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DOUTRINA I — DEUS

MÓDULO 4-A
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 02

Cap. 1 — O CONCEITO DE DEUS ......................................................................... 02
Cap. 2 — CONCEPÇÕES TEOLÓGICAS SOBRE DEUS ...................................... 0
Cap. ! — A E"IST#NCIA DE DEUS ........................................................................ 1$
Cap. 4 — O CON%ECIMENTO DE DEUS ............................................................... 1
Cap. & — A NATURE'A DE DEUS .......................................................................... 22
Cap. $ — OS ATRIBUTOS DE DEUS ...................................................................... 24
Cap. — A TRIUNIDADE DE DEUS ....................................................................... 2
Cap. ( — A ADORAÇÃO A DEUS ........................................................................... !4
CONCLUSÃO ........................................................................................................... !&
INTRODUÇÃO
Conta-se que uma noite, a bordo do navio, os soldados de Napoleão discutiam sobre a
origem do nosso mundo, mas passavam por alto o Criador. Eram ruidosos e arrogantes em
sua incredulidade. Passando por ali e ouvindo por acaso a conversação, Napoleão apontou
para as estrelas, que resplandeciam contra o negro firmamento, e fez-lhes uma pergunta
simples: "cavalheiros, podem me dizer quem as fez?" Eles emudeceram. A perplexidade que
lhes acometeu bem ilustra o que disse Abraham Lincoln: Posso compreender como seria
possível um homem olhar com ares de superioridade para a terra e ser um ateu, mas não
posso conceber como poderia levantar os olhos para o céu e dizer que Deus não existe".
Conhecer a Deus é salvação (João 17:3). Deus, porém, é de natureza infinita e ilimitada;
e o homem, finito e limitado como é, em capacidade e entendimento, só consegue entender
coisas finitas e limitadas. Logo se vê, de princípio, que tentar conhecer a Deus por nossa
própria sabedoria seria o equivalente a tentar despejar toda a água do oceano numa
pequenina taça. Simplesmente impossível.
Se o homem, contudo, não consegue subir até Deus; Ele, em Sua incompreensível
bondade e misericórdia, toma a iniciativa e desce até onde o homem está. Dar-Se a
conhecer; manifesta-Se. A esse conhecimento de Si mesmo e de Sua vontade que Deus em
Sua infinita bondade condescende a dar às Suas criaturas, chamamos Revelação.
Existem duas classificações básicas de revelação. Por um lado, a revelação geral é a
comunicação de Si mesmo que Deus dá a todas as pessoas em todas as épocas e em todos
os lugares. Por outro lado, revelação particular diz respeito à comunicação específica que
Deus dá de Si mesmo a pessoas específicas, em tempos específicos e lugares específicos.
Essa segunda forma, só se acha disponível hoje pela consulta a determinado escrito
sagrado, a Bíblia.
Cap)*+,- I
O CONCEITO DE DEUS
Teologia é a disciplina que estuda Deus e Suas obras. Note que ela se distingue da
Ética (defina), mesmo da Ética Cristã; da Religião (exteriorização do meu relacionamento
com Deus); e da Filosofia (tentativa de conhecer todas as coisas só pelo uso da observação
e da razão, sem partir de Deus e Sua Palavra, e nunca podendo trazer ninguém a Cristo
(1Cor. 1:21; 2:6-8).
Só existe um único Deus verdadeiro, Criador do Universo. Foi Ele quem fez os homens
conforme Sua imagem e semelhança. Os deuses falsos não são deuses na realidade, mas
caricaturas, arremedos e imitações grosseiras da Divindade. Na melhor das hipóteses,
alucinações da mente humana pervertida pelo pecado, em seu anseio de criar um deus
conforme à imagem e semelhança humana. O Deus verdadeiro é o Criador; os deuses
falsos, criatura do engenho humano. O Deus verdadeiro fez o homem; os deus falsos foram
feitos pelo homem.
D./01023-
Mas quem é Deus? Existem muitas definições, embora nenhuma a contento. "Ìnfinito e
perfeito Espírito no qual todas as coisas têm origem, preservação e finalidade.¨ "Espírito,
infinito-eterno-imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade, e
verdade. "Ser supremo, causa primeira, existente por si, absoluto, infinito, eterno, perfeito,
onipotente, onisciente, o bem supremo.¨
A4 D./01023- 50,-67/08a 9. P,a*3-:
Deus é o o começo, o meio e o fim e o fim de todas as coisas. Ele é a mente ou razão
suprema; a causa eficiente de todas as coisas; eterno, imutável, onisciente, onipotente; tudo
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permeia e tudo controla; é justo, santo, sábio e bom; o absolutamente perfeito, o começo de
toda a verdade, a fonte de toda a lei e justiça, a origem de toda a ordem e beleza e,
especialmente, a causa de todo o bem.
B4 D./01023- C;06*3 9- B;.<. Ca*.806=-:
Deus é um Espírito, infinito, eterno e imutável em Seu Ser, sabedoria, poder, santidade,
justiça, bondade e verdade.
C4 D./01023- C-=>01a9a:
Deus é um espírito infinito e perfeito em quem todas as coisas tem sua origem,
sustentação e fim (João 4:24; Nee. 9:6; Apoc. 1:8; Ìsa. 48:12; Apoc. 1:17).
D4 D./0102?.6 B)>,08a6:
As expressões "Deus é Espírito" (João 4:24) e "Deus é Luz " (Ì João 1:5), são
expressões da natureza essencial de Deus, enquanto que a expressão "Deus é amor" (Ì
João 4:7) é expressão de Sua personalidade. (Ì Tim.6:16)
Esses atributos de Deus poderiam ser admitidos por todas as religiões e aceitos ÷ ainda
que para negar a existência divina ÷ pelos ateus.
"A derivação da palavra portuguesa é do latim Deo, Dii. Quanto ao conceito cristão sobre
Deus, a Bíblia é nossa única fonte de informação. Em suas páginas encontramos a auto-
revelação de Deus.¨
1
O Mistério de Deus. Deus é proposto pela razão e pelo sentimento como explicação do
universo, da origem do homem, dos valores e da moral ÷ verdade, bem, justiça, amor.
Assim, se Deus existe, deve ser diferente de tudo e superior a tudo aquilo que se pretende
explicar com sua existência, superior inclusive à razão humana, para a qual constitui um
mistério. Apesar disso, é possível chegar, pela razão ou pela fé, à convicção da existência
de Deus e mesmo a uma definição e a uma descrição dele. Qualidades que se atribuem a
Deus, como infinitude e onisciência, no entanto, são apenas analogias com conceitos que a
razão humana pode admitir: a essência de Deus é misteriosa para o homem. Até mesmo os
que afirmam ter contemplado Deus consideraram a experiência indescritível em termos
humanos.
Se Deus fosse transparente e compreensível ao entendimento humano, seria apenas
uma criatura a mais, algo pertencente ao mundo, e não a razão última de todas as coisas. A
idéia genérica de Deus é, pois, um símbolo que indivíduos, grupos e culturas usam de várias
formas e com significações distintas, para indicar e exprimir sua visão daquilo que se
poderia denominar realidade última.
O C-18.0*- 9. D.+6 1a6 R.,0@0?.6 M+190a06
D.+6, o ser supremo, princípio gerador do mundo nas religiões. Para o monoteísmo, um
único Deus é o criador e origem de todas as coisas existentes, sendo descrito com atributos
de perfeição: infinitude, imutabilidade, eternidade, bondade, conhecimento e poder.
Deus pode ser transcendente ÷ isto é, estar acima do mundo ÷ ou imanente, presente
em todo o universo. Nas grandes religiões monoteístas, Deus é venerado como uno, como a
suprema unidade criadora de todas as coisas. O politeísmo ou crença em várias divindades,
atribui a cada uma delas influência nas diferentes ordens do universo.
Para o judaísmo, o ser humano foi feito à "imagem e semelhança¨ de Deus (Jeová). A
compreensão hebraica de Deus é essencialmente antropomórfica e inclui a idéia de que
Deus é rei, juiz e pastor.
O cristianismo assumiu o Deus hebraico e, com o tempo, as escrituras judaicas se
tornaram no Antigo Testamento para os cristãos. No Novo testamento, Jesus foi enaltecido
como pastor divino, criando-se, assim, tensão com a tradição monoteísta do judaísmo. A
1
J. D. Douglas, O Novo Dicionário da Bíblia, art. "Deus¨.
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solução para o problema foi o surgimento da doutrina - existente em outras crenças
anteriores - de Deus trino, a Trindade. O Espírito Santo ÷ a igreja cristã ocidental afirma que
o Espírito Santo provém do Pai e do Filho enquanto a oriental garante proceder só do Pai,
controvérsia do filioque que deu origem ao cisma entre as igrejas cristã romana e cristã
ortodoxa. O Espírito Santo é a Graça e é sobrenatural e transcendente. Aliás, quem encarna
é o Filho, o que revela sua imanência.
Para o Ìslã, Deus é Alá, pessoal, transcendente e único. Sua representação é proibida
em qualquer forma de ser vivo. A principal crença islâmica é a proclamação "Não há outro
Deus senão Alá, e Maomé é seu único profeta¨.
No hinduísmo, o Ser sagrado é Brama, realidade única, eterna e absoluta. São
reconhecidos muitos deuses, mas todos são manifestações de Brama. Os três deuses
principais,encarregados da criação, preservação e destruição, unem-se em !rimurti, ou os
três poderes, antecedente da Trindade cristã.
A Realidade Última, ou Ser Sagrado, constitui a ordem cósmica impessoal. No budismo
maa"ana da China e do Japão, o próprio Buda foi transformado em ser divino. O politeísmo
se desenvolveu no Egito, Mesopotâmia, Grécia e Roma, a partir da crença em várias forças
espirituais: o animismo.
2
Tradição metafísica. Na civilização ocidental, a idéia de Deus está profundamente
marcada pela influência que a cultura grega exerceu em sua formação. Desde seus
primórdios, a filosofia grega dedicou-se a procurar resposta às perguntas: qual a explicação
para a unidade do mundo sensível? O que explica a ordem do universo e o fato de que ele
não se transforme em caos? Qual é a realidade permanente que está no fundo da
transitoriedade de tudo o que ocorre no tempo? Tais perguntas revelam uma intuição
fundamental da cultura grega: os processos de mutação por que passa o mundo material se
dão sobre uma unidade básica, estável e atemporal.
A resposta que, de início, pareceu mais simples aos pensadores gregos afirmava que o
sensível permanece contínuo e integrado por ser a expressão material e diversificada de
uma única substância fundamental. Mais tarde, Parmênides e Heráclito afirmaram que a
unidade do mundo não reside no próprio mundo, mas numa instância suprema que, sem ser
material e sensível, consiste em ordem e unidade. O Ser, segundo Parmênides, e o logos,
segundo Heráclito, não são substâncias, mas entidades de natureza puramente intelectual
que só podem ser apreendidas pelo pensamento, mas não apreendidas pelos sentidos.
Assim, o que se vê é explicado pelo que não se vê, o material é elucidado pela idéia e os
processos temporais adquirem transparência pela mediação da mente. Em Platão e
Aristóteles essa tendência teve as mais perfeitas formulações de que era capaz a
mentalidade grega.
Essa maneira de entender Deus torna-se, assim, transparente: Deus é o símbolo para a
idéia mais alta, o fundamento de tudo o que existe e o princípio lógico que permite entender
o que existe. A visão de Deus confunde-se assim com a mais alta forma de intuição
intelectual. É ele o primeiro princípio sobre o qual a existência e a explicação do mundo se
assentam.
A questão da existência de Deus se torna então absolutamente fundamental, porque dela
dependem não só a existência do cosmos (ordem) como também a possibilidade de seu
conhecimento. Essa exigência científica constitui base para a formulação dos tradicionais
argumentos da existência de Deus e de toda a teologia natural. São eles o argumento
cosmológico, o teleológico e o ontológico.
Argumento cosmológico. Ao contemplar o universo, a mente humana formula as
perguntas que qualquer outro fenômeno lhe sugere. De onde vem? Que força o produziu?
Ora, o cosmo não contém em si mesmo a resposta para a pergunta sobre suas origens. A
explicação do cosmo se encontra fora dele, numa causa primeira, não causada, Deus. A
primeira elaboração filosófica desse argumento se encontra em Platão. Seu ponto de partida
2
#nciclo$%dia #ncarta &''', art. "Deus¨.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 4
é o movimento, que embora possa ser classificado de várias formas, em última análise é
redutível a dois tipos: movimento espontâneo e movimento comunicado.
O movimento espontâneo deve obrigatoriamente anteceder ao movimento comunicado,
pois somente se ele já existir poderá ser depois comunicado. A matéria é inerte e só se
move em decorrência de uma força exterior. No homem, somente a alma é fonte de
movimento espontâneo. Essa é a razão por que, sem a alma, o corpo é morto. De forma
análoga, todos os movimentos no universo que não decorrem da ação direta do homem têm
de ser explicados por referência a uma fonte maior de movimento espontâneo: a alma do
mundo. Considerando que todos os movimentos do cosmo são ordenados e racionais,
conclui-se que a alma do mundo é racional e boa.
Argumento teleológico. A decifração de um dos mais fascinantes enigmas do universo
é tentada pelo argumento teleológico da existência de Deus. Que os homens, capazes de ter
e expressar desejos, sejam capazes de agir com uma intenção e consciência teleológicas,
isto é, dirigidas para um objetivo, é explicável. Entretanto, como se poderá entender que os
animais e mesmo vegetais, sem nenhuma idéia consciente de finalidade, sejam capazes de
agir na direção de propósitos que eles mesmos desconhecem?
Do ponto de vista da experiência humana, o comportamento intencional só pode ser
explicado por referência a uma mente e a uma vontade que o orientem. Portanto, só
admitindo que o universo é governado por uma mente se poderá explicar a teleologia que se
observa nos níveis inconscientes da realidade. Esse argumento se encontra em santo
Tomás de Aquino e em reformulações posteriores, das quais as mais influentes são as de
Alfred North Whitehead e Teilhard de Chardin.
Argumento ontológico. O pensamento idealista, que desde Platão tem sido uma das
principais vertentes do pensamento ocidental, explica a existência de Deus com o
argumento ontológico. Esse argumento se baseia no princípio segundo o qual aquilo que é
necessário do ponto de vista lógico é também necessário do ponto de vista ontológico, ou
seja, tudo o que é impossibilidade lógica é também impossível no real. O real é inteligível
porque sua própria essência é racional.
O primeiro a elaborar o argumento ontológico de forma sistemática foi santo Anselmo, na
obra (roslogium (Premissa). Mesmo o tolo, que em seu coração afirma não existir Deus, tem
na mente uma idéia de Deus, pois em caso contrário não poderia negar essa idéia. Deus é o
mais alto pensamento possível, "aquilo que de maior nada pode ser pensado". Tal idéia não
pode existir no intelecto apenas, pois, se assim fosse, um conceito maior seria possível, ou
seja, o de um ser existente que, além dos predicados pensados pela mente, tivesse um
outro, o da existência. Logicamente, santo Anselmo conclui, o mais alto pensamento
possível não pode existir na mente apenas e corresponde a um ser existente.
3
Tradição hebraica. A outra tradição que, ao lado da grega, entrou na formação da
civilização ocidental foi a hebraica. Sua atitude em face do mundo era profundamente
diferente da helênica. A mentalidade grega era dominada pela busca dos fundamentos do
Ser. Sua preocupação última era encontrar o logos explicativo do real. A mentalidade
hebraica, ao contrário, não se originou de uma atitude especulativa e intelectual. Os
estudiosos em geral concordam em que foi o êxodo a experiência determinante das
categorias de razão peculiares ao povo hebreu.
O êxodo foi uma crise decisiva que marcou a transição de uma situação de cativeiro para
uma de liberdade: experiência ética e, em última análise, política. É isso o que explica o fato
de estar o nome de Deus sempre ligado a esse evento, no universo lingüístico da Bíblia.
Falar sobre Deus é referir-se ao poder e à intenção que libertaram um bando de escravos,
transformando-o num povo possuído pelo senso de identidade e de destino.
Assim, o Deus de Ìsrael é o Deus do êxodo. Ele não é o princípio último de inteligibilidade
do real, atemporal e imutável, que ao explicar a racionalidade do mundo tende sempre a
justificá-lo. Ao contrário, ele é vontade que faz história por meio de crises que dissolvem o
3
Tomás de Aquino, )umma !eol*gica.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 5
presente, abrindo-o para um futuro novo. Esse evento e esse símbolo passaram a ser o
modelo para a compreensão de tudo o que ocorre na história. São eles o ponto de partida
para a lógica hebraica e a base de suas categorias de pensamento.
