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JOHN STUART MILL: UM DEFENSOR DOS DIREITOS DA MULHER. UMA REFLEXAO SOBRE AS CONQUISTAS DE DIREITOS DA MULHER.

SAUL GARCIA SILVA1 RESUMO Este artigo é fruto da monitoria da disciplina de economia política. Busca-se com este artigo discutir, a partir principalmente da obra de Stuart Mill, a situação da mulher ao longo da historia assim como a atual situação da mulher na sociedade. Stuart Mill foi um dos autores pioneiros na defesa dos direitos das mulheres. PALAVRAS-CHAVES: Stuart Mill; Mulher; Direitos.

INTRODUÇÃO John Stuart Mill nasceu na Inglaterra no ano de 1806. O autor fez parte da escola de pensadores clássicos da economia política, ao lado de Adam Smith, David Ricardo e Thomas Malthus. É filho do filósofo e historiador escocês radicado na Inglaterra James Mill. Apesar de nunca ter frequentado uma universidade o autor recebeu uma educação bastante rigorosa de seu pai. Aos três anos de idade ele já sabia o alfabeto grego, aos oito já tinha um grande conhecimento sobre literatura e história e foi também a idade a qual começou a estudar latim. Mill estudou também os grandes clássicos da economia política - Adam Smith e David Ricardo. O autor escreveu inúmeras obras que tiveram grande repercussão na Inglaterra. Em suas obras o autor se mostra um defensor ferrenho de ideias ligadas a justiça social, igualdade, liberdade política e econômica. Por isso, é considerados um dos mais importantes autores liberais do século XIX. O autor também se enquadra na linha de pensamento de autores utilitaristas. Stuart Mill enveredou também para a vida política, ele foi eleito para o parlamento britânico, entretanto teve uma carreira política breve, apenas de um mandato, o autor elaborou um projeto de lei que dava o direito de voto à mulher. A lei

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Graduando do curso de ciências sociais da Universidade Estadual do Ceará. Email: saulgarciasilva@yahoo.com.br

A sua obra mais notória em termos econômicos é Princípios de economia política. publicada em 1848. aos 67 anos. como a política. No livro A subjugação da mulher (1869) o autor elabora uma discussão em torno do papel da mulher na sociedade. Eram poucos os textos que batiam de frente com a questão da submissão da mulher. Até porque o fato da mulher ser submissa ao homem é explicado por motivos culturais e as próprias mulheres absorveram a situação delas .não foi aprovada pelo parlamento. Stuart Mill escreveu sobre assuntos econômicos. Outras obras também conhecidas de Mill são A liberdade (1859) e A subjugação da mulher (1869). por exemplo. O autor afirma que a subordinação de um sexo a outro é um entrave para o desenvolvimento humano. O próprio Stuart Mill relata em seu livro: A subjugação da mulher (1869) que os escritos de mulheres muitas vezes confirmavam sua situação de submissão do sexo feminino. A subjugação da mulher: apontamentos sobre uma obra pioneira A argumentação central do livro está no ataque que o autor faz a tese de que as mulheres são naturalmente inferiores aos homens e por isso elas deveriam se manter afastadas de certos espaços da sociedade. mas também se destacou pelas suas posições firmes a favor da liberdade de expressão e pensamento dos indivíduos. O autor faleceu em 1873. que por sua vez são próprios de homens. mas Stuart Mill foi fiel aos seus ideais propondo tal lei no parlamento inglês. O autor defendia a tese – numa época onde o machismo imperava – de que a submissão da mulher se dava por uma questão cultural e afirmava que não havia argumentos plausíveis que justifiquem a sujeição do sexo feminino. Stuart Mill destacasse também pelo seu pioneirismo na defesa dos direitos da mulher. Stuart Mill mostra ser um autor a frente de seu tempo ao se posicionar de tal maneira. Em 1869 o autor tem publicado uma obra que trata especificamente sobre essa questão. por ele considerada fundamental para o bem-estar das sociedades. bem como da igualdade entre homens e mulheres. Defendendo a tese de que exista uma relação de igualdade entre o homem e a mulher. pois em sua época não era comum autores defenderem a igualdade entre os sexos.

