You are on page 1of 28

Universidade Federal do Pampa - Unipampa 1 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais - Prof.

Tarcisio Barcellos Bellinaso -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

7 - TRATAMENTO DE ESGOTOS POR SISTEMAS SIMPLIFICADOS
TANQUES SÉPTICOS ou FOSSAS SÉPTICAS

7.1 - Definição São unidades cilíndricas ou prismáticas retangulares de fluxo horizontal, para tratamento de esgotos. Nelas, se processa a separação dos sólidos da água. Os sólidos mais pesados vão ao fundo constituir o LODO e os mais leves vão a superfície constituir a ESCUMA ou CROSTA, conforme é apresentado na Figura 1.

Figura 1 - Seção transversal de uma fossa séptica em funcionamento.

Figura 2 - Cortes e vista em planta baixa de uma fossa séptica retangular e cilíndrica.

Universidade Federal do Pampa - Unipampa 2 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais - Prof. Tarcisio Barcellos Bellinaso -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

As fossas sépticas são unidades simples, sem mecanização alguma, de baixo custo e destinam-se ao tratamento de esgotos em locais onde não são servidas por rede pública de coleta (Sistemas Individuais), conforme Figura 3.

Figura 3 - Sistema Individual de coleta de esgotos.

7.2 - Descrição do Processo e Funcionamento 7.2.1 - Fases do funcionamento Pode-se considerar o funcionamento nas seguintes fases: 1°) Retenção ou Detenção Quando o esgoto é retido no tanque por um período criteriosamente estabelecido para a separação entre as fases sólida e líquida. Este período pode variar entre 12 e 24 horas.

2°) Decantação Simultaneamente à fase anterior, processa a sedimentação de 60 a 70% dos sólidos em suspensão, formando-se no fundo uma massa semilíquida chamada de LODO. Parte dos sólidos, mais leve que a água, como óleos e gorduras junto com gases é retida na superfície livre (da fossa), e constitui a chamada ESCUMA ou CROSTA.

.) provando um abaixamento no pH e tornando o meio muito agressivo as próprias bactérias. etc. carboidratos... os ácidos resultantes da 1° fase são metabolizados por bactérias também anaeróbicas e transformadas (bioquimicamente) em substâncias bem mais simples e estáveis como CO2. gás sulfídrico. Esta digestão ou oxidação ocorre em duas fases: 1°) Fase: DIGESTÃO ÁCIDA Na 1° fase.Prof.) transformando em ácidos orgânicos (acético. etc.Esquema da Digestão. As bactérias que atuam nesta fase são genericamente chamadas de “bactérias metanogênicas”. As bactérias anaeróbicas que atuam nesta fase são genericamente chamadas de “bactérias formadoras de ácidos” (Acidogênicas). fórmico. Gás metano. água. Esta transformação é chamada de DIGESTÃO e é promovida por bactérias anaeróbicas. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3°) Digestão Tanto o lodo no fundo como a escuma na superfície são atacados por bactérias anaeróbicas e vão sendo progressivamente decompostos (transformados) em substâncias mais simples e estáveis. bactérias anaeróbicas atuam sobre a matéria orgânica complexa (proteínas. etc. .Unipampa 3 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . lipídios. 2°) Fase: FERMENTAÇÃO METÂNICA Na 2° fase... Água. gás metano.. Gás sulfídrico. láctico.Universidade Federal do Pampa . Matéria Orgânica Proteínas Carboidratos Lipídios Digestão Amônia Fermentação e ⇒ ⇒ Ácida Ácidos Metânica Figura 4 . CO2.

