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CAPÍTULO XVI

PAVIMENTOS ALIGEIRADOS
VIGADOS











16.1 INTRODUÇÃO
Os pavimentos representam o elemento estrutural que suporta todos os esforços que são aplicados
num piso e constituem o elemento de separação horizontal entre dois andares.
Este elemento construtivo pode assumir duas funções distintas: para os locais que se encontram
por baixo, assume a função de tecto e para os locais que se encontram por cima servem de piso de
suporte.
Os pavimentos são construções horizontais destinadas a suportar cargas por flexão e que por
conseguinte, requerem elementos construtivos resistentes, dimensionados para cada classe de solicitações
e consideram-se económicos quando o seu peso próprio é reduzido.

Podem-se definir três partes diferentes constituintes dos pavimentos ou lajes:
a) as partes encarregadas da sustentação: vigotas de madeira, vigas metálicas, vigas
prefabricadas de betão armado ou pré-esforçadas, assim como as lajes de betão armado maciças ou
nervuradas;
b) o revestimento: que constitui o acabamento do pavimento e que descansa sobre a armação ou
estrutura de sustentação: lajeado, soalho de madeira, lajes de diversos tipos feitas no local,
revestimentos sintéticos, etc.
c) o tecto: de superfície plana e lisa, executado por baixo dos elementos de sustentação e que
pode ser estucado com gesso ou revestido com placas prefabricadas de materiais de todos os tipos.

Sucintamente, os pavimentos devem executar as seguinte funções:
• Suportar as cargas (peso da estrutura e as acções permanentes) e as sobrecargas (acções
variáveis ou acidentais), transmitindo-as depois aos elementos portantes : vigas e pilares;
• Transmitir os esforços horizontais aos elementos de contraventamento;
• Garantir uma certa elasticidade, dentro de certos limites aceitáveis, para que a flecha seja
mínima e para que não transmitam a totalidade das deformações sofridas aos elementos portantes;
• Possuir um peso modesto para que se reduza ao máximo o valor da carga permanente;
• Fechar o espaço nos seus limites superior e inferior;
• Assegurar um bom isolamento acústico;
• Certificar um bom isolamento térmico em relação a espaços exteriores ou não aquecidos;
• Possuir uma superfície que permita a aplicação de revestimentos;
• Garantir a protecção contra a humidade;
• Resistir ao fogo;
• Permitir a instalação de redes para distribuição de fluídos e electricidade;
• Conservar ao longo do tempo as suas qualidades físicas, mecânicas, acústicas e o seu aspecto,
conforme foram projectadas;
• Serem de fácil construção, para não atrasarem a realização do imóvel;
• Devem ser económicos, o que implica a utilização inteligente das diferentes características
dos materiais.

Os pavimentos são um elemento da construção, onde são aplicadas diversas tipologias de
materiais, originando diferentes tipos de pavimentos.
Actualmente, os principais tipos de pavimentos englobam-se em cinco grupos distintos:

• Betão armado ou pré-esforçado;
• Aligeirados
- Em betão: Mistos
- betão pré-esforçado e abobadilhas;
• Mistos
- Em betão e metal
- Em madeira e metal;
• Metálicos;
• Madeira.

Destes tipos de materiais só muito raramente se recorre ao uso de pavimentos mistos e metálicos.
O recurso aos pavimentos de madeira, entrou também, a partir do segunda metade do século XX em
declínio, empregando-se hoje somente em obras rurais ou de índole estética. O uso de pavimentos em

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betão pré-esforçado está circunscrito a obras onde necessitamos de vencer grandes vãos ou sobrecargas
muito elevadas.
Desta análise podemos concluir que, hoje em dia, recorre-se em grande parte ao uso de pavimentos
de betão armado e pavimentos aligeirados, assumido os últimos maior protagonismo.
A maioria dos imóveis que são construídos empregam pavimentos aligeirados.
Uma das grandes vantagens deste tipo de pavimentos é a sua leveza e o facto de grande parte deles
dispensar o uso dos moldes tradicionais, necessários à construção em betão armado.
Historicamente, o recurso aos pavimentos aligeirados deveu-se à falta de espaço existente para a
construção de novos imóveis, no interior das grandes cidades, dando origem à necessidade de se recorrer
à construção em altura.
Desta forma, o Homem teve que abolir os tradicionais métodos de construção de pavimentos e
estudar processos para o aligeiramento das lajes, para que as cargas permanentes descarregadas sobre os
elementos portantes (vigas e pilares) fossem menores, podendo-se desta forma, construir edifícios de
maior altura.
Os pavimentos aligeirados vigados são, como os restantes, constituídos por três partes estruturais:
uma zona de compressão, situada na parte superior do pavimento; uma zona de tracção, situada na sua
parte inferior e por uma zona intermédia “alma”, que tem como objectivo fornecer “altura útil” ao
pavimento.
A diferença existente entre estes pavimentos e os restantes reside praticamente no facto de grande
parte da sua “alma” ser oca ou empregar um conjunto de materiais extremamente leves.
A zona de compressão é geralmente preenchida por uma camada de betão e na zona de tracção
podem-se encontrar vigamentos de madeira (pouco utilizados), de perfis metálicos (geralmente utilizados
em obras de restauração e reforço de pavimentos) e de varões de aço, sendo os últimos os mais utilizados.
De seguida apresentamos os pavimentos aligeirados vigados, que assumem no mercado uma
posição mais relevante. Em Anexo fazemos uma pequena abordagem ao processo de fabrico das vigotas
pré-esforçadas de betão armado.



16.2 PAVIMENTOS PRÉ-FABRICADOS
No âmbito dos pavimentos prefabricados, embora classificados fora do domínio dos processos de
construção tradicionais, há muito tempo que o seu uso se tornou corrente em Portugal, através da
aplicação de diversas soluções construtivas, das quais algumas constituíram apenas experiências de
utilização que não conseguiram implantação entre nós.
Designam-se por pavimentos prefabricados aqueles em cuja constituição intervêm elementos
previamente fabricados. A aplicação de pavimentos deste tipo no nosso país teve o seu início na década
dos anos quarenta, com a solução construtiva mais correntemente usada de pavimentos constituídos por
vigotas, blocos de cofragem e camada de betão complementar contínua assente em obra, solidarizando o
conjunto.
Por razões de semelhança de funcionamento estrutural, poderá dizer-se que os pavimentos
prefabricados constituíram uma variante dos pavimentos aligeirados, moldados em obra, somente com
nervuras longitudinais e nos quais a armadura destas nervuras foi substituída por vigotas prefabricadas de
betão armado, a princípio, e, mais tarde, de betão pré-esforçado.
Assim se abriram, com início numa prefabricação de simples elementos estruturais, as perspectivas
futuras do que é hoje uma realidade no nosso país, no domínio da construção prefabricada e
industrializada, embora através de um processo que foi lento e não parece ter atingido ainda, entre nós, a
expansão necessária e desejada.
Em seguida ao aparecimento dos pavimentos prefabricados do tipo atrás referido, outros foram
surgindo com soluções construtivas diversas, cuja utilização foi, nalguns casos, abandonada por
desinteresse económico ou por razões de ordem técnica ligadas a exigências de fabrico ou da
regulamentação existente, que relativamente a determinadas prescrições lhe era aplicável. Estão fora
destes casos os pavimentos prefabricados constituídos por pranchas de betão pré-esforçado de secção
vazada, cuja aplicação, no nosso país, volta a ter uma importância significativa. De seguida apresentamos
alguns dos pavimentos deste tipo que assumem maior relevância no mercado.



