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Lima Barreto
O Subterrâneo do Morro do Castelo

Publicado originalmente em 1905.

Afonso Henriques de Lima Barreto (1881 — 1922)

“Projeto Livro Livre” Livro 82

Poeteiro Editor Digital São Paulo - 2014 www.poeteiro.com

Projeto Livro Livre
O “Projeto Livro Livre” é uma iniciativa que propõe o compartilhamento, de forma livre e gratuita, de obras literárias já em dom nio p!blico ou que tenham a sua divulga"#o devidamente autori$ada, especialmente o livro em seu formato %igital& 'o (rasil, segundo a Lei n) *&+,-, no seu artigo .,, os direitos patrimoniais do autor perduram por setenta anos contados de ,/ de janeiro do ano subsequente ao de seu falecimento& O mesmo se observa em Portugal& 0egundo o 12digo dos %ireitos de 3utor e dos %ireitos 1one4os, em seu cap tulo 56 e artigo 7,), o direito de autor caduca, na falta de disposi"#o especial, 8- anos ap2s a morte do criador intelectual, mesmo que a obra s2 tenha sido publicada ou divulgada postumamente& O nosso Projeto, que tem por !nico e e4clusivo objetivo colaborar em prol da divulga"#o do bom conhecimento na 5nternet, busca assim n#o violar nenhum direito autoral& 9odavia, caso seja encontrado algum livro que, por alguma ra$#o, esteja ferindo os direitos do autor, pedimos a gentile$a que nos informe, a fim de que seja devidamente suprimido de nosso acervo& :speramos um dia, quem sabe, que as leis que regem os direitos do autor sejam repensadas e reformuladas, tornando a prote"#o da propriedade intelectual uma ferramenta para promover o conhecimento, em ve$ de um tem vel inibidor ao livre acesso aos bens culturais& 3ssim esperamos; 3té lá, daremos nossa pequena contribui"#o para o desenvolvimento da educa"#o e da cultura, mediante o compartilhamento livre e gratuito de obras sob dom nio p!blico, como esta, do escritor brasileiro Lima (arreto< “O Subterrâneo do Morro do Castelo”&

= isso;

5ba >endes iba@ibamendes.com

Her"i do Brasil8. dei.a a im%ress#o de esfor*o mal realiCado. ainda as obras. onde veio a falecer em 1 de novembro de 1922. abandona o curso de 'n(en)aria que come*ara no ano de 189+. ada%tado %ara o cinema em 1998. onde colaborou durante toda sua vida. 5<riste 0im de =olicar%o >uaresma8 ?191@A. o mesmo ano em que se iniciara a Semana de Arte oderna! Aos seis anos fica "rf#o de m#e! $om a res%onsabilidade de sustentar a fam&lia. 5Ds BruCundan(as8 ?1922A.%eri2ncias %essoais %ostumamente %ublicadas sob o t&tulo 5$emit6rio dos 7ivos8! 'str6ia sua vida liter9ria em 19:8 com o romance 5Recorda*4es do 'scriv#o . em seu livro 5. in(ressando como amanuense na diretoria do e. 5$ontrariando as normas %reconiCadas. des%reocu%ada da 5%ureCa vern9cula8.nicia*#o H Literatura Brasileira8. no Rio de Janeiro. 57ida e orte de ! J! -onCa(a de S98 ?1919A.BIOGRAFIA Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no dia 13 de maio de 1881. as a%ar2ncias )i%"critas da ideolo(ia oficial! as o bloco %rinci%al de sua obra 6 a narrativa. que dei. %arecendo desafiar intencionalmente a (ram9tica! A sua tend2ncia mais natural era o coment9rio Eornal&stico e a a%resenta*#o %itoresca de costumes. 5Buma e a Binfa8 ?191@A. a sua escrita 6 cursiva e a mais sim%les %oss&vel. ensaios etc! 0il)os de %ais mesti*os teve a vida marcada %elo %reconceito de cor. cr/nicas. onde escreveu anota*4es e e. escrevendo contos.%ediente da Secretaria de -uerra! $ontudo. fato este que influenciara (randemente sua obra! 'm conseq12ncia de %roblema com o alcoolismo. 5Ba(atelas8 91923A. 5Hist"rias e Son)os8 ?192:A. buscando o ritmo coloquial. s9tira quase tr9(ica dos equ&vocos do %atriotismo ?muito invocado naquela fase inicial da Re%IblicaA. com o t&tulo 5=olicar%o >uaresma.m%rensa. freq1entemente incorreta. entre outras.ou3se internar num manic/mio. a%esar da (enerosidade das %osi*4es! Bela se destaca o romance O triste fim de Policarpo Quaresma ?191@A. sua %rinci%al atividade estava na . diri(ido %or =aulo <)ia(o! Se(undo an9lise do %rofessor Ant/nio $Gndido. re(idos %elo sarcasmo e diri(idos contra o %edantismo. 5$lara dos AnEos8 ?19F8A! Seu romance mais con)ecido 6 5<riste 0im de =olicar%o >uaresma8. a falsa ci2ncia.sa&as $amin)a8! 'screveu. onde conta a destrui*#o de um inofensivo idealista %ela realidade feia e mesquin)a da %ol&tica e dos fariseus!8 Iba Mendes .

..............................ÍNDICE Sexta-feira............ 29 de abril de 1905................................. 2$ de maio de 1905................................................ Se&!#da-feira.......... !i#ta-feira....................................................................................................................................................... Sexta-feira... Terça-feira................................................................. !arta-feira................................. % de maio de 1905..................... Sábado.................. 5 de maio de 1905.......... 19 de maio de 1905.. Sábado............................................................................................... Sábado.............................. 2% de maio de 1905............ 1 3 6 7 9 12 15 18 20 23 26 30 36 39 41 41 43 43 44 49 50 53 55 56 57 58 ............................................................................. Domi#&o.......... Sexta-feira........... " de (!#)o de 1905.. 9 de maio de 1905.............. Domi#&o.............................. 2' de maio de 1905.................... 1 de (!#)o de 1905...................... Sábado............................ "0 de maio de 1905.. 15 de maio de 1905............. !i#ta-feira..................................... Terça-feira....................... 20 de maio de 1905..... $ de maio de 1905.............................. " de maio de 1905........................................................................................ 12 de maio de 1905.................................. 21 de maio de 1905............... 2 de maio de 1905........... Domi#&o............................................................................................................................................... !arta-feira..................................................................................... Sexta-feira...... 25 de maio de 1905......... !arta-feira.......................................................... 2" de maio de 1905.......... 28 de abril de 1905.................. Terça-feira.................................. Sexta-feira.............................. !arta-feira.................................. Terça-feira......................... 28 de maio de 1905............... Se&!#da-feira...................... ' de maio de 1905.... 1$ de maio de 1905............................................. Sábado................................................................. 10 de maio de 1905.................................. 8 de maio de 1905....................... Domi#&o................

de e)istirem no morro do 8astelo. em -9. José . principal baluarte da 8ompanhia. não sendo pois admirar que. que chegaram mesmo a se organi#ar em companhia.sto "oi pelos tempos do 1ncilhamento.0. em ouro e em prata. (erdade ou lenda. de 'ortugal e seus domínios pelo "ogoso ministro de *. sem &)ito apreciável. um velho. . procurassem a tempo salvaguardar os seus bens contra a lei de e)ce$ão aplicada em outros países. além de moedas sem conta e uma grande biblioteca. residente em :anta <eresa./0. *e "eito+ a ordem "undada por . na 67ssia e mesmo na 1spanha. 1m todos estes países os bens da Ordem de Jesus "oram con"iscados. provocando o "aro arqueológico dos revolvedores de ruinarias e a auri sacra fames de alguns capitalistas. caso é que este "ato nos "oi tra#ido pela tradi$ão oral e com tanto mais viso de e)atidão quanto nada de inverossímil nele se continha. para onde emigraram em grande parte.O SUBTERRÂNEO DO MORRO DO CASTELO CORREIO DA MANHÃ . construídas há mais de dois séculos pelos padres !esuítas. sob as "unda$4es do vasto e velho convento dos !esuítas. 2 hipótese. amea$adas de con"isco pelo bra$o "érreo do %arqu&s de 'ombal. em seu pre!uí#o. e)pulsos os discípulos de Loiola. "ugindo 3s persegui$4es que lhe eram movidas na 5ran$a.. com o "im de ocultar as "abulosas rique#as da comunidade. com o "im de e)plorar a empoeirada e 7mida colchida dos Jesuítas.nácio de Loiola. 28 DE ABRIL DE 1905 FABULOSAS RIQUEZAS — OUTROS SUBTERRÂNEOS Os leitores hão de estar lembrados de que. em -. pois. prestou=se a servir de guia aos bandeirantes da nova espécie.SEXTA-FEIRA. :ucessivas escava$4es "oram levadas a e"eito. subordinados ao título Os Subterrâneos do Rio de Janeiro. ob!etos de alto lavor artístico. cedo se tornou célebre pelas imensas rique#as que encerravam as suas arcas. publicamos uma interessante série de artigos da lavra do nosso colaborador Léo Junius. Neles vinham descritas conscienciosamente e com o carinho que sempre o autor dedicou aos assuntos arqueológicos as galerias subterr neas. tomou vulto em breve. há tempos. a ponto de ir tornando a pouco e pouco uma pot&ncia "inanceira e política na 1uropa e na 2mérica. sem que de todo este insano trabalho rendesse a"inal alguma coisa a mais que o pranto que derramaram os capitalistas pelo dinheiro despendido e o 1 .

1m certo momento. crescido n7mero de curiosos estacionaram no local onde se havia descoberto a entrada da galeria. uma sentinela "oi colocada 3 porta do subterr neo que guarda uma grande "ortuna ou uma enorme e secular pilhéria. 1stes "atos !á estavam quase totalmente esquecidos. %inistro da 5a#enda. desobstruindo a entrada de uma vasta galeria. O *r. com o *r.eco dos risos casquilhos de mo"a. 1)a. 2nteontem. engenheiro a cu!o cargo se acham os trabalhos naquele local. 5rontin. de que "oram alvo por longo tempo os novos 6obérios *ias. lá compareceu. Cue uma "ada ben"a#e!a condu#a o *r... ao descarregar com pulso "orte a picareta sobre as 7ltimas pedras de um alicerce. numa natural so"reguidão de saber o que de certo e)iste sobre o caso. levam=nos a supor que nas altas camadas se acredita na e)ist&ncia de tesouros dos !esuítas no subterr neo do morro do 8astelo. tornando=o em %ascotte da avenida do *r. que serão e)ecutados por uma turma especial. e a cada golpe.?@m de altura por @. talve#. O trabalho "oi suspenso a "im de que se dessem as provid&ncias convenientes em tão estranho caso. como era natural. o trabalhador Nelson. correu a veri"icar o que se passava e teve ocasião de observar a se$ão reta da galeria >cerca de -. 5rontin e o *r. quando ontem novamente se voltou a aten$ão p7blica para o desgracioso morro condenado a ruir em breve aos golpes da picareta demolidora dos construtores da 2venida. o :r. Bo!e continuarão os trabalhos. 2 turma de trabalhadores. era grande a a#á"ama naquele trecho das obras. *utra no a"anoso mister de descobridor de tesouros. de in"ormar 3 curiosa comissão se achava aquilo com cheiro de casa= "orte. O comparecimento de :. *urante toda a tarde de ontem. e... a "im. notou com surpresa que o terreno cedia. ao cair da noite. *utra. Lauro %uller. 5rontin e outros engenheiros.@m de larguraA. pelo talude natural do terreno revolvido. des"a#endo=se. DDD 2 . indo rolar. que !á tem habituada a pituitária aos per"umes do dinheiro. em golpes isócronos brandiam os alvi4es contra o terreno multissecular. sob as imediatas vistas do engenheiro da turma. um bloco de terra negra se deslocava. bem como a con"er&ncia que ho!e se deve reali#ar entre o *r.

6ocha Leão. daí se dirige paralelamente 3 6ua do 8armo até o Eeco do 8otovello.2 propósito da descoberta deste subterr neo. 1stacamos para indagar de um grupo de trabalhadores onde podíamos encontrar o *r. assusta=nos. além de grandes rique#as. nesta cidade e)istem outros subterr neos do mesmo g&nero e de não menos import ncia. pelo caminho que condu# ao tesouro dos !esuítas ou 3 blage da lenda. eis aí "arta messe de assunto para os amadores de literatura "antástica e para os megalFmanos. O tra!eto pela 2venida. 29 DE ABRIL DE 1905 !ISITA " #ALERIA Gma hora da tarde. onde se bi"urca e sobe pela ladeira até 3 igre!a. um amigo penali#ado. CORREIO DA MANHÃ . que termina no local onde "oi o <heatro 'heni). 3 . candidatos a um aposento na 'raia da :audade. segundo sup4e o *r. enquanto os m7sculos "ortes pu)am cabos. 2ssim é que na 8hácara da 5loresta deve e)istir um.. partindo da praia de :anta Lu#ia. em uma de cu!as re"or$adas paredes está oculta a entrada para uma galeria que vai até os "undos da 8atedral. um outro que. O *r. resolve=se a servir=nos de 8irineu e lá vamos os dois.gre!a Nova. o arquivo da capitania do 6io de Janeiro.. revolvem a areia e a cal das argamassas. de menor import ncia. satiri#ando os homens e as coisas. termina num pátio. assevera mais. além de outros ainda. vai terminar num ngulo da sacristia da . 'elo que v&em. o sol causticante ao alto e uma poeirada quente e su"ocante na 2venida em constru$ão. temos a acrescentar que. que obteve há tempos concessão do governo para e)plora$ão dos chamados subterr neos do 6io de Janeiro. sob a canícula medonha. nestes subterr neos se devem encontrar. em carta a nós dirigida. 6ocha Leão.S BADO. vibram picaretas. em "rente 3 co#inha da :anta 8asa de %isericórdia. :egundo o mesmo arqueólogo. 2inda outro. a opulenta biblioteca dos padres e os mapas e roteiros das minas do 2ma#onas. que na <ravessa do 'a$o há um arma#ém em ruínas. *utra. partindo também de :anta Lu#ia. operários cantam e vo# dolente.

amável. 'ela manhã de ontem. Limitando uma larga e)tensão. uma cerca de arame. 1sta é alta. com cerca de J@ centímetros de largura. não sabemos. enlameado e suarento. em torno ao local de tantas esperan$as.metro e 0@ centímetros.H'atrão. nós trabalhamos no theatro. Não eram atores. 'or ora. %ais alguns passos e aos nossos surge a mole argilosa do 8astelo+ um grande talho no ventre arro)eado da montanha nos "a# adivinhar a entrada do "amoso subterr neo. H1ntão. colaboradores anFnimos nas glórias "uturas da ribalta municipal. o novel engenheiro. de . 'edro *utra. com olhos de esmeraldaI H'or ora não. *utra dá=nos in"orma$4es sobre os trabalhos. é o primeiro trecho da galeria. está visto. O *r. posta ali para "acilitar a desobstru$ão do subterr neo. ele a percorreu numa e)tensão de -@ metros. limitam=se estes 3 limpe#a da parte descoberta. 2o "undo bru)uleava uma lu#inha d7bia. Gm cenário tétrico de dramalhão. barreira 3 curiosidade p7blica que amea$ava atrapalhar a marcha dos trabalhos. no interior operários retiravam o barro mole e pega!oso. !á "oram descobertos os apóstolosI HCue apóstolosI HOs de ouro. solícito. respondeu=nos risonho o engenheiro e. simples operários. atolados no lameiro até o meio das canelas. 4 . há. nos indicou com um sorriso a passagem para o local vedado ao p7blico. O *r. 2o apro)imarmo=nos. acompanhou= nos 3 porta da galeria. discreteava num pequeno grupo.