• Lavanderias domiciliares. vemos que a digestão ou estabilização resulta nos produtos citados (CO2.Prof. Gás sulfídrico) e isso ocorre com acentuada redução de volume dos sólidos que foram retidos. conforme apresentado na Figura 6.3 .2 .Representação esquemática de um Sistema Individual de Esgoto. • Vasos sanitários. • Bidês. . Isso significa que elas podem receber os efluentes de: • Cozinhas. • Mictórios. • Lavatórios.Universidade Federal do Pampa . H20.Afluentes da fossa séptica As fossas ou tanques sépticos aplicam-se primordialmente ao tratamento de esgotos domésticos.Unipampa 4 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . • Chuveiros.Redução do volume Conforme apresentado na Figura 4. Gás metano. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7. Figura 5 . e.2. 7. Os despejos de cozinhas devem passar por caixas de gordura antes de serem conduzidas às fossas sépticas.

nesse caso. e os. os departamentos de saúde locais admitem que os efluentes líquidos que saem da fossa séptica sejam conduzidos à rede coletora pluvial pública. o que dispensa o uso de outros recursos anteriormente apresentados. máquina de lavar roupas (MLR).Unipampa 5 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . máquina de lavar louça (MLL). • De lavagem de reservatórios de água. Ex: Esgotos provenientes da pia de cozinha.Prof.Universidade Federal do Pampa . Em alguns municípios.Representação esquemática da instalação de uma caixa de gordura em um Sistema Individual de Esgoto. 2. 7. Observação: Águas Servidas: esgotos provenientes de operações de lavagem e limpeza (Figura 5). também bastante discutido. Observações: 1. apesar da norma admitir.4 . tanque de lavar roupas. devem ser desviadas da fossa por uma rede independente. As águas servidas.Restrições ao uso de fossas sépticas É vetado o encaminhamento ao tanque séptico: 1°) Águas Pluviais. como: • Os provenientes de piscinas. Um outro aspecto. Águas Imundas (com excrementos): esgotos que contém material fecal (fezes) (Figura 5). Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Figura 6 . . é com relação aos esgotos que devem ou não ser escoados à fossa séptica. Ex: Esgotos provenientes dos vasos ou bacias sanitárias (bacia Turca). 2°) Despejos capazes de causar interferência negativa em qualquer fase do processo de tratamento ou a elevação excessiva da vazão do esgoto afluente. pois os detergentes e sabões contidos nessas águas eliminam as bactérias que trabalham no processo de digestão que ocorre no interior das fossas. alguns técnicos defendem a opinião de que somente devem ser conduzidas à fossa séptica as águas imundas ou com excrementos. Isto é.

O efluente líquido que sai da fossa pode ser encaminhado para disposição: a) No solo a través de: • Poço Absorvente ou Sumidouro (Figura 7). Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7.Universidade Federal do Pampa .5 . . Figura 7 .Unipampa 6 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .Valas de Infiltração ou Irrigação Sub-Superficial. A Norma Técnica que rege o dimensionamento das fossas sépticas é a NBR 7229/93 e a disposição dos efluentes da fossa séptica é a NBR 13969/97.Prof. incluindo a disposição final para o efluente líquido e para o lodo.Poço Absorvente ou Sumidouro. • Valas de Infiltração ou Irrigação Sub-Superficial (Figura 8 e 9). e.Abrangência do projeto Os sistemas de fossa séptica deve ser projetado de forma completa. Figura 8 .

Aeróbico: as matérias orgânicas nas ETE são decompostas pelas bactérias aeróbicas que necessitam de oxigênio para sobreviver.Unipampa 7 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .Prof. • Depois de tratamento complementar por meio de Filtro Anaeróbico. • Depois de tratamento complementar por meio de Valas de Filtração ou Trincheiras de Filtração (Figura 10 e 11). b) Em águas superficiais (rios. Filtro de Areia e através de Desinfecção (adição de cloro como forma de desinfecção). Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Figura 9 . . lago. etc). Figura 10 . riacho.Valas de Filtração ou Trincheiras Filtrantes. Filtro Aeróbico. e. sobrevivem na ausência do oxigênio. Anaeróbico: onde as bactérias anaeróbicas que decompõem a matéria orgânica. arroio.Detalhes de Vala de Infiltração ou Irrigação Sub-Superficial.Universidade Federal do Pampa .