o autor defende que deve haver uma igualdade perfeita entre os sexos. Mesmo no mundo árabe onde historicamente as mulheres são mais fortemente reprimidas pelo sistema há uma movimentação no sentido de exigir uma maior participação das mulheres na vida social e política. E em se tratando do mercado de trabalho a mulher só foi absorvida pelo mercado quando da industrialização das cidades. que tratava o casamento como um verdadeiro negócio. o pai da noiva e o noivo selavam um acordo matrimonial sem a preocupação de saber a opinião da noiva. Opinião essa que Stuart Mill não concorda e traz elementos para mostrar justamente o contrário. O . A inserção da mulher no mundo da política é algo recente.como submissas. mas como também de decisões políticas importantes de sua nação. assim como o escravo para seu dono. Por isso Stuart Mill defende em seu livro não haja privilégios para um lado e nem incapacidade para o outro. apesar de seu livro ser de 1869. A mulher ficava de fora não só de questões relacionadas à sua própria vida. Uma das formas de garantir que a mulher continue submissa ao homem e através da educação sexista. devendo obediência cega ao seu marido e servindo apenas para o serviço domestico. E isso porque era inculcado na mente das mulheres desde muito cedo que elas teriam que ser submissa ao seu marido e antes do casamento ao seu pai. O próprio casamento era um acordo firmado entre dois homens. Isso porque vivemos um momento histórico em que as mulheres ocupam cada vez mais espaços importantes na sociedade mundial. São várias as mulheres que ocupam cargos de chefia em grandes empresas ou ocupam cargos de grande importância na política. A discussão que o autor traz em seu livro é de grande importância e de grande atualidade. Parece que o fato da submissão da mulher é uma opinião universal. Desde muito cedo as jovens mulheres são orientadas a ser comportarem como verdadeiras donas de casas. Como é o caso do servo para com seu senhor. Essa relação de posse é muito parecida da mulher para com seu marido. A mulher não tinha participação quase que nenhuma em relação à escolha do seu marido. O autor lembra em seu livro que durante a história da humanidade sempre houve uma classe detentora do poder de outra classe menos desfavorecida. ou seja. pois o mesmo possui direito sobre o domínio das vontades e desejos de sua esposa. ou seja. isso era um direito de seu pai.

Talvez a única diferença que haja entre ambos os sexos seja a diferença de força física. A lei deveria tratar todos da mesma forma. Essa relação de superioridade do homem para com a mulher é algo que se dá apenas na teoria. a mulher não teria a capacidade de decidir ou mesmo discutir a política de seu país. . pois nunca existiu um governo só de mulheres que comprovassem que a mulher é incapaz de se envolver em questões políticas. Cabendo aos pais o controle da casa e dos filhos. Infelizmente a proposto não foi aprovada. pois não há nenhuma comprovação prática de que alguém do sexo masculina seja mais capaz do que alguém do sexo feminino. Para se discutir a inferioridade da mulher na sociedade é preciso discutir também a família de um modo geral. O autor lembra que a igualdade está limitada aos cidadãos livres do sexo masculino. E é essa diferença que faz da mulher um alvo fácil dos abusos e desmandos de seu marido. Para o autor a família deveria ser uma escola de compreensão de igualdade sem poder de um lado e obediência de outro. que é patriarcal. isso porque tal proibição é um exemplo bem claro de que para a sociedade. pois dentro da instituição do casamento a mulher é tratada como tal. O autor vai comparar a situação da mulher a de escravos. Isso é claro junto com o apoio das leis e da sociedade que tolera a submissão da mulher. Mill vai defender que acha uma reforma na legislação do casamento. O casamento deve ser um contrato que garanta direito iguais a ambas as partes.autor faz parte de um grupo de intelectuais que defendem o liberalismo político. pois ele foi responsável por levar a apreciação do parlamento britânico um projeto de lei que garantia o direito de voto para as mulheres. A mulher se encontra em uma situação muito próxima a dos escravos. Tal proibição mostra o quanto a mulher é renegada de seus direitos básicos. A partir dessa concepção o autor vai defender que a mulher possa manter suas próprias propriedades e trabalharem fora de casa ganhando independência e estabilidade financeira. O autor argumenta em seu livro que a submissão da mulher não é algo que foi firmado na experiência. Vale lembrar que Stuart Mill foi pioneiro também no mundo da política.