Os construtores da galeria evitaram na sua per"ura$ão o barro vermelho. Os !esuítas talve# ha!am construído o subterr neo para re"7gio. continuando em seguida a e)plora$ão no trecho que se dirige para a esquerda. o que seria natural "a#er.*aí em diante. 1m torno.. Eulh4esI H1steve com e"eito aqui.. O nosso companheiro de e)cursão quis discutir ainda o papel do %arqu&s de 'ombal no movimento político religioso do século O(. mais ou menos. todo o trabalho parece ter sido "eito a ponteiro. *espedimo=nos gratos 3 amabilidade cativante do *r. graus. um pouco. apinhava=se a multidão sonhadora e desocupada. o de quem se !ulga 3 porta de um tesouro secular. caso se pretendesse ali guardar livros ou ob!etos de valor... 'edro *utra. aumentando a altura que passa a ser de K metros e -@ centímetros e dirigindo=se para a esquerda num ngulo de . %esmo assim. como pela e)ist&ncia dMágua de in"iltra$ão. apenas con!ecturas.. acompanhado pelo *r.. esta conserva a mesma largura.. Nostamos da benevol&ncia do conceito. 5rontin e penetrou com este até o 7ltimo ponto acessível da galeria. o %arqu&s de 'ombal era um pouco violento.. H2té agora nada se encontrou de interessante.. o *r. em caso de persegui$ão. mais resistente... O trabalho tem sido muito "atigante.. 1 o engenheiro continuou+ HNota=se que não houve a preocupa$ão de revestir as paredes.. sobre o destino desta galeriaI HNão tenho opinião "ormada. não só pela e)igLidade do espa$o. mas o calor su"ocava e nada mais havia de interessante sobre o subterr neo do 8astelo. cu!o aspecto não era. 5 . *utra espera ho!e limpar toda a parte e)plorada. %as parece que voltou desanimado.. H1 sobre a visita do *r. contida pela cerca de arame... procurando de pre"er&ncia o moledo. se há tesouro ainda não lhe sentimos o cheiro. H%as o que imagina o doutor. entretanto.

que durante longos anos se tem dedicado aos estudos dos subterr neos do 6io de Janeiro declara=nos e)istir documentos positivos sobre o local em que se acham tesouros dos !esuítas no 2rquivo '7blico e na 2ntiga :ecretaria de Gltramar. 2 DE MAIO DE 1905 2legrem=se os que acreditam na e)ist&ncia de "abulosas rique#as na galeria do morro do 8astelo. 6 . que depois se tornou dono de uma "ama imorredoura pela genial descoberta do !ogo do bicho. 2inda bem que ho!e em dia nem mais para os museus poderão servir as carcomidas correntes levantadas pelas mãos dos buscadores de ouro. um modesto som metálico !á se "e# ouvir. eri$ando os cabelos dos novos bandeirantes e dando= lhes 3 espinha o "rio solene das grandes ocasi4es. Eernardino de 8ampos seria assa# de temer que as golilhas e polés encontradas no 8astelo ainda estivessem capa#es de uso. "erro cu!o passado destino. das suas. pedrarias policrFmicas. raras bai)elas de repastos régios.. tudo isto desmoronando=se. contudo som animador que "a# pregoar orquestra$4es de barras de ouro.lha das 8obras.. :e o ouro ainda não re"ulgiu ao golpe e)plorador da picareta. 6ocha Leão. honra pouco a do$ura de costumes dos discípulos de Loiola. "erro em cu!a super"ície o)idada a 2cademia de %edicina ainda poderá achar resquícios do sangue dos cristãos=novos. 2gora que tanto se "ala na candidatura do :r. 1 "icou tudo em nada. tentou a e)plora$ão do morro do 8astelo. Os trabalhos eram "eitos com o emprego de minas de dinamite o que provocou protestos dos moradores do morro e conseqLentemente suspensão do perigoso empreendimento. com o "im de retirar de lá os tesouros ocultos e promover por este modo o pagamento de dívida p7blica e. João (. rolando vertiginosamente como o cascalho humilde pelo talude escarpado da montanha predestinada.TER$A-FEIRA. ao que se di#.. O *r. convém notar que há mais de vinte anos o Earão de *rummond. cru#ados do tempo do *. 'or agora contentemo=nos com o "erro velho. som "eio e inarmFnico de "erro velho.DDD 2inda a propósito do subterr neo do 8astelo. CORREIO DA MANHÃ . na .

5rontin. encerra nas arcas de seus po$os interiores. olhou e nada disse. esventrada pela picareta do operário descrente. em suma. pelo menos.O :r. 'residente da 6ep7blica lá esteve. revisorPA. galeria em que. eco que vai de galeria em galeria quebrar=se nas vastas abóbodas onde repousam os do#e apóstolos de ouro. 1)a. nem o :r. %as. desde que por uma "ic$ão poética se concedessem por um momento ao ino"ensivo 8astelo as honras vulc nicas. 1m toda a parte do morro.. depois do ca"é e antes da segunda inaugura$ão do primeiro decímetro de cães. Já ninguém contesta que o morro lendário. sr. iluminado por um "oco de acetileno.. 1ntrou. acompanhado da casa civil e militar. <omé. se o che"e de polícia estivesse presente teria e)clamado como de outra ve# >e desta com alguma ra#ãoA+ H:enhores. enveredou pelo buraco. CORREIO DA MANHÃ . diga=se a verdade. :. responde um eco grave no interior. do *r. Eulh4es nem o :r. sente=se bem a sua angélica pessoa. *ecididamente a velha mole geológica. 7 . que também era apóstolo. 5oi isto ontem pela manhã. despe o mistério que a envolvia e escancara o seu bo!o oco e cobi$ado 3 pesquisa dos curiosos. e como :. 1 contem conosco para a inaugura$ão do curso metálico. % DE MAIO DE 1905 %ais uma galeria subterr nea "oi descoberta ontem no morro do 8astelo. na galeria dos !esuítas. célula matri# de :ebastianópolis. 2 "rase não seria de toda absurda. bibliográ"ico. nem mesmo o 'residente da 6ep7blica tiveram a dita de encontrar os apóstolos de ouro de olhos esmeraldinos. atulhados pela cali$a de tr&s séculos e meio. um elevado tesouro.. onde a picareta "ere mais "undo. um alto. estamos com um vulcão por cima da cabe$a. "icam aprovisionando entusiasmo para quando os seus dedos assépticos conseguirem tocar as imagens que nos vão salvar da crise econFmica.QUARTA-FEIRA. 5rontin e de outras pessoas gratas >gratas. que dava 3 galeria o tom macabro da "urna de 2li Eabá.

2 boca negra de um outro subterr neo escancarava=se.%ais um m&s. Na sua mude# de catacumbas seculares.nácio de Loiola. %as agora chegou o tempo de quebrar o segredo de sua rique#a e ser espoliado de seu olímpico depósito. uma turma e)plorava o dorso imoto do morro. os subterr neos do 8astelo bem serviriam para guardar os tesouros da Ordem mais rica do mundo e ainda os guardam certamente. todo re"ulgente nos doirados de sua massa "ulva. mais J dias. O homem !á não se contenta em querer escalar o céu. em estátuas e ob!etos do culto. porém. 5oi ontem. há de mostrar o labirinto de suas acidentadas galerias e há de espirrar para "ora os milh4es que v&m pulveri#ando numa digestão secular. há tre#entos anos a"undando na tenebrosa escuridão do cárcere cala"etado. a coisa é verdadeira. 'ensam uns que é a entrada. 8 . emergirá 3 lu# dos nossos dias. quem sabe. em pó. quer também descer ao cora$ão da terra e não poderá o morro do 8astelo embara$ar=lhe a a$ão. Gm dia destes "oi num dos "lancos que se abriu a boca silenciosa de um corredor escuro que os homens interrogam entre curiosos e assustados.. Bá de rasgar=se. s7bito a ponta da picareta de um operário bate num va#io e some=se. <anto metal precioso em barra. Bá por "or$a dentro do morro do 8astelo uma rique#a "abulosa dei)ada pelos discípulos de Loiola na sua precipitada "uga sob o a$oite de 'ombal. não podia passar despercebido 3 arguta polícia do ministro incréu e atilado. opinam outros que é simples ventilador dos corredores ocultos. ho!e é a própria cripta do morro que se parte como a querer bradar para o céu o seu protesto contra a irrever&ncia e avide# dos homensP %as os operários prosseguem cada ve# mais por"iados em ver quem primeiro colhe o pra#er ultra=marinho de descobrir o moderno 1ldorado. :e!a o que "or. arteiramente dis"ar$ada. lá está a J metros abai)o do solo emparedada a ti!olo velho. <rou)emos uma ter$a parte de um dos ti!olos para nosso escritório onde quem quiser a pode e)aminar. e o :anto .. de uma outra galeria.

se acotovelava ao longo da cerca de arame. da "amília dos %édicis. %as. & DE MAIO DE 1905 OS SUBTERRÂNEOS DO RIO DE 'ANEIRO E AS RIQUEZAS DOS 'ESU(TAS 2 multidão apinhava=se curiosa. toda aquela gente. que a previd&ncia o"icial construiu. de bigodes grisalhos e grandes olhos penetrantes. nas quais se en"ileiram. modorrentos. O círculo de curiosos se aperta a pouco e pouco e os ouvidos recebem deleitados as palavras do oráculo. Olhos ávidos de descobrir na sombra pesada da galeria o rebrilho de uma pe$a de ouro. *e coisas e)traordinárias sabe este homem. Qamos sequiosos de novas do 8astelo e das suas lendárias coisas. 'equerruchos despreocupados revolviam a terra e 3 porta soturna da galeria dois negros cérberos vigiavam. cu!a vo# pausada e "orte atrai a aten$ão de toda gente. em meio a multidão. para maior seguran$a do subterr neo opulento. não havia o movimento habitual dos dias de labor. a dilatada área de"esa ao p7blico. caminhos de um 1ldorado como não no sonhara 'angloss. nos la#eres do "eriado de ontem. as arcas dos discípulos de Loiola. 9 . trocavam=se comentários estranhos sobre a dire$ão dos subterr neos.CORREIO DA MANHÃ . as salas amplas. de um palácio "lorentino e condu#ida num bergantim para o claustro dos !esuítas.QUINTA-FEIRA. em cu!o imenso bo!o se entesouram rique#as "abulosas. ele !á enveredara por um detalhe trágico da história conventual do 8astelo+ a história de uma condessa italiana. em que se cru#am e)tensas ruas abobadadas. o tesouro secular. em noite escura. ouvidos atentos ao mínimo ruído vindo de dentro. na nsia de escutar a palavra sábia. um 6io inédito e "antástico. mas. raptada. abandonadas pelos !esuítas na precipita$ão da retirada. 2pro)imamo=nos. pe!adas de ouro e pedrarias. 2cercamo=nos também. dois ter$os deles gastos no esmerilhamento das verdades ocultas nas entrelinhas de pergaminhos seculares. Bavia uma "ranca comunicatividade entre os curiosos. salienta=se um senhor alto. diante do morro do 8astelo. 1le sabe de todo um 6io subterr neo. tem talve# cinqLenta anos de idade. em mármore rosado.

H1 quanto 3s duas galerias recentemente descobertasI 1le disse+ HNão valem nada. umas para os suplícios e outras com o 7nico "im de atordoar. acha=se a R/@ metros do sopé do morro. pró)ima 3 do Novernador. e da 5a#enda de :anta 8ru# e tantos outros que minam a velha cidade de %em de :á. quais os da ilha do 6aimundo. H%as. que utilidade tem estasI H1stas e muitas mais "oram "eitas. desnortear os investigadores. neste caso.. 2 reconstru$ão daquela época trágica seria uma obra de "a#er arrepiar os cabelosP. é mesmo de crer que o morro não se!a mais que o tampo de um vulcão.. mostrar=lhe=ei os documentos. pilhérico. Ousamos uma pergunta+ HBá documentos a respeitoI H'reciosíssimos. em babilFnicas orgias. *e tudo isto há documentos irre"utáveis e não só re"erentes ao 8astelo como aos demais subterr neos. aí o ar é quase irrespirável em vista das e)ala$4es sul"7ricas. o caminho está errado. seu alvo corpo palpitante de mocidade e seiva corria de mão em mão. depósito sagrado de um capitoso vinho antigo. por aí não darão no vinte. H1 o cavalheiro me pode dar alguns apontamentos a respeitoI H8om pra#er. nédio e rosado. o meu maior dese!o é elucidar todos os pontos desta interessante história para que o governo não este!a a perder tempo e dinheiro com buscas "atalmente impro"ícuas HNeste caso. eu tive sob os olhos todo o roteiro das galerias. conhe$o=as como a palma das minhas mãos. Os circunstantes ouviam boquiabertos a interessante narrativa. H2pare$a em minha resid&ncia. um senhor.onde. 10 . aparteava de quando em ve#. O verdadeiro depósito dos tesouros. como a ta$a de Bebe. onde se encontram arcas de "erro abarrotadas de ouro e pedras "inas.. meu amigo. meu amigo..

DDD O *r. sepultando ouro em barra.mo :r. daremos amanhã circunstanciada notícia aos leitores. 2lmirante Nepomuceno. HTs oito horas. dar=me pequeno espa$o para uma reclama$ão. Já há tempos declarei que os documentos que eu possuía sobre o 8astelo entreguei=os ao meu "inado amigo o engenheiro Jorge %irandola e não %iranda. Não tenho a honra de conhecer. Nessa visita "ui acompanhado pelo meu amigo :r. *eclaro que são dois pergaminhos antigos.mo :r. um deles estava 11 . 3 propósito do palpitante assunto+ U:r. *igna=se (. nem ao menos de vista. nem declara$ão por minha letra donde "oram achados. redator.HS "avor. 2gora ve!o uma o"erta desses pergaminhos que me pertencem. não tinham cor vermelha nenhuma. e de condessas louras. depedimo=nos. por um homem de espírito cultivado e arguto conhecedor do assunto. 6ocha Leão escreve=nos. prelibando o cheiro dos documentos arcaicos e a imaginar toda a complicada tragédia de suplícios inquisitoriais. está dito. 5ui ho!e surpreendido com a publica$ão que "e# O Paiz de documentos que "oram entregues ao 1). *isse=me a senhora que nenhum papel ou documento se arrecadou em Lisboa. o 1). 1 com um "orte aperto de mão. de pesados la!4es. 8amanho. !ustamente ávidos de desvendar os mistérios do venerável morro.caraí >NiteróiA a sua vi7va para lhe pedir a entrega dos meus pergaminhos. lá irei ho!e mesmo. *a longa história que ouvimos. 'residente da 6ep7blica. a desmaiar de amor nas celas do claustro imenso. pois estão com o meu nome.:. procurei aqui em . "artamente documentada e narrada em linguagem simples e "luente. de cora$ão palpitando de curiosidade.nglaterra. quando ele "oi há anos 3 . 5alecendo esse engenheiro em Lisboa.

Eobadella era compadre e amigo do *r. 5 DE MAIO DE 1905 OS TESOUROS DOS 'ESU(TAS 8hovia torrencialmente quando apeamos do bonde que nos condu#ia 3 resid&ncia daquele senhor alto de bigodes grisalhos e olhar penetrante que ontem apresentamos aos leitores como um grande sabedor das e)traordinárias coisas do %orro do 8astelo. *r. <elles e outros. 12 .dobrado como uma carta e o sobre-scripto é uma cru# longitudinal com ci"ras que signi"icam o endere$o ao Neral da 8ompanhia em 6oma. relativa aos meus pergaminhos. 6ocha Leão.. 2lmirante Nepomuceno. lá para os lados de Namboa.U CORREIO DA MANHÃ . com gravuras de colunas e anotado em ci"ras pelos padres.. em seus papéis colhi notícia de tudo. 2inda mais descendentes de "amílias que governaram o Erasil como os Earretos de %ene#es. lamacenta e negra a nos recordar o passado Porto Artur com toda a bravura dos vencidos e todo o ridículo dos vencedores. 8éu caliginoso ao alto. pesadas de chuva. 2lém disto. *r. Gma ladeira íngreme.SEXTA-FEIRA. 2guardo a resposta do 1). 5rancisco <elles de Earreto de %ene#es e lhe di#ia sempre que um dia apareceriam as rique#as dos padres que eram avultadas e estavam ocultas em vários lugares. com o título Portrait des sciences. ainda con"iei ao "inado %irandola um grosso volume em "ranc&s encontrado por mim. 6esponderei ao artigo do ilustrado :r. 2 lu# d7bia e intermitente das lamparinas elétricas da 8entral. de nuvens pardas. o *r. 2le)andre José de %ello %oraes. O abai)o assinado teve ao seu dispor os mais importantes documentos do seu "inado amigo.mo :r. (ieira 5a#enda. que di"icilmente nos aponta o caminho da resid&ncia do Unosso homemU.

de olhos penetrantes. 8oelho. re"estelada 3 !anela. é conhecido de toda gente. que Uhurlent de se trouver ensembleU. . sem altas ambi$4es..... 8aminhamos. mo$o. 8oelhoI :abe nos di#er onde mora o :r. 3 cata das preciosas in"orma$4es que nos prometera de véspera o senhor alto. 8oelho. 13 . passando aquela casa grande. o K9. o dono da casa lamenta o o"ício de !ornalista. HCue querI S preciso in"ormar o p7blico. 8asa modesta de empregado p7blico.n"orma=nos+ HO :r. concluímos. toda gente nos dá notícias precisas do :r. entramos. O :r. 8oelho mora no K9. H8om esta chuva. a outra. inda bem. quer novidades a todo transe e agora a novidade que se imp4e é o 8astelo. in"orma=nos opulenta mulata que go#a a noite. há no ambiente o per"ume misterioso da gruta de um derviche ou do laboratório de um alquimista.ndagamos da vi#inhan$a+ HO :r. H<em aqui o 'ombalP hein :r.. 2mável. são os seus subterr neos e o senhor é o homem "adado a nos tornar capa#es de satis"a#er a curiosidade carioca. T lu# macilenta de um l mpada de querosene os nossos olhos divisam retratos em "otogravura de 2llan Vardec e 'ombal. 8oelhoI HO 'ombalI %eu grande amigo. a escuridão tenebrosa da noite e da ilumina$ão nos não consente distinguir os n7meros dos portais. um velho abanando o cachimbo. 1ncontramos. Bá alguma di"iculdade em encontrar a casa. . meu grande amigoP.Neste cenário trágico nos encaminhamos pelas tortuosas vilas da Namboa.. em meio 3 ladeira íngreme. 8oelhoI H2li adiante. o p7blico é e)igente. por "im. e"ígies de santos pendem das paredes.

