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CAPÍTULO

2

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ANÁLISE ESTRUTURAL
2.1. INTRODUÇÃO 2.1.1. Análise Estrutural e Modelos Estruturais
A estrutura de uma construção pode ser definida como o conjunto de partes resistentes que tem como objetivo receber e transmitir as ações atuantes até seus apoios externos. O projeto estrutural por sua vez, tem o objetivo de definir a estrutura de uma dada construção de modo a garantir a segurança contra os possíveis modos de ruptura ou ruína, da estrutura em seu conjunto e de cada uma de suas partes componentes. Além disso, deve garantir também durabilidade suficiente e boas condições de funcionamento da construção. A partir da definição da forma estrutural, dos materiais utilizados e das ações atuantes é necessário avaliar o comportamento da estrutura através da Análise Estrutural, com o objetivo de determinar as deformações, deslocamentos, tensões e esforços solicitantes a que ficam submetidos os componentes que formam as estruturas. Com esta finalidade, são utilizados modelos físicosmecânicos que representem de forma adequada o comportamento da estrutura real e que possam ser analisados matematicamente. Como as estruturas das construções apresentam muitas vezes formas complexas, para a avaliação de seu comportamento é necessário em geral, uma subdivisão da estrutura em partes e a utilização de diferentes modelos representativos de cada uma das partes, de modo que em conjunto possam representar aproximadamente a estrutura real. Por exemplo, as estruturas são essencialmente tridimensionais, mas na maioria das vezes é possível uma subdivisão da estrutura real em componentes cujos modelos permitam uma análise bidimensional. A escolha dos modelos a serem utilizados e sua complexidade dependem da forma da estrutura real, da experiência e sensibilidade estrutural do analista e das ferramentas disponíveis para análise dos modelos. De modo geral, para a escolha de modelos representativos de uma estrutura real não elementar, faz-se necessário o entendimento do comportamento qualitativo da estrutura antes da análise numérica, pois os resultados obtidos podem ser mais ou menos precisos, em função do método de análise empregado, mas se limitam sempre a traduzir soluções matemáticas do comportamento físico-mecânico dos modelos adotados.

2.1

Assim, os modelos estruturais são idealizações físicas (mecânicas) cujas análises matemáticas representam de forma aproximada os comportamentos das estruturas reais. As estruturas e os próprios modelos de análise são formados em geral por uma associação de elementos estruturais, que individualmente podem apresentar diferentes comportamentos físicos-mecânicos em função do material componente, tipo e nível das ações atuantes, da forma geométrica e de suas ligações. A consideração da atuação conjunta dos elementos é que define os mecanismos resistentes efetivamente mobilizados no processo de transmissão das forças e, conseqüentemente, o tipo e nível de solicitações, deformações e deslocamentos que ocorrem em cada uma das partes componentes. O comportamento físico do material é definido por meio das relações constitutivas tensão x deformação, podendo-se utilizar diferentes tipos de modelos de comportamento, tais como: elástico linear ou não linear, elastoplático, etc. Quando a resposta do material é dependente do tempo os modelos físicos de comportamento podem ser: visco-elastoplástico, elasto-visco-plástico, elasto-viscoelastoplástico, etc. Quando as ações atuantes são consideradas aplicadas de forma gradual e com uma frequência afastada da frequência natural de vibração da estrutura, a resposta da estrutura varia suavemente ao longo do tempo e tem-se, neste caso, um problema quase-estático e pode-se fazer uma análise estática. Quando as ações são intensas e aplicadas em curto intervalo de tempo, como as provocadas por um impacto ou uma explosão ou as ações são cíclicas e a frequência de aplicação se aproxima das frequências naturais de vibração da estrutura, têm-se problemas que exigem análises dinâmicas. Em relação à forma geométrica, os elementos componentes de uma estrutura podem ser classificados como blocos, elementos laminares ou elementos de barra. Os blocos são elementos que apresentam as três dimensões com a mesma ordem de grandezas. São estudados com base na Mecânica do Contínuo em três dimensões, através da Teoria da Elasticidade e/ou da Teoria da Plasticidade. Em alguns casos é possível avaliar este comportamento através de modelos simples com base no equilíbrio de polígonos de forças (modelo de bielas e tirantes) comprovados experimentalmente. Como exemplo tem-se os blocos de fundação, de coroamento de estacas de fundações e consolos curtos.

2.2

Os elementos laminares apresentam espessuras reduzidas em relação às dimensões da superfície. São exemplos de cascas as abóbadas de coberturas. São estudadas a partir das teorias de comportamento definidas pela Resistência dos Materiais. 2. As estruturas laminares são estudadas também no âmbito da Mecânica do Contínuo. em função da geometria da estrutura. definida a partir do módulo de elasticidade E como: σ = E. que formam a seção transversal. quando esta superfície é curva têm-se as cascas.3 . As placas são estruturas laminares nas quais as cargas atuam paralelamente ao plano médio. tronco-cônicas e outras. grelhas e vigas. não guardando deformações residuais ou permanentes. Comportamento Básico dos Materiais Os diferentes materiais estruturais apresentam em geral distintos comportamentos físicos.1) • Materiais plásticos → são aqueles que guardam deformações residuais ou pláticas após o descarregamento. ficando submetidas essencialmente a esforços de flexão simples em duas dimensões. ficando basicamente submetidas a um estado plano de tensões. as paredes de reservatórios de formas cilíndricas. as lajes são exemplos de placas e as paredes estruturais e vigas de chapas. não recuperando sua forma original após a retirada das causas que provocaram as deformações. Materiais elásticos lineares → são os materiais elásticos que apresentam relações lineares entre as tensões e as deformações.1. podem ser subdivididas em: pórticos planos ou espaciais. As estruturas de barras são chamadas usualmente de estruturas reticuladas e. da forma das ligações entre os elementos e das ações atuantes. As placas por sua vez recebem cargas normalmente ao seu plano médio.2. destacando-se os seguintes comportamentos básicos: • Materiais elásticos → são aqueles que retomam a configuração inicial após o descarregamento. • (2.ε . Quando a superfície média é plana têm-se as placas e as chapas. treliças planas ou espaciais. com fluxos de tensões normais acompanhando sua superfície média e efeitos localizados de flexão. As cascas trabalham essencialmente sob efeito de membrana. Os elementos de barra apresentam o comprimento com ordem de grandeza superior às demais dimensões. São ditos elásticos perfeitos e seguem a lei de Hooke de linearidade entre tensões e deformações. utilizando-se teorias desenvolvidas especificamente para os diferentes tipos de comportamento. 2.

