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LUPa laboratório urbano pela arte

Claudia Silva . Setembro 2013

Um serviço educativo para a cidade de Castelo Branco

LUPa laboratório urbano pela arte Claudia Silva . Setembro 2013 Um serviço educativo para a cidade

LUPa o que é

Ao projeto que se apresenta chamou-se LUPA – Laboratório Urbano Pela Arte, denominação que se considera refletir a essência do mesmo. O LUPA é um projeto de serviço educativo de natureza experimental, não formal, de índole voluntária e sem orçamento, dirigido essencialmente à comunidade da cidade de Castelo Branco. Pretende através da educação pela arte refletir sobre a relação entre a cidade enquanto espaço físico e a comunidade enquanto espaço social, com a premissa de que a cidade é o ponto de partida para a promoção, exploração e construção de identidade urbana, reforçando a empatia com a cultura e com as artes e construindo espaços - laboratórios de partilha, experimentação e criação.

LUPa o que é Ao projeto que se apresenta chamou-se LUPA – Laboratório Urbano Pela Arte,

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LUPa como funciona

O LUPA é um projeto probatório durante o primeiro ano e organiza-se em 12 atividades/laboratórios de periocidade mensal. Estes laboratórios pretendem (re)conhecer/(re)valorizar o património material e imaterial albicastrense, através das várias expressões artísticas, nomeadamente, a fotografia, o vídeo, o desenho, as artes plásticas, a arquitetura, o design gráfico e multimédia, a escrita, entre outros, utilizando ferramentas multimédia, de que são exemplo o software para edição de imagem, vídeo e som, infografia, modelação 3d ou ferramentas para as artes gráficas e plásticas, de uma forma geral.

Todos os laboratórios têm dois pontos em comum. O primeiro, mais importante, tem como ponto de partida e fonte de inspiração a cidade de Castelo Branco sobre as suas mais variadas perspetivas: a história; as gentes; os jardins; as árvores; os canteiros; a paisagem; o urbanismo; a arquitetura; a calçada; a escultura e arte pública; os artistas visuais albicastrenses; o artesanato; o folclore; os cantares; as romarias; as feiras; as festas; a literatura; a tradição oral; no fundo - o património e a cultura da comunidade albicastrense. O segundo é a utilização das artes como condutoras para a concepção dos laboratórios, daí o contexto da educação pela arte.

Para a operacionalização do projeto é importante ter em conta três dimensões, nomeadamente: a identificação do público-alvo, a formalização de parcerias e/ou redes de contactos enquanto fontes de informação/formação/impulso e criação de novos projetos, e a avaliação do projeto a fazer-se no final do ano probatório.

LUPa público-alvo

Numa primeira abordagem a este projeto, podemos considerar que o público-alvo é toda a comunidade albicastrense, pois o objetivo do LUPA é dotar a comunidade de novos conhecimentos e competências relacionadas diretamente com o património material e imaterial da cidade. Mas dizer que é um serviço para toda a comunidade é muito lato. Na verdade, prevê-se o público-alvo, de acordo com os laboratórios programados, fazendo-se aí, a distinção do público ao qual se adequaria melhor a programação e com o qual se gostaria de trabalhar e, evidentemente, como. Tendo em conta que o objetivo é fidelizar este público ao projeto para se obterem as mais-valias esperadas, o que verdadeiramente interessa é que a programação se faça direcionada a segmentos de público em função de interesses comuns que podem, ou não, residir entre faixas etárias ou outros grupos específicos se assim se sentir a necessidade disso.

LUPa parcerias e redes de contatos

As parcerias são pontes entre instituições culturais e a realidade exterior, fortalecem a amplitude do trabalho que a instituição desenvolve, ao mesmo tempo que incrementam o contacto com parceiros cujos objetivos, interesses e perspetivas são comuns, disponibilizando-se, deste modo, a partilhar recursos e/ou estratégias.

Não é só, de acordo com estes princípios que o LUPA se rege, ou seja, as parcerias que este projeto ambiciona concretizar, passam não só por parcerias com outras instituições mas também com indivíduos, pessoas que pelas suas competências são elementos que trazem mais-valias para o projeto. Daqui podemos retirar que a programação e planificação está diretamente relacionada com as parceiras que este projeto concretiza.

Até à data estão consolidadas as parcerias com:

Associação de Informática de Castelo Branco (AICB).

Biblioteca Municipal de Castelo Branco;

Cybercentro de Castelo Branco;

Cultura Vibra – agenda cultural;

Espaço Mamã;

Instituto Português da Juventude (IPJ).

LUPa programação

A programação do LUPA é concebida no seguimento de propostas elaboradas por parte da comunidade albicastrense. Desta forma ela faz-se de forma trimestral para melhor gerir as atividades seja com a comunicação das mesmas seja na sua produção.

Até à data programaram-se dois trimestres. O primeiro trimestre inaugurou com dois laboratórios, o Peddy Paper LUPA, dia 11 de Maio e o Upa LUPA no Dia da Criança no dia 1 de Junho. O segundo trimestre e ainda a decorrer iniciou-se com o Collage de Memórias no dia 6 de Julho, seguiu-se o LUPA PinHole I no dia 7 de Setembro e ainda por acontecer o LUPA PinHole II no dia 28 de Setembro.

Está neste momento a ser programado o terceiro trimestre.

LUPA 1º laboratório: Peddy Paper LUPA – sábado, 11 de Maio

Descrição da atividade: Esta atividade consiste na elaboração de um percursos pela cidade de Castelo Branco com o objectivo de documentar entre 10 a 15 pontos chave e de interesse artístico, histórico e/ou arquitectónico, escolhidos por cada grupo. No final os grupos terão que elaborar um breve relatório sobre estes locais. Este relatório pode ser fotográfico, desenhado e/ou descritivo e entregue à organização.