%as antes de enveredar neste caos. de "uturo. e daí o se aprestarem com tempo. são esconderi!os e nada mais. :ão largas "olhas de papel amarelado. são esgotos. no tempo de 'ombal. !á construídos. cheirando a velho. nada signi"icam. Os !esuítas eram senhores e donos de quase todo o 6io de Janeiro. 1 levanta=se para nos tra#er seus documentos. os padres da 8ompanhia cuidaram de pFr em lugar seguro os tesouros da Ordem. <odas as galerias que atravessam a montanha com diversos sentidos não "oram construídas. O atual edi"ício do convento compunha=se antigamente de tr&s andares. construindo na mesma época em que "i#eram as galerias de esgotos e as que serviam para o transporte de mercadorias. elas datam da instala$ão da 8ompanhia no Erasil. corresponde ao antigo Ko andar do edi"ício. coisas intradu#íveis aos nossos olhos pro"anos. engenhos de a$7car e casas comerciais. lhes poderia suceder. do 8astelo e lá encerraram todos os tesouros lavrando=se por esta ocasião uma ata em latim cu!a tradu$ão é a seguinte+ AD PERPE !A" "E"OR#A" 14 .O :r. di#=nos. possuíam milhares de escravos. imaginaram o que. os subterr neos de de"esa e os grande depósitos dos seus avultados bens. 'revendo assim a e)pedi$ão vingadora de *uguaW <rouin. como se tem imaginado. propriedades agrícolas. ele sabe alguma coisa. dois deles estão atualmente soterrados. Cuando a -@ de maio de -9-@ aportou a esta cidade a e)pedi$ão de João 5rancisco *uclerc cu!a misteriosa morte vai ser em breve conhecida por documentos que possuo. como !á disse. 8oelho des"a#=se em modéstia+ não é tanto assim. os !esuítas perceberam com "ina clarivid&ncia que os "ranceses não dei)ariam impune o assassinato do seu compatriota. uma rápida e)plica$ãoP 2s galerias agora encontradas. e estava por conseguinte muito abai)o do primitivo convento. H2qui temos nós toda a verdade sobre os tão "alados tesouros. nas vésperas da e)pulsão da 8ompanhia de Jesus. receosos de um provável saque dos "ranceses. 2 porta que condu#ia ao %orro. 2proveitaram para este "im os subterr neos. preciosos pergaminhos em que se mal descobrem caracteres indeci"ráveis. num gesto enérgico. mas o seu maior pra#er é abrir os olhos ao p7blico contra as "alsidades dos embusteiros. "iguras cabalísticas. Os !esuítas argutos e previdentes.

de ouro maci3o pesando %>+ marcos< a coroa da Santa .Sebastião do Rio de Janeiro.S BADO. pesando.João .Jos1.$Aos %& dias do m's de no(embro de )*)+. nos subterrâneos que se fabricaram sob este 0ol1gio. em que *.+ marcos< uma imagem de S. aprisionando os padres e cuidou sem deten$a do con"isco dos seus m7ltiplos haveres. superior. > quilates e .0onsiste este tesouro de78!ma imagem de Santo #n9cio de :oiola. dando-se uma c?pia aut'ntica a cada um dos nossos padres. de ouro maci3o pesando ). )%+ marcos< )=++ barras de ouro de quatro marcos cada uma< dois mil marcos de ouro em p?< dez mil6@es de cruzados. por in"lu&ncia de seu grande ministro e)pulsara os !esuítas de 'ortugal e seus domínios. reinando El Rei D. s? o ouro.-9/XKK@P 15 . la(rando-se duas atas do mesmo teor. o decreto de R de novembro de -9. em obedi&ncia 3 carta régia de R de novembro. al1m de um diamante de )) oita(as. das quais uma fica neste col1gio e outra segue para Roma a ser entregue ao nosso Re(-mo 2eral. !á de há muito que se achavam em lugar seguro os bens da ordem. de ouro maci3o e pedrarias. (isitador.Al1m destes tesouros foi tamb1m guardada uma banqueta do altar-mor da #greAa. grãos. prior-$ CORREIO DA MANHÃ . sendo capitão-general desta capitania /rancisco de 0astro "oraes e superior deste 0ol1gio o Padre "artins 2on3al(es.Sebastião e outra de S. Eobadella "e# cercar o 8olégio. tudo em ouro< onze mil6@es de cruzados em diamantes e outras pedras preciosas. tudo quanto se apurou em dinheiro importou apenas na ridícula quantia de R. indagamos do nosso in"ormante+ H1 tais rique#as e)istirão ainda nos subterr neos do morroI H8ertamente e eu e)plico+ Cuando chegou 3s mãos do 8onde de Eobadella. ) DE MAIO DE 1905 OS TESOUROS DOS 'ESU(TAS *iante do documento. seis casti3ais grandes e um crucifiBo. no monte do 0astelo. em que se v&em arrolados os bens da companhia.irgem./eita nesta cidade de S. pesando CC= marcos. Nomes 5reire de 2ndrade. em moeda (el6a e tr's mil6@es de cruzados em moeda no(a. pois bem.O que tudo foi arrecadado em presen3a dos nossos padres.8/rei Juan de Diaz. as preciosidades e tesouros da ordem nesta pro(5ncia. por ordem do nosso Re(-mo 2eral foram postos 4 boa guarda. José . para ficarem a coberto de uma no(a in(asão que possa 6a(er. aos %= dias do m's de no(embro do ano de Dosso Sen6or Jesus 0risto de )*)+ EAssinadosF "artins 2on3al(es. uma imagem da Santa . ambas de ouro maci3o pesando cada uma %=+ marcos. sem dissimular o espanto.irgem.8Padre "anuel Soares..0. que não est9 a(aliado. tudo em ouro.

sede capital da OrdemI H1sta ob!e$ão tem sido "ormulada centenas de ve#es e centenas de ve#es destruída como uma bolha de sabão.. 'arece que o momento é chegado. O morro do 8astelo "icou sempre. H6ealmente. depois da saída dos !esuítas. e os ob!etos de culto. etc. sem o menor arruído. tais como cálices. os vão arrancar do secular depósito. em carta dirigida ao rei em data de J de de#embro de -9. ele próprio declara.S crível que a riquíssima 8omunidade. 16 . trabalhando com prud&ncia e método. sabendo os padres que em mais ou menos tempo havia de chegar a tormenta.. casti$ais e as al"aias de seda e damasco bordadas a ouroI Cue "im levou tudo istoI Nomes 5reire 8onseguiu apenas seqLestrar os bens imóveis e os escravos. e esta parte de sua "ortuna montava a alguns milhares de contos de réis. turíbulos. quanto ao resto. pelo que se lhes não encontrou mais dinheiro >eles di#em ser quase todo alheioA que R. passada a UtormentaU. construídos na dire$ão dos pontos cardeais. não era "ácil empresa penetrar nos subterr neos e de lá retirar arcas e co"res pe!ados de ouro e pedrarias sem provocar suspeitas. engenhos. não perder tempo com escava$4es in7teis. até que mãos hábeis.-9/XKK@ de que se vão sustentando como se me decretou. condu#indo=os para 6oma.U H%as. l mpadas. nas vastas salas subterr neas. é preciso atacar o morro com seguran$a. os que condu#em ao lugar do tesouro.0+ US certo que. casas de comércio. além disso. sob a guarda vigilante das autoridades civis portuguesas e depois brasileiras. são em n7mero de quatro. entretanto. 1stes. proprietária de vastos terrenos. HOs tesouros lá estão ainda. é necessário. nada mais possuísse em moedas que aquela insigni"icante quantiaI 1 as valiosas bai)elas de prata. não teriam eles arran!ado meios de retirar os tesouros ocultos. de acordo com os documentos e)istentes e que di#em respeito 3 topogra"ia dos subterr neos. ocultamente. puseram o seu tesouro em salvamento. escravos..

JoséP 17 . :ebastião. assim como todos os papéis re"erentes 3 Ordem no Erasil e que se acham guardados em grandes armários de "erro. as quatro galerias. HNão grace!e. HS e)traordinário. a riquíssima biblioteca dos padres. 5rontin.(ão ter a um vasto salão de "orma quadrada e abobadado. HCuemI O %arqu&s de 'ombalI e)clamamos sem compreender. os co"res de ouro em pó e. 2s duas restantes cont&m os instrumentos de suplício. meu amigo. aquele encarna atualmente a alma do ministro de *. o :r. meu amigo. 1 ninguém está em melhores condi$4es de descobrir o que está lá dentro que o próprio %arqu&s de 'ombal. 8oelho. José e da (irgem. o que lhe digo não é nenhuma pilhéria. 1sta sala "ica inscrita a um largo "osso onde vão ter. que pretendia con"iscar todas as rique#as da 8ompanhia. contanto que abandonem o caminho errado e tratem de penetrar no subterr neo do alto para bai)o. protestou. ou melhor. as al"aias e uma mobília completa de mármore. heinI 1 rimos a bom rir. H:im. *uas grossas paredes dividem em quatro compartimentos a re"erida sala. 1m um deles acham=se os co"res de moedas de ouro e prata. H1stá a "a#er per"ídia. o *r. HS verdade. o %arqu&s de 'ombal ou o *r. :. senhor. 1m outra divisão se encontram as arcas com diamantes e pedras preciosas e numerosas barras de ouro. que por sua ve# tem comunica$ão com o 8olégio por meio de escadas em espiral abertas no interior das paredes.nácio. severo. . e quem "or vivo há de ver. :. o que não será di"ícil visto a e)ist&ncias das escadas em espiral que condu#em ao grande salão que lhes descrevi. antes de a elas chegar. que são uma e a mesma pessoa. todas de ouro maci$o e grande quantidade de ob!etos do culto católico. as imagens de :. 5rontin é o %arqu&s de 'ombal.

abatia=o uma neurastenia pro"unda. ocupava a diretoria da 1strada de 5erro 8entral. HSeu 5rotin. pelas iniciais+ Estrada de /erro 0a(eira de Gurro. há anos passados. 5rontin é o %arqu&s de 'ombal na segunda encarna$ãoP 1sta "rase. eu lhe darei a e)plica$ão de tudo+ venha comigo a uma sessão. o atual construtor da 2venida sentiu=se seriamente impressionado com os desastres consecutivos que ali tinham lugar. O :r. numa roda de amigos.Qamos desmaiar. amarrotando a barba ruiva. * DE MAIO DE 1905 OS TESOUROS DOS 'ESU(TAS O :r. 8oelho e)plica=nos em poucas palavras o motivo do seu acerto.. habituada 3s surpreendentes coisas de que tem sido pródigo este encantado morro do 8astelo. 8oelho bate=nos amigavelmente ao ombro e promete=nos dar os motivos por que com tanta seguran$a a"irma que o reconstrutor de Lisboa anda entre nós. %as o :r. 1 prestamos ouvido atento entre pasmados e incrédulos. 2manhã contaremos aos leitores esta bi#arra e maravilhosa história. qui$á uma íntima descon"ian$a das suas habilita$4es técnicas.DOMIN#O. de resto. %as os desastres continuavam e o povo insistia em chamar a 8entral. o :r. Ou$amo=lo+ Cuando. na meia=lu# de uma sala "rancamente iluminada. 8erta ve#. incrédulo. e)clamava :.. !á. quando um dos circunstantes. metido na pele do construtor da 2venida 8entral. HCue diaboP 1u emprego todos os meios. 5rontin. dou todas as provid&ncias para evitar desastres e sempre esta danada cábula. 18 .. CORREIO DA MANHÃ . notável engenheiro. da Aettatura que o perseguia. sugeriu=lhe uma idéia. deu=nos cala"rios 3 alma. 5rotin sorriu. 1)a. lamentava=se o :r. dita num tom "irme e catedrático.

%as o amigo insistiu; que não "a#ia mal e)perimentar, era sempre uma tentativa, que diaboP 1n"im, o ilustre engenheiro decidiu=se; "oram combinados dia e hora e a sessão reali#ou=se em uma casa da 6ua *. 'oli)ena, em Eota"ogo. O medium, um conhecido !ornalista vidente, de óculos e barbas negras, invocou o espírito do (isconde de %auá, "undador das estradas de "erro no Erasil, e este, apresentando=se, teve esta "rase+ HCue queres tu, 'ombalI O :r. 5rontin "icou surpreso e come$ou a empalidecer. 1m torno, os circunstantes não dissimulavam o espanto. H'ombalI 'or que 'ombalI Nova invoca$ão "oi "eita; e o espírito, !á desta ve# irritado, escreveu pela mão do medium+ HOra, 'ombal, não me amoleP 1ra baldado insistir; ou o espírito estava enganado ou era algum bre!eiro >que lá por cima também os háA que queria "a#er espírito. 'elo sim pelo não, "oi chamado *. José , para deslindar aquele embrulho. O mo"ino monarca apresentou=se sem demora, tratando o :r. 5rotin pelo nome de seu dominador ministro. O medium pediu=lhe e)plica$4es; e *. José, sem se "a#er rogado, declarou que e"etivamente o 8onde de Oeiras encarnara no diretor da 8entral e que estava na terra a e)piar as passadas culpas; que os desastres o haviam de perseguir por toda a vida e que assim como :ebastião José reconstruíra Lisboa, assim também 2ndré Nustavo seria o encarregado de reconstruir o 6io de Janeiro. 2 propósito do subterr neo do 8astelo nada disse o espírito; mas "ácil é concluir que, tendo sido 'ombal o predestinado a tornar e"etiva a e)pulsão dos !esuítas e a con"iscar=lhes os bens, era !ustíssimo que, na segunda encarna$ão, reparasse o mal, descobrindo os seus tesouros ocultos e distribuindo=os com os pobres. 1ra esmagadora a conclusão; realmente a carta régia de R de novembro de -9.0 não podia "icar sem conseqL&ncia nos "astos da Bumanidade.
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1 há de ter lá pelo 8astelo mais pessoal daquela época; concluiu o :r. 8oelho. HCuem nos poderá garantir que o engenheiro 'edro *utra não é o 8onde de EobadellaI Os "atos no=lo dirão. DDD 8ontinuaremos amanhã a narrativa da nossa entrevista com o :r. 8oelho e dos e)traordinários casos que se cont&m nos seus velhíssimos papéis. 'or ho!e, in"ormemos aos leitores do estado da galeria atualmente e)plorada. <em ela, como é sabido, dois lances que se encontram em ngulo obtuso e está iluminada a lu# elétrica, o que lhe dá uma t&nue mais com o século. O segundo trecho esbarra num po$o cheio dMágua até a borda; é quase certo que este po$o não é mais que a descida para outra galeria de nível mais bai)o, coisa "ácil de concluir pelo seguinte "ato+ Nas paredes do subterr neo v&em=se, de espa$o a espa$o, provavelmente destinados a coloca$ão de l mpadas no tempo em que "oi este construído e de certo ponto em diante estes nichos vão descendo, acompanhando sempre o declive da galeria, de modo que o 7ltimo avistado está 3 "lor dMágua do po$o que o delimita. O *r. *utra vai tratar de dessecá=lo e então "icará este ponto esclarecido. Ontem, 3s K horas da tarde, "oram as galerias visitadas pelos srs. intendentes municipais que lá se demoraram cerca de duas horas, recebendo do *r. *utra de 8arvalho todas as e)plica$4es. Os dignos edis mostraram=se entusiasmadíssimos com os trabalhos de engenharia tão bem e)ecutados pelos !esuítas. 2 galeria, "ranqueada ao p7blico, tem sido e)traordinariamente concorrida, entre os comentários mais estranhos e cFmicos dos via!antes; sobem a tr&s mil o n7mero de curiosos que ontem lá estiveram.

