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NOTA

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Bourdieu. as sugestões relativas a essa versão. Fligstein. equaciona-se o seu quadro de referência institucional. Granovetter e Swedberg. Mingione. que não terá necessariamente de conduzir nem a uma tomada hostil do controlo de uma disciplina pela sua rival. 1997.A SOCIOLOGIA ECONÓMICA EM PORTUGAL João Peixoto e Rafael Marques Resumo A sociologia económica é. 2001: Lévesque e outros. pp. Portugal. 2003.º 42. 2002. por exemplo. são referidos outros temas de estudo intimamente relacionados: a sociologia industrial e do trabalho. ela diz sobretudo respeito à suspeição que quase todas as sociologias económicas (com excepção da sociologia das escolhas racionais) votam 1 Uma primeira versão deste texto foi publicada na Economic Sociology: European Electronic Newsletter. Gostaríamos de agradecer a Sara Falcão Casaca e a José Manuel Mendes. Outubro de 2001. este texto procura avaliar a situação actual da disciplina em Portugal.1 São disso testemunhos as publicações recentes de manuais. 1999. Em boa verdade. Trigilia. SOCIOLOGIA. PROBLEMAS E PRÁTICAS. Steiner. De seguida. mas que podem ser unificadas por uma mesma preocupação e por uma mesma recusa. Palavras-chave Sociologia económica. A preocupação comum reside no desejo de ultrapassar as décadas de afastamento e desdém recíproco que separaram economistas de sociólogos. bem como a vários colegas do Socius. oriundos de vários espaços geográficos e de diversas orientações teóricas (ver. ciências sociais. antologias e textos programáticos. 3 (1). Tendo essa realidade em consideração. Em relação à actual versão. 201-216 . Quanto à recusa. n. 1998. 2001. sociologia. 1994. 2001. a economia informal. 2000). devemos agradecer os comentários de dois referees anónimos. uma das áreas de investigação em maior expansão no quadro da reflexão sociológica. Os agradecimentos são extensíveis a Pedro Abrantes. Radaev. que traduziu o original em língua inglesa. Os erros e insuficiências existentes são apenas da responsabilidade dos autores. actualmente. uma das áreas de investigação em maior expansão no quadro da reflexão sociológica. Biggart. sobretudo entre as décadas de 1930 e de 1970 do século XX. Smelser e Swedberg. Num primeiro momento. os contextos territoriais de produção e as elites económicas e empresariado. Há crescentemente a consciência de que existe um terreno vasto destinado à colaboração entre cientistas dos dois campos disciplinares. nem a uma esterilização cruzada que resultasse da adopção das linguagens da concorrente. 2000. sociologia económica tornou-se um termo resumo que colige contribuições oriundas de quadros conceptuais muito distintos. entre outros. A sociologia económica é. ou que procuram explorar elos de ligação directa entre a economia e a sociologia. actualmente. recuperando as investigações que recorrem de forma explícita ao rótulo de sociologia económica.

