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Apontamentos Ciência da Administração I

A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO OBJECTO DE ESTUDO ...................................... 2 o 1.1 - Gestão ..................................................................................................... 2 o 1.2 - C.A. em sentido lato.............................................................................. 2 o 1.3 ‟ C.A. em sentido estrito ........................................................................ 8 o 1.4 ‟ Serviço Público vs Serviço Privado .................................................... 9 o 1.5 ‟ A prespectiva gestionária ................................................................. 10 o 1.6 ‟ Reinvenção da Governação ................................................................ 6 ADMINISTRAÇÃO REGULADORA E PRESTADORA ....................................................... 7 o 2.1 ‟ Administração Prestadora e Reguladora .......................................... 9 o 2.2 ‟ Administração Reguladora MISSÕES E ESTRUTURA DA ADMINISTRAÇÃO ............................................................ 11 o 3.1 ‟ Missões do Estado.............................................................................. 11 o 3.2 ‟ Administração Indirecta do Estado ................................................ 13 o 3.3 ‟ Administração Local do Estado ....................................................... 13 o 3.4 ‟ Administração Autárquica do Estado ............................................. 14 o 3.5 ‟ Delegação de Poderes e Competências ........................................ 16 o 3.6 ‟ Desconcentração, Descentralização e Devolução de Poderes . 18 o 3.7 ‟ Público e Privado……………………………...……………………………………17

A título de ilustração. regional e municipal). frequentemente. abordagem humanística. Em primeiro lugar. com a teoria organizacional. primórdios da administração.que visam o lucro. ou seja. sectorial. Chiavenato. Um bom exemplo encontra-se em Herbert Simon: “uma ciência da administração prática consiste em propostas. se quiserem que da sua actividade resulte o maior grau de realização dos objectivos administrativos”. abordagem clássica da administração. etc. a administração pública possui especificidades face à administração privada. integram-se numa designação comum de sector empresarial do Estado ou das Autarquias. diferente da tradicional administração pública e da gestão empresarial. Isto é a posição nascida do “managerialismo”..Ciência da Administração em Sentido Lato Tem como objecto de estudo a administração privada como a pública e confunde-se. entendia-se a actividade desenvolvida pelas organizações empresariais do sector empresarial do Estado ou das Autarquias. Todavia. Por gestão pública.Gestão O termo gerir tende a aplicar-se mais à actividade desenvolvida por organizações empresariais .1.. quem defenda. quer de sociedades comerciais. quer assumam a natureza de empresas públicas. cujas obras têm sido ensinadas a diversas gerações de jovens de língua portuguesa. à produtividade pública. em Portugal. abordagem estruturalista. à gestão de recursos humanos no contexto público (função pública).2 . que teve por base o chamado “consenso de Washington” e que admite que uma melhor gestão é a solução eficaz para os males sociais e económicos. Não valoriza a instrumentalidade do poder político. Em sentido lato. quer o seu capital social seja total ou parcialmente privado ou público. abordagem comportamental e abordagem sistémica. derivadas do contexto político da sua actividade (dependência dos órgãos políticos. ao planeamento público (nomeadamente nas vertentes de planeamento central. As empresas cujo capital social pertence ao Estado ou às Autarquias. referem-se dois casos de sistematização elaborados por dois autores. um movimento surgido na década de 80.1 . abordagem neoclássica. Não concede também qualquer especificidade no campo técnico à gestão financeira e orçamental pública. relativamente ao modo como os homens devem agir. do seguinte modo: introdução à teoria geral da administração. o contexto político da actividade administrativa. 1. nos países anglo-saxónicos. A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO OBJECTO DE ESTUDO 1. a ciência da administração confunde-se com a ciência da gestão. e não apresenta um corpo teórico diferente. que organizou a sua obra intitulada “Introdução à Teoria Geral da Administração”. actualmente. Todavia. 2 . há. sujeitas às leis de mercado -. que as recentes tendências nas organizações públicas conduziram a uma nova gestão pública (New public management).

