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CONHECIMENTOS GERAIS E ATUALIDADES

INTRODUÇÃO
Uma síntese do Brasil atual
A seguir iremos apresentar uma síntese dos indicadores sociais que trazem um retrato do Brasil. É
interessante você estudá-las sem a preocupação de não decorar nenhum dos dados que serão
apresentados, todavia será de grande ajuda para você que está estudando a atualidade brasileira, pois
esses dados poderão lhe ajudar na visão global do que venha a ser os problemas brasileiros da atualidade.
A Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE mostra que, em 2003, os domicílios urbanos brasileiros
eram, em sua maioria, próprios (73,7%), do tipo casa (87,7%), cobertos de telha (74,2%), com paredes de
alvenaria (91%), servidos por luz elétrica (99,5%), abastecidos por rede geral de água (89,6%), lixo coletado
direta ou indiretamente (96,5%), e apresentavam em média 3,5 moradores. Havia televisão a cores em
90,3% deles, e geladeira em 91,7%.
A educação continua registrando os maiores avanços, com a média de anos de estudos crescendo um
ano e meio ao longo da década e subindo para 6,4 anos em 2003, embora quase um terço (30,3%) da
população acima dos 25 anos de idade tenha menos de quatro anos de estudo. O grupo etário que
apresentou maior avanço na freqüência à escola foi o de 18 a 24 anos, um aumento de 47% em dez anos,
ainda que a defasagem escolar seja marcante em todas as regiões. A diferença em anos de estudo entre os
20% mais ricos e os 20% mais pobres chega a 6,5 anos.
Em 2003, havia 87,7 milhões de pessoas de dez anos ou mais de idade no mercado de trabalho e a
taxa de desocupação foi de 9,7%. Os jovens, as mulheres e os mais escolarizados eram os mais afetados
pelo desemprego. A redução no rendimento do trabalho prosseguiu (-7,5% em relação a 2002), embora a
queda da renda dos 40% com menores rendimentos (3%) tenha sido inferior à dos 10% com maiores
rendimentos (9%). Com isso, houve ligeira redução da desigualdade entre os rendimentos médios desses
dois grupos: em 2002, eles distavam 18 vezes um do outro e, em 2003, 16,9 vezes. Havia 5,1 milhões de
crianças e adolescentes (5 a 17 anos) trabalhando, e 1,3 milhão delas tinham de cinco a 13 anos de idade,
contingente equivalente à população de Tocantins.
Quase metade das mulheres que trabalhavam, ganhavam até um salário mínimo. Cerca de 71% dos 2,6
milhões de mulheres que moravam sozinhas tinham mais de 50 anos de idade. Já os idosos eram 16,7
milhões (9,6%). Quase não houve alteração no número de casamentos, de 1993 a 2003 e, neste último ano,
10% dos cônjuges tinham menos de 20 anos.
A mortalidade infantil continuou caindo e em 2003 registrou 27 óbitos de menores de um ano por mil
nascidos vivos, mas a taxa de mortalidade de homens (183 mortes por 100 mil habitantes), por causas
externas, era dez vezes superior à das mulheres (18 por 100 mil habitantes). Em 1980, entre a população
masculina, a taxa de mortes por causas naturais (128 por 100 mil habitantes) superava a de óbitos por
causas externas (121 por 100 mil habitantes). Em 2003, as mesmas taxas eram, respectivamente, de 183,8
e 74,9 (por 100 mil habitantes).
A República Federativa do Brasil é o maior e mais populoso país da América Latina e o quinto maior do
mundo, sua área total é de 8.511.965 km
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. Localiza-se na parte central e nordeste da América do Sul. Suas
fronteiras ao norte são com a Venezuela, a Guiana, o Suriname e com o departamento ultramarino francês
da Guiana Francesa; tem costas ao nordeste, leste e sudeste no oceano Atlântico. Ao sul, faz fronteira com
o Uruguai; a sudoeste, com a Argentina e o Paraguai; a oeste, com a Bolívia e o Peru; e a noroeste, com a
Colômbia. Os únicos países sul-americanos que não fazem fronteira com o Brasil são Chile e Equador. Bem
além do território continental, o Brasil também possui alguns pequenos grupos de ilhas no oceano Atlântico:
Penedos de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha e Trindade e Martim Vaz. Há também um
complexo de pequenas ilhas e corais chamado Atol das Rocas.
Sua geografia é diversificada, com paisagens semi-áridas, montanhosas, de planície tropical,
subtropical, com climas variando do seco sertão nordestino ao chuvoso clima tropical equatorial, ao frio da
região sul, com clima subtropical e geadas.
Seu povo é o resultado da miscigenação de diferentes etnias e culturas, com influências tanto dos
ameríndios, moradores originais do continente, quanto dos europeus invasores e imigrantes, bem como dos
africanos que foram trazidos como escravos. Além desses, participam também os povos asiáticos, mas de
influência mais limitada. A imigração foi incentivada pelo governo no final do século XIX, após a abolição da
escravatura, para compor a mão-de-obra que iria trabalhar nas lavouras de café e nas nascentes indústrias.
Houve forte fluxo de emigrantes para a região Sudeste (italianos, espanhóis, portugueses) e para a região
Sul (alemães, poloneses, eslavos). Outros surtos imigratórios, causados por fatores externos, trouxeram
judeus, japoneses e sul-americanos em geral.
Essa miscigenação é responsável, em parte, pelo fato de o Brasil ser reconhecido como um dos países
mais abertos e tolerantes às diferenças culturais. Pessoas das mais diferentes origens, etnias e credos
convivem lado a lado, sem tensões sociais, contribuindo para uma cultura rica e diversificada.
Divisão político-administrativa
Possui 26 estados e o Distrito Federal, distribuídos em 5 grandes regiões criadas pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística).
Com a Constituição de 1988, a República Federativa do Brasil passou a ter 26 estados ou unidades da
Federação e o Distrito Federal. Os estados são subdivididos em municípios e estes, em distritos. O DF é
dividido em Regiões Administrativas (RAs) subordinadas ao GDF (Governo do Distrito Federal), no qual se
encontra sediado o governo federal, com seus Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Por lei, o Distrito
Federal não pode ser dividido em municípios, por apresentar Brasília como a Capital Federal.
As 27 unidades da Federação (26 estados e o Distrito Federal) são agrupadas, para fins estatísticos e,
em alguns casos, de orientação da atuação Federal, em cinco grandes regiões: Centro-Oeste, Nordeste,
Norte, Sudeste e Sul.
Cada estado, bem como o Distrito Federal, tem seus próprios órgãos executivos (na figura do
Governador), legislativos (Assembléia Legislativa unicameral; no caso do DF. Câmara Legislativa) e
judiciários (tribunais estaduais).
Apenas aos estados cabe subdividir-se em municípios, que variam em número, entre 15 (Roraima) e
853 (Minas Gerais). As menores unidades autônomas da Federação dispõem apenas do poder Executivo,
exercido pelo Prefeito, e Legislativo, sediado na Câmara Municipal.
Os municípios constituem unidades autônomas e regem-se por leis próprias, de acordo com a
Constituição Federal e a Constituição dos Estados em que se situam.
Abaixo, os Estados que compõem cada região e o Distrito Federal:
Região Centro-Oeste
Distrito Federal (DF)
Goiás (GO)
Mato Grosso (MT)
Mato Grosso do Sul (MS)
Região Nordeste
Alagoas (AL)
Bahia (BA)
Ceará (CE)
Maranhão (MA)
Paraíba (PB)
Pernambuco (PE)
Piauí (PI)
Rio Grande do Norte (RN)
Sergipe (SE)
Região Norte
Acre (AC)
Amapá (AP)
Amazonas (AM)
Pará (PA)
Rondônia (RO)
Roraima (RR)
Tocantins (TO)
Região Sudeste
Espírito Santo (ES)
Minas Gerais (MG)
Rio de Janeiro (RJ)
São Paulo (SP)
Região Sul
Paraná (PR)
Rio Grande do Sul (RS)
Santa Catarina (SC)
Cidades brasileiras com mais de 1 milhão/hab.
Cidade Estado População
São Paulo SP 11.016.703
Rio de
Janeiro RJ 6.136.652
Salvador BA 2.711.372
Fortaleza CE 2.416.920
Belo
Horizonte MG 2.399.920
Brasília DF 2.383.784
Manaus AM 1.927.346
Curitiba PR 1.788.559
Recife PE 1.515.052
Porto Alegre RS 1.440.939
Belém PA 1.428.368
Guarulhos SP 1.283.253
Goiânia GO 1.220.412
Campinas SP 1.059.420
Fonte: IBGE 2006
Brasil, uma visão geral
Área: 8.514.205 km
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Capital: Brasília (2.383.784 habitantes, 2006)
PIB: R$ 2,148 trilhões, 2005 (fonte: IBGE)
Estimativas da população no dia 8 de outubro de 2007 às 14 horas e 6 minutos. Somos agora no Brasil:
189.824.892 habitantes. Somos agora no Mundo: 6.626.134.355 habitantes.
Fonte: IBGE www.ibge.gov.br/home/disseminacao/online/popclock/popclock.php
Localização: Leste da América do Sul
Climas: Equatorial, tropical, tropical de altitude, atlântico, subtropical e semi-árido.
Expectativa de vida: 71,7 anos (2004)
Área de Floresta: 5.511.000 km
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Desmatamento: 25.544 km
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ao ano (1995-2000)..
As altitudes do território brasileiro são modestas; de modo geral. O território não apresenta grandes
cadeias de montanhas, cordilheiras ou similares.
O ponto mais elevado no Brasil é o pico da Neblina, com cerca de 3.014 m de altura. O ponto mais
baixo é o oceano Atlântico, com altitude de 0 m.
Ao norte, o limite é a nascente do rio Ailã, no Monte Caburai, Roraima, fronteira com a Guiana.
Ao sul, o limite extremo é uma curva do arroio Chuí, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai.
No leste, o ponto extremo é a ponta do Seixas, na Paraíba.
O ponto extremo do oeste é a nascente do rio Moa, na serra de Contamana ou do Divisor, no Acre,
fronteira com o Peru.
CARACTERÍSTICAS DO RELEVO E DA VEGETAÇÃO
As chuvas tropicais são as principais responsáveis pelas alterações de relevo no território brasileiro.
Uma vez que o Brasil não apresenta falhas geológicas na crosta terrestre de seu território, os tremores de
terra que ocasionalmente ocorrem no país são resultado de abalos sísmicos em pontos distantes.
Os planaltos são predominantes no relevo brasileiro. As regiões entre 201 e 1.200 m acima do nível
do mar correspondem a 4.976.145 km2, ou 58,46% do território. Existem dois planaltos predominantes no
Brasil: o Planalto das Guianas e o Planalto Brasileiro. As regiões acima de 1.200 m de altura representam
apenas 0,54% da superfície do país, ou 42.267 km2. As planícies Amazônica, do Pantanal, do Pampa e
Costeira ocupam os 41% restantes . Predominam no Brasil as altitudes modestas, sendo que 93% do
território está a menos de 900 m de altitude.
O território brasileiro, de um modo geral, é constituído de estruturas geológicas muito antigas,
apresentando, também, bacias de sedimentação recente. Essas bacias recentes datam do terciário e
quaternário (cenozóico – 70 milhões de anos) e correspondem aos terrenos do Pantanal mato-grossense,
parte da bacia Amazônica e trechos do litoral nordeste e sul do país. O restante do território tem idades
geológicas que vão do Paleozóico ao Mesozóico (o que significa entre um bilhão e 140 milhões de anos),
para as grandes áreas sedimentares, e ao pré-cambriano (acima de 1 bilhão de anos), para os terrenos
cristalinos.
As estruturas e formações rochosas são antigas, mas as formas de relevo são recentes, decorrentes
do desgaste erosivo. Grande parte das rochas e estruturas do relevo brasileiro são anteriores à atual
configuração do continente sul-americano, que passou a ter o formato atual depois do levantamento da
cordilheira dos Andes, a partir do Mesozóico. Podemos identificar três grandes unidades geomorfológicas
que refletem sua gênese: os Planaltos, as Depressões e as Planícies.
Unidades de planaltos
1. Os planaltos em bacias sedimentares são limitados por depressões periféricas ou marginais e se
caracterizam por apresentar relevos escarpados representados por frentes de cuestas (borda escarpada e
reverso suave). Nessa categoria estão os planaltos da Amazônia Oriental, os planaltos e chapadas da
bacia do Parnaíba e os planaltos e chapadas da bacia do Paraná.
2. Os planaltos em intrusões e coberturas residuais de plataforma constituem o resultado de ciclos
erosivos variados e se caracterizam por uma série de morros e serras isolados, relacionados a intrusões
graníticas, derrames vulcânicos antigos e dobramentos pré-cambrianos, a exceção do planalto e Chapada
dos Parecis, que é do Cretáceo (mais de 70 milhões de anos). Nessa categoria destacam-se os planaltos
residuais norte-amazônicos, os planaltos residuais sul-amazônicos e o planalto e a chapada dos Parecis.
3. Os planaltos em núcleos cristalinos arqueados – Estas categorias estão representadas pelo planalto
da Borborema e pelo Planalto sul-rio-grandense. Ambos fazem parte do cinturão orogênico da faixa
Atlântica.
4. Planalto em cinturões orogênicos – Ocorrem nas faixas de orogenia (movimento geológico de
formação de montanhas) antiga e se constituem de relevos residuais apoiados em rochas geralmente
metamórficas, associadas a intrusivas. Esses planaltos situam-se em áreas de estruturas dobradas que
abrangem os cinturões Paraguai-Araguaia, Brasília e Atlântico. Nesses planaltos localizam-se inúmeras
serras, geralmente associadas a resíduos de estruturas intensamente dobradas e erodidas. Nessa
categoria destacam-se: a) os planaltos e serras do Atlântico Leste-Sudeste, associados ao cinturão do
Atlântico, sobressaindo as serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço, e fossas tectônicas como o vale
do Paraíba do Sul; b) os planaltos e serras de Goiás-Minas, que estão ligados à faixa de dobramento do
cinturão de Brasília, destacando-se as serras da Canastra e Dourada, entre outras; c) serras residuais do
alto-Paraguai, que fazem parte do chamado cinturão orogênico Paraguai-Araguaia, com dois setores, um
ao sul e outro ao norte do Pantanal mato-grossense, com as denominações locais de serra da Bodoquena
e Província Serrana, respectivamente.
Unidades de depressões
As depressões brasileiras, excetuada a amazônica ocidental, caracterizam-se por terem sido
originadas por processos erosivos. Essas depressões se caracterizam ainda por possuir estruturas
bastante diferenciadas, conseqüência das várias fases erosivas dos períodos geológicos. Podemos
enumerar as várias depressões do território brasileiro: a) depressão amazônica ocidental, b) depressões
marginais amazônicas, c) depressão marginal norte-amazônica, d) depressão marginal sul-amazônica, e)
depressão do Araguaia, f) depressão cuiabana, g) as depressões do Alto-Paraguai e Guaporé, h)
depressão do Miranda, i) depressão do Tocantins, j) depressão sertaneja do São Francisco, 1) depressão
da borda leste da bacia do Paraná; m) depressão periférica central ou sul-rio-grandense.
Unidades de planícies
Correspondem geneticamente às áreas predominantemente planas, decorrentes da deposição de
sedimentos recentes de origem fluvial, marinha ou lacustre. Estão geralmente associadas aos depósitos
quaternários, principalmente holocênicos (de 20 mil anos atrás). Nessa categoria podemos destacar as
planícies do rio Amazonas onde se situa a ilha de Marajó, a do Araguaia com a ilha de Bananal, do
Guaporé, do Pantanal do rio Paraguai ou mato-grossense, além das planícies das lagoas dos Patos e
Mirim e as várias outras pequenas planícies e tabuleiros ao longo do litoral brasileiro.
Planalto das Guianas
Ocupa o norte do país e nele se encontram os dois pontos mais elevados do território brasileiro,
localizados na serra Imeri: os picos da Neblina (3.014 m) e 31 de março (2.992 m).
Planalto Brasileiro
Devido a sua extensão e diversidade de características, o Planalto Brasileiro é subdividido em três
partes: o planalto Atlântico, que ocupa o litoral de nordeste a sul, com chapadas e serras; o planalto
Central, que ocupa a região Centro-Oeste e é formado por planaltos sedimentares e planaltos cristalinos
bastante antigos e desgastados; e o planalto Meridional, que predomina nas regiões Sudeste e Sul e
extremidade sul do Centro-Oeste, formado por terrenos sedimentares recobertos parcialmente por
derrames de lavas basálticas, que proporcionaram a formação do solo fértil da chamada terra roxa.
Planície Amazônica
Estende-se pela bacia sedimentar situada entre os planaltos das Guianas ao norte e o Brasileiro ao sul,
a cordilheira dos Andes a oeste e o oceano Atlântico a nordeste. Divide-se em três partes: várzeas, que são
as áreas localizadas ao longo dos rios, permanecendo inundadas por grande parte do ano; tesos, regiões
mais altas, inundáveis apenas na época das cheias; e firmes, terrenos mais antigos e elevados, que se
encontram fora do alcance das cheias.
Planície do Pantanal
Ocupa a depressão onde corre o rio Paraguai e seus afluentes, na região próxima à fronteira do Brasil
com o Paraguai. Nela ocorrem grandes enchentes na época das chuvas, transformando a região num
grande lago.
Planície do Pampa
Também denominada Gaúcha, ocupa a região sul do estado do Rio Grande do Sul e apresenta terrenos
ondulados, conhecidos como coxilhas.
Planície Costeira
Estende-se pelo litoral, desde o estado do Maranhão na região Nordeste, até o estado do Rio Grande
do Sul, numa faixa de largura irregular. Em alguns trechos da região Sudeste os planaltos chegam até a
costa, formando um relevo original, as chamadas falésias ou costões.
Clima
Em conseqüência de fatores variados, a diversidade climática do território brasileiro é muito grande.
Dentre eles, destacam-se a fisionomia geográfica, a extensão territorial, o relevo e a dinâmica das massas
de ar. Este último fator é de suma importância porque atua diretamente tanto na temperatura quanto na
pluviosidade, provocando as diferenciações climáticas regionais. As massas de ar que interferem mais
diretamente são a equatorial (continental e atlântica), a tropical (continental e atlântica) e a polar atlântica.
O Brasil apresenta:
a) clima superúmido com características diversas, tais como o superúmido quente (equatorial), em
trechos da região Norte; superúmido mesotérmico (subtropical), no norte do Paraná e sul de São Paulo, e
superúmido quente (tropical), numa estreita faixa litorânea de São Paulo ao Rio de Janeiro, Vitória, sul da
Bahia até Salvador, sul de Sergipe e norte de Alagoas.
b) clima úmido, também com várias características: clima úmido quente (equatorial), no Acre, Rondônia,
Roraima, norte de Mato Grosso, leste do Amazonas, Pará, Amapá e pequeno trecho a oeste do Maranhão;
clima úmido subquente (tropical), em São Paulo e sul do Mato Grosso do Sul, e o clima úmido quente
(tropical), no Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, sudoeste e uma estreita faixa do oeste de Minas Gerais, e
uma faixa de Sergipe e do litoral de Alagoas à Paraíba.
c) clima semi-úmido quente (tropical), corresponde à área sul do Mato Grosso do Sul, Goiás, sul do
Maranhão, sudoeste do Piauí, Minas Gerais, uma faixa bem estreita a leste da Bahia, a oeste do Rio
Grande do Norte e um trecho da Bahia meridional.
d) clima semi-árido, com diversificação quanto à umidade, correspondendo a uma ampla área do clima
tropical quente. Assim, tem-se o clima semi-árido brando, no nordeste do Maranhão, Piauí e parte sul da
Bahia; o semi-árido mediano, no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e interior da Bahia; o
semi-árido forte ao norte da Bahia e interior da Paraíba, e o semi-árido muito forte em pequenas porções do
interior da Paraíba, de Pernambuco e norte da Bahia.
e) clima mesotérmico, tipo temperado, domina praticamente toda a região Sul.
O clima do Brasil é, em grande parte, tropical, mas o sul do país apresenta clima subtropical.
A região Norte, que compreende os estados do Amazonas, Acre, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e
Amapá, tem clima equatorial, que confere à região uma boa distribuição anual de chuvas, com temperaturas
elevadas e baixa amplitude térmica anual.
A região Nordeste tem clima diverso, variando de equatorial (Maranhão e parte do Piauí) a semi-árido (a
região da caatinga, compreendendo o coração do Nordeste), e tropical, no centro e sul da Bahia. Os
estados da região são o Maranhão, Piauí, Bahia, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do
Norte e Paraíba.
A região Centro-Oeste, com os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além do Distrito
Federal, apresenta clima tropical semi-úmido, com destaque para o período de chuvas, que alimenta o
Pantanal Mato-Grossense.
Na região Sudeste, que compreende os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito
Santo, predomina, nas regiões mais altas, um clima tropical ameno, com quatro estações bem distintas. Já
no oeste e noroeste do estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro predomina o clima tropical semi-úmido
semelhante ao do cerrado do Centro-Oeste.
A região Sul do país tem clima subtropical, com baixas temperaturas nas serras gaúcha e catarinense,
sendo comum a formação de geadas na região durante o inverno. Há ainda a formação de neve em anos
muito frios. E composta pelos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
VEGETAÇÃO
Podemos dizer que no Brasil existem grandes Domínios de Vegetação, em razão de sua localização
geográfica e da combinação dos vários elementos do seu quadro natural. A seguir, citaremos alguns
aspectos dos principais tipos de vegetação do Brasil.
Domínios florestados
A paisagem natural brasileira vem sofrendo sérias devastações, diminuindo sua extensão territorial e
sua biodiversidade.
A Amazônia, desde muito tempo, sofre com as queimadas, efetivadas para práticas agrícolas, apesar
de seu solo não ser adequado a tais atividades. Com as queimadas, as chuvas, constantes na região,
terminam por atingir mais intensamente o solo (antes protegido pelas copas das árvores), que,
conseqüentemente, sofre lixiviação, perdendo seu húmus, importante para a fertilidade do solo. Intenso
desmatamento também é realizado na região, para mineração e para extração de madeira.
Também a mata Atlântica, imprópria para a agricultura e para a criação de gado, sofre agressões
antrópicas, principalmente de caça e pesca predatórias, de queimadas e de poluição industrial. Em razão
disso, o governo federal estabeleceu que a chapada Diamantina seria urna área de preservação ambiental.
Sofrem ainda o Pantanal, os manguezais e as araucárias.
Domínio amazônico
Situado, em sua maior parte, na região Norte do país, o domínio amazônico compõe-se de planaltos,
depressões e uma faixa latitudinal de planície e apresenta vegetação perenifólia, latifoliada (de folhas
largas), rica em madeira de lei e densa, o que impede que cerca de 95% da luz solar não atinja o solo e,
portanto, o desenvolvimento de herbáceas.
No verão, quando a Zona de convergência intertropical se estabelece no sul do país, os ventos
formados no anticiclone dos Açores são levados pelo movimento dos alísios ao continente e, ao penetrá-lo,
assimila a umidade proveniente da evapotranspiração da Floresta Amazônica. Essa massa de ar úmida é
chamada de massa equatorial continental, sendo responsável pelo alto índice pluviométrico da região. Além
de úmida, a floresta Amazônica também é quente, apresentando, em decorrência de sua abrangência
latitudinal, clima equatorial.
No inverno, quando a Zona de convergência intertropical se estabelece no norte do país, a massa polar
atlântica, oriunda da Patagônia, após percorrer o longo corredor entre a Cordilheira dos Andes e o Planalto
Central, chega à Amazônia seca, porém ainda fria, o que ocasiona friagem na região e, com isso,
diminuição das chuvas.
A vegetação da Amazônia, além de latifoliada e densa, encontra-se em solo do tipo latossolo, pobre em
minerais, e possui uma grande variedade de espécies, geralmente autofágicas, em virtude da grande
presença de húmus nas folhas. Observa-se a presença de três subtipos: a mata de terra firme, onde se nota
a presença de árvores altas, como o guaraná, o caucho (do qual se extrai o látex) e a castanheira-do-pará,
que, em geral, atinge 60 metros de altura, a mata de igapó, localizada em terras mais baixas, zonas
alagadas pelos rios e onde vivem plantas como a vitória-régia, e a mata de várzea, onde se encontram
palmeiras, seringueiras e jatobás.
Domínio do cerrado
Localizado, em sua maior parte, na porção central do país, constitui, em geral, uma vegetação
caducifólia, ou seja, as plantas largam suas folhas sazonalmente para suportar um período de seca,
exatamente porque o clima da região é o tropical típico, com duas estações bem definidas (típicas): verão
úmido e inverno seco.
A umidade do verão se deve principalmente à atuação da massa tropical atlântica, úmida, por se formar
no arquipélago dos Açores, e quente, em função da tropicalidade.
O cerrado é, em sua porção setentrional, conhecido como Cerradão, área cuja presença de água e de
árvores pequenas se faz destaque. Nos territórios centrais, é conhecido como Cerrado Verdadeiro, marcado
pela grande presença de arbustos retorcidos separados por herbáceas e solos ácidos (os quais requerem
calagem para o desenvolvimento da agricultura). Na parte sul, o cerrado é conhecido como Campos Sujos
ou Cerradinho, onde é significativa a presença de gramíneas.
Na região, encontram-se ainda os escudos cristalinos do Planalto Central.
Domínio da caatinga
A caatinga está localizada na região Nordeste, apresentando depressões e clima semi-árido,
caracterizado pelas altas temperaturas e pela má distribuição de chuvas durante o ano.
A massa equatorial atlântica, formada no arquipélago dos Açores, ao chegar ao Nordeste, é barrada no
barlavento do planalto Nordestino (notadamente Borborema, Apodi e Araripe), onde ganha altitude e
precipita (chuvas orográficas), chegando praticamente seca à caatinga.
Apesar de sua aparência, a vegetação da Caatinga é muito rica, variando a maioria delas conforme a
época de chuvas e conforme a localização. Muitas espécies ainda não foram catalogadas. As bromélias e
os cactos são as duas principais famílias da região, destacando-se os mandacarus, os caroás, os xique-
xiques, as macambiras e outras mais.
Domínio dos mares de morro
Localizado em grande parte da porção leste, o domínio dos mares de morro é assim chamado por
causa de sua forma, oriunda da erosão, gerada principalmente pela ação das chuvas.
Encontram-se na região a floresta Tropical, mata Atlântica ou mata de Encosta, caracterizada pela
presença de uma grande variedade de espécies, a planície litorânea, largamente devastada, onde ainda se
destacam as dunas, os mangues e as praias, e serras elevadas, como a serra do Mar, a serra do Espinhaço
e a serra da Mantiqueira.
No litoral do Nordeste, encontra-se o solo de massapé, excelente para a prática agrícola, sendo
historicamente ligado à monocultura latifundiária da cana-de-açúcar.
Apresenta clima tropical típico e tropical litorâneo, caracterizado pela atuação da massa tropical
atlântica, formada no arquipélago de Santa Helena.
Domínio das araucárias
As araucárias se estendiam a grandes porções do planalto Meridional, mas, por causa da intensa
devastação gerada para o desenvolvimento da agropecuária e do extrativismo, hoje só são encontradas em
áreas reflorestadas.
Abrangem planaltos e chapadas, constituindo uma vegetação aciculifoliada, aberta e rica em madeira
mole, utilizada na fabricação de papel e papelão.
Destaca-se ainda na região o solo de terra-roxa. Altamente fértil e oriundo da decomposição de rochas
basálticas, o solo de terra-roxa foi largamente utilizado no cultivo do café.
Apresenta clima subtropical, caracterizado por chuvas bem distribuídas durante todo o ano, por verões
quentes e pela atuação da massa polar atlântica, responsável pelos invernos frios, marcados pelo
congelamento do orvalho.
Domínio das pradarias
Localizado no extremo sul do Brasil, também apresenta clima subtropical, sendo, portanto, marcado
pela atuação da massa polar atlântica.
Abrange os Pampas, Campanha Gaúcha ou Campos Limpos, marcados pela presença do solo de
brunizens, oriundo da decomposição de rochas sedimentares e ígneas, o que possibilita o desenvolvimento
da agricultura e principalmente da pecuária bovina semi-extensiva.
É notável também a presença de coxilhas (colinas arredondadas e ricas em herbáceas e gramíneas) e
das matas-galerias nas margens dos rios.
Vegetação no Brasil
Associada aos diversos climas, relevos e solos existentes no Brasil há uma variedade de formações
vegetais. A vegetação brasileira pode ser classificada em floresta Amazônica, mata Atlântica (florestas
costeiras), caatinga, pantanal matogrossense, cerrado, campos, mata de araucária, mata de cocais,
mangue e restinga. Explorada desde a colonização, a vegetação original é a primeira fonte de riqueza do
país. A extração de pau-brasil representa o início de um processo desordenado de utilização da cobertura
vegetal, que persiste até hoje em diferentes níveis, e levou, praticamente, à extinção da mata Atlântica.
Atualmente o desmatamento atinge sobretudo a Amazônia.
Floresta Amazônica
Ocupa cerca de 40% do território brasileiro – em uma área que abrange a totalidade da Região Norte, o
norte de Mato Grosso e o oeste do Maranhão –, estendendo-se ainda pelos países vizinhos (Suriname,
Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia), além da Guiana Francesa. E uma floresta
latifoliada (do latim, lati, que significa "largo"), ou seja, com predominância de espécies vegetais de folhas
largas. Com características próprias de clima equatorial, tipicamente quente e superúmido, é também
conhecida como hiléia. Apresenta grande heterogeneidade de espécies animais e vegetais e caracteriza-se
por três diferentes matas: de igapó, várzea e terra firme. A mata de igapó corresponde à parte da floresta
onde o solo se encontra inundado. Ocorre principalmente no baixo Amazonas e reúne espécies como liana,
cipó, epífita, parasita e vitória-régia. A mata de várzea é própria das regiões que são periodicamente
inundadas, denominadas terraços fluviais. Intermediárias entre os igapós e a terra firme, as espécies da
mata de várzea têm formações variadas, como seringueira, palmeira, jatobá e maçaranduba. A altura
dessas espécies aumenta à medida que se distanciam dos rios. As matas de terra firme correspondem à
parte mais elevada do relevo. Com solo seco, livre de inundação, as árvores podem chegar a 65 m de
altura. O entrelaçamento de suas copas, em algumas regiões, impede quase totalmente a passagem de
luz, o que toma seu interior muito úmido, escuro e pouco ventilado. Em terra firme encontram-se espécies
como o castanheiro, o caucho e o guaraná. Os principais produtos extraídos da floresta são o guaraná, o
látex e a castanha-do-pará. Embora sua exploração econômica possa ocorrer de forma a não interferir no
equilíbrio ecológico e a garantir a sobrevivência de comunidades da floresta, ela continua acontecendo de
maneira predatória na maioria dos casos. Os impactos ambientais de maior escala em toda a Amazônia
têm sido provocados pela extração ilegal de madeira e pela destruição de extensas áreas, por meio de
desmatamentos e queimadas, para a prática da agricultura e da pecuária. A floresta já perdeu uma área de
512.400 km
2
, cerca de 12,8% de seu total de origem.
Mata Atlântica
E uma floresta de clima tropical quente e úmido. Predomina na costa brasileira, onde planaltos e serras
impedem a passagem da massa de ar, provocando chuva. Entre as florestas tropicais, é a que apresenta a
maior biodiversidade por hectare do mundo, com espécies como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro,
canela e imbaúba. E a mais devastada das florestas brasileiras. No passado estendia-se do litoral do Rio
Grande do Norte ao de Santa Catarina. No período colonial foi intensamente destruída para dar lugar à
cultura canavieira no Nordeste e, posteriormente, no Sudeste, á cultura cafeeira. Os 7% restantes da mata
original, que ocupava 1.290.692,4 km
2
, encontram-se nas regiões Sul e Sudeste, preservados graças à
presença da serra do Mar, obstáculo à ação humana. Atualmente, essa área se encontra em situação de
risco, especialmente para espécies como jacarandá, cedro e palmito. Contribuem ainda com a devastação
o turismo predatório e o elevado índice de poluição da costa brasileira.
Caatinga
Ocupa a região do sertão nordestino, de clima semi-árido, o que corresponde, aproximadamente, à
décima parte do território brasileiro. E composta de plantas xerófilas, próprias de clima seco, adaptadas à
pouca quantidade de água: os espinhos das cactáceas, por exemplo, têm a função de diminuir sua
transpiração. O solo da caatinga é fértil quando irrigado. Essas plantas podem produzir cera, fibra, óleo
vegetal e, principalmente, frutas. Por causa do baixo índice pluviométrico da região sertaneja, as plantas
dependem de irrigação artificial, possibilitada pela construção de canais e açudes.
Pantanal mato-grossense
E a maior planície inundável do mundo. Ocupa uma área de 150.000 km
2
, englobando do sudoeste de
Mato Grosso ao oeste de Mato Grosso do Sul até o Paraguai. Nessa formação podem ser identificadas três
diferentes áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as que não sofrem inundações. Nas áreas
alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e é usada para o gado bovino. Nas de
eventuais alagamentos encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras como o buriti e o
carandá. E nas que não sofrem inundações predominam os cerrados e, em pontos mais úmidos, espécies
arbóreas da floresta tropical. Em razão da regularidade e da alternância de períodos de cheia e de seca,
existe grande variedade de espécies animais e vegetais.
A princípio, a criação de gado não causou danos ambientais, mas, recentemente, com o investimento
de grandes capitais e a excessiva proliferação do gado, o equilíbrio vem sendo ameaçado. Há também
contaminação por causa de agrotóxicos utilizados na agricultura, nos garimpos irregulares, na caça e pesca
predatórias. Tudo isso prejudica a qualidade da água, elemento-base de todo o ecossistema pantaneiro.
Cerrado
Formação típica de área tropical com duas estações marcadas, um inverno seco e um verão chuvoso.
Sua área de ocorrência é o Brasil central. O solo, deficiente em nutrientes e com alta concentração de
alumínio, dá à mata uma aparência seca. As plantas têm raízes capazes de retirar água e nutrientes do solo
a mais de 15 m de profundidade. A vegetação caracteriza-se principalmente pela presença de pequenos
arbustos e árvores retorcidas, com cortiça (casca) grossa e folhas recobertas por pêlos. Encontram-se,
ainda, gramíneas e o cerradão, um tipo mais denso de cerrado que já abriga formações florestais.
Tradicionalmente utilizado pela pecuária, o cerrado tem sido ocupado pela monocultura da soja,
responsável pela descaracterização dessa cobertura, que já representou cerca de 25% do território
brasileiro.
Campos
Formados por herbáceas, gramíneas e pequenos arbustos, ocupam áreas descontínuas do país e
possuem características diversas. São denominados campos limpos quando predominam as gramíneas. Se
a estas se somam os arbustos, são denominados campos sujos. Quando ocupam áreas de altitude superior
a 100 m são chamados de campos de altitude, como na serra da Mantiqueira e no planalto das Guianas. Já
os campos da hiléia se referem às formações rasteiras que se encontram na Amazônia. Os campos
meridionais, quase sem espécie arbustiva, como a Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul, são
ocupados principalmente pela pecuária.
Mata de araucária
Própria do clima subtropical, é encontrada na Região Sul e em trechos do estado de São Paulo. E uma
floresta aciculifoliada (folhas em forma de agulha, finas e alongadas) e tem na Araucária angustifolia, ou
pinheiro-do-paraná, a espécie dominante, cujo fruto é o pinhão. Atingem mais de 30 m de altura e possuem
formação aberta, oferecendo certa facilidade à circulação. Seu principal produto, o pinho, tem ampla e
variada aplicação econômica na indústria de móveis, na construção civil e na indústria de papel e celulose.
As florestas dessa formação são a principal fonte produtora de madeira do país, o que levou a seu
desaparecimento quase total. As áreas de reflorestamento voltam-se principalmente para o pinus e os
eucaliptos, menos nobres, porém mais exploráveis em curto intervalo de tempo.
Mata de cocais
Situada entre a floresta Amazônica e a caatinga, a mata de cocais está presente nos estados do
Maranhão e do Piauí e norte do Tocantins. No lado oeste, onde a proximidade com o clima equatorial da
Amazônia a torna mais úmida, é freqüente o babaçu: palmeiras que atingem de 15 a 20 m de altura. Dos
cocos do babaçu extrai-se o óleo, muito utilizado pelas indústrias alimentícia e de cosméticos. No lado mais
seco, a leste, domina a carnaúba, que pode atingir até 20 m de altura. Das folhas da carnaúba é extraída a
cera. A mata de cocais é utilizada por várias comunidades extrativistas que exercem suas atividades sem
prejudicar essa formação vegetal. A destruição, no entanto, acontece com a criação de áreas de pasto para
a pecuária, principalmente no Maranhão e no norte do Tocantins.
Mangue
E uma formação vegetal composta de arbustos e espécies arbóreas que ocorrem em áreas de lagunas
e restingas ao longo de todo o litoral. Nessa formação vegetal predominam troncos finos e raízes aéreas e
respiratórias (ou raízes-escora), adaptadas a salinidade e a solos pouco oxigenados. Por ser rico em
matéria orgânica, tem papel muito importante na reprodução e no abrigo de espécies da fauna marinha.
Tradicionalmente, no mangue se realiza, como atividade econômica, a pesca de caranguejo. Sofre a ação
destrutiva do turismo predatório, da ocupação imobiliária e da poluição provocada por esgotos.
Restinga
E uma vegetação própria de terrenos salinos, formada por ervas, arbustos e árvores. Predomina no
litoral da Bahia ao Rio de Janeiro e no do Rio Grande do Sul. Os destaques são a aroeira-de-praia e o
cajueiro. Recebe os efeitos da mesma ação destrutiva a que está exposto o mangue.
HIDROGRAFIA
Com cerca de 12% das águas do planeta, o Brasil é um país privilegiado em disponibilidade de água.
Apesar disso, acumula vários problemas pelo mau aproveitamento e pela execução de grandes usinas
hidrelétricas, pela ocupação dos mananciais e pela poluição. Os rios de grandes cidades e os que
atravessam importantes áreas agrícolas recebem os dejetos orgânicos e químicos (agrotóxicos) sem
tratamento prévio. Poluição e morte têm sido o destino de importantes rios e poucas ações foram colocadas
em prática para reverter este processo.
O Brasil possui, também, um dos mais elevados potenciais (capacidade) de geração de energia elétrica
a partir da água. No entanto, metade deste potencial está situado na Amazônia, distante dos grandes
centros de consumo. As águas estão distribuídas irregularmente no território brasileiro e, próximo aos
grandes centros econômicos e aglomerados populacionais, esse potencial está aproveitado praticamente
em seu limite.
O Brasil possui uma das maiores redes fluviais do mundo. A maioria dos rios brasileiros é perene, ou
seja, não seca. Apenas na região semi-árida (sertão) do Nordeste, onde vários rios são temporários, isso
não ocorre.
O Brasil é dotado de uma vasta e densa rede hidrográfica, sendo que muitos de seus rios destacam-se
pela extensão, largura e profundidade. Em decorrência da natureza do relevo, predominam os rios de
planalto, que apresentam em seu leito rupturas de declive, vales encaixados, entre outras características,
que lhes conferem um alto potencial para a geração de energia elétrica. Quanto á navegabilidade, esses
rios, dado o seu perfil não regularizado, ficam um tanto prejudicados. Dentre os grandes rios nacionais,
apenas o Amazonas e o Paraguai são predominantemente de planície e largamente utilizados para a
navegação. Os rios São Francisco e Paraná são os principais rios de planalto.
A maior parte da rede fluvial brasileira é constituída por rios de planalto, de curso rápido e com
abundância de cachoeiras e corredeiras, que dificultam a navegação. Os rios de planície, menos
numerosos, estão entre os maiores do país e do mundo, como o rio Amazonas, com 6.5711cm; o rio
Paraná, com 4.880km; e o rio Paraguai, com 2.550km.
Bacias hidrográficas
De acordo com os órgãos governamentais, existem no Brasil doze grandes bacias hidrográficas, sendo
que sete têm o nome de seus rios principais – Amazonas, Paraná, Tocantins, São Francisco, Parnaíba,
Paraguai e Uruguai –, as outras são agrupamentos de vários rios, não tendo um rio principal como eixo, por
isso são chamadas de bacias agrupadas. Veja abaixo as doze macrobacias hidrográficas brasileiras:
Região hidrográfica do Amazonas;
Região hidrográfica do Atlântico Nordeste Ocidental;
Região hidrográfica do Tocantins;
Região hidrográfica do Paraguai;
Região hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental;
Região hidrográfica do Parnaíba;
Região hidrográfica do São Francisco;
Região hidrográfica do Atlântico Leste;
Região hidrográfica do Paraná;
Região hidrográfica do Atlântico Sudeste;
Região hidrográfica do Uruguai;
Região hidrográfica do Atlântico Sul.
Divisão Hidrográfica Nacional
Região Hidrográfica
Amazônica
É constituída pela bacia hidrográfica do rio Amazonas, situada no território
nacional e, também, pelas bacias hidrográficas dos rios existentes na Ilha de
Marajó, além das bacias hidrográficas dos rios situados no estado do Amapá, que
deságuam no Atlântico Norte.
Região Hidrográfica
do
Tocantins/Araguaia
É constituída pela bacia hidrográfica do rio Tocantins até a sua foz no Oceano
Atlântico.
Região Hidrográfica
Atlântico Nordeste
Ocidental
É constituída pelas bacias hidrográficas dos rios que deságuam no Atlântico -
trecho Nordeste, estando limitada a oeste pela região hidrográfica do
Tocantins/Araguaia, exclusive, e a leste pela região hidrográfica do Parnaíba.
Região Hidrográfica
do Parnaíba
É constituída pela bacia hidrográfica do rio Parnaíba.
Região Hidrográfica
Atlântico Nordeste
Oriental
É constituída pelas bacias hidrográficas dos rios que deságuam no Atlântico -
trecho Nordeste, estando limitada a oeste pela região hidrográfica do Parnaíba e
ao sul pela região hidrográfica do São Francisco.
Região Hidrográfica
do São Francisco
É constituída pela bacia hidrográfica do rio São Francisco.
Região Hidrográfica
Atlântico Leste
É constituída pelas bacias hidrográficas de rios que deságuam no Atlântico -
trecho Leste, estando limitada ao norte e a oeste pela região hidrográfica do São
Francisco e ao sul pelas bacias hidrográficas dos rios Jequitinhonha, Mucuri e São
Mateus, inclusive.
Região Hidrográfica
Atlântico Sudeste
É constituída pelas bacias hidrográficas de rios que deságuam no Atlântico -
trecho Sudeste, estando limitada ao norte pela bacia hidrográfica do rio Doce,
inclusive, a oeste pelas regiões hidrográficas do São Francisco e do Paraná e ao
sul pela bacia hidrográfica do rio Ribeira, inclusive.
Região Hidrográfica
do Paraná
É constituída pela bacia hidrográfica do rio Paraná situada no território nacional.
Região Hidrográfica
do Uruguai
É constituída pela bacia hidrográfica do rio Uruguai situada no território nacional,
estando limitada ao norte pela região hidrográfica do Paraná, a oeste pela
Argentina e ao sul pelo Uruguai.
Região Hidrográfica
Atlântico Sul
É constituída pelas bacias hidrográficas dos rios que deságuam no Atlântico -
trecho Sul, estando limitada ao norte pelas bacias hidrográficas dos rios
Ipiranguinha, Iririaia-Mirim, Candapuí, Serra Negra, Tabagaça e Cachoeria,
inclusive, a oeste pelas regiões hidrográficas do Paraná e do Uruguai e ao sul
pelo Uruguai.
Região Hidrográfica
do Paraguai
É constituída pela bacia hidrográfica do rio Paraguai, situada no território
nacional.
Fonte: Conselho Nacional de Recursos Hídricos - CNRH
Forte utilização para geração de energia elétrica (com hidrelétricas) e no transporte de cargas e
pessoas. O potencial hidrográfico também é utilizável tanto para irrigação como para a navegação turística,
pesca e extração de areia.
Maiores rios brasileiros em vazão (m³/s)
1°) Rio Amazonas (Bacia Amazônica) - 209.000; 2°) Rio Solimões (Bacia Amazônica) - 103.000; 3°) Rio
Madeira (Bacia Amazônica) - 31.200; 4°) Rio Negro (Bacia Amazônica) - 28.400; 5°) Rio Japurá (Bacia
Amazônica) - 18.620; 6°) Rio Tapajós (Bacia Amazônica) - 13.500; 7°) Rio Purus (Bacia Amazônica), Rio
Tocantins (Bacia Tocantins-Araguaia) e Rio Paraná (Bacia do Prata) - 11.000; 10°) Rio Xingu (Bacia
Amazônica) - 9.700; 11°) Rio Içá (Bacia Amazônica) - 8.800; 12°) Rio Juruá (Bacia Amazônica) - 8.440; 13°)
Rio Araguaia (Bacia Tocantins-Araguaia) - 5.500; 14°) Rio Uruguai (Bacia do Prata) - 4.150; 15°) Rio São
Francisco (Bacia do São Francisco) - 2.850; e 16°) Rio Paraguai (Bacia do Prata) - 1.290.
Observações: 1) os rios da bacia amazônica são responsáveis por 72% dos recursos hídricos do
Brasil; 2) o aqüífero guarani, com 1.194.800 km
2
de extensão e 45 quatrilhões de litros, é o maior
reservatório de água doce da América do Sul e 70% dele está localizado no Brasil (Mato Grosso do Sul -
25,5%, Rio Grande do Sul -18,8%, São Paulo - 18,5%, Paraná- 15,0%, Goiás - 6,5%, Santa Catarina- 6,5%,
Minas Gerais- 6,1% e Mato Grosso - 3,1%), 19% na Argentina, 6% no Paraguai e 5% no Uruguai.
Fonte: Agência Nacional de Águas – ANA
ECOSSISTEMAS
Ecossistema designa o conjunto formado por todos os fatores bióticos e abióticos que atuam
simultaneamente sobre determinada região. Considerando como fatores bióticos as diversas populações de
animais, plantas e bactérias e os abióticos os fatores externos, como a água, o sol, o solo, o gelo, o vento.
Estima-se que 10% das espécies do planeta vivam em nossas paisagens. Essas paisagens vêm sendo
consumidas por desmatamento, queimadas e poluição, provocados pela expansão irracional da agricultura,
especulação imobiliária, assentamento de populações, exploração de madeiras tropicais e garimpo.
O Brasil não possui recursos naturais inesgotáveis. A Mata Atlântica, que já perdeu 93% de sua área
original, é o maior exemplo disso.
Cobria mais de 1 milhão km
2
e hoje está reduzida a menos de 100 mil km
2
. Essa ocupação predatória,
que quase destruiu a Mata Atlântica, agora avança sobre o Cerrado e a Amazônia.
A Amazônia
A Floresta Amazônica ocupa a Região Norte do Brasil, abrangendo cerca de 47% do território nacional.
E a maior formação florestal do planeta, condicionada pelo clima equatorial úmido. Esta possui uma grande
variedade de fisionomias vegetais, desde as florestas densas até os campos. Florestas densas são
representadas pelas florestas de terra firme, as florestas de várzea, periodicamente alagadas, e as florestas
de igapó, permanentemente inundadas, e ocorrem por quase toda a Amazônia central. Os campos de
Roraima ocorrem sobre solos pobres no extremo setentrional da bacia do Rio Branco. As campinaranas
desenvolvem-se sobre solos arenosos, espalhando-se em manchas ao longo da bacia do Rio Negro.
Ocorrem ainda áreas de cerrado isoladas do ecossistema do Cerrado do planalto central brasileiro.
O Semi-Árido (Caatinga)
A área nuclear do Semi-Árido compreende todos os estados do Nordeste brasileiro, além do norte de
Minas Gerais, ocupando cerca de 11% do território nacional. Seu interior, o Sertão nordestino, é
caracterizado pela ocorrência da vegetação mais rala do Semi-Ando, a Caatinga. As áreas mais elevadas
sujeitas a secas menos intensas, localizadas mais próximas do litoral, são chamadas de Agreste. A área de
transição entre a Caatinga e a Amazônia é conhecida como Meio-Norte ou Zona dos cocais. Grande parte
do Sertão nordestino sofre alto risco de desertificação devido à degradação da cobertura vegetal e do solo.
O Cerrado
O Cerrado ocupa a região do Planalto Central brasileiro. A área nuclear continua do Cerrado
corresponde a cerca de 22% do território nacional, sendo que há grandes manchas desta fisionomia na
Amazônia e algumas menores na Caatinga e na Mata Atlântica. Seu clima é particularmente marcante,
apresentando duas estações bem definidas. O Cerrado apresenta fisionomias variadas, indo desde campos
limpos desprovidos de vegetação lenhosa a cerradão, uma formação arbórea densa. Esta região é
permeada por matas ciliares e veredas, que acompanham os cursos d'água.
A Mata Atlântica
A Mata Atlântica, incluindo as florestas estacionais semideciduais, originalmente foi a floresta com a
maior extensão latitudinal do planeta, indo de cerca de 6° a 32°. Esta já cobriu cerca de 11% do território
nacional. Hoje, porém, a Mata Atlântica possui apenas 4% da cobertura original. A variabilidade climática ao
longo de sua distribuição é grande, indo desde climas temperados superúmidos, no extremo sul, a tropical
úmido e semi-árido, no nordeste. O relevo acidentado da zona costeira adiciona ainda mais variabilidade a
este ecossistema. Nos vales, geralmente as árvores se desenvolvem muito, formando uma floresta densa.