Tradição científico-tecnológica. O início da época moderna é marcado por uma
mudança radical na atitude do homem em face do mundo. O ideal de conhecimento
explicativo e contemplativo dá lugar à preocupação prática de dominar a natureza. Conhecer
não é procurar a essência dos fenômenos, mas manipular a matéria. Conhecer é saber das
condições necessárias para que certos eventos se dêem. O critério de verificação da
validade de uma teoria científica passou a ser sua capacidade para prever adequadamente
o comportamento da matéria, porque só então ela funciona como instrumento para o
controle da natureza. O verdadeiro se identifica com o prático.
Quais foram as conseqüências dessa mudança para o significado de Deus? Num mundo
em que o conhecimento se define em termos pragmáticos, parece evidente que o objetivo de
controle só é atingido na medida que o homem elimina todos os imponderáveis e, entre eles,
Deus. Na verdade, Deus já não pode ser usado como hipótese explicativa, dentro da lógica
física, astronômica, tecnológica ou mesmo biológica. Deus deixou de ter a função explicativa
que possuía no universo intelectual grego. Gradualmente, Deus foi empurrado para fora dos
limites do mundo conhecido. Ao avanço da explicação científica correspondia o recuo de
Deus, que foi relegado aos setores ainda obscuros da realidade.
Ao lado disso, o empirismo é incompatível com as bases sobre as quais se assentavam
os argumentos tradicionais da existência de Deus. Se, de acordo com o empirismo, todas as
idéias têm origem nas sensações, o critério para a verificação de sua validade é sua
correspondência a um objeto sensível definido. Assim sendo, todas as idéias que não
correspondam a objetos da experiência sensível devem ser rejeitadas como ilusões. Como
não há nenhum conteúdo sensível que corresponda a Deus, isto significa que Deus é nada
mais que uma forma de consciência falsa. A necessidade lógica deixou de ter uma
necessidade ontológica e passou a ser considerada como simples processo psicológico de
associação de idéias, enquanto que a razão foi destituída de sua significação metafísica e
passou a ser encarada como cópia passiva do sensível.
A mente, dessa forma, foi proibida de se aventurar além dos limites da experiência e com
isso a linguagem acerca de Deus foi também proibida. Como diriam os positivistas lógicos, o
conceito Deus não é verdadeiro nem falso, ele é "destituído de significação", por não se
referir a nenhum conteúdo sensível da experiência. Aquilo que está para além da
experiência não pode ter nenhuma significação dentro do círculo por ela limitado.
Em suma, a tradição científico-tecnológica criou, na expressão muito sugestiva do
pensador alemão Heinrich Rickert, um "problema habitacional para Deus", pois o eliminou
como objeto de conhecimento. Ela não tem condições para negar nem para afirmar a
existência de Deus, ou, mais precisamente, é a eliminação de Deus como hipótese
explicativa do mundo que permite a explicação científica deste.
Teologia como antropologia. O ideal de objetividade e a compreensão da mente como
simples cópia do real vêm sendo abalados no período contemporâneo. Para a psicanálise, o
vasto campo das representações simbólicas inconscientes não pode ser compreendido
segundo a lógica empirista que confere verdade aos símbolos em função de sua
correspondência a conteúdos sensíveis objetivos: os sonhos não podem ser interpretados
segundo essa lógica, porque os símbolos, ao contrário dos signos que simplesmente
apontam para certos objetos da experiência consciente, são maneiras pelas quais o homem
representa para si mesmo as relações vividas de forma inconsciente com o mundo.
A partir de Kierkegaard, o existencialismo muito contribuiu para mostrar que a
consciência, longe de ser algo semelhante a uma câmara fotográfica que copia "o que" lhe é
dado, revela também o "como" de sua relação existencial com a realidade. Mesmo para a
ciência, a maneira de ver objetivamente é condicionada pelas atitudes valorativas que se
encontram no próprio início da vida consciente. O homem, assim, não pode ver o mundo de
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forma desinteressada; sua visão é determinada por sua vida mental, que gira em torno de
uma matriz emocional.
Essa mudança de perspectiva tornou possível a recuperação do símbolo Deus como algo
carregado de significação. Não mais como signo que aponta para um objeto que transcende
a experiência, passou-se a ver nele um símbolo cujo conteúdo é a própria condição do
homem. O estudo do significado de Deus em nada difere da interpretação dos sonhos.
Como sugeriu Feuerbach em Das Wesen des Christentums (1841; A essência do
cristianismo), Deus é o diário secreto em que o homem coloca suas mais altas idéias sobre
si mesmo. O segredo da teologia é a antropologia, porque teologia é uma forma simbólica,
projetada, pela qual o homem fala sobre si mesmo.
Friedrich Schleiermacher já havia chegado a uma conclusão semelhante em Der
christliche Glaube (1821-1822; A fé cristã), ao afirmar que o símbolo Deus não se refere a
um objeto, mas antes a uma forma de sentimento: "Estar em relação com Deus é o mesmo
que a consciência de absoluta dependência." O mesmo critério antropológico é ainda
encontrado em Paul Tillich, quando identifica Deus com a preocupação última do homem, e
em Rudolph Bultmann, quando afirma que cada afirmação sobre Deus é, ao mesmo tempo,
uma afirmação a respeito do homem e vice-versa.
Esse critério, no entanto, implica total subjetivismo. Como Rudolf Otto observa em sua
fenomenologia do divino, em Das +eilige (1917; O sacro), a consciência tem sempre um
ponto objetivo de referência. A consciência não existe em si, mas é sempre uma forma de
relação: "consciência de". A consciência de Deus, portanto, se é essencialmente um fato
antropológico, não pode confundir-se com uma produção ou ilusão da consciência. Deus é o
nome de uma relação realmente vivida.
Morte de Deus. A proclamação nietzschiana da morte de Deus deve ser entendida
dentro do quadro acima descrito. Ela nada tem a ver com o empirismo e o positivismo,
próprios da mentalidade científico-tecnológica. Que significa dizer que Deus está morto?
Nietzsche percebeu que, para a civilização ocidental, Deus era um nome que simbolizava
valores que não mais representavam as relações vividas entre o homem e seu mundo. Deus
era uma forma taquigráfica de referir a negação da história, da liberdade, do futuro e da
própria vida. Sua proclamação da morte de Deus tem por objetivo indicar a decadência
cultural de uma civilização que adotou valores contrários à vida e os batizou com o nome de
Deus. A morte de Deus é sua forma de se referir à agonia da civilização ocidental. Em
Nietzsche essa proclamação ganha caráter ético, pois, a menos que Deus morra, o homem
não terá condições para reconstruir a civilização sobre novas bases.
A chamada teologia da morte de Deus, em voga na década 1950-1960, não tem a
profundidade da proclamação de Nietzsche; reflete, em larga medida, as influências do
positivismo lógico, do empirismo, da ideologia da secularização e do cientificismo.
Ressurgimento da metafísica. A mais recente doutrina surgida no Ocidente sobre Deus
inspira-se em concepções muito antigas de origem hindu. O avanço do estudo das religiões
comparadas e do simbolismo religioso e esotérico de todas as civilizações permitiu o
surgimento de uma nova escola metafísica e teológica, que alguns chamam tradicionalista
(designação que não agrada a seus próprios membros). Os representantes mais destacados
dessa corrente são René Guénon, Ananda K. Coomaraswamy, Frithjof Schuon, Titus
Burckhardt, Seyyed Hossein Nasr, Martin Lings e Leo Schaya.
A variedade de suas origens nacionais e religiosas é significativa: eles procuram expor a
unidade da doutrina metafísica que se oculta por trás da multiplicidade de símbolos das
várias religiões e tradições espirituais, do hinduísmo ao Ìslã, do taoísmo à religião dos índios
sioux, e identificam a idéia de Deus com a Possibilidade Universal, que, como fundamento
do conceito de probabilidade, é indispensável mesmo a uma explicação científica da
realidade. Com base nisso, rejeitam categoricamente tanto as limitações criadas pelo
empirismo quanto a teologia "sentimental" e antropológica, condenando-as, e também à
psicanálise e ao nietzscheísmo, como meras expressões da crise psicológica de uma
civilização que perdeu o senso da unidade do real.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 7
Cap)*+,- II
CONCEPÇÕES TEOLÓGICAS SOBRE DEUS
Existem algumas concepções sobre o ser e o modo de agir de Deus que o teólogo não
deve desconhecer. Apresentamos neste breve prospecto as mais relevantes delas.
4
Pa1*.)6=-
Dos filósofos gregos à filosofia contemporânea, o panteísmo assumiu ao longo da
história várias formas doutrinárias, sempre polêmicas.
Definição. Panteísmo (do grego pan, "tudo", "todas as coisas", e theós, "deus") é a
doutrina que afirma a identidade substancial de Deus e do universo, os quais formariam uma
unidade e constituiriam um todo indivisível. Para os panteístas, Deus não é transcendente
ao universo e dele não se distingue nem se separa. Pelo contrário, é-lhe imanente,
confunde-se com ele, manifesta-se nele e nele se realiza como uma só realidade, total e
substancial.
O panteísmo é um monismo substancialista imanentista. Monismo porque pretende que
o conjunto de todas as coisas pode ser reduzido à unidade; substancialista por entender que
todo o real é de caráter substancial, ou seja, é substância; e imanentista porque sua
afirmação de que Deus é imanente à natureza implica que a ação de Deus se confunde com
a da natureza. As formas doutrinárias panteístas mais importantes e significativas se
encontram no panteísmo clássico, que considera Deus a única realidade, e o universo uma
mera manifestação de Deus. O panteísmo materialista ou naturalista parte do universo para
Deus, e vê no universo a própria realidade de Deus, que nada mais seria do que a totalidade
das coisas que existem, das quais depende para realizar-se.
Entre o panteísmo clássico e o naturalista existem muitas versões diferentes do
panteísmo, desde o panpsiquismo, que atribui consciência à natureza como um todo, até o
panteísmo acósmico, que vê o universo como mera aparência, irreal em última instância; e
numa vasta gama que vai da corrente racional neoplatônica, ou emanacionística, à corrente
mística e intuitiva. O panteísmo oriental acentua o caráter vivencialmente religioso: toda a
natureza está animada pelo alento divino, e por isso é como se fosse o corpo da divindade,
que como tal deve ser respeitada e venerada. As doutrinas hinduísta e budista combinam os
diversos tipos de panteísmo em seus livros sagrados: no Upanishad, no Bhagavadgita e nos
Vedas. Este último apresenta a imagem da divindade como um mar, em que os seres são as
ondas que participam da totalidade.
istemas cl!ssicos. A forma assumida pelo panteísmo clássico vê no mundo simples
emanação, revelação ou realização de Deus, sem realidade própria independente, nem
substância permanente, que não sejam a própria substância e demais atributos de Deus.
Para os estóicos, o universo é o próprio Deus, como qualidade de toda substância existente
ou a existir, imortal e não gerado, criador da ordem universal, que em si consuma toda a
realidade e a gera continuamente. Deus "impregna todo o universo e toma vários nomes
conforme as matérias diferentes em que penetra". No século ÌÌÌ da era cristã, o panteísmo
assume sua forma mais elaborada no neoplatonismo de Plotino. O mundo emana
necessariamente de Deus, tal como a luz emana necessariamente de sua fonte. O ser
gerado existe junto com o gerador, dele não se separa e é meramente sua parte ou aspecto.
No século ÌX, no início da escolástica cristã, João Escoto Erígena defendeu a idéia de
que Deus seria supersubstância, da qual emana o universo, como substância simples, como
manifestação sua, como teofania. Na Renascença, Giordano Bruno retomou as idéias
neoplatônicas e considerou Deus como natureza, como causa e princípio do universo.
istemas modernos. Modernamente, foi Spinoza que concebeu a forma mais completa
e elaborada do panteísmo. Deus e natureza são a mesma coisa, mas enquanto Deus é
4
Os conceitos foram extraídos dos respectivos verbetes da #nciclo$%dia Barsa.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 8
naturante, a natureza é naturata (gerada). O universo não só é a emanação e a
manifestação de Deus, mas é sua própria realização, na ordem de todas as coisas.
Hegel denominou o panteísmo de Spinoza de "acosmismo" (negação da existência de
um universo fora de Deus). Segundo ele, Spinoza não confunde Deus com a natureza e com
o universo finito, nem considera Deus o universo. Pelo contrário, nega a realidade do
universo, vendo em Deus a única realidade. Na filosofia contemporânea há exemplos de
doutrinas panteístas e místicas, ainda que em pensadores voltados para outros campos do
conhecimento, como Henri Bergson em Les Deux sources de la morale et de la religion
(1932; As duas fontes da moral e da religião), embora tal panteísmo tenha sido negado por
seus intérpretes católicos. Outro exemplo é Alfred North Whitehead, em Process and Reality,
an Essay in Cosmology (1929; Processo e realidade, um ensaio de cosmologia). Os críticos
do panteísmo acusam-no de ser uma espécie de ateísmo, que nega a pessoalidade de
Deus, como anterior, superior e externo ao próprio universo.
D.)6=-
Segundo Louis de Bonald, pensador francês que se opôs à revolução de 1789, deísta é
quem não teve tempo de chegar a ser ateu; mais de um século depois, seu compatriota Paul
Hazard afirmaria que é quem não quis chegar a ser ateu. As duas opiniões ilustram a
controvérsia em torno do deísmo.
Definição. Deísmo é a denominação genérica dada às doutrinas filosóficas e religiosas,
surgidas sobretudo no fim do século XVÌÌ, que afirmavam a existência de Deus como
exigência da razão, independentemente de qualquer revelação, histórica e positiva, e a partir
da identificação da razão com a natureza. O conceito coincide com o teísmo no fato de
admitir a existência de um Ser Supremo, criador do mundo e diferente dele; mas difere do
teísmo ao considerar que a responsabilidade desse deus em relação ao mundo é
unicamente a de lhe haver dado leis: uma vez realizado o ato de criação, não se ocupa do
mundo - abandonado a suas próprias leis físicas - nem pede nenhum culto por parte dos
homens. Tais formulações, contudo, não são comuns a todos os pensadores que foram
chamados deístas. Nem se pode dizer que estes elaboraram um corpo doutrinário
específico.
"aí#es do deísmo. De uma perspectiva histórica, o deísmo é um fenômeno cultural
típico dos séculos XVÌÌ e XVÌÌÌ, que se enraíza no humanismo antropocentrista do
Renascimento - o qual deslocou de Deus para o homem o interesse cultural -, no
cientificismo então nascente, no racionalismo e no empirismo.
Os representantes dessa tendência compartilhavam tanto a confiança na capacidade da
razão como a suspeita quanto a tudo o que pretendesse superá-la. De igual modo,
acreditavam numa forma de religião natural, isto é, aceitavam a existência de um substrato
religioso que podia ser captado racionalmente, mas negavam qualquer fator sobrenatural e
consideravam que tudo o que se podia conhecer desse Ser Supremo era sua própria
criação, a natureza, na qual o homem devia buscar suas normas de conduta.
Nem todos os pensadores deístas, contudo, coincidiam nas posturas filosóficas e
religiosas, nem chegavam ao postulado extremo de que Deus carecesse totalmente de
relações com o mundo. Em muitos aspectos, portanto, o deísmo era uma forma de
justificação racional do sentimento religioso, que se opunha ao recurso à fé e à revelação.
$istórico. O termo "deísmo" foi cunhado na França no século XVÌÌÌ, mas as teses
deístas já haviam sido expostas na primeira metade do século anterior por Lord Herbert
Cherbury, considerado o pai do deísmo britânico. A difusão do deísmo na Ìnglaterra se
deveu em boa parte à oposição tanto à Ìgreja Anglicana como ao fanatismo puritano. Assim,
o livre-pensador John Toland, autor do célebre tratado ,ristianit" not -"sterious (1696;
Cristianismo sem mistérios), afirmou que "a autêntica religião não é senão o exercício da
moralidade considerada como obediência a Deus".
Voltaire divulgou na França as obras dos deístas ingleses. Contudo, a base empirista
britânica foi substituída por um fundamento mais próprio do racionalismo francês: à defesa
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 9
do "grande arquiteto" do universo acrescentou-se o anticlericalismo dos enciclopedistas.
Assim, embora o próprio Voltaire acreditasse numa forma de providência divina, outros
pensadores franceses - como Diderot, que considerava "teístas" os deístas ingleses -
prontamente evoluíram para o ateísmo.