Decantadores Secundários.Universidade Federal do Pampa . Figura 13 . a intervalos de tempo estabelecidos no projeto. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Figura 11 . • Digestores de lodo anaeróbios (Figura 14): o lodo e a escuma provenientes das elevatórias de lodo e escuma são encaminhados a essas unidades. e encaminhados à: • Estações de Tratamento de Esgotos (Figura 12 e 13).Detalhe das caixas de inspeção das Valas de Filtração.ETE . e. Figura 12 . O lodo digerido deve ser removido.Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). .Prof.Unipampa 8 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .

Contribuição de despejos e lodo fresco (C.Universidade Federal do Pampa . A contribuição unitária é dada na Tabela 1 da NBR 7229/1993.Prof. em geral encaminham a uma ETE. A melhor alternativa é contratar firmas especializadas para remoção do lodo. Lf) A contribuição dos despejos depende do número de pessoas a serem atendidas.6 . 7.Unipampa 9 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .dia dia . Belo Horizonte/MG.130 litros litros = 650 (vazão) pessoa.Dimensionamento O tanque séptico deve ser projetado de modo que suas dimensões atendam satisfatoriamente à descarga de esgotos afluente.6.C = 5 pessoas. as vazões totais de contribuição resulta da soma das vazões correspondentes a cada tipo de ocupação.1 . Nos prédios em que haja ocupantes permanentes e temporários.Digestores de lodo anaeróbicos da ETE de Arrudas. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Figura 14 . Exemplo: N . 7. Estas firmas.

deve ser previsto no tanque um espaço para o armazenamento deste lodo entre duas limpezas.Volume útil do Tanque Séptico (V) É determinado através da seguinte formulação: V = 1000 + N (C. e depois de algum tempo tem seu volume reduzido (considerava-se 50 dias para a digestão completa) independente da temporada. De qualquer forma. avalia-se o espaço para armazenamento ou acumulação de lodo.Período de detenção ou retenção de despejos (T) Este parâmetro é calculado de acordo com a Tabela 2 da NBR 7229/1993.dia 7.Prof. e depende da faixa de contribuição.Taxa de acumulação de lodo (K) O lodo.Unipampa 10 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .2 . uma vez que a atividade das bactérias diminui com a diminuição da temperatura.6. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- N . A taxa de redução deste volume depende também da temperatura ambiente. que pode levar 1 ou mais anos. Este é dado na Tabela 3 em função do intervalo entre limpezas (desejável) e da temperatura ambiente.volume útil.Lf = 5 pessoas. entra em digestão. já digerido tenha seu volume bem mais reduzido (1/4 do volume inicial). 7. em litros. indiretamente através de um período de tempo de acumulação. 7.6. Estima-se que o lodo em digestão tenha o seu volume reduzido não totalmente (1/2 volume inicial) e o lodo antigo.Universidade Federal do Pampa .T + K.volume mínimo em litros. Assim.6.4 .1 l l =5 (lodo) dia pessoa. V .Lf) 1000 . .3 . uma vez dentro do tanque.

1 .50 2. c. K .0 Profundidade mínima (m) 1. C .80 metros.50 1.Lf . em dias (Tabela 2).Unipampa 11 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . Lf .20 2.dia (Tabela 1). c) Tanques prismáticos: largura interna mínima: 0.4.1) Relação Comprimento : Largura Mínimo 2:1 Máximo 4:1 Exercício Prático 1) Dimensionar uma fossa séptica do tipo cilíndrica e retangular para 18 contribuintes em um prédio de ocupantes permanentes de residência de padrão . NC. T .dia ou litro/unidade. 7. em litro/pessoa. NK.20 1.T .dia ou litro/unidade.Dimensões internas mínimas a) Profundidade útil: variável entre os valores mínimos e máximos recomendados na Tabela abaixo (Tabela 3 da NBR 7229/93) e de acordo com o volume útil determinado acima.10 metros. Atualmente.período de detenção. Nota: Em versões anteriores da norma.número de pessoas ou contribuintes.contribuição de lodo fresco. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- N .taxa de acumulação de lodo digerido em dias.0 6.dia (Tabela 1). o cálculo conduz à volumes maiores para a fossa séptica. equivalente ao tempo de acumulação de lodo fresco (Tabela 3). Volume útil (m3) Até 6.Universidade Federal do Pampa . Não havia a imposição do volume mínimo de 1000 litros.80 b) Tanques cilíndricos: diâmetro interno mínimo: 1.6.volume destinado ao líquido. em litro/pessoa.80 Profundidade máxima (m) 2.contribuição de despejos. K = 100 e o intervalo entre as limpezas era de aproximadamente 10 meses (300 dias).0 a 10.0 Maior 10.volume destinado ao armazenamento de lodo.Prof.

