You are on page 1of 147

tíam*.

OLYNTNO ÍANMARTIN

.

AV* .-.

.

O POETA & 85»§®aB8$&@< .

.

HW. DE PAULA BRITO. 3.0. RIO DE JANEIRO. (5. POB . tft iltajgatyars. IMPARCIAL DE F. TRAGÉDIA. .ANTÔNIO JOSÉ ou 0 POETA E A INQUISIÇÃO.

Em conseqüência da Lei que garante o direito de propriedade. . esta Tragédia não poderá ser representada em Theatro algum sem licença do sco Author.

João Mendes da Silva. nasceo no Rio de Janeiro. c a adquirir reputação e amizades. e a completa ignorância da nossa litteratura. o mandou estudar Direito na Universidade de Coimbra. o desleixo com que tratamos os poucos escriptores que nos dão gloria. "cr Antônio José da Silva. de Maio de 1705. sou forçado a dar aqui uma breve noticia do principal Personagem deste Drama para sua melhor ilclligcncia. tendo-se ja formado. em 8. seu Pai. partio para Lisboa. . que exercia a profissão de advogado. Dahi. Pelo esquecimento cm queeslão os nomes dos nossos illustres antepassados. e começou a advogar. onde se cslabelcceo.BREVE NOTICIA SOBRE ANTÔNIO JOSÉ DA SILVA.

As particularidades de sua vida são ignoradas. LabyrinlhodeCrela. de quem traduzira em Portuguez a Arte Poética. Quixote. em vão o Conde de Ericeira. mas seu gênio era outro. eEsopo encerram scenas verdadeiramente cômicas. A pesar de todos os seus deffeitos. Antônio 3osé é o único rival de Gil Vicente. Antônio José ouvia os conselhos do seu nobre amigo. ellas correm impressas com o titulo de — Operas Portuguezas. mereceo o titulo de Plauto Luso. D. nenhum me pareceo mais copaz de des- . e não-attendendo senão ao estado do povo para quem escrevia. e a imaginação suppre optimamente todas as omissões. e seguia a Boileau. então litterato de grande nota. Auctor de muitas obras estimaveis. em um acto de Fé. em Lisboa. desprezando todas as regras estabelecidas.It Dotado dè um gênio ffimiânrenle cômico* c satyrico< dêo-se às composições theatraes. como elle em tudo imitava. em 1739. Quixote foi traduzido em Francez por Mr. na idade de Zk annos. o que se sabe positivamente é que elle foi queimado vivo na praça do Rocio. Ferdinand Denis. e suas composições ainda hoje são applaudidas nos theatros de Lisboa'. Desejando encetar minha carreira Dramática por um objecto nacional. tendo sido aceusado ao Sancto Officio como Judeo. admirava Molière. A guerra de Alecrim e Mangerona. D. o aconselhava de imitar a Molière. e Legislador do parnaso Luso. mas do silencio da Historia se aproveita com vantagenra Poesia .

. a pesar da ingratidão e indiflerença daquelles que podem.' seria. eu ine acreditaria auetor feliz. ou pela novidade da dcclamação e reforuia da arte dra- . o devem. ao menos do nosso Paiz. que bem disse Camões: O faTor com que mais se «cceutle o iugeulio. favorecer os nascentes gênios. pelos applausos que lhe prodigalisou o publico nas repetidas vezes em que 6ubio á scena. que ejslá mellida Ho gosto da cobiça !. quanto a mi.' aclo. isento de censuras. e o abandono é o fim de quasi todos os Poetas Porlnguczes. de um Poeta. e os elogios que mereceo. e animal-os nesta nobre empreza de ci*7ilisação e de gloria nacional. Tal acolhimento esteve bem longe dos meus presentimentos. Ainda hoje assim é!. e tanto mais deve esta lição ser importante. Queira o céo compadecer-se dos futuros ingenhos.111 feriar as svmpathias c as paixões trágicas do que este: ys desgraças de um homem de lettras.. Si devesse julgar do mérito desta Tragédia. não podem deixar de excitar o interesse e amor. ou fosse pela escolha de um assumpto nacional. não.enlhusiasmo com que foi recebida. particularmente o 5. Mão no dá a Pátria. attendendo ao. Digamos duas palavras sobre o suecesso desta obra na sua representação. que concorreo para gloria nacional. e Brasileiros.

e de Horacio. lêem cantando a Tragédia. até então desconhecido entre nós).IV UKtlica (substituindo a monótona canlilena com que ü# adores recitavam seus papeis. e quão fácil se esquece elle neste anno do que senlio e disse no anno passado. aos que porem. e Racine. Isto digo eu aos que ao menos teem lido Shakspeare. onde só ao sentimento é dado o decidir. faço o que entendo. ou antes. pertende a razão critica penetar e julgar. aos que tomam partido nestas questões hoje em moda em litteratura dramática. ou vel-a com o prisma dos Românticos. com a mesma toa*da da Ode. Sei de mais o quanto é volúvel a opinião do publico. então adormecidas as paixões. si quizerem medir esta obra com o compasso de Aristóteles. amigos e inimigos. criticos impassiveis. Lembrarei somente que . nem o desalinho dos segundos. não vendo verdade absoluta em nenhum dos systhemas. Talvez tenham razão. nem ver»os de oiloiros. Eu não sigo nem o rigor dos Clássicos. faço as devidas concessões a ambos. e o que posso. o publico mostrou-se altencioso. que se encadeam como os sons do marlello sobre a incude. e recompensou as fadigas do Poeta. Frios censores. Não faltarão accusáções em lodosos gêneros. sobre tudo. a vós me entrego. direi. que isto não é Soneto. pelo novo methodo natural e expressivo. Mas eu sei o quanto perde a obra do enlhusiasmo em uma leitura fria e desanimada. e que julgam do mérito de um poema pelas paneadas retumbantes dos versos. juizes parciaes e imparciaes.

lodo * os nobres estímulos de que é credor o gênio. MM» <le i a » . não se animam a tanto. a pessr da verçonhosa indifferença com que se trata hoje os literatos . eu lhe desejo.ta é a primeira Tragédia escripta por um Brasileiro. seguir-me na árdua empreza de enriquecer a nossa pobre litteratura. Si houver quem tenha bastante animo para dar de mão aos interesses positivos. alem da gloria da perfeição. e.V --•---. esquecendo-se da satyra.(si me não engano) e única de assumpto nacional. Mas ah "TTã *porta do templo da immortalidade está escripto para os Brasileiros estas palavras. . Humildemente peço aos meus críticos que me desculpem a ousadia de compor uma Tragédia. quando clles dotados de gênio e talento. como na porta do Inferno do Dantc: Lasciate ognisperanza o voi che'ntrale.

.A scena è em Lisboa cm íySj^.

.IP!B:RS<DH&<BBH§-.

ACTORES. SOLDADOS. ESTELLA SEZEFKEDA. .PERSONAGENS. RICCIOLINI. ÍM CREADO DO CONDE QUE FLORINDO. Representada pela primeira nei. O CONDE DE ERICEIRA L Ú C I A . FALLA. MARIANNA. ANTÔNIO JOSÉ. pelos Adores indicados. FR. JOÃO CAETANO DOS SANCT0S. AMARAL. CREADA DE MARIANNA. E FAMILIARES. no thcatro da praça da Coiiftiiuição do Rio de Janeiro em 10 de Março de i838. DO SANCTO O F F I C I O . COSTA. DOMINICANO. GIL.

.O POETA E A INQUISIÇÃO. deixa-me só. Que terrível febre. deixa-me tranquilla. LÚCIA. sobre a qual estará um Oratório fcixado. espivitando a luz. Do lado opposto uma meza. De mim terias pena.. MARIANNA E LÚCIA. couiu que estuda sua parle lheatral. Sente tu mesma. — repousar quero Esta cabeça de fadigas tantas. ACTO PRIMEIRO* SCENA I. Lúcia. Marianna assentada. com um papel na mão. Vista de sala particular cm casa de Marianna . {pegando na mão de Lúcia e levando-a d cabeça). 2 . Deixa-me. MARIANNA. c um candiciro antigo. Vai-te. de uuo lado uma taoda. cujo destino se indicará no segundo acto. si soubesses Que turbilhão de fogo me devora. toca. Oh como queima! Parece um forno!. Lúcia cm pé.

. fiel.. agora me lembro. E' um pouquinho d'agua com vinagre. Somente que me deixes.. espere. SCENA II. LÚCIA. sincera amiga. SCENA III. Pobre Lúcio*. eu te peço. Não. E' cousa saneia.... um copo na mão. (Sai). MARIANNA SÔ... vou fazer-lhe Um remédio caseiro. quer qu'eu faça alguma cousa? Quer qu'eu chame o Doctor? MARIANNA. Não... nada quero.. mas que cura. sem ti eu ja morrera. eu volto. applique sobre as fontes. nem me lembro. assim. Não tenha medo. Molha-se o lenço. E's quasi mãe. Quantas obrigações eu te não devo. Aqui lhe trago Um remédio bem simples... LUCIA voltando com..... quem mesmo?. Ensinou-me.2 O POKtA Senhora.. Oh ! que aguda pontada. . Corno a posso deixar em tal estado? Fora preciso um coração de pedra.

Estou mais calma. E* sempre assim.ii A INQUISIÇÃO. O mesmo ferro quando muito o malham. Que praga! forte teima de leitura I Continuamente a ler! nunca descança ! Eis ahi porque soffre.. e o quanto custa Ter um nome no mundo! Eni quanto dormes. . Senhora. daqui a pouco passa: Mas tenha paciência. A noite para li traz o repouso. em luclo. MARIANNA. Yê como é diíficil ô trabalho da menle. esse papel maldito.. nâo se queixe. (Pega no papel para ler). e a dor se abranda. eu velo. O calor se dissipa. MARIANNA. fto teu leito tranquilla. LÚCIA. Deixe. fere fogo.. -J Oh que dor! fez-me mal a frieldade. Quanto mais a caberá qu'é sensivel! Isso é mania. MARIANNA levantando-se. LÚCIA. E a pedra quando a batem.

h O POETA E si o dia ao trabalho te convida. escuto a orchestra. Si busco o leito enlão.. pallida: e cem vezes Primeiro a luz se apaga. — e tu douda me julgas Quando me ves gritar. ferir-me. quando repouso? Ante um espelho Estudando paixões. e de repente Ao som da pateada afflicta acordo. q u e u me deile. sonho. Mil expressões n'um'hora procurando. Ouço osapplausos. Mas eis que durmo. ]Nova scena a meus olhos se apresenta. Teu diurno trabalho não te cança. que me animam. E com esta illusão a vida cobro. Co' a paz no coração deixas o leito. bravos. E as vezes investir-te delirante! Durante a noite minha fronte escaldo Juncto d'esla candeia. Co' a paz no coração ao leito voltas. e os camarotes cheios. Ou medindo o salão d'um lado a outro Sempre co' o meu papel diante os olhos. Sua negra fumaça respirando. Meus dias passo. . luctar. Vejo a platea. Em desalinho. que me aclara. compondo o corpo. Como um espectro do sepulcro erguido. Mas eu. oh que tormento. ISo theatro me cuido. Da cabeça inflammada o somno foge .

Oh! certamente que me causa pena. Eu de continuo INas minhas orações me recommendo. ao grande Saneio Antônio. E então porque ralar sua existência ? ! Para. E ao meu Anjo da guarda que me ajudem. LÚCIA. Por ventura Camões amava a gloria? . Oh vida! oh illusão ! oh meu martyrio ! LÚCIA.—e outra vez começa a lida. Tanto eu não poderia: antes quizera Uma esmola pedir de porta em porta Do qtfe seguir tal gênero de vida.. e queira o çéo qu'eu nunca o sinta. Ncio sinto.. ü ! manhã.B A INQUISIÇÃO. Que dizestu? coitada! o teu discurso Bem mostra que da gloria o amor não sentes. Diga. Qu*ando qae deito. ou a chorar.agradar o povo! e apresentar-se A rir. tantas vigilias. E de vis malefícios me preservem. Só quero amar a Deos. Que si da gloria o amoi* é que lhe causa Tantas inquietações. Desprezo tal amor. como uma douda! MARIANNA. senhora.

Já lhe preveja um fim bem desgraçado. E si o senhor Antônio continua. pedindo esmolas. E si não fosse a banca.. e os demandistas Que lhe dão de comer. creio de certo Qu/elle morto estaria ha muito lempo. para agradar ao povo. de um grande homem. MARIANNA. Melhor fora dizer — 4e um pobre homem. Senhor Antônio Que lhe diga o que ganha co'as comédias Qu'elle compõe. Pois bem.. sempre foi pobre. LUCIA com ar de compaixão. que em Portugal andam casados. De um ilhistre escriptor. E o que tem a pobreza co' o talento? LUCIA. Ma miséria viveo. Oh si amava! E que Luso depois d'elle Tanto amou-a? LÚCIA. Eu só ouço dizer qu'elle é jocoso. MARIANNA.6 O POETA MARIANNA. r Ganha a reputação de Piau to Luso. E morreo no hospital. Que faz as pedras rir: eis porque o amam. . Muito.

Faze qu'elle da gloria o amor não sinta.. Comer o pão com lagrimas molhado (Com tom dè 'piedade e de compaixão). Errando pelo mundo... Sobre a pedra estendido. Dar em Poeta !.. Tão moço!. (Limpando as lagrimas). Eu tenho um filho.. Envolto n'um lençol. Que pudera ter sido alguma cousa. Um filho que também erra no mundo. naufragando* Vir á Lisboa p'ra pedir esmola. coitado ! Quando da sua sorte me recordo. alli. Que não tenha talento. . no adro da Igreja.. ' ^'i pelas portas pediria esmola Como o pobre Camões.. que castigo!. Morrer n'um hospital! Eu creio vel-o. Movendo a piedade de quem passa.. Andar fazendo versos '. Que lhe atira um real p'ra sua cova !.E A INQUISIÇÃO. o coração me toca. Pobre homem!. 0 teu discurso Mão grado meu. exposto. p'ra que possa Ser feliz sobre a terra. Camões!. Cavalheiro. Oh meu Deos. e sobre tudo Que não seja Poeta. MARIANNA.. Em lagrimas meus olhos se convertem.

Discorro como tu.. E o desprezo da vil mediocridade. Nem posso. Que não diria o povo? e q u e calumnias. Que infâmias sobre mim não lançaria? Quasi que sou escrava. Mas não a segues. a injustiça. .. Sobre mim julga o povo ler direito .8 O POETA Confesso que não fallas sem motivos. theatrol Todos se julgarão auetorisados P'ra me vir indagar qual o motivo. . morrer. Nem sei o q u e .. Amanhã si eu disser: adeos. .. Mil vezes reflectindo sobre a sorte. E não poder arripiar caminho. A ingratidão dos homens. MARIANNA. Vendo a miséria perseguir o gênio. E outro Deos não conhece mais q u e o o u r o .. A infâmia que sobre elle a inveja lança. — No que dizes Eu descubro razãoLUCIA. Que no Iodo se arrasta como o verme. deixar o m u n d o . Confesso que abraçara o teu conselho Si não fosse ser eu ja conhecida. e só desejo.

E A INQUISIÇÃO.

LUCIA.

Então porque?
MARIANNA.

E' impossível. Impossivel
_ LUCIA. MARIANNA.

Sim, Lucia.
LUCIA.

Quem a impede De seguir meu conselho?
MARIANNA.

A minha sorte; Cada qual tem a sua; a minha é esta.
LUCIA.

Mas a sorte se muda; mude a sua,
MARIANNA.

E tu porque não mudas tua sorte?
LUCIA.

A minha é outro caso; e só Deos sabe Si*eu lhé peço que mude ; — mas debalde.
MARIANNA.

Ah ! tu cuidas que é Deos quem te embaraça De mudar tua sorte? 3

10

O POliTA LUCIA.

Oh c e r t a m e n t e ! Não lenho vocação de andar servindo, Nem faço goslo n'isto
MARIANNA.

P o b r e Lucia, Dás armas contra t i ; sem gosto serves, E cuidas não poder mudar de vida, E a culpa pões em Deos, e tu me accusas ? E queres sem razão q u e u mude a minha, Quando nasci com vocação p'ra scena? Tenho razão de mais para seguil-a.
LUCIA.

La, Senhora Marianna, em argumentos Não me quero metter com a Senhora, Não tiro conclusões, nem tenho estudos : Mas em fim a razão está dizendo, E dizer tenho ouvido a muita gente, Qu' é melhor e mais nobre ser creada Que ser comediante.
MARIANNA.