Nas encostas, esta floresta é menos densa, devido d freqüente queda de árvores. Nos topos dos morros,
geralmente aparecem áreas de campos rupestres. No extremo sul, a Mata Atlântica gradualmente se
mescla com a floresta de Araucárias.
O Pantanal mato-grossense
O Pantanal mato-grossense é a maior planície de inundação contínua do planeta, coberta por
vegetação predominantemente aberta e que ocupa 1,8% do território nacional. Este ecossistema é formado
por terrenos em grande parte arenosos, cobertos de diferentes fisionomias devido à variedade de
microrelevos e regimes de inundação. Como área transicional entre Cerrado e Amazônia, o Pantanal
ostenta um mosaico de ecossistemas terrestres com afinidades sobretudo com o Cerrado.
Os Campos do Sul (Pampas)
No clima temperado do extremo sul do país, desenvolvem-se os Campos do Sul ou Pampas, que já
representaram 2,4% da cobertura vegetal do país. Os terrenos planos das planícies e planaltos gaúchos e
as coxilhas, de relevo suave-ondulado, são colonizados por espécies pioneiras campestres, que formam
uma vegetação tipo savana aberta. Há ainda áreas de florestas estacionais e de campos de cobertura
gramíneo-lenhosa.
A Mata de Araucárias (Região dos Pinheirais)
No Planalto Meridional Brasileiro, com altitudes superiores a 500m, destaca-se a área de dispersão do
pinheiro-do-paraná, Araucária angustifolia, que já ocupou cerca de 2,6% do território nacional. Nestas
florestas, coexistem representantes da flora tropical e temperada do Brasil, sendo dominadas, no entanto,
pelo pinheiro-do-paraná. As florestas variam em densidade arbórea e altura da vegetação e podem ser
classificadas de acordo com aspectos de solo, como aluviais, ao longo dos rios, submontanas, que já
inexistem, e montanas, que dominavam a paisagem. A vegetação aberta dos campos gramíneo-lenhosos
ocorre sobre solos rasos. Devido ao seu alto valor econômico, a Mata de Araucária vem sofrendo forte
pressão de desmatamento.
Ecossistemas costeiros e insulares
Os ecossistemas costeiros geralmente estão associados à Mata Atlântica, devido a sua proximidade.
Nos solos arenosos dos cordões litorâneos e dunas, desenvolvem-se as restingas, que podem ocorrer
desde a forma rastejante até a forma arbórea. Os manguezais e os campos salinos de origem fluvio-
marinha desenvolvem-se sobre solos salinos. No terreno plano arenoso ou lamacento da Plataforma
Continental, desenvolvem-se os ecossistemas bênticos. Na zona das marés, destacam-se as praias e os
rochedos, estes colonizados por algas. As ilhas e os recifes constituem-se acidentes geográficos
marcantes da paisagem superficial.
Flora brasileira
O Brasil possui a maior biodiversidade vegetal do planeta, com mais de 55 mil espécies de plantas
superiores e cerca de 10 mil de briófitas, fungos e algas, um total equivalente a quase 25% de todas as
espécies de plantas existentes. A cada ano, cientistas adicionam dezenas de espécies novas a essa lista,
incluindo árvores de mais de 20 metros de altura. Acredita-se que o número atual de plantas conhecidas
represente apenas 60% a 80% das plantas realmente existentes no país. Essa diversidade é tão grande
que, em cerca de um hectare da floresta Amazônica ou da Mata Atlântica, encontram-se mais espécies de
árvores (entre 200 e 300 espécies) que em todo o continente europeu.
A flora brasileira está espalhada por diversos habitats, desde florestas de terra firme com cerca de 30
metros de altura de copa e com uma biomassa de até 400 toneladas por hectare, até campos rupestres e
de altitude, com sua vegetação de pequenas plantas e musgos que freqüentemente congelam no inverno;
e matas de araucária, o pinheiro brasileiro no sul do país. Alguns desses habitats são caracterizados por
uma flora endêmica característica. Os campos rupestres e de altitude que dominam as montanhas do
Brasil central, por exemplo, apresentam uma grande variedade de espécies de velosiáceas, eriocauláceas,
bromeliáceas e xiridáceas que só ocorrem nesse habitat. A maior parte da flora brasileira, entretanto,
encontra-se na Mata Atlântica e na floresta Amazônica, embora o Pantanal mato-grossense, o Cerrado e
as restingas também apresentem grande diversidade vegetal.
Algumas famílias de plantas destacam-se por sua grande diversidade na flora brasileira. A família das
bromeliáceas, que inclui as bromélias, gravatás e barbas-de-velho, tem mais de 1.200 espécies diferentes.
São as plantas epífitas mais abundantes em todas as formações vegetais do país, desde as restingas e
manguezais até as florestas de araucária e campos de altitude. Outras famílias importantes são a das
orquidáceas; a das mirtáceas, que dominam a flora das restingas e da Mata Atlântica; a das lecitidáceas,
que incluem dezenas de espécies arbóreas da Amazônia; e a das palmáceas, também representadas por
numerosas espécies, boa parte de grande importância econômica, como os palmitos, cocos e açaís.
FAUNA
Extremamente variada, a fauna do Brasil difere em muitos aspectos daquela da América do Norte. Os
maiores animais existentes são a onça parda, o jaguar, a jaguatirica e o guaxinim. Existem grandes
quantidades de pecari, anta, tamanduá, preguiça, gambá e tatu. Os cervos são numerosos no sul e há
macacos de várias espécies na floresta. Muitos tipos de pássaros são nativos do país. Entre os répteis se
incluem diversas espécies de jacarés e cobras, em especial a surucucu, a jararaca e a jibóia. Há um
grande número de peixes e tartarugas nas águas dos rios, lagos e costas do Brasil.
ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO ECONÔMICO REGIONAL:
ATIVIDADES PRODUTIVAS E DINÂMICA REGIONAL
O Brasil está localizado no continente americano e ocupa a parte centro-oriental da América do Sul. E
cortado pelo Equador e Trópico de Capricórnio, com a maior parte de suas terras situando-se nas latitudes
mais baixas do globo, o que lhe confere as características de país tropical.
Os limites se estendem por 23.086 Km, dos quais 15.719 Km correspondentes à linha divisória com
países da América do Sul, dos quais apenas o Chile e o Equador não têm fronteiras com o Brasil. A costa
brasileira se estende pelo Oceano Atlântico, cobrindo 7.367 Km. Nesta linha costeira, observa-se a ausência
de acidentes geográficos de expressão: terra e mar coexistem harmoniosamente, isto é, o mar não invade a
terra, e a terra não invade o mar.
Com uma área de 8.547.403,5 Km
2
, o Brasil configura-se como o maior País do Continente Sul-
americano e, no mundo, só é superado pela Rússia, Canadá e República Popular da China, se
consideradas apenas as terras contínuas, e pelos Estados Unidos, levadas em conta as terras
descontínuas.
Observe que o território brasileiro alcança as suas maiores dimensões na faixa entre o Equador e o
trópico de Capricórnio, que compreende 90% do território nacional. Com uma forma triangular, o país tem a
sua base voltada para o norte e, em conseqüência deste alargamento, as pontas extremas são
praticamente eqüidistantes, sendo as medidas entre elas consideráveis: 4.394,7 km no sentido norte-sul e
4.319,4 km no sentido leste-oeste.
Com um território de dimensões continentais, o Brasil é o maior país da América Latina e o quinto do
mundo, em área total. Dono de grandes diversidades geográficas, econômicas e sociais, possui uma
extraordinária unidade nacional, sedimentada pela língua portuguesa, falada em todas as regiões.
O povoamento do território, feito no sentido da costa para o interior, produziu sérias distorções,
agravadas pelo processo de industrialização iniciado nos anos 30. Metrópoles superpopulosas no Sul e
Sudeste convivem com a baixa densidade demográfica na zona rural e na Amazônia.
Mesmo tendo o maior Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina - e a décima segunda do mundo -
dados de 2006 -, o país passou por duros e longos períodos de recessão e conviveu por muitos anos com
uma persistente quadro inflacionário. O Plano Real, decretado em julho de 1994, estanca o problema e faz
o brasileiro ingressar em nova fase, marcada por inflação baixa e moeda estável.
Longe das expectativas do governo federal, que no início do ano de 2006 previa um crescimento de
4,25%, o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas em um país) encerrou o ano próximo
das perspectivas dos analistas de mercado, com avanço de 2,9% em relação ao ano anterior, conforme
pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
E o segundo ano seguido em que o resultado fica abaixo dos 3%. Em 2005, a economia brasileira havia
crescido 2,3%. Foi o segundo pior desempenho da América Latina pelo segundo ano consecutivo, à frente
somente do Haiti, que no período apresentou expansão de 2,5% (com o detalhe que a economia haitiana é
prejudicada pelas constantes guerras em seu território).
Já em relação aos emergentes, o PIB do Brasil foi o menor, com 3.9 pontos percentuais atrás do PIB
russo, o penúltimo colocado, e distante dos 10,7% da China.
Entre os grandes freios ao
.
crescimento do PIB brasileiro, destaque para o câmbio sobrevalorizado, que
no ano passado provocou aumento de 18,1% nas importações, contra avanço de 5% nas exportações.
Desde o ano 2000 que os embarques não eram superados pelas importações, informou o IBGE.
As grandes importações estão atreladas ao real valorizado, que por sua vez é fruto dos altos juros – os
maiores do mundo. Taxas elevadas atraem dólares. Pode-se fazer aqui um exercício simples, para entender
o mecanismo: no Japão, a taxa de juros é de 0,25%, enquanto no Brasil está acima de 12%. É muito
lucrativo para grandes investidores japoneses captarem dólar a uma taxa de 0,25% e aplicar no Brasil a
uma rentabilidade acima de 12%. E é exatamente isso que os grandes investidores do mundo estão
fazendo aqui. A grande entrada de dólares deixa a oferta da moeda norte-americana maior do que a
demanda. Isso barateia o dólar e incentiva as importações.
O papel do Estado na economia passa por uma redefinição: leis protecionistas são abandonadas e
reservas de mercado, liquidadas. Com isso, a indústria passa a enfrentar a concorrência estrangeira no
mercado interno e é obrigada a adaptar-se à economia globalizada.
Mesmo assim, o modelo econômico não tem conseguido atenuar as fortes distorções regionais e atua
de forma excludente, alargando as camadas sociais mais pobres e tomando endêmico o desemprego.
Atualmente políticas públicas voltadas para a infra-estrutura básica, ainda são deficientes nos sentido de
solucionar os grandes e graves problemas que o Brasil apresenta tais como: conservação e ampliação das
malhas rodoviária e ferroviária, da navegação fluvial e costeira, saneamento, telecomunicações e energia.
A agricultura brasileira é responsável por grande parte das exportações. Ainda assim, os latifúndios e
minifúndios familiares não apresentam produtividade média para se integrarem ao mercado mundial.
E na área social, contudo, que residem os principais problemas brasileiros. A falta de condições dignas
de vida para as camadas mais pobres, tais como moradia, redes de água e esgotos, saúde pública e um
sistema de ensino eficiente é o maior entrave para desenvolvimento e a manutenção da paz social e da
democracia, apesar dos programas sociais do governo Lula, quem vem apresentando resultados
satisfatórios, no que tange a retirar um número bastante considerável de brasileiros da condição de
indigência, são mais de 11 milhões de famílias atendidas – no final de 2006 e início de 2007, somente para
citar um programa social, o Bolsa-Família.
Os Múltiplos “Brasis”
O Brasil é pouco conhecido, mesmo por aqueles que nele vivem e trabalham. A rapidez das
transformações que se processaram nos últimos quarenta anos dificulta a compreensão de suas reais
dimensões. Ele não é um gigante adormecido, como pregam alguns, nem tampouco apenas mais um dos
membros do chamado Terceiro Mundo, como acreditam outros. E um exemplo de uma potência emergente
de âmbito regional, marcada por muitos aspectos contraditórios.
O Brasil é um país de múltiplos tempos e múltiplos espaços. A velocidade de incorporação de inovações
tecnológicas é extremamente rápida, em parcelas localizadas de seu território, ao mesmo tempo em que se
vive em condições primitivas, com ritmos determinados pela natureza, em imensas extensões. Grandes
redes nacionais de televisão estabelecem diariamente a ponte entre passado e futuro, entre garimpeiros
isolados na selva em busca do Eldorado e gerentes de grandes corporações multinacionais instalados na
Avenida Paulista, a Wall Street brasileira, na cidade de São Paulo.
O Brasil, como parcela da economia mundial, constitui um dos segmentos mais dinâmicos, do ponto de
vista dos indicadores econômicos. Suas taxas históricas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) são
comparáveis às de economias avançadas desde o final do século passado. A partir de 1940, o crescimento
do PIB manteve-se em uma média de 7% ao ano, chegando a 11% entre 1967 e 1973, os anos do chamado
"milagre econômico", quando o restante do mundo dava sinais evidentes de arrefecimento no seu ritmo de
crescimento.
Por outro lado, o Brasil é um rico país de pobres. A brutal discriminação social na apropriação dos
benefícios do dinamismo econômico é um traço dominante na sociedade brasileira, mesmo quando
comparada com os outros países da América Latina. E uma das poucas economias no mundo cuja parcela
dos 10% mais ricos controla mais de 50% da renda nacional e qualquer indicador de bem-estar social
demonstra tal situação.
A discriminação percorre de cima a baixo a estrutura social brasileira. O sexismo, isto é, a discriminação
por sexo, expressa-se no fato de que 67,1% das mulheres com mais de 10 anos de idade não têm qualquer
rendimento, enquanto esse número atinge 24,7% dos homens. Negros e pardos, que em 1987
representavam 45% da população brasileira, são social e economicamente discriminados quanto às
oportunidades de mobilidade social, constituindo o grosso do contingente de mão-de-obra com menor
qualificação profissional, em oposição ao que ocorre com os imigrantes asiáticos e descendentes,
principalmente os japoneses. A discriminação étnica também está presente no que diz respeito aos 20 mil
indígenas que sobreviveram aos massacres do colonizador seus direitos são restritos e sua capacidade de
autodeterminação é submetida à tutela burocrática do Estado.
A recente industrialização levou o Brasil a se destacar na América Latina. O país suplantou largamente
a Argentina e foi acompanhado com menor intensidade pelo México.
A associação com o capital internacional foi um traço comum ao desenvolvimento da região; mas, no
Brasil, o Estado teve papel decisivo na aceleração do ritmo de crescimento, avançando à frente do setor
privado e mantendo elevadas taxas de investimento. Em contrapartida, o Brasil é também um dos maiores
devedores, em termos absolutos, do sistema financeiro mundial.
O modelo de industrialização latino-americano, baseado na substituição de importações, procurou
administrar o mercado interno como principal atrativo para as grandes corporações multinacionais, sem se
preocupar com os objetivos básicos de justiça social. O Brasil atingiu etapas mais avançadas nesse
processo, chegando a consolidar um parque industrial diversificado em grande parte devido ao potencial de
sua economia – cuja capacidade de atração de capitais foi viabilizada e ampliada pela atuação do Estado.
Isso, no entanto, não reduziu as condições de miséria de amplos contingentes da população que
permaneceram à margem do desenvolvimento.
Agronegócio: atividade articula os três setores básicos da economia
O agronegócio é formado por um conjunto de atividades interdependentes que tem em seu centro a
agropecuária. Num dos pólos dessas atividades estão os fornecedores de máquinas, equipamentos e
insumos agrícolas e, no outro, as atividades de processamento industrial, de distribuição e serviços. Dessa
forma, estão articulados três setores de atividade econômica: primário (agropecuária e extração vegetal),
secundário (indústria) e terciário (distribuição e comercialização).
O agronegócio no Brasil: o agronegócio agrupa as atividades econômicas que mais cresceram neste
início de século no Brasil. Em 2004, empregava a terça parte da população economicamente ativa (PEA) e
contribuiu com 43% das exportações totais do país (US$ 39 bilhões, um recorde, com crescimento de 27%
sobre as exportações de 2003), 34% do PIB (Produto Interno Bruto).
Mas deve-se ressaltar que nessas cifras estão incluídas, além da produção agrícola, a extração vegetal
(madeira), os insumos e equipamentos (como sementes, fertilizantes, defensivos, tratores e máquinas
agrícolas em geral) como também o processamento industrial, transporte e comercialização, como pode
ser verificado no esquema.
A safra brasileira de grãos bate sucessivos recordes a cada ano, a pecuária tem a maior fatia do
mercado internacional, o suco de laranja tomou conta de quase todo o planeta (cerca de 80% do suco
comercializado em todo o mundo). Acrescenta-se ainda a liderança de outros produtos como a carne de
frango, o açúcar, o café, o tabaco, etc. Em relação ao conjunto de atividades que formam o agronegócio, a
maior parte do valor do PIB é agregado nas atividades de industrialização e distribuição, restando apenas
30% para a agropecuária.
Problemas de logística: o conceito de logística aplicado à economia envolve a interligação racional de
todas as atividades vinculadas a um determinado setor, como comunicação, transporte, estocagem e
comercialização.
Apesar dos recordes sucessivos da safra brasileira na última década e da modernização do sistema
produtivo, os sistemas de transporte e de armazenamento constituem graves entraves ao desenvolvimento
contínuo, pontos frágeis que comprometem um melhor desempenho e a expansão do agronegócio no
Brasil. Em outras palavras, o caminho da fazenda até o porto de exportação num país de grande dimensão
territorial como o Brasil é muito longo, necessitando de silos para estocagem dos produtos e um bom
sistema de transporte.
A performance conquistada pela produção agropecuária em particular e pelo agronegócio em geral
esbarra em um sistema de transporte baseado em estradas de rodagem em péssimo estado de
conservação e portos mal aparelhados para atender a crescente demanda das exportações brasileiras.
O transporte ferroviário é insuficiente, as hidrovias, além da baixa extensão, são subaproveitadas e,
apesar do extenso litoral do País, a navegação de cabotagem não ocupa lugar de destaque. Mais que isso,
não existe um planejamento adequado para melhor integração dos diferentes meios de transporte. Tudo
isso compromete o custo final do produto, coloca em risco a competitividade e impede que muitos negócios
sejam cumpridos nos prazos estipulados em contrato.
Modernização do subdesenvolvimento: é necessária uma ponderação final a respeito do triunfalismo
freqüente-mente alardeado ao agronegócio no Brasil. Os resultados econômicos surpreendentes da
modernização do campo, por meio do agronegócio, reforçaram ainda mais a vulnerabilidade econômica que
caracteriza um país exportador de produtos agrícolas ou de baixo valor agregado.
E crescente a participação das corporações multinacionais nas atividades mais lucrativas, como
também é significativo o número de trabalhadores rurais contratados, pelas grandes empresas
agropecuárias, apenas em épocas de plantio e de colheita.
Do outro lado desta estrutura moderna, vive um número expressivo de pequenos produtores rurais,
marginalizados das políticas governamentais de crédito e apoio técnico produção. Assim mesmo, apesar de
todas as limitações e dificuldades, as pequenas e médias propriedades respondem pela maior parte do
abastecimento do mercado interno brasileiro e pela maior parte dos empregos existentes no meio rural. De
acordo com o 2° Plano Nacional de Reforma Agrária, de 2004, a agricultura familiar responde por 37,8% da
produção, mas consome apenas 25,3% do crédito, enquanto a patronal, que responde por 61% da
produção, consome 73,8% do crédito.
Poderiam, ainda, ser acrescentados os impactos ambientais do modelo de expansão agrária, que
aceleram o desmatamento com a ocupação indiscriminada do solo e estimulam a concentração fundiária. O
agronegócio já destruiu quase metade da região do cerrado brasileiro, onde existem mais de 400 espécies
endêmicas de arbustos e uma diversidade de animais ameaçados de extinção.
A expansão da soja no Mato Grosso foi responsável pelo desmatamento recorde da Floresta
Amazônica em 2004. Os impactos ambientais também estão associados à ampliação da exportação de
madeira. Somente em 2004, madeira sólida, produtos derivados e móveis contribuíram com 10% das
exportações do setor (US$ 3,85 bilhões, 1 bilhão a mais que no ano anterior).
Fonte http://noticias.uol.com.br/licaodecasa/
INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
Só se pode falar em industrialização no Brasil a partir do fim do século XIX, período em que foi abolida a
escravidão no país e se assiste a uma expansão da relação assalariada. Antes disso, havia, no máximo,
algumas indústrias isoladas, muitos artesanatos e algum crescimento manufatureiro, mas nunca uma
industrialização. Isso porque a própria existência do trabalho escravo, que era o sustentáculo da economia
até então, impedia a evolução industrial de várias formas.
De fato, foi nos momentos de crise – como a Primeira Guerra Mundial (1614-1918), a crise econômica
global de 1929 e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – que o processo de industrialização do Brasil
teve seus períodos de maior impulso. Nesses momentos, era difícil exportar o café (que deixava de ser um
negócio tão atraente) e também importar os bens industrializados, que já eram bastante consumidos no
país. Tais fatos tornavam interessante investir capitais na indústria, principalmente na indústria leve, isto é,
de bens de consumo duráveis (como a indústria de têxtil, a de vestuário, de móveis, de gráfica, etc.) e não-
duráveis (como de bebidas, de alimentos e outras).
O que é Globalização?
"A notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln, em 1865, levou 13 dias para
cruzar o Atlântico e chegar à Europa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outubro-novembro/97)
levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo e Tóquio, Nova York e Tel Aviv, Buenos Aires e
Frankfurt. Eis ao vivo e em cores, a globalização."
(Clóvis Rossi — do Conselho Editorial — Folha de São Paulo)
"O furacão financeiro que veio da Ásia, passou pela Europa, Estados Unidos e chegou ao Brasil, teve
pelo menos uma vantagem didática. Ninguém pode mais alegar que nunca ouviu falar da globalização
financeira. Até poucos meses, é provável que poucos soubessem onde ficava a Tailândia ou Hong Kong.
Hoje muita gente sabe que um resfriado nesses lugares pode virar uma gripe aqui. Especialmente se fizer
uma escala em Nova York."
(Celso Pinto — do Conselho Editorial — Folha de São Paulo)
Mas o que é essa globalização e como é que ela se manifesta?
Não há uma definição que seja aceita por todos. Ela está definitivamente na moda e designa muitas
coisas ao mesmo tempo. Há a interligação acelerada dos mercados nacionais, há a possibilidade de
movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos, como ocorreu nas Bolsas de todo o
mundo, há a chamada "terceira revolução tecnológica" (processamento, difusão e transmissão de
informações). Os mais entusiastas acham que a globalização define uma nova era da história humana.
Qual a diferença entre Globalização, Mundialização e Internacionalização?
Globalização e Mundialização são quase sinônimos. Os americanos falam em globalização. Os
franceses preferem mundialização. Internacionalização pode designar qualquer coisa que escape ao âmbito
do Estado Nacional.
Quando o mundo começou a ficar globalizado?
Novamente, não há uma única resposta. Fala-se em início dos anos de 1980, quando a tecnologia da
informática se associou à de telecomunicações. Outros acreditam que a globalização começou mais tarde,
com a queda das barreiras comerciais.
Globalização é poder comprar o mesmo produto em qualquer parte do mundo?
Não se pode confundir globalização com a presença de um mesmo produto em qualquer lugar do
mundo. A globalização pressupõe à padronização dos produtos (um tênis Nike, um Big Mac) e uma
estratégia mundialmente unificada de marketing, destinada a uniformizar sua imagem junto aos
consumidores.
Se as empresas globalizadas não têm país-sede, o que ocorre quando querem fazer um lobby?
A rigor, as empresas globalizadas preocupam-se muito mais com o marketing, o grosso de seus
investimentos. Se em determinado país as condições de seu fornecedor se tornaram desfavoráveis — os
juros aumentaram, o que implica aumento dos produtos —, a empresa globalizada procura outro fornecedor
em outro país. Ela não perderá tempo em fazer lobby sobre determinado governo para que o crédito volte a
ser competitivo.
Por que dizem que a globalização gera desemprego?
A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. Uns ganham muito, outros ganham menos,
outros perdem. Na prática, exigem menores custos de produção e maior tecnologia. A mão-de-obra menos
qualificada é descartada. O problema não é só individual. E um drama nacional dos países mais pobres,
que perdem com a desvalorização das matérias-primas que exportam e o atraso tecnológico.
A globalização vai deixar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres?
Em seu relatório mais recente sobre o desenvolvimento humano, a ONU comprova que a globalização
está concentrando renda: os países ricos ficam mais ricos, e os pobres, mais pobres. Há muitos motivos
para isso. Alguns deles: a redução das tarifas de importação beneficiou muito mais os produtos exportados
pelos mais ricos; os países mais ricos continuam a subsidiar seus produtos agrícolas, inviabilizando as
exportações dos mais pobres.
Globalização da Economia
Processo de integração mundial que se intensifica nas últimas décadas, a globalização baseia-se na
liberação econômica: os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias que protegem sua
produção da concorrência estrangeira e se abrem ao fluxo internacional de bens, serviços e capitais.
A recente evolução nas tecnologias da informação contribui de forma decisiva para essa abertura. Além
de concorrer para uma crescente homogeneização cultural, a evolução e a popularização das tecnologias
de informação (computador, telefone e televisor) são fundamentais para agilizar o comércio, o fluxo de
investimentos e a atuação das transnacionais, por permitir uma integração sem precedentes de pontos
distantes do planeta.
O debate em torno dos efeitos colaterais da globalização e das estratégias para evitá-los aprofunda-se.
Uma das conseqüências desse processo é a concentração da riqueza. O crescimento dos países
emergentes tem ficado em tomo de 1,5%, o pior desempenho em muitos anos. As exceções, China e Índia.
Com a crise mundial, o preço das matérias-primas, produzidas em grande parte pelos Estados mais
pobres, cai enormemente, trazendo perdas de bilhões de dólares para os países pobres. A participação das
nações emergentes no comércio internacional é de pouco mais de 30%. Algumas regiões estão à margem
da globalização, como a Ásia Central, que representa apenas 0,2% das trocas, e o norte da África (0,7%).
O Banco Mundial (Bird) aponta como causas para o distanciamento entre ricos e pobres o aumento das
ações protecionistas promovidas pelos países ricos, a voracidade dos investidores e a fragilidade
econômica e institucional das nações subdesenvolvidas. A receita usada para recuperar os mercados
emergentes em queda cortes orçamentários e juros altos — contribui para aumentar ainda mais a distância.
O início da integração mundial remonta aos séculos XV e XVI, quando a expansão ultramarina dos
Estados europeus possibilita a conquista de novos mercados. Outro salto na difusão do comércio e dos
investimentos é dado pelas duas Revoluções Industriais, nos séculos XVIII e XIX. A interdependência
econômica cresce até a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, e é retomada no bloco capitalista após a
II Guerra Mundial. Estimuladas pela quebra de barreiras — decorrente, em grande parte, das políticas
liberalizantes postas em prática pelo Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt) e, atualmente, pela
Organização Mundial do Comércio (OMC) —, as trocas mundiais aumentam de forma expressiva a partir
dessa época. Em 1950, totalizam 61 bilhões de dólares, ao passo que em 1998 atingem 5,2 trilhões de
dólares.
A globalização é marcada ainda pelo crescimento das corporações transnacionais, que exercem papel
decisivo na economia mundial. As Transnacionais são grandes empresas que alcançaram maior
crescimento a partir da 2
a
Guerra Mundial e passaram a dominar o mercado internacional, ignorando
fronteiras políticas e concentrando grande volume de capital. A partir da década de 60, houve fusões com o
objetivo de formar aglomerados e conseguir absorver maior mercado e competir com outras empresas.
Atualmente, empresas transnacionais praticam a associação. As empresas transnacionais são,
verdadeiramente, empresas de muitos países. Eles têm um centro de decisões empresarial localizado num
país específico, que abriga a sede de um grupo tentacular instalados em dezenas de outros países. Uma
parte dos lucros obtidos no mundo inteiro é repatriada para o país-sede. A empresa transnacional tem
pátria. Depois da 2
a
Guerra Mundial, os trustes ficaram conhecidos como multinacionais ou transnacionais.
A febre de absorções e centralização de capitais não parou. Ao contrário: atingiu um novo patamar, em que
se tomaram comuns as fusões entre conglomerados transnacionais. Finalmente, novas formas de
associação foram inventadas. Mantendo suas identidades. Apesar do crescimento do número e da
importância das transnacionais japonesas e européias, os Estados Unidos continuaram sendo sua principal
pátria.
A concentração de capitais deu aos grandes conglomerados um novo poder: o poder de ultrapassar as
fronteiras nacionais. O deslocamento geográfico de unidades produtivas para novas regiões da periferia do
mundo capitalista oferece vantagens comparativas de diversos tipos. Talvez a vantagem mais importante
seja o custo diferencial da mão-de-obra e também o custo das matérias-primas e da energia, o que é um
fator decisivo para o deslocamento geográfico de unidades metalúrgicas.
As transnacionais implementam mudanças significativas no processo de produção. Auxiliadas pelas
facilidades na comunicação e nos transportes, instalam suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde
existam melhores vantagens fiscais e mão-de-obra e matéria-prima baratas. Os produtos não têm mais
nacionalidade definida. Um carro de uma marca dos EUA pode conter peças fabricadas no Japão, ter sido
projetado na França, montado no Brasil e ser vendido no mundo todo.
Devido à globalização, grande parte dos produtos industrializados deixou de ter nacionalidade definida.
A integração de mercados levou, também, à interdependência econômica entre os países. A crise em um
país pode abalar toda a cadeia de países interligados. Como são as transnacionais que controlam a
produção, o comércio e a tecnologia, elas podem submeter o Estado aos seus interesses.
Interessam às empresas e bancos transnacionais a livre circulação de mercadorias, serviços e capital
pelo mundo e, portanto, a redução ou eliminação das taxas alfandegárias. Daí grupos defenderem o
neoliberalismo como a política econômica ideal do capitalismo globalizado. Os neoliberais pregam a
redução ao máximo da interferência do Estado na economia, o que seria obtido com o fim do controle de
preços, a eliminação de subsídio, a venda de empresas estatais (privatização) e a abertura da economia
aos investimentos estrangeiros.
Para os neoliberais, essas medidas restabelecem a livre concorrência e estimulam as empresas a se
modernizarem para produzir mais, melhor e mais barato. Para eles, é positivo manter uma determinada taxa
de desemprego, pois isso reforça a disposição do indivíduo ao trabalho. Os neoliberais condenam os gastos
sociais do Estado (seguro-desemprego, aposentadoria, pensões, auxílio-doença, entre outros). Criticam
também a legislação trabalhista e defendem que deva se deixar às empresas a liberdade de decidir sobre
jornada de trabalho, 13° salário, licenças e demais normas.
Os antigos e os novos espaços industriais
O crescimento industrial continua a ser marcante nos países em desenvolvimento, de economias
emergentes. Segundo a Organização das Nações Unidas, para o Desenvolvimento Industrial (Unido), em
2000, a produção dessas nações é responsável por 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Alguns países
asiáticos, como Malásia e Coréia do Sul, registram índices superiores. Cerca de 35% do PIB malaio é
gerado pela indústria. Na Coréia do Sul, ela responde por 31,8% do PIB. No início dos anos 90, não
passava de 20% nos dois países. A taxa média anual de expansão do setor nas nações desenvolvidas é
1,3%, entre 1990 e 1998. Em alguns países ocorre até mesmo retração.
Esse crescimento se deve principalmente às reformas econômicas, que melhoram as finanças públicas
e atraem investimentos estrangeiros diretos na produção; ao avanço das tecnologias, que conferem
qualidade aos produtos, além de reduzir preços; e à queda das barreiras tarifárias no comércio internacional
de bens manufaturados. Com isso, a indústria nos países emergentes cresce quase três vezes mais que
nos países desenvolvidos, atingindo a média de 4,8% ao ano, entre 1990 e 1998.
No sul e no leste da Ásia, nesse período, a produção industrial aumenta 10,2% por causa,
principalmente, do deslocamento de unidades multinacionais para locais onde o custo da mão-de-obra é
baixo. Os maiores destaques são Índia, Coréia do Sul e Taiwan (Formosa). Apesar da queda na
participação das nações ricas na produção industrial – de 83,2% para 77,3%–, não há mudança significativa
na posição de liderança dos EUA, do Japão e da Alemanha. Como regiões mais industrializadas mantêm-se
a Europa Central, onde 30,2% do PIB equivale à produção de bens manufaturados; sul e leste da Ásia
(29%); e América do Norte (27%). Na América Latina e África, esse índice é 5,6% e 1 %, respectivamente.
Custos mais baixos – Com o desaquecimento da economia mundial em 2001 e a crise energética em
alguns países, a indústria busca criar formas alternativas e mais eficientes de manter a produção. Entre elas
está a customização e o deslocamento da produção para regiões do mundo onde o custo final é menor. O
modelo de fabricação em série, difundido a partir da década de 1930, e a venda baseada em estoques
cedem espaço à customização.
Customização – Pelo novo modelo, as fábricas passam a produzir sob encomenda, atendendo a
especificações exigidas pelo consumidor final. O produto continua a ser padronizado, mas é possível
modificá-lo em algumas características graças às adaptações tecnológicas nas linhas de montagem. A
produção ajustada ao desejo do consumidor ganha força, especialmente entre montadoras de veículos
européias. De acordo com estudos recentes, cerca de 20% dos carros vendidos no continente são feitos
apenas sob encomenda. Na Alemanha, esse índice é de 60%.
Na esteira das montadoras, estão também os fabricantes de computadores (PCs), especialmente os
norte-americanos. Em 2000, a Dell consolida um sistema de venda de equipamentos por telefone e internet
em que o cliente define as especificações do computador que deseja. Como a companhia possui uma gama
bastante variada de produtos, consegue fazer as adaptações do software em apenas 90 minutos após o
pedido. Essa fórmula – considerada oposta à produção e venda em massa – faz a Dell pular para a
liderança do setor, crescendo a um ritmo anual médio de 40%, o dobro da marca registrada pela indústria
de computadores pessoais.
Deslocamento da produção – Outra tendência é a adoção de padrões mundiais que permitem que
determinado produto seja fabricado em qualquer lugar do mundo, em particular onde os custos envolvidos
forem mais baixos. Com isso, os países desenvolvidos pretendem reverter a estagnação do crescimento
industrial e incentivar as vendas.
Fábricas inteligentes – A tecnologia também cria alterações na estrutura produtiva, especialmente nos
países ricos. Alguns estudiosos já falam em uma nova categoria industrial: a das fábricas de inteligência
intensiva – aquelas que exigem grandes investimentos em tecnologia. Cerca de 85% do preço de um chip
componente fundamental das indústrias de computadores – refere-se a gastos com pesquisa ou trabalhos
de engenharia e design. Um exemplo dessa nova categoria é a IBM. Listada como uma corporação
industrial que fabrica computadores, a IBM possui menos da metade de seus funcionários dedicando-se à
fabricação de máquinas. A maior parte trabalha na elaboração de softwares, marketing, projeções ou
integração de sistemas de computadores.
Produção globalizada – Com a globalização econômica, que exige redução de custos e aumento da
qualidade dos produtos, vários segmentos da indústria adotam a padronização de peças e componentes.
No setor automotivo, essas inovações são mais evidentes. A Ford norte-americana, por exemplo, compra
peças da coreana Kia Motors, que, por sua vez, também vende peças à japonesa Mazda – sócia da Ford.
Até os motores dos carros da Ford são fornecidos por fabricantes estrangeiros. Esse processo põe fim à
identidade nacional dos produtos. O mesmo acontece na indústria de computadores. A norte-americana
Compaq, adquirida pela HP em 2001, usa patentes de outros países para fabricar seus equipamentos, e as
peças são compradas na China, em Taiwan (Formosa), em Cingapura, na Coréia do Sul e no Japão.
A escolha dos fornecedores passa a depender dos custos envolvidos. Porém, em geral, fica mais barato
comprar fora que investir na fabricação própria de peças. Também é comum a instalação de fábricas em
países que, além de fornecer os componentes dos diversos produtos, oferecem ainda mão-de-obra barata,
vantajosos benefícios fiscais, bem como baixos custos de infra-estrutura, principalmente de energia. A
combinação desses fatores colabora na redução de preço das mercadorias. Para se ter uma idéia, em 1986,
um PC custava o mesmo que um carro médio. Em 2001, compra-se um modelo por cerca de 2,5 mil reais.
Padronização – Outra tendência na indústria é a padronização das linhas de montagem de empresas
diferentes, o que possibilita a produção em série de produtos de diversas marcas em uma mesma fábrica.
Em junho de 2001, a francesa Renault, que havia adquirido a japonesa Nissan, revoluciona o setor ao
decidir fabricar, na mesma linha de montagem, carros de passeio com a marca francesa e picapes da
Nissan. Isso é possível graças aos pesados investimentos tanto na modernização e informatização das
fábricas quanto no desenvolvimento tecnológico dos produtos.
A ciência aplicada à produção: as inovações tecnológicas
Os principais resultados de um amplo levantamento feito pela Associação Nacional de Pesquisa,
Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), que avaliou o comportamento das
empresas brasileiras em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, acabam de ser reunidos em
livro.
O estudo Inovação tecnológica no Brasil: a indústria em busca da competitividade global tem como base
dados da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), divulgada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) em 2005, com informações de 84.262 empresas distribuídas em 91
atividades industriais.
Segundo o estudo, das empresas que realizaram pelo menos uma inovação de produtos ou processos
em 2000, apenas 24,2% consideravam altamente importante a realização de atividades internas de P&D,
porcentagem que caiu para 17,2% em 2003. No outro extremo, 79,3% dessas empresas consideraram
baixa a importância da P&D interna.
Os dados mostram que ainda é baixa a preocupação da indústria brasileira com a geração e aquisição
de conhecimento para a realização de inovações tecnológicas. Por conta disso, o livro aponta a
necessidade de criação de um movimento nacional capaz de mostrar aos empresários que a realização de
P&D interna é um elemento essencial para a estratégia competitiva.
Outro resultado do trabalho é que as empresas mais inovadoras faturaram, em média, mais do que as
menos inovadoras: o conjunto das 20 atividades industriais com maior taxa de inovação foi responsável por
23,6% da receita líquida de vendas de toda a indústria brasileira em 2003. Entre as atividades industriais
destacam-se a fabricação de defensivos agrícolas, de cimento e de caminhões, ônibus e automóveis.
O investimento brasileiro em P&D ainda é reduzido quando comparado a outras economias
emergentes. O Brasil ocupa atualmente a quinta posição na aplicação de recursos, com US$ 12,2 bilhões,
atrás da China (US$ 84,6 bilhões), Coréia (US$ 24,4 bilhões), Índia (US$ 20,7 bilhões) e Rússia (US$ 16,9
bilhões).
A ECONOMIA MUNDIAL E O BRASIL
Com o colapso do socialismo no leste europeu, foram formuladas uma série de previsões triunfalistas
que assinalavam o início de uma Nova Ordem Mundial, fundada na paz, prosperidade e democracia. Os
problemas pendentes em pouco seriam resolvidos, e muitos articulistas destacaram que o século XXI, que
inauguraria o Terceiro Milênio em 2001, traria a consolidação desta nova sociedade globalizada. A
estabilidade do novo mundo seria garantida pela mão invisível do mercado que, no final, coloca todas as
coisas em seu devido lugar. Contudo, dez anos depois de tais profecias, o planeta parece mergulhado em
incertezas e problemas ainda maiores, e os princípios enunciados não se cumpriram, ou apenas se
cumpriram superficialmente.
Em lugar de paz, foram dez anos de confrontos sangrentos que sinalizaram a emergência de guerras,
conflitos civis e padrões de violência de novo tipo, possivelmente mais dramáticos que os anteriores. A
prosperidade prometida não ocorreu, ao menos para a esmagadora maioria das pessoas e países. A
"globalização", ainda que lançando bases para um virtual crescimento (sempre prometido "para o próximo
ano"), gerou um desemprego estrutural, uma recessão que perdura, o retrocesso da produção industrial na
maioria dos países e a instabilidade financeira mundial, em meio à queda dos padrões de vida e à
concentração de renda. A democracia liberal, por sua vez, realmente é adotada hoje (ao menos
formalmente) pela maioria esmagadora dos países. Entretanto, a década de 90 nos apresenta o maior grau
de despolitização das populações em todo o século. Uma democracia é real quando os cidadãos não crêem
nas instituições, nos processos políticos e deles não participam senão por obrigação legal? As abstenções,
onde não há voto obrigatório, batem recordes históricos.
Contudo, é preciso considerar que não se trata do fim do mundo, mas da crise de um modelo que foi
proposto como o "fim da História". Contra todas as previsões, a História insiste em manter-se viva e cada
vez se manifesta com maior intensidade. Um olhar mais cuidadoso sobre estes dez anos que abalaram o
século pode revelar outros contornos para o futuro. A discussão sobre o que ocorreu em 1989 não se
encerrou, está apenas começando. Agora que os "perdedores" não podem mais voltar ao passado, podem
compreendê-lo melhor, encarar o presente e avaliar os possíveis desdobramentos futuros. Os efeitos da
aceleração da globalização colocaram o neoliberalismo frente a um impasse. O desemprego tornou-se não
apenas estrutural, como, mesmo em regiões e/ou épocas em que se registra crescimento econômico, tem
ocorrido uma redução de postos de trabalho, na medida em que, geralmente, este crescimento se dá em
setores de ponta, que empregam tecnologia avançada. A concentração de renda atingiu níveis alarmantes:
em 1992, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 82,7% da renda
mundial encontrava-se nas mãos dos 20% mais ricos, enquanto os 20% mais pobres detinham apenas
1,4% da renda; quatro anos depois, os 20% mais ricos haviam aumentado sua parcela para 85% da
riqueza.
A ausência ou fragilização do emprego produziu urna violenta exclusão social de novo tipo: milhões de
pessoas simplesmente não têm mais lugar dentro da economia capitalista. Isso não apenas traz
conseqüências graves no tocante ao desaparecimento de mercados, mas produz reações desesperadas e
perigosas por parte dos "perdedores". Trata-se da fragmentação que acompanha o processo de
globalização. O irônico é que, em meio à crise de regimes e movimentos marxistas, parece cumprir-se a
tese de Marx sobre a exclusão social. Esta atingiu tal nível que está gerando uma instabilidade perigosa,
ao produzir uma espécie de Apartheid globalizado.
Nas grandes cidades, novos centros da vida econômica pós-moderna, os ricos cada vez mais se
isolam em bairros e condomínios protegidos, enquanto, no plano internacional, os países desenvolvidos
fecham-se aos imigrantes vindos da periferia. Estes afluem em grande número do campo para a cidade no
Sul e, destas, para o Norte, devido aos efeitos sociais devastadores da reestruturação econômica. Depois
de cinco séculos de migrações do Norte para o Sul, desde os anos 70, observa-se a inversão do fluxo. O
Norte conta hoje com uma população de pouco menos de um bilhão de pessoas, enquanto o Sul, quase
cinco vezes esta cifra. Além disso, mais de 90% dos nascimentos ocorrem no Terceiro Mundo. Nos
quadros de uma globalização conduzida sob os parâmetros do neoliberalismo e da RCT, tal situação gera
uma população excedente absoluta e uma manifestação de inquietude no Norte, devido à invasão dos
"bárbaros".
As mudanças atualmente em curso produzem um choque semelhante ao gerado pelo
desencadeamento da Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX, em que o capitalismo levou mais de um
século para mostrar-se um sistema "civilizado" de bem-estar, a partir da II Guerra Mundial. Contudo, é
preciso considerar que, ao longo do período 1830-1945, milhões de europeus tiveram que emigrar ou
foram dizimados por guerras devastadoras, e que, se esta população tivesse permanecido ou sobrevivido,
ela representaria hoje meio bilhão a mais na população européia. O problema, contudo, é que hoje não
existem mais "espaços vazios" para serem ocupados, e o Norte rechaça os imigrantes. O resultado tem
sido um malthusianismo genocida, devido à regressão sanitária e alimentar, impulsionada pelos planos de
ajuste do FMI e do Banco Mundial.
Considerando que, no Norte, o processo de acumulação e distribuição é regido por fatores internos e
que, no Sul, submetido aos planos de ajuste, decorre de fatores externos (sobre os quais não pode influir
significativamente), o desenvolvimento da periferia tende a ser bloqueado, agravando os problemas acima
expostos. Nesse cenário, o capitalismo revela-se incapaz de estabelecer uma resposta globalmente
integradora e estável, e o neoliberalismo agrava ainda mais a situação, tornando-se uma espécie de
suicídio para o próprio sistema. Como foi dito antes, o núcleo desenvolvido do sistema internacional
apresenta atualmente evidentes sinais de declínio. Retira-se de áreas desinteressantes da periferia,
conservando apenas "ilhas" úteis, geralmente megalópoles globalizadas do Sul, responsáveis pela
drenagem dos recursos locais. Sua cultura revela traços de decadência e de incapacidade frente ao
atavismo cultural do Sul (retorno a movimentos e idéias do passado). Como o Império Romano em seu
estágio final, o Ocidente reflui sobre seu bastião original.
Quanto á grande revolução neoliberal, cada vez mais se assemelha ao período da Restauração
conservadora de 1815 a 1848. Naquele período, parecia que o Ancien Régime havia triunfado sobre a
Revolução Francesa, mas a Restauração apenas estava agudizando ainda mais as contradições existentes.
Assim, hoje, a exclusão de grandes contingentes humanos não apenas está gerando instabilidade social,
como criando impasses para a economia. A RCT, longe de realizar-se como modernidade, está produzindo
uma situação conflitiva, sobretudo com sua tendência de aceleração progressiva das transformações em
curso, as quais têm colocado em xeque as estruturas sociais existentes.
Além da vontade difusa de amplos setores populares de lutar contra os custos sociais do
neoliberalismo, existem hoje, entretanto, outros fatores positivos que precisam ser levados em conta pelos
movimentos sociais, que só lenta e limitadamente começam a tomar conhecimento deles. A globalização e
a formação de blocos regionais, ao lado dos fatores negativos já referidos, geraram fenômenos que podem
servir de base para uma nova estratégia popular. As elites nacionais encontram-se fortemente deslocadas
frente ao processo de globalização, deixando um amplo espaço para a retomada da questão nacional pelos
movimentos progressistas, num campo em que as possibilidades de se estabelecer novas alianças são
riquíssimas. Além disso, as velhas estruturas de poder encontram-se significativamente abaladas, razão
pela qual os grupos dominantes têm buscado fomentar a unidade social em torno de valores propagados
pela mídia, bem como a reeleger presidentes "confiáveis".
Concretamente, as forças opostas ao neoliberalismo precisam lutar ofensivamente para que a
Revolução Científico-Tecnológica, que impulsiona a globalização, seja socialmente condicionada. A RCT e
a economia globalizada, pelo nível alcançado em termos de produtividade do trabalho, criaram condições
históricas para que todas as necessidades materiais da humanidade possam ser equacionadas. E isso
poderá ser obtido por meio de uma ação política, uma vez que a idéia de que existe uma lógica econômica
que, a priori, implicaria uma marginalização dos trabalhadores é falsa, porque o neoliberalismo constitui,
essencialmente, apenas uma forma conservadora de regulação do gigantesco processo de modernização
atualmente em curso. Ou seja, esta modernização pode tanto servir para consolidar aposição dominante
dos atuais detentores nacionais e sociais do poder nos quadros de uma Nova Ordem Mundial (caso o
neoliberalismo mantenha-se), como permitir que inclusive a idéia de uma sociedade organizada em torno de
valores coletivos e igualitários seja retomada, agora de uma forma mais viável do que a que ocorreu durante
a maior parte do século XX.
Hoje, a luta pela criação de empregos por meio da redução da jornada de trabalho, a manutenção dos
direitos sociais existentes e a criação de novos constituem uma necessidade objetiva para que a RCT e a
globalização se realizem como modernidade. Isto porque o neoliberalismo consiste numa opção
equivocada, mesmo pela ótica do capitalismo, além de historicamente suicida; e pode conduzir a
humanidade pelo caminho da violência incontrolável e da estagnação ou regressão histórica, como advertiu
acima Alain Minc.
Os recursos gastos com a geração de empregos, a criação de direitos sociais e a redução da jornada
de trabalho certamente diminuiriam o montante destinado aos investimentos econômicos. Isto produziria,
em compensação, uma dupla vantagem: criaria mercados domésticos estáveis, garantindo a demanda das
empresas e limitando a concorrência internacional desenfreada, e reduziria um pouco o ritmo de
modernização tecnológica, permitindo que a sociedade obtenha o tempo necessário para criar estruturas
compatíveis e adaptar-se.
Assim, a realidade mundial atingiu tal dinamismo sob a globalização, que se produziram novos e
imensos desafios e possibilidades de transformação social. Não apenas a produção transnacionalizou-se
como também os antagonismos sociais e conflitos políticos. Passamos da guerra de posições para a de
movimento. Se a esquerda ainda não aproveitou esta situação, isso deve-se mais à falta de um projeto
estratégico do que à força de seus adversários. E enquanto ela não ocupa plenamente o espaço que lhe
caberia, muitos setores que poderiam integrar-se à sua base social voltam-se para reações atávicas,
fundamentalismos religiosos, regionalismos separatistas, conflitos étnicos, líderes populistas ou
individualismos alienantes.