Obs: Apresentar todas as verificações para os dois tipos de fossa. b) Tanques prismáticos retangulares: 2:1 em volume.6.Número de câmaras O emprego de câmaras múltiplas em série é especialmente recomendado para tanques de pequeno e médio volume. A temperatura ambiente do mês mais frio é de 12°C e o intervalo entre limpezas nesta fossa será de 1 ano. Observação: O tanque séptico de câmara única possui um compartimento (Figura 15).Universidade Federal do Pampa . Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- médio. 7.4.3 .Unipampa 12 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . da entrada para a saída (Figura 17).Tanque séptico circular de câmara única. recomenda-se os seguintes números de câmaras: a) Tanques Cilíndricos: três câmaras em série (Figura 16).Proporção entre câmaras a) Tanques cilíndricos: 2:1:1 em volume.Tanque séptico circular de câmara múltipla Figura 17 . da entrada para a saída (Figura 16). Figura 15 .Prof.6.Tanque séptico prismático de câmara múltipla. servindo até 30 pessoas. b) Tanques Prismáticos retangulares: duas câmaras em série (Figura 17).2 . Figura 16 . Para observância do melhor desempenho quanto à qualidade dos efluentes. 7.4. .

22 e 23). não é necessário prever aberturas. que permita acesso direto ao dispositivo de entrada do esgoto no tanque séptico (Figuras 18/19). d) Quando os tanques forem executados com lajes removíveis em segmentos. 7.4.6. b) O máximo raio de abrangência horizontal admissível para efeito de limpeza é de 1.Universidade Federal do Pampa . Figura 19 . 21.Abertura de Inspeção a) Todo tanque deve ter pelo menos uma abertura para inspeção com a menor dimensão igual ou superior ao diâmetro de 60 cm.6. a partir do qual nova abertura deve ser necessária (Figuras 18. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7. desde que esses segmentos tenham área menor ou igual a 0.Unipampa 13 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .5 . c) Os tanques prismáticos retangulares de câmaras em série devem ter pelo menos uma abertura por câmara (Figura 23).4.5 m². Figura 18 .4 .Tanque circular de câmara única com única abertura (NBR 7229/93).50 m.Dispositivos de entrada e saída Estes dispositivos podem ser constituídos por Tês sanitários ou sépticos e obedecer às relações de medidas conforme apresentado na Figura 4 da NBR 7229/93. .Prof.Tanque prismático de câmara única com única abertura (NBR 7229/93).

7.Unipampa 14 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . b) Quando da remoção do lodo digerido: aproximadamente 10% de seu volume deve ser deixado no interior do tanque.6. Figura 22 . No caso de remoção manual. pelo menos. d) Antes de qualquer operação que venha a ser realizada no interior de tanques.Disposição de Lodo e Escuma .6 . Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Figura 20 . Figura 23 . as tampas das aberturas de acesso devem ser mantidas abertas por. conforme apresentado na Tabela 3 da NBR 7229/93. Figura 21 .Prof. c) A remoção periódica do lodo e escuma deve ser feita por profissionais especializados que disponham de equipamentos adequados para garantir o nãocontato direto com o lodo.4.Tanque prismático de câmara múltipla com múltipla abertura (NBR 7229/93).Tanque circular de câmaras múltiplas com única abertura (NBR 7229/93). é obrigatório o uso de máscaras de proteção. por 5 minutos para remoção dos gases tóxicos ou explosivos.Tanque prismático de câmara única com múltipla abertura (NBR 7229/93).Procedimentos de Limpeza dos Tanques a) O lodo e a escuma acumulados nos tanques devem ser removidos a intervalos equivalentes ao período de limpeza de projeto.Tanque circular de câmara única com múltipla abertura (NBR 7229/93).4.Universidade Federal do Pampa .6. 7. É obrigatório o uso de botas e luvas de borracha.7 .