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16.2.1 Pavimentos constituidos por vigotas de betão pré-esforçado
Estes pavimentos são aqueles que assumem, devido à sua utilização maciça, uma relevância maior
no contexto da construção portuguesa e são essencialmente constituídos por vigotas de betão pré-
esforçado e blocos de cofragem apoiados lateralmente sobre estas, formando um conjunto que é
solidarizado por uma camada continua de betão complementar aplicado em obra e com função resistente.
Pela sua constituição e garantia de ligação eficiente das vigotas ao betão complementar, este tipo
de pavimentos pode considerar-se comparável, sob o ponto de vista de funcionamento estrutural, a uma
laje com armadura resistente disposta numa só direcção.
Nestas condições de semelhança e pela existência de blocos de cofragem entre vigotas de betão
pré-esforçado, definindo nervuras entre eles, em ligação com a camada de betão complementar sobre os
blocos de cofragem, os pavimentos podem ainda ser comparáveis, para efeito de dimensionamento, a uma
serie de vigas de secção em "T", dispostas paralelamente entre si e com os banzos solidários.
Porém, para que tais condições de semelhança possam ser consideradas, deverão estes pavimentos
satisfazer determinadas exigências, relativamente às quais se têm adoptado, por analogia, as aplicáveis da
regulamentação em vigor para as lajes nervuradas moldadas em obra e aligeiradas com a inclusão de
tijolos de cofragem perdida.
Tais exigências, que se encontram prescritas no Regulamento de Estruturas de Betão Armado e
Pré-esforçado (REBAP), referem-se em especial a características dimensionais e a disposições
construtivas.


16.2.1.1 Tipos de vigotas de betão pré-esforçado e principais características
As vigotas de betão pré-esforçado por fios aderentes, são as que mais correntemente foram ou
estão a ser usadas no nosso País, em pavimentos prefabricados.
Estas vigotas de betão pré-esforçado têm normalmente secção em forma de "I”, ou de "T"
invertido, tendo as primeiras, banzos de largura igual ou diferente às de secção em "T" invertido, almas
rectangulares ou trapezoidais. Estas últimas são, em regra, as mais utilizadas em pavimentos constituídos
por vigotas de betão pré-esforçado, blocos de cofragem e betão complementar.
Relativamente às vigotas de betão pré-esforçado de secção em "T" invertido, é também muito
vulgar o emprego de vigotas de betão pré-esforçado com alma de superfícies laterais cilíndricas
concordando com superfícies planas ou limitando lateralmente a alma das vigotas de betão pré-esforçado
em toda a sua altura. No que se refere à largura do banzo das vigotas de betão pré-esforçado de secção em
"T" invertido, é normalmente de 110 a 120 mm, variando a altura da secção destas vigotas de betão pré-
esforçado, no geral, entre 90 e 120 mm.
Nalguns pavimentos destinados a lajes de esteira, são empregadas vigotas de betão pré-esforçado
com secções de altura entre 60 e 80 mm e de alma muito baixa cuja altura varia normalmente entre 10 e
30 mm, o que lhes dá forma característica do tipo prancha.
Quanto às vigotas de betão pré-esforçado em "I", a altura da sua secção e a largura do banzo
inferior não descem, em geral, abaixo de 150 e 100 mm, respectivamente. Em casos especiais de
pavimentos de elevada espessura, são utilizadas vigotas de betão préesforçado de secção em "I" de maior
altura, podendo atingir 250 mm. Quando empregadas vigotas de betão pré-esforçado, as secções de maior
altura, além de contribuírem para uma maior rigidez, podem conduzir a mais elevados momentos
resistentes dos pavimentos, quando for possível o dimensionamento de tais vigotas de betão pré-esforçado
com menores perdas de pré-esforço nos fios que constituem a armadura.
No fabrico das vigotas de betão pré-esforçado têm sido utilizados betões das classes B35, B40 e
B45, com predomínio desta ultima classe. 0 REBAP prescreve que não devem ser utilizados betões de
classe inferior a B30 em elementos prefabricados de betão pré-esforçado.
As britas utilizadas na composição do betão das vigotas de betão pré-esforçado são normalmente
de pedra calcária, granítica ou seixo rolado dos rios e as areias provenientes destes cursos de água, do mar
ou de areeiro. 0 emprego de areias de areeiro tem sido raro por motivos de custo mais elevado e por
carência de locais onde possa ser feita a sua extracção. A extracção de areias do mar deve ser feita em
zonas vizinhas da praia não banhadas pela água, a fim de evitar elevados teores de cloreto de sódio,
prejudiciais às armaduras de pré-esforço.
O cimento empregue é do tipo Portland normal, de qualidade adequada ao fabrico de elementos de
betão pré-esforçado.
As armaduras de pré-esforço são normalmente constituídas por fios de aço com tensões nominais
de rotura de 1770 MPa e diâmetros nominais de 3.2; 4.0 e 5.0 mm.


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16.2.1.2 Metodologia utilizada para a sua aplicação em obra
Para o seu dimensionamento e aplicação em obra devem ser respeitadas, as disposições referidas
no REBAP, do Artigo 112º ao Artigo 117º.
Este tipo de pavimentos é somente utilizado, excepto em situações especiais, em zonas em que o
vão máximo não ultrapassa os 7,5m.
Depois de se betonarem os pilares que servirão de apoio ao pavimento é executada uma cofragem
que servirá de molde às vigas que suportarão o pavimento.
As vigotas pré-esforçadas, são apoiadas nas extremidades da cofragem das vigas.
O espaçamento a deixar entre elas deve ser igual à largura das abobadilhas escolhidas e como
refere o REBAP, o seu espaçamento nunca deverá ser superior a 80cm.


Figura XVI.1 - Aspectos construtivos dos pavimentos com vigotas pré-esforçadas

Por vezes, quando necessitamos de imprimir a um pavimento uma maior tensão resistente,
recorremos ao uso de duas ou três vigotas pré-esforçadas contíguas, como representa a figura seguinte.

Figura XVI.2 – Pavimento com vigota dupla.