Na Alemanha, terceiro grande foco do Ìluminismo europeu, o deísmo adquiriu matizes
mais acadêmicos. H. S. Reimarus considerava que a religião revelada nada pode
acrescentar à religião natural, caso contrário Deus estaria corrigindo sua própria obra. Kant,
o mais importante filósofo alemão do século XVÌÌÌ, acentuou os aspectos éticos da religião
natural e afirmou que os princípios morais não são produtos da revelação, mas inatos à
razão humana.
Em linhas gerais, portanto, o deísmo é menos uma doutrina estrita que uma tendência
filosófica que realça, em maior ou menor grau, a liberdade humana dentro do conjunto da
criação.
A@1-6*0806=-
A identificação do agnosticismo com o ceticismo filosófico, de um lado, e com o ateísmo
religioso, de outro, deu ao adjetivo "agnóstico", de uso muito amplo, uma pluralidade de
significados que induz à confusão.
Definição. O termo "agnosticismo" apareceu pela primeira vez em 1869 num texto do
inglês Thomas H. Huxley, Collected Essays (Ensaios reunidos). O autor criou-o como
antítese ao "gnóstico" da história da igreja, que sempre se mostrava, ou pretendia mostrar-
se, sabedor de coisas que ele, Huxley, ignorava. E foi como naturalista que Huxley usou do
vocábulo. Com ele, aludia à atitude filosófica que nega a possibilidade de dar solução a
todas as questões que não podem ser tratadas de uma perspectiva científica, especialmente
as de índole metafísica e religiosa. Com isso, pretendia refutar os ataques da igreja contra o
evolucionismo de Charles Darwin, que também se havia declarado agnóstico.
%ases históricas. A definição de Huxley viria possibilitar diferentes concepções do
agnosticismo. O propriamente filosófico seria o que limita o conhecimento ao âmbito
puramente racional e científico, negando esse caráter à especulação metafísica. Tais
concepções, que podem ser rastreadas já nos sofistas gregos, tiveram formulação precisa,
no século XVÌÌÌ, nas teses empiristas do inglês David Hume, que negava a possibilidade de
se estabelecer leis universais válidas a partir dos conteúdos da experiência, e no idealismo
transcendental do alemão Ìmmanuel Kant, que afirmou que o intelecto humano não podia
chegar a conhecer o númeno ou coisa-em-si, isto é, a essência real da coisa. O positivismo
lógico do século XX levou ainda mais longe essas afirmações, negando não só que seja
possível demonstrar as proposições metafísicas mas também que elas tenham significado.
No âmbito religioso, o agnosticismo tem sentido mais restrito. O agnóstico não nega
nem afirma a existência de Deus, mas considera que não se pode chegar a uma
demonstração racional dela; essa seria, em essência, a tese de Hume e de Kant, muito
embora este considerasse possível demonstrar a existência de Deus como fundamento da
moralidade. Por outro lado, já na Ìdade Média a chamada "teologia negativa" questionava a
cognoscibilidade de Deus, se bem que para enfatizar que só era possível chegar a Ele pela
via mística ou pela fé. Essa seria uma das bases da "douta ignorância" postulada no século
XV por Nicolau de Cusa, e sua influência é visível em filósofos dos séculos XÌX e XX, como
o dinamarquês SØren Kierkegaard e o espanhol Miguel de Unamuno, os quais, embora
admitam a necessidade de um absoluto, não aceitam sua personalização.
Agnosticismo& ateísmo e ceticismo. Como se vê, a rigor não se pode falar de
agnosticismo, mas de agnosticismos e, melhor ainda, de agnósticos, já que existe notável
variedade tanto no processo intelectual pelo qual se chega às teses agnósticas, como na
formulação dessas teses.
Em essência, o agnosticismo emana de uma fonte profundamente racionalista, isto é, da
atitude intelectual que considera a razão o único meio de conhecimento suficiente, e o único
aplicável, pois só o conhecimento por ela proporcionado satisfaz as exigências requeridas
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 10
para a construção de uma ciência rigorosa. E isso tanto no caso de doutrina que se mostre
claramente racionalista -- é o que ocorre em relação a Kant --, como no caso de filosofias
nas quais o racionalismo oculte-se sob a aparência de positivismo ou materialismo.
Como conseqüência, o agnosticismo circunscreve o conhecimento humano aos
fenômenos materiais, e rejeita qualquer tipo de saber que se ocupe de seres espirituais,
transcendentes ou não visíveis. Não nega -- nem afirma -- a possível existência destes, e
sim deixa em suspenso o juízo, abstém-se de pronunciar-se sobre sua existência e realidade
e atua de acordo com essa atitude. Nessa ordem de coisas, ainda que admita a possível
existência de um ser supremo, ordenador do universo, sustenta que, científica e
racionalmente, o homem não pode conhecer nada sobre a existência e a essência de tal ser.
É isso que distingue o agnosticismo do ateísmo, pois este nega radicalmente a existência
desse ser supremo.
Por outro lado, o agnosticismo se distingue também claramente do ceticismo, que,
segundo a formulação clássica do grego Sexto Empírico (século ÌÌÌ a.C.), não se limita a
negar a possibilidade do conhecimento metafísico ou religioso, mas também a de tudo aquilo
que vá além da experiência imediata. Assim, o ceticismo, pelo menos em seu grau extremo,
não é compatível com a ciência positiva.
No século XX, "agnosticismo" tende a ser interpretado como um posicionamento diante
das questões religiosas. Nesse sentido, costuma-se distinguir entre um agnosticismo em
sentido estrito e outro "dogmático": o primeiro sustentaria que é impossível demonstrar tanto
a existência quanto a inexistência de Deus; o segundo se manifestaria em favor da primeira,
mas negaria que se possa chegar a conhecer alguma coisa a respeito do modo de ser
divino. Esta última via é a habitualmente defendida pelos pensadores que postulam um
caminho místico ou irracional de abordagem do absoluto.
C.*0806=-
A verdade não existe; se existisse, seria impossível conhecê-la; e ainda que se pudesse
conhecê-la, seria impossível comunicá-la. Essa fórmula resume os princípios do ceticismo e
orienta a reflexão sobre os fundamentos e limites do conhecimento.
Definição. Ceticismo é uma doutrina filosófica segundo a qual, do ponto de vista teórico,
não se pode conhecer a verdade e, do ponto de vista prático, só se chega à felicidade,
entendida como ausência de inquietação (ataraxia), pela suspensão de todo juízo.
Caracterizado por uma atitude que repele os dogmas, o ceticismo busca demonstrar a
inconsistência de qualquer afirmação. A única posição justa é a recusa em assumir qualquer
posição. A atitude cética, no entanto, não deve ser interpretada como indiferença: ela
representa um esforço ativo por manter no espírito o equilíbrio entre as representações da
realidade e as opiniões sobre essas representações.
Origens. O fundador do ceticismo antigo foi o filósofo grego Pirro de Élida, no século ÌÌÌ
a.C. Aceitando a distinção entre o que é verdadeiro por natureza e o que é verdadeiro por
convenção, Pirro admite que as coisas existam por si mesmas e que tenham uma natureza,
mas não que elas sejam acessíveis ao conhecimento. Não existem, portanto, coisas belas
ou feias, boas ou más, verdadeiras ou falsas por natureza, mas somente por convenção ou
costume. Nossos juízos sobre a realidade dependem de sensações, que são instáveis e
ilusórias. O autêntico sábio, portanto, deve praticar a suspensão do juízo (epokhe), estado
de repouso mental em que predomina a insensibilidade (apathia), em que nada se afirma e
nada se nega (aphasia), de modo a atingir a felicidade pelo equilíbrio e pela tranqüilidade
(ataraksia).
Partindo do princípio platônico de que não há ciência possível no mundo sensível, os
filósofos gregos Arcesilau (século ÌÌÌ a.C.) e Carnéades (século ÌÌ a.C.) praticaram uma forma
moderada de ceticismo. Ambos admitem a hipótese de que há opiniões mais ou menos
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 11
prováveis e contestam a doutrina dos estóicos, para quem a verdade é evidência direta, ou
seja, existe harmonia entre as representações e as coisas representadas.
No século Ì a.C., Enesidemo sistematizou as teses céticas sobre o caráter efêmero e a
não-confiabilidade dos juízos e empreendeu uma crítica dos poderes limitados da razão.
Organizou em dez tropos os argumentos céticos que recomendam a suspensão de todo
juízo. A instabilidade dos juízos deve-se a diferenças entre (1) espécies de seres animados;
(2) classes de homens; (3) sensações; (4) disposições humanas; (5) posições no espaço; (6)
diversos meios interpostos entre os sentidos humanos e os objetos; (7) estados mutáveis do
próprio objeto; (8) relações das coisas entre si e entre o sujeito e as coisas que ele julga; (9)
número de encontros entre o sujeito e os objetos que ele julga; e (10) tipos de educação,
costumes, leis, crenças e opiniões dogmáticas do sujeito.
A principal fonte de informação a respeito do ceticismo antigo são os escritos do
astrônomo e médico grego Sexto Empírico, que viveu nos séculos ÌÌ e ÌÌÌ da era cristã. Sua
formação levou-o a valorizar a observação prática e a busca de juízos com maior
probabilidade de validade. Segundo Sexto, os argumentos do ceticismo contra os
dogmáticos são: (1) o caráter relativo das opiniões; (2) a necessidade de uma regressão ao
infinito para encontrar-se o primeiro princípio, no qual todos os outros se sustentam; (3) o
caráter relativo das percepções; (4) toda demonstração se funda em princípios que não se
demonstram, mas se admitem por convenção; e (5) demonstrar algo supõe no homem a
faculdade de demonstrar e a validade da demonstração.
Fora da antiguidade greco-romana, a identificação de elementos céticos em outras
doutrinas filosóficas é uma questão sutil e controversa. De modo geral, pode-se dizer que a
filosofia medieval, marcada pela teologia, permaneceu praticamente fechada à dúvida cética.
Posteriormente, a influência do ceticismo pode ser apontada em pensadores tão diversos
como o humanista cristão Pico della Mirandola, o matemático Gassendi e o pré-iluminista
Pierre Bayle.
Montaigne, no século XVÌ, voltou-se inquisitiva e reflexivamente contra o
antropocentrismo religioso e humanístico, que constituía a base da aspiração renascentista
ao conhecimento racional universal. No século XVÌÌÌ, David Hume criticou as noções
metafísicas de existência e substância e o princípio racional da causalidade, sustentando
que as relações de causa e efeito são indemonstráveis. Segundo Hume, todo o
conhecimento provém de percepções da experiência, que podem ser impressões -- dados
diretos dos sentidos ou da consciência -- ou idéias, que são combinações de impressões. No
pensamento de Ìmmanuel Kant, contemporâneo de Hume, a influência dos argumentos
céticos se manifesta, por exemplo, na distinção entre fenômeno, que é objeto de
conhecimento, e a "coisa em si", sempre inacessível à razão.
No século XÌX, o dinamarquês Søren Kierkegaard criticou a teoria do conhecimento de
Hegel, amplamente difundida e acatada, argumentando que não se pode conhecer de modo
absoluto e sistemático uma realidade que é incompleta e mutável, e que a primeira das
verdades é a incerteza. Suas idéias constituíram o fundamento do existencialismo, uma das
correntes filosóficas mais importantes do século XX.
A*.)6=-
A definição de ateísmo como toda postura teórica ou de vida que negue a existência de
Deus parece ter significado preciso. O certo, porém, é que a própria diversidade das
concepções humanas sobre Deus envolve sua negação em um manto de inevitável
ambigüidade.
Ao longo da história, o qualificativo "ateu" foi com freqüência empregado de modo
pejorativo contra pessoas ou comunidades que em nada correspondiam ao conceito
moderno de ateísmo. Assim, Sócrates, cujas concepções influenciaram decisivamente o
desenvolvimento da espiritualidade ocidental, foi acusado de ateu por não acreditar nas
divindades atenienses. Sob outra perspectiva, o fato de uma pessoa que não admite a
existência de um Deus único, livre e pessoal afirmar sua crença em alguma outra realidade
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 12
transcendente, Deus ou Ser Supremo, muito possivelmente não abalará, no crente de uma
fé monoteísta, a convicção de que essa pessoa é atéia. Portanto, a compreensão do
ateísmo exige uma análise do significado histórico do termo, de suas relações com outras
posturas ÷ filosóficas ou religiosas -- com as quais se identificou ou a que se opôs e, em
indissolúvel ligação com isso, das diferentes formas de ateísmo.
Ateísmo na filosofia ocidental. Antiguidade. A dificuldade de se aplicar o conceito
atual de ateísmo a pensadores de outras épocas se patenteia já no caso do primeiro filósofo
grego conhecido, Tales de Mileto, que identificava o princípio vital com a água; a depender
de onde se põe a ênfase -- se na noção de princípio ou na da água como entidade física --,
tal afirmação pode ser entendida como transcendente ou como meramente materialista.
Entre os sofistas, Crítias denunciou as religiões como invenções dos políticos para
controlarem o povo e, no século ÌÌÌ a.C., Evêmero esboçou uma interpretação racionalista da
religião, considerando os deuses como antigos heróis divinizados.
Platão achava que a pior forma de ateísmo é a das pessoas más, que esperam poder
propiciar a divindade mediante doações e oferendas que lhes justifiquem os descaminhos.
Entre os ateus materialistas da antiguidade, foram particularmente radicais os gregos
Demócrito e Epicuro, assim como o romano Lucrécio. De Epicuro é o célebre argumento: se
Deus quer suprimir o mal e não pode, é impotente; se pode mas não quer, é invejoso; se
não quer nem pode, é invejoso e impotente; se quer e pode, por que não o faz? Para os
estóicos, Deus, Razão, Destino e Natureza constituem uma mesma coisa; mas seu
panteísmo fundamenta uma calorosa e profunda religiosidade.
"enascimento e racionalismo. Na Ìdade Média esboçaram-se indícios de algumas
posições atéias, mas a organização política e social impediu que ganhassem formulação
explícita. Foram as novas concepções do Renascimento, com seus interesses
antropocêntricos, sua volta à avaliação de todas as coisas segundo a medida do homem,
seu paganismo cultural, sua descoberta da natureza e do método científico, que diluíram a
concepção teológica medieval e orientaram numerosos pensadores para o materialismo, o
panteísmo ou o deísmo -- e da relação das duas últimas doutrinas com o ateísmo trataremos
adiante.
Assim, entre os séculos XV e XVÌ, o italiano Pietro Pomponazzi negou a imortalidade da
alma e, veladamente, a existência de Deus. Seu compatriota Maquiavel separou a política
da religião e considerou esta última um instrumento do poder: Roma deve mais a Numa
Pompílio, que lhe deu os primeiros regulamentos religiosos, do que a seu próprio fundador,
Rômulo. Outro italiano, Giordano Bruno, foi queimado na fogueira em 1600, acusado de ateu
por suas teses panteístas, nas quais identificava Deus com a unicidade infinita. No século
seguinte, o judeu holandês Baruch de Spinoza foi acusado de ateísmo por assemelhar Deus
à substância.
'luminismo. O movimento cultural do século XVÌÌÌ conhecido como Ìluminismo
apresentava-se como continuação do Renascimento em seu racionalismo e
antropocentrismo, embora a medida humana já não fosse a do sábio ou a do artista, mas a
de todo cidadão, a quem se dirigia a Enciclopédia. Os ingleses adotaram o deísmo ÷ o
Deus da razão meramente humana; David Hume, como empirista, rejeitou toda metafísica e,
portanto, as provas racionais da existência de Deus, mas declarou aceitar, como homem, a
irracionalidade da fé, gerada pelo medo do desconhecido. Os franceses seguiram duas
correntes distintas: a mais radical, a do materialismo ateu, era representada por Denis
Diderot, entre outros, e a corrente deísta foi significativamente exposta por Voltaire, para
quem Deus era o "Geômetra Eterno". Na Alemanha, Kant negou a possibilidade da prova
metafísica da existência de Deus. A religião de Hegel era pura intelectualidade, tendo sido
interpretada como teísta, como panteísta e como atéia.
Ateísmo moderno. A partir de meados do século XÌX, o ateísmo se tornou mais
explícito e militante. O alemão Ludwig Feuerbach subverteu a dialética hegeliana,
concedendo primazia à sensação frente à razão. Paralelamente, inverteu a relação Deus-
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 13
homem. Não foi Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança; foi o homem que
projetou suas melhores qualidades sobre a tela do conceito de Deus.