CORREIO DA MANHÃ - SE#UNDA-FEIRA, 8 DE MAIO DE 1905

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OS TESOUROS DOS 'ESU(TAS — UMA NARRATI!A DE AMOR O !ELHO C+DICE 1ntre os preciosos documentos pertencentes ao nosso precioso in"ormante, e de cu!o conte7do temos transmitido aos leitores a parte de que ele não "a# absoluto segredo, ressaltam algumas narrativas da época, sobre casos de que "oram teatro os subterr neos do morro do 8astelo, narrativas estas que, pelo seu requintado sabor rom ntico, bem merecem a aten$ão do p7blico carioca, atualmente absorvido em conhecer nos mínimos detalhes a história daquela época legendária. O grande %artius, cu!os trabalhos sobre a nossa nature#a e sobre a etnogra"ia sul=americana merecem o aplauso dos institutos sábios de todo o mundo, "a# notar que no Erasil as lendas sobre tesouros ocultos substituam as dos sombrios castelos medievos que são o encanto dos povos ribeirinhos do *an7bio e, sobre os quais grandes g&nios da arte t&m bordado obras de um pichoso lavor estético em todos os moldes da "antasia humana, se!a a m7sica, a pintura, a poesia ou o romance. Gma tradi$ão velhíssima tem alimentado entre nós no espírito do povo a idéia da e)ist&ncia de tesouros enterrados, dormindo há séculos sob pesadas paredes de monastérios, resistindo 3 arg7cia de olhares perscrutadores e acirrando a curiosidade e a cobi$a de seguidas gera$4es. 2lgo de real e)iste certamente em meio 3s e)agera$4es da lenda; documentos antigos "alam dessas rique#as e indicam mesmo, com relativa precisão, os pontos em que se acham elas ocultas. 2 recente descoberta de galerias subterr neas no morro do 8astelo vem mais uma ve# provar 3 evid&ncia não ser de todo destituída de "undamento a cren$a que, de há séculos, vem alimentando a imaginativa popular. 'rendendo=se por um la$o natural 3 história das rique#as amontoadas, aparece aqui e ali um per"il "eminino, um vago per"ume de carne mo$a, o ro$agar "ru"ruante de uma saia de mulher que vem dar aos racontos a nota rom ntica do eterno feminino, indispensável ao interesse de uma lenda que se pre#a... 'ois o nosso morro do 8astelo neste ponto também nada "ica a dever aos castelos "eudais da ,dade %édia. 1m meio 3 papelada arcaica que revolvemos em busca de in"orma$4es sobre o palpitante assunto, "omos encontrar a história de uma condessa "lorentina

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merecia que. convencionais e pautadas. não o mutilassem em uma "orma moderna.. levam= nos a tal suposi$ão. entretanto. abandonamos o propósito. Nenhum sinal. tomou com o tempo um tom vermelho sobre o papel amarelecido. 2 tinta indelével.dade %oderna. ou melhor. aqui e ali. Não é narrativa de uma dessas a"ei$4es do nosso tempo. conta=o. é a do desprender de um "orte impulso dMalma irresistível e absorvente. absolutamente anFnimo. tingir levemente a narra$ão de um mati# arcaico. 2 letra escorre=lhe mi7da e "irme pelas "olhas de papel de linho. Os leitores !ulguem pela leitura que vão "a#er da crFnica intitulada+ 22 . quase medievais. e a maneira "amiliar de que o códice "ala das coisas da poderosa Ordem. a 2mérica do :ul "oi teatro. 8onsoantes as altas autoridades "ilológicas e literárias. procuramos com um modismo. ou com uma e)clama$ão daquelas eras. resistentes e "le)íveis. de 'itta. que o desvigoraria sobremodo. por uma singular capita$ão histórica.condu#ida para o Erasil num bergantim e aqui recolhida ao claustro do 8astelo aos tempos da invasão de *uclerc. não nos sobrando erudi$ão para empresa de tal monta. Não obstante.. indício. uma emenda. O original é um grosso volume. trágicos. e pela dignidade do seu di#er e pela lu# que tra# a um ponto obscuro da história de nossa pátria. cor de mar"im velho. tra$os "uga#es. ao portugu&s Nusmão. e que. cheirando a barbacã e a castelo ameado. na . <rata=se da história de um desses amores sombrios. encadernado em couro. transladando=o para o vernáculo. talve# negra. Gm velho códice manuscrito em italiano dos meados do século O(. escudo heráldico ou mote denuncia o autor. 2 este "ato !á aludimos de passagem em um dos nossos artigos e agora vamos dar ao leitor a sua narrativa completa. Gm H n?s H riscado e precedendo a e)pressão H os Aesu5tas H entre vírgulas. "a#em=nos crer que a mão que o tra$ou "oi de !esuíta. Nuardando no tom geral da versão o modo de "alar moderno H embora imper"eito para e)primir pai)4es de dois séculos atrás. uma anástro"e. devíamos ir buscar o equivalente de sua "ogosa e hiperbólica linguagem. coevos com certe#a do autor dele.

. na cidade de S. Nar$a I BOAS E NO!AS M S H(ai=te deitar. CORREIO DA MANHÃ . na impossibilidade de conservá=lo em todo o correr da narrativa. *. 9 DE MAIO DE 1905 O TESOURO DOS 'ESU(TAS UM CASO DE AMOR 8on"orme ontem prometemos ao leitor. como "icou dito. <radu#imo=la. 8om o demo.TER$A-FEIRA. o título se alonga num enorme subtítulo. conservando apenas no diálogo o sabor pitoresco característico daquela época. de acordo com a conveni&ncia do !ornal.. meu senhor ainda não veio. e o cháI 23 .Sebastião do Rio de Janeiro. a mui 6er?ica. que ho!e muito queres trans"ormar 3s matinasIP. por ocasião da primeira in(asão dos franceses a mando de 0lerc8omo v&em.*. Nar$a Ou O que se passou em meados do s1culo H. nós iremos publicando o vetusto palimpsesto encimado unicamente pela primeira parte+ *. Eárbara. em portugu&s moderno.###. e. nos subterrâneos dos padres da 0ompan6ia de Jesus. H:inhá dona. iniciamos ho!e a publica$ão da interessante narrativa por nós encontrada entre vetustos papéis re"erentes 3 história dos !esuítas do morro do 8astelo. Nar$a H elegante alcunha da estranha heroína que o velho cronicou.

1. e no que te importa issoI HNada. 2ntes.. que parecia esperá=lo. assim que acabou. antes de "a#&=lo sacudiu das mangas da batina alguns salpicos de barro molhado. surgiu um religioso. ergueu=se com di"iculdade do assento raso em que estava.H'orventura todos os dias esperas Non$alves para te recolherI HNão. Lembrava só. 2 preta velha. H<alve# meu senhor não viesse cedo por ter "icado com o governador a a!udar o despacho da correspond&ncia das %inas e 'iratininga. 2lda. :aindo a negra. em carvalho. ia arrumando cuidadosamente os bilros sobre a almo"ada das rendas. sem bulha e suavemente. (ai=te deitar. chegada na "rota. *entro de alguns minutos a pesada pe$a moveu=se um tanto. Não se sentou logo. Jean. relu#ente de prata e coberto de lavores de talha. 24 . e por qu&I indagou pressurosa a senhora. Não éI H'ode ser. a escrava aventurou ainda algumas palavras+ H:inhá dona soube que ho!e entrou no 6io a "rota do reinoI H:oube.. respondendo. saudou "amiliarmente 3 senhora.. 'ouco tempo esteve assim. sinhá. a mulher que lhe dera ordens ergueu o busto acima do bufete e cravou o olhar num grande armário de"ronte. e tirou o len$o de 2lcoba$a. HLouvado se!a. HLouvado se!a Nosso :enhor Jesus 8risto. lhe cobria a cabe$a. %al a depondo sobre um consolo pró)imo. de tomar a ben$ão respeitosa. sinhá dona. tra#endo na mão esquerda uma lanterna surda. e da "resta aberta. porém. em coi"a.. HEem. descansando sobre a mesa o livro que lia. de roupeta e solidel. disse então com império 3 escrava a senhora. que.

a sua obesidade discrepava lamentavelmente do seu todo aristocrático.1ra um homem alto. viera com certe#a por caminho seguro e só dele sabido. armado até os dentes. ora indagadores. guiado pela lu# da lanterna. até encontrar um segundo. *epois do anoitecer. <inha dois pavimentos. Tquelas horas era e)cepcional transeuntes pela cidade. de "ormas "inas. O !esuíta que ali estava não era desses. 1m -9@0. a não ser em alguns nichos devotos. <udo "a#ia acreditar que aquele religioso não passara pelas ruas. *o 8olégio ao alto do 8astelo. ele descia para a grande cripta embai)o da pra$a de :. este bastava para caracteri#ar o religioso. dava a supor que viesse por caminho subterr neo. e em certa altura. povoando as vielas de sombras "antásticas. 25 . 8omo não houvesse chovido e ele limpasse das manchas pega!osas de barro umedecido. mil habitantes. 3s ve#es penetrantes. O térreo possuía duas largas portas e abrigava alguns escravos com a preciosa cadeirinha. nas beiradas dos telhados bai)os. Não penetrava em qualquer de suas salas. em conveniente plano hori#ontal. ora morti$os e apagados. e um clérigo levantaria maldosas suspeitas. que levava os senhores pelas martiri#antes ruas da incipiente cidade. que ia ter a :anto 2ntFnio e ao morro da 8oncei$ão. subia em rampa um desvio 3 direita. 1ra !esuíta. Cuem da rua contemplasse essa casa. José. alongado. Gm tanto obeso !á. nada encontraria de anormal. . pró)imo 3 de :. :e outro indício não houvesse. em )adre#. e estava ocupado pelos donos. :eguia pelo corredor circular até 3 galeria de Oeste. e pro"essor também.Ho que se adivinhava na convic$ão interior a irradiar=lhe pela "isionomia. pelo qual penetrava naquela casa da 6ua da 2!uda. 1 o cheiro de terra que. por um "lanco dela que bei!ava a colina. a cidade morria+ e somente um ou outro corredor de aventuras ousava atravessar a treva. havia um inteiro arsenal de análise dMalmas. velas ou candeias acesas aqui. :ebastião. No superior se abriam tr&s !anelas com sacadas de grade de pau. Nos seus olhos a#uis.lumina$ão não havia de espécie alguma. "eito adrede. logo recendeu pela sala. bem parecia que as havia apanhado ao atravessar um lugar lamacento e 7mido. ali. 3 sua entrada. o 6io de Janeiro era uma pequena cidade de -K a -.

Cuer na rua. CORREIO DA MANHÃ . e os portadores de sua liteira tinha libré própria. 1ra sempre branco o corpete e. %ovia=se lentamente. 10 DE MAIO DE 1905 O TESOURO DOS 'ESU(TAS . *elgada. sua cabe$a de tra$os regulares "igurava como um dis"orme pistilo imprevisto. 3 margem do bu"ete de !acarandá. Já "a# "rio. 'or todo o seu corpo. não havia interrup$4es ou soldagens de partes+ era "eira de um só tra$o. 2lda. na cadeira de alto espaldar e assento de couro lavrado e repregado com pregaria de cobre. o !esuíta disse+ H*á=me de beber. *. como uma cegonha nos banhados.D. dei)ava=os cair sobre as orelhas. nem a eleva$ão dos seios lhe quebrava a unidade da linha. O resto do corpo "icava=lhe envolvido no abundante pane!amento do vestuário da época. longe de tra#&=los 3 moda do tempo. levemente.<al era a casa de %artim Non$alves 2lberna#. erguido atrás da nuca... e empastando=os 3 esquerda e 3 direita. (estia de branco. 2lda levantou=se e tirou do armário um pichel com vinho branco e dois copos.. :ebastião. e as c nulas do cabe$ão em leque. Bavia bai)ela de prata e porcelana da Qndia. ela era como um "rágil cani$o.. eram como pétalas de uma dália e)travagante. *e pé. Logo que se sentou.QUARTA-FEIRA. Os cabelos negros. almo)ari"e do paiol da al" ndega da cidade de :. unindo=os nas costas em novelo. 2s más línguas di#iam que nelas se cortava 5a#enda 6eal. repartia=os ao meio da testa. vestia=se com rigor.. mas outros pretendiam que a senhora possuía bens e abundantes cabedais na terra do seu nascimento. permitia entrever a opala de sua pele.. #AR$A I 26 . O seu servi$o era lu)uoso. esguia. aberto triangularmente no colo. quer em casa.

e o desespero... O padre calou=se. "oi preciso ir buscá=lo a um batuque. unicamente. merece piedade. <odos saberão que au)iliamos um incontinente ímpio. não pode tolerar tais desmandos. :abes que ele come$ou alto. 2manhã. Jean. *ava grandes 27 . para a tare"a e)traordinária da chegada da "rota. O que sinto por ele. dei)a=o. 2!udá=lo não nos será possível. 2lda sorriu e bai)ou um tanto a cabela enigmaticamente. NãoP dei)a=o viver.%. Bo!e. di#endo+ H1sse miserável !á veioI HNão. perguntou. 2té aqui temos dito que é ímpio nos atos. pena de o ver perseguido pelo mau "ado. HCuem sabe que não o amasI perguntou grace!ando o clérigo. despedido do servi$o real. S desgra$ado. H<em dado um imenso trabalho. H*ei)a=o viver. é dó... o governador quei)ou=se dele ao reitor. lá para as bandas do (alongo. até quando a nossa casuística lhe valerá.. HBá dias. esse tal teu marido... despedindo um olhar diabólico+ H1 se tu enviuvassesI HOhP Não. mas nos sentimentos não. 2lda. pena. 2té agora t&mo=lo salvo. mas não sei. "reqLentemente se embriaga. respondeu 2lda. H1uP ohP "e# com um mu)o)o a mo$a. H8omoI indagou complacente. Jean.. e depois de alguns instantes. 1le tem segredos que talve# não os guarde sempre.>0ontinua3ãoA O padre seguiu=a com os olhos. provou o seu. continuou. 1 eu não sei. HNão sei se sempre poderei "a#er isso.. 1 logo que ela voltou.. anda amancebado com negras.. encheu os dois copos. errará na miséria.. Não guarda as conveni&ncias. *isse o mesmo governador que a dignidade do servi$o de :.