Existe no mercado uma grande variedade de vigotas pré-esforçadas, assumindo cada uma delas
estados limites últimos e de utilização diferentes. Essa diferença está directamente relacionada com o pré-
esforço nelas aplicado, com as suas dimensões, com o número de varões e a sua disposição, com o tipo de
aço, com o tipo de betão e com a quantidade e qualidade dos inertes utilizados. Desta forma, é necessário
proceder à escolha criteriosa das vigotas pré-esforçadas, preferindo sempre aquelas que estão
homologadas pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
Este tipo de pavimentos deverá ter uma zona, de pelo menos 20cm, nas imediações das vigas de
suporte onde não serão aplicadas abobadilhas, para que o pavimento seja maciço nesta zona e assim
resistir aos eventuais momentos negativos que poderão surgir.
A altura a imprimir ao pavimento está directamente relacionada com as cargas que nele irão
actuar; quanto mais espessura tiver o pavimento mais resistente este será. A altura é fornecida ao
pavimento, através das abobadilhas de cofragem perdida neles empregues.
Existe no mercado uma variedade quase infinita de abobadilhas, cujas dimensões (largura e altura)
são bastante díspares.


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Figura XVI.3 – Secções das abobadilhas existentes

Estas abobadilhas podem ser produzidas a partir das mais variadas matérias-primas e apresentam-
se geralmente com a sua secção vazada.
No nosso mercado predominam as abobadilhas cerâmicas (executadas a partir do “barro” cozido),
mas existem abobadilhas de outros materiais: abobadilhas de betão, abobadilhas de betão que empregam
inertes de argila expandida, formando assim pavimentos ainda mais aligeirados e recentemente
apareceram no mercado as abobadilhas em EPS e cortiça, que apresentam como pontos fortes a sua leveza
e bom isolamento térmico e acústico.
Como este pavimento é constituído por vigotas armadas numa só direcção e para se proceder à
melhor distribuição das cargas no pavimento, recorre-se ao emprego de armaduras transversais de
solidarização “tarugos” que não deverão ter, segundo o REBAP, largura inferior a 5cm, altura inferior a
0,8 vezes a espessura da laje e a distância entre os seus eixos não deverá ser superior a 10 vezes a
espessura da laje.
Por fim, são betonadas primeiramente as vigas periféricas ao pavimento e na parte de cima do
conjunto (abobadilhas + vigotas), emprega-se uma camada de betão “lajeta”, armado com malha
electrosoldada e cuja espessura deverá ser de 4cm a 3cm, consoante a distância entre faces das nervuras
consecutivas exceder ou não 50cm.



1 – Vigota pré-esforçada (simples);
2 – Abobadilha cerâmica;
3 – Vigotas pré-esforçadas (duplas);
4 – Lajeta de betão;
5 – Malha electrosoldada;
6 – Armadura de distribuição transversal (tarugo).

Figura XVI.4 – Corte tipo do pavimento.


16.2.1.3 Vantagens e reservas da aplicação das vigotas de betão pré-esforçado
Relativamente às vantagens dos pavimentos prefabricados com vigotas de betão pré-esforçado,
blocos de cofragem e camada de betão complementar betonada "in situ", em relação aos pavimentos
tradicionais de lajes maciças de betão armado, referem-se as seguintes:
• Em igualdade de vãos e de sobrecargas, possuem menor peso próprio, o que permite o
aligeiramento das estruturas de suporte de cargas verticais dos edifícios;
• Dispensam o uso de cofragens contínuas, exigindo apenas a montagem de escoramentos das
vigotas de betão pré-esforçado;
• São de simples e rápida montagem;
• São económicos em mão-de-obra de execução;

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• Por integrarem na sua constituição elementos vazados, conferem melhor isolamento térmico
entre andares.
Quanto às reservas na aplicação destes pavimentos, comparados com lajes maciças de betão
armado, elas são relativas ao contraventamento horizontal, constituição heterogénea, descontinuidade do
seu paramento inferior, características inadequadas à resistência a momentos negativos, fraca resistência
dos blocos de cofragem ao suporte de eventuais cargas, reduzida capacidade de isolamento relativamente
a ruídos aéreos e menor resistência ao fogo.


16.2.2 PAVIMENTOS NERVURADOS ALIGEIRADOS POR ABOBADILHAS
DE POLIESTILENO EXPANDIDO
Estes pavimentos constituem uma solução construtiva bastante recente e que é difícil de ser
encontrada no nosso país.
Este tipo de pavimento assemelha-se aos fungiformes de cofragem perdida, pois não englobam, na
sua constituição, qualquer tipo de vigotas. Devido à inclusão, no seu interior, de blocos leves
prefabricados de EPS, é correcto inserir-se este tipo de lajes no conjunto das lajes aligeiradas
consideradas prefabricadas.
Geralmente as abobadilhas encontradas no mercado têm uma dimensão de 125*62.5cm, e podem
assumir densidades diferentes, conforme o fim a que se destinam (maior “resistência”, isolamento térmico
e acústico, o que implica abobadilhas de maior densidade).


16.2.2.1 Metodologia utilizada para a sua aplicação em obra
Para o seu dimensionamento e aplicação em obra devem ser respeitadas as disposições referidas no
REBAP, do Artigo 112º ao Artigo 117º, pois estes pavimentos pertencem ao grupo dos pavimentos
aligeirados armados unidireccionalmente.
Os materiais que são empregues neste tipo de lajes são: abobabilhas (EPS), placas (EPS) nas
consolas, betão, varões de aço e malha electrosoldada.



1 – Abobadilhas em EPS;
2 – Taco em EPS para as armadura;
3 – Placa em EPS para zonas maciças.

Figura XVI.5 – Abobadilhas, placas e tacos em EPS.

O primeiro passo para a sua execução em obra, consiste na criação de uma cofragem, onde serão
assentes as abobadilhas. Este tipo de processo tem que ser cuidado e é bastante moroso pelo facto deste
tipo de pavimento não englobar qualquer elemento prefabricado portante, como acontece nos pavimentos
que empregam vigotas.
De seguida, num intervalo existente entre duas abobadilhas contíguas é colocada a armadura
longitudinal.


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1 – Lajeta de betão armado com malha electrosoldada;
2 – Armadura longitudinal;
3 – Taco elevador em EPS;
4 – Abobadilha em EPS;
5 – Acabamento do tecto.

Figura XVI.6 – Corte tipo de pavimento com abobadilhas em EPS

Este processo de construção também apresenta solução para as zonas de consola.
Nesses casos, por vezes, é necessário recorrer-se ao uso de pavimentos maciços de betão, pelo que
é possível aplicar-se uma placa com 3cm de espessura em EPS na zona inferior do pavimento, para que se
mantenham a uniformidade e a homogeneidade dos tectos e as suas características isolantes (térmicas,
acústicas e impermeabilizantes).



Figura XVI.7 – Transição entre pavimento aligeirado e pavimento maciço.

