmonia da constituição original do homem, a perfeição moral na qual ele se assemelhava a Deus, incluía também o conhecimento, a justiça e a santidade. (ST, 11.99) Shubert Ogden (1928j [...]) Em certo sentido, é claro, a Teologia protestante sempre foi crítica acerca desta distinção, da forma como ela é compreendida e empregada pelos teólogos católicos. A Ortodoxia luterana e a reformada rejeitaram a doutrina da “justiça original” como um donum superadditum. Os reformadores alegavam que se afirmássemos que o nosso estado natural era imperfeito, entraríamos em choque com Gênesis 1.31 (Schmid: 158; Heppe: 190-191). Contudo, o entendimento dos teólogos católicos acerca dos dons originais é que Deus os concedeu aos seres humanos; eram naturais e não excluíam a possibilidade de se tratar a revelação de Deus em Jesus como sobrenatural. Pois mesmo estes dons naturais podem ser chamados de sobrenaturais, à medida que estão “acima da natureza corrompida pelo pecado e não são restaurados, salvo pela graça sobrenatural” [Heppe: 191] (OT, 33).

TRÊS PONTOS DE VISTA ACERCA DA ORIGEM DA ALMA HUMANA
Os cristãos têm tido três pontos de vista básicos acerca da origem da alma. O prim eiro, a visão da pré-existência, a qual foi, subseqüentem ente, considerada herética, u m a vez que contradiz o ensinam ento claro das Sagradas Escrituras acerca da criação dos seres h u m an o s.1 4O ponto de vista da pré-existência apresenta duas variantes: a platônica (não criada) e a cristã (criada). A prim eira serve co m o pano de fundo para a com preensão da segunda.

Duas Formas de Perspectiva da Pré-existência
A Visão da Pré-existência Não-criada De acordo com Platão (c. 427-347 a.C .), a alm a do ser h u m an o não é intrinsecam ente im ortal, contu d o ela tam bém é etern a (vide P); ela nu nca foi criada, mas é parte integrante do m u nd o etern o que existe à parte de D eus (os D em iurgos). T al qual o co rre com o m u nd o das Form as eternas (das Idéias) proposto por Platão, tam bém existem , segundo o m esm o filósofo, alm as eternas que existem em virtude da A lm a Cósm ica, a qual anim a todas as coisas. Antes do nascim en to, supostam ente, estas alm as entrariam em u m corpo (n o ventre de u m a m u lh e r) e se “en ca rn a m ” em u m corpo h u m an o. Assim, os seres hum anos são, essencialm ente, alm as eternas que habitam tem p orariam en te em corpos físicos. Assim se apresenta a visão da pré-existência, e os problem as co m ela se agrupam em três categorias: (1) ela não é bíblica, (2) ela não é científica e (3) tam bém não é filosoficam ente consistente. Primeiro, a Bíblia declara de fo rm a clara que os seres hum anos foram criados, tan to o corpo, quanto a alm a.1 5 E, se foram trazidos à existência em u m determ inado m o m en to no tem po, pode-se afirm ar que não existiam na eternidade passada.

1 4 O s o u tro s são: o p o n to de vista da criação e o traduciano, os quais serã o d ora v a n te exp licad os. 18-19.

15 V id e v o lu m e 2, ca p ítu lo s

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as evidências científicas indicam que a vida individual se inicia na concepção.1 6 Terceiro, um número infinito de momentos é algo impossível, já que o momento presente é o final de todos os momentos que o antecederam, e uma série infinita de momentos não pode apresentar fim (vide Craig, K C A ). Assim, nenhum ser humano (temporal) pode ser eterno.
Segunda,

A Visão da Pré-existência Criada A visão da pré-existência criada, sustentada por alguns pais da igreja pós-apostólica, apresenta muitas semelhanças com o ponto de vista de Platão. Orígenes (c. 185-C.254 d.C.) e até mesmo Agostinho (na sua juventude) acreditavam que a alma existia antes do nascimento, com a diferença de que em vez de possuir existência independente da sua criação na eternidade, ela teria sido criada por Deus, desde a eternidade. Ao insistir na criação, os aderentes da visão da pré-existência criada esperavam preservar a dimensão cristã da visão platônica, mas, apesar disso, foram condenados como hereges. Agostinho corretamente reverteu esta ligação errônea com o Pré-encarnacionismo na sua obra Retractions (Retrações); pois a Bíblia declara que os seres humanos tiveram um começo (cf. Gn 1.27; Mt 19.4).

A Perspectiva da Criação: A Alma Foi Criada Diretamente por Deus
Depois de abordarmos as duas formas insustentáveis de visão da pré-existência, restamnos ainda duas outras perspectivas básicas, defendidas pelos teólogos ortodoxos, acerca da origem da alma humana depois da criação original. A primeira é o Criacionismo, ao qual examinaremos neste momento, e a segunda é o Traducionismo, que veremos mais adiante. A essência do Criacionismo, a respeito da alma humana, é que Deus cria diretamente um novo indivíduo para todas as pessoas que nascem neste mundo. Apesar do corpo de cada novo ser humano ser gerado pelos seus pais por intermédio de um processo natural, a alma é sobrenaturalmente criada por Deus. Vários autores cristãos têm defendido o momento desta criação direta da alma em diferentes pontos do desenvolvimento do corpo humano. Existem várias vertentes acerca deste tema:
A Criação da A lm a na Concepção

A maior parte dos cristãos evangélicos que defendem a visão criacionista sustenta que a criação da alma por Deus ocorre no momento da concepção. Existem evidências bíblicas e científicas a favor desta posição.

As Evidências Bíblicas
Davi escreveu: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (SI 51.5). Jesus foi o Deus-homem a partir do momento da concepção, pois o anjo declarou: “José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo”.
1 6 V id e apên d ice 1.

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As Evidências Científicas
A ciência m o d ern a nos proporcionou u m a jan ela para o ventre fem inin o. C om o resultado, h oje em dia as evidências são mais claras do que nunca: o início da vida individual (da alm a h u m ana) dar-se no exato m o m en to da concepção (fertilização). Primeiro, constitu i-se n u m fato genético o fato de um óvulo h u m an o fertilizado ser cem por cento hu m ano. A partir daquele exato m o m en to , toda a inform ação genética já está presente naquela vida, e nada mais se acrescenta do m o m en to da concepção até a m o rte do indivíduo. Segundo, todas as características físicas daquela vida já estão contidas n o código genético presente n a concepção. Terceiro, o sexo daquela criança já é determ inado no m o m en to da concepção. Quarto, u m óvulo fem inin o apresenta vinte e três crom ossom os; u m esperm atozóide m ascu lino, ou tro vinte e três; u m ser h u m an o n o rm al apresenta quarenta e seis crom ossom os. No exato m o m en to da concepção, quando o esperm atozóide m asculino se un e com o óvulo fem inin o, surge u m novo ser h u m an o m in ú scu lo com quarenta e seis crom ossom os. Quinto, do m o m en to da concepção até a m o rte, nada mais é acrescentado, salvo alim ento, ar e água. Sexto, e ú ltim o, Jerom e Lejeune, geneticista m u nd ialm en te renom ado (1925/[...]) declarou: Aceitar o fato de que depois da fertilização ocorrer, um novo ser humano é formado, não é mais uma questão de gosto ou opinião. A natureza do ser humano, a partir da concepção até a idade avançada, não se trata de controvérsia metafísica, mas sim, fruto de evidências claras experimentais. (Conforme citado por Geisler e Beckwith, MLD, 16) Criação da Alma na Fixação do Óvulo O utros escritores cristãos sustentam que a alm a é criada n o m o m en to em que o óvulo fertilizado se fixa ao útero. A base para isto é, supostam ente, o fato de que gêm eos idênticos podem oco rrer até o estágio em brionário (duas sem anas ou quatorze dias depois da concepção); logo, parece não ser plausível se falar de u m indivíduo h u m an o onde existe a possibilidade de se haver dois. Neste caso, teríam os que considerar, por exem plo, que o indivíduo original (o zigoto) m o rre quando ele se to rn a dois gêm eos. A lém disso, argum enta-se que experim entos em ovelhas e cam undongos, os quais, a exem plo dos seres hu m anos, tam bém têm gestações intra-u terin as, m ostram que não existe u m ser individual antes do térm in o da fixação do óvulo n o ú tero .1 7Todavia, existem boas razões para se rejeitar esta conclu são.1 8 Criação da Alma depois da Implantação Tomás de Aquino, seguindo os passos de Aristóteles (384-322 a.C.), colocou a criação da alma logo após à concepção. Ele argumentou que apesar da alma animal ter sido gerada pelos pais, a alma racional,1 9 na qual reside a humanidade da pessoa, não se forma antes dos quarenta dias para os indivíduos do sexo masculino e dos noventa dias para os do sexo feminino (CSPI, Dist. III, Art. II).
1 7 C o m o já v im os, n o s seres h u m a n o s is to se dá q u a to rz e dias depois da c o n c ep çã o . 1 8 V id e a p ên d ice 2 p a ra m a io res exp licações. 19 R e je ita m o s esta d iferen cia çã o .

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Esta visão se baseava em um modelo aristotélico antiquado da biologia. Este conceito não tinha qualquer base científica, tampouco escriturística. Ele é motivo de constrangimento tanto para os católicos como para o movimento a favor da vida em geral, já que se fosse verdadeiro, um óvulo fertilizado, inicialmente, não seria verdadeiramente humano e estaria, portanto, sujeito ao aborto nas primeiras semanas depois da concepção. A maior parte dos teólogos católicos está convencida de que Tomás de Aquino teria repudiado esta visão pós-fixação se tivesse tido contato com os fatos científicos que hoje nos estão disponíveis (vide Heaney, “AHC” in H LR , 63-74).
A Criação da Alma no Momento da Animação

Alguns teólogos especulam que Deus não cria a alma humana até momentos antes de um bebê começar a se mexer no útero da mãe. Isto, entretanto, baseia-se em uma teoria científica desatualizada bem como em um entendimento inadequado da alma. (A alma era considerada o “princípio do automovimento”; logo, quando a vida começava a se mexer no útero, a mãe considerava que Deus havia colocado uma alma nela.)
A Criação da Alma no Nascimento

Por último, alguns cristãos argumentam em defesa da visão de que as almas humanas individuais são criadas no nascimento. Para isso, eles apresentam dois argumentos principais: Primeiro, a vida humana é designada biblicamente a partir do nascimento (cf. Gn 5.1ss). Segundo, Adão não era humano até que começou a respirar, como declara Gênesis 2.7: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e [então] o homem foi feito alma vivente” (grifo acrescentado). Respondendo a estes argumentos em ordem invertida, Adão foi, na verdade, um caso atípico, já que foi criado diretamente por Deus. Contudo o fato de ele não ter se tornado humano antes de respirar, não é decisivo para concluirmos quando a vida de um indivíduo inicia-se, isto, pelas várias razões a seguir: Primeiro, Adão não foi concebido, nem nasceu como os outros seres humanos; como já observamos, ele foi criado diretamente por Deus. Segundo, o fato de Adão não ter sido humano antes de começar a respirar não serve de prova para o momento em que a vida humana inicia-se, da mesma forma que o fato dele ter sido criado já adulto não prova também que a vida humana não começa enquanto não atingimos a idade adulta. Terceiro, a respiração em Gênesis 2.7 (hebraico: ruach) denota a origem da “vida” (cf. Jó 33.4). Isto indica, portanto, que a vida começou quando Deus concedeu a vida a Adão, e não simplesmente porque Adão começou a respirar. A vida humana foi mais tarde concedida à sua posteridade na fertilização ou concepção (Gn 4.1). Quarto, os animais apesar de respirarem, não são pessoas (Gn 7.21-22). Obviamente, a respiração, por si mesma, não era o fator determinante da humanidade de Adão. Quinto, falando pela ótica da medicina, muitas pessoas que, em algum momento da vida, deixam de respirar mais tarde, são reanimados e retornam à vida (ou acabam vivendo com o auxílio de equipamentos). O ser humano não nascido não pode ser visto (sem o uso de instrumentos) no útero e, portanto, não faz parte da cena social até o nascimento.

9). vide ca p ítu lo s 3 e 5. 2 1 O G n o s ticis m o defen d ia a c re n ça . a Palavra de D eus ensina que o ser h u m an o continu a a existir m esm o depois que a respiração esvaice (Fp 1.2.35) e que D eus agora está em descanso e nada m ais criou depois daquele m o m en to (Hb 4. as Sagradas Escrituras já falam da existência de vida h u m an a no útero m u ito antes da respiração iniciar. tan to a alm a.6-8.23. o Criacionism o defende que apesar de cada novo corpo h u m an o ser gerado pelos pais.4). ou seja. u m Deus perfeito não criaria u m a alm a decaída. se a “respiração” fo r equiparada à “presença da vida h u m an a. Especificam ente falando. quanto o corpo são gerados pelo pai e pela m ãe. N um a variante deste 20 Para saber m ais a resp eito da h e ra n ç a do p eca d o o rig in a l. a perda da respiração significaria a perda da hum anidade. Estas passagens tratam do início da vida observável. D t 4. fo rm and o u m indivíduo com p leto.32. a palavra significa que cada novo ser h u m an o é u m ram o que sai dos seus pais.20). Em resposta à visão criacionista (a qual defende que D eus cria cada vida nova diretam ente no ú tero). o Traducianism o aponta que a visão criacionista não explica a herança do pecado original.1ss]. que a criação só foi com pletada no sexto dia (G n 2. declara que todas as almas existiam antes do m u nd o ser criado — que elas são eternas e não-criadas. 2C o 5. M t 13. A lém disso. C o m relação ao argu m ento de que a vida hu m an a é designada na Bíblia a partir do n ascim ento [Gn 5. deve-se observar que os versículos que tratam da respiração não falam do início da vida hu m an a. ao passo que os traducionistas insistem que Ele faz isto de fo rm a indireta por interm édio dos pais. segundo os traducionistas.” Ao ser aplicado à origem da alm a. A visão da pré-existência. m as sim plesm ente co m o o com eço ou o surgim ento — a estréia h u m ana — da vida neste m u nd o n atu ral visível. cada nova alm a hu m an a é diretam ente criada por Deus. desde o m o m en to da concepção (SI 51. sendo prim eiram en te concebida no útero. prim eiram ente. as pessoas sabiam que um bebê já estava vivo no útero da m ãe (cf.20 C ertam ente. Todavia. Lucas 1. A Visão Traducionista: A Alma E Criada indiretamente por Intermédio dos Pais O term o traducionista te m sua origem no vocábulo latino tradux. RESUMO E CONTRASTE DOS TRÊS PONTOS DE VISTA BÁSICOS Apesar de tanto os criacionistas quanto os traducionistas acreditarem que é Deus quem cria todas as almas. tam p ou co podem os aceitar a idéia gnóstica21 de que o con tato de u m a alm a pu ra co m o corpo m aterial (no ventre m a tern o ) precipita a sua Queda.44). e rr ô n e a d e q u e to d a a m a té ria seria in e re n te m e n te m á. que significa “ram o de um a videira.” então. mas sim plesm ente da ocorrência da prim eira manifestação do ser (quando o ser h u m an o com eça a respirar). os traducionistas (ou traducianos) observam . Por fim . os traducionistas observam que as evidências científicas indicativas do início da vida h u m an a (da alm a) são claras: a vida surge na união en tre o esperm atozóide e do óvulo dos pais. isto é.5. M esm o nos tem pos bíblicos. Sétimo. não do início da vida em si m esm a. Ap 6. originada em Platão. M t 1. A explicação mais razoável é que tan to a alm a quanto o corp o decaídos são gerados n atu ralm en te a partir dos nossos pais. O nascim ento não era visto com o o co m eço da vida hu m an a.A ORIGEM DOS SERES HUMANOS 23- Sexto. os criacionistas afirm am que Ele faz isto d iretam ente no útero m atern o . e por ú ltim o.

2 5 Unificada (regenerável) Natureza da Alma Humana Imagem de Deus Imortalidade Na alma e no corpo2 6 Somente da alma Somente da alma Da alma e do corpo2 7 22 A lg u m a s das idéias p o sterio re s de A g o stin h o c o n tra r ia m as suas p o siçõ es iniciais.”2 2 por exemplo. 27 Ibid. Isto será m ais e x te n s a m e n te e sclarecid o e m c a p ítu lo s su b seq ü en tes. os tip os de “c au sas. entrava em um corpo. 23 Q u an d o a a lm a ra c io n a l é criada.” de vista. diferentemente da visão platônica e das outras visões nãocristãs. alguns pais da igreja acreditavam que cada alma havia sido criada por Deus antes do início deste mundo e. c a p ítu lo s 6 e 10 p a ra saber m ais sob re 25 A lgu n s tra d u cio n ista s são in co n siste n tes e n ã o p e rc e b e m estas im p lic a ç õ e s ló gicas n o seu p o n to 26 Ibid. 0 homem tem um corpo. individualmente. Simples/ Indivisível (não-regenerável) Somente na alma é uma alma. instrumentalmente por intermédio dos pais. mais tarde. RS). antes do nascimento. Papel de Deus Nenhum (Platão) Ele cria corpo e alma por intermédio dos pais Causa instrumental tanto da alma quanto do corpo Papel dos Pais Nenhum papel na criação da alma Causa eficiente do corpo 24 Natureza do Homem 0 homem é uma alma. 24 V e ja v o lu m e 1. Orígenes e o “Agostinho inicial. As três concepções básicas podem ser resumidas conforme a tabela a seguir: TRÊS PONTOS DE VISTA ACERCA DA ORIGEM DA ALMA HUMANA Pré-existência Momento da Criação Desde a eternidade (Platão) Antes da criação do mundo (Orígenes) Criacionismo (í) Na concepção (2) Na fixação do óvulo fecundado (3) Depois da fixação2 3 (4) Na animação (5 ) No nascimento Ele cria cada alma. . 0 homem tem um corpo. Todavia. Causa ocasional da alma Causa eficiente do corpo 0 Homem Traducionismo Originalmente em Adão. não acreditavam que havia a reencarnação da alma depois da morte (vide Geisler e Amano.24 0 TEOLOGIA SISTEMÁTICA modelo ideológico. Simples/ Indivisível (não-regenerável) Somente na alma 0 homem é uma unidade de alma+corpo.

1-2). Chafer EVIDÊNCIAS A FAVOR DO PONTO DE VISTA TRADUCIONISTA As evidências a favor da concepção traducionista da origem da alm a é bíblica.4). Décimo-terceiro. desde o princípio. A lém disso. .A ORIGEM DOS SERES HUMANOS ü 25 Proponentes cristãos Justino Mártir Orígenes Agostinho Inicial Tomás de Aquino Charles Hodge W.21-22). Jó 10.26). 28A m a io r p a rte deste a rg u m e n to pode ta m b é m ser e n co n tra d a n a o b ra D o g m a tic T h e o lo g y [Teologia D o gm ática] de W illiam G . Sétimo. 30V ide c a p ítu lo 2. Segundo. o corpo dentro do ú tero é d enom inado de “pessoa” em muitas passagens (por exem plo. 2 . e não só o m ach o .6. 1894. R m 3.26)—o que faz sentido som ente se a sua vida tiver sido verdadeiramente transm itida a eles por geração natural. som ente se refere à toda a nossa hum anidade e não som en te ao corpo. a palavra carne (em grego: sarx) pode significar “pessoa inteira co m u m co rp o ” (Jo 3.5).19ss.12 diz que “por u m h o m e m ” [Adão] todos pecaram . a criação estava com p leta desde o princípio (2. G. Adão teve filhos conform e a sua im agem (5. Nono. Quinto. ambos foram cham ados genericam ente de “A dão” (5. 29A brão fo i u m an cestral de Levi. de fo rm a sem elhante. SI 22.8). 1. Eva é cham ada de “m ãe de todos os viventes” (G n 3. som en te se todo o restante da vida h u m an a tiver sido gerado a partir dela. e tornados “u m m esm o sangue”. A t 2.3. foi gerada no útero m atern o . Sexto.26 nos in form a que todos são descendência de D eus a partir de Adão.9-10. Shedd Agostinho Posterior Lewis S. Atos 17. feitos à sua im agem . T .14. Oitavo. m ach o e fêm ea são considerados um a só espécie. carne. R om an os 5. que vem da geração física. Quarto. Hebreus 7. cf. e não de fo rm a separada (2. Eva foi criada a partir de Adão. os dois com partilhavam da “vida h u m a n a ” (G n 1. tanto o m ach o quanto a fêm ea. e Deus entro u em descanso daquele m o m en to em diante ('Hb 4. Isto sugere que os descendentes de Adão herdaram a m esm a natu reza pecam inosa de seu ancestro. por interm édio dos processos naturais de procriação.10 nos ensina que Levi estava nos “lom b os” de Abraão e veio a existir co m o descendente de Abraão por interm édio da procriação de seus antecedentes abraâm icos.20) — u m títu lo adequado. o Salm o 139.3.17. S h ed d (N ew York: C h arles S c rib n e r’s S o n s. com o u m tendo vindo do outro. 29 Décimo-segundo. T.” Décimo-primeiro. em R om anos 1. a Bíblia fala da unidade entre m ach o e fêm ea (1 C o 11. Jr 1.10.13-16 nos revela que a nossa substância pessoal.1-3). As Evidências Bíblicas a Favor do Traducionismo2 8 Primeiro. a qual transcende o cam po físico. Terceiro. O cen tro do ponto de vista traducionista é que a vida h u m an a (a alm a) pode ser transm itida pelos pais aos seus filhos. pessoa é mais do que o aspecto físico da hum anidade. teológica e científica.20) e não som ente a transm issão de u m corpo físico (co m o argu m enta a visão criacionista da origem da alm a).30 Décimo-quarto. Décimo. 1. por interm édio de um processo n atu ral e ordenado por Deus. cf.

já que faz sentido se pensar que corpo e alma.5 declara que fomos concebidos em pecado.22-27 afirma que todos os seres humanos eram um “em Adão. Décimo-sétimo. nenhum deles representa uma refutação definitiva. é fato científico que a vida humana individual (com um DNA exclusivo) é passada adiante pela geração natural. a possibilidade da clonagem humana serve de apoio ao Traducionismo. faz sentido que ambos sejam passados adiante em conjunto.” .26 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Décinuhquinto. Jesus é considerado como aquele que saiu “das entranhas” de Davi (1 Rs 8. a clonagem produz o mesmo tipo de vida sem uma nova criação. Como já vimos. Terceiro. e por último. 32 V id e ap ên dice 4. 1 Coríntios 15. as evidências científicas de que uma vida humana (uma alma) começa no momento da concepção são sólidas. e não representa a totalidade da pessoa. juntos. e por último.6) favorece a visão traducionista. Objeção Número Um —Baseada em Deus como o Pai dos Espíritos Esta objeção está fundamentada em Hebreus 12.” L em b re37 V id e c a p ítu lo 3. É extremamente difícil interpretar isto em qualquer sentido real do termo se a natureza pecaminosa não for transmitida por meio de algum processo natural. da parte dos pais. Jo 3. a universalidade do pecado apóia o Traducionismo. Terceiro. sob o títu lo “A A n a lo g ia c o m os A n im a is.3 7o corpo não passa de uma parte. 35V id e ap ên d ice 1. ex p lica çã o e a nálise d etalh ad as. ^Vide c a p ítu lo 3 p a ra u m a defin ição . como a “alma dos animais”. por analogia. “Pai 31 C o n fo rm e a B íb lia de Jeru sa lém . e corpos desprovidos de alma não podem pecar.9. dos pais para o filho. dos pais para os filhos. se q u e (a cim a ) nós n e g a m o s a su p o sta d iferen ça e n tre “a lm a a n im a l” e “a lm a r a c io n a l. indicando uma ligação genética por intermédio da sua mãe. 36V id e c a p ítu lo 2. por que a Bíblia afirmaria que todos nascemos em pecado? Quarto. Segundo.19 BJ)31.3 2 Evidências Teológicas a Favor do Traducionismo Existem várias verdades teológicas que são bem explicadas pela visão traducionista da origem da alma.3 3 Segundo. as almas humanas. algo impossível sem a existência de uma alma humana no momento da concepção. 33 V id e ca p ítu lo s 3 e 5.3 deixa claro que todos nascemos com uma natureza pecaminosa. como os seres humanos representam uma unidade psicossomática. a unidade corpórea e incorpórea da natureza humana3 4 também favorece o Traducionismo.13. Primeiro. o fato de sermos nascidos com uma inclinação natural para o pecado (Ef 2. são transmitidos dos pais para os filhos através da concepção. Quarto e último. pois se o pecado não for herdado por todos no nascimento.3 6 também são passadas adiante. Décimo-oitavo.18). Contudo.” Décimo-sexto.” e que uma vida humanaé uma alma humana. Evidências Científicas a Favor do Traducionismo Lembrando que alma (hebraico: nephesh e grego: psychE) significa “vida. Efésios 2. que diz: “Não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos.35 Primeiro. RESPONDENDO ÀS OBJEÇÕES AO PONTO DE VISTA TRADUCIONISTA Muitos questionamentos já foram feitos contra o paradigma traducionista. o Salmo 51. como veremos. para a sua descendência. a Bíblia fala da imputação (atribuição) de pecados de Adão para toda a sua posteridade (Rm 5. para vivermos?” Considera-se que esta expressão. Logo.3.

é utilizado neste versículo. é gerado p o r m eio de processos naturais. ao declarar: “Porque para sem pre não contenderei.. os demais surgiram por processo divinam ente concedido. Por fim . m esm o que o term o Pai im plique criação. A lém disso. co m o seus filhos (cf. a passagem não diz porque. um a descrição do cuidado a eles dispensado por parte do S en h or Deus. e que funda a terra. por m eio da sua intervenção direta. Objeção Número Dois —Baseada em Deus com o Sendo o Criador das Almas D e acordo co m este argu m ento. 39 C o m o já v im o s. o qual. Malaquias lança o desafio: “Não tem os nós todos u m m esm o Pai? Não nos criou um mesmo Deusl” (M l 2. Não há dúvida de que Ele é a causa eficiente final de todas as alm as39 a questão é se Ele fez uso de causas intermediárias (ou in stru m entais) — tais co m o os pais — para criá-las. o verbo fazer ( “fiz”) (hebraico: asah) e não criar (hebraico: bara). nem con tinu am ente m e indignarei. Deus tam bém é considerado (em Gênesis) o Criador de todos os animais. O verbo criar às vezes pode até se referir a “u m processo n atu ral no presen te” (por exem plo. e as alm as que eu fiz” (Is 57.9 pode não ser u m a referência à geração de seres hu m anos. com o sabem os. mas sim . porque o espírito perante a m in h a face se enfraqueceria.30). C it. Zacarias afirma: “o SEN HOR. Isto se encaixa no con tex to im ediato de u m Deus.A ORIGEM DOS SERES HUMANOS <p 27 dos Espíritos. depois de eles terem sido concebidos. 12.25 Resposta à Objeção Número Três N ovam ente. o que estende o céu. no Salm o 104. Isaías afirm ou que D eus criou as almas. todos os espíritos hu m anos.” . Ele certam en te poderia ter nos criado por interm édio de u m processo indireto nas gerações hum anas. asah n o rm a lm en te significa “criar a partir do nada.38 Resposta à Objeção Número Um Em resposta.” significa que o próprio D eus é quem cria. ele não indica co m o ou quando Deus nos produziu. e que fo rm a o espírito do h o m em den tro d ele” (Z c 12. E tam bém . contudo ele criou som ente o prim eiro par e.1). e ele nem 38 V id e c a p ítu lo 2. Resposta à Objeção Número Dois S em elh an te ao que ocorre co m a prim eira objeção. o nosso Pai. a palavra alma (hebraico: nephesh e grego: psyche) n o rm a lm en te é utilizada na Bíblia para designar a pessoa co m o u m todo40 inclusive o seu corp o. não é dito co m o D eus criou a alm a. nos 40 O p . d iretam ente.” Objeção Número Três — Com Base no Fato de Deus Ter Criado as Pessoas desde o Tempo de Adão T am b ém se alega que a Bíblia apresenta D eus criando as pessoas desde o tem p o de Adão.3ss). o term o Pai em Hebreus 12. c o n s u lte o v o lu m e 1. A lém disso. o texto não diz que Deus criou o nosso espírito na concepção ou que Ele criou todos os espíritos hum anos diretam ente (em contraponto a um a criação indireta. com o ou quando Deus criou todas as almas.16). que nos disciplina. por interm édio dos pais).10). cham ado de concepção natural. cap ítu lo s 6 e 10 p ara saber m ais a ce rca de d efin ições e e xp lica çõ e s p a ra o s d iferen tes tip os de “c au sas. p ara s aber m ais a c e rc a do sign ificad o de a lm a e esp írito .

Objeção Número Quatro — Com Base na Dependência que toda a Criação Tem da Necessidade de Deus Tomás de Aquino se opunha ao Traducionismo alegando que somente Deus poderia criar e que todos os atos criativos são diretos e imediatos (vide ST. ou a visão hilomórfica de Aristóteles4 4 como fez Tomás de Aquino. dois pensadores brilhantes da Antigüidade. os pais não poderiam ser a causa da existência dos seus filhos. Mas isto parece ser uma impossibilidade. Todo ser contingente é dependente de um Ser necessário para a sua existência. se a alma completa mantém a coesão do corpo como um todo.44. a qual. 43 A lm a e co rp o e m .4 2Assim. e é igualmente necessário que estas 41 E m o p o s i ç ã o a c e rto s ato s c riativ o s seres in d ireto s e in te rm e d ia d o s. ou como ela faria isto. e que somente Deus pode manter. quando Deus criou Adão (1. primariamente. somente Deus pode executar e sustentar.27).) Pode-se também questionar quais são as partes da alma: qual é o papel separado de cada uma delas em relação ao corpo? Pois. poderíamos esperar que cada parte da alma fosse responsável pela coesão de uma parte do corpo.” Mesmo em Gênesis. (ibid. V id e c a p ítu lo 2. na qualidade de causas instrumentais. Todavia.412). proporcionaram um fundamento para as perspectivas divergentes entre os cristãos. la. claramente. mas tão somente a causa instrumental. pois o ser contingente jamais deixa de ser um ser contingente. Resposta à Objeção Número Quatro O Traducionismo não apregoa que os pais são a causa eficiente da existência dos seus filhos. é difícil até mesmo imaginar que tipo de parte do corpo a mente manteria unida. II. e de fato mantém. m ú tu a o p o sição . e se não existissem. A questão não se refere à origem e à continuidade da alma humana. para Tomás de Aquino. movemo-nos e compreendemos”. percebemos. dependendo da linha que estes seguiam: a visão dualista de Platão4 3 como fez Agostinho. como causas instrumentais.2. (C. porque todas dependem.1). a questão diz respeito à transmissão da alma.5) “A alma. 1. em existência. 427 -3 4 7 a. 41 A lm a e co rp o e m un id ade. possui vida” ( DA . é o ato primário de um corpo físico que. C . O TESTEMUNHO HISTÓRICO ACERCA DA ORIGEM DA ALMA Muito tempo antes dos teólogos cristãos filosofarem a respeito da alma. portanto. Mas. a qual somente pode ser criada por Deus. será que o argumento não seria diferente? Portanto é assim. em cada momento da sua existência. Ele fez uso do barro para a constituição do primeiro homem (2. C . Platão e Aristóteles. II.4 1Nenhuma criatura tem a capacidade de criar. para a sua própria existência.28 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA sempre significa “criar algo a partir do nada. os pais passam à sua posteridade a alma. potencialmente. 1. a qual é feita pelos pais. c a p ítu lo 3. “A alm aé o meio pelo qual.7). mas somente Deus pode causar o se tonar ser.) A nossa alma também existe antes de nascermos. 42 V id e v o lu m e 2. Os pais causam o tomar-se dos seus filhos. vivemos..414) Platão (c. de uma Causa que não é uma criatura. Os Filósofos Gregos da Antigüidade Aristóteles (384-322 a.

é im possível que a alm a pereça. 155-C. — Então.225 d. — Então foi antes.106b). — Então. mas será que ela sem pre vem trazer vida a ele? — Sim — disse ele. 4. Mesmo nisto. existe algo que se op onh a a vida ou não existe? — Existe — disse ele. — Então a alm a é im ortal. antes de tudo. — Então a alm a to m a posse dele. Sócrates (ibid. C. “Se aquilo que é im ortal tam bém é indestrutível.] — D efinitivam ente não.105e). — Então este é sem pre o caso? — E claro — disse ele. — B em . Símias. pelo que nos parece? — Mais do que suficientem ente. [Sócrates perguntou. — A m enos que recebam os este con h ecim en to ao nascerm os. mas já tin h am o seu con h ecim en to. ao n a s cim e n to . pois este tem po ainda prossegue.. cita d o im e d ia ta m e n te a cim a n a o b ra -fo n te . as almas existiam an teriorm ente. (ibid. — Im ortal. como dissemos no início deste tratado. tal qual concordam os an teriorm en te4 5 — C ertam ente não — disse Cébes.] — “Q uando foi que as nossas almas adquiriram o co n h ecim e n to 46 Pois isto não oco rreu depois de terem nascido co m o seres hum anos. sem os seus corpos. [Símias respondeu. ao afirmarmos que a alma foi formada pelo fôlego de Deus.) Já decidimos um ponto na nossa controvérsia com Hermógenes. Portanto.72e-77d) Os Pais da Igreja Primitiva Tertuliano (c.. quando a m o rte vier sobre ela. — disse ele — então devem os dizer que isto está dem onstrado. 13. confiamos na direção clara da declaração inspirada que nos 45 R eferin d o -se à co n clu são d o diálogo a n te rio r. — O quê? — A m orte. — Sim.A ORIGEM DOS SERES HUMANOS 29 coisas existam e que as nossas almas tam bém ten h am existido antes do nosso nascim ento. 13. — Então a alm a não aceita a m orte? — Não. — E. 4. (P. tam bém se pode dizer que ela não m o rre rá ” (ibid. 46 C o n h e c im e n to a n te rio r .76d) — Então responde — disse [Sócrates] — o que dá vida ao corpo? — A alm a — disse [Cébes]. Sócrates. pois co m base na declaração de que ela não aceitaria a m o rte. antes de nascerem em form a hu m ana. será que a alm a aceitaria o oposto daquilo que ela sem pre traz.. e não a partir da matéria.

E inerente a este produto humano é a sua própria semente.9. de uma forma ou de outra. Neste ponto. na verdade.) . 1. De momento. a partir do simples fato dela ter tido um começo.. é outra— sendo que a primeira expressão é amais adequada para os seres víventes [.. (TS in Roberts e Donaldson.9. ANF.30 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA informa ter o Senhor “soprado no rosto do homem o fôlego da vida. combinadas na primeira criação para a formação individual do homem. (TS. então. bem como a partir da sua própria natureza. Isto Platão se recusa a aceitar. portanto.] Assim. conclui-se que atribuímos um começo para ela. fertilizam com o seu vigor conjunto o fruto humano a partir das suas naturezas respectivas. misturaram os seus rudimentos seminais adequados em um.3-4) Como.” (TS in ibid. nada mais precisa ser investigado ou acrescentado por nós.9. entretanto. obviamente. a vida tem o seu princípio no exato momento em que a alma tem o seu. a opinião do filósofo é destruída justamente pela autoridade da profecia. E quando lhe atribuímos tanto um nascimento como uma criação. embora diferentes e separadas. então. para que o homem se tornasse uma alma vivente” — pela inspiração de Deus. (TS in ibid. gerado.27) Concordamos que a vida comece na concepção. no que diz respeito à nossa fé nas almas terem sido criadas ou nascidas.. 1. os processos agem em conjunto a fim de produzir a separação na morte. portanto.” visto que tudo o que recebe o ser ou a existência.3-4) Além disso: Quando reconhecemos que a alma tem a sua origem no sopro de Deus. ser chamado de pai do objeto criado: neste sentido Platão também utiliza sua fraseologia. Pois o criador pode. quanto uma criação. Assim. porque argumentamos que a alma também começa na concepção. e buscando juntas o seu caminho rumo à sementeira designada. tempo? Ou será que uma delas assume a precedência sobre a outra na formação natural? Na verdade. (TS in ibid. III. o barro e o fôlego. visto que estas duas substâncias. sustentamos que ambos são concebidos. é. e ser criado. do homem original (primevo) jorra todo o fluxo e redundância da alma dos homens — assim. pois para ele a alma não é nascida. fluem simultaneamente em um único canal. e depois sempre comunicaram à raça humana o modo normal para a sua propagação. in ibid. e ao mesmo.1. de fato. Nós. o “ser criado” admite o “ser tomado” no sentido de “gerar. de forma que mesmo agora. é uma coisa. ensinamos que ela teve tanto um nascimento. IH. a natureza prova por si mesma a veracidade do mandamento de Deus: “Crescei e multiplicai-vos.) Portanto. bem como nascem juntos. na verdade. portanto. embora diferentes uma da outra. III. Dessa forma. em perfeita simultaneidade. para que se pudesse atribuir a primazia para qualquer um dos dois. as duas substâncias. e formados. e nenhum lapso de tempo ocorre entre a concepção de ambos. amalgamaram-se e. nem criada. um ser vivente é concebido? Será que as substâncias do corpo e da alma são formadas em um só.. não estamos cometendo'nenhum erro: pois ter nascido. de acordo com o processo que foi ordenado para cada criatura dotada com as funções de reprodução.

A ORIGEM DOS SERES HUMANOS # 31 Justino M ártir (c. por ela ter sido formada por Ele. é ou não é concedido ao corpo a partir do exterior. (FLWJin ibid.” E evidente.7) Orígenes (c. o seu valor pode ser reunido a partir da criação do resto do mundo. na verdade.. mas o ato de um corpo. IV. primariamente. tanto a de gênesis e da formação do homem no princípio. não é absurdo dizer que a carne feita por Deus à sua própria imagem é contenciosa e nada vale? Mas o fato da carne ser criada por Deus faz dela um elemento precioso.) Agora que ela é. porque. a alma. ele está subordinada a algum princípio. tampouco da economia celestial. C . Portanto. 1. ou se ela apresenta outro começo. (ST. e. (DP in ibid. 5) Os Pais da Igreja Medieval Tomás de Aquino (1225-1274 d. porque ela é cheia de impiedade. Afinal. seja ele um nascimento ou não. IV. Está claro que a primeira coisa pela qual o corpo vive é a alma.c. no mínimo. ii. (ibid. Portanto. se ela deriva de uma semente por um processo traducionista. de forma que a sua razão ou substância possa ser considerada como algo colocado nas próprias partículas seminais do corpo. não foi a palavra que disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”? Que tipo de homem? Certamente. Pois a alma é o princípio inicial de nossa nutrição. seja ele chamado de intelecto ou de alma intelectual. já que. não é um corpo. fazendo com que a alma peque junto com ela. e. e além disso.’ Portanto.2.76. quando implantada no corpo. pois a palavra diz: “E Deus tomou o pó da terra e dele fez o homem. e o que proporciona primariamente a execução de todas estas ações vitais é a alma. do nosso entendimento. e dizer que ela não é digna da ressurreição. Só que essas pessoas parecem ser ignorantes a respeito da obra completa de Deus.2] (ibid.1. que é chamado de ‘ato. que é o princípio inicial da vida. 254) A alma.. este princípio pelo qual nós. movimenta todas as suas partes. a imagem criada é do agrado do seu formador e artista. sensação e movimento local. e este começo.. primeiramente. E à medida que a vida aparece através de vários processos em graus diferentes das coisas viventes. por si mesmo. prefácio.. a sua substância é terra.. que o homem feito à imagem de Deus era composto de carne. portanto.8.1) . e a razão das coisas no mundo terem sido criadas. 100. Ele se refere ao homem carnal. [De Anima. atingimos o entendimento. de modo semelhante. e exerce a sua força sobre tudo aquilo que opera.75. um tipo de corpo. 165) Agora precisamos falar com respeito àqueles que pensam desdenhosamente acerca da carne. 185-c. 1.1). Esta é a demonstração utilizada por Aristóteles. Pois o que de mais precioso há é aquilo que foi utilizado pelo Criador para fazer todo o resto. no que diz respeito à alma. em primeiro lugar. 1.1). é a forma do corpo. Mas. nada disso fica distinto com suficiente clareza no ensino da Igreja. além disso.

de ser e essência. Shedd (1820-1894) O corpo é de uma natureza e substância diferente da alma: em Gênesis 2. tampouco na alma. transmitiram a mácula aos netos. a lei para que a ofensa abundasse. não há necessidade de um debate ansioso (o qual. como. Veio. de forma que todos. aos que nos sucedem. e que. pela obediência de um. assim como o pecado reinou na morte. mas pela graça sustentadora de Deus. e infundida por criação. Basta-nos saber que Adão foi tornado depositário dos dotes que Deus desejou outorgar à natureza humana e que.7) Os filhos.1. no que diz respeito à natureza humana. não no que diz respeito a Deus. por serem viciados já da parte dos pais. I.. quando perdeu o que havia recebido. mas é simples no que diz respeito a coisas materiais e componentes. superabundou à graça. pela desobediência de um só homem.] é apartir do nada... Ela é imaterial. toda a raça humana foi merecidamente viciada.32 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Os Líderes da Reforma Jo ã o Calvino (1509-1564) Assim vemos que a impureza dos pais é transmitida aos filhos. a corrupção que começou em Adão é. a fim de que possa se moldar à forma da matéria. Adão não foi meramente um progenitor. Isto fica claro a partir do contraste que o apóstolo faz entre Adão e Cristo: “Porque. também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna. possa também. ao se separar do corpo. T.2. com um corpo sendo devidamente preparado para recebê-la. porém. imaterial e imortal.] é simples. depois de unida ao corpo por um elo nativo. Ela é imortal. e. são originalmente depravados. ao meu ver.) Teólogos Pós-Reforma Ja c ó Armínio (1560-1609) A origem [da alma] [.. na verdade. pode operar por si própria.1. para que. pois ela consiste de ato e poder (ou capacidade). por Deus no tempo. de forma alguma. dessa forma. por descendência perpétua. A causa do contágio não está na substância da carne. sem exceção. mas. muitos serão feitos justos. a perda não foi só sua. portanto. precisamos ter a certeza de que. nosso Senhor” [Rxn 5. Portanto. não por si própria. (ibid. O início desta depravação não será encontrado enquanto não voltarmos até o nosso primeiro pai. onde o pecado abundou. ao meu ver.7: “formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida. mas aprouve a Deus ordenar que os dons que Ele havia outorgado ao primeiro homem. muitos foram feitos pecadores.. assim. 11. pela sua corrupção. ( ICR . como a fonte original de tudo.26. (ibid. 1. A substância [da alma] [. mas de nós todos. em outras palavras. fossem dele e de seus descendentes retirados. de sujeito e acidentes.6) Para o entendimento deste assunto. mas. e. da mesma forma que ele continua a criar uma nova alma para cada corpo.63) Willtam G. formar uma unidade com ele. a raiz.2. por assim dizer. chocava os doutores da antigüidade) acerca da alma da criança ser transmitida pela alma dos pais. porque pode subsistir por si mesma. ( W J A .19-21]. Criada. transmitida dos que nos antecedem. por Jesus Cristo. criada por infusão. . Simples.

e de uma parte imaterial resultante do fôlego ou sopro de Deus. Shedd defendeu o Traducionism o. poderia ser resolvido de várias formas. A doutrina predominante na Igreja de Roma. e feita à sua im agem ” (ibid. desligada da alma dos pais. um ex nihilo [“a partir do nada”] imediato. Deus no céu. (DT. II. Parcialmente em oposição à doutrina da pré-existência. P. Diekamp. desta vez como a causa única. Nas duas visões era possível sustentar a doutrina específica da migração das almas (metempsychosis ou reencarnação).573).. De acordo com esta afirmação. da vida humana. II.II.” um fôlego. assim. posteriormente. Kath. F. A Bíblia ensina que o homem é uma espécie. defendida principalmente por Julius Miller. Deus havia também soprado nele todos os espíritos. (2) a Teologia Sistemática. pelo menos. no que diz respeito à posteridade de Adão.. considerava que o problema da origem da alma e.A ORIGEM DOS SERES HUMANOS 33 e o homem foi feito alma vivente. A predominância das representações bíblicas estão a seu favor. quando os pais as condições fisiológicas que são o pré-requisito para a existência de um ser humano. mesmo insistindo de forma acertada no abismo entre Criador e criatura. Todavia. supostamente. seguindo as idéias de Platão.) no momento da concepção. a qual. portanto. Nesta visão cada alma individual tem a sua origem em um ato divino criativo. Este ato criativo supostamente ocorreria (cf.. Estas [almas] eram [.] A teoria de uma Queda pré-temporal ou. somente a causae secundae. nos tempos modernos.] representadas como um reino de espíritos. é o Criacionismo. foi seguida pela Teologia Reformada tradicional. II. que as mesmas almas poderiam entrar em muitas associações com diferentes corpos. (CD. a alma independente da criança.. e nas fileiras da Igreja (Orígenes). pré-histórica. e mais tarde (para nossa surpresa!) por Lutero e pela teologia luterana. 119f. [e] (3) a Fisiologia. Dogmatik.6).5) Shedd sustentava que “a ‘alm a da vida’ no exem plo do h o m em é u m princípio mais elevado. novamente para nossa surpresa.. a alm a racional. II. e a idéia de espécie implica propagação do indivíduo inteiro para fora de si. O Criador primeiramente anima a matéria inorgânica em um corpo e. simultaneamente. seria. Vol. que lhe foi soprada pelo Criador. . Os pais são.II. Alguns. estava a doutrina traducionista de que a alma tem sua origem no ato da concepção [é gerada pelo pai e pala mãe].18) Karl Barth (1886-1968) A Teologia da Igreja Primitiva. resultante da vivificação do pó da terra por parte da energia criativa.II. 1930. e representada especificamente por Tertuliano nos tempos primitivos. isto é. cria a alma e a associa com este novo corpo humano. depois. (ibid. obviamente. poderia perfeitamente ser adaptada a esta visão — ou se considerava que ao criar o primeiro homem. ao afirm ar que: Existem três bases principais de apoio ao Traducionismo: (1) As Escrituras. falavam da pré-existência das almas criadas. 11. mas inevitavelmente ligada a ela. tornando-se. serem distribuídos a toda a sua posteridade. Uma alma-semente. por isso haviam sido criados com Adão e nele também haviam sido incluídos para. o homem é composto de uma parte material. os quais precisavam estar em conexão com os corpos materiais a eles atribuídos [. a causa prima é o próprio Deus. cria um espírito racional que lhe é infundido. E. distinta do corpo-semente. ou alma da vida.

and Evil.. Athenagoras. The Works o f fonathan Edwards. Originalmente.. Clark.. Ireneu. ------. ------. Systematic Theology. Agostinho. On Virginity. Norman L. ------.. William Lane. Martinho.. Heaney. Clemente de Alexandria. Against the Manichaeans. Freedotn. Stromata. Edwards.. parece-nos que o Traducionismo. ------. On the Soul and Its Origin.. Justino Mártir. Mary T. Calvin. ------. Homilies on Genesis.. Jacó. ------. ------. D e Anima. Karl. The Reincamation Sensation . Ed. Stephen J. Armínio. Homilies on the Epistle to the Hebrews. ------. Craig... What Luther Says. On Grace and Free Will. Em bassyfor Christians.. ------. Norman L. The Kalam Cosmological Argument. acomoda melhor todas as informações.. pois Deus. Jonathan. Geisler. “Aquinas and the Humanity of the Conceptus” in Human Life Review. FONTES Alselmo. Cirilo de Jerusalém.. Private Dísputatíons. Catechetical Lectures. Two Souls. Letters o f Saint Jerom e. Geisler. ------. Com relação ao debate acerca de como as almas individuais passaram a existir depois de Adão. Truth. ------. Jerônimo. Retractions. Aristóteles. Cur Deus Homo. não cria uma alma decaída cada vez que um novo ser humano é concebido. fez com que o mal se tornasse possível. On the Nature o f the Good. e J. City o f God. On True Religion. ------. como vimos. Letters. Chosen But Free . João Crisóstomo. Beckwith. e não o Criacionismo direto. Fragments o f the Lost Works o f fustin.34 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA CONCLUSÃO As condições originalmente criadas eram perfeitas e também incluía o chamado livre-arbítrio que. Norman L. Lutero. Institutes o f the Christian Religion. Matters o f Life and Death .. Hodge Charles. Barth. Church Dogmatics. John. e Francis J. . Na verdade. é difícil compreender como cada ser humano poderia ter nascido em pecado sem que almas decaídas sejam geradas a partir dos seus pais. o ser humano foi criado por Deus. Yutaka Amano. apesar de bom. An Aquinas Reader.. Geisler.. Categories. seguramente. Against Heresies. Gregório de Nissa. Dialogue o f Justin. On the Spirit and the Letter.

O rígenes. W illiam D. i Summa Theologica. N ovaciano. T. Platão. The History o f the Christian Church.. Harold K.. -------. On Theology. Tertu liano. Commentary on the Sentences o f Peter Lombard. The Analytical Lexicon to the Greek New Testament. Concerning the Trinity.A ORIGEM DOS SERES HUMANOS # 35 M ethodius. Shedd. M ounce. Ogden. Taciano. The Ante-Nicene Fathers. M o u lton . -------.. Roberts. The Banquet o f the Ten Virgins. To Autolycus. W illiam G. Phaedo. -------. Address to the Greeks. Teófilo. . Analytical Greek Lexicon Revised. Five Books Against Marcion. Alexander e Jam es D onaldson. Treatise on the Soul. Tom ás de Aquino. De Prinápiis. Schu bert. Dogmatic Theology.

A prim eira é n o rm alm en te denom inada de alma (ou espírito). que é a sua o rig em . e todo o vosso espírito. Todavia. a natu reza dos seres VÁRIOS TERMOS BÍBLICOS UTILIZADOS PARA DESCREVER OS SERES HUMANOS Os seres hu m anos são descritos por diversos term o s na Bíblia. G n 2. havendo aberto o quinto selo.18 fala da alm a deixando o corpo no m o m en to da m o rte: “E aconteceu que.C A P Í T U L O DOI S A NATUREZA DOS SERES HUMANOS hum anos é de sum a im portância. e corpo sejam plen am en te conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso S en h o r Jesus C risto. às duas.10). Termos Utilizados para Designar a Dimensão Imaterial dos Seres Humanos Os seres hum anos apresentam u m a dim ensão in terio r (im aterial) e u m a exterior (m aterial). Alguns se referem à dim ensão espiritual. dizendo: “E o m esm o D eus de paz vos santifique em tüdo. som ente. outros à física.2 e a segunda é n o rm alm en te denom inada de corpo. existem tam bém referências bíblicas à alm a co m o sendo algo distinto do corpo.7. às vezes o corpo chega a estar incluído nele (por exem plo.” A Prim eira C arta aos Tessalonicenses 5. P ara a com preensão das doutrinas do pecado e da salvação. Alma Ao contrário do uso popular. quanto na sua condição posterior à Queda. da natu reza de Deus. 2 Os te rm o s alma e espírito são co m p a ra d o s e co n tra sta d o s lo g o abaixo. atrás. e. .” Apocalipse 6. Gênesis 35. vi debaixo do altar as alm as dos que foram m o rtos por am or da palavra de Deus e por am or do testem u n h o que deram . SI 16. e outros. saindo-se-lhe a alm a [de Raquel] (porque m o rre u ). cham ou o seu n o m e B en oni.23 diferencia a alm a do corpo. o term o alma (hebraico: nephesh e grego: psuche) é n o rm alm en te utilizado na Bíblia para se referir a mais de u m a dim ensão espiritual dos seres hum anos. ainda.1 A natu reza h u m an a será analisada tanto no seu estado original criado.” 1 V id e v o lu m e 2.9 fala das almas co m o to ta lm en te separadas dos seus corpos no céu: “E. e alm a.

26). como vedes que eu tenho” (Lucas 24. As vezes a palavra chega a se referir a um corpo falecido (por exemplo. disso fala a boca” (Mt 12. Rm 10. Coração O termo coração (hebraico: leb e grego: kardia) apresenta um significado mais amplo do que o entendimento comum. normalmente. Espírito A palavra espírito (hebraico: ruach e grego: pneuma) quase sempre se refere à “dimensão imaterial do ser humano. "pensa em seu coração" (23. O corpo sem a alma está morto (Tiago 2. o Deus invisível “é espírito” e deve ser adorado “em espírito e em verdade” (João 4. pois. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus.5). às vezes incluindo a mente.” Ela é. ao Senhor. mais do que todas as coisas. ou àquilo que anima o corpo. mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento [ou. Em suma. Paulo incluiu a mente dentre as coisas que precisam ser renovadas pelo poder santificador de Deus.” O significado básico de alma. 23. teu Deus. mas a inclinação do Espírito é vida e paz. pois.7). mas nem sempre é o caso.30). da mesma forma que falamos de um ente querido que faleceu como tendo sido uma “boa alma. e de todas as tuas forças” (Mc 12. nas seguintes palavras: “E não vos conformeis com este mundo. de todo o teu coração. pode ser melhor compreendido ao traduzirmos esta palavra por pessoa. O próprio Jesus confirmou que “Pois do que há em abundância no coração. .9). de todo o teu coração.3 O coração é o instrumento com o qual adoramos a Deus. conforme vemos em vários versículos (por exemplo. e de toda a tua alma. no momento da sua morte. Jesus “inclinou a cabeça. por exemplo. Jo 19.34). o coração é o reflexo da totalidade do nosso ser interior.38 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Basicamente. entregou o espírito” (cf. nem. coração se refere à totalidade do ser interior. e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés. 21. quem o conhecerá?” (Jr 18. ela se refere ao princípio da vida em um ser humano.38-39).4). pois não é sujeita à lei de Deus. e perverso. pois. e de todo o teu poder” (Dt 6. teu Deus. fala de uma pessoa que "imagina em sua alma" (ARC). e de toda a tua alma. o que normalmente implica a existência de um corpo físico.24). O Espírito é imaterial. Provérbios.46). para ser salvo precisamos “crer no nosso coração” (cf. Isto ocorre porque “a inclinação da carne é morte. M ente A mente (grego: nous) diz respeito à dimensão imaterial de um ser humano pela qual ele pensa e faz uso da imaginação. mente]” (Rm 12. Essencialmente. a palavra alma significa “vida”. e dele que brota a fé verdadeira.30). utilizada de forma intercambiável com a palavra alma. na maioria das vezes. tocai-me e vede. O coração é também a sede da maldade humana. de uma forma ou de outra. Jesus a incluiu no grande mandamento. conforme a seguinte exortação que recebemos: “Amarás. ao declarar: “Amarás. o SENHOR. literalmente. em Lucas 1.28. em 3 V id e c a p ítu lo 15. pois um espírito não tem carne nem ossos. que sou eu mesmo. Na verdade.9). pois Jesus disse aos discípulos: “E ele lhes disse: Por que estais perturbados. e de todo o teu entendimento. O profeta disse: “Enganoso é o coração.1. Lv 19.2).

n a verdade. que a sua alm a não foi deixada no Hades.17. o corp o pode ser re c o n stitu íd o por D eu s. contud o. M t 16. e levando cativo todo entendim ento à obediência de C risto” (2 Co 10.”5 Vaso de Barro Paulo apresenta u m a analogia entre um vaso de barro e um corpo hu m an o: “Tem os..42-44. há também corpo espiritual [. A m esm a palavra é tam bém utilizada para descrever à ressurreição do corpo em Atos 2. Jesus disse: “Não tem ais os que m a ta m o co rp o e n ão p o d em m a ta r a alm a. Semeia-se o corpo em corrupção. a o passo que os a u to re s d o N o v o T e s ta m e n to u tiliz a v a m ta n to soma ( c o rp o ). Logo. tem ei. Vaso de barro é um a ilustração apropriada do corpo hu m ano. o co rp o que é consid erad o “m o r to ” quando o esp írito o deixa (T g 2.7).31: “Nesta previsão. ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo animal. pode d eco m p o r-se e ser d estru íd o. o interior.28). e ele será ressu scitado: Assim também a ressurreição dos mortos. sua missão era seguir “destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta con tra o co n h ecim en to de Deus.39). (1 Co 15. já que ele 4 O s a u to re s d o A n tig o T e s ta m e n to u tiliz a v a m a m e sm a p alavra para d esign ar corpo e carne (h e b ra ico : basar).4 ao se referir a u m ser h u m an o físico. feita de m atéria. C o n tu d o .5). Se há corpo animal.50). Semeia-se em traqueza. o pode ser” (R m 8. quase sem pre inclui a sua dim ensão exterior. c o m o sarx (c a r n e ). ressuscitará incorruptível. 1 C o 15. pois u m espírito não tem carne n em ossos. 18). p o rta n to . Semeia-se em ignomínia. to cai-m e e vede.6-7).] convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. antes. ressuscitará em glória. “ainda que o nosso h om em exterior se corrom pa. que sou eu m esm o. Jesus disse: “Vede as m inhas m ãos e os m eus pés. com o vedes que eu te n h o ” (Lc 24. O co rp o . esse tesouro em vasos de barro. ressuscitará corpo espiritual.” as coisas “eternas” e que não passarão (v. O “h o m em in terio r” diz respeito às “coisas que não se vêem . T e r m o s U tiliz a d o s p a ra D e s ig n a r a D im e n s ã o M a te ria l d o s S e re s H u m a n o s Corpo A palavra bíblica corpo (h e b ra ico : basar e grego: soma) é n o rm a lm e n te utilizad a para o aspecto e x te rio r (m a te ria l) da n a tu re z a h u m a n a .. aq u ele que pode fazer p e re cer no in fe rn o a alm a e o c o r p o ” (M t 10. C o m o já vim os. carne e sangue é u tilizad a p a ra d esign ar os seres h u m a n o s m o rta is (cf.16). 53) Carne A palavra carne (hebraico: basar e grego: sarx). [Davi] disse da ressurreição de Cristo [no Salm o 16].A NATUREZA DOS SERES HUMANOS W 39 verdade. se renova de dia em dia” (2 Co 4. Homem Interior A dim ensão espiritual dos seres hum anos é tam bém cham ada de homem interior.26). n em a sua carne viu a corru p ção . 5 A exp ressão . para que a excelência do poder seja de Deus e não de n ós” (2 Co 4. porém . O s a u to res dos te x to s g rego s u tilizav am duas palavras p o rq u e elas e sta v a m le x ic a m e n te disponíveis e p ro p o rc io n a v a m e sc la re c im e n to s ad icion ais.

Casa Terrestre Paulo. o corpo é a carapaça material que. já que é propensa à destruição. Na verdade. Da mesma forma. uma casa não feita por mãos. não desfalecemos.” o corpo é. existe um número ainda maior de pontos de vista.1). literalmente. Paulo escreveu: “Por isso. foi um dos que abraçaram esta idéia. Homem Exterior Se a alma é o “homem interior. ainda que o nosso homem exterior se corrompa. O mesmo ocorre com o exemplo seguinte. $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA é uma estrutura externa que contém algo no seu interior (uma alma). quando Jesus assumiu um corpo na Encarnação. ou seja. mas. A pessoa exterior é visível. O Epifenomenalismo Antropológico Uma forma modificada de Materialismo é chamada de Epifenomenalismo. a mente é simplesmente uma manifestação da matéria. A 6 L e m b re q u e Antropologia é o “e stu d o dos seres h u m a n o s . dá abrigo à presença da alma imaterial. Obviamente. nos céus” (2 Co 5. O Materialismo Antropológico 6 O Materialismo afirma que os seres humanos têm um corpo. VÁRIAS PERSPECTIVAS ACERCA DA NATUREZA HUMANA: A RELAÇÃO ENTRE ALMA E CORPO Há um debate importante entre os cristãos acerca da relação entre as duas dimensões humanas. passaremos agora a ver a forma como corpo e alma se inter-relacionam. como construtor de tendas. se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer. de acordo com o Materialismo. mas nega que eles tenham uma alma imaterial. o corpo está para a mente (alma) assim como o cérebro está para um sonho. Thomas Hobbes [1588-1679].14). temos de Deus um edifício. como vimos. Existem muitas visões acerca deste tema. uma figura de linguagem que apresenta o corpo como uma tenda ou casa. por exemplo. o que se costuma denominar de alma racional. se renova de dia em dia” (2 Co 4. “levantou a sua tenda no meio de nós”: “EoVerbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1. contudo. Esta visão sustenta que somente o corpo existe. o “homem exterior. assim como a árvore está para a sua sombra.16). ou mesmo a causa dela.” .40 . O pensador francês Pierre-Jean Georges Cabanis (1757-1808) propôs que a alma não passava de uma silhueta do corpo. compreendia o propósito do corpo humano: “Porque sabemos que. por sua vez. eterna. na verdade. está sujeita à decomposição e à destruição. ela é meramente um sinal da matéria e não algo separado dela. A mente é simplesmente um subproduto dependente da matéria. o interior. o corpo está para a alma. Analisá-los-emos neste espaço. Portanto. neste mundo. ele habitou. em um aspecto mais amplo (não-cristão). material. e. tangível. não existe. várias delas defendidas pelos cristãos.” Como também já vimos. Concluindo esta breve descrição bíblica das duas dimensões básicas do ser humano.

) e a alguns dos seus discípulos. O Monismo Antropológico (A Visão de Duplo Aspecto) B en to (B aru ch ) Spinoza (1632-1677) defendeu a visão de duplo aspecto (tam bém cham ada de “M onism o A n trop ológico”). alegando que a alm a influenciaria o corpo. isto é. ela é som ente ou tro aspecto da m esm a entidade. Assim co m o o M onism o A ntropológico. alma e corpo são entidades separadas eparalelas. mas a recíproca não seria verdadeira. Na verdade. mas não u m corpo. ta m b é m c h a m a d o de “R e c o rd a c io n ism o . O problem a com o D ualism o é a falta de qualquer tipo de contato. o corpo não existe. som ente interagem en tre si da fo rm a co m o dois boxeadores interagem en tre si. Platão defendia u m a fo rm a de O casionalism o. co m o os trilhos de u m a ferrovia. espacialm ente estendida.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS 41 alma é como uma imagem em um espelho. A alm a e o corpo são substâncias. O Idealismo Antropológico No ou tro extrem o da teoria não-teísta do M aterialism o está o Idealism o. houve cristãos que tam bém aderiram ao M onism o A n tropológico. O Dualismo Antropológico/D icotom ia8 De acordo com o D ualism o.9 o que significava que diante de u m a experiência sensorial. Platão com parou a relação da alm a com o corpo com um cavaleiro e o seu cavalo. s E sta visão ta m b é m é c o n h e cid a c o m o “Paralelism o A n tro p o ló g ic o . ou seja. Assim.1 0 O Interacionismo Antropológico R ené D escartes (1596-1650) afirm ava que o corpo e a alma seriam duas substâncias diferentes: A alm a intelectual (m en te ) é u m a entidade pensante e não-estendida. ela somente reflete o corpo. Apesar de ser um panteísta7 que defendia que todas as coisas são com postas da m esm a substância. para a alm a com o u m a m iragem está para a m ente. c a p ítu lo 2.” 9V id e abaixo. o qual afirm a que os seres h u m anos têm u m a alm a. ele sim plesm ente não existe. Os oponentes desta visão a descrevem com o a visão do “fantasm a dentro de um a m áquina. o O casio n alism o e a H a rm o n ia A n tro p o ló g ic a P ré-E sta b elecid a — são fo rm a s varian tes do D u a lism o . n a realidade. e o corpo físico é um a entidade não-pensante.” 7 O u u m “m o n is ta m e ta fís ico ” — vide v o lu m e 1. onde teria observado as Idéias reais de todas as coisas. . em bo ra não necessariam ente de fo rm a antagônica. Estas duas substâncias diferentes. os elem entos diferentes do D ualism o tam bém já fo ram defendidos por alguns cristãos. que co rrem lado a lado. O corpo estaria.C .” 1 0As três visões se g u in te s — o In te ra c io n ism o . apesar da alm a não ser equivalente ao corpo. O corpo é m eram en te um a ilusão. o qual. As criaturas. 427-347 a. O Bispo inglês G eorge B erkeley (1685-1753) era adepto deste p onto de vista. ela é reduzível a ele. alegando que enquanto a alma existe. S om en te a m en te existe. Esta visão é atribuída a Platão (c. supostam ente. parece ocorrer. unidade ou interação en tre alm a e corpo. supostam ente. a alm a está para o corp o co m o u m lado de u m prato está para ou tro. a m en te se recordaria do que havia aprendido em vidas anteriores. segundo a qual alma e corpo são dois lados (interno e externo) da mesma coisa. sem jam ais se en contrarem . diferenciam -se de Deus som en te com o m odos ou m o m en tos da ún ica e m esm a coisa. alm a e corpo.

fo rm a . ESBOÇO DAS VISÕES BÁSICAS DE CORPO/ALMA Visão Principal Proponente Corpo/Alma Ilu stração (Alm a /Corpo C om o [. O Elilomorfismo afirma que a alma (mente) está para o corpo como as idéias estão para as palavras: Ambos formam uma unidade. Para s aber m ais sob re o M o n ism o ... a mente (alma) não passa de uma manifestação da matéria. da mesma forma que existe uma unidade entre o formato de uma estátua e a rocha (o material) da qual ela foi criada. que é inferior. O Hilomorfismo Antropológico O termo Hilomorfismo vem de duas palavras gregas. estão sincronizadas por Deus e. como se fossem dois relógios que receberam corda por parte de Deus e trabalham paralelamente. a exterior da sua unidade holística...]) Materialismo Thomas Hobbes Somente Corpo Como o sonho para o cérebro Somente o corpo existe. a outra..1 2 A teoria propõe que existe uma unidade de forma/matéria entre a alma e o corpo. Deus gera a idéia nas nossas mentes. o que significa que ao ver o bilhete físico (porjneio da percepção sensorial). apesar de não terem consciência direta uma da outra.42 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Ocasionalismo Antropológico (Recordacionismo) Agostinho (354-430) defendia um dualismo platônico de alma e corpo. A Harmonia Antropológica Pré-Estabelecida Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) tentou explicar a relação entre alma e corpo de forma alternativa. A alma anima o corpo e forma uma substância hilomórfica (forma/matéria) chamada de ser humano.. vide v o lu m e 1. mente e corpo.. o corpo. não consegue impactar diretamente a alma. incluindo aqui as suas almas e os seus corpos1 1 . 1 1 1 U m a m ô n a d a é u m a en tid ad e m eta física sin g u la r en ten d id a c o m o u m e le m e n to b ásico e p rim á rio da realidad e. que é mais elevada. De acordo com o Ocasionalismo. conectadas. Deus é a Super Mônada que mantém o relacionamento adequado e mútuo entre todas as mônadas criadas. O filósofo grego Aristóteles (384322 a. uma sendo a dimensão interior. 12 H ulo (o u hulas) sig n ifica m a té ria e m— rphos. O corpo se liga à mente da mesma forma que um bilhete se comunica com a nossa memória. Ele percebeu uma harmonia pré-estabelecida entre ambos..C.. Esta visão também é chamada de “Iluminacionismo. um ao outro. Portanto....) e o pensador cristão Tomás de Aquino (1225-1274) abraçavam estaidéia.. portanto..” já que se considera que Deus ilumina a mente (ou alma) acerca do que está ocorrendo no corpo. . mas acrescentou uma dimensão ao paradigma de Platão. 1 1 E x p lic a ç ã o . na qual a alma racional se relaciona com o corpo através de ação divina direta. c a p ítu lo 2..

a mente é somente um sinal (e não uma causa) da matéria. Alma e corpo nunca interagem. Mente e corpo interagem mutuamente. Monismo (Visão do Duplo Aspecto) Bento Spinoza Dois aspectos da mesma coisa Dualismo (Dicotomia ou Paralelismo) Platão Duas realidades diferentes. Estes fo ram tratados co m o subtipos do “D u alism o ” (D ico to m ia ) n a seção abaixo. b em co m o o Idealism o. Mente e corpo são sincronizados por Deus. que re je ita qualqu er tipo de corp o m aterial real. os dados bíblicos acim a pesquisados1 3 exclu em aqueles que negam u m a das duas dim ensões básicas do ser h u m a n o . Como o interior para o exterior Como trilhos de uma ferrovia Mente (alma) e corpo são dois lados da mesma substância. o In teracio n ism o e o O casion alism o são todos m od elos de D ualism o. a H arm onia P ré-estabelecida. elas somente existem simultaneamente. o corpo não passa de uma mera ilusão. . Harmonia PréEstabelecida Gottfried Wilhelm Leibniz Como dois relógios Hilomorfismo Tomás de Aquino Como as idéias Mente e corpo para as palavras forma uma unidade holística. 1 3V id e s e ç õ e s sob o títu lo “V ários T e m o s B íb lico s U tilizad o s p a ra D e screv er os S eres H u m a n o s ” .A NATUREZA DOS SERES HUMANOS ff 43 Epifenomenalismo Pierre-Jean Georges Cabanis Alma é subproduto do corpo Como sombra para a árvore Corpo causa a mente. C o m o o Paralelism o. ficam excluídos ta n to o M aterialism o co m o o E p ifen om en alism o. mas paralelas Interacionismo René Descartes Duas substâncias diferentes que interagem mutuamente Como dois boxeadores Ocasionalismo Agostinho (Recordacionismo) Duas substâncias diferentes coordenadas por Deus Duas substâncias diferentes e sincronizadas Alma anima o corpo Como a memória para o bilhete Deus causa as idéias na mente mediante uma percepção sensorial. D estas diversas visões antropológicas. Idealismo George Barkeley Somente a alma Como a mente Somente a mente para a miragem (alma) existe. Por exem p lo. que negam a existência de qualquer tipo de alm a im aterial real.

separadas da alma. 14 O E p ife n o m e n a lism o A n tro p o ló g ic o é tra ta d o aq u i c o m o u m a fo rm a m o d ifica d a de M a te ria lism o . Argumentos Bíblicos em Oposição ao Materialismo Antropológico A Bíblia não somente afirma que tanto a alma quanto o corpo existem. Fp 1. H b 12. a Harmonia Pré-estabelecida. até mesmo nesta vida ambos são distintos: O corpo perecerá.1 5 Terceiro. S. Lewis (1898-1963).16. T g 2. então a matéria não é tudo o que existe. constituída de moléculas — o pensamento acerca da matéria precisa existir e permanecer acima da matéria da qual ele mesmo trata.18). 1947). o Interacionismo e o Ocasionalismo).1 6 Se o pensamento acerca da matéria for parte da matéria. M a c m illa n . mas a alma não (por exemplo. a visão materialista. . de que a matéria existe. 5. 2 Co 4.26. Segundo. claramente é autodestrutiva. mas a mente não. e (5) O Hilomorfismo. e por último.44 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA As outras duas perspectivas são o Monismo Antropológico e o Hilomorfismo. A única maneira da mente (ou os seus pensamentos) transcender a matéria é sendo mais do que a matéria. 2 C o 5. com maior minúcia. (4) Dualismo/Dicotomia (incluindo o Paralelismo. ele não poderá ser um pensamento acerca de toda a matéria. E se ela for mais do que a matéria. em si mesma. a alma deixa o corpo na morte (Gn 35. c a p ítu lo 3. de várias maneiras. em toda parte a Bíblia se refere ao corpo e ao mundo material como coisas que são tangivelmente existentes. Agora. 6. pois sendo uma parte da matéria.8. isto é. as cinco primeiras categorias de modelos para a relação entre corpo e alma: (1) Materialismo/Epifenomenalismo. passaremos a examinar. como também faz distinção entre os dois. Primeiro.1). as Escrituras descrevem a alma e o espírito como estando separada do corpo e consciente depois da morte. A idéia de que tudo é feito de moléculas não é. 1 6V id e M ira cles [M ilagres] (N ew Y ork. (3) Monismo.9. (2) Idealismo. Argumentos Filosóficos Contrários ao Materialismo Antropológico 0 Materialismo E Autodestrutivo Como observou o ex-ateu C. o pensamento não poderá transcender a si mesmo e fazer uma declaração sobre toda a matéria. A teoria sobre a matéria não é constituída de matéria.23.23. pois a teoria do Materialismo não é composta de matéria. 1 5 Ap. UMA ANÁLISE DO MATERIALISMO ANTROPOLÓGICO1 4 O Materialismo Antropológico não apresenta qualquer tipo de fundamento bíblico ou filosófico.

eles insistem que a m en te é m eram en te u m a silhueta que som e quando as partes m ateriais do ser h u m an o se dissolvem. não alega depender da m atéria para postular a sua verdade — de fato. Basicam ente. co m o u m m ero reflexo (o qual. e se estas declarações não fo rem feitas a partir de u m a posição estratégica que seja independente da m atéria. enquanto dependem os som en te dela e nada mais. então o alicerce principal do E pifenom enalism o vem abaixo. elas não serão. ele não deixa de estar errado. a alm a tam bém cessa. Em sum a. o que u m a som bra é para a árvore (co m o argu m enta u m epifenom enalista). Apesar deste argu m ento ap arentem ente ser m enos autod estrutivo que o prim eiro. apesar dos epifenom enalistas adm itirem que a m en te é m ais do que a m atéria. vai além da m atéria).1 8 O que o E pifenom enalism o ten ta fazer é transcend er a m atéria (co m a m en te). o “to d o ” deixa de existir quando as suas partes tam bém cessam . só que a declaração: “A m ente é dependente da m atéria”. p o rtan to . “o p e ra n d o dentro da e x istê n cia m a te ria l. Um Argumento Transcendental contra o Materialismo O M aterialism o ten ta reduzir tudo à m atéria. a m ente não é independente da m atéria. por exem plo. supostam ente. de fato. dependente da m atéria. é dependente) na m atéria. procurando provar co m isto. o raciocínio se m o stra autodestrutivo. o E pifenom enalism o alega possuir u m a base tran scen d en te1 7 de co n h ecim en to partindo de u m a base de operação estritam en te im an en te. O E pifenom enalism o afirm a que a m en te é. sendo. adm item que à m en te seja mais do que a m atéria.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS 45 0 Materialismo Modificado também É Autodestrutivo C om o ficou im plícito an teriorm ente. negam que a m en te possa existir de m aneira independente da m atéria. Insistem ainda que a m en te som ente é mais do que a m atéria n o sentido em que o todo é mais do que a som a das suas partes. reduzível a ela. p o rtan to . en tretan to . a m en te teria que ser independente da m atéria.1 9 Esta proposta é autodestrutiva porque independente da análise que façam os da m atéria. pois não tem qualquer fu nd am ento. Para que u m epifenom enalista pudesse obter êxito na sua em preitada (e não in co rrer na autod estruição do seu arg u m ento). Se isto estiver correto. Mas se a m en te é para o corpo. a fim de fazer declarações da verdade acerca de toda a m ente e de toda a m atéria. sem pre haverá um “e u ” que fica do lado de fora do ob jeto da m in h a análise. p o rtan to . alegarm os que estam os dentro da m atéria. “o p e ran d o acima da e x istê n cia m a te ria l. Se isto estiver incorreto. em ú ltim a instância. que a m en te está contida (e. então as “declarações de verdade” de u m epifenom enalista não são verdadeiras. pois não podem os sair de toda a m atéria para fazerm os u m a afirm ação acerca de toda a m atéria e. Eles argu m entam que a m en te não passa de u m reflexo da m atéria. obviam ente. ela não poderá fazer declarações a partir de u m a posição estratégica que é independente da m atéria. sim ultaneam ente.” 19 O s idealistas te n ta m o . N en h u m a verdade acerca de toda a m en te e toda a m atéria pode depender da m atéria para ser verdadeira. M esm o 1 7 O u . que a m en te. fazendo a exclusão da m e n te . 18 O u . quando o corpo expira. Os epifenom enalistas. alguns m aterialistas não são rigidam ente m aterialistas. depende da m atéria que o p ro je ta para a sua existência) ser independente da sua origem? De acordo com os epifenom enalistas. declarações sobre toda a m atéria: Precisam os dar u m passo para fora de algo para poder enxergar o todo (im plicando. M esm o assim. Se a m in h a m en te fo r com p letam en te dependente da (e fo r som ente um reflexo da) m atéria. De u m a fo rm a ou de outra. ela alega ser uma verdade acerca da mente e de toda a matéria.” o p o s to — vide abaixo.

e v o lu m e 2. Sempre haverá mais do que “mim”. E como a matéria foi produzida. surgiu a partir do nada. 20 N o v o lu m e 1. como já declaramos. ou seja. Como as evidências científicas demonstram que o universo material.23 (2) A lei moral é prescritiva (ela nos diz o que deveríamos fazer e o que não deveríamos fazer). apên dices 3. C it. existe algo que vai além da matéria. Como declarou o materialista Karl Marx (1818-1883). existe algo mais do que a matéria. nem tudo é reduzível ao “eu. existe uma realidade objetiva que não é material. 17-19. a “sobrematéria” que existe é a mente. Cristianismo Puro e Simples. ca p ítu lo s 1 8 -1 9 . existe o “eu” que não é meramente o “mim. . ou bem amatériaproduziu amente. S.2 1 . existe um “eu” que transcende a “mim. ao passo que Deus é infinito e indestrutível (1 Tm 6. é apresentada como algo distinto do corpo (por exemplo. (4) Logo. 24Vide C . Lewis. 0 Legislador M oral não E M aterial Outra forma de demonstrarmos que existe algo que transcende a matéria pode ser denominado de argumento moral em defesa da existência de D eus22Ele pode ser exposto da seguinte forma: (1) Existe uma lei moral objetiva. Tg 2.” para o qual o “eu” inapreensível estará olhando. surgirá um “mim. Segundo. Lc 24.39) no sentido em que ambos são separados na morte (por exemplo. somente consigo pegá-lo. Argumentos Bíblicos Contrários ao Idealismo Antropológico Primeiro. a Bíblia ensina de forma clara que Deus criou um universo material (Gn 1-2). ou a mente produziu a matéria.24 UMA ANÁLISE DO IDEALISMO ANTROPOLÓGICO O Idealismo Antropológico também é contrariado tanto por evidências bíblicas.” Se eu tentar colocar o meu “eu” no tubo de ensaio. portanto.” Jamais consigo capturar o meu “eu” transcendental (o ego). deduz-se que ela deve ser produto da Mente.16). (3)Aquilo que é prescritivo não é parte do mundo material descritivo. e que a matéria é verdadeiramente diferente de Deus.21 a Causa do universo não pode ser algo material.46 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA quando analiso a mim mesmo. Terceiro. que é puramente Espírito (João 4. 6. por assim dizer. a alma humana. Conseqüentemente.26).24). portanto. 0 Universo Tem Origem N ão-M aterial Como já demonstramos anteriormente. como um todo. c a p ítu lo 2. 22 O p . a partir do “canto do meu olho. quanto filosóficas.” A mente antecede e é independente da matéria.42).2 0 existe uma causa sobrenatural e imaterial para o universo. 21 V id e v o lu m e 1. 23Ibid. c a p ítu lo 2. e último. a matéria é finita e destrutível (1 Co 15.” Ao contrário do materialismo.

. N a verdade. a quantidade é baseada n a unidade. apriori. pois se as idéias n ão são o objeto formal do co n h ecim e n to .” Isto. A existência da realidade extra m e n ta l e n ã o -m e n ta l não é elim inada por n e n h u m destes argu m entos. Em sum a.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS # 47 Argumentos Filosóficos Apresentados em Defesa do Idealismo Antropológico G eorge B erkeley insistia que so m en te a m e n te e as idéias existiam . já que som os capazes de fazer idéia sobre ela. pois. su p o stam en te. Resposta aos Argum entos Filosóficos Em Defesa do Idealismo Antropológico Apesar de B arkeley te r sido u m cristão teísta. p o rta n to . que não pode ser percebida. na sua origem . Várias críticas são dignas de nota. se isto fo r aceito. so m en te a m e n te e as idéias existem . a. o movimento é relativo. a m e sm a co n clu sã o q u e o a rg u m e n to p r o c u ra d e m o n stra r. na verdade. co n stitu i-se em arg u m en to viciado. exista. não se pode pensar n a existên cia de algo que n ão esteja contid o no nosso p en sam en to. a extensão não pode ser con h ecid a sep arad am en te da co r e do v o lu m e. p o r p rem issa. cre r n a m a téria é acusar D eus de ter feito u m a criação in ú til.25 P rim eiram en te. Nada pode ser concebido co m o existindo sem ser concebido. A lém de tu do. que n ão existe qualquer tipo de m atéria. estão alicerçados sobre a n o ção errô n ea de que o “c o n h e c e r” envolve “uma sensação de idéias” e não u m a “sensação de coisas por intermédio de idéias. por vários m otivos. C ertam en te. Por exem p lo. tam b ém não p od em ser con h ecid as à p arte do p en sam en to. elas existem so m e n te no p en sam en to. A “con cep ção de alg o” é u m poder que a mente tem de fo rm a r um a idéia na mente (e não fo ra dela). O Idealism o alega. os arg u m en tos con trários à existência de qualidades secundárias (co m o a cor) tam b ém se aplicam às qualidades prim árias (c o m o a quantidade e a exten são). a arg u m en tação fica co m p le ta m e n te viciada se consid erarm os que. A Suposição Básica do Idealismo se Constitui em Argumentação Viciada26 A prem issa fu n d am en tal do Idealism o é que so m en te a m e n te e as idéias existem . O u seja. o Idealism o su sten ta que é im possível se con ceb êr que qualqu er coisa exista fo ra da m en te. A s Premissas Básicas do Idealismo São Falhas Os argu m entos de B erk eley em defesa do Idealism o. T o r é m não existe u m a razão” conv in cente para que isto seja aceito. 26 A rg u m e n ta ç ã o viciad a (la tim : petito prindpii ) é a fa lá cia ló g ic a c o m e tid a q u an d o se c o n sid era. ser significaria “p erceb er” (latim : esse est percipi) ou “ser p ercebid o” (latim : esse estpercipere ). A lém disso. m as m e ra m e n te os 25 In c lu in d o seres e x tra m e n ta is. to d o o restan te da teo ria se encaixa. n ão ficam os surpresos ao d escobrir que a conclusão de Barkeley é que nada m ais existe além disso. o seu Idealism o A n tro p o ló g ico é co n trário à posição teísta clássica co m o u m todo. n ov am en te. As coisas (a m atéria ). considera-se im possível separarm os o ser do ser percebido. figura se m odifica de acordo co m a nossa perspectiva dela. sem que ela. co n fo rm e o Idealism o.

Deus não é somente Todo-Poderoso — Ele também é Todo-Perfeito. Berkeley acaba acusando Deus de fraude.3 0 Ao contrário. Esta natureza original do ser humano é igualmente compartilhada por todos. Muitos argumentos são propostos em defesa deste ponto de vista. conseqüentemente. dos corpos. mas não realmente digno de crédito. apesar d o Id e a lism o (vide significa a idéia de q u e o ser h u m a n o é c o m p o s to de so m e n te u m a p a rte . nem a matéria. 28 V id e v o lu m e 2. sem que este mundo realmente exista. Criar em todos os seres humanos a vivida percepção de que existe um mundo extramental e material. tanto do campo bíblico. ca p ítu lo s 7 e 14.2 8 UMA ANÁLISE DO MONISMO ANTROPOLÓGICO Ao contrário do Materialismo ou do Idealismo.48 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA instrumentos pelos quais o conhecimento do mundo exterior nos é transmitido. c a p ítu lo 10. e le n ã o se en c a ix a n a e s tr u tu r a te ísta cristã . eterna.” 27 V id e v o lu m e 1. 3 1 Em c o n tra s te c o m o fa lecid o passar p a ra a vida f u tu r a so m e n te c o m o u m a alm a. e não pode enganar. bem como por seitas (as outras três serão examinadas abaixo).3 1 “Porque sabemos que. não estamos consumindo a idéia de comida. 29 P erceb a q u e o rad ical “m o n ” da p alavra Monismo O “di” da p a la v ra Dicotomia (o u “d u a l” de 30 C o m o já vim o s. 0 Idealismo E Contrário à Experiência Falar. se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer.26). ela deve ser uma natureza única. Além do mais.2 7 então o Idealismo vem abaixo. . o Monismo Antropológico. Quando consumimos os alimentos. Certamente Deus tem poder suficiente para criar em nós a idéia de coisas que não existem. como Barkeley afirmou. e não diversa. O Monismo sustenta que os seres humanos apresentam somente uma natureza— uma natureza humana: “De um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra” (At 17. seria uma desonestidade. Argumentos Bíblicos Apresentados em Defesa do Monismo Antropológico Os argumentos básicos em defesa do Monismo Antropológico tirados das Sagradas Escrituras são (1) a partir da natureza dos seres humanos e (2) a partir da suposta unidade entre alma e corpo. como também o fazem as Testemunhas de Jeová nos nossos dias. a implicação de que Deus somente ressuscitou um agrupamento de idéias. não nega nem a mente. nos céus. colocaria abaixo a própria Ressurreição de Cristo. Como já mencionamos anteriormente. Outro argumento que se apresenta é tirado de 2 Coríntios 5.2 9 que é a primeira das quatro posições que têm sido defendidas por alguns cristãos professos. Bento Spinoza defendeu esta idéia (vide E ). Este texto parece afirmar que o corpo ressurreto é recebido no momento da morte física. apesar disso. uma casa não feita por mãos. ao passo q u e “tr i” de Tricotomia in d ica três. ou tendo uma idéia de estar consumindo a idéia de comida. é até possível. temos de Deus um edifício.1. D u a lis m o ) p o stu la duas partes. quanto do filosófico. acim a ) te r sido p ro p o sto p o r u m te ísta c ristã o (G eo rg e B e rk e le y ). 0 Idealismo Acusa Deus de Falsário Ao argumentar que o mundo exterior não existe. ele afirma ambos ao mesmo tempo em que os identifica como uma unidade. da matéria e da natureza— dos quais todos nós temos experiências sensoriais — como meras idéias que Deus regularmente incita em nós.

em 2 Coríntios 5. recebem os um corpo espiritual intermediário. n a m o rte . Paulo está sim plesm ente falando que depois da m o rte existe a expectativa final da ressurreição perm anente do corpo. mas as palavras e as idéias não são idênticas. 32V id e abaixo. pois para serem dois. Eis aq u i vos digo u m m istério : N a v erdad e. filósofo grego da Antigüidade (que despontou por volta do ano 485 a. O raciocínio pode ser construído desta maneira: (1) É impossível haver duas coisas (seres). outros alegam que Paulo (em 2 Co 5. 36 Acim a e além d aquilo . que todo o ser é um . Esta idéia se coaduna m elh or com as declarações de Paulo acerca da ressurreição final do corpo em 1 Coríntios 15. p o rq u e a tro m b e ta soará. eles precisariam se diferenciar u m do outro. P orq u e c o n v é m q u e isto q u e é c o rru p tív e l se re v ista da in co rru p tib ilid a d e e q u e isto q u e é m o r ta l se rev ista da im o rta lid a d e . E. As duas dimensões não podem ser idênticas. 34 E sta re sp o sta está m ais b e m d e ta lh a d a n o v o lu m e 4. (2) As coisas som en te podem se diferenciar pelo seu “ser” ou pelo seu “n ã o -ser”. re ssu scita rá c o rp o esp iritu al.1. m a s to d o s serem o s tra n sfo rm a d o s. o M onism o contradiz as referências claras que a Bíblia faz a u m estado em que a alm a e o espírito separam-se do corpo no m o m en to da m o rte. e os m o r to s ressu scita rã o in c o rru p tív e is. n e m a c o rr u p ç ã o h e rd a r a in c o rr u p ç ã o . Parmênides. porém .26 — tam bém podem ser interpretadas de ou tra form a. alguns sustentam que. e n tã o . q u a n d o isto q u e é c o rru p tív e l se re v e stir da in co rru p tib ilid a d e . n e m to d o s d o rm ire m o s . irm ã o s: que c a rn e e san g u e n ã o p o d e m h e rd a r o R e in o de D e u s. S em eia se e m fraq ueza. digo isto . Isto tam bém guarda um a correlação com o que ele afirma a respeito da m o rte e da ressurreição em 1 Coríntios 15. Segundo. an te a ú ltim a tro m b e ta .1.34 Assim. re ssu scitará c o m vigor. e a outra imperecível. A lém disso. ressu scita rá in c o rru p tív e l. porém esta natureza apresenta duas dimensões. se diferenciar pelo não-ser (ou. sob o títu lo “U m a A n álise d o H ilo m o rfism o A n tro p o ló g ic o . n u m m o m e n to . Por exem plo. de form a que a alm a jamais fica sem u m corpo (por exem plo. 35 “E. c a p ítu lo 8. vide Chafer. re ssu scita rá e m g ló ria .32As Sagradas Escrituras dem onstram a unidade das duas dimensões hum anas.42-44. C o m relação ao uso de 2 Coríntios 5. ST. n u m a b rir e fe c h a r de o lh o s. diferenciar-se.C.3 3 Argumentos Filosóficos Favoráveis e Contrários ao Monismo Antropológico O Paradoxo de Parmênides No nível do ser. S em eia -se c o rp o a n im a l. de form a algum a.50-54.” q u e é físico. e n ó s s erem o s tra n sfo rm a d o s. S e h á co rp o a n im a l.506-07). com o vimos acima.33 Terceiro. S em eia -se o co rp o e m c o rr u p ç ã o .36 a saber. porque um a é m aterial. e a ou tra im aterialru m a é perecível. diferenciar-se pelo nada) não é. e isto q u e é m o r ta l se re v e stir da im o rta lid a d e . 2. Primeiro. mas que ele m eram ente considera a ressurreição final com o segura e garantida.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS 49 Respostas aos Argumentos Bíblicos Apresentados em Defesa do Monismo Antropológico As passagens bíblicas propostas para fundam entar o M onism o — tais com o Atos 17.) propôs u m forte argum ento a favor do M onism o Metafísico. existe um a unidade entre as palavras desta frase e as idéias por detrás dela. é verdade que tem os umar-única natureza. existem .1) não ensina que um a pessoa recebe o corpo eterno no instante da m orte. c u m p r ir-s e -á a p alavra q u e está e scrita : T ragad a fo i a m o r te n a v itó ria .” 33 “A ssim ta m b é m a re ssu rreiçã o dos m o r to s. h á ta m b é m co rp o esp iritu al. S em eia -se e m ig n o m ín ia . agora. com o fundam entação do M onism o. pelo m enos. duas outras interpretações. porém não a sua identidade.

tal qual qualquer outra pessoa. pois parte daquilo que pretendo provar. uma e a mesma essência humana pode ser tanto material. já que o ser é a única coisa que todos os seres têm em comum. Platão.3 8Se o termo ser for predicado de (atribuído a) Deus de maneira análoga (similar). E mais exato chamar o Dualismo de platônico. mesmo que o Dualismo a ser analisado seja o platônico. Por exemplo.50 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA (3) A diferenciação pelo ser não é possível. ou seja. uma idéia não deveria ser julgada falsa (ou verdadeira!) em função da sua origem cultural. A menos que consideremos que os termos corpo e alma são unívocos (idênticos) no que diz respeito ao mesmo ser humano. embora pareça inatacável.” Aristóteles. Primeiro. postularmos e. simplesmente as descobriu. do significado e da verdade. ou seja. e não na Teologia judaica. Somente se considerarmos que o ser é unívoco (inteiramente o mesmo) em vez de analógico (similar) é que chegaremos à conclusão de que o Monismo é real. uma e a mesma rocha pode ser tanto redonda (que é um adjetivo que não necessariamente se refere ao material em si) e dura (que é um adjetivo que se aplica unicamente a coisas materiais). O Monismo Antropológico. é grega (e não hebraica) na sua origem. demonstrarmos que todas as coisas são similares no seu ser. na verdade se constitui numa argumentação viciada. que se opõe ao Monismo. como derivado do Monismo Metafísico. por exemplo. Resposta Já vimos3 7 que este argumento. Se. existem vários problemas sérios com esta objeção. esta co n c lu sã o já fo i d ev id a m en te re fu ta d a (vide v o lu m e 1. não criou estas idéias. desde que uma seja a forma (alma) e a outra a matéria (corpo). por outro lado. bem como na crença em Deus e na vida futura. quanto imaterial sem precisar ter duas essências diferentes. Resposta Em resposta. elas não podem se diferenciar exatamente pelo mesmo quesito no qual são idênticas. . Pode haver diferentes verdades acerca da única e mesma coisa. sem que estas verdades diferentes sejam a mesma coisa. muito embora ser grego signifique “ser dualista. o Dualismo Antropológico (vide abaixo) traça as suas origens na filosofia helênica. De modo semelhante. 0 Ataque ao Dualismo Antropológico Outro argumento apresentado em defesa do Monismo Antropológico é que a visão dualista (dicotômica). qual seja: que todas as coisas são idênticas no seu ser (Monismo). então todas as coisas não serão idênticas. o Monismo não será conclusivo. Os cristãos (mesmo muitos monistas antropológicos) concordam com um grande número de idéias de Platão. A questão não é se o Dualismo vem da filosofia grega (como vem). este é um caso clássico de envenenamento de poço. mas sim. 37 V o lu m e 1. c a p ítu lo 2. c a p ítu lo 9). (4) As coisas não podem se diferenciar por aquilo que têm em comum. a seguir. inclusive a objetividade da moralidade. não podemos concluir que corpo e alma são a mesma coisa. e o argumento a favor do Monismo M etafísico não se sustenta. é inútil e incorreto colocar um grande rótulo que diz “grego” no Dualismo. pelas evidências a favor ou contra. padece do mesmo destino. 38 E n tr e ta n to . ele não deve ser rejeitado simplesmente" porque Platão o defendia. era grego e rejeitava o Dualismo Antropológico. Ainda assim. Segundo.

43 UMA ANÁLISE DO DUALISMO ANTROPOLÓGICO (DICOTOMIA) O Dualismo Antropológico. Jo 20.13-18). por exem plo. então a alm a m orreria ju n to co m o corpo. 4 1 R e ferin d o -se ta n to a Jesus. já que u m a ressurreição envolve a saída do corpo m o rto do tú m u lo (Jo 5. A lém disso.30). q u a n to 43 V id e a cim a . sim u ltaneam ente na m o rte (o que seria A niquilacionism o). Sexto. co m o alegam os m onistas. u m corpo e um a m ente (alm a). Aristóteles e Tom ás de Aquino. então ou (1) ambos deixam de existir. Lc 23. Fp 1. C o m relação ao prim eiro caso. 40V id e a cim a . do m esm o m odo que se deu com Jesus. ou (2) a alm a recebe u m novo corpo no m o m en to da m o rte (o que seria a ressurreição im ediata). Não pode haver ressurreição do corpo enqu anto ele ainda estiver n a sepultura.18). so b o títu lo : 42V ide v o lu m e 4. A p 6. este argum ento em defesa do M onism o está baseado em um a falsa disjunção. claram ente. as quais são afirmadas pela Bíblia'1 0 Segundo. é a concepção de que a alm a e o corpo são com postos de duas substâncias diferentes u m ser hum ano é um a alm a e m eram ente 39 E sta é u m a lista p arcial q u e a p rese n ta os m a io res p ro b le m a s d o M o n is m o A n tro p o ló g ic o . o M onism o nega a existência de duas dim ensões n a natu reza hu m ana. Terceiro. que defende a unidade (e não a identidade) entre alm a e corpo. a ressurreição do corpo é apresentada (por exem plo. Quarto. o M onism o é contrário ao que sentim os: tem os a consciência de ter estas duas dim ensões. existem m uitos argum entos contrários a ele. com o u m evento fu tu ro que o co rrerá no reto rn o de Jesus a este m undo. 2 T m 2. que se origina em Platão. O bjetivam ente falando. o recebim en to de novos corpos para as alm as dos crentes no m o m en to da m o rte to rn aria a ressurreição u m evento passado. e a mesma coisa. em 1 Ts 4.” aos c re n te s — p o r e x e m p lo . Ec 12. o M onism o necessita ou do A niquilacionism o ou da ressurreição im ediata no m o m en to da m o rte — estas duas posições n ão são ortodoxas e são. m anten d o as m arcas da crucificação e tudo o mais (Lc 24. Ele é a Segunda Pessoa da Trindade e jam ais deixa de existir. ele falha em notar que n em todos os não-m onism os são dualismos. inaceitáveis. e ú ltim o. . Quinto.39.43.28-29). Jo 19. em vez disso. o M onism o não explica as passagens bíblicas nas quais a alm a (o u o espírito) sobrevive à m o rte 41 Se alm a e corpo fossem uma.39 Primeiro. Mas n ão é isso o que acontece.7. no m esm o corpo. "R esp ostas aos A rg u m e n to s B íb lico s A p resen ta d o s e m D efesa do M o n is m o A n tr o p o ló g ic o ”. Os m eus pensam entos são. o A niquilacionism o é to ta lm en te antibíblico. opunham -se ao Dualism o Platônico. 2 C o 5. tam bém . o M onism o não explica o fato de Jesus ter estado espiritualm ente vivo entre a sua m o rte e a sua ressurreição (Lc 24.23. um a idéia que o Novo Testam ento condena com o herética (cf.9.6. eles abraçaram o H ilom orfirm o.8.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS W 51 Terceiro. todos os argum entos e textos utilizados para m o strar a tal identidade entre o corpo e a alm a podem ser explicados de o u tra form a: com o referências à unidade psicossom ática.27). nas seçõ es sob o títu lo “V ários T e rm o s B íb lico s U tilizad os p a ra D e screv er os S eres H u m a n o s .42 e com relação ao segundo.46. Se o corpo e a alm a fo rem a m esm a coisa. Outra Evidência contra o Monismo Antropológico A lém da falha dos argum entos filosóficos a favor do M onism o. diferentes do m eu corpo. contudo não aderiam ao M onism o Antropológico.

46. alma e espírito se refeririam à m esm a substância. ela passa a estar perm anentem ente livre dos grilhões do encarceram ento terreno. M o n is m o . 49V id e adian te.46 os quais defendem que o ser h u m an o é tripartido (ou seja. o D ualism o confund e as dimensões co m as partes. a H a rm o n ia P ré-esta b elerid a .49 Segundo.38. O problem a com este argu m ento é que ele se trata de u m a falsa disjunção. alm a e espírito tam bém são utilizados com o sinônim os em paralelism os poéticos (cf. 6.34. c o n tra o D u a lism o . estas m esm as funções tam b ém podem ser explicadas por interm édio do H ilom orfism o (vide abaixo). 44 C o m o já v im o s.47). os dualistas defendem que co m o a alm a sobrevive à m o rte. esta é a in v ersão da fa lá cia da falsa d is ju n ç ã o d e n tro do 47 C f. e não que o D ualism o está correto.28.41 Dois Argumentos Apresentados em Defesa do Dualismo Antropológico (Dicotomia) 0 Argumento da A lm a que Sobrevive à Morte C o ntrariam ente aos m onistas. éom o já observam os. . Dessa form a. 0 Argumento de que a Intercambialidade dos Vocábulos “A lm a" e “Espírito” Provaria a sua Identidade C ontrariando os tricotom istas. que se to rn a evidente no O casionalism o (R ecord acion ism o) de A gostinho e de m u itos outros n a tradição reform ada até os nossos dias. existem ainda várias razões significativas para que este seja rejeitado. Lc 1. um a o u tra alternativa viável. os dualistas (ou “d icotom istas”) argu m entam que co m o os term os alma e espirito são usados de fo rm a intercam biável em várias passagens.45 C o m o já foi observado. ou um a pessoa em um a cela de prisão — quando a alm a é liberta do corpo (na m orte). Se assim o fosse.3. que erron eam ente considera m onista todo ponto de vista que foge ao dualism o. o P aralelism o. a unidade corpo/alma (sem a identidade) conhecid a co m o H ilom orfism o A ntropológico (vide abaixo). M a te u s 10. 16A T r ic o to m ia A n tro p o ló g ic a será tra ta d a m ais adian te. M a rco s 8. o entristecer-se e o acalm ar-se). existe. A lém disso. dentre elas.27. Outras Evidências Contrárias ao Dualismo Antropológico (Dicotomia) A lém da inviabilidade destes argum entos n o apoio ao D ualism o. outros dualistas não-cristãos se referem à alm a com o sendo um pássaro em um a gaiola.20. 1 C o rín tio s 5.11. 2 Pedro 2. D o m esm o m odo que um a obra de arte tem duas dim ensões — a fo rm a e o m eio — a natu reza h u m an a tam bém tem tan to a in terio r (a alm a) e a exterior (o corpo).31. 48 C f. o In te ra c io n is m o e o O ca sio n a lism o estã o in clu íd o s nas fo rm a s de D u a lism o A n tro p o ló g ic o (D ic o to m ia ). A analogia primária coloca a alm a na posição de u m cavaleiro e o corpo na de cavalo. co m o ad m item os dois lados. o D ualism o nega o ensino bíblico acerca da unidade essencial do ser h u m an o . todavia eles afirm am u m dualism o psicossom ático. Jo ã o 11.52 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA tem um corpo. 7. M a te u s 26. pelo m enos. ela tam bém m o rreria ju n to co m ele.33. ela não pode ser da m esm a substância que o corpo. A to s 2. devem os observar que se este argu m ento estiver correto. e n o rm a lm en te apresentam as m esm as funções (o suspirar. A lém disso. as seguintes: Primeiro.12. 12. 45 N a v erdad e. sob o títu lo “U m a A n álise d o H ilo m o rfism o A n tro p o ló g ic o . na melhor das hipóteses.47o ser h u m an o teria som en te duas partes (corp o e alma/espírito). a saber.4 8 Em resposta. ele som en te provaria que a T ricoto m ia está errada. mas isto não ocorre. é constituído de três partes). Apesar dos dualistas cristãos sustentarem que a alm a voltará a se reu n ir ao corpo da ressurreição. observam os dualistas.

” . Sem o corp o som os incom pletos na nossa própria natu reza co m o seres hum anos. posteriorm ente. Davi registra: “Pois não deixarás a m inha alma no inferno.5 1 UMA ANÁLISE DO HILOMORFISMO ANTROPOLÓGICO (UNIDADE CORPO/ALMA) A ú ltim a posição sustentada pelos cristãos é cham ada de H ilom orfism o32 que. o qual. defende a existência de u m a unidade en tre forma/ m atéria entre a alm a e o corpo.14). conform e profetizado (acerca de Cristo). “G V H V M ” in P N T T). vide a tab ela a segu ir: “D uas Visões C o n tra sta n tes A ce rca da N a tu re z a H u m a n a .” 52 C o m o já v im o s. serão ressuscitados (Jo 5. m esm o se excluirm os os aspectos reencarnacionais (ren ascim en to) e soteriológicos (salvíficos). a ressurreição não faz qualquer sentido ao m enos que estejam os incom pletos sem u m corpo. Isto.4). novam ente. A Base Filosófica/Psicológica em Defesa do Hilomorfismo Antropológico A lém das referências bíblicas. Considere os seguintes argum entos: 50Estes e n sin os ta m b é m s erão e xp o sto s ad ian te. não é bíblica (vide Ladd. se tanto o corpo quanto a alm a não fossem criados co m o um a unidade. a representação da natu reza h u m an a feita pelo D ualism o platônico. Por exemplo. o dualism o desm erece o corpo a retirar dele a im agem de Deus. A lém do mais.” e ela norm alm ente inclui o corpo. não viu a corrupção. ao passo que a Bíblia o apresenta co m o parte da sua sem elhança. a palavra alma às vezes pode até se referir a um corpo já falecido (por exem plo. q u e sign ifica “fo rm a . e a Palavra de D eus declara que todos os seres hum anos.10. existem razões psicológicas e filosóficas em apoio à unidade form a/m atéria de corp o e alm a. Além disso. de ou tro m od o a proibição con tra o assassinato do corpo físico não poderia ser aplicada. e o hom em foi feito alm a vivente” (2. P ortanto. porque D eus fez o h o m em co n fo rm e a sua im ag em ” (G n 9. caso não houvesse u m a poderosa unidade entre os dois. a unidade com pleta do pó (m atéria) e o sopro (vida) formavam u m ser vivo. C om o tam bém analisam os. 21. pois Deus declarou: “Q uem derram ar o sangue do h om em . 23. Obviamente. o D ualism o leva a um A scetism o insustentável e à alienação. e foi.” 51 Para u m a c o m p a ra çã o su c in ta das visões bíb lica e p la tô n ic a a c e rc a de co rpo/ alm a. o te r m o te m a sua o rig em n as p alavras gregas h y lo (o u h y las). im plica que a im agem de Deus inclui o corpo. que sig n ifica “m a té ria .6). As evidências a favor do H ilom orfism o podem ser divididas em dois grupos: as bíblicas e as filosóficas. salvos ou perdidos. a palavra alma significa “pessoa.7). Só que não é assim. Isto não seria possível. corroborad a por Tom ás de Aquino. At 2. Lv 19. Gênesis declara: “E form ou o SENHOR Deus o hom em do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS W 53 Terceiro. As raízes desta posição são encontradas nas crenças de A ristóteles.5 0 Quarto. nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”. con form e vim os an teriorm en te. Por ú ltim o.31).25-29). mas foi ressuscitado (cf. A Base Bíblica em Defesa do Hilomorfismo Antropológico Os seres hum anos são descritos com o um a unidade entre alma/corpo desde os primórdios da criação. Ou seja. C om o já vimos.30. apesar dela apresentar um a base no A ntigo Testam ento. Quinto e último. pelo h o m em o seu sangue será derram ado.1. o assassinato de u m corpo não seria errado. sob o títu lo “U m a A n á lise d o H ilo m o rfism o A n tr o p o ló g ic o . pois propõe que a essência da hum anidade é p u ram ente espiritual e exclui a dim ensão m aterial. alma aqui inclui o corpo.28. no Salmo 16.” e m o rp h o s. a Bíblia declara que a alm a sem o corpo é nua e incom p leta (2 C o 5.

até m esm o a palavra espirito é utilizada para u m anim al (vide Ec 3. e n ão de identidade.24. Esta ligação psicossom ática é u m indicativo de unidade. um a n ão poderia sobreviver sem a outra. a alm a é in co m p le ta sem o c o rp o . co m o já foi dem onstrado. D eu s. Para serm o s claros. A m esm a palavra hebraica utilizada para designar a alm a dos seres hu m anos ( nephesh) é tam bém utilizada para designar a alm a dos animais. Ap 6. obviam ente. e não um a identidade. a tabela a seguir resum e (co m a m odificação de u m a palavra — grega para platônica)56 53 L e m b re -se q u e o O casio n alism o de A g o stin h o (R e c o rd a c io n is m o e Ilu m in a c io n is m o ) im p lic a a c o n e x ã o e n tre a m a té ria e a fo rm a é de m ã o -ú n ic a . c o n tu d o eles existem sem fo rm a to físico. Na verdade. e a dor n o corpo afeta a m ente. ilu m in a a m e n te (o u a a lm a ) p a ra a e xp eriên cia c o rp ó re a .53Por exem plo.9). e ela aguarda a ressu rreiçã o do co rp o . P ortanto. Se elas fossem idênticas então.8. n o v a m e n te . que no estado in te rm e d iá rio . C o n sid era-se. que sobrevive à m o rte e contin u a a viver de fo rm a consciente entre a m o rte e a ressurreição (por exem plo. a alm a está para o corpo com o o p ensam ento (n a m en te) está para as palavras n o papel. to rn a r-s e co m p le ta (2 C o 5. q u an to os a n jo s são seres p u ra m e n te esp iritu ais (Jo 4. sobrevive à m o r te do co rp o . aparentem ente. 55 V ide v o lu m e 56 G e o rg e E ld o n Ladd: “ The Greek Versus the Hebrew View o f M an ” [A V isão G re g a V ersus a V isão H eb réia do H o m em ] in The Pattem o /N e w Testament Truth [O Pad rão da Verdade N e o te sta m e n tá ria J.23.21). o H ilom orfism o tam b ém está su jeito às críticas. p o rta n to . Fp 1.54 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA A Analogia com os Animais As form as m ais elevadas de anim ais têm alm a.” Se a en carnação é u m veículo necessário para a alm a. . a qual é própria da unidade forma/matéria. Uma Objeção ao Hilomorfismo Antropológico A exem plo de todas as outras visões. sendo que a ún ica diferença está na alm a hu m ana. C o m o já vim os. os seres h u m a n o s exista m c o m o os a n jo s p re sen tem en te e x iste m . enquanto os animais vivem . por força de analogia.55 George Eldon Ladd (1911-1982) escreveu u m a exím ia análise do contraste entre a visão dualista e a visão hilo m órfica (da unidade) entre alm a e corpo.1). O m esm o o co rre com os seres hu m anos. alm a e corpo são u m a unidade. o conceito perm anece quando o m aterial perece. su p o sta m e n te . A Interpenetração Psicológica A lém disso. In terp enetração significa que a alm a influencia o corpo e vice-versa.14). para. 54 V ide v o lu m e 1. caso a alm a e o corp o sejam u m a unidade n esta vida. O prim eiro ataque relaciona-se no intervalo entre a m o rte e a ressurreição. Objeção Levantada contra a Sobrevivência da Alma Este argu m ento defende que. a alm a não poderia existir em u m estado “d esencarnado. 2 C o 5. a aflição da alm a afeta o corpo. Hb 1. c a p ítu lo 9. m as a sobreviv ência de u m a a lm a sem um co rp o n ão é im p ossível.54 A B íblia nos in fo rm a que a alm a. existe claram ente u m a interp enetração m ú tu a de alm a e corpo. n o in te rv a lo e n tre a m o rte e a ressu rreição . de fato. n e m co n tra d itó ria . T a n to D eu s. c a p ítu lo 20. o in fe r io r (o c o rp o ) n ã o p o d e im p a c ta r d ire ta m e n te o m a is elev ado (a a lm a ). existe u m a unidade de fo rm a/ m atéria en tre a alm a e corpo deles. 2. co m o a alm a poderia sobreviver sozinha? Resposta Em resposta.

58 P latão. se Ele lhe tivesse criado mortal. já a T r ic o to m ia ta m b é m p o stu la u m d u alism o d e n tro d a p ró p ria alm a. e sp e c ia lm e n te n o A n tig o T e s ta m e n to h e b re u . a cim a . ele não era nem mortal. 59 V im o s.5 7 Visão Platônica acerca da Natureza Humana Dualista E uma alma (a alma está completa com o corpo) A matéria não é boa Reencarnação em outro corpo Corpo como prisão/túmulo Corpo como inimigo da alma A alma é simples A alma é indestrutível Salvação a partir do corpo Salvação através do conhecimento A alma é divina A alma é eterna A alma tem uma pré-existência Este mundo é um lugar estranho Os seres humanos são tripartidos (corpo. nem imortal. 130-190 d. Repito. c o n fo rm e e sta é exp ressa n a Bíb lia. Deus pareceria ser a causa 57 P o r cristã se e n ten d e a visão da un id ad e. Mas diremos: “Mas será que ele não era ‘um nada’?” Isto ainda não acerta o alvo. Por natureza.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS # 55 Duas Visões Contrastantes acerca da Natureza Humana: a platônica versus a cristã. Livro I. “Será que ele era.) Alguém nos dirá: “Será que o homem foi criado mortal por natureza?” Certamente que não. C . q u e o D u a lism o faz u m a d ife re n cia çã o e n tre a lm a e c o rp o . então. imortal?” Tampouco afirmamos isto. Pois se [Deus] lhe houvesse criado imortal desde o princípio. Ele teria criado um outro Deus. A R e p ú b lica . . alma e espírito)58 0 pecado é resultado das cargas que o corpo impõe sobre a alma Redenção da alma O conhecimento de Deus vem com a fuga deste mundo A salvação vem pelo esforço humano A realidade está no reino invisível Visão Cristã acerca da Natureza Humana Unidade E Corpo/Alma (a Alma está incompleta sem o corpo) A matéria é boa Ressurreição no mesmo corpo Corpo como expressão da alma Corpo como amigo da alma A alma é composta A alma é destrutível Salvação no corpo Salvação pela fé A alma é humana A alma teve um início A alma foi criada Este mundo é um lugar agradável Os seres humanos têm duas dimensões (interior e exterior) O pecado é resultado da rebelião da vontade Redenção da pessoa como um todo O conhecimento de Deus vem neste mundo e por intermédio dele A salvação ocorre pela visitação divina A realidade inclui o reino visível59 O TESTEMUNHO HISTÓRICO ACERCA DA NATUREZA DOS SERES HUMANOS Dos Pais Eclesiásticos Teófilo (c.

desejando que o nosso “espírito. por intermédio da sua própria filantropia e piedade. Ireneu (c. pois já teriam sido assim criados. além de um dom ocasional de conhecimento. 2 0 2 d. e as abrangeu em uma única oração pela sua segurança.2) Tertulíano (c.C. Portanto. 1.11 T s 5.] porque temos o poder de assim fazer. IILXVI in ibid. Deus não criou o homem mortal. podemos acabar nos esquecendo e. pois ele divide a alma em duas partes — a racional e a irracional”.7) 6. 1. interpretam-na com significado diferente de substância da carne. os últimos não seriam merecedores dos louvores por serem bons. tampouco imortal. Portanto.. se tiverm os que definir o hom em . vós que negais a salvação da carne.23... E. de forma que. caso se inclinasse para as coisas próprias à imortalidade. sem dúvida ele possuirá um a alm a diferente de um corpo. com o um a substância racional que consiste em m ente e corpo. e da sua perseverança nelas. portanto.. por meio da obediência aos mandamentos de Deus. independentemente daquele dote profético que deriva expressamente da graça de Deus. e outros bons. pela negligência excessiva. Pois Deus criou o homem livre... no geral.. sendo capazes de se manterem firmes e fazerem o bem — e. o alcançam um testemunho merecido das suas boas escolhas.. Deus agora lhe concede como dom.27).C. e que. mas outros são culpados. sempre que ouvis a menção da palavra corpo em uma situação semelhante. C. Entretanto. (TS. ANF.. então. à alma. (TSin ibid. por outro lado. a agirem de forma j usta e a praticarem a retidão [. acabar necessitando daqueles bons conselhos que o bom Deus nos fez conhecer por intermédio dos profetas. 194) “Vinde agora. por assim dizer. (OT. 155-C. aquilo que o homem trouxer sobre si mesmo por causa do seu descuido e desobediência.. simultaneamente [. assim. por natureza. por causa da sua rejeição daquilo que é justo e bom. caso se volte para as coisas mortais. e recebem a justa condenação. receberia a imortalidade como recompensa [. quando o homem lhe obedece (TA. (dizei-me) como pode o apóstolo ter atribuído certos nomes distintos a todas (as faculdades). alguns tivessem sido criados maus. tendo o poder de lançar tudo fora e não fazer o bem — alguns recebem os louvores de forma merecida mesmo entre homens que estão sob o controle de boas leis (e ainda mais da parte de Deus).56 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA da sua morte. H2. ele mesmo passaria a ser a causa da sua própria morte. alma e corpo pudessem ser mantidos inculpáveis até a volta do nosso Senhor e Salvador (Jesus) Cristo”?6 0 Pais Eclesiásticos do Período Medieval Agostinho (354-430 d.] liberdade da vontade [. mas [. por outro lado. e um corpo que é diferente de uma alm a.9.) Se. tampouco os primeiros mereceriam reprimenda.) Com o já vimos. xxvii in Roberts e Donaldson. 125-c.225 d. pois também já teriam sido assim [originalmente] criados. como todos os homens possuem a mesma natureza.. e com poder sobre si mesmo.4.] com a capacidade de ser as duas coisas.37.) Nós atribuímos. . 15.] mas. em desobediência a Deus.22) “Esta posição de Platão também está de acordo com a fé.. e porque. III.] e o seu domínio sobre as obras da natureza. por isso os profetas costumavam exortar os homens a fazerem o que é bom. (AH in ibid..

