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BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 1

XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
PS - UMA APOSTA DE FUTURO
UM PS ABERTO E RENOVADO
UM PORTUGAL GANHADOR,
MODERNO E SOLlDÁRlO
António Guterres
MOÇÀO POLÌTÌCA DE
ORÌENTAÇÀO NACÌONAL
SOClALlSMO EM
DEMOCRAClA
António Brotas; Edmundo Pedro; José Cardoso
Fontão; Maria Cristina Neto; António Lopes Vieira;
ÁIvaro Rodrigues; Jaime Bastos GonçaIves; José
António CoeIho da Fonseca; Joaquim Maria Prada;
António Pires dos Santos; Armando RamaIho; Viriato
WoIfango de Macedo; Concepcion TipIe OIiveira;
Prieto de OIiveira; Diamantino Neto; João Ramos
Chasqueira; Mário Pedro
PORTUGAL PRlMElRO
Henrique Neto
PS - UMA APOSTA DE FUTURO
UM PS ABERTO E RENOVADO
UM PORTUGAL GANHADOR,
MODERNO E SOLlDÁRlO
António Guterres
MOÇÀO POLÌTÌCA DE
ORÌENTAÇÀO NACÌONAL
SOClALlSMO EM
DEMOCRAClA
António Brotas; Edmundo Pedro; José Cardoso
Fontão; Maria Cristina Neto; António Lopes Vieira;
ÁIvaro Rodrigues; Jaime Bastos GonçaIves; José
António CoeIho da Fonseca; Joaquim Maria Prada;
António Pires dos Santos; Armando RamaIho; Viriato
WoIfango de Macedo; Concepcion TipIe OIiveira;
Prieto de OIiveira; Diamantino Neto; João Ramos
Chasqueira; Mário Pedro
PORTUGAL PRlMElRO
Henrique Neto
ACÇÃO SOClALlSTA 2 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
ac ncs |es|çnamcs oe|an|e cs oesa/|cs e·|çen|es q0e es|ac |ançaocs a |c||0ça|.
Apostamos num esp|r|to reíorm|sta oaseado na deí|n|ção de oo|ect|vos
amo|c|osos de emanc|pação, de |ust|ça e de so||dar|edade, atraves de
mudanças gradua||stas oaseadas no pr|mado das pessoas e da ||gação
permanente entre ||oerdade e responsao|||dade, |gua|dade e d|íerença, emanc|pação e
so||dar|edade.
A mund|a||zação, a crescente aí|rmação de uma nova econom|a e de uma nova soc|edade
do conhec|mento, o agravamento das des|gua|dades e o cresc|mento da pooreza no mundo
- num tempo em que os 20 por cento ma|s r|cos tem acesso a 86 por cento do consumo
dos oens mater|a|s que o mundo produz, enquanto os 20 por cento ma|s poores se ||m|tam
a consum|r 1,3 por cento desses mesmos oens -, o consum|smo e a |nd|íerença |med|at|sta,
a pro||íeração do terror|smo, dos novos coní||tos reg|ona|s, da v|o|enc|a e da cr|m|na||dade
|nternac|ona|, o í|age|o da droga, os grandes r|scos amo|enta|s - tudo |sso nos oor|ga a
|ns|st|r na aí|rmação da actua||dade do Boc|a||smo Democrát|co no mundo contemporâneo.
Não nos resignamos perante os desafios exigentes que estão
|ançados a Portuga|. Queremos vencer no prazo de uma geração
o atraso estrutura| e qua|itativo que ainda nos separa dos países
mais evo|uídos da Europa - num horizonte de exigência, de
qua|idade, de [ustiça e de so|idariedade.
Não oasta repet|r que ía|haram os mode|os oaseados no estat|smo co|ect|v|sta e na v|são
neo||oera|. É prec|so que os c|dadãos e os povos compreendam e apostem no ún|co
pro|ecto verdade|ramente moderno e não dogmát|co, capaz de enírentar os novos desaí|os
- c o|c/ec|c oc scc|a||smc oemcc|a||cc, semo|e ccns|an|e ncs se0s .a|c|es, semo|e |enc.aoc
nas s0as |esocs|as oa|a cs o|co|emas q0e, |amoem e|es, oe|manen|emen|e se |enc.am.
A soc|edade e a econom|a portuguesas estão conírontadas com a necess|dade de
responderem aos desaí|os actua|s atraves de ma|or compet|t|v|dade e qua||dade, mas
tamoem de ma|or coesão e so||dar|edade. As cond|çoes de coní|ança, de eí|c|enc|a e de
equ|dade devem ser conso||dadas: pe|a moo|||zação das energ|as e capac|dades
d|spon|ve|s, t|rando part|do da vert|g|nosa revo|ução tecno|og|ca; pe|a aposta na qua||í|cação
das pessoas e na coordenação educação, íormação e emprego; pe|a concret|zação de
uma me|hor red|str|ou|ção de r|queza no s|stema í|sca|, na segurança soc|a| e no progresso
das po||t|cas soc|a|s; e pe|a estao|||zação das í|nanças púo||cas, a||ando r|gor e consc|enc|a
soc|a|.
Oontra todo o coníorm|smo, o Part|do Boc|a||sta, como part|do da ||oerdade moderno e
aoerto ao íuturo, assume um pro|ecto moo|||zador para a soc|edade portuguesa - oaseado
no progresso e na |novação e na recusa de qua|quer v|são íata||sta que cons|dere como
|ne|utáve| o nosso atraso e a nossa s|tuação d|stante e per|íer|ca. Bo o PB pode |mpu|s|onar
a modern|zação so||dár|a do pa|s, na v|ragem do m||en|o.
O0e|emcs oa|a |c||0ça| ma|s ||çc| e me||c| c|çan|zaçac, ma|s o|c/|ss|cna||smc e ma|s
amo|çac - com |ncent|vos concretos à |n|c|at|va empreendedora e à |novação. Apostamos
nas novas geraçoes, numa nova menta||dade e numa nova at|tude perante o presente e o
íuturo, numa cu|tura de ma|or responsao|||dade e ex|genc|a. A educação, a c|enc|a, a cu|tura,
as tecno|og|as ao serv|ço da pessoa humana, o esp|r|to de r|sco const|tuem íactores
essenc|a|s para um progresso so||damente ancorado na compreensão dos coní||tos e das
d|íerenças e da respect|va regu|ação, oem como da |mportânc|a da coesão soc|a| e da
estao|||dade.
Oueremos a|nda um Portuga| ma|s |ní|uente e actuante, no centro da construção europe|a
e na aí|rmação dos va|ores un|versa||stas em que se pro|ecta a nossa |dent|dade como
nação, cada vez ma|s aoerta e p|ur|cu|tura|.
O novo c|c|o s|tua-se em para|e|o com o novo |mpu|so modern|zador e de c|dadan|a do lll
Ouadro Oomun|tár|o de Apo|o e e dom|nado por oo|ect|vos econom|cos, soc|a|s, cu|tura|s
e c|v|cos que urge concret|zar em nome de um desenvo|v|mento |usto e humano. Oueremos
dar corpo a um processo |ntegrado de desenvo|v|mento sustentáve| que perm|ta a||ar
modern|zação e consc|enc|a soc|a| O0e|emcs .ence| nc o|azc oe 0ma çe|açac c a||asc
es||0|0|a| e q0a|||a||.c q0e a|noa ncs seoa|a ocs oa|ses ma|s e.c|0|ocs oa F0|coa - num
hor|zonte de ex|genc|a, de qua||dade, de r|gor, de |ust|ça e de so||dar|edade.
Queremos para Portuga| mais rigor e me|hor organização, mais
profissiona|ismo e mais ambição - com incentivos concretos à iniciativa
empreendedora e à inovação. Apostamos nas novas gerações, numa
nova menta|idade e numa nova atitude perante o presente e o futuro,
numa cu|tura de maior responsabi|idade e exigência.
