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5o Congresso Brasileiro de Geotecnia Ambiental REGEO’2003 – Porto Alegre, RS.

DISPOSIÇAO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NO BRASIL Prof. José Fernando Thomé Jucá Universidade Federal de Pernambuco, Brasil. Resumo A questão dos resíduos sólidos no Brasil tem sido amplamente discutida na sociedade, a partir de vários levantamentos da situação atual brasileira e perspectivas para o setor. De uma forma geral este assunto permeou por várias áreas do conhecimento, desde o saneamento básico, meio ambiente, inserção social e econômica dos processos de triagem e reciclagem dos materiais, e mais recentemente, ainda de forma insipiente, o aproveitamento energético dos gases provenientes dos aterros sanitários. Este trabalho apresenta inicialmente alguns aspectos da destinação final dos resíduos sólidos no Brasil, onde constam a geração dos resíduos sólidos e o tipo de destinação final adotada em cada região brasileira, a situação de vários aterros sanitários, incluindo as técnicas adotadas para acondicionamento e tratamento de líquidos e gases. Posteriormente, apresentam-se alguns aspectos da geotecnia ambiental aplicada a aterros de resíduos sólidos, enfatizando-se a investigação experimental de laboratório e campo, através do monitoramento e a observação direta de várias obras de aterros sanitários. O estudo dos parâmetros do lixo será associado a seu comportamento no aterro de resíduos sólidos, onde ocorrem vários problemas de engenharia geotécnica, tais como: estabilidade de taludes, capacidade de carga, recalques, fluxo de líquidos e gases em meios saturados e não saturados. A diversidade dos materiais envolvidos, sua composição e alteração de propriedades com o tempo justificam o crescimento de pesquisas associando problemas geotécnicos aos ambientais, o que amplia a complexidade do assunto, bem como, a necessidade de estudos multi-disciplinares. A busca de soluções para a destinação final dos resíduos tem se constituído num grande desafio, sobretudo no que concerne à poluição dos solos, do ar e dos recursos hídricos, bem como na compreensão dos mecanismos de biodegradação da massa de lixo e sua influência no comportamento dos aterros. Esta abordagem permite o desenvolvimento de técnicas mais eficiente para o tratamento de massa de lixo, dos efluentes líquidos e gasosos, além de promover um melhor aproveitamento das áreas disponíveis para destinação final dos resíduos sólidos. Palavras–chave: Geotecnia Ambiental; Resíduos Sólidos; Aterros Sanitários. 1. Introdução Este trabalho apresenta a situação atual da destinação final dos resíduos sólidos no Brasil, a partir de levantamentos do setor de saneamento, em especial, os dados do último PNSB - Pesquisa Nacional sobre Saneamento Básico, realizado pelo IBGE em 2000. Não se pretende com este trabalho elaborar um diagnóstico do País, mas se ter uma visão geral da situação da destinação dos resíduos sólidos, além de enfocar como a geotecnia ambiental vem contribuindo com o desenvolvimento das tecnologias para projeto, construção e operação de aterros sanitários. No Item 2 apresenta-se basicamente os dados relativos à geração, tipo de tratamento e destinação final dos resíduos sólidos. Nos Itens 3 e 4 se apresentam alguns aspectos dos aterros sanitários brasileiros, a forma de tratamento dos efluentes líquidos e gasosos, bem como a gestão dos aterros sanitários. No Item 5 apresenta-se a contribuição da geotecnia ambiental na compreensão dos mecanismos associados às propriedades físicas, químicas e biológicas dos resíduos aterrados. Por último, observa-se um crescente interesse em tecnologias desenvolvidas na geotecnia em aterros sanitários. O uso crescente de barreiras de contenção de contaminantes,

naturais e artificiais, bem como o uso de barreiras reativas associadas a técnicas de fito-remediação, tem sido empregada para tratamento secundário ou terciário de percolados. As considerações finais serão apresentadas no Item 6, onde se apresentará os principais pontos do trabalho, bem como as perspectivas da área a nível nacional. 2. Geração de resíduos No Brasil, de acordo com a PNSB (2000), se coleta cerca de 228.413 toneladas de resíduos sólidos diariamente, sendo 125.258 toneladas referentes aos resíduos domiciliares. A Figura 1 apresenta o mapa do Brasil, dividido em Regiões e Estados, bem como o percentual do Produto Interno Bruto – PIB. A estimativa brasileira em 2001 foi de US$ 554.000.000,00.

destaca-se a Região Sudeste, que é responsável pela geração de 62% dos resíduos sólidos no País.
Tabela 1. Geração de Resíduos Sólidos.
População Total Percentual Valor (%) Geração de Resíduos Geração Percentual percapita (%) Valor (kg/hab/dia)

169.799.170 Brasil 12.900.704 7,6 Norte 47.741.711 28,1 Nordeste 72.412.411 42,6 Sudeste 25.107.616 14,8 Sul Oeste 11.636.728 6,9 Fonte: PNSB (IBGE, 2000)

228.413 11.067 41.558 141.617 19.875 14.297

100 4,8 18,2 62 8,7 6,3

1,35 0,86 0,87 1,96 0,79 1,23

REGIÃO NORTE PIB = 4,45%

REGIÃO NORDESTE PIB = 13,11%

De uma forma geral estes valores são compatíveis com o levantamento realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República, em 1998, quando foram obtidos os seguintes valores: 0,58 Kg/hab./dia para a Região Norte; 1,08 Kg/hab./dia para a Região Nordeste; 1,3 Kg/hab./dia para a Região Sudeste; 0,95 Kg/hab./dia para a Região Centro-Oeste; e 0,89 Kg/hab./dia para a Região Sul. Em relação à geração de resíduos domiciliares temos pelo PNSB um valor médio nacional de 0,74 kg por habitante por dia.
70% 62,0% 58,3%

População PIB Geração de Resíduos

REGIÃO CENTRO-OESTE PIB = 6,44% REGIÃO SUDESTE PIB = 58,28% REGIÃO SUL PIB = 17,75%

60%

50% 42,6% 40% 28,1%

30%

20%

18,2% 13,1%

17,8% 14,8% 8,7% 6,4% 6,9% 6,3%

10%

7,6% 4,5% 4,8%

0% Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste

Figura 1. Mapa das Regiões Geográficas do Brasil.

Figura 2. Percentual da população, PIB e geração de resíduos sólidos por Região.

A Tabela 1 apresenta a população brasileira e sua distribuição regional, a quantidade de resíduos sólidos gerados diariamente e a geração por pessoa e por região. Em relação a geração por pessoa, observa-se uma grande discrepância de resultados por região, devido aos resíduos não domiciliares, que não tem uma relação direta com a população. A Figura 2 apresenta os percentuais de resíduos gerados por região, a população e o PIB. Os valores do PIB e da geração de resíduos apresentam uma boa concordância, e

3. Destinação Final A Figura 3 apresenta a evolução da destinação final dos resíduos sólidos domiciliares no Brasil, a partir de 1991 até o ano de 2000, baseados nos dados da PNSB. Na figura observa-se que o aumento da quantidade de resíduos se acentua a partir de meados da década de 1990, quando houve uma redução nos índices inflacionários e um aumento de consumo por parte da população. De uma

forma geral observa-se um melhoramento nos cuidados relativos ao tratamento e destinação final, representado pela redução da quantidade de resíduos depositados em lixões e um aumento de aterros controlados e sanitários, além de um pequeno
Quantidade de resíduos domiciliares (ton/dia)
130.000 120.000 110.000 100.000 90.000 80.000 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000 20.000 10.000 0

crescimento de outros tipos de tratamento, como a separação para reciclagem de materiais, compostagem da matéria orgânica e incineração de resíduos perigosos.

Triagem Incineração Compostagem Aterro sanitário Aterro controlado

Lixões - Vazadouro a céu aberto

1991

1995

2000

Figura 3. Evolução da destinação final dos resíduos no Brasil. As figuras abaixo apresentam a destinação final dos resíduos sólidos no Brasil, considerando o percentual por quantidade (em peso) dos resíduos (Figura 4A) e na Figura 4B o percentual pelo número de municípios, de acordo com a PNSB (2000).
Destinação Final por Quantidade de Resíduos
Vazadouro a céu aberto (lixão) 22,5% Incineração 0,5%

Destinação Final por Número de Municípios
Não Informado 5,0%

Aterro controlado 37,0%

Aterro controlado 18,3%

Estação de triagem 1,0% Estação de compostagem 2,9%

Aterro sanitário 13,7%
Aterro sanitário 36,2%

Vazadouro a aberto (lixã 63,1%

Figura 4A - Destinação final dos resíduos em peso.

Figura 4B - Destinação final dos resíduos por número de municípios.

De acordo com o apresentado nas Figuras 3 e 4, a PNSB (2000) indicou uma situação exageradamente favorável no que se refere a quantidade de lixo vazado nas unidades de destinação final, pois aproximadamente 73,2 % de todo o lixo coletado no Brasil estaria tendo um destino final adequado, em aterros sanitários ou controlados. Porém quando se analisam as informações tomando-se por base, o número de

municípios, o resultado já não é tão favorável, pois 63,1% deles informam que depositam seus resíduos em lixões e apenas 13,7% declaram que possuem aterros sanitários. Por outro lado, dos 5.561 municípios brasileiros, 73,1% têm população inferior 20.000 habitantes. Nestes municípios, 68,5% dos resíduos gerados são vazados em locais inadequados.

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 13% 36% 28% 15% 37% 57% 48% 21% 10% Brasil Norte Aterro controlado 36% 37% 40% 39% 24% 46% 33% 26% 22% Nordeste Aterro sanitário Sudeste Estação de compostagem Sul Centro-Oeste Incineração Vazadouro a céu aberto Estação de triagem Figura 5.1. de acordo com a PNSB (2000). A grande dificuldade reside nos custos de operação de um aterro sanitário.1 9.2 0.6 32.1 3.8 0.5 0. .2 0.241/82 – Norma para apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos urbanos.1 0. Tabela 2.procedimento !" CETESB P4.8 38.2 0. implantação e operação . Por outro lado nas demais regiões este tipo de destinação final são praticamente inexistentes. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. que pressupõe tratamento adequado de líquidos e gases efluentes. !" NBR-9690/86 – Mantas de polímeros para impermeabilização (PVC) – Especificação.2 28. em sua maioria.3 13.3 14.7 0. em vários países. !" NBR-8419/92 – Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos – procedimentos.6 2. construção e operação de sistemas de tanques sépticos – Procedimento.5 1. !" CETESB L1.5 37.2 2.A Tabela 2 e a Figura 5 apresentam os tipos de tratamento e destinação final dos resíduos sólidos por região brasileira. Gestão e Custos de Operação Os aterros sanitários existentes no país são operados pela iniciativa privada. !" NBR-13896/97 – Aterros de resíduos não perigosos .Critérios para projeto.3 0 0 0. construção e operação – procedimentos. Tipo da destinação final em percentual (%) Brasil Norte Nordeste Sudeste Vazadouro a céu aberto Aterro controlado Aterro sanitário Estação de compostagem Estação de triagem Incineração Locais nãofixos Outra 21.3 40.7 57.7 CentroOeste 25. Aterros Sanitários No mundo inteiro. com vistas a um tratamento adequado dos resíduos. 4. conforme se pode observar a seguir: !" NBR-8412/83 – Apresentação de projetos de aterros de resíduos industriais perigosos !" NBR-8849/85 – Apresentação de projetos de aterros controlados de resíduos sólidos urbanos – procedimentos. Tipo de destinação final por Região.7 0. 4.030/89 – Membranas impermeabilizantes e resíduos – determinação da compacidade: método de ensaio.1 0. o aterro sanitário tem sido a mais importante meta a alcançar.3 0. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental.2 48.2 0. principalmente nas Regiões Sudeste e Sul.9 1 0.3 37 36.9 0.8 4.8 46.9 0. Apesar da contradição.6 0.6 36. !" NBR-10157/87 – Aterros de resíduos perigosos – Critérios para projeto.8 0. reutilizar e reciclar. com algumas poucas exceções.2 0.9 22 24.7 4. há duas décadas e praticamente não incorporaram os conceitos mais recentes de geotecnia ambiental ou mesmo de biotecnologia. !" NBR-7229/93 – Projeto. contratada pelas prefeituras ou empresas municipais. já existe um número significativo de aterros sanitários. No Brasil. como foi visto nos itens anteriores. os aterros sanitários representam a principal destinação final dos resíduos sólidos.5 0. apesar do imenso esforço em se reduzir.2 0. sob a forma de terceirização. Vale ressaltar que nossas normas técnicas sobre aterros de resíduos sólidos foram elaboradas.5 0.2 Sul além de todos os demais cuidados previstos nas normas técnicas.

