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Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicação – Departamento de Música Percepção Polifônica Profª Maria Aída Barroso Aluno

: Ladson F. de Matos FICHAMENTO NATTIEZ, Jean-Jaques. Escala IN: Enciclopédia Einaudi vol. 3 Artes. Imprensa Nacional – Casa da Moeda: Lisboa, 1984. Palavras-chave: “As escalas, com as quais o homem tem a possibilidade de tornar discreto o continuum sonoro, constituem a matéria-prima de qualquer organização musical. (...) Uma escala: - consiste numa sucessão de intervalos e não de alturas, porque, independentemente do ponto de partida da escala, o que conta para a sua descrição é a presença (ou ausência) de intervalos, numa ordem dada; - possuem um número definido de alturas; - não possuem funções privilegiadas, sendo a função característica do modo.” (pag. 229 – 230) “A maior parte das discussões sobre as escalas gira à volta de questões de ordem física e matemática. O debate milenário acerca das vantagens dos sistemas de Pitágoras, Zarlino ou temperado poderia fazê-lo pensar. (...) O estudo da linguagem musical – diz Chailley – deve inspirar-se nos princípios comparativos e evolutivos que transformaram a filologia literária numa ciência exata. Ele deve apoiar-se tanto no documento escrito e datado – comentário antigo ou música notada – como nos testemunhos vivos da etnologia musical, e estabelecer a ligação entre as duas fontes; deve, enfim, estudar em que medida os fatos constatados estão conectados com os fenômenos físicos da ressonância e com a fisiologia”. (pag. 231) “Existe em Chailley um primeiro tipo de tempo histórico, aquele que ele julga poder derivar da ressonância natural. Os intervalos mais freqüentes são-nos oferecidos pela natureza, em particular, aquando da produção involuntária de sons sucessivos. (...) Entre todos os intervalos encontrados no curso de diversas experiências de ressonância, só em dois repetem com uma real constância: a oitava e a quinta. São estes os dois

e. porque as hierarquias ainda vivas no atual sistema tonal explicam-se em função das que regem as escalas. a oitava. deduz-se que eles são. (. segundo ele. 238) “A formação do sistema temperado por igualização é um fato histórico documentado.. 236) “E já que a música popular de todas as partes do mundo ignora igualmente o 4 e o 7 racionais. a formação das escalas efetiva-se em três tempos: escalas de âmbito reduzido e triádicas nos povos mais primitivos. as escalas (e os modos) são. 240) . e o futuro. as escalas formam-se. tendo por condição suficiente uma escala de 4..primeiros intervalos da ressonância.. modos diversos correspondendo a cada um dos graus.” (pag. na condição de reunirem os seguintes caracteres: Estreito parentesco entre os graus..) Chailley explica o passado. visto que a intensidade dos harmônicos decresce da esquerda para a direita. na música vocal primitiva. seja de que natureza for. não explica grande coisa. segundo as leis da ressonância... é ligeiramente mais alta ou mais baixa do que a definição habitual”.) A formação das escalas explicar-se-á pelo ciclo das quintas. sons de preenchimento acidentais e que a marcha de consonância em consonância se interrompeu bruscamente.) A oitava não é. (. a gênese das escalas parece ser fortemente influenciadas pela ação da terceira. 235) “Para Schneider. Mas a modificação. no sentido escrito do termo. (. em seguida a escala pentatônica. derivando dos quatro primeiros sons (dó-dó-sol-dó). (.. (pag.” (pag.. nem participam na gênese da polifonia. torneios melódicos típicos. na Europa.) Como se pode ver. assim que se adaptou ao meio tom. sistemas. o presente. em certas culturas musicais. seja por sobreposição de terceiras. inexistente no patrimônio musical dos povos primitivos. 239) “Brailoiu teve o grande mérito de ser um dos primeiros. No colóquio de 1960. seja por expansão. em relação a um ciclo de origem natural. aliás. porque não devia ter existido. A sua influência manifesta-se somente nas formas mais evoluídas ou estagnadas . 3 ou 2 sons. 231-234) “As escalas nascem progressivamente. uma abordagem que se poderia qualificar de estrutural. a partir de formas semelhantes às fanfarras e a partir de relações elementares de quarta e de quinta.” (pag. deduzidos do ciclo das quintas. numa palavra: possibilidade de uma prática musical. para ele. Na maioria dos povos primitivos.. por fim. ao que parece. antes de tudo. a formação das escalas mais evoluídas ou estagnadas”..” (pag. não existe. um intervalo óbvio na música primitiva. (pag. visto que proclama o falhanço de um dodecafonismo que.) São exatamente estes que é necessário considerar. a partir de um âmbito de terceira. a opor a um estudo especulativo da gênese das escalas.. tanto um como outro.. o presente e o futuro da linguagem musical. Sheneider destacava a ação da terceira: se bem que a quarta e a quinta desempenhem um papel muito importante na polifonia primitiva. não se encontram propriamente na base do desenvolvimento. de maneira nenhuma. (. O passado porque situa a origem das escalas na natureza.

O racionalismo do século XVIII dava a mão ao deísmo.” (pag.“Quanto a crença mo fundamento natural das escalas – e tudo o que daí deriva . mas o fato de não se saber qual o origem da espécie humana não implica que.. evolução conduzida pelo progresso e sempre perfectível. 243) . se tenha de postular a existência de Deus. explicação racional baseada na comparação. para a explicar. esta apioa-se na mesma ideologia que justifica os primeiros passos da antropologia: existência de uma lei natural.