explicar e prever. em grande medida. toda ela conduzida em nome de posições estruturais. As condições sociais que possibilitaram a edificação dos primeiros esforços de sociologia económica no final de oitocentos são mimetizadas pelas condições de finais de novecentos. Yakubovich e Yaroshenko (2000). social e económica das sociedades de hoje. com a sua ênfase nos modelos industriais e nos percursos alternativos de desenvolvimento das três Itálias. quase sempre condicionadas por problemas palpáveis do quotidiano dos actores sociais submetidos aos esforços e às penas das economias de transição. nas indústrias e nas organizações contemporâneas e marcar a evolução previsional dos fenómenos económicos e sociais que condicionam as nossas existências. Nollert (2002). . As épocas de profunda transformação económica e social exigem convergência de esforços por parte de sociólogos e economistas. são estas as formas científicas que aproximam aqueles a quem tudo parece condenar ao afastamento. O mesmo se poderia afirmar. É também claro que a sociologia económica italiana de Bagnasco (1988) ou Trigilia (1998).202 João Peixoto e Rafael Marques ao paradigma da racionalidade e à maioria das leituras neoclássicas. sobretudo. das relações sociais o seu cavalo de batalha (ver Marques e Peixoto. aliás. Róna-Tas (2002). É neste contexto que um breve excurso sobre as modalidades da sociologia económica em Portugal faz sentido. a preocupação social que orienta a pesquisa e a teorização é. é irrecusável que a sociologia económica se tornou num imperativo para a teoria social deste virar do século. 2003). veja-se Marques e Peixoto (no prelo). e a ideologia mercantil. Barbera (2000). Korver (2001). Independentemente dos métodos. 2002b). das profissões de fé e dos ideários de referência. É bem evidente que a sociologia económica norte-americana. disposições dos actores e mobilização de capitais múltiplos (ver Marques. Veblen e Pareto possam encontrar os seus epígonos. do tema da confiança e. Heilbron (1999 e 2001). como existia há 100 anos. Mas. apesar de todas estas diferenças de método e de prioridades.2 Existe alguma originalidade e algum carimbo distintivo das sociologias 2 Para uma marcação dos pontos de convergência e de divergência entre as sociologias económicas americana e europeia. Importa saber até que ponto os debates recorrentes deste e do outro lado do Atlântico tiveram eco na realidade académica portuguesa. Sombart. uma seara teórica à espera de dar os seus frutos. Weber. está muito afastada da sociologia do económico de Bourdieu. também conhecida por “nova sociologia económica”. das sociologias económicas do Leste europeu. restando aguardar que as magistrais descrições de Simmel. Beckert (2000). A colonização que o económico. um século mais tarde. é mais solidária de um programa de economia política do que de um quadro analítico de sociologia económica. Neste caso. parece insofismável que existe. Izquierdo (2001). explicar as forças e as “mãos” que operam nos mercados. no sentido de compreender os mecanismos sociais subjacentes à ordem política. do conceito de incrustação. o fruto de uma experiência diária. Durkheim. Compreender. que se desenvolveu sobre os trabalhos pioneiros de Harrison White (1981) e de Mark Granovetter (1985). Peixoto e Marques (2001). têm vindo a exercer sobre todas as esferas da vida social não se compadece com o esquecimento cultivado a que os teóricos dos anos 50 votaram este interface. e que elege como pedra de toque um modelo teórico interaccionista que faz das redes sociais. Dodd (2000).

ou que procuram explorar elos de ligação directa entre a economia e a sociologia. ou não. mais um registo da história dos fluxos e refluxos de uma reflexão teórica do que uma cabal resposta aos dilemas enfrentados pela disciplina em território nacional. a economia informal. contudo. seguindo. da Universidade Técnica de Lisboa. mas que não se apresentam (ou nem sempre são encarados) como inseridos na sociologia económica: a sociologia industrial e do trabalho. Pelo contrário. entre outros. A sociologia económica institucionalizada Em Portugal. equaciona-se o quadro de referência institucional da disciplina. as motivações que conduziram a escolas alternativas como a economia das convenções. recuperando as investigações que recorrem de forma explícita ao rótulo de sociologia económica. os trajectos portugueses são marcados por uma simples variação nos temas tradicionais das sociologias industrial e do trabalho? Será que a influência durável do espaço francófono nos meios sociológicos portugueses fez da variante portuguesa uma caixa de ressonância dos debates de além-Pirinéus? Será que encontramos. o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). pois. Em termos formais e institucionais. em versão portuguesa. Num primeiro momento. os contextos territoriais de produção e as elites económicas e empresariado. explicitamente as contribuições teóricas mais recentes. a sociologia urbana e do território.A SOCIOLOGIA ECONÓMICA EM PORTUGAL 203 económicas feitas em Portugal? Será que. De seguida. o campo da sociologia económica raramente é mencionado. Dado o estatuto fragmentado da investigação nesta área. Existem todavia algumas excepções. são referidos outros temas de estudo intimamente relacionados. Considerando os graus académicos ou as áreas temáticas de investigação. a economia da regulação ou o movimento antiutilitarista para as ciências sociais (MAUSS). à imagem da sociologia económica no Reino Unido. a sociologia apenas se institucionalizou por completo após 1974. a sociologia da educação ou a sociologia da família. Este texto procura. em Portugal. nota-se que algumas especialidades têm sido muito estáveis. ou será que a sociologia económica. avaliar a situação actual da sociologia económica em Portugal. como por exemplo a sociologia industrial e do trabalho. deve-se tomar como provisória a lista de autores e temas apresentada. acompanhando o processo de democratização política. pode-se considerar o espaço de referência da sociologia económica em . é ainda demasiadamente embrionária para poder ser considerada uma escola? Será que o atraso secular de Portugal e os recorrentes debates sobre a crise e a decadência ofereceram oportunidades de aproximação aos temas desenvolvimentistas? Será que o espectro de uma desigualdade rompente transformou a sociologia económica num longo debate sobre questões de estratificação? Não será verdade que o carácter titubeante da sociologia económica portuguesa pode ser explicado pelas próprias condições históricas que estiveram na base da construção da disciplina mãe? Foi com base nestas e noutras questões paralelas que nos abalançámos a produzir este pequeno texto introdutório que é.