reservatórios. córregos. arroios.Unipampa 15 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .Prof. Figura 24 . lagos. b) O lançamento do lodo digerido em ETE. c) No caso de tanques sépticos para atendimento a comunidades isoladas. deve ser prevista a implantação de leitos de secagem (Figura 24) projetados de acordo com a normalização específica. represas. lagoa. ou em pontos determinados da rede coletora de esgotos. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- a) O lodo e a escuma removidos do tanque séptico em nenhuma hipótese podem ser lançados em corpos d’água.Exemplo de leitos de secagem. etc) ou em galerias de águas pluviais. riachos. laguna. é sujeito a aprovação e regulamentação por parte do órgão responsável pelo esgotamento sanitário na área considerada. cursos d’água (rios. barragens.Universidade Federal do Pampa . .

Prof. As demais alternativas se prestam para tratamentos coletivos em condomínios.969/1997 sugere algumas alternativas para disposição do efluente dos tanques sépticos: • Valas de infiltração.Valas de infiltração .2.Disposição local dos efluentes Se processa através da infiltração no terreno.1 .Universidade Federal do Pampa .Introdução A NBR 13. • LAB (Lodo ativado em batelada). • Filtro aeróbico. tem operação mais complexa e exigem técnicos para isso. evapotranspiração ou combinação dos processos. a única que se presta para utilização individual é o sumidouro. • Filtro anaeróbico. Ex: Valas de infiltração e Sumidouros. bairros.2 . pois além de ocupar uma área maior. • Valas de filtração. • Lagoas com plantas aquáticas.1 .Unipampa 16 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . Das alternativas supracitadas. vilas. 7. etc. • Sumidouros ou Poço absorvente. que ocupa uma área relativamente pequena e pode ser instalado dentro do lote (terreno) e servir a uma fossa. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- DISPOSIÇÃO DOS EFLUENTES DOS TANQUES SÉPTICAS 7. 7.

Como utiliza o solo como meio filtrante. cujo método é descrito no Anexo A da NBR 13. .1.Fatores determinantes no projeto e uso da vala de infiltração 1°) Características do solo: Avaliada através da capacidade de percolação. de modo a garantir 3 dias de percurso do efluente da vala até alcançar o poço de água.1 .Detalhes da vala de infiltração.50m. Figura 1 .Prof. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- É o processo de tratamento ou disposição final do efluente de tanques sépticos que consiste na percolação do mesmo no solo.969/97. seu desempenho depende das características deste.2. limpar) devido a processos físicos (retenção de sólidos) e bioquímicos (oxidação). 2°) Nível máximo do aqüífero: O nível máximo do lençol freático deve ser tal que a distância vertical entre a superfície deste e o fundo da vala de infiltração seja maior ou igual a 1. onde ocorre a depuração (tornar puro.Unipampa 17 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . assim como do seu grau de saturação. 7.Universidade Federal do Pampa . Não é recomendado o uso de valas de infiltração onde o solo é saturado de água. 3°) Manutenção de condições aeróbias e distância mínima a poço de captação de água Devem ser previstos uma distância horizontal mínima em relação a eventuais poços de captação de água.

