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SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 1

XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
ACÇÃO SOClALlSTA 2 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
ORDEM DE TRABALHOS
Sexta-Feira, 5 de Fevereiro de 1999
20:00 às 23:00 (Per|odo de acred|tação dos De|egados)
Sábado, 6 de Fevereiro de 1999
09:00 às 10:30 \otação para a e|e|ção do Pres|dente do PB
10:30 Ponto 1 E|e|ção da Oom|ssão de \er|í|cação de Poderes
E|e|ção da Mesa do Oongresso Nac|ona|
Ponto 2 E|e|ção da Oom|ssão de Honra do Oongresso Nac|ona|
11:30 Ponto 3 Bessão de Aoertura do Oongresso Nac|ona|
Proc|amação dos resu|tados da votação para a e|e|ção do
Pres|dente do Part|do
lntervenção do Pres|dente e|e|to
12:30 Ponto 4 Apresentação da Moção Po||t|ca de Or|entação apresentada
pe|o Becretár|o-Oera|
13:30 às 15:00 lnterrupção para A|moço
15:00 Oont|nuação do Ponto 4 (Apresentação e d|scussão das Moçoes O|ooa|s)
20:00 \otaçoes
20:30 - 21:45 lnterrupção para Jantar
22:00 Ponto 5 Apresentação, d|scussão e votação das Moçoes Bector|a|s,
suoscr|tas por De|egados ao Oongresso Nac|ona|
Até às 24:00 Entrega das ||stas de cand|datos aos orgão nac|ona|s
Domingo, 7 de Fevereiro de 1999
09:30 Ponto 6 Apresentação ao Oongresso das ||stas de cand|datos à Oom|s-
são Nac|ona|, Oom|ssão Nac|ona| de Jur|sd|ção e Oom|ssão
Nac|ona| de F|sca||zação Econom|ca e F|nance|ra
10:00 Oont|nuação dos traoa|hos
10:00 às 11:30 Ponto 7 \otação das ||stas de cand|datos à Oom|ssão Nac|ona|, Oom|s-
são Nac|ona| de Jur|sd|ção e Oom|ssão Nac|ona| de F|sca||za-
ção Econom|ca e F|nance|ra
12:00 Proc|amação dos resu|tados
12:30 Ponto 8 Bessão de Encerramento com lntervenção do Becretár|o-Oera|
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 3
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
A NOSSA VlA - UMA RELAÇÃO
DE CONFlANÇA COM OS PORTUGUESES
MOÇÁO POL/7/CA DE OR/EN7AÇÁO NAC/ONAL
«Com a Razão e com o Coração»: esta ío| a
oase da re|ação de coní|ança que os portu-
gueses estaoe|eceram com o PB em Outu-
oro de 1995.
Essa re|ação de coní|ança ío| por nos escru-
pu|osamente honrada e, por |sso, conso||dou-
se e ate se amp||ou s|gn|í|cat|vamente.
Durante estes três anos de acção
governativa do PS e da Nova Maioria, res-
peitamos o principa| compromisso que
haviamos assumido perante os portugue-
ses: o de co|ocar as pessoas em primeiro
|ugar!
F|zemo-|o porque entend|amos que essa era
a pr|nc|pa| preocupação dos portugueses: a
de aor|r um novo c|c|o na po||t|ca nac|ona|
onde a ex|genc|a de human|zação da v|da das
pessoas encontrasse respostas adequadas
nas pr|or|dades deí|n|das pe|os poderes pú-
o||cos.
Mas í|zemo-|o, tamoem, em nome e em per-
íe|ta consonânc|a com a nossa propr|a con-
cepção soore a acção po||t|ca nas soc|eda-
des contemporâneas.
Oom eíe|to, o pro|ecto do PB para Portuga|
assenta em va|ores e em pr|nc|p|os que rad|-
cam na nossa trad|ção h|stor|ca e que |nsp|-
ram as nossas propostas íace a um Mundo
em proíunda e ace|erada mutação.
O PB, sem renunc|ar à renovação do seu d|s-
curso po||t|co e sem de|xar de part|c|par nos
deoates que se travam entre os soc|a||stas
europeus, não prec|sa de procurar pretensas
·novas v| as·, nem de nenhum ·acto
reíundador·, para enírentar os desaí|os do
íuturo.
Pe|o contrár|o, e na nossa |dent|dade co|ect|-
va, íor|ada ao |ongo dos anos, que procura-
mos as ra|zes or|entadoras da nossa acção
po||t|ca e das propostas de modern|zação da
soc|edade portuguesa que apresentamos aos
nossos conc|dadãos.
A nossa via: um projecto
moderno assente nos vaIores
que sempre defendemos
O PS teve, desde 25 de Abri|, tanto no po-
der como na oposição, indec|ináveis res-
ponsabi|idades na conso|idação da demo-
cracia, na reinserção de Portuga| na cena
internaciona|, na garantia de funcionamen-
to de uma economia de mercado assente
num mode|o de organização socia|
norteado pe|os va|ores da so|idariedade,
da igua|dade de oportunidades e de uma
efectiva [ustiça socia|.
Para os soc|a||stas democrát|cos, uma soci-
edade humanista que coníere o pr|mado à
aí|rmação dos d|re|tos humanos assenta na
democracia po|ítica entend|da como um |de-
a| de aí|rmação dos va|ores da ||oerdade, do
p|ura||smo, do d|á|ogo e da to|erânc|a.
Esses va|ores são rea||zados atraves da par-
t|c|pação dos c|dadãos na v|da púo||ca, no-
meadamente atraves do suírág|o, em e|e|çoes
ou em reíerendos, e pe|a |ntervenção em par-
t|dos e em assoc|açoes po||t|cas.
O pape| |nsuost|tu|ve| dos part|dos po||t|cos
na íormação da vontade co|ect|va passa pe|o
comoate à aostenção e à |nd|íerença, pe|a
d|gn|í|cação da act|v|dade po||t|ca, pe|a re-
íorma dos part|dos po||t|cos e pe|a consagra-
ção de mecan|smos cred|ve|s de eíect|vação
da responsao|||dade po||t|ca.
A rea||zação p|ena da democrac|a ex|ge que
os seus va|ores essenc|a|s se pro|ectem no
p|ano econom|co, soc|a| e cu|tura|. Bo em
soc|edades aoertas e compet|t|vas e poss|-
ve| garant|r a med|ação po||t|ca dos |nteres-
ses soc|a|s contrad|tor|os ou coní||tuantes no
respe|to pe|a vontade da ma|or|a e na garan-
t|a da coesão e da paz soc|a|.
O mesmo e d|zer que so atraves do aperíe|-
çoamento do Estado de Bem-Estar e que será
poss|ve| garantir a universa|idade de direi-
tos dos cidadãos com a adopção de po|íti-
cas de discriminação positiva a íavor dos
sectores ma|s desíavorec|dos ou mesmo em
r|sco de exc|usão soc|a|, no cam|nho para
uma verdade|ra Boc|edade de Bem-Estar.
As modernas soc|edades aoertas e p|ura|s
assentam em econom|as de mercado que
promovem o desenvo|v|mento das íorças
econom|cas, a cr|ação de r|queza e de pos-
tos de traoa|ho, mas ex|gem a deí|n|ção de
um contrato soc|a| que s|mu|taneamente ga-
ranta uma rede de protecção soc|a| un|versa|
oaseada nos va|ores da d|gn|dade humana e
da protecção perante os r|scos soc|a|s. A
igua|dade de oportunidades e a so|idarie-
dade socia| são e|ementos estruturantes de
soc|edades democrát|cas estáve|s, pressu-
posto do ||vre desenvo|v|mento das suas ca-
pac|dades produt|vas, sem o qua| carece de
oase a propr|a íunção red|str|out|va que com-
pete ao Estado.
Para os soc|a||stas democrát|cos, a rooustez
da democrac|a depende da capac|dade de
aí|rmação de uma cidadania activa e res-
ponsáve|, o mesmo e d|zer, da aí|rmação de
uma soc|edade c|v|| autonoma, agregada em
torno de va| ores como a qua| | í| cação
educat|va e proí|ss|ona| e a |dent|dade cu|tu-
ra| e ||ngu|st|ca nac|ona|, que const|tuem dos
ma|s re|evantes íactores de coesão soc|a|.
O PB sempre teve uma concepção
un|versa||sta, assente no d|á|ogo entre cu|tu-
ras e |dent|dades nac|ona|s d|st|ntas, marca-
do pe|a preocupação da garant|a da paz e
da promoção da reso|ução pac|í|ca dos con-
í||tos. Por contraponto ao |so|ac|on|smo da
d|tadura, aí|rmámos sempre a necess|dade
de uma participação activa na cena inter-
naciona|, com espec|a| destaque para a
|ntegração europe|a de Portuga|, que garan-
t|mos em 1985 com a adesão às então Oo-
mun|dades Europe|as e que sempre prosse-
gu|mos com empenhamento íosse no gover-
no íosse na opos|ção.
O |deár|o do PB ío| constru|do, nestes v|nte e
c|nco anos, com v|tor|as e com derrotas, no
aoso|uto respe|to pe|a vontade popu|ar e na
í|de||dade a esses va|ores e pr|nc|p|os que
souoemos sempre actua||zar, com capac|da-
de de |novação p|one|ra no mov|mento soc|-
a||sta |nternac|ona|. Não apagamos nem s|-
|enc|amos nenhum momento da nossa h|sto-
r|a co|ect|va, aí|rmada pe|a vontade anon|ma
de centenas de m||hares de m|||tantes e s|m-
pat|zantes. Ao contrár|o de outros, não prec|-
samos de comoater íantasmas do passado
para cr|ar a aparenc|a de que temos íuturo.
Na verdade, com a hum||dade democrát|ca
que caracter|za o |deár|o soc|a||sta, assum|-
mos, com responsao|||dade, os nossos pro-
pr|os erros, demonstrando que, com e|es,
tamoem aprendemos. Mas orgu|hamo-nos,
a |usto t|tu|o, de ter contr|ou|do, em momen-
tos dec|s|vos, para a construção do Portuga|
moderno e democrát|co que so a revo|ução
do 25 de Aor|| e a |nstauração da democrac|a
tornou poss|ve|.
ActuaIidade do sociaIismo
democrático
A razão determinante desta continuidade
histórica assenta no facto basi|ar de que
sempre nos recusámos a transformar o
socia|ismo democrático num con[unto de
dogmas que não se discutem, garantindo
assim a sua permanente actua|idade e vi-
ta|idade pe|o continuado debate renovador.
Aprendemos, com Már|o Boares e os íunda-
dores do Part|do, que o va|or ma|or da ||oer-
dade so tem p|ena rea||zação se permanen-
temente equac|onarmos e actua||zarmos as
nossas pos|çoes po||t|cas à |uz dos desaí|os
que nos co|oca a mudança das cond|çoes
po||t|cas e soc|a|s em que somos chamados
a actuar ao serv|ço dos portugueses.
Por |sso, assum|mos, no passado, com co-
ragem e determ|nação, po||t|cas que se tor-
navam aoso|utamente necessár|as para ga-
rant|r equ|||or|os econom|cos e soc|a|s íunda-
menta|s para o nosso Pa|s.
Est|vemos sempre na pr|me|ra ||nha do com-
oate pe|a conso||dação de um reg|me demo-
crát|co assente nos d|re|tos e ||oerdades íun-
damenta|s reconhec|dos na nossa Oonst|tu|-
ção, e contr|ou|mos, de íorma dec|s|va, para
a cr|ação das cond|çoes do p|ura||smo po||t|-
co e da compet|t|v|dade econom|ca determ|-
nados pe|a nossa p|ena |ntegração europe|a.
Por |sso, sempre nos contrapusemos íronta|-
mente àque|es que deíend|am uma concep-
ção dogmát|ca e íechada do pape| da esquer-
da na soc|edade. Mas í|zemo-|o sem negar
as nossas ra|zes na í|de||dade aos va|ores de
esquerda que const|tuem a s|ntese ma|s
consegu|da entre as ||oerdades democrát|cas
e a so||dar|edade e a |ust|ça soc|a|.
A queda do Muro de Ber||m e o co|apso do
comun|smo ve|o mostrar que hav|a uma es-
querda que t|nha razão ao pers|st|r sem es-
morec|mento na deíesa da ||oerdade po||t|ca
e econom|ca e da so||dar|edade e da |ust|ça
soc|a|. E que essa esquerda somos nos, so-
c|a||stas e soc|a|-democratas europeus.
MOÇÕES DO Xl CONGRESSO
DO PARTlDO SOClALlSTA
ACÇÃO SOClALlSTA 4 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
É com íundamento nestas mesmas conv|c-
çoes que, tamoem ho|e, nos recusamos a
ace|tar os dogmas de um neo||oera||smo
|mperante e do seu |nd|v|dua||smo cego, que
em nome de uma ||oera||zação predadora
sacr|í|ca, tantas vezes, va|ores essenc|a|s da
c|dadan|a e da coesão econom|co-soc|a|.
A |nd|íerença e soorancer|a do neo||oera||smo
dogmát|co perante a pooreza, o desempre-
go, a exc|usão e a marg|na||dade soc|a| cons-
t|tu| a pr|nc|pa| ameaça à coesão e à paz so-
c|a| nas soc|edades contemporâneas.
Oom eíe|to, se de|xarmos às regras cegas do
mero íunc|onamento do mercado a íunção de
regu|ação soc|a|, estaremos a perm|t|r que se
re|nstaure um determ|n|smo econom|c|sta que
|ust|í|ca a exp|oração, a |e| do ma|s íorte, o
agravamento das des|gua|dades soc|a|s e
consequentemente a rotura do mode|o soc|-
a| europeu de matr|z soc|a||sta democrát|ca
e soc|a|-democrata.
Por |sso, a g|ooa||zação econom|ca e í|nan-
ce| ra, a| | ada à revo| ução tecno| og| ca e
comun|cac|ona|, representa ho|e um enorme
desaí|o c|v|||zac|ona| e cu|tura| a que |mporta
encontrar uma resposta consequente. E essa
resposta so pode ser íormu|ada com oase
em va|ores e princípios po|íticos e sociais
que se|am assum|dos pe|o con|unto da co-
|ect|v|dade.
A nossa conv|cção e a de que esses va|ores
e pr|nc|p|os const|tuem o e|xo íundamenta|
da proposta socia|ista democrática e soci-
a|-democrata. A qua|, no respe|to pe|a nos-
sa trad|ção h|stor|ca e pe|a nossa memor|a
co| ect| va, não const| tu| uma v| a
pretensamente equ|d|stante entre a esquer-
da e a d|re|ta, antes assenta num compro-
m|sso c|aro de deíesa dos va|ores da so||da-
r|edade soc|a| que h|stor|camente sempre
íoram patr|mon|o da esquerda progress|sta.
Para nos, a g|ooa||zação comun|cac|ona|
comporta oportun|dades e r|scos. As co|ect|-
v|dades que me|hor souoerem aprove|tar es-
sas oportun|dades e escon|urar esses r|scos
sa|rão vencedoras. Pe|o que |mporta assum|r
com c|areza a necess|dade de encontrar ins-
tâncias e instrumentos de regu|ação da
g|oba|ização à esca|a p|anetária. Essa ne-
cess|dade pressupoe o reíorço da coopera-
ção |nternac|ona| e, mu|to espec|a|mente,
coníere um pape| dec|s|vo e determ|nante aos
grandes espaços reg|ona|s de cooperação e
de |ntegração, como e o caso da Ün|ão
Europe|a.
Oaoe aos soc|a||stas democrát|cos e aos so-
c|a|-democratas europeus a responsao|||da-
de de ||derarem esse mov|mento de regu|ação
da g|ooa||zação, no p|ano po||t|co, econom|-
co-í|nance|ro e soc|a|.
Pe|a nossa parte temos íormu|ado contr|outos
re|evantes para este deoate, com espec|a|
destaque para a part|c|pação no Oongresso
da lnternac|ona| Boc|a||sta, rea||zado em Nova
lorque em 1997, oem como para o Pe|ator|o
da respect|va Oom|ssão Econom|ca apresen-
tado em Oeneora, em Novemoro de 1998.
Para nos, soc|a||stas portugueses, o grande
desaí|o que, por d|versas vezes, assum|mos
ío|, prec|samente, o de renovarmos o pensa-
mento soc|a||sta democrát|co íace à evo|u-
ção do Mundo sem aod|car das suas ra|zes
|deo|og|cas essenc|a|s. F|zemo-|o, no p|ano
ma|s g|ooa| da |uta po||t|ca e soc|a|, atraves
da prát|ca po||t|ca que, desde os anos d|í|-
ce|s da |mp|antação da democrac|a, assum|-
mos com responsao|||dade, quer no governo
quer na opos|ção. Prossegu|mo-|o, no p|ano
part|dár|o, atraves da rev|são do nosso Pro-
grama po||t|co e da aoertura do Part|do à so-
c|edade c|v||, espec|a|mente atraves da rea||-
zação dos Estados Oera|s para uma Nova
Ma|or|a.
Neste percurso ío| sempre insubstituíve| e
inestimáve| o contributo e o
empenhamento dos mi|itantes do PS, da
sua moo|||zação generosa e anon|ma, do seu
deoate |nterno p|ura|. Bem essa capac|dade
m| | | tante o Part| do não ter| a pod| do
sed|mentar-se e conso||dar-se como o íez ao
|ongo destes v|nte e c|nco anos de reg|me
democrát|co.
Oaoe |gua|mente destacar o pape| que neste
processo sempre desempenhou a Juventu-
de Socia|ista, que u|trapassou o estr|to ||m|-
ar de uma organ| zação de | uventude
estruturada em torno dos proo|emas espec|-
í|cos dos |ovens para trazer para o deoate
po| | t| co de toda a soc| edade temas e
contr|outos renovadores que mu|to a|udaram
o PB a enírentar com sucesso os desaí|os da
modern|zação da v|da po||t|ca na í|de||dade
aos seus va|ores íundamenta|s.
Bem esse reíerenc|a| de m|||tânc|a, dos |o-
vens, das mu|heres, dos traoa|hadores, dos
autarcas, dos responsáve|s das d|íerentes
estruturas do Part|do, o PB não ter|a conse-
gu|do cont|nuar a renovar-se, aor|r-se à soc|-
edade c| v| | , desempenhar um pape|
agregador de mu|to vastos sectores |ndepen-
dentes que part|c|param act|vamente na de-
í|n|ção do Programa da Nova Ma|or|a e na
prát|ca po||t|ca do Ooverno do PB e da Nova
Ma|or|a ao |ongo destes ma|s de tres anos.
A evo|ução h|stor|ca do PB representa, em
termos prát|cos, que íomos progress|vamen-
te e|aoorando a síntese entre um partido de
mi|itantes e um partido de e|eitores, que e
o mode|o que corresponde às actua|s íorma-
çoes part|dár|as que tem vocação para assu-
m|rem responsao|||dades de poder.
Esta s|ntese ío| oot|da aos seus d|versos n|-
ve|s de |nserção na soc|edade, desde o p|a-
no autárqu| co ao p| ano nac| ona| , sem
descurar a |ntervenção organ|zada no dom|-
n|o s|nd|ca| e |aoora|, no respe|to estr|to pe|a
autonom|a das estruturas organ|zat|vas dos
traoa|hadores.
A cr|se de |ntervenção e part|c|pação po||t|ca
que ho|e caracter|za a genera||dade das so-
c|edades contemporâneas ex|ge uma respos-
ta da parte dos part|dos po||t|cos, que passa,
sem dúv|da, pe|a sua propr|a reíorma e reor-
gan|zação em termos que correspondam ao
|ncent|vo à part|c|pação e à m|||tânc|a - espe-
c|a|mente entre a |uventude - e a uma me|hor
art|cu|ação com as organ|zaçoes da propr|a
soc|edade c|v||.
A renovação do PB, contudo, não e um pro-
cesso que se possa ter por conc|u|do. O ca-
m|nho |n|c|ado há a|guns anos assentou sem-
pre no deoate v|vo a||mentado por um sau-
dáve| p|ura||smo |nterno de op|n|ão e no res-
pe|to por todos ||vremente assum|do pe|as
or|entaçoes democrat|camente í|xadas pe|os
orgãos máx|mos do Part|do, a começar pe|o
Oongresso.
Esse cam|nho tem que ser prossegu|do e
aproíundado, a todos os n|ve|s da estrutura
organ|zat|va do PB, na í|de||dade ao nosso
|deár|o comum e na aoertura ao coníronto de
|de|as na soc|edade c|v||.
Essa e a grande íonte de v|ta||dade da nossa
v|a enquanto soc|a||stas portugueses.
Oom esta consc|enc|a, |mporta reconhecer
que a estrutura organizativa actua| do PS
apresenta a|nda |nsuí|c|enc|as quanto à ca-
pac|dade de responder aos desaí|os do
re|ançamento da m|||tânc|a e à adopção de
íormas ma|s eí|cazes de re|ac|onamento com
uma soc|edade c|v|| cada vez ma|s comp|exa
e d|vers|í|cada.
Pazão pe|a qua| entendemos que, apos as
e|e|çoes |eg|s|at|vas de Outuoro de 1999, a
d|recção do PB deverá promover a criação
de um Forum que promova um deoate e um
documento or|entador soore a reíorma da
estrutura organ|zat|va do Part|do íace aos
novos desaí|os com que seremos coníronta-
dos nos prox|mos anos em nome do noore
|dea| da part|c|pação po||t|ca democrát|ca.
Criar as condições
para ganhar os desafios
do SécuIo XXl
A po||t|ca do Xlll Ooverno Oonst|tuc|ona|
corresponde |ntegra|mente a este sent|do
evo|ut|vo das pos|çoes do PB na soc|edade
portuguesa e ío| deí|n|da com oase no Oon-
trato de Leg|s|atura dos Estados Oera|s e no
Programa E|e|tora| do PB e da Nova Ma|or|a,
que est|veram na oase da v|tor|a e|e|tora| de
Outuoro de 1995.
Tornámos c|aro, desde o primeiro momen-
to, que o governo do PS e da Nova Maioria
introduziria em Portuga| uma maneira dife-
rente de fazer e de estar na po|ítica.
Esse nosso comprom|sso, de dessacra|izar
o poder, não resu|tava apenas de uma
contrapos|ção táct|ca íace ao aut|smo e à
arrogânc|a que caracter|zaram os dez anos
de governação do PBD. Pesu|tava antes, ac|-
ma de tudo, de acred|tarmos proíundamente
nas v|rtudes do d|á|ogo e da concertação, da
procura de so|uçoes part||hadas e part|c|pa-
das que reso|vam os proo|emas concretos
dos c|dadãos no respe|to pe|o |nteresse ge-
ra|.
Ao |ongo destes tres anos demonstrámos que
era poss|ve| cr|ar um novo c||ma po||t|co em
Portuga|, onde as d|vergenc|as podem ser
íonte cr|adora de so|uçoes, sem exc|u|r n|n-
guem do deoate po||t|co democrát|co. O que
í|zemos ooservando a re|ação de íorças par-
|amentar emergente das e|e|çoes de 1995,
com oase na ma|or|a re|at|va de mandatos
de que d|spomos na Assemo|e|a da Pepúo||-
ca e em íunção das espec|í|cas cond|çoes
de governação d|tadas por ta| íacto.
Assum|mos, por |sso, as nossas propr|as
pos|çoes em estr|ta í|de||dade ao mandato
popu| ar, pe| as qua| s seremos
responsao|||zados pe|os e|e|tores em Outu-
oro de 1999, ora procurando gerar os con-
sensos necessár|os que as v|ao|||zassem no
p|ano po||t|co e soc|a|, ora assum|ndo o con-
íronto em nome dos va|ores que |ust|í|caram
a coní|ança popu|ar que em nos ío| depos|-
tada.
Temos consc|enc|a que íomos chamados às
responsao|||dades governat|vas no quadro de
uma soc|edade cada vez ma|s comp|exa,
ma|s ex|gente e ma|s re|v|nd|cat|va. A opção
que assum|mos de privi|egiar o diá|ogo e a
concertação de interesses socia|mente re-
|evantes corresponde à conv|cção de que,
desse modo, se superam me|hor os coní||tos
soc|a|s e se potenc|a a ace|tação pe|a comu-
n|dade das dec|soes po||t|cas.
Mas, em todas as c|rcunstânc|as, assum|mos
c|aramente as responsao|||dades |nerentes à
condução da v| da po| | t| ca nac| ona| ,
compat|o|||zando a autor|dade do Estado com
a procura de apo|os a|argados na propr|a
soc|edade. Nunca confundimos autoridade
com autoritarismo, mas sempre que ío| ne-
cessár|o |mpor as me|hores so|uçoes para o
|nteresse gera| do Pa|s não hes|támos em
enírentar res|stenc|as e enqu|stamentos, por
í|de||dade ao mandato popu|ar que nos ío|
coní|ado.
O ba|anço destes três anos de governação
evidencia o cumprimento integra| das pri-
oridades do pro[ecto com que nos apre-
sentámos ao e|eitorado.
Peconhecemos que a|guns aspectos há em
que os oo|ect|vos que nos propusemos a|n-
da não se encontram |ntegra|mente a|cança-
dos, emoora o essenc|a| das med|das po||t|-
cas em causa se encontre em cond|çoes de
ap||cação no per|odo que nos separa das
prox|mas e|e|çoes.
Nenhuma das reíormas íundamenta|s para a
modern|zação do Estado e da soc|edade
de|xou de ser aoordada pe|o Ooverno do PB
e da Nova Ma|or|a, soore nenhuma de|as
de|xámos de enunc|ar as respect|vas pr|or|-
dades assentes no estudo cr|ter|oso, na pro-
moção do deoate a|argado e numa estrate-
g|a de |mp|ementação. Pe|o vasto a|cance de
mu|tas de|as, como sempre d|ssemos, o pe-
r|odo de uma |eg|s|atura não ser|a suí|c|ente
para as conc|u|rmos e ava||armos os seus
espec|í|cos oeneí|c|os.
Mas, ao contrário do que os nossos adver-
sários po|íticos pretendem fazer crer, o go-
verno do PS e da Nova Maioria encetou de
facto as reformas necessárias, segundo
uma estratégia de prioridades que assu-
mimos em função dos desafios de moder-
nização do País.
Esta estrateg|a, que como|nou med|das
|eg|s|at|vas com med|das de acção po||t|ca e
de modern|zação adm|n|strat|va, encontra-se
em curso de ap||cação e o r|tmo do seu de-
senvo|v|mento var|ou sector|a|mente em íun-
ção da propr|a d|nâm|ca po||t|ca e da evo|u-
ção da necessár|a concertação de |nteresses
que potenc|asse a eí|các|a da sua ap||cação
prát|ca. Os eíe|tos concretos das reíormas
empreend|das var|am no tempo e ex|g|rão
natura|mente a sua cont|nu|dade no decurso
da prox|ma |eg|s|atura.
Oom eíe|to, coníorme assum|mos perante os
portugueses em Outuoro de 1995, a aposta
centra| do PB e da Nova Ma|or|a assentou na
condução de uma po|ítica de a[ustamento
económico-financeiro com consciência
socia|, pr|v||eg|ando o emprego e o apo|o aos
sectores soc|a|s ma|s desíavorec|dos ou em
r|sco de exc|usão |rrevers|ve|, assum|ndo as
necessár|as po||t|cas de ||oera||zação eco-
nom|ca no quadro da promoção da qua||da-
de dos recursos humanos nac|ona|s.
Provámos |nequ|vocamente capac|dade de
gestão econom|ca com r|gor, cumpr|ndo as
metas da convergenc|a europe|a sem pre|u|-
zo do cresc|mento cont|nuo e cr|ter|oso da
despesa púo||ca nas áreas soc|a|s, norteado
por princípios de equidade e no respeito
pe|a |ega|idade, comoatendo com eí|các|a
a íraude.
F|zemo-|o porque nos recusamos a ace|tar a
|de|a de que a esquerda tem apenas uma
vocação de contra-poder, de que a esquerda
estar|a pr|s|one|ra da íata||dade de ser opos|-
ção para cond|c|onar um pretenso ·poder
natura|· que ser|a assum|do pe|as íorças da
d|re|ta.
Pe|o contrár|o, an|ma-nos, ho|e ta| como no
passado, a í|rme conv|cção de que e a es-
querda soc|a||sta democrát|ca e soc|a|-demo-
crata que e portadora de um pro|ecto de
modern|zação da soc|edade e do Estado em
nome de va|ores de ||oerdade, |gua|dade de
oportun|dade e so||dar|edade que terão que
const|tu|r a matr|z c|v|||zac|ona| do Becu|o XXl.
Por isso, ao fim destes três anos podemos
dizer que o Governo do PS e da Nova Mai-
oria concretizou o compromisso so|ene de
criar as condições para preparar Portuga|
para os desafios do Sécu|o XXÌ.
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 5
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
O PS tem um projecto
para o PortugaI do SécuIo XXl
Uma sociedade coesa e so|idária aposta-
da na qua|ificação das pessoas, uma soci-
edade segura, uma sociedade democráti-
ca, to|erante e mais [usta, uma sociedade
moderna que vença o nosso atraso estru-
tura|.
Uma sociedade coesa e soIidária
O PB cont|nuará a atr|ou|r a ma|or pr|or|dade
à aí|rmação dos va|ores da c|dadan|a soore
que assente a nossa coesão e |dent|dade
nac|ona|s. O seu reíorço passa em pr|me|ra
||nha pe|as po||t|cas de emprego e de educa-
ção, po||t|cas que co|ocam as pessoas como
o centro das preocupaçoes da acção dos
poderes púo||cos.
Neste contexto, para o PB, a promoção de
emprego (em espec|a| no caso dos desem-
pregados de |onga duração e dos |ovens,
part|cu|armente nos recem-||cenc|ados) cons-
t|tu| oo|ect|vo permanente que prossegu|re-
mos sem esmorec|mento, atraves de po||t|-
cas act|vas de emprego que como|nem o
apo|o à cr|ação de empregos nos sectores
trad|c|ona|s com capac|dade compet|t|va com
o |ncent|vo aos ·empregos do íuturo·, asso-
c| ados à soc| edade da | níormação, às
tecno|og|as |níormac|ona|s, aos serv|ços de
prox|m|dade, às |ndústr|as cu|tura|s e de ocu-
pação dos tempos ||vres.
A po||t|ca de emprego encontra-se estre|ta-
mente assoc|ada à promoção de uma estra-
teg|a de formação profissiona| que promo-
va a me|hor|a das qua||í|caçoes dos traoa|ha-
dores portugueses.
O PB assume o oo|ect|vo de |ntegrar em ac-
çoes de íormação proí|ss|ona| nos prox|mos
tres anos, ate ao ano 2002, 10% da popu|a-
ção act|va, ano em que pretendemos ter pe|o
menos 20% dos desempregados em eíect|-
va íormação proí|ss|ona|.
Peconhecendo a espec|a| |mportânc|a estra-
teg|ca dos |ovens à procura do pr|me|ro em-
prego, o PB deí|ne como oo|ect|vo, ate ao ano
2000, que não pssem ma|s de se|s meses
sem que a esses |ovens se|a oíerec|da uma
a|ternat|va de emprego, de íormação, de ocu-
pação ou de estág|o, v|sando ate ao ano de
2006 que todos os |ovens ate aos 18 anos
este|am ou a estudar, ou em íormação ou
empregados e s|mu|taneamente em íorma-
ção.
Face aos adu|tos desempregados à procura
de um novo emprego, o PB assume o com-
prom|sso de, ate ao ano 2000, garant|r que
não pssa ma|s de um ano sem que |hes se|a
oíerec|da uma a|ternat|va de emprego, íor-
mação, ocupação ou estág|o.
O PB pretende prossegu|r na aposta que íez
na qua||í|cação dos recursos humanos nac|-
ona|s íace a um mundo cada vez ma|s com-
pet|t|vo e ex|gente quanto às capac|dades e
apt|does dos c|dadãos. Por |sso, para o PB,
a educação continua a ser uma paixão que
se traduz numa aposta gerac|ona|.
Na prox|ma |eg|s|atura cont|nuaremos í|e|s a
este esíorço de |nvest|mento púo||co no sec-
tor do ens|no, coníer|ndo pr|or|dade à qua||-
dade do ens|no m|n|strado, à como|nação
entre o s|stema de ens|no e a íormação
proí|ss|ona||zante, à deí|n|ção de moda||da-
des de írequenc|a do ens|no ao |ongo da v|da.
O esíorço co|ect|vo no sector da educação
ex|ge cont|nu|dade na prox|ma |eg|s|atura,
onde avu|ta a preocupação de humanizar a
esco|a e garant|r a todos os a|unos a poss|-
o|||dade eíect|va de contacto e ut|||zação das
novas tecno|ogias de informação.
Nas soc|edades contemporâneas a organ|-
zação da v|da íam|||ar e o pape| das íam|||as
desempenha um e|emento íundamenta| de
garant|a da coesão soc|a| no seu todo e es-
pec|a|mente do desenvo|v|mento harmon|o-
so das cr|anças e dos |ovens. Acresce que a
evo|ução demográí|ca e das cond|çoes de
v|da moderna tem conduz|do s|mu|taneamen-
te ao aumento s|gn|í|cat|vo do número de ía-
m|||as monoparenta|s e de pessoas que v|-
vem soz|nhas, oem como ao aumento do nú-
mero de |dosos dependentes. Para o PB, uma
sociedade mais [usta e so|idária e aque|a
que se mostra capaz de responder de íorma
adequada a estes d|íerentes estatutos soc|-
a|s e cond|çoes de v|da, atraves de po||t|cas
de d|scr|m|nação pos|t|va (no p|ano í|sca|, da
organ|zação do traoa|ho, da part|c|pação na
v|da co|ect|va) e de serv|ços de prox|m|dade
que correspondam às suas necess|dades
ma|s prementes.
Para o PB, |mporta que a soc|edade no seu
con|unto reconheça mu|to em espec|a| o pa-
pe| das mu|heres, atraves de med|das de
d|scr|m|nação pos|t|va no p|ano proí|ss|ona|,
de acesso ao mercado de traoa|ho e de íor-
mação proí|ss|ona|, oem como no p|ano da
part|c|pação na v|da po||t|ca.
A d|gn|í|cação do pape| da mu|her, mu|to es-
pec|a|mente na eíect|va aí|rmação da |gua|-
dade de d|re|tos com os homens em todos
os dom|n|os da v|da co|ect|va, oem como a
cu|tura da part||ha de tareías no p|ano íam|||-
ar serão este|os íundamenta|s da po||t|ca do
PB no decurso da prox|ma |eg|s|atura.
No dom|n|o do s|stema po||t|co, o PB cum-
pr|u o comprom|sso de, em sede de rev|são
const|tuc|ona| e de a|teração da |e| e|e|tora|,
adoptar mecan|smos |ega|s que coní|ram um
peso acresc|do à presença de mu|heres nos
orgãos e| ect| vos do poder po| | t| co,
des|gnadamente na Assemo|e|a da Pepúo||-
ca, que deverá ser concretamente
|mp|ementada |á nas prox|mas e|e|çoes
|eg|s|at|vas.
Uma sociedade segura
As soc|edades contemporâneas caracter|-
zam-se pe|a |ncerteza e pe|a |nsegurança
decorrentes de íactores soc|a|s e das proíun-
das mutaçoes tecno|og|cas. O PB cont|nuará
a responder a este sent|mento de |nseguran-
ça c|v|ca atraves da como|nação de med|das
de reíorço dos d|re|tos de c|dadan|a e de uma
at|tude dura face ao crime e face às causas
do crime, sem desv|os prepotentes ou auto-
r|tár|os.
Procuraremos cada vez ma|s que os proo|e-
mas de segurança envo|vam os vár|os depar-
tamentos do Estado e das autarqu|as |oca|s
numa perspect|va de cooperação e coorde-
nação, ao mesmo tempo que as íorças de
segurança actuem com acresc|da prox|m|da-
de íace às necess|dades das popu|açoes.
O PB prossegu|rá a po||t|ca de aumento dos
efectivos das forças de segurança, de re-
íorço do patru|hamento e po||c|amento das
zonas de ma|or r|sco e de me|hor|a das con-
d|çoes de preparação e íormação dos agen-
tes po||c|a|s e das cond|çoes da sua actua-
ção.
Üma po|ícia de proximidade e tamoem uma
po||c|a que os c|dadãos sentem como sua,
cu|a autor|dade ace|tam em nome da |gua|-
dade de tratamento e da segurança de to-
dos. Para este oo|ect|vo contr|ou|rá a |nst|tu|-
ção das po||c|as mun|c|pa|s que o PB apo|a-
rá em estre|ta art|cu|ação com a actuação dos
conse|hos |oca|s de segurança.
Mas uma soc|edade ma|s segura não e ape-
nas aque|a que garante a tranqu|||dade e a
ordem púo||ca. É sooretudo aque|a que ac-
tua contra as causas do crime no p|ano
económico e socia|.
A me|hor|a das cond|çoes de v|da dos portu-
gueses, as po||t|cas de comoate à pooreza e
à exc|usão, a po||t|ca de prevenção, recupe-
ração e re|nserção de tox|codependentes, as
po||t|cas soc|a|s, espec|a|mente no dom|n|o
da protecção un|versa| no desemprego e na
doença, são componentes íundamenta|s de
uma concepção |ntegrada da segurança das
pessoas e das co|ect|v|dades.
O PB cont|nuará a ded|car espec|a| atenção
à s|tuação dos [ovens em risco, espec|a|-
mente comoatendo o traoa|ho |níant||, e dos
tox|codependentes.
Baoemos que nas soc|edades modernas a
toxicodependência const|tu| um dos proo|e-
mas de reso|ução ma|s comp|exa, que ex|ge
um amp|o deoate e um |argo consenso nac|-
ona|, oem como a moo|||zação act|va das ía-
m|||as, da esco|a e de um vasto con|unto de
|nst|tu|çoes da soc|edade c|v||. A resposta ao
í|age|o da droga cont|nuará a ocupar um |u-
gar de destaque nas pr|or|dades po||t|cas do
PB e da Nova Ma|or|a, quer na vertente de
comoate ao tráí|co med|ante a me|hor|a da
coordenação da act|v|dades das po||c|as e a
potenc|ação das cond|çoes de cooperação
|nternac|ona|, des|gnadamente no espaço da
Ün|ão Europe|a, quer atraves de programas
d|vers|í|cados de prevenção, recuperação e
re|nserção de tox|codependentes.
A segurança das popu|açoes passa tamoem
de íorma mu|to re|evante pe|a garant|a de
protecção nas situações de doença e en-
fermidade. As pr|nc|pa|s preocupaçoes do
PB e da Nova Ma| or| a assentam na
human|zação dos cu|dados de saúde, no
acompanhamento med|co permanente das
pessoas e das íam|||as, na eíect|va me|hor|a
da qua||dade de serv|ços nos centros de
saú|de e nos hosp|ta|s, espec|a|mente nos
serv|ços de urgenc|a e na errad|cação das
||stas de espera.
Estes oo|ect|vos ex|gem uma reíorma proíun-
da do Berv|ço Nac|ona| de Baúde, a começar
pe|as cond|çoes de prestação |aoora| dos
med|cos e dos eníerme|ros que ío| |á |evada
a caoo, passando pe|a reíormu|ação do pro-
pr|o mode|o de gestão e de part||ha de res-
ponsao|||dades entre os vár|os n|ve|s do s|s-
tema (d|íerenc|ação entre í|nanc|amento do
s|stema e ent|dades prestadoras dos cu|da-
dos, novos metodos de gestão das un|dade
púo||cas, art|cu|ação da rede púo||ca com a
|n|c|at|va mutua||sta e pr|vada na cooertura
das necess|dades de saúde do con|unto do
terr|tor|o nac|ona|).
O Ooverno do PB e da Nova Ma|or|a |á d|vu|-
gou as ||nhas íundamenta|s desta reíorma, a
que cont|nuará a atr|ou|r a ma|or pr|or|dade
ate ao í|na| da corrente |eg|s|atura e no de-
curso da prox|ma.
O sucesso de uma reíorma desta enverga-
dura dependerá da moo|||zação de todos os
agentes que actuam no âmo|to do Berv|ço
Nac|ona| de Baúde e do comportamento das
propr|as popu|açoes, da sua educação san|-
tár|a e da sua conduta na acesso cr|ter|oso
aos cu|dados med|cos em íunção das suas
rea|s necess|dades.
A sa|vaguarda de va|ores essenc|a|s como a
tendenc|a| gratu|t|dade do BNB e a sua natu-
reza un|versa|, quer quanto aos utentes quer
quanto às prestaçoes d|spensadas, passará
por me|hor|as de gestão do s|stema oem
como pe|o sent|do de responsao|||dade dos
seus utentes.
Atenção espec|a| merece a s|tuação dos ido-
sos, espec|a|mente dos que se encontram em
s|tuação de dependentes, cu|a protecção
passará por redes de apo|o amou|ator|o e
dom|c|||ár|o, con|ugando o apo|o med|co com
a prestação de serv|ços de prox|m|dade ne-
cessár|os à sa|vaguarda de cond|çoes d|g-
nas de v|da.
Uma sociedade democrática,
toIerante e mais justa
Para o PB, a soc|edade do Becu|o XXl terá
que ser caracter|zada pe|a renovação dos
va|ores da c|dadan|a e da part|c|pação po||t|-
ca na deí|n|ção dos dest|nos co|ect|vos.
O desenvo| v| mento tecno| og| co e
comun|cac|ona| tem que ser encarado como
um |nstrumento ao serv|ço do pr|mado da
Pazão e dos va|ores da democrac|a e da to-
|erânc|a. O comoate pe|a rac|ona||dade e,
antes do ma|s, um comoate cu|tura|, de aí|r-
mação da cu|tura c|v|ca e do p|ura||smo de
op|n|ão contra as man|íestaçoes do nac|ona-
||smo agress|vo, do íundamenta||smo re||g|o-
so, da xenoíoo|a e do rac|smo.
A coesão da soc|edade na d|vers|dade das
suas man|íestaçoes so pode ser assegurada
pe|a reva|or|zação da acção po||t|ca, pe|o |n-
cent|vo à part|c|pação dos c|dadãos e pe|o
comoate à |nd|íerença e ao aostenc|on|smo.
As reformas do sistema po|ítico são tanto
reíormas |nst|tuc|ona|s como reíormas na
mane|ra de íazer e de estar na po||t|ca.
O PS persistirá na defesa das propostas
que tem apresentado no sentido de me-
Ihorar a quaIidade da representação po-
Iítica através da aproximação dos e|eitos
aos e|eitores e da introdução de círcu|os
uninominais num quadro de representação
proporciona|, como determina a nossa
Constituição.
De |gua| modo, a reíorma dos part|dos, do
seu s|stema de í|nanc|amento, das garant|as
de democrac|a |nterna no seu íunc|onamen-
to, oem como das propr|as regras de íunc|o-
namento do Par|amento, representam outros
tantos e|ementos necessár|os a uma |nterven-
ção ma|s a|argada dos c|dadãos na v|da das
|nst|tu|çoes cu|a vocação pr|me|ra e expr|m|-
rem a med|ação po||t|ca da vontade popu|ar.
Mas a democrac|a não se resume às |nst|tu|-
çoes po||t|cas aos seus d|versos n|ve|s. Oada
vez ma|s e a democracia na própria socie-
dade que está em causa. A democrac|a nas
|nst|tu|çoes da soc|edade c|v||, nas empresas,
nos s|nd|catos e o contr|outo que todas es-
tas |nst|tu|çoes podem dar para o íorta|ec|-
mento de um s|stema po||t|co aoerto e p|ura|.
A democrac|a po||t|ca carece de uma c|da-
dan|a act|va e part|c|pat|va a todos os n|ve|s
e em todas as |nstânc|as da v|da co|ect|va.
Da| o pape| centra| que a soc|edade c|v|| por-
tuguesa terá que cada vez ma|s assum|r no
Becu|o XXl. Üma soc|edade c|v|| que se ||oer-
te das pe|as do corporat|v|smo e das des|-
gua|dades de |níormação, conhec|mento e
part|c|pação.
Üma soc|edade c|v|| que assuma como seu
o pape| de comoate às des| gua| dades
íáct|cas, ao aro|tr|o e à d|scr|c|onar|dade.
Para o PB este oo|ect|vo ex|ge do Estado uma
actuação permanente de comoate à ||ega||-
dade e à íraude a todos os n|ve|s, em nome
do va|or ma|or que representa a |gua|dade de
todos os c|dadãos perante a |e|. Mas ex|ge
|gua|mente a aí|rmação de uma cu|tura de
responsabi|idade da parte dos cidadãos na
sua conduta c|v|ca e pessoa|, oem como a
consc|enc|a do esíorço que a todos e ped|do
para a rea||zação do oem comum.
A repart|ção equ|tat|va do esíorço, das res-
ponsao|||dades e dos oeneí|c|os const|tu|,
ACÇÃO SOClALlSTA 6 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
para o PB, um cr|ter|o or|entador de todas as
po||t|cas púo||cas sem excepção.
Esta preocupação de equ|dade e |ust|ça e
part|cu|armente re|evante no dom|n|o da re-
íorma do s|stema í|sca| que cont|nuará a de-
senvo| ver-se no decurso da prox| ma
|eg|s|atura, de acordo com as conc|usoes do
deoate púo||co |á rea||zado e tendo em ||nha
de conta as necess|dades de harmon|zação
í|sca| que decorrerão da entrada em v|gor da
moeda ún|ca europe|a.
Neste momento e poss|ve| d|zer com segu-
rança que estão reun|das as cond|çoes para
proceder, nos prox|mos anos, à reíorma da
tr|outação do rend|mento segundo cr|ter|os
de acresc|da equ|dade e |ust|ça soc|a|, oem
como à progress|va a|teração dos mecan|s-
mos de tr|outação da propr|edade, não para
aumentar a rece|ta mas s|m para garant|r a
equ|dade.
Esta preocupação centra| do PB será |evada
a caoo atraves da concertação de |nteresses
na soc|edade e do pers|stente comoate à íuga
e à íraude í|sca|.
O sucesso desta po||t|ca dependerá tamoem,
em |arga med|da, da percepção dos c|dadãos
quanto aos oeneí|c|os |nd|v|dua|s e co|ect|-
vos que resu|tam de uma correcta e adequa-
da ap||cação das propr|as rece|tas púo||cas.
Por |sso, para o PB, o Portuga| do Becu|o XXl
terá que ser o Portuga| do pr|mado da qua||-
dade de v|da dos c|dadãos!
Neste sent|do, a pr|me|ra preocupação do PB
v|sará a me|horia da qua|idade de vida ur-
bana, des|gnadamente nas grandes c|dades,
atraves da con|ugação do grande esíorço em
curso de |nvest|mento em |níra-estruturas (de
transportes e de me|hor|a das acess|o|||da-
des para as popu|açoes suouroanas) com a
adopção de po||t|cas de reordenamento do
espaço uroano que correspondam aos pa-
droes ma|s ex|gentes de qua||dade da v|da
moderna, quer no que respe|ta a novas cons-
truçoes quer na recuperação dos centros h|s-
tor|cos.
Na promoção da qua||dade de v|da dos c|da-
dãos, se|a nos centros uroanos se|a nas zo-
nas rura|s, desempenha um pape| centra| a
qua|idade ambienta| e o equi|íbrio eco|ó-
gico.
Para o PB, o desenvo|v|mento tem que ser
garant|do numa perspect|va de garant|a e
promoção do equ|||or|o amo|enta|. Oom eíe|-
to, um desenvo|v|mento sustentáve| |mpoe
que se pross|ga o |nvest|mento nas redes de
comun|cação, se|a rodov|ár|a se|a íerrov|ár|a,
me|horando desta íorma a moo|||dade dos
c|dadãos no todo nac|ona|, mas esse |nvest|-
mento terá que suoord|nar-se à necess|dade
de respe|tar o me|o amo|ente e a qua||dade
de v|da dos seus dest|natár|os.
Para o PB, a rec|c|agem e reut|||zação, de par
com a deí|n|ção de so|uçoes seguras para
os res|duos, devem const|tu|r a grande men-
sagem moo|||zadora dos c|dadãos e das co-
mun|dades para o desenvo|v|mento de uma
cu|tura amo|enta| que se reí||cta nos nossos
propr|os comportamentos quot|d|anos.
O PB atr|ou|rá à me|hor|a da qua||dade
amo|enta|, desde a água ao tratamento dos
res|duos, passando pe|o contro|o do |mpac-
to amo|enta| das |níra-estruturas e pe|a seve-
ra pun|ção dos agentes po|u|dores, a nature-
za de uma cruzada nac|ona| em deíesa do
equ|||or|o eco|og|co como oase de uma c|da-
dan|a moderna.
Do mesmo modo, as cond|çoes de v|da de-
pendem em |arga med|da da qua||dade dos
serv|ços de |nteresse gera| que são d|spen-
sados aos c|dadãos. Para o PB, a garant|a
de |gua|dade de acesso a esses serv|ços de
|nteresse púo||co e o eíect|vo contro|o da sua
qua||dade e preço, devem const|tu|r uma pre-
ocupação dos poderes púo||cos tanto quan-
to da propr|a soc|edade c|v||, cu|a moo|||zação
para ta| í|m será |ncent|vada e apo|ada pe|o
Estado.
Uma sociedade moderna
que vença o nosso atraso
estruturaI
Nestes ú|t|mos v|nte e c|nco anos Portuga|
reconqu|stou a democrac|a, |ntegrou-se p|e-
namente no espaço europeu, reconstru|u íor-
tes |aços de comunhão com os pa|ses do
espaço |usoíono, ass|st|u ao í|m da d|v|são
do Mundo em o|ocos po||t|co-m|||tares, mo-
dern|zou a sua soc|edade e a sua econom|a
pos|c|onando-se, ass|m, para enírentar novas
cond|çoes geopo||t|cas e geoeconom|cas,
com ma|ores e me|hores poss|o|||dades de
aí|rmação da sua |dent|dade po||t|ca, econo-
m|ca e cu|tura|.
A construção do rumo un|versa||sta da nossa
democrac|a ío| tornada poss|ve| pe|a revo|u-
ção |ibertadora do 25 de Abri| de 1974, que
ass|m perm|t|u às geraçoes actua|s a|me|ar
um íuturo de d|gn|dade soc|a| e de deíesa
dos |nteresses nac|ona|s no coníronto sau-
dáve| com outras c|v|||zaçoes e outras cu|tu-
ras num mundo g|ooa||sado.
Estes ú|t|mos v|nte e c|nco anos perm|tem-
nos aí|rmar que, graças à democrac|a, o Be-
cu|o XX não ío| perd|do por Portuga| e pe|os
Portugueses! Pedeí|n|mos um rumo nac|ona|
e reencontrámo-nos com o sent|do proíundo
da nossa |dent|dade como Povo e como Na-
ção.
Mas temos pe|a írente a|nda enormes desa-
í|os, o ma|or dos qua|s representa, sem dú-
v|da, o vencermos o nosso atraso estrutu-
ra| acumu| ado pe| as decadas de
marg|na||zação, |so|ac|on|smo e protecc|o-
n|smo.
Esse e o grande desaí|o que o PB se pro-
poe assum|r e propoe se|a assum|do co|ec-
t|vamente por todos os portugueses.
É, antes do ma|s, um desafio geraciona|:
às geraçoes cont emporâneas que
reco|ocaram Portuga| no rumo do desenvo|-
v|mento e da paz caoe agora aor|r os rumos
que nos perm|tam ganhar o Becu|o XXl e ía-
zer do nosso Pa|s um Estado moderno e uma
soc|edade desenvo|v|da e coesa.
O PS submete aos Portugueses o projec-
to de um PortugaI para o SécuIo XXl, o
Sécu|o de afirmação do novo Portuga|!
Üm Portuga| europeu, a que a g|ooa||zação
devo|veu a sua centra||dade no Mundo en-
quanto primeira frente at|ântica da Euro-
pa. Üm Portuga| |nser|do p|enamente na
Ün|ão Europe|a mas que saoe aproíundar e
va| or| zar as suas | | gaçoes un| versa| s,
pro|ectadas pe|a sua componente at|ânt|ca
e v|radas para o mundo da |usoíon|a, da
Amer|ca Lat|na, do Magreoe. L|gaçoes es-
sas que representam uma ma|s-va||a do pro-
pr|o protagon|smo europeu de Portuga|. E
que devem ser aí|rmadas, no p|ano cu|tura|
tanto quanto no p|ano econom|co, quer en-
quanto expressão do nosso propr|o |nteres-
se nac|ona| quer enquanto componente da
propr|a pro|ecção da Europa no Mundo.
O sent|do ma|s proíundo deste Portuga| do
Becu|o XXl, que o PB amo|c|ona a|udar a
constru|r, e o de cr|ar novas cond|çoes para
a rea||zação pessoa| dos Portugueses.
O que se expr|me, em pr|me|ra ||nha, na
aposta na qua||í|cação das pessoas, mu|to
espec|a|mente dos |ovens, atraves da edu-
cação e da íormação proí|ss|ona| mas tam-
oem atraves da democrat|zação do acesso
e do usuíruto dos |nstrumentos da soc|eda-
de de | ní ormação e da g| ooa| | zação
comun|cac|ona|.
O Becu|o XXl ex|ge, por |sso, uma po||t|ca
que de pr|or|dade aoso|uta à qua|ificação
científica e tecno|ógica da popu|ação, à
d|íusão e ass|m||ação das novas tecno|og|as
de |níormação, à expansão e reíorço da |n-
vest|gação c|ent|í|ca e do desenvo|v|mento
tecno|og|co. Neste sent|do, deí|n|remos
como meta a at|ng|r um suostanc|a| aumen-
to dos recursos púo||cos d|spend|dos em
lnvest|gação e Desenvo|v|mento, cr|ando-se
centros de O|enc|a em todas as reg|oes e
promovendo a d|spon|o|||zação mac|ça de
endereços e|ectron|cos (ma|s de um m||hão),
oem como a ||gação à lnternet de todas as
esco|as e assoc|açoes, promovendo a mu|-
t|p||cação por m|| dos conteúdos de or|gem
portuguesa d|spon|ve|s na Net.
Üm Pa|s preparado para os desaí|os do Be-
cu|o XXl e um Pa|s que tem orgu|ho na sua
cu|tura e nas raízes históricas que deí|n|-
ram a sua |dent|dade propr|a, mas que tem
que se | | oert ar deí | n| t | vament e do
paroqu|a||smo e da mesqu|nhez, aí|rmando
c|aramente que, em cond|çoes oo|ect|vas de
|gua|dade, somos capazes de assum|r os
desaí|os ma|s amo|c|osos que part||hamos
com outros povos e outras cu|turas.
Üm Portuga| que preza a sua |dent|dade na-
c|ona|, que promove o va|or universa| que
representa a sua própria |íngua e cu|tura,
mas cu|a pr|nc|pa| arma de aí|rmação no
Mundo assenta na qua||í|cação dos seus c|-
dadãos, nos seus conhec|mentos, na sua
capac|dade de rea||zação.
Üma capac|dade de rea||zação que ex|ge
que co|ect|vamente, de íorma coesa e so||-
dár|a, sa|oamos assum|r os nossos d|re|tos
tanto quanto os nossos deveres e respon-
sao|||dades, me|horando a nossa organ|za-
ção |nterna, da adm|n|stração púo||ca às
empresas, passando pe|a esco|a, pe|a v|da
íam|||ar e pe|a propr|a conduta c|v|ca dos
c|dadãos.
Üm Portuga| cu|a v|ta||dade assente, ac|ma
de tudo, na cu|tura c|v|ca e na capac|dade
de aí|rmação da propr|a soc|edade c|v||, em
permanente d|á|ogo com os poderes púo||-
cos e no respe|to pe|a vontade gera|.
Este pro|ecto so será poss|ve| atraves do
empenhamento das Portuguesas e dos Por-
tugueses que, preservando a sua coesão
nac| ona| , cons| gam manter e amp| | ar a
autoconí|ança e a autoest|ma que os anos
da d|tadura e do |so|ac|on|smo hav|am deo|-
||tado.
A afirmação de PortugaI
no Mundo
A aí|rmação de Portuga| no Mundo passa,
em pr|me|ro p|ano, pe|o comoate à pos|ção
per|íer|ca de Portuga|, aí|rmando o pr|mado
da nossa part|c|pação act|va no processo de
|ntegração europe|a.
Moo|||zando as íorças econom|cas e soc|-
a|s e a vontade dos propr|os c|dadãos, ío|
poss|ve| vencer o desaí|o da part|c|pação,
desde a pr|me|ra hora, no núc|eo de pa|ses
que |ntegram a moeda ún|ca europe|a.
O pro|ecto do Euro representa, para nos, não
um í|m em s| mesmo mas antes um |nstru-
mento dest|nado a promover o cresc|mento
econom|co e o emprego na Ün|ão Europe|a.
Ma|s do que regras contao|||st|cas, o que
conta e promover cond|çoes de me|hor|a
eíect|va das cond|çoes de emprego e da
qua||dade de v|da dos c|dadãos no con|un-
to do nosso cont|nente.
Face a um Mundo caract er| zado pe| a
g|ooa||zação dos mercados e dos í|uxos í|-
nance|ros, pe|a ||vre c|rcu|ação da |níorma-
ção e pe| a soí | st | cação dos me| os
comun|cac|ona|s, proporc|onada pe|a revo-
|ução tecno|og|ca e |níormát|ca, a soc|eda-
de |nternac|ona| e ho|e, ac|ma de tudo,
marcada pe|a proíunda |nterdependenc|a
dos seus protagon|stas.
Essa |nterdependenc|a, oem ev|denc|ada
pe|a propagação das recentes cr|ses í|nan-
ce|ras e econom|cas na As|a, na Púss|a e
na Amer|ca Lat|na, vem suo||nhar, por um
|ado, a |nsuí|c|enc|a ou mesmo a ausenc|a
de |nst|tu|çoes regu|adoras g|ooa|s tanto no
p|ano econom|co-í|nance|ro como no p|ano
po||t|co-m|||tar e, por outro, a re|evânc|a da
part|c|pação em espaços a|argados de co-
operação e de |ntegração reg|ona|, como
íorma de me|hor sa|vaguardar os |nteresses
nac|ona|s.
Perante a g|ooa||zação a|guns entendem que
e poss|ve| aos Estados adoptar po||t|cas pro-
tecc|on|stas de car|z marcadamente deíen-
s|vo. Pe|o contrár|o, para nos, soc|a||stas
democrát|cos, a g|ooa||zação e um mov|-
mento |ncontornáve|, que comporta oportu-
n|dades e r|scos a que |mporta saoer res-
ponder, no sent|do de me|hor aprove|tar as
pr|me|ras e ||m|tar os eíe|tos neíastos dos
segundos.
Neste contexto, a me|hor at|tude nac|ona|
perante a g|ooa||zação e a de aí|rmar, com
cons|stenc|a, as pos|çoes nac|ona|s de um
pequeno Pa|s de econom|a aoerta como o
nosso, atraves da part|c|pação act|va e res-
ponsáve| nas organ|zaçoes |nternac|ona|s
que desempenham um pape| re|evante na
regu|ação g|ooa|.
E nesse contexto assum|r act|vamente pro-
postas que perm|tam superar a man|íesta
|nsuí|c|enc|a das |nst|tu|çoes |nternac|ona|s
perante as novas rea||dades p|anetár|as, se|a
no p|ano econom|co-í|nance|ro se|a no pro-
pr|o p|ano po||t|co-d|p|omát|co-m|||tar (des-
de a reíorma das Naçoes Ün|das, do Banco
Mund|a| e do Fundo Monetár|o lnternac|ona|,
passando por uma nova concepção àcerca
da Organ|zação Mund|a| do Oomerc|o e do
seu pape| na promoção não apenas de um
comerc|o ||vre mas tamoem soc|a| e eco|o-
g|camente |usto).
Esse o sent|do pr|me|ro, em|nentemente
po||t|co, da nossa part|c|pação no pro|ecto
da União Europeia. Mas esse e, tamoem, o
sent|do ma|s gera| da aí|rmação do pape|
de Portuga| no Mundo, se|a atraves da part|-
c|pação na Organ|zação das Naçoes Ün|das
(onde desempenhamos um re|evante pape|
como memoro não-permanente do respec-
t|vo Oonse|ho de Begurança), se|a atraves
das responsao|||dades assum|das no qua-
dro das organ|zaçoes po||t|co-m|||tares de
que íazemos parte (des| gnadamente a
NATO, como ev|denc|a a part|c|pação de
íorças m|||tares portuguesas na Bosn|a-
Herzegov|na).
A espec|í|c|dade do pape| de Portuga| no
Mundo resu| t a a| nda part | cu| arment e
rea|çada pe|o |mpu|so dec|s|vo que demos,
neste mandato, à cr|ação da Comunidade
de Países de Língua Oficia| Portuguesa
(OPLP), oem como pe|o protagon|smo que
assum|mos no re|ac|onamento com os pa|-
ses da Amer|ca Lat|na, se|a a verdade|ra
«redescoberta» do Brasi| no p|ano econo-
m|co e po||t|co, se|a no quadro da O|me|ra
loero-Lat|no-Amer|cana.
O s|gn|í|cado destas apostas ganhadoras no
p|ano |nternac|ona| const|tu| um pressupos-
to da nossa cont|nuada aí|rmação no Mun-
do, onde desempenha um |ugar cada vez
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 7
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
ma|s re|evante a aí|rmação da nossa |dent|-
dade cu|tura| e ||ngu|st|ca propr|a.
Neste contexto, assume part|cu|ar destaque
o pape| das Comunidades Portuguesas no
Mundo, não apenas enquanto e|emento de
||gação de todos os c|dadãos nac|ona|s onde
quer que res|dam, mas tamoem enquanto
componente da aí|rmação dos nossos va|o-
res nac|ona|s e da nossa espec|í|ca mane|-
ra de ser e de estar no Mundo.
No p|ano po|ítico, a afirmação do nosso
interesse naciona| faz-se através da parti-
cipação activa e empenhada na
concretização do pro[ecto da União PoIí-
tica e da União Económica e Monetá-
ria, ta| como definidos nos Tratados de
Maastricht e de Amsterdão. Mas também
na afirmação de uma estratégia europeia
que confira à temática socia| - e especia|-
mente à |uta contra o desemprego - um
pape| centra| nas preocupações po|íticas
dos responsáveis e das instituições
europeias.
Portuga| enírenta o novo secu|o |ntegrado na
moeda ún|ca e apresentando, na v|genc|a
do actua| Ooverno, taxas de cresc|mento
econom|co super|ores, em med|a, às taxas
de cresc|mento europe|as. Este ponto de
part|da pode e deve ser entend|do como uma
cond|ção ou pressuposto para enírentarmos
em me|hores cond|çoes a compet|t|v|dade
crescente d|tada pe|a g|ooa||zação e pe|a
propr|a moeda ún|ca, promovendo act|va-
mente a coesão econom|co-soc|a| dos pa|-
ses da Ün|ão e apo|ando uma estrateg|a de
cresc|mento econom|co que, no respe|to
pe|os va|ores essenc|a|s da estao|||dade
macro-econom|ca estatu|dos no denom|na-
do ·Pacto de Estao|||dade·, coní|ra pr|or|da-
de ao comoate ao desemprego e à va|or|za-
ção compet|t|va das empresas europe|as à
esca|a p|anetár|a.
O pro|ecto europeu |ust|í|ca-se em íunção
dos interesses dos cidadãos europeus no
seu con[unto. Esse pro|ecto será tanto ma|s
apo|ado e assum|do pe|os c|dadãos euro-
peus quanto ma|s estes t|verem a percep-
ção de que as pr|or|dades da construção
europe|a correspondem aos seus proo|emas
quot|d|anos, quer aos de |ndo|e soc|a| (com-
oate ao desemprego, à pooreza, à exc|usão,
à d|scr|m|nação rác|ca) quer aos respe|tantes
à sua segurança e estao|||dade (garant|a da
paz no cont|nente, comoate à cr|m|na||dade
organ|zada, espec|a|mente ao narco-tráí|co
e à íraude |nternac|ona|).
Bo num espaço a|argado como e a Ün|ão
Europe|a será poss|ve| coordenar as po||t|-
cas econom|cas nac|ona|s por íorma a ga-
rant|r um cresc|mento econom|co sustenta-
do, com oa|xas taxas de |ní|acção, mas onde
o re|ançamento da procura corresponda
adequadamente às prioridades do comba-
te ao desemprego estrutura|.
As novas cond|çoes de concorrenc|a g|ooa|
trazem novos desaí|os e tamoem novas
ameaças, a que acresce a necess|dade de
|ntroduz|r reíormas proíundas que perm|tam
à Ün|ão o seu a|argamento aos pa|ses can-
d|datos da Europa Oentra| e do Leste.
Perante estes novos desaí|os ex|ste um r|s-
co ser|o de recrudesc|mento de tendenc|as
nac|ona||stas e protecc|on|stas que podem
representar uma ser|a ameaça ao pro|ecto
europeu. A sooreva|or|zação dos r|scos |ne-
rentes à g|ooa||zação em gera| e ao proces-
so de construção europe|a em part|cu|ar
poderá cr|ar a prazo, mesmo em Portuga|,
novas c||vagens no comprom|sso europeu.
Mas para o PB, a aposta europe|a cont|nua-
rá a ser da ma|or pr|or|dade na condução
da nossa po||t|ca nac|ona| e ex|g|rá uma í|r-
me vontade po||t|ca de aí|rmação permanen-
te do apo|o popu|ar a um pro|ecto que, com-
portando desaí|os e d|í|cu|dades, so pode
ser venc|do atraves do empenhamento dos
c|dadãos e da capac|dade de as |nst|tu|çoes
europe|as responderem às suas rea|s preo-
cupaçoes.
A cont|nu|dade do processo de |ntegração
europe|a const|tu| pressuposto |ncontornáve|
para que a voz de Portuga| se possa íazer
ouv|r no Mundo e, dessa íorma, possamos,
em me|hores cond|çoes, preservar os nos-
sos propr|os |nteresses nac|ona|s.
Aí|rmação que potenc|a não apenas a deíe-
sa dos nossos |nteresses nac|ona|s espec|-
í|cos, mas tamoem amp||í|ca a capac|dade
de aí|rmação das grandes causas |nternac|-
ona|s que assum|mos, entre as qua|s avu|ta
de sooremane|ra a dos direitos do povo de
Timor-Leste íace à ocupação ||ega| e ||eg|t|-
ma da lndones|a. O PB cont|nuará í|rmemen-
te empenhado neste grande comoate pe|o
reconhec|mento dos d|re|tos do povo de
T|mor-Leste e por uma so|ução negoc|ada
|nternac|ona|mente que de |ntegra| sat|sía-
ção às asp|raçoes dos t|morenses.
PRESTAR CONTAS
AOS PORTUGUESES
A soIidariedade sociaI
e o combate ao desemprego
Os desaí|os da g|ooa||zação não se coní|-
nam ao estr|to dom|n|o econom|co-í|nance|-
ro. Para o PB, na rea||dade, as novas cond|-
çoes de compet|t|v|dade g|ooa| poem em
causa os propr|os íundamentos do mode|o
soc|a| europeu. Ora, a evo|ução recente da
esmagadora ma|or|a dos pa|ses europeus
coníer|u aos soc|a||stas democrát|cos e aos
soc|a|-democratas uma espec|a| responsa-
o|||dade na va|or|zação dos íactores de co-
esão socia| das soc|edades europe|as e na
deí|n|ção das reformas sociais que nos
perm| t am ení rent ar os desaí | os da
g|ooa||zação econom|ca e í|nance|ra.
O Governo do PS e da Nova Maioria, nes-
tes três anos, deu [á inequívocas provas
do nosso empenhamento na definição de
uma estratégia de reforma socia| norteada
pe|os va|ores da justiça sociaI e da equi-
dade nas prestações e nos apoios soci-
ais púb|icos para rea|ização da iguaIda-
de de oportunidades.
No comoate às des|gua|dades soc|a|s a cr|-
ação do rendimento mínimo e do aumento
das pensoes soc|a|s segundo eíect|vos cri-
térios de [ustiça socia|, representam pon-
tos íu|cra|s desta estrateg|a que temos v|n-
do a prossegu|r. De |gua| modo a re|evânc|a
coníer|da ao comoate ao desemprego no
con|unto da po||t|ca econom|ca do Estado
perm|te que de íorma s|stemát|ca e cont|nu-
ada a taxa de desemprego tenha vindo a
diminuir em Portuga| nos ú|t|mos do|s anos
e me|o.
As reíormas |ntroduz|das no mercado de tra-
oa| ho, na sequenc| a do Acordo de
Ooncert ação Est rat eg| ca, v| sando a
í|ex|o|||zação das cond|çoes de prestação
|aoora|, a va|or|zação da aprend|zagem e da
íormação proí|ss|ona|, a redução progress|-
va e negoc|ada do horár|o de traoa|ho e a
part||ha do traoa|ho const|tuem |nstrumen-
tos que convergem para o oo|ect|vo centra|
do comoate ao desemprego.
A deí|n|ção de uma estratégia europeia de
combate ao desemprego, como sempre
deíendemos tantas vezes |so|ados, const|-
tu| ho|e um ponto centra| da agenda da pro-
pr|a Ün|ão Europe|a e representa, por |sso,
uma oportun|dade para a coordenação das
po||t|cas econom|cas dos Estados centrada
no cresc|mento econom|co e na cr|ação de
emprego.
Do mesmo modo, o Ooverno do PB e da
Nova Ma|or|a avançou com propostas ten-
dentes a |ntroduz|r reformas de fundo no
sistema de segurança socia|, tendo em v|s-
ta responder aos desaí|os que decorrem do
progress|vo enve|hec|mento da popu|ação
e das necess|dades de í|nanc|amento de um
s|stema púo||co un|versa|, que d|sponha dos
me|os í|nance|ros necessár|os para a gra-
dua| va|or|zação das pensoes de va|or ma|s
oa|xo (ta| como na prát|ca |á temos v|ndo a
íazer).
A instituição do rendimento mínimo asso-
c|ada a uma po||t|ca de re|nserção dos seus
oeneí|c|ár|os no mercado |aoora|, a po||t|ca
de equ|dade nas prestaçoes, de reíorço da
sustentao|||dade í|nance|ra a med|o prazo do
s|stema púo||co de segurança soc|a|, de
aoertura de novos espaços à aí|rmação de
s|stemas de responsao|||dade |nd|v|dua| e
co|ect|va de reíorma, ta| como consta das
propostas do Ooverno do PB e da Nova
Ma|or|a, serão prossegu|das como |nstru-
mentos de conso||dação de uma verdade|ra
Boc|edade de Bem-Estar.
A aposta na quaIificação
das pessoas
No cumprimento dos compromissos as-
sumidos perante os portugueses em Ou-
tubro de 1995, o Governo do PS e da Nova
Maioria fez uma inequívoca aposta
geracionaI na educação.
O |ançamento da rede de ensino pré-es-
co|ar, con|ugando a |n|c|at|va púo||ca com o
protagon|smo de |nst|tu|çoes part|cu|ares de
so||dar|edade soc|a| e da |n|c|at|va pr|vada,
representa uma a|teração qua||tat|va do ma|-
or a|cance cu|os resu|tados so serão p|ena-
mente compreend|dos dentro de a|guns
anos..
Oom a mesma preocupação prossegu|mos
uma po||t|ca de dignificação do ensino e
dos seus agentes, oem como da me|hor|a
da qua||dade do ens|no a todos os n|ve|s,
reíormu|ando o quadro |nst|tuc|ona|, de au-
tonom|a e de í|nanc|amento das esco|as
secundár|as e do ens|no super|or.
A aposta na ·educação como pa|xão· está
oem espe|hada no íacto de, antes mesmo
do termo da |eg|s|atura, termos |á at|ng|do o
oo|ect|vo de aumentar a despesa púb|ica
em educação em cerca de 1% do PÌB.
Nestes tres anos procedemos a uma articu-
|ação mais comp|eta entre o sistema
educativo e o sistema de formação pro-
fissiona|, perm|t|ndo desta íorma que a íor-
mação dos recursos humanos nac|ona|s
oeneí|c|asse não apenas de n|ve|s de qua||-
dade ma|s e|evados mas tamoem da apren-
d|zagem de conhec|mentos íe|ta na perspec-
t|va da sua eíect|va ap||cação prát|ca, o que
|hes coníere me|hor preparação para eníren-
tarem um mercado de traoa|ho progress|va-
mente ma|s ex|gente e soí|st|cado, onde as
qua||í|caçoes pessoa|s e a adaptao|||dade às
novas tecno|og|as const|tu|rão um íactor es-
senc|a|.
A aposta nas pessoas traduz|u-se tamoem
na pro|ecção coníer|da à cu|tura, à ciência
e à investigação no quadro da acção
governat|va. Neste contexto, cumpre desta-
car a dec|são h|stor|ca tomada quanto à pre-
servação das gravuras de Foz Ooa, a qua||-
dade da programação cu|tura| ev|denc|ada
no decurso da EXPO/98, oem como as re|e-
vantes |ntervençoes de preservação do pa-
tr|mon|o h|stor|co e arqu|tecton|co nac|ona|.
Em todos os casos v|sámos a preservação
e promoção da nossa |dent|dade cu|tura| e
||ngu|st|ca.
No dom|n|o da c|enc|a e da |nvest|gação o
Ooverno do PB e da Nova Ma|or|a deí|n|u
uma estrateg|a de aoordagem da emergen-
te sociedade de informação, cr|ando as
cond|çoes quer |níra-estrutura|s quer de re-
cursos humanos necessár|os para enírentar
os desaí | os dest e novo parad| gma
c|v|||zac|ona|: com a cr|ação da Pede O|en-
c|a Tecno|og|a Boc|edade, ma|s de 2000 es-
co|as e de 200 o|o||otecas púo||cas íoram
equ|padas e ||gadas à lnternet, em art|cu|a-
ção com a tota||dade das |nst|tu|çoes c|ent|-
í|cas e de ens|no super|or. Nestes tres anos
o orçamento de O|enc|a e Tecno|og|a do
Estado ma|s do que dup||cou, deí|n|u-se uma
po||t|ca c|ent|í|ca e tecno|og|ca conducente
à eíect|va me|hor|a das qua||í|caçoes das |ns-
t|tu|çoes c|ent|í|cas nac|ona|s e ío| |ançado
o programa O|enc|a \|va que |á aorange ma|s
de quatrocentos m|| |ovens e cerca de m|| e
o|tocentas esco|as.
Neste contexto, a cr|at|v|dade e a qua||da-
de da |nvest|gação e da produção nac|ona|
cont|nuarão a representar e|ementos centra|s
da aí|rmação dos va|ores perenes da nossa
propr|a |dent|dade nac|ona| renovada em
íace da emergente soc|edade da |níorma-
ção e do conhec|mento.
Uma democracia participada,
peIa dignificação da poIítica
Oom a rev|são const|tuc|ona| de 1997, con-
tr|ou|mos para a cr|ação de cond|çoes am-
p||adas de part|c|pação dos c|dadãos na v|da
po||t|ca.
Temos consc|enc|a da pr|or|dade das reíor-
mas po||t|cas e da necess|dade de conduz|r
essas reíormas na procura de consensos
a|argados que d|gn|í|quem a po||t|ca e a ac-
ção dos agentes po||t|cos. D|ssemo-|o, com
c|areza, aos portugueses em 1995. Pers|st|-
mos nessa conv|cção.
Bem emoargo, temos que reconhecer que,
neste cap|tu|o, as reíormas rea||zadas í|ca-
ram aquem do que pretend|amos. E sem
pretendermos ex|m|r-nos às nossas propr|-
as responsao|||dades, |mporta reconhecer
que a pr|or|dade que coníer|mos às reíormas
po||t|cas não ío| acompanhada pe|os restan-
tes part|dos com assento par|amentar.
Oom eíe|to, a |ntrans|genc|a do PBD quanto
à redução do número de deputados à
Assemo|e|a da Pepúo||ca o|oqueou a poss|-
o|||dade sequer de procurar encontrar a
ma|or|a qua||í|cada necessár|a para a a|te-
ração da |e| e|e|tora| à Assemo|e|a da Pepú-
o||ca, apesar de o Ooverno ter conduz|do o
processo de íorma tota|mente transparente
e com ass|na|áve| part|c|pação da soc|eda-
de c|v||.
Não sendo exequ|ve| ooter um consenso
a|argado a tempo da rea||zação das prox|-
mas e|e|çoes par|amentares, o PB reed|tará
o seu comprom|sso e|e|tora| de propor a a|-
teração da |ei e|eitora| segundo as ||nhas
gera|s da |n|c|at|va |eg|s|at|va |á apresenta-
da no Par|amento.
Oraças à rev|são const|tuc|ona| de 1997, ío|
poss|ve| aor|r novos espaços para a rea||za-
ção de referendos de âmo|to nac|ona|. A
ausenc|a de exper|enc|a antecedente e o t|po
ACÇÃO SOClALlSTA 8 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
de campanha que a|guns part|dos conduz|-
ram, sooretudo no caso do reíerendo soore
a |nst|tu|ção em concreto das reg|oes adm|-
n|strat|vas, |ançaram a|gumas dúv|das soore
a ace| t ação popu| ar de consu| t as
reíerendár|as.
Para o PB, o reíerendo e um |nstrumento de
part|c|pação popu|ar que pode contr|ou|r
para a reva|or|zação do deoate po||t|co e
para a consc|enc|a||zação dos c|dadãos.
Emoora reconhecendo a|gumas das d|í|cu|-
dades que o reíerendo susc|ta entre nos, o
PB tomará a |n|c|at|va de mod|í|car a |eg|s|a-
ção dos referendos |ocais, como íorma de
contr|ou|r para o enra|zamento popu|ar des-
te |nstrumento de part|c|pação democrát|ca.
No tocante à organ|zação do Estado, o PB
deíendeu cons|stentemente uma estrateg|a
de devo|ução do poder e de
descentra|ização de atribuições e de com-
petências administrativas em oeneí|c|o das
íregues|as e dos mun|c|p|os, desta íorma
cumpr|ndo, quer no p|ano dos pr|nc|p|os
quer no p|ano da respect|va sustentação í|-
nance|ra, os comprom|ssos que hav|a assu-
m|do perante os portugueses em Outuoro
de 1995.
Oom a dec|são popu|ar tomada no reíeren-
do de Novemoro de 1998, a |nst|tu|ção em
concreto de reg| oes adm| n| strat| vas ío|
|nv|ao|||zada de íorma |nequ|voca. O PB as-
sume co|ect|vamente esta derrota e, como
sempre aí|rmamos, respe|taremos a vonta-
de popu|ar, pe|o que entendemos que não
ex|stem cond|çoes po||t|cas para, no hor|zon-
te po||t|co ma|s prox|mo, retomar o pro|ecto
de reg|ona||zação.
Neste contexto, o compromisso
descentraIizador do PS prosseguirá
devidamente remodeIado. Para a|ém
das propostas de reforço dos poderes e
dos meios financeiros das Câmaras Mu-
nicipais e das Juntas de Freguesia, o PS
reforçará o protagonismo das associações
dos municípios e das áreas metropo|ita-
nas e instituirá mecanismos de participa-
ção democrática no funcionamento das
Comissões Coordenadoras Regionais.
Neste quadro, será coníer|da pr|or|dade à
rac|ona||zação da propr|a adm|n|stração
desconcentrada do Estado, por íorma a pro-
gress|vamente |he coníer|r coerenc|a e uma
ma|or un|íorm|dade, tendo em v|sta me|hor
responder às necess|dades das popu|açoes,
des|gnadamente das reg|oes do |nter|or do
Pa|s.
De |gua| modo prossegu|remos a v|a de con-
so||dação das autonom|as reg|ona|s dos Aço-
res e da Made|ra, como resposta para a pro-
moção da eíect|va me|hor|a das cond|çoes
de v|da das popu|açoes |nsu|ares, no respe|-
to pe|a so||dar|edade nac|ona|.
Promover a segurança
dos cidadãos
O Ooverno do PB e da Nova Ma|or|a coníe-
r|u part|cu|ar re|evo à cr|ação de cond|çoes
de combate à crimina|idade, reíormando
proíundamente a estrutura e as cond|çoes
de actuação das íorças de segurança.
A segurança dos cidadãos nas socieda-
des contemporâneas exige dos poderes
púb|icos uma capacidade de intervenção
que con[ugue de forma equi|ibrada a ac-
tuação dos mecanismos de prevenção e
de repressão crimina| com po|íticas pú-
b|icas de combate às próprias causas
sociais da crimina|idade.
O aumento significativo dos efectivos po-
|iciais e a me|horia das suas condições
de preparação e de actuação,
des|gnadamente o aumento dos postos po-
||c|a|s e das patru|has, a cr|ação de conse-
|hos |oca|s de segurança, a aprovação do
quadro |ega| que perm|te a cr|ação de po||-
c|as mun|c|pa|s, são e|ementos desta po||t|-
ca que devem ser con|ugados com o novo
quadro |ega| decorrente quer das a|teraçoes
do Ood|go Pena| e do Ood|go de Processo
Pena| quer dos novos |nstrumentos coníer|-
dos ao M|n|ster|o Púo||co no combate à
crimina|idade em gera| e à corrupção e à
crimina|idade económico-financeira em
part|cu|ar.
Pe|ac|onada com a temát|ca da segurança
dos c|dadãos, avu|ta a nova estratégia de
abordagem da toxicodependência, de pre-
venção e de recuperação expressa num au-
mento s|gn|í|cat|vo das |níra-estruturas púo||-
cas e na cooperação com ent|dades da soc|-
edade c|v||.
Uma economia moderna
ao serviço do interesse geraI
A aposta do PB no pro|ecto da Ün|ão Eco-
nom|ca e Monetár|a assentou no oo|ect|vo
pr|nc|pa| de cr|ar cond|çoes de estao|||dade
macro-econom|ca que perm|t|ssem o desen-
vo|v|mento do nosso Pa|s. A cons|stenc|a do
processo de a|ustamento |evado a caoo per-
m|t|u que Portuga| crescesse nestes ú|ti-
mos três anos a um ritmo superior à mé-
dia comunitária, um cresc|mento sustenta-
do com oase em oa|xa |ní|acção e com um
ass|na|áve| potenc|a| de atracção de |nvest|-
mento nac|ona| e estrange|ro.
Sem confiança na orientação económica
imprimida pe|o Governo ao País o investi-
mento não teria evo|uído positivamente
nem se teria podido criar os postos de tra-
ba|ho que permitiram uma continuada di-
minuição do desemprego.
Mas s|mu|taneamente o Ooverno do PB e da
Nova Ma|or|a conduz|u uma po||t|ca de
reformu|ação de regras essenciais do re-
|acionamento do Estado com os agentes
económicos e sociais, onde desempenha-
ram um pape| mu|to re|evante quer os acor-
dos soc|a|s de curto prazo quer o acordo de
concertação estrateg|ca.
Atraves de um programa íaseado, transpa-
rente e contro|ado por |nstânc|as |ndepen-
dentes, o Ooverno do PB conduz|u um pro-
cesso de pr|vat|zaçoes que reduz|u o peso
do Estado na econom|a tendo em v|sta cr|ar
novos espaços de |ntervenção da |n|c|at|va
econom|ca pr|vada.
Bem emoargo, agora que o processo de
pr|vat|zaçoes de aprox|ma do seu í|m, |m-
porta tornar c|aro que este movimento
|ibera|izador não significou a adopção de
um «Estado mínimo» no p|ano econom|co.
Pe|o contrário, |ançaram-se as bases
institucionais que permitem ao Estado de-
sempenhar p|enamente as suas funções
essenciais de reguIação e de presta-
ção de serviços económicos de inte-
resse geraI, directamente ou em parce-
ria com interesses económicos privados,
bem como incentivou-se a reestruturação
de sectores económicos fundamentais,
desta forma garantindo o respeito pe|a
vontade co|ectiva.
A exper|enc|a de íunc|onamento de |nstân-
c|as regu|adoras |ndependentes num con-
texto de mercados ||oera||zados tem prova-
do adequadament e e deverá ser
prossegu|da e a|argada.
Num contexto de g|ooa||zação, a aí|rmação
dos |nteresses econom|cos nac|ona|s pas-
sa, cada vez ma|s, pe|a internaciona|ização
das empresas portuguesas, com o apo|o
act|vo do Estado, des|gnadamente tendo em
v|sta mercados onde podemos usuíru|r de
|mportantes vantagens comparat|vas como
são os pa|ses aír|canos de expressão oí|c|a|
portuguesa, o Bras||, os pa|ses do Magreoe
e mesmo os pa|ses da Europa Oentra| e do
Leste.
A |nternac|ona||zação representa, ass|m, um
|nstrumento de sustentação das empresas
no propr|o mercado |nterno, su|e|to a regras
de acresc|da concorrenc|a |nternac|ona|, e
const|tu| tamoem uma íorma de presença
act|va de Portuga| em reg|oes de re|evânc|a
po||t|ca íundamenta| para o nosso Pa|s.
Ooníorme sempre aí|rmámos, e|emento
íu|cra| da íunção red|str|out|va do Estado e
o sistema fisca|, o qua|, nestes ú|t|mos tres
anos ío| modern|zado em termos de capac|-
dade de reco|ha e de tratamento |níormát|co
da |níormação, ao mesmo tempo que se
prossegu|u uma po||t|ca eí|caz de recupera-
ção í|sca| e de comoate à íraude e à evasão
í|sca|.
De |gua| modo, o Ooverno do PB e da Nova
Ma|or|a, respe|tando o compromisso de não
aumentar os impostos durante a
|egis|atura, |ntroduz|u d|versas reíormas
dest|nadas a me|horar a equidade fisca|
(a|teração do coeí|c|ente íam|||ar no lPB, |n-
trodução do mecan|smo das deduçoes à
co|ecta, redução ponderada e cr|ter|osa do
lPO, rev|são de a|guns aspectos da oase de
|nc|denc|a do l\A, tr|outação de rend|men-
tos que ma|s írequentemente são escamo-
teados à dec|aração í|sca|, como as ma|s-
va||as das operaçoes rea||zadas em oo|sa),
oem como produz|u re|evantes estudos des-
t|nados a íundamentar uma reíorma proíun-
da do s|stema í|sca| nac|ona| no seu todo,
tendo d|vu|gado e suomet|do a deoate pú-
o||co os pr|nc|p|os or|entadores e as gran-
des ||nhas dessa reíorma, para a|em das d|-
versas concret|zaçoes que parce|adamente
íoram sendo |evadas a caoo anua|mente nas
respect|vas |e|s orçamenta|s.
Uma sociedade humanizada
assente na meIhoria das
condições de vida dos cidadãos
Nestes tres ú|t|mos anos o Ooverno do PB e
da Nova Ma|or|a deu s|na|s c|aros da sua
preocupação centra| em me|horar as cond|-
çoes de v|da dos portugueses.
Hoje os cidadãos deste País vivem me-
Ihor do que há três anos atrás. Não ape-
nas porque os seus rendimentos disponí-
veis cresceram continuadamente, mas
também porque me|horaram as próprias
condições ob[ectivas de vida.
Oom eíe|to, o Ooverno do PB e da Nova
Ma|or|a |evou a caoo uma po|ítica de ambi-
ente com a preocupação centra| de errad|car
|nsuí|c|enc|as e deí|c|enc|as graves que pu-
nham em causa a saúde po||t|co e o equ|||-
or|o amo|enta|.
No domínio da água, do tratamento dos
resíduos urbanos, dos resíduos industri-
ais e hospita|ares, o Governo tomou deci-
sões fundamentais que garantirão uma
acrescida qua|idade de vida das co|ecti-
vidades.
A|nda que essas dec|soes, aqu| e a|em, te-
nham deírontado a contestação de |nteres-
ses organ|zados, ass|ste-nos a certeza de
que e|as eram |nad|áve|s e corresponderam
a pr|or|dades de uma soc|edade eco|og|ca-
mente ma|s equ|||orada e respe|tadora do
me|o amo|ente.
O equ|||or|o da v|da das popu|açoes depen-
de tamoem em |arga med|da da qua|idade
dos cuidados de saúde d|spensados às
popu|açoes.
Em todas as soc|edades contemporâneas,
marcadas pe|o enve|hec|mento das popu|a-
çoes e por novas e comp|exas doenças, os
cu|dados de saúde representam um sector
soo constante pressão de uma crescente
procura e de um acentuado aumento da
despesa púo||ca. Este mov|mento evo|ut|vo
|mpoe permanentemente uma renovada ca-
pac|dade de resposta da parte das |nst|tu|-
çoes púo||cas de saúde, como este|o íun-
damenta| da garant|a da |gua|dade de aces-
so e da un|versa||dade do s|stema nac|ona|
de saúde, oem como uma cada vez ma|s
caoa| art|cu|ação com as |nst|tu|çoes part|-
cu|ares e a |n|c|at|va pr|vada, nas suas d|íe-
rentes moda||dades.
O Ooverno do PB e da Nova Ma|or|a íez, pe|a
pr|me|ra vez em Portuga|, da po|ítica de
defesa dos interesses dos consumidores
uma po||t|ca pr|or|tár|a da acção do Oover-
no, at | ng| ndo as d| í erent es po| | t | cas
sector|a|s, ao serv|ço do desenvo|v|mento de
uma soc|edade moderna e por íorma a pro-
mover a qua||dade de v|da dos c|dadãos. As
novas |e|s do consum|dor e dos serv|ços
púo||cos essenc|a|s que conduz|ram à ga-
rant|a da íacturação gratu|ta deta|hada no
serv|ço de te|eíones, a consagração da des-
va|or|zação automát|ca do va|or dos ve|cu-
|os oo|ecto de seguros íacu|tat|vos por da-
nos propr|os, o novo Ood|go da Puo||c|da-
de, a nova |e| da puo||c|dade dom|c|||ár|a e
as novas regras em mater|a de ||me-s|a/e e
outros d|re|tos de hao|tação tur|st|ca são a|-
guns exemp|os que devemos rea|çar.
Esta actuação í|rmemente prossegu|da de-
í ront ou-se, por vezes, com háo| t os
arre|gados e res|stenc|as corporat|vas, tão
pre|ud|c|a|s a uma verdade|ra modern|zação
da soc|edade onde os va|ores da rea||zação
pessoa| encontrem adequada sat|síação.
O PB cont|nuará, sem esmorec|mento, a
coníer|r à deíesa dos d|re|tos dos consum|-
dores uma atenção centra|, correspondendo
à ex|genc|a de qua||dade nos produtos e
serv|ços íornec|dos, com espec|a| |nc|den-
c|a naque|es sectores onde se reg|stem at|-
tudes de aouso de pos|ção dom|nante ou
concertação de |nteresses contrár|os à sa-
t|síação das necess|dades co|ect|vas.
Modernizar a Administração
PúbIica e a Justiça
Num Mundo onde a g|ooa||zação da econo-
m|a e da |níormação deí|ne um r|tmo de de-
c|são cada vez ma|s ve|oz e ex|gente, a
compet|t|v|dade g|ooa| de um Pa|s aíere-se,
em ooa parte, pe|a capac|dade de resposta
de |nst|tu|çoes íundamenta|s como a Adm|-
n|stração Púo||ca e a adm|n|stração da Jus-
t|ça.
A modernização da Administração Púb|i-
ca portuguesa constitui uma preocupação
centra| do PS. Nestes três anos definimos
um rumo destinado a conferir mais trans-
parência e um controIo aIargado sobre
a acção administrativa, tendo procedi-
do, pe|a primeira vez, a um |evantamento
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 9
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
exaustivo da nossa rea|idade administra-
tiva e das suas carências mais re|evan-
tes.
Esta or|entação passou, des|gnadamente,
pe|a aprovação de |eg|s|ação soore concur-
sos para cargos de d|recção e cheí|a e
reva|or|zação de d|versas carre|ras, pe|a
me|hor|a da qua||í|cação proí|ss|ona| dos
íunc|onár|os púo||cos e a |ntrodução de re-
gras de í|ex|o|||zação da gestão de recursos
humanos que perm|tam a renovação da pro-
pr|a estrutura adm|n|strat|va do Estado.
Bem emoargo, a aposta do PB e da Nova
Ma|or|a cont|nuará a ser a da aprox|mação
da Adm|n|stração aos adm|n|strados, com
espec|a| re|evo para a desourocrat|zação
dos c| rcu| t os de dec| são e para a
human|zação das re|açoes dos serv|ços com
os c|dadãos.
O cam|nho |á percorr|do neste sent|do tem
que ser cont|nuado, por íorma a |ncent|var
uma part|c|pação ma|s act|va dos adm|n|s-
trados na v|da adm|n|strat|va em deíesa dos
seus d|re|tos, oem como a |ntrodução de
mecan|smos de í|ex|o|||dade no desempenho
da íunção adm|n|strat|va íazendo ape|o à et|-
ca de serv|ço púo||co que deve caracter|zar
permanentemente o íunc|onamento dos íun-
c|onár|os perante os c|dadãos.
A garant|a dos d|re|tos e ||oerdades dos c|da-
dãos, oem como a sat|síação de necess|da-
des soc|a|s íundamenta|s, ex|gem um siste-
ma [udiciário com cond|çoes para uma res-
posta eí|caz e em tempo út|| às causas suo-
met|das a |u|gamento. B|tuaçoes at|nentes à
|ent|dão da adm|n|stração da |ust|ça e à d|s-
tânc|a dos c|dadãos íace ao s|stema |ud|c|á-
r|os, sent|das ho|e na ma|or parte dos pa|ses
do nosso espaço po||t|co e cu|tura|, podem
representar ser|os íactores de deo|||tação das
propr|as |nst|tu|çoes democrát|cas no seu
con|unto.
Nestes três anos introduzimos reformas
no direito pena| e processua| pena|, no
processo civi|, nos estatutos das magis-
traturas [udicia| e do Ministério Púb|ico,
no funcionamento da Po|ícia Judiciária e
no con[unto do sistema prisiona| que re-
presentam opções estruturantes cu[as
consequências só poderão ser g|oba|-
mente percebidas nos próximos anos, no
decurso da ap|icação concreta das refor-
mas empreendidas.
Bem emoargo, o PB reconhece que a nossa
trad|ção |ur|d|ca, marcada por um h|per-
íorma||smo, íorte propensão para a ||t|gânc|a
e por um con|unto comp|exo de garant|as,
ex|ge o empenhamento de todos os agen-
tes |ud|c|ár|os na transíormação de prát|cas
que d|í|cu|tam o processo de ag|||zação da
adm|n|stração da |ust|ça. Ao Estado caoerá
prossegu|r na v|a da s|mp||í|cação |eg|s|at|va
e processua| e |ncent|var o recurso a mo-
dernas tecno|og|as com o mesmo oo|ect|-
vo.
Renovar a confiança
dos portugueses no PS
Para o PB, o cam|nho percorr|do nestes tres
anos perm|te-nos encarar com seren|dade
e coní|ança o momento de prestar contas
aos portugueses em Outuoro de 1999.
A acção po||t|ca |evada a caoo pe|o Oover-
no do PB e da Nova Ma|or|a pautou-se pe|a
fide|idade aos va|ores do nosso |deár|o
po||t|co e pe|o respeito pe|os compromis-
sos assum|dos perante o e|e|torado em
Outuoro de 1995.
A |ongev|dade do Ooverno m|nor|tár|o do PB
so se exp||ca porque, no essenc|a|, sempre
contou com um |argo apo|o popu|ar, um ca-
p|ta| de coní|ança e de esperança que não
ío| desíe|to pe|a agress|v|dade e pe|o rad|-
ca||smo das opos|çoes. Esse «contrato de
confiança» com os portugueses ío| o pr|nc|-
pa| íactor d|ssuasor de uma cr|se po||t|ca que
ar|tmet|camente esteve sempre ao a|cance
dos part|dos da opos|ção con|ugados entre
s| e, aqu| e a|em, ensa|ada atraves de co||-
gaçoes negat|vas que |nv|ao|||zaram, atrasa-
ram ou d|storceram |n|c|at|vas po||t|cas e
|eg|s|at|vas do PB.
Esse ·contrato de coní|ança· reíorçou-se
a|nda pe|o íacto de os part|dos da opos|ção,
com o seu d|scurso de permanente ·oota
aoa|xo·, terem procurado sempre d|síarçar
a ausenc|a de a|ternat|vas cred|ve|s ao pro-
|ecto do PB com um crescendo de demago-
g|a, agress|v|dade e |ntr|gu|smo po||t|co.
Em nome da cons|stenc|a do nosso com-
prom|sso com os portugueses haverá que
res|st|r a esta ·po||t|ca v|rtua|·, íe|ta a pensar
nos d|rectos dos te|e|orna|s e em nome de
mesqu|nhas preocupaçoes de soorev|ven-
c|a de d|recçoes part|dár|as íráge|s e |nstá-
ve|s.
A democrac|a so sa|rá reíorçada se o prox|-
mo acto e|e|tora| perm|t|r co|ocar os portu-
gueses perante propostas c|aras, sérias e
consistentes quanto aos dest|nos do Pa|s
no dea|oar do prox|mo secu|o.
A ex|stenc|a de uma proposta a|ternat|va ao
pro|ecto do PB e do nosso propr|o |nteres-
se, porque com e|a ser|a poss|ve| ev|denc|-
ar me|hor a coerenc|a e a cons|stenc|a da
nossa acção ao |ongo desta |eg|s|atura.
A |ncons|stenc|a da estrateg|a de co||gação
entre o PBD e o PP, aparentemente coní|nada
ao oo|ect|vo de potenc|ar os seus resu|tados
e|e|tora|s exc|us|vamente para tentar |mped|r
uma eventua| ma|or|a aoso|uta do PB, e aí|-
na| a expressão da crise de va|ores, de pro-
[ecto e de |iderança dos partidos da direi-
ta. Oom eíe|to, exc|u|da a demagog|a ma|s
deseníreada e o tact|c|smo dest|nado a des-
|umorar a op|n|ão puo||cada e a a|cançar o
oo|ect|vo, de duv|doso mer|to, de ·marcar a
agenda po||t|ca·, d|í|c||mente os portugueses
conseguem d|scern|r soore que assenta ho|e
o pro|ecto da d|re|ta para Portuga|.
Ao contrár|o do que a|guns ana||stas aí|r-
mam, os part|dos da d|re|ta não tem progra-
ma a|ternat|vo à governação do PB porque
a governação do PB |hes tenha rouoado as
suas ·oande|ras· trad|c|ona|s, em nome de
uma qua|quer neou|osa |deo|og|ca dest|na-
da a entron|sar os |nteresses po||t|cos do
e|e|torado centra|, mas pe|o seu propr|o va-
z|o.
Por outro |ado, o POP, ao não se renovar,
pers|ste em manter-se à margem de um pro-
|ecto de poder norteado pe|os va|ores da
esquerda moderna.
A governação do PS e da Nova Maioria é
inequivocamente um projecto de esquer-
da moderna. Um pro[ecto que conso|ida,
em torno de va|ores e de po|íticas, o apoio
de uma c|ara maioria de e|eitores que
compreende e se identifica com as priori-
dades da acção po|ítica e governativa do
PS.
Pr|or|dades que correspondem a propostas
exequ|ve|s e responsáve|s de va|or|zação da
democrac|a po||t|ca, do comoate às des|-
gua|dades soc|a|s e de conso||dação da paz
e da estao|||dade c|v|ca e soc|a| enquanto
pressupostos do desenvo|v|mento econom|-
co e da me|hor|a das cond|çoes de v|da das
popu|açoes.
Propostas essas que representam, ass|m, a
vontade de um b|oco socia| de progresso
que nos perm|ta enírentar os desaí|os da
g| ooa| | zação comun| cac| ona| e do
aproíundamento da |ntegração europe|a.
As propostas dos soc|a||stas democrát|cos
portugueses, do PB e dos mu|tos |ndepen-
dentes que part|c|param nos Estados-Oera|s
e deram corpo e a|ma ao pro|ecto da Nova
Ma|or|a, tem ho|e cada vez ma|or ressonân-
c|a no contexto europeu, onde a esmaga-
dora ma|or|a dos e|e|tores depos|tou |dent|-
ca coní|ança nos respect|vos part|dos soc|-
a||stas e soc|a|-democratas.
O p| ura| | smo | nterno da íam| | | a po| | t| ca
europe|a a que pertencemos perm|t|u cr|ar
um |ntenso deoate |nterno, que reve|a uma
v|ta||dade e um sent|do estrateg|co que ne-
nhuma outra íam|||a po||t|ca europe|a apre-
senta neste momento.
Os portugueses conqu|staram, pe|o seu es-
íorço e mer|to propr|os, o d|re|to a terem uma
voz act|va e um protagon|smo íundamenta|
neste deoate soore o íuturo do nosso mo-
de|o c|v|||zac|ona|.
Oaoe ao PB e à Nova Ma|or|a assum|r a con-
dução po||t|ca deste comoate.
O sucesso deste empreend|mento po||t|co
depende de c|areza nos oo|ect|vos e da con-
s|stenc|a dos nossos comprom|ssos com os
e|e|tores.
Boore estas mater|as |mporta ía|ar c|aro.
O ano de 1999 reserva-nos |mportantes com-
oates, tanto na írente externa como na íren-
te |nterna.
Portuga| tem que vencer os desaí|os da cr|-
ação de cond|çoes, no p|ano europeu, para
a aí|rmação do Euro como |nstrumento de
cresc|mento econom|co e de cr|ação de
emprego. Para tanto |mporta amp||ar a coor-
denação das po||t|cas econom|cas dos Es-
tados da zona Euro, coníer|ndo pr|or|dade à
compet|t|v|dade das empresas, à garant|a do
nosso mode|o soc|a| e à rea||zação de |n-
vest|mentos |níra-estutura|s que representem
a cr|ação de novos empregos sustentáve|s
e que assentem na modern|zação da capa-
c|dade tecno|og|ca e de |nvest|gação c|ent|-
í|ca europe|a. Para tanto |mporta reaí|rmar o
comprom|sso de so||dar|edade europe|a,
des|gnadamente no quadro da adopção das
perspect|vas í|nance|ras para o per|odo
2000/2006, por íorma a que as po||t|cas
europe|as contemp|em a rea||zação eíect|va
da coesão econom|co-soc|a|.
lnternamente, os portugueses serão chama-
dos, em 1999, por duas vezes, a íazer esco-
|has soore os rumos íuturos do nosso Pa|s:
em Junho, nas e|e|çoes para o Par|amento
Europeu e em Out uoro, nas e| e| çoes
|eg|s|at|vas.
Ìndependentemente das co|igações de cir-
cunstância dos nossos principais adver-
sários, o PS assume inequivocamente o
seu pro[ecto naciona| e europeu apresen-
tando-se a ambos os actos e|eitorais com
a sua identidade própria, o seu símbo-
Io, o seu programa e a sua equipa diri-
gente. Fie| aos compromissos assumidos
em 1995, fá-|o-emos no quadro de uma
dinâmica po|ítica aberta à sociedade civi|
e à participação de todos os independen-
tes que se identificam com as nossas pro-
postas.
O a|argamento da convergenc|a po||t|ca que
pres|d|u à Nova Ma|or|a de 1995, segundo
novas moda||dades adaptadas às actua|s
cond|çoes do comoate po||t|co, representa
um e|emento essenc|a| deste mov|mento
po||t|co dest|nado a prestar contas aos por-
tugueses pe|o mandato que nos ío| coníer|-
do em Outuoro de 95 e a ped|r um mandato
c|aro e |nequ|voco para governar no pr|me|-
ro quadr|en|o do secu|o XXl.
Para tudo isto pedimos aos portugueses
um mandato cIaro e inequívoco enquan-
to continuidade e renovação do «contrato
de confiança» que estabe|ecemos desde
há mais de três anos com os e|eitores. Um
mandato conso|idado e amp|iado para ga-
rantir a estabi|idade po|ítica e a possibi|i-
dade de, com base no diá|ogo e na
concertação po|ítica, aprofundar o pro[ec-
to de transformação e modernização da
sociedade portuguesa no próximo sécu-
|o.
Para rea||zar esse pro|ecto de um Portuga|
ganhador no Sécu|o XXÌ |mporta pers|st|r
na modern|zação da soc|edade e do Esta-
do, adaptando-a a padroes de ma|or ex|gen-
c|a e qua||dade, tanto no p|ano do íunc|ona-
mento das |nst|tu|çoes democrát|cas quan-
to no dom|n|o da organ|zação autonoma da
soc|edade c|v||.