destinadas à satisfação de necessidades colectivas. Diversos autores apontaram diferenças entre a administração privada e a administração pública. diferenciar os serviços públicos do sector privado: 1. Pelo contrário. a administração pública trata das necessidades colectivas. “embora tenham em comum o serem ambas administração. quer a forma de decisão concreta (acto administrativo). e da sua missão (assegurar a satisfação de necessidades colectivas). Para o Prof. a administração pública prossegue o interesse público. serão reservados para designar actividade e processos. A administração privada está sujeita à lei da falência. Willcocks e J.Principais diferenças entre os serviços públicos e o sector privado Serviços Públicos:     Necessidades provindas da gestão da economia nacional. pode continuar a sobreviver à custa de fundos públicos e através de dotações orçamentais. como entidade no seio da qual se desenvolvem actividades administrativas. nomeadamente o preço. a administração pública utiliza o comando unilateral. A sujeição da administração pública ao poder político afasta-a do âmbito da administração privada. justamente com os incentivos e as penalidades. morte da actividade organizacional. baseado no princípio da igualdade das partes.Ciência da Administração em Sentido Estrito: Objecto de Estudo Trata do estudo científico da administração pública. ao passo que a administração privada trata das necessidades individuais. os termos administrar e administração. Ampla responsabilidade.representativos da comunidade). O poder político pode sustentar uma actividade de administração pública. independentemente do seu êxito ou fracasso. ou seja. A administração privada prospera e fracassa com o mercado. Relativa transparência da administração e da tomada de decisão.3 . e pelos meios que utilizam”. É. L. quer a forma de acto normativo (regulamento administrativo). desenvolvidos por organizações públicas de tipo não empresarial. ao passo que a administração pública. que está marcada pelo mercado e suas leis. Por isso. por razões de ordem política.instrumento jurídico típico da administração privada -. pessoais. O mercado emite sinais onde há carências e onde há excedentes desnecessários. Freitas do Amaral. Quanto ao fim. enquanto a administração privada prossegue fins particulares. Quanto ao objecto. A administração pública actua num contexto de constrangimentos jurídico-formais. Quanto aos meios. que sobrepõe os aspectos processuais o “como deve ser feito” aos objectivos ou que deve ser feito”. assumidas como tarefas e responsabilidades próprias da coletividade. 1. Fonte principal dos recursos: impostos 3 . a administração privada usa o contrato civil . Harrow procuraram.4 . também. A satisfação de necessidades colectivas pela administração pública confere-lhe uma especificidade: dependência instrumental do poder político. a administração pública e a administração privada distinguem-se todavia pelo objecto sobre que incidem. pelo fim que visam prosseguir. no âmbito desta obra e a partir deste momento. um estímulo à invenção e ao aperfeiçoamento.

Por managerialismo entende-se. Fonte principal dos recursos: receitas operacionais e empréstimos.5 . como um meio alcançar lucros Sector Público Dirigido pelos políticos Satisfação das exigências dos para se atingir integração política e estabilidade social 1. Estes factores incluem: „ O controlo por políticos eleitos. em geral. e que restringem a sua descrição. Relativo secretismo: ênfase sobre a confidencialidade do negócio. As diferenças entre os serviços públicos e os privados resultam de factores únicos e específicos inerentes às organizações públicas. estruturas e estilos de gestão. „ Tais aumentos de produtividade resultam da aplicação de tecnologias cada vez mais sofisticadas. „ O enquadramento legal destinado especificamente aos serviços públicos. „ O sucesso do negócio dependerá.A perspectiva Gestionária: Managerialismo Desde o final dos anos 70 que se vem assistindo a uma mudança de foco: da public administration para a public management. Os pressupostos destas crenças são os seguintes: „ O caminho para o progresso social depende da obtenção de aumentos contínuos de produtividade. 4 . „ A sua relativa abertura. Responsabilidade restrita. A diferenciação entre elas deriva da procura e adopção de modelos de gestão alternativos aos tradicionais. tais como sistemas de informação e comunicação. com origem no sector empresarial. „ Para que os gestores possam desempenhar esse papel crucial deverão possuir um espaço de manobra considerável. „ A gestão é uma função organizacional separada e distinta das demais.Sector Privado:     Indicadores do mercado. cada vez mais. Contexto e Orientação do Sector Privado e do Sector Público Sector Privado Contexto Orientação Dirigido pelo mercado Satisfação das necessidades dos clientes como meio para se políticas. das qualidades e do profissionalismo dos gestores. um conjunto de práticas fundadas na crença de que uma melhor gestão é a solução eficaz para um vasto campo de males económicos e sociais. „ A sua responsabilidade perante uma série de garantias do interesse público.