300. procedemos do seguinte modo: Com base no tipo de solo do local a ser instalado o sistema. Exemplo: Determinar o comprimento das valas de infiltração em uma residência provida de tanque séptico em uma área rural.Universidade Federal do Pampa . podemos calcular L: C 20 30 50 75 90 L= Sendo N o número de pessoas contribuintes.Prof. é o de estimar a extensão das linhas em função do número de pessoas usuárias. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Um critério aproximado para dimensionar um sistema de irrigação subsuperficial ou vala de infiltração. . Nesse caso. mediamente compactadas Argila com areia ou silte Areia ou silte com pouca argila ou areia com húmus ou turfa Areia selecionada e limpa Com o valor de C. Nesse caso consultaremos a tabela: 1 2 3 4 5 Tipo de solo Argilas compactadas de cor branca Argilas de cor vermelha ou marrom. tirado da tabela. determinamos o comprimento total L das linhas.Unipampa 18 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .N (metros ) C 4°) Detalhes de construção: As tubulações perfuradas como: • Tubos de PVC rígido corrugado e ranhurado (Figura 2). e do número total de pessoas a utilizarem a habitação considerada. • Tubos de PVC rígido corrugado e perfurado (Figura 2). quando não se dispõe de ensaio de infiltração. O tipo de solo nesta área é do tipo argilas de cor marrom meramente compactada e para uma residência com 5 contribuintes.

as valas devem ser instaladas acompanhando as curvas de nível (paralelas às curvas de nível).1.2.2 . 7. b) Tubos de PVC rígido corrugado e perfurado. Figura 2: a) Tubos de PVC rígido corrugado e ranhurado. cada uma correspondendo a 100% da sua capacidade total.2.Prof. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- • Tubos flexíveis corrugados e perfurados (Figura 3). Figura 3 . Assim o número mínimo de valas deve ser dois.Dimensionamento A vala de infiltração deve ser dimensionada para a mesma vazão adotada para o dimensionamento do tanque séptico. Nos locais onde os terrenos têm inclinação acentuada. Devem ser instaladas de modo a não causar represamento do esgoto no interior do tubo e da vala.3 . cada uma com capacidade para 50% da vazão. de modo a impedir o represamento do esgoto nas extremidades.Tubos flexíveis corrugados e perfurados. 7.Alternância do uso Para manutenção das condições aeróbias no interior da vala e desobstrução dos poros do solo. Taxa de aplicação . O prazo máximo de alternância deve ser 6 meses. como encostas de morros. Pode-se optar por três valas.Unipampa 19 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .1.Universidade Federal do Pampa . dever ser previstas uso alternativo de valas.

área total. Q . 25. A Tabela A1 da Norma NBR 13969/97 p. Para efeito de cálculo da área de infiltração devem ser consideradas as superfícies laterais (S1 e S3) e do fundo (S2).Unipampa 20 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . em m3/dia.Representação esquemática de uma vala de infiltração para dimensionamento. fornece a taxa de aplicação em função da capacidade de percolação do solo. .vazão ou descarga líquida.dia ⎠ 3 3 2 2 Onde: A .taxa de aplicação. Tx . em m3/m2. situadas abaixo do tubo de distribuição.L Figura 4 .Universidade Federal do Pampa . Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A área de infiltração deve ser determinada de acordo com a capacidade de percolação do solo (ação ou processo de um líquido passar através de interstícios intervalos ou fendas) determinada em análise de campo. ⎛m ⎞ ⎜ ⎟ Q dia ⎠ =m = ⎝ A= Tx ⎛ m ⎞ ⎟ ⎜ ⎝ m .Prof. Área de infiltração = (S1 + S2 + S3).dia.

