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MODELAGEM MATEMÁTICA E SIMULAÇÃO NUMÉRICA DO RESFRIAMENTO RÁPIDO DE MORANGO COM AR FORÇADO1 DANIELA C. Z.

PIROZZI2, MARIÂNGELA AMENDOLA3 RESUMO: Este trabalho abordou o resfriamento rápido com ar forçado de morango via simulação numérica. Para tanto, foi empregado o modelo matemático que descreve o processo de transferência de calor, com base na lei de Fourier, escrito em coordenadas esféricas e simplificado para descrever o processo unidimensional. A resolução da equação expressa pelo modelo matemático deu-se por meio da implementação de um algoritmo, fundamentado no esquema explícito do método numérico das diferenças finitas, executado no ambiente de computação científica MATLAB 6.1. A validação do modelo matemático foi realizada a partir da comparação de dados teóricos com dados obtidos num experimento, no qual morangos foram resfriados com ar forçado. Os resultados mostraram que esse tipo de investigação para a determinação do coeficiente de transferência de calor por convecção é promissora como ferramenta no suporte à decisão do uso ou desenvolvimento de equipamentos na área de resfriamento rápido de frutos esféricos com ar forçado. PALAVRAS-CHAVE: métodos numéricos, transferência de calor, computação científica. MATHEMATICAL MODEL AND NUMERICAL SIMULATION OF STRAWBERRY FAST COOLING WITH FORCED AIR ABSTRACT: This work approaches the forced air cooling of strawberry by numerical simulation. The mathematical model that was used describes the process of heat transfer, based on the Fourier’s law, in spherical coordinates and simplified to describe the one-dimensional process. For the resolution of the equation expressed for the mathematical model, an algorithm was developed based on the explicit scheme of the numerical method of the finite differences and implemented in the scientific computation program MATLAB 6.1. The validation of the mathematical model was made by the comparison between theoretical and experimental data, where strawberries had been cooled with forced air. The results showed to be possible the determination of the convective heat transfer coefficient by fitting the numerical and experimental data. The methodology of the numerical simulations was showed like a promising tool in the support of the decision to use or to develop equipment in the area of cooling process with forced air of spherical fruits. KEYWORDS: numerical methods, heat transfer, scientific computation. INTRODUÇÃO O uso de refrigeração no armazenamento de produtos agrícolas é recomendado para garantir o tempo de prateleira dos mesmos, pois reduz o metabolismo desses produtos, diminui a perda de água e controla o crescimento de microorganismos, os quais são prejudicados. Para que esse armazenamento refrigerado possa ser eficiente, deve-se levar em consideração, entre outros fatores, o resfriamento rápido imediatamente após a colheita (CHITARRA, 1999).
________________________ Extraído da dissertação de mestrado do primeiro autor. Engº Agrônomo, Doutorando, Departamento de Botânica, Instituto de Biociência, UNESP, Botucatu - SP, Fone: (0XX14)3811.6265, dcpirozzi@yahoo.com 3 Matemática, Profa. Doutora, FEAGRI-UNICAMP, Campinas - SP. Recebido pelo Conselho Editorial em: 21-10-2003 Aprovado pelo Conselho Editorial em: 24-2-2005 Eng. Agríc., Jaboticabal, v.25, n.1, p.222-230, jan./abr. 2005
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2 °C. respectivamente. geometria do sistema. ALVAREZ & TRYSTRAM (1995) simularam numericamente o resfriamento rápido com ar forçado de frutos esféricos.Modelagem matemática e simulação numérica do resfriamento rápido de morango com ar forçado 223 A proposição e o uso da tecnologia de resfriamento rápido com ar forçado de produtos perecíveis necessita de aprofundamento no conhecimento dos processos físicos que ocorrem durante esse resfriamento. ajustando os dados encontrados numericamente aos dados obtidos via experimento prático. usando modelos matemáticos e métodos numéricos distintos. um computador.1. Dentre os parâmetros físicos. CASTRO & AMENDOLA (1999). a temperatura do ar de resfriamento (Ta) foi de 0 ºC.. Agríc. 