ao longo dos anos 60 parecia caminhar-se para um projecto mais ambicioso. na ocasião do 50. . Análise Social. Embora a reflexão fosse dirigida para o caso português. os editores declararam a intenção de: “prestar algum contributo válido para um alargamento do âmbito dos estudos sobre desenvolvimento económico em Portugal. abrir o leque dos temas discutidos. variáveis ainda não consideradas” (AA. nomeadamente José Maria Carvalho Ferreira e Ilona Kovács.. respectivamente a partir de 1991 e 1992. Enquanto a sociologia económica é hoje uma área com um número reduzido de investigadores. O desenvolvimento da sociologia económica no ISEG resulta. visto que a última quase não existia. das organizações e das inovações”..VV. o debate era frequentemente inspirado nas teorias da modernização e do desenvolvimento. 1964: 403).º aniversário do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (ISCEF. convém relembrar o contexto específico em que esta proposta foi lançada. A revista fundadora da sociologia moderna. o Instituto de Ciências Sociais (ICS). gestão e finanças. do papel activo desempenhado por alguns dos sociólogos que aí leccionam. estipulou nos seus primeiros números o objectivo de ligar a economia e a sociologia. sobre as suas vertentes social e institucional (AA. Fora das referidas instituições. outro em 1969. muito 3 4 São também ministradas no ISEG disciplinas de “sociologia económica” e de “sociologia dos mercados financeiros” para estudantes das licenciaturas de economia. da Universidade de Lisboa. por um lado. onde a licenciatura em sociologia inclui uma área temática de “sociologia económica. onde o doutoramento em sociologia inclui uma especialidade em “sociologia histórica e económica” (e o doutoramento em economia inclui uma especialidade em “estruturas sociais da economia e história económica”). da tradição da escola na abordagem social da economia e.3 Outras instituições promotoras deste novo campo de investigação incluem: a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. em 1991. actual ISEG). Contudo. Desenvolveu. faziam um apelo ao “diálogo interdisciplinar”.204 João Peixoto e Rafael Marques Portugal. e criou. Dois números especiais foram dedicados ao tema do desenvolvimento: um em 1964. onde a “sociologia económica e do desenvolvimento” constitui uma das linhas de investigação mais fortes. 1964 e 1969). deve-se enfatizar que a institucionalização do campo em algumas das principais faculdades de economia e gestão portuguesas não significa que o diálogo ou que a investigação conjunta entre a sociologia e a economia sejam frequentes. o rótulo de sociologia económica é raramente utilizado. A posição crítica destes autores e a doutrina social católica que muitos deles partilhavam eram favorecidos por uma perspectiva social mais abrangente. Num editorial publicado em 1964. No entanto. e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. mas escapar aos constrangimentos institucionais que impediam a expansão da sociologia e conceder aos estudos económicos (e aos debates políticos) uma dimensão social. por outro.VV. Neste sentido. O objectivo não seria tanto reconciliar a economia e a sociologia. fazer entrar.4 Alguns dos artigos publicados ao longo dos anos 60 pela Análise Social deixam transparecer este objectivo. programas de doutoramento e de mestrado em “sociologia económica e das organizações”. sobre os aspectos sociais do desenvolvimento. na análise dos factos e na determinação dos problemas. o Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações (Socius).