σ descarregamento carregamento σ ε (a) arc tg E (b) ε Figura 2. peso próprio da estrutura. . c) elastoplástico perfeito. forças de vento. designado de escoamento do material. .).3. recalques de apoios. etc. Materiais Plásticos: a) plástico perfeito. força centrífuga.1. Ações e Solicitações O nome ação designa qualquer influência ou conjunto de influências capaz de produzir estado de tensão ou deformação numa estrutura (peso próprio. peso de veículos ou de outras utilizações. cargas móveis. 2. forças de vento. decorrem de aplicações diretas de forças.• Materiais elasto-plásticos perfeitos → são aqueles que após uma fase elástica linear apresentam um comportamento puramente plástico. 2. b) elasto-plástico.2.1. ocorrendo por contanto ou por efeito de campos (gravitacional por exemplo) : . . As ações podem ser classificadas em função de sua natureza como diretas ou indiretas: • Ações Diretas. Gráficos tensão x deformação: a) material elástico. etc.4 . σ σ σ ε εmáx (a) εp εe (b) ε εp εe (c) ε Figura 2. variações de temperatura. b) material elástico linear.

Os deslocamentos são os movimentos sofridos por cada ponto da estrutura e decorrem das deformações existentes ao longo da estrutura. decorrem de deslocamentos ou deformações impostas: . Na Figura (2. 2. 2. momento fletor.1. . de flexão e de torção. cisalhante. Conhecidas as tensões atuantes em uma seção transversal é possível determinarse esforços solicitantes correspondentes e vice-versa. etc. Solicitação ou esforço solicitante designa qualquer esforço interno. a partir de integrações das tensões ao longo da seção transversal obtêm-se os esforços solicitantes e conhecidos os esforços solicitantes é possível determinar as tensões atuantes a partir dos modelos e hipóteses considerados pela Resistência dos Materiais.• Ações Indiretas. cisalhante. decorrente das ações e aplicada a uma ou mais seções de um elemento estrutural. etc. Tensões e Deformações As tensões são as forças por unidades de área mobilizadas pelos mecanismos resistentes responsáveis pela transmissão das ações ao longo da estrutura. deslocamentos de apoios. As deformações são os deslocamentos relativos desenvolvidos nos elementos estruturais devidas às tensões atuantes. tais como força normal.3. Y Y Z Z X dx Qy Qy dx dx Nx Nx Mz dx Mz Mt Mt dx Figura 2. força cortante. por protensão (ou pré-tensão). Assim.3 a e b) estão representados as deformações axial.4.5 . de flexão e de torção. Deformações em elemento infinitesimal de uma barra prismática: axial. por retração. deformações térmicas.

como representada na Figura (2.5) x dx L δ Seção S N D. resultando: δ = ∫ dδ = ∫ ε X . 2.4).6 .2) As tensões produzem. fica submetida à tensões axiais σX uniformes definidas por: σX = N A (2. dadas por: εX = σX N = . A variação de comprimento (dδ) ao longo de um trecho de comprimento infinitesimal dx vale: dδ = ε X .4. σ x Figura 2.i) Tensões e Deformações Axiais Uma barra prismática de seção transversal de área A. deformações uniformes εX.dx . E EA (2.dx = EA EA S N área A (2.dx = ∫ 0 0 L L L 0 N NL . (2.ε). solicitada por uma força axial de tração igual a N.3) O valor EA é denominado rigidez axial da barra e mede a dificuldade à deformação axial da barra. Barra prismática submetida à força axial.4) A variação de comprimento total da barra (δ) é obtida pela integração da variação dδ ao longo da barra. σ x dx N D. considerando-se um material elástico-linear (σ=E.

elástico e isotrópico. σ x (c) M θ M L Figura 2.8) O ângulo de rotação relativa dθ entre duas seções distantes dx fica definida por: − ε X dX M dθ = = dx .ii) Tensões e Deformações por Flexão Em uma seção transversal S.dA . Barra prismática submetida à flexão. de uma barra de material homogêneo. dθ ε x dx y M dx D. σ x (a) M x S M Y Z Seção S (b) dx L M D.7 .9) y E.7) y mede a distância da linha neutra (eixo centroidal Z) ao ponto considerado na seção transversal. sendo o sinal negativo da expressão devido ao fato de que os momentos positivos produzem tensões negativas (compressão) onde y é positivo. IZ (2. submetida a um momento fletor M. A deformação correspondente vale: εx = σx −M = y E E. ficam mobilizadas tensões normais σx de flexão dadas pela expressão: σx = −M y.IZ (2.IZ sendo a quantia E.6) onde Iz é o momento de inércia em relação ao eixo principal z: IZ = Y max 0 ∫y 2 . (2. 2.5.IZ designada de rigidez à flexão da barra. (2.