Foto 1 – Aterro Itaquaquecetuba – SP.SC Rio de Janeiro-RJ Rio de Janeiro-RJ Fortaleza-CE Fortaleza-CE Goiania-GO Belo Horizonte-MG Porto Alegre-RS Porto Alegre . onde as empresas concessionárias fazem o investimento com o projeto. .SP São Paulo-SP Santo André-SP União da Vitória-PR Salvador-BA Palmas .801 7.RS Itaquaquecetuba .781 5.892 41.461 15.001 17. em peso.002 Não informado Não informado 18.332 4. de lixo depositado no aterro (R$/tonelada). 2002) CIDADE Recife-PE Biguaçu . Mais recentemente tem-se observado em alguns municípios brasileiros uma tendência a um regime de concessão dos serviços por um período mais longo.Neste sentido. superior a 15 anos. Foto 2 – Aterro da Muribeca – PE. formas de gestão e os custos de operação de alguns aterros brasileiros.041 Não informado 5.001 10. podendo cobrar seus serviços à prefeitura ou diretamente aos usuários.672 33. A Tabela 3 apresenta tipos de aterros.821 18.001 7.001 13.201 10. Tipo e Custos da Destinação final (Jucá.002 18. as prefeituras pagam pela quantidade.TO Araguaína .TO Guarai-TO João Pessoa-PB 1 2 TIPO DISPOSIÇÃO FINAL Aterro Controlado da Muribeca Aterro Sanitário da Formaco Aterro Controlado de Gramacho Aterro Controlado Zona Oeste Aterro Sanitário de Caucaia Aterro Sanitário de Aquiraz Aterro Controlado de Goiania Aterro Remediado de BH Aterro Sanitário da Extrema Aterro Sanitário Metropolitano Santa Tecla Aterro Sanitário de Itaquaquecetuba Aterro Sanitário de Mauá Aterro Sanitário São João Aterro Sanitário Aterro Sanitário Aterro Sanitário Metropolitano Aterro Sanitário Aterro Sanitário Aterro Sanitário Aterro Controlado GESTÃO Municipal Terceirizada Terceirizada Municipal Terceirizada Terceirizada Terceirizada Municipal Municipal Municipal Terceirizada Terceirizada Terceirizada Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal Municipal R$/Ton 6. Tabela 3. licenciamento e infraestrutura necessária à operação do aterro sanitário.SP Mauá.002 Dados fornecidos em março de 2001 Dados fornecidos em agosto de 2002 As fotos abaixo ilustram a operação de alguns aterros no Brasil.061 6.

nitratos e amônia presente no meio. e às variações quantitativas sazonais e cronológicas (pelo aumento da área exposta). A recirculação de chorume deve ser aplicada quando se monitora a umidade ou grau de saturação do lixo. 2000).8.Tratamento conjunto com águas residuais. utiliza-se com muita freqüência as lagoas biológicas. Tratamento de Chorume A composição química do chorume varia dependendo da idade do aterro e dos eventos que ocorreram antes da amostragem do mesmo. Garcia et al. o sistema de tratamento biológico por lagoas não reduz significativamente a quantidade de nitritos. bem como.5 e 7. . Este tratamento está baseado em um sistema bioquímico.Diferentes combinações de vários No Brasil alguns aterros sanitários como o Aterro de Bandeirantes (São Paulo) e o Aterro Metropolitano Centro (Salvador) não fazem o tratamento do chorume “in situ”.Aplicação no terreno . 2002). Neste sentido. pois além de elevar seu peso específico. ou seja anaeróbio e aeróbio.4. DQO e nutrientes serão significativamente menores. 1993. de forma a complementar os tratamentos já existentes. Quando o chorume apresentar DQO elevada (acima de 10. que combina os efeitos da fitoremediação (EPA. 1994.Oxidação química . COT. 1988). as estações de tratamento .Tratamento aeróbio. Neste sentido. A Tabela 4 apresenta alguns processos e tipos de tratamento utilizados no Brasil.4 e 0. nutrientes e metais pesados deverão ser altos. os custos se elevam devido ao transporte destes líquidos.5 e os valores de DBO5. .Adsorção com carbono ativo . o que pode acarretar em uma contaminação dos cursos d’água. pois. No Brasil. Sendo assim. . . . PROCESSO TIPO DE TRATAMENTO Canalização do lixiviado . destina-o a estações de tratamento de esgoto ou de resíduos industriais mais próximas. DQO.Filtração. Brix. em geral. porém em épocas chuvosas o sistema pode chegar ao limite da sua capacidade.000 mg/l). Por outra parte. como Forgie (1988) sugerem um critério para permitir a decisão na seleção de processos. Alguns autores. se o chorume é coletado durante a fase ácida. transferem a responsabilidade para outros. pode provocar inibição do processo de biodegradação. Contudo durante a fase metanogênica o pH varia entre 6. e com custos compatíveis para o tratamento de chorume. Por exemplo. muitos projetos utilizam a técnica de recirculação de chorume para diminuir a quantidade de líquidos a serem tratados. quando se define por tratamento do chorume “in situ”. com objetivo de se definir novas tecnologias para o tratamento eficiente e eficaz.Charcos artificiais Tratamento natural . 1997) com os das barreiras reativas de solos para contenção de contaminantes (Jucá et al.Precipitação química. o pH será baixo. Devido à cadeia de constituintes existentes no chorume. porém parâmetros como DBO5.Recirculação de lixiviado Processos biológicos . Processo e tipos de tratamento do chorume (Forgie.2. o Grupo de Resíduos Sólidos da Universidade Federal de Pernambuco vem pesquisando tratamentos secundários ou terciários. e sim. Como conseqüência. COT. Tabela 4. baixa concentração de nitrogênio amoniacal e uma relação DBO/DQO entre 0.Jardinagem com aplicação no terreno Tratamentos Mistos .Osmose inversa. não se deve considerar uma solução única de processo para seu tratamento (Hamada & Matsunaga. alguns estudos estão sendo desenvolvidos. e uma concentração significativa de ácidos graxos voláteis de baixo peso molecular. que possuem a dificuldade de necessitar uma área muito grande em regiões com elevados índices pluviométricos e da umidade.Tratamento anaeróbio Processos físico-químicos . o tratamento pode ser efetuado por ambos os processos.

500 120 160 40 870 Tratamento de Chorume Recirculação de chorume. aerador de cascata e lagoa de maturação Grades. A Tabela 5 apresenta o tipo de tratamento de efluentes líquidos (percolado) realizado nos maiores aterros de resíduos sólidos do Brasil. Não tem tratamento. lagoa anaeróbia.MG Paracatu – MG Contagem – MG Ipatinga – MG Uberlândia – MG Três Corações – MG Biguaçu – SC Belo Horizonte – MG Porto Alegre-RS Porto Alegre .500 80 26 214 150 120 30 11. facultativa e maturação. facultativa e de maturação.500 a 14. *Dados fornecidos em março de 2001 ** Dados fornecidos em agosto de 2002 A fotos abaixo ilustram o tratamento de Resíduos de alguns aterros no Brasil. (ton/dia) 2. lagoas anaeróbia.800 200 1. retentor de óleo e desarenador reator RAFA e filtro biológico. lagoa de aeração.024 7. Uma lagoa anaeróbia seguida por um filtro anaeróbio e uma lagoa facultativa Poço anaeróbico.TO Guarai-TO João Pessoa .125 1.026 3. filtro de areia. Tipo de tratamento de efluentes líquidos.RS Itaquaquecetuba – SP Mauá . o chorume é tratado na ETE do município.SP São Paulo-SP Santo André-SP Salvador-BA Palmas . Fossas sépticas e valas de infiltração 2 lagoas anaeróbias Digestor anaeróbio seguido de fitorremediação.TO Araguaína . Lagoas anaeróbias em série.de esgoto (ETE) não estão preparadas para receber um líquido com uma diversidade e altas concentrações de componentes orgânicos e inorgânicos (inclusive metais pesados). Excedente tratado na ETE do município. Recirculação de chorume. 2 lagoas facultativas. Tabela 5. lagoa areada. transporte para tratamento em ETE. seguidas por facultativa e de maturação Uma lagoa anaeróbia seguida por uma facultativa Tanque Inhoff seguido de filtro biológico Reator anaeróbio. . sistema bioquímico Digestor Anaeróbio e um charco artificial Recirculação de chorume e biorremediação Recirculação de chorume e biorremediação Tanques de polimento e sistemas de nanofiltracao Lagoas anaeróbia e facultativas. Filtro anaeróbio. 3 reatores e 2 lagoas com agitador (aerador) Tratamento na SABESP (esgotos) Uma lagoa anaeróbia e uma facultativa com aerador Tratamento no CETREL (resíduos industriais) Sistema de lagoas de estabilização: anaeróbia.300 650 2.500 4. Cidade Recife-PE Caruaru – PE Manuas – PA Belém – AM Rio de Janeiro -RJ Fortaleza-CE Extrema . lagoa de estabilização. lagoa anaeróbia. Filtro anaeróbio. lagoas facultativas. Aterro Sanitário de Caucaia Aterro Sanitário de Extrema Aterro Sanitário de Paracatu Aterro Sanitário de Perobas Aterro Sanitário de Ipatinga Aterro Sanitário de Uberlândia Aterro Sanitário de Três Corações Aterro Sanitário da Formaço Aterro Remediado de BH Aterro Sanitário da Extrema Aterro Sanitário Metropolitano Santa Tecla Aterro Sanitário de Itaquaquecetuba Aterro Sanitário de Mauá Aterro Sanitário São João Aterro Sanitário de Santo André Aterro Sanitário Metropolitano Aterro Sanitário Aterro Sanitário Aterro Sanitário Aterro Controlado do Roger Quant. reator UASB.000 700 a 750 2.PB Tipo de Destinação Final Aterro Controlado da Muribeca Aterro Sanitário de Caruaru Aterro Sanitário de Manaus Aterro Sanitário de Belém Aterro Controlado de Gramacho.139 200 1.