b) Uma tendência para a privatização e quase-privatização. o crescimento do sector administrativo em termos de despesa pública e número de funcionários. que atravessou os países da OCDE . nomeadamente: a). a gestão no sector privado é superior à gestão no sector público. nos estilos de gestão e na cooperação intergovernamental (em vez da velha tradição da especificidade da administração pública nacional). que dominaram a agenda da reforma burocrática em muitos países da OCDE desde o final dos anos 70. A tentativa para abrandar. nas últimas décadas. os elementos-chave da New Public Management são: a gestão profissional actuante. se não mesmo desvirtuar. nas últimas décadas do século XX. Esta pretensão assumiu duas formas: Para Hood. e um afastamento das instituições governamentais. durante os últimos 15 anos. independentemente do sector onde se encontram. a aplicação de conceitos e técnicas oriundas do sector privado no sector público. especialmente das tecnologias de informação. a tendência para uma maior competição. d) O desenvolvimento de uma "agenda" internacional cada vez mais centrada nos aspetos gerais da administração pública na concepção de políticas. a gestão consiste num corpo distinto de conhecimentos universalmente aplicáveis. a maior ênfase nos controlos de resultados. o impacto do manageríalismo nas doutrinas da administração públicas. O seu aparecimento parece estar ligado a quatro mega tendências administrativas. ou reverter. num movimento de reforma e modernização administrativa. O managerialismo. que são incontornáveis e irão condicionar. a boa gestão é uma solução eficaz para uma vasta variedade de problemas económicos e sociais. e à sua aplicação no domínio público. a ideia de que os bons gestores possuem as mesmas tarefas e capacidades. a emergência desta corrente. a ênfase nos estilos de gestão praticados no sector privado. uma maior ênfase na disciplina e parcimónia na utilização de recursos. traduzido em dois movimentos idênticos: a New Public Management e o Reinventíng Government. é uma das mais surpreendentes tendências internacionais na administração pública. Segundo Hood. da importação de conceitos e técnicas do sector privado para o sector público e os pressupostos que a legitimam: a gestão é superior à administração. da aplicação dos seus conceitos e técnicas. com uma ênfase renovada na subsidiariedade na provisão de serviços. logo. a New Publíc Management é a designação atribuída a um conjunto de doutrinas globalmente semelhantes. 5 . os padrões e as medidas de desempenho explícitos. Para Christopher Pollitt existem factores de diferenciação entre os sectores público e privado. c) O desenvolvimento da automação. Trata-se. independentemente do contexto considerado (sector privado.a New Publíc Management. Para o autor. reflectiu-se.Generalizou-se. público ou voluntário). a tendência para a desagregação de unidades. Daí. andam à volta da possibilidade de se aceitar a universalidade da gestão e. na produção e distribuição dos serviços públicos. a partir dos anos oitenta. em resumo. As críticas feitas ao managerialismo.

