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Revolução Chinesa - 1949

Antecedentes: No século XIX, a China sofria com a exploração e a dominação das grandes nações europeias. O Reino Unido, por exemplo, se destacava por interferir diretamente tanto nos assuntos políticos quanto nos culturais: os imperadores da Dinastia Ching (Manchu) haviam perdido sua autonomia e resignavam-se às vontades europeias. Causas da Revolução: Além da situação de dominação estrangeira, outro fator causava insatisfação e dificultava o desenvolvimento do país: alguns poucos proprietários rurais detinham a posse das terras produtivas chinesas, a agricultura vivia num regime bem atrasado, a população vivia para conseguir o mínimo e indispensável à sobrevivência, onde até o pão era raro. O crescente descontentamento com tal condição acabou deflagrando uma série de protestos, revoltas e conflitos entre os anos de 1898 e 1900, mas de início não conseguiram expulsar os estrangeiros. Por seu cunho nacionalista, as revoltas foram duramente coibida pela ação de tropas estrangeiras. A Revolução: Sun Yat-sen, médico, político e estadista chinês, foi o responsável pela fundação do Kuomintang (Partido Nacional do Povo), facção que tinha como objetivo maior a proclamação da república e a independência nacional. Em 1911, A Dinastia Ching foi deposta e Sun Yat-sen assumiu o posto de primeiro presidente da República Chinesa prometendo algumas reformas sociais, que no entanto não foram implementadas e o novo governo não teve forças para evitar a grande oposição dos senhores de terras, que passaram a exercer seu poder de maneira violenta nas províncias provocando pânico na população. Sun Yat-sem chega a renunciar do posto de presidente, retornando em 1921. Ainda em 1921, é fundado o Partido Comunista da China (PCC), entre seus criadores, estava Mao Tsé-tung Sun Yat-sen chegou a fazer uma aliança com os Comunistas, porém, com a sua morte no ano de 1925, o general Chiang Kai-shek tomou o poder, rompeu com os comunistas e liderou as tropas chinesas, combatendo opositores da República como os grandes proprietários de terras e os dissidentes comunistas. O Kuomintang já não era mais aquela organização criada por Sun Yat-sem, agora o partido era o defensor dos grandes proprietários e dos senhores da guerra. O Partido Comunista, agora enfraquecido ainda tentava insurreições, porém sem obter sucesso, fugiram para o interior para a tentativa de reorganização. Foram criadas então no interior do país as chamadas Bases Vermelhas, conquistando o apoio dos camponeses, A Longa Marcha foi uma retirada das tropas do Partido Comunista Chinês, para fugir à perseguição do exército do Kuomintang, que enviava cerca de 500 mil homens apoiados pela força aérea. O exército comunista, liderado por Mao entende que lutar contra esse contingente militar seria suicídio, e iniciou a retirada para o noroeste. A Marcha composta por 100 mil homens percorreu 9.650 km em condições extremamente duras, até que as tropas comunistas estabeleceram-se na região de Shensi, extremo norte da China. Dos 100 mil, apenas cerca de 20 mil chegaram. Em 1931 os japoneses invadem a Manchuria, um problema adicional, tanto para o Kuomintang, como para os comunistas. Curiosamente, Chiang Kai-shek considerava os comunistas uma ameaça maior, e ofereceu pouca resistência a invasão japonesa. Após um tempo, chegando a ser detido por suas próprias tropas, Chiang finalmente aceita realizar uma aliança com os comunistas contra os japoneses. O conflito entre comunistas e nacionalistas ficava suspenso. Logo que terminou a 2ª Guerra Mundial, com a derrota do Japão, o Kuomintang retomou a perseguição aos comunistas, voltando ao conflito e a