O PB tem de ||derar tamoem o comoate pe|a moo|||zação da c|dadan|a part|c|pat|va,
actua|mente em c|aro reí|uxo, espec|a|mente no campo po||t|co. Ccmoa|e| c a||eamen|c ocs
/c.ens. Fac||||a| c acessc oas m0||e|es a ca|çcs oe |esocnsao|||oaoe o0o||ca E||m|nar os
PS - UMA APOSTA DE FUTURO
UM PS ABERTO E RENOVADO
UM PORTUGAL GANHADOR, MODERNO E SOLlDÁRlO
excess|vo centra||smo da Adm|n|stração Púo||ca, causa d|recta do progress|vo d|stanc|amento,
ía|ta de transparenc|a, |rresponsao|||zação e ourocrat|zação das suas dec|soes. Buost|tu|r o
d|á|ogo ao |cc, ao saoor de conven|enc|as e da ocorrenc|a dos /a||-o|.e|s, pe|o regu|ar
íunc|onamento de íormas de part|c|pação enra|zadas na soc|edade e representat|vas da
p|ura||dade soc|a|. Oontr|ou|r para e|evar a qua||dade do deoate púo||co, med|ante a produção
e d|íusão s|stemát|ca de |níormação e op|n|ão, uma e outra, qua||í|cadas e |ndependentes,
susc|tadas e est|mu|adas pe|o Ooverno do PB e da Nova Ma|or|a.
O PB não tem apenas responsao|||dades de Ooverno a n|ve| nac|ona|. É de toda a |ust|ça
rea|çar o notáve| traoa|ho desenvo|v|do com grande r|gor, competenc|a e ser|edade pe|o
Ooverno Peg|ona| dos Açores cu|a marca está |á oem |mpressa no desenvo|v|mento da
Peg|ão. Não podemos a|nda om|t|r a cora|osa res|stenc|a democrát|ca dos m|||tantes do PB
da Peg|ão Autonoma da Made|ra. Aos soc|a||stas e ao povo das Peg|oes Autonomas o PB
garante a vontade de permanente aperíe|çoamento das autonom|as num quadro de eíect|va
so||dar|edade nac|ona|, nomeadamente no aproíundamento da reíorma consagrada na Le|
de F|nanças Peg|ona|s.
O PB orgu|ha-se tamoem do traoa|ho rea||zado pe|os seus autarcas em todo o Pa|s, traoa|ho
que e a me|hor prova de que a aposta na descentra||zação e essenc|a| para o oem estar
co|ect|vo e para o progresso econom|co, soc|a| e cu|tura| dos portugueses.
FideIidade aos vaIores, aposta no futuro.
O |S e 0m oa|||oc oe .a|c|es. |a|a ncs c e·e|c|c|c oc ocoe| sc |em sen||oc ccmc ccnc|e||zaçac,
em caoa mcmen|c, ocs o||nc|o|cs e .a|c|es em q0e semo|e assen|c0 c Scc|a||smc Demcc|a||cc
e a Scc|a|-Demcc|ac|a Novos proo|emas ex|gem novas so|uçoes, novos desaí|os ape|am a
novas v|soes, numa at|tude permanente de reíorm|smo não dogmát|co. Mas recusamos
sempre o pragmat|smo sem a|ma e o oportun|smo sem escrúpu|os, cu|a pro||íeração na v|da
po||t|ca dos nossos d|as e um dos pr|nc|pa|s íactores para a descrença dos c|dadãos nas
|nst|tu|çoes democrát|cas e para o descred|to da po||t|ca e dos seus protagon|stas. Nos não
somos ass|m. Não nos coníormamos nunca a essa perversão, |níe||zmente tão genera||zada.
Bomos herde|ros de uma trad|ção human|sta, aoerta e to|erante, mas ex|gente na í|de||dade
aos va|ores que a sustentam.
O PS é um partido de va|ores. Para nós o exercício do poder só
tem sentido como concretização, em cada momento, dos
princípios e va|ores em que sempre assentou o Socia|ismo
Democrático e a Socia| Democracia, numa síntese fecunda entre
Liberdade, Ìgua|dade e Fraternidade.
|c| |ssc, aç|mcs e çc.e|namcs em ncme ocs .a|c|es e ocs o||nc|o|cs oc Scc|a||smc
Demcc|a||cc, n0ma s|n|ese /ec0noa en||e ||oe|oaoe, |ç0a|oaoe e F|a|e|n|oaoe com o
reconhec|mento do pape| da |n|c|at|va e da rea||zação |nd|v|dua|s e de um novo conce|to de
responsao|||dade, |nd|v|dua| e co|ect|va, na promoção do oem comum. Por contraponto às
v|soes conservadora, tecnocrát|ca e da ve|ha esquerda, e esta a ncssa .|a, de um |e/c|m|smc
|0man|s|a e mcoen|zaoc|, q0e ace||a a eccncm|a oe me|caoc mas |e/e||a a scc|eoaoe oe
me|caoc e que conceoe um Estado regu|ador, cata||sador de |n|c|at|vas, corrector de |n|ust|ças,
ao serv|ço da construção de uma soc|edade so||dár|a, oaseada nos segu|ntes pr|nc|p|os
íundamenta|s:
1. As pessoas em primeiro Iugar
Para nos há um cr|ter|o ú|t|mo pe|o qua| se terá sempre de aíer|r a va||dade das |de|as, dos
pro|ectos e das po||t|cas. Esse cr|ter|o ú|t|mo são as pessoas. A íorma como cada pessoa,
entend|da como cada c|dadão, e aíectada por essas |de|as, por esses pro|ectos e por essas
po||t|cas, na sua v|da, nas suas ||oerdades e na sua rea||zação humana |ntegra|, e o que nos
|mporta. Estamos íartos dos cr|mes comet|dos contra as mu|heres e os homens em nome
das grandes v|soes para a human|dade. O nosso pro|ecto para Portuga| e centrado nas
pessoas, tem-nas s|mu|taneamente como protagon|stas e dest|natár|os, num mov|mento
moo|||zador de toda a soc|edade, em nome da modern|dade e da coesão.
Para nós há um critério ú|timo pe|o qua| se terá sempre de aferir
a va|idade das ideias, dos pro[ectos e das po|íticas. Esse critério
ú|timo são as pessoas. O nosso pro[ecto para Portuga| é
centrado nas pessoas, tem-nas simu|taneamente como
protagonistas e destinatários, num movimento mobi|izador de
toda a sociedade, em nome da modernidade e da coesão.
Mas apostar nas pessoas ho|e e íundamenta|mente apostar na sua va|or|zação p|ena.
Jma scc|eoaoe ma|s c0||a e 0ma scc|eoaoe ma|s ||.|e. A educação e a íormação são

António Guterres
1' Buoscr|tor
BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 3
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
íactores dec|s|vos de cr|ação de r|queza, de progresso e desenvo|v|mento, mas são
tamoem o grande a||cerce da c|dadan|a democrát|ca act|va.
A aposta íundamenta| na educação, na íormação e no emprego const|tu| um modo
|nequ|voco de contrar|ar o íata||smo do atraso. Temos oora íe|ta, da educação pre-esco|ar
ao ens|no super|or, passando pe|a va|or|zação do ens|no secundár|o e pe|o reíorço do
ens|no oás|co, nomeadamente atraves da adopção do s|stema de ava||ação aíer|da para
todos, ou pe|a educação de adu|tos, numa exper|enc|a p|one|ra. A qua||dade e o r|gor
são as marcas que estamos a |ntroduz|r - com uma preocupação essenc|a| de comoate
à exc|usão.
/ aocs|a na eo0caçac e na /c|maçac e ccno|çac |no|soensa.e| oe |ç0a|oaoe e /0s||ça. É
a ún|ca íorma de as des|gua|dades não se reproduz|rem de geração em geração e de
|nvest|r num íuturo de ma|or equ|dade e produt|v|dade na v|da econom|ca. Fs|a e e
ccn||n0a|a a se| a ncssa oa|·ac Üma pa|xão que não adm|te adu|ter|o e cu|os resu|tados
são |á a prova da sua autent|c|dade.
Ohegámos aos cem por cento de taxa de esco|ar|zação nos doze e nos qu|nze anos de
|dade, o que a|nda não t|nha s|do at|ng|do em 1995, cr|ámos tr|nta e c|nco m|| |ugares
para cr|anças nos |ard|ns de |níânc|a, apostámos nos cursos de educação-íormação e
nas componentes proí|ss|ona|s, tecno|og|cas e art|st|cas do secundár|o, no s|stema
nac|ona| de ava||ação do ens|no super|or e na sua organ|zação e ordenamento.
A aposta na educação e na formação é condição indispensáve|
de igua|dade e [ustiça. É a única forma de as desigua|dades não
se reproduzirem de geração em geração e de investir num futuro
de maior equidade e produtividade na vida económica. Esta é e
continuará a ser a nossa paixão.