Em suas teses sobre Feuerbach, Marx criticou o fato de que a filosofia se tivesse
limitado a interpretar o mundo, em vez de tratar de modificá-lo. O estudo da história levou
Marx à conclusão de que as estruturas sociais vão sendo construídas como muros
protetores para evitar a mudança das relações de produção: a religião é o ópio, o consolo
adormecedor do povo.
Nietzsche, sob uma postura mais existencialista, não proclamou a inexistência de Deus,
mas sua morte nas mãos dos homens, o que provocaria uma mudança de valores que
prepararia a chegada do super-homem.
Já no século XX, o ateísmo seria expressado das mais diversas formas. Para Freud, a
religião é uma projeção simbólica do inconsciente, na qual Deus ocupa a imagem paterna.
Para o positivismo lógico do círculo de Viena, as proposições "Deus existe" ou "Deus não
existe" carecem de sentido e sobre elas não é possível emitir juízo algum. Para Jean-Paul
Sartre, o ateísmo é um pressuposto existencial, necessário para preservar a liberdade
humana.
(onceito filosófico e religioso. Tipos de ateísmo. Muito concisamente, pode-se dizer
que o ateísmo é constituído por todas as doutrinas ou atitudes que negam a existência de
Deus. Quando se trata apenas de atitudes, temos um ateísmo prático. Quando se prescinde
totalmente de Deus para elaborar uma teoria sobre o homem e o universo, temos um
ateísmo teórico negativo. Quando se nega explicitamente sua existência, como fazem os
materialistas, trata-se de um ateísmo teórico positivo. Esta última concepção, que nega não
só a existência de Deus, mas a de qualquer realidade que não seja a meramente física, é
aquela que em geral se associa ao conceito de ateísmo, e portanto constitui a melhor
referência para assinalar as diferenças entre essa e outras doutrinas filosóficas.
Ateísmo e outras posturas filosóficas e religiosas. Em primeiro lugar, é preciso
distinguir o ateísmo de outras duas doutrinas que freqüentemente se confundem com ele: o
agnosticismo e o ceticismo. Alguns pensadores não negam nem afirmam a existência de
Deus, mas consideram que não é possível chegar a nenhuma conclusão sobre o tema.
Esses pensadores são denominados agnósticos, e entre eles se podem incluir os
positivistas, que só afirmam aquilo que é objeto da experiência. Outros -- os céticos --
negam a possibilidade de se conhecer qualquer verdade e, por conseguinte, a possibilidade
de se conhecer a existência de Deus. Desta forma, o ateu se diferencia do agnóstico no
sentido de que não admite sequer a mera possibilidade da existência de Deus, e do cético
pelo fato de admitir a possibilidade de conhecimento, embora negue Deus.
Por outro lado, as doutrinas que afirmam a existência de Deus originaram três posturas
básicas: o teísmo, característico das religiões monoteístas, afirma a existência de um Deus
único, pessoal e transcendente; o panteísmo identifica Deus com o universo; o deísmo crê
em um Deus que criou o mundo e lhe deu leis, mas que não intervém nos acontecimentos
posteriores à criação, e do qual não é possível conhecer coisa alguma. Panteístas e deístas,
contudo, foram freqüentemente acusados de ateísmo pelos teístas.
Ateísmo e panteísmo, é certo, compartilham a idéia da inexistência de um Deus
transcendente. Mas o panteísmo, em sua variante mais comum, não tende a definir a
natureza do universo, nem considera que sua natureza última tenha que ser
necessariamente material, e até freqüentemente lhe atribui um caráter espiritual. Nesse
sentido, portanto, o ateísmo e o panteísmo diferem; mas não é menos certo que, do ponto
de vista teísta, a assimilação dos dois se justifica, uma vez que ambos rejeitam a noção de
um Deus pessoal criador do mundo. Parece muito menos lógico que possam ser
considerados ateus os deístas, que admitem explicitamente a existência de um Deus
supremo conhecido pela razão, embora prescindam de qualquer elemento sobrenatural e
neguem sua comunicação com os homens.
)ossibilidade de um ateísmo religioso. Logo depois da segunda guerra mundial
surgiu entre os protestantes um movimento religioso denominado "teólogos da morte de
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 14
Deus" -- ou ainda cristãos ateus -- que pretendeu depurar a idéia de Deus daquilo que
consideravam aderências culturais espúrias, dos temores que turvavam a busca do
verdadeiro Deus. Para esses pensadores, como o suíço Karl Barth, o teísmo corre o risco de
crer que apreendeu o infinito, que expressou o inefável; isto é, por pouco deixa de converter
Deus em um ídolo. Ao precisar com inflexibilidade lógica sua linguagem sobre Deus, destrói
seu mistério, coisifica Deus. O ateísmo, ao contrário, quando rejeita como incompreensível o
conceito de infinito, devolve-lhe sua carga de mistério. Dessa forma, seria preciso destruir o
Deus metafísico para facilitar a busca do Deus vivo: as atitudes de autêntico amor --
descobertas por alguns deles nos campos de concentração -- são um veículo de
comunicação melhor do que os conceitos.
O conceito de ateísmo, em suma, só adquire significado cabal na medida em que é
confrontado com uma determinada doutrina e um conceito específico de divindade.
Finalmente, ante a impossibilidade de se precisar um conceito da divindade comum a todas
as religiões, as posturas não relacionadas estritamente com a existência ou inexistência de
uma realidade superior ÷ por exemplo, a descrença na imortalidade pessoal ÷ costumam
levar à qualificação de uma pessoa como atéia.
P-,0*.)6=-
Designação referente às religiões que admitem vários deuses em seu culto.
T.)6=-
Teoria filosófico-religiosa que afirma a existência de um Deus criador do mundo,
revelado ao homem ao longo da história. Distingue-se do deísmo, que considera Deus o
princípio do mundo, independente de qualquer revelação histórica. Este é o ponto de vista
bíblico.
Cap)*+,- III
A E"IST#NCIA DE DEUS
Muitas pessoas honestas não conhecem a Deus. Acreditam que ele seja produto das
superstições e crenças antigas de um povo primitivo; um Deus de ira e poder, capaz de
destruir povos inteiros através de dilúvios e pestilências, um mito. Outras procuram ignorar a
existência de Deus devido a má representação de Deus que receberam por parte de
religiões pagãs e mesmo pseudo-cristãs. Decepcionaram-se com a incoerência entre
profissão de fé em Deus e a prática dos seguidores desse Deus. Afinal de contas, o mínimo
que se espera de um produto é que corresponda à propaganda que dele se fez. Outras
pessoas acham que simplesmente podem riscar Deus de suas vidas. "Quem é o Senhor,
para que eu ouça a sua voz.? Não conheço o Senhor,," dizia o insolente faraó do Egito. E
desse brado desafiador tem encontrado eco ao longo dos séculos, nos corações de muitos
seres humanos, de sorte que é considerável o número dos que abertamente adotam o
ateísmo, hoje em dia.(Sal. 14:1; Ìsa. 45:9-12; ÌÌ Ped. 3:5).
A existência de Deus nas escrituras, entretanto é algo implícito, uma verdade primária
assumida, óbvia, fundamental. "Em parte alguma as Escrituras tratam de provar a existência
de Deus mediante provas formais. Reconhece-se como fato auto-evidente e como crença
natural do homem.¨
5
Tanto é verdade que elas não apresentam argumentos para afirmá-la
ou comprová-la. Para os escritores bíblicos a existência de Deus era realidade
inquestionável, acima de toda contestação. Este é o ponto de partida, tanto lógico como
escriturístico, de nosso estudo. Lógico porque o fato de Deus existir está implícito em todos
os outros ensinamentos da bíblia; escriturístico porque disso nos persuade o 1º verso da
bíblia: "No princípio Deus.." Gênesis 1:1.
5
Myer Pearlman, ,onecendo as Doutrinas da Bíblia, pág. 31.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 15
C018- E<09A180a6 9. B+. D.+6 EC06*.
Podemos encontrar pelo menos cinco evidências racionais da existência de Deus:
1. A C;0a23- I1a10=a9a A*.6*a a EC06*A180a 9. D.+6 DSa,. 1(:1-24
Crer que o universo surgiu por acaso faz tanto sentido quanto crer que os livros se
formam sozinhos pelas leis da soletração e da gramática. Quando se vê uma bela casa logo
se pensa em quem construiu. Se alguém lhe dissesse que ela não foi construída por
ninguém, mas que simplesmente apareceu ali, acreditaria nisso? É claro que não. Como
disse certo escritor: "porque toda casa é construída por alguém." É uma afirmação óbvia.
Todos concordam, então por que não aceitar a conclusão lógica a que chegou o mesmo
escritor bíblico: "Mas que edificou todas as coisas é Deus". Hebreus 3:4. Qualquer um que
tenha bom senso terá de, mais cedo ou mais tarde, admitir a necessidade da existência de
um Criador. O princípio da causalidade mesmo certifica que todo fenômeno tem uma causa.
Esta é uma verdade incontestável, a existência de uma causa primária! Albert Einstein, o
maior físico do século XX, admitiu: " Para mim basta.meditar na maravilhosa estrutura do
universo a nós vagamente perceptível, e tentar compreender humildemente nem que seja
uma infinitésima parte da inteligência manifesta na natureza."
2. A C;0a23- A10=a9a A*.6*a a EC06*A180a 9. D.+6 DR-=. 1:204
Embora exista uma enorme diversificação de seres vivos, o padrão biológico é
essencialmente o mesmo, apresentando apenas diversos graus de simplicidade ou
complexidade orgânica. Esta é uma forte evidência de que todos os seres vivos procedem
de um mesmo projeto. Está hoje demonstrado cientificamente que a vida só procede de uma
vida preexistente. Todos os avanços da nova ciência médica e cirúrgica no tratamento e
prevenção de doenças infecciosas baseiam-se nesta grande e inegável lei da biogênese. Ao
consultarem o que poderia ser chamado de livro da criação divina, os cientistas são forçados
a reconhecer que uma vida maior deu origem a todos os seres viventes. "Não há a mais leve
evidência de que a matéria possa surgir de matéria inanimada."(Prof. Conn). Deus criou a
vida, Ele é a fonte de vida. "Nele nos movemos, vivemos e existimos." Atos 17:28. Cada
respiração, cada pulsar do coração é uma prova do cuidado de Deus. É também dele que
depende tudo, desde as mais rudimentares formas de vida até as mais complexas. Não
existe outra maneira de explicar a presença de vida sobre a terra. A realidade inevitável do
poder e complexidade da criação macroscópica e microscópica aponta, sem dúvida para
Deus.
!. A C-1680A180a %+=a1a A*.6*a a EC06*A180a 9. D.+6
Entre os povos mais avançados até os mais primitivos e degradados da terra podemos
encontrar neles consciência, isto é, a faculdade de aprovar ou condenar ações numa base
moral. Diz Paulo: "Os gentios, que não tem lei, fazem por natureza as coisas da lei, eles
embora não tendo lei, para si mesmos são lei. Pois mostram a obra da lei escrita em seus
corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer
acusando-os, quer defendendo-os." Romanos 2:14,15. Naturalmente a consciência das
pessoas que se encontram longe de Deus, acha-se contaminada, obliterada, cauterizada (1
Tim. 4:2; Tito 1:15), sendo-lhe necessário ser purificada pelo sangue de Cristo (Heb. 9:14;
10:2-10,22). Por mais insensibilizadas que sejam suas consciências, porém, todos os
homens possuem um senso comum do direito e do errado, não apenas causa de ensinos
morais que tenham recebido, mas porque, como declarou Ìmmanuel Kant, grande filósofo
alemão, "há dentro de nosso interior a lei moral". "Há entre os gentios, almas que servem a
Deus ignorantemente, a quem a luz nunca foi levada por instrumentos humanos.
Conquanto da lei escrita de Deus, ouviram sua voz a falar-lhes por meio da natureza, e
fizeram aquilo que a lei requeria." A existência de uma lei implica a existência de um
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 16
legislador. Foi Deus quem idealizou uma norma de conduta para o homem e a escreveu na
mente humana.
4. O P,a1- . a O;9.= 9- U10<.;6- A*.6*a= a EC06*A180a 9. D.+6
Apenas de um criador inteligente poderia derivar-se o universo. Não por acidente que os
planetas, os sistemas solares e galáxias, giram cada qual em sua órbita, harmonicamente e
guardando entre si relação perfeita; não é por acidente que 107 elementos químicos,
diferentes, se combinam, se ligam uns aos outros, nas mais variadas formas, dando origem
a todo tipo de matéria encontrada na natureza, não é por acidente que na fotossíntese, as
plantas clorofiladas utilizam a luz solar, o dióxido de carbono, a água e os minerais para
liberar oxigênio e produzir alimentos, e poderíamos ir mais além, demonstrando por meio
sólidos e irrefutáveis argumentos que a ordem natural não foi inventada pela mente
humana. A existência da ordem pressupõe a existência de uma inteligência organizadora.
E essa inteligência não pode ter sido outra senão Deus.
&. A C;.12a U10<.;6a, 1a EC06*A180a 9. D.+6 A*.6*a S+a EC06*A180a
A crença de que Deus existe é praticamente tão difundida quanto a própria raça
humana, embora muitas vezes se manifeste de forma pervertida ou revestida de idéias
supersticiosas. A maior parte dos ateus parece imaginar que um grupo de teólogos se tenha
reunido em sessão secreta e inventado a idéia de Deus, apresentando-a depois ao povo.
Mas os teólogos não inventaram a Deus como também os astrônomos não inventaram as
estrelas, nem os botânicos as flores. È certo que os antigos mantinham idéias erradas
acerca dos corpos celestes, mas esse fato não nega a existência dos corpos celestes. E
visto que a humanidade já teve idéias defeituosas acerca de Deus, isso implica que existe
um Deus acerca do qual podiam ter noções erradas.
Eis em sucintas palavras os argumentos que podemos aduzir. Não fique porém, a
impressão de que a existência de Deus depende de uma demonstração racional. Nem para
provar todas as coisas podemos usar o método científico. Há uma ciência muito mais
profunda que precisamos aprender: a ciência da fé.
Cap)*+,- IE
O CON%ECIMENTO DE DEUS
"As numerosas teorias que explicam ou definem a Deus e os muitos argumentos que
tentam provar ou negar a Sua existência, constituem evidências de que a sabedoria humana
é por si própria insuficiente para penetrar no terreno do divino. Depender tão-somente da
sabedoria humana para aprender acerca de Deus, é como utilizar uma lupa com o intuito de
estudar as constelações. Portanto, para muitos a sabedoria de Deus é uma sabedoria 'em
mistério' (1 Cor. 2:7).¨
6
No entanto, Deus pode ser conhecido.
1 F D.+6 G I18-=p;..16)<.,H Ma6 C-1I.8)<.,
A igreja Cristã confessa, de um lado, que Deus é incompreensível e, de outro lado, que
pode ser conhecido, e que conhecê-lo é um requisito absoluto para ser salvo (João 17:3).
Estas duas idéias estão presentes nestas seguintes passagens: (R.M. 11.7; Ìs. 40.18;
João 17.3; 1 João 5:20. Estas duas idéias sempre estiveram juntas na Ìgreja Cristã.
No decorrer da história da Ìgreja houve opiniões diferentes a respeito do assunto, mas
a teologia reformada é coesa em afirmar que Deus pode ser conhecido, mas que é
impossível para o homem ter um conhecimento exaustivo e perfeito de Deus em todo o
sentido. Alcançar tal conhecimento equivaleria a compreender a Deus e isso é impossível.
O homem no sentido próprio do que é definir, não pode dar uma definição de Deus,
mas somente uma descrição parcial. O finito não pode descrever e definir o infinito. Ao
6
Nisto ,remos, pág. 32.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 17
mesmo tempo entendemos que o homem pode obter um conhecimento perfeitamente
adequado a respeito de Deus para a realização do propósito divino na vida do homem. Há
que se entender que o verdadeiro conhecimento de Deus só pode adquirir-se mediante a
revelação divina que Deus fez de Si mesmo, e esse, conhecimento virá realmente quando o
homem aceitar o que Deus diz crendo nEle.
Obs.: Seria impossível o homem crer em Deus se não houvesse alguma coisa que pudesse
ser conhecida dEle. Se Deus não se revelasse, o homem jamais poderia conhecer algo
dEle.