a expressão que define a distorção máxima. vale: γ MAX = MT .Na viga em balanço da Figura 2. a rotação na extremidade livre pode ser obtida por integração direta da expressão anterior. O ângulo de rotação relativa dφ ao longo de um elemento infinitesimal dx. definidas num ponto distante r do centróide por: τ= MT r. submetida a um momento torsor MT.r = .L M dx = E.IZ 0 L (2. vale: 2.8 .11) Onde J é o momento de Inércia à torção.IZ E.14) sendo o valor GJ que aparece nas expressões anteriores designada como rigidez à torção da barra. onde r=R.12) As tensões cisalhantes que atuam em seções transversais circulares têm sempre uma direção normal ao raio e o mesmo sentido da torção MT aplicada.R . 2 (2. resultando: θ = ∫ dθ = ∫ 0 L M.10) iii) Tensões e Deformações por Torção Em uma barra de seção transversal circular de raio R. ficam mobilizadas tensões normais de cisalhamento τ. valendo para a seção de raio R: J= πR 4 . GJ (2. G GJ (2.6 submetida a momento fletor constante ao longo do comprimento. A distorção γ na raio r é igual à tensão cisalhante dividida pelo módulo de elasticidade transversal G do material: γ= τ MT . J (2.13) Assim. que no caso de seção circular é igual ao momento de inércia polar em relação centróide da seção circular.

6. No entanto..7. definidas pela expressão: 2. como representado na Figura 2.17) A expressão que define o ângulo de torção pode ser utilizada para seções circulares ou anelares. para MT ou J variando ao longo da barra.9 .dφ = γ MAX R dx = MT dx GJ (2. ficam mobilizadas tensões de cisalhamento τ. GJ (2. Quando a seção transversal não é circular nem anelar a análise da torção é mais complicada. desde que a variação de J seja gradual e que se utilize o momento de inércia polar correspondente. resulta em: φ= MT L . y τ MT x Z MT X dx L φ dx MT γmáx dφ r R MT Figura 2. a expressão final para o ângulo de torção pode ser utilizada.16) que no caso de uma barra submetida a uma torção constante. no caso de torção pura com MT constante ao longo do comprimento. iv) Tensões e Deformações por Cisalhamento Em uma barra de seção transversal retangular (b x h).Barra de seção circular submetida a momento fletor. GJ (2. desde que se tome para J a constante de torção correspondente à seção utilizada.15) O ângulo de torção ao longo de uma barra é definido pela integração dφ ao longo do comprimento da barra: φ = ∫ dφ = ∫ L 0 MT dx . pois ocorre (no caso de seções abertas) um empenamento das seções transversais. submetida a um esforço cortante Q.

7. Q δ x dx L dx Q dλ Figura 2. o deslocamento total nesta extremidade vale: δ = δf + δc = PL3 PL +f .Iz (2.20) sendo A a área da seção transversal e f o fator que depende da forma da seção transversal. valendo: MS = Y max ∫ y. Deformação por esforço 2.21) Assim.8. Em alguns casos elementares.dA . A relação entre a flecha produzida pelo cortante e a flecha produzida pelo cisalhamento vale 3fEIZ/GAL2. no caso da viga em balanço com carga concentrada na extremidade livre.τ= QMS . Y (2. exceto no caso de vigas compactas (L/h reduzido). da parcela da área da seção transversal definida pelo abcissa Y do ponto considerado. resultando neste caso: δ c = ∫ dλ = ∫ f 0 0 L L Q PL dx =f . GA (2.18) Onde Ms é o momento estático em relação ao eixo neutro (z).22) sendo δf a parcela devido à flexão. O valor GA é designada como rigidez ao cortante dabarra. que é um valor muito pequeno. como no caso da viga em balanço da Figura 2. 3EIz GA (2.19) O deslocamento relativo provocado pelas tensões de cisalhamento dλ é dado por: dλ = f Q dx . GA GA (2. as flechas devidas a deformações por cortante podem ser obtidas pela integração direta da expressão anterior.10 . b.

tanto os esforços quanto as deformações podem ser desprezados. reações de apoio. por exemplo. isto é. em estruturas usuais esbeltas de pórticos ou vigas. os valores dos próprios esforços são reduzidos e. No caso de vigas travadas longitudinalmente. No entanto. as deformações por cisalhamento podem ser desprezadas em função da magnitude das deformações por flexão. estes esforços assumem valores elevados e também não podem ser desprezados. a) Estruturas de comportamento linear. Ações Ações Efeitos Estruturais Efeitos Estruturais (b) (a) Figura 2. as forças normais e correspondentes deformações axiais são em geral desprezadas. 2. não submetidas à protensão. b) estruturas de comportamento não linear.5. tensões. Em outras estruturas. no caso de peças robustas ou compactas com cargas elevadas estas deformações podem assumir valores não desprezíveis que devem então ser consideradas. Por efeitos estruturais compreendem-se as solicitações. Para que uma estrutura apresente comportamento linear é necessário que haja linearidade física e geométrica. Estrutura de Barras de Comportamento Linear As estruturas possuem dois tipos básicos de comportamento: linear ou não linear. o equilíbrio possa ser referido a posição indeformada da estrutura. o material constituinte deve ter comportamento elástico linear e a estrutura deve possuir uma geometria adequada de modo que sendo mantido um regime de pequenas deformações. Nas vigas carregadas transversalmente. As estruturas de comportamento linear são aquelas que apresentam relações lineares entre a as ações que sobre elas atuam e os efeitos estruturais correspondentes.11 . portanto.8. deformações e deslocamentos mobilizados.Em certas estruturas as deformações produzidas por determinados esforços são relativamente reduzidas e podem ser desprezadas. e submetidas a esforços axiais de coação (variação de temperatura ou retração). 2. Assim. por apoios fixos ou elementos de grande rigidez.1.