propõe que se desenvolva investigação em sociologia da vida económica. 1964). na esteira de outros textos editados nessa época.A SOCIOLOGIA ECONÓMICA EM PORTUGAL 205 divulgadas nos anos 60. veja-se Freire (2002). do ISEG. e produziu ensaios clarividentes sobre a sociedade portuguesa. em especial o conceito de racionalidade. incluindo a sociologia. cultura e modo de organização (interesses colectivos e poder) (Nunes. aprofundou-se o processo de especialização das ciências sociais e reduziram-se os esforços de “diálogo” interdisciplinar. a metodologia positivista e a ruptura com as normas e ética sociais. estudou o “dualismo” da sociedade portuguesa. 1963). Após 1974. tanto a nível geográfico. foi o mais prolífico. abordou a ligação entre economia. da Universidade de Coimbra. por autores como José Manuel Moreira (1986). este escreveu acerca das novas classes sociais baseadas no conhecimento (1968) e sobre a concepção económica e social do desenvolvimento (1969) (em textos anteriores.5 João Arriscado Nunes. sociedade e cultura nas sociedades africanas e as concepções do tempo como factor cultural do desenvolvimento económico). da Universidade do Porto. também economista. do ISCTE. Sedas Nunes escreveu acerca das bases teóricas do pensamento científico social moderno. incluindo o tema da estratificação social. Mais tarde. a conjunção de sectores modernos e tradicionais. na iniciativa empresarial e nos sistemas financeiros (o seu objectivo era ligar estes temas com a eventual “democratização” da economia). escrevendo artigos sobre a tipologia dos modos sociais e económicos de 5 Para uma actualização deste texto. argumentou que o funcionamento das economias poderia apenas ser entendido tomando em conta as variáveis económicas. Este dualismo impedia não apenas um desenvolvimento mais amplo do país como também um crescimento económico estrito (Nunes. isto é. Entre outros temas. social como económico. Alguns artigos publicados nos Cadernos de Ciências Sociais. No texto de 1969. Em 1964. sociais e políticas. argumentava que o desenvolvimento estava ligado a um conjunto de variáveis não económicas: estrutura social (grupos sociais). Aí. Ainda na década de 1960. João Freire (1991). . Uma breve análise das principais revistas sociológicas em Portugal encontra poucas referências que relacionem directamente a economia e a sociologia. Um outro autor que podemos destacar é Alfredo de Sousa. Este escreveu em 1963 sobre a perspectiva sociocultural do desenvolvimento económico. Entre as principais excepções está um artigo de Ilona Kovács (1985). a Análise Social publicou um artigo de Jean Cuisennier (1965) que propunha uma “sociologia da economia”. que clama por um diálogo fértil entre a economia e a sociologia como forma de responder às complexidades e incertezas que marcam os tempos actuais e satisfazer a necessidade de um conhecimento integrado. ou que mencionem explicitamente a sociologia económica. no consumo. economista de formação e considerado o pai fundador da sociologia moderna em Portugal. Entre outras contribuições mais relevantes. defendem uma revisão dos pressupostos básicos da economia dominante. centrando-se na produção. Este último enfatizava a importância crucial que as variáveis sociais e o comportamento dos agentes tinham para o planeamento. destacam-se as de Adérito Sedas Nunes.