o uso da biomassa para produção de energia elétrica ainda está restrito ao bagaço da cana. com extração . Foto 5. Esta combustão incompleta ou a baixas temperaturas. como acontece nos queimadores do tipo enclausurados. 4. havendo algumas exceções em sistemas conjugados de drenagem. Tanques de polimento. Contudo. Estação Tratamento do Chorume Muribeca – PE. onde os produtores desta energia terão a garantia de venda por um prazo de até 15 anos e o estabelecimento de um valor de referência 8 Foto 4. além de não garantir a transformação do metano (CH4) em dióxido de carbono (CO2). pode resultar na liberação de compostos tóxicos. Em relação ao aproveitamento de gases no País. Foto 3. A primeira unidade que está sendo implantada é a do Aterro Sanitário dos Bandeirantes em São Paulo que terá capacidade instalada de 20MW e que já foi autorizada para produção de energia elétrica em 2003 pela ANEEL (Agencia Nacional de Energia Elétrica). que poderiam ser destruídos pela ação de elevadas temperaturas. Em geral o sistema de drenagem de gases é individual (tipo aberta) utilizando-se queimadores do tipo flare. Em Pernambuco. O Programa Nacional de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA) de 2001 determina que 3.forçada de gás. Outros projetos estão sendo avaliados pela Agência para serem concessionados pelas prefeituras: Aterro Sanitário de São João/SP e o Aterro Sanitário Metropolitano de Salvador/BA. sistema de nano-filtracao – Gramacho – RJ. O desenvolvimento desta tecnologia em outros países e estados e as experiências adquiridas anteriormente terão papel importante para o surgimento crescente de usinas produtoras de energia elétrica no País. ainda não existem plantas em operação com geração de energia elétrica com o biogás.300 MW de potência instalada seja adicionada ao sistema elétrico brasileiro a partir de fontes de energia renováveis. Além das perspectivas de maior desenvolvimento desta tecnologia em todo mundo. Tratamento e Aproveitamento de Gases No Brasil o tratamento de gases em aterros sanitários é praticamente todo feito através da queima do metano (CH4) e liberação do dióxido de carbono (CO2). o estudo de mercado dos resíduos sólidos pôde constatar a existências de algumas cidades ou aterros com potencial de exploração energético.3. Estação de tratamento (2 lagoas facultativas) – Mauá –SP. O tratamento de gás com queima do tipo aberta não é o mais aconselhado uma vez que a queima não é completa. o setor elétrico brasileiro vem utilizando mecanismo de incentivos ao uso da biomassa (inclusive do Biogás) para geração de energia elétrica.

onde serão financiados os Certificados de Emissões Reduzidas ou "créditos de carbono". Estima-se que o mercado global de carbono atinja US$ 10 bilhões por ano nos próximos anos e que o Brasil tenha potencial para responder por parte significativa desse mercado. destaca-se também a redução de encargos no uso do sistema de transmissão e distribuição de eletricidade em no mínimo 50% . Em São Paulo. que é uma parceria entre o Banco Mundial. que são controlados pelas propriedades de resistência e compressibilidade do lixo. torna-se necessário um conhecimento mais apurado do comportamento geotécnico desses maciços. devido às dificuldades na sua obtenção. no âmbito do Protocolo de Kyoto e do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Comportamento Resistente No Brasil. ii) a biodegradação da matéria orgânica influencia nas propriedades de resistência e compressibilidade do lixo. justificam o crescimento de pesquisas associando problemas geotécnicos aos ambientais. Estes aspectos são avaliados através de estudos de condutividade hidráulica do chorume e da permeabilidade ao gás de solos compactados não saturados. a necessidade de estudos multidisciplinares. Neste contexto se inserem os problemas de estabilidade dos taludes. a Escola de Engenharia de São Carlos (USP) através de 9 . A seguir são apresentados alguns detalhes dos aspectos acima referidos. bem como. Além de outros incentivos inclusos no PROINFA. no Aterro Sanitário Bandeirantes. 5. utilizam parâmetros de resistência do lixo oriundos da literatura internacional. a fim de caracterizar e determinar os parâmetros a serem empregados nas análises de estabilidade e modelagens. envolvendo não só as interações físico-químicas. A diversidade dos materiais envolvidos. além dos avanços da contaminação no subsolo. visando permitir a execução de aterros novos ou ampliações dentro de padrões mais seguros e econômicos. Geotecnia Ambiental aplicada a Aterros de Resíduos Sólidos A geotecnia ambiental aplicada a aterros de resíduos sólidos urbanos (ou municipais) pode estar enfocada sob os seguintes aspectos: i) o comportamento mecânico do aterro. sua composição e alteração de propriedades com o tempo. de capacidade de carga e os recalques nos aterros. iii) o fluxo de líquidos e gases através das camadas de cobertura e de base dos aterros. Por outro lado a geotecnia tem contribuído com o tratamento do percolado através de soluções integradas de barreiras passivas ou reativas de solos. sucção. permeabilidade em condições saturadas e não saturadas. além das condições climáticas bastante diversas. que está associado as propriedades do lixo. Em geral. poucos trabalhos experimentais têm sido desenvolvidos com o intuito de estudar o comportamento frente a resistência e compressibilidade destes materiais. ou mesmo a avaliação da segurança de aterros antigos. os projetos de novos aterros sanitários. o estudo da resistência de resíduos sólidos urbanos ainda é muito recente. associadas à fito-remediação em leito granular. Nesse contexto.1. que na maioria dos casos refere-se a lixo de composição completamente diferente dos nossos. iv) a contribuição aos estudos de geração de percolado envolve capacidade de campo. mas também às biológicas no processo. ao projeto e a influência das condições ambientais.compatível com as características técnicoeconômicas de cada projeto. Embora seja usada sistematicamente para disposição de resíduos em aterros sanitários. em condições saturadas e não saturadas. não se pretendendo fazer um Estado da Arte sobre o assunto. apresentar as contribuições do Grupo de Resíduos Sólidos da UFPE para a geotecnia dos aterros de resíduos sólidos urbanos. existe no Brasil o Fundo Protótipo de Carbono. Este aspecto amplia a complexidade do assunto. e principalmente. além disso. 5. mas abordar alguns trabalhos da literatura.

devido principalmente. 1998. Vilar et al. Os componentes fibrosos do lixo podem agir como “reforço” da massa do lixo. compressão triaxial e compressão confinada com o uso de células de grandes dimensões) com o intuito de determinar características e propriedades geomecânicas de aterros de resíduos sólidos urbanos (Kaimoto & Cepollina. têxteis.Modelo esquemático da composição de RSU semelhante a solos reforçados – Jessberger et al. constituindo-se um marco para a alteração dos parâmetros utilizados nas análises de estabilidade (Benvenuto & Cunha. e neste caso contribuir para um ganho de “coesão” ou resistência. 2000). 1991. deverão ser consideradas algumas diferenças básicas. Carvalho. 1999. (1995). tendo como um exemplo prático a análise de estabilidade do Vazadouro da Duarte da Silveira em Petrópolis. Rio de Janeiro (Mahler & Lamare Neto. 2002).. Baseado no conhecimento da capacidade de carga de fibras de lixo e outros materiais que contêm fibras. uma variabilidade de parâmetros de resistência muito grande. a matriz básica seria constituída por materiais inertes estáveis e pela maioria dos materiais facilmente biodegradáveis. ensaios penetrométricos tipo CPT. tipo triaxial ou cisalhamento direto. enquanto as fibras seriam constituídas por materiais bastante deformáveis. 1996. além do deslizamento que ocorreu no Aterro Sanitário Bandeirantes (SP) onde foram realizados estudos no local. Oliveira (1995) e Mahler & Lamare Neto (2000). têm considerado o modelo estrutural com efeito-fibra dos plásticos e têxteis presentes no lixo para as análises de estabilidade de aterros de resíduos sólidos. Kölsch (1995) desenvolveu um modelo estrutural que admite que materiais fibrosos são capazes de incorporar forças de tração e transmiti-las para fora da zona de deformação. como a heterogeneidade do lixo. Kaimoto & Cepollina. dependendo da ligação das fibras que é diretamente dependente da tensão normal. 1996). a matriz de reforço contendo os componentes fibrosos do lixo (Jessberger et al. alguns modelos estruturais e análises de estabilidade englobando os efeitos das fibras têm sido propostos. Em relação à estabilidade de taludes existem na literatura algumas referências sobre deslocamentos horizontais nos Aterros Sanitários de Bandeirantes e São João. adotando-se como critério de ruptura Mohr-Coulomb. Até o momento. a existência de componentes química e biologicamente ativos e. os resíduos sólidos poderiam ser modelados como um material composto de duas componentes (Fig. 1997). Assim. Vilar et al. tais como plásticos. (1991) e Bouazza & Amokrane (1995). sugerindo que para grandes deformações.. ambos em São Paulo (Kaimoto et al. e a outra. exemplificando o comportamento “efeito-fibra”. 10 . A resistência ao cisalhamento total é composta do atrito no plano cisalhante e da força de tração nas fibras. 6): uma matriz básica compreendida pelas partículas de granulação fina a média que apresentam comportamento de atrito.seu Departamento de Geotecnia vem desenvolvendo um programa de investigações in situ (sondagens de simples reconhecimento. 1999. o modelo considera que o desenvolvimento de forças de tração nas fibras tem o mesmo efeito que um reforço de armadura. Além disso. ensaios cross-hole) e em laboratório (ensaios de caracterização. fazendo-se uma comparação com o modelo apresentado por Grisolia & Napoleoni (1996). A pesquisa desenvolvida por Fucale (2002) tem se baseado no comportamento de solos reforçados. Por outro lado. No entanto. Mahler & Oliveira. à forma de manejo do resíduo. como acontece em solos reforçados (Figura 7). utilizando-se parâmetros de resistência c e φ obtidos na literatura ou através de ensaios convencionais de laboratório. considerando os componentes fibrosos do lixo.. 1996. Figura 6. ensaios de infiltração em furos de sondagens a trado para coleta de amostras. o maciço de lixo pode ser comparado ao comportamento de solos reforçados. o estudo da estabilidade de aterros sanitários vem sendo desenvolvido segundo os métodos clássicos de análise de estabilidade por equilíbrio limite. papéis e papelão.. (1996) apresentam resultados obtidos por Grisolia et al. Manassero et al. Marques et al. pela ausência de outros modelos consolidados. Dessa forma. 1995).

como acontece em solos reforçados. A ativação da coesão requer. Estes aspectos da resistência dos resíduos sólidos são válidos também para os estudos de capacidade de carga de aterros. O intercepto coesivo. Considerando o modelo que supõe que os resíduos sólidos consistem em uma matriz básica reforçada à tração por materiais fibrosos. com um ângulo de atrito interno máximo que varia de 42° a 45° (Figura 8). CPT e Vane Test. que rege a resistência coesiva. é essencialmente dependente da matriz reforçada e pode ser definido como uma “coesão devida à resistência à tração” dos componentes fibrosos. o que vem a sugerir que o “reforço” não afeta as propriedades de atrito do lixo triturado. por sua vez. por diversos pesquisadores (Siegel 11 Figura 8. e ao tempo de decomposição. Este fato é devido à massa do lixo ser “reforçada” por plásticos de tamanhos e propriedades tensão .. mas promove um significativo aumento de coesão. onde em muitos casos se verificam taludes verticais de lixo com mais de 15m de altura. Desta maneira. Figura 9. entretanto. Kockel & Jessberger (1995) apud Manassero et al. (1996).Manassero et al. em torno de 20 %. Deformação dependente da ativação do ângulo de atrito e do intercepto coesivo – Kockel & Jessberger (1995) apud Manassero et al. gerando significativas mudanças na resistência dos resíduos sólidos em função do tempo. Nesta Figura. sendo levemente influenciado pelos materiais de reforço (plásticos). grandes deformações axiais.1998) ou de forma indireta. porque esta determina a quantidade de material fibroso. À composição inicial. O modelo de solo reforçado evidencia que a resistência ao cisalhamento dos resíduos sólidos está associada à sua composição inicial e ao tempo de decomposição. A envoltória cisalhante para os resíduos triturados é paralela à envoltória da matriz básica dos resíduos sólidos. tais como SPT. matriz básica e mistura de solo–fibras (Figura 9).deformação diferentes. Tensão desviatória em função da deformação axial para areias. quando a resistência por atrito interno já está totalmente mobilizada (Figura 8). nota-se que os resíduos sólidos não mostram uma envoltória de ruptura significativamente bi-linear. Esta abordagem parece ser mais concordante com as observações de campo. Figura 7. embora sua determinação tenha sido realizada através de provas de carga convencional (Santos et al. Envoltória de ruptura para diferentes materiais – Manassero et al. (1996). (1996). . (1996) apresentaram alguns resultados obtidos em RSU triturado. através de ensaios de campo. porque este comanda a redução do material biodegradável em meio à matriz básica. porém aumenta o valor do intercepto de coesão (Figura 9). areias + fibras e RSU – Manassero et al. a matriz fibrosa não tem influência significativa nas propriedades de atrito dos resíduos. (1996) mostraram que é a matriz básica que comanda a parcela de resistência por atrito interno.