Lucia, é muito! Nunca pensei que a tanto te atrevesses. Si não fora ler dó do teu estado Hoje mesmo...

fc A INQUISIÇÃO. LUCIA.

11

Senhora, não se oíTenda; Disse isto por dizer; sou uma tonta; Desculpe esta ousadia.
MARIANNA.

Eu te perdôo; Tu pensas como o vulgo.
LUCIA.

Eu me retiro.
MARIANNA.

Vai-te, vai-te deitar.
LUCIA.

Si necessita De mim pYa alguma cousa...
MARIANKA.

Nada quero.
LUCIA.

Boa noite, Senhora.
MARIANNA.

Deos te ajude.
SCENA IV. MARIANNA SÓ.

Entretanto ella pensa como o inundo, Que nos \t- com desprezo, e que nos traia 3*

e dando vida A's sublimes lições da Poesia. Com seus próprios defeitos e seus erros Excitamos o riso . o amor. A manhã co'os andrajos da pobreza. . Como nós da paixão só possuídos.. e outras vezes Co'o quadro da desgraça e da virtude IN'ai ma nobres paixões lhes acendemos. Esquecidos mil vezes. Mostramos a innocencia perseguida. Não para corrigir seus ruins costumes.J-_> O POETA Como uma classe vil e desgraçada. O theatro procuram: nós lhes damos Em volto em mel um salutar remédio . Elles nos vêm com lagrimas nos olhos l E quando nós lhes embebemos n'alma A dor.. e a ira. a coaipaxão. p'ra passar alegre uma hora. Sem honra e sem pudor. qu'ousa mostrar-se Em publico debaixo de mil formas Só por amor do ganho : hoje trajada Com as vestes reaes de soberana. Lhes mostramos os rápidos contrastes Do nada e da grandeza: elles nos ouvem. Interpretando a historia. nos transportes. um Rei tyrannOj Um magistrado que a justiça vende. Um pai sem coração. Uma esposa infiel. Só p'ra rir. um filho ingrato.

Nós somos como a flor. Eu represento dons.. E a manhã o desprezo é nosso prêmio !. Quem bate? . Eu sei qu'isto é assim . Marianna.li A INQUISIÇÃO. para o canto atiram.. Tanto que murcha. Um immenso theatro é este mundo . ANTÔNIO JOSÉ da parle de fora. elles são normas. (Batem com força na porta)... ingrato sempre !. Mas quem bale Com tanta força? quem será? (Batem de novo). de dia e noite. Choram mesmo com nosco. Cheios de enthusiasmo nos applaudem. Que de crimes iguaes são réos as vezes. . em quanto fresca Seu cheiro exhala. Assim pratica o povo. Abre a porta. porem que importaj Não posso resistir ao meu instincto. que desperta Como um remorso vivo a consciência De seus crimes. MARIANNA. e se envergonham Ao aspecto do quadro. q u e . E' Antônio José' [Cerre para abrir a porta). 13 Que dos quadros que vêm... Eis meu único crime. abre depressa. Um papel aqui todos representam. — p o r e m a noite passa. Mas tanto que exhalou o aroma todo. cuidadosos guardam.

dizes bem. B arquéjando de cansaço.ik O POETA SCENA V. MARIANNA. sicarios.. Raça vil. MARIANNA E ANTÔNIO JOSÉ'. Marianna lodo^ste tempo terá os olhos firmes sobre elle como cheia de terror: depois de grande silencio de parle a parte. vida. MARIANNA. honra. T u d o se rouba. Anlouio Jusé entra assustado. mas é de raiva De não poder tragar esses sicarios. bando infame de assassinos. Rouba-se ao Porluguez a liberdade- . Oh javejo: ladrões vos altacaram ! Quizeram vos roubar. Sim. depoi» feixa a porta. Antônio José suspira.. ladrões. encostase na poria com a mão na chave. Maldição. maldição: o céo me escute. ladrões. Por toda a parte só ladrões e n c o n t r o . Senhor. dinheiro . c então Marianna fuila. Que vivem de beber o sangue humano ! Oh maldição do céo caia sobre elles. Sim. que lendcs? Estás doente? ANTONIO JOSÉ levantando-se furioso. Estás ferido? ANTÔNIO JOSÉ. e assenla-se «cm dizer cousa alguma.

Não é seguro asylo a nossa casa. o castigo lhes preparas . Não ha lei. -Que se cobrem co' o manlo da virtude. que adorar fingem. Mais bvutaes.E A INQUISIÇÃO. Si d'elle escapa. Nem povo. De noite. La se acoutam trahidores homicidas. E tu consentes. do que pensa. Para melhor caloar-nos a seu grado. sobresaltado Slá sempre o homem. nem costumes. e que não pense. em cada praça topa Um espião. nem no leito. e a lei de amor. nem governo. que os supporte. Nem no templo de Deos ha segurança. mais sacrilegos. Que seja cego e m u d o . 0 nome. Infames! querem que o homem seja escravo. infames! Profanam do seu Deos. aproveitando o horror das trevas. sempre receioso Do que diz. Oh"DeoSj que me ouves. Para mais a seu salvo flagelar-nos.a terra? Que em teu nome perpetrem tantos crimes? Mas si consentes tonsurados lobos Sobre a lerra. nem moral. Subalternos ladrões gyram nas ruas. 45 E até o pensamento roubar querem. E em cada canto o cidadão encontra Um punhal. La mesmo vão perversos aninhar-se. um refalsado amigo. e uma cara de assassino.

16

O POETA

Sim, sim, eu creio no futuro prêmio, No castigo futuro ; — tu és justo.
MARIANNA.

Que discursoI — A razão terá perdido? Nunca vos vi assim! Que estranho caso Vos pode acontecer.
ANTÔNIO JOSÉ.

(A parle).

Estou perdido.
MARIANNA.

Perdido! como assim, porque motivo?
ANTÔNIO JOSÉ.

Nada sei.
MARIANNA.

Que aíílicção isto me causa!
ANTÔNIO JOSÉ.

Os monstros !... si eu podesse exterminal-os ! Qual é meu crime? o.qu'é que tenho feito, Para ser perseguido?
MARIANNA.

Perseguido! ANTONIO JOSÉ segurando na mão de Marianna. Sim, perseguido; sim; talvez agora '• Os vis denunciantes me procurem.

E A INQUISIÇÃO.

17

Talvez mesmo a teu lado, quando cuido Estar salvo, e seguro, alguém me escute.
MARIANNA.

Oh que delírio!
ANTÔNIO JOSÉ.

Não, eu não deliro; •Nunca em mim a razão fallou tão alto. Não stbu seguro aqui (Furioso passa para o outro lado, empurrando Marianna).
MARIANMA.

Oh que injustiça, Senhor, vós me fazeis! Julgais acaso Que sou vossa inimiga? Quem vos pode Inspirar esta idéia? e que motivos Vós tendes contra mim? Como é possivel Que me traleis assim !
ANTÔNIO JOSÉ.

TNTão, Marianna, Não me queixo de ti; eu te conheço; Sei que tudo darias p'ra salvar-me; Mas*é quazi impossível.
MARIANNA.

Inda ignoro D'esta mudança a causa. h

18

.O POETA ANTÔNIO JOSÉ.

Como ignoras? Mas então lu não \ês? ja te não disse? Queres pois que mil vezes te repita, Que não posso escapar, que me perseguem?
MARI/NNA.

Mas quem?
ANTÔNIO JOSÉ

com furor.

A Inquisição! a Inquisição.
MARIANNA.

Oh Deos! a Inquisição? [Cheia de horror).
ANTÔNIO JOSÉ

rindo-se de cólera O Saneio oflício!

MARIANNA.

Que horrori a Inquisição!
ANTONIO JOSÉ

cólera misturada de piedade.

Oh Sancto oííicio!.. Sancto?.. o Sancto officio! (Ri-se de raiva). Mil vezes infernal. Obra do inferno (Furioso). Sancto! como está tudo profanado! (Compaixão}» Como os homens são máos! como elles zcmíbanl Té co' o nome de Deos! Quem poderia Crer que a Religião de Jesus Christo De instrumento servisse á tanta infâmia?

ANTÔNIO JOSÉ. qu'esle mundo é dos malvados. N'oulro mundo. que se cancem. o que nos cumpre E' cuidar de salvar-vos. Deos protege os innocentes. E lambem n'esle. ANTÔNIO JOSÉ. N'eslc não. talvez. Pois bem.. Cedo ou tarda a masmorra é infalível. ANTÔNIO JOSÉ. MARIANNA. Mas quero que primeiro se exasperem. 19 Socegai. . hoje mesmo serei preso. E »e saio. •ANTÔNIO JOSÉ Porem como? Como da Inquisição fugir ás garras ? Si aqui fico. P'ra servirem de viclímas aos outros. MARIANNA. daqui não saio. Embora seja assim . não posso estar seguro .E A INQUISIGXÕ. Mas entre elles também ha homens justos. MARIANNA. Não lhes darei tão fácil a victoria. MARIANNA.

. — continuemos).. sem vós eu morro. Vou escrever ao Conde de Ericeira. » Nobre Conde. (Meditando) sim. Da-me papel. nobre Conde. é justo. Que se oppõe á razão.. e á natureza Não é lei a que os homens obedeçam. Eu quero qu'elle saiba A triste posição em que me vejo. ANTONÍO JOSÉ (SaiMarianna). SCENA V.50 O POETA Lei de sangue fundada na ignorância. (Não lhe quero pintar com negras cores O estado em que me vejo p'ra poupar-lhe Momentos de furor . outro no mundo . Quando p'ra o cidadão não ha direitos Não ha também deveres. •» Um pé na Inquisição. Vai chamai-a. ANTÔNIO JOSÉ. (Feixa-a). Lucia onde está? MARÍANNA. só escrevendo. » Vós me podeis salvar. Antes quero morrer longe da Pátria Do que n'ella soffrer a lyrannia . • » Decidi p'ra que lado cair devo. Lá dentro. entre a vida e a morte existo. ». (Andando). Decidi. em vós confio.

eu te assoberbo. Toma. Agora vamos ver quem de nós vence.E A INQUISIÇÃO. 'Entrega a elle mesmo. LUCIA saindo. ANTÔNIO JOSÉ. SCENA VI. escuta: Se o éreado impedir-te de fallar-lhe. Não voltes sem resposta. ANTÔNIO JOSÉ. Maldita Inquisição. com brevidade Vai á casa do Conde de Ericeira.. mas de modo. Que mysteriol SCENA VII. Lucia. MARIANNA E LUCIA. . leva esta carta. Dize que vás d'aqui de minha parte.. M ANTÔNIO JOSÉ'. Que ninguém possa ver.

.

da á uma porta. tão perto da desgraça! Elle dorme. quem sabe Si este somno depois de tanta angustia. E quem.ACTO SEGUNDO.. Marianna em pé encosta. Perca a paz. Não te quero acordar. A mesma decoração do primeiro acto. & u ulhicuo«descanço sobre a terra. . E que acordando. Este somno tranquillo emleito estranho E' a imagem do somno sobre o túmulo? Um precursor da morte? Deos! quem sabe Si é da vida este somno o derradeiro. por onde mais tarde deve sair Antônio José. e caminhe p'ra masmorra! Ah quem escapa ao tribunol de sangue. Elle tlorme. — Ai pobre Antônio! Goza ao menos esta hora de descanço. SCSKA I . MARIANNA. Seu coroção é puro.. Feliz quem dorme! o somno é o refugio Do desgraçado. sua alma é innocente. em paz repousa Essa cabeça que o terror perturba. em vez de ver a aurora. — mais feliz ainda Si elle nunca acordasse. (Caminha para o meio da scena).

Tende de mim piedade. E appareço no mundo das calumnias Sem infâmia. sem Mãe. (Antônio José suspira da parte de dentro). Nem o Rei ue seu golpe está seguro! Oh desgraçado Antônio! — E elle repousa! E elle dorme tão perto da masmorra! (Caminhando para o oratório). oh meu Deos! eu acordei-o (Levanta-se)\ Sem duvida acordei-o. velai sobre elie. Que sé lembrem de mim. oh Virgem. oh Mãe dos infelizes. Sim vós sois minha Mãe.. . Que gemido.. Mas fujo do peccado. amo a virlude. Oh Mãe do Redemptor. qu'elle soflra. Sim. e qu"eu Gque desgraçada. oh virgem da graça. Abracei uma vida de amarguras. sem crime. Talvez sonhe. (Suspira de novo). e amigo. sem filhos. (ajoelha-se) — Eis-me prostrada A vossos pés. nem a innocencia. Não permitaes.£4 O POETA Quando elle quer ferir? Tudo é inútil Nem vale a protecção. na terra à este homem. e tudo devo No céo á vós. Pedi por elle ao vosso Filho amado. elle tem sido Sempre meu proteclor. Qu'elle morra. que me socorram. d'uma pobre Creatura sem Pai. meu Pai.

ali sobresahado Q coro me annuncia á minha morte.. nada. quantos tormentos.. como a rua está deserta 1 .. • > Como tarda Lucia. é que dorme... . Que afQicção para mim . QueT-joite escuda! O céo como está negro! Oh que noite de horror! nem uma estrella.e vem para a scena). (Feixa a janelkt. assás magoada Estou p'ra interpretar paixões1 alheias.. (Caminha para a porta do qtíarto).. E Lucia inda não v£m! O h q u e martyrio. ensaiemos esta scena. é necessário Trabalhar toda a noite e todo o dia. E amanhã como posso ir ao theatro? Como dezempenhar a minha parte?' Não posso deixar de ir. Mariannt conta em voz baixa as horas). parou. (Soam 10 horas n um sino de Igreja.K A INQVISltíAÕ. toma um papel e reflecte).. (Limpa os olhos. Dez horas!. (Dispondo ascenapam reprezentar)* A ama aqui'stá. Ignez de Castro!.. Escutemos.. (Caminha para a meza. 25 Nem dormindo repousa o malfadado. (Faltando para o meio da scena. Vejamos. olha para o oratorio\j Lembrai-vos d'elle. que papei dilficil! Não preciso fingir. eabre umajanella que deita para a rua).

MARIANNA E ANTÔNIO JOSEV ANTONIO JOSÍ entra furioso sem ver Marianna como perseguindo alguém.26 O POETA Que o Rei. morre. morre. que nos busca. Morre. mas ínnocentc. qüasi insana. (Lutando só no meio da scena). foge. eu vejo meus Glhinhos. e armada gente me persegue. exclamo:—*» Sonhos tristes! (Transportada). não. J > Sonhos cruéis! porque tão verdadeiros » Me quizestes sair? oh spirito meu. Que escuto! oh oeos! que vejo! ANTÔNIO JOSÉ. Quero fugir. » Não quero mais ajuda.* Scena a. venha a morte. monstro nefando! MARIANNA. SCENA I I . s Morra eq. Acto 3. Cheia de horror. -* Como não oreste mais o mal tamanho » Que crias.' . Este» versos são da Castro de Ferreira. Em torno de mim choram . e sabias. Eu me vingo de ti. Não podes escapar. Ama. Morre. * Foge d'esta ira grande.

acordai.E A INQUISIÇÃO. Vós sonhaes. ANTÔNIO JOSÉ. ANTÔNIO JOSÉ. Pobre Marianna! Que secura ardente. Sou eu mesma. Enlão qu'é delle? MARIANNA. E vós: estamos sós. Não ha ninguém aqui. Quem és? MARIANNA. 5* . Quer água? eu vou buscar. Onde está? p'ra que lado elle escondeo-se? MARIANNA.. eu tão somente. aqui slou a vosso lado.. MARIANNA. Isso é sonho. ANTÔNIO JOSÉ abraçando-a. (Sai). Antônio 1 ANTÔNIO JOSÉ. Sua Marianna. 27 Que delirio! (Corre para elle).. Sr. MARIANNA.

eu tremo.. Oh que prazer 1 MARIANNA. ANTONIO JOSÉ' E MARIANNA. Como estou! (Examinando seu vestuário). Beba duma só vez. que secura. assenta-se. Mafíarírxa Meu capote? MARIANNA.. Aqui o Icm.... Que sonho horrível! Onde estou eu?... Que pezo sobre afronte. ... Que suor frio ! estou gelado. MARIANNA. Em casa de Marianna.. Como é suave1.. SCENA IV... ANTONIO JOSÉ só... Basta. Acordei sobresaltado. Tenho a garganta ardente. Quer mais? ANTÔNIO JOSÉ.. Eis aqui água..2S o roETA SCENA I I I . ANTONIO JOSÉ depois de ter bebido.