CONCEITOS IMPORTANTES
Migração de campo-cidade ou êxodo rural
Consiste no deslocamento de grande parcela da população da zona rural para a zona urbana,
transferindo-se das atividades econômicas primárias para as secundárias ou terciárias. Esse é, na
atualidade, o mais importante movimento de população e ocorre praticamente no mundo todo.
Nos países subdesenvolvidos, ou em vias de desenvolvimento, a migração do campo para a cidade é
tão grande que constitui um verdadeiro êxodo rural. Ela intensificou-se a partir do surto industrial do
Sudeste, iniciando na década de 1940.
Dentre as causas do êxodo rural, destacam-se, de um lado, o baixo nível de vida do homem do campo,
ocasionado pelos baixos salários recebidos pelo trabalhador rural, pela falta de escolas, de assistência
médica; de outro, a atração exercida pela cidade, onde parece haver oportunidade de alcançar melhor
padrão de vida.
Na prática, não aconteceu por dois motivos:
a) o mercado de trabalho não cresce no mesmo ritmo da oferta de mão-de-obra;
b) o baixo grau de qualificação dessa mão-de-obra, sem nenhum preparo para atender às necessidades
dos setores secundários.
As pessoas vindas do campo acabam por engrossar as fileiras do subemprego ou mesmo do
desemprego, sofrendo sérios problemas socioeconômicos. Um dos reflexos desse fato é a ampliação
desordenada e incontrolável das favelas, que cobrem grandes áreas, principalmente nas regiões menos
valorizadas das cidades.
Na zona rural, a maior conseqüência da migração para as cidades é o despovoamento, que, sem ser
compensado pela mecanização e aliado a outros problemas, ocasiona queda da produção e elevação do
custo de vida.
O Estatuto do Trabalhador Rural, de 1964, foi criado com a intenção de beneficiar o homem do campo,
obrigando os proprietários de terras a encargos trabalhistas, como salário-mínimo, décimo terceiro salário,
férias etc. No entanto, não podendo ou não querendo assumir tais encargos, muitos proprietários preferiram
dispensar boa parte de seus empregados, o que acabou por intensificar o êxodo rural. Nas cidades do
interior, os trabalhadores dispensados transformam-se em bóias-frias, os diaristas que trabalham apenas
em curtos períodos sem nenhuma garantia.
Em síntese, as principais causas e conseqüências do êxodo rural são:
a) causas repulsivas:
excedentes populacionais que acarretam um desequilíbrio entre mão-de-obra disponível e a oferta de
emprego;
mecanização de agricultura;
secas, inundações, geadas;
erosão e esgotamento do solo;
falta de assistência médica e de escolas;
baixa remuneração no trabalho;
concentração das terras, em mão de poucos;
estatuto do trabalhador rural;
b) causas atrativas:
melhores condições e oportunidades de vida que as cidades oferecem:
empregos;
escolas;
moradia;
profissionalização;
assistência médica.
Conseqüências do êxodo rural:
a) zonas rurais: perda da população ativa e queda geral da produção ou estagnação econômica, quando
a saída de trabalhadores não é compensada pela mecanização.
b) zonas urbanas: rápido aumento da população; maior oferta de mão-de-obra nas cidades, com
salários baixos, falta de infra-estrutura das cidades; desemprego; formação de favelas; delinqüência;
mendicância.
Urbanização
É um processo e ocorre quando o crescimento da população nas cidades é superior ao crescimento
demográfico do país.
Em situações normais, é acompanhada do processo de industrialização.
Provoca o êxodo rural.
Não há dúvidas de que resulta em mudanças significativas na forma de organização de uma sociedade,
inclusive em seus valores políticos, sociais, culturais e econômicos, além da localização especial. Portanto,
altera as características do espaço geográfico.
Região polarizada
Constituição da região planejada em torno de metrópole. O regionalismo leva à formação de diversas
grandes cidades que podem atingir vários milhões de habitantes e onde cada uma delas pode alcançar
caráter metropolitano internacional e, como pólo, organizar regiões em torno de si, onde a população
gradativamente adquire consciência regional. O estudo das regiões polarizadas nos leva à divisão de
estados em regiões administrativas, e estas, em sub-regiões.
Malha urbana
Diz-se da forte concentração de cidades em uma determinada área do pais, como a região Sudeste, em
determinadas partes. Na região Sul, a malha urbana caracteriza-se por maiores concentrações em alguns
pontos, como, por exemplo, as áreas próximas a Porto Alegre, Curitiba e leste catarinense.
Rede urbana
Sistema de cidades distribuídas numa região, encaradas como um complexo sistema circulatório entre
núcleos e funções diferentes, mantendo relações entre si e dependentes de um centro principal que
comande a vida regional. Existem redes urbanas mais e menos organizadas, estando em permanente
processo de transformação.
Áreas metropolitanas
Conjunto de municípios contíguos e integrados com serviços públicos de infra-estrutura comuns.
Grandes espaços urbanizados que se apresentam integrados, sejam quanto aos aspectos físicos ou quanto
aos funcionais de uma metrópole que exerce o papel dirigente. E uma conurbação.
Conurbação
Região de duas ou mais cidades de crescimento contínuo, formando um único aglomerado urbano. Ex.:
Região de SP + ABCDOM. Há a manutenção da autonomia político-administrativa.
Regiões funcionais urbanas
Divisão regional tendo por base a influência das cidades sobre o espaço ou sua polarização.
Macrocefalismo
Quando a população cresce em nível superior A. infra-estrutura, acaba provocando um inchaço urbano
com hipertrofia na atividade terciária, tendo como conseqüências:
a) elevação do desemprego e subemprego;
b) elevação da economia informal e ilegal;
c) criação de um exército de reserva e o achatamento salarial;
d) crescimento acentuado e desordenado das cidades;
e) aumento da população além da infra-estrutura socioeconômica.
Subemprego
Atividade gerada pelo inchaço do setor terciário, com atividades tais como: cuidador de carros,
vendedores de semáforos, biscateiros; surgem para desafogar a falta de trabalho.
Aproximadamente 60% da População Economicamente Ativa (PEA) concentra-se na faixa de
rendimento entre meio a, no máximo, três salários mínimos, enquanto que menos de 2% da PEA possuem
rendimentos iguais ou superiores a 20 salários mínimos, comprovando que o Brasil é um dos países de
maior concentração de riquezas no mundo.
O próprio Estado assume que próximo de um terço da população possui renda mensal inferior a 80
reais/mês/ pessoa e que essa renda é inferior ás necessidades básicas dessa população. Portanto, elevado
número de pessoas está localizado abaixo da linha de pobreza, de acordo com o Indicador de
Desenvolvimento Humano (IDH) elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Pela previsão anterior do IBGE, chegaríamos aos 200 milhões de habitantes no ano 2000, mas houve
uma queda no crescimento demográfico da população brasileira; portanto, chegamos ao ano 2000 com 30
milhões a menos em relação ao previsto inicialmente. Que o crescimento demográfico está caindo é certo,
reduzindo, assim, a disparidade refletida nas décadas anteriores, quando o crescimento econômico ficava
muito distante do aumento populacional. Mas isso não quer dizer que estamos caminhando para o equilíbrio
no crescimento socioeconômico, bastando notar que a porcentagem de crescimento atual é menor, mas em
relação a um número maior de habitantes. Concluindo, o crescimento demográfico diminui, mas a
quantidade de brasileiros que são acrescentados, por décadas, em nossa população, continua superior a 20
milhões, enquanto que o crescimento econômico vem ocorrendo de forma muito mais lenta. Combinando
essa realidade com o baixo rendimento da maioria da PEA e com a alta concentração de riquezas, percebe-
se a desigualdade socioeconômica que ainda caracteriza nossa sociedade.
Nas últimas décadas, a taxa de natalidade vem diminuindo, e isso indica muitas mudanças quanto às
características gerais de nossa população; dentre esses fatores, o principal é a queda na taxa de
fecundidade, isto é, a cada geração está diminuindo o número de filhos por mulheres, tendo como causas
principais: casamento tardio, maior instabilidade nas relações familiares, maior independência do sexo
feminino, uso da mão-de-obra feminina, em razão do processo de terceirização da economia, maior
consciência e nível de informações da população, bem como maior uso de métodos anticonceptivos e
abortivos.
Ao dividirmos a população por faixa de idade, verificamos que não é mais verdade que o país é formado
por jovens, já que a maioria é formada por adultos, de forma mascarada, já que o maior contingente
encontra-se com idade abaixo dos 30 anos. Enfim, há uma tendência muito forte de a população acelerar
seu processo de envelhecimento nas próximas décadas, aumentando o número de velhos e reduzindo o
número de jovens no total da população.
A pirâmide etária da população demonstra que estamos iniciando um processo de transição, típica,
antes ocorrida nos países desenvolvidos, desde que não seja confundido – pois que os meios utilizados
pelos países ricos foram bem desenvolvidos –: nos primeiros, a queda da taxa de natalidade e o
conseqüente envelhecimento da população foram resultado de planejamento familiar, resultando no Estado
do Bem-Estar Social (welfare state), em que houve uma melhoria significativa na qualidade de vida da
população; no Terceiro Mundo, a situação se modifica quanto aos meios, inclusive com a questão de
esterilização em grande escala, tanto feminina como masculina.
O povoamento atual do território brasileiro resultou de um processo histórico em que o elemento
fundamental foi o fato de o Brasil ter sido colônia de Portugal até o início da terceira década do século XIX.
A concentração populacional na área litorânea vem desde a época colonial e liga-se a dependências
econômicas em relação aos centros mundiais do capitalismo. Hoje, o Brasil é um dos inúmeros países que
ocupam a superfície terrestre. Isso significa que a sociedade moderna ou industrial, que dividiu o mundo em
países e que modificou como nunca a natureza original, a transformou em segunda natureza, em natureza
humanizada.
A população do Brasil constitui-se, fundamentalmente, de três elementos étnicos: o branco, português
colonizador; o negro trazido da África para os trabalhos da lavoura; e o indígena, aborígine, ao qual veio
juntar-se os dois primeiros. Por motivos vários, entrecruzaram-se esses três elementos, do que resultaram
três tipos principais de mestiços: mulatos, cafuzos e mamelucos.
Em épocas posteriores, com os vários movimentos migratórios, outros tipos raciais, procedentes das
mais variadas regiões do planeta, vieram trazer a sua contribuição para a formação da atual população
brasileira. Aportaram ao pais principalmente europeus e asiáticos: italianos, espanhóis, alemães, húngaros,
eslavos, japoneses, chineses etc.
Quanto à distribuição da população, pode-se afirmar que não há, no Brasil, terras inteiramente
inabitáveis. O povoamento processou-se a partir da zona litorânea, na direção do interior, ora sob a forma
de aglomerações, ora sob a de dispersão, em virtude de fatores vários, entre os quais predominou o gênero
de atividades das populações. Em muitos lugares, a população se agrupou de modo mais numeroso e
compacto; em outros, ela se difundiu e espalhou, verificando-se extensos claros territórios desabitados.
A língua que prevalecia no início era o tupi. Posteriormente, o domínio dos portugueses deu origem à
língua portuguesa e às outras neolatinas. O português falado no Brasil tem traços de diferenciação em
confronto com a língua falada em Portugal.
O Brasil possui cerca de 185 milhões de habitantes (estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística – IBGE, 2005). Ao longo dos últimos anos, o crescimento demográfico do país tem diminuído o
ritmo, que era muito alto até a década de 1960. Em 1940, o recenseamento indicava 41.236.315 habitantes;
em 1950, 51.944.397 habitantes; em 1960, 70.070.457 habitantes; em 1970, 93.139.037 habitantes; em
1980, 119.002.706 habitantes; e, finalmente, em 1991, 146.825.475 habitantes.
As razões para uma diminuição do crescimento demográfico relacionam-se com a urbanização e
industrialização e com incentivos à redução da natalidade (como a disseminação de anticoncepcionais).
Embora a taxa de mortalidade no país tenha recaído bastante desde a década de 1940, a queda na taxa de
natalidade foi ainda menor.
A pirâmide etária brasileira apresenta, como nos demais países em desenvolvimento ou
subdesenvolvidos, larga base e estreito cume. A população jovem (até 19 anos) constitui mais de um terço
do total. Somada a uma pequena população de idosos (menos de um décimo), esse contingente constitui a
população economicamente inativa, que precisa ser mantida pela população economicamente ativa.
Fonte: IBGE
A FRENTE DE POVOAMENTO E AS CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO: COMPOSIÇÃO ETÁRIA,
ESCOLARIDADE, NÍVEIS DE RENDA E TIPOS DE OCUPAÇÃO
Brasil já tem mais de 180 milhões de habitantes
Em 34 anos, a população brasileira praticamente dobrou em relação aos 90 milhões de habitantes da
década de 1970 e, somente entre 2000 e 2004, aumentou em 10 milhões de pessoas. Em 2050, seremos
259,8 milhões de brasileiros e nossa expectativa de vida, ao nascer, será de 81,3 anos, a mesma dos
japoneses, hoje. Mas o envelhecimento da população está se acentuando: em 2000, o grupo de 0 a 14 anos
representava 30% da população brasileira, enquanto os maiores de 65 anos eram apenas 5%; em 2050, os
dois grupos se igualarão em 18%. E mais: pela Revisão 2004 da Projeção de População do IBGE, em 2062,
o número de brasileiros vai parar de aumentar.
Em janeiro de 2004, a população brasileira ultrapassou os 180 milhões de habitantes. Esta é uma das
conclusões da Revisão 2004 da Projeção da População realizada pelo IBGE, a primeira a incorporar as
taxas de natalidade e mortalidade calculadas a partir do Censo 2000 (divulgadas em dezembro do ano
passado), além das Estatísticas de Óbitos do Registro Civil 1999-2001 e da PNAD 2001. Esses estudos
demográficos demonstram que as famílias estão tendo cada vez menos filhos: em 1960, a média era de
seis filhos por mulher, caiu para 2,89 em 1991 e, em 2000, para 2,39. A projeção para 2004 foi de 2,31 e,
em 2023, a média deverá ser de 2,01 filhos por mulher – ou seja, a mera reposição das gerações. A
população continuará crescendo, embora a taxas cada vez menores: dos 3% ao ano entre 1950 e 1960, a
taxa caiu para 1,44% ao ano em 2004, cairá para 0,24% em 2050 e, finalmente, para zero em 2062, quando
a população brasileira começará a se reduzir.
Se o crescimento da população permanecesse no mesmo ritmo dos anos 50, seríamos, hoje, 262
milhões de brasileiros. Mas, desde então, nossa taxa de fecundidade diminuiu, devido às transformações
ocorridas na família brasileira, como a entrada da mulher no mercado de trabalho e a popularização dos
métodos anticoncepcionais. Em 2000, uma média de 2,39 filhos por mulher, o Brasil estava na 75
a
posição
entre os 192 países ou áreas comparados pela ONU.
Seis milhões de mulheres a mais
As proporções entre a população masculina e feminina vêm diminuindo paulatinamente no Brasil. Em
1980, haviam 98,7 homens para cada cem mulheres, proporção que caiu para 97% em 2000 e será de 95%
em 2050. Em números absolutos, o excedente feminino, que era de 2,5 milhões em 2000, chegará a seis
milhões em 2050. Já a diferença entre a esperança de vida de homens e mulheres atingiu 7,6 anos em
2000 – sendo a masculina de 66,71 anos e a feminina de 74,29 anos.
Os avanços da medicina e a melhoria nas condições gerais de vida da população contribuíram para
elevar a expectativa de vida dos brasileiros, que aumentou 17 anos entre 1940 e 1980 (de 45,5 para 62,6
anos, respectivamente). Em 2000, esse indicador chegou aos 70,4 anos e deverá atingir os 81,3 anos em
2050, praticamente o mesmo nível atual do Japão (81,6 anos), o primeiro colocado no ranking. O Brasil está
em 89° lugar entre os 192 países ou áreas estudados pela ONU. A média mundial para a esperança de vida
ao nascer era de 65 anos, em 2000, e deverá atingir os 74,3 anos entre 2045 e 2050.
Sobre a população
Superpopulação é sempre relativo. Sendo assim, nunca se pode dizer que a área determina, pela
quantidade de indivíduos que a habita, o grau de desenvolvimento de uma comunidade. Fatores externos
como o colonialismo, ou, ainda, culturais, sociais, políticos e econômicos, são os critérios a serem levados
em conta na análise. Super-população é sempre relativo à capacidade da população de prover do meio sem
exauri-lo. O sentido da migração internacional que era Norte-Sul, hoje é Sul-Norte. Há, em todos os países,
aversão a estrangeiros. Um exemplo típico do nível de xenofobia, é que, até os "Tigres Asiáticos" estão se
defendendo da invasão de estrangeiros. Ocorrem vários atritos entre brasileiros e paraguaios na ponte da
"amizade". Os brasileiros são acusados de serem informais e retirarem trabalho dos paraguaios. Essa é
uma forma de migração pendular e internacional ao mesmo tempo. Por essa razão, esses brasileiros são
denominados de Brasiguaios. As cidades no Brasil estão retornando os indigentes para suas regiões de
origem, promovendo uma desova dos indesejáveis. Muitas prefeituras utilizam-se deste expediente para se
livrarem de encargos sociais. No Brasil, por exemplo, há uma tendência a bipartições de estados, onde a
parte mais rica se vê livre de áreas mais pobres. Há uma, bem palpável, tendência a desmetropolização
reforçada, nos dias atuais, pela migração de retorno. A migração não pode ser vista do ponto de vista
quantitativo, mas sim qualitativo. Crescem proporcionalmente, hoje, no Brasil, as médias cidades. Um
problema sério é a questão do entorno de Brasília. (Prestar atenção nas políticas curativas das cestas
[cartões cidadania] de alimentos, como fator que atrai população).
As fronteiras agrícolas são atrativas, com um intenso crescimento de núcleos urbanos, gerando, por
outro lado, um caos social. A grilagem de terra (recentemente houve grilagem de terras dos índios Caiapós),
a presença de jagunços, os gatos, a escravidão de menores e adultos (escravidão de armazém), a fome, o
desemprego tecnológico e as lutas do MST (armadas e acompanhadas de protestos como o que
comemorou o massacre de dezenove sem-terra em El Dourado do Carajás – Pará) por reforma agrária são
problemas sociais sérios e de premência para resolução. Há uma reforma agrária para o governo e outra
para o MST, com a qual todos parecem concordar, mas que são coisas opostas para os lados. Quais são as
diferenças básicas? Para o MST, a proposta do governo é um ajuste às condições da globalização. O MST
quer terra para trabalho e não terra de negócio como propõe o governo. Para o MST, a terra não é fonte de
lucro, mas sim um meio de vida dos camponeses, instrumento de revolução e uma forma de abastecer o
mercado interno. O Sudeste, Sul e Nordeste do Brasil são os principais responsáveis por esse contrafluxo
migratório. São pessoas que buscam "uma melhor qualidade de vida", fugindo da vida agitada dos grandes
centros urbanos; por outro lado, há o fascínio exercido pelas cidades sobre as populações rurais. Goiânia já
é cosmopolita por atrair gente de todos os lugares. Sem uma resposta satisfatória em termos de infra-
estrutura e empregos, começa a apresentar problemas típicos de grandes centros. Dê uma analisada nesse
aspecto. A criminalidade e o aumento do comércio informal são os resultados palpáveis desta má
distribuição de renda. Goiânia e Brasília, duas "ilhas de modernidade", têm atraído muitos miseráveis.
(Obs.: estes são problemas estruturais muito visíveis em nossa realidade, sendo uma parte no todo).
A mão-de-obra está cada dia mais nômade. Assim, surgem as formas de se complementar renda. O
trabalho zero hora, sem vínculo empregatício com as empresas, os part times (parte de tempo) estão cada
vez mais presentes. O Estado está retirando todo tipo de estabilidade dos trabalhadores, votando reformas
na previdência social e instituindo o contrato temporário de trabalho. Num contexto de economia
globalizada, com um desemprego estrutural, agravado pelo desemprego tecnológico, onde em vários
países centrais ele já ultrapassa a casa dos dois dígitos, o trabalhador tem que se qualificar ao máximo
(trabalhador multifuncional), pois a revolução técnico-científica elimina o trabalhador especializado. As
empresas estão requerendo, além do QI, o QE (quociente emocional do trabalhador), critério básico para
as admissões no mercado de trabalho. Hoje se requer sempre disposição para aprender constantemente.
Busca-se o trabalhador Bombril (mil e uma utilidades). Em todo o mundo fala-se em redução de carga
horária, enquanto na China e "Tigres Asiáticos" há superexploração de mão-de-obra.
O processo de globalização é o grande norteador das questões dos concursos atuais. Parece que o
mundo vai virar um Shopping Center Global e, para tal, os defensores da globalização insistem em
modificar nossos hábitos e valores para que consumamos esse produto global. Contudo, não nos servem
as receitas do FMI num mundo com tantas alternativas. Não precisamos, assim, cair na onda de
Ecomalthusianistas histéricos que prevêem numa visão fatalista que a periferia será sempre periférica. E
mais, o que é periférico não necessariamente é periferia. Haverá sempre outra alternativa. Destarte, a
globalização e, antes de tudo, a velocidade de inserção nela deve ser bem analisada por todos os países e
povos do globo, especialmente os "periféricos".
População Economicamente Ativa - PEA
Dentre os aspectos relevantes que caracterizam a estrutura de uma população, ressaltam-se, pela sua
influência no desenvolvimento do País, as atividades principais exercidas pela população.
Segundo um critério hoje universalmente aceito, agrupamos as atividades humanas em três classes
principais, assim denominadas:
Setor Primário: agricultura, pecuária, silvicultura e pesca.
Setor Secundário: indústria e transformação.
Setor Terciário: comércio, serviços e profissões liberais.
A população ativa no Brasil, em 1991, era de 43%, o que, conjugado ao baixo nível tecnológico dos
diversos setores de atividades, acarretou um baixo nível de produção econômica.
Apesar de sua diminuição progressiva, o setor predominante sempre foi o primário; porém, a partir de
1976, o terciário passou a ser o setor de maior absorção de ativos, enquanto o secundário sofreu um
grande aumento de 1970 para 1991, passando de 17,8% para 22,7%.
Dentre as regiões brasileiras, a Norte e a Nordeste são as que apresentam maiores concentrações no
setor primário, enquanto a Sudeste e a Sul são as regiões de menores concentrações.
Na década de 70, o crescimento do setor secundário foi maior, uma vez que o país atravessou uma
fase de grande desenvolvimento industrial ("Milagre Brasileiro").
Evidentemente, a população ativa utilizada no setor secundário concentra-se fortemente no Sudeste, já
que a grande maioria da nossa indústria de transformação encontra-se nessa região.
O grande aumento do terciário ocorreu devido ao desenvolvimento do País, juntamente com a
urbanização da população, que passou a exigir mais intensamente as atividades de serviços.
Tem-se observado, nas últimas décadas, uma importante transferência da população economicamente
ativa do setor primário para o setor terciário. Esse fenômeno explica-se pela importante urbanização
verificada nas últimas décadas, principalmente no Sudeste, somada às transformações verificadas na zona
rural.
A região de maior participação da população feminina na população economicamente ativa é a sudeste.
A maior participação da população feminina ocorre em atividades sociais e de prestação de serviços.
Nestas áreas, a participação feminina chega a superar a masculina.
AS MIGRAÇÕES E OS CONFLITOS SOCIAIS
Introdução
Entre outras explicações que se podem aventar para o fraco interesse que os homens públicos de
nosso país têm demonstrado para o problema da migração nos últimos anos, destaca-se a importância
assumida pelas correntes de migração interna. Correntes orientadas de uma região para outra no interior do
país ou entre estados de uma mesma região, ou dos campos para as cidades (êxodo rural), têm permitido,
pela sua intensidade, substituir a presença do elemento estrangeiro. Os principais movimentos migratórios
ocorridos no Brasil foram:
a) Migração de nordestinos da Zona da Mata para o sertão, séculos XIV e XVII (gado).
b) Migração de nordestinos e paulistas para Minas Gerais, século XVIII (ouro).
c) Migração de mineiros para São Paulo, século XIX (café).
d) Migração de nordestinos para a Amazônia, século XIX (borracha).
e) Migração de nordestinos para Goiás, década de 50 (construção de Brasília).
f) Migração de sulistas para Rondônia e Mato Grosso (década de 70).
As áreas de repulsão populacional são aquelas que perdem população por diversos fatores, como, por
exemplo, a falta de mercado de trabalho ou a dificuldade das atividades econômicas em absorver ou manter
as populações locais.
As áreas de atração populacional são aquelas que exercem atração sobre as populações de outras
áreas, pois oferecem melhores condições de vida.
Hoje: a atração dos centros regionais
Na década de 90, devido à crise econômica, ocorreram duas situações:
1) A migração de retorno, em que milhares de nordestinos, expulsos do mercado de trabalho em
contração, retornam às suas cidades de origem.
2) Ocrescimento nas áreas industriais e agroindustriais das capitais regionais, cidades com fortes
atrações dos migrantes brasileiros.
A década de 90 registra o fim das grandes correntes migratórias, como a dos nordestinos ou a dos
paranaenses. Hoje, os movimentos migratórios são pequenos e bem localizados, em geral, em direção a
capitais regionais. Agora, em vez de mudar para São Paulo, os nordestinos preferem buscar empregos e
oportunidades nas próprias capitais nordestinas ou em cidades médias da região, transferindo para o NE
problemas que antes eram típicos das grandes metrópoles do Centro-Sul.
O próprio governo assume que o êxodo rural é um movimento que está sendo esvaziado no país, pois
já somos 83% urbanos, e a maior migração atual é urbano x urbano, com crescimento das cidades médias.
1970 - 1990:a nova fronteira agrícola do Brasil
A partir da década de 70, a região Sul passou a ter importância como área de saída populacional em
direção à nova fronteira agrícola brasileira (MT/RO). O desenvolvimento na região Sul, o aumento das
culturas mecanizadas, a geada negra que atingiu a cafeicultura e o crescimento do tamanho médio das
propriedades foram fatores que colaboraram para a expulsão dos trabalhadores rurais e dos pequenos
proprietários.
O PR registrou a maior saída de migrantes do Sul. A população do centro-oeste cresceu 73% na
década de 70, enquanto a da região Norte obteve maior crescimento na década de 80. Nessas duas
regiões, o crescimento deu-se devido ao forte fluxo migratório, favorecido pelo projeto de colonização e pela
abertura de novas rodovias. Atualmente não existe política de fronteira agrícola oficial.
Rondônia registrou grande crescimento migratório, pois sua população aumentou 24% na década de
70.
Migrações Internas Recentes
Áreas de forte atração populacional:
Brasília e periferia.
Áreas metropolitanas de caráter nacional e regional.
Área de ocupação recente do oeste paranaense e catarinense.
RO, AP e PA.
Áreas pioneiras ao longo da rodovia Belém-Brasília, como Capitão Poço e Paragominas, no Pará.
Áreas madeireiras e mineradoras da Amazonas.
Áreas de colonização baseada em médias e pequenas propriedades no Pará.
Áreas de expansão da pecuária de corte em manchas de cerrados no Centro-oeste.
Áreas de Evasão Populacional:
Áreas em que a cultura do café vem sendo substituída pela pecuária de corte: Calatina e Alto São
Mateus, no ES; Mantena e Manhuaçu, em MG.
Área em que a cafeicultura vem sendo substituída por outras culturas comerciais ou pela pecuária,
como a região da Borborema, na Paraíba.
Área de economia estagnada pela pecuária extensiva; Baixo Balsas no MA e Alto Paraíba no PI.
Migrações diárias
Podemos citar outros fluxos migratórios internos pela sua temporariedade, apresentando ritmos,
dimensões e objetivos variados e que são chamados migrações pendulares.
Os principais são:
Deslocamentos dos bóias-frias
Morando na cidade, dirigem-se diariamente às fazendas para trabalhos agrícolas, conforme as
necessidades dos fazendeiros. Trata-se de um movimento urbano-rural.
Deslocamentos dos habitantes de cidades-dormitórios
Movimentos pendulares diários inconstantes dos núcleos residências periféricos em direção aos
centros industriais, relacionando às imigrações de trabalho próprias das áreas metropolitanas, tais como:
SP, RJ e Belo Horizonte. Nas grandes metrópole, a especulação imobiliária, aliada aos baixos salários,
empurra o trabalhador para longe do seu trabalho, obrigando-o a utilizar o transporte coletivo, na maior
parte precário ou insuficiente para atender ao enorme fluxo populacional.
O SISTEMA URBANO: A REDE URBANA, CIDADES MÉDIAS E PEQUENAS
O desenvolvimento urbano brasileiro
Entre 1940 e 2000, a taxa de urbanização brasileira passou de 26,3% para 81,2%. Esse rápido
crescimento urbano gerou, além de tensões sociais, a necessidade de reavaliar a utilização dos espaços
urbanos. Para atender a essa demanda legal, foi aprovado, em 2001, o Estatuto da Cidade: instrumento
que regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição. Na América Latina, apenas o Brasil e a Colômbia
dispõem de uma lei específica para os instrumentos de desenvolvimento urbano. A nova ordem, fundada
no princípio da função social da propriedade, pretende garantir o direito a cidades sustentáveis,
compreendido como o direito de todos à terra urbana, à moradia, ao saneamento, à infra-estrutura, ao
transporte e aos serviços públicos.
No dia 10 de julho de 2001, a lei do Estatuto da Cidade foi sancionada pelo Presidente da República
com um veto significativo com relação ao instrumento de regularização fundiária da concessão especial de
uso para fins de moradia. Apesar do veto, o Governo se comprometeu a enviar, até a entrada em vigor da
lei – dia 10 de outubro de 2001 –, uma nova proposta para o Congresso Nacional, mediante uma medida
provisória, reintroduzindo no Estatuto da Cidade a concessão de uso como um direito subjetivo.
A promulgação do Estatuto da Cidade tem um sentido absolutamente especial para as cidades
brasileiras. Para os territórios urbanos, pela primeira vez, é dispensado um tratamento específico e prenhe
de promessas de correção das graves distorções do processo de urbanização de nosso país.
O Estatuto da Cidade é uma lei inovadora que abre possibilidades para o desenvolvimento de uma
política urbana com a aplicação de instrumentos de reforma urbana voltados a promover a inclusão social e
territorial nas cidades brasileiras, considerando os aspectos urbanos e sociais e políticos de nossas cidades.
O fato de ter levado mais de uma década para ser instituída não significa que seja uma lei antiga ou
desatualizada, pelo contrário, é uma lei madura, que contempla um conjunto de medidas legais e
urbanísticas essenciais para a implementação da reforma urbana em nossas cidades.
Raquel Rolnik nos diz que:
(...) As inovações contidas no Estatuto situam-se em três campos: um conjunto de novos
instrumentos de natureza urbanística voltados para induzir – mais do que normatizar as formas de uso
da ocupação do solo; uma nova estratégia de gestão que incorpora a idéia de participação direta do
cidadão em processos decisórios sobre o destino da cidade e a ampliação das possibilidades de
regularização das posses urbanas, até hoje situadas na ambígua fronteira entre o legal e o ilegal.
No primeiro conjunto – dos novos instrumentos urbanísticos –, a evidente interação entre regulação
urbana e a lógica de formação de preços no mercado imobiliário é enfrentada por meio de dispositivos que
procuram coibir a retenção especulativa de terrenos e de instrumentos que consagram a separação entre o
direito de propriedade e potencial construtivo dos terrenos atribuído pela legislação urbana. A partir de
agora, áreas vazias ou subutilizadas situadas em áreas dotadas de infra-estrutura estão sujeitas ao
pagamento de IPTU progressivo no tempo e à edificação e parcelamentos compulsórios, de acordo com a
destinação prevista para a região pelo Plano Diretor. A adoção deste instrumento pode representar uma luz
no fim do túnel para as cidades que tentam – em vão – enfrentar a expansão horizontal ilimitada, avançando
vorazmente sobre áreas frágeis ou de preservação ambiental, que caracterizam nosso urbanismo selvagem
e de alto risco. Que cidade média ou grande de nosso país não tem uma ocupação precocemente
estendida, levando os governos a uma necessidade absurda de investimentos em ampliação de redes de
infra-estrutura – pavimentação, saneamento, iluminação, transporte e, principalmente, condenando partes
consideráveis da população a viver em situação de permanente precariedade? Que cidade média ou grande
de nosso país não é obrigada a transportar cotidianamente a maior parte da população para os locais em
que se concentram os empregos e as oportunidades de consumo e de desenvolvimento humano,
desperdiçando inutilmente energia e tempo?
Ainda no campo dos instrumentos urbanísticos, o Estatuto consagra a idéia do Solo Criado, por meio da
institucionalização do Direito de Superfície e da Outorga Onerosa do Direito de Construir. A idéia é muito
simples: se as potencialidades dos diferentes terrenos urbanos devem ser distintas em função da política
urbana (áreas que, em função da infra-estrutura instalada, devem ser adensadas, áreas que não podem ser
intensamente ocupadas por apresentarem alto potencial de risco – de desabamento ou alagamento, por
exemplo), não é justo que os proprietários sejam penalizados – ou beneficiados individualmente, por essa
condição, que independeu totalmente de sua ação sobre o terreno. Dessa forma, separa-se um direito
básico, que todos os lotes urbanos devem possuir, dos potenciais definidos pela política urbana (...)
No guia para implementação pelos municípios e cidadãos do ESTATUTO DA CIDADE, Lei n° 10.257,
de 10 de julho de 2001, que estabelece diretrizes gerais da política urbana, no ponto 2 – URBANIZAÇÃO
DE RISCO: EXPRESSÃO TERRITORIAL DE UMA ORDEM URBANÍSTICA EXCLUDENTE E
PREDATÓRIA, diz textualmente:
A imensa e rápida urbanização pela qual passou a sociedade brasileira foi certamente uma das
principais questões sociais experimentadas no país no século XX. Enquanto, em 1960, a população urbana
representava 44,7% da população total contra 55,3% de população rural –, dez anos depois essa relação se
invertera, com números quase idênticos: 55,9% de população urbana e 44,1% de população rural. No ano
2000, 81,2% da população brasileira vivia em cidades. Essa transformação, já imensa em números
relativos, toma-se ainda mais assombrosa se pensarmos nos números absolutos, que revelam também o
crescimento populacional do país como um todo: nos 36 anos entre 1960 e 1996, a população urbana
aumenta de 31 milhões para 137 milhões, ou seja, as cidades recebem 106 milhões de novos moradores no
período. A urbanização vertiginosa, coincidindo com o fim de um período de acelerada expansão da
economia brasileira, introduziu no território das cidades um novo e dramático significado: mais do que
evocar progresso ou desenvolvimento, elas passam a retratar e reproduzir – de forma paradigmática as
injustiças e desigualdades da sociedade.
Estas se apresentam no território sob várias morfologias, todas elas bastante conhecidas: nas imensas
diferenças entre as áreas centrais e as periféricas das regiões metropolitanas; na ocupação precária do
mangue em contraposição à alta qualidade dos bairros da orla nas cidades de estuário; na eterna linha
divisória entre o morro e o asfalto, e em muitas outras variantes dessa cisão, presentes em cidades de
diferentes tamanhos, diferentes perfis econômicos e regiões diversas.
O quadro de contraposição entre uma minoria qualificada e uma maioria com condições urbanísticas
precárias é muito mais do que a expressão da desigualdade de renda e das desigualdades sociais: ele é
agente de reprodução dessa desigualdade. Em uma cidade dividida entre a porção legal, rica e com infra-
estrutura e a ilegal, pobre e precária, a população que está em situação desfavorável acaba tendo muito
pouco acesso às oportunidades de trabalho, cultura ou lazer. Simetricamente, as oportunidades de
crescimento circulam nos meios daqueles que já vivem melhor, pois a sobreposição das diversas
dimensões da exclusão, incidindo sobre a mesma população, faz com que a permeabilidade entre as duas
partes seja cada vez menor. Esse mecanismo é um dos fatores que acabam por estender a cidade
indefinidamente: ela nunca pode crescer para dentro, aproveitando locais que podem ser adensados, é
impossível para a maior parte das pessoas o pagamento, de uma vez só, pelo acesso a toda a infra-
estrutura que já está instalada.
Em geral, a população de baixa renda só tem a possibilidade de ocupar terras periféricas - muito mais
baratas, porque em geral não têm qualquer infra-estrutura - e construir aos poucos suas casas, ou ocupar
áreas ambientalmente frágeis, que teoricamente só poderiam ser urbanizadas sob condições muito mais
rigorosas e adotando soluções geralmente dispendiosas, exatamente o inverso do que acaba acontecendo.
Tal comportamento não é exclusivo dos agentes do mercado informal: a própria ação do poder público
muitas vezes tem reforçado a tendência de expulsão dos pobres das áreas mais bem localizadas, A. medida
que procura os terrenos mais baratos e periféricos para a construção de grandes e desoladores conjuntos
habitacionais. Dessa forma, vai se configurando uma expansão horizontal ilimitada, avançando vorazmente
sobre áreas frágeis ou de preservação ambiental, que caracteriza nossa urbanização selvagem e de alto
risco.
Esses processos geram efeitos nefastos para as cidades como um todo. Ao concentrar todas as
oportunidades de emprego em um fragmento da cidade, e estender a ocupação a periferias precárias e
cada vez mais distantes, essa urbanização de risco vai acabar gerando a necessidade de transportar
multidões, o que nas grandes cidades tem gerado o caos nos sistemas de circulação. E quando a ocupação
das áreas frágeis ou estratégicas, sob o ponto de vista ambiental, provoca as enchentes ou a erosão, é
evidente que quem vai sofrer mais é o habitante desses locais, mas as enchentes, a contaminação dos
mananciais e os processos erosivos mais dramáticos atingem a cidade como um todo. Além disso, a
pequena parte melhor infra-estruturada e qualificada do tecido urbano passa a ser objeto de disputa
imobiliária, o que acaba também gerando uma deterioração dessas partes da cidade.
Esse modelo de crescimento e expansão urbana, que atravessa as cidades de Norte a Sul do país, tem
sido identificado, no senso comum, como "falta de planejamento". Segundo essa acepção, as cidades não
são planejadas e, por essa razão, são "desequilibradas" e "caóticas". Entretanto, como tentaremos
sustentar a seguir, trata-se não da ausência de planejamento, mas sim de uma interação bastante perversa
entre processos socioeconômicos, opções de planejamento e de políticas urbanas, e práticas políticas, que
construíram um modelo excludente em que muitos perdem e pouquíssimos ganham.
E logo em seguida, o mesmo guia expõe: ORDEM URBANÍSTICA, PLANEJAMENTO URBANO E
GESTÃO: A CONSTRUÇÃO DA "DESORDEM" URBANA
Como tem sido enfrentado o tema do controle da cidade e da expansão urbana nas cidades
brasileiras? Em primeiro lugar, estabelece uma contradição permanente entre ordem urbanística (expressa
no planejamento urbano e legislação) e gestão. O planejamento – principalmente por meio de Planos
Diretores e de zoneamentos – estabelece uma cidade virtual, que não se relaciona com as condições reais
de produção da cidade pelo mercado, ignorando que a maior parte das populações urbanas tem baixíssima
renda e nula capacidade de investimento numa mercadoria cara – o espaço construído. O planejamento
urbano, e sobretudo o zoneamento, define padrões de ocupação do solo baseados nas práticas e lógicas
de investimento dos mercados de classe média e de alta renda e destina o território urbano para estes
mercados. Entretanto, embora estes mercados existam, sua dimensão em relação à totalidade do espaço
construído e da demanda por espaço urbano corresponde à menor parcela dos mercados. Dessa forma, os
zoneamentos acabam por definir uma oferta potencial de espaço construído para os setores de classe
média e alta muito superior a sua dimensão, ao mesmo tempo em que geram uma enorme escassez de
localização para os mercados de baixa renda, já que praticamente ignora sua existência.
Dessa forma, definem-se no âmbito local os interlocutores dos planos e zoneamentos, destinando para
os mais pobres o espaço da política habitacional e a gestão da ilegalidade. Produzidos de forma
autoconstruída nos espaços "que sobram" da cidade regulada – ou seja, áreas vedadas para o
estabelecimento dos mercados formais (como beiras de córrego, encostas, áreas rurais ou de
preservação), os assentamentos precários serão, então, objeto da gestão cotidiana. Esta trata de
incorporar, a conta-gotas, estas áreas à cidade, regularizando, urbanizando, dotando de infra-estrutura e
nunca eliminando definitivamente a precariedade e as marcas da diferença em relação às áreas reguladas.
Perpetua-se, assim, uma dinâmica altamente perversa sob o ponto de vista urbanístico – de um lado, nas
áreas reguladas, são produzidos "vazios" e áreas subutilizadas; de outro, reproduz-se ao infinito a
precariedade dos assentamentos populares.
A despeito de sua aparente irracionalidade urbanística, esta dinâmica tem alta rentabilidade política.
Separando interlocutores, o poder público pode ser, ao mesmo tempo, "sócio" de negócios imobiliários
rentáveis e estabelecer uma base política popular nos assentamentos. A base popular, de natureza quase
sempre clientelista, sustenta-se no princípio da contraposição entre cidade legal e ilegal. A condição de
ilegalidade e informalidade dos assentamentos populares os converte em reféns de "favores" do poder
público, a serem reconhecidos e incorporados à cidade, recebendo infra-estrutura, equipamentos etc. Esta
tem sido a grande moeda de troca nas contabilidades eleitorais, fonte da sustentação popular e governos
e, o que é mais perverso, de manutenção de privilégios na cidade, definidos no marco da política urbana
"dos planos".
A visão tecnocrática dos planos e do processo de elaboração das estratégias de regulação urbanística
completa o quadro. Isso significa o tratamento da cidade nos planos como objeto puramente técnico, no
qual a função da lei é estabelecer padrões satisfatórios, ignorando qualquer dimensão que reconheça
conflitos, como a realidade da desigualdade de condições de renda e sua influência sobre o funcionamento
dos mercados urbanos.
Finalmente, é importante apontar que os modelos de política e planejamento urbanos adotados pelas
cidades nos anos 70/princípio dos anos 80 também foram marcados por uma visão bastante estadista da
política urbana. Formuladas e implementadas durante o período do milagre brasileiro, essas práticas foram
marcadas pelo autoritarismo do regime político em vigor e por uma forte crença na capacidade do Estado
em financiar o desenvolvimento urbano então praticado. Esta visão foi tencionada não apenas pelo
processo de redemocratização, mas também pela crise fiscal do Estado. Não vamos aqui desenvolver a
natureza dessa crise e suas origens, mas apenas ressaltar que o modelo de desenvolvimento urbano
praticado até então tinha como um de seus pressupostos a possibilidade de altos investimentos estatais,
algo que hoje não se coloca da mesma forma. Se nos países do primeiro mundo, que já haviam
estabelecido um patamar básico de urbanidade e inclusão em suas cidades, o impacto da crise do Estado
gerou a necessidade de revisão das práticas de planejamento, entre nós o desafio é ainda mais complexo.
Sob o contexto de privatização de serviços públicos, desmonte de máquina pública e corte nos gastos
sociais, a necessidade de construção de uma nova ordem urbanística, redistributiva e includente é ainda
mais urgente.
Hoje o Ministério das Cidades tem afirmado que sua missão é combater as desigualdades sociais,
transformando as cidades em espaços mais humanizados, ampliando o acesso da população A. moradia,
ao saneamento e ao transporte. Essa é a missão do Ministério das Cidades, criado pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva em 1° de janeiro de 2003, contemplando uma antiga reivindicação dos movimentos
sociais de luta pela reforma urbana.
Ao Ministério compete tratar da política de desenvolvimento urbano e das políticas setoriais de
habitação, saneamento ambiental, transporte urbano e trânsito. Através da Caixa Econômica Federal,
operadora dos recursos, o Ministério trabalha de forma articulada e solidária com os estados e municípios,
além dos movimentos sociais, organizações não governamentais, setores privados e demais segmentos da
sociedade.
As cidades brasileiras abrigavam, há menos de um século, 10% da população nacional. Atualmente,
são 82%. Incharam, num processo perverso de exclusão e de desigualdade. Como resultado, 6,6 milhões
de famílias não possuem moradia, 11% dos domicílios urbanos não têm acesso ao sistema de
abastecimento de água potável e quase 50% não estão ligados às redes coletoras de esgotamento
sanitário. Em municípios de todos os portes, multiplicam-se favelas. A evidente prioridade conferida ao
transporte individual em detrimento do coletivo tem resultado em cidades congestionadas de tráfego e em
prejuízos estimados em centenas de milhões de reais.
Portanto, a tarefa de transformar a realidade resultante dessa herança, assegurando o direito á cidade -
garantindo que cada moradia receba água tratada, coleta de esgoto e de lixo, que cada habitação tenha em
seus arredores escolas, comércio, praças e acesso ao transporte público -, é muito maior do que a
capacidade que tem isoladamente cada uma das esferas de governo; e é também maior do que a
capacidade que possuem, em conjunto, os governos federal, estadual e municipal. Mas não é maior do que
todas as energias da sociedade brasileira que queremos mobilizar, transformando as cidades em ambientes
saudáveis e produtivos. Por isso, o Ministério das Cidades é uma conquista da cidadania brasileira.
Mobilidade
Nos grandes centros urbanos brasileiros vive-se uma crise de mobilidade que diariamente é ilustrada
pelos longos congestionamentos e pelo tempo gasto por parte do cidadão no sistema de transporte
coletivo.
O sistema viário é um espaço de permanente disputa entre pedestres, automóveis, caminhões, ônibus e
motos. A visão, prevalecente nas últimas décadas, de que a cidade poderia continuamente se expandir,
resultou em pressão sobre áreas de preservação e desconsideração dos custos de implantação da infra-
estrutura necessária para dar suporte ao atual modelo de mobilidade. Para tanto, a Secretaria Nacional de
Transporte e da Mobilidade Urbana tem investido na construção de consensos que viabilizem a
implantação de um conjunto de políticas de transporte e circulação, que proporcionem o acesso amplo e
democrático ao espaço urbano, por meio da priorização dos modos não motorizados e coletivos de
transportes, de forma efetiva, socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável, baseado nas pessoas e
não nos veículos.
A implantação de uma política de mobilidade urbana sustentável exige um novo comportamento político
dos atores envolvidos: Governos federal, estadual e municipal, empresários e usuários.
Moradia
No Brasil, o déficit habitacional já atinge 7.223 milhões de domicílios. Destes, 5,47 milhões encontram-
se em áreas urbanas e 1,75 milhões em zonas rurais. As regiões Nordeste e Sudeste concentram a maior
parte do déficit com incidência de 39,4% e 32,4% respectivamente. Mais de 10 milhões de domicílios são
carentes de infra-estrutura e 84% do déficit habitacional brasileiro é concentrado nas famílias com renda de
até três salários mínimos (U$ 260).
Historicamente, os recursos disponíveis, além de limitados são também onerosos, fazendo com que só
tenham acesso a estas verbas quem pode arcar com os retornos, nas condições exigidas pelas fontes.
Desde a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH), há mais de 15 anos, não se discute uma
política habitacional no país. Portanto, o grande desafio é conseguir romper esta inércia e estabelecer uma
nova política que viabilize o atendimento às famílias de mais baixa renda. Entretanto, a tarefa de conseguir
recursos subsidiados para misturar com os recursos onerosos existentes é fundamental para garantir este
atendimento; uma atividade difícil diante das limitações de investimento que a nova ordem mundial impõe
aos países em desenvolvimento.
Urbanização e modernização agrícola
O Brasil é um dos países do mundo com a maior potencialidade de expansão agrícola. De 1969 a 1999,
segundo a FAO, a área cultivada do país cresceu de 187 milhões para 250 milhões de hectares, um avanço
de 34% no mesmo período; a área cultivada da Argentina recuou de 170,7 milhões de hectares para 169, 2
milhões; e a dos EUA reduziu-se de 435,4 milhões para 418,2 milhões de hectares. Nos últimos anos, a
expansão tem acontecido nas novas fronteiras agrícolas, nas regiões de menor densidade populacional,
especialmente nas regiões Centro-Oeste e Norte. Núcleos agrícolas crescentes vêm sendo verificados no
Norte de Mato Grosso, oeste da Bahia, sudoeste do Piauí, Maranhão, Tocantins e mais recentemente em
regiões de Rondônia, Amazonas, Pará e Roraima.
PRINCIPAIS PROBLEMAS BRASILEIROS
Introdução
Com um território de dimensões continentais, o Brasil é o maior país da América Latina e o quinto do
mundo, em área total. Dono de grandes diversidades geográficas, econômicas e sociais, possui uma
extraordinária unidade nacional, sedimentada pela língua portuguesa, falada em todas as regiões.
Mudam os sotaques, permanece a alma generosa, aberta e corajosa de domadores da terra e das
dificuldades. O brasileiro típico, na verdade, é um estado de espírito que ganha corpo nos vários modos de
vida regionais dos brasileiros do Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
O povoamento do território, feito no sentido da costa para o interior, produziu sérias distorções,
agravadas pelo processo de industrialização iniciado nos anos 30. Metrópoles superpopulosas no Sul e
Sudeste convivem com a baixa densidade demográfica na zona rural e na Amazônia.