Sobre as abobadihas, é colocada uma malha de varões de aço electrosoldados e sobre o conjunto é
vertido betão, de forma a que se estabeleça uma lajeta de compressão mínima, cuja espessura varia de 3 a
4cm.
Tal como os pavimentos que recorrem ao uso de vigotas, este tipo de pavimento também tem que
cumprir as disposições do R.E.B.A.P., acerca da armadura de distribuição transversal a implementar.


16.2.2.2 Vantagens e reservas na aplicação deste tipo de pavimento
Como vantagens, foram encontrados os seguintes aspectos:
• Um elevado isolamento (térmico e acústico);
• Poder “Impermeabilizante”;
• Diminuição do peso próprio do pavimento, em aproximadamente 30%;
• É de fácil colocação, poupando-se mão de obra;
• Constituí um método para se diminuírem os consumos de betão nas betonagens dos
pavimentos, vigas e pilares;
• Ao contrário de outros sistemas, este adequa-se melhor à forma do pavimento, pois é fácil de
cortar;
• É possível encontrarem-se abobadilhas de densidade diferente, consoante a sua finalidade.

Como desvantagens:
• É um pavimento bastante recente, do qual não se conhece o comportamento a longo prazo;
• Há falta de mão-de-obra especializada, quer para o seu dimensionamento como para a sua
execução;

- XVI.7 -
• Acarreta elevados custos ao nível da cofragem a implementar.


16.2.3 Pavimentos executados a partir de placas alveolares
Este tipo de pavimentos encontra-se em larga expansão no nosso país, substituindo em alguns
casos, a aplicação de lajes de vigotas pré-esforçadas. É possível encontrar-se este tipo de pavimentos na
construção de alguns dos hipermercados construídos no nosso país.
No mercado, encontra-se deste tipo de lajes com alturas que variam entre os 12 e os 50 cm, largura
de 60 a 120 cm e que são uma excelente solução quando se pretende vencer vãos desde 5 a 16-17m,
dependendo das cargas aplicadas.



Figura XVI.8 – Estrutura pré-fabricada com lajes alveolares

Apesar de se poderem aplicar sem capa de compressão, pois as suas juntas laterais são capazes de
resistir aos efeitos de corte, é aconselhável a aplicação de uma capa de compressão de 5cm que melhora a
sua resistência.
As peças são autoportantes, não necessitando de cofragem e funcionam como elementos
isostáticos. Geralmente não apresentam problemas de flecha, pois beneficiam do pré-esforço fornecido ao
aço nelas integrado.


16.2.3.1 Metodologia utilizada para a sua aplicação em obra
As lajes prefabricadas alvéolares são aplicadas directamente sobre as vigas ou pilares, não
necessitando de qualquer tipo de cofragem.
Sobre as lajes prefabricadas é aconselhável, apesar de não ser estritamente necessário, a aplicação
de uma pequena lajeta de betão.


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Figura XVI.9 – Colocação em obra de laje alveolar


16.2.3.2 Vantagens na aplicação deste tipo de pavimento
• As placas resistem ao fogo durante 1 a 2 horas;
• Devido à sua alta rigidez este pavimento constitui uma boa solução de isolamento acústico;
• Existem no mercado uma grande variedade de dimensões para as placas alvéolares;
• É possível utilizarem-se os alvéolos das placas para o “transporte” de ar condicionado,
poupando os custos necessários à implantação de tubagens para o ar condicionado;
• Nos seus alvéolos é possível o transporte das condutas de água e os cabos eléctricos que são
necessários implantar no seio do pavimento, poupando-se os custos necessário à abertura de
ranhuras.


16.2.4 Pavimentos executados a partir de vigas TT
As vigas TT são peças nervuradas, prefabricadas, cuja largura varia entre 0.8 a 2.4m, a sua altura
de 20 a 80cm, estando as suas nervuras distanciadas de 60 a 120cm.
Devido à sua configuração, este tipo de pavimentos resiste fundamentalmente aos momentos
positivos.
Deste tipo de vigas, há a destacar aquelas que são pré-tensionadas, pois constituem elementos
prefabricados isostáticos, dimensionados para grandes vãos (de 10 a 16m ou mais) e cargas.
Os objectivos da sua aplicação são similares aos das placas ocas, sendo no entanto muito mais
ligeiras e atingem um maior vão.
Estes elementos são pouco usados em Portugal, mas são muito usados na América do Norte, onde
chegam a impor-se em relação aos pavimentos de placas ocas.


- XVI.9 -


Figura XVI.10 – Aspectos de vigas TT.


16.2.4.1 Metodologia utilizada para a sua aplicação em obra
Estas lajes são executadas de forma semelhante à das lajes alveolares.
As vigas TT prefabricadas são aplicadas sobre as vigas da estrutura, que são geralmente em forma
de L ou em T invertido.
Sobre as vigas é aplicada uma lajeta de compressão, de 4 a 15cm, se existirem cargas pontuais
móveis. Caso não existam cargas, por exemplo, na cobertura de uma nave industrial, não se recorre à
camada de compressão.


16.2.4.2 Vantagens e reservas na aplicação deste tipo de pavimento
Vantagens:
• Permitem vencer grandes vãos;
• Pode-se excluir a camada de compressão;
• É um pavimento mais aligeirado do que os habitualmente usados;
• Permitem conduzir com grande facilidade instalações eléctricas e tubos de água no sentido das
vigas, nos vãos existentes entre as nervuras.

Desvantagens:
• Só resistem praticamente a momentos positivos;
• É difícil conduzirem-se instalações eléctricas e tubagens nos sentidos que afectam os nervos.


16.2.5 Pavimentos aligeirados com vigotas de betão armado
Este tipo de pavimento tem o mesmo esquema estrutural dos pavimentos com vigotas de betão
armado pré esforçado. A principal diferença reside nas vigotas, que neste caso têm armadura simples sem
qualquer tipo de pré-esforço.
Estes pavimentos são constituídos por núcleos de aço, com o banzo inferior envolvido por betão,
formando pranchas de apoio (vigotas) aos blocos de cofragem (abobadilhas), recebendo o conjunto em
obra um enchimento de betão em camada contínua, com função resistente e de solidarização.


- XVI.10 -
Figura XVI.11 - Vigota em
betão armado

Conjugados com os
varões de base ou as
sinusóides dos núcleos,


poderão ser utilizados sempre que o dimensionamento o exija com varões ou sinusóides de reforço com
aço da mesma classe.
O funcionamento estrutural dos pavimentos com vigas de betão armado é comparável ao de uma
laje com armadura resistente unidireccional, dado que se assegura e mantém a aderência necessária entre
o betão de enchimento resistente e as vigotas pré-fabricadas, através da armadura emergente dos núcleos.