Chego. vejo-a. eu sonhava com serpentes. Que sobre uma fogueira a empurrará. Fui eu que o acordei c'oas minhas vozes? ANTÔNIO JOSÉ. MARIANNA passea d'um lado a outro. Era uma moça. A moça me chamava a seu soccorro. Dá-me o braço. Quem? .. por um homem Todo coberto co'uma capa preta. eu mesmo. Estou suando. dormir não posso. O exercício convem-me. que me lembro. Isso não.. Eu?. Marianna.E A INQUISIÇÃO.. (Pdra como pura lembrar-se). — E quem cuidas qu'ella fosse? MARIANNA. sim. Quer deitar-se? ANTÔNIO JOSÉ. p'ra distrahir-me. MARIANNA. A via perseguida. Não. ANTONIO JOSÉ 29 levantando-se. E não sei com que mais.. QuerTT antes passear. Gritava g o / m e u nome: eu corro á ella. Espera...

Todo foge. e rodeado De multidão de frades. solto os braços. Mal te vejo Co' o pé ja na fogueira. Quando prezo me vejo. co' a espada enGo as chammas. Tu mesma! MARIANNA.. a ti me arrojo. Um só homem 1 seus olhos[scintillavam. Per um braço te arranco. Entre o fogo um só homem me resiste. Não refflicto. ia salvar-te.30 O POETA ANTÔNIO JOSÉ. e colérico investindo Contra a fogueira.. co' o braço alçado.Marianna! MARIANNA assustada. Cego. espalho sobre a praça E sobre a multidão tiçòes accesos. o incêndio ja lavrava. a elle corro . Oh Deos! ANTÔNIO JOSÉ. ANTÔNIO SOSÈ. povo e tropa. Tiro a espada. Eras tu. Será presentimeato!. Então sacudo o corpo. Era um auto de fé! O sancto officio! Tu a meus pez estavas desmaiada.

e se concentra No mundo interior da consciência. ANTÔNIO JOSÉ. 31 Frenético gritando: morre.. que acordados não prevemos.li A INQUISIÇÃO. em vão forcejo. Tiro a espada. Ergue-se o monstro. Cousa nenhuma. Os sonhos muitas vezes nos revelam Desgraças. de novo ia feril-o. MARIANNA. o cérebro exaltado Produz estas vizões extravagantes. MARIANNA. Sim. ANTONIO JOSÉ pensando. indcfinivel. ha casos. e não o vejo. morre. D um lado a outro atravessei-lhe o peito. Em profunda tristeza mergulhado. N"este myslerio occulto. Se esqueça de si mesmo. N'esta imagem de Deos em nós contida. . e nisto acordo. MARIANNA depois de um momento de silencio* Este sonho quem sabe o que annuncia? ANTÔNIO JOSÉ. E casos bem notáveis. N'este abysmo mais vasto do que o mundo. ri-se. Procuro. Ha dias asiagos. em que o homem.

o qu'é a morte. Que em largo vôo então desdobra as azas. seu silencio nos cercando». ama o futuro. a noite os mysterios apadrinha. Ora.. Oh ja descubro (Pensand* profundamente)* .. São simulachros de invisiveis seres? Quem sabe si as visões. Como as negras paredes da masmorra As creações da mente favorecem. si os nossos sonhftg Orac'los são do intimo sentido.. Etilão se eleva Nesse mundo ideal.que seus olhos medem. E vasto campo dão á phantasía. Quer saber o que é sonho. Seu horror.TA Que relata o passado. Que nós vemos de noite. de ter vivido Sem saber o qu'elle é. Afirma sem provar. Quer prever. não se contenta Co'o mundo dos sentidos. Quem sabe si estas sombras fugitivas Como cometas que nos céos deslisam. sem sábef nega. Inda eu hoje sonhei. Mil mundos invisíveis visitando. O homem que nem sabe o qu'é a vida. Parece então que o homem se envergonha De tão pouco saber. quer fallar co'o Ser Divino. quer lançar-se Alem do espaço. Que o homem deve interpretar? Quem sabe?. e que nos faliam.Vi e POF.

.. meu Deos. . A Inquisição. Como tenho. Não sei. Vossa imaginação é tão ardente.. Senhor. . Oh Lucia! Lucia ! Como tarda! 6 . . estando eu livre. o que? ANTÔNIO JOSÉ distrahido dando com a mão para o lado. MARIANNA. E eu cuidava que tudo isto era sonho ! (Como tornando a si). Como me ia e s q u e c e n d o . . Dias ha em que o homem stá disposto A pensar seriamente. O q u e .. Espera. esta cabeça! Como eslava esquecido.E A INQUISIÇÃO. E como isto se explica. . espera. isto me afflige.. eu não me engano. e a crer em tudo. Que tão serio em taes cousas não pensasseis . . MARIANNA Sã interrompendo-o. Sim foi hoje. e o que me occupa E' saber n'este sonho porque causa Tujias p'üí*»fogueira. Melhor fora. Foi esta noitej n ã o .. eu fui denunciado. MARIANNA. ANTÔNIO JOSÉ. Que a tudo a que se dá não acha termo.

Talvez que a seu pezar Lucia confesse Qu eu aqui stou. E' verdade. Marianna. Oli sonho! eu ja te entendo. Que maior denuncia.5(l O POETA ANTÔNIO JOSÉ. sim. MARIANNA. E que importa.. será possivel Qu'eu arraste commigo a tua queda. Que á fogueira lambem commigo subas'. si verifique Esse sonho terrível? Por ventura . que me deste asylo em caza. Oh é verdade ! Que erro ! Que loucura. A li. E' provável que o Conde também venha. Tu. ANTÔNIO JOSÉ. Tardar não pode. Senhor. E o meu sonho!.. onde está Lucia? Ainda não voltou? MARIANNA.. Não ter previsto! Condemnar-me eu m e s m o ! Comprometter o C o n d e : e a ti. Oh Deos. MARIANNA. Eu espero por ella a todo o instante... Não sei o que minhalma presagia ! Si ella foi encontrada? Que desgraça ! Aquella carta. ANTÔNIO JOSÉ.

feril-os.. Morrer. eis aqui o que desejo. Marianna. ANTÔNIO JOSÉ. matando. (Indo abrir a porta apressada). Serão elles? MARIANNA. Ou talvez aflYontar o bando infame De meus perseguidores. 6* . Mas vós. Não me enterneças nesta crise horrenda. Senhor. batem. é Lucia. A INQUISIÇÃO. MARIANNA... Morra eu. (Balem na porta). si for mister. ou esperar que Lucia volte . Senhora. sim. Decide tu.. E' Lucia. Abra.F. Fugir. MARIANNA. Marianna. Quem bate? LUCIA da parte de fora. ANTÔNIO JOSÉ. òo Tem a vida p'ra mim tantos encantos Qu eu não saiba morrer com rosto firme ! Salvai-vos. defendendo a v i d a . D c í j ü e nos servem lagrimas n esta hora? Não se pode perder um só instante .

não sei o que vem dentro : Eis a chave. abraça-me. Aqui lhe trago Esta caixa. E LUCIA que entra com uma caixa. ANTÔNIO JOSÉ. E m f i m . ANTÔNIO JOSÉ. A M O MO JOSÉ' MARIANNA. ANTÔNIO JOSÉ. estamos salvos. Vem. Vejamos. E tu perdesle-a? . E mais nada? LUCIA. MARIANNA. Deo-me mais uma carta. (Mettendo a mão no bolço).SG ANTÔNIO JOSÉ O POETA rindo-se de contentamento} corre para Lucia que entra. SCENA V. Lucia! o qu'ha de novo? Que me trazes abi? o que te disse O Conde de Ericeira? LUCIA.

ANTONIO JOSÉ começa a vestir-se de criado do Conde. ..E A IH«*:lriíIÇAÔ\ LUCIA. E MARIANNA. ANTONIO JOSÉ arrebatando a carta. de ti "não precisamos. Oh bella idéia! Vai-te. »—Eu bem o entendo! (Rejflectindo sobre a carta). eu bem sabia A quem me dirigi (lendo) » Meu caro Amigo. » Vem commigo cear.. 0 que vem n'essa caixa? MARTANNA. estou zombando Dos taes Familiares. » Eu tenho a meza prompta á tua espera. Fez bem de me escrever d'esla maneira. 37 Creio que não. que me encontrem. W t O N I O JOSÉ'.. Lucia. Não tenho medo agora:. ANTÔNIO JOSÉ.. Pois da-me-a cá. metti-a n'este bolço . nunca tens pressa. posto que tarde » Podemos rir sem medo: a ceia é fria. Um vestuário De criado do Conde. SCENA VI. (Vai-se Lucia). Eil-a. s Não te has de queimar. O Conde é meu Amigo.

. Vou abrir. (Abraçam-se). de novo). Adeos. Que me quiz preparar esta surpreza. MARIANNA ANTÔNIO JOSÉ. tremo de medo. MARIANNA.38 O POETA E com rsle disfarce me conheçam. Bale-me o coração. Batem! Tão tarde! (Param). adeos. Não sei meu coração porque slá triste! Parece que algum mal inda adevinha. Esperai. caminhando para a porta. Não chores. Maiianna. Amanhã nós nos veremos. MARIANNA. (Balem . Marianna o retém segurando-lhe no braço). o que fazeis? eu não consinlo. Adeos!. Senhor. Que temor me nasce n'alma. não tenhas medo. Convém não arriscar a vosso vida. O Conde talvez seja. Ou eu te escreverei. é o Conde certamente (Quer ir abrir a porta. Não posso perder tempo. (Batem na porta). ANTÔNIO JOSÉ. Tu podes Ia ir ver-me.

FREI GIL. E Deos esteja em vossa companhia. em quanto vejo Quem é que bate. Amen. e com ar muito religioso. e humilde servo. Pedis esmola pVa algum Santo? 0 que quereis de mim? . MARIANNA (Retira-se).I A INQUISIÇÃO. entra Frei Gil. eu te obedeço SCENA 7. MARIANNA. MARIANNA. FREI GIL fazendo uma grande reverencia. ANTÔNIO JOSÉ. por Deos. Oh Deos! (Recuando cheia de espanto). Bem. i9 Que receias? MARIANNA. vai abrir a porta. quereis ouvir-me ? Retirai-vos. Sou seu Ministro. Na graça do Senhor sejais bem vindo. Senhor. De que temeis? Estais tão agitada! Minha presença acaso horror inspira? MARIANNA. ANTONIO JOSÉ.

eu vos molesto. nada! A uma obra pia a compaixão moveo-me. Receio! uma chrislã. MARIANNA. d u m sacerdote? D'um Ministro de Deos? Algum peccadoj Algum crime vos punge a consciência? Tendes horror da Igreja? MARIANNA. por piedade Não me'julgueis culpada. Para vos evitar uma des-n-aca. Ah não. perdão. FREI GIL./40 o ro«Ti FREI GIL. socegai-vos. Ha muito q u d i quizera procurar-vos. e vossa bençam Vos peço humilde. . Só por amor de vós deixei o claustro P'ra vos servir. Desgraça? (Com vehcmencia). salvar-vos.IL. (Curvando a cabeça). FREI (. Filha. MARIANNA. Oh. Senhor. perdão vos peço. Mas eu vejo Que me convém sair. Oh nada. Desculpai meu receio mal fundado.

Como. Vindo vos procurar p'ra prevenir-vos. por mim tanta bondade! Como de vosso amor me fiz credora? FREI GIL. Eu obedeço. 41 Sim.. e que desgraça horrivel! Só eu sei o perigo a que me exponho. tomai assento. MARIANNA. FREI GIL. (Senta-se). Estou bem. FREI GIL senta-se. Dir-vos-ei de vagar. MARIANNA. MARIANNA. FREI GIL. MARIANNA. Deixai-me respirar.B A INQUISIÇÃO. Senhor. FREI GÍL. (Querendo levantar-se). E vendo-me aqui só a vosso lado Não posso ainda entrar em mim. o caso é grave. Sentai-vos. Ninguém nos ouve? . Então m'ergo. E vós ficais de pé?.

mesmo quando Tudo quanto se diz seja verdade. O que? estou suspír-*-**»' O que devo eu fazer? qual é meu crime? FREI GIL. O Sancto Officio? E porque? Inda mais este martyrio! FREI GIL. MARIANNA. á custo o digo: . Eu não sei a razão. Já que vós o quereis. idesá scena. FREI GIL. Vós sois comediante. e mais não digo. Mereceis melhor sorte. Sois alvo da calumnia. E esse mundo profano vos conhece: A vida que passais é despresivel. Como dizia: um mal ingente Vos ameaça há muito. quero salvar-vos. Só desejo servir-vos.£2 O TOETA MARIANNA. O Sancto Ofíicio •*> Tem olhos sobre vós. Vós me entendeis. MARIANNA. Ninguém. nem saber quero. eu conduido Quero vos proteger.

B A INQUISIÇÃO. Uma alma como a minha. E que talvez n'esta hora em que vos fallo Na Inquisição esteja por seus crimes. indigna de baixeza. MARIANNA. O mundo vos não crê. 'stais illudido. Por própria experiência eu o conheço. oh filha. Mais forte que o amor. Si o defendeis. Um amor criminoso em vós existe. o céo o inspira N'uma alma nobre.. MARIANNA. estais perdida. puro. Não amor criminoso. Folgo de vos ouvir. E a minha profissão abrio-me os oi lios Sobre o qu'é mundo: e sem temor vos digo T . Que o mundo com razões não se embaraça. Não toqueis em seu nome: ignore o mundo. MARIANNA. e sancto E' o amor que nos une.. IÚ Um Antonio José. E' isto um crime? FREI GIL. Eu o desprezo. que um amor cego. Crimes! elle? Senhor. mas vos declaro. Ignore a Inquisição. he a amizade. FREI GIL. qu'eu não conheço.

MARIANNA. Que não me salvarei para perdel-o. Si vós o não amais. Oh scena horrível 1 Meu Antonio José I FREI GIL. e no meu claustro llesarei por vossa alma (Enxugando os olhos). segui-o . MARIANNA. qu'ha dous dias No thealro vos dava mil applausos. Eu só devo chorar. Ninguém vos chorará. e nem vós. Vós deveis consultar vosso interesse. Ide morrer no meio d'uma praça. Porem. O seu processo Comprometter vos deve . FREI GIL. e o céo me obriga A seguir o dever. . pobre Senhora. si é amizade. Pois bem. De povo apinhoada. Mas primeiro o dever. elle não pôde Escapar. Com Antonio José ide á fogueira. FREI GIL. Senhora.IXÍX O POETA Que por meu prolector darei a vida.

E A INQUISIÇÃO. Não se decide assim. meu credito. Que pertinácia! Quereis morrer na flor de vossos annos? E por quem? Por quem só vos causa a morte! A ira despresais do Sancto Officio. vinde commigo. U5 Quem vos une. Senhora. Nada vos faltará . Salval-o? e como? FREI GIL. . Do que morrer com elle inutilmente. Vinde. Um protector zeloso Tende* em mim. convém antes salval-o. Tudo pode vencer. Sou vosso protector. Quem? eu? sair daqui? é impossível Sem Antonio José? FREI GIL. e dinheiro. E de Antonio José nós trataremos Com mais vagar. E em mim vós insultais sua piedade. MARIANNA. que o seu negocio é serio. á vossa espera. porem primeiro Deveis vos occultar. MARIANNA. a vosso lado Constante velarei de dia e noite. N'este momento Tenho uma casa prompta.

(Como querendo suffocc. eu vos desprezo: Mas eu me vingarei de vós.. como impellido por hum attaque convulsivo). tremendo de medo./lô ° TOliTA Ja que me desprezais. morre malvado. este se curva com a força. SCENA VIII. Desse Judeo. Piedade de ti!.. mostra-se entre os bastidores. Nas minhas mãos estais. Uma pobre mulher? FREI GIL. malvado. E ANTONIO JOSÉ' ANTONIO JOSÉ tremendo de cólera investe ao peito de Frei Gil.-lo com as mãos). Oh ja te curvas! Onde está o poder que blazonavas ? Cuidavas estar só.. (Antonio José ouvindo estas palavras. e que podias A leu salvo enganar. . sem ser visto. MARIANNA. c insensivelmente vem tremendo. Hypocrita maldito. FREI GIL. treme. Infame seductor. Oh por piedade! ANTÔNIO JOSÉ. e delle. com vãos discursos.