Mesmo tendo o maior Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina – e o nono do mundo –, o país
passa por duros períodos de recessão e convive há anos com um persistente crescimento inflacionário. O
Plano Real, decretado em julho de 1994, estanca o problema e faz o brasileiro ingressar em nova fase,
marcada por inflação baixa e moeda estável.
O papel do Estado na economia passa por uma redefinição: leis protecionistas são abandonadas e
reservas de mercado, liquidadas. Com isso, a indústria passa a enfrentar a concorrência estrangeira no
mercado interno e é obrigada a adaptar-se à economia globalizada.
Mesmo assim, o modelo econômico não tem conseguido atenuar as fortes distorções regionais e atua
de forma excludente, alargando as camadas sociais mais pobres e tomando endêmico o desemprego. Hoje,
faltam ao país políticas públicas voltadas para a infra-estrutura básica: conservação e ampliação das
malhas rodoviária e ferroviária, da navegação fluvial e costeira, saneamento, telecomunicações e energia.
A agricultura brasileira é responsável por grande parte das exportações. Ainda assim, os latifúndios e
minifúndios familiares não apresentam produtividade média para se integrarem ao mercado mundial.
E na área social, contudo, que residem os principais problemas brasileiros. A falta de condições dignas
de vida para as camadas mais pobres, tais como moradia, redes de água e esgotos, saúde pública e um
sistema de ensino eficiente é o maior entrave para desenvolvimento e a manutenção da paz social e da
democracia.
Distribuição de renda no Brasil e o problema da fome
O problema da fome no Brasil tem suas raízes no processo histórico-político da formação da nossa
economia, tendo suas origens no período colonial (séculos XVI ao XIX), relacionado com a prioridade do
mercado exportador de matéria-prima (açúcar, tabaco, ouro, diamante, algodão, café) sobre o mercado
interno (mandioca, feijão e milho) e da concentração da riqueza da colônia nas mãos de poucos
proprietários.
Inicialmente, a população tinha como base a cultura da cana-de-açúcar e o trabalho escravo, que se
fixou ao longo do litoral. No século XVII, com o desenvolvimento da pecuária e da cultura de subsistência,
foi acontecendo a interiorização do povoamento. Até então, a população conseguia manter um bom nível de
auto-suficiência alimentar.
A partir do êxodo no sentido da Capitania das Gerais, com o início da exploração da Mineração,
aconteceu a importação de gêneros alimentícios de outros locais, em decorrência de dificuldades no
transporte e conservação dos alimentos. Esse novo cenário de deficiência de abastecimento dos gêneros
teve como conseqüência a elevação dos preços, a fome e distúrbios da ordem social – tanto os pobres
como os senhores de engenho se sentiram prejudicados, uma vez que a alimentação da mão-de-obra
escrava se problematizava.
Entre o final do século XVII e início do século XVIII, teve-se 25 anos de fome no Brasil e outros dois
terços de carestia e penúria. O cerne da questão se encontrava nas relações entre o grande produtor
mercantil e a produção para o abastecimento interno, pois o comércio colonial oferecia rendimentos muito
mais elevados, delegando um perfil de pobreza aos pequenos agricultores.
No início do século XVIII, o governo colonial tenta impedir a mudança de cultivo de gêneros pelos
agricultores, gerando crescente tensão entre os dois segmentos com os mecanismos de fluxo de renda no
interior da colônia como principal força motriz da crise. A primeira ação de governo para evitar a fome foi
tomada ainda em 1700: grandes áreas de cultivo de cana-de-açúcar e tabaco foram substituídas para dar
lugar às plantações de alimentos.
Em fins do século XIX e início do século XX, a abolição da escravatura e a expansão demográfica, em
simultâneo com a difusão do modo de produção capitalista no mercado interno, desencadearam uma série
de transformações no sistema produtivo e na estrutura de classes no país. As manifestações se fizeram
sentir nos movimentos contra a carestia e a perda do poder aquisitivo das classes populares. Durante a
Primeira Guerra Mundial, o mercado exportador de alimentos cresceu, mas em torno de 1920, começou a
ter a concorrência acirrada do mercado internacional.
Foi nos anos 40 que surgiu a preocupação com a contagem de pessoas que passavam (e ainda
passam) fome no Brasil, ou seja, com os mapas da fome que são utilizados como "fotografia" do problema.
Ainda no século passado, durante a evolução do Governo de Itamar Franco (1993/94), o IPEA elaborou
o quinto mapa da fome no País e divulgou que: "(...) 32 milhões de brasileiros se defrontam com o problema
da fome". No mesmo ano, o IPEA lançou o sexto mapa da fome, acrescido de dados referentes à indigência
por municípios da federação e o Plano de Combate à Fome e à Miséria.
Inúmeras iniciativas já foram implementadas nas distintas conjunturas políticas nacionais para resolução
do problema; porém, a fome e a desnutrição continuam ocupando significativo espaço no ranking dos
problemas sociais brasileiros.
A fome ocupa as manchetes dos jornais e revistas de todo o Brasil há vários anos. Na origem desse
grave problema existe outro: a distribuição de renda. Estudos mostram que dispomos de 2.960 quilocalorias
por habitante por dia (bem mais do que o mínimo de 1.900 recomendado por parâmetros internacionais). Da
mesma forma, perto de 80% da população mundial têm, em média, menos renda do que nós, brasileiros (ou
seja, tampouco podemos ser considerados um país verdadeiramente pobre). Por isso, o grande nó é a
distribuição de renda. Tal qual uma pirâmide invertida, os 10% mais ricos detêm quase 50% dos recursos,
enquanto os 50% mais pobres ficam com pouco mais de 10% do total de dinheiro disponível. E fica mais
assustador ainda quando olhamos os 1% mais ricos do Brasil que ficam com 13% da riqueza nacional. Ou
seja, o topo ganha quase 25 vezes mais do que a base. Quem é pobre, afinal? Se não faltam alimentos,
mas dinheiro na mão de quem precisa, o primeiro passo é saber quantas são essas pessoas. Parece fácil,
mas há muita controvérsia entre os especialistas.
A FGV estabelece que é pobre todo aquele que vive com menos de 160 reais por mês e indigente
aquele que vive com metade desse valor.
O Programa Fome Zero¹, lançado no início da gestão de Lula pelo Governo Federal, utiliza o mesmo
cálculo do Banco Mundial: é indigente a pessoa que ganha até 1 dólar por dia.
Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento,
trabalha com uma cesta básica familiar (cujo valor varia de região para região) com os requerimentos
nutricionais sugeridos pelo Fundo para a Alimentação e Agricultura (FAO) da Organização das Nações
Unidas. Toda família que recebe menos do que o necessário para comprar a tal cesta é considerada pobre.
Em 1993, o instituto montou o Mapa da Fome – o mais detalhado estudo estatístico já feito no país sobre a
questão – e concluiu que perto de 32% dos brasileiros, ou 54 milhões de pessoas, estão abaixo da linha da
pobreza. Desse total, 23 milhões são indigentes.
O Mapa da Fome do Ipea indica que dois terços dos 23 milhões de indigentes vivem na Bahia, em
Minas Gerais, no Ceará, em Pernambuco e no Maranhão. Em termos percentuais, o Piauí é o estado em
pior situação, com 57% da população composta de indigentes. Seguem-se Paraíba, Ceará e Maranhão.
Isso não significa que toda essa população esteja passando fome, mas que não tem renda suficiente para
viver dignamente. Outro dado revelador de que o problema da fome não é de produção é que cerca de 39
mil toneladas de comida são desperdiçadas diariamente no país. Estima-se que seriam suficientes para
alimentar 19 milhões de pessoas. Um dos entraves para essa comida chegar a quem precisa é a questão
civil e criminal por dano ou morte que incide sobre quem doa alimentos.
____________
1 - O Programa Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades que
beneficia famílias pobres (com renda mensal por pessoa de R$ 60,01 a R$ 120.00) e extremamente
pobres (com renda mensal por pessoa de até R$ 60,00).
O Bolsa Família integra o FOME ZERO, que visa assegurar o direito humano à alimentação adequada,
promovendo a segurança alimentar e nutricional e contribuindo para a erradicação da extrema pobreza
e para a conquista da cidadania pela parcela da população mais vulnerável à fome.
Os valores pagos pelo Bolsa Família variam de R$15,00 a R$95.00, de acordo com a renda mensal por
pessoa da família e o número de crianças. Em alguns casos, o valor pago pelo Bolsa Família pode ser
um pouco maior, como acontece com as famílias que migraram de programas remanescentes e
recebiam um beneficio maior nesses programas.
Ao entrar no Bolsa Família, a família se compromete a manter suas crianças e adolescentes em idade
escolar freqüentando a escola e a cumprir os cuidados básicos em saúde: o calendário de vacinação,
para as crianças entre 0 e 6 anos, e a agenda pré e pós-natal para as gestantes e mães em
amamentação.
Principais vantagens
Integração dos programas remanescentes Auxílio-Gás. Bolsa Escola, Cartão Alimentação e Bolsa
Alimentação.
Mais eficiência e transparência nos gastos públicos, visto que o beneficio é pago diretamente às
famílias por meio de cartão bancário.
Pactuação entre Governo Federal, Estados e municípios, com a intenção de potencializar a ação de
todos no combate à pobreza.
DADOS SOBRE A FOME NO BRASIL
1 - 32.000.000 de brasileiros (9.000.000 de famílias) defrontam-se diariamente com o problema da
fome; a renda mensal lhes garante, na melhor das hipóteses, apenas a aquisição de uma cesta básica
de alimentos.
2 - Destes, 15.500.000 estão localizados nas cidades e 16.500.000 estão em área rural
3 - 7.200.000 deste brasileiros famintos estão nos estados da região nordeste e 4.500.000 estão nas
regiões metropolitanas.
4 - A quantidade diária de calorias e proteínas per capita/dia recomendada é de 2.242 Kcal e 53
gramas de proteínas. O Brasil tem uma disponibilidade de 3.280 Kcal e de 87 gramas de proteínas por
habitante.
5 - A fome que atinge 32 milhões de brasileiros não se explica pela falta de alimentos. O problema
alimentar reside no descompasso entre o poder aquisitivo de um amplo segmento da população e o
custo de aquisição de uma quantidade de alimentos compatível com a necessidade de alimentação do
trabalhador e de sua família.
6 - Existe um desencontro geográfico entre a existência dos produtos e a localização das famílias
mais necessitadas. Quase 90% da produção localizam-se no Sul, Sudeste e porção meridional do
Centro-Oeste, enquanto 60% dos famintos habitam no Norte e Nordeste.
Desigualdades no Brasil
O quadro acima mostra como estava a distribuição de renda no Brasil no final do século XX e início do
XXI. Hoje já é possível ver uma pequena melhora. Os números a seguir não são novidade para ninguém,
mas nunca é demais repeti-los. No Brasil, os 10% mais ricos da população são donos de 46% do total da
renda nacional, enquanto os 50% mais pobres - ou seja, os mais de 90 milhões de pessoas - ficam com
apenas 13,3%. Somos 14,6 milhões de analfabetos, e pelo menos 30 milhões de analfabetos funcionais.
Da população de 7 a 14 anos que freqüenta a escola, menos de 70% concluem o ensino fundamental. Na
faixa de 18 a 25 anos, apenas 22% terminam o ensino médio. Os negros são 47,3% da população
brasileira, mas correspondem a 66% do total de pobres. O rendimento das mulheres é 60% do rendimento
dos homens no mesmo posto de trabalho. No Brasil, segundo dados do IBGE, enquanto o Distrito Federal
apresentou um PIB per capita de R$ 16.920 em 2003, o estado do Maranhão ficou com apenas R$ 2.354
anuais por pessoa.
Também não é novidade para ninguém que a pobreza no Brasil é causada pela desigualdade social,
fruto de um processo de concentração de poder, de negação de direitos à população e de péssima
distribuição de recursos. Países com renda per capita similar à brasileira têm 10% de pobres em sua
população. Nós temos 30%. E essa desigualdade que faz com que 55 milhões de brasileiros e brasileiras
vivam na pobreza – 22 milhões deles na indigência.
Na atualidade, as desigualdades sociais ocorrem tanto nos países ricos, como nos países pobres. A
história da humanidade é marcada pelo fenômeno das desigualdades. Nos países ricos temos uma espécie
de oceano de prosperidade com algumas ilhas de exclusão social. Já nos países pobres, temos vastos
oceanos de pobreza pontilhados de pequenas ilhas de prosperidade. Especialmente nas últimas duas
décadas, tanto nas sociedades mais ricas (de forma cada vez mais perceptível), quanto nas mais pobres,
amplia-se cada vez mais o fosso que separa os "incluídos" dos "excluídos".
O Brasil não é um país pobre, mas tem um número excessivo de pobres. E que apesar do seu alto grau
de desenvolvimento, que o coloca entre as onze maiores economias do mundo, e a renda per capita de sua
população, superiora de 75% da humanidade, 53 milhões de brasileiros vivem na pobreza. Pior: desse
enorme contingente, 22 milhões encontram-se em condição de miséria.
O que explica esse paradoxo? O fato de o Brasil ter uma das mais elevadas desigualdades de renda do
mundo. Aqui, a desigualdade de renda é tal que a posição do Brasil em termos de justiça social está muito
distante de qualquer padrão reconhecível como razoável no cenário mundial. Fosse a desigualdade de
renda condizente com o grau de desenvolvimento do país, haveria em tomo de 60% de pobres a menos no
Brasil.
Não é o que se verifica, porém. Aqueles que se encontram entre os 10% mais ricos da população
apropriam-se de cerca da metade do total de renda das famílias, enquanto que, no outro extremo, os 50%
mais pobres detêm pouco mais de 10% da renda. E isso há pelo menos 30 anos.
A construção de um projeto de desenvolvimento para o Brasil, tendo como eixo a justiça social e a
qualidade de vida, pressupõe a consciência de que a pobreza é nosso problema mais urgente, mas que
nossa maior doença é a desigualdade.
O Brasil encontra-se entre os primeiros países com as maiores concentrações de renda do mundo.
Estamos na frente de menos de meia dúzia de países, que por sinal apresentam uma característica
peculiar: uma pobreza generalizada, visto que a pouca riqueza concentra-se nas mãos de poucos
favorecidos.
A tendência à concentração de renda que leva às desigualdade e exclusão sociais não é fenômeno
recente nem exclusivo do Brasil. Em nosso país, um dos campeões mundiais das desigualdades, a
dramática situação de exclusão social da atualidade tem sua origem no processo inicial de estruturação da
sociedade brasileira.
Assim, desde o período colonial e durante a época do Brasil imperial, o monopólio da terra por uma
elite de latifundiários e a base escravista do trabalho foram os fundamentos que deram origem a uma rígida
estratificação de classes sociais. O fim da escravatura, da qual o Brasil foi o último país a se livrar, não
aboliu o monopólio da terra, fonte de poder econômico e principal meio de produção até as primeiras
décadas do século XX. O abismo social entre o enorme número de trabalhadores e a diminuta elite de
grandes proprietários rurais delineou as bases da atual concentração de renda do país.
O Brasil passou por grandes transformações ao longo do século XX. Sua economia tornou-se cada vez
menos agrária, a indústria passou gradativamente a ser a atividade econômica mais dinâmica, a população
cresceu e rapidamente se urbanizou, a sociedade tornou-se mais complexa, mas a concentração da renda
não só persistiu, como se aprofundou, pois a grande maioria da população permaneceu à margem do
mercado consumidor de bens duráveis.
Todavia, a crise do modelo de substituição das importações, na década de 1980, e o seu colapso,
seguido da aplicação de doutrinas neoliberais na década seguinte, não só levaram à ampliação das
desigualdades sociais, como também permitiram compreender melhor que, à medida que a sociedade
incorpora novas realidades, criam-se novas necessidades (o acesso à educação, ao trabalho, à renda, à
moradia, à informação, etc.) que vão além da simples subsistência.
Essas transformações mais recentes fizeram por cristalizar dois "tipos" de exclusão social: um "antigo"
e outro "recente". O primeiro refere-se à exclusão que afeta segmentos sociais que historicamente sempre
estiveram excluídos. O segundo atinge aqueles que, em algum momento da vida, já estiveram socialmente
incluídos.
No Brasil, as desigualdades analisadas pelo ângulo da concentração de renda indicam que o
rendimento dos 10% mais ricos da população é cerca de vinte vezes maior que o rendimento médio dos
40% mais pobres. Mais ainda: o total da renda dos 50% mais pobres é inferior ao total da renda do 1%
mais rico. Esses dados comprovam que o crescimento econômico brasileiro desenvolveu-se sob o signo da
concentração de renda. As grandes desigualdades sociais também se manifestam nas unidades regionais
do país.
Brasil reduz desigualdade e sobe no ranking
Relatório do PNUD vê país como exemplo de que problema pode ser combatido; mesmo com avanços,
distribuição de renda é a 10ª pior.
Apontado até o Relatório de Desenvolvimento Humano 2005 como referência de desigualdade, o
Brasil é apresentado no Relatório do Desenvolvimento Humano 2006 como exemplo de melhoria na
distribuição de renda. “A boa notícia é que a desigualdade extrema não é algo imutável. Nos últimos cinco
anos, o Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, tem combinado um sólido desempenho
econômico com declínio na desigualdade de rendimentos (...) e na pobreza", sustenta o texto.
Atualmente, o Brasil é o 10
a
mais desigual numa lista com 126 países e territórios. Ele está melhor que
Colômbia, Bolívia, Haiti e seis países da África Subsaariana, aponta o relatório de 2006 do Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Os avanços ainda tiraram o Brasil da penúltima posição no ranking de distribuição de renda da
América Latina - no último relatório, só a Guatemala estava em situação pior. Apesar de os progressos
terem permitido que o indicador brasileiro superasse o colombiano, duas colocações foram ganhas graças
à intensa ampliação do fosso de renda entre pobres e ricos na Bolívia e à entrada do Haiti no ranking. A
Guatemala passou da primeira para a sétima posição na lista dos piores da região, superando inclusive o
Chile.
O desempenho brasileiro é avaliado no relatório principalmente com base no índice de Gini - indicador
de desigualdade de renda que varia de 0 a 1, sendo 0 em uma situação na qual toda a população
possuísse uma renda equivalente, e 1 se apenas uma pessoa detivesse toda a riqueza do país. No
relatório, o índice do Brasil é 0,580, menor que o da Colômbia (0,586, nona no ranking dos piores) e pouco
maior que os de África do Sul e Paraguai (0,578, empatadas na 11ª colocação). A evolução brasileira nos
últimos anos vai na contramão da tendência de alta de países como Colômbia, Bolívia e Paraguai.
O RDH 2006 destaca o programa Bolsa Família como um dos responsáveis pelos avanços do Brasil.
"O crescimento econômico criou empregos e promoveu aumento real de salário. E um amplo programa
social ____________________________ - o Bolsa
Família - tem feito transferências de renda para 7 milhões de famílias que vivem na pobreza extrema ou
moderada para ajudar na alimentação, saúde e educação, criando benefícios hoje e bases para o futuro",
frisa.
Apesar dos avanços, o Brasil ainda é mais desigual do que todos os países com IDH (Índice de
Desenvolvimento Humano) superior ao seu - o que mais se aproxima é o Chile, que tem um índice de Gini
de 0,571. Além disso, em apenas oito países, os 10% mais ricos da população se apropriam de uma fatia
da renda nacional maior que a dos ricos brasileiros. No Brasil, eles abocanham 45,8% da renda, menos
que no Chile (47%), Colômbia (46,9), Haiti (47,7), Lesoto (48,3%), Botsuana (56,6%), Suazilândia (50,2%),
Namíbia (64,5%) e República Centro-Africana (47,7%).
No outro extremo, só em sete países a parcela da riqueza apropriada pelos 10% mais pobres é menor
que no Brasil. Os pobres brasileiros detêm apenas 0,8% da renda, fatia superior à dos pobres de
Colômbia, El Salvador e Botsuana (0,7%), Paraguai (0,6%), Namíbia, Serra Leoa e Lesoto (0,5%). A
comparação entre os 20% mais ricos os 20% mais pobres mostra que, no Brasil, a fatia da renda obtida
pelo quinto mais rico da população (62,1%) é quase 24 vezes maior do que a fatia de renda do quinto mais
pobre (2,6%).
O relatório destaca que reduzir a desigualdade é importante porque é uma das formas de acelerar a
redução da pobreza. "A taxa de redução da pobreza de um país se dá em função de dois fatores: o
crescimento econômico e a parcela desse incremento apropriada pelos pobres. Em outras palavras, quanto
maior a parcela apropriada pelos pobres, maior será a eficiência do país em transformar crescimento em
redução da pobreza", afirma.
O RDH 2006 ainda ressalta que a desigualdade não é um problema apenas dos países em
desenvolvimento. O texto afirma que nos Estados Unidos a diferença entre ricos e pobres cresceu
"dramaticamente". Nos últimos 25 anos, segundo o relatório, a renda do 1% de lares mais ricos cresceu
135% e a participação deles no PIB (Produto Interno Bruto) dobrou para 16%, enquanto os salários da
manufatura tiveram queda real de 1%. "Em outras palavras, os frutos dos ganhos de produtividade que
promoveram o crescimento dos Estados Unidos foram fortemente direcionados para as partes mais ricas da
sociedade", afirma.
Fonte:http://www.pnud.org.br
Brasil melhora, mas cai uma posição no ranking do índice de desenvolvimento humano
O Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD) divulgou, na primeira quinzena de
novembro de 2006, o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Brasil caiu uma posição em
relação ao último índice divulgado pelo órgão. O país recuou da 68
a
colocação no ano passado para a 69
a
,
entre 177 países territórios pesquisados pelo organismo.
O PNUD informa, no entanto, que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) brasileiro melhorou entre
2003 e 2004 (período da pesquisa), apesar da mudança de posicionamento na lista de países.
Relatório 2006 Relatório 2004
Evolução da
desigualdade
nos países
Índice
Gini
Posição
Ranking
Ano de
Referência
Índice
Gini
Posição
Ranking
Ano de
Referência
Namíbia 0,743 1 1993 0,707 1 1993
Bolívia 0,601 7 2002 0,447 38 1999
Colômbia 0,586 9 2003 0,576 9 1999
Brasil 0,580 10 2003 0,591 8 1998
Paraguai 0,578 11 2002 0,568 11 1999
África do Sul 0,578 12 2000 0,593 7 1995
Nicarágua 0,431 43 2001 0,551 14 2001
Além disso, o PNUD esclarece que o atual estudo usa indicadores e metodologias que foram revisados
e aperfeiçoados pelas fontes produtoras dos dados. Assim, foram revistos os dados de anos anteriores
também, já que em 2005, originalmente, o Brasil figurava na 63
a
posição da lista, tendo sido revisada pela
nova metodologia para a 68
a
.
Como a Belarus (antiga Bielo-Rússia) obteve um resultado melhor que o Brasil no atual estudo, houve
a mudança de posições.
Segundo informa o PNUD, o IDH brasileiro avançou, passando de 0,788 em 2003 para 0,792 em 2004,
resultado que mantém o país entre as 83 nações de médio desenvolvimento humano (com IDH entre 0,500
e 0,799). Assim o país fica fora do grupo de 63 nações de alto desenvolvimento humano.
Dos três indicadores básicos que são referência para o cálculo do IDH, o Brasil registrou avanços em
dois (longevidade e renda) e manteve-se estável no segmento da educação.
Treze países da América Latina e do Caribe têm desempenho superior ao brasileiro, entre eles México
(53° lugar no ranking, IDH de 0,821), Cuba (50° no ranking, IDH de 0,826), Uruguai (43° no ranking, IDH de
0,851), Chile (38° no ranking, IDH de 0,859) e Argentina (36° no ranking, IDH de 0,863), de acordo com o
PNUD.
Abaixo do Brasil, na lista, estão outras 17 nações da região, como Venezuela (72°, IDH de 0,784), Peru
(82°, IDH de 0,767), Paraguai (91°, IDH de 0,757), Jamaica (104°, IDH de 0,724) e Haiti, o pior da América
Latina e do Caribe (154°, IDH de 0,482).
Os noruegueses são o povo mais privilegiado do planeta, segundo o ranking do PNUD. Já o Níger, na
África, aparece como o país com as piores condições para se viver.
"Os noruegueses são mais de 40 vezes mais ricos do que os cidadãos do Níger, vivem quase duas
vezes mais e têm uma taxa de matrícula quase universal nos ensinos primário, médio e terciário,
comparada com uma taxa de matrícula de 21% no Níger", diz o relatório.
O Relatório de Desenvolvimento Humano, apresentado na Cidade do Cabo (África do Sul) pelo PNUD,
organismo que elabora desde 1990 o ranking, mostra novamente a lista liderada pela Noruega e fechada
pelo Níger.
O documento avalia a situação de 177 países ou territórios distribuídos em três grupos, de acordo com
seu nível de desenvolvimento humano: alto, médio e baixo. O Brasil está no grupo intermediário.
O IDH é calculado a partir de três taxas: uma de educação, que leva em conta tanto as matrículas
quanto o analfabetismo; uma de saúde, calculada pela taxa de longevidade; e uma de renda per capita em
dólares, segundo o poder de compra, que permite comparações internacionais.
O PNUD afirma que a riqueza não necessariamente gera maior desenvolvimento humano. Os
americanos, por exemplo, são os segundos mais ricos do mundo; depois dos luxemburgueses, mas
ocupam o oitavo lugar no ranking do IDH.
"Uma das razões – acrescenta o documento – é que a esperança de vida média (nos EUA) é de três
anos a menos do que na Suécia, país cuja renda média é um quarto mais baixa".
Os dez países mais bem colocados no ranking são, nesta ordem: Noruega, Islândia, Austrália, Irlanda,
Suécia, Canadá, Japão, Estados Unidos, Suíça e Holanda. No fim do ranking estão países da África
Subsaariana. Começando pelo último lugar, as nações com o pior desenvolvimento humano são: Níger,
Serra Leoa, Mali, Burkina Fasso, Guiné-Bissau, República Centro-Africana, Chade, Etiópia, Burundi e
Moçambique.
Dos 31 países com IDH mais baixo, 29 são da África Subsaariana. Os outros dois são o Iêmen, no 150°
lugar, e o Haiti, no 154°.
Em seu relatório deste ano, o PNUD aponta que, em quase todas as regiões, todos os países
aumentaram seus níveis de desenvolvimento humano, mas "a África Subsaariana é a principal exceção".
"Desde 1990, seu progresso estagnou-se, em parte devido ao retrocesso econômico, mas,
principalmente, devido ás catastróficas repercussões do HIV/Aids sobre a esperança de vida", acrescenta o
relatório.
No relatório deste ano, o Pnud aborda não apenas as desigualdades no mundo, mas também as
existentes dentro de cada país, pelo menos nas quinze nações nas quais havia dados suficientes para fazer
a análise.
O estudo assinala que em países como Bolívia, Nicarágua e África do Sul, as diferenças entre o
desenvolvimento humano dos 20% mais ricos e dos 20% mais pobres são extremamente altas, muito acima
das desigualdades internas nas nações mais ricas.
"Os 20% mais ricos da população da Bolívia ficariam dentro do grupo de desenvolvimento humano alto,
junto à Polônia, enquanto os 20% mais pobre ficariam em um nível comparável ao da média do Paquistão",
diz o texto.
ESPAÇOS RURAIS: ATIVIDADES E POPULAÇÃO
A má distribuição de terra no Brasil tem razões históricas, e a luta pela reforma agrária envolve
aspectos econômicos, políticos e sociais. A questão fundiária atinge os interesses de um quarto da
população brasileira que tira seu sustento do campo, entre grandes e pequenos agricultores, pecuaristas,
trabalhadores rurais e os sem-terra. Montar uma nova estrutura fundiária que seja socialmente justa e
economicamente viável é um dos maiores desafios do Brasil. Na opinião de alguns estudiosos, a questão
agrária está para a República assim como a escravidão estava para a Monarquia. De certa forma, o país se
libertou quando tornou livre os escravos. Quando não precisar mais discutir a propriedade da terra, terá
alcançado nova libertação.
Com seu privilégio territorial, o Brasil jamais deveria ter o campo conflagrado. Existem mais de 371
milhões de hectares prontos para a agricultura no país, uma área enorme, que equivale aos territórios de
Argentina, França, Alemanha e Uruguai somados. Mas só uma porção relativamente pequena dessa terra
tem algum tipo de plantação. Cerca da metade destina-se à criação de gado. O que sobra é o que os
especialistas chamam de terra ociosa. Nela não se produz 1 litro de leite, uma saca de soja, 1 quilo de
batata ou um cacho de uva. Por trás de tanta terra à toa esconde-se outro problema agrário brasileiro: até a
década passada, quase metade da terra cultivável ainda estava nas mãos de 1% dos fazendeiros, enquanto
uma parcela ínfima, menos de 3%, pertencia a 3,1 milhões de produtores rurais.
"O problema agrário no país está na concentração de terra, uma das mais altas do mundo, e no
latifúndio que nada produz", afirma o professor José Vicente Tavares dos Santos, pró-reitor da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em comparação com os vizinhos latino-americanos, o Brasil é
um campeão em concentração de terra. Não sai da liderança nem se comparado com países onde a
questão é explosiva, como Índia ou Paquistão. Juntando tanta terra na mão de poucos e vastas extensões
improdutivas, o Brasil montou o cenário próprio para atear fogo ao campo. E aí que nascem os conflitos,
que nos últimos vinte anos fizeram centenas de mortos.
O problema agrário brasileiro começou em 1850, quando acabou o tráfico de escravos e o Império, sob
pressão dos fazendeiros, resolveu mudar o regime de propriedade. Até então, ocupava-se a terra e pedia-
se ao imperador um título de posse. Dali em diante, com a ameaça de escravos virarem proprietários
rurais, deixando de se constituir num quintal de mão-de-obra quase gratuita, o regime passou a ser o da
compra, e não mais de posse. "Enquanto o trabalho era escravo, a terra era livre. Quando o trabalho ficou
livre, a terra virou escrava", diz o professor José de Souza Martins, da Universidade de São Paulo. Na
época, os Estados Unidos também discutiam a propriedade da terra. Só que fizeram exatamente o inverso.
Em vez de impedir o acesso à terra, abriram o oeste do país para quem quisesse ocupá-lo – só ficavam
excluídos os senhores de escravos do sul. Assim, criou-se uma potência agrícola, um mercado consumidor
e uma cultura mais democrática, fundada numa sociedade de milhões de proprietários.
Com pequenas variações, em países da Europa, Ásia e América do Norte impera a propriedade
familiar, aquela em que pais e filhos pegam na enxada de sol a sol e raramente são assalariados. Sua
produção é suficiente para o sustento da família e o que sobra, em geral, é vendido para uma grande
empresa agrícola comprometida com a compra dos seus produtos. No Brasil, o que há de mais parecido
com isso são os produtores de uva do Rio Grande do Sul, que vendem sua produção para as vinícolas do
norte do Estado. Em Santa Catarina, os aviários são de pequenos proprietários. Têm o suficiente para
sustentar a família e vendem sua produção para grandes empresas, como Perdigão e Sadia. As pequenas
propriedades são tão produtivas que, no Brasil todo, boa parte dos alimentos vêm dessa gente que possui
até 10 hectares de terra. Dos donos de mais de 1.000 hectares, sai uma parte relativamente pequena do
que se come. Ou seja, eles produzem menos, embora tenham 100 vezes mais terra.
Ainda que os pequenos proprietários não conseguissem produzir para o mercado, mas apenas o
suficiente para seu sustento, já seria uma saída pelo menos para a miséria urbana. "Até ser um Jeca Tatu
é melhor do que viver na favela", diz o professor Martins. Além disso, os assentamentos podem ser uma
solução para a tremenda migração que existe no país. Qualquer fluxo migratório tem, por trás, um
problema agrário. Há os mais evidentes, como os gaúchos que foram para Rondônia na década de 70 ou
os nordestinos que buscam emprego em São Paulo. Há os mais invisíveis, como no interior paulista, na
região de Ribeirão Preto, a chamada Califórnia brasileira, onde 50.000 bóias-frias trabalham no corte de
cana das usinas de álcool e açúcar durante nove meses. Nos outros três meses, voltam para a sua região
de origem – a maioria vem do paupérrimo Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais.
A política de assentamento não é uma alternativa barata. O governo gasta até 30.000 reais com cada
família que ganha um pedaço de terra. A criação de um emprego no comércio custa 40.000 reais. Na
indústria, 80.000. Só que esses gastos são da iniciativa privada, enquanto, no campo, teriam de vir do
governo. E investimento estatal puro, mesmo que o retorno, no caso, seja alto. De cada 30.000 reais
investidos, estima-se que 23.000 voltem a seus cofres após alguns anos, na forma de impostos e mesmo de
pagamentos de empréstimos adiantados. Para promover a reforma agrária em larga escala, é preciso
dinheiro que não acaba mais. Seria errado, contudo, em nome da impossibilidade de fazer o máximo,
recusar-se a fazer até o mínimo. O preço dessa recusa está aí, à vista de todos: a urbanização selvagem, a
criminalidade em alta, a degradação das grandes cidades.
Espaço agrário: modernização e conflitos
Baseada inicialmente em grandes empreendimentos dedicados a um único produto de exportação e
dependente do trabalho escravo para sua produção, desde os primeiros anos do período colonial a
agricultura tem tido papel fundamental na economia brasileira, constituindo, até a década de 1950, o elo do
País com a economia mundial, como foi o caso do cultivo da cana-de-açúcar no século XVI. Historicamente,
as tendências da economia brasileira oscilaram em função dos ciclos da agricultura, tendo o cultivo do
algodão, do cacau, da borracha e do café seguido à produção em larga escala da cana-de-açúcar.
Na década de 1970, verificou-se o processo de modernização agrícola, que propiciou aumento geral da
produtividade e do número de produtos agrícolas exportados. Na ocasião, a produção de soja superou a
dos produtos agrícolas tradicionais do Brasil, como o café, o cacau e o açúcar. Graças aos incentivos do
Governo em favor dos produtos processados sobre os não processados, aumentaram substancialmente o
volume, valor e variedade dos produtos agrícolas semiprocessados e industrializados. Nos anos 80, a
agricultura continuou a ter papel significativo na economia do País. Mediante incentivos fiscais e facilidades
especiais de crédito, o Governo Federal promoveu maior eficiência na área agrícola. Recentemente, o setor
agropecuário tem experimentado grandes mudanças. De modo geral, o tamanho dos estabelecimentos
dedicados à agropecuária tem diminuído fundamentalmente em virtude do avanço do processo de
urbanização; por outro lado, registra-se aumento estável de produtividade, seguindo tendência encetada
nos anos 70. Em 20 anos, a agricultura brasileira praticamente dobrou a sua produção anual de grãos. Na
década de 1980, a taxa anual de crescimento do setor agrícola, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), foi de 3,4% contra 1,7% do setor industrial. Em 1996, a taxa de crescimento do setor
agropecuário foi de 4,1%, e, em 1997, de 1,9%. Em 1999, a safra de grãos foi de 82,6 milhões de
toneladas, totalizando volume 9,9% superior ao observado no ano de 1998. Culturas voltadas
eminentemente para o mercado externo, como a soja, a cana-de-açúcar e a laranja, apresentaram
excelente desempenho em termos de rendimento por área plantada nos últimos tempos, tendo crescimento
anual de preços em tomo de 1,9% na última década. Foram desenvolvidos esforços para controlar o
movimento dos habitantes do meio rural para as áreas urbanas, para estender benefícios trabalhistas ao
campo, para estabelecer planos racionais de reforma agrária, para estimular os pequenos empreendimentos
até então não-rentáveis e, de modo geral, para melhorar a qualidade de vida em regiões afastadas dos
grandes centros. Dentre as culturas agrícolas de maior volume de produção estão as de arroz, feijão, milho,
algodão e laranja.
O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas e o maior produtor de café.
Minas Gerais é o maior produtor, seguindo-se São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Rondônia. O café
perdeu grande parte da importância econômica que manteve durante cerca de cem anos, desde 1850,
durante o Império, até cerca de 1950, quando se acelerou o processo de industrialização. Nesse período, o
café chegou a representar quase noventa por cento do total das exportações brasileiras. E, se em 1970 o
café ainda representava cerca de quinze por cento do valor total das exportações, em 1993 essa taxa não
chegava a três por cento.
Outras culturas, como a da cana-de-açúcar e a da laranja, cujo maior produtor é São Paulo, seguidas
pela da soja, que somente ganhou importância a partir da década de 1970, vieram tomar o lugar antes
ocupado pela economia cafeeira. O Brasil é o segundo produtor mundial de soja, cultivada principalmente
no Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. O País é também um dos maiores
exportadores de suco de laranja.
Duas culturas muito difundidas por praticamente todo o território brasileiro são as do milho, do qual o
Brasil é o terceiro produtor mundial, e do arroz. Esses cereais ocupam uma área plantada cerca de seis
vezes maior que a do café.
Outra cultura muito importante para a economia brasileira é a do algodão, sobretudo a partir da década
de 1930, quando São Paulo tomou-se o principal produtor, desbancando os estados do Nordeste. O
algodão constitui a matéria-prima principal da indústria têxtil brasileira.
Além desses produtos, destacam-se a mandioca e o feijão, também bastante difundidos em todo o
país, vindo a seguir a produção de frutas (banana, abacaxi, coco-da-baía, uva), cacau, batata-inglesa,
batata-doce, fumo e amendoim.
O Brasil possui um dos maiores rebanhos do mundo, sendo que a maior parte corresponde aos
bovinos, concentrados em três grandes áreas: a região centro-oriental (Minas Gerais, Mato Grosso do Sul,
Goiás e São Paulo), com cerca da metade do rebanho nacional destinado à produção de carne, couros e
leite; além do Rio Grande do Sul e do Nordeste, tradicionais centros pastoris, com produção de carnes e
couros.
Ao lado dos bovinos, outro importante segmento da pecuária é constituído pelos suínos, distribuídos
pelos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão e Bahia. São
utilizados para o consumo e na indústria frigorífica.
Os demais rebanhos são constituídos pelos ovinos, que fornecem lã e carne, e cujo maior centro
criatório está localizado no Rio Grande do Sul; caprinos, para a produção de leite e couros, predominante
no Nordeste; eqüinos e muares, na região centro-meridional; e asininos, típicos do Nordeste.
O setor agropecuário responde por 7,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2000, enquanto
na última década sua participação chega a 8,3%. Entre 1994 e 2000, o setor cresce em média 3,45% ao
ano – é o único a superar a taxa de crescimento do PIB. No entanto, gera menos renda em razão da queda
contínua do preço das commodities – produtos básicos como café, milho e soja – no mercado internacional.
Um dos fatores que contribuem para a diminuição do preço dos produtos agrícolas é o aumento contínuo da
oferta em todo o mundo.
Graças ao clima variado, o Brasil produz todos os tipos de frutas, desde variedades tropicais do norte
(inclusive abacates), até cítricos e uvas, cultivadas principalmente nas regiões mais temperadas do sul. Em
1996, a produção de laranjas cresceu 10,8%, atingindo 21.811 toneladas.
Em 1997, o Brasil contribuiu com 32% para o total da produção mundial de laranjas, destacando-se
como o maior produtor mundial dessa fruta. No que diz respeito à pecuária, o Brasil é o segundo maior
produtor mundial de carne bovina e dono do segundo maior rebanho de bovinos do mundo, atrás somente
da Índia. Ademais, o Brasil possui o terceiro maior rebanho de suínos e frangos, superado pela China e
pelos Estados Unidos.
Dados do Banco Mundial mostram que em 1999 a produção de alimentos alcança volume 43% superior
à média de 1989 a 1991. Isso acontece sem que haja aumento da área plantada. A explicação está nas
modernas técnicas que permitem um grande aumento da produtividade.
Os vários programas empreendidos nas duas últimas décadas, com vistas a diversificar as colheitas,
trouxeram resultados surpreendentes. A produção de grãos cresceu consistentemente, incluindo as
lavouras de trigo, arroz, milho e soja, chegando a 77,6 milhões de toneladas em 1997. Produtos do setor
extrativista, como a borracha (que já foi elemento vital para as exportações brasileiras), assim como a
castanha-do-pará, caju, ceras e fibras, passaram também a ser cultivados em plantações específicas.
Dados de 1996 (FIPE) indicam ser o Brasil o maior produtor mundial de café, o segundo de feijão, o terceiro
produtor de cana-de-açúcar e de milho e o quarto entre os produtores mundiais de cacau.
Outros fatores que contribuem para preços mais baixos são o pagamento de baixos salários aos
empregados no setor, os subsídios governamentais e uma taxa de câmbio favorável à exportação.
No Brasil, além de os salários pagos no campo estarem entre os mais baixos da economia, a taxa de
câmbio volta e meia está favorecendo as vendas externas. Há também uma significativa modernização
agrícola. Ainda assim, o país encontra dificuldades no mercado internacional por causa dos altos subsídios
que os países ricos, como os Estados Unidos e os membros da União Européia, concedem a seus
produtores.
Questão agrária e agrícola brasileira
Atualmente, as grandes propriedades estão, em sua maioria, comprometidas em produzir produtos
voltados para o mercado externo (soja, café, laranja, cana-de-açúcar e cacau). Essa estrutura de produção
geralmente recebe mais recursos financeiros, técnicos e materiais, pois necessitam aumentar e melhorar a
qualidade da produção para conseguir mais espaço no mercado internacional.
As médias e pequenas propriedades são as maiores produtoras para o consumo interno (arroz, feijão,
milho, batata, mandioca e hortaliças). Esse fato ocorre devido à exigüidade dos recursos e da área.
Problemas da agricultura no Brasil
Falta de política definida de preços mínimos: em muitos casos, principalmente quando o governo
importa alimentos de países que subsidiam seus produtores ou quando nossa produção cresce, o preço
mínimo não cobre sequer os gastos com a produção.
Falta de assistência técnica: há um intercâmbio deficiente entre produtores, agrônomos, técnicos e
órgãos que fazem pesquisas agronômicas e extensão rural, fazendo com que o médio e o pequeno
agricultor não tenham acesso a novas tecnologias e conhecimentos.
Reforma agrária: com a grande concentração de terras em poucas mãos, o Brasil apresenta um
pequeno grupo de grandes proprietários e um grande número de pequenos e médios proprietários; o país
apresenta grandes áreas improdutivas, voltadas à especulação imobiliária rural. Nesse sentido, a Reforma
Agrária torna-se fundamental, afinal é necessário voltar as atenções também para o mercado interno, pois
assim a população terá maior oferta de produtos a preços mais baixos, diminuindo conseqüentemente o
problema da fome.
OS MOVIMENTOS SOCIAIS, OS CONFLITOS DE TERRA E OS PROBLEMAS AMBIENTAIS
O meio ambiente, o sistema ecológico ou ainda o ecossistema constituem-se num conjunto de
elementos e fatores indispensáveis à vida. Qualquer unidade que inclua todos os organismos (a
comunidade) de uma determinada área interagindo com o meio físico, constitui um sistema ecológico ou
ecossistema, onde há um intercâmbio de matérias vivas e não vivas.
Para Samuel Branco, "no meio ambiente pode não haver vida. Já o ecossistema pressupõe, em si
mesmo, a existência de vida". Ele explica: "O meio ambiente constitui-se numa noção mais estática. Embora
contenha elementos e condições necessárias à vida, pode não haver estrutura que a condicione. Meio
ambiente também difere de habitat, que já dá uma conotação geográfica ou espacial. O habitat seria o
ambiente nativo. Exemplos de ecossistemas: uma floresta inteira ou uma simples bromélia (família de
plantas semelhantes ao abacaxi), um lago, um rio".
Não resta a menor dúvida que nosso estilo de vida sobre o Planeta é insustentável e está avançando
sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atuais e futuras. De acordo com o
Relatório Planeta Vivo 2002, elaborado pelo WWF, o ser humano usa 20% a mais do que a terra pode
repor.
Além disso, é preciso considerar que este avanço sobre os recursos do Planeta não se dá de maneira
igual para todos. Existe um enorme desequilíbrio entre África e Ásia, que usam os recursos do Planeta em
tomo de 1,4 hectares por pessoa, enquanto na Europa Ocidental este uso chega a 5,0 hectares e a dos
norte-americanos, a 9,6 hectares. Os brasileiros usam em média 2,3 hectares.
O grito de alerta já foi dado há algum tempo, durante a RIO 92, no Rio de Janeiro, quando estabeleceu-
se uma espécie de novo pacto social que passou a incluir com real seriedade a componente ambiental. Dez
anos depois, os governantes reuniram-se novamente em Johannesburgo, na África do Sul, para avaliar o
que foi realmente realizado nos 10 anos, tentar reverter algumas das tendências negativas e colocar a
humanidade no caminho do desenvolvimento sustentável.
O que está em discussão é um novo modelo de valores e princípios que deverá nortear nossa ação no
mundo. A grosso modo, existem duas grandes visões em confronto. Uma visão economicista não-solidária,
que transforma tudo em mercadoria, incluindo a força de trabalho e a inteligência humana e todo o planeta
junto, para o fortalecimento e enriquecimento de um pequeno grupo de nações e grandes empresas. Esta é
a visão dominante, que nos trouxe até aqui. E a outra é uma visão de uma economia solidária não só com
as pessoas, exigindo melhor justiça social e distribuição de riquezas, mas também mais respeito ao Planeta
e todas as suas formas de vida.
Entretanto, não devemos apostar muito no triunfo de uma visão contra a outra, pois os privilegiados de
sempre tenderão a fazer como os monarcas do passado: liberar alguns anéis para não perder os dedos. E
isso já começou! Basta observamos os discursos dos poderosos que incluem sempre que podem a
necessidade de combate à pobreza e a preservação ambiental. Não deixa de ser irônico ver os
representantes das superpotências defendendo o fim da pobreza quando são eles os representantes de
uma situação de exploração dos estados-nações em desenvolvimento, via juros impagáveis de dívidas
externas e apoio a administrações corruptas que contraem tais dívidas para o enriquecimento de uma
minoria, além de darem abrigo a mega empresas multinacionais, que se colocam acima das nações, das
pessoas e do meio ambiente em suas metas de lucros crescentes.
Temos exemplos como o dos EUA, que sozinho gasta cerca de 1 bilhão de dólares por dia em
armamentos ou se recusam a assinar o Protocolo de Kyoto para não reduzir seus enormes índices de
poluição para todo o Planeta, mostrando ao mundo que coloca seus interesses econômicos acima dos
interesses coletivos de toda a Humanidade.
Quando pensamos em mudanças, precisamos enfrentar um fato objetivo: de onde vem o poder dos
poderosos? Da força das armas e de seus exércitos? Claro que não. Vem do povo. E o povo quem dá força
aos poderosos. E o povo quem elege e deselege políticos e é quem compra ou deixa de comprar produtos e
serviços que criam ou destroem as mega empresas. Só que o povo não tem a consciência dessa sua força,
como um enorme elefante que permanece prisioneiro numa corrente que agora é fraquinha, mas não era
quando ele era pequeno e tentava se libertar.
Será que o povo realmente deseja uma economia solidária, como se fôssemos uma enorme colméia de
abelhas onde cada um faz a sua parte para o bem de todos, ou na verdade deseja que vença o melhor e o
mais forte? O que está em discussão é o grau de civilidade que a Humanidade como um todo está disposta
a adotar. Precisamos nos olhar diante do espelho para saber se nossas palavras, pensamentos, valores,
desejos, não contradizem nossos atos. Como agimos no nosso dia-a-dia? Quais são os valores e princípios
que nos movem em nosso cotidiano? O que sonhamos para os nossos filhos no futuro e que futuro é esse
que estamos construindo para eles? Enfim, qual é a nossa idéia de felicidade, para nós e para os que
dependem de nossos atos aqui e agora para ter qualidade de vida no futuro?
Galileu provou que a Terra não era o centro do Universo – e sofreu por pensar diferente. A ecologia veio
mostrar que nossa espécie não é a mais importante da Criação, pois dependemos tanto da natureza quanto
a mais comum das bactérias. Tão simples assim. Sem planeta, não há espécie humana, justiça social,
riqueza, democracia.
Nossa rota sobre o planeta será insustentável enquanto nossa idéia de felicidade for baseada na posse
de bens materiais e na acumulação de riquezas, enquanto ter for mais importante que ser. Então, se
pretendemos que os poderosos do mundo mudem, precisamos também saber se estamos mudando a nós
próprios, para não continuarmos a criar poderosos com nossos falsos sonhos e perspectivas de felicidade.
Fonte: www.jornaldomeioambiente.com.br
Declaração do ambiente
A conferência das Nações Unidas sobre o ambiente reunida em Estocolmo, de 5 a 16 de Junho de
1972, tendo examinado a necessidade de adaptar uma concepção comum e princípios comuns que
inspirem e guiem os esforços dos povos do Mundo na preservação e melhoria do ambiente, proclama que:
1. O Homem é criatura e criador do seu próprio ambiente, que lhe assegura a subsistência física e lhe
dá a possibilidade de desenvolvimentos intelectual, moral, social e espiritual.
No decurso da longa e laboriosa evolução da raça humana na Terra chegou o momento em que, graças
ao progresso cada vez mais rápido da ciência e da tecnologia, o Homem adquiriu o poder de transformar o
seu ambiente de inúmeras maneiras e em escala sem precedentes. Os dois elementos do seu ambiente, o
natural e o que ele próprio criou, são indispensáveis ao seu bem-estar e à plena fruição dos seus direitos
fundamentais, inclusive o direito à própria vida.