Para o movimento do reinventing goverment e para a terceira via do New Labour em Inglaterra o termo “privatização” é substituído por “concorrência”.. que nos Estados Unidos da América. Tendo como cerne tais directrizes. tipos de moradia. económica e ética.] maior escolha para os pais. Os autores advogam “[. Preferem os mecanismos do mercado às soluções ao público. os resultados. Medem a actuação das suas agências. em vez de regras e regulamentos. então. quer seja público quer seja privado. no lugar do cumprimento de regras e regulamentos. além da participação activa e sustentada dos pais e da comunidade empresarial”. No anterior modelo. os autores propõem ainda que os mesmos princípios sejam aplicados nos sectores sociais dos sistemas de saúde. Descentralizam a autoridade.. privado e voluntário ‟ para a acção conjunta dirigida à resolução dos problemas da comunidade.  Múltiplos e conflituantes objectivos e prioridades. transferindo o controlo dessas actividades da burocracia para a comunidade. a administração Clinton liderou um movimento conhecido por: reinventing government. um sistema de pessoal que premeie. Sustenta -se que o monopólio é sempre mau. o que importa. sugerem uma reinvenção do ensino público em torno da ideia de reestruturação da gestão escolar. Os postulados de Osborne e Gaebler destacam as directrizes da concepção da administração pública empreendedora via empresarialização dos serviços públicos sociais: [. A concorrência entre serviços públicos e entre estes os privados seria o elixir para a modernização da Administração e a solução para uma Administração mais eficiente. Assim.  Gestão do pessoal.  Processos orientados para o cliente/cidadão. Nessa linha. programas de formação. mas. um sistema de avaliação focalizado nos resultados. focalizando não os factores utilizados. concentrando-se simplesmente nas despesas.. Este movimento apresentava uma forma mais moderada que a anterior.. também na catálise de todos os sectores ‟ público. 1. limitandose a oferecer serviços à guisa de correcção ou remédio. Investem as suas energias na produção de recursos.] A maioria dos governos empreendedores promoveria a competição entre os que prestam serviços ao público.6 . Eles dão poder aos cidadãos. protagonizada por Margareth Tatcher e Ronald Reagan. o sucesso dos estudantes e faça com que o insucesso tenha consequências reais. o termo mais expressivo do seu pensamento era “privatização” dos serviços públicos e introdução do espírito da administração privada nas áreas que não fossem susceptíveis de privatização. as entradas de recursos.Estes factores são:  Responsabilidade perante os representantes eleitos.A Reinvenção da Governação Desde o início da década de 90. educação e justiça. oferecendo-lhes opções ‟ entre escolas. Orientam-se pela missão e pelos seus objectivos. promovendo a gestão com participação. eficaz. descentralização da autoridade e da responsabilidade pelas decisões em favor da escola local. mas sim. Redefinem seus utilizadores como clientes.  Enquadramento legal. efectivamente. é criar as regras de jogo (regulação) para que os diversos actores públicos e privados possam actuar. 6 .  Relação oferta/rendimento. Evitam o surgimento de problemas.

A tendência actual é. para a aquisição de um estatuto empresarial por parte deste últimos estabelecimentos. progressivamente. subsistem. 2. alguns estabelecimentos fabris militares. designadas «entidades empresariais locais. Esta noção (de entidade pública empresarial em sentido material). porém. até meados dos anos 70. Os municípios. São empresas municipais.A Administração Produtora e Prestadora O reconhecimento da necessidade de tornar mais flexível o regime de determinados serviços públicos económicos conduziu. os serviços municipalizados (dependentes das Câmaras Municipais e sem personalidade jurídica. os municípios.1. para exploração de actividades que prossigam fins de reconhecido interesse público. ora em sociedades de capitais públicos e em sociedades de capitais mistos e privados. como os CTT ou a Imprensa Nacional. intermunicipais e metropolitanas as sociedades constituídas nos termos da lei comercial. foram empresas públicas tanto a Fábrica de Vidros da Marinha Grande. Hoje. quer como estabelecimentos públicos personalizados. Em Portugal. entre nós. Mas só no final dos anos 60 se assiste. mais operativa com o processo de privatizações. b) Direito de designar ou destituir a maioria dos membros do órgão de administração ou de fiscalização. tende a tornar-se. 2) Pôr os clientes em primeiro lugar. com natureza empresarial. bem como à criação de outras empresas públicas. ainda que desfrutando de autonomia funcional). à transformação de alguns desses serviços em empresas. as associações de municípios e as regiões administrativas podem criar empresas públicas. 4) Regressar ao fundamental: melhor Administração por menos dinheiro. intermunicipais e metropolitanas as entidades com natureza empresarial reguladas. respectivamente. em Portugal. nas quais os municípios. 3) Dar competências aos funcionários para obter resultados. a empresa pública foi. possam exercer. poucos serviços públicos de carácter económico. quer sob administração directa do Estado. legada ao Estado no século XIX. igualmente.A proposta teve por base quatro princípios-chave: 1) Eliminar a burocracia. uma influência dominante em virtude de alguma das seguintes circunstâncias: a) Detenção da maioria do capital ou dos direitos de voto. de forma directa ou indirecta. as associações de municípios e as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto podem constituir pessoas colectivas de direito público. associações de municípios e áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. em Portugal. São também empresas municipais. e a nível da Administração central. no seu âmbito. São exemplos. Este processo levou à transformação de muitas empresas públicas. entendida como uma categoria do serviço público personalizado e representava o substracto de determinados serviços económicos personalizados. Nessa acepção. a nível da Administração local. A ADMINISTRAÇÃO REGULADORA E PRESTADORA DE SERVIÇOS 2. 7 . o Estado português a atribuir a muitos organismos personalidade jurídica e autonomia administrativa e financeira.