Pers|st|r nas reíormas deí|n|das com oase
no d|á|ogo e na concertação de |nteresses,
no respe|to da vontade gera|.
Pers|st|r nos va|ores da so||dar|edade e da
coesão soc|a|, no comoate ao desemprego,
à pooreza e à exc|usão soc|a|.
Pers|st|r no comprom|sso europeu, no re|a-
c|onamento un|versa| em íunção das nossas
ra| zes h| st or| cas e cu| t ura| s e no
empenhamento em pro| da paz e da segu-
rança co|ect|va.
Pers|st|r na aposta na qua||í|cação das pes-
soas, se|a no dom|n|o da educação se|a no
da íormação proí|ss|ona|.
Pers|st|r no comoate ao cr|me e à íraude,
correspondendo aos anse|os de ma|s segu-
rança para as popu|açoes.
Pers|st|r na aí|rmação de um cresc|mento
econom|co sustentado, de um desenvo|v|-
mento da qua||dade das |níra-estruturas, no
respe|to pe|o me|o amo|ente e pe|os d|re|-
tos dos consum|dores.
Pers|st|r no comoate às des|gua|dades e às
ass|metr|as, promovendo act|vamente a
|gua|dade de oportun|dades |ndependente-
mente do |oca| onde se res|da.
Pers|st|r na va|or|zação da qua||dade de v|da
uroana, na me|hor|a das cond|çoes soc|a|s
e cu| t ura| s dos grandes cent ros
popu|ac|ona|s e suas per|íer|as.
Pers|st|r num mode|o de desenvo|v|mento
sustentado que promova o equ|||or|o do
mundo rura| tanto na sua vertente agr|co|a
como no contr|outo para o equ|||or|o eco|o-
g|co e amo|enta|.
Em suma, persistir na po|ítica do PS e da
Nova Maioria para me|hor afirmar o pape|
dos Portugueses no sécu|o XXÌ.
O PB tem a conv|cção de ter sempre estado
na pr|me|ra ||nha deste comoate pe|o íuturo.
O PB tem a certeza de que, na sequenc|a
das responsao|||dades governat|vas que as-
sum|u nestes ú|t|mos tres anos, e portador
de um pro|ecto nac|ona| que nos perm|ta
aí|rmar a nossa |dent|dade e os nossos va-
|ores propr|os no Becu|o XXl.
Oom o apo|o, o empenhamento e o esíorço
de todos os Portugueses sem excepção!
Porque e para para todos os Portugueses
que asp|ramos a governar Portuga|!
António Guterres
ACÇÃO SOClALlSTA 10 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
O PS POR UMA NOVA CULTURA POLlTlCA
MOÇÁO POL/7/CA DE OR/EN7AÇÁO NAC/ONAL
PreâmbuIo
A apresentação de moçoes nos Oongressos
do PB const|tu|, em pr|nc|p|o, uma acto po-
tenc|a|mente re|evante para a íormu|ação
po||t|ca part|dár|a. Ao |ongo dos anos, con-
gressos sucess|vos contaram com moçoes
de e|evada qua||dade. No entanto, a írequen-
te d|spar|dade entre os textos aprovados e
a prát|ca po||t|ca suosequente |eg|t|ma a |n-
terrogação soore o rea| a|cance prát|co des-
ses textos, |ndependentemente das suas
v|rtua||dades |ntr|nsecas.
Por esse mot|vo, aí|gura-se pert|nente cha-
mar a atenção dos responsáve|s part|dár|-
os, cu|as responsao|||dades |nc|uem a pros-
secução dos pr|nc|p|os or|entadores apro-
vados, para a necess|dade de, u|trapassa-
dos os congressos, ter presentes as |de|as
e as preocupaçoes apresentadas pe|os m|-
||tantes.
A e|aooração desta moção |nsp|ra-se na
crença de que este t|po de textos não repre-
senta, no PB, um mero exerc|c|o e|egante
de d|vagação teor|ca e que, pe|o contrár|o,
os d|r|gentes do Part|do saoem receoer e
va|or|zar, com construt|v|dade e seren|dade,
todas as reí|exoes, |de|as e propostas com
|nteresse oo|ect|vo.
A cu|tura |nterna do Part|do, des|gnadamente
no que se reíere à secundar|zação dos m|||-
tantes na reí|exão po||t|ca e governat|va, na
produção de |de|as e propostas e na rea|
|ntervenção na íormu|ação po||t|ca g|ooa| do
PB e do Ooverno, que ío| íormado na oase e
na sequenc|a da v|tor|a e|e|tora| do Part|do,
e sens|ve| e |nsta|a a|gum ma| estar.
B|mu|taneamente, e preocupante a poss|o|-
||dade de, gradua|mente, poder v|r a |nsta-
| ar-se uma percepção popu| ar de
|nex|stenc|a de um pro|ecto po||t|co part|dá-
r| o suí | c| ent ement e caract er| zador e
car|smát|co do PB, rac|ona| e emot|vamente
moo|||zador de grande parte do e|e|torado,
que transcenda o mero c|rcunstanc|a||smo
das acçoes de gestão ma|s ou menos cor-
rente e a empat|a popu|ar do Becretár|o Oe-
ra| e de a|guns d|r|gentes part|dár|os de qua|-
quer determ|nado momento.
A ooa gestão governat|va ex|ge uma enor-
me qua||dade tecn|ca a todos os n|ve|s. O
que, por vezes, pode esquecer-se e que o
r|gor tecn|co e natura|mente compat|ve| com
a estrateg|a po||t|ca e soc|a| e com mode|os
modernos e coerentes de soc|edade, e que
esta compat|o|||zação coerente, cons|stente
e omn|presente e a|go que se va| tornando
menos exp||c|to no PB. Espantosamente,
ass|ste-se à (aous|va mas |nte||gente) reíe-
renc|a, |á pre-e|e|tora|, por parte de ||deres
de part|dos em pr|nc|p|o ma|s conservado-
res que o PB, a va| ores soc| a| s e
c|/|||zac|o|a|s em dom|n|os em que o PB
dever|a ser íorte e em que se descaracter|zou
e írag|||zou.
O que se deíende não e um regresso a |de-
o| og| as í e| | zment e u| t rapassadas e a
|nte|ectua||smos oo|orentos sem|-aostractos,
mas, pe|o contrár|o, prec|samente, um sa|to
de modern|zação |deo|og|ca, conceptua| e
po||t|ca, que no PB ta|vez se tenha, por ve-
zes, coníund|do com descaracter|zação
pretensamente tecnocrata (outra coníu-
são a desmontar e a que parece suos|st|r
entre os conce|tos o/o/0|oame||e o|s||||os
de competenc|a tecn|ca e de tecnocrac|a ...).
O PB tem que demonstrar, em s|m0||á|eo,
ser o part|do tecn|camente ma|s capaz de
ger|r as questoes correntes, ser o ma|s |nte-
||gente e cons|stente nas conceptua||zação
estrateg|ca das reíormas que propoe aos
portugueses e ser o ma|s so||do na coeren-
c|a g|ooa| com que enquadra toda essa ac-
tuação num con|unto de va|ores e oo|ect|-
vos ú|t|mos que se centram na d|gn|dade e
no oem estar mater|a| e |mater|a| dos c|da-
dãos. E |sso ía|ta a|nda, em suostanc|a|
med|da, constru|r no PB, com proíund|dade
e modern|dade.
A con|ugação de todas estas d|nâm|cas,
entre outras, preí|gura cenár|os potenc|a|-
mente preocupantes, e o que esta moção
pretende suo||nhar e que as sementes de
mu|tos destes proo|emas poderão estar |á
ho|e |ançadas por erros |nvo|untár|os de
aprec|ação do propr|o Part|do, que não são
dramát|cos mas que ser|a grave não corr|g|r
de |med|ato.
Os comentár|os expostos não const|tuem um
|amento pess|m|sta por ma|es íat|d|cos, an-
tes suoentendem e pressupoem um íuturo
estáve| para o PB que, no entanto, poderá
ser posto em causa se não íorem t|das em
conta correcçoes atempadas e a|guma hu-
m||dade auto-cr|t|ca.
Estes comentár|os são assum|dos e part|-
|hados por m|||tantes que, com proíundo or-
gu|ho de pertencer ao PB, reconhecem que
a prát|ca po||t|ca do Part|do apresenta, entre
qua||dades e deíe|tos, um oa|anço amp|a-
mente pos|t|vo. O íacto de este documento
íocar pontos a corr|g|r, e ass|m se apresen-
tar com um tom de cr|t|ca construt|va e mu|-
to am|ga, não anu|a a deíesa da acção do
PB como sendo g|ooa|mente mu|to pos|t|va,
a ma|s cred|ve| no quadro po||t|co-part|dár|o
portugues e a ma|s e|evada nos va|ores por
que pugna.
Trata-se de procurar contr|ou|r para o íuturo
oem comum do Part|do e de a/0oa/, s||ce/a
e |ea|me||e, a ac|0a| ||oe/a|ça com a ma·|-
ma co|s|/0||/|oaoe, com um e|og|o g|ooa| à
exce|ente acção que tem conduz|do, o que
não se íaz necessar|amente expressando-
|he a concordânc|a aoso|uta que |he ser|a
ma|s reconíortante ouv|r.
Não sendo s|mpát|co susc|tar a aná||se de
proo|emas quando todos v|vem em compre-
ens|ve| amo|ente de íesta, íaze-|o e, no m|-
n|mo, ser|o e cora|oso.
lgnorar estas questoes, e outras a|nda aqu|
não reíer|das, poderá ser ma|s agradáve|
quando se dese|a, humanamente, saoorear
a euíor|a. Durante uma decada essa ío| a
oost|nada e arrogante opção do PBD. Ba|-
vaguardadas as mu|tas d|íerenças entre
amoos os part | dos, o hum| | hant e e
desprest|g|ante resu|tado poster|or dessa
opção do PBD deverá merecer a ma|s hu-
m||de atenção e reí|exão do PB. Neste mo-
mento.
O Partido e a Vida lnterna
Oportunidade de uma RefIexão
Desapaixonada
Emoora a H|stor|a não se rep|ta necessar|a-
mente, ta|vez const|tua um exerc|c|o sa|utar
e pedagog|co, para o PB, não esquecer o
cur|oso percurso do PBD durante o ¨per|o-
do |aran|a", part|do que, apos at|ng|r uma
ma|or|a aoso|uta, não so a manteve como
reíorçou ate que, de v|tor|a em v|tor|a, se
deírontou com uma hum||hante derrota í|na|.
Ber|a surrea||sta pensar que a queda do PBD
se deveu apenas a írag|||dades ver|í|cadas
nesse momento. Pe|o contrár|o, esse co|ap-
so decorreu, tamoem, das consequenc|as
dos mu|tos erros gradua| e cumu|at|vamen-
te comet|dos ao |ongo dos anos pe|o PBD,
da sua arrogânc|a, do seu aut|smo, da sua
|nsens|o|||dade perante erros e |n|ust|ças, da
genera||zada sensação de c||ente||smo, etc..
Esse caso exemp|ar ev|denc|a como, mes-
mo quando se ganha nas urnas, se podem
est ar | á a | ançar e a acumu| ar as
vu|nerao|||dades que, com o tempo, se tor-
narão patentes e que o c|dadão í|na|mente
poderá pena||zará. É, írequentemente, em
per|odos de popu|ar|dade e euíor|a que, d|s-
cretamente, germ|nam as sementes da pos-
ter|or |mpopu|ar|dade. Por outro |ado, não
ex|stem estados de graça eternos.
Ber|a, no m|n|mo, |ngenuo supor que um
part|do em a|ta de popu|ar|dade o será para
sempre e que, por |sso, se pode atr|ou|r o
|uxo de não |nventar|ar, reconhecer e corr|-
g|r os seus erros. O tempo passa e mesmo
rea| | dades aparent ement e so| | das
(endogenas e exogenas) podem mudar ra-
d|ca|mente. As honrosas v|tor|as e|e|tora|s do
PB no passado recente não devem to|dar a
capac|dade do Part|do de reí|ect|r não so
soore os sucessos mas tamoem soore os
|nev|táve|s e humanos erros acumu|ados. O
tr|unía||smo e o des|umoramento do poder
tendem sempre a ||m|tar a |uc|dez e a v|são
estrateg|ca e, em ú|t|ma aná||se, podem ía-
vorecer uma a |mprudenc|a.
O passado recente da estrateg|a po||t|ca do
PB ío| |argamente cond|c|onado pe|a neces-
s|dade de vencer as e|e|çoes |eg|s|at|vas e
autárqu|cas, o que e compreens|ve| desde
que não se esqueça que o oo|ect|vo verda-
de|ramente em causa (e o ún|co |eg|t|mo ...)
não e o da ar|tmet|ca dos votos e dos car-
gos mas o do acesso ao poder aoe|as pe|a
conv|cção de que se possu| um pro|ecto
coerente, |nd|v|dua||zado e de e|evada qua-
||dade, dest|nado a prestar um serv|ço à co-
mun|dade nac|ona|, não ao ego de m|||tan-
tes, de d|r|gentes po||t|cos ou de |ndepen-
dentes.
No entanto, o ex|to táct|co do PB ao vencer
aque|as e|e|çoes, apesar dos seus enormes
mer|tos, pode estar a||cerçado em oases
que, s|mu|taneamente, encerrem erros es-
trateg|cos de consequenc|as potenc|a|men-
te neíastas a med|o prazo.
É |mportante, ta|vez mesmo v|ta|, manter a
ír|eza, a hum||dade, a coragem, a cr|at|v|dade
e a sensatez de |dent|í|car, corr|g|r e preve-
n|r d|nâm|cas |nternas potenc|a|mente gera-
doras de deí|c|entes percepçoes estrateg|-
cas e de vu|nerao|||dades que poderão v|r a
írag|||zar o apo|o popu|ar, a |nv|ao|||zar o exer-
c|c|o cont|nuado do poder |eg|t|mo e mes-
mo a suscept|o|||zar a propr|a coesão |nter-
na do Part|do.
Buova| or| zar ou | gnorar est es r| scos
endem|cos, não os enírentando nem corr|-
g|ndo com uma urgenc|a cr|t|ca, poderá,
para mu|tos, ser agradáve| numa íase de
|neor|ada, emoora merec|da, euíor|a, mas
certamente poderá |nduz|r graves perdas
íuturas para o PB e para o pa|s.
Em qua|quer estrutura ou organ|zação, ques-
t|onar um s|a|0s q0o, a|nda que serena e
construt|vamente, sempre assusta |nteresses
corporat|vos eventua|mente |nsta|ados, em
part|cu|ar aque|es cu|a |ntervenção e proe-
m| nenc| a possam assent ar ma| s no
manoor|smo de |ní|uenc|as do que nas rea|s
capac|dades propr|as; mas íaze-|o e um |n-
d|spensáve| acto de coragem, de honest|-
dade, de d|gn|dade e de |nte||genc|a. Os
actua|s d|r|gentes do PB possuem sens|o|||-
dade para este t|po de reí|exão construt|va,
s|nceramente am|ga e oem |ntenc|onada.
É um d|re|to (e, aí|na|, um dever) dos m|||-
tantes apresentar aná||ses e |de|as. É um
dever dos d|r|gentes part|dár|os aco|her ta|s
reí|exoes e d|a|ogar ser|a e construt|vamen-
te com os m|||tantes, não com r|tua||smo de
cortes|a íorma| mas com genu|na preocupa-
ção em os |ntegrar no processo g|ooa| de
dec|são po||t|ca do propr|o Part|do e mes-
mo do Ooverno, o qua| ex|ste un|camente
por des|gnação do Part|do, que ío| nesse
sent|do votado pe|a comun|dade.
O Projecto e a ldentidade do PS
O PB era, há não mu|to tempo, a|go carente
de | de| as novas. Ma| s recent ement e,
des|gnadamente antes das ú|t|mas e|e|çoes
|eg|s|at|vas, um mananc|a| de |de|as novas
ío| sendo gerado e oo|ecto de um eí|c|ente
market|ng po||t|co. No entanto, sendo em
pr| nc| p| o pos| t| vo, este í| uxo de | de| as
consuostanc|ou-se não apenas, mas essen-
c|a|mente, em p|anos em|nentemente tecn|-
cos, sector|a|s e táct|cos, não tanto po||t|-
cos ou estrateg|cos. Oomo as d|scussoes
soore opçoes tecn|cas dependem mu|to
ma|s das op|n|oes e teses dos |nter|ocutores
||o|/|o0a|s (se|am e|es do PB ou do PBD, por
exemp|o) do que dos pr|nc|p|os de oase de
um part|do, essas opçoes tecn|cas d|í|c||-
mente caracter|zam este ou aque|e part|do,
po|s a d|íerenc|ação entre part|dos, nesse
n|ve| das questoes tecn|cas, não e tanto de
mode|os como, írequentemente, apenas
con|untura|.
Propostas e |de|as avu|sas, adm|t|ndo a res-
pect | va qua| | dade, são sempre
enr|quecedoras, mas a caracter|zação de um
part|do perante o e|e|torado ex|ge uma coe-
renc| a ma| s g| ooa| , uma | nter| | gação e
ag|ut|nação coerente dessas |de|as, que so
a e|aooração po||t|ca perm|te estaoe|ecer.
Üm part|do necess|ta de uma |dent|dade
perante o e|e|torado, uma persona||dade de
íundo, re|at|vamente |ntempora|, que trans-
cenda as momentâneas med|das avu|sas ou
as demarcaçoes táct|cas perante a actua-
ção dos outros part|dos, se|am e|es gover-
no ou opos|ção.
Perante o exter|or, no PB cont|nua a ía|tar, ou
a ser |nsuí|c|ente, essa |dent|dade, essa co-
erenc|a g|ooa|, essa |magem d|st|nta de
marca po||t|ca. B|ntomat|camente, e apesar
das |númeras propostas e|e|tora|s e acçoes
governat | vas de e| evado mer| t o, e
|ndesment|ve| a genera||zada sensação po-
pu|ar de que, para a|em das var|antes de
est||o, as d|íerenças de íundo entre PB e o
PBD são reduz|das. Esta sensação e per|-
gosa a prazo po| s reve| a a
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 11
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
c|rcunstanc|a||dade e a potenc|a| vo|at|||dade
de parte do actua| apo|o popu|ar ao PB. No
passado recente, o descontentamento pe-
rante a arrogânc|a e a |neí|c|enc|a do Esta-
do Laran|a |evou os c|dadãos a procurarem
a mudança, mas a d|í|cu|dade do PB em pro-
|ectar uma |dent|dade g|ooa| e cons|stente,
a qua| nem sempre e v|s|ve| para o c|dadão,
pode tornar írág|| o desempenho po||t|co e
e|e|tora| do PB a prazo.
Por outro |ado, e oov|o que o PB venceu e|e|-
çoes com c|aros mer|tos propr|os, mas se-
r|a per|gosamente |ngenuo í|ng|r não se en-
tender que um dos íactores da v|tor|a ío|,
tamoem, a írag|||dade das opos|çoes. Oov|-
amente, as opos|çoes não serão eternamen-
te íracas e desart|cu|adas. As con|unturas
não se repetem e e|e|çoes íuturas poderão
ter |ugar em quadros oem d|íerentes. Por
outras pa|avras, a cont|nu|dade da proem|-
nenc|a e|e|tora| do PB |amoem está depen-
dente de um íactor que não contro|a, que e
a ma|or ou menor capac|dade íutura de re-
cuperação, rev|ta||zação e renovação da
|magem dos part|dos da opos|ção, que po-
dem v|r a regenerar, com parc|a| sucesso, a
sua |magem e a sua popu|ar|dade e|e|tora|.
A convergenc|a destes íactores poderá v|r a
|nduz|r eíe|tos negat|vos e a sua prevenção
provave|mente ex|ge a|ustamentos |nternos
e externos urgentes no PB.
Entre mu|tas outras, estas questoes suge-
rem que o PB e o Ooverno (Ooverno que
decorre do PB, e |mportante não esquecer,
v|sto que se e|egem part|dos, não governos
...) devem compreender que, se e íundamen-
ta| a competenc|a tecn|ca da actuação d|á-
r|a no p|ano das med|das correntes (o que
nem sempre representa, por s| so, eí|c|en-
c|a tecn|ca a prazo, se não ex|st|r cons|sten-
c|a estrateg|ca e po||t|ca ...), e |gua|mente
necessár|o constru|r uma |dent|dade, uma
coerenc|a po||t|ca e governat|va e uma ca-
racter|zação estrateg|ca de va|ores, oo|ect|-
vos e reíerenc|as, em |emoo 0|||.
E esta e uma deí|n|ção que so e |eg|t|ma,
genu| na, coerent e e conv| ncent e se
sed|mentada no PB, a oa/||/ oo se0 |||e/|o/.
Be não se part|sse deste pressuposto deve-
r|a ser, então, quest|onada a propr|a razão
de ex|stenc|a do PB enquanto ta| ... . E esta
e uma questão que merece a reí|exão se-
gu|nte.
A lnovação e a Organização do PS
O|c||camente reíerenc|ada nos momentos de
sucessão na ||derança do PB, a verdade|ra
renovação do PB nunca se produz|u suostan-
c|a|mente. Ber|a |n|ust|ça não reconhecer que
íoram mudando caras e est||os po||t|cos e,
|gua|mente, as |de|as num p|ano essenc|a|-
mente tecn|co. Mas e d|í|c|| negar que as
mudanças geradas se desenvo|veram, íun-
damenta|mente, no se|o de uma cu|tura po||-
t|ca que oas|camente se mantem e se repro-
duz com mutaçoes |nsuí|c|entemente estru-
tura|s, em torno de c|rcu|os demas|ado restr|-
tos de |ní|uenc|a e de am|zade |mp|antados
no part|do.
Oom uma d|vers|í|cação concentr|ca (porque
gerada e contro|ada quase sempre pe|os
mesmos grupos |nternos de |ní|uenc|a), a ver-
dade|ra |novação e renovação preparada para
o íuturo, nos p|anos das |de|as de reíerenc|a
(que caracter|zam os part|dos e que ag|ut|nam
o e|e|torado de íorma ma|s estáve|), das op-
çoes po||t|cas de íundo e correntes, da |nter-
venção po||t|ca e das pessoas, não ocorreu
|nsuí|c|entemente. A |á c|tada coní|ssão ge-
nera||zada do e|e|torado, de |ncapac|dade em
reconhecer e |dent|í|car s|gn|í|cat|vas d|íeren-
ças de íundo entre os pro|ectos po||t|cos e as
|dent|dades do PB e do PBD, e uma das vár|-
as provas dramát|cas deste íacto, de |mp||-
caçoes potenc|a|mente sens|ve|s no íuturo do
PB.
Não se c|rcu|ar nos me|os ass|duos e a|go
hermet|cos do Largo do Pato e, actua|mente,
dos corredores do Ooverno, e cond|ção es-
tat|st|camente quase |mped|t|va (ou, pe|o
menos, íortemente ||m|tadora) de um m|||tan-
te poder |nterv|r no part|do no p|ano da íor-
mu|ação da po||t|ca |ac|o|a|. Num part|do em
que, sao|amente, se reíere a |mportânc|a da
va||a do cap|ta| humano, aque|a constatação
e constrangedora, po|s |nd|c|a uma írag|||da-
de de gestão |nterna do Part|do, v|sto que se
desoarata írequentemente o ma|or act|vo do
PB, que cons|ste na capac|dade |nte|ectua|,
po||t|ca, tecn|ca e c|v|ca de |mensos m|||tan-
tes com capac|dade e qua||dade e que se es-
tendem a todos os dom|n|os re|evantes, os
qua|s não devem ser v|stos como ameaças
aos c|rcu|os ex|stentes.
Os d|r|gentes part|dár|os nac|ona|s deverão,
tamoem, reconhecer que os m|||tantes, en-
quanto ta|, tem capac|dade (e tota| |eg|t|m|-
dade) para |nterv|r na reí|exão soore a deí|n|-
ção das po||t|cas do part|do não apenas aos
n|ve|s |oca| e reg|ona| mas tamoem no p|ano
das questoes de po||t|ca |ac|o|a| e ç|ooa| do
pa|s e do part|do. Não o reconhecer não so
menor|zar|a a rentao|||zação do cap|ta| huma-
no do PB como pre|ud|car|a o íuturo deste,
s|mu|taneamente acumu|ando um d|íuso mas
rea| ma| estar |nterno.
Neste contexto, não ser|a prest|g|ante que um
part|do que |nc|u| no seu d|scurso po||t|co
externo o respe|to pe|a soc|edade c|v||, así|-
x|asse e desva|or|zasse a sua ¨soc|edade c|-
v|| |nterna", |sto e, os seus m|||tantes de oase.
É íundamenta| que se compreenda que o
conce|to |ato de ¨soc|edade c|v||" não se |den-
t|í|ca apenas num pa|s, mas s|m em qua|quer
organ|zação de massas, como um grande
part|do po||t|co, e |nc|u| os memoros que não
|ntegram a respect|va c|asse d|r|gente (a
¨c|asse po||t|ca"). No PB (como em qua|squer
outros part|dos ou organ|zaçoes) sempre ex|s-
t|ram e cont|nuarão a ex|st|r res|stenc|as à |n-
tervenção po||t|ca da respect|va ¨soc|edade
c|v||" |nterna, des|gnadamente os m|||tantes
que não se |nc|uem entre os me|os de con-
tacto corrente dos d|r|gentes. É oov|o que,
por exemp|o, des|ocaçoes de d|r|gentes são
eíectuadas pe|o pa|s, pe|as secçoes do Par-
t|do, em reun|oes com os m|||tantes, mas e
íác|| apreender nesta acção um carácter a|go
r|tua| e s|moo||co (gera|mente essas acçoes
demonstram um rea| oo|ect|vo que e ma|s o
de ||/o/ma/ os m|||tantes soore os |u|zos e as
or|entaçoes super|ormente estaoe|ec|das
pe|os d|r|gentes do part|do do que para, pre-
v|a, genu|na e |nteressadamente, aosorver as
|de|as dos m|||tantes e as suas propostas e
as cons|derar nos processos de dec|são po-
||t|ca em causa...), e essas acçoes, mesmo
ass|m pos|t|vas, não |nva||dam a aí|rmação
de que a res|stenc|a à rea| |novação de |de|-
as, de propostas e de pessoas no PB íora
dos hao|tua|s c|rcu|os |nternos de |ní|uenc|as
e um íacto re|at|vamente genera||zado, que
tamoem mu|tas honrosas excepçoes não
conseguem |ní|rmar.
É compreens|ve| que estas at|tudes por parte
de d|r|gentes se|am, na ma|or|a dos casos,
|nvo|untár|as e que os propr|os, possu|dos
pe|as me|hores |ntençoes e aosorv|dos nas
suas preocupaçoes correntes, nem se aper-
ceoam destas deíormaçoes, mas este íacto
não os d| spensa de a| guma reí| exão
autocr|t|ca, que so poderá oeneí|c|ar o Part|-
do. Os desaí|os do PB a med|o prazo pode-
rão reve|ar ser |mpresc|nd|ve| o traoa|ho e a
|ntervenção (/ea|, |ao aoe|as /o/ma|) daque-
|es m|||tantes. O ponto segu|nte |nsere-se
exactamente nestas cons|deraçoes.
A RefIexão lnterna e Externa
Os Estados Oera|s representaram um per|o-
do angu|ar de consequenc|as pos|t|vas e ne-
gat|vas. O seu oa|anço ío| c|aramente pos|t|-
vo mas este reconhec|mento, s|ncero, não
nos perm|te |gnorar a|gumas d|storçoes que
eíect|vamente tamoem geraram. Be se pre-
tender cu|t|var e perpetuar, dos Estados Oe-
ra|s, uma v|são s|mp||sta, m|t|ca e dogmát|ca,
poderá dese|ar-se acred|tar que const|tu|u um
a|tar de períe|çoes. No entanto, se se possu|r
a coragem do rea||smo, tem que reconhecer-
se a sua contr|ou|ção pos|t|va e o seu sa|do
(tamoem mu|to pos|t|vo) mas, para|e|amen-
te, adm|t|r o seu ângu|o ma|s írág||, nomea-
damente no que se prende com a gestação
emor|onár|a de proo|emas que assum|rão v|-
s|o|||dade gradua|.
Entre outros aspectos, e |mposs|ve| d|ssoc|ar
as exce|entes d|nâm|cas assoc|adas ou
suo|acentes aos Estados Oera|s de outras
duas questoes : a |ntervenção oo||||ca dos
|ndependentes e a |ntervenção oo||||ca /ea|
dos propr|os m|||tantes do PB, na deí|n|ção
do perí|| e do pro|ecto oo o/oo/|o |a/||oo.
É um acto de e|evação po||t|ca e de matur|-
dade o íacto de um part|do estaoe|ecer re|a-
c|onamento e d|á|ogo produt|vos com |nde-
pendentes ou o íacto de um governo contar
com a part|c|pação de |ndependentes (ou ate
de memoros capazes de outros part|dos, que
são portugueses cu|o potenc|a| deve ser en-
quadrado, não |gnorado, des|gnadamente em
dom|n|os em|nentemente tecn|cos).
Por essa razão, não e poss|ve| d|scordar de
uma |n|c|at|va como os Estados Oera|s, en-
quanto conceptua||zado em torno daque|es
pr|nc|p|os. No entanto :
º A compreens|ve| preocupação e|e|tora| em
pro| ectar, no pa| s, uma | magem de
aorangenc| a do pro| ecto do PB, e a
consequente captação do apo|o a|argado de
|ndependentes, ta|vez tenham causado um
excesso de ze|o nesta captação, em s| mes-
ma, e, mu|to espec|a|mente, em comparação
com o tratamento dado aos propr|os m|||tan-
tes que const|tuem o Part|do. Booreva|or|zou-
se a cond| ção de | ndependente e
suova|or|zou-se a capac|dade e a d|gn|dade
|nte|ectua| e po||t|ca do m|||tante. Tornou-se
moda ser |ndependente e um est|gma de
secundar|zação ser m|||tante, o que não pa-
rece cur|a| nem |eg|t|mo;
º É íundamenta| a aoertura às |de|as, à |nter-
venção e à sens|o|||dade da soc|edade c|v||.
O que e, no m|n|mo, mu|to |ncoerente, e a
aoertura à part|c|pação da ¨soc|edade c|v||
externa" nas deí|n|çoes |nternas do Part|do
q0a|oo, como ío| atrás suo||nhado, não se
tem coníer|do a mesma aoertura nem a mes-
ma atenção a uma ooa parte da ¨soc|edade
c|v|| |nterna". Berá que se rea||zaram ¨Esta-
dos Oera|s" |nternos, para |untar m|||tantes na
reí|exão e na deí|n|ção po||t|ca e governat|va
do PB ? Antes das e|e|çoes e per|od|camente
agora que o PB governa ? Não, e, contudo,
os m|||tantes corpor|zam, na sua g|ooa||dade,
o Part|do, e const|tuem a sua peça humana
sooerana e centra|, co|ect|vamente ac|ma dos
propr|os d|r|gentes.
Buo||nhe-se, para ev|tar equ|vocos, que a
oportun|dade d|spensada aos |ndependentes
nos Estados Oera|s, e desde então, ío| e e
aoso|utamente correcta, em s| mesma, mas
a oa/a|e|a suoa|tern|zação da capac|dade
po||t|ca dos m|||tantes e um erro grave, sens|-
ve| para os m|||tantes, que const|tu| um oo-
|ect|vo e |ndescu|páve| desperd|c|o dos act|-
vos humanos do PB.
De resto, e e|og|áve| a exce|ente co|aoora-
ção de mu|tos desses |ndependentes e nem
para e|es será |usto que, não por sua cu|pa,
írequentemente se s|ntam v|t|mas exter|ores
deste ma| estar |nterno, o qua| decorre de a|-
guma |nao|||dade |nterna (|nvo|untár|a e oem
|ntenc|onada) com que, perante os m|||tantes,
todo este processo ío| e cont|nua a ser
|mp|ementado;
º Üm part|do necess|ta de aí|rmar um espa-
ço po||t|co propr|o, c|aramente |dent|í|cáve|
pe|o e|e|torado. As propostas de governação
correntes são essenc| a| s mas evo| uem
con|untura|mente no tempo e não caracter|-
zam verdade|ramente a |magem e a perso-
na||dade de um part|do. A sua |magem de
íundo necess|ta de contornos ma|s c|aros,
|ntempora|s, estrutura|s e caracter|st|cos, e e
um íactor |nd|spensáve| de or|entação e í|xa-
ção estrateg|ca do e|e|torado.
Este pro|ecto po||t|co g|ooa|, |nc|u|ndo um
pro|ecto po||t|co de oase (va|ores, or|entação
e caracter|zação estrateg|ca) e um pro|ecto
corrente de governação tecn|ca (propostas
de or|entação e execução táct|ca) não podem,
por uma questão de oov|a coerenc|a, de|xar
de ser oora dos m||||a||es do part|do, po|s são
estes que, por deí|n|ção, ma|s c|aramente
assumem a part||ha dos respect|vos pr|nc|p|-
os or|entadores. Ouv|r |ndependentes (e mes-
mo |ndependentes de outras s|mpat|as part|-
dár|as ou ate m|||tantes de outros part|dos...)
e um acto de sensatez e de grande matur|da-
de po||t|ca. \a|or|zar, respe|tar e |mportar |de|-
as e propostas externas |nteressantes e-o
|gua|mente. Não o íazer ser|a um acto de
|rresponsao|||dade e de desrespe|to pe|o pa|s
rea| e pe|os c|dadãos. Mas íaze-|o deve ser
um acto mater|a||zado semo/e em como|e-
me||o e em me||o/ame||o de um pro|ecto
es|/0|0/aoo |||e/|ame||e, |0|ca em s0os|||0|-
çao o0 s0oa||e/||zaçao oes|e, excepto se se
cons|derar que se trata de um part|do com
m|||tantes |ncapazes e |ncompetentes para o
íazer.
De resto, e aconse|háve| não coníund|r ques-
toes d|st|ntas. Üm part|do deve ouv|r (atenta-
mente) |ooa a comun|dade e reco|her |de|as
e perspect|vas. Em segu|da ava||a a poss|o|-
||dade de |ncorporar essas |de|as nas suas
propostas e no seu pro|ecto. Não como uma
s|mp||sta ca|xa de corre|o mas íazendo-o por
|ntegração ao|c|o|a| e por compat|o|||zação
com um programa de oase o/e-e·|s|e||e, que
e deí|n|do |||e/|ame||e e que so ass|m po-
derá coníer|r ao part|do a sua |dent|dade e,
aí|na|, ate mesmo a sua propr|a razão de ex|s-
tenc|a.
A estruturação de um íorte e eí|caz pro|ecto
po||t|co part|dár|o, capaz de pro|ectar uma
|magem e uma |dent|dade c|aras e percept|-
ve|s pe|o e|e|torado e uma tareía comp|exa
a||cerçada em va|ores, pr|nc|p|os e |de|as es-
trateg|cas oo o/oo/|o oa/||oo, que o deí|nem
po| | t| camente, não numa perspect| va
dogmát|ca, arrogante e c||ente|ar mas, |sso
s|m, num quadro de genu|na hum||dade e
atenção às |de|as de |ooa a soc|edade (não
so dos |ndependentes s|mpat|zantes de |on-
ga ou de curta data do Part|do ...).
Por |sso, o pro|ecto po||t|co de um part|do d|-
í|c||mente será coerente, íorte e eí|caz se se
transíormar num amontoado de |de|as e pro-
postas, ta|vez |nteressantes |nd|v|dua|mente
mas |ncaracter|st|cas e |mperíe|tas no seu
con|unto. lníe||zmente, os Estados Oera|s
acaoaram por, a prazo, produz|r não uma
caracter|zação do PB mas uma a|nda ma|or
descaracter|zação (que, oov|amente e ape-
ACÇÃO SOClALlSTA 12 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
sar de d|sso, pode ter gerado ganhos e|e|to-
ra|s |med|atos, por m|met|smo po||t|co). Mu|-
tas exce|entes |de|as então captadas não
conseguem esconder a írequente |ncoeren-
c|a e a|guma desconexão de con|unto. Be,
anter|ormente, |á era s|gn|í|cat|va a d|í|cu|da-
de de os c|dadãos caracter|zarem compara-
t|vamente o PB, ma|s essa d|í|cu|dade se |ns-
ta|ou, como se constata atraves da constan-
te reíerenc|a de c|dadãos à ía|ta de d|íerenc|-
ação suostanc|a| entre os pro|ectos de íundo
do PB e do PBD, por exemp|o.
Os Estados Oera|s const|tu|ram uma |ouvá-
ve| e |nte||gente |n|c|at|va do PB que at|ng|u
re|evantes oo|ect|vos po||t|cos |med|atos, mas
eíe|tos negat|vos íoram tamoem cr|ados, e
estes poderão, |nd|rectamente, v|r a reve|ar-
se graves no íuturo. Não será prudente |gnorá-
|os. Berá |nte||gente reso|ve-|os.
º Num pa|s que est|vera su|e|to a 10 anos de
írequente nepot|smo, de aouso e de arrogân-
c|a de poder, a exc|usão po||t|ca da opos|ção
pe|o PBD acumu|ara nesta tensoes e ans|e-
dades, |nc|u|ndo a ans|edade pe|o poder. Esta
âns|a pe|o exerc|c|o do poder e pe|o acesso
a e|e |nc|u| os casos |eg|t|mos de quem en-
tende poder contr|ou|r para me|horar o pa|s
mas |nc|u| tamoem, |níe||zmente, |mensos
casos de s|mp|es e oosess|va procura do
poder, da |ní|uenc|a e da notor|edade pesso-
a|s.
lníe||zmente, nem a d|re|ta nem a esquerda
detem o monopo||o das pessoas ser|as, como
não o tem das que íavorecem o c||ente||smo.
Nos Estados Oera|s converg|ram mu|tos c|-
dadãos po||t|camente ser|os, mas deverá
pensar-se se não se poderá ter reg|stado a
part|c|pação de po||t|cos ou de cand|datos a
po||t|cos, menos preocupados com o pa|s que
cons|go mesmos, que v|ram nesta |n|c|at|va
uma exce|ente oportun|dade para conven|en-
temente se co|ar ao PB numa estrateg|a de
pos|c|onamento íuturo dentro, ou |unto, das
estruturas de poder.
Os Estados Oera|s podem (|nvo|untar|amente)
ter cr|ado o emor|ão de uma vasta potenc|a|
c||ente|a, pronta a exp|orar oportun|dades
decorrentes do acesso do PB ao poder, à qua|
se coníer|u um protagon|smo exagerado e
com a qua| se contra|ram mu|tas |mp||c|tas
d|v|das po||t|cas e expectat|vas.
O Partido e a Sociedade
Referências PoIíticas numa Sociedade
em Mudança
Não se pode coníund|r a eí|c|enc|a tecn|ca
da gestão dos proo|emas correntes com a
necess|dade de possu|r um con|unto de reíe-
renc|as or|entadoras de íundo. Essas duas
preocupaçoes, sendo comp|ementares, não
so não se exc|uem como mesmo se ex|gem
rec|procamente, e so em con|unto v|ao|||zam
e cred|o|||zam uma arqu|tectura po||t|ca ser|a
e cons|stente.
Üm part|do po||t|co não e um s|mp|es grupo
de pessoas que se reúne para se cand|datar
co|ect|vamente a cargos de gestor púo||co,
|sto e, ao poder em s| mesmo (emoora por
vezes pareça, ao |ongo do tempo, que a po-
||t|ca nac|ona| tende para |sso). É mu|to ma|s
que |sso, e um con|unto de va|ores |nd|v|du-
a| s, soc| a| s e c| v| | | zac| ona| s, e um
consequente s|stema |ntegrado e coerente de
reíerenc|as e de oo|ect|vos estrateg|cos (em
s|ntese, uma |deo|og|a) e, í|na|mente, e |o
es|/||o e|q0ao/ame||o daque|es va|ores e da-
que|as reíerenc|as, e uma ent|dade que se
d|spon|o|||za para convencer os c|dadãos da
va||dade desse pro|ecto e para part|c|par na
gestão dos assuntos da comun|dade.
Be se pretender desp|r a soc|edade e o |nd|-
v|duo de qua|squer va|ores e reíerenc|as de
íundo, cr|ando uma soc|edade estrutura|men-
te amoría, amora|, egocentr|ca, desumana-
mente se|vagem e retrograda, íará todo o
sent|do deíender o í|m das |deo|og|as. Be,
pe|o contrár|o, se pugnar por um mundo não
so eí| c| entemente ger| do mas tamoem
|ntegrador e garante de va|ores como a d|g-
n|dade, a ||oerdade, a segurança, o oem es-
tar, a democrac|a ou a so||dar|edade, entre
outros, e |nd|spensáve| a ex|stenc|a de um
ordenamento desses va|ores e das suas íor-
mas de mater|a||zação e sa|vaguarda e |sso
e, oas|camente, a estruturação |deo|og|ca.
Ber|a o|zarro que um Part|do como o PB, que
se rec|ama de va|ores tão human|stas, ace|-
tasse d||u|r-se, descaracter|zar-se e esvaz|ar-
se (por o|zarra opção teor|ca ou por prát|ca
part|dár|a e governat|va) ao suoscrever, |m-
p| | c| ta ou exp| | c| tamente, as teses da
|noportun|dade, da |nconven|enc|a ou da
|rre|evânc|a das |deo|og|as.
O oa||zamento |deo|og|co consuostanc|a o
ordenamento e a h|erarqu|zação de va|ores e
oo| ect| vos de reíerenc| a e,
consequentemente, não so e po||t|camente
íu|cra| como tamoem const|tu| a genese
estruturante de ex|stenc|a de qua|quer rea|
part|do po||t|co. Oonst|tu|, |gua|mente, o |nd|s-
pensáve| tec|do ag|ut|nante em que se |ns-
creve a coerenc|a g|ooa| das med|das po||t|-
cas que, de outra íorma, não passar|am de
actos avu| sos e estrateg| camente
|nexpress|vos.
Outra questão comp|etamente d|st|nta e a da
constatação de que a proíunda e íu|gurante
transíormação do mundo e da soc|edade |n-
duz novas rea||dades, novos desaí|os, novas
potenc|a||dades e novos r|scos que, por sua
vez, |mpoem a evo|ução |deo|og|ca, não no
p|ano re|at|vamente |ntempora| dos va|ores de
oase mas no âmo|to das so|uçoes e das íor-
mu|as de |ntervenção po||t|ca, soc|a|, econo-
m|ca, cu|tura|, amo|enta|, de segurança, etc.
Por outras pa|avras, não são as |deo|og|as
que, por natureza, estão u|trapassadas. O que
ex| stem são s| stemas | deo| og| cos
desactua| | zados e que | mp| od| ram
conceptua|mente por ía|ta de compreensão
do mundo em transíormação e por uma sur-
preendente ía|ta de |mag|nação teor|ca.
De íacto, a |deo|og|a da ve|ha esquerda c|ás-
s| ca encontra-se, ho| e, proíundamente
desa|ustada das rea||dades ex|stentes e em
íormação. É, por outro |ado, honesto rea|çar
que os desa|ustamentos tempora|s dessa
esquerda ant|ga não são o seu ún|co íactor
de |mperíe|ção e de ía|ta de capac|dade de
resposta prát|ca em dom|n|os espec|í|cos,
po|s tamoem suos|st|ram erros teor|cos oás|-
cos que não houve coragem de corr|g|r
atempadamente. De resto, o |mpacto das re-
a||dades contemporâneas na cons|stenc|a
po||t|ca e operat|va da esquerda cons|ste, em
a|guma med|da, prec|samente em reve|ar
com ma|or ev|denc|a a|gumas |ncongruenc|-
as e írag|||dades conceptua|s que essa ve|ha
esquerda c|áss|ca, na verdade, sempre pos-
su|u.
Os va|ores íundamenta|s mantem-se, mas
outras áreas do s|stema |deo|og|co e a pro-
pr|a metodo|og|a de |ntervenção po||t|ca ex|-
gem arro|adas reíormu|açoes. Mas regene-
ração e modern|zação, nas esíeras teor|ca e
prát|ca, não são, nem ser|a adm|ss|ve| que
íossem, s|non|mo de cap|tu|ação de va|ores
ou de deserção de |dea|s e reíerenc|as.
Ber| a | mpensáve| que, a pretexto da
maturação e da modern|zação |deo|og|ca da
esquerda, se procurasse adu| terá-| a,
desv|rtuá-|a ou esvaz|á-|a, se|a por |ncompe-
tenc|a po||t|ca para |dent|í|car e ordenar as
novas aoordagens conceptua|s se|a por me-
ros oportun|smos táct|cos ou e|e|tora||stas.
A ve|ha esquerda assustava-se com a |nd|s-
pensáve| competenc|a tecn|ca moderna. Mas
a nova esquerda, que deve ser tecn|camente
compet|t|va, não pode coníund|r r|gor tecn|co
com tecnocrac|a, a qua| pode ser tamoem tac-
t|camente eí|c|ente mas e gera|mente um de-
sastre estrateg|co e um íactor desuman|zante
e descoordenador das eí|c|enc|as g|ooa|s a
prazo.
O PB esteve, e está, anos atrasado re|at|va-
mente a esta reí|exão, em parte por ía|ta de
|mag|nação e em parte por |nsuí|c|ente reno-
vação |nterna. B|mu|taneamente, e oportuno
notar, com uma conírangedora e |ncomoda
sensação, o íacto de, neste momento, apa-
rentemente se |gnorar o deoate que se tem
desenvo|v|do no se|o da esquerda e da cen-
tro-esquerda europe|as e de não se promover
uma reí|exão act|va no âmo|to dos m|||tantes
do PB, des|gnada mas não exc|us|vamente,
soore a corrente da ¨Nova Esquerda". Aque|e
deoate e a|gumas das teses que de|e tem í|o-
resc|do contem contr|outos de enorme |nte-
resse, mas não e |rre|evante sa||entar que tam-
oem outras dessas teses assentam demas|a-
damente em conceptua||zaçoes d|íusas e írá-
ge|s que, perante a d|í|cu|dade em gerar, coe-
rentemente, novas estruturas |deo|og|cas e po-
||t|cas de esquerda moderna, não res|stem à
tentação a|go s|mp||sta de e|eger ¨mode|os"
que, em essenc|a, são uma espec|e de ¨me-
d|a ar|tmet|ca" entre as reíerenc|as da ant|ga
esquerda c|áss|ca e as neo||oera|s, em |ugar
de produz|r um mode|o genu|namente novo,
|mag|nat|vo e cons|stente.
Estas teses, apesar de c|aros mer|tos em do-
m|n|os espec|í|cos, na verdade não adaptam
po||t|camente a esquerda ao novo mundo e
aos novos desaí|os, s|mp|esmente adaptam a
prát| ca po| | t| ca às | mp| | caçoes ma| s
|med|at|stas das novas rea||dades.
O PB não deve ass|st|r pass|vamente a este
deoate europeu e |nternac|ona| nem se deve
secundar|zar prov|nc|anamente a esta ou àque-
|a corrente. O PB, no qua| este t|po de deoate
ío| receado e desva|or|zado no passado, de-
verá |ncorporá-|o agora com cr|at|v|dade, não
com segu|d|smos, e, ac|ma de tudo, deverá
íaze-|o com a |úc|da compreensão de que a
capac|dade teor|ca e po||t|ca do Part|do trans-
cende o Largo do Pato.
A questão do pape| do Estado e, natura|men-
te, um íoco centra| de reí|exão. Ao esc|erosado
Estado aosorvente não deve suceder um Es-
tado que de|xe de serv|r os c|dadãos e que se
remeta a um s|mp|es pape| de cata||zador para
que outros o íaçam, emoora se reconheça que,
em a|guns casos, ta| deva mesmo suceder.
Ao Estado pesado e ourocrat|zado deverá su-
ceder o Estado ma|s |eve e eí|c|ente, não o
Estado dem|t|do das responsao|||dades que
tem para com os c|dadãos, em íunção dos
qua|s ex|ste e opera e cu|as necess|dades
co|ect|vas centra|s não pode ||nearmente de-
íraudar.
A CIasse PoIítica
e a Sociedade CiviI
Por outro |ado, ser|a (conven|entemente?...)
|ngenuo pretender íazer crer que as perversoes
que írequentemente decorrem da |ntervenção
do Estado são apenas dependentes da sua
d|mensão, consequentemente |níer|ndo-se, er-
roneamente, como so|ução tác|ta para todos
os ma|es a s|mp|es redução do seu peso quan-
t|tat|vo.
Ma|s paqu|derm|co ou ma|s ||ge|ro, o Estado
cont|nuará a ex|st|r e a exercer uma íorte |ní|u-
enc|a soore a v|da do pa|s e dos c|dadãos.
Mas, para a|em da d|mensão do Estado, um
ponto de vu|nerao|||dade mu|to ma|s proíundo
e soc|a|mente mu|to ma|s neíasto e per|goso,
que e qua||tat|vo, e a íorma como o Estado e
ger|do.
O Estado contro|a. Mas, aí|na|, quem contro|a
o Estado e o gere ? Natura|mente, a des|gna-
da ¨c|asse" po||t|ca. E, |níe||zmente, e na c|as-
se po||t|ca que res|dem a|gumas das ma|s pre-
mentes necess|dades de mudança.
Ber|a proíundamente |n|usto, |ncorrecto e ||e-
g|t|mo cruc|í|car toda a c|asse po||t|ca pe|os
erros de uma sua parte. A c|asse po||t|ca, como
qua| quer grupo proí| ss| ona| , soc| a| ou
corporat|vo, assenta em c|dadãos comuns,
que padecem de íraquezas e detem qua||da-
des. Os erros são humanamente |nev|táve|s,
uns ma|s compreens|ve|s que outros, e há que
|nterpretar esse íacto com a|guma oonom|a,
|ndependentemente das acçoes correct|vas a
tomar, sem dramat|smos desproporc|onados.
Mas a c|asse po||t|ca tamoem não pode, |n-
versamente, descu|pao|||zar-se r|tua| e s|stema-
t|camente no que se reíere a erros e desv|os
que são aoso|utamente |ndescu|páve|s e |nto-
|eráve|s, como são os casos da arrogânc|a,
do aouso do poder, do c||ente||smo, do tráí|co
de |ní|uenc|as, da ía|ta de transparenc|a dos
processos de dec|são po||t|ca, da soorance-
r|a magestát|ca, do nepot|smo e do írequente
|nsu|to pr|már|o à |nte||genc|a dos c|dadãos.
Este t|po de comportamentos, que reve|a uma
|nsuí|c|ente cu|tura c|v|ca e po||t|ca, não se |den-
t|í|ca com a ma|or|a dos po||t|cos, mas o nú-
mero destes que se assoc|a a essas perver-
soes da democrac|a e, |níe||zmente, suí|c|en-
temente e|evado para transíormar este proo|e-
ma numa questão verdade|ramente s|stem|ca,
não apenas a|eator|a ou pontua|.
Os padroes de actuação descr|tos são conhe-
c|dos de todos os c|dadãos. É patet|co que
uma parte da c|asse po||t|ca sempre recuse
adm|t|r estes erros estrutura|s grav|ss|mos, í|n-
g|ndo-se oíend|da pe|as cr|t|cas. É natura| que
os (|números) po||t|cos cu|o quadro de com-
portamento não e esse se s|ntam |ncomoda-
dos por um c||ma de suspe|ção e cr|t|c|smo
genera||zado por parte dos c|dadãos, mas o
acto ma|s ser|o que estes po||t|cos poderão
assum|r e o de reconhecer a va||dade g|ooa|
dessas cr|t|cas e de e|es propr|os promove-
rem as correcçoes et|co-po||t|cas necessár|-
as.
Trata-se, de íacto, de um proo|ema da cu|tura
po||t|ca |mp|antada. Mas e, para|e|amente, um
dos ma|es endem|cos ma|s pern|c|osos e í|u|-
dos da soc|edade portuguesa, sendo |nsus-
tentáve| que esta s|tuação permaneça sem a|-
teração e sem uma mora||zação energ|ca.
De um modo ma|s ou menos exp||c|to os c|da-
dãos reconhecem-no. É notor|a, |ndesment|ve|
e genera||zada a descrença que os portugue-
ses sentem re|at|vamente à po||t|ca em gera|,
aos po||t|cos em part|cu|ar, aos part|dos e
mesmo às |nst|tu|çoes, e ta| sucede não por
a|gum ooscuro des|gn|o consp|rat|vo contra os
po||t|cos mas, s|mp|esmente, porque uma par-
te destes quase s|stemat|camente ve|cu|a uma
|magem que em nada va|or|za nem prest|g|a a
v|da po||t|ca em gera|.
É |sto tamoem que tem que mudar, como par-
te |ntegrante de uma Nova Ou|tura Po||t|ca na-
c|ona|. Assum|ndo uma postura ma|s c|ara e
mora||zadora da c|asse po||t|ca nac|ona|, o PB
deverá não so estar|a a dar um sa|to qua||tat|-
vo na sua |magem c|v|ca e po||t|ca; estar|a tam-
oem a |nterv|r num dom|n|o de anse|os e de
razoes de ma| estar dos c|dadãos portugue-
ses, ass|m ocupando um espaço ps|co|og|co
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 13
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
e po||t|co que e s|mpát|co à comun|dade e
que e potenc|a|mente gerador de um número
acresc|do de votos que poder|a representar o
acesso à ma|or|a aoso|uta.
B|mu|taneamente, a Nova Ou|tura Po||t|ca de
esquerda moderna deverá, |nequ|vocamente,
va|or|zar e d|gn|í|car a peça centra| da demo-
crac|a que, contrar|amente ao que mu|tos po-
||t|cos parecem acred|tar, não são e|es propr|-
os nem sequer os part|dos po||t|cos mas que
e, |sso s|m, a Boc|edade O|v||, a comun|dade
rea|, composta co|ect|vamente por todos os
c|dadãos.
Não se trata de conce|tos m|núscu|a e art|í|c|-
a|mente restr|t|vos, como os de ¨|ndependen-
tes", das |nst|tu|çoes de so||dar|edade soc|a|,
etc. Trata-se, pe|o contrár|o, do un|verso dos
c|dadãos (|nd|v|dua| e co|ect|vamente, ou mes-
mo mater|a||zado em íormas organ|zadas de
|ntervenção que e|es ||vremente entendam pro-
mover e act|var). Os part|dos po||t|cos const|-
tuem uma peça |mportante da v|da democrá-
t|ca, prec|samente porque são uma das íor-
mas de |ntervenção co|ect|vamente organ|za-
das por con|untos de c|dadãos, que se cons-
t|tuem em m|||tantes de um pro|ecto reíerenc|a|
e po||t|co que creem poder gerar um va|or
acrescentado de |nteresse para a comun|da-
de.
Apesar do âmo|to propr|o que e |ustamente
comet|do aos part|dos, estes deverão (e o PB
deverá ser d|sso um exemp|o) demonstrar a
matur|dade e a hum||dade para compreender
que não se s|tuam num p|ano super|or à soc|-
edade c|v|| e que o |nverso e verdade|ro. Os
part|dos emanam da soc|edade c|v||. Não e a
soc|edade c|v|| que descende dos part|dos. Os
part|dos respondem perante a soc|edade c|v||
g|ooa| que os des|gna temporar|amente, não
o |nverso. A esquerda moderna, democrát|ca
e |nte||gente ex|g|rá part|dos ma|s maduros,
ma|s hum||des e c|v|camente mu|to ma|s es-
c|arec|dos.
Os part|dos deverão apreender um outro pres-
suposto oás|co da democrac|a que com íre-
quenc|a se |gnora, que e o do pape|, da |eg|t|-
m|dade e dos ||m|tes do conce|to de ma|or|a.
Üm part|do que, por h|potese, congrega 40 %
ou 65 % dos votos reve|a um |mportante apo|o
(ç|ooa| e |a çe|e/a||oaoe) receo|do da comu-
n|dade. Mas ao compreens|ve| orgu|ho (orgu-
|ho, não arrogânc|a) em ooter ta| n|ve| de apo|o
popu|ar deve |untar-se a hum||dade e a sensa-
tez de perceoer que, naque|es casos toma-
dos como exemp|o, 60 % e 35 % da comu-
n|dade, respect|vamente, terão d|scordado das
propostas desse part|do, e esses ír|os va|ores
representam |mensos c|dadãos cu|a d|gn|da-
de em democrac|a não pode ser esmagada
ou descons|derada, apesar do reconhec|men-
to pragmát|co de que, em s|tuaçoes de
consensua||zação ou convergenc|a |mposs|-
ve| (desde que tentadas...) vence a proposta
|nd|rectamente ma|s suportada pe|o voto. Em
s|ntese, qua|quer ma|or|a, re|at|va ou aoso|u-
ta, coníere um grau de |eg|t|m|dade que, toda-
v|a, não e aoso|uta. Oua|quer m|nor|a tem que
ser respe|tada em democrac|a, tem que ter o
d|re|to de ser ouv|da e de part|c|par no que íor
exequ|ve|.
A democrac|a nunca pode ser desv|rtuada
como d|tadura de qua|quer ma|or|a. A nova
esquerda moderna deverá ser um expoente
da democrac|a e o PB deverá se-|o em Portu-
ga|. Oom a certeza de que, s|mu|taneamente,
essa postura so conqu|stará s|mpat|as |unto
dos c|dadãos, que se encontram cansados de
anos e anos de coní||tua||dades r|d|cu|as e íre-
quentemente |rresponsáve|s entre po||t|cos e
entre part|dos po||t|cos. Esta |ní|ecção |mpor-
tante da |magem do PB, centrado na soc|eda-
de c|v|| mu|to ma|s que no egocentr|smo de
uma parte da c|asse po||t|ca, para a|em de
const|tu|r uma mudança íortemente sustenta-
da no p|ano teor|co e po||t|co, ser|a tão |nova-
dora e s|mpát|ca perante o comum e|e|tor que
poder|a tamoem ser ma|s que suí|c|ente para
garant|r o ganho da d|stânc|a que separa a
ma|or|a s|mp|es da ma|or|a aoso|uta nas pro-
x|mas |eg|s|at|vas.
F|na|mente, e sem pre|u|zo de outras questoes
que não caoem neste documento cu|a d|men-
são e natura|mente ||m|tada, será |ust|í|cado
chamar a atenção para o íacto de não ser ma|s
ace|táve|, nem por uma soc|edade c|v|| em
amadurec|mento num mundo moderno, nem
por qua|quer esquerda are|ada e preparada
para o íuturo, a trad|c|ona| opac|dade com que
os responsáve|s po||t|cos permanentemente
escondem da comun|dade os pormenores, os
íundamentos, os potenc|a|s e os r|scos envo|-
v|dos nos processos de dec|são po||t|ca, í|a-
grantemente íurtando ao conhec|mento púo||-
co, à reí|exão ||/o/maoa e esc|a/ec|oa dos c|-
dadãos e à op|n|ão expressa destes, mater|as
que em mu|tos casos potenc|am |mp||caçoes
(pos|t|vas e negat|vas) que serão |mpostas
poster|ormente a esses mesmos portugueses,
por vezes ao |ongo das prox|mas geraçoes
como e o caso das dec|soes proíund|ss|mas
soore o processo de construção europe|a. Não
e propr|a de uma verdade|ra democrac|a e
mu|to menos o será de qua|quer part|do de
esquerda moderna a eventua| tentat|va de
cond|c|onar a op|n|ão púo||ca ou de se|ecc|o-
nar a |níormação puo||camente d|spon|o|||zada,
não porque este|a necessar|amente em cau-
sa a adequação das dec|soes po||t|cas mas
porque e uma |nace|táve| descons|deração
para com a d|gn|dade da democrac|a e para
com a |nte||genc|a c|v|ca dos c|dadãos e da
comun|dade.
O PS e a ldentidade NacionaI
Num v| rar de m| | en| o em que as
íenomeno|og|as nac|ona|s e |nternac|ona|s
atravessam sucess|vos patamares de proíun-
da transíormação qua||tat|va a uma ve|oc|da-
de crescente, a g|ooa||zação, as |ntegraçoes
reg|ona|s, os novos r|scos g|ooa|s, a desagre-
gação das esíeras convenc|ona|s de sooera-
n|a nac|ona| e os omn|presentes í|uxos de |n-
íormação | nduzem, gradua| mas
|rrevers|ve|mente, uma trans|ção da v|são |o-
ca| para a transnac|ona||dade das |nteracçoes
quot|d|anas que aíectarão a v|da das naçoes
e do c| dadão. Neste contexto de
|nteract|v|dade g|ooa|, a soorev|venc|a e a
compet|t|v|dade das soc|edades, das cu|turas
e das econom|as ex|ge um sent|mento de per-
tença e de |dent|dade g|ooa| e uma v|são es-
trateg|ca |nternac|ona|. O PB deverá ||derar a
cr|ação de va|or acrescentado nac|ona| no
dom| n| o pedagog| co e po| | t| co desta
sens|o|||zação.
Oontudo, para|e|amente a um acresc|do sen-
t|mento de |dent|dade g|ooa| e íundamenta| a
compreensão de que a | nev| táve|
|nteract|v|dade transnac|ona| entre soc|edades
co|ocará em coníronto d|ár|o |nteresses d|s-
t|ntos entre pa|ses que, compreens|ve|mente,
deverão estar aptos a, num contexto de
compet|t|v|dade desproteg|da, agress|va e
constante, deíender os seus |nteresses espe-
c|í|cos, sendo íundamenta| que o íaça sem
de|xar d||u|r descontro|adamente vectores oá-
s|cos de sent|mento nac|ona| e de cu|tura pro-
pr|a. E, para |sso, Portuga|, como qua|quer ou-
tro pa|s, necess|ta não so de modern|zação
econom|ca e po||t|ca mas tamoem de uma
postura cu|tura| e c|v|ca que |nc|ua a|go tão
|mater|a| mas tamoem tão cruc|a| como o or-
gu|ho nac|ona|, a auto-coní|ança e a auto-est|-
ma, não numa |e|tura de nac|ona||smo arca|co
e retrogado mas numa perspect|va moderna,
aoerta e |nte||gentemente estrateg|ca.
O c|dadão deve ser |ncent|vado a, saudáve| e
equ|||oradamente, cu|t|var estes parâmetros
que são essenc|a|s para a compet|t|v|dade de
um pa|s num contexto |nteract|vo g|ooa|, no
quadro de uma cu|tura gera| de cr|at|v|dade,
|n|c|at|va, coragem, persona||dade e opt|m|s-
mo rea||sta. Em s|ntese, o PB deverá ser um
e| emento promotor e cata| | zador dessa
compat|o|||zação s|mo|ot|ca entre a pertença
g|ooa| e a |dent|dade nac|ona|.
Todav|a, pode, por vezes, ser per|goso |ncut|r
no c|dadão noçoes enganadoras ou exagera-
das de sucesso, po|s |sso poderá desprotege-
|o e desmoo|||zá-|o. Entre mu|tos outros exem-
p|os poss|ve|s deste t|po de erros poderá c|-
tar-se o íacto de, em Portuga|, a (g|ooa|mente
mu|to |ust|í|cada) euíor|a com a construção
europe|a e com o desempenho nac|ona| |evar
a c|asse po||t|ca a acred|tar, e a íazer acred|tar
o c|dadão, que Portuga| íaz |á parte do 1' es-
ca|ão dos pa|ses europeus, exagerando o (c|a-
ramente pos|t|vo) s|gn|í|cado de o nosso pa|s
ter preench|do os cr|ter|os de convergenc|a
para o Euro (de 15 pa|ses so 1 não o conse-
gu|u). Apesar de todos os enormes avanços
nac|ona|s, esse sent|mento e parc|a|mente
vu|neráve|. Parece, por vezes, não se compre-
ender que, apesar de reconhec|do e e|og|ado
pe|os seus progressos, Portuga| so será v|sto,
na cena europe|a, como um pa|s de pr|me|ra
||nha quando, por exemp|o, consegu|r pro|ec-
tar uma |magem que não se|a de parente po-
ore, e quando, um d|a, |á não necess|tar de
mend|gar constantes íundos estrutura|s.
\a|or|zar estas mudanças sensatas e equ|||ora-
das na íoca||zação e na va|or|zação da |dent|-
dade nac|ona| num contexto de pertença g|o-
oa|, numa nação que se sente a|go |nsegura e
coníusa ao presenc|ar a d||u|ção de sooeran|a
nac|ona|, poderá tamoem, cur|osamente,
const|tu|r um e|emento reírescante no d|scur-
so po||t|co nac|ona| e do PB, que, co|nc|dente-
mente, poderá consuostanc|ar ma|s um e|e-
mento e|e|tora| que certamente representará
um número ad|c|ona| de e|e|tores para uma
dese|ada ma|or|a aoso|uta.
...
Fs|a/ao os o|/|çe||es oo |S o|soos|os a ace|-
|a/, |es|e mome||o, 0ma /e|o/açao c/|aoo/a,
oo||||came||e /0|oame||aoa e e|e||o/a|me||e
ca||/aoo/a, oo ||oo oe |||e//e|çao oo||||ca co|-
/e|c|o|a| |o |osso oa|s, como/ee|oe|oo e
co/oo/|za|oo m0||os oos a|se|os |a|e||es oos
c|oaoaos oo/|0ç0eses q0e |o/e |e||0m oa/||-
oo co|/e||e||eme||e aco||e, mesmo q0e |sso
s|ç||/|q0e |||/oo0z|/ 0ma o/o/0|oa |maç||açao
|o o|sc0/so oo||||co, /a|o/|za/ m0||o ma|s a so-
c|eoaoe c|/|| (oo oa|s e oo oa/||oo; e começa/
a co//|ç|/ os /|c|os co/oo/a||/os oe 0ma oa/|e
oa c|asse oo||||ca ?
Os oo/ec||/os s0çe/|oos e|/o|/em c|a/os a/a|-
ços oe mooe/||oaoe |o o|sc0/so oo||||co. F
oooe/ao, s|m0||a|eame||e, /eo/ese||a/ 0m
ça||o ao|c|o|a| se emoa||a /0||o oa soc|eoa-
oe c|/|| e oos e|e||o/es q0e, em 0|||ma a|a||se,
oooe/a se/ /e|e/a||e oa/a /|ao|||za/ a |/a|soos|-
çao oa o|s|á|c|a e||/e a ma|o/|a /e|a||/a e a
ma|o/|a aoso|0|a |as o/o·|mas |eç|s|a||/as.
...
31.12.98
Pedro Jordão, Becção de Ave|ro,
n' 142076
ACÇÃO SOClALlSTA 14 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
FALAR, É PREClSO
(CONTRlBUTO PARA A REFLEXÃO)
1. Porquê esta moção
Üm Oongresso soc|a||sta não deve ser uma
||turg|a de auto-sat|síação, nem, como |á ío|
d|to, ·uma sessão de propaganda·. Por |sso
dec|d|mos apresentar um contr|outo. Não
como a| ternat| va à moção de Anton| o
Outerres, que votaremos íavorave|mente. Mas
para susc|tar a|gumas questoes que pode-
rão, eventua|mente, enr|quece-|a e comp|etá-
|a.
Não temos, a||ás, que acrescentar qua|quer
outra |ust|í|cação. Üm Oongresso íaz-se para
|sto mesmo. E o PB que, em 1974/1975, Má-
r|o Boares deí|n|u como ·part|do sem medo·,
tem de saoer tamoem comoater dentro de s|
a p|or de todas as heranças cu|tura|s: o medo
de pensar pe|a propr|a caoeça. É tempo de
as pessoas se |untarem à vo|ta de |de|as e
não apenas, como costuma acontecer em
vesperas de Oongressos ou e|e|çoes, para
d|scut|r ||stas e cargos.
Ouem tem medo de deoater |de|as?
Nos não temos. Esse medo não pode ex|st|r,
nem no Part|do Boc|a||sta, nem no Portuga|
democrát|co, se|a por carre|r|smo, se|a por
auto-censura, se|a por que mot|vo íor.
Fa|ar, e prec|so. É prec|so não ter medo de
d|scut|r |de|as. Porque, respondendo a uma
ve|ha pergunta de Antero de Ouenta|, que
Ba|gado Zenha gostava de repet|r, ·não se
pode v|ver sem e|as·.
2. Um congresso para quê?
2.1. \|vemos uma epoca d|í|c||, que e de í|m
mas tamoem de recomeço e renovação. F|m
do mode|o sov|et|co, ta| como ío| h|stor|ca-
mente rea||zado. Mas í|m, tamoem, das ||u-
soes neo-||oera|s, com a ía|enc|a de um mo-
de|o que traz cons|go a exc|usão de do|s ter-
ços da human|dade.
E o soc|a||smo? Oomo |emorou Octáv|o Paz,
pode ter ía|hado a resposta h|stor|ca à per-
gunta íormu|ada, no |n|c|o deste secu|o, so-
ore a |n|ust|ça |nerente ao cap|ta||smo. Mas a
pergunta permanece. Onde quer que ha|a
|n|ust|ça e des|gua|dade, o soc|a||smo está
v|vo. Não apenas porque e prec|so res|st|r à
der|va neo-||oera|. Mas porque e necessár|o
constru|r uma a|ternat|va.
2.2. A v|da po||t|ca e íe|ta de c|c|os. De v|tor|-
as e de derrotas. De ascensão e reí|uxo. Mas
um part|do como o PB representa va|ores
permanentes. Por |sso e |nd|spensáve| a sua
v|ta||dade |nterna. E esta so e poss|ve| com
deoate, p|ura||smo e coníronto de |de|as.
É prec|so reconhecer que estes oo|ect|vos
nem sempre tem s|do cumpr|dos. A rea||za-
ção dos Estados Oera|s em 1995 const|tu|u
um íacto novo no processo de aoertura do
part|do à soc|edade. Mas o desaparec|men-
to dos Oongressos, a escassez de deoates
como o que se travou na Oonvenção Nac|o-
na| do Oo||seu, em 1996, a|gum amorí|smo e
a tentação da ourocrat|zação do part|do tem
contr|ou|do para uma certa d||u|ção |deo|og|-
ca.
Em todos os part|dos há o r|sco de se man|-
íestarem ·|ooo|es· e pressoes. Ex|ste a ame-
aça da |og|ca do ·poder pe|o poder·, da po-
||t|ca como encenação de s| mesma, da
soorepos|ção da |magem e da sondagem às
verdade|ras questoes de íundo. Mas as gran-
des oata|has po||t|cas não se ganham so em
torno de oo|ect|vos mater|a|s. Oanham-se em
torno de causas, de programas e de metas
mora|s.
2.3. Fa|a-se mu|to em cr|se da representa-
ção e em reíorma do s|stema democrát|co.
Para |mpu|s|onar essa reíorma, o PB tem de
começar por s| propr| o. Üm part| do
anestes|ado não pode pretender moo|||zar os
c|dadãos e comoater a |nd|íerença perante a
po||t|ca. O PB tem de ser um part|do aoerto.
Mas sem de|xar de ser um part|do de m|||tan-
tes. Fo| com os m|||tantes que travámos, em
1975, a oata|ha pe|a democrac|a p|ura||sta em
Portuga|. Fo| com e|es que e|egemos Már|o
Boares e Jorge Bampa|o para Be|em. Fo| com
e|es que, em 1995, em torno de Anton|o
Outerres, pusemos í|m à degradação da de-
mocrac|a em que se transíormara o consu|a-
do cavaqu|sta. Bem m|||tantes, sem oases ac-
t|vas e |nterven|entes, tudo í|ca reduz|do à |o-
g|ca do apare|ho e ao r|sco de carre|r|smos,
que e tanto ma|or quanto ma|ores as respon-
sao|||dades que detemos no poder.
Por |sso o regresso do PB aos Oongressos
deve ser marcado pe|o deoate |deo|og|co,
pe|o coníronto de |de|as, pe|a contr|ou|ção
para a construção de uma a|ternat|va. Mas
não há a|ternat|va sem ava||ação cr|t|ca do
que í|zemos e do que está por íazer. Nem há
a|ternat|va se não contrapusermos, às pres-
soes dos |nteresses e das con|unturas, a |o-
g|ca dos nossos va|ores e das nossas con-
v|cçoes.
2.4. O governo e um orgão de sooeran|a que
tem a sua |og|ca e autonom|a propr|as. Mas
o PB, sem queora de so||dar|edade com o
governo, deve saoer preservar o seu espaço
de |ntervenção. Há um espaço do governo e
há um espaço do part|do. Nem o part|do pode
comandar o governo, nem o governo pode
íazer do part|do s|mp|es |nstrumento de cam-
panhas e|e|tora|s. O PB não e, nem pode ser,
uma ca|xa de ressonânc|a ou uma corre|a de
transm|ssão do governo.
Bempre | utámos contra este t| po de
|nstrumenta||zação na soc|edade democrát|-
ca.
Temos de reí|ect|r soore o nosso re|ac|ona-
mento com a soc|edade, com o governo e
connosco propr|os. Oaoe-nos a enorme res-
ponsao|||dade de |mpr|m|r um novo |mpu|so
ao deoate soc|a||sta. No part|do, no pa|s, na
Europa e ate no mundo.
É para |sso que estamos aqu|.
3. O caminho que fizémos
3.1 A vitória de 1995
A v|tor|a do PB em 1995 ío| a ma|or ate ho|e
oot|da em Portuga| por um part|do da opos|-
ção contra o poder estaoe|ec|do. O que, num
pa|s como o nosso, s|gn|í|cou o tr|unío da
cu| tura democrát| ca contra a trad| ção
s|tuac|on|sta.
Por |sso se promoveram moo|||zaçoes como
o Oongresso ·Portuga|, que íuturo?· e os Es-
tados Oera|s.
O mer|to de Anton|o Outerres ío| ter procura-
do responder à cr|se do s|stema e ao desen-
canto dos c|dadãos com uma |og|ca de aoer-
tura, renovação e d|á|ogo. O que o PB pro-
pos aos portugueses ío| uma nova íorma de
íazer po||t|ca. Outra cu|tura democrát|ca, ou-
tra sens|o|||dade soc|a|, outra perspect|va
human|sta, outra consc|enc|a h|stor|ca e cu|-
tura|.
O PBD de Oavaco B||va ía|hou. No p|ano po-
||t|co, porque nunca teve um entend|mento
democrát|co do que e ma|or|a aoso|uta. No
p|ano econom|co, porque ío| |ncapaz de co-
|ocar Portuga| no ·pe|otão da írente· da Eu-
ropa e de|xou a estrutura produt|va portugue-
sa desorgan|zada. No p|ano soc|a|, porque a
arrogânc|a tecnocrát|ca o de|xou |nd|íerente
ao desemprego e à exc|usão. E no p|ano cu|-
tura|, porque ret|rou à po||t|ca a d|mensão
mora| e humana sem a qua| e|a não tem qua|-
quer grandeza.
3.2. A experiência de governo
Anton|o Outerres propos aos portugueses |n-
verter esta |og|ca de degradação da v|da de-
mocrát|ca. No p|ano po||t|co, |ntroduz|u no
poder um novo est||o e uma nova cu|tura de-
mocrát|ca. Prat|cou o d|á|ogo com todos os
quadrantes, respe|tou o pape| dos orgãos de
sooeran|a e das opos|çoes, deíendeu a au-
tonom|a e d|gn|dade da íunção par|amentar.
No p|ano econom|co, consegu|u que Portu-
ga| part|c|passe no núc|eo duro das dec|soes
soore a Ün|ão Econom|ca e Monetár|a e t|-
vesse uma voz act|va e so||dár|a na constru-
ção europe|a. A entrada de Portuga| na pr|-
me|ra íase do euro não ío| uma suom|ssão
aos cr|ter|os monetar|stas de Maastr|cht. Fo|
um |nstrumento e uma oportun|dade para
ooter vantagens econom|cas e í|nance|ras
que podem contr|ou|r dec|s|vamente para o
desenvo|v|mento do pa|s e para o oem estar
dos portugueses. Oarant|u-se um r|tmo de
cresc|mento econom|co super|or à med|a
europe|a e cr|ou-se emprego. No p|ano soc|-
a|, não se esconderam as des|gua|dades
geradas pe|o desemprego, pe|a exc|usão,
pe|as deí|c|enc|as estrutura|s dos serv|ços de
saúde e de |ust|ça e pe|os o|oque|os e |nsuí|-
c|enc|as do s|stema educat|vo. ln|c|aram-se
reíormas de íundo, como a da rede pre-es-
co|ar ou a da Adm|n|stração Púo||ca. Lança-
ram-se as oases da reíorma í|sca|, da reíor-
ma da Begurança Boc|a|. Oomeçou a mod|í|-
car-se o re|ac|onamento das íorças po||c|a|s
com os c|dadãos. lnst|tu|u-se o rend|mento
m|n|mo garant|do. Oumpr|ram-se pro|ectos de
prest|g|o para o nosso pa|s, como a EXPO
98. Ooncret|zaram-se ooras púo||cas de gran-
de re|evânc|a na rede nac|ona| de acess|o|||-
dades. Aumentaram-se os me|os í|nance|ros
à d|spos|ção das autarqu|as. Peíorçaram-se
as dotaçoes para os sectores soc|a|s nos
sucess|vos Orçamentos de Estado, com des-
taque para o da educação em 1999. Oum-
pr|u-se a promessa de não agravar os |mpos-
tos. E tudo |sto sem ma|or|a aoso|uta no par-
|amento, sem aoandonar o d|á|ogo com os
parce| ros soc| a| s e sem derrapagens
orçamenta|s que nos ter|am exc|u|do |med|a-
tamente do euro.
3.3. A experiência
de maioria parIamentar
Mas não podemos esquecer o pape| do Oru-
po Par|amentar do PB na Assemo|e|a da Pe-
púo||ca. Os deputados e|e|tos pe|o PB pro-
curaram |mped|r que o Par|amento e o pro-
pr|o Orupo Par|amentar se de|xassem reduz|r
a uma mera câmara de eco do governo, res-
pondendo a||ás ao desaí|o nesse sent|do |an-
çado pe|o pr|me|ro m|n|stro na apresentação
do programa do governo. Não ía|taram, por
parte da nossa oancada, o apo|o e a so||dar|-
edade às propostas do execut|vo. Mas os
deputados soc|a||stas não presc|nd|ram de
apresentar tamoem as suas propr|as propos-
tas, as sua propr|as |de|as e ate as suas cr|t|-
cas e chamadas de atenção, quando o en-
tenderam necessár|o.
A pressão das agendas dos part|dos das
opos|çoes e o íacto de não d|spormos senão
de uma ma|or|a re|at|va cond|c|onaram, e cer-
to, a actuação do Orupo Par|amentar. O
tact|c|smo s|stemát|co do PBD de Marce|o
Peoe|o de Bousa pre|ud|cou, por vezes, a
estrateg|a do PB. Nem sempre o deoate ío|
suí|c|ente. Apagaram-se a|guns íogos, |ança-
ram-se, por outro |ado, temas quentes que
d|v|dem a soc|edade portuguesa. Mas o Oru-
po Par|amentar do PB demonstrou, sem que-
ora de so||dar|edade com o governo, que não
devemos ter medo de enírentar os proo|emas,
por mu|to |ncomodos ou d|í|ce|s que e|es se-
|am. Peaí|rmámos a nossa v|são da demo-
crac|a, em que a so||dar|edade e ate os |aços
aíect|vos e de camaradagem que nos unem
não exc|uem a d|íerença de op|n|oes e sens|-
o|||dades. E em que os consensos são pro-
curados pe|o d|á|ogo e pe|a vontade de os
constru|r e não |mpostos por mera d|sc|p||na
part|dár|a. É por |sso que não tem sent|do ía-
zer do s||enc|o uma v|rtude. No PB n|nguem
manda ca|ar n|nguem. Oonvem a||ás |emorar
o que o PB prometeu no Programa E|e|tora|:
·a nova ma|or|a garant|rá que a Assemo|e|a
da Pepúo||ca ocupará um pape| centra| no
s|stema po||t|co e que os deputados do PB e
da nova ma|or|a exercerão as suas íunçoes
de contro|o do governo sem at|tudes de suo-
serv|enc|a, com esp|r|to cr|t|co e assum|ndo
um protagon|smo act|vo que d|gn|í|que a pro-
pr|a |nst|tu|ção par|amentar aos o|hos do con-
|unto dos c|dadãos·.
Apesar de o governo de Anton|o Outerres não
d|spor de ma|or|a aoso|uta na Assemo|e|a da
Pepúo||ca, sa|vaguardaram-se as pr|nc|pa|s
propostas do execut|vo nas votaçoes par|a-
mentares, nomeadamente em mater|a de
Orçamento de Estado. Fo| poss|ve| ev|tar co-
||gaçoes negat|vas, que ter|am desencadea-
do cr|ses governamenta|s. Ao contrár|o da
|nstao|||dade econom|ca e soc|a| que a|guns
vat|c|naram antes das e|e|çoes |eg|s|at|vas,
em caso de v|tor|a do PB, t|vemos estao|||da-
de governat|va.
3.4. O PS e os órgãos de soberania
O Part|do Boc|a||sta íez e|eger destacados
m|||tantes seus para a cheí|a dos pr|nc|pa|s
orgãos de sooeran|a po||t|ca: Jorge Bampa|o,
A|me|da Bantos e Anton|o Outerres.
Bomos, ho|e como no passado, a pr|nc|pa|
garant|a da estao|||dade democrát|ca. Ta| íac-
MOÇÁO POL/7/CA DE OR/EN7AÇÁO NAC/ONAL
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 15
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
to e, para todos nos, mot|vo de responsao|||-
dade acresc|da. É por |sso que não pode-
mos ||m|tar-nos, neste Oongresso, a ava||ar o
que ío| íe|to. Temos de nos quest|onar soore
o que não ío| íe|to, soore as ||çoes a t|rar de
erros comet|dos e, sooretudo, soore os ca-
m|nhos que temos de deoater e aproíundar
para constru|r a a|ternat|va que nos caoe ser.
4. O que tem de ser questionado
4.1. O papeI do PS e o do governo
4.1.1. A modern|dade e |dent|dade dos part|-
dos soc|a||stas e |nseparáve| da sua organ|-
zação e íunc|onamento |nterno. A concepção
democrát|ca do soc|a||smo assenta na demo-
crac|a representat|va |nterna, na ||oerdade e
no p|ura||smo de op|n|oes e sens|o|||dades e
na |de|a de um part|do pro|ectado para íora
de s| mesmo e aoerto à soc|edade.
Mas a modern|dade do PB não começou ago-
ra. Aí|rmou-se em 74/75, quando, pe|a pr|me|-
ra vez numa s|tuação revo|uc|onár|a, os soc|-
a||stas ousaram preservar a sua autonom|a e
garant|r a v|tor|a da |eg|t|m|dade democrát|ca
soore a |ega||dade revo|uc|onár|a, aor|ndo
ass|m o cam|nho a uma nova era de transíor-
maçoes democrát| cas na Orec| a, em
Espanha, no Bras|| e noutros pa|ses da Ame-
r|ca Lat|na. O PB ío| então p|one|ro de um
comoate entre duas concepçoes de soc|a||s-
mo. Ousou aí|rmar que a ||oerdade e um va-
|or em s| mesmo revo|uc|onár|o. E que a ver-
dade|ra revo|ução, nos d|as de ho|e, não e
um pro|ecto de conqu|sta v|o|enta de poder.
É um pro|ecto de transíormação das estrutu-
ras econom|cas, soc|a|s e po||t|cas que não
pode rea||zar-se senão em ||oerdade e em de-
mocrac|a.
Oouoe ao PB em Portuga|, por razoes h|stor|-
cas, íazer um pouco de tudo para garant|r e
conso||dar a democrac|a p|ura||sta. Depo|s de
c|nquenta anos de d|tadura e contra as der|-
vas comun|sta e anarco-popu||sta, t|vemos de
constru|r o Estado de D|re|to e de sa|vaguar-
dar os d|re|tos po||t|cos e soc|a|s. Mas, no
p|ano econom|co, ío| prec|so íazer rea|usta-
mentos que mu|tas vezes íoram |nterpretados
como sendo ·meter o soc|a||smo na gaveta·.
Már|o Boares |á vár|as vezes o exp||cou. O
soc|a||smo que nos acusaram de ·ter met|do
na gaveta· era a car|catura do soc|a||smo, o
·soc|a||smo rea|· que ía||u h|stor|camente.
4.1.2. Tem razão Anton|o Barreto quando aí|r-
ma não haver uma íorte trad|ção soc|a||sta
em Portuga|, pe|o menos ate ao 25 de Aor||.
A part|r de 1891, o Part|do Pepuo||cano ao-
sorveu prat|camente a corrente soc|a||sta. A
trad|ção do mov|mento operár|o portugues e
anarqu|sta e comun|sta. Bo depo|s do 25 de
Aor|| e que o PB se enra|za verdade|ramente
na soc|edade portuguesa, ne|e converg|ndo
vár|as |nsp|raçoes, a repuo||cana, a do mar-
x|smo não dogmát|co, a serg|ana e a do ca-
to||c|smo progress|sta. O rea||smo cr|ador de
Már|o Boares consegu|rá íazer a s|ntese das
vár|as tendenc|as e marcar íortemente a na-
tureza or|g|na| do PB portugues. Mas ío| num
comoate da esquerda contra a esquerda,
ma|s concretamente entre o pro|ecto do so-
c|a||smo democrát|co e o mode|o comun|sta
de t|po sov|et|co, que o PB mo|dou a sua |den-
t|dade Bendo certo, tamoem, que mu|ta gen-
te sem íormação soc|a||sta ve|o então aco-
|her-se no PB. Este processo h|stor|co cr|ou
natura|s amo|gu|dades e de|xou marcas pro-
íundas nos do|s pr|nc|pa|s part|dos da esquer-
da, no s|stema po||t|co, na propr|a soc|edade
e em toda a esquerda portuguesa. A|nda ho|e
se cons|dera como natura| e |eg|t|ma qua|-
quer a||ança à d|re|ta ou da d|re|ta entre s| e
se encara como uma espec|e de pecado
morta| qua|quer aprox|mação da esquerda
com a esquerda.
Em 1974, o PB era um part|do íortemente |de-
o|og|co e o part|do soc|a||sta ma|s à esquer-
da da Europa. Oom a pr|or|dade que ío| pre-
c|so dar à conso||dação da democrac|a e a
exper|enc|a do exerc|c|o do poder, essa
amo|gu|dade tendeu a aumentar. A entrada
no PB, na a|tura da a||ança PB-ODB no gover-
no, do grupo de m|||tantes do ex-OlB, entre
os qua|s Jorge Bampa|o, portadores de uma
|mportante exper|enc|a na |uta ant|-íasc|sta,
reíorçou o PB. Mas a|gumas contrad|çoes
permaneceram.
Be h|stor|camente o PB e um part|do de es-
querda, ne|e cont|nuam a coex|st|r vár|as sen-
s|o|||dades. Temos sao|do conv|ver com es-
tas d|íerenças. A exper|enc|a de governo, a||-
ás, tende a reíorçar uma certa |og|ca prag-
mát|ca, de rea||smo. É mu|to d|í|c|| governar
à esquerda, ho|e, com a|guns dos actua|s
constrang|mentos |mpostos pe|a construção
europe|a. É por |sso que nenhuma a|ternat|va
será poss|ve| senão à esca|a europe|a. Mas
em cada momento devemos |emorar-nos que
os portugueses, em 1995, votaram pe|a mu-
dança e não para que se cont|nue a ger|r o
que está. É prec|so deí|n|r uma estrateg|a para
o íuturo.
4.1.3. O PB e o grande p||ar da democrac|a
portuguesa. Mas o seu íunc|onamento |nter-
no a|nda não e sat|síator|o. É prec|so com-
pensar a aoertura aos |ndependentes e à so-
c|edade para aproíundar a nossa propr|a |den-
t|dade e v|ta||dade. Não se pode correr o r|s-
co de ass|st|r a uma d||u|ção do PB ou à sua
redução ao apare|h|smo. No PB, todos os
m|||tantes devem part|c|par na deí|n|ção da
||nha po||t|ca do part|do e não remeter-se ao
s|mp|es pape| de tareíe|ros.
Mas a ameaça ao PB não vem de íora nem
dos |ndependentes. \em de|e propr|o. Boore-
tudo das amo|gu|dades e do coníorm|smo. A
modern|zação do PB não pode ser a sua
transíormação num part|do descaracter|zado.
Nem o seu esvaz|amento e a sua redução a
uma |og|ca de poder pe|o poder. Não há so-
c|a||smo sem sonho, |nconíorm|smo e reoe|-
d|a. O pape| do PB, quando está no governo,
pressupoe a vontade permanente de não nos
res|gnarmos a governar nas cond|çoes e ||-
m|tes |mpostos pe|a d|re|ta.
A esquerda e uma trad|ção, uma cu|tura, um
|mag|nár|o. O PB não o pode esquecer. Não
podemos í|car entre a sondagem e |magem.
Temos de saoer res|st|r à d|tadura do |med|a-
to e do med|át|co. Temos de compreender
que há um espaço do governo e há um espa-
ço do part|do. Nem o part|do a comandar o
governo. Nem o governo a d||u|r o part|do e a
reduz|-|o a um s|mp|es |nstrumento de cam-
panhas e|e|tora|s.
Temos de reao|||tar o deoate, a po||t|ca e a
|deo|og|a. Temos de preservar a autonom|a
do part|do e desenvo|ver a sua capac|dade
de reí|exão e |ntervenção. Nem o governo
pode ca|r na tentação de ser e|e propr|o a
d|recção do part|do. Nem a d|recção do par-
t|do pode dem|t|r-se de ser e|a propr|a a pen-
sar e dec|d|r a po||t|ca do part|do.
A v|da po||t|ca portuguesa está, trad|c|ona|-
mente, demas| ado marcada pe| o
governamenta||smo e pe|o c||ente||smo. O PB
tem de contrar|ar esses ve|hos pecados. Nem
a part| dar| zação do Estado, nem a
governamenta||zação do part|do.
Temos de promover a transparenc|a da v|da
po||t|ca, íazer a pedagog|a do c|v|smo, da
ded|cação à co|sa púo||ca. Temos de ser o
exemp|o das v|rtudes repuo||canas da honra-
dez e do desapego pessoa| do poder. O PB
tem de ser |ntrans|gente na deíesa da esquer-
da dos va|ores contra a d|re|ta dos |nteres-
ses. Bomos um part|do da esquerda demo-
crát|ca e não apenas um grupo com preocu-
paçoes soc|a|s de mercado.
4.1.4. Mas não são os d|r|gentes e deputa-
dos do PB que, por s| sos, podem deíender o
part|do. As oases são responsáve|s. Oada
m|||tante e pessoa|mente responsáve|. É por
|sso que as oases tem de íazer ouv|r a sua
voz. E tem de tomar responsao|||dade pe|o
íuturo do part|do e da democrac|a. É este o
momento pr|v||eg|ado para o íazer, neste Oon-
gresso. Mas o deoate e a reí|exão não po-
dem parar aqu|.
Temos de nos |nterrogar soore a nossa prát|-
ca dentro do PB. A nossa trad|ção e a da
p|ura||dade de op|n|oes. Mas |sso não s|gn|í|-
ca que não tenha de haver, no PB, me|hor
coordenação entre os d|íerentes orgãos do
part|do. Temos de garant|r o respe|to pe|as
dec|soes dos orgãos nac|ona|s. Temos de
reí|ect|r soore o seu me|hor íunc|onamento e
soore a separação de íunçoes, para preser-
var a autonom|a e espaço propr|os, quer do
governo, quer do part|do.
Üma nova cu|tura democrát|ca deve come-
çar por nos propr|os. Pe|o governo, pe|o par-
t|do, pe|o grupo par|amentar, pe|as oases.
Pe|a deí|n|ção de regras c|aras que perm|tam
preservar a autonom|a de cada um. Pe|e|ta-
mos a v|são esta||n|sta de por a part|do a co-
mandar o governo. Mas tamoem não quere-
mos repet|r o erro cavaqu|sta de por o gover-
no a comandar o part|do.
4.2. O papeI do Estado
no contexto da União Europeia
e da gIobaIização
4.2.1. A |og|ca neo-||oera| dom|na a econo-
m|a mund|a|. É e|a que está a suoverter os
íundamentos human|stas da nossa c|v|||zação
e a m|nar Estados-Prov|denc|a tão íortes
como eram, por exemp|o, os da Buec|a e da
A|emanha. O desemprego estrutura|, a exc|u-
são soc|a| e a desregu|ação das nossas so-
c|edades devem-se à d|tadura dos mercados
í|nance|ros e à co|on|zação da Europa por um
mode|o |ncompat|ve| com os va|ores da sua
cu|tura e da sua c|v|||zação. Passou-se da te-
o|og|a de Estado para a teo|og|a de merca-
do. Ho|e, esta e a questão de íundo de todo
e qua|quer deoate po||t|co.
A mund|a||zação do mode|o neo-||oera| e
responsáve| pe|a cr|se do s|stema de repre-
sentação. Há a|ternânc|a mas não há a|ter-
nat|va. E não há a|ternat|va porque as mu-
danças po||t|cas não podem ser acompanha-
das de mudanças na econom|a. Mas nenhu-
ma reíorma do s|stema po||t|co vencerá a
cr|se actua| se não íor acompanhada de
po||t|cas econom|cas e soc|a|s que |nvertam
a |og|ca do mode|o neo-||oera|. Esta e a gran-
de ||nha d|v|sor|a entre a esquerda e a d|re|-
ta, entre soc|a||stas e conservadores. Esta e
a grande oata|ha de que va| depender o íu-
turo do nosso dest|no nac|ona| e do nosso
dest|no europeu. Üma oata|ha que ex|ge
concertação à esca|a europe|a, para que ao
mode|o neo-||oera| que nos pretende co|o-
n|zar se|a poss|ve| contrapor uma Europa
ma|s democrát|ca, ma|s so||dár|a e ma|s so-
c|a|. Mas uma oata|ha que ex|ge tamoem
res|stenc|a e |mag|nação em cada pa|s. O
PB tem s|do p|one|ro mas não pode nunca
aoandonar os seus va|ores e reíerenc|as.
Não pode ceder às pressoes dos ·|ooo|es·,
nem a modas, nem a uma ía|sa modern|za-
ção que não e senão a co|on|zação pe|o pen-
samento e pe|a ||nguagem neo-||oera|s.
4.2.2. O Estado não pode dem|t|r-se das suas
responsao|||dades soc|a|s nem passar à c|an-
dest| n| dade. Ou, como escreveu Peg| s
Deoray, ser transíormado num cr|ado domes-
t|co e domest|cado da soc|edade comerc|a|,
convertendo-se a nação numa espec|e de
soc|edade anon|ma. Numa democrac|a mo-
derna, não se podem separar os d|re|tos po-
||t|cos dos d|re|tos soc|a|s. Não há uns sem
os outros. E so o Estado, como |nstrumento
regu|ador e corrector das |n|ust|ças e des|-
gua|dades, pode |mped|r que a |og|ca cega
do mercado destrua os d|re|tos soc|a|s e es-
vaz|e os d|re|tos po||t|cos.
Oue não ha|a ||usoes: as íracturas soc|a|s re-
su|tantes do mode|o u|tra-||oera| trazem con-
s|go íracturas po||t|cas que poem em r|sco a
estao|||dade democrát|ca em toda a Europa.
Bem o mode|o soc|a| europeu, o actua| nú-
mero de desempregados no ve|ho cont|nen-
te |á ter|a dado |ugar a uma das ma|ores con-
vu|soes soc|a|s de sempre. Por |sso, so a ma|s
extrema | ev| andade pode propor o seu
desmante|amento. Lev|andade. Ou um deí|ce
tota| de sens|o|||dade soc|a|. Ou, para sermos
ma|s c|aros: um deí|ce de esquerda, um
deí|ce de cu|tura po||t|ca soc|a||sta.
O PB está no governo para tentar mudar a
|og|ca de um s|stema oaseado no |ucro, na
exc|usão, na po|u|ção e destru|ção de recur-
sos natura|s e na emergenc|a de novos po-
deres ac|ma dos poderes democrat|camente
const|tu|dos. A suoord|nação do poder eco-
nom|co ao poder po||t|co ío| um das grandes
metas mora|s da democrac|a nasc|da no 25
de Aor||. Bo o PB pode |mped|r que o poder
do d|nhe|ro, o poder med|át|co, o poder da
comun|cação-espectácu|o ou outros - se
sooreponham ao poder democrat|camente
const|tu|do. Para o PB, o Estado não pode
dem|t|r-se das suas responsao|||dades soc|-
a|s ou ser hum||hado d|ante da soc|edade c|-
v||.
4.3. O PS e a renovação
da esquerda
4.3.1. O po|o ag|ut|nador da esquerda tem
de ser o PB. Não podemos de|xar aos outros
a deíesa do patr|mon|o cu|tura| e dos va|ores
da esquerda. Temos de ser nos a assum|-|os,
renová-|os e adaptá-|os às novas rea||dades
da v|da e do mundo.
Nada e tão urgente, sooretudo na Europa,
como o ressurg|mento da esquerda. Para que
as mudanças e rupturas necessár|as se ía-
çam segundo as regras democrát|cas da
a|ternânc|a com a|ternat|va. As v|tor|as e|e|to-
ra|s de vár|os part|dos soc|a||stas e soc|a|s-
democratas na Europa são um íactor de es-
perança. Mas são, tamoem, uma terr|ve| res-
ponsao|||dade. O e|e|torado está cansado de
mudar de governo sem mudar de po||t|ca e
desta vez espera que o seu voto tenha
consequenc|as concretas. No p|ano europeu
e no p|ano nac|ona|.
Anton|o Outerres |á não está |so|ado como
quando precon|zou, em Madr|d, uma nova
sens|o|||dade soc|a| na construção europe|a.
É certo que B|a|r, Josp|n e Bchroeder repre-
sentam rea||dades d|st|ntas. Mas as suas v|-
tor|as expr|mem uma vontade e uma neces-
s|dade de mudança. Oomeçam a ex|st|r con-
d|çoes para uma nova d|nâm|ca po||t|ca e
soc|a| ||derada pe|a esquerda no processo de
construção europe|a.
4.3.2. Mas a|go tem de mudar tamoem no
p|ano |nterno. Há uma parte da esquerda e
da extrema esquerda que não íaz outra co|sa
senão atacar o PB. A|guns a|nda estão do
outro |ado do muro, a|nda não sa|ram de 1975,
a|nda não compreenderam as razoes da ía-
ACÇÃO SOClALlSTA 16 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
|enc|a h|stor|ca dos seus mode|os. Ousta-|hes
adm|t|r que, sem o PB ou contra o PB, não há
qua|quer a|ternat|va de esquerda em Portu-
ga|.
Mas a reconst|tu|ção de uma nova a||ança de
d|re|ta deve oor|gar os part|dos de esquerda
a repensar as suas re|açoes e as suas so|u-
çoes po||t|cas. Não porque o PB não possa,
soz|nho, enírentar e derrotar a nova AD. Mas
por uma questão de pr|nc|p|o e por uma ex|-
genc|a de estao|||dade. Não ace|tamos a |de|a
de que so há estao|||dade ao centro e à d|re|-
ta, ou que a estes compet|r|a governar e à
esquerda sonhar. Üma democrac|a adu|ta não
pode exc|u|r o d|á|ogo no se|o da esquerda.
Não tanto, no nosso caso, para derrotar uma
co||gação de d|re|ta, como, sooretudo, para
reíorçar a oase soc|a| e a estao|||dade de um
governo de esquerda. A esquerda não pode
automut||ar-se nem presc|nd|r, por s|stema, de
uma parte de s| mesma. Üm ta| estado de
esp|r|to e uma doença |níant|| da democrac|a
portuguesa. A esquerda não e un|voca, a es-
querda e p|ura|. É essa a nova d|mensão da
esquerda democrát|ca.
4.3.3. A renovação e aoertura da esquerda
passam pe|a renovação e aoertura do POP.
Ta| não s|gn|í|ca queora de autonom|a e |den-
t|dade nem a transíormação do POP em mu-
|eta do PB. Mas o PB não pode ped|r ao POP
para se renovar e aor|r sem ser capaz de
empreender um d|á|ogo ser|o com um POP
renovado, sem taous nem sectar|smos.
Não se comoate um sectar|smo com outros
sectar|smos. Nem se constro| uma po||t|ca de
esquerda d|a|ogando preíerenc|a|mente com
a d|re|ta soc|a| e po||t|ca. Oovernar à esquer-
da |mp||ca ser capaz de d|a|ogar construt|va-
mente com a outra parte da esquerda.
4.3.4. Mas a renovação do PB e da esquer-
da não se pode tamoem íazer sem as novas
geraçoes. O que ped|mos aos |ovens de ho|e
não e que se|am |gua|s a nos. O que |hes
ped|mos e que se|am e|es propr|os, que pen-
sem pe|a sua caoeça, que não se de|xem
|nstrumenta||zar nem man|pu|ar por quem
quer que se|a. Oomo d|z|a Jean Pau| Bartre,
·que não tenham medo de agarrar a |ua, por-
que nos prec|samos de|a·. Oue não tenham
medo de ousar o |mposs|ve|, porque so a |u-
ventude capaz de ousar o |mposs|ve| pode
oor|gar o poder a ousar um pouco do que e
poss|ve|. Oue se|am o |nconíorm|smo, a
|rreverenc|a, a reoe|d|a e o contra-poder de
que todos os poderes prec|sam.
É este a||ás o pape| que a JB vem desempe-
nhando. Devemos reconhecer-|he o d|re|to de
|n|c|at|va e de agendamento de pro|ectos pro-
pr|os no Par|amento, ta| como o tem íe|to, na
med|da em que |sso s|gn|í|ca um acto de au-
tonom|a, de ||oerdade e, por |sso mesmo, de
reaí|rmação da modern|dade e |dent|dade do
propr|o Part|do Boc|a||sta. O PB e, por exce-
|enc|a, um part|do da so||dar|edade |nter-
gerac|ona|.
5. Construir uma aIternativa
5.1. O papeI do sociaIismo
democrático na construção europeia
5.1.1. As d|í|cu|dades da esquerda democrá-
t|ca não são so um íenomeno portugues. \e-
r|í|cam-se um pouco por toda a Europa. Há
esquerda como res|stenc|a, como nosta|g|a,
como vontade de mudança do e|e|torado.
Mas, de certo modo, a|nda não há esquerda
como pro|ecto a|ternat|vo. E essa e a pr|nc|-
pa| razão da cr|se do s|stema e do aprove|ta-
mento, pe|a extrema-d|re|ta, da íractura soc|-
a| que a|astra na Europa. Os deserdados e
os exc|u|dos í|caram sem reíerenc|as nem
·terra promet|da·. De|xaram de sonhar com
o ·grande d|a·. Os seus votos e a sua revo|ta
passaram a ser cap|ta||zados por todas as
íormas de nac| ona| | smo, xenoíoo| a,
íundamenta||smo e mesmo neo-íasc|smo.
Mas o í|m de uma revo|ução errada não pode
s|gn|í|car o í|m da |de|a e da necess|dade de
mudança. A |de|a de revo|ução e que tem de
mudar.
A íractura da esquerda ío|, durante mu|to tem-
po, a íractura entre reíorma e revo|ução. A
pr|me|ra deíend|da por soc|a||stas e soc|a|s-
democratas. A segunda, |dent|í|cada com o
mode|o russo, pe|os comun|stas. A sa|da so
poderá íazer-se pe|a superação dessa ve|ha
íractura. Üma perspect|va de íuturo não pode
ser outra senão a de um pro|ecto de transíor-
mação da soc|edade por v|a da reíorma do
s|stema, no quadro da democrac|a po||t|ca e
no ma|s aoso|uto respe|to pe|a ||oerdade e
pe|os d|re|tos humanos. A nova esquerda,
sem a construção da qua| será mu|to d|í|c||
sa|r da cr|se do s|stema actua|, supoe um
esíorço de s|ntese entre a |de|a democrát|ca
e a |de|a de transíormação. Mas passa, tam-
oem, pe|o regresso às or|gens e à propr|a
razão de ser do soc|a||smo: o comoate à ·|n-
|ust|ça |nerente· ao cap|ta||smo e a |nversão
da |og|ca de um s|stema oaseado no |ucro e
na exc|usão.