1. este modo de entendimento também era próprio da alma do primeiro homem. no que diz respeito ao seu corpo. Dessa forma. e de forma alguma sobre ela tinha precedência [. 1. A segunda. e já antevia o bem que ele mesmo tiraria desta malignidade. d o T . a ç ã o ").26. por ser o bondoso Criador das naturezas boas. e estas existiam de forma absoluta no estado original. d o T .94. vida animal. apesar deles fazerem um mau uso das suas naturezas boas. ao criá-lo. como também por instrução e governo. Pois a alma humana. A primeira.: N o sen tid o to m is ta ("a q u ilo q u e p o ssu i a to .94. Ele fez com que o Diabo (que era originalmente bom pela criação de Deus. Ele faz um bom uso das suas vontades distorcidas. 62 N . tanto no hábito. pode ser dizer que a alma deva ter dito um modo de entendimento que admita o contato com espectros. uma alma que dava vida ao corpo — a saber. sendo que o estado de existência natural permanece o mesmo: e. certamente não ignorava a sua malignidade futura. 11. de forma que. como também para que elas pudessem ser os princípios das outras coisas. portanto.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS É com referência à natureza [humana]. portanto. Ele fez com que a sua tentação acabasse por beneficiar aqueles que o Diabo intentava ferir com elas. 6 1 N . Mas ele era dotado de integridade no que diz respeito a esta vida. E como Deus criou as coisas não somente para a sua própria existência. mas ímpio por seguir a sua própria vontade) fosse precipitado da sua posição de destaque.) O estado da alma humana pode ser diferenciado de duas formas. é por isso que o Salmo diz: “O leviatã que formaste para nele folgar. assim. era adaptada ao governo perfeito do corpo. (ibid. portanto o primeiro homem é considerado criado com uma “alma vivente”. aimpiedade pode ser uma falha ou um vício somente onde a natureza não era originalmente viciada.17) Tomás de Aquino (1225-1274 d. como a caridade e a justiça. que não pode causar nada nela que não seja destruição. a alma também foi feita em estado de perfeição para instruir e governar as outras.3) Algumas virtudes da sua própria natureza. da mesma forma que o primeiro homem foi criado em estado de perfeição. na sua bondade tê-lo criado bom. (CG... (ST. também é o Justíssimo Regente das vontades distorcidas. o afastamento de Deus não seria um vício. do mesmo modo que o ato precede a potencialidade. que compreendemos estas palavras “Este é o princípio das obras feitas pelas mãos de Deus”.] Com a alma é adaptada ao governo perfeito e ao corpo. pois tudo o que esteja contido na potencialidade somente é tornado “atual”6 2 por algo que já é atual. Deus.4) Na ordem natural. o estado de inocência é distinto do estado do homem depois do pecado. Portanto. não envolvem imperfeições. para a tarefa de gerar outros seres semelhantes a ele. no estado de inocência. Portanto. a perfeição precede a imperfeição. o estado da alma é distinto em relação à integridade e corrupção. as criaturas também foram feitas no seu estado perfeito para servirem de princípio às outras. o homem pôde ser o princípio de outros homens. Dessa forma. O vício. sem sombra de dúvida.”6 1para que possamos compreender que. E como Deus. não somente no que tange à reprodução do corpo físico. também. no que diz respeito à vida animal.C. até mesmo a vontade ímpia é uma prova consistente da bondade da natureza. é tão estranho à natureza humana. quando ele se tornou ímpio.. ou seja. para ser objeto de injúria por parte dos seus próprios anjos — ou seja. a partir de uma diversidade de modos na sua existência natural.: SI 104. Assim sendo. E. apesar de Deus. salvo em uma natureza que tivesse por propriedade o habitar com Deus. no sentido de que o seu corpo era inteiramente sujeito à alma. porém. Ele também já havia previsto e planejado como Ele faria uso dele. . pois. e não à impiedade do Diabo. e neste ponto o estado da alma separada é distinto do estado da alma enquanto parte do corpo.

que é a dor pela infelicidade alheia. ( ICR. Mas. ou seja. pois ela era de uma constituição tal que se arrependeria. ou seja.5) Portanto. 5 4 N. pelo qual este poderia discernir o bom do mau. Ele tinha conhecimento de números. o homem foi assim criado para ser a imagem de Deus. tinha conhecimento de Deus e das leis divinas. a culpa e a felicidade são incompatíveis com a perfeição do estado original. e a misericórdia. Portanto. sensível. Dessa forma. poderia obter as coisas. 1. dessa maneira. caso houvesse necessidade de arrependimento.. Pois a perfeição daquele estado não abrangia a visão da Essência Divina.” A isto juntou Deus a vontade ( “arbítrio”). mas não na de ato. (ibid. descreve a vontade (ou “arbítrio”) como tríplice. tais virtudes necessariamente existiram naquele estado. I. a inteligência. tais virtudes existiam com hábito no homem original. a saber.95. como na de ato. o justo do injusto.XV) Calvino prosseguiu: Neste estado retidão. que diz respeito às coisas que não se vêem. mas não como ato. e a esperança que diz respeito às coisas ainda não possuídas por nós. Deus proveu a alma do homem com um intelecto. outras virtudes são de uma natureza tal que implicam imperfeição no seu ato. porque a dor. ao qual pertence a escolha. eles® estão habituados a colocador debaixo do livre-arbítrio do homem somente as coisas intermediárias. ao passo que situam a justiça à graça especial de Deus e à regeneração espiritual. se assim o desejasse. além de seres suficientes para o governo da sua vida terrestre. à felicidade eterna.2. Por conseguinte. a escolha foi acrescentada aos apetites diretos. o homem possuía livre-arbítrio. Na sua condição original o homem era exímio nestes nobres dons. passaram a chamar de “to hegemonikon. condição na qual a razão. do T. (ibid. As duas primeiras — diz ele — são livres ao homem. o seu entendimento [Verstand] era dotado de grande clareza. ou da parte da matéria. e era capaz de fazer distinção 6 3 pecJro Lombardo (1100-1160) e os estudiosos. tendo como lâmpada a razão. a vontade estava perfeitamente submissa à autoridade da razão.3) Os Líderes da Reforma João Calvino (1509-1564) Em geral. ele daria o melhor de si para remediar a sua dor. de onde os filósofos. também faziam com que ele se elevasse até Deus. como a fé. por intermédio do qual. Todavia.: On the Calling o f the Gentües. e caso tivesse visto o seu próximo em necessidade.2. animal e espiritual. I. no desejo de demonstrar isto.) Filipe Melanditon (1497-1560) Originalmente. tanto na forma de habito. que é a dor sentida diante do pecado cometido. Se uma imperfeição assim for consistente com a perfeição do estado original. mas a última é obra do Espírito Santo. O autor de [Do Chamado dos Gentios6 4 }. no .58 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA quanto no ato. (ibid. e poderia saber que o que seguir e do que deveria se desviar. com o desfrute da beatitude final. aquelas que não pertencem ao reino de Deus. fé e esperança poderiam existir no estado original. poderia ter existido naquele estado na forma de hábito. e passou a moderar todos os movimentos orgânicos e. numa referência ao seu poder direto. a penitência. qualquer virtude que implique imperfeição incompatível com a perfeição do estado original. a prudência e o juízo. original. por exemplo. nem a posse de Deus.

sem hipocrisia. não oyyirem nem obedecerem interiormente a lei sem hipocrisia. ele deseja que todos os homens guardem a disciplina exterior. Por este motivo. Mesmo nesta natureza corrompida. primeiramente. por suas próprias forças. sem nenhum tipo de impedimento. Sem o Espírito Santo os homens são incapazes de realizar obras virtuosas como a fé verdadeira. mesmo assim. iluminado e despertado o entendimento. Deus não é recebido onde o Espírito Santo não tenha. pois a vontade e o coração do homem estão. não é capaz de ser obediente. interiormente. todos os tipos de tendências conflitantes e cobiças arrastam o coração rumo aos mais variados pecados que envolvem o amor. Com esta luz no coração. no sentido de que ele é capaz de movimentar e controlar os membros externos do corpo. quando mencionamos o livre-arbítrio. e esta pessoa não movimenta o braço a fim de apanhar a caneca. ao coração e ã vontade. diferentemente da lei divina. referimo-nos ao entendimento e à vontade. Quando falamos acerca desta grande ruína dos poderes humanos. O homem foi criado em sabedoria e retidão e. livre de todos os maus desejos. apesar de não ter se extinguido por completo. de forma que ele poderia escolher a observância da lei de Deus. com respeito ao movimento e ao agir dos membros externos do corpo. sem saber se Deus deseja ser o juiz ou auxiliador do homem.miseravelmente aprisionados. Isto é dito a respeito da obediência interior real. deserta. por suas forças interiores naturais. aquela sem hipocrisia. o coração e a vontade do homem são. Deus. e assim aprendam a diferença entre as forças que são livres e as forças que são . de forma que. o conhecimento permanece nesta natureza corrompida. velha e decadente. Deus permitiu esta liberdade com respeito aos movimentos externos do corpo. A sua vontade (ou “arbítrio”) era livre. e o homem. a inveja e o orgulho fora de controle. E. quanto à sua vontade optar por algo diferente. bem como reconhecer os ensinamentos da Lei. o amor de Deus e o temor real a Deus. que está com febre e com muita sede para que não estenda a sua mão a fim de apanhar um copo d’água para beber. A clareza do seu entendimento foi ficando pálida. O entendimento pode dizer a uma pessoa. ofensivos e hostis a este.. todas as boas virtudes para com Deus no coração e na vontade também foram. Também era possível tanto ao seu entendimento. apesar dele ser obscuro e cheio de dúvidas e incertezas acerca de Deus. perdidas — o amor de Deus. e tanto o seu coração. Deus deseja que todos os homens reconheçam o pecado. Os demônios também espalharam o seu veneno. e a sua vontade não tinham hipocrisia. estamos falando sobre o livre-arbítrio. como Adão e Eva caíram e foram alvos da ira de Deus. Assim. Deus se retirou da presença deles e os poderes naturais do homem foram enfraquecidos. o desejo do seu coração. O desejo dele é que todos os homens apresentem uma moralidade exterior [Zucht]. o ódio. a confiança em Deus. e ambos estão interligados. Contudo. pois o homem ainda é capaz de fazer uso dos números e fazer distinção entre as boas e as más obras. O seu coração foi criado cheio do amor de Deus.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS entre virtude e vício.] Além disso. ou se Ele deseja recebê-lo e ouvi-lo [. quanto os seus membros externos eram capazes de prestar obediência plena. antes da Queda. a vontade e o coração. deixou o entendimento livre para governar. igualmente. o' coração miserável do homem permanece tal qual uma casa desolada. afetados e arruinados. Apesar do coração e da vontade interior.. ele possuía livre e desimpedido arbítrio. como nós mesmo sabemos. e o temor real a Deus. sem abrigar Deus e com o vento soprando através das suas janelas. Ou seja. ele deseja nos punir por intermédio da nossa própria consciência. conforme ocorreu mais tarde. Agora. por isso.

nada m aior n e m m en or do que a m o rte do Filho de Deus e que.” M e la n c h to n e stá sim p le sm e n te c o m u n ic a n d o q u e os e stó ico s acred itavam que E le p o ssu ía u m a n a tu r e z a assim . para a m anifestação desta reconciliação. a sua perversão e a sua corrupção. para todos os ou tros [m odos de] bem . Pois o en ten d im en to apreende a eternidade e a verdade. para o bem universal e para aquele que é o bem m aior. (W JA . é porque ainda não com preend em os a to tal im portância da verdade de que. assim tam bém o ob jeto da alm a tam bém é duplo. m ostrado a sua natureza h u m an a neste m odo? Pois o que recon h ecem os co m o sendo n atu reza hu m an a não passa da desgraça que cobre esta. com o n o específico. destarte. não são andróides. isto está ou de acordo co m o m odo da sua natureza. VÁRIOS ELEMENTOS DA PERSONALIDADE HUMANA Os seres hu m anos. . a exem plo do que o co rre com D eus e co m os anjos. C ontu do. c o m in telecto (m en te). em certo grau. e a idéia de espécie im plica a propagação do indivíduo por com p leto a partir de si [. 5 1 -5 2 ) Os Teólogos do Período Posterior à Reforma J a c ó Armínio (1560-1609) Assim co m o as faculdades [da alma] são duas. William G.. te m um a inclinação para o bem .e m virtude da perfeição original da natu reza h u m an a. co m o poderíam os com eçar a responder a pergunta acerca da sua natu reza com o criatura? (CD.] Os indivíduos não são propagados em partes. Jesus Cristo. 2. Se tentarm os negar ou dim inuir isto.63) K arl Barth (1886-1968) Nestas circunstâncias.65 ( OCD. como os estóicos o tem apresentado no que diz respeito à natureza por Ele criada. ou de acordo co m o m od o de liberdade.19). 247). Mas se con h ecerm o s o h o m em som ente n a sua corrupção e distorção do seu ser.. por interm édio de um ato natu ral e necessário o qual é. Eles são pessoas. II) Friedrich Schleiermacher (1768-1834) A plenitu de da experiência n a esfera da fé é devida ao desenvolvim ento individual. tanto no sentido universal. (O CF. dessa forma podemos pensar. T. en tretan to . de cada vida trazida à existência por interm édio d ap rocriação . a sua falta de hum anidade. o enten dim en to e a vontade. . nada m aior n em m en o r do que a ressurreição do Filho do H om em . que Deus age livremente e não é um prisioneiro ou um Senhor subjugado. un ifo rm e. 11. (D T . co m o seria possível alcançar um a dou trin a do h o m em no sentido desta ser u m a dou trina da sua essência co m o criatura. A vontade. 65 C o m re sp e ito à “n a tu r e z a p o r E le cria d a . ou au tôm ato s em fo rm ato h u m an o. para a reconciliação do h o m em com Deus. Shedd (1820-1894) O h o m em é u m a espécie.60 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA subjugadas.

mas da árvore da ciência do bem e do m al. mas os que praticam a lei hão de ser justificados. cf. e todos os que sob a lei pecaram pela lei serão julgados. fazem naturalmente as coisas que são da lei. R m 12. A Vontade (a Capacidade de Escolher) Ao contrário dó que oco rre com os anim ais. (Rm 2. Paulo declara: Porque todos os que sem lei pecaram sem lei também perecerão. quando os gentios. . O Intelecto (a mente) Os seres hum anos foram criados em m entes auto-reflexivas que possuem o poder do raciocínio silogístico. os seres hu m anos são m u ito m ais do que “m entes e vontades” — eles possuem u m coração. O poder do raciocínio hu m an o tam bém eleva as pessoas acim a dos “anim ais irracionais” (Jd v. sim. no sentido em que n a sua própria n atu reza eles receberam de D eus u m a capacidade m oral cham ada consciência. Esta responsabilidade estava im plícita no m and am en to de Deus a Adão: “De toda árvore do jardim com erás livrem ente. c a p ítu lo 5. o nosso in telecto é renovado “para o con h ecim en to.16-17). os seres hu m anos são capazes de expressar em oções e sentim entos profundos. 10). e consciência (capacidade m oral). pela redenção. e a p ru d ência” (Pv 23. A Bíblia expõe todos estes aspectos da personalidade hum ana. os seres hu m anos foram criados com a capacidade m o ral (vide abaixo) de discernir o certo do errado e com a vontade de escolh er u m em vez do ou tro. M esm o no nosso estado decaído. Enquanto o in telecto capacita os seres hum anos a adorar D eus (M t 22. quer acusando-os.68 A Consciência (a Capacidade Moral) Os seres hu m anos são únicos e distintos de todas as outras criaturas sobre a terra. n a s eçã o q u e tr a ta d o ra c io c ín io ló g ic o .25). sua inventividade tam b ém os to rn a capazes de operar grandes maldades (Ec 7. para si mesmos são lei.23). não tendo eles lei.10. 67V id e c a p ítu lo 1. certam en te m o rrerás” (G n 2. e a disciplina. porque.2). u m a consciência decaída é falível. ela não nos garante que esta distinção sem pre será “ V id e v o lu m e 1. Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus. dela não com erás. Ao contrário dos andróides m íticos. a sabedoria. no dia em que dela com eres. O estado original da vontade já foi previam ente analisado67 e o seu estado decaído será analisado mais adiante. que não têm lei. 68 V id e c a p ítu lo 5. pois. Porém . Porque. D eus nos considera responsáveis por fugir do mal.A NATUREZA DOS SERES HUMANOS 61 em oções (sentim entos). quer defendendo-os. As emoções (os Sentimentos) A lém do pensam ento racional.66 Salom ão adm oestou: “C om p ra a verdade e não a vendas. tais co m o a alegria e o pesar. segundo a im agem daquele que o crio u ” (C l 3. apesar dela refletir u m a capacidade inata de discernir o certo do errado.37). vontade (capacidade de escolha). testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos. os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração.12-15) E claro que.

(6) na culpa m o ral que sentim os ao transgredirm os a lei m oral. C ontu do. A gostinho. (2) na inevitabilidade dos juízos m orais por nossa parte. n a seção q u e t r a ta da "R e v e la ç ã o G e ra l" e d a "R e v e la ç ã o . que tam bém são exclusivas dos seres racionais. pelas nossas escolhas e. (5) no fato de inventarm os desculpas para nós m esm os. n em a nossa segurança neste ato. às vezes. -------. às vezes. A capacidade in eren te de apreciar a beleza é u m d om divino que faz parte da natu reza hu m ana. (9) na verdade de que en con tram os algum as coisas em todas as cu ltu ras (co m o genocídios ou estupros) que todos entendem os co m o ruins e más. até m esm o “cauterizada” pela freqüência do m al (I T m 4. se não con h ecerm o s o que é ju sto). a exem plo das leis da M atem ática. (8) n a realidade de que nós. Private Disputations. agimos a partir de u m a sensação de obrigação (por exem plo. por sua vez. c a p ítu lo 2. o qual. The Writings o f Jam es Arminius. Cartas. roubar ou ser infiéis).70 FONTES A rm ínio Jacó. a qual nos dá a capacidade de perceber aquilo que é incon g ru en te — que é o coração de todo o hu m or. em todos os lugares — cf. Existe. m en tir. te re m sido descobertas e não inventadas. (4) na impossibilidade de juízos m orais acerca do avanço (o u retrocesso) da hum anidade se não existir um padrão m o ral objetivo exterior pelo qual ju lgam os a hum anidade co m o u m todo.69 m esm o que o nosso en tend im ento a seu respeito te n h a sido obscurecido pelo pecado.62 ü TEOLOGIA SISTEMÁTICA exata. en tretan to . (10) no fato de não desejarm os que nos façam algum as coisas que fazem os para os outros (tal co m o m atar.2). O bviam ente. 69 V id e v o lu m e 1. objetiva (não subjetiva) e universal (destinada a todas as pessoas. existe a capacidade de valorizar a m ú sica e a arte. -------. u m a lei m o ral objetiva. perfeita (SI 19. quando quebram os a lei m oral.7). (7) no fato da lei m oral. R m 2. As evidências a favor desta lei moral objetiva são encontradas: (1) n a universalidade das crenças m orais básicas. m esm o quando os nossos instintos mais fortes de sobrevivência nos dizem para não arriscarm os as nossas vidas. ao salvar um a vida). a risibilidade surge a partir da nossa racionalidade.15). (3) n a inevitabilidade da existência de u m padrão perfeito pelo qual ju lg am os as im perfeições do m u nd o (não som os capazes de recon h ecer a inju stiça. A lém disso. 70 V id e v o lu m e 1. ou seja. c a p ítu lo 4. A lei m o ral de D eus é reflexiva a partir da sua própria natu reza: Ela é prescritiva ( “N ão m atarás [• • • ]”). os seres hu m anos tam bém apresentam outras capacidades. A Cidade de Deus. faz parte da sua revelação universal a toda a hum anidade.15) pela cu ltu ra. u m a delas é a capacidade de rir (risibilidade). E sp e cial". ela poderá tam bém estar distorcida (R m 2.

Jo h n . Ireneu. Philip. Surnma Theologica. “T h e G reek Versus th e H ebrew View o f M a n ” in The Pattern o f the New Testament Truth. Stromata. Treatise on the Soul. Hobbes. To Autolycus. Schaff. On the Christian Faith. T. Mere Christianity.. S. Systematic Theology. Tom ás de A quino. Five Books Against Marcion. Alexander. Tertuliano. G eorge Eldon. Church Dogmatics. Thom as. Friedrich. Miracles. Cosmos. -------. Chafer. Roberts. Ladd..A NATUREZA DOS SERES HUMANOS 63 --------. -------. B arth. Schleierm acher. . Teófilo. Against Herestes. History o f the Christian Doctrine. --------. B en to (B aru ch ). Sagan. Filipe. C. Shedd. Spinoza. The Ante-Nicene Fathers. Leviathan. Carl. A Treatise Concermng the Principies o f Human Knowledge. Berkeley. Recognitions o f Clement. M elanchton. Ethics. Karl. e Jam es D onaldson. Lewis. On the Trinity. W illiam G. Calvin. Institutes o f Chnstian Religion. Dogmatic Theology. George.. On the Soul. -------. C lem en t o f Alexandria. On Christian Doctrine. Lewis Sperry.

à sem elhança do Teísm o. afirtal. e diz respeito à origem do próprio m al. surgiu o mal? A resposta do Teísm o consiste em indicar vários fatos básicos. D t 32. re co n h ecem tanto Deus quanto o m al — .4. por que isto é assim? O u tra questão vai ainda mais além . p erm iti-lo . o Panteísm o afirm a a existência de Deus. e. e o Teísm o afirm a ambos. 1Para m aio res in fo rm a ç õ e s a resp eito das várias co sm o v isões. se Deus é perfeito e. De acordo co m o Teísm o. n o m áxim o. p o r ser on ip oten te. Mas. Eis o d ilem a. dentre os paradigmas que. quanto fazer surgir u m bem ainda m aior. Deus não pode produzir. o que parece incom patível. A Deus não Pode Produzir o Pecado D eus é absolutam ente perfeito (cf. D eus é absolutam ente perfeito. poderia e deveria ser capaz de evitar e/ou erradicar o m al. o D eísm o Finito e o Panenteísm o (o u Teologia do Processo) — o Teísm o é o ún ico que sustenta a cren ça em u m Deus in fin itam en te poderoso que é capaz. 3V id e v o lu m e . pois. só que não foi isso o que aconteceu. n em prom over o m al. foi criado perfeito. Ele insistiu em levar adiante a sua criação. c a p ítu lo 7. se o m u nd o que Ele criou. vide v o lu m e 1. e realiza m ilagres!2 P ortan to. representa u m p roblem a ainda mais agudo para aTeologia cristã. SI 18. enfrenta a m aior de todas as dificuldades: Ele postula u m Deus que.30). Por isso vem os que o Teísm o. quando Ele o perm itir. sendo assim. na realidade. de onde. c a p ítu lo 3.1 Para piorar u m pouco mais a situação. mas nega o m al. 2 Ibid. 2 Sm 22. Mas. tendo ciência de que o m al haveria de surgir. Ele não pode nem realizar. Jesus declarou: “Sede vós.. de acordo co m o Teísm o. mas nega a Deus.o D eísm o. Todavia.3 Ele pode tan to vencer o m al.31. sim ultaneam ente. Ele pode. c a p ítu lo 2. 2.C A P I T U L O T R E S A ORIGEM DO PECADO A PERMISSÃO DIVINA PARA O PECADO origem do pecado é u m a dificuldade em qualquer cosm ovisão. som ente Ele seria capaz de intervir e destruir o m al. e criou livrem ente o m u nd o. n em produzir o pecado. no entanto. perfeitos. As três perspectivas básicas sobre o m al trazem à to n a os seguintes debates: o A teísm o afirm a o m al. en tretan to . apesar de não ser etern o. o m al continu a ao nosso redor.

e n o c a p ítu lo 5. p o rém D eus o to rn o u em bem . v e ja a c ita ç ã o d e T e rtu lia n o . ele n ã o estava su gerin d o q u e D e u s fazia q u a lq u e r coisa q u e fosse moralmente m á . pecassem a fim de que todo o Israel fosse salvo.7 ). E le n ã o estava p e can d o . D eus cu m p re o mais elevado dos seus propósitos. para fazer com o se vê neste dia. 7D e fo rm a s e m e lh a n te . Deus. tam bém nos dá a liberdade — perm itindo que tam bém ten h am o s o potencial de fazer o m al — de fo rm a a poderm os crescer e aprender a responsabilidade. . depois. n em prom over o pecado. D e u s c u m p riu os seus p ro p ó sito s so b eran o s p o r in te rm é d io destas m e n tira s .6 O p rofeta escreveu: “Tu és tão pu ro de olhos. Na verdade.4 U m Ser absolutam ente im p olu to não pode agir de fo rm a im perfeita. c a p ítu lo 14. também p reserv a o a m o r d e m o n s tra d o n o a to de c o n c ed er a lib erdade às suas cria tu ra s.3). ta m p o u c o in ce n tiv a n d o o p eca d o . ao lhe vender com o escravo. Na verdade. Ele é com p letam en te santo e não pode endossar o pecado de fo rm a algum a. Ele proporciona a libertação do pecado. Q uando fazem os as escolhas erradas e falham os. era “m u ito b o m ” (G n 1. senão de tristeza.13). e isto o faz.. a frase “não nos deixe cair em ten ta çã o ” não im plica que é D eus o au tor da tentação. enfrentam os as conseqüências dos nossos erros. D eus p erm itiu que os irm ãos de José. c o m o segu id ores d o pai da m e n tira .11). D eus não pode estim ular o pecado. mas.48). José recon h eceu isto quando disse aos seus irm ãos: “Vós bem intentastes m al con tra m im . para conservar em vida a u m povo grande” (G n 50. bem co m o de cu m p rir a sua prom essa de trazer o Messias por interm édio do seu povo escolhido para proporcionar a salvação para a hum anidade (G n 12. D eus não pode nos ten tar a pecar: “N inguém . D eus pode perm iti-lo. o nosso Pai celestial. n o c a p ítu lo 4. 1 1bid. 5 Q u an d o Isaías c ito u D e u s d izen do: “E u fa ço a paz e c rio o m a l” (Is 4 5 . o m u nd o que Deus criou . Ao p erm itir a oco rrên cia do pecado. sendo tentad o.20). não parece ser de gozo.7 Deus Pode Permitir o Pecado Apesar dele não poder produzir. m as é necessário fazer concessões à possibilidade da transgressão para o bem m aior do adolescente. que não podes ver o m al e a vexação não podes con tem p lar” (H c 1. A N V I tra d u z este v e rsíc u lo de fo rm a m ais aprop riad a: “P ro m o v o a paz e ca u so a d esgraça. produz u m fru to pacífico de ju stiça nos exercitados por ela” (12. a oração pede para que Deus não p erm ita que sejam os levados pela tentação. c a p ítu lo 13.8 Por exem plo. nos Estados Unidos. na verdade. Deus utiliza as nossas falhas para nos fo rtalecer e nos levar da im aturidade e da deficiência até a nossa m aturidade espiritual. diga: De Deus sou tentado. os pais p erm item que u m filho adolescente use o carro da fam ília. porque D eus não pode ser tentado pelo m al e a ninguém te n ta ” (T g 1. 8 A d iante. E m vez disso. com o afirm a a frase “livra-nos do m a l” (M t 6. q u an d o D e u s p e rm itiu aos esp írito s m e n tiro s o s q u e fo sse m e n g a n a r ao R ei A cab e (e m 1 R s 2 2 ). fa ria m q u a n d o tivessem a lib erdade p a ra agir.20). e tu do o que ele con tin h a.66 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA co m o é perfeito o vosso Pai. que está nos céus” (M t 5. 6V id e v o lu m e 2. Na oração do S en h o r (o “Pai-nosso”). Q uando. eles estão dando vazão a u m m au potencial (o da desgraça). a n a lisa re m o s c o m o a p e rm issã o q u e D e u s co n c e d e u ao p eca d o além de realizar u m b e m ainda m a io r.” Para o b te r u m a e x c e le n te d e fin ição e e x p lica çã o a esse resp eito . Ele sim p le sm e n te p e rm itiu q u e os esp íritos m a lig n o s fizessem o que E le já sabia q u e eles.13). ele estava se re ferin d o ao mal físico o u às calam idades. O au to r de Hebreus utiliza estas palavras: “E.5 Deus não Pode Promover o Pecado A lém disso. a fim de que aprenda a ser responsável e adquira habilidades ao volante. da m e s m a fo rm a q u e fez p o r m e io d o p eca d o dos irm ã o s de José (vide G n 50. toda correção.13). ao presente.31).

na Vulgata Latina]. e. a experiência. Tragicam ente. p o rém prim itivo e anterior. a paciência a sua obra perfeita. A Origem do Pecado dos Anjos Celestiais Na verdade. para que sejais perfeitos e completos. e a paciência. e. Paulo falou sobre co m o deveria ser u m líder da igreja: “não neófito. para que. (Is 14. antes de acontecer na terra. no seu con texto.2-4) A ORIGEM DO PECADO DAS CRIATURAS Entendem os que a origem do pecado é encontrada em nosso livre-arbítrio.9 Deus nos deu o poder de esco lh er aquilo que é bom . a esperança. não caia n a condenação do D iabo” (1 T m 3. os seres hu m anos fazem u m m au uso da liberdade que lhes foi concedida por Deus. co m o a expressão “estrela da m a n h ã ” feita n a Vulgata Latina: Como caíste do céu. sem faltar em coisa alguma.12. porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. refira-se ao “rei da B abilônia” (v. O m al nasceu no seio de u m arcanjo que vivia n a presença de Deus. Isto é u m grande m istério.A ORIGEM DO PECADO <P 67 Deus Pode Gerar um Bem ainda Maior ao Permitir o Pecado O apóstolo Paulo considerava que D eus p erm ite o m al a fim de produzir resultados: E não somente isto. filha da alva! Como foste lançado por terra. o qual se rebelou contra Deus p o r interm édio de u m orgulho similar. continu a sendo a essência do ensino cristão acerca da raiz do m al. tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu.6). 0 Pecado de Lúcifer O n o m e tradicional dado a este arcan jo é tirado de Isaías 14. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. porém. no monte da congregação. sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. tende grande gozo quando cairdes em várias tentações. exaltarei o meu trono. 9 “L iv re-a rb ítrio ” ou “L iv re-e sc o lh a ” são aqui utilizad os de fo rm a s in ô n im a . o orgulho e a queda deste h o m em são u m a representação das escolhas feitas pelo prim eiro arcanjo. ó estrela da manhã [Lúcifer. 4). o m al se originou no céu. ensoberbecendo-se. me assentarei. acima das estrelas de Deus. todavia. (Tg 1.3-5) Tiago teve a m esm a perspectiva: Meus irmãos. (Rm 5. sabendo que a tribulação produz a paciência. . mas também nos gloriamos nas tribulações. Tenha. E a esperança não traz confusão.12-14) Apesar de a m aioria dos estudiosos da Bíblia acreditarem que esta passagem. da banda dos lados do Norte. e a experiência.

• Causa final — aquela para a qual algo vem à existência (a habitação da casa). A Origem do Pecado dos Seres Humanos neste Mundo A história do pecado de Adão e Eva é infame. houve pecado no céu. ele foi precipitado na terra. le cio n a v a m e m escolas. sete diademas.1 1 as seis causas são definidas (e ilustrativamente aplicadas ao processo de construção de uma casa).C.] E foi precipitado o grande dragão. chamada o Diabo e Satanás. A Origem do M al: A s Seis Causas Para melhorar a nossa compreensão da natureza do pecado humano. • Causa eficiente — aquela pela qual algo vem à existência (o carpinteiro).1ss.. • Causa exemplar — aquela conforme a qual algo vem à existência (a planta da casa). p a ra m a io res d e ta lh es a resp eito . outros anjos também seguiram o mesmo caminho. antes dele ocorrer na terra. • Causa instrumental — aquela através da qual algo vem à existência (as ferramentas). Um terço deles aderiu ao motim de Lúcifer e se transformaram em demônios (já que ele havia se tornado o Diabo). vemos que o pecado já havia ocorrido fora deste nosso mundo. que tinha sete cabeças e dez chifres e. • Causa formal — aquela da qual algo vem à existência (a estrutura ou forma da casa). • Causa Final — o orgulho (aquele para o qual o pecado veio à existência).). a antiga serpente. como veremos aqui. (Ap 12. sobre as cabeças.) e. • A aplicação destas seis causas ao pecado de Adão e Eva nos levará aos seguintes resultados: • Causa Eficiente — uma pessoa (aquela pela qual o pecado veio à existência). portanto. e os seus anjos foram lançados com ele. pois o casal perfeito foi o responsável pela entrada da imperfeição no paraíso perfeito. João escreveu: E viu-se outro sinal no céu. inicialmente. Isto fica evidente pela presença do tentador (Satanás) no Jardim do Éden (Gn 3. E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra [.3-9) De forma clara. 1 0V id e ta m b é m v o lu m e 1. propostas por Aristóteles (384-322 a. • Causa material — aquela a partir da qual algo vem à existência (os materiais de construção). c a p ítu lo 10. e eis que era um grande dragão vermelho.. que engana todo o mundo. d aí a sua d e n o m in a ç ã o .68 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Outros Anjos também se Rebelaram De acordo com o livro de Apocalipse. ser-nos-á útil implementarmos uma análise dos seus tipos de causas. posteriormente.1 0 Tendo sido. 1 1 Os “e sc o lá stic o s” e ra m e ru d ito s m edievais que . expandidas pelos escolásticos.

• Causa Exemplar — não houve. O indeterminismo é a visão de que as ações humanas não são causadas por coisa alguma.12 T R Ê S PONTOS D E V ISTA A CERC A DO L IV R E -A R B ÍT R IO Determinismo Causa As nossas escolhas são causadas por outra parte Marionete Não poderia ser feito de outra maneira Determinismo Radical: Ser carregado (como alguém que é levado contra a sua própria vontade). e não pela pessoa em si. O Determinismo é a visão de que todas as ações humanas são causadas por outra parte. O Determinismo Radical não abre espaço para nenhum tipo de liberdade de escolha (livre-arbítrio). • Causa Material — o consumo do fruto proibido (aquele a partir do qual o pecado veio à existência).A ORIGEM DO PECADO 69 • Causa Formal — a desobediência (aquela da qual o pecado veio à existência). causadas por nós mesmos. Elas simplesmente são indeterminadas. O Autodeterminismo é a doutrina que postula as ações humanas como autocausadas. os demais pecados haveriam de ser). Determinismo Moderado: Ser forçado a se mover (como alguém que é intimidado por um revólver). • Causa Instrumental — a capacidade de livre-escolha (aquela através da qual o pecado veio à existência). tratava-se do primeiro pecado da humanidade (conforme o qual. ou seja. A NATUREZA DO LIVRE-ARBÍTRIO HUMANO Existem três possibilidades lógicas acerca da natureza da liberdade de escolha inerente aos seres humanos: o Determinismo. . o Indeterminismo e o Autodeterminismo. porém a vê como totalmente controlada pelo poder soberano de Deus. Causais Indeterminismo As nossas escolhas não são causadas (provocadas) Elétron desordenado Poderia ter sido de outra maneira Ser impulsionado aleatoriamente (como que soprado pelo vento) Autodeterminismo As nossas escolhas são causadas por nós mesmos Agente livre Poderia ter sido de outra maneira Ser seduzido (como que por uma pessoa atraente) Modelo Ato contrário Ilustração Condições Prévias Não-causais Não causais 1 2Vide tam bém o capítulo 5. O Determinismo Moderado postula a liberdade de escolha.

Quando Adão escolheu desobedecer.” . Deus não pode pecar. so b o títu lo “A B ase B íb lica do E stado O rig in al de In o c ê n c ia e P e rfe içã o . que o fizesse pecar. será analisad a n o c a p ítu lo 5. b e m c o m o o u tra s. A Liberdade de Adão Envolvia a Autodeterminação Em primeiro lugar. Deus estava dizendo ao homem que ele era livre. Tampouco Satanás fez com que Adão pecasse.1 4 Além do mais. ao permitir que o homem comesse de todos os frutos (“De toda árvore do jardim [tu] comerás livremente” — Gn. fora do próprio Adão. então por que podemos ser livres e não podemos pecar? Em resposta a estes questionamentos. Na verdade. existem diferenças teológicas consideráveis. ou foi causada por ele mesmo (o que seria “Autodeterminismo”). a capacidade de sermos a 13 E sta o b je ç ã o . Conhece todos os atos futuros Mente Onisciente Conhece todos os atos futuros Conhece todos os atos. não existem ações nãocausadas. menos os livres A ORIGEM DO MAL DO MUNDO POR INTERMÉDIO DO LIVRE-ARBÍTRIO HUMANO A desobediência de Adão e Eva levanta sérias questões a respeito do livre. 13). MV id e c a p ítu lo 1.arbítrio humano. As palavras destacadas.70 ü TEOLOGIA SISTEMÁTICA Futuro Determinado (como peças de dominó) Não-determinado (como um lance de dados) Determinado do ponto de vista de Deus. indicam especificamente um ato autodeterminado executado por parte de Adão e Eva (cf. Adão era livre no sentido de que o seu ato foi autodeterminado. 2. perguntando: “Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?” (Gn 3. conseqüentemente. livre do ponto de vista humano (como um acidente que pudesse ser previsto). isto violaria o princípio da causalidade. pois. ou não foi causada (o que seria “Indeterminismo”). existem somente três possibilidades. e não havia nada no céu ou na terra. como já analisamos. Será que o primeiro casal era realmente livre? Se era. Logicamente. nem fez nada no seu lugar. v. algumas respostas parecem claras e. outras soluções parecem razoavelmente dedutíveis a partir delas. a escolha de Adão foi autodeterminado.. Este é o coração da liberdade humana. conforme mencionamos anteriormente.11). ele deve ter causado a sua própria escolha . nem tentar ninguém nessa direção.” e m especial a seção “U m E stad o de R esp o n sabilid ad e M o r a l” e “A P resen ça do T e n ta d o r. No que diz respeito ao Determinismo. não havia nenhum tipo de malícia (nem falta de integridade) na natureza de Adão que o levasse a pecar. No que diz respeito ao Indeterminismo. Todavia. do que consistia esta liberdade? Será que também somos livres no mesmo sentido?1 3 Será que Deus é livre? Se for. Deus o chamou à responsabilidade. Deus não fez com que Adão pecasse. pois o tentador fez somente aquilo que o seu nome sugere.16). ou seja. então por que não pode pecar? Mas se Deus for livre e não puder pecar. Não existe evento sem causa. ele não o forçou. pois ele não sabia o que era isso — Deus o havia criado em perfeição. “Por que [tu] fizeste isso”? — disse Deus. Ou a ação de Adão foi causada por outra parte (o que seria “Determinismo”).

n a sua própria essência.1 5 Atos dos quais nós não som os a “causa eficiente”.18). Este sentido de liberdade.A ORIGEM DO PECADO # 71 causa eficiente das nossas próprias ações m o rais. serm os a causa eficiente das nossas próprias escolhas) co m o tam b ém a capacidade de fazer algo diferente do bem (isto é. e as conseqüências que se seguiram a escolh a do m al indicam que tudo poderia ter sido evitado. havia tom ad o.1 6 mas no sentido libertário de ter a capacidade de escolher fazer algo diferente do b em . sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. A NATUREZA DO LIVRE-ARBÍTRIO DE DEUS O prim eiro casal foi livre para pecar ou não pecar.. Enquanto ainda estiverm os neste m u nd o. p o rtan to . c a p ítu lo 15. N ão existe responsabilidade que não surja da capacidade que temos por respondermos por algo. . sem faltar em coisa alguma [. com o já observam os. são-nos im postos. Isto fica claro a partir do fato de Deus ter dito para Adão “não comerás” (cf. D eu s é d ife re n te dos seres h u m a n o s n a ca teg o ria d o “ato c o n trá r io ” (vide “L iv re-A rb ítrio H u m a n o : T rês Persp ectiv as. em vez disso.13) — Ele é absolutam ente im u n e ao m al. Deus não pode n em ao m enos ser tentado a pecar (T g 1. e estar su jeito à sua própria natureza. ca p ítu lo s 6 a 10.” tab ela a cim a ). p u nind o -o por ter feito a escolh a errada.. o m al não era inevitável para Adão. som ente é passageiro. o próprio D eus ch am o u Adão à responsabilidade pela decisão que ele. mas que. a paciência a sua obra perfeita. E mais.17).13. para que sejais perfeitos e completos. pois Ele. A Natureza da Liberdade Humana no Céu No que diz respeito à liberdade e ao livre-arbítrio. Ele som ente pode fazer o bem .Tenha. tende grande gozo quando cairdes em várias tentações. então. quanto a capacidade de pecar. A Liberdade de Adão Envolvia uma Escolha acerca do Mal A lém disso. D eus pode ser livre se não existe a possibilidade dele fazer a escolha errada? A resposta é que D eus é livre n o sentido de ter o poder de au tod eterm in ação . ele não poderia ter tom ad o a decisão errada. 16 S ig n ifica n d o q ue D e u s é a cau sa e ficie n te das suas próp rias e sco lh a s. Deus é livre. com o já vim os. contud o não lhe é possível pecar (Hc 1. o ato de Adão envolveu u m a decisão entre o bem e o m al. u m a ca u sa e fic ie n te é u m a ca u sa p ela qual algo v e m a ser. Na verdade. V id e v o lu m e 1. o m al). Mas ele tin h a o poder de obedecer ou desobedecer — o que ele achasse m elh or. soberanam ente. G n 2. as escolhas livres hum anas envolvem não som ente o au tod eterm inism o (ou seja.] Bem-aventurado o varão 1 5 C o m o já v erificam o s. à medida que ele foi livre para to m ar a decisão errada. parece que o estado dos santos aperfeiçoados no céu é sem elhante ao de Deus. C o m o. A Escolha que Adão Fez pelo Mal Poderia Ter Sido Evitada A lém disso. 1 8 Para u m a ex p lica çã o m ais d e ta lh a d a da b on d ad e to ta l de D eu s (su a o n ib e n e v o lê n c ia ) e suas im p lic a ç õ e s. porém. e foi um a decisão livre. Hb 6. entretan to. vide v o lu m e 2. não são atos m orais livres. pois é para este propósito que estam os sendo testados: Meus irmãos. A fo rm a verbal im plica que Adão tinha tanto a possibilidade.1 7 tanto o bem quanto o m al. Se ele não fosse livre para optar pelo m al acim a do bem . de a c o rd o c o m a visão do a u to d e te rm in is m o . é Todo-bondade1 8 e. 1 7 O u seja. para o u tra s ilu stra ç õ e s do p rin cíp io da causalidade.

De certa forma. na verdade. enquanto o compromisso durar. livres e incapazes de pecar. depois que a escolha é feita. a capacidade autodeterminada de escolher somente o bem. De maneira semelhante. a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. desde toda a eternidade. O céu. receberá a coroa da vida. A Liberdade de Fazer somente o Bem não Significa a Perda da Liberdade Real É importante notar que o céu não representa a destruiç ão da nossa verdadeira liberdade. isto não seria liberdade. já que escolheram. Todos os crentes verdadeiros anseiam pelo cumprimento final do que oramos na Oração do Senhor (o “Pai Nosso”): “Seja feita a tua vontade. quando Deus nos levar para o céu. quanto para àqueles a quem juramos o nosso amor. ela é o cumprimento do desejo real e divino de ter um laço com uma. De forma semelhante. nem no casamento. ela não é uma liberdade perfeita (completa). na continuação desta analogia.2-4. mas. a liberdade real é o tipo de liberdade que Deus possui (e que.72 f| TEOLOGIA SISTEMÁTICA que sofre a tentaçao. no inferno. na eternidade. em vez na nossa própria vontade.27). quando for provado. mas o cumprimento dela. 12) Esta é a razão porque. até que a morte nos separe. e pela vida inteira: “Abandonar todos(as) os(as) demais. geraria o potencial (e a realidade) do mal (a escravidão ao pecado). tanto para nós. (Tg 1. O conceito cristão de casamento vitalício e monogâmico é um exemplo disso. poder-se-ia argumentar que isto limita a liberdade individual. antes do céu. onde tudo isso será real. é a totalização da nossa liberdade. será um bem majestoso que receberemos. Deus nos dá a “liberdade” de quebrar os nossos votos. capítulo 9. seguir numa só direção e não nas outras. os crentes possuirão). esta decisão não erradica a liberdade individual. e somente uma pessoa. até o céu. muito pelo contrário. à medida que este é o bem maior. Somente somos livres para guardar a aliança. nem no céu. pela vida toda. Em suma. Quando o teste estiver terminado — quando a nossa “corrida” neste mundo tiver terminado — então o livre-arbítrio se tornará o que ele é. de forma alguma. Ele não terá eliminado a nossa liberdade. porque. diante de Deus. Por conseguinte. um mal. Todavia. cumprido-a. portanto. assim na terra como no céu” e “não nos deixe cair em tentação” (vide Mateus 6 e Lucas 11). 1 9Vide volum e 4. . simultaneamente. para o próprio Deus: a capacidade autodeterminada de escolher somente o que é bom. Quando uma noiva e um noivo juram. mas sim. Portanto. no final das contas. a liberdade de fazermos o mal desaparece e somos livres para fazer somente o bem. a perda da capacidade de se fazer o mal não é. a saber. e não a sua negação. Neste mundo podemos optar entre fazer a vontade de Deus ou não. relações íntimas do tipo que somente terão com aquela pessoa. A essência da liberdade real é a autodeterminação.1 9 os ímpios. o nosso destino está selado até à morte (Hb 9. agora sem sofrer mais a influência da graça de Deus serão enrijecidos na sua vontade de fazer o mal. E como a liberdade de fazer o mal é também a liberdade que temos para destruirmos a nós mesmos.” estão fazendo uma livre-escolha — a de ter. se escolhemos fazer a vontade de Deus. mas. os homens não são.

da m esm a fo rm a que Adão e Eva o fizeram .]). m as algum as pessoas têm um a idéia de liberdade que. co m o já analisam os. p o s te r io rm e n te . Se este fo r o caso.2). R. n em Adão. na esteira de Jo nathan Edwards (1703-1758). Deus não coloco u o desejo pela desobediência no coração de Adão.10-11). inclusive das escolhas humanas — pareceria m esm o que D eus teria forçado Adão a pecar. Ele som ente tentou Adão. Satanás não forçou n in guém a pecar.. ad m itiu h avia “p e c a d o ” (M t 27. Mas. filho de Sim ão. ch am a isso de um “p roblem a excru cian te. m e sm o q u e Satan ás t e n h a c o lo c a d o esta idéia n o co ra ç ã o de Judas (Jo ã o 13. leva a isto. Se a soberania de Deus fo r verdadeiram ente da m aneira co m que estas pessoas a entendem — isto é. D eus seria o responsável por todas as ações hum anas. Resposta à Objeção Número Um Farem os o escrutínio de várias respostas potenciais a esta objeção.16. o Diabo iludiu Judas a trair Jesus: “E. 23). Jesu s disse a e le: “O q u e fazes. em tem po algum . Sproul (1939/ [. ninguém consegue desejar fazer o m al sem que a sua n atu reza m aligna lhe dê o desejo de fazer isto. Na verdade.. . C.2).” e ainda acrescenta: “U m a 20 A idéia de q u e D e u s o u o D iab o são a cau sa d o p eca d o h u m a n o é determinista. deseja fazer qualquer coisa boa. antes das suas respectivas Quedas.27). e Eva transferiu a culpa para Satanás.1 6 ). Adão cu lpou Eva. Adão não foi forçado. vem o desejo de pecar? A té m esm o os defensores de Edwards adm item que este é um ponto obscuro da sua teologia. M a rco s ch e g a a d izer q u e Judas fez “e m oca siã o o p o r tu n a ” (M c 14. E já que n em Lúcifer. aparentem ente. 21 É im p o r ta n te n o ta rm o s q u e Jo ã o u tiliz a (João 13. de onde. a exp ressão “p o r n o c o ra ç ã o .4). O fa to d o a to de Judas te r sido livre e n ã o -c o a g id o fica c la ro a p a rtir d o uso da exp ressão tra ir (M t 26. alguns calvinistas radicais alegam que o livre-arbítrio é sim plesm ente fazer o que desejam os. pela lógica. por exem plo. tin h a m um a n atu reza m aligna. acabada a ceia. q u e sign ifica u m a to d elib erad o (cf. o desejo de fazer esta coisa boa. se D eus for o soberano direto no con trole de todas as coisas. se não receber de Deus. n em o instigou a pecar. foi a causa do pecado de Adão? Cada u m a das possíveis respostas apresenta deficiências. Alguns se aventuram intencional ou abertam en te neste terren o. Lc 6 . as pessoas fazem uso da conhecid a desculpa: “O Diabo m e fez fazer isto !” Alguns crentes são conhecidos por usar este tipo de expressão para justificar suas atitudes erradas. E. mas som en te seduzido. ou o que.A ORIGEM DO PECADO # 73 RESPONDENDO ÀS OBJEÇOES FEITAS AO LIVRE-ARBÍTRIO As dificuldades que exigem u m a resposta neste con texto podem ser separadas em u m co n ju n to de várias perguntas e respostas: Objeção Número Um — Baseada na Causalidade Se toda ação necessita de um a causa eficiente — com o reza o princípio da causalidade — então quem . que o traísse Deus não Fez com que Adão Pecasse De m aneira sem elhante. fa z e-o d epressa” (Jo 13. 21. mas que n in guém .20 De fo rm a sem elhante. Judas e x e c u to u o a to de m a n e ira livre — e le. 0 Diabo não Fez com que Adão Pecasse Desde o tem po de Adão. afinal. tendo já o Diabo posto no coração2 1 de Judas Iscariotes.” e n ã o “f o rç a r” p a ra se re ferir à decisão de Judas.

ao contrário. praticamente. a sua natureza frágil e imperfeita teria sido a causa do seu pecado. Como já vimos. n ã o d everia ser co n sid erad o resp o n sável. e n e ste caso. o pecado humano continua sendo culpa de Deus. 25 V ide . A c o m p re e n s ã o d a d ep rav ação to ta l n a ó tic a do C a lv in ism o R a d ica l e d o C a lv in ism o M o d e ra d o é d e scrita n o c a p ítu lo 5. isto significa lançar a culpa do pecado às portas do céu. p o r p a rte de D eu s. Ao contrário das teorias anteriores (ambas deterministas). c a p ítu lo 2. 31.31). e le n ã o te ria sido livre.2 3 Algumas idéias nem precisam de refutação. Deus teria criado Adão imperfeito e frágil. no Indeterminismo a culpa não é direta. aqui novamente. E ponto final. onibenevolência (bondade absoluta) de Deus é incapaz de criar algo mau. pelas e sco lh a s (m a s.2 6 O raciocínio segue a seguinte linha: (1) Uma das coisas que Deus deu às suas criaturas foi um uma “boa” capacidade chamada de livre-arbítrio. para expressar a sua discordância. 10. que Deus considerava as suas obras “muito boas” (1. o b v ia m e n te. para Deus. Portanto. e depois do sexto dia: “E viu Deus tudo quanto tinha feito. (2) Até mesmo os descrentes entendem que a liberdade é boa. somente criaturas perfeitas podem surgir das mãos de um Criador perfeito. 18. 21. e quando um assalto ocorre. Deus é absolutamente bom e. entretanto. afirma que Deus fez somente criaturas boas. Salomão acrescentou: “Vede.4. como tal. conforme lemos no livro de Gênesis. A Bíblia. Abertamente falando.2 3 A dão Pecou por sua Livre-Vontade A resposta real é que Adão pecou por sua livre-escolha própria. e eis que era muito bom” (1. a livre-escolha é um bem inegável. Ao fim de. este parece ser o resultado aparente desta lógica determinista.74 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA coisa é absolutamente impensável: Que Deus seja ou possa ser o autor ou executor do pecado. todos os dias da criação. a responsabilidade daquelas mortes é de Deus. 24 A idéia de q u e a fa lta de in teg rid a d e n o p rim e iro casal é a ca u sa d o p e ca d o n a h u m a n id a d e é indeterminista. desta forma. já que ela claramente valorizaria a liberdade ao fazer uso dela.2 4 Contudo.4). (4) Em suma. mas simplesmente requerem alguns esclarecimentos simples para que se chegue à conclusão de que elas não resistem a um exame mais minucioso. 25). 22 Chosen by Goá [E scolh id os p o r D eus].29). 23 A n a tu r e z a “to ta lm e n te d eprav ad a” do c rim in o s o — c o n fo rm e p o stu la d o do C alv in ísm o R ad ical — n ã o p o d e ria te r cau sad o as suas a ções. Indo a fundo na questão. mas indireta. pois se o fizesse.”2 2Todavia. não pode praticar o (tampouco ser responsável pelo) mal. essa pessoa acabaria sendo um testemunho real a favor da liberdade. Somos explicitamente informados que “toda criatura de Deus é boa” (1 Tm 4. isto tão-somente achei: que Deus fez ao homem reto” (Ec 7. Alguém já viu alguém protestando contra a liberdade? Nunca se viu uma multidão empunhando cartazes com frases de efeito do tipo: “Abaixo a Liberdade!” ou “Restaurem a Repressão Sobre Nós!” (3) Mesmo que alguém falasse contra a liberdade. o argumento de que Deus mantém todo o poder em suas próprias mãos está recheado de sérias implicações. ele também foi causado por Deus. Não Havia uma Natureza Imperfeita em Adão que o Fizesse Pecar Uma segunda alternativa é o argumento de que Adão não era perfeito. o Determinismo fa z de Deus o responsável por todo o mal. 26 O c o n c e ito do p eca d o h u m a n o c o m o re s u lta d o d a livre v o n ta d e h u m a n a é autodetermimsta. o c rim in o s o é resp o n sáv el!). isto significa que quando ocorrem assassinatos. já que.

D eu s é a cau sa do fato.27 Se D eu s criou criatu ra s livres. u m a gera a ou tra. D eus deixaria de ser a caúsa prim eira. Isto n ão é difícil de co m p re en d e r. Ele n ã o respond e p o r todas as m ald ades que c o m e te m o s quando fazem o s u m m au uso da nossa liberdade. capitulo 9. m as m u ito s abusam desta liberdade e dirigem de fo rm a irresp onsável. ap recia a liberdade de dirigir u m ca rro . p o r e x e m p lo . S a lo m ã o resu m iu m u ito b em : “D eu s fez ao h o m e m re to . D e igual m a n eira . ou seja. Primeiro. A pesar do m a l p o d er re su lta r em abuso de liberdade ou m alan d rag en s. e to d a ação. Em su m a. o p od er das esco lh as m o rais livres im p lica a capacidade de aderir ou re je ita r o b em p la n e ja d o p o r D eus — sen d o que a segunda possibilidade é ch am ad a de “m a l. e que m u tila m ou m a ta m o u tras pessoas. e nós so m o s as causas do ato. D eus ta m b é m d em o n stro u que é m e lh o r te rm o s liberdade — m e sm o que co m ela v e n h a a possibilidade do abuso — do que n ão te rm o s liberdade alg u m a. o g o v ern o en te n d e que é m ais p ro v e ito so que os indivíd uos da sociedade possam u tilizar v e ícu lo s do que te r que fazer tod os os nossos afazeres a pé. Por exem p lo.” D eu s rev elo u que a liberdade é boa — n a verdade. A pesar de D eu s ser m o ra lm e n te responsável p o r nos dar esta coisa b oa ch am ad a liv re-a rb ítrio . en tã o a origem do mal é o mal-uso da liberdade. todo efeito te m u m a causa. e se é b o m que seja m o s livres. m e sm o que alg u n s atos de liberdade possam ser ru in s. Se toda causa tivesse u m a causa. Resposta à Objeção Número Dois Esta ob jeção está baseada em u m a m á com p reen são do problem a. sob o título “Objeções à Sabedoria de Deus.A ORIGEM DO PECADO ® 75 M esm o assim . a liberdade ta m b ém to rn a possível o m a l. E absurdo pergu n tar: “Q u em criou D eus?” pois isto eqüivale a p erg u n tar “Q u em criou o C riad or N ãocriado?” Na m esm a lin h a.” . n em toda causa tem u m a causa. C o m o já vim o s. S o m e n te as pessoas que dirigem de fo rm a irresp on sáv el e crim in o sa. a Causa N ão-causada que Ele é. Nós n ão cu lp a m o s (n e m d evem os c u lp a r) o g o v ern o p o r c o n tin u a r nos co n ced en d o a h ab ilitação . p erg u n tar “Q u em foi a causa do pecad o de Adão?” é co m o insistir que precisa haver u m a resposta para a p erg u n ta “Q u em é a m u lh e r do padre?” O padre não te m m u lh e r. então qual foi a causa do exercício da liberdade feito por Adão no m o m e n to de pecar? A liv re-esco lh a é u m a ação. apesar de tod os os danos causados p o r m o to rista s im p ru d en tes. m as n e m tod o p in to r é pintado. da m esm a fo rm a que u m Ser N ão-causado tam b ém n ão 27Vide volum e 2. todo quadro te m u m p in tor. C o n tu d o . D eu s criou o fa to da liberd ad e. todos ad m item que tod o evento n ecessita de u m a causa. m esm o a ação do liv re-arbítrio .29). Se p o stu larm o s a orig em do pecado co m o sendo o liv re-arbítrio con tin u arem o s co m a questão m a io r ainda sem solução. m as ele b u sco u m u itas in v e n çõ e s” (E c 7. tão b oa que ele n o -la co n ced eu — e n tre m e n te s. A m a io ria de nós. Objeção Número Dois — Baseada na Necessidade de uma Causa A “solu ção da a u to d eterm in a çã o ” nos leva a u m o u tro p roblem a: Se todos os eventos p ossu em u m a causa. precisa de u m a causa eficiente. são responsáveis pelos resu ltad os das suas ações.

Ações autocausadas. os p od eres causais receb id os da p a rte da C a u sa p rim á ria (D eu s)." Tudo ficaria mais claro se falássemos.76 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA tem uma causa. esta objeção erroneamente está baseada em uma falsa disjunção — a de que uma ação precisa ser. c o m o alega o a te u . n a qualidade de cau sa secu n d á ria . Talvez a razão porque muito pensam que ações autocausadas são impossíveis vêm da própria expressão “ação autocausada. ou não-causada. e como esta criatura foi o primeiro ser a pecar. precisamos existir antes de agir. pois existe uma terceira opção: Uma ação pode ser (1) Não-causada. esta cau sa secu n d á ria (o a g en te liv re) n ã o é u m m e ro in s tru m e n to p o r m e io d o qual a cau sa p rim á ria o p era. e q u e e x e rce liv re m e n te o seu p o d er de decisão. Se o ato da Criação não foi autocausado. Mas este não é o caso. 1979). ou causado. não são impossíveis. S e o u n iv erso p ode s er n ã o -c a u sa d o p o rq u e sem p re esteve aí. por exemplo. que sou eu quem causa as minhas próprias ações (em oposição a elas terem sido causadas por 18 N ão deve ser difícil. De modo semelhante. s im p le sm e n te . The Kalam Cosmological Argument (L o n d o n : M a c m illa n . então Deus pode tê-lo executado. até m e sm o p a ra u m a te u . Tod avia. V id e v o lu m e 2. a de D e u s). ou causadapor alguém diferente de nós mesmos. p o r in te rm é d io da qual a pessoa é u m a cau sa livre. N este sen tid o . Como já analisamos e continuaremos observando. Segundo.18). portanto. se o fossem. então não é preciso buscarmos nenhuma outra causa. já que todo evento é. se a escolha que Adão fez pelo mal (o seu mau uso do livre-arbítrio) é a causa primeira do pecado da humanidade. D eu s p o d e ser a ca u sa p rim á ria e a c ria tu r a a cau sa s ecu n d ária. p od e h a v e r u m a c o o p e ra ç ã o e n tr e a m in h a v o n ta d e e a de o u tra p essoa (p o r e x e m p lo . ou nada. estamos novamente diante de uma confusão: é impossível haver um ser autocausado. ele é u m a ca u sa e ficie n te. para causar a existência do mundo). Certamente não podemos existir antes de existirmos ou ser antes de sermos. 29 O b v iam en te . além dele. a sua ação precisa ter sido autocausada. não teria tido a liberdade para) pecar. q u e teve. também não existe uma explicação para o pecado de Lúcifer. um ato livre é um ato autodeterminado. e W illia m Lane C raig . a cred ita r que algo deve ser n ã o -c a u sa d o . Conseqüentemente. D eu s ta m b é m p o d e s er n ã o -c a u sa d o p o rq u e ta m b é m estev e s e m p re aí. concluímos que ações autocausadas são possíveis. teve u m a cau sa o rig in al. de outro modo ele jamais teria conseguido (isto é. Hb 6. mas podemos ser antes de fa z er — ou seja. existem várias razões que corroboram com este último ponto de vista. que não pode fazer as coisas que lhe são impossíveis (cf. mesmo que um ser autocausado ser impossível. .28 De modo semelhante. até mesmo Deus. m a s c o o p e ra d o ra . m as sim . É cla ro q u e o p rim e iro p r o b le m a q u e o a te u e n fre n ta são as evidências m aciças a resp eito d o u n iv erso te r tid o u m c o m e ç o . não poderia ter sido a causa do pecado de Lúcifer. se ações autocausadas não são possíveis. mas não há nada de contraditório em uma ação autocausada. Um Deus imaculado e perfeito. ou não-causado (não havendo aparentemente nenhuma outra alternativa lógica). (2) Causada por alguém (ou algo) diferente de mim. c a p ítu lo 18. ou (3) Causada por mim. pela razão que acabamos de ver. Objeção Número Três — Baseada em uma Suposta Impossibilidade Lógica Como já vimos. já q u e ele está e m d e sa celera çã o e.2 9 A terceira alternativa é que nos referimos como sendo a liberdade ou o livre-arbítrio. já q u e m u ito s deles su ste n ta m que o u n iv erso é n ã o -c a u sa d o . não teria conseguido criar o mundo (pois não havia ninguém. dessa fo rm a .

C. tais como.arb ítrio n o s seres h u m a n o s d ecaíd o s (vide c a p ítu lo 5). (DJ. o mesmo se dá com os anjos. possuindo uma alma própria para obedecer aos mandamentos de Deus de maneira voluntária. e alguns são diligentes nas questões que lhes são confiadas.A ORIGEM DO PECADO # 77 outra pessoa). 125-c. ta n to a n tes.4. e m vez de a çã o “a u to ca u sa d a .) O u seja. a que segu e a lin h a de Jo n a th a n Edw ards. Isto deixa a e sc o la d o C a lv in ism o R ad ical. * (N . c u ja visão so b re as e sco lh a s h u m a n a s (fo rm u la d a s e m resp o sta à c o n tro v é rsia d o n a tista ) e ra m c o n trá ria s ao p ad rão d a H istó ria E clesiástica.C.) Esta expressão: “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos. e não por compulsão da parte de Deus. q u a n to depois dele. 1.” ' 3! O s ú n ico s desvios significativos. mas não por terem sido criados assim. resolveu criálos livres para fazer a justiça.” fa la r-se e m "a ç ã o causada p e lo p ró p rio in d iv íd u o .8) Atenágoras (falecido no século II) Tal qual acontece com os homens que têm liberdade de escolha tanto para a virtude. (PC. quanto para o vício (pois não honraríamos o bem.) Deus. A BASE HISTÓRICA PARA O LIVRE-ARBÍTRIO DE ADÃO A origem do pecado a partir de uma decisão livre e autodeterminada de Adão (e de lúcifer. Pois não existe nenhum tipo de coação em Deus. nem castigaríamos o mal. . tal q u al fa z em os lu te ra n o s desde e n tã o . 11. “Em que sentido. v ê m d o “A g o stin h o P o ste rio r” (354 -4 3 0 d . somente uma boa vontade [para conosco] está presente continuamente nele.36.37).C . O te ó lo g o s iste m á tic o de L u te ro . como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas. 1. a qual dá margem para a falsa crença de que uma ação autocausada é impossível. (AH.). Filipe M e la n c h to n (1497-1560).24). se estas duas coisas não fossem do nosso domínio. porque Deus fez o homem (agente) livre desde o princípio. OUTRAS QUESTÕES ACERCA DA LIBERDADE E DO MAL Existem. até o te m p o de M a rtin h o L u te ro (1483-1546).31 Justino Mártir (c. in v e rte u este p o n to de vista. 202 d. d o T . n o q u e diz re sp e ito à n a tu re z a do liv re. ela fez isso porque sabia previamente que eles seriam irremediavelmente [ímpios]. melhor ainda. já outros infiéis). 1 6 5 d.142) Ireneu (c. Mas se a Palavra de Deus prediz que certos anjos e certos homens serão certamente castigados. isolad a da p rin cip al c o r r e n te o r to d o x a d a Ig reja . 100-c. ou. lançou as bases da antiga lei da liberdade humana. As citações a seguir são uma amostragem com objetivo de ilustrar este tópico. os seres humanos são livres depois da Queda?” “Será que ainda temos liberdade no sentido de autodeterminação?” “E será que temos no sentido libertário?” Estas questões serão tratadas no capítulo 5. se é que em algum. e tu não quiseste!” (Mt 23. desejando que tanto homens quanto anjos seguissem a sua vontade. até a R e fo rm a . obviamente. antes dele) tem sido uma marca do pensamento cristão desde os primórdios da igreja. que as ações são causadas por mim mesmo?0 Este linguajar elimina a ambigüidade da linguagem. outras perguntas acerca do livre-arbítrio.

VII) Clemente de Alexandria ( 150-c. 200-c.. e o homem.) Percebo.l) . já que escolhemos a vida e cremos em Deus por intermédio da sua voz. aquele que desejar pode alcançar para si a vida eterna. mas o seu instrumento é que o movimentaria [. que também é guiado por outra pessoa: nos quais os elogios ou a culpa residem nas mãos do músico ou do timoneiro [. repito.] Deus agora lhe concede como dom. Nada de mal foi criado por Deus. um homem se diferenciaria de uma harpa.. (FBAM. ele não teria pertencido a si mesmo. no qual o homem foi instruído que não havia mal algum no fruto da árvore. quando o homem lhe obedece. ou de um navio.) Por que será que Deus não nos fez sem a possibilidade de pecar e cair em condenação? Se o homem tivesse sido assim criado.) Nós que ouvimos pelas Sagradas Escrituras que a escolha autodeterminada e a recusa foram dadas pelo Senhor aos homens. a quem ele comunicou a mente. nós que éramos livres acabamos por nos tornar escravos.C . feito à imagem de Deus. que o homem foi constituído livre por Deus. C . Ele passou um mandamento. H2. senhor da sua própria vontade e poder. igualmente. portanto.. 11. 2 5 8 d: C . (S.] E como.. 11.C . mas nós. que a manifestamos.2. (CT. 1 3 0 -1 9 0 d. manifestando um espírito desejoso. E.78 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Teófilo (c.) Pois Deus criou o homem livre.27) Taciano (120-173 d.11) Bardesanes (c.5) Novaciano (c.] Portanto.C . descansamos no critério infalível da fé.) O nosso livre-arbítrio nos destruiu. também somos capazes de rejeitá-la. 155-c... neste caso. (ATG.] sendo que estas coisas não passam de instrumentos feitos para o uso daqueles que têm a habilidade de utilizá-los? (£. 2 1 5 d. V. Ele desejou que somente ele fosse livre. sendo que nada indica tão bem a presença da imagem e semelhança de Deus nele. para que uma liberdade assim ilimitada não fosse ameaçada. tanto a bondade quanto o propósito de Deus são descobertos no dom recebido da liberdade da sua vontade. que é tocada por outra pessoa. quanto este traço de constituição da sua natureza [. 154-222 d.] E quando ele deu a ele todas as coisas para o seu serviço..) Ele também colocou o homem como o cabeça deste mundo.. e com poder sobre si mesmo [. C .4) Tertuliano (c. 225 d. nós mesmos manifestamos a impiedade. III. Pois da mesma forma que o homem trouxe a morte sobre si mesmo ao desobedecer a vontade de Deus. por intermédio da sua própria filantropia e piedade. fomos vendidos por intermédio do pecado. porém foi previamente alertado de que o mal surgiria se o homem insistisse em exercer a sua livre-escolha em conflito com a lei que lhe fora passada. de forma que ele pudesse imitar a Deus [... (TA. a razão e a antevisão.

387 d. pois fomos criados com o dom do livre-arbítrio [. a mais nobre das obras de Deus. 254 d.) Como imagem e semelhança [.. ele não segura para si ninguém contra a sua vontade.10) João Crisóstomo (3 4 7 -4 0 7 d. Precisamos primeiramente escolher o bem. 185-c.. para que o nosso livre-arbítrio não seja ofendido. não no sentido de que já houvesse algum tipo de mal.8.] são culpados de impiedade para com o próprio Deus. V . 19. acrescenta o que a Ele pertence. 1. C .] do Poder que governa sobre todas as coisas.. quanto o mal sob o nosso poder.) Em vão me deturpas e tentas convencer os ignorantes que eu condeno o livre-arbítrio. II.IV. 315-C. mas abraça todos os que voluntariamente o recebem. C .. C . inúmeras passagens nas Sagradas Escrituras que estabelecem com excessiva clareza a existência da liberdade da vontade. imortal por causa do Deus que dá a imortalidade. 260-311 d . um ser vivo racional e imperecível. mas precisa da ajuda de Deus. (CL.C . ele nos .) Isto também está claramente definido nos ensinamentos da igreja: que toda alma racional possui livre-arbítrio e volição (D P.) Agora aqueles que decidem que o homem não possui livre-arbítrio e afirmam que ele é governado pelas necessidades inevitáveis do destino [.3.C . Que aquele que condena.. IV. feita segundo a imagem do seu Criador.VI. Mas quando tomamos a decisão..1) Tudo está debaixo do poder de Deus.] Ele depende. que é o único que não precisa ser ajudado..A ORIGEM DO PECADO # 79 Orígenes (c. 12) Jerônimo (c.VII. e Ele. depois. nos deu plena liberdade de escolha. 340-420 d. II..33. sobre o qual ele teria o poder de decidir ou não a sua aceitação [. na verdade.. mas de forma que o nosso livre-arbítrio não é perdido [. Ele não se sobrepõe à nossa vontade.) Deus. VI. Contudo o homem não age imediatamente a partir do seu livre-arbítrio.18) Gregário de Nissa (c. de nós e dele.16) Declaro que o homem foi criado com livre-arbítrio. fazendo dele o causador e o autor dos males humanos. o homem guardou também no tema do livre-arbítrio esta semelhança com aquele cuja vontade é sobre tudo.1) M etódio (c.. 395 d. IV.] E verdade que a liberdade da vontade traz consigo a liberdade de decisão.] mas no sentido de um poder de obedecer e desobedecer a Deus como a única causa. por ter colocado tanto o bem.) Sabe também que tu tens uma alma autogovernada. seja por si mesmo condenado. (LSJ. 335-c. (B T V . (OV.. (HG. “Existem. II.C . por causa daquele que concedeu estes dons: com livre poder para fazer o que ela quiser. 362) Cirüo de Jerusalém (c. (C FW . portanto. (ibid. prefácio).

14) Ou. o faz por vontade própria. se a tentação pudesse conquistar a vontade. ( TFE.. caso viessem a abandonála e a recebessem novamente daquele que originalmente a concedeu.49) Agostinho. 10.C . 3.12) Todo aquele que. ( OTR. I2)32 Agostinho Anterior (354-430 d.2 6 0 -6 1 . . repudiar o sentimento de Crisóstomo comumente repetido de que ‘A queles que ele atrai.. salvo por uma graça diferente daquela que tinham antes da Queda.. que não seria pecado caso não fosse voluntário. o homem poderia ter se inclinado para ambos os lados. naturalmente concedido pelo Criador à nossa alma racional. (TSAM.80 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA presta um grande auxílio [. m as c o m o ele n os e n sin o u . é uma força tão neutra. está livre de qualquer coação. eles não conseguiram abolir neles mesmos a sua liberdade natural de escolha. apesar deles não terem conseguido realizar o que desejavam. que pode tanto se inclinar em direção à fé. quão m iserá v el é o liv re -a rb ítrio q u an d o D e u s n ã o o p e ra e m n ó s o d esejo de fazer algo .14) Anselmo (1 0 3 3 -1 1 0 9 d. o faz contra a sua vontade. Na verdade. e aguarda para ver se estaremos felizes em aceitar a sua ajuda. mesmo que se possa pensar que ele é forçado a fazer tal coisa.] É nossa parte o escolher previamente e o desejar. portanto. o fa z a partir da vontade deles’. se fizer algo. (ibid. a retidão que não possuíam. (ibid. Todavia. ou a primeira causa é sem pecado.2 . que a justiça considera culpados aqueles que pecam somente por vontade maligna. 126) Não percebes que a partir destas considerações se conclui que nenhuma tentação é capaz de conquistar uma vontade reta? Pois. q u e u tilid ad e te ria u m a g ra ça c o m u n ic a d a e m m ed id a tã o ín fim a?” (ÍC R . e como esta consideração também teria me ajudado.. acrescentou: O pecado não está em lugar algum que não seja a vontade. Se “contrário à nossa vontade” significar “não querer fazer. Conclui-se que todo aquele que tem vontade de fazer algo.) O livre-arbítrio. Por todo aquele que deseja. porque precisamos crer que eles foram criados com vontades retas — apesar de não podermos negar que eles tinham a liberdade de receber novamente esta mesma retidão. eles poderiam alterar o seu estado de tal maneira que não foram capazes de utilizar esta liberdade. p o r seu e x e m p lo .” então ninguém abandona a retidão contra a sua própria vontade [. faz algo contra a sua vontade é forçado a fazer isto. quanto à incredulidade (OSL. seria 32 Jo ã o C alv in o (1509-1564) o p ô s-se c o n s c ie n te m e n te a C ris ó s to m o e ao re s ta n te dos Pais d a Ig re ja ao d e cla ra r: “Precisamos. também. 125) Não devemos dizer que eles [Adão e Eva] tinham liberdade para o propósito de receber.] Mas um homem não pode desejar contra o seu desejo porque não pode desejar sem querer desejar. C .3 . e todo aquele que é forçado. (ibid. o qual insinua que o Senhor somente estende a sua mão. 1 .. g rifo a cre sce n ta d o ). Admitimos que. o pecado é de tal maneira um mal voluntário. da form a como fo i originalmente constituído. apropria vontade é a primeira causa do pecado. ainda.. 10.1 0 . 130) Apesar deles [Adão e Eva] terem se entregado a si mesmos ao pecado..) Ninguém abandona a retidão se não desejar fazer isto. 58). de uma parte que lhes concedesse. (OGFW. e é parte de Deus o aperfeiçoar e o completar a obra. ( HEH . então.

.] uma coisa não pode ser absolutamente coagida ou imposta com violência e. Truth. -------. Freedom. preceitos. [Assim. C a lv in o e o u tro s serão an alisados n o s ca p ítu lo s p o sterio re s. pois este precisa explicar como o mal surgiu. exortações. todos os conselhos. Pleafor the Christians.] Conseqüentemente o homem toma decisões de forma não necessária. praticamente. FONTES Anselmo.. Como vemos. (ibid. de outro modo. -------. ela também proporcionou o potencial para fazermos o mal..33 CONCLUSÃO A origem do mal é um problema para qualquer cosmovisão. Conseqüentemente.. responsáveis pelos seus atos de liberdade (os quais tornam o mal algo real). e em vez de escolher obedecer a Deus e seguir o bem. Assim. o homem tem liberdade de escolha. and Evil. ela continuou sendo a visão consistente desde a época da Reforma. Lúcifer e Adão)..C.) A necessidade vem do agente quando este último coage de tal forma algo que este algo não lhe pode mais contrariar [. OfTrue Religion. uma livre decisão deixa intacto o poder de ser capaz de optar por outro caminho. se tudo o que Deus criou era perfeitamente bom. a visão unânime dos Pais Eclesiásticos até o tempo da Reforma e. Só que a tentação é incapaz disso. (ibid. 132) Tomás de Aquino (1225-1274 d. 291-92) Portanto. 259) Com exceção do Agostinho “posterior”. mas este problema se torna particularmente agudo no Teísmo. Against the Manichaens Bardesanes. simultaneamente ser voluntária [. Mary T. On Grace and Free Will. proibições.] Tal necessidade por coação é contrária à vontade. Agostinho. Calvino. (in Clark. Deus deu a elas o poder de escolher. o livre-arbítrio tornou possível o mal.A ORIGEM DO PECADO 81 pelo seu próprio poder de conquistá-la. as criaturas livres são. esta visão de livre-arbítrio autodeterminado foi. . Porém. o mal surgiu do livre-arbítrio das boas criaturas que Deus havia criado. recompensas e castigos seriam sem sentido. j3 P o n to s de vista adicionais e esp ecíficos de L u te ro . Institutas da Religião Cristã.. João. ed. apesar de Deus ser responsável pela liberdade (o qual tornou possível o surgimento do mal). elas desobedeceram e utilizaram a liberdade de escolha para dar vazão ao pecado. A resposta está em um dos dons divinos: o livre-arbítrio. An Aquinas Reader. com exceção de Calvino e Lutero... Atenágoras. mas de forma livre. Clark. Two Souls. Fragments.. Apesar de a liberdade ser boa em si mesma. por si mesmas (por exemplo.. -------. porque a vontade somente pode ser subjugada pelo seu próprio poder. On the Spirit and the Letter. AR.

Origens. Matters o f Life and Death. Concerniríg Free Will. William G. Geisler. To Autolycus. Phaedo. T. João Crisóstomo. Chosen by G o d . Catechegical Lectures. William Lane. . On Virgimty. Tertuliano. Commentary on the Sentences o f Peter Lombard. Concerning Trinity. Novaciano. Stromata. Jonathan. The Works o f Jonathan Edwards. Craig.. ------. Ireneu. Teófilo. Heaney. Sproul. Homilies on the Epistole to the Hebrews. ------. Beckwith. Geisler. D e Principiis. Homilies dn Gênesis. Norman e Francis J. Platão. The Bqnquet o f the Ten Virgins. The Reincarnation Sensation. ------. Tomás de Aquino. Edwards. Norman L. Letterj ó f Saint ferom e.. Taciano. Justino Mártir.82 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Clemente de Alexandria. C.?-Dialogue o f Justin. Five Books Agains Marcion. Gregório de Nissa. Chosen But Free. The History o f the Christian Church. R. The Kalam Cosmological Argument. Stephen J. Jerônimo. Cirilo de Jerusalém. “Aquinas and the Humanity of the Conceptus” in Human Life Review. Shedd.. Against líeresies. Address to the Greeks. Metódio.

(vv. u m a descrição horrenda. 2Vide capítulo 3. A isto. no m ín im o. Este vivido co n traste revela u m a im agem deplorável da n a tu rez a e depravação hu m anas. cuja boca está cheia de maldição e amargura. nem um sequer. por um mau-uso do livre-arbítrio. Isto significa que alguns pecados o co rrem quando fazem os o que não deveríam os. Na fam osa passagem de R om an os 3 (baseada no Salm o 14). Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. peçonha de áspides está debaixo de seus lábios. e não conheceram o caminho da paz.CAPÍTULO QUATRO A NATUREZA DO PECADO s cond ições o rig in a lm en te criadas eram perfeitas. com a língua tratam enganosamente. Não há ninguém que entenda. A A BASE BÍBLICA DA NATUREZA DA PECAMINOSIDADE HUMANA O pecado é u m a triste realidade. Em seus caminhos há destruição e miséria. Não há quem faça o bem. .2 o pecado en tro u no m u n d o e viciou a criação p erfeita de D eus. Paulo descreveu a depravação to tal da hum anidade de m aneira m arcante: Não há um justo. especialm ente quando visto da perspectiva divina. 10-18) O que lem os aqui é. 1Vide capítulo 2. e outros quando não fazem os o que deveríamos. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. e u m D eus p erfeito não pode fazer nada d iferente de u m m u n d o p e rfe ito . não há ninguém que busque a Deus. Dois Tipos Básicos de Pecado Todos os pecados podem ser classificados em duas categorias gerais: os pecados de com issão e os de om issão. A nossa im p erfeição é com p reend id a à luz do Padrão final de perfeição. que é o próprio D eus. entretanto. seguiu-se u m estado de pecam inosidade no ser h u m an o — no qual h o je nos en co n tra m o s — que é h u m a n a m e n te irreparável. não há nem um só. Não há temor de Deus diante de seus olhos. A sua garganta é um sepulcro aberto.1 Num dado momento.

que significa “errar. são descritos pelo apóstolo João neste versículo: “Qualquer que comete o pecado também comete iniqüidade. o falso testemunho e a geração de conflitos. e [2] língua mentirosa. Davi confessou a Deus: “Contra ti. e os seus princípios morais básicos são repetidos no Novo Testamento. e [7] o que semeia contendas entre irmãos. (Pv 6. e [3] mãos que derramam sangue inocente.16 declara: “Eis que estas foram as que. que significa “errar o alvo” ( “e não participar da premiação”). quando fazem os o que não deveríamos fazer.4 captura a idéia por detrás deste termo.” “agir de forma acobertada. deram ocasião aos filhos de Israel de prevaricar contra o SENHOR. pois. e [6] testemunha falsa que profere mentiras.17).84 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Os Pecados de Comissão Os pecados de comissão. traiçoeiramente. A palavra grega para prevaricação éparaptom a.” “ser confiscado” ou “estar em falta.4). eles são: o orgulho. Os Pecados de Omissão Os pecados de omissão são a nossafa lta de ação naquilo que deveríamos agir. contra ti somente pequei. “errar” e “pecar. Talvez esta última categoria contenha ainda mais pecados do que a primeira. por conselho de Balaão.16-19) Ditos de forma simples. Depois de cometer adultério e planejar um assassinato.” “tropeçar de lado. apressa em fazer o mal. .” “cair. que significa “cobrir. pelo que houve aquela praga entre a congregação do SENHOR”. Os Principais Termos para Designar o Pecado Existem várias designações bíblicas para o pecado. Cada palavra apresenta a sua contribuição para formar a descrição completa desta ação horrenda contra um Deus santo. que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tg 4.” “ofender. Sete Pecados Detestáveis Deus explicitou sete pecados específicos que Ele não consegue tolerar: Estas seis coisas aborrece o SENHOR.23: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Números 31. e fiz o que a teus olhos é mal”.” Paulo utilizou paraptoma em Gálatas 6. A lei de Moisés foi registrada no Antigo Testamento.” O uso de chata no Salmo 51. a premeditação de maldades. e [5] pés que se apressam a correr para o mal. que significa “escorregar. porque o pecado é iniqüidade” (1 Jo 3. o assassinato. isto é.1: “Irmãos.” Hamartia é utilizada em Romanos 3. ou seja. no negócio de Peor. A palavra grega básica para pecado é hamartia. muito mais do que há para o bem. e engano. e a sétima a sua alma abomina: [1] olhos altivos.” Prevaricação (Transgressão) O radical hebraico que dá origem à palavra prevaricação é maal. ofensivamente. Como Tiago colocou: “Aquele.” ou “pecar. e [4] coração que maquina pensamentos viciosos. Pecado A palavra hebraica normalmente traduzida por pecado é chata.

encam inhai o tal com espírito de m ansidão.28. olhando por ti m esm o. pelo m enos. Outros Termos para o Pecado Existem m uitas outras designações e descrições do m al. 2Co 6.15). No A ntigo T estam ento. porquanto. Impiedade O utro term o bíblico para pecado é impiedade.6). que significa “efetivam ente m a u ” — Jesus falou que os seres h u m anos eram maus (M t 7.11) Deus declara: “O m eu servo. tornaram-se loucos. O que o apóstolo quis dizer é que dentro dele havia u m a natureza. porque Deus lho manifestou.” e até m esm o “calam idade. em seus discursos se desvaneceram.” Paulo disse: “quando quero fazer o bem . e inflam a o curso da natureza.19. e con tam in a todo o corpo. Isaías falou da capacidade de “rejeitar o m al e escolh er o b em ” (Is 7.21). que significa “perversidade. não o glorificaram [4] como Deus. nem lhe deram graças. o ju sto . porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta. d enotando u m “m a u -ca rá ter. Dizendo-se sábios. a língua está posta entre os nossos m em bros.” “danoso. degenerada e indigna. tendo conhecido a Deus.” “falh a”. Porque as suas coisas invisíveis.” Iniqüidade O utro term o utilizado n a violação da lei de Deus é iniqüidade.1). O term o grego utilizado no N ovo Testam ento é anomia.” A palavra grega para designar iniqüidade é adikia. a im piedade é n o rm alm en te u m a tradução do term o hebraico rasha. que sois espirituais. porque as iniqüidades deles levará sobre si. justificará a m uitos. Paulo lista. M t 23. [5] e o seu coração insensato [6] se obscureceu. tanto o seu eterno poder como a sua divindade. que tam bém é traduzido com o iniqüidade (cf. antes. desde a criação do mundo. “iniqüidade.” O salm ista disse: “B em -aventu rad o o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios” (SI 1. e é inflam ada pelo in fe rn o ” (T g 3. que significa “ru im . 24.A NATUREZA DO PECADO # 85 se algum h o m em chegar a ser surpreendido nalgu m a ofensa. R m 6. que significa “m o ra lm en te errad o. D entre as palavras gregas com u ns para mal encontram os poneros. para que eles fiquem inescusáveis. vós.11) — e kakos.” Em Isaías (53. quarenta e três designações e caracterizações diferentes para o pecado em R om an os 1: Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade [1] e injustiça [2] dos homens que detêm a verdade [3] em injustiça. A palavra hebraico básica para ele é avon.12. se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas.” Tiago disse: “A língua tam bém é u m fogo. Ao descrever o m undo pagão.” Por exem plo.14). para que não sejas tam bém tentad o. depravada (m á).” “in ju sto .” “m a l. que significa “m o ra lm en te ru im ” ou “ím pio. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem . co m o m u nd o de iniqüidade. Mal (como substantivo ou na sua forma adjetivada:“mau” ) U m term o hebraico co m u m para pecado é ra. o mal está com ig o” (R m 7.

sem fé é impossível agradar-lhe. lascívia [3].prostituição [1]. néscios [39]. O Pecado como Rebelião Samuel afirmou de forma franca: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria. soberbos [35]. contenda [28]. assim Deus os entregou a um sentimento perverso [19]. homicídio [27]. que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. E. mas quem não crê já está condenado. (vv. glutonarias [16] e coisas semelhantes a estas. porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3. bebedices [15].23). prostituição [22]. e o porfiar é como iniqüidade e idolatria” (1 Sm 15.86 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA [7] de homem corruptível. iras [9]. engano [29]. p o rfa s [7]. .6). (vv. cheios de inveja [26]. e na sua rebelião levantaram um chefe.11). e de quadrúpedes. de acordo com Jesus: “Quem crê nele [em Jesus] não é condenado. a fim de voltarem para a sua servidão” (Ne 9. semelhantemente. dissensões [11]. O Pecado como Incredulidade Paulo declarou claramente: “Tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14. feitiça rias [5]. 19-21) idolatria A Natureza do Pecado em Relação a Deus Ao ser cometido contra Deus. p elejas [10]. que é bendito eternamente. m aldade [25]. ou orgulho que se eleva acima do Senhor. E. E. sem m isericórdia Uma lista mais sucinta. estando cheios de toda iniqüidade [21]. infiéis [40] nos contratos. as quais são -. Assim. como seus súditos. o pecado é descrito de várias formas. como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus [18]. inimizades [6}. no contrário à natureza [14]. Salomão acrescentou: “O rebelde não busca senão o mal” (Pv 17. mais igualmente temível (de dezesseis designações diferentes para o pecado) pode ser encontrada nas “obras da carne” de Gálatas 5: Porque as obras da carne são manifestas. Neemias descreveu Israel com as seguintes palavras: “Endureceram a sua cerviz. sem afeição natural [41]. acerca das quais vos declaro. deixando o uso natural da mulher. emulações [8]. porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11. cometendo torpeza [16] e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro [17]. impureza [2]. invejas [13]. também os varões. rebelião contra Deus. [4}. malignidade [30]. e de répteis. para desonrarem [10] o seu corpo entre si. Pelo que também Deus os entregou às concupiscências [8] do seu coração. desobedientes [43]. 18-31) e à mãe [38]. homicídios [14]. avareza [24]. sendo murmuradores [31]. detratores [32]. se inflamaram em sua sensualidade [15] uns para com os outros. à imunâicía [9].17). Ele pode ser incredulidade para com o Senhor.18). Deus é Rei. acabamos por nos rebelar contra o seu domínio sobre as nossas vidas. heresias [12]. e nós.23). inventores de m ales [37]. aborrecedores de Deus ao p a i [33]. irreconciliáveis [42]. m alícia [23]. presunçosos [36]. pois mudaram a verdade de Deus em mentira [11] e honraram e serviram mais a criatura [12] do que o Criador. transgressão da sua lei. para fazerem coisas que não convém [20]. e de aves. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural. varão com varão. como já antes vos disse. portanto. injuriadores [34]. Amém! Pelo que Deus os abandonou i s paixões infames [13]. “Ora.

ele clam ou a Deus confessando que tin h a pecado con tra o Altíssim o: “C o n tra ti. grifo acrescentado). por exem plo. ao declarar: “Porque tudo o que há no m undo.4 NVI). para que. Ele tam bém declarou que o nosso am or por Deus deveria ser um a obrigação acim a do nosso am or pelos seres hu m anos. João falou de um pecado tão m o n stru o so que chegou a tirar a vida de u m a pessoa (1 Jo 5.29-30). m esm o quando o pecado de Davi foi claram ente direcionado co n tra a m u lh er e con tra a vida de o u tra pessoa. n u m a indicação de que este é u m pecado p articu larm en te grave. a concupiscència dos olhos e a soberba [orgulho] da vida.31-32. d e sejo s de c o b iç a ( “c o n c u p is c ê n c ia dos o lh o s ”). e sp e c ia lm e n te sob o títu lo “M a te u s 12. 4 A pesar d o p eca d o de D avi te r a feta d o c la ra m e n te m u ita s o u tra s p essoas. C om o já vimos. por to m a r parte na Ceia do Sen h or de form a indigna (1 C o 11. a lé m d ele m e sm o .4). o qual é a figura daquele que havia de vir [ou seja.A NATUREZA DO PECADO 87 0 Pecado como Transgressão C om o Soberano. Estas transgressões estão no cern e do pecado. corrom p este a tua sabedoria por causa do teu resplend or” (Ez 28. Na verdade. que foi o m al que incitou a rebelião de Lúcifer contra Deus. C om o aquele que inspirou o pecado do Rei de Tiro. a impiedade de Satanás é igualada e repetida nestas palavras: “Elevou-se o teu coração por causa da tua form osu ra.” (R m 5. e le r e c o n h e c e u q u e a tra n sg ressã o d a Lei de D e u s é u m pecad o c o n tra o p ró p rio D e u s.14). Paulo disse que alguns foram disciplinados com a m o rte por parte de Deus.16.12). Jesus declarou haver questões que eram consideradas “mais im p ortan tes” na lei (cf. mas do m u n d o ” (1 Jo 2. C ontudo. con tra ti som ente pequei.6). da m esm a form a que fizeram todos os “adam itas” desde aquela época. e v a n g lo ria a c e rc a d o que te m o s o u fa z em o s ( “so b erb a da vid a”) n ã o são de D eus. a Bíblia afirma: “No entanto.6 3 D esd e o te m p o da Q u ed a a té a e n tre g a da Lei. cham ando este de “primeiro e grande m a n d am en to” (M t 22. não caia na condenação do D iabo” (1 T m 3. Ele disse a Pilatos que “mas aquele que m e entregou a ti maior pecado tem” (Jo 19.” 6 Para u m a d e fin içã o .4 0 Pecado como Orgulho Na raiz de todo pecado está o orgulho. 5 Isto sign ifica d izer q u e os d esejos ilícito s d o c o rp o ( “co n c u p isc ên c ia d a c a rn e ”) . ex p lica çã o e an álise .23). João lista o orgulho com o u m dos três pecados básicos. Vejam os a fo rm a com o Paulo deixou instruções a respeito de com o deveria ser um presbítero: “não neófito.1 A Graduação do Pecado Ao contrário da opinião largam ente aceita.17).32). Adão transgrediu a sua lei. a m isericórdia e a ju stiça acim a do dízimo. d este p ecad o .11). a m o rte reinou desde Adão até M oisés3.38). M t 23. para que sejas justificado quando falares e puro quando ju lg ares” (SI 51. não é do Pai. em função da m aior gravidade dos pecados que co m eteram (Ap 20. até sobre aqueles que não pecaram à sem elhança da transgressão de Adão. Jesus].16). e fiz o que a teus olhos é m al. com o. Não som ente existem pecados mais fortes. Algum as pessoas receberão u m castigo mais severo. vide c a p ítu lo 11. ensoberbecendo-se. n em todos os pecados são vistos de igual fo rm a p o r Deus. “o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3. Deus revelou diretrizes invioláveis pelas quais os seus servos deveriam viver. a concupiscência da carne. co m o tam bém existe o mais grave de todos os pecados: a blasfêm ia contra o Espírito Santo (M t 12.

que. a bondade (ou amor). que vos faço subir da terra do Egito. uma árvore ou um carro). portanto. "justo". c a p ítu lo 4. o mal é como a putrefação de uma árvore ou a ferrugem de um carro.45). O pecado é um parasita ontológico — ele existe somente em algo bom.1 0 A BASE TEOLÓGICA DA NATUREZA DA PECAMINOSIDADE HUMANA A partir de um ponto de vista teológico. o pecado é tudo aquilo que não atinja a natureza moral perfeita de Deus. e negar que o pecado existe (como uma realidade) é rejeitar o Teísmo e abraçar o Panteísmo. não podemos negar que Deus criou tudo. c a p ítu lo 9. e sp e c ia lm e n te. que padrão objetivo final é a perfeição moral absoluta de Deus. V id e. V id e ta m b é m v o lu m e 2. 8V id e v o lu m e 2. negar que Deus criou tudo é admitir o Materialismo e rejeitar o Teísmo. ele também deve ter sido criado. por Ele. tanto a putrefação. "pio" e. c a p ítu lo s 18-21. Deus possui tanto atributos não-morais (metafísicos). por extensão. c a p ítu lo 18. quanto a ferrugem corroem a boa sustância (no caso. que é traduzida como “sacro” ou “santo. para que eu seja vosso Deus. o Teísmo cristão apresenta uma resposta franca. Como Deus tem. portanto. Portanto. resp e ctiv a m en te . negar que o pecado é real é reduzi-lo à ilusão ou à não-realidade. já que somente Ele existia antes de tudo o mais vir à existência. e gadosh. como esta conclusão (de que “Deus deve ter criado o pecado”) pode estar errada? Por mais que este dilema pareça se insolúvel. pelo menos.7 e tudo o mais que existe foi por Ele criado. Deus disse: “Eu sou o SENHOR. ocorre que o pecado não é uma coisa ou uma substância: 0 pecado é a privação ou a falta de uma boa substância. porque eu sou santo” (Lv 11. Deus É Santo As palavras bíblicas do hebraico para santo são godesh. e para que sejais santos. c a p ítu lo 2 e v o lu m e 2. ca p ítu lo s 1-12 e ca p ítu lo s 13-17. que significa “separação” ou “sacralidade”. e tudo aquilo que fuja disso será pecado.” A palavra grega hosios significa "santo". o qual é a sua própria natureza moral. o v o lu m e 2. quanto morais. Conforme já demonstramos anteriormente. Como o Teísmo cristão nega esta conclusão (de que "Deus deve ter criado o pecado”).9 Em suma. c a p ítu lo 1 on d e e stá situ ad a u m a lista g em dos a trib u to s e c a ra cte rística s divinas. e se o pecado é real. sob o títu lo “O b je ç õ es à S ab ed o ria de D e u s . para a negação de uma ou de ambas as premissas por parte do Teísmo cristão (de que “Deus criou tudo” e que “o pecado é real”).” 10 V id e A g o stin h o .23). parece-nos necessário.88 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA A Natureza Metafísica do Pecado Uma das dificuldades acerca do pecado pode ser ilustrada pela objeção de que Deus criou tudo.1 1 Os atributos morais são o padrão final para aquilo que é certo ou errado.8 Com relação à oura premissa. 9 Já fico u d e m o n s tra d o q u e e sta co n c lu sã o é in d efen sável: vide v o lu m e 1. Paulo escreveu que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3. Por exemplo. Contudo. . mas nenhuma das duas existe por si mesma. na form a de uma corrupção da bondade. a perfeição. Two Souls Against the Manichaeans. seis atributos morais básicos — a santidade. Deus criou tudo (todas as substâncias). Fica claro. a justiça. o “ser santo” 7 V ide v o lu m e 2. e a honestidade — uma breve descrição de cada um faz-se necessária para esclarecer o que é o pecado e como ele deixa a desejar em relação ao padrão objetivo final de Deus. 1 1 V ide v o lu m e 2. No sentido moral. o zelo. uma distorção de algo puro.

e tentaram a Deus. Deus tem anjos santos. 43.24.8).5. 68. 4.16.19. A sua santidade está associada com o seu zelo (Js 24.8) Deus fez um juramento irrevogável com base na sua própria santidade (SI 89. 3. Jó 15. Is 52. e se Deus é absolutam ente santo. conclui-se que o pecado é a ausência de santidade.35. SI 46. Os 11. seis asas e. J D t 32. este Deus santo?” O Salm o 78. sua singularidade absoluta (Ex 15.2 confirm a que “Não há santo como é o SENHOR.41 lam enta: “Voltaram atrás. o trono de Deus é um monte santo (Ez 28.23. aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.10. sua pureza m o ral (2 C o 7. (2 Co 7. e não contaminareis a vossa alma por nenhum réptil que se arrasta sobre a terra.A NATUREZA DO PECADO 89 para D eus significa que Ele está total e com p letam en te separado de todo o m al.11 questiona: “Q uem é com o tu entre os deuses? Q uem é co m o tu .20 acrescenta: “Q uem poderia estar em pé perante o SENHOR.P or e x e m p lo : o S a lm o 71. Jr 51.2.35). para os parricidas e m atricidas. 12.16). A t 10.5. sua exaltação (SI 99. terrível em louvores. para os ím pios e pecadores. portanto.”'1 O profeta Isaías declarou: “Mas o SEN H O R dos Exércitos será exaltado em juízo. Êxodo 15. pois que temos tais promessas. glorificado em santidade.1). 78. vós vos santificareis e sereis santos. é Deus zeloso. que vos faço subir da terra do Egito. estavam cheios de olhos.11).10).2. para que eu seja vosso Deus. dizendo: Santo. ao redor e por dentro. operando maravilhas?” Em Levítico 11.27. e não descansam nem de dia nem de noite. Lc 1. Deus é santo por sua própria natureza. para os hom icidas” (1 T m 1.” Em 1 Sam uel 6.12. respectivamente.75). cada um.45 D eus afirma: Porque eu sou o SENHOR.3.9.19 o povo recebeu a seguinte orientação: “Não podereis servir ao SENHOR. Lc 1.35. e Deus. sua ju stiça (Is 5.41).44. e que há de vir. porquanto é Deus santo. Deus tem um braço santo (1 C r 6.9). a Bíblia utiliza um a term inologia que vai nesta lin h a para se referir ao pecado. 29. purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito. e sua ojeriza ao m al (SI 78.3. Paulo exorta: Ora.19). (Ap 4. Is 5. H c 1. Deus está sentado em um trono santo (SI 47. e para que sejais santos. E tam bém : . será santificado em justiça” (Is 5. p o r exem plo. Porque eu sou o SENHOR. vosso Deus. Em Josué 24.” Várias passagens bíblicas falam de D eus co m o sendo “O Santo. Paulo disse: “Sabendo isto: que a lei não é feita para o ju sto. Santo. amados.1 3 e Deus tem um santo lugar (o céu) onde Ele habita. e que é. Jo 6.14). mas para os in ju stos e obstinados. porque não há outro fora de ti. porque eu sou santo.69.19.” No livro de 1 Sam uel 2. A p 21.4. e rocha nenhuma há como o nosso Deus.8).41. Santo é o Senhor Deus. sua onipotência (Ap 4. e duvidaram do Santo de Israel.1) João nos inform a: E os quatro animais tinham. M c 1. o Santo. . porque eu sou santo.22.15.34. para os profanos e irreligiosos.1 4 O Pecado É a Falta de Santidade Se a natu reza m o ral de D eus é o padrão final acerca daquilo que é co rreto . que era.9). o Todo-podemo. M2 C r 30. Na verdade.22.

soberbos. obstinados.33). cruéis. a justiça é algo no qual podemos ser instruídos (2 Tm 3. ainda. dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas. cada manhã traz o seu juízo à luz. nunca falta. 2Tm 3.2). caluniadores.14. a justiça é o “poder de majestade” do domínio de Deus (Hb 1.” Oitavo.6): “[Deus] O qual recompensará cada um segundo as suas obras.17). deu aos pobres. não se sujeitaram à justiça de Deus” (Rm 10. perseguir (2Tm 2.31): “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo. ele não comete iniqüidade.” Quarto. os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.12). a justiça recompensa a todos de acordo com as suas obras (Rm 2.7). ela é também uma das suas características comunicáveis e que pode ser possuída pelas suas criaturas.8): “Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. a justiça sempre permanecerá (2 Co 9.3).90 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Porque haverá homens amantes de si mesmos. a sua justiça permanece para sempre. e.” Quinto. ao declarar: “Deixe o ímpio o seu caminho. díkaiosune do grego) são utilizadas. sem amor para com os bons.18).9): “O temor do SENHOR é limpo e permanece eternamente. ter sede (Mt 5.3).” Nono. Logo. a justiça é o padrão final de julgamento (Atos 17. algo que devemos buscar (Mt 6. a justiça é a base para os galardões dos crentes (2Tm 4. A Bíblia fala do pecado como maldade ou injustiça. blasfemos. a justiça não faz injustiça (Sf 3.8): “Desde agora.” Segundo. e não somente a mim. presunçosos.6). por meio do varão que destinou. sem afeto natural. a justiça envolve as ordenanças verdadeiras de Deus (SI 19.14): “Justiça e juízo são a base do teu trono.” Sexto. mas também a todos os que amarem a sua vinda. e por fim.” O Pecado É Injustiça Mesmo sendo a justiça um atributo moral de Deus.” Terceiro. a qual o Senhor. a justiça é a base do trono de Deus (SI 89. Primeiro.5): “Moisés descreve a justiça que é pela lei. no meio dela. Paulo. e o homem maligno. ou ainda. orgulhosos. A base bíblica para a justiça de Deus pode ser encontrada nas várias formas como as palavras ( tsadaqah do hebraico e dikaío. profanos. traidores.7). não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça.2-5) Deus E Justo Ser justo significa ser “reto” ou “correto. algo que devemos praticar (ljo 3. incontinentes. a coroa da justiça me está guardada. ingratos.5): “O SENHOR é justo. mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. (2T m 3. justo juiz. por fim. mas negando a eficácia dela. nos submeter (Rm 10. ser escravos (Rm 6. misericórdia e verdade vão adiante do teu rosto. tendo aparência de piedade. a justiça é revelada na lei de Deus (Rm 10.” Quando utilizado para se referir a Deus o termo justo diz respeito à característica intrínseca pela qual Ele é absolutamente justo ou reto e que é o padrão final de justiça e retidão. desobedientes a pais e mães. avarentos. Destes afasta-te. me dará naquele Dia. irreconciliáveis. Paulo escreveu a respeito dos seus irmãos judeus: “Porquanto. sofrer (1 Pe 3.9): “Conforme está escrito: Espalhou. acrescenta: . os seus pensamentos” (Is 55.” Sétimo.

” “preparar. para que apresentem os todo h o m em perfeito em Jesus Cristo” (C l 1. “O SENHOR aperfeiçoará o que me concerne. que é traduzido com o “co m p le to . u m conceito sim ilar que pode ser traduzido p o r “integralidade” e “perfeição”. kalil. perfeitos.48). “Na caridade. tam. “Tens tu n otícia do equilíbrio das grossas nuvens e das m aravilhas daquele que é perfeito nos conhecimentos”? (Jó 37. nem os adúlteros. pela sua própria natu reza. descendo do Pai das luzes.9. que significa “co m p le to . deixando os ru dim entos da dou trin a de C risto. nem os efeminados.48) por m eio da busca da sua vontade perfeita (R m 12.10). 2 Sm 22. prossigamos até a perfeição” (Hb 6. Assim. que significa “co m p leto .A NATUREZA DO PECADO # 91 Não sabeis que os in justos não hão de herdar o Reino de Deus? Não erreis: nem os devassos. p o rém . considera com o inju stiça: tu do aquilo que não atinge a sua retidão absoluta. devem os nos conservar “firm es. teleiotes. que está nos céu s” (M t 5. E m sum a.8). não desampares as obras das tuas m ão s” (SI 138.” “aperfeiçoar”.” “aperfeiçoar.” “p erfeito. e katartizo. porque fizeste maravilhas. e o padrão ilibado de perfeição absoluta do D eus Santo claram ente não poderá ser atingido . tu és o m eu Deus. que é expresso por palavras co m o completo.1). quando vier o que é perfeito. Esta excelência ilibada de D eus é expressa por interm édio de várias palavras hebraicas que são traduzidas para o português com o perfeito ou perfeita: tamim. conclui-se que tudo aquilo que é im perfeito é pecam inoso por natureza.10) Esta lista m o stra explicitam ente o que Deus. “Mas. exaltar-te-ei e louvarei o teu nom e.” “inculpável. “[Ele] a quem anunciam os. que significa “in teiro. antes.1). agradável e perfeita vontade de Deus" (R m 12. Deus E Perfeito Deus é to talm en te perfeito em m oralidade — im pecável. o que o é em parte será aniquilado” (1 C o 13.” “são.” “sem m an ch a”. As palavras gregas para perfeito são teleios.. “Sede vós.” “inculpável. nem os idólatras.31).18)..2): “Pelo que.” Deus é perfeito em todos os sentidos (D t 32. perfeitos e consum ados em toda a vontade de D eu s” (C l 4. e m q u e m não há m udança. nem os avarentos.28).16). acabado e inculpável. nem os bêbados. nem os roubadores herdarão o Reino de Deus. (1 Co 6. n em som bra de variação” (Tiago 1. pois. O Pecado É Imperfeição Moral C o m o a natu reza m o ral de Deus é o padrão da perfeição. nem os ladrões. que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera [.] este tal será bem -aventurado no seu feito ” (T g 1.” “p erfeito”. a Bíblia exo rta os crentes à perfeição (M t 5.” ornen.” “perfeito.” “m ad u ro”.2). “Para que experim enteis qual seja a boa. A lém disso. é para sem pre. então. ó SEN HOR.7). teleioo.” “perfeito.17). a perfeita caridade lança fora o te m o r” (1 Jo 4. os teus conselhos antigos são verdade e firmeza” (Is 25. nem os maldizentes. adm oestando a todo h o m em e ensinando a todo h o m em em toda a sabedoria. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto. e tamam.12).” “seguro. que significa “co m p letar. intenções ou ações im perfeitas são pecam inosos. “A lei do SENHOR éperfeita e refrigera a alm a” (SI 19. que carrega a idéia de “levar a u m fim .” “ínteg ro. não ha tem or.” “co m p letar. shaletn. nem os sodomitas. pensam entos.” “inculpável”. a tua benignidade. “O SEN H OR. co m o é perfeito o vosso Pai. “Aquele.25).4. traduzido com o "p erfeito” e “fiel”. significa “co m p le to .

2).” “ser fervoroso. precisamos cultivar o primeiro e abandonar o segundo. verdadeiro e imutável — da mesma forma que deveríamos ser. pela sua terra santa (Jl 2.13). Acima de tudo.” “ficar irado a respeito de. co n tin u a . Este cuidado protetor (o zelo. e é igualmente pecado sermos invejosos ou cobiçosos com aquilo que Ele não nos deu. a Cristo” (2 Co 11. (3) Assim. de Deus sempre é bem direcionado porque sempre se trata de algo que lhe pertence (SI 24. Deus É Zeloso Esta palavra fala de uma característica essencial.22). amoroso e moralmente perfeito. (4) Tudo o que é supremamente santo. ou seja. Deus é zeloso pela sua natureza santa.16) e a outros pecados (1 Rs 14. A palavra bíblica equivalente a zeloso ( kannaw) significa “ser desejoso de. quanto do incorreto.” “ser ardentemente devotado a. O zelo correto é a valorização e a preservação daquilo que nos pertence.14). às imagens (SI 78. indignação (Zc 8. porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido.92 H TEOLOGIA SISTEMÁTICA pela carne humana. mas somente pela capacitação quem vem de Deus (Fp 2.” O zelo.” O termo básico no grego (zeloo) significa “ter uma grande afeição para com.” “desejar seriamente.58). Pecado É a Ausência do Zelo Divino e a Presença do Zelo ímpio (a Inveja) Com relação aos seres humanos.” “exercer juízo em função de. Deus é unicamente e supremamente santo. amoroso e moralmente perfeito.14. (6) Portanto. 15V id e p a rte 2. o marido e a mulher pertencem um ao outro de tal maneira (cf. como o casamento é ordenado por Deus. Deus é zeloso por tudo aquilo que lhe pertença de direito. e até mesmo reveladora que faz parte do seu nome (Ex 34. De maneira semelhante. pela sua singularidade: (1) Deus é único e supremo.14).20). A Bíblia descreve a oposição séria que Deus faz aos ídolos (1 Co 10. 1 Co 7. pelo seu povo santo (Zc 8. Deus está totalmente justificado no seu zelo (cf. Deus é zeloso pelo seu santo nome (Ez 39. Deus é zeloso por tudo aquilo que é certo. as Escrituras falam tanto do zelo correto. Ex 34. amoroso e perfeito deve ser preservado com o mais elevado dos zelos. “S alv ação .18) e pela sua cidade santa (Zc 1. Paulo era zelosamente apaixonado pela Igreja: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus. (2) Deus é santo. 16 M e sm o a q u ilo q u e D eu s co n fia ao cu id ad o de o u tr a p essoa. ao passo que o zelo incorreto é ser exigente e assumir uma atitude de possessividade para com aquilo que não nos pertence.1 6 O zelo de Deus tem uma conotação de ira (Dt 29. que chega a se confundir com um ciúme) não é um mal inerente. ou cuidado.25).4) e estão corretos em zelarem na proteção do seu amor.14).” lh e p e rte n c en d o .” “ter zelo por. tudo aquilo que Ele criou.1 5 Os seres humanos são totalmente depravados.1).19-22). a outros deuses (Dt 32. E pecado não cuidarmos daquilo que Deus nos confiou.2).13). o seu zelo se levanta contra o pecado. Por exemplo.2) e fúria (Is 42. a saber. Nm 5. e m ú ltim a in stâ n cia . que é uma violação da sua natureza perfeita. (5) O zelo de Deus é o seu zelo no sentido de preservar a sua própria santa supremacia.

Na verdade.7-10) A caridade é sofredora. . que é riquíssimo em misericórdia. pelo seu muito amor com que nos amou. não busca os seus interesses. que excede todo entendimento.” então D eus é bom .16). também com amável benignidade te atra í” (Jr 31.2). e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. não suspeita mal. Nisto está a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus. para que por ele vivamos. não se irrita. em oferta e sacrifício a Deus. éTodo-bondade (ou “o nibenevolente”). não se porta com indecência. tudo crê. permanecem a fé. utilizado para Deus. m as te n h a a vida e te r n a ” (Jo 3.43-44).5). “E andai em am or. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho umgênito. tudo suporta.4-8. Q u em n ão am a os seus irm ãos cren tes não am a a D eus. Amados. com o tam bém Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós. utilizada para se referir ao am or divino.17). “[Quero que vocês venham a] conhecer o amor de Cristo. mas folga com a verdade. verdadeiram ente. mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. “Mas Deus. Na verdade. Biblicam ente. fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos m a ltra ta m e vos p erseg u em ” (M t 5. Nisto se manifestou a caridade de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo. Pois quem não am a seú irm ã o . A lei disse: “N ão aborrecerás a teu irm ão n o teu c o ra ç ã o ” (Lv 19. é benigna. poderoso para te salvar. significa am or “n ão-egoísta” ou “sacrifical. e ainda acrescen tou : “O uvistes que foi dito: A m arás o teu p ró xim o e aborrecerás o teu inim igo. “Porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração p elo Espírito S an to que nos foi d ado” (R m 5. a esperança e a caridade. para que todo aquele que n ele crê não pereça. a caridade não é invejosa. Ele é a própria bondade. vos digo: A m ai a vossos inim igos.3). não se ensoberbece. “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós. (1 Jo 4. e nós devemos dar a vida pelos irm ãos” (1 Jo 3. em cheiro suave” (E f 5.A NATUREZA DO PECADO # 93 Deus É Amor A Bíblia fala que “Deus é a m o r” (1 Jo 4.] Agora. estando nós ainda m ortos em nossas ofensas. tudo espera. porque Deus é caridade. ele se d eleitará em ti co m alegria.19). estas três. a qu em não viu?” (1 Jo 4. Se o am or fo r definido co m o “aquele que deseja o bem para o seu depositário. para que sejais cheios de toda a plenitude de D eus” (E f 3. Deus. sendo nós ainda pecadores” (R m 5. “ Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos cham ados filhos de D eus” (1 Jo 3. bendizei os que vos m ald izem .17). p o rém . co m o pode am ar a D eus.” A palavra grega agape. amemo-nos uns aos outros. Eu. dizendo: Com amor eterno te amei. é m en tiroso. porqu e “Se alguém diz: Eu am o a D eus e aborrece a seu irm ão.16). (1 Co 13. nos vivificou ju n tam en te com Cristo (E f 2. não folga com a injustiça. “Conhecemos a caridade nisto: que ele deu a sua vida por nós. pois. reg ozijar-se-á em ti co m jú b ilo (S f 3. A caridade nunca falha [.13) Pecado É Falta de Amor Se Deus.1). Aquele que não ama não conhece a Deus. “O SEN H O R.” “Há m u ito que o SEN H O R m e apareceu. significa “amável benignidade” ou “suave e am ável benignidade.37). tudo sofre. o term o hebraico básico para “a m o r” ( chesed).8). está n o m eio de ti. que é o nosso padrão final de moral.. mas a maior destas é a caridade. Jesus disse que o am o r seria o m a io r b em m o ra l (M t 22.16).. ao qual viu. a caridade não trata com leviandade. é amor. teu D eus.4-5). porque a caridade é de Deus.20). então faltar com amor é pecado. calar-se-á por seu amor.

o que é a segunda morte” (Ap 21.13). “Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro” (1 Jo 4. a caminhar na sua verdade (SI 86. a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre.13). 17V ide v o lu m e 1.18).4). são dignas de confiança. para que minta. para que se arrependa. não pode mentir (2 Co 1.4). Deus é verdadeiro. 18 O p eca d o da m e n tira p ode ser c o m e tid o p o r a ção ou p o r om issão. e aos idólatras e a todos os mentirosos. .25). porventura.4). para servir ao Deus vivo e verdadeiro” (1 Ts 1. por corresponder à realidade (aos fatos.9). SI 117.1 8A Bíblia nos ordena a: “Não mintais uns aos outros.35). podemos ter a segurança da nossa salvação (2 Tm 2.” “confiável.” A verdade. tenhamos a firme consolação.16). conforme ensinada pelas Sagradas Escrituras. e aos homicidas.” “real.6). Pecado É a Falta da Verdade Como já vimos. Os mentirosos incorrem em juízo eterno: “Mas.19). SENHOR. ca p ítu lo 7. ao original). Como Deus é fiel.9). a estudar diligentemente a sua verdade (2Tm 2. a Bíblia nos exorta a sempre falar a verdade (Ef 4.” “confiável. quanto aos tímidos.13). nós.” “fiel. mas Deus é apropria verdade: “Deus é a verdade” (Dt 32. e a sua palavra não poderá passar (Mc 13. cf.” Quando utilizada a respeito das palavras. a adorá-Lo em verdade (Jo 4. e a orarmos para sermos guiados pela verdade (SI 25. Hb 6. fiel e estável.24). não é digna de confiaça.17).6). “Aquele Espírito da verdade.15. Deus da verdade” (SI 31. é confiável. a servi-Lo em verdade (ISm 12. portanto. testificará de mim” (Jo 15. As criaturas têm a verdade. e todas as suas obras são fiéis (SI 33.” “estável. Afirmações verdadeiras são aquelas que correspondem à realidade e. “E como dos ídolos vos convertestes a Deus. que procede do Pai.32). e a vida”. significa “aquilo que. se a natureza de Deus como sendo a própria verdade é o padrão final da justiça.18.2). “Porque a palavra do SENHOR é reta.” A palavra grega para verdade ( aletheia ) significa “verdadeiro. santificados (2 Ts 2. “Eu sou o caminho. O Diabo é o pai de todas as mentiras (Jo 8.44). Falsas expressões não correspondem à realidade. portanto. Pela sua própria natureza. Assim. por outro lado. já Deus. e aos abomináveis. de que somos salvos (Ef 1. A mentira é pecaminosa e é claramente proibida nos Dez Mandamentos: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Ex 20.8).” “correto. diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” (Nm 23.11).24). “Para que por duas coisas imutáveis. Jo 17.5). “Deus não é homem. e aos incrédulos. e aos feiticeiros. os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta” (Hb 6. e que estamos firmados para todo o sempre (SI 117.17 Em contraste. Tt 1. então faltar com a verdade é pecar. a verdade está dizendo que elas são o que são.21) a qual.94 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Deus É Verdade A palavra hebraica para verdade ( emeth) significa “firme.3. nas quais é impossível que Deus minta. “Tu me remiste. libertos (Jo 8.2). e a verdade.26). Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14. de que estamos protegidos (SI 91.18). pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos” (Cl 3.” “correto. podemos confiar nas suas promessas (SI 89. e aos fornicadores.2. a mentira é dizer as coisas de forma que não corresponda à realidade (1 Jo 2. nem filho de homem.5).

é impossível conseguirm os agradar a Deus em nossa carnepecaminosa. Paulo declarou: “Porque eu sei que em m im . Paulo disse: “Posso todas as coisas naquele que m e iDrtalece” (Fp 4. senão humana. segundo a sua boa vontad e” (Fp 2. à medida que isso violaria a sua própria essência de realidade e verdade. e “Deus. “Mas todos nós somos com o o im undo. depois. não habita bem algum . pode passar despercebido ou im pun e diante do Criador. Jesus disse: “Sem m im nada podeis fazer” (Jo 15. D eus não poderia ter rebaixado ou dim inuído o seu padrão m o ral final — que é a sua própria natureza. ele não foi tentado em questões m orais corriqueiras. c a p ítu lo 19. de fato. não pelas obras de justiça que houvéssem os feito. Afinal. isto é. o pecado. aquilo que é impossível? A resposta está na sua graça capacitadora. mas não consigo realizar o bem” R m 7. antes.2 1 A lém disso. e todas as nossas justiças. Deus poderia ser acusado de ter criado criaturas im perfeitas. então. C o m o Ele é a personificação da própria santidade. segundo a sua m isericórdia” (T t 3. Sim . n a m inh a carne. m esm o depois da Queda. O Conteúdo da Objeção — Parece Impossível Escapar do Pecado A luz do padrão absoluto de perfeição divina. 20 V id e c a p ítu lo 1. Na verdade. com efeito. nosso Salvador.13). Aquilo que não podem os fazer por m eio de nossa própria força. poderem os realizar pela graça de Deus: “Porque D eus é o que opera em vós tan to o querer co m o o efetuar. Ele é incapaz de olhar para o pecado (Hc 1.13). . sob o títu lo “As C o n d iço e s O r ig in a lm e n te C riad as. mas. os seres hum anos eram capazes. mas fiel é Deus. (1 Co 10.13) C onseqüentem ente. para com os hom ens.18). sob o títu lo “A N atu reza M etafísica d o P ecad o ” b e m c o m o n o V o lu m e 2. em nosso estado decaído e pecador. 2 T m 2. com o trapo da im undícia” (Is 64.20 Antes da Queda.13).1 9 C om o já ficou dem onstrado.5). em si.” 21 V ide a cim a . e.6).13). e por si m esm o. Resposta a esta Objeção Em prim eiro lugar. que vos não deixará tentar acima do que podeis. com a tentação dará também o escape. pode ser ju sto que Deus exija de nós. a qual não pode ser m odificada Hb 6. Não veio sobre vós tentação. argum enta-se que é irracional exigirm os que seres hu m anos m ortais sejam capazes de alcançá-lo. m esm o em nosso estado decaído é possível levarm os um a vida ianta — a qual se desenvolve em nós quando aceitam os a graça salvadora e capacitadora 5 V ide c a p ítu lo 3.5). de fo rm a algum a. Se não tivessem recebido esta capacidade. Com o.A NATUREZA DO PECADO <p 95 UMA OBJEÇÃO À DOUTRINA DA PECAMINOSIDADE HUMANA Existe u m a objeção significativa a esta dou trin a da pecam inosidade hu m ana: alega-se que u m padrão tão elevado e m ajestoso é im praticável aos seres hum anos.18. culpando os seres h u m anos por não conseguirem se adequar. de atingir ao padrão absoluto de perfeição estabelecido por Deus. o querer está em m im . para que a possais suportar. Adão fo i criado com a capacidade de aderir a este padrão de perfeição absoluta quando foi divinam ente agraciado com a justiça original. Deus está ordenando o impossível e. mas na possibilidade de obedecer ou desobedecer a Deus naquilo que o Criador já lhe havia determ inado para fazer.