O autor elabora também o conceito de democracia no sentido de que só existe democracia quando há liberdade individual de cada ser. Tendo isso em mente faremos agora uma discussão sobre o percurso do feminismo no mundo e como se explica a diferença entre os sexos. Esse argumento se baseia no principio de que a mulher deve ter o poder de possuir sua própria renda para conquistar sua dignidade. mas hoje as mulheres cada vez mais ocupam lugares de destaques na sociedade igualando-se aos homens ou mesmo ultrapassando-os e isso tem refletindo em cheio no papel que a mulher ocupa dentro de casa. ou seja. atividades domesticas. Ela vai defender uma sociedade igual e justa para ambos os sexos e para que isso ocorra é preciso que se tenha uma justiça livre de preconceitos. Durante muito tempo a mulher foi oprimida pelo homem baseado no simples fato de ela ter nascido mulher. Cada vez mais existem mulheres que são chefes de família. As mulheres poderiam facilmente ocupar os cargos que são ocupados por homens. Um dos argumentos mais interessantes no livro de Stuart Mill é a defesa que o mesmo faz do direito da mulher sobre sua propriedade. pois elas possuem as mesmas capacidades intelectuais. educação dos filhos. Mas para que isso fosse possível às mulheres tiveram que se organizar em movimentos em todo o mudo para lutar por direitos e deveres iguais entre homens e mulheres. Essa relação de superioridade do homem para com a mulher é algo que se justifica apenas na teoria. Portanto com essa ideia de democracia não haveria espaço para que houvesse a dominação de um gênero em relação a outro. Outro argumento levantado pelo autor em seu livro e de que não se sustenta a tese de que o intelecto da mulher é inferior ao do homem. Mas nem sempre isso foi assim. Revolução feminina: luta por direitos das mulheres e diferença entre os sexos Houve um tempo em que as mulheres eram responsáveis somente pelas atividades que estivessem relacionadas ao lar.Mas a discussão a cerca da igualdade da mulher toma proporções maiores na obra de Stuart Mill. pois não há nenhuma comprovação prática de que . as mulheres conquistaram de forma lenta e gradual direitos que foram ampliando a participação delas na sociedade e dentro do próprio lar. administração das contas do lar.

As cidades já devidamente urbanizadas e industrializadas eram onde a mulheres forma submetidas ao . escola e a mídia. As diferenças de gênero surgem devido ao fato de que a socialização de ambos os sexos ocorre de maneira diferente. O feminismo é um movimento sócio político responsável por lutar pela ampliação dos direitos das mulheres a partir de ações reivindicatórias: passeatas. alguns estudiosos de gênero afirmam que sexo e gênero devem ser considerados socialmente construídos. isso porque nesse momento histórico as mulheres já estão inseridas no mundo do trabalho. protestos e greves. E é essa diferença que faz da mulher um alvo fácil dos abusos e desmandos dos homens. por isso são educados de maneira distinta. Há desigualdade entre os gêneros é algo presente na maioria das sociedades. Homens e mulheres ocupam papeis diferentes na sociedade. Tendo em vista que as pessoas fazem plásticas e cirurgias de mudança de sexo para afirmarem sua sexualidade. Talvez a única diferença que haja entre ambos os sexos seja a diferença de força física. ou seja. Uma segunda perspectiva está ligada a escola de pensamento funcionalista. Nessa perspectiva a diferença entre os sexos é considerada de maneira positiva porque ajuda a manter a sociedade coesa. O movimento feminista desse período foi sufocado e só veio a ressurgir no século XIX e nesse novo contexto o movimento estava ligado aos movimentos de esquerda. A maior critica que se faz a essa perspectiva é de que os estudiosos que defendem essa tese se baseiam em estudos feitos com animais e não levam em consideração aspectos antropológicos e históricos das diferentes sociedades. Na França patriarcal. O movimento feminista possui três momentos históricos o primeiro deles remonta ao século XVIII. Essa abordagem diferencia sexo (biológico) e gênero (social). A primeira refere-se a uma perspectiva de que o gênero é algum estritamente relacionado ao biológico. mais precisamente a revolução francesa. cromossomos.alguém do sexo masculina seja mais capaz do que alguém do sexo feminino. Para os sociólogos dessa corrente o gênero é construído socialmente a partir da absorção de uma serie de informações relacionadas ao gênero que são passados para a criança através de instituições com a família. E essas desigualdades podem ser explicadas a partir de três teorias. Isso porque a sexualidade interfere no corpo. herança genética seriam os responsáveis por diferenciar ambos os gêneros. A última abordagem é mais recente. machista e sexista o feminismo reivindicava a igualdade entre os sexos. as diferenças em relação ao gênero se dão de maneira natural. Hormônios.