16.2.5.1 Características dos elementos constituintes
Vigotas

• Betão: B 25
• Armaduras:
- Núcleos (A 400)
- Varões de reforço (A 400)
• Dimensões:
- Comprimento: variável
- Largura: 12 cm
- Espessura: 4 cm
- Altura: variável
• Peso médio: 12 kg/ml.


0,04
V
a
r
i
á
v
e
l

0.12
núcleo
Varão complementar
Figura XVI.12 – Armadura de vigota.

Blocos de cofragem

Os blocos de cofragem poderão ser de betão ou cerâmicos, furados, tendo formas de extradorso,
curvas ou poligonais e ressaltos laterais para apoio na base de betão das vigotas. As suas dimensões
nominais são as do mercado corrente.

- XVI.11 -


Figura XVI.13 - Pavimento aligeirado com vigotas de betão armado.

Betão complementar

O betão complementar é de cimento Portland normal, com a dosagem usual de 300 Kg por metro
cúbico e com as características da classe B 25.
Aplica-se em camada contínua de espessura variável nunca inferior a 3 cm, e é composto com
agregados cuja dimensão máxima deve ser menor do que a espessura mínima da camada.


16.2.5.2 Metodologia utilizada para a sua aplicação em obra
Nos casos correntes, a execução dos pavimentos consta das seguintes operações:
• Nivelamento dos apoios para o assentamento das vigotas;
• Montagem de escoramento provisório para o apoio intermédio das vigotas, com vista a evitar
a rotura destas, durante a execução do pavimento;
• Colocação das vigotas, dispostas paralelamente entre si e acerto do seu afastamento por meio
de cércea;
• Colocação dos blocos de cofragem entre vigotas;
• Disposição de uma armadura de distribuição que deve ficar integrada na camada de betão
complementar;
• Instalação de passadiços para o trânsito de pessoal e de transporte do betão;
• Rega das vigotas e dos blocos de cofragem precedendo a betonagem, com vista a evitar a
dessecação e melhorar a aderência do betão complementar;
• Lançamento, espalhamento, regularização e compactação do betão complementar;
• Manutenção da humidade do betão em obra, durante os primeiros dias de endurecimento.


Figura XVI.14 - Colocação em obra de um pavimento aligeirado com vigotas de betão armado


- XVI.12 -

16.2.5.3
Vantagens na aplicação deste tipo de pavimento
Núcleos metálicos
• Asseguram e mantêm uma perfeita ligação entre o betão de enchimento e as vigotas
prefabricadas;
• Servem de suspensão durante o transporte e colocação, garantindo uma maior segurança
destas operações;
• Asseguram a planímetria da face inferior dos tectos, permitindo uma maior economia de
reboco;
• Dispõem de armaduras (sinusóides) estudadas para a absorção dos esforços transversos, sem
necessidade de aumentar a espessura do pavimento, recurso que se utiliza habitualmente noutros
tipos de pavimentos aligeirados.

Leveza
• Facilidade de manuseamento, sem recurso a qualquer equipamento em especial devido ao seu
reduzido peso.

Versatilidade
• Quando conjugadas com as vigas em T, as vigotas permitem a execução de tectos sem vigas
aparentes;
• As vigotas são facilmente associáveis com qualquer tipo de abobadilha existente no mercado;
• Permitem a execução de consolas, bem como de pavimentos com vigotas duplas.

Homogeneidade
• Garantida pela semelhança entre as características mecânicas das vigotas e a das estruturas
resistentes tradicionais.

Economia
• Conjunto de todas as vantagens enunciadas, aliado ao sensível aumento de rentabilidade e
redução de transportes, consequência do reduzido peso médio, garantem uma significativa
economia, com reflexo no preço global das obras.

Resistência ao fogo
• Este tipo de pavimentos garante uma excelente resistência à acção do fogo.
























- XVI.13 -




Conjugação do pavimento com viga
em T






Realização de tectos sem viga aparente



Apoio em viga tradicional de betão
armado com continuidade





Pavimento aligeirado



Figura XVI.15 – Soluções construtivas dos pavimentos com vigotas de betão armado.

16.3 CONSIDERAÇÕES GERAIS
1) Tipos de materiais
Os valores dos vãos para o cálculo dos pavimentos aligeirados com vigas de betão armado são
obtidos considerando a gama corrente de lajes em betão B 25 a aço A 400.

2) Condições de Apoio
Os valores das condições de apoio são obtidos tendo em consideração a hipótese de apoio simples
M=PL2/8

3) Outras condições de apoio
Para as diferentes condições de apoio os valores dos vãos de cálculo a considerar são divididos por
coeficientes conforme os graus de encastramento considerados.
Os valores reduzidos, assim obtidos são chamados de comodidade de exposição vãos fictícios.



16.4 PRÉ-LAJE
Estamos perante um tipo de lajes nervuradas que não é do tipo de laje aligeirada. No entanto, e só
a titulo de curiosidade fazemos aqui uma breve referência às suas principais características.
Estas lajes pré fabricadas são basicamente constituídas por grandes placas de betão armado que
assentam directamente sobre as vigas.


- XVI.14 -


Figura XVI.16 - Pré-laje de pavimento.

Estas placas, depois de colocadas sobre as vigas são betonadas. É aqui que reside a grande
vantagem deste tipo de pavimentos, pois para realizar a betonagem não é necessário qualquer tipo de
cofragem, não esquecendo também que pelo facto de algumas lajes deste tipo serem pré-esforçadas, é
possível contruirem-se pavimentos de pouca espessura. A aderência entre o betão aplicado e as placas, é
garantida por uma armadura emergente das placas.
A grande finalidade destas lajes prefabricadas é a de reduzir as operações de construção
necessárias, pois chegam à obra prontas a serem montadas.

Figura XVI.17 – Colocação em obra e betonagem



16.5 PAVIMENTOS FABRICADOS NA OBRA
16.5.1 Lajes aligeiradas “Nervo-Metal”
O Nervo-Metal é um entremeado metálico que serve para cofragens perdidas, suportando e
armando as lajes de betão.
As aplicações mais frequentes são na construção de vivendas, edifícios públicos, bungalows e na
reconstrução de edifícios antigos.


- XVI.15 -


Figura XVI.18 – Aspecto de um pavimento com chapas “Nervo-Metal”.