2005 . via simulação numérica do processo de resfriamento rápido com ar forçado. Uma vez que essas séries infinitas são truncadas. Os resultados encontrados nos trabalhos citados anteriormente justificam o cumprimento do objetivo do presente trabalho. o que pode ser realizado tanto por meio de investigação experimental. como velocidade e propriedades térmicas do ar de resfriamento. obtido a partir da média do maior diâmetro longitudinal dos Eng. sendo esses últimos. e mostraram que modelos matemáticos e simulação numérica são ótimas ferramentas. termopares do tipo T. (2002). como em QUEIROZ & NEBRA (2002) e ITO & AMENDOLA (2002).54 W m-1 ºC-1 e difusividade térmica ( ) igual a 1. n. p. que foi selecionar um modelo matemático e desenvolver método numérico para simular o resfriamento rápido com ar forçado de morango para obter o respectivo coeficiente de transferência de calor por convecção. problemas de condução transiente. somente recentemente. denotado por h. nos quais a menor temperatura inicial medida foi igual a 13. tanto para o projeto. citados por JANCSÓK et al. utilizados na FEAGRI/UNICAMP. caixas de papelão e morangos da variedade “Campinas IAC-2712”. No experimento realizado por BINOTTI (2000). é sensível aos parâmetros do processo experimental. o raio médio (R) dos morangos foi de 0. MATERIAL E MÉTODOS Os dados experimentais utilizados neste trabalho foram extraídos do experimento realizado por BINOTTI (2000). pode-se extrair: a temperatura inicial (Ti) no centro de 12 morangos.025 m. entre outros. no qual morangos sofreram o resfriamento rápido com ar forçado.FEAGRI. em geral. com muitas geometrias e condições de contorno simplificadas e podem ser resolvidos por meio de métodos analíticos ou numéricos. um é limitante. que a usaram para estimar o coeficiente de difusão em secagem de bananas e soja. Essa metodologia também pode ser vista em processos de secagem. que para serem calculadas devem ser truncadas com um número determinado de termos. v. como condutividade térmica (kp) igual a 0. simularam o resfriamento rápido com ar forçado de laranjas e estimaram o valor de h. jan.8 °C e a maior igual a 17. Quando é possível obter as soluções analíticas. foram extraídos da literatura dados de propriedades termofísicas do morango. quanto por estudos teóricos por meio do emprego de métodos matemáticos. Nesse sentido. assim como aquelas obtidas pelo uso de métodos numéricos. TERUEL (2000) e AMENDOLA & TERUEL (2002). elas passam a fornecer soluções aproximadas. Jaboticabal./abr. local onde a temperatura do fluido é medida. o coeficiente de transferência de calor por convecção. extraídos de MILES et al.25. foram utilizados: a câmara fria do laboratório de termodinâmica da Faculdade de Engenharia Agrícola . o programa de aquisição de dados . os métodos matemáticos empregados para o estudo de resfriamento expressam. quanto para o uso do resfriamento. da Universidade Estadual de Campinas UNICAMP. Segundo INCROPERA & DE WITT (1996). utilizando modelo matemático baseado na lei de Fourier. Para a validação dos resultados gerados.222-230. essas aparecem na forma de uma série infinita. Além desses dados experimentais.72 10-7 m2 s-1. (1983). são necessários as medições experimentais de temperatura e o conhecimento de parâmetros físicos do mesmo. A partir desse experimento.AQDADOS.