Na primeira estrutura é impossível a obtenção do equilíbrio na posição indeformada. considere-se uma estrutura triarticulada com suas configurações a e b da Figura (2. para obtenção do equilíbrio é necessário que sejam consideradas as rotações sofridas pelas barras componentes. ou quando a estrutura atingir um regime de grandes deformações a partir do qual a mudança de geometria passe a influenciar significativamente a própria distribuição de esforços. independentemente do valor da amplitude da flecha f ou das rotações α. pois estando as barras com suas extremidades rotuladas e o carregamento sendo efetuada na rótula central de união. a) Estrutura de comportamento não linear com geometria inadequada.9. Na primeira estrutura. as barras podem ser solicitadas unicamente por esforços normais e.12 . P (a) α f (b) β α P f (c) f P Figura 2. A não linearidade geométrica ocorre quando existe uma geometria desfavorável. uma não linearidade física está associada ao comportamento não linear do material. Nesse caso diz-se que ocorre uma não linearidade geométrica função da forma inadequada e a própria solução do modelo estrutural exige a consideração da mudança de geometria definida pela flecha f e rotações α. os esforços provocados pela alteração da geometria são designados de esforços de 2a ordem e devem ser considerados na análise estrutural.Assim. 2. Para exemplificar a ocorrência de não linearidade geométrica. c) Estrutura cujo comportamento está condicionado unicamente ao comportamento do material. consequentemente. Neste caso.9). seriam incapazes de equilibrar o sistema. na qual as condições de equilíbrio só possam ser satisfeitas considerando-se as deformações da estrutura. as reações que poderiam surgir na configuração inicial da estrutura. b) Estrutura cujo comportamento não linear pode se dar pelo comportamento não linear do material ou por um regime de grandes deformações.

10a). reduzindo as distâncias entre o ponto de aplicação da carga P e qualquer seção da barra. Para uma barra solicitada por compressão excêntrica.δx) que não possa ser desprezado. Para a estrutura da Figura (2. Nesse caso diz-se ocorre uma não linearidade geométrica devido a um regime de grandes deformações. podendo ocorrer um aumento significativo (de valor P. permite o equilíbrio da estrutura. a) Viga em balanço.3b). Y (a) P X δx L X (b) P Y e δx ~e+ δx Figura 2. a ocorrência de uma não linearidade geométrica está condicionada existência de um regime de grandes deformações onde as rotações sofridas não possam ser desprezadas. Considerando agora a estrutura definida por uma viga em balanço. Nesse caso.A configuração da estrutura representada na Figura (2.13 . que possam provocar alterações significativas nos esforços solicitantes das barras. as deformações provocadas pelos esforços de flexão tendem a aumentar a intensidade destes esforços. além de produzir solicitações normais adicionais em parte da viga. 2. b) Coluna com carga excêntrica.10. a estrutura apresenta um comportamento linear enquanto o material constituinte se mantiver numa fase elástica linear. depende da intensidade das rotações sofridas (α) em relação as inclinações iniciais (β). conforme a Figura (2. a ocorrência de carga elevada pode conduzir a um grande valor para a flecha f. onde as barras apresentam uma inclinação inicial β. Entretanto.9c). É importante frisar que esta não linearidade é função da mudança relativa da forma inicial. independentemente de um regime de pequenas ou grandes deformações. consequentemente.9b). que tenha como conseqüência rotações α não desprezíveis. o carregamento não é capaz de produzir alterações na inclinação da barra e. conforme a Figura (2. que define o valor do momento fletor atuante. as deformações sofridas pelo eixo da barra provocarão um encurtamento em sua projeção horizontal.

tem origem nas deformações apresentadas pelas colunas devido à flexão produzida pela força horizontal de arrasto do vento. APOIOS E LIGAÇÕES. Graus de Liberdade. denominado “efeito P. momento de flexão na direção Y (My) e momento de flexão na direção Z (Mz).11). Assim.1. Nas estruturas de comportamento linear é válido o “princípio da superposição dos efeitos”. GRAUS DE LIBERDADE. wz. por exemplo. os efeitos de segunda ordem. de modo geral.δ “. 2.14 . mesmo para cargas originariamente centradas. na análise de uma estrutura tipo pórtico espacial são considerados os 6 (seis) possíveis graus de liberdade no espaço. o qual considera que qualquer efeito estrutural produzido por um conjunto de ações é igual à soma dos efeitos produzidos por cada ação isoladamente. Considerando-se um sistema cartesiano de referência os graus de liberdade são definidos. conforme a Figura (2. θY e θZ. 2.No caso de edifícios de andares múltiplos deslocáveis. θX. para uma barra paralela a direção do eixo X. Assim. ESTATICIDADE E ESTABILIDADE. vY. diz-se que uma estrutura possui um comportamento linear geométrico quando as rotações sofridas por seus elementos podem ser desprezadas e os esforços solicitantes podem então serem calculados considerando-se a configuração inicial da estrutura.2. esforço cortante na direção Y (Qy). Apoios. por: uX. GRAU DE INDETERMINAÇÃO ESTÁTICA E CINEMÁTICA 2. Ligações Internas Graus de liberdade de uma estrutura são os diferentes deslocamentos independentes que podem ocorrer em cada ponto numa estrutura e que são considerados na análise do modelo correspondente.2. esforço cortante na direção Z (Qz). sendo 3 (três) de translação e 3 (três) de rotação. momento torsor na direção x (Mx = Mt). os esforços solicitantes de: força normal em X (Nx). Em geral. a cada grau de liberdade ou a cada diferente deslocamento considerado na análise é associado um esforço solicitante. Associados a estes graus de liberdade tem-se.