Na construção de vivendas utiliza-se o Nervo-Metal como armadura de suporte em coberturas,
terraços, pisos, soleiras, etc, conseguindo uma laje contínua e uniforme, altamente resistente e económica.
Na reabilitação de edifícios soluciona importantes problemas em coberturas e pisos, pois é utilizado como
suporte e armação das lajes permitindo, dada a sua leveza e a sua rápida execução, manter a estrutura
antiga, adaptando-a a todas as formas difíceis que se pretende.
A utilização do Nervo-Metal em lajes, como armadura de suporte, substitui vantajosamente as
lajes tradicionais maciças ou de diversos elementos prefabricados existentes no mercado. Cada painel
colocado suporta 1,5m² de laje, “cofrando-a” e armando-a, pelo que resulta um considerável ganho de
tempo de execução.
Este tipo de pavimento não origina roturas nem escombros, evitando gastos na sua concepção,
sendo o que melhor se adapta à construção de pisos de betão armado, qualquer que seja o seu tipo, ou a
classe de disposição das vigas que os suportam, sejam de madeira, de betão armado ou de aço.
A construção dos pavimentos deve ter a sua resistência proporcional à sobrecarga. Os vários tipos
de pavimento que utilizam este sistema, têm as suas qualidades particulares, mas no seu conjunto, todos
eles se caracterizam pela sua economia na construção, pela sua resistência notável em relação ao seu
escasso peso, pelas suas qualidades de duração, sanitárias e pela sua resistência ao fogo.



Figura XVI.19 – Tipos de pavimentos com chapa “Nervo-Metal”



- XVI.16 -
16.5.2 Pavimento sobre estrutura metálica
O Nervo-Metal em lajes sobre estrutura metálica é utilizado quando se pretende vencer grandes
vãos, como por exemplo: hospitais, pavilhões industriais, quartéis, etc...


Grampo
Camada de compressão
Nervo-Metal

Figura XVI.20 – Aspecto de um pavimento executado a partir de chapas de
“Nervo-Metal”



Aplica-se colocando as pranchas de Nervo-Metal sobre as vigas de metal cuja junção se realiza por
intermédio de uma chapa e por meio de grampos de arame galvanizado. De seguida é aplicada uma capa
de compressão de 4 a 5cm, dependendo se a distância entre as vigas metálicas for de 65cm ou 80cm,
respectivamente.



Figura XVI.21 – Pormenorização da ligação entre chapa “Nervo-Metal” e
perfil metálico.

Quando realizamos obras de reconstrução em edifícios cujos pisos são de madeira podemos
recorrer a esta solução, aproveitando o vigamento de madeira existente.

Pavimento executado sobre estrutura metálica com capacidades autoportantes
Para a realização deste tipo de pavimento colocam-se as pranchas de “Nervo- Metal” sobre as
vigas metálicas, correspondendo a distância entre as vigas à capacidade autoportante das pranchas, sendo
colocados apoios intermédios de madeira.


- XVI.17 -


Figura XVI.22 – Aspecto construtivo de pavimento autoportante sobre estrutura metálica.

Por fim, é aplicada a capa de compressão e quando esta adquirir presa são-lhes retirados os apoios
intermédios.
A colocação do “Nervo-Metal” realiza-se de acordo com as normas gerais, respeitando o sentido
do nervurado das chapas metálicas.


Camada de compressão
Nervo-Metal
Apoio

Figura XVI.23 – Colocação do apoio auxiliar de madeira.

Elementos de cofragem perdida em forma de abóbada
Este tipo de pavimento é aplicado quando se pretende resistir a fortes sobrecargas e cobrir grandes
tramos.
Graças à flexibilidade do “Nervo-Metal”, rígido pela sua nervura e flexível pela sua escassa
espessura, é um material adequado para a realização de superfícies de uma ou várias encurvaduras.
O “Nervo-Metal” curvado, presentemente em forma de abóbada, permite realizar economicamente
lajes com vigas embebidas. A distância entre os apoios é determinada pela separação das vigas da laje. A
flecha depende da altura das vigas.
No caso das vigas metálicas, a circulação das pessoas no momento de betonar faz-se sobre
pranchas de madeira colocadas sobre as vigas.

O comportamento das abóbadas influencia os principais factores:
• A relação flecha/separação entre apoios.
• A espessura do “Nervo-Metal”.

- XVI.18 -


Figura XVI.24 – Pavimento em abóbada


16.5.2.1 Vantagens na aplicação deste tipo de pavimento
• Com este sistema de reforço não há o perigo de que por distracção se coloque menor
quantidade de aço que a especificada, nem que ela fique fora do lugar estabelecido;
• Não necessita de mão de obra especializada;
• A forma estrutural da malha faz com que haja uma transmissão uniforme dos esforços e que
uma carga concentrada num determinado ponto se transmita a uma grande superfície, sem
necessidade de membros transversais.
• Consegue-se um menor custo por m2, relativamente a outros materiais tradicionais;
• Maior rapidez de execução, não havendo perdas de material, pois qualquer troço cortado pode
ser aproveitado;
• O “Nervo-Metal” pode-se cortar, dobrar, encurvar, espalmar, facilitando a sua adaptação a
qualquer forma;
• Devido à rigidez da estrutura, não é necessário empregarmos outros meios de suporte
auxiliares;
• Com este sistema garante-se uma boa aderência à capa de compressão;
• É possível, consoante a sobrecarga, definir diferentes distâncias entre os vigamentos.



16.6 LAJES FUNGIFORMES
Este é outro tipo de laje que apesar de se tratar de uma laje aligeirada, não possui qualquer tipo de
vigamento, pois o seu suporte é garantido única e exclusivamente pelos chamados capitéis ou ábacos.
Estes capiteis necessitam de uma armadura resistente aos esforços de punçoamento, uma vez que
assentam directamente sobre os pilares correndo o risco de serem perfurados por estes quando suportarem
o peso da laje.


- XVI.19 -


Figura XVI.25 – Armaduras de capitéis.

Assim, dentro das lajes fungiformes aligeiradas temos dois tipos distintos:
Lajes de molde perdido, que são constituídas pelos chamados fungiblocos ou blocões que têm
entre 20 a 35cm estando espaçados entre 10 a 15cm. No seu espaçamento possuem uma nervura que
garante uma melhor aderência do betão de enchimento e acima dos blocos, este betão, possui uma
espessura que varia entre 5 a 7cm.


- XVI.20 -


Figura XVI.26 – Laje fungiforme de molde perdido.







Figura XVI.27 – Fungibloco

Lajes de molde recuperado, mais vulgarmente conhecidas pelas lajes de “penicos”, seguem
exactamente o mesmo esquema estrutural das lajes de molde perdido só que neste caso, como o próprio
nome indica, o molde é recuperado, ficando o tecto com as aberturas visíveis, o que produz um certo
efeito anti-estético. No entanto, a maior vantagem deste tipo de laje reside no facto de podermos retirar os
moldes antes de ser retirado o escoramento, possibilitando a utilização de um menor número de moldes.