\amos cont|nuar. Oarant|ndo a oor|gator|edade do prossegu|mento dos estudos ou de
íormação qua||í|cante ate aos 18 anos, a|argando a oíerta de uma segunda oportun|dade
educat|va, ace|erando a cooertura do pre-esco|ar e dup||cando o número de cr|anças
em creche, dando or|gem a uma autent|ca eo0caçac oe |n/ánc|a.
Apostamos a|nda no comoate act|vo pe|a |gua|dade de oportun|dades e pe|a correcção
das des|gua|dades - a começar na adopção de med|das de d|íerenc|ação pos|t|va que
ponham termo à d|scr|m|nação entre mu|heres e homens, que íavoreça a par|dade, que
contrar|e todas as íormas de v|o|enc|a contra as mu|heres e as cr|anças e que íavoreça a
conc|||ação entre a v|da proí|ss|ona| e a v|da íam|||ar.
A agenda para a |gua|dade de oportun|dades passa a|nda pe|a adopção de med|das de
|ntegração e de respe|to pe|a d|gn|dade de |m|grantes e m|nor|as etn|cas. Portuga| sempre
ío| um pa|s de em|gração. O|ç0||amc-ncs oas ncssas ccm0n|oaoes esoa||aoas oe|c
m0noc e oc o|es||ç|c q0e sc0oe|am ç|an/ea| \|vemos com a|egr|a os seus ex|tos e a sua
permanente va|or|zação nas soc|edades em que se |ntegram. Bent|mos uma proíunda e
act|va so||dar|edade quando enírentam d|í|cu|dades e |níortún|os.
Temos de preparar mais intensamente a sociedade portuguesa
para aco|her e integrar harmoniosamente os imigrantes que nos
procuram e dão ho[e um contributo indispensáve| ao nosso
próprio progresso. É particu|armente importante o esforço
integrador da segunda geração. Esta é uma nova forma de
conceber e rea|izar a coesão socia| e naciona|.
Mas Portuga| |á não e ho|e um pa|s de em|gração. A ace|eração do desenvo|v|mento
econom|co, o enve|hec|mento progress|vo da nossa popu|ação íoram-nos transíormando,
ao pr|nc|p|o quase |nsens|ve|mente, num pa|s onde outros procuram novas oportun|dades
de v|da e de traoa|ho. Temos de regu|ar esse mov|mento, e||m|nando o pape| das maí|as
e outras organ|zaçoes que enr|quecem à custa da degradação humana. 7emcs oe o|eoa|a|
ma|s |n|ensamen|e a scc|eoaoe oc||0ç0esa oa|a acc||e| e |n|eç|a| |a|mcn|csamen|e cs
q0e ncs o|cc0|am e oac |c/e 0m ccn|||o0|c |no|soensa.e| ac ncssc o|co||c o|cç|essc É
part|cu|armente |mportante o esíorço |ntegrador da segunda geração. Esta e uma nova
íorma de conceoer e rea||zar a coesão soc|a| e nac|ona|, na human|zação das cond|çoes
de v|da para todos e no respe|to e va|or|zação de uma exper|enc|a mu|t|cu|tura| que nos
enr|quece.
2. O vaIor supremo da Iiberdade
Üm pro|ecto de esquerda moderna tem de assentar no respe|to escrupu|oso das
||oerdades e dos d|re|tos e deveres íundamenta|s, na preservação da autonom|a |nd|v|dua|
e numa cu|tura de c|dadan|a ||vre e responsáve|. Mas não oasta aí|rmar va|ores e regu|á-
|os na ordem |ur|d|ca. É prec|so cr|ar e preservar as cond|çoes |mater|a|s e mater|a|s para
a consagração da ||oerdade.
/ oemcc|ac|a |c/e e·|çe a |n||co0çac oe mecan|smcs q0e /a.c|eçam a |eo|esen|açac e
a oa|||c|oaçac oe |cocs - o que oor|ga ao reíorço da descentra||zação adm|n|strat|va, à
va|or|zação do poder |oca| e à cr|ação de |nstrumentos que íavoreçam a prox|m|dade
entre representantes e representados. O Part|do Boc|a||sta tem uma reí|exão e tem
propostas, des|gnadamente em mater|a e|e|tora|, em espec|a| no reíorço da ||gação entre
e|e|tores e e|e|tos, sempre com sa|vaguarda da proporc|ona||dade. Bempre deíendeu,
porem, que as mudanças e|e|tora|s tem de ser adoptadas por ma|or|as a|argadas, que
perm|tam preservar a |eg|t|m|dade |natacáve| do s|stema. Mas esta va|or|zação da ||oerdade
não ex|ge apenas reíormas no s|stema po||t|co.
|e|an|e cs e/e||cs oa ç|coa||zaçac e oa ccmoe||çac sem |eç|as, a ma|c| ccn||ao|çac oas
scc|eoaoes mcoe|nas e a q0e seoa|a c|oaoacs e e·c|0|ocs Não oasta traoa|har para
que o íosso não se agrave, e necessár|o e||m|ná-|o em Portuga|. Assum|mos íronta|mente
o proo|ema - po|s o comoate à exc|usão e uma questão centra| que tem de ser v|v|da por
toda a soc|edade. Não se trata, porem, de uma at|tude ass|stenc|a||sta, mas de adoptar
so|uçoes coordenadas e art|cu|adas, envo|vendo íortemente a soc|edade c|v|| numa |og|ca
de so||dar|edade vo|untár|a e de |ntervenção das po||t|cas púo||cas.
Temos uma meta po||t|ca e mora|: errad|car a pooreza e todas as novas íormas de exc|usão,
como cond|ção da verdade|ra ||oerdade. A nossa acção governat|va destes c|nco anos e
d|sso prova caoa|. Essa marca |ama|s será apagada. N|nguem ousará esconder a pooreza,
como s|stemat|camente acontec|a no passado numa at|tude de h|pocr|s|a envergonhada.
Perante os efeitos da g|oba|ização e da competição sem regras,
a maior contradição das sociedades modernas é a que separa
cidadãos e exc|uídos. Temos uma meta po|ítica e mora|:
erradicar a pobreza e todas as novas formas de exc|usão, como
condição da verdadeira |iberdade.
Oouoe-nos reve|ar a pooreza e a exc|usão, no seu verdade|ro a|cance, à soc|edade
portuguesa. Oouoe-nos |n|c|ar de íorma s|stemát|ca o comoate para a sua e||m|nação,
nas a|teraçoes ao mode|o econom|co de desenvo|v|mento, na reíorma das po||t|cas
soc|a|s, adoptando a d|íerenc|ação pos|t|va a íavor dos ma|s carenc|ados e nas med|das
espec|í|cas de comoate à exc|usão, de que o rend|mento m|n|mo garant|do e a educação
pre-esco|ar são as ma|s emo|emát|cas, mas estão |onge de ser as ún|cas.
3. Economia de mercado, sim; sociedade de mercado, não.
o primado da soIidariedade e o papeI do estado reguIador.
O Estado contemporâneo de|xou de poder ser produtor e d|r|g|sta - do mesmo modo
que não pode ser, e connosco não e nem será - pass|vo em re|ação ao mercado. Ao
Estado d|r|g|sta contrapoe-se o Estado que actua como regu|ador, corrector de |n|ust|ças
e cata||sador das d|íerentes |n|c|at|vas soc|a|s e empresar|a|s com apo|o c|aro ao eso||||c
oe ||scc e à |n|c|a||.a emo|esa||a|, des|gnadamente nos dom|n|os da |novação e das
nc.as a|eas |ecnc|cç|cas.
O Estado regu|ador torna-se, assim, factor de |iberdade, de
coesão e de confiança. A confiança dos agentes económicos e
consumidores o apoio ao espírito de risco e de iniciativa, a
|igação entre |iberdade económica e regu|ação socia|
constituem e|ementos centrais de uma po|ítica moderna da
esquerda democrática. Recusamos a sociedade de mercado
que nos conduziria a encarar o con[unto dos va|ores sociais
como va|ores monetários e o con[unto das re|ações sociais
como re|ações meramente mercantis.