2. A proteção e a melhoria do ambiente são questões de maior importância, que afetam o bem-estar
das populações e o desenvolvimento econômico do globo. Estas ações correspondem aos votos ardentes
dos povos do mundo inteiro e constituem o dever de todos os governos.
3. O Homem deve constantemente fazer o ponto de situação da sua experiência e continuar a
descobrir, a inventar, a criar e a avançar.
Hoje, o poder que o Homem tem de modificar o meio em que vive permite-lhe, se aquele foi aplicado
com discernimento, levar a todos os povos os benefícios do desenvolvimento e a possibilidade de melhorar
a qualidade de vida. Esse mesmo poder, se abusivo ou inconsideradamente abusado, pode causar um mal
incalculável aos seres humanos e ao ambiente.
Multiplicam-se os indícios crescentes de prejuízos, restrições e devastações causadas pelo Homem em
muitas regiões do globo: níveis perigosos de poluição da água, do ar, da terra e dos seres vivos;
perturbações profundas e indesejáveis do equilíbrio ecológico da biosfera; destruição e esgotamento de
recursos insubstituíveis e graves deficiências no ambiente que o próprio Homem criou, particularmente
naquele em que vive e trabalha, revelando-se prejudiciais à sua saúde física, mental e social.
4. Nos países em desenvolvimento, a maior parte dos problemas do ambiente são causados pelo
subdesenvolvimento. Milhões de pessoas continuam a viver muito abaixo dos níveis mínimos compatíveis
com uma vida humana decente, privados do que se considera essencial no que se refere á alimentação,
vestuário, habitação, educação, saúde e higiene.
Tais países devem, portanto, orientar os esforços no sentido do desenvolvimento.
Nos países industrializados, os problemas do ambiente estão geralmente relacionados à
industrialização e ao desenvolvimento tecnológico.
5. O crescimento natural da população coloca ininterruptamente problemas de preservação do
ambiente e os Estados devem, por isso, adotar políticas e medidas apropriadas para os resolver. Os seres
humanos são elementos preciosos no mundo. E a população que impulsiona o progresso social, cria a
riqueza, desenvolve a ciência e a tecnologia e, mediante muito trabalho, transforma continuamente o
ambiente. Com o progresso social e a evolução da ciência e da tecnologia, a capacidade humana de
melhorar o ambiente aumenta dia a dia.
6. Encontramo-nos num momento histórico em que devemos orientar as nossas ações no mundo
inteiro tomando em maior consideração as suas repercussões no ambiente.
Podemos causar, por ignorância ou indiferença, prejuízos consideráveis e irreversíveis ao meio
ambiente, do qual dependem a nossa vida e o nosso bem-estar.
Pelo contrário, mediante conhecimentos mais profundos e ações mais ponderadas, poderemos
conquistar para nós próprios e para os nossos descendentes uma vida melhor, num ambiente mais
adaptado às necessidades e aspirações humanas.
Existem perspectivas para a melhoria da qualidade do ambiente e para a criação de condições para
uma vida feliz. E necessário, para isso, entusiasmo, calma e um trabalho intenso e ordenado. Para usufruir
livremente dos benefícios da natureza, o Homem deverá tirar partido dos seus conhecimentos, com o fim
de criar, em colaboração com a própria natureza, um ambiente melhor.
A defesa e a melhoria do ambiente para as gerações atuais e vindouras tornaram-se um objetivo
primordial da Humanidade. A realização desta tarefa deverá ser coordenada e harmonizada com os
objetivos fundamentais já fixados de paz e de desenvolvimento.
7. A prossecução deste objetivo implica que todos sejam cidadãos ou coletividades, empresas ou
instituições, e a qualquer nível, assumam as suas responsabilidades e compartilhem, equitativamente, os
esforços comuns.
Os homens de todas as condições e as organizações mais diversas podem, pelos seus valores e pelo
conjunto das suas ações, determinar o ambiente futuro do mundo.
Caberá às autoridades locais e aos governos, a responsabilidade principal das políticas e da ação a
realizar em assuntos de ambiente, nos limites da sua jurisdição. Há necessidade também de cooperação
internacionalmente para aumentar os recursos que permitam ajudar os países em desenvolvimento e
cumprir as suas responsabilidades neste domínio.
Os problemas de ambiente, em número cada vez mais elevado, de âmbitos regional ou mundial, ou
que afetam o domínio internacional comum, exigirão vasta cooperação entre as nações e que os órgãos
internacionais atuem no interesse de todos.
A Conferência solicita aos governos e aos povos que unam os seus esforços para preservar e melhorar
o ambiente, a bem de todos os povos e das gerações futuras.
Ecologia
Quem utilizou, pela primeira vez, o termo ecologia, em 1866, foi o naturalista alemão Ernest Haeckel,
propagador das idéias de Darwin. Ele a definiu como "economia biológica ou economia da natureza", ou
ainda "ciência dos costumes dos organismos, suas necessidades vitais e suas relações com outros
organismos" e mais, como "o estudo das relações de um organismo com seu ambiente inorgânico e
orgânico". Atualmente, a definição de ecologia (do grego oikos — casa) está mais restrita ao estudo das
relações entre organismos e o meio, enquanto o termo etologia (que para Haeckel era empregado como
sinônimo de ecologia) se reserva ao estudo de costumes.
A economia mundial continua sendo uma das forças motrizes da degradação ambiental, tanto quando
se trata de perda da floresta tropical, como pelo aquecimento da Terra por milhões de toneladas de gases
que são despejados na atmosfera por veículos e fábricas. Os pobres são os mais prejudicados,
simplesmente porque têm menos recursos para sobreviver. Essa disparidade manifesta-se de modo mais
evidente na expectativa de vida: 73 anos nos países desenvolvidos e 60 anos nos países pobres. Em geral,
o crescimento econômico nos anos 80 foi mais lento que nos anos 70. Para muitos países pobres, os anos
80 foi uma década perdida, em vários sentidos. A dívida externa disparou, os preços das suas matérias-
primas baixaram, as políticas de ajuste não funcionaram e 1/3 de sua população 1 bilhão e 200 milhões de
habitantes vive abaixo do limite da pobreza, estimado em 370 dólares anuais per capita. As reformas
econômicas impostas pelos governos não trouxeram benefícios para essa população pobre e, em muitos
casos, pioraram a situação.
Muitos governos de países pobres se preocuparam unicamente com a crise econômica e política a
curto prazo. A administração e conservação dos recursos ambientais ocuparam um lugar de pouco
destaque nas listas de prioridades.
Segundo o Banco Mundial, dos 49 países que tiveram redução no seu Produto Interno Bruto (PIB) nos
anos 80, quase todos têm economias predominantemente agrárias, baixa renda, rápido crescimento
populacional e passam por um processo acelerado de degradação ambiental. O desnível de renda entre o
Norte e o Sul se traduz no acesso desigual aos produtos do progresso material. Atualmente, os países
desenvolvidos, que concentram menos de um quinto da população mundial, consomem 80% dos recursos
naturais (alimentos e matérias-primas) produzidos no planeta. Os 20% restantes são disputados por mais
de 4 bilhões de pessoas, das quais mais de um bilhão situam-se abaixo dos níveis de miséria absoluta. A
maioria, cerca de 60%, vive no chamado cinturão tropical, justamente onde se localizam 58% das terras
cultiváveis do planeta.
A diferença entre o Norte e o Sul tende a aumentar devido ao tipo e trocas internacionais. Os produtos
oferecidos pelos países pobres no mercado mundial — matérias-primas e produtos semi-elaborados vêm
perdendo valor frente à produção dos países ricos, centradas na inovação tecnológica. Para compensar
essa tendência, os países pobres tentam aumentar a produção dirigida para exportação. Para isso, passam
a incorporar novas áreas já ocupadas e vêm substituindo a produção voltada para o mercado interno por
artigos de grande demanda internacional. Isso resulta em aumento do preço dos alimentos em seus
mercados internos e aumento da fome, além de uma ocupação desordenada das áreas de floresta e uma
superexploração dos solos, o que demonstra a intensa deterioração do meio ambiente.
Antes de qualquer coisa, é bom lembrar que só podemos entender a questão ecológica, aqui no Brasil,
na forma da onda da globalização neoliberal que vem promovendo uma total perda da soberania nacional
sobre a gestão dos seus recursos naturais, coibindo, assim, a alternativa de projetos de desenvolvimento
sustentáveis, aprofundando as desigualdades sociais, dilapidando os recursos naturais, excluindo grande
parte da população do mercado de trabalho, sem que participe dos frutos propiciados pelo avanço da
ciência e tecnologia.
A última grande conferência sobre o clima se deu em Kyoto, Japão, no ano de 1997, sendo que, em
2001, houve mais um encontro em Bohn, no qual ficou claro que alguns países não estão cumprindo suas
resoluções. Dois resistentes foram a Austrália e o Japão. O Governo Bush, neoliberal de direita, não
ratificou o acordo de Kyoto, mesmo sendo os EUA responsáveis pela emissão de
1
/4 dos "gases de estufa"
do globo. Um capítulo polêmico desse encontro foi a emissão dos gases de estufa, cujas quantidades
devem ser reduzidas ao nível de quinze anos atrás. Os norte-americanos possuem 100 milhões de carros.
Cada norte-americano consome energia para: 3 suíços, 4 italianos, 160 tanzanianos e 1.100 ruandeses.
Utilizam 40% dos recursos renováveis do globo, sendo que suas fontes de energia são baseadas em
combustíveis fósseis: carvão, petróleo e gás natural.
A questão ambiental ou ecológica é uma questão global, sendo necessária uma ação conjunta de todos
os países do globo. As energias carbonadas, petróleo e carvão, principalmente, as queimadas, os gases
emitidos pelas fábricas, são causas básicas do efeito de estufa, ilha de calor, chuva ácida e inversão
térmica, problemas sérios dos tempos atuais e que reforçam uma de nossas principais contradições. Ela
reside no fato de não coadunarmos desenvolvimento científico e questão ambiental.
Na quarta conferência mundial sobre o clima, chegou-se à conclusão de que a temperatura da terra
deve elevar-se mais 5 graus até 2100. Os gases de estufa provenientes da queima dos combustíveis
fósseis, em especial o petróleo e o carvão, fazem nossa necessidade de fontes alternativas como a solar, a
eólica, a das marés, a dos gêiseres ou a de biomassa, que são as fontes da revolução técnico-científica.
Nas regiões de fronteira agrícola, ou em países de industrialização recente, tais como os "tigres
asiáticos", é muito comum o uso de queimadas para limpar campos. Estas se dão nos meses mais secos do
ano, em áreas de pastagens ou queima de coivaras, causando acidentes em rodovias, com mortes de
pessoas, animais, e sérios problemas respiratórios em cidades circundadas por canaviais, num dos casos
mais alarmantes de poluição atmosférica.
A agenda 21 é um plano ambicioso que prevê a implantação de um programa de desenvolvimento
sustentável de todo o globo para o século XXI. Nela os países se comprometem a destinar 7% de seus PIBs
para aplicação nesse programa.
Desenvolvimento sustentável
O desenvolvimento sustentável consiste em criar um modelo econômico capaz de gerar riqueza e bem-
estar enquanto promove a coesão social e impede a destruição da natureza. Esse modelo busca satisfazer
as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias
necessidades. Ou seja, utilizar recursos naturais sem comprometer sua produção, fazer proveito da
natureza sem devastá-la e buscar a melhoria da qualidade de vida. Por isso, o desenvolvimento sustentável
coloca na berlinda o modelo de produção e consumo ocidental, que ameaça o equilíbrio do planeta. Além
disso, preocupa-se com os problemas a longo prazo, enquanto o atual modelo de desenvolvimento fundado
em uma lógica puramente econômica se centra no "aqui e agora".
O termo "Desenvolvimento sustentável" foi utilizado pela primeira vez em 1980 por um organismo
privado de pesquisa, a Aliança Mundial para a Natureza (UICN). Em 1987, o conceito apareceu em um
informe realizado pela ex-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland para a ONU (Organização das
Nações Unidas), no qual se dizia que um desenvolvimento é duradouro quando "responde às necessidades
do presente sem colocar em perigo as capacidades das gerações futuras para fazer o mesmo". "A
formulação do conceito de desenvolvimento sustentável implicava o reconhecimento de que as forças de
mercado abandonadas à sua livre dinâmica não garantiam a não-destruição dos recursos naturais e do
ambiente", afirma o economista e consultor ambiental espanhol Antxon Olabe.
Na Eco-92, cúpula realizada no Rio de Janeiro, e na Rio +10, encontro em Johanesburgo dez anos
depois, essa expressão foi o centro das discussões. Desde então, em um extremo se situam os ecologistas
radicais, que defendem o crescimento zero para pôr fim ao esgotamento dos recursos. Em outro lado, estão
aqueles que acham que o progresso tecnológico permitirá resolver todos os problemas do ambiente.
Essa segunda visão é utilizada para explicar atitudes como a do presidente norte-americano, George W.
Bush, que não ratificou o Protocolo de Kyoto (1997), sobre a redução dos gases que produzem o efeito
estufa.
A primeira interpretação do termo, que considera incompatível o desenvolvimento econômico com
respeito ao ambiente, foi lançada em 1972 em um informe dos universitários do chamado Clube de Roma.
Mas esse enfoque é solidário apenas em relação à natureza e não aos países em vias de desenvolvimento
que criticam que não podem interromper um crescimento que ainda não se iniciou. O termo
desenvolvimento sustentável não facilitou as discussões tanto no Brasil quanto na África do Sul, quando os
países do hemisfério Norte — que concentra os países desenvolvidos tentaram defender o direito a um
ambiente saudável, enquanto os do Sul queriam o direito de se desenvolver.
Conceito de desenvolvimento sustentável
O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a
possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades. Ele contém dois conceitos-
chave:
1- o conceito de "necessidades", sobretudo as necessidades essenciais dos pobres no mundo, que
devem receber a máxima prioridade;
2- a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio
ambiente, impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras (...).
Em seu sentido mais amplo, a estratégia de desenvolvimento sustentável visa promover a harmonia
entre os seres humanos e entre a humanidade e a natureza. No contexto específico das crises do
desenvolvimento e do meio ambiente surgidas nos anos 80 — que as atuais instituições políticas e
econômicas nacionais e internacionais ainda não conseguiram e talvez não consigam superar —, a busca
do desenvolvimento sustentável requer:
um sistema político que assegure a efetiva participação dos cidadãos no processo decisório;
um sistema econômico capaz de gerar excedentes e know-how técnico em bases confiáveis e
constantes;
um sistema social que possa resolver as tensões causadas por um desenvolvimento não-equilibrado;
um sistema de produção que respeite a obrigação de preservar a base ecológica do
desenvolvimento;
um sistema tecnológico que busque constantemente novas soluções;
um sistema internacional que estimule padrões sustentáveis de comércio e financiamento;
um sistema administrativo flexível e capaz de autocorrigir-se.
A partir da definição de desenvolvimento sustentável pelo Relatório Brundtland, de 1987, pode-se
perceber que tal conceito não diz respeito apenas ao impacto da atividade econômica no meio ambiente.
Desenvolvimento sustentável refere-se principalmente às conseqüências dessa relação na qualidade de
vida e no bem-estar da sociedade, tanto presente quanto futura. Atividade econômica, meio ambiente e
bem-estar da sociedade formam o tripé básico no qual se apóia a idéia de desenvolvimento sustentável. A
aplicação do conceito à realidade requer, no entanto, uma série de medidas tanto por parte do poder público
como da iniciativa privada, assim como exige um consenso internacional. E preciso frisar, ainda, a
participação de movimentos sociais, constituídos principalmente na forma de ONGs (Organizações Não-
Governamentais), na busca por melhores condições de vida associadas à preservação do meio ambiente e
a uma condução da economia adequada a tais exigências.
Segundo o Relatório Brundtland, uma série de medidas devem ser tomadas pelos Estados nacionais:
a) limitação do crescimento populacional;
b) garantia de alimentação a longo prazo;
c) preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
d) diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias que admitem o uso de fontes
energéticas renováveis;
e) aumento da produção industrial nos países não-industrializados à base de tecnologias
ecologicamente adaptadas;
f) controle da urbanização selvagem e integração entre campo e cidades menores;
g) as necessidades básicas devem ser satisfeitas.
No nível internacional, as metas propostas pelo Relatório são as seguintes:
a) as organizações do desenvolvimento devem adotar a estratégia de desenvolvimento sustentável;
b) a comunidade internacional deve proteger os ecossistemas supranacionais como a Antártica, os
oceanos, o espaço;
c) guerras devem ser banidas;
d) a ONU deve implantar um programa de desenvolvimento sustentável.
No que tange ao privado, a ONG Roy F. Weston recomenda que o conceito de desenvolvimento
sustentável, assim que é assimilado pelas lideranças de uma empresa — e passa a ser almejado como uma
nova forma de se produzir sem trazer prejuízos ao meio ambiente e, indiretamente, à sociedade em geral —
, deve se estender a todos os níveis da organização, para que depois seja formalizado um processo de
identificação do impacto da produção da empresa no meio ambiente. Em seguida, é necessário que se crie,
entre os membros da empresa, uma cultura que tenha os preceitos de desenvolvimento sustentável como
base. O passo final é a execução de um projeto que alie produção e preservação ambiental, com uso de
tecnologia adaptada a este preceito (como empresas que atingiram metas de aplicação de um projeto de
desenvolvimento sustentável, a ONG cita a 3M, o McDonald's, a Dow, a DuPont, a Pepsi, a Coca-Cola e a
Anheuser-Busch).
A ONG prega que não se devem implementar estratégias de desenvolvimento sustentável de uma só
vez, "como uma revolução, mas como uma evolução", de forma gradual, passo a passo. E preciso, ainda,
que haja uma integração entre indústria, comércio e comunidade, de forma que um programa de melhorias
sócio-ambientais numa região se dê de forma conjunta e harmoniosa. O poder público, tanto no âmbito
municipal como nos âmbitos estadual e nacional, deve atuar de maneira a proporcionar adequadas
condições para o cumprimento de um programa de tal proporção, desde a feitura de uma legislação
apropriada ao desenvolvimento sustentável até a realização de obras de infra-estrutura, como a instalação
de um sistema de água e esgoto que prime pelo não-desperdício e pelo tratamento dos dejetos.
Algumas outras medidas providenciais para a implantação de um programa, no mínimo adequado, de
desenvolvimento sustentável são: uso de novos materiais na construção; reestruturação da distribuição de
zonas residenciais e industriais; aproveitamento e consumo de fontes alternativas de energia, como a solar,
a eólica e a geotérmica; reciclagem de materiais aproveitáveis; não-desperdício de água e de alimentos;
menor uso de produtos químicos prejudiciais à saúde nos processos de produção alimentícia. Realizar um
programa de desenvolvimento sustentável exige, enfim, um alto nível de conscientização e de participação
tanto do governo e da iniciativa privada como da sociedade. Para tanto, não se deve deixar que estratégias
de tal porte e extensão fiquem à mercê do livre mercado, visto que os danos que se visam resolver são
causados justamente pelos processos desencadeados por um modelo de capitalismo que aparenta ser
cada vez mais selvagem e desenfreado. Ainda mais se levarmos em conta o fato de que um dos requisitos
básicos do conceito de desenvolvimento sustentável é a satisfação das necessidades básicas da
população, principalmente dos pobres.
Fonte: www.economiabr.net
Água e esgoto
O diagnóstico sobre o saneamento ambiental no Brasil mostra que quase a metade da população (83
milhões de pessoas) não são atendidas por sistemas de esgotos; 45 milhões de cidadãos carecem de
serviços de distribuição de água potável. Nas áreas rurais, mais de 80% das moradias não são servidas
por redes gerais de abastecimento de água e quase 60% dos esgotos de todo o país são lançados, sem
tratamento, diretamente nos mananciais de água.
O impacto brutal de tudo isso recai sobre a saúde pública: 65% das internações hospitalares de
crianças de zero a cinco anos, registradas no Brasil, decorrem da ausência ou da precariedade dos
serviços de saneamento.
A água potável poderá se tomar um dos recursos mais caros (custo/beneficio) do século XXI. Sendo
assim, os rios internacionais são cada vez mais geoestratégicos, motivando conflitos entre os países
envolvidos. Um grande exemplo é a questão do Nilo ou, ainda, as nascentes do rio Jordão, palco das
disputas entre árabes e judeus, no Oriente Médio. Nessas regiões, a água é, relativamente, mais
importante que o petróleo.
No Centro-Oeste do Brasil, a calagem (mistura de cal na terra) de solo causa eutrofização (processo
por meio do qual um corpo de água adquire níveis altos de nutrientes, fosfatos e nitratos, provocando o
posterior acúmulo de matéria orgânica em decomposição; aquela causada ou acelerada por atividades
humanas, como o despejo de esgotos domésticos ou a agricultura) de mananciais, constituindo-se em um
grave impacto sobre recursos hídricos. Não falta água por falta de chuvas. A grande causa da escassez é
o mau uso dos solos agrícolas e urbanos por compactação pela utilização de máquinas e pastoreio ou
ainda pela impermeabilidade de área urbana.
Fala-se em taxar todo e qualquer uso de água. E necessário racionalizar o uso da água. Todas as
grandes cidades do mundo já se ressentem desse recurso, em especial as megacidades dos países
periféricos, que serão palcos, mais e mais, de disputas por rios que as abastecem e de grandes
epidemias. O Nilo e o Níger são dois bons exemplos dessas disputas.
O Brasil, embora tendo a maior reserva de água disponível do globo, apresenta regiões em estresse
hídrico, menos de 2.000 metros cúbicos de água por habitante por ano. Esse é o caso de muitas áreas do
Nordeste.
Transgênicos
Transgênicos são organismos que possuem em seu genoma um ou mais genes provenientes de outra
espécie, inseridos por processo natural ou por métodos de engenharia genética. Eles têm sua estrutura
geneticamente modificada para obter novas características. Essa alteração, feita em laboratório, pode
buscar tanto a melhora nutricional do alimento como tomar uma planta mais resistente a agrotóxicos.
A polêmica que cerca os transgênicos tem fundo econômico, social e ambiental. Seus defensores
argumentam que a biotecnologia aumenta a produção de alimentos a ponto de ser uma das alternativas
para resolver a fome mundial. Entidades que são contra dizem que não há provas de que os produtos
sejam benéficos ou nocivos. Elas defendem que é preciso aprofundar os estudos antes de se permitir o
plantio em larga escala.
A era do petróleo
O nível de consumo atual com as reservas já conhecidas são suficientes para manter o abastecimento
por mais de cinqüenta anos. E possível encontrar novas reservas de petróleo, ao passo que a tecnologia
pode fazer cair o consumo. O período marcado por oferta abundante, preços baixos e gastos abusivos de
petróleo está se encerrando, como mostra a recente pressão sobre os preços do barril. A era do petróleo se
transforma não pela falta de petróleo, mas pela falta de petróleo com preço baixo. Esse valor não se
expressa apenas no preço final de um barril de petróleo e no seu efeito sobre a economia dos países, mas
também em custo tecnológico, ambiental, político, militar e humano. Atualmente, a elevação dos preços é
explicada por vários fatores, entre eles o aumento da demanda além do previsto, puxado pelo crescimento
econômico da China e pela paixão americana por veículos que consomem muito, não sendo, portanto, os
principais. No início do mês de junho, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou
um aumento na produção com o objetivo de colocar mais óleo à venda e, sobretudo, exercer pressão sobre
os especuladores. O anúncio fez o preço do barril cair alguns dólares.
O aumento do preço desde 2001 reflete, sobretudo, a especulação em torno da instabilidade no Oriente
Médio, onde se concentram 70% das reservas petrolíferas conhecidas. Pelo menos 8 dólares do preço de
cada barril se devem ao risco de guerra generalizada nas regiões produtoras. Devido à confusão política, a
Venezuela, o principal exportador sul-americano, suspendeu, temporariamente, no ano passado, a
produção. O maior produtor africano é a Nigéria, país com sangrentas disputas tribais e corrupção. A
Agência Internacional de Energia calcula que dois terços do petróleo necessário para abastecer o mundo
nos próximos trinta anos virão do Oriente Médio — ou seja, de países muçulmanos. O petróleo de outras
áreas é de pior qualidade e de extração mais cara, pois costuma estar no fundo do mar ou misturado à
areia.
O petróleo não vai perder a importância que tem para o modo de vida da sociedade atual tão cedo. Dois
terços do óleo produzido são transformados em combustível para automóveis, caminhões, barcos e aviões.
O restante é transformado em uma gigantesca quantidade de produtos sintéticos, de pneus a capas de
chuva, etc. No mundo inteiro aumentam os esforços para reduzir a queima de todos os combustíveis
fósseis, como o petróleo, o carvão e o gás natural, devido às suas conseqüências ambientais, tais como a
neblina enfumaçada e a poluição do ar, a chuva ácida e a destruição da camada de ozônio e a mudança
climática.
Ecologia
Quem utilizou, pela primeira vez, o termo ecologia, em 1866, foi o naturalista alemão Ernest Haeckel,
propagador das idéias de Darwin. Ele a definiu como "economia biológica ou economia da natureza", ou
ainda "ciência dos costumes dos organismos, suas necessidades vitais e suas relações com outros
organismos" e mais, como "o estudo das relações de um organismo com seu ambiente inorgânico e
orgânico". Atualmente, a definição de ecologia (do grego oikos — casa) está mais restrita ao estudo das
relações entre organismos e o meio, enquanto o termo etologia (que para Haeckel era empregado como
sinônimo de ecologia) se reserva ao estudo de costumes.
A economia da natureza
Os seres vivos sempre fazem parte de comunidades heterogêneas, mantendo, com o meio físico e
entre si, relações de interdependência, ainda que remotas. Cada espécie necessita de substâncias ou
componentes básicos do meio para sua alimentação, reprodução e proteção. Além disso, há exigências
quanto à estrutura e topografia do ambiente para que a espécie desenvolva seus hábitos característicos.
Tudo isso faz com que cada espécie somente se desenvolva em ambiente onde existam composição e
estrutura favoráveis, chamado de habitat, de maneira geral. Mas o ambiente ou habitat não é constituído
exclusivamente pelo meio físico. Frequentemente, o nicho ecológico, isto é, o alimento, o material para a
construção de ninhos ou os meios de proteção, são oferecidos ou disputados por outros seres vivos, seus
concorrentes ou predadores.
A integração equilibrada de todos esses fatores (físicos, químicos e biológicos) é que permite e regula a
sobrevivência, o desenvolvimento e o equilíbrio populacional de uma determinada espécie biológica.
Nesses ciclos ecológicos, há uma reciprocidade na qual a economia da natureza não significa o predomínio
desta ou daquela espécie; significa, sim, o desenvolvimento harmônico e equilibrado de todos os seres
vivos.
O desequilíbrio
Quando o meio ambiente não é capaz de fornecer as condições exigidas para a vida – nutrição,
reprodução e proteção –, ele se torna impróprio à sobrevivência do ser vivo. O sapo-boi, por exemplo,
destrói certos besouros que prejudicam o cultivo da cana-de-açúcar.
Entretanto, ele também se alimenta de insetos destruidores de moscas transmissoras de doenças.
Como o sapo-boi prolifera com facilidade (vive 40 anos e põe 40 mil ovos por ano), é perigoso colocá-lo em
regiões onde não existam outras espécies que possam devorá-lo, pois desta forma o equilíbrio ecológico
não será mantido. E, por um outro lado, o sapo-boi, tão bom para a agricultura, também o responsável
indireto pela proliferação de doenças.
O próprio homem se encarrega de quebrar o ciclo natural da sobrevivência. E em nome do conforto, do
bem-estar – e mais, do poder –, o homem está transformando o seu meio ambiente, trazendo a poluição e
provocando tragédias ecológicas.
Isso porque não está sabendo explorar adequadamente os recursos renováveis e não-renováveis da
natureza. Até meados do século XIX, a atividade do homem não concorria de forma tão acentuada para
provocar mudanças drásticas que pudessem alterar a biosfera. A partir da Revolução Industrial, entretanto,
e das grandes guerras mundiais, é que essas transformações começaram a ser sentidas com intensidade. E
nessa época que a Inglaterra começa a conhecer os problemas de poluição do ar e da água.
A medida que o homem foi adaptando o meio ambiente às suas exigências progressistas, criando
vacinas, meios de transportes, novas habitações, aparelhos sofisticados, novas formas de energia,
explorando desordenadamente os recursos naturais, foi causando impactos e poluindo o ambiente. A
explosão demográfica também teve sua influência: tendo necessidade de maior quantidade de alimentos, o
homem precisou preservá-los, utilizando irracionalmente os defensivos agrícolas na lavoura e na indústria.
Poluição
E característica da atividade humana provocar desequilíbrios. Da mesma forma como o homem obtém
energia e trabalho a partir de desequilíbrios térmicos (nas máquinas a vapor ou de explosão) ou de
desequilíbrios mecânicos (energia hidráulica) ou de desequilíbrios químicos (pilhas elétricas) ou ainda
desequilíbrios atômicos (energia nuclear), ele procura, através de desequilíbrios ecológicos, obter maior
rendimento energético.
Quando a alteração ecológica afeta, de maneira nociva, direta ou indiretamente, a vida e o bem-estar
humano, trata-se de poluição. Poluição é a modificação de características de um ambiente de modo a torná-
lo impróprio às formas de vida que ele normalmente abriga. Uma pequena redução de teor normal de
oxigênio de um curso de água, por exemplo, causado por uma insignificante elevação de sua temperatura,
pode provocar o desaparecimento e a substituição de um grande número de pequenos seres
excepcionalmente ávidos de oxigênio, como as larvas de libélulas. Isso pode se constituir numa séria
alteração ecológica em um rio de montanha, de águas muito frias, pois provoca uma sensível mudança
qualitativa de sua flora e fauna. Mas se a queda de concentração de oxigênio for insuficiente para afetar a
vida de peixes e a fauna original for substituída por organismo que ainda lhe sirvam de alimento, essa
alteração ecológica não poderá ser considerada poluição.
A nocividade da poluição tem um caráter passivo e não ativo. Caracteriza-se pela perda das condições
propícias à vida de determinadas espécies vegetais e animais. Um incêndio não é um fator ecológico e,
assim, não é poluição. O fogo, além disso, não tem valor seletivo, do ponto de vista biológico.
A presença e a permanência de um tóxico na água de um rio pode ter valor seletivo, eliminando parte
da poluição biológica e permitindo a sobrevivência e a proliferação da outra parte ou mesmo o aparecimento
de nova flora em substituição às primeiras. Mas é um elemento ativo e não passivo. Da mesma forma, o
lançamento de uma rede de pesca tem valor seletivo, destruindo apenas certos tipos de organismos
(peixes), de acordo com seu tamanho. Mas, sendo um processo ativo, não pode ser considerado elemento
ecológico ou poluidor.
Poluição do ar
O ar está poluído quando contém elementos estranhos à sua composição natural: oxigênio, nitrogênio,
gases nobres e vapor d'água e até dióxido de carbono. As formas mais comuns de poluição do ar são pelo
monóxido de carbono, dióxidos de carbono (em excesso) e de enxofre, óxidos de nitrogênio e por partículas
diversas (poeiras).
Vamos analisar, sem levar em conta as condições meteorológicas, a poluição do ar por partículas
(poeiras). Nesse tipo de poluição, é importante o tamanho das partículas (particulados é o nome técnico),
sua composição química e forma geométrica.
Para não alongar, não iremos falar de condições meteorológicas, composição química e forma
geométrica. Falemos sobre o tamanho das partículas (seus diâmetros).
As maiores que 100 mícrons (um mícron é um milésimo do milímetro) são chamadas sedimentáveis,
isto é, caem pela ação de gravidade, a partir do seu lançamento ao ar pela fonte emissora.
A
/
quantidade "despencada" dessas partículas sedimentáveis recebe, segundos alguns especialistas, o
nome de "índice de sujicidade"; são essas partículas que sujam os carros, as piscinas, as roupas no varal,
pisos, parapeitos e móveis da casa. Para medir a intensidade de queda dessas partículas, usa-se um
aparelho bem rudimentar chamado jarro de sedimentação, que nada mais é do que uma leiteirinha de
plástico que fica exposta, de boca para cima, durante um mês. A qualidade do ar, na questão de "índice de
sujicidade", será boa se, por meio dessa medição, for detectada uma queda máxima de 5 toneladas de pó,
em 30 dias, numa área de um quilômetro quadrado.
Os outros dois tipos de partículas, analisadas por seus diâmetros, são as partículas em suspensão;
estas têm diâmetros menores que 100 mícrons. Sua característica principal é que a queda não depende da
ação da gravidade. Isto é, elas ficam flutuando dias e dias.
Neste grupo de partículas em suspensão há uma divisão importante a considerar: partículas maiores
que 10 mícrons e partículas menores que 10 mícrons.
As partículas maiores que 10, quando respiradas, não atingem nossos pulmões, ficam retidas nas vias
respiratórias superiores (nariz, faringe, laringe, traquéia) e são expelidas sem grandes dificuldades; já as
menores que 10 mícrons vão atingir a nossa árvore brônquica (pulmões), ficando ali alojadas (nos alvéolos).
A qualidade do ar de uma cidade, bairro ou região é medida pela quantidade de partículas em
suspensão existente no ar por metro cúbico desse ar. Usam-se, para isso, amostradores especiais em
locais cientificamente selecionados.
Um bom ar não pode conter (média geométrica anual de medições a cada 6 dias) mais de 80
microgramas de partículas em suspensão por metro cúbico, permitindo-se um pique de 240 microgramas
uma só vez por ano.
Existe, porém, uma medição mais sofisticada — para partículas menores que 10 mícrons: um bom ar
não pode ter mais que 50 microgramas (por metro cúbico) dessas partículas "realmente respiráveis", em
média aritmética anual de medições a cada 6 dias, permitindo-se, uma vez por ano, um valor de 150
microgramas.
E cientificamente comprovado que partículas sedimentáveis coexistem com partículas em suspensão e
que, entre partículas em suspensão, 30% delas, em média, são "respiráveis" (menores que 10 mícrons).
Como conclusão, independentemente das condições meteorológicas, composição e forma geométrica
das partículas, o tamanho delas tem seus efeitos maléficos diferenciados sobre o homem.
Fonte: http://www.gpca.com.br/
Protocolo de Kyoto
Na reunião de Kyoto, no Japão (1997), os países chegaram à triste conclusão de que os principais
poluidores mundiais não estavam obedecendo às propostas e aos projetos da Eco-92; pelo contrário, os
índices de degradação ambiental haviam e continuavam aumentando. Com isso, elaboraram o Protocolo de
Kyoto, que exigia uma redução de 5% na poluição atmosférica, tendo como base a poluição provocada em
1991 — com elevadas multas para quem descumprisse as exigências.
E claro que os países-potência não concordaram com Kyoto. Em agosto de 2001, na terceira reunião
sobre clima, na Alemanha, o Protocolo de Kyoto foi reformulado reduzindo para 2% a poluição provocada
em 1991 e os valores das multas. Com isso, os principais países aceitaram assinar o protocolo, exceto os
EUA, com a alegação de que ele prejudicava seu crescimento econômico.
Em fevereiro de 2002, o presidente dos EUA apresentou uma proposta alternativa ao Protocolo de
Kyoto, que foi imediatamente combatida por outras nações ricas, como o Japão e a Grã-Bretanha, pois ela
não exigia muito, pelo contrário, deixa a critério dos agentes poluidores reduzir ou não a poluição do
planeta.
Em 4/3/2002, a União Européia assinou o Protocolo de Kyoto, com a proposta de reduzir a poluição em
5,8%, tendo como base o ano de 1990. Após oito anos da assinatura do Protocolo de Kyoto no Japão, o
tratado internacional que prevê a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa entrou em
vigor no dia 16 de fevereiro de 2005 sem a participação dos Estados Unidos e da Austrália. A partir dessa
data, os países signatários devem desenvolver projetos para diminuir a taxa de emissão poluidora aos
níveis de 1990, ou seja, 5,2% abaixo dos níveis emitidos na época. Para atingir a meta, os países terão
prazo que vai de 2008 a 2012.
Os problemas ambientais dos grandes centros
De modo geral, os problemas ecológicos são mais intensos nas grandes cidade do que nas pequenas
ou no meio rural. Além da poluição atmosférica, as metrópoles apresentam outros problemas graves:
Acúmulo de lixo e de esgotos. Boa parte dos detritos pode ser recuperada para a produção de gás
(biogás) ou adubos, mas isso dificilmente acontece. Normalmente, esgotos e resíduos de indústrias
são despejados nos rios. Com freqüência esses rios "morrem" (isto é, ficam sem peixe) e tornam-se
imundos e malcheirosos. Em algumas cidades, amontoa-se o lixo em terrenos baldios, o que
provoca a multiplicação de ratos e insetos.
Congestionamentos freqüentes. Especialmente nas áreas em que os automóveis particulares são
muito mais importantes que os transportes coletivos, muitos moradores da periferia das grandes
cidades dos países do Sul, em sua maioria de baixa renda, gastam três ou quatro horas por dia só
no caminho para o trabalho.
Poluição sonora. Provocada pelo excesso de barulho (dos veículos automotivos, fábricas, obras nas
ruas, grande movimento de pessoas e propaganda comercial ruidosa). Isso pode ocasionar
neuroses na população, além de uma progressiva diminuição da capacidade auditiva.
Carência de áreas verdes (parques, reservas florestais, áreas de lazer e recreação etc.). Em
decorrência de falta de áreas verdes, agrava-se a poluição atmosférica, já que as plantas, por meio
da fotossíntese, contribuem para a renovação do oxigênio no ar. Além disso, tal carência limita as
oportunidades de lazer da população, o que faz com que muitas pessoas acabem passando seu
tempo livre na frente da televisão, ou assistindo a jogos praticados por esportistas profissionais (ao
invés de eles mesmos praticarem esportes).
Poluição visual. Ocasionada pelo grande número de cartazes publicitários, pelos edifícios que
escondem a paisagem natural etc.
Na realidade, é nos grandes centros urbanos que o espaço construído pelo homem, a segunda
natureza, alcança seu grau máximo. Quase tudo aí é artificial; quando é algo natural, sempre acaba
apresentando variações, modificações provocadas pela ação humana. O próprio clima das metrópoles – o
chamado clima urbano constitui um exemplo disso. Nas grandes aglomerações urbanas, normalmente faz
mais calor e chove um pouco mais que nas áreas rurais vizinhas; além disso, nessas áreas são também
mais comuns as enchentes após algumas chuvas. As elevações nos índices térmicos do ar são fáceis de
entender: o asfaltamento das ruas e avenidas, as imensas massas de concreto, a carência de áreas verdes,
a presença de grandes quantidades de gás carbônico na atmosfera (que provoca o efeito estufa), o grande
consumo de energia devido à queima de gasolina, óleo diesel, querosene, carvão, etc. nas fábricas,
residências e veículos são responsáveis pelo aumento de temperatura do ar. Já o aumento dos índices de
pluviosidade se deve principalmente à grande quantidade de micropartículas (poeira, fuligem) no ar, que
desempenham um papel de núcleos higroscópicos que facilitam a condensação do vapor de água da
atmosfera. E as enchentes decorrem da dificuldade da água das chuvas de se infiltrar no subsolo, pois há
muito asfalto e obras, o que compacta o solo e aumenta sua impermeabilização.
Todos esses fatores que provocam um aumento das médias térmicas nas metrópoles somados aos
edifícios que barram ou dificultam a penetração dos ventos e à canalização das águas – fato que diminui o
resfriamento provocado pela evaporação conduzem à formação de uma ilha de calor nos grandes centros
urbanos. De fato, uma grande cidade funciona quase como uma "ilha" térmica em relação às suas
vizinhanças, em que as temperaturas são normalmente menores. Essa "ilha de calor" atinge o seu pico, o
seu grau máximo, no centro da cidade.
A grande concentração de poluentes na atmosfera provoca também uma diminuição da irradiação solar
que chega até a superfície. Esse fato, juntamente com a fraca intensidade dos ventos em certos períodos,
dá origem às inversões térmicas.
O fenômeno da inversão térmica – comum, por exemplo, em São Paulo, sobretudo no inverno –
consiste no seguinte: o ar situado próximo à superfície, que em condições normais é mais quente que o ar
situado bem acima da superfície, toma-se mais frio que o das camadas atmosféricas elevadas. Como o ar
frio é mais pesado que o ar quente, ele impede que o ar quente, localizado acima dele, desça. Assim, não
se formam correntes de ar ascendentes na atmosfera. Os resíduos poluidores vão então se concentrando
próximo da superfície, agravando os efeitos da poluição, tal como irritação nos olhos, nariz e garganta dos
moradores desse local. As inversões térmicas são também provocadas pela penetração de uma frente fria,
que sempre vem por baixo da frente quente. A frente pode ficar algum tempo estagnada no local, num
equilíbrio momentâneo que pode durar horas ou até dias.
Política e meio ambiente
A crise ambiental vem suscitando mudanças na política. Não apenas as preocupações ecológicas
cresceram enormemente nos debates e nos programas políticos e de partidos, como também novas
propostas surgiram. Até mais ou menos a década de 60 era raro um partido político, em qualquer parte do
mundo, que tivesse alguma preocupação com a natureza. Hoje esse tema ganha um certo destaque nos
programas, nas promessas eleitorais, nos discursos e algumas vezes até na ação dos diversos partidos em
muitas partes do mundo. Multiplicaram-se os ecologistas, as organizações e os movimentos ecológicos,
assim como os partidos denominados verdes, que defendem uma política voltada basicamente para uma
nova relação entre a sociedade e a natureza.
Como infelizmente é comum em nossa época mercantilizada, também no movimento "verde", há muito
oportunismo: às vezes, a defesa do meio ambiente resulta em promoção pessoal e mesmo em altos
ganhos. E o caso das empresas que visam apenas ao lucro com a venda de produtos ditos naturais.
Podemos lembrar ainda os constantes shows musicais cuja renda se destinaria aos indígenas ou aos
seringueiros da Amazônia – que em geral até hoje nunca viram um centavo desses milhões de dólares.
Apesar de tudo isso, não se pode ignorar a renovação que a problemática ambiental ocasionou nas idéias
políticas.
Até alguns anos atrás se falava em progresso ou desenvolvimento e aparentemente todo mundo
entendia e concordava. O que provocava maiores polêmicas eram os meios para chegar a isso: para
alguns, o caminho era o capitalismo, para outros, o socialismo; certas pessoas diziam que um governo
democrático era melhor para se alcançar o progresso, outras afirmavam que só um regime forte e autoritário
poderia colocar ordem na sociedade e promover o desenvolvimento. Mas o objetivo era basicamente o
mesmo: o crescimento acelerado da economia, a construção de um número cada vez maior de estradas,
hospitais, edifícios, aeroportos e escolas, a fabricação de mais e mais automóveis, a extensão sem fim dos
campos de cultivo. A natureza não estava em questão. O único problema de fato era a quem esse
desenvolvimento beneficiaria: à maioria ou à minoria da população.
Usando uma imagem, podemos dizer que o progresso era um trem no qual toda a humanidade viajava,
embora alguns estivessem na frente e outros atrás, alguns comodamente sentados e outros de pé. Para os
chamados conservadores (isto é, a "direita"), isso era natural e inevitável: sempre existiriam os privilegiados
e os desfavorecidos. Para os denominados progressistas (ou seja, a "esquerda"), essa situação era
intolerável e se tomava necessário fazer uma reformulação para igualar a todos. Mas todas as pessoas
concordavam com a idéia de que o trem deveria continuar no seu caminho, no rumo do "progresso"; havia
até discussões sobre a melhor forma de fazer esse trem andar mais rapidamente.
A grande novidade da crise ambiental é que ela suscitou a seguinte pergunta: para onde o trem está
indo? E a resposta parece ser: para um abismo, para uma catástrofe. De fato, ao enaltecer o progresso
durante séculos, imaginava-se que a natureza fosse infinita: poderíamos continuar usando petróleo, ferro,
manganês, carvão, água, urânio etc. A vontade, sem problemas. Sempre haveria um novo espaço a ser
ocupado, um novo recurso a ser descoberto e explorado. A natureza, vista como um mero recurso para a
economia, era identificada com o universo, tido como infinito.
Mas hoje sabemos que a natureza é que permite a existência da vida e fornece os bens que utilizamos
– a natureza para os homens, afinal –; ocorre somente no planeta Terra, na superfície terrestre. E ela não é
infinita, ao contrário, possui limites que, apesar de amplos, já começam a ser atingidos pela ação humana.
Não há espaço, atmosfera, água, ferro, petróleo, cobre etc. para um progresso ilimitado ou infinito. E
necessário, portanto, repensar o modo de vida, o consumo, a produção voltada unicamente para o lucro e
sem nenhuma preocupação com o futuro da biosfera. Essa é a grande mensagem que o movimento
ecológico trouxe para a vida política.
A questão ambiental da nova ordem mundial
Durante a ordem mundial bipolar, a questão ambiental era considerada secundária. Somente os
movimentos ecológicos e alguns cientistas alertavam a humanidade sobre os riscos de catástrofes
ambientais. Mas a grande preocupação dos governos – e em especial das grandes potências mundiais –
era com a Guerra Fria, com a oposição entre o capitalismo e o socialismo. O único grande risco que parecia
existir era o da Terceira Guerra Mundial, uma guerra atômica entre as superpotências de então. Mas o final
da bipolaridade e da Guerra Fria veio alterar esse quadro. Nos anos 90, a questão do meio ambiente toma-
se essencial nas discussões internacionais, nas preocupações dos Estados – e principalmente dos grandes
centros mundiais de poder – quanto ao futuro.
Já antes do final dos anos 80 percebia-se que os problemas ecológicos começavam a preocupar as
autoridades soviéticas, norte-americanas e outras, mas sem ganharem muito destaque. Houve, em 1972, na
Suécia, a Primeira Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, promovida pela ONU e com a participação
de dezenas de Estados. Naquele momento, a questão ambiental começava a se tomar um problema oficial
e internacional. Mas foi a Segunda Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, a ECO-92 ou RIO-92,
realizada no Brasil vinte anos depois da primeira, que contou com maior número de participantes (quase
cem Estados-nações) e os governos enviaram não mais técnicos sem poder de decisão, como
anteriormente, e sim políticos e cientistas de alta expressão em seus países. Isso porque essa segunda
conferência foi realizada depois do final da Guerra Fria e o desaparecimento da "ameaça comunista" veio
colocar a questão ambiental como um dos mais importantes riscos à estabilidade mundial na nova ordem.
Além disso, os governos perceberam que as ameaças de catástrofes ecológicas são sérias e precisam ser
enfrentadas, e que preservar um meio ambiente sadio é condição indispensável para garantir um futuro
tranqüilo para as novas gerações.
Mas a problemática ambiental suscita várias controvérsias e oposições. Os países ricos voltam suas
atenções para queimadas e os desmatamentos nas florestas tropicais, particularmente na floresta
Amazônica, a maior de todas. Já os países pobres, em particular os que têm grandes reservas florestais,
acham natural gastar seus recursos com o objetivo de se desenvolverem. "Se os países desenvolvidos
depredaram suas matas no século passado, por que nós não podemos fazer o mesmo agora?",
argumentam. Alguns chegam até a afirmar que essa preocupação com a destruição das florestas tropicais
ou com outras formas de poluição nos países subdesenvolvidos (dos rios, dos grandes centros urbanos,
perda de solos agrícolas por uso inadequado, avanço da desertificação etc.) nada mais seria que uma
tentativa do Norte de impedir o desenvolvimento do Sul; a poluição e a destruição das florestas, nessa
interpretação, seriam fatos absolutamente naturais e até necessários para se combater a pobreza. Outros
ainda – inclusive países ricos, como o Japão, a Suécia ou a Noruega – argumentam que é uma incoerência
os Estados Unidos pretenderem liderar a cruzada mundial contra a poluição quando são justamente eles, os
norte-americanos, que mais utilizam os recursos naturais do planeta.
Todos esses pontos de vista têm uma certa razão, e todos eles são igualmente limitados ou parciais.
Os atuais países desenvolvidos, de fato, em sua maioria depredaram suas paisagens naturais no século
passado ou na primeira metade deste, e isso foi essencial para o tipo de desenvolvimento que adotaram: o
da Primeira ou da Segunda Revolução Industrial, das indústrias automobilísticas e petroquímicas. Parece
lógico então acusar de farsante um país rico preocupado com a poluição atual nos países
subdesenvolvidos. Mas existe um complicador aí: é que até há pouco tempo, até por volta dos anos 70, a
humanidade não sabia que a biosfera podia ser irremediavelmente afetada pelas ações humanas e
existiam muito mais florestas ou paisagens nativas no século passado do que hoje.
Nas últimas décadas, parece que o mundo ficou menor e a população mundial cresceu de forma
vertiginosa, advindo daí um maior desgaste nos recursos naturais e, ao mesmo tempo, uma consciência de
que a natureza não é infinita ou ilimitada. Assim, o grande problema que se coloca nos dias atuais é o de
se pensar num novo tipo de desenvolvimento, diferente daquele que ocorreu até os anos 80, que foi
baseado numa intensa utilização – e até desperdício – de recursos naturais não renováveis. E esse
problema não é meramente nacional ou local e sim mundial ou planetário. A humanidade vai percebendo
que é uma só e que mais cedo ou mais tarde terá de estabelecer regras civilizadas de convivência pois o
que prevaleceu até agora foi a "lei da selva" ou a do mais forte –, inclusive com uma espécie de
"Constituição" ou carta de gestão do planeta, o nosso espaço de vivência em comum. E apenas uma
questão de tempo para se chegar a isso, o que provavelmente ocorrerá no século XXI.