2 F A N.@a23- 9. N-66- C-1I.80=.1*- 9. D.+6
Com razões diferentes tem-se negado a possibilidade de Deus ser conhecido pelo
homem. Esta negação geralmente descansa sobre supostas limitações das faculdades
humanas do conhecimento. A razão principal consiste em declarar que o intelecto humano é
incapaz de conhecer alguma coisa daquilo que se encontra além dos fenômenos naturais,
portanto, incapaz de conhecer aquilo que é supra-sensível,divino.
Esses que negam que Deus possa ser conhecido são os chamados Agnósticos. Os
agnósticos não querem ser chamados de ateus, já que não negam em absoluto que haja um
Deus, mas declaram que não sabem se Deus existe ou não, o que no caso de existir, estão
seguros de que não pode haver qualquer conhecimento verdadeiro a respeito dele.
OBS: O Agnosticismo, portanto, é doutrina que declara o Absoluto (Deus, o Transcendente)
e inacessível no espírito humano. Algumas formas de Agnosticismo refletem profundas
tendências deístas, isto é, Deus é o Absoluto irrelacionado, que existe sem relações, e não
podemos conhecê-lo. Vejamos alguns nomes do agnosticismo:
Da<09 %+=.. O chamado pai do Agnosticismo moderno. Não negou a existência de
Deus mas afirmativa que não conhecemos verdadeiramente os seus atributos.
Todas as nossas idéia dEle são semente antropomórficas. Não podemos estar certos de que
os atributos que conferimos a Deus correspondam com a realidade.
I=a1+., Ja1*. Estimulou o pensamento agnóstico por meio da divisão dos mundos do
NOUMENO e de FENÕMENO. Afirmava que a razão pura (teórica) conhece unicamente os
fenômenos, e que é necessariamente ignorante daquilo que está atrás deles. Por
conseguinte é impossível ter-se um conhecimento de Deus pois Ele está no mundo
noumental, e não no dos fenômenos.
A+@+6*- C-=*.. O Pai do positivismo, também foi agnóstico em sua religião. Segundo
ele, o homem não pode conhecer outra coisa além dos fenômenos físicos e suas leis. Seus
sentidos são fontes de todo pensamento verdadeiro, e nada pode conhecer, exceto os
fenômenos entendidos por esses sentidos. Por conseguintes não se pode fazer nenhuma
declaração a respeito da existência de Deus, pois não se pode conhecê-lo.
ALGUNS ARGUMENTOS AGNÓSTÌCOS
1º - o homem conhece somente por analogias: Conhece-se somente aquilo que guarda
analogia com a nossa natureza ou experiência.
CRÍTÌCA
Ainda que seja certo que aprendemos muitas coisas por analogia também aprendemos
por contraste. Em muitos casos as diferenças é que arrebatam nessa atenção. (Os
Escolásticos falaram de "VÌA NECATÌONS¨ por meio da qual eliminavam de seu conceito de
Deus as imperfeições da criatura).
Além disso, não devemos nos esquecer de que o homem foi feito à imagem e
semelhança de Deus, e por conseguinte, existem importantes analogias entre a natureza
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 18
divina e a humana. O agnosticismo é conhecimento de Deus de baixo para cima, enquanto o
teísmo é conhecimento de Deus de cima para baixo.
3 ÷ O NOSSO CONHECÌMENTO DE DEUS VEM DE SUA REVELAÇÃO
O agnosticismo, você percebeu, parte sempre de baixo para cima, isto é, do homem
para Deus. Dessa forma ele poderá encontrar dificuldades em obter conhecimento de Deus,
mas veremos que todo nosso conhecimento de Deus vem dEle mesmo.
A teologia é uma ciência bem diferente das outras. No estudo de outras ciências o
homem se coloca sobre (por cima) dia objeto de sua investigação, e extrai dele seu
conhecimento por meio de qualquer método que lhe pareça mais apropriado. Mas na
teologia o homem não se coloca sobre, mas debaixo do objeto do seu conhecimento.
Em outras palavras, o homem pode conhecer a Deus somente até onde Deus se dê a
conhecer. O pesquisador (o homem) fica dependente das informações que o pesquisado
(Deus) dá de Si mesmo. Não e o homem que procura informações (porque ele é incapaz
disso), mas Deus é quem o informa a respeito de Si próprio. O homem descobre Deus, mas
Deus é que Se revela, e sem revelação o homem jamais haveria sido capaz de adquirir o
menor conhecimento de Deus.
Mesmo a despeito do fato de Deus revelar-se objetivamente (na história, na natureza e
nas Escrituras), não é a razão humana que descobre Deus, mas Deus é que se descobre
ante o olho da fé. A simples razão é incapaz. É necessário que o homem creia no Deus que
se revela. Do contrário, ele não conhecerá Deus.
Quem conhece perfeitamente Deus? Somente Deus (1 Cor. 2:11). Mas Ele se dá a
conhecer. Junto com o conhecimento original de Deus, que se encontra no próprio Deus, há
também um conhecimento, acerca dele, dado ao homem por meio da revelação.
O CONHECÌMENTO ÌNATO E ADQUÌRÌDO QUE TEMOS DE DEUS
Costuma-se fazer uma distinção entre o conhecimento inato de Deus e o adquirido.
Estritamente falando não é uma distinção lógica, porque, em última análise, todo
conhecimento humano é adquirido.
1 ÷ CONHECÌMENTO ÌNATO ÷ A declaração de que o homem tem um conhecimento
inato de Deus não significa meramente que o homem tenha capacidade ingênita para
conhecer a Deus. Ìndica mais do que isto. Mas ao mesmo tempo não implica que o homem
traz para o mundo, ao nascer, um certo conhecimento de Deus.
O conhecimento inato de Deus é congênito no sentido, que, sob condições normais, se
desenvolve espontaneamente no homem logo que ele entra em contato com a revelação
divina. É um conhecimento que o homem tem por necessidade (isto e, por causa da sua
constituição), não como resultado de qualquer escolha de sua parte.
Quando nasce, o homem não tem nenhuma idéia pré-romana, ou conceito sobre Deus
na sua consciência. Esse conhecimento, é chamado inato no sentido de o homem adquiri-lo
espontaneamente debaixo da influência do "SOMEN RELAÌONÌS¨ colocado no homem
mediante a sua criação à imagem de Deus o que, por conseguinte, não se consegue por um
processo de raciocínio e argumentação.
Repetimos: é um conhecimento que o homem, dada a sua constituição espiritual, adquire
necessariamente, e como tal, distingue-se de todo o conhecimento condicionado pela
vontade do homem.
Existem evidências de que é universal a idéia de Deus na consciência humana, idéia
essa que é despertada e desenvolvida pelas obras da criação e providência. (Leia e
compare R.M. 1.19-20 com At. 17.24-28 e 14,16,17).
A idéia de divindade e natural à mente humana, por causa da sua constituição, como
são naturais a idéia de espaço, etc. Apenas o homem as tem desenvolvidas quando entra
em contado com elas. Mas, em um sentido, todos os homens tem inatas essas idéias. Uma
idéia, "inata¨ é aquela que resulta da constituição da mente.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 19
O ensino de Paulo a respeito da idéia inata de Deus é confirmado pelos próprios
filósofos pagãos. Muitas dessas filósofos foram "teístas¨, isto é, monoteísmo, e
reconheceram um Deus supremo. A multiplicidade de deuses dos quais falam, não denota
muitas divindades necessariamente, mas deuses inferiores produzidos pelo Ser supremo. A
palavra "deuses¨, às vezes, é empregada como na Escritura, para significar anjos,
potestades e magistrados.
O nome de um Ser supremo tem sido universalmente reconhecido e celebrado. Todas
os apologistas cristãos sustentaram a posição de que a mente humana é, por natureza e por
criação, monoteísmo.
O monoteísmo prevaleceu de algum modo nas raças no tempo de Abraão. Nos países
estranhos à Palestina houve, de algum modo, tipos de monoteísmo. Ex.: Hagar, a egípcia
(Gên. 16:13); Abimeleque, rei filisteu (Gên. 20:3-8); Faraó (Gên. 41:38); Balaão da
Mesopotâmia, enuncia a doutrina de um Deus soberano (Êxo. 18:9-12,19-23). É verdade
que algumas dessas pessoas tiveram contato com israelitas, mas percebe-se considerável
monoteísmo nos países deles.
Conforme João 1:4 há uma apreensão natural de Deus, mas conforme João 1.5 o
pecado em forma de trevas atrapalha essa compreensão de Deus. O Logos era a luz, mas
as trevas atrapalham os homens de verem JESUS. A primeira relata a idéia inata de Deus
dada pela criação, a segunda, A idéia inata viciada pelo pecado. O pecado erradica a idéia
inata no homem. Se a idéia inata fosse absolutamente extinta no espírito humano, a religião
seria impossível. Mas todo o homem tem a sua manifestação religiosa.
A condição do homem embrutecido pelo pecado não nega a existência de uma idéia
inata da divindade. A doutrina da idéia inata de Deus não conflita com depravação humana.
Há no homem pecador uma religião natural, em virtude da luz da natureza, o que não
prova que ele ama ao Deus verdadeiro ou que haja qualquer santidade natural no homem.
Ex.: Um ser racional pode saber que há um Deus que deve ser obedecido e glorificado e,
todavia, não prestar-lhe obediência e adoração. Os anjos perdidos são uma evidência disso
(Tia. 2:19). Este conhecimento natural de Deus está no entendimento somente, e não em
suas vontades e afeições. Este conhecimento não é um elemento de caráter moral, mas
somente uma característica de sua constituição racional.
O monoteísmo foi a forma original de religião. O panteísmo e politeísmo foram formas
subseqüentes. Ìsto é provado pela Bíblia e pelas informações de registros muito antigos.
Conforme o livro de Gênesis o homem foi criado monoteísta. Seu primeiro estado foi o
melhor estado. O homem caiu de um grau mais baixo no conhecimento de Deus. A "era
dourada¨ de Gênesis é lembrada em muitas culturas antigas, onde o homem era tido em
uma condição mais elevada. O homem tem decaído no conhecimento de Deus.
O primeiro passo na corrupção do monoteísmo é o panteísmo. Nele a unidade (o fato de
ser um) de Deus é ainda mantida, mas a diferença em essência entre ele e o universo e
negada. O fato da idéia de haver um Deus ser preservado é claro indício de que esta idéia é
natural à mente humana.
O segundo passo no declínio no monoteísmo primitivo é o politeísmo. Nele a unidade ou
substância única do panteísmo é subdivida, e as subdivisões são personificadas, o que
mostra uma tentativa de devolver a personalidade a Deus, que foi perdida no panteísmo.
Conforme o apóstolo Paulo, interpretando o pensamento dos gregos, a mente humana é
monoteísta por criação e o panteísmo e o politeísmo são um processo involutivo de religião
(ver Atos 17:16-29).
Após esse exame da estrutura monoteísta do espírito humano, considerado como o
fundamento da religião natural, é importante observar que a religião natural é insuficiente
para as necessidades humanas. É necessário um outro tipo do conhecimento de Deus.
2 ÷ CONHECÌMENTO ADQUÌRÌDO. ÷ Este se obtém mediante o estudo da revelação
divina. Ele não brota espontaneamente no intelecto humano, mas é produzido mediante o
estudo consciente e constante do saber. Exige raciocínio e argumentação.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 20
A idéia inata de Deus no homem leva este a ter uma noção da justiça de Deus e não da
sua misericórdia; do Deus legislador e não o Deus de amor; do Deus santo e não do de
compaixão, a religião natural inspira temor, mas não esperança e confiança.
A idéia monoteísta de Deus contém somente atributos morais como justiça, veracidade e
pureza imaculada. Na análise que Paulo faz em Romanos há menção do poder, da
soberania, da justiça retribuitiva de Deus, mas faz menção do atributo da misericórdia.
A religião natural, por conseguinte, não é uma religião adequada para o homem, a
menos que possa ser provado que ele não necessita da misericórdia de Deus.
Os atributos como misericórdia, graça, etc. são conhecidos através da revelação especial.
Cap)*+,- E
A NATURE'A DE DEUS
D.+6 G U= S.; R.a,
Ele existe, disse Jesus: "Fui enviado por aquele que de fato existe." João 7:28. Todos
nós dependemos de pelo menos de duas pessoas para existir, nossos pais. Deus não, sua
existência é autocausada, ele existe por si mesmo. Eis porque ele pode, com auto-
suficiência, dizer de si próprio: "Eu sou o que sou". Êxodo 3:14. Apesar de ser uma realidade
espiritual, Deus pode assumir qualquer forma visível, entretanto homem algum jamais viu
sua face.(Êxo. 33:20; Mat. 1:23; 11:27; João 1:18). Porque existe por si mesmo, é-nos dito
que ele é o autor e conservador da vida (Núm. 16:22). A vida que possuímos não nos
pertence, mas é derivada daquele que é a fonte de vida, tanto física quanto a eterna. Em
Deus acha-se a vida original, não emprestada nem derivada. Se quisermos, poderemos
obtê-la, não em troca de coisa alguma nem por compra, mas nos é dada como dom gratuito
pela fé em Cristo, como nosso salvador pessoal.
D.+6 G U= S.; P.66-a,
Muitos julgam que Deus seja apenas uma energia eterna, uma força cósmica, uma lei
natural, um principio que tudo invade. Mas Deus não é uma abstração, nem é, como afirma
o panteísmo, a natureza. Não é uma cosmografia ou um conceito filosófico. Em todos os
séculos Satanás sempre procurou despersonalizar a Deus. Mas as escrituras dizem que
Deus é um ser pessoal, uma entidade moral com individualidade consciente. É espírito puro
cujo poder e grandeza não são limitados pela personalidade. Sua invisibilidade não é indício
de sua existência ou impessoalidade. Há coisas que não podemos ver com os nossos olhos,
no entanto são reais, solidamente reais, como o ar que enche nossos pulmões, a gravidade
que nos atrai ao centro da terra, os odores que nosso nariz capta, as ondas sonoras que
nossos ouvidos detectam. Como ser pessoal, Deus se revelou em seu filho, o resplendor da
sua glória, a expressa imagem da sua pessoa. Ninguém pode ver a Deus(Êxodo 33:20-23; Ì
Timóteo 6:16), mas ele se revela na natureza e de maneira mais específica em sua palavra,
a Bíblia.(João 14:7-9; Hebreus 1:1-3).
Pessoa é toda existência dotada de autoconsciência e autodeterminação [plano para
futuro]. De intelecto [poder de pensar], sensibilidade [poder de emoções e sentir], e volição
[poder de decidir, vontade]. Neste sentido Deus é pessoa, porque:
a. Tem Nomes de Pessoa : Ex 3:14 (João 8:58): "EU SOU¨ = "Eu sou o que sou¨ -->
auto-suficiência + soberania absoluta + imutabilidade.
b. Tem (ronomes de Pessoa (masculinos, não neutros): Sal. 116:1-2; João 17:3.
c. Tem ,aracterísticas e (ro$riedades de Pessoa : Provê Sal. 104:27-30. Cuida 1 Ped.
5:6-7. Conhece João 10:15. Entristece-se Gên. 6:6; Efés. 4:30. Ìra-se 1 Reis 11:9.
Odeia Prov. 6:16. Tem zelo (ciúme, cuidado) Deut. 6:15. Ama João 3:16; Ap 3:19.
Decide João 6:40. É amigo João 15:15; Heb. 4:15-16.
d. Mantém Rela./es de (essoa com o Universo e com os Homens : É o:
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 21
-,riador (poder eterno e infinito) de tudo: Gên. 1:1 (Gên. 1:26; João 1:1-3; Apoc.
4:11);
-(reservador de tudo (em contínua relação pessoal) Heb. 1:3 (Col. 1:15-17) (isto
refuta o Deísmo);
-Benfeitor de todas as vidas Mt 10:29-30 (1 Reis 19:5-7; Sal. 104:27-30; Mat. 6:26;
Atos 17:28; Tia. 1:17);
-0overnante e Dominador das atividades humanas Rom 8:28; (Gên. 39:21; 50:20;
Sal. 75:5-7; 76:10; Dan. 1:9);
- (ai de Seus filhos Gal. 3:26 (João 1:11-13; Heb. 12:5-11).
D.+6 G U= 6.; T;0K1-
A Bíblia expressa uma verdade complexa acerca de Deus; ele se constitui em três
pessoas, todas eternas, todas divinos, embora uma essência, propósito e funcionalidade.
Foram essas três instrumentalidades que operaram na criação do mundo, sendo o pai a
fonte, Cristo o agente e o espírito santo o meio pelo qual a criação veio a existência. Os três
também que agora estão trabalhando juntos em favor dos seres humanos(2 Cor. 13:13; Ì
Ped. 1:2; Judas 20:21; Mat. 3:16,17). A trindade é um mistério, pois a três pessoas tendo
funções diferentes, cada um é Deus com os mesmos atributos, sendo afinal uma só
divindade.