11. Graus de liberdade de um pórtico espacial. no pórtico plano da Figura (2.15 . Neste caso. podem ser associados os graus de liberdade considerados no comportamento no modelo. existindo infinitos pontos e. 2.12). a estrutura fica representada por um modelo discreto e o campo de deslocamentos de toda a estrutura fica definido a partir de um número limitado (finito) de graus de liberdade ou deslocamentos nodais. A princípio. para cada um deles. designados de nós da estrutura.Y θY vY θZ Z wZ u θX X X Figura 2. considerando-se a existência de 3 barras e quatro nós tem-se 12 deslocamentos nodais. θ3 3 u2 v 3 u3 θ2 Y v2 2 vY θZ u θ1 X X v1 1 u1 θ4 v4 u4 4 Figura 2. é possível definir o campo de deslocamentos ao longo das barras de forma simplificada. por meio de relações adequadas aplicadas aos respectivos deslocamentos (ou graus de liberdade) associados a determinados pontos das barras. Uma estrutura reticulada é formada por um conjunto de barras. Deslocamentos nodais de um pórtico plano. Assim. No entanto. toda estrutura pode ser subdividida em um conjunto arbitrário de barras conectadas entre si pelos correspondentes nós.12. em geral situados nas extremidades.

b) Rótula interna num pórtico. os esforços solicitantes correspondentes às direções liberadas não podem ser transmitidos pela ligação. apoio fixo ou articulação/rótula fixa (20 grau) que impede os dois deslocamento de translação no plano e o engaste (30 grau) que impede todos os deslocamentos independentes no plano. Ligações são vínculos internos entre dois ou mais elementos. consequentemente. Compatibilidade. Os mais usuais são os: apoio simples ou charriot (10 grau) que impede um deslocamento de translação. O tipo de ligação incompleta mais comum são as rótulas. eventualmente estas ligações podem ser incompletas. os apoios podem ser de 10. Os apoios são definidos em função do número de deslocamentos impedidos. são mobilizadas reações nos apoios que impedem os correspondentes movimentos.16 . 20 ou 30 grau geométrico.2. Estaticidade e Estabilidade 2.2. (a) R3 R2 R1 R (b) R2 R1 rótula interna Figura 2. Assim. 2. Quando as ações atuantes provocam tendências de movimento na direção de deslocamentos impedidos. a) Apoios usuais em estruturas planas. Usualmente na modelagem (definição de um modelo discreto) de uma estrutura são utilizados nós (ou ligações) em seções contínuas que apresentam rigidezes que impedem todos os deslocamentos relativos entre as barras ligadas e. que permitem ou liberam o movimento de rotação entre os elementos ligados e são incapazes de transmitir esforços de flexão.13.Apoios são vínculos externos que impedem o movimento da estrutura em uma ou mais direções. podem permitir um ou mais deslocamentos relativos entre as barras ligadas e. transmitem os diferentes esforços solicitantes considerados na análise. sendo dois de translação e o de rotação. nestes casos. isto é. em problemas planos. Entretanto. Equilíbrio.

Uma estrutura é dita de isostática. para um problema de pórtico plano as equações de equilíbrio estático são definidas por: ∑F x = 0. As estruturas isostáticas têm condição de equilíbrio estável.17 . Assim. onde os deslocamentos são impostos (em geral nulos) e de continuidade no interior da estrutura. Em um nó rígido de ligação entre dois ou mais elementos. Estas condições de compatibilidade devem atender as prescrições de apoios. Assim. em um apoio externo definido por um engaste.11) Cada uma destas equações garante o equilíbrio em relação aos possíveis deslocamentos considerados no comportamento da estrutura. Neste caso as resultantes das forças atuantes em cada parte ou em toda a estrutura. As estruturas podem ser classificadas em relação às condições disponíveis para obtenção das forças (reações e esforços solicitantes) atuantes ao longo da estrutura como: isostáticas. ∑ Fy = 0 e ∑ Mz.A = 0. Os deslocamentos decorrem simplesmente das deformações mobilizadas ao longo da estrutura. de cada parte componente e da estrutura como um todo. Além disso. Neste caso a estrutura é estaticamente determinada. (2. hiperestáticas ou hipostáticas. 2. é necessário também que sejam respeitadas as condições de compatibilidade do campo de deslocamentos. todos os deslocamentos tanto de translação quanto de rotação são nulos. cada um destes elementos devem apresentar os mesmos deslocamentos de translação e rotação. definidas pelas forças externas aplicadas e/ou pelos esforços internos. sendo possível obter as reações de apoio utilizando-se as equações de equilíbrio disponíveis. bem como calcular os esforços em qualquer ponto da estrutura. não possuindo nenhum grau de liberdade associado a um movimento de corpo rígido. quando os vínculos (apoios e ligações internas) existentes.As estruturas das construções devem ter vínculos externos (apoios) e internos (ligações) entre seus elementos componentes que garantam uma condição de equilíbrio estático. tanto para a estrutura como um todo como para cada um de seus elementos ou partes componentes. por exemplo. são em quantidade estritamente necessária para impedir todos os movimentos de corpo rígido. devem ser nulas.

como por exemplo.14d).14. Algumas estruturas isostáticas: a) viga biapoiada com balanço. além das equações de equilíbrio global.18 . traduzida por: e d MG = MG = MG = 0 (2. O excesso de vínculos ou os vínculos superabundantes podem ser externos e/ou internos.Em algumas estruturas é possível utilizar equações que traduzem condições locais de equilíbrio em relação às forças externas. Estas equações adicionais podem ser obtidas utilizando-se condições locais de equilíbrio estático ou de compatibilidade do campo de deslocamentos. Assim. 2. c) viga treliçada biapoiada tipo tesoura Howe. no pórtico triarticulado da Figura (2. consequentemente uma estrutura pode ser hiperestática internamente e/ou externamente. dispõe-se de uma equação adicional que traduz a impossibilidade de transmissão de momento na rótula G. b) pórtico com uma extremidade engastada e as demais livres. tem-se uma estrutura hiperestática. Quando o número de vínculos é superior ao estritamente necessário para impedir os movimentos de corpo rígido. A análise de estruturas hiperestáticas é feita empregando-se equações adicionais às de equilíbrio estático. As estruturas hiperestáticas apresentam condições de equilíbrio estável.12) (b) (a) (c) (d) G Figura 2. nas estruturas com rótulas internas. d) arco triarticulado.