O mercado não e um regu| ador auto-suí| c| ente, oor| ga, por | sso, a que as
responsao|||dades do Estado se|am assum|das - para |mped|r aousos, corr|g|r
desequ|||or|os, superar os coní||tos e susc|tar a |novação e a cr|at|v|dade. O Fs|aoc
|eç0|aoc| |c|na-se, ass|m, /ac|c| oe ||oe|oaoe, oe ccesac e oe ccn/|ança. A coní|ança dos
agentes econom|cos e consum|dores, o apo|o ao esp|r|to de r|sco e de |n|c|at|va, a ||gação
entre ||oerdade econom|ca e regu|ação soc|a| const|tuem e|ementos centra|s de uma
po||t|ca moderna da esquerda democrát|ca.
Pec0samcs a scc|eoaoe oe me|caoc q0e ncs ccno0z|||a a enca|a| c ccn/0n|c ocs .a|c|es
scc|a|s ccmc .a|c|es mcne|a||cs e c ccn/0n|c oas |e|ações scc|a|s ccmc |e|ações
me|amen|e me|can||s A econom|a de mercado, pe|o contrár|o, aorange a compreensão
da |mportânc|a dos mecan|smos espontâneos de regu|ação ao |ado das po||t|cas púo||cas
e da sua íunção ordenadora. A cr|ação de autor|dades regu|adoras |ndependentes nos
d|versos mercados: te|ecomun|caçoes, energ|a, etc.; a reíorma í|sca|, os acordos de
concertação soc|a| são marcas ev|dentes desta nova íorma de entender a |ntervenção
do Estado na v|da econom|ca e soc|a|.
O desemprego tem sido o principa| factor de quebra de coesão
nas sociedades europeias do nosso tempo. Ter traba|ho, é
condição essencia| de rea|ização pessoa|. Não é um simp|es
prob|ema económico, é uma questão centra| para uma visão
humanista da vida em comum.
O oesemo|eçc |em s|oc c o||nc|oa| /ac|c| oe q0eo|a oe ccesac nas scc|eoaoes e0|coe|as
oc ncssc |emoc. 7e| ||aoa||c, e ccno|çac essenc|a| oe |ea||zaçac oessca|. Nac e 0m
s|mo|es o|co|ema eccncm|cc, e 0ma q0es|ac cen||a| oa|a 0ma .|sac |0man|s|a oa .|oa
em ccm0m Por |sso, o comoate ao desemprego e a cr|ação de ma|s e cada vez me|hores
empregos, ma|s qua||í|cados, ma|s d|gn|í|cados, me|hor remunerados, tem s|do a pr|me|ra
pr|or|dade da po||t|ca econom|ca dos governos do PB e da Nova Ma|or|a. Por |sso, apesar
do ponto de part|da que encontrámos, somos ho|e um dos mu|to poucos pa|ses europeus
prox|mos do p|eno emprego.
Entendemos ser este um oo|ect|vo íundamenta| a prossegu|r e a preservar. lntens|í|camos,
por |sso, a po||t|ca de emprego e aí|rmamos a po||t|ca econom|ca dentro desse mesmo
oo|ect|vo. Da| o p|ano nac|ona| de emprego e os p|anos reg|ona|s, o íorte empenhamento
na re|nserção e íormação, quer de |ovens desempregados quer de desempregados de
ACÇÃO SOClALlSTA 4 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
|onga duração. O emprego e uma questão centra|, de cu|os resu|tados a|cançados nos
orgu|hamos, mas tem de cont|nuar na pr|me|ra ||nha dos nossos oo|ect|vos.
4. O Estado moderno garante do vaIor da segurança
A segurança nas soc|edades modernas e ho|e uma preocupação essenc|a| dos c|dadãos.
Mas a segurança corresponde tamoem a um novo conce|to ma|s amp|o e ex|gente na
sua concret|zação.
|a 0m nc.c .a|c| oa seç0|ança, ||ans.e|sa| a |coa a scc|eoaoe. Este aorange natura|mente
a v|são trad|c|ona| da segurança í|s|ca das pessoas e oens. Os soc|a||stas não tem aqu|
qua|quer comp|exo, na sua í|rmeza, s|mu|taneamente contra o cr|me e as suas causas.
/c sen||men|c oe |nseç0|ança q0e |eccn|ecemcs, sco|e|0oc nas a|eas 0|oanas e s0as
oe||/e||as, |esocnoemcs nac sc ccm ma|s e me||c| oc||c|a, mas ccm es/c|çcs oa|a ace|e|a|
a /0s||ça, ccm c ccmoa|e sem ||eç0as ac ||a/|cc oe o|cça - e c |e/c|çc oe meo|oas oe
o|e.ençac, ||a|amen|c e |e|nse|çac ocs |c·|ccoeoenoen|es e oe |eo0çac oe ||sccs oa|a a
scc|eoaoe |ne|en|es a es|e /|açe|c -, mas |amoem ccm |coc 0m ccn/0n|c oe oc||||cas,
o|cç|amas e meo|oas oe a|cance scc|a| oes||naocs a e||m|na| o|cç|ess|.amen|e as
o||nc|oa|s |a|zes oa c||m|na||oaoe, nc emo|eçc, na eo0caçac, na |nse|çac scc|a| e na
oc||||ca 0|oana.
Mas a segurança e para as mu|heres e homens de ho|e mu|to ma|s do que |sto, ex|g|ndo
|ustamente do Estado um novo con|unto de íunçoes e uma nova capac|dade de
|ntervenção.
Para os soc|a||stas, tão |mportantes como a segurança í|s|ca são a segurança a||mentar,
a segurança amo|enta|, a propr|a segurança no emprego, emoora necessar|amente na
|og|ca propr|a das soc|edades modernas.
Dotar o Estado de capac|dade c|ent|í|ca, poder regu|ador e |nstrumentos de |ntervenção
nestas áreas e ho|e uma pr|or|dade c|ara do Ooverno PB.
Há um novo va|or da segurança, transversa| a toda a sociedade.
Para os socia|istas, tão importantes como a segurança física são
a segurança a|imentar, a segurança ambienta|, a própria
segurança no emprego, embora necessariamente na |ógica
própria das sociedades modernas. Dotar o Estado de
capacidade científica, poder regu|ador e instrumentos de
intervenção nestas áreas é ho[e uma prioridade c|ara do
Governo PS.
Neste contexto g|ooa|, uma das marcas essenc|a|s do soc|a||smo democrát|co e o Estado
do Bem-Estar.
Este será por nos preservado, conso||dado e desenvo|v|do - em nome da |gua|dade de
oportun|dades e dos ma|s e|ementares va|ores de |ust|ça. Aqu| o reíorm|smo deve assentar
na consagração da d|íerenc|ação pos|t|va e de um cr|ter|o de so||dar|edade c|v|ca nas
po||t|cas soc|a|s (Begurança Boc|a|, Berv|ço Nac|ona| de Baúde). Não podem estar em
causa cr|ter|os de poupança í|nance|ra e de desresponsao|||zação do Estado na cooertura
de r|scos soc|a|s, mas s|m a cont|nu|dade de um autent|co ccn||a|c oe sc||oa||eoaoe e
ccn/|ança e de uma nc.a çe|açac oe oc||||cas scc|a|s, centrada nas íam|||as, em que os
c|dadãos assumam um novo sent|do de responsao|||dade no seu re|ac|onamento com
ou outros - numa perspect|va so||dár|a.
De/enoemcs a 0n|.e|sa||oaoe ocs o||e||cs scc|a|s e a o|/e|enc|açac ocs|||.a, aoc|anoc
ma|s |n|ensamen|e cs ma|s ca|enc|aocs Pretendemos um desenvo|v|mento sustentáve|
e uma reíorma soc|a|, no sent|do de d|gn|í|car o traoa|ho, de promover a qua||dade de
v|da em c|dades ma|s agradáve|s e no mundo rura|, de preservar as |dent|dades. lns|st|mos
no reíorço dos íactores que íavorecem a coesão e a so||dar|edade c|v|ca.
Uma das marcas essenciais do socia|ismo democrático é o
Estado do Bem Estar. Defendemos a universa|idade dos direitos
sociais e a diferenciação positiva, apoiando mais intensamente
os mais carenciados.
O ·cap|ta| soc|a|· envo|ve as |nst|tu|çoes, as comun|dades, as íam|||as e os c|dadãos
|nd|v|dua|mente - reve|ando-se essenc|a| uma ||gação ma|s |nt|ma entre os íactores que
íavorecem a coesão, que respe|tam as d|íerenças e que conso||dam a coní|ança. Esta e
a nossa perspect|va g|ooa| de segurança.