D.+6 G U= S.; N-=.a9-
A. N-=.6 P;0=L;0-6 9- A.T. 1. Ma<G (Yahweh). a) Significado. O Auto-Existente (de
Êxodo 3:14, "Eu Sou o que Sou¨). b) Características. É o nome do relacionamento entre o
verdadeiro Deus e Seu povo, e, quando usado, enfatiza a santidade de Deus, o Seu ódio
pelo pecado e amor aos pecadores. 2. E,-I0=. a) Significado. O Forte. b) Características. É
uma palavra usada para o verdadeiro Deus e deuses pagãos. É um substantivo plural, o
chamado plural majestático. O plural permite a revelação subseqüente da Trindade no N.T.,
mas não ensina a Trindade propriamente dita. 3. A9-1a0. a) Significado. Senhor, Mestre. b)
Características. Usado para homens e Deus, e indica o relacionamento senhor-servo.
B. N-=.6 C-=p-6*-6 9- A.T. 1. Com E,. a) #l #l"on, traduzido por Altíssimo (lit., o
mais forte dos fortes, Ìs 14:13,14). b) #l Roi, o Forte que Vê (Gn 1:13). c) #l )addai,
traduzido por Deus Todo-Poderorso (Gn 17:1-20). d) #l Olam, o eterno Deus (Ìs 40:28). 2.
Com Ma<G a) 1av% 1ire, o Senhor proverá (Gn 22:13,14). b) 1av% Nissi, o Senhor é minha
bandeira (Ex 17:15). c) 1av% )alom, o Senhor é paz (Jz 6:24). d) Javé Sabbaoth, o Senhor
dos Exércitos (1Sm 1:3). e) 1av% -accades2em, o Senhor que te santifica (Ex 31:13). f)
1av% Raa, o Senhor é meu Pastor (Sl 23:1). g) 1av% !sid2enu, o Senhor Justiça Nossa (Jr
23:6). i) 1av% Na2e, o Senhor que fere (Ez 7:9). j) 1av% )amma, o Senhor que está
presente (lit., Já) (Ex 48:35).
OS NOMES DE DEUS DÌZEM-NOS QUE ELE É PESSOA, E ENSÌNAM-NOS MUÌTOS DOS
SEUS ATRÌBUTOS:
ADONAÌ )#N+OR (=dono-
controlador-provedor »
KURÌOS)
MERECE OBEDÌÊNCÌA GN 24:3,7,12; JS
5:14 (APLÌC.: ML 1:6; JO 13:13; DÁ-NOS
PROVÌSÃO FP 4:19)
EL O (OD#RO)O E
MAJESTOSO
GN 1:1; SL 19:1
ELOHÌM PLURAL DE "EL¨,
ALUDÌNDO À !R3ND4D#
GN 1:1 (VERBO SÌNGULAR!)
EL ELÌON O (OD#RO)O 45!6))3-O,
SUMAMENTE PODEROSO
CUÌDA DE TUDO, CUÌDA PELOS FÌLHOS
GN 14:22
EL OLAM O PODEROSO #!#RNO NUNCA CANSA DE CUÌDAR DOS SEUS
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 22
ÌS 40:28-31
EL ROÌ O PODEROSO 78# 9: Nunca esquece nem deixa de cuidar dos
Seus Gn 16:13
EL SHADAÌ O !ODO;(OD#RO)O CUÌDA DOS SEUS, COMO MÃE A
BEBÊZÌNHO SL 91:1; GN 17:1
YAHWEH
(JEOVÁ)
O #!#RNO # 48!O;
#<3)!#N!# ("EU SOU¨)
GN 2:4. O DEUS DO PACTO
JEOVÁ ELÌON O AUTO-EXÌSTENTE
45!6))3-O
DEUS DOS DEUSES, EXALTADO,
ELEVADO, TRANSCEDENTE SL
7:17;47:2
JEOVÁ JÌRÉ O AUTO-EXÌSTENTE
(RO9#R=
GN 22:13-14. CORDEÌRO
SUBSTÌTUÌNDO ÌSAAC
JEOVÁ
MÌKADÌSKÌM
O AUTO-EXÌSTENTE
VOS )4N!3F3,4
EX 31:13. DÁ REMÌSSÃO, PRESERVA,
SANTÌFÌCA
JEOVÁ
NÌSSÌ
O AUTO-EXÌSTENTE
NO))4 B4ND#3R4
CONDUZ, LÌDERA, FAZ-NOS MAÌS QUE
VENCEDORES EX 17:15 (APLÌC.: SL 20:7).
JEOVÁ RAA O AUTO-EXÌSTENTE -#8
(4)!OR
SL 23:1 (SL 95:7). GUARDA, GUÌA,
NUTRE...
JEOVÁ ROPECA = JEOVÁ
RAFA
O AUTO-EXÌSTENTE
NO) )4R4
EX 15:26. RECOSTURA
JEOVÁ
SABAOTE
O )#N+OR DO)
#<ÉR,3!O)
1 SM 1:3; ÌS 6:1-3. PODER E GOVERNO
(HOMENS, ESTRELAS, ANJOS)
JEOVÁ
SHALOM
O AUTO-EXÌSTENTE
NO))4 (4>
JZ 6:24. PAZ COM E DE DEUS...
JEOVÁ SHAMÁ O SENHOR ESTÁ
(R#)#N!#
EZ 48:35. PRESENÇA PESSOAL!
JEOVÁ
TSÌDEKENU
O AUTO-EXÌSTENTE
NO))4 18)!3?4
JR 23:6 JUSTÌÇA ÌMPUTADA (APLÌC.:
1CO 1:30)
Cap)*+,- EI
OS ATRIBUTOS DE DEUS
Se há uma fonte autorizada e gabaritada para dizer-nos que tipo de pessoa é Deus, esta
fonte é, sem dúvida a bíblia. Em suas páginas encontramo-lo descrito como criador,
mantenedor, legislador, rei, pai, juiz, senhor, etc. Todos estes termos nos ensinam
determinadas verdades sobre ele. São termos que não se demoram em descrições
filosóficas sobre sua natureza, mas que singelamente nos mostram quem ele é, revelando-
nos o que ele faz. Um ser capaz de criar, comunicar-se e amar. Em toda a escritura
encontramos muitas declarações concernentes a Deus e seus atributos.
No estudo da doutrina de Deus, há uma parte que enfoca os Seus atributos. Como
atributo entenda-se aquelas características próprias, peculiares e distintivas que fazem parte
do ser de Deus. Segundo Strong
7
, "Os atributos de Deus são aquelas características da sua
natureza divina, as quais são inseparáveis da idéia de Deus, e as quais constituem a base
para as suas variadas manifestações às suas criaturas.¨
7
Augustus H. Strong, !eologia )istemática.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 23
É comum, no estudo em foco, classificar os atributos de Deus em Atributos Naturais,
conhecidos também como Atributos Ìncomunicáveis, e Atributos Morais, conhecidos como
Comunicáveis. Os Atributos Naturais só Deus os tem, e são a Sua Onipotência, a Sua
Onisciência, a Sua Onipresença, a Sua Auto-Existência, a Sua Ìmutabilidade, a Sua
Ìnfinitude etc. Os Atributos Morais são a Sua Santidade, o Seu Amor, a Sua Justiça e a
Verdade. Esses são considerados comunicáveis porque Deus os comunicou, em
determinada medida, ao ser humano criado a Sua imagem e semelhança.
Devemos ter sempre presente que esses atributos são comuns a todas as três pessoas
da Santíssima Trindade, ou seja, ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo que os possui em toda
a sua plenitude. O conhecimento desses atributos traz para o coração do crente consolo,
fortaleza e mais confiança no Senhor, nosso Deus.
ATRIBUTOS ABSOLUTOS
Dizem respeito a natureza íntima de Deus, independente de qualquer outra coisa. São
incomunicáveis às Suas criaturas, porque de certo modo definem a Divindade.
A. DEUS N IMUTÁEEL - (Mal. 3:6) Positivamente ele não muda, tanto na duração, como
em natureza, caráter ou vontade. "Pois eu o Senhor não mudo" (Nemias 23:19; Ì
Sam. 15:29; Jó 23:13; Sal. 33:11; Prov. 19:21; Ìsa. 46:10; Heb. 6:17; Tia. 1:17).
B. DEUS N ETERNO - Deus é descrito na bíblia como existindo de eternidade em
eternidade, para sempre (Nemias 9:5; Salmos 90:2; Apocalipse 10:6) e como sendo o
rei dos séculos, imortal, invisível e único Deus (Ì Timóteo 1:17). Ninguém o criou, ele
não tem princípio nem fim(Colossenses 1:17). Deus não está condicionado pelo
tempo, pelo contrário, o tempo está em Deus. Para ele o passado, o presente e o
futuro são uma e a mesma coisa. Parece não haver lógica nisso, não é? E não há
mesmo. Deus acha-se acima de toda lógica humana. Como poderia a mente finita
compreender um ser infinito?!
C. DEUS N ONIPRESENTE - Ele está presente em todos os lugares simultaneamente,
pelo seu espírito, e permanentemente observa suas criaturas e age sobre elas. Diz-se
que habita no céu, por ser ali o lugar onde se faz maior manifestação de Sua
presença (Sal. 139:7-10; Ecles. 5:2; Ìsa. 57:15; 29:15; Jeremias 23:23-24). Não
obstante, não podemos nunca encontrar uma solidão em que Deus não se ache. A
Sua grandiosa presença enche todo o universo criado por Ele, assim revelou o
apóstolo Paulo: "para que buscassem ao Senhor, se, porventura, tateando, o
pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós; porque nele vivemos,
e nos movemos, e existimos, ...¨ (Atos 17.27,28). O salmista Davi, refletindo sobre os
atributos de Deus, revelou: "Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da
tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali
estás também¨ (Sal. 139.7,8). O próprio Senhor Jesus Cristo declarou aos Seus
discípulos que onde estivessem dois ou três reunidos em seu nome aí estaria Ele no
meio deles. Mt 18.20.
D. DEUS N ONISCIENTE - Ele sabe tudo, conhece todas as coisas (1 João 3:20). Deus
conhece todas as coisas ÷ o passado, o presente e o futuro. Com esse atributo, o
Todo-poderoso conhece ainda o mais íntimo do coração das pessoas. Nada escapa
desse glorioso conhecimento de Deus, pois assim declaram as Sagradas Escrituras:
"E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas
e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar¨ (Heb 4.13). Em Prov. 15.3,
encontramos: "Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os
bons.¨ No Salmo 139.1-2, lemos: "Senhor, tu me sondas e me conheces. Tu
conheces o meu assentar e o meu levantar, de longe entendes o meu pensamento.¨
E. DEUS N ONIPOTENTE - Ele tudo pode (Gên. 18:4), em sua mão há toda força e
poder para realizar o que lhe apraz. Por isso recebe muitas vezes, nas escrituras, o
título de todo-poderoso (Sal. 62:11; Efés. 3:20-21; Apoc. 1:8). Só Deus é possuidor
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 24
de todo o poder e de toda a autoridade. Ele é o El-Shaddai, o Deus Todo-
poderoso. Jó, servo do Senhor, chegou à conclusão de que Deus podia todas as
coisas, quando disse: "Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos
pode ser impedido.¨ (Jó 42:2). O anjo Gabriel, que assiste diante de Deus, revelou à
bendita virgem Maria essas extraordinárias palavras que identificam a onipotência de
Deus: "Porque para Deus nada é impossível¨ (Luc. 1:37). Em Gên. 17:1, o próprio
Deus revelou-se como o Deus Todo-poderoso. "Sendo, pois, Abrão da idade de
noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-
poderoso; anda em minha presença e sê perfeito.¨
F. DEUS N IN5INITO - Ele está além da plena compreensão da mente humana. A
criatura jamais poderá tornar-se igual ao criador ou entender-lhe a mente.(Romanos
11:33-36). Mas ele é acessível(Atos 17:26; Salmos 145:16), podemos experimentar o
poder de seu amor e estar certos de que ele nos responde e cuida de nós.
ATRIBUTOS RELATIEOS
Dizem respeito aos predicados divinos, referentes ao tempo e a criação. São
comunicáveis às Suas criaturas, pois se dizem atributos morais.
A. DEUS N AMOR. O amor, esse sentimento tão profundo, encontra em Deus a Sua
plenitude. As Escrituras declaram que Deus é amor. 1 Jo 4.8. Declaram, ainda, que
esse sentimento é comum entre as próprias pessoas da Santíssima Trindade. O
Senhor declarou que o Pai o amava. João 3:32; 5:20; 10:27; 15:9 e amava também
as suas criaturas. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho
Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.¨
(João 3:16).
O apóstolo Paulo disse que a vinda de Jesus e a sua conseqüente morte em favor do
pecador perdido é uma prova cabal desse amor: "Mas Deus prova o seu amor para
conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.¨ (Rom. 5.8).
B. DEUS N SANTO - Ele é perfeita excelência moral e espiritual, Ser perfeitamente puro,
imaculado e justo em si mesmo (Jos. 24:19; Sal. 22:3; 99:9; Ìsa. 5:16; João 17:11; Ì
Tess. 5:23). Esse atributo quer dizer que Deus é moralmente puro, separado de todo
o mal moral, isto é, do pecado. Nas visões tidas por Ìsaías e João vemos essa
santidade sendo proclamada nos céus. "...eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e
sublime trono; e o seu séqüito enchia o templo. Os serafins estavam acima dele... E
clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos
Exércitos; toda a terra está cheia da Sua glória.¨ (Ìsa. 6.1-3). "E os quatro seres
viventes... não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é
o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.¨ (Apoc. 4.8).
Quando Deus revelou-se no Sinai a Moisés, disse: "Fala a toda a congregação dos
filhos de Ìsrael e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou
santo.¨ (Lev. 19.2). Veja ainda 1 Ped. 1.15-16.
A. DEUS N EERA' - Deus sempre fala a verdade, aliás Ele próprio é a verdade. Sua
palavra não é passível de contestação. Os homens costumam ser mentirosos, mas
Deus não. Ele é digno de fé. Apraz-lhe que nEle confiemos (Rom. 3:4).
G. A MUSTIÇA DE DEUS÷A Bíblia diz que Deus é Justo em todos os seus caminhos.
"Justo é o Senhor em todos os seus caminhos e santo em todas as suas obras.¨(Sal.
145.17). Essa mesma verdade é revelada no Salmo 119.137: "Justo és, ó Senhor,
retos são os teus juízos.¨ Nas Escrituras, encontramos a revelação de que pelo fato
de Deus ser perfeitamente justo e a Sua santidade o exigir, julgará todas as criaturas
morais e retribuirá a cada um segundo as suas obras: "ante a face do Senhor, porque
vem, porque julgará o mundo com justiça e os povos, com a sua verdade.¨(Sal.
96.13). Essa verdade é corroborada pelo Apóstolo Paulo no livro de Atos: "Mas Deus,
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 25
não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em
todo o lugar, que se arrependam, porquanto tem determinado um dia em que com
justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a
todos, ressuscitando-o dos mortos.¨ (Atos 17.3). Quanto ao crente, como a justiça de
Cristo já lhe foi imputada, ele não será julgado em relação aos seus pecados, e sim,
em relação às suas obras, diante do tribunal de Cristo. (Veja Rom. 14.10 e 2 Cor.
5.10).
%. A EERDADE DE DEUS÷O Senhor nosso Deus é revelado na Bíblia como a Verdade
Absoluta, o Único Deus Verdadeiro. Em Apocalipse 6.10, encontramos: "E clamaram
com grande voz, dizendo: até quando, ó Verdadeiro e Santo Dominador, não julgas e
vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?¨ (Ap 6.10). O Senhor Jesus,
como Deus-Filho, revelou-se com esse atributo no livro de Apocalipse e no
Evangelho de João: "E ao anjo da Ìgreja que está em Filadélfia escreve: isto diz o
que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém
fecha, e fecha, e ninguém abre.¨(Apoc. 3.7). Em João 14.6, Jesus disse: "... Eu sou o
caminho, e a verdade, e a vida...¨ Pelo fato de Deus ser verdadeiro, exige, também,
de todos que falem a verdade, pois a mentira é uma afronta ao caráter verdadeiro de
Deus. "Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo;
porque somos membros uns dos outros.¨(Efés. 4.25).