HEoas e más.... H1u sei. Cue é que tensI 28 .. "oi viver indignamente pelas sar!etas de Lisboa. e uma "rase portuguesa que repontava.. de uma hora para outra. 2lda. mas.esperan$as em 8oimbra. Cue éI HOlha. HEoasI inquiriu a mo$a. 2hP :e algum dia. Cue coisaP <u nem pareces o mesmo. HS velho. HOuve.. %etes=me medo. H%as que olhar. JeanI perguntou com meiguice a mo$a. H2 da coroa da 1spanha. e não tarda que os seus murm7rios cheguem aos ouvidos da 8orte. mas a popula$ão murmura. até que. 1 da guerraI HCue guerraI espantou=se o religioso. "e# com raiva o clérigo.. sei. HCuais sãoI H1l=6ei "oi aclamado. H'retendesI HNão pretendo. H%as o que é. trans"ormou=se.. H:abes que temos novas do 6einoI perguntou o padre. esquecido dos livros. mas. Os dois misturaram o "ranc&s e o italiano. oraP H1m que te interessa elaI H%uito. e. levantando=se da cadeira. Jean.. 2lda. <u me inquietas. enches=me de #elos. sonori#ava mais o diálogo.

esteve algum tempo analisando a "isionomia da mulher.. Os nossos irmãos da 5ran$a sabem=no com "irme#a. H2ldaP <oma ten&nciaP 1u te vou transmitir um sagrado depósito do meu voto. 1stá rica a cidade. Ouve=te e cala=te.ntendente das 5inan$as tratava com o %inistro da 5rota os navios reais a ceder.H1u te e)plico com vagar. Os capitães !á estavam levantados e o . se lhe escapava arrancado pela dama dos seus pensamentos. convém que "ique oculto. Luís O. O padre. desesperado do es"or$o que "i#era para penetrar=lhe no íntimo. para que não se suspeite até onde vai o poder da 8ompanhia. :ebastião. :entindo que o segredo. senão. vai proteger uma e)pedi$ão que se arma contra esta cidade. 8omanda=a. "e# com galanteria *. e embora se!a de pequena import ncia a sua revela$ão. como estranhando a pergunta.. HCuemI HOhP 2ldaP Cue pressaP 29 . disse com ardor o !esuíta.(. 1la tinha um ar ing&nuo. 2lda. respondeu sem re"letir o padre. na "rota que chegou ho!e veio para nós um aviso. JeanI HS seguro o aviso. revelei o que con"idenciasI <enho ami#ades na cidade. mas se aprestava. O padre então prosseguiu+ H2 e)pedi$ão é contra :. retrucou mais seguro o clérigo. nem o meu amor te salvará.perinde ac cada(er. HOu$o e--. Olha. S presa certa e "arta e em breve ela aportará. pouco a pouco. o padre resolveu "alar pouco. :erá "orte e trará grande cópia de homens para o desembarque. e a rique#a das minas "a#em=na cobi$ada. O !esuíta. HS certo que se diri!a pMr aqui. H2caso. e respirava uma enorme "ranque#a. tomando precau$4es. HJá estava armadaI indagou com curiosidade a mo$a. respondeu+ H2inda não. para que o possa "a#erI HEem. Ouve. alguma ve#. disse o padre sentando=se. :ire.

. H1ntão de quem "oi a carta da 2mérica portuguesa que ele recebeuI HCue cartaI 30 . %arqu&s de 5ressenecI O !esuíta. Jean.. 8ondessa 2lda de Lambertini.. um marinheiro obscuro que quer "a#er "ortuna em empresas arriscadas. assim chamado pelo seu antigo nome do século. é 5ran$ois *uclerc. *emais.HNão há admirar. H1uIP H:im. 12 DE MAIO DE 1905 O TESOURO DOS 'ESU(TAS .. 8ondessa.. Cuem a comanda. ob!etou "irmemente a senhora.. 2inda amas o criouloI HNão o amo.D.. S do teu saber que tenho grandes conhecimentos em 5ran$a. "oi ao chamado da pergunta+ HEo"éP Cue tens ra#ão.. H2ldaP *issimulas. e bem deves ter veri"icado isto. HNão te espantasI H*e qu&I *e medo. estou bem protegida.sso em meu bem. <ens ra#ão. #AR$A I >0ontinua3ãoA H2hnP S *uclerc. CORREIO DA MANHÃ . re"letiu com indi"eren$a *.SEXTA-FEIRA.. da Nuadalupe. para evitar encontrá=lo. 2lda. Eem depressa recobrando a primitiva calma.. . e por isso convinha que soubesse quem era o comandante. e no teu. escondes. o nome não é tão ilustre assim. estremeceu na cadeira. não podia ser. 2ssim não cr&s. escondes algum segredo.

%arqu&s. piedade. vingativos.. Cuero penetrar.. 1m outras ve#es ameigava a vo# com um "orte acento humilde. pois numa terra dessas. Cueres di#er que a carta "oi minha. depois dela. o império... devassar arcanos do teu pensamento. e euI HNão é o mesmo. H1 tu me querias alegre... não sei que #elos me sobem 3 alma. havia de ser eu. andas sempre triste. sempre tens considera$ão e poder. Jean. trai$4es. de um só !ato. para viver nesta "eitoria cheia de negros e selvagensI H%as. 8onheces o quanto ele é "orte e imperioso. H1 te aborreceI 31 . eu ve!o trai$4es. "alar com ardor e pai)ão. Os nossos irmãos de 5ran$a pretendem que ele recebeu uma carta de 'ernambuco ou daqui. quando o passado me vem. ora. S um amor in"ernal. No teu gesto mais "amiliar. provocou a e)pedi$ão. a gentalha deste lugar tem por mim dó. enquanto que eu. 8edo bordava as palavras de uma t&nue ironia para. e. e que. por ter demasiada "or$a. uma "raca mulher. numa palavra dita a meio. 'erdoa=me. sequiosos e d7cteis. *e resto. uma carta. como a bala que. quando dei)ei a considera$ão. depois. H2hP 8ompreendo. Nem pareces o "idalgo de quem %me. Ss o respeitado irmão pro"esso da 8ompanhia de Jesus. HNão chores. Cuando o passado me vem. HOra. que tenho o sangue de Louren$o. não éI HS. transmonta e passa além do alvo.. lhe saiu dos lábios a 7ltima "rase. o pranto al!o"rava=lhe as "aces de cetim. de %ainte me di#ia ter tanto espírito como o "amoso cura de %eudonP Nem pareces o !esuíta que em poucos anos preencheu os quatro di"icultosos votos da OrdemP 'ois numa terra em que abundam aventureiros de toda a casta. gargalhou a condessa. no modo por que bebes o vinho.. e quando. me desvaira. 'or ele so"ri. a posi$ão. a quem a Ordem de Jesus protege Hhavia de ser eu quem chamaria corsários contra elaI 2 condessa italiana tinha "ala"o com várias entona$4es na vo#. continuou o !esuíta com ternura. a minha penetra$ão me engana. 2ldaP S meu amor que me "a# assim. 2lda.H:im. o %agní"ico. so"ro e so"rerei durante as minhas duas vidas.

e quando o poviléu p4e alcunhas meigas é porque sente muita desgra$a no alcunhado.. com a piedade da mais ín"ima gente da terra todaI HOhP 2ldaP.. H1spera. 2deus. HNunca mais. a *. bai)ado de tom. Ninguém se apieda de ti. 2lda. Jean...H8omo nãoI como não se há de aborrecer a UconsideradaU condessa. 2qui en)ovalhei=me. H:ossega. O diálogo. *. 2lda. Ninguém se lembrou ainda de te pFr doces alcunhas. Não compares. H1 por que issoI 'orque é bonita mulher de um "uncionário secundário. aos poucos. que a abandona e se embriaga. Nar$a.. e a glória de emular com os 6acine e os 8orneilleI Os dois sacri"ícios se equivalem. 32 . não se casou com ele. tinha. 1 os dois bei!aram=se por longo tempo. depois de impetuoso. 2lda. H<u te vaisI inquiriu com espanto a condessa. pensa melhor. que o clérigo rematou. e lá. Não v&s que também eu desmereci da honra de "reqLentar a mais bela corte do orbe. H2deus. *e volta da missão que vou pregar. Nesta cidade. 2lda. 1ntretanto. serás restabelecida na tua posi$ão. sossega. então. Nunca. vendo o padre acender a lanterna.. Jean. ahP nem sabem. Bá capítulos. voltarei 3 1uropa. e tem por esse indivíduo a piedade que envolve também os vermes. aconselhando+ H*orme. :up4em=me amá=lo. e seguiram= se a estas palavras pequenas "rases e)plicativas. N26Y2. HOhP Jean. ama=me sempre. essa bela mulher não o ama. como me chegam a chamar "amiliarmente. sou a N26Y2. H(ou.

Cuatro salas. guardava ainda a penumbra característica das salas religiosas. Gma das quatro destinava=se aos capítulos secretos. O salão dos capítulos. antes de penetrar a estreita porta do subterr neo.2 condessa. esquarteladas. era um toda a sua e)tensão revestido de grossas la!es com as !untas tomadas 3 argamassa romana.DOMIN#O. abriam as portas para o grande toro oco que a galeria "ormava. guarnecido de grandes armários cheios de livros. Já alcan$ava o grande conduto oeste das galerias do 8olégio. logo que o clérigo saiu. demandando o salão dos capítulos secretos. a!oelhou=se ao oratório e. Gm pensamento tena# e sombrio retardava o seu andar. imperceptivelmente. Nra$asP 1le vem. irmão pro"esso de quatro votos da 8ompanhia de Jesus. #AR$A II OS TESOUROS O padre João de JouquiZres. embora "ortemente iluminado por um grande alampadário de prata e uma pro"usão de candelabros. murmurou em vo# quase imperceptível algumas palavras 3 escrava. as restantes eras as casas= "ortes da Ordem. minha Nossa :enhora. 1studando as constru$4es combalidas da 8idade 1terna. *e onde em onde parava. >0ontinuaA CORREIO DA MANHÃ . disse+ HNra$as a ti. 2lto e cFncavo. e. a milícia de 8risto lograra saber a composi$ão dos cimentos usados nelas. "a#ia como quem quer voltar. %archava vagaroso. 1& DE MAIO DE 1905 O TESOURO DOS 'ESU(TAS . e nas suas edi"ica$4es eram empregados iguais com pro"ici&ncia e sabedoria. :eus passos na crasta la!eada ressoavam lugubremente. tomou o seu rumo.D. após "reqLentes hesita$4es. em seguida ao que. 33 . penetrou na grande galeria em circun"er&ncia.

em ouro de lei. se deviam guardar as ricas al"aias. dando= lhe o toque simbólico de pro"esso. se viesse a durar du#entos anos ou mais. de "orma que. Nuardara=as em -? grandes arcas de madeira do país. com elas. a ocupa$ão da cidade. o 6eitor ergueu= se. correu ao !esuíta mais pró)imo. acompanhado dos demais. o presidente do conclave e)plicou o motivo da reunião. 1ra conveniente precav&=las em lugar seguro. (agarosamente chegaram os restantes e. O reitor "alava em latim. dos capitulares. 3 esquerda. as grandes rique#as da Ordem corriam perigo de saque. que as portas das salas deviam ser vedadas e parte dos subterr neos destruída. em curva aberta para a mesa. 1m um canto repousavam instrumentos de pedreiro e um cai)ão com argamassa dosada. logo que "oram do#e. tendo lembrado alguns trechos da "onita Secreta. nunca lograssem descobrir os valores. 'rocurou entre as nove cadeiras a sua. 8risto e os apóstolos !á estavam na sala do :ol. os paramentos e as imagens de 8risto e dos apóstolos. O clérigo e)pFs o que "i#era. segundo o seu modesto !ulgar. Lembrava também que. tinham um ou outro pro"esso. 2mea$ada a cidade de uma invasão. e. e as cátedras do 'rocurador e do :ecretário.<odos os capitulares não tinham ainda chegado. nove. 2ssim que o padre João entrou na sala. 2 seda va#ia aguardava o 6eitor. 2s amplas curuis. encarregado do acondicionamento das rique#as. sentou=se com desembara$o e esperou. 2s sílabas destacadas da língua arcaica voavam pela sala com um estalido seco. deu a palavra ao padre :araiva. e também lhe parecia. tanto mais que tinham decuplicado com o recebimento de e)traordinários valores da [sia. do 8olégio de 2ngola e de algumas províncias da 2mérica. Cuando o reitor acabou. ao dela e em "rente 3 grande mesa oval. 34 . e pronunciou claramente+ 8Ad maAorem Dei gloriamOs padres repetiram as palavras. não estavam ocupadas.

chegado de 'iratininga. grande "oi a minha di"iculdade na escolha. o "ilho do 2nhangLera re7ne meios para continuar a empresa do pai. me ha!a ordenado receber o mais possível aos 'aulistas nas suas entradas. H1)ige=se=lhe coragem. antigo %arqu&s de 5ressenec.*eu "im 3 sua e)plica$ão. Bumildemente. espero a opinião de (ossas 6ever&ncias. o paulista Eartolomeu Eueno da :ilva. o 'adre 'rovincial. porquanto. O presidente da 2ssembléia então continuou+ H:endo o voto de todos o meu parecer. 2 permissão que tinha do Neral para se servir dos subterr neos da Ordem a "im de eBperimentar as grosserias do mundo. o :anto 1spírito iluminou=me e escolhi=o no padre pro"esso João de JouquiZres. observou+ H(ossa 'aternidade muito se há de espantar do pedido que vou "a#er. 'aulo. intelig&ncia. parecia pF=lo a coberto das e)pedi$4es longínquas. 1)pFs+ HBá alguns anos. 'adre %anuel de 2ssun$ão. e aí encontrou minas de ouro "artas e ricas. rematou o 6eitor. penso que o escolhido também será da vontade de (ossas 6ever&ncias. *evia partir um missionário o quanto antes. 1 como :ua 'aternidade. o padre reitor anunciou a segunda parte do capítulo. padre 6eitor. observou. achando o alvitre bom. Ninguém supunha "osse ela recair no irmão Jean. boa cópia de letras e solércia. Lida e assinada pelos do#e iniciados na %onita :ecreta. H*eve ser quanto antes a partida da missão. com a leitura da ata que lavrara. o An6angIera. 35 . resolvi despachar um pregador 3queles brasis. 2 assist&ncia recebeu com um estreme$o a decisão. e. <odas as conclus4es "oram acordes com o padre 6eitor. seguir=lhes as pegadas. O escolhido "oi quem na apar&ncia menos se admirou. ao que ouvi em :. responderam os capitulares em coro. 'edindo a necessária v&nia. H2ssim será. entretanto. como dentre (ossas 6ever&ncias sobre desses. penetrou no sertão dos índios Noianases.

H(ossa 6ever&ncia "ará merc& de relatar os embargosI ob!etou o 6eitor. H8reio escusado di#&=los. care$o de "or$as para suportar as agruras do sertão. até ali contidos. padre João. disse o padre JouquiZres. >8ontinuaA CORREIO DA MANHÃ . desde dois anos dedico=me ao estudo acurado das línguas americanas. 15 DE MAIO DE 1905 OS TESOUROS DOS 'ESU(TAS . tinha aos poucos anulado todas as ra#4es do mo$o religioso. trocando um olhar de intelig&ncia com o 6eitor. com os novos elementos colhidos. ob!etou teimoso o 6eitor. se encheu de ódio e raiva. #AR$A II OS TESOUROS >0ontinua3ãoA O padre reitor.. "e# com do$ura o padre.H(ossa 6ever&ncia pode "a#&=lo.. que sentindo=se derrotado. pois que bem são sabidas de (ossa 'aternidade as ra#4es do alegado. o !esuíta "ranc&s e)plicou+ H*e "ato. a dist ncia é grandeP H2 prática de meses a!udará (ossa 6ever&ncia. mas daí a "alar. retrucou o 6eitor.SE#UNDA-FEIRA. H8ontudo (ossa 6ever&ncia deve declará=las 3 casa. *emais.D. assegurando com "irme#a+ H:aberá (ossa 'aternidade que não irei. H:olicito de (ossa 'aternidade dispensa de tão gloriosa missão. HNão é mais (ossa 6ever&ncia o douto sábio que. velha raposa !esuíta. H*ébil de corpo. :em se dar por achado. corrigia o catecismo do padre NavarroI indagou com ironia o 6eitor. 36 . não conhe$o su"icientemente a língua geral.