Na epoca da comp| ex| dade e da
mund|a||zação, ta| não será ta|vez poss|ve|
senão à esca|a cont|nenta|. Não e so porque
não querem que os soc|a||stas, quando no
poder, não íazem esta po||t|ca. É porque não
podem. Porque a|nda não há uma estrateg|a
comum e concertada que perm|ta contrapor,
ao mode|o u|tra||oera|, o pro|ecto de um Eu-
ropa ma|s democrát|ca, ma|s soc|a| e ma|s
part|c|pada. Não se pode ped|r ao PB portu-
gues que íaça soz|nho o que outros part|dos
na Europa não são capazes de íazer. Mas
pode-se ped|r-|he que não se res|gne, que
se|a d|íerente, que se|a sempre um part|do
p|one|ro, um part|do sem medo da pa|avra
soc|a||smo e da pa|avra esquerda.
5.1.2. Oom as v|tor|as dos part|dos soc|a|s-
democratas e soc|a||stas em recentes e|e|-
çoes, aor|u-se um tempo de esperança e ex-
pectat|va. Oomo d|sse L|one| Josp|n, e prec|-
so ev|tar que a econom|a de mercado se
transíorme numa soc|edade de mercado. Mas
para |sso e prec|so um novo ·rea||smo de
esquerda·, uma ·utop|a concreta·, um renas-
cer, sooretudo, da et|ca repuo||cana para re-
ao|||tar a po||t|ca e rev|ta||zar a democrac|a. E
e prec|so dar uma nova d|mensão soc|a| e
so||dár|a à construção europe|a. É prec|so que
nasça um novo c|c|o, marcado pe|a emergen-
c|a de verdade|ras po||t|cas de emprego e de
conso||dação do Estado soc|a|, que const|-
tua uma resposta nova ao pensamento ún|-
co.
A Ün|ão Monetár|a e Econom|ca não pode
d|vorc|ar-se da necess|dade de uma verda-
de|ra Ün|ão po||t|ca. A Europa não pode í|car-
se por uma espec|e de monopo||o do que o
Oenera| De Oau||e chamava ·os per|tos em
ch|nes|ces oruxe|enses·. Há um deí|ce demo-
crát|co, um deí|ce de part|c|pação e um deí|ce
par|amentar. O que se ex|ge da esquerda, ho|e
no poder na ma|or|a dos pa|ses europeus, e
uma pedagog|a c|v|ca que envo|va os par|a-
mentos nac|ona|s e uma ma|or art|cu|ação
com um Par|amento Europeu reíorçado nos
seus poderes e no seu prest|g|o.
O d|vorc|o entre as |nst|tu|çoes e os c|dadãos,
a íractura soc|a| provocada pe|o desempre-
go e pe| a exc| usão e um processo de
g|ooa||zação que poe em causa os íundamen-
tos da nossa c|v|||zação human|sta e da nos-
sa |dent|dade europe|a oaseada na d|vers|-
dade cu|tura| estão a cr|ar uma cr|se de con-
í|ança e de |ncerteza, senão mesmo de an-
gúst|a. A Europa não e apenas o euro, decer-
to necessár|o, mas sooretudo um pro|ecto
po||t|co oaseado nos va|ores da ||oerdade, da
c|dadan|a, da to|erânc|a e da so||dar|edade.
E tamoem um pro|ecto soc|a| |ncompat|ve|
com íenomenos de rac|smo, |nto|erânc|a e xe-
noíoo|a.
5.1.3 Houve sempre, em Portuga|, como es-
creveu Anton|o Berg|o, duas po||t|cas nac|o-
na|s. Üma apontando para a restruturação do
pa|s com oase na educação, na reíorma da
menta||dade e na reorgan|zação do s|stema
produt|vo. Outra oaseada no íác|| enr|quec|-
mento à custa dos apo|os v|ndos de íora. E
houve sempre, em Portuga|, duas at|tudes em
re|ação à Europa: a da d|re|ta u|tramontana
para quem a Europa ío| sempre uma pa|avra
per|gosa e uma |de|a suovers|va. E a da tra-
d|ção progress|sta que sempre assoc|ou a
Europa à ||oerdade, ao esp|r|to cr|t|co e à |de|a
de que e poss|ve| transíormar a soc|edade.
O PB não pode o|har para a Europa como a
nova árvore das patacas, com uma po||t|ca
econom|c|sta e aod|cat|va. Temos de vo|tar a
ter o gosto da descooerta e da d|íerença,
est|mu|ado pe|o que há de me|hor na nossa
trad|ção human|sta e un|versa||sta. Não oas-
ta co|ocar o poder monetár|o nas mãos de
í|nance|ros ortodoxos. É necessár|o um con-
trapeso po||t|co e uma art|cu|ação das po||t|-
cas nac|ona|s que possa garant|r o íuturo de
um pro|ecto europeu com menos tecnocrac|a
e ma|s c|dadan|a. Oomo d|sse Már|o Boares,
a Europa será a Europa dos c|dadãos, uma
Europa po||t|ca e so||dár|a, ou não será.
Nenhum Estado pode ho|e responder soz|-
nho, com eí|các|a, ao grande proo|ema do
desemprego. Face à |og|ca da mund|a||zação,
há que reaí|rmar a |dent|dade europe|a, sem
pre|u|zo das d|vers|dades cu|tura|s e ||ngu|s-
t|cas que de|a íazem parte |ntegrante. Há que
art|cu|ar po||t|cas econom|cas, soc|a|s e
amo|enta|s que perm|tam |nverter a |og|ca
monetar|sta que ate agora tem predom|nado
na construção europe|a. E há que coordenar
as po||t|cas externas e desegurança. A Euro-
pa não pode dem|t|r-se de ter uma voz act|va
no contexto |nternac|ona|, em deíesa da paz
e da cooperação, contrar|ando a hegemon|a
geo-estrateg|ca e m|||tar dos Estados Ün|dos.
É essa a pesada responsao|||dade que caoe
aos soc|a||stas europeus. A de re|ançar a es-
querda e dar uma nova resposta, à esca|a do
cont|nente, aos grav|ss|mos proo|emas soc|-
a|s que são íruto do u|tra||oera||smo. E dar
corpo à esperança de vo|tar a íazer da po||t|-
ca, não apenas a gestão daqu||o que está,
mas um |nstrumento de mudança e de trans-
íormação da soc|edade e da v|da. Para |sso
e necessár|o manter a un|dade e a coerenc|a
do soc|a||smo europeu.
5.2. Os desafios da gIobaIização
e da mundiaIização
5.2.1. A grande pergunta que ho|e se co|oca
e aque|a que Ooroatchov |ançou ao mundo,
em Moscovo, num |á d|stante |nverno: a de
ser ou não ser, no p|ano g|ooa| de toda a hu-
man|dade. Baoer se há ou não a h|potese de
um íuturo e a poss|o|||dade de cont|nuação
da v|da humana soore um p|aneta azu| cha-
mado Terra. Esta pergunta e |nseparáve| da
|og|ca econom|ca do s|stema |mperante à
esca|a mund|a|, porque essa |og|ca, a não ser
|nvert|da, não so poe em causa os d|re|tos
|nd|v|dua|s e soc|a|s, como conduz|rá ao es-
gotamento dos recursos sem os qua|s a v|da,
ta| como a conhecemos, não será poss|ve|.
É uma questão í||osoí|ca e ate onto|og|ca. Mas
e tamoem e sooretudo uma questão |deo|o-
g|ca e po||t|ca. E que e a de saoer se há ou
não uma a|ternat|va à desordem dom|nante.
Nunca como ho|e ío| tão grande a cr|se
provocada pe|a |og|ca de um s|stema que,
depo|s de ter |ntegrado as grandes conqu|s-
tas tecno|og|cas, se reve|a |ncapaz de dar
resposta à desordem econom|ca, ao desem-
prego estrutura|, à exc|usão de m||hoes de
seres humanos, em cada pa|s e à esca|a p|a-
netár|a. O cap|ta| í|nance|ro mu|t|p||ca-se e
des| oca-se cada vez ma| s depressa.
Des|oca||za-se. Faz novos r|cos mas de|xa um
corte|o de poores e novos exc|u|dos. Amea-
ça de co|apso as per|íer|as do s|stema e os
pa|ses com írag|||dade í|nance|ras, su|e|tos a
ataques especu|at|vos de d|mensoes nunca
v|stas. A cr|se í|nance|ra que a|astrou, dos
mercados as|át|cos à Púss|a e |á ameaça gra-
vemente o Bras|| e toda a Amer|ca Lat|na,
pode m|nar, de um momento para o outro,
pe|a |ncerteza e pe|a vo|at|||dade, o propr|o
íunc|onamento dos ma|ores centros í|nance|-
ros do mundo. A ·mão |nv|s|ve|· ía|hou. Bão
os ma|s ortodoxos u|tra||oera|s, como M||ton
Fr|edman, quem vem agora ped|r a nac|ona-
||zação da oanca no Japão.
A g|ooa||zação e o s|stema econom|co dom|-
nante mod|í|caram a trad|c|ona| un|dade en-
tre o traoa|hador e o |oca| de traoa|ho, a re|a-
ção do homem com a c|dade, a propr|a re|a-
ção da íam|||a e das pessoas entre s|. Oostu-
mes, cu| turas, trad| çoes, | aços íoram
destru|dos. O homem está so no grande mer-
cado do mundo. Já não e dono do seu tem-
po, dos seus |nstrumentos de traoa|ho, da sua
casa e de s| mesmo. Já não e c|dadão, e
consum|dor.
O mund|a||smo, como escreveu o ed|tor|a||sta
do ·Hera|d Tr|oune·, e uma esco|ha |deo|og|-
ca dos Estados Ün|dos da Amer|ca. E que
esco|ha e essa? A |mpos|ção de um mode|o
econom|co, o u|tra||oera||smo, a todo o p|a-
neta. A d|tadura dos mercados í|nance|ros
soorepoe-se aos Estados. As grandes dec|-
soes de|xam de ser tomadas pe|os d|r|gen-
tes nac|ona|s democrat|camente e|e|tos. O
poder med|át|co e o poder í|nance|ro querem
estar ac| ma do poder po| | t| co. A
homogene|zação íavorece a hegemon|a da
potenc|a dom|nante. E a|em das íracturas
soc|a|s que está a provocar, varre as |dent|-
dades nac|ona|s, eníraquece os Estados,
apaga as s|ngu|ar|dades e as d|íerenças cu|-
tura|s. E |mpoe um mode|o econom|co ún|-
co, um pensamento ún|co e uma cu|tura ún|-
ca. Ass|m se |mpoem as modas, os compor-
tamentos, as |de|as e ate a ||ngua. Estamos
perante uma nova ameaça: uma cu|tura ún|-
ca, contra aqu||o a que M|gue| Torga chamou
·a í|s|onom|a |nconíund|ve| de cada povo·.
5.2.2. É por |sso que não há so|ução para o
desemprego estrutura| nem para a exc|usão.
É por |sso que se acentua a cr|se de coní|an-
ça e de cred|o|||dade no s|stema po||t|co, ao
mesmo tempo que pro||íeram os r|scos e as
tentaçoes popu||stas. E e por |sso que e ne-
cessár| a uma nova esquerda. A esca| a
europe|a, pr|me|ro. Mas capaz de se íazer
ouv|r, tamoem, à esca|a mund|a|. A d|men-
são p|anetár|a do actua| poder econom|co,
í|nance|ro e med|át|co, há que contrapor uma
a|ternat|va po||t|ca. Temos de cont|nuar a ex|-
g|r, como o íez Anton|o Outerres no Oongres-
so da lnternac|ona| Boc|a||sta, uma reíorma
das |nst|tu|çoes |nternac|ona|s, do FMl ao
Banco Mund|a|, para que de|xem de ser arau-
tos e agentes do pensamento ún|co. Outra
|og|ca terá de pres|d|r à Organ|zação Mund|-
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 17
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
a| do Oomerc|o, para que a ||vre c|rcu|ação
de mercador|as não se torne em ma|s um |ns-
trumento de eníraquec|mento das econom|-
as ma|s íráge|s. É prec|so regu|ar os merca-
dos í|nance|ros mund|a|s, cu|a d|tadura e
|rrac|ona||dade poem em causa a propr|a es-
tao|||dade dos s|stemas po||t|cos democrát|-
cos. Temos de | ntroduz| r mecan| smos
correctores de |n|ust|ças nos mercados í|nan-
ce|ros, do t|po da taxa precon|zada pe|o Nooe|
de Econom|a James Too|n, a ap||car aos
mov|mentos de cap|ta|s, com v|sta à cr|ação
de um íundo de apo|o às econom|as vu|nerá-
ve|s. Temos de deíender a cr|ação de um
Oonse|ho de Begurança para as Ouestoes
Econom|cas nas Naçoes Ün|das. Estes e
mu|tos outros passos tem de ser dados para
|nverter a íat|d|ca |og|ca do neo-||oera||smo
no mundo. Não e poss|ve| cont|nuar a ad|ar a
a|ternat|va que ía|ta. Mas não oasta cr|t|car
os tecnocratas de Bruxe|as. Oomo sugere
P|erre Bourd|eu, e prec|so |nventar uma nova
so||dar|edade |nternac|ona|, pe|o menos à
esca|a europe|a, suscept|ve| de oíerecer uma
a|ternat|va às der|vas nac|ona||stas que nas-
cem da cr|se e se ver|í|cam em numerosos
pa|ses da Europa. Trata-se de constru|r |nst|-
tu|çoes capazes de contro|ar as íorças do
mercado í|nance|ro e de |ntroduz|r mecan|s-
mos de pro|o|ção de qua|quer retrocesso ou
tentat|va de destru|ção das conqu|stas soc|-
a|s.
5.3. As reformas que importa
aprofundar
5.3.1. A modern|dade e um comoate que sem
cessar recomeça. Porque, como d|sse um í|-
|osoío, e um estado nascente, |ndeí|n|damen-
te nascente, do su|e|to, da sua h|stor|a, do
seu sent|do. É d|sso que se trata. De recupe-
rar a |n|c|at|va h|stor|ca, reencontrar o sent|-
do. Baoer se há ou não a|ternat|va ao pensa-
mento ún|co e ao sent|do ún|co. Perante os
comportamentos que provocaram os
desequ|||or|os do presente, as perversoes do
mode|o econom|co dom|nante e aqu||o a que
A|me|da Bantos chamou ·apoca||pse à so|-
ta·, saoer se, como e|e escreveu, e poss|ve|
·uma nova táoua de va|ores, um novo d|re|to,
uma nova |ust|ça, um novo mode|o de desen-
vo|v|mento e part||ha, uma nova autor|dade,
um novo Estado. Üm novo Pacto·.
5.3.2. A |uta pe|os d|re|tos e ||oerdades íun-
damenta|s cumpre-se na v|da quot|d|ana dos
c|dadãos, nas suas rea||zaçoes, part||has e
coní||tos. E tamoem nas |nstânc|as |ud|c|ár|-
as que garantem o acesso ao d|re|to e à rea-
||zação da |ust|ça. Esta rea||zação |nst|tuc|ona|
ex|ge |ndependenc|a, |mparc|a||dade, |gua|-
dade dos c|dadãos, d|re|to a um processo
equ|tat|vo, presunção de |nocenc|a, r|gor de
proced|mento dos agentes |ud|c|ár|os e
tempest|v|dade das dec|soes dos tr|ouna|s.
Oomo d|sse o Pres|dente da Pepúo||ca, Jor-
ge Bampa|o, a questão da |ust|ça, na sua
comp|ex|dade, e ho|e uma questão ·em|nen-
temente po||t|ca·, que a todos |nterpe|a e com-
promete e que ex|ge cooperação |nst|tuc|ona|.
Mas a cr|se da |ust|ça, reve|ada na ·|nsat|sía-
ção gera| quanto ao íunc|onamento das |nst|-
tu|çoes |ud|c|a|s·, não tem a sua or|gem na
ía|ta de |e|s. Não há uma cr|se da |e|. O que
devemos quest|onar e se não há uma cr|se,
·mas de autor|dade, de coní|ança na autor|-
dade da |e|, que se expr|me na garant|a |ud|-
c|ár|a· ou, por outras pa|avras, numa ía|ta de
coní|ança na organ|zação e na adequação
dos proced|mentos |nst|tu|dos. E na |mpun|-
dade de a|guns íace à acção |ud|c|ár|a e íace
à |e|. Na era da med|at|zação, temos de nos
|nterrogar soore se esta organ|zação e estes
proced|mentos a|nda terão v|rtua||dades ·para
d|zer o d|re|to e mode|ar as rea||dades do pre-
sente e do íuturo·.
As rea||dades de ho|e não se oastam pe|a
proc|amação dos d|re|tos e das ||oerdades.
É prec|so garant|r as cond|çoes concretas do
exerc|c|o desses d|re|tos e dessas ||oerdades.
O r|sco de desregu|ação das |nst|tu|çoes |u-
d|c|ár|as e por |sso preocupante. A |ust|ça
pena| está su|e|ta a uma pressão quant|tat|-
va, de pequena cr|m|na||dade. A |ust|ça c|v||
está soorecarregada com a coorança de d|-
v|das de ent|dades í|nance|ras e segurado-
ras. Mas o que não podemos de|xar de ex|g|r
são me|hores resu|tados no comoate à a|ta
cr|m|na||dade moderna: a dos cr|mes reíeren-
tes ao tráí|co da droga, ao oranqueamento
de cap|ta|s, à corrupção. Os novos poderes,
tamoem a|, encontraram esca|as de actua-
ção que contr|ouem para reíorçar o pr|mado
do d|nhe|ro soore os d|re|tos das pessoas.
Nenhuma reíorma do s|stema po||t|co e do
s|stema |ud|c|ár|o vencerá a cr|se actua| se
não íor acompanhada de po||t|cas econom|-
cas e soc|a|s que |nvertam a |og|ca neo-||oe-
ra|. Essa e, como temos v|ndo a d|zer, a gran-
de ||nha d|v|sor|a entre esquerda e d|re|ta,
entre soc|a||stas e conservadores. O que nos
|eva a co|ocar a questão das outras reíormas
que e prec|so aproíundar.
5.3.3 É por |sso que a pos|ção dos soc|a||s-
tas não pode ser outra senão a de deíender
o Estado-Prov|denc|a. Não podemos pactu-
ar com aqu||o a que Manue| \|||averde Oaora|
chamou ·a consp|ração dos r|cos contra os
poores·. O mercado não reparte os ganhos
de produt|v|dade, concentra-os num núc|eo
de pr|v||eg|ados. A |ust|ça não nasce espon-
taneamente do mercado.
A questão não e apenas de í|nanc|amento de
po||t|cas soc|a|s, e de sent|do e mode|o de
soc|edade. O mode|o neo-||oera| com uma
mão cr|a a exc|usão e com a outra oíerece
car| dade. Por | sso pretende o
desmante|amento do Estado-Prov|denc|a a
troco de uma espec|e de ·ass|stenc|a||smo
car|tat|vo· ou de ·segurança soc|a| dos po-
ores·, que passarão a ser c|dadãos de se-
gunda nos seus d|re|tos soc|a|s.
Oomo deíendemos na Oonvenção Nac|ona|
do Oo||seu, não se pode por em causa um
pr|nc|p|o oás|co, que e o da |gua|dade do c|-
dadão perante o Estado. Nem a
oor|gator|edade const|tuc|ona| de um s|ste-
ma de segurança soc|a| un|í|cado. Nem o
pape| red|str|ou|dor de r|queza e corrector de
des|gua|dades que caoe ao Estado. A nossa
trad| ção e a do serv| ço púo| | co, não a
ass|stenc|a||sta. A so|ução soc|a||sta e essa,
não outra.
5.3.4. Mas não haverá reíorma da seguran-
ça soc|a| sem uma reíorma í|sca|. Be não há
recursos suí|c|entes, e porque aque|es que
dev|am pagar ut|||zam a sua |ní|uenc|a para
não pagar. Há c|dadãos que pagam dema|s
e dever|am, ta|vez, pagar menos. Mas há so-
oretudo a|guns que pagam de menos e dev|-
am pagar ma|s.
Begundo o re|ator|o do Orçamento de Esta-
do para 1999, Portuga| e, na Ün|ão Europe|a,
um dos pa|ses em que os |mpostos soore
rend|mentos e |ucros são, comparat|vamen-
te, ma|s oa|xos, enquanto os |mpostos soore
oens e serv|ços, com destaque para o l\A,
se s|tuam mu|to ac|ma da med|a europe|a.
Os |mpostos soore rend|mentos do traoa|ho
são c|aramente super|ores aos |mpostos pa-
gos pe|as empresas. Os |mpostos soore o
patr|mon|o tem um peso d|m|nuto (2,4% em
1997 ) no tota| das rece|tas í|sca|s, mu|to |n-
íer|or ao da genera||dade dos pa|ses da
OODE.
Bão estas d|storçoes, que soorecarregam
cegamente toda a gente por v|a dos |mpos-
tos |nd|rectos, pagos por quem tem e quem
não tem, que prec|sam de ser reíormadas.
Os ma|ores rend|mentos tem de contr|ou|r
proporc|ona|mente para a rece|ta í|sca|.
A questão não e apenas de eí|c|enc|a e í|sca-
||zação. É tamoem de |ust|ça, porque e de
corr|g|r des|gua|dades que se trata. É c|v|ca,
porque não há c|dadan|a sem uma part|c|pa-
ção no esíorço de so||dar|edade nac|ona| que
ao Estado compete promover pe|a v|a da
red|str|ou|ção. E e cu|tura|, porque tamoem
atraves da reíorma í|sca| se pode comoater
o |nc|v|smo e |ncu|tura que M|gue| Torga
veroerou no d|to portugues segundo o qua|
·o que e comum e de nenhum·. Temos de
aprender a r|scar esta írase da nossa ||ngua.
5.3.5. Há, em Portuga|, uma doença da saú-
de. O s|stema nac|ona| de saúde está em cr|-
se. Não podemos de|xar de nos |nterrogar
soore as suas causas. Bomos o pa|s da Ün|ão
Europe|a onde o Estado menos gasta com a
saúde das pessoas e onde as íam|||as contr|-
ouem ma|s pesadamente para essa despe-
sa. Há proo|emas estrutura|s de í|nanc|amen-
to e de organ|zação por detrás da cr|se. Mas
há quem de|a oeneí|c|e. A cr|se do s|stema
púo||co e a me|hor estrateg|a para íorçar as
pessoas a recorrer aos novos s|stemas pr|-
vados. Basta ver o empenhamento das oan-
cas e seguradoras na transíormação da do-
ença em negoc|o rendoso.
E, no entanto, a med|c|na rea||zou nos nos-
sos d|as avanços prod|g|osos que tem sa|vo
e podem sa|var a v|da de m||hoes de pesso-
as. A esperança de v|da e o acesso à saúde
são íactores |ntegrantes do novo conce|to de
desenvo|v|mento humano deíend|do por vo-
zes como a do Nooe| |nd|ano Amartya Ben.
O d|re|to à saúde não pode de|xar de ser uma
das nossas pr|or|dades. A reíorma do s|ste-
ma púo||co de saúde |mp||ca a aí|rmação do
pr|mado da responsao|||dade do Estado na
garant|a do d|re|to à saúde. O serv|ço púo||-
co de saúde e uma das causas emo|emát|cas
do PB.
5.3.6. Todos os grandes mestres que se opu-
seram, em Portuga|, ao ooscurant|smo, apon-
taram para a cond|ção pr|mord|a| de todas
as reíormas: a reíorma da menta||dade, a pro-
moção da educação e da cu|tura, o desen-
vo|v|mento do esp|r|to cr|t|co, do ||vre exame,
da c|dadan|a.
Do lníante D.Pedro a Lu|s Anton|o \erney, de
A|me|da Oarrett e A|exandre Hercu|ano a Eça
de Oue|ros e O||ve|ra Mart|ns, de Antero de
Ouenta| a Ja|me Oortesão, Anton|o Berg|o,
Bento de Jesus Oaraça e tantos outros, há uma
||nhagem de portugueses que sempre esteve
na írente dessa oata|ha. Bata|ha que não pode
ser cont|nuamente ad|ada e cont|nuamente
perd|da.
A educação, d|z|a Anton|o Berg|o, não tem
por oo|ecto manter, mas s|m me|horar e re-
vo|uc|onar a estrutura da soc|edade. O pro-
o|ema e que e antes da esco|a que as des|-
gua|dades se or|g|nam. Nem todos tem, à
part|da, as mesmas oportun|dades. Nem to-
dos aprendem a ía|ar da mesma mane|ra. Há,
por ass|m d|zer, uma |n|ust|ça pr|mord|a|, que
gera todas as outras. É por |sso que a educa-
ção pre-esco|ar e uma pr|or|dade aoso|uta. É
uma responsao|||dade que tem de ser part|-
|hada, porque e, em s| mesma, cond|ção íun-
damenta| da |gua|dade de oportun|dades. As
·cond|çoes concretas da |gua|dade· de que
ía|ava Berg|o, começam a|. E tamoem a| o
Estado não pode dem|t|r-se do pape| que |he
caoe.
\|vemos uma epoca de ráp|das e proíundas
mutaçoes. A revo|ução tecno|og|ca aor|u vá-
r|os hor|zontes poss|ve|s: tanto podem con-
duz|r à ||oertação como à autodestru|ção. E a
mund|a||zação da econom|a não se rea||za
senão com o advento do seu |nverso, a
econom|c|zação do mundo, ou se|a, a trans-
íormação de todos os aspectos da v|da em
questoes econom|cas, senão em mercador|-
as. Ao contrár|o do que pretendem íazer crer
pensadores da moda, a mund|a||zação não
conduz à genera||zação da democrac|a, nem
dos d|re|tos do homem, nem dos va|ores un|-
versa|s e de emanc|pação traz|dos pe|o es-
p|r|to das |uzes. O que acontece e o contrá-
r|o: o esvaz|amento dos d|re|tos po||t|cos e
dos d|re|tos soc|a|s e a cr|ação de soc|eda-
des dua||stas cada vez ma|s des|gua|s.
Por |sso e prec|so um novo pacto. E uma nova
perspect|va na educação, no acesso à |níor-
mação e na cu|tura. É prec|so contrapor, à
teo|og|a de mercado, um novo human|smo,
que começa na esco|a; à d|tadura do |med|a-
to e do med|át|co, as poss|o|||dades cr|at|vas
e |novadoras da soc|edade de |níormação; e
à |og|ca un|íorm|zadora, a preservação da
espec|í|c|dade cu|tura| de cada pa|s, atraves
da deíesa e d|vu|gação da ||ngua e do patr|-
mon|o cu|tura| de cada povo.
5.3.7. Portuga| e uma ve|ha nação com o|to
secu|os de H|stor|a e de un|dade nac|ona|. Mas
nas ú|t|mas decadas tem-se ver|í|cado proíun-
das transíormaçoes nas re|açoes da popu|a-
ção com o terr|tor|o e com a pa|sagem. A con-
centração uroana, o exodo rura| e, ma|s re-
centemente, a |m|gração, tem provocado cres-
centes des|gua|dades demográí|cas reg|ona|s.
Temos um |nter|or cada vez ma|s desert|í|cado
e um ||tora| cada vez ma|s constru|do. Temos,
sooretudo, extensas per|íer|as uroanas, resu|-
tado de decadas de dem|ssão dos poderes
púo||cos perante a construção da c|dade. Ma|s
de metade dos centros uroanos portugueses
não são ho|e c|dades com uma h|stor|a e uma
memor|a. Bão ·oa|rros·, quase todos íruto de
|n|c|at|va pr|vada, onde as pessoas se acumu-
|am em dorm|tor|os |nosp|tos e onde o espa-
ço púo||co e |nex|stente ou descurado. As
des|ocaçoes entre a casa e o emprego tor-
nam-se um pesade|o quot|d|ano. O tempo
perd|do em o|chas aíecta a qua||dade da v|da,
do traoa|ho e do |azer.
Estas transíormaçoes não se deram apenas
em Portuga|. Mas, aqu|, não íoram acompa-
nhadas por po||t|cas nac|ona|s v|radas para a
c|dade. O pa|s encheu-se de ·uroan|zaçoes
sem uroan|smo·, perante a crescente d|í|cu|-
dade das autarqu|as em íazer írente a pres-
soes de construção assoc|adas a cap|ta|s í|-
nance|ros cada vez ma|s poderosos. Entretan-
to, a v|da mudou. Desíez-se a re|ação íam|||ar
trad|c|ona|. As mu|heres entraram em íorça no
mercado de traoa|ho, conqu|stando ass|m
ma|or autonom|a econom|ca para s| e para os
seus. Mas a ausenc|a de po||t|cas de apo|o à
íam|||a tornou tudo ma|s comp||cado. Bomos
um dos pa|ses da ÜE com ma|s a|ta taxa de
act|v|dade íem|n|na, mas tamoem com uma
das p|ores cooerturas em equ|pamentos de
apo|o, como creches, |ard|ns de |níânc|a, cen-
tros de d|a, apesar do enorme esíorço que está
a ser íe|to. O que co|oca as mu|heres portu-
guesas em cond|çoes part|cu|armente d|í|ce|s
no exerc|c|o dos seus d|re|tos econom|cos e
soc|a|s. O que as tem pr|vado, tamoem, de
a|cançarem todos os seus d|re|tos de c|dada-
n|a. A ·|gua|dade na sooeran|a· entre homens
e mu|heres passa tamoem por med|das con-
cretas que assegurem, na soc|edade portu-
ACÇÃO SOClALlSTA 18 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
guesa, uma me|hor part||ha do tempo, das res-
ponsao|||dades e dos recursos.
5.3.8. Mas não são so as mu|heres que são
v|t|mas das transíormaçoes que se deram na
íam|||a e na c|dade. Os |dosos, os |ovens, as
cr|anças v|vem v|das separadas. Perdeu-se
o conv|v|o |ntergerac|ona|, p||ar durante se-
cu|os da transm|ssão de va|ores e aíectos. E
ass|ste-se ao aosurdo de a popu|ação act|va
ter de pagar, do seu oo|so, as mensa||dades
da creche, da esco|a ou do |ar de |dosos por
onde se repartem os seus íam|||ares d|tos ·de-
pendentes·. Ass|ste-se, sooretudo, ao au-
mento da so||dão, não so entre os ma|s ve-
|hos, mas nas camadas |ovens, que mu|tas
vezes procuram, nos seus grupos e nos seus
oa|rros, aí|rmar uma |dent|dade que não con-
seguem reconhecer na íam|||a nem na esco-
|a. É tamoem deste aosurdo de quot|d|anos
sem sent|do que nasce, mu|tas vezes, a ten-
tação da droga. A |uta contra a tox|co-depen-
denc|a não o pode |gnorar, como não pode
|gnorar o |gnom|n|oso negoc|o p|anetár|o que
o tráí|co de droga proporc|ona, à custa da
d|í|cu|dade de v|ver de m||hoes e m||hoes de
pessoas.
É tudo |sto que tem de ser quest|onado. Na
reíorma do ens|no, da saúde, da segurança
soc|a|. Nas po||t|cas de emprego e íormação
proí|ss|ona|. Mas tamoem nas po||t|cas de
amo|ente, de transportes, de ordenamento do
terr|tor|o, de |oca||zação dos equ|pamentos,
das redes, das íáor|cas, dos escr|tor|os, do
comerc|o e da hao|tação.
Tamoem na hao|tação estamos, a||ás, a pagar
os custos da dem|ssão do Estado, durante
decadas. As autarqu|as íoram de|xadas soz|-
nhas com um proo|ema para o qua| não t|nham
recursos nem me|os. Predom|nou a v|são neo-
||oera| segundo a qua| a hao|tação, ma|s do
que um proo|ema soc|a|, e um negoc|o, entre-
gue à |n|c|at|va pr|vada e à oanca. O Estado
ío|-se ||m|tando quase so a pagar oonus de
|uros, enquanto as íam|||as se end|v|daram para
garant|r o seu ·d|re|to à casa· ou se su|e|ta-
ram a recorrer a hao|taçoes íortu|tas, em oa|r-
ros c|andest|nos ou degradados.
Há s|na|s de esperança e há, sooretudo, um
novo re|ac|onamento entre o governo e as
autarqu|as. Moo|||zaram-se novos recursos,
|ns|st|u-se na necess|dade de reao|||tar e re-
novar. Mas, atenção: o proo|ema não e so de
ía|ta de casa ou de ía|ta de veroa. É de ía|ta de
c|dade. E esta ía|ta aíecta o exerc|c|o da c|da-
dan|a. A democrac|a não nasceu no campo. A
cr|se uroana e a cr|se do s|stema representat|-
vo estão |nter||gadas. Não haverá ma|s demo-
crac|a sem me|hor c|dade. Mas tamoem não
haverá me|hor c|dade se não houver ma|s e
me|hor democrac|a.
5.3.9. O proo|ema da segurança tem de |nse-
r|r-se neste quadro de transíormaçoes da nos-
sa v|da co|ect|va. A |nsegurança e, ho|e, uma
das ma|s íortes |n|ust|ças soc|a|s. Porque aíec-
ta os ma|s íráge|s - os ma|s novos, as mu|he-
res, os |so|ados, aque|es que tem menos ag|-
||dade í|s|ca e menos capac|dade de deíesa.
Mas tamoem porque e s|ntoma de um proíun-
do ma|-estar que pode conduz|r, e tem condu-
z|do, a tentaçoes popu||sta e xenoíooas. Não
podemos ||m|tar-nos a contrapor à de||nquen-
c|a, em part|cu|ar à de||nquenc|a |uven||, |nter-
pretaçoes soc|o|og|cas. Tamoem e prec|so
ag|r. É seguramente necessár|a uma nova po-
||c|a, ma|s prox|ma dos c|dadãos, e um novo
íunc|onamento da |ust|ça, ma|s eí|c|ente na se-
paração entre o tr|go e o |o|o. É prec|so que as
penas prev|stas na |eg|s|ação se|am proporc|-
ona|s aos de||tos e não paguem os pequenos
pe|os grandes.
Mas e sooretudo prec|so compreender que a
c|dadan|a e |nd|ssoc|áve| de uma et|ca de res-
ponsao|||dade: responsao|||dade dos pa|s
pe|a educação dos í||hos, em pr|me|ro |ugar;
responsao|||dade da esco|a pe|a íormação de
c|dadãos; responsao|||dade das autarqu|as e
das popu|açoes pe|a qua||í|cação dos espa-
ços púo||cos e pe|a cr|ação de amo|entes ur-
oanos ma|s saudáve|s e seguros; responsa-
o|||dade dos poderes púo||cos pe|a ap||cação
da |e|, pe|o ordenamento do terr|tor|o, pe|as
po||t|cas de emprego, segurança soc|a| e saú-
de sem as qua|s não podemos, verdade|ra-
mente, ía|ar em ·segurança·. Mas responsa-
o|||dade do Estado, tamoem, pe|as med|das
de repressão e re|nserção que não podem
de|xar de ser ap||cadas. E responsao|||dade
de todos nos pe|a ex|genc|a permanente de
renovação e aproíundamento das cond|çoes
da c|dadan|a. É esse o pr|nc|pa| sent|do que
temos de dar às reíormas que | mporta
aproíundar.
6.ConcIusão
·Os novos senhores do mundo, escreveu
lgnac|o Pamonet, não se suometem ao su-
írág|o un|versa| e escapam a o seu contro|e·.
Por |sso e prec|so reao|||tar a po||t|ca e
re|nventar a esquerda. A |og|ca da c|dada-
n|a tem de vo|tar a soorepor-se a outra |og|-
cas. É essa a responsao|||dade que nos
caoe. Baoemos que não e íác||. O novo co-
meça sempre com poucos. Mas tem de co-
meçar em qua|quer ponto, por qua|quer |ado.
Na Europa, aqu|, agora mesmo.
Ass|nam esta moção, entregue em 22 de
Jane|ro de 1999:
ManueI AIegre
AIberto Martins
José Medeiros Ferreira
Eduardo Pereira
Jorge Strech Ribeiro
Fernando Pereira Marques
António Campos
Ana Catarina Mendes
HeIena Roseta
lsabeI Soares
Luís FiIipe Madeira
Maria CaroIina Tito de Morais
Rui Namorado
Ernesto MeIo Antunes (Oap|tão de Aor||)
RlGOR E CREDlBlLlDADE
MOÇÁO $EC7OR/AL
1 Base de dados
É urgente a actua||zação da oase de dados
de m|||tantes do Part|do Boc|a||sta de modo
a poder ser garant|da uma correcta ava||a-
ção do potenc|a| humano ex|stente e o seu
eventua| aprove|tamento em pro| do engran-
dec|mento do Part|do e do desenvo|v|men-
to do Pa|s.
Üm part|do com |mp|antação e d|mensão
como a que tem o Part|do Boc|a||sta não
pode descurar este aspecto tão |mportante
da sua organ|zação |nterna, soo pena de
poder por em causa o seu pos|c|onamento
como part|do de íuturo em Portuga|.
2 Quotas
Não sendo estrutura|mente deíensores,
como pr|nc|p|o de í||osoí|a po||t|ca, do s|s-
tema de quotas oor|gator|as na íormação
das ||stas, pensamos tratar-se da ún|ca íor-
ma de garant|r uma ma|or part|c|pação das
mu|heres na v|da do Part|do.
De íacto, não poderá ace|tar-se que num
part|do que e estatutar|amente deíensor da
|gua|dade de oportun|dades a todos os n|-
ve|s, cont|nue a ass|st|r-se a um comp|eto
a|heamento po||t|co por parte de a|guns dos
nossos pr|nc|pa|s d|r|gentes re|at|vamente
a esta mater|a, que tem a sua man|íesta-
ção ma|s v|s|ve| na metodo|og|a de íorma-
ção das ||stas para as e|e|çoes dos orgãos
do part|do, ass|m como para os suírág|os
nac|ona|s.
De resto, a recente apresentação, por par-
te do Ooverno, de uma Proposta de Le| ten-
dente a garant|r exactamente uma ma|or
|gua|dade de oportun|dades na part|c|pação
po||t|ca dos c|dadãos de cada sexo, so vem
reíorçar a actua||dade e |usteza das nos-
sas preocupaçoes soore este aspecto.
lmporta reíerenc|ar, no entanto, a excess|-
va t|m|dez po||t|ca desta Proposta de Le|,
quer na aorangenc|a (uma vez que se pre-
ve venha a v|gorar so para os prox|mos 4
actos e|e|tora|s e apenas para as e|e|çoes
para a Assemo|e|a da Pepúo||ca e Par|a-
mento Europeu), quer no a|cance (as per-
centagens propostas não apresentam avan-
ços s|gn|í|cat|vos re|at|vamente à prát|ca
po||t|ca actua| do part|do nesta mater|a).
3 Autarquias
Mostra-se cada vez ma|s urgente a
re|mp|ementação de cursos de íormação
autárqu|ca, ass|m como a garant|a de um eíec-
t|vo e rea| apo|o do part|do aos seus represen-
tantes nas autarqu|as |oca|s.
Eíect|vamente, e ho|e |nquest|onáve| a |mpor-
tânc|a crescente que os proo|emas |oca|s das
popu|açoes tem para o co|ect|vo nac|ona| e para
a estao|||dade governat|va.
Por outro |ado, os novos proo|emas soc|a|s
nasc|dos no í|na| deste secu|o, ta|s como, o
enve|hec|mento da popu|ação e consequente
|so|amento soc|a|, a tox|codependenc|a com
todos os proo|emas que |hes estão assoc|a-
dos, o |nsucesso esco|ar, o desemprego, a
degradação do parque hao|tac|ona|, entre ou-
tros, ex|gem uma |ntervenção ráp|da e eí|caz
dos autarcas do Part|do Boc|a||sta, ún|ca íorma
de manter a cred|o|||dade po||t|ca |unto dos e|e|-
tores.
4. Participação
Por ú|t|mo, não queremos de|xar de man|íestar
a nossa proíunda preocupação pe|o deí|ce de
part|c|pação dos m|||tantes de oase no proces-
so que envo|ve a tomada de dec|soes do nos-
so part|do.
De íacto e à parte de honrosas excepçoes de
todos conhec|das, o deoate po||t|co no Part|do
Boc|a||sta e prat|camente |nex|stente, mostran-
do-se, em consequenc|a de ta| prát|ca, |gua|-
mente |nex|stente o aprove|tamento das capa-
c|dades e potenc|a||dades da genera||dade dos
m|||tantes.
É urgente a |mp|ementação de med|das que
|nvertam este estado de co|sas.
Esperemos s|nceramente que os aspectos que
aqu| v|emos apresentar se|am dev|damente
cons|derados na consc|enc|a de todos os so-
c|a||stas, e íundamenta|mente nos orgãos nac|-
ona|s do Part|do.
\l\A O PAPTlDO BOOlALlBTA!
\l\A POPTÜOAL!
1ª suocr|tora:
Fernanda Teixeira Ribeiro da Cruz Dias
M|||tante n' 121069
Becção de Oampo de Our|que
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 19
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
VENCER DESAFlOS, GANHAR PORTUGAL
MOÇÁO $EC7OR/AL
Três anos de governo
Está em causa antes dema|s íazer o oa|an-
ço, o exame de consc|enc|a do PB. É neces-
sár| o retrospect| var cr| t| camente para
perspect|var com coní|ança.
Bem comp|exos. Oom íronta||dade.
Em 1995, o PB captou os s|na|s do tempo e
assum|u-se como portador das expectat|vas
dos portugueses áv|dos de tranqu|||dade po-
||t|ca, de |ust|ça e so||dar|edade soc|a|. De pro-
gresso e desenvo|v|mento econom|co. De
me|hor qua||dade de v|da.
O PB não des||ud|u.
Oonso||dou o des|gn|o europeu. Oumpr|u os
cr|ter|os de convergenc|a europe|a, entrámos
no Espaço Euro, cont|nuamos a aproíundar
a |ntegração europe|a, de ta| modo que ser-
v|mos de mode|o ao desenvo|v|mento de uma
Europa ma|s human|sta. Ao ponto de Anton|o
Outerres surg|r como um dos ma|s dese|a-
dos rostos da nova Europa.
Enírentámos ao |ongo destes tres anos o
desaí|o da modern|zação e do desenvo|v|-
mento de Portuga|. Oonso||dou-se e promo-
veu-se a cr|ação de uma ma|ha |ned|ta de
|níra-estruturas. A n|ve| v|ár|o apostou-se não
so na rede rodov|ár|a, como tamoem na íer-
rov|ár|a. Modern|zaram-se Portos. Oonstru|-
ram-se novos tr|ouna|s e novos hosp|ta|s. Pro-
moveram-se verdade|ras reíormas na Adm|-
n|stração Púo||ca. A educação nunca teve
dotação orçamenta| do Estado tão grande
como neste Ooverno.
A po||t|ca de amo|ente pe|a pr|me|ra vez ío|
assum|da como a oase de um desenvo|v|-
mento sustentáve| que garanta um íuturo com
qua||dade de v|da.
O Ooverno PB comoateu a exc|usão soc|a|
no terreno, potenc|ando a cr|ação de cond|-
çoes m|n|mas de v|da a todos os portugue-
ses com o Pend|mento M|n|mo Oarant|do.
Promoveu o aumento dos íunc|onár|os púo||-
cos. Apo|ou de íorma dec|s|va o traoa|ho de-
senvo|v|do pe|as lnst|tu|çoes de Bo||dar|eda-
de Boc| a| . Fez do comoate à
tox|codependenc|a uma pr|or|dade da acção
soc|a| governat|va.
Uma re|ação de confiança com os portu-
gueses, assente no d|á|ogo e na tomada de
dec|soes. Üm Ooverno que tem uma m|ssão
a cumpr|r: íazer Portuga|!
O PS e os desafios
O PB encontra-se à oe|ra deste í|m de m||e-
n|o numa encruz||hada pragmát|ca e |deo|o-
g|ca, que cond|c|onará as tomadas de dec|-
soes e v|s|o|||dade e |dent|í|cação do Part|do
com a soc|edade.
Encontramos um Part|do que e ma|s gover-
nado que ||derado. Üm part|do que perm|t|u
que as tareías da governação o aíastassem
da rea||dade e da v|venc|a das Becçoes e dos
seus m|||tantes. Üm part|do desmoo|||zado
que não correspondeu ao ape|o da |uta po||-
t|ca nos reíerendos.
É necessár|o adaptar o PB aos novos tem-
pos. Bem demagog|as e sem rece|os.
Em termos |nternos, e urgente uma nova re-
v|são estatutár|a, que promova uma ma|or
part|c|pação dos m|||tantes nos actos a v|da
do Part|do e uma ma|or descentra||zação na
tomada de dec|soes.
É urgente que se|am cr|adas cond|çoes para
que sur|am novos quadros po||t|cos, onde a
|dent|dade |deo|og|ca com a dec|aração de
pr|nc|p|os e Programa do PB se|a a regra. Os
quadros po||t|cos do PB devem ser esco|h|-
dos pe|as suas qua||dades e não por quem
me|hor ut|||ze as hao|||dades estatutár|as a seu
íavor, onde a conso||dação dos |nsta|ados no
apare|ho se|a a regra.
É urgente que se conceda às Federaçoes
cond|çoes para que estas possam cr|ar mo-
de|os de organ|zação ma|s adaptados à sua
rea||dade. Faz, por exemp|o, todo o sent|do a
cr|ação de estruturas nas Areas Metropo||ta-
nas.
É íu|cra| um ma|or protagon|smo do Becreta-
r|ado Nac|ona| a n|ve| |nterno, coordenando
a íormação e moo|||zação dos m|||tantes.
Deverá ser rea||zado um P|ano nac|ona| de
Formação Po||t|ca, assente na d|vu|gação das
acçoes e pos|çoes do PB, atraves de co|o-
qu|os, sessoes-deoate, e de coníerenc|as
soore a acção governat|va do PB, aoertos a
|ndependentes, com a part|c|pação de í|gu-
ras púo||cas re|evantes.
Bo ass|m se constru|rá um part|do v|vo e
d|a|ogante, a toda a hora, e não apenas em
momentos e|e|tora|s.
Os desaí|os que |remos encontrar ex|gem
determ|nação e empenho para os u|trapas-
sar. Teremos que provar aos portugueses que
e necessár|o vo|tar a coní|ar no PB nas prox|-
mas e|e|çoes |eg|s|at|vas.
Temos a v|rtude de saoer escutar os portu-
gueses e de saoer quando mudar e como.
De sermos progress|stas e reíorm|stas, quan-
do na opos|ção encontramos o coníorm|smo
e a demagog|a.
É necessár|o um Programa de Ooverno de e
para os portugueses. Üm programa que íaça
sent|do. Oue vá de encontro ao lll p||ar do
Tratado da Ün|ão Europe|a. Oue comoata a
tox|codependenc|a e todas as causas de |n-
segurança das popu|açoes. Oue vá de en-
contro aos anse|os, amo|çoes e dese|os dos
|ovens na Educação e Formação Proí|ss|o-
na|, Emprego, Hao|tação, Oua||dade de
\|da. enquanto são |ovens. Oue aponte ca-
m|nhos aos agr|cu|tores.
Oue garanta uma econom|a de r|gor sem por
em causa o desenvo|v|mento |ndustr|a|. Oue
aposte na reíorma do s|stema |ud|c|a|, íac|||-
tando a acess|o|||dade e a ce|er|dade das
dec|soes. Oue o s|stema de saúde tenha ma|s
sorr|sos, mas se|a tamoem ma|s eí|c|ente e
íunc|ona|.
Üm programa de governo que ex||a respon-
sáve|s po||t|cos com í|rmeza e dec|são e não
responsáve|s tecn|cos, por vezes |nconsc|en-
temente |ní|uenc|ados por |de|as e grupos de
pressão de d|versos sectores. Üm programa
human|sta e so||dár|o, cu|a pr|me|ra preocu-
pação se|am os exc|u|dos e marg|na||zados.
É necessár|o re|nventar a qua||dade de v|da
para os |dosos aoandonados pe|os seus ía-
m| | | ares. É necessár| a uma po| | t| ca de
re|nserção soc|a| dos carenc|ados.
Esta e a oata|ha que o PB va| ter de travar.
Esta e a oata|ha pe|a |gua|dade e so||dar|e-
dade.
Esta e a oata|ha da esquerda com razão. Esta
e a oata|ha da esquerda com coração.
Outro dos desaí| os são as e| e| çoes
autárqu|cas. As autarqu|as surgem cada vez
ma|s como uma das ma|s v|s|ve|s íaces do
poder do Estado, e o espaço pr|v||eg|ado para
a reso|ução de proo|emas que aíectam as
popu|açoes. Nesse sent|do, e |mper|oso que
as conce|h|as do PB possam dec|d|r ||vremen-
te soore o estaoe|ec|mento de acordos pre-
e|e|tora|s com outros part|dos po||t|cos, co||-
gaçoes ou grupos de c|dadãos, depo|s de
ana||sadas as d|versas espec|í|c|dades |oca|s
pe|os orgãos Peg|ona|s e Nac|ona|s.
É necessár|o rev|ta||zar a Assoc|ação Nac|o-
na| de Autarcas Boc|a||stas, e cr|ar |med|ata-
mente um grupo de traoa|ho para prepara-
ção das prox|mas e|e|çoes autárqu|cas do
ano 2001. É necessár|o um P|ano Nac|ona|
de Apo|o aos autarcas dos mun|c|p|os e das
íregues|as, e destas mu|to em part|cu|ar, po|s
mu|tas conce|h|as se se |emoram das íregue-
s|as quando chega a hora de e|aoorar as ||s-
tas.
O PB va| enírentar o d|vorc|o entre a soc|eda-
de c|v|| e o poder po||t|co. Este deve ser o
grande deoate no |nter|or do PB.
Ouando Leon B|um, em 1921, recusa as con-
d|çoes |mpostas pe|a lnternac|ona| Oomun|sta
e aí|rma uma concepção democrát|ca assen-
te na democrac|a representat|va |nterna, de-
ram-se os pr|me|ros passos na aí|rmação do
mode|o adoptado pe|o PB em Portuga|. Este
mode|o, que pr|v||eg|a a ||oerdade de expres-
são e a |gua|dade de oportun|dades entre os
m|||tantes, e o mode|o do Estado Democrát|-
co de D|re|to em Portuga|. Fomos nos soc|a-
||stas, po|s, os progress|stas na aprox|mação
dos c|dadãos aos po||t|cos, |utando contra a
separação |mposta pe|o reg|me sa|azar|sta.
Mas ho|e a democrac|a ex|ge mu|to. Ex|ge
ma|s.
Apos a so||d|í|cação do temp|o democrát|co
em Portuga|, a|nda mu|to ía|ta íazer no que
se reíere ao aproíundamento dos va|ores da
c|dadan|a, e no reencontro h|stor|co do soc|-
a||smo democrát|co contemporâneo com os
va|ores e |dea|s da L|oerdade, lgua|dade e
Fratern|dade.
O aproíundamento da democrac|a passa pe|o
PB que somos e por aque|e que queremos
ser. A aoertura aos |ndependentes deverá
cont|nuar, pr|v||eg|ando o deoate e a reí|exão,
escutando e encontrando so|uçoes para os
proo|emas que se co|ocam à governação do
pa|s, sem que com |sso se reduza os m|||tan-
tes do PB a íunc|onár|os apare|h|stas e a ooys
áv|dos de |oos.
O casamento entre c|dadãos e po||t|cos pas-
sa tamoem pe|a descentra||zação das |nst|-
tu| çoes. Não temos dúv| das que a
Peg|ona||zação ío| uma c|ara opção de es-
querda, de uma esquerda moderna e
europe|a. A|nda que não tenha s|do ass|m||a-
da pe|o povo, não pode serv|r de entrave a
reíormas proíundas no Estado e nas |nst|tu|-
çoes.
Mas para que esta ||gação se|a uma rea||da-
de, há que ser coerente. Há que demonstrar
aos portugueses que todos somos |gua|s. E
para chegarmos oem íundo ao coração dos
portugueses, para traze-|os à part|c|pação e
a uma ma|or act|v|dade na soc|edade e na
po||t|ca, devemos tratá-|os por |gua|s. Por |sso,
d|scordamos em aoso|uto da proposta de |e|
de quota m|n|ma de 25 por cento por sexos
na ||sta de deputados à Assemo|e|a da Pe-
púo||ca. Bomos todos |gua|s em d|re|tos e
deveres, e as mu|heres, m|nor|tár|as ate essa
data, não necess|tam de nenhum s|stema
deste t|po para se |mporem na v|da po||t|ca.
\amos mesmo ma|s |onge: qua|quer s|stema
de quotas e desonroso e desprest|g|ante para
qua|quer dos sexos, e para as mu|heres em
part|cu|ar.
Um partido vencedor
O nosso part|do está v|vo. Oom âns|a de |uta
e esp|r|to de v|tor|a. Oom a certeza de que o
nosso esíorço será recompensado com um
pa|s ma|s íorte e desenvo|v|do, ma|s humano
e so||dár|o.
Por |sso |utamos. Por |sso traoa|hamos. Por
|sso temos op|n|ão. Üm part|do ma|s íorte íaz-
se com a voz de todos. E por vezes e me|hor
ouv|r quem tem menos responsao|||dades.
Ta|vez porque este|a ma|s sereno, menos pre-
ocupado. E e com o contr|outo de todos que
vamos entrar no secu|o XXl com o PB ma|s
íorte que nunca. Oom Portuga| no pe|otão da
írente da Europa e do Mundo.
Oueremos ||derar a esperança, queremos
avançar rea||zando! \amos vencer os desaí|-
os, e ganhar Portuga|!
Pr|me|ros suoscr|tores:
Pedro Sá e Macedo Moniz
ACÇÃO SOClALlSTA 20 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
UMA RELAÇÃO DE CONFlANÇA COM OS MlLlTANTES
MOÇÁO $EC7OR/AL
Os s|gnatár|os, de|egados da Becção do
Lum|ar, Ame|xoe|ra e Oharneca ao Xl Oongres-
so Nac|ona| do Part|do Boc|a||sta, apresen-
tam moção sector|a| com v|sta ao estaoe|e-
c|mento da |nd|spensáve| ·PF|/Ç/O DF
CO^F|/^Ç/ COV OS V|||7/^7FS· de íorma
a perm|t|r que o PB, segu|ndo ·/ ^OSS/ v|/·,
proceda às transíormaçoes estrutura|s de-
correntes do mandato c|aro e |nequ|voco que
o e|e|torado portugues |he |rá conceder nas
prox|mas |eg|s|at|vas.
É, a||ás, conv|cção dos s|gnatár|os - de|ega-
dos do Lum|ar - que será aoso|uta a Nova
Ma|or|a que o PB d|sírutará na |eg|s|atura de
1999-2003, durante a qua| se esperam reíor-
mas de íundo na Boc|edade Portuguesa para
poder íazer íace aos desaí|os do Becu|o XXl.
Oom eíe|to a modern|zação do Estado, a re-
generação do s|stema po||t|co- part|dár|o, a
guerra à droga e ao desemprego, o comoate
à per| í| c| dade europe| a, o processo de
|nternac|ona||zação duma econom|a susten-
tada, o desenvo|v|mento da capac|dade de
|novação tecno|og|ca e a aoertura estrateg|-
ca ao At|ânt|co, são tareías g|gantescas, pro-
pr|as duma geração. Mas proporc|onam 0ma
ooo/|0||oaoe ||s|o/|ca ao Part|do Boc|a||sta
para que não de|xe h|potecar nem o seu íutu-
ro nem o da esquerda portuguesa.
Da| a necess|dade de se /e/o/ça/ a /e|açao
oe co|/|a|ça com os m|||tantes PB num part|-
do que se|a uma verdade|ra p|ataíorma entre
o Poder Po||t|co (|e|a-se Ooverno) e a Boc|e-
dade. Üm part|do que ex|sta autonomamen-
te, nem excess|vamente governamenta||zado
nem dependente da vo|uo|||dade da soc|eda-
de c|v||. Üm part|do que se|a uma ma|s va||a
eíect|va, com pensamento propr|o e reí|exão
cr|t|ca, serv|ndo de a|erta (antec|pado) a even-
tua|s desv|os da acção governat|va. Üm par-
t|do que, por outro |ado, contr|oua para a
cred|o|||zação da po||t|ca e dos seus prota-
gon|stas - a c|asse po||t|ca. Üm part|do que
s|rva de cata||zador aos mov|mentos soc|a|s
de apo|o às reíormas que terão de ser
|mp|ementadas e const|tuem natura|s expec-
tat|vas da popu|ação portuguesa. Ení|m, um
part|do capaz de enírentar com sucesso os
desaí|os que o esperam. Desaí|os que pode-
rão ter de assum|r-se numa con|untura d|íe-
rente da actua|: c|c|o econom|co mund|a| mar-
cado por a|guma recessão, redução progres-
s| va dos íundos comun| tár| os,
compet|t|v|dade acresc|da dos cand|datos da
aoertura ao Leste (em espec|a| na atracção
do |nvest|mento estrange|ro), d|m|nu|ção dos
prove|tos resu|tantes das pr|vat|zaçoes, even-
tua|s d|í|cu|dades no cumpr|mento das regras
orçamenta|s |mpostas pe|o Pacto de Estao|||-
dade.
! Ora o |nsucesso dos reíerendos (espec|-
a|mente o da reg|ona||zação) ve|o a demons-
trar que a d|nâm|ca vencedora - que í|cou co-
nhec|da por Estados Oera|s - estava |á com-
p|etamente esgotada. Exper|enc|a |nte||gen-
temente ut|||zada, cap|ta||zou o descontenta-
mento |dent|í|cado em ·Portuga|, que íuturo?·
e assentou a sua |og|ca numa cooptação de
|ndependentes e/ou d|ss|dentes de vár|as íor-
maçoes po||t|cas, moo|||zando ass|m s|gn|í|-
cat|vos sectores da soc|edade, quer à esquer-
da quer à d|re|ta. A const|tu|ção do governo
PB, sa|do das e|e|çoes, não poder|a de|xar
de corresponder a um governo em que uma
parte suostanc|a| da popu|ação portuguesa
se v|sse representada. Por outro |ado, repro-
duz|u e potenc|ou a |á conhec|da |og|ca de
re|ac|onamento |nd|v|dua||zado e íu|an|zado
que tem, a||ás, caracter|zado a prat|ca das
íormaçoes po||t|cas nac|ona|s.
Em suma, passados os pr|me|ros tempos da
governação, recrutadas a|gumas persona||-
dades para o preench|mento de cargos pú-
o||cos e a||mentadas pequenas quere|as
(aprove|tadas e amp||adas pe|os med|a), ex-
t|ngu|u-se qua|quer íorma de d|á|ogo, se|a
com a soc|edade c|v|| se|a ate com os propr|-
os m|||tantes. O não íunc|onamento do Oao|-
nete de Estudos Nac|ona| e, neste caso,
parad|gmát|co. A |n|c|at|va duma conce|h|a ao
por a íunc|onar uma estrutura de part|c|pa-
ção de m|||tantes de oase (s|ntomat|camente
denom|nada ·estados gera|s do m|||tante·)
ve|o chamar a atenção para a c|rcunstânc|a
de o ·povo· ter estado ausente dos Estados
Oera|s (reservados apenas ao ·c|ero· e à ·no-
oreza·) e, s|mu|tâneamente, procurou an|mar
um d|á|ogo com m|||tantes desmot|vados e,
sooretudo, perturoados por |nqu|etantes s|-
na|s de descontro|e po||t|co na art|cu|ação
Orupo Par|amentar - Ooverno, s|tuação que
entretanto terá s|do u|trapassada. Peg|ste-
se que a |n|c|at|va reíer|da, mesmo que de
expressão ||m|tada na íorma e no âmo|to, não
de|xa por |sso de ser |ouváve|.
" Mas a reg|ona||zação - ou, se se qu|zer, a
descentra||zação - e oande|ra que não pode
oa|xar-se. Ber|a a ma|s comp|eta írustração
para m||hares de m|||tantes soc|a||stas que,
desde há mu| to, se empenham na sua
concret|zação. Temos de íazer de|a o oeoa|e
oas ç/a|oes ca0sas. É questão que terá de
ser retomada - dentro do Part|do - aquando
da |nev|táve| reí|exão a íazer para a modern|-
zação do Estado, atraves duma proíunda re-
íorma da Adm|n|stração Púo||ca, na sua es-
trateg|a e na sua gestão.
Oom eíe|to se uma ta| reí|exão não íor íe|ta,
atempadamente, será a Ün|ão Europe|a a |m-
por-nos (d|recta ou |nd|rectamente) constran-
g|mentos de natureza orçamenta| d|í|c||mente
compag|náve|s com a nossa rea||dade. Da| a
necess|dade do Part|do manter d|á|ogos, de
saudáve| coní||tua||dade, com mov|mentos
soc|a|s de d|versa natureza e num esíorço se-
r|o e cont|nuado de pedagog|a.
Ora o Part|do em s| mesmo, nas cond|çoes
actua|s do seu íunc|onamento, tem mu|ta
d|í|cu|dade em protagon|zar um pro|ecto de
mudança. A ma|or parte dos seus memoros
ma|s act|vos ou estão no Ooverno ou preen-
chem cargos púo||cos. Ate por |sso não po-
dem reun|r as cond|çoes de s0/|c|e||e ||oe-
oe|oe|c|a para a organ| zação e
|mp|ementação duma estrateg|a part|dár|a
autonoma que possa responder aos desaí|-
os que se esperam.
Be não ve|am-se a|ç0|s e·emo|os desses de-
saí|os.
º Primeiro. Toda a esquerda europe|a d|s-
cute o seu repos|c|onamento po||t|co em tem-
pos duma rea||dade que e a g|ooa||zação.
Não se trata de qua|quer reíundação ou
recentragem, mas s|m do estaoe|ec|mento
de oases para um novo re|ac|onamento en-
tre o po||t|co e o econom|co, entre o merca-
do e a protecção soc|a|. A |nd|spensao|||dade
da |ntervenção do PB, neste deoate, e uma
questão de deíesa da autonom|a nac|ona|, e
uma questão de democrac|a. Ora n|nguem
acred|ta que o Part|do (ta| como está a íunc|-
onar) se|a capaz de construção teor|ca auto-
noma que a||mente po|em|ca cons|stente na
soc|edade c|v||. Me|a dúz|a de |ntervençoes
avu|sas, em art|gos de op|n|ão, a ma|or|a dos
qua|s de cr|t|ca à postura de outros, ío| ate
agora sa|do d|m|nuto para quere|a tão |mpor-
tante.
Já no passado a Becção do Lum|ar (em con-
|unto com outras estruturas de oase) chama-
ra a atenção
(1)
para o íacto do PB não ter t|do
matr|z operár|a e, por consegu|nte, trad|ção
s|nd|ca|. Mas uma ta| c|rcunstânc|a não |he
ret|rava todo um passado de |uta (como ne-
nhum outro part|do) na |mp|antação da de-
mocrac|a em Portuga| e na conso||dação do
seu Estado de D|re|to. E e prec|samente em
nome desse passado que se ex|ge que o PB
se|a o /0|c/o de qua| quer deoate para
actua||zação do pensamento soc|a| da es-
querda portuguesa sempre na oase de uma
|nsp|ração human|sta e ||oertadora, reíorçan-
do a |dent|dade nac|ona| íundada na cu|tura
e procurando, no advento do |nd|v|duo, um
sent|do para a g|ooa||zação.
º Segundo. Tudo |nd|ca que a nova ma|or|a
po|ar|zada pe|o PB teve, na sua const|tu|ção,
uma s|gn|í|cat|va part|c|pação de íunc|onár|-
os e outros agentes do sector púo||co, adm|-
n|strat|vo e empresar|a|. E não se reprova que,
no preench|mento da máqu|na do Estado, te-
nham s|do oeneí|c|ados homens e mu|heres
recrutados nessa área de e|e|tores. O que
se deverá contestar são nomeaçoes de
|mpreparados (mesmo quando competentes
para o exerc|c|o de outras íunçoes) ou no-
meaçoes por razoes ún|cas de ooed|enc|as
de qua|quer natureza. Ate porque a nomea-
ção de |ncompetentes e porta pe|a qua|, mu|-
tas vezes, se |nsta|a a corrupção.
Para a|em d|sso não se nega que tenha me-
|horado a s|tuação de contratação e de pres-
tação de serv|ços de mu|tos íunc|onár|os pú-
o||cos. E que terão s|do íe|tos esíorços |ou-
váve| s se| a para uma ma| or
desourocrat|zação da Adm|n|stração, se|a em
termos de cond|çoes de traoa|ho dos seus
agentes (cursos no lNA, Lo|a do O|dadão).
Mas a ç/a|oe /e/o/ma porque anse|a a Fun-
ção Púo||ca não se esgota nestas acçoes
pontua|s. Oomeça numa |o/a c0||0/a oe
ço/e/|açao q0e /a|o/|ze a /om|||s|/açao cr|-
ando uma esco|a de ·po||cy-makers· em car-
re|ras de verdade|ra qua||dade, como acon-
tece na genera||dade da Ün|ão Europe|a.
Üma Adm|n|stração rev|ta||zando a capac|da-
de de aná||se prospect|va do Estado, atenta,
antec|pando-se aos acontec|mentos (compa-
re-se a segurança tecn|ca dos espanho|s e a
pos|ção portuguesa na recente c|me|ra de
\||amoura soore a água), íornecendo ao Po-
der Po||t|co estrateg|as a|ternat|vas para a ne-
cessár|a esco|ha po||t|ca ., ev|tando, ass|m,
desgastes desnecessár|os como e o caso,
por exemp|o, das |nc|neradoras.
Ora o que se ver|í|ca e uma cu|tura de
ço/e/|açao oe |eç|s|a|0/a med|at|zada (por-
que na oase de ·sp|n doctors·) e herdada de
governos anter|ores em que os m|n|stros,
secretár|os de Estado e assessores suost|tu-
em-se, de íacto, à Adm|n|stração. Nesta de-
sapareceu a h|erarqu|a da competenc|a e o
r|gor da d|sc|p||na para a|em de perm|t|r as
ma|ores des|gua|dades entre íunc|onár|os que
possuem poder re|v|nd|cat|vo de grupo e
aque|es que de|e não d|spoem. E a Adm|n|s-
tração so não para||za dev|do à ded|cação
de mu|tos dos seus agentes.
O recurso a consu|tores externos (nac|ona|s e
estrange|ros) nas act|v|dades noores de con-
cepção e p|aneamento des|ncent|vam, natu-
ra|mente, a cr|at|v|dade e a capac|dade de |n|-
c|at|va. A |ntrodução de concursos para |uga-
res de cheí|a, pese emoora os seus propos|-
tos mora||zadores, acaoa por const|tu|r med|-
da de mu|to duv|dosa eí|các|a. A cr|ação de
|nst|tutos púo||cos e soc|edades de cap|ta|s
púo||cos, na con|untura descr|ta, não passará
de cosmet|ca onerosa (mu|t|p||cação de |uga-
res, cartoes de cred|to e outras mordom|as)
d||u|ndo responsao|||dades - que na Adm|n|s-
tração devem ser |nd|v|dua||zadas - por um
co|ect|vo const|tu|do, tantas vezes, por pro-
íundos desconhecedores do sector em que
se |nserem aque|es |nst|tutos e/ou soc|edades.
Acresce que merece quant|í|cação e reí|exão
os encargos dos íundos de pensoes corres-
pondentes à peregr|nação, nestes v|nte anos,
de a|guns m||hares de gestores púo||cos.
º Terceiro. Atravessa-se um per|odo em que,
por restr|çoes orçamenta|s, há a tendenc|a íá-
c|| de concess|onar |níraestruturas, equ|pa-
mentos e prestaçoes de serv|ços púo||cos em
tudo quanto or|g|ne rece|tas suscept|ve|s de
perm|t|rem a amort|zação dos respect|vos |n-
vest|mentos. Ate hosp|ta|s e pr|soes (como,
por exemp|o, no Pe|no Ün|do) não escapam
à onda das pr| vat| zaçoes. Bão as
mu|t|nac|ona|s a montarem a engenhar|a í|-
nance|ra do negoc|o. A cont|nuar ass|m í|ca-
rão reservados, para o Estado, serv|ços íran-
camente deí| c| tár| os e tareías de
||cenc|amento e regu|ação de act|v|dades. A
cont|nuar ass|m entra-se na era oas emo/e-
sas /|cas e oo Fs|aoo ooo/e. De reg|star, como
cur|os|dade, que os consorc|os ad|ud|catár|os
vão, prec|samente, ouscar ·know-how· às
ent|dades púo||cas dos pa|ses que não de|-
xaram empoorecer o seu Estado, o qua| - por
|sso - não se dem|te dos seus deveres.
Não se estranhe ass|m que, neste quadro, se
recomendem espec|a|s caute|as no proces-
so (em voga) de procura de oa/ce|/os o/|/a-
oos oa/a o oese|/o|/|me||o. E que, cada vez
ma|s, se |mpoe o pr|mado do po||t|co soore o
econom|co, da et|ca das conv|cçoes soore a
|og|ca dos |nteresses, , |mped|ndo que as
grandes mu|t|nac|ona|s devorem o s|stema í|-
nance|ro e contro|em a produção da r|queza
nac| ona| . Por outro | ado, cont| nua
||co||o/|a/e| (pe|o menos ate agora) o sa|do
|med|ato resu|tante das pr|vat|zaçoes e
megaíusoes: o oesemo/eço.
lmpoe-se, po|s, um pro|ecto nac|ona| para o
Bec. XXl que vença os nossos atrasos estru-
tura|s, pro|ecto com novos des|gn|os e que
comp|emente o processo de |ntegração na
Ün|ão Europe|a. A adequação do s|stema
educat|vo às necess|dades nac|ona|s, a apos-
ta na |novação e na tecno|og|a, o desenvo|v|-
mento de íormas cooperat|vas e do mercado
soc|a| do emprego, um energ|co comoate à
droga e uma ma|or segurança po||c|a|, uma
estrateg|a de desenvo|v|mento (na oase da
compet|t|v|dade e promoção de emprego)
soore o At|ânt|co íazendo da ||ngua portugue-
sa a nossa verdade|ra pátr|a, a apresentação
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 21
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
(como potenc|a adm|n|strante) dum p|ano
concreto de desenvo|v|mento de T|mor |ntro-
duz|ndo (ass|m) novos dados na ||tan|a sem
í|m das negoc|açoes com a lndones|a - são
a|gumas das vertentes a ter em conta no o/o-
/ec|o es|/a|eç|co que se rec|ama. Pecorde-
se que, nos anos 40, do|s governantes se-
gu|ram uma ||nha de rumo e cr|aram um cen-
tro de exce|enc|a em Portuga| no dom|n|o das
oarragens: desenvo| veram tecno| og| a
(LNEO), p|anearam empreend|mentos (H|-
dráu||ca e H|droe|ectr|cas), aor|ram mercados
(Portuga| e ant|gas co|on|as), espec|a||zaram
empresas de construção (Bomague e outras).
Tudo em portugues. Da| nasceu o prest|g|o
do LNEO . então esca|a oor|gator|a na v|s|-
ta de governantes e d|r|gentes mund|a|s ao
nosso Pa|s. Em contrapart|da, o saneamento
po||t|co (em 1947) dos nossos ma|ores mate-
mát|cos ret|rou a poss|o|||dade de Portuga| ter
apanhado, então, o comoo| o | n| c| a| da
|níormát|ca com todas as consequenc|as ne-
gat|vas, para o desenvo|v|mento, que íac||-
mente se ad|v|nham.
Ora so um PB aoerto, moderno, de mudança,
poderá contr|ou|r para que se tenham novas
asp|raçoes e se errad|quem da soc|edade por-
tuguesa resqu|c|os do marce||smo, de gestoes
t|po Mac Namara dos anos 60, das pern|c|o-
sas tentat|vas (ate agora írustradas) de com-
prom|ssos h|stor|cos numa prom|scu|dade do
púo||co e do pr|vado. So o |S oooe/a ||oe/a/ o
comoa|e c|/|co ||o|soe|sa/e| a 0m |o/|0ça|
|o/o e /e/oaoe|/ame||e e0/ooe0.
# Os aspectos íocados ev|denc|am o mu|to
que a|nda há a íazer. E como d|z|a nome gran-
de da nossa H|stor|a, as contas ped|das aos
governantes não se reíerem ao que de oom
(ou mau) í|zeram, mas s|m ao que de|xaram
por íazer. Por |sso o reíorço da PF|/Ç/O DF
CO^F|/^Ç/ COV OS V|||7/^7FS torna-se |n-
d|spensáve| para que o PB, no Ooverno, pos-
sa proceder às transíormaçoes estrutura|s por
que anse|am m||hoes de Portugueses. Mas um
PB rooustec|do const|tu|ndo verdade|ra cons-
c|enc|a soc|a| do Ooverno, ao qua| recordará
sempre a sua mund|v|denc|a soc|a||sta.
Ora os s|gnatár|os - de|egados do Lum|ar,
Ame|xoe|ra e Oharneca - tem p|ena conv|cção
de que so o Becretár|o Oera| - o|/ec|ame||e e
sem se/ oo/ oe|eçaçao - poderá assegurar o
reíorço dessa re|ação de coní|ança que e v|ta|
não so para o Ooverno como para a propr|a
esquerda portuguesa.
Os s| gnatár| os - de| egados do Lum| ar,
Ame|xoe|ra e Oharneca - coníessam que, ho|e
como ontem, não tem razoes para manter ex-
pectat|vas espec|a|s re|at|vamente à compo-
s|ção dos orgãos d|r|gentes a sa|r do Oongres-
so e que, eventua|mente, pudesse coní|gurar
uma a|teração s|gn|í|cat|va no íunc|onamento
|nterno do Part|do. As estruturas de oase (do
Norte ao Bu|) cont|nuarão a ass|st|r cooptaçoes
de |nscr|tos seus que nunca entraram nas res-
pect|vas |nsta|açoes ou que de|as se aíasta-
ram |ogo que assegurado um cargo púo||co
de a|gum re|evo. lsto porque saoem não ser a|
a sede da sua |eg|t|mação part|dár|a.
Por |sso e prec|so chamar ao Part|do quem
m|||te nos oons e maus momentos, quem não
tenha comprom|ssos para poder d|a|ogar
(sem constrang|mentos) com mov|mentos
soc| a| s, quem possa contr| ou| r para a
cred|o|||zação da po||t|ca deíendendo pr|nc|-
p|os et|cos e atacando íronta|mente todas as
íormas de menor transparenc|a. E so o Be-
cretár|o Oera| os poderá chamar e congregar
para uma proíunda mod|í|cação de compor-
tamentos part|dár|os, para uma ma|s eí|caz
sustentação da act|v|dade governat|va, em
suma, para uma nova pedagog|a do exerc|-
c|o do Poder Po||t|co.
É po|s com este esp|r|to que os s|gnatár|os -
de|egados do Lum|ar, Ame|xoe|ra e Oharne-
ca - se perm|tem, atraves da presente mo-
ção sector|a|, íormu|ar o segu|nte con|unto de
propostas concretas e que |ao co|/|||0am
quer com normas estatutár|as v|gentes quer
com o íunc|onamento corrente do Part|do.
(i) Ape|ar ao Becretár|o Oera| para que cr|e,
com a urgenc|a poss|ve|, uma estrutura de
reí|exão po||t|ca (t|po ·th|nk-tank· na expres-
são |ng|esa) a íunc|onar com o apo|o |og|st|co
do Oao|nete de Estudos Nac|ona| ou de qua|-
quer outra estrutura que se entender ma|s
conven|ente;
(ii) Oue se|a o Becretár|o Oera| a des|gnar
um número reduz|do de m|||tantes da sua
es|/|c|a co|/|a|ça oo||||ca e oessoa| (mas que
não |ntegrem, oov|amente, o execut|vo gover-
namenta| e respect|vos gao|netes) para a co-
ordenação de ·task-íorces· organ|zadas por
áreas temát|cas com v|sta ao acomoa||a-
me||o oa acçao ço/e/|a||/a e
aconse|hamento po||t|co do Becretár|o Oera|;
(iii) Oue o Becretár|o Oera| ootenha a rat|í|-
cação dessas des|gnaçoes nos orgãos com-
petentes do Part|do a í|m de, sem equ|vocos,
í|carem v|ncu|ados ao processo;
(iv) Oue, atraves de ma|||ng d|recto, o Becre-
tár|o Oera| conv|de - para eíe|tos de (|) e (||) -
todos os m|||tantes (que se mostrem d|spon|-
ve|s) a |nscrever-se na sua estrutura de oase
a qua| remeterá os curr|cu|a aos coordena-
dores des|gnados.
(v) Oue cada um dos coordenadores das
·task-íorces· se reporte d|recta e un|camen-
te ao Becretár|o Oera| com o qua| concerta-
rão o p|ano de acção anua|, numa v|são es-
trateg|ca e de moo|||zação da co|aooração
d|spon|o|||záve|.
(vi) Oue cada um dos coordenadores das
·task-íorces· se|ecc|one (como entender) os
curr|cu|a receo|dos das estruturas de oase e
const|tua um núc|eo |n|c|a| com o qua| orga-
n|zará as regras de íunc|onamento das ·task-
íorces· que o Becretár|o Oera| entender ne-
cessár|as.
(vii) Oue cada um dos coordenadores das
·task-íorces· conv|de tamoem |ndependen-
tes cu|os curr|cu|a deverão todav|a ser env|a-
dos, oa/a s|mo|es co||ec|me||o, das secçoes
PB correspondentes às res|denc|as dos |n-
dependentes conv|dados.
(viii) Oue os contactos de cada um dos co-
ordenadores das ·task-íorces· com respon-
sáve|s governamenta|s (mesmo para a ooten-
ção de |níormação e/ou documentação) de-
verão ter conhec|mento prev|o do Becretár|o-
Oera|. Para o eíe|to deverá d|spor de um staíí
m|n|mo, em reg|me de tempo comp|eto, para
assegurar a eí|các|a de ta|s contactos sem
me||ndres ou equ|vocos.
$ Entendem os s|gnatár|os - de|egados do
Lum|ar, Ame|xoe|ra e Oharneca - que a pro-
posta apresentada terá, pe|o menos, a v|rtu-
de não so de chamar mu|tos m|||tantes que
se aíastaram do Part|do, como tamoem est|-
mu|ar |ovens (que são sempre o íuturo) a ter
amo|çoes po||t|cas ma|s saudáve|s do que
aque|as que são un|camente p|asmadas em
|ntr|gas de oast|dor e |ogos de poder. Para
a|em d|sso, a proposta e um |nstrumento que
se proporc|ona ao Becretár|o Oera|, enquan-
to Pr|me|ro M|n|stro, oa/a 0ma ma|s e/ec||/a
coo/oe|açao oo e|e|co ço/e/|ame||a|.
Be a presente Moção Bector|a| t|ver aco|h|-
mento poe-se, ass|m, nas mãos do Becretá-
r|o Oera|, a poss|o|||dade (ou não) de d|spor
duma |o/a m||||á|c|a que não h|poteque o
íuturo do PB nem o da esquerda portugue-
sa. Espera-se ass|m que, com este contr|outo,
mu|ta co|sa venha a mudar - com toda a tran-
qu|||dade - no |nter|or do Part|do Boc|a||sta e
na sua prát|ca po||t|ca, com o apo|o, o
empenhamento e o esíorço de |ooos os m|||-
|a||es sem e·ceoçao!
(1)
·PFF|FC7|P |/P/ vF^CFP: O|ar|í|cação
ldeo|og|ca, L|nha Po||t|ca Ooerente, Novo Fun-
c|onamento do PB·. 5'. Oongresso da FAÜL
(há 13 anos). Texto em que se advogou a
||s|||0c|o|a||zaçao o0m /e|o|me||o soc|a| m|-
||mo ça/a|||oo, proposta |evada à prát|ca - e
oem - nesta |eg|s|atura.
L|sooa, Jane|ro de 1999
Os B|gnatár|os,
Reis Borges
CoeIho Antunes
Fonseca Ferreira
Pacheco de AImeida
Fernando Gameiro
Ana Cristina Costa
João Santana
Vitória MeIo
"NO BARRElRO COMO EM QUALQUER LUGAR,
COM O PS A MESMA FORMA DE ESTARl^
MOÇÁO $EC7OR/AL
A força das ideias
A evo|ução do PB na coní|ança gerada em tor-
no das popu|açoes, não de|xa dúv|das ao ma|s
cept|co dos cept|cos no se|o do nosso Part|-
do, do Norte ao Bu| e l|has.
lgua|mente a evo|ução do PB no Oonce|ho do
Barre|ro não de|xa dúv|das a n|nguem, pas-
sando em 1991 de um equ|||or|o com o PBD, e
com metade da vontade expressa de votos
re|at|vamente ao PO, para em 1997 omorear
com a íorça po||t|ca dom|nadora desde o 25
de Aor||, reíorçando todo o traoa|ho que o PB
e os seus d|r|gentes no Oonce|ho do Barre|ro
tem desenvo|v|do.
D|spon|o|||zámos |de|as, apresentámos so|u-
çoes, despertámos sent|mentos e cr|ámos
coní|ança.
Acred|támos e coní|amos no íuturo.
Deíendemos e propomos as nossas |de|as,
acred|tando num passado recente e num íu-
turo que ex|g|mos presente, numa cam|nhada
que saoemos ser árdua, mas necessár|a e ao
mesmo tempo íort|í|cante, rec|amando para s|
o tr|unío das |de|as ac|ma da mera |de|a do
poder, pondo em prát|ca o peso e a cons|s-
tenc|a das nossas |de|as, num pro|ecto que
saoemos ser o cam|nho a segu|r para o Oon-
ce|ho do Barre|ro, para o D|str|to e para o Pa|s.
Deíendemos as |de|as, porque entendemos
não entender, uma postura à somora das v|to-
r|as, mas s|m e sempre na ||derança de novos
desaí|os.
Os va|ores que conqu|stámos, a coní|ança
depos|tada no Part|do expressa nas urnas, são
concerteza cond|mento |nd|spensáve| para
íorta|ecer a nossa ||derança num processo v|-
tor|oso, cada vez ma|s e sempre v|rado para o
oem estar e na deíesa sem treguas dos |nte-
resses da popu|ação que nos e|ege, e nunca
numa postura comoda e espectante das cor-
rentes que percorrem os corredores do po-
der.
ldea||zamos um Part|do cada vez ma|s íorte,
coeso e coní|ante nos va|ores que o |ntegram,
|doneo, respe|tador e responsáve| perante os
seus e|e|tores, poderoso, amo|c|oso, |utador
e |novador perante os seus pares, transparen-
te e coerente cons|go propr|o.
Os autarcas e|e|tos pe|o Part|do Boc|a||sta nas
ú|t|mas e|e|çoes, con|untamente com a postu-
ra governamenta| da Nova Ma|or|a, tem a oor|-
gação e o dever de transm|t|r os va|ores que
tantos rec|amam e so a|guns respe|tam, no
desempenho e prossecução dos seus progra-
mas para uma Boc|edade L|vre e Democrát|ca.
As oases do Part|do não devem nem podem
ser esquec|das, po|s o seu traoa|ho tem que
ser apo|ado, numa m|||tânc|a que se quer eíec-
t|va, des|nteressada, contudo preocupada e
atenta com o íuturo que se aprox|ma, com a
entrada no novo m||en|o, e com os desaí|os
que o mesmo nos co|oca.
A informação
A |níormação como íorma de d|á|ogo com a
popu|ação, e|emento |mpresc|nd|ve| para uma
aoerta e proí|cua |dent|í|cação com os e|e|to-
res, apresenta-se como motor propu|sor das
oata|has que se aprox|mam, transm|t|ndo uma
|magem, constru|ndo uma cade|a que tanta
ía|ta tem íe|to a este part|do.
Üma das caracter|st|cas dom|nantes na pas-
sagem de testemunho de um m||en|o para
outro, e sem somora de dúv|da a ve|oc|dade
de |níormação, havendo ate quem d|ga que
v|vemos ¯/ Pe/o|0çao oa Com0||caçao´.
Esta s|tuação muda por comp|eto a re|ação
entre pessoas, organ|smos, e soc|edades.
Coordenação:
Ouest|ona-se nos ú|t|mos tempos, a necess|-
dade de desgovernamenta||zar o Part|do!.
ACÇÃO SOClALlSTA 22 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
B|ntoma ma|s que ev|dente da ía|ta de coor-
denação |nterna, po|s uma estrutura part|dá-
r|a deverá e terá que ser por s| so |deo|og|ca-
mente auto-suí|c|ente e |níormada, ev|tando
a todo o custo o descred|to provocado por
pos|çoes part|dár|as desart|cu|adas, em de-
tr|mento e íorma de cooertura às opçoes do
Ooverno.
Oueremos e ex|g|mos ser os pr|me|ros em
toda a ||nha de |níormação e d|vu|gação de
acçoes protagon|zadas pe|o Ooverno, ao qua|
somos e devemos cont|nuar a ser o seu pr|n-
c|pa| p||ar de sustentação, pe|o que para ta|
tenhamos a oportun|dade que nos ass|ste
sempre na ||derança dos processos, e nunca
prostrados perante uma op|n|ão púo||ca |á de
s| man|pu|ada pe|a antec|pação dos nossos
adversár|os po||t|cos.
Oueremos e ex|g|mos transparenc|a na íor-
ma de representat|v|dade |nterna, de íorma a
uma vez por todas co|ocarmos um ponto í|-
na| na |rrea||dade que e neste momento a re-
presentação re|at|va nas secçoes do Part|do.
Por |sso torna-se |mperat|vo mudar, ou as en-
grenagens que suportam e íazem mover todo
este s|stema queorarão, e o resu|tado não
será o pretend|do por todos aque|es que aqu|
estão, na deíesa |ntrans|gente de um Part|do
so||do e transparente.
Organização:
Acred|tamos por |sso e apostamos na neces-
s|dade urgente de reí|||ação part|dár|a a n|ve|
Nac|ona|, de|xando aqu| o repto ao nosso Be-
cretár|o Oera|, para que cons|dere esta op-
ção pr|or|tár|a no pro|ecto que ||dera, repon-
do com a coragem que |he reconhecemos, a
verdade representat|va no Part|do.
Deíendemos e desenvo|vemos traoa|ho de
oase act|vo, constru|ndo os a||cerces que sa|-
oamos e acred|temos serem |nd|spensáve|s,
para íorta|ecer a cred|o|||dade que tem v|ndo
a ser conqu|stada atraves do traoa|ho do Oo-
verno, Deputados e Autarcas |unto da popu-
|ação.
Ouando por |sso a op|n|ão e dec|são que pre-
va|ecer íor contrár|a à por nos deíend|da, uma
co|sa devemos e temos que íazer, acatar e
respe|tar, reconhecendo as |de|as e op|n|oes
contrár|as, adm|t|ndo o engano daqu||o que
pensávamos ser vontade gera|, aí|na| de con-
tas não o ser de íacto.
Oueremos um Part|do Boc|a||sta íorte e cons-
c|ente, no traoa|ho ao serv|ço do |nteresse
púo||co em consonânc|a com as |de|as, or|-
entação, verdade coní|ança e ||oerdade, num
equ|||or|o soc|a| que pretendemos reíorçado,
|nduo|tave|mente vocac|onado para as popu-
|açoes, ac|ma da s|ngu|ar|zação que o poder
e o v|c|o perm|tem.
O Pro|ecto do PB ex|ge uma po||t|ca de de-
senvo|v|mento suo|acente a uma me|hor|a do
amo|ente uroano, em consonânc|a com as
autarqu|as e outros agentes |oca|s, de íorma
a va|or|zar e me|horar os padroes de qua||da-
de de v|da das popu|açoes.
Deíendemos a cont|nu|dade e o íuturo pro-
met|do no amo|c|oso pro|ecto Boc|a||sta, do
qua| somos parte |ntegrante enquanto e|e|-
tos, e o cont|nuaremos a ser enquanto ne|e
acred|tarmos.
Oueremos estar sempre que a s|tuação o ex|-
g|r, e os d|re|tos dos O|dadãos este|am a ser
postos em causa, não escondendo a nossa
condenação e expressando sem medos nem
rece|os as nossas pos|çoes e a nossa cons-
c|enc|a.
Oontem connosco, porque acred|tamos e
suoscrevemos que a NOBBA \lA e ÜM NO\O
OAMlNHO A BEOÜlP, e entendemos que O
OÜE É DE TODOB POP TODOB DE\E BEP
DEOlDlDO.
1' Buoscr|tor
João CarIos Soares M|||tante n' 217688
Becção do Barre|ro
POR UMA SOClEDADE À ESQUERDA
MOÇÁO $EC7OR/AL
A ráp|da mutação do Mundo |n|c|ada na deca-
da passada e espec|a|mente v|s|ve| na nossa
decada |ança grandes desaí|os às íormaçoes
po||t|cas de Esquerda, que deverão readaptar
o seu d|scurso à nova s|tuação mund|a|.
Os suoscr|tores desta Moção, ma|s do que
cr|ar uma doutr|na po||t|ca, veem como oo|ec-
t|vo |ançar |ntenso deoate no se|o do Part|do
Boc|a||sta e da soc|edade em gera| soore os
desaí|os que se co|ocam à Esquerda no novo
m||en|o.
A ascensão do Neo-LiberaIismo
A h|períoo|a do Estado e a |ncapac|dade mo-
mentânea de resposta dos mode| os
econom|cos Keynes|anos e do Estado Prov|-
denc|a às cr|ses petro||íeras dos anos 70 e 80,
aor|ram cam|nho à propagação das doutr|nas
econom|cas neo-||oera|s, que se apresentaram
como so|uçoes de resposta a essas cr|ses
econom|cas.
Exemp|os parad|gmát|cos da ap||cação po||t|-
ca da doutr|na econom|ca neo-||oera| são o
¨Peaganom| cs" norte-amer| cano ou o
¨Thatcher|smo" or|tân|co. O pr|me|ro exemp|o
|eva a uma ma|or aostenção econom|ca do
Estado e a esíorços no sent|do da ||oera||zação
mund|a| do comerc|o. O segundo exemp|o,
assenta na redução do Bector Empresar|a| do
Estado e na sua |ntervenção m|n|ma na eco-
nom|a, e e o mode|o que |ní|uenc|ará toda a
Europa, onde a |ntervenção estata| sempre ío|
super|or aos m|n|mos ex|g|dos pe|o ¨Amer|can
way oí ||íe".
O advento do pragmat|smo po||t|co assoc|a-
do às correntes neo-||oera|s desde |ogo con-
tr|ou|u para uma ser|a tentat|va de esvaz|amen-
to | deo| og| co, para o qua| ío| a| nda
determ|nante a queda do Oomun|smo no B|o-
co de Leste. Tornou-se írequente que os me-
d|a ve|cu|assem a voz corrente da esmagado-
ra ma|or|a dos ¨op|n|on makers", advogando
o í|m das |deo|og|as, o esoat|mento ou ate
mesmo o í|m do antagon|smo Esquerda/D|-
re|ta. Esta tentat|va de |ntroduz|r uma espec|e
de pensamento ún|co ou pensamento dom|-
nante deu os seus írutos, patentes na ¨Terce|-
ra \|a" or|tân|ca ou no ¨Novo Oentro" teuton|co.
Uma informação gIobaIizada,
cidadão informado ?
A ¨A|de|a O|ooa|" e o desenvo|v|mento dos
med|a, em espec|a| da te|ev|são, |evou o |n-
d|v|duo ao |so|amento no seu |ar, reduz|ndo-
se assustadoramente as íormas de conv|v|o
e deoate com e|ementos exter|ores ao agre-
gado íam|||ar. Este deoate, |nvar|ave|mente
po||t|zado |evava a uma ma|or p|ura||dade na
ana||se da |níormação, ho|e ma|or|tar|amente
reduz|da à v|são ve|cu|ada pe|a |mprensa es-
cr|ta e te|ev|s|va.
Ass|m, com uma menor act|v|dade de d|s-
cussão po| | t | ca, o c| dadão ve-se
permeao|||zado re|at|vamente à |níormação
que receoe pe|a |mprensa. É natura| que
sendo propr|edade de empresas pr|vadas
ha|a uma necess|dade de rea||zar |ucro, re-
correndo a |mprensa írequentemente ao sen-
sac|ona||smo e à superí|c|a||dade da |níor-
mação. Este íacto nada ter|a de grave se os
receptores da |níormação comportassem
esp|r|to cr|t|co. Mas a rea||dade e que cada
vez são menos cr|t|cos.
Natura|mente que o oo|ect|vo ¨sensac|ona-
||smo" e ger|do cu|dadosamente pe|a |m-
prensa, havendo s|tuaçoes de í|agrante ma-
n|pu|ação. A assoc|ação de |nteresses entre
os propr|etár|os dos ¨Mass Med|a" e grupos
de |ní|uenc|a po||t|ca conduz mu|tas vezes a
uma guerra sem quarte|, com a denúnc|a de
escânda|os que v|sam a c|asse po||t|ca,
mu|tas vezes h|peroo||zados e man|pu|ados.
Nada me|hor para acentuar a descrença do
c|dadão na po||t|ca.
Os ¨Mass Med|a" assumem ass|m um pa-
pe| re|evante e ma|s que |ní|uente |unto da
op|n|ão púo||ca. O grande proo|ema res|de
na concentração econom|ca de que são
a|vo, estando ass|m man|pu|ados em íunção
dos |nteresses dos seus propr|etár|os, qua-
se sempre ||gados à po||t|ca e quase sem-
pre re||g|osamente Neo-L|oera|s, como de
resto a ma|or|a dos empresár|os.
Os propr|os Part|dos Po||t|cos pautam a sua
actuação pe|a acção da |mprensa, dada a
|ní|uenc|a det|da |unto da op|n|ão púo||ca. O
art|í|c|a||smo do d|scurso e a sua convergen-
c|a para os cr|ter|os do pensamento ún|co
Neo-L|oera| são verdade|ramente assustado-
res. Ma|s uma vez |emoramos a actuação
do Laoour ou do BPD.
Uma economia gIobaIizada, um
mundo desequiIibrado e de
confIitos sociais.
Nesta con|untura po||t|ca v|v|da na ú|t|ma de-
cada, por pressão dos EÜA e do Japão, |n-
tens| í| caram-se esíorços com v| sta à
||oera||zação do comerc|o e da prestação de
serv|ços. Em consequenc|a dos esíorços
desenvo|v|dos por estes pa|ses íoram con-
c|u|dos e ass|nados os acordos que |nst|tu-
em a Organ|zação Mund|a| do Oomerc|o
(OMO), num quadro u|tra-||oera||zante do co-
merc|o |nternac|ona|.
Oom este reg|me, tornou-se ma|s atract|vo
para as empresas mu|t|nac|ona|s transíer|rem
mu|tas das suas un|dades de produção para
os Pa|ses em \|as de Desenvo|v|mento
(P\D's), em espec|a| aque|as que não neces-
s|tam de mão-de-oora mu|to qua||í|cada. Os
e|evados custos de mão-de-oora nos Pa|ses
Desenvo|v|dos (PD's), que comportam e|eva-
das contr|ou|çoes para os s|stemas de Begu-
rança Boc|a|, oem como uma regu|amenta-
ção |aoora| mu|to íavoráve| aos traoa|hado-
res, que e |nex|stente nos P\D's íoram íacto-
res determ|nantes para este mov|mento.
Ma|s, a protecção amo|enta| |mposta nos PD's
aíectou a act|v|dade |ndustr|a|, |mpondo-|he
uma regu|amentação ex|gente em mater|a de
protecção amo|enta|. A protecção amo|enta|
e a|nda |ns|p|ente nos P\D's, que se tornam
ass|m atract|vos para a transíerenc|a das
|ndustr|as po|uentes.
A |nex|stenc|a de reg|mes democrát|cos con-
so||dados e a íraca organ|zação do mov|men-
to s|nd|ca| e amo|enta|, oem como as d|í|cu|-
dades econom|cas desses pa|ses, íac|||tam
ass|m o acesso às mu|t|nac|ona|s.
Tudo |sto poder|a ser ace|táve| numa perspec-
t|va de desenvo|v|mento |ntegrado e susten-
tado dos P\D's. lníe||zmente, ta| não sucede.
Apesar de a act|v|dade econom|ca desenvo|-
v|da pe|as mu|t|nac|ona|s nesses pa|ses ge-
rar emprego, a po||t|ca das mu|t|nac|ona|s e
tota|mente a|he|a à me|hor|a das cond|çoes
de v|da das popu|açoes, não havendo qua|-
quer desenvo|v|mento em mater|a sa|ar|a|,
soc|a| ou |aoora| que não se|a estr|tamente
necessár|o para a manutenção do ¨statos
quo".
A estrateg|a das mu|t|nac|ona|s e ass|m uma
exp|oração deseníreada dos P\D's, num
novo co|on|a||smo, sem contornos de dom|-
n|o po||t|co d|recto, um co|on|a||smo essen-
c|a|mente de contornos econom|cos. O que
não de|xa de ter as repercussoes na act|v|-
dade po||t|ca destes pa|ses, mu|tas vezes
cond| c| onada pe| os | nt eresses das
mu|t|nac|ona|s.
Os eíe|tos dos usua|s contratos de |nvest|-
mento que usua|mente são ass|nados entre
a mu|t|nac|ona| e o Estado receptor da un|-
dade de produção são quase sempre |ncon-
sequentes pe|a sua re|ação com os |ucros
da empresa no pa|s, que são man|etados
por tecn|cas de íuga í|sca| como a s|mu|tâ-
nea suoí act uração de export açoes e
sooreíacturação de |mportaçoes.
Be as consequenc|as para os P\D's são,
como v|mos, negat|vas, a tensão soc|a|
provocada por est e mov| ment o de
|nternac|ona||zação da econom|a não de|xa
|nco|ume os PD's. Os PD's so se tornam
compet|t|vos com uma redução dos custos
de produção das empresas, o que as íorça
a optar pe|a automat|zação do processo pro-
dut|vo, em detr|mento do íactor produt|vo
mão-de-oora, encarec|do pe|os pesados en-
cargos soc|a|s e pe|a íorte regu|amentação
|aoora|. Natura|mente que em nome da
compet|t|v|dade das empresas e das eco-
nom|as dos PD's se sacr|í|ca um e|evado nú-
mero de postos de traoa|ho, causando as
a|tas taxas de desemprego que í|age|am os
PD's.
Outra consequenc|a deste íacto e a pressão
das empresas para a í|ex|o|||zação da regu-
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 23
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
|amentação |aoora| nos PD's, sempre em
nome da compet|t|v|dade, pre|ud|cando as-
s|m as conqu|stas dos traoa|hadores íe|tas
ao |ongo de decadas, em nome da sua d|g-
n|dade, segurança e estao|||dade, em nome
da |ust|ça |aoora|. O Part|do Boc|a||sta, oem
como os seus parce|ros da lnternac|ona| Bo-
c|a||sta sempre est|veram na pr|me|ra ||nha
da deíesa dos d|re|tos |aoora|s, não poden-
do ass|st|r |mpáv|dos a esta tentat|va de re-
trocesso.
A tensão soc|a| aumenta ass|m nos PD's,
como e patente nas man|íestaçoes s|nd|ca|s
a que ass|st|mos nos ú|t|mos anos, sendo o
exemp|o írances parad|gmát|co. A |ncapa-
c|dade de reso|ução deste proo|ema acen-
tua a descred|o|||zação do s|stema po||t|co.
Mas nem so os mov|mentos s|nd|ca|s actu-
am. A extrema-d|re|ta tem exp|orado este
íenomeno da íorma que ma|s |he aprove|ta.
A |ntens|í|cação das man|íestaçoes de |nto-
|erantes de rac|smo e xenoíoo|a atestam-no,
como por exemp|o em França, com a Front
Nat|ona|, ou na A|emanha, com o crescente
mov|mento Neo-Naz|. A propr|a extrema-d|-
re|ta ma|s suot|| tem ape|ado aos va|ores do
nac| ona| | smo cont ra o mov| ment o de
g|ooa||zação da econom|a, apontado como
a causa da cr|se.
Por ú|t|mo, e não menos preocupante, a con-
centração do poder econom|co. O íenomeno
de g|ooa||zação da econom|a e acompanha-
do da concentração econom|ca em grandes
grupos empresar|a|s, cu|a extensão, poder
e |ní|uenc|a tornam ma|s d|í|c|| o seu contro-
|o pe|as ent|dades púo||cas. Os processos
de concentração a que nos reíer|mos ten-
dem à cr|ação de monopo||os pr|vados e
o||gopo||os, d|í|cu|tando ass|m o acesso ao
mercado por novos agentes econom|cos e
a||c|ando à carte||zação do mercado, com
consequenc|as ao n|ve| da íormação de pre-
ços. Mesmo para um Neo-L|oera| e c|ara e
preocupante esta s|tuação.
Liberdade, lguaIdade e
Fraternidade
Trad|c|ona|mente assoc|a-se à Esquerda o
va|or lgua|dade e à D|re|to o va|or ||oerdade.
Este cr|ter|o d|st|nt|vo s|mp||sta |eva mu|tas
vezes à assoc|ação à Esquerda de uma |ma-
gem c|nzenta, redutora e un|íorm|zadora da
acção dos |nd|v|duos.
Na genese da |dade contemporânea a Es-
querda emoande|rava os va|ores da ||oerda-
de e |gua|dade de d|re|tos c|v|cos. A D|re|ta
era nessa a|tura acerr|ma e o desenvo|v|mento
de um s|stema cap|ta||sta agreste, causador
de gr|tantes s|tuaçoes de |n|ust|ça soc|a| e
atentator|as à d|gn|dade humana, d|taram o
aparec|mento de novas correntes po||t|cas
deíensoras da |gua|dade soc|a|. Para a D|re|-
ta oastava o reg|me de d|re|tos e ||oerdades
de part|c|pação c|v|ca, sendo a|nda ren|tente
quanto à consagração do Pr|nc|p|o da lgua|-
dade a mu|tos desses d|re|tos.
Toda a evo|ução do pensamento de Esquer-
da em í|na|s do Becu|o XlX e |n|c|o do Becu|o
XX |evou à cr|ação de do|s grandes grupos
de íormaçoes de Esquerda: um revo|uc|oná-
r|o, onde pont|í|cavam a teor|as Marx|stas, e
outro reíorm|stas, onde pont|í|caram as teor|-
as de Bernste|n. A pr|me|ra corrente |evou aos
resu|tados ho|e conhec|dos, pe|a aoso|uta
ía|ta de respe|to pe|a |nd|v|dua||dade huma-
na. A segunda |mp|ementou em mu|tos pa|-
ses de reg|me econom|co uma segunda ge-
ração de D|re|tos, v|sando a cr|ação de uma
soc|edade ma|s |usta e human|zada.
Esta segunda geração de d|re|tos de c|dada-
n|a concret|zou-se na cr|ação, entre outras,
de uma rede de serv|ços de educação, cu|tu-
ra e saúde ou d|gn|í|cando as suas cond|çoes
de v|da com a |ntrodução do sa|ár|o m|n|mo,
do d|re|to a íer|as, da redução do horár|o de
traoa|ho, do s|stema de segurança soc|a| ou
a garant|a do d|re|to à greve e ||oerdade de
assoc|ação s|nd|ca|.
Estes d|re|tos íoram sempre acompanhados
pe|o aproíundamento e a|argamento do reg|-
me dos d|re|tos íundamenta|s. A Esquerda
Democrát|ca, a qua| o Part|do Boc|a||sta re-
presenta, cont|nua a sua |uta pe|o respe|to
pe|os D|re|tos Humanos, não consent|do qua|-
quer atrope|o ao seu con|unto ou |so|adamen-
te.
Bomo ho|e, ma|s que a D|re|ta Neo-L|oera| e
Oonservadora, guard|oes dos d|re|tos e ||oer-
dades ma|s e|ementares para o ser humano.
A recusa da pena de morte a deíesa das ga-
rant|as processua|s no s|stema |ud|c|a| e a
concepção human|sta do D|re|to Pena| são
acerr|namente deíend|das pe|a Esquerda
Democrát|ca contrar|ando os ataques que
tem s|do |ançados pe|a D|re|to Neo-L|oera| e
Oonservadora.