8

Atributos Absolutos
Espiritualidad
e
Vida Jer.10:10; João 5:26; Ì Tess.1:9
Personalidade Êxo. 3:14; Ì Cor.2:11;
Efés.1:9,11
Ìnfinidade
Auto-
existência
Êxodo 6:3; 3:14
Ìmutabilidade Sal.102:27; Mal.3:6; Tiago 1:17
Unidade Deut.6:4; Ìs.44:6; João
5:44;17:3
Perfeição
Verdade Ì João 5:20; Deut.32:4; João
17:3
Amor Ì João 4:8; João 17:24;
Rom.15:30
Santidade Êxo.15:11; Ìs.6:3; Heb.12:29
Atributos "elati*os
Relacionados
com o Tempo e
Espaço
Eternidade Sal.90:2; 102:27; Ì Tim.1:17
Ìmensidão Ì Reis 8:27; Rom.8:39
Relacionados
com a Criação
Onipresença Sal.139:7; Jer.23:23-24
Onisciência Sal.147:4; Heb.4:13
Onipotência Gên.17:1; Mat.19:26;
Sal.115:3
Relacionados
com os Seres
Morais
Veracidade e
Fidelidade
Salmo 138:2; João 3:33; Ì
Cor. 1:9; ÌÌ Cor.1:20
Misericórdia
e
Bondade
Tito 3:4; Rom.2:4; João 3:16;
João 4:10
Justiça e
Retidão
Gên.18:25; Deut.32:4;
Mat.5:48 Ì Ped. 1:16
Cap)*+,- EII
A TRIUNIDADE DE DEUS
8
David S. Clark, ,om$@ndio de !eologia )istemática, pág. 101-135.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 26
"A palavra 'trindade' não pode ser encontrada na Bíblia e, embora tivesse sido
empregada por Tertuliano [um dos pais da igreja], na última década do segundo século de
nossa era, não encontrou lugar formal na teologia da igreja senão já no quarto século. Trata-
se, entretanto, da doutrina distintiva e todo-inclusiva da fé cristã.¨
9
Chama-se de )antíssima !rindade, na teologia cristã, doutrina que afirma a existência
de Deus como três pessoas ÷ Pai, Filho e Espírito Santo ÷ unidas em uma mesma
substância ou ser único. Apesar dessa fusão das três pessoas em uma só, sempre se deu
uma certa primazia ao Pai, de quem procedem as outras duas pessoas. Para uma adequada
compreensão da concepção trinitária de Deus, as distinções entre as pessoas da Trindade
não devem ser tão definidas a ponto de parecer ou sugerir uma pluralidade de deuses, nem
permitir que essas distinções desapareçam em um monismo abstrato e indiferenciado.
A Trindade designa a crença de que há três pessoas divinas ÷ Pai, Filho e Espírito
Santo ÷ na natureza indivisível de um único Deus, verdadeiro e eterno. Principal mistério do
cristianismo, a Trindade é dogma de fé.
O Antigo Testamento não menciona o mistério da Trindade, embora o deixe implícito
nas passagens nas quais Deus fala no plural, como no Gênesis, quando diz "Façamos o
homem à nossa imagem" (Gên 1:26). O mistério, entretanto, é explícito em diversas
passagens do Novo Testamento, que estabeleceu as bases para sua doutrina. Entre essas
passagens, destaca-se a do batismo de Jesus, quando "o Espírito, como uma pomba"
desceu sobre ele e uma voz dos céus disse: "Tu és o meu Filho amado" (Mar. 1:10-11).
Ao aparecer aos apóstolos após a Ressurreição, Jesus afirmou a existência da Trindade
ao dizer-lhes que batizassem as nações "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt
28:19), fórmula que se repete por ocasião do batismo individual cristão.
O dogma da Trindade, no entanto, foi contestado principalmente pelo arianismo, heresia
que, difundida em 318 por Ário, negava a unidade e a consubstancialidade das três pessoas
da Trindade e, em conseqüência, a divindade de Cristo. Em contrapartida, o Ì Concílio de
Nicéia, realizado em 325, expressou a unidade mística de Deus Pai e Deus Filho com a
palavra omoousios, que significa "consubstancial". Afirmou-se assim que a unidade de
substância não implica a unidade de pessoas, pois a primeira e a segunda pessoas não são
idênticas, nem aspectos complementares da mesma substância. Numa tentativa de
conciliação entre católicos e arianos, a fórmula para a doutrina da Trindade foi definida então
na profissão de fé de que "o Filho tem a mesma natureza (homoousios) do Pai", mas a
guerra teológica prosseguiu.
Atanásio, bispo de Alexandria de 328 a 373, defendeu e desenvolveu a fórmula
estabelecida pelo Ì Concílio de Nicéia. Nas décadas seguintes, a doutrina da Trindade tomou
forma definitiva com base nos ensinamentos dos primeiros grandes teólogos da igreja
oriental, Basílio de Cesaréia, Gregório de Nissa e Gregório Nazianzeno, também defensores
do Credo de Nicéia. O arianismo foi condenado tanto pelo Concílio de Nicéia quanto pelo de
Constantinopla, em 381.
A crença na divindade de Cristo mediante a interpolação filioque ("e do Filho") foi
afirmada como posição católica contra o arianismo e parece ter sido acrescentada no
concílio local de Toledo, em 589. Apesar da oposição dos católicos não ortodoxos, a
expressão estabeleceu-se aos poucos no Ocidente até ser oficialmente utilizada em 1017,
quando foi feito esse acréscimo definitivo, pela igreja latina, ao texto do credo do
cristianismo. Essa foi das principais causas do cisma entre as igrejas do Ocidente e do
Oriente em 1054.
A DOUTRINA DA TRINDADE NA %ISTÓRIA
1 . Período Anterior da Reforma
9
J. D. Douglas, O Novo Dicionário da Bíblia, art. "Trindade¨.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 27
Os judeus dos dias de Jesus enfatizaram a unidade de Deus e isto foi transferido para a
igreja cristã. O resultado, foi que alguns anularam as distinções pessoais da Divindade e
outros que faziam-nas não fizeram justiça a Segunda e terceira pessoas da Trindade por
afirmarem que não eram co-substanciais, co-eternos, co-iguais ao Pai.
Tertuliano foi o primeiro a usar a palavra "Trindade¨ e a formular a doutrina, mas sua
formulação era defeituosa, porque subordinava o Filho ao Pai. Orígenes foi além desta
distinção em ensinar que o Filho era subordinado ao Pai no que diz respeito à essência, e
que o Espírito Santo é subordinado ao Filho. Ìsto prepara o caminho aos Arianos, que
negavam a divindade do Filho e do Espírito Santo por afirmarem que o Filho era a primeira
Criatura do Pai e o Espírito Santo, a primeira criatura do Filho. Assim a co-eternidade e a co-
essência do filho e do Espírito com o Pai foi sacrificada, a fim de preservar a unidade de
Deus; e conseqüentemente as três pessoas da Trindade divergiam de graduações.
Os arianos ainda retinham uma aparente trindade, mas as 3 pessoas na Trindade
foram sacrificadas inteiramente pelo Monarquianismo, em parte para preservar a unidade de
Deus e em parte para manter a Divindade de Jesus. O monarquianismo Dinâmico, para
salvaguardar a idéia de Deus como um, viam em Jesus um homem somente, e no Espírito
Santo uma influência. O monarquianismo Modalístico querendo salvar a divindade de Jesus
consideravam o Pai, o Filho e o Espírito Santo meramente como 3 modos de manifestações
sucessivas da divindade. Em outras palavras, o M. M. afirmava que a Trindade consistia
apenas de uma pessoa, e que os termos Pai, Filho, Espírito Santo, simplesmente
denotavam esta uma Pessoa em diferentes ofícios. Ex. João em casa é conhecido como
Pai, no comércio como gerente, e no clube como jogador. Mas esta corrente satisfazia
apenas um ponto em reconhecimento ou reconhecer a Divindade de Cristo. Seus defeitos
eram visíveis ÷ se as fases eram sucessivas então Deus cessou de ser o Pai, quando Ele
tornou Filho, e cessou de ser Filho quando Ele se tornou Espírito. Esta corrente é conhecida
também de Sabelianismo.
O Monarquianismo também é conhecido como Socianismo, e como já foi dito, o M. D.
afirmava que Jesus era somente humano, um homem muito bom, na verdade o melhor dos
homens porque Ele era inteiramente animado ou controlado pelo poder de Deus. Ele não
existiu antes de Belém. Desta maneira eles salvaguardam a unidade da Divindade.
Também houve aqueles que perdendo a unidade da Divindade caíram no !ri;teísmo
(três pessoas separadas, com vontade e ação diferentes).
No Concílio de Nicéia, a igreja declarou o Filho como sendo co-essencial com o Pai
(325 A. D.), enquanto o Concílio de Constantinopla (318 A. D.), afirmou a Divindade do
Espírito. Quanto a inter-relação dos três, foi oficialmente declarado que o Espírito Santo
procede do Pai e do Filho (Filioque).
2. O Período da Reforma
Não temos novas formulações da doutrina da Trindade, mas apenas temos repetições
dos erros verificados antes da Reforma.
DEUS COMO TRINDADE EM UNIDADE
A palavra Trindade tecnicamente quer dizer não somente o estado de serem três, mas
também de uma unidade dos três. quando falamos em Trindade em Teologia queremos
dizer ou referir-nos sobre a Trindade em unidade, e a uma unidade que é "trinal¨.
P;-<a6 E68;0*+;)6*08a6 9a D-+*;01a 9a T;019a9. - A doutrina da Trindade é
decididamente uma doutrina da Revelação. é verdade que a razão humana pode sugerir
alguns pensamentos para substanciar a doutrina, mas se não fosse a Revelação Especial
nós não teríamos tido conhecimento dela. Devemos pois ir às Escrituras para uma
verdadeira doutrina da Trindade.
a - I1*0=09a2?.6 9- E.,I- T.6*a=.1*- - Embora o Velho testamento fale
explicitamente na unidade de Deus (Dt 6:4; Ìs 44:6; 1Re 8:60; Zc 14:9), existem numerosas
intimidações de uma pluralidade na Divindade, e algumas indicações que esta pluralidade é
uma Trindade. Quanto à pluralidade, podemos citar: Gn 1:2,26; 3:22; 11:7; 20:13; 48:15; Ìs
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 28
6:8. ( Ìndicações mais nítidas da Trindade, nós encontramos em Gênesis 1:1-2, onde o
Espírito é distinguido de Deus. Em Gênesis 6:3, esta distinção é feita também. O Novo
Testamento declara que Jesus Cristo é o agente da criação. (Ef 3:9). Há passagens em que
Deus fala e ao mesmo tempo são mencionados o Messias e o Espírito; ou o Messias é
quem fala e menciona Deus ou Espírito. (Ìs 48:16; 61:1; 63:9,10).
b - P;-<a6 1- N-<- T.6*a=.1*- - Embora não exista no Novo Testamento uma
passagem que, defina a Trindade, nós temos passagens que mencionam claramente as três
Pessoas de tal maneira que não somente a sua distinção é percebida como também a Sua
unidade. 14 Mt 28:19 ÷ na Grande Comissão, Jesus distingue as 3 Pessoas; 24 2Co 13:13
÷ Bênção Apostólica é uma oração que é dirigida a Jesus por Sua graça, ao Pai por Seu
amor, e ao Espírito pela comunhão; !4 Mt 3:16-17 ÷ no batismo de Jesus, o Pai fala dos
céus e o Espírito desce em forma de pomba; 44 passagens do Novo Testamento declaram
que Deus se revela pelo Filho, o qual foi enviado ao mundo pelo Pai, João 3:16; Gl 4:4-5; Hb
1:6; 1Jo 4:9; Jo 1:14; 6:46; 7:20; 9:16,33; 5:17; &4 passagens que falam do Espírito sendo
enviado por Jesus e o Pai, João 14:16 (outro Consolador); 15:26; 16:7; Gl 4:6; $4
Passagens que falam que Deus se dirige a Jesus Cristo e Jesus comungando com o Pai,
(Mc 1:11; Lc 3:22; Mt 11:25, 26; 26;39; Jo 11:41; 12:27,28) e o Espírito orando a Deus por
nós, (Rm 8:26). (Evangelismo 613-617; M. H. 421).
DE5INIÇÃO DA DOUTRINA DA TRINDADE
A melhor definição da doutrina da Trindade é encontrada no Catecismo de
Westminster: "Há três Pessoas na Trindade; o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e estes três
são um Deus, o mesmo em substância, igual em poder e glória.¨
Além das provas das Escrituras já mencionadas sobre as três Pessoas da Divindade,
desejamos acrescentar o seguinte: - A Trindade não se revela ao homem tanto em palavras
mas fundamentalmente, por fatos na história. A revelação nítida da Trindade se encontra
nos fatos de Deus enviar o Seu Filho ao nosso mundo para salvar-nos, e do Espírito como
Aquele que aplica a obra redentora em nosso coração.
A Trindade está vitalmente envolvida no plano da salvação, e este é o aspecto da
Trindade que deveria merecer o nosso estudo ao considerarmos a Divindade, e não
concentrar a nossa atenção a perguntas que estão além da nossa compreensão. A Trindade
não é uma doutrina teórica sobre a qual o homem está livre de especular além do que não
está revelado. A Trindade é uma verdade sacra que revela-nos que as 3 Pessoas estão
empenhadas na nossa salvação.
Apesar das distinções pessoais na Trindade que as Escrituras apresentam quando
falam na Divindade, Deus é um só. Como o Pai, Filho e Espírito Santo podem ser distintos e
ao mesmo tempo completamente um, não nos foi revelado e está além de nossa
compreensão. Não temos base de comparação com nada que conhecemos. A Trindade é
compreensível em alguns aspectos ou manifestações, mas é incomparavelmente em Sua
essência. Os esforços feitos para explicar o mistério, foram especulativos na maioria dos
casos não teológicos. Eles resultaram no desenvolvimento de concepções tri-teística ou
madalística de Deus, em detrimento da unidade de Deus ou da distinção pessoal da
Trindade. A Ìgreja nunca tentou explicar este mistério, mas apenas procurou formular uma
doutrina de tal maneira que evitasse os erros que a ameaçaram.
INCOMPREENSÃO MUDAICA
A doutrina da Trindade não tem sido compreendida entre os judeus a ponto de dizerem
que nós cristãos adoramos três Deuses. A fim de compreendermos o problema dos judeus,
desejamos citar um trecho dos escritos do ex Rabbi Leopold Cohn, !e !rinit" in te Old
!estament, pp. 3,4. Ele declara:
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 29
"A razão dos judeus serem desviados da doutrina de um Deus Triúno acha-se
fundamentado nos ensinos de Moisés Maimonides. Ele compilou 13 artigos de fé que os
judeus citaram e incorporaram em sua liturgia. Um deles é, 'Eu creio verdadeiramente que o
Criador, santificado seja o Seu nome, é único' (Um só, hebraico, Aacid... Esta expressão de
'único ou um só' é diametralmente oposto à Palavra de Deus que ensina com grande ênfase
que Deus não é 'Yachid', que significa único ou um só, mas é "achid¨ que significa 'um'
(unidade). Em Deuteronômio 6:4, Deus declarou um princípio de fé para o Seu povo que
certamente é superior ao de Moisés Maimonides, mormente porque é Deus quem diz: 'Ouve,
Ìsrael, o Senhor nosso Deus é UM.' A ênfase da frase está no UM, não no sentido de
'Yachid' (único) como Moisés Maimonides usa, mas "Achid¨ que significa 'um', aquele que
está unido.
Desejamos agora mencionar onde estas duas palavras: "Yachid¨ e "Achid¨ ocorrem no
Velho Testamento e em que contexto e com que significado, para então declarar o seu
verdadeiro significado.
Em Gênesis 1. nó lemos que houve tarde e manhã, o que formava um dia. Aqui a
palavra "Achid¨ é usada, que sugere que a tarde e a manhã, duas partes separadas, são
chamadas de um, mostrando que a palavra "Achid¨ não significa 'único' mas um no sentido
de unido. Então em Gênesis 2:24, nós lemos: 'Portanto deixará o varão o seu pai e a sua
mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne'. Aqui também a palavra 'Achid'
é usada, mostrando que ela significa 'um', 'unido', e referindo-se a duas pessoas distintas.