Movimentos ambientalistas
As Organizações Não-Governamentais (ONGs) começaram a surgir a partir da década de 1960. O
WWF (World Wildlife Fund) www.wwf.org.br – primeira ONG ambientalista de espectro mundial, foi criada
em 1961. Está voltada para a defesa de espécies ameaçadas de extinção, de áreas virgens e ao apoio a
educação ambiental. Em 1971, o Greenpeace www.greenpeace.org.br – criado para impedir um teste
nuclear na costa do Alasca, nos Estados Unidos – passou a ser o movimento ambientalista de maior
projeção internacional.
Desse modo, a discussão ambiental ganhou amplitude e adeptos em todo o mundo, ao colocar em
pauta a questão da própria sobrevivência humana e assinalar a necessidade de mudanças nos nossos
valores sociais e culturais, bem como no modelo econômico das nações de um modo geral.
O que é Agenda 21
A Agenda 21 é um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, por organizações do
sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a ação humana
impacta o meio ambiente. Constitui-se na mais abrangente tentativa já realizada de orientar para um novo
padrão de desenvolvimento para o século XXI, cujo alicerce é a sinergia da sustentabilidade ambiental,
social e econômica, perpassando em todas as suas ações propostas.
Contendo 40 capítulos, a Agenda 21 Global foi construída de forma consensuada, com a contribuição
de governos e instituições da sociedade civil de 179 países, em um processo que durou dois anos e
culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
(CNUMAD), no Rio de Janeiro, em 1992, também conhecida por Rio 92.
Além da Agenda 21, resultaram desse mesmo processo quatro outros acordos: a Declaração do Rio, a
Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a
Convenção sobre Mudanças Climáticas.
O programa de implementação da Agenda 21 e os compromissos para com a carta de princípios do
Rio foram fortemente reafirmados durante a Cúpula de Johanesburgo, ou Rio + 10, em 2002.
A Agenda 21 traduz em ações o conceito de desenvolvimento sustentável.
A comunidade internacional concebeu e aprovou a Agenda 21 durante a Rio 92, assumindo, assim,
compromissos com a mudança da matriz de desenvolvimento no século XXI. O termo "Agenda" foi
concebido no sentido de intenções, desígnio, desejo de mudanças para um modelo de civilização em que
predominasse o equilíbrio ambiental e a justiça social entre as nações.
Além do documento em si, a Agenda 21 é um processo de planejamento participativo que resulta na
análise da situação atual de um país, estado, município, região, setor e planeja o futuro de forma
sustentável. E esse processo deve envolver toda a sociedade na discussão dos principais problemas e na
formação de parcerias e compromissos para a sua solução a curto, médio e longo prazos. A análise do
cenário atual e o encaminhamento das propostas para o futuro devem ser realizados dentro de uma
abordagem integrada e sistêmica das dimensões econômica, social, ambiental e político-institucional da
localidade. Em outras palavras, o esforço de planejar o futuro, com base nos princípios da Agenda 21, gera
inserção social e oportunidades para que as sociedades e os governos possam definir prioridades nas
políticas públicas.
É importante destacar que a Rio 92 foi orientada para o desenvolvimento, e que a Agenda 21 é uma
Agenda de Desenvolvimento Sustentável, em que, evidentemente, o meio ambiente é uma consideração
de primeira ordem. O enfoque desse processo de planejamento apresentado com o nome de Agenda 21
não é restrito às questões ligadas à preservação e conservação da natureza, mas sim a uma proposta que
rompe com o desenvolvimento dominante, na qual predomina o econômico, dando lugar à sustentabilidade
ampliada, que une a Agenda ambiental e a Agenda social, ao enunciar a indissociabilidade entre os fatores
sociais e ambientais e a necessidade de que a degradação do meio ambiente seja enfrentada juntamente
com o problema mundial da pobreza. Enfim, a Agenda 21 considera, dentre outras, questões estratégicas
ligadas à geração de emprego e renda; à diminuição das disparidades regionais e interpessoais de renda;
às mudanças nos padrões de produção e consumo; à construção de cidades sustentáveis; e à adoção de
novos modelos e instrumentos de gestão.
Em termos das iniciativas, a Agenda 21 não deixa dúvida. Os Governos têm o compromisso e a
responsabilidade de deslanchar e facilitar o processo de implementação em todas as escalas. Além dos
Governos, a convocação da Agenda 21 visa mobilizar todos os segmentos da sociedade, chamando-os de
"atores relevantes" e "parceiros do desenvolvimento sustentável".
Essa concepção processual e gradativa da validação do conceito implica assumir que os princípios e as
premissas que devem orientar a implementação da Agenda 21 não constituem um rol completo e acabado:
torná-la realidade é antes de tudo um processo social, no qual todos os envolvidos vão pactuando
paulatinamente novos consensos e montando uma Agenda possível rumo ao futuro que se deseja
sustentável.
Fonte: www.mma.gov.br/
Tendências Contemporâneas
As últimas três décadas estão sendo marcadas por uma rápida e intensa reordenação da política e da
economia em todo o mundo. Na política, o principal fator de mudança é o fim da polarização Estados Unidos
da América (EUA) – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A Perestroika de Gorbatchov, "A
Perestroika foi, em conjunto com a Glasnost, uma das políticas introduzidas na União Soviética por Mikhail
Gorbatchov, em 1985", e a queda do muro de Berlim precipitam o desmonte da União Soviética. Emergem
conflitos localizados, antes abafados pela polarização. Muitos deles têm caráter étnico ou religioso. O
racismo e o extremismo de direita ganham novo fôlego. E o crescimento do fundamentalismo islâmico
assusta o Ocidente. Na economia, novos blocos são formados. Os Tigres Asiáticos aceleram seu
desenvolvimento, os Estados Unidos enfrentam dura concorrência com o Japão em seu próprio território, e
a velha idéia da unificação da Europa é mais uma vez retomada com a criação da Comunidade Econômica
Européia – hoje, União Européia.
Informatização
Por um lado, avança rapidamente numa nova divisão entre aqueles que criam os sistemas informáticos
com base em conhecimentos científicos e aqueles que operam tais sistemas, necessitando de
conhecimentos básicos. Nessa nova divisão do trabalho, os trabalhadores manuais têm cada vez menos
espaço. Por outro lado, tanto os cientistas quanto os operadores dos sistemas informatizados precisam
possuir habilidades e conhecimentos múltiplos que permitam facilidade no intercâmbio de funções, em
função da velocidade das mudanças no processo produtivo. Finalmente, essas mudanças tecnológicas e na
qualificação profissional exigem mais autonomia e participação dos trabalhadores: a programação das
máquinas passa das chefias para os operadores. O fordismo, "o fordismo se caracteriza por ser um método
de produção caracterizado pela produção em série, sendo um aperfeiçoamento do taylorismo", é substituído
pelos novos padrões de organização do trabalho criados pela Toyota, japonesa. "O toyotismo é um modo de
organização da produção capitalista que se desenvolveu a partir da globalização do capitalismo na década
de 1980. Surgiu no Japão após a II Guerra Mundial, mas só a partir da crise capitalista da década de 1970 é
que foi caracterizado como filosofia orgânica da produção industrial (modelo japonês), adquirindo uma
projeção global".
Produtividade e desemprego tecnológico
A introdução dos novos sistemas tecnológicos e dos padrões de organização do trabalho que os
acompanham tem elevado substancialmente a produtividade do trabalho. As máquinas produzem muito
mais com muito menos trabalhadores. Essa crescente produtividade imposta pela revolução tecnológica tem
elevado, por outro lado, o chamado desemprego estrutural ou tecnológico. Na década de 60, o desemprego
estrutural reconhecido como normal é de 2% a 3% da população economicamente ativa. Na década de 70,
esse percentual sobe para 4% e nos anos 80, para 6%, havendo uma tendência para um crescimento
acelerado desse tipo de desemprego. O desemprego estrutural ou tecnológico atinge primeiro os
trabalhadores manuais ou de baixa qualificação. Mas, a partir dos anos 80, tem atingido também
trabalhadores qualificados e técnicos, cujos ramos produtivos são substituídos por outros novos.
Concentração de renda e aumento da miséria
A combinação de Revolução Científica e Tecnológica, elevação da produtividade e aumento das taxas
de desemprego estrutural tem criado tendências bipolares na maioria dos países, mesmo naqueles
industrialmente desenvolvidos. Por um lado, há uma crescente concentração de renda num dos pólos da
população, enquanto os sinais de pobreza e miséria aumentam no pólo oposto. Nos Estados Unidos, a faixa
dos 20% mais ricos tem uma renda 11 vezes maior do que a dos 20% mais pobres. No Japão, Suécia,
Coréia do Sul, Finlândia e Alemanha essa relação é de 5 vezes. No Brasil, Venezuela, México, Nigéria e
outros países da América Latina, África e Ásia essa relação é de 30 vezes ou mais. Tem aumentado em
todo o mundo o número de pessoas sem moradia e sem acesso aos equipamentos de saúde e educação.
Multipolaridade
O fim da Guerra Fria, (conflito que caracterizou o mundo entre o final da segunda Guerra Mundial e o
colapso do mundo socialista no início dos anos 90 do século passado), o declínio econômico relativo dos
Estados Unidos e da União Soviética, a unificação econômica e política da Europa, o crescimento
econômico do Japão, o surgimento dos tigres asiáticos e o rápido desenvolvimento das reformas chinesas
liquidaram com a bipolaridade que opunha Estados Unidos e União Soviética. Embora os Estados Unidos
se mantenham como uma superpotência militar, o mundo tende para uma multipolaridade econômica e
política que pode evoluir também para uma multipolaridade militar.
Neonacionalismo
A desagregação da União Soviética e a derrocada dos regimes comunistas do Leste Europeu fazem
ressurgir fortes tendências e movimentos nacionalistas, de fundo étnico e religioso, tanto no Leste Europeu
quanto na Europa Ocidental.
Neonazismo
Manifesta-se principalmente na Alemanha e na Áustria, onde os grupos de extrema direita, mais
antigos, formados por saudosistas do regime de Adolf Hitler, ganham novo alento com a adesão de grupos
de jovens conhecidos como cabeças-peladas (skinheads), na versão brasileira são chamados dos "carecas
do ABC". Na Alemanha, esses grupos desencadeiam, no início da década de 90, uma onda de ataques
racistas contra comunidades estrangeiras, em particular contra os imigrantes turcos, africanos e vietnamitas,
causando várias mortes. Grupos racistas também cometem atos de violência na Itália, na França e na
Inglaterra. Na França, década de 80, a extrema direita racista emerge como uma poderosa força eleitoral
devido à ascensão da Frente Nacional, liderada por Jean-Marie Le Pen.
Fundamentalismo religioso
Uma das principais causas dos conflitos atuais, o fundamentalismo ganha força principalmente a partir
da vitória da revolução iraniana de 1979 e da transformação do islamismo xiita em religião de Estado. A
onda de intolerância religiosa que tem produzido conflitos, de diferentes graus de intensidade, em quase
todos os países de maioria islâmica, em particular a Argélia, o Egito e os territórios de Gaza e Cisjordânia
ocupados por Israel e atualmente em processo de transição para uma autonomia palestina sob a liderança
da OLP, também é impulsionada pela ação de radicais sionistas.
Liberalismo e neoliberalismo
O liberalismo como doutrina econômica e política do capitalismo se enfraquece após a crise mundial
dos anos 30, sendo substituído pelo dirigismo econômico de Keynes e, em parte, pelas doutrinas fascista e
nazista. Durante a Segunda Guerra Mundial, o dirigismo econômico é reforçado, mas a democracia é
retomada como o grande símbolo de luta contra o nazismo. Essa combinação de democracia política liberal
e dirigismo estatal na economia toma-se responsável, entre os anos 50 e 80, pela afluência das sociedades
de consumo e bem-estar social (welfare States). Nos anos 80, porém, a crise econômica e os novos
parâmetros de produtividade e rentabilidade estabelecidos pela revolução tecnológica colocam em questão
o Estado de bem-estar e as políticas de beneficio social nos Estados Unidos e na Inglaterra. Reagan e
Thatcher lideram a implantação de uma nova política econômica, baseada em conceitos liberais
extremados: Estado mínimo, desregulamentação do trabalho, privatizações, funcionamento do mercado
sem interferência estatal, cortes nos benefícios sociais.
Novo mapa-múndi
A década de 90, sob a ação das tendências à multipolaridade; formação de blocos regionais;
desenvolvimento mais rápido de alguns países; ressurgimento do nacionalismo; xenofobia religiosa e
reformulações doutrinárias, configura uma nova divisão mundial de nações ricas, ao norte do Equador, e
pobres, ao sul, e tendências contraditórias de crescimento da democracia em algumas regiões,
manifestações autoritárias em outras, agravamentos dos conflitos em certas áreas e distensão em outras.
Crescimento da democracia
O regime democrático de governo toma-se paulatinamente o tipo de governo universal. Embora com
restrições e diferentes interpretações sobre seu funcionamento e grau de participação cívica, faz parte do
sistema político de todos os países da Europa e América do Norte, de todos os países da América Latina
com exceção de Cuba e de parcela considerável dos países da África e Ásia.
Divisão Norte-Sul
Divisão simbólica para caracterizar as diferenças de riqueza e renda entre os países do chamado
Primeiro Mundo (ricos), a maioria situada ao norte do equador, e os países pobres do Terceiro Mundo
(pobres), a maior parte deles ao sul.
GLOBALIZAÇÃO
A globalização é um dos processos de aprofundamento da integração econômica, social, cultural e
espacial e barateamento dos meios de transporte e comunicação dos países do mundo no final do século
XX. E um fenômeno observado na necessidade de formar uma Aldeia Global que permita maiores ganhos
para os mercados internos já saturados.
A rigor, as sociedades do mundo estão em processo de globalização desde o início da História. Mas o
processo histórico a que se denomina Globalização é bem mais recente, datando (dependendo da
conceituação e da interpretação) do colapso do bloco socialista e conseqüente fim da Guerra Fria (entre
1989 e 1991), do refluxo capitalista com a estagnação econômica da URSS (a partir de 1975) ou ainda do
próprio fim da Segunda Guerra Mundial.
As principais características da Globalização são: a homogeneização dos centros urbanos, a expansão
das corporações para regiões fora de seus núcleos geopolíticos, a revolução tecnológica nas comunicações
e na eletrônica, a reorganização geopolítica do mundo em blocos comerciais regionais (não mais
ideológicos), a hibridização entre culturas populares locais e uma cultura de massa supostamente
"universal", entre outros.
Apesar das contradições, há certo consenso a respeito das características da globalização que
envolvem o aumento dos riscos globais de transações financeiras, perda de parte da soberania dos Estados
com a ênfase das organizações supra-governamentais, aumento do volume e velocidade como os recursos
vêm sendo transacionados pelo mundo, através do desenvolvimento tecnológico etc.
Além das discussões que envolvem a definição do conceito, há controvérsias em relação aos resultados
da globalização. Tanto podemos encontrar pessoas que se posicionam a favor como contra (movimentos
antiglobalização).
A Globalização é um fenômeno moderno dos nossos dias e que surgiu com a evolução dos novos
meios de comunicação, cada vez mais rápidos e mais eficazes. Há, no entanto, aspectos tanto positivos
quanto negativos na Globalização. No que concerne aos aspectos negativos, há que se referir à facilidade
com que tudo circula não havendo grande controle, como se pode facilmente depreender pelos atentados
de 11 de setembro nos Estados Unidos da América. Esta globalização serve para os mais fracos se
equipararem aos mais fortes, pois tudo se consegue adquirir por meio desta grande auto-estrada
informacional do mundo que é a Internet.
Outro dos aspectos negativos é a grande instabilidade econômica que se cria no mundo, pois qualquer
fenômeno que acontece num determinado país atinge rapidamente outros países, criando-se contágios que,
tal como as epidemias, se alastram a todos os pontos do globo. Os países cada vez estão mais
dependentes uns dos outros e já não há possibilidade de se isolarem ou remeterem-se no seu ninho, pois
ninguém é imune a estes contágios positivos ou negativos. Como aspectos positivos, temos, sem sombra
de dúvida, a facilidade com que as inovações se propagam entre países e continentes, o acesso fácil e
rápido á informação e aos bens. Com a ressalva de que, para as classes menos favorecidas
economicamente, especialmente nos países em desenvolvimento, esse acesso não é "fácil" (porque seu
custo é elevado) e não será rápido.
Não existe uma definição que seja aceita por todos, mas é basicamente um processo ainda em curso
de integração de economias e mercados nacionais. No entanto, ela compreende mais do que o fluxo
monetário e de mercadoria; implica a interdependência dos países e das pessoas, além da uniformização
de padrões e está ocorrendo em todo o mundo, também no espaço social e cultural. E chamada de "terceira
revolução tecnológica" (processamento, difusão e transmissão de informações) e acredita-se que a
globalização define uma nova era da história humana.
As navegações e o processo colonialista constituíram momentos que permitiram à humanidade acelerar
os contatos de troca de informações, de técnicas, de cultura e principalmente expandir o capitalismo e
interligar os mercados mundiais. Pode-se dizer que a multiplicação dos espaços de lucro (domínio de
mercados, locais de investimento e fontes de matérias-primas) conduziu o mundo à globalização.
Apesar de ser um processo antigo, apenas na década de 90 a globalização se impôs como um
fenômeno de dimensão realmente planetária, a partir dos Estados Unidos e da Inglaterra e de quando a
tecnologia de informática se associou á de telecomunicações.
A utilização do termo "globalização" tem sido difundida mais recentemente num sentido marcadamente
ideológico, no qual assiste-se no mundo inteiro a um processo de integração das economias dos países sob
o domínio do neoliberalismo, caracterizado pelo: predomínio dos interesses financeiros, pela
desregulamentação dos mercados, pelas privatizações das empresas estatais, e pelo abandono do estado
de bem-estar social (welfare states). Esta é uma das razões dos críticos acusarem-na, a globalização, de
ser responsável pela intensificação da exclusão social (com o aumento do número de pobres e de
desempregados) e de provocar crises econômicas sucessivas, arruinando milhares de poupadores e de
pequenos empreendimentos.
O processo de integração mundial que se intensifica nas últimas décadas, a globalização baseia-se na
liberação econômica: os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias que protegem sua
produção da concorrência estrangeira, e se abrem ao fluxo internacional de bens, serviços e capitais.
A recente evolução nas tecnologias da informação contribui de forma decisiva para essa abertura. Além
de concorrer para uma crescente homogeneização cultural, a evolução e a popularização das tecnologias
de informação (computador, telefone e televisor) são fundamentais para agilizar o comércio, o fluxo de
investimentos e a atuação das transnacionais, por permitirem uma integração sem precedentes de pontos
distantes do planeta.
Globalização e pobreza
As mudanças na economia internacional têm acentuado as desigualdades entre os países. Produzir
mais a menores custos, encurtar distâncias utilizando meios rápidos de transporte, investir em centros de
pesquisa para produzir novas tecnologias e materiais, utilizar a informática e redes de computadores para
acelerar a integração de mercado por meio da comunicação virtual são objetivos dos que controlam o
mercado mundializado, beneficiando apenas uma pequena parcela da população.
Os processos de globalização econômica e financeira em curso afetaram inequivocamente muito mais
os países pobres, que continuam excluídos dos benefícios gerados pela ciência e tecnologia. A partir da
Segunda Guerra Mundial, os investimentos transnacionais se deslocam para os países do Terceiro Mundo.
Conseqüências: modernização desses países, crescimentos das cidades, ampliação do mercado
consumidor, aumentando a dependência e o endividamento. O rápido desenvolvimento de alguns países do
Terceiro Mundo exigiu recursos financeiros — empréstimos. A elevação das dívidas externas deveu-se à
alta inflação, choques do petróleo; queda nas explorações primárias; aparecimento de empréstimos e juros
variados; os países pobres passam a ser exportadores de capitais para os ricos; interferência do FMI.
Com isso, a dívida global dos países subdesenvolvidos cresceu geometricamente, sob o impacto dos
vários choques sofridos pela economia mundial. A situação se agravou com a queda das exportações de
produtos primários, que representavam uma parcela substancial das entradas de moedas fortes nos países
subdesenvolvidos. Para liberar novos empréstimos, o FMI exige dos países devedores uma dieta
econômica de sacrifícios, que inclui o corte de gastos com o governo em investimentos e subsídios para
pagar aos bancos internacionais.
Desequilíbrios e perspectivas da Globalização
Desde a sua origem, o capitalismo integrou o mundo numa única economia, com as grandes
navegações, a descoberta de novas rotas e terras e o colonialismo. No entanto, utiliza-se o conceito de
globalização para indicar o processo relativamente recente da internacionalização das relações econômicas
capitalistas, apoiado em novas tecnologias de transporte e telecomunicações e na ampliação da capacidade
produtiva.
No momento em que se olha para o processo produtivo mundial, vê-se que atualmente ele é formado
por um conjunto de umas quatro centenas de grandes corporações (a maioria delas produtora de
automóveis e ligada ao petróleo e às comunicações) que têm seus investimentos espalhados pelos 5
continentes. A nacionalidade dessas corporações é majoritariamente americana, japonesa, alemã, inglesa,
francesa, suíça, italiana e holandesa. A razão disso é que estas detêm o monopólio da tecnologia e seus
orçamentos estatais e privados e dedicam imensas verbas para a ciência pura e aplicada.
Politicamente, a globalização recente caracteriza-se pela crescente adoção de regimes democráticos.
Um levantamento indicou que mais de cem países integrantes da ONU, entre os 191, podem ser apontados
como seguidores (ainda que com várias restrições) de práticas democráticas ou, pelo menos, não são
tiranias ou ditaduras. A título de exemplo, lembramos que na América do Sul, na década dos anos 70,
somente a Venezuela e a Colômbia mantinham regimes civis eleitos. Todos os demais países eram
dominados por militares (personalistas como no Chile, ou corporativos como no Brasil e Argentina).
A ONU, que deveria ser o embrião de um governo mundial, foi tolhida e paralisada pelos interesses e
vetos das superpotências durante a Guerra Fria. Em conseqüência dessa debilidade, formou-se uma
espécie de estado-maior informal composto pelos dirigentes do G-8 (os EUA, a Grã-Bretanha, a Alemanha,
a França, o Canadá, a Itália, o Japão e a Rússia), por vezes alargado para dez ou vinte e cinco. Os
encontros de cúpulas freqüentes têm mais efeitos sobre a política e a economia do mundo em geral do que
as assembléias da ONU.
Enquanto no passado os instrumentos da integração foram a caravela, o galeão, o barco à vela, o barco
a vapor e o trem, seguidos do telégrafo e do telefone, a globalização recente se faz pelos satélites e pelos
computadores conectados à Internet. Se antes ela martirizou africanos e indígenas e explorou a classe
operária fabril, hoje se utiliza do satélite, do robô e da informática, abandonando a antiga dependência do
braço em favor do cérebro, elevando o padrão de vida para patamares de saúde, educação e cultura até
então desconhecidos pela humanidade.
O domínio da tecnologia por um seleto grupo de países ricos, porém, abriu um fosso com os demais,
talvez o mais profundo em toda a história conhecida. Os países-núcleos da globalização (os integrantes do
G-8) distam, em qualquer campo do conhecimento, anos-luz dos países do Terceiro Mundo.
Ninguém tem a resposta nem a solução para atenuar este abismo entre os ricos do Norte e os pobres
do Sul, que só se ampliou. No entanto, é bom que se reconheça que tais diferenças não resultam de um
novo processo de espoliação como os praticados anteriormente pelo colonialismo e pelo imperialismo, pois
não implicaram uma dominação política, havendo, bem ao contrário, uma aproximação e busca de
intercâmbio e cooperação.
A abertura da economia e a Globalização são processos irreversíveis, que nos atingem no dia-a-dia das
formas mais variadas e temos de aprender a conviver com isso, porque existem mudanças positivas para o
nosso cotidiano e mudanças que estão tornando a vida de muita gente mais difícil. Um dos efeitos negativos
do intercâmbio maior entre os diversos países do mundo é o desemprego que, no Brasil, vem batendo um
recorde atrás do outro.
No caso brasileiro, a abertura foi ponto fundamental no combate à inflação e para a modernização da
economia com a entrada de produtos importados, o consumidor foi beneficiado: podemos contar com
produtos importados mais baratos e de melhor qualidade e essa oferta maior ampliou também a
disponibilidade de produtos nacionais com preços menores e mais qualidade. E o que vemos em vários
setores, como eletrodomésticos, carros, roupas, cosméticos e em serviços, como lavanderias, locadoras de
vídeo e restaurantes. A opção de escolha que temos hoje é muito maior.
Mas a necessidade de modernização e de aumento da competitividade das empresas produziu um
efeito muito negativo, que foi o desemprego. Para reduzir custos e poder baixar os preços, as empresas
tiveram de aprender a produzir mais com menos gente. Incorporavam novas tecnologias e máquinas. O
trabalhador perdeu espaço e esse é um dos grandes desafios que, não só o Brasil, mas algumas das
principais economias do mundo têm hoje pela frente: crescer o suficiente para absorver a mão-de-obra
disponível no mercado. Além disso, houve o aumento da distância e da dependência tecnológica dos países
periféricos em relação aos desenvolvidos.
A questão que se coloca nesses tempos é como identificar a aproveitar as oportunidades que estão
surgindo de uma economia internacional cada vez mais integrada.
A POPULAÇÃO INDÍGENA E AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
Estima-se entre um milhão e cinco milhões o número de índios que viviam no Brasil em 1500, na época
do descobrimento. Outra estimativa é a de que esses nativos estavam distribuídos em 1.400 tribos, que
falavam 1.300 línguas diferentes. Infelizmente, devido precariedade de dados históricos, torna-se impossível
precisar a totalidade da população indígena do Brasil em 1500.
Hoje, no Brasil, segundo a FUNAI, vivem cerca de 512 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades
indígenas, que vivem em 614 reservas reconhecidas e falam cerca de 180 línguas nativas. Cabe esclarecer
que este dado populacional considera tão-somente aqueles indígenas que vivem em aldeias, havendo
estimativas de que, além destes, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, inclusive em
áreas urbanas. Há também 63 referências de índios ainda não-contatados, além de existirem grupos que
estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista. (Fonte:
Funai)
Além da população indígena identificada oficialmente, há 55 notificações de grupos isolados ainda não
contatados pelo homem branco. Há na FUNAI, desde 1987, uma unidade destinada a tratar da localização e
proteção dos índios isolados, cuja atuação se dá por meio de sete equipes, denominadas Frentes de
Contato, atuando nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Mato Grosso, Rondônia e Goiás.
A maior parte da população indígena (27,5%) está concentrada no estado do Amazonas e, em seguida,
no Mato Grosso e em Roraima. Em relação às áreas ocupadas, o Amazonas também fica em primeiro lugar,
com 35,7%, seguido pelo Pará e Roraima.
Cabe aqui uma explicação mais detalhada sobre essas áreas. Segundo o Anuário Estatístico do Brasil
1999, publicado pelo IBGE, "terras indígenas" são os espaços físicos reconhecidos oficialmente pela União
como sendo de posse permanente dos índios que as ocupam. Repare bem que o índio não é dono da terra,
mas tem direito a fazer uso de tudo o que essa área contém: fauna, flora, água, jazidas etc.
Esse tipo de ocupação tem como objetivo a preservação do habitat e a garantia da sobrevivência físico-
cultural dos grupos indígenas, reproduzindo, dessa forma, condições para a continuidade econômica e
sociocultural da comunidade.
Identidade e diversidade
As populações indígenas são vistas pela sociedade brasileira ora de forma preconceituosa, ora de
forma idealizada. O preconceito parte, muito mais, daqueles que convivem diretamente com os índios: as
populações rurais.
Dominadas política, ideológica e economicamente por elites municipais com fortes interesses nas terras
dos índios e em seus recursos ambientais, tais como madeira e minérios, muitas vezes as populações rurais
necessitam disputar as escassas oportunidades de sobrevivência em sua região com membros de
sociedades indígenas que lá vivem. Por isso, utilizam estereótipos, chamando-os de "ladrões", "traiçoeiros",
"preguiçosos" e "beberrões", enfim, de tudo que possa desqualificá-los. Procuram justificar, desta forma,
todo tipo de ação contra os índios e a invasão de seus territórios.
Já a população urbana, que vive distanciada das áreas indígenas, tende a ter deles uma imagem
favorável, embora os veja como algo muito remoto. Os índios são considerados a partir de um conjunto de
imagens e crenças amplamente disseminadas pelo senso comum: eles são os donos da terra e seus
primeiros habitantes, aqueles que sabem conviver com a natureza sem depredá-la. São também vistos
como parte do passado e, portanto, como estando em processo de desaparecimento, muito embora, como
provam os dados, nas três últimas décadas tenha se constatado o crescimento da população indígena.
Só recentemente os diferentes segmentos da sociedade brasileira estão se conscientizando de que os
índios são seus contemporâneos. Eles vivem no mesmo país, participam da elaboração de leis, elegem
candidatos e compartilham problemas semelhantes, como as conseqüências da poluição ambiental e das
diretrizes e ações do governo nas áreas da política, economia, saúde, educação e administração pública em
geral. Hoje, há um movimento de busca de informações atualizadas e confiáveis sobre os índios, um
interesse em saber, afinal, quem são eles.
O Brasil possui uma imensa diversidade étnica e lingüística, estando entre as maiores do mundo. São
215 sociedades indígenas, mais cerca de 55 grupos de índios isolados, sobre os quais ainda não há
informações objetivas. 180 línguas, pelo menos, são faladas pelos membros destas sociedades, as quais
pertencem a mais de 30 famílias lingüísticas diferentes.
No entanto, é importante frisar que as variadas culturas das sociedades indígenas modificam-se
constantemente e reelaboram-se com o passar do tempo, como a cultura de qualquer outra sociedade
humana. E preciso considerar que isso aconteceria mesmo que não houvesse ocorrido o contato com as
sociedades de origem européia e africana.
No que diz respeito à identidade étnica, as mudanças ocorridas em várias sociedades indígenas, como
o fato de falarem português, vestirem roupas iguais às dos outros membros da sociedade nacional com que
estão em contato, utilizarem modernas tecnologias (como câmeras de vídeo, máquinas fotográficas e
aparelhos de fax), não fazem com que percam sua identidade étnica e deixem de ser indígenas.
A diversidade cultural pode ser enfocada tanto sob o ponto de vista das diferenças existentes entre as
sociedades indígenas e as não-indígenas, quanto sob o ponto de vista das diferenças entre as muitas
sociedades indígenas que vivem no Brasil. Mas está sempre relacionada ao contato entre realidades
socioculturais diferentes e à necessidade de convívio entre elas, especialmente num país pluriétnico, como
é o caso do Brasil.
É necessário reconhecer e valorizar a identidade étnica específica de cada uma das sociedades
indígenas em particular, compreender suas línguas e suas formas tradicionais de organização social, de
ocupação da terra e de uso dos recursos naturais. Isso significa o respeito pelos direitos coletivos especiais
de cada uma delas e a busca do convívio pacífico, por meio de um intercâmbio cultural, com as diferentes
etnias.
Para os povos indígenas, a terra é muito mais do que simples meio de subsistência. Ela representa o
suporte da vida social e está diretamente ligada ao sistema de crenças e conhecimento. Não é apenas um
recurso natural – e tão importante quanto este – é um recurso sócio-cultural" (RAMOS, Alcida Rita.
Sociedades Indígenas).
Vale lembrar que o reconhecimento dos índios enquanto possuidores de realidades sociais
diferenciadas, na Constituição Federal, não pode estar dissociado da questão territorial, dado o papel
relevante da terra para a reprodução econômica, ambiental, física e cultural desses.
Tanto assim, que o texto constitucional trata de forma destacada este tema, apresentando, no parágrafo
1° do artigo 231, o conceito de terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, definidas como sendo:
aquelas "por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as
imprescindíveis A. preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a
sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições". Terras que, segundo o inciso XI
do artigo 20 da CF, "são bens da União" e que, pelo § 4° do artigo 231, são "inalienáveis e indisponíveis e
os direitos sobre elas imprescritíveis".
Embora os índios detenham a posse permanente e o "usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios
e dos lagos" existentes em suas terras, conforme o parágrafo 2° do artigo 231 da Constituição, elas
constituem patrimônio da União. E, como bens públicos de uso especial, as terras indígenas, além de
inalienáveis e indisponíveis, não podem ser objeto de utilização de qualquer espécie por outros que não os
próprios índios.
A regularização das terras indígenas, por meio da demarcação, é de fundamental importância para a
sobrevivência física e cultural dos vários povos indígenas que vivem no Brasil, por isso, esta tem sido a sua
principal reivindicação. Sabe-se que assegurar o direito à terra para os índios significa não só assegurar sua
subsistência, mas também garantir o espaço cultural necessário à atualização de suas tradições.
Outro aspecto a ser mencionado, e que está em evidência nos dias atuais, é o fato de que a defesa dos
territórios indígenas garante a preservação de um gigantesco patrimônio biológico e do conhecimento
milenar detido pelas populações indígenas a respeito deste patrimônio.
Por exemplo, as sociedades indígenas da Amazônia conhecem mais de 1.300 plantas portadoras de
princípios ativos medicinais e pelo menos 90 delas já são utilizadas comercialmente. Cerca de 25% dos
medicamentos utilizados nos Estados Unidos possuem substâncias ativas derivadas de plantas nativas das
florestas tropicais. Por isso, a preservação dos territórios indígenas é tão importante, tanto do ponto de vista
de sua riqueza biológica quanto da riqueza cultural.
Distribuídos por diversos pontos do País e vivendo nos mais diferenciados biomas – floresta tropical,
cerrado etc. – os povos indígenas detêm um profundo conhecimento sobre seu meio ambiente e, graças as
suas formas tradicionais de utilização dos recursos naturais, garantem tanto a manutenção de nascentes de
rios como da flora e da fauna, que representam patrimônio inestimável.
A proteção das terras indígenas é, portanto, uma medida estratégica para o País, seja porque se
assegura um direito dos índios, seja porque se garantem os meios de sua sobrevivência física e cultural, e
ainda porque se garante a proteção da biodiversidade brasileira e do conhecimento que permite o seu uso
racional.
(Fonte: Funai)
ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL
E uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos,
bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das
populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo
de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.
Unidades de conservação
As Unidades de Conservação são espaços territoriais criados e delimitados pelo poder público com o
objetivo de preservar ou conservar os recursos naturais ali existentes para a manutenção do equilíbrio do
ecossistema e para o usufruto das gerações atuais e futuras. Para tanto, recebem uma proteção especial da
lei.
A primeira Unidade de Conservação criada no País foi o Parque Nacional de Itatiaia (RJ), em 1937.
Existem dois tipos de Unidade de Conservação: de proteção integral e de uso sustentável.
Nas Unidades de Conservação de proteção integral, como as Estações Ecológicas, os Parques e as
Reservas Biológicas (REBIO), é permitido apenas o uso indireto de seus recursos naturais. Assim, em tais
espaços é possível realizar pesquisa científica, atividades de educação ambiental e visitação pública, mas
não a exploração ou o aproveitamento econômico dos recursos naturais. O conjunto das Unidades de
Conservação de proteção integral representa 2,61% do território nacional.
Nas Unidades de Conservação de uso sustentável, como as Reservas Extrativistas (RESEXs), as
Florestas Nacionais (FLONAs) e as Áreas de Proteção Ambiental (APAs), as restrições de uso são menores
pois, em tais áreas são permitidos a exploração e o aproveitamento econômico direto dos recursos naturais
sempre de forma planejada. Representam 5,52% do território brasileiro.
Apesar da proteção legal que recebem, nem sempre as Unidades de Conservação estão a salvo de
ações predatórias. "Furtos" de madeira, palmito, bromélias, animais silvestres etc. são acontecimentos
corriqueiros em algumas áreas e, muitas vezes, resultam em ferimentos ou morte dos fiscais que tentam
coibi-los.
Igualmente comuns são os incêndios criminosos que, não raramente, significam uma perda inigualável
de biodiversidade, principalmente quando atingem ecossistemas bastante ameaçados. As quadrilhas são
tão "profissionais" que planejam os incêndios em locais de complicado acesso e nos finais de semana,
quando é mais difícil mobilizar os bombeiros. Não há brigada contra fogo que possa dar conta de indivíduos
que se utilizam de expedientes tão aviltantes quando seus interesses são contrariados pela fiscalização das
unidades. A ajuda das comunidades pode ser decisiva para pôr fim a essas práticas egoístas, clandestinas
e degradadoras.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. As mudanças na economia internacional têm acentuado as desigualdades entre os países. Produzir
mais a menores custos, encurtar distâncias utilizando meios rápidos de transporte, investir em centros
de pesquisa para produzir novas tecnologias e materiais, utilizar a informática e redes de computadores
para acelerar a integração de mercado por meio da comunicação virtual são objetivos dos que
controlam o mercado mundializado, beneficiando apenas uma pequena parcela da população.
A respeito do processo de globalização, NÃO é correto afirmar que:
a) os processos de globalização econômica e financeira em curso afetaram inequivocamente muito mais
os países pobres, que continuam excluídos dos benefícios gerados pela ciência e tecnologia.
b) politicamente a globalização recente caracteriza-se pela crescente adoção de regimes democráticos.
c) o neoliberalismo e a globalização são processos quase irreversíveis, que nos atingem no dia-a-dia
das formas mais variadas, e temos de aprender a conviver com isso, porque existem mudanças
positivas para o nosso cotidiano e mudanças que estão tornando a vida de muita gente mais difícil.
d) a recente evolução nas tecnologias da informação contribui de forma decisiva para a abertura da
economia mundial.
e) a concentração de capitais deu aos grandes conglomerados um novo poder: o poder de ultrapassar
as fronteiras nacionais. No entanto, os grandes conglomerados econômicos estão se adaptando a
cada realidade de cada povo, região ou Estado. Com isso, está ocorrendo uma preservação da forma
tradicional de cada nação existir.
Resposta: e
Comentários
Item a – Os países pobres ganham bem menos e numa velocidade bem menor em relação aos países
ricos, que são os grandes ganhadores no processo de integração econômica mundial.
Item b – Atualmente o mundo está passando por um grande processo de integração econômica, que é
comumente chamado de globalização, acompanhada de uma grande participação das populações no
processo de tomada de decisões, mesmo que de maneira formal e representativa.
Item c – Muitos analistas já dizem que a integração econômica mundial é uma realidade irreversível,
pois qualquer país que queira viver de forma isolada terá muitas dificuldades para existir, por exemplo, a
Coréia do Norte e o seu isolamento.
Item d – O capital volátil, também chamado de Hot Money, ou especulativo só passou a existir graças à
grande velocidade das transações permitidas pela evolução do sistema de troca de informações e
também de transportes.
Item e – Hoje, no mundo globalizado economicamente, com grande integração e circulação de capitais,
bens e serviços também está ocorrendo, em grande velocidade, uma destruição de formas tradicionais
de se viver, em várias partes do mundo. Com a formação de uma cultura uniforme, podemos dizer que
a homogeneidade está suplantando a diversidade. Um bom exemplo é o desaparecimento rápido de
várias línguas de inúmeros povos no mundo. Atualmente, as nações, os povos e os estados estão
sofrendo uma grande homogeneização. Com isso, as maneiras tradicionais de povos viverem e se
expressarem estão em constante modificação. Está sendo imposta aos povos do mundo uma maneira
quase única de ver o mundo.
2. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisou ir ao segundo turno, mas, mesmo assim, venceu com
folga a disputa com Geraldo Alckmin (PSDB), e se reelegeu para um novo mandato com quase 61%
dos votos.
A respeito das eleições do final do ano de 2006, é correto afirmar que:
a) a votação ocorreu, em quase todo território nacional, por meio do sistema de urna eletrônica. Essa
tecnologia, desenvolvida aqui no Brasil, tem se mostrado uma aliada perfeita no combate às fraudes
eleitorais. Além de agilizar o voto, os resultados são apurados com mais rapidez do que o antigo
método do voto em cédula de papel.
b) na Bahia, aconteceu o que era esperado. Paulo Souto (candidato de ACM, pelo PFL) era favorito
para vencer no primeiro turno e venceu. O ex-ministro Jaques Wagner (PT), por sua vez, não foi
eleito, mesmo teve uma grande ajuda do presidente Lula.
c) dos 69 deputados federais listados pela CPI das Sanguessugas, mais da metade se reelegeram. Dito
de outra maneira, os deputados sanguessugas voltaram na legislatura que se iniciou no ano de 2007.
d) o ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou ao mandato para fugir do
processo de cassação, depois de ter sido apanhado numa história de extorsão. Severino foi reeleito,
numa demonstração de que informações não chegam a todas as regiões do País.
e) foram eleitos, entre outros conservadores, Eurico Miranda (PP-RJ), Delfim Neto (PMDB-SP), Artur
Virgílio (PSDB), Severino Cavalcanti (PP-PE), Zulaiê Cobra Ribeiro (PSDB-SP), Ney Suassuna
(PMDB-PB), Antero Paes de Barros (PSDB-MS), Jorge Bornhausen (PFL-SC) e Luiz Antônio Fleury
Filho (PTB-SP). Por outro lado, vários dos acusados dos escândalos do mensalão e dos
sanguessugas não conseguiram uma vaga para Congresso Nacional em Brasília, como Sandro
Mabel (PL-GO), José Nobre Guimarães (PT-CE), Pedro Henry (PP-MT), Saraiva Felipe (PMDB-MG),
Paulo Rocha (PT-PA), João Paulo Cunha (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Valdemar da Costa Neto
(PL-SP) e outros.
Resposta: a
Comentários
Item a – O sistema de votação eletrônica tem se mostrado um grande inibidor de fraudes e conseguiu
chamar a atenção de vários países, que pretendem adotar em suas eleições modelos semelhantes ao
brasileiro, que tem se mostrado totalmente confiável e seguro.
Item b – Jaques Wagner, de forma surpreendente, venceu as eleições na Bahia, ainda no primeiro
turno, e derrotou o grande mandatário local ACM.
Item c –A maioria dos deputados acusados de participação no grupo dos "sanguessugas" não
conseguiram se reeleger.
Item d – O ex-presidente da Câmara Severino Cavalcante não conseguiu se reeleger para a Câmara
dos Deputados.
Item e – Eurico Miranda (PP-RJ), Delfim Neto (PMDB-SP), Artur Virgílio (PSDB), Severino Cavalcanti
(PP-PE), Zulaiê Cobra Ribeiro (PSDB-SP), Ney Suassuna (PMDB-PB), Antero Paes de Barros (PSDB-
MS), Jorge Bornhausen (PFL-SC) e Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP) não foram eleitos deputados em
2006; os acusados de participarem do chamado mensalão também não foram eleitos. Podemos citar:
Sandro Mabel (PL-GO), José Nobre Guimarães (PT CE), Pedro Henry (PP-MT), Saraiva Felipe (PMDB-
MG), Paulo Rocha (PT-PA), João Paulo Cunha (PT SP), José Mentor (PT-SP), Valdemar da Costa Neto
(PL-SP) e outros.
3. O consumo de energia no mundo está resumido, em sua grande maioria, pelas fontes de energias
tradicionais como petróleo, carvão mineral e gás natural. Essas fontes são poluentes e não renováveis,
as quais, no futuro, serão substituídas inevitavelmente. Há controvérsias sobre o tempo da duração dos
combustíveis fósseis, mas, devido a energias limpas e renováveis, como biomassa, energia eólica e
energia maremotriz, e a sanções, como o Protocolo de Kyoto, que cobra de países industriais um nível
menor de poluentes (CO2) expelidos para a atmosfera, as energias alternativas são um novo modelo de
produção de energias econômicas e saudáveis para o meio ambiente.
A respeito das novas formas de energia e de toda a problemática em tomo do tema, NAO podemos
afirmar que:
a) o Brasil tem uma enorme gama de fontes de energias, que são muito bem exploradas como a energia
eólica e por biomassa. Historicamente, o governo tem investido em fontes de energia como o álcool,
com o pró-álcool, iniciado em 1975 para a produção de álcool derivado da cana-de-açúcar em larga
escala, e mais recentemente o biodiesel, projetos estes que não apresentaram resultados os
resultados positivos que se esperavam.
b) as energias renováveis são consideradas como "energias alternativas" ao modelo energético
tradicional, tanto pela sua disponibilidade (presente e futura) garantida (diferente dos combustíveis
fósseis que precisam de milhares de anos para a sua formação), como pelo seu menor impacto
ambiental; ainda que em alguns casos este possa ser muito grande, como o causado pela Barragem
das Três Gargantas, recentemente finalizada na China e que provocou o deslocamento de milhões de
pessoas e a inundação de muitos quilômetros quadrados de terra.
c) os combustíveis renováveis, além de serem fontes inesgotáveis de energia, não geram aumento de
CO2 e outros gases nocivos na atmosfera, uma vez que as emissões geradas pela queima deles são
reabsorvidas pela biomassa. Ao contrário dos combustíveis renováveis, que representam um ciclo
fechado de carbono, os combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral, lançam carbono
adicional na atmosfera (na verdade carbono que estava armazenado há milhões de anos), agravando
o efeito estufa.
d) das reservas de petróleo do mundo, 67% estão concentradas no Oriente Médio. Devido á
instabilidade política da região, ocorrem crises de produção e distribuição que causaram grandes
distúrbios no mercado, com aumento de preços e mudança de ramo de consumo.
e) a energia renovável é aquela que é obtida de fontes naturais capazes de se regenerar e, portanto,
virtualmente inesgotáveis, como o Sol – energia solar –, o vento – energia eólica –, os rios e correntes
de água doce – energia hidráulica –, os mares e oceanos – energia mareomotriz –, a matéria orgânica
– biomassa –, o calor da Terra – energia geotérmica.
Resposta: a
Comentários
Item a – O Brasil, não tem aproveitado bem a enorme gama de fontes de energia que possui; exemplo
disso é a energia eólica. Apesar de o Brasil possuir um litoral tão vasto, com correntes contínuas de
ventos, elas não são exploradas em grandes proporções. Além disso, os projetos do pró-álcool, iniciado
durante a ditadura militar, e mais recentemente o do biodiesel, apresentaram e continuam a apresentar
resultados positivos.
Item b – As energias renováveis são consideradas alternativas ao petróleo, hoje o maior fonte
energética para fazer funcionar a economia mundial.
Item c – Uma das grandes vantagens das energias renováveis é a pouca ou nenhuma elevação de
concentração de CO2 na atmosfera.
Item d – As maiores reservas de petróleo estão concentradas na região do Oriente Médio, que vem
passando, nas últimas décadas, por grande instabilidade política. Por isso mesmo, o valor do petróleo,
principal matriz energética do mundo, tem seu preço em constantes períodos de elevação e de baixas.
Item e – O conceito de energia renovável é o de toda energia conseguida por meio de fontes naturais e
que, principalmente, pode se renovar continuamente, o que gera uma sensação de tranqüilidade em
função da possibilidade eterna de abastecimento de energia.
4. O conflito árabe-israelense é um longo conflito no Oriente Médio. Ocorre desde o fim do século XIX,
tendo-se tornado um assunto de importância em nível internacional a partir do colapso do Império
Otomano em 1917. Marcos importantes para o desenrolar desse conflito foram a autodeterminação do
Estado de Israel e, posteriormente, o relacionamento deste último estado com seus vizinhos árabes,
com ênfase ao povo palestino, que reivindica o estabelecimento de seu próprio Estado.
O conflito teve como resultado o começo de pelo menos cinco guerras de dimensões maiores e um
número apreciável de conflitos armados de menores dimensões. Foi também fonte de duas intifadas
(levantamentos populares).
A respeito do conflito árabe-israelense e dos conflitos da nova ordem mundial, é correto afirmar que:
a) o conflito israelítico-libanês de 2006 foi um confronto no norte de Israel e sul do Líbano envolvendo o
braço armado do ANP (Autoridade Nacional Palestina) e as Forças de Defesa de Israel. Entre civis,
militares oficiais e guerrilheiros, foram confirmadas mais de mil mortes.
b) terminada a Guerra Fria (conflito entre os EUA, que defendiam o capitalismo, e URSS, que defendia o
socialismo, durante os anos de 1946 até 1991) e reduzido o apoio incondicional dos Estados Unidos
a Israel, iniciaram-se conversações para o estabelecimento de um processo de paz para a região do
Oriente Médio. Essas negociações evoluíram para a conquista de uma situação duradoura de paz e
tranqüilidade para a região.
c) o ETA, que vem lutando pela independência da região basca, no norte da Espanha e sudoeste da
França, há quase 40 anos, é responsabilizado por ataques que mataram mais de 800 pessoas. Entre
elas, estavam muitos policiais, juizes e políticos. No início do ano de 2006, o grupo separatista basco
ETA declarou um cessar-fogo permanente, de acordo com emissoras de rádio bascas. No entanto,
um atentado no aeroporto de Madri no início do mês de janeiro de 2007 paralisou as negociações de
paz entre o governo espanhol e o grupo basco.
d) o Exército Republicano Irlandês, mais conhecido como IRA (do inglês Irish Republican Army), é um
grupo paramilitar católico cuja intenção.é que a Irlanda do Norte separe-se do Reino Unido e seja
novamente anexada á República da Irlanda. O IRA utiliza-se de métodos tidos como terroristas,
principalmente ataques a bomba e emboscadas com armas de fogo. E tem como alvos tradicionais os
protestantes, políticos unionistas e representantes do governo britânico. O IRA tem ligações com
outros grupos nacionalistas irlandeses e é um braço político do partido nacionalista Sinn Fein. A até
hoje, o IRA está em pleno funcionamento, trazendo para o Reino Unido muita inquietação e bastante
violência com os seus constantes atentados terroristas.
e) a guerra e a ocupação do Iraque, embora façam parte das ações pragmáticas da Doutrina Bush de
guerra preventiva, foram apoiadas em provas, definitivas e não questionadas por outros países, de
que este país desenvolvia de fato armas de destruição em massa (justificativa para a sua invasão) ou
financiasse o terror. Depois de os Estados Unidos declararem a vitória sobre o Iraque, de terem
conseguido a prisão de Saddan Hussein e o estabelecimento de um governo provisório, a situação do
Iraque foi de tranqüilidade para realização de um novo governo.