Portanto. dessa forma. e não sejam capazes de executar algo diferente daquilo que lhes foi designado. ANF. e o que Ele não deseja. com ênfase na sua natureza originada nas ações livres. não é. de forma que não podem ser diferentes da forma com que as ordenou. e quando elas cumprirem este serviço. As citações a seguir ilustram a unidade e continuidade desta convicção a respeito da depravação humana. não pelas nossas próprias forças. dever implica poder — e nós podemos. (KOC in Robertus e Donaldson. e que tem a livre-escolha de fazer o que bem entenderem. todas as coisas que se movem são divididas em duas partes. e castigos aos que procederem mal.22 A BASE HISTÓRICA ACERCA DA NATUREZA DA PECAMINOSIDADE HUMANA Ao longo da história da igreja cristã. tudo o que Deus deseja é. e na sua corrupção (ou privação) do bem perfeito que Deus criou.24) Algumas coisas. nas quais existe o poder do arbítrio.. no seu serviço. porém. sa n tifica çã o e g lo rifica çã o . 3. so b re “ju stific a ç ã o . quanto o mal e. receberem recompensas ou punições.. mas pela sua graça. Deus jamais nos ordena a fazer o que é impossível de se fazer.215 d.. o Criador de todas as coisas. mas àquelas que ele desejou atribuir o pode de fazer o que desejarem. os seus maiores mestres têm afirmado a natureza terrível do pecado humano em contraste com a maravilhosa perfeição de Deus.] organizou-as de acordo com a sua vontade. Ele [Deus] assim o quis. por que Ele haveria de criar seres que. como já disse. nem punições.96 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA de Deus. Os Pais Pós-Apostólicos O ensino bíblico acerca da natureza do pecado está presente nos escritos dos Pais do período primitivo da Igreja.” . conforme ele mesmo poderia antever. sugerir algo diferente seria atribuir irracionalidade àquele que é a Fonte última da própria racionalidade. como já lhes havia informado. (ROC in ibid. elas realizam tanto o bem. que [. será que o Criador não sabia previamente que aqueles a quem criaria haveriam de cair na maldade?” Ora. Ele destinou.C . como já disse. Ele propôs recompensas para aqueles que procederem bem.) O homem dirige os movimentos voluntários da suas próprias ações. de acordo com a distinção que lhes apresentei anteriormente. e para estas Ele não atribuiu nem recompensas. preserva-as. portanto. Como já vimos. Clemente de Alexandria (150-C . VIII. Estas. não permanecem sempre na ordem como foram criadas. mas de acordo com a direção que a sua própria vontade lhe dá. Existem outras coisas. de acordo com as ações que executarem com base na sua vontade. para que. desviar-se-iam do caminho da justiça? 22V id e p a rte 2. existem certas coisas que foram criadas para este fim. Vm.3. E.25) Vós me confrontareis dizendo: “Mas mesmo que cheguemos a esta conclusão por meio do livre-arbítrio. elas estejam sujeitas à necessidade. e com o juízo que a sua mente lhes inclina.

no desejo de completar o número e a medida da sua criação.51) Tertuliano (c. para caminhar no bom caminho da vida.8.C . tivesse tido medo da impiedade daqueles que seriam criados e.. então. desistir do propósito de criar por medo que a impiedade dos futuros seres fossem a Ele atribuídas. apesar de ser incrédulo quanto as coisas do porvir.) Eles [os hereges] dizem: “Olhai como Ele reconhece a Si mesmo como sendo o Criador do mal na passagem E u faço a paz e crio o mal’ (Is 45.. Eles tomam uma palavra que num sentido único reduz à confusão e à ambigüidade duas formas de males (porque tanto o pecado quanto o castigo são chamados de males). todo homem. não prevaleceu sobre a bondade do Criador. por outro lado. Pois se Ele. (ROC in ibid. por meio da separação dos males do pecado dos males penais. para desfrutar as coisas boas e incorruptíveis. dessa forma. 1II. fica claro pelo testemunho dos diversos males .) Pela liberdade da vontade. temer os atos dos seres ainda não criados.C. 225 d. o que isto denotaria. fazemos uma distinção entre os dois significados da palavra em questão e. Os Pais da Igreja Medieval Começando por Agostinho e finalizando com Tomás de Aquino. que deveria.) Que a raça humana inteira foi condenada na sua primeira origem. e consideram que em cada passagem ele deve ser considerado como o Criador de todas as coisas ruins. preferisse. a exemplo de alguém que não conseguisse encontrar outra forma de remédio ou cura.2.A NATUREZA DO PECADO # 97 Portanto. formalmente. se é que isto deve ser chamado de vida. deve [além disso] ser admirada. VIII. a fim de que possa ser considerado o próprio autor do mal. o que dizemos às pessoas que fazem este tipo de pergunta é que este tipo de afirmação da nossa parte serve para mostrar porque a impiedade daqueles que foram criados de outra forma. por meio do pecado. Deus é.7)”.14). que devem a sua existência à incredulidade. 155-c. Portanto a dispensação da divina providência. de forma que uma classe deve ser considerada como moralmente ruim.2. e a outra como sendo parte do agir da justiça ao passar sentenças penais contra os males do pecado. eles acabaram por proporcionar o surgimento do mal. os mala culpae dos mala poenae. senão um sofrimento indigno e uma fragilidade incomparável da parte do Criador. declarado como o Criador. Nós. (FBAM in ibid. só que ao pecar. confinamos cada uma das categorias ao seu devido autor — o Diabo como autor dos males do pecado ( culpae) e Deus como o criador dos males penais (poenae). Da última classe de males que são compatíveis com a justiça. E estas são as coisas no mundo que parecem ser feitas em oposição à ordem. a ponto de desistir do seu intento de criar? (ROC in ibid. que foi concedido aos homens no princípio. pelas suas obras más acaba cometendo males. os grandes teólogos da Idade Média enfatizaram os mesmos temas da natureza do mal como uma privação das boas naturezas que Deus havia proporcionado ao conceder o livre-arbítrio às suas criaturas.2. isto é a própria vida. Agostinho (354-430d.

3. mas sim um dom de Deus. intrigas. porque [eles serão] libertos do deleite no pecado para ter um deleite inabalável [na bondade de Deus] na abstinência do pecado. perfídias. guerras. mas. crueldades. não deve ser uma capacidade natural. ou não é. dores e medo? Não fica provado pelo amor que o homem tem por tantas coisas fúteis e nocivas. vide c a p ítu lo 3.. mas aquele que partilha dele não recebe dele esta capacidade..3). ( OFW. Pois uma é coisa é ser Deus. ferocidades. luxúrias. e neste caso não saímos da raiz do mal. medos. apesar de ser. obtém as primeiras e melhores coisas do homem. Entretanto.. não pode pecar. por si mesmo e principalmente. Ou. por exemplo. processos judiciais. a vontade que passa do bem imutável e comum para o seu próprio bem particular ou para qualquer coisa que seja externa ou inferior.98 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA cruéis com os quais esta vida está repleta.] [que] o livre-arbítrio deva ser eliminado. Pelo contrário. Portanto o mal também será duplo. iras. incestos e inumeráveis impurezas e atos não naturais de ambos os sexos? (C. ou de qualquer 23 Para u m a ex p lica çã o d a razão da su p eriorid ad e d esta liberdade. falta de vergonha. somente um bem intermediário. e neste caso não há pecado nela. que produzem cuidados distorcidos. adultérios. 2. 30) Os nossos primeiros pais caíram em desobediência aberta porque j á estavam secretamente corrompidos. sob o títu lo “A N a tu re z a d a Liberdade H u m a n a n o C é u ” e a “Liberdade Para Se F azer S o m e n te o B e m N ão S ig n ifica U m a P erda d a Liberdade R e a l. entretanto.49) Tomás de Aquino (1225-1274) “A ausência do bem. E qual é a origem da nossa vontade maligna. preocupações. o segundo ato é a sua operação. (ibid. é um mal. impiedades. [e é] outra coisa ser um participante de Deus. Será que isto não fica provado pela ignorância profunda e terrível que gera todos os erros que envolvem os filhos de Adão. assassinatos. ódios. já que ele não será capaz de pecar.2 3 Isto. O primeiro ato é a forma e a integridade de algo. XXII. ambições. além disso. insolências. Deus. é pecado. prazeres dissolutos. fornicações. A vontade que dá passagem ao bem imutável que é comum a todos. ele será ainda mais verdadeiramente livre. por natureza. roubos. orgulhos. na verdade. enganos. O mal [. (CG. visto que esta última liberdade de arbítrio deve prevalecer. a privação da visão causada pela cegueira” (ST. fraudes. considerada em um sentido particular [negativo]. por o ato mau jamais teria sido executado. assaltos. se não for o orgulho? Pois “o orgulho é o princípio do pecado” (C. por si mesma. ou a causa original existe sem o pecado. 48.22) Tampouco devemos supor que em função do pecado não ter mais poder de nos proporcionar deleite [.13). O Ato.] é a privação do bem. como. a vontade é. em uma capacidade de exercitar o pecado. consiste em uma perfeição e um ato. o qual.. a causa original do pecado. 22. Pois a primeira liberdade de arbítrio que o homem recebeu ao ser criado íntegro consistia na capacidade de não pecar. invejas. por si mesma. Logo.” .53) Que causa do querer poderia preceder o próprio querer? Ou é uma vontade. é duplo: o primeiro e o segundo. caso uma vontade maligna não o tivesse precedido. Por um lado ele ocorre pela subtração da forma. lisonjas. e dos quais nenhum homem consegue se libertar sem penas.. sofrimentos. traições. impudências. parricídios. 14.

o assassinato. que se estendem a todas as partes da alma. Portanto. viver na mentira e fora da realidade é viver separado de Deus e ser nada. e males ainda maiores do que aqueles que ele consegue sentir.A NATUREZA DO PECADO # 99 parte solicitada na integridade deste algo. pois se tivesse que nos levar ao pleno conhecimento do nosso mal. as raízes desta ênfase foram tomadas dos grandes mestres medievais que os antecederam. apesar de em várias passagens das Sagradas Escrituras. 1. o ódio. Paulo denomina. 45) . ele teria uma experiência do que é o inferno. (OCD. as quais. pois há um inferno dentro dele próprio. 48. igualmente.115) João Calvino (1509-1564) O pecado original. por sua livre-vontade.19).8) Filipe Melanchton (1497-1560) É muito necessário reconhecermos que o pecado não é causado por Deus. E se ele tivesse que sentir estes males. 1. pode ser definido como uma corrupção hereditária e uma depravação da nossa natureza.” ( ICR . as orgias. Deus é um inimigo implacável e um castigador de qualquer tipo de pecado. e até mesmo pelo próprio Paulo. o roubo. tal qual a cegueira é um mal. pode ser maior que os males que já estão no seu íntimo. quando Deus na sua misericórdia nos castiga. sem qualquer tipo de coação por parte de Deus. dos quais se destaca Agostinho. Martirtho Lutero (1483-1546) Nenhum sofrimento na experiência de um homem. em um segundo momento. produzem em nós obras que as Escrituras denominam de obras da carne. mesmo que não seja tão intenso. (WL. Ao contrário. “Todo homem no melhor do seu estado não passa de vaidade. num primeiro momento. Você me pergunta como isto pode ser assim? O profeta diz: “Todos os homens são mentirosos”. tampouco impele ou leva alguém a pecar. II. ou como também é um mal estar na falta de algum membro do corpo.. bem como a impossibilidade da sua redenção sem a graça de Deus. Dentro do homem existem muito mais males. As fontes do pecado são a vontade do homem e a vontade do Diabo! Primeiramente os Diabos e depois os próprios homens.4) Os Líderes da Reforma Apesar de os Reformadores terem enfatizado a abrangência e a profundidade da depravação humana. fazem-nos arredios à ira de Deus e. portanto. e mais uma vez. abandonaram Deus e se entregaram ao pecado. ao passo que as obras que dela procedem. de frutos do pecado. Deus não tem qualquer prazer nele. não o deseja. Ele nos revela e derrama sobre nós somente os males menores. estas também sejam designadas como “pecados. tais como o adultério. e é exatamente isso que é estar no inferno e condenado. (ibid. nada faz para que ele seja cometido.” Mas ser um mentiroso e um poço de vaidade significa viver na mentira e fora da realidade. cairíamos instantaneamente fulminados. afornicação. Esta corrupção é repetidamente designada por Paulo pelo termo “pecado” (G15.

foram: (1) a vergonha. levando-nos à morte espiritual. Diz-se que homem algum se torna completamente depravado por uma transgressão somente. que representa para nós a escuridão eterna. Uma tendência ao pecado é uma inclinação ao pecado. Trata-se de uma propensão do coração. A possibilidade de pecar é inocente. uma sensação de degradação e poluição. 615-19) CONCLUSÃO As condições originalmente criadas para a humanidade. até mesmo o nosso altruísmo passa a ser feito com o objetivo de fazer com que nos sintamos bem. . T. no qual a humanidade foi introduzida. era análogo ao dos anjos decaídos. o qual contaminou toda a humanidade. II. eram perfeitas. (2) Um pavor da desaprovação de Deus. a tendência ao pecado é pecaminosa. Chegamos ao ponto de não conseguirmos mais empatizar com os outros porque a única coisa com a qual nos preocupamos somos nós mesmos. porque precisamos ser livres para fazer tudo aquilo que desejamos. Quando esta condição decaída é vista à luz da natureza 24Vide capítulo 3. a esposa ou o marido. tornou a posteridade de Adão humanamente (mas não divinamente) irrecuperável.]. tendo sido obra de Deus. Ele ficou total e absolutamente arruinado.IV. no que diz respeito à sua condição subjetiva. e com ela a perda do favor e da comunhão com Deus. Contudo. O estado posterior de pecaminosidade. manchando terrivelmente a criação imaculada de Deus. Num sentido isto é verdade. é equivalente a um ferimento no coração que causa a morte do corpo. II. por causa do uso ilícito do livre-arbítrio. ou a casa de outra pessoa.VII) William G..100 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA O s Mestres do Período Pós-Reforma Os resultados dos ensinamentos do período pós-reforma continuam a reverberar até o período contemporâneo. Portanto. (CT. Eles provam não somente a perda da inocência como também da justiça original.. Rejeitamos a autoridade. embora talvez não tenha sido exteriormente exercido.2 4 o pecado teve o seu lugar neste nosso mundo. desejamos o carro. porque se tudo o que somos visa a auto-satisfação. enfatizando a natureza hedionda do pecado que é resultado do mau-uso da liberdade por parte de Adão. o estado ao qual Adão foi reduzido em função da sua desobediência. porém uma transgressão que desperta a ira e a maldição de Deus e que gera a perda da comunhão com Ele. como também os nossos relacionamentos. Tornamo-nos incapazes de amar ao próximo. bem como as criadas na humanidade. (DT.) A nossa natureza pecaminosa não somente nos afeta como indivíduos. e uma disposição da vontade. (ST. ou uma sensação de culpa. e o conseqüente desejo de se esconder da presença de Deus. Shedd (1820-1894) A tendência ao pecado implica que a origem ou o poder autodeterminante foi internamente exercido. Estes efeitos foram inevitáveis. Tornamo-nos competitivos.150n) M illard Erickson (nascido em 1 9 3 2 /[. Charles Hodge (1797-1878) Os efeitos do pecado sobre os nossos primeiros pais. ou a uma perfuração nos olhos.

Tomás de Aquino. ela não é intensiva. pois não chega a aniquilar a hum anidade de u m a pessoa. João. 36. R m 1. Five Books Against Marcion. Schaff. de dar início. Philip. M elanchton. Alexander e Jam es D onaldson. Confissões. -------. -------. o pecado se estende a todas as partes da natu reza hu m ana. Summa Theologica. ou de alcançar a salvação. Os seres hu m anos decaídos foram claram ente criados à im agem de D eus (G n 9. Luther. Tg 3. Recognitions o f Clement. Se este aniqu ilam ento fosse possível. são tam bém capazes de aceitar o evangelho e serem salvos. W illiam G. com o verem os adiante. incluindo-se aqui a m en te. On Christian Doctrine. C lem ente de Alexandria. History o f the Christian Church. -------.A NATUREZA DO PECADO ® 101 absolutam ente perfeita de D eus — que é o padrão final de pureza e santidade — o contraste m arcan te revela a im agem horrível da depravação hum ana. The History o f the Christian Church. apesar da depravação total ser abrangente. M illard. ou seja. Systematic Theology. T.. E.6.. esta pessoa não seria capaz de pensar. estendendo-se a todas as partes do ser hu m ano. a pessoa não poderia pecar. Christian Theology. sob a sutil influência do Espírito San to . e sem a capacidade racional e volitiva. -------. Tertu liano. u m a im agem que foi obscurecida. eles têm a capacidade de rejeitá-la (Jo 3.18.. . Two Souls. Dogmatic Theology. X en h u m a faceta do nosso ser está im u n e à influência difusa do pecado. de sentir ou de fazer as suas escolhas. a vontade e as em oções. mas não erradicada pelo pecado. A Cidade de Deus.25 FONTES A gostinho. On Free Will.9).18).. Hodge Charles. Apesar de os seres hu m anos serem to ta lm en te incapazes. Shedd. Os seres hu m anos são to ta lm en te depravados. M artin. The Works o f Luther. The Ante-Nicene Fathers. Erickson. Institutas da Religião Cristã. Todavia. por suas próprias forças. Philip. cf. Against the Manichaeans. Calvino. R oberts.

Existem três tipos de m o rte: a espiritual. m orrid o eternamente. e coseram folhas de figueira. ele experim entou o isolam ento espiritual de Deus.8) A dão veio a fa le c e r fisica m e n te c o m idade de 930 an os (G n 5 . os quais. Eles tam bém com eçaram a m o rre r fisicamente naquele m esm o dia.15). e fizeram para si aventais.3 D A Morte Espiritual A m o rte é a separação de Deus. que passeava no jardim pela viração do dia. (Gn 3. Adão e Eva m o rreram espiritualmente no m o m en to em que pecaram . do qual não podem os escapar e reverter sem o auxílio divino (vide capítu lo 4). in d u b ita v e lm e n te . F in a lm e n te . e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus. a p a re n te m e n te .2). Isaías declarou: “Mas as vossas iniqüidades fazem divisão en tre vós e o vosso Deus.7. A lém disso.2 5 ).üi CAPÍTULO ________ CINCO OS EFEITOS DO PECADO OS EFEITOS DO PECADO SOBRE ADÃO E EVA eus criou os prim eiros seres hu m anos em u m estado de perfeição (vide capítulo 1). que ele era u m a s e m e n te do S e n h o r (G n 4 . n o n a s cim e n to de S ete . ao d ecla ra r. Eva exp resso u a -u a fé a sua fé n a p ro m essa m essiâ n ica da s e m e n te da m u lh e r (G n 3.” .14. is to é c h a m a d o de “seg u n d a m o r te . a física e a eterna. a desobediência do casal original trouxe a m o rte ao m undo. em algum m o m en to .2 teriam tam bém . isto fica evidenciado pela vergonha que ele sentiu a ponto de se esconder do seu Criador. O que seguiu-se a este m au uso da liberdade hu m an a (o livre-arbítrio) foi um estado de pecam inosidade. entre as árvores do jardim. 3 E m A p o calip se 20. e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós.1 Caso Adão e Eva não tivessem aceitado a provisão de salvação oferecida por D eus. para que vos não o u ça” (Is 59. h aviam sido sacrificad os p o r ca u sa d o p eca d o do :is a l. E ouviram a voz do SENHOR Deus. No instante em que Adão pecou. o que significaria u m a separação perpétua de D eus. U m a das perfeições que Deus nos concedeu foi o poder do livre-arbítrio (vide capítulo 2).5). A dão ch a m o u Eva de “m ã e de to d o s os v iv en tes” (G n 3. e conheceram que estavam nus.20). n u m a to de fé. a ce ita ra m já q u e D e u s c o b riu ua n u d ez c o m p ele de an im a is (G n 3 . Adão e Eva fizeram uso desta liberdade para desobedecer a D eus (vide capítulo 3).2 1 ). Então. foram abertos os olhos de ambos. C o m o verem os neste capítulo. - 1 Eles. e a m o rte espiritual é a separação espiritual de Deus.

. nosso Salvador.4. 5-7) O novo nascimento do que Jesus falava é o ato da regeneração.5-7) Sem esta regeneração.5 Pelo que. A Morte Física Depois de criar Adão: “E ordenou o SENHOR Deus ao homem. certamente morrerás” (Gn 2. ele começou a morrer fisicamente. p o r e x e m p lo .23). 2 Pe 3 . A dão lite ra lm e n te m o r re u d e n tro d este in te rv a lo de te m p o (930 a n o s). pelo qual Deus transmite a vida espiritual para a alma do crente (1 Pe 1.] Mas Deus. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. dela não comerás. segundo a esperança da vida eterna..12-14) 4 N a verdad e. mas da árvore da ciência do bem e do mal.16-17). no dia em que dela comeres. sendo justificados pela sua graça. E vos vivificou. . estando vós mortos em ofensas e pecados [. nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos). (Rm 5. que é riquíssimo em misericórdia. 3. a morte reinou desde Adão até Moisés..1. porque. 5 A m o r te física d e C risto n ã o foi re su lta d o do seu n a s cim e n to n a tu r a l.4 A morte física é o resultado inevitável do pecado de Adão não somente para si mesmo. todo ser humano está espiritualmente morto nos seus pecados. sejamos feitos herdeiros. a morte. que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo. dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente. No entanto. assim também a morte passou a todos os homens. alg u m as p essoas su g e re m q u e se “u m dia” fo r co n sid era d o c o m o m il an o s (vide. Porque até à lei estava o pecado no mundo. 4-5) Jesus também disse a Nicodemos: Na verdade. pelo seu muito amor com que nos amou..] aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. o qual é a figura daquele que havia de vir [Jesus]. Paulo também toca no assunto: [Ele] nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo.3. na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus [. apesar da mentira de Satanás de que ele não morreria (cf. O que é nascido da carne é carne.104 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Todo descendente de Adão — toda pessoa nascida de pais naturais desde o tempo da Queda — também está espiritualmente morto. estando nós ainda mortos em nossas ofensas. o SI 90. como também para todos os seus descendentes naturais (à exceção de Cristo).8). como por um homem entrou o pecado no mundo. (Jo 3. por isso que todos pecaram. e pelo pecado.4). No exato momento em que Adão tomou parte no fruto proibido. para que. e o que é nascido do Espírito é espírito. até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão. m as sim d ele te r se ofere cid o a S i m e sm o c o m o n o sso su b stitu to . (Tt 3. (Ef 2. mas o pecado não é imputado não havendo lei.

Jesus disse: “Todo aquele que vive e crê em m im n u n ca m o rre rá ” (Jo 11. OS EFEITOS DO PECADO SOBRE A DESCENDÊNCIA DE ADÃO O pecado de Adão afetou não som ente a si m esm o. em te rm o s de e x p eriên c ia (im p lic a n d o . “m u ito s ” e “t o d o s ” são u tilizad o s de m a n e ira in te rca m b iá v e l (vide c a p ítu lo 11. revogou o ato do prim eiro Adão. eles so m e n te e n fr e n ta m a m o r te física e a e te r n a . e quando ele fez uso dela para o m al. 1 1 O fa to dos “muitos” (g re g o : hoi polloi) sig n ificar “to d o s ” e m rvom anos 5.8 e/ou legalmente (juridicamente).6 João escreveu sobre ela nas seguintes palavras: “E a m o rte e o inferno foram lançados no lago de fogo. E todos os descendentes de Adão estavam presentes nele. (Rm . muitos é u tiliz a d o e m c o n tra s te c o m u m (g re g o : enos. E claro que o conjunto da humanidade (ou os muitos)" não foi * Q u e é c h a m a d a de “segu n d a m o r te ” p o r ser a segu n d a m o r te d o c o rp o . O seu pecado no lugar da hum anidade co m o u m todo foi im putado sobre nós todos. n a verdad e.26). já que.9 Adão.45). 7 P orq u e to d o s os seres h u m a n o s j á estão e sp iritu a lm e n te m o r to s q u an d o n a s ce m fisica m e n te. 9 O u “ca b eça fed era l”. H eb reu s 7 . Os Efeitos Jurídicos (Legais) do Pecado de Adão C om o o nosso representante legal. muitos serão feitos justos. o “ú ltim o Adão” (1 C o 15. haverão de m o rre r duas vezes (física e etern am en te). c o m rrig e m e m heis).” que é a separação etern a de D eus. pela desobediência de um só homem [Adão]. ele teria.12).9 -1 0 ). e m seg u n d o lug ar. recebem os as conseqüências legais das suas escolhas.10 Dessa form a. muitos foram feitos pecadores. pela obediência de um. e m p rim e iro lu g a r. pecou em nosso lugar. todos os que nascem duas vezes (física e espiritualm ente) m o rrerão som en te u m a vez (fisicam ente). vide c a p ítu lo 9. e n ã o e m c o n tra s te c o m p o u co s. 1 0 V id e c a p ítu lo 9 so b re a n a tu re z a da salvação. potencial e seminalmente. Esta é a segunda m o rte. . ) 5 18 19 C o m o. . as conseqüências do seu pecado foram diretam ente im putadas para todos os m em bros da sua posteridade — que som os todos nós. Paulo declara: Pois assim com oporum asó ofensa [o pecado de Adão] veio o j uízo sobre todos os homens para condenação. como.18-19 fica claro p e lo fa to de. tornand o todos os seres hum anos legal e p o ten cialm en te salváveis. q u e a m o r te esp iritu a l de tod as as pessoas o c o rr e u no pecado de Adão. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fo g o ” (Ap 20.15-24). as conseqüências do pecado de Adão foram imputadas para toda a sua descendência natu ral. Todos os que nascerem som ente u m a vez (fisicam en te).OS EFEITOS DO PECADO # 105 A Morte Eterna Se Adão não tivesse aceitado a provisão de salvação feita p o r Deus (G n 3. p a ra v e r u m a an álise m ais d etalh ad a).14-15). e n tã o .7 C ontu do. 8 O u seja. que C risto. Em outras palavras. assim também por um só ato de justiça [a morte de Cristo] veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. co m o tam bém toda a sua d escendência— todos nós pecam os “por u m h o m e m ” (R m 5. legal ou ju d icialm ente. e c a p ítu lo 12. so b re a a b ra n g ên cia d a salvação. Porque. em algum m o m en to . experim entado o que a Bíblia cham a de “segunda m o rte . ele era o nosso representante legal (R m 5. e p o rq u e. n a f o rm a de s e m e n te (cf. verem os p osteriorm en te. assim. todos nós p erm anecem os culpados diante de Deus p o r causa do que Adão fez em nosso lugar. Adão tinha uma procuração passada por Deus com poderes sobre toda a humanidade.18-21). com o o cabeça da raça hu m ana.

] entre os quais todos nós também. C ontudo.. já que eles. cham ado de d ou trina do “pecado origin al” (o u “pecado herd ado” [vide Sl 51.1 4 Os Efeitos Relacionais do Pecado de Adão O pecado de Adão tam bém teve u m efeito im ediato sobre o seu relacionam ento co m Deus.5]). fazendo a vontade da carne e dos pensamentos. afastados e desprovidos da salvação. Os Efeitos do Pecado sobre o seu Relacionamento com Deus A Q ueda de Adão afetou o seu relacionam ento co m D eus de diversas form as. eles estavam presentes legal e p o ten cialm en te em Adão e. na geração de u m novo ser através da h eran ça pecam inosa herdada de seus genitores.1 2 inevitavelm ente. e a m o rte espiritual é u m a separação espiritual de Deus. antes. som os e fazem os aquilo que nos é natu ral: o pecado. em função da m o rte espiritual que oco rreu no exato m o m en to em 1 2Vide parte 2. receberam a im putação das conseqüências dos pecados dele. Paulo confirm a: E vos vivificou. A m e lh o r explicação parece surgir a partir de u m a visão trad u cionista acerca da origem da alm a h u m a n a . (2) D eus certam en te não cria as alm as decaídas. estando vós mortos em ofensas e pecados [. D a m esm a fo rm a que esta natu reza pecam inosa que é transm itid a dos pais para os filhos é ob jeto de debates teológicos substanciais. sendo pecadores por natu reza. C om o já observam os. 1 3Vide capítulo 1. é o ensinam ento bíblico que nos é transm itido. A Separação Espiritual A m o rte é u m a separação.3) Som os pecadores não som ente porque pecam os. cada u m dos seres hu m anos — acaba por herdar u m a natu reza pecam inosa deste nosso ancestral prim itivo.106 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA tornad o verdadeiram ente pecador. en tretan to . às vezes. n a verdade. m as tam bém porque já nascem os em pecado. inquestionável. Isto é. 1 4Vide capítulo 3. .1 3 (1) Desde a criação direta de Adão por parte de Deus. para obter um a análise mais detalhada do Traducionism o. andávamos nos desejos da nossa carne. cada alm a que vem a este m u nd o chega por interm édio de ação n atu ral a partir dos seus pais. (Ef 2. co m os ou tros seres hu m anos e co m o m eio-am biente no qual ele estava inserido. Toda pessoa que é n atu ralm en te gerada a partir de Adão — isto é. A conclusão mais razoável parece ser que u m a alm a pecadora é transm itida por interm édio de pais pecadores no processo n atu ral de con cep ção . C onseqüentem ente. como os outros também. E. Os Efeitos Transmissionais do Pecado de Adão Não foi som en te o efeito do pecado de Adão (a nossa decadência ou depravação) que foi im putado aos descendentes de fo rm a direta e im ediata. (3) Igualm ente certo é o fato de a alm a h u m an a não ser criada sem pecado. com o tais. e éramos por natureza filhos da ira. ela p o rém se to rn a m isteriosam ente pecam inosa na concepção. m as este efeito tam bém foi transm itid o aos h om ens de fo rm a indireta e mediada..1. n ão existiam naquela época.

18). H b 1. Todavia. por ter perdido a sua vida espiritual.5).36. P ortanto. ele necessita da aju d a da graça de D eus que age em cooperação com a vontade do pecador em aceitar a Cristo. 1 Pe 2. n ã o sign ifica “a n iq u ila m e n to ” (o u “n ã o -e x is tê n c ia ”) — vide ad ian te n o c a p ítu lo 12) m a s sim a “sep a ra çã o de D e u s ” e a “fa lta de vida esp iritu al. nos purifica de todo pecado.3. De igual m odo.14.” que resu ltou em “cond enação” (vv. a morte espiritual não deve ser m al-com preen d id a co m o guardando relação com . Adão perdeu o seu relacion am ento co m o Criador. p o rtan to .1 5 O utras figuras de linguagem que descrevem a depravação to tal.4-6.”1 9 A Culpa e a Vergonha De acordo com R om an os 5.1 6 (2) D oente. 12. M c 2.1 4 ). precisa de cu ra . Paulo fala da salvação da m o rte espiritual co m o algo que vem “por m eio da fé ” (2. o pecado de Adão trouxe a culpa sobre ele. con form e vim os acim a. 17Is 53.19). n in g u ém poderá se salvar. precisa de purificação/lim peza.14. e o sangue de Jesus Cristo. temos comunhão uns com os outros.12. bem com o a vergonha que ele expressou por conseqüência dela (G n 3. da m esm a fo rm a que u m a pessoa su ja pode aceitar ser lim pa e o u tra que esteja na escuridão pode aceitar que as luzes sejam acesas. 19V id e c a p ítu lo 15.2 0 A Perda da Com unhão Adão não perdeu som en te o seu relacion am en to com D eus. seu Filho. E com base na lei que se declara que “toda boca esteja fechada e tod o o m u nd o seja condenável diante de D eus” (R m 3. A p 20 .24.1).” e não a “to tal incapacidade de aceitá-la da parte de D eu s. a morte esp iritu a l (ta n to aqui. Adão não queria mais conversar com Ele. por exem plo. Em cada u m dos casos.5. No próprio con texto da carta aos Efésios. todos os seus descendentes estão n a tu ra lm en te “m o rto s em ofensas e pecados” (Ef. pela graça de Deus.1 7 (3) Na escuridão.7). A depravação total. ou seja.17. Mas. preferindo se esconder no Jardim .7) 1 3 A lé m disso.” um a “ofensa. João nos faz lem brar: Se dissermos que temos comunhão com ele e andarmos em trevas. . 10.OS EFEITOS DO PECADO 107 que ele pecou. 2. sugerem que o pecador não está morto no sentido de não ser capaz de com preend er e aceitar a salvação.3).22. o pecador está: (1) S u jo . como ele na luz está. com o já vim os. p o r e x e m p lo .6. mentimos e não praticamos a verdade. significa a “to tal incapacidade de alcançar/obter a solução para os nossos pecados por nós m esm os. 20 Culpa q u e v eio da realid ad e d esta fa lh a e vergonha q u e v eio d o re c o n h e c im e n to da falh a.17.” 16 T t 2. 12. de igual m odo. 18 Jo ã o 8. Assim. se não houver u m novo nascim en to (Jo 3. se andarmos na luz. tam bém conh ecid o com o “regen eração” (T t 3.8-9).1 8 E óbvio que um a pessoa en ferm a é capaz de receber a cura. a noção dos seres hu m anos serem tão depravados a p o n to de terem perdido a capacidade de com preend er e responder à m ensagem de Deus. 9. precisa de lu z. mas tam bém a sua comunhão com o Criador. o ato de desobediência de Adão foi um “pecado. Por exem plo. q u a n to e m o u tra s passagen s. 2 C o 4. o pecador é incapaz de fazer estas coisas por si mesmo (por suas próprias forças). (1 Jo 1.

e ele comeu com ela” (G n 3. vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer. o fato deles deverem fazer estas coisas. . C om o observam os. e “desobediência” (v. O texto n arra a decisão deles. eles deveriam “lavrar” (trabalh ar) e “guardar” (cuidar) o Jardim (G n 2. depois da Queda.15). pela qual seria responsabilizado. 15).1617). ela m e deu da árvore. A o responder ao q u estionam ento feito por D eus sobre o fru to proibido. C ontu do. que fica evidente nos dois eventos que se seguiram .28) e se absterem de co m er do fru to proibido (2. toda a natu reza to rn o u se cativa. o relacionam ento entre Adão e outras pessoas tam bém foi afetado.27). e agradável aos olhos. C o m o já analisam os. bem com u m vertical. Os Efeitos do Pecado no Relacionamento com o Meio-Ambiente O pecado de Adão afetou o seu relacionam ento com D eus. mas por causa do que a sujeitou.11. e deu também a seu marido. e co m i” (G n 3.6).20. Antes da Queda. ele precisaria trabalhar exaustivam ente e obter o seu sustento com o “suor do ro sto. Surgiram os “espinhos” e os “cardos.108 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Os Efeitos do Pecado no Relacionamento com outros Seres Humanos Ju n to co m ap erd a do relacion am ento (e da co m u n h ã o ) com D eus. R om anos 5 cham a isto de “pecad o” (v. para a liberdade da glória dos filhos de Deus. A Prim eira C arta de Paulo a T im ó teo 2. pois. “ofensa” (v. mas não poluí-lo. o relacion am en to en tre irm ãos tam b ém foi afetado pelo pecado.” atribuindo a ela a culpa pelo ato. não por sua vontade. ao dizer: “E. Adão e Eva receberam o m and am ento para m u ltiplicarem a espécie h u m an a (1.14 se refere a Eva com o alguém que “caiu em transgressão.” D oravante. A condenação de Deus para a atitude deles deixa claro que am bos eram m o ra lm en te livres para to m ar a sua decisão (G n 3. m as não arru in á-lo. Caim m ato u o seu irm ão Abel (G n 4. Paulo escreve: Porque a criação ficou sujeita à vaidade. co m outros seres hu m anos e com o m eio-am bíen te. “A m u lh e r que m e deste p or com panheira. e comeu. d om inar sobre ele.1-8). Adão e Eva haviam sido designados para “su jeitar” a terra (G n 1. e não destruí-lo. 16).13). As referências que o Novo Testam ento faz à decisão de Adão deixam claro que ele fez u m a escolh a livre.21) Os Efeitos Volitivos do Pecado de Adão A lém de afetar o seu relacionam ento com Deus.12). Adão culpou Eva pela situação em que se encontrava.” A m o rte se to rn o u u m fato da vida. em função do seu pecado. Segundo.28). 19). Primeiro. nu m ataque de ira. na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção. Na verdade. (Rm 8. co m os ou tros seres hu m an os e com o m eio-am biente. e árvore desejável para dar entendimento. tomou do seu fruto. o pecado teve u m efeito horizontal. ele disse. cu ltivá-lo. 0 Livre-Arbítrio antes da Queda O poder da livre-escolh a faz parte do desígnio de Deus para a hum anidade. o pecado de Adão tam bém teve o seu efeito sobre a sua própria vontade (ou arbítrio). im plicava que ele s poderiam fazê-las. Estas duas responsabilidade implicam na capacidade de respostas. a ligação que Adão m a n tin h a com o seu m eio-am bien te tam bém foi rom pida. com o sendo a sua im agem e sem elhança (G n 1.

39).6).OS EFEITOS DO PECADO 109 O Livre-Arbítrio depois da Queda M esm o depois de haver pecado e se tornad o espiritualm ente “m o rto ”2 1 (G n 2. a morte esp iritu al n a B íb lia n ã o sig n ifica “a n iq u ila m e n to . u m pecador. A té mesmo a nossa cegueira espiritual é resultado da nossa decisão de não acreditar.30. sim ultaneam ente.4.1.”25 A salvação é recebida por u m livre ato de fé (Jo 1. seja ele cristã ou não.13. Este tem a tam bém é tratado em u m a ocasião onde a igreja levantou u m a oferta “v o lu n tariam en te” (2 C o 8. 2 Pe 3.2). mas volu ntariam en te a detêm (R m 1. ou do pecado para a m o rte. e tem i. e “vertical” (espiritual) n o que diz respeito a Deus.15. mas não en con tra a sua fonte na nossa vontade. Esta liberdade é descrita com o “não tendo necessidade.5). por exem plo.17. 126-28.22 A im agem de D eus foi obscurecida.18. em função disso. . eles v o lu n ta ria m e n te a s u p rim em .3). mas não elim inada (aniquilada). 1. 17. tanto M artin h o Lutero. m a s a sep a ra çã o c o n s cie n te e e te r n a de D eu s.9. em fu nção da sua natu reza pecam inosa” (E f 2. A Bíblia diz que os seres hum anos decaídos são ignorantes. "h orizon tal” (social) no que diz respeito a este m u nd o. 216.16).12. porque estava nu.1819).3). 316-18.910).21). e sp e c ia lm e n te 1. 20.1 ) e. fica livre para casar com quem quiser.31. C om relação à liberdade de aceitarmos o d om da salvação oferecido por Deus. o livre-arbítrio dos seres hu m anos decaídos é.8-9). cf. D e m o d o s e m e lh a n te . a Bíblia é clara: os seres decaídos preservam a capacidade de fazer isto. m as.2 3 Os Descendentes Decaídos de Adão Continuam Tendo Lme-Arbítrio Tanto as Sagradas Escrituras. Paulo acrescenta: “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes p o r servos para lh e obedecer. 22 V id e c a p ítu lo 4. Atos 16.” u m a liberdade onde a pessoa tem “poder sobre a sua própria vontade” e onde ela “se resolveu n o seu coração” (v. 198. 20. quanto João Calvino estavam corretos — os seres hu m anos decaídos não são livres n o que concerne às “coisas do alto . mas não co m p letam en te erradicada pela Queda. Pedro fala da ignorância depravada co m o sendo “volu ntária” (cf. ela foi corrom p id a (afetada). E f 2. R m 9.10) n ão é a n ã o -e x is tê n c ia p e rm a n e n te . E f2 . 37). ~ V id e a o b ra Bondade o f the Will de M a rtin h o L u tero . Na verdade.14.20. ou da obediência para a justiça?” (R m 6. e C a lv in o n a o b ra Institutes o f ú e Christian Religion. a “seg u n d a m o r te ” (A p 20. “porque Deus fez o h o m em con form e a sua im ag em ” (G n 9. p o rtan to . mas sim n a de D eus (João 1. Paulo ensina que as pessoas não-salvas percebem a verdade. Adão não se to rn o u tão co m p letam en te depravado a p onto de não mais ouvir a voz de D eus e poder responder de m aneira livre: “E ch am o u o SEN H O R D eus a Adão e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim. vide ta m b é m T ia g o 3. e escondi-me” (G n 3. ou quando ~ C o m o já v im o s. 20). “indesculpáveis” (v. 23 Perceba 24 O u seja . A liberdade horizontal é evidente. q u e G ênesis 9 tra ta de u m c o n te x to p ó s-Q u e d a . já que a Palavra de Deus insistentem ente nos alerta a receberm os a salvação pelo exercício da fé (cf. depravados e escravos do pecado — e tudo isso envolve escolhas. a im agem de Deus (que inclui o livre-arbítrio) ainda perm anece nos seres hu m anos — é por isso que o assassinato ou o ato de p ronunciar m aldição sobre qualquer pessoa. C om relação ao iniciar ou ao alcançar a salvação. às páginas 75-76. cf. quando tem os que fazer a escolha de u m a com p anheira(o): “A m u lh er casada está ligada pela lei todo o tem po em que o seu m arido vive. sois servos daquele a quem obedeceis. con tan to que seja n o S e n h o r” (1 C o 7. 19. 1. se falecer o seu m arido. Dessa form a.2. é pecado.16).” m as tã o so m e n te “sep a ra çã o ”: “As vossas iniq üid ad es fa z em divisão e n tre vós e o v osso D e u s ” (Is 59. quanto a boa razão nos inform am que os seres hum anos depravados continu am tendo o poder do livre-arbítrio.1.24 de fo rm a que ficam .

24).12).9) to rn ariam o pensam ento e as ações racionais p raticam ente impossíveis.37) João afirm ou: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de D eu s” (Jo 1. As pessoas que ainda não são salvas têm u m a liberdade de escolh a com relação ao receber ou rejeitar o dom da salvação oferecido p o r D eus (R m 6.”26 Pedro descreve o significado do livre-arbítrio ao declarar a fo rm a co m que o rebanho de D eus deve ser apascentado: “não por força. m as vo lu n tário”. m as sim.31. Atos 16.30). 2 Co 9. A Bíblia jam ais diz: “Seja salvo para cre r”.18) Os Efeitos Gerais do Pecado sobré a Graça Comum Os efeitos do pecado sobre a hum anidade decaída são tão devastadores que sem a graça co m u m de Deus (isto é.] Quantas vezes quis eu aju ntar os teus filhos. senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pe 3. João 3. Jesus lam en tou o estado daqueles que o rejeitavam : “Jerusalém . para que nele creia?” (Jo 9. o desejo de D eus é que todas as pessoas que ainda não foram salvas m u d em a sua m en te (isto é.16. mas volu n tariam en te” (1 Pe 5. mas vo lu n tário”. 17. A liberdade vertical de fé está im plícita no cham ado do evangelho (por exem plo. conform e lem os em F ilem om 14.12-21) produziriam u m a culpa insuperável. quanto que deveriam ter crido. porquanto não crê no n o m e do unigênito Filho de D eu s” (Jo 3. Senhor.. “creiam para serem salvos. D eus co lo ca alternativas m orais e espiritualm ente responsáveis diante dos seres hu m anos. o que im plica tan to que eles poderiam ter crido. deixando a decisão e a responsabilidade para eles. (2) Os efeitos obscurecedores do pecado (2 C o 4. mas quem não crê j á está condenado. a sua graça não-salvífica que está disponível a toda a hum anidade).23) e são convidados a crer n ele e aceitá-lo (Jo 1.2). D t 30. E o adorou.] por força.15).12).7). a existência da sociedade ficaria inviabilizada e a salvação seria inatingível. “Respondeu-lhes Jesus: Já vo -lo ten h o dito. (3) Os efeitos enganosos do pecado (Jr 17.36).69).4) nos im possibilitaria de discernir o m al com o m al. insistentem ente.” (Jo 9.38). m orrereis em vossos pecados” (Jo 8. co m o a galinha aju n ta os seus pintos debaixo das asas. o Filho de D eu s” (Jo 6. Sem a graça com u m : (1) Os efeitos legais do pecado (R m 5. Jesus disse para os incrédulos da sua época: “Se não crerdes que eu sou. Deus tam bém nos instiga: “E scolh am a vida” (cf.21-32) seriam destrutivos tan to para nós.110 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Paulo fala em se fazer algo que “não fosse co m o por força. Isto é. e tu não quiseste!” (M t 23. cf. Paulo ilustra a natu reza da liberdade com u m ato onde agimos “segundo propusem os no nosso co ração ” e “não por necessidade” (cf.. arrependam -se).19).25). Sen h or. .. o “c re r” é considerado co m o algo pelo que responderem os: “Nós tem os crido e conh ecid o que tu és o Cristo. Josué disse ao seu povo: “Escolhei ho je a quem sirvais” (Js 24.. quanto para os outros. Na verdade. “Ele disse: Creio. e n ão o credes” (Jo 10. co m o tem os observado freq ü entem ente. (4) Os efeitos aviltantes do pecado (R m 1. E por isso que Jesus disse: “Q uem crê nele não é condenado. afinal “m as é long ânim o para convosco. “Q u em é ele. Repetidas vezes.23). não querendo que alguns se percam . ~ Vide capítulos 12 e 16. Em F ilem om 14 ele tam bém diz que a decisão é u m ato de “co n sen tim en to” e que u m ato deve ser feito “não [. os seres hu m anos recebem a salvação com o u m presente (R m 6.9) A exem plo das alternativas de vida e m o rte que M oisés apresentou a Israel. Jeru salém [.

por intermédio de muitos homens. 125-C.C . presta testemunho. penso que deve ser suficiente mencionarmos o ladrão na cruz.1 in Roberts e Donaldson. 254 d.] Se um exemplo for solicitado.C . 3 8 7 d. (CL. (cf. de que “Ele creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça” (AH. 2. Abraão creu em Deus.. (ODHBS. C. A BASE HISTÓRICA DO PECADO HUMANO E DO LIVRE-ARBÍTRIO HUMANO Os Pais Pós-Apostólicos da Primitiva Os ilustres Pais Eclesiásticos defendiam o ponto de vista do livre-arbítrio hu m ano. Orígenes (c. respeito e evidências da bondade e m oralidade.4).) “Pois o que dizem as Escrituras? Que Abraão creu em Deus. S. para que nós. também. mas a vossa é aceitá-la e guardá-la. 315-c. 185-c.1215 ).43]. do governo h u m an o (R m 13. independente das obras da lei [.) Vão.1) Ambrósio (3 3 9 -3 9 7 d . de fato.8.. Ireneu (c. T g 3.) Para respondermos a todos os que insistem em perguntar: “Como podemos ser salvos sem contribuir com nada nessa salvação?” Paulo nos mostra que. ser herdeiros da sua fé. e de m u itos outros m eios não-redentores..89 in Oden. (CR. sem qualquer ética. igualmente. e que isto lhe foi computado como justiça”. é Marcião e seus seguidores. ao buscarem excluir Abraão da herança.28) G rilo de Jerusalém (c. Portanto. hoje estarás comigo no paraíso [Lc 23. do casam ento (Hb 13. 6:111) foão Crisóstomo (3 4 7 -4 0 7 d.C . que pediu a Cristo para lhe salvar e recebeu como resposta: Em verdade te digo.) Tal qual uma pena utilizada para escrever.1-7). ou uma flecha precisa de um agente que dela faça uso. temos uma . FC. 80) E a graça com u m de D eus para com as pessoas ainda não salvas que to rn a possível 2 vida neste m u nd o corru p to. 1. 3. que somos os herdeiros da sua graça possamos. 16) Os efeitos debilitantes do pecado (R m 3. 1.19.) Defendemos que o homem é justificado pela fé.470).1-4).6. creiamos também nós.20).4. ANF. e agora também por intermédio de Paulo.OS EFEITOS DO PECADO <ü 111 5) Os efeitos corru p tores do pecado (E f 2. Esta graça co m u m é proporcionada por m eio da sua revelação natu ral (R m 1. também a graça de Deus tem a necessidade de corações crentes [. conforme citação feita em ACCS. 22:236. 1.] A parte de Deus é derramar a graça.1-3) produziriam um a decadência m oral que dom inaria a sociedade indistintam ente. Radm acher. da estru tu ra fam iliar (E f 6.C. da sua im agem (G n 9.. para a qual o Espírito.202 d.9).10-18) to rn ariam inviável a realização do bem social. da lei m o ral escrita no coração dos h om ens (R m 2.

(EG. ad loc conforme citação feita em Oden.16 in Oden. 6:100) Para que nenhum de vós seja exaltado pela magnitude destes benefícios. “A tua fé te curou. 95) 11 R e ferin d o -se a “C o m o p o d e m o s n os salvar?” . 4 6 6 d. nem vontade própria. ACCS. independente das obras da Lei.48]. 108) Os Pais Eclesiásticos do Período da Reforma Os m estres da Idade Média continuaram sendo m uito claros na sua m ensagem . NPNF.377. que creiam no Cristo tal qual o fazemos.) “O Senhor Cristo é. 1. 6:106). 340-420 d. FC. Ambrosiastro (c. Na justificação de um adulto que tenha pecado.” portanto. ele nos designa um papel..C . a seguir. 44).. 1. ACCSNT. 6:101.] E se isto lhes horrorizar. 81 ad loc in Oden. e devíeis também pedir-lhes para vos informar como o homem pode ser salvo sem o Cristo [. 82.” diz ele.. Deus e o trono da misericórdia.11.C.) Deus é considerado o “nosso Ajudador”. para que também possam ser salvos. (CE. co n fo rm e citação feita em Oden. que não têm fé alguma na necessidade do Cristo para a salvação do homem. vede como Paulo vos coloca no vosso devido lugar. conforme citação feita in ibid. Pois “pela graça sois salvos.28) Teodoreto de Cirro (c. 2:8 in IOEP. 6:102) Anselmo (1033-1109) Esta é a pergunta2 7 que deveis fazer àqueles por quem falais. que aceita a fé daqueles que crêem. e realizou a obra da nossa salvação por intermédio do seu próprio sangue. (ILR. conforme citação feita em ibid.XXIV) Tomás de Aqumo (1225-1274) Esta salvação da graça é pela fé em Cristo. quanto da patrística.112 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA grande dose de contribuição nela — entramos com a nossa fé! (HE in Schaff. (OFSB. I. (CSEL. (CDH.. “pela fé. Pois Deus não opera a salvação em nós como se estivesse lidando com pedras irracionais. ou com criaturas que não tenham recebido nem razão. retira-o novamente. porque nada fizeram ou nada deram em troca. dizendo “e isto não vem de vós” (HE. C. levando adiante tanto a tradição salvífica dos apóstolos. 2. mas da graça de Deus. 393-c. vai em paz” [Lucas 8. JR .) Paulo nos mostra claramente que a justiça não depende do mérito humano. Agostinho (3 5 4 -4 3 0 d. simultaneamente. o movimento da fé em direção a Deus coincide com a infusão da graça. conforme citação feita em ibid. Século IV ) Eles são justificados de forma graciosa. sacerdote e cordeiro. mas ninguém pode ser ajudado sem fazer algum tipo de esforço voluntário. exigindo de nós somente a fé”. de forma a não causar qualquer mácula ao livre-arbítrio. 2:160. mas pela fé somente foram tornados santos pelo dom de Deus.2. 53:306. Jerônimo (c.

9) Os Líderes da Reforma A ênfase principal da R eform a foi. mas é completamente louco.. ele diz que somos feitos filhos de Deus por um poder que recebemos do alto.) Lutero não foi n em um pouco tím ido ao levar o seu ponto de vista à sua conclusão lógica. ênfase final no original). condição para se receber a salvação. quanto contraditória.] Logo. tampouco exerce qualquer papel. o crer é um ato da mente que consente à verdade divina em virtude do comando da vontade à medida que esta é movida por Deus por meio da sua graça.28 Todavia.] portanto. ou seja.] pertence ao poder de Deus so m en te” ( B W. e João está falando do ser feito.” P ortanto. se mesmo nos nossos dias ele ainda não é capaz recebê-la ou crer nela? [. Tudo isso é certeza fixa.. (ibid. 74) Ele. que u m ato livre de fé não é. pode ser meritório. . porque..’ pois o desejo de abraçar a Lei e o Evangelho [. que “o ju sto viverá por f é — e som ente por ela. que está sob o controle do livre-arbítrio. 84) João Calvino (1509-1564) Calvino tam bém nadou con tra a m aré da H istória Eclesiástica quando argum entou que a fé é u m dom de Deus som en te para os eleitos. ainda. Q uando se referiu à declaração de João de que o h o m em precisa “receber” Cristo João 1.OS EFEITOS DO PECADO ü 113 Obviamente. desta forma o ato permanece sob o controle do livre-arbítrio e é direcionado a Deus.. mas precisa querer. (ibid. seção 44.2. os quais não podem fugir do seu domínio e dos movimentos da sua onipotência [. Lutero questionou: Este homem é meramente passivo (como o termo é utilizado). se é que cremos que Deus é Onipotente. desejar e agir de acordo com a sua natureza. (ST. Dessa forma. M artinh o Lutero (1483-1546) insistia. quanto para rejeitarem a Jesus. a graça é necessária como auxilio à vontade. sendo levados por este mover da onipotência divina. os ímpios nada podem fazer senão errar e pecar sempre. o exercício da fé é a condição (ação) necessária para que a pessoa receba a justificação diante de D eus.. 2a2ae. a afirm ar que os homens maus agem por determinação divina: Ele faz uso de instrumentos malignos. ele não tem permissão para ficar imóvel. portanto. no seu cerne. não pelo poder do “livre-arbítrio” que nos é inerente.. assim é que. acrescenta: Como a razão poderia então pensar que a fé em Jesus como o Filho de Deus e como homem seria necessária. os quais não to m am decisões livres tanto para aceitarem . Ele recon h eceu a m esm a coisa ao escrever acerca da suposta influência de D eus sobre a vontade hum ana: 3 Vide capítulo 15. (ibid. conquanto seja direcionado a Deus. Entretanto. de fo rm a algum a. está longe a possibilidade de que ela possa desejar ou crer nisso. todo ato humano..12). contrariando o veio principal do ensino e da história do Cristianism o ao longo de 1500 anos. de form a tanto irônica. Em vez disso — argum entava Lutero — “isto é claram ente a atribuição de divindade ao ‘livre-arbítrio..

de forma que não venham a perecer. 88) A resposta. (BW . co rreto . quanto Lutero adm itiram que os seus pontos de vista suscitavam algum as perguntas incôm odas. por definição. V ide c a p ítu lo 11..” Não nos cabe ficar perscru tand o isto. . e aguarda para ver se estaremos felizes em aceitar a sua ajuda. contradizem esta verdade: “O que Deus deseja.2 9 Precisamos. repudiar o sentimento de Crisóstomo comumente repetido de que ‘Aqueles que ele atrai. portanto.30 As próprias palavras de Lutero. mas os deixa como monumentos à instabilidade. ou sem pre esteve assim preso à vontade. no seu m over.. d e fin itiv a m en te . p o rtan to . RESPOSTA AO CALVINISMO RADICAL ACERCA DO LIVRE-ARBÍTRIO Será que alguém E Capaz de Crer? Ao contrário da concepção defendida pelo U ltracalvinism o. 260-61) E interessante n otar que tanto Calvino. o qual Ele não esbanja de forma promíscua sobre todos. ao passo que não proporciona a mesma assistência àqueles que não perseveram. E steV oluntarism o radical (em oposição ao Essencialism o) será abordado no capítulo 12 . (ibid. é que não há necessidade de se fazer estas perguntas. a ce rca do V o lu n tarism o e d o E ssencialism o . p resta c o n ta s e. Todos são responsáveis por crer. Tudo o que Deus faz é. quão miserável é o livrearbítrio quando Deus não opera em nos o desejo de fazer algo. ao contrário. é o p a d rã o d o seu agir. pelo seu grande poder. por muito tempo. o p ad rão fin a l da verdad e é a p ró p ria n a tu r e z a de D eu s. A perseverança é dom de Deus. correto. à q u al Ele. dos quais sabem os que “os seus juízos vão além do nosso en ten d im en to . por seu exemplo.114 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Este mover da vontade não segue a descrição que foi. o que acontece é. então. p o rtan to . o homem poderia ter se inclinado para ambos os lados. mas como ele nos ensinou. da forma como foi originalmente constituído. p o r ta n to . o qual insinua que o Senhor somente estende a sua mão. que utilidade teria uma graça comunicada em medida tão ínfima? ( ICR . mas adorar estes m istérios. e toda pessoa 29 Eficaz significa “que p ro d u z (o u é capaz de p ro d u z ir) o e fe ito d eseja d o . fortalece e sustenta [aqueles que perseveram]. na realidade. o faz a partir da vontade deles’. um mover que posteriormente nos deixa a opção de obedecer ou resistir a ele — mas é de uma natureza que nos afeta de maneira eficaz. 275) Lutero confessou: Por que Ele.” 30 C o m o já fo i d e m o n stra d o . m as. porque Ele assim o deseja” (ibid. mas transmite àqueles a quem lhe apraz. Calvino escreveu. não é certo porque Ele precisaria. Admitimos que. grifo acrescentado). entretanto. ensinada e crida — ou seja. aquelas vontades m alignas que Ele m esm o move? Isto p erten ce àqueles segredos da M ajestade. a fé não é u m dom que Deus oferece a alguns ( “os eleitos”). Se alguém perguntar como surge a diferença — por que alguns perseveram firmes e outros se mostram deficientes na sua estabilidade — não podemos apresentar nenhuma outra razão senão que o Senhor. não m uda.

e se convertam. a crer (cf. 7. mas sinergista (u m ato de D eus e da nossa livre-escolha).13). Jo 3. foi a sua incredulidade teim osa que causou a sua cegueira. C o m o o próprio evangelista João registra: “não :riam n ele. Todavia.” m as a c re s ce n to u q u e ele p recisa ser 're c e b id o ” p o r u m liv re-e x e rcíc io da v o n ta d e (liv re -a rb ítrio ). que m e enviou. pelo que Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração. a fim de que não vejam com os olhos. mas tem a vida e tern a ” (cf. todavia.3 3 A resposta vem do próprio contexto. o não trouxer. pela graça de Deus. a sua graça não 1 0 fa to da fé salvífica é ou n ã o s er u m d o m de D eu s.14). argu m entam que se todos (ou qualquer u m ) puder acreditar. se : Pai. i cegueira deles foi escolhida e era evitável. e eu os cure. . vv. Davi recon h eceu diante de Deus: “Porque tudo vem de ti.24). obviam ente. e eu o ressuscitarei no ú ltim o D ia” (Jo 6. responsabilidade deles.salvação31 sem a ajuda da graça especial de Deus. ainda que tivesse feito tantos sinais diante deles. sou o que sou. em bora ninguém possa crer para a salvação sem a ajuda da graça salvífica ae Deus. para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías. não podiam crer.10). co m o já vim os.52. Jo 8. C e rta m e n te a B íb lia n ã o a p rese n ta v e rsícu lo s cla ro s q u e d e m o n s tre m isso (vide c a p ítu lo 16).16). nin g u ém pode crer para . ( W JA . 2. Isto deixa m anifesto o fato de que eles tin h am a capacidade de fazer isto. Jesus já havia dito a eles: “Se não crerdes que eu sou. mas se com p leta com a nossa cooperação.9).10. co m o se poderia explicar João 12.9). tra ta -se de u m debate in te r n o e n tre aq u eles q u e se o p õ e m ao L ltra ca lv in ism o .44). A salvação vem de Deus. não criam nele.” Segundo. e ste d o m é o fere cid o a todos e p od e s er liv re m e n te a c e ito ou re je ita d o Tsde cap ítu lo s 7 e 10). züesm o que a fé salvífica p ara c re rm o s fo r u m d o m . Paulo acrescenta: “Mas. ressoas que havia presenciado m ilagres indiscutíveis34 e que haviam sido repetidam ente : envidados.1.27). m as de u m d o m esp iritu a l d estin a d o a a lg u n s cre n te s q u e os fo rta le c e n a c o n fia n ça e m D e u s p a ra o b e m r£?mum do c o rp o (cf. a fé era. Será que alguém Pode Chegar a Crer para a Salvação sem a Graça Especial de Deus? Apesar de a f é ser possível para as pessoas não-salvas. Jesus p rom ete: “A m in h a graça te basta” (2 C o 12. e da tua m ão to dam os” (1 C r 29. antes deste m o m en to . que diz: Senhor. Jesus estava se referindo aos judeus endurecidos em seus corações. já que D eus o considerou responsáveis pela sua incredulidade. 35 Isto é. A gran de m a io ria dos Pais Eclesiástico s c o n c o rd a c o m isto . Ele acrescentou: “Q uem crê nele [no Filho do H om em ] não é cond enad o” (v. ele n ã o está fala n d o de u m d o m d estin ad o a fazer c o m q u e os in c ré d u lo s s e ja m salvos (p e lo e x e rcíc io da üé salvífica). Contudo. Primeiro. o ato gracioso pelo qual som os salvos n ão é m onergista (u m ato solitário da rarte de D eus). Algum as pessoas. Terceiro. e ú ltim o.24-26). m orrereis em vossos pecados” (8. en tretan to . e a sua graça para com igo não foi 1" (1 C o 15. e compreendam no coração. Q u a n d o P au lo se re fere ao “d o m da fé ” cL 1 C o 12. 32 A p a r tir de Isaías 53. Jacó A rm ín io (15 6 0 -1 6 0 9 ) ta m b é m fa lo u do “d o m da fé. Paulo confessou: 'Posso todas as coisas naquele que m e fo rta lece ” (Fp 4. te r a fé salvífica. Jesus diz: “N inguém pode vir a m im . Assim. 34 In clu sive a re ssu rreiçã o de Lázaro — vide Jo ã o 11.OS EFEITOS DO PECADO # 115 :u e decidir crer tem a capacidade de crer:31 Jesus disse que “Todo aquele que nele crê não re re ce. 18). 12). quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?32 Por isso. Na verdade.37-40? E. “ A p a r tir de Isaías 6.

Pois Deus não opera a salvação em nós como se estivesse lidando com pedras irracionais. 38Vide volum e 2. inclu sive sobre os even tos e as esco lh as h u m a n a s. con ced id o p o r D eu s. nem vontade própria. Por o u tro lado. A gostinho escreveu: Deus é considerado o “nosso Ajudador”. . n e ste ca p ítu lo vim os que os seres h u m a n o s p o ssu em um po d er. mas sobre u m agente ativo. SOBERANIA E LIVRE-ARBÍTRIO? A so b eran ia de D eu s e a liberdade h u m a n a : S eria o caso de te rm o s que e sco lh er e n tre u m a e o u tra . C o m o já observam os. o m a l ta m b é m teve u m e fe ito sob re os a n jo s . (OFSB. e ambas levam a erros subseqüentes. D eus é so b eran o sobre todas as coisas. capítulo 22. ou tros sacrificaram a soberania divina a fim de defender a liberdade de escolh a da hum anidade. preservar a prerrogativa divina. de ex e rce r o liv re -a rb ítrio .37 Isto se ap lica a m u ito s ele m e n to s te rre n o s aqui “e m b a ix o ”. capítulo 20.38 OS EFEITOS DO PECADO SOBRE OS ANJOS M e sm o n ã o sen d o re s u lta d o do p e ca d o de A d ão. mas ninguém pode ser ajudado sem fazer algum tipo de esforço voluntário. ou com criaturas que não tenham recebido nem razão. Já vim os que. Infelizm ente.39 os a n jo s p e c a ra m an tes da 36Vide volum e 2. capítulo 8.28) A diferença en tre o U ltracalvinism o e o Calvinism o M oderado acerca da necessidade pela graça de D eus na nossa salvação pode ser resum ida desta form a: A RELAÇÃO ENTRE GRAÇA E LIVRE-ARBÍTRIO Posição Graça Ação Recipiente Ato livre Resistibilidade Ultracalvinismo Operativa Monergista Objeto passivo Não Irresistível contra a vontade Calvinismo Moderado Cooperativa Sinergista Agente ativo Sim Irresistível debaixo da vontade. ou das duas e outra? A B íblia afirm a as duas coisas. C o m o já vim o s a n te r io r m e n te . As duas alternativas estão erradas. e n ad a escapa ao seu co n tro le . 39 No volum e 2. da m e sm a fo rm a q ue a alg u n s e le m e n to s celestiais “do a lto . O m istério da relação en tre a soberania divina e o liv re-arbítrio -h u m an o tem desafiado os m aiores pensadores cristãos ao longo dos séculos. alguns acabaram por elim inar a responsabilidade h u m an a para. p o r u m lado. 2.36 D eu s n u n ca é ap anhad o de su rp resa.116 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA é exercida sobre u m o b jeto passivo. De m od o sem elhante. aparentem ente.” e e sp ecifica m en te à n ossa recep çã o da m a g n ífica salvação p ro p o rcio n ad a p o r D eus. 37Vide tam bém o capítulo 3.

en so b e rb ece n d o -se . Jesus disse: c x s t e j o b v iam e n te. os a n jo s são. 18. Ao : o n trário da esp écie h u m a n a . r or n a tu re z a . que fez sua op ção p o r se reb elar c o n tra D eus.6. c e m se dão em c a s a m e n to .4.4 0 A pesar de o pecad o dos a n jo s te r afetad o diretamente s o m e n te a eles m e sm o s. seja m prin cipad os. tu d o foi criado p o r ele e para e le ” (H b 1. 6). “E aos a n jo s q ue n ão gu ard aram o seu p rin cip ad o. P ed ro n o t a q u e “D eu s n ã o p e rd o o u aos a n jo s q u e p e c a r a m . S . o caso c u rio so dos “filh os de D e u s ” (h e b ra ico : nephilim. n ã o p o d e m g era r d esce n d ên cia (M t 2 2 . os a n jo s são ir r e d im ív e is . d ep o is de te r e m to m a d o a su a d e c isã o . criad os e indivisíveis. C o lo ssen ses 1. apesar do fa to de m u ito s ou tro s ^ rjiiã o s o s c re re m q u e os “filh os de D e u s ” n ã o e ra m a n jo s. Js 5.35-36.42 os a n jo s n u n c a são c h a m a d o s n a B íb lia ao a r r e p e n d im e n to . c u jo s m e m b ro s p o d e m se m u ltip lic a r . C o m o d e c la r o u C .16 d eclara: “P orque n e le fo ra m criadas todas as coisas que h á nos céus e n a te rra . íe ja m tro n o s. P o rta n to .” e em -u c a s 24. c a p ítu lo 6. cit. Os Anjos São Irredimíveis por Escolha Própria Paulo. Judas v. q u e m u ito s a c re d ita m se tra ta r je m . 38.9 ). reservou na escu rid ão e em prisões etern a s até ao ju íz o d aqu ele grand e D ia”. sim p les. o a n jo d ecaíd o (L ú c ife r). L ew is. ao falar sobre Satan ás.4 ).6). sejam d o m in açõ es. e m G n 6 . Jd v. 2. p ara que. cf. 41 O p. S a ta n á s e to d o s os seus d e m ô n io s41 ta m b é m tiv e ra m u m e fe ito indireto sob re o p ecad o dos seres h u m a n o s. visíveis e invisíveis. 42 Ibid. A ssim . eles tê m u m a n a tu re z a invisível. 43 V ide v o lu m e 2. m a s. fic a n d o re se rv a d o s p ara o J u íz o ” (2 Pe 2 .3 0 ). a c e r c a d os a n jo s : “E les somente têm a liberdade de fa z e r uma escolha muito clara — de a m a r a D e u s m a is do q u e a si m e s m o s ou de a m a r a si m e s m o s m a is do q u e a D e u s ” (PP. Ap 12 . m as d eixaram a sua p ró p ria h ab itação . ta m p o u c o m a n ife s ta m q u a lq u e r d e s e jo de fa z e r is to . E les ta m b é m n ã o são seres sexu ad os. e m b o ra alg u n s possam assu m ir fo rm a física e ap arecer aos h o m e n s (cf. Os Anjos São Irredimíveis por Natureza Tal qual o co rre c o m D eu s.43 os a n jo s são im ateriais. h a v e n d o os la n ç a d o n o in fe r n o . C o n fo r m e já d e m o n s tr a m o s . n ão caia n a condenação do Diabo” (1 T m 3.1.1. p e la p ró p ria n a tu r e z a da su a lib e rd a d e . lo g o . seja m p o testad es. os e n tr e g o u às ca d eia s da e s c u rid ã o .14 ch a m a os a n jo s de “e sp íritos m in istra d o re s. g rifo a c r e s c e n ta d o ). Jó 1. 6 acrescen ta .13-15). já estava e m cen a e crista liz a d o n a sua im p ied ad e q u an d o A dão fo ra cria d o (G n 3.o s p e can d o c o m seres h u m a n o s (cf. são esp íritos pu ros. n ã o existe u m a in d ica çã o b íb lica cla ra a c e rc a de q u a lq u e r e feito «■neto q u e t e n h a sed uzid o os seres h u m a n o s a p ecar.7. .1 -4 ).”) A lém disso. em v irtu d e da sua p re se n ça n o m u n d o p a ra te n ta r os seres h u m a n o s. cad a a n jo é de u m a esp écie p ró p ria — cad a u m de u m a d ifere n te n a tu re z a h av en d o g ru p o s ou ca te g o ria s (ta l c o m o os querubins ou serafins).39 Jesus disse que esp íritos n ão tê m “c a rn e n e m ossos. M e sm o assim . Em -u c a s 20. G n 18. ou seja. ord en a que u m p resb ítero n ão seja “n e ó fito .OS EFEITOS DO PECADO #117 cria çã o da h u m a n id a d e — S a ta n á s. 2 Pe 2.

7 são a n jo s ) se d e ra m e m ca sa m e n to c o m as “filhas dos h o m e n s . Já que. depois de u m anjo pecar. os anjos que pecaram jam ais foram cham ados ao arrependim ento.36). C o m o apresentam u m a natu reza fixa desde o m o m en to da sua criação. cravando-a na cruz. C om o eles não podem mudar. Na verdade. eles p o d e m m u ito b e m te r sido a n jo s decaídos q u e p o ssu íra m os co rp o s de seres h u m a n o s. tam bém não estão sujeitos à decom posição ou à m orte. e x iste m o u tra s in te rp re ta ç õ e s possíveis das passagens de G ên esis 6 (ta l c o m o os “filh os de D e u s ” sen d o c re n te s ou h o m e n s ilu stre s da é p o ca ). som ente com o um a form a de condená-los: Jesus “havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças.118 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro e a ressurreição dos mortos nem hão de casar. conseqüentem ente. eles não podem m udar. eles tam b ém não sofrem acidentes. a Bíblia diz explicitam ente que Cristo não m orreu para redimir os anjos. Lc 20. os quais.45 e. 6). e a tirou do m eio de nós. Agostinho e a Queda dos Anjos Como estas coisas assim se dão.6. ou de forma alguma na escuridão.2) c o m o “a n jo s . E n tr e ta n to . 2. c o m base e m G ên esis 6. on d e os “filh os de D e u s” (qu e c o n fo rm e Jó 1. os expôs pu blicam ente e deles triun fou em si m esm o ” (Hb 2.1 e 38.16).27).1. não podem m udar acidentalmente. o seu destino está eternam ente selado (2 Pe 2. n em envelhecem .” . “E. a qual de algum a m aneira nos era contrária. os anjos foram colocados diante de u m a escolha. d e ra m -se e m c a sa m e n to físico c o m seres h u m a n o s. e n tã o . na verdade. C om o já vimos.47 A m o rte de Cristo jam ais foi apresentada com o u m m eio para a sua salvação. Dessa form a. n a seção “O b je ç õ e s . eles não têm idade. depois de to m arem a sua decisão final. sendo filhos da ressurreição.46 C om o os anjos não têm corpos. ca saram -se. os anjos não m udam . despojando os principados e potestades. Os Pais Eclesiásticos e a Queda dos Anjos Os grandes m estres eclesiásticos. falaram de fo rm a prolixa acerca do pecado angelical. p a rec e m ais s en sa to .7). c a p ítu lo 20. em especial A gostinho. re je ita r m o s a idéia de q u e os a n jo s. eles são im ortais (M t 25. 47 V id e v o lu m e 2. mas to m o u a descendência de Abraão” (Hb 2.2. ta l c o m o são. “Porque.4. A exem plo de todas as criaturas de Deus que possuem tan to racionalidade quanto m oralidade. depois de to m a rem a sua decisão. p o rtan to .4.29).35.30. aqueles espíritos que chamamos de anjos jamais estiveram. pois são iguais aos anjos e são filhos de Deus. tão logo foram 44 A lg u m as pessoas a rg u m e n ta m que os a n jo s p o d e m se casar. n em poderiam sê-lo.” e o N o v o T e s ta m e n to p a rece ta m b é m se re ferir a estes seres c o m o a n jo s (2 Pe 2. mesmo que se trate de u m a re fe rê n cia a a n jo s.41). 46 O “a n iq u ila m e n to ” dos a n jo s sen d o p o s tu la d o de í o r m z potencial e n ã o atual. Jd 6. nada mais poderá ser m udado pelo restante da eternidade. eles não crescem . E. mas. e m fu n ç ã o da a firm a çã o in e q u ív o c a de Jesus de q u e os a n jo s n ã o se c a sa m (M t 22. e eles sabem disso (M t 8. A lém d o m ais. porque já não podem mais morrer. ele não to m ou os anjos.15-16). n em estão sujeitos a qualquer ou tra espécie de alteração n atu ral. Jd v.” O A n tig o T e s ta m e n to grego (A S ep tu a g in ta ) tra d u z este v e rsíc u lo (G n 6. Ao contrário dos seres hu m anos. A nselm o e Tom ás de A quino. esta decisão é definitiva. 45Estas c aracte rísticas n ão lh e s são essenciais. nem ser dados em casamento. D e q u a lq u e r fo rm a . em momento algum. por natu reza. da m esm a fo rm a que os seres hu m anos no m o m en to da m o rte (Hb 9. U m a vez decidido. A ú n ica m u dança essencial a que podem se su bm eter é a criação ou o aniquilam ento por parte de D eus (se Ele decidir fazer isto). apresentam um a natureza fixa.

já que Deus. porém que não está de acordo com a medida ou norma apropriada [como fizeram os anjos]. a verdade mais segura pela astúcia da vaidade. caíram neste “bem particular” deles mesmos. também. Pois a multidão de anjos não se multiplicou a partir de um exemplar inicial. ( ST .. só que isto é impossível. (ibid. não alcançaram esta vida sábia e bendita. simplesmente pelo poder que lhe foi entregue daquele que é a origem. certamente. os anjos também não podem ser salvos por qualquer outro anjo. trocando a majestosa dignidade da eternidade pela insuflação do próprio orgulho. é certamente deficiente. quando algo maligno é escolhido [.1) . enganosos e invejosos.. que era comum a todos. tornaram-se orgulhosos. outros se enamoraram do seu próprio poder. por terem abandonado esta luz. ( CDH .1) Não existe. a qual é. como se pudessem ser bons por si mesmos.. tal qual ocorreu com os homens. ou qualquer outra criatura racional. (ibid. (ibid. apesar de todos compartilharem a mesma natureza. da má vontade. considerada na sua própria natureza.] E. mas foram iluminados para viver de forma sábia e bendita. verdade e amor. mas a partir de uma diferença nas suas vontades e desejos unidos ao próprio Deus. pois não são semelhantes aos homens. eles também precisam se reerguer sem a ajuda de ninguém. 2.21) Além disso.] a vontade se torna má por nada mais que a apostasia de Deus. todos da mesma raça.] o pecado mortal ocorre de duas maneiras no ato da livre-escolha. e isto não podem perder mesmo que o quisessem [o desejassem ou o aspirassem]. se permitirem que eu faça uso dessa expressão.. mas continuam tendo a vida da razão. teriam sido confirmados em virtude sem qualquer ajuda externa. e se separaram daquele bem beatífico e mais elevado.63. [pois] caso não tivessem pecado. a ambos criou. Alguns deles. pode pecar [. e à sua eternidade. o bom Autor e Criador de todas as essências. já que [. 12. Em primeiro lugar. uma apostasia cuja causa. foram tornados luz. embora esta esteja obscurecida pela loucura.OS EFEITOS DO PECADO <P 119 criados. la. (CG.9) A n selm o e a Q u ed a dos A n jo s Assim como os homens não podem ser restaurados por um homem de uma raça diferente.) T om ás d e A q u in o e a Q u ed a dos A n jo s Um anjo. 11) Não se pode duvidar que as propensões contrárias nos anjos bons e nos maus surgiram não a partir de uma diferença na sua natureza ou na sua origem. o pecado vem da decisão livre de eleger algo bom em si mesmo. portanto. e acompanhada da plena confiança da eternidade. Existe outra objeção à sua restauração. ou seja. 12.. e.. a de que como eles não caíram por trama de outrem. de outro modo. senão por um homem da mesma natureza.. j untando a isso o amor pelo partidarismo faccioso. contudo não foram criados de forma a existir e viver de qualquer modo. eterna. nenhuma causa essencial. nenhuma causa eficiente ou..

a menos que nessa afeição. o que incluiria o anjo Lúcifer. e u m dos mais preocupantes. Deus lhe concedeu o bom/ato da liberdade. mas são. nem a violência é feita sobre a vontade das criaturas. para o bem ou para o m al” (9. D eus proporcionou o bom poder de livre-escolha. Conseqüentemente o primeiro pecado de um anjo só pode ser o orgulho. T g 1. Lúcifer se to rn o u m al por opção própria. Tanto em Deus.31.1). C om o um a criatura perfeita. Mas o que dizer dos anjos? Será que eles podem ser salvos? 48 O u seja. trata de co m o pôde ter surgido de u m a criatura perfeita. vem a capacidade de pecar. Este é precisamente o pecado do orgulho — não se sujeitar ao superior quando a sujeição é devida. Objeção Número Dois — Baseada na Irredimibilidade dos Anjos U m terço dos anjos pecou e se to rn o u u m a hoste de dem ônios (Ap 12. mas ela.15). . C o n fo rm e já expusem os. só que Lúcifer executou u m a ação m á de livre-escolha. poderia com eter um pecado? O pecado não poderia ter em anado de um Deus perfeito. tam pouco da sua natureza perfeita. Até m esm o a Confissão de Westminster (1648) — que é calvinista — reconhece que algumas ações não são necessárias ou inevitáveis...4). A liberdade das criaturas é boa.2) RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES ACERCA DOS EFEITOS DO PECADO ANGELICAL M uitos protestos foram feitos con tra as conclusões acim a. bem com o nenhu m a necessidade absoluta da natureza é determinada. Portanto. aqui estabelecidas” (3. ao contrário. (ibid. Ia63. tanto ele quanto a sua esposa receberam a oferta da salvação (G n 3. não existe pecado (Hc 1. prim eiram en te. C o m a liberdade. 1 T m 4. estas ações são evitáveis.48 mas surgem a partir de um a causa secundária conhecida com o vontade-livre (ou livre-arbítrio): “Deus não é o autor do pecado. Deus criou Lúcifer perfeitam ente bom . quanto no céu. De onde. a regra do seu superior não seja guardada. n em a liberdade ou a contingência das segundas causas removida. veio o pecado então? Resposta à Objeção Número Um O pecado surgiu. “Deus dotou a vontade do hom em com a liberdade natural que não é imposta.. m esm o assim Lúcifer pecou e se rebelou contra Deus (1 T m 3. n em do am biente perfeito onde Lúcifer habitava. D eus criou criaturas perfeitas e deu-lhes tanto u m a natu reza quanto u m a liberdade perfeitas. que passou a ser conhecido com o Satanás.120 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA Uma natureza espiritual não pode ser afetada por tais prazeres próprios do corpo. mas somente por aqueles que podem ser encontrados nos seres espirituais [. afinal.4).1). Objeção Número Um — Baseada na Natureza Perfeita de Lúcifer A Bíblia declara que Deus criou todas as coisas perfeitas (G n 1. O prim eiro. Lúcifer execu tou u m ato m au de liberdade.] Mas não pode haver pecado quando uma pessoa é incitada a um bem de ordem espiritual.6). Q uando Adão pecou.13). criada por um Deus perfeito e colocada em um am biente perfeito (o céu). pela sua própria natureza. levando consigo um terço de todos os anjos (Ap 12. é portad ora da possibilidade do m al. no universo a partir do livre-arbítrio de Lúcifer. em bo ra esta seja in eren tem en te boa.13.11).

independente de auxílio externo. N em a nossa m o rte física é resultado do pecado de Adão. já que não herd am n e n h u m tipo de pecado de Adão e não pecam “em A dão” (cf. Ele e/ou os seus seguidores sustentavam que os seres h u m an os n ascem n a inocên cia. O Pelagianismo A perspectiva pelagiana acerca da depravação h u m a n a e m an a de u m m o n g e b ritân ico cham ad o Pelágio (c. U m a breve pesquisa a respeito dos vários pontos de vista acerca da depravação to tal ser-nos-á ú til antes de form arm os u m a opinião. 420 d . R m 5). p o r forças próprias. p o rta n to . e n ão existe a necessidade de graça para a salvação.). cu jas supostas idéias (e/ou dos seus seguidores) sobre o assunto fo ram condenadas p elo C o ncilio de C ártago (416-418 d. 354-c. os seres hu m anos fo ram sim plesm ente criados m ortais. para um a n jo leva u m m o m en to . Depois que a sua m en te está convencida. tal qual Adão foi criado. O Arminianismo Esta perspectiva recebe o seu n o m e de seu p ro p o n en te principal. Cada ser h u m a n o esteve p resen te. não existe possibilidade de redenção para eles. Todavia. Jacó A rm ín io (1560-1609). som en te os nossos próprios pecados nos são im putados (em vez dos pecados nossos ju n to s co m os de Adão). ele perm anece n atu ralm en te im utável e. bem co m o todos os seus descendentes naturais — são to tal e com p letam en te depravados. já que o seu pecado não nos foi transm itido.122 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA inteira. De acordo com o Pelagianism o. em con traste co m o Pelagianism o. u m teó lo g o reform ad o da H olanda —apesar do “A rm in ia n ism o ” tam b ém guardar sem elh an ças co m u m a visão cham ad a de “Sem ip elag ian ism o”. p o rtan to . u m a visão a rm in ian a geral acerca da depravação. o entend im ento que se tem acerca da expressão “depravação to ta l”) tem sido m otivo de acaloradas discussões teológicas ao lon go dos séculos. su sten ta que todas as pessoas n ascem depravadas e não po d em . D eus não precisou prover para eles u m m eio de salvação. e seria m ais apropriadam ente d en om inad a de “W esleyanism o. a im agem original de D eus não foi em baçada desde a época da Criação. o ún ico legado de Adão aos seus descendentes foi o seu m au exem p lo. eles não podem m udar. . pois ela pode ser alcançada por m eio da nossa livre-escolha. a versão p o p u lar do que co n h ece m o s a tu a lm en te co m o “A rm in ia n ism o ” surge a partir de Jo h n Wesley (1703-1791). sob o estigm a do pecado de Adão. P ortan to. em Adão quando ele esco lh eu o m al. os seres hu m anos — Adão e Eva depois da Queda.C . ob ed ecerem a D eus.C . com o por natu reza. C o n h eced or disto. N este estado eles tê m a capacidade de obedecer a D eus.” C o m o as variantes n o cam p o do A rm in ian ism o geral apresen tam diferenças significativas. Sup ostam ente. A ABRANGÊNCIA DO PECADO (DEPRAVAÇÃO): PERSPECTIVAS DIVERSAS C o n fo rm e visto acim a. M esm o assim . e. A extensão desta depravação (e. de fo rm a p o ten cial ou sem inal.). cada u m nasce co m u m a n atu reza co rru p ta . A m o rte espiritual e etern a som ente pode ser ativada pelos nossos pecados pessoais. é difícil indicar u m a ú n ica pessoa que defenda todos os elem en to s aqui listados. m as sim pecam como Adão.

são im utáveis (salvo por aniquilam ento).] como nos informa Damasceno [c. a cruz de Cristo. século VIII]: “A morte está para o homem o que a Queda está para os anjos.OS EFEITOS DO PECADO # 121 Resposta à Objeção Número Dois A resposta bíblica é “n ão. 14). e tendo o caminho aberto pelo qual ele possa avançar até dois opostos. os anjos.14-15). Quarto. pela sua razão. a exem plo dos seres hu m anos. avançando discursivamente de uma coisa para outra. aquilo que para nós leva u m a vida . ele não to m o u os anjos. e por ú ltim o.” Agora.” Primeiro. seja ela qual for.64.30. proclam ada co m o a fonte da condenação dos dem ônios (C l 2.27). pelo contrário. com o u m deles que questionou jesus: “Vieste aqui ato rm en tar-n os antes do tem po?” (M t 8.12). depois de fazerem um a opção de servir ou se rebelar con tra Deus. em contraste. que é declaradam ente a fonte da salvação h u m an a é tam bém . Terceiro. 2 Pe 3. O u seja. ao contrário dos seres hu m anos. não são mais remíveis e perduram para todo o sempre.2) Objeção Número Três — Baseada na Justiça da Condenação Angelical Parece in ju sto para algum as pessoas que os seres hum anos ten h am recebido um a oportunidade de redenção depois da Queda. precisarem os observar vários fatos im portantes. pois eles são criados com o seres sim ples que. depois da morte. não os anjos Segundo. as Sagradas Escrituras declaram enfaticam ente: “Porque. a fim de rem ir os seres hum anos. os anjos tam bém to m a m u m a decisão definitiva. ( ST. o estado de perdição dos dem ônios é sem pre retratad o na Bíblia com o definitivo e etern o (2 Pe 2. tudo se deu de acordo com ela. Até m esm o eles parecem reco n h ecer o seu destino eterno. na verdade.9). Quarto. Jd v. apreende de forma móvel.. e por fim. enquanto o arbítrio do anjo permanece fixo e imóvel. A ún ica diferença é que a sua prim eira decisão foi tam bém a últim a. a própria natu reza dos anjos to rn a definitiva a sua prim eira escolha. mas to m o u a descendência de A braão” (Hb 2. d etém a possibilidade de escolh a do seu destino. con form e observam os acim a (nas palavras de Tom ás de A quino). Eles não foram forçados a isto. Primeiro.16). D o m esm o m odo que os seres hum anos tam bém têm o seu ponto de ru p tu ra (Hb 9. [Em suma. Tom ás de A quino apresentou um a explicação para a irredim ibilidade dos anjos: A apreensão dos anjos difere da humana neste respeito. sabe “que já tem p ouco tem p o ” (Ap 12. Por que D eus não ofereceu a salvação tam bém para eles? Resposta à Objeção Número Três Em resposta. está claro que todos os pecados mortais dos homens.29). m as. Em sum a. esta passa a ser perm anente. ao passo que. Satanás. e os anjos não. os anjos foram condenados con form e a sua definitiva decisão. Logo.6). não a natu reza angelical. pela sua própria natu reza. Terceiro. os anjos jam ais são cham ados ao arrepend im ento (A t 17. n em foram levados a u m destino lúgubre contra a sua vontade. tam bém a exem plo dos seres hu m anos.] ao passo que o homem. Segundo. cf. são perdoáveis antes da morte.. na verdade. C risto assum iu a natu reza hu m an a (v. la.4. pois em seu intelecto o anjo apreende de forma imóvel [. Eles esco lh em livrem ente se rebelar co n tra Deus. sejam eles graves ou mais amenos.

já que não herd am n e n h u m tipo de pecado de Adão e n ão p ecam “em A dão” (cf. em Adão quando ele esco lh eu o m al. eles não podem m udar. em con traste co m o Pelagianism o. os seres hu m anos — Adão e Eva depois da Queda.C . O Pelagianismo A perspectiva pelagiana acerca da depravação h u m a n a e m an a de u m m o n g e b ritân ico cham ad o Pelágio (c. 354-c. ele p erm anece n atu ralm en te im utável e. de fo rm a p o ten cial ou sem inal. m as sim p ecam como Adão. N em a nossa m o rte física é resultado do pecado de Adão. cada u m nasce co m u m a n atu reza co rru p ta . não existe possibilidade de redenção para eles. p o r forças próprias. N este estado eles tê m a capacidade de obedecer a D eus. u m a visão arm in ian a geral acerca da depravação. já que o seu pecado não nos foi transm itid o. Ele e/ou os seus seguidores sustentavam que os seres h u m an os nascem n a in ocên cia. a im agem original de D eus não foi em baçada desde a época da Criação.122 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA inteira.C . U m a breve pesquisa a respeito dos vários pontos de vista acerca da depravação to tal ser-nos-á útil antes de fo rm arm os u m a opinião. tal qual Adão foi criado. . o en tend im ento que se te m acerca da expressão “depravação to ta l”) tem sido m otivo de acaloradas discussões teológicas ao longo dos séculos. R m 5). Depois que a sua m en te está convencida. som ente os nossos próprios pecados nos são im putados (em vez dos pecados nossos ju n to s com os de Adão). ob ed ecerem a D eus. independente de auxílio externo. Su p ostam ente. A ABRANGÊNCIA DO PECADO (DEPRAVAÇÃO): PERSPECTIVAS DIVERSAS C o n fo rm e visto acim a. p o rta n to . P o rtan to . para u m an jo leva u m m o m en to . co m o por natu reza. e não existe a necessidade de graça para a salvação. a versão p o p u lar do que co n h ece m o s a tu a lm en te co m o “A rm in ia n ism o ” surge a p artir de Jo h n W esley (1703-1791). D e acordo co m o Pelagianism o. pois ela pode ser alcançada por m eio da nossa livre-escolha. sob o estigm a do pecado de Adão. M esm o assim. Cada ser h u m an o esteve p resen te. u m teó lo g o reform ad o da H olanda — apesar do “A rm in ian ism o ” tam b ém guardar sem elhanças co m u m a visão ch am ad a de “Sem ip elag ian ism o”. A m o rte espiritual e etern a som ente pode ser ativada pelos nossos pecados pessoais. 420 d . e.). O Arminianismo Esta perspectiva recebe o seu n o m e de seu p ro p o n en te principal. os seres hu m anos fo ram sim plesm ente criados m ortais. D eus não precisou prover para eles u m m eio de salvação. Jacó A rm ínio (1560-1609). bem co m o todos os seus descendentes naturais — são to ta l e com p letam en te depravados. e seria m ais apropriadam ente d en om inad a de “W esleyanism o. cu jas supostas idéias (e/ou dos seus seguidores) sobre o assunto fo ra m condenadas pelo C o ncilio de C ártago (416-418 d. é difícil indicar u m a ú n ica pessoa que defenda todos os elem en tos aqui listados. su sten ta que todas as pessoas nascem depravadas e não podem . o ú n ico legado de Adão aos seus d escendentes foi o seu m au exem p lo. Todavia. C on h eced or disto.” C o m o as variantes n o cam po do A rm in ian ism o geral apresen tam diferenças significativas. p o rtan to .). A extensão desta depravação (e.

Em contraste com o que insiste o Calvinismo Radical. tanto de form a legal.6. a im agem espiritual de D eus5 1 nos seres hum anos não foi som ente m anchada.50 De acordo com o Calvinism o firm e. mas co m p letam en te d estruíd a— não som en te obscurecida. quanto à eterna. Em co m u m com o Calvinism o Firm e. regenerar o pecador (co n tra a sua própria vontade) antes deste ser salvo. é irresistível som ente debaixo da vontade do destinatário. e. c o m o títu lo . e n tre ta n to a B íb lia n ã o faz esta d istin ção. o Calvinism o M oderado defende que herdam os u m a culpa legal do pecado de Adão e que som os legalm ente (e/ou n a tu ra lm en te) ligados a ele. e o q u e n ã o a cred ita . salvo Cristo. C o m o resultado da opção que Adão fez pelo m al. caso não se irrependam de seus pecados. herdam os a natureza pecam inosa — a culpa de Adão é im putada para toda a sua posteridade. D eus precisa. já que Ele é o único que lhes pode salvar. Richard Watson (1781-1833). a graça de Deus não opera de form a irresistível sobre todos (ou somente sobre os eleitos). Esta culpa som ente pode ser sobrepujada pela graça salvífica de Deus. sem exceção. a graça de Deus opera deforma suficiente sobre todos. A pessoa n atu ral é incapaz de com preend er ou de reagir ao evangelho. m orrerão eternam ente. p o r estar co m p letam en te m o rto nas suas transgressões e nas suas ofensas (to ta lm en te depravado). seu antecessor. As teorias wesleyanas foram apresentadas pelos teólogos H. Esta visão afirm a que não som ente nascem os depravados. ou seja. A im a g e m ú n ic a de D eu s c la ra m e n te p e rm a n e c e n o s seres h u m a n o s decaídos (p o r e x e m p lo .” 51 A lg u n s calvin istas firm es falam e m u m a “se m e lh a n ç a n a t u r a l” c o m D e u s q u e te ria re sta d o n o s seres h u m a n o s decaíd o s. por m eio da sua graça irresistível. é u tiliz a d o p ara m a r c a r alg u m a s d istin ções e n tre e ste g ru p o e o C a lv in ism o R ad ical (o u “U ltr a c a lv in is m o ”). G n 9 . O rton Wiley (1877-1961) —um teólogo de tradição Arm iniana (Wesleyana) —e. de acordo com o Calvinism o M oderado. Tal qual oco rre no Calvinism o M oderado. e que todos. A imagem de Deus nos seres humanos está tão obscurecida que eles precisam da sua graça para superar isto e se m overem na sua direção. a graça de D eus não é m eram en te suficiente para todos. e N ão In te n siv a . mas que som os totalmente depravados. ao passo q u e a im a g e m esp iritu al teria. ela é eficiente para os eleitos. vide co n tin u a ç ã o d o te x to . O Calvinismo Firme O Calvinism o Firm e está na extrem idade oposta do Pelagianism o. sofrem a m o rte espiritual e enfrentarão tanto a m o rte física.49 o Calvinism o M oderado sustenta que todos os seres hum anos pecaram em Adão. T g 3. 50 Para u m a e x p lica çã o ac e rc a de c o m o os calvin istas m o d e ra d o s e os calvin istas firm es fa z em uso d a m e sm a exp ressão “dep rav ação t o t a l” a trib u in d o a e la significad os diferen tes. O Calvinismo Moderado D iferentem ente do A rm inianism o.OS EFEITOS DO PECADO W) 123 O Arminianismo (Wesleyanismo) acredita que todos os seres hum anos nascem tanto com a propensão ao pecado. é incapaz até m esm o de cooperar com a graça salvífica de Deus. a qual. e n tre o g ru p o q u e a c re d ita n a d u p la p red e stin a çã o . todos os seres hu m anos. Ao contrário. Para ser efetiva. aguardando a sua livre-cooperação antes de se tornar salvificamente efetiva. s u p o s ta m e n te . quanto com a inevitabilidade da m orte física. mas extinta para todos os propósitos práticos. a graça de Deus precisa con tar com a cooperação por parte do destinatário sobre o qual ela foi m anifestada. O pecado de Adão foi im putado a toda a raça hu m ana. todas as pessoas nascidas a partir de Adão. entretanto. sido extin ta . quanto natural. e o pecador. M as N ão E x tin ta ” e “A D e p ra v a çã o T o ta l é E xten siva. . sob o títu lo “A Im a g e m de D e u s n o s Seres H u m an o s F oi O b scu recid a. aquelas que não são 49 O “C alv in ism o F irm e ”. salvo quando são salvos.9). A lém disso. estão m ortas.

o Arminianismo (Wesleyanismo). na prática. necessidade da morte Morte Gerada O queé imputado Espiritual e eterna O nosso próprio pecado Física e Espiritual O nosso próprio pecado (ratijicanws o pecado de Adão) Obscurecida Propensão ao pecado. entretanto. somente um número reduzido de pessoas selecionadas (os eleitos) a quem Deus regenera de maneira irresistível— o que significa que estes não tem outra opção— serão capazes de compreender e crer no evangelho. Estas diferentes perspectivas podem ser resumidas na tabela a seguir: VÁRIAS PERSPECTIVAS A RESPEITO DA DEPRAVAÇÃO HUMANA Pelagianismo Estado ao Nascimento Capacidade Capaz de obedecer a Deus Nenhuma De maneira nenhuma (mas pecamos à semelhança de Adão) Herança de Adão Seu mau exemplo Propensão ao pecado. já que negam até mesmo a possibilidade dos não-salvos terem a capacidade de compreender e/ou aceitar o evangelho. As raízes do Calvinismo Firme remontam aTheodore Beza (1519-1605). Todavia.12) Imagem Espiritual de Deus Efeito da Graça Mantida Nenhum Suficiente para todos Irresistível debaixo da vontade Irresistível contra a vontade. espiritual e eterna 0 nosso próprio pecado. necessidade da morte Física. junto com o de Adão Obscurecida Necessidade do pecado. o Calvinismo Moderado e o Calvinismo . sua visão remonta a este princípio. junto com o de Adão Extinta* Capaz de cooperar com Deus Potencial Potencialmente (ou seminalmente) Inocente Arminianismo Depravado Calvinismo Moderado Totalmente Depravado (Extensivamente) Capaz de cooperar com Deus Legal (e/ou real) Legalmente (e/ou naturalmente) Calvinismo Firme Totalmente Depravado (Intensivamente) Incapaz de cooperar com Deus Real (e/ou legal) Naturalmente (e/ ou legalmente) Culpa “Em Adão” (Rm5. E claro que existem outras nuances e variações destas posições. para o Calvinismo Firme.124 H TEOLOGIA SISTEMÁTICA resgatadas enfrentarão tanto a morte física quanto a eterna. * Muitos calvinistas firmes negam este princípio. necessidade da morte Física. mas. espiritual e eterna O nosso próprio pecado. o Pelagianismo. e teve o seu auge com Jonathan Edwards (1703-1758).

a com eçar por Gênesis 1. O s E fe ito s d o P eca d o S o b r e a Im a g e m de D e u s n o s S e res H u m a n o s Várias passagens falam que os seres hum anos foram criados à im agem de Deus. De fo rm a sem elhante. não som os tão bons quanto deveríam os ser (de acordo com a natu reza perfeita de D eus e co m a perfeição co m a qual fom os criados).5 2 P ortanto. A relação en tre o pecado e esta im agem é teologicam ente im portante. e n ão p a rcia lm en te depravados.10). feitos à sem elh ança de Deus: de u m a m esm a boca procede bênção e m aldição. tam bém tem os o m an d am ento para não am aldiçoar outras pessoas. Cl 3. mas não Extinta M esm o no seu estado d ecaíd o. separados de Cristo. seja ela salva ou n ão-salv a: “Q u em d erra m a r o sangue do h o m e m . a im ag em de D eus nas pessoas foi d anificada. esta p ro ib ição (c o n tra o seu assassinato) não faria q u alqu er sentid o. mas sim que. é neste sentido que a hum anidade pecam inosa é apropriadam ente descrita pelo Calvinism o m oderado com o “to talm en te depravada.” Isto não significa que os seres hu m anos decaídos sejam pecadores no m áxim o da sua potencialidade. Até m esm o o m ais vil dos seres h u m an os re té m algo da im agem de D eus. A Depravação Total E Extensiva. os efeitos do pecado sobre os seres h u m anos são vastos e ditusos. A Imagem de Deus nos Seres Humanos Foi Obscurecida. ou seja. pois elas tam bém foram criadas à im agem de Deus. e isto seria o m esm o que am aldiçoar a representação do próprio Deus: “C o m ela bendizem os a D eus e Pai. A B A SE B ÍB L IC A P A R A O S E F E IT O S D O P E C A D O H U M A N O D e acordo com a Bíblia. m as não extin g u e a im agem de D eus nos seres hu m anos.27 (cf. apesar dela em m u ito s casos estar bastante afetada.1. p o rq u e D eus fez o h o m em c o n fo rm e a sua im a g e m ” (G n 9. p elo h o m e m o seu sangu e será d erram ad o. 5. M eus irm ãos. m as não elim inada.10). Se as pessoas n âo-salv as n ão co n tin u a ssem sendo a im ag em de D eu s. e com ela am aldiçoam os os hom ens. teológicas e históricas favorecem a visão calvinista m oderada. não Intensiva C om o o ser hu m ano foi feito à im agem de Deus. 9. O pecado atingiu o cerne real do nosso ser. O pecad o p e n e tra e p erm eia o nosso ser co m o u m to d o . e pode ser resum ida em dos tópicos principais. tod os os aspectos do nosso Vide capítulo 2 .6. é p o r este m o tiv o que som o s proibidos de assassinar q u alqu er pessoa. Em sum a.6). e com o o pecado afeta a pessoa n a sua totalidade. Os seres h u m a n o s nascem c o m p le ta m e n te . C o m o já expend id o.9. o pecado obscurece.OS EFEITOS DO PECADO |§) 125 Firm e representam as quatro posições mais m arcantes. os seres h u m a n o s co n tin u a m sendo a im agem de D eu s. m as n ão foi co m p le ta m e n te d estruíd a p elo pecad o. a prim eira coisa a ser dita é que o efeito do pecado sobre a im agem de Deus nos seres hum anos decaídos é difusa. não convém que isto se faça assim ” (T g 3. corrom p end o a totalidade da nossa natu reza — nada foi poupado. estendendo-se a todas as dim ensões do nosso s e r . C o m o as análises anteriores e r isteriores d em onstram . as evidências bíblicas. a sua im agem está m anch ada.

Por u m lado. de buscar a Deus. A depravação trouxe escuridão espiritual e cegueira para os incrédulos. Iro n ica m e n te . Os Efeitos Volitivos do Pecado Humano O pecado deixa a sua m arca inconfundível não som ente sobre a m en te hu m ana. n e m q u alqu er u m a das suas p o ten cialid ad es essenciais. sois luz no S e n h o r” (E f 5. assim Deus os entregou a u m sen tim ento perverso.28). "m e n te ". Isto sign ifica dizer q ue. co n tin u a m sen d o a im a g em e se m e lh a n ç a divina. p o r co n seq ü ên cia . p o rta n to . apesar de serem decaídos e.46). sem o im pulso da graça divina. N e n h u m a responsabilid ad e m o ra l pode ser atribu íd a a u m ser que n ão te m n e m capacidade. Paulo fez lem brar à igreja de Efeso: “Porque. do m esm o m od o que foram as m entes dos seus descendentes. de sen tir e de to m a r decisões (vide abaixo). os seres h u m a n o s decaídos co n tin u a m capazes de ra cio cin a r.11).126 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA ser são afetados p elo pecad o. eles n ão p erd eram q u alqu er das suas capacidades in eren te s à p ersonalid ad e. M as.” en tão a pessoa que teve o seu c o n h e c im e n to e v o liçã o elim in ad o s n ão será m ais capaz de p ecar. mas tam bém sobre a vontade dos h om ens. A pesar d esta d epravação difusa ser extensiva. Os Efeitos Noéticojis do Pecado Humano O pecado tam bém tem efeitos n oéticos53 sobre os seres hu m anos. 53 D erivad o do te r m o G re g o nous. mas. dessa fo rm a . n e m habilidade m o ra l. E x istem cria tu ra s sem esta capacidade. ela n ã o te ria acesso ao b em (já que só o m al lh e estaria d isponível). Por e x e m p lo . . n ou tro tem po. para fazerem coisas que não conv ém ” (R m 1. para que todo aquele que crê em m im não perm aneça nas trevas” (Jo 12. Jesus disse: “Eu sou a luz que vim ao m u nd o. eles continuam h u m an o s e. co m o eles se não im p ortaram de ter co n h ecim en to de Deus. que é a im agem de D eu s” (2C o 4. Ele disse aos C oríntios que “o deus deste século cegou os entendim entos dos incrédulos. não há nin g u ém que busque a D eu s” (R m 3. d eixariam de ser pessoas. Paulo coloco u nas seguintes palavras o que o co rre com a m en te pagã: “E. N e n h u m e le m e n to da n a tu re z a h u m a n a fica de fo ra p elo m al que herd am os. Q uando Adão escolheu o m al. ela n ão é intensiva. para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo. se lev arm o s a depravação to ta l ao seu e x tre m o . apesar do nosso estado decaído afetar todas as d im en sões da n ossa n a tu re z a h u m a n a . A t 26.18). éreis trevas. apesar de sem pre nos restar algo da perfeição original. agora. ele n ão d estrói a nossa n a tu re z a h u m a n a p o r co m p le to . incapazes de in icia r ou a lca n ça r a sua p ró p ria salvação. m as estas são anim ais su b u m an o s e p lan tas q ue n ão p o d em p ecar.8). O objetivo da salvação é “abrir os olhos e converter as pessoas das trevas à luz e do poder de Satanás para D eu s” (cf.4). pois. Pois se a depravação total significar “a d estru ição da nossa capacidade de c o n h e c e r e e sc o lh e r o b em sobre o m a l. Se h ou vessem perd id o. a vontade h u m an a não é capaz. O resultado é que existem várias ações que a vontade hu m an a é incapaz de produzir sem o auxílio externo. acab arem os p o r d estru ir a capacidade da p ró p ria pessoa em ser depravada. em fu n çã o do pecad o. a sua m en te foi obscurecida pelo pecado. Paulo declarou: “Não há n in g u ém que entenda.

a vontade hu m ana não é capaz de iniciar a nossa salvação. NPNF. da vontade da carne. se o recebeste. 1. se a pessoa é decaída. pela vontade hu m ana. co m o de nós m esm os.12. Apesar de Deus ajudar na nossa escolha. Deus não deseja som ente que todos se salvem (1 T m 2. isto é . de fato. quanto Calvino reconheceram que a vontade hum ana é livre nas : : isas “terrenas”. em parte. Ele proporciona o ím peto e a assistência. C o m relação à acusação de que até m esm o o ato de receber a salvação com u m dom de Deus seria considerado m e ritó rio . Primeiro. . “não que sejam os capazes. 1. grifo acrescentado) Os Efeitos do Pecado sobre a Natureza Humana A pessoa hu m an a apresenta u m a natu reza hu m ana. existe liberdade em questões sociais e morais. significa. de que forma poderiam ser feitas acerca do dom da fé. . que se : : m padece” (R m 9. João declarou . C o m o tam b ém já vim os. alcançar a nossa própria salvação: ‘Assim. da liberdade do recebedor. somos livres para decidirmos se recebemos ou rejeitamos o dom da salvação (R m 6. mas de D eu s” (Jo 1. em parte. -m iticam ente que os crentes são “filhos de Deus [. ela é um a deliberação nossa.365-66. som os -r. mas precisam os : ?m ar a decisão de crer por nós m esm os.Tes para escolherm os um a escola. com as quais ele poderá manter-se a si mesmo e à sua família. n e m do que corre. em bora decaídos. pela graça de Deus. Além do mais.9) com o : im bém dá a todos a capacidade de se decidirem pela fé 0 o 1. não é Ele quem a to rn a real — n final das contas. Por exem plo. u m em prego.. da liberalidade do Doador e.23). são capazes de fazer. apesar da vontade hum ana ser incapaz de desejar as coisas do alto.11:377) E claro que o nosso ato de fé é im pulsionado e auxiliado por Deus “E que tens tu que não tenhas recebido? E. pois. existem certas cocas que..4. por que te glorias co m o se não o houveras recebido?” (1 Co 4.^creditado a n ós. T VJA. por nós. M esm o sendo D eus quem impulsiona o nosso ato de fé. Com o analisamos. mas a nossa capacidade vem de D eu s” (2 Co : 5 .] Se estas afirmações não puderem ser verdadeiramente feitas acerca de um mendigo que recebe esmolas.OS EFEITOS DO PECADO ^ 127 A lém disso. logo. cujo recebimento exige atos muito maiores da Graça Divina! (Armínio. tanto Lutero. a sua ~ -tu reza tam bém é decaída..16). de pensar algum a coisa. João Crisóstomo assim colocou esta situação: Para respondermos a todos os que insistem em perguntar: “Como podemos ser salvos sem contribuir com nada nessa salvação?” Paulo nos mostra que.” apesar de não ser possível ao segundo a posse dela não fosse pelo estender da sua mão? [. os seres hum anos. tam bém som os livres para cuidar ou descuidar de nossos filhos. de fato. n em da vontade do varão. D a m esm a form a que somos incapazes de crer sem a graça de Deus. Será que isto deixa de ser umpresentepuropelo simplesfato do mendigo estender a sua mão para recebê-lo? Será que poderíamos dizer com propriedade que “as esmolas dependem. I im b é m não podem os.54 Um homem rico entrega esmolas a um mendigo faminto e miserável. temos uma grande dose de contribuição nela — entramos com a nossa fé! (in Schaff. Todavia.13).. Ele não to m a a decisão por nós. u m com panheiro para dividirmos a n : ?sa vida. mas de Deus. isto não depende do que quer. tam bém não podemos receber a graça da salvação de I\ rU S sem crer.] os quais não nasceram do sangue. Mas o que exatam ente significa o fato de possuirm os um a r_itu reza decaída? Iniciarem os vendo o que isto.7). 2 Pe 3.12).

CONCLUSÃO Os efeitos do pecado são extensivos. tam bém não seriam os responsáveis p o r eles — m as o fato é que som os. Quarto. segundo as suas obras” (cf. pois o pecado se espalhou por todas as partes do nosso ser. não som os capazes de m erecer um lugar no céu perfeito de Deus. não som os tão bons quanto deveríam os ser. cada indivíduo é to talm en te depravado. não poder ser evitado. C o m o Calvino co rretam en te observou: “E inquestionável que o livre-arbítrio não capacita qualquer h o m em a executar boas obras.11-13). Ele não som ente deseja que todos se salvem .3.19).16-18). Na ocasião op ortu na. desse m odo. co m o tam bém proporciona esta capacidade para todos que isto desejarem (Fp 2. possuir u m a natu reza decaída significa que o pecado é natu ral para nós. e por fim. Apesar de a vontade h u m an a ser incapaz de crer por si m esm a na salvação.128 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA Primeiro. possuir u m a natu reza decaída significa que. possuir u m a natu reza decaída não significa que não ten h am o s opção n o caso da nossa salvação.23).2. andam errados desde que nasceram . num sentido geral.12. se não for assistido pela graça” ( IC R . possuir um a natu reza decaída não significa que sejam os n o m áxim o da nossa potencialidade. quanto sobre cada indivíduo em particu lar (R m 3.3). e por fim. todavia.13) o dom im erecido da salvação.2. A hum anidade inteira é decaída e irredim ível. Segundo. possuir u m a natu reza decaída não significa que não sejam os capazes de evitar o pecado: se n ão fôssem os. Apesar do pecado. tan to a respeito da hum anidade com o u m todo. possuir um a natu reza decaída significa que não som os sim plesm ente pecadores por que pecam os. possuir u m a n atu reza decaída n ão significa que algum tipo específico de pecado seja inevitável. Terceiro. . Terceiro. com o até m esm o os calvinistas firm es concordariam . possuir u m a natu reza decaída significa que nascem os desta fo rm a (SI 51.12). proferindo m entiras” (SI 58.8-9) a nossa vontade torna-se capaz de recebê-la (Jo 1.5). Em sum a. pela graça de Deus (E f 2. continu arem os a ser pecadores por natu reza e por prática e.9). ele é u m a inclinação básica. m as que pecam os porque som os pecadores. quanto ao descrente (T t 2. 3. A nossa liberdade de decisão não inicia (1 Jo 3. n em é capaz de alcançar (Jo 1. tanto ao crente (1 C o 10. salvo pela graça de D eus (T t 3.8. todos os que têm vontade de receber o dom de Deus. o pecado m anifestar-se-á. m as que. E f 2. A lém disso. Não im p orta o quanto ten tem os ser bons. E f 2.13). Som os responsáveis por todos os pecados que com etem os. O salm ista diz: “A lienam -se os ím pios desde a m adre. cf. fazem -n o sob o auxílio da sua graça. possuir u m a natu reza decaída significa que som os incapazes de salvarm os a nós m esm os. pecarem os. inevitavelm ente. N inguém precisa ser ensinado a pecar. 1. possuir u m a natu reza decaída não significa que o pecado seja algo desculpável. co n fo rm e já vimos. Na verdade: “cada u m de nós dará con ta de si m esm o a D eu s” (R m 14. A graça de D eus sem pre está disponível para que possam os resistir ao pecado. O pecado não é m eram en te u m hábito adquirido. en tretan to . e “os m o rto s [serão] julgados pelas coisas que [serão]escritas nos livros. Ap 20.12). Quinto. existem tam bém várias coisas que a posse da natu reza pecam inosa não significam: Primeiro. pecado específicos são evitáveis. co m o já foi dem onstrado.5-7. C ontu do. Quarto.6).13). Segundo. sem a m ediação de Jesus Cristo.

Corpus Scriptorum Ecclesiasticorum Latinorum. and Baptism. Ireneu. -------. Jerônim o. P ortanto. Am brosiastro. Commentary on Romans. Apesar dessa depravação não significar que todos os seres hu m anos sejam potencial e extrem am en te m aus. Cirilo de Jerusalém . ACCSNT. . Lutero. Radm acher. FONTES A m brósio. ela significa que eles não são tão bons quanto precisariam ser. ACCSNT. Schaff. e isto inclui a nossa m en te. e som en te a graça. --------. Summa Theologica. con form e citação feita por O den. Philip.OS EFEITOS DO PECADO f f 129 Som os pessoas decaídas. ed. Epistle to the Galatians in Fathers o f the Church con form e citação feita por Oden. João C risóstom o. 1648. A graça. C. João. ACCSNT. The Ante-Nicene Fathers. ed. Interpretatio Omnium Epistolarum Paulinarumper Homilas Facta in O d en . Earl. Calvino. Thefustifcation Reader. Roberts. Teodoreto de C irro. A nselm o. On the Death o f His Brother Satyrus in Jerom e. --------.. Alexander e Jam es D onaldson. a graça de D eus é a ú n ica força no universo que pode transp or airredim ibilidade natu ral dos seres hu m anos. ACCSNT. Confissão de Fé de Westminster. Stromata. Salvation. The Writings o f fames Arminius. Oden. Orígenes. ed. Lewis. Thom as. C o n fo rm e citação feita em CSEL in Oden. F. a nossa vontade e o nosso corpo. --------.JR . Clem ente de Alexandria. The Problem o f Pain. S. A gostinho. Homilies on Ephesians in Schaff. Tom ás de A quino. Jacó.11-13). The Nicene and Post-Nicene Fathers. Commentary on Ephesians. Bondage o f the Will. A rm ínio. Interpretation o f the Letter to the Romans in Patrolia Graeca con form e citação feita por Oden. On Forgiveness o f Sins. Cur Deus Homo. Fathers o f the Church con form e citação feita por Thom as Oden. as nossas em oções. Catechetical lectures. Ancient Christian Commentary on Scripture: New Testament. pode superar os efeitos graves e devastadores do pecado (T t 2. Against Heresies.. “S om en te a graça” (n o latim : sola gratia) é a ún ica cu ra para a depravação to tal da hum anidade. A Cidade de Deus. Andent Christian Commentary on Scripture. NPNF. Institutos da Religião Cristã. M artin h o. Field.