Sánchez-Alciturri et al. A técnica de tratamento implantada. geralmente. Este tipo de investigação auxilia na instalação de instrumentos no aterro. A determinação destas propriedades in situ é uma tarefa difícil em função dos seguintes aspectos: i) o lixo é heterogêneo e variável para diferentes locais. Aterro da Muribeca (Jaboatão-PE): Está situado na Região Metropolitana de Recife no Município de Jaboatão dos Guararapes. na maioria das vezes. umidade e sólidos voláteis a partir de amostras amolgadas obtidas nos ensaios. No presente momento. Possui uma área de 60 hectares e funcionava como depósito de resíduos a céu aberto desde 1985. iii) não existem. De uma forma geral se tem conhecimento da não adequação de ensaios SPT a materiais orgânicos (solos e resíduos). hospitalares e industriais. desvio das hastes dos equipamentos e avarias nos amostradores. Outra característica do ensaio é que. 5 a 10%. 1995. Este fato deve-se à maior parte do lixo ter sido depositada há muito tempo. principalmente em condições saturadas. comparado a outros ensaios (Jucá et al. encontrando em profundidades maiores resíduos de até 17 anos. são difíceis de serem realizados devido a presença de materiais resistentes como madeira. no caso de aterros de lixo. Os ensaios de penetração são normalmente utilizados para obtenção de informações sobre as características e parâmetros de resistência dos solos. No entanto. os ensaios SPT tem sido um indicador das condições de densidade. cuja espessura da camada de lixo varia de 20 a 30 m. pedra. procedimentos de amostragem e ensaios padrões para os materiais do lixo.000 toneladas de resíduos domésticos. ANO 1994 1996 1998 1999 2001 NSPT (golpes /30 cm) 2–6 2–6 4 – 10 5 – 12 5 – 7 (até 7. que provocam grandes picos na resistência. 1997). Recebe diariamente cerca 3. 1991). respectivamente). Durante o monitoramento ambiental do Aterro da Muribeca. metal.. Jucá et al.. apesar de não se obter uma relação direta com os parâmetros de resistência. foi a recirculação de chorume. 1990. além de possuir baixo custo de execução. indicando que quase toda a matéria orgânica já sofreu degradação. tais correlações ainda não estão disponíveis (Grisolia et al. 1993. e corresponde ao maior aterro do Estado de Pernambuco em operação.. A utilização deste ensaio em aterros de resíduos sólidos exige um cuidado adicional no uso dos resultados. com medição da resistência à penetração dinâmica (SPT) e coleta de amostras em profundidade para a determinação do teor de umidade e sólidos voláteis.5 a 15 m) 12 . A seguir são apresentados alguns ensaios SPT e CPT realizados em diferentes aterros no Brasil. O processo de transformação da área em aterro controlado iniciou em 1994 e consistiu na construção de 9 células. Tabela 6.et al. ou seja. foram realizadas mais de 30 sondagens de simples reconhecimento nas células de lixo. a partir de setembro de 1998. Valores da resistência (SPT) em diferentes períodos de medição – Célula 1. iv) as propriedades dos materiais do lixo variam com o tempo. Sua interpretação quantitativa requer um conhecimento das relações empíricas e semi-empíricas entre a resistência à penetração in situ e o comportamento de resistência e compressibilidade do material. representativas das condições de campo.. Coumoulos et al. o que permite avaliar a variação das características resistentes de um terreno no tempo ou por um tratamento adotado. Os resultados referentes à Célula 1 do aterro serão apresentados neste trabalho.. atendendo aos municípios de Recife e Jaboatão dos Guararapes. no caso dos resíduos sólidos. Os valores de resistência à penetração do amostrador padrão (SPT) dos resíduos sólidos depositados na Célula 1 variaram para cada período de medição de acordo com a Tabela 6. que o lixo é antigo encontrando-se em um processo de decomposição avançado. Estes ensaios. pode-se contrastar ensaios realizados em diferentes ocasiões. paletas e ponteiras. ii) a dificuldade de obtenção de amostras de tamanho relevante. 2000).5 m) 8 – 14 (7. dentre outros. repetindo-se sua realização periodicamente. tratamento biológico para acelerar o processo de decomposição dos resíduos. Os valores de teor de umidade e sólidos voláteis medidos nos resíduos sólidos depositados na Célula 1 são baixos (20 a 40%.

Verifica-se que a resistência apresenta-se praticamente constante ao longo da profundidade. e corresponde ao segundo maior aterro em operação do Estado de Pernambuco. Além disto. os parâmetros mecânicos dos resíduos sólidos resultam em matérias com características inertes. De uma forma geral. em maciços bem drenados (eliminação dos efluentes líquidos e gasosos). apresentando baixos valores médios de teor de umidade (25%) e sólidos voláteis (27%). Os valores do teor de umidade são altos uma vez que se tratam de resíduos novos. Os estudos no Aterro Metropolitano Centro foram concentrados em uma célula piloto de dimensões 60 m x 200 m. Recebe diariamente 500 toneladas de resíduos domésticos. O processo de transformação da área em aterro controlado iniciou em 1998 e consistiu na construção de 4 células. apresentando em alguns casos valores mais elevados decorrentes da natureza heterogênea dos resíduos confinados tais como madeira e entulhos de construção. O comportamento de resistência à penetração observado nos resíduos sólidos de Aguazinha é semelhante ao comportamento da Célula 1 do Aterro da Muribeca. No período desta investigação o aterro recebia diariamente cerca de 2. Segundo Kaimoto & Cepollina (1996). com redução da taxa orgânica e o controle do teor de umidade. verifica-se na Figura 10 que a resistência não permanece constante. na zona norte da Região Metropolitana do Recife. O aterro possui uma área de 250 hectares e será composto de 12 (doze) células para disposição de lixo doméstico. A vida útil estimada deste aterro é de 15 anos. Os resíduos sólidos depositados no aterro possuíam idade de 12 anos no período em que foram executadas as sondagens. Simões Filho e Lauro Freitas. respectivamente. apresentando alguns picos que indicam a presença de materiais mais resistentes (Figura 10). que possuem praticamente a mesma composição e idade dos resíduos. observase que o número de golpes (SPT) na Célula 4 do Aterro de Aguazinha situa-se entre 4 e 10 golpes a cada 30 cm. hospitalares e entulhos da construção civil. De acordo com a Figura 10. Aterro de Aguazinha (Olinda-PE): Está situado no Município de Olinda. Esta faixa de valores corresponde a uma resistência baixa.De uma forma geral. atendendo aos municípios de Salvador. em alguns locais foi constatada a queima de resíduos durante os primeiros anos de deposição. e não se demonstra nos resultados um significativo aumento com a profundidade. uma central de podas. com espessura média da camada de lixo de 12 m. Sob tal condição. Os teores de umidade e sólidos voláteis dos resíduos sólidos da célula piloto apresentaram uma média de 34% e 20%. Este fato deve-se à existência de drenagem no interior do aterro que permite 13 . observa-se que ocorre um aumento do número de golpes com o tempo. sendo 2. aumentando para uma faixa de 10 a 20 golpes com o acréscimo de profundidade. típica de resíduos antigos.500 toneladas de resíduos sólidos urbanos. O antigo lixão funcionava como depósito de lixo a céu aberto desde 1986 e possui uma área de 17 hectares. granulares. Conforme a Figura 10. Estes resultados demonstram que a matéria orgânica destes resíduos estava quase totalmente decomposta em função da idade dos mesmos. atendendo ao município de Olinda desde 1986. apresentando valores mais elevados com o aumento da profundidade. Apenas duas das quatro células foram construídas (C1 e C4). Aterro Metropolitano Centro (Salvador-BA): O Aterro Metropolitano é o maior aterro sanitário do Estado da Bahia. cujos resíduos foram depositados a partir do mês de outubro de 1997. comparando-se as medições de NSPT (golpes) realizadas em diferentes períodos na Célula 1 (Tabela 6). 1 (um) ano de deposição no período em que foi realizado o ensaio (1998).400 toneladas provenientes de Salvador e o restante dos municípios de Simões Filho e Lauro de Freitas. para diferentes faixas de profundidade. Observa-se que em algumas profundidades houve dificuldade de penetração do amostrador (pontos de pico) devido a materiais muito rígidos como pedaços de madeira. Os valores de resistência (SPT) medidos na Célula 1 são considerados baixos e típicos de resíduos antigo (Tabela 6 e Figura 10). favorecendo uma redução de forma significativa destes teores. os valores de resistência (SPT) apresentam-se numa faixa de 5 a 10 golpes/30cm nas profundidades iniciais (até 4 m). o adensamento das camadas acaba por fornecer uma menor redução ou até provavelmente ganho de resistência ao longo do tempo. uma central de entulhos e um incinerador para resíduos hospitalares.

Estes valores indicam resíduos constituídos em sua maioria de material orgânico.9 2 2 2. O potencial reciclável no aterro de Aguazinha é superior aos demais. onde a decomposição da matéria orgânica está bastante avançada.9 14 .a dissipação de pressões neutras geradas pelo chorume e à conseqüente elevação da pressão efetiva entre as partículas sólidas. o valor de matéria orgânica é inferior ao encontrado na média nacional (60%) e nos aterros estudados. o número de golpes obtidos foram baixos. Tabela 7. madeira e entulho. decorrente da idade avançada dos resíduos. Aterro Matéria Orgânica (%) Papel Papelão (%) Plástico (%) Metal (%) Vidro (%) Outros (%) Muribeca (PE) Aguazinha (PE) Centro (BA) Roger(PB) 60 51 60 53. podendo ser atribuídos à idade avançada dos resíduos e também. Os resultados de SPT mostraram também que os mesmos não variaram significativamente com a profundidade. e no lixão do Róger esta porcentagem atinge 23 %. tais como plásticos. no aterro sanitário Metropolitano Centro e no lixão do Róger. Recebe. Paraíba. De acordo com a Figura 10. No Aterro de Aguazinha. enquanto que nos aterros da Muribeca e Metropolitano Centro são respectivamente 27 e 30 %.9 2 3 2 1. A composição gravimétrica dos resíduos em estudo está apresentada na Tabela 7.5 6. Os resultados do teor de sólidos voláteis são baixos (8 a 18 %) indicando matéria orgânica quase que totalmente decomposta. Os resultados demonstram que a resistência não aumenta com a profundidade e que a ocorrência de alguns valores mais elevados indica a presença de materiais mais resistentes que a maioria. apresentando-se praticamente constante dentro de uma determinada faixa de valores. Isto está atribuído a grande quantidade de solo misturado aos resíduos em todos os furos de sondagem. facilmente biodegradável. Composição gravimétrica dos aterros estudados.4 1. Lixão do Róger: Localiza-se na Região Metropolitana de João Pessoa. que são característicos de locais menos desenvolvidos sócio-economicamente.30 13 8 10. Os valores de resistência à penetração (SPT) obtidos na Célula 1 do Aterro da Muribeca.2 8 12 15 13. Os valores do teor de umidade dos resíduos sólidos do lixão do Róger são considerados elevados (26 a 45 %) quando comparados aos valores obtidos em outros aterros de idade semelhante. e também devido ao fato destes resíduos estarem dispostos a céu aberto sem impermeabilização de uma camada de cobertura. por ter sido verificado durante o ensaio.8 15 24 10. 650 toneladas/dia de resíduos domiciliares. na Célula 4 do Aterro de Aguazinha e no Lixão do Róger apresentaram-se baixos e típicos de resíduos sólidos antigos (2 a 10 golpes).1 22. hospitalares e entulhos. a presença de grande quantidade de solo ao longo da profundidade do furo. cerca de 41 %. A área possui 17 hectares e funciona como depósito a céu aberto há aproximadamente 40 anos. em média. A seguir apresenta-se uma comparação dos resultados obtidos nas sondagens à percussão dinâmica (SPT) realizadas nos aterros controlados da Muribeca e Aguazinha. Variação dos valores de SPT com a profundidade (GRS/UFPE). variando em média entre 2 e 10 golpes/30cm. D C Muribeca Aguazinha Metropolitano Centro Róger Figura 10.