8 . electricidade. comunicações. quer o funcionamento eficiente dos mercados. que o sistema de concorrência é a melhor forma das empresas se apresentarem no mercado.2 . tradicionalmente. as telecomunicações. designadamente as privatizadas. outras facetas. ambiente. Uma vez que parece ser consensual. Em certo sentido. qualidade e protecção dos consumidores. em especial nas situações em que existem desvios significativos a essa concorrência. Concorrência e preços. a que se tem assistido nos últimos anos em diversos países. O Estado regulador apresenta. Na verdade. Assim. a segurança e o meio ambiente. e que se distinguem quanto às suas causas e características. nomeadamente. à produção tangível de bens públicos em novas competências destinadas a satisfazer as novas atribuições da regulação. Trata-se. em especial. três vertentes essenciais: o estabelecimento de regras. da regulação pública das actividades económicas que comportam riscos para a saúde. Todo o regime de regulação implica. é cada vez maior. Assegurar a qualidade e a quantidade dos bens ou serviços produzidos. quando se trate de bens ou serviços de interesse geral. Restrições e condicionamentos ao acesso à actividade económica.2. e a sanção às infracções cometidas. São dois os objectivos essenciais destes regimes: Garantir o respeito das empresas pelas regras da concorrência. por exemplo. incluindo abusos de posição dominante e outras práticas lesivas do interesse geral. exige-se que o Estado converta parte dos recursos nomeadamente humanos que dedicava. o serviço de televisão. os correios. água. Não obstante as variações sucessivas e a dificuldade em traçar fronteiras precisas entre as diferentes áreas de regulação pública da economia. o transporte aéreo. saneamento básico) têm dado origem ao estabelecimento de novos regimes e instâncias de regulação. sobre os mercados emergentes. que têm coincidido historicamente com os desenvolvimentos referidos. Este fenómeno da regulação incide. a necessidade do Estado intervir como regulador. têm sido acompanhadas por um alargamento do papel de Estado como regulador. informação. públicas ou de capital público. exigem do Estado uma melhor regulação. actualmente. e da regulação dos mercados financeiros. hoje. quer a concorrência equilibrada. a sua implementação concreta. ainda. como resultado dos referidos processos de privatização e de liberalização. a electricidade. tanto a privatização de empresas públicas como a abertura à concorrência de sectores anteriormente vedados ou de acesso controlado (como. actividade monetária e financeira. podemos destacar nove áreas principais:       Planeamento e formas de orientação e auxílio aos agentes económicos. em particular.A Administração Reguladora A redução do peso do Estado-empresário e a liberalização de determinados sectores de actividade económica. quer ainda as formas de organização monopolistas.

º Garantia da capacidade de acção do sistema político e administrativo (recursos humanos e financeiros etc. As missões raramente mudam ou mudam lentamente e nunca de forma radical. Assim. Algumas das razões da dificuldade de classificação prendem-se com a heterogeneidade. assim. MISSÕES E ESTRUTURAS DA ADMINISTRAÇÃO 3. devemos entender as funções que a administração pública terá de desempenhar para corresponder à razão da sua criação pelo poder político. dividindo-as por cinco áreas: 1. condução das relações externas. justiça (incluindo o registo civil). 5. tendem a permanecer. Porque a classificação das missões do Estado levanta sempre problemas.). Renate Mayntz refere várias classificações das missões da administração. Os objectivos mudam e ajustam-se. e existem muitos sistemas de classificação. a multiplicidade e o carácter altamente interdependente das missões prosseguidas pela administração.º Promoção do desenvolvimento (crescimento económico. A classificação de Gournay aponta quatro conjuntos de missões: a) Missões de Soberania (ou funções políticas) 1º Missões de soberania: defesa (ou segurança) nacional. 2. como as estratégias e as políticas.Instâncias Reguladoras 3.1 .º Regulação das relações entre indivíduos e grupos dentro da sociedade. Para que isso suceda era necessária a refundação da entidade organizacional.º Regulação das relações entre a sociedade e o exterior (defesa e negociações estrangeiras). ao falar-se de missão. apesar da turbulência de mudança registada nas diversas envolventes. 2º Missões de soberania interna: polícia (também chamada segurança civil). 9 .Missões do Estado As missões. 4. igualdade social etc. 3.).º Prestação de bens e serviços.