A ||oerdade de expressão po||t|ca, re||g|osa,
cu|tura| e art|st|ca encontram na Esquerda
Democrát|ca, par da deíesa das m|nor|as, um
deíensor |mp|acáve|. A Esquerda Democrát|-
ca |uta |ntrans|gentemente pe|a deíesa des-
tes D|re|tos no p|ano |nterno e externo, não
os sacr|í|cando em íunção de |nteresses
econom|cos, como tem s|do íe|to por Oover-
nos or|undos de correntes Oonservadoras e
Neo-L|oera|s.
Pretendemos uma soc|edade to|erante, onde
o d|re|to à d|íerença se|a reconhec|do e res-
pe|tado. O respe|to pe|as m|nor|as e oas||ar
para a soc|edade to|erante que o Part|do Bo-
c|a||sta e a Esquerda Democrát|ca conceoem.
O repúd|o e comoate às man|íestaçoes de
|nto|erânc|a, em espec|a| as v|o|entas, devem
ser vectores de qua|quer po||t|ca de esquer-
da.
Na rea||dade a preocupação ooessess|va da
D|re|ta Neo-L|oera| rad|ca nas ||oerdades eco-
nom|cas, que dese|am ver reíorçadas em
deter|mento dos D|re|tos Boc|a|s. Pretendem
uma soc|edade onde o Estado se|a um áro|-
tro, um e|emento neutro na act|v|dade eco-
nom|ca e na correcção das des|gua|dades
soc|a|s. Esta concepção traduz uma v|são
|nd|v|dua||sta e se|vát|ca da soc|edade, tra-
duz|ndo-se numa verdade|ra se|va, onde so
o ma|s íorte soorev|ve.
Esta não e seguramente a nossa v|são. Há
mu|to que deíendemos a ||oerdade de em-
presa e o d|re|to de propr|edade. O que não
conceoemos e o seu exerc|c|o de íorma to-
ta|mente des||gada da íunção soc|a| que |hes
ass|ste. O ||vre exerc|c|o destas ||oerdades
por|a em causa a eíect|vação de uma soc|e-
dade |usta e so||dár|a, devendo ass|m o exer-
c|c|o destes d|re|tos e ||oerdades ser oa||zado
por íorma a ev|tar aousos de pos|ção dom|-
nante. De mesma íorma que a ||oerdade de
expressão e | mprensa se encontram
oa||zados pe|o d|re|to a honra, ao oom nome
e à pr|vac|dade.
É neste sent|do que advogamos a |nterven-
ção do Estado na econom|a. Ju|gamos íun-
damenta| a deíesa dos d|re|tos dos traoa|ha-
dores e a ex|stenc|a de os d|re|tos regu|amen-
tação |aoora| que os prote|a, garant|ndo-|he,
aqu||o que uma organ|zação ger|da em íun-
ção e a d|gn|dade do |ucro nunca |he dar|a.
B|tuaçoes como o traoa|ho |níant|| ou o suo-
emprego, em que se ass|ste a uma exp|ora-
ção deseníreada dão íorça à nossa voz.
É pe|a nossa concepção so||dár|a e íraterna
da v|da em soc|edade que não renunc|amos
a um s|stema de ass|stenc|a soc|a| que íaça
íace a s|tuaçoes de vu|nerao|||dade como o
desemprego, a pooreza, a doença ou a ve-
| h| ce, d| gn| í| cando a v| da dos ma| s
carenc|ados.
É por cons|derarmos que o ser humano nas-
ce ||vre e |gua| em d|re|tos que não renunc|a-
mos a promover uma |gua|dade de oportun|-
dades, reí|ect|da na protecção a |níânc|a e
no d|re|to à educação un|versa| e gratu|ta.
Oont|nuaremos a |utar para que cr|ter|os de
capac|dade econom|ca de|xem de d|tar a
exc|usão do acesso a graus ma|s e|evados
de ens|no, em nome da auto-rea||zação |nd|-
v|dua| e da |gua|dade de oportun|dades.
A concentração do poder econom|co, pr|va-
da ta| como ío| demonstrado por Montesqu|eu
para a concentração dos poderes púo||cos,
e per|gosa e atentador dos d|re|tos ||oerda-
des |nd|v|dua|s, neste caso das ||oerdades
econom|cas, em espec|a| a ||oerdade de
acesso ao mercado.
O processo de concentração empresar|a| pr|-
vada d|í|cu|ta o íunc|onamento dese|áve| do
mercado, com todos os pre|u|zos causados
no consum|dor. É nosso dever ||m|tar estes
processos por íorma a que de|es resu|tem
s|tuaçoes monopo||stas ou o||gopo||stas.
A protecção do consum|dor e a deíesa do
amo|ente serão necessár|amente oo|ect|vas
a prossegu|r pe|a Esquerda Democrát|ca,
num comoate assum|do aos exerc|c|os |nad-
m|ss|ve|s dos d|re|tos de ||oerdade econom|-
ca.
Oonceoemos uma soc|edade ||vre, to|erante,
|usta e so||dár|a, onde os va|ores L|oerdade,
lgua|dade e Fratern|dade se|am os pr|nc|p|os
or|entadores oás|cos.
Por uma Democracia
Participativa
O a|heamento dos c|dadãos da act|v|dade
po||t|ca e, |níe||zmente, um dado adqu|r|do nas
soc| edades contemporâneas. Este
a|heamento merece da esquerda e do Part|-
do Boc|a||sta resposta adequada, no sent|do
de reíorçar e aproíundar a v|venc|a democrá-
t|ca. Üma po||t|ca g|ooa| de reíorma do Esta-
do com uma íorte preocupação de d|nam|zar
a part|c|pação c|v|ca e uma so|ução cred|ve|
e des|áve|.
A Pev|são Oonst|tuc|ona| de 1997, apesar de
todas as |nsuí|c|enc|as causadas pe|o oo|co-
te da D|re|ta Par|amentar, demonstrou o em-
penho do Part|do Boc|a||sta em |evar a caoo
uma ser|a reíorma do s|stema po||t|co, con-
sagrando med| das como a | n| c| at| va
|eg|s|at|va popu|ar, o í|m do monopo||o part|-
dár|o nas cand|daturas aos orgãos das
Autarqu|as Loca|s, ou a |ntrodução de c|rcu-
|os un|nom|na|s no s|stema e|e|tora| para a
Assemo|e|a da Pepúo||ca, num quadro de
manutenção da proporc|ona||dade do s|ste-
ma.
A rev| são do s| stema e| e| tora| para a
Assemo|e|a da Pepúo||ca e uma íorte med|-
da de aprox|mação dos e|e|tores dos e|e|tos,
atraves da cr|ação dos c|rcu|os un|nom|na|s,
devendo ser retomada pe|o Part|do Boc|a||s-
ta. A este propos|to ío| tamoem proposta a
|ntrodução de um s|stema de quotas para
garant|r uma part|c|pação m|n|mamente |gua-
||tár|a de amoos os sexos nas ||stas.
N|nguem poe em causa a necess|dade de
aumentar a part|c|pação das mu|heres na
act|v|dade po||t|ca. Este e um pr|nc|p|o íun-
damenta| a ser prossegu|do por todos os
part|dos po||t|cos. Oontudo, pr|or|tár|o à |m-
pos|ção |ega| de quotas, e o comoate d|recto
às causas do oa|xo |nd|ce de part|c|pação
po||t|ca íem|n|na.
A part|c|pação íem|n|na na act|v|dade po||t|-
ca em portuga| e reconhec|damente |níer|or
à med|a europe|a. Ta| íacto deve-se ao atra-
so cu|tura| de que íomos e a|nda somos v|t|-
mas em consequenc|a de 48 anos de |so|a-
mento e d|tadura. Na ma|or parte dos pa|ses
europeus a part|c|pação das mu|heres ío| um
processo natura| e evo|ut|vo. O mesmo se
passou em Portuga| ate aos d|as de ho|e, com
a cond|c|onante do nosso atraso. Portuga| |á
teve uma mu|her como Pr|me|ra-M|n|stra e
cand|data a Pres|dente da Pepúo||ca e o nú-
mero de governantes, deputados e autarcas
do sexo íem|n|no.
É íundamenta| |nvest|r ao máx|mo na mudan-
ça de menta||dades, e||m|nando preconce|-
tos mach|stas e |ncut|ndo nas mu|heres o a
necess|dade de part|c|pação po||t|ca. lníe||z-
mente, a|nda ho|e entre as mu|heres dos
me|os rura|s ou entre as mu|heres menos |o-
vens, não há recept|v|dade íem|n|na para a
part|c|pação na v|da po||t|ca.
lmporta que este processo se|a resu|tado de
uma evo|ução natura| de menta||dades e não
de uma mera |mpos|ção |ega|. A |mpos|ção
|ega| de quotas e uma med|da art|í|c|a|, que
poderá assoc|ar uma |magem negat|va à par-
t|c|pação po||t|ca íem|n|na, na med|da em que
a sua part|c|pação e assegurada por |mpos|-
ção |ega|. A evo|ução natura| da part|c|pação
íem|n|na e determ|nante para a sua so||dez e
cred|o|||zação.
Bempre ío| apanág|o do Part|do Boc|a||sta a
part|cpação po||t|ca íem|n|na, podendo uma
so|ução deste genero |ns|nuar dúv|das soore
a vontade das estrturas |ntermed|as do Part|-
do Boc|a||sta no que toca à part|c|pação íe-
m|n|na. Acred|tamos conv|ctamente no pape|
re|evante das mu|heres na act|v|dade po||t|-
ca, |utamos e |utaremos em nome da sua pre-
sença eíect|va.
O í|m do monopo||o dos part|dos po||t|cos nas
cand|daturas aos orgãos das Autarqu|as Lo-
ca|s, consagrado na ú|t|ma rev|são const|tu-
c|ona|, poss|o|||ta cand|dauras |ndependen-
tes aos orgãos do Mun|c|p|o, representando
um avanço s|gn|í|cat|vo nas íormas de part|-
c|pação po||t|ca do c|dadão. É agora |mpor-
tante regu|amentar este d|re|to, assegurando
a sua exequ|o|||dade nas prox|mas e|e|çoes
autárqu|cas.
Outra |novação da ú|t|ma rev|são const|tuc|o-
na| ío| a |n|c|at|va |eg|s|at|va popu|ar, poss|o|-
||tando ass|m a part|c|pação d|recta do c|da-
dão na act|v|dade |eg|s|at|va. Esta reíorma
const|tuc|ona| carece de urgente regu|amen-
tação no sent|do de de poss|o||tar o ma|s rá-
p|do poss|ve| a eíect|vação deste d|re|to.
Acresce a|nda a necess|dade de uma cam-
panha de esc|arec|mento, a |evar a caoo pe-
|os orgãos de sooeran|a e part|dos po||t|cos,
por íorma a |ncent|var o c|dadão ao uso des-
ta íorma de part|c|pação.
O reíerendo ío| pe|a pr|me|ra vez ut|||zado
nesta |eg|s|atura, sendo os |nd|ces de part|c|-
pação |níer|ores ao dese|ado. Ju|gamos a
prát|ca reíerendár|a sa|utar como íorma de
aproíundar a democrac|a part|c|pat|va. Toda-
v|a, |mporta encontrar íormas de aumentar a
part|c|pação nestes actos, sendo necessár|o
o empenhamento crescente dos part|dos
po||t|cos e de e|ementos de reconhec|da ca-
pac|dade da soc|edade c|v|| no sent|do de
|ncrementar um deoate ser|o e aorangente em
toda a soc|edade, despertando ass|m a
conc|enc|a c|v|ca da popu|ação.
É a|nda de saudar os esíorços do Ooverno e
do Part|do Boc|a||sta no sent|do de a|argar a
prát| ca reíerendár| a à Adm| n| stração
Autárqu|ca. Esta |n|c|at|va serv|rá seguramen-
te para um enra|zar do |nst|tuto do Peíerendo
no s|stema po||t|co portugues.
ACÇÃO SOClALlSTA 24 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
Num momento em que ass|st|mos a uma íor-
te contestação à carga í|sca|, cur|osamente
uma das ma|s oa|xas da Ün|ão Europe|a, aí|-
gura-se necessár|o prover para que ha|a um
ma|or sent|mento de retr|ou|ção do Estado ao
contr|ou|nte. Nesse sent|do, entre outras me-
d|das que não |nteressa aqu| aoordar, o Part|-
do Boc|a||sta deve estudar e propor íormas
de part|c|pação do c|dadão na repart|ção da
despesa púo||ca.
A |ntrodução do Orçamento Part|c|pat|vo, uma
í|gura onde o contr|ou|nte pode aíectar uma
parte da sua contr|ou|ção í|sca| a uma área
de actuação da Adm|n|stração Púo||ca, deve
ser ponderada pe|o Part|do Boc|a||sta. Desta
íorma será poss|ve| auscu|tar os anse|os dos
contr|ou|ntes, oem como poder cr|ar uma
ma|or sat|síação e sent|mento de retr|ou|ção
no contr|ou|nte.
A part|c|pação c|v|ca não se esgota na reíor-
ma do s| stema po| | t| co, podendo ser
|ncrementada atraves de uma reíorma adm|-
n|strat|va, de uma ma|or aoertura dos part|-
dos po||t|cos à soc|edade c|v|| e do apo|o ao
assoc|at|v|smo.
Uma Administração PúbIica
aberta e participada
Trad|c|ona|mente a Esquerda e v|sta como
excess|vamente centra||sta, num mode|o her-
dado do |acoo|n|smo da Pevo|ução Francesa.
Esta |de|a, cada vez ma|s errada, deve ser
comoat|da com a condução de um mov|men-
to descentra||zador da Adm|n|stração Púo||ca,
com uma íorte d|nâm|ca de part|c|pação dos
adm|n|strados. O Part|do Boc|a||sta há mu|to
que assum|u esta postura. lmporta reíorçar a
nossa actuação neste sent|do.
Oonduz|r uma reíorma adm|n|strat|va assen-
te na transparenc|a, descentra||zação, eí|c|-
enc|a, rac|ona||zação e part|c|pação d|recta
do c|dadão, e |mpresc|nd|ve| para despertar
o |nteresse do c|dadão na geestão da ¨Pes
Púo||ca". Num momento em que as cr|t|cas à
|neí|c|enc|a e à centra||zação da Adm|n|stra-
ção Púo||ca at|ng|ram um p|co máx|mo, o
Part|do Boc|a||sta deve prossegu|r a po||t|ca
de reíorma adm|n|strat|va |n|c|dada à quatro
anos.
Ao |ongo desta |eg|s|atura demonstrámos o
nosso empenho na descentra||zação adm|-
n|strat|va atraves de um con|unto de |n|c|at|-
vas |eg|s|at|vas que v|saram o reíorço das
Autarqu|as Loca|s e a |nst|tu|ção das Peg|oes
Adm|n|strat|vas.
A proposta de |nst|tu|ção em concreto das
Peg|oes Adm|n|strat|vas ío| recusada pe|o
Povo Portugues em reíerendo. Expr|m|u-se
ass|m a vontade popu|ar de não pretender a
|nst|tu|ção das Peg|oes Adm|n|strat|vas nos
mo|des e no tempo em que |he ío| proposto.
Este íacto não |nva||da que o Part|do Boc|a-
||sta aoandone a sua conv|cção nos oeneí|c|-
os emergentes da concret|zação desta reíor-
ma, devendo amadurecer e reava||ar a sua
proposta, para que num íuturo |ong|nquo se|a
deoat|da, compreend|da e ace|te pe|o Povo
Portugues.
Os portugueses íoram c|aros neste reíeren-
do, restando agora ao Part|do Boc|a||sta de-
sencadear uma po||t|ca de descentra||zação
nos Mun|c|p|os e Fregues|as. A par desta
po||t|ca deverão ser desenvo|v|dos esíorços
no sent|do de proceder a uma reorgan|zação
terr|tor|a| e íunc|ona| da Adm|n|stração Púo||-
ca Per|íer|ca do Estado, dotando-a de uma
ma|or un|íorm|dade terr|tor|a|, de mecan|smos
de coordenação entre os d|versos serv|ços e
de uma ma|or rac|ona||dade.
A Adm|n|stração Púo||ca deverá ser a|nda
dotada de mecan|smos de part|c|pação de-
mocrát|ca dos adm|n|strados, coníer|ndo-|hes
voz nas opçoes da adm|n|stração. Berá as-
s|m poss|ve| contr|ou|r para um ma|or |nteres-
se dos c| dadãos e para uma ma| or
prox|m|dade da act|v|dade adm|n|strat|va aos
anse|os dos c|dadãos.
O exemp|o máx|mo destas med|das e o exem-
p| o da Auto-Adm| n| stração, v| s| ve| nas
Autarqu|as Loca|s, Ün|vers|dades ou Ordens
Proí|ss|ona|s. Estes exemp|os são pos|t|vos
e devem ser a|argados, sempre que v|áve|, a
outras áreas da adm|n|stração.
Um Partido dinâmico e aberto
A soc|edade c|v|| o|ha a|nda com d|stânc|a e
ate mesmo, porque não aí|rmá-|o, com a|gu-
ma desconí|ança para a act|v|dade dos part|-
dos po||t|cos. A capac|dade de aoertura e
atracção dos part| dos po| | t| cos são
determ|nantes para a adequação do seu d|s-
curso e act|v|dade às necess|dades da po-
pu|ação. Por outro |ado a part|c|pação da
soc|edade c|v|| aíastará o est|gma negat|vo
mu|tas vezes assoc|ado aos apere|hos part|-
dár|os.
O Part|do Boc|a||sta compreendeu desde
cedo a necess|dade de proceder a uma aoer-
tura à soc|edade c|v||, aor|ndo-se ao deoate
e à part|c|pação de |ndependentes. O ponto
máx|mo desta or|entação ío| a rea||zação dos
Estados Oera|s para uma Nova Ma|or|a.
Não podemos adormecer à somora do su-
cesso oot|do com esse evento. Oomo part|-
do que suporta o Ooverno as nossas respon-
sao|||dades são acresc|das na auscu|tação da
soc|edade c|v||. Bempre assum|mos um es-
p|r|to de |ntervenção, nunca est|vemos con-
d|c|onados por uma ||derança centra||sta e
não d|a|ogante. O part|do deve não so ser
aoerto à |ntervenção cr|t|ca e construt|va dos
seus m|||tantes, como tamoem de e|ementos
da soc|edade c|v||.
As estruturas do part|do devem desenvo|ver
a cr|ação de espaços de reí|exão e deoate
dest|nados a m|||tantes e |ndependentes em
todas os seus n|ve|s de actuação, proporc|o-
nando ass|m uma aoertura na deí|n|ção das
po| | t| cas a prossegu| r pe| o part| do nas
Autarqu|as Loca|s e na deíesa dos |nteres-
ses reg|ona|s.
É |mportante ressa|var que não pretendemos
para o Part|do Boc|a||sta o mode|o de ¨catch
a|| party". O Part|do Boc|a||sta tem 25 anos
de h| stor| a, e pr| nc| p| os | deo| og| cos
sed|mentados. Não podemos tamoem esque-
cer a contr|ou|ção act|va dos nossos m|||tan-
tes, que tanto esíorço desenvo|vem em pro|
do Part|do.
Pretendemos que, no quadro dos nossos
pr|nc|p|os |deo|og|cos, ha|a suí|c|ente aoer-
tura na organ|zação do Part|do para a part|c|-
pação de |ndependentes que se |dent|í|quem
com a Esquerda Democrát|ca. Esta part|c|-
pação de |ndependentes deve ser v|sta como
uma íorma de enr|quecer o d|scurso do Part|-
do e reíorçar os nossos |aços com a Boc|e-
dade O|v||. Pad|ca|mente d|íerente e a cons-
trução de um programa e de um d|scurso
exc|us|vamente em íunção de cr|ter|os de
oportun|dade e|e|tora|, o que íronta|mente re-
cusamos.
A dinâmica da Sociedade CiviI
A Boc|edade c|v|| man|íesta-se mu|tas vezes
atraves de mov|mentos e assoc|açoes c|v|-
cas. Estes íenomenos são extremamente
|mportantes na moo|||zação po||t|ca dos c|-
dadãos, na med|da em que perm|tem expres-
sar vontades co|ect|vas, tota|mente à margem
da act|v|dade po||t|co-part|dár|a.
lmporta ass|m encora|ar estes me|os de so-
c|a||zação e deoate de |de|as, que d|m|nuam
a |nd|íerença do c|dadão perante a act|v|da-
de po||t|ca. Estamos certos da sua re|evân-
c|a para o desenvo|v|mento de uma consc|-
enc|a po||t|ca cr|t|ca nas popu|açoes.
É re|evante neste campo o pape| das assoc|-
açoes c|v|cas, estudant|s, amo|enta||stas e
s|nd|ca|s, que merecem todo o apo|o dos or-
gan|smos púo||cos para o desempenho das
suas act|v|dades, no tota| respe|to pe|a sua
|ndependenc|a.
Estas assoc|açoes deverão ser ouv|das ao
máx|mo pe|os agentes po||t|cos, orgãos de
sooeran|a e pe|a adm|n|stração, ressa|vando
sempre a necess|dade de não ca|r no extre-
mo do Neo-Oorporta|v|smo. Ju|gamos que
reservar um pape| ma|s act|vo do mov|mento
assoc|at|vo, nas suas d|versas vertentes,
const|tu| s|mu|tâneamente o encora|amento
da part|c|pação c|v|ca e a conso||dação do
processo de dec|são po||t|ca.
Construir uma Europa SociaI
A Esquerda Democrát|ca sempre demonstrou
grande empenho no processo de |ntegração
europeu, atraves do Part|do Boc|a||sta e dos
seus parce|ros no Part|do Boc|a||sta Europeu.
A construção de uma Europa, onde as d|íe-
renças cu|tura|s entre pa|ses se|am sa|vaguar-
dadas, e ha|a um esíorço em nome de uma
acção comum e por nos assum|do.
O reíorço dos orgãos da Ün|ão Europe|a,
numa | | nha de part| c| pação e ma| or
|eg|t|mação democrát|ca, e uma pr|or|dade
para a Esquerda Europe|a. Neste campo |u|-
gamos urgente a reíorma do s|stema |ud|c|a|
comun|tár|o e uma ma|or v|s|o|||dade para o
Par|amento Europeu.
A Ün|ão Econom|ca e Monetár|a, na qua|
estamos |ntegrados e ma|s um passo so||do
na construção europe|a. Oontudo, aí|gura-se-
nos necessár|o rever os cr|ter|os que or|en-
tam a po||t|ca orçamenta| dos estados mem-
oros para a un|ão monetár|a. Estes cr|ter|os
são predom|nantemente monetar|stas, oor|-
gando a uma exagerada aostenção de |nter-
venção econom|ca dos estados memoros.
Esta or|entação não perm|te desenvo|ver po-
||t|cas soc|a|s das qua|s não aod|camos, de-
vendo os cr|ter|os que pres|dem ao Euro ser
temperados em ordem à concret|zação da
Europa Boc|a|.
É a Europa Boc|a| o grande oo|ect|vo a pros-
segu|r pe|a Esquerda Europe|a, num esíorço
para uma rea| convergenc|a soc|a| entre os
estados memoros, que perm|t|rá conso||dar
o processo de |ntegração.
Em nome de uma Ordem
lnternacionaI justa e soIidária
A v|são da Esquerda Democrát|ca não se re-
sume ao oem estar da soc|edade nac|ona|.
Os nossos va|ores são g|ooa|s, d|r|g|dos a
toda a human|dade. Torna-se ass|m neces-
sár|o neste momento em que se ass|ste a um
processo de O|ooa||zação da Econom|a, as-
segurar uma acção capaz de converter este
processo num me|o de concret|zar um de-
senvo|v|mento |ustentado de toda a Human|-
dade.
A ausenc|a de regu|amentação po||t|ca, soc|-
a| e amo|enta| no processo de g|ooa||zação
da Econom|a aore cam|nho a todo o con|un-
to de des|qu|||or|os |á anunc|ados nesta Mo-
ção. Não cremos que o processo de
O|ooa||zação deva vo|tar atrás. Ju|gamos an-
tes necessár|o proceder à sua reíorma asse-
gurando o respe|to pe|os D|re|tos Humanos,
a eíect| vação pe| o desenvo| v| mento e
me|hor|a das cond|çoes de v|da nos Pa|ses
em v|a de desenvo|v|mento, oem como ev|-
tar o retrocesso em mater|a de D|re|tos Boc|-
a|s nos Pa|ses Desenvo|v|dos.
Ürge reíormar a Boc|edade lnternac|ona| do-
tando-a de mecan|smos de eíect|vação des-
tes oo|ect|vos. A ap||cação de sançoes eco-
nom|cas e |so|amentoos dos pa|ses que
desrepe|tem os D|re|tos Humanos deve cons-
t|tu|r uma norma na actuação de todos os
su|e|tos de D|re|to lnternac|ona| Púo||co, em
espec|a| das Organ|zaçoes lnternac|ona|s.
No que respe|ta à ||oera||zação do comerc|o
e prestação de serv|ços, consagrada nos
acordos da Organ|zação Mund|a| do Oomer-
c|o (O.M.O.), a pr|or|dade res|de no comoate
ao ¨Dump| ng Boc| a| " e ao ¨Dump| ngo
Amo|enta|" prat|cado pe|os Pa|ses em \|as
de Desenvo|v|mento.
A |ntrodução de standards m|n|mos e progres-
s|vas em mater|a de protecção amo|enta| e
soc|a| nos acordos da O.M.O. e uma so|u-
ção, dese|áve|. Desta íorma ser|a poss|o|||ta-
do aos P\D's a |ntrodução progress|va de
med| das de protecção amo| enta| , que
v|sara|m m|n|m|zar os eíe|tos preversos da
prát|ca de ¨Dump|ng Amo|enta|" nas econo-
m|as dos PD's, proporc|onando ass|m uma
eíect|va protecção amo|enta| a esca|a neces-
sár|a e oostando à degradação das cond|-
çoes amo|enta|s nos P\D's.
A |ntrodução de standards m|n|mos e progres-
s|vos no comoate ao Dump|ng Boc|a| |mp||-
car|a a m|n|m|zação do desemprego nos PD's
e a d|gn|í|cação das cond|çoes |aoora|s e dos
cond|ção de v|da nos P\D's. A deí|n|ção dos
cr|ter|os e prazos de |mp|ementação destas
med|das poder|a ser deí|n|do atraves das
Oonvençoes lnternac|ona|s do Traoa|ho e|a-
oorados no âmo|to da Organ|zação lnterna-
c|ona| do Traoa|ho, onde os d|versos Esta-
dos tem assento atraves de representantes
do Ooverno, das Assoc|açoes de Empresár|-
os e dos B|nd|catos nac|ona|s.
A par destas med|das e no sent|do de perm|-
t|r aos P\D's o seu desenvo|v|mento urge uma
reíorma da B|stema F|nance|ro lnternac|ona|.
O grupo Banco Mund|a|, que e composto pe|o
Banco lnternac|ona| para a Peconstrução e
Desenvo|v|mento, pe|a Boc|edade F|nance|-
ra lnternac|ona| e pe|o Fundo Monetár|o ln-
ternac|ona|, deve soírer reíormas no sent|do
de a|terar a sua po||t|ca de a|uda ao desen-
vo|v|mento.
A grande med|da deve v|zar m|n|m|zar a |m-
pos|ção de po||t|cas monetar|stas em pro| de
med|das estrutura|s. As actua|s |mpos|çoes
na a|uda ao desenvo|v|mento são mu|tas ve-
zes excess| vas, pondo em causa as |á
|ns|p|entes po||t|cas de protecção soc|a| e a
sooeran|a orçamenta| desses pa|ses. O con-
tro|o dos mov|mentos de cap|ta|s deve a|nda
ser contro|ado pe|o FMl, ev|tando-se a |nsta-
o| | | dade causada pe| os mov| mentos
especu|at|vos.
Por ú|t|mo e necessár|o assegurar o cumpr|-
mento do comprom|sso assum|do pe|os PD's
de consagrar 1% do seu PlB à a|uda ao de-
senvo|v|mento, comprom|sso assum|do na
Ooníerenc|a de Nova Dhe||, em 1968.
É com esta po||t|ca de so||dar|edade |nterna-
c|ona| que a Esquerda Democrát|ca deve
actuar em nome do Desenvo|v|mento. O Par-
t|do Boc|a||sta deve ser í|rme e determ|nado
na |uta por um Mundo |unto e equ|||orado,
onde a Paz, Democrac|a, respe|to pe|os D|-
re|tos Humanos se|am regra e não excepção.
Os desafios da Esquerda
Democrática
Perante esta nova Boc|edade O|ooa| tamoem
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 25
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
a Esquerda tem de se adaptar, procurando dar
so|uçoes aos desaí|os que |he são |ançados.
O comoate à tentat|va de |mp|ementação do
pensamento ún|co Neo-L|oera|, deve ser as-
sum|do pe|a Esquerda Democrát|ca com so-
|uçoes |mag|nat|vas, que não renunc|em ao
passado h|stor|co do mov|mento do Boc|a||s-
mo Democrát|co.
O Part|do Boc|a||sta e a Esquerda Democrát|-
ca não podem enveredar por cam|nhos
pretensamente renovadores, que assumem
po||t|cas econom|cas puramente neo-||oera|s
e assumem um d|scurso m|nuc|osamente
estudado em íunção do tratamento da |m-
prensa. \|ver de |dea|s e ma|s d|gno que v|-
ver da |magem.
O Part|do Boc|a||sta e a Esquerda Democrát|-
ca devem |utar pe|a part|c|pação e íormação
c|v|ca, assum|ndo a necess|dade de rev|ta||zar
um deoate ser|o e part|c|pado em nome do
aproí undamento da Democrac| a. A
p|ura||dade de |de|as e o deoate aoerto são
íundamenta|s para a conso||dação da Demo-
crac|a, contr|ou|ndo para uma soc|edade p|u-
ra|, act|va e to|erante.
O Part|do Boc|a||sta e a Esquerda Democrát|-
ca cont|nuam na pr|me|ra ||nha da deíesa das
||oerdades |nd|v|dua|s, em nome da protec-
ção das m|nor|as e do respe|to pe|os D|re|tos
Humanos.
O Part|do Boc|a||sta e a Esquerda Democrát|-
ca não podem aoandonar a deíesa dos tra-
oa|hadores, |utando pe|a eíect|vação dos
seus d|re|tos e pe|a d|gn|í|cação das cond|-
çoes de v|da das popu|açoes, na construção
de uma soc|edade onde a |gua|dade de opor-
tun|dades se|a cada vez ma|s eíect|va.
O Part|do Boc|a||sta e a Esquerda Democrát|-
ca devem assum|r com íronta||dade e con-
v|cção a sua crença na Econom|a de Merca-
do, desde que regu|ada por íorma a ooter um
equ|||or|o de |nteresses na soc|edade e
d|r|g|da ao progresso da Human|dade. Para
ta| recusa c| aramente o íunc| onamento
se|vát|co do mercado, no comoate à exc|u-
são soc| a| , na deíesa dos ma| s
desíavorec|dos, na protecção amo|enta| e no
contro|o do exerc|c|o aous|vo das ||oerdades
econom|cas.
O Part|do Boc|a||sta e a Esquerda Democrát|-
ca entendem o processo de g|ooa||zação da
econom|a como uma exce|ente oportun|da-
de de comoater as des|gua|dades, perm|t|n-
do o desenvo|v|mento sustentado dos pa|ses
ma|s poores, assum|ndo a deíesa da reíor-
ma dos acordos e |nst|tu|çoes |nternac|ona|s,
por íorma a ev|tar que este processo se trans-
íorme numa exp|oração se|vát|ca dos recur-
sos natura|s e humanos dos Pa|ses do Bu|
pe|as empresas dos pa|ses do Norte.
O Part|do Boc|a||sta e a Esquerda Democrát|-
ca estão empenhados na construção de um
Mundo equ|||orado, onde os D|re|tos Huma-
nos se|am respe|tados e as popu|açoes te-
nham um n|ve| de v|da d|gno. Assum|mos a
necess|dade de que as d|versas cu|turas se-
|am preservadas.
B. Pedro do Bu|, 21 de Jane|ro de 1999
1' Buoscr|tor
Rui Costa
Becção de B. Pedro do Bu|
CONSTRUlR OS FUNDAMENTOS DO PORTUGAL
MODERNO E SOLlDÁRlO DO SÉCULO XXl
MOÇÁO $EC7OR/AL
A construção de uma soc|edade desenvo|v|-
da, ma|s |usta e so||dár|a em Portuga| passa
|nev|tave|mente pe|a capac|dade do Part|do
Boc|a||sta de moo|||zar e d|nam|zar a |n|c|at|-
va e a acção dos Portugueses, |nc|u|ndo, em
pr|me|ro |ugar, a dos seus propr|os m|||tantes
e s|mpat|zantes, à vo|ta de um grande Pro-
|ecto de Desenvo|v|mento Nac|ona| para o
prox|mo secu|o.
Este Pro|ecto deverá v|sar o desenvo|v|men-
to sustentado e harmon|oso de Portuga| con-
c|||ando a manutenção da nossa |dent|dade
cu|tura|, da nossa autonom|a econom|ca e da
nossa |ndependenc|a po||t|ca na aorangenc|a
dos prox|mos secu|os, com a cont|nuação
dos avanços na construção de uma espera-
da e dese|ada Ün|ão Europe|a.
Os Princípios de uma
Sociedade DesenvoIvida
e SoIidária
A construção em Portuga| duma soc|edade
desenvo|v|da soc|a|mente ma|s |usta e coe-
sa deverá ser o oo|ect|vo íundamenta| de to-
dos os c|dadãos que se rec|amam do |dea|
do soc|a||smo democrát|co.
Para a construção progress|va deste t|po de
soc| edade | mpoe-se a deí| n| ção e a
|mp|ementação de um con|unto de pr|nc|p|-
os, pe|a co|ect|v|dade nac|ona|, de modo
consensua|.
Os pr|nc|p|os íundamenta|s, que devem re-
ger uma soc|edade democrát|ca são os se-
gu|ntes:
- a L|oerdade,
- a lgua|dade,
- a Pesponsao|||dade,
- a Fratern|dade,
- e a Bo||dar|edade.
A L|oerdade, soo as suas d|íerentes íormas,
consensua| e co|ect|vamente ace|tes, torna
os Homens consc|entes dos seus d|re|tos e
dos seus deveres e perm|te-|hes desenvo|-
ver o esp|r|to de |n|c|at|va.
A lgua|dade e a cond|ção íundamenta| para
que a L|oerdade se|a assum|da co|ect|vamen-
te por todos os Homens entre e|es, e em par-
t|cu|ar a |gua|dade de oportun|dades.
A Pesponsao|||dade de cada Homem peran-
te os outros e perante a soc|edade, em gera|,
or|g|na o O|v|smo entre os Homens que e a
consequenc|a |og|ca do p|eno exerc|c|o da
sua L|oerdade de acção assoc|ada à lgua|-
dade de oportun|dades, dando or|gem a um
re|ac|onamento ma|s Humano entre todos os
Homens.
A Fratern|dade será a consequenc|a da ap||-
cação dos pr|nc|p|o de Pesponsao|||dade e
de O|v|smo entre os Homens.
F|na|mente, a Bo||dar|edade será o cu|m|nar
da ap||cação dos pr|nc|p|os anter|ores resu|-
tando no dese|o de |ust|ça soc|a| e de coe-
são da Boc|edade, poss|o|||tado pe|o desen-
vo|v|mento econom|co e soc|a|, ev|tando a
cr|ação a prazo de s|tuaçoes soc|a|mente |n-
sustentáve|s, potenc|a|mente íomentadoras
de ruptura da Boc|edade.
O Partido SociaIista, agente
principaI da consoIidação
da Democracia
Portuga|, apesar do oom desempenho eco-
nom|co desta ú|t|ma decada, com destaque
para estes tres anos de Ooverno do P.B., a|n-
da não pode ser cons|derado um Pa|s p|ena-
mente desenvo|v|do, se compararmos os |n-
d|cadores soc|a|s de Portuga| com os dos res-
tantes pa|ses da OODE.
Em consequenc|a, podemos conc|u|r que a|n-
da temos pe|a írente um |ongo cam|nho a per-
correr, com vontade, esíorço e ded|cação
para at|ng|rmos o oo|ect|vo duma soc|edade
desenvo|v|da e so||dár|a.
Oonvem não esquecer que esse desenvo|v|-
mento passa tamoem pe|a capac|dade de cr|-
armos uma econom|a a|tamente compet|t|va
a n|ve| mund|a|, não esquecendo nunca que
os outros pa|ses tamoem não í|cam parados
e procuram at|ng|r oo|ect|vos seme|hantes.
Esta s|tuação |mp||ca a ex|stenc|a de uma es-
perança, de uma vontade, de uma amo|ção
de um novo dev|r para Portuga| no secu|o XXl.
Este que term|na em 31 de Dezemoro de
2000, í|ca marcado, em grande parte, pe|a
vontade de um Homem que |utou pe|o esta-
oe|ec|mento de um reg|me verdade|ramente
democrát|co em Portuga|, ancorado à Euro-
pa ||vre e democrát|ca em part|cu|ar, a Ün|ão
Europe|a; este Homem, Már|o Boares, prat|-
cou o Boc|a||smo do poss|ve|, no contexto
po||t|co ex|stente na a|tura, co|ocando o |nte-
resse de Portuga|, ac|ma de certos |nteres-
ses e oo|ect|vos |eg|t|mos, mas por vezes,
demas|ado amo|c|osos e generosos do Par-
t|do Boc|a||sta.
Oaoe agora ao nosso Becretár|o-Oera|,
Anton|o Outerres, a tareía de coordenar e
|mp|ementar um amo|c|oso Pro|ecto de De-
senvo|v|mento Nac|ona| moo|||zador da von-
tade, da coragem, do esíorço e da capac|da-
de de traoa|ho de Todos os Portugueses, apos
ter conduz|do, com a|to sent|do de ded|ca-
ção e mu|ta coragem Portuga| ao c|uoe dos
pa|ses íundadores do ?uro.
Oonvem contudo não esquecer que a
|ntegração no pr|me|ro pe|otão da moeda ún|-
ca, por mu|to |mportante que se|a, não repre-
senta um oo|ect|vo, em s| mesmo; somente
poderá ser cons|derada como um me|o para
se at|ng|r, no íuturo, um con|unto de oo|ect|-
vos amo|c|osos em termos de desenvo|v|-
mento soc|a| e econom|co para Portuga|. As-
s|m, |mpoe-se, para |á, que estes ou se en-
contrem deí|n|dos ou então em v|as de deí|-
n|ção. Oaso contrár|o, o euro poderá apre-
sentar ma|s |nconven|entes que vantagens.
Não nos devemos esquecer que os aconte-
c|mentos h|stor|cos que se comemoraram
com a rea||zação da Expo 98, representam
uma man|íestação de vontade e amo|ção de
Portuga|, deí|n|da há ma|s de c|nco secu|os,
que a|nda cont|nua dando os seus írutos ( a
presença dos portugueses nos PALOPs co-
|aoorando na sua reconstrução e desenvo|v|-
mento econom| co; a crescente
|nternac|ona||zação das empresas portugue-
sas no Bras||), |sto apesar de a|gumas con-
trar|edades, em part|cu|ar a cont|nuação da
guerra írat|c|da em Ango|a e do espectro de
cr|se econom|ca que pa|ra soore o Bras|| e
que poderá v|r a ter ser|as repercussoes so-
ore a econom|a mund|a|.
Apesar do traoa|ho e do esíorço d|spend|do
estes ú|t|mos anos, |mpoe-se saoer d|st|ngu|r
a rea||zação de a|gumas grandes ooras, onde
se assoc|am as componentes - engenhar|a,
requa||í|cação uroana e promoção |moo|||á-
r|a - com a |mp|ementação de um amo|c|oso
Pro|ecto Nac|ona| de |ongo prazo, moo|||zador
da energ|a e da vontade dos Portugueses,
cu|os írutos perdurem, pe|o menos a|guns
decen|os para a|em da data da sua conc|u-
são, conduz|ndo a um desenvo|v|mento sus-
tentado, harmon|oso e so||dár|o de todo o Pa|s
e or|g|nando ass|m uma me|hor|a acentuada
e cont|nua do n|ve| c|v|co, econom|co e cu|-
tura| da ma|s amp|a íran|a poss|ve| de c|da-
dãos.
Um Projecto de
DesenvoIvimento NacionaI para
o sécuIo XXl
A ed|í|cação de uma soc|edade cada vez ma|s
desenvo|v|da em Portuga| |mp||ca a deí|n|-
ção e ex|stenc|a de um con|unto de me|os
para a sua concret|zação.
Ass|m, pr|me|ro |mpoe-se a deí|n|ção, e|aoo-
ração e |n|c|o de |mp|ementação de um Pro-
|ecto de Desenvo|v|mento Nac|ona| para Por-
tuga|, a mu|to |ongo prazo (20-25 anos), com
amp|a part|c|pação de toda a Boc|edade O|-
v||, |nc|u|ndo os part|dos po||t|cos, organ|za-
çoes assoc|at|vas representat|vas do ma|or
número poss|ve| de |nteresses, e tamoem to-
dos os c|dadãos, em gera|.
Este Pro|ecto deverá ev|tar aquando da sua
e|aooração a const|tu|ção de com|ssoes, de
suo-com|ssoes, de suo-com|ssoes de suo-
com|ssoes, e outras, pr|v||eg|ando um aspec-
to prát|co e tanto quanto poss|ve| consensua|.
A sua d|scussão deverá ser eíectuada dentro
de determ|nados prazos nunca perm|t|ndo
que os mesmos se arrastem |ndeí|n|damen-
te.
A sua redacção í|na| deverá aoranger o ma|s
amp|o consenso poss|ve|, sem pretender a
unan| m| dade, po| s esta e, porventura,
s|non|mo de segu|d|smo ou de |ncapac|da-
de |nte|ectua|, por parte de certos |nd|v|duos.
Por ú|t|mo, a sua |mp|ementação deverá ser
eíectuada pe|os c|dadãos deste Pa|s, v|sto se-
rem e|es os verdade|ros actores da mudan-
ça, para quem o Pro|ecto e d|r|g|do, com v|s-
ACÇÃO SOClALlSTA 26 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
ta à sat|síação das suas necess|dades e
anse|os. Para at|ng|r este oo|ect|vo, torna-se
não so necessár|o a rea||zação de amp|as
campanhas de comun|cação e de |níorma-
ção, mas tamoem a preparação e a íorma-
ção da c|asse po||t|ca de modo a que esta
conheça mu|to oem os oo|ect|vos e os me|os
a |mp|ementar para os at|ng|r.
Este Pro|ecto deverá va|or|zar a aposta em
duas componentes íundamenta|s: o |nvest|-
mento nos Pecursos Humanos e na lnvest|-
gação e Desenvo|v|mento e deverá perm|t|r
·oa||zar· grandes or|entaçoes de desenvo|v|-
mento do secu|o XXl para Portuga|, tendo em
cons|deração: - o nosso saoer e a nossa r|-
queza cu|tura|,
- o vert|g|noso desenvo|v|mento actua| da |no-
vação e da c|enc|a, em todo o Mundo, oem
ass|m como a sua d|íusão |nstantânea,
- a evo|ução da demograí|a portuguesa, a||a-
da às cond|çoes de em|gração portuguesa
deste secu|o,
- e a cond|c|onante da cont|nua |ntegração
de Portuga| na Ün|ão Europe|a.
A conc|||ação destas cond|c|onantes repre-
sentará uma tareía extremamente árdua para
as geraçoes ma|s |ovens que terão tamoem
de suportar e reparar o íardo dos erros co-
met|dos pe|as geraçoes precedentes.
- A QuaIificação
dos Recursos Humanos
O enorme esíorço de |nvest|mento necessá-
r|o para qua||í|car os Pecursos Humanos e
sooe|amente conhec|do, dado o oa|x|ss|mo
n|ve| de qua||í|cação da grande ma|or|a da po-
pu|ação act|va portuguesa.
Esta transíormação |mp||cará uma man|íes-
tação de esíorço e vontade de todas as par-
tes |nterven|entes (traoa|hadores, empresár|-
os, ent|dades íormadoras e í|nanc|adoras)
para se at|ng|r o n|ve| de qua||í|cação neces-
sár|o, po|s caso contrár|o corre-se o r|sco de
vermos o desemprego crescer a um r|tmo
assaz e|evado. Oontudo, essa tareía de
consc|enc|a||zação não caoe un|camente à
c|asse po||t|ca, e|a |mpoe-se tamoem aos c|-
dadãos que deverão ser parc| a| mente
responsao|||zados pe|a |mper|osa necess|da-
de de procurarem íormação cont|nua desde
o |n|c|o da sua v|da act|va ate à sua reíorma.
Este esíorço de qua||í|cação dos Pecursos
Humanos, em estre|ta ||gação com o B|ste-
ma Educat|vo, deverá tamoem v|sar outro oo-
|ect|vo, em part|cu|ar |unto das camadas ma|s
|ovens: o desenvo|v|mento do esp|r|to de |n|-
c|at|va empresar|a| e de cr|ação de empre-
sas.
O outro esíorço necessár|o re|ac|ona-se com
o |nvest|mento em lnvest|gação e Desenvo|-
v|mento, entre outros, nos sectores em que
Portuga| possu| conhec|mentos (|mportantes,
senão vastos) em a|guns dom|n|os ta|s como
os Oceanos, a F|oresta, o Tur|smo, os secto-
res trad|c|ona|mente íundamenta|s e v|ta|s da
Econom|a e tamoem aque|es que teremos
íorçosamente de desenvo|ver com urgenc|a:
a Baúde e as Tecno|og|as da lníormação.
Os Oceanos, ou em termos ma|s gera|s, o
Mar (· mar sa|gado·) representa um potenc|-
a| |mportante de desenvo|v|mento econom|-
co íuturo, não somente pe|o íacto de ser con-
s|derado unan|memente um dos espaços ge-
ográí|cos de expansão do prox|mo secu|o,
mas tamoem dev|do à extensão da nossa
zona econom|ca mar|t|ma exc|us|va, à nossa
pos|ção geo-estrateg|ca e a|nda à exper|en-
c|a e ao saoer que ío| sendo adqu|r|do ao |on-
go dos secu|os por geraçoes sucess|vas de
Homens que |he ded|caram as suas v|das de
traoa|ho e que perm|t|ram a acumu|ação de
um saoer e saoer-íazer ||gado ao Mar.
A FIoresta Portuguesa, apesar de suo-
aprove|tada e de não ser a|nda mu|to oem
ger|da, representa tamoem um sector a de-
senvo|ver, não somente em termos de área
de produção, mas tamoem na ut|||zação dos
seus produtos a n|ve| |ndustr|a|, e no desen-
vo|v|mento de novos produtos e novas ap||-
caçoes graças à rea||zação de |nvest|gação
e desenvo|v|mento. A||ás convem notar que
o conhec|mento da í|oresta não se ||m|ta à
Europa, mas aorange uma extensa área re-
presentada pe|os Pa|ops e tamoem pe|o
|menso Bras||.
O Turismo enquanto pr|nc|pa| sector de ac-
t|v|dade econom|ca, em Portuga|, deverá ser
pr|v||eg|ado em termos de desenvo|v|mento
não somente dev|do ás nossas cond|çoes c||-
mát|cas, a||adas à caracter|st|ca de aíao|||da-
de e hosp|ta||dade do nosso Povo, mas tam-
oem pe|a nossa Ou|tura tão r|ca e var|ada,
que se encontra íundamentada nas ra|zes de
um dos pa|ses ma|s ant|gos da Europa. Este
Pa|s, que p|antou marcos h|stor|cos e cu|tu-
ra|s d|ssem|nados pe|os ma|s d|versos pon-
tos do Ün|verso, não somente dev|do à sua
epope|a mar|t|ma, mas tamoem na sequen-
c|a da saga da em|gração, possu|, somente
nesta vertente, um potenc|a| e|evado de v|s|-
tantes ·tur|stas· cu|o |nteresse, cur|os|dade
e eventua|mente mesmo o dese|o de conhe-
cer as suas ra|zes proíundas |nteressa |ncen-
t|var e est|mu|ar. Berá sempre oom não es-
quecer que as outras potenc|a||dades são
tamoem extremamente | mportantes, e
|og|camente tamoem |nteressa desenvo|ve-
|as.
Os Sectores Fundamentais da nossa
Economia deverão não somente ser mant|-
dos mas, ac|ma de tudo, d|nam|zados po|s
representam uma íonte mu|t|ss|mo |mportan-
te de saoer e de saoer-íazer, que |mporta
va|or|zar cada vez ma|s, graças ao aumento
da compet|t|v|dade dos seus produtos, pe|o
recurso à |nvest|gação e desenvo|v|mento, ao
des|gn, às novas tecn|cas de market|ng e à
|nternac|ona||zação, de modo a que possam
ser uma íonte cada ma|s |mportante de va|or
acrescentado para Portuga|, perm|t|ndo as-
s|m tamoem uma me|hor|a dos rend|mentos
dos d|versos agentes econom|cos a e|es ||-
gados.
A Saúde representa outro sector de act|v|-
dade econom|ca a pr|v||eg|ar na med|da em
que, apesar de apresentarmos um atraso es-
trutura| a|nda |mportante comparado com os
pa|ses ma|s desenvo|v|dos, podermos desen-
vo|ver conhec|mentos e saoeres que íoram
sendo acumu|ados ao |ongo de geraçoes, em
d|íerentes reg|oes do Mundo, por onde a nos-
sa |ní|uenc|a se estendeu, e que depo|s de
dev|damente ana||sados e desenvo|v|dos per-
m|t|rão dar um contr|outo para a |rrad|cação
de um con|unto de doenças ex|stentes.
As TecnoIogias da lnformação represen-
tam um sector onde deveremos |nvest|r |n-
tensa e constantemente no íuturo; em part|-
cu|ar, o ens|no e a aprend|zagem das ||ngua-
gens e programas de soítware, v|sto o seu
conhec|mento representar a ·carta de con-
dução· dos novos ve|cu|os da soc|edade da
|níormação. Bomente ass|m poderemos ev|-
tar taxas de ·ana|íaoet|smo· e|evadas neste
dom|n|o de v|ta| |mportânc|a para o íunc|ona-
mento da soc|edade.
Log|camente, o segundo suo-sector onde se
deverá |nvest|r íortemente será o da cr|ação
de uma |ndústr|a de soítware que nos perm|-
ta at|ng|r uma s|tuação, no computo gera|, de
não dependenc|a de terce|ros e se poss|ve|
tornando-nos mesmo auto-suí|c|entes.
A AgricuItura representa um sector onde
se torna urgente a rea||zação de reíormas
estrutura|s de |ongo prazo, perm|t|ndo cr|ar
as oases para que o seu desenvo|v|mento se
rea||ze sem sooressa|tos ou convu|soes ex-
cess|vas, pe|a |mp|ementação de um Pro|ec-
to de Desenvo|v|mento Agr|co|a.
lmporta, em pr|me|ro |ugar, cr|ar as cond|çoes
para que a mesma se|a prat|cada em termos
de gestão empresar|a| apo|ada em mov|men-
tos assoc|at|vos íortes, tanto de natureza pr|-
vada como cooperat|va.
Deverá portanto pr|v||eg|ar-se o desenvo|v|-
mento de um assoc|at|v|smo d|nâm|co com
oo|ect|vos empresar|a|s oem deí|n|dos, v|sto
que se nos outros pa|ses ex|stem organ|za-
çoes de produtores íortes e dev|damente
estruturadas, não íará qua|quer sent|do que
estas tamoem não ex|stam em Portuga|.
O assoc|at|v|smo agr|co|a não pode somen-
te man|íestar-se e demostrar capac|dade
re|v|nd|cat|va em per|odos de sooreprodução
ou de ca|am|dades natura|s; e cond|ção s|ne
qua non para que o mesmo se|a eí|c|ente, que
pr|me|ro sa|oa |mpor uma d|sc|p||na entre os
assoc|ados, íazendo com que estes se d|s-
c|p||nem e aprendam a cooperar em con|un-
to não somente no aspecto do |ntercâmo|o
das tecn|cas de produção, na coordenação
das produçoes, na comerc|a||zação dos pro-
dutos, no desenvo|v|mento de uma íormação
de qua||dade para todos os agr|cu|tores e no
|ncent|vo da aprend|zagem das tecn|cas de
gestão empresar|a|.
Em certa med|da, |á ex|stem a|guns exemp|os
deste t|po, ta|s como o assoc|at|v|smo dos
produtores do v|nho do Douro e dos produ-
tores de |e|te, apesar dos proo|emas que se
tem man|íestado u|t|mamente. Bomente as-
s|m será poss|ve| encontrar so|uçoes para
u|trapassar o esp|r|to |nd|v|dua||sta do agr|-
cu|tor portugues, perm|t|ndo-|he s|mu|tanea-
mente traoa|har menos e auíer|r um rend|men-
to super|or.
É |nd|spensáve| |ncent|var a |ntrodução e o
desenvo|v|mento da produção de novos pro-
dutos agr|co|as |nsuí|c|entemente produz|dos
no espaço da Ün|ão Europe|a e adequados
ao c||ma portugues. Para a|em desta med|da
|mporta tamoem |ncent|var parcer|as com
empresas |nternac|ona|s detentoras de capa-
c|dades de market|ng ou de saoer-íazer tec-
n|co v|sando a conqu|sta de mercados exter-
nos.
Para|e|amente, |mporta deíender uma reíor-
ma da PAO que se|a rea||sta e consequente,
conduz|ndo a uma d|m|nu|ção dos suos|d|os
agr|co|as que oeneí|c|am essenc|a|mente os
grandes produtores, em pre|u|zo dos med|-
os, pequenos ou m| cro-empresár| os
agr|co|as; por outro |ado, |mporta tamoem
deí|n|r po||t|cas agr|co|as de |ongo prazo que
perm|tam o desenvo|v|mento adequado da
agr|cu|tura tendo em v|sta, não somente a
sua adaptação à concorrenc|a mund|a| que
se desenha no âmo|to da OMO, mas tamoem
a sa|vaguarda e a deíesa dos pequenos e
m|cro-empresár|os agr|co|as que, para a|em
de desempenharem uma |mportante íunção
econom|ca, exercem tamoem uma |mportante
íunção soc|a|, ev|tando a desert|í|cação tota|
de grandes áreas do terr|tor|o nac|ona|.
Deverá prossegu|r-se a reestruturação do M|-
n|ster|o da Agr|cu|tura concentrando-se esta
a sua act|v|dade em certas áreas oem deí|n|-
das ta|s como Estat|st|cas, Ban|dade vegeta|
e an|ma|, Engenhar|a e Ooras H|dráu||cas e
Agr|co|as, F|sca||zação e Oontro|o de Buos|-
d|os, transíer|ndo as outras tareías para as
Organ|zaçoes Agr|co|as.
A lnternacionaIização da Economia Por-
tuguesa deverá ser |ntens|í|cada, sempre
que poss|ve|, |nter||gada com uma me|hor|a
acentuada da qua||í|cação dos Pecursos Hu-
manos do Pa|s, dando um espec|a| destaque
ao conhec|mento tecn|co-proí|ss|ona|, às
tecno|og|as da |níormação e de outras ||nguas
estrange|ras.
É | nd| spensáve| prossegu| r o apo| o à
|nternac|ona||zação das empresas portugue-
sas, |dent|í|cando as d|í|cu|dades por e|as
sent|das na |mp|ementação das suas estra-
teg|as de |nternac|ona||zação e |ncent|vando
a tomada de dec|soes estrateg|cas que |hes
perm|tam vender cada vez ma|s produtos e
serv|ços com a · marca Portuga| ¨ e não ape-
nas com a |nd|cação · íaor|cado em Portu-
ga|·.
lmporta tamoem |ntens|í|car a procura do |n-
vest|mento d|recto estrange|ro consum|dor de
mão de oora mu|to qua||í|cada, |ncorporando
íorte componente de |nvest|gação eíectuada
por |nvest|gadores portugueses, preíerenc|-
a|mente graças à cr|ação, por essas empre-
sas, de centros de |nvest|gação em Portuga|.
As Reformas Estruturais
a reaIizar
Para que este con| unto de oo| ect| vos
econom|cos se possa rea||zar p|enamente,
|mporta prossegu|r ou desenvo|ver um con-
|unto de reíormas proíundas nos segu|ntes
dom|n|os:
- Educação,
- Just|ça,
- B|stema F|sca|,
- Baúde,
- Adm|n|stração Púo||ca.
Este con|unto de reíormas proíundas, deter-
m|nando as or|entaçoes a |ongo prazo, ta|-
vez v|nte ou ma|s anos, e |nd|spensáve| para
um norma| e correcto íunc|onamento da so-
c|edade portuguesa, perm|t|ndo-|he tornar-se
apetec| ve| em termos de d| nam| smo e
compet|t|v|dade econom|ca a n|ve| mund|a|.
A s|mp|es |mp|ementação de reíormas ade-
quadas e necessár|as, mas com eíe|tos ape-
nas de curto prazo, e |nsuí|c|ente po|s estas
terão de ser constantemente actua||zadas ou
mod|í|cadas, apresentando-se passados
poucos anos como uma s|mp|es ·manta de
reta|hos de |eg|s|ação·: ass|m, |mporta deí|-
n|r grandes pr|nc|p|os or|entadores da orga-
n|zação da v|da em soc|edade a |ongo pra-
zo, respe| tando sempre os | nteresses
consensua|s da esmagadora ma|or|a dos c|-
dadãos.
- Educação
É |nd|spensáve| cont|nuar a |mp|ementação
da reíorma do s|stema educat|vo tendo em
v|sta, entre outros aspectos, preparar os
educandos para a rea||dade da v|da act|va e
não para concepçoes puramente teor|cas e
aostractas, sem qua|quer ||gação com a rea-
||dade g|ooa| e mu|t|cu|tura| da actua| soc|e-
dade da |níormação em que v|vemos. Torna-
se portanto |mperat|vo íomentar constante-
mente o |ntercâmo|o de aprend|zagem esco-
|a-organ|zaçoes externas (empresas, organ|-
zaçoes não governamenta|s, Adm|n|stração
púo||ca, etc.).
lmporta tamoem começar a ens|nar, desde a
pr|már|a, para a|em do a|íaoeto, da taouada,
da |e|tura, a ||nguagem |níormát|ca, conhec|-
mento |nd|spensáve| na soc|edade da |níor-
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 27
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
mação. Oada esco|a pr|már|a deverá ass|m
ser equ|pada com, pe|o menos, um compu-
tador por sa|a de au|as.
A |mp|ementação de uma nova í||osoí|a es-
co|ar |mp||cará a aoertura das Ün|vers|dades
Portuguesas à rea||dade da soc|edade, ad-
m|t|ndo a ||vre c|rcu|ação dos estudantes en-
tre os d|íerentes cursos, uma vez que se ca-
m|nha para a |mp|ementação de um s|stema
de aprend|zagem cont|nua ao |ongo da v|da
act|va de cada c|dadão e como ta|, não íará
qua|quer sent|do as Ün|vers|dades se exc|u|-
rem deste s| stema, aod| cando,
s|mu|tâneamente, de rend|mentos comp|e-
mentares para os seus orçamentos.
- Justiça
A reíorma da Just|ça somente será eí|caz
quando os processos entrados em Tr|ouna|
puderem ser |u|gados com a rap|dez adequa-
da e não estarem su|e|tos a ad|amentos su-
cess|vos na sua reso|ução. O norma| e eí|caz
íunc|onamento da econom|a e da soc|edade
dum pa|s ass|m o ex|gem.
O pr|nc|p|o de Just|ça |mp||ca tamoem o
agravamento das sançoes pena|s ap||cadas
a certos cr|mes part|cu|armente graves, em
espec|a| os atentator|os contra a |ntegr|dade
í|s|ca dos c|dadãos, destacando-se os ca-
sos de v|o|ação, pedoí|||a, maus tratos a pes-
soas, sendo recomendáve| que em certas s|-
tuaçoes as sançoes pena|s a ap||car se|am
agravadas ate à pr|são perpetua.
Torna-se tamoem |nd|spensáve| a |nst|tu|ção
urgente de um s|stema a|ternat|vo para reso-
|ução de coní||tos e de ||t|g|os comerc|a|s tor-
nando-os ma|s ce|eres, |ustos e econom|cos,
v|sto que sem a sua adopção a econom|a
nunca poderá íunc|onar com eí|c|enc|a, per-
m|t|ndo-se ass|m o desenvo|v|mento de com-
portamentos de desonest|dade e de íraude
suscept|ve|s de |mpun|dade.
- Sistema FiscaI
A reíorma do B|stema F|sca| e |nd|spensáve|,
mas sempre pensada em termos de |ongo
prazo, nunca oaseada numa í||osoí|a que oor|-
gue a pequenas e cont|nuas a|teraçoes dos
cod|gos í|sca|s.
Para se poder |mp|ementar um s|stema eí|-
caz de comoate à íraude í|sca| |mporta, pr|-
me|ro que tudo, tamoem d|sc|p||nar as des-
pesas púo||cas, não se perm|t|ndo o desper-
d|c|o dos |mpostos pagos pe|os contr|ou|n-
tes; enquanto este perdurar poderá sempre
haver a tendenc|a para se |ust|í|car a íraude
com os exemp|os de desperd|c|o do d|nhe|ro
do erár|o púo||co.
A íraude tamoem terá tendenc|a a reduz|r-se
a part|r do momento em que se e||m|nar o
pr|nc|p|o da protecção do segredo oancár|o,
para eíe|tos í|sca|s. Oostuma-se d|zer ¨quem
não deve, não teme·: como v|vemos num re-
g|me democrát|co, em que o oranqueamen-
to de cap|ta|s e pro|o|do e pun|ve| por |e|, não
íaz grande sent|do manter-se o pr|nc|p|o da
protecção do segredo oancár|o, para eíe|tos
í|sca|s.
Ass|m, ta|vez íosse poss|ve| |mp|ementar um
B|stema F|sca| ma|s |usto, poss|o|||tando a re-
dução da carga í|sca| aíectando os traoa-
|hadores auíer|ndo rend|mentos proven|entes
exc|us|vamente do traoa|ho por conta de
outrem.
- Saúde
l mporta cont| nuar e d| nam| zar a
|mp|ementação de reíormas estrutura|s |nd|s-
pensáve|s a uma rac|ona||zação da presta-
ção dos serv|ços de saúde v|sando conc|||ar
a me|hor|a dos mesmos, com o aumento da
sua procura, por íorça da evo|ução das con-
d|çoes soc|a|s e demográí|cas (em part|cu-
|ar, o enve|hec|mento e aumento da esperan-
ça de v|da da popu|ação), com um contro|o
dos seus custos.
Neste sector, será certamente necessár|o re-
a||zar uma conc|||ação mu|to cr|ter|osa e r|-
gorosa dos |nteresses dos d|versos actores
presentes para se ooter um resu|tado ade-
quado.
- Administração PúbIica
O Povo Portugues recusou o mode|o de
reg|ona||zação do Pa|s, suomet|do a reíeren-
do, em í|na|s de 1998. A reg|ona||zação ío|
apresentada como a reíorma do secu|o, em-
oora tenha s|do e|aoorada e apresentada de
uma íorma mu| to ma| exp| | cada, ma|
quant|í|cada (emoora esse aspecto não
íosse o íundamenta|) e nada d|a|ogante com
o Povo (a|guns soc|a||stas apresentaram-
na mesmo, por vezes, com a|gum eníado e
soorancer|a) cons|derando que esta dever|a
ser aprovada daque|a mane|ra, e depo|s |ogo
se ver| a a moda| | dade eíect| va de
|mp|ementação.
Perante a recusa daque| e mode| o de
reg| ona| | zação, mas não de uma
reg|ona||zação oem e|aoorada, |mporta des-
de |á começar a rea||zação de um certo t|po
de descentra||zação / reg|ona||zação da Ad-
m|n|stração e do Estado, ta|vez menos amo|-
c|oso, mas segu|ndo o exemp|o de certos
mode|os |evados a caoo pe|as autarqu|as,
mu|tas vezes de mane|ra espontânea, mas
que conseguem conc|||ar os |nteresses con-
|untos das popu|açoes.
Oonvem nunca esquecer que a í|na||dade da
Adm|n|stração Púo||ca e íornecer um con|un-
to de serv|ços íac|||tadores da v|da dos c|da-
dãos, e não comp||cá-|os como por vezes
acontece. lmporta portanto ace|erar as reíor-
mas a| conducentes. Este aumento de qua||-
dade de serv| ço púo| | co deverá ser
|mp|ementado m|n|strando sempre uma íor-
mação adequada e suí|c|ente aos íunc|onár|-
os púo||cos, que |rão ser os pr|nc|pa|s agen-
tes da |mp|ementação dessas med|das.
Berá sempre oom recordar que a promoção
a íunçoes de cheí|a deverá ser eíectuada to-
mando em cons|deração as capac|dades tec-
n|cas dos cand|datos e não exc|us|vamente
a sua s|mpat|a po||t|ca, como acontec|a íre-
quentemente no passado, e que ta|vez tam-
oem tenha acontec|do, uma ou outra vez, soo
o Ooverno do Part|do Boc|a||sta. Ouando esta
prát|ca acontece, corre-se o r|sco de se oo-
terem maus resu| tados, por íorça da
|mcompetenc|a das pessoas.
Para que a Adm|n|stração Púo||ca íunc|one
eí|cazmente conv|rá tamoem |nst|tu|r-se um
s|stema de ava||ação anua| das cheí|as, pe-
|os seus suoord|nados.
Um Partido SociaIista
mobiIizado e consciente
da sua missão
·Oompet|rá ao Part|do Boc|a||sta, enquanto |n-
terprete das asp|raçoes do Povo Portugues,
a |mp|ementação de um amo|c|oso Pro|ecto
Nac|ona| para o secu|o XXl, conducente à
transíormação e modern|zação da soc|eda-
de portuguesa!· - será certamente este o
dese|o de todos os m|||tantes e s|mpat|zan-
tes do Part|do Boc|a||sta.
Esta patr|ot|ca m|ssão terá de ser rea||zada
sempre em s|nton|a d|recta com o Povo, v|s-
to ser este o actor pr|nc|pa| da mudança.
Por |sso, o esp|r|to de v|tor|a, que se dese|a e
espera com ma|or|a aoso|uta nas prox|mas
e|e|çoes |eg|s|at|vas, que porventura ||um|na-
rá todos os de|egados ao Oongresso deverá
ser temperado com o esp|r|to de hum||dade
e de responsao| | | dade pe| a m| ssão,
s|mu|tâneamente exa|tante e d|í|c||, mas não
|mposs|ve|, de constru|r as oases do Portu-
ga| moderno, desenvo|v|do e so||dár|o do
secu|o XXl.
Para que este dese|o se concret|ze e neces-
sár|o que todos os soc|a||stas sa|oam cerrar
í||e|ras, pr|v||eg|ando os |dea|s que os unem,
não va|or|zando as pequenas d|vergenc|as de
op|n|ão, emoora tamoem nunca perdendo o
sa|utar esp|r|to da cr|t|ca construt|va.
Para |evar a oom porto o con|unto de propos-
tas de transíormação so||dár|a da soc|edade
portuguesa, o Part|do Boc|a||sta deverá tam-
oem aprender a |ncut|r nos seus m|||tantes e
s|mpat|zantes um certo esp|r|to de d|sc|p||na,
po|s será |mportante não somente saoer re-
co|her per|od|camente o íeed-oack da actua-
ção do Ooverno do Part|do Boc|a||sta, mas
tamoem ooter op|n|oes soore a me|hor ma-
ne|ra de por em prát|ca certas dec|soes, trans-
m|t|r a|gumas das |mportantes med|das a
|mp|ementar no íuturo, de modo a que os m|-
||tantes soc|a||stas possam ser os e|os de
||gação ao n|ve| da v|venc|a quot|d|ana com a
popu|ação em gera|.
Ta| como os c| dadãos devem estar
compenetrados da necess|dade de terem íor-
mação cont|nua ao |ongo de toda a sua v|da
act|va, tamoem os m|||tantes e s|mpat|zan-
tes soc|a||stas que exerçam cargos de res-
ponsao|||dade po||t|ca, e mesmo os restan-
tes m|||tantes e s|mpat|zantes deverão íre-
quentar per|od|camente sessoes de íorma-
ção e aperíe|çoamento nos d|íerentes aspec-
tos da v|da em soc|edade, em part|cu|ar no
âmo|to das O|enc|as Boc|a|s.
Oom eíe|to, e |nd|spensáve| que o Part|do Bo-
c|a||sta |nst|tua, com conv|cção, o seu pro-
pr|o B|stema de Formação, porque todo o m|-
||tante soc|a||sta deve possu|r um con|unto de
conhec|mentos teor|cos m|n|mos que |he per-
m|tam deíender e |ust|í|car os seus pontos de
v|sta, quando conírontado com op|n|oes po-
||t|cas d|vergentes.
Bomente ass|m será poss|ve| ao Part|do Bo-
c|a||sta apresentar propostas rea||stas dest|-
nadas a sat|síazer os anse|os e as asp|raçoes
do Povo Portugues, de modo a que o Oover-
no do Part|do Boc|a||sta possa |mp|ementar
as med|das concretas conducentes à sua
eíect|va rea||zação.
José ManueI Rodrigues Marto
M|||tante n' 228728
ACÇÃO SOClALlSTA 28 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
"MAlS lGUALDADE MAlS DEMOCRAClA"
MOÇÁO $EC7OR/AL
O Departamento das Mu|heres Boc|a||stas, ao
aor|go do art|go N'114 dos Estatutos do P.B.,
e no cumpr|mento estr|to do ponto 1' do
mesmo Art', que d|z que o D.M.P.B." tem
como oo|ect|vo promover uma eíect|va |gua|-
dade de d|re|tos entre mu|heres e os homens,
oem como a part|c|pação par|tár|a em todos
os dom|n|os da v|da po||t|ca, econom|ca, cu|-
tura|, soc|a| e a sua |ntervenção na act|v|dade
do Part|do, apresenta ao Oongresso a segu|n-
te moção:
1 Apos 25 anos de eíect|va democrac|a, as
mu|heres portuguesas a|nda não gozam de
um estatuto de eíect|va |gua|dade de trata-
mento e oportun|dades, apesar das numero-
sas dec|araçoes de |ntençoes.
2 As mu|heres portuguesas, porem, assu-
m|ram e part|c|pam nas mudanças e nos com-
oates nac|ona|s, contr|ou|ndo act|vamente na
cr|ação do Pend|mento Nac|ona|. Em 1996
representavam 51,8% da popu|ação res|den-
te. E, de acordo com os estudos do
EÜPOBTAT para 100 homens com hao|||ta-
çoes super|ores hav|a 170 mu|heres com
|dent|ca hao|||tação.
A n|ve| g|ooa|, a taxa de íem|n|zação do em-
prego s|tua-se em 45,1% e e dom|nante em
sectores como a educação, 77,6%, saúde e
acção soc|a| 75,8% e na |ndustr|a text|| e ca|-
çado, 72,1%.
Apesar de nos ú|t|mos 10 anos a taxa de act|-
v|dade íem|n|na ter v|ndo a crescer |entamen-
te, at|ng|ndo em 1997 va|ores como 42,9%, as
mu|heres portuguesas cont|nuam a ser dema-
s| adamente vu| neráve| s em termos
econom| cos e soc| a| s. Ass| m, por
contrapos|ção ao anter|ormente expresso, a
part|c|pação das mu|heres na íormação pro-
í|ss|ona| em 1994 não u|trapassava os 30% dos
desempregados, o desemprego íem|n|no era
super|or ao mascu||no ( 7,3 % para 5,4% ), com
a agravante do desemprego íem|n|no ser de
|onga duração e sem poss|o|||dades de
requa||í|cação proí|ss|ona|, dev|do à a|ta taxa
de ana|íaoet|smo que at|nge as mu|heres.
De |gua| modo , o rác|o de remuneração entre
homens e mu|heres, demonstra que estas usu-
íruem apenas 73,9% da remuneração mascu-
||na e que 63% dos traoa|hadores que rece-
oem sa|ár|o m|n|mo , são mu|heres.
3 - A Dec|aração de Pequ|m |nc|u|e no seu
ponto n'13, que ¨ A autonom|a e aí|rmação
das mu|heres e a sua part|c|pação p|ena com
oase na |gua|dade em todas as esíeras da
soc|edade,|nc|u|ndo a part|c|pação no proces-
so de tomada de dec|são, e acesso ao
poder,são íundamenta|s para se a|cançar a
|gua|dade,o desenvo|v|mento e a Paz."..No
entanto, apesar de em Portuga| as mu|heres
representarem 70% dos que conc|uem com
ex|to os cursos super|ores, oem como repre-
sentarem 65,1% dos traoa|hadores da Adm|-
n|stração Puo||ca, cont|nuam arredadas da
dec|são po||t|ca e dos ma|s a|tos cargos das
h|erarqu|as po||t|cas.
4-Be as mu|heres demonstram competenc|a
para aprender e para executar, como os
numeros demonstram, não e ace|táve| que
este|am suo-representadas na tomada de de-
c|são. O que podemos ooservar e que não
ex|ste par|dade no s|stema po||t|co portugues
se|a e|e part|dár|o ou não, e que as med|das
|á tomadas, são |nsuí|c|entes para mod|í|car a
menta||dade mascu||na que dom|na a cu|tura
po||t|ca, pe|o que se tornam necessár|as ou-
tras |n|c|at|vas.
Ass|m o DMPB dec|d|u empenhar-se nesta
àrdua tareía propondo ao P.B que apo|e este
Departamento para se consegu|r mod|í|car
este estado de des| gua| dade entre
generos.Ooncretamente propomos:
-Oue o P.B. e o Ooverno se empenhem em
med|das concretas que v|sem num curto es-
paço de tempo o comoate ao empoorec|mento
das mu|heres e a sua rec|ass|í|cação proí|ss|-
ona| atraves da |ncent|vação da íormação em
art|cu|ação com a promoção da Educação
para Adu|tos.
-Oue se|a d|vu|gada a ava||ação do P|ano O|o-
oa| para a lgua|dade de Oportun|dades cr|ado
pe|a Peso|ução do Oonse|ho de M|n|stros n'47
/97 para que se conheça a sua eí|cac|a.
-Oons|derando a|nda a oa|xa percentagem de
mu|heres em |ugar de dec|são, propoe-se que
o P.B promova de |med|ato a quota estatutár|a
de part|c|pação de 25% de mu|heres em |uga-
res e|eg|ve|s em todas as |nstânc|as da toma-
da de dec|são, começando pe|a e|aooração
das ||stas para a Assemo|e|a da Pepúo||ca e
para o Par|amento Europeu.
-Oomo prova de ace|tação destas med|das
propoe-se que a const|tu|ção da Oom|ssão
Nac|ona|, respe|te a determ|nação dos 25%
m|n|mos e que ace|te a progress|va part|c|pa-
ção em par|dade,.contemp|ando esta pos|ção
nos d|p|omas soore a Peíorma E|e|tora|.
F|na|mente propoe-se que o Oongresso apro-
ve o Pacto Boc|a| para a Par|dade entre Mu-
|heres e Homens, o qua| deve compreender
a part||ha do Emprego, das Pesponsao|||da-
des Fam|||ares e Poder de Dec|são em todos
os sectores e n|ve|s da Boc|edade.
D.M.P.S.
MELHOR DEMOCRAClA COM MAlS ClDADANlA
MOÇÁO $EC7OR/AL
A eíect|va part|c|pação dos c|dadãos e c|-
dadãs e cond|ção essenc|a| para o aperíe|-
çoamento da democrac|a.
Em Portuga| constata-se um ¨deí|c|t demo-
crát|co", dada a íraca part|c|pação das mu-
|heres nos orgãos dec|são po||t|ca.
Esta part|c|pação não tem aumentado des-
de o 25 de Aor|| ao contrár|o do que aconte-
ce em outras áreas em que se ver|í|ca que
as mu|heres tem uma part|c|pação dec|s|va
no desenvo|v|mento e são ma|or|tár|as em
mu|tos sectores de act|v|dade reve|ando uma
|nequ|voca capac|dade para actuar na esíe-
ra púo||ca (v|de anexos 1 e 2).
Esta s|tuação tem const|tu|do uma preocu-
pação do Ooverno Boc|a||sta, mas cont|nua
num |mpasse no Part|do, dev|do ao precon-
ce|to ||gado à questão das quotas, cu|a re-
|e|ção por a|guns, tem const|tu|do um oos-
tácu|o ao progresso nesta mater|a.
Ora o Part|do Boc|a||sta, enquanto Ooverno,
tem re|at|vamente a este assunto, respon-
sao|||dades espec|a|s no cumpr|mento da
Oonst|tu|ção e de comprom|ssos lnternac|-
ona|mente assum|dos por Portuga| no âm-
o|to da Ü.E., das Naçoes Ün|das e do Oon-
se|ho da Europa.
É tempo de reí|ect|r ser|amente soore esta
questão e de apo|armos o nosso Ooverno no
esíorço que tem v|ndo a íazer para me|horar
o íunc|onamento da nossa democrac|a.
É tempo de recordar o que consta do Pro-
grama E|e|tora| do Ooverno P.B. e da Nova
Ma|or|a que cons|gna a |ntrodução de med|-
das pos|t|vas para promover a |gua|dade en-
tre homens e mu|heres com v|sta ao aper-
íe|çoamento do reg|me democrát|co.
Desse Programa consta textua|mente ¨no
p|ano das re|açoes entre homens e mu|he-
res, o exerc|c|o da c|dadan|a p|ena ex|ge,
para a|em de um tratamento de não d|scr|-
m|nação |ur|d|ca, po||t|ca e soc|a|, que se
garanta a ap||cação de med|das pos|t|vas
dest|nadas a corr|g|r as ||m|taçoes de oase
soc|a| e cu|tura| de que as mu|heres são a|n-
da a|vo no tempo presente".
E ma|s ad|ante, aí|rma-se que ¨0ma soc|e-
oaoe ma|s |ç0a|||a/|a se/a 0ma soc|eoaoe
ma|s oa/||a/|a".
Oomo part|do do íuturo, que part|c|pa na
construção da Ü.E., o P.B. tem como oo|ec-
t|vo, no que se reíere à part|c|pação de mu-
|heres e homens, a par|dade.
Por |n|c|at|va do P.B. , na u|t|ma rev|são da
Oonst|tu|ção o art|go n' 109 passou a estatu|r
que ¨a Le| deve promover a |gua|dade no
exerc|c|o dos d|re|tos c|v|cos e po||t|cos e a
não d|scr|m|nação em íunção de sexo no
acesso a cargos po||t|cos".
Em consequenc|a, o Ooverno |á depos|tou
na Assemo|e|a da Pepúo||ca. uma proposta
de Le| E|e|tora|, para ser agendada a|nda
nest a | eg| s| at ura, que est aoe| ece a
oor|gator|edade de med|das pos|t|vas em
íavor do sexo suorerepresentado, com o
oo|ect|vo de aumentar o numero de mu|he-
res, não so nas ||stas, como nos e|e|tos de
a| resu|tante..
O Oongresso não deve, nem pode, |gnorar
estes íactos, nem estar na prát|ca em con-
trad|ção com as med|das tomadas pe|o Oo-
verno no cumpr|mento de promessas e|e|to-
ra|s.
Não se trata apenas do não cumpr|mento
de uma norma estatutár|a, em v|gor desde
1987, mas do escânda|o que ser|a, no mo-
mento em que apresentamos à Assemo|e|a
da Pepúo||ca uma proposta de Le|, o P.B.
na prát|ca, e no que respe|ta aos seus or-
gãos d|r|gentes, não cumpr|r |nternamente
o que precon|za na Le|.
Be ana||sarmos o que aconteceu nos part|-
dos po||t|cos, e nomeadamente no P.B. des-
de o 25 de Aor||, constatamos que a percen-
tagem de mu|heres m|||tantes não so não
aumentou, mas d|m|nu|u.
A exp||cação deste íenomeno não está num
des|nteresse das mu|heres pe|a po||t|ca, mas
no íacto de as mu|heres soírerem um pro-
cesso de exc|usão no |nter|or dos part|dos
po||t|cos, cu|o modo de íunc|onamento por
outro |ado, não se a|usta à dup|a e tr|p|a ta-
reía que a|nda ho|e tem que assum|r.
É prec|so que tomemos consc|enc|a que
este e um proo|ema grave para o nosso Par-
t|do e para o propr|o reg|me democrát|co.
Neste sent|do, e íundamenta| que o Oongres-
so assuma as suas responsao|||dades e|e-
gendo como um dos oo|ect|vos pr|or|tár|os
da actuação do Part|do a construção da de-
mocrac|a par|tár|a, aprovando desde |á me-
d|das pos|t|vas que v|ao|||zem o aumento da
percentagem de mu|heres no P.B., cumpr|n-
do pe|o menos a quota estatutár|a de 25%
nomeadamente nos seus orgãos d|r|gentes
e em todos os |ugares de dec|são po||t|ca.
D.M.P.S.
Anexo 1: Participação das muIheres
nos órgãos de decisão poIítica
1
|e/ce||açem oe e|e||as |a e|e|çao oe 1 oe
O0|0o/o oe 1995.
PB - 12,5%;
PPD/PBD - 8%;
POP/PE\ - 26,7%;
ODB/PP - 20%
|e/ce||açem oe e|e||as |as e|e|çoes
a0|a/q0|cas
Dezemoro de 1997 - 3% dos pres|dentes de
Oâmara e|e|tos
|e/ce||açem oe e|e||as ao |a/|ame||o F0/o-
oe0
8% (a ma|s oa|xa percentagem de todos os
Estados memoros)
|e/ce||açem oe e|e||as |as /ssemo|e|as Pe-
ç|o|a|s.
Made|ra - 13, 7%;
Açores - 9,6%
|e/ce||açem oe e|e||as |o |o|a| oe o/çaos oe
o|/ecçao oos oa/||oos oo||||cos.
PB - 17, 7%;
PBD - 9,8%;
POP - 17, 55%;
ODB/PP - 8,5%
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 29
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
Anexo 2: Taxa de feminização em
aIguns sectores de actividade, na
educação, na ciência e cuItura
2
Fmo/eço
- Taxa de act|v|dade íem|n|na - 43%
- Taxa de íem|n|zação do emprego - 45, 1%
- Taxa de íem|n|zação de a|gumas proí|ssoes:
Med|cas - 42,3%;
Advogadas - 35, 9%;
Mag|stradas - 33,1%
Fs|/0|0/a oo emo/eço seç0|oo as o/o/|ssoes
- 7a·a oe /em|||zaçao
D|r|gentes da íunção púo||ca e de empresas
- 33%
Proí|ssoes |nte|ectua|s e c|ent|í|cas - 50,7%
Proí|ssoes tecn|cas |ntermed|as - 50,2%
- Jo/|a||smo
Taxa de íem|n|zação - 32,8%
Na D|recção do B|nd|cato de Jorna||stas -
42,9%
- C0||0/a
Taxa de íem|n|zação da Assoc|ação Portugue-
sa de Escr|tores - 28%
No B| nd| cato dos Traoa| hadores de
Espetácu|os - 37,8%
- C|e|c|a
Doutoradas - 53,4%
1
Portuga| B|nd|ca| das Mu|heres 1997
2
Portuga| B|nd|ca| das Mu|heres 1997
ECONOMlA, FlNANÇAS, EUROPA
REFORMA ECONÓMlCA E O DESENVOLVlMENTO SUSTENTÁVEL
MOÇÁO $EC7OR/AL
Esta moção nasce de uma reí|exão soore a
prát|ca tendo em conta a reíormu|ação da
aná||se teor|ca e os í||oes do pensamento
soc|a||sta europeu e mund|a|, ut|||zando o tra-
oa|ho comum e razoave|mente coordenado
que m|||tantes soc|a||stas e po||t|cos |ndepen-
dentes no Par|amento, no Ooverno e noutras
|nstânc|as e estruturas po||t|cas, íoram desen-
vo|vendo, com oo|ect|vos comuns, estaoe|e-
c|dos no Programa E|e|tora| do PB, no Oon-
trato de Leg|s|atura (ass|nado nos Estados
Oera|s) e no Programa do Ooverno, concret|-
zados em numerosos d|p|omas |ega|s e g|o-
oa|mente no con|unto da prát|ca governat|va.
l
A |de|a e o pro|ecto do Boc|a||smo em Portu-
ga| tem ma|s de um secu|o. A necess|dade
de, mantendo a í|de||dade aos |dea|s e às
asp|raçoes de Antero de Ouenta|, Jose
Fontana e Azedo Oneco, actua||zar os oo|ec-
t|vos e as estrateg|as soc|o-econom|cas na
mudança de m||en|o oor|gam-nos a uma re-
í|exão soore a prát|ca po||t|co-econom|ca re-
cente oem como a perspect|var o íuturo.
ll
As reformas sócio-económicas
A actua| con| untura po| | t| ca de
aproíundamento do processo de |ntegração
europe|a e de desenvo|v|mento econom|co
nac|ona| oor|ga não so a uma p||otagem cu|-
dadosa do processo po||t|co e econom|co em
curso como a uma reí|exão estrateg|ca soore
os cam|nhos tr||hados e a segu|r nos dom|n|-
os econom| cos e í| nance| ros, no seu
enquadramento nac|ona|, europeu e mund|-
a|.
A||ás, a h|stor|a do progresso econom|co e
soc|a| deste secu|o s|gn|í|cou sempre uma
ruptura com as prát|cas ||oera|s-conservado-
ras no dom|n|o econom|co. Fo| d|sso exem-
p|o a po||t|ca do New Dea|, |evada a caoo pe|o
pres|dente Pooseve|t, a qua| perm|t|u u|trapas-
sar a pr|me|ra e ma|s grave cr|se econom|ca
e dos mercados í|nance|ros.
A marca soc|o-econom|ca deste Ooverno í|-
cou c|aramente estaoe|ec|da |ogo no arran-
que da |eg|s|atura pe|a adopção do rend|men-
to m|n|mo garant|do. Na a|tura, a d|re|ta d|sse
que destru|r|amos a econom|a nac|ona|, que
encora|ar|amos a pregu|ça e o desemprego.
Ho|e, a d|re|ta ma|s |úc|da começa a d|zer que
esta ío| uma reíorma |rrevers|ve|.
É o que nos pretendemos. Oue se| a
|rrevers|ve|! A exemp|o de Leon B|um que em
1936 de|xou as íer|as pagas como uma reíor-
ma de íundo para a França e como exemp|o
para mu|tos pa|ses europeus, o rend|mento
m|n|mo garant|do í|cará como uma oande|ra
das reíormas que o PB conduz|u, a part|r do
Ooverno e com o apo|o das autarqu|as e de
|nst|tu|çoes de so||dar|edade.
A nossa ·demarche· po||t|ca |nsere-se na
me|hor trad|ção do pensamento progress|sta
e do soc|a||smo europeu.
Na senda do 1' Ooverno Traoa|h|sta |ng|es
do pos-guerra que cr|ou o Berv|ço Nac|ona|
de Baúde, nos cont|nuamos deíensores de
um BNB que cumpra de íorma moderna, eí|-
caz e actua||zada as suas íunçoes.
Na este|ra da governação de W|||y Brandt que
adoptou med|das de reíorço da part|c|pação
dos traoa|hadores na v|da econom|ca e de
me|hor|a das cond|çoes de traoa|ho e de se-
gurança nas empresas. Tr||hando um cam|-
nho na área da segurança soc|a| e do oem
estar dos traoa|hadores de que a prát|ca dos
nossos camaradas suecos (ao |ongo de de-
cadas) ío| exemp|o e de que O|oí Pa|me ío|
um dos protagon|stas.
D|gamos a|nda e por outro |ado, do ponto de
v|sta econom|co as veroas do propr|o rend|-
mento m|n|mo garant|do, tendo em conta a
s|tuação soc|a| dos oeneí|c|ár|os, entram |me-
d|atamente no c|rcu|to de oens de pr|me|ra
necess|dade, const|tu|ndo ass|m um est|mu-
|o sup|ementar à act|v|dade econom|ca.
ln|c|ou-se, a||ás, uma reíorma da Begurança
Boc|a| em que se deram vár|os passos dec|-
s|vos para a me|hor|a da protecção soc|a| e o
aproíundamento de uma re|ação de c|dada-
n|a nessa protecção. Nas prestaçoes íam|||-
ares, nos aumentos d|íerenc|ados das pen-
soes de reíorma, na |uta contra a íraude, par-
t|cu|armente, nas oa|xas, res|dem exemp|os
de ruptura com o passado recente.
lll
Há desenvo|v|mentos |mportantes no p|ano
do processo de |ntegração europe|a que, por
um | ado cond| c| onam mas por outro
potenc|am a estrateg|a econom|ca portugue-
sa.
As ||nhas do comprom|sso entre os soc|a||s-
tas europeus passam pe|a deíesa do cresc|-
mento econom|co e da promoção do empre-
go na Europa, na perspect|va da |ust|ça e da
so||dar|edade soc|a| e no âmo|to de uma eco-
nom|a de mercado soc|a| e amo|enta|mente
|usta e sustentáve|.
Bem pre|u|zo da necess|dade de cada pa|s
e, em part|cu|ar, cada part|do soc|a||sta adop-
tar as po||t|cas que ma|s se adequem às ca-
racter|st|cas econom|cas das soc|edades e
às espec|í|c|dades cu|tura|s dos respect|vos
povos, a esquerda não pode esquecer que
tamoem no actua| contexto os va|ores da so-
||dar|edade e |ust|ça tem uma íorte compo-
nente |nternac|ona|. E que no espaço euro-
peu tem de se compat|o|||zar os |nteresses
nac| ona| s com a perspect| va do
aproíundamento da construção europe|a e do
equ|||or|o mund|a|.
O Part|do Boc|a||sta perspect|va uma Europa
ma|s |usta e desenvo|v|da, na senda das h|s-
tor|cas conqu|stas soc|a|s da esquerda no
quadro de um comprom|sso em tomar as
med|das que perm|tam reíorçar o pape| des-
ta renovada Europa, num mundo em v|as de
g|ooa||zação. A rat|í|cação do Tratado de
Amsterdão e a cr|ação do euro ocorrem numa
con|untura em que a esmagadora ma|or|a dos
Oovernos da Ün|ão Europe|a são ||derados
por part|dos soc|a||stas. Este íacto reíorça s|-
mu|taneamente a oor|gação da Europa ter
uma pos|ção pro-act|va íace à g|ooa||zação
med|ante a promoção do seu mode|o soc|a|
e assum|r a responsao|||dade de estar à a|tu-
ra dos desaí|os que se co|ocam na mudança
de m||en|o.
Entre esse desaí|os destacam-se os causa-
dos pe|a emergenc|a dos ego|smos nac|o-
na|s retrogrados e pe|as tentat|vas de |mpo-
s|ção de dogmat|smos neo-||oera|s que de-
vem ser comoat|dos. Por outro |ado, há um
novo campo de poss|o|||dades para a |nova-
ção, a d|íusão tecno|og|ca e o aumento gera|
do oem-estar que o soc|a||smo democrát|co
deve encaoeçar com determ|nação ao n|ve|
nac|ona|, europeu e mund|a|.
lV
GIobaIização, Competitividade e
ModeIo Europeu
A questão não e d|zer-se apenas que v|ve-
mos na era da g|ooa||zação. É út|| compreen-
der o que |sso |mp||ca em termos de a|tera-
ção do mode|o econom|co e soc|a| dom|nante
nas soc| edades modernas e a sua
compat|o|||zação com os va|ores da esquer-
da e do soc|a||smo democrát|co. Desde |ogo
e necessár|o |evar em conta a s|tuação em
que as un|dades produt|vas mudam de pa|s
para pa|s com grande íac|||dade e rap|dez,
na procura de me| hores cond| çoes de
compet|t|v|dade como o custo e qua||dade de
mão de oora, acess|o|||dades, custos dos
transportes, comun|caçoes e, natura|mente,
|ncent|vos dos Estados. Mas não são ape-
nas as empresas que mudam de |ugar, são
tamoem os propr|os íactores de produção
que são g|ooa|s, sendo norma| que um pro-
duto se|a pensado em Los Ange|es, desenha-
do em M||ão, ut|||ze tecno|og|a |aponesa, |n-
corpore componentes e peças de Hong-
Kong, Ma|ás|a, A|emanha e Portuga|, se|a
montado em B|ngapura e exportado para todo
o mundo.
De acordo com este mode|o econom|co do-
m|nante, teremos que no prox|mo secu|o os
recursos essenc|a|s da compet|t|v|dade se-
rão os recursos humanos qua||í|cados, cu|-
tos e exper|entes, o acesso íác|| e ráp|do ao
mundo atraves de comun|caçoes de ú|t|ma
geração e transportes aereos, mar|t|mos, íer-
rov|ár|os e rodov|ár|os í|áve|s, ráp|dos e de
oa|xo custo. Neste mode|o e nestas cond|-
çoes a compet|t|v|dade resu|ta da capac|da-
de de orquestração e de casamento entre
oportun|dades e recursos, |ndependentemen-
te do |oca| onde se |oca||zam estas oportun|-
dades. É nesse contexto que a genera||dade
dos Estados tem v|ndo a avançar no sent|do
de o comerc|o mund|a| ser ||vre para a gran-
de ma|or|a das mercador|as e serv|ços.
Acresce, por |sso, que as reg|oes mund|a|s
que me|hor respondam a estas necess|da-
des da compet|t|v|dade, tem me|hores con-
d|çoes para atra|r e reter os |nvest|mentos,
sendo que estes tamoem serão g|ooa|s, |sto
e, terão cada vez menos nac|ona||dade e se-
rão crescentemente move|s.
Este mode|o de econom|a oeneí|c|a os con-
sum|dores, que necess|tarão de cada vez
menos recursos para adqu|r|r os oens de que
prec|sam, nomeadamente os produtos ma|s
maduros e menos |novadores, |á que a |no-
vação nos produtos, nas tecno|og|as e nas
íormas de comerc|a||zação e de d|str|ou|ção
cont|nuarão a oeneí|c|ar de um prem|o de
va|or acrescentado. Ou se|a, para a esquer-
da e para a deíesa dos seus va|ores e re|e-
vante saoer, em termos nac|ona|s e |nternac|-
ona|s, se este mov|mento das empresas
mu|t|nac|ona|s por todo o mundo contr|ou| ou
não para dar oportun|dades aos pa|ses me-
nos desenvo|v|dos do g|ooo para |n|c|ar um
processo de desenvo|v|mento, de que oene-
í|c|am todos os consum|dores mund|a|s, a|n-
da que |sso possa ser íe|to à custa dos |nte-
resses desses mesmos consum|dores en-
quanto traoa|hadores dos pa|ses ma|s desen-
vo|v|dos, pr|nc|pa|mente daque|es com ||m|-
taçoes de íormação esco|ar e proí|ss|ona| e
tenham d|í|cu|dade em responder às carac-
ter|st|cas dos novos postos de traoa|ho em
sectores de ma|or soí|st|cação e ex|genc|a.
ACÇÃO SOClALlSTA 30 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
Oom a d|í|cu|dade ad|c|ona| de saoer em que
p|ano devemos co|ocar Portuga| nesta con-
tao|||dade e no contexto das naçoes, ate por-
que tendo o nosso pa|s a|nda grandes írag|||-
dades no seu processo de desenvo|v|mento,
v|s|ve|s na íormação dos recursos humanos
e na pooreza re|at|va das |níra-estruturas de
comun|cação e de transportes, |á possu|mos
po||t|cas act|vas de |nvest|mento no estran-
ge|ro, |sto e, part|c|pamos act|vamente no
processo de g|ooa||zação.
A g|ooa||zação deve ass|m ser entend|da
como cond|c|onando as íormas de estar no
mundo, o que passando por reconhecer a
|nterdependenc|a dos pa|ses e das acçoes
po||t|cas, reíorça a oor|gação de proceder a
reíormas econom|cas que capac|tem os Es-
tados para estaoe|ecerem um |usto e soc|a|-
mente ace|táve| s|stema de comerc|o |nterna-
c|ona|.
Neste contexto, parece ev|dente que uma
verdade|ra po||t|ca de esquerda passa pe|a
expansão apo|ada pe|as íorças progress|s-
tas dos pa|ses democrát|cos ma|s desenvo|-
v|dos dos va|ores do soc|a||smo democrát|-
co e do mode|o de ||oerdade s|nd|ca|, de se-
gurança e de |ust|ça soc|a| ex|stente na Euro-
pa, que apesar de v|r a |ntegrar custos de pro-
dução pagos pe|os consum|dores,são gan-
hos c|v|||zac|ona|s |rrevers|ve|s e como ta| não
podem ser negoc|ados em qua|quer parte do
g| ooo. l sto e pode-se ace| tar que a
g|ooa||zação transporta |mportantes ganhos
de eí|c|enc|a econom|ca que contr|ouem para
a d|spon|o|||zação a oa|xo preço de oens es-
senc|a|s, mas |sso não pode ser compat|ve|
com ace|tar-se, de modo nenhum, íormas de
exp|oração e de opressão dos traoa|hadores
dos pa|ses menos desenvo|v|dos.
Não esquecendo que os consum|dores oe-
neí|c|ados o são tanto ma|s quanto ma|s con-
somem, o que e um outro proo|ema de |n|us-
t|ça soc|a| re|at|va, ex|stente nas soc|edades
do nosso tempo, oem como uma questão
reconhec|damente grave no campo do con-
sumo dos recursos natura|s ex|stentes no p|a-
neta.
V
O Primado da PoIítica
e a Estratégia Económica
Passados que estão os tempos em que a|-
guns co|ocavam toda a íe no p|aneamento
|mperat|vo e centra||zado e outros num mo-
de|o neo-||oera| u|trapassado há que reaí|r-
mar com c|areza o pr|mado da po||t|ca soore
a econom|a e a necess|dade de estrateg|as
soc|a||stas democrát|cas c|aras e assum|das
nos p|anos nac|ona| e europeu.
Pespe|tando a econom|a de mercado e o
mode|o soc|a| europeu, no cam|nho de uma
soc|edade so||dár|a.
Oaoe aos part|dos po||t|cos, como e|emen-
tos essenc|a|s da democrac|a representat|va
mas tamoem como postos avançados das
|deo|og|as, apresentar propostas para o íutu-
ro. Üma estrateg|a para Portuga| no secu|o
XXl contemp|a, nas suas vertentes econom|-
ca e í|nance|ra, a ponderação dos sectores
que devem ser pr|v||eg|ados em íunção do
seu carácter |novador, do seu potenc|a| em
termos de emprego, por serem sectores de
en| ace ou pe| a sua capac| dade de
arrastamento íace aos restantes.
Esta estrateg|a econom|ca deverá ut|||zar os
|nstrumentos de p|aneamento e de programa-
ção e|aoorados com r|gor tecn|co e í|ex|o|||-
dade de execução que se|am adequados,
envo|vendo sempre a aud|ção dos agentes
econom|cos sector|a|s ou reg|ona|s e dos
poderes |oca|s aorang|dos nas acçoes a de-
senvo|ver.
Tamoem em termos espac|a|s se ex|ge a pro-
moção de todo o terr|tor|o nac|ona|, que não
pode ser a |ustapos|ção de uma ía|xa desen-
vo|v|da, duas áreas soorepovoadas, uma
coutada de caça, uma estânc|a de íer|as e o
¨|nter|or" mas tem que ser uma s|mo|ose da
nossa d|vers|dade. O Ooverno do PB |á to-
mou s|gn|í|cat|vas med|das de promoção do
|nter|or (o que está a passar por |ncent|vos
empresar|a|s, pe|a modern|zação de v|as de
comun| cação, pe| a promoção de
|níraestruturas e equ|pamentos, pe|a nova
prát|ca no dom|n|o da energ|a de que o novo
s|stema de d|str|ou|ção do gás natura| e exem-
p|o) e de comoate ao desemprego nas reg|-
oes ma|s aíectadas por este íenomeno (como
a|nda recentemente se pode ver no A|ente|o).
Nos prox|mos anos há que garant|r que Por-
tuga| não se|a apenas um d|amante que ma-
rav||he os estrange|ros com as suas d|versas
íaces mas antes de ma|s um pa|s em que to-
dos, de Norte a Bu|, na Made|ra e nos Açores
v|vam com d|gn|dade e tenham acesso à íor-
mação, ao traoa|ho e ao |azer. Üm passo
mu|to s|gn|í|cat|vo ío| dado com a aprovação
da Le| de F|nanças das Peg|oes Autonomas
no decorrer desta |eg|s|atura.
Üma estrateg|a econom|ca e í|nance|ra nac|-
ona| num quadro europeu passa por um s|s-
tema í|sca| ma|s equ|tat|vo, pe|a reconversão
do tec|do econom|co, pe|a |novação empre-
sar|a|, pe|a me|hor|a do s|stema educat|vo e
por uma estrateg|a de |nvest|mento soc|a|
com ma|ores oportun|dades de educação e
íormação ao |ongo da v|da, |ntegrando-se a
promoção do emprego e o desenvo|v|mento
de um c||ma de concertação estrateg|ca, num
quadro de co-responsao|||zação das íorças
soc|a|s e de part||ha dos írutos do desenvo|-
v|mento. Tudo |sto no respe|to pe|os d|re|tos
do consum|dor, com uma adequada perspec-
t|va de equ|||or|o espac|a| e promovendo a
me|hor|a das cond|çoes amo|enta|s.
É neste contexto que pretendemos a reíorma
econom|ca, com equ|||or|o í|nance|ro, cresc|-
mento econom|co e ma|s |usta d|str|ou|ção
da r|queza. A perspect|va da Peíorma Eco-
nom|ca e o Desenvo|v|mento Bustentáve| tem
que est|mu|ar a |novação, quer na área da
organ| zação empresar| a| , quer na área
tecno|og|ca quer na procura de novos mer-
cados e na sat|síação de novas necess|da-
des.
Vl
EquiIíbrio Financeiro
e Coesão SociaI
A prát|ca do actua| Ooverno tem-se pautado
pe|a deíesa dos va|ores íundamenta|s do so-
c|a||smo democrát|co europeu e mund|a| nes-
ta v|ragem do m||en|o, como|nando as reíor-
mas modern|zadoras com o reíorço da de-
mocrac|a po||t|ca e com o avanço no sent|do
da democrac|a econom|ca, soc|a| e cu|tura|.
Üma po||t|ca que pretende o cresc|mento para
gerar ma|s so||dar|edade e ma|s |ust|ça; uma
po||t|ca que respe|ta a econom|a de mercado
mas e porque quer uma soc|edade de |ust|-
ça, ||oerdade e so||dar|edade.
É neste contexto, que a preocupação e a
concret|zação do equ|||or|o í|nance|ro ganham
ma|s sent|do. Não so para assegurar a cam|-
nhada de desenvo|v|mento econom|co que o
EÜPO potenc|a como para garant|r a poss|-
o|||dade de d|str|ou|r so||dar|amente os írutos
desse desenvo|v|mento.
A estao|||dade monetár|a e a d|sc|p||na í|sca|
ganham o seu ma|or sent|do para assegurar
os oo|ect|vos de
so||dar|edade soc|a|, de que o p|eno empre-
go e a |uta contra a exc|usão são vectores
|nd|ssoc|áve|s.
Há tamoem que prossegu|r de íorma cont|-
nua e empenhada uma po||t|ca de rend|men-
tos |ntegrando uma po||t|ca sa|ar|a|, a qua|
garanta uma part||ha soc|a|mente equ|tat|va
dos oeneí|c|os do cresc|mento. Tudo |sto com
o |mperat|vo da coesão soc|a|, da convergen-
c|a rea| e da d|m|nu|ção da pooreza.
Vll
PoIítica Económica, PapeI
do Estado, Competitividade
e SoIidariedade
No quadro actua| e tamoem uma oor|gação
das propostas soc|a||stas democrát|cas a
deíesa da eí|c|enc|a econom|ca porque so se
pode d|str|ou|r a r|queza que as soc|edades
tem cond|çoes para cr|ar. Tem a|nda de se ter
presente que as cr|ses í|nance|ras recentes
ev| denc| am os r| scos da g| ooa| | zação
|ncontro|ada. É neste contexto que o aumen-
to da cooperação |nternac|ona| e um aperíe|-
çoamento das po||t|cas dos Estados pode
a|udar a u|trapassar esses r|scos. O peso dos
governos soc|a||stas na Europa aumenta a
responsao|||dade da nossa íam|||a po||t|ca,
dos nossos camaradas na Europa e no Mun-
do.