Para elas nenhuma teoria feminista que despreze o racismo é capaz de explicar adequadamente a opressão sofrida pela mulher. O terceiro momento do feminismo data dos anos de 1960. A inserção das mulheres no mercado de trabalho traz uma nova lógica para as famílias. Nessa perspectiva o homem é o responsável pela exploração da mulher e a família é uma das instituições que mais subjulgam a mulher. Hoje o numero de mulheres que trabalham fora de . E é nesse contexto que as mulheres começam a se impor na sociedade de maneira mais marcante. mas também por melhores condições de trabalho. moradia. Considerando por eles como patriarcal e machista. O movimento feminista nunca foi apenas um. Diferente do feminismo radical que já assume uma postura mais agressiva em relação à luta pelos direitos femininos. Nesse segundo momento do feminismo a luta política não é só por igualdade entre os sexos. Os autores dessa perspectiva defendem uma profunda mudança no sistema social vigente. novas formas de famílias começam a surgir. Ainda existe o feminismo negro que vai defender que as mulheres brancas e negras não sofrem com a mesma intensidade a dominação masculina. Conclusões Hoje percebemos que as mulheres estão mais inseridas na vida social e política da sociedade ocidental não só como dona de casa. mas como ser participante das decisões políticas e sociais mais importantes. lazer e condições de vida. Existem várias abordagens diferentes do feminismo. Momento onde o mundo vive uma onda de reivindicações pedindo liberdade política. A legalização do aborto passa a ser uma das pautas defendias pelas mulheres nesse terceiro momento do feminismo.trabalho semi-escravo nas fábricas. A pílula anticoncepcional trouxe para a mulher uma noção de poder sobre o próprio corpo. Portanto. O feminismo liberal explica a desigualdade entre os sexos a partir de comportamentos sociais e culturais da sociedade. além disso. As mulheres começam a ter que ser dividir em trabalhar fora de casa e continuar responsável por cuidar do lar. A mulher descobre que é preciso emancipar o próprio corpo para poder fazer uma luta mais ampla por direitos. as feministas liberais buscam mudanças de maneira gradativa através de reformas pontuais que garantam as mulheres iguais oportunidades numa sociedade democrática regida por uma legislação justa. social e sexual.

Sociologia.casa é o maior de todos os tempos. Ed. Céli Regina Jardim. 2005. Daniela. a criação dos filhos e o trabalho. São Paulo. Tradução Debóra Ginza. Stuart. Escala. Artmed. PINTO. A sujeição das mulheres. 2006. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo. MILL. Hoje a mulher se mostra capaz de fazer o mesmo que o homem. 2003. . Mesmo que ainda hoje várias mulheres ainda tenham que se submeter ao marido. As mulheres tem que se dividir entre as tarefas do lar. Feminismo: que história é essa? Rio de Janeiro: DP &A. Uma história do Feminismo no Brasil. Referências Bibliográficas AUAD. 2003 GIDDENS. São Paulo. Essa realidade atual mostra que Stuart Mill estava certo quando há séculos atrás afirmava que não havia argumentos que justificassem a inferioridade da mulher. Anthony.