João Carlos Graça (2002). sobre uma teoria geral da reciprocidade. Maria João Santos (2001). sobre ciência. o investigador em sociologia económica encontrará. Enquanto parte desse trabalho se baseia em eixos mais tradicionais de pesquisa. 1993. 1996 e 1998). . Outras investigações relevantes produzidas no âmbito do Socius. sobre a mobilidade internacional dos quadros altamente qualificados. 2000). 2000). Por fim. sobre o género e as modalidades flexíveis de emprego. António Almodôvar (1990. embora em ramos institucionalmente mais diferenciados da sociologia. e Marta Varanda (2002). Helena Serra (2000). Anabela Carvalho (1999). sobre as controvérsias sociais acerca da tecnologia. 1995) e Fernando Catroga (Catroga e outros. sobre as organizações do terceiro sector. autores como Adelino Torres (1998). nomeadamente. e em colaboração com Perlman. no Socius. Foi também o Socius a organizar os primeiros encontros científicos inteiramente dedicados a esta área de estudos. Maria da Conceição Cerdeira (1997). sem surpresas. são as de: Ilona Kovács (2002). Francisco Louçã (1997. Sara Falcão Casaca (Casaca e Kovács. e Helena Jerónimo (2002). no prelo). Sofia Bento (Bento e Araújo. 2003). 1994. sobre as relações industriais e o sindicalismo. Neste último caso. José Luís Cardoso (1993). sobre os empresários étnicos de origem indiana e islâmica. sobre o pensamento de José Frederico Laranjo (um cientista social português dos finais do século XIX e princípios do século XX). sobre os condomínios fechados como um processo de consumo social e económico.6 Tomando em consideração a investigação mais recente que recorre explicitamente ao rótulo de sociologia económica e a alguns dos seus quadros teóricos de análise. 1996). Rita Raposo (2002). debates teóricos sobre a actual sociologia económica e análises teóricas e empíricas de campos relacionados — 6 7 A este nível convirá destacar o trabalho que resulta da colaboração entre Almodôvar e Cardoso (1998). Esta obra é composta por vários capítulos. 1996) têm explorado o tema das relações entre o pensamento económico e o pensamento sociológico. ética e religião. que a maior parte é realizada no ISEG e. algumas investigações correspondem mais aproximadamente àquilo que hoje se reconhece como sociologia económica. como a sociologia industrial e do trabalho. sobre as relações de poder na profissão médica baseadas no uso de tecnologias. nesta obra.7 Alguns deles prepararam a primeira antologia sobre nova sociologia económica publicada em língua portuguesa (Marques e Peixoto. 1995.206 João Peixoto e Rafael Marques regulação desenvolvida por Polanyi. pensamos especialmente nas pesquisas conduzidas por: José Maria Carvalho Ferreira (no prelo). Rafael Marques (2002a). que se dedicam à pesquisa histórica dos pensamentos económico e sociológico. Embora formalmente dedicado à história do pensamento económico português. sobre os novos modelos de produção e de organização do trabalho. sobre as transformações da produção no contexto do desenvolvimento local. reflectindo sobre a solidariedade social baseada na reciprocidade e teorizando sobre a sociologia da ciência económica (Nunes. sobre os problemas da acção colectiva entre os pequenos empresários do sector do comércio tradicional (estudo pioneiro no uso da análise das redes em Portugal). observa-se. João Peixoto (1999). vários pontos de interesse para a marcação de um itinerário da sociologia económica nacional. O primeiro consistiu num workshop em 1995 e deu origem a um livro intitulado Entre a Economia e a Sociologia (Ferreira e outros.