'ró)imo o "ogo crepitava. 2postolando no %adeira. levando aos selvagens boas novas do sagrado evangelho. H'orventura estareis esquecido da obedientia coeca. 1ra a esse homem que o padre JouquiZres tão abruptamente desa"iara. <emeram pelo antigo %arqu&s. *o Neral que tudo pode e manda. bem cedo mostrara o seu grande ardor apostólico. voou "ero#. O reitor crispou os dedos e ergueu=se da cátedra. é que !á está esquecido em demasia. de olhos untados de beatitude postos ao alto. admiraram aquela insensibilidade. e quer ser obedecido. e só quisera uma glória H o martírio.Os de# capitulares "icaram atFnitos e pálidos. e plenos de supersti$ão soltaram=no respeitosos. 1ra um homem bai)o. quase obtivera. Cuando os selvagens voltaram e contemplaram a sua "isionomia plácida. Naspar Burtado continuou a pregar e "undou quatro aldeias. não estou. doente. %arqu&s de 5ressenecI Cuem vos disseI 37 . padre Burtado. Gm en)ame de vespas. prisioneiro dos "uras. repentinamente espantadas com a "uma$a. 2ndara K@ anos pelo :olim4es. serena. es"aimado. <inha a con"ian$a que os impressiona e a a"abilidade que os rende. descarnado e nu. 8onheciam o reitor. pro"essara no 8olégio de Svora. mas a sua "or$a dMalma a"astara=o dele. trans"ormaram=no numa chaga só. (ossa 'aternidade. 1spanhol de nascimento. 2bsolutamente. a pure#a de sua "é. "ora amarrado ao poste do sacri"ício. 1ntreolhavam=se. magro. a sua inquebrantável energia. :ob a sua te# tostada havia o ba$o dos ictéricos. 1ste. *epois de pro"esso só tivera um dese!o H apostolar. que !urasteI indagou o reitor. %andado para o 'ará. H1 quem vos disse que ele está sendo desmandado. anguloso. %ordilharam=lhe o corpo. 1s"arrapado. me parece. HCuereis "alar da autori#a$ão especial que tendesI H:im.

sou livre.U Não é issoI O velho missionário. não há quem me possa tolher os passos. sou *eusP Os pro"essos continuavam calados. U. quero t&=la bem perto de mim. O 6eitor levantou=se e mansueto discorreu+ H*eus é rei dentro de vós. padre 6eitor.. do amor. ao meu cora$ão. bem !unto. *e nada vos valeu vossa nobre#a.. Não irei. HLerei. caiu em cólera. os compromissos. 'ensais issoI Cue enganoP Bumilhado. (ínheis corrido da glória. que me importam eles. 'adreP *entro da minha alma. :abei. há quin#e anos. argumentar. vosso talento. <ena#mente re"utado.. HCue me importam os !uramentos. no entanto. :ou homem.. hei de amar. disse o 6eitor com calma e re"le)ão. mas quero amar. mas quis. tinha dado com o tópico. levantou=se de um salto da cadeira. o meu 2mor.. logo ao tirar a cópia da carta de sob as vestes. despicado com o mundo. não me apra#. :ó a Ordem brilhava nas trevas dessa noite de vossa vida.. *esconhe$o em vós esse poder. H(ossa 6ever&ncia parece ter esquecido o !uramento+ perinde ac cada(er. 8om o olhar aceso. O antigo marqu&s percebera argutamente a "inura do superior. :abiam até onde ia o poder da Ordem de Jesus. %ediam as suas "or$as ocultas e os perigos que corriam um per!uro dela.H6elembrai=lhe os termos. Cuero o in"erno nas minhas duas vidas. 38 . 'adre. se se antep4em ao meu amor. Não irei. quero persegui$4es. di#endo+ HNa terra. Cuero amar. sou rei. quero amar. a minha 2lda. enquanto "or para bem dos interesses da Ordem. :erá melhor. batestes 3s nossas portas. misérias. assistiam com ceticismo 3quela revolta.. Os pro"essos cabisbai)os. Eatestes e receberam=vos. e a preste#a com que o achou dava a entender que muito meditara sobre ela e a interpretara segundo as suas conveni&ncias. concedo=lhe a gra$a de e)perimentar as grosserias do mundo..

Na alma do marqu&s havia o caos. 2 \ilegível]. sossego. 1)pulso. <udo o que quisestes em 5ran$a.. padre Naspar voltou=se para o irmão :ecretário. #AR$A II OS TESOUROS >0ontinua3ãoA 1ntrementes. e lhe disse+ H'rol"a$as que obrastes bem. pensava. Nada vos e)igiu de sacri"ício até ho!e. acovardado. O !esuíta pu)ou uma "olha de papel e pFs=se a escrever. João. 2cabando de di#er estas palavras. sede rei. de acordo com as . 8omo se vosso amor não proviesse da 8ompanhia. seu amor era uma esmola da Ordem. "le)ível. ergueu o pro"esso do la!edo. erraria pelas aldeias e vilas. sede *eus. o que aqui ouvistes. 1ntretanto.SEXTA-FEIRA. calmo e meigo. 19 DE MAIO DE 1905 OS TESOUROS DOS 'ESU(TAS . mas notai bem+ o que aqui vistes. como se ele não "osse uma esmola da OrdemP %arqu&s de 5ressenec. há quin#e anos. perdoai=me. ela vos pede agora uma pequena priva$ão. padre reitor. só obedi&ncia. tudo se baralhava. O semblante do velho religioso resplandeceu e. CORREIO DA MANHÃ .. recomendando+ H(ossa 6ever&ncia "ará merc& de lavrar o compromisso de e)pulsão. vos deu pa#. porque tinha ra#ão o 6eitor. a 8ompanhia vos deu aqui. por toda a parte segui=lo=ia. 39 . a Ordem.D. que sois rei. a!oelhou=se e implorou+ H'erdoai=me. não ouvistes.. sem classe. como de antemão se contasse com aquela cena. vos deu também amor. sem mulher.. abund ncia. o marqu&s recostado 3 guarda da curul. ob!etais orgulhosamente que sois *eus. não contente. sem parceiros. nem um sentimento de"inido. 'or "im. O amor "ugir=lhe=ia.1la.nstru$4es :ecretas. Cue seria deleI :ó. que vosso amor não quer. não vistes. <udo se chocava. Não vos pediu ela.

"ebrilmente. as grandes arcas desciam por ele. e a noite ia alta. Já tinham descido quin#e cai)as. Cuatro saíram e "oram se postar em um compartimento mais alto. removiam as arca#es para as salas pró)imas. 1 3 indi"erente lu# da grande al mpada de prata. 1 para os capitulares reunidos+ H<ransportemos agora para as salas as rique#as da Ordem. e dois nos pés. veio cair no centro do salão. coríndons e ametistas. arredando um grande armário de !unto da parede. 8om um sistema misto de roldanas. semeadas pelo la!edo. 'ara o aposento superior. *iamantes e rubis. os padres. pérolas. pequenas e mi7das. do a#ul. ágatas. turque#as. 1ra a 7ltima. aos poucos.1m seguida recomendou ao padre secretário+ H6asgai o ato. que come$ava no aposento a cavaleiro. Gm grande diamante da Qndia. 6ubros pingos de sangue vivo desmaiavam 3 "osca lu# das pérolas. "icaram a reunir aquelas rique#as dispersas. crisólitas. e daí para bai)o vinham dessa maneira. trope$ou no caminho e resistiu 3 tra$ão. dei)ando ver um largo conduto inclinado. "aiscava no centro. levadas por escravos e gente a soldada da companhia. 2 um só tempo os oito padres deram um 7nico pu)ão no cabo de linho. "aiscando. principescamente. cabos e plano inclinado. Os padres se ergueram. 'or bai)o da película verde do brilho das esmeraldas havia coriscos a#uis do cintilar das sa"iras. cada uma de per si. %al a!untavam na abertura. nas al$as da cabeceira.. mati#es do verde. misturavam=se. como um sol. despeda$ando=se. 2 cai)a escorregou e. caldeavam=se. brilhavam. DDD 40 . padre :araiva introdu#iu uma talhadeira entre os la!edos.. grandes. agachados. tal como as esqui"es. <odas estas precau$4es "oram tomadas a "im de melhor guardar segredo. 6etirado o móvel. do vermelho. as rique#as tinham sido. uma a uma. turmalinas. a das pedrarias. Os oito restantes "icaram no mesmo aposento. <ons cambiantes. dado o impulso que tinha. dois padres. O alampadário tinha a mesma lu# e os candelabros haviam recebido novas velas. quando a décima se)ta.

20 DE MAIO DE 1905 OS TESOUROS DOS 'ESU(TAS . "ora o amor. unicamente o amor. "ora o receio de perder. cheio de nobres e cavalheirescas a$4es. "i)ava=se nas pedrarias espalhadas pelo la!edo. bra$os cru#ados sobre o espaldar da cadeira. seria pasto da lubricidade dos outros. da pa# monástica do colégio. era de "or$a a abater o nimo do clérigo. o marqu&s relembrava o seu passado. "atal. a vingan$a viria depois. dominador. porém. com a roupeta de !esuíta. 3 quebra de vaidade de homem. seria talve# a perda de sua vida.S BADO. >0ontinuaA CORREIO DA MANHÃ . 1 com os bra$os apoiados no espaldar da velha curul. 5ora sempre um "orte nas lutas de política como nas do cora$ão. 'adre João "i#era bem. apagara=lhe do peito a chama vívida de um orgulho indomado. com um sorriso diabólico a brincar=lhe nos lábios. 2 8ompanhia era "orte. nada disso. !amais ele se curvara a uma imposi$ão ou a uma amea$a. a sua querida 2lda. entre as paredes do claustro do 8astelo. era quase onipotente. 2 e)pulsão seria a perda do poderio. o !esuíta "i)ava as pedrarias esparsas. 1ntretanto agora se haviam dobrado os seus !oelhos numa s7plica e os seus lábios a"eitos ao mando tinham murmurado "rases de perdãoP 1 tudo isso por qu&I Gm amor intenso. O que o obrigara 3quela humilha$ão. obcecava=lhe a ra#ão. o seu olhar. intenso e vivo. vagaria solitário pelo mundo. 1m seu espírito uma íntima revolta "lame!ava. cedo ou tarde. a sua 2lda. e aquela por quem abandonara o mundo.'adre João conservava=se a dist ncia.NO MORRO DO CASTELO 41 . 1)pulso dela. na humildade do seu arrependimento.

como os precedentes. que segue a dire$ão do 8onvento dos 8apuchinhos. que parece ser a mais importante das tr&s até agora encontradas. a sua constru$ão "oi mais cuidada e obedeceu aos preceitos da arte de construir compatíveis com os progressos da época. gargalheiras. segundo re#am a crFnica e a lenda. deve ser esta a galeria mestra. a narrativa que tanto interesse tem despertado e que tão intimamente se prende ás descobertas dos subterr neos do morro do 8astelo. 5rontin o interessante achado. Lauro %Lller. tendo sido ontem visitada pelos *rs. estão encerrados os tesouros dos !esuítas. general :ousa 2guiar. senão documentos da Ordem de Jesus. em bonde especial. condu#indo 3 vasta sala subterr nea. que de pronto chamou a aten$ão do *r. 8ontinuaremos amanhã a publica$ão de *. :egundo as in"orma$4es "idedignas que em dias consecutivos publicamos. O novo subterr neo. parece não conter ele metal. polés. não é. guardando sobre o caso o mais completo sigilo. Gma enorme pedra de cantaria obstruía=lhe a entrada. 42 .A DESCOBERTA DE UMA NO!A #ALERIA Ontem. aberto simplesmente a ponteiro no moledo. *utra o qual resolveu sem demora comunicar ao *r. removida esta. 'ela leve#a do co"re. 2 nova galeria. a 2venida 8entral. 3 uma hora da madrugada. os trabalhadores sob a dire$ão do hábil engenheiro 'edro *utra. onde. encarregados do arrasamento do morro do 8astelo. Nar$a. descobriram uma nova galeria. 8hagas *ória e vários engenheiros da avenida. correntes. 1mílio Eerla. etc. pregos. penetraram no subterr neo o engenheiro *utra e alguns operários de con"ian$a e logo "icou patente a import ncia da descoberta. que em seguida percorreram. ao que parece.Net7lio das Neves. 5oram encontrados no meio do barro lamacento restos carcomidos pela "errugem de instrumentos de suplício. 'essoa que assistiu a este trabalho garantiu=nos ter sido encontrado um pequeno co"re de madeira cintado de "erro. !á está e)plorada na e)tensão de de# metros. agora destruída por via do arrasamento do secular edi"ício. 'aulo de 5rontin. 2bre=se a porta que para ele dá ingresso ao pé de uma velha escada do :eminário.

Não se trata de uma galeria e sim de uma sala subterr nea revestida de ti!olos. Obra antiga e sólida. 2inda não está desentulhada e a sessenta metros torna=se nela di"ícil a respira$ão. CORREIO DA MANHÃ . que come$a a se alargar depois de tr&s metros. 2 primeira está com a abóbada descoberta e ainda não está desentulhada. grandes la!es suportavam a terra. :obre a notícia que demos ontem do aparecimento de uma nova galeria. 2 galeria que está sendo desobstruída "icava e)atamente num corredor do seminário de serventia privada dos padres. 2 outra galeria. <&m sido encontradas várias balas rasas e outros instrumentos de "erro carcomidos pela "errugem. Os trabalhos continuaram toda a noite devendo ser suspensos ho!e de manhã. 5oram também encontradas algumas garra"as. *aí em diante é uma vasta galeria revestida de ti!olos e onde pode andar 3 vontade o homem mais gordo e alto.CORREIO DA MANHÃ . sobre as quais "oram construídos os suportes das vigas que agLentam o corredor. só a picareta poderia pF=la a descoberto. temos a reti"icar um ponto. *esta saem duas galerias+ uma que corre paralela 3 avenida e outra que segue em dire$ão ao convento dos 8apuchinhos. con"irmando o que di#em os roteiros. 21 DE MAIO DE 1905 NO!AS #ALERIAS — UMA !ISITA 'ouco a pouco vão se desvendando os mistérios das lendas seculares do morro do 8astelo e a picareta dos trabalhadores vai descobrindo galerias.DOMIN#O. 2% DE MAIO DE 1905 43 . onde ontem penetramos gra$as 3 gentile#a do *r. 2cima da abóbada. tem a boca estreita. *utra de 8arvalho. O mesmo acontece 3 sala.TER$A-FEIRA. salas subterr neas.

NO!AS #ALERIAS Os trabalhos de desobstru$ão das novas galerias descobertas no sábado. <&m sido encontrados vários peda$os de "erro carcomidos pela "errugem e cu!a serventia não se pode precisar. O *r. 2& DE MAIO DE 1905 AS #ALERIAS DO CASTELO O caso do dia que ainda preocupa a aten$ão do povo é incontestavelmente o das galerias do %orro do 8astelo. 2 galeria que seguia sentido ascendente do morro "icou limpa até a dist ncia de sessenta metros.QUARTA-FEIRA. CORREIO DA MANHÃ . sob a hábil dire$ão do ativo engenheiro *r. *utra de 8arvalho. como dissemos ontem. *utra de 8arvalho. Ontem 3 tarde "oi encontrado um cruci"i)o. 'aulo 5rotin. 2lém daquele engenheiro visitou as galerias o *r. Na ocasião em que se procedia ao desentulho da grande galeria desabou um peda$o da abóbada. que se sup4e ser de ouro e que mede cerca de oito centímetros. em visita que se "e#. bi"urca=se. em duas galerias+ uma em sentido reto e outra em dire$ão ao convento dos 8apuchinhos. <ambém "oi encontrada uma imagem de madeira do :enhor dos 'assos. que segue em sentido ascendente do morro. e aí bi"urca=se em duas dire$4es. suspensos por motivo do descanso dominical recome$aram ontem sob a dire$ão do *r. deu várias instru$4es para este servi$o. 2 galeria. 44 . %inistro da (ia$ão. vai desvendando os mistérios das galerias. Lauro %Lller. <ena#mente a picareta dos trabalhadores da 2venida. não tendo "eli#mente havido vítimas. 5oram instaladas l mpadas elétricas na parte desobstruída devendo o servi$o prosseguir sem interrup$ão.

uma praia#ita alva. *e repente. O rio se adelga$a e a corrente#a aumenta. ondula em graciosa curva. 8omo se v&. ainda dos que vieram meninos no resgate de 'ires de 8ampos. 2s 7ltimas árvores se inclinam e as lianas pendentes rasam 3 super"ície prateada. 'aulo. é pouca coisa. o que em breve saberemos com o prosseguimento das e)plora$4es. Cuatro cara!ás.. o !esuíta parte do 8olégio de :. T popa. :eguem=se barrancos de dois lados.. 2 (ingan$a do Jesuíta *emandando os índios Noianases. límpida. segundo a "abulosa narra$ão do An6angIera.2 primeira interrompe o seu tra!eto por uma la!e. cu!as mulheres. 2 montaria desli#a mansamente ao sabor da corrente. 45 . 2 mata vem até 3s margens. remam vagarosos e sem es"or$o. 2 velocidade das águas arrasta a tosca embarca$ão. (oga rio abai)o. oscilando ao impulso da água que corre. O antigo marqu&s olha as margens. O "io dMágua escorre entre dois diques abruptos. *eus dará o resto para a viagem todaP.. 2 canoa a descer é como um lápis a tra$á=la. dois pavorosos blocos negros de pedra avan$am pelas duas margens. Nar$a . 'equenos "ardos de alimentos repousam aos seus pés e também na proa. tra#iam como en"eites palhetas de ouro virgem. e é bastante aproveitar=lhe o ímpeto para navegar célere. *. 2qui.... o morro do 8astelo ainda por muito tempo "ornecerá aos curiosos novas notícias. o padre e o coad!utor se estreitam. presumindo=se que se!a uma porta "alsa.