°C. foram aplicados os ajustes exponencial e polinomiais de 2o. kp .t) . e t .total de medidas. Agríc. também aleatoriamente. uma para a escolha do melhor tipo de ajuste das “curvas” experimentais e outra para a avaliação da influência da malha.t). (1980). obtida experimentalmente. (1998). Para a validação da simulação numérica e ajuste do valor do coeficiente de transferência de calor por convecção (h). seis das “curvas” experimentais. jan.raio do morango.222-230. m2 s-1. foram tomadas aleatoriamente duas.0 ) = T0 . obtida segundo a equação do ajuste. que. t ) . Desses dados de temperatura. n . quanto no valor do resíduo gerado quando comparada com uma das “curvas” obtidas experimentalmente.condutividade térmica do morango. Texp .tempo. nos quais foram introduzidos os termopares o mais próximo possível do centro. 3o. para o cálculo desse resíduo. 4o e 6o graus na “curva” experimental selecionada. . n. que é dada pela seguinte expressão: Texp − Tnum = n i (T exp (t) − Tnum (t) ) 2 (1) em que. t ) = 2 ∂T (r. T(r. kg m-3. Cp . A partir dessas “curvas”. t ≥ 0. Z. r ∈ [0. (2) A condição inicial associada é: T(r. A escolha da equação que seria a empregada para ajustar os dados experimentais foi feita com base tanto na representatividade do fenômeno físico em questão. transferência de calor em frutos esféricos. J kg-1 ºC-1. R ] (3) As condições de contorno são: Eng. pode-se aplicar a norma da diferença entre os dados reais e os apresentados. e R .. Segundo BOLDRINI et al. s.temperatura no interior do morango ao longo do tempo. Jaboticabal. 2005 . puderam-se obter 12 “curvas” experimentais (denomina-se “curvas” a dispersão desses dados).temperatura no centro do morango. e os dados da temperatura no centro do morango (Texp) medidos ao longo do resfriamento. p. O modelo matemático associado ao processo de resfriamento de frutos esféricos e selecionado para o desenvolvimento dessa pesquisa é o que aparece em TRELEA et al. Para determinar o melhor ajuste para os dados experimentais. os quais foram utilizados para a validação dos dados numéricos e ajuste do valor do coeficiente de transferência de calor por convecção (h). W m-1 ºC-1. m.1. foram tomadas. Para obter os dados de temperatura no interior dos morangos ao longo do resfriamento. r . foram tomados 12 frutos aleatoriamente. t ) + ∂ T (r. °C. R ] ∂t r ∂r ∂r 2 em que.25. t . m. v. r ∈ [0./abr.densidade do morango. é expresso por : 2 ∂T (r.temperatura no centro do morango. escrito para determinação de T(r.Daniela C.distância r do centro do morango. com base na lei de Fourier e que descreve o processo. s.difusividade térmica do morango. Pirozzi & Mariângela Amêndola 224 morangos.tempo. Tnum .calor específico do morango. ºC. .

nx . kp . ∂r ∂T (r. ∆r .1. para o caso explícito e com erro da ordem de (∆r2). é possível escrever a forma discretizada da eq./abr. é estabelecer uma convenção que. Ts .(2). t ) = 0 . n .localização dos pontos de resolução na direção radial.temperatura na câmara de resfriamento.último passo no tempo. O método numérico selecionado para a resolução da equação presente no modelo matemático foi o método explícito das diferenças finitas (RICHTMYER & MORTON.(2). v. t) ∂r 2 n ≅ i n n Tin −1 − Ti + Ti +1 r2 (9) Denotando-se Eng. 1967). jan. no caso. já que os resultados mostraram uma diferença inferior a 10% entre os dados de origem numérica e experimental.(2). Utilizando esse método. para i = [1. (4) e (5). e R . t) ∂r n ≅ i n Tin +1 − Ti r (8) A semidiscretização no espaço do segundo termo do lado direito da eq. min. ∂r − kp t ≥0 t ≥0 (4) (5) em que.(4).último ponto de resolução na direção radial. n. W m-1 ºC-1. por uma fórmula de diferenças finitas avançadas.222-230. O primeiro passo para discretizar a eq.nx] e n = [1.número total de passos no tempo. sujeita às condições (3). p. m. A escolha desse método numérico foi baseada no trabalho de PIROZZI & AMENDOLA (2002).incremento de tempo.condutividade térmica do morango.nt] (6) em que. 2005 . é: ∂T (r. ºC.temperatura na superfície do morango.raio do morango. com erro da ordem de (∆t).25. h . ∆t . é: ∂T (R. que é um método condicionalmente instável. Agríc. ºC.distância entre os pontos de resolução na direção radial. será: Tin ≡ T (i∆r. m.. Ta . e nt . t) ∂t n i Tin+1 − Tin ≅ t (7) A semidiscretização no espaço do primeiro termo do lado direito da eq. para o caso explícito e com erro da ordem de (∆r). Jaboticabal.(2).Modelagem matemática e simulação numérica do resfriamento rápido de morango com ar forçado 225 ∂T (0.n∆t) .coeficiente de transferência de calor por convecção. A semidiscretização no tempo da eq. por uma fórmula de diferenças finitas avançadas. por uma fórmula de diferenças finitas centradas. é: ∂ 2T (r. W m-2 ºC-1. t) = h[Ts (t) − Ta (t)]. i .