5. A coesão e a identidade nacionais como vaIores da nossa
afirmação no mundo gIobaI
Tomemos consc|enc|a da re|ação que ex|ste entre os proo|emas nac|ona|s e as suas
cond|c|onantes un|versa|s. / coçac e0|coe|a oe |c||0ça| co||ça a 0ma oa|||c|oaçac e·|çen|e
na .|oa oa Jn|ac F0|coe|a, ccmo|eenoenoc as .|||0a||oaoes oe oa|||c|oa| n0m ocs oc|cs
oe ma|c| oesen.c|.|men|c m0no|a| Pecusando o recrudesc|mento dos ego|smos
nac|ona|s, devemos assum|r a nossa |dent|dade como íactor de aí|rmação e de aoertura,
numa vocação un|versa||sta.
O0e|emcs c||a| 0m esoaçc aoe||c oe c|oaoan|a um espaço de ||oerdade, segurança e
|ust|ça, onde a sooeran|a se part||ha para se va|or|zar. Na Europa urge, por |sso, íorta|ecer
as |nst|tu|çoes comuns, preservar as |dent|dades nac|ona|s, as d|íerenças, a
suos|d|ar|edade e as comp|ementar|dades, recusando qua|quer |og|ca ourocrát|ca,
centra||zadora ou de d|rector|o.
Para os socia|istas a estratégia é c|ara. Portuga| deve
protagonizar uma |ógica de aprofundamento da integração
europeia, reforçando a cidadania e a transparência das
instituições, com o ob[ectivo c|aro de estar sempre e em todos
os domínios no núc|eo duro desse aprofundamento, dada a
inevitáve| heterogeneidade de uma União a|argada.
Portuga| assegurou em Ber||m a so||dar|edade europe|a para com o nosso propr|o
desenvo|v|mento, numa perspect|va de coesão econom|ca e soc|a| da Ün|ão.
|c||0ça| |mo0|s|cnc0 em ||soca 0m nc.c me|coc oe ccc|oenaçac oas oc||||cas eccncm|ca
e scc|a|s oa Jn|ac, oc emo|eçc à /c|maçac, oa ccmoe||||.|oaoe, |nc.açac e aoe||0|a ocs
me|caocs ac ccmoa|e à e·c|0sac, oa |n.es||çaçac c|en||/|ca e |ecnc|cç|ca à |e/c|ma oc
Fs|aoc oe 5em Fs|a|, oa scc|eoaoe oe |n/c|maçac à oc||||ca oe emo|eçc, dando or|gem,
com a chamada estrateg|a de L|sooa, a um pr|me|ro passo no sent|do de cr|ar um governo
econom|co da Europa, ev|tando que a moeda ún|ca desse or|gem a uma v|são
predom|nantemente oaseada numa perspect|va monetár|a.
Portuga| consegu|u em Amesterdão e em N|ce uma reíorma dos tratados que perm|te
concret|zar o des|gn|o h|stor|co do a|argamento, como reencontro da Europa cons|go
propr|a, sem aíectar o pr|nc|p|o da |gua|dade entre os Estados e os equ|||or|os que nos
perm|tem ter expressão re|evante nos mecan|smos de tomada de dec|são.
Para o PB a estrateg|a e c|ara. Portuga| deve protagon|zar uma |og|ca de aproíundamento
da |ntegração europe|a, reíorçando a c|dadan|a e a transparenc|a das |nst|tu|çoes, com o
oo|ect|vo c|aro de estar sempre e em todos os dom|n|os no n0c|ec o0|c desse
aproíundamento, dada a |nev|táve| heterogene|dade de uma Ün|ão a|argada.
Scmcs e0|coe0s mas |ea/||mamcs cs .a|c|es 0n|.e|sa||s|as oa ncssa ||s|c||a e oa ncssa
|oen||oaoe \a|ores que procuramos transm|t|r à propr|a Europa, numa estrateg|a de
regu|ação do Mundo O|ooa| assente numa |nter-re|ação íorte entre o|ocos reg|ona|s que,
à seme|hança da Ün|ão Europe|a, const|tuem verdade|ros espaços de |ntegração po||t|ca,
econom|ca e soc|a| e não s|mp|es áreas de comerc|o ||vre. Este e um dos p||ares da nova
arqu|tectura das re|açoes mund|a|s que o PB e a lnternac|ona| Boc|a||sta tem
protagon|zado.
Queremos preservar uma forte identidade cu|tura| e |inguística -
num contexto de diversidade e de p|ura|idade de pertenças - e
va|orizar o conhecimento e a compreensão do pape| de Portuga|
no mundo e na história, tendo viva a memória de ser português
e das virtua|idades do espaço da |usofonia.
Os va|ores un|versa||stas estão presentes em toda a po||t|ca externa, em espec|a| na
re|ação com os pa|ses |usoíonos, em que |mporta íorta|ecer os e|os de cooperação e de
so||dar|edade, de modo a promover act|vamente as causas da paz, da democrac|a e do
desenvo|v|mento. A deíesa de uma |dent|dade aoerta e cosmopo||ta ex|ge a|nda uma
íorte consc|enc|a da |mportânc|a das pessoas, da cu|tura e da ||ngua portuguesa.
Trata-se de o|ese|.a| 0ma /c||e |oen||oaoe c0||0|a| e ||nç0|s||ca - n0m ccn|e·|c oe
o|.e|s|oaoe e oe o|0|a||oaoe oe oe||enças - e oe .a|c||za| c ccn|ec|men|c e a ccmo|eensac
oc oaoe| oe |c||0ça| nc m0noc e na ||s|c||a, |enoc .|.a a memc||a oe se| oc||0ç0es e oas
.|||0a||oaoes oc esoaçc oa |0sc/cn|a, em q0e 7|mc| eme|ç|0 ccmc /0|0|c Fs|aoc scoe|anc,
em c||c0ns|ánc|as q0e enco|ecem 0ma ca0sa a q0e |c||0ça| oe0 0m ccn|||o0|c oec|s|.c.
Há a|nda uma d|mensão de segurança co|ect|va que não podemos esquecer. O |S
c|ç0||a-se oc oaoe| oesemoen|aoc oe|as Fc|ças /|maoas oc||0ç0esas em |an|as m|ssões
oe oaz em //||ca, na F0|coa, em 7|mc|.
O Ooverno do PB e da Nova Ma|or|a cont|nuará empenhado numa dec|d|da po||t|ca de
reíormas para que Portuga| tenha Forças Armadas democrát|cas, proí|ss|ona|s, de d|mensão
natura|mente reduz|da dadas as nossas poss|o|||dades, mas modernas, eí|cazes e capazes
de |nterv|r na deíesa do nosso terr|tor|o, nas m|ssoes de |nteresse púo||co e em m|ssoes de
paz que, ao |ado dos nossos am|gos e a||ados e no respe|to do d|re|to |nternac|ona| e dos
novos pr|nc|p|os de acção human|tár|a, cont|nuem a prest|g|ar Portuga|.
O grande desígnio estratégico: vencer o atraso
- modernidade e coesão
Os soc|a||stas não podem íechar os o|hos à rea||dade, ||m|tando-se a uma at|tude de
auto-sat|síação pe|os |negáve|s progressos da econom|a e da soc|edade portuguesas
durante a segunda metade dos anos 90.
O sécu|o XXÌ tem de afirmar-se como o da consagração de
Portuga| entre os países mais evo|uídos e dinâmicos. Temos um
prob|ema de competitividade da nossa economia, de qua|idade
da administração púb|ica, de produtividade das empresas, de
organização do espaço, mas, acima de tudo, de qua|ificação
das pessoas. É este prob|ema que queremos e vamos vencer no
interva|o de uma geração, assumindo com todas as suas
consequências, uma atitude c|aramente aberta à inovação e ao
futuro, exigindo rupturas com interesses estabe|ecidos, |ógicas
corporativas e menta|idades imobi|istas.