Stoleroff. instituições e agentes colectivos. Dispõe de cursos ou ramos de licenciaturas e pós-graduações. Ferreira e Costa. Deve ser sublinhado que o sucesso (pelo menos em número de participantes) do encontro foi parcialmente explicado pelo horizonte largo no qual a sociologia económica foi concebida. precisamente. Nigel Dodd e Jens Beckert. das Organizações e do Trabalho — APSIOT). apesar de se dever aqui distinguir a sociologia do trabalho (mais madura) e a sociologia das organizações (mais recente). a sociologia industrial e do trabalho é. sem dúvida. um fluxo constante de investigação. tais como Richard Swedberg. defendendo que este desempenha hoje o papel de retórica dominante (paralelizando as contribuições teóricas de McCloskey e de Klamer). o Socius organizou o 1. organizações e mercados. a área mais próxima entre aquelas que adquiriram um grau elevado de institucionalização na sociologia portuguesa. que juntou cerca de 600 participantes e vários oradores destacados. estado. migrações. análise comparada dos processos e instituições económicas e sociais. Algumas das críticas que o congresso recebeu resultaram. O momento exacto de fundação do campo é controverso: alguns argumentam que as questões laborais e do trabalho eram já uma importante problemática nos anos 60 (Rodrigues e Lima. de por vezes se assemelhar a um encontro de sociologia geral — um problema que a natureza difusa da sociologia económica contribui para explicar. encontros científicos e uma associação profissional (Associação Portuguesa de Profissionais em Sociologia Industrial. Philippe Steiner. Nunes discute o impacto cultural do discurso económico. A partir de trabalhos anteriores. que contrasta fortemente com o seu forte sucesso simbólico. 1998/1999). empresarialidade. Todos os analistas da sociologia portuguesa admitem que este é um dos campos mais fortes da disciplina e também um dos mais antigos. Mitchell Abolafia. nacionais e internacionais. estiveram presentes autores estreitamente ligados à sociologia económica contemporânea. desigualdades sociais e economia. revistas específicas. Neste último caso. outros consideram . Os principais temas do congresso foram: teorias e perspectivas. Posteriormente. Ao contrário da sociologia económica. Nicole Woolsey Biggart. Freire. 1987. em 1998.º Congresso Português de Sociologia Económica. território. Neil Fligstein. Gonçalves assinala a institucionalização lenta e incompleta da profissão de economista (seguindo os parâmetros teóricos desenvolvidos por Boltanski sobre a construção social das profissões). ambos sobre sociologia da ciência económica. diversos autores traçaram já as coordenadas e realizaram revisões da investigação realizada nesta área (Rodrigues e Lima. pobreza e exclusão. cultura e economia. ambiente e população. Uma perspectiva particular é aquela que resulta dos capítulos de João Arriscado Nunes (1996) e Carlos Gonçalves (1996) (Universidade do Porto). 1987). 1998.A SOCIOLOGIA ECONÓMICA EM PORTUGAL 207 valores e desenvolvimento. Outras contribuições temáticas Ainda que não possa ser directamente rotulada de “sociologia económica”. 1992a e 1992b.

1988. Logo após 1974. e a história do movimento operário. José Baptista (Baptista e outros. Alguns dos autores mais proeminentes nestes campos são João Freire (1997 e 1998). efectivamente. prevaleceu uma combinação do estruturalismo marxista com uma perspectiva baseada na acção (inspirada sobretudo em Touraine). entre outros). as relações entre a tecnologia. Em primeiro lugar. as desigualdades nos mercados de trabalho (incluindo a dimensão do género). a organização do trabalho e a formação. António Brandão Moniz (1992 e Moniz e Kovács. salientando também as ligações da economia informal com as estruturas sociais e económicas e admitindo as cumplicidades dos agentes nas actividades informais: empresários. 1985). a organização do trabalho.208 João Peixoto e Rafael Marques que 1974 proporcionou uma ruptura no campo. Estudando sobretudo os contextos rurais industrializados. cresceu uma perspectiva de certa forma relacionada. economistas e geógrafos. Marinús Pires de Lima (Lima e outros. a regulação institucional das relações laborais. Ilona Kovács (2002). Maria Filomena Mónica (1982). e a sociologia das profissões. da Universidade de Coimbra. na agricultura a tempo parcial e nos benefícios concedidos pelo estado. Alan Stoleroff (1992a e 1992b). actividades sindicais e ligações políticas. 