(Sai Frei Gil. Que até pensa que estou já na masmorra! . Nada temas. Senhor. por Deos vos peço. põe-te na rua. e sobre tudo Com este vestuário. Para meu bem! Que infame hypocrisia! Como espia a trahição naquelles olhos! Como a impudencia treme-lhe nos lábios! Não sei quem me retém? Que miserável! Sai de meus olhos. Senhor ? allucinado A conhecer vos destes. FREI GIL. ANTONIO j OSÉ com um riso irônico misturado de indignação. SCENA IV. Elle não me conhece. recuando com a cabeça baixa). Não o ouviste. sai. Que fizestes. ANTÔNIO JOSÉ. não sou culpado. Perdão. MARIANNA. Era p'ra vosso bem qu'eu trabalhava. e já antes qu'eu de ti me vingue. ANTONIO JOSÉ' E MARIANNA. MARIANNA ft7 correndo para elle. qu'ides fazer. Não vos cegueis.E A INQUISIÇÃO. Já.

ANTÔNIO JOSÉ. MARIANNA. Adeos. Bem me custa deixar-te. . ANTONIO JOSÉ jd na porta. (Apertando a mão). Assim é. Adeos. eu parto. ANTÔNIO JOSÉ. Sim. (Saindo). A Deos me entrego.48 O POETA MARIANNA. E' necessário ANTONIO JOSÉ (Abraçam-se). MARIANNA. Nós nos veremos. Deos permita que sim. mas convém acautelar-vos. MARIANNA. Marianna. O Conde vos espera.

E' bem nos informar d'esta denuncia. ou mesmo á casa Do grande Inquisidor.. Pobre Antônio José ! e sobre tudo Sendo de judaísmo a sua culpa.. Mais de pressa o persiga. . sobre a qual estarão vários livros e papeis. e que lhe dei asylo. entre elles um livro mais para uirt lado. Dar (empo a tudo. o CONDE DE ERICEIRA passeando. . Mas d'outro lado P o d e muito bem ser qu elle sabendo Que eu o protejo. dentro do qual estará a carta que Antônio José escicvco ao Conde. SCENA I. O mais prudenlff. Como elle está seguro em minha casa . uma mesa no meio.. mas nenhum me agrada.ACTO TERCEIRO. O que devo eu fazer? Formo mil planos Para salval-o. e até me force A responder por elle ao Sancto Oíficio. S'elle fugir quizesse. Talvez fosse melhor ir ao convênio Empenhar-me por e l l e . eu poderia Alguns meTüs prestar-lhe. ale qu'elles se esqueçam. . Vista de sala «m casa do Conde de Ericcira .

A phantasia Creio que agora em ti mudou de cores. (Toca a campainha. . Não gosto de te ver co'um ar tão triste.. o CONDE. dd com Antonio José que vem para elle). qu'eu o espero. e apparece um creado. ha bem tempo que deixei-o.50 O POETA Podemos refieclir com madureza. SCENA II. E ANTONIO JOSÉ'. Não se pode dormir a somno solto Quando se vê a espada de Damocles Pendente sobre afronte. Eu não creio o negocio entregue ao acaso. ANTÔNIO JOSÉ. Sinão. O CONDE. O CONDE. (Sai o creado) Emcasod'estes Convém prever a tempo as conseqüências. Ao contrario. Cuidei qu'hoje do leito não saisses ! ANTÔNIO JOSÉ. Vê si Antonio José está dormindo. Bons dias. Mas nada é impossível. Tem mil difficuldades certamente. Oh! (Virando-se..

.. Amamos o prazer. E que só a desgraça é realidade.. o jogo. tudo enifim quanto transporta Os sentidos na escala dos deleites. E a razão poucas vezes nos governa. outros soffrem. Em quanto nós folgamos. Eis dos homens a fraca natureza !. o riso.tristes pensamentos rodeada. E no meio das nossas alegrias Do dia de amanhã nos esquecemos. flores cobria a flicidade . Conhl cemos enlão o que nós somos. E apparece a razão com ar sombrio De.B A INQUISIÇÃO. A dança. Nem me conheço mais! Muda-se a sorte. Muda-se o nosso gênio! Eis como somos. Que à°.. Nem nos lembramos que o prazer é sonho. alegres nos mostramos. Que mudança fiz eu d'hontem p'ra hoje. Vemos a nossos pés aberto o abysmo. Do seio do prazer surge o infurtunio. Si felizes.. Mas de repente a scena se transforma. Então das iTTúsões o veo se rompe . S* . Insultamos a dor dos outros homens. 51 Onde estão as satyricas facecias Com que oulr'ora zombavas d'este mundo? ANTÔNIO JOSÉ.

Que da razão tão pouco nos servimos. E co'a morte e a verdade deparamos!. mas não lanlo. Oh contrastes da vida! Oh d i a ! Oh n o i t e ! Cruel alternativa! E sempre cego Levar se deixa o homem pelo m u n d o . o CONDE. Meu Amigo. o CONDE. Fugimos do prazer. Que são da nossa infância responsáveis. grande parte Tem n'ella nossos Pais. odiando o m u n d o .. . sim. o medo e o servilismo E os erros que co'o berço recebemos Tarde ou nunca perdemos. Nunca a razão nos falia per seus lábios. ANTÔNIO JOSÉ. Sempre o terror. A culpa é nossa. Nossa.52 O POETA Mil perigos então se nos antolham . Parece que a razão envergonhada De nada ter servido nos prazeres Nos deixa na desgraça. Só a philosophia nestes casos Da nossa infância os males curar pode. e nossos mestres.

ou que imitando A Crates. So me entregue ao prazer. muito soffre. Que seja adulador. quando soGYo? Per ventura não somos nós sensiveis? Quereis que de Epicurio as leis seguindo.E A INQUISIÇÃO. e espesinhada Per homens viciosos. Pugnar pela razão. Quando toda a nação está corrupta. Que diga que não sofTro. Quereis qu'eu chore Como Heraclito sempre alrabilario. Aborrecendo os homens com quem vivo? Ou q u e u como Democrito me ria De tudo quanto vejo? — Per ventura N'isto consiste a natureza humana? Quereis q u d i seja estoico como Zeno. ANTONIO JOSÉ. a morte é certa. e a üiogenes. Como o cão que passea pelas ruas? Si eu vou seguir de Sócrates o exemplo. Sem me importar co'as cousas d'este mundo. P'ra sor acceito. intrigante. e viva desprezado. me cubra Com roto manto... Pafa vivewr então é necessário Que o homem se converta n u m malvado. e ter assento entre elles. Embebida no crime. 53 Sim. a philosophia! Onde está ella? Termo pomposo e vão. vil. quem se affouta A seguir a virtude. .

Que então caimos no geral desprezo. pensando melhor. Não devemos obrar como elles obram. porem nós Lilteratos. não a nego . Ja que Deos outhorgou-nos o talento P'ra servirmos de guias aos mais homens.54 O POETA O CONDE. que se mascare. Que nunca diga as cousas claramente. Que lima quanto diz p i a que não fira. Que procura agradar a todo o m u n d o . Poeta que calcula quando escreve. Nós podemos de cada seita antiga Exlrahir o melhor. ANTÔNIO JOSÉ. Tens razão no que dizes. Nós que somos Poetas e Philosophos. Mas. Nem lambem atacal-os face á face. não é exlranho Qu'elles errem . Que temos por dever servir de exemplo. nunca devemos A'risca respeitar nossos costumes. Que combine a verdade co'a mentira. e a sangue frio Deveis me conceder que a maior parte Dos homens não reflectem seriamente No que devem fazer. Antes s'elles são máos satyrisal-os. Que quereis a final? que o vate seja Poeta cortezão. .

São algozes das Muzas.B A INQUISIÇÃO. 55 Que. é que não posso. Imitar Molière. medroso. Os gênios das Nacoens são differentcs. E de mais per ventura por meus Dramas Sou eu denunciado ao Sancto Officio? . Estes sim. Que a lyra não profanam. ANTÔNIO JOSÉ. ou o meu gênio. nem se vendem. mercadores Que fazem monopólio da poesia. Quando escrevo meus Dramas não consulto Senão a Natureza. Eu gosto dos Poetas deslimidos. são Poetas. Quanto aos outros. regulares. Molière escrevia p'ra Francezes. Para um Rei que animava Artes e Lettras. Que vá poetizar para os conventos. o CONDE. Para a corte do Grande Luiz quatorze. não quer comprometter-se. bem podias Compor melhores Dramas. E eu para Portuguezes só escrevo . Eu o agradeço. Si não faço melhor. tantas vezes Te dei este conselho. Que dizem as verdades sem rebuço. Com que escravos adulam seus senhores. Tu peccas por que queres .

e mudo sofira.|(3 O POETA Creio que não. e que os deixem A seu salvo mandar como elles q u e r e m . fi todos os mandões que nos governam. Quem tem a força em si por que se curva? O qu'é Nação? a somrna de escriplores. . Tomaram elles. e g o v e r n o : Todos querem ganhar a lodo o custo. Meu Antônio. e obedeça. D'Arlistas. Com tanto que os impostos pague o povo. Que viva sem pensar. 0 CONDE. e não indague Como vão os negócios. ANTÔNIO JOSÉ. Como vai Portugal! Que triste herança Receberam de nós os nossos filhos ! Tantas lições sublimes de Heroísmo. d'isto resulla A total decadência em que vivemos. elles consentem Que o povo se divirta. e empregados. mas o povo E' culpado também por que obedece . Que o povo só procure divertir-se. mercadores. Os frades bem se importam Que eu faça o povo rir. Ninguém quer arriscar. Tu tens razão em parte . frades. Que cego. Gente do campo. Que viva na ignorância.

O qu'é hoje. que terror impunha á Europa. os Reis tyrannos. depois qu"esse tyranno Sanguinário Philipe ergueo-se ao throno? E^ssas ^íÇ-ões antigas. Onde está Portugal? Nação que outr'ora Do mar o sceptro sustentava ufana. Por que se despenharacn da grandeza? Por que a corrupção dos governantes . Mães de tantos heroes. E que não haja Um braço forte.E A INQUISIÇÃO. amor da gloria N'um século estragamos ! Nada resta! Que contraste terrivel! Como um dia Nossos annaes a historia relatando Appareeer devemos! Com que opprobrio. de tantos sábios. um braço de gigante. Patriótico zelo. e Roma. 57 Tantos feitos dos nossos bons Maiores. Grécia. julgando nossos fastos: — Erâ de corrupção e decadência! E que fazemos nós? A passos largos Marchamos para a queda. Com que desprezo as gerações futuras Dirão de nós. e nos sustente! Como as Nações se elevam. Qu'entre nós se levante. E mandava seu nome a estranhos povos? A Hespanha. se engrandecem. Quando n'ella imperava Carlos Quinto. E como pouco a pouco se degradam! Torna-se o povo escravo.

mas em quanto o povo d o r m e O remédio é soffrer com paciência. Mas eu vejo Qu elle se cala. e mostra estar contente. Assim é. Só a mizeria. O CONOE. . sempre d e s c e n d o . A servidão ao povo contagia: T u d o perdido está. Sim os governos sós são os culpados Da queda dos I m p é r i o s . Quem o circula imita seus costumes. e opprobrio enlão se espera. Como o camello. falto de luzes. E este per sua vez é imitado. Nasce de cima a corrupção dos povos. A elle toca Defender seus direitos. ANTÔNIO JOSÉ. só a vergonha. ANTÔNIO JOSÉ. T é que degráo em gráo. Não se devem fiar. 0 povo acordará. o CONDE. Q u e as honras Nacionaes vende á lizonja. máos exemplos São sempre pelos homens imitados: Quando á testa do estado se apresenta Um homem sem moral.58 O POET» Até aos cidadãos tinha passado.

E A INQUISIÇÃO.

59

Sustenta o povo a carga em quanto pôde, E quando excede o peso ás suas forças, Ergue-se, e marcha, e deixa a carga, e o dono.
O CONDE.

Pois que s'erga, e que marche, eu não o impcço. Eu não sou d'esses nobres occiosos Que pesam sobre o povo, nem desejo Que reine a tyrannia, ou a ignorância. Trabalho pela pátria e pela gloria ; Posto que seja conde, sou Poeta ; Sei que um bom escriplor vale mil condes, E curo de deixar úteis escriptos.
ANTÔNIO JOSÉ.

Oh, senhor, vós sois nobre duas vezes, Nobre pelas acções, nobre no gênio, Sem fallar na nobreza dos Palácios.
SCENA ni.

O CONDE, ANTÔNIO JOSÉ', * • UM CREADO.
O CREADO.

O almoço está na mesa.
O CONDE.

Oh, é verdade, Vai almoçar.
ANTÔNIO JOSÉ.

Eu

5 0 :-)

9*

60

O POITA O CONDE.

Pois que cuidavas? Eu almoço mui cedo, não chamei-te A' hora, por cuidar que enlão dormias.
ANTÔNIO JOSÉ.

Enlão bem, até ja.
o CONDE.

Aqui te aguardo.
SCENA IV. O CONDE SÓ.

E' hum homem de gênio. Assim o Estado Soubesse aproveitar o seo talento; Assim o gênio governasse o mundo, Ou então entre os Reis, e as classes nobres Só deviam nascer os grandes homens.
SCENA V.

O CONDE, E UM CREADO.
O CREADO

Senhor Conde, aqui'stá uma senhora, Que pede uma audiência.
o CONDE.

Da-lhe entrada (Sai o creado).

E A INQVHIÇAÕ. SCENA VI.

61

O CONDE, E MARIANNA.
O CONDE.

Oh, Senhora Marianna! é a Senhora!
MARIANNA.

Sou de vossa Excellencia humilde serva.
o CONDE.

Sentemo-nos p'ra qui (sentam-se) Que determina?
MARIANNA.

Desculpe-me o Senhor 6onde, eu desejo Saber noticias do infeliz Antonio.
o CONDE.

Commigo está.
MARIANNA.

E crê o Senhor Conde Qu'elle possa escapar?
o CONDE.

Julgo provável. Fujo de lhe fallar sobre este ponto, De modo quelle ainda não contou-me Como soube que foi denunciado.
MARIANNA.

Fr. Euzebio, qu'é muito seu amigo, Foi quem o prtvenio hontem de noite

Sem fundamento algum . e entretanto escreve um bilhetinho que entrega ao creado).(V *Í O POETA O CONDE. Que venha já. MATÜANNA. e procura O Padre Euzebio. mas por galhofa. O Sofihor Condo . não te demores. [Toca a campainha. Eu penso d o u t r o geilo. O céo quizesse Que o caso fosse assim ! Mas eu não creio. e mais me inclino A crer no que desejo. Posto que seja um Padre respeitável. Vou mandal-o chamar. Para mim sempre é certa uma má nova. eu o conheço. Não sei ainda o que será. Vai aos Dominicanos. Como Antonio José é engenhoso. MARIANNA. entrega-lhe este escriplo. eu penso Qu'isto é uma invenção de Frei Euzebio. Oh lá. e causar medo. e apparece o creado. qu'elle dissesse Somente para rir. (Volta para o meit) da scena e sentU'ie. o ?. Incapaz de mentir.ONDE. Talvez lhe esta pregasse.

MARIANNA. Diga-me. E' do nosso theatro o melhor Drama. . e tão difficil. hoje que Drama vai á scena. o CONDE. Sim. e tenho pena Qu'este Antonio José não se elevasse Ao gênero sublime da tragédia. Suas Operas Sempre são applaudidas pelo povo. Ou-da bo* comedia. Senhor. que alé hoje Não achou quem a palma lhe roubasse. 63 Podendo effecluar os seus desejos Pode crer. MARIANNA. O CONDE. A Castro de Ferreira. E representa? MARIANNA. La heide ir. Que d insano trabalho me sustento. o CONDE.E A INQUISIÇÃO. Eu gosto do Theatro. eu quero vel-a N'essa parte sublime. pobre coitada. mas não eu. Todos nós trabalhamos mais ou menos. (Que tão mesquinho é elle) a obra prima Do nosso bom Ferreira.

podes dizer que Frei Euzebio Não stando no convento. Que o Reverendo Padre aqui o espera. O POBTA © CONDE. aproximando-se da meza. e só por isso Hade sempre ser lido com agrado. apesar disto. FREI GIL. Pois sim. Quizera antes que fossem pelos sábios. (Saiem ambos). SCENA VIII. Vamos vel-o.*3Í(. E o CREADO. Sobre tudo é faceto. SCENA VII. Mas Antônio José. FREI GIL. Que negocio será com tanta pressa ? . eu vim por elle As ordens receber do Senhor Conde. elle almoça. (Saio creado). E' um digno rival de Gil Vicenle . FREI GIL só. Vamos causar-lhe agora uma surpresa. Quanto á mim. Dê-me o braço. O CREADO. um auctor trabalhar deve Por amor de sua arte tão somente. Eu vou participar ao Senhor Conde.