Guerra Civil. Mao Tse-tung inicia uma violenta ofensiva conta o exército de Chiang, até a vitória. Em 1949 o Partido Comunista derrota o Kuomintang e proclama a República Popular da China. Chiang e seus aliados em Taiwan e lá estabeleceram um governo apoiado pelos EUA. A partir daí, o país viveu um grande processo de transformação social e política, a chamada Revolução Comunista alterou significativamente a sociedade chinesa. Quando os comunistas finalmente tomaram o poder e instituíram Mao Tse-tung como chefe supremo, diversas medidas foram adotadas. O governo não estatizou tudo de imediato, deixando a burguesia ainda com partes de suas propriedades, Tribunais do Povo foram criados para julgar os Grandes proprietários rurais, o campo foi coletivizado e a reforma agraria foi institucionalizada e os sindicatos legalizados. A industrialização forçada e a coletivização das terras provocaram insatisfações, iniciaram-se então uma serie de reclamações ao governo principalmente sobre o monopólio do poder e a falta de democracia O Grande Salto para Frente foi um programa econômico e sócio-político lançado pelo Partido Comunista Chinês, entre 1958 e 1960, para transformar a China de um país agrário e atrasado em um país industrial, avançado e verdadeiramente socialista, priorizando a agricultura e as comunas rurais. Por falta de planejamento e coordenação, por causa da resistência dos camponeses e de uma série de erros políticos, este programa radical e altamente utópico acabou sendo um grande salto para trás. O colapso do Grande Salto para Frente e a consequente fome e depressão na China tiveram um grande impacto sobre a política partidária do país. Mao acaba saindo da presidência. Desde 1962, o partido e o seu novo presidente começaram a se distanciar, o que conduziu à formação uma luta política dentro do Partido Comunista Chinês expressa por um novo grupo que estava no comando efetivo e era totalmente contrário as ideias do grupo Maoísta, porém o exército chinês era ostensivamente a favor das ideias de Mao. O conflito aberto entre as duas facções aconteceria a partir de 1966, quando Mao lançou a Revolução Cultural. A Revolução Cultural Foi um período de transformações políticas e sociais que agitaram a China entre 1966 e 1976. Desencadeada por Mao Tsé-tung, Insatisfeito com os rumos do sistema que ele mesmo havia implantado, e com os objetivos de eliminar o crescente número de opositores, corrigir o rumo das políticas do PCC (enviando diversos dirigentes do partido para campos de “reeducação”) e tornar menos elitistas os sistemas educacional, cultural e de saúde. Para atingir esses objetivos, Mao buscou mobilizar as massas, principalmente os jovens estudantes, com palavras de ordem falando da grande democracia e da luta contra burocratas (classe privilegiada) se apoiou numa enorme mobilização da juventude urbana da China, organizando grupos conhecidos como Guardas Vermelhos. Além de questionar os rumos do comunismo chinês, a Revolução Cultural combateu o confucionismo. A Revolução Cultural foi a luta contra uma classe intelectual separada da massa, o problema é que, na prática, ela resultou em escolas fechadas, no ataque a intelectuais e no culto exagerado à personalidade de Mao. A partir de 1967 com e eclosão de diversos movimentos violentos contra o governo, Mao parte com igual violência contra os grupos radicais, vários massacres ocorreram até o governo retomar o controle. A Revolução Cultural chegava ao fim com o fortalecimento do poder pessoal de Mao.

Mao Tse-tung morre em 1976, aos poucos Deng Xiaoping chega ao poder, criticando publicamente a Revolução Cultural. O governo promove uma série de reformas econômicas que permitiram à China transformar-se numa das maiores economias do mundo. Dentre essas reformas, destacam-se as Quatro Modernizações, nos setores de indústria, agricultura, da defesa e da cultura (educação, ciência e tecnologia). A modernização da indústria seria feita passo a passo com a abertura para o exterior pois o interesse era exportar o máximo possível e importar especialmente tecnologia para isso, foram criadas as Zonas Econômicas Especiais, as ZEEs, no leste do país. Eram áreas onde era permitida a instalação de empresas estrangeiras, que poderiam usufruir da mão de obra extremamente barata. A modernização da defesa era o interesse da China em se tornar uma potência mundial. Buscou-se a profissionalização dos sodados e o investimento em tecnologia bélica, com a compra de aviões e misseis soviéticos. A Modernização da Agricultura era a preocupação constante, era necessária uma grande infraestrutura, com a drenagem de pântanos, construção de rodovias e irrigação. Os camponeses possuíam terrenos próprios, mas toda a maquinaria, sementes e armazenagem eram propriedade coletiva da comuna, ao Estado cabia a assistência técnica, creditícia e a infraestrutura. A Modernização Cultural se diz respeito a necessidade de mudanças, principalmente nos setores de educação e da ciência/tecnologia. O desenvolvimento cientifico e tecnológico contava com programas próprios, principalmente para áreas de informática, energia, bioengenharia e novas tecnologias. Houve uma melhora sensível e os chineses já compreendiam que o sucesso das reformas econômicas estava relacionado a melhoria da qualificação do povo. Gerando também uma grande migração de camponeses para as cidades em busca da ilusão da modernidade e prosperidade. Essas modernizações foram implementadas no final dos anos de 1970 e prosseguem até os dias de hoje apontando novos caminhos para o sucesso chinês, porém, uma quinta modernização ainda é reclamada pelos chineses, a Democracia. Mas sobre essa o governo não se manifesta e ainda reprime com violência aos que a reclamam, como no episódio do massacre na Praça da Paz Celestial, em Pequim. Em plena visita de Gorbachev, quase 1 milhão de pessoas se reuniram na praça em uma grande manifestação pela democracia. O governo responde com o envio de tanques e o massacre de quase 700 pessoas além da prisão de milhares outras.