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INTRODUÇÃO O homem, como produto e produtor de cultura, vem estabelecendo significações para cada etapa da sua existência, extrapolando

assim as determinações naturais. Podemos então considerar que as etapas do desenvolvimento humano são socialmente construídas. O estabelecimento de regras, condutas e expectativas, é o que concretiza a ideia da infância, assim como a concebemos hoje. A invenção social da infância se deu a partir do século XVIII, em que se funda um estatuto para essa faixa etária (NASCIMENTO, BRANCHER E OLIVEIRA, 2011). O conceito continua sofrendo transformações. Até os anos 60, a inocência era a marca fundamental da infância, que foi substituída por imagens de modelos infantis de forte carga sexual. Em função da melhor nutrição e assistência médica, as crianças crescem mais rápido e entram em contato com as verdades do mundo em um ritmo mais acelerado. Antes, os pais podiam controlar o que as crianças deviam ver e conhecer (NASCIMENTO, BRANCHER E OLIVEIRA, 2011). Agora, com a televisão e as crianças usando a Internet, isso é quase impossível. Coontz (1997) apud NASCIMENTO, BRANCHER E OLIVEIRA, (2011), afirma que, durante grande parte da história, as crianças não foram excluídas da participação no mundo dos adultos. Depois, foram excluídas, tanto da participação como do conhecimento desse mundo. Mas à medida que mais mulheres trocam o lar pelo trabalho, a guardiã da separação entre a idade adulta e a infância tem cada vez menos condições de cumprir seu papel, o de esconder o conhecimento do mundo adulto das crianças. Assim, a criança, na contemporaneidade, viu-se integrada em uma noção de desenvolvimento, a qual passou a mostrá-la como um ser cujo crescimento é um desdobrar-se numa sucessão de fases intelectuais e emocionais (NASCIMENTO, BRANCHER E OLIVEIRA, 2011). Na composição de Lenine, “Relampiano” (segue a letra em anexo), a qual usamos como parte da compreensão do fenômeno da infância, fica evidente a contradição entre a infância inocente, que era difundida nos anos 60

Mas apesar da desenvoltura do pequeno vendedor de drops. Lenine traz à tona a dialética do medo e da fragilidade da infância com o mundo a ser enfrentado e vivido. Fazendo um retrospecto na trajetória vivenciada pela criança. um “neném”. . o sinal vermelho do semáforo permite ao poeta um olhar sobre aquela infância. que já participa do mundo adulto. o poeta consegue ver ainda um pouco de inocência. Vivendo em um mundo de fluxo constante.e o conhecimento e a participação da criança no mundo adulto. o que resulta em uma infância menos inocente.

Dentre os locais de observação. criança brincando com o cachorro. Foi realizado também uma pesquisa bibliográfica no portal do scielo. usando-se infância como palavra-chave. Essas observações foram articuladas com os escritos de Bauman. cada integrante observou. pósmodernidade. As principais vivências foram anotadas e articuladas com teorias diversas. crianças interagindo em uma praça. uma sala de espera de um hospital. em três contextos diferentes. o que possibilitou uma compreensão do fenômeno através de uma ótica teórica. crianças assistindo a filmes. infância. utilizando-se as palavras chave criança. sendo que. destacamos: festas de aniversários. crianças com seus pais em shoppings. . Foi selecionado uma música. escolhidas em função da especificidade de cada situação. crianças na piscina. intitulada “Relampiano”.PROCEDIMENTOS Participaram do trabalho 6 observadores. A pesquisa de mídia foi realizada através do portal de busca do Google. crianças interagindo com adultos. crianças interagindo entre si ou com adultos. do livro Modernidade Líquida. em uma área de lazer infantil. de autoria de Lenine.

O espírito da atividade consumista passa a ser o desejo-entidade. praticamente ao mesmo tempo. o mesmo se repete: criança mostra inquietude. No capítulo intitulado ”Individualidade”. nota-se que este comentava a todo momento sobre as cenas do filme. assistindo e interagindo com os demais. o comportamento das crianças era de inquietude. em que a criança se comportaria e depois das compras iriam até o local de jogos e mesmo assim. Em outra observação. característica dos estados líquidos e gasosos da matéria. segundo o autor. Nas situações de festa. Em seu livro Modernidade Líquida. Bauman defende que o consumismo de hoje não diz mais respeito à satisfação das necessidades. alguns elementos comuns foram utilizados para a compreensão do fenômeno à luz de uma teoria. em que estão na fila dos brinquedos. por uma fluidez. Na situação da sala de espera. Bauman aponta para as grandes mudanças nas formas de relação que tem ocorrido a partir do fenômeno da pós-modernidade e como essas transformações alimentam a forma de ser e de interagir nesse novo tempo em que vivemos. O autor introduz seu livro falando justamente de um modo de ser marcado por mudanças constantes e por estímulos que necessitam ser constantemente renovados e que se caracterizam.DISCUSSÃO Apesar da diversidade das situações e fenômenos observados. As crianças demonstram uma incapacidade de esperar durante muito tempo. muito mais efêmero e . identificação ou da autossegurança quanto à adequação. em que uma criança assistia a um filme. transitam constantemente de uma fila para outra. Na situação vivida por uma criança e seus pais em shopping center. enquanto aguardavam a consulta médica. evidenciando a necessidade de uma recompensa que venha mais rápido que a velocidade em que flui a fila. a tranquilidade dura pouco tempo. irritação e só se tranquiliza quando o pai sugere uma troca. que pudesse dar conta de explicar as vivências ocorridas e que apontavam para um fator parecido nas observações. Diversas situações observadas podem ser explicadas utilizando-se essa fundamentação.