Para distribuição por gravidade devem ser instalados com declividade de 0.Unipampa 21 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . À distância em planta. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O tubo de distribuição da irrigação sub-superficial ou valas de infiltração deve ter diâmetro 100mm e orifícios laterais de 5mm de diâmetro (Figura 5) e.003 m/m. conforme é apresentado na Figura 1. Devido a esta característica. garantindo uma distância mínima de 1.Dimensões da ranhura e orifício dos tubos. Figura 5 .Prof.50m entre o nível do lençol freático e o fundo do sumidouro (Figura 9). a ranhura é de 3mm (Figura 5 e 6).Exemplo de tubo corrugado ranhurado.2. tornar puro) e de disposição final do efluente de tanque séptico verticalizado em relação à vala de infiltração. Figura 6 .2 . quando for tubo ranhurado.Universidade Federal do Pampa . O material de enchimento da vala deve ser brita até n° 4. seu emprego é favorável somente nas áreas onde o lençol freático é profundo. dos eixos das valas paralelas deve ser maior ou igual a 1m. e o comprimento máximo de cada vala igual a 30m. . 7.Sumidouro O sumidouro é a unidade de depuração (ato de limpar.

Sumidouro cilíndrico sem e com enchimento (Creder. 280). 1991. .Unipampa 22 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .Prof.p.Universidade Federal do Pampa . Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Figura 7 .

Universidade Federal do Pampa . respectivamente.. + K H = (H + H + . Assim devemos determinar a taxa média de percolação da seguinte forma: K K MÉDIO K H + K H + . Tipos de solo a) Sumidouro em região não arenosa (K > 500 min/m) Esta é uma região pouco permeável onde à água leva um tempo relativamente alto para 5 minutos baixar 1cm (5min/cm).1) Área de infiltração . Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7.Diferentes camadas de solo com diferentes características de percolação. Como o sumidouro é uma unidade verticalizada.Prof.. a.são..1 . as taxas e alturas das camadas onde foram realizados os ensaios. freqüentemente atravessa diversas camadas do solo com diferentes características de percolação.2.2. Figura 8 .Dimensionamento O critério de dimensionamento do sumidouro é o mesmo das valas de infiltração. para dimensionamento de sumidouro..Unipampa 23 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . + H ) 1 1 2 2 n 1 2 n n MÉDIO H = ∑H i i ∑K i Onde: Ki e Hi .

pode-se reduzir tanto o diâmetro quanto à altura do sumidouro. A = AL + AF = 2πRH + πR2 A = πDH + (πD2)/4 Área Total ⎛m ⎞ ⎜ ⎟ Q dia ⎠ ⎝ = A= =m m Tx ⎛ ⎞ ⎟ ⎜ ⎝ m .Universidade Federal do Pampa .Prof. Figura 9 . porém o número de sumidouros conforme é apresentado na Figura 10. desde que atenda no mínimo 1. acrescida da área do fundo. aumentando. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- É a área lateral abaixo da geratriz inferior do tubo de lançamento do efluente. Caso haja necessidade de reduzir a altura útil do sumidouro. para fugir do lençol freático.50m entre o fundo da fossa séptica e o nível máximo do lençol freático (Figura 9).Unipampa 24 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .Distância mínima de 1.50m entre o nível do lençol freático e o fundo do sumidouro.dia ⎠ 3 3 2 2 Altura útil Qualquer. .

Nível freático pouco profundo. facilitando com isso a contaminação do lençol freático.Universidade Federal do Pampa .22. pode-se optar pela seguinte alternativa: .Prof. com vários sumidouros de pequenos diâmetros (d) e rasos (h). Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Figura 10 . Figura 10 .Unipampa 25 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .b.1) O menor diâmetro interno do sumidouro é 0. b) Sumidouro em região arenosa (K < 500 min/m) Nestas regiões.Planta baixa referente ao aumento do n° de sumidouros para fugir do lençol freático (NBR 13969/97 .B.30m.50m. a água percola (infiltração lenta até o lençol freático) com rapidez não dando tempo à remoção de nutrientes e patogênicos. Para estas regiões. A distância mínima entre as paredes dos sumidouros múltiplos deve ser 1.