moléstia. %ais do que uma noite. 'ouco se "alam. demoram=se no ligeiro acampamento. povoada de g&nios e duendes. 2os poucos. Os amigos "ugiam=lhe. 8onseguem dessa maneira re"a#er as escassas provis4es. 8ava na super"ície das águas um sulco pro"undo. esposa do velho embai)ador de 5loren$a.8hega a noite. 2ssim dias e dias+ e 3s ve#es a chuva.. por esse tempo. 6ecorda sua mocidade.. Não há mosquetes. O almirante <ouville apresentou=o como um dos bravos da batalha do cabo de :ão (icente que acabava de ganhar. 2bicados em lugar propício. *uclerc... Os padres re#am. aiP que "oi ele próprio quem a desviou para o rival. Gma missão não as usa. 1m breve preencheu os quatro votos. o cansa$o retardam a rota sem termo preciso. e passada a sombria noite. *epois encontrou a condessa 2lda. e as árvores da margem a que se dirigem... %as. "eli# e alto. seguem caminho. procurou a Ordem. nem espingardas. <anto ele como *uclerc corte!avam a condessa.. 1ra uma maravilha de mocidade. 46 . 2gora. estremecem e "ar"alham ao sopro da brisa. Os quatro remeiros. 'adre João medita e relembra o passado. "e#=lhe perder o valimento. recolhe=se dentro de sua alma. a canoa se move com di"iculdade. Gm duelo cruel e in!usto com o marinheiro atraiu=lhe a animosidade de 2lda.. entoam uma melopéia nostálgica. Os elogios e as sauda$4es que recebeu prometiam=lhe um destino seguro. o esc ndalo que ele levantou. de bele#a e de gra$a. 5oi em (ersailles que a viu pela primeira ve# e logo se apai)onou. a sua primeira tragédia representadaP. não encontrando saída para aquele angustioso momento. armam uma tenda passageira. Cue grande#a não amea$ava elaP 2 chegada em 'aris. chegou também 3 corte. 2 tarde vinha. 8ada qual. o rei não o recebia mais. que parecia hesitar entre dois amores. em língua indiática onde se misturam vagas son ncias portuguesas. subindo o rio mais largo. Os índios pescam e ca$am pelos arredores com as suas primitivas armas. o 8onde 6u""o de Lambertini. *esgostoso. ante a augusta presen$a do deserto.

talve#. 1 em seguida relatou=lhe todo o seu so"rimento. HO amor. sou padre.. 1ra o che"e de uma bandeira. nem os alvadios casos da sua gente. lhe disse+ H(ossa 6ever&ncia vai para Lisboa.O !esuíta pro"esso continuava agitando nas recorda$4es. *entro de um ano a condessa chegava em um navio da 8ompanhia. *e algumas dessas correrias os povos guardavam memória. 1sperará e verá então o quanto pode a 8ompanhia.nvestigaram a margem. Na capital do reino luso esperou. HCue vos "e# entrar para a Ordem. meu padre. da Ordem. "alou uma vo# da margem da qual se apro)imaram. partiam discretamente para o interior encantado. criatura da 8ompanhia e despachado por 1l=6ei.. 'or aquelas épocas era assim. desembarcava em :ão :ebastião "igurando como esposa de %artim Non$alves 2lberna#. :aindo de moitas. O !esuíta não tivera notícia daquela entrada. Lembrava=se agora da entrevista que tivera com o Neral. tão boa linguagem portuguesa era para admirar. que a resgatara aos piratas de 2rgel. %arqu&sI perguntou=lhe o superior da 8ompanhia. O !esuíta e os companheiros "icaram surpreendidos. H*esanimaste deleI H:im. um a um. HOlá. <ra#ida secretamente do galeão Santo #n9cio. havia um homem alto coberto de um largo chapéu. um punhado de homens se !untavam e um belo dia seguidos de alguns índios e negros. . 2 tripula$ão trucidada e passageiros também. 1m pé com a espingarda descansada no solo e inclinada a bra$o "rou)o. O Neral ouviu complacentemente a sua narra$ão e. a sua ang7stia e o seu desespero. *escreveu=lhe o nome. por aqui. O amor. ao retirar=se ele.. 1min&ncia. só ela escapara cativa. mas da maioria. Naquelas alturas. 47 . dos quais "ora prisioneira na embarca$ão a cu!o bordo voltara de 5ran$a em busca de sua terra. "oram=lhe aparecendo os companheiros. a posi$ão e a bele#a do ob!eto do seu amor. de poucas a história conservou o resultado. almo)ari"e do paiol da 2l" ndega. em 6oma..

O alvoro$o da invasão do 6io enchia a vila. a missão chegou a"inal ao ponto de partida. as notícias não eram seguras. H'ois não. HO "ranc&s desceu por %ata=8avalos. retrucou o padre ao bandeirante. reverendo. vou em busca de almas para o purgatório. 2 lógica do !esuíta não "oi su"iciente para demover aqueles rudes. HNa Nuaratiba. HOnde "oi o desembarqueI indagava um outro !esuíta ao rapa#. O !esuíta estava em "rente a uma dessas. então sim.. 1ra pequena+ quator#e paulistas e alguns índios e negros. 2pagaram=se. de es"or$o em es"or$o. mas. H1 não o combatestes maisI interrogou o padre JouquiZres. padre. voltai sobre os vossos passos. e eu me gabo de haver sido um dos primeiros a atacá=lo. 'adre JouquiZres recolheu=se ao 8olégio. meus padresP 8om dois deles não haveria "ranceses capa#es. com Eento do 2maral Nurgel. 1 a intima$ão "eita a berros pelo a!untamento todo "oi tão peremptória e enérgica que o !esuíta no dia seguinte retomava o caminho pelo qual !ornadeara quatro longos meses. HOndeI HNa lagoa da :entinela. no dia seguinte. "rei %eneses o atacou no *esterro e nós. as cidades estão cheias de almas precisadas de vosso socorro. 48 . com o Eento. 5oi penosa. irmão. 2pesar de !á se ter dado há meses.. *ei)ai= nos os sert4es. logo ao romper dMalva o che"e veio ao padre+ H (oltai. esperamo=lo pelas ruas. onde dias depois recebeu um dos estudantes do 8olégio do 6io que tomara parte nos encontros. *e manhã. "icaram marcando nos valedos a grande#a do seu es"or$o. 2 volta durou mais da metade que a ida. S bravo o Eento. obrai. quando eles se tornarem vilas.pelos tempos em "ora. *e que vos admiraisI H'adre. %archou oito dias.

. móveis. onde entrou. senão os tão "alados apóstolos de ouro. H1 o almo)ari"e e a mulher onde paramI H2lberna# morreu na e)plosão do paiol da 2l" ndega e. presa 3 descoberta das galerias do morro do 8astelo.. que poderá "ornecer ótimos instrumentos para a reconstitui$ão de uma época histórica. HCue casaI HNão me recorda agora. disse pausadamente+ H2manhã irei para :. instrumentos de suplício.QUINTA-FEIRA.. 25 DE MAIO DE 1905 2 aten$ão p7blica acha=se agora. HCual. ob!etos de culto. vinha que nem um raio. onde ho!e habita *uclerc. 49 . 'adre. 8ompreendeu o modo por que os dois lhe ludibriavam. 2 custo continha a cólera. as e)plora$4es criteriosamente iniciadas e levadas a e"eito pelo *r. :ebastião. CORREIO DA MANHÃ . Na 6ua dM2!uda parou. "a#ei preparar as malas para a madrugada. padre. pelo menos armas do tempo.. e antes que os seus interlocutores percebessem o seu estado dMalma.. O antigo marqu&s "e#=se pálido.. pró)imo 3 casa do tenente Nomes da :ilva. mais que nunca. 5oi na casa do 2lmo)ari"e 2lberna#.HNão se deteve *uclerc em parte algumaI continuou a interrogar o !esuíta "ranc&s. H1m que lugarI HNuma casa. 'edro *utra de 8arvalho t&m dado os melhores resultados e !á se vai a"irmando no espírito dos mais cépticos a cren$a de que no bo!o da imensa mole de argila alguma coisa e)iste de precioso.. 1spere. casa essa que "oi destruída por uma bala do 8astelo. depois rubro.. todo um belc6ior secular... H1 a mulherI H2 mulher "oi morar na 6ua do (a# (i$oso.

O terreno aí é pega!oso. !á conhecida por galeria dos capuc6in6os. 2lém desses ob!etos encontraram=se ossos humanos. de teto em abóbada de ber$o. que alumiava a pequena sala a que nos re"erimos acima. em que se v& gravado. #AR$A I! O ENCONTRO 50 . 2) DE MAIO DE 1905 D.SEXTA-FEIRA. 2 galeria principal estende=se em linha reta num percurso de sessenta metros. porém. quentíssima. Os trabalhos t&m sido e)ecutados com alguma morosidade. balas es"éricas. denotando a presen$a de hidrato de alumínio. como bre(et1. esta pedra ia ser ho!e removida. S também interessante uma grande boti!a a#ul. um cano de garrucha. O ponto inicial é uma pequena sala de "orma trape#oidal. uma chave. esta deriva$ão obstruída. estando. um sino. CORREIO DA MANHÃ . (isitamo=la ontem. aí desvia=se para a direita. ao que parece. esta sala comunica=se com uma outra galeria secundária.2 terceira galeria descoberta. está e)plorada numa e)tensão de oitenta e tantos metros. destinada 3 prisão. 2 passagem da sala para esta galeria "a#=se por um pequeno ori"ício que mal dá passagem a um homem. pela e)igLidade do espa$o. acompanhados do amável engenheiro que dirige os trabalhos. e)iste uma grande pedra que se sup4e ser uma porta dis"ar$ada. a atmos"era subterr nea é aba"ada. No ponto !usto em que termina a parte reta da galeria.. <&m sido encontrados diversos ob!etos curiosos nas escava$4es. um grosso tubo de "erro. *i"icilmente pode um homem trabalhar. etc. entre os quais salienta=se um grande candelabro de "erro. ob!etos estes que se acham e)postos em nossa reda$ão.

correra sem perda de tempo a procurar o ob!eto de seu amor. nem os saraus aristocráticos de (ersailles conseguiram tra#er ao seu espírito atribulado um pouco de alívio e de con"orto. O seu encontro com a condessa "oi um misto de ternura e reproches. 51 . nem a luta acesa da política. acordava=lhe no cora$ão todos os sentimentos maus que há tantos anos dormiam recalcados pelo seu voto de humildade. só por obter um olhar dos seus olhos. só por v&=la. 1 assim. com um sorriso brando de condescend&ncia nos lábios rubros e sensuais. o amor lhe dera "or$as para tentar a perigosa empresa. andara pelas secretarias. a e)pedi$ão que se preparava contra o Erasil era um magní"ico prete)to para tornar a ver a sua querida *ona Nar$a e s7plice. 1ntretanto. o e)=amante de *ona Nar$a. até conseguir o ideal sonhado H o comando da e)pedi$ão conquistadora.. derrotado pelas "or$as de Eento do 2maral Nurgel. voltara de novo a reconquistar o seu amor perdido. uma palavra de meiguice e de con"orto. uma palavra meiga dos seus lábios. de quei)as e s7plicas de perdão. 1 era tão longe a 2mérica. 1la também o amava. aos seus pés. mendigar=lhe um sorriso. 2 certe#a de que *uclerc. Nar$a ouvia=o orgulhosa. a ba!ular os poderosos. O seu espírito de mulher go#ava o martírio daquele homem poderoso e valente que atravessara os mares. *. numa sede horrível de vingan$a.O !esuíta chegara ao 6io de Janeiro com a alma despeda$ada pelo ci7me. que a"rontava os perigos de batalhas sangrentas.. 'or ela longos anos de so"rimento passara na 8orte de 5ran$a. *uclerc. cu!a posse "ora o motivo que o "i#era pedir o comando da aventurosa e)pedi$ão.

tinha no olhar chispas ardentes. passada entre as paredes "rias do convento. %as agora o seu espírito satis"eito embalava=se nas palavras cariciosas do seu e)=amante e ela nem ousara "alar. és indigna de mimP (ai=teP 1. sou a mesma. *uclerc conservou=se por um instante calado e pensativo. olhos em chamas. branca. terrível. sem um colorido que denotasse partirem de uma alma sinceramente amorosa. e)clamou.. *ona Nar$aI H1 por que nãoI H'ois se há tanta "rie#a nos teus belos olhos. enquanto *. a corpori#ar a esbelta "igura de *uclerc. como se alguma "or$a estranha o abalasse todo. 52 . quase sublime. empurrando=a brutalmente. sem uma vibra$ão. 1ra=lhe bem mais agradável escutar aquela m7sica sonora de "rases ternas. sonhadora.*urante toda a sua vida romanesca. com piedade quase. 1 *ona Nar$a dissimulava a sua imensa como$ão sorrindo complacente. com todo o império de sua grande#a. H%ulher in"ame e prostituída. tr&mula.. HJá não me amas. se nem uma palavra me di#es que me d& "or$as ao nimo abatido. cha"urdaste=te nos vícios e na dissolu$ão. Nar$a caía por terra. :7bito. "ulgura$4es indescritíveis de uma velha pai)ão sopitada e que agora e)plodia com toda a "7ria. o "ranc&s voltou as costas. alucinadamente. muitas ve#es a sua alma se desprendia. como se "osse a banalidade estulta de todos os dias. tu não compreendes a grande#a de uma pai)ão veemente e alucinadaP Nos bra$os do padre perdeste os 7ltimos vislumbres do pudor. da brancura imaculada de um lírio que um tu"ão despeda$asse. H1nganas=te. o "orte mesti$o por quem pulsaram tantos cora$4es "emininos. ergueu=se de mãos crispadas. 1stas palavras "oram ditas num tom de vo# glacial. na meia lu# da velha casa da 6ua da 2!uda. de modo que se escapasse dos seus lábios uma palavra que traísse o seu amor. %as o velho cavalheirismo gaul&s despertara em tempo na alma de *uclerc. 1ntretanto *uclerc. como se ela lhe "osse de todo indi"erente.

temperada de um estranho sabor de pecadora vol7pia. "a#endo oscilar as rendas do corpete. O colar ar"ava=lhe. *ona Nar$a estava a!oelhada. que veio tra#er 3 banalidade chata de nossa vida burguesa uma nota estranha de aventura romanesca. as mãos postas numa s7plica de perdão. 1ra a "igura humani#ada da %adona em toda a sua bele#a mística.. de uma viagem do 8 ndido ao país do 1ldorado.S BADO. Ninguém imaginaria a princípio que esse "ato corriqueiro. 1 os seus lábios brancos e tr&mulos murmuravam apai)onadamente+ H2mo=te. duas grossas lágrimas rolaram sobre a "ace alvíssima como duas pérolas líquidas sobre as pétalas de uma rosa. selando a reconcilia$ão. que se chama em engenharia um movimento de terras. os seus lábios apro)imaram=se como que atraídos por uma "or$a oculta e dominadora e um grande bei!o apai)onado e l7brico soou cristalino e sonoro. >0ontinuaA CORREIO DA MANHÃ . até os 7ltimos detalhes. os bra$os cru#ados sobre o peito. 2* DE MAIO DE 1905 A NO!A #ALERIA -RESSENTIMENTOS O CRUCIFIXO DE OURO O bocado não é para quem o.. "a#endo vibrar o espírito popular que tem algo de "eminino pela curiosidade com que espreita pela "echadura de todas as casas. *uclerc. encontra. *ia a dia se vai tornando mais interessante este caso dos subterr neos do 8astelo. na nsia de tudo saber e penetrar. o"egante. dos seus negros olhos rom nticos. como a uma crian$a. tomasse em pouco tempo as propor$4es e)traordinárias de uma e)pedi$ão de Jasão. O "ranc&s tomou=a nos bra$os carinhosamente.(oltou=se. 53 .