demonstrando uma dificuldade de esperar que o estouro aconteça ao acaso. e passam então a estourá-las propositalmente. efêmero e individual. não saber se a bexiga vai estourar. espalhando assim a água contida molhando aquele que não conseguiu segurá-la.essencialmente não referencial. mas logo as crianças se dão conta de que há outras bexigas cheias de água. Em uma das vivências registradas. O que demonstra também que o “discurso de Joshua”. sem deixar estourar e cuja emoção seria justamente o inesperado. ou seja. A regra é seguida apenas por um pequeno momento. . que seria orientado pelo querer momentâneo. O querer substitui o desejo como força motivadora do consumo e a história do consumo é a história da quebra e descarte dos obstáculos que limitam o voo da fantasia e reduzem o princípio do prazer às normas ditadas pelo princípio de realidade. não encontraria lugar no mundo pós-moderno. a teorização de Bauman fica evidente no momento em que as crianças. participando de um jogo onde devem lançar uma bexiga cheia de água para que a outra segure. de forma natural. em que a regra seria a norteadora das estruturas.

mas cresce junto com a cidade. que não é protegida do mundo pela situação de infância. pois a essência do mundo deixa de ser a regra. em que o espaço físico. como estrutura sólida. ressaltando a dialética do processo humano de produtor e produto de sua cultura. que possibilitaram a nova realidade. dando lugar a uma forma cada vez mais fluída. A dinâmica e o caráter fluído das estruturas desse mundo contemporâneo. Um mundo onde as estruturas perdem sua solidez de forma rápida e crescente. Assim como a criança retratada na letra de Lenine. não deixando tempo para se aprofundar em nada. destacam-se alguns aspectos do comportamento infantil. . menos limitada como nos afirma Bauman. constituem a matéria da qual se forma a subjetividade pós-moderna. efêmero e transitório da forma como o desejo flui de um objeto a outro – se é que ainda existe o desejo. adiando a satisfação da recompensa se esta não vem quase que imediatamente. passa a ter importância menor que o tempo. não se limitando à receptividade. posto que a internet é um portal para o mundo. Vivendo em um mundo onde as transformações são rápidas. como considera Bauman – e a dificuldade em manter um comportamento. Esta criança está então inserida em um mundo que flui de forma cada vez mais rápida. e que. a ordem. onde a criança recebe a informação passivamente. a criança contemporânea de forma geral tem acesso a muita informação que há tempos atrás era restrita ao universo adulto. mas passa a ser marcado pela mudança e pela transitoriedade. como a dinâmica das interações entre as crianças. de forma diferente da televisão.CONCLUSÃO A partir dos registros de observações estudados sob a ótica de Bauman. A infância contemporânea não se distancia do mundo adulto no que se refere ao conhecer. sua estrutura parece mostrar a mesma fluidez do momento existencial em que se encontra. o caráter volátil. resultado das transformações e inovações tecnológicas humanas. na rede mundial esta tem maior autonomia e capacidade de interação. dinâmica e menos restrita.

. T.br/gepeis/wp- content/uploads/2011/08/infancias. A Construção Social do Conceito de Infância: Algumas Interlocuções Disponível em: Históricas e Sociológicas. Modernidade líquida.pdf Acesso em: 23 de Setembro de 2013. 2001. Z. http://coral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. F. V.REFERÊNCIAS BAUMAN. NASCIMENTO. BRANCHER. C.. OLIVEIRA. V.ufsm.. R.

ANEXO .

.RELAMPIANO (Lenine) Tá relampiano Cadê neném? Tá vendendo drops No sinal prá alguém Tá relampiano Cadê neném? Tá vendendo drops No sinal prá alguém E tá vendendo drops No sinal.... Tudo é tão normal Todo tal e qual Neném não tem hora Prá ir se deitar..(2x) Tá relampiano Cadê neném? Tá vendendo drops No sinal prá alguém Tá relampiano Cadê neném? Tá vendendo drops No sinal prá alguém.. É mais uma bôca Dentro do barraco Mais um quilo de farinha Do mesmo saco Para alimentar Um novo João Ninguém A cidade cresce junto Com neném. Hai que endurecer Um coração tão fraco Prá vencer o mêdo Do trovão Sua vida aponta A contramão..... .... Todo dia é dia Toda hora é hora Neném não demora Prá se levantar. Mãe lavando roupa Pai já foi embora E o caçula chora Prá se acostumar Com a vida lá de fora Do barraco..... Mãe passando roupa Do pai de agora De um outro caçula Que ainda vai chegar. Tá relampiano Cadê neném? Tá vendendo drops No sinal prá alguém Tá relampiano Cadê neném? Tá vendendo drops No sinal prá alguém E tá vendendo drops No sinal..

...Tá relampiano Cadê neném? Tá vendendo drops No sinal prá alguém E tá vendendo drops No sinal.