Nesse contexto, no dom|n|o í|nance|ro, ga-
nham part|cu|ar re|evo:
º A protecção dos mercados emergentes
re|at|vamente à excess|va vu|nerao|||dade í|-
nance|ra;
º A urgenc|a de desenvo|ver a cooperação
entre a zona EÜPO e os outros espaços
econom|cos e monetár|os mund|a|s;
º A |uta pe|a reíormu|ação do pape| dos or-
gan|smos monetár|os e í|nance|ros |nternac|-
ona|s, demas|ado dependentes de concep-
çoes neo-| | oera| s ou eníormados por
parad|gmas monetar|stas.
Ouanto às consequenc|as econom|cas da
actua| rea||dade í|nance|ra europe|a |nteres-
sa reíer|r que a cr|ação do EÜPO e a conso-
||dação de uma zona monetár|a europe|a
un|í|cada ex|gem uma coordenação ser|a das
po||t|cas econom|cas e progressos gradua|s
na harmon|zação í|sca|.
Entretanto, convem ter em conta que o pape|
do Estado e do sector púo||co tem v|ndo a
mudar, tamoem na nossa perspect|va. E se
|nteressa que o Estado garanta com regras
prec|sas um quadro macro-econom|co está-
ve|, e prec|so tamoem que o Estado este|a
atento não so à necess|dade de aumentar a
eí|c|enc|a das Adm|n|straçoes Púo||cas como
a prever e a comoater novas íormas de des|-
gua|dade. Na opt|ca dos soc|a||stas que so-
mos, o Estado tamoem deve serv|r para |sso.
A redução do pape| do Estado como propr|-
etár|o na área econom|ca não o pode |n|o|r
de |nterv|r quando necessár|o com oo|ect|vos
soc|a|s ou econom|cos |nd|ssoc|áve|s da sua
responsao| | | dade. Mas uma cu| tura de
regu|ação púo||ca e um reíorçado d|nam|s-
mo empresar|a| assoc|ado ao sector púo||co
actua| em áreas onde a sua presença se re-
ve|e ou venha a reve|ar necessár|a e |mpres-
c|nd|ve|.
E neste contexto, o pape| do Estado como
d|nam|zador de grandes |níraestruturas e pro-
motor de me|hores cond|çoes amo|enta|s , à
esca|a nac|ona| e europe|a, aparece-nos
como |rrecusáve|. Bem como garante de con-
d|çoes e regras que encora|em o desenvo|v|-
mento do |nvest|mento pr|vado, nac|ona| e
estrange|ro, soc|a|mente út||, cr|ador de em-
pregos e de va|or acrescentado, íactor de |no-
vação e de d|nam|smo soc|a|.
A aí| rmação de Portuga| na econom| a
europe|a, passa entre outros íactores pe|a
reconversão do tec|do empresar|a|. Portuga|
tem de de|xar de ter uma econom|a caracte-
r|zada por uma estrutura produt|va vu|nerá-
ve|, |á que os tempos da mão-de-oora oarata
e do traoa|ho |níant|| tem de ser u|trapassa-
dos como
oase de compet|ção, por razoes de rea||smo
po||t|co, de et|ca e de eí|các|a econom|ca.
Apesar de nos ú|t|mos anos |á se terem ver|-
í|cado a|teraçoes s|gn|í|cat|vas, o tec|do em-
presar|a| portugues tem oor|gator|amente de
prossegu|r a todos os n|ve|s a ousca de uma
compet|t|v|dade europe|a e no p|ano mund|-
a|, comoatendo a opt|ca da suos|d|o-depen-
denc|a, promovendo a constante |novação
quer tecno|og|ca, quer atraves da ap||cação
de tecn|cas de gestão adequadas, apo|an-
do a íormação e a ma|or qua||í|cação do pes-
soa|, na ousca dos me|hores |nd|ces de qua-
||dade, do aumento de produt|v|dade e de
uma ma|or compet|t|v|dade, para garant|r
ma|s r|queza produt|va e o oem estar dos
c|dadãos.
O pape| do Estado, enquanto agente regu-
|ador da act|v|dade econom|ca |ntegra res-
ponsao|||dades na ap||cação dos mecan|s-
mos que potenc|a|mente cr|em cond|çoes de
sucesso aos empresár|os empreendedores,
caoendo a estes, no tota| respe|to pe|os d|-
re|tos e d|gn|dade dos traoa|hadores, con-
tr|ou|r de íorma pos|t|va e cont|nuada para o
cresc| ment o econom| co do Pa| s e
consequentemente, para o desenvo|v|men-
to econom|co-soc|a|.
Üma po| | t | ca soc| a| | st a democrát | ca
respe|tadora da econom|a de mercado mas
|nterven|ente com oo|ect|vos de so||dar|eda-
de soc|a| e equ|||or|o sector|a| se deve pro-
mover as pr|vat|zaçoes tota|s ou parc|a|s das
empresas cu|a gestão pr|vada será ma|s
adequada aos oo|ect|vos de cresc|mento
econom|co, ma|or produt|v|dade e me|hor
prestação de serv|ços ao ut|||zador í|na|, não
pode de|xar de part|c|par sem comp|exos em
empresas onde os oo|ect|vos de |nserção,
de desenvo|v|mento de |níraestruturas, de
|mpu|s|onar |novaçoes em sectores re|evan-
tes e estrateg|cos ou a|nda onde o apo|o às
po||t|cas de |nternac|ona||zação tornarem
vanta|osa essa |ntervenção púo||ca, nomea-
damente atraves de |nstrumentos empresa-
r|a|s adequados.
Ass| m, como tem de ser cr| adas, com
empenhamento púo||co e part|c|pação soc|-
a|, a|ternat|vas que garantam oportun|dades
a todos aque|es que não tenham as compe-
tenc|as e as cond|çoes para acompanhar os
segmentos econom|cos ma|s modernos.
O Portuga| que queremos tem que ser um
mosa|co de oportun|dades em que se con-
c|||e uma econom|a moderna e compet|t|va
com um s|stema de emprego que cr|e opor-
tun|dades d|vers|í|cadas para todos.
Vlll
SoIidariedade e
DesenvoIvimento SustentáveI
Assume part|cu|ar |mportânc|a neste contex-
to a cont|nuação do processo de modern|za-
ção da Adm|n|stração Púo||ca, de reíorma da
Begurança Boc|a|, aproíundamento da pro-
tecção soc|a| e desenvo|v|mento das po||t|-
cas act|vas de emprego oem como o desen-
vo|v|mento do mercado soc|a| de emprego.
Oanham, no contexto |nd|cado, uma re|evan-
te |mportânc|a as questoes do í|nanc|amen-
to da saúde e da nova re|ação entre o amo|-
ente e a í|sca||dade oem como um entend|-
mento ma|s adequado do pape| da econo-
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 31
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
m|a soc|a|.
Há e|ementos que caracter|zam um mode-
|o, uma soc|edade e um pa|s e sem a trans-
íormação dos qua|s não e poss|ve| ía|ar em
desenvo|v|mento numa perspect|va de |on-
go prazo. Estes e|ementos não podem, por
deí|n|ção, ser |mpostos porque dependem
de uma determ|nada acomodação soc|a|
por |sso |mp||cam uma concertação soc|a| e
po||t|ca a|argada um autent|co ¨novo con-
trato soc|a|", reconc|||ando econom|a e so-
c|edade na expressão íe||z de
Jacques De|ors.
Destes vectores de desenvo|v|mento podem
depender a qua| | dade, proíund| dade e
íecund|dade do cresc|mento de ho|e, o de-
senvo|v|mento do pa|s e nomeadamente o
oem estar dos portugueses.
Financiamento da Saúde
O aperíe|çoamento do mode|o de í|nanc|a-
mento para a saúde num contexto europeu,
ex|gente, ava||ador e |nterdependente, cons-
t|tu| uma reíerenc|a essenc|a| para os desa-
í|os de po||t|cas econom|cas e soc|a|s con-
|untas.
A estrateg|a para o Berv|ço Nac|ona| de Baú-
de passa por uma ma|or c|ar|í|cação dos sec-
tores que ne|e |ntervem: sector soc|a|,
prestadores púo||cos e prestadores pr|va-
dos, de íorma a cr|arem-se as cond|çoes ne-
cessár|as ao seu aperíe|çoamento, atraves
de uma me|hor acess|o|||dade e equ|dade.
Oada vez ma|s e urgente |mped|r que ape-
nas os |níormados ootenham do s|stema o
que os poores e marg|na||zados sentem pas-
sar-|hes ao |ado, no oeneí|c|o dos eíe|tos do
|nvest|mento no BNB, um dos |mportantes
|nstrumentos de promoção da equ|dade so-
c|a| e um dos p||ares do mode|o soc|a| euro-
peu.
Ao centrarmos a aná||se na prestação de cu|-
dados de Baúde no BNB como co|una ver-
teora| do s|stema e íundamenta| assum|r a
rea||dade o|po|ar que e o íacto de sermos
a|nda um pa|s da Europa em que a saúde
tem pouco peso no Produto lnterno Bruto,
emoora a econometr|a |nd|que que Portuga|
gasta ma|s em recursos de Baúde
do que ser|a expectáve| íace ao seu n|ve| de
desenvo|v|mento.
O í|nanc|amento para a Baúde em Portuga|
no secu|o XXl deverá co|ocar no terreno a|-
guns ax|omas que tem v|ndo
a íazer parte de estrateg|as dos programas
soc|a||stas, avu|tando entre outras, para a|em
da necess|dade de uma
me|hor c|ar|í|cação dos sectores:
1.A deí|n|ção r|gorosa da qua||í|cação e íor-
mação em exerc|c|o dos recursos humanos,
oem como dos seus pape|s de |ntervenção
no BNB.
2.A ex|stenc|a de mecan|smos de p|anea-
mento e de regu|ação eí|cazes em mater|a
de tecno|og|a e med|camentos;
3.A |novação e desenvo|v|mento de ¨s|ste-
mas soc|o-san|tár|os" que garantam respos-
tas so||dár|as e de qua||dade às pessoas em
s|tuação de dependenc|a, part|cu|armente
dos |dosos, a part|r dos qua|s se ensa|e a
mudança do BNB em termos de t|tu|ar|dade
e í|nanc|amento.
O Berv|ço Nac|ona| de Baúde deverá ser oo-
|ecto de uma estrateg|a que, do mesmo
modo, cr|e cond|çoes para o seu desenvo|-
v|mento quer em mater|a de me|hor acess|-
o|||dade e equ|dade, quer de um mode|o de
oíerta de cu|dados que se recentre na Baú-
de e não somente na doença e prestação
de med|das curat|vas, quer a|nda na |ntro-
dução de mecan|smos de gestão ma|s r|go-
rosos.
Oer|r me|hor os recursos, promover a edu-
cação do ut|||zador dos cu|dados, íormar o
prescr|tor proporc|onando-|he capac|dade
de ava||ação e dom|n|o soore o o|nom|o cus-
to/qua||dade, pagar ma|s pe|a qua||dade e
menos pe|o desperd|c|o são prem|ssas que
devem sustentar o í|nanc|amento e a gestão
do s|stema de Baúde em Portuga| para o pro-
x|mo secu|o.
Crescimento e Ambiente
Torna-se íundamenta| assum|r, em que ter-
mos, poderemos |nc|u|r no nosso pro|ecto
de desenvo|v|mento nac|ona| e comun|tár|o,
acçoes que potenc|em a aí|rmação de um
mode|o soc|a| com ma|s oportun|dades e
que suporte uma po||t|ca sustentáve| no do-
m|n|o amo|enta|.
Bendo certo que, as opçoes trad|c|ona|s vão
no sent|do de exp|orar, de íorma cada vez
ma|s |ntensa os recursos natura|s, ver|í|can-
do-se uma cada vez ma|s |nsuí|c|ente ut|||-
zação da mão-de-oora, suost|tu|ndo-a pe|a
genera| | zação da | ntrodução de novas
tecno|og|as mecan|zadas. Este cam|nho e
ev|dente e |rrevers|ve|, |evando-nos a uma
ma|or consc|enc|a da proo|emát|ca soc|a| e
amo|enta|, que desta íorma, se cruzam |nt|-
mamente.
É, ass|m, |mper|oso encontrar um me|o de
conc|||ação dos vár|os |nteresses e de even-
tua|mente consegu|r superar as d|íerentes d|-
í|cu|dades e desaí|os de cada vertente de
tão comp|exo momento. Bucesso econom|-
co, com equ|||or|o da ut|||zação dos recur-
sos da natureza e com vantagem na aí|rma-
ção das oportun|dades soc|a|s, pe|o empre-
go.
Deíendemos como uma das v|as para con-
cret|zar tão d|íerenc|ado con|unto de oo|ec-
t|vos a art|cu|ação de um n|ve| oa|xo de tr|-
outação soore os sectores soc|a|s ma|s
carenc|ados, com uma í|sca||dade ma|s ac-
t | va soore a ut | | | zação dos recursos
amo|enta|s e o desenvo|v|mento de serv|ços
cr|adores de emprego na sat|síação de ne-
cess|dades soc|a|s oás|cas.
Avançar na pena||zação de act|v|dades pro-
dut|vas que são desenvo|v|das à custa da
destru|ção de recursos não renováve|s ou de
danos amo|enta|s. Trata-se de encam|nhar
o sector produt|vo no sent|do de uma ma|or
eí|c|enc|a soc|a|, pena||zando externa||dades
negat|vas, nomeadamente, o d|spend|o de
recursos que a geração presente tem o de-
ver de preservar em oeneí|c|o das geraçoes
íuturas.
É o cam|nho que perm|t|rá, a me|hor gestão
dos me|os que a Natureza nos perm|te des-
írutar, se|a como recurso para a produção,
se|a pe|a preservação da qua||dade de v|da
amo|enta| e do patr|mon|o eco|og|co, redu-
z|ndo a sua soore-exp|oração, |nduz|ndo à
cr|ação de postos de traoa|ho, pe|a cr|ação
de novas oportun|dades de negoc|o e por
uma ma|s |usta e equ|||orada d|str|ou|ção da
carga í|sca|.
Üma acção po||t|ca desta envergadura |ust|-
í|cará uma concertação de med|das entre os
d| íerentes Estados-memoros da Ün| ão
Europe|a, v|sando ev|tar d|storçoes na con-
correnc|a.
Economia assente
em diversos piIares
Para a|em do Estado e dos agentes pr|va-
dos há um outro p||ar da soc|edade e da eco-
nom|a que |mporta re|evar. A chamada eco-
nom|a soc|a| |á não e um parente poore das
outras ent|dades, mas uma íorma não me-
nos eí|caz e responsáve| de responder aos
desaí|os que a todos se co|ocam.
Para a|em da re|evânc|a soc|a| do sector co-
operat|vo são d|gnas de apreço e merece-
doras de est|mu|o, todas as |nst|tu|çoes que
actuam na econom|a soc|a|, com destaques
para as l PBB' s , M| ser| cord| as e
Mutua||dades que desempenham um pape|
soc|a| |nsuost|tu|ve|. Oaoe-|hes |dent|í|car as
necess|dades das popu|açoes, promover ac-
t|v|dades não va|or|zadas pe|o mercado e
ap||car me|os de íorma eí|c|ente e com e|e-
vada re|evânc|a soc|a|.
Não suost|tu|ndo o Estado, pe|os agentes da
econom|a soc|a| tamoem passa a generos|-
dade do |dea| de so||dar|edade que os soc|-
a||stas deíendem.
lX
DesenvoIvimento RegionaI,
PoIítica FiscaI e OrçamentaI
Berá necessár|o prossegu|r g|ooa|mente e de
íorma art|cu|ada com os esíorços ex|g|dos por
um desenvo|v|mento reg|ona| coordenado e
harmon| co, pe| a necess| dade de
|nternac|ona||zação da econom|a e, a|nda,
com o comp|exo e necessár|o processo que
a reíorma í|sca| const|tu|.
Equ|dade e equ|||or|o no desenvo|v|mento do
terr|tor|o, eí|các|a e equ|dade no íunc|onamen-
to das regras do s|stema í|sca| devem |r de
par com a |nternac|ona||zação da econom|a
portuguesa, t|rando part|do dos aspectos po-
s|t|vos da g|ooa||zação.
O resu|tado do reíerendo da reg|ona||zação
não nos pode íazer esquecer a necess|dade
de aproíundar uma po||t|ca de desenvo|v|men-
to reg|ona| que contr|oua para a superação
progress|va das des|gua|dades de desenvo|-
v|mento entre as d|íerentes áreas do terr|tor|o
nac|ona|. Essa po||t|ca de desenvo|v|mento
reg|ona| tem de envo|ver os poderes |oca|s e
os d|íerentes agentes econom|cos e soc|a|s
de cada reg|ão em d|á|ogo com o Estado,
sendo essenc|a| que a desconcentração do
Estado tenha a|guma rac|ona||dade espac|a|
e sector|a|.
Neste contexto de ma|or equ|||or|o espac|a|
do desenvo|v|mento ve|o a consagração das
reg| oes u| tra-per| íer| cas no Tratado de
Amsterdão reíorçar a ter em conta as neces-
s|dades espec|a|s de apo|o ao seu desenvo|-
v|mento, o que os deputados soc|a||stas v|-
saram suo||nhar ao |ntegrar essa reíerenc|a
nas Orandes Opçoes do P|ano de 1999, as-
sum|ndo-se todo o Part|do numa opt|ca de
so||dar|edade nac|ona| como garante de
apo|o à concret|zação desse desenvo|v|men-
to.
É tamoem neste contexto de t|rar part|do dos
aspectos pos|t|vos da g|ooa||zação que tem
de se entender a |nternac|ona||zação da eco-
nom|a portuguesa e apo|ar o seu re|ac|ona-
mento com outros espaços econom|cos, com
o Mercosu|, as áreas med|terrân|cas e os pa-
|ses |usoíonos, sem esquecer outras zonas
do g|ooo onde a capac|dade |aoora| e em-
presar|a| dos portugueses tenham ooas con-
d|çoes de |ntervenção.
A necess|dade de se prossegu|r com o pro-
cesso da reíorma í|sca| em curso rad|ca nos
oo| ect| vos de aumentar a eí| các| a e a
operac|ona||dade da Adm|n|stração F|sca| e
essenc|a|mente na necess|dade de reaí|rmar
e progress|vamente concret|zar os oo|ect|vos
de equ|dade e |ust|ça í|sca| que nos an|mam.
O avanço do processo da reíorma í|sca| que
teve |á a|gumas concret|zaçoes s|gn|í|cat|vas,
nomeadamente na a|teração do s|stema do
lPB no Orçamento de Estado para 1999, terá
que ser prossegu|do de íorma conv|cta e con-
so||dada, com os cu|dados necessár|os num
dom|n|o de tão e|evada tecn|c|dade e de tão
e|evadas consequenc|as
soc|a|s, econom|cas e í|nance|ras.
Outros avanços se perspect|vam que |mpor-
ta deoater a|argadamente e concret|zar pro-
gress|vamente de íorma equ|||orada.
Art|cu|ada com a Po||t|ca F|sca|, a po||t|ca
orçamenta| tem emerg|do como um |nstru-
mento essenc|a| ao serv|ço do desenvo|v|-
mento e da so||dar|edade. Os quatro Orça-
mentos da |eg|s|atura que está a term|nar
garant|ram a compat|o|||zação entre o r|gor
í|nance|ro, o cresc|mento econom|co e a so-
||dar|edade soc|a|. A opt|ca, audac|osa nos
oo|ect|vos e prudente na metodo|og|a, com
que íoram e|aoorados e a sua ooa execução
conduz|u, a||ás, a que nomeadamente em
termos do deí|ce orçamenta|, da d|v|da púo||-
ca e da rece|ta í|sca|, íossem írequentemen-
te u|trapassados os oo|ect|vos est|pu|ados.
A deí|n|ção da po||t|ca orçamenta| tem que
cont|nuar a harmon|zação entre os compro-
m|ssos assum|dos no âmo|to europeu e a
prossecução da me|hor|a cont|nua das con-
d|çoes de v|da dos portugueses, atraves do
|nvest|mento púo||co e num esíorço nas des-
pesas soc|a|s.
A prossecução desta po||t|ca orçamenta|, em
que o equ|||or|o í|nance|ro se assoc|ou a uma
íorte promoção do |nvest|mento púo||co e à
garant|a de cond|çoes para o |nvest|mento pr|-
vado e ao aumento do rend|mento d|spon|ve|
das íam|||as co|nc|de com um s|gn|í|cat|vo au-
mento das despesas com as íunçoes soc|a|s
do Estado, o que ev|denc|a as caracter|st|-
cas de uma po| | t| ca soc| a| | sta,
desenvo|v|ment|sta e so||dár|a.
É |usto reconhecer que estes ú|t|mos anos
íoram ¨anos de ouro" da econom|a nac|ona|.
E e tamoem |usto suo||nhar que ío| uma po||-
t|ca governamenta| p|aneada com |uc|dez e
executada com determ|nação que perm|t|u
garant|r as cond|çoes po||t|cas e í|nance|ras
que nos co|ocam no |n|c|o dos anos do
¨EÜPO", po||t|camente centra|s na Europa e
no núc|eo do novo espaço monetár|o euro-
peu.
É neste quadro, que |mporta equac|onar as
questoes íuturas.
Por um |ado, há que manter a coragem de,
sendo part|dár|os do a|argamento da Ün|ão
Europe|a a |este, entendermos que as vanta-
gens da part|c|pação de Portuga| no EÜPO
são mú|t|p|as mas |mp||cam um redoorado
cu|dado nos esíorços de reconversão de par-
te do s|stema produt|vo nac|ona| e nas nego-
c|açoes da Agenda 2000. Já que |mporta sa-
||entar que a actua| proposta de Agenda 2000,
na qua| não se reconhece p|enamente o |de-
a| de so||dar|edade |nerente ao soc|a||smo
europeu, apresenta aspectos preocupantes
para Portuga| que negoc|açoes cu|dadas e
í|rmes procurarão u|trapassar.
Por outro |ado, há que ter cada vez ma|s em
conta as questoes decorrentes da chamada
¨Econom|a D|g|ta|", resu|tante da ráp|da ex-
pansão mund|a| e nac|ona| das redes e|ec-
tron|cas.
Prop|c|ando novas íormas de comun|cação
e transacção, o nov|ss|mo amo|ente d|g|ta|
está a |mpu|s|onar proíundas mutaçoes na or-
gan|zação das empresas, na íorma de íazer
negoc| os, no te| etraoa| ho e na propr| a
estruturação e conduta das Adm|n|straçoes
Púo||cas. Oo|ocar Portuga| nas rotas mund|-
a|s do comerc|o e|ectron|co e |evar aos vár|-
os sectores da econom|a os oeneí|c|os da
modern|dade tecno|og|ca e uma grande ta-
reía nac|ona|, a que e prec|so íuturamente
ACÇÃO SOClALlSTA 32 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
ded|car ma|s atenção e adequada pr|or|da-
de.
X
ConcIusão
Esta moção |nsere-se numa preocupação |m-
portante de |nterv|r na área econom|co-í|nance|-
ra, num quadro nac|ona| e europeu e no contex-
to mund|a|, assegurando a concret|zação dos
pr|nc|p|os do soc|a||smo democrát|co, tendo em
conta as rea||dades da econom|a moderna.
Pretende-se moo|||zadora das vontades de m|-
||tantes e s|mpat|zantes, |nterven|entes na área
econom|ca, se|am traoa|hadores, quadros,
gestores ou empresár|os, autarcas, par|amen-
tares ou governantes, no sent|do da
concret|zação de um pro|ecto so||dár|o e de-
mocrát|co no cam|nho do terce|ro m||en|o.
Buoscr|tores:
JoeI Hasse Ferreira
João CarIos SiIva
José Medeiros Ferreira
PauIo Pedroso
Henrique Neto
Vítor RamaIho
António Reis
HeIena Torres Marques
Barbosa de OIiveira
José Barros Moura
Maria CarriIho
NeIson BaItazar
PauIo Neves
CarIos Luís
José Rosa do Egipto
José Saraiva
Fernando Serrasqueiro
Casimiro Ramos
Fernando de Sousa
Oscar Gaspar
MigueI de Andrade
CarIos Beja
Afonso CandaI
Sónia Fertuzinhos
Fernando Rocha Andrade
Marcos PerestreIIo
Luís Pedro Martins
MafaIda Troncho
José Maria Teixeira Dias
GonçaIo VeIho
ManueI Francisco VaIente
Teresinha Garrido
ArIindo OIiveira
Mark Kirkby
Rui Carreteiro
CIara Pinto
José Gameiro dos Santos
lsabeI Lourenço
Pedro Adão e SiIva
José Joaquim Leitão
Ana Catarina Mendes
ManueI dos Santos
Fausto Correia
MOÇÁO $EC7OR/AL
POR UMA ECONOMlA DA ClDADANlA,
DO EMPREGO E DA COESÃO SOClAL
lntrodução
Portuga| tem desde as ú|t|mas e|e|çoes
|eg|s|at|vas, soo o ponto de v|sta soc|a|, o
Ooverno ma|s à esquerda de sempre. Anton|o
Outerres e o Ooverno do Part|do Boc|a||sta
|mp|ementaram reíormas e med|das concre-
tas que v| sam proteger os ma| s
desíavorec|dos.
Med|das como o Pend|mento M|n|mo Oaran-
t|do são ho|e unan|memente e|og|adas; me-
d|das como a nova í||osoí|a de aumento de
pensoes, nas qua|s quem ganha menos tem
um aumento percentua| ma|or do que quem
ganha ma|s ou med|das como o novo esque-
ma de apo|o às íam|||as, suost|tu|ndo o ant|-
go aoono de íam|||a v|eram ev|denc|ar a gran-
de preocupação soc|a| do nosso Ooverno e
deram-|he um car|z verdade|ramente soc|a-
||sta.
Continuar a aIterar o rumo
Estas med|das do governo soc|a||sta rea||za-
ram-se apos a po||t|ca cega, surda e muda
dos Oovernos do Part|do Boc|a| Democrata,
|mpregnada das |ní|uenc|as ma|s neíastas das
tendenc|as conservadoras que v|eram acen-
tuar as ass|metr|as soc|a|s no nosso Pa|s e
cavar o íosso que separa, cada vez ma|s, os
r|cos dos poores.
Eíect|vamente, soore os escomoros da ía|en-
c|a do mode|o comun|sta, as íorças conser-
vadoras pretenderam | mpor o | deár| o
neo||oera|, como mode|o de organ|zação da
soc|edade, enquanto íactor determ|nante de
progresso econom|co do mundo.
O novo s|stema de va|ores emergente do
íenomeno da g|ooa||zação tendeu, a|nda que
suot||mente, a h|perva|or|zar |unto do c|dadão
as vantagens e oenesses do ||oera||smo eco-
nom|co.
No entanto, a actua| cr|se í|nance|ra mund|a|,
a pr|me|ra cr|se do pos comun|smo, ve|o
mostrar a ía|enc|a dos dogmas e postu|ados
neo||oera|s. As taxas de cresc|mento d|m|nu-
|ram g|ooa|mente, o desemprego suo|u, a
precar|dade |nsta|ou-se e apareceram as cr|-
ses e choques í|nance|ros errát|cos atraves
do p|aneta.
Po||t|cas aut|stas em mater|a econom|ca,
oo|ect|vadas apenas pe|a procura de ma|s
va||as à custa dos empregos, os aumentos
de |mpostos e a doutr|na e|vada de sucesso
|nd|v|dua| cr|aram proíundas des|gua|dades
e, tão grave ou ma|s, |ançaram sementes, que
cresceram na|guns sectores, de ego|smo,
|nd|v|dua||smo e de proíundo desprezo pe|os
va|ores da so||dar|edade e da entrea|uda.
O PAPTlDO BOOlALlBTA NAO BE PODE
OONFOPMAP OOM EBTE OÜADPO BOOl-
AL E EOONOMlOO.
Be em 1921 Leon B| um re| e| tou
v|s|onar|amente o mode|o comun|sta, ho|e, os
soc|a||stas tem que se opor ao neo||oera||smo.
O mercado não tem consc|enc|a soc|a|, pe|o
que não se pode pensar que as |e|s da ||vre
concorrenc|a se|am suí|c|entes para promo-
ver a |ust|ça, a so||dar|edade soc|a|, a d|str|-
ou|ção de r|queza e o desenvo|v|mento eco-
nom|co.
O grande desaí|o que se |mpoe ho|e aos so-
c|a||stas e o de a|terar o mode|o v|gente de
organ|zação da soc|edade, |mp|ementado no
ú|t|mo quarte| deste secu|o, compat|o|||zando-
o com um mode|o |ntervenc|on|sta suscept|-
ve| de ao/o/0|oa/ a oemoc/ac|a oa/||c|oa||/a
e co|c/e||za/ o oa|/|mo||o |oeo|oç|co oo |a/-
||oo Soc|a||s|a.
O mercado não pode estar su|e|to às |e|s da
s|mp|es concorrenc|a. É necessár|o regu|á-|o
e í|sca||zá-|o, med|ante cr|ter|os de transpa-
renc|a, r|gor, so||dar|edade e |ust|ça soc|a|.
Podemos e devemos contr|ou|r no |nter|or da
íam| | | a soc| a| | sta europe| a, na deíesa,
aproíundamento e renovação do |deár|o so-
c|a||sta, garant|ndo uma |og|ca soc|a| e po||t|-
ca que pr|v||eg|e a pessoa humana, comoa-
tendo o endeusamento do ||vre mercado. A
voz do PB na |uta pe|o emprego deve a|udar
a propr|a Europa a redeí|n|r-se e readaptar-
se na construção da Europa dos O|dadãos,
não se quedando pe|a Europa do Mercado
L|vre.
Üma área onde o Part|do Boc|a||sta tem uma
|mportante pa|avra a d|zer quer a n|ve| nac|o-
na| quer a n| ve| europeu e na po| | t| ca
amo|enta|.
H|stor|camente o mode|o ||oera| não ío| g|zado
para comoater a ameaça que enírenta a hu-
man| dade no Bec. XXl a degradação
amo|enta|. Por s| so, o ||vre mercado assente
em postu|ados ego|stas, não d|spoe de me-
can|smos capazes de reírear o aumento do
|ucro em íavor da preservação amo|enta|.
Oaoe ao Estado |nterv|r neste dom|n|o garan-
t|ndo a qua||dade de v|da dos c|dadãos.
A h|stor|a econom|ca recente comprova que
são os soc|a||stas que tem razão, e não ou-
tras íorças po||t|cas, à esquerda e à d|re|ta
do PB, quando a|ertam para as ía|has e ||m|-
tes dos mode|os ||oera|s e tota||tár|os como
suportes do progresso, manutenção e esta-
o|||dade das soc|edades.
O progresso tecno|og|co e o s|mp|es assu-
m|r do mercado ||vre não são capazes por s|
so de produz|r progresso e íazer aumentar a
r|queza.
Para os soc|a||stas são a |ust|ça na d|str|ou|-
ção da r|queza e a coesão e estao|||dade so-
c|a|s os íactores determ|nantes no progresso
econom|co e na capac|dade de produz|r ma|s
r|queza.
Apenas a acção estata| ao n|ve| do mercado
perm|te a prossecução de um desenvo|v|men-
to estrutura|, cont|nuado, em oeneí|c|o de to-
dos.
O mercado ||vre, ta| como e propa|ado pe|os
deíensores dos mode|os neo||oera|s, não
assume essa natureza. O poder econom|co
e concentrac|onár|o, não perm|te o íunc|ona-
mento ||vre do mercado. Antes pe|o contrár|o
são íormadas o||garqu|as de mercado que
assumem o seu contro|o, sendo a ||oerdade
neste me|o uma mera utop|a.
Ho|e, ma|s do que nunca, os soc|a||stas de-
vem |mp|ementar estrateg|as po||t|cas que
ev|tem a excess|va concentração do poder
econom|co, dado que os mecan|smos |nter-
nos de íunc|onamento das soc|edades ||oe-
ra|s |evam, de modo natura|, à concentração
do poder, o qua|, potenc|a|mente, e a|nda de
modo natura|, se converte em poder po||t|co,
pondo em causa, ou, no m|n|mo, perverten-
do a propr|a democrac|a po||t|ca. Aqu| e |m-
portante que a po||t|ca de pr|vat|zaçoes não
descure a manutenção no poder do Estado
de sectores estrateg|cos da econom|a na to-
ta||dade ou ma|or|a de quotas.
Neste contexto e |ncumoenc|a do Estado cr|-
ar mecan|smos que assegurem uma eíect|va
||oerdade de |ntervenção e part|c|pação de
todos no mercado, |nc|u|ndo o propr|o Esta-
do.
A responsao|||dade do Estado não se coní|-
na a este t|po de |ntervenção; ao Part|do Bo-
c|a||sta co|oca-se o desaí|o de |novar e
|mp|ementar po||t|cas que promovam e sus-
tentem econom|as e mercados |oca|s e reg|-
ona|s, exter|ores ao c|rcu|to e à |og|ca do
mercado g|ooa| de exportação.
A|gumas so|uçoes poss|ve|s passam pe|a
promoção da espec|a||zação de produtos
nac|ona|s de qua||dade em cond|çoes com-
pet|t|vas re|at|vamente a outras econom|as,
cr|ando redes de d|str|ou|ção desses produ-
tos com v|sta a garant|r o seu escoamento
para mercados |oca|s e reg|ona|s e adaptan-
do e coordenando a |nternac|ona||zação des-
ses produtos.
A actua| cr|se í|nance|ra mund|a| demonstrou
que os pa|ses com mercados |nter|ores d|nâ-
m|cos, e que reservam à exportação propor-
çoes menores da sua produção, suportaram
me| hor as consequenc| as negat| vas da
desregu|ação dos mercados. lmporta então
íorta|ecer e d|nam|zar os mercados |oca|s e
reg|ona|s.
A h|stor|a recente demonstrou que nem a v|a
estat|zante, tota||tár|a, nem a v|a de mercado
tota|mente ||vre deíend|do pe|os neo-||oera|s
são a resposta às necess|dades que se co|o-
cam a n|ve| econom|co e soc|a|, não se con-
segu|ndo esoater as des|gua|dades soc|a|s.
A econom|a de mercado soc|a| em que se
|nter||gam e con|ugam os íactores de merca-
do ||vre e de |n|c|at|va pr|vada com um pape|
|nterventor do Estado na produção de r|que-
za e sua d|str|ou|ção devem oa||zar a acção
po||t|ca do Part|do Boc|a||sta e do Ooverno
que de|e emana, na estruturação da v|da eco-
nom|ca e soc|a| do nosso Pa|s.
Ao Part|do Boc|a||sta |mpoe-se a coragem
po||t|ca de deíender o |nvest|mento púo||co
cr|ando empresas púo||cas e m|stas, aoertas
ao cap|ta| pr|vado e cotadas em Bo|sa.
Esta nova po||t|ca de íomento do |nvest|mento
púo||co v|sará assegurar a part|c|pação do
Estado, num |og|ca empresar|a|, em secto-
res oás|cos da Econom|a, promovendo o íun-
c|onamento das |e|s da oíerta e da procura,
em pro| do oem estar soc|a| e da d|m|nu|ção
das des|gua|dades soc|a|s.
Esta or|entação ap||cada a áreas como o
mercado de arrendamento na área da hao|-
tação, agr|cu|tura, saúde e comerc|o, cr|an-
do empresas reg|ona|s e nac|ona|s perm|t|rá
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 33
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
a promoção de um desenvo|v|mento susten-
tado em termos estrutura|s, potenc|adores de
emprego, esoatendo o desequ|||or|o ex|sten-
te no n|ve| de v|da entre os portugueses e os
outros c|dadãos da Ün|ão Europe|a.
Oom este mode|o consegu|remos, tamoem,
atenuar os eíe|tos das cr|ses con|untura|s e
assegurar a d|nam|zação do emprego e das
econom|as |oca|s e reg|ona|s.
Para se consegu|r aumentar o |nvest|mento
púo||co e |mper|osa a redução dos custos de
íunc|onamento dos organ|smos estata|s e na
adm|n|stração |oca|. O despes|smo tem de
ser comoat|do e cont|do. Os gestores de ca-
p| ta| s púo| | cos podem e devem ser
responsao|||zados pe|os seus actos de ges-
tão. É uma med|da necessár|a que tem de
ser assum|da.
É esta v|a que o Part|do Boc|a||sta deve se-
gu|r, |novando, transíormando, recr|ando e
cr| ando novas íormas de assoc| ação e
harmon|zação entre a |n|c|at|va púo||ca e pr|-
vada.
ConcIusões
O Part|do Boc|a||sta em coerenc|a com o seu
patr|mon|o |deo|og|co deve cont|nuar a:
aproíundar os mecan|smos de part|c|pação
democrát|ca e c|v|ca dos portugueses na
Boc|edade, contr|ou|ndo para o reíorço da
O|dadan|a.
promover po||t|cas de desenvo|v|mento eco-
nom|co capazes de comoater eí|cazmente as
des|gua|dades soc|a|s.
|ncent|var o mercado na prossecução de í|ns
como a so||dar|edade soc|a|, a |usta d|str|ou|-
ção da r|queza, o desenvo|v|mento econom|-
co estrutura|, a ||vre part|c|pação dos agen-
tes no mercado.
promover o |nvest|mento púo||co e a part|c|-
pação do Estado no mercado como |nstru-
mentos íundamenta|s do desenvo|v|mento
econom|co equ|||orado e da coesão soc|a|
§ Caoe ao |a/||oo Soc|a||s|a c/|a/ |o/as /o/-
mas oe assoc|açao e |a/mo||zaçao e||/e a
|||c|a||/a o0o||ca e o/|/aoa e mooe/||za/ o ||-
/es||me||o o0o||co em o/o| oo oem es|a/ so-
c|a| oe |ooos os oo/|0ç0eses, |omeaoame|-
|e com a c/|açao oe emo/esas oe cao||a|s
o0o||cos e m|s|os, /ocac|o|aoas oa/a ac|0a/
em a/eas como a |ao||açao, aç/|c0||0/a, sa0-
oe, o|s|/|o0|çao e ||o0s|/|a.
Oorrespondemos, ass|m, às expectat|vas e à
coní|ança depos|tadas pe|os Portugueses no
PAPTlDO BOOlALlBTA.
É esta responsao|||dade que nos move, e este
o nosso í|m.
\l\A O PAPTlDO BOOlALlBTA!
PLO BEOPETAPlADO DA OOMlBBAO POLl-
TlOA OONOELHlA DE LlBBOA
O PPEBlDENTE
MigueI CoeIho
ALGUMAS lDElAS PARA UMA POLlTlCA
TRANSFORMADORA DE DESENVOLVlMENTO SOClAL
MOÇÁO $EC7OR/AL
1. O sent|do desta moção e o de contr|ou|r
para o deoate em torno das po||t|cas soc|a|s,
encarando em con|unto a|gumas de|as e pro-
|ectando-as no íuturo. Não se trata de as ana-
||sar deta|hadamente, nem de concret|zar pro-
postas. Trata-se de va|or|zar a sua con|uga-
ção como íactor suscept|ve| de |hes potenc|ar
a eí|các|a e de c|ar|í|car o seu s|gn|í|cado es-
trateg|co. A moção desdoorar-se-á em vár|-
os top|cos, os pr|me|ros dos qua|s procuram
enquadrá-|a, a|nda que mu|to gener|camen-
te.
2. As ú|t|mas decadas mostraram como era
equ|voco encarar o soc|a||smo como um
mode|o íechado, nac|ona|mente ||m|tado e
tr|outár|o do produt|v|smo, rea||záve| por s|m-
p|es vo|untar|smo estata|. Para|e|amente, o
cap|ta||smo, tendo-se reve|ado uma podero-
sa íorça propu|sora do desenvo|v|mento
tecno|og|co e da cr|ação de r|queza, tornou
ma|s ostens|va a sua íace predator|a, gera-
dora de exc|usão e de |n|ust|ça, agressora do
amo| ente e | nd| íerente aos va| ores do
human|smo.
Mas se a|gumas das trad|çoes soc|a||stas se
reve|aram estere|s, outras há que esperanço-
samente desaorocham carregadas de íutu-
ro, ta|vez ac|catadas pe|a agress|v|dade do
|ado negro do cap|ta||smo. Bão e|as que
re|nventam um hor|zonte soc|a||sta, gerador
de um |nconíorm|smo estrateg|co rad|ca|,
contrár|o a tudo o que na soc|edade e de-
gradação humana, mas suscept|ve| de se
pro|ectar nos d|as de ho|e com rea||smo, de
modo a ter eí|các|a prát|ca |med|ata na reso-
|ução dos proo|emas concretos. Üm hor|zonte
onde se |nscrevam como expressoes v|vas
de cr|at|v|dade soc|a|, quer o mov|mento co-
operat|vo, quer o mov|mento mutua||sta, quer
as d|versas vertentes do assoc|at|v|smo.
Üm hor|zonte soc|a||sta, em suma, que
corresponda ao desenvo|v|mento da demo-
crac|a, à genera||zação da so||dar|edade, à
|nst|tu|ção da |ust|ça, à conqu|sta da ||oerda-
de e da paz, de modo a tornar poss|ve| uma
c|dadan|a comp|eta e genera||zada, reconc|-
||ada com o amo|ente eco|og|co, e que se tra-
duza num exerc|c|o eíect|vo de todos os d|-
re|tos humanos un|versa|mente consagrados.
3. É este o contexto da nossa po||t|ca soc|a|,
que deve ser conceo|da, s|mu|taneamente,
como remed|o para os ma|es ex|stentes e
como íactor de transíormação da soc|eda-
de. Bendo ass|m, em todas as suas verten-
tes deve ser sa|vaguardada, não so a respec-
t|va eí|các|a espec|í|ca, mas tamoem a v|ao|-
||dade da con|ugação dos seus desenvo|v|-
mentos num hor|zonte íuturo, onde serão e|es
propr|os a |magem de uma nova soc|edade.
Ass|m, ao estruturarmos as po||t|cas de pro-
moção de emprego, de comoate à exc|usão,
de segurança soc|a|, de repart|ção do traoa-
|ho e dos rend|mentos, de íormação proí|ss|-
ona|, de educação ao |ongo da v|da, de de-
mocrat|zação da cu|tura e da |níormação,
devemos con|ugar duas preocupaçoes:
conceoe-|as com r|gor e rea||smo e |mag|ná-
|as, em prospect|va, va|or|zando a sua com-
pat|o|||dade, quando pro|ectadas num hor|-
zonte comum.
É que so ass|m, assegurada a pro|ecção
estrateg|ca con|ugada das po||t|cas c|tadas,
se pode est|mu|ar verdade|ramente a espe-
rança e a coní|ança dos povos no íuturo . E
so e|as podem a|udar a perceoer que mu|tos
dos pequenos passos que vão sendo da-
dos, em s| propr|os aparentemente modes-
tos, são o começo de um cam|nho que, en-
carado no seu todo, mu|to ma|s íac||mente
dará coní|ança no íuturo. Em contrapart|da,
se nos ||m|tarmos ao |med|ato de cada po||t|-
ca, de|xando-a íechar-se soore s| propr|a, sem
amo|ção g|ooa||zante, como se íossemos
pr|s|one|ros das soc|edades actua|s, apenas
geraremos cept|c|smo e desân|mo entre os
portugueses, espec|a|mente entre os traoa-
|hadores e entre os exc|u|dos.
4. O modo como tem evo|u|do, em termos
gener|cos, o actua| c|c|o po||t|co, |n|c|ado em
1995 com a v|tor|a e|e|tora| do PB, tem v|ndo
a cr|ar as oases para dar cred|o|||dade a uma
ma|s n|t|da presença da |dent|dade soc|a||sta
no hor|zonte para onde cam|nhamos. O
|nconíorm|smo reve|ado por este Ooverno no
comoate a a|gumas das ma|s marcadas de-
s|gua|dades soc|a|s, oem como a competen-
c|a que ev|denc|ou na |mp|antação de uma
oase econom|ca so||da para uma po||t|ca
púo||ca de so||dar|edade, tornaram poss|ve|
uma amo|ção ma|s g|ooa||zante, no campo
das po||t|cas de desenvo|v|mento soc|a|.
A evo|ução po||t|ca europe|a nos ú|t|mos anos,
marcada por sucess|vas v|tor|as e|e|tora|s de
part|dos da lnternac|ona| Boc|a||sta, como|-
nada com o conteúdo das pos|çoes que o
nosso Part|do tem sustentado na Ün|ão
Europe|a, reíorça aprec|ave|mente a v|ao|||-
dade de uma po||t|ca soc|a| ma|s amo|c|osa
e de or|entação ma|s so||dár|a.
Em contrapart|da, poderemos soírer uma
pesada derrota estrateg|ca, se a esquerda
europe|a de|xar que este c|c|o po||t|co se |n-
verta, sem que cons|ga anu|ar as seque|as
neo-||oera|s, causadas pe|a d|re|ta, no per|o-
do em que deteve c|ara hegemon|a po||t|ca
no p|ano europeu. E se esta oportun|dade íor
desperd|çada, à esca|a europe|a, d|í|c||men-
te se podem esperar oons resu|tados no
âmo|to de cada pa|s. É que |á ho|e, entre nos,
e pouco rea||sta |mag|nar hor|zontes verda-
de|ramente ||oertadores, íazendo econom|a
do contexto europeu. Por |sso, consegu|r que
a l nternac| ona| Boc| a| | sta assuma um
protagon|smo ma|s express|vo e, cada vez
ma|s, um e|emento dec|s|vo para o ex|to das
nossas po||t|cas no quadro nac|ona|.
5. Tudo |sto deve estar presente, quando nos
deoruçamos soore cada um dos aspectos da
po||t|ca soc|a|. No campo da segurança soc|-
a|, a po||t|ca segu|da pe|o actua| governo, para
a|em de |ncorporar o cumpr|mento da respec-
t|va |e|, tem |á no act|vo o íacto de ter aíasta-
do o espectro de um co|apso do s|stema, ten-
do sao|do esvaz|ar o a|arm|smo m|st|í|cador
que se |ns|nuara, d|m|nu|ndo drast|camente
as íraudes e recuperando ooa parte das d|v|-
das.
A reíorma da segurança soc|a|, pautada pe|o
normat|vo const|tuc|ona| a que tem de ooe-
decer, deverá contr|ou|r para dar ao respect|-
vo í|nanc|amento púo||co um novo sent|do,
|nscrevendo-o entre as oor|gaçoes púo||cas
centra| s, com o mesmo grau de
|mperat|v|dade que as outras. É c|aro, que
|sso não s|gn|í|ca d|m|nu|ção da |mportânc|a
da sustentao|||dade econom|ca do s|stema,
nem |mp||ca, por s| so, a mudança dos cr|te-
r|os de aíectação e de angar|ação de rece|-
tas, ou uma outra arrumação nas contas pú-
o||cas do orçamento da segurança soc|a|.
Apenas torna ev|dente que não tem sent|do
ag|tar a ameaça de uma poss|ve| ía|ta de d|-
nhe|ro para pagar as prestaçoes soc|a|s,
exactamente na mesma med|da em que não
tem sent|do ag|tar o espectro da poss|ve| ía|-
ta de d|nhe|ro para íazer íace a outras oor|-
gaçoes púo||cas centra|s, |á que tem de pas-
sar a ser c|aro para todos que, em qua|quer
desses casos, |sso s|gn|í|car|a sempre o co-
|apso do Estado no seu todo. Ora, não se
perí||a no hor|zonte qua|quer r|sco desse de-
sen|ace.
No mesmo sent|do, deve ser sa||entado que
o |ugar que na esca|a das pr|or|dades púo||-
cas caoe às despesas com a segurança so-
c|a| so depende, em ú|t|ma |nstânc|a, da von-
tade popu|ar. Por |sso, se torna |mportante que
o p||ar púo||co do s|stema de segurança so-
c|a| mantenha a sua preponderânc|a actua|,
mantendo-se o p||ar pr|vado |ucrat|vo na po-
s|ção de comp|ementar|dade que tem e pro-
curando-se rest| tu| r gradua| mente às
mutua||dades a |mportânc|a re|at|va que per-
deram . Na verdade, se e percept|ve| o
contr|outo que pode trazer o mutua||smo à
renovação da protecção soc| a| , pe| a
human|zação em que se pode traduz|r e pe|a
mu|t|p||cação de protagon|smos so||dár|os
que |mp||ca, |á a mesma ava||ação se não
pode íazer quanto a uma mudança qua||tat|-
va do pape| das organ|zaçoes |ucrat|vas nes-
ta mater|a. De íacto, a aoo||ção dos cond|c|-
onamentos, que ||m|tam a acção do cap|ta|
í|nance|ro nesta área, poderá ser um e|emen-
to perturoador da marcha das reíormas de-
se| áve| s, | ntroduz| ndo e| ementos
especu|at|vos de d|í|c|| contro|e, produtores
de |ncerteza, num sector onde se |oga a qua-
||dade de v|da de m||hoes de portugueses.
Ta| como actua|mente acontece, a todos deve
ser dada a ||oerdade de garant|rem comp|e-
mentos de reíorma e outras íormas de reíor-
ço da protecção soc|a|, recorrendo a organ|-
zaçoes pr|vadas |ucrat|vas ou segu|ndo a v|a
mutua||sta, nada havendo a opor ao seu
encora|amento í|sca|. Mas o que de modo
nenhum se pode consent|r e que as esco-
ACÇÃO SOClALlSTA 34 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
|has estruturantes a íazer, quanto à reíorma
da segurança soc|a|, se|am cond|c|onados
pe|os |nteresses de grupos í|nance|ros pr|va-
dos.
6. Bão conhec|das as med|das usua|s de
comoate ao desemprego, sendo pos|t|vos os
resu|tados oot|dos nesse campo pe|o gover-
no soc|a||sta. lsso não s|gn|í|ca que não se|a
út|| d|scut|r essa proo|emát|ca.
Torna-se cada vez ma|s ev|dente que o cres-
c|mento econom|co, que ev|dentemente e
dese|áve|, não consegu|rá, por s| so, reduz|r
s|gn|í|cat|va e sustentadamente o desempre-
go. Por |sso, conc|ta uma concordânc|a cada
vez ma|s genera||zada a |de|a de que para
esse oo|ect|vo e tamoem |nd|spensáve| recor-
rer à redução do tempo de traoa|ho. Üma re-
dução que se não coníunde com uma repar-
t|ção do desemprego, com uma aposta num
dua||smo soc|a| pena||zador do mundo do tra-
oa|ho, mas tem de s|gn|í|car uma extensão
da c|dadan|a pe|o |nconíorm|smo em íace do
desemprego. Por |sso, a redução do tempo
de traoa|ho, para a|em de poder ser um íac-
tor de travagem do desemprego, deve ser va-
|or|zada em s| propr|a, como v|a para uma
soc|edade íutura, em que o traoa|ho se|a re-
part|do, no quadro de uma |usta repart|ção
dos rend|mentos entre todos os c|dadãos,
desse modo se ext|ngu|ndo estrutura|mente
o desemprego como íactor de exc|usão e de
dua||smo soc|a|.
Tendo este hor|zonte como contexto, perce-
oe-se que se sustente que os custos da redu-
ção gradua| do tempo de traoa|ho devam ser
suportados equ|||oradamente pe|o Estado,
pe|as empresas e pe|os propr|os traoa|hado-
res. Oomo oa||zas que ass|na|em os pontos
de equ|||or|o: no caso do Estado, há que
compat|o|||zar a escassez de recursos com a
mu|t|p||c|dade de oo|ect|vos que |he são pro-
pr|os; no caso das empresas, tem de se asse-
gurar que não serão postas em causa , nem a
sua compet|t|v|dade no curto prazo, nem a sua
peren|dade, a med|o e |ongo prazo; no caso
dos traoa|hadores, tem de se ter em conta o
seu oa|xo n|ve| sa|ar|a|, pe|o que num pr|me|ro
momento, e ate se at|ng|rem patamares sa|a-
r|a|s ma|s e|evados, tudo terá de ser vo|untár|o
e s|nd|ca|mente negoc|ado.
7. O rend|mento m|n|mo, |ançado pe|o actua|
governo, e um esco|ha p|ena de human|smo,
uma man|íestação concreta de uma so||dar|-
edade |med|ata, uma opção |usta e um s|na|
estrateg|co da ma|or |mportânc|a.
Bem menosprezo por outros aspectos, o que
ne|e e ma|s íuturante e a |og|ca de um rend|-
mento m|n|mo de c|dadan|a que corresponde
a um eíect|vo d|re|to de |ntegração soc|a| e
c|v|ca . Üma |og|ca aoerta à |de|a de que cada
homem pe|o íacto de nascer tem d|re|to a que
|he se|a assegurado um n|ve| de v|da cond|g-
no, tão a|to quanto o perm|ta a r|queza e a
produt| v| dade g| ooa| s, oem como a
reprodut|o|||dade do actua| s|stema econom|-
co-soc|a|.
Desse modo se cam|nhar|a para uma soc|e-
dade em que o traoa|ho e o rend|mento íos-
sem repart|dos, de modo a que as d|íeren-
ças e os mer|tos |nd|v|dua|s se repercut|ssem
no p|ano dos rend|mentos, sem por em cau-
sa a garant|a de uma oase a todos assegura-
da. Neste contexto, pe|a propr|a natureza das
co|sas, os proo|emas da exc|usão soc|a|, do
desemprego e da protecção soc|a| à terce|ra
|dade, estar|am reduz|dos a d|mensoes ho|e
|n|mag|náve|s.
A d|stânc|a que nos separa de um hor|zonte
deste t|po e natura|mente grande, mas a nos-
sa |dent|dade soc|a||sta tem de recuperar a
capac|dade de |mag|nação do íuturo.
8. Essa |mag|nação mostra-nos , a||ás, um
hor|zonte ma|s amp|o. De íacto, uma soc|e-
dade desse t|po |mp||car|a necessar|amente
que o encurtamento do tempo de traoa|ho se
art|cu|asse com o aumento do tempo de |azer.
Ora, este aumento, por s| so, ex|g|rá um enor-
me desenvo|v|mento da educação, da pro-
dução e da an|mação cu|tura|s, dos me|os
de comun|cação e de |níormação.
Educação, |níormação e cu|tura são, eíect|-
vamente, cond|çoes |nd|spensáve|s para o
aumento de produt|v|dade, necessár|o à
v|ao|||zação dessa soc|edade, mas são tam-
oem e|ementos estruturantes de uma ocupa-
ção grat|í|cante e qua||í|cadora dos tempos
||vres. Ass|m, o desenvo|v|mento nos campos
da educação, da c|enc|a, da cu|tura e da |n-
íormação, não e um ornamento do hor|zonte
que atrás se de||neou, e um dos seus e|emen-
tos const|tut|vos.
De íacto, a |og|ca da educação ao |ongo da
v|da ganha um sent|do ma|s íundo se a art|-
cu|armos com o pr|nc|p|o da repart|ção do
traoa|ho, estaoe|ecendo-se entre amoos uma
esp|ra| v|rtuosa. A educação e a íormação vão
potenc|ando a qua||dade do traoa|ho nos c|-
c|os suosequentes e, por sua vez, a como|-
nação de per|odos |aoora|s com per|odos
de íormação dá-|he mu|to ma|s eí|các|a.
Por seu |ado, a democrat|zação da cu|tura,
em todas as suas vertentes, tende a ser cada
vez ma|s um vector de c|dadan|a sem o qua|
se não reíorça, como e |nd|spensáve|, a at|-
tude cr|t|ca das pessoas e dos povos, a qua|
por sua vez e um pressuposto |ncontornáve|,
para o p|eno aprove|tamento das v|rtua||dades
que |ntegram a soc|edade de |níormação. Na
verdade, deve va|or|zar-se a necess|dade de
democrat|zar as capac|dades cr|t|cas dos po-
vos, não so pe|o que |sso tem de pos|t|vo em
s| propr|o, mas tamoem como oostácu|o ao
surg|mento de novas íormas de exc|usão,
traduz|das na d|íusão soc|a| da |ncapac|da-
de para perceoer e aprove|tar a |níormação
receo|da.
9. Os cam|nhos percorr|dos por todas estas
po||t|cas pro|ectam-se num hor|zonte íuturo que
potenc|a e c|ar|í|ca o sent|do e o s|gn|í|cado de
todas e|as. Mas todas e|as dependem de uma
í|rme, |nte||gente e cont|nuada vontade púo||ca,
sucess|vamente capaz de conqu|star os apo|-
os soc|a|s que |he perm|tam manter esse rumo.
Por |sso, de|xar que em qua|quer destas áreas
se atenue o protagon|smo púo||co, para coní|-
ar em h|potet|cos automat|smos econom|cos
|mpu|s|onados pe|a |og|ca do |ucro, e cond|c|o-
nados por |nteresse part||hados por um reduz|-
do número de ent|dades, so pode d|í|cu|tar qua|-
quer estrateg|a para reso|ver os proo|emas com
que as soc|edades actua|s se deoatem numa
perspect|va soc|a||sta. Por |sso, o Estado tem
de cont|nuar aqu| a ser c|aramente hegemon|co,
mantendo em suas mãos í|rmemente o |eme
do desenvo|v|mento, reíorçando a sua capac|-
dade regu|adora e con|ugando ag||mente as
suas po||t|cas no quadro de uma prospect|va
ousada e cr|at|va.
Rui Namorado (Oom. Po||t. da Fed.de
Oo|mora, Deputado AP).
Nuno FiIipe (Oom. Po||t. da Fed. de
Oo|mora).
J. L. Pio de Abreu (Oom. Po||t. Oonce|h|a
de Oo|mora ).
Fernanda Campos (Becret.da Becção dos
O||va|s -Oo|mora ).
Margarida Antunes (Becção de Educação
Oo|mora ).
José Gama (Bec.-Ooordenador da Bec. de
Educação Oo|mora ).
JúIio Mota (Pres da AO da Bec. Educ. e
Dep. Mun|c|pa|- Oo|mora ).
António Fonseca Ferreira (Becção do
Lum|ar L|sooa ).
Jorge Strecht Ribeiro (Oom|ssão Nac|ona|,
Deputado AP ).
AIberto Martins (Oom. Po||t|ca Nac|ona|,
Deputado AP) .
MOÇÁO $EC7OR/AL
POR UM NOVO HUMANlSMO NOS SECTORES
ECONÓMlCOS E NAS EMPRESAS
Os m|||tantes das secçoes de Acção Bector|a|
propoem ao Oongresso uma reí|exão soore
o seu pape| na v|da do part|do e na soc|eda-
de portuguesa.
No passado í|zemos um comoate íundamen-
ta| para pe|as ||oerdades no p|ura|. Oonso||-
dada a Democrac|a, mu|tos pensam que o
seu pape| se secundar|zou e há mesmo de-
se|e ext|ntas estas estruturas de m|||tânc|a,
cons|deradas um do PPEO, ou p|or, íormas
de ·|oooy|ng· para í|ns ego|stas.
Pro|ecta-se, ass|m, na nossa v|da |nterna a
||nha de ||nha de pensamento de cu|tura
ant|democrát|ca da d|re|ta rad|ca| que, com
sucesso, acentuou na soc|edade portugue-
sa a |de|a de que todos os ma|es da v|da mo-
derna, |nsegurança, corrupção, desemprego,
pooreza e v|o|enc|a, exc|usão e soír|mento
humano rad|cam nos v|c|os dos part|dos
po||t|cos, ta| como os rad|ca|s de esquerda
est|gmat|zam a ||oerdade de mercado, a act|-
v|dade econom|ca e part|cu|armente os
gestores e empresár|os. Oompete aos soc|a-
||stas a cont|nuação do seu pape| h|stor|co,
como reíormadores do s|stema po||t|co eco-
nom|co e soc|a| na procura do |usto equ|||-
or|o.
Bendo esta responsao|||dade íundamenta| de
todos os Boc|a||stas, os m|||tantes das Bec-
çoes de Acção Bector|a| estão para e|a
vocac|onados.
Não há separação poss|ve| entre a respon-
sao|||dade po||t|ca e a gest|onár|a pe|o que o
m|to da tecnocrac|a chegou ao í|m, oaseado
num novo pensamento ún|co, o ||oera||smo,
apropr|aram-se do poder serv|ndo-se |nd|íe-
rentemente da esquerda ou de d|re|ta, m|stu-
rando num mesmo reg|sto os conhec|men-
tos tecn|cos como um í|m e não como um
me|o, e a deí|n|ção dos proo|emas po||t|cos.
Para os soc|a||stas a oase do poder res|de
na e|e|ção em torno de um pro|ecto, que as
mudanças soc|oeconom|cas tornaram ma|s
comp| exo, da| que a coní| ança na
concret|zação de me|hor|as sustentadas e
rea||stas se|a cada vez ma|s depos|tada nos
part|dos soc|a||stas europeus.
Nas soc|edades contemporâneas de Estado
repartem-se e |nter||gam-se com a |n|c|at|va
dos c|dadãos e das |nst|tu|çoes, pe|a v|a do
d| á| ogo com comprom| ssos e
descentra| | zação das dec| soes, sem
paterna||smos econom|co-soc|a|s e sem |n-
d|íerença íace às des|gua|dades.
A emergenc|a de uma grande c|asse med|a
com crescentes ex|genc|as de consumo e
coníorto, íaz representar o pape| do po||t|co
portador de ·Esperança· em todas as íren-
tes de dec|são, representação e deoate, sem
aod|car dos oo|ect|vos e grandes pr|nc|p|os
de sempre, de |ust|ça e |gua|dade de oportu-
n|dades.
O p|ura||smo não pode ser |ncompat|ve| com
a a|ternânc|a, da| que tenhamos o dever de
amo|c|onar part|c|par em todas as írentes de
acção po| | t| ca que contr| ouam para a
concret|zação do nosso pro|ecto, temos essa
responsao|||dade, pe|o que, cada vez que |n-
vest|mos em íunçoes po||t|cas um soc|a||sta
tecn|camente competente, assum|mos dup|a
responsao|||dade perante o nosso pro|ecto e
o Pa|s.
Linhas de orientação dos miIitantes
das Secções de Acção SectoriaI
l. As secçoes de acção sector|a| são sedes se
deoate po||t|co, de saoeres e e|aooração de
estrateg|as para o desenvo|v|mento sustentá-
ve| e so||do em que os soc|a||stas traoa|ham
com o í|m ú|t|mo de equ|||orar o desenvo|v|-
mento econom|cos com o desenvo|v|mento
humano.
ll. Bem |ngerenc|as nos actos |eg|t|mos de
gestão ou deí|n|ção das po||t|cas sector|a|s,
não podemos ser | nd| íerentes às
consequenc|as soc|a|s, econom|cas e po||t|-
cas dos mesmos.
lll. O extraord|nár|o deí|ce de part|c|pação dos
traoa|hadores na empresa, cu|o acesso cont|-
nua vedado aos s|nd|catos, tem acentuado o
autor|tar|smo das dec|soes, correndo r|sco, o
mode|o para o qua| tantos gestores soc|a||s-
tas contr|ou|ram para |mp|ementar nas empre-
sas púo||cas, pe|o que, apo|aremos os s|nd|-
catos no sent|do de |evar à empresa o d|á|ogo
soc|a|, e um novo mode|o de re|açoes |aoora|s
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 35
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
e de representação dos |nteresses das comu-
n|dades de traoa|ho.
l \. Os m|||tantes das Becçoes de acção
Bector|a| apo|am a Acção governat|va, d|vu|-
gam onde e ma|s rap|damente ass|m||ada a
|níormação correcta das dec|soes tomadas
pe|os seus camaradas no Ooverno, na produ-
ção |eg|s|at|va, na adm|n|stração e em todas
as írentes de representação po||t|ca.
\. Apo|aremos os nossos gestores, contr|ou-
|ndo para que a ma|or|a dos traoa|hadores as-
suma com conhec|mento e sent|do de perten-
ça e part||ha das responsao|||dades o desaí|o
da compet|t|v|dade que passa por uma |níor-
mação e consu|ta aos traoa|hadores soore a
s|tuação econom|ca e í|nance|ra, a gestão
prov|s|ona| do emprego e das dec|soes que
possam conduz|r as mudanças suostanc|a|s
da organ|zação de traoa|ho e das re|açoes
contratua|s.
\l. Os m|||tantes das Becçoes de Acção
Bector|a| apo|arão os esíorços de íormação
de |n|c|at|va púo||ca ou pr|vada rea|mente
qua||í|cantes dos recursos humanos, nos sec-
tores.
\ll. As Becçoes de Acção Bector|a| serão es-
truturas de deoate aoertas à soc|edade, aos
tecn|cos e |ndependentes que connosco que|-
ram reí|ect|r soore os proo|emas soc|a|s co-
muns e espec|í|cos dos grandes sectores e
tamoem das PME.
\lll. Os grandes desaí|os de construção
sector|a| pe|a v|a da negoc|ação co|ect|va ou
auto-organ|zação ou assoc|ação de so|uçoes
de comp|ementar|dade de Begurança Boc|a|,
adequadas a cada caso, terão o nosso
empenhamento pr|or|tár|o, sem por em causa
a responsao|||dade do Estado nem o pape|
|nsuost|tu|ve| da Begurança Boc|a| na constru-
ção da so||dar|edade.
lX. Os proo|emas do desemprego, do traoa-
|ho c|andest|no, da s|n|stra||dade no traoa|ho,
da escassa qua||í|cação e íormação |nsuí|c|-
ente dos act|vos, da |nserção dos |ovens, da
d|scr|m|nação sa|ar|a| e de carre|ra entre os
sexos e da ausenc| a de so| | dar| edade
gerac|ona| traoa|hadores |ovens /e/s0s |do-
sos tem a nossa estre| ta v| g| | ânc| a e
empenhamento no sent|do de contr|ou|r para
um novo human|smo das re|açoes soc|a|s.
X. Apo|aremos as |n|c|at|vas de TBB para uma
part|c|pação na act|v|dade dos sectores, nas
com|ssoes de saúde, h|g|ene segurança e
amo|ente o |oca| de traoa|ho, e de representa-
ção dos |nteresses gera|s dos traoa|hadores
por conta de outrem.
Ass|m propomo-nos rea||zar:
a) B|-anua|mente um Forum de deoate de as-
pectos soc|oeconom|cos rac|ona|s e comun|-
tár|os comuns e g|ooa|s com v|sta a encontrar
estrateg|a de desenvo|v|mento so||dár|o e sus-
tentáve|, com a part|c|pação de lndependen-
tes e a co|aooração das un|vers|dades.
o) Pea||zarmos com o apo|o de TBB encon-
tros temát|cos que íorta|ecem a acção s|nd|-
ca| e aumentem a nossa part|c|pação e
empenhamento soc|a|.
c) Em co|aooração com os mov|mentos soc|-
a|s mutua||dades, assoc|açoes c|v|cas, un|ver-
s|dades e outros daremos comoate à exc|u-
são ao rac|smo e à |nd|íerença, dando a estas
organ|zaçoes que se dese|am |ndependentes,
s|gn|í|cat|va m|||tânc|a.
d) Oo|aooraremos para deoater e |mp|ementar
med|das de gestão e soc|a|s na adm|n|stra-
ção puo||ca centra| e |oca| com v|sta á me|hor|a
das cond|çoes de v|da e traoa|ho part|cu|ar-
mente das zonas uroanas, degradadas ou
per|íer|cas.
e) Oada sector organ|zará, anua|mente a sua
reun|ão gera|, comoate nos pr|nc|pa|s estatu-
tos e regu|amentos de part|c|pação a aprovar
pe|os orgãos competentes do Part|do (Fede-
raçoes e Becretar|ado Nac|ona|) em íunção da
sua amp||tude.
Ooní|antes no íuturo do PB, revemo-nos nas
suas rea||zaçoes de que queremos ser parte
act|va nos exactos termos e pr|nc|p|os que nos
propomos a este Oongresso.
Orgu|hamo-nos do prest|g|o europeu do nos-
so pr|me|ro-m|n|stro e nas rea||zaçoes dos
nossos camaradas no Ooverno. Os soc|a||s-
tas são a esperança de um íuturo me|hor para
quem traoa|ha mas, no |oca| de traoa|ho o rosto
dessa esperança, que sem demagog|as ou
enganos temos a conv|cção e a amo|ção |eg|-
t|ma de rea||zar, somos tamoem nos os m|||-
tantes de oase. Oom o nosso traoa|ho conv|c-
ção e testemunho contr| ou| mos para
cred|o|||zar o PB nas comun|dades de traoa-
|ho.
As nossas propostas a este Oongresso tem a
í|na||dade de que este reconheça e enquadre
a nossa acção po||t|ca na modern|zação e
aoertura á soc|edade do PB que todos dese-
|amos, recuperando e conqu|stando para ac-
t|v|dade po||t|ca os c|dadãos act|vos e so||dá-
r|os d|spon|ve|s para enr|quecer a |á noore e
generosa tareía de ser c|dadão e m|||tante do
PB no mundo do traoa|ho.
Secções de Acção SectoriaI da FAUL
MOÇÁO $EC7OR/AL
OS SOClALlSTAS E O TURlSMO
- DO SÉC. XX PARA O SÉC. XXl -
Aíastados ma|s de duas dezenas de anos da
área governamenta| do Tur|smo em Portuga|,
o PB, o Ooverno da Nova Ma|or|a, o Orupo
Par|amentar Boc|a||sta e os Boc|a||stas dos
Orgãos Loca|s e Peg|ona|s de Tur|smo íazem
destes cerca de 3 anos de acção governat|va
um oa|anço c|aro e |nequ|vocamente pos|t|-
vo.
Üm sector como o do tur| smo, cu| a
hor|zonta||dade |ntersector|a| e reconhec|da,
encontrava, em 1995, sens|ve|s íracturas e um
ma| estar crescente em amp|as áreas da ac-
t|v|dade tur|st|ca.
De 1995 a 1999 mu|to se íez.
Be recordarmos o Man|íesto E|e|tora| do PB e
o Programa do Ooverno íac||mente constata-
mos que prat|camente todos os comprom|s-
sos e|e|tora|s íoram cumpr|dos e que, na|guns
casos, íoram mesmo u|trapassados.
Emo|emát|ca, porque promessa pre-e|e|tora|
do Becretár|o Oera| ío| a redução do l\A na
restauração de 17% para 12% repondo as-
s|m, com |ust|ça, uma s|tuação que o Oover-
no do PBD t| nha | n| ust| í| cada e
pena||zadoramente cr|ado ao deo|||tado mas
|mportante sector da restauração.
Mas |mporta a|nda recordar a reso|ução de
a|guns graves proo|emas herdados do pas-
sado como os casos Torra|ta e Orão Pará,
para c|tarmos apenas os ma|s conhec|dos.
Em d|á|ogo mas com r|gor, em transparenc|a
mas com determ|nação, o PB, o seu Oover-
no e o seu Orupo Par|amentar souoeram u|-
trapassar a|gumas turou|enc|as e no curto
espaço de 3 anos, produz|r e |mp|ementar
|eg|s|ação v|ta| para o sector de que desta-
camos:
- A cr|ação do PPOPEBT, - Apo|o à Modern|-
zação e Pequa||í|cação da Pestauração;
- Nova Le| orgân|ca da D|recção Oera| de Tu-
r|smo;
- lmp|ementação e deí|n|ção de novas Areas
Promoc|ona|s;
- Novo Ouadro de Apo|o ao F|nanc|amento
Tur|st|co;
- A puo||cação do PlTEP Pro|ectos lntegra-
dos Tur|st|cos Estruturantes de Base Peg|o-
na|;
- Or|ação de novas Esco|as de Formação Pro-
í|ss|ona|;
- Nova Le| das Agenc|as de \|agens;
- Programa Nac|ona| de Tur|smo da Nature-
za;
- Programa de lnvest|mento do Tur|smo Ou|-
tura|;
- Programa de D|nam|zação das Act|v|dades
Tur|st|cas, desde |á dotado com 4 m||hoes de
contas para enírentar o Pos-EXPO'98;
- Or|ação do Ooservator|o e Oonse|ho Nac|o-
na| de Tur|smo;
- P|ano Estrateg|co para o Mercado lnterno
A|argado aorangendo Espanha;
- Enquadramento Jur|d|co dos Equ|pamentos
Tur|st|cos, da Pestauração, do Espaço Pura|,
dos Parques de Oamp|smo.
- Leg|s|ação íortemente deíensora dos d|re|-
tos dos consum|dores reíerente ao D|re|to
Pea| de Hao|tação Tur|st|ca.
- Descentra||zação de a|guns poderes para a
Peg|ão de Tur|smo do A|garve.
- Le| que a v|ao|||zou a entrada da Ooníedera-
ção do Tur|smo Portugues no Oonse|ho Eco-
nom|co e Boc|a|.
Tamoem na área do Tur|smo Juven|| e do Tu-
r|smo da 3ª ldade, me|hor d|zendo, do Tur|s-
mo da Me|hor ldade, os soc|a||stas desen-
vo|veram em proíunda art|cu|ação sector|a|
um traoa|ho que se traduz|u numa reíorçada
me|hor|a de |níraestruturas de aco|h|mento
e de um mu|to ma|or número de Portugue-
ses a íazer íer|as íora do seu |oca| de hao|-
tação.
De íacto, em 1998 e pe|a pr|me|ra vez, ma|s
de 3 m||hoes de Portugueses exerceram o seu
d|re|to às íer|as e ao |azer íora do seu |oca|
hao|tua| de res|denc|a.
Fazer com que cada vez ma|s portugueses
possam íazer íer|as e usuíruam do seu
|na||enáve| d|re|to ao |azer e|s um c|aro oo|ec-
t|vo de |ust|ça soc|a| dos Boc|a||stas para o
Tur|smo do Bec. XXl.
Act|v|dade econom|ca e soc|a| íundamenta|
para um desenvo|v|mento sustentáve|, o Tur|s-
mo tem nos va|ores soc|a||stas p||ares íunda-
menta|s:
- O |ntercâmo|o de cu|turas e aoertura ao mun-
do e a novas exper|enc|as;
- Ma|s tempo ||vre, menos horas de traoa|ho e
ma|s rend|mentos d|spon|ve|s nas íam|||as;
- A sa|vaguarda do patr|mon|o h|stor|co, cu|tu-
ra| e amo|enta|, oase estrateg|ca para o de-
senvo|v|mento do Pa|s e do seu tur|smo.
- Me|hor|a das |níraestruturas tur|st|cas das
zonas tur| st| cas ma| s desenvo| v| das
opt|m|zando o esíorço con|unto de autarcas,
empresár|os, traoa|hadores e assoc|açoes da
soc|edade c|v||;
- Nova Le| Ouadro das Peg|oes de Tur|smo
com novas, reíorçadas e descentra||zadas
competenc|as, novos me|os de í|nanc|amen-
to e novo |mpu|so agregador dos espaços re-
g|ona|s, apo|ando os produtos tur|st|cos reg|-
ona|s cu|a d|íerenc|ação e promoção e |mpor-
tante e v|ta| para o desenvo|v|mento equ|||ora-
do do Pa|s;
- Poss|o|||tar e apo|ar |n|c|at|vas que perm|tam
que cada vez ma|s |ovens tenham acesso aos
produtos tur|st|cos nac|ona|s e estrange|ros,
oem ass|m como a um mercado de emprego
ma|s estáve| e duradouro no sector do Tur|s-
mo.
- Peíorçar o pape| do tur|smo sen|or por íor-
ma a que aque|es que durante toda uma v|da
deram atraves do seu traoa|ho o me|hor que
pod|am ao Pa|s, possam agora tamoem usu-
íru|r do Tur|smo, das suas |níraestruturas e do
|azer, contr|ou|ndo tamoem desta íorma para
atenuar o proo| ema ma| s g| ooa| da
Banzonao|||dade Tur|st|ca.
- E|aooração de uma Le| de Bases da Act|v|-
dade Tur|st|ca.
- Orescente autonom|a do sector da Promo-
ção Tur|st|ca dentro do Ouadro lnst|tuc|ona| em
que está |nser|do.
- Peíorço do sector do Tur|smo no lll Ouadro
Oomun|tár|o de Apo|o cruzando o pr|nc|p|o da
d|scr|m|nação pos|t|va de desenvo|v|mento de
zonas do |nter|or com o reapetrechamento de
|níraestruturas tur|st|cas em zonas ma|s de-
senvo|v|das, nomeadamente no ||tora|.
- Acentuar o carácter hor|zonta| de |mportân-
c|a cap|ta| para o Tur|smo do sector do Trans-
porte Aereo e Aeroportuár|o.
Para os soc|a||stas o tur|smo está ao serv|ço
das pessoas e e a pensar nas pessoas que os
soc|a||stas desenvo|vem e cont|nuarão a de-
senvo|ver a sua po||t|ca so||dár|a de tur|smo
no Bec. XXl.
1998 ío| um ano |mpar no Pa|s e, part|cu|ar-
mente no sector do Tur|smo.
Oomo d|sse o nosso camarada Becretár|o
Oera| e Pr|me|ro M|n|stro, Anton|o Outerres:
¯ O e·||o oa F\|O |ao e 0ma so/|e. / Voeoa
L||ca |ao aco||ece0 oo/ acaso. O |osso c/es-
c|me||o eco|om|co |ao e 0m m||aç/e. 70oo
/0s||/|ca q0e |e||amos ma|s o/ç0||o em |os
o/oo/|os. O0e oese|/o|/amos a |ossa
a0|oes||ma e a |ossa co|/|a|ça |o /0|0/o´.
É com esta redoorada coní|ança no íuturo que
os Boc|a||stas encaram o tur|smo do Bec. XXl.
Buoscr|tor
CarIos Beja
ACÇÃO SOClALlSTA 36 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
PARA UMA POLlTlCA
DE DESENVOLVlMENTO COOPERATlVO
1. As ||nhas estruturantes da po||t|ca coope-
rat|va que constam do programa e|e|tora| do
PB mantem natura|mente p|ena va||dade. No
íundo e|as expr|mem uma í|rme vontade po||-
t|ca de por em prát|ca o essenc|a| das d|rec-
tr|zes que, em termos gera|s, resu|tam da
nossa Oonst|tu|ção.
Boo o actua| governo soc|a||sta, ío| n|t|do o
|ncremento do apo|o às cooperat|vas, mere-
cendo destaque a entrada em v|gor de um
novo Ood|go Oooperat|vo e a recente puo||-
cação de um Estatuto F|sca| das Oooperat|-
vas, que pe|a pr|me|ra vez encarou o sector
cooperat|vo, em termos í|sca|s, numa pers-
pect|va g|ooa| e ma|s íavoráve|, em razão da
sua espec|í|c|dade.
Bem pre|u|zo do oa|anço pos|t|vo da po||t|ca
cooperat|va que tem v|ndo a ser posta em
prát|ca desde 1995, devem ser sa||entadas
a|gumas pr|or|dades no cam|nho que se está
a percorrer. Procurando chamar a atenção
para o essenc|a|, suo||nham-se as segu|ntes
como as ma|s |mportantes:
a) - tomar as med|das necessár|as para |n-
c|u|r a temát|ca cooperat|va nos curr|cu|os dos
ens|nos oás|co e secundár|o;
o ) - promover programas de apo|o ao de-
senvo|v|mento dos estudos cooperat|vos no
ens|no super|or, oem como à |nvest|gação
soore o íenomeno cooperat|vo;
c ) - va|or|zar ma|s s|stemat|camente as coo-
perat|vas nos processos de desenvo|v|men-
to |oca|;
d ) - atr|ou|r ma|or re|evo à part|c|pação das
cooperat|vas em pro|ectos de desenvo|v|men-
to reg|ona|;
e ) - cr|ar as cond|çoes necessár|as para en-
vo|ver ma|s as cooperat|vas no desenvo|v|-
mento rura| e na requa||í|cação uroana;
í ) - co|matar a |acuna ex|stente no sector
cooperat|vo portugues que se traduz na au-
senc|a de um ramo de cred|to não-agr|co|a.
2. O mov|mento cooperat|vo mund|a| e um
dos exemp| os ma| s cons| stentes da
g|ooa||zação emanc|pator|a, pe|o que não
podem ser menosprezadas as suas
v|rtua||dades na res|stenc|a aos aspectos ma|s
negat|vos da g|ooa||zação. Oom a íorça das
suas centenas de m||hares de cooperadores
tem-se reve|ado um íactor re|evante em |nú-
meros processos de desenvo|v|mento.
No que d|z respe|to ao nosso pa|s, as coope-
rat|vas cont|nuam a desempenhar um pape|
de pr|me|ro p|ano na produção agr|co|a, dão
um contr|outo aprec|áve| na promoção da
hao|tação econom|ca, part|c|pam act|vamente
na deíesa dos consum|dores, desempenham
um re|evante traoa|ho cu|tura|, estão presen-
tes em d|versos sectores dos serv|ços, |nter-
vem no campo da so||dar|edade soc|a|,
pos|c|onando-se com destaque crescente na
deíesa do amo|ente.
Para a|em d|sso, o cooperat|v|smo tem ra|zes
em comum com o soc|a||smo, traduz|ndo-se
a prát|ca cooperat|va numa v|venc|a demo-
crát|ca rad|cada na a|uda mútua, aoerta à
so||dar|edade e à |ust|ça, c|osa da sua auto-
nom|a, mas proíundamente envo|v|da nos
proo|emas da comun|dade. Parece, por |sso,
d|í|c|| de compreender que o Part|do Boc|a-
||sta não va|or|ze de uma mane|ra ma|s s|ste-
mát|ca e ma|s dec|d|da o desenvo|v|mento co-
operat|vo.
Oomo |mpu|so |n|c|a| dest|nado a romper com
essa re|at|va |nerc|a apresentamos as duas
propostas concretas que a segu|r se íormu-
|am :
l) Oomo me|o de reíorço da capac|dade de
|ntervenção dos soc|a||stas neste terreno, a
pr|me|ra proposta tem como oo|ecto a rean|-
mação da Fundação Azedo Oneco, que,
como se saoe, ío| const|tu|da com o oo|ect|-
vo de apo|ar o traoa|ho dos soc|a||stas nas
cooperat|vas, tendo entretanto ca|do na |nac-
t|v|dade.
ll) Em segundo |ugar, recomenda-se à d|rec-
ção do Part|do que apo|e as |n|c|at|vas con-
s|stentes, promov|das por soc|a||stas reco-
nhec|damente empenhados no mov|mento
cooperat|vo, tendentes à const|tu|ção de uma
estrutura assoc|at|va nac|ona| de quadros
soc|a||stas, ||gados ao mov|mento cooperat|-
vo, à qua| deve ser conced|do um estatuto
espec|a| de ||gação ao Part|do Boc|a||sta, que
corresponda aos oo|ect|vos e ao t|po de act|-
v|dade que est|verem em causa.
Rui Namorado (Oom. Po||t. Fed. Oo|mora,
Deputado AP).
JoeI Hasse Ferreira (Oom. Po||t. Fed.
Betúoa|, Deputado AP).
António Martinho (Pres|dente da Fed. \||a
Pea|, Deputado AP).
PauIo Neves (Oom. Po||t. Fed.do A|garve,
Deputado AP).
Victor Moura (Oom. Po||t. Fed. Ouarda,
Deputado AP).
António Cândido AIves (Oom. Po||t. Fed.
Oo|mora, Pres. E|e|to OPOonc. da F|g. Foz).
GuiIherme ViIaverde (Becção da Benhora
da Hora, Pres|d. da FENAOHE).
João Simões (Becção do BPA-L|sooa,
Pres|d. da OOOPBANOAPlOB).
José da Cruz Costa (\|ce-Pres|d. da
OPOonc.. de Ave|ro, \ereador da
O.M.Ave|ro).
MOÇÁO $EC7OR/AL
MOÇÁO $EC7OR/AL
QUEREMOS O PS POR DENTRO DAS COMUNlCAÇÕES
Em pr|me|ro |ugar congratu|amo-nos e pre-
tendemos saudar com certa emoção o re-
gresso aos Oongressos Nac|ona|s, o que
demonstra |nequ|vocamente à Boc|edade que
o Part|do Boc|a||sta e um Part|do aoerto, mo-
derno e que prat|ca os pr|nc|p|os democrát|-
cos mesmo no seu |nter|or.
Em segundo |ugar entendemos ser mot|vo de
grande sat|síação, ao rea||zar-se o Xl OON-
OPEBBO NAOlONAL do PAPTlDO, o Oover-
no de POPTÜOAL ser const|tu|do por Boc|a-
||stas e ser d|r|g|do por um 1' M|n|stro que se
chama ANTONlO OÜTEPPEB, um Homem
que |á deu aos Portugueses provas oastan-
tes de competenc|a, determ|nação, coragem,
honest|dade e human|smo.
Todos os M|||tantes do PB devem |gua|mente
sent|rem-se orgu|hosos porque o BP. PPEBl-
DENTE DA PEPÚBLl OA DP. JOPOE
BAMPAlO com grande d|gn|dade e coeren-
c|a, por vontade propr|a, dec|d|u cont|nuar
M|||tante do Part|do não oostante ter ocupa-
do as |mportantes íunçoes de ser o Pres|dente
de todos os Portugueses.
Ao apresentarmos esta Moção a todos os
Boc|a||stas neste Oongresso, espec|í|camente
àque|es que estão |ntegrados no Bector das
Oomun|caçoes temos períe|ta consc|enc|a e
conhec|mento dos padroes e va|ores que
norte|am e sempre nortearam o Part|do Boc|-
a||sta e que constam na sua Dec|aração de
Pr|nc|p|os: L|oerdade, Democrac|a, Just|ça
Boc|a|, Fratern|dade, lgua|dade, Bo||dar|eda-
de, e Boc|a||smo Part|c|pat|vo e Democrát|-
co.
Oostar|amos de dar o nosso contr|outo para
que a|gumas s|tuaçoes actua|mente ex|sten-
tes no dom|n|o das Oomun|caçoes no nosso
Pa|s íossem mod|í|cadas e outras rad|ca|men-
te a|teradas.
Estamos consc|entes de que esse desaí|o
passa pe|a renovação e reír|geração do ac-
tua| Becretar|ado Nac|ona| (e da Oom|ssão
Permanente).
Pretendemos contr|ou|r para esse ·are|amen-
to· tornando o Becretar|ado (e a Oom|ssão
Permanente) ma|s so||dár|os, ma|s coerentes
e ma|s |nser|dos na rea||dade soc|a| de um
Bector estrateg|ca e econom|camente tão
|mportante para o nosso Pa|s, em que, ne-
cessar|amente, tamoem devem part|c|par os
M|||tantes do Part|do que sempre deram a cara
nos ·maus momentos·.
Pretendemos uma renovação na organ|zação,
nos metodos, e na prát|ca po||t|ca. Bent|mos
que o Part|do ·aoandonou· os seus M|||tan-
tes.
Estando consc|ente, a|nda, de que a part|c|-
pação dos M|||tantes na v|da de um Part|do
Po||t|co, ma|s do que um dever e um d|re|to,
propomo-nos |utar pe|a conso||dação da De-
mocrac|a |nterna e pe|a ap||cação, na prát|-
ca, do Boc|a||smo Part|c|pat|vo.
Pretendemos |emorar aos D|r|gentes Nac|o-
na|s do PB (que na sua ma|or|a são mem-
oros do Ooverno) que os M|||tantes de oase
não servem apenas para, nas campanhas
e|e|tora|s, íazerem parte das Mesas de \oto
e/ou serem os proí|ss|ona|s do cartaz, da ía|-
xa e do pendão.
O que pensam e o que pretendem os m|||tan-
tes de oase do sector das comun|caçoes
A g| ooa| | zação da econom| a, a
|nternac|ona||zação do espaço econom|co e
as novas ex|genc|as dos mercados, determ|-
naram a necess|dade de proíundas mudan-
ças na organ|zação estrutura| das empresas.
AB mod|í|caçoes operadas no sector das Te-
|ecomun|caçoes cu|m|naram com a íusão dos
TLP, Te|ecom Portuga|, TDP e ma|s tarde a
OPP Marcon| dando or| gem à Portuga|
Te|ecom.
Face a este contexto v|vemos uma nova s|tu-
ação caracter|zada por duas necess|dades
íundamenta|s que são:
- Oompat|o|||zar háo|tos e cu|turas empresa-
r|a|s d|versas, sem d|scr|m|naçoes e
- Pesponder com eí|các|a às ex|genc|as e
expectat|vas do Pa|s, de íorma d|íerenc|ada.
A po||t|ca arrogante, centra||sta e prepotente
ap||cada pe|o PPD/PBD no Bector e nas Em-
presas, no passado, |ama|s poderá ser se-
gu|da.
Berão as po||t|cas que tenham por oase o d|-
á|ogo e um proíundo sent|do human|sta, que
vencerão.
No momento po||t|co actua| so o PAPTlDO
BOOlALlBTA poderá corpor|zar essas po||t|-
cas e não ex|ste a ma|s pequena dúv|da de
que está a consegu|r .
No entanto pretendemos apresentar ao Oon-
gresso a|guns a|ertas e |remos |ust|í|car por-
que OÜEPEMOB O PB POP DENTPO DAB
OOMÜNlOAÇOEB:
O PBD esteve durante 10 |ongos anos no
Ooverno.
Ouase no d|a segu|nte à sua tomada de pos-
se, aíastaram os me|hores quadros do PB nas
ma|s d|versas empresas do Pa|s, entre as
qua|s se encontravam então os OTT, os TLP,
a MAPOONl e ma|s recentemente a PT, onde
ío| |mp|ementada a íam|gerada gestão do
Eng. Lu|s Todo Bom.
No d|a 1 de outuoro de 1995, o PB e a Nova
Ma|or|a ganharam as E|e|çoes Leg|s|at|vas,
Tamoem com os votos de |números Boc|a||s-
tas e de lndependentes das Empresas de
Oomun|caçoes.
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 37
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
Todos os que votaram no PB, í|zeram-no acre-
d|tando í|rmemente no seu Programa, nos
seus pro| ectos, nas suas | de| as, no
protagon|smo e competenc|as dos seus d|r|-
gentes e na enorme capac|dade e ser|edade
po||t|ca e humana do Eng. Anton|o Outerres
o 1' M|n|stro de Portuga|.
Numa pa|avra: acred|taram na mudança.
Entendemos que não oasta mudar as estra-
teg|as, os metodos, as |ntençoes, e íunda-
menta|mente necessár|o mudarem as pesso-
as, |sto e, as es|/a|eç|as oo |S tem de ser
|evadas a caoo oo/ oessoas oo |S, que se
|dent|í|quem com os seus pr|nc|p|os e estra-
teg|a empresar|a|.
Ora nas Empresas de Oomun|caçoes, con-
cretamente na Portuga|, Te|ecom, ver|í|ca-se
que |ugares de certa |mportânc|a e poder de
dec|são cont|nuam, íoram e estão a ser ocu-
pados por quadros do PBD.
Os quadros d|r|gentes do PBD cont|nuam na
gestão das Empresas do Orupo PT, sem que
n|nguem com responsao|||dades no PB ou
nas Adm|n|straçoes tome qua|quer pos|ção
de modo a |nverter esta s|tuação, o que se
tem tomado írustrante, desan|mador e ate
mot|vo de uma certa revo|ta, para q0ao/os
||oeoe|oe||es da área do PB que esperar|-
am outras dec|soes dos D|r|gentes das Em-
presas, que são M|||tantes Boc|a||stas e que
íoram nomeados pe|o Ooverno.
A|guns desaoaíando, perguntam: ·De que
va|eu eu ter votado no PB?· ou ·Para que íu|
eu votar no PB, para tudo vo|tar a estar como
dantes?·
Ex|ste grande desmot|vação nos m|||tantes
que durante os 10 anos de Oavaqu|smo sem-
pre |utaram contra este estado de co|sas e
agora que o PB e Ooverno não encontram
nenhuma d|íerença nas Empresas de Oomu-
n|caçoes, em re|ação a esta re|ação a esta
mater|a, oem pe|o contrár|o.
Orande descontentamento re|na tamoem en-
tre pessoas que não tem nada a ver com o
PB mas que esco|heram o seu pro|ecto, dan-
do-|he a sua preíerenc|a nas urnas.
Aqu| í|ca o a|erta para a cons|deração e aten-
ção dos responsáve|s do Part|do Boc|a||sta,
memoros do Ooverno.
É que os Boc|a||stas das Oomun|caçoes es-
tão à oe|ra de um ataque de nervos.
E não se venha com aque|a dos ·Joos For
The Boys·, que não se ap||ca nesta s|tuação
porque estamos todos empregados.
É uma questão de coerenc|a e de cu|tura
po||t|ca, na ap||cação dos va|ores e pr|nc|p|-
os que norte|am e sempre nortearam o PB,
nomeadamente a BOLl DAPl EDADE, a
FPATEPNlDADE e o EBPlPlTO de ENTPE
AJÜDA, va|ores que sempre caracter|zaram
os Boc|a||stas desde a sua íundação.
Outra questão que se co|oca e se a|guns
(mu|tos) dos gestores das Empresas do Bec-
tor das Oomun|caçoes, M|||tantes do PB, tem
conhec|mento (e os sentem) destes va|ores
e pr|nc|p|os.
Be tem conhec|mento e não os prat|cam an-
dam, certamente, mu|to d|stra|dos. Be nem
sequer os conhecem (e por consequenc|a
não os sentem) esta e a a|tura prop|c|a de
sa|rem do Part|do Boc|a||sta mu|to rap|damen-
te e se í|||arem noutro part|do porque andam
comp|etamente equ|vocados.
Fazemo-nos entender?
Por ser esta a nossa conv|cção deíendemos
que um novo Becretar|ado Nac|ona| deverá
ser const|tu|do por e|ementos que detenham
um perí|| capaz de moo|||zar e organ|zar |n-
ternamente o Part|do, tamoem na área das
Oomun|caçoes, mas em todas as vertentes.
(e na|gumas terão de ter mu|to cu|dado para
não serem enganados).
Por consequenc|a |remos apresentar ao OON-
OPEBBO as nossas |eg|t|mas preocupaçoes,
dese|os e sugestoes:
º Oostar|amos que íossem cr|adas cond|çoes
para que o Part| do tenha uma acção
ag|ut|nadora de todos os m|||tantes, com |n-
tegra| aprove| tamento das suas
potenc|a||dades e capac|dades.
º Oostar|amos que íossem cr|adas cond|çoes
para que, dentro do Part|do se trave uma sau-
dáve| |uta po||t|ca, a vo|ta das |de|as, pro|ec-
tos e não de pessoas, com oase na
democrat|c|dade |nterna, reíorço da coesão
na d|vergenc|a de op|n|oes e na to|erânc|a,
íace as grandes questoes de po||t|ca gera| e,
em part|cu|ar, soore o Bector das Oomun|ca-
çoes.
º Daremos o nosso contr|outo para o reíorço
da un|dade do Part|do na v|a da renovação,
contra o compadr|o, a |ncompetenc|a, e a
promoção de certas ·equ|pas·, deíendendo
o esp|r|to de to|erânc|a e de d|á|ogo, deíen-
dendo a honest|dade de processos e co|o-
cando os ma|s capazes e cora|osos na deíe-
sa do Pa|s, do Part|do e do Bector.
º Bent|mos a necess|dade de cr|ação de gru-
pos de traoa|ho espec|a||zados, nomeada-
mente: Tecn|cos de Oestão Empresar|a|;
Econom|cos; Jur|d|cos e de Oomun|cação
Boc|a|.
º Bent|mos a necess|dade de ex|st|r um con-
tacto permanente e atempado com os vár|os
orgãos do Part|do, nomeadamente com o
Becretar|ado Nac|ona|, Oom|ssão Permanen-
te, Orupo Par|amentar, Oao|nete de Estudos,
Empresár|os Boc|a||stas, e com o Becretar|a-
do Execut|vo da ÜOT, por íorma a se deoate-
rem todas as questoes que d|gam respe|to
ao desenvo|v|mento e progresso do Bector
das Oomun|caçoes.
º Oostar|amos de contr|ou|r para promover a
d|scussão e o deoate |nterno de todas as
questoes pert|nentes do Bector.
º Pe|e|tamos c|ara e |nequ|vocamente os
desped|mentos como íorma de rac|ona||za-
ção das Empresas do Bector (tamoem co-
nhec|do por ·emagrec|mento· das Empre-
sas).
º Entendemos ser de íundamenta| |mportân-
c|a a d|vu|gação das propostas do PB, para
as Oomun|caçoes, |untos dos traoa|hadores
do Bector, quer se|am ou não Boc|a||stas.
º Dese|amos que o avanço tecno|og|co das
Oomun|caçoes contr|oua para a d|m|nu|ção
das ass|metr|as ex|stentes e para o aumento
do oem estar das popu|açoes do Pa|s e não
que se agravem a| nda ma| s essas
ass|metr|as.
Por tudo |sso OÜEPEMOB O PB, POP DEN-
TPO, DAB OOMÜNlOAÇOEB.
Oom so||dar|edade;
Oom coerenc|a ;
Oom d|gn|dade;
23/01/99
1' Buoscr|tor
ReinaIdo Morais da SiIva
m|||tante n' 131362
POR UMA CULTURA DE PRESTlGlO DA DEMOCRAClA
E DE VALORlZAÇÃO DO DlRElTO AOS DlRElTOS
MOÇÁO $EC7OR/AL
O n|ve| c|v|||zac|ona| de uma soc|edade aíe-
re-se des|gnadamente, pe|a íorma como os
se0s c|oaoaos aceoem ao o|/e||o nas suas
mú|t|p|as vertentes.
Por íorça do art|go 20'. da OPP est|pu|a-se
que ¨ a |ooos e asseç0/aoo o acesso ao o|-
/e||o e aos |/|o0|a|s oa/a oe/esa oos se0s o|-
/e||os e |||e/esses |eç|||mos, |ao oooe|oo a
/0s||ça se/ oe|eçaoa oo/ ||s0/|c|e|c|a oe me|-
os eco|om|cos´.
Trata-se de um o|/e||o çe/a| à o/o|ecçao /0/|-
o|ca que |nc|u|: o d|re|to de acesso ao d|re|to,
aqu||o a que se |nt|tu|a ¯ o o|/e||o aos o|/e||os´,
e o d|re|to de acesso aos Tr|ouna|s como ga-
rant|a |ur|sd|c|ona| eíect|va.
A sua conexão e ev|dente, po|s todos e|es
são componentes de um o|/e||o ç|ooa| à o/o-
|ecçao /0/|o|ca. Oonst|tuem e|eme||o /||a| e
esse|c|a| oa o/oo/|a |oe|a oe Fs|aoo oe D|/e|-
|o, não podendo conceoer-se uma ta| |de|a
sem que os c|dadãos tenham conhec|mento
dos seus d|re|tos, o apo|o |ur|d|co d|spon|ve|
para a sua rea||zação e o acesso aos tr|ou-
na|s para adequada tute|a.
Atraves desta VOÇ/O, gostar|amos de su-
o||nhar o quanto e |mportante que possamos
reí|ect|r e desenvo|ver d|nâm|cas íuturas que
possam contr|ou|r para que as |o/|0ç0esas
e os |o/|0ç0eses, ao/o/0|oem 0ma ma|s /o/-
|e co|sc|e|c|a c|/|ca oos se0s o|/e||os e da
íorma de os deíender.
O acesso ao o|/e||o e m0||o ma|s oo q0e o
acesso aos |/|o0|a|s, pe|o que o |ncremento
da protecção e deíesa dos d|re|tos dos c|da-
dãos, passa necessar|amente por:
1. Va|s e me||o/ ||/o/maçao soore os seus
d|re|tos íundamenta|s em mater|a de saúde,
amo|ente, consumo, hao|tação;
2. Ve||o/ acesso ao co||ec|me||o oo o|/e|-
|o, que se consegue atraves da |níormação e
consu|ta |ur|d|ca, o que |mp||ca a ex|stenc|a
de serv|ços púo||cos que as prestem;
3. D|ssem||açao oe ||/o/maçao m0|||meo|a e
de qu|osques de |níormação nas íregues|as
e mun|c|p|os;
4. /oooçao oe co||e0oos o/oç/ama||cos nas
esco|as do ens|no oás|co e secundár|o d|r|-
g|dos à íormação c|v|ca e deíesa dos d|re|-
tos dos c|dadãos;
5. S0os|||0|çao oas /|as |/ao|c|o|a|s oe /0s||ça
por mecan|smos de reso|ução de ||t|g|os que
se s|tuem num patamar ma|s prox|mo dos c|-
dadãos;
6. C0||0/a oa Fo0caçao do c|dadãos em ge-
ra|, no sent|do de este não íomentar a moro-
s|dade da |ust|ça;
7. Atenção pr|or|tár|a à eo0caçao-/o/maçao-
o/o/|ssao /0/|o|cas.
Mais e meIhor informação
Essa me|hor |níormação passa |nev|tave|men-
te por um oom desempenho do Estado e dos
seus serv|ços, das ent|dades |ndependentes,
assoc|açoes e organ|zaçoes não governa-
menta|s vocac|onadas para a deíesa dos d|-
re|tos dos c|dadãos, que deverão desenvo|-
ver estrateg|as de actuação e de |níormação
acess|ve| e eí|caz aos c|dadãos.
Esta componente |mp||ca |gua|mente que a
Adm|n|stração Púo||ca assegure de modo a|n-
da ma|s ág|| e eí|caz o acesso à |níormação,
atraves do acesso aos documentos adm|n|s-
trat|vos , de acordo com os pr|nc|p|os da pu-
o||c|dade, da transparenc|a, da |gua|dade, da
|ust|ça e da |mparc|a||dade.
MeIhor acesso ao conhecimento
do direito
O acesso ao conhec|mento do d|re|to passa
necessar|amente pe|a ex|stenc|a e oom íun-
c|onamento dos serv|ços púo||cos que as
prestam.
É entend|mento pac|í|co que são a|nda extre-
mamente deí|c|tár|os os serv|ços ex|stentes
de |níormação e consu|ta |ur|d|ca em Portu-
ga|, havendo a|nda um |ongo cam|nho a per-
correr neste dom|n|o.
Há que dotar esses serv|ços de estruturas hu-
manas e í|nance|ras que ho|e a|nda não d|s-
poem de íorma p|ena desses recursos.
Disseminação de informação
muItimédia
A ut|||zação de novas tecno|og|as de íác||
acess|o|||dade e com íorte componente pe-
dagog|ca e |níormat|va no campo da lníorma-
ção aos c|dadãos, devem ser d|ssem|nados
por todo o terr|tor|o nac|ona|. Nesse esíorço
de descentra||zação devem estar envo|v|dos
os a0|a/cas oas o|/e/sas //eç0es|as e m0||-
c|o|os que compoem o mosa|co portugues.
Adopção de conteúdos
programáticos
Os Estaoe| ec| mentos de ens| no devem
env|dar esíorços para |ntegrarem nos seus
curr|cu|os esco|ares, e ho|e |sso |á começa a
ser uma rea||dade, programas curr|cu|ares
que |nc|uam conteúdos vocac|onados para a
íormação c|v|ca e deíesa de d|re|tos íunda-
menta|s.
Oom eíe|to, se a nova geração oeneí|c|ar de
uma cu|tura de d|re|tos humanos e íor ade-
ACÇÃO SOClALlSTA 38 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
quadamente preparada para um conhec|men-
to dos d|re|tos, poderá contr|ou|r para uma
soc|edade ma|s esc|arec|da, ma|s consc|en-
te dos seus d|re|tos e |ogo, ma|s preparada
para os desaí|os do sec. XXl.
Substituição das vias
tradicionais de justiça
A moros|dade da |ust|ça tem s|do recente-
mente ut|||zada como arma de arremesso da
opos|ção.
Ora, são |nquest|onáve|s os esíorços cons|-
deráve|s que tem s|do desenvo|v|dos nos ú|-
t|mos tres anos, no âmo|to do M|n|ster|o da
Just|ça por íorma a tornar a |ust|ça ma|s ce|ere
e eí|caz.