1992). são de referir as pesquisas sobre a economia informal. Os sinais eram evidentes: os indicadores macroeconómicos sugeriam um período de crise profunda. A pesquisa sobre contextos territoriais de produção tem reunido contributos de sociólogos. 1998). O seu objectivo foi revelar particularidades regionais e locais nos modos de produção. incluindo Maria João Rodrigues. e Fernando Medeiros (1992). novos temas começaram a emergir. a mudança tecnológica (incluindo as novas tecnologias da informação). No seu entender. as suas reivindicações. Lobo (1985) generalizou esta proposta a outros contextos. o autor descobriu que os agentes combinavam estratégias no mercado de trabalho urbano e industrial. riquíssimo de estratégias insuspeitadas pela ciência macroeconómica” (1983: 222). Maria Teresa Rosa (1998). do ICS. Neste período. “o meio rural é. os padrões de qualificação e a formação. regulação e consumo. Alguns estudos desenvolvidos no início da década de 1980 encontraram no país uma proporção significativa de actividades económicas informais ou subterrâneas. do desemprego e da flexibilização das relações laborais (Rodrigues. enquanto o consumo e o bem-estar individuais estavam a aumentar. Posteriormente. Maria da Conceição Cerdeira (1997). Maria João Rodrigues (1988). Um dos pioneiros da pesquisa neste campo foi Manuel Villaverde Cabral (1983). Maria de Lurdes Rodrigues (1999) e Carlos Gonçalves (1996 e 1998). os modelos de produção (tecnocêntrico e antropocêntrico — Kovács e Castillo. da Universidade de Paris e do ISEG. 1997). 1992a). A partir dos anos 80. Foram também objectos de pesquisa as cooperativas e iniciativas de autogestão. trabalhadores e suas famílias. Outros campos de investigação próximos da sociologia económica têm estado igualmente activos. devido à emergência de novos temas de pesquisa e novas perspectivas teóricas (Stoleroff. desenvolveram também pesquisas sobre este tema. Os temas específicos abordados nesta área variam. Em segundo lugar. . Neste lote encontram-se as questões do emprego. Investigações realizadas por Boaventura de Sousa Santos (1985) e José Reis (1992). estudou-se sobretudo a classe operária. Muitos outros sociólogos e economistas.

um economista. aplicações financeiras (muitas delas resultantes das remessas dos emigrantes) e benefícios concedidos pelo estado. e Cabral . um trabalho pioneiro de Harry Makler (1969) acerca da “elite industrial” em Portugal (baseado na sua dissertação de doutoramento apresentada na Universidade de Columbia em 1968) estabeleceu as coordenadas do campo. representada por autores como José Pereirinha (1996). o campo recuperou dinamismo com as pesquisas de Manuela Silva. classes sociais e família. Almeida. ilustrando as diferentes condicionantes que moldaram as acções e as estratégias do empresariado luso na segunda metade do século XX. podiam coexistir estratégias relativas a salários. seguindo uma linha de pesquisa próxima da abordagem dos distritos industriais (pouco depois. Ferrão e Sobral aplicaram uma perspectiva mista sobre a empresarialidade. Ana Nunes de Almeida. atitudes e comportamentos. estado e acção colectiva. Ainda na década de 1960. Outras contribuições relevantes referentes a estes temas são as de João Ferrão (1992) e Rogério Roque Amaro (1991). quer melhor institucionalizadas. entre outros investigadores do Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento (CESA). estudou o sistema de produção local do litoral-centro do país. Medeiros teorizou acerca da especificidade dos países da Europa meridional enquanto “sociedades de espaços múltiplos”. quer emergentes. Estas incluem: exclusão social e indicadores de pobreza. organizações do terceiro sector. defendendo que o modo de produção capitalista nem sempre era acompanhado por uma forma de reprodução social baseada nos salários. Amílcar Moreira (2001) e Carlos Farinha Rodrigues (1994). João Ferrão e José Manuel Sobral (1994). os estudos sobre elites económicas e empresariado possuem alguma tradição. por Paulo Trigo Pereira (1996). Maria Manuel Leitão Marques e António Casimiro Ferreira (1991). o autor explorou as ligações entre o estado e a economia — Reis. ISEG. Lisboa procedeu a uma avaliação esclarecedora dos perfis e características dos dirigentes de vários sectores industriais. Deve-se ainda mencionar um conjunto de outras linhas de investigação. Santos recolheu um vasto conjunto de indicadores regionais. 