Vejamos onde a expressão 'Yachid' (único) é empregada. Em Gênesis 22:2, Deus diz
a Abraão: 'Toma agora o teu filho, o teu 'único'. Aqui aparece a palavra 'Yachid' e ela é
repetida em Gênesis 22:12. Em Salmos 25:16, 'Yachid' é aplicado a uma só pessoa, e o
mesmo ocorre em Jeremias 6:26. A mesma palavra dando a idéia de 'único' ocorre em
Zacarias 12:10 e Salmos 68:6.
Assim nós vemos que Moisés Maimonides, com toda a sua grande sabedoria e muito
estudo, fez ou cometeu um grande engano em prescrever aos judeus a confissão de fé na
qual declarou que Deus é 'Yachid', uma declaração que se opõe à Palavra de Deus...
Esta é portanto a verdadeira crença cristã. Ele não tem três deuses, mas UM, um no
sentido Escriturístico, que é 'Achid' no hebraico, e que consiste em três personalidades
distintas.¨ (Leopold Cohn, !e !rinit" in te Old !estament, pp. 3,4).
O NOME OPAIP APLICADO A DEUS
Este nome usado para Deus não é usado consistentemente, no mesmo sentido. 1 ÷
Muitas vezes, "Pai¨ é aplicado ao Triúno Deus como origem de todas as coisas criadas (1Co
8:6; Ef 3:15; Hb 12:9; Tg 1:17). Enquanto nesses casos a expressão se aplica ao Triúno
Deus, ela se aplica especialmente a primeira Pessoa da Trindade, a quem a obra da criação
é atribuída. 2 ÷ O nome também é atribuído ao Triúno Deus para expressar a relação
teocrática. (dt 32:6; Ìs 63:16; 64:8; Jr 3:4; Ml 1:6; 2:10). 3 ÷ No Novo Testamento, o nome é
usado para o Triúno Deus como Pai dos Seus filhos espirituais. (Mt 5:45; 6:6-15; Rm 8:16;
1Jo 3:1). 4 ÷ O nome também é aplicado à primeira Pessoa da Trindade em Sua relação
para com Jesus Cristo. (Jo 1:14,18; 5:17-26; 8:54; 14:12,13).
Para a nossa mente ocidental, os termos "Pai¨ e "Filho¨, surgem por um lado a idéia de
origem e superioridade, e por outro lado, a idéia de dependência e subordinação. Numa
linguagem teológica, porém, eles são usados no sentido oriental ou semítico de igualdade
com respeito à natureza (mesma natureza). Quando as Escrituras chamam a Jesus Cristo
como o Filho de Deus, Elas querem afirmar a verdadeira Divindade de Cristo. O termo
"Filho¨ é aplicado a Cristo não meramente como um título oficial em relação à obra da
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 30
redenção (Sua encarnação e Sua ressurreição), que nestes casos é preeminentemente o
Filho de Deus, mas é usado principalmente para mostrar uma inerente relação Trinitariana.
Em outras palavras, a expressão mostra que o Pai e o Filho não somente são distintos, mas
também são da mesma natureza co-eternos, co-substanciais, co-iguais em poder e glória, e
sempre existiram como Pessoas distintas. Na economia da redenção, entretanto, para a
consecução de um específico propósito, Jesus Cristo aceitou temporariamente uma posição
subordinada em relação ao Pai. Mas no sentido mais profundo, os termos apontam para
uma relação única de participarem de uma mesma natureza e substância ÷ que nenhuma
criatura pode ter.
A idéia dos termos é expressa claramente por Dr. Warfield quando diz: "O que o
conceito de filiação nas Escrituras encerra é verdadeiramente "semelhança¨; o que quer que
o Pai é, isto o Filho é também. O termo enfático de "Filho¨ aplicado a Jesus Cristo, uma das
Pessoas da Trindade, afirma acertadamente Sua igualdade com o Pai e não subordinação
ao Pai... Da mesma maneira a expressão "Espírito de Deus¨ ou "Espírito de Jeová¨, que
ocorre freqüentemente no Velho Testamento, certamente não dá a idéia de derivação e nem
de subordinação, mas é verdadeiramente uma expressão aplicada a terceira Pessoa da
Trindade para mostrar a correta identidade que o Espírito Santo tem com Deus o Pai.¨
(Warfield, Biblical Doctrines, p. 163).
Há passagens no Novo Testamento em que ocorrem os termos "Filho¨ e "Espírito¨, e a
ênfase é posta na idéia de igualdade ou semelhança com o Pai, e conseqüentemente entre
as 3 Pessoas da Trindade. Em João 5:18, nós lemos: "Por isso os judeus ainda mais
procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o Sábado, mas também dizia que Deus era
Seu próprio Pai, fazendo-Se igual a Deus.¨ Jesus foi corretamente entendido de chamar
Deus de "Seu próprio Pai¨, isto é, os judeus entenderam o que Jesus reclamou quando disse
que Ele era o "Filho de Deus¨. Os judeus entenderam que Jesus não estava usando o termo
figuradamente e que Jesus estava reclamando ser tudo o que Deus é. Ser Filho de Deus
queria dizer que Ele era igual a Deus.
Ìgualmente nós lemos em 1 Coríntios 2:10-11 que o Espírito Santo é igual a Deus. Aqui
o Espírito Santo é apresentado como o substrato da consciência própria de Deus, o princípio
do conhecimento de Deus. O Espírito é Deus mesmo na mais íntima essência do Seu ser.
Assim como o espírito do homem é a sede da vida humana, a vida do homem, assim o
Espírito de Deus é Seu elemento de vida. Como pode Ele então ser considerado
subordinado a Deus, ou derivado de Deus?
Vimos que os termos "Pai¨ e "Filho¨ não são adequados para expressar uma relação
completa e perfeita que existe entre as duas primeiras Pessoas da Trindade. Entretanto,
eles são os melhores que temos. São termos usados nas Escrituras, e além de expressar a
idéia de semelhança de natureza, estes termos são recíprocos, expressando, idéia de amor,
confiança, honra, unidade, harmonia. Quando lemos que Deus "deu¨ o Seu Filho para
redenção do mundo, nós somos levados a entender que a situação era em muitos aspectos
idêntica àquela de um pai humano que envia seu filho como missionário ou em defesa de
sua pátria. É algo que envolve sacrifício da parte do pai bem como privação e sacrifício da
parte do filho.
Que os termos "Pai¨ e "Filho¨ são usados de uma maneira peculiar em relação às duas
Pessoas da Trindade pode ser visto do variado uso destes termos em outras partes das
Escrituras, e uso diário. Por exemplo: Gn 4:20-21; 17:4; Êx 4:22; 2Sm 7:14.
Além disso, muitos dos ensinos das Escrituras são dados em linguagem figurada.
Cristo é chamado como o Cordeiro (Jo 1:29); o bom Pastor (Jo 10:11); a Porta (Jo 10:7); a
Videira (Jo 15:1-5); a Luz (Jo 1:9); etc...
Assim de acordo com o acima exposto, era próprio que os termos "Pai¨ e "Filho¨ fossem
escolhidos para expressar uma relação especial que existe entres as Pessoas da Trindade.
SUBORDINAÇÃO DE 5IL%O E DO ESPQRITO AO PAI
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 31
Quando discutimos a doutrina da Trindade devemos distinguir entre o que é
tecnicamente conhecido como a Trindade "imanente¨ e a Trindade na dimensão "redentora¨.
Pela Trindade "imanente¨ entende-se a Trindade que tem subsistido desde a eternidade. Na
Sua vida inerente, nós dizemos que o Pai, Filho, e Espírito Santo, são de igual poder, igual
essência. Pela Trindade "redentora¨ entende-se a Trindade como ela é manifesta no mundo,
especialmente, na redenção dos pecadores. Existe uma subordinação de propósito ou de
operação na redenção dos pecadores, mas não uma subordinação na natureza ou essência.
Contudo, embora funções específicas são atribuídas a cada uma das Pessoas da Trindade,
devido serem tão intimamente relacionadas, cada Pessoa participa na obra das outras. (2Co
5:19; Jo 14:18; 14:9,11).
Na obra da redenção, o Filho que é igual ao Pai torna-Se como se fosse sujeito a Ele, e
no estado de Sua humilhação, Jesus Cristo podia dizer do ponto de vista de Sua natureza
humana o que está escrito em João 14:28; 1Co 11:3. E por sua vez o Espírito Santo é
enviado, opera por Deus e Jesus, glorifica não a si mesmo, mas a Jesus, e opera no
coração dos homens. Esta subordinação do filho ao Pai, e do Espírito ao Pai, e a Jesus
Cristo, não diz respeito a Sua relação essencial na Trindade, mas somente diz respeito ao
modo de operação ou divisão de funções na criação e redenção. (Hb 2:9).
Esta subordinação do Filho ao Pai, e do Espírito ao Pai e Jesus, não é de nenhuma
maneira inconsistente com a verdadeira igualdade. Nós temos uma analogia de tal
prioridade e subordinação, por exemplo, nas relações que existem entre homem e mulher na
família humana. Paulo declara que a relação entre o esposo e mulher é de igualdade em
Jesus Cristo (Gl 3:28), entretanto em outro lugar Paulo declara que o marido é o cabeça, e
no lar cada um tem a sua função principal a desempenhar. Se entendemos ou não, tal
relação, não é inconsistente com a perfeita igualdade.
Na obra da redenção a situação é mais ou menos assim: através de um concerto
firmado, o Pai, Filho e Espírito Santo, realizam uma obra específica de tal maneira que
durante o progresso desta obra, o Pai torna-se oficialmente o 1º, o Filho o 2º, e o Espírito
Santo o 3º. Entretanto em essência ou vida inerente da Trindade, a igualdade completa
entre as Pessoas da Trindade é preservada.
A TRINDADE APRESENTA UM MISTNRIO MAS NÃO UMA CONTRADIÇÃO
De todas as doutrinas cristãs, esta é talvez a mais difícil de ser entendida. Que Deus
existe como uma Trindade tem sido claramente revelado; mas o modo particular de como as
3 Pessoas existem não tem sido revelado. A maravilhosa personalidade de Deus, Pai, Filho,
e Espírito Santo, permanece em mistério. Em cada esfera nós somos obrigados a crer sem
compreender ou explicar a realidade. O que por exemplo é a luz? O que dá ou produz a
força da gravidade e como atua?
Há muitas coisas no mundo que são verdadeiras mas que não sabemos explicar. o que
é eletricidade? O que é a vida? O que capacita o corpo humano de transformar o alimento
em sangue, cabelo, ossos e pele? Estas são apenas algumas das perguntas que não tem
explicação, no entanto, este fato não invalida a verdade. Elas existem e sua existência não
dependem de nós a compreendermos. Da mesma maneira a Trindade existe e Sua
existência não depende de compreensão dos mistério de Sua natureza.
Mas, apesar da doutrina da Trindade apresentar um mistério, ela não apresenta uma
contradição. Ela afirma que Deus é um em respeito ÷ essência ou substância ÷ e que Deus
é Três em um aspecto diferente ÷ nas distinções pessoais, Assim a posição Unitariana, que
afirma que Deus é único (uma pessoa) mas nega a divindade de Jesus Cristo, e a posição
Trinitariana, que afirma que há 3 deuses, são refutadas. A doutrina da Trindade está acima
da razão e nunca, poderia ser descoberta se não tivesse sido revelada por Deus ao homem.
Entretanto ela não é contrária a razão e nem inconsistente com outras verdades da Bíblia.
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 32
Cap)*+,- EIII
A ADORAÇÃO A DEUS
S7 D.+6 D.<. S.; A9-;a9-
Existe um só Deus (Ìsa. 45:5). Como Criador do Universo somente Ele pode dizer com
autoridade que o Senhor é Deus, e não há outro. (1 Reis 8:60). Nas religiões animistas de
algumas tribos, bem como no budismo, hinduísmo e xintoísmo, há milhões de deuses, que
de fato não são deuses, mas caricaturas pagãs surdas, mudas, cegas e mortas. É muito fácil
criar um deus, quando uma pessoa rejeita o verdadeiro Deus, ela cria o seu próprio. E e se
Deus é exatamente como essa pessoa gostaria de ser, no seu íntimo. Seu deus é a
corporificação de seus desejos e paixões sob forma de imagens, estátuas, credos e
religiões. Deuses irascíveis, vingativos, sanguinários, invejosos, imorais, mesquinhos, feitos
a imagem e semelhança do homem. Nada que se compare a descrição dos desejáveis
característicos do Deus verdadeiro, fornecido pela bíblia "Deus misericordioso e compassivo,
tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade, que usa de beneficência com
milhares, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado.Êxodo 34:6,7. Unicamente o
Senhor é Deus, portanto só ele deve ser adorado, nada e ninguém a não ser Deus merece
nossa adoração e reverência, nem mesmo os santos homens e mulheres da bíblia, nem
mesmo os anjos (Apoc. 22:9).
A Ma1.0;a C-;;.*a 9. A9-;a; a D.+6
O modo como adoramos a Deus importa muito. Cumpre-nos adorá-lo como Ele diz que
deve ser, mesmo que isso possa ser diferente de tudo que tenhamos aprendido até agora
em nossa vida. É verdade que alguns têm o costume de usar imagens na adoração, mas
será que Deus quer que realmente o adoremos assim? Não, o segundo mandamento de sua
santa lei proíbe terminantemente o fabrico e/ou o uso de estátuas ou imagens, que
representem qualquer pessoa, coisa ou força, quer no céu, quer na terra, com o objetivo de
veneração (Êxodo 20:4-6). A vontade de Deus não é que a arte da pintura ou da escultura
sejam eliminadas, mas sim evitar que objetos de arte sejam cultuados(Ì João 5:21; Deut.
7:25).
Para adorarmos a Deus não precisamos dessa espécie de ajuda. Diz a bíblia: Deus é
espírito, e é necessário que o adoremos em espírito e verdade.(João 4:24). O modo correto
de nos aproximarmos de Deus é este. Como o apóstolo Paulo escreveu "andamos por fé, e
não por vista"(ÌÌ Coríntios 5:7). A maneira correta de adorarmos a Deus é acima de tudo,
procurarmos obedecer-lhe de todo o nosso coração, é aceitar o convite: "Oh vinde,
adoremos e prostremo-nos, ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou, porque ele é o
nosso Deus, e nós ovelhas do seu pasto que ele conduz." (Salmos 95:6).
CONCLUSÃO
Muitos de nós temos uma idéia distorcida de Deus, não o conhecemos e procuramos
viver ignorando sua existência. Jesus, porém, nos diz que em Deus está a chave de nossa
felicidade: "E a vida eterna é esta, que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus
aquele que tu enviaste." João 17:3. Deus é amor, ele é tudo quanto pode estar contido neste
princípio, e muito mais. Ele nos ama, embora não o mereçamos, está amorosamente
interessado na vida de cada pessoa. De fato, ele tem as provisões necessárias para atender
a todas as nossas necessidades, antes mesmo que delas necessitássemos(Salmos 24:1).
Deus é nosso Pai. É o Pai de todas as criaturas. A chave da felicidade é conhecê-Lo.
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Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 33
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A<a,0a23- D- M79+,- 04-A
D-+*;01a I: D.+6
01-Responda o questionário (25% da nota final).
02-Faça uma pesquisa sobre "a Trindade na Bíblia¨ (25% da nota).
03- Avaliação de sala de aula (50% da média).
BUESTIONÁRIO
01 ÷ Como você definiria Deus com suas palavras?
_______________________________________________________________________
__________________________________________________________-
_______________
02 ÷ Qual a diferença entre o único Deus verdadeiro e os deuses falsos?
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
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03 ÷ O que há de errado com as seguintes concepções teológicas:
Panteísmo_________________________________________________________Ateís
mo___________________________________________________________Deísmo___
________________________________________________________Agnosticismo____
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 34
Aluno: _______________________________________________Matrícula_________
Cidade ________________________ UF ____________ Data___________________
___________________________________________________Ceticismo____________
_______________________________________________________________________
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04 ÷ O que é teísmo, e por que esta é a melhor concepção de Deus?
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05 ÷ Que evidências favoráveis à existência de Deus podemos aduzir?
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06 ÷ É possível ao homem conhecer a Deus? Justifique.
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07 ÷ Como sabemos que Deus é um Ser
Real______________________________________________________________Pesso
al___________________________________________________________Triúno_____
_______________________________________________________Nominal_________
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08 ÷ Que passagens bíblicas podemos apresentar como prova de que Deus é uma
trindade?
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09 ÷ Em que sentido a trindade é um mistério?
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___
10 ÷ Qual a maneira correta de adorar a Deus, segundo a Bíblia?
Mód. 04-A ÷ Doutrina Ì - Deus 35
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