65 Estimo bem ter vindo. No*seu làgar!. Vai de noite p*ra lá!. — Que nome esturdio! Creio qu'isto é Francez.. que está de parte. (Pegando na carta). Si está! E' elle Qu'hontem vestido estava de creado.. si não é Grego. (Abrindo a i. Que livro!. assim virado. assegurando-se que não ha ninguém). Não conheço.E A INQUISIÇÃO. Aqui está no que perde elle o seu tempo! E já bastante lêo! cá está marcado... que Antonio José escreveo ao Conde. Heide esperal-o. Stava mais d'este lado. que estão sobre a meza. Que Auctor será? Vejamos. Oh 1 que cousa feliz! Como apanhei-o ! E' de Antonio José. Quantos livros! (Olhando para os livros. Vou já pôl-o sobre a meza. onde estard a carta de Antonio José). participando que se achava em perigo). Boi-le-au Des-pre-aux. 10 . Este é o qu'elle lê. (Procu* rando pôr o livro no mesmo logar). (Abrindo o livro pelo meio. creio qu'é isto. e olha para traz. Aqui.. Eil-o assignado ! Estará elle aqui ?.. (Lê. e dentro do qual eslard a carta. E* uma carta. O Conde o que estará fazendo agora ? (Chega-se d porta escutando). Isto é nota talvez."pagina). Pega n um que estd separado.

. mas foi por zelo. muito bem. O Padre Mestre Queira me desculpar.. abi vem genle 1 (Vem sentar-se pé per pé. SCENA IX. e faz uma grande reverencia). (Vai-se. (Frei Gil levanta-se d vista do Conde.CG O POETA Muito bem. e põe-se a ler). o CONDE. O CONDE. Sobre um particular. FREI GIL. Desejava fallar com Frei Euzebio. Sou grato ao Padre Mestre. Vossa Excellencia E' qu'hade perdoar minha ousadia De o vir incommodar.. Eu sinto muito Tel-o feito cá vir inutilmente. tira daAlgibeira o breviario. FREI G I L . fazendo uma oortetfa). FREI GIL E o CONDE. . Eu me retiro.. Não pecco contra a fôrma.

Viva. entram depois que sai o Frade.E A INQUISIÇÃO. Deos guarde ao Senhor Conde. Quem? (E correm ambos para a janella). sem que fosseis vistos. MARIANNA. Como é zeloso! ou antes curioso! MARIANNA. 10* . que volta repentinamente da janella). o CONDE. E ANTONIO JOSÉ'. é elle! eu reconheço o monstro. Frei Gil. o CONDE. G7 O CONDE. ANTÔNIO JOSÉ. é elle! O CONDE. SCENA X. Sim. despedindo-se. MARIANNA. Felismente Que se retira. eu parto. o CONDE E MARIANNA assustados. E' elle. (Marianna dd dous passos para se despedir de Antônio José. ANTÔNIO JOSÉ. Antonio José chega d j anel Ia.

.

e guarde a casa! A final já o somno vem chegando. Nem conversa commigo como d'antes. fiando. perto da meia sobre a qual estará um candieiro acceso. E»desguaça*bem grande! — Oh certamente. Ora pois já são horas. A Senhora anda tão sobresaltada. já é tarde . Lucia assentada. e se lamenta. forte martyrio! A Senhora vai lá p'ra seu theatro. Não é só o theatro que a molesta ! Que veio hontem fazer aqui tão tarde Senhor Antonio? e fora do costume . falia só. E não me heide queixar com esta lida! Toda noite esperar. Já podia minha Ama estar de volta. Não dorme. Vista doSalla em casa de Marianna. Mas que grande segredo será este ? Não me querem dizer ! esta cautela Faz-me crer qu'isto é caso extraordinário. SCENA I .ACTO QUARTO. Isto é desgraça. Lucia que fique á espera. Eu desconfio muito. LDCIA.

Porque motivo? Que mal vos fiz? que sem razão é essa? . E FR.70 0 POETA Tão guitador. tão serio. MARIANNA. Marianna assustada fica em pé com a mão na chave. e ao mesmo tempo Com ar tão abatido? E aquella carta Ao Conde de Ericeira? E aquella farda De creado? E a cautela! Aqui ha cousa . GIL. MARIANNA. FREI GIL. queira Deos a pobre Lucia Não se veja também compromettida! (Bate/n na porta). Quem é Ia? E'minha Ama certamente (Levanta-se e vai abrir a porta). Quereis. Senhor. SCENA II. LUCIA. Queira Deos. Eu ja vos disse. deixar-me? FREI GIL. Que não ves posso ouvir. MARIANNA. Um só momento Por quem sois escutai-me.

fora do convento. Trabalhei toda a noite sobre a scena. A' espera. E eu então? toda noite ao ar exposto Por vossa causa.E A INQUISIÇÃO. Pois>quando eu procurar-vos. E não m'é dado achar abrigo em casa 1 FREI GIL. slou certo d'isso. MARIANNA. não vos conheço. passeando em vossa porta. 71 Retirai-vos. Eu não vos chamei cá. Si eu me reliro. Senhor. Então talvez que seja inutilmente. E vós me repellis tão cruamente? MARIANNA. faltaremos. estou cançada. FREI GIL. e vós sereis menos severa. FREI GlL. e o mal não tenha cura. Vós me ireis procurar. MARIANNA. MARIANNA. Ouvi-me. Quero emfim repousar. . FREI GIL. Que seja tarde.

nada. o mundo inteiro Não poderá valer-vos. Que ides fazer.72 O POETA Uma vez dado o passo. FREI GIL.. (Com ironia). Gcai. Que! isso é muito! De alguém mais ? Pois também eu eatro n'isso? . MARIANNA. Mas vós me ameaçais! Que mal hei feito? Não basta já meu credito em perigo? Quem vos tanlkvisto entrar aqui tão tarde Que hade de mim suppor? FREI GIL. Hontem eu oflfreci-vos uma casa. LUCIA assustada. mas lembrai-vos. Senhor? (Com vekemencia).. MARIANNA. nem eu mesmo Me abrandarei co'o vosso inútil pranto.. O h ! nada. Que a vossa decisão é a sentença. Pois é mudar-vos... Que se hade executar em damno vosso : E talvez de alguém mais.. E hoje reitero a minha ofierta. Também não vos obrigo . Si aqui quereis Gear. sois livre.

(Pondo-se junto de Marianna). Que te importa o qu'eu quero? vai-te embora. Meu Deos !. LUCIA. (Para Marianna). 11 . eu te promelto Que accusada serás do mesmo crime. FREI GIL. Meu Deos!. Eu não tenho segredo p'ra com ella.. MARIANNA. MARIANNA pegando na mão de Lucia. é minha amiga. Mandai qu'esta criada se retire.E A INQUISIÇÃO. deixa-te estar. LUCIA beijando d mão de Marianna. 73 Quem te chamou aqui? vai-te p'ra dentro.. Que diz elle. A menos que minha Ama não me ordene. LUCIA. Lucia. Tenho que vos fallar muito em segredo. Que coração de Frade! O que quer elle? FREI GIL para Lucia. Si não sais ja d'aqui. FREI GIL. Senhora? eu criminosa ? MARIANNA. Daqui não saio. Não ha necessidade.

Eu vos ouço. Fr. SCENA III. Lucia. oh ceos. repito. benzendo-se. (Indicando o meio da scena). Mas.. (Ficando no mesmo logar). Senhor. e olhando para traz. . vai p'ra dentro.74 O POETA FREI GIL.. Vai. Escutai-me. eu ja vos disse. Então! queres ouvir-me? (ParaLucia). Que vos quero fallar sem testemunha. Não quero expor-me a dittos de criadas . FREI GIL um pouco distante. (Si me ouvires gritar. fica immovel). (Lucia se retira. Não ha mulher. MARIANNA. Nem sinistra tenção. E' segredo. MARIANNA. nem ha Religioso. — e o tempo passa. Marianna sobresaltada. vós não vedes a distancia D'uma mulher á um Religioso? Que sinistra tenção nutris n'essa alma? FREI GIL. Valei-me. MARIANNA. vem soccorrer-me). seguindo-a sempre com os olhos até que ella entra. Gil dd alguns passos.

hontem de noite Tinheisum Cavalleiro ás vossas ordens!.. tão severa. Tão cheia de virtudes.. FREI GIL. Cousa nenhuma!. FREI GIL. e a olhar-me em face? Mas que sabe salvar as apparencias. Mancebos recebendo em sua casa Com vestes de criado desfarçados! MARIANNA. Um p'ra o outro vos fez a Natureza... (Ironia). 75 Ao menos hoje Creio que estamos sós!... Como eslou sempre. MARIANNA. (Ironia). Que posso eu suspeitar d'uma Senhora. . Senhor. não tanto. e nem se atreve A levantar a fronte. Eu louvo a vossa escolha. MARIANNA. que suspeitais? FREI GIL.B A INQUISIÇÃO. Que treme á minha vista. Vós me calnmniais. elle a merece. Não tanto assim. (Com ar de exprobação).

mas attendendo A vossa alta virtude. E o conheceis? sabeis que homem é esse. Inda me resta intacto o meu segredo MARIANNA. Deve ser vosso Irmão. Não tenho muita pressa. Senhora? —Eu adevinho ! MARIANNA. foi sonho. Oh. E' tudo quanto tendes p'ra dizer-me ? FREI GIL. Pois acabai. Foi sonho o que aqui vi.76 O POETA FREI GIL. FREI GIL. Oh nâo coreis! não é p'ra tanto o caso! Não o conheço. Que assim me ousais fazer corar as faces? FREI GIL. (Ironia). e honestidade. quecalumnia! (Ironia). que não devo dar-vos Gonta Do que faço. Tenho eu. ou vosso primo. . oh. sim. Não é assim. MARIANNA. não . MARIANNA.

. s'é possivel. Dizei seu nome? MARIANNA.. Não sei. FREI GIL. MARIANNA. aqui porque viestes? Que linheis que fazer em minha casa? Quem aqui vos conhece? quem chamou-vos? FREI GIL. vós bem vistes.K A INQUISIÇÃO. Não é essa a questão. Sois complice também do mesmo crime. Senhor. Que me ousou insultar em vossa casa. E vós. 77 Eu vou ja expor-vos ludo... Quel não sabeis! ora essa é boa! Pois recebeis em casa tanta gente. FREI GIL. Contra um Membro Do Sancto Tribunal erguer o braço ! ! Islo com testemunhas. O braço levantar. Como se chama aquelle moço de hontem. Mas dizei-me primeiro. Que os nomes não sabeis? nem um ao menos? E então me perguntais por que motivo Eu ousei aqui vir? Como se fosse . e alé ferir-me ? Sabeis qual é seu crime? Um sacrilégio! Não tem perdão seu crime.

Vós me insultais. Não sei. Teimais inútil Dai-me o nome. Ah quereis me occultar! o Sancto Officio Hade vos obrigar a confessal-o . sois o primeiro. Enlão vós fallareis d'oulra maneira.73 O POETA Necessário que vós me conhecesseis. só vós. não merece taes insultos. . Pois prasa a Deos qu'eu seja o derradeiro! Mas deixemo-nos disso. (Com indignação). FREI GIL. eu ja vos disse. MARIANNA. Dai-me o nome Que vos pedi. Ah! sou eu o primeiro! eu não sabia. Ninguém ha que se atreva a infamar-me. FREI GIL. (Com pertinácia). (Vehemenle). Para qu'eu me atrevesse a visitar-vos. (Riso). Senhor. MARIANNA. Senhor! A minha vida Sem nódoa. Só vós. MARIANNA. FREI GIL. E repito outra vez. não sei seu nome. Não sei.

. Cobarde! FREI GIL. Mais faciHhe será tirar-me a vida... N'este instante estarieis de joelhos. e os mais bárbaros martyrios. com mais brandura. E eu creio. Tanto orgulho ja me irrita! . Que arrancar um segredo da minha alma. Eu vos quero Ia ver com esse orgulho Responder : eu não sei.. FREI GIL. A tortura. Pedindo-me perdão. MARIANNA. Oh! Oh ! Tanto valor me causa riso! MARIANNA com desprezo. e tenho dito.E A INQUISIÇÃO. Mas não me hade forçar a ser trahidora. co'uma alma como a vossa! FREI GIL Que dizes? Oh quereis luctar commigo! Ah não fôreis mulher!. MARIANNA. e indignação. Guardemo-nos p'ra lá. que n'este instante.. fortemente. se eu fosse um homem. O Sancto Officio Poderá contra mim armar seu braço. sim . Poderá empregar o ferro e o fogo. 79 Com menos altivez.

Mas não desmentirei minha constância. Pela ultima vez. mulher louca. Cortar-me os lábios. sou mulher. Vós não me conheceis. Podeis me ir accusar ao Saneio Oflicio . Mas quando uma mulher teima e resiste.80 O POETA Eu quero. Deos me verá g e m e r . Forças lhe dá o céo. eu vos desculpo. Sem arrastar á morte um innocenté. Ou si quereis levar-me. Senhor. Ao grande Inquizidor direi sem medo O que vos disse ja: não sei seu nome. vos digo. Ide ja. retalhar-me o p e i t o . fraca. P'ra comprar com seu sangue a minha vida. Poderão me arrancar a própria lingua. eu quero ver-vos No Sancto Tribunal com esse orgulho. em Deos confio Que n'essa oceasião me dará forças Para soffrer a prova do martyrio. eia partamos. Quando a virtude lhe vigora o peito. ide ja: —eu aqui Gco. Um innocenté! — E vós cuidais salval-o? Cuidais qu'eu nada sei! que estou dormindo? Que não sei quem é elle? que preciso . Sou louca. FREI GIL. nada ha que a vença. sem a r m a s . MARIANNA.

era vingar-me. deixai o desgraçado. Antônio José. MARIANNA. Que cuida que ninguém mais o conhece.verso. P o r Deos. sim. Elle?. mulher soberba! Era Antonio José quem aqui'stava. Mas que mal vos fez elle? 12 . 81 Que vós o accuseis? — 0 qu eu queria Era vos humilhar. segura com as duas mãos no braço de Frei Gil. O Judeo hoje mesmo hade ser preso. (Marianna ouve este discurso na maior agitação. Assaz vingado estou.E A INQUISIÇÃO. Sim. vingai-vos de m i m .. MARIANNA cheia de espanto e perturbada. Marianna sem o largar é levada de rastos). P o r q u e anda co'a libre d'este fidalgo. tremula e como sem sentidos cai de joelhos aos pés do Frade. marchando para o outro lado da scena. depois de dizer o 1.. não hade escapar. soluçando. Senhor. FREI GIL. é esse J u d e o refugiado No palácio do Conde de Ericeira. elle mesmo ! A h ! cuidavas enlão qu'eu não sabia? Sim. tudo mereço. por D e o s . eu vos prometto. eslais vingado.. Não. Basta. basta. este a afasta de si.

Por elle nada. Marianna arrependida!—Oh levantai-vos. Elle é a causa Da maneira por que me haveis tratado. não é elle. Por vós tudo faria si quizesseis. MARIANNA. Senhor? e stou prostrada Pedindo á vossos pés! Si fui soberba Não me vedes bastante arrependida? FREI GIL transportado de alegria. o céo me escula. sois orgulhosa.52 o POETA FREI GIL. elle com uma mão segurando numa das . Nada quero por mim senão a morte. Porem vós não quereis. e tanto que ella se levanta. FREI GIL. Perdoai. Senhor. Ja me pedis perdão? MARIANNA. FREI GIL. MARIANNA. Tudo por elle. perdoai minha ousadia. (FreiGil ajuda Marianna a levantar-se. Si vós m'a quereis dar. Não. Orgulhosa.

Que horror! monstro. Abraçai-me. (Marianna corre de novo furiosa para o lado do Oratório. e me arrependo De vos haver tratado com dureza. deixai-me. essa voz doce. que fazeis! por piedade.) Não é assim? dizei. Levantai-vos. cara Marianna. vinde. Marianna o empurra marchando para o outro lado cheia de horror. sobe sobre o banqtnnho. Perdoia-me também . Oh si soubesseis Que prazer me causais nJesle momento! Eu tudo vos perdôo. vinde . que estd ao pé da commoda (r que serve para os joelhos) pousa . com a outra passa sobre o braço como alisando a pelle).E A INQUISIÇÃO. Marianna. mas não de todo. FREI GIL indo para ella. Nem posso sustentar-me. 83 de Marianna. tendo ouvido todo o discurso do Frade immovel « estupefacta). Vinde. eu vos adoro. Marianina. (Quer abraçal-a. Que me faz palpitar de amor o peito. De vossos lábios Quero ouvir meu perdão. MARIANNA. Estais arrependida!—Oh que alegria Me banha o coração! Minha alma voa. vós perdoais-me? (como ajoethando-se.