*aí parte uma deriva$ão para a direita. tra$as de arquivos e bibliotecas. onde a vo# humana ecoa ho!e. numa di"eren$a de nível de um metro e meio. O engenheiro *utra pronunciou o S1samo abre-te naquela "urna de 2li Eabá. não temos poupado es"or$os para tra#&=lo a par de quanto de novo aparece naquele saco de coisas curiosas e interessantes. dis"ar$ar a passagem para diante. a sua picareta demolidora "oi a varinha mágica que tirou o encanto secular do morro. abatendo com "ragor grandes moles de granito. 2rrebentada a dinamite a larga e "ortíssima parede que obstruía a principal entrada do subterr neo. !á percorrida em -R metros e meio de sua e)tensão. parecendo ter sido ali colocada e socada. um co"re de surpresas para onde os seus olhos perscrutadores se volviam curiosos. a terra que o constitui é di"erente da vi#inha. No bra$o secundário a que nos re"erimos há um "ato interessantíssimo a notar+ um pequeno trecho do solo. *evem tremer no "undo da cova as ossadas dos !esuítas que solaparam a montanha e ho!e a sentem pro"anada pelo progresso iconoclasta que dei)a em sua passagem o cheiro acre do acetileno ou a claridade ba$a das l mpadas elétricas. "oram cavados alguns degraus e a e)plora$ão continuou em linha reta num percurso de K/ metros. o morro do 8astelo sempre "oi. "oi ele percorrido numa e)tensão de nove metros e sessenta centímetros. 54 . porém. levando a eletricidade irreverente ao soturno mbito dos subterr neos. uma cai)a impenetrável de segredos. após tr&s séculos de sil&ncio e pa#. porém. revolvedores da papelada secular. Os trabalhos. No intuito muito nosso de servir ao p7blico. gra$as aos es"or$os do incansável engenheiro *utra. Ts nossas notas anteriores temos a acrescentar mais as seguintes. O ramo principal continua.'ara alguns velhos. entretanto. despeda$ando o modelo resistente. Neste ponto era grande a quantidade de entulhos que interceptava a passagem+ retirado este. vão adiantadíssimos. na esperan$a de advinhar=lhe o conte7do do bo!o. com o tom diabólico de pro"ana$ão que teria a m7sica de Uca^e=_al^U nas catacumbas de 6oma. contando=se R metros até a parede "inal que parece. aí continuava a galeria em plano superior.

o mesmo rumo.Eatendo=a "ortemente com o pé. . está em poder do presidente da 6ep7blica. "oi se apossando do candieiro de "erro. sem ser de cada um em particular. esse "ato muito impressionou os *rs. 5rontin. 'or seu lado. 55 . logo ao saber do encontro do cruci"i)o de ouro. Cualquer cidadão tem tanto direito ao cruci"i)o e ao candeeiro como os srs. CORREIO DA MANHÃ . Net7lio das Neves. com a vista unicamente. *utra abrisse mão do estimado ob!eto. como é impossível dividir os ob!etos em partes iguais pelos milh4es de almas que habitam o país H do 2ma#onas ao 'rata e do 6io Nrande ao 'ará H "icam eles sendo de propriedade de todos em geral. pertence de direito ao povo. 5rontin conseguiu que o *r. 1)a.. claro está que aqueles dois senhores se !ulgarão com o direito de carregá=los. 2 seguirem as coisas. 6odrigues 2lves ou 5rontin. 8omo quer que se!a. 7nico soberano H em doutrina e em imagem de retórica. "oi pronunciando o venha a nós e chamando aos peitos o ob!eto achado pelo *r. Eerla e alguns "rades capuchinhos que ontem visitaram o subterr neo. *utra. Léo Junius representa rique#as "abulosas.nácio de Loiola ou qualquer dos apóstolos. 6odrigues 2lves. o *r. numa das galerias do morro do 8astelo. e dado o caso de aparecer o :. é verdade.. Ora. ouve=se um som oco e aba"ado que "a# imaginar com sobe!a ra#ão e)istir embai)o um compartimento va#io ou. cheio de apóstolos. Cue isso é torto como qualquer das galerias não pode haver a menor d7vida+ tudo o que ali dentro possa estar guardado e que na opinião do :r. do !esuíta. 28 DE MAIO DE 1905 O CRUCIFIXO DE OURO E O CANDIEIRO DE FERRO O :r. que para estas coisas não é mole. Bo!e vai ser desvendado o segredo e pra#a aos céus não se!a aquilo um conto do vigário.DOMIN#O. mostrou dese!o de possuí=lo para mascote do seu "im de governo e por intermédio do *r. <odo cidadão pode apreciá=los de longe. encontrado na sala abobadada. para o "uturo. encontrado nas escava$4es. Dota 4 margem+ o cruci"i)o de ouro. 5rontin. :. diga=se.

devendo ho!e estarem as galerias em condi$4es de serem e)aminadas. 5rontin.Ninguém a"irmará. %0 DE MAIO DE 1905 O labirinto subterr neo do morro do 8astelo complica=se cada ve# mais. e isto em dias marcados pelos encarregados da guarda de tais ob!etos e que nada mais são que representantes dos supraditos donos. 6odrigues 2lves e *r. 7nico pagante dos trabalhos "eitos no morro do 8astelo. 'odiam eles "icar na Návea. 6odrigues 2lves capa# de mostrar o cruci"i)o a quem dese!e v&=lo. qual deve ser a conclusão a tirarI :implesmente esta+ tanto o cruci"i)o como o candieiro devem estar em determinado ponto. pela "ormalidade. entreguem ao %useu Nacional o que lhes não pertence+ isto aqui não é. 5rontin. positivamente. Bá. 'or que não mandaram para lá o cruci"i)o e o candeeiroI 1ntão o :r. não há tolo nenhum que acredite ser o :r. agora. no :aco do 2l"eres ou em :anta <eresa. na <i!uca. entrar no 'alácio de 5riburgo. a casa da mãe Joana. mas isso !á dependeria de despesas com pessoal. porém. Os trabalhos de desentulho prosseguem. 2lém de ser um pouco cacete.TER$A-FEIRA. :endo assim. numa terra em que todos são iguais. uma casa mantida e)atamente para guardar semelhantes ob!etos+ é o %useu Nacional. *utra de 8arvalho. 56 . para serem apreciados pelos seus legítimos donos. (amos lá. instala$ão. CORREIO DA MANHÃ . Ontem a turma de e)plora$ão. mandemos plantar batatas a tal igualdade. porque nenhum deles é melhor do que qualquer homem do povo. :r. sob a dire$ão do *r. que nos lugares onde se acham atualmente possam os ob!etos ser admirados pelo povo. podem se apossar de ob!etos encontrados em terrenos do 1stado e encontrados quando se "a#iam escava$4es por conta desse mesmo 1stadoI :e assim é. 5oram con"irmadas as suspeitas de que no terreno adquirido pela %itra para constru$ão do palácio arquiepiscopal e)istissem novas galerias. 6odrigues 2lves ou o *r. encontrou a entrada de duas novas galerias. etc.

Entretanto o requerente com as plantas que possui poder9 facilmente ir direto ao lugar e a5 (erificar a eBist'ncia ou não do citado tesouro. 6oAe do Rio de Janeiro.CORREIO DA MANHÃ . e s? no fim desse prazo e de 6a(er despendido muito din6eiro tal(ez poder9 ser encontrado o esconderiAo que ser(ia de dep?sito aos referidos (alores. e con6ecendo por documentos antigos que possui. dirigido ao 8ongresso Nacional e concebido nos seguintes termos+ $O engen6eiro Jenrique 2. fossem estes encontrados. "oi lido um requerimento do engenheiro Benrique N. o meio empregado não 1 decerto o mais pr?prio. primiti(a funda3ão de S. quando espera(a o suplicante que as suas id1ias e seus sacrif5cios seriam recompensados. *ab (erme. em parte pertenceriam ao requerenteDepois de muito tempo gasto e de sacrif5cios feitos do maior (alor. e dado o caso. sobre os alicerces da iniciada pelos Aesu5tas. da 8 mara dos *eputados. donde se poderia com pouca despesa reconstruir uma poderosa fortifica3ão. 1 DE 'UNHO DE 1905 NA CÂMARA DOS DE-UTADOS No e)pediente da sessão de ontem. por serem consideradas de defesa. sem Knus para a Da3ão. monumentos. e neste sentido se est9 procedendo a esca(a3@es. sendo considerada Austa a sua pretensão. A9 se tendo ac6ado duas galerias. como 1 sabido. porque le(ar9 mais de tr's anos para esse arrasamento. dire3ão. de )>+=. etc57 . forma.erme requereu ao 0ongresso Dacional o fa(or de l6e permitir a eBplora3ão e desobstru3ão das galerias do "orro do 0astelo para os fins indicados no seu requerimento de )C de abril de )>+&. que poderão ser eBpostos ao pLblico e proAetados."as assim ir-se-9 destruindo obras de arte de subido (alor. eis que o go(erno manda demolir o dito morro. ali9s sem muita importância.Dab .QUARTA-FEIRA. cuAa discussão ficou parada por ter-se encerrado o 0ongressoO suplicante. sem ali9s destruir as galerias e sal@es subterrâneos. que (em desde a base desse morroSe o go(erno pretende com o arrasamento descobrir o tesouro que se sup@e eBistir. pediu o fa(or da eBplora3ão para descobri-los ao pLblico< sendo certo que ele con6ece o lugar em que os Aesu5tas depositaram os seus (alores. desde alguns anos se tem dedicado a estudos arqueol?gicos. para assim se conser(ar a tradi3ão da sua constru3ão. de acordo com a lei (igente.Sebastião. a eBist'ncia de galerias subterrâneas no referido morro. e por isso a comissão da fazenda e indLstria da 0âmara redigiu o proAeto n-&%). al1m de ser inutilizado o mel6or ponto estrat1gico da cidade.

S BADO. 2o chegar a :. engen6eiro-c6efe da A(enida 0entral. *. concebeu "riamente. 58 . :ebastião "oi o seu primeiro passo dirigido para o 8olégio onde apresentou ao seu prior desculpas tais que este "ingiu aceitar. embora os "ingisse despre#ar. a cidade dormia. não se submeteria por muito tempo 3s dolorosas prova$4es da catequese no "undo dos sert4es brasileiros. %ergulhada na treva espessa de uma noite de inverno. e por isso solicita do 0ongresso o fa(or de estender a concessão para os demais pontos que o suplicante indicar na ocasião de ser la(rado o respecti(o contrato com o "inist1rio da /azenda-$ CORREIO DA MANHÃ . ele o sabia claramente. o superior da Ordem sentia=se vingado. *e resto. <oda a comunidade sabia que o "idalgo "ranc&s. calculadamente o seu plano de diabólica vingan$a. 1ntretanto o padre João. mas agora.O suplicante A9 se entendeu com os srs. do seu e)=amante e isto bastava para que ele se sentisse compensado da sua humilha$ão pela humilha$ão do rival. amando o mundo e as suas pai)4es.ia3ão. % DE 'UNHO DE 1905 OS TESOUROS DOS 'ESU(TAS E-(LO#O Não espantara do 8astelo a volta rápida do padre João de JouquiZres. o requerente con6ece outras eBistentes nesta capital e fora dela. sentindo=se traído. Nas ruas silentes e solitárias nem um rumor sequer vinha despertar o sono pro"undo e quieto da popula$ão. seguiu pela galeria do Norte e daí tomou a deriva$ão que ia ter 3 casa da sua amante in"iel. estava nos bra$os de outro. e todos são de opinião que o 0ongresso Dacional pode conceder ao requerente a autoriza3ão solicitada. embu$ado em longa capa."inistro da /azenda e da . e at1. Nar$a não quisera escutar os seus protestos de amor. *uclerc recolhera=se cedo 3 casa de sua eleita. é verdade. Logo na noite imediata. habituado 3 vida calma e descuidosa das cortes. se antes não 6ou(essem sido descobertas todas as galerias. o suplicante iria mostr9-lasAl1m das galerias subterrâneas do "orro do 0astelo.

entretanto os seus dedos crispados comprimiam com "7ria o cabo do punhal preparando o golpe certeiro e decisivo. venceu a pequena dist ncia que o separava do leito e com o punhal erguido. Nar$a despertou sobressaltada. indomado e terrível na sua alma. ei=lo de pé. divisaram sobre o leito alvíssimos dois corpos humanos ligados num mesmo abra$o. tornou este. com medo que "ugissem para não mais voltar. as horas passavam=se tão céleres que cumpria aproveitá=las todas. *epois. contemplou um momento aqueles dois corpos adormecidos. 2 porta estava semi=aberta.6econciliados e "eli#es. *epois. acostumados 3 treva. compreendeu tudo e. (encida a pequena escada que dava acesso para a sala onde *. pronto a vibrar o golpe. Os lábios do !esuíta tremiam de ódio e como$ão. Nar$a costumava "a#er as suas ora$4es. somente minha. Os seus olhos. num movimento rápido e seguro. não te matarei. enquanto a direita comprimia nervosamente o cabo negro de um punhal. não tenho mais rival. pé ante pé. HNão. olhou. 59 . matando=o instantaneamente. dirigiu=se 3 sala de !antar e daí por um pequeno corredor chegou 3 porta do dormitório de sua e)=amante. e)clamou+ H%ata=me. 2travessando a e)tensa galeria. presa de uma ang7stia sem nome. sentindo ao lado o corpo e) mine e "rio do seu amado. o "erro atravessara=lhe o cora$ão. *epFs no chão a candeia de a#eite que uma "orte lu"ada de vento apagou. os seus olhos negros e "aiscantes distinguiram na treva do quarto o vulto do !esuíta. Jean. 1le não dera um gemido. o padre João sustentava na mão esquerda uma candeia de a#eite. em "rente ao oratório onde bru)uleava a lu# morti$a de uma lamparina. a l mina branca do punhal cravou=se inteira no peito de *uclerc. *. tu és agora minha. O ódio irrompeu então. avaramente.

covardeP 2s "aces do !esuíta contraíram=se num rictus de ódio terrível. a sua mão crispada mais uma ve# se ergueu e a um golpe de punhal o corpo de *. Nar$a caiu redondamente no leito. DDD 2qui termina o manuscrito. %as deu muito o que "alar a estranha coincid&ncia de ter sido encontrado no mesmo dia.com 60 . Nar$a. 1ra ele a quem eu amava. DDD No dia seguinte espalhava=se por todo :. o corpo inanimado do padre João de JouquiZres e !unto ao seu cadáver um vidro de veneno e um punhal tinto de sangue. uma nuvem negra de vingan$a e de vergonha passou ante os seus olhos esga#eados.poeteiro. pois bem.H1nganas=teP e)clamou *. erguendo meio corpo do leito. no leito da sua cela do colégio. !amais te tornarei a pertencer. 1m vão se "i#eram pesquisas para a descoberta do assassino do capitão "ranc&s e da bela italiana. ___. mataste=o. :ebastião a notícia da morte misteriosa de *uclerc.

+$ entre outros/.$ .odavia$ trata-se de um processo demorado$ principalmente no âmbito da reali!aç0o pessoal$ implicando ainda em (al'as ap s o processo de digitali!aç0o$ por e1emplo$ erros e distorções na parte ortogr"(ica da obra$ o que pode tornar inintelig2veis palavras e até (rases inteiras. %raças &s novas tecnologias$ o livro impresso em papel pode ser escaneado e compartil'ado nos mais variados (ormatos digitais )*D+$ .uma das maiores revoluções no âmbito editorial em todos os tempos. 2014 .-. 3mbora todos os livros do 4*rojeto Livro Livre5 sejam criteriosamente revisados$ ainda assim é poss2vel que alguns desses erros passem despercebidos. Desta (orma$ se o distinto leitor puder contribuir para o esclarecimento de algumas dessas incorreções$ por gentile!a entrar em contato conosco$ no e-mail6 iba@ibamendes. Hoje qualquer pessoa pode editar sua pr pria obra e disponibili!"-la livremente na #nternet$ sem aquela imperiosa necessidade de editoras.O LIVRO DIGITAL – ADVERTÊNCIA O Livro Digital é – certamente .com 7ugestões também ser0o muito bem-vindas8 #ba 9endes São Paulo. ..

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