química. 1990. enquanto que a resistência total variou de 2. 1993). Salvador. Interações Biológicas Físicas.000 e 17.0m e mostraram que o cone geralmente encontrava objetos rígidos (madeira. com praticamente 1 ano de deposição. Químicas e biotecnologia. estes estudos foram propostos na pesquisa de Monteiro (2003). apresentam-se de acordo com os reportados na literatura por Sánchez-Alciturri et al. microbiologia e . De uma forma geral. avaliando as tecnologias de tratamento e as condições que 15 O estudo do comportamento de resíduos sólidos urbanos depositados em aterros através da análise das propriedades físicas. pedras. Figura 10). Além da idade. 1968. 5. enquanto que os valores de pico referem-se a materiais fibrosos (plásticos. (1993) e Carvalho (1999). etc). com os valores obtidos nos aterros de resíduos sólidos de Pernambuco (Muribeca e Aguazinha) e no lixão da Paraíba (Róger). No âmbito do GRS/UFPE. e têm por objetivo a compreensão dos processos de degradação dos resíduos sólidos urbanos. Figura 11.000 a 24. galhos de madeira) com maior resistência à tração.Comparando-se os resultados de resistência (SPT) dos ensaios realizados na célula piloto do Aterro Metropolitano Centro.000 kPa (Figura 11A e 11C). Estes resultados são altamente variáveis. observa-se que a resistência do primeiro é superior a dos demais. onde a resistência de ponta variou entre 1. Considerando-se a envoltória para os valores mínimos da resistência de ponta kPa (Figura 11A e 11C).000 kPa (Figura 11B e 11D). verifica-se uma tendência de constância dos resultados. Os valores relativamente baixos de resistência de ponta estão provavelmente associados à matriz básica dos resíduos sólidos..000 a 6. Alguns resultados de ensaios penetrométricos (Cone Penetration Test . dentro de uma determinada faixa de valores. os valores de SPT obtidos nos locais estudados estão de acordo com aqueles encontrados na literatura (Sowers. Resultados de ensaios CPT – Célula 1 do Aterro da Muribeca.2. Os valores de resistência obtidos para os resíduos em estudo. metal. onde valores maiores que 10. está o fato de que os resíduos da célula piloto são melhores compactados. em 2002.CPT) realizados na Célula 1 do Aterro da Muribeca. Este comportamento pode ser atribuído ao fator idade do lixo. conforme um aterro sanitário deve exigir. uma vez que os resíduos depositados no Aterro Metropolitano Centro são muito recentes (1997-1998).000 kPa foram considerados não representativos para os resíduos em estudo. entre Outros. são apresentados na Figura 11.500 kPa. ao longo da profundidade (comportamento também observado nos SPT da Célula 1 da Muribeca. Os estudos destas interações são ferramentas para a análise do comportamento de aterros e seus fatores intervenientes. os ensaios CPT atingiram profundidades em torno de 19. A resistência de ponta típica observada nos ensaios CPT é cerca de 2. sendo portanto excluídos. Sinhgh e Murphy. Sánchez-Alciturri et al. químicas e biológicas e suas correlações abrangem inter-relações entre a geotecnia ambiental. De uma forma geral. os quais produziram picos acentuados nas medidas da resistência de ponta.

DQO.Análises de parâmetros físico-químicos do chorume: como DBO. obtendo-se um melhor aproveitamento da área de destinação final. conduz a uma estabilização mais rápida. pH. acompanhar a evolução do processo de biodegradação dos resíduos em profundidade.Testes de fitotoxicidade (germinação e crescimento de raiz no resíduo e chorume).Geração de percolados e gases.Verificar o nível de contaminação do chorume em profundidade. pH e metais. químicas e microbiológicas em duas Células de idades diferentes (Célula 1 de 18 anos e Célula 4 de 5 anos). maiores recalques e eventual reúso da área. . sólidos voláteis. Os ensaios de campo foram desenvolvidos em escala real e os ensaios de laboratório foram realizados na tentativa de reproduzir as condições de campo. Desta forma sugere-se melhores alternativas de disposição de resíduos sólidos em aterros funcionando como um biorreator sob condições eficientes.Além de outros parâmetros dos resíduos sólidos. Estes valores condizem com a baixa atividade microbiológica nas diferentes profundidades. Os ensaios microbiológicos são realizados com os seguintes objetivos: . sob a influência de condições climáticas específicas. que pode ser ilustrado através dos índices de DBO e DQO. com os aspectos microbiológicos e geotécnicos. Esta análise é feita com base em diversos parâmetros medidos no campo e laboratório. Neste trabalho a análise do comportamento de aterros é baseada nos dados obtidos no Aterro da Muribeca. avaliar os riscos ao meio ambiente e a saúde pública caso haja uma possível abertura de Células. alcalinidade. Todos estes parâmetros são confrontados entre si e são estabelecidas interações físicas. Staphylococcus aureus 16 . cloretos. para entender a evolução dos processos degradativos e sugerir uma forma de disposição mais adequada em aterros. Os resultados das análises físico-químicas encontrados na Célula 1 sugerem uma bioestabilização para os resíduos depositados. . Há necessidade de estudos mais profundos referentes à microbiologia e bioquímica. acompanhar a evolução do processo de biodegradação dos resíduos em profundidade através da quantificação e identificação de microrganismos patógenos.permitem a melhor eficiência quanto a bioestabilização dos resíduos no menor espaço de tempo. Streptococcus fecaes. . Do ponto de vista da engenharia. . etc. Baldochi (1997) ressalta que pouca atenção tem sido dada à pesquisa fundamental sobre a decomposição de resíduos sólidos. O comportamento de algumas Células do Aterro da Muribeca foram estudados através de ensaios de campo e laboratório ao longo do tempo e em profundidade. Esta avaliação é feita através do Número Mais Provável (NMP) de patógenos.Recalques superficiais e em profundidade medidos no aterro. como: umidade. Estes ensaios envolveram análises físicas. testes de fitotoxicidade. com os seguintes objetivos: . . principalmente da hidrólise e da fermentação da matéria complexa.Verificar o grau de toxicidade do chorume em profundidade. Neste sentido buscou-se relacionar o comportamento do Aterro da Muribeca como um todo. tais como: . avaliar os riscos ao meio ambiente e a saúde pública caso haja uma possível abertura de Célula. temperatura. visando propiciar um processo balanceado com elevada produção de metano. a quebra acelerada dos compostos. Pseudomonas aeroginosas. fecais. 2001 um biorreator em condições ótimas provê uma quebra completa da fração biodegradável do lixo. que são bastante baixos. considerando-o como um biorreator. trabalhando em condições ótimas. através do controle das condições ambientais. químicas e biológicas para entender o comportamento do aterro durante o seu processo evolutivo. onde houve quantificação e qualificação de microrganismos do grupo coliforme totais. Os resultados dos estudos permitirão a escolha de melhores alternativas tecnológicas de tratamento de resíduos e operacionais em aterros de resíduos sólidos urbanos. menor impacto ao meio ambiente e a saúde pública.Análise de parâmetros microbiológicos como: quantificação e qualificação de microrganismos aeróbios e anaeróbios. Segundo McDougall et al.

No caso de aterros de resíduos sólidos urbanos estes recalques podem ser definidos como deslocamentos verticais descendentes da superfície do aterro.e Clostridium perfingens. observando pontos como a compactação adequada do lixo e da camada de cobertura. 1995). químicos e biológicos. bem como construção e operação das Células. Conforme Moreda. peso próprio dos resíduos ou camada de cobertura e principalmente devido aos complexos processos de degradação biológica dos resíduos depositados. Espinace et al..3. A engenharia geotécnica convencional define recalque como a deformação vertical positiva do terreno proveniente da aplicação de cargas externas ou do seu peso próprio. Quando a drenagem e a camada de cobertura são deficientes podem desestabilizar o ambiente interno. químicos e biológicos. afim de proporcionar um ambiente favorável para a degradação biológica. Contagem de microrganismos A avaliação apresentada neste trabalho salienta a importância de se realizar um monitoramento continuo das Células de lixo promovendo o controle de parâmetros físicoquímicos e biológicos. (1995) e Monteiro et al. Em aterros de resíduos sólidos urbanos acontecem três tipos de recalques. primários e secundários. Uma camada de cobertura eficiente impediria a entrada excessiva de ar. a compressão primária e a secundária.00E .00E . Os resultados obtidos indicam baixa atividade. provocados por cargas externas. Este aspecto é de vital importância para se avaliar qualquer tecnologia empregada para o tratamento de resíduos sólidos em aterros. Recalques Associados a Biodegradação dos Resíduos Sólidos Um aterro de resíduos sólidos urbanos é basicamente uma obra de engenharia onde os resíduos depositados sofrem perdas em sua . Tais recalques são devido a processos físicos. que são valores baixos. que podem se prolongar por muitos anos.00E . entre outros fatores.00E . recalques secundários ocorrem exclusivamente devido a biodegradação. encontrandose valores de NMP (Número Mais Provável) na ordem de 103 a 105 (Figura 12).Célula 1 NMP/100mL 1. Estes recalques são imediatos ou iniciais. Clostridium perfingens . os recalques têm uma importância relevante no estudo do comportamento de aterros e reaproveitamento de áreas. Segundo Wall & Zeiss (1995) os recalques em aterros ocorrem devidos à compressão inicial. Hirata et al. que é predominantemente anaeróbio. Os recalques primários ocorrem nos primeiros trinta dias (Wall & Zeiss. A compressão imediata ou inicial é o resultado de pressões externas impostas por maquinas compactadoras no instante inicial da disposição. drenagem eficiente. Este tipo de recalque é resultado da expulsão de líquidos e gases do interior da massa de lixo.. Fatores tais como o conteúdo e fluxo de umidade e a própria composição dos resíduos devem ser 17 Resíduos Sólidos Chorume Figura 12. dando lugar a recalques. controle de entrada de ar e líquidos na massa de lixo.00E 1 1 1 1 1 1 massa devido à decomposição e a esforços mecânicos. Este tipo de recalque se prolonga com o tempo e está relacionado com o decaimento biológico e o progressivo reacomodamento do esqueleto (Moreda 2000. 1999). Nos resultados obtidos observou-se que alguns aspectos geotécnicos como: a camada de cobertura e o sistema de drenagem devem ser eficientes. Contudo. Contudo está contagem mostrou-se praticamente constante ao longo da profundidade indicando uma constância nas condições do meio. 5. Esta redução na altura é função de processos físicos. afetando a degradação biológica da massa de lixo. pois eles são instantâneos.00E . enquanto um sistema de drenagem eficiente impede o acúmulo de líquidos. (2000) os recalques imediatos não apresentam relação alguma com a biodegradação. (2002) sugerem que em aterros com elevado conteúdo de resíduos orgânicos. que representa uma redução na altura do lixo.0 Profundidade (m) -5 -10 -14 -18 0 1 3 2 6 5 4 +0 +0 +0 +0 +0 +0 +0 0E .