Nac oas|a ccnç|a|0|a|mc-ncs oe|cs a||cs n|.e|s oe emo|eçc, oc| |a·as oe |n/|açac q0e,
aoesa| oe a|ç0ns o|co|emas, a||nçem m|n|mcs ||s|c||ccs oesoe cs ancs sessen|a e a|e
BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 5
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
oe|cs n|.e|s |ecen|es oe ace|e|açac oc c|esc|men|c nc sen||oc oa ccn.e|çenc|a |ea|,
oesmen||noc a|ç0mas o|e.|sões ma|s oess|m|s|as. Há que aproíundar estes ganhos e
prossegu|r uma po||t|ca dec|d|da de conso||dação das í|nanças púo||cas. Mas Portuga| tem
um proo|ema de atraso estrutura| que a|nda não reso|veu e desequ|||or|os da sua econom|a
com o exter|or que, pe|os secu|os íora, so íoram compensados por c|rcunstânc|as
excepc|ona|s, como as espec|ar|as do Or|ente, o ouro do Bras||, a em|gração.
O sec0|c \\| |em oe a/||ma|-se ccmc c oa ccnsaç|açac oe |c||0ça| en||e cs oa|ses ma|s
e.c|0|ocs e o|nám|ccs Enquanto o secu|o XlX ío| perd|do para a modern|zação e para
um sa|to em írente no desenvo|v|mento e o secu|o XX ío| de trans|ção, com os ú|t|mos
v|nte c|nco anos a representarem uma ruptura com o passado |med|atamente anter|or, c
nc.c sec0|c ao|esen|a-se ccmc 0m |emoc oe coc||0n|oaoes e oe |ea||zações.
Temos um proo|ema eíect|vo de compet|t|v|dade da nossa econom|a, de qua||dade da
adm|n|stração púo||ca, de produt|v|dade das empresas, de organ|zação do espaço, mas,
ac|ma de tudo, de qua||í|cação das pessoas. É este proo|ema que queremos e vamos
vencer no esíorço de uma geração.
Está em construção, à esca|a g|oba|, uma nova economia. A
economia e a sociedade do conhecimento. O conhecimento é
cada vez mais o principa| factor de criação de riqueza e de risco
de a|argamento do fosso entre ricos e pobres à esca|a de cada
país e à esca|a g|oba|. O conhecimento transformou-se na
verdadeira matéria prima do traba|ho.
Üm |nd|cador e|oquente: Em Portuga|, apenas cerca de 20 por cento da popu|ação act|va
ac|ma dos 25 anos tem íormação secundár|a ou super|or, contra 65 por cento na med|a
da Ün|ão Europe|a. Em c|rcunstânc|as norma|s, como a h|stor|a o provou, este atraso
ser|a |rrecuperáve| num prazo curto de tempo. Temos, no entanto, agora, uma nova
oportun|dade reíorçada pe|a nossa pos|ção no |nter|or da Ün|ão Europe|a. É que todo o
mundo tem de a mudar, e está a mudar, num esíorço que passa por ass0m|| com todas
as suas consequenc|as, uma a|||0oe c|a|amen|e aoe||a à |nc.açac e ac /0|0|c, e·|ç|noc
|0o|0|as ccm |n|e|esses es|aoe|ec|ocs, |cç|cas cc|oc|a||.as e men|a||oaoes |mco|||s|as.
Fs|a em ccns||0çac, à esca|a ç|coa|, 0ma nc.a eccncm|a. / eccncm|a e a scc|eoaoe oc
ccn|ec|men|c O conhec|mento e cada vez ma|s o pr|nc|pa| íactor de cr|ação de r|queza
e de r|sco de a|argamento do íosso entre r|cos e poores à esca|a de cada pa|s e à esca|a
g|ooa|. O conhec|mento transíormou-se na verdade|ra mater|a pr|ma do traoa|ho.
D|rão os cept|cos que todas as soc|edades ate ho|e se oasearam no conhec|mento. É
verdade. Mas, o que torna as actua|s transíormaçoes so comparáve|s, pe|a sua
proíund|dade e |mpacto, à revo|ução |ndustr|a| tem a ver com o íacto de, íruto da vert|g|nosa
evo|ução das tecno|og|as da |níormação e das comun|caçoes, ter ho|e um r|tmo ún|co
na h|stor|a, quer a acumu|ação do conhec|mento, quer a sua |ncorporação nos processos
produt|vos e soc|a|s.
A lnternet não e apenas ma|s uma rede. Tende a ser ·a· rede, em que se desenro|a mu|to
do essenc|a| da comun|cação econom|ca, soc|a| e ate cu|tura| no mundo contemporâneo.
Modernizar, qua|ificar e inovar são as pa|avras de ordem. A
resposta socia|ista para a economia do conhecimento é a
Sociedade Educativa. Não nos des|umbramos com as inovações
tecno|ógicas. Queremos pô-|as ao serviço das pessoas. De
todas as pessoas. A sociedade de informação tem de ser em
Portuga| um factor decisivo de inc|usão socia|, democratizando
o seu acesso na vida esco|ar, fami|iar e empresaria|.
/c ccn||a||c oc q0e accn|ece0 nc oassaoc, oes|a .ez nac |emcs oe oe|cc||e| ma|s |a|oe
c cam|n|c q0e cs c0||cs an|ec|oa|am. /çc|a, es|a ac ncssc a|cance, ccm .cn|aoe oc||||ca
e mco|||zaçac oa scc|eoaoe, q0e|ma| e|aoas, oa| 0m sa||c q0a|||a||.c, accmoan|a| oesoe
c se0 |n|c|c a ccns||0çac oes|e nc.c oa|ao|çma oa c|çan|zaçac eccncm|ca e scc|a|.
Ba|oamos transíormar o nosso proo|ema estrutura| numa oportun|dade |mpar e, por ventura,
|rrepet|ve|. Vcoe|n|za|, q0a||/|ca| e |nc.a| sac as oa|a.|as oe c|oem Mas não oasta modern|zar.
Há mu|tas mane|ras de o íazer. Porventura a ma|s íác|| será tecnocrát|ca, |n|usta e e||t|sta.
Nos, soc|a||stas, queremos modern|zar na so||dar|edade e na coesão. Nac ncs
oes|0mo|amcs ccm as |nc.ações |ecnc|cç|cas. O0e|emcs oó-|as ac se|.|çc oas oesscas.
De |coas as oesscas. / scc|eoaoe oe |n/c|maçac |em oe se| em |c||0ça| 0m /ac|c| oec|s|.c
oe |nc|0sac scc|a|, oemcc|a||zanoc c se0 acessc na .|oa escc|a|, /am|||a| e emo|esa||a|.
Temos po||t|cas para democrat|zar a soc|edade da |níormação, aí|rmar os conteúdos em
||ngua portuguesa na lnternet, mas a chave essenc|a| está em educar as pessoas. Todos.
Jovens e adu|tos. Já. / |esocs|a scc|a||s|a oa|a a eccncm|a oc ccn|ec|men|c e a Scc|eoaoe
Fo0ca||.a.
As sociedades modernas rec|amam a organização em rede e a
vida po|ítica não pode manter-se a|heada dessa nova
perspectiva. A criação de um Sistema Naciona| de Ìnovação
imp|ica uma c|ara vontade do poder po|ítico de traba|har em
rede com todos os que se[am factores de mudança e
modernidade - pessoas, empresas e organizações da
sociedade civi|.
É na qua||í|cação das pessoas que temos de apostar, a||ando |novação tecno|og|ca,
progresso c|ent|í|co e desenvo|v|mento sustentáve| - e tornando o conhec|mento e a
capac|dade de aprender e |novar os pontos íu|cra|s do progresso.
/s scc|eoaoes mcoe|nas |ec|amam a c|çan|zaçac em |eoe e a .|oa oc||||ca nac ocoe
man|e|-se a||eaoa oessa nc.a oe|soec||.a Para a|em da aposta no d|á|ogo |nst|tuc|ona|
e nos mecan|smos de concertação soc|a|, a cr|ação de um S|s|ema Nac|cna| oe |nc.açac
|mp||ca uma c|ara vontade do poder po||t|co de traoa|har em rede com todos os que
se|am íactores de mudança e modern|dade pessoas, empresas e organ|zaçoes da
soc|edade c|v||.
vence| c a||asc e ocss|.e| se, oe|a o||me||a .ez, sc0oe|mcs e q0|se|mcs c|çan|za| c esoaçc,
c|oena| c |e||||c||c, ccmc /ac|c| oe oem es|a| oas oco0|ações e ccmoe||||.|oaoe oa
eccncm|a. Esta e tamoem uma reíorma estrutura| |nad|áve| com quatro e|xos íundamenta|s:
- o equ|||or|o reg|ona| do desenvo|v|mento
- o desenvo|v|mento rura| como |nstrumento de deíesa da |dent|dade, do povoamento e
da pa|sagem
- a cr|ação das |níra e |nío-estruturas que transíormem Portuga| na o||me||a o|a|a/c|ma
a||án||ca oa F0|coa
- a nova po||t|ca das c|dades.