5 V id e v o lu m e 2.2 OS PRÉ-REQUISITOS DO PLANO DIVINO Por ser u m Ser e tern o . D O PLANO DIVINO PARA A DERROTA DO MAL1 O plano de Deus para d errotar o m al foi elaborado nas câm aras conciliares da eternidade. Para perm itir o m al a fim de proporcionar u m bem ainda m aior. D essa fo rm a . os asp ectos b íb licos e h istó ric o s estã o in terlig ad os. Para que o m al fosse conquistado. E preferiu d errotá-lo progressivam ente em vez de fazê-lo de fo rm a instantânea. p rom ovend o. o aperfeiçoam ento de suas :riaturas livres.4A lém disso. m as d errotá-lo. Estas criaturas foram criadas em duas categorias: os anjos (constituídos som ente de espírito) e os seres hum anos (constituíd os de espírito/corpo). c a p ítu lo 15. desde o princípio havia a garantia de que Deus honraria o livre-arbítrio que concedeu às suas criaturas. capítu lo 4. .CAPÍTULO SEIS A DERROTA DO PECADO eus preferiu não aniquilar o pecado.7 e a sua onisapiência (sua qualidade de ser Todo-sábio) é a segurança de que Ele optaria pelo m eio mais sábio para cu m prir os seus propósitos. Deus precisaria criar criaturas livres. Por fim .3 o seu plano foi desejado por toda a eternidade. prim eiro ele precisaria ser perm itido. mas as duas principais envolvem (1) a liberdade que Ele concedeu aos seres hu m anos e (2) o seu desejo de produzir algo que mais se assem elhasse a Si m esm o mais divino) a partir deste processo. ■ E sta c a p ítu lo fo g e do fo rm a to n o r m a l (d esta série) ao tra ta r das evidências bíblicas. O plano de D eus parece ser a d errota do m al sem i destruição da liberdade. p o rta n to . por ser onipotente. já q u e se tra ta de u m re s u m o e u m a a m p lia çã o d o tra b a lh o -b a se já e x p o sto n o s o u tro s ca p ítu lo s. desde o princípio tam b ém era certo que Ele haveria de cu m p rir o seu propósito. e está calcado em vários outros atributos divinos. 3 Vide v o lu m e 2. 7V id e c a p ítu lo 3. 4 Vide v o lu m e 2. 2Vide v o lu m e 2. o restante não passa de especulação. c a p ítu lo 8. te o ló g ica s e h istó rica s de m a n e ira separada. co m o já vim os.5 E. ao passo q u e os a sp ecto s h istó ric o s p o d e m ser e n c o n tra d o s e m outras áreas (qu e serão adiante citadas). 6 Vide v o lu m e 2. capítulos 19-20. c a p ítu lo 7. a liberdade de Deus nos garante que Ele não foi forçado a fazer o que fez. por ser T od o-am oroso (oniben evolente). Por ser onisciente.6 E. Deus sabia com o tudo ocorreria desde o princípio. sim ultaneam ente. Há m uitas razões p jssíveis para isto.

optariam pelo m al. segundo o seu con h ecim en to prévio. q u e inevitavelmente t e n h a q u e p ecar. co m o u m Ente livre. Ele poderia não ter criado este m undo. (V id e v o lu m e 4. por que Ele criou livrem ente u m m u nd o com criaturas livres que. m esm o que elas tivessem escolhido fazer diferente (e m função do seu livre-arbítrio). estaria isento de qualquer m al m oral. C o m o onisciente D eus já havia previsto o m al e. o S en h or deve ter tido u m bom propósito para fazer o que fez.9 Todo-bondoso e livre — de acordo co m a sua própria n atu reza — . 8 Este p ro b le m a é m a r c a n te p ara u m ev a n g é lico . a fim de im pedir o m al. Seguram ente. c a p ítu lo 10). Terceira Alternativa: Ter Criado um Mundo Livre no qual ninguém Pudesse Optar pelo Pecado Deus tam bém poderia ter criado u m m u nd o no qual nin g u ém jam ais pudesse se decidir pelo m al. parece u m a decisão sensata. não optariam pelo m al. seria preferível. Quarta Alternativa: Ter Criado um Mundo Livre onde ninguém Tivesse a Permissão para Pecar Deus é Todo-poderoso. o exercício deste poder. Segunda Alternativa: Ter Criado um Mundo onde não Houvesse Liberdade A lém disso. sim plesm ente. 9 C o m o D eu s é o n isc ien te (vide v o lu m e 2. isto teria sido m e lh o r para o m u nd o. e co m o u m D eus Todo-sábio Ele deve te r optado pela m e lh o r fo rm a de fazê-lo. co m o u m Deus Todo-bondoso. pois. sabidam ente. c a p ítu lo 8). te m . Primeira Alternativa: Não Ter Criado Nada Se D eus é onisciente. Este tipo de m u nd o parece ser u m aperfeiçoam ento do m u nd o m al onde vivem os.132 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA O PROPÓSITO DO PLANO DE DEUS Se Deus sabia que o m al surgiria. 1 0 O u seja . principalm ente quando observam os as criaturas livres com perm issão para pecar de fo rm a tão destrutiva. já q u e a d o u trin a o r to d o x a d o castig o e te r n o (vide v o lu m e 4 ) p o stu la q u e m u ita s pessoas jam ais serão salvas e so frerã o de fo rm a c o n s cie n te u m t o r m e n to e te r n o . P ortanto. então Ele poderia ter preferido outras opções. U m m undo assim. Esta decisão teria im pedido toda a m aldade que existe neste m u nd o e. 1 1 O u seja. e poderia ter criado criaturas livres sem a possibilidade de in co rrer em pecado. por não possuir seres livres. por que Ele insistiu em executar a criação? Ele era livre para criar ou não criar. então por que preferiu criar u m m u nd o que. m uitas das quais jam ais se recuperariam ?8 Os críticos n o rm a lm en te alegam que existiriam outras (m elh ores) alternativas para Deus. con form e Ele já sabia. E le sabia o q u e a c o n te c e ria caso criasse e ste m u n d o . e parece que Ele poderia. Deus poderia ter criado u m m u nd o am oral no qual o pecado n ão existiria. a possibilidade de p ecar. C o m o D eus não deseja o m al e tem poder para evitá-lo. p o rtan to .1 1 Deus sabia quem pecaria e quem não pecaria. ter criado aqueles que. O fato de u m a pessoa livre poder pecar1 0não significa que ela irá p ecar. cairia sob o poder do pecado? Isto parece se chocar co m o caráter Todo-bondoso e Todosábio do Sen h or.

(5) Logo. ou (e) criar u m m undo onde houvesse pecado. eventualm ente. (4) E fazer m enos do que o m elh o r que podem os fazer é u m ato de maldade. optássem os por sua m elh oria. A com preensão deste plano se descortinará à m edida que cada um a destas alternativas :or sendo abordada por nós. D eus op tou por u m plano que proporcionaria o m aior de todos os bens.: m esm o tem po em que incluiria o tem po e as circunstâncias necessárias para que dele i r rendêssem os nossas lições e. (3) C o m o Deus não escolheu um a destas opções “ap arentem ente m elh ores. sem que o livre-arbítrio fosse destruído nesse processo.” Ele m erece ser acusado de não ter feito o m elhor. Deus não escolh eu n en h u m a destas alternativas supostam ente m elh ores. mas no qual todos. (3) Por ser Ele m esm o o m aior B em de todos. m uitas das quais não seriam salvas ao final. mas no qual todos eventualmente se Salvem Por fim. Ele sim plesm ente precisa fazer o bem . isto r r : porcionaria u m m u nd o livre de maldades. Mas criou u m m u nd o de criaturas livres que pudessem pecar. . (d) criar u m m u nd o livre onde não fosse possível se pecar. dessa form a. (b) não criar u m m undo livre. j pecado? U m m u nd o assim teria a vantagem de p erm itir a liberdade de se fazer o m al. E o que Ele fez ao criar este m undo foi bom . Alguns teólogos questionam a quarta premissa acim a ( “Fazer m enos do que o m elhor que podem os fazer é um ato de m aldade”). Deus fez uso do m aior m eio possível para atingir o m aior bem possível. mas no qual todos seriam salvos ao final. que n enhu m a destas alternativas teria sido m e lh o r do que a escolhida por Deus: (1) Na sua infinita sabedoria e bondade. m esm o que algumas coisas pudessem ter sido ainda m elhores. tam bém seriam resgatados . (2) Deus considerou que o plano que resultaria n o bem m aior seria dar perm issão ao m al. O p roblem a para o teísta cristão pode ser resum ido da seguinte form a: 1) Deus poderia ter escolhido u m a alternativa a este m undo (o qual con tém criaturas livres para pecar) ao: (a) não criar m u nd o algum .A DERROTA DO PECADO # 133 Quinta Alternativa: Ter Criado um Mundo Livre onde o Pecado Acontece. a fim de que este fosse derrotado. . precisarem os d em onstrar. (4) A lém de tudo. D eus desejou o m aior bem possível para as suas criaturas livres. (c) criar u m m u nd o livre onde não haveria pecado. argum entando que Deus não é obrigado a fazer : melhor que pode. No final. (2) C ontu do. a partir de u m a perspectiva evangélica. O PLANO DE DEUS AO PERMITIR O MAL Em resposta. por que Deus não criou um m undo onde todos fossem livres e onde o r e : =do fosse possível. de acordo com a sua própria Palavra. u m Deus Todo-perfeito não existe.

O rno-ser n ã o e xiste e. Este é um erro de categoria. o argum ento do crítico é que a ausência de mundo teria sido m o ralm en te m elh o r do que este m und o. pelo m enos. é p roblem ática em função do caráter Todo-bondoso de Deus. e n tã o o c rític o p erd e to d a a base p a ra a sua o b je ç ã o de q u e D e u s deveria te r feito m e lh o r. o atyo (isto é. p o rtan to . . Ele tam bém não criou porque precisava criar (m etafísica ou m o ralm en te falando) — Ele. A criação foi u m a livre deliberação. já que ambas.134 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Esta possibilidade. sim plesm ente. Este erro é pior do que a com paração de maçãs com laranjas. contud o. independentem ente ou não da ausência de um m u nd o ou se o m undo existente seja u m lugar onde não haja liberdade. pertencem à categoria dos frutos. Deus não estava sob qualquer tipo de com pulsão para criar algo. 1 2S e D e u s p od e fazer m e n o s d o q u e o seu m e lh o r. 1 4 Amoral sig n ifica q u e n ã o será n e m 15 É ta m b é m im p o r ta n te o b serv ar q u e . com o u m m u nd o sem liberdade). com o na segunda alternativa. vem os u m erro de categorização. C om o já observam os (na resposta à prim eira alternativa). o s e r ) ta m b é m n ã o é m e lh o r d o q u e o n a d a ( o não-ser). n e m im o r a l. p o r ta n to . C o m o o m u nd o proposto não chega n em a ser u m m u nd o m o ral (seja.1 2 Resposta à Primeira Alternativa (Não Ter Criado) Em resposta a estas colocações. P or q u e Ele d everia t e r “feito m e lh o r . seja. u m m undo n ão-m oral não pode ser m o ralm en te m e lh o r do que u m m undo m oral. O corre que a ausência de mundo não se constitu i em um m undo m o ral (a ausência de m undo de form a algum a será u m m u nd o!) — ela será a m o ra l.” insistindo que “n en h u m a m açã” tem u m gosto “m e lh o r” ou “p ior” do que u m a m a çã . C om o o M elh or dos Seres poderia fazer m enos do que o melhor a ser feito? Ficaria a im pressão de que o Ser perfeito deveria. com o na prim eira alternativa. ta l c o m o se p e rg u n ta r q u al é o “g o s to ” da c o r azu l! m o r a l. necessariam ente. u m m u nd o sem liberdade não seria m o ralm en te m elh o r do que u m m undo livre. executar ações perfeitas. a verdade é que a ausência de um m undo não é m o ralm en te m elh o r do que a existência de u m m undo. algo e nada não guardam qualquer tipo de relação. de m a n e ira o p o sta . não existe base m oral para a com paração com o m u nd o criado por Deus. pois um m undo sem liberdade é um m u nd o n ão-m oral — o livrearbítrio é necessário para a existência da m oralidade.1 5 Portanto.1 3 A lém disso. criou porque desejou fazê-lo. pois u m op onente tam b ém poderia argu m entar que não seria b om que Deus perm itisse o m al no prim eiro m o m en to . criar não foi m elh o r do que não criar. Em todo caso. não podem ser com parados. pois tudo o que fo r inferior ao m elh o r não atinge o padrão daquele que é o M elhor.M Aqui. Só que os dois não estão no m esm o plano teológico ou id eológ ico. com o u m nãom undo. é necessário analisarm os as alternativas. Resposta à Segunda Alternativa (Ter Criado um Mundo sem Liberdade) D a m esm a form a. pois estaríam os alegando que um m undo am oral é moralmente melhor do que u m m undo m oral. n ã o existe u m a base de c o m p a ra çã o e n tre am bos. m as n ã o p o ssu irá m o r a l. já que Ele possuía algum as alternativas que tam bém resultaria na elim inação do m a l. Esta alternativa tam bém representa u m erro de categorização. Ele se aproxim a m ais de um a com paração de m açãs com “n en h u m a m açã.” se E le n ã o p recisa fa z er o m e lh o r? 1 3 U m erro de categorização é u m a falácia q u e o c o r r e q u and o u m a p essoa atrib u i a u m o b je to (o u a u m a idéia) ca ra cte rística s o u pro p ried ad es q u e e le n ã o possu i (o u n ão p o d e p o ssu ir). O nada não é m elh o r do que o algo. novam ente.

apesar de u m m undo livre no qual n in guém jam ais :p te p e lo pecado seja logicamente possível. obviam ente. pois. não se alcança a paciência sem a tribulação. de acordo : )m o que está claro nas Sagradas Escrituras. mas ninguém pecasse. Se. verdadeiram ente. P ortanto. poder-se-ia questionar se isto seria. ele. cara e coroa — e ao se girar a m oed a ela n u n ca parar na ::r o a .1 6Porém n em tudo o que é logicam ente rossível é verdadeiramente exeqüível. n em o perdão ísm o pecado. com toda certeza. p o rtan to . D e qualquer m aneira. se considerarm os que. na prática. E. Diante do que conh ecem os acerca da liberdade. já que a liberdade hu m an a para o pecado envolve a capacidade de to m ar o ru m o co n trário . Por exem plo. um terço deste nú m ero :±ria pecado. Este m undo presente. enquadra-se no critério e a objeção se torna irrelevante. criado por Deus com a perm issão ao pecado é um m u nd o bom . 1Vide capítulo 3.A DERROTA DO PECADO W 135 -. argum enta-se que Deus não tem de fazer o _ . é logicam ente possível que um a m itu r a livre jam ais in co rra em pecado. pelo m enos. com o um todo. ele. n em a m isericórdia sem a tragédia. o ?em m aior não pode ser alcançado sem que se p erm ita o m al. som ente é atingível ao se perm itir os m ales de prim eira ordem (inferiores) a fim de que se possa atingir os bens de segunda ordem superiores). seria possível que m esm o que Deus tivesse criado u m n ú m ero m en o r de anjos. este m undo teria sido. estaria desm oronada.esposta à Terceira Alternativa (Ter Criado um Mundo Livre onde ninguém Pudesse Optar pelo Pecado) zsta alternativa im plica na possibilidade da existência de u m m u nd o livre onde ningu ém possa se decidir pelo m al. envolve equívoco acerca da palavra possível. Todos estes bens m aiores dependem da perm issão da pré-cond ição para o m al. havia criado algum as pessoas que se decidiriam pelo m al. Logo. u m m undo onde n in guém (jam ais ) i exercesse de m aneira equivocada estaria além do altam ente im provável. de fato. nem a coragem sem o m edo. então esta objeção. Além disso. m elh or. ao contrário do que ocorre : :-m a m oeda. que em cada agrupam ento de seres. E claro que. e se Deus precisa alcançar : bem m aior (porque Ele é o B em M aior). é possível que Deus não tivesse criado exatam ente as pessoas que optariam pelo recad o. e se um m undo bom for suficiente. os seres humanos são livres para tomar um rumo adverso. se realm ente houve duas r : ssibilidades — por exem plo. Esta conclusão é questionável. O m elh o r m u nd o possível é aquele que atinge o m aior de todos os bens — o que. praticável. com o m encionam os anteriorm ente. não será verdadeiramente exeqüível. na verdade. conseqüentem ente. eu m elh o r e. n a sua infalibilidade. Por exem plo. não precisasse alcançar o bem maior. Em um a íirnação de onde as duas possibilidades fossem de 50 por cento. mas sim plesm ente : mundo bom . m esm o se Deus tivesse criado um m undo onde todos fossem livres. Se. D eus já antevia que em cada m undo verdadeiram ente livre Ele poderia ter criado. devem os suspeitar que a m oeda esteja adulterada. m esm o que seja logicam ente possível Deus ter criado um m undo no qual ninguém jam ais tivesse pecado. parece lógico que não seria m e lh o r Deus ter :p tad o pela criação de um m u nd o onde o pecado não ocorreria (m esm o que ele fosse “ erdadeiram ente possível). . alguns incorreriam nvrem ente em pecado. já que Ele sabia.

não som os livres. Deus pode. todavia.136 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA Resposta à Quarta Alternativa (Ter Criado um Mundo Livre onde ninguém Tivesse a Permissão para Pecar). u m m u nd o onde o pecado jam ais se m aterialize pode até ser concebível. livre do m al. m as não tem os a perm issão para fazê-lo. aparentem ente. 1 8 Esta é a essência da moralidade. Se fo rm os obrigados a não pecar. n e m pode im por-se a Si m esm o sobre a vontade do indivíduo. capítulo 7. u m m u nd o testado é m elh o r do que u m m u nd o que não sofreu os devidos testes.1 7É u m a contradição dizerm os que som os livres para pecar.1 9 E claro que. Em sum a. Por um lado. não existe com o experim entarm os a alegria de serm os perdoados sem que Deus conceda a perm issão para que caiam os n o pecado (por exem plo.36-48). Se todos forem verdadeiram ente livres. parece-nos que u m m u nd o assim seria moralmente inferior. m as onde todos se salvem . p o rtan to . p o r exem plo. Desse m odo. de fato. u m m u nd o livre onde todos pequem e depois se salvem é m esm o concebível. C o m o Deus é am or. ele não poderá ser derrotado. u n ilateralm en te e sem pre. m as pode. as pessoas não seriam livres — n ão existe u m a realidade onde a liberdade seja imposta. se o m al não fo r perm itido. são impossíveis). já vim os que a liberdade forçada é um . em outras palavras. em u m m u nd o pecam inoso onde a salvação universal o co rre em função da coação divina con tra a vontade do indivíduo é insustentável. todavia. desse m odo. na verdade. por natu reza. Ele não força. A exem plo do que ocorre n a alternativa três. Só reforçando u m exem plo an teriorm en te passado. não existe u m boxeador capaz de d errotar um adversário se não subir ao ringue e enfren tá-lo. se o m al não fosse perm itido. as virtudes mais elevadas não seriam alcançadas. A ún ica m aneira lógica pela qual o pecado pode ser evitado é havendo a incapacidade de se escolher ou tra fo rm a de conduta. A lém disso. a existência de u m m u nd o onde o pecado ocorra. pode ter perm itido o m al ju stam en te para pode derrotá-lo (e. e estas são. Deus é onipotente. Ou. apesar de ser teoricamente possível. U m a criatura m o ral. . u m m undo nesses term os não seja verdadeiram ente exeqüível. não som os livres para exercer outro tipo de conduta. sim ultaneam ente. ao final. Lucas 7. co m o n e n h u m a destas visões alternativas é necessária (e algum as. as rochas e os robôs. mas no qual todos eventualmente se Salvem). No que tange à visão de que D eus poderia te r criado u m m u nd o livre n o qual nin g u ém teria a perm issão para praticar o m al. estam os. apesar de u m m u nd o onde todos. A lém disso. sejam salvos porque.1 8 e é contrad itório se afirm ar que som os livres para exercer ou tro tipo de con d u ta e. sem pre será possível que em todos os m undos possíveis alguém se recusará a ser salvo. fo rm ar criaturas que não possam pecar. que são seres não-m orais. alcançar u m bem ainda m aior). não está dem onstrado que qualquer u m destes m undos hipotéticos 1 7Vide volum e 2. P ortan to. diante de u m a contradição. Deus. obviam ente. conceito absurdo. Ademais. m as pode não ser exeqüível. se D eus forçasse todos a se salvarem . é possível que diante do que Deus anteviu na eternidade acerca do uso do livre-arbítrio. 1 9Vide tam bém o capítulo 12. eventualm ente. é aquela que é livre para fazer as suas escolhas. mas m esm o u m Ser on ip oten te não pode fazer o que é con trad itó rio . recusar-se-ão a escolher o pecado seja. Resposta à Quinta Alternativa (Ter Criado um Mundo Livre onde o Pecado Acontece. vide capítulo 2. Tal qual ocorre com os autom óveis. não ser moralmente desejável.

poder-se-ia argum entar: (1) Se o M aior de todos os seres (D eus) decide criar um m u nd o m oral.2 1 O m esm o é verdade acerca da alternativa cinco. perde o apoio p ara o seu a rg u m e n to (d e q u e o m e lh o r m u n d o ain d a n ã o fo i p erceb id o. verdadeiram ente.) Em sum a. E a m m undo onde as pessoas são livres. vide v o lu m e 4. (7) U m D eus Todo-sábio precisa escolher a m elh or form a de se chegar ao m elh o r dos objetivos. p a rte 2. Seguram ente mundos am orais (não -m o rais) — A lternativas u m e dois — ^ não podem ser m o ralm en te 5’aperiores que este m u nd o m oral. r-la m e n te . De igual form a. o q u e p a rec e a ú n ic a coisa a p rop riad a ao M a io r de to d o s os S eres. este m u nd o m aligno atual é a m elh o r form a de se alcançar o objetivo do m aior de todos os bens. não significa que estam os convencidos que este nosso m undo presente seja : m elh or que possam os alcançar. mas pode não ser verdadeiram ente exeqüível. (E m esm o que . ele seria m o ralm en te inferior. o c rític o a c ia ç a d o . (3) Se e l e fo r necessário para que ele atin ja o m aior bem possível. u m m undo de liberdade fo r ç a d a -^ i-:e m a tiv a quatro — não se m o stra n em com o u m a alternativa logicam ente viável. se já a tin g iu . c o m o já v im o s. Isto. e a objeção (de que o m undo poderia ter sido m elh o r caso Deus tivesse escolhido um plano alternativo) perde o sentido. .20 R E SU M O D O S A R G U M E N T O S A FA V O R D E U M M U N D O A L T E R N A T IV O Analisando todas as possibilidades. ocorre. um m undo onde o m al é possível e no qual ele. então a perm issão deste m undo m aligno com o um a pré-condição necessária para que se alcance o m aior bem de todos seria a m elh o r alternativa. (2) Se ele não for necessário para que ele atinja o m aior bem possível dentro dele. O céu.-ternativo se apresentou superior ao m undo que Deus escolheu criar. os críticos não tiveram èsiTo em m o strar que Deus fez m enos do que o m elh o r ao criar este nosso m und o. ou (b) não necessário para que ele atin ja o m aior bem possível dentro dele. (4) Este m u nd o ainda não atingiu o m aior de todos os bens. pois pode ser que um m undo onde todos desejassem m. pois Deus ainda não concluiu o seu plano: Este m undo r sim plesm ente a m e lh o r m aneira possível de se chegar ao m elh o r m u nd o que se possa anaginar.Temente a salvação jam ais se materializasse. 19) É contrad itório forçar a liberdade para se atingir um objetivo m oral. o qual não poderia ser alcançado sem que tivéssemos o m al co m o pré-condição. então este m undo será: (a) necessário para que ele atinja o m aior bem possível dentro dele. então este m undo estará de acordo co m a descrição.22 5) Todavia. pudem os observar que n en h u m outro m undo i. ou seja. ou pudesse de to rn a r real. C o m o resultado.-osse viável. (6) U m Deus Todo-bondoso precisa cu m p rir o m elh o r dos objetivos. ele n ã o seria u m m u n d o n o q u al o m a io r b e m possível seria 22 O u . mas o m al jam ais oco rra — alternativa três — é -roricam ente concebível. 21 M e sm o que o fosse.A DERROTA DO PECADO <p 137 : í i m elh o r do que o m u nd o onde vivemos. (8) U m Deus Todo-poderoso pode atingir um objetivo que não envolva qualquer tipo de contradição.

se estiver. o m al ainda será derrotado (n o fu tu ro). Deus decidiu d errotar o m al de m aneira gradual. 23 V ide c a p ítu lo 12. o m elh o r m od o de se atingir o m u nd o m elh or. p a rte 2. . De acordo com a Bíblia. o qual sabia que se to rn aria im perfeito pelas livres-escolhas. tivesse feito o u tr a o p ç ã o ) p erd e o sen tid o. o que aqui ficou filosófica e logicam ente possível é. A lém disso. DEUS DESEJA. Ele decidiu perm itir o m al a fim de d errotá-lo. (1) Deus é Tod o-am oroso e deseja d errotar o m al. gerando assim u m bem ainda m aior. pois se ele assim o fizesse. sem destruir a nossa liberdade de decisão (livre-arbítrio). ou seja. 24 R e fo rç a n d o . Ele decidiu criar u m m u n d o perfeito — e livre — . de fo rm a que ele pudesse fazer surgir u m m u nd o ainda mais perfeito. aquilo que Deus decidiu fazer. (11) P ortanto. no tem po certo. é concebível que este m u nd o m aligno atual seja a m elh o r fo rm a possível de se alcançar o m elh o r m undo possível (ou seja [a] u m m u nd o no qual alguns sejam salvos e outros se percam e [b] onde o pecado seja derrotado e o m aior dos bens seja alcançado).23 que preconiza a salvação de todos (inclusive de alguns co n tra a sua própria vontade). Este m u nd o é o nosso destino prom etid o. apesar deste m u nd o presente ainda não ser o m e lh o r m undo possível. Ele escolh eu perm itir u m m u nd o que não seja o m elh o r m undo possível a fim de atingir u m que o seja. Em resum o. com o D eus é Todo-sábio. (3) O m al ainda não foi derrotado.25 O PROCESSO DE DERROTA DO MAL C o n fo rm e d em onstram os. e n tã o a o b je ç ã o (d e q u e p o d eria te r havid o u m m u n d o m e lh o r caso D eus 25 V id e v o lu m e 4. Ele tam bém teria que destruir todo o bem torn ad o possível pela liberdade. u m m undo onde (1) todos decidam livrem ente acerca do seu próprio destino e (2) onde o pecado seja etern am en te derrotado (n o in fern o) e a ju stiça reine etern am en te (n o céu). na verdade.24 (4) Logo. apesar do nosso m u nd o não ser o m elh o r m u nd o possível. derrotado. Em vez disso. PODE E IRÁ DERROTAR O MAL A própria natu reza de Deus nos assegura que o m al será. necessariam ente. Por conseqüência.138 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA (10) Logo. ele é. podem os ter certeza de que Ele escolh eu a m e lh o r form a de chegar àquele objetivo (à d errota do m al). O fato de D eus se Todo-bondoso e Todo-poderoso é a garantia desta conclusão. (2) D eus é Todo-poderoso e tem capacidade de d errotar o m al. O u seja. Assim. u m m u nd o n o qual o m al é perm itido é o m elh o r tipo de m u nd o a ser perm itido com o fo rm a de se produzir o m e lh o r tipo possível de m undos — u m m u nd o que não ten h a co n ten h a em si o m al. D eus escolh eu não aniquilar todo o m al im ediatam ente. na sua infinita sabedoria. é u m a contradição. o U niversalism o. D eus está fazendo isto em estágios ao longo das eras. Em outras palavras.

mas a natureza e o propósito : as dispensações. se ja s o b re p o sto p e lo p ró x im o . . Em : n a um a destas eras. Por exem plo._r a obediência com p leta a Ele é o ún ico cam inho verdadeiro para a satisfação eterna. O seu propósito inclui a subjugação do m al. a econom ia . Paulo afirm ou que “na dispensação da plenitude dos tem pos. A Natureza e o Propósito das Dispensações Se levarm os em conta o n ú m ero tradicional de sete dispensações. ou a que oco rreu depois do empo de Cristo. tanto í s que estão nos céus com o as que estão n a terra. sob a qual Adão e Eva foram testados. o teste foi em u m estado de pureza inocente.' i n a que Deus estabeleceu no Éden. No m ínim o.e Deus. a rm de aferir se os seres hu m anos guardariam sua obediência aos seus m andam entos. Ao falar do reino rndouro de Cristo. eles acabam falhando — sob as mais variadas condições. é a quantidade de dispensações que existem . m as as condições acir 25 quais as p essoas são testadas c o n tin u a m a té o fin al dos te m p o s. n a s . da m e sm a fo rm a q u e o g o v e rn o h u m a n o . depois A p eáf p eríod o.” Ela corresponde a u m período específico de tem po no desdobram ento do dram a da rruenção.” até m esm o aqueles que dispensam o ró tu lo. e assim p o r d ian te. Alguns estudiosos consideram este nú m ero m aior. I m a dispensação é um a “ordem divina das coisas” ou um “período de ad m inistração. D eus orquestra um a condição diferente. o que im p orta não é o número. p o rtan to . Seja co m o for. angélicos são “dispensacionalistas. obviam ente não é a m esm a que esteve vigente entre o Éden e M oisés. n ele [.26 Neste sentido. apesar d a q u e le p erío d o esp ecial (d e p ro v a ) te r te rm in a d o . este n ú m ero ap arentem ente de quatro ou cinco.. DISPENSAÇÕES \ Dispensação da Prova (Inocência) X o Jardim do Éden.1 0 -lla ). o propósito de Deus : ira derrotar o m al parece ter a seguinte form a: Em cada era ou período. praticam ente. depois da sua segunda io d a (vide volu m e 4. desde Adão a volta de Cristo. no qual D eus ordena um encadeam ento específico de eventos e m andam entos : :m u m propósito específico. 1 Número das Dispensações A m aior parte dos estudiosos evangélicos acredita em várias adm inistrações do plano . A lé m disso. m as obedeceriam aos m and am entos de D eus (G n 2.A DERROTA DO PECADO <|p 139 DPapel das Dispensações Dispensação é um term o bíblico (vide volu m e 4..]” (E f 1 . quando as pessoas ■ ão conh eciam o bem e o m al. T am p ou co tem os as m esm as condições que predom inarão quando _r~lsto reto rn ar de fo rm a corpórea a este nosso m u n d o e reinar. A som a : : ~ú dos exam es das dispensações d em onstra que é sem pre errado desobedecer a D eus e . capítulos 13 e 15). A -n ica questão para todos. ^ r r ex e m p lo . As sete dispensações supra m encionadas podem ser delineadas a partir das Sagradas rfrrituras.16S n a l de u m p e río d o (d isp en sa çã o ) c o m o ju íz o d ivin o n ã o sign ifica q u e a co n d içã o (p a d rã o ) d a q u e la e ra fo i ex tin ta . co m um teste diferente. m esm o que eles não façam uso do term o dispensação. O tempo especial de cada p e río d o te rm in a . os seres h u m a n o s continuam e m prova. mos co n tin u am o s c o m a c o n sciê n c ia d epois do fim da e ra da co n sciê n cia . capítulo 17).sim p le sm e n te q u e o te ste especial q u e D eu s esta b e lece u para o p o v o foi aplicad o e q u e eles n ã o fo ra m aprovados. todos os estudiosos .

com etendo idolatrias e imoralidades ao longo dos séculos.12-15). os seres hu m anos. ao cativeiro. E n tretan to . c a p ítu lo 1. a sua benevolência ilim itada foi to talm en te derram ada por m eio da C ruz.28 A Dispensação da Lei Tal qual ocorreu anteriorm ente. dando a ele a espada para seu uso (G n 9. 28 D e m o d o s e m e lh a n te . pela dos Babilônios. escolheu u m a nação por m eio da qual Ele abençoaria todas as outras (G n 12.9).11) no período anterior. prim eiram ente pela m ão forte dos Assírios e. A Dispensação do Governo Humano C om o a violência havia enchido a terra (G n 6. O período da consciência tam b ém term in ou em tragédia e ju ízo quando D eus enviou o Dilúvio (G n 6. o seu tem plo foi destruído e Deus os espalhou por toda a terra. agora sob um a nova condição — a da consciência. Deus estabeleceu o governo sobre o h o m em para que eles o obedecessem . m ediante novas condições que eles pudessem provar que não abusariam da sua liberdade. a Lei. a seguir. o local do cativeiro. Contudo.27 A Dispensação da Consciência (Senso Moral) Depois da Queda. Na verdade. depois de passar o seu ju ízo (G n 3).10-12). sem pre oferecendo novas oportunidades para a obediência sob suas novas condições. concedendo aos seres hum anos mais um a oportunidade. Abraão e os seus partiram da terra em direção ao Egito. enraizada na Teocracia do Antigo Testam ento não foi anulada.140 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA 17). até que Deus lhes envia. . a seguir. Ele deu a Abraão a Terra Prom etida e lhe ordenou que nela habitasse.1-3). o povo o crucificou (Jo 1. conseqüentem ente. e sta p ro m essa e n tre g u e d u ra n te a a d m in istra ça o p a tria rca l c o n tin u a v ig en te. deu-lhes o u tra chance para que elas se redim issem . aqui. apesar d este p erío d o te r te rm in a d o . Eles falharam de m aneira vergonhosa e Deus. confundindo o seu m odo de falar (G n 11). novam ente. os seres h u m anos fo ram reprovados no teste e fizeram uso dos poderes do governo para constru ir u m reino que desafiasse Deus. Ele destruiu a to rre construíd a pelos h om en s e os dispersou pela terra. até m esm o quando Ele enviou o seu Messias prom etido. Mas aqui tam b ém eles não levaram em conta o m and am ento de D eus para fazer o bem e se refrearem do m al. Eles aceitaram a Lei entregue por Deus a Moisés. foram reprovados no teste. Deus proveu a graça. mas.6). tal co m o nas outras vezes. com eçaram a transgredi-la. novam ente. novam ente. depois de ju lgar os povos em Babel. A Dispensação da Promessa Assim com eço u o período no qual D eus. Subseqü entem ente. Esta desobediência à ordem estabelecida p o r D eus levou ao desastre. A Dispensação da Graça Apesar de Deus ter sido gracioso em todas as eras anteriores. os seres h u m anos passaram a ter u m a consciência que os alertava acerca do que era certo e do que era errado (R m 2. nos prim órdios desta nova dispensação — 27V id e v o lu m e 4. mas teve a sua continuidade em o Novo Testam ento com o um a form a de reflexo do caráter m oral de Deus. m o ra de Deus.

sob as mais variadas condições.A DERROTA DO PECADO f § 141 0 cham ado “tem po da graça. C. O recad o será aprisionado para sem pre. como o ato voluntário supremo de autoentrega seria involuntário? Se eu disse “por vontade própria. e que a livre subm issão à sua vontade é a ún ica m an eira de se atingir a bênção verdadeira e perm anente. m as. praticamente. Assim se conclui esta série de períodos da história hu m an a na qual as pessoas foram divinam ente testadas sob as mais variadas condições concebíveis: inocência. capítulo 13.2). que houve u m n ú m ero de condições diferentes em períodos distintos de tem po. o im p ortan te não é a quantidade de períodos que existiu ou m esm o i fo rm a com o estes devem ser cham ados.” M esm o assim . Ap 20. a partir da sua própria experiência.11). 9). M ultidões incontáveis. Estes casos tam bém dem onstram que Deus sem pre está correto e que a satisfação real som en te é alcançada por m eio da obediência a Ele. todavia. com as suas diversas condições e adm inistrações (dispensações). A t 1. os seres h u m an os não poderão m ais usar a desculpa de que “foi o D iabo qu em m e fez fazer isto . 5 Vide volum e 4.7-8). Esta d errota incluirá u m a separação final do joio e do trigo. S.40. elas provaram (ou ainda virão a provar) que a liberdade hu m ana. governo. esta era haverá de term in ar n a tragédia da G rande Tribulação. Em cada u m destes casos. capítulo 17. Na verdade. e cada pessoa receberá o seu local perm anente. Deus terá derrotado o pecado justamente ao ter lhe dado permissão para existir em.” a minha razão replica: “Mas se eles não quiserem se render?” (PP. poderão testificar. (2) que Ele sem pre está certo e : 3) que o m al foi etern am en te elim inado de m aneira justa. no final desta era.15) e os segundos irão para o gozo etern o (Ap 21. depois do rein ado m ilen ar de C risto — de fo rm a pessoal e física. Ao co n trário do que : correu nos períodos anteriores. que D eus é ju sto. deixada por si m esm a. prom essa. graça e o reino. m esm o a graça de D eus existindo em todas as eras. sem pre acabará se rebelando con tra Deus.3 0 C om o analisam os. Ap 19 —20). dos bodes e das ovelhas — sendo que os prim eiros receberão castigo eterno (M t 25.28. D eus terá feito uso da história hum ana. aqui neste m u n d o — haverá u m a rebelião em m assa co n tra D eus (A p 20. .29 A Dispensação do Reino M esm o sendo D eus soberano e tendo sem pre com andad o os assuntos da num anidade. de todas as eras. sob as quais Deus testou a hum anidade na execução do seu p lano para d errotar o m al. (v.14.” Aqui tam bém a graça de D eus foi rejeitada pelas massas.5. Mas a minha razão me retruca: “Por vontade própria ou contra ela?” Se eu disse “contra a sua própria vontade. o reinado p ro m etid o do Messias na fo rm a de u m reino visível e uteral ainda não o co rre u (M t 19.41. Lewis (1898-1963) descreve este acontecim ento nas seguintes palavras: Eu daria tudo para poder ouvir que todos serão salvos. todas as formas possíveis. lei. Esta dispensação p ro p orcion ará um a op ortu nid ad e para que a liberdade h u m a n a seja testada sob u m a nova condição — na qual o D iabo será acorren tad o por “m il an os” (Ap 20.” imediatamente percebo uma contradição. que o pecado é destrutivo. u m lev ante que receberá ju ízo da parte de D eus na 1 )rm a de fogo vindo do céu. para m ostrar na eternidade vindoura que (1) o pecado é sem pre errado. de acordo com a sua própria escolha. 106-07) 30Vide volum e 4 . consciência. Ao final.

Deus se determ inou a não roubar a liberdade que Ele m esm o concedeu às suas criaturas e. (2) a Queda da hum anidade. D eus já anteviu a Q ueda da hum anidade e traçou planos para a nossa salvação.” e aquelas a quem Ele diz. 69) Lewis acreditava que “sem esta possibilidade de escolha.16) e. João falou “do Cordeiro que foi m o rto desde a fundação do m u n d o ” (Ap 13.8). e (7) o novo céu e a nova terra. A ntes m esm o de criá-la. 53Vide capítulos 1-2. Deus anunciou o seu plano eterno de proporcionar a salvação a toda a hum anidade. 32Vide volum e 4. esta 3 1 Vide volum e 2. Existem somente dois tipos de pessoas no final: aquelas que dizem a Deus “seja feita a tua vontade. capítulo 8. (5) a função atual do Salvador (n o céu). a quem havia perm itido que tentasse Adão e Eva: “E porei inim izade entre ti e a m u lh er e en tre a tua sem ente e a sua sem ente. . então. (3) a preparação para o Salvador. deixará de encontrá-la.31 A EXECUÇÃO DO PLANO DE DEUS O plano de Deus para d errotar o m al foi.” Todos os que estão no inferno.16-17). (6) o reto rn o e o reinado do Salvador (o ju ízo final). para que fôssem os santos e irrepreensíveis diante dele em caridade” (E f 1.10). (4) a E ncarnação do Salvador. o in ferno não poderia existir. conseqü entem en te. D eus criou os seres hu m anos em estado de perfeição e inocência. Todavia. “A Tua vontade.33 dotandolhes de livre-arbítrio (G n 2. Nada surpreende a M ente onisciente. A Preparação para o Salvador Logo após a Queda. Q uem procura. p o rtan to . ( GD. chegando a inclu í-la no seu plano desde a eternidade. e está (e será) executado de m aneira m inuciosa e gradual em sete estágios básicos: (1) a form ação de criaturas livres. A quem bater. acha.). D eus anteviu a Queda. seja feita. N enhum a alm a que deseje e busque co m seriedade e constância a alegria. A Formação de Criaturas C o m o ser onisciente. no final de tudo. a p o rta ser-lh e-á aberta” (ibid. A Queda da Humanidade C o m o já observam os.4). A perm issão do pecado de Adão e Eva fazia parte do plano divino para d errotar o m al.142 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Portanto. Ele disse à serpente.32 Deus co n h ece o final desde o co m eço (Is 46. estão lá por opção própria. capítulos 9-10. e Paulo declarou: “C o m o tam bém [Ele] nos elegeu nele antes da fundação do m undo. deixando-lhes responsáveis pelas suas próprias escolhas (G n 2. a d errotar o pecado sem que houvesse a necessidade de destruir a sua volição.

portanto. vide To Understand the Bible. Cada livro. A Encarnação do Salvador Mas. Lookfor Jesus e A Popular Survey o f the Old Testament de N o rm a n L. cheio de graça e de verdade. e tu lh e ferirás o calcan h ar” (G n 3.15). Nos Livros da Lei (Gênesis a D eu teron ô m io).. mas para servir e dar a sua vida em resgate de m u ito s” (M c 10. nascido de mulher. O restante do Antigo Testam ento é a preparação para a vinda do Salvador. e o Verbo era Deus [. e “Porque o Filho do H om em veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19. Em Juizes eles ficaram perturbados sem u m rei. em Esdras e Neemias. Jesus disse: “Porque o Filho do H om em tam bém não veio para ser servido. G eisler . Ele encarnou (1) para cu m prir as profecias. Eclesiastes ao bem m aior (Latim : summum bonum). e o livro de Cantares de Salom ão à união ín tim a — sendo que todos estes aspectos se cu m p riram .A DERROTA DO PECADO H 143 te ferirá a cabeça. e Ele iria ao final — e de m aneira definitiva— esm agar a cabeça da sem ente. vindo a plenitude dos tempos. o Messias de Israel. (2) para se to rn ar um a m anifestação da divindade e (3) para redim ir a hum anidade.4-5) A expectativa do Antigo Testam ento se to rn o u realidade nas páginas do Novo T estam ento: o verbo etern o assum iu u m corpo tem poral. (Jo 1. Ap 20. Em Ester a nação.. e o Verbo estava com Deus. Vemos. eles pudessem ser vitoriosos. em Êxodo Ele a redim iu. ele deu condições para que a nação santa adentrasse a Terra Santa. D eus trou xe à existência um a nação santa por interm édio da qual Ele traria a Sem ente Prom etida. O Salvador seria a S em ente da m u lh er. a nação entrou em decadência (em 1 Reis) e foi levada ao cativeiro (em 2 Reis — u m a história profética repetida a partir do ponto de vista sacerdotal em 1 e 2 Crônicas). a fim de recebermos a adoção de filhos. os Salm os à co m u n h ão com Deus. os Livros Poéticos expressavam a aspiração por C risto. em Jesus. Provérbios à sabedoria. os Livros Proféticos (Isaías a M alaquias) p roclam am de fo rm a diligente a expectativa por Cristo. era o Verbo. nascido sob a lei. estava protegida e. em Levítico Ele a santificou. Isto foi oficialmente feito por Cristo na cru z (C l 2. eles já havia retorn ad o à sua terra e deram início à reconstrução.14) e será verdadeiramente feito no seu segundo advento (R m 16. No início de tudo. para que dali surgisse “O S a n to ” (C risto). MPara m aiores d etalh es a ce rca da a b ord ag em c ris to c ê n tr ic a do A n tig o T e s ta m e n to . Deus enviou seu Filho.20.] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Deus lançou os alicerces de Cristo. Por fim. e vimos a sua glória. que em Gênesis D eus escolh eu a nação. apesar de ainda p erm an ecer no cativeiro. vejam os o que nos declara João: No princípio. mas em 1 Sam u el a nação já estava estabelecida e em 2 Sam u el eles iniciavam sua expansão. da sua própria form a.10).1. com Josué. (G14. Nos Livros Históricos (Josué a N eem ias). Jó aspirava à m editação. em N úm eros Ele a guiou e em D eu teron ô m io Ele a instruiu para que. Inicialm ente. Neste ínterim . Depois do reinado de Salom ão.45). 14) A lém disso. para remir os que estavam debaixo da lei.3 4 concluindo a preparação do A ntigo Testam ento para Aquele que haveria de trazer a salvação.10). preconiza a vinda do Salvador. de fo rm a definitiva. como a glória do Unigênito do Pai.

Paulo p ro clam ou que a ressurreição de Jesus estava no coração do evangelho (1 Co 15. 37 Is 53.24. 36Vide capítulo 9. m as vai para m eus irm ãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai. Paulo escreveu: “[Cristo] O qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa ju stificação” (R m 4. tal qual se deu co m a sua ressu rreição. A sua ascensão.17). R m 10..14-19.21. tam b ém foi p reviam ente anunciada.10. 3 5Vide volum e 1.23). senão o do profeta Jonas.35 mas foi tam bém sacrifical e substitutiva. ao terceiro dia. po rqu e ainda não subi para m e u Pai. Ele disse à M aria: “N ão m e d etenhas. Atos apresenta u m relato da expansão do testem u n h o de Cristo.25). ressuscitará. 2 Co 5. co m a ascensão ao Pai para que no céu recebesse a con firm ação da aceitação da sua ob ra consu m ad a de salvação. A M orte Substitutiva de Cristo Jesus não veio sim plesm ente para falar ao seu povo e com o o seu profeta. C risto respondeu: Mas ele lhes respondeu e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal. Vide capítulo 9.4-7. co m o u m substituto pelos nossos pecados. m eu D eus e vosso D eu s.40) Ao ver que chegava a hora da crucificação Jesus disse. e Apocalipse revela a consu m ação final em Cristo.37 A Ressurreição Física de Cristo A ressurreição de Cristo é o ponto central do plano red entor de Deus.45): “Eu vim para que ten h am vida e a ten h am com abundância [. capítulo 10. A Ascensão Corpórea ao Céu A obra salvífica de C risto n ão te rm in o u com a sua m o rte e ressu rreição. 13).] e dou a m in h a vida pelas ovelhas” (Jo 10. Ela é o ponto cu lm in an te de M ateus.18. A m o rte expiatória de Cristo não foi m eram en te para nos servir de exem p lo. cf. 1 Pe 2. ocupando a últim a porção de cada um destes livros. e. Lucas e João. como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia.22. (Mt 12. pois. m as tam bém se em sacrifício por eles co m o o seu Sacerdote (vide M arcos 10.36 Ele m o rreu em nosso lugar. porém não se lhe dará outro sinal. . Ele disse isto porque ainda não havia com p letad o a sua obra. Quando foi questionado acerca de u m a prova da sua identidade.144 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Os evangelhos d etalham a m anifestação histórica de C risto.1-8) e que ninguém poderia se salvar sem a sem a fé nesta ressurreição (1 C o 15.9). Na verdade. em Atos 2. 3. A ressurreição de C risto era o tem a d om inante na pregação apostólica prim itiva (por exem plo.. as Epístolas estabelecem a interpretação e a aplicação da Palavra de Cristo. e m atá-lo -ão. M arcos. E eles se en tristeceram m u ito ” (M t 17. de fo rm a bastante objetiva: “O Filho do H om em será entregue nas m ãos dos hom ens. 15).39. assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra.” (Jo 20.

purificando-a com a lavagem da água. Sua ascensão foi necessária para que a obra da salvação fosse com pletada. no tem po da sua exaltação. A ascensão está im plícita em Filipenses 2. desceu à sepultura. levantando as mãos. antes da sua ascensão. para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa. será assu n to aos céus depois da ressu rreição . para cumprir todas as coisas. Ele declarou: E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai.3. antes. porém.”38 Mais tarde.51. pela palavra.10. Paulo disse: Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. que trata da exaltação de Cristo: * Lc 9. on d e Jesus está an sioso para ch e g a r a Jeru sa lém . eu vo-lo teria dito. ficai. E levou-os fora.12. na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas. Se me amásseis. para a santificar. para que.9-10) Tal qual.. estejais vós também. isto— ele subiu— que é. (Ef 5. e. abençoando-os ele. Ora. tinha descido às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus. sem mácula. (Ef 4.49-51) Em João 14. 18) A linguagem é inequívoca: Jesus veio do Pai e para Ele reto rn o u — Ele desceu e subiu novam ente.2.] Ouvistes o que eu vos disse: vou e venho para vós..8-11. porque o Pai é maior do que eu.A DERROTA DO PECADO f f 145 Lucas escreveu: “C om pletando-se os dias para a sua assunção. o Espírito Santo não teria vindo habitar e fo rtalecer os discípulos. deixo o mundo e vou para o Pai. certamente. . se eu for e vos preparar lugar. nem ruga. exultaríeis por ter dito: vou para o Pai.] Saí do Pai e vim ao mundo. até Betânia. o n d e será cru cifica d o e. p o s te r io rm e n te . já que era necessário que u m a m orad a fosse preparada para a sua noiva. 18) Sem a ascensão. se não fosse assim. outra vez. até que do alto sejais revestidos de poder. Jesus disse aos discípulos: Xa casa de meu Pai há muitas moradas. E. Jesus tam bém declarou: Porque vou para meu Pai. E aconteceu que.. subiu ao céu. virei outra vez e vos levarei para mim mesmo. onde eu estiver. (Lc 24. (Jo 16. se apartou deles e foi elevado ao céu. e não me vereis mais [. pois vou preparar-vos lugar. na cidade de Jerusalém. os abençoou. mas santa e irrepreensível. porque eu vou para meu Pai [. no tem p o da sua hum ilh ação. (Jo 14. m anifestou o firm e r ::p ó s ito de ir a Jeru salém .25-27) Jesus prom eteu : Xa verdade. nem coisa semelhante.. senão que também.

e debaixo da terra. para glória de Deus Pai. foram impedidos de permanecer.] de tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador. Atos 1. Portanto. sendo obediente até à morte e morte de cruz. cf. Satanás é o acusador do povo de Deus (Ap 12. vendo-o eles. C risto — o nosso advogado — se opõe ao Diabo intercedendo (diante do Pai) em função da eficácia do seu sangue. ocultando-o a seus olhos. estando com os olhos fitos no céu. que dizia: Agora chegada está a salvação. para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus.1-2) De acordo com João. há de vir assim como para o céu o vistes ir. 22-26) 39 C o m re laçao à p e rg u n ta a c e rc o do lo c a l o n d e se e n c o n tr a o c o rp o físico de C risto n o te m p o p rese n te .17. pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus..Porque nos convinha tal sumo sacerdote. o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite. Em vez disso o que oco rreu foi o desaparecim ento do seu corpo físico diante dos olhos dos discípulos p o r detrás de um a “n u vem . na verdade. Ela afirm a que a ascensão foi u m a elevação literal e visível do seu corpo ressuscitado. porque. segundo a ordem de Melquisedeque [.. porque permanece eternamente. da ressurreição literal do seu corpo e da ascensão real ao céu. enquanto ele subia. e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor. mas também pelos de todo o mundo. E. o Justo. e uma nuvem o recebeu. quando dizia isto.39 A Função Atual de Cristo (a Igreja) A lém da m o rte física de Cristo. tem um sacerdócio perpétuo.9-11 é a principal passagem a tratar da ascensão corp órea de C risto ao céu.” E. achado na forma de homem. e o poder do seu Cristo. (Ap 12. ap ên d ice I. Jesus Cristo. foi elevado às alturas. estas coisas vos escrevo para que não pequeis. eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco. e. separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus. imaculado. aqueles foram feitos sacerdotes em grande número. e o reino do nosso Deus. (Hb 7. O seu corpo não se to rn o u .146 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA E. por que estais olhando para o céu? Esse Jesus. Jó 1-2): E ouvi uma grande voz no céu. Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente. (1 Jo 2. Ele tam bém desem penha um a função sacerdotal indescritivelm ente im p ortante neste m o m en to nos céus em favor dos crentes. e a força. pela morte. vide v o lu m e 2. se alguém pecar. vivendo sempre para interceder por eles. E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos. santo. invisível. vertido pelos nossos pecados. e na terra. porque já o acusador de nossos irmãos é derribado.10) D iante disto. que dentre vós foi recebido em cima no céu. . com o sugerem alguns. temos um Advogado para com o Pai. os quais lhes disseram: Varões galileus. mas este. Meus filhinhos. inocente. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome. humilhou-se a si mesmo. E.

4) OJuízo Final De acordo co m Apocalipse: E. que vos não deixará tentar acima do que podeis. para as ajuntar em batalha. como nós. Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra. Jesus. quando. para ju lgar as doze tribos de Israel” (M t 19. E o Diabo. E subiram sobre a largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada. que penetrou nos céus. Filho de Deus. quanto divino. Ele pode co m p artilh ar das nossas rragilidades humanas:. em tudo foi tentado. e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre. Aisto que temos um grande sumo sacerdote. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus. tam b ém vos assentareis sobre doze tronos.7-10) * Ou “Estudo das Ú ltim as Coisas”. Ele p : de. Gogue e Magogue. por interm édio da sua função atual. mas fiel é Deus. (20. (IC o 10. retenhamos firmemente a nossa confissão. suplantar todas estas tentações: Não veio sobre vós tentação. O Retorno e o Reinado do Salvador C onform e vim os acim a. antes.13) Este “escape” nos é proporcionado pela intercessão que C risto faz por nós. vide volum e 4. Visto ter Ele m esm o sido tentado de todas as form as que nós tam b ém som os. U m dia ele tam b ém retorn ará literalm en te (de m an eira física e real) para ser Rei: 'E m verdade vos digo que vós. onde está a besta e o falso profeta. que os enganava.”40 Cristo como Rei Jesus não é som ente u m profeta para o seu povo e um sacerdote que intercede pelos seus. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas. na regeneração. mas desceu fogo do céu e os devorou. porém um que. e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. para que a possais suportar. com a tentação dará também o escape. foi lançado no lago de fogo e enxofre. e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. Jesus retorn ará e cu m prirá o seu papel co m o Rei sobre o seu povo. mas sem pecado.A DERROTA DO PECADO <p 147 E co m o C risto é tan to h u m ano. e não receberam o sinal na testa nem na mão. João acrescentou: E vi tronos.28). cujo número é como a areia do mar. que m e seguistes. . acabando-se os mil anos. e que não adoraram a besta nem a sua imagem. U m a abordagem com p leta a respeito da Segunda Vinda de Cristo e do seu reinado subseqüente poderá ser encontrada sob o títu lo “Escatologia. senão humana. o Filho do H om em se assentar no tro n o da sua glória. que é o seu m inistério sacerdotal presente a nosso favor. (Ap 20.

Deus Todo-poderoso. E levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade. E abriu-se outro livro.] E a fábrica do seu muro era de jaspe. E deu o mar os m ortos que nele havia. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram. e abriram-se os livros. E a m orte e o inferno foram lançados no lago de fogo. (Ap 21. e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus.. João. e a terra e as obras que nela há se queimarão. o segundo. em que habita a justiça. crisólito. o undécimo. topázio. que de Deus descia do céu. e não haverá mais morte. segundo a sua promessa. que de Deus descia do céu. crisópraso. E os m ortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros. (Ap 20. aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus. E eu. a nova Jerusalém. cf. E nela não vi templo. a santa Jerusalém. como vidro transparente. E vi os m ortos. adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. o quarto. e nomes escritos sobre elas. que é o da vida. pois. ametista. safira. nas portas. o décimo. O primeiro fundamento era jaspe. E tinha um grande e alto muro com doze portas. esmeralda. que são os nomes das doze tribos de Israel [. de perecer todas estas coisas. 18-22) Ao descrever tam bém este m esm o evento.10-13.11-15) O Novo Céu e a Nova Terra Nesta m esm a linha. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo. e a praça da cidade. e foram julgados cada um segundo as suas obras. e o mar já não existe. em fogo. Is 65. (2 Pe 3. e não se achou lugar para eles. nem pranto. A sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima. segundo as suas obras. que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens.] E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas e falou comigo. de cuja presença fugiu a terra e o céu. sardônica. no qual os céus passarão com grande estrondo. calcedônia. grandes e pequenos. se fundirão? Mas nós. João declarou: E vi um novo céu e uma nova terra. Havendo. 9-12. o sexto. vi a Santa Cidade.17-25) . o quinto. E tinha a glória de Deus. de ouro puro. a mulher do Cordeiro. berilo. aguardamos novos céus e nova terra. em que os céus. o oitavo. e eles serão o seu povo. de ouro puro. se desfarão. o duodécimo. Pedro escreveu: Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite. porque já as primeiras coisas são passadas [. e a cidade. e o Cordeiro. que estavam diante do trono. o sétimo. dizendo: Vem. porque o seu templo é o Senhor. pois com eles habitará. E as doze portas eram doze pérolas: cada uma das portas era uma pérola. jacinto. e os elementos. sárdio. o terceiro. nem clamor. E ouvi uma grande voz do céu. que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade. como a pedra de jaspe. ardendo. nem dor. e. E Deus limpará de seus olhos toda lágrima. o nono. doze anjos. e a m orte e o inferno deram os m ortos que neles havia. semelhante a vidro puro... e os elementos. mostrar-te-ei a esposa. como o cristal resplandecente.. Esta é a segunda morte.148 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Isto será sucedido pelo ju ízo final diante do G rande Trono Branco: E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele. se desfarão.1-4. E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda pedra preciosa. ardendo.

porque no pecador.” Por ú ltim o. que o seu destino já está selado (M t 8. é contrário à natu reza de u m D eus T od o-am oroso extinguir as pessoas que não o am am co m o fo rm a de vingança. e não de destruição.24-28) Vemos. realizada pelo poder e pela presença do Espírito Santo.12). p o rtan to . m esm o os que estiverem no inferno.42 A Vitória Definitiva (Final) sobre o Pecado Falam os de derrota. precisam os desvendar o real significado de derrota. também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou. Ora.14. ela não significa que D eus aniquilará os pecadores. O m al foi oficialmente banido na cruz (C l 2. claro está que se excetua aquele que sujeitou todas as coisas. O que a derrota do pecado não significa? Por u m lado. O seu dia final está a cam in ho: Depois. do pecado. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Deus ^ Vide parte 2.14) e será verdadeiramente extinto no Segundo Advento de Cristo. o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. e quando houver aniquilado todo império e toda potestade e força. a qual todos os pecadores. Hb 2. . o aniqu ilam ento de todos os pecadores não seria u m a punição. no seu in finito am or. M esm o assim. é fato que Satanás continua presente e atuante neste planeta. E. ao Pai. capítulo 16. Deus derrotará o pecado sem destruir o pecador. a fim de se to rn a rem sem elhantes a Cristo. então. para que Deus seja tudo em todos. existe u m a graduação de castigos no in fern o (Ap 20. continuarão carregando. São três os estágios da batalha geral para a d errota do pecado n a vida dos filhos de Deus. a glorificação (libertação da presença do pecado) que o co rrerá n a volta de C risto — no alvorecer do R eino E terno. Ele sabe. E. A Vitória Oficial e a Vitória Definitiva sobre o Pecado Apesar da derrota oficial do pecado ter ocorrido na cruz. já a derrota definitiva oco rrerá na Segunda Vinda. e é obvio que não pode haver “graus de aniqu ilam ento. quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas.A DERROTA DO PECADO # 149 O RESULTADO DO PLANO DE DEUS O plano m agnífico de D eus cu lm in a na d errota to tal e com p leta do m al. que a d errota oficial do pecado veio co m o Prim eiro Advento.12-13). 42Vide volum e 4. Mas. Dessa form a. A santificação (libertação do poder do pecado) é u m processo presente e con tín u o por parte dos crentes. virá o fim. 43 Ibid. E mais.29) e que o seu tem po é cu rto (Ap 12. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.43Isto seria u m ataque à sua própria im agem im ortal.. A lém disso. “Salvaçao. já que quem não existe não consegue sentir dor algum a. capítulos 9 e 16. E m vez disso.” para um a análise mais aprofundada.4 1 A justificação (libertação da punição do pecado) é u m a ação passada executada p o r todos os crentes. quando tiver entregado o Reino a Deus. en tretan to . o pecado continuará a existir etern am en te no inferno. realizada n a cruz. por fim. (1 Co 15. quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas.

O bem n ão será desatrelado da presença do pecado. tornand o-se “o Diabo e os seus a n jo s” (M t 25. pois m andou. Nos dias de hoje. haverá pranto e ranger de dentes. por ocasião da ceifa. então seja feita.” C o m o já vim os nas palavras de C. Paulo disse: ^ Vide volum e 2. Cada um receberá de acordo com as suas respectivas vontades: o pecado será derrotado nos salvos. Mandará o Filho do Homem o. pois “porque toda criatura de D eus é b oa” (1 T m 4. (Mt 13. n em clam or.4). capítulo 20.30). . e da justiça e do pecado. ajuntai-o n o m eu celeiro” (M t 13. Lewis. ao passo que os ím pios estarão no sofrim ento. acorrentado. O plano de D eus para d errotar o m al. que sem recusar a dizer a Deus “S eja feita a tua vontad e”. A DERROTA DE SATANÁS O pecado não será derrotado de fo rm a definitiva enqu anto Satanás não fo r derrotado. A solução final exigirá u m a separação. n em pranto. Por outro lado.. já que eles não poderão mais espalhá-lo para as demais pessoas. e eles colherão do seu Reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniqüidade. ouvirá dele: “A Tua vontade. “n ão haverá mais m o rte. o bem e o m al existem lado a lado.41-42) O que fru stra as pessoas boas é o m al. direi aos ceifeiros: colhei prim eiro o joio e atai-o em m olhos para o queim ar. e os ju stos reinarão.31). significa a d errota do pecado? Por u m lado. o m al será derrotado porque o bem será verdadeiram ente vitorioso sobre ele. D eus criou som en te coisas boas (G n 1. ela envolve a separação eterna dos salvos e dos perdidos. E D eus criou todas as hostes celestiais: “Louvai-o. C om o disse Jesus. E lançá-los-ão na fornalha de fogo. depois da qual não haverá mais m al para fru strar os bons n em bem para fru strar os m aus. e logo foram criados” (SI 148. ela significa o to rm e n to etern o.]. é tam bém u m plano para derrotar o D iabo e os seus dem ônios. o trigo (os salvos) e o joio (os perdidos) precisam viver lado a lado no tem po presente: “Deixai crescer ambos ju ntos até à ceifa. E. 5). A Criação do Diabo Já vim os que D eus não criou o Diabo da fo rm a co m o ele atu alm ente se encontra. ali. n e m dor. D eus é etern am en te ju sto e. finalm ente. Verdadeiram ente.41). para sem pre.4). mas o trigo.. Ele criou seres espirituais puros. e o que fru stra as pessoas más é o bem . p o rtan to . e o m al será. A infecção do m al será detida para todo o sem pre neste aprisionam ento etern o.” E o que. O bem não poderá mais ser contam inado por ele. Q u em peca co n tra o E tern o m erece conseqüências eternas.2. afinal. n ão pode desprezar o pecado p o r toda a eternidade.44 e alguns deles se rebelaram con tra Ele. porque já as prim eiras coisas são passadas” (Ap 21.s seus anjos. e o pecado tam bém será derrotado nos não-salvos. dessa form a. O m al se m o strou errado em todas as épocas e nas suas mais variadas form as. P ortanto. os bons serão e tern a m en te preservados dos efeitos m ortais do m al. todos os seus anjos [. Ao contrário. e. já que estes serão resgatados da sua presença.150 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA perm itirá àqueles que o odiaram que “sigam o seu ca m in h o . S.

] E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. o carbúnculo. todavia. e te estabeleci. a obra dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti. acima das estrelas de Deus.16) A Queda do Diabo C om o já foi visto. sejam tronos. no meio das pedras afogueadas andavas. por terra te lancei. pelo que te lançarei. sobre as cabeças. tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu. E. jardim de Deus. sejam dom inações. 7-9) Pedro disse: “Porque. foram preparados. filha da alva! Como foste lançado por terra.12-17) R eferindo-se ao Rei da Babilônia. que tinha sete cabeças e dez chifres e. e os seus anjos foram lançados com ele. ele foi precipitado na terra.3-4. levado serás ao inferno. E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra [. profanado.12-15) A Queda dos Demônios M uitos anjos bons acom pan haram Satanás na sua rebelião con tra Deus. desde o dia em que foste criado. (Ap 12. que engana todo o mundo. (Is 14. Estavas no Éden. mas não prevaleceram. da banda dos lados do Norte. Na multiplicação do teu comércio. nem mais o seu lugar se achou nos céus. se encheu o teu interior de violência. sejam potestades. ó estrela da manhã. a safira. e eis que era um grande dragão vermelho. havendoos lançado no inferno. a esmeralda e o ouro. contudo. entre pedras afogueadas. se Deus não perdoou aos anjos que pecaram . visíveis e invisíveis. diante dos reis te pus.A DERROTA DO PECADO # 151 Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e n a terra. ficando reservados para o . o jaspe. pois Paulo nos faz lem brar que a Queda de Lúcifer oco rreu em fu nção do seu orgulho (cf. fora do monte de Deus e te farei perecer. R eferindo-se ao Rei de Tiro. chamada o Diabo e Satanás. o S en h o r disse: Tu és o aferidor da medida. sete diademas.6). os entregou às cadeias da escuridão.. e. exaltarei o meu trono. o diamante. e batalhavam o dragão e os seus anjos. verdades acerca daquele que o inspirou. até que se achou iniqüidade em ti. a turquesa. para que olhem para ti. expressa de fo rm a eloqüente.. mas. no monte da congregação. (C l 1. 1 T m 3. (Ez 28. sejam principados. Perfeito eras nos teus caminhos. no dia em que foste criado. E foi precipitado o grande dragão. e pecaste. tudo foi criado por ele e para ele. corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor. o topázio. cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura. João escreveu: E viu-se outro sinal no céu. estas palavras de Isaías tam bém descrevem aquele que inspirou e tipificou a sua ruína: Como caíste do céu. a antiga serpente. Tu eras querubim ungido para proteger. no monte santo de Deüs estavas. toda pedra preciosa era a tua cobertura: a sardônia. ao mais profundo do abismo. ó querubim protetor. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. a passagem. que era u m a representação de Satanás. o ônix. me assentarei. e. m esm o que o texto de Ezequiel 28 fale diretam ente a respeito do príncipe de Tiro.

“D iabo” ( “caluniador” — Lc 4. e “an jo da lu z” (2 Co 11. havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças. porque o próprio Satanás se transfigura em an jo de lu z” (2 Co 11.15). Lucas 11. Em sum a. cf.14). e tu lh e ferirás o calcan h ar” (G n 3. “o príncipe das potestades do ar” (E f 2.9). tam bém ele participou das m esm as coisas. quanto ao plano de Deus. Ap 12. o Salvador estava esm agando a sua cabeça (n a ressurreição).25. C o m o disse u m autor. o diabo" (2.9). O au tor de Hebreus declarou: “E. Paulo declarou: “E não é m aravilha. “Belial” (2 Co 6.1. “m align o” (Jo 17. “d estruidor” (Ap 9. querendo parecer D eu s” (2 Ts 2. “acusador” (Jó 1. 1 Ts 3. Judas acrescenta: “E aos anjos que não guardaram o seu principado. Ap 12. “espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (E f 2.14).3). Ele é “o príncipe deste m u n d o ” (Jo 12.4). de sorte que se assentará. despojando os principados e potestades. 16. C o m o já vim os.” “d estruidor” — Ap 9. 7.3. A lém de se op or a Deus.31. E f 6.11).11). .1. visto com o os filhos participam da carne e do sangue. C o n fo rm e escreveu o A póstolo João ele é aquele que “nos acusa diante do nosso Deus de dia e de noite (cf. “B elzebu” ( “príncipe dos d em ônios” — M ateus 12. (Cl 2.15). quando D eus disse à serpente: “E porei inim izade entre ti e a m u lh e r e en tre a tua sem ente e a sua sem ente. no tem plo de Deus.10). os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. Ap 12. a qual de alguma maneira nos era contrária. reservou na escuridão e em prisões eternas até ao ju ízo daquele grande D ia” (Jd v. Ela foi prom etid a desde o princípio. isto é. “enganad or” (Ap 12. esta te ferirá a cabeça . o Diabo “se opõe e se levanta contra tudo o que se cham a D eus ou se adora.10). Satanás tam bém se opõe ao plano e ao povo de Deus. “Satanás” ( “adversário” — Zc 3.9.3. desobediência. “o deus deste sécu lo ” (2 Co 4.18-19). a exem plo do anticristo a quem ele serve de inspiração. “ten tad or” (M t 4.10.14).2. Zc 3. para que.2). Ap 12. A tática de Satanás é gerar dúvida.11). m as deixaram a sua própria habitação.4).5). com o Deus.11). A Derrota do Diabo e dos seus Demônios A d errota do Diabo. 9). “Baal-Z ebube” ( “S en h o r dos Lugares A lto s” — 2 Rs 1.152 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Ju ízo” (2 Pe 2. “o grande dragão” ( “terrív el” — Ap 12. “A bad om ” ( “A p oliom . 6). pela morte.4). E. negação. O Plano do Diabo e dos seus Demônios O propósito de Satanás pode ser determ inado em grande parte a partir dos seus vários nom es. isto não foi oficialmente cum prido até a m o rte e a ressurreição de Cristo: Perdoando-vos todas as ofensas. não oco rrerá em u m a só pancada. cravando-a na cruz.13b-15) Mas co m o foi que isto ocorreu? Enquanto a serpente estava m ordendo o calcanhar do Salvador (n a cru cificação). Satanás m ord eu a isca da hum anidade de Cristo e foi pego no anzol da sua divindade. 1 Jo 5. e a tirou do meio de nós. engano e destruição tanto ao povo. C ontu do. aniquilasse o que tinha o império da morte.15). bem co m o a d errota do pecado.15.2).

que temos as primícias do Espírito. an teriorm en te m encionados: a justificação (a salvação da pu nição do pecado — a forma oficial). a d errota de Satanás (e dos seus dem ônios) será com posta de dois elem entos. por sua vez. que era o grande enganador. aquele que foi o grande destruidor será destruído. para o fogo eterno. ela está ocorren d o por interm édio da purificação dos crentes. Deforma definitiva. mas perm itiu o m al a fim de que Ele m esm o pudesse. serão separados entre si. também gememos em nós mesmos. Paulo p ro m eteu aos R om anos: “E o D eus de paz esm agará em breve Satanás debaixo dos vossos pés” (R m 16. benditos de meu Pai. para que não possa mais corrom p ê-los. E todas as nações serão reunidas diante dele. E não só ela. (Rm 8.] Então.32-34.. (Mt 25. ela oco rreu (co m o os versos acim a indicam ) na cruz. as ovelhas e os bodes. correspondem aos três estágios da salvação na vida do crente. Estes três estágios. a redenção do nosso corpo. De forma prática. preparado para o diabo e seus anjos. Ele é um derrotado de fo rm a prática (aplicada) nas nossas vidas quando resistim os a ele pelo poder da cru z (R m 6-7). E. Satanás.8).forma definitiva).20): Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre. e apartará uns dos outros. Tendo isto em m ente. malditos. Satanás foi derrotado oficialm ente (leg alm en te) pela m o rte de C risto (R m 3-5). ela som en te oco rrerá no Segundo Advento de Cristo. onde está a besta e o falso profeta. mas nós mesmos. 41) O segundo..22. a saber. dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim. no final. e a glorificação (a salvação da presença do pecado — a. que os enganava. por ú ltim o. o co rre tam bém em três estágios: Deforma oficial. ao final.10) João escreveu: “Para isto o Filho de Deus se m anifestou: para desfazer as obras do diabo” (1 Jo 3. o trigo e o joio. p o rtan to . Satanás será trancafiado e im pedido de espalhar o m al: E o diabo. esperando a adoção.A DERROTA DO PECADO 153 A derrota de Satanás. Então. (Ap 20. E ele será derrotado de m aneira definitiva (final) na segunda vinda de Cristo (R m 8) quando os nossos corpos serão redim idos da m o rte. acabou por se enganar a si m esm o. como o pastor aparta dos bodes as ovelhas. CONCLUSÃO D eus perm itiu o m al para que ele fosse derrotado. Paulo fala da “sabedoria de . O primeiro. E porá as ovelhas à sua direita. dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde. além de ser separado dos bons. subjugá-lo. mas os bodes à esquerda.23) Neste ú ltim o estágio da salvação. Ele criou som ente criaturas boas. foi lançado no lago de fogo e enxofre. possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo [. a santificação (a salvação do poder do pecado — a forma prática).

The Plague. se a conhecessem . porque.] a qual n e n h u m dos príncipes deste m u nd o con h eceu . and E v il. Alvin. Cristo esm agava a cabeça do Diabo. ------. C. Tom ás de Aquino. A lbert. Lewis. Voltaire. ------.. e W infried Corduan. Two Souls.. The Great Divorce.. God. Compendium ofTheology . O fTrue Religion. G ottfried. ------.. Agains the Manicheans. François. ------. Freedom. A d errota de Satanás acontece de fo rm a súbita e im ediata. Cam us. Candide. The Problem o f Pain. The Philosophy o f Religion. On The Nature o f the G o od . Plantinga. Summa Theologica.8).. On Evil. N orm an L. Geisler. Theodicy.. A Cidade de Deus. ------. A Popular Survey o f the Old Testament... Leibniz.. FONTES A gostinho. Geisler.154 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA D eus [.. ------. Enquanto a serpente m ord ia o calcanhar do Salvador. To Understand the Bible. mas será com p leta e definitiva. The Roots ofE vil. N orm an L. ------. . ------.7. Lookfor Jesus. nu nca crucificariam ao S en h o r da glória” (1 C o 2. S.

PARTE DOIS SALVAÇÃO (SOTERIOLOGIA) .

C o m o declarou João.5.2). existe u m consenso universal en tre os teólogos ortod oxos: D eus é o a u to r da salvação. nem do que corre. que se compadece” (R m 9. D iv in a. sob o títu lo “A N a tu re z a d a Liberdade .. 1 Pe 1.9). que decretou desde a eternidade que providenciaria a salvação àqueles que cressem : “do SENEIOR vem a salvação” (Jn 2. n em da vontade do varão.5).1 e a salvação não é necessária se não houver pecadores que necessitem dela.16).. seja no de salvar. mas de Deus” (Jo 1.2 a natu reza dos decretos divinos. 4V id e adiante. segundo o beneplácito de sua vontade” (E f 1. Paulo acrescenta: “Assim. mas a escolh a foi co m p letam en te autod eterm inad a (cf. isto não depende do que quer. Q uanto à origem da salvação. e tem a sua origem em Deus. n em da vontade da carne. 3V id e c a p ítu lo 3. a salvação vem do céu. Esta decisão foi tom ad a de acordo com a sua natu reza boa e graciosa.4 ■V ide p a rte 1.] os quais não nasceram do sangue. De o u tra form a. tal co m o o co rre com os seres hu m anos feitos à sua im agem e sem elhança.3 a salvação está fundam entada em um ato livre e autod eterm inad o da parte de Deus.13). a ordem dos decretos divinos e os resultados dos decretos divinos. seja no sentido de criar. C om Deus. mas de Deus. pois “nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo. Não houve n e n h u m tipo de com pulsão extern a ou in tern a sobre Deus. A Origem dos Decretos Divinos A origem da salvação é a vontade de Deus. A BASE BÍBLICA DA SALVAÇAO O tópico a seguir será dividido em várias seções soteriológicas: a origem dos decretos divinos.” 2 Decretos sig n ificam decisões eternas.C A P Í T U L O S E T E A ORIGEM DA SALVAÇÃO O pecado é um a pré-cond ição para a salvação. pois apesar de o pecado h u m an o ter a sua origem nos h om ens. para si m esm o. Em sum a. Ele fez estas duas coisas de m aneira livre. a salvação se originou em u m a decisão de Deus em nos salvar. pois. E f 1. ning u ém jam ais poderia ser resgatado. a liberdade de decisão (livre-arbítrio) é au tod eterm in ação . os crentes são “filhos [.

A Natureza da Graça: Favor Imerecido A graça. é razoável se supor que Ele aja de fo rm a consistente com a sua natu reza im utável de am o r e de ju stiça e com a m esm a liberdade que ele decidiu dar às suas criaturas. de acordo co m esta distinção.6 A salvação é incondicional da perspectiva daquele que a concede. A graça salvífica de Deus é o favor im erecido que ele faz por nós.5). é u m favor im erecido. necessariam ente. o recebim en to da salvação está condicionado ao nosso crer. Portanto. mas é condicional do p onto de vista daquele que a recebe (pois este precisa crer para recebê-la). R m 2. E m bora o uso bíblico destes term os não esteja. C o m o a salvação vem até nós sem a necessidade de qualquer tipo de obra da nossa parte. A lgum as pessoas têm contrastado a graça e a m isericórdia ao observar que a graça é dar aquilo que não se m erece (por exem plo. E f 2. por m eio da fé” (E f 2. Logo. mas aquilo pelo qual não trabalham os.16). mas a recebem os por m eio da fé: “Porque pela graça sois salvos. Em sum a. graça e obras são m u tu am en te excludentes. m as se Deus escolh eu fo rm ar criaturas m orais. se é por graça. mas existe um a (e som en te um a) condição proposta para se receber o d om da vida eterna: a fé (A tos 16. Soteriologicamente falando.5 A Condição do Conceder versus a Condição do Receber D e igual m odo. Aquilo pelo qual trabalham os é considerado nossa conquista. já não é pelas obras. 5Vide parte 1.31. 6Vide tam bém os capítulos 15-16.6). a sua fé lh e é im putada co m o ju stiça ” (R m 4. é necessário que D eus aja de m aneira am orosa. ao passo que a m isericórdia é não dar aquilo que se m erece (p o r exem plo. não lh e é im putado o galardão segundo a graça. é necessário que. faz-se necessário que Ele aja de m aneira ju sta (G n 18. Os atos da graça e da m isericórdia de D eus representam dois lados do seu am o r incondicional p o r nós. não existe n e n h u m a condição para que Deus conceda a salvação. p o rtan to . e som ente por ela: “Mas.4). mas segundo a dívida” (R m 4. esta observação continu a sendo bíblica. . A Natureza dos Decretos de Deus Apesar da fonte da salvação ser a decisão divina de nos salvar.11.26). não é considerado nossa conquista.8-9).8). não havia necessidade de D eus fo rm ar criaturas m orais. a salvação). R m 4. de o u tra m aneira.23). m as tam bém . “Mas. “Fazer u m a obra para obter a graça” representa u m a contradição term inológica. a cond enação). diante das condições escolhidas por Deus para criar e salvar estas criaturas m orais. a n atu reza da salvação é a graça de Deus. a graça já não é graça” (R m 11.2). Dessa form a. a salvação vem de Deus.5. O dom m agnífico da vida etern a som ente chega até nós por interm édio da graça. àquele que não pratica. Ele o faça de acordo com a liberdade que as concedeu. porém crê naquele que justifica o ím pio.158 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA A Eleição de Acordo com a Presciência Pedro falou nos “eleitos segundo a presciência de D eus Pai” (1 Pe 1. pois “àquele que faz qualquer obra.25. por ser ju sto. concluím os que não nos cabe qualquer m érito nela: a Salvação é “dom g ratu ito de D eu s” (R m 6. por ser am or (1 Jo 4. E ntretanto . 3.

querendo m o strar a sua ira e dar a co n h ecer o seu poder. (Rm 3. Em : utra parte.7 Paulo era cuidadoso ao ju alificar a m aneira com o a provisão graciosa da vida etern a de Deus é recebida: “Porque re la graça sois salvos. os teólogos há m u ito tem debatido acerca da ordem dos decretos salvíficos de Deus. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. por meio da fé . O fato da eleição divina está nas Sagradas Escrituras. não é seu desejo "que alguns se percam . poderem os receber as bênçãos que sobre nós são derram adas pelo copioso fluxo do am or de Deus. p o r ser u m d o m re ce b id o p o r u m a criatu ra. 22). isto é.9). sem a lei. a graça dasalvação divina não é autom ática ou unilateralm ente concedida a pecadores. agora. e sua aceitação gera a salvação. ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue. para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos.21-22) E. 0 debate central sobre a ordem dos decretos divinos segue as linhas gerais indicadas na tabela abaixo. é d om de D eu s” (E f 2. a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem.8).22-25)8 M esm o nas palavras enfáticas de R om an os 9. mas é recebida som ente por meio da fé . pela redenção que há em Cristo Jesus. sendo justificados gratuitamente pela sua graça. a exem plo de u m a pessoa que se co lo ca debaixo de u m a grande queda d’água com o as de Foz do Iguaçu. ou do M ágara^com u m a xícara virada de cabeça para baixo. suportou com muita paciência os vasos da ira. e isso não vem de vós. 8 A q u e stão da f é em si mesma ser u m d o m de D eu s é an alisada e m o u tr a p a rte d esta o b ra (vide ca p ítu lo 11). tendo o testemunho da Lei e dos Profetas. ele p recisa ser re ce b id o de fo rm a livre. ele acrescenta: Mas. C om o já vimos. o vazio vem da rejeição da graça que é copiosam ente derram ada sobre a pessoa. A Ordem dos Decretos Divinos M esm o havendo u m consenso geral acerca da origem da salvação. os debates giram em to rn o da progressão das suas escolhas relativas à eleição. sob a paciência de Deus. a rejeição da graça provoca a ira. novam ente: Porque não há diferença. senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pe 3. Por o r a é su ficie n te o b serv a rm o s q u e m e sm o q u e a fé salvífica s e ja u m d o m . os “vasos da ira” são co m o são porque não se arrependeram: “E que direis se Deus. a justiça de Deus. . A Relação entre a Graça e a Ira Portanto. sendo que a prim eira se refere ao fato de Deus ter decretado os eleitos antes ou depois de ter decretado a Q ueda (Latim : lapsus). Por que Deus é salvificam ente paciente conosco? Porque. (Rm 3.A ORIGEM DA SALVAÇÃO 159 _ Objeto da Graça: Os Pecadores Arrependidos De acordo com a Bíblia. se manifestou. co m o disse Pedro. preparados para perdição?” (v. \ íd e ca p ítu lo 15. Por m eio de um sim ples ato de arrepend im ento (do ato de virarm os a “x ícara” da alm a com o lado certo para cim a).

C o m o infra significa “abaixo. e significa que o d ecreto divino da eleição (predestinação) é considerado pelos supralapsarianos co m o acima do. ou logicam ente anterior ao. wesleyana) à direita.1 0 Os infralapsarianos são calvinistas firmes. Os wesleyanos aderem a esta m esm a ordem básica co m o infralapsarianos. 2. os quais sustentam um a 9 O Amyraldianismo (o u Calvinismo Amyraldiano ) d eriv a de M o isés A m y ra u t (1596-1664). . A Dupla Predestinação sign ifica que D e u s e sc o lh e u ta n to a lg u m a s pessoas p a ra seres salvas. quanto os não eleitos (3) Permitiu a Queda Infralapsarianismo (1) Criou todos (2) Permitiu a Queda Sublapsarianismo (1) Criou todos (2) Permitiu a Queda Wesleyanismo (1) Criou todos (2) Permitiu a Queda (3) Proporcionou a salvação a todos (4) Elegeu com base na fé antevista daqueles que creram (5) Atribuiu a salvação somente aos crentes (que não podem perdê-la) (3) Elegeu alguns e desprezou outros (4) Proporcionou a salvação somente para os eleitos (3) Proporcionou a salvação a todos (4) Elegeu os que creram e desprezou os que não creram (5) Atribuiu a salvação somente aos crentes (que não podem perdêla) (4) Proporcionou a salvação somente para os eleitos (5) Atribuiu a salvação somente aos eleitos (5) Atribuiu a salvação somente aos eleitos O term o supralapsariano deriva do latim supra (acim a) e lapsus (queda). en tretan to n ão acreditam na dupla predestinação. Os supralapsarianos são hipercalvinistas. de acordo com vez de incondicional (que é a posição sustentada pelas três posições calvinistas). e não sim plesm ente. seu d ecreto que p erm itiu a Queda. ou logicam ente posterior ao. q u e fo i u m te ó lo g o fra n cês. A ORDEM DOS DECRETOS DIVINOS Supralapsarianismo (1) Elegeu alguns e reprovou outros (2) Criou tanto os eleitos. Os sublapsarianos (am yraldianos) são calvinistas moderados. 10 Predestinação significa que D e u s e sc o lh e u alg u m as pessoas p ara s erem salvas. p o r acreditarem na dupla-predestinação. já o S u b lap sarian ism o su s te n ta a exp ia çã o ilim ita d a (vide c a p ítu lo 11 ).” os infralapsarianos consideram o d ecreto divino da eleição co m o posicionado abaixo do. ST.160 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA A tabela inicia co m os mais calvinistas à esquerda e prossegue até a visão arm iniana (isto é. exceto por co locarem a ordem divina de prover a salvação antes da sua ordem da eleição (vide Chafer. Vários term o s constantes desta tabela serão definidos e explicados posteriorm ente. o S u p ra la p sa ria n ism o n e cessita da e x p iação lim itad a. q u a n to o u tras p ara s erem con d en ad as (vide apên d ice 3). Os sublapsarianos (A m yraldianos)9 são sem elhantes aos infralapsarianos. d ecreto que p erm itiu a Queda. A sua d iferen ça m ais c ritic a c o m re la ç ã o ao C a lv in ism o R a d ica l diz resp eito à e xp iação. salvo por defenderem que a eleição é baseada na presciência.105).

1 1 u m a coisa é clara: independ entem ente da ordem que possa haver nas decisões divinas. m otivo pelo qual a Bíblia fala de eleição com o sendo “segundo o beneplácito de : m vontade” (E f 1. Deus desejou etern am en te que as coisas acontecessem em u m a d eterm inada seqüência tem poral (u m a após a ou tra). Ele co n h ece todas as coisas im ed iatam ente e intuitivam ente em Si m esm o. E m vista dos atributos divinos. . por exem plo. D eus desejou. D eus não pensa de m aneira seqüencial (isto é. tudo o que Ele con h ece e decide é conh ecid o e executado de m aneira im ediata e intuitiva. eterno e im utável em seu Ser. Não faz sentido falar de um a ordem lógica na m ente de Deus. a ingestão de um com prim id o por aía.2) e não baseada em outros atributos. a partir da eternidade co m o u m todo.5. parte 1. Todos os pensam entos são conhecidos por Deus em -m a “co -in tu ição ” eterna. D eus não possui qualquer relação de tem po na seqüência dos seus pensam entos ou das suas decisões. de m aneira discursiva. que a criação j corresse antes da Queda. Ele pensou nelas e as coloco u em prática de m aneira sim ultânea.1 2 Existe uma Ordem Operacional nos Decretos Divinos E claro que existe u m a ordem operacional na execução dos decretos de Deus. D eus co n h ece todas as coisas de : nrma sim ples. já que u m Ser eterno não está preso a seqüências cronológicas. e não incondicional. a partir da eternidade com o u m to d o . Ele não pensa ou age de m aneira seqüencial. ela não é cronológica. e que a salvação fosse proporcionada depois dela. cf. 1 2Vide volum e 2. capítulos 2 e 8. sim ultaneam ente. 1 Pe 1. haveria u m a seqüência lógica contrad itória em u m D eus que não apresenta m ultiplicidade. u m a ordem lógica nos decretos divinos? X ão do ponto de vista dele. sobre a suposição de que existe u m a ordem nos decretos de Deus. com o se ele tivesse um pensam ento seqüencial a outro. p o r exem plo. os wesleyanos e os arm inianos insistem que a eleição e condicional. da m esm a fo rm a que u m m éd ico deseja. pelo prazo de u m a sem ana. já que Ele é sim ples. a cura do paciente ao prescrever-lhe.A ORIGEM DA SALVAÇAO # 161 expiação ilim itada. Desse m od o. Vide volum e 2. pelo m enos. C o m o já vim os. tam p ou co independente -eles. n em m esm o nos seus pensam entos. A Seqüência dos Decretos Divinos U m dos problem as básicos com esta análise é a fo rm a co m o ela foi estruturada. co m u m a idéia seguindo a ou tra). com o tal. capítulo 2. Na qualidade de Ser sim ples. Ind epend entem ente do que Ele pense ou das ações que tom e. Deus é. simples e etern o e. E com o tal. Não Existe uma Ordem Cronológica nos Decretos Divinos Por ser eterno (n ão -tem p o ral). antecipadam ente. Não Existe uma Ordem Lógica nos Decretos Divinos Mas será que não existe. ou seja. ao passo que os aderentes das outras visões crêem . 1 3Vide volum e 2. Os wesleyanos tam bém não crêem na segurança eterna.1 3 Os Resultados dos Decretos Divinos Os resultados dos decretos salvíficos de Deus são duplos: eles proporcionam salvação ra ra todos e aplicam a salvação àqueles que crêem . Se fosse assim.

4). Cristo é “o Cordeiro que foi m o rto desde a fundação do m u n d o ” (Ap 13. se a expiação foi direcionada a todos. o p roblem a é u m a falsa d icotom ia. “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não som ente pelos nossos. CG . mas tam bém pelos de todo o mundo” (1 Jo 2. não lhes im putando os seus pecados. p o rtan to . 1 6Vide capítulos 12. E f 1. lim itada. a expiação foi direcionada som ente a algum as pessoas (os eleitos).18) “Porque o am or de Cristo nos constrange. para que. conclu ím os que ela é. p o rtan to . “Porque a. e se ela não abarcasse todos. “Pois esperam os no D eus vivo. ficam os com duas opções: ou o “U niversalism o” é verdadeiro ou o é a “expiação lim itad a” (vide Sproul. apesar da salvação ter sido proporcionada a todos. a qual assume. em resposta ao suposto problem a. (Rm 5. Dessa form a. Isto nos leva ao aparente dilem a de que (1) ou a expiação foi direcionada a tod os ou (2) ela foi direcionada som ente a u m grupo (o dos eleitos). logicam ente. Deus desejou p roporcionar a salvação a toda a hum anidade. que é o Salvador de todos os homens. 205).2). provasse a morte por todos” (Hb 2. A lgum as pessoas fazem a seguinte pergunta: “A quem se destinou a expiação?” Os calvinistasfirmes respondem responderiam com u m “por que”. Se. tanto os calvinistas m oderados. quanto os arm inianos tradicionais negam o “U niversalism o.14).11). principalm ente dos fiéis” (1 T m 4. P ortanto. por causa da paixão da m o rte. Desde toda a eternidade. assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. bem com o aplicar a salvação a todos os que crerem . A Salvação É A plicada aos que Crêem E n tretanto. Existe u m a terceira alternativa: a expiação teve a intenção d e proporcionar (o ferecer) a salvação para todos.15 Se a intenção foi que ela abarcasse a todos. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação. pela graça de Deus. todos não são salvos. aparentem ente. por isso. que (1) houve som ente u m a intenção na expiação. E claro que.19). D eus “quer que todos os homens se salvem e ven h am ao con h ecim en to da verdade” (1 T m 2. todos m o rre ra m ” (2 Co 5. 1 5Ibid. para que todo aquele que nele crê não pereça. E com o a intenção de u m D eus soberano poderia ser frustrada? (vide capítulo 12).162 H TEOLOGIA SISTEMÁTICA A Salvaçao É Proporcionada a todos A Bíblia é clara e enfática: o desejo de D eus é que todos sejam salvos e.8. ele disponibilizou a salvação para toda a hum anidad e.10). erron eam en te. “D eus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo. julgando nós assim: que. basta apontarm os que este argu m ento con tém u m falso dilema. m as te n h a a vida etern a” (Jo 3. “A quele Jesus que fora feito u m p ou co m e n o r do que os anjos. cf. . e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2 C o 5. graça de D eus se há m anifestado. trazendo salvação a todos os homens” (T t 2. ela som ente se aplica àqueles que crêem .16).”16 Assim.1 4 “Porque D eus am ou o mundo de tal m aneira que deu o seu Filho unigênito. com o argu m enta u m calvinista firm e. foi direcionada som en te a algum as pessoas (os eleitos). se um morreu por todos. então todos serão salvos (já que as intenções soberanas de D eus não podem ser frustradas). ou (2) que o propósito ún ico da expiação foi M Vide capítulo 11.4). Em sum a. ela.9). logo.

a salvação se orig in a na on ib en evo lên cia divina e é recebida m ed iante u m a livre-decisão da parte dos seres h u m an os. tam p ou co é determ inado pelos seus próprios ito s (os quais são causados por Ele m esm o ). T eolog icam en te. mas se aplica som ente àqueles que crêem . foi proporcionada a todos.2 1 A Natureza da Liberdade Divina A Liberdade de Deus significa que Ele é autod eterm inad o. com a exceção com p reen sív el de A gostinh o — no período p o sterio r da sua vida — . cap ítu lo 7 19V ide ca p ítu lo s 3 e 5 20 V ide c a p ítu lo 2. que é u m Ser am oroso (n a sua onibenevolência). como Deus também queria que todos viessem a crer. quanto posteriores à Q ueda) p od em ser en contrad os ao lon g o da h istória da igreja. foi necessário que. F ran cam en te ralando. ~ ^ ide ca p ítu lo 3 p ara o b te r u m a e x p lica çã o a ce rca d o D e te r m in is m o . n em todos serão salvos porqu e n e m todos desejam ser salvos (cf. co m o analisam os. A salvação é concedida p or u m ato de liberdade divina. 18V ide v o lu m e 2. E co m o o am or e n tre D eus e as suas criatu ras é im possível sem u m a livre-decisão (liv re-arb ítrio ). cap ítu lo 15. este ato de liberdade co n ta co m a aju d a da graça de D eus. M t 23. Ele.22 \ ide v o lu m e 2.37. e é recebida p o r u m ato de liberdade. ambas as partes precisam ser livres. caso D eus desejasse am ar e ser am ado pelas suas criaturas. C o m o tam bém já estudam os. A salvação. p o rta n to .1 7 tal qual esta é revelada nas páginas das Sagradas Escrituras. Na verdade. 2 Pe 3. am a a todos.25). Se D eus am a todas as suas criatu ras de fo rm a livre e não pode fo rçar o seu am o r sobre elas. T estem u n h o s à d o u trin a do liv re-arbítrio h u m an o (tanto anteriores. nós som os “justificados gratu itam ente pela sua graça. Ele as criasse livres. Na verdade.24. é d om de D eus” (E f2. n ecessariam ente. p raticam en te todos os pais eclesiásticos m ais in flu entes d efenderam que a salvação é recebida p o r u m a livre-decisão da parte dos seres h u m a n o s. A BASE HISTÓRICO-TEOLÓGICA DA ORIGEM DA SALVAÇÃO A origem da salvação está na natureza de Deus. Ele também teve intenção de que Cristo morresse para proporcionar a salvação a todas as pessoas. existe. por m eio da fé. p ara c o n h e c e r a d ife re n ça e n tre u m ser autocausado e u m a ação autocausada. pela redenção que há em C risto Jesus. p o rta n to . e isso não vem de vós.2 0 E co m o D eus é to d o -a m o ro so . u m a condição para se receber este am or: o desejo de ser am ado.A ORIGEM DA SALVAÇÃO #163 aplicar a salvação aos eleitos. Em sum a. não é determ inado por n e n h u m ou tro ser alheio a si m esm o. p o rtan to . m as a sua graça não efetua a salvação sem a coo p eração da vontade h u m a n a . e pelo fato do a m o r não p od er ser im p osto sobre a parte am ada ( já que. ao qual D eus propôs para propiciação pela f é n o seu sangue” (R m 3.1 9 C o m o D eus é am or. c a p ítu lo 3.9). A alternativa — da expiação lim itada — leva à negação de que Deus verdadeiram ente queria que todas as pessoas fossem salvas — um a concepção que contraria a sua onibenevolência. u m “am o r fo rçad o ” seria u m a con trad ição ). e o TO him e 2.8). d o In d e te rm in is m o e d o A u to d e te rm in is m o . ou seja. “A ju stiça de D eus pela f é em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem” : R m 3. . já a base da vontade divina em salvar os seres hum anos pecadores encontra-se na sua onipotência1 8 e n a capacidade concedida por Deus do livre-arbítrio hu m ano. “Porque pela graça sois salvos. 2 1 V ide c a p ítu lo 5.22).

■ & . em u m h o m em apaixonado — de fo rm a livre. . C o m o vim os no volu m e 2. A criação flui livremente da vontade divina. é pela sua n atu reza que D eus é livre para criar ou não criar. T g 1. todavia. 26 V id e v o lu m e 2. não era necessário que D eus criasse ou elegesse n in guém .164 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Sem Compulsão Externa Logicam ente. Isto é u m a exigência tanto da natu reza de Deus. por com pulsão). c a p ítu lo 15. T a l qua\ vem os n a refu tação da ptoposva do Yxx&eísyQO. decisão de D eu s em criar (e salvar) não foi determ inada pela sua natu reza. mas de fo rm a livre. (2) nãocausadas. T t 1. e com o D eus é am or. tam bém com am ável benignidade te atraí” (Jr 31. co m o tam bém já vim os. ou (3) causadas por Ele m esm o. ela. é consistente com a sua natu reza m o ral. D eus disse: “Há m u ito que o SEN H O R m e apareceu. surge com o o am or. As ações não causadas (indeterm inadas) são contrárias ao princípio da causalidade.18. as ações de Deus precisam ser (1) causadas por o u tra pessoa. que som en te por elas m esm as podem optar pelo seu am or. e. A criação não surge de Deus da m esm a fo rm a que u m a flor surge a partir de u m a sem ente. c o m o é ó bvio. m as o d eia o p ecad o. 24 V ide v o lu m e 1. “Mas D eus prova o seu am or para conosco em que Cristo m o rreu por nós. existe u m a condição para que esta salvação seja recebida — u m ato livre de fé em Deus. Ele não pode agir de m aneira contrária à sua própria natureza. M esm o assim. Não existem condições a serem cum pridas para a decisão de D eus em proporcionar a salvação. Consistência Interna Apesar da salvação não fluir de Deus de fo rm a necessária (isto é. as ações de Deus não podem sofrer de com pulsão interna. Por exem plo. co m pela natu reza das criaturas livres.13) — E le a m a os p eca d o res. independ entem ente da suposta força ser in tern a ou externa. co m o Deus é a verdade “é im possível que D eus m in ta ” (Hb 6. cf. à m edida que Deus decidiu disponibilizar a salvação a todos e salvar todos os que cressem .8). en tretan to .24 as ações de Deus precisam ser causadas por Ele m esm o (ser autode term inad as). ca p ítu lo s 2 e 10. A m a r o p e ca d o seria c o n trá r io à sua n a tu re z a c o m o o B e m ab so lu to . Apesar de u m ser autocausado contrariar a lei da não-contrad ição. A Natureza da Onibenevolência Divina A liberdade de Deus está fundam entada no seu am or im utável. mas.3).13. 23 V id e v o lu m e 1. existe u m a causa para todos os eventos. co m o a vontade de D eus é idêntica à sua natureza. 25 D e m o d o s e m e lh a n te .23 As ações de D eus não podem ser causadas por o u tra parte (determ inadas). co m o um ser T od o-am oroso. c a p ítu lo 5. Sem Compulsão Interna De m odo sem elhante. dizendo: C o m am or etern o te am ei.26 som ente farem os aqui um resu m o dos seus pontos principais.25 C o m o a onibenevolência de D eus já foi exaustivam ente analisada. sendo nós ainda pecadores” (R m 5. D e u s n ã o p ode a m ar o m a l (H c 1.2). Ele não criou porque precisava criar. mas porque desejou criar. “A liberdade forçada” é u m a contradição. a eleição é u m ato incondicional. já que n ão lh e existe u m a força exterior capaz de d eterm inar as suas ações (o Deus soberano não pode ser forçado a fazer nada por n e n h u m ou tro ser). é impossível que Ele não am e tu do aquilo que fo r b o m .

. que é riquíssim o em m isericórdia. D eus necessariam ente é am or — Ele não é capaz de não amar. A Necessidade de Deus Implica a sua Onibenevolência Deus é um Ser necessário. Deus pode ser nada “de fo rm a parcial. para com os hom ens.2).29 e Deus é am or. se u m m o rreu por todos. a capacidade de praticar o m al e não o bem ).7-10) Teologicam ente falando. é o poder de ações autodeterm inadas. não existe n e n h u m a contradição lógica en tre a liberdade e a necessidade de am ar tudo aquilo que Ele criou. p o rtan to . com o tam bém C risto vos am ou e se entregou a si m esm o por nós. porque a caridade é de Deus. A essência de Deus tam bém e sim ples. ou seja. A liberdade de Deus em questões m orais. mas.1). estando nós ainda m o rtos em nossas ofensas. quando apareceu abenignidade e caridade de Deus. Nisto se manifestou a caridade de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo. e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. Aquele que não ama não conhece a Deus. não existe conflito entre a necessidade e a liberdade em D eus. não pelas obras de ju stiça que houvéssem os feito. As Implicações da Onibenevolência Divina Precisam os observar duas im plicações soteriológicas im portantes. 29 Ibid. am á-los — e am á-los a todos. tal co m o a sua liberdade básica em todas as questões.” e co m o Deus é am oroso. nosso Salvador.A ORIGEM DA SALVAÇAO 165 “Porque o am or de Cristo nos constrange. capítulo 3. segundo a sua m isericórdia” (T t 3. “Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos cham ados filhos de D eu s” (1 Jo 3. A lém disso. julgando nós assim: que. não é com p osto de partes. a liberdade não significa “o poder de u m a decisão contrária em questões m orais” (por exem plo. capítulo 5. todos m o rre ra m ” (2 Co 5. nos vivificou ju n tam e n te com C risto (pela graça sois salvos)” (E f 2. A Infmttude e a Simplicidade de Deus Implica a sua Onibenevolência Deus é infinito na sua essência. Ibid. em oferta e sacrifício a D eus” (E f 5. necessariam ente.4-5). Neste sentido. Deus precisa ser am or infinito. Portanto.27 e o am or faz parte da essência de Deus (1 Jo 4. Ademais. “Mas. “Andai em am or.14).28 o que significa que Ele é indivisível. Nisto está a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus. e se decidiu criar seres sem elhantes a Si...4-5). pelo seu m u ito am or com que nos am ou. dessa form a. a onibenevolência de Deus flui a partir de u m a conexão lógica en tre o am or e vários dos seus atributos m etafísicos. P ortanto. “Mas Deus. concluím os que Ele precisa ser total e com p letam en te am oroso. que surgem a partir da onibenevolência de Deus.. amemo-nos uns aos outros. capítulo 2. para que por ele vivamos. (1 Jo 4. logo. 28 Ibid. Ele deve. Amados. já que é da sua natureza necessária que toda a criação e salvação fluam livrem ente a partir de Si m esm o.16). Ele precisa am ar a Si m esm o. em Deus. porque Deus é caridade.

já os calvinistas m oderad os crêem que a graça é irresistível so m e n te de acordo com a vontade do recebed o r. 30Vide capítulo 5. O mero desprezo da vontade humana [.] ser-Lhe-ia inútil. m as “a g raça irresistív el co n trá ria a vo n tad e do sero b je to dessa g ra ça ” — é u m a co n tra d içã o a liberdade h u m a n a que o p ró p rio D eus co n ced eu . D essa fo rm a . é incapaz de coag ir a liberdade de e sco lh a dos indivíd uos — ser-L h e-ia co n tra d itó rio fazer isto. se o C alv in ism o F irm e estiv er c o r re to ao su ste n ta r que D eus pode fo rç a r as pessoas (p o r m e io da g raça irre sistív e l) a serem salvas. co n stitu i-se . 38) A s Implicações do Universalismo C o m o já vim os n o v o lu m e 2 (n o c a p ítu lo 15). (SL. e D eu s n ão pode in c o rre r em co n trad içõ es. v erd ad eiram en te livres. Lewis co m e n ta este p o n to co m propriedade: O irresistível e o incontestável são as duas armas cuja própria natureza do seu plano o proíbe de fazer uso. a o n ib en e v o lê n cia divina n ão p e rm itirá que Ele faça tu d o o que a sua o n ip o tên cia poderia. U m “am o r fo rça d o ” é in trin secam e n te im possível. de fo rm a algu m a. e n ão haveria nad a de m o ra lm e n te c o r re to ao se fo rçar seres m o rais a agir de m a n e ira c o n trá ria à sua vo n tad e. e se D eus re a lm e n te am a a tod os (n a sua o n ib en e v o lê n cia ) e d eseja que tod os se salvem . em u m vício de a rg u m e n ta çã o . e v e n tu a lm e n te . en tã o a ú n ica fo rm a dos su p ralap sarianos e dos infralap sarian os e v ita rem o U n iv ersalism o (o qual. caso D eu s possa salvar a to d o s aqueles d eseja.” P o rta n to . . C. é c la ra m e n te fa lso ) é n eg an d o que D eu s é o n ib en e v o le n te . estas pessoas n ão seriam . de o u tra fo rm a . A razão p ara isso é que. A rg u m e n tar que tod os. d ecid ir-seão p o r seguir a D eu s de fo rm a esp o n tâ n ea é c o n trá rio ta n to ao que as Sagradas E scritu ras n os ap resen tam . S..166 < ü TEOLOGIA SISTEMÁTICA As Implicações da Doutrina da Graça Irresistível Todos os calvinistas crêem em alg u m tipo de graça irresistível: Os ultracalvinistas e os calvinistas firm es crêem que a graça é irresistível m esm o contra a vontade do recebedor. Ele é incapaz de violentá-la. u m D eus de am o r pode agir co m base n a persuasão. 3 1 Vide tam bém o capítulo 12. con clu ím os que a graça não pode ser irresistível co n tra a vontade das pessoas. n ão existe q u alq u er garan tia (se m e lh a n te à que é oferecid a p e lo U n iv ersalism o ) de que todas as pessoas serão salvas. cabe-lhe simplesmente insistir com o homem. ex e cu tar. insistim os que se D eus é T o d o -a m o ro so e. sim p le sm e n te . acabarão aceitan d o . mas n u n ca co m base na coação. pois u m D eus que é todo am o r n ão pode fo rçar n in g u ém a agir c o n tra a sua própria vontade. q u an to ao que sabem os p e la e xp eriên cia . a o n ib en e v o lê n cia de D eus to rn a o U n iv ersalism o in su ste n tá v e l. adiante. e v e n tu a lm e n te ..32Vide capítulo 2. en tão todos acabarão por se salvar [.. m e sm o d esconsid erand o a resp osta do seu liv re-a rb ítrio (o p ressu p o sto do C alv in ism o F irm e ). D eus c la ra m e n te d eseja que to d o s se salv em .] o q ue nad a m ais é do que “U n iv ersa lism o .30 D ian te da on ib en evo lên cia de D eus.31 A pesar de u m Ser o n ip o te n te te r a capacidade de p od er realizar tu d o que lh e fo r possível. A cred ita r que to d o s.. co m o ta l. C o m o isto se daria? Por in te rm é d io do a p risio n am en to da sua vontade? Se assim fo r. u m D eu s o n ib en e v o le n te so m e n te é capaz de fazer aquilo que é m o ra l. co m o já vim os.32 A lém disso.

Jesus não convenceu a todos acerca da necessidade da salvação. João Calvino. artigos 11-12. Ele.28. em todos os m o m en tos.9) Estevão se referiu ao orgulho do povo de D eus nas seguintes palavras: “ Vós sempre resistis ao Espírito Santo” (A t 7.33 seguindo a tradição do “A gostinho posterior. D urante o seu m inistério terren o. ■ ” 1618-1619. e tu não quiseste! (Mt 23. chegou a dizer que algum as pessoas rejeitaram de tal fo rm a a obra do Espírito Santo que haviam “blasfem ado co n tra E le” e.8). Na verdade. apesar de ser tarefa do Espírito Santo “convencer o m u nd o do pecado. n a verdade. Jesus lam en tou : Jerusalém. . considerada u m ato monergista (significando “u m ato executado som en te p o r parte de D eu s”). toda estasubseqüente da graça é reconh ecida co m o ato sinérgico (significando “u m ato executado com a nossa coo p eração” (vide Sproul. e alguns resistem à graça de Deus. por exem plo. dessa form a. p o rtan to . o p o n to de vista dos Calvinistas Firm es que preconiza u m M onergism o inicial está baseado na concepção de que Deus exerce sua graça irresistível contrariam ente à vontade da pessoa. n em todas as pessoas responderão de m aneira positiva à sua ação. Jonathan Edwards e Francis T u rretin. para o calvinista firm e. O Sínodo de D o rt. em oposição à graça cooperativa. por isso. daquele ponto em diante. Isto. jam ais receberiam o perdão e. A regeneração (conversão) é. 0 Monergismo não E biblicamente Fundamentado A Bíblia não apóia a visão de que a graça irresistível seja exercida con trariam en te à vontade das pessoas. 2 Pe 3. 119). O que se constitu iriam em u m a violação da liberdade de decisão dos seres hu m anos. é cham ado de graça operativa. por M artin h o Lutero. ela afirm a que todos podem . por A gostinho (no período posterior da sua vida). e não conta com qualquer tipo de cooperação por parte dos seres hu m anos. Os calvinistas firm es sustentam que o m o m en to da conversão (regeneração) resulta to talm en te da operação de Deus. Este ponto de vista foi defendido. Porém .51). que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos.” chegou até m esm o a fazer uso da ilustração da “ressurreição dos m o rto s” para se referir à obra de D eus n a vida dos não-regnerados. entrariam em “condenação e te rn a ” (cf. Ainda nos dias de Noé: “Então. disse o SEN H O R: Não contend erá o m eu Espírito para sem pre com o h o m e m ” (G n 6. depois da regeneração. Ou seja. de acordo co m os calvinistas firm es. Jerusalém. cf. mas agem em cooperação ativa com a graça de Deus. a nossa vontade coopera com as ações de D eus n o sentido de atingirm os a santificação (purificação).3). como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas. a qual procede do próprio Deus.37. Há vários m otivos para se rejeitar o M onergism o.29). 34 Cânones de D ort. Jo 16. algum as vezes. apesar das suas obras sobrenaturais. WB. vide capítulo 15. da ju stiça e do ju íz o ” (cf. os seres hu m anos são co m p letam en te passivos no que diz respeito ao início da sua salvação. M c 3.34 C o n fo rm e já com entam os.A ORIGEM DA SALVAÇAO 167 M o n e rg is m o versus S in e r g is m o Isto nos encam inha à calorosa disputa teológica travada entre o M onergism o e o Sinergism o.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

0 Monergismo nao É Apoiado pelos Pais Eclesiásticos

A exceção do “A gostinho posterior,” que foi convencido na controvérsia donatista, n e n h u m ou tro pai eclesiástico de peso, até o período da R eform a foi sim patizante da dou trina da graça irresistível independente da vontade hu m ana. Por exem plo, o “A gostinho a n terio r” (n o início do seu m in istério) afirm ou corretam en te: Deus é considerado o “nosso Ajudador”; mas ninguém pode ser ajudado sem fazer algum tipo de esforço voluntário. Pois Deus não opera a salvação em nós como se estivesse lidando com pedras irracionais, ou com criaturas que não tenham recebido nem razão, nem vontade própria. ( OFSB, 2.28) Até m esm o a perspectiva de M artin h o L u tero, o prim eiro n o m ed e p e so a se levantar na defesa dessa d outrina, depois do “A gostinho posterior,” foi contrad ito pelo seu discípulo e sistem atizador, Filipe M elan ch ton (1497-1560), a quem , p osteriorm ente, os luteranos passaram a seguir. D e m odo sem elhante, a visão de João Calvino foi questionada por Jacó A rm ínio (1560-1609) e é rejeitada por todos os calvinistas m oderados.35

O Monergismo E contrário ao "Principio Protestante "
U m dos princípios fundam entais do Protestantism o é a “salvação som ente pela fé ” (Latim : sola fidet). Se a salvação vem por m eio da fé — o que é claram ente afirm ado pelas Sagradas Escrituras — então a fé é, logicam ente, anterior à regeneração. E, com o já vim os acerca deste assunto, a Bíblia é clara ao afirm ar que esta é m esm a a ordem das coisas. Som os salvos por m eio da fé (E f 2.8,9); som os justificados pela fé (R m 5.1); e precisam os crer em C risto para nos salvarm os (A t 16.61). Em cada u m destes casos, a fé vem , logicam ente, antes da salvação. Nós n ão nos salvamos, para depois passar a crer; mas sim, crem os para que possam os nos salvar.36
O Monergismo E contrário à Onibenevolência de Deus O s calvinistas firm es adm item crer que D eus não é T od o-am oroso no sentido da redenção: Eles afirm am que Ele ama, enviou Jesus e p ro cu ra salvar somente os eleitos. C ontudo, isto é con trário ao que dizem as Sagradas Escrituras;37 u m D eus Todo-am oroso (1 Jo 4.16) am a a todos (Jo 3.16) e deseja que todos ch eguem à salvação (1 T m 2.4-5; cf. 2

Pe 3.9).
O Monergismo E contrário ao Livre-arbítrio Concedido por Deus

C o m o é am or e sem pre opera por m eio da persuasão e não pela coação, D eus não pode forçar nin gu ém a am á-lo — e é isso que a “graça irresistível” faria sobre alguém que n ão desejasse se salvar. O am or persuasivo, mas resistível, de D eus cam in h a ju n to co m a liberdade de decisão que Ele m esm o concedeu aos seres hum anos. C o m o já vimos, o livre-arbítrio h u m an o é autod eterm inação, e envolve a capacidade de escolh er seguir u m ru m o contrário. Podem os aceitar ou rejeitar a graça de Deus. Em sum a, a graçasalvífica de D eus opera de fo rm a sinérgica co m o nosso livre-arbítrio; ou seja, ela precisa ser recebida para se to rn ar efetiva. Não existem condições a serem im postas para a concessão da graça por parte de Deus, p o rém existe u m a condição para a
33Vide capítulo 6. 36Vide capítulo 15. 37Vide capítulo 11.

A ORIGEM DA SALVAÇÃO

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sua recepção — a fé. Em outras palavras, a graça de Deus fu ncion a de fo rm a cooperativa, não operativa. A fé é a pré-cond ição para se receber o dom divino da salvação, e a fé antecede a regeneração, já que som os “salvos por m eio da fé” (E f 2.8) e “justificados pela fé” (R m 5.1).

RESPOSTAS A OBJEÇÕES LEVANTADAS À ORIGEM DA SALVAÇÃO
C om m uitas das objeções a seguir giram em to rn o do am o r de D eus e da liberdade hu m ana, assunto este que já foi detalhado em outras partes desta obra, recapitularem os aqui, de fo rm a breve, som ente as questões mais im p ortantes.3s

Objeção Número Um — Com Base na Idéia de que o Amor Necessário É Contraditório
O am or é u m ato livre, que flui da nossa liberdade de decisão, e um a pessoa não pode ser forçada a am ar. Se fo r assim, então o am or não pode fluir da essência de Deus, já que a essência de Deus é necessária.39 Logo, a salvação precisa fluir da vontade de D eus e não da sua natu reza im utável.

Resposta à Objeção Número Um
O amor e a necessidade não são contraditórios, mas o amor e a compulsão são.40 O am ar é da natu reza de Deus, e co m o sua n atu reza é necessária, é necessário que Ele am e. A lém disso, com o o am or é u m ato livre, é necessário que Deus am e de fo rm a livre. C onseqüentem ente, não é contrad itório que o am or seja necessário e livre; isto sim plesm ente significa que Deus, pela sua própria natureza, precisa am ar. E com o o am or precisa ser expresso de m aneira livre; porque a sua vontade precisa estar de acordo com a sua natureza, o seu am or livrem ente escolhido está de acordo com a sua essência necessária e im utável.

Objeção Número Dois — Baseada no Amor Singular de Deus pelos Eleitos
Os calvinistas firm es alegam que D eus não am a “de m aneira salvífica” a todas as pessoas, insistindo que C risto m o rreu som ente pelos eleitos. Se isto fo r verdade, então Deus deixa de ser onibenevolente. Por exem plo: “[Ele] nos elegeu” (e não “a todos” — Ef 1.4); “C risto m o rreu por nossos pecados” (1 C o 15.3); “dou a m in h a vida pelas ovelhas” (Jo 10.15); “C risto am ou a igreja e a si m esm o se entregou por ela” (E f 5.25).

Resposta à Objeção Número Dois4 1
O fato de som ente os crentes seres m encionados em algum as passagens com o beneficiários da m o rte de Cristo não prova que a Expiação é lim itada, por várias razões: A primeira , Paulo tam bém disse que Jesus “m e am ou e se entregou a si m esm o por m im ” (G 12.20), n em por isso os proponentes da expiação lim itada apresentam este verso co m o prova de que todas as dem ais pessoas estão excluídas dos benefícios da m o rte de Cristo.

* Para c o n h e c e r o u tra s o b je ç õ e s e respostas, vide v o lu m e 2, c a p ítu lo 15, b e m c o m o o c a p ítu lo 3 d este v o lu m e. v o lu m e 2, c a p ítu lo 3. ® Jo ão C alv in o r e c o n h e c e u isto nas In s titu ta s da R eligião C ristã, I.2 .2 .5 . c o m p le ta à d o u tr in a da E x p iação L im itada, vide c a p ítu lo 11.

39 Vide

4 1 Para u m a re sp o sta m ais

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

A segunda, quando a Bíblia utiliza term os co m o nós, nosso, ou o p ronom e oblíquo nos para se referir à Expiação, ela fala som en te daqueles a quem ela é aplicada, e n ão daqueles a quem ela foi proporcionada. Ao fazer isto, p o rtan to , as Sagradas Escrituras, de fo rm a algum a, lim itam a abrangência da Expiação. A terceira, e últim a razão, é que o fato de Jesus am ar a sua noiva e por ela ter m orrido (E f 5.25) não significa que D eus (o Pai) e Jesus (o Filho) não am em o m u nd o inteiro e não d esejem que as demais pessoas tam bém façam parte da noiva — a igreja. João 3.16 deixa

m u ito claro que não é isso.42

Objeção Número Três — Baseada no Amor de Deus por Jacó e no seu Ódio por Esaú
D e acordo co m R om an os 9, D eus am ou Jacó e odiou Esaú (v. 13); Ele teve m isericórdia de uns e não de outros (v. 15); Ele destinou alguns para a destruição e outros não (v. 22); Ele endurece o coração de alguns (incredulidade) e não de outros (v. 18). A partir destes exem plos, parece óbvio que D eus não é onibenevolente, quando o assunto é a salvação.