iii) a deformação específica do lixo é fortemente influenciada pelas espessuras das camadas com diferentes idades de deposição. tanto os recalques quanto as velocidades apontam valores relativamente pequenos. a velocidade inicial é maior devido a aplicação de uma sobrecarga de 30cm de solo. típica do estágio final da metanogênesis. vi) os modelos acima citados. No período de outubro de 1997 a março 1999 foram medidos os recalques ocorridos nas Células 1 e 2 (resíduos com idades mais avançadas) do aterro da Muribeca. devido a abertura de uma via de acesso e conseqüente drenagem de líquidos e gases. que é função das diferentes formulações matemáticas.. ensaios de campo e laboratório para uma melhor compreensão do comportamento do aterro no que se refere a recalques. que se encontra o lixo. ii) a magnitude dos recalques medidos variaram de 122mm à 778mm para um período de 17 meses. A partir das medições de recalques obtidas na Célula 4 no período de 1999 a 2002 foram iniciados estudos referentes a recalques associados a biodegradação. Melo et al. Está compactação inicial permitirá um maior ou menor fluxo de umidade no interior da célula. como camada cobertura. enquanto que apenas 40% e 20% para a camada de lixo mais antiga. Neste sentido. v) o monitoramento das placas de recalque localizadas mais próximas a via de acesso. parâmetros físicos químicos. Na Célula 2.considerados nos recalques secundários. Posteriormente. pois. (2002). a compactação inicial que a massa de lixo sofreu. 1998. Mariano & Jucá. Consequentemente. teor de sólidos voláteis e pH). 1999): i) os recalques medidos no aterro da Muribeca são devidos basicamente a decomposição da matéria orgânica. foram aplicados aos dados de campo. Melo & Jucá (2003). devido ao baixo teor de matéria orgânica encontrado nas Células 1 e 2. conforme a quantidade de microrganismos também diminuiu durante os períodos de medição. já que o modelo de Sowers (1973) representa uma função logarítmica do tempo. já que os resíduos depositados nesta área possuem idades avançadas e as medições de recalques foram apenas iniciadas em 1997. Melo (2003) nos seus estudos verificou que os recalques diminuíram gradualmente com o tempo. apresentam uma divergência. Mariano. influenciando a degradação biológica e consequentemente os recalques. foi atribuída às camadas mais recentes uma porcentagem de 60% (Célula 1) e 80% (Célula 2) dos recalques totais. As velocidades de recalques apresentaram uma variação de 286 mm/dia à 2381mm/dia. apresentam recalques maiores que as demais. Os modelos de Sowers (1973) e Gandolla et al. tais como sobrecarga e drenagem de líquidos e gases aumentam a velocidade de recalque. observa-se um aumento dos recalques. Além de dados microbiológicos como quantificação e identificação de microrganismos. os modelos matemáticos para previsões de recalques de Sowers (1973) e Gandolla et al (1992).(1992) apresentaram resultados bastante próximos aos valores medidos em campo. Em todos os casos. Estes baixos valores são conseqüência principalmente da pequena atividade microbiológica. Também foram realizados. os recalque medidos são basicamente os secundários. Portanto. respectivamente. bem como. 1998. No Aterro da Muribeca realizaram-se medições de recalques superficial (a partir de 1997 para as Células mais antigas (C1 e C2) ) e em profundidade (a partir de 1999 para a Célula 4 ) periodicamente e buscou-se relacionar os recalques ocorridos na massa de lixo com a biodegradação e como as condições climáticas da Região interferem nos processo degradativos. observa-se que na Célula 1. enquanto o modelo de Gandolla et al (1992) é uma função exponencial do tempo. A análise e discussão dos resultados deste estudo inicial conduziram às seguintes conclusões (Mariano et al. a velocidade dos recalques diminuíram com o tempo. que posteriormente vai diminuindo com o tempo. 18 . entre as Células 2 e 3. iv) alguns fatores externos foram observados. A caracterização da fase de decomposição do aterro foi feita através de ensaios de campo (medição de temperatura e composição volumétrica dos gases) e de laboratório (teor de umidade.

Outro fator que pode contribuir para este período de recalques zero é a presença de líquidos no interior da Célula. Após o período de recalques nulo novamente ocorre a aceleração dos recalques. No primeiro trecho os recalques foram mais acentuados pelo fato da Célula de lixo apresentar maior quantidade matéria orgânica. Por outro lado. A Figura 14 mostra que no primeiro trecho das curvas (primeiros 380 dias) os recalques medidos tiveram deformações mais acentuadas seguido de um período de recalques muito pequenos ou nulos. mostraram uma relação direta com diminuição dos recalques. já não suportam a carga imposta. com recalques acelerados novamente. Estes líquidos podem acumular-se nas profundidades maiores devido a intensa precipitação que ocorre nos períodos chuvosos (abr/00 a set/00).00E+00 -3.5 Profundidade (m) -10. Estes resultados estão sendo analisados. Os resultados mostraram uma relação direta entre aspectos mecânicos. tem-se um período de recalques muito pequenos ou nulos.00E+04 3. e passado este período novamente ocorre um aumento nas taxas de recalques.00E+04 2. Este acúmulo de líquidos distribui as tensões de modo uniforme em todas as direções impedindo o adensamento. Resultados preliminares da Célula 4 . entretanto as tensões impostas a massa de lixo são menores. dando a origem ao fenômeno de colapso. A partir do período de precipitações intensas os recalques já se tornam menores.realizados paralelamente às medições dos recalques.V. tanto nos recalques superficiais (placas) e mais visivelmente nos medidos em profundidades (aranhas).Aterro da Muribeca.5 -20. (m) -10 -14 -18 -20. Isto é observado nas camadas mais profundas onde se têm os recalques medidos pelas aranhas.3 18 23 Re calque NMP/100mL S.1 Sólido Líquido -18.5 1 3 . reduzindo assim a cinética de degradação. Nota-se que nestas camadas não há recalques por um período maior de tempo. devido a mudanças de fase. Estas precipitações intensas podem desestabilizar o ambiente microbiano e consequentemente os recalques secundários serão menores.6 -23. A degradação da matéria orgânica é acompanhada do aumento dos vazios.00E+04 obtidos em diferentes profundidades na Célula 4 do Aterro da Muribeca.5 100 200 300 400 500 600 700 800 -3. (%) NMP de Clostridium perfingens Sólidos Voláteis Recalques em profundidade Figura 13. as análises dos recalques com o tempo permitiram verificar três etapas de comportamentos distintos dos recalques secundários.38 -23. A Figura 13 o número mais provável (NMP) de microrganismos. No primeiro período acorrem aumentos dos vazios sucessivos devido a degradação seguidos de colapsos. sólidos voláteis e recalques Clostridium perfringens (SP1B) 0 0. portanto com menor suscetibilidade a compressão.5 1. Teor de Sólidos Voláteis 5 10 15 20 Recalque (mm) 0 3 . Este oxigênio extra desestabiliza o meio anaeróbio de degradação microbiana.5 10 Prof. biodegradativos e climáticos. Estes valores de recalques muito pequenos podem ser explicados por uma degradação da matéria orgânica com um aumento dos vazios. Após este período de recalque intensos. com o objetivo de relacionar estas três variáveis.0 Prof. Nesta etapa os vazios formados no período anterior. Com a degradação da matéria orgânica os espaços ocupados pelas partículas sólidas são convertidos em líquidos e gases. Os microrganismos diminuem a velocidade de degradação microbiana (cinética) pelo fato das águas que infiltram pela camada de cobertura permitirem que o oxigênio também infiltre. embora menores que os recalques iniciais. entretanto estes recalques são menores que no primeiro período. (m) -14. Estes vazios aumentam até um determinado limite. portanto os espaços ocupados pela fase sólida agora são ocupados pela fase líquida e gasosa. até suportarem a carga imposta pelo próprio lixo. 19 .

De acordo com Melo et al. em um Aterro de Resíduos Sólidos quando se querem otimizar recalques para aumentar a capacidade de armazenamento e até mesmo para avaliar a evolução do processo de degradação dos resíduos. utilizando amostras dos materiais compressíveis dos resíduos sólidos urbanos aterrados na Célula 2 do Aterro da Muribeca (Farias. e inorgânicos. uma vez que a utilização de microrganismos.Prof.). 180mm 200 400 600 800 1000 1200 jan/00 a mar/00 Precip.Prof. 537mm abr/00 a set/00 out/00 a fev/01 Precip. sem dúvida. 9. condições climáticas entre outros. 1542mm Figura 14 – Recalques profundos medidos na Célula 4 com aspectos climáticos Como pode ser observado nas análises realizadas.TEMPO (Dias) Data : 31/08/99 0 0 -100 -200 RECALQUE (mm) -300 -400 -500 -600 -700 -800 -900 set/99 a dez/99 Precip.Prof. 252. que a capacidade microbiana de metabolizar diferentes compostos orgânicos. 18. é o que possibilita o emprego desses agentes biológicos.32m Aranha 4 . Alguns estudos de compressibilidade foram desenvolvidos em laboratório e os parâmetros foram obtidos através de ensaios em células Rowe (Foto 6). 2439mm Aranha 1 .. Sua composição gravimétrica foi de 69. 2002.Prof.5m Aranha 2 .7% de matéria orgânica.23m Aranha 5 .. pela engenharia. É evidente. extraindo desses compostos fontes nutricionais e energéticas.1% de plástico e 17. um tema bastante atraente. têm-se que interagir a engenharia moderna com os aspectos mais avançados da microbiologia e ambos com parâmetros físico-químicos.2% de outros materiais (papel. 13. inclusive os recalques. 26.21m Aranha 6 .61m Precip. naturais ou sintéticos.. 3. etc. a microbiologia em aterros sanitários é.Prof. papelão. como solução aos problemas gerados pelos rejeitos lançados no meio ambiente. 23. 13. 2000).Prof.00 mm Foto 6: Compressibilidade do lixo na Célula Rowe 20 .. têxteis. 390mm Mar/01 a set/01 Precip. nos processos de degradação de lixo constitui um instrumento da biotecnologia de inestimável valor.76m Aranha 3 .