Agríc.16. n. Em cada um desses casos.25. Pirozzi & Mariângela Amêndola 226 F= t r2 . para L = 2. Jaboticabal. pode-se calcular o tempo de 1/2 e 7/8 do resfriamento teórico em cada simulação numérica.. foi feita a elaboração de um algoritmo. i=1 . posteriormente. ∀n ≥ 1 . Para determinar qual o valor de h mais representativo para cada “curva” experimental.(1). e cujos resultados podem ser obtidos por meio do uso de calculadora. foram realizadas as simulações numéricas. tomou-se ∆r = R/5. Em seguida. Para o cálculo do resíduo. os valores da temperatura simulada ao longo do tempo no ponto discreto da malha espacial considerada mais próxima do centro do fruto: i = 2. (11) A discretização da condição inicial (3) é dada por: Tin = T1 . n = 1. (13) . (16) Após selecionar o modelo matemático. 3. primeiro para a avaliação da influência da malha. Seqüencialmente. pode-se dar início às simulações numéricas e ao ajuste do valor de h. ∆r = R / (5 L). foram realizadas simulações numéricas. (12) A discretização da condição de contorno (4) é dada por: ∂T (1. evitando assim possíveis erros ou perturbações que poderiam mascarar e até prejudicar os resultados. ∀n ≥ 1 . i = 1.. jan. quando ∆r = R / 5. cujos resultados são obtidos com o uso do computador. em que ∆r é a distância entre os pontos de resolução na direção radial. Eng. variando-se o valor de h a partir do cálculo do resíduo entre os dados numéricos e os experimentais.222-230. (10) a forma discretizada da eq.nx . colocados num gráfico. o método numérico e garantir a estabilidade do método numérico... (14) Analogamente.(1)..Daniela C. Selecionada a melhor malha.. Para avaliar a influência da malha nos resultados numéricos. i=1 . sendo esse implementado no MATLAB 6... foram coletados e.nt . (15) −1 + T n nx = 1+ h kp . A seleção da malha a ser considerada nas simulações numéricas e o ajuste do valor de h foram realizados segundo o cálculo do resíduo entre duas simulações subseqüentes. Z. p.1. O cálculo do resíduo foi feito utilizando a eq. v../abr. 4.1. foi utilizada a eq. e segundo para o ajuste do h. m. 2005 . Feitos a seleção da melhor “curva” numérica e o respectivo valor de h para cada “curva” experimental. n = 1. t ) ∂r ou T2n = T1n n i n n Ti + 1 − Ti ≅ =0 ∆r .nt .(4) é: Tin +1 = F Tin -1 + 1 − 2F − 2F n 2F n Ti + F + Ti +1 i i n =1 . a discretização da condição de contorno (5) é dada por: n n Tnx − Tnx −h −1 ≅ r kp n T nx [T h kp n nx − Ta rT r ] a .