Resposta à Objeção Número Três
Esta é u m a interpretação errôn ea dos textos. Primeiro, a passagem não está se referindo à eleição de indivíduos, mas de nações. Esaú é a nação de Edom que veio dele (cf. M l 1.2), e Ja c ó é a nação de Israel que dele tam bém surgiu (cf. 9.2,3). Segundo, a passagem não está tratando da eleição de indivíduos à salvação, m as de Israel com o nação escolhida para servir de canal pelo qual a bênção etern a da salvação, p or m eio de C risto, chegaria a todos (cf. G n 12.1-3; R m 9.4,5). A lém disso, m esm o a nação de Israel tendo sido escolhida por Deus, n e m todos os indivíduos que dela fazem parte foram eleitos para a salvação (9.6). Terceiro, a palavra odiar (grego: emisesa, do radical miseó), neste caso significa “am ar m e n o s” ou “n u trir m enos afeição”; ela não significa “não am ar de fo rm a algum a” ou “não desejar o bem daquela pessoa.”43 Isto fica evidente, por exem plo, a partir da passagem de Gênesis 29.30,31: A expressão “am ou tam b ém a R aquel mais do que a Léia” é utilizada co m o equivalente a “Léia era odiada” (cf. tam b ém M t 10.37). Quarto, Faraó end ureceu o seu próprio coração co n tra D eus (cf. Ex 7.13,14; 8.15,19, 32) antes de Deus tê-lo endurecido (Ex 9.12). O objetivo das dez pragas sobre o Egito era convencer Faraó a se arrepender; co m o ele insistiu em não se arrepender, o seu coração foi endurecido p o r resultado das suas próprias ações. Repetidas vezes tem os visto que “o m esm o sol que derrete a cera, endurece o b arro”. O p roblem a não está na fonte, m as na receptividade do agente sobre o qual ela está agindo. Quinto, e p o r fim , os “vasos da ira ” (R m 9.22) n ão fo ra m destinados à d estruição c o n tra a sua vontad e. Na verdade, eles assim se to rn a ra m p o r te re m rejeitad o a D eus, m esm o tend o Ele os su p ortad o “co m m u ita p aciên cia,” aguardando o seu arrep en d im en to (2 Pe 3.9).

Objeção Número Quatro — Baseada na Idéia de que a Onibenevolência Leva, necessariamente, ao Universalismo
Se D eus am a todas as pessoas e, p o rtan to , deseja que todas se salvem , então, por que todos não se salvam? Se Ele é onipoten te, e u m ser Todo-poderoso Ele, supostam ente,
42 C f. R m 5.6; 2 C o 5.14,19; 1 T m 2.6; H b 2.9; 1 Jo 2.2. 43 C f. Lucas 14.26, on d e Jesus diz: "S e a lg u ém v ier a m im e n ao

a b o rre c e r a seu pai, e m ã e , e filh os, e irm ã o s, e irm ã s, e ainda ta m b é m a sua p ró p ria vida, n ã o p od e ser m e u d iscíp u lo ".

A ORIGEM DA SALVAÇÃO

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pode fazer tudo o que bem desejar. A lém disso, D eus d etém o con trole soberano de ::d a s as coisas,44 e a sua vontade não pode ser frustrada — Ele realiza tudo o que e a ;u e se propõe realizar (Is 55.11). Se Deus pode realizar tudo o que deseja fazer, e se o seu aesejo é salvar a todos, parece lógico que todos haverão de se salvar (U niversalism o). R e s p o s ta à O b je ç ã o N ú m e r o Q u a tr o C om o já observam os, a vontade final de Deus sem pre será cum prida, mas a sua vontade imediata não. Isto ocorre porque deseja algum as coisas de fo rm a condicional e outras não. A salvação é desejada sob a condição de lha aceitarm os (Jo 1.12; 3.16). N em a onipotência, tam p ouco a onibenevolência está em questão (2 Pe 3.9; cf. M t 23.37). A lém disso, não é verdade que u m Ser Todo-poderoso pode fazer absolutam ente tudo. C o m o tam bém já foi visto: Ele não pode fazer o que é contrad itório (cf. Hb 6.18; 2 T m 2.13). Portanto, apesar de Deus ser Todo-poderoso (o n ip o ten te) Ele precisa exercer o seu poder de acordo com o seu am or (onibenevolência). O seu am or não pode (e, p o rtan to , não irá) forçar alguém a am á-lo. O b je ç ã o N ú m e r o C in c o — B a sea d a n o S u p o s to F a to d e D e u s T e r u m P o d e r n ã o U tiliz a d o Os ultracalvinistas argu m entam que Deus não é obrigado a exercer o seu am or para com todas as pessoas sim plesm ente por ser Todo-am oroso, da m esm a fo rm a que não precisa exercer todo o seu poder diante de todos sim plesm ente por ser onipotente. D ito de form a sim ples, deste ponto de vista, Deus pode ter mais am or do que Ele dem onstra, tal qual Ele certam en te possui mais poder do que dem onstra. R e s p o s ta à O b je ç ã o N ú m e r o C in c o P rim eiram ente, o am or é um atributo moral de Deus, ao passo que o poder é um atributo não-moral-, confund ir as duas coisas representa u m erro de categorização.45 Os atributos m orais obrigam Deus a agir de certa m aneira porque são atributos m orais; com os atributos isto não ocorre porque eles, ju stam en te, não são m orais.46 Por exem plo, o fato de D eus ter o poder de criar mais m undos não significa que Ele precise fazer isto. A lém disso, é inconsistente argum entar (co m o faz os ultracalvinistas) que Deus precisa sem pre agir de fo rm a ju sta em virtude de Ele ser T od o-ju stiça, enquanto, ao m esm o tem po, sustentam os que Ele n em sem pre precisa agir de fo rm a am orosa em virtude de Ele ser T od o-am oroso.47 Se a onibenevolência de Deus não Lhe levasse a am ar todas as pessoas, então, de igual m odo, a sua ju stiça não lhe obrigaria a condenar todos os pecadores — mas é isto o que acontecesse, tal qual o seu am or o obriga a am ar todos os pecadores. O b je ç ã o N ú m e r o Seis — B a sea d a N a q u ilo q u e o s P e c a d o re s M e re c e m Som os salvos pela graça de Deus, só que esta graça não é m erecida por n en h u m dos pecadores, o que significa “por nenhum de nós.” Pelo contrário, a ju stiça exige que todo pecado seja condenado.
44\ ide v o lu m e 2, c a p ítu lo 23. 45V id e a n o ta so b re erros de categorizaçao n o c a p ítu lo 6. 46V id e v o lu m e 2, c a p ítu lo 1, p a ra o b ter 47 A o c o n trá rio d o poder e

u m a d e fin ição e u m a e x p lica çã o dos a trib u to s e c a ra cte rística s m o ra is e n ã o -m o ra is de D eu s. d o am o r, a justiça e o a m o r são a trib u to s m o ra is.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

Resposta à Objeção Número Seis
É verdade que não existe nada nos pecadores que leve D eus a nos salvar. Pelo contrário, com o foi corretam en te argum entado, a ju stiça precisa nos cond enar em nossa pecam inosidade. Todavia, tam bém é verdade que existe algo em Deus que o leve a nos salvar: o seu am or. C o m o Deus é, essencialm ente, onibenevolente, Ele precisa tentar salvar as suas criaturas decaídas. P ortanto, D eus não precisa dem onstrar o seu am or porque o merecemos (n a verdade não m erecem os!), mas porque a sua natureza assim o exige. O am or não é um atributo arbitrário de Deus, mas está alicerçado na sua natu reza necessária. P ortanto, se Ele é T od o-am oroso, ele precisa, necessariam ente, am ar a todos.

Objeção Número Sete — A Partir de uma Perspectiva Monergista
O argu m ento central con tra o Sinergism o salvífico im plícito no debate acim a é que ele, supostam ente, to rn a os seres hum anos responsáveis pela sua própria vida eterna. Assim com preendido, o Sinergism o parece sugerir um a fo rm a de obra hu m an a na salvação, retirando a glória que cabe som ente a Deus e tornan d o a salvação dependente (e m parte) da ação dos seres hum anos.

Resposta à Objeção Número Sete
Esta crítica desconsidera vários fatores im portantes. Primeiro, na salvação sinérgica a origem e a iniciativa da justificação cabem som ente a D eus. Os seres hum anos sim plesm ente respondem no sentido de receber o dom que Ele oferece. Segundo, a fé não é u m a fo rm a de obra; m as sim u m reco n h ecim en to de que, com o pecadores, som os to talm en te incapazes de nos salvar a nós m esm os e precisam os contar com a graça de Deus para o nosso resgate eterno. C o m o in form a o A p óstolo Paulo, existe u m a grande diferença entre merecer algo que foi conquistado e receber u m presente não m erecido (R m 4.4,5). Tentar dar o crédito da salvação àquele que a recebe e não Aquele que a oferece. Terceiro, e por fim , o m onergista confunde u m a ação (fé) co m um a obra. Todas as obras são ações, mas n em todas as ações são obras. 0 ato de f é , pelo qual recon h ecem os que nada podem os fazer para m erecer a nossa salvação, não é uma obra. C o m o já vim os an teriorm ente, Paulo afirm a de fo rm a veem ente: Ora, àquele que faz qualquer obra, não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. (Rm 4.4,5)

Objeção Número Oito — A Partir de um Ponto de Vista altamente Determinista
Os panteístas e outros determ inistas questionam que se D eus é u m Ser necessário, não é necessário, un icam en te co m base n a sua necessidade, que Ele queira salvar? Não, não é. A ún ica necessidade aplicável a u m Ser necessário é a de ele ser o que Ele é. P ortanto, Deus não pode ser ou tra coisa além de Deus, e n e n h u m ser, n e m algo que seja contingente pode im por qualquer tipo de necessidade sobre Ele.48 C o m o, então, D eus pode ser, sim ultaneam ente, livre e necessário ? C o m o Ele pode ser u m Ser Necessário e p erm an ecer livre para criar e salvar?
48Vide volum e 2, capítulo 3.

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R e sp o sta à O b je ç ã o N ú m e ro O ito Pela sua própria natu reza, com o u m Ser pessoal, é necessário que D eus seja livre no cue tange à sua m oralidade. Ou seja, é de necessidade que, com o u m Ser m oral, Deus seja u m Ser livre. Dessa form a, a vontade de criar e salvar seres livres é um a decisão m o ral livre de u m Ser m o ral livre (D eus). C o m o já verificam os, o ser livre faz parte da rró p ria natu reza de Deus e; desse m odo, Deus é tanto u m Ser necessário quanto livre — é necessário que Ele seja livre. O b je ç ã o N ú m e r o N ov e — A P a rtir de u m a P e rs p e c tiv a N e o te fs ta

Aqueles que são denom inados de “teístas abertos” sugerem que, se Deus originou e d eterm inou (por livre-decisão) aqueles que seriam salvos, desde a eternidade, então, não podem os ser livres. O seu argu m ento pode ser exposto da seguinte form a: (1) (2) (3) (4) Tudo o que D eus co n h ece infalivelm ente precisa acontecer. Tudo o que precisa acontecer não pode oco rrer de fo rm a adversa. O que é livrem ente decidido poderia ter tido ou tro desfecho. P ortanto, se D eus pré-ord en ou aqueles que seriam salvos, então n e n h u m de nós teve, de fato, liberdade de decisão neste assunto e, conseqüen tem ente, ninguém pode ser livre.

Os neoteístas tam bém argu m entam que se D eus con h ece o fu tu ro de fo rm a infalível, o fu tu ro, então, precisa o co rrer da form a co m o Ele conh ece, caso contrário, Ele poderia estar enganado a respeito do que sabe com antecedência. Se o fu tu ro precisa o co rrer de acordo co m este con h ecim en to, então Deus não é livre para m odificá-lo. Logo, um Deus que co n h ece o fu tu ro de fo rm a infalível não é, de fato, livre (n o sentido de que Ele poderia ter tom ad o o u tra decisão acerca do fu tu ro). O argum ento tam bém pode ser colocad o nos seguintes term os: Se Deus sabia desde a eternidade o que ocorreria n o fu tu ro, então o co n h ecim en to que Deus tem acerca destas coisas é parte do passado e está, neste m o m en to , fixo; sendo impossível a sua m odificação. E, Como Deus é infalível, é completamente impossível que as coisas ocorram de maneira diversa daquela que Ele espera que elas ocorram. [Mas] se Deus sabe que uma pessoa irá realizar [uma certa ação], então é impossível que aquela pessoa deixe de realizar [aquela determinada ação], portanto é impossível que a pessoa deixe de realizá-la — dessa forma, não temos liberdade de decisão na hora de realizar as nossas ações. (Pinnock, OG, 147) R e sp o s ta à O b je ç ã o N ú m e ro N ov e Em resposta, várias coisas poderiam ser observadas. Por um lado, Deus poderia ser livre n o sentido não-libertário de fazer o que bem entendesse.49 C o m o já m encionam os an teriorm ente, esta visão está aberta aos calvinistas firm es n a tradição de Jo nathan Edwards.
49 V id e c a p ítu lo 8, sob o títu lo "A N a tu re z a do Livre A rb ítrio D iv in o ", p ara u m a exp lica çã o a ce rca da liberdade a u to d e te rm in a d a versus a lib ertá ria .

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Todavia, para os calvinistas m oderados e para os arm inianos, existe ainda u m a o u tra alternativa. D eus poderia ser livre para criar em u m sentido libertário (de ter o poder da decisão contrária, isto é, a liberdade de fazer algo diferente), ou até m esm o no sentido mais am plo de ter o poder da escolha autodeterm inada; de qualquer m aneira, Ele poderia, ainda assim, con h ecer o fu tu ro com certeza (im plicando que o fu tu ro é determ inad o). C o m o observou A nselm o, existe u m a diferença en tre necessidade antecedente e necessidade conseqüente.50 Se Deus desejasse que o fu tu ro ocorresse de certa m aneira, então, por necessidade conseqüente, ele precisaria ser daquela m aneira. Mas Deus tam b ém estava livre para não desejar que assim o fosse; sendo assim, Ele teve a liberdade antecedente com respeito à fo rm a co m o o fu tu ro ocorreria. Deus poderia ter escolhido criar u m m undo diferente, contud o quando Ele decide fazer certo m undo, a sua onisciência já sabe com o tudo oco rrerá p o r m eio da necessidade conseqüente. Por ser u m Ser sim ples, tan to a vontade, quanto o co n h ecim en to de Deus são coordenados. Ele co n h ece o que deseja, e deseja o que con h ece. Na verdade, Ele con h ece etern am en te o que deseja etern am en te, e deseja etern am en te o que conh ece etern am en te. U m a coisa não vem depois da outra, seja de fo rm a cronológica (já que Ele não é u m Ser tem p o ral), seja de fo rm a lógica (já que Ele co n h ece de fo rm a intuitiva, e não seqüencial). A lém disso, o argu m ento de que parte o Teísm o A berto, considera erron eam ente que Deus co n h ece da m esm a fo rm a que nós con h ecem o s e tam bém deseja da form a que desejam os — que Deus tem u m co n h ecim en to prévio do que farem os e, dessa fo rm a, reagirá de acordo com este con h ecim en to. Esta percepção é incorreta. U m Ser etern o, na verdade, não con h ece nada antecipadamente com o sendo fu tu ro; Ele conh ece tu do co m o o presente eterno .5 1 Dessa form a, as decisões de Deus não são determ inadas antes dele to m ar ciência das nossas escolhas livres. Na verdade, D eus con h ecia as nossas escolhas tem porais desde a eternidade, não porque as anteviu fora de Si m esm o, mas p or vê-las dentro de Si m esm o, da m esm a fo rm a que o efeito pré-existe n a Causa. As nossas decisões livres, p o rtan to , n ão são determ inadas “previam en te”; Deus, n a verdade, não prevê o que oco rrerá — Ele sim plesm ente vê, den tro da infinitu d e da sua própria natu reza, tu do o que procederá dela e dela participará. Deus, da sua perspectiva eterna, vê em si m esm o o curso to tal do tem po. Deus éproativo, não reativo, naquilo que deseja, de acordo co m aquilo que conh ece. Dessa form a, n e n h u m a ação livre é previam ente d eterm inada de tal fo rm a que não pudesse ter ocorrido de o u tra m aneira. Se tivéssemos decido de o u tra form a, D eus teria conh ecid o a nossa decisão desde a eternidade. C o m o resultado disso, o ser h u m an o pode ser livre no sentido libertário (o de ter a capacidade de m udar o curso das coisas — optar pelo con trário), e Deus pode co n h ecer etern am en te tudo isto sem violar a nossa liberdade.

CONCLUSÃO
A salvação tem a sua origem em Deus, tendo sua base em u m ato incondicional do seu infinito am or e favor im erecid o (graça). Todavia, co m o já foi apresentado, m esm o que D eus não coloq u e ne n h u m tipo de condição para conceder a salvação, existe u m a condição para a receberm os: a fé. D eus soberanam ente desejou que assim o fosse. A salvação é pela graça, p o rém v e m por meio da nossa fé. A fé é u m ato livre da parte daquele que recebe, pois
50Vide volum e 2, capítulo 8. 5 1 Vide volum e 2, capítulo 4.

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u m Deus onibenevolente, além de am ar a todos, precisa tam bém respeitar a liberdade que Ele livrem ente concedeu às suas criaturas. Para Deus, é necessário agir de acordo co m a natu reza perfeita que Lhe é peculiar, e o am or faz parte da sua própria essência.

FONTES
A gostinho. On Forgiveness o f Sins and Baptism. --------. On Grace and Free Will. Calvino, João. Institutas da Religião Cristã. Canons o f D ort, The. Chafer, Lewis Sperry. Systematic Theology. Lewis, C. S. The Screwtape Letters. Pinnock. C lark H. The Openness o f God. Sproul, R. C. Chosen by God. --------. Willing to Believe.

CAPÍTULO

OITO

AS TEORIAS DA SALVAÇÃO

odos os teólogos evangélicos concord am que C risto m o rreu “por nossos pecados” (1 Co 15.3). Da m esm a form a, todos crêem que Cristo se entregou em expiação pelos nossos pecados. Existe, no entanto, um a divergência considerável entre os teólogos acerca de com o a expiação opera. Isto, n atu ralm en te, fez surgir m uitas teorias acerca do tem a. Lima revisão destes pontos de vista ser-nos-á ú til para alcançarm os um a m elh o r com preensão da salvação nas suas dim ensões mais amplas. A S V Á R IA S T E O R IA S D A E X P IA Ç Ã O N em todas as teorias da expiação podem ser justificadas biblicam ente. A lgum as são incom patíveis com outras, e m uitas, m esm o apresentando u m elem ento de verdade, não representam explicações adequadas a respeito da form a com o a salvação se deu. Todas, en tretan to , lançam luz sobre o tem a e, de certa form a, am pliam o nosso con h ecim en to deste assunto profundo e crucial. U m a breve avaliação se seguirá a cada u m a das teorias, p o rém um a abordagem mais abrangente, biblicam ente embasada, e teologicam ente satisfatória som ente será feia no capítulo 9. No geral, os diferentes pontos de vista serão analisados na ordem cronológica em que surgiram na história. A T e o r ia da R e c a p itu la ç ã o Ireneu (c. 125-c. 202) foi o prim eiro Pai eclesiástico a propor a teoria da recapitulação.1Ele defendeu: O Cristo totalmente divino se tornou totalmente humano, a fim de reunir sobre si toda a humanidade, f) que foi perdido por causa da desobediência do primeiro Adão toi restaurado por intermédio da obediência do segundo Adão. [Ou seja,] Cristo passou por todos os estágios do viver humano, resistiu a todas as tentações, morreu e ressurgiu vitorioso sobre a morte e o Diabo. [Dessa forma,] os benefícios da vitória de Cristo estão disponíveis por intermédio da nossa participação nele. (Elwell, BDT, 569)
■ D e aco rd o c o m o d icio n ário M erriam-W ebster IJnakndatd Dictionary, a Exp iação é “o p ro cesso p e lo qual, de a co rd o co m Ire n e u , o Logos [Jesus] passou p o r todas as fases da e x p eriên cia h u m a n a e, dessa fo rm a , ta n to re v e rte u o m a l cau sad o pelo p ecad o , q u an to c o n q u isto u a salvação c o m p le ta p a ra os h o m e n s .”

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O principal texto utilizado para em basar esta posição se en con tra em R om an os 5.1821, onde Paulo declara: Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos. Nas palavras de Ireneu: [Deus] fez com que a natureza humana se unisse e se tornasse uma só com Deus. Pois se o homem não sobrepujasse o inimigo do homem, este inimigo não teria sido legitimamente conquistado [...] Se o homem não tivesse se juntado a Deus, ele jamais poderia ter se tornado participante da incorruptibilidade [...] por isso também Ele [Cristo] teve que passar por todos os estágios da vida, restaurando todos à comunhão com Deus. [Pois] da mesma forma que pela desobediência de um homem [Adão], que foi originalmente moldado a partir do barro virgem, a multidão foi feita pecadora, e perdeu a vida; também foi necessário que, pela obediência de um homem [Jesus], que foi originalmente formado a partir de uma virgem, muitos fossem j ustificados e recebessem a salvação. [Dessa forma] Deus recapitulou em si mesmo a antiga formação do homem, para que Ele pudesse matar o pecado, destituir a morte do seu poder, e vivificar o homem. (AH, 18.7)

A Teoria da Redenção
D iferentes form as da teoria da redenção fo ram largam ente defendidas p o r vários Pais da Igreja, com eçand o por Orígenes (c. 185-c. 254), o qual propôs que a m o rte de C risto foi o p reço pago a Satanás para a com p ra e para a libertação dos seres hu m anos, que estavam cativos no pecado. A passagem bíblica utilizada com o em basam ento é M arcos 10.45, na qual Jesus declara: “Porque o Filho do H om em tam bém não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de m u ito s.” De m aneira sem elhante, Paulo nos fez lem brar: “Porque fostes com prados por bom p re ço ” (1 C o 6.20). Orígenes escreveu: Agora, era o Diabo que nos prendia, pois para o lado dele havíamos sido levados pelos nossos pecados. E ele, portanto, pediu, o sangue de Cristo como o pagamento pelo nosso resgate (CR, 2.13). E claro que Satanás não ficou n o lu cro p o r m u ito tem po, pois, depois de exigir do Pai o sangue de Cristo, o seu próprio destino foi selado pela m o rte e ressurreição vitoriosa do Filho. De acordo com a teoria da redenção, Satanás libertou a hum anidade (em função do pagam ento recebido do Pai, n a fo rm a do sangue do seu Filho), para, a seguir, descobrir que não poderia reter Cristo (que ressuscitou e, dessa form a, d errotou a m o rte). G regório de Nissa (c. 335-c. 395) explicou o plano de redenção desta m aneira: A Divindade [de Cristo] estava escondida debaixo do véu da nossa natureza, de forma que, tal qual ocorre com um peixe voraz, o anzol da divindade podia ser engolido junto com a isca da carne. (C, 22)

AS TEORIAS DA SALVAÇÃO

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C om o esta idéia parecia, para m u itos cristãos, sugerir um a ação leviana da parte de T eu s, G regório expandiu a teoria n u m a tentativa de d em onstrar com o ela sustentava i justiça de Deus. Ele argu m en tou que o nosso aprisionam ento a Satanás oco rreu de acordo com a nossa própria vontade, assim, seria in ju sto utilizar algum tipo de m étod o questionável para roubar de Satanás os seus cativos (ibid.). Portan to, um pagam ento a Satanás precisava ser feito. Em bora a transação com p leta ten h a parecido ser um a grande farsa, G regório argu m entou que Satanás recebeu aquilo que lhe era devido e que : m otivo de Deus (o seu am or pelos seres hu m an os) era puro. G regório argum entou: Com relação ao objetivo e propósito do que ocorreu, uma mudança em direção ao mais nobre está envolvida [...] o inimigo [Satanás] efetuou a sua fraude para a ruína da nossa natureza [...] Aquele que é, ao mesmo tempo, justo, bom e sábio [Deus], fez uso dos seus recursos, dentre os quais estava a fraude, para a salvação daquele que havia perecido [humanidade], e, destaforma, não trouxe somente benefícios àquele que se haviaperdido, mas também àquele perpetrou a ruína sobre nós. (ibid., 24) A gostinho (354-430), ou tro aderente da teoria da redenção, explicou de fo rm a diferente a tática de Deus ao derrotar Satanás. Apesar dele tam bém ter considerado a cruz com o u m a isca ou u m a arm adilha, ele sustentava que a fraude não é algo que Deus fez, mas sim um a “peça” que Satanás pregou sobre si m esm o — Deus sim plesm ente perm itiu que a autofraude de Satanás servisse ao propósito da nossa salvação (OT, 13.12). Satanás foi vítim a do seu próprio orgulho — a m anch a fatal que ele teve desde o princípio (1 T m 3.6). Depois de A n selm o,2 a teoria da redenção entrou em declínio, mas foi posteriorm ente revivida por G u staf Aulen (1879-1978) com um a nova ênfase — o triun fo de Deus í CV, 26-27). Esta visão é, às vezes, cham ada de teoria da vitória ou teoria do ndram a acerca da expiação, e sustenta que o ponto central da cruz é o triun fo de Deus sobre Satanás. De icord o com Aulen: Acrescente-se, como conclusão, que se a idéia clássica da expiação novamente assume um lugar central na Teologia cristã, não é provável que ela remonte precisamente às mesmas formas de expressão que apresentava no passado; o seu reavivamento não consistirá em um atraso no relógio. E a própria idéia que será essencialmente a mesma: a idéia fundamental de que a expiação é, acima de tudo, um movimento de Deus em direção ao homem, e não, em primeiro lugar, um movimento do homem em direção a Deus. Ouviremos, novamente, os seus tremendos paradoxos: de que Deus, o Senhor de tudo, o Infinito, aceita, contudo, a humilhação da encarnação; ouviremos, novamente, a velha mensagem realista do conflito de Deus com as forças hostis e obscuras do mal, a sua vitória sobre elas pelo auto-sacrifício Divino; acima de tudo, ouviremos novamente a notado triunfo. Da minha parte, estou persuadido que nenhuma forma de ensino cristão terá qualquer futuro diante disto se, de alguma forma, não puder se manter firme diante da realidade do mal neste mundo, e sair para o enfrentamento do mal com um hino de triunfo na batalha. Portanto, acredito que a idéia clássica da expiação e do Cristianismo está de volta — ou seja, a fé cristã genuína e autêntica, (ibid., 158-59)

~\ide abaixo, sob o título “A Teoria da Satisfação Necessária.”

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

Ao contrário de outras teorias da expiação, neste caso, a obra de Cristo na cruz não foi direcionada a D eus ou aos seres hu m anos, m as sim à vitória sobre o D iabo: “A expiação é u m a vitória divina que subjuga os poderes destrutivos do in ferno e da m o rte, tornand o o am or reconciliador de D eus visível e disponível.” (Elw ell, B D T , 107).

A Teoria do Exemplo Moral
No quarto século, Pelágio (c. 354-c. 420 d.C.) apresentou u m a visão da expiação cham ada de teoria do exemplo moral. D e acordo com esta perspectiva, a m o rte de Cristo nos proporcionava u m exem plo de fé e obediência que inspiraria os ou tros a tam bém obedecerem a Deus. A exortação de 1 Pedro 2.21 é, n o rm alm en te, utilizada para apoiar esta concepção: “Porque para isto sois cham ados, pois tam bém Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exem plo, para que sigais as suas pisadas.” O trad u to r Theod ore De B ru y n declara no Pelagiuss Commentary on St. PauVs Epistle to the
Romans:3

Adão e Cristo não são, contudo, equivalentes como se fossem antetipo e tipo. Pelágio, na esteira de Paulo, observa que Cristo deu início a algo imediatamente maior do que Adão. Enquanto Adão somente levou a si e aos seus descendentes à morte, Cristo liberta não somente aqueles que viveram depois dele, mas também aqueles que nasceram antes dele e que estavam vivos durante o seu período de vida (Rm 5.5). Além disso, enquanto Adão destruiu a justiça pelo seu exemplo de pecado, Cristo não somente nos proporcionou um exemplo de justiça, como também tem o poder de perdoar os nossos pecados passados. [Rm 5.16] (ibid., 41) De B ru y n prossegue: Os primeiros versículos de Romanos 8 expandem o que foi anunciado no último versículo do capítulo 7, para nos mostrar como Cristo nos liberta dos pecados e nos capacita a sermos justos — nada disso a lei teve capacidade de fazer (Rm 8.1-4). Pela sua morte Cristo torna possível que os pecados da “pessoa carnal” sejam perdoados, e pela sua vida Cristo nos proporciona um exemplo da forma pela qual o pecado pode ser vencido (Rm 8.3). Como resultado ficamos sob a expectativa de nos abstermos de pecar e a iniciar um processo de crescimento em santificação [...] nos dons do Espírito, (ibid., 44) Fausto Socínio (1539-1604) perpetuou esta visão, que foi, p o steriorm ente, adotada pelos unitaristas. Os seus seguidores (os socinianos) m inim izaram o papel de Cristo co m o Sacerdote a fim de favorecer os seus outros dois m inistérios: o de Profeta e Rei. Eles enfatizavam o seu belo e perfeito exem plo m o ral do am or total de Deus por nós, o qual nos serve de inspiração para viverm os u m a vida em h o n ra a C risto (R m 5.8). Os socinianos tam bém apelavam principalm ente para 1 Pedro 2.21 e, con form e citado pela obra Chrístían Theology [Teologia Cristã] de M illard Erickson:

3 C o m e n tá rio de Pelágio à E p ísto la de S ã o P au lo aos R o m a n o s.

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Outras passagens parecem incluir 1 João 2.6: “Aquele que diz que está nele [em Cristo] também deve andar como ele [Cristo] andou”. Todavia é somente em 1 Pedro 2.21 que descobrimos uma conexão explícita feita entre o exemplo de Cristo e a sua morte. (Socínio, CRBI, 1.667, conforme citação feita por Eríckson, CT, 784)

A Teoria da Satisfação Necessária
Nos anos finais da Idade Média, surge ou tra visão acerca da expiação no fam oso escrito de A nselm o (1033-1109), cham ado C u r Deus H om o ( “Por que Deus se fez hom em ?”). Esta posição é cham ada de teoria da satisfação necessária, em função de sua afirm ação de que era necessário que a ju stiça de Deus — que havia sido ofendida — fosse satisfeita por interm édio de u m castigo que som ente C risto poderia pagar. C om o o D eu s-h o m em , a sua m o rte teve u m valor in fin ito e, p o rtan to , pôde restaurar a h on ra devida a u m Deus infinitam ente santo. C om o D eus não pode sim plesm ente rem ir4 os pecados sem que um a reparação seja, necessariamente, feita — esta visão é, às vezes, cham ada de teoria comercial da expiação. A nselm o, ao contrário do que propõe a teoria da redenção de Orígenes, defendia que o pagam ento deveria ser feito a Deus, e não a Satanás, pois o Pai foi a parte ofendida pelo pecado e, p o rtan to , era Ele quem deveria ser com pensado. Os com entários de A nselm o surgiam de fo rm a n atu ral sob vários desdobram entos, quais sejam : O Pecado nos Coloca em Dívida Diante de Deus Qual é a dívida que temos diante de Deus? Todos os desejos de uma criatura racional devem estar sujeitos à vontade de Deus. Nada é mais garantido. Esta é a dívida que tanto os homens, quanto os anjos têm diante de Deus, e ninguém que paga esta dívida comete pecado; mas todos os que não a pagam pecam por isso. Esta é a justiça e a retidão dos desejos, as quais tornam um ser justo e reto no coração, ou seja, na sua vontade. Esta é a dívida de honra única e total que temos diante de Deus. E a única coisa que Ele requer de nós [...] Aquele que não presta esta honra devida a Deus, rouba Deus naquilo que o pertence e o desonra e, portanto, incorre em pecado. ( CDH, I.XI) Na ordem das coisas, a última coisa a ser suportada é a criatura tomar a honra devida ao Criador, e não restaurar o que Lhe foi tomado, (ibid., I.XIII) Consegues imaginar um homem que jamais prestou a devida satisfação a Deus pelo seu pecado, mas somente sofreu para ficar impune, possa se tornar semelhante a um anjo que jamais pecou? (ibid., I.XIX) Deus E Justo e, por isso, não Pode Ignorar o Pecado Volto a dizer, se não há nada maior nem melhor que Deus, não há nada mais justo que a justiça suprema, a qual reafirma a honra de Deus na preparação das coisas, e que nada mais é do que o próprio Deus. (ibid., I.XIII) Portanto, Deus nada afirma com maior justiça do que a honra da sua própria dignidade. Será que te parece que Ele estaria a preservando caso se deixasse defraudar ao ponto de nem receber satisfação, tampouco punir o seu defraudador? (ibid.)
4 Remir é “p e rd o a r,” “c a n c e la r,” o u “d eixar de la d o .”

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Nem mesmo Deus é capaz de trazer à felicidade qualquer um dos seres em função da dívida do pecado, porque não Lhe cabe fazer isto. (ibid., I.XXI)
N ão Somos Capazes de Pagar a nossa Dívida de Pecado

Ouve a voz da firme justiça; e julga de acordo com ela se o homem presta a Deus uma satisfação real pelo seu pecado, se não for pela derrota do Diabo, o homem não poderá restaurar a Deus o que ele tomou de Deus ao deixar-se vencer pelo Diabo; de forma que esta vitória sobre o homem, o Diabo roubou aquilo que a Deus pertencia, e Deus foi o perdedor; portanto, na vitória do homem, o Diabo é, então, despojado, e Deus recupera os seus direitos. E certo que nada pode ser concebido de forma mais exata ou justa. Tu pensas que a suprema justiça poderia violar esta justiça? Eu nem ousaria pensar dessa forma, (ibid., I.XXIII) Quando tu entregas a Deus qualquer coisa que Lhe pertença, independentemente do teu pecado passado, não devias considerá-la como a dívida que tens com Ele por causa do teu pecado [...] Mas o que entregas a Deus pela tua obediência, que já não lhe seja devido, já que Ele exige de ti tudo o que és, tudo o que tens e tudo o que podes te tornar? (ibid., I.XX) Se na justiça eu devo a Deus a mim mesmo e todas as minhas forças, mesmo quando não peco, nada mais tenho para lhe entregar pelo meu pecado (ibid.). Portanto tu não prestas satisfação nenhuma se não restaurares algo maior do que o valor desta obrigação, o que deverá lhe impedir de cometer pecado, (ibid., I.XXI) Além do mais, enquanto ele [o homem] não restaurar o que foi roubado, ele permanece em débito; e não será suficiente simplesmente restaurar o que foi roubado, mas, considerando-se a transgressão cometida, ele deverá restaurar além daquilo que foi roubado. Pois, tal qual se dá com alguém que ameaça a segurança de outra pessoa, sem fazer nenhuma compensação pela dor causada, também àquele que viola a honra de outrem não basta simplesmente devolver-lhe a honra, mas' deverá ele, de alguma maneira, fazer uma restituição que seja satisfatória à pessoa que sofreu a desonra, (ibid., IX)
Deus não Pode Perdoar sem o Pagamento da Dívida

Voltemos a considerar se é correto Deus desconsiderar os pecados simplesmente por compaixão, sem qualquer tipo de pagamento pela honra que lhe foi tomada [...] Remir o pecado desta maneira nada mais é do que não-punição; e como não é certo se cancelar sem alguma forma de compensação ou punição; não havendo a punição, a dívida permanecerá não saldada. [E] não é próprio de Deus deixar que qualquer coisa passe despercebida no seu reino [...] Existe, também, outra conseqüência, caso o pecado seja punido, isto é, o fato de que, para Deus, não haveria diferença entre o culpado e o inocente; e isto seria impróprio para Deus. (ibid., I.XII) De fato, este tipo de compaixão da parte de Deus seria completamente contrário à justiça divina, que não admite nada além da punição como pagamento pelo pecado.

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Portanto, como Deus não pode ser inconsistente consigo mesmo, a sua compaixao não pode ser desta natureza, (ibid., I.XXIV) Portanto, ou a honra roubada deve ser restituída, ou o castigo deve ser aplicado; do contrário, ou Deus não será justo consigo mesmo, ou Ele será fraco no que diz respeito às duas partes; e a simples consideração desta possibilidade já seria uma impiedade, (ibid.) A satisfação ou o castigo precisam acompanhar todo pecado, (ibid., I.XV) Se não for apropriado a Deus elevar o homem a Si enquanto este tiver algum tipo de mácula, da qual ele já havia lhe livrado, sem deixar a impressão de que Ele se arrependeu das suas boas intenções, ou que foi incapaz de realizar os seus desígnios; não seria preciso uma inadequação muito maior, para fazer com que qualquer ser humano seja exaltado ao estado para o qual foi criado, (ibid., I.XXV) A Divida Somente Pode Ser Paga pelo Deus-Homem Como, então, o homem se salvará, se ele, nem paga o que deve, nem pode ser salvo sem pagar a sua dívida? Ou, de que maneira poderíamos declarar que Deus, cuja misericórdia está acima de tudo aquilo que se possa imaginar, é incapaz de exercer esta compaixão? (ibid., I.XXIV) Dessa form a, A restauração da humanidade não deveria ocorrer, nem poderia ocorrer, sem que o homem pagasse a dívida que tinha diante de Deus pelo seu pecado. E esta dívida era tão grande que, apesar dela ter que ser unicamente saldada pelo homem, unicamente Deus poderia fazê-lo; de forma que aquele que haveria de quitá-la precisaria ser, ao mesmo tempo, Deus e homem. E, assim, surgiu a necessidade de que Deus assumisse o homem em unidade com a sua própria pessoa; para que aquele que, pela sua própria natureza, deveria pagar a dívida, mas não conseguia fazê-lo, pudesse fazê-lo na pessoa de Deus [...] Além disso, [...] a vida daquele homem [era] tão excelente e tão gloriosa que proporcionava uma total satisfação pelos pecados do mundo inteiro, e infinitamente mais. (ibid., I.XVIII.a) Homem algum, salvo este [Cristo] entregou a Deus aquilo que não era obrigado a perder, ou pagou uma dívida que não lhe dizia respeito. Mas, ofereceu [-se] livremente ao Pai aquilo que não precisava perder, e pagou pelos pecadores aquilo que Ele mesmo não devia, (ibid., IXVIII.B) C onseqüentem ente: Está suficientemente provado que o homem pode ser salvo por Cristo [...] Pois Se Cristo, ou outra pessoa não fizer isto, ou nada mais poderá ser feito. Se, portanto, não for verdade que o homem não consegue se salvar, ou que ele possa se salvar de alguma outra forma, a sua salvação precisa ser, necessariamente, por meio de Cristo, (ibid., II.XXV)

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A lém disso: Como Deus nada devia ao Diabo, salvo o seu castigo devido, o homem somente pode proporcionar uma reparação por meio da vitória sobre o Diabo, visto ter ele sido conquistado pelo Diabo anteriormente. Entretanto, tudo o que foi exigido do homem, tratava-se de dívida com Deus e não com o Diabo.

A Teoria da Influência Moral
Pedro Abelardo (1079-1141) recebe os créditos pela criação da teoria da influência moral, a qual defende que o efeito principal da m o rte de Cristo não se tratou de u m exem plo m o ral (co m o p ro p u n ha Pelágio), m as era u m a demonstração do grande amor de Deus por nós. Abelardo desenvolveu esta teoria em reação à insistência de A nselm o (n a sua teoria da satisfação necessária) de que algum tipo de pagam ento era exigido por D eus (C E R 3.26; 5.5, con form e citação feita por Erickson, C T , 785). Esta teoria não foi am plam ente aceita enquanto H orace B u sh n ell (1802-1876) e Hastings Rashdall (1858-1924) n ão a abraçaram , no final do século X IX e início do século X X , quando ela se to rn o u o coração da visão liberal acerca da expiação.5 Na visão da influência m oral, D eus é percebido co m o sendo essencialm ente am or, e os seus aspectos de ju stiça e santidade são p raticam ente excluídos. A dificuldade básica do pecado, de acordo com os proponentes, não está na necessidade que Deus tem em castigar o m al ou n a sua necessidade de ser aplacado, mas em nós, à m edida que tem os u m a doença espiritual da qual precisam os ser sarados. Assim: O sacrifício [de Cristo], tomado como um fato no tempo, não estava diante dele com um fim, ou um objeto do seu ministério — isto faria dele um mero espetáculo de sofrimento, sem qualquer dignidade, ou caráter racional — mas, ao chegar a sua hora, ele foi simplesmente a má sorte que uma obra assim, perseguida com tanta devoção, deveria enfrentar no seu caminho. (Rashdall, IACT, 26)

A Teoria da Satisfação Opcional
Tom ás de A quino (1225-1274) apresentou a teoria da satisfação opcional da expiação, a qual abria espaço, porém não exigia a satisfação de Deus p o r parte do pecador.6 Tom ás de A quino apresentou três im portantes alegações na questão de C risto ser a satisfação pelos nossos pecados: (1) A paixão de Cristo fez com que Deus ficasse satisfeito co m relação aos nossos pecados. (2) D eus poderia ter nos perdoado sem a m o rte de Cristo. (3) Porém não havia u m a m aneira m elh or, ou mais adequada de satisfazer a Deus do que por m eio da m o rte do Filho.
Primeiro, com relação à pergunta: “Será que a paixão de Cristo, por intermédio da satisfação,

foi a causa da nossa salvação”? Tomás de Aquino responde com um “sim” (ST, 3a.48.2):
5 B u sh n e ll, The Vicarious Sacrifice, Grounded in Principies o f Universal Obligation [O S a c rifíc io V icá rio , F u n d a m e n ta d o e m Princípios de O b rig ação U niversal] (N ew Y ork: S crib n e r, 1886) e R a sh d a ll, The Idea o f Atonement in Christian Theology (L o n d o n : M a c m illa n , 1920). 6 V ide S tu m p , “A A A ” in M o rris, PCF.

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Um homem expia, efetivamente, uma ofensa quando oferece à parte ofendida algo que ele aceite como equivalente ou superior à ofensa causada. Cristo, ao sofrer em espírito de amor e obediência, ofereceu a Deus mais do que era exigido como resgate por todos os pecados da humanidade [...] a paixão de Cristo, portanto, não foi somente suficiente, mas superabundante diante dos pecados da humanidade; como declarou João: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, como também pelos pecados do mundo inteiro” (ibid.). Segundo, com relação à possibilidade de Deus ter nos perdoado m esm o sem a m o rte de Jesus: “Falando de fo rm a sim ples e absoluta, D eus poderia ter libertado o h om em de ou tra m aneira que não pela paixão de Cristo, pois “nada é impossível a D eus” (ibid., 3a.46.2). Tom ás de A quino explicitam ente rejeitava o argu m ento de que “a ju stiça de Deus exigia que o h o m em fosse liberto do pecado pela paixão expiatória de C risto”: Até mesmo esta justiça depende da vontade divina [...] Pois se Deus tivesse desejado libertar o homem do pecado sem qualquer tipo de satisfação, Ele não estaria agindo de forma contrária à justiça [...] E Deus não tem ninguém acima dele, pois Ele mesmo é o próprio bem comum e supremo do universo inteiro. Se, portanto, ele perdoa o pecado, que é um crime à medida que o pecado é cometido contra Ele, Ele não está violando o direito de ninguém. O homem que prescinde da satisfação e perdoa uma ofensa cometida contra si mesmo age de forma misericordiosa, não injusta, (ibid., 3a.46.2.2,3) Terceiro, pelo raciocínio de Tom ás de A quino, apesar da cru z não ser im prescindível a Deus para o perdão dos pecados, não havia, en tretan to , fo rm a m elh o r ou mais adequada do que ela: Primeiramente, o homem poderia, dessa forma, entender o quanto Deus o amava, e seria despertado para amá-lo também [...] Em segundo lugar, Ele nos deu um exemplo de obediência, humildade, constância, justiça e de outras virtudes reveladas na sua paixão e que são necessárias para a nossa salvação [...] Em terceiro lugar, pela paixão, além de libertar o homem do pecado, Cristo também conquistou para ele a graça da justificação e a glória da beatitude [...] Em quinto lugar, desta maneira uma dignidade ainda maior é conferida ao homem. O homem havia sido vencido e ludibriado pelo Diabo. E foi também um homem [Jesus] que derrotou o Diabo [...] Portanto, foi melhor sermos libertos pela paixão de Cristo do que unicamente pela vontade de Deus. (ibid., 3a.46.3) De acordo co m Tom ás de A quino, D eus não é u m contador que fica som ando o total da dívida de pecado que tem os de pagar, m as sim u m Pai desejoso para nos perdoar, ao m esm o tem p o em que tam b ém quer nos transform ar, para que não optem os mais pelo m al. Dessa form a, na visão da satisfação opcional, qualquer tipo de castigo é, estritam ente, u m m eio para se atingir u m fim , sendo que o fim é a h arm onia do pecador co m Deus. Q uando peca, u m a pessoa n ão e n tra em n e n h u m tipo de débito de cu lp a n a sua conta celestial, que precisa ser quitado de algum a m an eira. Na perspectiva de Tom ás de A quino, D eus não está preocu pad o c o m o equilíbrio da nossa con ta, m as c o m a restauração do pecador. P ortan to, o ob jetivo da satisfação (inclusive da satisfação vícária) n ão é can celar a dívida que co n traím o s co m o pecado, m as restau rar o pecad or à h arm o n ia com Deus.

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Tom ás de A quino via o p roblem a não co m o sendo a ira de D eus co n tra o pecado h u m an o, mas do afastam ento do ser h u m an o da presença de Deus. Dessa form a, a expiação de Cristo prom ov eu a reconciliação co m u m D eus am oroso, e não o apaziguam ento de u m D eus irado. D e acordo co m este argu m ento, D eus não exige u m castigo pelo pecado, seja por parte da hum anidade seja por parte de Jesus, e, p o rtan to , Ele não causou sofrim ento sobre Cristo co m o fo rm a de castigar o pecado; em vez disso, Ele aceitou o sacrifício de Cristo co m o u m a fo rm a de to rn a r a satisfação destinada à restauração do pecador (Lc 19.10). C om o resultado, quando o pecador aceita este sacrifício pelos seus pecados, ele é rem ovido do pecado e vo lta à com p anhia de Deus. C onseqüentem ente, nada obrigou D eus a tratar do pecado por m eio de u m substituto vicário (Jesus), m as existe, todavia, u m m otivo apropriado para a sua opção por agir desta form a. V ejam os quais são as duas razões: (1) Q uando u m a pessoa to m a consciência da sua maldade e percebe que está separada de Deus, ela desejará desfazer aquilo que fez, e (2) ao cham ar o pecador ao arrepend im ento por interm édio da satisfação vicária, a expectativa é que ele não seja mais atraído ao m esm o pecado novam ente.

A Teoria Substitutiva
As raízes da teoria da substituição jurídica ou penal da expiação são encontradas nas concepções primitivas de redenção e de satisfação opcional (vide acima), já que ambas contém elementos objetivos com indícios de que u m castigo foi pago. De igual forma, a teoria da substituição é um a expansão feita a partir da visão de Anselmo que preconiza o cum prim ento necessário da satisfação de Deus. Por outro lado, o argumento da substituição insiste que esta necessidade de satisfação não é simplesmente em função da honra perfeita de Deus que foi ofendida, mas tam bém porque a sua justiça absoluta foi violada e, portanto, era preciso fazer um a substituição pelos nossos pecados por parte do imaculado Filho de Deus. João Calvino (15091564) recebe os créditos por levantar esta concepção, a qual, posteriorm ente, passou a ocupar um a posição central e de destaque na soteriologia evangélica. Calvino levantou a seguinte pergunta: “C o m o se pode dizer que Deus, que nos protege co m a sua m isericórdia, era nosso inim igo antes de se reconciliar conosco por m eio de Cristo?” E ele m esm o respondia: “D eus era o inim igo dos h om ens até que estes foram restaurados ao seu favor pela m o rte de C risto (R m 5.10); eles foram am aldiçoados até que a sua iniqüidade foi expiada pelo sacrifício de C risto” [G1 3.10,13] ( IC R , 2.16.2). Calvino acrescentou: Mas, de novo, seja dito [ao homem], conforme ensinam as Escrituras, que ele foi separado de Deus pelo pecado, e se tornou herdeiro da ira, exposto ã maldição da morte eterna. Excluído de toda esperança de salvação [...] que, então, Cristo se fez mediador, levou o castigo sobre si mesmo, e suportou aquilo que, pelo justo juízo divino, era iminente sobre todos os pecadores; pois com o seu próprio sangue expiou os pecados que os faziam detestáveis diante de Deus, por meio desta expiação satisfez e devidamente propiciou Deus-Pai, por meio desta intercessão aplacou a sua ira, e sobre esta base fundamentou a paz entre Deus e os homens, e por este laço assegurou a divina benevolência para com eles. (ibid.) Esta é u m a descrição da razão pela qual expiação substitutiva não é m eram en te adequada (co m o declarou Tom ás de A quino), mas essencial. Nas palavras de Calvino:

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Deus, que é perfeito em justiça, não pode amar a iniqüidade que observa em todos. Todos nós, portanto, temos dentro de nós algo que é digno do ódio de Deus. Dessa forma, com respeito, primeiramente, à nossa natureza corrompida; e, em segundo lugar, à nossa conduta depravada que dela deriva, todos somos ofensores diante de Deus, culpados aos olhos dele e, por natureza, filhos do inferno, (ibid., 2.16.3) Mas, em suma, a partir do momento em que Ele [Cristo] assumiu a forma de um servo, ele começou, para que fôssemos redimidos, a pagar o preço da nossa libertação [...] Ele mesmo declara que ele deu a sua vida em resgate de muitos [Mt 20.28]. (ibid., 2.16.5) Além do mais, como a maldição resultante da culpa permanece até o juízo final de Deus, um ponto principal da narrativa [de Hebreus 10.5] é a sua condenação diante de Pôncio Pilatos, governador da fudéia, na qual aprendemos que o castigo por nós merecido foi praticado sobre o Justo, (ibid.) Portanto, A nossa absolvição reside nisto — que a culpa que nos fez merecedores de punição foi transferida para a cabeça do Filho de Deus (Is 53.12). Precisamos lembrar, de forma especial, esta substituição para que não levemos uma vida inteira em instabilidade e ansiedade, como se a vingança justa, a qual o Filho de Deus transferiu para Si próprio, continuasse pendente sobre nós [..,] Portanto, para a realização da plena expiação, ele tornou a sua alma asham, isto é “uma vítima propiciatória pelo pecado” (como declara o profeta em Isaías 53.5, 10), sobre a qual a culpa e o castigo sendo, desta forma, colocados, deixam de ser imputados sobre nós. (ibid., 2.16.6, grifo acrescentado) A partir das palavras grifadas, fica claro que Calvino se referia a um a substituição jurídica pelos nossos pecados. A lém disso, ele deixou m u ito claro que a santidade absoluta de D eus exigia u m substituto desta n atu reza para aplacar a sua ira e liberar a sua m isericórdia (cf. 2 C o 5.21; R m 3.21-25). A T e o ria G o v e r n a m e n ta l Flugo G rócio (1583-1645) respondeu aos radicalism os antinom ianos que ele viu im plícitos na visão sociniana (do exem plo m o ral), que descrevia u m Deus de am or dem asiadam ente to leran te, e com pouca ênfase na ju stiça e n a santidade. C om o advogado, G rócio fo rm u lou a teoria gov ernam ental da expiação ao enfatizar a lei de D eus e fazer lem b rar aos crentes que qualquer violação dela seria u m a questão grave. X a sua santidade, D eus estabeleceu leis as quais o pecado se apresenta em oposição. Estes são os princípios básicos da visão governam ental: Deus, co m o R egente Soberano, tem o direito de p u n ir o pecado, o qual m erece, in eren tem en te, ser punido, mas não é obrigado a fazer isso. O am or é o atributo p red om inante em Deus. Ele deseja perdoar os pecados, mas quer fazer isso de fo rm a a m a n ter o seu governo m o ral ( DFCSC , 20). D a m esm a fo rm a que u m cred or pode cancelar um a dívida se assim o desejar, ele precisa fazer isto n o m e lh o r interesse das partes que estão sob a sua autoridade. Assim tam bém se dá com Deus, pois ele, levando em consideração os m elh ores interesses da hum anidade, enviou Cristo para m o rre r pelos nossos pecados. A expiação foi necessária

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para proporcionar o perdão e para, sim ultaneam ente, preservar a estru tu ra m o ral do m undo. Todavia, a m o rte de Cristo não foi oferecida co m o pagamento pelo castigo m erecido pelos nossos pecados; m as que Ele foi u m substituto por este nosso castigo. O sacrifício de Cristo d em onstrou que a ju stiça de Deus exigirá que sofram os se continu arm os em pecado. Ao contrário do que postulava a teoria da satisfação necessária de A nselm o, a m o rte de Cristo, de acordo com a visão g overnam ental de G rócio, não é u m a satisfação pelo nosso pecado em função da quebra da lei de D eus — a pu nição, supostam ente, não pode ser transferida de u m a pessoa para outra. A m o rte de Cristo, p o rtan to , foi um a demonstração do ódio cçue Deus nutre pelo pecado. O pecado não é punido porque ele m erece ser punido, mas sim por causa das exigências do governo m oral. O m otivo do castigo, de acordo com a perspectiva governam ental, não é a vingança, mas a inibição de pecados futuros. G rócio acreditava que se a m o rte de Cristo fosse verdadeiram ente u m castigo pelos pecados da hum anidade, não haveria, então, possibilidade de castigos fu turos sobre nós e, conseqüentem ente, estaríam os livres para fazer tudo o que desejássem os, na certeza de que não haveria castigo sobre nós.7 Assim, de acordo com a visão governam ental, apesar de haver u m elem en to objetivo na expiação — o sofrim ento de C risto com o u m substituto aceitável diante do Soberano m o ral do universo — o principal objetivo é o seu im pacto sobre os seres hu m anos, servindo-lhes de inibidora ao pecado. Pela m o rte de Jesus, Deus foi capaz de perdoar os pecados de tal fo rm a que não haveria mais conseqüências adversas para os seres hum anos. Ela não foi u m pagam ento to tal da dívida do pecado, p o rém foi u m a satisfação suficiente aos olhos de D eus que lhe deu base para perdoar os pecadores, sem , no entanto, estim ular o pecado. G rócio ofereceu pouca base bíblica explícita para apoiar a sua teoria governam ental da expiação, apesar de Isaías 42.21 ser u m a das passagens utilizadas: “O SEN H O R se agradava dele por am or da sua justiça; engrand eceu -o pela lei e o fez glorioso.” O Salm o 2 tam bém é citado, já que se refere a Deus, com o o soberano cu ja ira é acesa diante dos ímpios: Por que se amotinam as nações, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos se mancomunam contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles. (SI 2.1-4)

A Teoria Mística
U m a perspectiva final acerca da expiação é a teoria m ística, a qual tem sua origem no “pai do Liberalism o,” Friedrich Sch leierm ach er (1768-1834). Ele propôs que a salvação é alcançada por interm édio de u m a união m ística co m Cristo — nele, o ideal da hum anidade é p len am en te realizado. D e acordo com a teoria m ística, com o C risto era a união absoluta da divindade e da hum anidade, Deus se to rn o u h o m em para que m uitos pudessem se to rn a r Deus. C om o “D eu s-h o m en s,” os rem idos to m a m parte da n atu reza h u m an a divina, ou da vida de C risto. P ortanto, para S chleierm acher, D eus e o h om em se to rn aram m isticam ente unidos na pessoa de Jesus.
7 Logo, esta é a sua re sp o sta à visão (so c in ia n a ) do e x e m p lo m o ra l.

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Esta] apresentação da atividade redentora de Cristo [...] exibe-a como a demonstração de uma nova vida comum a Ele e a nós (original nele, em nós, nova e derivada), [e ela] é normalmente chamada por aqueles que não tiveram a experiência, de “mística.” Esta expressão é tão vaga que parece-nos melhor evitar o seu uso. Contudo, se quisermos nos manter bem próximos ao uso original [do termo] a ponto de entender que por místico se entende aquilo que pertence ao círculo das doutrinas que são partilhadas por um grupo pequeno, mas para outros são um mistério. Então, precisaremos aceitar a definição desde que reconheçamos o fato de sermos recebido neste círculo de maneira arbitrária, porque as doutrinas são somente expressões de experiências interiores, e somente todos os que têm estas experiências pertencem ipsofacto ao círculo. (Cf, 428) A atividade original do Redentor, portanto, e que somente a Ele pertence, e que precede toda a nossa atividade neste desafio, seria que, dessa forma, ele nos assume nesta comunhão da sua atividade e da sua vida. A continuação desta comunhão, assim sendo, constitui a essência do estado de graça; a nova vida corporativa é a esfera dentro da qual Cristo produz este ato; nela é revelada a atividade contínua da sua perfeição isenta de pecado, (ibid., 425) Dessa forma, podemos conhecer a comunhão do Redentor somente na medida em que não estamos conscientes da nossa própria vida individual; como os impulsos fluem dela para nós, descobrimos que Nele — que a fonte de todas as coisas e também a fonte da nossa atividade — existe também uma posse comum, por assim dizer. Este também é o significado de todas aquelas passagens da Bíblia que se referem a Cristo estando e vivendo em nós, de morrermos para o pecado, de abandonarmos o velho e assumirmos o novo homem. Mas Cristo somente pode direcionar a sua consciência divina contra o pecado à medida que Ele entra na vida corporativa do homem e compartilha, de forma empática, a consciência do pecado, porém compartilha dela como algo a ser vencido. Esta mesma consciência do pecado como algo a ser vencido se transforma no princípio da nossa atividade na ação que Ele em nós evoca, (ibid., 425-26) Apesar de Sch leierm ach er com preend er esta união m ística a partir de um contexto panteísta, m u itos dos seus seguidores ten taram traduzi-la para u m a estru tu ra mais teísta. Em todo caso, os aderentes dessa teoria ainda acreditam que a salvação é um a união m ística tornad a possível pelo fato de Deus ter se tornad o h o m em em Cristo, de fo rm a que o h o m em pode chegar a u m a união com D eus em C risto (E f 4.3,4). A expiação, p o rtan to , tem u m a base p u ram ente subjetiva — a teoria m ística alega que não existe u m a base objetiva que to rn e possível a nossa salvação no ato red entor de C risto na cruz (vide Hodge, ST, 3.204-08).

UMA AVALIAÇÃO DAS TEORIAS DA EXPIAÇÃO
Existem porções de verdade em todas estas visões. Primeiro, com o afirm a a teoria da recapitulação8: “C risto passou por todos os estágios do viver h u m an o, resistiu a todas as tentações, m o rreu e ressurgiu vitorioso sobre a m o rte e o Diabo,” fazendo assim com que “os benefícios da vitória de C risto [estejam ] disponíveis por interm édio da nossa participação n ele.”

: .re n eu .

45.20). portanto... efetivamente.” a m o rte de Cristo teve u m valor infinito e. Ele é a unidade absoluta da divindade co m a hum anidade. 3) Oitavo.9 C risto pagou o preço para nos resgatar dos grilhões de Satanás. é da sua vontade que este perdão seja feito de fo rm a a preservar o ser governo m oral. 1 0 Pelágio. ao pecado (M c 10. com o postula a teoria da redenção. 1 5T om ás de A qu ino. A gostin h o . a teoria da substituição1 3 acertadam ente afirm a que um a expiação dessa natu reza serviu como um a substituição pelos pecados de todos os seres h u m an os. pois afirm a de fo rm a correta que. existe verdade até m esm o n a teoria liberal da influência m o ra l. mas superabundante diante dos pecados da humanidade. 1 1 A n selm o .8) exerce. co m o já vimos. pois a salvação envolve m esm o u m a união espiritual m isteriosa co m Cristo. ofereceu a Deus mais do que era exigido como resgate por todos os pecados da humanidade [. 17 S ch leie rm a ch e r. conseqüentem en te. na sua santidade. pois a m o rte de Cristo. Sexto. um a influência m o ral sobre nós (1 Jo 3. e não somente pelos nossos. 2 Co 5. 1 C o 6. O próprio Paulo 9 O rígenes. portanto. 46. uma ofensa quando oferece à parte ofendida algo que ele aceite como equivalente ou superior à ofensa causada. Cristo. o qual m erece pu nição pela sua própria n atu reza inerente. S o cín io .1 4 A ju stiça absoluta havia sido violada e. 1 3 C alvin o. e a sua d em onstração de am or auto-sacrifical n a cru z (R m 5.‘ 1 Pe 2. ao afirm ar que era necessário que a ju stiça e a h o n ra ofendidas de Deus fossem satisfeitas por u m castigo que som ente Jesus poderia pagar. a teoria do exem plo m o ra l1 0 tam bém co n tém algum a verdade. Sem a expiação. apesar da necessidade pela satisfação de D eus não ser opcional. Por ser ele “Deus e h o m em . u m a reparação deveria ser paga.] a paixão de Cristo. tem o direito de p u n ir o pecado. De m odo sem elhante. . D eus estabeleceu leis. E m sum a. Sétimo. E com o Deus não poderia sim plesm ente rem ir os pecados. HVide c a p ítu lo 11. G reg ó rio de Nissa. proporcionou u m exem plo de fé e obediência que nos inspira a serm os obedientes a Deus (cf. 16 G rócio. a teoria da satisfação op cion al1 5 afirm a de fo rm a acertada: Um homem expia. Nono. Quinto. a teoria g overnam ental acertad am ente enfatiza o am or de D eus e observa que mesmo sendo desejo de Deus o perdão dos pecados. por mais inadequada que a teoria m ística1 7 possa ser no sentido de apresentar u m a explicação com p leta da expiação. Quarto. de fato. Na verdade. e por fim. foi capaz de restaurar a h on ra devida a um Deus infinitam ente santo. não foi somente suficiente.15). a teoria da satisfação necessária1 1 vai exatam ente ao coração da expiação.14. 1 2 A belardo. que não tin h a pecado. C o m o o R egente Soberano. como também pelos pecados do mundo inteiro. Terceiro. Deus se fez h o m em para que o h o m em pudesse se to rn ar semelhante a Deus. com o u m a expansão da teoria da satisfação necessária. seria preciso que fosse providenciada u m a substituição pelos nossos pecados pelo Filho de Deus. p o rtan to . ainda estaríam os acorrentados a Satanás e. nela tam bém existe u m elem en to de verdade.190 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Segundo. Deus. de fato.1 2 D eus é am or. 3a. (ST. como declarou João: Ele é a propiciação pelos nossos pecados. apesar desse preço te r sido pago a Deus. até m esm o a teoria g ov ern am en tal1 6 co n tém algo de verdadeiro. para as quais o pecado representa u m a violação.21). ao sofrer em espírito de amor e obediência. e som ente u m a pessoa to ta lm en te livre de pecado poderia fazer isso em lugar da hum anidade. e não ao Diabo.16.

21 Tom ás de Aquino Calvino Grócio Unicidade Efésios 4.10 2 Coríntios 5. com o tam bém as colocam sob os holofotes dos alicerces de toda verdade teológica — os atributos de Deus.30-32 Schleierm acher R E S U M O D A S T E O R IA S A C E R C A D A E X P IA Ç Ã O A com paração e o contraste das principais teorias acerca da expiação não som ente d em onstram as realidades m ultifacetadas contidas neste im p ortan te ato de redenção. dem onstrando com o os seus atos redentores estão fundam entados na sua própria natu reza e não sim plesm ente na sua vontade arbitrária. A perspectiva da satisfação opcional .21.” utilizando com o m etáfora : Noivo e a noiva (E f 5. Abelardo Miseri­ córdia Justiça H um ani­ dade Deus Lucas 19. à medida que Ele derrota Satanás e reverte os efeitos da Queda. V Á R IA S C O N C E P Ç O E S D A E X P IA Ç Ã O T eo rias A tr ib u to de D eu s O nipo­ tência Sabedoria A m or O b je tiv o B ásico Reversão da Queda D errota de Satanás Dem onstração do am or de Deus por nós Satisfação Necessária Satisfação Opcional Substi! tuição Majestade Pagamento da dívida do pecado Restauração do pecador Aplacação da ira divina e liberação da sua misericórdia Gover­ nam ental Mística Soberania M anutenção da ordem m oral União do hom em com Deus Deus e a hu m ani­ dade H um ani­ dade Deus 1 João 2. Cada um a destas visões acerca da expiação parece estar relacionada a um ou mais atributos divinos. R om anos 3. 5.8. que se revela no am or auto-sacrifical e exem plar de C risto por nós.45 Rom anos 5. na qual Satanás m ord eu a isca da hum anidade de C risto e foi apanhado pela sua divindade.34.17-19 P ro p o n e n te Recapitu­ lação Redenção Exemplo Moral Satanás Ireneu Satanás H um ani­ dade Orígenes Pelágio. A perspectiva da redenção destaca a sabedoria de Deus à medida que dem onstra com o a estratégia de Deus superou satanás por interm édio da cruz. A perspectiva do exemplo moral se concentra no am or de Deus. A perspectiva da recapitulação enfatiza a onipotência de Deus. 5.21-25 Isaías 42.AS TEORIAS DA SALVAÇAO #191 :ala deste “m istério” que é a “união de C risto com a Igreja.1 Anselmo O b je to V ersícu lo schav e Rom anos 5.15-21 Marcos 10.32).

Küng. A Concordance o f the Septuagint.21-25). a perspectiva mística tem por objetivo a união m ística en tre C risto e a Igreja. G eorge Eldon. A: The C h u rch ’s Confession o f Faith. principalm ente. Baker Dictionary o f Theology. então. Por fim . Ladd. Ireneu . Hans. Justifcation. B u sh n ell. Ele é o responsável pela ordem m o ral n o universo. H atch. T h eod ore. Christian Theology. A n thony A. A gostinho. A Theology o f the New Testament. baseiam-se. Contra Heresias. D eus não poderia ser ju sto e. e se a ju stiça de D eus não fosse aplacada. preponderantem ente. p o rtan to . Walter. Edwin. A ulen. A perspectiva da substituição enfatiza a ju stiça de D eus. Catechism. a ju stiça de D eus não seria satisfeita. FONTES Abelardo.192 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA apresenta a m isericórdia de D eus no resgate dos pecadores e na restauração deles para Si m esm o. G regório de Nissa. e H enry A. Sententiae. Defensio Fidei Catholicae de Satisfactione Christi Adversus Faustum Socinum. declarados justificados diante dos olhos de D eus e. Apesar de cada u m a das teorias acim a m encionadas apresentar a sua contribuição co m algum tipo de verdade para a explicação dos atos redentores de Cristo na expiação. PauVs Epistle to the Komans. o D eu s-h o m em . co m o declarou Paulo (R m 3. M illard. Grounded in Principies o f Universal Obligation.1 8 Se o ju sto não m orresse pelos inju stos. já que. .. Saved by Grace. o Justificador dos inju stos. Christus Victor: A n Historical Study o f the Three M ain Types o f the Idea o f the Atonement. H orace. cu ja h on ra foi violada e que precisa ser aplacada pela m o rte do Filho. A nselm o. A perspectiva governamental é baseada n a soberania de D eus. R edpath. ------. em elem entos subjetivos e se concen tram . em vez de se con centrar em C risto e oferecer u m a resposta objetiva. com o Rei. D e B ru yn . a visão da substituição — a qual significa que a m o rte de C risto trouxe satisfação substitutiva a D eus — explica plen am en te a base objetiva necessária (em D eus) para a expiação: Se Cristo. C atholic C atechism fo r Adults. Gustaf. adiante e “Escatologia” no volum e 4. On the Trinity. G rócio. Hodge Charles. Erickson. Commentary on the Epistle to the Komans.1 9A m aior parte das teorias acerca da expiação. Commentary on the Epistle to the Romans. o que precisa ser satisfeito para que a sua m isericórdia seja liberada sobre os pecadores. qualificados para o cé u . A perspectiva da influência moral d em onstra o poder m otivador do am or de D eus nos atos redentores de C risto em nosso lugar. sim u ltaneam en te. The Vicarious Sacrifice. Pedro. Systematic Theology. não tivesse feito o pagam ento do preço pelos nossos pecados. no efeito que a expiação exerceu sobre Satanás (ao d errotá-lo ) ou nos seres hu m anos (libertand o-lhes e apresentando u m exem plo a ser seguido). Elw ell. tradução de Pelagius Commentary on St. a m isericórdia de Deus não poderia ser liberada para que os pecadores in ju stos pudessem ser. que é baseada no atribu to divino da unidade. Cur Deus Homo.1 9Vide capítulo 9. Lom bardo. Pedro. H oekem a. A perspectiva da satisfação necessária d em onstra a m ajestade de Deus. 1 8Vide tam bém a visão da satisfação n ecessária. Hugo.

“Atonement According to Aquinas” in T hom as V. Stum p. Commentary on Matthew. Hastings.. T. Orígenes. Philosophy and the Christian Faith.Jesus Christ the Servant. T hom as V. Alister E. Fausto. Schleierm acher. -------. Rashdall. Commentary on Komans. Eleonore. Socínio. The Christian Faith. -------. M orris. The Idea o f Atonement in Christian Theology. Summa Theologica. A. Christian Theology. Tom ás de A quino.AS TEORIAS DA SALVAÇAO # 193 M cG rath. R obertson. Iustitia Dei. M orris.. Friedrich. Christianae Keligionis Brevíssima Institutio con form e citação feita por Erickson. Philosophy and the Christian Faith . Word Pictures in the New Testament. .

cf. a eleição é a decisão divina. A B A S E B ÍB L IC A D A N A T U R E Z A D A SALVAÇÃO (A E X P IA Ç Ã O S U B S T IT U T IV A ) A Bíblia é um livro salvífico. Pedro se referiu à fo rm a com o Deus escolhe: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai” (1 Pe 1. Neste capítulo. 2 Pe 1. pela qual Deus elegeu aqueles que seriam salvos.10). 22. 2 T m 2. 1V id e adiante. 24. . M c 13. existem ainda os atos divinos anteriores à salvação que são im portantes para o nosso entendim ento do processo salvífico. que podem lazer-te sábio para a salvação. sob o títu lo “Os T rê s Estágios d a S a lv a çã o .15). mas é proporcionada aos crentes em três estágios principais. e aos crentes. para que tam bém eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória etern a ” (2 T m 2.C A P I T U L O N O V E A NATUREZA DA SALVAÇÃO om o já observam os.11. A Eleição C A palavra eleição (ou eleitofs]) ocorre quatorze vezes nas páginas do Novo Testam ento.28). pela fé que há em Cristo Jesus” (2 T m 3.2).” 2M t 22. 22. A eleição (ou o adjetivo eleito ) é utilizada para se referir a Israel (R m 9. 31. A to s D iv in o s A n te r io r e s à S a lv a ç ã o A salvação não se constitu i em ato único.10. 11. existem m uitas teorias acerca da expiação. teológicas e históricas da expiação serão exploradas. aos anjos (1 T m 5. e todas con tém u m elem ento de verdade.1. desde a eternidade.14. som ente as perspectivas da satisfação necessária e da substituição proporcionam um a base para a com preensão e a explicação da obra de Cristo.1 A lém disso. U m eleito é alguém que foi escolhido. sabes as sagradas letras. tudo solro por am or dos escolhidos.2. 27. desde a tua m eninice. as bases bíblicas. 1 Pe 1.21). Todavia. e as palavras de Paulo a T im óteo são centrais à sua m ensagem : “E que.2 C om relação aos crentes.20.10. T t 1. Paulo escreveu: “Portanto.

33.11. que daria a sua vida pelos nossos pecados (A t 2. a u m discípulo (A t 1. E aos que predestinou. segundo o conselho da sua vontade. havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas. eles foram “eleitos segundo a presciência de Deus Pai” (1 Pe 1. Logo. 9. daqueles que são chamados por seu decreto. desde a eternidade.29). O prim eiro é a obra de Deus em convencer o 3 As tra d u çõ es e m lín g u a p o rtu g u e s a u tiliz a m . a esses também glorificou. Na verdade. em quem também fomos feitos herança. G 1 1. e até a Judas (Jo 6. que foi escolhido para ser u m apóstolo. O Convencimento Apesar dos atos acim a m encionados serem eternos. m u ita s vezes. Ele tam bém predestinou os que seriam con form e a im agem de Cristo]. 13.6.2).70. 6). C l 3.4-5) A Presciência Por ser onisciente. segundo o beneplácito de sua vontade.) 4 Por e x e m p lo . e aos que chamou. na forma verbal. 5. a esses também justificou. Soteriologicam ente. . T g 2.196 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Os Escolhidos (ou. 13. C o m o a sua presciência é infalível (já que Ele é onisciente). Ap 17. 1 C o 1.35.18. 1 Pe 1. 3 Por e x e m p lo . D eus tam bém soube co m antecedência aqueles que seriam salvos: “Porque os que dantes conheceu. C o m o declarou Paulo: “Porque os que dantes con h eceu . tam bém os predestinou para serem conform es à im agem de seu F ilh o ” (R m 8. também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho. "Escolheu") 3 As palavras escolhido e escolheu são utilizadas várias vezes.5. Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo.41. Efésios 1. n a verdade.13. R m 9. d o T . o seu co n h ecim en to prévio daqueles que seriam salvos é a segurança de que eles serão m esm o salvos. e aos que justificou. Os Predestinados D a m esm a fo rm a que Deus p ré-d eterm in ou. a esses também chamou.14.11 é u m a passagem chave: Nele. 24. e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo. 2.9.2. virá a ocorrer. Paulo resum e o lugar do cham ado na nossa salvação: E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus. 24. 10. para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade.12.4Os term os são usados para se referir a Cristo (Lc 23.14. 2 Jo 1.14.2. E f 1. Jo 15. para si mesmo. os dois atos seguintes são atos anteriores à salvação realizada no tempo. 2. R m 8.24. 1 Pe 1. (N . tam bém os pred estinou” (R m 8. (Ef 1.1. e tc.4. O Chamado O cham ado de Deus às pessoas para a salvação pode ser visto em várias passagens bíblicas.10). 1 T s 1. os te rm o s “e le ito ” e “e sc o lh id o ” de fo rm a in tercam b iáveis.23).5.18).28-30.2. tudo o que D eus previam ente con h ecer.20. M t 22. Porque os que dantes conheceu. 22. E f 1.29). 11. u m escolhido é u m a pessoa eleita por Deus para a salvação. a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. digo.5 Em R om anos 8.4.

que. e da justiça. no qual estais selados para o D ia da red enção” (E f 4. 12. enriquecêsseis.9. 0 Selo Paulo fala do fato de sermos selados com o Espírito Santo com o u m ato salvífico e garantia da nossa salvação. d entre os mais im portantes destacam -se: A Graça Eficaz A lém de ser preveniente ( “an terior” à salvação). “porque Deus é o que opera em vós tanto o querer co m o o efetuar. é aquele pelo qual D eus persuade um a pessoa de que ela é. ela realiza na vida dos crentes a salvação que D eus lhes pré-ord enou e. R m 5. E f 1.14). Fp 1. Jo 8. tem necessidade de u m Salvador.11) Deus é onisciente e onipotente. antes.3. que encam inha as pessoas em direção a este objetivo por interm édio de Cristo. Ele disse aos efésios que a presença do Espírito Santo na vida deles “é o p en h or da nossa herança. Dessa form a: “Tendo por certo isto m esm o: que aquele que em vós com eço u a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus C risto” (Fp 1.8). quando ele [o Espírito Santo] vier. . Paulo fala a este respeito em T ito: “Porque a graça de Deus se há m anifestado.13. Os Nomes Utilizados para nos Referirmos aos Atos Salvíficos de Deus A salvação é descrita p or diferentes term os e expressões n a Bíblia. trazendo salvação a todos os h o m en s” (2. segundo a sua boa vontade” (Fp 2. Ele realiza o que Ele m esm o ordenou . A Graça Preveniente Preveniente significa “anterior.4). Este selo do Espírito Santo ! Cf. (Is 55.16. para redenção da possessão de Deus. 2. Nesta últim a passagem.30). Ele acrescenta em 2 Coríntios 8.” Este ato de convencim ento. 1 Co 15.11). p o rtan to . a graça de Deus tam b ém é eficaz ou efetiva na produção da salvação dos eleitos.14. Posteriorm ente. jam ais ten ta realizar aquilo que não esteja de acordo co m sua natu reza santa e perfeita. de fato. 16. dessa form a. por amor de vós se fez pobre.12.6).9-10.17. p o rtan to . Ou seja.10.5-6. para que. convencerá o mundo do pecado.13). fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei. ele acrescentou: “Não entristeçais o Espírito Santo de Deus.” e a expressão graça preveniente se refere à obra executada por Deus n o coração dos hom ens — im erecida do lado h u m an o — anterior à salvação. por m eio desta salvação. 1 Pe 5. 21. 2.6. para louvor da sua glória” (E f 1. T t 2.A NATUREZA DA SALVAÇAO # 197 pecador do seu pecado (G n 6.9.9: Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo. e do ju ízo . Dessa form a. pela sua pobreza. 2 Co 9. Jesus p ro m eteu : “E. pecadora e. a graça preveniente é a graça de D eus exercida em nosso lugar m esm o antes dele nos conceder a salvação.6 Assim será a palavra que sair da minha boca. Esta graça tam bém é vista no fato de que “a benignidade de D eus te leva ao arrepend im ento” (R m 2. sendo rico. ela não voltará para mim vazia.

porque tam bém debaixo do céu n e n h u m ou tro n om e há.10). O significado de soteria e soterion é “libertação. pelo qual devam os ser salvos” (A t 4.” ou “salvação. para servir de testem u n h o a seu tem p o .” Salvação é n o rm alm en te usada para se referir à libertação física (cf.7 . e a salvação da presença fu tu ra do pecado. que é utilizada duas vezes (M t 20. prim eiro do ju d eu e tam bém do grego” (R m 1. 8. que significa “preço de readoção” ou “redenção. 3) Os substantivos gregos correspondentes à salvação são soteria e soterion.45). Ela se refere à libertação de uma pessoa.8 O u tra palavra grega para se referir à redenção é lytron.1 4 . A Salvação (ou o Salvar) As designações mais com u ns para designar o processo pelo qual D eus qualifica um a pessoa para o céu é salvação ou ser salvo. dado en tre os hom ens. A Redenção O u tro term o am plo. ou de um grupo de pessoas da angústia ou do perigo. [a qual significa] “ser vasto” ou “ser amplo” em contraste com o ser “estreito ou restrito.” Em 1 T im ó teo 2.1 5 — g eral.198 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA é recebido no m o m en to da justificação (R m 8.7 a salvação é u m conceito am plo que engloba três estágios: a salvação do castigo passado m erecido pelo nosso pecado.37). C o n fo rm e m encion am os an teriorm en te.25. e co m a boca se faz confissão para a salvação” (R m 10. C l 1. Espiritualm ente falando.12).14.30. 8 Lucas 21.” “redim ir.28. R m 3. u m a delas é apolytrosis.6.” e n a sua aplicação espiritual ilustra os pecadores sendo redim idos (com prad os) com o se fossem escravos em u m m ercado de pecado. liberta os pecadores da prisão do pecado.” Dessa forma. (S. C o m o observou Earl R adm acher: A palavra salvação tem suas raízes na palavra hebraica yasa.” Apolytrosis é utilizada dez vezes n o Novo T estam ento.16. respectivam ente: justificação.19). a salvação do poder presente do pecado. c o rp ó re a . pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. O adjetivo é soterios. emancipação. Lytron significa “resgatar. Estes estágios são denom inados. M c 10. 4.35) e outras nove para se referir principalm ente à libertação espiritual.30 — fin al. cf.13). Lucas 1. pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus C risto” (Fp 1. Paulo se refere a Cristo co m o “o qual se deu a si m esm o em preço de redenção por todos.” e o c a p ítu lo 16.71. proteção e segurança surgem a partir dela. Paulo declarou: “Porque não m e envergonho do evangelho de Cristo. H b 9 . a salvação se refere ao processo pelo qual Deus. n o rm alm en te utilizado co m o equivalente à palavra salvação é redenção.69. u m a vez para se referir à libertação física (Hb 11. preservação.” ou “libertar. 27. tal com o o desejo de Paulo em ser liberto ou solto do cárcere: “Porque sei que disto m e resultará salvação. p o r interm édio da obra de Cristo. sob o títu lo “Os T rês Estágios da S a lv a çã o . santificação e glorificação. palavras como libertação. Várias palavras gregas são traduzidas com o redenção.” “preservação. de uma condição “restrita” na qual elas eram incapazes de agir por si mesmas. do qual deriva a palavra soteriologia.23 — .” 7 V id e c a p ítu lo 6. 1 C o 1.” ou “com prar nov am en te. P osteriorm ente. Paulo tam bém declarou: “Visto que co m o coração se crê para a justiça. Pedro anunciou: “E em n e n h u m ou tro há salvação. A t 7.9) e tam bém fu nciona co m o a garantia da nossa glorificação ao final.28 — fin a l. que significa “redim ir. E f 1.24. U m term o adicional para redenção é antilytron. E f 1 .” “resgatar.

nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo.5 — para se referir à salvação). C risto é o nosso mediador. IC o 6.” Paliggenesia é utilizada duas vezes no Novo Testam ento (M t 19.15.9). a m aioria dos estudiosos ortod oxos rejeita esta posição. e a duração da regeneração é eterna: >\ide capítulo 8. mas. o meio da regeneração é o Espírito Santo.” “adquirir. aparece seis vezes (C l 3.” ou “pagar u m preço p o r” algo. 12. M t 13. 7.1 0 Sem este pagam ento. dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos. A palavra hebraica yakach é em pregada um a vez no Antigo Testam ento (Jó 9. por parte de Deus. Ap 5.1) e que foram “salvos” — trazidos novam ente à vida — por Deus “pela fé” em Jesus Cristo (E f 2. o resultado da regeneração é a filiação. A Mediação C om o Salvador. h o m em ” [cf. Hb 8.3-4. que significa “regen eração. 14. . insistindo que o pagam ento de C risto pelo pecado foi feito a Deus. Ap 14.28 — com referência à renovação m essiânica e em T ito 3.9 já que os pecadores são seus escravos. porque : pecado nos to rn a devedores diante dele.2ss).44.A NATUREZA DA SALVAÇÃO # 199 O utra palavra.” U m a palavra grega utilizada para mediar. 2Pe 2.5: “Porque há u m só D eus e u m só m ediador en tre D eus e os hom en s. 1 0Vide adiante.” ou “renovação espiritual. Jo 10. agoradzo. e 1 T m 2. agoradzo significa “redim ir um escravo que está cativo no m ercado do pecado.15).19-10 — em referência a Moisés.1.6. A Fonte da regeneração é Deus. 9. A regeneração é transm issão da vida espiritual. Existem três aspectos da m ediação de Cristo: (1) com o profeta (Hb 1. Ele representa o h o m em a Deus e (3) co m o Rei (SI 2). leva consigo : sentido de “com p rar. Ele reina sobre os h om en s por parte de Deus.15).8). sob o título “Expiação Sacrifical (Substitutiva)”.23. nós jam ais seriam os saivos.” “pagar o preço pela nossa salvação” (cf. e povo.” "ren ascim en to. segundo a sua misericórdia. 46. e língua. porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo. Agoradzo é utilizada :n n ta e u m a vezes (n o rm a lm en te se referindo a algo físico — cf. e nação.33): “Não há entre nós árbitro [mediador] que p onha a m ão sobre nós am bos.9]). Nesta passagem final lem os: E cantavam um novo cântico. Em T ito ela fala da transm issão da vida espiritual à alma: [Deus nos salvou] não pelas obras de justiça que houvéssemos feito. Ele representa D eus aos hom en s. que não poderia ser reito por nós e que Cristo realizou em favor de toda a hum anidade. Jesus Cristo.20. Espiritualm ente falando. que deriva da palavra grega para m ercado (agora). (2) co m o Sacerdote (Hb 9. Apesar de alguns estudiosos terem argum entado que o preço do resgate foi pago a >atanás.24 — em referência a Cristo. A Regeneração A palavra grega para se referir à regeneração é paliggenesia. às alm as daqueles que estavam “m o rto s em ofensas e pecados” (E f 2. mesias.

não de sem ente corruptível. 15 R m 5.11 0 Novo Nascimento Nascer de novo ou nascer do alto são expressões paralelas ã regeneração. “um filho legal” (Ex 2.1 5 Por estarem alienados de Deus pelo pecado. Pedro acrescenta que fom os: “De novo gerados. e o que é nascido do Espirito é espírito. 1 Jo 3. 9.9. 23. 3. A Reconciliação U m a palavra grega utilizada para reconciliação é katalasso. 1 C o 15. e pôs em nós a palavra da reconciliação. em bora sejam os som ente crianças (grego: teknion) som os.12-13) “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em C risto Jesus” (G1 3. A Adoção Adoção (n o grego: huiothesia) significa “colocar co m o filh o”. pela palavra de Deus. 2 C o 5.5. 5.26).13. 4. que significa “trazer ju n to . Jo 1. dentro da fam ília de D eu s.11. 1 Jo 3.1. 1 C o 7.1) recebe a vida espiritual. 23 — ac e rc a da re ssu rreiçã o . 3 . 1 Pe 1. das m u lh e re s . O term o é utilizado cinco vezes nas páginas do Novo T estam en to. O novo n ascim ento é o ponto no qual u m a pessoa “m o rta em ofensas e pecados” (E f 2. R m 8. M t 5. E tudo isso provém de Deus. Idéias paralelas são expressas em várias passagens bíblicas.19).24).10).23. Esta idéia foi expressa no A ntigo T estam en to por Ezequiel quando ele falou que Deus daria u m novo coração a Israel. viva e que p erm anece para sem pre” (1 Pe 1. Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo. 3.2). que significa “recon ciliar” ou “trazer ju n to ” (cf.29.9.15 — a ce rca dos g e n tio s.12.200 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome.7. os quais não nasceram do sangue. Jo 1.21. Não te m aravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de n o v o ” (Jo 3.7.11. som os redimidos das am arras da lei (G1 4. Katallasso é utilizada cinco outras vezes no Novo T estam en to. (Jo 1. mas de Deus.23. nem da vontade da carne. 4. por adoção.1 4 O utro term o utilizado para expressar a idéia de reconciliação é katallage.1 2 Teologicam ente.21.5.1.6.27.3. . ela significa. caso o povo se arrependesse (Ez 11.18-20.13. literalm ente. M t 17. o que ficou m anifesto na ressurreição do corpo (R m 8.11 -— a c e r c a do c a sa m en to . De sorte que 1 1 T ais c o m o Ez 37. 2 C o 5. cf. A p 21. 18.10 [duas vezes]. Jesus disse: “O que é nascido da carne é carne. E f 1. A t 3. os seres hum anos decaídos necessitam de reconciliação com Ele.1 3 Adoção é u m term o de posição pelo qual nos to rn am os filhos por interm édio do novo nascim en to (Jo 1.1. i .18-19. 1 2 Huiothesia: R m 8.6-7.13). 4. nem da vontade do varão.1-5) e.5) se refere ao ato de Deus que coloca um a pessoa co m o filho. mas da incorru ptível. 18). não lhes imputando os seus pecados. cf. que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação.1-10. tornados filhos adultos (grego: huíos).26-29). isto é.4 — a ce rca de Israel.7). 11. G álatas é u m a d ecla ra çã o re v o lu c io n á ria d a sua igu aldade e liberdade (cf. 1 3 Lon ge de ser u m a d ep recia çã o H R m 5. 5.15.” Katallaga é utilizada quatro vezes. 1 Jo 2. G 1 4.23. adoção (G1 4.

pois “quase todas as coisas. O perdão não apaga o pecado-. 19). 7. a história não pode ser m odificada. R m 5.6.21.2-5 é um a passagem fundam ental: Porque. 2 C o 5. a D eus (R m 3.16. não lhe é imputado o galardão segundo a graça. em bora sendo in ju stos por nós m esm os. (2 Co 5.38). a C risto (1 T m 3.21-25. 5.13. T g 2. 18 A t 13. etc.29. G1 2.21.11. G 1 2. nós estam os reconciliados com Ele.3-13.26) e à salvação (R m 1.1 1 .17.13. vos reconciliou. se refere a Deus (Lc 7. 5. cf.3 3 . 5. a Cristo (A t 3. R m 2. é “Em [Cristo Jesus que] tem os a redenção pelo seu sangue. àquele que faz qualquer obra.23. que é u m a fabulosa expressão do significado da salvação: [Era propósito de Deus que]. Dikaioo significa “ju stificar” ou “justificado. ela é utilizada para se referir aos seres h u m anos (M t 1. Fp 3 .4. 4 . 9. que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus. 6. 9. tem de que se gloriar. pois. 3 . segundo as riquezas da sua graça” (E f 1. Hb 10.1 6ou a j ustificação posicionai. mas segundo a dívida.20. que noutro tempo éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras más. por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas.7. 24.17. como se Deus por nós rogasse. R m 3. A Justificação A justificação é o ato pelo qual som os declarados ju stos diante de Deus. o crim e do acusado não é elim inado da história.4 .30.7. A vós também.).19.45. Dikaiosyne (ju stiça) pode se referir à j ustificação prática. 20). Fp 1.” Esta palavra. Mas o perdão apaga o registro do pecado.5. às vezes. T an to a alienação. que significa “perdoar” ou “re m ir” os pecados de alguém . D eus não se m ovim en ta em relação ao pecador.16) ou à salvação. quanto a reconciliação são m encionadas em Colossenses 1. 3 .21.15.38). Paulo anunciou: “que por este Jesus] se vos anuncia a rem issão dos pecados” (A t 13. e o lado subjetivo.A NATUREZA DA SALVAÇÃO # 201 somos embaixadores da parte de Cristo.11. contudo. 4. e isso lhe foi imputado como justiça. se Abraão foi justificado pelas obras. 21. Logo. Cl 1. tanto as que estão na terra como as que estão nos céus.18-20) Existem dois lados na reconciliação: o lado objetivo. e sem derram am ento de sangue não há rem issão” (9. O livro de Hebreus declara que Deus não pode perdoar sem que h aja expiação.3 0 .6.17. Tal qual ocorre com u m indu lto. . E tam bém digno de n o ta que D eus não está reconciliado conosco.1 7 A Teologia Sistem ática se refere a ela neste segundo sentido. 5.13-10. Pois.14. Várias palavras gregas descrevem o ato da justificação.22).1 8 R om anos 4. àquele que não pratica.1. Dikaios significa “ju s to ” ou “re to ”. agora. 10. 5.7). G1 3.8 . pelo qual nós verdadeiram ente nos reconciliam os com D eus (v. se purificam com sangue. 22. mas não diante de Deus.2 0 -3 0 .39. Mas. a rem issão das ofensas.4). O Perdão A palavra grega equivalente a perdão é aphesis. da parte de Cristo que vos reconcilieis com Deus. mas o pecador se m ovim en ta em relação a Ele. 1 C o 1. o potencial que Cristo conquistou para toda a hum anidade (v. a sua fé lhe é imputada como justiça.52. 8 . porém crê naquele que justifica o ímpio. 3. segundo a lei. mas é apagado da sua conta. :e M t 3. H b 11. 22.2 -5 .14). T g 2. Ora.9. Rogamos-vos. 17 R m 1.

.18).] para que fosse pai de todos os que crêem (estando eles também na incircuncisão.. 16.23). que diz: E creu Abraão em Deus. porque: (1) Ela é feita independ entem ente das obras (R m 1. Na fo rte com paração que Paulo faz en tre Adão e Cristo (R m 5)..] Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça.18). não só por causa dele está escrito que lhe fosse tomado em conta.. Ora.. 5. não lhe é imputado o galardão segundo a graça.] Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação. 16) Ofensa (vv. 18) Obediência (v. a fim de que também a justiça lhes seja imputada) [. Ora.. os que cremos naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus. e (3) Ela é u m ato ju ríd ico (legal) (R m 4. mas também por nós. e isso lhe foi imputado como justiça. nosso Senhor. 3. Paulo declara acerca de Cristo: “O qual por nossos pecados foi en tregue e ressuscitou para nossa ju stificação” (R m 4.] Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão. 12.25). àquele que faz qualquer obra. para condenação. mas segundo a dívida [. pois.. 14. por um só que pecou. mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação [.] Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras [. imputada? Estando na circuncisão ou na incircuncisão? Não na circuncisão.3. na verdade.] Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado [. e fo i-lh e isso im putado co m o justiça. Isto fica evidente a partir das expressões imputar e tomar em conta. A té m esm o Tiago.. 6. E im p ortan te n otarm os que justificação significa “declarar ju s to ” (e não “ fiaier ju s to ”). 22-24). que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus. 15-18) Desobediência (v. porque o juízo veio de uma só ofensa. que enfatizou as obras que surgem n a tu ra lm en te a partir de u m a fé salvífica. 15) Justiça (v. que são traduzidas para se referirem à “co n ta” que tem os para com Deus (cf. (2) Ela é feita aos pecadores (R m 3..21-23)..20.. R m 4.202 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Dikaíosis é traduzida com o justificação (R m 5. Pois. 11. mas na incircuncisão [.4-6. 19) .. 19) Cristo Graça (v. fala de ju stiça im putada ou creditada (cham ada de ju stiça forense): “e cu m p riu se a Escritura. 18) Observe a seguinte com paração de R om an os 5: Pessoa Ato Adão Pecado (vv. (w . a quem será tomado em conta.2-5). assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.17. Como lhe foi. e foi cham ado o amigo de D eu s” (T g 2. 4. ele utiliza a palavra justificação em duas ocasiões para descrever o que C risto conquistou para os seres hum anos: E não foi assim o dom como a ofensa.

com o sugerem alguns.1 9 Paulo não pode estar falando que todos serão. Segundo. Tudo isso está disponível a todos. 19) for tom ad a no sentido literal. o qual declara que a salvação som ente vem àqueles que crêem (vv. 12.2 0 p o rtan to . 17-18. justificados em função do sacrifício vicário de Cristo. se a frase “feitos ju sto s” (v. Quarto. independente de qualquer aquiescência da nossa parte (vv. passadas adiante para todos os seres hum anos (vv. Terceiro.18) Vida para todos (vv. Quinto. que tu do o que está listado na colu n a “A dão” tam bém p ertence som en te de m aneira “po ten cial” a todas as pessoas. serão salvas. e por fim . 21) A graça vem sobre todos (v. m as sim que todos são potencialmente justificados. m esm o que estes term os sejam utilizados com respeito à apropriação do dom da salvação que C risto proporcionou a todos.14-15. 18) Fica claro a partir das Escrituras que n em todas as pessoas. 15-16) m o stram que o paralelism o não é perfeito. 15. Tam bém é im p ortante observarm os nesta conexão que. e que som ente aqueles que o recebem serão salvos. 17) é utilizado para se referir às conseqüências do pecado de Adão. e por fim. n a prática. 3-5. m as n em todos se apropriarão destas coisas. R om an os 5 declara textu alm en te que algum as das conseqüências do pecado de Adão (co m o a m o rte física) foram .1). tal qual lem os em R m 5. 15) A graça reina sobre todos (v. as expressões “n ão é assim/não foi assim ” (w .16) diferencia os dois lados da com paração. não se pode concluir. O U niversalism o não é ensinado n a Bíblia. enquanto elas não as “ativem ” nas suas vidas através do pecado pessoal. por várias razões. Segundo. 16. isto se encaixa com o con texto de R om an os 4. . na verdade. Terceiro. 18) A condenação veio sobre todos (vv. a partir dos pontos acim a colocados. tudo o que está debaixo da colu n a “C risto” na tabela acim a deve ser considerado com o “p o ten cialm en te” pertencente a todos os seres hum anos. 21) Todos foram feitos pecadores (v. n e n h u m term o qualificador com o “recebem ” (v. 12-14). co m o já analisam os.17) O pecado vem sobre todos (v. o U niversalism o será u m conclusão lógica. 21) Todos foram feitos justos (v. 18) A justificação veio para todos (16. R om anos 5 diz claram en te que algum as das conseqüências do pecado de Adão (tal com o a m o rte física) são autom áticas. Primeiro. 12-14). Propiciação (ou Expiação) A palavra propiciação aparece em m uitas traduções em língua portuguesa (por 1 9Vide capítulo 12 20 Ibid. 12 0 pecado reina sobre todos (v. Primeiro. 19) 0 Juízo veio sobre todos (v. a expressão “os que recebem ” (v.A NATUREZA DA SALVAÇÃO <f| 203 Resultados Físicos Resultados Morais Resultados Legais Morte para todos (vv. as expressões “não é assim/não foi assim ” (vv. na verdade. 19) 0 dom veio sobre todos (v. 17) im plica que n em todos recebem o dom da salvação.

o N ovo Testam ento fala da salvação por interm édio de m u itos outros term os e expressões.14).204 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA exem plo.” “perdoar.4-6. .” Hilaskomai é utilizada duas vezes: n a p rim eira ela significa “tem m isericórdia de” (Lc 18. satisfez a ju stiça Deus. significa “propiciar.21.13). traduzida a partir do term o hebraico kaphar. por interm édio do seu sangue.” “purgar.” “ser m isericordioso.5).2 1 que são u m a “nova criatu ra” (2 C o 5. 1 Co 15.25 que diz: “[Jesus] ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue. v. n a Alm eida e na NVI).” Kaphar. No Novo Testam ento. “batizadas em u m Espírito” (1 Co 12. Deus se achava satisfeito e liberava a sua m isericórdia e o perdão sobre o pecador. No A ntigo Testam ento.” A versão autorizada em língua inglesa traduz kaphar com o “aplacar. 24.36.” “lavar.” “perdoar. Hb 1. é utilizada por volta de cem vezes no Antigo Testam ento.14.1 4 . m as tam bém pelos de todo o m u n d o ” (1 Jo 2. mas em que ele nos am ou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4. Literalm ente. em nosso lugar. aparece em duas passagens.2). a Bíblia de Jerusalém ).24. 1 Jo 3. por toda a eternidade (1 Jo 2.” “satisfazer. experim entam a cu ra (Is 53. Cristo. 12.5. 9.” ou “expiar. sob a paciência de D eus. no qual. em tudo.15. podem viver em paz com Deus (R m 5 . O utro term o grego utilizado para propiciação.17): Pelo que convinha que.14-15 [cf. 22Vide tam bém o subtítulo Regetieraçao.10).15). 4. hilasteriom. para expiar os pecados do povo.13). 2. recebem a ilu m inação (Jo 8.17.17). kaphar significa “cobrir. Outras Figuras de Linguagem para se Referir à Salvação Além dos term os e expressões acim a.17.” “deixar de lado.6.” As idéias-chave são “cobrir aos olhos de D eu s” e/ou “lim par. e através de apenas u m e definitivo sacrifício (Hb 10. Hilasmos.1 . 19. 2 C o 5. Jo 5.” “perdoar. “estrangeiros”].22. C13. E f 2. e recebem a vida (E f 2.” e “reconciliar. G1 6.1. 10. u m “novo h o m e m ” (E f 2. Cl 1. na sua fo rm a verbal. hilaskomai. 2 1 Vide tam bém os capítulos 10 e 15. Hebreus 9.5 referindo-se ao tro n o de m isericórdia do T abern áculo descrito no A ntigo Testam ento.2-4.20). 12. M c 2.” U m a terceira palavra.12. identificam -se (u n em -se) com C risto (R m 6.22). e R om an os 3. acima. o trono de m isericórdia era o tro n o da graça. Os crentes são considerados com o pessoas que estão “em C risto” (E f 1.” “pacificar.” “anular.24). 1 Co 12. para d em onstrar a sua ju stiça pela rem issão dos pecados dantes com etidos. para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus. 2 C o 4.3. “Nisto está a caridade: não em que nós ten h am o s am ado a Deus.13) e n a o u tra ela aponta para Cristo (Hb 2. depois que o sangue do sacrifício era aspergido. 1 Pe 2.” pode ser encontrado em dois textos: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não som ente pelos nossos.22 Expiação U m a das expressões mais im portantes para se referir à salvação é a palavra expiação. 1 Ts 5.” ou “cancelar.1.2).14). fosse semelhante aos irmãos.10).3. Os salvos experim entam ap u rificação (ou lim peza — T t2 .” “aplacar. em bora outras traduções prefiram o term o expiação (por exem plo. que significa “satisfazer D eus no lugar dos pecadores.” mas ele tam bém carrega consigo u m sentido m ais am plo de “expiação.

“perdoados.. G1 3. aperfeiçoou para sempre os que são santificados.22). em tudo. para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus.” Hebreus 10. U m a passagem didática do A ntigo Testam ento acerca da expiação de pecados se encontra em Levítico 4. E os anciãos da congregação porão as suas mãos sobre a cabeça do novilho perante o SENHOR. N u m a alusão à figura v e te ro te s ta m e n tá ria n a qual D eu s se en c o n tra v a co m o p e ca d o r n o tro n o de m isericó rd ia e a exp iação c o m san g u e e ra fe ita e m favo r dos p ecad o res. e lhes será perdoado o pecado.4. cf.” ou “conciliar.6. contra algum dos mandamentos do SENHOR. assim lhe fará. daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. aquilo que se não deve fazer. novam ente: Pelo que convinha que. porquanto é o sangue que fará expiação pela alm a. E daquele sangue porá sobre as pontas do altar. quando u m pecador penitente pede a Deus “tem m isericórdia de m im ”. o perdão no Antigo Testam ento ocorria com o antecipação da cruz (Jo 8.11: “Porque a alm a da carne está n o sangue.13-21: Mas. E tirará dele toda a sua gordura e queimá-la-á sobre o altar. que está perante a face do SENHOR. com uma só oblação. que está diante da porta da tenda da congregação. e degolar-se-á o novilho perante o SENHOR.56) com base de que aos olhos de Deus. literalm ente. Depois. pelo que vo-lo ten h o dado sobre o altar. está assentado para sempre à destra de Deus. para fazer expiação pela vossa alma. que significa “propiciar. e o trará diante da tenda da congregação. Vários latos são notórios neste protótipo de C risto com o o nosso S u m o Sacerdote. Abraão foi justificado quando creu (G n 15.4). o Cordeiro (C risto) foi m o rto antes da fundação do m undo (Ap 13. mas este.8). e o sacerdote por eles fará propiciação. Primeiro.A NATUREZA DA SALVAÇÃO # 205 O term o grego utilizado para expiação é hiloskomai. e o pecado em que pecarem for notório. é expiação do pecado da congregação.” “expiar.] E assim todo sacerdote aparece cada dia. onde lem os. . e se fizerem.17. a expiação envolvia um sacrifício de sangue (Hb 9. Terceiro. que foi o autor da expiação pelos nossos pecados. e fará a este novilho como fez ao novilho da expiação. 11-14 nos proporciona um com entário inspirado acerca da expiação veterotestam entária: Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados [. na tenda da congregação.. se toda a congregação de Israel errar. o sacerdote ungido trará do sangue do novilho à tenda da congregação. a congregação oferecerá um novilho. O utro versículo im p ortante acerca deste tem a é Levítico 17. fosse semelhante aos irmãos. e o negócio for oculto aos olhos da congregação. ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios.2’ ’ e um a outra vez em Hebreus 2. Ef 1. o texto fala que os pecados eram . havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados. para expiar os pecados do povo. e por fim. por expiação do pecado. Porque.” O vocábulo é utilizado duas vezes: u m a em Lucas 18. que nunca podem tirar pecados.13. diante do véu. E o sacerdote molhará o seu dedo naquele sangue e o espargirá sete vezes perante o SENHOR.” Segundo. e forem culpados. Então. a expiação no Antigo Testam ento era m u ito mais do que um simples “passar por cim a dos pecados”.8. então. levará o novilho fora do arraial e o queimará como queimou o primeiro novilho. e todo o resto do sangue derramará à base do altar do holocausto.

Jesus afirm o u ser Ele m e sm o o c u m p rim e n to de Isaías 53. Jesus ap resen tou a sua m o rte co m o u m resgate (g reg o: ly tro m ). Da m esm a fo rm a que o Cordeiro Pascal veterotestam entário era sacrificado pelos pecados do povo. P orque o que está e scrito de m im te rá c u m p rim e n to ” ( I c 22. que tira o pecado do m u n d o. 26 Vide Edwin H atch e Henry A. fala explicitam ente acerca do sofrim ento substitutivo: [1] Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e [2] moído pelas nossas iniqüidades. Isaías 53. ou do o fe re c im e n to de u m s u b s titu to . os sacrifícios do A ntigo Testam ento im plicam n a expiação substitutiva. para que seja aceito por ele. u m sacrifício substitutivo. Considere agora os sólidos argum entos a favor da expiação substitutiva. . a “nossa páscoa”.” e o castigo pelos nossos pecados estava “sobre ele” — o que representa u m a expiação substitutiva. C o m o já observam os. nas diversas passagens que tratam da expiação. Primeiro. Deus é dem asiadam ente santo e não suporta n e m olh ar para o pecado de fo rm a benevolente (Hc 1. de sua própria vontade. [3] o castigo que nos traz a paz estava sobre ele. e.206 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Expiação Sacrifical (Substitutiva) Fica m u ito claro. nós sabemos que tu do o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz.” (Jo 1. Segundo. a nossa depravação to tal25 exigia que u m substituto perfeito fosse apresentado para os nossos pecados. para que toda boca esteja fechada e todo o m u nd o seja condenável diante de D eu s” (R m 3. já que Ele é im utável 24 por natureza.4) Quarto. fomos sarados. capítulo 4.37).13). (Lv 1. para a sua expiação. Ele disse: “P orq u an to vos digo que im p o rta que em m im se cu m p ra aquilo que está escrito : E c o m os m a lfe ito re s foi co n tad o . perante o SENHOR. já que não pode sim plesm ente passar por cim a dos nossos pecados.890-91.”26 2 4 Vide volum e 2. Redpath: A Concordance o f the Septuagint. a fim de que fôssem os deles libertos. foi “sacrificado por n ó s” (1 C o 5. [4] pelas suas pisaduras. Jesus. já que no m o m en to do oferecim en to o sacerdote im p u n h a as m ãos sobre o anim al. pois nada que façam os por nós m esm os será capaz de atingir o padrão exigido por Deus: “Ora. por interm édio de várias expressões.3. E porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto.6. A ú n ica m aneira pela qual podem os en trar na presença etern a de u m D eus santo e im utável é por m eio do sacrifício substitutivo da perfeição hu m ana: pelo h o m em cham ado Cristo Jesus. João Batista declarou: “Eis o Cordeiro de Deus. Sexto. oferecerá macho sem mancha.7). o fato dela ser substitutiva: Para nos redim ir do pecado. 25 Vide capítulo 5. co m o sím bolo da transferência da culpa: Se a sua oferta for holocausto de gado. Quinto. a ju stiça absoluta de D eus exige u m substituto perfeito em nosso lugar.19).29). 1.5. Jesus foi apresentado co m o o Cordeiro Pascal. S é tim o . que é u m a d escrição de u m sacrifício su b stitu tiv o . Terceiro. [5] o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. C risto foi castigado e m o rreu em nosso lugar pelos nossos pecados. D eus é essencialm ente ju sto e não pode ser indiferente. o que n o rm a lm e n te significava (n o A n tigo T e sta m e n to g reg o) “lib erta çã o da servidão em tro ca de p ag am en to de co m p en sa çã o . à porta da tenda da congregação a oferecerá. O ato de C risto foi executado “pelas nossas transgressões.

a tua vontade [.6. o capítulo seguinte relata: Pelo que. Lucas 22. diz: E. o que im p lica u m a su b stitu ição p o r nós. p ara que tam b ém eles seja m santificados n a verd ad e” (Jo 17. T.21.] Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo. intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento. Semelhantemente. 4. 3.13. se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus. Jesus d eclaro u : “P orque o F ilh o do H o m em tam b ém n ão veio para ser servido.A NATUREZA DA SALVAÇAO # 207 C o m o tam b ém já foi visto.. que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo [. com uma só oblação. (9. a substituição fica explícita. dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue. para que. que nunca podem tirar pecados.” A lém da idéia de resgate. G 1 3.7. IS. daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. T t 2. A. ó Deus. isto é. q u an to co m o u m sacrifício con sagrad o: “E p o r eles m e san tifico a m im m esm o. a palavra pelas im plica substituição: “dou a m inha vida pelas ovelhas. na m o rte de C risto por (grego: anti. O te rm o grego eq u iv alen te a “p o r ” ( hyper ) n o rm a lm e n te im p lica su b stitu içã o . aperfeiçoou para sempre os que são santificados. renom ado estudioso do grego. com o em M arcos 10. O te rm o hagiadzo ( “sa n tifica r”). M u itas ou tras passagens. que é derramado por vós. purificará a vossa consciência das obras mortas. mas corpo me preparaste. tomou o cálice. n o rm a lm e n te carreg a este significad o.] quanto mais o sangue de Cristo. 1 T m 2. 1 Pe 2. não sem sangue. que por vós é dado. feita uma vez. tomando o pão e havendo dado graças. para fazer. entrando no mundo.. Jesus declarou em M ateus 20.. por isso.15) De m odo sem elhante. R obertson (1863-1934). m as para servir e dar a sua vida em resgate de m u ito s ” (M c 10.14. .1.5-7.28: “o Filho do H om em não veio para ser servido. H b 2.. pelo Espírito eterno. De m aneira sem elhante. falam de C risto co m o o nosso Sacrifício .8. a m o rte de C risto foi “p o r ”. no lugar de] m u ito s. uma vez no ano. partiu-o e deu-lho. fazei isso em memória de mim. Então.45. no lu g ar de o u tra (s) pessoa(s). E assim todo sacerdote aparece cada dia. havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados.” M uitas outras passagens tam bém fazem uso da preposição por no sentido de substituição. diz: Sacrifício e oferta não quiseste.9. Porque. aqui u tilizad o. 10-14) Nono. mas para servir e para dar a sua vida em resgate de [anti. em João 10.27 D écim o. R m 5. p o r exe m p lo . no sentido de “no lugar de”) nós. (10. é Mediador de um novo testamento. O a u to r de H ebreus d eclara: [Na época do Antigo Testamento] só o sumo sacerdote. Por exem plo.14. de m an eira sem elh a n te .45). dizendo: Isto é o meu corpo. observou que: 17 Por e x e m p lo . holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios. que. mas este. está assentado para sempre à destra de Deus.19). Oitavo.15. para servirdes ao Deus vivo? E. C risto ap resen to u -se a Si m esm o ta n to co m o u m sacerd o te consagrad o. depois da ceia. disse: Eis aqui venho (no princípio do livro está escrito de mim).19-10.

“Porque tam bém Cristo padeceu u m a vez pelos pecados. 12. 1 T s 1.22. nele. H b 12.5. 28 O u so de an ti n o sen tid o de su b stitu içã o ta m b é m p od e ser e n c o n tra d o e m o u tra s passagens — p o r e x e m p lo R m 12. m ostrand o que a dou trina p rotestante da justificação forense está correta..] [tomam] um rumo que facilmente os levará à desconsideração das passagens que contradizem a sua opinião teológica”. utilizada com referência à m o rte de Cristo.. Paulo afirma: “[Jesus] o qual D eus propôs para propiciação pela fé no seu sangue” (R m 3. E interessante n otarm os que alguns católicos. é necessário exam inarm os a base bíblica do term o justificação. O grande clam or que partiu do coração dos reform adores foi o da “justificação somente p ela fél” Esta fó rm u la sofreu u m a grande oposição por parte do M ovim en to da C on trareform a iniciado dentro da Igreja C atólica R om an a. mas tam bém pelos de todo o m u n d o . m erecido pelo pecado. para levar-nos a D eu s” (1 Pe 3. A justificação é u m ato instantân eo e passado da parte de Deus. estes pontos servem de sólida argum entação a favor do conceito o rtod oxo de u m a expiação substitutiva.” Esta passagem faria pouco sentido se Cristo não tivesse entregado a sua vida ilibada em substituição pelos nossos pecados. Para apreciarm os esta contribuição significativa dos reform adores..18).6.9. e várias passagens neotestam entárias falam da ira de Deus co n tra o pecado. 2. por m eio do qual som os salvos da culpa advinda do pecado — o registro do pecado é apagado e nos tornam os sem culpa diante do nosso Juiz (R m 8. E f 2.2.17.21)..] pode ter u m b om sentido cató lico ” ( C C A . esta alegação não o co rre no m esm o sentido em que os protestantes com preend em o tem a. para que.16.3. ( WPNT.19. C om o verem os adiante. h o je em dia. Por exem plo. pois no C atolicism o a execução de obras progressivas se som a à fé. 9.22. o qual insistia na justificação pela fé e pelas obras. . com o condição para a justificação final. alegam que “a fam osa fó rm u la de Lutero que preconizava ‘som ente a fé’ [. A Salvação da Punição do Pecado (Justificação) O prim eiro estágio da salvação é cham ado de justificação.4-5. C l 3.9 2y Cf.9 . No seu co n ju n to .2 lem os: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não som ente pelos nossos. 5. C risto m o rreu em nosso lugar: “Aquele que não con h eceu pecado. existe u m a sólida base bíblica.1).6. que é a libertação da punição. ou do castigo. a aplacação da ira divina pela m o rte de Cristo im plica um a m o rte substitutiva. tal qual foi exposta pelos reform adores e seus seguidores.18. OS TRÊS ESTÁGIOS DA SALVAÇÃO A salvação com eça com o ato jurídico da justificação. prossegue em u m processo vitalício de santificação e se com p letará quando nos en contrarm os com Cristo em um ato de glorificação.9). 1 Pe 3. 1. 5. im plica u m sacrifício substitutivo. C ontudo. R m 1. 199).29 a qual im plica a necessidade de sua aplacação por m eio de u m sacrifício substitutivo.25). 2. e por fim.163) Décimo-primeiro.10. fôssem os feitos ju stiça de D eus” (2 C o 5.2. o fez pecado por nós. O A ntigo Testam ento descreve a m esm a idéia (cf. Décimo-segundo. nos dois Testam entos. 8 . a expiação (o u propiciação pelos nossos pecados — A lm eida e N VI). 13. M l 1. o ju sto pelos inju stos. Z c 7. em 1 Jo 2.208 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Aqueles que se recusam a admitir que Jesus sustentava esta noção de morte substitutiva [. 8.5 .

vemos que] a justificação é o ato declaratório de Deus por meio do qual. q u em fo r ju lgad o in o cen te passa a ter u m rela cio n a m en to co rreto para co m D eu s” ( T N T . a “ju stificação” é definida co m o u m a ‘declaração de justiça por ordem de um tribunal. 440). P ortanto. R m 3-4). 154. o conceito de justiça freqüentemente aparece em um contexto forense ou judicial. SBG. é “u tilizado em u m sentido foren se ou legal. isto é. com base na suficiência da morte expiatória de Cristo. A m aior parte dos eruditos reform ados concordaria. [Assim.36) . Paulo se refere à “im putação legal da ju stiça de Cristo ao pecador cre n te ” (SBG. CT. grifo acrescentado). A justificação é o oposto de condenação. con form e observado por Anthony H oekem a (nascido em 1913): “O contrário de condenação. 955) A idéia da natu reza forense dos term o s veterotestam entários utilizados para a justificação e a justiça não está restrita aos evangélicos. (Erickson. (CT.A NATUREZA DA SALVAÇÃO f | 209 0 Uso Veterotestamentárw da Justificação Forense A origem da d ou trin a da ju stificação fo ren se (ta l qual o co rre co m as outras d ou trinas n e o testam en tárias) está no A ntigo T estam en to. Ele declara que os crentes preencheram todos os requisitos da lei que lhes diziam respeito. com o afirm a Erickson: No Antigo Testamento. Esta palavra é usada por Paulo em u m sentido forense ou legal. no Novo Testamento. D t 25. (Conforme citação feita por McGrath. 956) í ma Explicação Teológica da justificação Forense Ao lado de M artin h o Lutero. Hans Küng (nascido em 1928) concorda que “de acordo co m o uso bíblico original do term o . Q uando u m a pessoa é justificada. n o rm a lm e n te traduzido por ju stificar. O Uso Neotestamentário da Justificação Forense Passando agora ao N ovo T estam ento. 154). não é 'to rn ar ju sto . considerado co m o um a aas figuras mais im portantes do M ovim ento da R eform a. Calvino declarou acerca do tem a da justificação forense: O homem não é tornado justo na justificação. não por conta da sua própria justiça. quando faz uso do verbo dikaioó. o te rm o hebraico hitsdiq. mas é aceito como justo. o verbo traduzido co m o “ju stificar” é dikaioó.’ mas ‘declarar ju sto .19). m as n o de ‘declarar ju d icialm en te que se está em h a rm o n ia co m a lei”’ (H oekem a. não no sentido de ‘to rn a r ju s to ’.’” (J. o pecador é declarado "ju s to ” (cf. 2.”’ P ortan to. ela é “ausência de pecado” no sentido de que Deus não mais atribui o pecado ao homem (2 Co 5.1). G eorge Eldon Ladd (1911-1982) observou: “Ao ju sto ju stificarão e ao in ju sto cond enarão (Ex 23.7. Deus a declara absolvida -— antes do ju lgam ento final. n o rm alm en te. Na m aioria dos casos. 209). en tretan to . A justiça resultante não é perfeição ética. ID. mas por conta da justiça de Cristo que é exterior ao homem. Um homem justo é aquele que foi declarado livre da culpa por um juiz. João Calvino é.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

A razão pela qual os seres hum anos precisam de justificação é que em nosso estado “sem C risto,” som os to ta lm en te depravados.30 Primeiro, a corrupção está presente no cern e do ser hum ano. Segundo, a depravação se estende a todos os aspectos da hum anidade. Terceiro, a depravação im pede os seres hu m anos de agradar a Deus sem o auxílio da graça. Quarto, e por fim , a corrupção abrange todas as partes e cu ltu ras pertencentes à hum anidade (ibid., 2.90). C ontudo, “depravação to ta l” não significa que os seres hum anos estão destituídos de toda espécie de bondade natu ral; com o já vim os, a imago Dei foi afetada, mas não erradicada. Os reform adores recon h eceram que os seres hu m anos podem fazer o bem de fo rm a horizontal (isto é, socialm ente), contud o estão m o rtos “em ofensas e pecados” (E f 2.1) no sentido vertical (isto é, espiritualm ente) e não têm capacidade de dar início a qualquer tipo de ação m eritória em direção a Deus em favor da sua condição pecam inosa; a vida etern a é recebida por fé e som ente por fé. Charles Hodge (1797-1878) declarou que o pecado predispôs a hum anidade a evitar qualquer m o vim en to em direção a Deus e à sua m aravilhosa salvação. Dessa form a: Todo homem deve se curvar diante de Deus humildemente consciente de que ele pertence a uma raça apóstata; filho de pais rebeldes; nascido separado de Deus, e exposto à sua desaprovação. (Conforme citação feita por McGrath, ID, 2.92) D e m od o similar, para Calvino, a necessidade de justificação é conseqüência da realidade espiritual da depravação total, e esta justificação é jurídica, ou forense, na sua natureza. Küng, afirm ara que o “term o justificação significa ‘declarar ju sto .’ Ele, de fato, im plica ‘um a declaração de ju stiça,’ no sentido de ‘não colocar em con ta,’ ‘não im p u tar’ “ (Küng, J, 212). No Antigo T estam ento, o Rei Davi fez a seguinte declaração: “B em -aventu rad o aquele cu ja transgressão é perdoada, e cu jo pecado é coberto. B em -aventu rad o o h o m em a quem o SEN H O R não im p u ta maldade, e em cu jo espírito não há en g an o” (SI 32.1,2). Paulo, nas páginas do Novo T estam ento, afirm a que Deus estava “reconciliando consigo o m und o, não lhes im putand o os seus pecados” (2 Co 5.19). Estas perspectivas preciosas da d outrina bíblica da justificação foram , em grande parte, perdidas ao longo da m aior parte da história da igreja, m as coube aos reform adores a tarefa de resgatar esta verdade paulina. Apesar de alguns católicos, em nossos dias, com eçarem a reco n h ecer a im portância da ênfase protestante n a justificação forense, o Concilio de T rento (1545-1563) — base da C o n tra-reform a — não havia com preendido esta ênfase. Na verdade, apesar de não haver qualquer tipo de incom patibilidade lógica entre a justificação forense e a concepção católica de um a justificação inicial, existem , contud o, outros problem as sérios com relação ao conceito católico de justificação progressiva.3 1 Em sum a, dentro do C atolicism o, a salvação é u m sistem a de obras baseado em m éritos que tende a negar na prática o que é, em teoria, afirm ado a respeito da justificação pela graça.
30Vide capítulo 5. MVide capítulo 10.