Resposta: c
Comentários
Item a – O conflito no sul do Líbano, na segunda metade de 2006, foi entre Israel e o Hezbollah, grupo
considerado terrorista no mundo ocidental, que luta pela imposição de um governo teocrático no Líbano.
Já a ANP (Autoridade Nacional Palestina) é hoje dividida entre o Fatah e o Hammas, dois grupos
palestinos – o último é considerado terrorista no mundo ocidental.
Item b – Entre os anos 80 e 90 do século passado, ocorreram várias negociações entre árabes,
principalmente os palestinos, e os israelenses, para a realização de uma paz duradoura para a região.
No entanto, essas negociações não surtiram os resultados esperados e desejados pela maior parte do
mundo.
Item c – O ETA, que luta pela independência do povo basco, é um grupo considerado terrorista pelos
espanhóis, europeus e americanos, e continua em pleno funcionamento, com vários atentados
terroristas, alguns com pequenos e outros com enormes danos na Espanha.
Item d – O IRA não está trazendo intranqüilidade para a Inglaterra, pois foram feitos vários acordos
entre os seus integrantes e o governo inglês para acabar com as ações terroristas. Essa foi, sem
dúvida, a grande vitória do ex - primeiro ministro inglês Tony Blair.
Item e – A situação no Iraque atualmente não é de tranqüilidade e de paz e muito menos a razão da
guerra foi, como alegaram os EUA, a comprovação de existência de armas de destruição em massa.
5. Atualmente a opinião pública está tendo um caso de grande simpatia por um órgão governamental, algo
bastante incomum depois de tantas suspeitas, comprovações e quase nenhuma punição de desvios de
dinheiro público. O Departamento de Polícia Federal, subordinado ao Ministério da Justiça, angariou
simpatia por realizar extensas investigações e obter provas das relações ilícitas que envolvem a
Administração Pública, políticos e empresas privadas.
A respeito da atuação da Polícia Federal no combate ao crime organizado e em relação à temática que
o envolve (o crime organizado), assinale a questão incorreta.
a) A Polícia Federal deflagrou, na manhã do dia 13 de abril, a Operação Hurricane, nos estados do Rio
de Janeiro, São Paulo e Bahia e no Distrito Federal. O objetivo era desarticular uma organização
criminosa que atuava na exploração do jogo ilegal e cometia crimes contra a administração pública.
Foram cumpridos vários mandados de busca e apreensão e mandados de prisão contra chefes de
grupos ligados a jogos ilegais, empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um
membro do Ministério Público Federal.
b) A Polícia Federal deflagrou, no dia 17 de maio, a Operação Navalha. O objetivo da ação foi
desarticular uma organização criminosa que atuava desviando recursos públicos federais. Cerca de
400 policiais federais foram mobilizados nos estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso,
Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, São Paulo e no Distrito Federal para cumprir cerca de 40
mandados de prisão preventiva e 84 mandados de busca e apreensão, todos decretados pela Ministra
Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça.
c) O crime organizado atualmente se encontra estruturado como uma empresa, bastante complexo em
sua cadeia de tomada de decisões, hierarquização, planejamento e execução do crime em si. O crime
organizado já não pode ser definido apenas como um punhado de foras-da-lei que se unem para
cometer crimes, e que têm no líder todo pode-roso, temido por todos, a sua força organizativa. A
Academia Nacional de Polícia Federal do Brasil enumera 10 características do crime organizado: 1)
planejamento empresarial; 2) antijuridicidade; 3) diversificação de área de atuação; 4) estabilidade
dos seus integrantes; 5) cadeia de comando; 6) pluralidade de agentes; 7) compartimentação; 8)
códigos de honra; 9) controle territorial; 10) fins lucrativos.
d) As prisões feitas pela Polícia Federal de autoridades importantes do cenário nacional, dos poderes
Legislativo, Executivo e Judiciário, bem como empresários que enriqueceram seus negócios com
grandes propinas, não vêm sendo alvo de críticas por causa de seus métodos, que envolvem grande
exposição dos suspeitos presos na mídia e o vazamento de informações.
e) Embora presente em todo o País, é no Rio de Janeiro que o crime organizado tem atuado de forma
mais visível, formando um verdadeiro "poder paralelo", pois controla territórios inteiros e desafia o
poder do Estado.
Resposta: d
Comentários
Item a – A operação Hurricane foi exatamente deflagrada contra o jogo ilegal.
Item b – A operação Navalha teve como principal objetivo desarticulação de uma organização criminosa
que atuava desviando recursos públicos federais.
Item c – Um dos principais elementos constitutivos do crime organizado é o seu funcionamento como
uma empresa moderna, e não mais como um bando de criminosos onde manda o mais forte e mais
violento.
Item d – A atuação da Polícia Federal vem sofrendo várias críticas devido aos seus métodos, acusados
de expor os investigados a situações de constrangimento e de vazamento de informações. Mesmo
assim, o DPF vem recebendo de várias autoridades e da população em geral grandes elogios por sua
atuação eficiente.
Item e – O crime organizado não é, de maneira alguma, exclusividade do Rio de Janeiro, mesmo
estando lá uma das atuações mais explicitas do crime organizado contra o Estado.
6. A gestão de Lula pode ser caracterizada por um governo de continuidade da estabilidade econômica
da administração de Fernando Henrique e por uma balança comercial crescentemente superavitária.
Na parte econômica, ao final de seu último ano de governo, e início do segundo mandato, algumas
constatações podem ser feitas. Houve uma pequena mudança na estrutura de concentração de renda,
assim constata o PNUD, no seu relatório divulgado na primeira quinzena de novembro de 2006. Lula,
tão temido, tanto ele quanto o seu partido, por apresentarem uma história de grandes críticas ao
modelo econômico adotado no Brasil, ao longo dos anos de 1990, ao engajamento no processo de
globalização e à abertura econômica, estritamente dentro dos limites do neoliberalismo, mostrou-se
pouco propenso às mudanças na orientação das diretrizes econômicas, pois não fez nenhum
movimento no sentido de alterar a condução dos rumos da economia nacional. Em seu governo, a
dívida interna passou de 731 bilhões de reais (em 2002) para um trilhão e cem bilhões de reais em
dezembro de 2006, apesar de não ter apresentado aumento na variação do Produto Interno Bruto
brasileiro com relação à década de 1990. Concomitantemente, a dívida externa teve uma queda de 168
bilhões de reais, fruto principalmente da valorização do real frente ao dólar e das volumosas compras
de dólares realizadas pelo Banco Central, utilizadas em parte para recomprar a dívida (a exemplo do
que foi feito com o C-Bond). Também é marcada por manter o corte de investimentos públicos, a
exemplo da gestão anterior.
A respeito do primeiro e do segundo governo Lula, principalmente na parte econômica, é incorreto
afirmar que:
a) a questão econômica tornou-se conseqüentemente a pauta maior do governo. A minimalização dos
riscos e o controle das metas de inflação de longo prazo impuseram ao Brasil uma limitação forte no
crescimento econômico, chegando a níveis de recessão semestral (com uma taxa de crescimento
média anual do PIB de 2,5% ao ano), fechando o ano de 2006 com uma taxa de crescimento abaixo
da de todas as economias emergentes, deixando Brasil com uma taxa de crescimento na América
Latina somente acima a do Haiti.
b) Lula empenhou-se em realizar uma reforma da previdência, por via de uma emenda constitucional,
caracterizada pela imposição de uma contribuição sobre os rendimentos de aposentados do setor
público e maior regulação do sistema previdenciário nacional. Além disso, houve a necessidade de
se combater os índices inflacionários que alcançavam a margem de 20% a.a. no início de sua
gestão.
c) os baixos índices inflacionários foram conseguidos a partir de políticas monetárias restritivas, que
levaram a um crescimento dependente, por exemplo, de exportações de commodities agrícolas
(especialmente a soja), que não só encontraram seus limites de crescimento no decorrer de 2005,
como também têm contribuído para o crescimento do latifúndio.
d)mesmo com uma elevação real do salário mínimo, ao longo do primeiro e início do segundo mandato
de Lula, manteve-se a histórica concentração de renda no Brasil, em que os mais ricos tiveram um
crescimento extraordinário de suas riquezas em função da elevada rentabilidade das aplicações
financeiras. Em outras palavras, a vida dos mais pobres melhorou um pouco, mas a dos mais ricos
melhorou ainda mais.
e)logo que assumiu a Presidência da República, Lula mostrou que montaria um governo com um perfil
esquerdista e que faria grandes mudanças nos rumos da economia nacional, que naquele momento
estava assentada na clara opção pelo processo de abertura para o capital externo, com a liberação
do mercado, e a pouca intervenção do estado na economia; em outras palavras, neoliberalismo.
Resposta: e
Comentários
Item a – O governo Lula, apesar de dizer que não é uma continuação do seu antecessor FHC,
desenvolve uma política econômica que tem como base o controle da inflação e a contenção dos
gastos públicos, elementos centrais do governo anterior.
Item b – A primeira grande reforma no primeiro governo de Lula foi exatamente a da previdência, que
acabou provocando uma redução dos direitos dos trabalhadores. Ocorreu uma busca muito forte, no
primeiro ano de governo, de controle da inflação.
Item c – A política monetarista do governo Lula conseguiu controlar o ímpeto da inflação, mas provocou
uma grande concentração de produção agrícola nos chamados, agronegócios. Estes buscam lucro na
especialização de produção voltada para a exportação.
Item d – Os programas sociais, desenvolvidos ao longo do governo Lula, vêem apresentando
resultados positivos, mas a situação social do Brasil sofreu uma pequena modificação. Apesar das
melhoras, o Brasil tem uma das piores distribuição de renda mundiais.
Item e – A opção pelo continuísmo ficou clara com a escolha de Pallocci para ocupar o Ministério da
Fazenda e mais clara ainda com a indicação do ex-presidente mundial do Bank Boston Henrique
Meirelles para o cargo de presidente do Banco Central, que havia acabado de ser eleito deputado pelo
PSDB. Com isso, ficou evidente e claro para todo o mundo que a opção de Lula seria manter as
orientações econômicas herdadas de FHC.
Entre estas orientações estão:
taxa de juros elevada como instrumento de controle do ímpeto inflacionário;
metas de inflação e;
pagamento da dívida pública com elevado superávit primário.
7. Recentemente, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou retirar o país do MERCOSUL caso
a Venezuela não esteja totalmente integrada ao bloco. Com relação ao tema MERCOSUL, é incorreto
afirmar que:
a) No Brasil, a tramitação do protocolo está parada há quatro meses no Congresso Nacional porque a
Venezuela, segundo os parlamentares, ainda não estabeleceu um cronograma de abertura de mercado
nem de adoção da tarifa externa comum.
b) Um ano depois de ser admitida no bloco como membro pleno, a Venezuela participa dos encontros,
mas não tem direito a voto.
c) Os legislativos de todos os integrantes plenos do bloco precisam ratificar a adesão da Venezuela ao
MERCOSUL, mas até agora apenas os parlamentares da Argentina, do Uruguai e da própria
Venezuela aprovaram a entrada do país.
d) O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, cumpriu a sua promessa e retirou o seu país do
MERCOSUL.
e) Os membros plenos do MERCOSUL são os quatros fundadores, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai,
e a Venezuela, que foi aceita como membro em 2006.
Resposta: d
Comentários
Item a – Os parlamentares brasileiros dizem que a demora na votação no Congresso Nacional do
protocolo de aceitação da Venezuela é devida, única e exclusivamente à própria Venezuela.
Item b – A Venezuela é uma país membro do Mercosul, mas ainda não tem direito a voto.
Item c – Existe a exigência de que os Poderes Legislativos ratifiquem a adesão da Venezuela no
Mercosul, e, atualmente, nem Brasil nem Paraguai ratificaram a adesão da Venezuela ao Mercosul.
Item d – O presidente venezuelano Hugo Chávez não retirou a Venezuela do Mercosul. Na verdade,
ele está pressionando, e muito, o Congresso brasileiro para votar com celeridade a integração total da
Venezuela no Mercosul.
Item e – O Mercosul foi fundado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai em 1991. Em dezembro de
2005, a Venezuela protocolou seu pedido de adesão, e em 4 de julho de 2006 seu ingresso ao bloco
econômico foi formalizado, em Caracas.
O fracasso da Rodada Doha
A Rodada Doha enfrentou uma situação difícil de ser superada, no final do prazo fixado pelos países
para encontrar uma fórmula que viesse atender a todos os interesses. Há alguns meses, já havia ficado
claro que a barganha final entre EUA, UE, Brasil e Índia, que procuravam um consenso a ser
submetido aos outros quase 150 países da Organização Mundial do Comércio (OMC), residiria na
redução dos subsídios nos EUA e na baixa das tarifas dos produtos agrícolas na UE a níveis aceitáveis
para os países em desenvolvimento (G-20) e na redução das tarifas de produtos industriais nos países
do G-20, aceitáveis para os EUA e UE.
Rubens Barbosa, O Estado de S. Paulo (22/06/07)
A respeito da Rodada Doha é incorreto afirmar.
8. Em relação ao assunto tratado no texto acima, marque o item incorreto.
a) A Rodada Doha ainda não é um fracasso completo, pois os países emergentes aceitam reduzir as
barreiras comerciais sobre os produtos industrializados dos países ricos e não cobram nenhuma
contrapartida em troca.
b) A Rodada Doha das negociações da OMC começou em novembro de 2001. O objetivo era a adesão
à Agenda de Desenvolvimento de Doha e, a partir daí, negociar a abertura dos mercados agrícolas e
industriais.
c) O principal conflito entre os negociadores que participaram das várias reuniões para a liberalização
do comércio mundial sempre foi, pelo lado dos países ricos, a exigência que os subdesenvolvidos
reduzissem as tarifas de importação de produtos industrializados, e a dos subdesenvolvidos que os
países ricos eliminassem a política de subsídios dos produtos agrícolas.
d) A Rodada Doha começou em Doha (Qatar) em 2001, e negociações subseqüentes tiveram lugar em
Cancun (México), Genebra (Suíça) e Paris (França).
e) A Rodada Doha foi uma tentativa, patrocinada pela OMC (Organização Mundial do Comércio), com o
objetivo de trazer para as relações comerciais mundiais maior liberalidade, resultando em maior fluxo
de capitais, bens e serviços circulando pelo mundo, contribuindo para o processo de globalização ora
curso. No entanto, o principal entrave, desde o início das negociações, sempre foram as políticas
protecionistas, tanto dos países ricos quanto daqueles em vias de desenvolvimento.
Resposta: a
Comentários
Item a – A Rodada Doha é considerada atualmente quase que totalmente morta, em função do
desencontro entre os países ricos e os emergentes. Por um lado, os países ricos querem que os países
pobres abram suas economias para os seus produtos industrializados, mas não acenam com a
possibilidade de, ao menos, reduzirem a política protecionista de subsídios aos produtores agrícolas.
Item b – A intenção declarada da Rodada era tomar as regras de comércio mais livres para os países
em desenvolvimento e para os países desenvolvidos.
Item c – Atualmente, a Rodada Doha é considerada pelos especialistas em comércio internacional como
morta, pois os países ricos e muito menos os emergentes acenam com qualquer possibilidade de
entendimento.
Item d – A seqüência de reuniões foi Doha 2001, Cancun 2003, Genebra 2004, Paris 2005 e em Hong
Kong em 2005.
Item e – A Rodada Doha tinha como objetivo o enquadramento do mundo aos ditames comerciais do
neoliberalismo, ou seja, nenhuma intervenção do Estado na economia.
9. A segurança pública do Brasil passa por uma crise sem precedentes. As cidades do Rio de Janeiro e
São Paulo são a "vitrine" disso.
A respeito desse tema, assinale a questão incorreta.
a) Nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, o crime organizado vem demonstrando o seu poder
no confronto com o do Estado, exemplo do que é a constante execução de policiais.
b) Umas das possíveis respostas ao crime organizado seria uma atuação conjunta do poder do
Estado nos níveis federal, estadual e municipal, prática que atualmente nem sempre acontece.
c) O crime organizado atualmente está sofrendo, continuamente, grandes derrotas, pois a atuação
eficiente, e principalmente conjunta e compartilhada, das polícias Federal, Civil e Militar está
diminuindo o campo de atuação criminosa em todos os estados da Federação.
d) O crime organizado está atuando em vários setores da economia do Brasil e em várias regiões do
País. Por isso mesmo, o seu combate torna-se tão complexo.
e) O crime organizado, atualmente "em enfrentamento contra o Estado", dá mostras de uma situação
sem precedentes na história do País, a ponto de poder-se dizer que existe uma guerra aberta
contra o poder constituído.
Resposta: c
Comentários
Item a – As imagens, quase que diárias nos meios de comunicação brasileiros, de homens bem
armados e correndo livremente, além das várias mortes provocadas em conflitos entre os
representantes do estado e os criminosos são prova dessa afirmação.
Item b – Muitos especialistas argumentam que a falta de organização, planejamento e execução de
ações das várias Polícias tem ajudado para o crescimento do crime organizado.
Item c – Apesar das grandes operações da Polícia Federal, com muitas prisões e o desbaratamento
de grandes organizações criminosas, os estudos vêm apontando que ainda existem muitas, e fortes,
organizações criminosas atuando em grande parte do território nacional. Além disso, não existe uma
grande e eficiente colaboração entre as três esferas de poder no Brasil, no que tange ao combate ao
crime organizado (Federal, Estadual e Municipal).
Item d – Uma das várias formas do crime organizado se fazer presente na sociedade brasileira é a sua
especialização regional, por exemplo, a grilagem de terras em Brasília; os crimes contra a fauna e
flora no nordeste do Brasil, em vários estados; e, principalmente, o roubo de carga no estado de São
Paulo.
Item e – O crime organizado está bem forte em todos os estados brasileiros. E não é um fenômeno
somente de algumas regiões, ou mesmo de algumas cidades, e muito menos de algum dos três Poderes
em especial. Ele está atacando em todos os níveis e em todas as esferas do Poder constituído no Brasil.
10. Atualmente se instalou uma polêmica a respeito da utilização do etanol como combustível
ecologicamente correto. A respeito desta polêmica, assinale a questão correta.
a) Várias organizações ambientalistas da Europa, recentemente, assinaram uma carta aberta em que
qualificam de "grave ameaça disfarçada de verde" a idéia de elevar a produção e o consumo de
biocombustíveis no mundo.
b) A UE ao longo deste ano tem se posicionado contrariamente à utilização do Etanol como combustível
em escala mundial, principalmente nos países do hemisfério sul.
c) Para os ambientalistas, outros tipos de energia alternativa – eólica, solar e de biomassa, por exemplo
–não são menos danosos ao meio ambiente que os biocombustíveis.
d) Os impactos ambientais da prática da monocultura da matéria-prima do Etanol no Brasil já foram em
grande parte resolvidos, pois aqui se faz uso de uma tecnologia elevada reduzindo ao máximo os
possíveis danos ao meio ambiente.
e) Essa polêmica é falsa, pois está comprovado que a elevação da produção de etanol não irá diminuir a
produção de gêneros alimentícios no mundo.
Resposta: a
Comentários
Item a – Recentemente várias organizações ambientalistas, principalmente de atuação na Europa,
afirmaram que a opção pelo etanol pode representar uma grave ameaça ao mundo, pois haveria uma
substituição, alegada por eles como sendo muito perigosa, de terras destinadas à plantação de
alimentos para a produção de etanol, o que provocaria uma escassez de alimentos e, naturalmente, a
elevação dos seus preços.
Item b – A União Européia vem se manifestando a favor da produção de etanol nos países chamados de
emergentes, como uma forma de integração na economia mundial.
Item c – Os ambientalistas concordam que existem várias formas de se conseguir energia, de maneira
ecologicamente correta, como as listadas no item: eólica, solar e de biomassa, por exemplo.
Item d – Os impactos da produção, em larga escala, do etanol estão somente no início, além disso, não
se resolveram os possíveis e os já existentes problemas decorrentes da monocultura do etanol.
Item e – Essa polêmica está somente no seu início, ainda não existe estudo que comprovem a tese de
que com a elevação da produção de etanol irá fatalmente ter uma escassez de alimentos.
11. Os programas sociais foram os principais cabos eleitorais de Lula na sua reeleição, e pode-se mesmo
dizer que foram os responsáveis, e continuam a ser, pela elevada taxa de aprovação do governo Lula.
Em relação aos programas sociais do governo Lula, é correto afirma que:
a) Os programas sociais criados pelo governo Lula foram responsáveis pela eliminação do principal
problema do Brasil, que é a péssima distribuição de renda.
b) O principal problema dos programas sociais do governo Lula é a grande corrupção, comprovada e
pouco punida, que está instalada dentro desses programas.
c) O programa Fome Zero, com o tempo apresentou um custo de operacionalização que se mostrou
bastante baixo, razão pela qual o mesmo apresentou e continua a apresenta índices tão elevados de
sucesso.
d) O IBGE não constatou nenhuma alteração na situação social do Brasil durante o governo Lula,
indicando que o governo do presidente Lula não estaria fazendo do Brasil um país menos desigual.
e) Para o governo Lula, o Bolsa Família é o principal programa social do Brasil, chegando a atender por
volta de 11 milhões de famílias, e é considerado pelo governo como o maior programa de
transferência de renda do mundo.
Resposta: e
Comentários
Item a – Os programas sociais criados ao longo do governo Lula não conseguiram eliminar os graves
problemas sociais brasileiros, no entanto, os indicadores sociais vêm apresentando uma melhora em
seus números. O IBGE já constatou este fenômeno em várias de suas pesquisas.
Item b – A corrupção é um grande problema em todo o Brasil e em todos os níveis de Poder, no
entanto, os programas sociais do governo Lula, mesmo apresentando problemas em sua administração,
não é a corrupção um elemento generalizado e com pouca ou nenhuma punição.
Item c – Um dos principais problemas dos programas sociais do governo Lula é o seu alto custo de
administração, no entanto, esses custos estão apresentando índices elevados de sucesso.
Item d – Por várias vezes, o IBGE já apresentou números que comprovam a melhora nos indicadores
sociais do Brasil, principalmente a partir dos programas sociais criados pelo governo Lula.
Item e – O programa Bolsa-Família é, sem dúvida alguma, o principal programa social do governo Lula.
Por isso mesmo, ele é utilizado pelo PT e pelo próprio Lula para mostrar a sua eficiência em solucionar
os graves problemas sociais do Brasil. E o número apontado pelo próprio governo de assistidos pelo
programa já passa de 11 milhões de famílias.
12. Na luta contra o aquecimento global, principal tema da cúpula do G8 na Alemanha em 2007, os sete
países mais industrializados do mundo (EUA, Alemanha, Japão, Grã-Bretanha, França, Itália e Canadá)
mais a Rússia chegaram a um acordo, reconhecendo a necessidade de reduzir "substancialmente" suas
emissões dos gases causadores do efeito estufa, mas sem falar em metas e números, devido á
oposição americana.
A respeito desse tema, assinale a questão correta.
a) O G8 um dos mais importantes blocos econômicos, hoje, realizou a sua reunião anual no mês de
junho na Alemanha, e o documento final do encontro reúne decisões de suma importância para o
mundo, como a exigência que todos os seus membros passem a adotar os termos do Protocolo
de Kyoto.
b) Os países, chamados emergentes, liderados pelo Brasil não tiveram acesso ao encontro de
cúpula do G8 na Alemanha deste ano de 2007.
c) A cúpula do G8 não foi além do óbvio. Na análise do Greenpeace, o término da reunião na
Alemanha foi marcado pela falta de metas concretas dos sete países mais ricos do mundo e a
Rússia para combater o aquecimento global.
d) O principal tema debatido pela cúpula do G8 em 2007 foi o preço do petróleo e a variação do dólar
no mercado internacional.
e) Os EUA, por não concordarem com as decisões tomadas ao longo dos debates do G8, a respeito
da obrigatoriedade de aceitar os termos do Protocolo de Kyoto, abandonaram o encontro antes da
votação e aprovação do documento final do encontro.
Resposta: c
Comentários
Item a – O G8 não é um bloco econômico, é um grupo internacional que reúne os sete países mais
industrializados e desenvolvidos economicamente do mundo mais a Rússia, e o protocolo final de
sua reunião anual de 2007 não exigiu a assinatura dos membros do Protocolo de Kyoto, apesar de o
tema meio ambiente ter sido o centro das discussões.
Item b – Os países emergentes participaram do encontro de cúpula do G8 em 2007. 0 Brasil foi
representado pelo presidente Lula, que fez muitas criticas ao encontro.
Item c – A grande crítica feita, não só pelo Greenpeace, mas também pelos países emergentes,
tendo o Brasil como uma das principais vozes, foi que a reunião de cúpula do G8, realizada em
junho deste ano na Alemanha, não saiu de uma retórica ambientalista. Nada de concreto foi
decidido. Ficou apenas uma recomendação para que as nações que compõem o G8 façam quando
e como quiserem uma política ambiental no sentido de reduzir os efeitos desastrosos da poluição
provocada pela ação humana no mundo.
Item d – No encontro de cúpula do G8, na Alemanha em 2007, o tema central foram as questões
ambientais, tais como o aquecimento global.
Item e – Não existiu no encontro de cúpula do G8 a exigência de se ratificar o Protocolo de Kyoto, e
muito menos os EUA abandonaram o encontro antes de seu final.
EXERCÍCIOS
NCE/UFRJ – 2005
ELETRONORTE / Advogado / Nível Superior / NCE-UFRJ / 2005
1. O Plano Real, aplicado no Brasil, na década de 90, tinha como um de seus objetivos a estabilidade
monetária.
Ele foi bem sucedido porque:
a) eliminou as forças inerciais que realimentavam a inflação;
b) confiscou os depósitos bancários que estimulavam a circulação monetária
;
c) congelou preços e salários que afetavam a oferta e a procura;
d) elevou os salários que interferiam no valor das exportações;
e) impediu as importações que elevavam os preços internos.
2. A ampliação das áreas destinadas aos projetos agropecuários, principais agentes de desmatamento na
Amazônia, vem agravando os problemas ambientais regionais. Sobre os impactos ambientais
provocados por esses projetos, analise as afirmativas a seguir:
I – O desmatamento elimina grande contingente de espécies, destruindo a biodiversidade.
II – A retirada da floresta rompe o sistema natural de ciclagem de nutrientes, acelerando a degradação
dos solos.
III – A destruição da floresta altera as condições da fotossíntese e a disponibilidade de nutrientes
responsáveis pela produção da biomassa.
IV – A introdução de inseticidas e agrotóxicos destrói a biodiversidade e contamina os ecossistemas
aquáticos.
Assinale a opção correta:
a) apenas I e II estão corretas.
b) apenas III e IV estão corretas.
c) apenas I, II e III estão corretas.
d) apenas I, III e IV estão corretas.
e) todas as afirmativas estão corretas.
3. A lista a seguir destaca sete filmes marcantes da produção cinematográfica brasileira:
1. Rio, 40° graus
2. Deus e o diabo na terra do Sol
3. Cabra marcado para morrer
4. Olga
5. Central do Brasil
6. Carandiru
7. Cidade de Deus
Os cineastas Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Walter Moreira Salles, Hector Babenco e
Fernando Meirelles são os diretores, respectivamente, de:
a) 1,2,5,6e7.
b)1,4,3,5e7.
c) 2, 1, 5, 7 e 6.
d) 3, 4 ,2 ,7 e 1.
e) 3, 2, 5, 7 e 6.
4. O conceito de Estado-nação vincula sua soberania às suas fronteiras territoriais. Dentro delas ele é
supremo com relação ao seu direito; fora tem o direito de reconhecimento na medida em que
.
for capaz
de defendê-las. Hoje, esse modelo enfrenta vários e profundos desafios. Como a ordem internacional
de Estados-nação ergue-se sobre esse modelo de soberania, qualquer fato que lance dúvidas sobre tal
soberania colocará em questão todo o sistema.
Bobbitt, Philip A guerra e a paz na História Moderna, Ed. Campus. Rio de Janeiro, 2003.
Sobre os fatos que abalam o conceito de Estado-nação temos, EXCETO:
a) o reconhecimento dos direitos humanos como norma que requer a adesão de todos os Estados,
independentemente de suas leis internas.
b) a proliferação de ameaças globais que transcendem as fronteiras dos Estados como os danos ao
meio ambiente ou a expansão de doenças ou da fome.
c) a criação de uma rede global de comunicações capaz de penetrar fronteiras eletronicamente e pôr
em risco idiomas, costumes e culturas nacionais.
d) a ampla distribuição de armas de destruição em massa toma eficiente a defesa das fronteiras do
Estado e garante a proteção da sua sociedade.
e) a expansão de um regime econômico mundial que ignora as fronteiras na movimentação de
investimentos de capitais.
5. Os conflitos comumente denominados Primeira Guerra, Segunda Guerra, Guerras da Coréia e do
Vietnã, bem como a Revolução Russa, a Guerra Civil Espanhola e a Guerra Fria fazem parte de uma
única guerra, a longa guerra que iria determinar qual das três novas formas constitucionais –
parlamentarismo liberal, comunismo e fascismo – ocuparia o lugar dos Estados imperiais do século
XIX.
Sobre os conflitos citados NÃO podemos afirmar que:
a) a Guerra Fria opunha estados liberais contra estados comunistas.
b) a Guerra do Golfo era um desdobramento da Guerra Fria, opondo o estado parlamentarista
hegemônico contra os outros.
c) a Guerra Civil Espanhola colocava de um lado a Falange, apoiada pelos estados fascistas e, do
outro, liberais e socialistas.
d) a Guerra da Coréia ou do Vietnã devem ser analisadas como conflitos localizados dentro do quadro
da Guerra Fria.
e) a Segunda Guerra unia estados parlamentaristas e comunistas contra os estados fascistas.
6.
"Sofrendo de graves problemas mentais, suas telas mostram uma marca pessoal e inconfundível:
cenários humildes, paisagens campesinas comuns, retratos e naturezas mortas executadas com
frenéticos movimentos de pincel que ressaltam os elementos representados."
“O material de construção revolucionário, composto de vãos e de volumes (ou de vazios ou de cheios),
é difícil de descrever com exatidão. Ele procurava representar em suas obras uma visão multifacetada
da realidade, o que assustava uma sociedade acostumada com concepções estéticas que
privilegiavam a harmonia das formas”.
As gravuras e os textos referem-se, respectivamente, a:
a) Salvador Dali e Juan Miró.
b) Paul Gauguin e Henri Matisse.
c) Vincent Van Gogh e Pablo Picasso.
d) Edgard Degas e Henri Matisse.
e) Edgouard Manet e Auguste Renoir.
7. Nas últimas décadas do século XX, e principalmente após o fim do socialismo no leste europeu, o
neoliberalismo ganhou ampla aceitação. Os pontos básicos do projeto neoliberal para a América
Latina foram sistematizados no chamado Consenso de Washington, em 1989. Sobre as medidas
propostas naquela reunião, analise as afirmativas a seguir:
I – ajuste fiscal – limitar os gastos do Estado de acordo com a arrecadação, eliminando o déficit
público.
II – Estado mínimo limitação da intervenção do Estado na economia, redefinindo seu papel e
enxugando a máquina pública.
III – privatização – venda das empresas estatais que não se relacionam com a atividade específica do
Estado.
IV – abertura comercial redução das alíquotas de importação e impulsionar o processo de inserção na
economia globalizada.
Assinale as afirmativas corretas:
a) apenas I e II.
b) apenas III e IV.
c) apenas I, II e III.
d) apenas II, III e IV.
e) todas as afirmativas estão corretas.
8. Leia com atenção o fragmento a seguir:
............................
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina;
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia.
..........................
O fragmento foi tirado do poema Morte e Vida Severina.
Seu autor é:
a) Guimarães Rosa.
b) João Cabral de Mello Neto.
c) José Lins do Rego.
d) Graciliano Ramos.
e) Jorge Amado.
ELETRONORTE / Auxiliar de Enfermagem do Trabalho / Nível Médio / NCE-UFRJ / 2005
9. A organização política e a economia brasileira apresentaram, entre 1964 e 1985, características muito
especiais. Entre as características desse período podemos indicar:
a) estrutura liberal e recessão econômica.
b) regime autoritário e crescimento econômico.
c) parlamentarismo e modernização conservadora.
d) eleições diretas e milagre econômico.
e) pluripartidarismo e reformas de base.
10. A Europa viveu, na última década do século XX, uma experiência traumática. Na contramão do seu
movimento de união e identidade, ela assistiu a uma, explosão de conflitos violentos. Na região
balcânica as principais razões para o conflito foram:
a) econômicas.
b) políticas.
c) territoriais.
d) geográficas.
e) étnicas.
11. Berna (Suíça), meados de maio de 1905:
“Após uma noite de reflexões intensas, Albert Einstein, que mal completara 26 anos, agradece a um
amigo: “Obrigado! Resolvi completamente o problema. Uma análise do conceito de tempo é a
solução.”. Em setembro, como conseqüência da nova teoria, deduziu a expressão, talvez a mais
famosa fórmula da ciência, que fundia as leis de conservação da massa e da energia.”
Adap. de Ildeu de Castro Moreira, CIÊNCIA HOJE, vol.36, pág.34
A fórmula a que o texto se refere é:
a) E = mc
2
.
b) P = mg.
c) F = ma.
d) PV = nRT.
e) S = S
0
+ vt.
12. A década de 1980 é tomada como referência para o processo de globalização. A partir desse marco a
economia mundial apresenta as seguintes características, EXCETO:
a) o desenvolvimento da informática ligada às telecomunicações facilita a circulação de mercadorias e
capitais.
b) a abertura dos mercados nacionais derruba barreiras alfandegárias e cria as condições favoráveis
para o investimento de capital.
c) as grandes empresas ampliam os investimentos na pesquisa e na concepção de novos produtos e
transferem a tarefa de fabricação para os países periféricos.
d) o processo de automação provoca uma mudança radical no mundo do trabalho com o
desaparecimento de numerosos postos de trabalho.
e) o fortalecimento dos Estados nacionais aumenta sua autonomia em relação aos investimentos
externos e à ação das grandes corporações.
13. Leia os versos a seguir:
“Nas favelas, no senado,
Sujeira por todo lado.
Ninguém respeita a constituição,
Mas todos acreditam no futuro da nação.
Que país é este?
No Amazonas, no Araguaia, na Baixada Fluminense,
No Mato Grosso, nas Gerais e no Nordeste tudo em paz.
Na morte eu descanso, mas o sangue anda solto Manchando os papéis, documentos fieis
no descanso do patrão.
Que país é este? "
O autor desses versos, Renato Russo, foi líder de uma das bandas de maior sucesso do rock nacional
dos anos 80. O nome dessa banda é:
a) Secos e Molhados.
b) Os Mutantes.
c) Blitz.
d) Legião Urbana.
e) Barão Vermelho.
14. “Nasci no interior da floresta e consagro a minha vida à causa da floresta”.
Essa frase do mais importante poeta amazônico, autor do Estatuto do Homem e de Faz escuro, mas eu
canto, mostra que o notável poeta é também um incansável defensor da floresta na luta contra a ação
predatória do homem. O poeta em questão é:
a) Márcio de Souza.
b) Tiago de Melo.
c) Benjamim Lima.
d) Péricles Morais.
e) Manoel Santiago.
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN / Técnico / Arqueologia / Nível
Superior / NCE-UFRJ / 2005
15. “Assim como não veio substituir homens, a revolução não veio também substituir partidos. O seu
programa é substituir princípios e normas para evitar o regresso à política dos antigos donos da
República, dos senhores absolutos do regime". Entrevista de Osvaldo Aranha ao Correio do Povo,
publicada em 14/6/1931. In: A Revolução de 30. Textos e Documentos. Brasília: Editora da
Universidade de Brasília, 1982. p. 30.
O texto de um dos líderes do movimento militar que levou Getúlio Vargas ao poder em 1930 expressa
uma critica contundente ao modelo político que acabava de ser derrubado.
Assinale a alternativa que melhor define esse modelo político em questão:
a) Tratava-se de uma monarquia parlamentar, sendo o chefe de Gabinete o responsável pela política
de Governo.
b) O autor refere-se à política implementada pelos governos militares dos dois primeiros presidentes
da república (Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto), com fortes traços autoritários que marcaram
a vida política brasileira.
c) A crítica dirige-se ao modelo oligárquico implantado com a política dos governadores, que
assegurava a preponderância dos interesses ligados à cafeicultura.
d) A crítica dirige-se à forma de democracia implantada com o regime republicano e que resultava em
cópia a crítica das democracias parlamentares européias.
e) O texto expressa uma crítica ao modelo político implantado pelos republicanos radicais, que ao
copiarem os modelos europeus, pretendiam assegurar algumas conquistas políticas como o voto
secreto universal.
16. O messianismo foi uma das experiências sócio-culturais que, presente na sociedade brasileira desde
sua formação, perdurou ao longo da temporalidade, a despeito das particularidades assumidas por ele
em diferentes conjunturas históricas. Considerando o messianismo como o entrecruzamento de um
imaginário religioso e de uma prática de poder, indique a alternativa que exprime a ocorrência dessa
manifestação na sociedade brasileira:
a) “Sahiu D. Pedro II
Para o reyno de Lisboa
Acabosse a monarquia
O Brasil ficou atôa! [... ]
O Anti-Christo nasceu
Para o Brasil governar
Mas ahi está o Conselheiro
Para dele nos livrar”.
(CUNHA, Euclides da. Os sertões campanha de Canudos. São Paulo: Ática, 1998. p. 176.)
b) “O bispo aspergia e rezava sobre feixes e feixes de palmas; então ele e um grupo de padres, cada
um com um ramo na mão, dirigiram-se, em procissão lenta, até a porta e saíram. Dando uma
pequena volta ao átrio, voltaram à porta, que logo após tinha sido fechada e nela batendo, eram
readmitidos, quando então se dirigiram ao altar, cantando versos adequados. O seu regresso
simboliza a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém."
(EWBANK, Thomas. A vida no Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1976. p. 170).
c) “Dir-se-ia que um gérmen fatal se inoculou no organismo da República, gérmen de morte a
manifestar-se na indiferença geral com que os habitantes do país encaram os mais graves
problemas da Nacionalidade [...] Senhores do governo, senhores da Igreja, do Exército, da Armada
e do povo! Não seremos dignos de nós mesmos, não seremos dignos de nossa pátria se cada um
de nós em sua esfera não concorrer para que um vento da ressurreição sacuda o organismo social
do Brasil.”
(LEME, Sebastião, arcebispo, discurso de 3 de maio de 1924, Páscoa dos militares. Apud: SANTO
ROSARIO, Regina Maria, irmã. O Cardeal Leme. Rio de Janeiro: ____, 1962. p. 165-166.)
d) “De todas as violências e ilegalidades postas em prática pela quartelada de 1 °de abril, a mais
repugnante, a mais abjeta é a oficialização e santificação da delação [..] Delatar um colega de
trabalho, apontá-lo aos algozes de hoje porque ele pensa diferente de nós – não é um ato digno de
um homem, e muito menos de um democrata. [..]Mas é preciso que haja resistência. Os
inquisidores irão embora, a inquisição passará. Mas ninguém esquecerá o delator, ninguém
perdoará a delação. Lembro o símbolo universal da Traição: Judas. [..]”–.
(CONY, Carlos Heitor. Judas – o dedo-duro. Correio da Manhã, 14 de maio de 1964.)
e) "Mal começaram a brilhar as vitoriosas bandeiras
Do teu triunfo, as vitoriosas bandeiras da cruz,
Por entre os povos brasílicos [ ..] Estarreceu-se de horror o desgraçado e uivando atirou-se
No abismo e deixou-te, os reinos que a ti pertenciam
E que ele há tanto usurpara”.
(ANCHIETA. José de. padre. Os Feitos de Mem, de Sá. Versos 1175-1182. Apud: NEVES, Luiz
Felipe Baêta Neves. O Combate dos Soldados de Cristo na Tema dos Papagaios. Rio de Janeiro:
Forense Universitária, 1978. p. 66-67.)
17. O jornalista Elio Gaspari, ao descrever a reunião da sexta-feira, 13 de dezembro de 1968, que decidiu
pela promulgação do Ato Institutcional n° 5, afirma que o marechal Arthur da Costa e Silva assim se
dirigira aos membros do governo reunidos no Palácio Laranjeiras: “ou a Revolução continua, ou a
Revolução se desagrega”.
Assinale a alternativa que melhor caracteriza o significado daquele Ato Institucional:
a) Tratava-se do Ato que decretava o fim dos partidos políticos existentes e criava apenas dois: a
ARENA alinhada à política dos militares e o MDB, oposição consentida ao regime.
b) O AI 5 instituiu a figura do senador biônico, que dispensava as eleições diretas para a sua escolha.
c) O Ato Adicional de 13 de dezembro de 1968 dava início ao processo de distensão lenta e gradual
idealizado pelos militares no poder como forma de promover uma transição lenta para um futuro
governo civil.
d) O Ato Institucional de n. 5 foi uma resposta direta aos movimentos grevistas da região ABC paulista,
que punham em xeque a política econômica do "milagre brasileiro".
e) O Ato Institucional de n. 5 significou na prática a instituição de um regime ditatorial com a
concentração de poderes nas mãos do Executivo, dando início à fase mais dura e repressiva do
regime militar instalado no país em 1964.
18. “Queremos Pedro II,/ Embora não tenha idade,/ A Nação dispensa a lei,/ E viva a maioridade." In:
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador. D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo:
Companhia das Letras, 1998. p. 74.
Os versos acima fazem alusão ao chamado golpe da maioridade, que em 1840 declara o jovem Pedro,
herdeiro do trono brasileiro, imperador. Assinale a alternativa que melhor caracteriza o período que se
inicia com a decretação de sua maioridade:
a) A decretação da maioridade de D. Pedro II significou uma medida política visando a centralização
do poder nas mãos do governo central.
b) O golpe da maioridade significou uma vitória dos grupos regionais que pretendiam uma
descentralização política.
c) A maioridade de D. Pedro II decretada em 1840 deu início ao Segundo Reinado e representou a
expressão política dos setores cafeicultores da província de São Paulo.
d) Na verdade a antecipação da maioridade estava prevista na Constituição em situações que
pusessem em risco a unidade territorial e política do Império brasileiro.
e) Com a maioridade do jovem imperador tem início o regime monárquico parlamentar de feição
absolutista.
19. A política de preservação do patrimônio conheceu durante o século XIX, momento de fundação desta
discussão, duas grandes linhas de reflexão, impondo conseqüentemente práticas diversas em relação
aos bens a serem considerados parte de um patrimônio nacional. Assinale a alternativa que melhor
descreve esses projetos preservacionistas:
a) Os dois paradigmas de preservação histórica da Europa no século XIX estão ligados aos nomes de
John Ruskin e Eugène Viollet-le-Duc, o primeiro defendendo a restauração segundo as formas
supostamente originais de um monumento do passado.
b) Eugène Viollet-le-Duc, arquiteto que passa a atuar a partir dos anos 1830 na França, representava
aquele paradigma segundo o qual a restauração jamais poderia restituir a forma original dos
monumentos, destruídos pela ação inexorável do tempo.
c) Os dois paradigmas referidos supõem igualmente distintas concepções de história, a primeira delas,
ligada ao trabalho de Viollet-le-Duc, imaginava a possibilidade de chegar-se ao passado nos termos
em que ele realmente existira.
d) Tanto o paradigma de preservação defendido por Ruskin, quanto aquele formulado por Viollet-le-Duc
estão mais assentados em valores estéticos para definição dos monumentos do que propriamente
em preocupações relativas à historia.
e) Os dois representantes desses paradigmas preservacionistas, embora partindo de concepções
divergentes, sustentaram políticas de preservação que terminaram por se assemelhar tendo em vista
a centralidade do valor histórico para definição dos monumentos considerados patrimônio.
20. Várias cidades brasileiras, por concentrarem em um espaço físico limitado diferentes segmentos
sociais, com interesses geralmente conflitantes, foram palco de importantes manifestações de protesto
e de reivindicação popular. Parte dessas mobilizações buscava legitimar-se recorrendo a um discurso
libertário que, oriundo do pensamento iluminista ou dos ideários anarquista e socialista, não descartava
o advento da “modernidade”. Já outra parcela, pelo contrário, recorria a concepções de cunho
tradicionalista, associando a emergência do “novo” a novas formas de espoliação. Marque, nas
alternativas abaixo, a imagem que exprime essa segunda perspectiva:
a)
Quadro de Antônio Parreiras, século XX.
Condenação de Felipe dos Santos, Vila Rica, 1720.
b)
Litografia de Emil Bauch. Rua da Cruz, Recife, meados do século XIX, cidade onde eclodiu a Praieira.
c)
Charge contra a vacinação obrigatória. Rio de Janeiro, 1904.
d)
Cartaz da Revolução Constitucionalista. São Paulo, 1932.
e)
Marcha pela Educação. Brasília, 2001.
21. A estrutural desigualdade sócio-econômica do país, que inúmeras vezes culmina em situações de
carência e violência extremadas, foi traduzida sob forma de letra e melodia em várias músicas
consagradas pela crítica e pelo público contemporâneos. Leia abaixo os trechos de algumas dessas
composições:
I -Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel, se lambuzar de mel.
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, propícia estação de fecundar o chão.
Cio da terra. Composição: Milton Nascimento e Chico Buarque de Hollanda
II - Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o baiola vai sumir
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai se embora com medo de se afogar.
O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão.
Sobradinho. Música: Sá e Guarabira.
III - Enquanto a minha vaquinha tiver o couro e o osso
E puder com o chocalho pendurado no pescoço
Vou ficando por aqui, que Deus do céu me ajude!
Quem sai da terra natal em outro canto não pára!
Só deixo o meu Cariri no último pau-de-arara!
Último Pau-de-Arara. Intérprete: Fagner. Composição: Venâncio/Corumbá/J.Guimarães
IV – A lei da selva, consumir é necessário
Compre mais, compre mais, supere seu adversário
O seu status depende da tragédia de alguém
E isso, capitalismo selvagem!
Mano na Porta do Bar. Composição: Racionais MC's.
A alternativa que NÃO se refere às composições de forma historicamente correta é:
a) as músicas I e III traduzem práticas econômicas desenvolvidas durante o período colonial, sendo
ambas localizadas em áreas rurais, mas destinadas a mercados consumidores distintos: uma
voltava-se à exportação e outra ao abastecimento interno.
b) a música I traduz uma prática econômica pautada na devastação dos recursos naturais e no uso
significativo de mão-de-obra escrava até meados do século XIX.
c) a música III traduz uma prática econômica promotora da ocupação do interior do Brasil, estando
baseada na ausência de degradação ecológica e no uso predominante de mão-de-obra livre.
d) as músicas II e IV traduzem transformações sociais possibilitadas apenas com o incremento do
processo industrial no país, a partir da I Guerra Mundial.
e) as músicas II e III traduzem a saga dos retirantes nordestinos que decidem migrar para as grandes
cidades do litoral, evidenciando-se a não interferência do poder público na região.
22. O patrimônio cultural brasileiro vem sendo constituído mediante apropriações contínuas, que mesclam
práticas de violência com criativas reelaborações da vivência cotidiana. As imagens reproduzidas
abaixo elencam cinco exemplos dessa transformação do simbólico: trazidas por povos ou etnias
específicas, elas foram incorporadas aos costumes, à devoção, em suma, à identidade de uma
sociedade que assume como um de seus traços mais marcantes a diversidade cultural. Relacione tais
imagens a seus pertencimentos sociais e históricos, marcando a alternativa ERRADA:

II – Nossa Senhora da
I – Rede. Final do Século XIX.
Fotógrafo: Vicentes
Photographos.
Conceição
Escultura em Marfim,
Século XVII.
Acervo Museu Histórico
Nacional.
III – Renda de bilro, Século
XX, Florianópolis.
IV – Xícara de Porcelana,
Século XIX, França.
Acervo Museu Histórico
Nacional.