- XVI.21 -
Figura XVI.28 – Aspecto de uma laje fungiforme de moldes recuperados
16.7 PISO COM VIGAMENTO METÁLICO
O emprego do ferro como material para estruturas de edificação não tem limites devido às suas
boas qualidades técnicas, e cremos que em geral, é um material favorito da construção.
Os pisos metálicos são em geral os mais adequados para as construções metálicas.
Estes são apropriados para grandes vãos e fortes cargas e possuindo um reduzido volume.
Apresenta uma excelente solução para construções industriais e para os edifícios destinados a oficinas, o
que já não acontece nas casas residenciais, pois é uma solução pouco comum.
Este tipo de construção oferece assim, a vantagem de execução rápida pelo uso de laminados de
ferro standardizados, que se encontram no mercado e permitem venceremse grandes vãos sem que a
espessura do pavimento seja exagerada, aligeirando, por conseguinte, as lajes.
O inconveniente deste tipo de pisos, é ser necessário proceder a uma protecção eficaz dos ferros
contra a oxidação:
• Pintura adequada;
• Encravamento na própria laje de betão.
Os pisos metálicos são constituídos por vigas laminadas do tipo IPN, IPE, UPN, etc. Os perfis
altos e leves são os preferíveis. A separação das vigas depende (como no caso da madeira) do material de
vigamento utilizado como portante, entre as mesmas.
Os elementos portantes podem ser elementos cerâmicos, de betão prefabricado ou feito no local.


Figura XVI.29 – Pormenor de pavimento com perfis metálicos laminados e
abobadilha de betão.





Figura XVI.30 – Pavimento com vigas metálicas e enchimento em placas armadas de betão poroso
(comprimento 90-130 cm, largura 35 cm, esp. 8,5 cm) e lâmina de compressão em betão leve.


- XVI.22 -

Figura XVI.31 – Pormenor de pavimento com perfis laminados e elementos cerâmicos.

As características das vigotas a adoptar depende da carga a que está sujeita. Esta carga provoca
uma descida produzida num ponto de uma viga, a que se chama flecha.
O peso próprio, admitido nos cálculos, deve ser determinado para cada caso particular.
Quando a disposição da carga é simétrica e os apoios das vigas são da mesma espécie (embebidas,
articuladas, etc.), a flecha máxima da viga estará no seu ponto médio.
Devido à elasticidade do ferro, e mesmo que o material esteja a trabalhar em boas condições, as
flechas das vigas não devem exceder uma certa fracção do seu comprimento, pois, por vezes, vêem-se
construções em que as vigas têm flecha, o que produz um efeito desagradável.
Para vigas de piso, em que o vão exceda 5 m, deve ser ƒ=1/400 × L; quando passem de 7 m tomar-
se-á ƒ=1/500 × L.
Quando os extremos destas vigas se puderem considerar embebidos nas paredes, quer por estarem
enterrados em betão, quer por estarem convenientemente abraçados, as flechas anteriores serão tomadas
como 1/200×L e 1/300×L, respectivamente os valores anteriores.
Frequentemente, exigências particulares obrigam a adoptar valores mais reduzidos.
Contudo, quando é conhecida a solicitação de utilização do aço e foi escolhida a altura do
laminado, é fácil determinar a flecha máxima que para um módulo de elasticidade de 2,1E6 Kg/cm ²,
expressa-se pelas seguintes fórmulas:

a) carga uniformemente repartida, viga apoiada a dois pontos
ƒ = (0,992×⌠real×L²) / h

b) carga uniformemente repartida, viga em consola
ƒ = (2,38×⌠real×L²) / h

Os pisos leves, com vigamento de aço ondulado, oferecem interessantes possibilidades. Este tipo
de piso usa-se mais nos EUA, não chegando assim a estenderse a todo o mundo.
Os perfis assim usados levam aos tipos de piso que se mostra a seguir:







- XVI.23 -
Figura XVI.32 - Laje mista com vigamento metálico e chapa ondulada de aço.

O revestimento aplicado sobre pisos de elementos metálicos dependem em grande medida do
material que compõe o vigamento próprio. Os isolamentos térmicos e acústicos deste revestimento
determinam o “conforto” da construção e as qualidades particulares dos materiais usados e influem na
longevidade do elemento. A execução dos tectos planos e lisos deve contribuir muito para melhorar as
condições isolantes.
Para reduzir o peso das vigotas, que aumentam rapidamente com o vão, é possível introduzir um
ou vários apoios intermédios. Tais apoios constituem-se neste caso em vigas (traves). Estas são calculadas
do mesmo modo que as vigotas: a sua carga unitária corresponde à reacção de apoio das vigotas do piso.
Geralmente o vão da viga (trave) é superior à das vigotas. Para a sua realização usam-se laminados IPN,
IPE, DIN, HEA, - B, -M, etc, que oferecem importantes momentos de inércia. Não se deve deixar de
calcular a flecha desses meios de apoio.



Figura XVI.33 - Planta e pormenores de pavimento com trave e nervuras metálicas.

A realização de sustentação por traves implica com frequência, nas uniões que exigem, a
intervenção de especialistas (rebites, uso de pernos, soldaduras, etc.).


16.7.1 Metodologia utilizada para a sua aplicação em obra
1. Nivelam-se as paredes onde se irão apoiar os perfis metálicos;
2. Se a argamassa utilizada no assentamento dos blocos com que se constrói a parede for de cal
comum e areia, o assentamento das últimas fiadas até chegar ao nível de assentamento das vigas
deverá ser feito de argamassa de cimento e areia. Quando a parede não tiver resistência suficiente à
compressão para receber as cargas concentradas nas extremidades das vigas metálicas, é
conveniente a aplicação de uma placa de betão armado cuja superfície superior coincida com o
nível de assentamento das vigas, o que permite a repartição dos esforços transmitidos pela viga por
uma superfície maior;

3. Confirmado o nível pretendido, assentam-se sobre a parede os perfis metálicos às distâncias
fixadas no projecto. As extremidades das vigas devem entrar nas paredes cerca de uma vez e meia
a sua altura, mantendo-se afastadas das faces exteriores das paredes de, pelo menos, 1 m;

4. Uma vez assentes as vigas nos locais pretendidos, proceder-se-á ao seu contraventamento,
continuando-se a construção das paredes até uma altura correspondente aos banzos superiores das
vigas. Empregar-se-á argamassa de cimento, procurando-se encher bem os espaços entre as
extremidades das vigas.
Para evitar a oxidação dessas extremidades, aplica-se-lhes uma argamassa de cimento antes de
proceder ao contraventamento das vigas.
Quando as vigas metálicas se aplicam sobre vigas mestras, unem-se aos seus banzos inferiores
com os banzos superiores das vigas mestras. Se as duas extremidades se apoiam em vigas mestras, uma
delas será fixada mediante um parafuso de rosca, permitindo a dilatação do perfil.

- XVI.24 -
16.7.2 Vantagens e reservas na aplicação deste tipo de pavimento
Vantagens:
• Rapidez na Execução da Obra;
• Possibilidade de se ultrapassarem grandes vãos;
• Maior resistência;
• Permite a montagem fácil de edifícios por módulos.