5. Tratamento de Chorume com Barreira Bio-Química O uso do sistema consorciado de wetland e barreira reativa de solo para tratamento secundário ou terciário de chorume foi proposto recentemente como linha de pesquisa do GRS/UFPE (Beltrão. em relação aos resultados que o peso específico das partículas sólidas de todo material em conjunto situaram-se entre os das argilas e turfas. entretanto. Os resultados mostraram que estes métodos foram falhos na previsão. 1999. Por meio de uma linha de tendência linear. Jucá 21 . O percolado representa um dos vários fatores de risco para o meio ambiente. a partir do qual.00 Precipitação Evaporação Déficit Hídrico Altura (mm) 250.00 200. uma vez que este apresenta altas concentrações de matéria orgânica. relacionando a vazão medida in situ no Aterro da Muribeca (Fig. seco e das partículas sólidas e umidade. nos ensaios de compressibilidade a variação dos índices de vazios sofreu um forte decréscimo com o aumento da densidade. 2002). peso específico úmido. Capelo Neto.00 0. principalmente em épocas de déficit hídrico. É a máxima capacidade de absorção em condições de livre drenagem.5. e para os materiais individualmente verificou-se a necessidade de uma pré-lavagem com a finalidade de não falsear os seus valores. Alguns métodos empíricos foram utilizados a fim de estimar o volume de percolado gerado no aterro da Muribeca. Déficit Hídrico no Aterro da Muribeca. 5.00 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Meses Figura 15. e o Método do Balanço Hídrico 57. Racional e do Balanço Hídrico. Como se sabe estas variáveis são fortemente influenciadas pela sucção.15) e a vazão estimada. Estas discrepâncias muito elevadas são devidas a que esses métodos não levam em consideração algumas variáveis importantes. a deformação vertical nestes ensaios podem chegar a 50% para baixas densidades de compactação e elevadas pressões verticais. que por sua vez é de difícil obtenção no lixo. que é uma linha reta de melhor ajuste usada com conjuntos de dados lineares simples. Os resíduos sólidos. A análise de todos os resultados dos ensaios realizados e a comparação com dados existentes na literatura especializadas resultou nas seguintes conclusões em relação às metodologias aplicadas nesta pesquisa: O resultado foi bastante satisfatório e permitiram obter propriedade e parâmetros de resíduos sólidos coerentes com a literatura. A capacidade de campo corresponde ao conteúdo de umidade medido após toda a água livre da massa saturada ser drenada por gravidade.8%. conhecido como capacidade de campo ou de retenção. fez-se necessário a verificação de algumas propriedades físicas dos resíduos sólidos utilizados nos ensaio de compressibilidade.Para melhor análise dos parâmetros de compressibilidade. densidade e a capacidade de campo da camada de cobertura e do lixo.00 300. tais como a umidade. dentre eles: o Método Suíço. e os maiores valores de compressibilidade corresponde as maiores densidades de compactação.00 100. pôde-se avaliar os erros de cada método empírico utilizado. o material atinge um teor de umidade. o Método Racional 46. bem como quantidades consideráveis de metais pesados. Por exemplo o Método Suíço teve um erro de 39%. 400. Vários estudos procuram fazer uma estimativa da geração do percolado (Correia Sobrinho & Azevedo. obtidos através de ensaios de campo e laboratório tais como: ensaio de composição gravimétrica e volumétrica.00 50. Medeiros et al.4.5%. Geração de Percolado Um dos principais problemas ambientais dos aterros é a liberação de percolado no local resultando na contaminação do solo e da água.00 150.. 2001.00 350. agem como uma esponja e simplesmente absorvem a água. inicialmente.1999. qualquer acréscimo de água resulta na percolação de igual quantidade da massa.

em seguida. 2001. Campos et al. características físicoquímicas do chorume e eficiência de remoção 22 . com destaque para vazão. como alternativa de tratamento de efluentes. No caso foi utilizado plantas nativas. o uso em conjunto de outras técnicas para complementar a degradação e /ou transformação dos contaminantes e seus subprodutos (Gusmão. amônia. constituída de 1 lagoa de reservação/decantação. 1998. Oliveira et al. o chorume proveniente do Aterro da Muribeca está sendo drenado para Estação de Tratamento de Chorume – ETC. de acordo com os parâmetros de projeto. 2002. como a Typha sp (Taboa). A barreira bio-química projetada e construída é composto pelos seguintes dispositivos: i) célula com 27. quando as características do sítio e dos contaminantes são propícias. Porém. Neste sentido. iii) solo de cobertura do leito que serve tanto para sustentação como de substrato para as plantas. cujos resultados revelam que. alguns estudos estão sendo desenvolvidos. No entanto. ii) camada de material de base (“leito”). 2002). 2001. fósforo e metais pesados. como forma de retenção de contaminantes e remediação de áreas contaminadas. de modo a retê-los química e fisicamente. em algumas universidades do Brasil. em cuja superfície ocorrem a fixação de microrganismos e o desenvolvimento de biofilmes. com objetivo de definir materiais alternativos para o tratamento eficiente de efluentes. a custos reduzidos (Leon et al. além de servir como uma parede (passiva) de retenção física. ou seja. Zenette.1997). Jordão et al. O processo de descontaminação ocorre de três formas: i) contaminantes são degradados por meio da biomassa aderida ao material granular de base (biofilme). Um dos principais objetivos do sistema bioquímico é a remoção de metais pesados. v) parede de solo com capacidade reagir quimicamente com contaminantes presentes no efluente. Gusmão et al. essa remoção é devida a absorção pelas plantas e a sorção de contaminantes do chorume pelo material da barreira. Atualmente. 2000. iii) a barreira reativa ao entrar em contato com o efluente reage quimicamente promovendo a retenção de contaminantes. além de servir para sustentação das raízes dos vegetais. A Foto 7 ilustra o sistema executado. deve-se ter em vista a otimização do processo usando materiais previamente identificados como potencialmente eficazes e. 2000 e 2001. Nobre & Nobre. Lamim et al. o uso de barreira reativa e wetland vem sendo pesquisado separadamente. principalmente nas universidades das regiões sul e sudeste. 3 lagoas facultativas e uma barreira bioquímica. 2000). 2002). Um esquema simplificado do que implantado na Muribeca apresenta-se na Figura 16.5 m de comprimento e 5m de largura (cavidade impermeabilizada) com dispositivos de entrada e saída do efluente. 1999. nitrato. Dentre essas pesquisas destacam-se os estudos sobre o desempenho e a influência da composição do material usado na execução de barreiras reativas. que está localizada no próprio Aterro. objetivando a remoção poluentes como DBO. área disponível. A disposição dos componentes do sistema é projetada caso a caso. Feris et al. Os wetlands vêm sendo estudados. ii) poluentes são absorvidos pelas raízes ou degradados por bactérias que nelas se alojam. Observa-se que a maioria dessas pesquisas são voltadas para efluentes industriais ou de esgotos domésticos e em poucos casos para tratamento de chorume (Sezerino et al 2002. o uso de barreira reativa é uma técnica viável de remediação. O sistema de barreira bioquímica tem como objetivo criar uma alternativa de tratamento secundário de efluentes in situ economicamente viável e de fácil operação.et al. 1 lagoa anaeróbica. os contaminantes são armazenados ou transportados e acumulados nas partes aéreas das plantas. iv) plantas aquáticas capazes de despoluir águas residuárias através dos processos biológicos que ocorrem em suas raízes.

1 25. a interação de metais com solos é muito complexa. cuja permeabilidade saturada foi de 3. (2002). é resistente as variações de vazão.3 52.7 38. O sistema é flexível a: variações no número de barreiras. Figura 16.73 64. embora serão apresentados apenas os resultados dos solos argilosos: um proveniente do Aterro da Muribeca.2 50.6 23. Os primeiros resultados obtidos do tratamento do chorume da Muribeca apresentam-se na Tabela 8. e não requer operador especializado.9 45. Município de Paulista-PE.5 0. Resultados Preliminares.9 26.9 78 37. enquanto o outro solo é uma argila expansiva do Janga.5x10-6cm/s. que é um silte argiloso.6 28. tem baixa freqüência de manutenção.38 Remoção (%) 97.3 56 27. as reações com ânions insolubilizados presentes no solo e a complexação de substanciais húmicas de fração orgânica de solo podem ocorrer simultaneamente.64 797.14 Foto 7. Parâmetros Sulfatos (mg/l) Manganês (mg/l) Óleos e Graxas (mg/l) Cromo (mg/l) DBO (mg/l) Amônia (mg/l) Turbidez (UT) Nitrito (mg/l) Ferro (mg/l) Alcalinidade (mg/l) Nitrato (mg/l) Entrada Saída 400 1. Ensaios de laboratório foram realizados para detectar a capacidade de adsorção do solo da Vários solos foram testados. uma vez que a adsorção e a troca iônica de argilo minerais.1 17. Estes solos foram percolados por um chorume 23 . Tabela 8.1 1. Esquema da Barreira Bio-Química.8 400 2.88 9. tipo de material usado no leito e no preenchimento da barreira.9 46.53 57. Barreira bio-química da Muribeca. De acordo com Lange e Simões. além do baixo custo de instalação. O sistema de barreira bio-química compõe um sistema que pode ser muito vantajoso para o tratamento de chorume porque. barreira aos metais pesados.34 434.6 2.15 520 2.desejada.5x10-7cm/s. com permeabilidade saturada de 6.48 117 0. com a finalidade de se avaliar a eficiência de diferentes tipos de solos.2 27. e forma geométrica da célula.09 0.

Solo do Janga Não Contaminada Concetração (mg/l) 0. Estes metais foram escolhidos por encontrarem em maior concentração no chorume do Aterro e por apresentarem maior risco a saúde. A camada argilosa de cobertura dos resíduos é o elo existente entre o lixo e o ambiente externo ou atmosférico. 17) apresentou as mesmas concentrações de Cobre e Zinco. Cr. Estes estudos estão sendo complementados com análises mineralógicas e análises mais especifica da afinidade destes metais com os minerais constituintes do solo. este trabalho tem como objetivo o estudo da permeabilidade ao gás do solo de cobertura das referidas células.2 0. Mn. Os primeiros resultados (ainda preliminares) estão apresentados nas Figuras 17 e 18. O processo aeróbio de decomposição se estabelece quando existe a influência das condições climáticas na massa de lixo. Por esta razão. as Células 4 e 8 foram tomadas neste estudo como experimentais.05 0 Cromo Manganês Cobre Zinco Contaminado comparados com os outros. Dentro deste propósito. O Chorume sintético foi preparado com água destilada.1 0. seja consumido pelas bactérias aeróbias. onde se observa que o solo do Aterro da Muribeca (Fig. ou seja. foi constatado que o solo proveniente do Aterro da Muribeca reteve uma maior concentração de metais 24 . como na entrada de ar atmosférico e águas pluviais na massa de lixo. para o metal Manganês ele ficou praticamente inalterável e o solo argiloso do Janga adsorveu uma maior concentração deste metal. quando o oxigênio na forma gasosa e dissolvido em água. Figura 17.4 0. Por outro lado o solo do Janga (Fig. As análises foram realizadas no solo entes e depois de ser percolado pelo chorume sintético.25 0. O principal gás gerado neste processo é o dióxido de carbono (CO2).sintético. onde foram dissolvidos os seguintes metais. preparado em laboratório com concentrações pré-definidas de metais pesados. esta camada apresenta grande capacidade de influência tanto na liberação de gases do aterro. Cu. a fim de obter resultados e parâmetros para uma melhor operação das demais células. Metais no Solo do Aterro. Quanto à capacidade de adsorção dos metais pesados pelos solos argilosos. sendo os ensaios executados em campo e laboratório.2 0.3 0. Solo do Aterro Não Contaminada Concetração (mg/l) 0.6. 5. Percolação de Gases em Camadas de Cobertura Os processos de decomposição da matéria orgânica em aterros de resíduos sólidos urbanos resultam na geração de gases tóxicos que podem vir a afetar diretamente o meio ambiente. Das nove células que perfazem o aterro. Zn. O metano (CH4) e o dióxido de carbono (CO2) são os principais gases resultantes da digestão anaeróbia.15 0. O processo anaeróbio de decomposição deve prevalecer quando o ambiente interno da célula for essencialmente anaeróbio. exceto para o cromo que teve um pequeno aumento na sua concentração e para o cobre que se constatou uma redução significativa dos valores anteriormente encontrados no solo. Essas alterações de concentração dos metais no solo podem ser devidas apenas a uma retenção física e não uma troca iônica propriamente dita. manteve seus valores de metais pesados inalteráveis.1 0 Cromo Manganês Cobre Zinco Contaminada Figura 18. modificando-se apenas as concentrações de Manganês e Cromo. no entanto. O estudo do dimensionamento das camadas de cobertura argilosas é parte integrante do projeto de recuperação ambiental do Aterro da Muribeca. Metais no Solo do Janga. 18).