15.2. deve-se considerar a indeterminação estática. Quando as variáveis primárias de interesse ou as incógnitas básicas da análise são os deslocamentos deve-se considerar a indeterminação cinemática. Neste caso. tem-se um mecanismo ou cadeia cinemática. pode ser obtido pelo número de vínculos que necessitam ser liberados para tornar a estrutura isostática. diz-se que a estrutura é hipostática. pois a ocorrência de qualquer força na direção do deslocamento possível irá desfazer a estabilidade do equilíbrio. tem-se então um equilíbrio instável. c) pórtico biapoiado formando internamente um quadro fechado. Algumas estruturas hiperestáticas: a) viga contínua. que apresenta algum tipo de liberdade de movimento de corpo rígido. Grau de Indeterminação Estática e Cinemática Em uma estrutura qualquer. Quando for possível uma condição de equilíbrio. há dois tipos de indeterminação que devem ser considerados em função do tipo de análise a ser efetuada. que define o número de vínculos superabundantes. Nas estruturas hiperestáticas o grau de indeterminação estática. 2. d) viga treliçada de altura constante com diagonais cruzadas. quando as variáveis primárias de interesse são os esforços atuantes. como sendo as forças ou esforços atuantes nos elementos que compõem a estrutura. 2.3. b) pórtico com ambas as extremidades engastadas. As estruturas hipostáticas não apresentam em geral condições de equilíbrio. Assim. a indeterminação é estática e o grau de indeterminação é definido pelo número de Vínculos (ligações internas ou apoios externos) em excesso em relação ao estritamente necessário para manter a estrutura em condição de equilíbrio estável.(a) (b) (c) (d) Figura 2. as estruturas isostáticas possuem grau nulo de indeterminação estática. Quando se consideram as variáveis primárias de interesse ou incógnitas básicas da análise. Quando o número de vínculos é insuficiente para impedir os movimentos de corpo rígido da estrutura como um todo ou de suas partes.19 . Assim.

(a) n=3 (b) n=3 (c) n=6 (d) n=6 Figura 2.16. Grau de indeterminação estático de algumas estruturas hiperestáticas com uma das possibilidades de liberações para se obter uma estrutura isostática (a) 1 (b) 2 (c) 2 2 1 n=9 3 4 1 6 7 5 3 4 n=15 3 4 n=5 (d) n=25 Figura 2. Grau de indeterminação cinemática e respectivos deslocamentos nodais incógnitos de algumas estruturas 2.O grau de indeterminação cinemática é definido diretamente pelo número de deslocamentos nodais incógnitos.20 .17.

2.δ . FLEXIBILIDADE E RIGIDEZ.3. A equação que representa a compatibilidade no campo de deslocamento é definida por: δ = K'. numericamente igual ao esforço que surge na mola quando se impõe um deslocamento δ de valor unitário em sua extremidade. o valor da rigidez pode ser obtido pelo esforço mobilizado devido à imposição de um deslocamento de valor unitário. EQUAÇÕES DE COMPATIBILIDADE E DE EQUILÍBRIO.21 . (2.18) a equação que representa o equilíbrio de forças atuando na mola é definida por: F = K.3. Equações Deslocamentos e de Equilíbrio de Forças de Compatibilidade de A relação entre o valor da força aplicada em um ponto qualquer e o deslocamento que ocorre em um outro ponto qualquer de um elemento ou componente estrutural. d P Figura 2.F . medindo assim a facilidade de deformação correspondente.Mola Elástica.1.18 . A flexibilidade por sua vez pode ser obtida pelo deslocamento produzido por uma força de valor unitário.14) sendo K’. medindo assim a dificuldade de deformação em relação ao deslocamento correspondente. (2.13) sendo K. a flexibilidade da mola.2. conforme representado na Figura (2. Flexibilidade e Rigidez. MÉTODO DA FLEXIBILIDADE E DA RIGIDEZ 2. Se δ é o deslocamento sofrido pela mola. Assim. define a rigidez deste elemento ou componente associada aos graus de liberdades considerados. A relação inversa define a correspondente flexibilidade. Seja o exemplo elementar de uma mola elástica submetida a uma força P. numericamente igual ao deslocamento mobilizado na mola quando se impõe uma força F de valor unitário em sua extremidade. a rigidez da mola.

formada por uma viga biapoiada com balanço em uma extremidade. (2.16) K F2 (a) F1 d2 d1 F1 =1 (b) F2 =1 S'21 S'11 S'22 S'12 S 11 S 21 (c) S 12 d1=1 S 22 d2=1 Figura 2. respectivamente. Considerando-se duas forças aplicadas na extremidade do balanço F1 e F2. o coeficiente de flexibilidade associado às direções dos deslocamentos di e dj. c) Coeficientes de rigidez ou esforços nas direções F1 e F2.Verifica-se facilmente que a flexibilidade e a rigidez da mola são uma a inversa da outra: 1 k = . F1 = 1 e F2= 1. devido a forças unitárias aplicadas.F2 d2 = S21 . respectivamente. definido como o deslocamento que surge na direção de di devido à aplicação de uma força unitária na direção dj. com base no princípio da superposição pode-se escrever as seguintes equações de compatibilidade de deslocamentos nestas mesmas direções: ′ . conforme a Figura (2. a estrutura simples de comportamento elástico linear. devido a deslocamentos unitárias impostos. b) Coeficientes de flexibilidade ou deslocamentos nas direções d1 e d2.17) sendo S’ij.15) K' e: 1 K' = = K -1 . conforme a Figura (2. = K'-1 (2. e os correspondentes deslocamentos d1 e d2. d1 = 1 e d2= 1 Seja agora como exemplo.F1 + S12 ′ .19a).22 .Viga elástica: a) Forças no balanço F1 e F2 e deslocamentos correspondentes d1 e d2.F2 d1 = S11 ′ .19b).19 . (2. 2.F1 + S22 ′ .