Este ú|t|mo e porventura, o ponto cruc|a|. F nas c|oaoes q0e |c/e se ccncen||a c essenc|a|
oc saoe| e oas o|nám|cas c0||0|a|s e oe oesen.c|.|men|c. Vas e |amoem nas c|oaoes
cnoe se man|/es|am cs ma|c|es o|co|emas e mesmc |0o|0|as scc|a|s
Os nc.cs o||e||cs 0|oancs no âmo|to de uma perspect|va de deíesa do amo|ente e de
desenvo|v|mento sustentáve|, tem ho|e uma |mportânc|a acresc|da, envo|vendo as re|açoes
com o espaço, a |uz, a natureza, a pa|sagem, a pr|vac|dade, a |dent|dade.
Jm oa|s .a|e em ç|anoe meo|oa c q0e .a|e|em as s0as c|oaoes A nossa aposta e a de
uma rede uroana, verdade|ra esp|nha dorsa| do pa|s, com um con|unto de c|dades de
d|mensão |ntermed|a, coor|ndo a tota||dade do terr|tor|o e que oíereçam às pessoas e às
empresas todos os oeneí|c|os e oportun|dades da v|da moderna, perm|t|ndo, em
s|mu|tâneo a requa||í|cação uroana |ntegra| da grande L|sooa e do grande Porto, evo|u|ndo
para verdade|ras metropo|es europe|as: po||centradas, human|zadas, d|nâm|cas,
geradoras de novas ra|zes e |dent|dades, corr|g|ndo ass|m v|c|os e erros de decadas,
que ho|e a|nda pagamos |níe||zmente demas|ado caro.
É nas cidades que ho[e se concentra o essencia| do saber e das
dinâmicas cu|turais e de desenvo|vimento. Mas é também nas
cidades onde se manifestam os maiores prob|emas e mesmo
rupturas sociais. Um país va|e em grande medida o que va|erem
as suas cidades. Os novos direitos urbanos, no âmbito de uma
perspectiva de defesa do ambiente e de desenvo|vimento
sustentáve|, têm ho[e uma importância acrescida, envo|vendo as
re|ações com o espaço, a |uz, a natureza, a paisagem, a
privacidade, a identidade.
As novas tecno|og|as de |níormação e comun|cação, o pr|mado na |novação e do
conhec|mento determ|nam uma nova c|dadan|a act|va, a que os part|dos po||t|cos devem
corresponder - ||gando-se ma|s à soc|edade c|v|| e às suas |n|c|at|vas. 7amoem a
oemcc|ac|a |em, ass|m, oe se ao||| acs nc.cs oesa/|cs e às nc.as |ecn|cas, enccn||anoc
nc.as /c|mas oe |eo|esen|açac e oe oa|||c|oaçac q0e |e/c|cem e en||q0eçam a
sc||oa||eoaoe c|.|ca.
Enquanto a .|sac ccnse|.aoc|a e |ncapaz de reconhecer a íorça da mudança; a .|sac
|ecncc|a||ca tem o des|umoramento pe|o |nstrumenta| tecno|og|co, mesmo que se|a um
íactor de |n|ust|ça e des|gua|dade; e a .|sac oa .e||a esq0e|oa assume uma |og|ca
|moo|||sta, centra||sta e un|íorm|zadora - a s|n|ese oc scc|a||smc oemcc|a||cc procura
a||ar modern|dade e coesão, ||oerdade e |gua|dade, íavorecendo a d|íerenc|ação pos|t|va
e rec|amando a |novação e o reíorm|smo como íactores de um progresso so||dár|o. O
passado recente perm|t|u |ançar as oases de transíormaçoes |mportantes, que ex|gem
um esíorço redoorado.
A auto-estima dos portugueses reforça-se va|orizando os
centros de exce|ência e a difusão de boas práticas, com
ob[ectivos nacionais c|aros, quantificados, com ca|endários e
metas mobi|izadoras e mecanismos de responsabi|ização para
beneficiar os que mais contribuem para o progresso e o
desenvo|vimento.
S0oe|emcs c |ns||n|c ccnse|.aoc| e c aoe|c oco0||s|a Os me|hores momentos da nossa
v|da co|ect|va íoram os ma|s cosmopo||tas e aoertos à mudança. Não devemos contentar-
nos com o que |á at|ng|mos. Bo um rea||smo ex|gente em re|ação a nos propr|os serv|rá
para cam|nharmos no sent|do da rea||zação das nossas amo|çoes. O nosso d||ema não
e entre conservar e, destru|r, mas entre regred|r e progred|r.
Dema|q0emc-ncs oc ccn/c|m|smc ccnse|.aoc| - superando as co||gaçoes conservadoras,
írequentemente corporat|vas, mu|tas vezes |norgân|cas, que procuram to|her as d|nâm|cas
de transíormação. É, ass|m, necessár|o romper os o|oque|os - em áreas como a saúde,
a regu|ação econom|ca, a í|sca||dade, o mercado de traoa|ho e a negoc|ação co|ect|va.
Dema|q0emc-ncs |amoem oa |||esocnsao|||oaoe oco0||s|a - po|s o p|or serv|ço que se
pode prestar aos portugueses e acenar-|hes com o que se saoe de antemão ser |rrea||záve|
ou rea||záve| à custa de desequ|||or|os soc|a|s que |nv|ao|||zar|am o íuturo das po||t|cas
necessár|as de |nteresse gera|.
Não podemos de|xar que grassem tentat|vas de man|pu|ação oaseadas no |mpu|so
ACÇÃO SOClALlSTA 6 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
ego|sta de todos os que sentem que gostar|am, |eg|t|mamente, de ter uma v|da d|íerente
e me|hor do que e, rea|mente, poss|ve|. Não podem contar connosco, em part|cu|ar, para
so|uçoes art|í|c|a|s e estrutura|mente |nv|áve|s. Este tem s|do o caso, por exemp|o, de
mu|tas pos|çoes tomadas no deoate soore o íuturo do nosso mode|o de protecção soc|a|.
Oom um pro|ecto modern|zador e soc|a| c|aro, temos o dever de sustentar a sua
v|ao|||dade, moo|||zando e ouscando na soc|edade portuguesa os a||ados para esse
des|gn|o co|ect|vo.
/ a0|c-es||ma ocs oc||0ç0eses reíorça-se va|or|zando os centros de exce|enc|a e a d|íusão
de ooas prát|cas, com oo|ect|vos nac|ona|s c|aros, quant|í|cados, com ca|endár|os e
metas moo|||zadoras e mecan|smos de responsao|||zação para oeneí|c|ar os que ma|s
contr|ouem para o progresso e o desenvo|v|mento.
Ouatro reformas na agenda do presente
A rea||zação do des|gn|o de mudança oor|ga à concret|zação de po||t|cas púo||cas que
perm|tam reíorçar o desenvo|v|mento, a modern|zação e a coesão. Nesse sent|do,
cons|deramos mu|to re|evante a actuação em dom|n|os estrateg|cos ta|s como (a; Pe/c|ma
F|sca|, (o; Seç0|ança Scc|a|, (c; Sa0oe e (o; /om|n|s||açac |0o||ca.
(a; Pe/c|ma /|sca| O programa reíorm|sta do PB há mu|to que cons|dera pr|or|tár|a a
reíorma í|sca| em ||gação estre|ta com a ccnsc||oaçac oas /|nanças o0o||cas do modo
que a despesa e a rece|ta púo||ca const|tuam íactores de equ|dade e eí|c|enc|a. Estamos
a concret|zá-|a comoatendo a íraude e a evasão, reduz|ndo a carga í|sca| para os
traoa|hadores por conta de outrem, as c|asses med|as e as empresas cumpr|doras,
reíorçando as garant|as dos c|dadãos e adequando a tr|outação do rend|mento das
pessoas s|ngu|ares e co|ect|vas a cr|ter|os de eí|c|enc|a e de |ust|ça.