A Figura 19 mostra a variação da permeabilidade do solo com o grau de saturação para os Corpos de Prova 1 e 2.0E-06 C.0E-08 1. 1986 e Matyas.0E-07 1. A permeabilidade intrínseca de um meio depende exclusivamente das propriedades do solo e não das características ou quantidade do fluido percolante (Stylianou e DeVantier. 1999). o coeficiente de permeabilidade do solo ao ar (κar) depende das propriedades do fluido. que envolve análises dos gases superficiais. Investigação de campo A estimativa do fluxo de gases pela camada de cobertura das Células 4 e 8 é o principal objetivo dos ensaios de campo realizados no Aterro da Muribeca. As alturas das placas são idênticas e iguais a 0. reduzir a percolação do biogás para o ambiente externo e também do ar atmosférico para o interior da massa de lixo. O Corpo de Prova 1 foi moldado com densidade seca próxima daquela encontrada in situ na cobertura da célula (γs = 15. Por outro lado. Pode-se concluir também que caso a camada estivesse sido compactada em torno da umidade ótima.P nº2 C. o estudo foi realizado com solos compactados sob energia do Proctor Normal.08 kN/m3. Ignatius. O procedimento de ensaio foi o mesmo seguido por Maciel e Jucá (2000). Desta forma. A primeira placa foi utilizada em três ensaios realizados na Célula 4. sub-superficiais e em profundidade no lixo. Com o objetivo de estimar as taxas de liberação dos gases. Variação da permeabilidade com o grau de saturação do solo da Célula 8. 1995. A permeabilidade de um meio poroso é função de sua permeabilidade intrínseca e de seu grau de saturação.0 m2. devido à baixa densidade do solo não foi possível extrair as amostras. duas placas de fluxo quadradas foram utilizadas nesta pesquisa. enquanto que a segunda foi emprega em um único ensaio realizado na Célula 8.16 m2 de área. Porém.0E-11 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Grau de saturação (% ) Figura 19.05 m. A permeabilidade ao ar decresce com o aumento da saturação do solo.P nº1 Permeabilidade ao ar (m/s) 1. Este ensaio consiste em medir concentrações de diferentes gases no interior da placa desde de sua colocação na camada argilosa até a estabilização das leituras. enquanto que a segunda tem 0. 1967). Este estudo é parte integrante do plano de monitoramento de gases. Os ensaios laboratoriais para determinação da permeabilidade ao ar foi realizado com o solo utilizado na execução da cobertura da Célula 8. Uma outra alternativa a ser adotada nas camadas do aterro seria colocação de vegetação rasteira para reter água na camada e por conseguinte.0E-09 1. Para valores de saturação entre 80-90% a passagem do ar no solo se reduz significativamente devido à oclusão ou descontinuidade dos vazios de ar na matriz do solo (Corey. A primeira placa possui área útil de 1. o aterro estaria liberando uma quantidade de gases 10 vezes menor em quase toda faixa de saturação do solo. A metodologia prevista inicialmente consistia em obter amostras indeformadas da cobertura do aterro. 1.Estudos laboratoriais A permeabilidade das camadas de argila ao gás é o principal parâmetro responsável pelas trocas de gases existentes entre o ambiente interno e externo da célula de lixo. Este resultado indica que acima de 80% o ar começa a estar ocluso no solo fazendo decrescer drasticamente a permeabilidade com pequenos incrementos de água. O procedimento de determinação da permeabilidade seguiu a metodologia proposta por Jucá e Maciel (1999). O detalhamento deste monitoramento foi descrito por Maciel e Jucá (2002).8 kN/m3) e o CP 2 foi compactado na umidade ótima (23%) com densidade seca de 16.0E-10 1. O 25 .

químicas e biológicas que ocorrem no interior do maciço. A Figura 20 mostra a variação de volume do gás metano na placa de fluxo para os quatro ensaios experimentais. realizado em 2000. iii) Com relação ao grau de saturação. observa-se a necessidade de uma revisão.6 vezes entre as células. tendo em vista as diferenças entre os dados apresentados e a realidade. Considerações Finais Em relação à Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB). 4 14000 Ensaio 2 . papéis e papelão. o desenvolvimento tecnológico e os investimentos para o setor. os resíduos sólidos poderiam ser modelados como um material composto de duas componentes: uma 26 . Neste sentido a gestão integrada dos resíduos sólidos tem sido uma ferramenta inovadora e eficaz no contexto brasileiro. A compreensão dos mecanismos de biodegradação do lixo requer estudos multidisciplinares. 4 Ensaio 4 . reduzindo o período de contaminação e promovendo um melhor aproveitamento das áreas disponíveis para disposição final dos resíduos. assim como se encontram as duas camadas de cobertura estudadas. Fluxo de gás na cobertura. 16000 Ensaio 1 .principal gás analisado foi o CH4.7% declaram que possuem aterros sanitários. Neste sentido deve-se refletir se as normas técnicas brasileiras atendem as necessidades atuais. mas na recuperação ou transformação de lixões em aterros sanitários. Há um grande mercado de trabalho nesta área. o maciço de lixo pode ser comparado ao comportamento de solos reforçados. têxteis. 4 Ensaio 3 . Ainda que o PNSB tenha indicado uma situação extremamente favorável. Com relação à diferença de fluxo de 3.561 municípios brasileiros.Cél. no sentido de se reduzir a geração. não analisada nesta investigação.Cél.cél. assim como acelerar a decomposição da matéria orgânica. Apesar da pequena variação do grau de saturação. 8 Volume (cm3) 12000 10000 8000 6000 4000 2000 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Tempo (min) Figura 20. o valor de fluxo encontrado para a Célula 8 foi de 8. este pode causar leves decréscimos no fluxo para solos compactados abaixo da umidade ótima. não só para projeto e construção de novos aterros. reutilizar e reciclar.Cél. dos 5.0 x 10-7 m3/s. O conhecimento destes mecanismos permite realizar um tratamento mais eficiente da massa de lixo e dos efluentes líquidos e gasosos. favorecendo assim a percolação dos gases. Uma das razões para as altas taxas de fluxo observadas nas duas células deve-se à baixa espessura de argila. tais como plásticos. pode-se dizer: i) esta variação pode está associada às diferenças de gradiente de pressão nas camadas de cobertura. considerando os componentes fibrosos do lixo.5% na cobertura da Célula 4 e 61% para a Célula 8. Dessa forma. Estes mecanismos têm influencia direta nos parâmetros de resistência e compressibilidade do lixo. e tendo como base as interações físicas. Há um longo caminho para se trilhar. 63.9 x 10-6 m3/s. os valores médios observados foram 44. sugerindo que para grandes deformações. Os estudos de resistência tendem a simular o lixo como solos reforçados. Por outro lado. e conseqüentemente na estabilidade dos aterros. onde a capacitação técnica e a conscientização da sociedade são fatores determinantes. Por outro lado observa-se que a grande quantidade de resíduos sólidos gerados no Brasil não é compatível com as políticas públicas. associando-se os problemas geotécnicos aos ambientais.1% deles informam que depositam seus resíduos em lixões e apenas 13. ii) a densidade média medida na cobertura da Célula 4 foi de 16. inferior a observada na Célula 8 (17.10 kN/m3).8 kN/m3. 30 cm (Célula 4) e 25 cm (Célula 8). O fluxo médio verificado nos três ensaios da Célula 4 foi de 2. 6. Com base na Figura 20 pode-se estimar o fluxo de metano na cobertura.

capacidade de campo. R. Stela Fucale. As barreiras bio-químicas se configuram como uma contribuição da geotecnia ambiental no tratamento secundário de chorume. Márcio Melo.C. 11th African Regional Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering. pp.Previsão e Comportamento Real”. V. Agradecimentos Este trabalho foi elaborado. Bouazza. os riscos ambientais que ocorrem pela percolação através das camadas de cobertura. 27 . em conjunto. como parte de suas atividades de Mestrado e Doutorado: Adriana Farias. & Wynne. Escola de Engenharia de São Carlos. “Barreiras Bioquímicas para tratamento secundário de percolado de aterros sanitários”.E. 8. e a outra. M. 2. Rodrigo da Purificação. Bold. bem como se avaliar a eficiência na retenção de gases nas camadas de cobertura. “Resíduos Sólidos Urbanos: Aspectos Básicos das Transformações de Compostos Orgânicos em Sistemas Anaeróbios Mesofílicos com Elevada Concentração de Sólidos Totais”. Seminário de Tese de Doutorado. K. Publicação ABMS/NRSP. (1997). sucção. Cairo.matriz básica compreendida pelas partículas de granulação fina a média que apresentam comportamento de atrito. A. Com relação ao tratamento do chorume observa-se que vários aterros sanitários transferem o chorume para estações de tratamento de esgoto. Andréa Leão. Nos métodos de previsão de geração de percolado deve-se incluir novas variáveis. H. São Paulo: CETESB/ASCETESB. Maria Odete Mariano. & Abreu. Antônio Brito. e vale salientar que. a custos compatíveis com o local. Cecília Lins. Egypt. (2002). & Amokrane. Veruschka Monteiro. 708p. O tratamento de chorume requer investimento em pesquisas que busquem eficiência e eficácia. (1995).G. C. estrutura e umidade dos materiais. utilizando-se tecnologias apropriadas ao meio ambiente. Branco. Proc. 640p. Tese de Doutorado. C. ocorrendo assim. 7-44. “Aterros Sanitários . (1991). sanitaristas. as mesmas não foram dimensionadas para tratar as concentrações dos componentes existentes no chorume. M. na interferência do fitoplâncton no tratamento biológico e no uso de novos materiais. Eduardo Maia.Z. & Cunha. pelos pesquisadores e colaboradores do Grupo de Resíduos Sólidos da Universidade Federal de Pernambuco. 7. Boscov. 55-66. (2000). M.(1978). Estas combinam os efeitos da fitoremediação com os das barreiras reativas de solo para contenção de contaminantes. Felipe Maciel. químicos e biólogos. Em relação aos recalques secundários observa-se a importância de se incorporar estudos microbiológicos do lixo de forma a compreender melhor sua decomposição com o tempo. “Granular Soil Reinforced with Randomly Distributed Fibres”. 136. (1986) “Hidrobiologia aplicada à Engenharia Sanitária” / 3ed. O estudo de gases permite se avaliar as etapas do tratamento dos resíduos. A. Universidade Federal de Pernambuco. “Escorregamento em Massa de Lixo no Aterro Sanitário Bandeirantes na Cidade de São Paulo. a matriz de reforço contendo os componentes fibrosos do lixo. além de se caracterizar adequadamente as possibilidades de aproveitamento energético do aterro. Universidade de São Paulo. K. J. “Introduction to the Algae – Structure and Reproduction” New Jersey: Prentice-Hall. Keila Beltrão. S. Referências Bibliográficas Baldochi. pp. apenas a transferência do problema com altos custos e risco com o transporte. tais como. que é composto por engenheiros civis. p.M. As técnicas desenvolvidas para ensaios de campo e laboratório permitem avaliar os parâmetros de gases internos da massa de lixo. Benvenuto. SP” II Simpósio sobre Barragens de rejeito e Disposição de Resíduos – REGEO’91 – Vol. inclusive aumentando os investimentos nas pesquisas microbiológicas. Beltrão.M.

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