A NATUREZA DA SALVAÇÃO

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A Salvação do Poder do Pecado (Santificação)
O segundo estágio da salvação é cham ado de santificação, ou seja, a libertação do poder do pecado. Ao contrário da justificação, a santificação não é um ato pelo qual Deus nos declara justos; mas sim, um processo contínuo, que ocorre no presente, pelo qual Deus está nos tornand o justos. A justificação é o ato pelo qual Deus nos retira (de fo rm a legal) do dom ínio do pecado. A santificação é o processo pelo qual Deus retira de nós o pecado de fo rm a real). Estas são as três áreas de vitória sobre o poder do pecado: (1) Vitória sobre o mundo (1 Jo 5.4); (2) Vitória sobre a carne (R m 7.24,25); e (3) V itória sobre o Diabo (T g 4.7)
Os Três Passos para a Santificação O cam inho ru m o à santificação é m ostrado em R om anos 6:

(1) Saber que, por interm édio de Cristo, estam os m o rtos para o pecado (v. 6); (2) Considerar isto com o u m fato (v. 11); e (3) Render-nos às justas exigências de Deus (v. 13). Assim, a purificação não é u m a conseqüência autom ática da justificação. Ela envolve um a cooperação da nossa parte; precisam os nos entregar à graça santificadora de Deus.
A Doutrina Wesleyana da Segunda Obra da Graça

Os w esleyanos, ou seguidores de Jo h n W esley (1703-1791), aderem à posição de u m a segunda obra especial da graça cham ad a santificação total, perfeccionismo. Esta visão se baseia na obra Plain Account o f Christian Perfection, n o qual ele arg u m en tou que é possível alcançarm os u m estado de perfeição livre de pecado nesta vida. Este estado, de acordo com Wesley, foi alcançado apenas por algum as pessoas, mas pode, e deve ser alcançado por todos.
Uma Resposta ao Perfeccionismo Wesleyano

Em resposta, tecerem os vários com entários. M uitas pessoas experim entam , de fato, um a segunda obra da graça no seu coração; e este segundo toque tem diferentes nom es em diferentes tradições teológicas. A lém dos títulos acim a citados, alguns, por exem plo, ch am am -n a de dedicação ou consagração. C om relação à necessidade de experiência mais profunda, mais elevada que nos to rn e mais sem elhantes a Cristo, as divergências existentes entre a posição wesleyana e as demais tradições não passa de debate sem ântico. Na verdade, o próprio Wesley n orm alm en te descrevia este fen ôm en o em term os aceitáveis para a m aioria dos cristãos, tal com o amar a Deus de todo o nosso coração ou ser crucificado com
Cristo.22

Contudo, Wesley foi m u ito além (co m o fez o W esleyanismo posterior a ele), ao
~ Vide apêndice 5 para maiores detalhes.

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descrever esta ocorrência com o um a segunda obra instantânea da graça pela qual alcançam os, nesta vida, u m estado de libertação do pecado. C o m isto, a m aioria dos não-w esleyanos não concorda, por m uitas razões. Primeiro, esta suposta segunda obra da graça não deve ser confundida com o enchim ento do Espírito Santo, que pode ser u m processo contínuo e repetido. O “ench im en to” é, ao m esm o tem po, contínuo e mandamento de Deus. Paulo deixou o seguinte m andam ento aos efésios: “Não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (Ef5.18). Esta frase, no original, está no tem po presente, im plicando que devemos nos encher continuam ente do Espírito. Na verdade, no livro de Atos, aqueles que foram enchidos no Dia de Pentecoste (2.4) foram re-enchidos posteriorm ente (4.31). Segundo, os adeptos da tradição wesleyana que alegam ser possível alcançar u m estado de perfeição livre de pecado nesta vida (por m eio de u m a suposta “segunda obra da graça”) não apresentam n em base bíblica, n em base experim ental para tal.33 A té m esm o os santos com m aturidade notável confessam que jam ais venceram o pecado por com p leto. Tom em os por exem plo o A póstolo Paulo: Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço, não o aprovo, pois o que quero, isso não faço; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que, agora, já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. (Rm 7.14-18) Os m ais devotos dentre os profetas e os servos de D eus se consideravam m iseravelm ente pecadores quando Deus se revelou a eles (cf. Is 6.1ss). Podem os chegar a u m a situação onde serem os capazes de não pecar mais, mas jam ais chegarem os, nesta vida, a u m ponto onde não serem os capazes de pecar. Q uem alegar que é capaz (e/ou pode ser capaz) n orm alm en te in corre em u m a destas duas coisas: ou redefine o que se com preende por pecado intencional com o sendo erros não-intencionais ou estão iludindo-se a si m esm os. Terceiro, co m o já analisam os, até m esm o o A póstolo Paulo, n o auge da sua vivência espiritual, reconhecia esta profunda falibilidade, afirm ando que ele era o m aior de todos os pecadores (cf. 1 T m 1.15). Na verdade, parece haver u m a relação inversa n a qual “quanto menos pecadores nos consideramos, mais pecadores somos; e quanto mais pecadores nos consideramos, menos pecadores, de fato, somos”. Tal qual u m a pessoa trajand o roupas brancas que cai em u m a poça de lam a no escuro não percebe a situação em que ficou, quanto mais próxim os chegarm os da luz, tan to mais sujos perceberem os que estam os. João adm oesta os crentes de fo rm a enfática: Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. (1 Jo 1.8,9) Quarto, até m esm o os critérios de Wesley para aquilo que qualifica o pecado revelam que as pessoas que alegam ter atingido este estado de perfeição livre do pecado continu am a pecar, no entanto, qualificam de ou tro m odo o pecado com etid o. Por exem plo, Wesley
35 Op. Cit.

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disse que poderíam os atingir este suposto ápice da perfeição e continu arm os com etend o vários “erros,” tendo m uitas “debilidades,” e possuindo “m il outros defeitos não identificados” na nossa vida. E o que seria isso senão u m a redefinição daquilo que é o pecado, a fim de acom od á-lo a u m a concepção de u m suposto estado de ausência de pecado? Quinto, os wesleyanos estão, indubitavelm ente, corretos quando se referem à um a experiência suprem a p o r vias da dedicação, da obediência e da entrega a Deus (cf. R m 12.1-2; E f 5.18), entrem entes nós não recebemos mais do Espirito Santo; o Espírito Santo simplesmente recebe mais de nós. A santificação não é u m ato instantâneo, m as u m processo vitalício (R m 7.13ss). A rendição ao Espírito tam bém é u m a tarefa diária, não u m a ação que se faz um a única vez (cf. R m 6-7). Sexto, Wesley não explica co m o podem os estar em u m estado de ausência de pecado ( que ele, repetidam ente, alega ser possível) e, m esm o assim, co m eter u m pecado tão sério a p onto de nos tirar a salvação (o que ele cria ser possível). No seu Jornal (edição de agosto de 1743), Wesley escreveu: “Não posso crer [...] que exista u m estado em que possam os atingir nesta vida, do qual o h o m em não possa, definitivam ente, cair” (in WJW, 1.427). Mas se atingíssem os um estado no qual o pecado não fosse mais possível, co m o poderíam os co m eter u m pecado que nos levaria a perder a salvação? Sétimo, e por fim, apesar de ser obrigação de todos os crentes se esforçarem para atingir u m relacionam ento m ais elevado, mais profundo e mais íntim o com Deus, a experiência é u m m étod o tristem en te falho para servir de teste para a verdade. A experiência é, isto sim, u m m étod o ordenado por Deus para a expressão da verdade. Precisam os ser sem pre cautelosos para interp retar as nossas experiências à luz da Palavra de Deus, e n u n ca o inverso. M artin h o Lutero escreveu: Os sentimentos vão e vem, E os sentimentos podem ser enganosos, A minha garantia é a Palavra de Deus, Nada mais é digno de crédito. C om o já observamos, a apresentação bíblica da santificação é de um processo vitalício e contínuo no qual crescem os mais e mais ru m o à sem elhança com Cristo, no aguardar da nossa m orte ou do seu retorno; então, e somente então, alcançarem os a verdadeira perfeição. Paulo nos faz lem brar: “Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado [...] Porque, agora, vem os por espelho em enigm a; mas, então, verem os face a face” (1 Co 13.10,12). João acrescenta: “Mas sabemos que, quando ele se m anifestar, serem os sem elhantes a ele; porque assim com o é o verem os” (1 Jo 3.2,3). Enquanto isso, Pedro diz que precisamos crescer “na graça e conhecim ento de nosso Senh or e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora com o no dia da eternidade” (2 Pe 3.18).34 A Salvação da Presença do Pecado (Glorificação) O terceiro estágio da salvação é cham ado d e glorificação. Ao contrário da. justificação (que nos livrou do castigo passado m erecido pelo nosso pecado) e da santificação (que está nos livrando da poder presente do pecado), a glorificação é o ato fu tu ro que nos livrará até m esm o da presença do pecado.
Vide apêndice 5 para um a análise mais aprofundada.

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A lgum as passagens principais nos dão em basam ento para este ponto de vista. Nas Palavras de Paulo: Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. (Rm 8.18-23) A visão de João acerca da nossa salvação fu tu ra inclui esta m aravilhosa descrição: E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas [...] E levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. E tinha a glória de Deus. A sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente [...] E a fábrica do seu muro era de jaspe, e a cidade, de ouro puro, semelhante a vidro puro. E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda [...] E as doze portas eram doze pérolas: cada uma das portas era uma pérola; e a praça da cidade, de ouro puro, como vidro transparente. E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor, Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. (Ap 21.1-4, 10, 11, 18, 19, 21, 22) João tam bém assegura aos crentes: Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. Qualquer que comete o pecado também comete iniqüidade, porque o pecado é iniqüidade. (1 Jo 3.2-4) Considere, novam ente, a visão que o A póstolo Paulo tin h a a respeito: Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado [...] Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face. (1 Co 13.10, 12) Tendo este dia em vista, Charles H. G abriel (1856-1932), escritor de hinos, declarou: Ah, que glória será para mim Que glória para mim, que glória para mim,

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Dia em que, pela sua graça, verei a sua face, Isto será glória, glória para mim Vários eventos im portantes m arcarão este terceira e ú ltim o estágio da salvação. Primeiro, a nossa natu reza pecam inosa será elim inada. No presente, “Se dissermos que não tem os pecado, enganam o-n os a nós m esm os, e não há verdade em n ós” (1 Jo 1.8). Mas, naquele dia , serem os “perfeitos” (1 C o 13.10) — “serem os sem elhantes a ele; porque assim co m o é o verem os” (1 Jo 3.2). N aquele dia, C risto “tran sform ará o nosso corpo abatido, para ser con form e o seu corpo glorioso” (Fp 3.21). Segundo, a visão beatífica será cum prida. V erem os D eus face a face. Isto é algo que n e n h u m m o rtal pode realizar, pois “D eus nu nca foi visto por alguém . O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez co n h ece r” (Jo 1.18). Na verdade, até m esm o Moisés, o grande m ediador que falava diretam ente co m Deus, não obteve perm issão para ver o seu rosto. Q uando pediu a Deus para vê-lo, recebeu a seguinte resposta: “Não poderás ver a m in h a face, porquanto h o m em n e n h u m verá a m in h a face e viverá” (Ex 33.20). Todavia, apesar de o h om em m o rtal não poder olh ar para Deus e continuar vivo, o h om em im ortal será capaz de olhar para a face de Deus e viver por toda a eternidade. João diz: “E verão o seu rosto, e n a sua testa estará o seu n o m e ” (Ap 22.4). Jesus p ro m eteu : “B em aventurados os lim pos de coração, porque eles verão a Deus” (M t 5.8). Terceiro, a nossa liberdade será aperfeiçoada. Apesar de toda liberdade envolver a autodeterm inação,35 para que as suas criaturas fossem testadas, Deus tam bém as deu a liberdade para seguirem um ru m o diferente, isto é, o poder (libertário) da decisão contrária. Esta liberdade continua presente nos seres hum anos decaídos; entretanto, ela não estará presente no céu, onde a nossa liberdade será perfeita e tornada mais à sem elhança da liberdade divina. Por ser absolutam ente perfeito, Deus não tem a liberdade de realizar o m al (Hb 6.18; Tg 1.13). De m odo sem elhante, na visão beatífica, quando contem plarm os ao Senhor que é a bondade absoluta, tam bém não serem os mais capazes de com eter pecado. Hoje, pela graça de Deus, somos capazes de não pecar (1 Co 10.13), mas naquele dia não seremos mais capazes de pecar. Isto não significa a perda da liberdade real, mas um aperfeiçoam ento dela.36 A perfeita liberdade não é a liberdade de ficar escravizado pelo pecado; mas sim , é a liberdade de ficar liberto do pecado. C o m o já vim os, o céu, co m o oco rreu no casam ento, não será a privação da liberdade, mas o seu cu m p rim en to .37 U m dia haverem os de ser libertos de todos os tipos de escravidão, inclusive da escravidão a Satanás. C o m o tam bém já foi estudado, em sua prim eira vinda, Jesus derrotou Satanás deforma oficial (C l 2.14; Hb 2.14), m as na sua Segunda Vinda Ele derrotará Satanás deforma real e definitiva (Ap 20.10; M t 25.41).38

A BASE TEOLÓGICA DA NATUREZA DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO SUBSTITUTIVA)
A salvação está fundam entada em diversas realidades, inclusive na natu reza de Deus e na dos seres hum anos. Para que a reconciliação en tre D eus e as suas criaturas fosse possível, era necessário que a salvação ocorresse, já que o S en h o r é absolutam ente santo e os hom ens com p letam en te pecadores. A salvação é possível porque D eus é am oroso e gracioso, e deseja que todos sejam salvos (cf. 1 T m 2.4; 2 Pe 3.9).
36 V id e c a p ítu lo 3. 37 Ibid., sob o títu lo “Liberdade p a ra F azer s o m e n te o B e m n ã o S ig n ifica a Perda da Liberdade R e a l.”

” Vide v olu m e 4, capítu lo 3.

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A Salvação É Conseqüência da Natureza completamente Santa de Deus
Vários atributos de Deus, tanto m etafísicos, quanto m orais, atuam com o fontes originadoras da salvação. Deus não é som en te santo, ju sto e perfeito,39 m as tam bém infinito e im utável.40 Logo, Ele é absolutam ente santo e im utav elm en te ju sto, e não pode sim plesm ente virar o rosto para o pecado e perdoá-lo de m aneira arbitrária. E necessário que Ele o pu na de fo rm a eterna, do contrário, Ele n ão será etern am en te ju sto.

A Salvação É Conseqüência da Natureza totalmente Imperfeita da Humanidade
A lém de Deus ser m o ralm en te perfeito, os seres hum anos são m o ralm en te im perfeitos.41 A lém de Deus ser absolutam ente santo, os seres hum anos decaídos são com p letam en te depravados. Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. (Rm 3.10-12) Dessa form a, o m u nd o todo se m o stra culpado diante do Criador: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de D eu s” (R m 3.23). Todos transgrediram a sua lei e são culpáveis (cf. R m 2.12-15; 3.19). A té m esm o a “ju stiça ” h u m an a é pecam inosa aos olhos de Deus: Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; e todos nós caímos como a folha, e as nossas culpas, como um vento, nos arrebatam. (Is 64.6) Antes disso Moisés já havia escrito: “E viu o SEN H O R que a m aldade do h o m em se m u ltiplicara sobre a terra e que toda im aginação dos pensam entos de seu coração era só m á con tin u am en te” (G n 6.5). Jerem ias proclam ou: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso” (Jr 17.9). Q ualquer tipo de ju stiça da nossa parte será u m a fo rm a de autojustiça, que foi condenada por Jesus (Lc 18.10-14). Paulo esclarece: “Porquanto, não conh ecend o a ju stiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria ju stiça, não se su jeitaram à ju stiça de D eus” (R m 10.3).

A Salvação É Conseqüência da Natureza totalmente Amorosa de Deus
Em função da perfeição m o ral im utável de Deus e da im perfeição m o ral com pleta da hum anidade, a salvação é necessária. E, adm itindo que Deus é to tal e im utavelm ente am oroso,42 a salvação se to rn a possível, pois apesar da sua santidade to rn a r necessária a punição do pecado, a sua graça o im pele a tentar salvar todos os pecadores. Na sua infinita sabedoria, D eus descobriu u m a m aneira de fazer as duas coisas — p erm u tar a m o rte substitutiva do seu Filho perfeito pelas nossas im perfeições. D esta form a, Deus foi capaz de perm anecer ju sto, ao m esm o tem po em que tam bém passou a ser o Justificador do in ju sto ; o seu Filho, o D eu s-hom em , m o rreu — o Justo pelos inju stos — para que nós pudéssem os ser levados à presença do Pai.

39Vide capítulo 6.

40Vide volum e 2, capítulo 13-15.

41 Ibid., capítulo 4-5.

42Vide capítulo 4.

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Naquilo que talvez seja o texto com p acto teologicam ente mais significativo da Bíblia, o A póstolo Paulo declara: Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. (Rm 3.21-16) Isto não significa que não existem outras dimensões na expiação, das quais, com o já vimos, am aior parte das principais teorias, apresenta u m elem ento de verdade. Contudo, no coração da expiação está a idéia de um substituto sacrifical que pagou o castigo pelos nossos pecados para que pudéssemos ser livres. Ele se fez pecado por nós, para que pudéssemos ser declarados justos. O hino escrito por Alvin Kelly diz: “Eu dei a Ele as m inhas roupas velhas e esfarrapadas; e Ele m e deu em troca um a túnica de branco pu ro.”

RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES ACERCA DA EXPIAÇÃO SUBSTITUTIVA
M uitas objeções já foram levantadas em oposição à idéia da expiação, mais especificam ente com respeito à expiação substitutiva. As m ais im portantes serão analisadas, de fo rm a breve, neste espaço.

Objeção Número Um — Baseada Na Suposta Injustiça De Se Punir Outra Pessoa Pelos Nossos Pecados
A lgum as pessoas questionam que seria in ju sto castigar um a pessoa no lugar de outra. Afinal, o princípio puro da punição ju sta reza que cada pessoa deva arcar co m o seu próprio pecado: A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele. (Ez 18.20) C o m o, então, a ju stiça poderia ser satisfeita ao se p u n ir u m a terceira parte — Cristo — no lugar do nosso pecado?

Resposta à Objeção Número Um
Em resposta, certam en te é in ju sto p u nir um a pessoa, con tra a sua vontade, pelo pecado de outra. Cristo, en tretan to , se entregou voluntariamente para m o rre r por nós: “Por isso, o Pai m e ama, porque dou a m in h a vida para to rn ar a tom á-la. N inguém m a tira de m im , mas eu de m im m esm o a dou; ten h o poder para a dar e poder para to rn a r a to m á la. Esse m and am ento recebi de m eu Pai” (Jo 10.17-18). A té m esm o n a vida quotidiana, algum as pessoas (co m o, por exem plo, os soldados) se entregam volu ntariam ente à m o rte por outros (co m o , por exem plos, os cidadãos do seu país). A titudes com o essa não som ente é considerada m oral, mas tam bém algo nobre.

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A lém disso, C risto é D eus.43 A quele que exigiu a punição (D eus) foi tam bém Aquele que a pagou. O Juiz pagou a m u lta pelo condenado. Tal qual u m ju iz h u m an o que desça da sua posição de m agistrado, tire suas vestes oficiais, apanhe sua carteira e pague a m u lta no lugar do seu filho acusado que ten h a sido condenado, assim tam bém Deus agiu a nosso favor. N um caso desses, o questionam ento de que é in ju sto pagar a m u lta pela transgressão de o u tra pessoa de dissolve por com pleto. C om o tam bém m encionam os anteriorm ente, é inju sto acusar outra pessoa pelo m eu crim e, mas não é inju sto que ele decida, voluntariam ente, pagar a m u lta no m eu lugar. U m a vez mais, um a expiação voluntariam ente substitutiva é o ponto mais alto da moralidade: Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. (Rm 5.7,8) Em sum a, a ju stiça de D eus exige que todo o tipo de pecado seja pumdo, mas não necessariam ente que todos os pecadores sejam punidos pelo seu pecado. Por fim, existe u m a prioridade dentro da m oralidade: A m isericórdia triun fa sobre a ju stiça. Dessa form a, apesar da ju stiça de Deus exigir a pu nição dos pecadores, na cruz, o seu am or sobrepujou a sua exigência por justiça. Q uando existe u m conflito inevitável entre dois princípios m orais, o mais elevado assum e a precedência sobre m enos elevado. Por exem plo, Jesus ensinou que quando houvesse u m conflito inevitável en tre o nosso am or pelos nossos pais e o nosso am or por Deus, o am or por D eus deveria falar mais alto (M t 10.37). De m aneira sem elhante, apesar da ju stiça de D eus exigir a pu nição de todo pecado, o seu am or o obriga a proporcionar o perdão a todos os pecadores que o desejarem receber. Logo, apesar da ju stiça por si mesma exigir que o culpado pague pelos seus próprios pecados, quando oco rre u m conflito dessa natu reza entre ela e o am or, este ú ltim o assum e a precedência sobre o prim eiro. A títu lo de com paração, u m filho deve sem pre obediência aos seus pais. Quando, en tretan to , ele se depara com u m a situação em que a obediência a D eus seria quebrada ao obedecer aos pais (por exem plo, se u m pai orientasse u m filha a pecar), não estarem os m ais lidando com a obediência aos pais por si mesma — pois, ao ocorrer, u m a divergência en tre com andos, a ordem de Deus vem em prim eiro lugar. Na expiação substitutiva, não estam os lidando somente co m a ju stiça divina, mas também com u m conflito en tre o am or e a ju stiça de Deus. Neste caso, a obrigação de fazer a coisa que, por si mesma, estaria errada (n o caso desta objeção: não pu n ir o culpado) fica suspensa diante da obrigação m aior em se fazer aquilo que sem pre é co rreto (no caso desta objeção: salvar o pecador arrependido).

Objeção Número Dois — Baseada na Suposta Implicação de Universalismo
A lgum as pessoas questionam que a expiação substitutiva im plica a salvação de todos (U niversalism o),44 pois nela C risto é considerado o substituto de todos. M uitos calvinistas firm es (particularistas) utilizam este argum ento em defesa da expiação lim itada,4 5 insistindo que, co m o todos aqueles por quem Jesus m o rreu serão salvos — e, no entanto, nem todos serão salvos — deduzim os que C risto não m o rreu por todos. Os universalistas, por ou tro lado, concord am que todos aqueles por quem Jesus m o rreu serão salvos, só que, de acordo com seu p o n to de vista, Jesus m o rreu por todas as pessoas e, portanto,
43Vide volum e 2, capítulo 12, e o volum e 1, capítulos 16 e 26. 44Vide capítulo 12. 45Vide capítulo 11.

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todas serão salvas. Dessa form a, tanto os universalistas quanto os particularistas concord am que não pode haver expiação substitutiva sem a salvação efetiva de todos os componentes do grupo pelo qual Jesus foi substituto. Os prim eiros sustentam que Cristo m o rreu por todos, e os segundos sustentam que Ele entregou a sua vida som en te por u m grupo restrito (os eleitos). R e s p o s ta à O b je ç ã o N ú m e r o D o is Os calvinistas m oderados e os arm inianos, que defendem a expiação substitutiva, podem responder propondo u m a distinção m arcante: Existe um a diferença entre a conquista da salvação para todos e a sua aplicação para todos. Cristo conquistou a vida eterna para todos; mas ela som ente é aplicada àqueles que crêem . Todas as pessoas são potencialmente salvas por interm édio da m o rte de Cristo, mas som en te algum as são salvas na realidade — aquelas que o recebem na sua vida.46 Da m esm a form a que u m prisioneiro que recebe clem ência está legalm ente livre, no entanto pode m o rrer enquanto ainda estiver na prisão, tam bém a m o rte de Cristo to rn o u todos “ju sto s” (R m 5.19), mas ocorre que nem todos se apropriarão dessa justiça. C om o declara o apóstolo, Cristo “é [potencialm ente] o Salvador de todos os hom ens, [e na realidade] principalm ente dos fiéis” (1 T m 4.10). O b je ç ã o N ú m e ro T rê s — B a sea d a n o S u p o s to C a stig o D o b ra d o A filósofa E leonore Stu m p (nascida em 1947) questiona o m odelo da expiação substitutiva co m base na alegação que o preço pelo pecado foi pago duas vezes por todos os que estão perdidos ("A A A ” in M orris, PCF, 61-91). De acordo com a concepção substitutiva, Cristo pagou a punição to tal para que n en h u m ser h u m an o tivesse que pagá-la. Porém as pessoas que vão para o inferno precisam pagar pelos seus próprios pecados. Se Cristo já pagou este preço, com o poderia ser ju sto exigir que alguém pague tudo novam ente? Isto não se trata de u m castigo duplo? R e s p o s ta à O b je ç ã o N ú m e r o T rê s Esta objeção opera dentro da estru tu ra do U niversalism o47 que, erroneam ente, considera que a expiação se aplica incond icionalm ente a todos os pecadores. M as não é assim que as coisas funcionam na Bíblia. A expiação se aplica unicam ente àqueles que a recebem sobre a sua vida.4S Logo, co m o já abordam os, a substituição está potencialm ente à disposição de todos, mas não é autom aticam en te aplicada a todos. C risto fez um depósito mais do que suficiente na conta para cobrir a dívida que todos os pecadores tinh am com Deus. Por fé, precisam os nos valer deste depósito para que este perdão, de fato, o co rra.4 9 O b je ç ã o N ú m e ro Q u a tr o — B a sea d a n a C a p a cid a d e D iv in a de P e rd o a r A expiação substitutiva im plica a necessidade da m o rte de C risto para o perdão dos nossos pecados. Todavia, Deus, por ser Deus, tem a capacidade de perdoar os pecados sem a necessidade da m o rte de Cristo no lugar dos transgressores. Afinal de contas, nós m esm os som os capazes e, por vezes, perdoam os pessoas que pecam con tra nós sem que elas precisem m o rre r por causa disso. Por que D eus não poderia ter feito o m esm o, sem o sacrifício do seu Filho?

*V id e capítulo 15.

47Vide capítulo 12.

48Op. Cit.

49 Ou seja, para que ele nos seja válido.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

Resposta à Objeção Número Quatro
Por u m lado, esta analogia é falha. A nossa capacidade de perdoar é baseada no perdão de Cristo. C o m o Paulo disse, devem os perdoar uns aos outros “com o C risto vos perd oou” (C l 3.13). N enhu m ser tem a capacidade ineren te de perdoar pecados; com o recon h eceram os fariseus, som ente D eus é capaz de perdoar pecados (cf. M arcos 2.7). A lém disso, até m esm o Deus, sem a expiação, é incapaz de fazer pouco caso ou de aceitar o pecado: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o m al e a vexação não podes con tem p lar” (H c 1.13). T am pouco D eus pode sim plesm ente perdoar arbitrariam ente o pecado, pois, devido ao m al m oral, todos devem os a Deus; e esta dívida precisa ser saldada. Mas Cristo pagou a dívida e nos resgatou. C om o observam os repetidas vezes, Deus não pode desconsiderar o pecado, da m esm a fo rm a que não pode deixar de ser santo, perfeito e absolutam ente im utável. O bjeção N ú m ero C inco — Baseada em u m Suposto C onflito In tern o dos A tributos de Deus A visão da substituição n a expiação, aparentem ente, im plica u m conflito entre os atributos de Deus. O seu am or e ira estão em guerra u m com o outro: a ira exige que o pecador seja punido e o am or insiste que os seres h u m anos sejam perdoados. Logo, aparentem ente, a ira de D eus acabou sendo descarregada sobre Cristo.

Resposta à Objeção Número Cinco
Esta o b je çã o envolve u m a co m p re en sã o e rrô n ea do tem a. C risto n ão veio a este m u n d o p o r causa da ira de D eu s, m as em fu n çã o do seu am o r. “Porque D eus am o u o m u n d o de tal m a n e ira que deu o seu F ilh o u n ig ê n ito ” (Jo 3.16; cf. 1 Jo 3.16). C o n seq ü e n te m e n te , as coisas n ão o c o rre ra m dessa fo rm a p ara que a m o rte de C risto servisse de ap azig u am en to para u m D eus irad o; m as sim , p ela expiação su b stitu tiv a de C risto , u m D eus ju sto e a m o ro so ob teve a satisfação para sua ju s tiç a (e la foi prop iciad a) de fo rm a que o seu am o r pôde ser liberad o. A ju s tiç a do Ju stificad o r foi satisfeita p ela m o rte do Ju sto em lu g ar dos in ju sto s , p ara que estes pu d essem ser ju stificad os (cf. R m 3.21-24).

Objeção Número Seis — Baseada em uma Suposta Intransferibilidade da Justiça
D e acordo com esta objeção, assim com o a ju stiça não pode ser transferida ou im putada a ou tra pessoa, a culpa, sem elhantem ente, tam bém não (cf. Ez 18.20).

Resposta à Objeção Número Seis
Prim eiram ente, apesar de as pessoas não poderem sofrer pela culpa do pecado de ou tra (Ez 18.20), elas podem (e isto o co rre), contud o, sofrer as conseqüências dos pecados dos outros. Êxodo 20.5 O Sen h or afirma: “visito a m aldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração.” Crianças abusadas, por exem plo, sofrem em conseqüência do pecado dos pais, e a hum anidade com o u m todo sofre em conseqüência do pecado de Adão.5 0 A lém disso, esta ju stiça perfeita é o que nos to rn am os “em C risto,” e não em nós m esm os (2 Co 5.17): “Àquele que não con h eceu pecado, o fez pecado por nós; para que,
50Todos m orrem os — Rom anos 5.12.

A NATUREZA DA SALVAÇAO

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nele, fôssem os feitos ju stiça de D eus” (2 Co 5.21). Isto é possível porque na salvação som os unidos com Jesus: Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. (Rm 6.3,4) O que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne, para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Rm 8.3,4)

Objeção Número Sete — Baseada em uma Suposta Incompatibilidade entre o Perdão e o Pagamento pelo Pecado
E leonore Stu m p argu m enta que a expiação substitutiva contraria aquilo que ela m esm a se propõe a fazer, já que ela não apresenta, de fato, u m D eus que perdoa pecados, m as co m o alguém que exige u m pagam ento por eles. Perdoar u m a dívida não é exigir u m a expiação por ela, mas sim abrir m ão de qualquer tipo de exigência que seja requerida pela justiça. M esm o assim, de acordo com a visão da substituição, D eus exige todas as suas com pensações por cada u m dos pecados com etidos, já que não perm ite que n e n h u m pecado passe em branco. Na verdade, o próprio Deus quita integralm ente a dívida e, dessa form a, não desconsidera n e n h u m a parte dela. Sup ostam ente, então, não existe n e n h u m perdão real na dívida na expiação substitutiva ( “AAA” in M orris, PCF, 62).

Resposta à Objeção Número Sete
Esta objeção considera in corretam en te que a dívida to tal de todo pecador é au tom aticam en te cancelada pela expiação. De acordo co m a Bíblia, para ser eficaz, o sacrifício precisa ser recebido. A m o rte de C risto foi suficiente para todos, mas eficiente som ente para aqueles que crêem .51 O cancelam ento real da dívida está condicionado àfé, isto é, à aceitação verdadeira do sacrifício de Cristo. Dessa form a, não existe contradição, já que não existe perdão para aqueles que ten tam pagar a sua própria dívida.52 De m odo sem elhante, aqueles que são perdoados não precisam pagar a sua própria dívida, já que o pagam ento de Cristo foi aplicado a eles. A única incom patibilidade en tre o perdão e a expiação substitutiva, p o rtan to , vem quando a expiação é m al com preendida com o u m pagam ento au tom ático e incondicional destinado ao pecado de todos os seres hum anos. Por exem plo, quando com pram os u m banco, com pram os todas as dívidas a receber daquele banco tam bém . Se decidíssemos cancelar (perdoar) estas dívidas, os devedores não precisariam pagá-las mais ao nosso banco, en tretan to aquelas dívidas, continu am fazendo parte da transação to tal na com p ra que fizem os do banco. Dessa form a, o perdão e o pagam ento da dívida não são contraditórios.

r Vide capítulo 15.

52 Ao escolher o inferno, que é a separação absoluta de Deus.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

Objeção Número Oito— Baseada em uma Suposta Disparidade de Pagamento pelos Pecados
A visão substitutiva da expiação afirma que Cristo pagou a punição total pelos pecados de todos os seres humanos, de form a que eles não precisariam mais pagá-la. A visão substitutiva tam bém afirma que apunição pelo pecado é condenação eterna. Todavia, independentemente do tipo de agonia que Cristo tenha passado, ela certam ente não foi equivalente a um a form a de castigo que dure por toda a eternidade, pois o sofrimento de Cristo teve u m fim, já o daqueles que optarem pelo inferno não term inará nunca (vide ibid., 63).

Resposta à Objeção Número Oito
Este argum ento erroneam ente postula que a m o rte de Cristo teve som ente u m valor tem poral. Mas o contrário é verdade, com o Cristo é tam bém Deus,53 e com o Ele sofreu sendo o D eus-hom em , a sua m o rte teve valor infinito. Dessa form a, o seu sacrifício foi mais do que suficiente para expiar u m nú m ero finito de pecados. A m o rte de Cristo não pode ser m ensurada sim plesm ente em term os quantitativos e temporais — tais com o “por quanto tem po ele sofreu?” — mas deve ser considerada em term os da infinita qualidade do seu sofrim ento. Desse m odo, a m o rte do infmito-.tem valor infinito, o que é mais do que suficiente para expiar pecados finitos. A lém disso, esta objeção está m al form ulada, à medida que se concentra som ente na dívida e no devedor; ela falha em não observar o valor objetivo da m orte de Cristo para Deus. O sacrifício de Jesus satisfez com pletam ente (propiciou) o Pai, independentem ente da quantidade de pecados envolvida neste perdão. Depois que a justiça de Deus é satisfeita, Ele está livre para m inistrar o seu am or sobre o pecado de todos os pecadores.

Objeção Número Nove — Baseada em uma Suposta Incapacidade de Mudança no Período de Vida de uma Pessoa
Alega-se, tam bém , que a expiação substitutiva não realiza aquilo que propõe realizar, ou seja, elim inar a nossa alienação de Deus e, dessa form a, transform ar a vida do pecador. Supostam ente, nada na visão substitutiva fornece um indicativo de com o a obra de Cristo redireciona o com portam en to hu m ano e altera a nossa propensão ao pecado. E este é considerado o tem a central da salvação e, portanto, a expiação substitutiva é totalm ente ineficaz em si m esm a, (vide ibid., 61-91).

Resposta à Objeção Número Nove
Primeiro, este q u estionam ento desconsidera o fato de que o principal objetivo da expiação é satisfazer Deus, e não transformar o pecador. Na verdade, o ún ico significado da palavra expiação é “aplacar,” “pacificar,” ou “cob rir” aos olhos de D eus.54 Expiação é um termo dirigido a Deus, pois a propiciação é dirigida a D eus (1 Jo 2.1), de ou tra form a, a sua ju stiça não é satisfeita, o que im pede a liberação da sua m isericórdia (R m 3.21-26). Segundo, a expiação substitutiva leva à transform ação de u m pecador na fo rm a mais eficaz possível; ou seja, pela graça de Deus. O grande am or de D eus m otiva-nos a am á-lo

de fo rm a retribuitiva (1 Jo 4.19): a graça nos ensina a dizer “n ã o ” para a impiedade e para as paixões m undanas (cf. T t 2.12), e, assim, “o am or de Cristo nos con stran g e” (2 C o 5.14). P ortanto, o nosso entendim ento acerca do sacrifício inigualável de Cristo em
5 3Vide volum e 2, capítulo 12 e volum e 1, capítulos 16 e 26. MVide acima, sob o titulo Expiação.

A NATUREZA DA SALVAÇÃO

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nosso lugar oferece-nos a m aior de todas as m otivações possíveis para m udarm os a nossa vida de pecado.3 5
Terceiro, e por fim, a fé n om in al56 na expiação não efetuará m udança no pecador: a fé n om inal não é fé salvífica (cf. T g 2). A fé salvífica envolve confiança, dependência e arrependim ento — e todas estas coisas trazem m udança na e da nossa vida.

A B A S E H IS T Ó R IC A D A N A T U R E Z A D A SALVAÇÃO (E X P IA Ç Ã O S U B S T IT U T IV A )5 7 Destas várias citações, pode ser visto que a necessidade de expiação pelo sangue e sacrifício de Cristo, em favor dos pecados dos hom ens, está profundam ente enraizada na história judaico-cristã. A u to re s B íb lic o s O ensino do Antigo Testam ento acerca do Cordeiro Pascal (Êx 12) se cum priu em Cristo, “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do m u n d o ” (Jo 1.29): “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por n ós” (1 Co 5.7). Na verdade, “a alm a da carne está no sangue _...] o sangue que fará expiação pela alm a” (Lv 17.11), e “quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derram am ento de sangue não há rem issão” (Hb 9.22). O s Pais da Ig r e ja P ó s -A p o s tó lic a Apesar das m uitas visões diferentes acerca da expiação entre os líderes da Igreja,5 8 houve, m esm o assim, um a corren te básica, desde os tem pos mais antigos, que preservou elem entos da visão substitutiva.
Policarpo (falecido no século II)

Que possamos, portanto, perseverar em nossa esperança, e no zelo da nossa justiça, que é Jesus Cristo, que carregou os nossos pecados sobre o seu próprio corpo no madeiro, que não tinha pecado, nem se podia nele achar qualquer tipo de culpa, tampouco engano nos seus lábios, mas enfrentou todas as coisas por nós, para que nele pudéssemos viver. (EPP in Roberts e Donaldson, ANF, 1.8.)
Ireneu (c. 125-c. 202 d. C.)

Assim, portanto, a Palavra de Deus se fez homem Mas se não tivesse se tornado carne, ou Ele aparecesse como se fosse carne, a sua obra não seria verdadeira. Mas aquilo que aparentava, isto também ele o era: Deus reviu em Si mesmo a antiga forma do homem, para que pudesse aniquilar o pecado, destituir a morte do seu poder e vivificar o homem e, portanto, as suas obras são verdadeiras. (AH in ibid., 1.3.18.7)

55 L em b re-se ta m b é m que é in c o rr e to fazer da salvação u m sin ô n im o to ta lm e n te eq u iv a len te a ju stifica çã o pois a salvação ta m b é m in clu i a san tificação e a glo rifica çã o , e a sa n tifica çã o (p u rifica çã o ) é que, n a verdad e, “re d irec io n a o c o m p o r ta m e n to h u m a n o ” e “a lte ra a nossa p ro p en sã o ao p e c a d o .” 56 T e r u m a fé n o m in a l é te r u m a fé so m e n te n o

n o m e sim p le sm e n te , em vez da fé verd ad eira e r e a l .57 V ide ta m b é m c ita çõ es do ca p ítu lo 8 e in fo rm a ç õ e s a n te rio res n e ste m e sm o c ap ítu lo . v Vide ca p ítu lo 8.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

E não somente pelas coisas anteriormente mencionadas o Senhor se manifestou, mas [Ele fez isto] também por intermédio da sua paixão. Pois removendo os [efeitos] daquela desobediência do homem que ocorreu no princípio por ocasião da árvore: “Ele se tornou obediente até a morte, e morte de cruz;” retificando a desobediência que ocorreu em função de uma árvore, por meio da obediência que foi [exercida] sobre uma outra árvore [a cruz]. (AH in ibid., 1.5.1.36)

Os Pais da Igreja Medieval
Agostinho (354-430 d. C) Agora, se os infantes não estão incluídos nesta reconciliação e nesta salvação, quem os desejaria batizar em Cristo? Mas se estão incluídos, então são contados dentre os mortos por quem Ele morreu? [...] Tampouco poderão eles ser reconciliados e salvos por Ele, a menos que Ele faça a remissão deles e não lhes impute os seus pecados. ( OFSB, 1.44) Mas talvez, por intermédio de alguma percepção especial da minha parte eu declarei que o pecado é um sacrifício pelo pecado. Que os leitores estejam livres para reconhecer isto; e que os que não leram não se sintam intimidados; que não se intimide, insisto, em ler que eles podem ser verdadeiros no seu julgamento. Pois quando Deus passou o mandamento acerca da oferta de sacrifícios pelo pecado, nos quais não havia expiação de pecado, mas tão somente a sombra das coisas que viriam, estes mesmos sacrifícios, estas mesmas ofertas, estas mesmas vítimas, estes mesmos animais que eram trazidos ao altar para serem mortos por causa do pecado, em cujo sangue aquele sangue [verdadeiro] era pré-figurado, são chamados de pecado pela lei; e isto ocorria com tal intensidade que, em certas passagens, conforme está escrito, os sacerdotes, antes do momento do sacrifício, deveriam impor as suas mãos sobre a cabeça do pecado, ou seja, sobre a cabeça da vítima que seria sacrificada pelo pecado. Um pecado desta sorte, portanto, ou seja, um sacrifício pelo pecado desta sorte, foi o que se tornou o nosso Senhor Jesus Cristo, “que não conheceu o pecado” ( OGJ, 41.6). Desse modo, o pecado significa uma má ação digna de punição, e a morte é a sua conseqüência. Cristo não tem pecado no sentido de merecer a morte, mas, por nossa causa, Ele carregou o pecado, no sentido de “morte tal qual ela veio sobre a natureza humana pelo pecado” [...] Ao levar sobre si o nosso pecado, neste sentido, a sua condenação é a nossa libertação, ao passo que persistir em sujeição ao pecado é permanecer condenado. (.RFM, 14.3) Anselmo (1033-1109d.C.) Remir o pecado desta maneira nada mais é do que não punição; e como não é certo se cancelar sem alguma forma de compensação ou punição; não havendo a punição, a dívida permanecerá não saldada. (CDH, I.XII) Portanto o nosso pecado é sobremaneira hediondo cada vez que, deliberadamente, opomo-nos à vontade de Deus, mesmo nas coisas mais insignificantes; já que sempre estamos sob o seu olhar, e sempre é do seu agrado que não pequemos [...] Portanto, tu

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nao fazes nenhum tipo de satisfaçao se nao restituíres algo mais valioso do que o valor devido, o que te refreará de cometer novamente o pecado, (ibid., I.XXI) Dessa forma, a restauração da humanidade não deveria ocorrer, nem poderia ocorrer, sem que o homem pagasse a dívida que tinha diante de Deus pelo seu pecado. E esta dívida era tão grande que, apesar dela ter que ser unicamente saldada pelo homem, somente Deus poderia fazê-lo; de forma que aquele que haveria de quitá-la precisaria ser, ao mesmo tempo, Deus e homem. E, assim, surgiu a necessidade de que Deus assumisse o homem em unidade com a sua própria pessoa; para que aquele que, pela sua própria natureza, deveria pagar a dívida, mas não conseguia fazê-lo, pudesse fazê-lo na pessoa de Deus [...] Além disso, tu claramente mostrastes que a vida daquele homem [Jesus ] era tão excelente e tão gloriosa que proporcionava uma total satisfação pelos pecados do mundo inteiro, e infinitamente mais. (ibid., I.XVIII.a) Sim, é a mais apropriada das coisas que um Pai assim deva aquiescer com um Filho assim no seu desejo, se isto for digno de louvores no que diz respeito à honra de Deus, e útil para a salvação do homem, a qual não seria efetuada de outra forma, (ibid., I.X)

Os Líderes da Reforma
João Calvino (1509-1564) Portanto, para a realização da plena expiação, ele tornou a sua alma ashatn, isto é “uma vítima propiciatória pelo pecado” (como declara o profeta em Isaías 53.5,10), sobre a qual a culpa e o castigo sendo, desta forma, colocados, deixam de ser imputados sobre nós. O apóstolo declara isto de forma ainda mais clara ao dizer que “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21). Pois o Filho de Deus, mesmo sendo imaculadamente puro, levou sobre si a desgraça e a ignomínia das nossas iniqüidades e, em troca, revestiu-nos com a sua pureza. ( ICR , I.II. XVI. VI) Para satisfazer a nossa redenção era necessário escolher uma forma de morte pela qual Ele pudesse nos libertar, que englobasse tanto a entrega voluntária à condenação, quanto o enfrentamento da nossa expiação. Caso ele tivesse sido exterminado por assassinos, ou morto em um levante, a sua morte não teria representado a satisfação exigida. Mas ao ser pregado em uma tora destinada a criminosos, para onde as testemunhas eram trazidas para apresentar evidências contra Ele, e a boca de um juiz o condena à morte, vemo-lo como que sustentando o caráter de um transgressor e malfeitor, (ibid., I.II.XVI.V) Jmathan Edwards (1703-1758) A necessidade de satisfação pelo pecado e a racionalidade desta doutrina cristã podem ficar evidentes a partir das seguintes considerações: a justiça requer punição para os pecados, porque o pecado merece castigo. ( WJE, 2.565) Logo, a satisfação de Cristo por meio da sua morte é, certamente, algo bastante racional, (ibid, 2.569)

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA

Cristo é normalmente representado com a pessoa que levou sobre si os nossos pecados: Isaías 53.4 diz “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si” (Isaías 53.11), “Porque as iniqüidades deles levará sobre si” (Isaías 53.12): “Ele levou sobre si o pecado de muitos” (ibid., 2.570). Além disso, a imposição das mãos sobre a cabeça do sacrifício era um símbolo da transmissão da culpa do pecado sobre uma pessoa; em linha com o significado costumeiro da imputação de culpa entre os hebreus. (ibid.)

Os Mestres do Período Posterior à Reforma
William G. T. Shedd (1820-1894)

E a justiça divina que exige a satisfação, e é a compaixão divina que proporciona a satisfação. Deus é aquele que prende o homem em um justo cativeiro, e Ele é quem paga o resgate que o liberta do pecado. Deus é o Juiz Santo dos homens que requer a satisfação pelos pecados; ao mesmo tempo em que é o Pai misericordioso que proporciona esta satisfação aos homens. (DT, 2.392-93) Enquanto o Santo não tiver sido “propiciado” por meio de uma expiação, a punição não poderá ser “abandonada.” Nenhum destes efeitos poderá existir sem uma causa antecedente. A Bíblia desconhece a remissão do castigo por motivo arbitrário: ou seja sem uma base ou motivo plausível. O sofrimento penal é abdicado, ou deixa de ser aplicado sobre a parte culpada, por ter sido enfrentado por um substituto. Se a punição tiver sido remitida meramente pela soberania, sem que para isto haja qualquer base ou razão; se ela não for perpetrada sobre o pecado, nem sobre o seu substituto, estaríamos diante da abolição do castigo, e não da sua remissão, (ibid., 2.392)
Charles Hodge (1797-1878)

De acordo com esta doutrina a obra de Cristo é uma satisfação real, que possui um mérito infinito inerente, à justiça justificadora de Deus; de forma que Ele salva o seu povo ao fazer por ele, e no lugar dele, o que ele não poderia fazer por si mesmo, satisfazendo as exigências da lei no lugar dele, e, ao mesmo tempo, carrega sohre si a punição que lhe era devida; pelo que ele é reconciliado com Deus, recebe o Espírito Santo e passa a ser um partícipe na vida de Cristo para a sua presente santificação e eterna salvação. Esta doutrina proporciona ambas as coisas [isto é, cumpre estes dois objetivos] [...] Ela mostra como a maldição da lei foi removida quando Cristo se fez maldição por nós; e como, em virtude desta reconciliação com Deus, nós nos tornamos, por meio do Espírito, partícipes da vida de Cristo, [e] Ele se torna não somente a nossa justiça, como também a nossa santificação. Somos purificados da culpa pelo seu sangue, e renovados pelo seu Espírito conforme à imagem de Deus. Tendo morrido nele, nele também vivemos. A participação na sua morte é a garantia de que também participaremos na sua vida. (ST, 563-64)
Lewis Sperry Chafer (1871-1952)

Em todas estas coberturas passageiras do pecado existe o prenuncio do sacrifício final de Cristo na cruz. Por meio do sacrifício de Cristo na cruz, o conceito de “cobertura de pecados” perde a sua exatidão, e o Novo Testamento passa a fazer uso de outros

A NATUREZA DA SALVAÇÃO

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termos. Enquanto os sacrifícios do Antigo Testamento proporcionavam uma satisfação temporária ao juízo divino, a morte de Cristo remove definitivamente o pecado do mundo [Jo 1.29; ljo 3.5]. (ST, 2.83-84) M ãlard Erickson (nascido em 1932) Vimos que a morte de Cristo é interpretada de diversas formas, sendo que cada uma dessas teorias examinadas reúne um aspecto significativo da sua obra. Apesar de podermos ter objeções sérias a algumas destas teorias, reconhecemos que cada uma delas possui uma dimensão da verdade. Na sua morte Cristo (1) nos deixou um exemplo perfeito do tipo de dedicação que Deus deseja da nossa parte, (2) demonstrou a grande vastidão do amor divino, (3) sublinhou a seriedade do pecado e a severidade da justiça de Deus, (4) triunfou sobre as forças do pecado e da morte, libertando-nos do seu poder, e (5) prestou satisfação ao Pai acerca dos nossos pecados. Todas estas coisas nós, como humanos, precisávamos que fossem feitas por nós, e Cristo fê-las todas em nosso lugar. (CT, 799)

CONCLUSÃO
A Bíblia é u m livro soteriológico que inicia na eternidade, com os atos divinos de presciência, predestinação e eleição. M esm o antes de serm os salvos, D eus já estava em ação por m eio da sua graça preveniente, operando o convencim ento de que éram os pecadores. Q uando, por m eio da fé, recebem os o ato inicial da salvação (a justificação), neste exato m o m en to som os selados pelo Espírito Santo, batizados no corpo de Cristo, redim idos, regenerados, nascidos de novo, adotados n a fam ília de Deus, reconciliados co m Deus e perdoados dos nossos pecados com base na m ediação e n a expiação realizada por Cristo. Todos estes atos salvíficos tornaram -se possíveis som en te em fu nção da m o rte substitutiva de Jesus pelos nossos pecados, na qual o Justo m o rreu pelos injustos, a fim de que a ju stiça de Deus pudesse ser satisfeita e a sua m isericórdia pudesse justificar os injustos. A salvação não term in a com u m ato ún ico de justificação; este é som en te o prim eiro estágio, pelo qual som os salvos da pu n ição do pecado. A salvação tam bém envolve um processo vitalício de santificação, pelo qual som os salvos do poder do pecado. Na m o rte, a nossa redenção atinge o seu ponto m áxim o com u m ato de glorificação que nos salva, finalm ente, da presença do pecado. Neste ponto passarem os a ver Deus face a face (no que se d en om ina Visão Beatífica) e nos to rn arem os sem elhantes a Ele; naquele m o m en to , O verem os com o Ele realm ente é.

FONTES
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------- . A Plain Account o f Christian Perfection. ------- . The Works o f John Wesley.

C A P Í T U L O

DEZ

AS EVIDENCIAS DA SALVAÇAO

raticam ente, todos os teólogos cristãos crêem que os salvos precisam m anifestar a sua fé n a fo rm a de boas obras. Todavia, existe u m a significativa controvérsia in tern a a respeito (1) do alcance e das características desta m anifestação e (2) da real conexão entre fé e obras. O debate prim ário o co rre entre as concepções católica e p ro testan te.1 U m a

P

discussão secundária prossegue entre os proponentes da co rren te “sen horio-salvação” e os da “graça-livre”.2

O CONTEXTO HISTÓRICO DO DEBATE ENTRE CATÓLICOS E PROTESTANTES ACERCA DA RELAÇÃO ENTRE FÉ E OBRAS
Apesar do nú cleo co m u m da crença agostiniana na necessidade da graça de Deus para a salvação, católicos e protestantes continu am tendo sérias divergências acerca da relação entre fé e obras. C o m o já analisam os, o clam or central da R eform a Protestante foi a “justificação somente pela fé!” A Igreja C atólica R o m an a respondeu co m a declaração de que “pelas suas boas obras o h o m em justificado adquire, de fato, o direito a galardão sobrenatural da parte de D eu s” (deliberação do Concilio de T rento, con form e citação feita em O tt, FCD, 264). Até m esm o dentro dos círculos protestantes existe u m a discrepância considerável acerca deste tem a. Apesar de a m aioria dos evangélicos considerar que a fé salvífica se revela por interm édio das boas obras, existe divergência a respeito da conexão exata entre estas duas coisas. Alguns sustentam que a realização das obras resulta automaticamente da fé, ao passo que outros afirm am que, às vezes, não existem evidências observáveis para se confirm ar se a pessoa é realm ente salva. Alguns entendem que as boas obras fluem de maneira inevitável, e não autom ática, a partir da fé salvífica, ao passo que outros insistem que a execução das boas obras acom panha, mas não resulta dela, por necessidade. Em contraste com todas estas concepções protestantes, os católicos argu m entam que a realização de boas obras é um a condição para a salvação e não um a conseqüência dela. Os protestantes insistem que apesar de serm os salvos para as obras, não som os salvos pelas obras.3
' A p rim eira p a rte d este c a p ítu lo é baseada n o deb ate e n c o n tra d o e m Roman Catholics and Evangelicals: Agreements and Differences d e N o rm a n L. G e isle r e R a lp h E. M a cK en z ie (G ra n d Rapids: B a k e r, 1995). le ta lh a d o destas e de o u tra s c o n c ep çõ e s a c e rc a das co n d içõ es d a salvação. 2 V id e ca p ítu lo s 15-16 p a ra u m e x a m e m ais 3 O u seja , apesar de D eu s n ã o n o s salvar c o m o

fo rm a de g alard ão (re c o m p e n sa ) pelas nossas obras, E le n os salva p a ra as boas obras — vide, p o r e x e m p lo , E f 2.10.

230 <ü

TEOLOGIA SISTEMÁTICA

A posição católica acerca da relação en tre justificação e obras foi tornad a u m dogm a infalível no século dezesseis pelo Concilio de T ren to ,4 que foi u m a reação à proclam ação feita por M artin h o Lutero de que "o ju sto viverá por fé, e som ente por fé.” Lutero ficou, inicialm ente, incom odado pela venda de indulgências prom ovida pela igreja rom ana. Na sua região, u m vendedor superzeloso, João Tetzel p rom etia aos fu turos com pradores: “Q uando a m oeda no cofre tilintar, a alm a do purgatório irá saltar.” O clam or levantado p o r Lutero (o seu protesto) foi a faísca inicial da R eform a Protestante.5

A Posição de Lutero
Antes de M artinh o Lutero, a dou trina (agostiniana) padrão enfatizava a justificação
intrínseca: o cren te era tornado ju sto pela graça de Deus. A justificação extrínseca, pela qual

o pecador é legalm ente declarado ju sto, era m enos notada no Cristianism o anterior à R eform a.6 C o m Lutero, a situação se m odifica dram aticam ente; en tretan to , conform e observou Peter Toon (nascido em 1939): “Lutero não em prega term os forenses [legais] para explicar esta im putação da ju stiça alheia ao pecador. Este desenvolvim ento surge, p osteriorm ente, feito por outras pessoas” (FFJS, 58).7 Lutero foi orientado por João von Staupitz (c. 1460-1524), u m abade que, de certa form a, apoiou-o afazer as preleções (de 1515 a 1517) sobre as cartas de Paulo aos R om anos e aos Gálatas. O resultado deste estudo levou Lutero a u m a nova visão acerca de Deus: o
Todo-terrivel é tam bém Todo-misericordioso. Lutero n o to u que no uso que Paulo faz do idiom a grego, a palavra justiça apresenta diferentes significados:

[O primeiro significado é uma rígida afirmação da lei, e o último é] um processo do tipo que às vezes ocorre quando o juiz suspende a sentença [...] e, desse modo, instila a resolução de que o homem [culpado] está recuperado, (in ibid., 49) Este segundo significado da palavra ju stiça é necessário porque: O pecador é completamente incapaz de alcançar por si mesmo qualquer forma de justiça: tudo o que lhe cabe é a condenação [...] [Mas Deus] livremente decidiu receber-nos para Si mesmo [...] a uma comunhão que, pela nossa parte, havia sido desfeita e jamais poderia ser restaurada, (in Atkinson, MLPCC, 133) Ao estudar o significado de R om an os descoberta: 1.16,17, Lutero fez u m a sensacional

4 Este co n c ilio re ce b eu este n o m e e m fu n ç ã o d a cidade o n d e fo i realizad o — T r e n to (n a Itá lia ), que fica a c e rca de 112 k m de V eneza, e m d ireção ao n o rd este . T re n to (1545-1563, e m sessões d esco n tin u a d a s) c o n firm o u e p a d ro n iz o u as d o u trin a s c ató lic a s q ue os seu s p articip an tes ju lg a ra m am eaçad as e/ou negadas p e la R e fo rm a P ro te sta n te . A litu rg ia ali estab elecid a, p ara u so ú n ic o n a Ig reja, fo i ch a m a d a de Missa Tndentina. 5 L u tero fo i u m m o n g e c a tó lic o d e v o to c u ja in te n çã o o rig in a l

e ra p ro m o v e r a re fo rm a da Ig r e ja C a tó lic a R o m a n a , e n ã o c o m e ç a r u m n o v o m o v im e n to fo ra dela. A Ig re ja co n sid ero u e sta in iciativ a c o m o m o tiv o p ara sua e x c o m u n h ã o . 6 E n tr e ta n to , a ju stific a ç ã o e x trín s e c a n ã o estava t o ta lm e n te au sen te,

e sp e cia lm e n te nos e scrito s dos Pais da Ig r e ja P rim itiva. T h o m a s O d en d esco b riu m a te ria l da e ra p a trís tica q u e re v e la q ue os e n sin o s de P au lo a ce rca da “salvação so m e n te p o r g ra ça e u n ic a m e n te p o r fé ” n ã o e ra m , de fo rm a a lg u m a , e stra n h o s o u p o u c o difundid os n a I g re ja (vide sua o b ra Justification Keader [G ran d Rapids: E erd m a n s, 2002]). d estas “o u tras p essoas.” 7Jo ã o C a lv in o e ra u m a

58-59) A R e s p o s ta C a tó lic a a L u te ro C om o já observam os. 237). Deus nos justifica por meio da fé. às vezes. TM L. Para ele está muito claro que existe um momento em que o pecador é. As Sagradas Escrituras ganharam um novo sentido.. de fato. ( FFJS.” o processo pelo qual nos tomamos ju stos (de m aneira intrínseca). m as segu e u m p ro ce sso de san tificação p u rificação ). justificado pela fé. Em conseqüência disso senti-me renascido e do lado de dentro dos portais do paraíso. que lhe é imputada [. que se distingue do ato inicial (de justificação por parte de D eus) pelo qual som os declarados ju stos (de m aneira extrínseca). ela passou a ser indescritivelmente doce no seu grande amor. O q u e significa q u e a ju stific a ç ã o n a o é c o m p le ta d a o u fin alizada im e d ia ta m e n te . verdadeiramente. Toon acrescenta: A justificação pela té é tanto um evento. a exem plo dos católicos rom anos. 34.8 Por exem plo. 69) Francam ente. passa a possuir a justiça de outrem. Ele disse: “Entendem os que u m h o m em que é justificado ainda não é ju sto. independ entem ente das obras. neste momento. foi o Concilio de T rento que se propôs a refu tar a concepção de Lutero acerca da salvação exclusivam ente por m eio da fé. anteriormente. o batism o e a penitência? (5) Seria possível ao crente ter a certeza de que ele está justificado? (6) Seria possível ao h o m em se inclinar em direção à justificação e.” Então percebi que a justiça de Deus é a justiça pela qual. 65) Apesar da descoberta de Lutero. Lutero o tinha de forma integrada. E ntretan to. caso sim . Este senso de “justificação progressiva” é o que m uitos protestantes cham am de “santificação. possuirá uma justiça perfeita criada nele pelo Espírito de Deus. . cria em u m a definição progressiva de justificação . a m aioria destas perguntas trata da relação entre fé o obras. os participantes do concilio chegaram a u m a form u lação final acerca da justificação.. HISLML . (in Bainton.. esquece-se que ele. Trento considerou os seguintes questionam entos acerca da justificação: (1) Seria a justificação som en te um ato j urídico [ou legal] na sua natu reza (extrínseca). esta inclinação deve ser com preendida com o m eritória da sua parte? (em ibid. A lém disso: “A nossa justificação ainda não está term inada . ou existe tam bém um a obra intrínseca (santificadora) nela envolvida? (2) Qual a relação entre fé e obras? (3) Será que a vontade h u m ana exerce u m papel ativo na justificação? (4) C o m o a justificação se relaciona com os sacram entos com o a eucaristia. 152). No dia 9 de jan eiro de 1547. Exam inarem os a conclusão deles com base nestas seis perguntas acim a m encionadas. [O pecador.] então. e apesar de. Esta passagem foi para mim a porta do céu. Aquilo que os protestantes posteriores haveriam de dividir.] [Todavia] este é somente o início de uma jornada no tempo (que será seguida pela ressurreição dos mortos no porvir) na qual.. a “justiça de Deus” sempre ter me enchido com ódio. estará com p leta na ressurreição dos m o rto s” (in A lthaus. a justiça de Cristo que lhe é alheia. quanto um processo. mas está seguindo ru m o à ju stiça” (LW .AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO H 231 Noite e dia eu ponderava até que vi uma conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que “o j usto viverá pela fé.] Ela continu a em construção.. através da graça e da pura misericórdia.

a ju stiça) é “aum en tada” (ou “increm en tad a”) pela participação nestes sacram entos. 10 T o m istas são os a d eren tes ao 1 1 Isto é v erd ad e. aproxim ando-se da concepção dos reform adores neste ponto). “existe um a posição interm ediária en tre a certeza da fé e a dúvida. “seja aqui excomungado. C W R . fiF.. a “condenação explícita” trata da “certeza infalível” da salvação. pela sua graça. coopera com esta graça. T rento. com isso o Concilio de T rento apresentou a justificação em dois sentidos (o prim eiro sendo o que os Protestantes [os R eform ados] entendiam por justificação e o segundo que correspondia à dou trina protestante da santificação). os calvinistas se apressariam em acrescentar (bem com o os tom istas cató licos)1 0 que é Deus. Lutero rejeitou esta debilitação no seu livro D e Servo-Arbitrio: Se alguém disser que o livre-arbítrio do ser humano. nas palavras de u m au to r católico: “O pecador.. “de várias form as. que é O que desprende e chama [.1 1 Quarto. A lister M cG rath (nascido em 1953) afirm a que o concilio em itiu “u m a condenação explícita à d outrina luteran a da segurança. mas talvez possível... C ontu do. 81). se m e lim in a r a lib erdade h u m a n a . P ortanto. tan to é possível. a justificação é assim definida em term os de u m h o m em se tornar. 114). a dogm ática ro m an a [católica] indicava que a rejeição de R o m a da segurança pessoal da salvação não significa a proclam ação de um a religião de in in terru p ta ansiedade (Berkouw er. precisam os lem brar que T rento com preendia a justificação de duas m aneiras: C o m o prim eira e segunda fase.9 Segundo. O livre-arbítrio não foi destruído. p o rtan to : “o h o m em é incapaz de redim ir-se a si m esm o.. na verdade.. (in Toon. quanto a penitência pertencem ao segundo sentido da justificação. 2. p o r ta n to . quanto necessário guardar a lei de Deus [para a salvação]” (ibid.. A fim de com preend er estes p ronunciam entos. já que a graça para elim inar o pecado original nos é “m ediada” pelo batism o. 34). co m o sendo um a afirm ação contrária à necessária hum ildade cristã” ( ID . e não m eram en te ser considerado co m o ju s to ” (ibid.] está rejeitada” (ibid.] im putação [.] que seja anátema [isto é. o concilio de T rento foi forçado a tratar da questão. em função da ênfase que os reform adores colocaram na segurança da salvação. pelo m enos no sentido de não rejeitá-la de fo rm a pecam inosa” (A nderson. c o m p ê n d io d o u trin á rio e x p o sto p or T o m á s de A qu in o . Apesar da m aioria dos protestantes concordar. ao levar em consideração o pecado original.. o te m a dos sacram entos foi analisado na Seção VII (no dia 3 de m arço de 1547).78). 84) Terceiro.. resp e ctiv am en te . apesar de vários m em bros reco n h ecerem u m elem en to extrínseco na justificação (p o rtanto. movido e despertado por Deus não coopera com o seu consentimento a Deus. segu ida p e la ju stific a ç ã o p o r m e io das nossas .232 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Primeiro. Tanto a eucaristia. 72). cabendo-lhe duas alternativas: retratar-se ou ir para o inferno”]. o segundo sentido (a segunda justificação ) exigia as boas obras: “Dessa form a. que opera nos h om ens esta coo p eração. q u e a ju stifica çã o n ã o e stá c o m p le ta sem a san tificação . Quinto. a qual m u itos eruditos católicos consideram desnecessária. e os católicos sustentam que esta justificação (isto é. afirm ou que o m al afetou toda a hum anidade e. ibid. m a s é im p o r ta n te a c re sce n ta r que Ele faz isso 12 A ju stific a ç ã o p e la o b ra de D e u s. mas foi enfraquecido e debilitado pela Q ueda” (ibid.1 2 O batism o é operativo na prim eira form a.. Para o católico. a visão consensual foi de que “a opinião de que u m pecador pode ser justificado un icam en te co m o u m a questão de [. Na verdade. grifo acrescentado). Esta posição é a da certeza m o ral que exclui todo tipo de 9 S ign ifican d o. próp rias obras.) P ortanto.

) O tt apresenta as seguintes passagens bíblicas com o base para a sua afirm ação: Então.24 ( “O h om em é justificado pelas obras”). (ibid. o direito a galardão sobrenatural da parte de D eu s” (in O tt. Por ou tro lado.. 264). Sexto. um a autoridade dentro do C atolicism o.109. grifo acrescentado) Nesta conexão som ente é justo afirmar que quando os estudiosos católicos citam Tiago 2. Na verdade. co m o já verificam os. C om o a defesa da justificação forense (legal ou jurídica) está d iretam ente ligada à rejeição protestante do ensino católico acerca do m érito hu m ano. por outro lado. Dessa fo rm a. e a recompensa e o mérito são conceitos que guardam uma correlação entre si. 115).. E se é pela graça. verem os. dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde. 2. T rento afirm ou que a nossa justificação inicial (a prim eira) precisa ser vista com o u m “d om . [Rm 2. Nada que preceda a justificação. os cristãos podem ser considerados com o pessoas que têm um a certeza “relativa”. A p e la çõ e s C a tó lic a s à B íb lia a F av o r d a Ju s tific a ç ã o M e ritó ria Ludwig O tt (nascido em 1906).] sem a divina graça. S C D . a graça não seria mais graça. citação feita em ibid. tive sede. E com isso os protestantes discordam v eem entem en te. a bênção eterna no céu é uma recompensa pelas boas obras que uma pessoa realizou neste mundo. F C D . que ocorre som ente segundo a graça de Deus. nas palavras do apóstolo. (in ibid. a progressiva (o crescim en to na ju stiça) ao qual os protestantes cham am de santificação. também enfatizou. de acordo com o C atolicism o. porque tive fome. eles não se referem à justificação inicial. argum enta: De acordo com a Santa Escritura. e hospedastes-me. em prim eiro lugar. se assim não fosse. merece a graça da justificação. Na verdade. a natureza meritória das boas obras realizadas com a graça. (Mt 25. era estrangeiro. Trento afirm ou que a realização de obras é necessária para a salvação nos sentidos progressivo e eventual. mas não “absoluta” (isto é. seja a fé ou as obras. capítulo 8. LD .” P ortanto.35) Ele tam bém acrescenta: São Paulo. por meio de Jes u s Cristo: que seja anátem a ” (in D enzinger. que enfatiza tanto a graça. 811. ao ensinar que a recompensa é proporcional às obras: “[Deus] o qual recompensará cada um segundo as suas obras”. e destes-me de comer. trata-se de dogm a católico a afirm ação de que “pelas suas boas obras o h o m em justificado adquire. e p o r ú ltim o..AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO # 233 ansiedade e desespero” (B a rtm a n n .6] . grifo acrescentado). não é mais pelas obras.34. benditos de meu Pai. esta análise será dividida em argum entos bíblico-teológicos e históricos. “infalível”) da salvação. e destes-me de beber. de fato. eles se referem à segunda justificação.. possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. à prim eira justificação (via batism o). a d outrina católica das boas obras. Tal qual fizem os nos capítulos anteriores. é um a grata surpresa para os protestantes o fato de os católicos rom anos acreditarem que “Se alguém disser que o homem pode ser ju stificado diante d e D eus p ela s suas próprias obras [ .

a tradição atesta o m érito das boas obras” (Geisler e M acKenzie. m esm o reconh ecend o o nú cleo agostiniano que tem os em co m u m no que diz respeito à necessidade da graça.I.323.10]. n a concepção católica.234 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA O tt cita outras passagens sim ilares (1 C o 3.3). a vida eterna está proposta. . bem como um incremento da glória. O tt declara: A razão natural não é capaz de provar a realidade do mérito sobrenatural já que ele se baseia na livre promessa divina de galardão [. Tertuliano.) O bviam ente. o nosso suposto direito a recom p ensa som ente é real porque Deus se coloco u nesta situação por interm édio da sua prom essa em nos com pensar pelas nossas boas obras.] não mereça verdadeiramente um incremento da sua graça. (in ibid.. Inácio de Antioquia escreveu a Policarpo: “Onde há grande esforço. Vide Trento : “D ecreto Sobre a Justificação. Justino M ártir tam bém é citado em defesa do m érito.. 842. este “d ireito” ( “exigência”) não é intrínseco.261) Apelações Católicas à História (Tradição) em Favor da Justificação Meritória A Teologia católica afirma: “Desde a época dos Pais apostólicos. I. Hb 6. Hb 10.257) Leia novam ente esta afirm ação (da dou trin a de Trento): Se alguém disser que as boas obras do homem justificado são de tal forma dom de Deus que se exclua a possibilidade de haver nesta justificação os bons méritos daquele que é justificado. Por exem plo. mas a realização de obras é considerada a base do m érito necessário para se obter a vida eterna. As boas obras do justo estabelecem o seu direito legal (metirum de condigno) à recompensa a parte de Deus [cf.. SCD.. que seja anátema. tanto como uma graça misericordiosamente prometida aos filhos de Deus por intermédio de Jesus Cristo.” n o capítu lo 8.35.24. 265) UMA CRÍTICA EVANGÉLICA À DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO MERITÓRIA Já estudam os as asseverações católicas de que a execução de boas obras antes da ju stificação1 3 não é m eritória. “quanto como recompensa” [. a vida eterna e a conquista da vida eterna (se morrer na graça).22].6) e conclui. 1.] fielmente entregue pelas suas boas obras e pelos seus méritos. Obviam ente. persistem várias 1 3 Os católicos crê e m que a justificação oco rre n o batism o infantil. afirmou: “Pode-se considerar que o h om em que executa boas obras tem Deus com o seu devedor” (OR. C l 3. 228). por sua vez. Para aqueles que agirem bem “até o fim” [Mt 10. (FCD.] [Todavia] a consciência geral dos homens presta testemunho à propriedade de uma recompensa sobrenatural pelas boas obras sobrenaturalmente realizadas de maneira livre.. 11. (ibid. há tam bém u m rico g anh o” (EP. (in Denzinger.. 809. Todavia.. ou que aquele que é justificado pelas boas obras [.44-46). estas boas obras surgem da fé. RCE. e que confiarem em Deus.8.

que ela pode ser herdada (por exem plo. G1 6.36). Além disso. a san tificação ) é ob tid a pelas boas obras. o Novo Testam ento tam bém se refere à vida eterna em term os de tipo ou grau de recom p en sa que herdaremos.9). Vejamos as palavras de Jesus: Na verdade. Isto se baseia nas obras que realizarm os. a vida eterna está proposta. N inguém trabalha para receber u m a herança. e que confiarem em Deus. A V isão C a tó lic a C o n fu n d e Recom pensa c o m M érito Infelizm ente n em todos com preend em adequadam ente o sentido da palavra recompensa. então a vida etern a não vem verdadeiram ente. nosso S e n h o r” (R m 6. já que fala da colheita que os crentes farão daquilo que sem earem neste m undo. às vezes. mas segundo a dívida (R m 4.. Se o conceito católico de m é rito 1 4 estivesse correto. tanto como uma graça misericordiosamente prometida aos filhos de Deus por intermédio de Jesus Cristo. a recom p ensa não é graça — o pagam ento é devido (pelo m enos em p arte) pelos serviços prestados.. (Jo 5.4. não lhe é imputado o g alardão segundo a graça. na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação. contrariando diretamente aposição católica. 809.13). a realização de obras não é u m a condição. é algo graciosam ente entregue por parte de u m benfeitor.23). declara: “O salário do pecado é a m o rte. Quando som os recom pensados pelas obras. 5CD.18). Se u m h o m em é “recom p ensad o” com a salvação pelo seu trabalho. (in Denzinger. um a herança.24) Esta m esm a verdade — de que a vida etern a é um a posição presente para os crentes — é diversas vezes repetida: “Aquele que crê no Filho tem a vida etern a ” 0 o 3. co m o já vim os: “A q u ele que fa z qualquer obra.6-10 parece se encaixar nesta categoria. por C risto Jesus. mas passou da morte para a vida. refere-se à vida etern a com o um a recom pensa (por exem plo. responderem os aos argum entos católicos a favor da justificação com base nos m éritos. “quanto como recompensa” [.8. Lc 18.4). apesar dos protestos que os católicos possam querer levantar neste ponto.22].] fielmente entregue pelas suas boas obras e pelos seus méritos. mas u m a conseqüência da salvação. E f 2. Neste sentido.257) A Bíblia. n em u n icam en te pela graça de Deus. . em contraste. e Gálatas 6. A concepção católica do m érito com o um a condição necessária para a vida eterna (ou para a justificação final) é contrária à afirm ação clara da Santa Escritura. Antes de apresentarm os as bases da posição Protestante. mas segundo a dívida” (R m 4. Apesar da Teologia católica acertadam ente m o strar que a Bíblia. por definição. 4 D e que a ju stificação p rogressiva (isto é. mas o dom gratu ito de Deus é a vida eterna. para que saibais que tendes a vida etern a ” (1 Jo 5. “Estas coisas vos escrevi. Desta fo rm a o Novo Testam ento rejeita de m aneira enfática a idéia da salvação com o recom p ensa (u m pagam ento) por u m trabalho executado: “Aquele que faz qualquer obra.8). a concessão da graça da santificação estaria baseada nas boas obras.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO 235 diferenças substanciais en tre as posições oficiais da Igreja C atólica R o m an a e a O rtodoxia Protestante acerca da salvação. não lhe é im putado o galardão segundo a graça. A P o siçã o C a tó lic a F a z das O b ra s C o n d iç ã o p a ra a V id a E te r n a Para aqueles que agirem bem “até o fim” [Mt 10. as Sagradas Escrituras garantem a vida eterna com o um a posse presente àqueles que crerem. Mas.

5) Nós operam os a partir da nossa salvação.36. A ju stiça diante de D eus vem p ela graça u n ica m en te por m eio da fé: Ela “não vem das obras. supostam ente. haveria duas (a fé e as obras). E m ou tras palavras. segundo a sua misericórdia. àquele que não pratica. g lorificação. 20. Jesus respondeu: “A obra de D eus é esta: que creiais naquele que ele enviou” (Jo 6. A Posição Católica Faz das Obras de Santificação Condição para a Salvação O Concilio de T rento tam bém afirm ou: Quando ele [Paulo] caracteriza o galardão eterno como “a coroa da justiça que o Senhor. para os infantes batizados. Sim plesm ente falando. de acordo co m a Teologia ca tó lica as obras são u m a condição para a ob ten ção da j ustiça progressiva (a santificação).15Se a salvação não fosse u n icam en te por fé. Só que isto é p recisam ente o que as Sagradas E scrituras d eclaram não ser o caso: “N ão pelas obras de ju stiça que houvéssem os feito. Ao longo de todo o evangelho de João. 5.24. con form e já ficou dem onstrado. João afirm a abertam ente que a ún ica “obra” necessária para a vida etern a é o ato de se crer. neste m o m en to . (Rm 4. o juiz justo. mas segundo a dívida. de acordo co m a argum entação católica. toda m ensagem do evangelho de João seria fraudulenta. Mas.29). caso venha a m o rrer.14. de que. pois ambas vêm da raiz grega pisteuo. Q uando lhe perguntaram : “Q ue farem os para execu tarm os as obras de Deus?”. àquele que faz qualquer obra.]). co m o afirm am os católicos. o fato é que.1 6 E im p ortan te n otarm os que “a fé” e “o cre r” são a m esm a coisa. E f 2. porém crê naquele que justifica o ímpio. Todavia. ele está nos mostrando que as boas obras dos justos lhe proporcionam um direito legal ao galardão divino. ser aplicado so m e n te à ju stificação inicial. mas é um a realidade em função da promessa de Deus. m as. FCD.11.31. Hb 10. Na verdade. para que n in g u ém se g lo rie” (E f 2. Isto não pode. M esm o adm itindo (c o m o ensina o C ato licism o ) que. a realização de obras n ão é u m a condição para se receber a ju stiça inicial (a ju stificação ). m as jam ais para obtê-la (cf. a sua fé lhe é imputada como justiça. porque o tem p o presen te (grego: anakainoseos. este “direito legal” não é intrínseco a nós.5). não existe mais nada que possam os fazer para a nossa justificação — Jesus já fez tudo (Jo 19. pois afirm a que som ente existe u m a condição (a fé) quando.236 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA O dogm a católico im pede qualquer crente de alegar ter certeza.15). cf. ele precisará aguardar a sua justificação final na m o rte para ter a certeza de que possui m esm o a vida etern a e que não entrará n a condenação divina. 265) O bviam ente.8). som en te u m a condição é colocad a para a obtenção da vida eterna: a fé (3. nos salvou” (T t 3.4. não lhe é imputado o galardão segundo a graça. 16 L em b re-se q u e a p alavra salvação diz resp eito a três estágios: a ju stific a ç ã o ..16.8-10). esta é u m a prom essa da salvação m ediante as nossas obras. não se pode trabalhar por um dom (que é um presente): Ora..31 [. ten h a a salvação. nos entregará” (2 Tm 4. (in Ott. A reação exagerada do C atolicism o a M artin h o 1 5 V id e c a p ítu lo 15. a sa n tifica çã o e a . G1 3.9). renovação ) é utilizado neste versículo. n ão podem os nos co lo ca r de fo rm a ju sta diante de D eus (esta posição de ju stiça derivaria da própria p rom essa divina da vida e tern a ) sem term o s execu tad o obras de ju stiça.

Jo 3. Apesar do e n ten d im en to ca tó lico acerca da salvação. a fé cató lica obscu rece a verdade de que a ú n ica ação necessária. P orém .. B ill B rig h t. W illia m e C a th e rin e B o o th . o C on cilio de O range II (529 d . H u d son T a y lo r. B illy G ra h a m . e q ue.. n o p rim eiro m o m en to . W illia m C arey.43] [. se m n e n h u m tip o de m é rito p rév io da n o ssa p a rte . q u e e m tod a b o a obra. B illy Su n d ay. p or exem p lo. D eus op era a salvação em nós p o r m eio da sua ju stificação.) a firm o u : “T a m b é m c re m o s e p ro fessam os. Nós não fazem os nada para obter a salvação. n a realidade.13). c o m o seu a u x ílio .] p o d e m o s. Na verdade. fazem os boas obras porqu e já recebem os a salvação.). para a nossa ju stificação é a fé. p a ra a n o ssa salvação. esta ob jeção está m al elaborada. m a s foi. o C atolicism o falh a em não re co n h e ce r a im p o rta n te diferença en tre obras para a salvação e obras que surgem a partir da nossa salvação.42. m a s sim A q u ele q ue. sim .17 A resposta dos cató licos te m sido que n em todos os p ro testan tes con cord am que o cristão te m a prom essa do céu u n ica m e n te baseado na ju stificação — os arm inianos. G e o rg e W h itefield .C .] n ã o veio d a su a n a tu re z a . C h arle s F in n e y .AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO # 237 Lutero ofu scou a p u reza e a clareza do evan gelho e en tro u em con flito c o m ou tro C oncilio tam b ém ca tó lico . Luis Palau. 18 P o r e x e m p lo : Jo h n W esley. n ão elim in ar de fo rm a lógica a ju stificação fo ren se. m as co m o podem os obtê-la.. Lc 23. Talvez seja por isso que cen ten as de m ilh ares de católicos som en te te n h a m chegado a ter u m e n co n tro pessoal co m Jesus C risto fo ra da Ig reja C atólica. que co n trario u o Sem ip elagian ism o. da nossa parte. s o m o s auxiliad os p e la m isericó rd ia de D eu s. . Depois que a am bigüidade verbal é desfeita. co m o dizem alguns. Ao deixar de fazer u m a distinção clara en tre a. J o n a th a n Edw ards. R m 6.12.16. D w ig h t M oo d y .justificação foren se (leg al) e a santificação p rática (ap licacio n al). n ã o s o m o s n ó s os in icia d o res. 5. C o m o já vim os.24. os erud itos cató licos criaram u m a distinção artificial en tre O C o n cilio de O ran g e II (529 d .23). a perdíveí) — é u m d om e u m a posse já n o presen te para os crentes (cf. e nós “operamos a nossa salvação co m te m o r e tre m o r” pela sua graça (cf. A Posição Católica Confunde Obras para a Salvação com Obras da Salvação C o lo can d o em term o s que já nos são fam iliares. o que o co rre é que ele o obscurece. P o rta n to . p o s te r io rm e n te . A Posição Católica Faz uma Falsa Distinção entre Obras e Obras da Lei O en sin o do N ovo T estam en to co n tra o co n ceito da salvação pelas obras é abertam en te op osto à d ou trin a cató lica que advoga a salvação p o r m érito pessoal. esta tam b ém pode ser a razão porqu e o C atolicism o n ão gerou n e n h u m dos grandes evangelistas18 m o d ern o s e não te n h a circulad o ab ertam en te um esboço do processo de salvação. Para co n trariar este ensino. The Christian Faith: Doctnnal Dccumems oj the Catholic ChuTch.43. p recisa m o s c re r c la ra m e n te q u e a fé m ara v ilh o sa d o lad rão a q u e m Jesus c h a m o u para e sta r co n sig o n o Paraíso [Lc 23..” (V id e N e u n e r e D u p u is. A sua insistência n a necessidade de obras para a salvação — u m a condição para se receber u m a posição digna diante de D eus que im plique a p rom essa do céu — é p recisam en te o que a R e fo rm a acertad am en te rejeito u . in s tila in ic ia lm e n te a fé e o a m o r p o r Ele de ta l so rte q u e [. Fp 2. a vida e tern a — n ão so m en te a ju stificação inicial (o u . a posição oficial cató lica to rn a-se claram en te alheia à Palavra de D eus. realizar aq u ilo q ue lh e é agradável. eds. pois o que está em questão não é co m o se mantém a salvação depois de recebê-la.C . u m d o m da lib eralid ad e da g ra ça d ivin a. insistem que u m cren te verdadeiro pode perder a salvação.

Paulo n ão se lim ita às “obras da lei. R m 10.238 <ü TEOLOGIA SISTEMÁTICA a guarda das obras da lei (as quais eles ad m item não ser u m a cond ição para a salvação) e a realização de obras (as quais eles insistem ser condição para a salvação). os judeus incrédulos não são os únicos que se gloriam nas suas boas obras. de uma form a ou de outra. som os salvos u n ica m en te p o r m eio da fé (Latim : solafid e ) e so m en te p ela graça (Latim : sola gratia).14. D e acordo com a Palavra de D eus (R m 4.1 9 Segundo. está de acordo com a lei de Deus.8. pois Paulo escreve para pessoas que j á haviam sido salvas — p o rta n to . capítulo 5. todas as verdadeiras obras d e justiça serão de acordo co m a sua natu reza.9.11.3). . E f 2.5). P orém a afirm ação de Paulo co n tra as obras para a salvação n ão pode ser lim itad a so m en te às obras da lei [m osaica] (tais co m o a circu n cisão) — ela se estende.12) e o tex to de T ito (3. a passagem de Efésios é claram en te d irecionada aos “g en tios” que eram “separados da com unid ade de Israel” (2. Paulo se dirigi exp licitam en te aos gentios alienados (E f 2. A lém disso. ele não fala n a realização de obras da lei m osaica (p o r exem p lo.21-24). quando Paulo fala aos gentios (que.5-7).8. C o m o D eus é o padrão de toda ju stiça. O con flito en tre ju d eu s e gentios tam b ém não d im inui a realidade de que Paulo está falando aos gentios a respeito das “obras” que não guardavam relação co m obras exclusivas da lei judaica. mas n e m toda ob ra é obra da lei.27.5-7) não indica as “obras da lei.28) é falha. A t 15.” é im plausível p o r diversas razões. a nossa ju stiça (a autojustiça ) é rep u gn an te aos olhos de D eus (cf. Isto o co rre quando situações específicas levam Paulo a con d en ar todo tipo de obra que. R m 4. sim p lesm ente se refere às “obras” ou “obras de ju s tiç a ” (cf. Para serm os fiéis ao N ovo T estam en to. O C atolicism o defende que a base para a obtenção da vida e te rn a está nas obras m eritórias. en tão a salvação não se baseia exclu sivam ente n a graça de D eus.12). neste co n tex to específico. de igual fo rm a .9) se refere à van gloria que os ju d eu s n u tria m p o r co n ta das “obras da lei. O orgulho é um a condição da qual todas as criaturas decaídas partilh am (cf. su p ostam ente.” m as. Ele não faz qualquer diferença se a obra é induzida pela graça — se a realização das obras m eritórias é u m a cond ição para a vida etern a . o uso do tem p o passado é n atu ral. ao cond enar a idéia das obras para a salvação. A lém disso. 1 Jo 2. Toda boa obra. Is 64. Por u m lado.5). Primeiro. O argu m en to apresentado por alguns cató licos de que “o g lo ria r” (em Efésios 2. T t 3. co n seq ü en tem en te. e não havia ali qualquer sugestão de obras ligadas à lei ju d aica. o fato da expressão “obras da lei” aparecer aqui resum id a co m o “obras” n ão significa que o co n trário seja n ecessariam ente verdadeiro.11.6. E f 2. Lim itar todas as rejeiçõ es que Paulo faz às “obras da lei de M oisés” é sem elh a n te a lim itar a cond enação que D eus faz do c o m p o rta m en to hom ossexual en tre os israelitas no 1 9Vide volum e 1.9) — tampouco fala que eles são justificados pelas obras (R m 3. Todas as obras da lei são obras. A lém disso. segundo R m 2. Todavia. às vezes. Ao co n trário da posição cató lica. “n ão têm lei [m osaica]”). “obras de ju stiça .” m as sim .” O fato do tem p o passado no grego ser aplicado para a “salvação” não reforça a explicação cató lica de que esta passagem se refere so m en te àquilo que os p ro testan tes ch am am d e justificação (e não à santificação ). G1 3).15). “obras” n o rm a lm en te surgem no c o n tex to da circu ncisão (cf. a afirm ação ca tó lica de que “obras” rep resentam u m a abreviação p rática de “obras da lei” (R m 3. para um a explicação detalhada dos princípios do pensam ento racional. a todo tipo de obra m eritó ria. seria destinada a gerar a salvação (cf. pois n e n h u m a obra é boa se estiver em desacordo co m o padrão de bondade de D eus (a sua Lei).

em.14. não existe qualquer discrepância substancial entre “obras de ju stiça ” e "obras da lei. a partir de. fazem n atu ralm en te as coisas que são da lei [de Moisés][. se as nossas obras desem penhassem um papel. 5. que não têm lei.15). por m eio da fé.4). justificação inicial. Eles eram “irm ãos” (1. Jo 3. A principal alegação de Paulo era: “Tendo começado pelo Espírito. base para nos vangloriar e.4) se já não estivessem nela.. Paulo 20 As Sagradas E scritu ras ta m b é m c o n d e n a m os atos h o m o ssex u a is e n tre os pagãos q u e n ã o tin h a m a Lei de M oisés (cf.6).AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇAO H 239 A ntigo T estam en to . a eisegese é in se rir n o te x to a idéia de u m a d istin ção q u e n ã o e stá p rese n te n e le . porque o m edo de Paulo não era que eles perdessem a sua justificação. A afirm ação de que a santificação ocorre pelas obras parece ser sim ilar ao erro atacado por Paulo na Epístola aos Gálatas. mas que eles voltassem às am arras da lei (2. eles estavam “em C risto” (2.16. logo. Eles estavam seguros n a sua justificação (o u ju stiça inicial). Portan to. de. eles não corriam perigo em decair da graça (5. e m vez de tira r idéias d ele (o q u e re p rese n ta a verd ad eira exegese).24. obras que estejam de acordo com a Lei de Moisés não significa que o padrão m o ral básico te n h a m udado. 2 1 Eisegese é a in te rp re ta ç ã o de u m te x to fazend o uso de idéias p ré-co n ceb id a s — in serir idéias n o te x to . originário de). continuaríam os incorrend o em condenação.4). o caráter m o ral básico de D eus expresso nos Dez M andam entos é o m esm o que se expressa na lei n atu ral que está presente em toda a hum anidade: o fato de alguém não realizar de fo rm a consciente ou deliberada. de fato. o questionam ento católico de que Paulo estaria se referindo às obras da lei e não às obras de ju stiça é um a distinção baseada naquilo que não tem diferença. mas estavam em perigo de perder a sua santificação (ju stiça progressiva).3). o qual se d estinaria so m en te aos ju d eu s. toda obra m o ral representa u m a “obra da lei”.] [m ostrando assim] a obra da lei escrita no seu co ração ” (R m 2. 36. e ú ltim o. A verdade simples é que n e n h u m tipo de obra nos to rn ará dignos da salvação: a vida etern a é u m dom recebido un icam en te p or fé (cf. R m 6. . Em últim a análise. nós teríamos.20 Terceiro. A justiça inicial deles foi entregue pela graça. (D o grego : eis. Quarto. Considerar a condenação de Paulo às “obras de au to ju stiça” em oposição às “obras m eritórias” é u m exem plo de eisegese. m esm o que ínfim o. para dentro e ek. 22 O u seja . porqu e estas passagens o co rre m som en te no P en tateu co. O fa to da lei m o r a l (p o r e x e m p lo .23). pois está de acordo co m os princípios m orais expressos na Lei de Moisés. A lém disso. desde.11. p o rtan to . o m esm o é verdade para a rejeição que Paulo faz das “obras” m eritórias co m o sendo um m eio para a salvação. eles deveriam considerar que poderiam avançar na ju stiça por m eio de algum ou tro m eio que não fosse a graça por m eio da fé? (1. já haviam recebido a. É por isso que “os gentios.” C onseqüentem ente. declarad o s ju ríd ic a o u le g a lm e n te ju sto s. 20).21 A lém disso. acabeis agora pela carne?” (3. Os gálatas já estavam justificados22 ou. defendem os que a exortação apostólica dizia respeito à santificação. quando chegam os às exigências morais da lei. para fazer uso da term inologia católica. A Posição Católica É similar ao Erro dos Gálatas Ao insistir que a realização das obras não é u m a condição para a conquista da justificação (ou justiça inicial). os católicos não escapam da acusação de grave erro soteriológico. 6.. por que. na conquista da salvação. a lei n a tu r a l) existir in d e p e n d e n te m e n te d a Lei M o sa ica d e m o n s tra ênfase p ro te s ta n te n o fa to das “o b ras’ de R o m a n o s 3 n ã o e sta re m lim itad as às ob ras d a Lei M osaica. m as som ente para a obtenção dasantificação (justiçaprogressiva). N este caso. p o rtan to . as c o n d e n a ç õ es d o pecado são m ais a m p la m e n te aplicáveis d o que o c o n te x to im e d ia to n o q u al elas su rg ira m . neste sentido. agora.1). Lv 18.

Ambas são recebidas pela graça un icam en te através da fé. obviam ente.240 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA não queria que eles decaíssem da graça no seu caminho rumo à santidade e pureza.9) serão recom pensados pelas suas obras feitas em h on ra a C risto (1 C o 3. com o ocorreu com a sua justificação inicial. mas u m a m anifestação da santificação. 19). Mas não no con texto de estar “operando” n o sentido de conquistá-la. e não da justificação: nós fazem os as obras como resultado da nossa salvação. mas tam bém estão sendo santificados pela graça. E m outras palavras. A Posição Católica Confunde Recompensa da Salvação com Recompensa por Serviço Os textos citados pelos católicos acerca das “recom pensas pelas obras” não enfatizam a recom p ensa da salvação (seja ela justificação ou santificação). quanto para a santificação. C om o os gálatas já haviam sido justificados pela fé. Devem os n otar que. M esm o aqui. Em outras palavras. a fim de receberm os a vida eterna). en tretan to . Para os católicos. a referência que Paulo faz aos “falsos irm ãos” (grego: pseudadelphos). Na verdade. Todos os crentes estarão no seu Reino.8. a pessoa m o rra im ed iatam ente após a conversão). N em a ju stiça inicial (justificação). não guardam relação com a nossa ida para o céu — elas dizem respeito ao status que terem os depois de chegar lá (Lc 19. Contrastando co m isso. 1049) .17. Esta grave distorção foi obscurecendo a pura graça de Deus que era necessária à sua santificação progressiva.12). n em a ju stiça progressiva (santificação) são recebidas ou condicionadas pelas nossas obras m eritórias. ser necessária tan to para a justificação. p o rtan to . na teologia rom ana. as obras para galardão o co rrem sob o regim e da santificação. que aceita todas as doutrinas do evangelho como verdadeiras e obedece a todos os seus preceitos como sendo mandamentos divinos. vindos de fora (2. eles se referem às recom pensas (ou os galardões) por serviço. Pois nesta fé os sacramentos e as boas obras estão inclusos. a santificação progressiva influenciará positiva ou negativam ente a nossa entrada no céu. a m ensagem central de Gálatas é: Vocês não são som ente justificados pela graça. Paulo estava se referindo aos falsos m estres. que foram “secretam ente introduzidos” na igreja. encontra-se em u m a negação real da graça que ele m esm o alega.10). O C atolicism o. Estas obras. o m érito faz sentido se fo r com preendido no con texto de um a pessoa já justificada diante de Deus. CCHS . a prática de obras não é condição para ser santificado. 2 Co 5. (Orchard.lóss.1 lss. A lém do mais. E verdade que todos os que são salvos pela graça de D eus p o r m eio da fé (E f 2. que preconizavam a guarda da lei mosaica com o m eio de justificação. o perigo do falso ensino era de que os crentes verdadeiros da Galácia pudessem adotar os acréscim os ou suplem entos judaizantes ao evangelho (1-7-9) com o m eio de santificação progressiva. que passa a inclu ir as obras: A omissão não causa qualquer dificuldade se a fé for compreendida no sentido de fé dogmática. e que está “operando” a sua salvação com tem o r e trem o r (Fp 2.4).” Eles respondem a isto fazendo u m a redefinição de fé. A Posição Católica Insere as Obras no seu Conceito de Fé Os eruditos católicos reco n h ecem que “a ausência de qualquer referência aos sacram entos e às boas obras n a tese paulina em [Rm l.] sem pre é n otada. não diz respeito aos crentes da Galácia que haviam adotado o ensino errôneo dos j udaizantes. oficialm ente. não para nos salvarmos (isto é. o que recebem os no m o m en to da justificação inicial não nos é suficiente (a não ser que.

Pelo m enos. a salvação estará perdida). ao co m en tar este versículo.25 Tendo isto em vista. parte da resposta se en con tra no ensino de que a justificação (regeneração) ocorre n o batism o. não batizados com o bebês) está pré-condicionada à fé mais obras. inclusive “u m a d eterm inação de receber o sacram ento do batism o e de guardar os mandamentos” (ibid. a sua fé lh e é im putada co m o ju stiça ” (R m 4. 25 O C a te cism o da Ig re ja C a tó lic a .28. apesar da notável ênfase n a necessidade da graça para a salvação e da necessidade de u m a fé explícita co m o pré-requisito para a nossa justificação. C onseqüentem ente. tam p ou co foram capazes de desenvolver o poder de to m ar decisões m orais.23 R ecorde-se que Paulo prossegue confirm ando: “Mas. 1055) O com en tário insiste que a fé é som en te a preparação “im ed iata” para a justificação — um a preparação “re m o ta ” tam bém é necessária. q u e é o seu o b je tiv o fin al e a sua b e a titu d e . grifo acrescentado). 895. ao a p rese n ta r-lh e u m b e m in ferio r. sem as obras da LEI” (R m 3. (Orchard. será que as obras (por 23 N este caso. in Denzinger. Nada poderia ser mais contrário ao significado claram ente evidente do texto de R om anos. O Concilio de T rento declarou: Além disso. a vida etern a — tam bém requer tanto a fé. apesar de o fen d ê-la e feri-la . Todavia. os católicos continu am afirm ando que justificação (nos adultos. já que o batismo em si é destinado àqueles que ainda não foram regenerados. Isto o co rre via penitência. grifo acrescentado). O p ecad o v en ia l p e rm ite a su b sistên cia da caridad e. e le desvia c o m p le ta m e n te o h o m e m de D e u s. que é necessária depois que alguém com ete u m pecado mortal (do contrário. m as le r e x a ta m e n te o c o n trá r io do q u e e le diz. a realização desta obra é um a condição para a re-justificação — a re-salvação daqueles que perderam a sua justificação inicial em função de u m pecado m o rta l. (Cânon 6. A lém disso. àquele que não pratica. C o m o a Igreja C atólica A postólica R o m an a não acredita no rebatismo." . precisam os questionar porque os católicos não acreditam que as obras m eritórias tam bém são necessárias para a justificação inicial. SCD. n o seu e n sin o so b re o pecad o (m o r ta l e v en ial). que não têm a capacidade de crer. ela precisa oferecer o u tra m aneira de um a alm a teim osa voltar ao seio da igreja. para os católicos rom anos. quanto as obras.5) e “o h o m em é justificado pela fé. já que não possuem ainda consciência m o ral. 24 C o m e n tá rio C a tó lic o A ce rca das Sagradas E scritu ra s. portanto: “Se o batism o fosse som ente para adultos. sem a necessidade de qualquer outra forma de boas obras.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO # 241 Este é ou tro exem plo claro de eisegese. neste sentido.273) A penitência é u m a fo rm a de obra. este sacramento da penitência é necessário (normativamente) para a salvação daqueles que caíram depois do batismo. o com entário católico de nom e A Catholic Commentary on Holy Scripture24 enfaticam ente ensina: Outra conclusão acerca de [Romanos 3. in fo rm a : “O p eca d o m o r ta l d estró i a carid ad e n o co ra ç ã o d o h o m e m p o r cau sa d e u m a g rave v io la çã o da lei de D eus. p o rém crê naquele que justifica o ím pio. Os bebês não têm n em consciência acerca de si m esm os (isso sem falar na consciência acerca de D eus!). a salvação final — a glorificação. n ão se tra ta sim p le sm e n te de le r n o te x to o q u e n ã o está ali. A Posição Católica Torna as Obras Necessárias para a Re-justificação A dou trina católica tam b ém deixa claro que a prática das obras é u m a condição para se receber a re-justificação. Precisam os perguntar..28] que precisou ser rejeitada pelo Concilio de Trento é que antes da justificação somente a fé é necessária [para os adultos] como preparo. que é realizado nos infantes. logo.

ela é m anifesta pelas boas obras.1. perdoados. 28 C o m o já v im o s. na prática. 27 Para saber m ais a ce rca d o p ap el d o a rre p e n d im e n to n a ju stifica çã o .272)2 7 A Posição Católica Desqualifica a Graça ao Fazer das Obras uma Condição para a Justificação Progressiva O u tra fo rm a de analisar este te m a é observarm os que apesar de a Teologia católica adm itir que a graçaé necessáriano estágio inicial da salvação (que os protestantes cham am d e justificação). a vida santificada é resultado da fé despertada pela graça (R m 4. quanto Pedro para provar este ponto: O Senhor também disse: “Se não vos arrependerdes.242 % TEOLOGIA SISTEMÁTICA exem plo. por preservar em grau m u ito m aior a dou trina da graça. C o m o já analisam os. disse: “Arrependei-vos.38 —Bíblia de Jerusalém). H onestam ente.28 eles sustentam que precisam os fazer as nossas obras com fidelidade para alcançar a justificação final. Isto não é favorecer a segurança salvífica pela qual “sabemos que tem os a vida e tern a ” (cf.4. e que ele tem a prom essa da eternidade co m o Senh or. G1 3. os católicos crêem que esta tran sform ação (que eles cham am de justificação progressiva) não é possível se a pessoa não for m otivada pela graça de Deus. e o príncipe dos apóstolos. justificado) som ente pela fé. . a d outrina da graça que o C atolicism o confessa em princípio. m as não é u m a condição para a santificação. a prática de obras é u m a condição indispensável para o estágio subseqüente da salvação (que os protestantes ch am am de santificação). e pela qual estam os inseparavelm ente ligados a Deus p o r m eio do seu am or (R m 8. a sua m en te não é confundida com obras que ele necessite realizar para obter a certeza de que todos os seus pecados (passados. 26 A B íb lia de Jeru sa lém é u m a tra d u ç a o ca tó lica . Pedro. a posição protestante defende que a prática de boas obras surge da justificação. (in Denzinger. alguns arm inianos) que crêem na perda da salvação não acreditam que a prática de obras seja necessária para a obtenção da salvação (sej a ela í justificação ou a santificação). O Concilio de Trento citou tanto Jesus. seguindo a distinção bíblica inequívoca entre a justificação (n o sentido foren se) e a santificação (n o sentido prático). Se a execução de obras é im pelida pela graça (nisto católicos e protestantes estão em acordo) não vem ao caso — quando não podem os nos salvar sem as boas obras m eritórias. apesar de a fé salvífica ser.3 —Bíblia de Jerusalém2 6 ). 1 Jo 5. m as a partir dela. a defesa da necessidade das obras para a justificação nega. A santificação não é conquistada pelas boas obras. vide ca p ítu lo s 15 e 16.3). C ontu do. posteriorm ente. é mais convincente.” pois. estas obras se to rn a m u m a condição para se obter a vida eterna. Apesar de os católicos recon h ecerem que existe u m ato inicial de justificação. Depois que o crente fica ciente de que pode se apresentar de fo rm a íntegra diante de D eus (isto é. cf. e cada um de vós seja batizado” (At 2. e nós n ão trabalh am os para a graça de Deus. A té m esm o os protestantes (por exem plo. 894. confirm ada pelas boas ações. perecereis todos do mesmo modo” (Lc 13.36-39). A apresentação protestante do caminho da salvação. “fazer penitência” está explicitam ente listado pela Ig reja C atólica co m o um a pré-condição para os adultos que desejam ser salvos.13) [em Cristo]. recomendando a penitência aos pecadores que estavam prestes a receber o batismo. todavia. a lg u n s a d m ite m a d ecla ra çã o ju r íd ic a da ju s tiç a d o c re n te p o r p a rte de D eus. SCD. presentes e fu turos) estão. a penitência) tam bém seria um a pré-condição para a salvação?” A resposta parece ser “sim .

a insistência católica nas boas obras para que se atinja a justificação progressiva e final. A visão católica dos sacram entos. Ao reconhecer a graça de Deus. (in Denzinger.22. em efeito e na m aioria das vezes. F C D .. 325). tam bém é anátem a crer que “a graça não é conquistada pela obra que foi executada”. a Teologia católica cu n h ou a expressão ex opere operato (Latim : “pela obra que é operada”). a graça de Deus não nos traz som ente a salvação (T t 2. novam ente. 849.] que seja anátema. Loveless. O dogm a católico afirma: Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não contêm a graça que significam. tende a retirar co m a m ão esquerda. recebidos por fé [. um a salvação in stitu cion alm en te mediada. R m 8. a salvação ocorre p o r m eio dos sacram entos — o m étod o norm ativo de Deus para salvar os pecadores é via sistem a sacram ental católico. 30 O V a tica n o II fo i o c o n c ilio c a tó lic o 31 O s s e te sa cra m e n to s a d m in istra d o s p ela Ig r e ja C a tó lic a R o m a n a > 1 :: c batismo. a 32 Fé fid u cial é a fé q u e en v o lv e a c o n fia n ça e a s egu ran ça.11). cânon 8. Sendo este o caso.262) Além disso.30 é que ele é dado “não m eram en te com o u m sinal.14).. não proporciona m otivo para a prática das boas obras. le tr a e m ú sica de B etsy D aasvand e W en d ell P. O am or de Cristo “nos constrange” (2 Co 5. que significa.19). a visão sacram ental deles.263). aqueles que reconhecem que estão salvos.2.4). em princípio. o crente recebe um grande estím ulo para servir a Deus. SCD. de acordo com a d outrina católica. som ente pela graça podem cantar: Como poderia fazer menos D o que entregar a E le o melhor de m m ? E viver completamente p ara E le D epois de tudo o que por mim E le realizou A P o siçã o C a tó lic a In s is te n a S a lv a ç ã o S a c ra m e n ta l Apesar dos teólogos católicos alegarem que não existe salvação fora da graça de Deus. .”32 Para designar isto. e som ente por meio da fé. T32K im p o rta n te depois de T r e n to .. uvjxmação. Cl 2. Nas palavras de um hino. e “nós o am am os porque [percebemos que] ele nos am ou prim eiro” (1 Jo 4. mesmo sendo eles somente sinais exteriores de graça ou justiça. C l 4. “os Sacram entos operam pelo poder do rito sacram ental ~ " A fter A li H e ’s D on efor M e”. cânon 6. mas que vem “som ente pela fé ” (in ibid.12). aquilo que foi afirm ado com a m ão direita. Esta é. A certeza de que somos justificados som ente pela graça. ou que não conferem esta graça sobre aqueles que a ele não se opõem. a primeira comunhão (ou Eucaristia). é a m aior m otivação à santificação. de acordo com a doutrina católica. que nos declara justos à parte de nossos m éritos.3. mas tam bém “nos ensina a renunciar à impiedade e às concupiscências m undanas” (2. na prática. pelo recebim en to dos sacram entos ao longo da vida das pessoas. parte por parte.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇAO 243 A P o siçã o C a tó lic a D im in u i a M o tiv a çã o p a ra a E x e c u ç ã o de B o a s O b ra s Ironicam ente. A guarda da lei para a obtenção da graça som ente nos conduz de volta à servidão (cf. sem a m ediação da fé fid u d al.3. 851. intocada pelo C oncilio V aticano II (1962-1965).31 Os católicos rom anos acreditam que os sacram entos são objetivam ente efetivos independ entem ente da sua eficácia ser experim entada de form a subjetiva: “Os sacram entos conferem graça im ediatam ente. mas com o um a causa da graça” (in O tt.

C onseqüentem ente. SC. 594-95). da parte de Deus. O C atolicism o recon h ece a validade de dois sacram entos — o batism o e o m atrim ô n io — que são largam ente praticados fo ra da sua jurisdição e que tam bém p erm item que a graça possa ser dispensada por interm édio da Santa Ceia. Tão logo o sinal sacram ental é validam ente executado. 33M as n ao d a m e sm a fo rm a que se d aria c o m a E u ca ristia c a tó lic a . conferido pelas Sagradas Ordens. T rento em itiu o dogm a infalível de que o C atolicism o é a organização escolhida p o r Deus para ser a distribuidora da graça sacram ental de Deus. para. sacrificado. seja preciso estar fora do sistem a católico rom ano para ficarm os verdadeiram ente im pressionados com a flagrante descom postura desta presunção acerca da institucionalização da salvação. é necessário para a válida adm inistração dos Sacram en to s” (O tt.34 Q uem sabe. do nascim en to à m o rte. cânon 8. a Igreja C atólica tam bém insiste em ter recebido poder.263). G regório. O D CC. p ouco a pouco. C risto era. desde o nascim en to (batism o) até a m o rte (ex trem a unção). o Grande (c. defendia que em toda missa. pela qual se acredita que D eus concede a sua graça para aqueles que os recebem em diferentes estágios. . de m aneira literal. verdadeiram ente.244 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA co m p le to ” (in ibid. 405-07). no corpo e n o sangue de Cristo (a transubstanciação). cânon 4.. novam ente. vide v o lu m e 4. pois a expressão significa que os sacram entos “levam D eus a conceder a graça pelo seu valor objetivo. considerado “o Pai do papado m edieval” (Cross. A Posição Católica da Eucaristia como Sacrifício Adultera a Salvação pela Graça Os católicos rom anos entendem aFesta daEucaristia com o u m “sacrifício sem sangue. a salvação depende da execução das obras do sistema sacramental — ela não vem somente pela graça e somente pela fé .. u m poder sacerdotal ou episcopal especial. 341). ibid. tran sform ar os elem entos físicos do pão e do vinho.).247). 540-604). 847. Só a Igreja C atólica R om an a tem esse direito. 851. a Ig reja C atólica R om an a é a instituição da salvação — u m a idéia su m am en te rejeitada pelos protestantes. A adoção da fó rm u la ex opere operato p or parte do C oncilio de T rento foi vigorosam ente com batida pelos reform adores. A Posição Católica Sustenta que a Igreja Católica Apostólica Romana É a Instituição Detentora da Salvação Os sacram entos. e “esta noção da missa com o u m sacrifício acabou se tornand o a dou trina padrão da Igreja O cidental — até ser rejeitada pelos protestantes no século X V I” (G onzález. enferm eiras e m éd icos) e até m esm o m inistros protestantes poderem adm inistrar o batism o em o n o m e da Trindade. ed. FCD. A Igreja C atólica R o m an a ensina que “exceto para o Batism o e para o M atrim ônio.” u m a idéia encontrada nos escritos de alguns dos prim eiros Pais Medievais (vide O tt.262). Apesar de tan to os leigos católicos (p o r exem plo.33 Os sacram entos institucionalizados são necessários para a salvação (D enzinger. Deus concede a graça” (O tt. o Concilio de T rento condenou abertam ente a idéia de que “todos os cristãos têm o poder de adm inistrar os sacram entos” (ibid. 1. M Para u m a exp lica çã o m ais d e ta lh a d a sob re as d iferen tes persp ectiv as ac e rc a deste s a cra m e n to . obviam ente. A eucaristia é um exem plo em blem ático: além de se alegar (por m eio do seu sacerdócio) a ú n ica organização divinam ente designada para adm inistrar estes sacram entos. são m ediados pela Igreja. 331). Em outras palavras. FCD.

. novam ente. ca p ítu lo s 6 e 10 p a ra saber m a is so b re 37 P o r in te rm é d io deste p ro ce sso . o C atolicism o institu cionalizou a salvação e.” A teologia . i. RESUMO DAS CONVERGÊNCIAS E DAS DIVERGÊNCIAS Em term o s de justificação (ju stiça). BC.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO # 245 Os protestantes rejeitam o “Sacrifício Eucarístico da Missa.36 o p roblem a é a concepção católica de que u m poder divino . E claro que os católicos defendem que os sacerdotes não fazem a consagração pelo ieu poder próprio. Aqui. não há neeessidade para sacrifícios repetidos” (lu te ro .u t e r ir . m as u m resultado da salvação. 140). as áreas de convergência e divergência en tre os protestantes e os católicos rom anos podem ser resum idas da seguinte form a: Justificação Inicial S Legal (jurídica) Católicos permitem Protestantes afirmam Ambos afirmam Ambos afirmam Ambos afirmam Ambos negam Justificaçao Progressiva Católicos permitem Protestantes negam Justificação Final Católicos afirmam Protestantes negam Real (prática) Mudança 1 comportamental : Necessidade da graça Necessidade das 1 obras Ambos afirmam1 Ambos afirmam Ambos afirmam Católicos afirmam Protestantes negam Católicos afirmam Protestantes negam Ambos afirmam Ambos afirmam Católicos afirmam Protestantes negam A BASE BÍBLICA DA RELAÇÃO ENTRE FÉ E OBRAS Agora que já estudam os a batalha histórica entre católicos e protestantes. O que está pendente é a conexão precisa en tre fé e obras. mas pelo poder de D eus que lhes foi investido. exam inarem os o debate in tern o que o co rre entre os protestantes acerca da relação entre re e obras. co m base neste sacrifício único e definitivo. dessa form a. por exem plo. está claro que a Bíblia repetidam ente enfatiza a necessidade que o crente tem de m anifestar as boas obras: A n ecessid ade da c o n sag ração d os e le m e n to s feita p o r u m p ad re. e : : m o o crente é justificado pela fé. O sacerdotalism o35 tam bém é negado: “A presença do corpo e do sangue de Cristo não e resultado da ação do sacerdote. mas um a conseqüência do poder de Jesus C risto” (ibid. declara: “C o m o Cristo m o rreu e expiou o pecado de um a vez p o r todas. 36V id e v o lu m e 1. um a causa eficiente ou m eram en te : casional do poder divino. verdadeiram ente. : £ diferen tes tip os de causas.e s ta natu reza foi entregue para ser adm inistrado pelo sacerdócio rom ano. deb ate in te rn o e n tre os ev a n g élico s fica rá visível. corrom p eu a pura graça de Deus ao colocá-la debaixo do con trole de u m a hierarquia hum ana. Independentem ente da conexão existente entre a fé e as obras. A objeção protestante não provém do fato do padre ser.i.37 Todos concordam que a prática de obras não é u m a condição para.