'! SCENA IV. que estd nos braços de Lucia. chega-se para Marianna. Ai!. Meu Deos.' íudo me odeia. Oh que fado é o meu. tendo o outro braço estendido.. e sai n um transporte de desesperarão. MARIANNA. E LUCIA. IXCIA. FREI GIL SCENA V. Meu Deos. Ella não faliaL. *^£u D Q. FREI GIL. LUCIA olhando para o Frade que está tremendo de cólera. OS MESMOS E LUCIA. - COs enl > qu'hcide fazer? si ella aqui morre! »or« Marianna!."** O P0JJT1 uma mão tobre o Oratório. olha. Em nome de Deos eu te esconjuro. Quereis zombar commigo. "i és o demônio com figura humana. mulher pérfida! MARIANNA caindo de joelhos. Toda esta scena deve se passar com muita lentidão» MARIANNA. . puxando-a).. Frei Gil a segura pelo braço. Vivrai-me desle monstro.

Senhora. como para não ver a luz que lhe faz mal). (Sentando-se. até que Marianna lentamente torne d si..... Oh que fraqueza. tendo-a sempre nos braços. Não. As mãos estão geladas!. como acordando do desmaio.. que vai com os pés arrastando.. Palpita o coração! Ah não stá morta.. (Dd com ella alguns p ira diante). com este movimento Lucia cessa de andar. Dai-me a cadeira. MARIANNA.. a casa. ... MARIANNA... levantando um braço. já sei. passos Que alflicção. 85 Como está fria!. LUCIA.. e leva ambas as mãos aos olhos. de modo que Marianna lenha a cabeça sobre o braço delta).. eu vou pol-a sobre a cama.. e a vai levando devagar... Como heide soccorrel-a? P'ra deixal-a... E eu sosinha. Lucia. eu aquietou. Marianna firma os pés. fique de frente. tendo dado alguns passos. e ir buscar algum remédio. Corno está tão desmaiada!. de modo que Marianna. Que suor. Lucia fica dt um lado e repousa um braço sobre as costas da cadeira. Volteia-me a cabeça.. (Levanta-se com Marianna suspensa nos braços...• A 1NQU1ÍIÇAÕ. Que clarão repentino!. indo ella de costas....

oh sombra! (Empurrando com as mãos. Oh Deos! que tenho visto! . levantando os braços convulsivamente).86 O POETA LUCIA. Ai de mim! a cabeça se espedaça. Sombra horrível! •Fugi. e aponta com o dedo. O que tem. deixai-me em paz. não mais. grita com voz rouca e tremula). minha Senhora? MARIANNA pondo uma mão na testa. como vendo alguma cousa.salvai-me... e ajoelha-se diante do Oratório). e recuando. deixai-me. Eoscabellos me espinham.. Senhora! O que é? o que tendes? (Marianna luorrorisada olha fixamente. (Corre. como si alguém a quizesse segurar). Oh Deos!. LUCIA. LUCIA levantando as mãos para o ceo... depois de ficar per algum tempo nesta posição. Ai! qu'é isto? (Dizendo ai. Eu toda me arrepio! O h ! (Levantando-se repentinamente). Não mais. MARIANNA. e soluçando como quem quer fa liar e não pode. deixai-me. Noite de horror!. com o braço estendido. sente um forte tremor. como um arrepiamento geral.

. 87 Eis-me aqui miseranda. Ah. Quem é? ANTÔNIO JOSÉ. Vós!. Senhor. MARIANNA. onde está? falia. Marianna. . SCENA VI. Ai! já me faltam Forças p'ra resistir á um mal tão grande.E A INQUISIÇÃO-.. LUCIA.. MARIANNA. MARIANNA correndo para elle. o que fizestes?—que tormento! Vindes buscar a morte n'esta casa? ANTÔNIO JOSÉ. vinde. Marianna. Senhor. LUCIA com transporte. Mas ao menos Quero morrer. nem valor tenho p'ra isso. Senhor! Compadecei-vos Duma fraca mulher... Sou eu. MARIANNA. Tão perto vejo o meu e o vosso damno. na vossa graça. E ANTONIO JOSÉ'. eis-me prostrada A vossos pés. Antonio José! o que fizestes? Senhor. E' cerla a minha morte. Como assim? que trahidor aqui me aguarda? Quem é?#dize. Vinde. MARIANNA.

. Convém tudo dizer-le. Tudo se sabe. Frei Gil. Senhor. Elle aqui esteve.S8 O POETA ANTONIO JOSÉ. Mas não me conheceo. o mesmo Conde .. Que! Inda ha pouco eu encontrei-o. ANTÔNIO JOSÉ. Emfim. Tenho cartas para Haya. aqui esse malvado Ousou. Da qui saía... Brevemente Sai do Porto um Navio para a Hollanda. Eu já percebo Qual é sua intenção. (Antonio José assusta-se e fica suspenso). Nelle loirso passagem. E fingisse que não vos conhecia. tudo elle sabe. Ia seguro Posso acabar os restos de meus dias. ANTÔNIO JOSÉ. 0 que ha de novo então? MARIANNA. e onde estais. Acreditai. nem dizer posso. Como andais. talvez vos visse. Para melhor executar seu plano. Marianna. MARIANNA.

ou morrer ambos. Vem commigo. MARIANNA apertando a mão de Lucia. Não. como é possivel? Que vou eu Ia fazer em terra estranha? ANTÔNIO JOSÉ. vós. Senhor. deixai q u e u morra. Eu não posso deixar-te. Marianna. só. Senhor. (Chorando).. não parto sem ti.E A INQUISIÇÃO. Ou ambos escapar. Tenho pensado b e m : eu só não parto. Então nada respondes? Não decides? MARIANNA. e vim dizer-te O derradeiro adeos. 13 . ANTÔNIO JOSÉ. Senhora? O qu'hade ser de mim? Mnguem se lembra Da malfadada Lucia. exposta A' vingança cruel do Saneio Officio. ANTONIO JOSÉ. Salvai-vos. Outro meio não ha 1 LUCIA. E eu. Estamos junelas. Aproveitando a noite. 80 Foi quem tudo dispoz. Eu fui á caza. Minha Marianna.. P o r e m . MARIANNA.

viviremos. Que rumor!. Sim. Eu vossa esposa! Oh Senhor!. ser teu consorte. e si a amizade Ate hoje ligou-nos . MARI'NNA.. Um para o outro . Tu serás minha esposa. . (Segura na mão de MARIANNA. Estando ainda abraçados. Marianna. (Abraçam-se com transporte. sim.. o céo me escuta. abraça-me. Que será? LUCIA correndo para Fugi. si a desgraça Nos aperta este laço . tu serás minha. Lucia chora de ternura). ANTÔNIO JOSÉ. Só pode agora a morte separar-nos. Marianna). vem. Em qualquer parle Onde a sorte levar-nos. sim. ANTÔNIO JOSÉ. Eis aqui minha mão. eu prometlo De nunca te deixar. ouve-se um grande tropel.00 O POETA Vamos junclos viver. inseparáveis Devemos sempre ser. Juro morrer por ti. Tomo Deos por testemunha. cara Marianna.

Soldados. cmn os olhos. como para certificar-se do estado de Marianna. que convulsa e horrorisada mal o vê. grita): MARIANNA. dobra os joelhos. cobrindo co'as mãos os olhos. lançando o corpo. que corre para Marianna. e a cabeça para diante. e ouvindo aquellas palavras.. fazendo um fortemovimento com todo o corpo. debruça-se fobre elle. diz com voz lacrimosa) : ANTÔNIO JOSÉ. seguro pelos braços. como para abraçal-a. (Firmando-se repentinamente. Entram repentinamente os Familliares Officio.E A INQUISIÇÃO. se apoderam de Antonio José. Antonio -1 osè. Lucia se ajoelha ao pé do cadáver. 01 OS MESMOS. mas elles o impedem. entretanto Frei Gil se apresenta diante de Marianna.. e Frei Gil gritando TODOS do Sancto Da parte Do Sancto Tribunal. Ai!. SCENA vn. (Em quanto dizem isto. Está morla !. (E cai por terra. grita): 13* .

que Marianna cai. assim termina o acto. fica como entorpecido. com os olhos fixos no céo. e o levam de rastos.92 O POBTA Que eu não possa vingar a sua morte! (Aqui os Familliares o puxam.) . e arrependido . Frei Gil desde.

e um pote de água.allida->e triste como a luz dos mortos Diante de meus olhos sempre oocesa Para tingir de horror este sepulchro. Minha existência Já não conto por dias. um candieiro aceso. e com voz débil começa a fatiar. ou noite?.. e firmando o cotovelo no cepo. E' meu único sol esta candeia P. fazendo um esforço para levantar a cabeça.. olha para todos os lados. A natureza Talvez cheia de vida e de alegria O hymno da manhã entoe agora! Mas p'ra mim acabou-se o inundo. que lhe serve de travesseiro. sim por dores! Vesta perpetua noite sepultado. uma escada no fundo. Antonio José deitado no chão sobre palhas. Seu vapor pestilente respirando... Vista de cárcere do Saneio Officio.. O sol talvez ja brilhe Fora d'esta masmorra.. preso per uma corrente à pilastra que no meio da scena sustenta a abobada do cárcere. pousa a cabeça na mão.. SCENA I. E' dia. Sim.. p'ra o mundo morri. ANTONIO JOSÉ . e o dia.ACTO QU1WTO.

e chocalha em meus ouvidos. p'ra feixar-se : Por musica contínua esta corrente. morlo no calvário. E de negros vergões me crava o corpo. se abre. Este chão fiio e humido por leito. Mas quando. Sigo a lei de Moysés!.. que corre. E palhas por lençol!—E porque causa? Por uma opinão. por uma idéia Que meo Pai recebeo de seus maiores E transmiltio ao filho! — E sou culpado!. Tendo por cabeceira um duro cepo. Que retine. Si eu podesse dormir—um somno ao menos Livre destas cadeias !—porem como. Que como um fero tigre assim me tratem Por uma idéia occulta de minha alma? Porque em vez de seguir a lei de Christo. Que em horas dadas. qu'ella exhala. quando Esse Deos homem. E'possível que os homens lãos máos sejam. E em confuzos novellos se evapora. deo aos homens 0 poder de vingar a sua morte? .. Pregou no mundo leis de fogo e sangue? Quando.94 O POETA Vejo correr meus últimos instantes Como este fumo negro... P r a mim enroqueceo-se a voz humana! Só perturba o silencio d'este cárcere O ferrolho. na cruz suspenso. e a dura porta.

O meu cadáver Será queimado. Leis d'amor... convertidas em leis de ódio! E são elles christãos!.. E assim manchando O Nome de seu Deos.. . que o prende d pilaslra.E A INQUISIÇÃO. Oh que infâmia! Assim é qu'elles entendem Do seu legislador os mandamentos!. tinem as cadeias.. .. que deviam esmagal-os! E se enculcam de Deos Sanctos Ministros! Oh céos. ousam mostrar-se A' face do Universo. diz): Ai. e em cinzas reduzido! Oh que irrisão!. revestidos Com sagradas insignias. que justiça. (Tomando uma larga respiração. Mesmo por sua lei. esforçando-se para mudar de posição. 0 ar me falta. Creio que morrerei nesta masmorra De fraqueza e t o r m e n t o . quando a vida ... Como tenho este braço. fica apoiado sobre o braço.. que h o r r o r ! que atroz hypocrisia! (Depois de um momento de pausa.. Quão vis são esses h o m e n s ! Como abutres os mortos despedaçam P r a saciar seu ódio. ja não posso.. profanando Os Templos. 95 Que direitos têcm elles. com a mão no chão.. Dóe-me o corpo todo. de perseguir-nos?. e com a outra levantada e segurando na cadeia.

... ou de naufrágio!. Vai-se a vida. malvados.. um sonho n'um baixei sem leme.... Sonhos entremeados d'outros sonhos. Não. Onde a escassez da luz o horror augmenta.. O Palácio e a masmorra se confundem. e compassada): Morrer... Assaz tenho valor para insultar-vos De cima da fogueira.. essa em mim existe agora Como eu nesta masmorra esclarecida. E minha alma?.. E interrompe o recôndito mysterio. Completa-se o mysterio. Quem sabe o que é a morte?.... não. Porto de salvamento. O horror e a confuzão desapparecem. Mal que a luz se extingue. morrer. abaixa a cabeça como absorvido em algum pensamento e sacudindo-a. O que foi minha vida. diz.. Eis o qu'é morte. Eis o qu'é vida!. e minha alma será livre. que em dor começa. (Um momento de pausa. e em dor acaba. Onde tudo se vê confuzamente. eu não fugirei á vossa raiva. Não mancharei meus dias derradeiros Arrancando-me á v i d a . E a vida?. A minha morte Quero que sobre vós toda recaia. Prazer.. e o que é agora? Uma masmorra alumiada apenas.90 O POETA De suas Iristcs victimas se escapa ! (Com indignação). com voz baixa. .

(Ouve-se o ruido do ferrolho que corre na porta que fica no alto da escada. apparece no alto da escada. Ou irá repousar na eternidade. com um archote na mão. E completar a minha penitencia . e lentamente desce. Antônio José o contempla com pasmo). FREI GIL. SCENA II. Que seja esta masmorra o meu refugio . Antonio José experimenta uma commoção repentina devida naturalmente ao rumor inexperado): Oh meu Deos!. e cai em ponta sobre o peito. E valor p'ra domar o meu orgulho. entretanto Frei Gil com um capuz c/ue lhe cobre a cabeça e a cara. ANTONIO JOSÉ'.E A INQUISIÇÃO. E FREI GIL. e ajoelha-se humildemente. 97 De Deos receberá novos destinos. quem será? estou tão fraco Que o menor movimento me apavora! (Fazdeligencia para ver quem vem. Senhor.. chegando d scena crava o archote no chão. o vosso servo humilde implora A vossa protecção. levantando as mãos para o céo. Eis o momento Que de mais caridade necessito. e apenas com dois buracos diante dos olhos.

SoQra todo o tormenlo dos remorsos. só pela dor Christã guiado. A paixão mais insana. ANTÔNIO JOSÉ. mas as vezesO coração humano é tão rebelde. sim. ANTONIO JOSÉ (Levan- com voz baixa. Tão pesado de vicios. E no excesso da dor me purifique. ouvi ardentes preces Qu'hoje minh' alma exhala arrependida. que resiste A' voz terrível da verdade eterna. Propicio é o logar. Senhor. e mais fogosa Quebra-se ante o rochedo da vontade .93 O POETA Onde humanas paixões entrar não ousem. e em erma gruta. Basta um desejo ardente e esclarecido Para domar o peito: e uma Fé pura P'ra que Deos nos perdoe. Que tão alto resôa na masmorra. Onde eu. No retiro do claustro. Senhor. ta-se). . De certo que melhor não acharieis. O logar é propicio á penitencia. FREI GIL. Dos meus crimes passados me r e c o r d e .

e os males que fazemos? ANTÔNIO JOSÉ. sim. Mais humanos discursos verterieis. Deos perdoa. Perdoou* p'ra que os homens perdoassem. Mas os homens acaso nos perdoam As oíTensas. Nós pedimos á Deos que nos perdoe. si elle outorga As graças que diurnas lhe pedimos. Como nós p e r d o a m o s . na terra os homens. . E que importa que os homens não perdoem? Diante do Senhor os homens iodos São réos. FREI GIL. E ouvindo-vos fallar desla maneira Exulto de prazer. E nenhum poderá julgar ao outro. Os juízos de Deos são infalliveis.E A INQUISIÇÃO. e como réos serão julgados. na cruz morrendo. 99 Assim o creio. Quem terá o poder de criminar nos? FREI GIL. P o r q u e não sois christão? se a luz de Christo Tivesse esclarecido a vossa crença. Si aquelle que só lê no livro occulto Da nossa consciência nos absolve. E o Christo do Senhor. Mas Deos julga no céo.