Pré-requisitos: Gosto por atividades ao ar livre, pela arte, pela cidade de Castelo Branco, pelo desafio, pelo relacionamento interpessoal, pelo espírito de equipa ...

Desafio: Traga o seu almoço para um mega piquenique. E aproveite este momento para a partilha e a troca de experiências de entre os participantes.

Público alvo: famílias e grupos informais. Colaborador: Cybercentro de Castelo Branco.

LUPA 1º laboratório: Peddy Paper LUPA – sábado, 11 de Maio Descrição da atividade: Esta atividade

LUPA 2º laboratório: Upa LUPA no Dia da Criança – sábado, 01 de Junho

Descrição da atividade: A partir da reutilização de vários materiais, nomeadamente o cartão canelado, desafiamos as crianças que quiserem juntar-se a nós a a replicar a cidade de Castelo Branco em miniatura, com todos os elementos que a constituem: o castelo, os edifícios, os carros, as, ruas, os cadeeiros, as árvores e os bancos de

jardim, os veículos motorizados ou não,

... Público alvo: Crianças dos 2 aos 13 anos.

Para os mais pequenos teremos tarefas mais simples.

LUPA 2º laboratório: Upa LUPA no Dia da Criança – sábado, 01 de Junho Descrição da

Colaborador: Da barriga ao colinho - Espaço Mamã.

LUPA 3º laboratório: Collage de Memórias – sábado, 06 de Julho

Descrição da atividade: A expressão collage deriva do francês "coller" que significa "cola". Esta expressão foi concebida no início do Séc. XX, pelos artistas plásticos Georges Braque e Pablo Picasso, altura em que esta arte se tornou peculiar no âmago da arte moderna. Assim, o laboratório Collage de Memórias tem por objetivo elaborar um cartaz, com base nesta técnica e nas memórias pessoais de cada participante, acerca de um acontecimento importante do passado albicastrense.

Formador: Anabela Silva. Público-Alvo: interessados e curiosos desta técnica plástica. Colaborador: Instituto Português da Juventude (IPJ).

Kurt Schwitters, Das Undbild, 1919, Staatsgalerie Stuttgart

LUPA 3º laboratório: Collage de Memórias – sábado, 06 de Julho Descrição da atividade: A expressão

LUPA 4º e 5º laboratório: LUPA Pinhole I e II – sábado, 07 e 28 de Setembro

Descrição da actividade: O LUPA PinHole pretende dar a conhecer um processo de fotografia que permite a autonomia em relação aos meios digitais e tecnológicos, desde o momento da construção de "máquinas fotográficas" até ao momento da revelação manual das fotografias obtidas. Deste modo, esta actividade divide-se em dois laboratórios distintos mas articulados entre si, nomeadamente, o laboratório da construção da "máquina"- LUPA PinHole I e o laboratório de fotografia e revelação - LUPA PinHole II.

Formador: Alexandre Ferreira – Associação de Informática de Castelo Branco (AICB).

Público alvo: Curiosos e amantes da fotografia experimental analógica.

Colaborador: Instituto Português da Juventude (IPJ).

LUPA 4º e 5º laboratório: LUPA Pinhole I e II – sábado, 07 e 28 de

Fotografia de João Grou com o método pinhole.

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LUPA reflexão

“As instituições culturais são elementos fundamentais para a construção das representações e identidades das comunidades e marcas importantes desta vitalidade criativa, uma vez que têm a capacidade de gerar, promover e reflectir a diversidade, o potencial criativo, o dinamismo e a transformação permanentes que caracterizam o crescimento e evolução das sociedades. Em termos de paradigma de referência, nas últimas décadas, temos vindo a caminhar da Sociedade da Informação para a Sociedade do Conhecimento e da Aprendizagem, e, mais recentemente, da Criatividade. A crescente associação da criatividade ao conhecimento reforça a importância e a transversalidade do pensamento criativo.” (Silva 2008, 15).

Os serviços educativos, enquanto espaços de negociação e discussão participada, consideram-se, assim, essenciais na promoção da consciência de que o conhecimento, a aprendizagem e a criatividade desenham o caminho para a construção de identidade das comunidades e da captação e fixação de públicos.

Elaborar um projeto como o LUPA, que pretende ser um projeto fundamentado no conceito de serviço educativo, tem os seus espinhos. É um projeto inovador, porque não é aplicado a uma instituição cultural mas sim a toda uma cidade, com tudo aquilo que a cidade pode oferecer. Não tem um espaço físico de residência pois a mesma é a cidade. É um projeto voluntário sem orçamento. É uma experiência que tem como objetivo analisar o feedback do público e tem uma programação trimestral que depende da análise de propostas elaboradas, pela equipa organizadora e pela comunidade, para novos laboratórios. Todos estes fatores não são fatores de segurança para um projeto mas, laboratório a laboratório, o projeto constrói-se e toma forma. Neste momento, é ainda difícil entender o seu rumo, mas esse é o desafio ao qual a equipa do LUPA se propôs. Até ao momento, o sucesso imperou…

LUPA referências bibliográficas

Barriga, S., Silva, S. G. (2007). Serviços Educativos na Cultura. Colecção Públicos nº2. Sete-Pés . Retirado de

http://www.scribd.com/doc/27108437/Coleccao-Publicos-Servicos-Educativos

Gomes, R. T., Lourenço V. (2009). Democratização Cultural e Formação de Públicos: Inquérito aos “Serviços Educativos” em Portugal. Observatório das Actividades Culturais. Retirado de http://www.oac.pt/pdfs/

OBS_Pesquisas15_impressao.pdf