o resíduo entre as curvas numéricas diminuiu. jan.4214 0. p. TABELA 1.0955 nx 36 x 86 41 x 86 46 x 86 51 x 86 56 x 86 61 x 86 Resíduo 0. e Tin .578 W m-2 ºC-1. n. Tar . obtido com diferentes pontos discretos na malha (nx).222-230. Resíduo entre cada par de curva numérica. não há mais influência da mesma. ao longo do tempo de resfriamento rápido. no refinamento da malha. Curvas numéricas da variação da temperatura do morango. Pela Tabela 1. Agríc.0213 nx 66 x 86 71 x 86 76 x 86 81 x 86 Resíduo 0. ºC.0360 0.Modelagem matemática e simulação numérica do resfriamento rápido de morango com ar forçado 227 O cálculo da temperatura no tempo de 1/2 e 7/8 do resfriamento é realizado por meio da taxa adimensional de temperatura (TAT) (MITCHEL. a “curva” que melhor representou o fenômeno físico do processo foi a do ajuste polinomial de quarta ordem../abr.0579 0. v.0429 0.0457 0. a partir de 30 pontos discretos na malha.1256 0. ºC.temperatura no centro do morango ao longo do resfriamento. sendo esse o ajuste selecionado. é possível verificar que. o de menor resíduo foi o polinomial de sexta ordem. 2005 .2511 0. pode-se observar que. ºC. Jaboticabal.1. no entanto. A partir de 31 até 71 pontos discretos na malha. os resíduos são todos da ordem de 10-1 e para aumentar a precisão para 10-2 só acima de 76 pontos discretos na malha.0280 0. que é dada pelas expressões: TAT (1/2) = TAT(7/8) = Tce − Tar = (1-1/2) Tin − Tar (17) (18) Tce − Tar = (1-7/8) Tin − Tar em que.0032 12 Direção que indica o refinamento da malha Temperatura (Celcius]) 10 8 6 4 2 0 0 10 20 30 Tempo (minutos) 40 50 60 70 80 FIGURA 1. Entretanto.25. Tce .0739 0. para o morango nº 7 e h = 19.temperatura inicial no centro do morango. 1992). nx 6 x 86 11 x 86 16 x 86 21 x 86 26 x 86 31 x 86 14 Resíduo 1.0069 0. na Figura 1. obtidas com nx = 6 a 86. RESULTADOS E DISCUSSÃO Dentre os ajustes realizados para os dados experimentais.temperatura do ar de resfriamento.0109 0.1716 0.0157 0. Eng.

Nota-se que a coluna ao lado do gráfico relaciona cor com temperatura em graus Celsius.8 7/8 do resfriamento (min) 65.1884 21 6 1.1805 14 Um exemplo de como foi realizado o resfriamento rápido com ar forçado de morangos e determinado o valor de h para diferentes velocidades do ar de resfriamento é apresentado em FIKIIN et al. com valor de h =16 W m-2 ºC-1. Pirozzi & Mariângela Amêndola 228 Quanto ao ajuste do valor de h. v.8 m s-1. pois o valor do coeficiente de transferência de calor por convecção não depende apenas de um fator.1850 21 2 1. são mostrados os valores dos menores resíduos obtidos entre as curvas experimentais e numéricas do morango e seus respectivos valores de h. avaliando três pontos dentro de uma mesma caixa. Morangos Valores dos menores resíduos h [W m-2 C-1] 1 1. na Figura 3.9 87. Z. quanto mais próximo da superfície do fruto. é apresentada a curva que mostrou o menor resíduo.Daniela C. as simulações numéricas foram realizadas com valor de h inicialmente igual a 10 W m-2 ºC-1. foram inferiores a 20 W m-2 ºC-1. é que. O comportamento previsto para a variação da temperatura ao longo do raio do morango. em que a menor diferença entre eles foi de 29% e a maior de 62%. utilizaram tanto a temperatura do ar de resfriamento. no resfriamento rápido com ar forçado. Uma vez que. Isso ocorre.0864 16 4 1. próximas às de BINOTTI (2000) e reduziram a temperatura dos frutos num total de 22 ºC. se obteve o menor resíduo quando comparadas as “curvas” de origem numérica e experimental. Agríc. TABELA 3. Os autores apresentaram resultados nos quais os valores de h.25. significa maior