Ao |ongo da actua| |eg|s|atura, o Go/e/|o oo
|S |em /||oo a |oma/ 0m co|/0||o oe meo|-
oas, |eç|s|a||/as e aom|||s|/a||/as, q0e sao
esse|c|a|s oa/a 0ma Pe/o/ma oa J0s||ça que
responda adequadamente às so||c|taçoes
dos c|dadãos, des|gnadamente no que res-
pe|ta à d|m|nu|ção da duração dos proces-
sos, à desourocrat|zação, ao tratamento ma|s
eí|caz da |níormação, v|sando, em gera|, a
modern|zação de todo o s|stema.
Oom íorte |mpacte em todo o sector, íoram
d|versas e |mportantes as med|das |á toma-
das nos dom|n|os da |ust|ça c|ve| e da orga-
n|zação |ud|c|ár|a.
Destacam-se :
º A Pe/o/ma oo Coo|ço oe |/ocesso C|/||,
º O Coo|ço oas C0s|as J0o|c|a|s,
º A ut|||zação preíerenc|a| do o/oceo|me||o
oe ||/0|çao.
º A Pev|são do Coo|ço oos |/ocessos Fsoe-
c|a|s oe Pec0oe/açao oa Fmo/esa e oe Fa-
|e|c|a,
º A L||||zaçao oo s|s|ema ||s|||0|oo oe oaça-
me||o a|/a/es oe me|os e|ec|/o||cos,
º O 7/|o0|a| Ce||/a| /om|||s|/a||/o, como 2ª
|nstânc|a do contenc|oso adm|n|strat|vo e í|s-
ca|;
º A Nova |e| O/çá||ca oos 7/|o0|a|s J0o|c|-
a|s, trave-mestra do apare|ho |ud|c|ár|o;
º A Nova |e| O/çá||ca oo Ce||/o oe Fs|0oos
J0o|c|a/|os;
º Pe/o/ço em /0|c|o|a/|os /0o|c|a|s,.
º / Pe/|sao oo Coo|ço oo |/ocesso |e|a|,
º A F·ec0çao oo Fs|a|0|o oo V|||s|e/|o |0o||-
co, oem como do novo reg|me da Med|c|na
Lega| e do Peg|sto Or|m|na|;
º A ^o/a |e| oa D/oça,
º O novo Coo|ço |e|a| ,
º A nova |e| oo C|eq0e,
º A Pe/o/ma oo /eç|me /0/|o|co oa aoooçao,.
º A ||/o/ma||zaçao oos |/|o0|a|s e oe o0|/os
s|s|emas, como o o/|s|o|a| o0 o oos /eç|s|os
e oo |o|a/|aoo,.
º Em curso encontra-se a reíorma /e|a||/a à
e·ec0çao oas oe|as e |ooa a |eç|s|açao ao||-
ca/e| a me|o/es, em ma|e/|a |0|e|a/,
Não oostante, o esíorço que estas reíormas
patente|am, cont|nua a ser premente que os
|o/|0ç0eses e as |o/|0ç0esas comecem a
/eco//e/ a o0|/os s|s|emas oe /0s||ça, menos
onerosos e ma|s prox|mos de s|, estamos a
ía|ar oos o/ocessos oe a/o||/açem, a deno-
m|nada aro|tragem vo|untár|a que tem de-
monstrado v|s|ve| sucesso no ramo do con-
sumo e no da área da reparação automove|.
A|nda nesta sede, convem reaí|rmar a |mpor-
tânc|a dos meca||smos oe a0|o-/eç0|açao,
cu|o ordenamento |ur|d|co propr|o |he perm|-
te d|r|m|r coní||tos e a|ustar d|re|tos, sem re-
curso aos tr|ouna|s mas com respe|to pe|o
contrad|tor|o e dema|s mecan|smos de deíe-
sa |nerentes ao Estado de D|re|to.
Por ú|t|mo, suo||nhe-se a |mportânc|a dos J0|-
çaoos oe |az, cu|a í|gura ío| readm|t|da no
ordenamento |ud|c|a|, a t|tu|o íacu|tat|vo, e
prev|sta no decurso do processo da ú|t|ma
rev|são const|tuc|ona|.
CuItura da Educação
Esta vertente está d|rectamente re|ac|onada
com a anter|or, dado que o |ncremento dos
processos suos|d|ár|os de regu|ação soc|a|,
contr|ou|rão para um decresc|mo de acçoes
em tr|ouna| e perm|t|rá a curto e med|o prazo
um me|hor íunc|onamento dos Tr|ouna|s.
Tudo oe/emos /aze/ oa/a c/|a/ 0ma c0||0/a c|-
/|ca q0e oe|a||ze |ooos aq0e|es q0e aoe|as
0||||zem a /0s||ça com o oo/ec||/o oe a
oos|ac0||za/.
Atenção prioritária à educação-
formação-profissão jurídicas
Por ú|t|mo deverá ser coníer|da atenção
pr|or|tár|a à eo0caçao-/o/maçao-o/o/|ssao /0/|-
o|cas, v|sando uma art|cu|ação responsáve|
entre as opçoes adm|n|strat|vas e |eg|s|at|vas
com |nc|denc|a no ens|no de d|re|to, na íorma-
ção |n|c|a|, comp|ementar e permanente or|-
entada para as d|versas proí|ssoes |ur|d|cas,
nas d|sc|p||nas púo||cas proí|ss|ona|s e nas
po||t|cas púo||cas de emprego para |ur|stas
ConcIusão
Em nosso entend|mento o acesso ao o|/e||o
/eo/ese||a, s|m0||a|eame||e, 0ma |moo/|a||e
ça/a|||a oa |ç0a|oaoe oos c|oaoaos e 0ma e·-
o/essao oas||a/ oo o/||c|o|o oemoc/a||co, a ta|
ponto que oem pode d|zer-se que o Estado
de D|re|to Democrát|co está por rea||zar en-
quanto ex|st|rem d|re|tos deí|n|dos na |e|, sem
que a ma|or parte dos c|dadãos possa exerce-
|os ou ter sequer consc|enc|a dos mesmos.
Ju|gamos que íe|to o oa|anço de quase 4 anos
de Ooverno do PB, es|amos |o cam|||o ce/-
|o, emoo/a semo/e co|sc|e||es q0e em |e/-
mos oe acesso aos o|/e||os a oo/a |0|ca es|a
/e||a a|e oo/q0e |e||0m o|/e||o e ¯|a|0/a|´. O
/eco||ec|me||o oe 0m o|/e||o e o se0 e·e/c|-
c|o oe|o ||o|/|o0o o0 oe|o ç/0oo sao semo/e
e·o/essao oe 0m es|ao|o ma|s oese|/o|/|oo
oa c0||0/a oa c|oaoa||a, oas /esoo|sao|||oa-
oes, oo e·e/c|c|o oa oa/||c|oaçao e em 0|||ma
a|a||se, oa /ea||zaçao oo es|a|0|o oo c|oaoao
ac||/o.
1' Buoscr|tor
Nuno BaItazar Mendes e Suzana
Amador
A DEFESA DOS lNTERESSES DOS CONSUMlDORES
E O RESPElTO PELOS MlLlTANTES
MOÇÁO $EC7OR/AL
A defesa dos interesses dos
consumidores
PreâmbuIo l
Oertamente todos os Boc|a||stas - e com e|es
todos os portugueses de ooa-íe - reconhe-
cem, em consonânc|a com o nosso camara-
da Becretár|o-Oera|, Anton|o Outerres, que:
O Go/e/|o oo |S e oa ^o/a Va|o/|a /ez, oe|a
o/|me|/a /ez em |o/|0ça|, oa po||t|ca de deíe-
sa dos |nteresses dos consum|dores 0ma
oo||||ca o/|o/||a/|a oa acçao oo Go/e/|o, a|||-
ç||oo as o|/e/e||es oo||||cas sec|o/|a|s, ao se/-
/|ço oo oese|/o|/|me||o oe 0ma soc|eoaoe
mooe/|a e oo/ /o/ma a o/omo/e/ a q0a||oaoe
oe /|oa oos c|oaoaos. /s |o/as |e|s oo co|-
s0m|oo/ e oos se//|ços o0o||cos esse|c|a|s
q0e co|o0z|/am à ça/a|||a oa /ac|0/açao ç/a-
|0||a oe|a||aoa |o se//|ço oe |e|e/o|es, a co|-
saç/açao oa oes/a|o/|zaçao a0|oma||ca oo
/a|o/ oos /e|c0|os oo/ec|o oe seç0/os /ac0||a-
||/os oo/ oa|os o/oo/|os, o |o/o Coo|ço oa
|0o||c|oaoe, a |o/a |e| oa o0o||c|oaoe
oom|c|||a/|a e as |o/as /eç/as em ma|e/|a oe
||me-s|a/e e o0|/os o|/e||os oe |ao||açao |0-
/|s||ca sao a|ç0|s e·emo|os q0e oe/emos /e-
a|ça/.
Fs|a ac|0açao /|/meme||e o/osseç0|oa oe//o|-
|o0-se, oo/ /ezes, com |ao||os a//e|çaoos e
/es|s|e|c|as co/oo/a||/as, |ao o/e/0o|c|a|s a
0ma /e/oaoe|/a mooe/||zaçao oa soc|eoaoe
o|oe os /a|o/es oa /ea||zaçao oessoa| e|co|-
|/em aoeq0aoa sa||s/açao.
O |S co||||0a/a, sem esmo/ec|me||o, a co|-
/e/|/ à oe/esa oos o|/e||os oos co|s0m|oo/es
0ma a|e|çao ce||/a|, co//esoo|oe|oo à e·|-
çe|c|a oe q0a||oaoe |os o/oo0|os e se//|ços
/o/|ec|oos, com esoec|a| ||c|oe|c|a |aq0e-
|es sec|o/es o|oe se /eç|s|em a|||0oes oe
ao0so oe oos|çao oom||a||e o0 co|ce/|açao
oe |||e/esses co||/a/|os à sa||s/açao oas |e-
cess|oaoes co|ec||/as.
(Oap|tu|o ¨Üma Boc|edade human|zada as-
sente na me|hor|a das cond|çoes de v|da dos
c|dadãos" - da Moção A NOBBA \lA Üma
re|ação de coní|ança com os Portugueses)
... e o respeito peIos miIitantes
sociaIistas
PreâmbuIo ll
Üm Part|do que, enquanto Ooverno, assu-
me, com coragem, que uma das suas pr|or|-
dades na acção governat|va, e a deíesa e a
protecção dos consum|dores, deverá ter em
conta que, enquanto organ|zação part|dár|a,
o respe| t o pe| os seus m| | | t ant es, a
d|gn|í|cação dos seus d|r|gentes e a procu-
ra quot|d|ana para que e|es se respe|tem
entre s|, deverão estar, por uma questão de
verdade e coerenc|a, na pr|me|ra ||nha das
suas preocupaçoes.
NAO É lBBO O OÜE, lNFELlZMENTE, AOON-
TEOE!
lntrodução
A rea||zação do Xl Oongresso Nac|ona| do
Part|do Boc|a||sta tem, ho|e, um dup|o s|gn|í|-
cado. Por um |ado, tem |ugar num momento
part|cu|armente |mportante da v|da nac|ona|,
|á que marca o arranque dos soc|a||stas para
duas grandes oata|has po||t|cas, as E|e|çoes
Europe|as e Leg|s|at|vas, para as qua|s são
desde há mu|to conhec|das as metas e oo-
|ect|vos. Por outro |ado, a rea||zação deste
conc|ave marca, tamoem, o regresso do Par-
t|do à íormu|a dos Oongressos, aoandonada
por renovação estatutár|a, |ntroduz|da em
1992, e vem poss|o|||tar momentos proíunda-
mente enr|quecedores de deoate e de part|-
c|pação de todos nos.
Todas estas questoes assumem um outro
|mportante s|gn|í|cado, dado que o PB e o
Ooverno e as E|e|çoes que a| vem determ|-
nam, desde |á, uma aná||se e uma reí|exão
proíunda soore a nossa prestação, durante
os ú|t|mos tres anos, a qua| que em oreve
será su|e|ta ao |u|gamento democrát|co de
todo o Povo Portugues.
É neste contexto que surge a Moção Bector|a|
¨A Deíesa dos lnteresses dos Oonsum|do-
res e o respe|to pe|os m|||tantes soc|a||stas",
procurando, tamoem, corresponder ao desa-
í|o |ançado pe|o camarada Jorge Ooe|ho, para
que transíormemos este Oongresso num
grande Forum Nac|ona| de deoate e de part|-
c|pação.
Por outro |ado, este documento sector|a|, en-
quadra-se no apo|o c|aro e |nequ|voco à Mo-
ção ¨A NOBBA \lA Üma re|ação de coní|an-
ça com os Portugueses" que tem como 1'.
Buoscr|tor o nosso camarada ANTONlO
OÜTEPPEB, cu|a cand|datura a Becretár|o-
Oera| apo|ámos.
Ass|m, este documento procura reí|ect|r so-
ore a nossa v|venc|a |nterna, enquanto m|||-
tantes dum Part|do que e Poder, ao mesmo
tempo, que aponta cam|nhos, e enumera pre-
ocupaçoes numa área de |ntervenção, que o
Ooverno do PB e da Nova Ma|or|a, íez ques-
tão de e|evar a área pr|or|tár|a da sua acção
A Deíesa e a Protecção ao Oonsum|dor.
Marcar, poIítica e cuIturaImente,
uma épocal
Este e um dos grandes desaí|os que o Eng.'.
Anton|o Outerres propos a s| propr|o, aos
soc|a||stas e aos Portugueses, ao assum|r a
||derança do Ooverno do PB e da Nova Ma|o-
r|a.
E e, tamoem, persegu|ndo este oo|ect|vo que,
| á ho| e, se começam a assum| r como
pr|or|tár|as grande áreas de |ntervenção, que
marcarão dec|s|vamente a agenda po||t|ca no
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 39
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
prox|mo m||en|o, e que tem a ver com gran-
des e novas rea||dades, decorrentes dum
quot|d|ano que se desenvo|ve a um r|tmo ver-
dade|ramente a|uc|nante.
É neste contexto que começa a ter |ugar um
d|scurso novo, que envo|ve as reí|exoes so-
ore o nosso tempo út|| de v|da, a Baúde e o
Amo|ente, a deíesa |ntrans|gente da snossas
||vres opçoes, o O|dadão como agente po-
tenc|a| de todas as mudanças, a par da deíe-
sa e da protecção dos nossos d|re|tos en-
quanto consum|dores.
O Ooverno do PB e da Nova Ma|or|a, |nscre-
veu, ass|m, a ¨Deíesa dos lnteresses do Oon-
sum|dores" entre as áreas de |ntervenção
pr|or|tár|as.
Enquanto c|dadãos, mas part|cu|armente en-
quanto soc|a||stas, dever-nos-emos sent|r or-
gu|hosos pe|o cam|nho que estamos a se-
gu|r com passos |argos e determ|nados.
A |ntervenção or||hante, enquanto M|n|stro, do
nosso camarada JOBÉ BOOPATEB e d|sso
mesmo um excepc|ona| exemp|o.
Ass|m, as novas Le|s do Oonsum|dor, com
todas as |ntervençoes da| decorrentes O
Novo Ood|go de Puo||c|dade A nova Le| de
Puo||c|dade Dom|c|||ár|a As novas propos-
tas em mater|a de t|me-share a par, da con-
sagração de desva|or|zação automát|ca do
va|or dos ve|cu|os de oo|ecto de seguros ía-
cu|tat|vos por danos propr|os, const|tuem,
uma pedrada no charco, um murro no esto-
mago, e uma |novação tota|, da íorma de ía-
zer po||t|ca em Portuga|, des|gnadamente em
áreas, para as qua|s, ate agora, pouca aten-
ção t|nha s|do d|spensada pe|os anter|ores
governos.
Tanto ma|s que a produção |eg|s|at|va não se
í|ca por aqu|, mas tendo cr|ado tamoem os
mecan|smos |ega|s necessár|os para a s|ste-
mat|zação de po||t|cas nesta área, poss|o|||-
tando ass|m, que a n|ve| Oonce|h|o, possam
tamoem no âmo|to das competenc|as que
estão actua| mente cons| gnadas às
Autarqu|as, ex|st|r cond|çoes para um traoa-
|ho aturado e eí|caz nesta mater|a.
A |ust|í|cá-|o a| está a Or|ação dos Oonse|hos
Mun|c|pa|s de Oonsumo, e a poss|o|||dade de
os mesmos poderem ser cr|ados em cada
Oonce|ho, como |nstrumentos de acção pre-
vent|va e pedagog|ca.
Outros íactores a ter em conta são as d|í|cu|-
dades de me| os ex| stentes para a
|mp|ementação de po||t|cas conce|h|as neste
sector, |á que os protoco|os ass|nados entre
as duas partes raramente são cumpr|dos no
art|cu|ado da responsao|||dade da Autarqu|a.
E |sto acontece, dado o espaço apagado e
c|nzento que tem s|do reservado aos OlAOB,
quer nos quadros íunc|ona|s da ma|or|a das
Oâmaras onde estão |nst|tu|dos, quer no tra-
tamento verdade|ramente hum||hante que
vem sendo dado a esta área de |ntervenção
tão |mportante.
E Lisboa aqui tão perto
E se |sto e a rea||dade ma|or|tar|amente v|-
gente em termos nac|ona|s, e|a e oem p|or
quando se trata de ana||sar as mesmas ques-
toes decorrentes da | mp| ementação de
OlAOB nos Oonce|hos do D|str|to de Betúoa|
numa pa|avra, nos Oonce|hos a su| do Te|o.
Aqu|, o panorama e ma|s negro! Esta área de
lníormação Autárqu|ca ao Oonsum|dor, que
ex|ste protoco|ada apenas em se|s dos treze
Oonce|hos do D|str|to, e tratada como um í|-
|ho de um Deus menor, não havendo preocu-
paçoes em termos |og|st|cos, humanos ou
meramente orçamenta|s.
E ass|m tem acontec|do porque numa pr|me|-
ra íase não hav|a sens|o|||dade para o desen-
vo|v|mento de rea||zaçoes nestas áreas e,
ma|s recentemente, os pres|dentes de Oâma-
ra - que no contexto d|str|ta| são esmagado-
ramente do Part|do Oomun|sta - dec|d|ram
atr|ou|r este Pe|ouro, que e|es propr|os de-
s|gnavam de ¨Pe|our|nho", aos vereadores da
opos|ção, des|gnadamente aos \ereadores
do Part|do Boc|a||sta.
Perante este quadro |á e poss|ve| saoer a ra-
zão de ta| atr|ou|ção e, oem ass|m, ava||ar a
|uta que tem quot|d|anamente que travar to-
dos os e|e|tos nessas c|rcunstânc|as para
serv|r quem os e|egeu.
E, aqu|, aprove|tamos para saudar todos os
camaradas que nesta s|tuação se encontrem
e ape|ar-|hes para que, em con|unto, com a
co|aooração do Ooverno e do lnst|tuto do
Oonsum| dor, possamos contr| ou| r para
corpor|zar um pro|ecto que, Oonce|ho a Oon-
ce|ho, de acordo com as espec|í|c|dades de
cada um, possa contr|ou|r para, no terreno,
at|ng|rmos os nossos oo|ect|vos: a deíesa
eí|caz do |nteresse e da protecção dos con-
sum|dores.
Não pretendendo persona||zar preocupaçoes,
podemos ía|ar-vos da exper|enc|a v|v|da na
qua||dade de actua| responsáve| do Oonce-
|ho do Barre|ro pe|o Pe|ouro do Oentro de ln-
íormação Autárqu|co ao Oonsum|dor, área
que ío| atr|ou|da ao Part|do Boc|a||sta apos
as E|e|çoes Autárqu|cas de 1997, onde à che-
gada, nos deparámos com a |nex|stenc|a de
um P|ano de Act|v|dades e com orçamento
reduz|do a zero, mu|to emoora, do|s meses
depo|s tenhamos tomado conhec|mento de
comprom|ssos assum|dos nesta área no ano
anter|or.
Por outro |ado, e certa e sao|da a ía|ta de íor-
mação necessár|a aos íunc|onár|os que tra-
oa|ham nesta área. E a acrescer a tudo |sto
ex|ste, por parte destas Oâmaras, que tanto
ut|||zam o ¨traoa|ho, honest|dade e compe-
tenc|a", como seu |ema, a recusa s|stemát|-
ca na íormação e na promoção dos seus íun-
c|onár|os, nomeadamente naqu||o que a esta
área d|z respe|to, os qua|s, na sua ma|or|a,
são esíorçados, verdade| ramente
co|aoorantes e d|spon|ve|s no apo|o sempre
tão necessár|o.
Oonsum|dores somos todos nos.
Nos consum|mos cu|tura.
Nos consum|mos educação.
Nos consum|mos |níormação.
Nos consum|mos eíect|vamente tudo. O con-
sumo, tem po|s, a ver com tudo.
Oom oase n|sto, íác|| se torna reconhecer o
nervos|smo dos d|versos Pres|dentes de Oâ-
mara comun|stas que, pensando que atr|ou|-
am a um \ereador da opos| ção um
¨Pe|our|nho", acaoam por ver|í|car que |he
cons|gnaram uma área de |ntervenção que,
para ter eí|các|a, tem eíect|vamente a ver com
tudo.
Da| que se|a ho|e ma|s urgente que nunca
|eg|s|ar, í|sca||zar e aproíundar a |ntervenção
nesta área tendo em conta os parâmetros em
que e|a está a ser |mp|ementada e o vasto
campo de actuação que perm|te, na deíesa
da qua||dade de v|da de todos nos.
Nós, produtores e
consumidores de poIítica...
Fo| em Bad Munstere|íe|, a 19 de Aor|| de 1973,
que um grupo de cora|osos |utadores dec|d|u
íundar o Part|do Boc|a||sta.
Esse momento representou um gr|to de cora-
gem, um acto de pa|xão, de ||oerdade, de so-
||dar|edade e, sooretudo, de esperança no íu-
turo.
O PB comemorou no ano passado, atraves de
d|versas |n|c|at|vas, o seu 25'. An|versár|o.
É |á um percurso ass|na|áve|. Oom mu|tas a|e-
gr|as mas, s|mu|taneamente, com mu|tas d|í|-
cu|dades, momentos mu|to d|í|ce|s, quando se
tratou de deíender a Democrac|a e a L|oerda-
de, contra tudo e, às vezes, quase contra to-
dos.
A verdade e que o PB souoe, ao |ongo destes
25 anos, honrar a memor|a de todos quantos
no passado souoeram |utar pe|a L|oerdade.
O PB souoe, ao |ongo destes 25 anos, no go-
verno ou na
opos|ção, ser um reíerenc|a| de responsao|||-
dade, de democrac|a e de L|oerdade.
Em suma, o PB souoe, ao |ongo destes 25
anos, permanecer, sempre, no coração dos
Portugueses.
O Xl Oongresso Nac|ona| do Part|do Boc|a||s-
ta tem |ugar no momento em que decorrem
as Oomemoraçoes dos 25 anos da data
||oertadora do ¨25 de Aor||, e num momento
em que exerce o Poder em Portuga|.
Tem s|do uma exper|enc|a d|í|c|| mas est|mu-
|ante, dada a corre|ação de íorças ex|stente
na Assemo|e|a da Pepúo||ca, em que os part|-
dos da opos|ção, não raras vezes, promovem
as votaçoes negat|vas, un|ndo todos os esíor-
ços no sent|do de |mposs|o|||tar o Ooverno do
PB e da Nova Ma|or|a, de promover as Peíor-
mas que prometeu aos Portugueses.
Üm dos exemp|os ma|s s|gn|í|cat|vos ío|, cer-
tamente, a re|e|ção do Pro|ecto do Ooverno
soore a a|teração da Le| E|e|tora| que, como
oo|ect|vo pr|nc|pa|, t|nha a |de|a de aprox|mar
os e|e|tos dos e|e|tores, atraves da cr|ação de
c|rcu|os un|nom|na|s.
BO OÜE OB NOBBOB AD\EPBAPlOB NAO
OÜEPEM PEFOPMAB.
Este Oongresso tem |ugar, tamoem, num mo-
mento em que começa a despontar, por v|a
do Ooverno do PB, uma nova c|asse po||t|ca.
Üma c|asse po||t|ca resu|tante de quadros cu|a
competenc|a nunca esteve em causa, uma
c|asse po||t|ca resu|tante da preocupação de
aorangenc|a, man|íestada por parte do actua|
Ooverno.
Mas uma c|asse po||t|ca que, em a|guns ca-
sos, não tem procurado nem encontrado aco-
|h|mento, |unto das oases do Part|do, |unto dos
seus m|||tantes.
É |nd|spensáve| o respe|to para com os d|r|-
gentes do PB. E e a|nda ma|s |nd|spensáve| o
respe|to para com todos os m|||tantes do Par-
t|do.
É necessár|o que nos entendamos.
É necessár|o que a nossa v|venc|a |nterna se|a
respe|tada.
É necessár|o que se respe|te a d|gn|dade dos
d|r|gentes |oca|s, conce|h|os e d|str|ta|s do PB.
Em resumo, e necessár|o ter sempre em ||nha
de conta quem, nos momentos d|í|ce|s, aguen-
ta o PB.
É oom que se sa|oa que, ao contrár|o daque-
|es e daque|as que aparecem nos momentos
da v|tor|a e do Poder, ex|ste todo um co|ect|vo,
que tem h|stor|a, a quem se devem as v|tor|as
do PB, e que ex|ge ser respe|tado.
Os m|||tantes do PB não são ¨carne para ca-
nhão".
Esta Moção deíende um PB |nterc|ass|sta,
aoerto aos c|dadãos, um PB de todos.
Üm Part|do \|vo e um Part|do Jovem, onde,
com so||dar|edade, cada d|a se re|nvente a
a|egr|a de um novo desaí|o e de uma nova
aposta.
Üm part|do que sa|oa conv|ver com as novas
geraçoes, que sa|oa conv|ver com a sua or-
gan|zação de Juventude e que tenha a capa-
c|dade para moo|||zar os |ovens Portugueses
para a v|da po||t|ca.
Üm Part|do Forte, um Part|do actuante cu|a
eí|các|a resu|te do comprom|sso entre todos,
oan|ndo, de vez, quere|as estere|s, |nteresses
de cape||nha, e onde tr|uníem as |de|as, os
pro|ectos, o deoate e o coníronto saudáve| de
pos|çoes d|versas.
Üm Part|do que soore cada mater|a tenha sem-
pre uma |de|a e a deíenda.
Oue não se acomode ou res|gne a qua|quer
|nteresse de momento.
Oue sa|oa, a cada momento, íazer a separa-
ção entre o íundamenta| e o acessor|o, e que,
com os m|||tantes e todos quantos de nos se
aprox|marem, sa|oa arreg|mentar um autent|-
co ¨exerc|to", sempre d|spon|ve| para travar,
em con|unto connosco, a oata|ha segu|nte.
Üm Part|do de Protagon|stas, que resu|te da
conv|venc|a sã entre m|||tantes e c|dadãos
anon|mos que se man|íestem d|spon|ve|s
para cada área, para cada temát|ca e assu-
mam, soo a s|g|a do PB, um contr|outo que
deverá honrar qua|quer organ|zação part|dá-
r|a.
Üm Part|do Aoerto à Boc|edade e com ln|c|a-
t|va Po||t|ca, que se adapte aos novos desaí|-
os, que em con|unto com os autarcas, com
os d|r|gentes |oca|s, conce|h|os e d|str|ta|s, em
||gação ao Orupo Par|amentar e à D|recção
Nac|ona|, reíorce a cred|o|||dade necessár|a,
cr|ando cond|çoes para cont|nuar a perm|t|r-
nos sonhar com um Portuga| ma|s |usto, ma|s
íraterno, ma|s so||dár|o e onde todos tenham
d|re|to à a|egr|a e à íe||c|dade.
1' Buoscr|tor
Aires de CarvaIho, m|||tante n' 107778
ACÇÃO SOClALlSTA 40 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
PARA UM DESENVOLVlMENTO ECONÓMlCO
SUSTENTADO DE PORTUGAL
MOÇÁO $EC7OR/AL
Portuga| tem pe|a írente um enorme desaí|o,
os portugueses tem que o vencer, com as
suas s|nerg|as, capac|dade |novadora e com
uma íorte conv|cção po||t|ca, soc|a|, cogn|t|va
e por que não transcendenta|.
O mundo que a| vem e deveras comp|exo. A
causa da comp|ex|dade e sem dúv|da o BA-
BEP nas suas var| antes tecno| og| cas e
ep| stemo| og| cas. A conírontação, a
|nteracção ao n|ve| do conhec|mento vão ||-
derar a supremac|a de a|guns soore os ou-
tros.
Be ana||sarmos os tempos actua|s no que
concerne ao cogn|t|vo, há naçoes que come-
çam a querer ||derar processos e con|untu-
ras pe|o |ado das novas tecno|og|as. A su-
premac|a dos EÜA e |á o |n|c|o do que pode-
rá v|r acontecer no campo das tecno|og|as
de ponta. Dom|nadoras, corporat|vas e por-
que não d|ze-|o. Oan|oa||zadoras.
Os exemp|os mu|to perto de nos são ao n|ve|
das mu|t|nac|ona|s. Be atentarmos à preten-
são do |nvest|mento d|recto estrange|ro no
nosso pa|s, todo e|e ou quase í|ca-se pe|a
montagem de equ|pamentos, com a a|uda de
|ncent|vos, que íac|||tam a entrada desse |n-
vest|mento e tamoem ráp|damente sa| por-
que outros pa|ses oíerecem contrapart|das.
Portanto a des|oca||zação e eíectuada, de|-
xando m||hares de postos de traoa|ho deso-
cupados.
Portuga| tem que |nvest|r ráp|damente no co-
nhec|mento eíect|vo, contando para |sso com
Empresas, Ün|vers|dades, Laoorator|os e ln-
vest|gadores. lnovação, lnvest|gação, Pro-
dução e Oomerc|a||zação, quatro pa|avras
que Portuga| e os portugueses tem que
|nter|or|zar. Bem esta |nter|or|zação o desen-
vo|v|mento econom|co sustentado não se
íará.
Os s|stemas econom|cos, oase|am-se, nos
pa|ses com íorte desenvo|v|mento no chama-
do vector cogn|t|vo. È por esta v|a que Portu-
ga| deve apostar e em part|cu|ar o Part|do
Boc|a||sta, deve |mpr|m|r toda a sua íorça,
geradora de mudança, numa soc|edade g|o-
oa| mas que deverá ter em conta os proo|e-
mas espec|í|cos dos portugueses e do que
poderá eíect|vamente dar de contr|outo, a um
mundo mu|t|cu|tura| e p|ur|d|sc|p||nar
O ape|o, esíorço e s|gn|í|cado que está
consuostanc|ado nesta moção e poss|ve| e
pass|ve| de concret|zação. Ass|m os portu-
gueses o que|ram ass|m||ar, como |uz num
túne|, que de escuro apenas está para aque-
|es que não tem esperança, mas que ao me-
nos não oostacu||zem o íuturo dum povo que
desoravou e descoor|u novos mundos, num
mundo desconhec| do, não ut| | | zando
tecno|og|as, como as actua|s, onde a prec|-
são de concret|zação se mede em attometros.
Oomecemos, po|s, a aor|r a porta do íuturo.
lgIésias CostaI
M|||tante 172017
Becção Pes| denc| a A| va| ade / Becção
Bector|a| EDP
L|sooa 98-12-15
MOÇÃO (PS/MADElRA)
MOÇÁO $EC7OR/AL
1 - lntrodução
No momento em que o Part|do Boc|a||sta re-
toma, no respe|to pe|a sua memor|a e pe|a
sua H|stor|a, o exerc|c|o estatutár|o da rea||-
zação dos congressos e da (re)consagração
destes como ·Fora· máx|mos das dec|soes
do PB, da deí|n|ção das suas estrateg|as,
mas, sooretudo, da conso||dação dos pr|nc|-
p|os eníormadores da acção po||t|ca que tem
desenvo|v|do de íorma dec|s|va, na aí|rma-
ção da democrac|a em Portuga|, |mpoe-se ao
PB/Made|ra, a aná||se do que tem s|do o seu
passado, o seu presente e as perspect|vas
de íuturo.
Ho|e, Estado-memoro de p|eno d|re|to da
Ün|ão Europe|a, Portuga| tem t|do no Part|do
Boc|a||sta, enquanto organ|zação po||t|ca, um
·corpo· responsáve| de homens e mu|heres
que, pe|a sua acção empenhada, prest|g|am
o Pa|s perante os seus í||hos, perante a Euro-
pa e perante o Mundo.
O PB/Made|ra, parte |ntegrante, e por |sso
orgu|hosa, do con|unto, sente com a mesma
|ntens|dade e a|egr|a as v|tor|as, dep|ora com
a mesma veemenc|a as |n|ust|ças e entr|ste-
ce-se com a mesma sens|o|||dade e s|ncer|-
dade, íace às razoes que a todos os seus
memoros e aos seus orgãos determ|nam,
|nev|tave|mente, sent|mentos de tr|steza.
Oongratu|amo-nos ass|m com a rea||zação
do Xl Oongresso Nac|ona| do Part|do Boc|a-
||sta, que saudamos com toda a íratern|dade,
com toda a a|egr|a e com toda a camarada-
gem, íazendo votos de que const|tua, para
oem de Portuga| e dos portugueses, o mo-
mento em que encetaremos as grandes ca-
m|nhadas que nos conduz|rão às e|e|çoes
europe|as e às e|e|çoes |eg|s|at|vas nac|o-
na|s que a nossa part|c|pação na Europa e a
Oonst|tu|ção da Pepúo||ca, respect|vamen-
te, determ|nam para 1999 e que saoeremos
enírentar com determ|nação e responsao|||-
dade.
Üma pa|avra para aque|e que tem s|do, com
nooreza de a|ma e de carácter; com exce-
|enc|a tecn|ca e c|ent|í|ca; com temperamen-
to to|erante e d|a|ogante; com íorte perso-
na||dade re|e|tando a íorça e a |mpos|ção
e com um |nu|trapassáve| sent|do de |ust|-
ça, o protagon|sta ev|dente, ev|denc|ado e
merecedor do co|ect|vo que ||dera com |ne-
gáve|s qua||dades, o Eng.' Anton|o Outerres.
Os portugueses renderam-se ao tom, às sen-
satez, ao or||ho d|screto e ao prest|g|o a que
as suas conv|cçoes deram cons|stenc|a, íor-
ça e |mpu|so.
2 - O percurso
O Part|do Boc|a||sta, desde o |n|c|o de 1992
per|odo de p|ena act|v|dade da ma|or|a ao-
so|uta do PBD, e apesar d|sso consegu|u a
aí|rmação do seu pro|ecto se e que a|nda
ho|e se pode ía|ar de ·part|do de pro|ecto· -
nos d|íerentes patamares da sua ex|stenc|a e
das ex|genc|as com que era, e e, coníronta-
do e estaoe|ecer, com Portuga| e com os por-
tugueses, uma re|ação de coní|ança, de aíec-
to, de empat|a e mesmo, de cump||c|dade
que, ret|rando d|stânc|a ao poder, responsa-
o|||zou-o, aprox|mou-o e human|zou-o, c|v|||-
zando-o.
Não e por acaso, nestes termos, que ao Par-
t|do Boc|a||sta ío| atr|ou|da a oor|gação de
governar a ma|or parte dos mun|c|p|os do Pa|s
e de o íazer oem, não e |ntempest|vamente,
nestes termos, que ao Part|do Boc|a||sta te-
nha s|do reconhec|da, de íorma ma|or|tár|a,
capac|dade para ger|r os dest|nos de Portu-
ga| numa íase cruc|a| da construção europe|a,
íazendo-o compat|o|||zando as ex|genc|as do
desenvo|v|mento e da contenção com as da
so||dar|edade e da |ust|ça, não se trata de um
mero ac|dente que, ao Part|do Boc|a||sta, de
acordo com os |nquer|tos de op|n|ão, cont|-
nue a ser dada uma | ntenção de voto
ma|or|tár|a, apesar de, para os nossos adver-
sár|os po||t|cos, estarmos, nos soc|a||stas, de-
í|n|t|vamente ·derrotados· íace à estrateg|a
·an|qu||adora· deí|n|da no |aoorator|o dos que
da democrac|a so conhecem o poder e os
seus oeneí|c|os e para quem, sempre, ·os í|ns
|ust|í|cam os me|os· e não e com surpresa
que, ao Part|do Boc|a||sta, resta manter o rumo
no cumpr|mento dos rea|s e |ntranspon|ve|s
grandes oo|ect|vos nac|ona|s.
3 - O PS/Madeira
O PB ganhou as e|e|çoes autárqu|cas em 93,
ganhou as e|e|çoes europe|as em 94, as e|e|-
çoes |eg|s|at|vas em 95 e promove a cand|-
datura e a e|e|ção do Pres|dente da Pepúo||-
ca em 96. O sucesso em todas as írentes
onde se desenvo|ve a nossa acção po||t|ca
passava a|nda, em 96, por duas duras pro-
vas: as e|e|çoes reg|ona|s nos Açores e na
Made|ra.
Fe||zmente, das duas d|í|ce|s contendas e|e|-
tora|s, o PB/Açores consegu|u uma saooro-
sa e merec|da v|tor|a que a todos honrou, res-
tando a Peg|ão Autonoma da Made|ra como
ún|ca e |amentáve| excepção à nossa vonta-
de de, |untos, reíorçarmos a democrac|a, pro-
movermos a |ust|ça e darmos |arga aos nos-
sos comprom|ssos com os portugueses e,
no caso concreto, com os que, na Made|ra e
no Porto Banto, reso|veram constru|r a sua
v|da.
Mu|tas e poderosas razoes determ|nam a s|-
tuação actua|mente ex|stente na Peg|ão Au-
tonoma da Made|ra a que o comportamento
do PB/M não e estranho, mas não a causa
ún|ca e, eventua|mente, nem mesmo a pr|n-
c|pa|. Procuraremos ad|ante encontrar |ust|í|-
caçoes razoave|mente ana||t|cas, devendo
por agora caracter|zar a actuação do Part|do
da Peg|ão, no cote|o com a de outras estru-
turas aparentemente seme|hantes, sendo
que, apenas com o PB/Açores a prát|ca e
comparáve|.
3.1. - A Autonomia
e o Desafio Democrático
A Oonst|tu|ção da Pepúo||ca Portuguesa con-
sagrou, |ogo na sua pr|me|ra versão, emer-
gente das e|e|çoes const|tu|ntes de 1975, a
Autonom|a Po|ítica e Adm|n|strat|va das reg|-
oes |nsu|ares da Made|ra e dos Açores.
\|vendo e assentando a democrac|a na natu-
ra| e |nd|spensáve| ex|stenc|a de part|dos na-
c|ona|s, são as suas estruturas reg|ona|s
responsao|||zadas por um ·comoate· demo-
crát|co propr|o em que, se por um |ado part|-
|ham so||dár|a e empenhadamente nas |mpor-
tantes tareías e ex|genc|as nac|ona|s de aí|r-
mação e cred| o| | | zação autarqu| as,
Assemo|e|a da Pepúo||ca, Par|amento Euro-
peu e Pres|denc|a da Pepúo||ca por outro,
desenvo|veu quot|d|anamente uma v|da po||-
t|ca |ntensa no p|ano reg|ona|, com ex|genc|-
as pragmát|cas, estrateg|cas e táct|cas que,
soo todos os pontos de v|sta, não tem com-
paração, suo||nhe-se o todo o respe|to por
estruturas seme|hantes, com qua|quer uma
das outras íederaçoes d|str|ta|s do Part|do
Boc|a||sta.
Oompreende estas c|rcunstânc|as, e íunda-
menta| para o sucesso da acção po||t|ca na
Peg|ão Autonoma da Made|ra, por parte do
PB, porque só essa compreensão pode, e
deve, induzir uma atitude so|idária na
assunção dos ob[ectivos comuns, no
acompanhamento estratégico, na definição
de recursos e, em suma, no vencer das d|í|-
cu|dades por nos exper|mentadas uma pos-
tura de expectat|va permanente e quase sem-
pre írustrada, íace a necess|dades vár|as no
âmo|to da |nsuom|ssão e |nconíorm|smo que
te|mamos em manter.
4 - Ambiente poIítico
regionaI
Desde as pr|me|ras e|e|çoes reg|ona|s, em
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 41
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
1976, que o PBD mantem com osc||açoes
re|at|vamente pequenas, uma coníortáve|
ma|or|a aoso|uta, que |he tem perm|t|do man-
ter o poder, o ·poder aoso|uto·, numa reg|ão
terr|tor|a|mente reduz|da, com uma popu|ação
de cerca de 260 000 hao|tantes, amp|os me|-
os í|nance|ros e acentuado |nvest|mento pú-
o||co, sem que nenhuma cons|stente aná||se
ao ·sucesso· tenha s|do produz|da com r|-
gor tecn|co e po||t|co, pe|o menos no âmo|to
das re|açoes do Estado com a Peg|ão, e desta
com aque|e, em todos os patamares de uma
dese|áve| cooperação soor|a, sensata e c|v|-
||zada.
O PBD e no Pa|s, e por ma|or|a de razão na
Peg|ão Autonoma da Made|ra, um part|do
com uma íorte e so||da ·cu|tura de poder·,
suovert| da s| stemat| camente pe| os
desregramentos de ||nguagem, pe|as mano-
oras táct|cas |nsp|radas pe|a po||t|que|r|ce
oarata, pe|o desrespe|to pe|a democrac|a,
mesmo nas suas íormas ma|s e|ementares,
pe|a chantagem po||t|ca e pe|o exerc|c|o
tendenc|a|mente cond|c|onador dos c|dadãos
e das suas consc|enc|as. O exerc|c|o da de-
mocrac|a na PAM cont|nua a ser uma rea||-
dade |nc|v|||zada, não part|c|pada, monoco|or
e parc|a|, suportada por uma adm|n|stração
púo||ca reg|ona| razoave|mente d|screta na
sua acção, mas eíect|vamente repress|va na
sua re|ação com os c|dadãos.
Apesar da tentat|va ser|a que o Ooverno da
Pepúo||ca tem v|ndo a íazer no sent|do de
transm|t|r à Oomun|cação Boc|a| (serv|ço pú-
o||co) o essenc|a| de uma at|tude |senta e
p|ura|, na Peg|ão Autonoma da Made|ra, tan-
to a PDP como a PTP, cond|c|onadas por um
d|scurso ameaçadoramente cr|t|co do Pre-
s|dente do Ooverno Peg|ona|, tendem a ooe-
decer, sendo orgão de comun|cação soc|a|
ao serv|ço do poder, do PBD, da sua máqu|-
na, da sua estrateg|a e dos seus |nteresses.
Apenas como exemp| o, a PDP-Made| ra
·cr|ou· um novo programa |nt|tu|ado: ·O
Ooverno Pesponde·. Be não íosse o trág|co
e eíect|vo r|d|cu|o de |sto poder acontecer
na democrac|a portuguesa, reag|r|amos
como se est| vessemos na Pomen| a de
Oeaucescu.
Oomo se nada acontecesse nem aconte-
ce que ||m|tasse os seus desvar|os, o Pre-
s|dente do Ooverno Peg|ona| aí|rma euíor|-
co que ·o Estado e maí|oso· - e|e, que e,
nos termos da Oonst|tu|ção, Oonse|he|ro de
Est ado que o Pr| me| ro-M| n| st ro e
·ca|ote|ro·, que a prát|ca do Estado Portu-
gues em re|ação à Made|ra e ·co|on|a||sta·
e outros ·p|ropos· com que regu|armente va|
or|ndando os orgãos de sooeran|a, no me|o
da ma|or |mpun|dade.
Das duas, uma. Ou o governo portugues, a
Pres|denc|a da Pepúo||ca, a Assemo|e|a da
Pepúo||ca, o Oonse|ho de Estado. Os Tr|ou-
na|s e todos os outros agentes democrát|-
cos da Pepúo||ca condescendem, entenden-
do que o c|dadão em causa tem razão e
nesse caso, o PB/Made|ra não tem razão de
ex|st|r em termos úte|s e d|gn|í|cantes ou
são de op|n|ão contrár|a e, nesse caso, ou
os tr|ouna|s dec|aram a |n|mputao|||dade do
personagem ou, |nev|tave|mente, terão os
responsáve|s que reag|r cons|derando como
·Ouestão de Peg|me· a s|tuação v|v|da na
Peg|ão Autonoma da Made|ra.
E e neste quadro que o PB/Made|ra se mov|-
menta, que eu me mov|mento. Enquanto d|r|-
gentes governamenta|s e part|dár|os se ·g|o-
r|í|cam· no e|og|o oportun|sta, oa|oío e de
certo modo crue| para quem os e|egeu e para
quem contr|ou|u para essa atr|ou|ção de con-
í|ança, aos detractores do Part|do Boc|a||sta,
dos seus d|r|gentes e da sua po||t|ca.
Não e, decentemente, deíensáve| que se
cont|nue a ex|g|r do PB/Made|ra e dos que o
entendem como me|o ser|o de serv|ço pú-
o||co que, por um |ado deíende a Pepúo||ca,
os seus ma|s v|s|ve|s |nterpretes, Portuga| e
o Part|do Boc|a||sta e, por outro, ser um co-
|ect|vo |d|ota, eventua|mente út||, ao serv|ço
de |nteresses que não consegue |nterpretar
qua|s se|am, |á que, não são, man|íestamen-
te, os |nteresses de Portuga| e da Peg|ão Au-
tonoma da Made|ra.
5 - Na defesa da autonomia
É urgente que os m|||tantes do PB tomem
consc|enc|a do amo|ente po||t|co na Made|-
ra. Não questionamos, nem quest|onare-
mos, a autonomia e os seus benefícios.
Deíendemos com convicção o princípio da
subsidiariedade e da aprox|mação dos cen-
tros de dec|são daque|es a quem e|a se d|r|-
ge. Não part||hamos, nem part||haremos, dos
argumentos dos que, por conv|cção ou opor-
tun|smo, entendem ser o separat|smo e a |n-
dependenc|a, cam|nhos a segu|r, mas su|e|-
tar-nos-emos à dec|são democrát|ca que soo
este ponto de v|sta v|er a ser em|t|da pe|as
popu|açoes |nteressadas.
Üma co|sa e certa. Bem regras não há demo-
crac|a e quem íecha os o|hos às regras está,
por om|ssão, a deíender o |ncumpr|mento da
Oonst|tu|ção, na sua |etra e no seu esp|r|to e
a promover no âmo|to da sua ap||cação, os
seus ma|s v|s|ve|s adversár|os.
Entendemos a autonom|a como um proces-
so d| nâm| co. Não o qua| | í| camos nem
quant|í|camos por entendermos ser, e|e pro-
pr|a, út|| ao desenvo|v|mento do Pa|s e da
Peg|ão e corresponder, no essenc|a|, ao gran-
des oo|ect|vos europeus de modern|dade e
|ust|ça soc|a|. Não queremos, deí|n|t|vamen-
te, estar d|spon|ve|s para assum|r, de íorma
exc|us|va, a |eg|t|mação dos |nteresses dos
outros.
***
Ass|m sendo, o Xl Oongresso Nac|ona| do
Part|do Boc|a||sta, reun|do em L|sooa nos d|as
30 e 31 de 1999, mandata os orgão
de||oerat|vos e execut|vos nac|ona|s do PB
para, com os orgãos do PB/Made|ra, estuda-
rem e deí|n|rem as me|hores íormas de
opt| m| zação do re| ac| onamento
|ntrapart|dár|o, v|sando potenc|ar uma act|v|-
dade po||t|ca concertada, consequentemente
e produt|va para o cumpr|mento dos oo|ect|-
vos do PB/M que, o mesmo e d|zer, do Part|-
do Boc|a||sta, de Portuga| e da Peg|ão Auto-
noma da Made|ra.
Expressar o seu ma|s sent|do repúd|o pe|a
íorma anoma|a, cu|tura|, po||t|ca e soc|a|men-
te, com que o PBD/Made|ra |u|ga cumpr|r a
sua m|ssão de ma|or íorça po||t|ca na Peg|ão
Autonoma da Made|ra.
Man|íestar a sua so||dar|edade ao PB/Made|ra
pe|a íorma cora|osa, íronta| e |nequ|voca com
que tem sao|do deíender os |nteresses da Ma-
de|ra e do Porto Banto, os |nteresses de Portu-
ga| na Europa e o seu prest|g|o no Mundo.
Buo||nhar a íratern|dade de todo o Part|do para
com os que na Peg|ão Autonoma da Made|-
ra se não tem cansado de |utar pe|a deíesa
dos pr|nc|p|os e va|ores que os í|zeram |nte-
grar este grande Part|do, o Part|do Boc|a||sta.
Pe|v|nd|car dos orgão de sooeran|a as at|tu-
des e acçoes necessár| as ao
reenquadramento da Peg|ão Autonoma da
Made|ra como espaço de v|venc|a democrá-
t|ca, part|c|pação c|v|ca e assunção p|ena da
c|dadan|a, como íorma ún|ca de d|gn|í|car a
Oonst|tu|ção da Pepúo||ca e Portuga|.
O Pres|dente do PB/Made|ra
Mota Torres
Funcha|, Dezemoro de 1998.
SEMEAR PARA DESENVOLVER
MOÇÁO $EC7OR/AL
1 - Semear para DesenvoIver.
Ao níveI Doméstico.
A agr|cu|tura portuguesa, à seme|hança da
europe|a, tem v|ndo a perder peso nos con-
textos soc|a| e econom|co.
No p|ano soc|a| emprega, em med|a anua|
entre 1992 e 1996, 11% da popu|ação act|va
empregada no Oont|nente, co|ocando-se em
ú|t|mo |ugar quando conírontada com os sec-
tores secundár|o e terc|ár|o.
Na opt|ca econom|ca, e em 1995, o va|or acres-
centado oruto agr|co|a no produto |nterno oru-
to representou apenas 2% do mesmo, s|tuan-
do-se ||ge|ramente ac|ma da med|a da Ün|ão
Europe|a a 15.
O rend|mento dos agr|cu|tores, por sua vez, teve
uma evo|ução íavoráve| entre 1994 e 1996 e
desíavoráve| nos anos 1992, 1993, 1997 e 1998.
Ana||sando o produto agr|co|a por ramos de
act|v|dade, entre 1992 e 1996, torna-se poss|-
ve| conc|u|r que as |ndústr|as agro-a||menta-
res se destacam c|aramente dos ramos s||vo-
|ndustr|a| e do agr|co|a, que assumem um peso
seme|hante.
No que toca ao comerc|o externo a agr|cu|tura
e as |ndústr|as agro-a||mentares são deí|c|tár|-
as íace às necess|dades de consumo dos
portugueses. Já o ramo s||vo-|ndustr|a| cont|-
nua a sustentar um sa|do superav|tár|o.
Desde 1986 e da ap||cação das a|udas de pre-
adesão, os |nvest|mentos e suos|d|os púo||-
cos e comun|tár|os, na agr|cu|tura portuguesa
|á u|trapassaram o o|||ão de contos.
Mau grado esse acresc|mo dos í|uxos í|nan-
ce|ros a íundo perd|do, para a|em do cred|to
oon|í|cado e das |sençoes í|sca|s - temos uma
agr|cu|tura a|tamente suos|d|ada - não se pode
aí|rmar, antes pe|o contrár|o, que a agr|cu|tura
portuguesa tenha me|horado o seu perí|| de
espec|a||zação, a sua compet|t|v|dade e a se-
gurança a||mentar dos seus produtos.
Há, contudo, cond|çoes edaío-c||mát|cas e
outras suscept| ve| s de me| horar essas
períormances ao n|ve| de, des|gnadamente,
tomate, v|nho, |act|c|n|os, írutas, hort|co|as e
í|oresta de uso mú|t|p|o.
É a|nda necessár|o apostar no regad|o e no
me|hor aprove|tamento da água, nos produ-
tos de qua||dade, na mu|t|íunc|ona||dade agro-
rura|, nos produtos eco-agr|co|as e eco-rura|s,
na me|hor|a do va|or acrescentado dos pro-
dutos agr|co|as e í|oresta|s atraves da sua |n-
dustr|a||zação, na í|or|cu|tura, na produção
agro-pecuár|a extens|va, na agr|cu|tura o|o|o-
g| ca, na me| hor| a dos c| rcu| tos de
comerc|a||zação e de armazenagem e, tam-
oem, na me|hor|a da qua||dade e da seguran-
ça a||mentar.
Üm pouco por todo o Pa|s, e sooretudo nas
reg|oes per|íer|cas ou desíavorec|das, |mpor-
ta tamoem proceder à construção de a||anças
e cooperaçoes a|argadas e |ntegradas, assen-
tes numa estrateg|a de |ongo prazo de d|vers|-
í|cação da oase econom|ca, |ntegrando os tres
sectores da econom|a, em que se|a dado pa-
pe| de re|evo à qua||í|cação das pessoas e ac-
tores reg|ona|s e |oca|s, as qua|s terão que as-
sentar no íomento de uma cu|tura |novadora e
cr|at|va, a|nda que com eíe|tos a med|o e |on-
go prazo.
A|nda no que respe|ta à agr|cu|tura e ao de-
senvo|v|mento agro-rura|, cons|deramos que,
por um |ado, se|am conceo|dos programas
nac| ona| s de expansão sustentada dos
suos|stemas ma|s d|nâm|cos e compet|t|vos
e, por outro, desenhados cr|at|vamente pro-
gramas que apo|em con|ugadamente as ou-
tras agr|cu|turas e as outras act|v|dades que a
montante e a |usante |he estão assoc|adas.
Ju|gamos tamoem que e pert|nente desenvo|-
ver acçoes de sens|o|||zação conducentes à
adesão às |novaçoes pe|os actores agr|co|as
e rura|s e, mu|to espec|a|mente, de ma|s e
novos |ovens agr|cu|tores.
2. Semear com harmonia
e aIargamento.
A po||t|ca agr|co|a portuguesa decorre da ma|s
ant|ga e organ|zada po||t|ca agr|co|a europe|a:
a po||t|ca agr|co|a comum (PAO). Os seus pr|n-
c|p|os assentam na un|dade dos mercados,
na preíerenc|a comun|tár|a e na so||dar|edade
í|nance|ra.
A sooreprodução agr|co|a europe|a, ooserva-
da no |n|c|o dos anos 80, ao |mp||car exceden-
tes estrutura|s d|spend|osos, e a pressão do
OATT conduz|ram à reíorma da PAO em Ju-
nho de 1992. Esta reíorma v|sou, entre outros
oo|ect|vos, aprox|mar progress|vamente os
preços europeus dos preços mund|a|s, prote-
ger o amo|ente, suost|tu|r o apo|o aos preços
pe|a a|uda d|recta ao rend|mento e |nser|r a
agr|cu|tura europe|a no mercado mund|a|.
O suporte í|nance|ro da P.A.O. e o Fundo Euro-
peu de Or|entação e Oarant|a Agr|co|a -
FEOOA. Os seus recursos representam cerca
de 50% do orçamento Oomun|tár|o e em 1984
essa representação at|ng|a 70%.
A po| | t| ca que sustenta a PAO está
desactua||zada. Favorece os agr|cu|tores do
ACÇÃO SOClALlSTA 42 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
Norte e do Oentro da Ün|ão Europe|a, prote-
ge, sooretudo, os ramos agr|co|as dos cere-
a|s, dos oov|nos e dos |act|c|n|os e está e|a-
oorada para sustentar uma escassa m|nor|a
de agr|cu|tores.
É tremendamente |n|usto que 20% dos agr|-
cu|tores da Ün|ão Europe|a (Ü E) aoocanhem
80% dos recursos do FEOOA.
O a|argamento da Ün|ão Europe|a aos PEOO's
e ao Oh|pre, a |ntenção da manutenção do ||-
m|te máx|mo dos recursos propr|os da Ü.E.
em 1,27% do P.l.B. comun|tár|o e em 0,46% a
dotação dos íundos estrutura|s, a reíorma dos
íundos estrutura|s e a nova ronda de negoc|a-
çoes da Organ|zação Mund|a| do comerc|o
produz|rão, |nev|tave|mente, novos contornos
à reíorma em curso da PAO, cu|a conc|usão
se preve que ocorra no decurso da pres|den-
c|a a|emã, provave|mente em Março de 1999.
A reíorma da PAO, ao n|ve| da Oom|ssão, en-
contra-se numa íase regu|amentadora, quer no
seu todo, quer ao n|ve| das Organ|zaçoes Oo-
muns de Mercado, das po||t|cas estrutura|s e
do FEOOA.
Esta rev|são da PAO enca|xa na Agenda 2000
que eng|ooa tamoem a reíorma dos íundos
estrutura|s, o a|argamento da Ün|ão Europe|a
e a|teraçoes às reg|oes oo|ect|vo.
A Oom|ssão da Ün|ão Europe|a apresentou ao
Oonse|ho Europeu de Madr|d, em Dezemoro
de 1995, um con|unto de propostas tendentes
à reíorma da P.A.O.. Dessas propostas e pos-
ter|ores desenvo|v|mentos, destacamos:
1 - Me|horar a compet|t|v|dade da agr|cu|tura
no mercado |nterno e externo, atraves da re-
dução dos preços, da me|hor|a da qua||dade
e da segurança dos generos a||ment|c|os;
2 - Or|ação de íontes de rend|mento e oportu-
n|dades de empregos comp|ementares ou a|-
ternat|vos para os agr|cu|tores e suas íam|||as,
|ntroduz|ndo uma ma|or mu|t|íunc|ona||dade
nas zonas rura|s;
3 - Aproíundar e a|argar a reíorma de 1992,
suost|tu|ndo de íorma crescente as med|das
de apo|o aos preços por a|udas d|rectas ao
rend|mento e acompanhando esse processo
por uma po||t|ca rura| coerente;
4 - Peíorço das competenc|as do FEOOA-ga-
rant|a, dando-|he novas atr|ou|çoes na área
das reg|oes desíavorec|das, da me|hor|a da
produção e da comerc|a||zação, do desen-
vo|v|mento rura|, |sto e, ao n|ve| da íutura re-
g|ão do oo|ect|vo 2, caracter|zada por d|í|cu|-
dades estrutura|s(rura|s, |ndustr|a|s, uroanas,
etc);
5 - Pedução, de acordo com as conc|usoes
do Üruguay Pound, dos d|re|tos n|ve|adores e
das rest|tu|çoes às exportaçoes, e, redução
gradua| dos preços de |ntervenção e redução
ou ext|nção da armazenagem púo||ca;
6 - Peíormar os apo|os aos pr|nc|pa|s produ-
tos med|terrâneos ( taoaco, aze|te, v|nho, íru-
tas e produtos hort|co|as);
7 - F|xação de um ||m|te máx|mo espec|í|co,
por exp|oração, para todas as a|udas d|rectas
ao rend|mento e a modu|ação das a|udas;
8 - Peíorçar as med|das de acompanhamento
||gadas à po||t|ca rura|:
- Peg|me agroamo|enta|, me|horando este e
apo|ando o desenvo|v|mento da
agr|cu|tura o|o|og|ca;
- F|orestação, íomentando a í|oresta de uso
mú|t|p|o e a deíesa do amo|ente;
- Pre-reíorma e consequente re|uvenesc|men-
to do tec|do empresar|a| agr|co|a.
Estas propostas da Oom|ssão, apesar do seu
aparente amp|o espectro, em pouco a|teram,
como veremos, o essenc|a| da Po||t|ca Agr|co-
|a Oomum (PAO), conservando o ve|ho mode-
|o da red|str|ou|ção soc|a|, sector|a|, e reg|ona|
dos d|nhe|ros do FEOOA, pena||zando os con-
sum|dores e os contr|ou|ntes í|sca|s da Ün|ão
Europe|a e cont|nuando a íavorecer, íortemen-
te, uma escassa m|nor|a de grandes e r|cos
empresár|os agr|co|as europeus.
Oua|quer que se|a o mode|o de rev|são da PAO
que venha a ooter venc|mento em Bruxe|as, há
a|guns aspectos que |mporta reter e enunc|ar:
- É |mora| que o sector agr|co|a, que ocupa
4% da popu|ação act|va empregada na Ün|ão
Europe|a, receoa 50% ( c|nquenta por cento )
do orçamento comun|tár|o;
- É | nsustentáve| que os cerea| s, as
o|eag|onosas, os oov|nos e o |e|te aosorvam
67% das despesas da PAO, 72% das a|udas
d|rectas ao rend|mento e não representem
ma|s de 41% da produção agr|co|a da Ü.E.;
- É ( po||t|ca, soc|a| e et|camente ) |n|usto que
20% dos agr|cu|tores da Ü E emoo|sem 80% (
o|tenta por cento ) do orçamento da PAO.
|/ooomos, oo/ |0oo o q0e /|co0 e·o/esso, e
em s|||ese, a oeç/ess|/|oaoe e o/oç/ess|/a e||-
m||açao oas a/0oas /||a|ce|/as às zo|as
/a/o/ec|oas.
/s a/0oas com0|||a/|as oe/e/ao e|cam|||a/-
se, e·c|0s|/ame||e, oa/a as /eç|oes
oes/a/o/ec|oas, p|aíonando-as por exp|ora-
ção ate um ||m|te máx|mo g|ooa| e modu|an-
do-as, tamoem por exp|oração, de acordo
com a mão de oora empregada e a deíesa
do amo|ente, e tendo sempre presente como
pressuposto que estas propostas deverão ser
negoc|adas no quadro mu|t||atera| da Orga-
n|zação Mund|a| do Oomerc|o.
lmporta a|nda sa||entar que a po||t|ca de qua-
||dade, de segurança dos a||mentos, o res-
pe|to pe|o amo|ente, a o|od|vers|dade e a
saúde e o oem estar dos an|ma|s devem ser
co|ocados no centro de toda a po||t|ca de
mercado da PAO, e não serem u|trapassa-
dos pe| os | nteresses comerc| a| s e
econom|c|stas, como vem sendo prát|ca na
Oomun|dade Europe|a.
3. O PS. O poder. Os miIitantes.
Por ú|t|mo, o P.B. e os seus m|||tantes não
devem cont|nuar co|ocados à margem do
desenvo|v|mento e do poder, antes devendo
ser d|scr|m|nados pe|a pos|t|va, tornando-se
e|ementos act|vos e de coní|ança tecn|ca e
po||t|ca e suscept|ve|s de se |nser|rem nos
mov|mentos soc|a|s e na const|tu|ção de sec-
çoes e de íederaçoes sector|a|s, gao|netes
de estudo e departamentos |ntegradores de
novos m|||tantes e part|c|pantes na v|da do
part|do e da soc|edade.
F 0/çe||e semea/ oa/a 0||/.
Becção do M|n|ster|o da Agr|cu|tura, em 21
de Jane|ro de 1999,
Buoscr|tores
João Morais
J. Machoqueira
MatiIde AIves
ManueI Teixeira
F. GonçaIves Nú
Xavier Fernandes
Óscar Xavier
RUMO A UMA MELHOR SAÚDE
MOÇÁO $EC7OR/AL
O deoate po||t|co no se|o do Part|do Boc|a-
||sta tem s|do uma necess|dade sent|da por
todos aque|es que reve|am a|guma preocu-
pação com o nosso íuturo como portugue-
ses e que vem no PB uma |mportante tr|ou-
na de |ntervenção na soc|edade. Esse de-
oate pode e deve assum|r vár|as íormas,de
modo a aproíundar as questoes e a |evar o
part|do a pensar co|ect|vamente, em espe-
c|a|, naque|as áreas onde ex|sta uma íorte
componente de car|z soc|a|. Deve ser essa
a nossa |ntenção, e |sso que nos deve mo-
ver, de íorma a suger|r novos rumos, sens|-
o|||zar as mentes, ení|m, co|ocar à d|spos|-
ção dos portugueses novas v|as, novas a|-
ternat|vas, novas so|uçoes.
A po||t|ca de saúde pe|as d|í|cu|dades que
encerra e pe|o |mpacto soc|a| que assume,
e seguramente uma daque|as áreas em que
va|e a pena o deoate, em que e necessár|o
o d|á|ogo, em que e sent|do o consenso.
A po||t|ca de saúde em Portuga| vac||ou du-
rante anos, pr|nc|pa|mente na pr|me|ra me-
tade da decada de 90, quer em re|ação aos
seus oo|ect|vos, quer aos mode|os de ges-
tão e í|nanc|amento, por razoes que se pren-
deram com a|guma |ndeí|n|ção po||t|ca e com
certas tentat|vas de reíorma desa|ustadas à
rea||dade.
Por outro |ado, ío| tamoem perd|do demas|-
ado t empo com a t ent at | va de
|mp|ementação de med|das avu|so, mu|tas
de|as de eí|c|enc|a oo|ect|vamente duv|do-
sa e desa|ustadas ao mode|o do s|stema de
saúde portugues e de que são exemp|o os
seguros-doença, ou com o aoandono de a|-
gumas ||nhas de or|entação estrateg|ca na
área do í|nanc|amento e que so há oem pou-
co tempo íoram retomadas pe|o governo do
Part|do Boc|a||sta. Tamoem na sens|ve| e
|mportante área da gestão hosp|ta|ar, não
houve a coragem po||t|ca necessár|a para
|novar, tendo so mu|to recentemente s|do cr|-
ados novos |nstrumentos que, se espera,
|rão perm|t|r uma eí|c|ente gestão dos recur-
sos humanos e í|nance|ros, e a|nda ass|m a
t|tu|o exper|menta|.
Para a|em destas razoes de ordem po||t|ca
são tamoem conhec|das as consequenc|as
dev|das a uma |eg|s|ação |nadequada aos
modernos mode|os de gestão hosp|ta|ar,
quer a re|at|va ao BNB, quer à adm|n|stra-
ção púo||ca em gera|, com os constrang|-
mentos conhec|dos e os eíe|tos perversos
soore o íunc|onamento dos serv|ços.
A |ent|dão na |mp|ementação das reíormas
estrutura|s íundamenta|s que a soc|edade re-
c|ama e que a propr|a OODE aconse|ha no
seu ú|t|mo re|ator|o para Portuga|, |untamente
com as d|í|cu|dades na reso|ução de a|gu-
mas pr|or|dades de eíe|to |med|ato |unto da
popu|ação, e de que são exemp|o a reso|u-
ção das ||stas de espera para certas c|rurg|-
as e|ect|vas ou as comp||cadas e d|í|ce|s
marcaçoes de consu|tas nos centros de saú-
de e nos hosp|ta|s, tem |evado a que os por-
tugueses não tenham acesso aos cu|dados
de saúde da mesma íorma que a grande
ma|or|a dos c|dadãos da Ün|ão Europe|a.
Mu|tos íactores tem contr|ou|do para |sso.
No entanto, a má gestão e organ|zação das
nossas |nst|tu|çoes, o mode|o de í|nanc|a-
mento e um certo suo-í|nanc|amento cron|-
co, são os que ma|s parecem |ní|uenc|ar os
maus resu|tados do nosso s|stema de saú-
de re|at|vamente aos nossos parce|ros eu-
ropeus. Portuga| gasta com a saúde em ter-
mos de despesas púo||cas, cerca de 5% do
PlB, va|or que se encontra |á perto da med|a
comun|tár|a. Oontudo, se as contas íorem
íe|tas em par|dades de poder de compra em
do|ares por hao|tante, apenas estamos me-
|hor que a Orec|a e a lr|anda. Há portanto
a|nda aqu|, a|guma margem de progressão
em termos de aumento das despesas púo||-
cas, pe|o que se pode íac||mente reconhe-
cer a ex|stenc|a de a|gum grau de suo-í|nan-
c|amento. Ate porque a percentagem das
despesas pr|vadas são de ta| modo e|eva-
das re|at|vamente às púo||cas, em compa-
ração com o que se passa nos outros pa|-
ses da comun|dade, que d|í|c||mente se po-
derá de|xar de ace|tar no íuturo um ma|or
equ|||or|o entre amoas. A||ás, o tota| das des-
pesas púo||cas e pr|vadas reve|a-se |á su-
per|or à med|a comun|tár|a, apesar dos
|nd|ces san|tár|os e do grau de sat|síação
dos utentes ser |níer|or aos dos outros pa|-
ses europeus.
Por tudo |sto, não podemos de|xar de co|o-
car o proo|ema da má gestão das nossas
|nst|tu|çoes, em espec|a|, dos hosp|ta|s,
como t endo segurament e um pape|
determ|nante no mau íunc|onamento e nos
desperd|c|os que aíectam o s|stema. Oua| a
verdade|ra d|mensão do proo|ema e qua| a
quota parte de responsao|||dade que caoe
a cada uma destas vertentes, não parece
a|nda comp|etamente c|aro.
Apesar da me|hor|a ev|dente no íunc|ona-
mento do BNB, a que não e a|he|a a ex|sten-
c|a de um governo soc|a||sta, os portugue-
ses cont|nuam a quest|onar-se se estão de
íacto a ser reso|v|dos os seus proo|emas
ma|s |med|atos. É part|cu|armente notor|o o
enorme íosso que a|nda nos separa da Eu-
ropa re|at|vamente à equ|dade no acesso
aos cu| dados de saúde, à qua| | dade e
human|zação dos nossos hosp|ta|s, ou ao
apo|o dom|c|||ár|o, para |á não ía|ar nos eter-
nos proo|emas que aíectam as urgenc|as
hosp|ta|ares, com a enorme p|etora de do-
entes que a| acorrem, por |ncapac|dade de
resposta a n|ve| das consu|tas nos centros
de saúde.
Todas estas razoes e mu|tas outras, torna-
ram urgente a necess|dade de dar um novo
|mpu|so e um novo rumo à po||t|ca de saú-
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 43
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
de. É |usto, no entanto, que se d|ga, que em
mater|a de reíormas estrutura|s e ao contrá-
r|o do que mu|tas vezes a opos|ção preten-
de íazer crer, Portuga| tem |á em curso a|gu-
mas das recomendaçoes precon|zadas pe|a
OODE no seu ú|t|mo re|ator|o. É o caso da
separação entre o púo||co e o pr|vado e da
me|hor|a da coordenação e art|cu|ação en-
tre os d|versos n|ve|s, serv|ços e estaoe|ec|-
mentos de saúde púo||cos, e a|nda da mo-
d|í|cação, se oem que de um modo exper|-
menta|, da íorma de remuneração dos me-
d|cos.
As reíormas estrutura|s tem t|do um cam|-
nho d|í|c||, não so em Portuga|, mas tamoem
em toda a Europa. O d|stanc|amento h|stor|-
co a|nda escasso re|at|vamente aos novos
mode|os de í|nanc|amento e gestão nos vá-
r|os s|stemas de cu|dados de saúde ex|sten-
tes na Europa, se|am e|es do t|po do Berv|-
ço Nac|ona| de Baúde ou do Beguro Boc|a|
oor|gator|o, não tem perm|t|do ava||ar com
oo|ect|v|dade a oondade daque|es mode|os,
os qua|s c|c||camente tem aparec|do como
var|nhas de condão capazes de reso|ver to-
dos os ma|es de que eníermam os d|versos
s|stemas de saúde por esse mundo íora.
Tamoem a permanente pressão exerc|da
soore os med|cos e os doentes por eíe|to
das novas tecno|og|as e das novas mo|ecu-
|as íarmaco|og|cas que a toda a hora emer-
gem, sempre ma|s d|spend|osas, não de|-
xam grande margem para pensar na me|hor
íorma de conter os crescentes custos com
os cu|dados de saúde, de que todos os go-
vernos se que|xam. Não adm|ra po|s, que
as grandes reíormas estrutura|s na Europa
tenham uma h|stor|a de avanços e recuos
de d|í|c|| gestão e de enorme |ent|dão na sua
ap||cação, chegando-se ao ponto de se con-
s|derar que o que era verdade há do|s ou
tres anos atrás, passa a ser ment|ra, ou pe|o
menos a|tamente duv|doso no presente.
Por tudo o que atrás í|cou d|to, parece |m-
portante a |mp|ementação de med|das que
tenham em conta a reso|ução |med|ata de
a|guns dos pr|nc|pa|s proo|emas que aíec-
tam os portugueses, dando tempo a que as
reíormas possam produz|r o seu eíe|to. As-
s|m:
Oons|derando que a saúde e um oem íun-
damenta| para os c|dadãos.
Oons|derando que a po||t|ca de saúde, oa-
seada no Berv|ço Nac|ona| de Baúde, deve
ser encarada como uma pr|or|dade por par-
te do governo.
Oons|derando que as reíormas estrutura|s
são morosas, de d|í|c|| ap||cação e que |e-
vam tempo a produz|r os seus eíe|tos.
Oons|derando que se torna premente a re-
so|ução de a|guns proo|emas |med|atos que
aíectam os portugueses, de que são exem-
p|o as ||stas de espera para certas c|rurg|as
e|ect|vas, as consu|tas nos Oentros de Baú-
de, ou o atend|mento dom|c|||ár|o.
Oons|derando que o propr|o Becretár|o-Oe-
ra| do Part|do Boc|a||sta tornou púo||co a |n-
tenção de pr|v||eg|ar a saúde num prox|mo
mandato.
Propoe-se:
1 Oue a po||t|ca da saúde se|a cons|dera-
da a pr|me|ra pr|or|dade no programa e|e|to-
ra| e no programa de governo do Part|do Bo-
c|a||sta, nas prox|mas e|e|çoes.
2 Oue a po||t|ca de saúde a |mp|ementar,
tenha em conta a reso|ução, de uma íorma
exped|ta, dos proo|emas ma|s |med|atos que
aíectam os portugueses, em espec|a|, a re-
so|ução das ||stas de espera para c|rurg|a,
as consu|tas nos Oentros de Baúde e o apo|o
e atend|mento dom|c|||ár|o.
3 Oue as reíormas estrutura|s em curso
se|am ace|eradas, nomeadamente, as que
se re|ac|onam com as áreas da gestão e í|-
nanc|amento, as que se prendem com a ap||-
cação do novo estatuto |ur|d|co dos hosp|-
ta|s, que se pretende ma|s a|argada, as re-
|ac|onadas com a |ntrodução dos s|stemas
de garant|a de qua||dade e de me|hor|a das
| nst a| açoes e das cond| çoes de
human|zação dos serv|ços de saúde, e as
que |evem à |mp|ementação de med|das de
saúde púo||ca conducentes à d|m|nu|ção da
chamada morta||dade ev|táve|, em espec|a|,
a que se re|ac|onam com a d|aoetes, as do-
enças card| o-vascu| ares e as doenças
onco|og|cas.
L|sooa, 4 de Jane|ro de 1999
O Buoscr|tor
José MigueI Boquinhas
M|||tante n'179478
PERSPECTlVAR UM FUTURO COM SAÚDE TOTAL
MOÇÁO $EC7OR/AL
lntrodução
Na actua| |eg|s|atura, o Part|do Boc|a||sta, ||-
derou uma po||t|ca íundamentada em estra-
teg|as cons|stentes or|entadas por pr|nc|p|os
de equ|dade e so||dar|edade.
Herdámos um s|stema corporat|v|sta, sem
rumo, |ncapaz de responder de íorma ho||st|ca
às necess|dades ma|s prementes de todos
os c|dadãos. Ao term|nar este mandato, o PB
de|xa o pa|s ma|s modern|zado. Foram
contru|dos novos hosp|ta|s, amp||ados ou re-
mode|ados os ex|stentes. Apresentamos a|-
guns |nd|cadores da saúde ao n|ve| dos ou-
tros pa|ses da OODE. Ao mesmo tempo, |an-
çaram-se programas espec|í|cos para a pro-
moção da saúde e para a prevenção da do-
ença, se|a e|a í|s|ca ou menta|, quer nos |o-
vens quer nos |dosos.
Novos mode| os de gestão í oram
|mp|ementados, precon|zadores de mudan-
ças proíundas não v|s|ve|s no espaço tem-
pora| que uma |egs||atura |mpoe.
Novos contextos se ad|v|nham, novos mode-
|os de gestão se desenham. No entanto, urge
que o doente ootenha uma consu|ta ou |nter-
venção c|rúrg|ca, em tempo út|| e sempre que
necessár|o, num hosp|ta| ou num centro de
saúde. Boo pena dos c|dadãos perderem a
coní|ança que depos|taram naque|es que e|e-
geram como padroe|ros ou representantes
|eg|t|mos.
O acesso aos cu|dados de saúde e um de-
se| o ma| sat| síe| to, quer por parte dos
prestadores de serv|ços de saúde, quer por
parte dos doentes.
lmporta aor|r cam|nhos para a mudança com
a vontade íerrea que |eg|t|ma todos aque|es
que ace|taram como sua m|ssão serv|r o pro-
x|mo.
Não se pode d|ssoc|ar a saúde da so||dar|e-
dade, pr|nc|pa|mente para com os ma|s
desíavorec|dos e os ma|s necess|tados. Fo-
ram estes pr| nc| p| os que est| veram
suo|acentes à Le| 56/79 de 26 de Agosto, que
cr|ou o Berv|ço Nac|ona| de Baúde na depen-
denc|a da Becretar|a de Estado do M|n|ster|o
dos Assuntos Boc|a|s.
O Part|do Boc|a||sta tem a progen|tura do
Berv|ço Nac|ona| de Baúde (BNB). Oaoe-|he
a responsao|||dade de prov|denc|ar sem de-
moras a reparação dos erros do passado,
neste momento dec|s|vo da h|stor|a da Euro-
pa, marcado pe|os desaí|os constantes no
Tratado de Amsterdão, pe|a po||t|ca econo-
m|ca mund|a| e, sooretudo, pe|o reíorço dos
d|re|tos de c|dadan|a.
Perspectivar o futuro
1 - Oons|deram-se urgentes as reíormas nas
áreas da propr|edade dos serv|ços, do exer-
c|c|o da tute|a, dos mode|os de gestão e da
responsao|||zação, oaseados no conce|to da
compet|ção ger|da.
Üm novo mode|o de organ|zação e íunc|ona-
mento dos hosp|ta|s deverá garant|r a aces-
s|o|||dade aos cu|dados pr|már|os ou secun-
dár|os, em tempo út||, quer no que se reíere
às urgenc|as, às consu|tas, ao o|oco opera-
tor| o, ao | nternamento e aos cu| dados
dom|c|||ár|os ou íac|||tar o acesso a outras
ent|dades de saúde, sempre que os hosp|-
ta|s não tenham capac|dade de resposta,
med|ante íormas contratua|s.
Poder-se-á entender, à pr|or|, como uma trans-
íerenc|a de responsao|||dades. Todav|a não
|ned|ta no actua| s|stema no que se reíere aos
me|os comp|ementares de d|agnost|co e tra-
tamento.
Por outro |ado, poder-se-á entender como um
pr|me|ro passo, seguro, para a c|ar|í|cação
urgente entre o sector púo||co e o sector pr|-
vado.
A opção por parte dos proí|ss|ona|s de saú-
de terá de ser íe|ta, soo pena de se perpetu-
arem as ¨greves-de-íacto" ou em ¨se|í-
serv|ce" causadoras de |nterm|náve|s ||stas de
espera, desmarcação de consu|tas, de exa-
mes ou de |ntervençoes c|rúrg|cas, que, com
rap|dez, são reso|v|das no sector pr|vado, í|-
nanc|ados ma|or|tar|amente por todos aque-
|es que |á pagam os seus |mpostos.
2 - É urgente conceoer e |evar à prát|ca uma
Oestão dos B|stemas de lníormação, moder-
na, pragmát|ca, actua||zada e sem comp|e-
xos, que devo|va em tempo út|| os resu|tados
operac|ona|s e í|nance|ros dos serv|ços pres-
tados, de íorma a aqu||atar os recursos
d|spon|o|||zados, os prove|tos oot|dos e os
resu|tados a|cançados pe|o doente e pe|o s|s-
tema. A natureza da gratu|t|dade do BNB não
|nva||da o sent|do de responsao|||dade por
parte dos utentes.
A med|ção dos resu|tados, em Baúde, e es-
senc|a| porque se traoa|ha com a v|da Hu-
mana!
É |mperat|va a construção de um mode|o de
ava||ação dos resu|tados oot|dos pe|o doen-
te, que comp|emente a prát|ca usua| da |níor-
mação estat|st|ca, com reduz|do va|or acres-
centado para a |e|tura oo|ect|va do o|nom|o
¨Despesa/Me|hores Ou|dados de Baúde Pres-
tados"
3 - Promover uma art|cu|ação eí|caz e eí|c|-
ente entre as d|íerentes ent|dades pertencen-
tes ao mesmo B|stema Nac|ona| de Baúde,
pr|nc|pa|mente entre os centros de saúde e
os hosp|ta|s e entre os hosp|ta|s centra|s e
d|str|ta|s, com recurso às novas tecno|og|as
|níormát|cas ta|s como a te|emát|ca e a
te|emed|c|na, de íorma a reduz|r:
As ass|metr|as reg|ona|s
O |so|amento das popu|açoes
Os custos com as des|ocaçoes, dos doentes
e seus íam|||ares, do |nter|or para os grandes
centros uroanos, onde se concentram quase
todos os recursos humanos e mater|a|s
Ouanto ma|s e me|hor |níormação soore as
comp|exas necess|dades de saúde da popu-
|ação e a oíerta d|spon|ve| no mercado, me-
|hor será o contr|outo para um íuturo com ma|s
coní|ança no progresso e .
Um futuro com saúde totaI
Oaoe aos soc|a||stas reacender a chama da
coní|ança dos c|dadãos num Berv|ço de Baú-
de ma|s equ|tat|vo, |usto, eí|caz e ma|s
human|zado. Mu|to se íez nesta |eg|s|atura!
Mas podemos íazer ma|s e me|hor.
Bão |números os d|agnost|cos e mu|tas as
|ncertezas perante um íuturo que se v|s|um-
ora aoerto às nossas vontades! Temos
potenc|a||dades para nos soorepormos aos
|nteresses |nsta|ados e provarmos as nossas
capac|dades de renovação de íorma susten-
tada. Pretendemos um B|stema promotor da
saúde e não da doença, que, em art|cu|ação
com as po||t|cas de Bo||dar|edade Boc|a|,
Amo|enta| e de Educação, |ncent|ve o respe|-
to pe|a \|da.
Acred|tamos num B|stema de Baúde com
oo|ect|vos mensuráve|s, que contemp|e de
íorma harmon|ca as me|hores cond|çoes e
metodos de traoa|ho, as novas tecno|og|as
de ponta, a apred|zagem e a íormação pro-
í|ss|ona| cont|nua, de íorma a assegurar a
sat|síação, a |gua|dade de oportun|dades, o
respe|to e a d|gn|dade de todos os proí|ss|o-
na|s que, d|recta ou |nd|rectamente, servem
os doentes.
Encarar a Baúde Tota| para a|em da ausenc|a
de doença pressupoe a garant|a do Bem-Es-
tar Boc|a|, F|s|co, Ps|qu|co e Econom|co dos
c|dadãos.
É um desaí|o a vencer no secu|o XXl !
AIexandrina BataIha
N' 216397, Oarn|de
ACÇÃO SOClALlSTA 44 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
MOÇÁO $EC7OR/AL
DROGA - CONSUMO E PUNlÇÃO
1. A proo|emát|ca da droga vem assum|n-
do, na actua||dade, uma d|mensão crescen-
te, conc|tando à emergenc|a de deoates e
coníronto de pos|çoes no se|o das Oomun|-
dades nac|ona|s e lnternac|ona|.
Trata-se, com eíe|to, de um íenomeno que
se tornou, em poucas decadas, num dos
temas ma|s po|em|cos com que se deíron-
tam as soc|edades contemporâneas, repar-
t|ndo-se por mú|t|p|as vertentes, desde a |u-
r|d|ca à po||t|ca, da med|ca à ps|co|og|ca,
da soc|o-cu|tura| à econom|ca. Poder-se-á
d|zer que o surto de droga se tem transíor-
mado num autent|co susto, com todas as
consequenc|as neíastas que decorrem do
íacto de os poderes não saoerem como o
ger|r: e o susto íez-se pân|co, envo|vendo
as estruturas do Poder e as soc|edades. Na
rea||dade, perante a droga tem ía|hado, su-
cess|vamente, todas as estrateg|as, quer a
repress|va e cr|m|na| quer as que se |nsp|-
ram em var|antes ma|s ape|at|vas das com-
ponentes ps|cossoc|a| e de re|nserção so-
c|a|. Oontudo, a droga cont|nua a ser um
dos negoc|os ma|s rentáve|s do tempo pre-
sente, provave|mente tamoem dos tempos
que v|rão, e não so no que se reporta aos
carte|s do tráí|co: há que ter a coragem de
aí|rmar que os sectores |ur|d|co e de tera-
peut|ca tamoem tem prosperado com esta
s| t uação, v| vendo- se uma aut ent | ca
soorepos|ção de |nteresses, entre os ||c|-
tos e os |||c|tos.
A este caos, acresceu o proo|ema BlDA, com
todas as suas |mp||caçoes no tec|do soc|a|,
ad|c|onando às |á conhec|das matr|zes da
droga-cr|me e da droga-eníerm|dade, a dro-
ga-ep|dem|a.
Face à questão droga e n|t|do que todos os
pro|ectos em que a Oomun|dade lnternac|o-
na| se tem empenhado at|ng|ram o íracas-
so: atente-se, a t|tu|o de exemp|o, na po||t|-
ca norte-amer|cana da wa/ o| o/0çs, |n|c|a-
da há ma|s de v|nte e c|nco anos pe|o então
Pres|dente N|xon, a qua| tem const|tu|do um
|nex|to ma|s estrondoso do que a íam|gerada
|e| Seca. Para a|em d|sso, os custos soc|a|s
do pro|o|c|on|smo tem-se reve|ado g|gantes-
cos e, do mesmo passo, aoerrantes: oasta
que se pense que, nos Estados Ün|dos, em
1981, o orçamento íedera| para o chamado
comoa|e à o/oça at|ng|a |á a c|íra de 645
m||hoes de do|ares, e|evando-se, em 1987,
para o montante astronom|co de 4 000 m|-
|hoes de do|ares; e, no pr|me|ro mandato de
Peagan (1980-84), as despesas com o tra-
tamento dos tox|codependentes decresce-
ram em 40%. E |á depo|s da |nvasão norte-
amer|cana do Panamá, aquando da captura
de Nor|ega, quando se adm|t|u, puer||men-
te, que o consumo de drogas decrescer|a,
ass|st|u-se, em 1991, ao aumento do uso do
c/ac| (18%) e da hero|na. Espantosamente,
em 1992, os Estados Ün|dos despenderam
8 000 m||hoes de do|ares na |uta contra a
droga, sendo que do|s terços desta veroa
íoram d|spon|o|||zados na repressão.
Eíect|vamente, por ma|s que os Leg|s|ado-
res nac|ona|s |mp|ementem a sever|dade
pena| contra os narcotraí|cantes, recorren-
do, na|gumas partes do g|ooo, ao terror|s-
mo da pena cap|ta|, a verdade e que a pro-
dução e o tráí|co |||c|tos de drogas não pa-
ram de í|orescer, num processo de auto-re-
produção compu|s|va.
2. Portuga| tamoem tem percorr|do um tra-
|ecto repress|vo, em espec|a| desde que em
1970 se estaoe|eceu a campanha marce||sta
D/oça-|o0c0/a-Vo/|e - qu| çá me| o de
despo|etar o propr|o consumo! - e se deí|-
n|u, na |etra da |e|, a concepção cr|m|na| do
consumo das drogas (Decreto-Le| n' 420/
70, de 3 de Betemoro). Todav|a, o nosso pa|s
ío| p|one|ro na prossecução de uma po||t|ca
| eg| s| at | va vocac| onada para a cura e
re|nserção dos tox|comanos, reve|ando uma
perspect|va c||n|co-soc|a| do uso das drogas:
porem, esta rac|ona||dade |ur|d|ca estava
coní|nada ao terr|tor|o de Macau, nunca ten-
do encontrado eco no cont|nente, ate 1976.
3. Ber|a, na verdade, na v|genc|a do l Oover-
no Oonst | t uc| ona| , do P. B. , que se
equac|onou a vertente c||n|co-ps|cossoc|a|
do consumo de drogas, em ant|tese à v|são
|ncr|m|nadora herdada do anter|or reg|me.
Ass|m, soo a eg|de de um Ooverno soc|a||s-
ta, aoandonou-se a |og|ca meramente cr|-
m|na| e proc|amou-se que
·Bem de|xar de ser um de||to, o uso |||c|to da
droga co|oca de||cados proo|emas |ur|d|cos,
na med|da em que conduz a um eníraquec|-
mento, e ate a uma escrav|zação da vonta-
de, que tendenc|a|mente transmuda o |nírac-
tor num doente, nessa med|da |mpune, ou
pouco menos, a uma |mputação de cu|pa·
(|| preâmou|o do Decreto-Le| n' 792/76, de
5 de Novemoro).
Esta rac|ona||dade, adoptada em sede da
po||t|ca de d|spos|t|vos, em 1976, resu|tava
coerente com as reíerenc|as do D|re|to con-
venc|ona| então rat|í|cado. De íacto, a Oon-
venção soore as Buostânc|as Ps|cotrop|cas,
de \|ena (1971), aprovada, entre nos, em
1979, estaoe|ece que quando os |||c|tos de
droga se|am comet|dos por |nd|v|duos que
ut|||zem aous|vamente os ps|cotrop|cos, ·...
as Partes poderão, em /ez oe as co|oe|a/
o0 o/o|0|c|a/ 0ma sa|çao oe|a|, su|e|tar es-
tas pessoas a med|das de tratamento, de
educação, de pos-cura, de readaptação e
de re|ntegração soc|a|· [art|go 22', n' 1, a||-
nea o)].
De modo | dent | co e na est e| ra dest e
conven|o, o Protoco|o de 1972, que mod|í|-
cou a Oonvenção Ún|ca soore Estupeíac|-
entes, de Nova lorque (1961), prescreve que
os Estados poderão recorrer, cumu|at|va-
ment e ou em a| t ernat | va a med| da de
enc| ausurament o, à su| e| ção dos
transgressores a med|das de tratamento, de
cura ou re|ntegração soc|a| [art|go 36', n' 1,
a||nea o)]
Por outras pa|avras: a Oomun|dade lnterna-
c|ona| s|tua o proo|ema do consumo das
drogas, desde 1971, no íoro c||n|co- -
ps|cossoc|a|, em detr|mento do contexto re-
dutor em que se |oca||za a pena||dade pura
e s|mp|es.
4. Apesar da mensagem |eg|s|at|va, de or|-
gem soc|a||sta, constante dos d|p|omas pu-
o||cados no ano de 1976, o Decreto-Le| n'
430/83, de 13 de Dezemoro - novamente
com um Ooverno do P.B. -, ve|o manter a ten-
denc|a |ncr|m|nadora do consumo, dest|nan-
do-|he uma pena detent|va ate 90 d|as, e
mu|ta (art|go 36'), a|ud|ndo-se ao s|moo||s-
mo da |e| pena| como me|o de d|ssuad|r
potenc|a|s utentes das drogas |||c|tas.
A actua| tona||dade |eg|s|at|va, mantendo a
|ncr|m|nação, ve|o com|nar uma pena ate 3
meses de pr|são, o0 m0||a a|e 30 o|as (art|-
go 40', n' 1, do Decreto-Le| n' 15/93, de 22
de Jane|ro). Ape|a-se, novamente, ao va|or
d|to s|moo||co da pun|ção, adm|t|ndo-se que
o drogado, que em regra |á não e sens|ve| a
nada ma|s do que aos prazeres das drogas,
d| sporá a| nda de capac| dade de
descod|í|cação de s|moo||smos |ur|d|cos.
Oontudo, a|nda que se adm|ta como vá||da
essa asserção, torna-se comp|exo entender
como se pode reíer|r o menc|onado s|moo-
||smo quando se preve pena pr|s|ona| ate 1
ano, sempre que o agente do cr|me cu|t|var,
det|ver ou adqu|r|r suostânc|as ou produtos
em quant|dade que exceda o des|gnado
¨consumo med|o |nd|v|dua| durante o per|o-
do de 3 d|as" (n' 2 da c|tada d|spos|ção).
Face a estes dados, tem va||do a prudenc|a
dos Ap||cadores da Le|, que mu|tas vezes
procuram cr| ar a| t ernat | vas à pr| são,
consao| do que e o seu í raco va| or
t erapeut | co no que t ange aos
tox|codependentes.
5. A|egou-se, a n|ve| do Poder, em 1993/94,
que não íaz|a sent|do traçar uma po||t|ca de
descr|m|na||zação do consumo, usando-se
argumentos porventura ía|ac|osos. D|z|a-se,
então, que
·Numa área onde o desconhec|mento a|n-
da |mpera - manda a verdade e a hum||dade
d|ze-|o! - não se deve part|r de uma rea||da-
de exper|mentada e conhec|da para uma
aventura, ao encontro de uma rea||dade que
pode gerar, como em toda a parte tem gera-
do, eíe|tos perversos [...]· (do d|scurso do
Becretár|o de Estado Borges Boe|ro - 1993).
Esta í||osoí|a parece permanecer neste mo-
mento: d|r-se-á, apropr|ando-nos da expres-
são de Ep|curo, para quem ·os deuses ha-
o|tam as |acunas do nosso conhec|mento·,
que a |ncr|m|nação hao|ta as |acunas do co-
nhec|mento do Leg|s|ador!
6. Apesar desta at|tude |eg|íerante, que per-
s|ste em manter pun|ve| o consumo, cum-
pre saudar a dec| são do M| n| stro Jose
Bocrates em const|tu|r uma com|ssão de es-
pec|a||stas para de||nearem a po||t|ca portu-
guesa em sede de droga. Pensou-se, de
acordo com o d|scurso de Foucau|t, que o
Poder está a recorrer ao Baoer, e íez-se a
expectat|va que dessa ||gação resu|tassem
um Poder e um D|re|to ma|s sáo|os. Ora, a
pos|ção assum|da pe|a Oom|ssão de Estra-
teg|a Nac|ona| de Luta contra a Droga pro-
pos, no seu re|ator|o, que se aoandonasse
a cr|m|na||zação do consumo e da posse
para consumo. Parece ser tempo de o Po-
der, adoptando a recomendação dos per|-
tos que |ncumo|u de estudarem o assunto,
proceder à descr|m|na||zação dos actua|s |||-
c|tos de consumo de drogas e da respect|-
va posse, quando dest|nada à ut|||zação
pessoa| do agente.
7. Argumenta-se agora contra a a|teração
das med|das pena|s do consumo com a ne-
cess|dade de serem ooservadas as conven-
çoes |nternac|ona|s, argumento este que, em
íace das normas que c|támos, não pode
co|her, e a|nda com o íacto de não se poder
er|g|r Portuga| em ||ha |so|ada no contexto
mund|a|, presa íác|| dos traí|cantes e consu-
m|dores de todo o mundo, que aqu| se un|r|-
am, como se de uma nova Meca se tratas-
se!
Todav|a, esta postura, a|nda que se |he re-
conheça a| gum íundamento, não deve
|nv|ao|||zar a adopção de determ|nadas me-
d|das, des|gnadamente a d|str|ou|ção de se-
r|ngas em me|o pen|tenc|ár|o - soo pena de
se adoptar a ma|s cega po||t|ca de avestruz!
D| r-se-á, no entanto, que a | ns| stenc| a,
porventura te|mosa, no pro|o|c|on|smo, soo
a ||derança norte-amer|cana, esquece que
quase noventa anos de pro|o|ção - desde
Xanga|, em 1909 - nunca reso|veram, nem
atenuaram o proo|ema. O tráí|co e o consu-
mo tem prosperado à somora da ç0e//a às
o/oças, o que const|tu| um paradoxo da c|-
v|||zação contemporânea.
Mas, ao menos, ha|a coragem para se ser
um pouco ousado e ace|tar os cam|nhos da
mudança.
8. Nesta coníorm|dade, que |og|ca ex|ste em
d|str|ou|r, nas íarmác|as portuguesas, k||s a
drogados e ¨esquecer" que nas pr|soes ex|s-
te consumo de drogas, ex|ste homossexua-
||dade? Por que se ev|ta a BlDA aos homens
||vres e se ace|ta, pass|vamente, que o
íenomeno a|astre nas pr|soes? Porque - e
para que |gnorar ou íazer que se |gnora - que
a pr|são, que M. Foucau|t chamou a /ao/|ca
oa oe|||q0e|c|a, se vem aí|rmando, cada vez
ma| s, como um autent| co oeoos||o oa
|o·|cooeoe|oe|c|a? E como se pode con-
ceoer que se mantenha a poss|o|||dade de,
segundo cr|ter|os quant|tat|vos, necessar|a-
ment e í a| | ve| s, se prescrever o
enc|ausuramento de tox|codependentes ate
1 ano? B|moo||smo? Oomo esquecer que
toda esta ut|||zação do s|stema pena| e |ud|-
c|ár|o acaoa por |mportar custos soc|a|s e
mora|s gravosos? Oomo o|v|dar que e o pro-
pr|o s|stema de Just|ça que sa| íer|do e
desprest|g|ado desta contenda?
9. Ass|m, propoe-se ao Oongresso Nac|o-
na| do Part|do Boc|a||sta a aprovação da se-
gu|nte
Moção SectoriaI
1. Pecomendar ao Orupo Par|amentar do P.B.
e ao Ooverno que se|a rev|sto o Decreto-Le|
n' 15/93, de 22 de Jane|ro, no que concerne
ao seu art|go 40', no sent|do de de|xar de
ser |ncr|m|nado o consumo, oem como o
cu|t|vo, aqu|s|ção ou detenção de p|antas,
suostânc|as ou preparaçoes compreend|das
nas taoe|as l a l\ do c|tado normat|vo, des-
de que as mesmas se dest|nem ao uso pes-
soa| do agente.
2. Pecomendar ao Orupo Par|amentar do P.B.
e ao Ooverno que se|a revogado o n' 2 do
art|go 40' do mesmo d|p|oma, que preve a
pr|são ate 1 ano, ou mu|ta, sempre que a
quant|dade de produto exceda o consumo
med|o |nd|v|dua| em 3 d|as, em v|rtude de se
tratar de um cr|ter|o quant|tat|vo que, não ra-
ras vezes, e desa|ustado da rea||dade de cada
caso, tornando-se gerador de s|tuaçoes |n-
|ustas e |n|ust|í|cadas - cr|ter|o que não pon-
dera dev|damente as espec|í|c|dades da
v|venc|a dos tox|comanos.
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 45
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
3. Bo||c|tar ao Ooverno que d|vu|gue os nú-
meros d|spon|ve|s soore det|dos e presos
contam|nados pe|o v|rus Hl\..
4. Pecomendar ao Ooverno que se|a |n|c|-
ada, com a ma|or urgenc|a, a d|str|ou|ção
de ser|ngas e preservat|vos nas cade|as,
em cond| çoes que perm| tam oostar ao
a|astramento da BlDA em me|o pen|tenc|-
ár|o.
5. Pecomendar ao Ooverno que se|am cr|-
adas estruturas e cond|çoes para o estu-
do e a |nvest|gação c|ent|í|ca da proo|e-
mát|ca da droga e das suas art|cu|açoes
com os sectores da Baúde e da Just|ça,
em termos permanentes e numa perspec-
t|va de produção de conhec|mento c|ent|-
í|co p|ura|.
L|sooa, 22 de Jane|ro de 1999.
CarIos AIberto Poiares
(m|||tante n' 7 029, secção A|m|rante Pe|s)
VENCER O DESAFlO DO AMBlENTE
«Requa|ificar o ambiente urbano, promover o património
e recursos naturais em defesa do Ecossistema Portuga|»
l - lntrodução
A actuação do Xlll Ooverno Oonst|tuc|ona|
demonstrou que o Part|do Boc|a||sta ío| ca-
paz de |mp|ementar uma po||t|ca de amo|en-
te coerente, íundamentando com acçoes, as
teses do desenvo|v|mento sustentáve|, mar-
cando uma ruptura com um passado
casu|st|co e oportun|sta, no qua| se demo||-
am oarracas ||ega|s mas, ao mesmo tempo,
auto-estradas ·|ega|s· rasgavam de íorma
se|vát|ca a|guns dos oens ma|s prec|osos do
patr|mon|o natura| de Portuga|.
Herdando um pa|s su|o e degradado, com
n|ve|s de atend|mento em mater|a de sanea-
mento oás|co e aoastec|mento de água aoa|-
xo de qua|quer pa|s da Europa, e num pro-
cesso de progress|va estagnação e degra-
dação dos va|ores do patr|mon|o natura|, ur-
g|a |nverter a s|tuação.
Ao term|nar este mandato, o PB de|xa um pa|s
suostanc|a|mente ma|s ||mpo, no qua| íoram
encerradas ma|s de 300 ||xe|ras e suost|tu|-
das por aterros contro|ados; os n|ve|s de
aoastec|mento e saneamento oás|co aprox|-
mam-se da med|a europe|a. Por outro |ado,
|ançaram-se as oases de uma nova po||t|ca
de conservação da natureza e sa|vaguarda
do patr|mon|o natura|, perm|t|ndo que Portu-
ga| est|vesse tamoem no núc|eo duro da rede
europe|a da conservação da natureza - a
Pede Natura 2000 -, ao mesmo tempo que
se |ançavam programas espec|í|cos para a
me|hor|a dos n|ve|s de v|da das popu|açoes,
dentro dos parques natura|s. Determ|nante
pode a|nda cons|derar-se o acordo |oer|co
soore os r|os |nternac|ona|s, para o qua| con-
tr|ou|u tamoem a í|rme vontade do governo
em avançar com a cr|ação dos parques na-
tura|s desses r|os |nternac|ona|s.
Mas e íundamenta| reíer|r que se grande parte
destes avanços ío| poss|ve| e|es devem-se em
grande med|da a uma nova í||osoí|a de art|cu-
|ação |nterdepartamenta|, ao |nves da at|tude
de contra-poder como ío| encarado o amo|-
ente pe|os anter|ores governos. Oon|ugaram-
se ass|m acçoes entre ooras púo||cas, econo-
m|a, emprego, educação e amo|ente, perm|-
t|ndo um desenvo|v|mento com respe|to pe|o
patr|mon|o natura| e a||cerçado numa po||t|ca
de d|vu|gação, íormação e sens|o|||zação con-
s|stente.
ll - O desafio do futuro
As oases da po||t|ca de amo|ente |ançadas
para o Bec.XXl, devem consuostanc|ar-se
numa po||t|ca que encare o amo|ente como
um íactor pos|t|vo e |novador de desenvo|v|-
mento econom|co e soc|a|, ao |nves de um
entrave a po||t|cas sector|a|s, perm|t|ndo a||ar
o oem-estar das popu|açoes e sa|vaguarda
do patr|mon|o natura|, ao emerg|r de novos
vectores de act|v|dade econom|ca geradores
de |o/o emo/eço.
1.- RequaIificar o Ambiente Urbano
O d|vorc|o acumu|ado de decadas entre os
c|dadãos e o me|o amo|ente uroano onde v|ve
a ma|or|a da popu|ação, deve const|tu|r a
ma|or preocupação de um íuturo governo do
PB em mater|a de amo|ente. Deve ass|m as-
sum|r-se como pr|or|dade no quadro 2000-
2006, numa acção art|cu|ada entre P|anea-
mento, Econom|a/lndústr|a e o Amo|ente, a
requa||í|cação amo|enta| das |ndústr|as por-
tuguesas, oem como um esíorço para a sua
re|oca||zação adequada em parques |ndus-
tr|a|s |níraestruturados, segundo as me|hores
tecno|og|as amo|enta|s, para os qua|s serão
encam|nhadas as novas |ndústr|as.
A requa||í|cação do amo|ente uroano das c|-
dades passa tamoem pe|o reíorço nos sec-
tores de águas e res|duos, devendo ser cr|a-
das as cond|çoes de sustentação de um ver-
dade|ro s|stema empresar|a| do Amo|ente,
assegurando o Estado os |nstrumentos de í|s-
ca||zação, regu|amentação e regu|ação des-
tes mercados. O |nvest|mento nestes do|s
sectores deve reger-se pe|a me|hor|a oo|ect|-
va da qua||dade de v|da dos portugueses. A
cr|ação de |o|o||çs sector|a|s com |nterven-
ção do Estado, mas segundo o pr|mado da
|n|c|at|va pr|vada oem como da esíera mun|-
c|pa|, deve ser um íactor dec|s|vo de eí|các|a
e íunc|ona||dade e, a par das tecno|og|as de
requa| | í| cação amo| enta| , a mo| a
d|nam|zadora de um novo mercado de ·em-
prego verde·.