telecomunicações. os recursos humanos são dessa entidade e não do Estado. minas. mas importa salientar que é exercido em nome próprio. 3. 2. nomeadamente em receitas próprias. Acções específicas: nos diferentes sectores da economia (energia.). c) Missões Sociais 1º Em matéria de saúde. fiscalidade.2 . em resumo: o património pertence a essa entidade e não ao Estado. incluindo as acções a favor da juventude.). mão-de-obra e formação profissional. informação da opinião para fins políticos. profissional. 2.º O desenvolvimento das actividades artísticas: conservação do património artístico e histórico.º A investigação científica. incluindo a informação de carácter não político.º A educação das crianças e adolescentes (ensino geral. por prosseguir fins que pertencem ao Estado e é indireta. Isto significa.º A organização dos lazeres e actividades culturais destinadas aos adultos. O recurso a este tipo de administração tem a ver com o alargamento das missões do Estado. transportes. preço. os actos são praticados em nome dessa entidade e não do Estado. que constituem a administração indirecta. desportivo etc. ainda.3º Missões propriamente políticas: funcionamento das instituições políticas (eleições.). Tem. A coordenação geral da política económica e financeira: (incluindo aqui a coordenação no espaço: ordenamento do território). relações com instituições religiosas.º A salvaguarda dos recursos naturais e a melhoria do meio ambiente. 5. 2º.Administração Indirecta do Estado Administração é estadual. a propósito das diversas funções ou problemas comuns aos sectores (pesquisa aplicada e produtividade. assembleias). 3. o poder de fiscalizar e controlar a forma como tal actividade é desempenhada. etc. comércio exterior. em nome daquela entidade pública em concreto. 4. crédito. Este tipo de administração é exercido no interesse do Estado. investimento.º No domínio da habitação e do urbanismo. na medida em que a execução de tais fins tem lugar no seio de uma entidade diferente do Estado. O seu financiamento tem origem no Estado e em outras fontes. artístico. etc. 3.º A defesa dos direitos e interesses das categorias socioprofissionais 4. A criação e extinção destas entidades públicas. 10 . são feitas por livre decisão do Estado.º A distribuição de rendimentos em proveito dos socialmente desfavorecidos d) Missões Educativas e Culturais 1. incentivo à criação de novas obras e difusão das obras de arte. a sua complexidade e a satisfação das novas necessidades dos cidadãos Possui o poder de lhes dar instruções e directivas acerca do modo de exercer a sua actividade. b) Missões Económicas 1º Atribuições do Estado relativas à moeda: (a emissão de moeda é considerada por alguns autores uma questão de soberania). 3º. isto é.

Estes órgãos podem tomar decisões em nome do Estado pertencem a este e não às autarquias (mesmo que funcionem no mesmo edifício). as autarquias locais e as regiões autónomas. As autarquias locais são constituídas por imperativo constitucional. mas habilitados. a resolver assuntos administrativos.  Serviços locais do Estado: os serviços administrativos encarregados de preparar e executar as decisões dos diferentes órgãos locais do Estado. como a anterior.4 . Alguns destes organismos estão a se transformar em administração indirecta. 3. as associações públicas.  As autarquias locais são. Parece ser o caso na saúde com os seus centros regionais e respectivos organismos dependentes quer da área curativa quer preventiva.  defesa dos interesses desta comunidade. tanto o conjunto das autarquias locais.Constitui a administração indirecta do Estado as seguintes espécies de organismos: Institutos públicos. São os casos do delegado de saúde. coisa bem diferente. O sector público empresarial (SPE). Ambas têm em comum o facto de possuir competências directamente ligadas a um determinado espaço territorial. Os órgãos locais do Estado são instalados em diversos pontos do território nacional e à frente deles. é a administração local autárquica. Apesar de poderem ser subsidiadas pelo Estado. como a actividade administrativa exercida por elas. as autarquias locais não são 11 . em nome do Estado. o Estado coloca alguém para chefiar e tomar decisões.  ocupação de um determinado espaço territorial. todas e cada uma.3 . integra as empresas públicas e as de capital. espalhados pelo território nacional. É uma forma muito diferente de administração local. O sector público administrativo (SPA). empresas públicas e associações públicas. dos chefes de finanças dependentes do Director Geral dos Impostos (DGCI).Administração Local Autárquica Apesar de também ser administração local. que não se confunde com a administração local do Estado. Por administração local autárquica entende-se. O conceito de autarquia local integra os seguintes elementos:  comunidade de pessoas. os institutos públicos. pessoas colectivas distintas do Estado.Administração Local do Estado A administração local do Estado assenta em três elementos:  Divisão do território: exige-se a delimitação do espaço que serve para definir competências em razão do território. 3. e só podem decidir (competência) no âmbito de uma delimitada zona geográfica. por lei. compreende o Estado.  Órgãos locais do Estado: centros de decisão. total ou maioritariamente público. relativos a uma área geográfica em concreto.