O utros. que está nos céus” (M t 5.37-39. para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai. superabundeis em toda boa obra” (2 Co 9. as obras não podem surgir de form a autom ática.25). “Q ue do m esm o m odo as m u lheres se ataviem em tra je honesto. tendo sem pre. “N unca seja inscrita viúva com m enos de sessenta anos. e o am or n ão é au tom ático.16 descreve a santificação com o um a livre-ação n a qual som os direcionados a “nos apresentarm os. co m pudor e m odéstia. 22.8). agradando-lhe em tudo.14.10).37.10). adm item que a santificação envolve a graça cooperativa. outros atos de bondade são descritos co m o “livres” e “sem qualquer tipo de coação” — tal qual pode ser visto pelas expressões “volu ntariam ente” (2 Co 8. Segundo. cf. frutificando em toda boa obra e crescendo no con h ecim en to de D eu s” (C l 1. e isto quero que deveras afirmes. 1 Jo 2. n ão com tranças. 1 Co 7.16). co m o insistentem ente afirm a o Calvinism o Firm e. a fé salvífica automaticamente produz as boas obras. e as que são d ou tra m aneira não podem ocu ltar-se” (1 T m 5. a fim de que. “Assim m esm o tam bém as boas obras são manifestas.10. R m 6. E f 6. ou co m ouro. R om an os 6. “Fiel é a palavra. e a obediência não é autom ática. “[Oramos] para que possais andar dignam ente diante do Sen h or. o que im plica u m ato sinérgico (u m “trabalhar em c o n ju n to ”) da graça de D eus com a vontade hu m ana.5.. 24). Quarto. co m o já foi notado. Sendo assim.3) ou “não fosse co m o por força.” Quinto. para que os que crêem em D eus p ro cu rem aplicar-se às boas obras” (T t 3. M uitos calvinistas firmes sustentam que. mas vo lu n tário” (Fm 1. inevitavelmente. 39). 1 Jo 5. Alguns proponentes da graça livre alegam que a prática de boas obras n o rm a lm en te acompanha a fé salvífica. O utros. Primeiro. “Porque som os feitura sua. a santificação é u m processo que envolve a obediência. mas sim um ato livre (cf. mas não de fo rm a au tom ática (u m a decisão livre estaria envolvida). apesar disso não ser u m resultado direto (ou obrigatório). Os Crentes Verdadeiros Manifestam a Sua Fé Por Intermédio das Boas Obras Existem diferenças cruciais en tre os proponentes das várias posições protestantes acerca da relação entre fé e obras.]praticou toda boa obra" (1 T m 5. nem necessárias. afirm am que as obras não são nem automáticas. preferem afirm ar que as obras fluem naturalmente da fé salvífica. mas (co m o convém a m u lheres que fazem profissão de servir a D eus) com boas obras” ( l T m 2. da fé salvífica.10). os calvinistas firm es. A té m esm o os calvinistas firm es reco n h ecem que a graça opera de form a cooperativa (co m o nosso livre-arbítrio) depois da justificação. por sua vez. a santificação do nosso am or por Deus. co m o o cren te é m ovido pela graça de Deus.6).16.3. toda suficiência. ou vestidos preciosos. .246 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA “Assim resplandeça a vossa luz diante dos hom en s.8). mas u m ato da vontade (cf.10). e só a que [. Jo 15. as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (E f 2. ou pérolas. Porque as Obras não Fluem automaticamente da Fé Salvífica Há m uitas razões para rejeitarm os a posição de que as obras fluem au tom aticam ente da fé salvífica.. O utros protestantes sustentam que a prática de boas obras surge. “Tendo p o r certo isto m esm o: que aquele que em vós com eço u a boa obra a aperfeiçoará até ao D ia de Jesus C risto” (Fp 1. ainda. “E D eus é poderoso para to rn ar abundante em vós toda graça. Terceiro. criados em C risto Jesus para as boas obras.9.9. M t 22. em tudo.3).

pela graça de Deus/” Sétimo. grifo a c re sce n ta d o ). c a p ítu lo 11) n ã o te m fu n d a m e n to . desta sorte.10). natu ralm en te.12). 42-43. grifo acrescentado) Primeiro. fornece evidências acerca da f é salvífica. n ã o faz sen tid o u m c a lv in ista firm e c h a m a r estas decisões de “liv res” se d e fen d em o s q u e elas.1 ). : 5 a . cf.] o fruto. grifo a c re sce n ta d o ).30.20). Porque as Obras Fluem naturalmente da Fé Salvífica Apesar das obras não fluírem au tom aticam en te da fé salvífica. 5 16-18.. Oitavo. e ú ltim o. vide R y rie.11-13. estas decisões são : :m a d a s a p a rtir de u m d e sejo cria d o p o r D eu s e m n ó s e n ã o p o d e m ser resistidas o u re jeita d a s. A lém disso.1 2 — 6 . vide c a p ítu lo 16 r ara u m a visão m ais equ ilib rad a. Z a n o H odges escreve: “A fé q u e receb e u m a salvação tã o m a ra \ il“ : ía :e m a to ta l e sp on tan eid ad e de u m a confiança in fa n til” ( A F .4). e m ú ltim a estân cia.12.4 3 e o arrependim ento genuíno levará n atu ralm en te às boas obras (M t 3. r e n 3do p ó s-co n v e rsã o ( A F . elas surgem de form a natu ral.39 Quarto. ca p ítu lo s 2 .13: 2 P e 1 3 -S : 1 fo este d esejo n a tu r a l de c re s cim e n to (1 Pe 2 . a fé salvífica é com parada a um a sem ente que cresce n atu ralm en te em terra rértil (Lc 8. E f 2 .AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO # 247 Sexto. n o e n te n d im e n to “lib e rtá rio ” da lib erd ad e). Ap 22. G eisler. A t 26.23). mas uma f é salvífica sempre as gerará. Eleitos M as Livres. cf.essa fo rm a . R y rie faz u m a o b serv ação m u ito c o n s iste n te ao e n sin a r q u e o arrep end i m e n te sem a ié n ã c salva. SGS . errôneas ou regulares. foi au tom ático).8.1 lss. é largam ente sabido. a B íblia n o s a d m o e sta a saciar 40 C f.A r t s r c : :c e do a rre p en d im en to ...6 .4 4 Os “calvinistas firm e s ” in siste m e m a firm a r q u e os ato s sin érg ico s (p elo s quais s o m o s sa n tifica d o s) são atos-livres . sim p le sm e n te sign ifica “m u d a n ça de m e n te ” (a re s p e it: de a_a__:_zr j . acertadam ente. até m esm o pelos proponentes da graça livre. 82-90. receberem os galardões (recom pensas) pelas nossas boas obras t cf.” V id e N o rm a n L. a santificação é um a obrigação. Cl 3. 41 V id e c a p ítu lo 16.12.7). 39 A n o v a vida p ode ser atro fiad a se n ã o fo r c u ltiv a d a (cf.11-18. 1 C o 3. Logo. às boas obras para com aquele que n o-la depositou. dessa fo rm a . e não faz sentido castigar alguém por aquilo que poderia ter sido evitado (já que. ao se r e fe rir ao a to de :± sai vinca : ~ r le m e n t a d a p o r A braão: “Este a to de confiança lh e foi im p u ta d o p o r ju s tiç a ” (ibid. 1 Co 3.3. ap ên d ices 1. Sexto. . -?-5. sofrerem os a perda dos nossos galardões em função de m ás ações (cf. m anifestam u m desejo de crescer por m eio de um a fom e por alim ento espiritual. visíveis ou não.8-10. 20.31. que não envolveram u m a decisão da sua parte neste sen tid o ). Para d e ta lh es. 42 P o r e x e m p lo . 32. Terceiro. se não pelas nossas próprias forças.] do contrário não terá sido um crente de verdade [. já q u e o arrependimento.21. tal qual os botões surgem de form a natu ral em u m arbusto vivo. a conexão bíblica inegável entre fé e obras indica que a realização das obras flui natu ralm en te de um a fé salvífica. para o ca lv in ista firm e .4 1 que a fé salvífica envolve confiança. são re su lta d o da ‘‘g ra ça irresistível q u e se so b re p õ e à n o ssa v o n ta d e c o n trá ria . o b serv am os q u e os eles n ã o q u e re m d izer q u e estes atos são livres n o sen tid o de q ue a p esso a te ria a liberdade de to m a r o u tr a decisão (isto é. supostam ente. Segundo.27. T t 2.dc -i . 3 .17. a fé salvífica envolve um arrependim ento genuíno (A t 17. 19. “a ú n ic a fo rm a de a rre p e n d im e n to que salva é u m a m u d a n ça n a n o ssa m e n te a c e r :a à c k s k i C M .1 lss). Hb 5 .2). T g 1.5 -8 . tudo. g rifo acrescenta. e o crente verdadeiro recebe u m a nova natu reza (2 Co 5. a atividade é conseqüência n atu ral da nossa natureza. os crentes verdadeiros são “nascidos de n o v o ” (Jo 3. .42 A confiança leva-nos. portanto.. 44 A te n ta tiv a de H odges e m fazer c o m que o “a rre p e n d im e n to ” s o m e n r t >± re z r a a : JT rn re n o n e ste m e sm o \ :*lum e. As evidências podem ser sólidas ou débeis. e não faz sentido recom p ensar u m a pessoa por ações que lhes foram autom áticas (isto é. So Great Salvation. Charles Ryrie (nascido em 1925): Todo cristão dará fruto [. 1 Pe 1. e toda responsabilidade im plica na capacidade de responder a ela.40 Quinto. e m si m e sm o .13. e.. 2. em resposta.9. (SGS. 60. Fp 2.26. C om o observou.

22. mas nem por isso escapou de cair em pecado.11. de fo rm a explícita: M eus irm ãos. a fé verdadeira não é u m m ero con sen tim en to m en tal (intelectu al. som os santificados da m esm a fo rm a que som os justificados — pela fé (vide G1 3. rega. o fato de a fé verdadeira envolver a obediência. em T t 3. revela-nos que ela redundará em ações.9. a santificação está condicionada à nossa “obediência para a ju stiça” (R m 6. D e m aneira sim ilar.14) ou ser “surpreendido nalgum a ofensa” (G1 6. O am or verdadeiro se expressa de m odo natural (1 Co 13. mas não tan to quanto se ela fosse am orosam ente cuidada (cf.4.8. Jo 15. a vida espiritual pode ad orm ecer e ficar atrofiada.14. Nono. que viveu em Sodom a.7. um grande h om em de fé (G n 9). Hb 5. 1 C o 3.” tam bém foi assaltado pelo engano e pela descrença (G n 20 —21). 11). as boas obras fluem da crença genuína da pessoa com o u m todo.] B em vês que a fé [de Abraão] co o p ero u co m as suas obras e que.7). algum fru to . A lém disso. SGS. o fru to adicional som ente vem através de u m árduo trabalho de cultivo.. 4 5 Atos 5. 1 Pe 4. 1 Jo 2. 6. Abraão. 24). Porém . entretanto. cf.. o m esm o se deu com Noé.8. ou baseado na razão). Davi com eteu (2 Sm 11). se n ão tiver as obras. o ensino ajuda a produzir u m fru to m elh o r (Jo 15. 110-11).8). Todavia. cf. se a piedade é conseqüência natu ral da fé salvífica.18. Jo 4. foi um “h om em ju sto ” (cf. “o pai de muitas nações. C o m o Ryrie afirma: A fé salvífica é u m a fé atuan te. pelas obras... 121. .] [Não] Assim tam b ém a fé. 17. grifo acrescen tad o) Crentes Verdadeiros Podem Cair no Pecado Tudo isso não tem por objetivo afirmar que o crente verdadeiro não pode “se desviar” (cf. naturalmente. o fato de a fé verdadeira envolver o am or a Deus (M t 22..248 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Sétimo. Ef. a fé p od e salvá-lo? [.16. elas argu m entam .18). 2 Pe 2. apesar de algum as ações surgirem natu ralm en te.12). sem estas ações. De m odo sem elhante.7). é m o r ta em si m esm a [.] U m a fé im p ro d u tiv a é u m a fé espúria. R m 15. A lgum as pessoas questionam que se a prática de boas obras fluísse n atu ralm en te da fé.2). C o m o ela tam b ém inclui as em oções e a vontade (R yrie.9).6. não há necessidade da graça nos ensinar a praticar as boas obras. C om o já vim os. 2 T s 1. algum as pessoas já observaram que a graça é considerada com o a nossa in stru to ra da piedade (T t 2.45 Décimo. Jr 3. A razão pela qual as Sagradas Escrituras nos incentivam neste sentido é porque apesar da prática das boas obras fluir naturalmente da fé salvífica. (T g 2. e pagou m ansam ente (2 Sm 12). ela não surge de forma automática.1ss)..32.2). 22) Décimo-primeiro. Oitavo.37. 2 Pe 3.5. e poda (cf. e estas obras justificam os crentes n o tribunal terren o [em oposição ao céu] [. Ló. fertilização. e ú ltim o. a fé foi aperfeiçoada.3. (SG S. Tiago declara. d em onstra que a fé se expressa n atu ralm en te na fo rm a de ações. assim com o. que aproveita se algu ém disser que te m fé e n ão tiver as obras? P orv en tu ra. então a Bíblia não precisaria nos exo rtar a esse respeito (o que o co rre — por exem plo. a natureza produzirá.1) ou com eter “pecados” (1 Jo 1.

Talvez a ressoa que pecou ten h a ido tão longe que Deus n em queira que nos distraiam os orando por ela. pois? Perm anecerem os no pecado. esse re ce b e rá g alard ão . por serem filhos de Deus. para que a graça seja mais abundante? D e m odo n en h u m ! Nós que estamos mortos para o pecado. 7. Deus ro d e chegar ao ponto de to m ar a sua vida para salvar o seu nom e da desonra. p o rq u e p elo :3 g o será d esco b e rta.5). Por u m lado.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO # 249 C r e n te s V erd a d e iro s S ã o D is c ip lin a d o s q u a n d o P eca m As vezes a perspectiva da sola gratia é confrontada com a acusação de que ela leva a u m a vida libertina ou licenciosa. a frase p o d e s er m e lh o r tra d u z id a c o m o “E x iste p eca d o q u e jev a à m o r te . o D ia a d ecla ra rá . 16) e “te m desviado da v e rd ad e” (v. justa e piamente. como viveremos ainda nele? (R m 6. 19).11. Paulo tam bém estava escrevendo para crentes quando disse: "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer. Se a ob ra ru e alg u ém ed ifico u nessa p a rte p e rm a n e c e r. (Tt 2. n a verd ad e. 15. para que o espirito seja salvo no D ia do Senhor Jesu s” (1 Co 5. Em sum a.12) A lém disso. . Paulo disse aos Coríntios que o abuso que estava havendo na M esa da Ceia havia gerado a m o rte de algum as pessoas naquela igreja (1 Co 11. Isto tam bém pode ser o que Tiago estava alertando quando falou: “Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu cam inh o u m pecador salvará da m o rte um a ilm a e cobrirá u m a m ultidão de pecados” (T g 5. então. com o já foi visto. porque tudo o que o h o m em sem ear.30. 8). os crentes que erram na avaliação do que significa estar debaixo da graça _e Deus.6). O próprio Paulo enfrentou esta acusação e perguntou: Que direm os. D eus tam bém raz uso da disciplina con tra os seus filhos rebeldes: “Que filho há a quem o pai não corrija? Mas. e o fo g o p ro v a rá qual se ja a o b ra de cada u m . Paulo instruiu a :ongregação: “seja entregue a Satanás para destruição da carne.” 47 T iag o se dirige a eles c o m o “irm ã o s ” (v. A rraça não opera a impiedade por interm édio da piedade.8).20).” e. para que cada um receba segundo o que tiver feito r or m eio do corpo. “O S en h o r con h ece os que são seus. Em sum a. Paulo diz: Porque a graça de Deus se há manifestado. ele sofre disciplina. cf. o c o n te x to é ace rca dos irm ã o s q u e p e c a ra m (v.30-32). recebem a sua disciplina. Se a o b ra de _ : m o n ão existe a rtig o in d efin id o n o g reg o (um ou uma). Ele deveria receber um a disciplina severa em função do seu recad o (cf. se estais sem disciplina. isso tam bém ceifará” (G 16.47 M ostrando u m dos terríveis pecados dos cristãos de C orinto. e se persiste.7.1. vivamos neste presente século sóbria. renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas. “qualquer que profere o n om e de Cristo aparte-se da iniqüidade” (2 T m 2.20). sois. cf. da qual todos são feitos participantes. quando um crente cai em pecado. ensinando-nos que.19). n en h u m crente terá o seu pecado ignorado: “Porque todos devem os : Dmparecer ante o tribu nal de Cristo. v. Hebreus afirma que: “O >enhor corrige o que am a e açoita a qualquer que recebe por filh o” (12.2). ou bem ou m a l” (2 Co 5. bastardos e não ~lhos” (vv. trazendo salvação a todos os homens.10). 1 Co 11. D iante do tro n o do juízo: A ob ra de cada u m se m a n ife sta rá . 19).”46 Não estou dizendo que 3 irm ão que intercede] deva orar [em favor do seu irm ão que caiu] (1 Jo 5.16). a graça verdadeira nos forn ece a m otivação para levar um a vida justa. Pode ser que João estivesse se referindo a isso quando declarou: “Existe um pecado que leva à morte.

com as quais agimos de m aneira 48Vide volum e 2. A Natureza da Depravação Humana A depravação to tal significa (en tre outras coisas) que a hum anidade decaída — com o u m todo — é totalmente incapaz de alcançar a salvação. Deus “n em tam p ou co é servido por m ãos de hom ens. As pessoas nas quais confiam os. a salvação não tem origem na vontade hu m ana (cf. to d av ia c o m o p elo fo g o . e da tua m ão to dam os” (1 C r 29. sem que Ele já não nos te n h a entregado antes. T t 3.25). A vida eterna. pois ele m esm o é quem dá a todos a vida. e Ele a tudo sustenta. portanto.16)."1 8 Ele é a Fonte e o Sustentad or — Ele criou tudo. 48Vide capítulos 4-6.5 1 A fé salvífica envolve a dependência som ente de Deus para a nossa salvação. mas naquele que é a Fonte de tudo o que foi criado. u m ato de confiança ou com prom isso.5. e por ele.9. Se os h om ens devem ser justificados diante de Deus. p o rtan to . e quem é o m eu povo. e som en te Ele. e nada poderem os dá-lo. C om o já estudam os.8. é Ele quem deve iniciar e com p letar este ato. apresentaremos duas razões teológicas defendendo que as obras são um resultado natural (u m a evidência ou m anifestação) da fé verdadeira.3-7). cf. pela sua própria natureza. Prim eiram ente. E f 2. é u m ato que tende a resultar em m udança de atitude ( comportamento.® Nada tem os que dele não ten h am o s recebido.250 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA alg u é m se q u e im ar. Sem a graça dar início e executar o plano de salvação. m as o ta l será salv o. At 16.31. parte 2.9).5 0 A Natureza da Fé A fé é a ú n ica condição ( solafide) para receberm os o d om gracioso da salvação da parte de Deus (R m 4. . mas não um a condição para a fé salvífica.13-15) A BASE TEOLÓGICA PARA A RELAÇÃO ENTRE FÉ E OBRAS Há m uitos argum entos teológicos por baixo da visão evangélica de que a prática das boas obras é a evidência. parte 1. e para ele são todas as coisas” (R m 11. R m 3. R m 9. A Natureza dos Resultados da Fé A fé salvífica envolve confiança e com prom isso.25). que tivéssemos poder para tão volu ntariam ente dar sem elhantes coisas? Porque tudo vem de ti. “Porque dele. ação).13. M esm o que ela deva ser recebida por fé (Ef 2. n en h u m h om em jamais seria salvo: a nossa vida eterna encontra a sua origem som ente na graça (sola gratiá).36). é a Fonte e a Suficiência da vida eterna. Jo 1. analisaremos as três razões teológicas que dem onstram a implausibilidade das obras com o condição para a salvação e. so fre rá d e trim e n to . “D o SEN HOR vem a salvação” (Jn 2. A Natureza da Graça de Deus O Deus das Sagradas Escrituras é Causa não-causada.8. reconhecend o que Ele. co m o que necessitando de algum a coisa. “Porque quem sou eu. a respiração e todas as coisas” (A t 17. (1 C o 3 . to talm en te auto-su ficiente de todas as coisas. 49Vide volum e 2. não pode vir dos nossos esforços. 5 1 Vide capítulo 15.14). a prática das boas obras é u m a conseqüência natu ral dela. a seguir.

e para as quais agimos de m aneira benevolente (porque confiam os nelas.47).. e a graça. natu ralm en te. é u m ato da graça de Deus. Este “a m o lecim en to ” do coração faz co m que sejam os mais favoravelm ente dispostos — gratos e receptivos — A quele que é a Fonte da graça.u e com u n icam e difundem a bondade) são pessoas para com as quais agimos de m aneira positiva e para as quais respondem os de m aneira am orosa e sacrifical. a produzir boas obras n a vida das pessoas que a recebem (cf. respondem os de form as que sinalizam confiança). A Natureza da Salvação A salvação. no m u ito tam b ém am arão: “Mas aquele a quem p ou co é perdoado pouco am a” (Lc 7. o fato da natu reza intrínseca da salvação ser um ato gracioso e am oroso da parte de Deus tende. tende a abrandar o coração e provocar u m a m udança de atitude da parte da pessoa que a recebe.14). Senhorio Necessidade de aceitação de C risto co m o S en h or p ara a salvação Necessidade de | arrepen d im ento p ara a salvação Obediência é necessária para a salvação 1 "A creditar q ue” e “cre r e m ” 1 são a m e sm a coisa ‘ C re r q ue” pode salvar Fé envolve com p rom isso Perseverança em C risto é necessária para a salvação Fidelidade con tínu a é necessária p ara a salvação Necessidade de continuidade n a fé co m o condição p ara a salvação Necessidade de continuidade na fé co m o evidência da salvação ré n atu ra lm e n te produ z j obras Sim Sim Não Sim Não Sim Sim N ão Sim Sim Sim Calvinismo Moderado Não Graça Livre N ão Wesleyanismo Sim Sim N ão Sim Sim Não Sim Não Sim Não Não Sim Não Sim N ão Não N ão Sim Sim Não Não Sim Não Não Sim Sim N ão Sim Sim Não Sim . C onseqüentem ente. A Relaçao entre Fé.11-13).. O nosso S en h o r disse que aqueles que no m u ito foram perdoados. Obras e Salvaçao: Quatro Perspectivas . com o já observam os. pela sua própria natu reza.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO # 251 lorop riad a (porque confiam os nelas. T t 1. e “o am or de Cristo nos constrange” (2 Co 5. agimos de form as . "A benignidade de Deus te leva ao arrep end im ento” (R m 2.4).

p o ré m . 53 “S é rio ” sign ifica u m p eca d o d elib erad o . eles. Todas as pessoas que são salvas. a realização das obras não é condição para a salvação. .252 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA Boas obras são conseqüências automáticas da fé Todos os salvos devem ser discípulos Necessidade de ser um discípulo para ser salvo Todos os regenerados serão salvos Salvação pode ser perdida Possibilidade da salvação mesmo diante da perda total da fé em Cristo Fé continuada é uma condição necessária para a salvação Prática de boas obras é uma condição necessária para a manutenção da salvação Fé continuada é um sinal necessário da salvação Pessoas que caem em pecado sério continuam salvas E possível morrer em pecado sério5 3 e ser salvo Pessoas que continuarem em pecado podem ser salvas Podemos ter certeza da salvação mesmo em pecado sério Sim Não Não Não Sim Sim Sim Não Não Sim Não Sim Não Não Sim Não Sim Não Sim Sim Sim Não Sim Não Não Não Não Sim Não Não Não Sim5 2 Sim Sim Não Não Não Sim Sim Sim Não Sim Não Sim Sim Sim Sim Sim Não Não5 4 Não Não A BASE HISTÓRICA DA RELAÇÃO ENTRE FÉ E OBRAS — OBRAS NAO SENDO C O N D IÇ Ã O PARA A SALVAÇÃO Existe uma tradição firme e contínua desde o início da doutrinação cristã advogando que apesar de a fé verdadeira precisar (e naturalmente) gerar boas obras. 52 A lg u n s w esleyanos se re cu sariam a a c e ita r e sta fo rm a d e exp ressão. o são independentemente das boas obras. m as n ã o a apostasia. a d m ite m q u e c e rta s m á s ob ras p o d e m o c a sio n a r a p e rd a d a salvação. 54 Os am in ia n o s clássicos (o s segu id ores de a rm ín io ) d iscord am .

(C l. 1:348.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO # 253 Os Pais da Era Pós-Apostólica De acordo com os nom es mais influentes da era patrística. ao buscarem excluir Abraão da herança. de que “Ele creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça” (AH. ACCSNT) Ireneu (c. 347-407 d. NPNF. Oríflenes (c. penso que deve ser suficiente mencionarmos o ladrão na cruz. para a qual o Espírito. NPNF.] O homem é justificado pela fé. (IC in FEF. que fomos chamados pela sua vontade em Cristo Jesus. ou uma flecha precisa de um agente que dela faça uso. 202 d.11. ibid.4. 2. 6:110) Para respondermos a todos os que insistem em perguntar: “Como podemos ser salvos sem contribuir com nada nessa salvação?” Paulo nos mostra que. presta testemunho.4 in FEF.1 in Roberts e Donaldson. também. 1. 1..16 conforme citação feita em Oden.11:385-86.. ibid. 315-c. (HR in Schaff. Rm 7 in Schaff. ANF. Rm 3. porque está se vangloriando por causa de Deus. independente das obras da lei [. de fato. e não por causa de si mesmo. nem pela nossa sabedoria. 6.C. 1. também a graça de Deus tem a necessidade de corações crentes [. tampouco pelas obras que praticamos em santidade de coração. ACCSNT. C. e agora também por intermédio de Paulo.470). 125-c.3-1.) O homem que se vangloria nas suas obras está se vangloriando de si mesmo.132-34 in Oden.) Nós. Clemente de Roma (c. 1. nem pelo nosso entendimento.43] [. 1. portanto. Cirilode Jerusalém (c. 1. que pediu a Cristo para lhe salvar e recebeu como resposta: “Em verdade te digo.377. 185-c. C. não somos justificados por nós mesmos. ( CER. (2. As obras da lei em nada podem contribuir para isto.. 6:100) .) João Crisóstomo (c. de forma que por intermédio da fé nele..8.. temos uma grande dose de contribuição nela — entramos com a nossa fé! (ibid.] Se um exemplo for solicitado.112 in ibid. hoje estarás comigo no paraíso” [Lc 23.) Tal qual uma pena utilizada para escrever. C.28.. século I d. a salvação não pode ser conquistada por m éritos próprios. nem pela nossa piedade. por intermédio de muitos homens.102-03). Por isso requereu a intervenção de um propiciador. portanto.808..9.] A parte de Deus é derramar a graça.. 6:104) Deus é justo e.. é Marcião e seus seguidores. 254 d. aqueles que não poderiam ser justificados pelas suas próprias obras pudessem ser justificados. mas aquele que descobre a sua honra na fé que deposita em Deus tem uma razão muito melhor para se vangloriar. ibid. Nada do que fizerm os será digno do d om gracioso da salvação de Deus. não poderia justificar os injustos.. mas a vossa é aceitá-la e guardá-la.) Vão. 3 8 7 d.) Defendemos que o homem é justificado pela fé. C.

retira-o novamente. 74 in ibid.152 in ibid. in Oden. 22:236. (CPE in CCL. ibid. Desta forma. de forma a não causar qualquer mácula ao livre-arbítrio. 82.. Eles são justificados de forma graciosa. é dom de Deus. e vós não tendes nenhum mérito nisso (EE. Abraão creu em Deus.) [Deus] justifica aquele que tem fé em Jesus [...2. ibid. Ef 2:8 [JOEP 2:160] in ibid. 2. sacerdote e cordeiro.2. (1. para que ninguém se glorie” (Ef 2. (ODHBS. século I V d. ele nos designa um papel. que somos herdeiros da sua raça. 466 d. ACCSNT. novamente..2163) O Senhor Cristo é.103) E. 6:104) Os Pais da Era Medieval Os Pais medievais não foram menos incisivos acerca da impossibilidade das obras servirem como base para a salvação. também possamos ser herdeiros da sua fé. como Ele declarou em Habacuque: “O justo viverá por fé em mim. .. vede como Paulo vos coloca no vosso devido lugar. dizendo “e isto não vem de vós” (HE.9).254 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Para que nenhum de vós seja exaltado pela magnitude destes benefícios. a seguir.. (CCL. pois não recebemos nada por nosso próprio mérito.9. 1. para que nós. 81.248-49. C) Tudo o que trazemos para a graça é a nossa fé [. Teodoreto de Cirro (c.. 393-c. e isto lhe foi imputado por justiça”. porque nada fizeram ou nada deram em troca..89 in FC. Não se trata de vossa obra. Não foi por nossa concordância que passamos a crer. exigindo de nós somente a fé. século IV ) O fato de vós efésios serem salvos não é nada que venha de vós mesmos. simultaneamente. Pois ele prometeu que justificaria aqueles que cressem em Cristo. C . mas chegamos à fé depois de termos sido chamados.” portanto. (CEP conforme citação feita em FEF.13).] Deus deu o que prometeu para que fosse revelado como justo.” diz ele.7. mas graça e dom divino.. Deus e o trono da misericórdia. mas pela fé somente foram tornados santos pelo dom de Deus. Ele não fez com que merecêssemos. “pela fé. Pois “pela graça sois salvos. tão somente pela graça e benignidade de Deus.152 in ibid. e realizou a obra da nossa salvação por intermédio do seu próprio sangue. 3. eles levaram adiante a tradição salvííica recebida das eras apostólica e patrística.” Todo aquele que tiver fé em Deus e em Cristo é justo. Não vem das obras..] Pois Paulo acrescenta “e isso não vem de vós. (ILR. 6. 6:111) Ambrosiastro (c. C. 8.8. 8:134). Portanto. mas dom de Deus. 6:102) Caio M ário Vitorino (c. 8:132) Ambrósw (3 3 9 -3 9 7 d.) Pois o que diz a Escritura? “Abraão creu em Deus. creiamos nós também.

6:104) . pelo m enos somos salvos pela nossa própria fé e. m as para que ten h am o s o poder de executá-las.] Pois quem haverá de se vangloriar. 8:132).. portanto. (T LP . 6:106) A lguns dizem que se Paulo estava co rreto em afirm ar que n in g u é m é justificado pelas obras da lei. en tretan to . a justiça. porque Ele n em chegou a conhecer o pecado. quando sabemos que todos se to rn a ra m indignos e abandonaram o reto cam inho. de form a algum a). Os santos que h á m u ito viveram . (OGC. 8:258) Cirilo de Alexandria (375-444 d. 5. Ele declara que toda vangloria esta elim inada.56) que Abraão vislum brou os dias de Cristo com antecedência. D everíam os responder a estas pessoas que aqueles que consideram os não terem obtido a justiça são aqueles que creram que poderiam ser justificados som ente pelas obras. mas som ente da graça de Deus. e n e n h u m de nós é capaz de praticar boas obras? Por isso.. mas pela fé em Cristo. (CR.. m as que ele prossiga ru m o ao m al. 86:228. ao ver (jo 8. C. Paulo m ostra claramente que a justiça não depende do m érito do hom em . os patriarcas. 76:174.. ibid. sem as obras da lei. 41:10 in FC . 8:258) [Não é da vontade de Deus que] u m a pessoa deva ser forçada co n tra a sua vontade a fazer coisas boas ou ruins. 32 in PL. 8:258) É certo que quando praticam os u m a obra.. mas com base n a fé [. 8:30) Agostinho (c. o Pai fez dele u m a vítim a pelos pecados do m u n d o . ibid. não p orque praticam os boas obras. a nossa salvação viria de nós m esm o (26:470A-B in ibid. mas sem a sua ajuda não som os capazes n e m de desejar.. Não é sem causa que está escrito: “Deus é aquele que opera em vós tan to o querer. [Paulo] diz isto porque podem os seracometidos por u m pensam ento secreto: se não somos salvos pelas nossas próprias obras. 44..C . 8:133). 354-430 d. ibid.373. e que n e n h u m h o m e m deve se gloriar em si m esm o.. de u m a ou tra perspectiva. de acordo com a sua própria vontade”.. m o stran d o que n in g u ém deve se vangloriar nas suas obras. 340-420 d. ibid. m as Ele é q u em faz com que pratiquem os a obra ao nos dar a força suficiente para executar a nossa vontade. ibid. tam p o u co de fazer qualquer coisa boa. 1. (OGFW. q u anto o realizar. de acordo com os seus próprios desertos. 7.. 7:18) N ão se trata da vontade ou da obra não ser nossa. mas a graça de Deus o assiste até m esm o n o seu desejar. os profetas e os santos que viveram antes de C risto eram im perfeitos. 8:206) A intenção de Paulo é perfeitam ente clara — afrontar o org u lh o h u m an o .252) Então o que sobra da nossa vangloria? Ela é elim inada.36 in PL. m as ao se to rn a r justo (ou m elhor. pois não tem os nadaparadar aDeus em troca daquilo que ele nos concedeu (EE[PL] 26:468B [574] in ibid. (OSL in LCC. 44:900-01. (OS. C om base no quê? C om base nas obras? Não. 74 in ibid. (AP. a obra é nossa.. ibid. foram justificados pela sua fé em Cristo. 44:567. (L.) Não afirm am os que C risto se to rn o u u m pecador. 53:306. e p o r que m otivo faria isso. mas para que possam os fazer isto.9 in FC . C. quando D eus o abandona.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO ® 255 jerônimo (c.) A graça é dada. 26 in PL.) Somos salvos pela graçae não pelas obras. (EG [PL] 26:343C-D [412] in ibid.7 in FC. longe disso.. não porq ue cu m prim os a Lei. ibid. que aceita a fé daqueles que crêem. Pois u m a pessoa não é boa se não desejar ser boa. 2.

sermos salvos.41 in CCL. acrescenta: “Não foi pelas obras precedentes que passamos a merecer. é justamente para abolir isto que ele declara “e isto não vem de vós. que é o alicerce de todo o edifício espiritual. ainda. a graça já não é graça. à qual ele declara não vir da nossa parte.. a respeito da graça (Ef 2. mas não administra o medicamento que levará à cura. 390-c.) Da mesma forma que não há crimes tão detestáveis que possam impedir a ação da graça de Deus.] aquilo que é livremente entregue.) O abençoado Paulo argumenta que somos salvos pela fé. a seguir.2044) Fulgêncio (c. já não é pelas obras. se a justificação. a verdadeira salvação certamente a seguirá.) Qual o significado de receber a graça de Deus em vão se não for manter o desejo de praticar boas obras a fim de ajudar esta graça? (S.” como acima mencionamos. o que nada mais é do que colocar pecado sobre pecado. Para eliminar também essa possibilidade ele. 1. (OI in CCL. (CE. também não pode haver obras tão majestosas que gerem débito [.256 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Próspero de Aquitaine (c. ACCSNT. como esta fé é divinamente acionada. qualquer pessoa pode ter a opinião de que a fé em si mesma se origina dentro de nós mesmos e que o crer é determinado pelos nossos desejos. fala “e isto não vem de vós. C .C . C .. Não seria um abalo à redenção no sangue de Cristo. rir de Deus e provocar a sua ira. Cesário de A ries (c.) Quando [Paulo].5 in FC. a graça nos proporciona assistência” (OTP. concedida pela sua livre-generosidade. 467-533 d. Tomás de Aquino (1225-1274 d. de forma que não fosse mais o presente de um Doador. fosse devida em função de méritos precedentes.. 91A:485. Mas para que os preceitos da lei possam ser atendidos. 47:219. 95-96) Os Líderes da Reforma Martinho Lutero (1483-1546) Querer ser digno da graça por causa das obras que precedem a fé é querer aplacar a Deus com os nossos pecados. e de acordo com Romanos 11:6 : “Mas. mas ser um dom de Deus. pois esta é a graça. 980-83. 7:254). Dessa forma. de outra maneira. 470-543 d. pode expor as doenças.17 in FEF..” O segundo erro rejeitado por ele é que qualquer pessoa pode crer que a fé nos é dada por Deus por mérito do nosso procedimento prévio. mas o salário de um trabalhador? (CAN. 126. 604) . e a misericórdia áèDeus nao se tomaria secundária às oWas humanas. Ela pode revelar as feridas. se é por graça.” ele esclarece o que falou antes: Primeiramente. 463 d. Portanto.] Como ele declarou que somos salvos por fé.” Ele continua a nos dar a razão porque Deus salva o homem pela fé sem qualquer tipo de obra precedente. Em segundo lugar. portanto. ibid... não pode haver salvação verdadeira onde não existe fé verdadeira e. ela é. C . 3:195. sem dúvida. 8:49). mas não as pode curar. 91:313 conforme citação feita em Oden. de uma só vez. com relação à fé. que ocorre por meio da graça.10) [. para que nenhum homem possa por isso se gloriar. Onde houver uma crença verdadeira por intermédio de uma fé verdadeira. (WLS. 8:133-34) “A lei sem a graça. 1. ibid.

(ibid. mas nos é entregue sem que dela fôssemos dignos. na verdade. homem nenhum é justificado por obras a não ser que tenha atingido o clímax da perfeição. Como “somos justificados pela fé. no fato de não confinar a justificação nas obras.19) "A fé é imputada por justiça. e os seus próprios filhos vão rir do seu descaramento. ( ACT) Portanto. necessariamente.. portanto. ( ICR. ou seja. é que a lei como um todo está envolvida quando o poder da justificação é a ela negado. ele foi considerado justo aos olhos de Deus. mas como dívida” (ibid. 3.14). 3.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO H 257 [iw Cahino (1509-1564) O leitor agora percebe com que justiça os sofistas da nossa época engendram os seus sofismas contra a nossa doutrina. teria sido pela lei. Paulo argumenta. que Abraão não tinha motivo parase gloriar. naEpístola aos Romanos.11. porque a fé lhe havia sido imputada por justiça (Rm 4. Que continuem sustentando. quando afirmamos que o homem é justificado unicamente pela fé (Rm 4. que estas coisas se aplicam às cerimônias e não à moralidade.11. 3. portanto. Tudo o que é dito é que ele recebeu o perdão dos pecados.. o pagamento não é reconhecido como graça.3. portanto. para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes” (Gl 3. ele é feito por dívida. que existe uma diferença tão marcante entre a justificação pela fé e pelas obras que o estabelecimento de uma.2). e não possa ser acusado nem mesmo pela mais ínfima transgressão. ele acrescenta.” e.1) Dessa forma quando a Bíblia declara que o publicano voltou para sua casa “justificado” (Lc 18. justificado. (ibid. Sermão 10.1). apresentemos aqui.11. [Paulo] então emprega outro argumento baseado na antítese. ibid.. fora com o sonho daqueles que inventam uma justiça composta de fé e obras. “Se dada fosse uma lei que pudesse vivificar. a justiça. O evangelho difere da Lei neste aspecto.22).15. faz ruir a outra. 1. ele não vem pelo mérito de obras. O apóstolo diz: “Sim. é que [Abraão] não foi justificado pelas obras. mas por uma absolvição gratuita da parte de Deus. não se pode dizer que ele obteve a justificação por mérito de qualquer uma de suas obras. quando o pagamento é feito às obras.13) A conclusão. De modo semelhante. Ele foi. em confirmação. sem dúvida. “Àquele que trabalha. Por isso Ambrósio. de maneira elegante denomina a confissão de pecados como “justificação legal” (Ambrósio sobre o Salmo 118. portanto.2). a justiça não é a recompensa das obras.33.21.18).” a vangloria está aniquilada. mas de lha colocar inteiramente na misericórdia de Deus. meu Senhor”. considero tudo como perda pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus. se é que ousam fazer isto. não por graça. .) Como grande parte da humanidade imagina uma justiça composta por fé e obras. não pela aprovação de qualquer uma de suas atitudes. e. 3. mas a justiça da fé é de graça: logo. portanto. (ICR. A conclusão verdadeira. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado. Portanto. que o lugar apropriado da justificação pela fé é onde não existem obras dignas de pagamento.

( “D C” in CHSA. 960) A BASE HISTÓRICA DÂ RELAÇÃO ENTRE FÉ E OBRAS — OBRAS COMO M A N IF E S T A Ç Ã O DA SALVAÇÃO Os pais pós-apostólicos da igreja foram unânimes em apoiar a posição de que a fé salvífica se manifestaria em boas obras. 115) M illard Erichon (nascido em 1932) Mesmo a fé não é uma forma de boa obra que será recompensada com a salvação. salvos.13-15] (ibid. a misericórdia de Deus. ou em qualquer outra criatura. é comum haver uma tendência exacerbada ao antinomianismo [Rm 6. não mais viveremos de acordo com a carne. que em todos opera.. Vós sois. Esta forma de pensar explica o fato de que nenhuma das maiores religiões do mundo. Ela é um dom divino. da sua culpa e do seu poder. (CT.258 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Os Mestres do Período Posterior à Reforma John Wesley (1703-1791) “Pela graça sois salvos”: Vós sois salvos dos vossos pecados. ambos fazem essencialmente a mesma afirmação: que a autenticidade da fé que leva à justificação se torna aparente nos resultados que dela surgem. Ela não é a causa da nossa salvação. na verdade. nem a justificação daquela pessoa. ou merecimento de vós mesmos. com exceção do Cristianismo. portanto. [Rm 8. oferece a salvação como um dom independente de qualquer tipo de esforço da parte humana. ela sempre foi o meio de salvação. vós sois restaurados ao favor e à imagem de Deus. viveremos pelo Espírito. Apesar da opinião muito conhecida de que existe uma tensão entre Paulo e Tiago. Encontramos apoio para este questionamento no fato da justificação estar intimamente ligada à união com Cristo. mas o meio pelo qual a recebemos. (5. depois que a porta se abre para este tipo de idéia. Como isto já foi fartamente documentado nesta obra. 5a) Earl Radmacher (nascido em 1933) Todos acham que podem contribuir com algo para a sua própria salvação. E.1. por intermédio dos méritos do seu Filho amado. senão o acréscimo de coisas aos méritos perfeitos de Jesus Cristo. 959) Outra dificuldade é que quando os seres humanos aceitam o princípio de que eles não precisam fazer nada para receber a salvação. não houve uma fé.2. meramente por intermédio da graça ou poder do Espírito Santo. faremos somente algumas breves citações para reforçar o tema. Se nos tornamos um com Cristo. (MG.1-7] (ibid. . mérito. G15. não por qualquer poder. mas. no fundo. toda a ênfase da salvação como dom de Deus é modificada. mas sim. E. sabedoria ou força que esteja em vós. não por causa de qualquer forma de obra. Se não houver boas obras. sermão 16) Charles Spurgeon (1834-1892) Qual é a heresia de Roma. ao contrário do que pensam alguns. a junção de obras da carne para servir de auxílio à nossa justificação? Toda heresia. mas pela graça livre.). terminará neste mesmo ponto.

ACCSNT. mas com o u m justo. pois a E scritura diz que fom os salvos pela fé.C . então. p orque ela tem a vida do am or sem o qual não poderíam os agir.. com o qual ela não seria inoperante. p o r fé.2) Charles Hodye (1797-1878) Sobre este tem a nun ca houve u m a divergência real de opinião en tre os protestantes. for visto p or Deus não mais com o u m pecador. Paulo está q u erendo dizer? Não que Deus te n h a proibido as obras. O que. (ibid.3. podem os dizer. (M. mas que te n h a proibido a justificação pelas obras. é justificado pelas obras. e que u m a fé in operante não é viva. Do contrário.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO Ü 259 Ixw Crisóstomo (c. p o rtan to . o h o m em será justificado pela fé quando. (ICR. que elas são conseqüências e fru to s indiretos da justificação e. pois. Em outras palavras: com o foi Deus quem quis isto. 3 4 7 -4 0 7 d. no início da Igreja L uterana te n h a havido alguns m al-entendidos. para que n in g u ém se glorie. precisam ente p ara que a graça e a benevolência de Deus possam se to m a r aparentes! (HE. 1.9 [IOEP] 2:140. Em todo caso.C . em bora. e. diga-me. não podem servir de base para ela. de obterm os a livre justificação. não é destituída de boas obras. excluído da justiça das obras. será inoperante. que é o único m eio.] o conceito de justificação. a fé será inútil e. ele. dela revestido. LXXVII) Não é absurdo afirm arm os que a fé operante está viva.3. ao passo que a té m o rta sim plesm ente crê que deveríam os crer naquilo.) P ortanto. com propriedade suficiente. Pois a fé que é acom panhada p or am o r suficiente. en tretan to . será m o rta. N inguém .) João Cahino (1509-1564 d. e para tam bém m o strar a verdadeira n atu reza destas boas obras para as quais esta questão parcialm ente se volta [. podem os até dizer.) A missão de Deus não era salvar as pessoas p ara que elas perm anecessem estéreis ou inertes. havendo ocasião para que ela seja posta em prática. a fé nos salvou. 4.2. se não estiver forte e viva p o r m eio do am or.1) Do m esm o m odo. afirm a Paulo.11. 8:134) Anselmo (1033-1109 d.. . com grande confiança crem os em u m a verdade tão im p o rtan te. será que a fé salva sem que ela m esm a produza algo? As próprias obras da fé são d o m de Deus. C. Primeiro. p o r interm édio da m isericórdia de Deus. adm itiu-se universalm ente que as boas obras não são necessárias para a nossa justificação. 1. dir-se-á que u m h o m e m foi justificado pelas obras.. se na sua vida p u d er ser encontrada a pu reza e a santidade que m erecem u m a atestação de justiça diante do tro n o de Deus. que a fé viva crê naquilo que deveríam os crer.) A fé. conform e citação feita em O den. ela se m o strará com abundância de obras. p orque lhe falta a vida proveniente do am or. de form a algum a.11.) Dessa form a. (ibid. (ibid. que. apegar-se à justiça de Cristo. ou se pela perfeição das suas obras ele p u d e r responder e satisfazer a justiça divina.

172-73) M illard Erickson (nascido em 1932) As boas obras que fazemos aos outros são representadas como a conseqüência da nossa salvação. Em outras palavras. ou acabam por desprezá-las. 1014). Fé e obras são inseparáveis. afirmando que elas são essenciais para a pessoa ser salva do castigo do pecado. por fim. ela condena veementemente a declaração infundada de que as boas obras são nocivas à salvação. representaram a base real para este tema. Apesar de haver uma considerável divergência interna acerca da forma como as obras fluem a partir da fé: se de forma automática. pela qual o pecador é justificado. também houve consenso de que somente uma fé viva.5) Earl Radmacher (nascido em 1933) Muitos cristãos ou dão uma importância excessiva às obras. que aqueles que deliberadamente continuarem na prática do pecado não herdarão o reino de Deus [. (ST. (CT. pois não podemos fazer nada para a nossa salvação. em obras.260 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Segundo. necessariamente. não como aquilo que precisamos fazer para recebê-la. Todavia. já que pessoas foram salvas sem ter tido oportunidade de testificar a sua fé por meio das obras. (ibid. Por outro lado. RESUMO E CONCLUSÃO O Catolicismo Romano defende que. . razão pela qual Deus anuncia o pecador como justo. 1013) A fé genuína se mostrará. também. une a alma a Cristo e assegura a nossa reconciliação com Deus. inevitável ou meramente natural. não é uma obra. uma análise das evidências bíblicas apóia a visão de que as obras fluem naturalmente de uma fé salvífica. mas para as obras.] A “Fórmula de Concórdia. Quarto. uma fé que opera por meio do amor e purifica o coração. Ela rejeita a proposição desqualificada de que as boas obras são necessárias à salvação. um amplo consenso de que apesar de sermos salvos exclusivamente por fé. esta afirmação é falsa. Existe. que é considerada perniciosa e escandalosa. a f é que nos salva não está sozinha — ela é acompanhada pelas boas obras. Quanto ao Protestantismo Ortodoxo. Terceiro.” na qual esta e outras controvérsias na Igreja Luterana foram. 3.16). independentemente das obras.18. também foi consenso que a fé. somente podemos agir a partir dela. existe um consenso generalizado de que a salvação ocorre somente pela fé. cujaimputação o torna justo aos olhos de Deus. precisamos também trabalhar para a nossa salvação. ajustadas. foi universalmente admitido que uma vida imoral é inconsistente com um estado de graça. não como jides ohsequiosa. Ela é o ato pelo qual o pecador recebe e descansa na justiça de Cristo... além da fé.. somente podemos trabalhar a partir dela (Rm 1. Quinto. é impossível trabalhar no sentido da graça. deixando de perceber que elas mostram as evidências da fé e da salvação contínua do poder do pecado. assumindo uma posição mediana entre as duas posições extremas. Nós não somos salvos pelas obras. a fé não justifica porque ela inclui ou porque é a raiz ou o princípio das boas obras. (S. isto é.

B ainton.. Geisler. The Story o f Christianity (Vol. ACCSNT. A tkinson. C onform e citação feita em Je n . ed. Corpus Christianorum (Latina). Berkouw er.. -------.AS EVIDÊNCIAS DA SALVAÇÃO # 261 FO N TES A lthaus. Bibliotheca Scriptorum con form e citação feita em ibid. Paul. D eferrari. Hodges. Charles. ACCSN T. ACCSNT. Ancient Christian Commentary on the Scriptures: New Testament. ACCSNT. N orm an L. N orm an L. On the Grace o f Chnst. Anselmo. ACCSN T. Catechetical Lectures (in FEF) in ibid. James.r.. 1). Caesarius o f Aries. Hodge. Concilio de Trento. Calvino. A d Concilium Tridentinum. -------. Absolutely Free... -------. On the truth o f Predestination in ibid.. ACCSNT. -------. João. e Ralph E. Tradução de The Fathers o f the Church: A New Translation. The Theology o f Martin Luther Am brósio. Roman Catholics and Evangelicals: Agreements and Dijferences. C lem ente de R om a. R. Two Letters o f Pelagius in O den. Chosen But Free. Sources o f Catholic Dogma. Systematic Theology. -------. H. Erickson. C irilo de Jerusalém . Epístola aos Efésios in ibid. R. ACCSNT. Letter [Carta] (in FC ) in ibid.. Predestination o f the Saints in Oden. Bernhard.. -. Letter to the Connthians (in Faith o f the Early Fathers) co n fo rm e citação feita em Oden. On the Spirit and the Letter in LCC. ACCSNT. F. The Conflict With Rome. The Epistle o f James. C. George. G. Age stinho.^rrson. Institutas da Religião Cristã. Sermon [Sermão] (in FC ) con form e citação feita em O den. Geisler. con form e citação feita em O den. Martin Luther: Prophet to the Catholic Church. B artm an n .. Justo L. M illard. “Decreto sobre a Justificação” (capítulo 8). On the Death ofH is Brother Satyrus in Fathers o f the Church. Commentary on Romans (in FEF) con form e citação feita em Oden. The Conflict With Rome.. Epistle to Policarp. Henry.ra em Oden. Christian Theology. H. Lehrbuch der Dogmatik in G. Here I Stand: A Life o f Martin Luther. -------. Caio M ário V itorino. D enzinger. L. A m brosiastro. .. Commentary on PauVs Epistles in Library o f Christian Classics con form e citação :r. On Grace and Free Will in ibid. G onzález. The Epistle o f John [Epístola de João]. -------. On the Lncarnation in CCL con form e citação feita em Oden. Cross. Cirilo de Alexandria. -------.. Berkouw er. Fulgêncio. The Oxford Dictionary o f the Christian Church [D icionário Oxford da Igreja Cristã]. M acKenzie. C. Z ane. -------. Justifcation by Faith. Inácio. J. Monologium. -------.

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A té m esm o João Calvino.6 M Isaías escreveu acerca do Messias: “Todos nós andam os desgarrados co m o ovelhas. De m odo sem elhante. Isaias 53 . levou o castigo de m uitos. a afirm ar: “Ele levou sobre si o pecado de m u ito s” (v. mas poucos. 12). porque sobre E le estava depositada a culpa do mundo todo. Os calvinistas firm es defendem a expiação lim itada. existe um a diferença considerável acerca do alcance a ela atribuída. já que no início da frase a m esm a palavra “tod os” é utilizada para qualificar todas as pessoas que se desviaram e necessitam da salvação. ao passo que os demais advogam que a expiação não tem lim ites na sua eficácia. natu reza e propósito da Expiação. abordando ju n ta m e n te com ela o entendim ento textual alternativo dos calvinistas firmes. declarou: “Sou favorável à leitura com u m . a teológica e a histórica. Iniciarem os com a base bíblica. sozinho. na qual vem os que Ele. a seguir. a palavra muitos às vezes d enota “todos. ao com en tar este versículo. E evidente. o seu desejo era que todos fossem .” (C om en tários de Calvino sobre Isaías 53.19). e os segundos defendem que C risto m o rreu pelos pecados de todos os seres hum anos. M esm o Deus sabendo que som ente os eleitos creriam (A t 13.12. mas o SE N H O R fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. ele tam bém faz uso da palavra muitos. passará a responder aos argum entos que são levantados para fu nd am entar a posição da expiação lim itada. que significa todos aqui e em ou tra passagem (R m 5. C om o esta obra defende a visão ilim itada da expiação. os prim eiros crêem que C risto m o rreu som ente pelos eleitos. grifo acrescentado). a partir de outras passagens e.48). Mateus 22.14 Jesus disse: “Porque m uitos são cham ados. escolh idos”. cada u m se desviava pelo seu cam in h o.C A P Í T U L O O N Z E O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) esm o havendo u m am plo consenso evangélico acerca da origem . especialm ente a partir do quinto capítulo da epístola aos R om anos. este capítulo iniciará com as evidências a favor desta perspectiva e.” 0 significado evidente de “todos” é a totalidade dos seres hum anos. A B A S E B ÍB L IC A D A E X P IA Ç Ã O IL IM IT A D A A base bíblica para a expiação ilim itada pode ser dividida em três categorias: a bíblica. Ou seja.

200).87-88. ou co m o sua vontade co m o h om em . m as. cf. o que faria do D eus onisciente um ser irracional.”2 U m a clara exp o sição desta in te rp re ta çã o desesperada é. Por u m lado. a qual [.1 Mateus 23.] n em sem pre corresponde à [sua vontade divina]. requer o arrependim ento (A t 17. D eus proporcionou a salvação a todos. dessa form a. e n em sem pre se cu m p re.31) de todos. mas som ente proporcionasse a salvação para alguns.] m as co m o sua vontade hu m ana. 1.. 2 Jo h n G ill. A verdade p e rm a n e ce : As pessoas que n ão resp on d em de fo rm a positiva fazem isso em fu n çã o da sua própria m á vo n tad e. ele ignora o óbvio. e não o seu propósito.2). ele sugere que D eus ordena o im possível. De ou tro. e não o que Ele faria” ( D D D C .16) a fim de proporcionar u m sacrifício expiatório pelos pecados “de todo o m u n d o ” (1 Jo 2.4). eles revelaram ] o que nos faria fazer. Jo h n Owen (1616-1683) apresentou a seguinte — im provável — sugestão: “Os m and am entos e as promessas de Deus revelaram a nossa obrigação.. a existência de o u tra alternativa: D eus não som ente ordena o que Ele quer que façam os.37 Ao ch orar diante da cidade. Seria tanto enganoso. talvez. Em defesa da expiação lim itada. o desejo de Cristo para que eles viessem até Ele “não deve ser com preendido com o sua vontade divina [. e tu não quiseste! C om o poderia ficar mais óbvio que a vontade de Deus era que todas aquelas pessoas. “a qual lhes seria suficiente para conservá-los da ru ín a tem p o ral. para isso.264 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA salvos (2 Pe 3. The Cause o f God and Truth (G ra n d Rapids: B a k e r. n o v a e d ição ). inclusive as não-arrependidas. 2. alegava que estas palavras de Cristo não deveriam ser entendidas com o se referindo a u m a reunião para a salvação. a re fu ta çã o m ais efetiva que se possa fazer dela m esm a : a co n clu são desta idéia nos leva a c re r que a p re o cu p a çã o de D eus p ela nossa con d ição te m p o ra l é m a io r do que a sua p re o cu p a çã o pelas nossas alm as etern as! A lgum as pessoas te n ta m a ten u a r isto afirm an d o que esta visão sim p le sm e n te co n firm a a m á -v o n ta d e de Je ru sa lé m em p e rm itir co m que seus “filh o s ” respond essem de fo rm a positiva.. . 1980.. mas som ente com o u m a reunião para ouvir a sua pregação e. serem trazidos de volta à fé histórica. e n ão p o rq u e Deus n ão anseia que elas resp on d am de m a n e ira positiva (d e lib e ra d a m e n te ) a Ele. ou seja. como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas. Jesus lam en tou : Jerusalém.” De m odo sem elhante. e n tre ta n to . Jerusalém. com o tam bém o que Ele deseja que façam os. Porém . que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos. [ou seja. Desse m odo: “Porque Deus am ou o m u nd o de tal m aneira que deu o seu Filho u n ig ên ito ” (Jo 3.30) e a fé (A t 16. fossem salvas? Jo h n G ill (1697-1771). esta sugestão faz m u ito p o u co n o sen tid o de reso lv er o p ro b lem a. quanto absurdo que Deus ordenasse a todos que se arrependessem .9.77. 1 V id e n o s u b títu lo “R e sp o sta à O b je ç ã o N ú m e ro T rê s” (n a seq ü ê n cia deste te x to ) p a ra o b ter m a io res d eta lh es sob re a v o n tad e final de D e u s e sua v o n te d e imediata. 1 T m 2. este trocadilho eloqü ente encerra erros ocu ltos. u m ultracalvinista.

18. por exem plo. 8.47 “E. su p ostam ente. etc. João 3. se alguém ouvir as m in h as palavras e não crer. Na ten tativ a de resistir ao ensino bíblico da expiação ilim itada. Eles recorrem a João 12.23-26. o vocábu lo mundo significa a totalidade do m u n d o decaído. 6. eles citam passagens (p o r exem p lo. 48). Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo. para que por Ele os cren tes pudessem ser salvos” (DDDC. mas a toda a '•■. 3. Jesus disse que “D eus am ou o mundo de tal m an eira” que deu o seu Filho unigênito. referindo-se à “parte do m u n d o. que vinh a para ele. utilizadas em outros con tex to s. Jo h n O w en apresentou u m a nova trad u ção direta su rp reend ente. para que todo aquele que nele crê não pereça. mas para que o mundo fosse salvo por ele. pois. A afirm ativa clara é que D eus am ou o m u n d o. que tira o pecado do mundo.12. "D o term o grego kosmos-. 52). os eleitos. João viu a Jesus. m as equivocada. que. basta sim plesm ente u m sim ples recad o da p arte de D eus: “Nada acrescentareis à palavra que vos mando.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) # 265 João 1. Ap 22.3 é evidente que o texto não se refere som ente à igreja ou aos eleitos. A lém disso.17 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito. e os h om en s am aram mais as trevas do que a luz.29 “No dia seguinte. pois é este m esm o m u nd o que está debaixo da cond en ação de Deus. 16.. e da justiça. Para as pessoas que aceitam o significado claro do te x to .46-47. daquele ponto em diante: “E a condenação é esta: Q ue a luz veio ao m undo. 214).2) de o u tro s livros.19 co m o fo rm a de ilustração: “Disseram .16-19.2. porqu e eu vim não para ju lg ar o m u n d o. o versícu lo 17 deixa claro que. 8. v. e do ju íz o . e Ele deixa m u ito claro a abrangência deste ato fazendo uso da palavra mundo som ente em três outros versículos. m as para salvar o m u n d o . aqui.19). C o m o já abordam os.31.23 significa? “Porque todos p ecaram e destituídos estão da glória de D eu s. mas tenha a vida eterna. o que será que R om an os 3. os fariseus entre si: Vedes que nada aproveitais? Eis que todos [o m u nd o inteiro] vão após ele. Jesus tam b ém disse (16. P orém . 14..” A lguns ultracalvinistas já alegaram que “é co m u m a Bíblia utilizar as palavras mrndo e todos em u m sentido re strito e lim itad o [.19). cf. que em p reg am a palavra mundo em u m sentido geográfico (e não redentor). esta com paração é falha. 12. porque as suas obras eram más” (3. então. 6:33. Lc 2. que deu o seu filh o co m esta in ten ção. eu n ão o ju lg o .” (v. se todos não significar “to d o s” quando o assunto é o d esejo de D eus em term o s de salvar as pessoas.] fica claro que todos não significa 'to d os’” (vide Palm er. C om o vim os em ou tra parte. e a im p licação óbvia é que C risto foi en tregu e à m o rte p elo m u n d o (cf.” Todos os seres h u m an os pecaram .8) que “quando ele [o Espírito Santo] vier. é óbvio que o m al não está re strito aos eleitos. 14).” A luz do con texto e de outros usos da palavra mundo n o evangelho de João. nem diminuireís dela” (D t 4. FPC. convencerá o m u nd o do pecado.1.” Todavia. foão 12. cf. os calvinistas firm es alegam que a palavra mundo é utilizada em um sentido lim itado.umanidade. apoiaria a expiação lim itad a: “D eus am ou os seus eleitos de tal m aneira.8.51. . e disse: Eis o Cordeiro de Deus.” ou seja.16.

Por exem p lo.18. q u anto p elos eleito s. pela desobediência de um só homem. estas palavras não fo ram pronunciadas por Jesus.” 5 P au lo u tiliz o u o v o c á b u lo mundo e m R o m a n o s 1. se nós.12) e co m necessidade de salvação (5. v.47.18. de um a hipérbole. ou C risto n ão m o rre u p o r tod os os seus in im ig os ím pios.4). p o rq u e. m as se o sacrifício de Jesus to rn o u a salvação disponível para todas as pessoas. muitos serão feitos justos. e não genérica.” T a n to os eleitos. Por ou tro lado. e até m esm o os ultracalvinistas ad m item que isto não é verdade no caso de João 12.19. assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Romanos 5.2 4 .6 Paulo escreve: “Porque C risto [.266 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Por u m lado. sen do in im ig o s. que n ã o são utilizadas p o r Pau lo n e ste caso. como. fa cilm e n te .4 A lém disso. mas por seus op onentes. obviam ente.7. assim. na verdade .3 1 .5). os calvinistas firm es n ã o su g e re m que Pau lo n ã o fa ça u so d a p alavra mundo n o seu sen tid o g e n é ric o ao se re ferir à co n d e n a ç ã o da h u m a n id a d e to d a e m R o m a n o s 3. . Lc 18.” (Jo 7 . ta m b é m q u an d o se refere à oferta da salvação ao m u n d o e m R o m a n o s 5.6 (cf.19? (vide a d ia n te ) 6A p alavra eleito é p a rte in te g ra n te d o v o c a b u lá rio n e o te s ta m e n tá rio (cf. e n tre ta n to n e n h u m a das partes envolvidas neste debate acred ita que todos os ím pios serão. m a n ife s ta -te ao m u n d o . se Paulo quisesse en sin a r que C risto m o rre u so m e n te p elo s eleito s. salvas.] m o rre u a seu te m p o pelos ím p io s. o que ta m b é m é verd ad e p a ra as palavras algum e poucos. m as os seus irm ã o s d escren tes q u e fiz era m u so de mundo e m u m sen tid o exag erad o q u an d o disseram : “Porq u e n ã o h á n in g u é m q u e p r o c u re ser c o n h e cid o q u e faça coisa a lg u m a e m o c u lto . Porque. 4 D e m o d o s e m e lh a n te .5 Romanos 5. O co n tex to de R o m an o s 5 indica que Paulo está se referindo a todos e a todos os homens co m o perdidos (5. Paulo afirm a que D eus “ju stifica o ím p io ” (R m 4. pela obediência de um. onde a declaração de Jesus é que se refere ao m u nd o inteiro decaído. as palavras dos irm ãos de Jesus em Jo 7.8 e m u m sen tid o g e n é ric o (ilim ita d o ) e e m C o lo ssen ses 1. ou C risto deu a sua vida ta n to p elo s n ã o -e le ito s. muitos foram feitos pecadores. p o rta n to . fo m o s recon ciliad os co m D eus p e la m o rte de seu F ilh o . n e ste caso. n ão fo i [esus. 2 3 ) e m u m sen tid o esp ecífico (lim ita d o ). ju stificad os.5. M e sm o assim .18). Se fazes essas coisas. M t 2 4 . N este caso a exp ressão “m a n ife s ta -te ao m u n d o ” é u tiliz a d a c o m o u m a figura de lin g u a g em q u e d e n o ta " o agir e m p ú b lic o e n ã o e m seg re d o . de fo rm a g e n é rica.4 se tratam .19 Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação. n a verdade.19 o vocábulo mundo (grego kosmos) é utilizado de m aneira geográfica. em João 12. a fim de evitar q u alq u er tip o de m a l­ en te n d id o . ele poderia..” e no v e rsícu lo 10 ele acrescen ta : “P orque. será q ue eles ta m b é m n e g a ria m q u e mundo seria utilizad o .. te r expressado isso de fo rm a clara. Mas isso acaba gerando mais confusão: A questão não é se todas as pessoas serão.6 A resposta dos particu laristas (os p ro p on en tes da expiação lim itad a) é que não se deve con fu n d ir indefinido co m ilimitado (ou universal). A lém disso. c o m o os n ã o -e le ito s eram in im igos ím p ios.

a seguinte com paração: Pessoa A to Adao Pecado (w . e não em contraste com todos. 15-18) D esobediência (v. por ou tro lado. A reiteração que Paulo faz do m esm o ponto n o versículo 19. 18) Resultados Físicos Resultados M orais R esultados Legais Todos foram feitos pecadores (v.18. o m esm o livro. 12 0 pecado reina sobre todos (v. argu m entam que os com entaristas não abordam .18). 18) A justificação veio para todos (16. de fato. 19) Vida para todos (vv. na m esm a passagem e em u m paralelism o direto — todos os homens a quem a salvação foi proporcionada p o r C risto refere-se à hum anidade co m o u m todo. novam ente. (cf. Em am bos os casos eles são cham ados de todos os homens. 16) O fensa (vv. através do term o muitos claram ente significa “todos.” porque: (1) Ele é utilizado em paralelism o com todos (no v. o m esm o con tex to. 14.0 ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) W 267 \ejam os. 19) 0 Juízo veio sobre todos (v. 16. O utros. (2) E o muitos que está em contraste co m poucos.21) A graça vem sobre todos (v. Logo. (EONT. 21) Cristo G raça (v. 19) 0 dom veio sobre todos (v. quanto à justificação da vida por intermédio da justiça de Cristo para com toda a sua descendência espiritual — o texto não faz este tipo de distinção. . o que contraria a afirm ação que Paulo faz nesta m esm a passagem. a m esm a que recebeu a condenação. co m o resultado da desobediência de Adão. 14. em Rm 5. 12). 12. 18) O bediência (v. As afirm ações de Jo h n G ill são contraditórias.15.18) O versículo 18 faz um contraste direto en tre aqueles que foram condenados por causa do pecado de Adão e aqueles que receberam a provisão da vida por interm édio da m o rte de Cristo. 19) M o rte para todos (vv. o real significado deste vocábulo todo. já que ele assim se refere: Tanto abrangendo a totalidade da sua descendência respectiva — a condenação por intermédio da transgressão de Adão a toda a sua linhagem direta. 12. 18). 17. 17) 0 pecado vem sobre todos (v. 21) Todos foram feitos justos (v. As tentativas para fugir desta conclusão são ainda m enos convincentes que as utilizadas para outras passagens. 18) A condenação veio sobre todos (vv. v. por qualquer regra válida de interp retação de expressões — considerando-se o m esm o autor. e (3) É o muitos que é utilizado para se referir a todos no versículo 15 — senão teríam os que concluir que som en te alguns seres hu m anos m o rre m por causa do pecado. 15) Justiça (v. 15) A graça reina sobre todos (v.

12-14).117-18) O contraste quePaulo faz entre Adão e Cristo revela que a expiação é.] Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação.1 1 e. sim ultaneam ente. de fato. (CC. Quinto. mas som ente são apropriadas (ou recebidas) por alguns. 1 1 O p. a p a rtir disso. Primeiro. 4. A insistência de que som ente algumas pessoas se beneficiaram da obra de Cristo representa claramente a imposição da expiação limitada sobre o texto — todos os homens significa a totalidade da humanidade. tudo isso se encaixa com o contexto do capítulo anterior (cf. 15. 10V id e c a p ítu lo 9. mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. mas som ente aqueles que crerem serão salvos.16) d iferen cia m os dois lados da co m p a ra çã o . 12-14). 8 D o grego dikaioma. . que a salvação som ente ocorre com aqueles que crêem. mas sim que todos os homens. entendiam que estas palavras de Paulo ensinavam a expiação ilimitada: Paulo torna a graça comum para todos os homens.16. conform e já demonstramos. c o m o fa z em alg u n s a rm in ia n o s. (Rm 5. com o tam bém faz o primeiro versículo deste m esm o capítulo (5.268 % TEOLOGIA SISTEMÁTICA A passagem não diz isto. para condenação. não m eram ente os eleitos. com o o próprio João Calvino.1 2 7 V id e cap ítu lo s 15-16. será inevitável que incorram os no Universalismo.1). todos podem ser salvos. a expressão “os que recebem ” (v. sob o s u b títu lo “Ju stifica çã o . que declara. Ou seja. as exp ressões “n ã o é assim/não foi assim ” (vv. e tenha sido oferecido indistintamente a todos os homens. Embora Cristo tenha padecido pelos pecados do mundo. se a expressão “feitos justos” (v. 9 V id e c a p ítu lo 12. ele declara claram ente que algumas das conseqüências do pecado de Adão (tal com o a m orte física) foram transmitidas para todos os seres hum anos (5.16) dem onstram que o paralelismo não é exato. 17) implica que n em todos recebem o dom da salvação e que somente aqueles que o receberem serão salvos. na verdade. à justificação potencial de todas aquelas pessoas em função do que Cristo havia feito por elas. Outros. Segundo.. (2 ) P au lo d ecla ra q u e algu m as das c o n seq ü ê n cia s do p eca d o de A dão (ta l c o m o a m o r te física) são a u to m á tic a s . Contudo. todas as coisas contidas na coluna da direita da tabela (sob o título “Cristo”) pertencem potencialmente a todas as pessoas: Elas estão disponíveis a (oferecidas a) todos. e não à justificação real delas.” 1 2 E n tr e ta n to . e (3 ) n e n h u m te rm o q u alificad or d o tip o receber (v. as expressões equivalentes “não é assim/ não foi assim” (w . dessa forma. se beneficiaram dam orte de Cristo.. mas porque ela é oferecida a todos. não porque ela.9 Paulo deveria estar se referindo. e in d e p e n d e m da n ossa e sc o lh a ( w .7 Paulo utiliza duas vezes a palavra ju stificação8 para descrever o que C risto proporcionou à todos os seres hum anos: Porque o juízo veio de uma só ofensa.18) Com o é biblicamente evidente que nem todas as pessoas serão salvas. q u e tu d o o que e stiv er n a c o lu n a o p o sta (so b o títu lo “A d ã o ”) ta m b é m p e rte n ç a potencialmente a todas as pessoas e n q u a n to elas n ã o as d e sp ertem p o r in te rm é d io do seu p ró p rio p ecad o : (1 ) C o m o já v im o s. 19) for tomada com o literal. nem todos lhe receberam. n ã o p o d e m o s co n clu ir. e por fim.1 0 Terceiro. cit. [. assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. ilimitada no seu alcance e limitada na sua aplicação. dikaiosis. conform e mencionam os anteriorm ente. o Universalismo não é bíblico.3-5). 8. Quarto. 15. estenda-se a todos. 17) são u tilizad os p a ra se re ferir às co n seq ü ên cia s do p e ca d o de A dão (c o m o o c o rr e n a re ferê n cia à a p ro p ria çã o d o dom da salvação q ue C risto p ro v id en cio u p a ra tod os).

3.. e pôs em nós a palavra da reconciliação [. Primeiro.4 “Deus.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) % 269 2 Coríntios 5..” (2 C o 5.20). calvinistas firm es. Rogamos-vos. está claro que Paulo identifica os depositários da reconciliação de Cristo no versículo 19 co m o sendo “o mundo.] Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo. tem a função de nos m o strar porque o am or de Cristo deve nos im pelir ( “con stran g er”) a levar àquelas pessoas a m ensagem da reconciliação. da parte de Cristo que vos reconcilieis com Deus. para que os que vivem não vivam mais para si. “significa.. que cria na expiação lim itada. julgando nós assim: que. Todavia.20). não lhes imputando os seus pecados.] O “todos morreram" se refere à morte espiritual do crente [. pois a morte de Cristo não é a causa da morte física dos homens. insistindo com “o m u n d o ” para que ele se reconcilie com Deus (vv.. mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 49) Esta interpretação além de ser “eisegética” é im provável. baseado naquilo que Cristo conquistou na cruz.” Terceiro.] E ele morreu por todos. mas acerca da com paixão que devem os te r pelo “m u n d o. Paulo não está nos ensinando a respeito da nossa m o rte espiritual. nosso Salvador [. o todos em ambos os casos significa todos os crentes — não o mundo todo. esta passagem foi bastante descaracterizada pelos ultracalvinistas. en tre o “u m [Cristo] m o rreu por todos” e o “todos [aqueles que] m o rre ra m ”. 19. Paulo prossegue dizendo que. Desse m odo. que seguem o pensam ento do “A gostinho posterior. é a nossa fé que ativa esta reconciliação. pois. o que englobaria tanto os réprobos.] [Logo. logo. considerava difícil negar o significado claro de 1 T im ó teo 2.4. mas & possibilidade da salvação para todos. independ en tem ente do que o “todos m o rre ra m ” signifique em 2 Coríntios 5. Segundo. co m o Edwin Palm er (1980) parece ter im posto o seu próprio sistem a teológico sobre o texto: Obviamente.] quer que todos os homens se salvem e ven h am ao co n h ecim en to da verdade... a reconciliação com Cristo torna possível a salvação (v. precisam os continuar a insistir com o m undo: “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo. todos morreram [. (FPC.. 14).] o “todos morreram” não pode se referir à morte natural de todos os homens..” dizem eles. quanto os eleitos [. o versículo 15 faz o contraste en tre “os que vivem ” (os cristãos) com “tod os” — por quem Cristo teria se entregado: “E ele m o rreu por todos. alguns homens”: como se o Espírito Santo não pudesse .14.” e não os som ente os crentes (ou “os eleitos”)..14-19 De acordo com o A p óstolo Paulo: Porque o amor de Cristo nos constrange. Apesar disso. para que os que vivem não vivam mais para si.” o qual está espiritualm ente m o rto e necessita ser restaurado a um relacion am en to correto com Deus.” Spurgeon resum iu a tentativa daqueles ultracalvinistas de evitar o óbvio: [Vejam como] os nossos amigos calvinistas mais velhos tratam esta passagem. 1 Timóteo 2. com o se Deus por nós rogasse. no versículo 14.3.. Disto parece evidente que esta reconciliação de todos ( “do m u nd o”) não garantiu a salvação. se um morreu por todos.” A té m esm o Charles Spurgeon (1834-1892). a ligação. “Todos os homens.

” Sejam quais forem as dúvidas que possamos ter a respeito de Marcos 10.” A d ú vida está e m se saber se muitos sign ifica “to d o s ” o u “a lg u n s.3 -4 ”.4-6. significa “todos os tipos de homens”: como se o Senhor não pudesse ter dito “todos os tipos de homens.1 5 Ninguém. 13F o n te : “A C ritic a i T e x t — C .” dizem eles. genérica— significando “todas as pessoas” — já que ela é utilizada como contraponto de Deus. por intermédio do apóstolo. Primeiro. H “P orq ue o F ilh o do H o m e m ta m b é m n ã o veio p a ra ser servido. afinal de contas. Spurgeon estava ciente da sua aparente inconsistência neste ponto. vemos que Cristo foi entregue como redenção por todos. Segundo. Spurgeon vs.”13 1 Timóteo 2. c o n fo rm e cita ç ã o fe ita p o r Iain M u rra y . so b o s u b títu lo “Jo ã o 1. O Espírito Santo. a interpretação em 1 Timóteo 2. ao dizer: “Não sei como aquilo se enquadra com isto. Ou seja.270 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA ter dito “alguns homens” caso a sua intenção tivesse mesmo sido esta. 15 0 . a sua referência a homens16no versículo 5 é. Hyper Calvinism: The B attlefor Gospel Preachwg. entretanto. 151). indubitavelmente. De qualquer forma.45. S p u rg e o n o n 1 T im o th y 2 . Spurgeon ainda acrescentou: Eu acabei de ler a exposição de um doutor muito sagaz que explica o texto de forma a dissuadir o seu real significado: ele coloca dentro do texto pólvora gramatical.” e ainda: “Prefiro cem vezes mais parecer inconsistente comigo mesmo.” 1 6 N o g rego : anthropon. possa explicá-lo. claramente. Neste texto. derivad o de anthropos. ele poderia ter escolhido utilizar a palavra alguns. que. SHC. ainda foi capaz de apresentar uma única passagem onde todo ou tudo seja usado de forma restrita quando se aplica a um sentido genérico ou redentor (e não geográfico ou hiperbólico).” h u m a n o . argumentando que todos não significa “todos. p essoa. H. Ao ler esta exposição.19) pelos pecados de todos.. escreveu “todos os homens. o problema é que isto é o que o texto deveria dizer se a expiação limitada fosse real — mas este não é o caso. só então. novamente. mesmo que isto ocorresse. Está suficientemente claro que Paulo se refere à totalidade da humanidade em 1 Timóteo 2. e o explode para que.” taticamente desviou a questão para outras passagens onde todo é utilizado de forma geográfica ou como hipérbole. deve ser determinada pelo significado que a passagem tem no seu contexto correto.29” e “Jo ã o 12. a passagem não ficaria melhor se dissesse claramente: “E.1 4elas se esclarecem aqui (em 1 Tm 2). m a s p ara . 150).” e.” se essa também fosse a sua real intenção.” a n t e r i o r m e n t e . independentemente do que o vocábulo todo (ou tudo) possa significar em outras passagens.6 Paulo afirma que Cristo “se deu a si mesmo em preço de redenção por todos. mas não o fez. para servir de testemunho a seu tempo. Obviamente. que o Mediador.5 Vide servir e dar a sua vida e m resgate de m u ito s . quis dizer “todos os homens” ( “CT” conforme citação feita por Iain Murray. do que parecer inconsistente com a Palavra de Deus.1 5 4 . quem quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade?” (in ibid. Ele pagou o preço com o seu próprio sangue precioso (1 Pe 1. “Todos os homens. pensei que. John Owen. quem sabe. apresenta uma posição particularista e padrão. in d ivíd u o . q u e sign ifica “ser .47.

sem fund am ento: “A firm ar que Ele é o Salvador de todos os hom ens.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) 271 Jesus Cristo. portanto. com o Cristo m o rreu por todos. A t 16. aqueles que são fiéis em C risto são aqueles que são verdadeiramente (e não s ó potencialmente) salvos (cf. e por fim . Pela referência à “prom essa da vida que há de vir” no con texto im ediato (v. n o rm alm en te dizem coisas sem elhantes às propostas por Jo h n Gill: “[Jesus] é o ‘Salvador de todos os h o m en s’ de m aneira providencial. Ele não pode. Os usos genéricos de todos em u m con texto red entor são n orm alm en te. traz ju n to consigo. mas sim . 2 Pe 3. com o an teriorm en te expendido. P ortanto. Pela referência a C risto com o o M ediador salvífico (2. N um certo sentido. .3-6). e dotandolhes com as bênçãos e misericórdias da vida. preservando a sua vida. a rejeição deliberada deste am or por parte de algum as das suas criaturas (M t 22. a Bíblia nos diz que o que atrapalha o cu m p rim en to do desejo de S en h or não é a falta de abrangência universal do am or de Deus (cf. não existe razão para se acreditar que ele não queira ter dito exatam ente o que disse — todos. respondem a esta form u lação. proporcionando-lhes a salvação espiritual e eterna. Aqueles que o fazem . e (7) Por todos estes versículos (acim a m encionados) que apóiam a provisão ilim itada (não a aplicação ilim itada) da salvação. 1. Jo 3. sobre lT m 4. desse m odo. apropriaram -se dos benefícios da m o rte de Cristo. porque Deus “que todos os hom ens se salvem ” (1 T m 2.10). Quarto. que fala da salvação espiritual. 2. na verdade. o desejo divino de que “todos” se salvem é u m paralelism o com o m esm o desejo expresso em outras passagens (cf. de fato. já que estes “cre ra m ” e. 1 Timóteo 4. (6) Pelo con texto m aior de 1 T im ó teo (por exem plo. quando não sem pre. para os quais as bênção são reais.9).1. e não da preservação social. en tretan to . dando a eles o ser e o fôlego.” Este versículo não apóia a idéia da expiação lim itada porque o grupo lim itado é designado pela expressão “principalm ente os fiéis. Terceiro.” G ill acrescentou. C risto é o Salvador de todos-. Esta interpretação sem fu nd am ento está descartada: (1) (2) (3) (4) (5) Pela sua com paração com aqueles que são “fiéis” na salvação. Paulo acabava de solicitar que as pessoas intercedessem por “todos os h o m en s” (1 T m 2.10 “Porque para isto trabalham os e lutam os. que é o Salvador de todos os homens.4). de fo rm a algum a.1). Vide capítulos 15 -16.31). sustentando-lhes no seu ser. parece razoável concluir que todos são potencialmente salvos. principalmente dos fiéis.5). S om ente u m rude dogm atism o teológico teria a petulância de contradizer o significado direto desta passagem: a obra redentora de C risto foi feita em favor de todos.37). adiante.” Estes são os eleitos.1 7 O grupo exterior ou mais amplo é cham ado de “todos os h o m en s. 8). Pela referência anterior para orarm os pela salvação de todos os hom ens (2. ser o Salvador de todos. Alguns proponentes da expiação lim itada.” Já que Paulo claram ente se refere a um grupo mais abrangente do que som en te os eleitos. A palavra fiel indica que este texto deve ser com preendido de fo rm a soteriológica. pois esperam os no Deus vivo. aplicados à hum anidade co m o u m todo. já que n em todos se salvam. Pelo significado padrão aplicado no Novo Testam ento da palavra Salvador.2). Na verdade.16).1. não é verdade” ( E O N T .

Jo h n O w en de m aneira hábil. 17). 1 Pe 2. e não som ente pelos eleitos. devem os estar diante de u m a referência a toda a descendência de Adão. são exatam ente estes apóstatas. “h o m e n s a b o m in á v eis” (v. inclusive daqueles que apostataram da fé. P rim eiram ente. 4 ). A lém disso. cf. 19 A p alavra grega kyrws ( S e n h o r ) é ta m b é m u tilizad a. como entre vós haverá também falsos doutores. R m 3.” Aqui fica claro que ele m orreu por todos. pela graça de Deus. quanto na referência aos seres hum anos com o “carne e sangue” (isto é. ten tou inverter o ônus da prova para aqueles que reco n h ecem que (1) Senhor (grego: despotan) se refere a Cristo e/ou que (2) comprou (grego: agorazo) se refere à nossa redenção salvífica ( D D D C . Conform e m encionam os anteriorm ente.19). co m o se pode ver tan to no contraste feito entre h u m anos e anjos (2. 1) e “ju íz o ” (v. p a ra se .”1 8Além do mais. 1).2. Jesus Cristo. “in ju s to s ” (v. 1 8 E les são ch a m a d o s de “falsos p ro fe ta s.18). 7 ). que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus. basta-nos acrescentar som ente algum as palavras acerca do con texto desta passagem.25.10). trata-se de u m uso genérico da palavra todos (indicando a hum anidade). A sua vitória não teria sido com p leta e. 9 ). 4). 1 Pe 1. por causa da paixão da m orte.7). às vezes. 14).17. v. 12). do contrário. Com relação ao primeiro ponto. “aqueles que tra z e m sob re si m e sm o s re p e n tin a p e rd iç ã o ” (cf. porém . “an im ais irra c io n a is” (v. coroado de glória e de hon ra aquele Jesus que fora feito u m pouco m en or do que os anjos. a n atu reza h u m ana corpórea — v. 1 T m 6. 22) e “servos d a c o rr u p ç ã o ” (v. réprobos. v. 1 Jo 4.272 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Hebreus 2.9 “Vemos. para que.” “falsos m e stre s . D eus não poderia ter sido propiciado (satisfeito) com a sua entrega — mas Ele está (2. p o rtan to . 14). C o m o todos os calvinistas concord am que as pessoas realm ente salvas jam ais perderão a sua salvação — e co m o esta passagem fala claram ente de pessoas perdidas — quando Pedro afirm a que Cristo “co m p ro u ” estas alm as perdidas. homens ímpios. re fe rir a seres h u m an o s. 250-56). apesar da “escuridão das trevas” eternam ente se reservar para eles (v. trazendo sobre si mesmos repentina perdição. “a q u eles q u e são co m p a ra d o s a a n jo s d ecaíd os e irred im íveis que fo ra m lan çad o s n o in fe r n o ” (cf. 19).9. único dominador e Senhor [despotan] nosso. “cãe s” (v. em bora infrutífera. Owen adm itiu que Senhor é utilizado em outras passagens para se referir a C risto e. ele só pode estar querendo dizer que a expiação não se limita aos eleitos : E também houve entre o povo falsos profetas. As respostas a esta conclusão seguem o m esm o esquem a das anteriorm en te analisadas. provasse a morte por todos. as palavras utilizadas para descrever estas pessoas deixam pouca dúvida de que se tratam de almas perdidas — e nenhu m a destas expressões serve com o descrição bíblica para o grupo dos “eleitos. que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou. a bem da verdade.” “aq u eles q u e n e g a ra m o S e n h o r ” (cf. esta referência fica clara: Porque se introduziram alguns.1 9 todos os outros exem plos de despotan se referem a C risto ou a Deus-Pai. T t 2. 2 Pedro 2. Cristo não teria sido eficaz ao desfazer aquilo que Satanás fez. não-eleitos que foram “com prados” pelo sangue precioso de Cristo! (cf. Na epístola paralela de Judas (v. 4 ).1. que já antes estavam escritos para este mesmo juízo. diferentem ente das poucas vezes em que é utilizado para os senhores deste m u nd o (cf. v.1 Pedro aqui nos fala que Cristo pagou o preço pela redenção de todos. co m o o resultado da m o rte (e da ressurreição) de C risto destrói a m o rte e d errota o Diabo (v.

tal com o R om an os 3. A lém disso. Ele “não |quer] que alguns se percam . Judas está se referindo a Cristo. porque são virgens. . Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vai. Isto não passa de u m m ero eufem ism o da sua afirm ação crua de que todos realm ente significa “alguns” — novam ente. e stab e lece o c o n te x to s o te rio ló g ic o ao escrev e r so b re a “s a lv a çã o ” e a “g r a ç a ” de D eu s (vv.9 Deus é am or e. e M aria foi a m ãe h u m an a da pessoa (Jesus) que é Deus. se qualquer. neste caso. o que. Ao con trário da interpretação daqueles que aderem à expiação lim itada. o ônus da prova de d em onstrar que Pedro.20. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro.” Na verdade.20 Ao argu m entar que despotan se refere a Jesus em 2 Pedro 2.43). capítu lo 12 e apêndice 1. não está utilizando agorazo no sentido de redenção está com os ultracalvinistas. verdadeiram ente. m as não todas as pessoas sem exceção (Steele e T hom as. “os eleitos de todas as n ações”). M t 13. nestes textos não h á base para apoiar esta interpretação.28). é a m esm a coisa. no final das contas. ■ ‘‘O lh ai. 1 Jo 2. e a segunda.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) 273 Duas verdades ficam evidentes: a prim eira. O sangue de Cristo é o sangue da pessoa (Jesus) que é Deus. Com relação ao segundo ponto (se comprou [grego: agorazo] se refere à obra red entora de Cristo). que ele resgatou c o m seu p róprio san gue. A Bíblia tam bém fala do sangue de D eus que foi derram ado para a salvação (A t 20.4). Ele “quer que todos os hom ens se salvem e venham ao co n h ecim en to da verdade” (1 T m 2. (Ap 14. co m o verem os. não som en te da libertação terren a da corru p ção e da idolatria (co m o sugere O w en). FPC. e v olu m e 1. um a distorção. p ois.22 o seu sangue é o sangue de Deus n o m esm o sentido em que o sangue de M aria é o sangue da m ãe de D eus (cf. Em Apocalipse. agorazo é quase sem pre utilizado no con tex to red entor em o Novo Testam ento (por exem plo. Ap 5.4) C onseqüentem ente. capítulos 15-16. dessa form a.3. p o r que os perdidos estariam perdidos a m enos que negassem o sacrifício expiatório de C risto em favor deles? D iferentem ente de quando significa a aquisição de elem entos físicos (cf. diante deste uso pred om in ante. O w en ainda afirm ou que a palavra Senhor é utilizada para se referir a Deus. p o r vós e p o r to d o o re b a n h o so b re que o E sp írito S a n to v o s c o n s titu iu bispos.21 e m esm o que tecnicamente isto não esteja correto. ~ Judas. 46). Estes são os que não estão contaminados com mulheres.44. isto não significa “todas as classes de h o m en s” (ou seja.” 22Vide v olu m e 2.23. que eles não tolerariam nos versículos que falam da condenação e não da salvação.4). cap ítu lo 9.2) fossem todos entendidos som en te com o fo rm a de representar “alguns”?23 Há pessoas que ten tam evitar o im pacto óbvio destes versículos criando a distinção artificial na qual Cristo teria m orrid o por todas as pessoas sem distinção. senão que todos venham a arrepender-se. senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.1. 2 Pedro 3. e ninguém podia aprender aquele cântico. Judas está falando no con tex to da redenção. Lc 1.12).26. João registrou: E cantavam um como cântico novo diante do trono e diante dos quatro animais e dos anciãos. 21. Q ue sentido poderia u m a língua ter. de igu al fo rm a .9) e jamais utilizado para se referir à redenção social de u m a pessoa da con tam in ação da idolatria (que é o que Owen sugere ter sido a intenção de Pedro no versículo 1). acerca do p ressu p osto lin g ü ístico p ara a T e o lo g ia Sistem ática. 7. p a ra ap ascen tard es a ig re ja de D eus. ~ \ ide v o lu m e 1.1. com o C risto é D eus. 3. 1 C o 1. todos os homens e o mundo todo (cf.23. 6.

26 O q u e d eixa os a d eren tes d a d o u trin a n a situ ação s u p ra -m e c io n a d a o n d e o u (a ) C ris to n ã o m o r r e u p o r to d o s o u (b ) o U n iv ersa lism o é v álido. Ap 20.26 Porém . . a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. co m o R. o amor do Pai não está nele. 24 V id e R. m as se refere a todos os que haveriam de crer e a todos os que estavam espalhados pelas várias regiões da te rra ” (C C . M c G re g o r o fe re ce o m e sm o ra c io c ín io e m N o Place o f Sovereignty. cf. M as E le não fez isso: “Todas as pessoas. pelos quais Cristo tam b ém m o rreu (v. M t 25. 197. Sproul (nascido em 1939). não é do Pai. basta co n su ltarm o s o uso gen érico (geral ou ilim itad o ) de kosm os nos escritos de João para co n firm ar que ele fala aqui do m u n d o decaído e p ecad or (cf. Se alguém ama o mundo. 3. extrapola o lim ite da nossa com preensão.19). de fo rm a clara. a conseqüência óbvia é que n em todos por quem Cristo m o rreu serão salvos e que a dou trin a da expiação lim itada é. mas do mundo. 244). se fosse essa realm ente a sua intenção. c u ja afirm ação in su stentável de que o vo cábu lo m u nd o (grego: kosm os) aqui se refere ao “m u n d o cristã o ” (os eleitos). Jo 1. Mais adiante.12). 23. é u m desvio da q u e stão c e n tra l. K. se esta interpretação estiver correta.15. sem que faça uso de u m a Teologia previam ente d eterm inada em contrário.30). o próprio João define o seu uso de kosmos. A conclusão de que kosmos em 1 João 2 se refere som en te aos eleitos. o Espírito Santo seria.”2 4 Deus. que Cristo. P ortanto.274 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Vários teólogos. as passagens acim a e tantas outras revelam . R m 3. R. de alg u m a fo rm a chegou à esta posição “eisegética”: “C o m a palavra todos [o A p óstolo João] não inclui os réprobos. apresentam u m a sugestão ainda m enos plausível de que “D eus não deseja que n e n h u m de nós (os eleitos) pereça. contrad itória aos ensinam entos da Palavra de Deus. de fato. nem todos se salvarão (p o r exem plo.16) Esta descrição transparente da hum anidade decaída e pecadora inclui. C . a concupiscência da carne.19).25 Na verdade. Porque tudo o que há no mundo. (1 Jo 2. os não-eleitos. c o m o já v im o s.8 o u o todas as nações de A to s 2. alguns versículos m ais à frente: Não ameis o mundo. inqu estionavelm ente. em todos os lugares” são cham adas a se arrepender (A t 17. 25 P erceb em o s q u e os u ltra -ca lv in ista s te n ta m m a lo g ra d a m e n te e v ita r esta co n clu sã o in d ica n d o os e x e m p lo s geo gráficos de p alavras c o m o mundo. 2). Não é u m absurdo com p leto sugerir que “todas as pessoas em todos os lugares” na verdade significa “algum as pessoas em todos os lugares” ou “algum as pessoas em alguns lugares”? 1 Jo ã o 2.2 “E ele [Cristo] é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos.41. mas também pelos de todo o mundo.5. tais c o m o o todo de R o m a n o s 1. n ã o in flu e n c ia a un iv ersalid ad e do seu uso g e n é ric o ou salvífico (p o r e x e m p lo . João C alvino (1509-1564). A d e m o n s tra ç ã o de que o uso g e o g rá fico d o te rm o a p rese n ta u m a sp ecto lim ita d o . S p ro u l. 5. em con traste com a expiação lim itada. som en te aqueles que foram escolhidos por Deus estão sob o poder do Diabo! A dou trina da expiação limitada afirm a que todos por quem Jesus deu a sua vida serão salvos. mas que. C o m o já foi observado. no entanto . João acrescenta: “Sabem os que som os de Deus e que todo o mundo está no m alig n o” (5. capaz de dizer alguns em vez de todos. nem o que no mundo há. Isto .19. 169.10). possa chegar à conclusão de que este versículo não apóie a expiação ilim itada. Chosen by Cod. C.10. m o rreu por todos.” E difícil de entender co m o alguém .11.

A Objeção de que Efésios 1. mas ilim itada no seu alcance.9).. Jo 10.4). O p on to levantado pelos ultracalvinistas é que quando a Bíblia diz que Cristo m o rreu por alguém . e Paulo afirm a que “Porque os que dantes conh eceu . a ponto de C risto ter m orrid o pelos pecados de todos (cf. Efésios 1. não lim ita a aplicação potencial da expiação a todas as pessoas. Resposta C o m o já foi visto. 1 Pe 3. 2 Co 5. Pedro afirm a categoricam en te que som os “eleitos segundo a presciência de D eus Pai” (1 Pe 1. “com o tam bém nos elegeu” (E f 1. por isso.29). ela esta claram ente lim itando a sua obra na cruz exclusivam ente àquele grupo (o dos crentes): “[.2). e não àqueles a quem a expiação foi disponibilizada.21).18). Resposta O fato de som ente os crentes terem sido escolhidos em Cristo antes do início dos tem pos. U m a análise contextu al m inuciosa d em onstra que as evidências são insuficientes.4. vem os que os depositários da m o rte de C risto são som ente aqueles que crêem ou que virão a crer nele (cf.” A Bíblia tam bém afirm a que Cristo foi o “Cordeiro que foi m o rto desde a fundação do m u n d o ” (Ap 13. os proponentes da expiação lim itada apresentam várias passagens que. E ao fazer isto. O fato de som ente os crentes (os eleitos) serem m encionados em algum as passagens co m o sendo os depositários da m o rte de C risto não prova que a expiação oco rreu para u m grupo lim itado de pessoas. nosso. 1 Jo 2. A Objeção de que 1 Coríntios 15. pois som ente os eleitos serão salvos. ela está se referindo àqueles a quem a expiação foi aplicada. tam bém os pred estinou” (R m 8. para que fôssem os santos e irrepreensíveis diante dele. D eus sabe de todas as coisas co m antecedência (Is 46.4. apoiariam a sua posição.1). ou nos ao falar da expiação. G1 1. não significa que Jesus não ten h a m orrid o por todos.11). sabia quem haveria de crer. p o rtan to . 2 Pe 3. no seu entendim ento.16). poucas verdades neotestam entárias são mais evidentes do que o fato de Deus am ar o m u nd o (Jo 3. Jo 20. R m 4. isto representaria u m desperdício do seu precioso sangue.10) e. A partir destas afirm ações.6. T t 2.29. alega-se que o Cordeiro foi sacrificado som ente pelos eleitos e que se a sua m o rte tivesse ocorrido por qualquer ou tra pessoa.:>ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) # 275 RESPOSTA A SUPOSTAS OBJEÇÕES BÍBLICAS À EXPIAÇÃO ILIMITADA Apesar da firm e e insistente ênfase n eotestam entária de que C risto m o rreu pelos pecados do m u nd o inteiro.2. . a Escritura.4 não con tém nada que nos leve a u m a conclusão diferente.] o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo 10.. 2 Pe 2.11. A expiação é lim itada na sua aplicação.4 Ensina a Expiação Limitada “[Ele] nos elegeu nele antes da fundação do m u nd o. quando a Bíblia utiliza term os co m o nós. e que o desejo de Deus é que todos sejam salvos (lT m 2. Primeiro.25. Desse m odo. C o m o já vimos an teriorm ente.8). segundo as Escrituras” (cf.3.3 Ensina a Expiação Limitada “Porque p rim eiram en te vos entreguei o que tam bém recebi: que Cristo m o rreu por nossos pecados.14.

a expressão “aqueles que quer” não significa que Jesus deseja dar a vida som ente para alguns.16) e não deseje que o m u nd o todo seja parte da sua noiva (1 T m 4. estaríamos diante de um a clara contradição com outras declarações joaninas (por exem plo. e por fim . que o que vem a mim significa “aqueles que vêm a Cristo.” A inferência que os ultracalvinistas fazem é que C risto concede a vida espiritual som ente aos eleitos. Nada aqui é dito acerca de Cristo ter m o rrid o p or u m grupo m ais abrangente do que o dos eleitos.29). se fosse assim.” . Jo 1. tanto os salvos.21 se referisse som ente aos eleitos. m as mostrarmos que o poder da sua ressurreição é ilimitado. a afirm ação de que os eleitos virão a Cristo. tam b ém não haverá nada para ser salvo. se virão por im posição da graça irresistível ou de fo rm a volu ntária (livre) por interm édio da graça persuasiva e efetiva de Deus. 2 C o 5. se João 5. em função disso. ele contradiria João e o restante da Bíblia onde vem os afirm ações de que Deus am a o m undo (cf. se isto fosse dito.2) e tam bém com cartas de outros autores (por exem plo.16) e deseja que todos se salvem (M t 23.21 Ensina a Expiação Limitada “Pois assim co m o o Pai ressuscita os m o rto s e os vivifica.” Os “particularistas” argum entam que este versículo está m al traduzido. Todos os calvinistas crêem que a Bíblia não se contradiz. A Objeção de que João 6. Segundo. já que Jesus disse que ressuscitaria “todos os que estão nos sepulcros” (5. Terceiro.28). sim plesm ente.4-6).21 se refira som en te à regen eração dos eleitos (já que som ente eles crerão). Quarto lugar. 6.37). Na verdade. Terceiro. quanto os não-salvos (v.21 não faz qualquer tipo de referência aos eleitos. O ponto de passagem não é lim itarm os o am or de Jesus.25) não significa que Deus. Resposta Primeiro.19. que o Espírito 27Vide tam bém o capítulo 9.18. Resposta Primeiro. Hb 2. a passagem não m o stra que o alcance da expiação foi lim itado. FPC. m esm o que João 5. que C risto m o rreu pelos pecados do m u nd o (cf.27 A Objeção de que João 5.429). devem os n otar com cuidado que o texto não diz que Cristo m o rreu som ente por aqueles que foram entregues pelo Pai ao Filho. este raciocínio deixa de lado as passagens que declaram que a m o rte de Jesus objetivava u m grupo m aior do que o dos eleitos (por exem plo. a passagem estaria contrariando o seu próprio con texto. m esm o adm itindo que este p o n to não determ ina teolog icam ente a visão particularista. E C W B .16. assim tam bém o Filho vivijica aqueles que quer. e o que vem a m im de m aneira nenhu m a o lançarei fora. tam bém não haverá nada que nos proporcione a salvação” (co n form e citação feita em E licott.16. pois D eus am a a todos (Jo 3. o fato de Jesus am ar e ter m orrid o pela igreja (E f 5. 51). se não houver graça livre. teríam os.9. o que seria u m a prova de que o alcance da expiação seria lim itado (vide Steele e Th om as. 5. isto é.6.1). João 5. R m 5. não am e o m u nd o inteiro (Jo 3.276 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Segundo. João 3.16). Bernard de Cairvaux declarou: “Se não houver livre-arbítrio. sob o subtítulo “Objeção N úm ero Dois. 2 Pe 2. somente aqueles que o Pai lhes deu. 29). Jo 3. Segundo. Jo 3. 1 Jo 2.19).” ou seja.37 Ensina a Expiação Limitada Jesus disse: “Tudo o que o Pai m e dá virá a m im . n em co m o os eleitos virão até ele.

m esm o que Jesus orasse pelos não-eleitos. A O b je ç ã o de q u e Jo ã o 17. ao pedir ao Pai que perdoasse as pessoas por elas não saberem o que estavam fazendo (cf. já que Deus não rejeitaria a oração feita pelo Filho. Terceiro. 17.87-88. m esm o sabendo que nem todos seriam salvos (M t 13. estaríam os diante de um a fo rte apoio ao argu m ento de que a expiação está lim itada aos eleitos (as únicas pessoas que receberam a intercessão de C risto). Se isso fosse verdade. e não som en te os eleitos (cf.2.” e m o p o sição a “so m e n te p elo s eleito s. e eu o ressuscitarei no ú ltim o Dia.8).. 1. na qual Ele nos leva a “rogar” para que “o S en h o r da seara [. aqueles a quem o Pai lhe der crerão. pois. o b om desejo do m eu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação” (R m 10.29 Quarto. 1 T m 2. Gill.31. intercessões e ações de graças por todos os homens” (1 T m 2. antes de tudo. E claro que os m eus filhos têm um papel especial nas m inhas orações. porque são teus. Jo 16. M esm o que.9 E n s in a a E x p ia ç ã o L im ita d a “Eu rogo por eles. outras passagens do Novo Testam ento revelam que Paulo orava. que se façam deprecações. e todos os que crerem serão aqueles a quem o Pai lhe dará. ele provavelm ente se referia aos descrentes envolvidos no ato da crucificação.4)." . Segundo.1). Lc 23. pois se Ele tivesse orado por um grupo mais abrangente (ou m esm o por todos). Lucas inclui a oração indireta que Jesus faz pelo m undo. há evidências registradas de que C risto orou tam bém pelas pessoas nãoeleitas. orações..9 dem onstraria necessariam ente que Ele não orou tam bém por aqueles que n ão creriam ? O próprio João. Jesus pudesse receber respostas negativas para as suas orações (cf. e que Deus deseja que todos se salvem (cf.30. Jo 3. por que João 17. da m esm a fo rm a que um a afirm ação da m in h a parte de que “eu oro diariam ente pelos m eus filhos” não significa que eu não am e os filhos das outras pessoas. p o steriorm ente. CGT. etc. por exem plo. A t 16.34). im plica que os autores bíblicos registraram som en te um a parte das coisas que Jesus fez (21.” P ortanto.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) # 277 Santo está convencendo o m u nd o do pecado (cf. O versículo 40 diz: “A vontade daquele que m e enviou [do Pai] é esta: que todo aquele que vê o Filho e crê nele te n h a a vida eterna. e por fim . apesar de saber q u e so m e n te u m re m a n e s ce n te deles seria resgatad o (R m 11.28-30). a oração ou a ausência da oração de Jesus pelos não-eleitos não anula o seu am or por eles. e ele nos exo rtou a fazerm os o m esm o: “Irm ãos. e os ultracalvinistas alegam que esta é u m a negação explícita feita por Jesus de que Ele oraria pelo “m u n d o ” dos descrentes.16. n em a sua m o rte pelos pecados deles.77). o fato de C risto ter orado som ente pelos eleitos nesta passagem não prova que Ele jam ais te n h a orado pelos não-eleitos. n a cru z. 36.jenvie obreiros para a sua seara” (10. 20) não significa que ele não am e o m u nd o. mas por aqueles que m e deste.7.1). A lém disso. este grupo mais abrangente (o u todos) seriam salvos. co m o até m esm o os ultracalvinistas aceitam . A sua oração específica p or aqueles que ainda haveriam de se converter (v. a Palavra de Deus in sistentem ente cham a todas as pessoas à fé em Cristo.” O p ronom e “eles” neste versículo é u m a referência clara aos discípulos de Cristo (v. 6). Terceiro.2).). o próprio con texto indica que aqueles que virão a Cristo serão aqueles que crêem . da m esm a fo rm a que os 28 P au lo tin h a e ste a m o r ap aixon ad o p o r eles.25). não rogo pelo mundo. conseqüentem ente.2 8 “A d m oesto-te.1-5). R e s p o s ta Primeiro. C o m o já vim os. 29 “P or to d o s os h o m e n s .

12) e são batizadas pelo Espírito Santo em u m só corpo (1 Co 12. o fato de eu am ar os m eus filhos não significa que eu n ão am e os filhos das outras pessoas. O im p ortan te é que Deus deseja te r a todos co m o seus filhos (cf. o u tro s v e rsícu lo s ta m b é m re v e la m o a m o r sin g u la r q u e C risto teve p e la sua ig re ja . m as. 12. Jesus Cristo. e não para “todos” (cf. Paulo não diz que C risto am ou “o m u n d o ” e se entregou por ele. como. Todavia.4-6. A títu lo de exem plo lógico. amai vossa m u lh er.278 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA discípulos de Cristo tin h am u m lugar especial no coração dele. co lo ca u m peso m aior no m eu am or por eles. Hb 9. 30 A lé m de Efésios 5. Se eu disser que am o os m eus filhos a ponto de entregar a m in h a vida por eles.9). .. Resposta C o m o já vim os. M t 23.18) de fo rm a intercam biável co m muitos.39.25 Ensina a Expiação Limitada “Vós. não as pessoas de fora.13). (w . inversam ente. A Objeção de que Efésios 5. assim. co m o tam bém C risto am ou a igreja e a si m esm o se entregou por ela. é im p ortan te perceberm os que o term o muitos em R om an os 5 é utilizado em contraste co m um (Adão ou C risto) e não em contraste com todos. a noiva de C risto — a Igreja — é u m a entidade com p osta por todas as pessoas que o aceitaram (Jo 1. pela desobediência de um só homem. O fato de que muitos pode ser utilizado de fo rm a intercambiável co m todos fica evidente porque: (1) O term o todos é utilizado nesta m esm apassagem (vv. que Ele não ama o m und o. m aridos. que é u m a c re n ç a distin ta de tod os os calvinistas (d ife re n te m e n te dos a rm in ia n o s).17). 1 T m 2. significa que eu m e fu rtaria a salvar a vida dos filhos das outras pessoas.. Resposta Cristo am a a igreja — isso é indiscutível. de fo rm a algum a. A Objeção de que Romanos 5. 15. A p o rta da verdadeira Ig reja está aberta para todos que quiserem en trar e fazer parte deste grupo especial que tem a experiência deste am or especial: “O Espírito e a esposa dizem: Vem! E quem ouve diga: Vem! E quem tem sede venha.” O cen tro do am or de Cristo nesta passagem é a igreja. muitos foram feitos pecadores. morreram muitos.15 Ensina a Expiação Limitada Se. (2) Em um a situação os dois term os se referem à m esm a coisa— o “m orreram m u itos” n o versículo 15 se refere de igual form a à m o rte que “passou a todos os h om ens” no versículo 12. pela ofensa de um. 2 Pe 3. O q u e sep ara os calvin istas m o d e ra d o s dos u ltracalv in istas é q u e os p rim eiro s a firm a m e os segu n d o s n e g a m q u e C risto ta m b é m te n h a m o rrid o p elo s n ã o -e le ito s e q u e ta m b é m d eseje q u e eles e x p e r im e n te m e ste a m o r sem -ig u a l (d o qual o c a sa m e n to é u m sím b o lo ). pela obediência de um. que é de um só homem. 19) Os ultracalvinistas argu m entam que em ambos os casos os benefícios da m o rte são som en te para os “m u ito s” [os eleitos]. abundou sobre muitos [. muitos serão feitos justos. e quem quiser to m e de graça da água da vida” (Ap 22. este fato não dem onstra. muito mais a graça de Deus e o dom pela graça.28).] Porque.30 A lém disso.

acreditar no alcance universal da expiação. 32Já o b servam os q u e m u itas o u tra s p assagens d o N o v o T e s ta m e n to ta m b é m e n sin a m a e xp iação su b stitu tiv a (p o r e x e m p lo . mas poucos. 2 C o 5. Todos os calvinistas verdadeiros. 19). 3. O fato de um benfeitor com prar u m presente e o conceder de fo rm a livre. ensina que n em todos serão salvos. Jesus coloco u o Pão da Vida na m esa da hum anidade. o fato de C risto ter pago pelos nossos pecados não significa que precisam os aceitar este pagam ento em nosso favor. se Cristo m o rreu por todos. e não u m contraste com todos. m as para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. de m aneira lógica.14). . (4) Se m uitos significar som en te “alguns” (de acordo com a concepção da expiação lim itada). apesar de algum as pessoas não terem vontade de saciar a sua fom e. mas passíveis de salvação. 1 Pe 2. não significa que a pessoa para a qual ele com prou o presente seja obrigado a aceitá-lo.41. não todas. e no m esm o versículo.33 p o rtan to . mas não a to rn o u real para todos — já que recebem os a justificação pela fé.1 6 .40. tal qual ocorre com R om anos 5 (vide acim a).18). sem que seja aplicada a todos. 18). M t 25. e por fim. R e sp o s ta Primeiro.4).3. com prado pelo sangue dele.3 4 Isto não é de difícil com preensão.7-9.”32 Os ultracalvinistas insistem que. estão condenadas p o r causa do pecado de Adão (v. O sacrifício por todos to rn o u a salvação possível. A Bíblia. teria dito “m u ito s” com intenção de m o strar que a sua m o rte não seria u m a redenção substitutiva pelos pecados de toda a hum anidade. de igual form a. pois se a m o rte de Cristo foi em substituição dos pecados de todos. os eleitos não eram salvos. Jesus disse: “Porque muitos são cham ados. não significa que todos estão salvos. Segundo.10-15. a salvação pode ser proporcionada (ou disponibilizada) a todos. 33 C f. acreditam na universalidade do pecado. a inferên cia não é logicam ente necessária. mas sim um a inferência especulativa. 2 T s 1. Apesar de os eleitos terem sido escolhidos em Cristo antes da criação do m u nd o (Ap 13. de fato.O ALCANCE DA SALVAÇAO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) # 279 (3) Vemos o mesmo contraste entre “u m ” e “todos” (v. en tretan to .16). e entre “u m ” e “muitos” (v. Terceiro.22. 1 C o 15. Pela m esm a lógica. De m aneira similar. os ultracalvinistas argu m entam que Cristo. Ap 20. tam bém coloco u a Água da Vida à disposição de todo aquele que quiser beber (Jo 4.45.45 E n s in a a E x p ia ç ã o L im ita d a “Porque o Filho do H om em tam bém não veio para ser servido. Quarto. 34V id e ca p ítu lo s 1 5 . a palavra muitos é inclusiva: ele faz um contrapon to co m poucos. p o rém . então todos deveriam ser salvos. escolh idos” (M t 20. a conclusão de que C risto não se ofereceu a Si m esm o por todos não representa. e todos estão livres. C o m o já v im o s.8. E f 1. com a m esm a palavra. C om o já vim os. um a exposição com p leta destas passagens (que nada falam acerca da lim itação na expiação). e m fu n ç ã o da v o n ta d e de u m a h u m a n id a d e reb eld e. eles não estavam posicionalm ente salvos até que fossem regenerados e justificados.3 1 A O b je ç ã o de q u e M a rco s 10. em M arcos 10. o fato da m o rte de Cristo ter tornado todos os seres hu m anos passíveis de salvação. eles deveriam . Antes do m o m en to cronológico da regeneração.20. a lim ita ç ã o se re strin g e à aplicação . 19). então som en te algum as pessoas. apesar de algum as pessoas não terem vontade de saciar a sua sede. então a dívida de todos está paga.

a Bíblia não ensina que n e n h u m edom ita seria salvo. A m 9. R m 11.3-4. Esta passagem parece dizer que Deus não som ente am a os eleitos. 10. m as que tam bém aborrece.” a d u p la p red e stin ação . 2000 a.39 U m a idéia paralela é expressa em M ateus 10. Terceiro.3 (c.9). e o m aior servirá ao m e n o r. Como está escrito: Amei Jacó e aborreci Esaú. R t 1). G ods Strate^y in Human History.30.] não pode ser m eu discípulo” (Lc 14. p o r fé. Segundo. apesar da eleição coletiva da nação israelita.C. povos.C . Resposta Já analisam os esta passagem quando falam os da onibenevolência de D eus. significa m ais p re c is a m e n te “a m a r m e n o s ” ou “co n sid era r c o m m e n o r a feição.] Vendo. os não-eleitos.26). As obras dos ím pios edom itas que foram perpetradas con tra os israelitas. 148-50. ficasse firme. n ão está falando deles antes do seu nascim ento (c. quanto da nação vizinha de M oabe (cf. Em Gênesis. a palavra que em português fica traduzida co m o aborreci (A lm eida Revista e Corrigida) significa “am ei m en os. S p ro u l.37: “Q uem ama o pai ou a m ãe mais do que a m im não é digno de m im . pois.” 35 V id e c a p ítu lo 7. e dois povos se dividirão das tuas entranhas: u m povo será mais fo rte do que o o u tro povo. co m o já vim os. o “a m o r” de Deus por Jacó e o seu repúdio por Esaú era direcionado às nações de Jacó (Israel) e Esaú (E d om ).280 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA A Objeção de que Romanos 9. e apesar de D eus ter repudiado aquela nação por estes atos. o riu n d o de miseo).13. vide R. o SEN H O R que Léia era aborrecida [.”37 C o m o fo rm a de reforço desta idéia. sob o títu lo “O b je ç ã o N ú m e ro T rê s. Na verdade. 400 a. nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus. por am or de m eus irm ãos. Paulo declarou: “Porque eu m esm o poderia desejar ser separado de Cristo. Paulo.1). A lém disso. e línguas” (Ap 7. Quarto...35 e poucos versículos são mais m al-interpretad os pelos ultracalvinistas (especialm ente os aderentes da dupla predestinação) do que estes. Chosen by God.]” (G n 29.” A referência não é à eleição individual.. que são m eus parentes segundo a carne.). ao receber a profecia. e ste n ã o p od e s er m e u d iscíp u lo . 36 Por e x e m p lo . C..11-13 Ensina a Expiação Limitada Não tendo eles [Jacó e Esaú] ainda nascido. m a s sim p le sm e n te e m a m o r c o m m e n o r in te n sid a d e ” (R o g e r T. S o b re 37 C o m o m e n c io n a m o s n o c a p ítu lo 7. vejam os: a Bíblia diz que Jacó “amou também a Raquel mais do que a Leia [. Jesus disse: “Se alguém vier a m im e não aborrecer a seu pai. m as de M alaquias 1. R ebeca ouviu: “Duas nações h á no teu ventre. e m ãe [. com o haverá pessoas “de todas as nações. tribos. segundo a eleição.2. foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. cada indivíduo continuava precisando aceitar o Messias.” 38 “O a n te ce sso r [am ou] im p lic a u m a fo rte lig a çã o positiva e o s u cesso r [odiou].” e m vez de “n ã o a m ar de fo rm a a lg u m a ” o u “n ão d esejar o b e m da p essoa. mas m u ito tem po depois deles terem vivido — a citação não é de Gênesis. cf. Deus não está falando de Jacó co m o indivíduo.. em N úm eros 20). a Bíblia diz que haveria crentes tanto de Edom (cf.38 De m aneira sim ilar.). mas de Jacó co m o nação (Israel).. m as à eleição coletiva da nação escolhida (Israel).36 Primeiro.20).12). em R om an os 9.31). vide apên d ice 3. que são israelitas” (R m 9. para que pudesse receber a salvação de D eus (cf. estão bem docum entadas (por exem plo. mas por aquele que chama). ou odeia. F o r ste r e V. não por causa das obras. a b o rre c e r (g reg o : emisesa. n ã o u m ód io c o n tu m a z .” . n e sta o b ra. 60). 39 D ito de fo rm a inversa: “Se a lg u ém m e a m a r m e n o s o u re sp e ita r-m e c o m m e n o r afeição do que a q u e dedica a seu pai e a sua m ã e. Paul M a rs to n .

a ênfase está na intensidade do ato m isericordioso. p o rtan to . n em Deus é u m artista que opera as suas m arionetes. FPC. R om anos 9. O am or opera de fo rm a persuasiva e jam ais se vale de qualquer fo rm a de coação. esperando que o descrente se arrependa (isto é.” supostam ente. cf. 1 T m 2.22). Ele é o m esm o tanto para o crente. Se Ele pudesse fazer isto sem violar tan to a sua própria integridade. C om o já colocam os. não existem casam entos à bala no céu. e não co m o lim itadora. 40Vide capítulos 3 e 12.9).22 E n s in a a E x p ia ç ã o L im ita d a “Porque.4) chegando ao ponto de suportar “com m u ita paciência os vasos da ira” (R m 9. a afirm ação: “C o m pad ecer-m e-ei de quem m e com pad ecer e terei m isericórdia de quem eu tiver m isericórdia” (R m 9. Há muitas pessoas que não foram crucificadas em Cristo. m as invasão. vire a sua vida na direção co rreta — na direção de D eus!) para que Ele possa. C om o já vimos. u m “am or forçad o” é u m a contradição term in ológ ica — am or forçado não é am or. (Palmer.22 não ensina que o alcance da expiação é lim itado. quanto para o descrente: o crente já está experim entando o seu am or. assim tam bém todos serão vivificados em C risto. o co rre tam bém com a expressão do am or de Deus. assim co m o todos m o rrem em Adão. “Deus é am o r” (1 Jo 4. Elas o odeiam.40 A O b je ç ã o d e q u e 1 C o r ín tio s 15. tão m agnífico — que o seu am or por aqueles que o rejeitam tem a aparência de repulsa.” Alguns ultracalvinistas afirm am que todos neste caso só pode se referir aos eleitos: Apesar de estar claro que todas as pessoas no mundo morreram em Adão (Rm 5.16. m odificando com p ortam en talm en te seres hu m anos reticentes. Ex 33.15. Está claro que D eus am a a todos cf. experim entar tam bém . por fim. então todas as pessoas seriam salvas (2 Pe 3.14). ele não pode nos im pelir fisicam ente. O m esm o acesso de am or que faz co m que o ro n ron ar de u m gatinho se pareça com u m a expressão de repulsa. apesar do am or ter o poder de nos constranger m o ra lm en te (2 C o 5. e não nos lim ites da parte que o recebe. grifo acrescentado) De algum a form a.12). serviria de base para a expiação lim itada.16) e. p acientem ente.19) deve ser com preendida co m o intensiva. quando com parado a ele. Ou seja. está igualmente claro que nem todos no mundo morreram em Cristo. aguardando o seu arrependim ento (2 Pe 3. e ú ltim o. ensina que o seu am or por aqueles que recebem a salvação é tão incrível — tão esplêndido.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇAO LIMITADA OU ILIMITADA) f $ 281 Quinto. “todos serão vivificados.2. com o foi exaustivam ente dem onstrado. Jo 3. quando a liberdade que Ele m esm o nos concedeu. em vez disso. .9). se ele se virar do lado contrário e sentir que o seu pelo está sendo acariciado do lado errado. R e sp o s ta Existem pelo m enos três razões por que 1 C oríntios 15. 53. não ensina que Deus odeia o grupo dos não-eleitos (n em que Ele não o am e). 1 Jo 2. ao passo que o S en h o r está.

esta objeção se apresenta co m o u m a fo rm a de alegação especial.282 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Primeiro.22 está falando da ressurreição: Mas. porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. em verdade vos digo que vem a hora. de Jo h n M cLeod C am pbell (1800-1872). para os ultracalvinistas. para a ressurreição da condenação.24 Ensinam a Expiação Limitada Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados. em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus. e recusar-se a aceitálo. . todos significa “todos. A lguns serão ressuscitados para a salvação. Porque. mortos para os pecados. do m esm o m odo que u m prisioneiro pode receber o perdão da parte de u m governador. U m a penalidade pode ser paga sem que o pagam ento surta efeito..4 2 Resposta E m função da sua visão da substituição. 149ss). e não todos serão salvos.21). para levarnos a Deus [. Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem.18 e 2. pudéssemos viver para a justiça. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida.] levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro. Isto im plica u m a expiação substitutiva e. e os que a ouvirem viverão [. m u itos defensores da expiação lim itada insistem que se C risto foi u m substituto p o r todos. o justo pelos injustos. C o m o já vim os. A Objeção de que 1 Pedro 3. o u n o c o n te x to da salvação n o N ov o T e s ta m e n to . 20. e é geralm ente consensual que o prim eiro todos significa “todos os seres hu m anos decaídos.” Todos não significa “alguns.”41 Segundo. e agora é..43 E claro que todos aqueles por quem Cristo fo r substituto serão salvos se a aplicação da substituição fo r autom ática. C risto deve ter m orrid o som ente pelos eleitos (vide M cG regor. e os que fizeram o mal.. então todos deveriam se salvar. co n fo rm e vimos acim a.25. para que. o texto n e m ao m enos trata da salvação.29) C o m u m a introd u ção assim. existe u m a firm e ligação lógica en tre os dois todos neste versículo. e pelas suas feridas fostes sarados. Eles n o rm a lm en te indicam a obra The Nature o f the Atonement [A N atureza da Expiação]. agora. m as da ressurreição de todas as pessoas ( “todos serão vivificados em C risto”). (vv. e n tre ta n to .16” n o c a p ítu lo 2.” Terceiro. (Jo 5. C o m o todos os calvinistas acreditam que som ente alguns. e ou tros para a condenação. NPS.] Não vos maravilheis disso. C o m o disse Jesus: Em verdade.. também a ressurreição dos mortos veio por um homem. re je ita v a a exp ia çã o lim ita d a . 28. 4j V ide a n o ta sob o su b títu lo “R o m a n o s 8. não resta m ais n e n h u m a dúvida de que 1 Coríntios 15. com o u m a d em onstração da incom patibilidade entre a expiação universal e a substitutiva. ou ainda. u m h om em falido pode receber u m a oferta de dinheiro por parte dos seus credores e recusar-se a aceitá-la. assim como a morte veio por um homem. as pessoas que (co m o eu) são aderentes da expiação substitutiva e rejeitam a expiação lim itada crêem que o sacrifício de Cristo 4 1 Já d e m o n s tra m o s que e ste é o p ad rão q u a n d o todos é u tilizad o de fo rm a g e n é rica . conseqüentem ente. 42 J o h n M cL eod C a m p b e ll. mas isto não precisa oco rrer desta form a.