O conce|to de c|dadan|a e amo|ente enqua-
dra-se íortemente numa po||t|ca de reíorço do
s|stema nac|ona| de protecção de pessoas e
oens, reíorçando os me|os de |níormação, pre-
v|são e í|sca||zação do M|n|ster|o do Amo|ente
e a sua coordenação com os Berv|ços de Pro-
tecção O|v||. Por outro |ado, cons|dera-se
determ|nante a |ntegração da po||t|ca de
ordenamento do terr|tor|o numa perspect|va
amo| enta| , v| sando a atenuação de
desequ|||or|os demográí|cos e numa opt|ca de
prevenção de s|tuaçoes de r|sco amo|enta|,
dentro dos qua|s o ordenamento do ||tora| deve
oíerecer carácter pr|or|tár|o e espec|í|co.
2.- Promover o Património
e Recursos Naturais
A po||t|ca de Oonservação da Natureza deve
assentar em tres conce|tos íundamenta|s: em
pr|me|ro |ugar o da compat|o|||dade entre
Homem e Natureza, re|e|tando todas as no-
çoes extrem|stas segundo as qua|s a Oon-
servação da Natureza se íaz me|hor na au-
senc|a do ser humano; em segundo |ugar,
deíende-se que a Oonservação da Natureza
e extens|ve| a todo o terr|tor|o nac|ona|, sus-
tentando-se a cr|ação de uma Peoe F0|oa-
me||a| oa Co|se//açao oa ^a|0/eza que, de
íacto, contr|oua para a preservação do
·Ecoss|stema Portuga|·; por í|m o pr|nc|p|o
da ut|||zação sustentáve| dos recursos natu-
ra|s, como íorma de promover o oem estar
das popu|açoes.
Ass|m, a par de um esíorço redoorado no
conhec| mento c| ent| í| co, d| vu| gação e
sens|o|||zação com programas espec|í|cos
segu|ndo o pr|mado ·conhecer para preser-
var·, deíende-se o |ançamento de ·o/oç/amas
|||eç/aoos oe oese|/o|/|me||o s0s|e||a/e|·
em Areas Proteg|das que, no quadro 2000-
2006, assumam carácter pr|or|tár|o v|sando a
me|hor|a da qua||dade de v|da das popu|a-
çoes e o |nverter de uma tendenc|a de
desert|í|cação humana gravosa. Torna-se íun-
damenta| uma gestão g|ooa| e |ntegrada dos
recursos natura|s, |nc|u|ndo a caça a pesca,
as í|orestas oem como a regu|ação e promo-
ção adequada e espec|í|ca da oíerta de oens
e serv|ços, nomeadamente Tur|smo de Natu-
reza e Produtos Agroamo|enta|s, v|sando a
cr|ação de novo emprego e ma|s va||as para
essas áreas, co|ocando a ma·|ma o/|o/|oaoe
|as /eç|oes oo |||e/|o/ oo oa|s.
Encarar o patr|mon|o natura| como um s|m-
oo|o de |dent|dade nac|ona| e ger|r os recur-
sos natura|s de uma íorma sustentáve|, ga-
rant|ndo uma part||ha |usta e equ|tat|va dos
oeneí|c|os que advem da ut|||zação dos mes-
mos, deve const|tu|r a |ossa /|a oe oo||||ca
amo|e||a|, deíend|da pe|o Part|do Boc|a||sta.
BÜBBOPlTOP: José Guerreiro
MlLTANTE N' 223686
BEOÇAO/FEDEPAÇAO: Amo|ente e Oua||da-
de de \|da/FAÜL
MOÇÁO $EC7OR/AL
ACÇÃO SOClALlSTA 46 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
AMBlENTE
MOÇÁO $EC7OR/AL
A |mportânc|a do Amo|ente, no con|unto das
preocupaçoes que |nteressam à genera||da-
de das popu|açoes portuguesas, e cada vez
ma|or. A necess|dade de ger|r adequadamen-
te os recursos natura|s d|spon|ve|s no Pa|s e
nas suas d|íerentes reg|oes e |nd|scut|ve|, no
contexto de um desenvo|v|mento sustentáve|
da Ün|ão Europe|a no seu todos e de Portu-
ga| espec|í|camente.
Bendo oov|o que o Pa|s se não s|tua entre as
reg|oes ma|s íavorec|das da Europa, no que
respe|ta aos recursos natura|s propr|os e |n-
d|spensáve| uma gestão cu|dada desses oens
de modo a max|m|zar as produçoes e oeneí|-
c|os poss|ve|s e m|n|m|zar os |mpactos ne-
gat|vos decorrentes decorrentes do seu uso.
A||a-se a este íacto um outro não ,menos |m-
portante: mu|tos dos ecoss|stemas nac|ona|s
apresentam uma suscept|o|||dade eco|og|ca
e|evada, |sto e, são suscept|ve|s de soírerem
processos degradat|vos |ntensos e ráp|dos,
quando o seu uso não íor o ma|s adequado.
AB consequenc|as do maus uso desses re-
cursos tem pe|os mot|vos |nd|cados reí|exos
|nev|táve|s, a n|ve| da qua||dade do ar, da água
do so|o e de recursos v|vos que se traduzem
em s|tuaçoes de decorrente e |nace|táve| /a|-
|a oe O0a||oaoe oo /mo|e||e e oe v|oa oas
ooo0|açoes, em oemas|aoos |oca|s.
Não e uma s|mp|es v|são da Oonservação da
Natureza, ou de íru|ção do |nd|scut|ve| patr|-
mon|o natura| d|spon|ve|, que o Amo|ente tem
de ser encarado. É |nd|spensáve| deíender
esse oem soc| a| e comum, de modo a
compat|o|||zar a sua cont|nu|dade com o de-
senvo|v|mento poss|ve| e necessár|o da Agr|-
cu|tura da lndústr|a e do Üroan|smo.
Oom eíe|to o Pa|s tem de opt|m|zar as suas
capac|dade produt|vas de modo a converg|r
rea|mente com as comun|dades europe|as
ma|s aoastadas e ma|s íavorec|das, com que
coex|st|mos na Ün|ão Europe|a.
Essa necess|dade soc|a| de compat|o|||zar o
Amo|ente com o cresc|mento econom|co, nas
suas d|versas vertentes oor|ga à e|aooração
de p|anos e pro|ectos espec|í|cos de desen-
vo|v|mento, apresentados de íorma |ntegra-
da e sustentada.
Oomo a manutenção de equ|||or|o |oca|, reg|-
ona| nac|ona| e comun|tár|o desse desenvo|-
v|mento não pode ser consegu|do pe|a ad|-
ção de reso|uçoes avu|sas torna-se |nd|spen-
sáve| a ex|stenc|a de P|ano que assente numa
Po||t|ca |ntegrada de desenvo|v|mento onde
a vertente Amo|enta| assuma a sua pos|ção
espec|í|ca ||m|tada |nsuost|tu|ve|.
lmporta por |sso desenvo|ver uma Po||t|ca de
Amo|ente |ntegrada numa Po||t|ca O|ooa| de
Desenvo|v|mento, que respe|te os pressupos-
tos essenc|a|s de uma ta| coex|stenc|a.
A s|tuação actua| herdada dos anter|ores
Oovernos, caracter|za-se pe|a |nex|stenc|a de
uma rea| Po||t|ca de Amo|ente, na sua d|men-
são propr|a, |ntegrada com as outras verten-
tes do desenvo|v|mento nac|ona|.
Üma Po||t|ca de Amo|ente não e uma s|mp|es
||stagem de ooras, p|anos e pro|ectos a de-
senvo|ver a prazo, mesmo que acompanha-
das de uma eventua| ca|endar|zação.
Temos de passar de uma s|tuação de costas
vo|tadas, onde os d|íerentes responsáve|s se
procuram descu|pao|||zar do reí|exo ||m|tado
das suas dec|soes para uma outra onde to-
dos deverão co|aoorar so||dar|amente na re-
so|ução de um proo|ema comum.
lmporta deí|n|r as razoes porque se propoem
determ|nadas so|uçoes, |ntegradas num con-
texto econom|co deí|n|do e com oo|ect|vos
soc|a|s assum|dos. O PB e um part|do com
uma |deo|og|a propr|a, que não pode sac/|/|-
ca/ o co|ec||/o ao ||o|/|o0a|, o o0o||co ao o/|-
/aoo.
AB ex|genc|as amo|enta|s tem de ter um sen-
t|do de construção do Futuro, não pondo em
causa os d|re|tos das geraçoes íuturas, mas
sem esquecer tamoem os d|re|tos, em espe-
c|a| dos menos íavorec|dos dos seus actua|s
utentes.
Os oo|ectos po||t|cos tem de |mped|r a
|nterna||zação dos oeneí|c|os por a|guns, íace
à externa||zação dos pre|u|zos pe|os restan-
tes.
As opçoes prát|cas dos Berv|ços envo|v|dos
tem de ser nortecada não apenas para o |me-
d|ato mas sempre que poss|ve| para med|o e
|ongo prazos, actuando essenc|a|mente na
íonte de po|u|ção e de íorma prevent|va.
Por outro |ado há que atender à vertente co-
mun|tár|a dessa Po||t|ca.
Portuga| não se pode ||m|tar a transpor pass|-
vamente para o D|re|to nac|ona| as mú|t|p|as
determ|naçoes comun|tár|as na mater|a.
Tem de ex|g|r o reconhec|mento da sua
espec|í|c|dade eco|og|ca e amo|enta|, que
não se compadece com um s|mp|es a|arga-
mento da área geográí|ca de dec|soes que
íoram estudadas para responder a s|tuaçoes
de zo|as oe c||ma ma|s //|o, ma|s /e/|e|s em
çe/a| e com 0m ||/e| oe desenvo|v|mento c|-
ent|í|co e tecno|og|co tamoem ma|s e|eva-
dos, por norma. Em suma cu|tura|mente d|-
versas. Não oasta po|s apo|armo-nos na
Po||t|ca Oomun|tár|a do Amo|ente para reso|-
ver os proo|emas amo|enta|s concretos do
Pa|s. Há que adaptá-|a à rea||dade concreta
de Portuga|, eco|og|camente heterogenea
amo|enta|mente sens|ve| e |oca|mente írág||.
Oue somos.
Há que nac|ona||zar, no sent|do de adaptar
uma concepção, ma|s |arga e gener|ca, às
espec|í|c|dades propr|as do Pa|s.
Tem de actuar-se e dec|d|r com oase no co-
nhec|mento rea| do terr|tor|o, procedendo de
íorma a respe|tar a rea||dade nac|ona|, sem
nunca esquecer as consequenc|as dessa
|ntegração, soore o todo soc|o-cu|tura| que e
o nosso
A Po||t|ca do Amo|ente tem, por |sso, de ser
uma Po||t|ca g|ooa| do Ooverno, de carácter
hor|zonta|, |sto e, responsao|||zando todos os
M|n|ster|os e Berv|ços. Não pode ||m|tar a ser
apenas uma Po||t|ca sector|a|, oe es|/0|0/a
/e/||ca|, a ca/ça oe sec|o/es esoec|/|cos e ||-
m||aoos da Adm|n|stração Púo||ca, pertencen-
tes não apenas o M|n|ster|o do Amo|ente.
O PB tem de mostrar a sua exce| enc| a
governat|va e a atenção que dá à reso|ução
eíect|va dos proo|emas do quot|d|ano dos
portugueses, e|aoorando e assum|ndo uma
ta| Po||t|ca. Não porque as e|e|çoes se apro-
x|mam, mas porque quer dec|d|damente con-
tr|ou|r para a sua so|ução, eíect|va, cons|s-
tente e duráve|.
Monte de Oapar|ca, 18 de Jane|ro de 1999
José FiIipe Santos OIiveira
M|||tante n' 179113
Becção de A|mada
Fed. Betúoa|
O BARRElRO NÃO SE PlSAl
AS PESSOAS PRlMElRO, D. ELlSA...
Moção sector|a| soore amo|ente, qua||dade de v|da e ordenamento do terr|tor|o
MOÇÁO $EC7OR/AL
O Barreiro como paradigma
Do Barre| ro e ao Barre| ro, como
documentadamente sustenta o prem|ado ln-
vest|gador oarre|rense Jose Oaro Proença,
memoro da Academ|a de Mar|nha, part|ram
e chegaram mu|tas das carave|as de Ou|-
nhentos, que ¨novos mundos" ao mundo de-
ram, podendo, por |sso, d|zer-se que esta terra
e um oom exemp| o do esíorço, arro| o,
|nvent|v|dade e modern|dade dos homens e
mu|heres que sustentaram a expansão por-
tuguesa.
No Barre|ro começou, em 1861, a expansão
íerrov|ár|a para o Bu| e Bueste do Pa|s e, tam-
oem por |sso, o Barre|ro passou a ser uma
das pr|nc|pa|s portas de entrada das popu|a-
çoes mer|d|ona|s arr|oadas de aquem Te|o,
na atracção natura| pe|a Oap|ta|.
Ouando A|íredo da B||va, em 1908, arrancou
com as íáor|cas da OÜF, no Barre|ro, |unto ao
Te|o, ma|s uma vez esta uroe se co|oca na
vanguarda do processo de modern|zação do
Pa|s, por v|a da cr|ação do pr|me|ro con|unto
|ndustr|a| |ntegrado e coerente, assente na
qu|m|ca pesada.
B|gamos a descr|ção de Anton|o Bard|nha
Pere|ra, Engenhe|ro Mecân|co e \|ce-pres|-
dente da OÜlMlPAPOÜE - Parques Empre-
sar|a|s:
Fs|as /ao/|cas /em a a//a|ca/ em 1908, com
a o/oo0çao oe ac|oo s0|/0/|co e ao0oos. Fm
/||mo caoe|c|aoo s0ceoem-se-||es o0|/as
0||oaoes, |omeaoame||e oe /ao/|co oe o|-
/e/sos o/oo0|os q0|m|cos oa/a a ||o0s|/|a e
oa/a a aç/|c0||0/a.
|a/a|e|ame||e à co|s|/0çao oe /ao/|cas, a
C.L.F. /az a eo|/|caçao oe oa|//os ooe/a/|os e
oe 0ma como|e|a ||//a-es|/0|0/a soc|a|.
/ /o||a oo |0c|eo /ao/|| oese|/o|/em-se e|-
|/e|a||o o0|/os aç|ome/aoos |ao||ac|o|a|s, q0e
/ao acomoa||a|oo a o/oo/|a e·oa|sao oa
ac||/|oaoe ||o0s|/|a|.
|| ¨O Amo|ente - Üma exper|enc|a empresa-
r|a|", rev|sta ¨Adm|n|stração", do B|nd|cato
dos Ouadros Tecn|cos do Estado, n' 7 *
Ber|e l\, Nov/Dez. 1977
E ío| ass|m, segundo conta quem saoe do
que ía|a, que o Barre|ro se tornou, ma|s uma
vez, um exemp|o:
Com a e||/aoa em /0|c|o|ame||o oas /ao/|-
cas oe ac|oo s0|/0/|co, e·|/a|oo oas o|/||es
a|e||e/a|as, |asce o o/oo|ema oa oo|0|çao,
oo/ /|a oa em|ssao oe o|o·|oo oe e|·o//e oa/a
a a|mos/e/a.
O0|/as /o/mas oe oo|0|çao /o/am oeoo|s s0/-
ç||oo, em /es0||aoo oa em|ssao oe e/|0e||es
||q0|oos oas /ao/|cas q0|m|cas, oos /es|o0os
so||oos oessas mesmas 0||oaoes e oa em|s-
sao çasosa oe o0|/as /ao/|cas oe ç/a|oe ca-
oac|oaoe - ac|oo c|o/|o/|co, ac|oo /os/o/|co,
ac|oo |||/|co, s0oe//os/a|os e o0|/os ao0oos.
Anton|o Bard|nha Pere|ra, op. c|t.
Bo que, desta vez, passou a ser o ma|s tr|ste
exemp|o de um dos ma|es que o secu|o que
agora acaoa nos trouxe, como coro|ár|o do
progresso tecno|og|co e da esca|ada do con-
sumo - A POLÜlÇAO.
E e por |sso que, durante ma|s de metade
deste secu|o, o Barre|ro, para desgraça dos
Barre|renses, se tornou, aquem e a|em íron-
te|ras, prat|camente, s|non|mo de po|u|ção,
const| tu| ndo-se como um verdade| ro
parad|gma das s|tuaçoes extremas de des-
contro|o amo|enta|.
Mas o Barre|ro e os Barre|renses, são tam-
oem, um exce|ente exemp|o de res|stenc|a.
A| se res|st|u, exemp|armente, à D|tadura e a|
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 47
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
se tem consegu|do ¨aguentar" o dom|n|o ao-
so|uto do Part|do Oomun|sta, que vem gover-
nando desastrosamente o Oonce|ho há 25
anos, dando prova caoa| da sua |ncapac|da-
de de adaptação aos novos tempos e às no-
vas necess|dades das popu|açoes, não con-
segu|ndo, sequer, ao í|m de um quarto de
secu|o, de|xar qua|quer marca d|st|nt|va da
sua gestão, no campo soc|a|, no acresc|mo
de qua||dade de v|da das popu|açoes, no
ordenamento do terr|tor|o que |he compet|a
assegurar, no desenvo|v|mento sustentáve| da
comun|dade que não souoe |mpu|s|onar.
O Barre|ro ¨engo||u" os gases para ¨comer o
pão", na expressão |nsp|rada do Pres|dente
da Oâmara, que nas ú| t| mas e| e| çoes
autárqu|cas consegu|u ¨segurar" - espera-se
que pe|a ú|t|ma vez - por menos de duas cen-
tenas de votos, a ||derança do execut|vo.
lnsp|ração que, a||ás, sempre |he ía|tou para
||derar a ex|genc|a da proíunda requa||í|cação
amo|enta| de que o Barre|ro há mu|to neces-
s|ta.
Porque a|gumas me|hor|as que nos ú|t|mos
anos se ver|í|caram apareceram por razoes
exogenas, perversas a|gumas de|as, não ten-
do o poder autárqu|co contr|ou|do, em nada,
para essa mod|í|cação.
E e, novamente, o Eng' Bard|nha Pere|ra que
nos exp||ca a genese dessas a|teraçoes:
... o/oceoe0-se |o Como|e·o ||o0s|/|a| oo
5a//e|/o, a||oa |os a|os 70, à c/|açao oe 0ma
es|/0|0/a oe/ma|e||e oe co||/o|e oo amo|e|-
|e, q0e ||/e||a/|o0 e ||e/a/q0|zo0 os o/oo|e-
mas e·|s|e||es.
Pes0||a/am oa| o|/e/sas acçoes oe comoa|e
à oo|0|çao a|mos/e/|ca, q0e oe/m|||/am 0ma
ace||0aoa /eo0çao oos ||o|ces oe oo|0|çao
a||es /eç|s|aoos.
|os|e/|o/me||e, e ac/esce||a|oo às e·|çe|-
c|as amo|e||a|s /azoes oe ca/ac|e/ eco|om|-
co oeco//e||es oa c/|se oa ||o0s|/|a q0|m|ca,
/|e/am a e|ce//a/ |o 5a//e|/o |ooas as /ao/|-
cas /e|ac|o|aoas com o o/ocessame||o oas
o|/||es, com oes|aq0e oa/a as /ao/|cas oe ac|-
oo s0|/0/|co.
E ass|m o Barre|ro ío| í|cando com menos
¨pão para comer" mas, em contrapart|da,
com menos gases para ¨engo||r".
Entretanto, ate meados dos anos o|tenta, a
m|to|og|a co|ect|v|sta que |a a||mentando a
m|||tânc|a do POP, oem como os tr|stes exem-
p|os de |ncúr|a amo|enta| que v|nham chegan-
do dos seus pa|ses de reíerenc|a, |mpunham
que ía|ar da po|u|ção íosse cons|derado um
ataque às ¨empresas nac|ona||zadas", sen-
do os oo|ectantes |med|atamente arrumados
na prate|e|ra dos que ¨íaz|am o |ogo da reac-
ção"...
Por |sso o Barre|ro, que ao |ongo da H|stor|a
tem s|do um padrão para mu|tas co|sas ooas,
guarda a mágoa de, |níe||zmente, aparecer
sempre assoc|ado, no |mag|nár|o co|ect|vo,
a duas co|sas más - a po|u|ção, por um |ado,
e um mode|o sectár|o, u|trapassado, aut|sta
e redutor, que a gestão do Part|do Oomun|sta
há 25 anos exerc|ta, por outro.
lncompreens|ve|mente, o rumo que vem to-
mando o processo dec|sor|o, por parte do
M|n|ster|o do Amo|ente, re|at|vamente ao de-
nom|nado ¨|/o/ec|o oe F||m||açao oe Pes|-
o0os ||o0s|/|a|s oe|o Sec|o/ C|me||e|/o", ame-
aça, per|gosamente tornar o Barre|ro, ma|s
uma vez, um exemp|o negat|vo de vár|as co|-
sas más, que co|ocam, |rremed|ave|mente,
em per|go o oem-estar, a tranqu|||dade e a
qua||dade de v|da dos Barre|renses!
De íacto, não |emorar|a ao D|aoo, |evar todos
os res|duos |ndustr|a|s, tox|cos e per|gosos
do Pa|s, e provave|mente mu|tos do Estran-
ge|ro, prec|samente para o me|o de um agre-
gado uroano de ma|s de 120.000 hao|tantes,
num conce|ho com uma das ma|ores dens|-
dades popu|ac|ona|s e uma das áreas ma|s
pequenas do Pa|s.
E mu|to menos se esperar|a que todo e qua|-
quer res|duo dessa espec|e t|vesse que |r -
para ser armazenado, separado, mo|do, m|s-
turado com serraduras e despachado para
as c|mente|ras, ou outra vez armazenado à
espera que se dec|da para onde va| o que
não pode ser co-|nc|nerado - para o me|o de
uma c|dade à oe|ra do Te|o, mesmo em íren-
te ao reoapt|zado Parque das Naçoes, oora
exemp| ar de requa| | í| cação uroana e
reconversão de uma zona |ndustr|a| com oo-
v|as seme|hanças com a mart|r|zada v|z|nha
da írente...
A||ás, apetece d|zer que se a ¨trad|ção |ndus-
tr|a|" parece ter s|do uma das determ|nantes
da dec|são de constru|r, de ra|z, a Estação
de Tratamento no Barre|ro, oem que se pod|a
ter aprove| tado uma das estruturas
desact|vadas da EXPO para, com menos cus-
tos, íazer a ta| Estação...
É que, se não íaz ma| a n|nguem, sempre tem
ruas ma|s |argas, ca|s de acostagem ao pe e
ate a íutura Pres|denc|a do Oonse|ho de M|-
n|stros, o que sempre perm|t|r|a a í|sca||za-
ção d|recta da apregoada períe|ção do s|ste-
ma pe|os d|gnatár|os da Tute|a...
No Barre|ro pouco perceoemos de d|ox|nas
e íuranos. E para os que perceoemos |sso
não e, verdade|ramente o ma|s |mportante.
No Barre|ro íazem-se, ho|e, co|sas mu|to gra-
ves, no que respe|ta aos res|duos |ndustr|a|s
e outros t|pos de ||xos tox|cos e per|gosos.
Oue|ma-se |á, certamente, o que não se de-
v|a, em cond|çoes que, eíect|vamente, n|n-
guem contro|a. Mas não está prev|sta, que
se sa| oa, a construção de nenhuma
c|mente|ra, estando, po|s, posta de |ado a
poss|o|||dades de sermos aíectados pe|os
ma|es eventua|s do processo de comoustão
da co-|nc|neração.
Não part||hamos com Mace|ra e Bouse|as
esse r|sco h|potet|co mas comungamos com
e|es de todos os outros per|gos potenc|a|s.
O despacho do M|n|ster|o do Amo|ente, no
qua| ío| tomada a dec|são da esco|ha das
c|mente|ras que se preparam para proceder
à co-|nc|neração ||m|tou-se a |níormar, |aco-
n|camente, que:
¨sem emoa/ço oe |ao |e/em q0e se/ s0/e||as
a es|e o/ocesso, as es|açoes oo 5a//e|/o e
Fs|a//e/a, oo/ se e|co||/a/em em oa/q0es ||-
o0s|/|a|s co|/e||e||eme||e ||//aes|/0|0/aoos,
sao ooss|/e|s meo|a||e o c0mo/|me||o oas
meo|oas oe m|||m|zaçao oe |moac|es a| o/e-
co||zaoas";
Tomada a dec|são, uma espessa cort|na de
ensurdecedor s| | enc| o desceu soore o
Barre|ro, esquec|do no ourour|nho de Mace|ra
e Bouse|as.
Ta| estrateg| a de ¨adormec| mento" ío|
entrecortada por uma man|íestação de estu-
dantes e a ¨provocator|a" p|antação de um
soore|ro - |ogo oapt|zado pe|o P.O.P.O (Pres|-
dente da Oâmara Pedro Oanár|o) com o nome
de ¨E||seo" - pe|o reaí|rmar da pos|ção de
opos|ção de todos os Part|dos, assoc|açoes
e orgãos das Autarqu|as |oca|s e pe|o apare-
c|mento, em todas as paredes do Barre|ro de
p|chagens ¨|S~||·os 7o·|cos".
Fartos d|sto tudo estão as estruturas |oca|s
do Part|do Boc|a||sta que, c|aramente, sem-
pre se pronunc|aram contra a |oca||zação da
Estação; todos os Autarcas soc|a||stas que,
nos respect|vos Orgãos, man|íestaram, una-
n|memente, o seu repúd|o, tr|steza e revo|ta
pe|a dec|são; cada um dos m|||tantes soc|a-
| | stas que não consegue perceoer tão
estapaíúrd|a |ntenção.
Merecemos, todos, ma|s respe|to.
Oomo oem aí|rmou o Pres|dente da Federa-
ção D|str|ta| de Betúoa| e Oovernador O|v||, o
nosso camarada A|oerto Antunes, no grand|-
oso |antar em que, no Barre|ro, deu posse a
todos os Pres|dentes das Oom|ssoes Po||t|-
cas conce|h|as do d|str|to:
Quanto a esta matér/a as estruturas
Conce/h/as do Barre/ro a//rmaram já a po-
s/ção do P$.
/ Feoe/açao D|s|/||a| acomoa||a as o/eoc0-
oaçoes co|ocaoas e |emo/a q0e, ma|s oo q0e
a oe/|ços|oaoe oas s0os|á|c|as ma||o0|aoas,
e a soo/eca/ça oo |/á|s||o, |es|a esoa/||||aoa
c|oaoe, q0e |os o/eoc0oa.
Por /sso parece-nos que dev/am ser encon-
tradas a/ternat/vas a /oca//zação desta un/-
dade.
F, se as oessoas o0 mo/|me||os q0e co||/o-
|am o0 aç||am a o|oa oe co||es|açao es||/e-
/em |||e/essaoas, e·|s|em a||e/|a||/as e ||oo-
|eses q0e oooe/ao /esoe||a/ as o0/|oas e ||-
|e//oçaçoes oe |ooos os 5a//e|/e|se.
Fsoe/o, oes|a /o/ma, q0e |ooa a aç||açao oe-
se|/o|/|oa |e||a em co||a as o/eoc0oaçoes
e |||e/esses |eç|||mos oos c|oaoaos oes|a |e/-
/a. Se ass|m /o/, |a/e/a co|o|çoes oa/a q0e,
co|s|/0||/ame||e, |0oo se /eso|/a.
ve/emos q0em es|a com os 5a//e|/e|ses o0
q0em o/ec|sa oos se0s /o|os oa/a em |ome
oe|es oec|o|/.
No P$ é poss/ve/ e /eg/t/mo as pessoas d/s-
cordarem e d/verg/rem, o que não sucede
noutras /orças po//t/cas.
Oportunas e |ud|c|osas pa|avras, tanto ma|s
s|gn|í|cat|vas dada a dup|a qua||dade de quem
as proíer|u.
E e por |sso que nos, que vemos ma|s a|guns
proo|emas - e ma|s graves - do que os que o
nosso camarada v|s|umora, que não contro-
|amos nem temos que contro|ar nenhuma
onda de contestação mas a engrossamos e
ag|tamos, quando necessár|o, em nome do
presente e do íuturo, nosso e dos nossos í|-
|hos, v|emos a este Oongresso.
Porque estamos com os Barre|renses, por-
que temos em conta as preocupaçoes e |n-
teresses |eg|t|mos dos nossos c|dadãos, que-
remos contr|ou|r para que construt|vamente
tudo se reso|va.
Natura|mente, aíastando ||m|narmente a h|po-
tese do d|sparate.
Apo|ando, sem amo|gu|dades, a postura de
d|á|ogo e de concertação que parece ter s|do
retomada pe|o M|n|ster|o do Amo|ente, apos
a contestação das |oca||dades esco|h|das
para a co-|nc|neração.
Dando o nosso me|hor para, orgu|hosamen-
te, ap|aud|r o notáve| esíorço, em termos de
preocupaçoes amo|enta|s, que o M|n|ster|o
vem desenvo|vendo, |evando à prát|ca um
con|unto de med|das que mu|to tem contr|-
ou|do para a reso|ução de um con|unto de
proo|emas que, há mu|to tempo, se arrasta-
vam.
Ba||entando a íraca |eg|t|m|dade para ía|ar por
parte de quem, como o PBD, perm|t|u a que|-
ma de pneus nas c|mente|ras ou andou um
decen|o à procura da so|ução sa|vadora, no
m|n|mo tão d|scut|ve| como a que agora se
preí|gura.
Ou de quem, como o POP, de|xou, por |nca-
pac|dade, |nerc|a e ía|ta de v|são de íuturo,
chegar a OÜlMlPAPOÜE e o Barre|ro ao es-
tado em que a BOOPEOO nos encontrou.
Mas não v|mos, so, por causa do Barre|ro.
Nem v|emos para ensomorar uma íesta tão
oon|ta, que, entre outros íe|tos, consagrará a
ree|e|ção do nosso Becretár|o Oera|, Anton|o
Outerres, e a aprovação da sua Moção de
or|entação po||t|ca gera| ¨A nossa v|a - uma
re|ação de coní|ança com os Portugueses",
na qua| todos nos revemos.
E e em nome dessa re|ação de coní|ança;
É em nome das pessoas, que sempre deve-
rão estar pr|me|ro;
É porque este caso, a forma como foi tra-
tado, e o que está em [ogo constituem um
paradigma, qua| bito|a de ava|iação entre
aqui|o que se diz e aqui|o que se faz, que
nós aqui estamos.
Fsse |osso como/om|sso, oe dessacra||zar o
poder, |ao /es0||a/a aoe|as oe 0ma
co||/aoos|çao |ac||ca /ace ao a0||smo e à a/-
/oçá|c|a q0e ca/ac|e/|za/am os oez a|os oe
ço/e/|açao oo |SD. Pes0||a/a a||es, ac|ma
oe |0oo, oe ac/eo||a/mos o/o/0|oame||e |as
/|/|0oes oo o|a|oço e oa co|ce/|açao, oa o/o-
c0/a oe so|0çoes oa/||||aoas e oa/||c|oaoas
q0e /eso|/am os o/oo|emas co|c/e|os oos
c|oaoaos |o /esoe||o oe|o |||e/esse çe/a|.
Lm |o/|0ça| c0/a /||a||oaoe asse||e, ac|ma oe
|0oo, |a c0||0/a c|/|ca e |a caoac|oaoe oe
a/|/maçao oa o/oo/|a soc|eoaoe c|/||, em oe/-
ma|e||e o|a|oço com os oooe/es o0o||cos e
|o /esoe||o oe|a /o||aoe çe/a|.
Estamos aqui com a |egitimidade que o nos-
so Secretário-Gera|, certamente, nos reco-
nhece.
Com a |iberdade indissociáve| da nossa
condição de mi|itantes do Partido Socia|is-
ta.
Com a consciência do exemp|o que a nos-
sa presença pode constituir.
Cabe-nos a todos, ao Congresso, decidir,
no fim, se foi bom ou mau exemp|o.
Oh p'ra eIe o Programa
do nosso Governol
/ e|e/açao oo amo|e||e ao es|a|0|o oe e|e-
me||o |||eç/a||e oo co|ce||o oe c|oaoa||a
|e/a oe oassa/ oo/ 0ma aoe/|0/a à oa/||c|oa-
çao oos c|oaoaos |as oec|soes oa /om|||s-
|/açao - |omeaoame||e |o q0e /esoe||a à
a0sc0||açao oe oo|||oes e |||e/cámo|o oe ||-
/o/maçao, em oa/||c0|a/ com as o/ça||zaçoes
|ao ço/e/|ame||a|s - e oo/ 0ma ma|s e/|caz
|||/oo0çao oos e|eme||os esse|c|a|s oe 0ma
|o/a ¯c0||0/a amo|e||a|´ aos o|/e/sos ||/e|s
oo s|s|ema eo0ca||/o.
|| ¨Programa do Xlll Ooverno Oonst|tuc|ona|"
Este processo, que nasceu torto, pe|as ra-
zoes que todos conhecemos e nos d|spen-
samos de vo|tar a enunc|ar, teve o mer|to de
|ntroduz|r ¨os e|ementos essenc|a|s de uma
nova ¨cu|tura amo|enta|" aos d|versos n|ve|s
do s|stema educat|vo" e em toda a comun|-
dade oarre|rense.
Proporc|onou uma aparenc|a de d|á|ogo, pre-
v|o à tomada de dec|são, o qua|, aí|na|, pare-
ce ter t|do como dest|natár|os, pe|o |ado de
quem dec|d|u, um con|unto de deí|c|entes
aud|t|vos proíundos...
Le|a-se o que d|z o Pe|ator|o da Oonsu|ta
Púo||ca:
Da a|a||se oos oa/ece/es e oo /es0||aoo oo
oeoa|e oco//|oo o0/a||e as /0o|e|c|as |0o||-
cas /e/|/|co0-se q0e, oe 0ma /o/ma çe/a|, es-
|es e/am oes/a/o/a/e|s à co-||c||e/açao |as
|oca||zaçoes aoo||aoas, oem como à |oca||-
zaçao oas Fs|açoes oe 7/a|s/e/e|c|a e oe 7/a-
|ame||o em Fs|a//e/a e |o 5a//e|/o /esoec||-
/ame||e.
/ co-||c||e/açao oe /es|o0os oe/|çosos |as
Fao/|cas oe C|me||o, ass|m como q0a|q0e/
oec|sao |a a/ea oo o/ocessame||o, |/a|ame|-
|o e oes|||o /||a| oe /es|o0os ||o0s|/|a|s, oa/||-
c0|a/me||e oe /es|o0os oe/|çosos, so oooe
se/ co|s|oe/aoa ace||a/e| se o/ee|c||oas as
seç0|||es co|o|çoes q0e ça/a||em a
ACÇÃO SOClALlSTA 48 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
s0s|e||ao|||oaoe oa ooçao a |oma/.
- 0m ||a|o oe Peo0çao oa |/oo0çao oe Pes|-
o0os ||o0s|/|a|s, em oa/||c0|a/ oe Pes|o0os
|e/|çosos,
- 0m ||a|o Fs|/a|eç|co oa/a os Pes|o0os ||-
o0s|/|a|s,
- 0m co|/0||o oe meo|oas oa/a |e/a/ à e/ec||-
/a e//ao|caçao oos oesoe/os ||eça|s, com |/es
/e/|e||es o/||c|oa|s. a c/|açao oe 0ma ||||a
oe Fme/çe|c|a oa/a o /mo|e||e, a |oe|||/|ca-
çao e oesco||am||açao oe ||·e|/as se|/açe|s
oe /es|o0os ||o0s|/|a|s, e o /0|c|o|ame||o oe
0m Peç|s|o ^ac|o|a| oe Pes|o0os ||o0s|/|a|s
|e/|çosos e ^ao |e/|çosos.
E, ma|s ad|ante
/ co-||c||e/açao e 0ma so|0çao oe/|c|e||e
oo/q0e /es0||a |a |/a|s/e/e|c|a oe m0||os oos
oo|0e||es o0 |a çe/açao oe oo|0e||es a||oa
ma|s oe/|çosos oa/a o0|/os me|os, oa/||c0|a/-
me||e o a/.
/ co-||c||e/açao oooe |o/|a/-se 0m /ac|o/ oe
/ome||o oa o/oo0çao oe /es|o0os oe/|çosos,
oo|s oa/a os se0s o/oo0|o/es oe|·a/|a oe |a-
/e/ o/oo|ema em os o/oo0z|/, /|s|o o|soo/-se
oe 0ma so|0çao ¯ooa´ oo oo||o oe /|s|a
amo|e||a|.
/ co-||c||e/açao, como 0ma |o/a /a|e|c|a
oas Fao/|cas oe C|me||o, oooe se//|/ oe oase
oe s0s|e||açao à oe/oe|0açao oes|as e oas
oeo/e|/as a e|as assoc|aoas em |oca|s o|oe
|ao oe/e/|am oe/ma|ece/.
º Pe|a||/ame||e ao Fs|0oo oe |moac|e
/mo|e||a|, e co|s|oe/aoo q0e es|e ao/ese||a
|ac0|as, e||/e o0|/as, |o esc|a/ec|me||o oos
||oos oe /es|o0os e /esoec||/as q0a|||oaoes
e oes|||os a o/ocessa/ oo/ oa/|e oa Sco/eco,
|os cao||0|os oa q0a||oaoe oo a/, /e|a||/ame||e
aos /|scos oa co-||c||e/açao, |a ca/ac|e/|za-
çao oo c|me||o o/oo0z|oo em /o/|os co-||c|-
|e/a|oo Pes|o0os ||o0s|/|a|s |e/|çosos e os
se0s oo|e|c|a|s e/e||os soo/e a sa0oe o0o||-
ca, ao |ao 0||||za/ oaoos oe es|0oos oe s||0a-
çoes a|a|oças s||0aoas em o0|/os |oca|s oo
V0|oo.
º Pe/e/e-se a||oa q0e as meo|oas oe
m|||m|zaçao oo F|/ |ao oe/e/|am se/ /eco-
me|oaçoes mas s|m como/om|ssos oo/ oa/-
|e oo o/ooo|e||e.
º Sao a||oa e/ec|0aoas a|ç0mas o/ooos|as
/e|a||/ame||e aos o/oç/amas oe mo|||o/|zaçao
/e/e/|oos |o F|/, co|s|oe/a|oo-se q0e es|es
oe/e/|am ao/a|çe/ |ooos os |oca|s se|ecc|o-
|aoos, e se/ /ea||zaoos oo/ e|||oaoes ||oe-
oe|oe||es oe /eco||ec|oa caoac|oaoe |ec-
||co-c|e|||/|ca, q0e e|/|a/|am os /esoec||/os
/es0||aoos ao V|||s|e/|o oo /mo|e||e e às
Com|ssoes oe F|sca||zaçao oas /c||/|oaoes
oe ||c||e/açao oe Pes|o0os |e/|çosos e ^ao
|e/|çosos o0 some||e ^ao |e/|çosos em Fo/-
|os oe C|me||o.
º |/oooe-se q0e se/a es|aoe|ec|oo 0m o/o|o-
co|o e||/e a SCOPFCO e o V|||s|e/|o oo /m-
o|e||e oe |||e//omoe/ |meo|a|ame||e o o/o-
cesso oe co-||c||e/açao q0a|oo se /e/|/|q0em
q0a|sq0e/ oes/|os oas co|o|çoes e oos
oa/áme|/os o/e-es|aoe|ec|oos, q0e oossam
oó/ em ca0sa a Sa0oe |0o||ca e o /mo|e||e.
Pe|a||/ame||e ao |/a|soo/|e oos /es|o0os, e
se|oo aom|||oa oe|o o/oo/|o F|/ a s0a
oe/|ços|oaoe, co|s|oe/a-se q0e oe/em se/
c|a/ame||e oe/|||oos os |/a/ec|os a 0sa/ /eç0-
|a/me||e, em |ooas as /ases oo o/ocesso, ao
|o|ço oos q0a|s oe/e/ao se/ c/|aoas es|/0|0-
/as oe o/e/e|çao e m|||m|zaçao oe /|scos
oeco//e||es oe e/e||0a|s ac|oe||es, oe/e|-
oo a s0a co|ceoçao e |mo|eme||açao e|/o|-
/e/ as e|||oaoes /esoo|sa/e|s oe|a |/o|ecçao
C|/||.
º F o/ooos|o oe|a C| q0e o |/a|soo/|e /e//o/|-
a/|o se/a ||c|0|oo |o o/o/ec|o, oaoo o e|e/aoo
ç/a0 oe seç0/a|ça q0e o/ooo/c|o|a e q0e as
||s|a|açoes em ca0sa, oem como a|ç0mas
oas 0||oaoes /ao/|s o/oo0|o/as oe /es|o0os a
e||m||a/, es|ao, oe 0m mooo çe/a|, oo|aoas
oe ||s|a|açoes /e//o/|a/|as o0 /e|a||/ame||e
o/o·|mas oas mesmas
Re|ativamente à Estação de Tratamento do
Barreiro e à Estação de Transferência de
Estarre[a é referido que não se concorda
que não se[a apresentada qua|quer a|ter-
nativa de |oca|ização, nem que não se[a
dada qua|quer exp|icação c|ara para ta|
esco|ha prévia.
º O Barre/ro e Estarreja /oram e cont/nu-
am a ser /ortemente prejud/cadas pe/a /n-
dustr/a qu/m/ca pesada que despejou para
o me/o amb/ente res/duos /ndustr/a/s e
e//uentes tox/cos durante dezenas de anos
sem qua/quer t/po de tratamento.
º 7ooos os /es|o0os çe/|oos oe|os o/omo|o-
/es oo s|s|ema (os oes|||aoos a co-||c||e-
/açao, os oes|||aoos a a|e//o, os oes|||a-
oos a a/maze|açem, os oes|||aoos a e·oo/-
|açao, |s|o e, oo|e|c|a|me||e |ooos os /es|-
o0os o/oo0z|oos |o oa|s; oassa/ao oe|a es-
|açao oe |/a|ame||o oo 5a//e|/o, a|/a/es oe
|/a|soo/|e /ooo/|a/|o.
º / ooo0|açao oo 5a//e|/o /a es|a co|oe|a-
oa a /|/e/ com as seq0e|as oe 0m oassaoo
||o0s|/|a| q0e o/o/oco0 q0e, a||oa |o/e em
o|a, se /eç|s|em ||/e|s e·cess|/os oe oo|0|-
çao a|mos/e/|ca, oe|o q0e |ao oe/e se/
soo/eca//eçaoa com ma|s |e||0m oeso
amo|e||a|. J0||o ao |oca| o|oe se o/e|e|oe
||s|a|a/ a F7P| e·|s|em esco|as, 0m ç||as|o,
0m oa/q0e emo/esa/|a| e 0ma ç/a|oe s0-
oe//|c|e come/c|a|.
Perante tudo |sto, ouv|dos de mercador.
O que o Barreiro quer
e o País necessita
Petomemos a aná||se da s|tuação actua| do
Barre|ro, novamente pe|a pena do Eng' Bar-
d|nha Pere|ra:
^a seq0e|c|a oa co|s|||0|çao oa
OL|V||/POLF, oeoa/o0-se à Fmo/esa a e·|s-
|e|c|a, |o se0 |a/q0e oo 5a//e|/o, oe /a/|os
||oos oe /es|o0os so||oos, q0e |ao /o/am |a-
|0/a|me||e çe/aoos oe|a s0a o/oo/|a ac||/|oa-
oe, es|a|oo |o e||a||o a Fmo/esa assoc|aoa
à s0a çes|ao.
7a|s /es|o0os e/am /0|oame||a|me||e co|s||-
|0|oos oo/ c||zas oe o|/||e o0/|/|caoas,
/os/oçesso, oe||o·|oo oe /a|ao|o, /es||as
oo||me/|zaoas, ma|e/|as-o/|mas oa/a o /ao/|-
co oe oes||c|oas, e|·o//e e /es|o0os oe z||co.
Face a es|a /ea||oaoe, a OL|V||/POLF o/o-
mo/e0 a /ea||zaçao oe 0m es|0oo soo/e a s|-
|0açao amo|e||a| ||e/e||e ao oeoos||o oes|es
/es|o0os ||o0s|/|a|s |o se0 |a/q0e, es|0oo
esse q0e /o| ooo/|0|ame||e e||/eç0e ao V|-
||s|e/|o oo /mo|e||e, aç0a/oa|oo-se 0ma |o-
maoa oe oos|çao e oec|sao soo/e as o/ooos-
|as oe|e co|s|a||es.
|a/a|e|ame||e, a OL|V||/POLF |em /||oo a
oese|/o|/e/ 0m co|/0||o oe |/aoa||os |o se|-
||oo oe oo|e/ 0m ao/oo/|aoo aco|o|c|o|ame|-
|o oos /es|o0os ||/e||a/|aoos, oe /o/ma a /e-
o0z|/ o se0 |moac|o amo|e||a|.
|/osseç0e, a|em o|sso, o se0 es/o/ço oe |m-
o|a||açao oe a/eas /e/oes, o|a||açao oe a/-
/o/es, /eao||||açao oe eo|/|c|os e oe ||//a-es-
|/0|0/as, co|s|/0çao oe |o/os oa/q0es oe es-
|ac|o|ame||o, me||o/|a oa s||a||zaçao |||e/-
|a, e|c.
E, em re|ação à s|tuação actua| do Parque:
/ e·oe/|e|c|a emo/esa/|a| aoo||aoa /em,
como se oe0 a e||e|oe/, oe |o|çe.
Fec|a/ /ao/|cas, co|/e/|e/ a|ç0mas, /emooe-
|a/ o0|/as, /aze|oo-se em c0/|o o/azo a |/a|s-
/o/maçao oos Como|e·os ||o0s|/|a|s em |a/-
q0es Fmo/esa/|a|s /o| /||a| oa/a asseç0/a/ o
/0|c|o|ame||o oas emo/esas /a ||s|a|aoas e
c/|a/ co|o|çoes oa/a a ||s|a|açao oe |o/as
emo/esas.
7a| /o| ooss|/e| oo/ se |e/ |||/oo0z|oo 0ma ç/a|-
oe o||ám|ca |o a|aq0e aos o/oo|emas e çe-
/aoo /0|oos q0e o oe/m|||/am /aze/.
Fm |e/mos oe amo|e||e, ||/e/|e0-se a ma/ca
|eça||/a q0e semo/e ca/ac|e/|zo0 o 5a//e|/o
e mooe|o0-se 0m |o/o /os|o a 0ma /o/|e |/a-
o|çao ||o0s|/|a| oes|a |e//a e |amoem oa /e-
ç|ao oe Fs|a//e/a.
Fs|e e 0m cam|||o q0e es|amos, |a
OL|V||/POLF, oe|e/m||aoos a o/osseç0|/.
|a/a e|e |os |moe|em a /esoo|sao|||oaoe so-
c|a| q0e ass0m|mos oe/a||e as com0||oaoes,
a |ossa co|sc|e|c|a oe c|oaoa||a, a |ossa
oo/|çaçao oe o/o|eçe/ o amo|e||e como /o/-
ma oe co|seç0|/ 0ma co||||0a e s0s|e||aoa
me||o/|a oa O0a||oaoe oe v|oa.
E e por |sso que nos, todos, perceoemos que
não prec|samos cá, nem o Pa|s prec|sa, de
todos os L|xos |ndustr|a|s tox|cos e per|go-
sos, à porta do Fe|ra Nova.
O que nos prec|samos e o Pa|s prec|sa e
daqu||o que nos ío| promet|do no Programa
do Ooverno:
º Dese|/o|/|me||o oe 0ma oo||||ca oe
me||o/|a oo amo|e||e 0/oa|o, o/|ç||a|oo 0m
oaco|e oe meo|oas e acçoes q0e - ass0m|-
oas com ca/ac|e/ |||e/sec|o/|a| e o/eoa/aoas
e |e/aoas a caoo em a/||c0|açao com as
a0|a/q0|as e o0|/os açe||es |oca|s - /a|o/|zem
e me||o/em os oao/oes oe q0a||oaoe oe /|oa,
º Pe/o/ço oa a/||c0|açao com os o|/e/sos sec-
|o/es, |omeaoame||e os o/oo0||/os, oe mooo
a |||/oo0z|/ o /ec|o/ amo|e||a| |as /esoec||-
/as es|/a|eç|as oe oese|/o|/|me||o,
º |a/||c0|a/ /e|e/o me/ece/a, |es|e co||e·|o,
a o/omoçao oe es|/a|eç|as oe /ec|c|açem,
/e0||||zaçao e /eo0çao oe co|s0mos oe ma-
|e/|a|s, /ec0/sos |a|0/a|s e e|e/ç|a, em oe|/|-
me||o oe ooçoes co//ec||/as,
º /|/|o0|çao oe 0ma |o/a o/|o/|oaoe à oo||||ca
oe co|se//açao oa ^a|0/eza, |omeaoame|-
|e, a|/a/es oo a0me||o oo co||ec|me||o so-
o/e o oa|/|mo||o |a|0/a|, oa ace||açao oo ca-
/ac|e/ |o/|zo||a| oes|a oo||||ca,
º Pe/o/ço oo oaoe| a|/|o0|oo às a/eas o/o|e-
ç|oas como e|eme||os esse|c|a|s oe 0ma es-
|/a|eç|a oe oese|/o|/|me||o com oa/||c0|a/
||c|oe|c|a |o m0|oo /0/a|, a|/a/es, |omea-
oame||e, oa |mo|eme||açao oe o/oç/amas oe
oese|/o|/|me||o e çes|ao oesses esoaços
q0e ||c|0am a oa/||c|oaçao |||e/essaoa oas
ooo0|açoes |oca|s,
º |/eoa/açao oe 0m o/oç/ama oe eo0caçao
amo|e||a| q0e oe/m||a, oe||/o e /o/a oo s|s|e-
ma eo0ca||/o, a se|s|o|||zaçao e /o/maçao oos
c|oaoaos |os o|/e/sos oom|||os amo|e||a|s,
º F|aoo/açao oe 0m co|/0||o oe meo|oas q0e
/|sem o a0me||o oa ||/o/maçao, o acesso à
/0s||ça e a ça/a|||a oe o/o|ecçao oos o|/e||os
oos co|s0m|oo/es |os camoos oa sa0oe e
seç0/a|ça,
º |/eoa/açao oe 0m co|/0||o oe acçoes q0e
oe/m||am o/es||ç|a/ e /a|o/|za/ a /om|||s|/a-
çao oo /mo|e||e como co|o|çao oe e/|cac|a
oas o|/e/sas oo||||cas |a a/ea oo amo|e||e,
º Oo||m|zaçao oa a/||c0|açao e||/e o sec|o/
o0o||co e o sec|o/ o/|/aoo, co|/0ça|oo o ||-
|e/esse o0o||co com c/||e/|os oe ma·|m|zaçao
oa e/|cac|a,
º /|a||se oas co|o|çoes oe 0||||zaçao e ao/o-
/e||ame||o oos /ec0/sos /||a|ce|/os o|soo||-
/e|s - |omeaoame||e os /e|a||/os ao F0|oo
oe Coesao -, asseç0/a|oo, s|m0||a|eame|-
|e, a 0||||zaçao oesses mo||a||es |a /eso|0-
çao oos ç/a|oes o/oo|emas |ac|o|a|s oe ca-
/ac|e/ amo|e||a| e o esço|ame||o a|emoaoo
e |o|a| oas /e/oas o|soo||/e|s,
E OÜEPEMOB,
ALÉM DlBBO,
BEP FELlZEB E EBTAP TPANOÜlLOB.
AOHAM OÜE É PEDlP MÜlTO?!
António Fernando Cabós GonçaIves
M|||tante n' 864
Aires De CarvaIho
M|||tante n' 107.778
Jane|ro de 1999
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 49
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
MOÇÁO $EC7OR/AL
AS COMUNlDADES PORTUGUESAS
*
1 - Unir os portugueses
onde quer que vivam
Em Outuoro de 1995 o Part|do Boc|a||sta apre-
sentou-se ao e|e|torado com um programa
e|e|tora| do qua| íaz|a parte um cap|tu|o so-
ore as comun|dades portuguesas res|dentes
no estrange|ro.
Tres anos passados de Ooverno Boc|a||sta e
a|nda sem que a |eg|s|atura tenha term|nado,
mu|tos dos comprom|ssos e|e|tora|s assum|-
dos em 1995 e traduz|dos no programa do
Ooverno íoram cumpr|dos, apesar de haver
mu|to a íazer.
De íacto, como suo||nha o camarada Anton|o
Outerres na sua moção, ¨Lma /e|açao oe
co|/|a|ça com os oo/|0ç0eses" o Part|do
Boc|a||sta cons|dera que tem ¨part|cu|ar des-
taque o pape| das com0||oaoes oo/|0ç0esas
|o V0|oo, não apenas enquanto e|emento
de ||gação de todos os c|dadãos nac|ona|s
onde quer que res|dam, mas tamoem enquan-
to componente da aí|rmação dos nossos va-
|ores nac|ona|s e da nossa espec|í|ca mane|-
ra de ser e de estar no Mundo".
Üma po||t|ca para as comun|dades portugue-
sas tem de assentar numa dup|a vertente: por
um |ado a manutenção e o reíorço dos |aços
cu|tura|s, soc|a|s, po||t|cos e econom|cos com
Portuga| e, por outro, o aproíundamento da
sua |ntegração soc|a| e po||t|ca nos pa|ses de
aco|h|mento.
Ass|m, o íacto po||t|camente ma|s re|evante
ío| a const|tu|ção do Co|se||o oas Com0||-
oaoes, íundado na sequenc|a de uma Le|
votada por unan|m|dade na Assemo|e|a da
Pepúo||ca. A sua e|e|ção por suírág|o un|ver-
sa| e um passo |rrevers|ve|, de |mportânc|a
h|stor|ca, que cr|a cond|çoes para uma mo-
d|í|cação do re|ac|onamento das comun|da-
des portuguesas com os Orgãos de Estado
em Portuga|. A |uz da exper|enc|a, |mporta
me|horar as cond|çoes de íunc|onamento e
de exerc|c|o do mandato dos memoros des-
te Oonse|ho, de íorma a que possam desen-
vo|ver a sua acção |unto das comun|dades
que representam.
De |gua| re|evânc|a po||t|ca, deve menc|onar-
se a |nscr|ção na Oonst|tu|ção da Pepúo||ca
do o|/e||o oe /o|o |as e|e|çoes o/es|oe|c|a|s
para os portugueses res|dentes no estrange|-
ro.
A P7|| /o| oo|aoa oe 0m Co|se||o Co|s0|||/o
com representantes das comun|dades, ten-
do como oo|ect|vo a aná||se da respect|va
programação. \e|cu|o pr|v||eg|ado de d|íusão
da ||ngua e cu|tura portuguesas e para mu|-
tos o ún|co e|o de ||gação a Portuga|, todos
os esíorços serão poucos para me|horar a
sua qua||dade e o seu pape| íormat|vo e |n-
íormat|vo.
A|nda no âmo|to da Oomun|cação Boc|a|, ío-
ram tomadas med|das de aoo|o aos o/çaos
oe |mo/e|sa vocac|onados para as comun|-
dades portuguesas.
Tamoem a área do ens|no conheceu a|gum
progresso, tendo s|do e|aoorado um Estatu-
to para os docentes portugueses no estran-
ge|ro e reíormu|ada a rede oí|c|a| do e|s||o
oa |||ç0a oo/|0ç0esa no estrange|ro. Na rea-
||dade, todos os esíorços que possam desen-
vo|ver- se nesta área serão sempre |nsuí|c|-
entes. A aposta na qua||dade do ens|no da
||ngua portuguesa, na me|hor|a das cond|çoes
em que o ens|no e m|n|strado, na promoção
da cu|tura portuguesa, ut|||zando para |sso,
des|gnadamente, as tecno|og|as actua|s, são
oo|ect|vos |mper|osos.
Mas ío| no aoo|o aos c|oaoaos oo/|0ç0eses
q0e /es|oem |o es|/a|çe|/o que se centrou o
grande esíorço do Ooverno: aor|ram-se no-
vos postos consu|ares, modern|zaram-se e
|níormat|zaram-se grande número de consu-
|ados, organ|zou-se a íormação proí|ss|ona|
dos traoa|hadores consu|ares, está em cur-
so a reíormu|ação do Estatuto dos traoa|ha-
dores das Emoa|xadas e dos Oonsu|ados e
puo||cou-se um novo regu|amento consu|ar,
para suost|tu|r o anter|or, ve|ho de 70 anos.
2. Apostar no futuro
No passado recente as comun|dades portu-
guesas soíreram uma grande evo|ução. Mer-
ce por um |ado da natura| me|hor|a das suas
cond|çoes de v|da, íruto íundamenta|mente
do seu |aoor, e merce |gua|mente da acção
governat|va que perm|t|u reso|ver os ma|s gr|-
tantes proo|emas respe|tantes a sua ||gação
a Portuga|, as comun|dades portuguesas ad-
qu|r|ram um estatuto de ma|or|dade econo-
m|ca, po||t|ca e soc|a| que perm|te actua|men-
te encarar a sua rea||dade de modo comp|e-
tamente d|íerente. lmpoe-se, no entanto, não
esquecer o íenomeno da nova em|gração,
decorrente da moo|||dade geográí|ca e pro-
í|ss|ona| no quadro do mercado |nterno e no-
meadamente o íenomeno do traoa1ho sazo-
na| na Europa.
Há que começar a pensar reso|ver novos
desaí|os: e o ma|or que entre e|es actua|mente
se co|oca as comun|dades portuguesas no
estrange|ro corresponde as suas segunda e
terce| ra geraçoes. Há que deí| n| r o
pos|c|onamento de Portuga| íace a estas se-
gunda e terce|ra geraçoes; num contexto em
que uma parte |mportante das comun|dades
portuguesas no estrange|ro tem um estatuto
soc|a| correspondente a traoa|hadores pou-
co qua||í|cados ou med|amente qua||í|cados,
e |nd|spensáve| |mped|r que |sso se pro|on-
gue pe|as segunda e terce|ra geraçoes.
A íutura po||t|ca portuguesa para as comun|-
dades portuguesas deve, portanto, dar uma
atenção espec|a| às segunda e terce|ra gera-
çoes. A manutenção dos |aços cu|tura|s com
Portuga|, o desenvo|v|mento das comun|da-
des e o reíorço dos |aços econom|cos entre
Portuga| e as comun|dades portuguesas re-
s|dentes no estrange|ro passam por um gran-
de |nvest|mento nac|ona| nas segunda e ter-
ce|ra geraçoes. Este deve ser |nstaurado
como um dos oo|ect|vos da acção po||t|ca nos
prox|mos anos em re|ação as comun|dades
portuguesas no estrange|ro.
Neste âmo|to, deve apostar-se no desenvo|v|-
mento de |/oç/amas oes|||aoos esoec|/|ca-
me||e as seç0|oa e |e/ce|/a çe/açoes oas
com0||oaoes, em torno de programas de |n-
tercâmo|o cu|tura|, de íormação proí|ss|ona|,
de írequenc|a de un|vers|dades portuguesas
e de cursos que tratem de questoes re|ac|o-
nadas com Portuga|; este apo|o deve passar
|gua|mente pe|a atr|ou|ção de um número su-
í|c|ente de oo|sas de estudo, que perm|ta a
todos írequentarem cursos proí|ss|ona|s ou
un|vers|tár|os de acordo com as suas capac|-
dades, quer nos pa|ses onde v|vem quer em
Portuga|.
É |gua|mente necessár|o perspect|var o íuturo
e preparar o prox|mo programa e|e|tora| do
part|do para a área das Oomun|dades Portu-
guesas. Ass|m, e necessár|o |evar a caoo as
med|das prev|stas no programa de 1995 que
ano íoram |mp|ementadas, nomeadamente, as
que d|zem respe|to ao lnst|tuto Oamoes, a
PTPl, ao apo|o às assoc|açoes, ao apo|o a uma
me|hor |ntegração nos pa|ses de aco|h|mento
e ao retorno a Portuga|. A um ano do í|m da
|eg|s|atura, e necessár|o pro|ongar e comp|e-
tar a oora |n|c|ada, nomeadamente nas áreas
re|ac|onadas com a qua||dade da |ntegração
nos pa|ses de aco|h|mento. Oonhecer me|hor
as preocupaçoes e as necess|dades das co-
mun|dades portuguesas nas áreas de acesso
ao ens|no, a íormação proí|ss|ona| e ao em-
prego e uma tareía que se |mpoe. Tamoem o
apo|o ao mov|mento assoc|at|vo devera ser
desenvo|v|do com oase em cr|ter|os c|aros
quanto a representat|v|dade das assoc|açoes
e respect|vos apo|os a conceder.
Dado que se aprox|mam do|s actos e|e|tora|s,
e da ma|or |mportânc|a que o part|do desen-
vo|va acçoes que conduzam a uma part|c|pa-
ção ma|s s|gn|í|cat|va dos c|dadãos portugue-
ses res| dentes no estrange| ro,
des|gnadamente acçoes de |níormação e
sens|o|||zação para o recenseamento e exer-
c|c|o do d|re|to de voto. No que d|z respe|to
ma|s espec|í|camente aos c|dadãos portugue-
ses res|dentes nos pa|ses da Ün|ão Europe|a,
devem ser tornadas med|das em parcer|a com
os governos e as autor|dades dos pa|ses res-
pect|vos, |ncent|vando os nossos conc|dadãos
a part|c|par na v|da po||t|ca desses pa|ses, exer-
cendo p|enamente os d|re|tos c|v|cos que |he
são reconhec|dos e contr|ou|ndo ass|m para
o desenvo|v|mento da c|dadan|a europe|a.
Do o/o/ec|o oa/a o |o/|0ça| oo Sec0|o \\| apre-
sentado pe|o Part|do Boc|a||sta íaz parte a
detem|nação em u|trapassar o nosso atraso
estrutura|. Oueremos um Portuga| com ma|s
so||dar|edade, |ust|ça soc|a| e |gua|dade de
oportun|dades para todos e um exerc|c|o da
c|dadan|a com d|gn|dade e sem que os nos-
sos compatr|otas se s|ntam d|scr|m|nados
onde quer que se encontrem. É dessa v|tor|a,
assente nos va|ores e pr|nc|p|os po||t|cos e
soc|a|s do soc|a||smo democrát|co, que depen-
de haver um Portuga| de onde não ma|s se|a
necessár|o part|r.
3. MeIhorar o funcionamento
do Partido
A estrutura part|dár|a devera acompanhar esta
d|nâm|ca. A ex|stenc|a de um Deoa/|ame||o
oa em|ç/açao, do qua| será responsáve| um
memoro do secretar|ado nac|ona| com capa-
c|dade de |ntervenção nos orgãos apropr|a-
dos do Part|do, perm|t|ra uma ||gação eíect|-
va das estruturas part|dár|as do estrange|ro a
v|da part|dár|a em Portuga|.
É |mper|oso que no momento em que as co-
mun|dades portuguesas adqu|rem a sua ma|-
or|dade po||t|ca, o Part|do Boc|a||sta acom-
panhe este mov|mento gera| com uma orga-
n|zação correspondente para essas comun|-
dades.
É |mportante que ha|a um empenhamento do
Part|do como um todo, e das suas estruturas
de dec|são em part|cu|ar, para que esta nova
s|tuação possa receoer um tratamento ade-
quado. Oons|deramos que esta e uma pr|or|-
dade estrateg|ca que corresponde aos |nte-
resses de Portuga|, do PB e das comun|da-
des portuguesas ex|stentes em todo o mun-
do. Neste contexto, os deputados soc|a||stas
e|e|tos pe|a em|gração const|tuem uma
reíerenc|a íundamenta|, devendo estar a a|-
tura das so||c|taçoes das comun|dades por-
tuguesas.
O PB deve reíorçar os |aços com os part|dos
| rmãos, tendo em v| sta a sua ma| or
operac|ona||dade e o aumento da sua capa-
c|dade para me|hor deíender os |nteresses
dos portugueses nos pa|ses de aco|h|mento.
Neste âmo|to, deve sa||entar-se e reconhe-
cer-se a |mportânc|a do traoa|ho das secçoes
e íederaçoes no estrange|ro.
Oomo d|z Anton|o Outerres ¨F ||s0os|||0|/e| e
||es||ma/e| o co||/|o0|o e o emoe||ame||o
oos m||||a||es oo |S" para d|nam|zar a soc|e-
dade c|v|| e acompanhar a acção governat|va.
Bem este contr|outo organ|zado, r|scos ha de
se perder o esíorço eíectuado.
*
Aprovada pe|a Oom|ssão Po||t|ca da Fede-
ração do Bene|ux
Luxemourgo, 13 de Jane|ro de 1999
Em nome da Federação do Bene|ux,
Diogo QuinteIa,Pres|dente da Federação
ACÇÃO SOClALlSTA 50 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
AO ENCONTRO DAS COMUNlDADES PORTUGUESAS
MOÇÁO $EC7OR/AL
PoIítica para a emigração
As Oomun|dades Portuguesas, representadas
por ma|s de quatro m||hoes e me|o de portu-
gueses e |uso-descendentes, assumem-se
ho|e como a /a||a oa ooo0|açao oo/|0ç0esa
com a ma|o/ caoac|oaoe oe o/oo0çao oe /|-
q0eza, traduz|da nas remessas que regu|ar-
mente env|am para o nosso pa|s, super|ores
aos íundos comun|tár|os que Portuga| receoe
da Ün|ão Europe|a e mu|to ac|ma das rece|tas
proven|entes do tur|smo.
Por outro |ado, o re|evante contr|outo das nos-
sas comun|dades no estrange|ro, |á não e de
natureza exc|us|vamente econom|ca, mas a|ar-
ga-se, |gua|mente, às esíeras po||t|ca, soc|a| e
cu|tura|, o que mu|tas vezes se esquece.
A emanc|pação e |ntegração das comun|da-
des portuguesas, perm|te-1hes desempenhar
ho|e o pape| necessár|o para potenc|ar a ||n-
gua e a cu|tura portuguesas, o comerc|o ex-
terno e a |mportânc|a de Portuga| nos pa|ses
de aco|h|mento.
Ho|e, n|nguem se atreve a d|zer que as comu-
n|dades portuguesas não const|tuem uma ver-
tente estrateg|ca da po||t|ca externa portugue-
sa. Ou e|as não este|am em pa|ses de grande
|mportânc|a geoestrateg|ca para Portuga| ao
mesmo tempo que são potenc|a|s mercados-
a|vo. É nesta perspect|va que temos que en-
tender as comun| dades portuguesas e
equac|onar as grandes ||nhas de íorça da or|-
entação das po||t|cas do Part|do Boc|a||sta para
a em|gração. \otadas |argos anos ao ostra-
c|smo pe|os sucess|vos governos do PBD, as
comun|dades portuguesas começam agora a
reencontrar a sua |dent|dade e a sua capac|-
dade de aí|rmação, íruto das acçoes e med|-
das concretas do actua| Ooverno soc|a||sta.
O Ooverno souoe cons|derar expressamente
uma po||t|ca re|at|va as comun|dades portugue-
sas d|spersas pe|o mundo, sendo |sso um s|-
na| express|vo da mudança que se começa a
|ntroduz|r, reí|exo da mudança que de resto
está a |evar a eíe|to em todas as estruturas da
soc|edade portuguesa.
A |ntervenção do Ooverno íez-se |á sent|r em
a|gumas áreas pr|or|tár|as de acção, pe|o que
as comun|dades portuguesas começam |en-
tamente a ganhar a necessár|a v|s|o|||dade e
que há mu|to re|v|nd|cavam. A deíesa e a ex-
pansão da cu|tura e ||ngua portuguesas e ho|e
a|vo da preocupação de quem tem o poder
de dec|d|r.
Oontrar|ando a anter|or í||osoí|a, que transíor-
mou o lnst|tuto Oamoes numa |nst|tu|ção pro-
pr|a, o lO tem ho|e um programa propr|o, sus-
tentado, nos ma|s d|versos dom|n|os, aoerto
para o exter|or e a íunc|onar em art|cu|ação
com os M|n|ster|os da Ou|tura, da Educação,
da O|enc|a e Tecno|og|a, oem como com a
Oom|ssão dos Descoor|mentos.
O ens|no portugues no estrange|ro começa a
ser a|vo de ||ge|ras me|hor|as, quer a n|ve| das
coordenaçoes, quer no âmo|to da transparen-
c|a que o Ooverno trouxe ao processo de
contratação do corpo docente no estrange|ro,
com a |nstaurarão de um novo reg|me |ur|d|co
para estes docentes. No entanto, a|gumas
deí|c|enc|as cont|nuam a preva|ecer numa área
de grande sens|o|||dade para as comun|dades
portuguesas. Acred|ta-se e dese|a-se que o
pro|ecto de reestruturação do s|stema vá con-
t|nuar, não ía|tando a coragem para avançar a
reíorma de uma área que os Oovernos anter|-
ores nunca ousaram oe||scar.
A |níormação d|r|g|da às comun|dades portu-
guesas tem v|ndo a aumentar suostanc|a|men-
te, com o pro|ecto da PTP-|nternac|ona| a con-
so||dar-se e o nasc|mento de outro, não me-
nos amo|c|oso, a PTP-Aír|ca. Mas quant|dade
não s|gn|í|cou qua||dade, pe|o que se |mpoe
um ma|or esíorço nesse sent|do.
As pesadas estruturas consu| ares,
descaracter|zadas e d|síunc|ona|s, com que
os em|grantes portugueses esoarravam con-
t|nuamente, são agora portadoras, na sua
ma| or| a, da dese| ada | magem de
modern|dade. Bendo o ve|cu|o pr|or|tár|o de
execução das acçoes do Estado |unto das
comun|dades portuguesas, os Oonsu|ados
estão a ser dotados dos me|os necessár|os
para responderem aos desaí|os que represen-
tam as nossas comun|dades no exter|or. Pes-
ta dar cont|nu|dade à reestruturação |n|c|ada,
esperando-se que a mesma se traduza numa
ma|or d|nâm|ca e eí|các|a da rede consu|ar
portuguesa em pro| das nossas comun|dades
no estrange|ro.
É de reconhecer o esíorço íe|to na s|mp||í|ca-
ção dos proced|mentos da em|ssão de a|guns
documentos e a desourocrat|zação de a|guns
serv|ços adm|n|strat|vos. Os em|grantes tem
h|stor|cas razoes de que|xa re|at|vamente ao
íunc|onamento da Oonservator|a dos Peg|stos
Oentra|s. Bão conhec|das as h|stor|as de ac-
tos de reg|sto requer|dos nos Oonsu|ados que
esperaram, na|guns casos, v|nte anos e ma|s
para serem processados naque|a repart|ção.
Por |sso mesmo se ap|aude o esíorço íe|to na
s|mp||í|cação dos proced|mentos da em|ssão
de a|guns documentos e a desourocrat|zação
de a|guns serv|ços na área do reg|sto e do
notar|ado. Os reg|stos de nasc|mento e de
casamento dos portugueses no estrange|ro
processam-se ho|e dentro dos prazos est|pu-
|ados regu|amentarmente.
Do mesmo não nos podemos regoz||ar re|at|-
vamente ao que se passa na |nstrução dos
processos de atr|ou|ção ou aqu|s|ção da nac|-
ona||dade portuguesa. A reíorma do Pegu|a-
mento da Nac|ona||dade Portuguesa operada
pe|o DL 37/97, de 31 de Jane|ro ío|, segura-
mente, íe|ta com ooas |ntençoes. Mas a ver-
dade e que não perm|t|u ooter os resu|tados
esperados. O s|stema |mposto para |nstrução
dos processos tornou-se em co|sa tão herme-
t|ca que anu|a comp|etamente os eíe|tos pos|-
t|vos que pod|a ter. Por outro |ado, a moros|-
dade dos reg|stos de atr|ou|ção da nac|ona||-
dade portuguesa tem pre|ud|cado gravemen-
te os |nteresses de m||hares de compatr|otas
nossos, sooretudo daque|es em que o íactor
d|stânc|a agrava a|nda ma|s a s|tuação, como
e o caso dos res|dentes no Bras||, Aír|ca do
Bu|, \enezue|a, etc. Por |sso mesmo, devemos
suger|r que a s|tuação de d|í|cu|dades cr|adas
em torno dos trâm|tes que envo|vem a atr|ou|-
ção ou aqu|s|ção da nac|ona||dade portugue-
sa, se|a a|terada com a ma|or urgenc|a.
Não vamos cont|nuar a enumerar aqu| e ago-
ra, todas as áreas pr|or|tár|as que estão a ser
a|vo de acçoes ou de estudos tendentes à
ap||cação de med|das concretas. É que em
mater|a de comun|dades portuguesas, os pro-
o|emas ex|stentes |mpoem um grande esíor-
ço de acção, em que tudo tende a aparecer
como pr|or|tár|o.
Mas dentro da necessár|a h|erarqu|zação,
|ntegração e art|cu|ação de po||t|cas e med|-
das, oem como da se|ecção de áreas e pro-
gramas de acção a que se atr|oua carácter
pr|or|tár|o na ad|ud|cação de recursos de vár|-
as ordens, somos oor|gados a cons|derar o
regresso deí|n|t|vo a Portuga| dos em|grantes
portugueses, como uma das questoes pr|mor-
d|a|s dos a||cerces da po||t|ca do PB para as
comun|dades portuguesas.
Os padroes de desenvo|v|mento do nosso pa|s
ganharam outra d|mensão e Portuga|, ho|e,
começa a tornar-se um pa|s atract|vo. Be a||ar-
mos este íacto ao enve|hec|mento da pr|me|ra
geração de em| grantes portugueses,
aperceoemo-nos, rap|damente, que o regres-
so estará na m|ra de mu|tos m||hares de com-
patr|otas nossos res|dentes no estrange|ro.
Mas o regresso não pode ser um acto so||tá-
r|o. Deve ser um acto enquadrado pe|a soc|e-
dade, po|s o seu sucesso reí|ecte o sucesso
de uma po||t|ca e sooretudo, da sua va|enc|a
soc|oeconom|ca.
A rea||dade do regresso deve preocupar-nos
a todos. Üm regresso oem suced|do represen-
ta uma ma|s va||a no desenvo|v|mento da so-
c|edade. Mas o regresso tamoem pode ser um
caso dramát|co de d|í|c|| reso|ução.
Bem apo|o |nst|tuc|ona| capaz, sem d|rect|vas
c|aras e concretas de |nvest|mento, mu|tos
em|grantes são presa íác|| de especu|adores
e outros oportun|stas.
Os apo|os |nst|tuc|ona|s são tenues e tradu-
zem-se em contas oancár|as espec|í|cas, cre-
d|tos para a hao|tação, |senção ou redução
de a|guns d|re|tos aduane|ros. Bão pequenos
apo|os que ma|s se d|r|gem às d|v|sas do que
ao propr|o c|dadãos em|grante.
Por |sso, devem ser me|horados e amp||ados
os esquemas |á ex|stentes, com espec|a| |nc|-
denc|a no a|argamento da |níormação soore
o Pa|s rea| |unto das comun|dades portugue-
sas. O pr|nc|pa| apo|o ao regresso passa pe|a
|níormação. Üma |níormação correcta e |sen-
ta, de íác|| acesso ao em|grante, const|tu| a
me|hor corre|a de transm|ssão entre os portu-
gueses no estrange|ro e Portuga|.
ll - Uma maior representatividade
e participação poIítica das
Comunidades Portuguesas
Outro reíerenc|a| pr|mord|a| e nuc|ear da po||-
t|ca de em|gração passa pe|o empenho do
PB e do Ooverno em amp||ar ate aos ||m|tes
do poss|ve| a part|c|pação dos em|grantes
portugueses em todos os sectores da v|da
da Nação. Não se pode ace|tar que um dos
grupos soc|a|s que ma|s tem contr|ou|do para
a manutenção e o progresso da soc|edade
portuguesa, este|a po||t|camente à sua mar-
gem.
Paradoxa|mente, as autor|dades portuguesas
tem procurado a todo o custo sens|o|||zar as
comun|dades portuguesas para a |mportân-
c|a que assume a sua |ntegração nas soc|e-
dades de aco|h|mento, ootendo dessa íorma
capac|dade de |ní|uenc|a |unto dos governos
e outras ent|dades dos pa|ses de res|denc|a,
mas, por outro |ado, restr|ngem o grau da sua
part|c|pação e |ní|uenc|a na v|da po||t|ca por-
tuguesa.
O recem-cr|ado Oonse|ho das Oomun|dades
Portuguesas, orgão consu|t|vo do Ooverno
para as po||t|cas da em|gração, pe|a pr|me|ra
vez democrat|camente e|e|to pe|os portugue-
ses res|dentes no estrange|ro, surge como um
reíorço da part|c|pação po||t|ca das comun|-
dades portuguesas, mas não de|xa de ser um
|nstrumento ||m|tad|ss|mo na |ní|uenc|a que
possa exercer |unto do Ooverno ou das |nst|-
tu|çoes nac|ona|s. E sooretudo da íorma
como não tem s|do ouv|do. O Oonse|ho das
Oomun|dades Portuguesas deve ser v|sto
como um orgão que proporc|onará ao Oo-
verno a r|queza da exper|enc|a v|v|da das d|-
versas comun|dades, const|tu|ndo um ·íorum·
para a expressão das asp|raçoes dos portu-
gueses res|dentes no estrange|ro.
Mu|tos são aque|es que poem em causa a
íraca part|c|pação dos em|grantes portugue-
ses nas e|e|çoes para a Assemo|e|a da Pe-
púo||ca e a sua reduz|da |nscr|ção nos cader-
nos de recenseamento e|e|tora|. Mas nunca
n|nguem se |nterrogou das razoes desta íra-
ca part|c|pação. Apenas com quatro deputa-
dos e|e|tos pe|os do|s c|rcu|os da em|gração,
as comun|dades portuguesas não se sentem
suí|c|entemente representadas, Tamoem a ||-
m|tação da sua part|c|pação e|e|tora| apenas
nas e|e|çoes |eg|s|at|vas e, num íuturo prox|-
mo, nas e|e|çoes pres|denc|a|s mas de íor-
ma cond|c|onada, íunc|ona como e|emento
redutor da capac|dade e part|c|pação e|e|to-
ra| das comun|dades portuguesas.
É urgente que se me|hore as estruturas e
mecan|smos de part|c|pação dos em|grantes
portugueses na v|da po||t|ca do nosso Pa|s.
Oomo deíendeu |á puo||camente o pres|den-
te do nosso Part|do, Dr. A|me|da Bantos, as
comun|dades portuguesas dever|am ver a sua
representat|v|dade par|amentar a|argada.
Por outro |ado, deve ser coníer|do aos em|-
grantes portugueses o d|re|to de part|c|pação
em todos os actos e|e|tora|s nac|ona|s, sem
qua|squer restr|çoes. O Part|do Boc|a||sta não
pode ter medo da democrac|a d|recta.
Não ex|st|rá ho|e um c|dadão portugues que
não tenha v|v|do a em|gração ou que não te-
nha um íam|||ar em|grante. Tamoem o PB nas-
ceu na em|gração e mu|tos dos seus d|r|gen-
tes h|stor|cos e íundadores, a começar pe|o
Dr. Már|o Boares, T|to de Mora|s, Jorge
Oamp|nos, Manue| A|egre e outros ma|s, v|-
veram o mundo da em|gração,
Ho|e, as comun|dades portuguesas são íor-
madas por |nte|ectua|s, art|stas, pedagogos,
c|ent|stas, |nvest|gadores, empresár|os, etc.,
e todos os outros portugueses de corpo |n-
te|ro, que não podem cont|nuar à margem do
processo de desenvo|v|mento democrát|co
de Portuga|.
lll Funcionamento interno do
Partido e reIacionamento com as
estruturas da emigração
O PB sempre deíendeu as asp|raçoes, espe-
ranças e va|ores dos portugueses que, por
razoes suí|c|entemente conhec|das, se v|ram
oor|gados a sa|r do pa|s.
Neste contexto, e |ogo a segu|r ao 25 de Aor||
de 1974, começaram a nascer núc|eos de so-
c|a||stas portugueses nos c|nco cont|nentes,
verdade|ros emor|oes da democrac|a no se|o
das nossas comun|dades. Porem, nos ú|t|mos
anos, reconhecemos que temos s|do pouco
|nterpe|ados pe|as estruturas nac|ona|s do nos-
so Part|do, no respe|tante aos nossos proo|e-
mas espec|í|cos.
Ju|gamos po|s, |mportante, a necess|dade de
um re|ac|onamento ma|s proíundo e uma me-
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 51
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
|hor art|cu|ação entre as Federaçoes da em|-
gração e todos os orgãos nac|ona|s do Part|-
do. Oom eíe|to, e oportuno que os mesmos
se|am sens|o|||zados para os proo|emas das
comun|dades portuguesas.
Do mesmo modo que cons|deramos neces-
sár|o um re|ac|onamento ma|s estre|to entre o
Orupo Par|amentar do PB e as nossas estrutu-
ras na em|gração, oem como |ncrementar a
co|aooração dos deputados soc|a||stas ao
Par|amento Europeu com as Federaçoes na
Europa, com v|sta à promoção de acçoes con-
|untas d|r|g|das às comun|dades portuguesas.
Tamoem as estruturas soc|a||stas na em|gração
transoceân|ca devem merecer um ma|or acom-
panhamento, quer em apo|o |og|st|co, quer no
âmo|to da íormação po||t|ca a m|n|strar aos seus
m|||tantes e d|r|gentes.
O traoa|ho notáve| desenvo|v|do pe|o ún|co
deputado do PB e|e|to pe|a em|gração e d|g-
no de reg|sto, v|s|umorando-se como o ún|co
esíorço do Part|do d|r|g|do às estruturas da
em|gração. A extensão geográí|ca das reg|-
oes onde os portugueses se encontram e a
enorm|dade das tareías que se co|ocam, apon-
tam para a necess| dade de um ma| or
envo|v|mento dos orgãos nac|ona|s na estra-
teg|a de |mp|antação do Part|do Boc|a||sta no
se|o das comun|dades portuguesas. Tamoem
no Becretar|ado Nac|ona| deverão ter assento
camaradas conhecedores da proo|emát|ca da
em|gração no seu con|unto, estaoe|ecendo os
mesmos um e|o de ||gação com os d|r|gentes
soc|a||stas na em|gração.
Não podemos cont|nuar a ser tornados como
uma parte acessor|a da organ|zação nac|ona|
do Part|do. Tamoem não pretendemos um tra-
tamento d|íerenc|ado do resto das estruturas,
o que dese|amos e apenas ser reconhec|dos
como uma componente orgân|ca na estrate-
g|a da aí|rmação do Part|do Boc|a||sta no se|o
de uma parce|a tão |mportante da soc|edade
portuguesa as nossas comun|dades em|-
grantes.
||sooa, 20 oe Ja|e|/o oe 1999.
Moção apresentada por:
ManueI de AImeida (coordenador do PB/
França)
ManueI de MeIo (coordenador do PB/
Bu|ça)
CarIos Mendes (coordenador do PB/
A|emanha)
Fernando Capão (coordenador do PB/
Aír|ca do Bu|)
José Verdasca (coordenador do PB/Bras||)
MOÇÁO $EC7OR/AL
MOÇÃO AO CONGRESSO DO PS
Portuga|, atraves da |ntegração europe|a, as-
soc|ou-se a um con|unto de Estados e na-
çoes apresentando cont|gu|dade geográí|ca,
patr|mon|o c|v|||zac|ona| comum e opçoes de-
mocrát|cas c|aras de reg|me: Portuga| está
po||t|ca, c|v|||zac|ona| e í|s|camente na Euro-
pa.
A opção europe|a ío| uma opção acertada,
tendo traz|do aos nosso pa|s |nequ|vocas
vantagens po||t|cas e no p|ano mater|a|.
Mas, a construção europe|a, cu|tura|, econo-
m|ca e po||t|ca cr|a cond|çoes para um pro-
gress|vo eníraquec|mento do Estado portu-
gues, suoa|tern|zação da nossa cu|tura e d|-
|u|ndo a nação.
Ürge cr|ar cond|çoes para um íorta|ec|mento
da nação, o que se íará ma|s íac||mente pe|o
reíorço das re|açoes entre os pa|ses de ex-
pressão oí|c|a| portuguesa: os PALOPs.
Neste contexto, a |mensa nação oras||e|ra tem
uma |mportânc|a |mpar. As re|açoes |uso-ora-
s||e|ras são de |nteresse comum, reíorçam as
respect|vas naçoes e a |ní|uenc|a de cada
uma de|as no contexto da Ün|ão Europe|a e
do Mercosu|.
Nesse sent|do propomos:
Oue o PB se comprometa |nequ|vocamente
em todas as suas áreas de |ní|uenc|a c|v|ca,
autárqu|ca, par|amentar e governamenta| em
comemorar cond|gnamente os 500 anos de
descoor|mento oí|c|a| do Bras||, v|sando íor-
ta|ecer os |aços econom|cos e cu|tura|s com
este g|gante ·Porto Beguro· da nação portu-
guesa.
Eurico Figueiredo
MOÇÁO $EC7OR/AL
O ANO MUNDlAL DO lDOSO
Bendo o ano em curso, o ano mund|a| do |do-
so e tendo o Part|do Boc|a||sta um percurso
h|stor|co, no qua| se ev|denc|ou pe|a deíesa
acerr|ma da me|hor|a das cond|çoes soc|a|s
dos ma|s desíavorec|dos, ex|ge-se que pe-
rante o pape| pr|nc|pa| que ocupa ho|e na
cena po||t|ca nac|ona|, tenha uma acção eí|-
caz e |nc|s|va em deíesa dos |dosos.
Perante a coní|ança demonstrada pe|os re-
íormados e pens|on|stas, na po||t|ca soc|a|
desenvo|v|da pe|o actua| governo, e sendo o
ano corrente dec|s|vo, |á que orevemente se
re|n|c|a um c|c|o po||t|co marcado pe|as e|e|-
çoes para o Par|amento Europeu e para as
Leg|s|at|vas, não se pode descurar estes e|e|-
tores.
Pe|emora, este grupo de m|||tantes do Part|-
do Boc|a||sta, que em 1989 se íundou, com o
apo|o da Federação D|str|ta| do Porto, um
mov| mento de reíormados soc| a| | stas,
aorev|adamente des|gnados por MPB, sen-
do nessa a|tura o Pres|dente da D|str|ta|, o
camarada Oar|os Lage.
Este mov|mento const|tu|u-se com o oo|ect|-
vo de |utar para que o PB não se esquecesse
dos seus reíormados que t|nham pensoes
m|seráve|s, de modo a|gum a|ustadas ao n|-
ve| econom|co da epoca, não perm|t|ndo
àque|es que íoram outrora o p||ar de desen-
vo|v|mento da nossa soc|edade v|ver cond|g-
namente, com um razoáve| n|ve| de v|da.
Na epoca rea||zaram-se d|versos contactos
com o Par|amento do ldoso Portugues, na
sede nac|ona| do PB, no |argo do Pato, em
L|sooa, a quem o nosso mov|mento oapt|za-
va como a Oom|ssão dos Báo|os do Oom|te
do Pato.
No encontro que se rea||zou na Assemo|e|a
da Pepúo||ca, a n|ve| nac|ona|, nos d|as 26 e
27 de Março de 1993, íormaram-se d|versos
grupos de traoa|ho, tendo sa|do d|versas con-
c|usoes das qua|s se destacam as segu|n-
tes: (oe/e|o|oos e ao/o/aoos |o || Co|ç/esso
oe 13 e 14 oe Va|o 1984;
- Numa soc|edade |usta, íraterna e |gua||tár|a
não podem ex|st|r reíormas aoa|xo do sa|ár|o
m|n|mo nac|ona|.
- Os |dosos devem usuíru|r de descontos em
todos os espectácu|os cu|tura|s e recreat|vos
rea||zados.
- No ens|no dever-se-á contemp|ar a exper|-
enc|a dos |dosos.
- Oue as Assoc|açoes de ldosos t|vessem
representat|v|dade em vár|os orgãos do po-
der |oca|.
- P|ena e ||vre ut|||zação do passe soc|a| dos
transportes.
- Buos|d|o para recuperação e me|hor|a da
hao|tação dos |dosos ma|s necess|tados.
- Pedução das tar|ías dos oens de consumo.
Duarte os traoa|hos rea||zados ío| so||c|tado
que o PB deíendesse e reíorçasse a F||osoí|a
da Oarta Europe|a do ldoso, apresentada no
Luxemourgo. Fo| tamoem proposto so||c|tar
à Assemo|e|a da Pepúo||ca a deíesa dos pr|n-
c|p|os das Naçoes Ün|das em íavor dos |do-
sos.
O actua| execut|vo tem v|ndo a promover de
íorma gradua| |mportantes reíormas neste
sector; no entanto, íace à precár|a s|tuação
actua| v|gente, urge uma me|hor|a |nterca|ar
no rend|mento mensa| dos pens|on|stas.
Estamos certos que os nossos governantes,
atendendo ao ano em curso, tudo íarão, numa
con|ugação de esíorços, no sent|do de pro-
moverem uma ser|e de |n|c|at|vas cu|tura|s e
soc|a|s que d|gn|í|quem a cond|ção dos |do-
sos em Portuga| durante o ano que |hes e
ded|cado.
Por um |mperat|vo de consc|enc|a não nos
podemos de|xar de |emorar os va|ores e |de-
o|og|as que servem de oase estruturante a
este grande Part|do Democrát|co e Boc|a||sta
que e.
Baudaçoes soc|a||stas, \|va o PB!
Buoscr|tores:
António Madureira VasconceIos
ACÇÃO SOClALlSTA 52 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
MOÇÁO $EC7OR/AL
EDUCAÇÃO, ClÊNClA E CULTURA
l
O PB e um part|do de ||oerdade e, por |sso,
os seus m|||tantes devem íazer da ||oerdade
uma prát|ca quot|d|ana. O deoate, a assunção
da d|íerença e da d|vergenc|a, o esp|r|to cr|t|-
co, não são |ncompat|ve|s com as responsa-
o|||dades de um part|do de Ooverno. Antes
pe|o contrár|o: são cond|ção necessár|a para
a co-responsao|||zação e para que todos os
soc|a||stas - qua|squer que se|am as suas íun-
çoes e os cargos que desempenham - con-
v|r|am na vontade e na tareía de transíorma-
ção do nosso Pa|s, de superação das suas
deo|||dades estrutura|s, geradoras de |n|ust|-
ças e de des|gua|dades.
Nesta moção, a|em de cons|deraçoes gene-
r|cas soore a Educação e a O|enc|a, propo-
mos tamoem ao Oongresso p|stas de reí|e-
xão e deoate soore a po||t|ca para a Ou|tura
que terá de assentar em quatro vectores es-
senc|a|s:
º a va|or|zação da d|mensão cu|tura| do de-
senvo|v|mento;
º a aí|rmação e o enr|quec|mento da nossa
|dent|dade cu|tura|;
º o aumento da part|c|pação na v|da cu|tura|;
º a promoção da cooperação cu|tura| |nter-
nac|ona| e do d|á|ogo entre cu|turas.
ll
Os desaí|os com que os soc|a||stas se depa-
ram neste ||m|ar de um novo secu|o e mesmo
de um novo m||en|o, são, em grande med|da,
de natureza c|v|||zac|ona|. Face a um mode|o
de soc|edade onde o |e/ predom|na soore se/,
onde a po||t|ca se torna espectácu|o, e a eco-
nom|a e determ|nada não pe|o oo|ect|vo do
oem comum, mas pe|a procura do |ucro má-
x|mo, torna-se, ma|s do que nunca, necessá-
r|o deí|n|r a rea||zação |ntegra| do |nd|v|duo
como meta pr|nc|pa| de um pro|ecto de mu-
dança democrát|ca do Estado e da organ|za-
ção soc|a|.
Esta concepção de |nd|v|duo |mp||ca que a
Educação, a O|enc|a e a Ou|tura, se|am con-
s|deradas pr|or|dades do PB na sua acção
governat|va.
Na Educação |mporta não d|m|nu|r o esíorço
orçamenta| prossegu|do pe|o actua| Oover-
no soc|a||sta, cu|a acção pos|t|va neste sec-
tor e de suo||nhar. lníe||zmente são mu|tas as
írag|||dades estrutura|s com que o nosso s|s-
tema educat|vo a|nda se depara nos d|ver-
sos n|ve|s. Por outro |ado, cont|nua a ser ne-
cessár|o |ns|st|r na d|gn|í|cação dos proíes-
sores e dema|s proí|ss|ona|s que esse s|ste-
ma |ntegram.
Haverá, a|nda, que pugnar por que não se-
|am as |e|s do mercado a determ|nar a evo|u-
ção do ens|no super|or pr|vado, a í|m de ev|-
tar o surg|mento de s|tuaçoes de |nstao|||da-
de e ate de des|gua|dade nas cond|çoes de
acesso dos |ovens à v|da act|va, resu|tantes
do íac|||t|smo desresponsao|||zador que ca-
racter|zou a actuação dos governos PBD nes-
te sector, com reí|exos pern|c|o sos na qua||-
dade.
Em todas as etapas do processo educat|vo o
Estado, sem |mpor adm|n|strat|vamente o seu
monopo||o, não pode nem deve dem|t|r-se
das suas oor| gaçoes, não so no p| ano
orçamenta|, mas tamoem no da prossecução
de um pro|ecto que tenha no seu cerne
|nquest|onáve|s pr|nc|p|os de ||oerdade, to|e-
rânc|a e p|ura||smo, assoc|ados a uma í|rme
concepção |a|ca e repuo||cana de íormação
c|v|ca e c|dadã.
O Estado não e nem pode ser neutra| quanto
ao va|ores essenc|a|s de uma soc|edade ver-
dade|ramente democrát|ca e soc|a|mente res-
ponsáve|. Oaoe à esco|a transm|t|-|os atraves
do s|stema educat|vo, po|s e|a não e mera
un|dade de uma rede adm|n|strat|va de co-
mun|cação ourocrát|ca e pass|va de saoeres,
mas antes um espaço v|vo de part|c|pação,
|ntegração e c|dadan|a.
Na O|enc|a e Tecno|og|a há que cont|nuar e
mesmo reíorçar o traoa|ho do Ooverno, em
grande med|da e prat|camente íundador, para
que, tanto quanto poss|ve|, se supere o íos-
so que tamoem nesta mater|a nos separa da
genera||dade dos dema|s pa|ses da Ün|ão
Europe|a. É essenc|a| |nvest|r na acção de
educação e sens|o|||zação para a cu|tura c|-
ent|í|ca, desde os pr|me|ros anos de esco|a-
r|dade. Acção que deve a|argar-se a toda a
popu|ação que dessa cu|tura ío| mant|da ar-
redada.
No tempo em que v|vemos, de ace|eradas
mudanças tecno|og|cas e comun|cac|ona|s,
a |ncu|tura c|ent|í|ca e como que uma nova
íorma de ana|íaoet|smo que tem de ser com-
oat|da. Tanto ma|s que, com os progressos
c|ent|í|cos ooservados nos tempos recentes,
a human|dade í|cou s|mu|taneamente ma|s
r|ca e ma|s vu|neráve|, po|s não se está ||vre
de a|guns desses progressos - nomeadamen-
te no dom|n|o da o|ogenet|ca - serem ut|||za-
dos em íunção de |nteresses mercant|||stas e
de poder, suovertendo va|ores et|cos essen-
c|a|s à d|gn|dade humana.
Estas questoes não podem ser ||ud|das por
quem detem responsao|||dades púo||cas de
governação, devendo-se tomar, nos âmo|tos
adequados, as med|das concretas necessá-
r|as, de íorma a a|ertar e consc|enc|a||zar os
c|dadãos para o que está em |ogo na soc|e-
dade contemporânea.
lll
Na Ou|tura, todos os soc|a||stas se congratu-
|am com rea||zaçoes |mportantes como a da
|nscr|ção das gravuras de Foz-Ooa no Patr|-
mon|o da Human|dade ou a da atr|ou|ção ao
Porto da qua||dade de Oap|ta| Europe|a da
Ou|tura em 2001.
Mas devemos ser ma|s amo|c|osos e ma|s
ex|gentes. É necessár|o ganhar em so||dez o
que em certos casos soora em med|at|zação,
prossegu| ndo uma po| | t| ca cu| tura|
mu|t|íacetada e equ|||orada, assente numa
estrateg|a coerentemente deí|n|da que tenha
em conta as responsao|||dades do Estado,
os me|os escassos d|spon|ve|s e o que se
pode cons|derar serem as pr|or|dades nac|o-
na|s.
A|gumas destas pr|or|dades tem s|do pos|t|-
vamente assum|das, nomeadamente no do-
m|n|o do patr|mon|o e no que se reíere ao
desenvo|v|mento da rede de o|o||otecas pú-
o||cas e ao apo|o ao ||vro e à |e|tura. Todav|a,
mesmo nestas mater|as certos aspectos
merecem reí|exão.
No caso do patr|mon|o, cr|ou-se um novo |ns-
t|tuto de arqueo|og|a, e apesar do reíorço de
me|os e de íunc|ona||dade do lPPAP, pers|s-
tem d|í|cu|dades na assunção do pr|nc|p|o da
transversa||dade, ass|m como na c|ar|í|cação
do enquadramento |eg|s|at|vo do sector. Ten-
dose optado por uma nova Le| do Patr|mo-
n|o Ou|tura|, esta so mu|to recentemente deu
entrada na Assemo|e|a da Pepúo||ca. Por
outro |ado, não se reso|veram proo|emas de
art|cu|ação e de cooperação com outros or-
gan|smos do Estado - como a DOEMN (D|-
recção Oera| dos Ed|í|c|os e Monumentos
Nac| ona| s) - e ex| ste uma s| tuação de
|ndeí|n|ção e estagnação quanto a tareías
íundamenta|s como, por exemp|o, a de
|nventar|ação dos oens move|s.
No segundo caso, e no que d|z respe|to es-
pec|í|camente ao ||vro, a |e| do preço í|xo de-
ver|a ter s|do acompanhada por med|das eí|-
cazes que contr|ou|ssem para o reíorço da
|ndústr|a nac|ona|, tanto na ed|ção como no
que concerne à rede ||vre|ra e à d|str|ou|ção.
Oons|deramos ser |gua|mente pos|t|va a d|-
vers|í|cação das v|as de í|nanc|amento de
sectores e act|v|dades em comp|emento à
part|c|pação orçamenta| do Estado, mas na
íase emor|onár|a em que a|nda está a ap||ca-
ção das mesmas, e d|í|c|| poder ava||ar a sua
eí|các|a. Todav|a, ser|a seguramente út||
potenc|ar |nstrumentos como o Fundo de
Fomento Ou|tura|, que necess|tar|a de ser re-
pensado e reestruturado, para que, de acor-
do com a sua vocação pr|mord|a|, pudesse
assegurar í|ex|o|||dade e rap|dez na resposta
do poder centra| aos pro|ectos e |n|c|at|vas
que emanam da soc|edade e de agentes cu|-
tura|s, íora dos pr|nc|pa|s c|rcu|tos de í|nanc|-
amento e suos|d|ação.
Nas artes do espectácu|o, onde tamoem ha-
v|a uma herança part|cu|armente pesada das
governaçoes anter|ores, mantem-se uma s|-
tuação de acentuada írag|||dade í|nance|ra,
íunc|ona| e programát|ca dos teatros nac|o-
na|s, em part|cu|ar do D. Mar|a ll e do B.
Oar|os, cu|o mode|o orgân|co ío| recentemen-
te redeí|n|do. Neste ú|t|mo caso, há a|nda a
rea|çar a s|tuação da Orquestra B|níon|ca
Portuguesa que prat|camente se ||m|ta a um
pape| de orquestra de opera. Bendo a ún|ca
s|níon|ca do pa|s, dever|a desempenhar um
pape| d|nam|zador da v|da mus|ca| do pa|s.
Neste dom|n|o da mús|ca, ver|í|ca-se, a|nda,
a estagnação do pro|ecto de cr|ação de or-
questras reg|ona|s, que dever|a ser repensa-
do, |nc|us|ve para se c|ar|í|car a re|ação das
ex|stentes com a adm|n|stração centra|. Por
outro |ado, cont|nua a ser preocupante o enor-
me peso de mús|cos estrange|ros nas íorma-
çoes ex|stentes. Não por razoes de carácter
estre|tamente nac|ona||sta, mas pe|os eíe|tos
perversos geradores de coníorm|smo quan-
to às nossas capac|dades e que pro|ongam
uma s|tuação de suoaprove|tamento das
potenc|a||dades dos portugueses. Acresce a
este proo|ema, de |nsuí|c|entes perspect|vas
de rea||zação proí|ss|ona| e de desenvo|v|-
mento dos mús|cos, o |dent|co com que tam-
oem se deparam os (poucos) cantores ||r|-
cos consagrados, cu|o ta|ento tem s|do ma|-
oaratado, e, sooretudo, os |ovens va|ores que
dev|am poder encarar o íuturo com opt|m|s-
mo. Üma art|cu|ação eí|caz com as esco|as
art|st|cas ex|stentes e íundamenta|.
l gua| mente íundamenta| e que se
desconcentre a produção de qua||dade nos
vár|os dom|n|os - como o da mús|ca, o do
espectácu|o ||r|co e o da dança -, íomentan-
do, |nc|us|ve, acçoes de |t|nerânc|a. Ass|m se
democrat|zará o acesso a essa produção e
se de|xará de pr|v||eg|ar as e||tes dos pr|nc|-
pa| s centros uroanos, norma| mente | á
íavorec|das pe|a oíerta que, com írequenc|a,
excede os púo||cos potenc|a|s, v|sto estes não
crescerem nem se renovarem.
Outras áreas ex|gem med|das em proíund|-
dade, o que não se compadece com a pro-
cura de rea||zaçoes de eíe|to sooretudo |me-
d|ato e med|át|co.
Peíer| mo-nos à necess| dade de uma
descentra||zação eíect|va da acção do Oo-
verno que passe, |nc|us|vamente, pe|a coo-
peração reíorçada com as autarqu|as |oca|s
e com os agentes cu|tura|s proí|ss|ona|s ou
proí|ss|ona||zados - por exemp|o, no dom|n|o
do teatro - que actuam nas zonas do pa|s
cu|tura|mente ma|s desíavorec|das. Mas tam-
oem nos reíer|mos aos pontua|s, casu|st|cos,
|nsuí|c|entes |ncent|vos e apo|os às expres-
soes cu|tura|s assoc|at|vas, às prát|cas
amadoras, como as oandas í||armon|cas -
ex|stem ma|s de setecentas em todo o pa|s -
e àqu||o a que se costuma chamar ¨cu|tura
popu|ar", o que deve ser entend|do não numa
opt|ca conservadora de apego nostá|g|co à
¨trad|ção", mas s|m de va|or|zação cr|at|va das
nossas ra|zes, da etnograí|a aos saoeres e
saoores, |oca|s e reg|ona|s.
No sector do c|nema e do aud|ov|sua|, ass|s-
t|u-se, durante a |eg|s|atura em curso, a uma
|ní|exão proíunda da estrateg|a |n|c|a|mente
deí|n|da, o que será pos|t|vo se dev|damente
enquadrado por uma estrateg|a rea||sta. lm-
porta, com eíe|to, encontrar o ponto de equ|-
||or|o entre os cond|c|ona||smos que advem
da nossa pequena d|mensão enquanto mer-
cado nac|ona|, as espec|í|c|dades da nossa
produção e a componente |ndustr|a| e eco-
nom|ca da mesma. A po||t|ca para este sec-
tor tem de se |nser|r, sem t|o|ezas, no contex-
to europeu, ún|ca mane|ra de, atraves de uma
convergenc|a e concertação de esíorços e
me|os, se poder res|st|r à hegemon|a cu|tura|
norte-amer|cana, part|cu|armente agress|va e
eí|caz.