V- Pequeno livro, com
versos do Alcorão em
árabe. encontrado preso
ao pescoço de um
participante da
insurreição dos malês, na
Bahia, em 1835.
a) O objeto reproduzido na imagem I era comumente utilizado pelas comunidades indígenas do Brasil,
sendo incorporado aos ambientes urbanos coloniais e imperiais.
b) A escultura reproduzida na imagem II remete à arte indoportuguesa, desenvolvida no âmbito do
comércio marítimo para obtenção das especiarias orientais entre os séculos XVI e XVII.
c) O artesanato reproduzido na imagem III exprime uma prática introduzida por colonos portugueses
da Ilha dos Açores, que promoveram a ocupação do litoral de Santa Catarina no século XIX.
d) O objeto reproduzido na imagem IV indica a preponderância francesa na venda de produtos
manufaturados e industrializados ao Brasil durante o século XIX.
e) O objeto reproduzido na imagem V indica o domínio letrado dos escravos afro-brasileiros de cultura
islâmica, geralmente oriundos do Sudão.
Ministério das Cidades / Administrador / Nível Superior / NCE-UFRJ / 2005
23. Alguns dos mais graves problemas mundiais têm por origem uma combinação entre as necessidades
de mercados consumidores cada vez mais estruturados e as novas tecnologias, que propiciam a
confecção de produtos cada vez mais descartáveis e baratos. O resultado é a utilização e exploração
crescente e danosa dos recursos naturais — renováveis ou não — e a poluição, que degrada, ameaça
a vida, promove doenças e impacta marcadamente os grandes centros urbanos. As atuais políticas de
combate ao desperdício, à poluição e, em especial, ao lixo urbano, têm se baseado no princípio dos 3
R, três verbos de comando iniciados com a letra R que são as principais armas para combater tais
problemas. Identifique-os, na lista a seguir, e assinale a opção que os apresenta na correta ordem de
prioridade:
— Reduzir
— Reciclar
— Renovar
— Reutilizar
— Reestruturar
a) reduzir, reciclar, renovar.
b) reciclar, reestruturar, renovar.
c) reutilizar, reduzir, reestruturar.
d) reduzir, reutilizar, reciclar.
e) reciclar, reutilizar, renovar.
24. A música é essencial para o engrandecimento do espírito humano. Alguns dos principais compositores
do século passado estão listados a seguir. Identifique-os:
a) Beethoven, Scarlatti, Ravel.
b) Shostakovich, J. S. Bach, Verdi.
c) Gershwin, Stravinsky, Villa-Lobos.
d) Dvorak, Brahms, Schubert.
e) Paganinni, Schumann, R. Bach.
25. O cenário político nacional tem sido abalado, nos últimos meses, por uma sucessão de denúncias e
escândalos. Um dos casos mais polêmicos resultou na renúncia ao mandato de deputado do então
Presidente da Câmara dos Deputados e a conseqüente eleição de novo Presidente para aquela casa
legislativa federal. Num momento em que a crise ronda o Governo Federal, o cargo de Presidente da
Câmara é fundamental não só por suas responsabilidades intrínsecas como também porque ele, o
Presidente da Câmara, é o terceiro na linha sucessória da Presidência da República. O atual
Presidente da Câmara dos Deputados e seu antecessor são, respectivamente:
a) Tarso Genro e Renan Calheiros.
b) Renan Calheiros e Severino Cavalcânti.
c) Aldo Rebelo e José Dirceu.
d) José Dirceu e Aloísio Mercadante.
e) Aldo Rebelo e Severino Cavalcânti.
26. Nesse ano de 2005, comemoram-se os cem anos de publicação de alguns dos mais importantes
resultados científicos obtidos por Albert Einstein, o mais notável cientista do século XX. Duas de suas
descobertas foram:
a) a teoria da relatividade geral e a teoria da relatividade restrita.
b) a 1
a
lei da termodinâmica e a teoria da relatividade geral.
c) a teoria dos jogos e a teoria da relatividade restrita.
d) a evolução das espécies e a teoria da relatividade geral.
e) a estrutura molecular do DNA e a teoria dos jogos.
27. Os especialistas são quase unânimes em afirmar que os fundamentos atuais da economia brasileira
são sólidos e que o país poderia aproveitar o bom momento vivido pela economia mundial,
notadamente nos países emergentes, para alcançar crescimento econômico de médio e longo prazo,
em bases sustentáveis. Alguns fatores de nossa política econômica dificultam, entretanto, nosso
crescimento, como por exemplo:
I - as altas taxas de juros praticadas no país.
II - o balanço de pagamentos.
III - os fracos volumes das exportações.
IV - o dólar supervalorizado.
V - os graves problemas de infra-estrutura.
Dentre os listados estão corretos:
a) II e III, apenas.
b) I e IV, apenas.
c) I e V, apenas.
d) I, II e V.
e) III, IV e V.
28. Alguns de nossos mais importantes escritores têm suas obras marcadas por uma íntima relação com
suas cidades. São autores com obras associadas com Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro,
respectivamente:
a) Monteiro Lobato, Lima Barreto e Mário de Andrade.
b) Dalton Trevisan, Oswald de Andrade e Machado de Assis.
c) Guimarães Rosa, João Ubaldo Ribeiro e José de Alencar.
d) Mário Quintana, Jorge Amado e Fernando Sabino.
e) Márcio de Souza, Nelson Rodrigues e Érico Veríssimo.
NCE/UFRJ — 2006
Arquivo Nacional / Agente Administrativo / Nível Médio / NCE-UFRJ / 2006
29. Em concorrida cerimônia no plenário da Câmara dos Deputados, transmitida ao vivo pela televisão
para todo o país, em 05 de outubro de 1988, o deputado Ulisses Guimarães, presidente da Assembléia
Constituinte, declarou promulgada a nova Constituição brasileira.
O novo sistema político:
a) assegurava a liberdade de expressão e de reunião, além da livre organização partidária e sindical.
b) decidia que os poderes Executivo e Legislativo deveriam ser originários do voto direto e secreto dos
cidadãos brasileiros.
c) estabelecia o Estado de direito com a montagem de uma estrutura política e jurídica a serviço da
liberdade e dos direitos individuais.
d) instituía o Ministério Público, órgão encarregado, entre outras coisas, da defesa da sociedade
contra os abusos do poder público.
e) passava para as empresas privadas as garantias previdenciárias e o estabelecimento das novas
regras relativas aos direitos sociais e trabalhistas.
30. Um dos traços marcantes na vida das sociedades democráticas são os movimentos que têm como
meta exercer influência junto à opinião pública e ao governo para que as causas que defendem sejam
objeto de políticas públicas. Entre os movimentos que mais se destacam no Brasil NAO se incluem o:
a) dos negros e dos homossexuais, que lutam contra a discriminação.
b) das mulheres, pela igualdade de direitos entre os sexos.
c) dos imigrantes, pela obtenção de empregos.
d) das associações de moradores das grandes metrópoles.
e) dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
31. As características próprias do Barroco adquirem em seus trabalhos uma feição particular. Observe
que os olhos são expressivos, espaçados e amendoados. As maçãs do rosto não são arredondadas,
como em geral se apresentam nos anjos barrocos. O nariz é reto e alongado, o que dá muita força à
fisionomia. O queixo é pontiagudo e o pescoço é alongado, conferindo elegância e altivez à imagem
esculpida.
Nosso Senhor da Paciência
Com o auxílio do texto podemos identificar a obra acima como sendo de:
a) Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
b) Valentim da Fonseca e Silva, o mestre Valentim.
c) Manoel da Costa Athaíde, o mestre Athaíde.
d) Luís Dias, o mestre de pedraria.
e) Frei Agostinho da Piedade, o "mão santa".
32. Observe o cartaz a seguir:
Em fevereiro de 1922, realizou-se em São Paulo a Semana de Arte Moderna. Entre os princípios
defendidos pelos artistas que participaram da Semana de Arte Moderna temos, NAO se inclui o do/da:
a) rompimento com a arte acadêmica.
b) busca do novo, com uma feição tropical.
c) ruptura com as idéias libertárias européias.
d) valorização dos temas brasileiros.
e) defesa da liberdade de expressão.
33. Em 2005, o filme brasileiro que conseguiu o maior sucesso de público, com mais de dois milhões de
espectadores, foi:
a) Central do Brasil.
b) O auto da Compadecida.
c) Carandiru.
d) Cidade de Deus.
e) Dois filhos de Francisco.
34. “Este protagonista do movimento dadaísta, quando põe bigodes na Gioconda de Leonardo, não
pretende desfigurar uma obra-prima, e sim contestar a veneração que lhe tributa passivamente a opinião
comum. E pretende, também, ferir o orgulho de um público que não sabe distinguir entre original e
reprodução, visto que a reprodução não possui carisma, é um fato industrial, podendo ser impunemente
manipulada.”
O texto refere-se a:
a) Pablo Picasso.
b) Auguste Renoir.
c) Francisco Goya.
d) Marcel Duchamp.
e) Vincent Van Gogh.
35. A cultura do café começou a se expandir no Vale do Paraíba durante os primeiros decênios do século
XIX e está na raiz de importantes transformações verificadas na vida política, social e econômica do
Brasil. Em pouco tempo, o grão tornou se o principal item da pauta de exportações brasileiras. Com o
esgotamento dos solos do vale, o café seguiu para o oeste paulista, onde gerou riquezas que deram
proeminência econômica ao estado de São Paulo e impulsionaram a industrialização.
Assinale a alternativa que apresenta uma frase que NAO está relacionada corretamente ao período
destacado no texto:
a) as ferrovias tiveram profundo impacto na economia cafeeira, valorizando as terras próximas dos
trilhos e intensificando a circulação de mercadorias.
b) em 1929, a cafeicultura brasileira foi abalada pela quebra da bolsa de Nova York, que derrubou
bruscamente os preços internacionais do café.
c) no final do século XIX, surge uma nova arquitetura nas fazendas de café em que a casa-grande e a
senzala são os elementos dominantes.
d) a partir de 1870 empresários paulistas incentivaram a vinda de imigrantes europeus para substituir o
trabalho escravo.
e) a economia do café deixou atrás de si um rastro de destruição ambiental e injustiça social de difícil
mensuração.
36. “A idéia é identificar uma pessoa por meio das características de seu código genético, que são únicas
em determinados pontos."
A afirmativa refere-se:
a) ao exame de DNA.
b) ao princípio da termodinâmica.
c) à obtenção de células-tronco.
d) à clonagem terapêutica.
e) ao deslocamento químico.
37. Na segunda metade do século XX, o Brasil assistiu a um acelerado processo de urbanização. A partir
de 1950 a população brasileira concentrou-se nas metrópoles regionais / capitais de estado.
A principal causa desse fato foi:
a) o acelerado êxodo rural.
b) a crescente migração externa.
c) a elevada taxa de mortalidade.
d) o deslocamento cidade-campo.
e) a manutenção da taxa de fecundidade.
38. O aquecimento global é conseqüência da acumulação na atmosfera de gases que retêm calor e
permanecem ali por longo tempo, como o gás carbônico (CO2), o metano, os óxidos de nitrogênio e
outros. Todos são gerados por atividades industriais e/ou de produção de energia a partir da queima de
combustíveis orgânicos ou fósseis, e tais atividades cresceram continuamente nos últimos 100 anos.
Estudos indicam que o aquecimento global vem apresentando sérias conseqüências para a vida dos
homens no planeta. Entre essas conseqüências encontram-se, EXCETO:
a) o avanço nos processos de desertificação.
b) o degelo em áreas polares e elevação do nível dos oceanos.
c) o aumento da intensidade dos fenômenos meteorológicos.
d) a uniformização da temperatura e da umidade entre as diferentes zonas térmicas.
e) a ampliação das áreas de ocorrência de doenças tropicais transmitidas por vetores de difícil
controle, como malária e leshmaniose.
39. Nos sistemas agrícolas a biodiversidade cumpre funções que vão além da produção de alimentos,
fibras, combustíveis e renda.
A biodiversidade tem influência:
a) na reciclagem dos nutrientes.
b) na alteração do microclima.
c) na concentração de resíduos químicos.
d) na proliferação de ervas daninhas.
e) na ruptura dos processos hidrológicos.
40. O Carnaval, como manifestação popular, se expressa pelas grandes aglomerações da população nas
ruas, avenidas e espaços públicos. Entre os maiores eventos carnavalescos, no Brasil, temos,
EXCETO:
a) os trios elétricos, em Salvador.
b) as escolas de samba, no Rio de Janeiro.
c) o galo da madrugada, no Recife.
d) o bumba-meu-boi, em Parintins.
e) os blocos de bairro, no Rio de Janeiro.
41. “A economia brasileira tem bons dados para mostrar em 2006. Ela pode chegar ao fim do ano com uma
inflação do mesmo tamanho do crescimento econômico." Miriam Leitão, O GLOBO, 19 de abril de
2006.
Entre as características da atual política econômica brasileira, encontram-se:
a) metas inflacionárias, altas taxas de juros e baixos índices de crescimento econômico.
b) política fiscal restritiva, superávit da balança comercial e metas de crescimento acelerado.
c) altas taxas de juros, câmbio desvalorizado e alta dívida externa.
d) inflação abaixo da meta, déficit na balança comercial e taxa de juros decrescente.
e) taxas de juros decrescentes, consumo interno pressionando a inflação e crescimento econômico
elevado.
42. A União Européia reúne hoje 25 países. Com aproximadamente 400 milhões de habitantes e um PIB
de 12 trilhões de dólares ela pode ser vista como a principal potência econômica mundial. No entanto,
a proposta de admissão de um novo membro, em 2005, deu origem a um acalorado debate: se ela não
estaria perdendo sua identidade. Esse novo membro é:
a) Turquia.
b) Rússia.
c) Israel.
d) Suíça.
e) Iugoslávia.
43. Às vésperas de se tornar auto-suficiente na produção de petróleo no Brasil, a Petrobras continua
enfrentando problemas com os vizinhos sul-americanos. Esses problemas surgiram após as eleições
presidenciais ocorridas em alguns países onde ela tem interesses, porque os novos governos eleitos
assumiram uma posição:
a) neo-liberal.
b) nacionalista.
c) populista.
d) conservadora.
e) social-democrata.
44. O Brasil se tornou, em 2006, auto-suficiente em petróleo.
Essa afirmativa está coroando um projeto surgido na década de 1950. A ideologia desse movimento e
o seu “slogan” são, respectivamente:
a) nacional-desenvolvimentista / “o petróleo é nosso”.
b) substituição das importações / “50 anos em 5”.
c) social-democrata / “plano de metas”.
d) neoliberal / “o petróleo para os brasileiros”.
e) social-trabalhista / “Brasil, potência”.
45. “Na extraordinária obra-prima Grande Sertão: veredas há de tudo para quem souber ler, e nela tudo é
forte, belo, impecavelmente realizado. Cada um poderá abordá-la a seu gosto, conforme o seu oficio;
mas em cada aspecto aparecerá o traço fundamental do autor, a absoluta liberdade de inventar”.
Antônio Cândido
O autor da obra prima citada no texto é:
a) Machado de Assis.
b) Graciliano Ramos.
c) Guimarães Rosa.
d) Jorge Amado.
e) Euclides da Cunha.
46. De 1930 a 1980 a economia brasileira mostrou elevadas taxas de crescimento econômico. O PIB
triplicou em apenas 50 anos. Esse período expressivo da história econômica brasileira é marcado pela
adoção de:
a) uma política de acelerada industrialização substitutiva das importações.
b) um modelo agrário-exportador estruturado em torno do complexo-soja.
c) um projeto liberal com a economia aberta à livre circulação de mercadorias.
d) uma política nacionalista inibidora dos investimentos de capital externo.
e) um planejamento rígido dos segmentos industriais de base.
47. A bola da vez é o Irã!
Quando a administração Bush denunciou a existência de um "eixo do mal", criou as condições para
uma ação militar no Iraque. Agora o noticiário anuncia ameaças e pressões norte-americanas contra o
país dos aiatolás. A justificativa que o governo norte-americano apresenta para essa iniciativa é:
a) a ameaça de uma revolução religiosa.
b) a diminuição da produção de petróleo.
c) o desenvolvimento de um projeto nuclear.
d) o aumento das ações terroristas no Ocidente.
e) a instabilidade política existente no Oriente Médio.
48. Os anos sessenta do século XX foram marcados por um grande movimento de ruptura com os valores
conservadores. A frase que se tomou referência para esse movimento foi:
a) “é proibido proibir”.
b) “fica na sua”.
c) “dá um tempo”.
d) “acredite na realidade”.
e) “liberdade sexual, já”.
Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo l Analista Legislativo I /Administrador / Nível
Superior / NCE-UFRJ / 2006
49. As características essenciais do novo paradigma técnico-econômico, denominado "modelo de
acumulação flexível", são, EXCETO:
a) ascensão dos complexos químico e metal-mecânico para a posição de liderança na inovação
tecnológica e na elevação da produtividade.
b) aumento dos requisitos de qualificação da mão-de-obra em vários segmentos produtivos.
c) modificação dos padrões de concorrência, com a multiplicação de alianças tecnológicas e
estratégicas entre empresas.
d) especialização das grandes empresas nas atividades essenciais e recurso à sub-contratação
geralmente de empresas de pequeno e médio porte.
e) inovação dos métodos de gestão empresarial com base nas novas tecnologias da informação.
50. “Fobópole... Criei esta palavra a partir de duas palavras gregas — phóbos, que significa medo, e polis,
que significa cidade — com o objetivo de expressar o sentimento que cada vez mais temos perante as
... grandes cidades".
Marcelo Lopes de Souza, 2006.
Com relação ao texto, analise as afirmativas apresentadas a seguir:
I - Muros, cercas eletrificadas, guaritas com vigias armados, cancelas para fechar ruas, câmaras de TV:
quem pode, paga por um aparato de segurança cada vez mais sofisticado, nas grandes cidades
brasileiras.
II - O medo, em algumas grandes cidades, se associa à criminalidade "ordinária", enquanto em outras
se vincula ao terrorismo ou à violência de raiz religiosa ou étnica.
III - Nas grandes cidades brasileiras, as quadrilhas organizadas, cujos “comandos” têm suas raízes nas
prisões, funcionam como "cooperativas criminosas", capturam as favelas e atemorizam seus
moradores.
Relaciona(m)-se corretamente com o texto a(s) afirmativa(s):
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas I e II.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.
51. Ao longo do século XX, no Brasil, as favelas foram pouco a pouco adquirindo visibilidade política, a
ponto de se falar freqüentemente do “problema da favela”. Passou, também, a ser tema importante nos
estudos acadêmicos. Muitos desses olhares sobre a favela passaram a ver os “favelados” como
“marginais sociais”, “economicamente parasitários”, “culturalmente desajustados” e “potencialmente
subversivos”. No entanto, a maior parte dos moradores das favelas brasileiras não pode ser assim
considerada.
Com relação ao texto, analise as afirmativas a seguir:
I – os favelados não são parasitários porque são imprescindíveis à economia urbana.
II – os favelados não são desajustados porque na verdade se adaptam à grande cidade e acabam
conhecendo-a melhor do que os integrantes da elite.
III – os favelados não são subversivos em potencial porque a maioria acaba votando em candidatos e
partidos conservadores, contra seus próprios interesses de longo prazo.
É/são correta(s) a(s) afirmativa(s):
a) somente I.
b) somente II.
c) somente I e II.
d) somente II e III.
e) I, II e III.
52. Na última década, o cinema brasileiro tem explorado o gênero documentário, tendo grande aceitação
pelo público e pela crítica na medida em que trabalha temas recorrentes do dia a dia.
Na relação a seguir, o filme que NÃO pertence a esse gênero é:
a) Notícias de uma guerra particular, de João Moreira Salles.
b) Edifício Master, de Eduardo Coutinho.
c) Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.
d) Janela da alma, de Walter Carvalho.
e) Ônibus 174, de José Padilha.
53. Na passagem dos anos 50 para os 60 começam a surgir manifestações que tomam corpo nos
movimentos da Bossa Nova e do Cinema Novo. Neles buscam-se novas formas de expressão artística,
capazes de integrar cultura, modernidade e desenvolvimento.
Mônica Velloso, 1991.
Na relação a seguir, indique o filme que NÃO faz parte do Cinema Novo:
a) “Deus e o diabo na terra do Sol”, de Glauber Rocha.
b) “A hora e a vez de Augusto Matraga”, de Roberto Santos.
c) “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos.
d) “Matou a família e foi ao cinema”, de Neville de Almeida.
e) “O padre e a moça”, de Joaquim Pedro de Andrade.
54. Ao pensarmos no Brasil contemporâneo, levantamos uma série de situações sociais e espaciais.
Sobre essas situações, é INCORRETO afirmar que:
a) a partir da década de 1990, com a onda neoliberal, abrimos o setor financeiro para bancos
estrangeiros.
b) a atual configuração espacial do sistema industrial brasileiro caracteriza-se pela diversificação e
homogeneização regional.
c) o país vem perdendo a classificação de país jovem, tendendo a construir rapidamente uma pirâmide
populacional com ampla proporção de idosos.
d) nas grandes cidades brasileiras há uma tendência de fechamento dos espaços de residência, de
comércio e lazer, expresso nos condomínios fechados e nos shopping centers.
e) o país vem se esforçando economicamente na produção e na exportação de commodities, sendo o
arco nordestino e do cerrado da soja um bom exemplo.
55. O técnico da seleção portuguesa, o brasileiro Felipe Scolari, em sua primeira entrevista na Copa do
Mundo, terminou sua fala com a frase “A sorte está lançada!”.
A frase foi originalmente dita por:
a) Julio César, no início de uma campanha militar.
b) Romeu, ao suicidar-se com sua amada Julieta.
c) D. Pedro I, ao declarar o Brasil independente.
d) Floriano Peixoto, ao proclamar a República.
e) D. Quixote, no momento de sua morte.
56. Dispositivo sólido semicondutor com três terminais, utilizado nos circuitos eletrônicos para fornecer
amplificação ou operar como um comutador de alta velocidade. Os primeiros foram desenvolvidos pela
primeira vez em 1948. Podem ser utilizados individualmente ou como parte de um circuito integrado.
O dispositivo descrito no texto, que provocou uma revolução tecnológica, é o (a):
a) transistor.
b) válvula.
c) transdutor.
d) laser.
e) transmissor.
57. A década de 1980 é o marco para o processo da globalização. A partir desse momento o
desenvolvimento da informática ligada ás telecomunicações facilitou a circulação de mercadorias e de
capitais. Ao mesmo tempo a queda das barreiras protecionistas abriam os mercados nacionais e os
países em desenvolvimento procuravam atrair maiores fluxos de capitais.
A globalização reúne assim desenvolvimento tecnológico e estratégias econômicas.
Entre essas estratégias temos:
I – as grandes empresas ampliam os investimentos na pesquisa e na concepção de novos produtos.
II – uma empresa concede a outra empresa, em regime de franquia, o direito de utilizar a sua marca.
III – as empresas cortam numerosos postos de trabalho em nome da eficiência, condição indispensável
para a concorrência.
É/são correta(s) a(s) alternativa(s):
a) somente I.
b) somente III.
c) somente I e II.
d) somente II e III.
e) I, II e III.
58. “O objeto primeiro da reflexão filosófica é o ser humano, visto não como uma entidade abstrata,
colocada fora da sua época, mas dentro de situações concretas: é isso que caracteriza a existência
humana.”
O fragmento acima pertence à corrente filosófica que, após a 2ª Guerra Mundial, quando o pesadelo
nuclear alimentava a falta de sentido da vida, alcançou grande destaque.
O nome dessa corrente e o do seu principal representante são, respectivamente:
a) Positivismo / Augusto Comte.
b) Socialismo dialético / Karl Marx.
c) Existencialismo / Jean Paul Sartre.
d) Estruturalismo / Michel Foucault.
e) Niilismo / Friedrich Nietzsche.
ELETRONORTE / Advogado A / Nível Superior / NCE-UFRJ / 2006
59. Sobre as figuras que marcaram o século XX e sua área de atuação, faça a correlação correta:
(1) Albert Einstein ( ) físico – a teoria da relatividade
(2) Sigmund Freud ( ) médico – a psicanálise
(3) Pablo Picasso ( ) artista – pintura
(4) Mahatma Gandhi ( ) político – desobediência civil
(5) Gabriel Garcia Marques ( ) escritor – literature
A seqüência correta é:
a) 1,4,5,3e2.
b) 1,2,3,4e5.
c) 3,4,1,2e5.
d) 5, 2, 3, 1 e 4.
e) 4,1,3,5e2.
60. Os movimentos sociais mais expressivos da década de 1960 eram os de crítica à sociedade de
consumo. Na origem dessa insatisfação estavam também o descontentamento com as relações
familiares e o repúdio à Guerra do Vietnã. As expressões a seguir eram usadas como “bandeiras”
desse momento, com a exceção de:
a) “faça amor, não faça a guerra”.
b) “é proibido proibir”.
c) “paz e amor”.
d) “não há sociedade, só indivíduos”.
e) “o sonho acabou”.
61. O cineasta Nelson Pereira dos Santos foi eleito, recentemente, para a Academia Brasileira de Letras.
O roteiro de um dos seus filmes reproduziu fielmente um clássico da moderna literatura brasileira.
Trata-se de:
a) Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
b) Cacau, de Jorge Amado.
c) Budapeste, de Chico Buarque.
d) Grande sertão, veredas, de Guimarães Rosa.
e) O menino do engenho, de José Lins do Rego.
62. JK tomou posse em 31 de janeiro de 1956. Na primeira reunião ministerial apresentou seu plano de
governo, composto de 30 objetivos que, se atingidos, eliminariam os pontos de estrangulamento da
economia brasileira. O Plano de Metas foi a mais sólida decisão da história econômica do país. Esse
modelo de desenvolvimento buscava:
a) o desenvolvimento industrial, dando prosseguimento ao processo de substituição das importações.
b) o aumento das exportações, garantindo os recursos para os investimentos no setor industrial.
c) a montagem da infra-estrutura industrial, criando “ilhas” econômicas voltadas para o mercado
interno.
d) o aumento da emissão de moeda, procurando integrar novos consumidores ao processo econômico.
e) a estabilidade dos preços, coordenando investimentos públicos no segmento de bens de consumo
duráveis.
63. Sobre a História Econômica da Amazônia, avalie as seguintes afirmativas:
I – até meados do século XIX, a economia amazônica manteve-se na atividade extrativista-florestal,
ligando-se precariamente ao comércio internacional.
II – de 1870 a 1920 a economia da borracha, estruturada como “coletora florestal”, não criou condições
para diversificar a base da economia regional.
III – a partir de 1970 o governo federal implantou uma malha rodoviária que transformou a Amazônia
Oriental numa grande “fronteira” – espaço econômico, social e político gerador de novas
oportunidades.
Assinale as afirmativas corretas:
a) apenas II.
b) apenas III.
c) apenas I e III.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.
64. Até 1980, o termo globalização era muito pouco usado.
Hoje, ele está cada vez mais presente nos debates sobre as transformações que as economias
nacionais vêm sofrendo.
Os fatores determinantes do fenômeno da globalização foram:
I – a ascensão das idéias liberais acompanhada da liberalização do movimento internacional de
capitais, destacadamente a partir da década de 80.
II – a ruptura do sistema de Bretton Woods, acompanhada pela instabilidade das taxas de juros e de
câmbio, assim como a crise econômica dos anos 70.
III – o desenvolvimento tecnológico associado à revolução da informática e das telecomunicações com
a redução dos custos operacionais e dos custos das transações em escala global.
Assinale:
a) se apenas o fator I está correto.
b) se apenas o fator III está correto.
c) se apenas os fatores I e III estão corretos.
d) se apenas os fatores II e III estão corretos.
e) se os fatores I, II e III estão corretos.
65. Podemos considerar os conflitos do século XX – Primeira e Segunda Guerras Mundiais, as guerras da
Coréia e do Vietnã, a Guerra Civil Espanhola e a Guerra Fria – como uma única guerra porque todas
giraram em tomo de uma mesma questão: que tipo de Estado ocuparia o lugar dos Estados imperiais
europeus surgidos no século XIX e que entraram em colapso em 1914?
A finalidade da Longa Guerra foi estabelecer qual das três formas constitucionais, a seguir, os
substituiria:
a) a democracia parlamentar, a democracia popular e o fascismo.
b) a social democracia, o liberalismo e o nacional-socialismo.
c) a monarquia parlamentar, o estado-novo e o comunismo.
d) o integralismo, a democracia autoritária e o fascismo.
e) a democracia parlamentar, o comunismo e a social democracia.
ELETRONORTE /Assistente Administrativo I / Todas as Funções / Nível Médio / NCE-UFRJ / 2006
66. Sustentado pelo sucesso do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso tomou-se candidato à
presidência da República em 1994. Cercado de expectativas otimistas, tudo indicava que haveria um
avanço das práticas democráticas e uma preocupação maior com o social. Eleito no primeiro turno,
FHC mudou seu discurso, redefinindo sua visão sobre a atuação e a gestão econômica.
Adaptado de Rumos da História, Atual Editora, SP, 2002.
Entre as principais medidas tomadas pelo novo governo temos, exceto:
a) diminuição do tamanho do Estado, incentivando a privatização das empresas estatais.
b) desregulamentação da economia, abrindo o mercado para os produtos estrangeiros.
c) valorização do real, aumentando as exportações e o saldo da balança comercial.
d) adoção dos princípios neoliberais, enfatizando a obediência às leis do mercado.
e) manutenção de altas taxas de juros, desestimulando a produção e o consumo.
67. Entre as principais mudanças observadas no cotidiano urbano brasileiro nas últimas décadas temos,
exceto:
a) os shoppings centers passaram a ser o lugar privilegiado da convivência social.
b) o telefone celular passou a ser o instrumento de comunicação mais freqüente.
c) as redes de televisão tomaram-se as principais incentivadoras da sociedade de consumo.
d) o setor de serviços passou a ser responsável por mais da metade da riqueza gerada no país.
e) as competições esportivas passaram a refletir as desigualdades sociais.
68. Leia o fragmento a seguir:
Artigo 1º: Fica decretado que agora vale a verdade, que agora vale a vida e que de mãos dadas
trabalharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo 2°: Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm
o direito a converter-se em manhãs de domingo.
Esse fragmento, de rara inspiração, é o início da seguinte obra:
a) Os Estatutos do Homem, de Tiago de Melo.
b) A Vida e a Liberdade, de Vinicius de Morais.
c) Hino à Vida, de Carlos Drumond de Andrade.
d) O admirável Novo Mundo, de Paulo Coelho.
e) Os caminhos da Vida, de Carlos Heitor Cony.
69. Em quase quatro séculos de história, a economia amazônica passou pelas seguintes etapas:
I – a extração das “drogas do sertão”, nos séculos XVII e XVIII, estimulava a ocupação dos vales dos
rios.
II – a borracha, no período 1870/1920, teve grande importância na pauta das exportações brasileiras.
III – os numerosos programas de colonização, criados pelo governo federal a partir da década de 1970,
estimularam a diversificação das atividades produtivas.
IV – a criação de uma zona franca em Manaus, em 1967, atraiu investimentos para segmentos
industriais modernos.
Assinale as afirmativas corretas:
a) apenas I e II.
b) apenas I e III.
c) apenas I, II e IV.
d) apenas II, III e IV.
e) I, II, III e IV.
70. A construção de usinas hidrelétricas na Amazônia tem provocado graves danos ambientais. O lago
artificial, criado pelo represamento das águas fluviais, provoca o alagamento de extensas áreas com
graves conseqüências sócio-ambientais.
A justificativa para essa afirmação deve-se à:
a) localização das barragens junto às grandes cidades para facilitar a transmissão da energia gerada.
b) construção de barragens em rios de pequeno volume de água o que altera os ecossistemas locais.
c) instalação das hidrelétricas em áreas já degradadas pela atividade agrícola e de fraca ocupação.
d) utilização de tecnologias de construção importadas e inadequadas às condições ambientais
regionais.
e) construção das hidrelétricas em áreas de pequena declividade com a formação de um grande lago
a montante.
71. A queda do Muro de Berlim, em 1989, marca o início de uma nova ordem mundial: a era da
globalização, na qual os Estados Unidos da América exercem indiscutível hegemonia. Entre as
evidências dessa hegemonia, temos:
I – O poder militar norte-americano capaz de projetar suas forças convencionais em qualquer parte do
planeta.
II – A difusão do estilo de vida norte-americano integrando a terra inteira como um grande mercado,
anulando o espaço por meio do tempo.
III – A presença das grandes empresas americanas na economia mundial, fundamental para a
produção da riqueza e a prestação dos serviços.
IV – O estabelecimento de um padrão cultural universal que toma os valores norte-americanos como
referência.
Assinale as afirmativas corretas:
a) apenas I e II.
b) apenas III e IV.
c) apenas I, II e IV.
d) apenas II, III e IV.
e) I, II, III e IV.
Governo do Estado de Mato Grosso /Advogado / Nível Superior / NCE-UFRJ / 2006
72. “Viva a Constituição brasileira
Viva D. Pedro II
Morram os bicudos pés de chumbo"
Os gritos dos revoltosos ecoavam pelas ruas.... "Na escuridão da noite apenas se ouvia o barulho dos
machados e das alavancas arrombando portas..."
Os trechos acima fazem referência à “Rusga”, movimento político-social que eclodiu em 30 de maio de
1834, em Cuiabá.
Assinale a alternativa que caracteriza corretamente essa rebelião:
a) liderada por negros libertos e brancos pobres, influenciada pelo ideário positivista, a revolta exigia a
imediata abolição da escravidão e o congelamento dos preços de aluguéis e alimentos.
b) representou os interesses dos partidários da Junta Governativa de Vila Bela que promoveram a
separação da região do resto do Brasil, pois não aceitavam a independência proclamada por D.
Pedro I.
c) articulado pela Sociedade dos Zelosos da Independência, o movimento tinha, inicialmente, objetivos
políticos moderados, mas assumiu um caráter violento na medida em que grupos radicais exigiam a
expulsão dos portugueses.
d) obteve grande apoio das camadas médias urbanas e da burguesia manufatureira que, influenciadas
pelo liberalismo, defendiam a imediata proclamação da República.
e) refletiu a ação do Partido Brasileiro, pois os proprietários rurais de Mato Grosso defendiam o
fortalecimento do poder imperial, contrariando a orientação federalista do Nordeste.
73. “... uma das grandes tarefas assumidas por todos os governos republicanos, desde a Proclamação, foi
a de produzir a unificação territorial e cultural do país e de seu povo... Assim, um verdadeiro arsenal de
políticas públicas foi sendo mobilizado, ao longo do período republicano, para que o arquipélago se
transformasse em continente ou, como queriam alguns, para que o Brasil efetivamente deixasse de ser
um gigante adormecido, e acordasse para o futuro.”
(FREIRE, A. et al (coord.), A República no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.)
Uma das políticas públicas republicanas empreendidas com o objetivo de promover a integração e o
desenvolvimento do estado de Mato Grosso foi:
a) a formação de várias colônias de imigrantes na parte norte do estado com o objetivo de absorver o
grande contingente de japoneses chegados ao Brasil no período pós-Segunda Guerra.
b) a criação de várias empresas de navegação fluvial, subvencionadas pelo Governo Federal, com o
objetivo de promover a integração do estado com o resto do país, conforme previsto no Plano de
Metas elaborado para o Governo Juscelino Kubitscheck.
c) a instalação de um pólo siderúrgico no extremo norte, com ampla participação do capital
estadunidense, para promover o desenvolvimento da indústria de base no país, meta prioritária do
Governo de Getúlio Vargas.
d) a aplicação, na década de 70, de uma política de ocupação e desenvolvimento através da
instalação de núcleos de colonos à beira de rodovias conforme previa o Plano de Integração
Nacional.
e) a desapropriação, na década de 40, de antigas fazendas de cana-de-açúcar, para promover a
reforma agrária através da concessão de lotes de terra aos retirantes nordestinos, que deveriam
desenvolver uma agricultura alimentar voltada para o mercado externo.
74. O crescimento urbano desordenado, em várias cidades de Mato Grosso, tem causado uma série de
impactos ambientais. Entre eles destacam-se:
a) assoreamento dos rios e poluição do lençol freático.
b) aumento do número de animais silvestres e poluição visual.
c) aumento da biodiversidade e redução do numero de insetos.
d) intemperismo das rochas e aumento da lixiviação.
e) percolação das águas das chuvas e aumento do número de roedores.
75. O turismo é uma atividade que vem se desenvolvendo bastante em Mato Grosso, nos últimos anos.
Duas áreas que têm se destacado nessa atividade econômica são:
a) Sorriso e Rondonópolis.
b) Sinop e Cáceres.
c) Pantanal e Chapada dos Guimarães.
d) Chapada dos Parecis e Rio Cuiabá.
e) Barão de Melgaço e Serra do Roncador.
Governo do Estado de Mato Grosso / Técnico em Secretariado / Nível Médio / NCE-UFRJ / 2006
76. “(..) se procura fazer a colônia de Mato Grosso tão forte e poderosa que contenha os vizinhos em
respeito e organize a administração.”
(Conselho Ultramarino)
A partir do texto acima, pode-se afirmar que a criação da capitania de Mato Grosso, em 1748, está
ligada ao interesse português em:
a) garantir a posse da região que pertencia a Portugal desde a assinatura do Tratado de Tordesilhas
(1494), mas que fora relegada a segundo plano durante os séculos XVI e XVII.
b) afirmar o poderio da Coroa portuguesa na região após o fracasso do empreendimento do donatário
da capitania de Minas Gerais que englobava a região matogrossense.
c) consolidar o domínio no território a oeste da linha de Tordesilhas, conquistado e ocupado pelos
colonos portugueses, evitando o avanço das missões jesuíticas espanholas sobre essas terras.
d) combater os sucessivos conflitos entre colonos portugueses e os comerciantes espanhóis que desde
meados do século XVII pretendiam explorar as riquezas da floresta.
e) neutralizar a ação dos comerciantes franceses, pois desde o fim da França Equinocial faziam
investidas sobre a região mato-grossense com o objetivo de aí instalar uma nova colônia.
77. “Os escravos negros chegaram a Mato Grosso concomitantemente à fixação do povoamento. A
primeira monção proveniente de São Paulo trazia o necessário para a exploração do ouro: além de
mantimentos e ferramentas, escravos. Estes foram direcionados para os trabalhos de mineração.”
(REIS. J., GOMES, F. (orgs), Liberdade por um fio. São Paulo: Companhia das Letras,
1996)
Em relação à presença de escravos africanos na vida social mato-grossense, nos séculos XVIII e XIX,
pode-se afirmar que:
a) caracterizou-se pela passividade dos negros na aceitação da escravidão.
b) contribuiu para uma violenta revolta negra, baseada no exemplo haitiano, a Revolta dos Haussás.
c) foi insignificante do ponto de vista demográfico, pois predominou a mão-de-obra dos imigrantes
europeus.
d) foi marcada por atos de resistência à escravidão, formando quilombos como os de Quariterê e
Sepotuba.
e) desapareceu com o declínio da atividade mineradora.
78. “... foram todos amarrados de braços para trás.... seguindo assim a pé ( ..) foram um a um fuzilados,
saqueados, e os cadáveres com os ventres partidos em cruz, para não boiarem, lançados n'água à
voracidade das piranhas...”
O texto acima faz parte do depoimento de João Pais de Barros sobre o "Massacre da Baía Garcez",
ocorrido em 1901. Tal episódio reflete a:
a) intensificação da violenta disputa entre os grupos oligárquicos pelo controle da vida política local.
b) reação de comunidades indígenas à instalação de fazendas de gado na periferia de suas terras.
c) repressão de usineiros às manifestações dos trabalhadores que, em greve, reivindicavam melhores
condições de trabalho.
d) intervenção militar do governo paraguaio para reconquistar a livre navegação no Rio Paraguai.
e) ação das tropas federais contra adeptos da Revolução Constitucionalista Paulista que haviam
estabelecido um governo paralelo em Corumbá.
79. A Lei Complementar n° 31, de 11 de outubro de 1977, determinou o desmembramento do então estado
de Mato Grosso em duas unidades federativas. Assinale a alternativa que melhor apresenta uma das
razões oficiais para o ato citado:
a) as constantes manifestações dos trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Sem Terra (MST),
que exigiam a imediata reforma agrária, preocupavam os fazendeiros no extremo norte do estado.
b) os proprietários das grandes empresas pecuaristas voltadas para o mercado externo reclamavam da
cobrança de elevados tributos para sustentar a parte sul do estado, pouco produtiva.
c) as populações ribeirinhas protestavam contra o chamado “Arco do Desmatamento”, que desde a
época do chamado “Milagre Econômico” gerava graves problemas para a região.
d) as constantes invasões pelas comunidades indígenas às fazendas situadas nas proximidades do
Parque Nacional do Xingu, gerando uma tensão permanente com os colonos da região.
e) a reorganização do espaço geográfico era fundamental a fim de possibilitar melhor administração e
exploração econômica, pois o estado apresentava uma extensa área e grande diversidade ecológica
e econômica.
80. Nas décadas de 80 e 90, as áreas de Cerrado, do estado de Mato Grosso, passaram por um grande
crescimento agrícola. A cultura que teve maior destaque nesse período foi:
a) o algodão.
b) o milho.
c) a laranja.
d) o arroz.
e) a soja.
81. O estado de Mato Grosso é cortado por diversas rodovias federais, a maioria delas passando por
Cuiabá. A rodovia Cuiabá-Santarém é a:
a) BR-153.
b) BR-116.
c) BR-230.
d) BR-163.
e) BR-101.
82. A agricultura e pecuária praticadas nas sub-bacias que drenam para o Pantanal Matogrossense, muitas
vezes, não adotam práticas conservacionistas. Isso tem gerado uma série de impactos ambientais no
Pantanal. Dentre eles, pode-se destacar:
a) a formação de "ilhas" de calor.
b) o assoreamento dos rios.
c) a geração de lateritas.
d) o surgimento de novas espécies de insetos.
e) a aceleração do intemperismo das rochas.
83. De acordo com o censo do IBGE, do ano 2000, o número de mulheres no país é ligeiramente superior
ao de homens. Entretanto, em Mato Grosso, alguns municípios possuem a população masculina
superior à feminina. Isso se deve, principalmente:
a) a serem áreas que estão recebendo imigrantes, predominantemente homens, de outras regiões.
b) à maior taxa de mortalidade feminina.
c) às maiores taxas de emigração das mulheres.
d) aos maiores índices de natalidade masculina.
e) a um certo equilíbrio entre emigração e imigração, nesses municípios.
Prefeitura Municipal de Várzea Paulista / Contador / Nível Superior / NCE-UFRJ / 2006
84. Os países subdesenvolvidos apresentam graves problemas econômicos, políticos e sociais. Em relação
à área econômica, o Brasil vem obtendo resultados positivos em setores que, durante décadas,
prejudicaram nosso crescimento. Contudo, ainda há uma grande preocupação em relação ao
desenvolvimento, levando-se em conta a:
a) dívida externa pública que vem crescendo rapidamente no atual governo e atinge duzentos bilhões
de dólares.
b) dívida interna que já ultrapassa um trilhão de reais, e representa mais de 50% do PIB.
c) balança comercial que já registra déficit pela queda nas exportações de soja, carnes e minério de
ferro.
d) valorização do dólar e do euro, e que encarecem bastante a importação de máquinas e insumos.
e) necessidade de empréstimos internacionais com taxas de juros acima das praticadas internamente.
85. A Conferência de Bretton Woods, realizada em 1944, reuniu os EUA e dezenas de países aliados e
lançou um plano que visava a reconstrução e estabilidade da economia mundial após a Segunda
Guerra Mundial. Dentre as medidas resultantes deste plano, e ainda hoje em ação, destacam-se:
a) o padrão dólar-ouro, isto é, a paridade fixa de 35 dólares por uma onça troy (31,1g) de ouro e a livre
conversibilidade.
b) os Planos Marshal e Colombo para reconstrução da Ásia e Europa, respectivamente.
c) a Organização das Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio.
d) o BIRD, conhecido como Banco Mundial, e o FMI ou Fundo Monetário Internacional.
e) a OCDE - Organização Européia de Cooperação e Desenvolvimento Econômico e a EFTA -
Associação Européia de Livre Comércio.
86. Ruas, avenidas, shoppings, terminais de transportes coletivos, áreas centrais, bairros, são alguns
elementos que constituem o espaço urbano, e que, por isso, há necessidade de serem ordenados por
leis e regras. As linhas gerais sobre o crescimento da cidade, o uso e ocupação do território, as
orientações sobre orçamento e investimentos públicos e as políticas de transportes, estão
determinadas no:
a) Estatuto das Cidades.
b) Plano Diretor.
c) Plano Nacional de Habitação.
d) Departamento de Regularização de Parcelamento do Solo.
e) Plano de Fundo Municipal de Habitação.
87. Segundo dados do IBGE, o Censo Demográfico de 2000 registrou uma taxa de analfabetismo de 12,8%
da população com mais de 10 anos de idade, equivalente a 17,5 milhões de brasileiros. Este censo
também evidenciou que o analfabetismo:
a) tem maior incidência na população idosa acima de 60 anos.
b) atinge índices mais altos na faixa dos 40 a 60 anos.
c) é alto quando comparado ao percentual dos analfabetos funcionais.
d) foi erradicado na população em idade de escolarização.
e) é baixo quando comparado aos de nossos parceiros do Mercosul.
88. Dados da Associação Nacional de Jornais e da Associação Brasileira de Representantes de Veículos
de Comunicação registram que, em 2001 havia, no Brasil, 1980 títulos de jornais. Em relação a este
meio de comunicação, destaca-se pelo número de exemplares vendidos e por atender, sobretudo à
classe C, o seguinte jornal:
a) Folha de São Paulo.
b) O Estado de São Paulo.
c) Extra.
d) O Globo.
e) Correio do Povo.
89. Dados publicados pelo IBGE informam que o Produto Interno Bruto do Brasil atingiu em 2005, pouco
mais de R$ 1,9 trilhão, elevando nossa renda per capita para R$ 10.520,00. O resultado deste PIB nos
colocou em décimo lugar no ranking mundial, subindo duas posições em relação a 2004. O fator
decisivo para o aumento de nosso PIB, em 2005, deveu-se basicamente a:
a) expansão acentuada do setor industrial.
b) conquista de novos mercados dos produtos primários.
c) forte valorização do real frente à moeda norte americana.
d) enorme demanda do setor de serviços.
e) investimentos na infra-estrutura de energia, transportes e comunicações.
90. A Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Técnico-científica permitiu o avanço
nas áreas de telecomunicações, informática, aero espacial, eletrônica, robótica, biotecnologia, entre
outras. Para permitir este desenvolvimento, governos e empresas criaram importantes centros de
pesquisas, os chamados tecnopolos. Dentre estes, merecem destaque nos Estados Unidos, Brasil e
Índia os seguintes tecnopolos, respectivamente:
a) New York, São Paulo e Hyderabad.
b) Houston, São José dos Campos e Bangalore.
c) Philadelphia, Campinas e Calcutá.
d) Miami, Rio de Janeiro e Delhi.
e) Chicago, Belo Horizonte e Mombai.
91. Números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) indicam que a carga
tributária brasileira chegou a 37,82% do Produto Interno Bruto, em 2005, significando que de cada
R$100,00 gerados pela economia no ano passado, quase R$38,00 tiveram de ser empenhados no
pagamento de impostos e taxas. A comparação e análise destes números brasileiros com outros
países, indica que:
a) o contribuinte brasileiro paga mais impostos do que os de países desenvolvidos da UE e NAFTA.
b) nossa taxação é uma das mais baixas entre os países emergentes.
c) o retomo dos tributos em serviços sociais é pouco eficaz quando comparamos o nosso IDH ao do
G7.
d) a arrecadação maior, diferentemente dos países cêntricos, cabe aos municípios e estados que a
utilizam politicamente.
e) o brasileiro, mais que qualquer outro, trabalha três meses só para pagar impostos, comprometendo
sua renda anual.
92. De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a remessa de capitais feita pelos
trabalhadores latino-americanos para seus países de origem atingiu o volume de US$53,6 bilhões em
2005, registrando uma expansão de 17% sobre o valor de 2004. A principal origem deste dinheiro e os
principais países receptores de remessas de capitais, são:
a) EUA / México, Brasil e Colômbia.
b) EUA / México, Cuba e Porto Rico.
c) Europa Ocidental / Argentina, Brasil e Venezuela.
d) Europa Ocidental / Brasil, México e Argentina.
e) Japão / Brasil, Peru e México.
93. Devido aos altos investimentos que são necessários para a estruturação de uma grande agência de
notícias de âmbito internacional, este mercado é dominado por um pequeno número de grandes
empresas. A correlação correta entre a empresa e o país a que pertence é:
a) United Press International / Reino Unido.
b) Associated Press / Canadá.
c) Reuters / EUA.
d) Ansa / Itália.
e) DPA / Rússia.
GABARITO
01. a 25. e 49. a 73. d
02. e 26. a 50. e 74. a
03. a 27. c 51. e 75. c
04. d 28. b 52. c 76. c
05. b 29. e 53. d 77. d
06. c 30. c 54. b 78. a
07. e 31. a 55. a 79. e
08. b 32. c 56. a 80. e
09. b 33. e 57. e 81. d
10. e 34. d 58. c 82. b
11. a 35. c 59. e 83. a
12. e 36. a 60. c 84. b
13. d 37. a 61. d 85. d
14. b 38. d 62. d 86. b
15. c 39. a 63. a 87. a
16. a 40. d 64. e 88. c
17. e 41. a 65. b 89. c
18. a 42. a 66. c 90. b
19. c 43. b 67. b 91. c
20. c 44. a 68. c 92. a
21. e 45. c 69. c 93. d
22. d 46. a 70. d
23. d 47. c 71. e
24. c 48. a 72. c