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São Teotónio – II

Padroeiro de Viseu - Um homem entre iguais
Enquanto escrevo este breve apontamento, na rádio no alinhamento das notícias sobre a crise, o desemprego, a falência do estado social e das famílias, nada de novo. As celebrações jubilares de S. Teotónio como padroeiro da diocese e cidade de Viseu seguem a bom ritmo, porém sem grande destaque mediático a nível nacional. Contudo o mesmo não se pode dizer da imprensa local e regional, a qual tem divulgado o programa das comemorações e os seus principais momentos.

uma exposição temporária sobre o santo. Segundo o catálogo “ O projeto expositivo consta de duas partes , materializadas no núcleo acolhido pelo Museu Grão Vasco e no itinerário de memórias e referenciais da Sé de Viseu. A primeira parte divide-se em quatro capítulos, sob o signo da simbólica dos quatros elementos – terra, água, fogo e ar -, que os medievais, na estreia da herança clássica, souberam interpretar numa mundividência simultaneamente cósmica e peregrina do absoluto. A segunda parte, que tem por palco a Sé de Viseu, qual microcosmos, convida o visitante a (re) descobrir este magnífico templo, onde, na fundura dos tempos, as referências a São Teotónio se multiplicam, entre iconografia, religiosidade e tradição.” Agora, algo mais vocacionado para crianças e jovens, o destaque vai para a apresentação do livro infantil São Teotónio do escritor Carlos Paixão e com ilustrações de Carlos Pais, no dia 1 junho. Essa apresentação será enriquecida com uma animação teatral.

As suas obras assistenciais aos mais necessitados naquele tempo, não passaram despercebidas aqueles que conviveram de perto com S. Teotónio. Citando o livro “Vida de S. Theotonio” escrito por um discípulo anónimo,“ Soccorria aos pobres, visitava aos doentes; convidava aos peregrinos, e os hospedava: a todos recreava com ternura; alegrava-se com os alegres; chorava com o que choravam. Distribuia aos pobres e necessitados a maior parte do seu trabalho, e de tudo o que tinha. Só reservava uma pequena parte para uso moderado de seus vestidos.” Das inúmeras virtudes deste santo, destaco a virtude de fazer o bem e não olhar a quem. Citando novamente a obra supracitada, “Depois da missa e da geral procissão do cemitério, alegre e quasi sem ser visto, tudo Distribuia aos pobres. Este foi seu costume no exercicio das boas obras: trabalhava sempre com todas as forças, que fosse oculto o que fazia.” Numa Península Ibérica a braços com a Reconquista Cristã, onde a luta entre a Cristandade e o Islão consumia vidas e energias dos Reinos Cristãos e os Califados. S. Teotónio era bem um homem do seu tempo, um sacerdote, um monge, um conselheiro político e também um peregrino. As romarias e as peregrinações tinham como objetivo essencial – segundo Afonso X na sua obra Primeyra Partida - «servir a Deus e honrar os santos», deixando tudo - família e bens - quem partia com esse espírito rumo a um ou mais santuários. Os santuários de eleição eram: Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela.

Assim, aproveito para destacar algumas iniciativas imperdíveis das comemorações S. Teotónio (1162-2012) patrono da diocese e da cidade de Viseu – Nove Séculos do priorado em Viseu. Estará patente no Museu Grão Vasco e Catedral de Viseu de 16 de Fevereiro a 1 Julho,

Por fim, destaco uma derradeira iniciativa intitulada (Re)Viver a Solidariedade de São Teotónio, dinamizada pela Junta Regional de Viseu do Corpo Nacional de Escutas Escuteiros que irá levar a acabo uma recolha de bens alimentares e posterior distribuição por famílias carenciadas da Diocese de Viseu. Este reviver da solidariedade faz todo o sentido, na pessoa de S. Teotónio que se sentia um homem generoso entre iguais.

Ainda segundo Afonso X, o sábio, esclarece que romeiros, em sentido estrito, são aqueles que vão a Roma visitar «os santos logares», onde estão os corpos de S. Pedro e de S. Paulo e de outros santos aí martirizados, e que o termo peregrino tanto podia aplicar-se aos que iam visitar o Santo Sepulcro de Jerusalém e os outros lugares santificados pela presença de Jesus. Em Portugal, nos últimos séculos da Idade Média, os peregrinos que regressavam da Palestina passaram a ser designados palmeiros, vocábulo alusivo à pequena palma ou pequeno ramo de palmeira que, à semelhança da vieira, que os peregrinos jacobeus ostentavam, no seu regresso de Compostela, tinha a função de os identificar como peregrinos dos lugares santos de Jerusalém e de outros pontos da Palestina. A este propósito devo relembrar que no passado dia 24 de abril foi inaugurado o Caminho Português Interior de Santiago de Compostela. Quando voltava da Exposição de S. Teotónio, lá estava bem visível o início do Caminho de Viseu, em plena praça da Sé Catedral de Santa Maria de Viseu. No dia em que muitos peregrinos acabam a sua jornada de peregrinação ao mais recente Santuário Mariano de Fátima, a peregrinação de S. Teotónio a Jerusalém será o assunto do meu próximo apontamento nestas páginas. Carlos Cruchinho carlmartel@hotmail.com Licenciado no Ensino da História e Ciências Sociais Texto redigido segundo o novo acordo ortográfico