Mora n/clle a Irahição. ANTÔNIO JOSÉ. Vós o ouvis. Si arrependido estais dos vossos erros. Vosso claustro de sangue está manchado... Que vossa ordem profana a lei Christo. Mas. Será esta uma boa penitencia. Ide pregar no vosso mesmo claustro As virtudes Chrislãs. e Antônio José levanta-se ficando apoiado por algum tempo sobre o hombro do Religioso). Vivam na terra em paz. vosso manto me revela. Divina unção respira esse discurso . E as fraquezas do próximo desculpem.100 O POETA E ' p'ra que os homens. e a piedade. Si desejais ser-me ulil n'este instante. Dai-me a mão. o ódio. Si sois culpado. seus amados filhos. ajudai a levantar-me.. ja me custa O pezo supportar d'esta cadeia. Ai. em harmonia. Muito tenho soflrido! . (Frei Gil lhe dá a mão.. Eu vos agradeço. a vingança 5 D'elle fngio a fé. Padre. ANTÔNIO JOSÉ. FREI GIL. oh meu Deos! tudo mereço.

ah si eu podesse Lançar-me inda em teus braços. Mas que digo? Que tenho eu que ver n e l l e ? Oh... Que dizeis. . E uma lagrima ao menos não m'é dado Derramar sobre tua sepultura. e ver em sonhos A masmorra. Nem sonhando a esperança me consola.—ah goza a paz e t e r n a . . onde eslás? tu me deixaste. como hoje vejo o m u n d o ! .. FREI GIL. liberdade! Não. qu'eu me preparo pr'a viagem... Marianna!. Não ficarei mais tempo sobre a terra. Goza.B A INQUISIÇÃO. E' só o bem que espero. A morte «desejais? ANTÔNIO JOSÉ.. Fagueira liberdade. Marianna. 101 Brevemente Recobrareis a vossa liberdade. Eu te irei ver. Ah venha a morte * . não creio. e como a Phenix Renascida das suas próprias cinzas Cantar minha victoria. ANTONIO JOSÉ interrompendo-o vivamente. Não.. Não irei perturbar as tuis cinzas Co'os meus tristes gemidos. verde novo O Mundo qu'eu perdi. FREI GIL.

Deos é grande! e minh'alma sai do mundo Assaz martyrisada pelos homens. Mas voss'alma Não deseja outro bem? ANTÔNIO JOSÉ. E não temeis o tiibunal eterno? ANTÔNIO JOSÉ. E ainda não manchei o sacrifício.102 O POETA FREI GIL. e por quem morro» Elle me hade julgar. E Jesus Christo? . FREI GIL. E' em nome de Deos qu'eu soffro a m o r t e . A minha geração erra proscripta Sobre os pontos da terra. Contra seu sancto nome blasfemando. A eternidade! FREI GIL. Encontra a maldição dos outros homens. Fica minha memória nodoada. Co'o tit'lo de J u d e o . O Deos á quem meus Pais sempre adoraram E' o Deos qu'eu adoro. e quando cuida Achar occulto asylo onde repouse. com que me infamam.

Mas.B A INQUISIÇÃO. ANTÔNIO JOSÉ. A mim? que fazer posso? FREI GIL. Eu morrerei na minha. a respeitassem. e Deos nos julgue Com aquella infinita piedade Que merecem tão fracas creaturas. eu vos imploro. FREI GIL. ANTÔNIO JOSÉ. Um perverso. Quereis morrer na lei em que nascestes. ANTONIO JOSÉ. Uma só graça. (Erguendo as mãos para o céo). Nada pode temer.—assim os homens Por quem elle morreo. comsigo. P'ra salvação d'um'alma arrependida. Não mais vos canço. Antonio José. e me condemna. um criminoso . e os outros homens. e cumpre á risca O tríplice dever qu'elle nos marca P'ra com elle. Tudo para applacar os meus remorsos. Que sem cessar me exprobra. 103 E' saneia a sua lei. Quem adora a um só Deos. Quem sois vós? FREI GIL. E dar um linitivo á consciência.

... Arranquei-vos do mundo.iOÍX O POETA Diante do Senhor. Ja não vive. Porem meus olhos Assaz me desmentiam. E indigno do perdão q u o u s o implorar-vos... Que talvez o terror me fascinasse. Eu perturbei a vossa paz terrestre.. Em vão luctava P'ra não crer em meos olhos. Sua imagem . Eu me dizia. ANTONIO JOSÉ ouvindo estas palavras. e levanta os olhos para o céo... que horror'. Marianna. ANTONIO JOSÉ cheio de pasmo como duvidoso do que Frei Gil lhe vai dizer. Dessa lucta Ao menos na incerteza vislumbrava Uma esperança vaga.. e com cilas limpa as lagrimas... tremulo e soluçando... ergue depois os braços. Marianna! FREI GIL... (Levantando as mãos paro o céo).. Eu mesmo a vi cair.. O h . Já não vive!. deixa cahir os braços sem força. e cobre o rosto com as mãos. repelindo com voz chorosa.. eu mesmo... e ante meus olhos.... e sepultei-vos N'esta escura masmorra. Eu já sabia. Minha cara Marianna!. assassinei-vos! Fui eu!. Que um desmaio talvez.

oh ceos.. (Dizendo isto arranca o capuz que lhe cobria o rosto. que o nó rompia Entre su'alma e o corpo. era um abutre Que o peito me roía lentamente. 10(5 Sem cor.. Essa incerteza vã. que eu só creava. .... E eu fui que perpetrei lão negro crime? Eu mesmo?—Oh lenho horror de minha sombra!. Com qu'eu só me illudia...... Grito horrível da dor. de lua morte a causa! (Cobre os olhos com as mãos. q u e u lão louco imaginava No que em fim acabaram!. e me extingue o sentimento. vingai-vos.. O seu ultimo ai. Não mais.E A INQUISIÇÃO. Minha cara Marianna!... Ah. e assenta-se sobre o cepo). Oh. sem vida. Eis o crime pintado em meu semblante! (Antônio Jcsé tornando d si. Oh ! por q u e u não morri nessa hora horrenda.. e sobre a terra immovel Para me exasperar sé me antolhava. Eis os bens. de mim vingai-vos!. FREI GIL horrorisado. não mais me occulto á vossos olhos. de continuo Tietumbava nos seios de minh'alma. seu ai de morte. Ah si a incerteza. e se mostra puIlido com os cabcllos arripiados). Marianna! E eu sou. oh dor!. olha para Frei Gil.... Esta horrível certeza d'um só golpe Me espedaça.

ah...m e . cobri-me de ignomínias.. d e v o r a i ... porem cego e no deliria tropeça e rola até o meio da scena. quer subir a escada.. fujamos d'aqui. Senhor.. (Fo«e furioso para o fundo da scena. . porem è retido pela cadeia. Sim vingai-vos.. Cruéis remorsos! Despedaçai est'alma criminosa 1 Não me poupeis... Tendes horror de mim? oh.100 O POETA levanta-se repentinamente sobresallado.. e fica cspevorido... sim. E estas muralhas sobre mim não caiem!. tudo me abandona. Mais me exacerba a-dor. é justo...... einfim... Mas que silencio!.. Assaz vingada estais co'os meus remorsos.. Antônio José no entanto quer dar uns russos para segural-o. Assaz vingada...... Senhor. Eis. Tudo foge de mim. Esse silencio.. vingai-vos.. r para não cair se segura d pilastra). .. Esse silencio horrivel mais me infama. assassinai-me T Como eu assassinei-a.. Eu fui o vosso algoz.. voltais o rosto?.. e tonto trabalha pira levantar-se. anniquilai-me Com insultos. horrorisado. e volta a cabeça fazendo ao mesmo tempo com as mãos um movimento de horror)... Alas vós nada dizeis?. Inferno! inferno! Tu stás dentro de mim... quem eu sou... Ah.. ah não..

. Marianna! do ceo onde desfructas A palma do martyrio.. O h .K A INQUISIÇÃO. Mas ditoso Quem escuta. tudo p e r d ô o . Si vossa dor é plena. ANTONIO JOSÉ ajoelhando-se. 107 cheio de piedade.. e de amargura! Ah possam ellas inflammar ininh'ahna De fé. e a paz dos justos. basta... Eu não mereço tanto. FREI GIL ANTÔNIO JOSÉ. o meu remorso Purificar a nódoa d o peccado. E como um doce orvalho saciar-me Deste ardor. fôasla.. n'este instante Minh'ahna se dilata. morre em meus lábios... A voz da indignação. e exprobar-vos. e a voz do mundo. t Por qu'eu do peccador não quero a morte.. Oh Palavras de Deos! ellas derramam Na minha dor um balsamo suave. si estais arrependido. Meu perdão condoída pronuncia. vossas palavras Nos dias de affiicção. Em vão tentara Blasfemar. recordai-vos Do que disse o Senhor: » De seus peccados » Não mais me lembrarei. com que o crime me devora. e de esperança. A forca me abandona. .Mas sim que se converta. e qu'elle viva». .. Senhor.

. diz com voz baixa e assustada) : FREI GIL. Não ouso. ANTONIO JOSÉ com pavor. Só vejo um penitente arrependido.. Eu entendo...108 O POETA Oh não sei que prazer nunca senlido Me abala os ossos.. Não vos agravo a culpa.. E ante mim o Senhor me diz: perdoa.. dizei.. Ah vinde. perdoa.. não lenho pavor. . (Para Frei Gil)..... Não receeis. ANTÔNIO JOSÉ. FREI GIL soluçando. O vosso indulto Recebei em meus braços. estou tranquillo. FREI G I L ... Ouvem-se algumas badaladas de sino.. é minha hora derradeira... atira-se nos braços de Antonio José. E' talvez o signal da minha morte. Senhor!. (Frei Gil. e me inunda o peito. e um rufo de tambor. Ceos! que escuto! ANTÔNIO JOSÉ. Bem... é teu irmão. chorando de prazer. Mortal. Frei Gilseparando-se.

FREI GIL.. tira do bolço uma boceta d'ouro. Meu Pai servio-se d'ella em sua vida. quando eu deixei a Pátria. (Dizendo beija a boceta).. ANTONIO JOSÉ em quanto repete os versos... . eu vos prometto. em vós confio. Lucia!.. Meus bens devem ser Iodos confiscados. 109 Vós me servis de amigo. Ordenai-me. A essa pobre Lucia.E A INQUISIÇÃO... ou que a conserve.. Eil-a. promelteis-me De o fazer? FREI GIL. não posso dispor d'elles. inútil me foi n'esta masmorra. coitada. Na eternidade. foi um presente De minha Mãe. Dai á Lucia.. Poucos dia* Sobreviveo á morte de sua Ama. FREI GIL. Um só favor vos peço. Vós o sabeis. Mas escapou-me ainda uma boceta.. Qu'eu trouxe do Brasil. «morreo. que a venda. isto... que nem mesmo Sei onde ella estará.. ANTONIO JOSÉ surpreso.

E grato me mostrei aos seus favores. ANTÔNIO JOSÉ.. Eu entoei o cântico dos mortos Na sua sepultura! FREI GIL com . Em meu nome pedi-lhe qu'elle queime Alguns toscos. Oh Providencia! P'ra núncio de desgraças me reservas!.. Pobre Lucia. FREI GIL. ANTÔNIO JOSÉ.. não querais saber o resto. FREI GIL. p'ra vós guardai-a. Far-me-eis ainda outra graça. voz funtbre. Dizei-lhe qu eu fui sempre seu amigo.. vendei-a. e dai esmolas Aos pobres. tranquillizai-me. Vós ireis ver o Conde deEriceira. Oh. E que anlesde morrer me lembrei d'elle.. Si a recuzais.. Que dizeis?. Oh.. por piedade Dizei. poupai-me ao menos Desta vez. Senhor. Que!.110 O POETA ANTONIO JOSÉ.. Pois bem.. Que em suas mãos deixei.. dizei que não.. o Conde morreo!.. inúteis manuscriptos..

Todos. depois de vestido.. e tantas mortes. um delles grita de cima) : Anlcnio José•'.. cujos desenhos se podem ver nas obras sobre » Inquisição. Deos! (Antonio José sem dar accordo do que se passa. E n'um só dia Tantos golpes recebo.. tira-lhe a cadeia. Morreram todos.. diz): Tabem elle!. e o veste. 111 Oh! (E cai assentado sobre o cepo. sem que elle offereça a menor resistência. Eindavivo! Eu também vou morrer. FREI GIL.. (Ouve-se o ctrondo do ferro-lho que corre... ou milra de papel pintado. mergulhado n uma profunda dor.E A INQUISIÇÃO... outros ficam nas escadas. a porta de cima da escada se abre.. fica sem se mover no mesmo logar: um homem que traz os vestuários da pena de fogo * se aproxima. depois de um momento de concentração. e o sambenilo . apalpando o corpo e a cabeça. descem alguns homens com brandões accscs. exclama com uma espécie de riso de desesperação): Este vestuário consiste em uma caroclia. o puxam pelo braço para que marche. ... então elle como se saísse de um tethargo. examinando com os olhos o que se passa em torno de si. ANTONIO JOSÉ .

. E entre a fumaça de meu eorpo em cinzas. Senhor!—Eia.112 O POETA E A INQUISIÇÃO. e desce opanno). Neste momento Sinto todo o vigor da mocidade Gyrar em minhas veias. um rufo de tambores e pancadas de sino. A dor da morte Não me fará tremer. partamos' Adeos. masmorra ! oh m u n d o ! adeos.. deve ler-se do modo seguinte: — Antônio José: cólera misturada com piedade... Eu victima vou ser no altar do fogo. rcrso 6. Ouve-se cântico fúnebre.. a Inquisição! Imprensa Imparcial de F.. Oh. Vou saudar o meu dia derradeiro De cima da fogueira.. oh sonho ! (Marcha intrépido. E de minhas misérias condoeu-se !. . Erilo. 18. O Santo ofEcio! r&!í. e encosta-se d pilaslra. Deos onvio-me. ANTONIO JOSÉ' Oh felizmente!. e sobe as escadas. Minh'alma se erguerá como um aroma P u r o do sacrifício á Eternidade ! Recebei-a... ERRATA ESSENCIAL.. P.."iaio no tcxio — Oh. Pag.. Frei Gil cobre a cabeça com as mãos. que i r o n i a ! — q u e completa o verso(iue horror!. que ironia! O Santo officio! Sancto ?.

Antonio Joaquim de Sousa. SNRS. (D. (Lente). Antonio F. Antonio José Rodrigues Capistrano.).) Alexandrina de Menezes Gomes Ferreira. Alexandrina Roca de Carvalho. Antonio Nicoláo de Miranda e Brito* Antonio Salustianno de Castro. Antonio José de Faria Lemos. Antonio Ramos Chaves.). F . Antônio Henriques de Miranda Rego. Antônio J»sé da Silva Rabello. 1 i i a a a 2 l i t i i I i l t i 1 l l t I i i i 1 i 1 J 15 . (Dr. Anlonio Alves da Silva Pinto Júnior. (Dr. Antonio de Serpa Pinto.). Antonio José de Bem. S. Antonio Velho Pereira da Veiga. Agostinho da Costa Silveira. Antônio Felix Martins. A. Antonio Thomaz de Aquino. Antonio José Cardoso Rocha. Antônio Pires Barboza. Antonio Victorino da Rocha. Antonio José Pereira Maia Parahyba. de Almeida Barboza. (D.U S T A DOS SUESCRIPTORES DA TRAGÉDIA O POETA E A INQUISIÇÃO. L. Antonio José de Arnujo. Antônio Alvares Pereira Coruja. Antônio Luiz de Marins Sarmenl o. (Dr. Antonio Mauricio Pinto.) Antonio Gonsalves Teixeira e Sousa.

. da Cunha. Ângelo Antonio de Almeida. A. Antonio José Trench. Alexandre Joaqoún de Siqueira Alexandre José do Rosário Agostinho Pereira Cardoso. Antônio José Fernandes Pires. Antonio Dias Bello. Albino Antônio Guimarães Antonio José de Sousa. A. P. Antônio Ignacio da Silva. Antônio José Machado Correia. Auonymo. 1 1 i 1 i 1 1 1 i 1 l i • • 1 i 1 i 1 i i i 1 1 í I 1 i i 1 . Alexandre da Cunha Ribeiro Feijó. Antônio Rodrigues da Costa e Sousa. de Araújo Braga. Antônio Jacobina. R. André Rotfrigti-. Antonio José dos Santos.). Antônio fLria Soares Lima. Antônio Francisco de Paula e Souza. Antônio de Freitas Fernandes. Antônio Rodrigues de Oliveira. (Dr.de Araújo. Agostinho Moreira Guerra. Argemiro Antônio do Rego. Anonymo. Antonio José d'Almeida. Augusto Bandeira de Gouvea. Alexandre Fortuna. Amaro Velho Pereira da Veiga. Antônio José do Sousa e Almeida Antonio José Gonsalves. Carvalho. Antonio Luiz de Miranda.2 LISTA Antônio Pereira Lisboa. Antonio da Fonccca Vianna. A. Alexandre José de Mello.