tendo origem nas populações.até disposição legal contrária -. Elas são constituídas por via ascendente. A coadjuvação é a relação que se estabelece entre dois órgãos a que a lei atribui competências iguais. como é o Governo. mas sim por um conjunto de entidades independentes e diferentes deste. residentes nas respectivas áreas. que podem ser exercidas indiferentemente por qualquer deles. Isto significa. A existência de autarquias locais. Na expressão de Gournay. 3.instrumentos da acção do Estado. “os órgãos administrativos competentes para decidir em determinada matéria podem. como ocorre com a criação dos institutos públicos. Esta situação não tem. Constitui um caso particular de coadjuvação a posição dos Secretários de Estado perante os ministros respectivos. uma delegação. e não por via descendente. adjunto ou substituto pratiquem actos de administração ordinária nessa matéria”. mas antes uma repartição de tarefas e competências internas no âmbito dos serviços de um órgão administrativo. os órgãos competentes para decidir em determinada matéria podem sempre permitir que o seu imediato inferior hierárquico.6 . relevância no ordenamento jurídico geral. no sentido que lhe atribuímos. que a administração pública não é. São formas de organização das populações locais. diz respeito à organização administrativa do Estado ou de uma pessoa colectiva pública. exercida pela pessoa colectiva pública ‟ o Estado -. sempre que para tal estejam habilitados por lei. tem a ver com a forma como “as missões de serviço público são confiadas a células administrativas que dependem hierarquicamente das autoridades governamentais e no que toca ao poder de decisão”. por isso. as autarquias. para serem autoadministradas como é da sua natureza. que a transferência é definitiva . O n. resultante de um acto do delegante. No caso da delegação interna não há.Delegação de Poderes e Competências Nos termos do art. A transferência legal de competências é uma forma de desconcentração originária. apenas.º 35º do Código do Procedimento Administrativo.º 2 do mesmo artigo acrescenta que. Todavia. e corresponde a um poder normal dos titulares de órgãos administrativos. propriamente. ao passo que a delegação de poderes é uma desconcentração derivada. “mediante um acto de delegação de poderes. Descentralização e Devolução de Poderes Desconcentração O sistema de concentração e de desconcentração. através de um acto de delegação de poderes. 3. O Estado compromete-se a que o regime financeiro dos municípios e das freguesias (transferências do orçamento do estado) respeite o princípio da coerência com o quadro de atribuições e competências que legalmente lhes está cometido. pois é livremente revogável pelo delegante. têm de ser geridas por órgãos representativos das populações locais livremente eleitos. e o reconhecimento da sua autonomia. expressam uma certa descentralização da administração.5 . Acresce. que outro órgão ou agente pratique actos administrativos sobre a mesma matéria”. enquanto a delegação de poderes é precária. designadamente ao prever regras que visam assegurar o adequado financiamento de novas atribuições e competências.Desconcentração. 12 .