mas quaisquer que sejam as incógnitas hiperestáticas escolhidas.3. com base no princípio da superposição.2. associadas aos vínculos superabundantes escolhidos. A partir das incógnitas hiperestáticas. Nos casos de análises de estruturas de barras de comportamento linear. ser feita de muitas diferentes formas para uma mesma estrutura. as forças ou os deslocamentos podem ser definidos como incógnitas básicas ou variáveis primárias da análise. uma adequada equação de compatibilidade de 2. é possível se escrever as equações de equilíbrio.d2 (2. denominados de incógnitas hiperestáticas. de Método da Flexibilidade e Método da Rigidez. Além disso. Na análise estrutural com base no Método da Flexibilidade. respectivamente.d1 + S12 . definindo as forças em função dos deslocamentos como: F1 = S11 . os demais esforços atuantes nas extremidades das barras podem ser obtidos com emprego das equações de equilíbrio estático disponíveis. definido como a força que surge na direção de di devido à imposição de um deslocamento de valor unitário na direção dj. conforme a Figura (2. Assim. o modelo de deslocamentos. estes modelos de análise são usualmente designados. designadas de incógnitas ou esforços hiperestáticos. as incógnitas básicas (variáveis primárias) são definidas pelos esforços associados aos vínculos superabundantes. que exprimem os deslocamentos em função das forças.19c).d1 + S22 . em geral. Método da Flexibilidade e Método da Rigidez. 2. No primeiro caso tem-se o modelo de forças e. uma vez que são estaticamente determinadas. estruturas isostáticas não apresentam nenhuma incógnita pelo Método das Forças.Ao invés de escrever as equações de compatibilidade. Esta escolha pode. o coeficiente de rigidez associado aos deslocamentos nas direções di e dj.d2 F2 = S21 . elas devem ser sempre em número igual ao grau de indeterminação estática da estrutura. Como relatado. Na análise do comportamento de uma estrutura. a partir dos esforços de extremidades de cada barra podem ser obtidos os esforços solicitantes em qualquer ponto da barra considerada. na análise de uma estrutura hiperestática pelo Método da Flexibilidade é necessário de início definir as incógnitas básicas. nos quais é válido o princípio da superposição. no segundo.18) sendo Sij. A partir da escolha das incógnitas hiperestáticas pode-se montar.23 .

A estrutura liberada obtida com a eliminação dos vínculos superabundantes é designada de sistema principal. a princípio. (2. nas direções das incógnitas hiperestáticas. definido como a estrutura isostática obtida a partir da estrutura original pela liberação dos vínculos correspondentes às incógnitas hiperestáticas escolhidas. seja efetuar a análise da viga contínua representada na Figura (2.20).19) δ n1 X1 + δn2 X2 + L + δ nn Xn + δ n0 = 0 • determinação dos esforços hiperestáticos (Xi) pela solução do sistema de equações anterior. A idéia básica para a formulação do método da flexibilidade consiste em se considerar que o comportamento da estrutura hiperestática original. Assim. Cada uma destas equações de compatibilidade irá relacionar uma ou várias incógnitas hiperestáticas. devido a cada uma das incógnitas hiperestáticas atuando isoladamente (com as demais nulas) com valor unitário. por exemplo. podendo serem escritas genericamente na forma: δ 11 X1 + δ12 X2 + L + δ 1n Xn + δ 10 = 0 M M M M δ 21 X1 + δ 22 X2 + L + δ 2n Xn + δ 20 = 0 . As incógnitas hiperestáticas podem. por exemplo. • montagem do sistema de equações de compatibilidade de deslocamentos relativas às direções correspondentes às incógnitas hiperestáticas. o processo de cálculo do Método da Flexibilidade envolve então as seguintes etapas: • Escolha das incógnitas ou esforços hiperestáticos (Xi) e do sistema principal associado. as equações de compatibilidade representam ou uma continuidade no campo de deslocamentos (caso de incógnitas representativas de um esforço solicitante interno) ou um impedimento de deslocamento (caso de incógnitas representativas de uma reação de apoio ou esforço externo). com base no princípio da superposição. • determinação dos deslocamentos (δij) no sistema principal.deslocamento associada à direção de cada uma das incógnitas hiperestática. considerando os momentos fletores nos 2. cálculo das reações de apoio e dos esforços nos demais pontos de interesse da estrutura. Assim. devido às ações externas aplicadas à estrutura. Quando as ações atuantes não decorrem de um deslocamento de apoio. nas direções das incógnitas hiperestáticas. somado ao comportamento desta mesma estrutura liberada submetida à ação de cada um dos esforços hiperestáticos. dependendo da forma da estrutura e das incógnitas escolhidas.24 . é igual ao comportamento da estrutura obtida pela liberação dos vínculos superabundantes submetida às cargas externas aplicadas. • determinação dos deslocamentos (δi0) no sistema principal. serem escolhidas de diferentes modos como.

b) Sistema principal e incógnitas hiperestáticas. c) deslocamentos de rotação associados às incógnitas hiperestáticas definidas por momentos nos apoios. Assim.20 . b) Com liberação dos deslocamentos verticais e reações verticais como incógnitas hiperestáticas.21 .21). conforme representado na Figura (2.Viga contínua com grau de indeterminação estática três.apoios (uma reação de apoio e dois esforços solicitantes internos) ou as reações verticais.22: a) Viga original com representação da elástica ou deformada.25 . Y. no primeiro 2. As equações a serem montadas refletem as condições de compatibilidade dos deslocamentos nas direções das incógnitas hiperestáticas. (a) X1 1 L1 (b) q1 1 X1 L1 X2 q1 X2 2 L2 q2 2 L2 X3 L3 L4 q2 X3 3 L3 q3 3 4 4 L4 q4 4 5 q3 q4 Figura 2.Escolha do sistema principal: a) Com liberação das rotações nos apoios e momentos fletores como incógnitas hiperestáticas. v q (a) q1 X1 (b) θ1=0 (c) 1 1 θ2 e q1 1 1 2 q2 2 3 q3 4 q4 4 5 3 q2 X2 elástica ou linha deformada da viga q3 q4 X3 1 θ2 2 d 2 θ3 2 θ3 e d 3 4 3 3 4 4 5 Figura 2. v q 1 q1 1 L1 2 q2 2 L2 3 q3 q4 4 4 L4 5 3 L3 Figura 2. Y.