Portuga| tem de part|c|par act|vamente nas
redes |nternac|ona|s da cr|ação e da produ-
ção art|st|ca. De|as receoer contr|outos
enr|quecedores e de ne|as se pro|ectar, sem
t|m|dez, va|or|zando os nossos cr|adores, os
nossos escr|tores e poetas, os nossos |nter-
pretes. Mas |sto não s|gn|í|ca coníund|r um
sa|utar cosmopo||t|smo com snoo|smo pro-
v|nc|ano e que se perca de v|sta as rea||da-
des do todo nac|ona|, as carenc|as, as |nsuí|-
c|enc|as, e as tareías pr|or|tár|as que e prec|-
so executar.
Nesta ordem de preocupaçoes se |nsere a
questão da educação estet|ca e do ens|no
art|st|co, aoso|utamente centra|, que ex|ge
uma eí|caz |ntervenção |nterm|n|ster|a|, tanto
na sua componente vocac|ona| e proí|ss|o-
na|, como na da sens|o|||zação e|ementar
desde os pr|me|ros anos da esco|a, neces-
sár|a para a cr|ação de novos púo||cos e para
a íormação de c|dadãos de corpo |nte|ro. Bem
esquecer o proo| ema da íormação e
d|gn|í|cação da act|v|dade dos an|madores
cu|tura|s, cu|o pape| e cada vez ma|s re|evan-
te, |nc|us|ve do ponto de v|sta da preserva-
ção e da coesão do tec|do soc|a| e da
| ntegração na soc| edade de estratos
popu|ac|ona|s - em espec|a| dos ma|s |ovens
- suscept| ve| s de comportamentos
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 53
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
desv|antes.
F|na|mente, e sem pretendermos ser exaust|-
vos, dever-se-á tamoem suo||nhar a |mportân-
c|a da po||t|ca da ||ngua e da componente
externa da po||t|ca cu|tura|, d|recc|onada,
mu|to part|cu|armente, para os d|versos pa|-
ses |usoíonos e as comun|dades de portu-
gueses em|grados e |uso-descendentes. Nes-
te part|cu|ar o ||vro, o v|deo, o c|nema, os pro-
dutos mu|t|med|a, são ve|cu|os íundamenta|s
para a deíesa e reíorço da presença do por-
tugues e dos |aços que e|e a||menta. Trata-se
de outras ||nhas de actuação |nterm|n|ster|a|,
mas da qua| o M|n|ster|o da Ou|tura não se
pode a|hear ou dem|t|r. Oaoe-|he o desem-
penho de um pape| cata||sador, d|nam|zador
e rac|ona||zador.
A cu|tura, nas soc|edades contemporâneas,
gera act|v|dades econom|cas de grande re-
|evânc|a, não so pe|os d|nhe|ros que mov|-
mentam, como pe|os postos de traoa|ho que
cr|am. Mas para os soc|a||stas não deve nem
pode resum|r-se a |sso, nem a uma íunção
predom|nantemente ma|estát|ca.
A po||t|ca cu|tura|, para os soc|a||stas, a|em
das questoes concernentes à sa|vaguarda de
uma herança comum de geraçoes passadas,
de expressão e pro|ecção da cr|at|v|dade e
da |dent|dade nac|ona|, deverá tamoem as-
sum|r as responsao|||dades |nerentes à d|-
mensão de serv|ço púo||co e à sua íunção
soc|a|, o que s|gn|í|ca tornar-se um |nstrumen-
to de democrac|a e de c|dadan|a, de |gua|-
dade nas poss|o|||dades de acesso, de íru|ção
e de rea||zação pessoa|.
A cu|tura tem, por |sso, de sa|r dos me|os à
part|da ma|s pr|v||eg|ados das grandes c|da-
des, chegar às suas per|íer|as e àque|es que
ne|as v|vem - em espec|a| os |ovens -, ass|m
como a todo o |ado do espaço nac|ona|, re-
s|st|ndo à tentação, porventura po||t|camente
ma|s írutuosa no curto prazo, de corresponder
às pressoes e às ve|e|dades de certos c|r-
cu|tos e |nteresses e||t|stas. lsto para que a
passagem à prát|ca desta v|são human|sta
de po||t|ca cu|tura|, que devemos prossegu|r,
nos possa a|udar a ser ma|s humanos, ma|s
portugueses, ma|s europeus e ma|s c|dadãos
do mundo.
Fernando Pereira Marques
António Reis
José Medeiros Ferreira
Eduardo Pereira
Jorge Strecht Ribeiro
MOÇÁO $EC7OR/AL
EDUCAÇÃO FlSlCA
DESPORTO (ESCOLAR) CADA VEZ MAlSl
1- "Gestão fIexíveI
dos currícuIos"
O pro|ecto denom|nado ¨Oestão í|ex|ve| dos
Ourr|cu|os", recentemente dado a conhecer
pe|o M|n|ster|o da Educação, |ntroduz tres
componentes (Estudos Acompanhados, Area
de Pro|ecto e D|recção de Turma) com dota-
çoes horár|as semana|s de 2 horas, 2 horas
e 1 hora respect|vamente.
O|ooa|mente, a dotação horár|a semana| para
as au|as das áreas e d|sc|p||nas dos 2' e 3'
O|c|os do Ens|no Bás|co e ||m|tada a 24 ho-
ras no 2' O|c|o e a 25 horas no 3' O|c|o.
No 2' O|c|o, a Educação F|s|ca de|xa de ser
uma área d|sc|p||nar e passa a |ntegrar uma
outra área, assoc|ada à Educação \|sua| e
Tecno|og|ca e à Educação Mus|ca|.
Para esta área, no seu con|unto, preve-se uma
dotação horár|a semana| de 8 horas, perden-
do-se a garant|a de 3 horas para a Educação
F|s|ca. No 3' O|c|o preveem-se apenas 2 ho-
ras de Educação F|s|ca por semana.
A|tera-se, ass|m, a regra actua|, em que es-
tão assum|das - e oem - as 3 horas por se-
mana para a Educação F|s|ca.
Tudo |sto representa uma redução de, pe|o
menos, 1/3 do tempo Programa de Educa-
ção F|s|ca, podendo esta redução tornar-se
ma|s express|va se cons|derarmos a tenden-
c|a para se desva|or|zar a |mportânc|a desta
d|sc|p||na
Oons|derando o contr|outo |nsuost|tu|ve| da
Educação F|s|ca Ourr|cu|ar (act|v|dade í|s|ca
ec|ect|ca e |nc|us|va, v|sando a Baúde, a Ap-
t|dão F|s|ca e o desenvo|v|mento mu|t||atera|
e harmon|oso do a|uno, no dom|n|o das act|-
v|dades í|s|cas desport|vas, express|vas, de
exp|oração da natureza) e as suas caracte-
r|st|cas ún|cas (|nsta|açoes e equ|pamentos
propr|os, de que depende a aprend|zagem
do a|uno, mater|as de grupo, esíorço í|s|co
nas au|as, etc. ) a redução de um terço na
dotação horár|a das au|as de Educação F|s|-
ca const|tu| um pre|u|zo oo|ect|vo para a edu-
cação dos a|unos, pondo-se em causa a pos-
s|o|||dade de rea||zação eíect|va dos oeneí|-
c|os da Educação F|s|ca
Não se conhecem as oases c|ent|í|cas e pe-
dagog|cas propr|as para a redução prev|sta
da Educação F|s|ca no Ourr|cu|o, nem se co-
nhece qua|quer processo de part|c|pação das
organ|zaçoes de Educação F|s|ca nesta rev|-
são curr|cu|ar.
Parece-nos grave esta |nd|íerença em re|a-
ção a esta espec|a||dade c|ent|í|ca e proí|ss|-
ona|, ao contrár|o do que aconteceu na e|a-
ooração dos curr|cu|os e programas |nst|tu|-
dos no Decreto Le| 286/89, em que, na área
academ|ca e c|ent|í|ca e na área proí|ss|ona|
e pedagog|ca, se rea||zou um vasto e proíun-
do traoa| ho de concepção e
operac|ona||zação curr|cu|ar, oaseado na par-
t|c|pação e apo|o do proíessor de Educação
F|s|ca nesse processo de Desenvo|v|mento
Ourr|cu|ar e Educat|vo que mantem toda a
actua||dade como pro|ecto de Educação F|-
s|ca ma|s adequado para os a|unos da Esco-
|a Portuguesa.
2 - Situação actuaI
Actua|mente, coníorme a |níormação cons-
tante do oí|c|o n' 000225, de 09.12.96, do
departamento do Ens|no Becundár|o, e de
acordo com o d|p|oma que aprova os p|anos
curr|cu|ares dos ens|nos oás|co e secundá-
r|o (Decreto-Le| n' 286/89, de 29 de Agosto),
a carga horár|a semana| prev|sta para a d|s-
c|p||na de Educação F|s|ca e de 3 horas para
o 2' c|c|o do ens|no oás|co, 3 horas ou 2 para
o 3' c|c|o do ens|no oás|co de acordo com
as |níraestruturas da esco|a, 3 horas ou 2
para o ens|no secundár|o, de acordo com as
poss|o|||dades da esco|a.
A d|sc|p||na de Educação F|s|ca desempenha
um pape| |mportante na íormação |ntegra| dos
a|unos, assum|ndo-se como uma componen-
te oor|gator|a do curr|cu|o esco|ar.
Por |sso o Ooverno P.B. apetrechou |númeras
esco|as que não t|nham |níra-estruturas para
a prat|ca da Educação F|s|ca com os equ|pa-
mentos necessár|os, que se tem empenha-
do em me|horar, sendo ponto assente que as
esco|as novas, em construção e a serem
constru|das, tem, oor|gator|amente, de ter um
pav||hão desport|vo.
Pesu|ta, ass|m, |ncompreens|ve|, perante ta|
quadro e as expectat|vas cr|adas pe|o nosso
governo, ta| contrad|ção entre tão oons pro-
pos|tos e tão más |ntençoes...
Oue, a||ás, parecem não ser apenas |nten-
çoes, v|sto |á no ano |ect|vo 97/98 ex|st|rem
esco|as p||oto a íunc|onarem com os novos
curr|cu|a e consequentemente com uma re-
dução das horas de Educação F|s|ca.
3 - Diz quem sabe
Ouça-se a deputada lsaoe| Bena L|no, no l\
Oongresso Nac|ona| de Educação F|s|ca:
¯^0m mome||o em q0e a |0ma||oaoe o|s-
ooe oe 0ma caoac|oaoe |ec||ca e c|e|||/|ca
caoaz oe sa||s/aze/ as s0as |ecess|oaoes, a
oa/ oe o0|/as /ea||oaoes /esoo|sa/e|s oe|a
|/a|s/o/maçao soc|a|, o|oe as o/eoc0oaçoes
eco|oç|cas a0me||am, o|oe a o||ám|ca oo
|emoo oe |/aoa||o |os ||oe/|a oa/a os |emoos
oe |aze/, o|oe /e|asce 0ma |o/a C0||0/a oe
¯co/oo´ e oas ac||/|oaoes F|s|cas em como|e|a
/0o|0/a com o oassaoo /ece||e, es|as
co|s|a|açoes co|o0zem-|os a 0ma |o/a a||-
|0oe /ace à Fo0caçao F|s|ca |a Fsco|a (...;´.
¯(...; Face à /o/m0|açao oo co|/0||o oe q0es-
|oes q0e acaoamos oe /e/e/|/, es|amos co||/a
q0a|q0e/ oo||||ca eo0ca||/a q0e o/omo/a a
oes/a|o/|zaçao oa Fo0caçao F|s|ca, q0e/ oe|a
co|ceoçao /ec/eac|o||s|a q0e ||e q0e|/am
a|/|o0|/, q0e/ oe|a /a||a oas co|o|çoes |eces-
sa/|as à s0a co|c/e||zaçao(.;´.
E do ponto de v|sta do corpo são que a men-
te sã ex|ge, escute-se, por todos, DANlEL
BAMPAlO:
¯^os m0|||o|os co||ac|os q0e |e||o |as Fs-
co|as, oasse| a o0/|/, com /eooo/aoa a|e|çao,
|0oo o q0e os |/o/esso/es oe Fo0caçao F|s|-
ca |em oa/a o|ze/. Co||ec| m0||as s||0açoes
em q0e a s0a |ao |||e//e|çao |e/o0 a q0e
m0||os /o/e|s aoa|oo|assem o/ecoceme||e
a Fsco|a, o0 o/o|o|çassem oe/|çosame||e a
e·oe/|me||açao oo a|coo| e o/oças. O0a|oo
esc/e/| o me0 ||//o ¯vo||e| à Fsco|a´ |/aoa||e|
com es|aç|a/|os oe Fo0caçao F|s|ca q0e /o-
/am oos ooce||es ma|s ac||/os |a o/omoçao
oe |o/os o/o/ec|os oe |||eç/açao oe a|0|os
o/oo|ema (...; |o/ |ooas es|as /azoes, |e||o
o|/|c0|oaoe em como/ee|oe/ a ooss|o|||oaoe
a|0|c|aoa oe /eo0çao oa ca/ça |o/a/|a oa
o|sc|o|||a oe Fo0caçao F|s|ca. |a/a m|m /a-
z|a, oe|o co||/a/|o, m0||o ma|s se|||oo
a0me||a-|a s|ç||/|ca||/ame||e (...; Ja /eoa/a-
/am como os ¯5e|os´ e os ¯C|0|ços´ se 0|em
|0m /oço oe /0|eoo|? Ce/|ame||e es|a ca/ça
|o/a/|a |ao oassa/a oe 0m ooa|o (...;.´
Bo que, |níe||zmente, parece que e mu|to ma|s
que um ooato, pesem emoora as íundadas
dúv|das do ||ustre Ps|qu|atra.
4 - ConcIuindo
O documento soore a í|ex|o|||zação dos
curr|cu|a |gnora o conhec|mento c|ent|í|co d|s-
pon|ve| soore a re|ação entre exerc|c|o í|s|co
e saúde, as recomendaçoes das organ|za-
çoes governamenta|s que reúnem os espec|-
a||stas mund|a|s ma|s cred|ve|s nas questoes
da saúde, o pape| |nsuost|tu|ve| que a Edu-
cação F|s|ca desempenha na promoção da
saúde puo||ca, í|na||dade que não poderá ser
concret| zada por qua| quer outra área
curr|cu|ar, extracurr|cu|ar ou de comp|emen-
to curr|cu|ar.
Na verdade, a redução da carga horár|a da
d|sc|p||na de Educação F|s|ca e uma med|da
que comprometerá não so o desenvo|v|men-
to harmon|oso das cr|anças e |ovens, mas
que, sooretudo, aproíundará, a med|o prazo,
uma s|tuação que |á e de grande grav|dade
na soc|edade portuguesa contemporânea no
que aos íactores de r|sco re|ac|onados com
as doenças card|ovascu|ares d|z respe|to.
Estão, ho|e, c|ent|í|camente u|trapassados os
argumentos, as duv|das que, no passado, |m-
ped|ram que cada a|uno, em todos os anos
de esco|ar|dade, pudesse oeneí|c|ar da act|-
v|dade í|s|ca educat|va, necessár|a e suí|c|-
ente, nos termos em que ve|o a deí|n|r-se
como comprom|sso de po||t|ca educat|va nos
p|anos curr|cu|ares (3 horas de Educação F|-
s|ca) e nas í|na||dades, oo|ect|vos e or|enta-
çoes metodo|og|cas dos programas norma|s
de Educação F|s|ca.
Ass|m sendo, o Oongresso do Part|do Boc|a-
||sta dec|de recomendar ao Ooverno a cont|-
nuação da po||t|ca de apetrechamento das
esco|as para a Prát|ca, em todos os n|ve|s de
ens|no, da Educação F|s|ca e do Desporto
Esco|ar, atr|ou|ndo-|he os tempos curr|cu|ares
compat|ve|s com a sua |mportânc|a no desen-
vo|v|mento |ntegra| dos a|unos, no respe|to pe|a
ancestra| máx|ma ¨Mente sã, em corpo são".
1' Buoscr|tor
Rui MigueI da Conceição CarvaIho
ACÇÃO SOClALlSTA 54 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
MOÇÁO $EC7OR/AL
POR UMA MELHOR GESTÃO DO PODER LOCAL
As transíormaçoes po||t|cas, soc|a|s e eco-
nom|cas de que Portuga| ío| oo|ecto nos ú|t|-
mos 25 anos, cr|aram novos po|os de desen-
vo|v|mento de que resu|taram novos núc|eos
uroanos ou o cresc|mento ráp|do e, por ve-
zes, desordenado dos |á ex|stentes cr|ando
novas necess|dades, aor|ndo novas perspec-
t|vas e susc|tando anse|os nas popu|açoes a
que urge dar resposta.
Estas transíormaçoes, por dema|s ev|dentes,
não íoram acompanhadas pe|a necessár|a
reíorma adm|n|strat|va do terr|tor|o que neste
momento, se tornou |mper|oso íazer de íor-
ma ráp|da e proíunda.
/ Fo/ça oo |ooe/ /0|a/q0|co, uma das rea||-
dades ma|s prom|ssoras e cons|stentes do
nosso Peg|me Democrát|co, sa|do do 25 de
Aor|| deve ser va|or|zada e apo|ada em espe-
c|a| no respe|tante ás Juntas de Fregues|a cu|a
|mportânc|a para a v|da das popu|açoes nun-
ca será dema|s sa||entar.
O íacto de, por vezes, essa |mportânc|a não
ser dev|damente rea|çada tem prop|c|ado o
aparec|mento de mov|mentos re|v|nd|cat|vos
para a cr|ação de novos conce|hos, mov|men-
tos que, na ma|or|a dos casos, são aprove|-
tados demagog|camente por a|gumas íorças
po||t|cas sem que se encontrem as respos-
tas adequadas. Ürge por cooro ráp|do a esta
s|tuação tomando as med|das necessár|as.
Be estes mov|mentos, agem mu|tas vezes, de
íorma errada os mot|vos que |hes estão
suo|acentes são rea|s, os anse|os que os
movem são |eg|t|mos e e de toda a |ust|ça
dar-|hes a resposta adequada.
A |ncongruenc|a da actua| d|v|são adm|n|s-
trat|va do terr|tor|o que pode ver|í|car-se pe|a
aná||se de |númeras s|tuaçoes concretas, se|a
de mun|c|p|os se|a de Juntas de Fregues|a,
não pode manter-se por mu|to ma|s tempo
se qu|sermos ev|tar o pro||íerar de acçoes e
s|tuaçoes de todo noc|vas para Portuga| e
para os portugueses.
Ex|stem mun|c|p|os excess|vamente peque-
nos, que |á não podem cumpr|r as suas íun-
çoes, cu|a ex|stenc|a e prec|so quest|onar.
Ex|stem mun|c|p|os com caracter|st|cas pre-
dom|nantemente uroanas enquanto outros
são essenc|a|mente rura|s, sendo necessá-
r|o d|íerenc|ar as respect|vas competenc|as
e atr|ou|çoes. De |gua| modo se deve proce-
der em re|ação á sua d|mensão mu|to em
espec|a| no concernente à sua dens|dade
popu|ac|ona|.
Este estado de co|sas agrava-se de íorma
acentuada em re|ação às Juntas de Fregue-
s|a cu|a quase tota| |nex|stenc|a de atr|ou|çoes
e competenc|as |hes reduz, dramat|camen-
te, a sua capac|dade de |ntervenção.
As d|íerenças ex|stentes entre grandes íregue-
s|as, (mu|tas de|as super|ores aos med|os
mun|c|p|os e a a|guns cons|derados grandes,
quer em dens|dade popu|ac|ona| quer em d|-
mensão geográí|ca) e pequenas que podem
ter menos de 200 hao|tantes são, no que se
reíere, a competenc|as e atr|ou|çoes prat|ca-
mente nu|as. Na verdade as ún|cas que ex|s-
tem são nas veroas atr|ou|das, sempre |nsu-
í|c|entes, no número de e|ementos que são
e|e|tos para os respect|vos orgãos e nos tem-
pos atr|ou|dos para o exerc|c|o das respect|-
vas íunçoes.
Merece, |gua|mente, reparo o modo de e|e|-
ção que, como ho|e e íe|to, perm|te d|storçoes
à democrac|a poss|o|||tando, em casos extre-
mos, mas que não são tão raros como |sso,
que um pres|dente de Junta, e|e|to, possa v|r
a í|car |so|ado pe|as íorças m|nor|tár|as de uma
qua|quer co||gação negat|va da opos|ção.
Atendendo ao que se acaoa de expor e a
mu|tas outras questoes que, por man|íesta
ía|ta de espaço, nos aostemos de enumerar
os de|egados ao Oongresso Nac|ona| do Par-
t|do Boc|a||sta aoa|xo ass|nado propoem:
l A eíect|vação, em tempo út||, mas sempre
antes das prox|mas e|e|çoes autárqu|cas de
uma reíorma adm|n|strat|va do terr|tor|o v|san-
do, em espec|a|, toda a |eg|s|ação at|nente
às Fregues|as, tendo em v|sta a s|tuação con-
creta das mesmas, a sua dens| dade
hao|tac|ona|, as suas caracter|st|cas rura|s ou
uroanas.
ll Oue, v|sando uma me|hor e ma|s ráp|da
resposta aos proo|emas do d|a a d|a dos c|-
dadãos, se|am reconhec|das às Juntas de
Fregues|a novas competenc|as e atr|ou|çoes,
nomeadamente no dom|n|o dos espaços ver-
des, arruamentos, h|g|ene e ||mpeza, venda
amou|ante, a|gumas áreas de í|sca||zação,
uroan|smo, trâns|to, saúde, acção soc|a|, cu|-
tura e amo|ente.
lll Oue às íregues|as que actua|mente tem
d|re|to a um memoro do execut|vo a tempo
|nte|ro se|a poss|o|||tado e pago, pe|o erár|o
púo||co, a sua permanenc|a de ma|s um e|e-
mento do execut|vo nas mesmas cond|çoes.
l\ Estas novas atr|ou|çoes devem ser pre-
v|stas em |e| propr|a que deverá regu|amentá-
|as tendo em v|sta uma correcta art|cu|ação
entre as Juntas e as respect|vas Oâmaras.
Secção de QueIuz
REFORMA ADMlNlSTRATlVA DO ESTADO:
A DESCONCENTRAÇÃO NECESSÁRlA
MOÇÁO $EC7OR/AL
O PB em gera|, a Federação do Ba|xo A|ente|o
em part|cu|ar, deíenderam sempre |unto dos
portugueses a necess| dade de uma
oesce||/a||zaçao /eç|o|a| como me|o para
at|ng|r um desenvo|v|mento equ|||orado das
Peg|oes.
Ao | ongo dos anos, d| versos Oovernos
aproíundaram o reíorço do poder |oca|, atra-
ves da descentra||zação para as Autarqu|as
Loca|s, e tamoem da Adm|n|stração Oentra|,
com a cr| ação e reíorço dos serv| ços
desconcentrados do Estado.
Recordem-se apenas os principais mo-
mentos:
- Or|ação das Oom|ssoes Peg|ona|s de P|a-
neamento (1969)
- Func|onamento dos Oao|netes de Apo|o
Tecn|co nos agrupamentos de Mun|c|p|os
(1976)
- Le| das Autarqu|as (1977)
- Le| das F|nanças Loca|s (1979)
- Or|ação das Oom|ssoes de Ooordenação
Peg|ona|( OOP)(1977)
- lntegração nas OOP's de serv|ços per|íer|-
cos das D|recçoes Oera|s, com as respect|-
vas competenc|as e me|os í|nance|ros, a que
se |untou a gestão de Fundos Oomun|tár|os
(1987)
N|nguem pode |gnorar que ex|stem em Por-
tuga| íortes ass|metr|as reg|ona|s. No que
concerna ao desenvo|v|mento econom|co e
soc|a| há em Portuga| d|íerenças cons|derá-
ve|s.
Esta Federação do Part|do Boc|a||sta sempre
deíendeu o processo de Peg|ona||zação
como um |nstrumento íundamenta| para o
comoate às ass|metr|as reg|ona|s.
No respe|to das nossos comprom|ssos e|e|-
tora|s, e apos a rev|são const|tuc|ona|, o tema
da Peg|ona||zação ío| reíerendado pe|o Povo
Portugues no passado d|a 8 de Novemoro.
Apesar das nossas propostas terem t|do aco-
|h|mento, a ma|or|a dos e|e|tores portugue-
ses re| e| tou c| aramente a temát| ca da
Peg|ona||zação, ad|ando-se ass|m uma |m-
portante reíorma do Estado.
No entanto, a íorte cr|spação e des|níormação
cr|adas durante o per|odo de pre campanha
e campanha e|e|tora| nada ret|rou aos argu-
mentos que |u|gamos |ustos em re|ação à
Peg|ona||zação.
Os opos|tores das Peg|oes Adm|n|strat|vas
não apresentaram nenhum mode|o a|ternat|-
vo, ||m|tando-se apenas a ía|ar de reíorço dos
mun|c|p|os e a adm|t|r que o actua| s|stema
prec|sava de reíormu|ação.
A grande conc|usão a ret|rar de todo este pro-
cesso e a necessár|a , |mpresc|nd|ve|, reíor-
ma da nossa Adm|n|stração Oentra|.
Todos reconheceram a desorgan|zação da Ad-
m| n| stração e a necess| dade de soírer
me|hor|as na sua re|ação com os portugue-
ses.
As opos|çoes, a|nda que pe|o cam|nho, nem
sempre c|aro, do mun|c|pa||smo não vão |g-
norar as ||çoes do passado d|a 8 de Novem-
oro.
O PB não deve recear o coníronto po||t|co
soore essa mater|a.
Devemos cont|nuar na senda da me|hor|a dos
serv|ços da Adm|n|stração, com v|sta a ooter
ma|or rac|ona||dade organ|zat|va, ma|or eí|cá-
c|a de íunc|onamento e me|hor|a das íormas
de art|cu|ação entre os d|versos departamen-
tos sector|a|s.
O Diagnóstico dos serviços
desconcentrados é conhecido e
consensua| depois do traba|ho rea|izado
pe|o A|to Comissariado para a Reforma da
Administração Púb|ica
Ausenc|a de uma padron|zação das so|u-
çoes |nst|tuc|ona|s, |nc|us|ve dentro de sec-
tores restr|tos e homogeneos.
Heterogene|dade de atr|ou|çoes e compe-
tenc|as, nuns casos pouco deí|n|dos ou va-
gos, noutros meramente execut|vos, mas
quase sempre sem autonom|a adm|n|strat|va
e/ou í|nance|ra.
Ex|stenc|a de |e|s orgân|cas om|ssas em
mater|a de íunçoes, ou que se ||m|tam a con-
sagrar gener|camente as estaoe|ec|das para
a |nst|tu|ção centra|.
D|spar|dade em termos de equ|paração do
pessoa| d|r|gente.
Ex| stenc| a de uma compart| mentação
terr|tor|a| dos serv|ços per|íer|cos do Estudo
extremamente d|spar (ocorrendo tanto em
d|íerentes m|n|ster|os como dentro do mes-
mo m|n|ster|o)
Ürge descongest|onar a Adm|n|stração do
Estudo, aumentando o exerc| c| o de
representat|v|dade a n|ve| d|str|ta|.
Devemos aumentar a capac|dade de dec|são
dos orgãos per|íer|cos, sem d|m|nu|r a sua
dependenc|a h|erárqu|ca re|at|vamente à Ad-
m|n|stração Oentra|.
Dando ma|or eí|các|a ao apare|ho adm|n|s-
trat|vo, poderemos responder ma|s rap|da-
mente e adequadamente ás so||c|taçoes que
surgem constantemente.
Ass|m, poderemos cr|ar uma trad|ção de Ad-
m|n|stração Peg|ona| como cond|ção oás|ca
do aparec|mento e do oom íunc|onamento
das Autarqu|as Peg|ona|s.
A descentra||zação reg|ona| so tem a ganhar
com a antec| pação de uma ooa
desconcentração, sendo porventura o pr|me|-
ro passo no reíer|do processo.
O que fazer? Quais os caminhos
a seguir?
O grande oo|ect|vo a at|ng|r e consegu|r re-
so|ver no D|str|to a ma|or parte dos proo|e-
mas de coordenação |nter-sector|a|.
Para ta|, devemos íazer co|nc|d|r as áreas
geográí|cas dos d|versos organ|smos, dan-
do-|hes uma ma|or capac|dade de dec|são.
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 55
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
Este 1' passo torna-se íundamenta| depo|s
de c|ar|í|car-mos outra perm|ssa |mportante:
o |e//||o/|o.
1. Devemos estaoe|ecer uma oase terr|tor|a|
ún|ca para as d|versas organ|zaçoes.É urgen-
te c|ar|í|car a un|dade terr|tor|a| como estrutu-
ra de p|aneamento, po|s a actua| s|tuação não
perm|te responder aos desaí|os.
2. Progress|va transíerenc|a de poderes para
os orgãos, sem pre|ud|car a eí|c|enc|a e eí|-
các|a do s|stema adm|n|strat|vo.
3. Estaoe|ecer mecan|smos de coordenação
|nter-sector|a|.
Apesar de haver necess|dade de serv|ços de
p|aneamento ao n|ve| das nutes ll em a|guns
sectores, os serv|ços operat|vos, que ma|s ||dam
com os O|dadãos e poderes |oca|s, devem oe-
neí|c|ar de de|egaçoes de competenc|as que |hes
perm|tam íunc|onar com eí|các|a e de acordo
com o conhec|mento d|recto do terr|tor|o.
lndependentemente do desenho da nova ad-
m|n|stração- o D|str|to - terá que íorçosamente
ser reíorçado.
O papeI do Partido e do Governo
O PB deve assum|r este |mportante desaí|o,
|ncent|vando o Ooverno na tareía de moder-
n|zação adm|n|strat|va do Estado.
As med|das de descentra||zação propostas
e assum|das pe|o PBD não respondem a este
desaí|o. Descentra||zar para as Autarqu|as Lo-
ca|s, sem cr|ter|os, sem oo|ect|vos e sem pr|-
or|dades, ma|s não e do que esconder ver-
gonhosamente a ausenc|a de estrateg|as e
|de|as para uma verdade|ra Peíorma da Ad-
m|n|stração púo||ca portuguesa.
Oaoe ao Part|do enveredar pe|a d|scussão
púo||ca desta |mportante temát|ca, procuran-
do ooter so|uçoes e propostas que perm|tam
ao Ooverno at|ng|r o pr|mord|a| oo|ect|vo: Pe-
/o/ma/ a /om|||s|/açao |0o||ca.
António Gavino Paixão, M|||tante n' 178670
da Becção de Barrancos e Federação Peg|o-
na| do Ba|xo A|ente|o
POR UMA POLlTlCA DE ClDADES
MOÇÁO $EC7OR/AL
Por uma PoIítica de Cidades
Há tr|nta anos, do|s em cada tres portugue-
ses v|v|am em me|o rura|. Ho|e, com essa
re|ação |nvert|da, Portuga| passou, nas ú|t|-
mas decadas e em r|tmo sem equ|va|enc|a
nos pa|ses europeus, de um modo de v|da
predom|nantemente rura| para um modo de
v|da de predom|nantemente uroano. No en-
tanto, esta ace|erada uroan|zação da soc|e-
dade portuguesa, processada de íorma des-
contro|ada e desordenada, tem-se caracte-
r|zado atraves da depredação dos so|os,
recursos nat ura| s, pa| sag| st | cos e
patr|mon|a|s pe|a predom|nânc|a do uroa-
no soore a uroan|dade, a segregação soore
a acess|o|||dade. Em suma: pe|a predom|-
nânc|a da per|íer|a soore a c|dade.
A c|dade sempre ío| |ugar de ||oerdade,
cr|at|v|dade e progresso. Para que ass|m
cont|nue a ser, as c|dades tem de ser capa-
zes de receoer e |ntegrar, desenvo|vendo
sent|mentos de pertença e orgu|hos de c|-
dadan|a, e garant|ndo oem estar soc|a|
a||cerçado na segurança, na |ntegração so-
c|a|, no desenvo|v|mento do emprego e no
acesso d|vers|í|cado a oens cu|tura|s e
econom|cos.
Be e pr|nc|pa|mente na acentuação das de-
s|gua|dades que se íundamenta a exc|usão
soc|a|, e tamoem por ía|ta de uroan|dade e
pe|a |nex|stenc|a de po||t|cas adequadas na
hao|tação e transportes sectores dec|s|-
vos no ordenamento do terr|tor|o que os
íenomenos negat|vos da v|da uroana se
acentuam.
As po||t|cas de hao|tação nomeadamente
o rea|o|amento soc|a| com a tendenc|a ao
gueto marg|na| e marg|na||zado , a pr|or|-
dade dada ao automove| em termos de
ordenamento de terr|tor|o e em detr|mento
de uma po||t|ca de transportes co|ect|vos
nomeadamente do cam|nho de íerro , tem
contr|ou|do, de íorma dec|s|va, para a de-
gradação da v|da e da v|venc|a nas c|dades.
O ordenamento do terr|tor|o e as po||t|cas
uroanas, com aoso|uta pr|or|dade à reao|||-
tação e reut|||zação da c|dade ex|stente, en-
quanto íormas de exce|enc|a a|ternat|vas a
novas expansoes uroanas, são |mperat|vos
nac|ona|s e urgentes que devem ser consa-
grados numa oo||||ca oe c|oaoes capaz de
pr|v||eg|ar o seu desenvo|v|mento sustentá-
ve|, capaz de dar conteúdo ao |mperat|vo
uroano de constru|r espaços re|ac|onando
as |nd|v|dua||dades, capaz, como compete
a um Estado democrát|co, de |nterv|r para
dar coesão à íragmentação soc|a| e terr|tor|a|
que o mercant|||smo íomenta.
Üroan|dade e c|dadan|a estão h|stor|ca,
et|mo|og|ca e cu|tura|mente ||gados à c|da-
de. A essenc|a da Democrac|a tamoem.
E e, ou pode ser, a propr|a Democrac|a e a
c|dadan|a que estarão em causa se não sou-
oermos cr|ar as po||t|cas necessár|as que
respondam de íorma eí|caz às causas dos
graves proo|emas c|v|||zac|ona|s contempo-
râneos: desemprego, exc|usão e segrega-
ção soc|a|s, so||dão, pooreza, po|u|ção, |n-
segurança e degradação.
Be não há outro hor|zonte de c|dade que não
se|a e|a propr|a, tamoem não ex|ste a|terna-
t|va da c|v|||zação democrát|ca para a c|da-
de. Berá sempre a c|dade que cont|nuará a
po|ar|zar a |novação, a cr|at|v|dade, a cu|tu-
ra e o progresso soc|a|. E será a|nda e|a que
perm|t|rá a re|nvenção de uma acção po||t|-
ca democrát|ca em íavor de uma ma|or |gua|-
dade de c|dadan|a.
Ü|trapassamos o ||m|ar entre c|v|||zação ru-
ra| e c|v|||zação uroana. Oom o a|astrar da
uroan|zação e dos va|ores uroanos, surge
para Portuga| e para a Human|dade e como
desaí|o ma|or para o novo m||en|o a ne-
cess|dade de tornar hao|táve|s, humanas,
seguras e compet|t|vas as c|dades e as áre-
as metropo||tanas.
Ter um pensamento soore as c|dades, as suas
vantagens e proo|emas; d|spor de uma es-
trateg|a para a sua compet|t|v|dade, para a
coesão soc|a| e para a sustentao|||dade
amo| enta| do nosso s| stema uroano;
|mp|ementar as po||t|cas que tornem as nos-
sas c|dades ma|s oe|as, ma|s soc|áve|s e com
me|hor íunc|ona||dade e um dos ma|ores de-
saí|os que se co|ocam ho|e à soc|edade por-
tuguesa e, part|cu|armente, por responsao|||-
dades acresc|das, ao Part|do Boc|a||sta.
Be o rea||zado ate agora pe|o Ooverno do
PB como o reíorço dos apo|os à |nvest|ga-
ção das proo|emát|cas uroanas, a genera||-
zação de deoates ou a nova Le| de Bases
do Ordenamento do Terr|tor|o e de saudar,
e, ma|s do que nunca, tempo de passar a
uma dec|d|da po||t|ca uroana, de reao|||ta-
ção dos centros h|stor|cos e do patr|mon|o,
de qua||í|cação das per|íer|as, de va|or|za-
ção amo|enta| e (re)ordenamento do terr|to-
r|o, a uma po||t|ca de acess|o|||dades e mo-
o|||dade.
Bão quatro os e|·os es|/a|eç|cos íundamen-
ta|s para o |ançamento de uma po||t|ca de c|-
dades em Portuga|.
A. Peíorma da adm|n|stração das c|dades
B. Üma c|dade ma|s |usta e so||dár|a
O. Oua||í|cação das c|dades e dos s|stemas
uroanos
D. Üm ordenamento sustentáve| do terr|tor|o
A. Reforma da administração
das cidades
A gestão das c|dades não e ma|s um dom|-
n|o exc|us|vo dos orgãos autárqu|cos e da
adm|n|stração. As opçoes estrateg|cas, a
concepção e |mp|ementação das po||t|cas
uroanas, tem de ser part| | hadas e
contratua||zadas, aos ma|s d|versos n|ve|s,
com os c|dadãos e os actores uroanos, suas
assoc|açoes e organ|zaçoes. Ass|m sendo,
as reíormas a rea||zar passarão por tres n|-
ve|s íundamenta|s:
º Üm novo pape| para os c|dadãos e actores
uroanos, atraves da part| | ha e da
contratua||zação consuostanc|ados na ·Oar-
ta dos d|re|tos uroanos· e no ·Oontrato de
O|dade·;
º descentra||zação, reorgan|zação e transpa-
renc|a da adm|n|stração, atraves de reíormas
adm|n|strat|vas que adequem os |nstrumen-
tos de dec|são às necess|dades de |nterven-
ção e part|c|pação act|vas, d|nâm|cas e eí|-
cazes;
º |ntegração e terr|tor|a||zação das po||t|cas
sector|a|s de natureza uroana atraves da cr|-
ação de me|os de coordenação de n|ve|
autárqu|co \ereadores por áreas geográí|-
cas ou nac|ona| coordenação m|n|ster|a|.
B. Uma cidade mais justa
e soIidária
A c|dade não pode cumpr|r a sua m|ssão de
desenvo|v|mento da c|dadan|a se cont|nuar a
adm|t|r no seu |nter|or a pro||íeração de íacto-
res de exc|usão como o desemprego, o em-
prego marg|na| ou o emprego precár|o; a pre-
car|edade sa|ar|a|; a ía|ta de hao|tação ou a
sua má qua||dade; os transportes co|ect|vos
que nos gastam na |ent|dão, no desconíorto e
no desa|ustamento às nossas necess|dades.
O emprego e a empregao|||dade, atraves do
reíorço e aoertura de novos serv|ços uroanos
an|mação e cu|tura uroanas, desporto e tem-
pos ||vres, apo|os soc|a|s devem const|tu|r
uma das pr|or|dades das po||t|cas uroanas,
enquanto íactores de rea||zação humana e c|-
dadã, e de prevenção da segregação soc|o-
econom|ca.
As po||t|cas de emprego, de hao|tação, de
acess|o|||dades, de íormação proí|ss|ona| tem
de ser reva|or|zadas, a par da componente
econom|ca, nas suas d|mensoes soc|a|s e
humanas como garant|a para a |ntegração
mu|t|rrac|a| e cu|tura| e enquanto prevenção
dos íenomenos de exc|usão e segregação,
como contr| outo | nd| spensáve| para o
renasc|mento da uroan|dade e o reíorço da
compet|t|v|dade das c|dades.
C. QuaIificação das cidades
e dos sistemas urbanos
A requa||í|cação uroana e um dos ma|ores
desaí|os po||t|cos da actua||dade. A qua||dade
uroan|st|ca, arqu|tecton|ca e construt|va das
c|dades; a íunc|ona||dade e acess|o|||dade das
estruturas e serv|ços uroanos; o coníorto e
sa|uor|dade amo|enta|s são cond|çoes |mpres-
c|nd|ve|s da me|hor|a das cond|çoes de v|da,
da human|zação, atracção e compet|t|v|dade
das c|dades.
A expansão per|íer|ca dos ag|omerados uroa-
nos e metropo||tanos (tão avassa|adora como
as enchentes de r|os sem margens) consum|-
dora de so|o e recursos natura|s, onerosa em
|níra-estruturas e, na ma|or|a das vezes, des-
prov|da de equ|pamentos e cond|çoes de
v|venc|a, tornaram, de íorma mu|to |n|usta, o
me|o uroano de uma excess|va dureza para
as popu|açoes carenc|adas.
Peverso das |negáve|s vantagens do automo-
ve| o coníorto, a moo|||dade, a d|spon|o|||da-
de e rap|dez que |he estão assoc|adas o ter-
r|tor|o uroano trocou o espaço ||vre pe|a íron-
te|ra do traçado rodov|ár|o, monoíunc|ona||zou-
se, cresceu apo|ado na esp|ra| especu|at|va,
tornou-se menos generoso nas suas praças,
|ard|ns e ruas, desva|or|zou a sua estet|ca e
amo|ente, e de|xou a sua qua||dade de v|da
ma|s poore. Degradou-se... e com e|e a v|da
dos que o hao|tam.
Bão, como se perceoe, essenc|a|s e urgen-
tes acçoes po||t|cas que íomentem - contr|-
ou|ndo para a me|hor|a da atract|v|dade e
compet|t|v|dade das c|dades - |ntervençoes
que tornem o espaço púo||co uroano num su-
per|or va|or estet|co e amo|enta|, que poss|o|-
||tem o acesso genera||zado a hao|taçoes d|g-
nas e art|cu|adamente |nser|das no tec|do ur-
oano, que aumentem e qua||í|quem os espa-
ços verdes uroanos, que contro|em e reduzam
a po|u|ção que, ení|m, poss|o|||tem transpor-
tes co|ect|vos ma|s coníortáve|s, ma|s ráp|dos
e ma|s í|áve|s.
D. Um ordenamento sustentáveI
do território
A c|dade e a sua v|venc|a assentam na con-
ACÇÃO SOClALlSTA 56 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
centração de oens e serv| ços. A sua
sustentao|||dade não e portanto compat|ve|
com a sua expansão desmesurada, desart|-
cu| ada e d| scr| c| onár| a. Ou com a
descont|nu|dade do seu terr|tor|o. O espaço
rura| tamoem não pode ser v|sto nem tratado
como uma permanente reserva de terr|tor|o
uroano de uso aro|trár|o.
É ass|m necessár|o enquanto vertentes íun-
damenta| s das po| | t| cas uroanas e de
ordenamento do terr|tor|o d|spor de |nstru-
mentos capazes de p|anear e ger|r estrateg|-
camente; à expansão construt|va, |mpor a
reut|||zação e reao|||tação da c|dade ex|sten-
te; oem como o reequ|||oro do s|stema uroa-
no e da rede de c|dades nac|ona|s; e a va|o-
r|zação humana, produt|va, soc|a| e amo|enta|
do espaço rura| enquanto parte de um todo
que se pretende, emoora equ|||orado, d|nâ-
m|co.
Üm dos |nstrumentos íundamenta|s de uma
nova po||t|ca de c|dades d|z respe|to à oo||||-
ca oe so|os. A ía|ta de adequada |eg|s|ação
tem perm|t|do a apropr|ação pr|vada das
ma|s-va||as proporc|onadas pe|o |nvest|men-
to púo||co, provocando especu|açoes que
ret|ram, a |argos estratos da popu|ação, a
poss|o|||dade de acesso à hao|tação em con-
d|çoes de centra||dade. Bo uma |eg|s|ação
que sem por em causa os d|re|tos da pro-
pr|edade íund|ár|a estaoe|eça cr|ter|os as-
sentes na íunção soc|a| da propr|edade e
sa|vaguarde o |nteresse púo||co e o progres-
so econom|co e soc|a| de íorma genera||za-
da, pode garant|r a qua||í|cação terr|tor|a| e a
|gua|dade soc|a| no acesso à hao|tação e aos
serv|ços e oens uroanos.
Oomo íactor de qua||dade de v|da uroana,
como garant|a de cr|ação de parâmetros de
uroan|dade, e prec|so que a po||t|ca de hao|-
tação, s|mu|taneamente com o rea|o|amento
d|íuso, íomente a d|vers|dade uroan|st|ca e
arqu|tecton|ca, que re|ance o mercado de
arrendamento e o apo|o ao sector cooperat|-
vo como íorma de errad|cação em para|e|o
com as po||t|cas de hao|tação soc|a| mun|c|-
pa|s dos ag|omerados de oarracas e dos
a|o|amentos precár|os.
O Part|do Boc|a||sta, detendo a pres|denc|a
da ma|or|a das câmaras mun|c|pa|s de c|da-
des portuguesas, deverá ter nas po||t|cas ur-
oanas uma d|st|nção de marca no quadro
part|dár|o portugues. Üma po||t|ca de c|da-
des não pode reger-se apenas por so|uçoes
|med|at|stas, |so|adas e geograí|camente |o-
ca||zadas. Para que as c|dades me|horem a
sua qua||dade de v|da, a do seus c|dadãos
hao|tantes ou utentes , e necessár|o esta-
oe|ecer po||t|cas e estrateg|as que poss|o|||-
tem o uso do terr|tor|o de uma íorma a|argada
e equ|tat|va.
As d|íerentes e desart|cu|adas íormas de |n-
tervenção no tec|do uroano do terr|tor|o ex|-
gem, cada vez ma|s, a sua coordenação. A
|mportânc|a para o desenvo|v|mento e con-
so||dação da Democrac|a e para o desenvo|-
v|mento econom|co e soc|a| do pa|s das
O|dades, dos seus terr|tor|os, da sua qua||-
dade de v|da e das suas re|açoes soc|a|s e
econom|cas, tornam-na aoso|utamente ne-
cessár|a.
A competenc|a pertence ao Ooverno e deve
estar a||cerçada num seu M|n|ster|o: o das
O|dades.
Agenda para uma PoIítica
de Cidades em PortugaI
l. F|xação de Oo|ect|vos c|aros e amo|c|osos
para uma po||t|ca de c|dades;
ll. uma deí|n|ção de estrateg|as adequada às
s|tuaçoes d|íerenc|adas do s|stema uroano e
das cond|çoes c|tad|nas;
lll uma organ|zação e promoção de |nstru-
mentos |ega|s tecn|cos e í|nance|ros para a
rea||zação eí|caz das po||t|cas;
l\. as reíormas |nst|tuc|ona|s que garantam a
|mp|ementação eí|caz da nova po||t|ca uroa-
na e um governo ma|s transparente e part|c|-
pado das c|dades.
Objectivos fundamentais de uma
PoIítica de Cidades em PortugaI
1) Tornar a c|dade ma|s eí|c|ente, |usta e so||-
dár|a;
2) recr|ar os espaços e as cond|çoes da c|-
dadan|a e do encontro, de deoate e part|c|-
pação nos pro|ectos da v|da co|ect|va e nas
dec|soes de governo das c|dades;
3) Or|ar emprego, des|gnadamente em novas
áreas e sectores dos serv|ços uroanos e de
apo|o soc|a| às Oomun|dades;
4) tornar o s|stema uroano nac|ona| equ|||ora-
do, ma|s equ|tat|vo no acesso aos serv|ços e
equ|pamentos e ma|s compet|t|vo;
5) garant|r a sustentao|||dade e a qua||dade
amo|enta| das áreas e act|v|dades uroanas;
6) promover o adequado equ|||or|o das
comp|ementar|dades uroano-rura|s;
7) promover a art|cu|ação das po||t|cas e |n-
tervençoes que |nc|dem soore as c|dades,
trad| c| ona| mente pu| ver| zadas e
descoordenadas, quer se|am mun|c|pa|s,
nac|ona|s ou comun|tár|as;
8) promover a compat|o|||zação das |nterven-
çoes das adm|n|straçoes púo||cas, trad|c|o-
na|mente segmentadas e, não raras vezes,
em coní||to de tute|as.
A. Reforma da administração
das cidades
A.1. descentra||zação para os mun|c|p|os e
íregues|as das competenc|as e me|os que,
de acordo com o pr|nc|p|o da suos|d|ar|dade,
as autarqu|as |oca|s estão em cond|çoes de
desempenhar;
A.2. reorgan|zação geográí|ca e íunc|ona| da
adm|n|stração desconcentrada do Estado,
reíorçando a sua coordenação numa oase
terr|tor|a|;
A.3. aproíundamento da democrac|a e da
transparenc|a ao n|ve| da const|tu|ção e íun-
c|onamento dos orgãos autárqu|cos.
A.4. ·Oarta dos d|re|tos uroanos·, garant|ndo
d|re|tos e deveres de part|c|pação aos c|da-
dãos e actores uroanos nas dec|soes e ges-
tão das c|dades;
A.5. novos poderes e d|gn|í|cação para as
assemo|e|as mun|c|pa|s e de íregues|a;
A.6. aperíe|çoamento do ·Oontrato de c|da-
de· como |nstrumento de contratua||zação
estrateg|ca e part||hada - autarqu|as, agentes
pr|vados, cooperat|vos e assoc|at|vos;
A.7. cr|ação de novos n|ve|s (|ntermed|os) de
adm|n|stração nas grandes c|dades, part|cu-
|armente de L|sooa e Porto;
A.8. prop|c|ar e encora|ar o vereador com
competenc|as de âmo|to geográí|co, em vez
da d|v|são sector|a|;
A.9. reorgan|zação adm|n|strat|va das íregue-
s|as.
B. Uma cidade mais justa
e soIidária
B.1. |mpu|s|onamento do mercado soc|a| do
emprego nos serv|ços e equ|pamentos uroa-
nos;
B.2. proíunda a| teração da po| | t| ca de
rea|o|amento, com pr|or|dade à d|vers|dade
de so|uçoes uroan|st|cas, arqu|tecton|cas e
|nst|tuc|ona|s, des|gnadamente de um novo
pape| para as cooperat|vas de hao|tação e o
rea|o|amento nas zonas uroanas conso||da-
das;
B.3. apo|o ao mu|t|cu|tura||smo e m|sc|gena-
ção soc|a| uroana como garant|a da v|ta||da-
de uroana e prevenção da marg|na||dade.
B.4. Oonstrução de ·Oentros O|v|cos· nos
suoúro|os e apo|o a esco|as e equ|pamentos
|uven|s em zonas de ma|or d|í|cu|dade de |n-
serção soc|a| e uroan|st|ca.
C. QuaIificação das cidades
e dos sistemas urbanos
O.1. apo|o í|nance|ro a organ|zação dos s|s-
temas de transportes púo||cos uroanos de
qua||dade;
O.2. const|tu|ção de autor|dades metropo||-
tanas de transporte nas áreas de L|sooa e
Porto;
O.3. programa de modern|zação do cam|nho
de íerro, a n|ve| nac|ona| e suouroano, oem
dos s|stemas de Metropo||tanos ||ge|ros e
e|ectr|cos ráp|dos;
O.4. med|ção e contro|os eíect|vos da po|u|-
ção sonora e atmosíer|ca nas c|dades;
O.5. patr|mon|o e equ|pamentos;
O.6. an|mação e cu|tura uroanas
D. Um ordenamento sustentáveI
do território
D.1. Le| de so|os que d|st|nga, c|aramente,
entre d|re|to de propr|edade e d|re|to de
uroan|zar e adopte os mecan|smos do ·so|o
programado·;
D.2. regu|amentação da Le| de Bases do
Ordenamento do Terr|tor|o;
D.3. apo|o pr|or|tár|o a programas de reao|||-
tação uroan|st|ca e soc|a| dos centros h|stor|-
cos e das per|íer|as uroanas;
D.4. nova Le| do Ordenamento uroano;
D.5. va|or|zação das áreas rura|s (act|v|dades
agro-pecuár|as - í|oresta|s, patr|mon|o, arte-
sanato, tur|smo);
D.6. apo| o à estruturação e
comp|ementar|dade uroanas (redes e e|xos
de c|dade);
D.7. nova regu|amentação de ed|í|cao|||dade
uroana.
António Fonseca Ferreira (De|eçaoo Sec-
çao oo |0m|a/)
José António Reis Borges (De|eçaoo Sec-
çao oo |0m|a/)
António Pacheco de AImeida (De|eçaoo
Secçao oo |0m|a/)
JúIio Dias (De|eçaoo Secçao oe /|m|/a||e
Pe|s)
Fernando Gameiro (De|eçaoo Secçao oo
|0m|a/)
Nota: Esta Moção teve o contr|outo do João
Pau|o Bessa
ACESSlBlLlDADES AO CONCELHO DE SlNTRA
MOÇÁO $EC7OR/AL
1 Oons|derando que o s|stema rodov|ár|o
ex|stente no conce|ho de B|ntra at|ng|u, neste
momento, a ruptura tota|, por ía|ta de escoa-
mento do lO 19 e pe|a |nex|stenc|a de v|as
a| ternat| vas, que aíectam m| | hares de
mun|c|pes, su|e|tos a um verdade|ro drama
quot|d|ano;
2 Oons|derando que o conce|ho de B|ntra e
um dos ma|ores do Pa|s, com cerca de 350
000 hao|tantes;
3 Oons|derando que nos ú|t|mos 15 anos, o
poder centra| esqueceu por comp|eto os pro-
|ectos e ooras de |nvest|mento nas acess|o|-
||dades ao conce|ho de B|ntra, nomeadamen-
te às suas pr|nc|pa|s zonas uroanas;
4 Oons|derando que as popu|açoes das íre-
gues|as de Massamá, Monte Aoraão e Oue|uz
são das ma|s pre|ud|cadas, chegando a de-
morar ma|s de 1 hora, para entrar e sa|r no lO
19 e na OPEL;
5 Os De|egados da Becção de Oue|uz ao
Xl Oongresso Nac|ona| do PB propoem, |n-
dependentemente de outras acçoes que es-
te|am programadas, a |mp|ementação urgen-
te das segu|ntes med|das:
1 Aoertura |med|ata de uma entrada e sa|da
d|recta na OPEL, por Massamá Norte/A|to de
Oo|ar|de, com ||gação a Monte Aoraão e
Oue|uz;
2 Oonc|usão |med|ata das ooras do |nteríace
da des| gnada Estação da OP Oue| uz
Massamá (encontra-se |oca||zado na íregue-
s|a de Monte Aoraão);
3 L|gação do lO 19 (No Hosp|ta| Amadora/
B|ntra) com Oue|uz (Av. E||as Oarc|a/Ponte
Oarenque) e Amadora (Zona L|do);
4 Pro|ongamento do lO 16, desde o No de
Be|as ate ao Oampo Paso;
5 Aoertura de uma sa|da d|recta do lO 19
para a zona |ndustr|a| de Massamá, a segu|r
ao v|aduto da OPEL no sent|do L|sooa/B|ntra;
6 A|argamento do lO 19 para 3 ía|xas de
rodagem.
Oue esta moção se|a env|ada aos nossos
camaradas Anton|o Outerres, João Orav|nho
e Ed|te Estre|a.
Oue|uz, 7 de Jane|ro de 1999
Os DeIegados da Secção de QueIuz ao
Congresso
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 57
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
ODlVELAS: RUMO AO SÉCULO XXl
MOÇÁO $EC7OR/AL
Em 1998 : um novo Município
O Part|do Boc|a||sta desde há mu|tos anos, que
v|nha deíendendo de íorma |nequ|voca a cr|a-
ção do Oonce|ho de Od|ve|as.
Oom eíe|to desde 1987, e ate ao momento
presente nunca des|st|mos, e o Part|do Boc|a-
||sta soo o |mpu|so dos seus autarcas e da
soc|edade c|v||, tem apresentado de íorma
cont|nua e em todas as |eg|s|aturas os seus
pro|ectos soore o Mun|c|p|o de Od|ve|as.
Decorr|dos 11 anos de sucess|vos ad|amen-
tos, concret|zou-se no d|a 19 de Novemoro de
1998, a |eg|t|ma asp|ração Mun|c|pa||sta de
Od|ve|as med|ante a aprovação na Assemo|e|a
da Pepúo||ca da Le| de cr|ação do Oonce|ho
de Od|ve|as, que ve|o a ser puo||cada em 14
de Dezemoro de 1998.
A Becção de Od|ve|as congratu|a-se desta íor-
ma com o sucesso oot|do neste processo e
com a íorma ce|ere e eí|c|ente como o Oover-
no o conduz|u.
A Oom|ssão lnsta|adora ío| empossada no
passado d|a 20 de Jane|ro de 1999, e espera-
mos que as d|v|soes po||t|cas que a mesma
espe|ha não d|í|cu|tem a|nda ma|s a |á esp|-
nhosa tareía que o empenhado Pres|dente
dessa Oom|ssão tem à sua írente nos prox|-
mos 3 anos.
A|cançada a 1ª íase que ío| a da consagração
de d|re|to e de íacto do Mun|c|p|o, entramos
numa 2' íase que e das expectat|vas cr|adas e
dos oo|ect|vos a at|ng|r no curto e med|o prazo.
Num futuro próximo:
Um município de quaIidade
Todos saoemos que a c|dade de Od|ve|as tem
s|do así|x|ada ao |ongo dos tempos por Loures
e pe|os autarcas comun|stas que tudo í|zeram,
para pre|ud|car e atroí|ar o cresc|mento saudá-
ve| e p|aneado de Od|ve|as, oem como a ges-
tão soc|a||sta da íregues|a, que tem íe|to um
traoa|ho de |negáve| qua||dade e de grande d|-
mensão soc|a| tendo em conta os escassos
me|os í|nance|ros e humanos de que d|spoe e
as apertadas competenc|as que a |e| preve.
Em 1999 a emanc|pação de Od|ve|as íace ao
Oonce|ho de Loures e uma rea||dade e um de-
saí|o que urge vencer, romp|das que íoram as
amarras do passado recente.
A Becção de Od|ve|as e os m|||tantes que a
|eg|t|mamente representam gostar|am que o
Novo Mun|c|p|o pudesse ser s|non|mo de oem-
estar, qua||dade de v|da e de progresso.
Para que esse des|gn|o se cumpra há que re-
a||zar um con|unto s|gn|í|cat|vo de ooras e op-
çoes po||t|co-soc|a|s nas segu|ntes áreas:
Justiça
O acesso à |ust|ça e um |mperat|vo const|tuc|-
ona| e um d|re|to íundamenta|, urge que
Od|ve|as possa oeneí|c|ar de um espaço |ud|-
c|ár|o propr|o que perm|ta aos Od|ve|enses ter
um íác|| acesso aos Tr|ouna|s, ao apo|o |ud|c|-
ár|o e a uma |ust|ça ce|ere e eí|c|ente.
Saúde
As estruturas ex|stentes no campo da Baúde
em Od|ve|as são man|íestamente |nsuí|c|en-
tes. O |nd|ce popu|ac|ona| de Od|ve|as e o seu
Estatuto de c|dade |á há mu|to que |ust|í|cam
uma estrutura hosp|ta|ar cond|gna que garan-
ta o d|re|to íundamenta| dos Od|ve|enses aos
cu|dados de saúde.
Ambiente
O amo|ente e a qua||dade de v|da em Od|ve|as
tem me|horado n|t|damente com a gestão so-
c|a||sta dos ú|t|mos anos, mas mu|tas |n|c|at|-
vas e pro| ectos eram de competenc| a
camarár|a e portanto í|caram por cumpr|r.
O novo mun|c|p|o terá neste campo uma vas-
ta área por desoravar no sent|do de tornar
Od|ve|as uma c|dade ma|s atract|va do ponto
de v|sta do tec|do uroanopa|sag|st|co.
Ass|m a construção de ma|s zonas verdes, |ar-
d|ns, me|hor ||mpeza uroana e um rac|ona| p|a-
neamento uroan|st|co coníer|r|a a Od|ve|as
uma |magem de qua||dade e desenvo|v|men-
to sustentáve|.
Nesta área e tamoem de extrema |mportânc|a
o |nvest|mento na Educação Amo|enta| e na
preparação das geraçoes ma|s novas para a
cu|tura do amo|ente.
AcessibiIidades
O desenvo|v|mento passa necessar|amente
pe|as acess|o|||dades ou se|a, por ma|s redes
v|ár|as e transportes eí|c|entes.
O a|argamento da rede do Metro ate Od|ve|as
será sem dúv|da um dos |nvest|mentos ma|s
pos|t|vos para Od|ve|as e s|gn|í|cará |gua|mente
a concret|zação de uma asp|ração ant|ga a
concret|zar no novo m||en|o.
Educação
A Educação tem s|do uma das pa|xoes deste
Ooverno e deverá |gua|mente ser uma preo-
cupação do novo mun|c|p|o, dado que a qua-
||dade do ens|no e um íactor v|ta| para uma
ooa preparação c|v|ca e academ|ca das no-
vas geraçoes.
O novo Mun|c|p|o deverá |nvest|r em ma|s e
me|hores equ|pamentos esco|ares, sendo que
a poss|o|||dade de cr|ação de um po|o un|ver-
s|tár|o perm|t|rá a Od|ve|as uma renovada íon-
te de v|ta||dade e de |nvest|mento.
Segurança
Od|ve|as congratu|a-se de ter |nd|ces de se-
gurança oastante razoáve|s dado que a
cr|m|na||dade ex|stente se coní|na aos peque-
nos íurtos e outros cr|mes contra propr|edade
não se ver|í|cando a cr|m|na||dade v|o|enta que
ex|stem em outros Oonce|hos; contudo urge
aumentar e reíorçar as estruturas po||c|a|s ex|s-
tentes , a ||um|nação púo||ca, e a v|g||ânc|a aos
estaoe|ec|mentos de ens|no por íorma a pre-
ven|r condutas desv|antes.
Üm Mun|c|p|o seguro e sempre um po|o de
atracção para a í|xação de |nvest|mento em
serv|ços e outras act|v|dades.
ConcIusão
E|encamos a|guns dos desaí|os que os
Od|ve|enses e ma|s concretamente os m|||tan-
tes do PB gostar|am de ver cumpr|dos.
Estamos certos que a íutura Oâmara de
Od|ve|as será composta por OENTE que FAZ
e que poderemos contar com o tota| ,
empenhamento de um Ooverno que ao |ongo
destes quase quatro anos demonstrou que a
Oovernação Boc|a||sta, a|nda que m|nor|tár|a,
está a contr|ou|r para a construção de um Pa|s
ma|s so||dár|o ,ma|s prospero onde a pa|avra
Democrac|a, o exerc|c|o do c|dadan|a e da d|-
vers|dade se renovam d|ar|amente.
A gestão mun|c|pa| do íuturo, tem que ser ne-
cessar|amente ma|s |nteract|va, eng|ooando
Ün|vers|dades, lgre|as, Assoc|açoes Patrona|s
e B|nd|ca|s, Assoc|açoes O|v|cas e outras, pe|o
que os actua|s agentes po||t|cos |oca|s devem
estar preparados para ser agentes de mudan-
ça num quadro de Democrac|a avançada e
de reconhec|mento do po||centr|smo |oca|.
Susana de CarvaIho Amador
M|||tante n' 205367 /Becção de Od|ve|as
CarIos Lérias
M|||tante n' 58851/Becção de Od|ve|as
Armando Fernando RamaIho Santos
M|||tante 72957/Becção Od|ve|as
António José ReaI da Fonseca
M|||tante n'171364/Becção Od|ve|as
Maria João Torrão Fernandes
M|||tante n'198521/Becção Od|ve|as
ManueI António Serraninho Vaz
M|||tante n' 137409/Becção Od|ve|as
PELA POSSlBlLlDADE DE FAZER ALTERAÇÕES
ESTATUTÁRlAS NO PRÓXlMO CONGRESSO
MOÇÁO $EC7OR/AL
Üm proo|ema centra| da Democrac|a em toda
a Europa e o do aíastamento das popu|açoes
em re|ação aos apare|hos part|dár|os.
O íenomeno ver|í|ca-se mesmo em part|dos que
mantem a adesão sent|menta| e po||t|ca de
sectores |mportantes do e|e|torado. ( Bão, nes-
tes casos, os e|e|tores e mesmo m|||tantes que
se sentem cada vez ma|s aíastados do apare-
|ho do part|do em que votam).
Oomo as popu|açoes não se podem mudar, tem
de ser os part|dos a estar atentos ao proo|ema
e a tomar med|das, que ate poderão ser s|m-
p|es, para |nverter a s|tuação.
O PB tem de estar mu|to atento a este proo|e-
ma.
Trata-se, no essenc|a|, de um proo|ema de
renovamento.
Não propr|amente de renovamento íe|to pe|as
das |nstânc|as super|ores dos part|dos, que
tamoem e essenc|a| , mas das poss|o|||dades
de renovamento íe|tas a part|r da massa dos
m|||tantes desconhec|dos dos orgãos super|o-
res dos part|dos.
Neste Oongresso do PB há um man|íesto de-
se|o de promover um razoave| renovamento
dos orgãos super|ores do part|do, mas íe|to
por |n|c|at|va dos que |á ocupam pos|çoes c|-
me|ras, em orgãos nac|ona|s ou das íedera-
çoes.
Oom os actua|s Estatutos e prat|camente
|mposs|ve| a m|||tantes de oase, que não ocu-
pem |á postos de a|guma |mportânc|a,
ag|ut|narem-se nas suas íederaçoes, e conse-
gu|rem com os seus votos e o seu esíorço, e|e-
ger a|guem para a Oom|ssão Nac|ona|.
Bem |sso, o Part|do renova-se por dentro, e
por ape|o a pessoas que entram por c|ma, mas
não a part|r das suas oases desconhec|das,
nem dos c|dadãos que gostar|am de ader|r ao
PB, para entrar pe|a oase, se sent|ssem que a
part|r da| poder|am ser ouv|dos e contr|ou|r para
a po||t|ca do part|do e do pa|s.
A prazo, esta s|tuação de não renovamento a
part|r da oase e extremamente grave.
Env|amos para este Oongresso uma proposta
de a|teração dos Estatutos, a||ás mu|to d|m|nu-
ta, que |u|gamos adquada para reso|ver o pro-
o|ema (e ped|mos à Acção Boc|a||sta para a
puo||car) . No caso de ter s|do ace|te e aprova-
da, so v|r|a a ter eíe|to no prox|mo Oongresso,
poss|ve|mente no ano 2001.
Bucede que este Oongresso não tem na sua
¨Ordem de traoa|hos" a rev|são dos Estatuto.
Ass|m, a OOO |nd|cou-nos que a nossa pro-
posta í|cava desde |á guardada para um íuturo
Oongresso em que se|a poss|ve| uma rev|são
estatutár|a.
A |nc|usão na ¨Ordem de traoa|hos" de um
Oongresso da rev|são dos Estatutos pode ser
dec|d|da (nos termos do Art|go 115 dos actua|s
Estatutos) pe|o Becretár|o Oera| , pe|a Oom|s-
são Po||t|ca Nac|ona|, pe|a Oom|ssão Nac|ona|,
ou por 10% dos m|||tantes, o que em termos
prát|cas e |mposs|ve|.
Ass|m, ao chamar a atenção do Oongresso para
este proo|ema, íazemos s|mu|tâneamente ape-
|o ao Becretár|o Oera|, recem e|e|to, para se
deoruçar soore o assunto e por |n|c|at|va pro-
pr|a |nc|u|r na ¨Ordem de traoa|hos" do prox|-
mo Oongresso a rev|são dos Estatutos e, a
este Oongresso propomos a aprovação da
segu|nte moção:
ACÇÃO SOClALlSTA 58 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
O OONOPEBBO APELA A OOMlBBAO NAOl-
ONAL AOOPA ELElTA, PAPA OÜE BE DE-
BPÜOE BOBPE O PPOBLEMA DAB ALTEPA-
ÇOEB OÜE ÜPOE FAZEP NOB EBTATÜTOB
DO PB, E PPOMO\A A lNOLÜBAO DA PE\l-
BAO DOB EBTATÜTOB NA OPDEM DE TPA-
BALHOB DO PPOXlMO OONOPEBBO.
António Brotas e CoeIho da Fonseca
De|egados e|e|tos pe|a Beccção de A|m|rante
Pe|s
Proposta de aIteração dos Estatutos
enviada à COC no dia 31 de Dezembr
por António Brotas e CoeIho da
Fonseca, miIitantes da Secção de
AImirante Reis.
Justificação
O retorno aos Oongressos Nac|ona| e Federat|-
vos dec|d|do na ú|t|ma rev|são dos Estatutos
correspondeu a um dese|o genera||zado dos
m|||tantes do PB.
Oonvem, no entanto, que os Estatutos actua|s
oeneí|c|em, a|nda, de a|gumas a|teraçoes que
perm|tam ao PB ser, no |n|c|o do prox|mo secu-
|o, um part|do aoerto à |novação, s|mu|tanea-
mente capaz de conservar os seus va|ores e
de evo|u|r para se adaptar a um mundo em
mudança, onde os m|||tantes se s|ntam ouv|-
dos e com poss|o|||dades de |ní|uenc|ar, eíect|-
vamente, a v|da do part|do.
Os recentes Oongressos Federat|vos, e a ex-
per|enc|a que se desenha deste Oongresso
Nac|ona|, reve|am deí|c|enc|as que podem ser
íac||mente corr|g|das e que, no essenc|a|, são
as segu|ntes:
1- As e|e|çoes do Becretár|o Oera| e dos Pres|-
dentes das Federaçoes, s|mu|tâneas com a e|e|-
ção dos de|egados, ret|ram aos Oongressos os
momentos a|tos, de ap|auso e consonânc|a,
que ser|am os das e|e|çoes nos Oongressos.
2 - O Becretár|o Oera| e os Pres|dentes das
Federaçoes são hao|tua|mente e|e|tos por íran-
cas ma|or|as, e às suas moçoes se reíerem a
genera||dade, quando não tota||dade, das ||s-
tas dos de|egados das Becçoes.
Oorrentes m|nor|tár|as, que ace|tem como os
ma|s |nd|cados o Becretár|o Oera| e os Pres|-
dentes das Federaçoes propostos pe|as ma|o-
r|as, mas tenham o dese|o de conqu|star pre-
sença na Oom|ssão Nac|ona| e nas Oom|ssoes
das Federaçoes, e de aparecer nos Oongres-
sos a deíender op|n|oes e pontos de v|sta pro-
pr|os depo|s de os apresentar aos m|||tantes,
í|cam, com os actua|s Estatutos, quas| |mped|-
das de o íazer.
Os Oongressos í|cam empoorec|dos e o Be-
cretár|o Oera| e os Pres|dentes das Federaçoes,
arr|scam-se, na genera||dade dos casos, a
ne|es aparecerem como cand|datos ún|cos e
|á e|e|tos que íazem d|scursos so||tár|os.
Oenera||za-se, a|nda, a prát|ca, a prazo mu|to
per|gosa, da Oom|ssão Nac|ona| e a ma|or|a
das Oom|ssoes das Federaçoes serem e|e|tas
em ||sta ún|ca.
3 - Oom os actua|s Estatutos, nos Oongressos
há part|c|pantes por |nerenc|a. Emoora os de-
|egados e|e|tos pe|as Becçoes se|am íranca
ma|or|a, quando se passa á e|e|ção da Oom|s-
são Nac|ona| e das Oom|ssoes das Federaçoes,
a prát|ca mostra que para e|as são esco|h|dos
um e|evado número de |nerentes, que cont|-
nuam |nerentes para o prox|mo Oongresso.
Há m|||tantes que tem cont|nuado de |nerenc|a
em |nerenc|a desde que estão no part|do.
Mas ass|m tem de ser enquanto a compos|-
ção dos Oongressos e o modo de e|e|ção das
Oom|ssoes Po||t|cas íor o actua|, po|s nenhum
part|do se pode perm|t|r exc|u|r dos Oongres-
sos os seus quadros com íunçoes ma|s e|eva-
das que porventura não tenham s|do e|e|tos
pe|as suas secçoes.
Há, po|s, que acaoar, ou d|m|nu|r
drást|camente, as |nerenc|as, sem que por |sso
o part|do í|que em r|sco de não ter no Oon-
gresso quadros que desempenham íunçoes
íundamenta|s.
Oom pequenos a|teraçoes dos actua|s Esta-
tutos, e sem que ta| possa provocar qua|quer
queora de cont|nu|dade na v|da do part|do, e
poss|ve| corr|g|r os deíe|tos ac|ma aponta-
dos.
É o que se pretende com as segu|ntes propos-
tas de a|teraçoes dos Estatututos apresenta-
das a este Oongresso.
NA BEOÇAO l\
DA OPOANlZAÇAO DlBTPlTAL E PEOlONAL
A|teração nos Art|gos 46' e 48ª
A- Metade da Oom|ssão Po||t|ca da Federação
e e|e|ta d|rectamente, em ||stas comp|etas,
suoscr|tas por 100 m|||tantes da Federação,
acompanhadas da apresentação de um pro-
grama, votadas no mesmo d|a da e|e|ção dos
de|egados das Becçoes.
B- Os e|ementos das Oom|ssoes Po||t|cas e|e|-
tos em coníorm|dade com a a||nea anter|or são
s|mu|taneamente de|egados ao Oongresso.
O- A segunda metade da Oom|ssão Po||t|ca da
Federação e e|e|ta no Oongresso, não part|c|-
pando nesta e|e|ção os e|ementos da Oom|s-
são Po||t|ca
|á e|e|tos.
D- Acaoam todas as |nerenc|as
E- O Pres|dente da Federação e e|e|to no Oon-
gresso.
OAPlTÜLO l\
DA OPOANlZAÇAO DO PAPTlDO A Nl\EL
NAOlONAL
A|teração dos art|gos 59 e 61'
A- Metade da Oom|ssão Nac|ona|, e e|e|ta d|-
rectamente em ||stas, acompanhadas da
apresentação de programas, votadas no mes-
mo d|a da e|e|ção dos de|egados das Becçoes.
A´ - Haverá uma ||sta Nac|ona| para e|e|ção de
1/6 da Oom|ssão Nac|ona|, suoscr|ta por 1000
m|||tantes, e ||stas íederat|vas , para e|e|ção de
2/6 da Oom|ssão Nac|ona| suoscr|tas por 100
m|||tantes.
B - Os e|ementos da Oom|ssão Nac|ona| e|e|-
tos em coníorm|dade com a a||nea anter|or são
s|mu|taneamente de|egados ao Oongresso.
O - A segunda metade da Oom|ssão Nac|ona|
e e|e|ta no Oongresso, não part|c|pando nesta
e|e|ção os e|ementos da Oom|ssão Nac|ona| |á
e|e|tos.
D- Acaoam todas as |nerenc|as.
E - O Becretár|o Oera| e e|e|to no Oongresso.
CompIemento enviado por fax a 6 de
Janeiro
NA BEOÇAO l\
DA OPOANlZAÇAO DlBTPlTAL E PEOlONAL
A|teração nos Art|gos 46' e 48ª
A- Metade da Oom|ssão Po||t|ca da Federa-
ção e e|e|ta d|rectamente, em ||stas comp|e-
tas, suoscr|tas pe|o dooro de e|ementos da
||sta, ou por 100 m|||tantes da Federação,
acompanhadas da apresentação de um pro-
grama, votadas no mesmo d|a da e|e|ção
dos de|egados das Becçoes.
B- Os e|ementos das Oom|ssoes Po||t|cas
e|e|tos em coníorm|dade com a a||nea anter|-
or são s|mu|taneamente de|egados ao Oon-
gresso.
B´ - Os cand|datos à Oom|ssão Po||t|ca nos
termos da a||nea A podem, tamoem, |ntegrar
uma ||sta de cand|datos a de|egados da sua
secção. No caso de serem e|e|tos em amoas
as ||stas, preva|ece a e|e|ção d|recta para a
Oom|ssão Po||t|ca.
O- A segunda metade da Oom|ssão Po||t|ca
da Federação e e|e|ta no Oongresso, não par-
t|c|pando nesta e|e|ção os e|ementos da Oo-
m|ssão Po||t|ca
|á e|e|tos.
D- Acaoam todas as |nerenc|as
E- O Pres|dente da Federação e e|e|to no
Oongresso.
Just|í|cação da a||nea B'- Pretende-se enco-
ra|ar os memoros das Oom|ssoes Po||t|cas
cessantes e outros d|r|gentes do Part|do a
part|c|pem, tamoem, nas e|e|çoes das suas
Becçoes.
OAPlTÜLO l\
DA OPOANlZAÇAO DO PAPTlDO A Nl\EL
NAOlONAL
A|teração dos art|gos 59 e 61'
A- Metade da Oom|ssão Nac|ona|, e e|e|ta d|-
rectamente em ||stas, acompanhadas da
apresentação de programas, votadas no
mesmo d|a da e|e|ção dos de|egados das
Becçoes.
A´ - Haverá uma ||sta nac|ona| para e|e|ção
de 1/6 da Oom|ssão Nac|ona|, suoscr|ta por
1000 m|||tantes, e ||stas íederat|vas , para e|e|-
ção de 2/6 da Oom|ssão Nac|ona|, suoscr|-
tas por 10 vezes o número de e|ementos da
||sta, ou 100 m|||tantes da íederação. Os m|-
||tantes podem |ntegrar a ||sta nac|ona| e a
||sta da sua íederação. No caso de serem e|e|-
tos por amoas, preva|ece a e|e|ção pe|a ||sta
nac|ona|.
A''- O número de e|ementos das ||stas íede-
rat|vas e determ|nado pe|o metodo Hondt,
mas nenhuma ||sta terá menos de 2 e|emen-
tos.
B - Os e|ementos da Oom|ssão Nac|ona| e|e|-
tos em coníorm|dade com a a||nea anter|or são
s|mu|taneamente de|egados ao Oongresso.
B´ - Os cand|datos à Oom|ssão Po||t|ca nos
termos da a||nea A podem, tamoem, |ntegrar
uma ||sta de cand|datos a de|egados da sua
secção. No caso de serem e|e|tos em amoas
as ||stas, preva|ece a e|e|ção d|recta para a
Oom|ssão Po||t|ca.
O - A segunda metade da Oom|ssão Nac|o-
na| e e|e|ta no Oongresso, não part|c|pando
nesta e|e|ção os e|ementos da Oom|ssão
Nac|ona| |á e|e|tos.
D- Acaoam todas as |nerenc|as.
E - O Becretár|o Oera| e e|e|to no Oongresso.
Just|í|cação das a||neas A' e B'- Pretende-se
encora|ar os memoros das Oom|ssoes Po||t|-
cas cessantes e outros d|r|gentes do Part|do
a part|c|parem nas e|e|çoes das suas Becçoes.
SUPLEMENTO 4 FE\EPElPO 1999 ACÇÃO SOClALlSTA 59
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
O AMBlENTE QUE TEMOS
MOÇÁO $EC7OR/AL
1 - O Ambiente que nos rodeia
O amo|ente nesta era da g|ooa||zação, e cada
vez ma|s tema, de deoates, congressos, etc.
Todos ía|am de amo|ente, se|a na rád|o, te|e-
v|são, ou na |mprensa escr|ta. Mas o que e o
amo|ente? De uma mane|ra gera|, podemos
aí|rmar que a r|oe|ra que passa na nossa ter-
ra, íaz parte do amo|ente que nos rode|a, ta|
como um oosque de carva|hos, ou um p|nha|,
com os d|versos ecoss|stemas que os com-
poem. Todo aque|e que po|u|r de a|guma
mane|ra, o so|o, a água ou o ar, está a degra-
dar as cond|çoes de v|da dos an|ma|s e p|an-
tas, |og|camente do Homem. A||ás e o pro-
pr|o homem, que ma|s aíecta o amo|ente com
as suas |ntervençoes. O ||xo e presença íre-
quente das nossas ruas, estradas, margens
de r|os e ate nos |oca|s de ma|s d|í|c|| acesso
das nossas serras. A po|u|ção dos so|os e
||nhas de água, por eí|uentes dos ag|omera-
dos uroanos sem ETAP's, por exp|oraçoes
agro-pecuár|as, quer se|am do t|po íam|||ar
ou |ndustr|a|, sem o tratamento adequado; ou
a|nda de un|dades |ndustr|a|s, tem de ser
comoat|da.
Ex|stem grandes dúv|das quanto à íunc|ona-
||dade das d|versas ETAP's, quer se|am de
eí|uentes uroanos ou |ndustr|a|s. A rentao|||-
dade destes |nstrumentos, dever|a ser uma
pr|or|dade, daque|es que tem a seu cargo
esses equ|pamentos, mu|tas vezes ao aoan-
dono, sem qua|quer t|po de manutenção. No
entanto, ex|stem a|nda mu|tos ag|omerados
uroanos sem ETAP, quer se|am c|dades, v|-
|as ou a|de|as, no ||tora| ou no |nter|or. Ex|ste
a|nda mu|to traoa|ho por vezes, quer com íun-
dos nac|ona|s, ou comun|tár|os. Não pode-
mos esquecer que mu|ta água captada para
aoastec|mento púo||co, e proven|ente de oar-
ragens, para onde drenam eí|uentes, com ou
sem tratamento. Da| advem que emoora pa-
guem a água, as popu|açoes não podem de|a
usuíru|r. Estão neste caso, as popu|açoes da
zona envo|vente da Barragem da Agu|e|ra.
1.2.- A IegisIação
Üm número exagerado de D.L. e portar|as,
são ma|s de 40, regu|am a act|v|dade da í|s-
ca||zação do amo|ente, mu|tos de|es do an-
ter|or Ooverno, |es|vos dos |nteresses das
popu|açoes, não íoram a|nda rev|stos. Dos
qua|s se sa||entam o D.L.46/94 (D.P.H.) e D.L.
n'93/90 (P.E.N.) e a Portar|a n' 326/95 de 4/
10, das taxas. Os do|s pr|me|ros são contra-
d|tor|os, não se saoe mu|to oem onde acaoa
o Dom|n|o Púo||co H|dr|co e começa a Pe-
serva Eco|og|ca Nac|ona| e v|ce-versa.
1.2.1. - A Reserva EcoIógica NacionaI
A R.E.N., resu|tou da e|aooração apressada
dos PDM (P|anos D|rectores Mun|c|pa|s), pe-
|as Oâmaras Mun|c|pa|s e |mposto pe|o po-
der centra|. As autarqu|as necess|tadas de
apo|o í|nance|ro, e|aooraram os PDM, rap|-
damente, press|onando equ|pas tecn|cas e
de acompanhamento, ma|or|tar|amente, sem
exper|enc|a neste t|po de traoa|hos.
B|mp|esmente com o oo|ect|vo da caça ao
tesouro, d|ga-se Fundos Oomun|tár|os. Mu|-
tos execut|vos autárqu|cos, não se aperce-
oeram que estavam a castrar o desenvo|v|-
mento dos seus conce|hos. Daqu| resu|tou
uma PEN, que aorange cerca de 2/3 do terr|-
tor|o da zona centro. Os conce|hos são mon-
tanhosos, tem grande parte da área na PEN,
dev|do às zonas de erosão e de máx|ma |ní||-
tração. Nos conce|hos p|anos ou do ||tora|,
acontece a|go seme|hante, dev|do às zonas
aíectadas por che|as, zona de máx|ma |ní||-
tração, ou dev|do à zona de dunas.
O D.L. n' 93/90, por |rrea|, ao qua| dev|a ser
dado um toque humano, quase tudo e pro|o|-
do, necess|ta ser rev|sto e actua||zado. As-
s|m as cartas da PEN, da| resu|tantes, dev|-
am perm|t|r uma consu|ta c|ara, com as car-
tas 1/25 000. A|guem se |emorou dos propr|-
etár|os dos terrenos agr|co|as, na e|aooração
do D.L. ou das cartas? Da act|v|dade agr|co-
|a? A grande ma|or|a dos agr|cu|tores saoe o
que e a PEN? Oua|s as prát|cas perm|t|das e
onde? Da área de expansão uroana de v||as
e a|de|as? Ouem í|sca||za a PEN?
1.2.2.- ApIicação do D.L.46/94
de 22/2 (D.P.H.)
Este D.L., ve|o revo|uc|onar o ||cenc|amento,
pr|nc|pa|mente a das pequenas ooras, neces-
sár|as à pequena agr|cu|tura, como um pe-
queno muro, ou uma s|mp|es passagem em
man||has, para tudo |sto, e necessár|o um s|m-
p|es pro|ecto que íaz as de||c|as dos pro|ec-
t|stas. Durante dezenas de anos, íoram os
Ouarda P|os, agora Ouardas da Natureza que
í|zeram a |nstrução dos processos ma|s s|m-
p|es, com as vantagens ev|dentes para todos,
|nc|us|ve para a ||nha de água, po|s era í|sca-
||zada pe|o Ouarda, responsáve| pe|a área,
durante um ma|or per|odo de tempo.
O ||cenc|amento de captaçoes de água, das
correntes, para í|ns agr|co|as, antes deste
D.L., representava a grande ma|or|a dos
a|varás em|t|dos. Ta|vez por essa razão, ío|
supr|m|da a necess|dade de a|vará, e ho|e, o
número de a|varás em|t|dos neste aspecto,
d|m|nu|u drast|camente. Porque? Porque os
motores de rega ate 5 O\ de potenc|a, estão
|sentos de ||cença. Ass|m, um agr|cu|tor pode
ut|||zar ||vremente 10 motores de 2 O\, sem
necess|tar de ||cença, captando a água que
entender, quer se|a ou não coní|nante. A
|usante um outro v|z|nho, mas coní|nante,
dev|damente ||cenc|ado com motor super|or
a 5 O\, tendo pago 22 492$00 de ||cença, í|-
cará em ano de pouca água, |ncompreens|-
ve|mente sem água, para regar a sua propr|-
edade. Onde está a |ust|ça desta s|tuação? A
||cença de rega, ío| durante mu|tos anos, uma
acção í|sca||zadora e regu|adora de mu|tos
coní||tos entre coní|nantes e não coní|nantes.
D|gamos que serv|a de compensação aos
coní|nantes, pe|o traoa|ho de ||mpeza. A ||-
cença de rega ío| ret|rada, por puro gesto
e|e|tora||smo, do anter|or Ooverno, ta|vez de-
v|do ao mau estado da agr|cu|tura portugue-
sa. Para compensar as taxas suo|ram de
380$00, para 22 492$00. Esqueceram-se de
que grande parte das popu|açoes r|oe|r|nhas,
são agr|cu|tores, ou v|vem da agr|cu|tura.
- A necess|dade de a|vará de ||cença, para a
||mpeza das ||nhas de água, quando estas
estão num estado ca|am|toso, parece-nos
|ncompreens|ve|. Beroa ma|s oo|ect|vo, dotar
os Berv|ços de í|sca||zação, com os quadros
necessár| os, para | mpor a | | mpeza aos
coní|nantes, oem como adequar a |eg|s|ação,
caso o coní|nante não cumpr|sse. As |nunda-
çoes ver|í|cadas, num passado recente, na
Europa Oentra|, casos da Po|on|a, A|emanha,
França e ltá||a, oem como no A|ente|o, de-
ver|am ser um ser|o av|so para as autor|da-
des. No entanto, à ooa mane|ra das aves,
mete-se a caoeça deoa|xo da asa e espera-
se que o mau tempo passe. O que se acon-
tece na rea||dade, e que os poucos Ouardas
e os me|os mater|a|s ao serv|ço da í|sca||za-
ção, pouco í|sca||zam no sent|do da ||mpeza,
po|s os mu|tos processos de ||cenc|amento e
as mu|tas rec|amaçoes, não de|xam espaço
de manoora.
Ouem conhece as pequenas va|as, mas ||-
nhas de água púo||ca·? Os poucos Ouardas
em serv|ço, moradores noutros conce|hos?
Os Ouardas aposentados? Ouem? Üm d|a
destes, n|nguem saoe de nada.
Pe|a ausenc|a dos Ouardas, os coní|nantes
não sentem a pressão da autor|dade e a ||-
nha de água í|ca por ||mpar. Oomo se este
íacto, não íosse |á de s| determ|nante, o
D.L.46/94, não preve no seu art|cu|ado re|at|-
vo às contra-ordenaçoes, qua|quer pun|ção
para os |níractores que não procedam à ||m-
peza das | | nhas de água, de que são
coní|nantes.
A ausenc|a da í|sca||zação dos traoa|hos de
||mpeza, |mp||ca que mu|tos troços de ||nhas
de água púo||ca desapareceram, mu|tas
ooras não são detectadas, com as |mp||ca-
çoes ev|dentes nas rece|tas, proven|entes das
contra-ordenaçoes e do ||cenc|amento.
Este D.L. ve|o tornar necessár|o o a|vará de
||cença, em todo o terr|tor|o, para as capta-
çoes de água suoterrâneas. Este íacto, ve|o
soorecarregar a|nda ma|s a í|sca||zação, |á
de s| depauperada, po|s torna-se necessár|o
|evantar Autos de not|c|a, onde anter|ormen-
te não era necessár|o. A |eg|s|ação anter|or,
prev|a autos de not|c|a, para propr|etár|o do
terreno e para a empresa que eíectuava o
íuro. lnacred|tave|mente, ho|e o sondador,
passa |mpune, não necess|ta de ||cença dos
serv|ços para a sua act|v|dade, íaz os íuros
que |he apetece. Aousa dos propr|etár|os,
po|s quando assenta arrea|s, numa determ|-
nada |oca||dade, para íazer um íuro, eventu-
a|mente ||cenc|ado, tenta sempre íazer o
ma|or número de íuros, ganhando o máx|mo,
nada d|z ao propr|etár|o quanto à necess|da-
de de ||cença. Ouando o propr|etár|o, pergun-
ta se e prec|so ||cença, receoe o d|nhe|ro e
na ma|or parte das vezes, não trate de nada.
1.2.3.- Taxas actuais e num passado
recente. ApIicação da Portaria 326/95
de 4/10.
A taxa re|at|va à Portaria 326/95 de 4/10, e
actua|mente de 22 492$00, para um proces-
so norma| de ||cenc|amento. Antes da Porta-
r|a reíer|da, a taxa era de 380$00. Passados
a|guns anos apos a sua sa|da, aque|a porta-
r|a, não ío| a|nda rev|sta.
Mu|tas ooras de reduz|da d|mensão, tem um
preço |níer|or ao preço da ||cença, caso de
um pequeno muro, uma passagem em man|-
|has, canos soore o |e|to e margens para con-
dução de águas. A taxa, dever|a ser ap||cada
em íunção da área ocupada.
D|m|nu|ndo ass|m, as |n|ust|ças na taxa, en-
tre as pequenas e as ooras de grande d|men-
são.
1.2.4. - Revisão, actuaIização
e condensação da IegisIação
Em 1990, os Ouarda-P|os actuavam segun-
do o Decreto 8, de 5/12/892, tamoem conhe-
c|do por Pegu|amento dos Berv|ços H|dráu||-
cos e o DL n.' 5787-lll, de 10/05/919, tam-
oem chamado por Decreto da Agua; nas ía|-
xas ad|acentes das ||nhas de água; ho|e são
ma|s de 40, os Decretos e Portar|as que re-
gu|am a í|sca||zação do Amo|ente, em todo o
terr|tor|o, com a agravante redução do número
de Ouardas. Tamoem aqu|, passou-se do 8
para ao 80.
O DL da PEN e do DPH e a Portar|a das taxas
necess|tam de ser rev|stos e actua||zados.
Esta rev|são deverá tamoem ter a co|aoora-
ção aos Berv|ços, nomeadamente Tecn|cos
e agentes de í|sca||zação. Porque não saoer
a op|n|ão dos m|||tantes., ||gados ao sector,
atraves das Oonce|h|as e ou Becçoes de
Amo|ente?
Poucos saoerão que o Decreto n.' 5787-lll
de 1919, Le| da Agua, a|nda está em v|gor, na
companh|a de ma|s quarenta. Decretos e
Portar|as. Oue o PBH, de 1892, apesar de
revogado, a|nda de|xa saudades da sua oo-
|ect|v|dade, que o suost|tuto não consegue
reproduz|r.
Passar da ap||cação de 2 Decretos, para ma|s
de 40, e oora. Ber|a mu|to, para o comum dos
morta|s, mas para os Ouardas em s|tuação
de pre-reíorma, e uma utop|a. Todos compre-
enderão que e prec|so condensar e reíormu|ar
toda a |eg|s|ação ap||cáve|, para uma me|hor
ap||cação, por todos, Ouardas da Natureza,
Tecn|cos e utentes.
1.3 - Meios humanos e materiais
O quadro dos Ouardas que era em 1990, para
uma área que aorange cerca de 23 conce-
|hos, passou de cerca de 40, para 11 actua|-
mente. Nesta área, d|ta do amo|ente, e s|m-
p|esmente uma vergonha. Ex|stem ama|s
ooras, ma|s pop|u|ção, ma|s PEN, ma|s ||nhas
de água por ||mpar. Os poucos Ouardas não
tem mãos a med|r, e so |evantar autos. Pre-
venção? Zero. Pec|amaçoes, mu|tas, ped|dos
de parecer, ||cenc|amentos de ooras, são uns
verdade|ros oomoe|ros vo|untár|os, tantos os
·|ncend|os· e as so||c|taçoes das Oheí|as.
\o|untár|os s|m, porque caso o dese|assem,
pod|am so||c|tar a aposentação, po|s 90 por
cento tem ma|s de 55 anos (art. 8' do DL 321/
90 de 15/10). É tamoem a e|es e por e|es,
que o povo anon|mo va| saoendo que há um
organ|smo chamado Amo|ente, que mu|tos
|dent|í|cam com a sua ve|ha conhec|da H|-
dráu||ca. Exc|amam, mas aí|na| a|nda há Ouar-
da-P|os, t|nham-nos d|to que |á t|nham aca-
oado. Mu|to a custo, os d|tos, |á vão aí|rman-
do que umas pessoas mu|to |mportantes |á
de L|sooa oapt|zaram a categor|a em Ouar-
das da Natureza, com umas trocas e
oa|drocas pe|o me|o. ·F|sca|s do Amo|ente·.
Na sua |nocenc|a não d|zem que í|caram a
perder com a troca; o serv|ço do seu cantão
que conhec|am há mu|tos anos, por serv|ço
em vár|os conce|hos, quase desconhec|dos,
sem a|udas de custo. Berão íunc|onár|os pú-
o||cos?
Não houve da parte dos ú|t|mos Oovernos
qua|quer po||t|ca cred|ve| para a F|sca||zação,
na área do Amo|ente. Não ío| íe|ta qua|quer
tentat|va na ousca de uma so|ução, mesmo
na área da Adm|n|stração Púo||ca. Para a
Democrac|a, e necessár|a uma |ntervenção,
ACÇÃO SOClALlSTA 60 4 FE\EPElPO 1999 SUPLEMENTO
XÌ CONGRESSO PARTlDO SOClALlSTA
po|s a entrada na Função Púo||ca, da ma|or
parte dos Ouardas da Natureza, data do tem-
po da d|tadura.
Oomparat|vamente ao quadro de Ouardas da
Natureza, o quadro tecn|co e tecn|co super|-
or tem v|ndo a crescer desmesuradamente
desde o |n|c|o da decada de 90, enquanto o
número de Ouardas tem v|ndo a descer as-
sustadoramente, as ú|t|mas adm|ssoes ocor-
reram no per|odo revo|uc|onár|o, e aprox|man-
do-se o número de agentes, rap|damente do
zero, sem que d|r|gentes e po||t|cos, como-
damente |nsta|ados, tenham íe|to a|go d|gno
de reg|sto, d|zem que a cu|pa e do M|n|ster|o
das F|nanças. Mas para os Tecn|cos, há sem-
pre |ugar para ma|s um, nem que se|a, como
agora se d|z, com contrato a termo certo.
O quadro de pessoa| reve|a oem qua| o pa-
pe| a desempenhar pe|os Ouardas da Natu-
reza, 55 para uma área de 78 conce|hos, en-
quanto o número de tecn|cos ascende a 61.
Ou se|a, a p|râm|de está c|aramente |nvert|-
da. Oue í|sca||zação queremos? Pe|os v|stos,
toda a gente de acordo. Nenhuma. Bo have-
rá concurso quando o número de Ouardas
íor |níer|or a 45. Meus senhores, ha|a cora-
gem, se a e|aooração do quadro de pessoa|
não ío| a ma|s correcta, c|aramente ío| erra-
da, d|storc|da da rea||dade, ponham de |ado
o c|írão, actua||ze-se o quadro de Ouardas
da Natureza, de acordo com as necess|da-
des, perspect|vando o íuturo.
A rac|ona||zação dos me|os humanos está,
neste caso, a ser íe|ra pe|a oase. O venc|-
mento de um D|rector dá para pagar a
quantos Ouardas da Natureza? Há 10 anos,
hav|a quantos D|rectores? Ouantos Oheíes de
D|v|são?
O parque automove| não será certamente o
me|hor, |onge d|sso,. Há menos de 10 anos,
os Ouardas se quer|am apresentar serv|ço,
usavam v|atura part|cu|ar, não t|nham v|atura
do Estado. Durante v|nte anos, essa poss|o|-
||dade ío|-|hes negada, agora pedem-|hes que
conduzam, como quem dá um or|nquedo a
uma cr|ança. Ho|e não será d|í|c|| arran|ar v|-
atura para me|a dúz|a de Ouardas, a|nda ao
Berv|ço. Ate um d|a destes, em que haverá
v|aturas a ma|s e Ouardas, zero. Berão ne-
cessár|os? Pesponda que souoer.
1.4. - ConcIusão
Nos nossos campos e va|es, todos ||gam a
pa|avra H|dráu||ca, ao r|oe|ro, va|a ou ao Ouar-
da-r|os. A pa|avra amo|ente, tem s|gn|í|cado
apenas para os ma|s erud|tos. Os Ouarda-
r|os, aque|es passar|nhos que ant|gamente,
eram v|stos, nas nossas va|as e r|oe|ros, |n-
cr|ve|mente quase desapareceram com a |da-
de e com o progresso. Em pouco número,
qua| D. Ou|xote, |á vão |utando, apesar da
ve|h|ce, pe|a sua Du|c|ne|a, d|ga-se reíorma.
No tempo da d|tadura, chegou a haver Ouar-
da-r|os, por íregues|a, no caso de grandes
íregues|as, e não hav|a Amo|ente; ho|e com
Amo|ente, ex|stem conce|hos enormes, sem
um ún|co Ouarda a res|d|r no conce|ho, ex:
Oo|mora, Oonde|xa-a-Nova, Oantanhede,
Boure, Pamp||hosa da Berra, comentár|os
para que, e este o amo|ente que tanto ía|am,
na comun|cação soc|a|. Bão necessár|os
me|os humanos e mater|a|s, para responder
aos c|dadãos, nos prazos reduz|dos, prev|s-
ta na |eg|s|ação. Oueremos a|nda que a |uta
pe|a deíesa do amo|ente, com os grandes
deíensores do amo|ente, Ouercus, O|kos,
Oeotta e aí|ns, se|a ma|s |usta e equ|||orada,
po|s enquanto uns conduzem íormu|as 1, nos
cont|nuamos a conduz|r 2 O\, com motor|s-
tas de terce|ra |dade.
É |mper|osa e mu|to urgente a entrada de
Ouardas da Natureza, se|a |nterna ou externa
à Função Púo||ca. Ou vamos d|zer a Bruxe|as
que não podemos cumpr|r com as nossas
oor|gaçoes amo|enta|s, porque não temos í|s-
ca||zação? Ore|o que n|nguem no seu |u|zo
períe|to aí|rmar|a ta|.
ManueI Nogueira BeIchior
Becção de Bão Pau|o de Frades
Oonce|h|a e Federação de Oo|mora
AMBlENTE - A QUESTÃO DOS RESlDUOS
MOÇÁO $EC7OR/AL
Para quem exerce o poder, e tem os deveres
de dec|d|r e executar, um sector essenc|a| de
acção e o do amo|ente e qua||dade de v|da.
Portuga| e um pa|s geograí|camente peque-
no, caracter|zado por uma grande d|vers|da-
de e contrastes de ocupação do espaço, em
resu|tado da sua í|s|ograí|a, var|ação c||mát|-
ca ao |ongo do terr|tor|o, |oca||zação per|íer|-
ca e ||tora| na Europa e uma d|str|ou|ção
popu|ac|ona| que, h|stor|camente, |nduz|u e
agravou a d|cotom|a ||tora|/|nter|or que carac-
ter|za o Pa|s.
A d|str|ou|ção no terreno da popu|ação, no
espaço |unto ao mar, |evou ao desenvo|v|men-
to acentuado do ||tora|, onde se encontram
os po|os de desenvo|v|mento ma|s |mportan-
tes e geradores de íorte | ní| uenc| a no
ordenamento do terr|tor|o.
Estas caracter|st|cas marcam o mapa de pro-
dução e compos| ção dos proo| emas
amo|enta|s no Pa|s.
A po||t|ca amo|enta|, e espec|a|mente de re-
s|duos, encarando o desenvo|v|mento susten-
táve|, não pode ace|tar o acentuar dos con-
trastes e d|síunçoes ex|stentes. Deverá antes
apontar no sent|do da sua rect|í|cação.
lmporta ass|m |nterv|r em todo o terr|tor|o, ía-
zendo uma gestão |ntegrada de res|duos, que
assente na |nter||gação e ooservação de
s|nerg|as entre os d|íerentes s|stemas de ges-
tão dos res|duos uroanos, |ndustr|a|s, agr|co-
|as e hosp|ta|ares, perm|t|ndo a ex|stenc|a de
econom|as de esca|a e a sustentao|||dade das
so|uçoes encontradas.
O mercado e a |n|c|at|va pr|vada, regu|ados
pe|o Estado, deverão ter um pape| re|evante
na concepção de so|uçoes dev|damente |n-
tegradas.
O Pa|s deverá |ní|ect|r para uma |ntegração e
períe|ta art|cu|ação íunc|ona| entre os s|ste-
mas de gestão dos d|íerentes t|pos de res|-
duos, cons|derando a redução, a reut|||zação,
a rec|c|agem e a va|or|zação energet|ca, as-
s|m reconhecendo o va|or dos res|duos na
cr|ação de novos mercados, novas act|v|da-
des produt|vas e novos empregos.
Opções estratégicas
A pr|me|ra pr|or|dade deverá ser a o/e/e|çao
e a segunda será a ||moeza do Pa|s.
Na prevenção deverá haver |nd|cadores de
redução de produção e de reut|||zação de
emoa|agens, por exemp|o.
Na ||mpeza, há que encarar a va|or|zação
energet|ca e o coní|namento.
Deverá ser tamoem encarada a eo0caçao
uma educação su|e|ta a uma programação
r|gorosa e apropr|ada ao sucesso da estrate-
g|a no seu todo e não apenas a acçoes avu|-
sas ou gener|cas.
Em 4' |ugar, há que encarar a /ec|c|açem,
aprove|tando tudo o que íor poss|ve|.
F|na|mente, há que atender à reco|ha, aná||-
se e tratamento de dados, desde a compos|-
ção dos d|versos t|pos de res|duos ate aos
parâmetros amo|enta|s |nd|spensáve|s à v|g|-
|ânc|a san|tár|a e co||/o|o cont|nuo de íunc|o-
namento das un|dades dos d|versos s|ste-
mas.
É a|nda |nd|spensáve| mora||zar o comporta-
mento de mu|tos agentes íace à |eg|s|ação
v|gente. Para a|em de outras acçoes, há que
pr|v||eg|ar a ||soecçao /mo|e||a|.
O PS perante a questão
A preva|enc|a de proo|emas amo|enta|s tem
a ver com a acção po||t|ca dos Oovernos
Oentra| e Loca|s. A reso|ução desses proo|e-
mas será o produto da ap||cação da estrate-
g|a adoptada.
A eí|các|a depende de se perceoer que nes-
ta questão a pr|maz|a e da tecn|ca, devendo
ser moo|||zada a comun|dade c|ent|í|ca, sen-
do a po||t|ca apenas o suporte da necessár|a
e permanente ||derança tecn|ca, na execução
correcta da reíer|da estrateg|a.
VIadimiro SiIva
M|||tante n' 135635
De|egado ao Oongresso pe|a Becção de
Ba|reu Oonce|ho de Estarre|a
Nota: A ordem das moções foi deIiberada peIa COC segundo critério cronoIógico-temático em 2/2/99