28 da NBR 13.Filtro anaeróbio O filtro anaeróbio consiste em um reator biológico onde o esgoto é depurado por meio de microorganismos não aeróbios. Todo processo anaeróbio é bastante afetado pela variação de temperatura do esgoto: sua aplicação deve ser feita de modo criterioso. Esta camada não deve ser feita com o valor de K deste solo.29 da NBR 13. 27 da NBR 13.969/97). O filtro anaeróbio deve estar contido em compartimentos (tanques) da seguinte forma: • Filtro anaeróbio tipo retangular totalmente enchido de britas (Figura B.2 p. Considerar temperatura de Junho/Julho. Este é utilizado mais como retenção dos sólidos.2. valas de infiltração e sumidouro para tratamento do efluente de um restaurante que deve servir 200 refeições por dia. Exemplo Dimensionar o sistema tanque séptico e ainda.3 .Prof. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- • Utilização de uma camada filtrante em volta e embaixo do sumidouro com espessura maior ou igual a 30cm de um solo com K > 500 min/m. Adotar taxa de infiltração para t = 6 min/cm. isto é.969/97).Unipampa 26 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais .5 p.3 p. t ≤ 10°C e intervalos entre limpezas de 1 ano. • Filtro anaeróbio tipo circular com entrada única de esgoto e fundo falso perfurado (Figura B. O processo é eficiente na redução de cargas orgânicas elevadas. Os efluentes do filtro anaeróbio podem exalar odores e ter cor escura. 7. . desde que as outras condições sejam satisfatórias (temperatura). dispersos tanto no espaço vazio do reator quanto nas superfícies do meio filtrante. • Filtro anaeróbico tipo circular totalmente enchido de britas (Figura B.969/97).Universidade Federal do Pampa .

é a altura total interna.6.altura da lâmina livre. em dias (Tabela 4.é a altura total do leito. habitantes ou contribuintes.T Vu . O material filtrante deve ter a granulometria o mais uniforme possível.contribuição diária de despejos. 7 da NBR 13. em dias (Tabela 2. Nota: O volume útil mínimo do leito filtrante deve ser de 1000 litros.04 m a 0.969/97).Universidade Federal do Pampa .Prof.2.altura do vão livre.969/97). em litros.tempo de detenção hidráulica de esgotos. que é constante para qualquer volume obtido no dimensionamento (Figura B. Exemplo . O leito filtrante (h) deve ter altura igual a 1.20 m. 7 da NBR 13.1 .5 da NBR 7229/93). 29 da NBR 13. 29 da NBR 13. h1 . C . Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- • Filtro anaeróbio tipo circular com múltiplas entradas de esgoto e fundo falso perfurado (Figura B.Unipampa 27 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . A profundidade útil do filtro (H) é de 1. p. T . p. h .Dimensionamento Volume O dimensionamento do filtro anaeróbio é determinado através da seguinte formulação: Vu = 1. 7.07 m (brita n° 4).5 p.80 m para qualquer volume de dimensionamento (Figura B.6 p. N . p.969/97).N. h2 .dia (Tabela 3. H = h + h1 + h2 Onde: H .volume útil do leito filtrante.C. podendo variar entre 0. 29 da NBR 13.5 p. em litro/pessoa.969/97).dia ou litro/unidade.3.969/97).número de pessoas. equivalente ao período de detenção.

dia 0.065 0.09 Taxa de percolação min/m 400 600 1200 1400 2400 Taxa máxima de aplicação diária m3/m2.1 .969/97.037 0.024 .Conversão de valores de taxa de percolação em taxa de aplicação superficial. Taxa de percolação min/m 40 ou menos 80 120 160 200 Taxa máxima de aplicação diária m3/m2.032 0.Unipampa 28 Curso de Tecnologia do Agronegócio Disciplina: Princípios de Instalações e Construções Rurais . Tabela A.10 0.12 0.dia 0.053 0.1 pág. Tabela A.20 0. Tarcisio Barcellos Bellinaso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Dimensionar um filtro anaeróbio (um decanto-disgestor) de um edifício comercial de escritórios de 800 pessoas. A temperatura ambiente do mês mais frio é de 35°C e o intervalo entre as limpezas neste filtro anaeróbio é de 01 ano. Utilizada para dimensionamento de valas de infiltração e sumidouros.Universidade Federal do Pampa . 25 da NBR 13.Prof.14 0.