(2.caso utilizam-se equações de compatibilidade de rotações representadas na Figura (2. O sistema de equações de compatibilidade definido de forma genérica em (2.{− δ 0 } 2.23 a) Linha elástica ou deformada. (2.3. c) deslocamentos de rotação associados às incógnitas hiperestáticas definidas por momentos nos apoios.21) 3 elástica ou linha deformada da viga (b) q1 1 X1 (c) 1 1 2 2 3 3 4 4 5 q2 2 X2 X3 q4 4 5 3 δ = v 1= 0 1 δ = v2 = 0 2 δ =v =0 2 2 Figura 2. v θ 1 q1 1 2 q2 2 3 q3 q4 4 4 q3 4 5 (2. b) Sistema principal e incógnitas hiperestáticas.23.23) {X} = [δ]−1 .22) sendo a matriz [δ] designada de matriz de flexibilidade da estrutura associada Com base no teorema dos deslocamentos recíprocos (Maxwell) prova-se a existência de simetria na matriz de flexibilidade.26 .24) 2.19) pode ser escrito em forma matricial como: [δ]{X} = −{δ 0 } às incógnitas hiperestáticas escolhidas.3. v2 = 0 e v3 = 0 (a) Y. isto é: δ ij = δ ji . utilizam-se equações de compatibilidade relativas aos deslocamentos verticais definidas por: v1 = 0 . Método da Rigidez (2.20) No segundo caso.22) e definidas por: e d e d θ1 = 0 . θ2 = θ2 e θ3 = θ3 . A solução do sistema pode ser obtida fazendo-se: (2. representado na Figura 2.

nas direções das incógnitas cinemáticas. é igual ao comportamento da estrutura restringida. as incógnitas cinemáticas associadas às barras que formam a estrutura são definidas de forma única. obtida pelo impedimento aos deslocamentos nodais. A idéia básica para a formulação do método da rigidez consiste em se considerar que o comportamento da estrutura original. todos os demais deslocamentos nodais constituem-se em incógnitas cinemáticas do problema. devido a cada uma das incógnitas cinemáticas atuando isoladamente (com as demais nulas) com valor unitário. Desprezando-se a presença de eventuais forças normais e respectivas 2. nas direções das incógnitas cinemáticas. • montagem do sistema de equações de equilíbrio de forças relativas às direções correspondentes às incógnitas cinemáticas. submetida às cargas externas aplicadas. a partir da adequada montagem da equação de equilíbrio de forças na direção de cada uma das incógnitas cinemáticas.27 . determinação dos esforços nas extremidades das barras. A partir da definição da geometria da estrutura e dos apoios externos. devido às ações externas aplicadas à estrutura. o processo de cálculo do Método da Rigidez envolve então as seguintes etapas: • determinação dos esforços (Fio) na estrutura restringida.233).25) • determinação dos deslocamentos nodais incógnitos (di) pela solução do sistema de equações anterior. Assim.Na análise estrutural com o Método da Rigidez as incógnitas básicas ou variáveis primárias são definidas pelos deslocamentos nodais incógnitos ou incógnitas cinemáticas do problema. que podem ser escritas genericamente na forma: s21 d1 + s22 d2 + L + s2n dn + F20 = 0 sn1 d1 + sn2 d2 + L + snn dn + Fn0 = 0 M M M M s11 d1 + s12 d2 + L + s1n dn + F10 = 0 (2. Na análise da viga contínua definida na Figura (2. com base no princípio da superposição. • determinação dos esforços (sij) na estrutura restringida. A formulação do Método da Rigidez pode ser desenvolvida com base no princípio da superposição. cálculo das reações de apoio e dos esforços e ou deslocamentos nos demais pontos de interesse da estrutura. somado ao comportamento desta mesma estrutura restringida submetida à ação de cada um dos deslocamentos nodais.

θ3.24). c) incógnitas cinemáticas ou deslocamentos nodais incógnitos. Assim.28 .a) viga de quatro elementos e cinco nós. e equilíbrio de forças verticais na direção de v5.26) sendo a matriz [S] designada de matriz de rigidez da estrutura associada às {d} = [S]-1 {− F} . θ4 e θ5. b) estrutura restringida. utilizam-se equações de equilíbrio de momentos fletores nas direções dos deslocamentos θ2. v θ 1 q1 1 2 q2 2 3 q3 4 q4 4 5 (a) 3 elástica ou linha deformada da viga (b) 1 d1= θ2 (c) 1 1 2 2 2 d2 = θ 3 3 3 3 d3= θ 4 4 4 5 4 d4 = v5 d5= θ 5 Figura 2.24 .27) Deve-se ter em mente que a matriz de rigidez de uma estrutura é igual à inversa da matriz de flexibilidade e vice-versa. O sistema de equações de equilíbrio definido de forma genérica em (2. incógnitas cinemáticas do problema. A solução do sistema pode efetuada fazendo-se: (2. Y. apenas quando ambas as matrizes são obtidas considerando-se o mesmo conjunto de deslocamentos e forças nodais correspondentes. As equações a serem montadas refletem as condições de equilíbrio das forças nas direções deslocamentos nodais incógnitos. (2.deformações.25) pode ser escrito em forma matricial como: [S]{d} = {− F} . os deslocamentos nodais incógnitos são os representados na Figura (2. 2.