Desvantagens:
• Estão sujeitos à acção da oxidação;
• Requerem mão de obra especializada;
• Necessitam de manutenção a longo prazo;

ANEXO:



16.8 PROCESSO DE FABRICO DAS VIGOTAS PRÉ-ESFORÇADAS
Tratamento prévio das mesas de fabrico:
O tratamento da superfície das mesas de moldagem, com vista a evitar que a ela adiram as bases
das vigotas de betão pré-esforçado, é feito normalmente antes da extensão dos fios da armadura de pré-
esforço, ao longo das mesas de moldagem e posterior aplicação do pré-esforço na origem deles, podendo
ser utilizados no referido tratamento produtos sólidos ou líquidos.
O produto líquido normalmente empregue é o chamado óleo de descofragem contendo
determinada percentagem de água. Quanto aos produtos sólidos, são correntes o pó ou granulado fino de
tijolo, pó de pedra calcária, cal apagada em pó ou leite de cal.
O produto a aplicar depende da natureza da superfície das mesas de moldagem, as quais podem ser
de betão à vista ou revestidas com ladrilho hidráulico ou chapa metálica.

Colocação dos fios que constituem a armadura de pré-esforço:
Para esta operação, ao longo das mesas de moldagem, são colocados primeiramente os rolos dos
fios de aço em bobines ou poços instalados em frente do topo das mesas de moldagem em que é feita a
aplicação do pré-esforço na origem.



Figura XVI.34 – Máquina de préesforço e bobines de aço

Seguidamente, os fios são estendidos ao longo das mesas de fabrico por processo manual ou
mecânico e fixados em dispositivos de apoio instalados no topo das mesas de moldagem oposto ao
dispositivo onde são aplicadas as forças de pré-esforço.
A colocação dos fios de armadura de pré-esforço pelo processo manual, raramente se utiliza.
A colocação dos fios da armadura de pré-esforço pelo processo mecânico é feita com o auxilio de
um motor elétrico instalado numa das extremidades das mesas de moldagem, o qual acciona um cabo que
transporta individualmente os fios de armadura de pré-esforço a ele ligados e que se movimenta passando
na gola da roda do motor e de outra colocada na extremidade oposta das mesas de moldagem.


- XVI.25 -
Sistema de fixação dos fios da armadura de pré-esforço
Após a colocação dos fios da armadura de pré-esforço segue-se a sua fixação definitiva no topo
das mesas de moldagem contrário ao da aplicação do pré-esforço na origem, ficando na extremidade
oposta provisoriamente introduzidos em tensão, nos furos dos dispositivos de apoio dos sistemas de
fixação e com pontas salientes.
Nesta extremidade, a fixação definitiva é efectuada após a aplicação do préesforço na origem.



Figura XVI.35 – Varões de aço estirados e pré-tensionados nas mesas de moldagem.

No geral, a fixação é feita individualmente em cada fio da armadura de préesforço por cunhas
cónicas de aço de elevada resistência, com superficie interior estriada, as quais actuam dentro de um
pequeno cilindro da aço(barril), formando conjunto previamente enfiado nos fios da armadura de pré-
esforço e que encostam aos dispositivos de apoio, ligados à plataforma das mesas de moldagem.



Figura XVI.36 – Amarração dos varões de aço.

Aplicação do pré-esforço aos fios que constituem a armadura das vigotas de betão pré-
esforçado
O sistema mais corrente para aplicação do pré-esforço na origem nos fios da armadura de pré-
esforço é o da utilização de macacos hidráulicos accionados electricamente e equipados com um ou dois
manómetros, os quais podem actuar individualmente em dois fios simétricos de uma mesma vigota de
betão pré-esforçado ou fios correspondentes de duas vigotas de betão pré-esforçado contíguas ou ainda
conjuntamente em todos os fios da cada vigota de betão pré-esforçado ou de todas as vigotas de betão
pré-esforçado de uma mesa de moldagem.

Máquina para moldagem das vigotas de betão pré-esforçado
As máquinas utilizadas no fabrico mecânico de vigotas de betão pré-esforçado por fios aderentes
são essencialmente constituídas por um corpo principal, na base do qual estão incorporados os moldes das
vigotas de betão pré-esforçado, uma tremonha instalada superiormente destinada à recepção do betão e
lançamento deste nos moldes e de um corpo instalado na frente da máquina, que contem os guia-fios.


- XVI.26 -


Figura XVI.37 – Máquina de moldagem.

Incorporados nestas máquinas encontram-se ainda os vibradores, em condições de transmitirem
directamente a vibração aos moldes das vigotas de betão pré-esforçado para compactação do betão, e um
sistema de pás rotativas na base da tremonha que removem o betão antes de penetrar nos moldes.
Para o fabrico das vigotas de betão pré-esforçodo, é transportado da central de betonagem até a
máquina de moldagem, por meio de balde suspenso de ponte rolante, e lançado na tremonha de
alimentação, à medida que vai sendo descarregado inferiormente dentro dos moldes, através do sistema
de pás que o removem.

Conservação das vigotas de betão pré-esforçado nas mesas de moldagem
Após a moldagem das vigotas de betão pré-esforçado, estas são conservadas nas mesas de fabrico
normalmente em condições ambientes naturais e sujeitas a rega frequente durante 3 a 8 dias, consoante a
temperatura, o grau de húmidade atmosférico e o tipo de vigota de betão pré-esforçado moldada, ou
tratadas por vapor de água aquecido, quando haja necessidade de acelerar a produção, o que demora cerca
de 24-48 horas.

Corte, levantamento e transporte para depósitos das vigotas de betão pré-esforçado
Após a transmissão do pré-esforço dos fios da armadura de pré-esforço às linhas de vigotas de
betão pré-esforçado fabricadas, estas são cortadas nas zonas previamente marcadas definindo os
comprimentos desejados.
Os comprimentos previamente definidos são marcados, por um lado, após a moldagem das vigotas
de betão pré-esforçado, com a remoção do betão com jacto de água ou de ar, na linha da sua separação, ou
por marcas a tinta quando o corte das vigotas de betão pré-esforçado é feito por serras de discos.
Seguidamente, as vigotas de betão pré-esforçado são em geral, levantadas por sistemas de quadro
suspenso em posição horizontal, de ponte rolante, e dispondo de pendurais na extremidade dos quais
existem pinças para fixação simultânea de um grupo de vigotas de betão pré-esforçado igual ao número
de linhas moldadas em cada mesa de moldagem.


- XVI.27 -


Figura XVI.38 – Mesas de moldagem - Empresa Pavinorte.

Após o levantamento, as vigotas são assentes em camadas sobrepostas num carro de transporte
que, deslocando-se nos carris das máquinas de moldagem, as transporta para a saída da fabrica, de onde
são retiradas por meio de empilhadores para o local de depósito.




Figura XVI.39 – Aspecto da zona de armazenamento


- XVI.28 -


Figura XVI.40 – Carregamento das vigas para transporte

- XVI.29 -