1999) e Paulo Variz (1998). por Manuel Villaverde Cabral (1996. 1997). Reis. 1990). por Carlos Barros (Barros e Santos. Guerreiro investigou pequenas empresas e a relação entre empresa e estratégias familiares. Em terceiro lugar. e Cardoso e outros. Alfredo Bruto da Costa (1998). Maria das Dores Guerreiro (1996) e Manuel Lisboa (2002). por Manuel de Lucena e Carlos Gaspar (1991). com formas variáveis de estruturação social e económica a nível local. estudos de desenvolvimento. valores. Maria Filomena Mónica (1990). agricultura a tempo parcial. combinando espaço. considerando duas abordagens à empresa: uma tradicional e outra de “gestão”. regulação institucional da economia. José Luís Cardoso e outros (Silva. Silva e os seus colaboradores desenvolveram uma investigação sobre empresários e gestores da indústria transformadora. Desde o final dos anos 80. estudando as suas características. 1989.A SOCIOLOGIA ECONÓMICA EM PORTUGAL 209 avançam neste sentido. Ainda que territorialmente específicas. Nelson Lourenço (1991) e Mafalda Cardim (1998) foram outros dos autores a desenvolver trabalhos nesta área. atitudes e desenvolvimento. entre outros. por Jochen Oppenheimer (1996) e Adelino Torres (1996). O autor estudou as características sociais e os desempenhos profissionais dos agentes que controlavam as grandes empresas industriais.

Eduardo Esperança (1997) e Maria de Lurdes Lima dos Santos (1995). Cambridge/Londres.pt/). 1996) e Margarida Marques (1999). migrações e mercados de trabalho. (1996). Harvard University Press. e José M. João Ferrão. 55-79. com base numa experiência conduzida recentemente pelos dois primeiros. Porto. estudos sobre o consumo. Almeida. Edições Afrontamento. Mitchel Y. os proponentes declaram expressamente que esperam “que a reformulação das concepções de acção e de ordem predominantes em economia possa ajudar a conceber novas abordagens acerca das condições institucionais que favorecem a participação da sociedade civil nas ac tividades que promovem a satisfação de necessidades colectivas”. 2 (7-8). Análise Social. Este projecto sublinha a importância das dimensões normativas nos planos da acção e da ordem socioeconómica. Por fim. Helena Lopes e demais investigadores do Dinâmia têm desenvolvido um interessante trabalho que se move nas fronteiras entre a economia e a sociologia. Também no campo da economia experimental. Abolafia.iscte. Referências bibliográficas AA. Paulo Trigo Pereira. são de referir alguns estudos recentes desenvolvidos sobretudo por economistas. por Emília Araújo (Bento e Araújo. AA. pp. por Pedro Costa (1999). A investigação desenvolvida nas áreas da modelização e da simulação.VV. 29 (125-126). “Territórios. Porto. “O desenvolvimento em Portugal: aspectos sociais e institucionais”. e usos sociais do tempo. empresários e empresas: entender as condições sociais da empresarialidade”. no prelo). No seu plano de intenções. António (org. Almodôvar.VV. assinalando os desvios existentes entre os resultados experimentais e a chamada teoria padrão. Making Markets: Opportunism and Restraint on Wall Street. 7 (27-28).210 João Peixoto e Rafael Marques e outros. Nuno Silva e João Andrade e Silva (2002). testaram a capacidade de resistência da prática de reciprocidade em ambientes hostis. por Maria Ioannis Baganha (Baganha e Peixoto. este último com uma aplicação empírica ao desporto. Sobral (1994).dinamia. Almodôvar. economia e sociologia da cultura. .) (1990). por Cristina Matos (1996) e José Peixoto Viseu (2001). (1964). António (1995). A Institucionalização da Economia Política em Portugal. Estudos Sobre o Pensamento Económico em Portugal. bem como as aproximações à economia experimental têm revelado vários pontos de convergência com as actuais preocupações da sociologia económica. Ana Nunes de. (1969). Análise Social. 1993). Análise Social. José Maria Castro Caldas. No âmbito do projecto Normec (The Normative Dimensions of Action and Order: ver http://www. Faculdade de Economia da Universidade do Porto. “Aspectos sociais do desenvolvimento económico em Portugal”. João Teixeira Lopes (1998).

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