controle do processo de resfriamento. que foi de 0./abr. Eng. quanto as caixas de acondicionamento dos morangos. Nessa tabela. (1999).1.8 23. o que chega a ser quatro vezes superior às utilizadas por BINOTTI (2000). estabelecer que o morango e seu respectivo h sejam representativos do processo e. encontrou valores diferentes de h para cada ponto. jan. em termos práticos. pode-se verificar. com essa estimativa. mas de um conjunto de fatores associados. Na Tabela 2. para o morango 3. pode-se simular o processo de transferência de calor no interior do fruto e calcular o tempo que o mesmo demora para atingir certa temperatura. foi necessária uma velocidade do ar de resfriamento em torno de 2. Valores dos menores resíduos obtidos entre as “curvas” de temperatura experimental e numérica para cada morango.222-230. também. em TERUEL (2000) que. e seus respectivos valores de h. n. mais rápido se dá o processo. Por exemplo. são apresentados os tempos numéricos e experimentais para 1/2 e 7/8 do resfriamento do morango 3 para h =16 W m-2 ºC-1. por exemplo.5971 46 3 1. quando comparadas as curvas de temperatura de origem numérica e experimental e o respectivo valor de h ajustado. pode-se. 2005 .morango 3.5 m s-1. Jaboticabal. TABELA 2. que é possível obter diferentes valores de h dentro de uma mesma caixa durante um processo de resfriamento rápido de ar forçado. Dados numéricos Dados experimentais 1/2 resfriamento (min) 25.. Na Tabela 3. Isso pode ser observado também. pode ser vista a simulação numérica da variação da temperatura ao longo do resfriamento em seis pontos do raio do morango 3.2 Na Figura 2. obtidos para valores da velocidade do ar de resfriamento inferiores a 1m s-1. e para atingir valores de h acima de 25 W m-2 ºC-1. por exemplo.5484 39 5 1. p. Para realizar o experimento. o que. até que se obtivesse o menor resíduo entre curvas experimentais e numéricas. Comparação do tempo de 1/2 e 7/8 do resfriamento numérico e experimental . em que se pode notar uma diferença de dois minutos para o tempo de 1/2 do resfriamento e de 21 minutos para tempo de 7/8 do resfriamento.

jan. Temperatura [Celcius] 12 10 8 6 14 12 10 8 6 4 2 0 0 2 ..222-230. te m p o [ m in u to s ] FIGURA 3. p.5 1 1 . Jaboticabal. Agríc. n.5 2 e ix o z .1.25. com valor de h =16 W m-2 ºC-1. deve-se observar a condição de estabilidade./abr.Modelagem matemática e simulação numérica do resfriamento rápido de morango com ar forçado 229 18 dados numericos c/ h = 16 dados experimentais . por cederem gentilmente os dados de natureza experimental.5 2 4 20 40 60 80 100 0 0 . AGRADECIMENTOS Ao Prof. No caso do método numérico explícito usado. uma vez que foi capaz de fornecer subsídios para a estimação do valor do coeficiente convectivo de transferência de calor e determinação do tempo de resfriamento do morango. v. Luís Augusto Barbosa Cortez e Cibele Binotti. d is t a n c ia a o l o n g o d o ra i o [ c e n t im e t ro s ] e ix o x . 2005 . Variação da temperatura ao longo do resfriamento em seis pontos do raio do morango 3. Variação da temperatura ao longo do tempo de resfriamento segundo dados experimentais e numéricos para o morango 3. com valor de h = 16 W m-2 ºC-1. CONCLUSÕES A metodologia das simulações numéricas mostrou-se promissora como ferramenta no suporte à decisão do uso ou desenvolvimento de equipamentos na área de resfriamento rápido com ar forçado de frutos esféricos. 16 18 16 14 eixo y.EP1T3 16 14 12 Temperatura [Celcius] 10 8 6 4 2 0 0 10 20 30 40 50 Tempo [minutos ] 60 70 80 90 FIGURA 2. Eng.

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