“Porque o amor de Cristo nos constrange. a base essen cial da o n ib e n ev o lên c ia de D eu s fo i e xp o sta n o v o lu m e 2. The Death Christ Died: A Biblical Case f o r Unlimited A to n e m e n t.. m as que Deus é Todo-amoroso. necessariam ente. 38.] Porque estou certo de que n e m a m o rte. a onibenevolência de Deus é incompatível com a expiação limitada. m as. m as em que ele nos am ou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4. a qual torn ará possível o dom da salvação por interm édio da obra expiatória de C risto. mas o fato dele ser onibenevolente é conseqüência de vários dos seus atributos m etafísicos. A B ase T e o ló g ic a da O n ib e n e v o lê n c ia d e D e u s 47 O am or de D eus é um atributo m oral. Aquele que não am a não con h ece a Deus. julgan do nós assim: que. Deus. sim. n o c a p ítu lo 15. n em os principados. 46 V id e v o lu m e 2. se um morreu por todos. nem o porvir. . “D eus prova o seu am or para conosco em que Cristo morreu por nós. co m o tam bém odeia os não-eleitos. porque a caridade é de D eus. na espera de que h aja um a resposta de fé.] Nisto está a caridade: não em que nós ten h am o s amado a Deus. para que todo aquele que nele crê não pereça.. para com os hom ens.10).39).35. 44 Para u m a an álise e x c e le n te d esta q u e stã o c o m o u m to d o . nosso Salvador. am em o-nos uns aos outros. e a sua ram ificação da dupla predestinação45 afirm a que Ele n ão som en te am a os eleitos. n em o presente. “Am ados. m a s várias delas d iz e m resp eito a e sta análise.. n em as potestades.2). Os versículos acim a d em onstram de fo rm a am pla que o am or não é som en te u m a característica de Deus.4'1 A B A S E T E O L Ó G IC A D A E X P IA Ç Ã O IL IM IT A D A A lém da am pla fu nd am entação bíblica. 45 V id e apên d ice 3. e qualquer que am a é nascido de Deus e co n h ece a Deus.4. n em a vida. vide R o b e r t L ig h tn e r. que to rn o u todas as pessoas passíveis de salvação. O sacrifício de Cristo não liberou a graça salvífica de D eus n a vida de n inguém . 47 C o m o já v im o s. A B ase B íb lic a da O n ib e n e v o lê n c ia de D e u s A fu nd am entação bíblica da onibenevolência divina é vasta. A expiação limitada (em geral) alega que Deus am a som en te os eleitos de fo rm a salvífica. que está em Cristo Jesus. a expiação ilimitada tam b ém está firm em en te baseada nos atributos de Deus. mas te n h a a vida e tern a ” (Jo 3. A Bíblia afirm a que Ele é T od o-am oroso. segundo a sua misericórdia” (T t 3. porque D eus é caridade [. n em a altura.46 As passagens a seguir serão sim plesm ente u m a seleção de textos: “Deus am ou o mundo de tal m aneira que deu o seu Filho unigênito. logo. quando apareceu a benignidade e caridade de Deus. especialm ente na sua onibenevolência. m as.16). Logo. n em algum a o u tra criatu ra nos poderá separar do am or de Deus. nem os anjos. n em a profundidade. mas serviu para satisfazer (propiciar) a Deus n o lugar dos pecadores (1 Jo 2. “Quem nos separará do amor de Cristo? [. c a p ítu lo 15.5). não pelas obras de ju stiça que houvéssem os feito. todos m o rre ra m ” (2 C o 5.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) # 283 pelos pecados de toda a hum anidade não salvou autom aticam en te n inguém .8). e co m o ser que é Todo-am oroso. nosso S e n h o r!” (R m 8. “Mas. sendo nós ainda pecadores” (R m 5.. ama a todos.14).7-8.

neste caso. quanto as teológicas claram en te m o stram que D eus é Todo-am oroso. podem os dizer que o am or não pode fluir da essência de D eus para todos os seres hum anos.. necessário e livre. 48 Ibid. mas o am or e a compulsão são. 5.3. O seu am or não pode ser lim itado. em E f 1. 1 C o 15. conseqüentem ente. Deus não pode ser parcialm ente nada. é total e com pletam ente am oroso. a onibenevolência de Deus é contrária à dou trina da expiação lim itada. Deus seria forçado a am ar. tam bém é necessário que Ele faça isso defiorma livre. e co m o D eus é am or. C o m o o am or forçado é contrad itório. o que é u m absurdo. apontando para o seu am or especial pelos eleitos (por exem plo. Deus. logo. D ito de ou tra form a. Jo 10. pois. . da m esm a fo rm a que a sua natu reza tam bém não pode ser lim itada..4.25. o argu m ento continua. Em resum o. apesar de ser necessário que D eus am e a todos. U m Ser necessário é aquilo que é por necessidade. Tudo que u m Ser simples é. am or e necessidade não são opostos.284 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA A Infinitude de Deus Implica a Onibenevolência D eus é infinito na sua essência. o am ar a todos não pode fazer parte da essência de Deus. D eus é necessariamente am or. capítulo 2. Objeção Número Dois — Baseada no Amor Singular de Deus pelos Eleitos Q uem nega a expiação ilim itada está alegando que não am a de fo rm a salvífica todas as pessoas. Deus am a porque Ele quer (escolhe. P ortanto. pois o am or está n a sua própria essência. capítulo 3.11). RESPOSTAS A OBJEÇÕES LEVANTADAS CONTRA A ONIBENEVOLÊNCIA DE DEUS Objeção Numero Um — Baseada no Argumento de que o Amor Necessário É Contraditório O am o r é u m ato livre que brota da nossa livre-decisão (ou livre-arbítrio). a expiação ilim itada não vai con tra à própria n atu reza de u m D eus de amor? Resposta à Objeção Número Um C o m o já verificam os. 50 Ibid. ele o é de form a total e com pleta. É im possível que Deus não ame. A Necessidade de Deus Implica a Onibenevolência A necessidade de D eus50 im plica tam bém a sua onibenevolência. P ortanto. A Simplicidade de Deus Implica a Onibenevolência Deus é simples (indivisível. por ser infinita. Ele é am or infinito. deseja) am ar quem e quando Ele bem entender. pois o am or faz parte sua essência simples. o seu am or livrem ente escolhido por todas as pessoas está em harm onia co m a sua natu reza im utável.49 portanto. sim ultaneam ente.. capítulo 5.48 e com o o am or é da essência de Deus (1 Jo 4. tanto as evidências bíblicas. C onseqüentem ente. porque a sua essência é necessária. portanto. A vontade de Deus está com p letam en te de acordo co m a sua natureza. não am a porque Ele seja obrigado a amar. 49 Ibid. Ele precisa am ar a todos. sem partes) na sua essência. Não existe conflito no caso do am or de Deus ser.16). E co m o nada nele seria contrária à sua própria natureza.

e se Deus deseja salvar a todos. A lém disso. n e c e s s a ria m e n te .18. Deus deseja algum as coisas de fo rm a condicional e outras de form a incondicional: Ele deseja nos justificar. o fato de Jesus am ar a sua noiva e por ela ter m orrid o não significa que Ele odeie aqueles que ainda não crêem . da m esm a form a que Ele não precisa exercer o seu poder para com todas as pessoas. M t 23.11). então a sua vontade não pode ser impedida: Ele realiza todos os seus propósitos (Is 55. n em pode ir con tra sua própria natu reza (Hb 6. diferentemente do poder que é um atributo não-moral. exerce o seu poder de acordo com o seu am or. não seria verdade que todos serão salvos (U niversalism o). ela não está lim itando a possível aplicação da expiação a todos aqueles a quem ela foi disponibilizada. Deus. Ademais. Na verdade. sim plesm ente por ser onipotente. de acordo com a sua própria essência. a igreja.37). n em todos serão salvos (cf.5 3 O b je ç ã o N ú m e r o Q u a tr o — B a sea d a n a P rem issa de q u e D e u s T e m P o d e r N ã o u tiliz a d o Os ultracalvinistas ainda insistem que D eus não precisa exercer o seu am or para com todas as pessoas sim plesm ente por Ele ser onibenevolente. da m esm a fo rm a que tem mais poder do que utiliza. E. ju stam en te por seres m orais. 53Vide capítulo 12. capítulo 6. Ele deseja que todos façam parte da sua noiva. não pode forçar nin gu ém a am á-lo. Deus. Os atributos m orais. a onipotên cia de Deus não significa que Ele possa fazer tudo. con form e tam b ém já vim os. e.3 2 Deus não quer que ninguém pereça. se Deus cu m pre todos os seus propósitos. C o m o já vimos. A expiação lim itada não precisa nos levar ao U niversalism o. 2 T m 2. R e s p o s ta à O b je ç ã o N ú m e ro Q u a tr o C om o já foi visto.. de acordo com a aceitação do dom que a nós é oferecido (Jo 1. R m 3.12. 54Vide n ota sob o subtítulo “Resposta à Alternativa U m ” no .13). a sua vontade im ediata não é. pode ter mais am or do que ele dem onstra.37). quando a Bíblia tala daqueles a quem a expiação foi aplicada. R e s p o s ta à O b je ç ã o N ú m e r o T rê s Apesar da vontade final de Deus ser sem pre cum prida. n em todos se arrependerão e. e a confusão de am bos se constitui em u m erro de categorização. M t 23.25.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) # 285 R e s p o s ta à O b je ç ã o N ú m e r o D o is Em resposta.54 !bid. C om os atributos não-m orais isto não oco rre. O b je ç ã o N ú m e ro T rê s — B a sea d a n a Id éia de q u e a E x p ia ç ã o Ilim ita d a Leva. Além disso. supostam ente. mas que todos se arrependam (2 Pe 3. o amor é um atributo moral de Deus. portan to. todavia. 52Vide capítulo 15. ao U n iv e rs a lis m o Se u m ser Todo-poderoso pode fazer tudo o que bem entender. apesar de ser Todo-poderoso.9). capítulo 7. já ficou dem onstrado que o am or sublim e de Cristo pela sua noiva não nega o seu am or pelas demais pessoas.51e se u m Deus soberano está no con trole de todas as coisas. Deus não pode tazer aquilo que é contrad itório. obrigam D eus a agir de certas m aneiras.

Existem duas visões prim árias acerca da relação entre a natu reza de Deus e a natu reza da vontade de Deus: o V oluntarism o divino e o Essencialism o divino. apesar de D eus precisar sem pre agir de fo rm a ju sta por Ele ser Tod o-ju stiça. ou seja. 57 Ibid. O am or é tão essencial para Deus. . Ele não precisar agir de fo rm a am orosa por ser T od o-am oroso.14). sobre o qual a d ou trina da expiação lim itada está fundam entada. é inconsistente sustentarm os (co m o fazem os ultracalvinistas) que.5 5 Resposta à Objeção Número Cinco E verdade que nada. O Voluntarismo. p o r ou tro lado. Objeção Número Cinco — Baseada naquilo que os Pecadores Merecem Som os salvos pela graça de Deus. D eus deseja nos salvar porque Ele é n atu ralm en te (essencialm ente. a ju stiça de Deus não o obrigaria a cond enar todos os pecados.57 S om ente o ser que tem potencialidade pode m udar. não porque tenham os conquistado a salvação. Ele sem pre os possuirá de fo rm a com pleta. pois Ele. 0 Argumento da Pura Atualidade de Deus O prim eiro argu m ento a favor da im utabilidade é baseado no fato de u m Ser de pura atualidade ( “Sou aquilo que sou”) não apresentar potencialidade. não apresenta potencial para atualização por m eio de m udança. a questão é que existe algo em D eus que desperta o seu desejo de salvar todos os pecadores — o seu am or infinito. Esta não é a questão. 55Vide parte 1. co n fo rm e afirm ado an teriorm ente. capítulo 4. a dou trina da expiação ilim itada. O V oluntarism o divino não apresenta fu nd am entação filosófica (racion al). a qual afirm a que Deus precisa am ar a todos. e então aquilo passa a ser correto. mas n e n h u m pecador é m ereced or da graça — a ju stiça exige que o pecado seja condenado. quanto o é a ju stiça. 56Vide volum e 2. ou seja. necessariam ente e n ão-arbitrariam ente) Todo-am oroso. bíblica ou prática. da m esm a fo rm a que a sua onibenevolência o im pele a am ar todos os pecadores. Mas ela faz isto. é digno ou m erece o am or de Deus.286 <ü TEOLOGIA SISTEMÁTICA A lém disso. D eus não pode m udar (Ex 3. necessária e infinita. P ortanto. Argumentos Filosóficos a Favor do Essencialismo Divino Os teístas tradicionais susten tam que Deus é im utável n a sua natu reza ( “m o ralm en te im utáv el”).56 Tom ás de A quino apresentou três argum entos básicos em defesa da im utabilidade de Deus. a qual sustenta que todos os seres h u m anos m erecem a cond enação de D eus. O Essencialism o. independente dos atributos que Ele possua. parece ser contrária à dou trina da depravação total. Deus decide que algo é correto. declara que D eus deseja algo porque aquilo é correto. por ser o desejo de Deus. Dessa form a. por ser Pura Atualidade. tam p ou co a sua paixão pela nossa salvação (algo que não fizem os). insiste que algo é correto.. capítulo 2. ESSENCIALISMO VERSUS VOLUNTARISMO U m a segunda razão teológica para se rejeitar a expiação lim itada é a sua base na prem issa do volu ntarism o teológico. aquilo já está de acordo co m a sua natu reza im utável. em n e n h u m dos pecadores. e. Se est s fosse o caso.

em quem não há m udança.25-27) Em 1 Sam uel 15. .” 58 Ibid. a conquista de u m a nova perfeição significaria que Ele estivera em falta dela anteriorm ente. envelhecerão. Eles perecerão. algo perm an ece igual e algo m uda.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) <# 287 0 Argumento da Perfeição de Deus O segundo argu m ento a favor da im utabilidade divina deriva da sua absoluta perfeição.18). C o m o Deus. por interm édio do profeta: “Porque eu. porquanto não é u m h o m em .17) nos assegura: “Toda boa dádiva e tod o dom perfeito vêm do alto. confirm and o o seu conteú d o. Logo.5 9 Tudo aquilo que m u da é com p osto por partes que m u dam e por partes que não m udam .. em função da sua própria natureza. e ficarão mudados. Ele não pode m udar. absolutam ente perfeito (n ão há com o Ele possa ser m elh orad o). Paulo acrescenta. Se todas as coisas acerca de u m ser m udassem .10-12 cita o Salm o 102. não pode ser com p osto por dois elem entos. não se trataria de m udança.60 Evidências Veterotestamentárias a Favor da Imutabilidade Moral de Deus O salm ista declarou: Desde a antiguidade fundaste a terra. n o v a m e n te . como uma veste.” Tiago (1. p ro m eteu antes dos tem pos dos sécu los. Mas tu és o mesmo. e o E ssen cia lism o . Se. Evidências Neotestamentárias a Favor da Imutabilidade Moral de Deus O N ovo Testam ento é igualm ente enfático acerca da n atu reza im utável de Deus. mas não pode haver este tipo de com posição em u m Ser absolutam ente sim ples. para que se arrependa. ele não seria mais o m esm o ser. como roupa os mudarás.29 lem os: “E tam bém aquele que é a Força de Israel não m en te nem se arrepende. Hebreus 1. Na verdade. Se faltasse algum tipo de perfeição a Deus. pois. que não pode m entir. A lguns capítulos à frente o au to r p rom ete: “E impossível que Deus m in ta ” (Flb 6. a parte que m u dou deve ser com p osta destes dois elem entos. 60 O c o n tra s te . 0 Argumento da Simplicidade de Deus O terceiro argu m ento a favor da im utabilidade divina surge da sua sim plicidade. c a p itu lo 13. não m u d o ” (M l 3.58Tudo aquilo que m uda. e os céus são obra das tuas mãos. por ser.. o qual defen d e q u e algo é c o r r e to p o rq u e D e u s (v o lu n ta r ia m e n te ) d e seja e ste algo . e os teus anos nunca terão fim. Ele deixaria de ser Deus. em toda m udança. se d á e n tre o V o lu ta rism o . que é u m Ser absolutam ente sim ples. descendo do Pai das luzes. adquire algo novo. Deus não pode m udar. em Tito 1. todos eles. o qual defen d e que D e u s deseja algo p orqu e e ste algo é (e s s e n c ia lm e n te ) c o rr e to . n em som bra de variação. mas do aniqu ilam ento de u m a coisa e da recriação de algo in teiram ente novo. o SEN HOR. c a p ítu lo 2. mas tu permanecerás. 59 Ibid.6). em absoluto. m as D eus não pode adquirir nada novo.” D eus confirm ou .2: “Deus. A r g u m e n to s B íb lic o s a F a v o r d o E s s e n c ia lis m o D iv in o As passagens bíblicas que apóiam o essencialism o teísta são aquelas que declaram que Deus é im utável na sua n atu reza. (102.

o Deus da Bíblia é imutavelmente bom. Objeções ao Essencialismo Divino Os argum entos voluntaristas con tra o Essencialism o. Argumentos Práticos a Favor do Essencialismo Divino Dois argu m entos práticos que existem a favor do Essencialism o são: (1) a necessidade da estabilidade m o ral e (2) a repugnância m o ral ao volu ntarism o. C o m o alguém poderia estar com p rom etid o com algo. já nos parece repugnante só o fato de im aginarm os u m a m udança desta espécie na sua vontade. Ele poderia decidir a qualquer m o m en to . 0 Argumento da Necessidade da Estabilidade Moral Se todos os princípios m orais estiverem baseados na vontade m utável de Deus. Eles são apoiados por aquilo que experim entam os na fidelidade de D eus e no testem u n h o bíblico de que podem os confiar na im utabilidade de Deus. mas odiá-lo? 0 Argumento da Repugnância Moral Os essencialistas insistem que é m o ra lm en te repu gnante considerar. con centram -se. que som os feitos à sua im agem e sem elhança. no lugar disso. Na verdade. por exem plo. a in ju stiça ou o genocídio são m o ra lm en te corretos. ou prem iar os ím pios por assassinatos ou por atos de crueldade.29).288 f | TEOLOGIA SISTEMÁTICA Se a vontade de Deus está su jeita à sua natureza. U m D eus assim não seria confiável. Ele jam ais deixa de cu m p ri-la (cf.16-18).11). por exem plo. que D eus poderia m odificar a sua vontade acerca do seu am or essencialm ente bom e. Esta confiabilidade absoluta não seria possível se Deus pudesse m odificar a sua vontade a todo m o m en to acerca das coisas. E com o para nós. na suprem acia de Deus: . que o nosso destino final não fosse am á-lo. G n 12. im agine quanta repugnância isto causaria ao D eus que é a fo nte da nossa m oralidade e em cu ja im agem fom os criados? A Confiabilidade Divina A Bíblia apresenta D eus co m o u m ser suprem am en te fiel: Q uando Ele faz um a prom essa incondicional. É difícil conceber com o u m ser m o ra lm en te perfeito poderia arbitrariam ente determ inar que o estupro. tais co m o aqueles propostos p o r W illiam de O ckham (c.29). O que to rn a D eus m o ra lm en te com p rom etid o a cu m p rir a sua Palavra é a sua natu reza im utável.1-3. principalm ente. do contrário. Hb 6. D eus não é h o m em (1 Sm 15. e sem pre podem os confiar que Ele cu m p rirá à sua palavra (Is 55. não haveria segurança m oral. decidir que o ódio passe a ser u m a obrigação m o ral universal. 1285-c. com o poderíam os am ar e servir a Deus se Ele pudesse desejar. co m o fazem os voluntaristas. o Essencialism o divino deve estar correto. co lo car todos os crentes no infern o. não precisam os tem er que tan to os dons quanto os cham ados de D eus estejam dependentes de oscilações na sua m ente (R m 11. e se D eus é im utável na sua natureza. 1349). C onseqüentem ente. então tudo que D eus desejar será bom e certo de acordo co m ela (e não contrariam ente a ela). se sem pre houvesse a possibilidade das regras serem alteradas? Na verdade.

pois eles defendem as seguintes premissas: (1) Deus pode fazer tudo o que desejar. a segunda prem issa erron eam ente considera que o padrão ético suprem o ao qual a vontade de Deus está sujeita está “fo ra” de Deus. in s iste m q ue D e u s não pode fazer isto. Ele salvaria todas as pessoas. um a coisa é correta porque Deus a deseja (V oluntarism o). Ele ta m b é m p o d e ria d ecid ir lim ita r o u tro s a trib u to s (p o r e x e m p lo . E. M as os calvin istas firm es. Se D eus é T od o-am oroso. O problem a pode ser reform ulado da seguinte form a: (1) (2) (3) (4) Se D eus fosse Todo-poderoso. E le p o d e ria d ecidir. não todas as pessoas. 61 Isto lev an ta u m a difícil q u e stã o e n tre os u ltra ca lv in ista s e o T e ísm o a b e rto . v o lu n ta r ia m e n te . Ou seja. ou não é T odo-am oroso. Logo. n ã o m ais te r o c o n h e c im e n to dos atos livres d o fu tu r o . . o c o n h e c im e n to ). a rg u m e n ta n d o c o n tra o T e ísm o a b e rto . Existe som ente u m a conclusão lógica: (1) D eus não é Todo-am oroso. n ão chegarem os a u m a conclusão voluntarista. Se assim fo r. logo. já que existe algo fora dele a que Ele está sujeito. (3) Logo. que está fundam entada n a sua natureza. e n tã o E le n ã o p o d e ria m o d ific á -lo s — p o r e x e m p lo . com o a sua natu reza é am ar a todos os seres por Ele criados.6 1 um a concepção que não dispõe de fund am entação racional. Ela não precisaria estar construída n o sistem a “ou/ou”.” Ou seja. Se ele estiver “d en tro ” de D eus — se o padrão for a sua própria natu reza m o ral suprem a — o dilem a se extingue. Existem . C oncluindo. A lém disso. a com preensão ultracalvinista acerca da expiação lim itada está claram ente baseada em um a fo rm a de V olu ntarism o. Ele não pode lim itar o seu desejo de salvação a um grupo restrito. (2) Se Ele deseja u m a coisa porque ela é correta (Essencialism o). S e ria m possíveis as duas coisas? P arece q u e se D e u s pudesse v o lu n ta ris tic a m e n te lim ita r u m dos seus a trib u to s (p o r e x e m p lo . G ra ç a Irre s is tív e l m a is O n ib e n e v o lê n c ia É ig u a l a o U n iv e rs a lis m o O utro sério problem a teológico para os aderentes da expiação lim itada é a sua idéia da graça irresistível. E l t poderia salvar todas as pessoas. mas poderia utilizar a construção “tanto/quanto. tudo o que Ele desejar deve estar de acordo com a sua natu reza im utável. os calvin istas firm es p rec isa m : o u desistir d o seu p le ito c o n tra o T e ísm o ab e rto . se os princípios m orais fluem da vontade de Deus. ou desistir d a sua c re n ç a n a exp iação lim itad a. então Deus deixou de ser suprem o. pelo m enos. bíblica ou prática.O ALCANCE DA SALVAÇAO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) f | 289 (1) Ou Deus deseja algum a coisa porque ela é correta (Essencialism o). S e os a trib u to s divinos não forem essenciais. A prim eira prem issa apresenta u m falso dilema. Ele não am a a todos. Mas n em todas as pessoas serão salvas. três problem as neste argum ento. inclusive salvar a todos os que desejar salvar. ou um a coisa é certa porque Deus a deseja (V oluntarism o). ou Deus não é Todo-poderoso. (2) Deus deseja salvar som ente algum as pessoas (os eleitos). o a m o r ). Deus não pode m udar n a sua natureza.

63 e n em m esm o u m D eus Todo-poderoso pode forçar alguém a agir con tra a sua própria vontade. a seguir. A ún ica solução que conserva a graça irresistível ou persuasiva é postularm os que D eus a exerce som ente sobre aqueles a aceitam . e o cap ítu lo 12. Isto elim inaria a possibilidade do U niversalism o — já que Deus pode am ar a todos. Deus pode exercer a graça persuasiva sobre todas as pessoas.62 A Expiação Limitada e a Graça Irresistível Negam o Livre-arbítrio A lém disso.65 e é con trário à autod eterm inação term os as nossas ações determ inadas (causadas) por ou tro ser. . por ou tro lado. não é capaz de exercer a graça irresistível sobre eles. e se Ele é Tod o-am oroso ao ponto de desejar que todos se salvem . m as não irá salvar todos. já que n em m esm o u m ser onip oten te é capaz de fazer aquilo que lhe é contrad itório. cit. quando poderia ser usada sobre todos — é u m a negação da onibenevolência divina. 65 O p. a graça irresistível — aquela que é exercida som ente sobre alguns. A liberdade forçada é u m a n oção absurda e a graça irresistível im posta co n tra a vontade das pessoas é exatam ente isto — ela con traria a liberdade que Deus concedeu aos seres hu m anos. ou leva à negação de u m D eus T od o-am oroso. incluindo-se aqui a capacidade da graça irresistível sobrepor-se a vontade das pessoas para que estas sejam salvas. Portanto. ou à afirm ação do U niversalism o. Este é precisam ente o resultado da dou trina ultracalvinistada “graça irresistível que se sobrepõe à vontade h u m an a. então Ele não am a a todos. D eus é Todo-poderoso. se os seres hum anos são livres. Neste caso. a dou trina da expiação lim itada é u m a rejeição da liberdade que Deus nos concedeu. Vide v o lu m e 2. quanto a onibenevolência de D eus. então Deus. D eus não é Todo-am oroso. algo inexeqüível para os proponentes da expiação ilim itada. o paradigm a do U ltracalvinism o. Em outras palavras. Sendo assim. e la in v alidaria a sua visão da o n ip o tê n c ia d ivina. então a graça irresistível cria a salvação universal. 64 Perceba. q u e esta o p çã o n ã o e stá d isponível p a ra u m u ltra ca lv in ista . Porque nesta vida o livre-arbítrio dos seres hu m anos im plica o poder da decisão contrária.290 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA (5) Mas D eus é Todo-poderoso.64 Neste p o n to de vista. Se. m ediante um a verificação da sua consistência. A graça irresistível é contrária tanto ao livre-arbítrio h u m an o quanto à onibenevolência divina. por u m lado. Deus não pode exercer a sua graça irresistível con tra a vontade das pessoas. sem que todos estejam dispostos a receber este seu am or ilim itado — e reafirm ar tan to a onipotência. e n tre ta n to . 63 Vide cap ítu lo 3. p o rq u e apesar d ela a firm a r a o n ib e n e v o lê n c ia de D eu s. Se. que lhes concedeu a liberdade. os aderentes da expiação ilim itada 62 A m bas são co m p le ta m en te inaceitáveis.” QUESTIONAMENTOS TEOLÓGICOS LEVANTADOS POR DEFENSORES DA EXPIAÇÃO LIMITADA O Argumento de Spurgeon Charles Spurgeon (1834-1892) defendia a expiação lim itada pela sua insistência em que é o oponente que lim ita a expiação: Em primeiro lugar. (6) Logo. e som en te aqueles que desejarem recebêla serão salvos. cap ítu lo 15. pois isto contrariaria a sua capacidade de decisão (ou livrearbítrio). u m Deus Todo-poderoso pode salvar todos. O coração da liberdade é a au tod eterm in ação .

então. que se opõem à expiação lim itada crêem que Cristo m o rreu . quanto dos arm inianos clássicos. então todos serão salvos (já que as intenções soberanas de Deus necessariam ente serão cum pridas). e. dá a resposta certa para a pergunta errada. em segundo lugar. (3) Se a expiação não foi destinada a todos. ou o U niversalism o é verdadeiro ou a expiação lim itada é verdadeira. então por que nem todos se salvam? C om o a intenção de Deus poderia ser frustrada? Se ela fosse destinada som ente a alguns (os eleitos). Sproul. eles parecem ser levados a aceitar a expiação lim itada. Aí está a arm adilha: tanto os calvinistas m oderados. C o m relação ao segundo ponto — o de que a expiação ilim itada não ensina que C risto m o rreu para garantir a salvação de qualquer pessoa específica — Spurgeon. então. foi destinada som ente a algumas pessoas (os eleitos). F PC . Só os ultracalvinistas defendem que Cristo m o rreu para disponibilizar e assegurar a salvação exclusivamente para os eleitos.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇAO LIMITADA OU ILIMITADA) 291 não acreditam que C risto m o rreu de fo rm a a assegurar a salvação de todos. de fato. então a expiação lim itada está correta. . Spurgeon. com o ocorre na expiação ilim itada. para assegurar a salvação dos eleitos e que Deus previu. (2) Se a expiação fosse destinada a todos. acredita que os oponentes caem n u m a arm adilha ao perguntarem : “A quem era destinada a expiação?” (CG. O falso dilem a erron eam ente assume que som ente poderia haver u m a intenção na expiação. prosseguiu anunciando veem en tem en te que os adeptos da expiação lim itada crêem que Cristo m o rreu por “m ultidões [os eleitos] que h om em n en h u m seria capaz de e n u m era r” (citado por Steele e T hom as. quanto os arm inianos tradicionais negam o U niversalism o. Negar que Deus desejou salvar todas as pessoas que Ele m esm o criou é u m grave erro. ela. C. desde a eternidade. Tanto os oponentes dos calvinistas m oderados. ou tro defensor da expiação lim itada. deu a resposta certa para a pergunta errada. mas de disponibilizá-la para todos e assegurá-la para os eleitos (co m o no Calvinism o m oderado e no A rm inianism o). Não é u m a questão de assegurar a salvação para todos (co m o defendo o U niversalism o). O A r g u m e n to de S p ro u l R. esta racionalização invertida é u m a triste ilustração da eloqüência de Spurgeon. quanto para conquistar a salvação a todos os que crêem . por esta lógica. novam ente. Se a intenção fosse todas as pessoas. a prim eira prem issa (ou a expiação foi destinada a todos ou som ente a alguns) é mais u m falso dilema. exatam ente quem seriam eles. eles não acreditam que Cristo m o rreu para garantir a salvação de qualquer pessoa específica. utilizada da m aneira errônea: som en te u m a lógica de cabeça-para-baixo poderia forçar u m a pessoa a considerar duas vezes a idéia de que a expiação lim itada é mais ilim itada que a expiação ilim itada! A prim eira afirm ativa — que a expiação ilim itada não ensina que C risto m o rreu de fo rm a a assegurar a salvação de todos — confunde a questão. (4) P ortanto. p o rtan to . Em resposta. C om o já visto anteriorm en te. O dilem a pode ser expresso dessa form a: (1) O u a expiação era destinada a todos ou som ente a alguns (os eleitos). 40). 205). Spurgeon. então. Em resposta. existe u m a terceira alternativa: o sacrifício de Cristo foi destinado tanto a disponibilizar a salvação para todos.

levasse sobre si a maldição de todos. (in ibid. (conforme citação feita em Bercot. e a vontade é tornada maligna por nada mais que um afastamento de Deus — cuja causa. Ireneu (c.) Orígenes (c. Agostinho 66Vide adiante. C o m o já vimos: Se. já que ela mesma é a origem do mal nos espíritos mutáveis. (OSL. DECB. é certamente deficiente. não temos dúvida de que. (CG. nenhuma causa essencial. 254) Ele tira o pecado até que todos os inimigos sejam destruídos. Deus deseja que todos os homens se salvem e ch eguem ao con h ecim en to da verdade. pelo favor misericordioso daquele Deus “que fará com que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade". até mesmo para estes. e que os donatistas cismáticos poderiam ser forçados a crer contra a sua própria vontade. ( OPP. se me permite fazer uso desta expressão. 185-c.] O Pai de todos desejou que o seu Cristo. e Ele ‘re-formou’ a raça humana. 165) Toda a raça humana estará debaixo de maldição [. e dos quais a cegueira exige esta iluminação. 12. e Ele ama a raça humana. não há nenhuma causa natural eficiente ou. 202) Ele dotou a obra das suas próprias mãos de salvação.9) Sem dúvida. a mesma graça haverá de encontrar o seu caminho seguro. aconteceu de alguns terem sido retirados da influência desta claríssima luz da verdade. mesmo que tardiamente. outrossim. sob o subtítulo “O Agostinho Posterior” . 42). O s Pais da Ig r e ja P ó s -A p o s tó lic a Justino Mártir (c. 43) Nos últimos dias. ao destruir o pecado. (in ibid. Pois ele é o santíssimo e misericordiosíssimo Senhor.. e por ela o bem da sua natureza é diminuído e corrompido. tendo como último deles a morte — para que o mundo todo possa ser liberto do pecado. 57. na verdade. xxiv. 48. (in ibid.292 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA A B A S E H IS T Ó R IC A D A E X P IA Ç Ã O IL IM IT A D A C om u m a exceção significativa. 45) O s Pais da E ra M ed iev al 0 Agostinho Anterior” (354-430) Portanto. o Filho foi feito homem entre os homens. grifo acrescentado). 125-c. no lugar de toda a família humana. 0 Agostinho "Posterior" Partindo da concepção de que os infantes poderiam ser salvos... da vontade maligna. grifo acrescentado).. 100-c.66 os pais ortod oxos da igreja cristã têm expressado apoio u n ânim e ao am or salvífico de Deus por todos os seres hum anos.

De modo semelhante. no evangelho. mas sim compreender as Sagradas Escrituras: “Aquele que fará com que todos os homens sejam salvos. 58. sen ão n a v erdade. 44). 3. restringir a onipotência de Deus.12. quanto na terra. 97) O nosso Senhor diz. 97.” apesar de sabermos muito bem que nem todos os homens se salvarão. q u e p ode se in c lin a r ta n to p a ra a fé. grifo a c re sce n ta d o ).. é dito de tal forma que todos os predestinados podem estar aí compreendidos. não devemos. este não p od erá. . 10. porque se Ele a desejar.. "O livre arbítrio . 14. m e sm o q u e n ã o te n h a m sido capazes de realizar a q u ilo que d e se ja ra m ” (T S A M . q u a n to para a in cre d u lid a d e ” (O SL. grifo a c re sce n ta d o ). ela. ou a cau sa p r im e ir a n ã o te m p e c a d o ” (OFW . grifo a c re sce n ta d o ). nem pessoas que não sejam desejadas e não sejam para ele atraídas.” significa que nenhum homem é salvo a não ser que Deus assim o deseje: não que Ele não deseje que alguns não se salvem. n a verdad e.] Mas mesmo diante da indisposição da cidade. uma força neutra. cf. portanto. ser co n d e n a d o de fo rm a ju s ta ” (T S A M . e não seja realizada.67 “Ele deseja que todos os homens se salvem”. yORG. “O p eca d o . e que. de q u e a ju s tiça co n sid era cu lp a d o s aqueles q u e p e c a m so m e n te p o r fa z e re m uso da sua v o n ta d e m a lig n a . N o p e río d o in ic ia l da sua vida ele escrev eu : “O pecado é de tal modo um mal voluntário que não será pecado se não fo r voluntário” ( O TR . grifo acrescentado). n ã o está e m o u tro lug ar. a vontade ép or si mesma a causa primeira do pecado. “Toda p essoa que tiv er c o m e tid o a lg u m tipo de m a l de fo rm a in c o n s cie n te ou p o r n ã o te r co n seg u id o a ele resistir. e n tã o . (£. n a tu r a lm e n te co n ced id o p e lo C ria d o r à nossa a lm a ra c io n a l é. 103. “O u . porque todos os tipos de homens estarão entre eles. em função disso. Ele reuniu dentre ela todos os filhos que desejou: porque não existe coisa que seja por Ele desejada..12).O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) # 293 desenvolveu a lógica destas proposições nos seus posicionamentos posteriores. grifo acrescentado. mas Ele fez tudo o que desejou. como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas. já q u e e sta co n sid era çã o ta m b é m te ria m e a u x iliad o . ao repreender a cidade ímpia “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos. necessariamente. tanto no céu. mas que nenhum homem será salvo à parte da vontade divina. entretanto. Comparaçao entre as Duas Fases de Agostinho — a Anterior e a Posterior A g o s tin h o A n te r io r Deus deseja que todos se salvem Deus jam ais se sobrepõe ao livre-arbítrio hu m ano Deus am a a todos A fé salvífica não é um dom especial de alguns Pessoas decaídas podem receber a salvação A g o s tin h o P o s te r io r Deus deseja que som ente alguns se salvem Deus se sobrepõe ao livre-arbítrio hu m ano Deus ama som ente algum as pessoas A fé salvífica é um dom especial de alguns Pessoas decaídas não podem receber a salvação 6j A m e lh o r re fu ta ç ã o de A g o stin h o v e m dele m e sm o . de fo rm a alg u m a. devemos orar a Ele para que Ele deseje a nossa salvação. quando ouvimos e lemos nas Sagradas Escrituras que Ele “salvará todos os homens. (ibid. ocorrerá. 10. grifo a cre sce n ta d o ). de tal forma. e tu não quiseste!” como se a vontade de Deus tivesse sido sobrepujada pela vontade dos homens [. que serão apresentados nas citações a seguir. de forma clara.49.

mas pelos pecados do mundo inteiro”. pois pelo sacrifício da sua morte todos os pecados do mundoforam expiados. Ele diz que esta redenção foi obtida pelo sangue de Cristo. acrescentou de fo rm a perspicaz: “Não devem os defender a graça de tal fo rm a que pareçam os estar anulando o livre-arbítrio. ofereceu mais a Deus do que era exigido como recompensa por todos os pecados da humanidade [. vós claramente mostrastes que a vida deste homem [Jesus] foi tão excelente e tão gloriosa a ponto de proporcionar ampla satisfação pelos pecados do mundo inteiro. por ou tro lado. C om o verem os. ainda. grifo acrescentado). como disse João: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados. elas. afirm ar o livre-arbítrio de fo rm a a serm os julgados ingratos à graça de Deus.1) 68 G rifo ac re sce n ta d o n as cita çõ es p o sterio re s. mostrar como este pagamento pelos pecados dos homens é feito a Deus. 3.15)68 Calvino: Cristo Proporcionou a Salvação por toda a Humanidade Agora precisamos ver de que maneira passamos a possuir as bênçãos com as quais Deus derramou sobre o seu Filho Unigênito. são entendidas com o referências à aplicação da expiação aos eleitos e não co m o referências ao alcance da expiação a todas as pessoas. não foi somente suficiente. por estarmos sem Cristo e separados dele.294 < ü TEOLOGIA SISTEMÁTICA De fo rm a problem ática. (CDH. ou co m criaturas que não ten h am recebido n e m razão. nada daquilo que Ele sofreu e realizou para a salvação da humanidade apresenta o menor dos benefícios para nós. C o m o já vim os. II. 10. em u m a espécie de impiedade arrogante”.48. iniciando co m os R eform adores.2) Os Líderes da Reforma Existe u m a interrup ção. e até mesmo infinitamente mais. mas para enriquecer os pobres e os necessitados. o fato de nossos pecados não nos serem imputados. Portanto. (ICR. é significativo n otarm os que o próprio “Pai do C alvinism o” não era “calvinista” na dou trin a da expiação lim itada. Anselmo (1033-1109) Além disso. da visão p raticam ente u n ânim e acerca da expiação ilim itada. João C alvino fez afirm ações inequívocas de que Cristo m o rreu pelos pecados da hum anidade toda. ou.6. e não somente pelos nossos pecados. E a primeira coisa a ser abordada é. ..] A paixão de Cristo. o nosso gloriar contra a morte. (ST. não para o seu uso pessoal.14. Calvino: O Sangue de Cristo Serviu como Expiação (Satisfação) Diante de Deus por todos os Pecados do Mundo Esta é a nossa liberdade. e quando isto ocorre. grifo acrescentado).. “D eus não opera a salvação em nós co m o se estivesse lidando com pedras irracionais. Ele. falta-nos.1. R aram en te outras afirm ações en traram em conflito com estas declarações enfáticas. sobre Cl 1. portanto. n o rm alm en te. sofrendo em espírito de amor e obediência. grifo acrescentado). agora. 2.. a posição posterior de A gostinho envolve a negação da liberdade hu m ana. C o m o ele m esm o afirm ou anteriorm ente: “Aquele que deseja é livre de com p u lsão” (TSA M . n em vontade própria” (OFW. (ibid. mas superabundante pelos pecados da humanidade. Todavia.XVIII) Tomás de Aquino (1225-1274) Cristo. (CC. 3a.

” Eu já alertei. A palavra “muitos" não significa somente uma parte do mundo. desde que atendamos ao seu efeito. E evidente. mas. não é de nossa posse enquanto não nos tornamos um só com Ele. e negligenciar este pensamento torna impossível qualquer celebração apropriada da Ceia. 3. como nestas palavras. Ele é chamado de nosso Cabeça.24. a Bíblia diz que somos enxertados nele e dele revestidos. diminuta fé pode ser depositada nas promessas do Evangelho. não existe discrepância entre elas e a predestinação dos réprobos. ( EFG . pois nem Ele. sendo que tudo o que Ele possui. nem os seus .24 [diz]: “Isto é o meu sangue. Sabemos que as promessas são efetivas somente quando as recebemos por fé. 3. sobre Rm 5. mas a totalidade da raça humana: ele contrasta “muitos” com “um. E embora seja verdade que conquistamos isto pela fé. onde vemos que Ele sozinho levou o castigo de muitos. a justiça de Cristo será igualmente efetiva para a salvação de muitos [igualmente.” como se estivesse dizendo que ele não seria o Redentor de um homem. a promessa não tem efeito. mas acharia a morte a fim de libertar muitos da sua maldita culpa.12). que Paulo não faz aqui uma comparação entre o número maior com os muitos. E incontestável que Cristo veio para a expiação dos pecados da humanidade como um todo.1. todos]. e o primogênito entre muitos irmãos. ele nos recomenda a fé. IX. percebemos que nem todos abraçam indiscriminadamente a oferta de Cristo que é feita pelo evangelho.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) # 295 Calvino: Os “M u itos” pelos quais Cristo M orreu Significam “Todos" Precisamos notar. a partir de outras passagens. Ao dizer isto. senão para aqueles que são obedientes. ao passo que. se não crerem que Deus é satisfeito deste modo. quando o contrário ocorre.. e procurar a eficácia secreta do Espírito.. declaram que Ele deseja aquilo que é contrário ao seu decreto inviolável. por outro lado. no caso de uma fé nula.17) Calvino: A M orte de Cristo E A p licad a somente aos Ju stos (Pela F é) Dessa forma. quando se diz que o sangue foi derramado (como em Mateus) pela remissão dos pecados. De maneira nenhuma.1) Calvino: A Salvação E A p lica d a somente aos que Crêem O apóstolo indica que os frutos dela não vêm para qualquer um. como já disse. pois ele não está falando do número maior da humanidade. porque sobre Ele foi colocada a culpa do mundo inteiro. para o qual é correto que usufruamos de Cristo e todas as suas bênçãos. entretanto. não na sua O ferta Se for assim (você dirá).5) Calvino: A Salvação E Lim itada no seu Efeito. De nenhuma outra forma as almas fiéis poderão ser satisfeitas. mas está argumentando que como o pecado de Adão destruiu muitos [isto é. a própria natureza do argumento nos ensina a olhar para o alto. Calvino: Os “M u itos" São uma Representação da H um anidade como um Todo Marcos 14. (ibid.15) Calvino: A Culpa da H um anidade como um todo Foi C olocada sobre Cristo Aprovo a leitura normal. as quais. (CC. todos]. (IC R . pois apesar das promessas de salvação serem universais. somos direcionados ao sacrifício da morte de Cristo. e especialmente a partir do quinto capítulo da epístola aos romanos que “muitos” às vezes denota “todos” (ibid. ao testificar acerca da vontade de Deus. sobre Is 53.

296 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA benefícios se tornam nossos ao menos que. precisam de reconciliação. para que os judeus não venham a pensar que o Redentor foi enviado a eles somente. A partir disso. e à medida que.18) Carregar os pecados significa libertar pela satisfação aqueles que pecaram da sua culpa.” como em Romanos 5. e ter sido oferecido pela bondade de Deus. 83). em Hb 9.9) Calvino: A té mesmo os Perdidos Foram Comprados pelo Sangue de Cristo Não é uma questão menor vermos perecerem as almas compradas pelo sangue de Cristo. ninguém se perdesse. (CC. que deseja que todos os homens se salvem. sem distinção. 3. ele manifestou a sua misericórdia de tal forma. igualmente. inferimos que o mundo inteiro está fadado à mesma condenação. pois Deus recomenda a nós a salvação de todos os homens sem exceção. sobre Rm 5. (MG. sobre Hb 5..12) Quando ele diz “o pecado do mundo. não porque ela de fato se estenda a todos.” ele estende esta bondade indiscriminadamente a toda a raça humana. Mesmo tendo Cristo sofrido pelos pecados do mundo.16) Calvino: Cristo Sofreu pelos Pecados do Mundo “Gostaria que eles fossem cortados. portanto.. sem exceção.28) . que não impediria ninguém de ser por ela alcançado.15. (ibid. mas como parecia um tanto absurdo que orações fossem feitas por uma classe de homens tão desgraçados (a totalidade deles não era somente alienada do corpo de Cristo. mas isto ocorre porque a sua incredulidade é que os impede. sobre João 1. são culpados de injustiça diante de Deus. A palavra “cortado” parece fazer alusão à circuncisão que eles estavam querendo impor à igreja da Galácia. sobre G1 5.” Mas uma maldição como esta não parece se coadunar com a mansidão de um apóstolo. gostaria que eles fossem cortados por completo. Calvino: Ninguém E Impedido de se Salvar [Paulo] deu mandamento a Timóteo para que orações fossem regularmente feitas na igrejapelos reis e príncipes.. aceitamo-los e aceitamos a Cristo por fé. que era aceitável a Deus.” A indignação [de Paulo] aumenta e ele ora pela destruição dos impostores que haviam enganado os Gálatas. Obviamente. Respondo que isto é verdade quando temos o homem em mente. nem todos o recebem.24. Ao mesmo tempo ele inseriu a expressão universal “para todos” para mostrar que ninguém que se mostre receptivo e obediente ao Evangelho de Cristo está excluído desta salvação. (ibid. acrescenta ele. Crisóstomo se inclina a esta visão: “Eles rasgam a Igreja por causa da circuncisão. está claro que nem todos desfrutam os frutos da morte de Cristo. mas porque ela é oferecida a todos. e que. pelo contrário. (ibid. Dessa forma ele certamente se refere a nada mais do que o caminho da salvação estar aberto a todas as classes de homens. que deveria desejar que todos se salvassem e que.29) Calvino: A Incredulidade Ê a Razão porque alguns não Recebem os Benefícios da Morte de Cristo Paulo torna a [revelação da] graça de Deus comum a todos os homens. (CC. pois Cristo sofreu pelos pecados do munâo inteiro. Ele diz “muitos” referindo-se a “todos. e que como todos os homens. a todos 'os homens. todos. (ICR. como também faziam tudo o que podiam para derrubar o seu reino).

® C alv in o prossegu iu d izendo: “O o b je tiv o de Jo ã o e ra so m e n te to r n a r esta b ê n çã o c o m u m â Ig r e ja c o m o u m tod o . en tretan to som ente os eleitos receberão a salvação.2 ) 70 C a lv in o p a rece te r e xag erad o ao q u e re r fu n d a m e n ta r o seu p o n to de vista n e sta c o lo c a ç ã o n o c a lo r da d isp u ta c o n tra a a firm a çã o h e ré tic a fe ita p o r T ile m a n n H eshusius (15271588) de q u e até m e sm o os ím p ios p o d e ria m re c e b er os b en efício s d a c o m u n h ã o “c o rp o r a lm e n te p e la boca. para Calvino. que fazem disto motivo para estender a salvação a todos os réprobos e mesmo ao próprio Satanás. Segundo ele. (ibid. . declara que o evangelho é o poder de Deus para a salvação. abraçarem o Evangelho. n a verdade. apesar de que no sistema calvinista este efeito seria menor.1221). e tomar parte no seu corpo.” N o c o n te x to . 285).70 Em sum a. de forma literal. para mostrar que os incrédulos perecem nas trevas por fugirem. mas “deforma efetiva" somente pelos eleitos. parcialmente. ou seja . e le n ã o in c lu i os rép ro b o s n a p a la v ra todos. m e sm o sem ap rese n tar fé . Mas aqui poderíamos fazer uma pergunta: como os pecados do mundo inteiro foram expiados? Ignorarei os delírios dos fanáticos. sob re 1 Jo 2 .69 Calvino: 0 “Sangue" de Cristo Recebido na Comunhão não Epara os Incrédulos Como os ímpios poderiam beber do sangue de Cristo.. no versículo 1.16. por fé. da luz. podem desfrutar deste n-nefício comum e.” A partícula universal parece ter sido deliberadamente inserida nesta frase. e transpô-lo. O s M e stre s d o P e río d o P o s te r io r à R e fo rm a Philip Schaff (1819-1893) Isto está em harmonia com o espírito geral e o objetivo desta Epístola [Romanos]. parcialmente. sendo que este não foi entregue por eles? (TT. porque todos os crentes. m a s se refere a to d os que h a v eria m de c r e r e àq u eles q ue fo ra m esp alhad os p o r tod as as p arte s d a te r r a ” (C C . E mais fácil fazer com que ela prove um sistema de Universalismo condicional do que um sistema de Particularismo dualista. O próprio tema. d e sfru ta m dos b en efício s da m o r te de C risto . Embora eu reconheça que há verdade nisso. não de uma classe particular. não vejo que isto se enquadre com esta passagem. sem exceção. para outra. dizer que s o m e n te aq u eles q u e c rê e m .O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) <§> 297 Calvino: Somente os Crentes Usufruem dos Benefícios da Salvação "Eu sou a luz que vim ao mundo. sobre Jo 12. que não foi derramado para expiar os pecados deles. m as lim itada n a sua aplicação (restringe-se àqueles que crêem ). Ao fazer um paralelo entre o primeiro e o segundo Adão (5. mas de “todos” os que crêem. por vontade própria. Cristo m o rreu por todos. porém maior na sua intensidade do que o efeito da Queda do primeiro. [Paulo] representa o efeito deste último como igual no seu alcance. P o rta n to . a in te n çã o de C alv in o foi clara. Essa idéia é tão absurda que nem merece algum tipo de refutação da nossa parte. Esta solução é a que prevalece nas escolas.46) Calvino: 0 Universalismo é Insustentável (A Salvação não se Aplica a todos) João] inseriu isto a título de esclarecimento. Quem quis evitar este absurdo declarou que Cristo sofreu “deforma suficiente" pelo mundo todo. para que os descrentes pudessem ser convencidos de que a expiação feita por Cristo abrange a todos os que. Não temos direito de limitar “os muitos” (hoipolloí) e o “todos” (pantas) de uma única frase. a expiação é ilim itada no seu alcance.

depois. do seu ponto de vista. logicamente. apesar da expiação ter sido suficiente para cobrir os pecados dos não-eleitos. verdadeiramente. também pela obediência de um único homem. como por uma transgressão o juízo veio sobre todos os homens para a condenação.ter sido suficiente para todos.32 e Gálatas 3.. 92) Millard Erickson (nascido em 1932) Concluímos que a hipótese da expiação universal é capaz de explicar uma porção maior do testemunho bíblico com menos distorção do que a hipótese da expiação limitada. Cristo não teria morrido por eles. também por um único ato de justiça. tocbs] foram feitos pecadores. 114) Earl Radmacher (nascido em 1933) Esta oferta universal é também uma oferta genuína. levar à fé salvífica na poderosa obra que Cristo realizou na cruz em prol da salvação eterna do pecador.298 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Se. muitos não a recebem por não crerem em Jesus Cristo. a saber.22): “Porque. (HCC. muito mais aqueles que recebem a abundância da graça e o dom do reinado da justiça na sua vida por intermédio de uma pessoa. elas não ensinam. Nesta concepção Deus. e morrem na impenitência — mas que Deus sinceramente deseja e. decide em primeiro lugar proporcionar a salvação. muitos [todos] serão feitos justos. (CT. e de maneira diferente em Romanos 11. E como se Deus.) A posição que estamos adotando aqui não deve ser entendida como Arminianismo. (5. muitos [isto é. Cristo morreu por todas as pessoas. ao oferecer um banquete. Pois como pela desobediência de um homem.] Estas passagens contém.. que todos os homens serão salvos — pois muitos rejeitam a oferta divina. portanto.XIV. 835). Dessa forma. (ibid. A cruz de Cristo é suficientemente larga e suficientemente profunda para cobrir todos os pecados de todas as pessoas que vierem até Ele. Os defensores da expiação limitada enfrentam uma situação um tanto incômoda ao defender que. a morte reinou. VII. salva-se pela graça. (5. sem qualquer tipo de restrição. Este chamado geral à salvação é uma parte da graça comum. tivesse preparado muito mais comida do que fora necessário e se recusasse. Todo aquele que se salva. de forma resumida. assim como todos morrem em Adão.17-19) O mesmo paralelo. pois. Esta é. a posição sublapsariana de teólogos como Augustos Strong. é mais sucintamente expresso na passagem (1 Co 15. Jesus Cristo. pela transgressão de um [Adão]. Elas excluem todas as limitações do plano divino e uma possível intenção de atingir uma classe em particular. não têm dificuldade com o fato da morte de Cristo. perde-se por culpa da sua própria incredulidade. assim também todos serão vivificados em Cristo”. essencialmente. disponibiliza a salvação para todos. a seguir. por outro lado. escolhe alguns para recebêla. Apesar da oferta deste magnífico dom de Deus ser genuína e estar à disposição de todos. a considerar a possibilidade de convidar mais pessoas para o jantar. As pessoas que considerarem esta posição como arminiana precisam ser lembradas que o que distingue o Calvinismo do Arminianismo não é a visão da relação entre o . Elas dissipam as trevas de Romanos 9. mas sim como uma forma moderada de Calvinismo. Ele pode. na verdade.22 [. ou não. a teodicéia de Paulo. e todo aquele que se perde. o dom gratuito veio a todos os homens para justificação e para a vida. Os defensores da expiação ilimitada.

.. --------. A Cidade de Deus. --------. Gill. Expositions on the Old and New Testaments. The Cause o f God and Truth. Calvins Commentaries. teológica e h istórica do alcance universal ( ilimitado) da expiação são incontestáveis.. Two Souls.. -------. R o g e rT . Christian Ethics. Ireneu. C o m u m a notável exceção do “A gostinho p o sterior” — que é com preensível — .. Cur Deus Homo.. B ercot. -------. Charles Jo hn. Christian Theology. Chosen But Free. In B ercot. --------. The Nature o f the Atonement. . Comments on Isaiah.. -------. -------. Baker Encyclopedia oj Christian Apologetics. In B ercot. (ibid. Jo hn. -------. ou baseada também em parte na sua presciência de mérito e té da pessoa eleita [Arminianismo]. Q ualquer negação desta verdade lim ita de form a arbitrária o am or de Deus a som en te algum as pessoas e está baseada em um a form a indefensável de Voluntarism o. A gostinho. -------. João. mas sim. C am pbell. DECB. --------. Against the Manichaeans. e V. David. Erickson. On the Spint and the Letter. Justino M ártir. Ellicott’s Commentary on the Whole Bible. o ponto decisivo é se o decreto da eleição está baseado na decisão livre e soberana do próprio Deus (Calvinismo). --------. M illard. --------. Calvino. E llico tt. -------. Enchiridion. Theological Treatises. On True Religion. FO N TES A nselm o. Jo h n McLeod. Forster. On the Proceedings of Pelagius. A Dictionary o f Early Christian Beliefs.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (EXPIAÇÃO LIMITADA OU ILIMITADA) # 299 decreto para disponibilizar a salvação e o decreto para outorgar a salvação a alguns e não a outros.. -------. -The Mystery o f Godliness.. On Free Will. -------. não existe ou tra voz significativa em toda a H istória da Igreja até a época da R eform a que defenda a expiação limitada. On Rebuke and Grace.. God's Strategy in Human History. Geisler. Institutos da Religião Cristã. On Forgiveness o f Sins.) C O N C LU SÃ O As bases bíblica. and Baptism. Eternal Predestination o f God. Os argum entos teológicos que surgem da onibenevolência de D eus são poderosam ente a favor da expiação ilim itada — a visão de que Cristo deu a sua vida pelos pecados de todos os seres hum anos. --------. a Bíblia é enfática ao declarar que Deus am ou o m u nd o decaído por com p leto e que Cristo se entregou pelo m undo inteiro. N orm an L. DECB. Paul M arston. Na verdade.

e Curtis C. R adm acher. Ftve Points o f Calvinism. C. The Death o f Death in the Death o f Christ.300 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Lightner. The Death Christ Died. Spurgeon. R. Schaff. R ob ert. Spurgeon v. Philip. DECB. T hom as. Charles. “A C riticai Text — C. Iain. Earl. O rígenes. Tom ás de A quino. Steele. R.3-4” in Iain M urray. K. Spurgeon v. David N. M cG regor. Sproul. Hyper-Calvinism: The Battlefor Gospel Preaching. In B ercot. Spurgeon on 1 T im o th y 2. Jo hn. Palmer. Edwin H. Hyper-Calvinism: The Battlefor Gospel Preaching. M urray. H. Summa Theologica. Chosen by God.. No Place o f Sovereignty. History o f the Christian Church. The Tive Points o f Calvinism. Ow en. . Salvation.

. The Oxford Dictionary o f the Christian Church. e várias religiões extravagantes defendem algum tipo de U niversalism o ou de A niquilacionism o. C ross e E. na verdade.. a expiação é ilimitada no seu alcance (pois Cristo m orreu por todos). O U niversalism o. Clark Pinnock (nascido em 1920). Jo h n W enham (nascido em 1913).1 A exem plo dos universalistas. ao final. a disponibilização da expiação ilimitada está tanto de acordo com a onibenevolência de Deus (que afirma o desejo divino de salvar todos).C.C A P Í T U L O D O Z E O ALCANCE DA SALVAÇÃO (UNIVERSALISMO) assarem os agora de u m ponto ao ou tro. é h erético . A lg u n s a c re d ita m q u e o “d é c im o p rim e iro a n á te m a . salvará todas as pessoas (o cham ado “U niversalism o” da salvação). contrariando estes dois pólos. u m Pai Eclesiástico parcialm ente n ão-orto d oxo . Livin g sto n e.” q u e co n d e n o u O ríg en es. que Deus deseja salvar a todos. U m dos teólogos mais fam osos da era m od erna a abraçar o U niversalism o foi o pensador neoortod oxo Karl B arth (1886-1968). 2. mas que. na verdade. salva som ente algumas pessoas (expiação lim itada). os aniquilacionistas acreditam que ninguém sofrerá o castigo eterno. O ú ltim o capítulo exam inou a posição que postula um Deus que deseja salvar e. 185-c.. ed. tendo sido condenado no Q uinto Concilio E cu m ên ico de C onstantin opla n o ano de 553 d. eds. e o desejo de Deus é que som ente aqueles que crêem sejam salvos. te rã o a sua e x istê n c ia d e fin itiv a m en te j Os e n sin o s de O ríg en e s fo ra m o o b je to d esta c o n d e n a ç ã o . por exem plo. na verdade. D E F IN IÇ Ã O D E U N IV E R S A L IS M O O U niversalism o. u m grande nú m ero de seitas. “restauração.. extin ta . fo i u m a in serç ã o p o s te rio r (vide F. já que n em todos crerão. M uitos teólogos liberais.” em At 3. c a p ítu lo 13. 2 Isto é. Ele foi inicialm ente proposto por Orígenes (c. Este capítulo analisará a posição que postula um a atitude diferente: a de que Deus deseja salvar e. e Jo h n S to tt (nascido em 1925) abraçaram certas form as de A niquilacionism o. acaba salvando som en te algumas P pessoas — aquelas que crêem . 254). Ou seja. todas as pessoas serão salvas. L. é a idéia de que. mas é limitada na sua aplicação. en tretan to . A .21).2 Até m esm o alguns notáveis m estres com o. Ao contrário das outras duas posições.3 1 U m p rim o p ró x im o d o U n iv ersa lism o — vide v o lu m e 4. O u tra posição afirma. já que todos os que não crerem serão aniquilados. quanto com a liberdade hum ana daqueles que rejeitam a oferta de salvação proporcionada por Deus (que torna possível a salvação de todos). 340). derivado da palavra apokatastasis (isto é. o notável filósofo Jo h n Hick (nascido em 1922) tam bém é um proponente desta posição (vide sua obra E G L ).

E xam inarem os cada u m deles a seguir. no con texto. R m 8. p o rtan to . sujeitos a Ele. Terceiro.15) e “filhos” de Deus (Jo 1. A Alegação de que o Salmo 110.17).302 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA OS ARGUMENTOS BÍBLICOS APRESENTADOS A FAVOR DO UNIVERSALISMO Para sustentar a sua posição. M t 23.44. D eus perm itirá que os não-arrependidos sigam o destino 4 E Cristo repetiu — vide M ateus 22.” a passagem fala que eles foram subjugados e não salvos.12). os versículos apresentados em defesa do U niversalism o são rem ovidos do seu con texto. além de serem “inim igos. D eus não pode os forçar a am á-lo livrem ente. então. P ortanto.37). esta passagem não apóia a posição deles.16) e os seres h u m anos são livres. A Alegação de que Atos 3. C o m o já estudam os. que são co-herdeiros do reino com Cristo e que nele são detentores de todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais (E f 1. co m o verem os. salvos: já que a salvação representa a sujeição ao senhorio de Cristo. ao final. Primeiro. Os m ó rm on s dizem (por interm édio de Joseph S m ith ) que esta passagem indica a restauração da igreja. 1 T m 2. este versículo não sustenta o U niversalism o. eles estariam . salvas. eventualm ente. “o qual convém que o céu co n ten h a até aos tem pos da restauração de tudo. não se trata das bênçãos do S en h o r destinadas ao seu povo. Eles são cham ados de “escabelo” (ou “estrad o”) — o que. co m o Deus é am or (1 Jo 4.” A inferência feita por alguns universalistas é que se todos os inim igos de C risto estarão. que são cham ados de “am igos” (Jo 15. depois de u m a apostasia com pleta. .4).3. Apesar de fazerem uso de diversas passagens das Sagradas Escrituras. Segundo.9). dos quais D eus falou pela boca de todos os seus santos profetas. 5). desde o princípio.” o que não corresponde a u m a descrição adequada para os salvos. dificilm ente. Resposta O con tex to não apóia este tipo de conclusão. algum as pessoas sim plesm ente não desejarão aceitar a graça de D eus (cf.” Esta referência à “restauração de todas as coisas” é considerada pelos universalistas co m o u m a alusão a todas as pessoas que serão. os universalistas geralm ente apelam para u m sen tim ento generalizado a respeito do am or de Deus. os perdidos são cham ados “inim igos. m as da “ira” de D eus que será derram ada sobre os seus “inim igos” (SI 110.1. Apesar do m esm o au to r (Pedro) afirm ar que o desejo de Deus é que todos se salvem (2 Pe 3. Resposta Apesar desta alegação feita por parte dos universalistas. seria um a descrição adequada para os santos. até que p onha os teus inim igos por escabelo dos teus pés.1 Ensina o Universalismo Davi disse:4 “Disse o SEN H O R ao m eu S en h or: A ssenta-te à m in h a m ão direita. Davi não está falando da salvação dos perdidos. tal qual faz o apóstolo Paulo (cf. Por u m lado.21 Ensina o Universalismo Pedro fala de Jesus.

Jesus não poderia estar co m os seus seguidores até o final dos tem pos se a igreja toda apostatasse em algum m o m en to depois da sua fundação. a Bíblia afirm a que há esperança para aqueles que se recusaram a aceitar o am or de D eus.O ALCANCE DA SALVAÇAO (UNIVERSALISMO) # 303 que escolh erem . N aquela passagem.” ouvirão. que me seguistes.19 E n s in a m o U n iv e rs a lis m o Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação.6 A lém disso.8 A A le g a ç ã o de q u e R o m a n o s 5. dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as fam ílias da te rra ” (v. c a p ítu lo s 4 e 16. (Mt 19.21) Pedro disse que estava se referindo do “con certo que Deus fez com nossos pais. o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória. c a p ítu lo 15. e outras passagens das Sagradas Escrituras. seja feita a tua vontad e. u m lugar onde a vontade daqueles que rejeitaram é cum prida em oposição à vontade de D eus. Atos 3 n em de longe sugere que haverá u m a apostasia total da igreja inteira.7).” Aí está a natu reza do inferno. de Deus “Então. pela desobediência de um só homem. não ru m o à degeneração espiritual. desde o princípio” (A t 3. na regeneração.21. em todas as gerações. como. nada é dito sobre a salvação final dos seres hum anos. C om o Deus poderia ser glorificado na igreja ao longo de todas as eras se o Corpo de C risto co m o u m todo abandonasse e/ou negasse o seu nom e? Efésios 4. Jesus tam bém falou desta restauração quando se dirigiu aos doze: Em verdade vos digo que vós. Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam co n tra a igreja (M t 16. para julgar as doze tribos de Israel.18. até à consum ação dos sécu los” (M t 28. Pedro se refere à restauração de todas as coisas para Israel.28) Isto será cum prido literalm ente no seu reino fu tu ro neste m u n d o . por Jesus Cristo. assim. para todo o sempre”. : \ i d e v o lu m e 4. 25). assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. . enquanto isso.10.5 Em lugar algum . muitos foram feitos pecadores. Porque. A partir destes versículos m uitos universalistas inferem que a m o rte de Cristo por todos é a garantia da salvação de todos.26. R o m a n o s 11. Já observam os que. Lewis (1898-1963). Em Efésios 3. aqueles que não dizem a Deus “S eja feita a tua vontad e.6. incluindo as promessas de posse etern a da “Terra Prom etida” (G n 13. mas. muitos serãofeitos justos.7 Esta é a restauração que Jesus e os seus discípulos aguardam. afinal de contas. u m dia.11-16 fala de com o a igreja cresce ru m o à m aturidade espiritual. 6 Vide ta m b é m os c o m e n tá rio s sobre Efésios 1. o que significa a “restauração de todas as coisas”? Ao falar desta “restauração de tudo. A firm ar o contrário seria negar com p letam en te o con texto. Esta aliança abraâm ica é incondicional. [da qual] Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas. ' V ide ta m b é m os c o m e n tá rio s sobre s V ide v o lu m e 4. pela obediência de um. também vos assentareis sobre doze tronos.18). Ele tam bém pro m eteu aos seus seguidores: “Eis que eu estou convosco todos os dias. e a resposta dele pode ser resum ida com o sendo: "Ainda não. especificam ente aqui. refu tam to ta lm en te esta idéia.20). restaurarás tu neste tem po o reino a Israel?”.15). As últim as coisas que os discípulos pergun taram a Cristo antes dele subir ao céu foi: “S enhor. e não à salvação de todas as pessoas. Paulo diz: “A esse glória na igreja. Mas. vão e preguem o evangelho até os confins da te rra ” (vide At 1. S. C om o escreveu C. quando.

já q u e C risto m o r re u p ela c u lp a ju ríd ic a q u e lh e é im p u ta d a p e lo p eca d o de A dão.21-26). Os demais. Paulo afirm a que “o salário do pecado é a m o rte. o grande tem a de R om an os é m ostrar que som ente aqueles que crerem serão justificados (1. mas alguns seriam “separados” do convívio do S en h o r (9. mas sim . D eus “suportou co m m u ita paciência”. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros. salvos. preparados para a d estruição.12 inclusive a visão clara que João teve no en cerram en to do livro do Apocalipse: E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele. cf.. o restante da epístola deixa claro de fo rm a inequívoca que n em todos serão salvos. e por fim. De igual form a. Paulo fala de serm os “justificados pela fé” (v. que é o da vida. v o lu m e 4.9) para que não se tornassem “vasos da ira. Paulo declara que “todos os que sem lei pecaram sem lei tam bém p erecerão” (2. que estavam diante do trono. 2 Pe 3.1 0 O u seja. Ele tam b ém se refere à salvação co m o u m “d o m ” (v.] o d om da ju stiça” (v. e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia. 1 2 Vide . existem várias passagens das Sagradas Escrituras que falam do destino etern o dos perdidos. en tretan to .19). 14ss). o que foi feito pelo prim eiro Adão ao trazer a condenação legal a toda hum anidade. v.17. que estariam passíveis de salvação por interm édio da rem oção ju ríd ica da culpa herdada de A dão. 25.. n em todos recebem este dom (cf. nosso S e n h o r” (6. n em todos os seus pares seriam salvos ( l l. Quarto. c a p ítu lo 11. grandes e pequenos.23). 3.304 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Resposta Esta conclusão. Quinto. 1 1 É possível q u e esta se ja a ca u sa das cria n ça s q u e m o r r e m an tes da idade da resp onsabilid ad e s e re m passíveis de salvação. 5. M t 23. foi desfeito por aquilo que Cristo. ao falar do destino dos salvos e dos perdidos. E abriu-se outro livro. o m u nd o é “culpado diante de D eu s” (3.1 1 A salvação real não vem au tom aticam en te.” realizou — a possibilidade da salvação (ou a “justificação potencial”) de tod os. e não au tom aticam en te através daquilo que Cristo fez por nós. é contrária ao con tex to geral de R om an os. que é o “ú ltim o Adão. ele não está ensinando que eles seriam .20). de fato. que precisa ser recebido. 10 V ide c a p ítu lo 9.12). n ã o praticaram ) a sua p ró p ria reb eliã o c o n tra D e u s (vide c a p ítu lo 15). Paulo chega à conclusão de que. E a morte e o inferno foram 9 V id e c a p ítu lo 15. por Cristo Jesus. mas por m eio de u m ato de “fé ” (cf. e não se achou lugar para eles.40.1). o apóstolo recon h ecia que apesar das suas orações.” Sexto. Prim eiro. 17).9 E no versículo anterior ele declara que a salvação vem som ente àqueles “que recebem [.41). segundo as suas obras. de cuja presença fugiu a terra e o céu.37. até m esm o neste con texto. E vi os mortos. bem com o quando consideram os o restante da Palavra de Deus. separado da justificação pela fé. Na verdade. co m o sendo objetos da ira de Deus (1. mas o dom gratu ito de D eus é a vida eterna. E deu o mar os mortos que nele havia. aguardando u m a atitude de arrepend im ento (v. e elas aind a n ã o atualizaram (isto é. e foram julgados cada um segundo as suas obras. 16). Terceiro. cf.l s s ) . R om an os 9 declara que som en te os eleitos (e não todos os seres hu m anos) serão salvos (cf.18). Segundo. Mais adiante. 1). quando Paulo fala que m u itos [todos] serão “feitos ju sto s”.3). 22. na idéia cen tral do seu argu m ento. e abriram-se os livros. R om an os 1 —2 fala dos pagãos co m o sendo “indesculpáveis” (1.

com o já foi visto. Paulo está dizendo que o S en h o r reinará suprem o em todo o universo. isto não o co rre rá . e pela qual os apóstolos também estiveram sujeitos. Em sum a.25 Ensinam o Universalismo Depois. que isto n em passava pela m en te de Paulo. m esm o contra a vontade deles. seja para a subjugação (daqueles que o repudiarem ). com o a Bíblia não se contrad iz. Vide v o lu m e 2. M t 23. todos serão salvos. Ele não pode fazer isto .] Sou da opinião que se trata da mesma sujeição com a qual todos nós estamos sujeitos a Ele. Jo 15. c a p ítu lo s 7 . os salvos são cham ados de “am igos” de Deus (cf.15).12) — alguns fazendo uso do seu próprio tro n o (cf.28) não significa que todos estarão em Deus. c a p ítu lo 27. Lc 19. Os universalistas alegam que isto apóia a sua tese de que. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.24. o que não é u m a descrição m uito adequada para os santos que haverão de reinar com C risto (cf. a partir desta passagem. 2 Pe 3.1 5 e 23. 14 D e fa to . 2 T m 2. Porém .O ALCANCE DA SALVAÇAO (UNIVERSALISMO) # 305 lançados no lago de fogo. C om o vim os. seja para a salvação (daqueles que o aceitarem ).1) Resposta Está claro. aniquilar o império e inimigos. Segundo. bem como todos os santos que foram discípulos de Cristo. por acaso.” e não a liberdade de escolh a daqueles que se recusarem a crer em Deus (cf. o fato de Deus ser “tudo em tod os” (1 Co 15. o que significa esta “sujeição que todas as coisas precisam ter a Cristo?” [. Paulo não está falando da salvação dos perdidos. R om an os 5 não apresenta evidências favoráveis ao U niversalism o. Eles são cham ados de “escabelo” (ou “estrad o”). A única form a de garantirm os a salvação final de todos seria se.” Portanto. a se subm eterem a Ele. e este tam bém é contrário ao ensinam ento claro do co n ju n to das Sagradas Escrituras.37. M t 19. ouçamos o que ele diz nas palavras seguintes: “Pois todas as coisas precisam ser postas debaixo dele. quando tiver entregado o Reino a Deus. 13V id e v o lu m e 1. A cerca desta passagem. estes inim igos estão subjugados a Deus. em flagrante contraste com isto. b e m c o m o os ca p ítu lo s 3 e 11 d este v o lu m e . Isto se to rn a evidente nas palavras e expressões co m o destruir . mas sim da sua condenação. vejam os o que disse Orígenes: Se nem mesmo esta declaração irrestrita do apóstolo não nos informar de maneira suficiente o que ele quis dizer com “os inimigos que seriam postos debaixo dos pés de Cristo”. . Esta é a segunda morte.28. virá o fim. já q u e isto seria u m a v io la çã o da sua p ró p ria n a tu re z a . e quando houver aniquilado todo império e toda potestade e força. é a “m o rte ” que será “destruída. (OFP.. Deus forçasse os im penitentes e réprobos.14 Quarto. ao Pai. A lém disso.. A Alegação de que 1 Coríntios 15.17-19). eventualm ente. Terceiro.6. 1. colocar debaixo dos seus p é s . E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.9). Primeiro. ao final. não salvos por Ele.1 3 os versículos que possibilitam m ais de u m a interpretação precisam ser com preendidos à luz daqueles que são claram ente inequívocos no seu significado único.

10 Ensina o Universalismo O u tro versículo descaracterizado pelos universalistas é a afirm ação paulina. precisam ente. M t 23. conform e o próprio Jesus (cf. os universalistas argu m entam que “o m u n d o ” foi reconciliado co m Deus por interm édio da obra salvífica de Cristo. a expressão “todas as coisas” é utilizada em paralelism o co m “inim igos” (e m versículos sucessivos. ele diz em 1 C oríntios: “Não saheis que os injustos não hão de herdar o Reino de Deus?” (6. todos são salvos com base no seu sacrifício. 2 Pe 3. Ou seja.14. e ú ltim o. Sétimo.19 Ensina o Universalismo Paulo disse aos Coríntios “D eus estava em Cristo reconciliando consigo o m undo. e não com todos os seres hu m anos (v. Ap 20. 26 e 27). Principalm ente das pessoas que o Sen h or supostam ente teria subjugado e forçado a am á-lo con tra sua própria vontade. elas lhe serão sujeitadas na condição de “inim igas” (cf. Paulo não os estaria cham ando para que se “reconciliarem co m D eus” (cf. a reconciliação é considerada u m processo. 1 C oríntios 15. Paulo declara que somente aqueles que “cre ram ” fo ram “salvos” (15.9). de que Deus to rn aria a “congregar em C risto todas as coisas.1 5 - A Alegação de que Efésios 1. p o rém n em todos serão salvos (cf. e pôs em nós a palavra da reconciliação” (cf. do contrário. interpretar esta passagem a favor do U niversalism o é o m esm o que dizer que as Sagradas Escrituras se contradizem . v . 25). e ú ltim o. não deixa espaço para conclu irm os que a salvação será destinada aos incrédulos. que valor teria a exortação de Paulo para que os crentes fossem “em baixadores de C risto”. se todos já estivessem salvos por interm édio daquilo que C risto fez. v. O sentido no qual o m undo todo é reconciliado co m D eus é potencial. é o que o am or de Deus não pode fazer. M t 7. mas está apenas afirm ando que “todas as coisas lhe serão sujeitadas” (cf.11-15). Por conseguinte.15). elas já estiverem em um relacionam ento co rreto com Ele.13. A Alegação que 2 Coríntios 5.” adiante. R m 11. Quarto. C o m base nisso. 17). . SextO) nesta m esm a passagem. Mas. e não u m fato consum ado para o m u nd o inteiro. Ela não significa que todas as coisas serão salvas. na 1 3Vide tam bém “Argum entos Teológicos a Favor do Universalism o. com o tam bém já foi observado. v. Segundo. que n em to d o í serão salvos. Na verdade. aos cristãos de Efeso.2). não real e consum ad o. a m o rte de C risto em favor de todos os seres hu m anos fez de todos passíveis de reconciliação diante de Deus.306 H TEOLOGIA SISTEMÁTICA Quinto. já que várias outras passagens ensinam . não lhes im putand o os seus pecados.37).9). E desejo de D eus salvar a todos (cf. de fo rm a inequívoca. o céu não é lugar para os inim igos de Deus.28). Resposta E m resposta. a expressão “todas as coisas” precisa ser com preendida den tro do seu contexto. Paulo indica que a reconciliação real o co rre co m aqueles que estão “em C risto”. Desse m odo. ou sua insistência para que o m u nd o “se reconcilie com D eus”? Não faz sentido im plorar para que as pessoas sejam reconciliadas co m Deus se. Primeiro. de fato. Terceiro. de acordo com o propósito de D eus. 20). Na verdade. sim plesm ente precisam os reco rrer ao con tex to a fim de con firm ar que o U niversalism o é infundado. Isto.

T g 2.10). . Paulo deixa claro que precisam os tanto “confessar com a boca.1 7 A lém disso.1 8 Ainda co m relação àqueles que estão “debaixo da te rra ”. Segundo. e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor.. se assim for. a expressão em Cristo jam ais é utilizada por Paulo. que é necessária para a salvação.. m encionados nesta passagem (isto é. sem dem on strar um a f é efetiva e transformadora nele (cf. os perdidos). até m esm o os ímpios. ao final.” Resposta U m exam e mais atido deste texto revela que Paulo está se referindo aos crentes.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (UNIVERSALISMO) # 307 dispensação da plenitu de dos tem pos. ou em n e n h u m a outra. Resposta Apesar de adm itirm os que todos os descrentes. cf.21-26) trará a salvação aos h o m en s. todas as pessoas.” quanto “crer com o coração” (R m 10. e ú ltim o. Quarto.10. e debaixo da terra. eventualm ente. bem co m o n o restante das Sagradas Escrituras. o simples fato de alguém crer que Jesus é S en h o r não o salvará. para a salvação. até m esm o os dem ônios acreditam em quem Deus e. para glória de Deus Pai. ou em qualquer ou tra parte da Bíblia. o reco n h ecim en to de Jesus será u m a confissão verbal. o con texto trata daqueles que “elegeu n ele antes da fundação do m u n d o ” (1.19). co m o já vim os an teriorm ente. C o m o ficou claro em ou tro m o m en to .9). haverão de confessar que Jesus é o Sen h or. todavia. Fp 2. Terceiro. e não aos descrentes.1 6 A Alegação de que Filipenses 2. ao passo que a salvação é um ato livre.] ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus. m o strand o que alguns ru m arão para o seu destino etern o sem C risto. existem fartas evidências em outras partes dos escritos paulinos (cf.4). P orém . 16Vide volum e 4.7-9). Os universalistas insistem que os descrentes estão claram ente incluídos na expressão “debaixo da terra. 18 Ibid. não existe. capítulo 11. Não existe aqui um a referência à fé deles em Cristo. fica n otório ao verm os que Paulo não se refere àqueles “debaixo da te rra ”. salvas. eles confessarão o fato de que Ele é o Sen h or. o que indica um ato contrário à sua vontade. serão.” E. os descrentes serão subjugados. o fato de os descrentes estarem excluídos.11 Ensinam o Universalismo Paulo antevê que no fu turo: [. principalm ente quando quer falar dos perdidos (por exem plo. tanto as que estão nos céus co m o as que estão na terra. e na terra. para afirm arm os que eles serão salvos. para se referir a ou tro grupo que não seja o dos crentes. 2 T s 1. co m o ele faz em outras partes da Bíblia. evidências nesta passagem. 1 7Vide capítulo 15. De m odo sem elhante. Prim eiram ente. m as som ente uma f é transformadora em C risto (T g 2. Primeiro.

Hb 9. Esta posição se encaixa n o con tex to (já que o verso anterior fala da m o rte vitoriosa e da ressurreição de C risto) e está de acordo com o ensino de outras passagens do Novo Testam ento (cf. 19T e r m o o riu n d o do grego eua^elizo. mas vivificado pelo Espírito.1. quando a longanim idade de D eus esperava nos dias de Noé. na carne. Ele afirm a que depois que u m a pessoa m o rre. no qual aqueles que não foram encontrados no Livro da Vida receberão o devido castigo. Se fo r assim. na carne. Em n en h u m a ou tra parte esta expressão é utilizada para designar os seres hu m anos no inferno.24). no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão. na qual poucas (isto é. v.11-15). na verdade. A Alegação de que 1 Pedro 4. a Bíblia é clara que não existe u m a segunda chance depois da m o rte (cf. não existe aqui fun d am ento para o U niversalism o. fossem julgados segundo os hom ens. Pv 29. Quarto. Jo 3. “evan gelizar.8. Lucas tam b ém registra o ensino de C risto a esse respeito.” Os universalistas argu m entam que esta passagem está (1) se referindo claram ente à pregação do evangelho e (2) à pregação dele aos m o rtos. hu m anos ou angelicais. 26). tam b ém serve de fu nd am en to para o fato de não haver mais esperança no a lém -tú m u lo (cf. mas de u m grupo lim itado “os quais em ou tro tem po fo ram rebeldes.7). os quais em outro tempo foram rebeldes. Primeiro.36. não existem evidências conclusivas de que a expressão “espíritos em prisão”. mortificado. o justo pelos injustos. 38.27). para que. e que existe u m grande abismo en tre am bos “de sorte que os que quiserem passar de u m lado para o ou tro ficam im pedidos” (cf. 20). em espírito.308 ü TEOLOGIA SISTEMÁTICA A Alegação de que 1 Pedro 3. 5. sendo enviados para o lago de fogo (20. O livro de Apocalipse fala do ju ízo do Grande T rono B ranco. Ind epend entem ente do que sejam estes “espíritos”. quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé. ela im plica a chance das pessoas se salvarem depois da m o rte . p reg a r o e v a n g e lh o p a ra . E f 4.1 9mas sim plesm ente que proclamou a eles a vitória da sua ressurreição.6. não existe aqui sugestão de que Jesus te n h a oferecido esperança de salvação a estes “espíritos em prisão. não existe fund am ento para a idéia de que Pedro esteja se referindo a toda a hum anidade.15). Cl 2. trate-se de um a referência a seres hu m anos. M uitos estudiosos acreditam que os “espíritos” que invadiram a hum anidade nos “dias de N oé” eram os m esm o “Filhos de D eu s” (expressão utilizada para os anjos em Jó 1. Segundo.19-31). para levar-nos a Deus. na verdade. o que é visto pelos universalistas com o u m a necessidade para que se consiga a salvação de todos os seres hum anos.18-20 Ensinam o Universalismo Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados. Pedro não está falando de todas as pessoas.1. na verdade. enqu anto se preparava a arca” (v. mas vivessem segundo Deus.6 Ensina o Universalismo “Por isto. enquanto se preparava a arca. oito) almas se salvaram pela água.” . ela vai direto para o céu ou para o inferno (16.” O texto não diz que Cristo os evangelizou. A urgência que devem os ter em responder a D eus ainda nesta vida. n em que todos os seres hu m anos serão salvos. Terceiro. foi pregado o evangelho tam bém aos m o rtos. Resposta Considerado o texto dentro de seu verdadeiro con texto. antes da m o rte . 2. e por ú ltim o.

O ALCANCE DA SALVAÇÃO (UNIVERSALISMO) # 309 Resposta Todavia. o próprio Jesus declarou: Não vos maravilheis disso. existem várias passagens m ostrando o contrário. Tão som ente inform am que. m esm o julgados no corpo segundo os hom ens. baseado n a noção de que u m Deus de am or jam ais perm itiria que qualquer um a das suas criaturas perecesse. ensina que n em todos serão salvos. vivam pelo Espírito segundo D eus. para a ressurreição da condenação. ou “vivam pelo Espírito segundo D eu s”. Primeiro.20-22). Na verdade.” A favor deste ponto de vista tem os o fato do uso verbal no passado “o evangelho foi pregado” (no passado) àqueles que “estão m o rto s” (agora. e ú ltim o. Pedro não diz que o evangelho lhes tenha sido pregado depois da morte. n orm alm en te. Esta é mais um a suposição infundada.” adiante. sem qualquer confirm ação bíblica.2 1 Terceiro. A bem da verdade. n otam os u m apoio co m p leto do ponto de vista que defenda que n em todas as pessoas serão. 22 V id e v o lu m e 4. pois tam b ém se apresentam im precisos e insuficientes. para que eles. salvas. A declaração anterior (v. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida. percebe-se que não existe fu nd am entação para se conclu ir que a salvação universal e final da hum anidade acontecerá. no tem po presente). 1 C o 15. ao final. . por diversas razões não poderíam os conclu ir que todos serão salvos. a Bíblia claram ente ensina que algum as pessoas estarão perdidas para sem pre. Cada argu m ento está baseado em u m a concepção errada da natu reza de Deus e/ou da natu reza dos seres hum anos. em parte algumaPedro diz que estasupostapregação do evangelho tenha resultado na salvação de todos os que a ouviram. Esta é um a suposição sem base no con texto. todos os textos apresentados em defesa do U niversalism o se m o stram insuficientes. Por mais trágico que isto possa ser.2 2 ARGUMENTOS TEOLÓGICOS A FAVOR DO UNIVERSALISMO Os argum entos teológicos usados para se postular o U niversalism o são igualm ente defectivos. 21V id e “A rg u m en to s T e o ló g ic o s a F av o r do U n iv ersa lism o ” e “A valiação d o U n iv ersa lism o . tal qual se deu co m Cristo e por causa da sua ressurreição. Quando expressões neotestam entárias co m o estas são utilizadas. Na verdade. na verdade. m esm o adm itindo-se que estas duas proposições estivessem corretas. Segundo. em prega-se com referência à ressurreição. tam p ouco em outras passagens bíblicas. 5) fala do ju lg am en to e da prestação de contas que os m o rto s terão que fazer diante de Deus. esta passagem. O Argum ento da Onibenevolência de Deus O U niversalism o está. aexpressão “vivificado pelo Espírito”. Quarto. Na verdade. todos serão ressurretos — e não que todos serão salvos (cf. necessariam ente não d en ota a salvação. porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. Q uando cada u m a das passagens é cuidadosa e con textu alm en te exam inada. O am or n u nca falha C o n fo rm e p o s tu la a tra d u ça o New International Version [N ova V ersão In te rn a c io n a l] e m lín g u a inglesa. c a p ítu lo 10. e não de u m a salvação unilateral para eles. (Jo 5. e os que fizeram o mal. quando outras passagens da Bíblia são apresentadas. u m a tradução mais apropriada para esta passagem seria:20 “Por isso m esm o o evangelho foi pregado tam bém a m o rtos.28.29) Em resum o.

m as am a a todos o tem po inteiro. Resposta Todavia. a Bíblia deixa m u ito claro que haverá u m inferno e tern o 25 e que nele serão lançadas as pessoas ímpias (M t 25.7-9.] para sem pre co m o h o m e m ” (G n 6. 2 Pe 3. vindo. “aos h om ens está ordenado m o rrerem u m a vez. como o ato supremo de auto-entrega de um ser humano poderia ser involuntário? Se eu disser: “Por vontade própria. N a verdade.2 4 Ele sabe que algum as pessoas jam ais se arrependerão livrem ente.37). Lewis. pois.40). O “Cão do C éu ” jam ais deixa de correr atrás de nós. co m o d em onstrou C. Ele sabe que o seu am or jam ais será suficiente para ganhá-las. aquele que pode fazer perecer no in fern o a alm a e o co rp o ” (M t 10. de fato. Jesus disse: 23Vide C. S. assim será na consu m ação deste m u n d o ” (M t 13. U m D eus onibenevolente não som ente am a a todos. tan to nesta vida. 25Vide volum e 4. faz uso do n o m e de u m a pessoa real (Lázaro). 106-07). no M onte das Oliveiras. independente de quanto tem p o Ele as busque.” e aquelas a quem Deus dirá: “Então. Por saber que elas são irredim íveis e réprobas. M t 23. observa Lewis: Há somente dois tipos de pessoas. Não im p orta o tem po que leve para o seu am or alcançar a cada u m a das suas criaturas rebeldes.41).310 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA e jam ais desiste. No seu grande serm ão. u m D eus Todo-am oroso. capítulo 8. 2Ts 1. para o fogo eterno. corta-a.” a minha razão retruca: “Por vontade própria ou não?” Se eu disser: “Independente da sua vontade própria. co m o D eus é onisciente e co n h ece todos os nossos atos livres fu tu ros.41. 24Vide volum e 2. co m o n a vida por vir. m alditos. ao final.” percebo que me encontro diante de uma contradição. o seu Espírito “não contend erá [. para o fogo que n u n ca se apaga” (M c 9. PP.3). Jesus tin h a m ais a falar sobre o inferno do que falou sobre o céu. N ovam ente. am ar o m u nd o (Jo 3. Por isso. e n ão sossega enqu anto não nos captu ra co m o seu am or. ao final: Aqueles que dizem a Deus: “Seja feita a tua vontade. não falhará em fazer isto. Lewis. tendo duas m ãos. Ele ainda acrescentou. Quando dizemos: “Todos se salvarão. Ademais. Ap 20. Em u m a história vivida e auto-explicativa que.16) e desejar que ninguém pereça (cf. Logo. Em o u tra ocasião Ele tam bém afirm ou: “E. Apesar de Deus. Este é o argu m ento do universalista. ao contrário das parábolas.27).. o nosso Sen h or declarou: “Então. Ele alertou as pessoas: “N ão temais os que m atam o corpo e não podem m atar a alm a. depois disso. a sua própria natu reza como amor exige que Ele não force o seu am or sobre n in g u ém (cf.. se a tua m ão te escandalizar. dirá tam bém aos que estiverem à sua esquerda: Apartaivos de m im .” a minha razão responde: “E se eles não se entregarem?” (Lewis.23 acontece que exatam en te o oposto é o caso. acerca daqueles que o rejeitassem : “Assim com o o jo io é colhido e queim ado n o fogo. o ju íz o ” (Hb 9. m e lh o r é para ti entrares n a vida aleijado do que. capítulo 10. ires para o inferno.9). . e D eus sabe disso.28). The Great Divorce. S.11-15). tem ei. preparado para o diabo e seus a n jo s” (M t 25.43). 69). A lém disso. antes. Existe u m p onto de onde não há m ais volta. seja feita a tua vontade” ( GD.

tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua. E.” Apenas acrescentando algum as palavras finais. ouçam-nos. parece lógico que Ele. e. fazer m esm o isso.. e coisa algum a é impossível de ser restaurada ao seu C riad or” (OFP. e tu. Segundo. (Lc 16. É por isso que a Bíblia insiste que “é im possível que D eus m in ta ” (Hb 6. e n tão. Satanás declara: “E m u ito m e lh o r reinar no inferno do que ser u m servo n o céu .” O Argum ento da Visão de uma Justiça Reformatória O rígenes tam bém argu m entou que a ju stiça de Deus visa à reform a.5). E.6. em resposta a esta objeção. e se Ele pode salvar a todos (isto é.6). Deus não pode fazer aquilo que não seja am oroso. em defesa do U niversalism o. de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam. Deus não as coagirá a e n trarem para o seu Reino.9).O ALCANCE DA SALVAÇÃO (UNIVERSALISMO) #311 E. jam ais por m eio de coação. 2. 3. Se algum as pessoas recusarem à persuasão divina (co m o a Bíblia afirm a que algum as farão). p a r te 1. responder-lhe-ia: “Q ue assim seja. ergueu os olhos. ó pai. e viu ao longe Abraão e Lázaro. passar para cá. 2 Pe 3. além disso. porque estou atormentado nesta chama. tam bém argu m entam a partir da onipotência divina. C om o já observam os repetidas vezes. Isto. a fim de que não venham também para este lugar de tormento. atormentado. o qual se diz ser aplicado pelo fogo. Pela sua própria natu reza o am or som en te pode operar de form a persuasiva. posição esta que é apoiada por várias passagens da Bíblia (p o r exem plo. e não castigo. pois. im plica que Deus deseja. estando em tormentos. disse: Abraão. que o mandes à casa de meu pai. meu pai. D eus é in tern am en te consistente com a sua natu reza. porém. haverá de salvar a todos. co m o já d em onstram os acim a. nem tampouco os de lá. ou seja. lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida. Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas. E disse ele: Rogo-te. agora.18). realm ente. se D eus deseja salvar a todos. somente males. pois tenho cinco irmãos. pela sua bondade.] o castigo.4. e Lázaro. os atributos26 de Deus não operam em contradição m útua. O rígenes declarou: “Nada é im possível ao onipoten te. . forçar as pessoas a am á-lo seria contrad itório e n ão-am oroso da parte de Deus. já que Ele é onip oten te). Deus.23-29) O Argumento da Onipotência de Deus A lgum as pessoas. 26V ide v o lu m e 2. Ele alegava que “a fúria da vingança divina é ú til para a purgação das alm as [. Abraão: Filho. está posto um grande abismo entre nós e vós. no Hades. Primeiro. clamando. Na obra Paradise Lost [Paraíso Perdido] de Jo h n M ilton (16081674). Esta tam bém é a razão pela qual o seu poder precisa ser exercido de acordo co m o seu am or. E. tam bém . Resposta Duas coisas precisam ser ditas.. este é consolado. para que lhes dê testemunho. obviam ente. é com preendido co m o tendo por objetivo a c u r a ” (OFP.10. no seu seio. Disse. 1 T m 2.

por exemplo. a visão de justiça reformatória é contrária à realidade da justiça. nele. a plenitude e a perfeição do mundo. depois disso. completem. (ibid.6. o juízo” (Hb 9. e contanto que se coloquem abertas à ajuda daquelas. vindo. fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5. ao final. para que. E por isso que Deus é tão paciente conosco. mas foram colocadas sob o domínio daquelas santas e benditas ordens às quais já descrevemos. O Argumento da Sabedoria de Deus Orígenes apresentou um argumento em defesa do Universalismo. quanto os fatos. não o foram de forma irremediável.11. Segundo. não querendo que nenhum de nós se perca (2 Pe 3. o castigo será o grande tema da vida futura. elas poderão se recuperar e ser restauradas à sua condição de felicidade. Mt 23. a visão de justiça reformatória prega que não existe decisão final. novamente contrariando tanto as Sagradas Escrituras. contrariando tanto as Sagradas Escrituras. acerca do porvir. “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados. a visão de justiça reformatória é contrária à morte substitutiva de Cristo.3). quanto definitivo. .2) Resposta Há vários problemas em se fazer uso do óbvio desejo divino de que as pessoas “reformem” as suas vidas em defesa da idéia de que todos serão salvos. por que Jesus precisou pagar o terrível preço pelos nossos pecados? Quinto. a partir da sabedoria divina: Deus. Deus está verdadeiramente interessado em reforma: a reforma é o grande tema desta nossa vida. e a própria diversidade de mentes tende a 27 Vide capítulo S. Alegar que Deus somente está interessado em reformar os pecadores e não em punir os pecadores não-arrependidos. Conforme citamos acima. é tanto unilateral. reúne estas mesmas criaturas. e se deixem remoldar por princípios salutares e pela disciplina. Se o pecado não necessitar de punição. o suicídio.312 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Ele também acrescentou: As pessoas que foram removidas do seu estado primevo de bênção.10-15). Mas isto é incorreto. para levar-nos a Deus” (1 Pe 3.27). o fez pecado por nós. Primeiro. é contrário ao próprio conceito da expiação vicária exercida por Cristo. para um consenso no labor e no propósito. que “aos homens está ordenado morrerem uma vez. Ap 20. Ez 18.37. mesmo assim. Como já analisamos. para um fim útil e o proveito comum de todos. “Aquele que não conheceu pecado. de tal forma que. que é penal e não reformatória.9). apesar delas estarem sob influência de diferentes motivos. pela inefável habilidade da sua sabedoria.20). que tanto diferem entre si na sua conformação mental. quando as pessoas se recusam a ser reformadas durante esta vida. Porém. e por fim. quanto os fatos. independentemente da forma com que elas tenham sido criadas. a qual transforma e restaura todas as coisas.21).18). 1. Terceiro. Quarto.. o justo pelos injustos. A justiça absoluta de Deus exige que o pecado seja punido (vide Lv 17. a Bíblia declara.2 7 “Cristo morreu por nossos pecados” (1 Co 15. a visão de justiça reformatória considera que todas as pessoas escolhem ser reformadas de livre e espontânea vontade (cf.

2 9 o que inclui a liberdade de decisão. (OFP. embora chamado. seria.” AVALIAÇÃO DO UNIVERSALISMO Além da falta de fundamentação bíblica e teológica.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (UNIVERSALISMO) # 313 um único fim de perfeição. (1) “assegurar a salvação de todas as suas criaturas” e (2) “compelir por força. o Pai de todas as coisas. sendo este o caso. neste ponto. Por outro lado. existem. vide volum e 2.2.27. o qual. a fim de assegurar a salvação de todas as suas criaturas por intermédio do plano inefável da sua palavra e da sua sabedoria. liberdade real. capítulo 9. grifo acrescentado) Mas isto é exatamente o que Deus não pode fazer. isto sim. 28Vide volum e 2. IV. não seja compelido por força. muitos argumentos bíblicos e racionais contrários ao Universalismo. ódio. mais uma vez. Amor forçado é uma espécie de invasão.II. S.1. o que certamente produziria uma mudança na natureza do próprio ser). 2. seria contrário à sabedoria divina tentar salvar pessoas que Ele já sabia que jamais o aceitariam. a fim de que um empreendimento tão magnífico como este mundo não seja arruinado pela discórdia entre as almas. o universalista desconsidera várias verdades importantes. O Universalismo É Contrário à Imagem de Deus Deus fez a humanidade à sua imagem e semelhança. é preciso haver um “grande divórcio. o fato de Deus ser infinitamente sábio faz com que Ele saiba que nem todas as pessoas escolherão livremente servi-lo. bem como à sua oferta graciosa da salvação. poderia ser chamado de amor. Neste caso. seja ele uma alma ou um ser racional. Lewis disse com propriedade. Para garantir que todos sejam salvos. ordenou cada uma destas coisas de tal forma que cada espírito. OFP. E. como Orígenes. um Deus de amor não poderá assegurar que esta pessoa será salva. O Universalismo E Contrário ao Amor de Deus O amor forçado não é contrário à liberdade. aqueles que se recusarem a amar a Deus teriam que ser forçados a amá-lo contra a sua própria vontade e uma “liberdade forçada” não seria. 25 Cf. (Orígenes. G n 1. ainda. Além disso. de forma alguma. . a seguir um rumo diferente do que aquele que os motivos da sua própria mente o mandam seguir (a fim de que não pareça que o poder do seu livre-arbítrio tenha sido suprimido. contra a liberdade da sua própria vontade.I) Resposta Aqui. não pode forçar ninguém a fazer algo que não seja por livre decisão. ou seja. Por um lado. a sabedoria de Deus28 não age em oposição ao seu amor. fazem uso do seguinte argumento: Deus. por sua vez. pois. Muitos dos seus proponentes. tocamos numa contradição interna na posição universalista.” No momento em que alguém se recusar livremente a aceitar o seu amor. capítulo 19. de forma alguma. como C. [Pois] um é o poder que encerra e reúne toda a diversidade do mundo e concentra os diferentes movimentos em uma única obra.

capítulo 6). é difícil encontrarmos Pais Eclesiásticos de peso ao longo dos séculos de história da Igreja cristã. Isto vai de encontro ao Universalismo. é dever do Senhor. Jesus não somente ensinou acerca da realidade de um lugar chamado inferno onde habitará Satanás e os seus anjos. 33 Cf. foram condenados pelos teólogos e pelos concílios ortodoxos da Igreja. conforme sua natureza santa e justa. 25. capítulo 13. felizmente. seria também a morada dos seres humanos ímpios.3 2 O Universalismo É Contrário ao Ensino Bíblico acerca do Inferno Como já verificamos. que abraçassem este ensino não-ortodoxo. e (2) desconsidera outras passagens claras que ensinam o contrário. capítulo 15. os poucos que defenderam este ponto de vista (como. tragicamente.3 3 O Universalismo não Tem Fundamentação Bíblica Como vimos anteriormente. . 30 Vide volum e 2. puni-las. 32 Ibid. O Universalismo Está Baseado em uma Espécie de Ilusão Freudiana Sigmund Freud (1856-1939) ensinou que qualquer crençabaseada em um mero desejo de que algo seja verdadeiro é uma ilusão (vide FI. o qual estabelece um sistema de crenças não-plausíveis e não-bíblicas. Nenhuma pessoa que ama desejaria que qualquer outra pessoa ardesse no inferno por toda a eternidade. Orígenes). 3 1 Ibid. capítulo 10. enquanto as pessoas estiverem vivendo em pecado e em rebelião contra Deus.3 1 e. 34 Que tam bém rejeito u outros ensinos fundam entais da Bíblia. M t 5. eventualmente. vide tam bém volu m e 4. o Universalismo (1) está baseado em versículos que são descaracterizados do seu contexto original. Os Pais da Era Primitiva Ao longo dos séculos. todas as pessoas serão salvas. capítulo 16. com raras exceções (como Orígenes). dessa forma. Ele precisa punir o pecado. mas que este lugar. FUNDAMENTAÇÃO HISTÓRICA CONTRÁRIA AO UNIVERSALISMO Como vimos anteriormente.. os gigantes da Igreja têm demonstrado apoio praticamente universal à posição bíblica que preconiza o castigo eterno e consciente para alguns seres humanos (a saber. 10. o qual insiste que.314 # TEOLOGIA SISTEMÁTICA Nenhuma pessoa que seja verdadeiramente amorosa forçaria uma relação com outra pessoa. Portanto. os perdidos). Como já vimos.3 0 O Universalismo É Contrário à Justiça de Deus Deus é absolutamente santo. Somente depois do surgimento do Liberalismo Moderno34 é que encontramos negações significativas do sofrimento eterno para os ímpios. entretanto um forte desejo pelo contrário parece ser um impulso primário no pensamento universalista.. por exemplo. passando inclusive pelo período da Reforma.

porque a imortalidade é prometida aos justos. nenhum de nós teria sido capaz de questionar. mas também preparou o castigo eterno. Ele preparou tanto a luz da qual ninguém é capaz de se aproximar. aquilo que a humanidade toda merecia. Nós. ambos falaram a verdade.VII in Schaff.XXVIII in Roberts e Donaldson. e para onde quer que o justo juízo de Deus levasse até mesmo os remidos. Ele preparou o céu. pois. exige obediência aos seus preceitos e. ( EC. mesmo que ninguém tivesse sido redimido.V.III) Os Pais da Era Medieval Agostinho (354-430 d. a sua misericórdia imerecida não se interporia. C. e a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. ANF) Ireneu (c.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (UNIVERSALISMO) # 315 Justino Mártir (c. ( OTW. 99) . da mesma forma que ele chama ao banquete. e o fim deles à morte. Ele preparou lugares de tranqüilidade. pois os próprios caminhos deveriam se referir à vida. VII. ele exige que sejamos cautelosos nisto.) Portanto. I. de Satanás e de Diabo. que é a segunda morte. Foi o que Cristo predisse. pelo número maior daqueles que não foram remidos e deixados na sua justa condenação. 125-c.) “Além disso” — disse ele — “o livro da vida foi aberto e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros. “E se alguém não for achado” — como é dito — “no livro da vida. 320 d. na verdade. C) Só então ele percebe que a humanidade toda foi condenada na sua cabeça rebelde por um julgamento divino tão justo que.) Pois entre nós o príncipe dos espíritos ímpios é chamado de serpente. de acordo com as suas obras. também seria calada.” Pois isto é o que chamamos de Geena.-que dizemos que os dois caminhos pertencem ao céu e ao inferno. este será enviado para o lago de fogo” ( AH . 240-c. Também que ele seria lançado no fogo juntam ente com a sua hoste e com a multidão que o seguiu. C. a justiça por Deus aplicada. porém de forma incorreta. portanto.XXXV in ibid. da mesma forma que a punição eterna é a ameaça que paira sob os injustos. 202 d.). ( FA . I. de forma justa. a fim de que todo aquele que se gloriasse somente se gloriasse no Senhor (£. na sua misericórdia. 165 d. como a vasta e eterna escuridão da noite eterna. V. C. Cipriano (200-258 d. falamos de forma mais correta e verdadeira. de forma que toda boca que quisesse se vangloriar dos seus méritos.) Pois Deus. que foi criado pelo Senhor para ser um fogo eterno.XXX. C. e que foi justo que a redenção dos remidos deva ocorrer de forma a demonstrar. para lá serem castigados pela eternidade. mas também preparou o inferno. 100-c. o homem que não estiver adequadamente vestido para a festa terá pés e mãos amarradas e será expulso da assembléia dos santos. como podeis ver ao perscrutar os nossos escritos. NPNF) Lactânáo (c.

porque no inferno não existe remissão de pecados. . então. aqueles a quem. perpétuo e constante dos perdidos.23. II. se o homem for ordenado a cometer pecado. ao se libertar daquilo que o prendia. verdadeiramente.. por si mesma. um pecado não merece um castigo maior por estar ligado a outro pecado. se buscamos a precisão da afirmação. ou do temor do inferno. (ibid. II. havia determinado para receberem a salvação.78. o pecado venial.. não que. ele não poderá pecar. e o decreto de Deus em referência ao pecado introduz a necessidade de pecar. e dão uma aparência mais branda às afirmações que. já que.5) Os Pais da Reforma João Calvino (1509-1564) Deus uma vez estabeleceu. por si mesmo. III.8) Os Mestres do Períodos Posterior à Reforma Ja có Armínio (1560-1609) Pois se o pecado for um mal maior do que a perdição [. se um homem for impedido de pecar. lamentem-se acerca do castigo eterno.] aceitam a eleição em tais termos que chegam a negar que alguém possa ser condenado. criar um homem que possa pecar. portanto. Todavia. por assim dizer. por influência dos seus próprios sentimentos. (ICR. na verdade.. por si mesma.] já que o primeiro é oposto ao bem divino. mas cai por culpa própria (ibid.) Tomás de Aquino (1225-1274) A vontade. deve ser afirmado que. há muito tempo. e o último ao bem humano. e digam que não acreditam que assim será. não porque o pecado lhe seja repugnante. e aqueles a quem. servem mais para aterrorizar do que para serem tomadas como literalmente verdadeiras. é mais digno ordenar alguém a pecar do que ordenar que esta pessoa vá para o inferno.. se não fosse baseada na reprovação.. do que criar um homem que possa perecer. seriam destinados à destruição [. III.23. (ST.] Ele cerrou as portas da vida àqueles que foram destinados à perdição. que alguns.. III. por outro lado. pois a justiça divina destinou um castigo para cada pecado.2) Além disso. a eleição não poderia existir. é merecedor de castigo eterno. eles suavizam tudo aquilo que pareça duro. mas fazem isso de forma bastante ignorante e infantil. se a esperança der lugar ao desespero.. Pois o pecado é um ato voluntário. mas.87. por intermédio do seu plano eterno e inalterável.1) O homem cai não de acordo com o que ordena a providência divina. (ibid. Entretanto. um pecado venial merece castigo eterno se estiver unido a um pecado mortal em uma alma perdida.. no seu modo de entender. por intermédio da remoção de algum obstáculo: por exemplo. Portanto. pode ter tendências malignas. na verdade muitos. ou o medo à presunção. (ibid..21.7) Na verdade muitos [. eles se oponham diretamente às Sagradas Escrituras. mas por causa da esperança da vida eterna. ele certamente acabará pecando pela malícia.316 $ TEOLOGIA SISTEMÁTICA É em vão.

Pois a condenação é o ato de um juiz justo. Porém. ele é. de perecer. ele. entretanto.. salvo pela mutilação do cânon. T. que fica mais próximo ao inferno [. a doutrina de uma punição absoluta e. se for criado com a possibilidade de pecar. III. A culpa do pecado é infinita no sentido de que não podemos colocar limites à sua torpeza ou ao mal que ele poderá causar [. e em segundo lugar.377) Charles Hodge (1797-1878) Ao abordar a questão: “Alega-se que a aplicação de uma punição realmente infinita sobre uma criatura como o homem não é consistente com a justiça de Deus”. (ST. estes também sejam punidos por toda a eternidade. O que é necessário para este fim. alega-se que as vinganças eternas são ameaçadas contra os pecados cometidos no corpo. 111.878) William G. não pode ser condenado por Deus. embora..] A Igreja [Medieval] recebeu a doutrina tradicional a respeito da vingança eterna. dura para sempre. envolve a pecaminosidade e a miséria infinita. infinita dos pecados tem sido reafirmada. a separação dele é a necessidade da perda de todo o bem. um juiz justo não condena ninguém sem que este alguém seja ímpio por culpa própria. com pouquíssimas exceções. entretanto o espaço intermediário entre ambos era ocupado pelo purgatório.. somente Deus sabe e. ( WJA . então. portanto. mesmo sendo o mais pequenino deles. que o pecado na sua natureza é a alienação e a separação de Deus. Hodge escreveu: Nós somos juizes incompetentes para julgar o tipo de punição que o pecado merece.O ALCANCE DA SALVAÇÃO (UNIVERSALISMO) 317 Além disso. um mal infinito. e por ser o Senhor a fonte de toda a santidade e felicidade. nem da dignidade da pessoa contra quem o pecado é cometido. portanto. fora de necessidade. Na proporção em que a inspiração e a infalibilidade da Revelação foram sendo afrouxadas. em primeiro lugar. e por culpa própria. em comparação com outros pecados. também é verdade. por sua natureza. portanto. Contra isto. em um certo sentido.. Shedd (1820-1894) O castigo infringido sobre os perdidos era considerado pelos Pais da Igreja Primitiva. final e. O céu e o inferno eram separados por um abismo absoluto e intransponível. conseqüentemente. Não temos uma compreensão adequada do que significa a culpa inerente. ou com o conjunto total dos pecados que já foram cometidos ele possa parecer uma mera insignificância. e este alguém não é ímpio. como eterno [. Isto é verdade.. e. .] Se o mal de um único pecado. se o homem foi criado com a possibilidade de condenação. merece uma punição infinita [. ou uma exegese flagrantemente viciada. dessa forma. O objetivo correto da punição é a vingança e a prevenção. a punição que Ele impõe sobre o pecado é a única medida justa dos seus méritos malignos. que esta separação é. sendo impossível se eliminar este princípio dos Escritos cristãos. fora de necessidade...] Neste sentido encontramos alívio ao considerar a idéia de que como os perdidos continuarão a pecar pela eternidade.] A Igreja Contemporânea aceitou a fé tradicional neste assunto. todavia. porém. tampouco do alcance do dano que ele pode produzir.. Ele continuou: Normalmente se diz que o pecado é um mal infinito porque é cometido contra uma pessoa de dignidade infinita e.

vejamos o que nos diz C. e o seu juízo. em contraste com o que ocorre no céu.” serão ressuscitados para se apresentar diante de Deus a fim de serem julgados “de acordo com as suas obras” (Ap 20. de fato. A doutrina de uma punição eterna. demonstrarão que eles são merecedores de condenação eterna (20. Também existe a percepção de que esta separação é permanente. (CT. ( HCC . Diante do juízo do Grande Trono Branco. o dogma da inspiração infalível. e o amor age de forma persuasiva. tanto os regenerados. “tanto os grandes. A razão básica é bastante simples: Deus criou os seres humanos com livre-arbítrio. De maneira similar..318 ü TEOLOGIA SISTEMÁTICA A negação da eternidade dos castigos futuros. todas as obras já realizadas por cada um dos ímpios será trazida à memória. a desesperança vem sobre a pessoa. 173) CONCLUSÃO Em resumo. na mente infinita de Deus. Parte do problema deriva daquilo que parece ser uma tensão entre o amor de Deus. Déus é amor. não existe base escriturística para a esperança ilusória de que todos serão salvos. de ter visto a glória e a grandeza de Deus. Ela é normalmente.414-19) Millard Erickson (nascido em 1932) Tal qual foi no passado. de ter percebido que Ele é o Senhor de tudo e depois ter sido cortado de tudo isso. o Livro da Vida. a questão do estado futuro dos ímpios ainda é motivo de grandes controvérsias em nossa época. O inferno existe. Quando os “livros” no céu mostrarem que os incrédulos ficam abaixo das exigências divinas. nos tempos atuais. 1234-35) Earl Radmacher (nascido em 1933) Em última instância. será aberto para lhes mostrar que os seus nomes não estão ali registrados. os mortos nãoregenerados. independentemente da forma como entendemos a doutrina do castigo eterno. ou a desordem mental ou as duas coisas. As suas obras. exposta nas Sagradas Escrituras [. um dos primeiros temas da fé cristã a ser desmitologizado. uma característica cardeal da sua natureza. Dessa forma. juntamente com os anjos e demônios. envolvendo o sofrimento físico. As pessoas que tomaram as obras como oportunidade para entrar na presença de Deus descobrirão que elas ficam muito abaixo das exigências justas de Deus para a comunhão eterna com Ele.15). Existem outros aspectos da situação da pessoa perdida que contribuem para a sua miséria. claramente. (S. tem sido uma característica dos movimentos e dos indivíduos que rejeitaram. a ausência de Deus ou a retirada da sua presença. conseqüentemente. todos. parece ser uma visão sub-cristã fora de moda. 11. E uma experiência de angústia intensa.12.. nunca na base da coação. outro livro. ela está. Aquilo que formos no final da nossa vida.] Se existe uma característica básica no inferno ela é. e aqueles que se decidirem não crer não poderão ser forçados a crer. para muitos. Uma é a sensação de solidão. S. Contudo. continuaremos sendo ao longo de toda a eternidade. serão julgados pelas suas obras.13). a condição de um indivíduo moral e espiritual é permanente. Lewis: . Não existe base para se esperar uma mudança para melhor. De alguma forma. seja de forma total ou parcial. quanto os não-regenerados. quanto os pequenos.

eds. The Future o f an Illusion. Bertrand. Ireneu. a horrível liberdade que exigiram para si e serão. Livingstone. -------. The Battlefor Hell. Hodge. A gostinho. The. Calvino. Institutes o f the Christian Religion. e Jam es D onaldson. Orígenes. Não quero sugerir que os fantasmas não tenham vontade de fugir do inferno [. Hick. Ancient History o f Universalism.