a “concentração ou desconcentração têm como pano de fundo a organização vertical dos serviços públicos. que a descentralização aproxima a administração pública dos cidadãos. . Gournay distingue a desconcentração. funcional ou vertical. e aumenta a sensibilidade daquela aos problemas dos cidadãos e às necessidades destes.no nosso caso o governador do distrito. Para Freitas do Amaral. 13 . Há vários níveis. graus e formas de desconcentração. contrariamente à descentralização. Quanto às formas distinguimos entre a desconcentração:  Originária que decorre imediatamente da lei. que desde logo reparte a competência entre superior e subalternos. que se consubstancia no reconhecimento de outras pessoas colectivas públicas. A primeira consiste na transferência das missões e dos poderes de decisão detidos pelos serviços centrais. Quanto aos níveis há que distinguir entre:  Central: quando diz respeito à administração central.Pode ser geradora de políticas e decisões diferenciadas e criar desigualdades ao nível nacional.  Local: quando se refere à administração autárquica. A segunda diz respeito à transferência para um funcionário situado à cabeça de um serviço dotado de um campo de acção nacional ou de uma missão específica.Aumenta em geral as despesas. favorece as iniciativas locais. para um representante do governo a nível territorial .O grau de concentração do Estado não tem nada a ver com a relação que o Estado possa ter com as restantes pessoas colectivas públicas. É pacífico. Descentralização A descentralização tende a andar associada ao reconhecimento do poder de decisão. A organização administrativa pública pode considerar-se descentralizada sempre que integre uma pluralidade de centros dotados de poder de decisão. e porque o desenvolvimento territorial da administração multiplica as relações funcionais e as necessidades de comunicação entre os serviços. consistindo basicamente na ausência ou existência de distribuição de competências entre os diversos graus ou escalões da hierarquia”. A desconcentração é um fenómeno interno do Estado ou de uma pessoa colectiva pública. . Claro que a descentralização também tem os seus custos. e só tem lugar perante um acto expresso. praticado para o efeito pelo superior.  Derivada que precisa de permissão legal expressa. incrementa os vínculos sociais.  Relativa: quando é menos intensa e não foi tão longe como a primeira e por isso os órgãos subalternos criados mantém uma relação de subordinação ao superior. porque força a especialização das pequenas unidades funcionais. Quanto aos graus de concentração pode ser:  Absoluta: quando os órgãos a que deu origem deixam de ser subalternos e se tornam independentes. que qualifica de geográfica daquela a que chama técnica.

tal como gerir se expressa através da combinação de recursos. foi uma actividade vista como: a interpretação das missões e objectivos fixados por quem de direito. distinguir a descentralização política da descentralização administrativa. com a prossecução de objectivos definidos”. com a resolução dos problemas específicos Costuma-se. fossem dotados de órgãos livremente eleitos. e a sua transformação em acção organizacional . que gerir e administrar têm sido sinónimos. Assim. e somente estivessem sujeitos a tutela administrativa de legalidade. A descentralização associativa é a que dá origem às associações públicas.Sector público e sector privado Administrar. Administrar tem. Daí. 3. por lei. de todos os esforços realizados. a descentralizarão política incide sobre mais do que a função administrativa. possuíssem atribuições próprias. que assenta no tipo de funções do Estado em que incide a descentralização. a cargo de institutos públicos ou associações públicas. Para Freitas do Amaral. diversas formas e graus de descentralização. ou de pessoas colectivas de população ou território. são postos. As formas de descentralização podem ser: territorial. também. ainda. A descentralização institucional é a que dá origem aos institutos públicos. ao nível jurídico seria suficiente a pluralidade de entes públicos territoriais para existir descentralização. Devolução de Poderes Os interesses públicos garantidos pelo Estado podem ser transferidos para outras pessoas colectivas de direito público (institutos públicos e associações públicas). no ponto anterior. O modo como a distinção é feita não comporta grandes divergências quanto ao critério distintivo. e saem sob a 14 . De entre as muitas definições desta actividade.Tende a fragmentar a decisão relativamente aos grandes problemas. é a de Gulick: “a administração tem a ver com fazer coisas. A descentralização territorial é a que dá origem à existência de autarquias locais. distintos do Estado. direcção e controlo. de fins singulares. que dão entrada num processo de transformação. institucional e associativa. Para este autor há. designando ambos os termos a mesma actividade ou processo. a descentralização administrativa desdobra-se em dois níveis político administrativo e jurídico: ao nível político administrativo seria indispensável que os entes públicos territoriais. a fim de atingir tais objectivos.7 . É a forma mais adequada de conciliar a promoção da satisfação dos interesses gerais. Vimos. uma das mais simples. o sistema em que alguns interesses públicos do Estado. Assim: a descentralizarão administrativa incide exclusivamente sobre a função administrativa. especialmente incumbidas de assegurar tais interesses. num contexto organizacional.. para se poder falar de descentralização. administrar é uma actividade que. a ver com fazer coisas e alcançar objectivos. organização. durante o século XX.produção de bens ou serviços -. através do planeamento. efectivamente. considerar-se devolução de poderes.

forma de bem ou serviço. 15 . num contexto organizacional.