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Compras compulsivas podem se tornar diagnóstico psiquiátrico
Saúde
Enviado por : redepsi Postado em:05/10/2006

Compras compulsivas são comuns tanto para homens como para mulheres, de acordo com os dados descobertos em uma pesquisa realizada pelo telefone em todo os Estados Unidos, e em suas formas severas pode ser uma doença psicológica – uma desordem do controle dos impulsos associada com níveis anormais de depressão e de ansiedade. Os pesquisadores utilizaram um questionário com sete itens para determinar se as pessoas sentiam a necessidade de gastar dinheiro, mesmo se elas tivessem consciência que seu comportamento era anormal, se eles compravam as coisas para melhorar o humor e se as compras costumeiras já haviam levado-os a problemas financeiros. Eles continuaram com três questões concebidas para determinar o grau de perda de controle: “Com que freqüência você simplesmente quer comprar algo e não se importou com o que você comprou?” “Com que freqüência você compra algo e quando você chega em casa você não tem certeza do porquê de ter feito a compra?” “Com que freqüência você saiu para fazer ‘umas comprinhas’ e não conseguia parar de comprar?” Uma análise estatística dos resultados descobriu que 5,5% dos homens e 6% das mulheres poderiam ser classificados como compradores compulsivos – isto é, pessoas cujo desejo incontrolável de gastar dinheiro as levam a sérias conseqüências negativas. A compra compulsiva, por vezes chamadas de compulsão ou vício em fazer compras, não é um diagnóstico psiquiátrico reconhecido, mas atualmente está sendo levado em consideração para sua inclusão na próxima edição do Manual Estatístico e Diagnóstico de Desordens Mentais. A dra. Lorrin Quran, principal autora do estudo e professora emérita de Psquiatria na Universidade de Stanford, afirmou que os compradores compulsivos comumente sofriam de outras desordem psiquiátricas. “Muitos dos que chegam para se tratar sofrem de depressão, desordens de ansiedade e outras desordens do controle dos impulsos como ser viciado em apostas e jogos de azar ou comer para acabar com a ansiedade”, afirmou Quran. Os resultados do estudo foram publicados em 1o de outubro no periódico The American Journal of Psychiatry. Dois dos cinco autores do artigo relatam uma relação financeira com diversas companhias farmacêuticas. Um editorial publicado junto com o artigo observa que o reconhecimento de tais condições como uma doença mental seria controversa e que alguns a criticariam como sendo a criação de uma desordem trivial de modo a “medicalizar” uma questão moral ou inventar um motivo para a venda de mais remédios.
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Porém, o editorial também aponta que os mesmos tipos de objeções foram levantadas sobre diagnósticos como a desordem de ansiedade social e a desordem de déficit de atenção, atualmente considerada uma doença comum e tratável. Comportamentos e problemas de controle de impulso e vícios, de acordo com os editorialistas, podem ser considerados de várias perspectivas – médica, moral, ética ou religiosa – e ela variam muito em sua severidade. Porém, em seu grau mais sério, desordens comportamentais podem debilitar seriamente um indivíduo. “A compra compulsiva, assim como o vício em jogos, podem levar à bancarrota, divórcio, perda de emprego e até mesmo tentativas de suicídio”, afirmou Quran. Os autores admitem que seus resultados são baseados apenas em uma pesquisa feita pelo telefone, que é sujeita a várias influências, e que sem uma entrevista clínica estruturada um diagnóstico preciso não é possível. E a amostra incluía uma grande porcentagem de pessoas com mais de 55 anos e uma porcentagem substancialmente maior de mulheres. Eles observam que uma entrevista de diagnóstico válida e estruturada administrada para uma amostra grande e representativa da população exigirá que se determine exatamente quantas pessoas sofrem da doença, e que se estabeleça com precisão quais tratamentos (se existir algum) são claramente eficazes. Além disso, segundo Quran “a pesquisa mostra, surpreendentemente, que homens e mulheres sofrem igualmente dessa desordem, e que um proporção preocupante da população parece estar se engajando em comportamentos financeiramente destrutivos”. “Minha esperança”, continuou ele, “é que as pessoas que pensam que possuem essa desordem procurem ajuda, pois os estudos disponíveis sugerem que a psicoterapia ou os medicamentos auxiliam muitos compradores compulsivos a pararem de comprar”. Fonte: ultimosegundo.ig.com.br

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