Celestino José de Queiroz. Antônio Tirnolheo da Costa. Bento Alves de Oliveira Pereira. Antouio Josó da Silva Arcos. Diogo Teixeira de Macedo. Antônio da Cruz Torres. Benedicto Joaquim Ribeiro. de V. Conde do Rio Pardo. Conslanlino Cardin da Silva. Domingos Antonio de Marins Barbosa. Cândido José de Araújo Vianna. Cândido Borges Monteiro (Dr.1>0S SÜBíCtUPToriES. Caetano Manoel dos Reis. * / Bernardo Joaquim de Oliveira. (D.) Domingos de Azeredo Coutinho Duque Estrada. Cyprianno José d'Almeida (Tenente Coronel). Daniel Paulo Profirio da Silva. * / Claudino da Silva Almeida. Cândido Fernandes da Costa Guimarães.). Berard. Bento da Silva Lisboa (Conselheiro). Caetano Luiz Machado. Dioclicianno Augusto César do Amaral. C D. Cândido de Assis. Bento Fernandes das Mercês. Caetano José Correia. (Dr. Carlos Demicheles das Neve*. Carlos dos Santos de Oliveira Pinto.). Delfrna Maria da Conceição Costa. Carlos José de Almeida. S. Cassio Antônio da Cosia Ferreira. Cândido José de Almeida. .). Claudino José Barbosa. Carlos Maria Duarte e Silva. (Dr. Carolino Sérgio do Rosário. Dionizio da Cunha Ribeiro Feijó.

Francisco Pinheiro de Campos. Francisco de Q. (Dr. Francisca Rosa Baptista. * Fernando Alves Pinheiro. Feliciano José Neves Gonzaga. Fideles Honorio da Silva dos Santos Pereira. Francisco de Paula Duarte de Araújo Gondim. E. Francisco Joaquim Teixeira Cardoso. (D. (Dr. Francisco Vieira da Costa. Francisco Cordeiro da Silva Torres. Matoso da Câmara. Tavares. Francisco Travassos da Costa. Francisco da Costa Barros da Fonceca. Frederico Leopoldo Cezar Burlamaque.USTA Delfino Vieira Pereira. Elizeo de Azeredo Coulinho e Aguiar. Felix José da Costa I i i i i 9 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 l 1 1 l * l 1 1 i 1 1 1 1 1 1 \ i 1 t .). F. Francisco Joaquim dcs Santos Mattos. Francisco de Passos Corrêa. (Lente). Francisco Rodrigues d'Alraeida. Felicio Forlsa de Bustamente Sá (Major). (Lente) Francisco Antônio de Mirando. Francisco de Oliveira Guimarães Júnior. Emilio Joaquim da Silva Maia. Francisco Juíb Xavier. Francisco Leão Cehn.). Feliciano Gomes de Freitas. Francisco da Silva Lopes. Eduardo Alves Moreira.) Felix Emilio Taunay. Francisco Furtado da Fonceca Bernardes. Francisco Manoel de Bulhões Ribeiro. Francisco Xavier Martins. Francisco Cândido da Fonceca Brito. -w*""" Felississimo José Freire Durval. Estevão da Costa e Silva. C. Fortunato Pereira da Silva.

Herculano Ferreira Penna. Francisco Manera. Guilherme Bandeira de Gouvéa. João Caetano dos Sanlos. . Francisco de Paula Ferreira de Amorim. Guilherme Antunes Barccllos. Hermenegildo Duarte Monteiro. Henrique Augusto de Marins Sarmento.) I. (. João Pedro da Veiga. Francisco José de Sá Junior. Fernando Caetano da Silva Caldas. (D. Gonsallo Conrado da Rocha. D.) i/1 Ignacio dcTSilva Amaral.DOS SBBSCRIPTOnsi. Ignacio Francisco da Silveira do Motta.). Henriqueta Clarice Lisboa. Lamitt.-• ** Francisco Manoel Chaves. Ignacio Joaquim Barbosa. P. Gaspar José de Mattos Pimentel. Rosa. Gabriel José do Rosário. Isabel Maria do Rosário. d'Almeida. Francisco José da Costn e Silva. E.) H. (Dr. Francisco de Pnula Martins e Silva. Henrique José Pires. Francisco José Pereira Guimarães. L. Gaspar Mendes Pereira. Francisco de Paula Meneaes. Francisco de Mello Franco. Francisco Lúcio das Chagas.Dr. Francisco Gomes da Moita. 19 A 1 1 . Ignacio Manoel / Ives de Azevedo.. Tavares. v"*"* J. Francisco José de Carvalho. J. Florindo Joaquim da Silva. Francisco de Paula Brito. (D.

de Figeiredo Rocha. José Antônio Ferreira Guimarães. J. P. J. J. José Joaquim Maia. de Guimarães. José Joaquim Gonsalves. Joaquim Justo da Silva.O I. filho. de Faro. José Albuno Fragoso. João Caetano da Cruz. João Francisco dos Santos. da Rocha. i 1 1 1 1 1 i 1 » i J -* 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 t i . Joaquim Ribeiro Guimarães. José de Miranda Ribeiro. João Baplista da Silva. J.ISTA João Eleulerio Garcez e Gralha. José Coelho Pinheiro. D.). José Joaquim Raposo. da Silva Farias. José de Calazaens Ouleiro. José Henrique de Araujo. João Caetano da Silva. João Baptisla da Rocha. F . João Francisco Moreira Leal. J. João José da Costa. José Joaquim de Menezes. (Dr. S. José de Sousa Barros. Joaquim Apolinario de Azevedo. F. João Ignacio Tavares. Justiniano Ferreira da Silva. Joaquim llypolilo. J . Joaquim Vieira da Costa. José de Araújo Rangel. José Maria de Carvalho. João de Barcellos. José líenriques Soares e Silva. Joflo José Pimentel. (Lente) José Ignacio Silva Freitas. filho.

(Dr. José Gonsalves Victoria. José Francisco Furtado de Miranda. C.). (Dr. Joaquim Francisco Vianna. Jono Caldas Vianna. Joaquim Francisco Leal. (Major). J s o é Antônio Martins. J. J o ã o Homem do Amaral. José Alexandre Soeira de Faria. (Dr. 'P. J o s é Maria Mafra. João Francisco Calete. José Praxedes Pereira Pacheco. J ú l i o Pereira Vianna de Lima. José Floriano Marques. (Dr. José Pereira do Amaral.*) Januário da Cunha Barboza. João Paulo dos Santos Barrclto.) José Augusto Cczar de Menezes. Joaquina Zeferina do Rosário.foao Bapliila de Sousa. João José Coutinho. José Virissirno dos Santos.). José Henrique da Silveira. 1 /' J o ã o Cândido de Deos e Silva. José Ignacio Vaz Vieira. . João José de Macedo Coimbra. José Antonio Thomaz Ramiro. (D. José de Miranda Ribeiro.) João Soares de L i m a e M o t l a .DOS SDBSCB1PT0HES. Costa Cabral.). (Brigadeiro). (Bibliolhecario) \f José Maria Peixoto. José Marques Soares e Silva. . J o ã o Alves Loureiro. (Dr. José Augusto Gomes de Menezes.). J o a q u i m Clarimundo e Silva. J o a q u i m Nunes de Carvalho. J o ã o Nepomoceno Caslrioto. José Soares de Azevedo.

) João Pereira da Silva Borges Fortes. . Villares. —-*^ Joaquim José Pacheco. João Pereira de Sousa Calda». José Herculano de Brito. José R. (Dr. José Martins de Moraes. Josino do*Nascimento e Silva. José Manoel da Costa Barros de Azeredo. < . P. J. João Ribeiro dos Santos Monteiro. João Gaspar da Costa. Jacintho Antonio Diogo Parreiro». J. (Dr. João Rodrigues Feio de Carvalho. Joaquim Luiz do Bom Successo. José Bento da Rosa.1*1* João Cocob Bender. Júlio Cezar Muzzi. Monteiro. Jorge José Pinto Vedras. J.). José da Costa Barros Fonceca. João Felix Pereira de Campos. Joaquim Ludovino da Silva.V* João José da Silva Monteiro. João Francisco Braga. P. João Venancio Barbosa. José Feliciano Neves Gonzaga. João de Carvalho Raposo. José Joaquim do Couto. José Henrique Silveira.S 1. José Firmino da Cruz. Joaquim Sabino Pinto Ribeiro. Juvenal Nunes de Mello. João Antonio de Oliveira Lobo. (Deputado). de Lima e Fonceca Gutierres. Joaquim Henriques Tola./ José Theodoro dos Santos. José Joaquim de Lima e Silva. José Manoel Carlos de Guimarães.

José Luiz dos Santos Teixeira. de Siqueira.) Leopoldina Rosa de Almeida. Joaquim José de Figueiredo Sarmento. José Manoel do Rosário. (D. Luiz José Barbosa. José Carlos da Silva Pinto Fluminense. Jacinlho Tclles Barbosa. J. Luiz Manoel de Lima e Silva. Joaquim Antônio de Azevedo.) Joaquim Gonsalvcs Ferreira. José da Costa Ferreira. João Gomes Henriques.) 2 ji 2 1 1 1 I 1 i 1 1 1 1 i 1 1 1 1 1 1 l 1 l 1 I I 1 I 1 1 1 1 1 1 1 1 1 . Joaquim dos Santos Coelho. (D. M. João Antonio da Costa José Luiz de Azevedo. Raposo.). J. J. Luiz José dos Reis Monte Negro. José Pedro Baplista.Luiz Vicente de Simoni. João José do Amaral. Joaquim José Palhares. (Dr. José Marques de Gouvêa. José Antônio Gomes. (Dr. Joaquim José de Sousa. Luiz de Sousa Lobo. José Maria Palhares. (Pharmaceutico. C. Leal. João Luiz Barbosa. G. José de Sousa Pereira da Cruz.) Lêopoldiua de Sá. Luiz Furtunato de Brito Abreo Souza c Menezes.S O S StIBSCRIPTOBES. Luiza Joaquina da Cunha Moreira. A. José Romnaldo. João José de Azevedo. Jacinlho Desiderio Cony. J> Joaquim da Silva Nogueira. (Major).

Manoel Eslanisláo de Castro e Cruz. Manoel do Faria Pinlo. (D. da Silva. Manoel Antonio Barbosa. — * * * " Marciano B. Manoel Gaspar de Siqueira Rego-. Lúcio Joaquim d'Almeida Armisant. Luiz Carlos da Fonceca. Manoel Antonio da Silva.) Marquez de Maricá. Lucianno Augusto de Oliveira. Miguel Nogueira Torrezão. Manoel Joaquim de Oliveira Leão. (D. Manoel José Fernandes GoimarSe*.) Lopo José de Albuquerque Maranhão.) Luiz José Bardytn. Luiz Alves de Lima. (Dr. Maximianno Antonio de Lemos. Miguel Marques de Sousa. Lourenço de Assis Pereira da Cunha. Manoel dos Santos Portugal. (Dr. Luiz José Ferreira Leite.lô LISTA Leandro Francisco Leal. Luiz Antonio Moniz dos Santos Lobo. Mathias Rodrigues Fernandes.) y Marianna Benedicla de Santa Gicsteira. Militão Correia de Sá. P. (Tenente Coronel. Luiz Gomes de Mello. Lino Antonio Ribeiro. Manoel Ferreira Lagos. 1 1 i l i 1 1 i i l 1 i i 1 t 1 1 i \ i 1 1 i t i i i 1 1 i i i i 1 j i i . (Dr. Luiz da Silva Flores. (Padre). Manoel Joaquim da Silva. Leonardo de Barros Franco.) Marianna Joaquina de Sousa.) Luiz Francisco Ferreira. LuizHonorio Vieira Souto. Luiz A icira Pereira. Manoel Teixeira Coimbra.

Mathias Lázaro da Rocha.) Manoel José da Costa Bastos. Manoel Alexandrino de Brito. Manoel José da Silva Maciel. Manoel de Mattos Guimarães. Procopio Francisco de Paula. M. MÍ G. A. Dias. Manoel Coelho de Brito. Manoel Fclicianno Pereira de Carvalho. 14 Manoel Odorico Mendes. Manoel Pereira Paiva. Manoel Antônio da Fonceca Costa.DOS SUBSCRITORES. (Conselheiro. P. de Mendonça.) Pedro d'Alcantra Bellegarde. \ 1 1 1 l 1 1 1 1 1 I 1 i 1 1 1 l 1 1 1 1 1 1 1 1 l 1 1 I í .) . Manoel de Freitas Magalhães. ^0^ Manoel Francisco de Sousa Lemos. Pedro José da Costa Barros. Pedro Cândido Carlos Garcia. J.) Manoel Antônio Alvares do Azevedo. Maia. Manoel Joaquim -jÉ^Silveira. Manoel Ribeiro da Silva Porto. (Vigário.) Manoel Francisco Peixoto. Manoel José de Sousa França. Moreira Lirio da Silva Carneiro. (Dr.*-****'^ Miguel Vicente Terrabuzy. Manoel Joaquim Teixeira Cardoso. Manoel Gonsalves de Sousa. Manoel da Cunha Barbosa. Paulino José Soares de Sousa. A.^ P. (Lente. Pedro Mariz de Sousa Sarmento. (Dr. Manoel José da Silva Passos. i I i 1 I \ % M. Pedro Francisco Nolasco Pereira da Cunh». M. Paulo Fernandes Vianna. Miíícr. Couto Filho. Pstrico Ricardo Freire. A.

Trislão Antonio Dias Bicallex^ Torquato de Al-aujo Silva. 'Theatro da Bahia. . Severino Honorio da Fonceca. Campos.II LISTA Plácido Fernandes Peixoto. Sebastião Barreto Pereira Pinto. RitaViptoriá do Rosário. Silvino José d'Almeida. da Fone: ca.' Visconde de S. Severino José Luiz da Cunha. T. Yiceule Ferreira da Costa Peragibe. Thomaz Antonio Alves de Mattos. Leopoldo. Virgílio José d'Ahueida. M. E*tr-». Lobo. Thomaz da França Xavier Brutr*. i i 1 1 1 i i 1 1 i 1 1 i 1 l 1 i l 1 í 1 1 imprensa Imparcial-tie F. (D. Simplicianno José do Rosário. Thoinaz José Tinoco de Almeida Thomaz de Aquino Pereira.. Raimundo de Andrade Leite. Vasco Wcncesláo Pereira de Macedo.) Roberto Jorge H. Serafim José do Rosário. I'. 1 i . Serafim José Pereira Vianna. Possidonio João de Jesus. Saluslianno José de Sousa S.

.

.

.

.

º 9. Quando utilizar este documento em outro contexto. Atribuição. da forma como aparece na ficha catalográfica (metadados) do repositório digital. de 1971. a mais fiel possível. reprodução ou quaisquer outros. não realizando alterações no ambiente digital – com exceção de ajustes de cor. exibição.br). Os direitos do autor estão também respaldados na Convenção de Berna. Você apenas deve utilizar esta obra para fins não comerciais. é proibido o uso comercial das nossas imagens. versão. no entanto. Neste sentido. Os livros. de 19 de Fevereiro de 1998. procuramos manter a integridade e a autenticidade da fonte. 1. ! ! ! ! ! ! . se você acreditar que algum documento publicado na Brasiliana Digital esteja violando direitos autorais de tradução.610. Neste sentido. textos e imagens que publicamos na Brasiliana Digital são todos de domínio público. Sabemos das dificuldades existentes para a verificação se um obra realmente encontra!se em domínio público. 2. solicitamos que nos informe imediatamente (brasiliana@usp. Trata!se de uma referência. você deve dar crédito ao autor (ou autores). 3.BRASILIANA DIGITAL ORIENTAÇÕES PARA O USO Esta é uma cópia digital de um documento (ou parte dele) que pertence a um dos acervos que participam do projeto BRASILIANA USP. os direitos do autor são regulados pela Lei n. Direitos do autor. à Brasiliana Digital e ao acervo original. Pedimos que você não republique este conteúdo na rede mundial de computadores (internet) sem a nossa expressa autorização. contraste e definição. a um documento original. No Brasil.