Dc q0e se ||a|a e oe |e/c|ça| cs c|||e||cs oe ||çc|, oe |ac|cna||oaoe e oe ccn/|ança De
r|gor, quer na rece|ta tr|outár|a quer na despesa púo||ca - cont|nuando um esíorço ún|co,
que |eva a termos ho|e o deí|ce orçamenta| ma|s oa|xo dos ú|t|mos tr|nta anos. De
rac|ona||dade, uma vez que prec|samos de prossegu|r na tareía de tornar o s|stema
í|sca| portugues ma|s coerente e ma|s |usto, apto a corresponder aos desaí|os da
coordenação í|sca| europe|a e da Ün|ão Econom|ca e Monetár|a, des|gnadamente na
tr|outação das empresas, no assum|r de uma consc|enc|a í|sca| eco|og|ca e na tr|outação
equ|tat|va e moderna do patr|mon|o. De coní|ança, atraves do |ncent|vo à |n|c|at|va pr|vada
empreendedora e cr|adora de r|queza e de emprego e de uma me|hor red|str|ou|ção de
recursos na trad|ção do soc|a||smo democrát|co e da soc|a| democrac|a.
A |egis|ação [á aprovada na Assemb|eia da Repúb|ica permite
um desagravamento de cerca de 100 mi|hões de contos em ÌRS
e uma evo|ução progressiva da taxa de ÌRC de 36 por cento em
95, para 32 por cento ho[e e 28 por cento no fina| da |egis|atura,
com o horizonte de 25 por cento como ob[ectivo, estando [á
decididas as taxas de 15 por cento e 20 por cento para as muito
pequenas empresas.
Oom uma adm|n|stração í|sca| modern|zada e eí|caz, com uma í|sca||zação ser|a e
permanentemente actuante, com o a|argamento da oase tr|outár|a que traga para o s|stema
todos os que dev|am pagar e não pagam, mesmo os que apontam |eg|t|mamente as
ía|has e |n|ust|ças da |eg|s|ação actua| ou passada, estaremos em cond|çoes de prossegu|r
c ma|c| es/c|çc oe semo|e nc oesaç|a.amen|c /|sca| ocs c0mo||oc|es.
A |eg|s|ação |á aprovada na Assemo|e|a da Pepúo||ca perm|te um desagravamento para
estes de cerca de 100 m||hoes de contos em lPB e uma evo|ução progress|va da taxa de
lPO de 36 por cento em 95, para 32 por cento ho|e e 28 por cento no í|na| da |eg|s|atura,
com o hor|zonte de 25 por cento como oo|ect|vo, estando |á dec|d|das as taxas de 15
por cento e 20 por cento para as mu|to pequenas empresas.
Oom a aprovação prox|ma das novas garant|as para os contr|ou|ntes, a apresentação
das Propostas de Le| de Tr|outação do Patr|mon|o lmoo|||ár|o e da Energ|a, dando re|evo
às preocupaçoes com o amo|ente, e a ext|nção do |mposto sucessor|o, comp|eta-se um
c|c|o de Peíorma F|sca|, cu|a proíund|dade não tem para|e|o na h|stor|a da democrac|a
portuguesa.
(o; Seç0|ança Scc|a| - Temos de cont|nuar a atr|ou|r às po||t|cas soc|a|s uma acresc|da
pr|or|dade. lmporta promover uma soc|edade para todos, me|horando os n|ve|s de garant|a
dos d|re|tos soc|a|s. A rea||zação de uma soc|edade coesa |mp||ca a promoção de po||t|cas
act|vas de |nserção soc|a|, de acesso à c|dadan|a, de íormas de act|v|dade econom|ca so||dár|a.
Jma scc|eoaoe |nc|0s|.a |mo||ca ma|s |ç0a|oaoe oe coc||0n|oaoes, mas |amoem
coc||0n|oaoes o|/e|enc|aoas .|sanoc cs ç|0ocs ma|s oes/a.c|ec|ocs em ccn||aocn|c a
0ma .|sac o0|amen|e |eo|s|||o0||.a oas /0nções scc|a|s oc Fs|aoc. Temos, ass|m, de
prossegu|r a construção de um novo Estado de Bem-Estar sustentáve|, soc|a|mente |usto
e ma|s eí|caz na |uta contra as d|spar|dades soc|a|s - dando espec|a| atenção às pessoas
e grupos espec|a|mente expostos a processos de exc|usão - como os |dosos,
prossegu|ndo a recuperação das pensoes degradadas, centrando no apo|o à íam|||a o
essenc|a| da sua |nserção soc|a|; as cr|anças e os |ovens em r|sco; as pessoas portadoras
de deí|c|enc|a; as m|nor|as etn|cas e os |m|grantes; os tox|codependentes, numa mú|t|p|a
|og|ca de apo|o terapeut|co e promoção da sua |nserção soc|a|.
A Le| de Bases da Begurança Boc|a|, recentemente aprovada no Par|amento por proposta
do Ooverno, marca o rumo da reíorma em concret|zação. Pe|e|támos a v|são ortodoxa e
neo-||oera| que v|sa destru|r o Estado do Bem Estar. Pe|e|támos a v|são puramente
econom|c|sta, na |og|ca da estr|ta poupança í|nance|ra, que procurar|a garant|r a sua
sustentao|||dade na redução das responsao|||dades do Estado.
Está |ançada a oase de um novo contrato de so||dar|edade e coní|ança em que o Estado
assume p|enamente as suas responsao|||dades, mas em que aos c|dadãos, às empresas
e às organ|zaçoes soc|a|s se pede um novo sent|do de responsao|||dade em re|ação a s|
propr|os e nas suas re|açoes com os outros.
A reforma da segurança socia| prosseguirá com base em dois
princípios essenciais: a universa|idade dos direitos sociais e a
diferenciação positiva, apoiando mais os que mais precisam de
apoio. A recusa da universa|idade de direitos daria ao Estado do
Bem Estar um conceito meramente assistencia|ista. A recusa da
diferenciação tornaria in[usto o Estado do Bem Estar, porque é
in[usto tratar igua|mente os que estão em situação desigua|.
A reíorma da segurança soc|a| prossegu|rá com oase em do|s pr|nc|p|os essenc|a|s: a
un|versa||dade dos d|re|tos soc|a|s e a d|íerenc|ação pos|t|va, apo|ando ma|s os que
ma|s prec|sam de apo|o. A recusa da un|versa||dade de d|re|tos dar|a ao Estado do Bem
Estar um conce|to meramente ass|stenc|a||sta. A recusa da d|íerenc|ação tornar|a |n|usto
o Estado do Bem Estar, porque e |n|usto tratar |gua|mente os que estão em s|tuação
des|gua|.
(c; Sa0oe - A nossa preocupação íundamenta| está na me|hor|a do s|stema de saúde.
Oueremos um s|stema de saúde ma|s capaz de responder às necess|dades dos c|dadãos,
ma|s eí|c|ente no uso dos recursos e assente num s|stema de qua||dade. O Se|.|çc
Nac|cna| oe Sa0oe nac e s|mo|esmen|e 0m e|emen|c oc s|s|ema oe sa0oe - e a s0a
ccmocnen|e es||0|0|an|e. É necessár|o d|st|ngu|r a responsao|||dade do Estado na garant|a
de acesso à saúde da poss|o|||dade de prestação de cu|dados de saúde por ent|dades
do sector pr|vado ou soc|a|. Deverão as po||t|cas púo||cas |ncent|var exper|enc|as
d|vers|í|cadas, su|e|tando-as a uma ava||ação r|gorosa de resu|tados.
O Serviço Naciona| de Saúde não é simp|esmente
um e|emento do sistema de saúde - é a sua componente
estruturante.
Oont|nuamos, po|s, a apostar num autent|co ¯ccn||a|c oa|a a sa0oe´, assente em se|s
e|ementos íundamenta|s: o acesso dos c|dadãos aos cu|dados de saúde, a sua qua||dade,
a protecção e segurança, a promoção act|va da saúde, a ooa gestão dos recursos e a
regu|ação das act|v|dades proí|ss|ona|s.
/ Pe/c|ma oa Sa0oe nac e 0m ac|c, e 0m o|ccessc Oue está em curso, mas que queremos
|ntens|í|car. Üm processo assente em pr|nc|p|os, não um con|unto de med|das |ncoerentes.
Os nosso pr|nc|p|os or|entadores essenc|a|s são os segu|ntes:
1. Assumpção p|ena da |esocnsao|||oaoe oc Fs|aoc na ccoe||0|a ocs ||sccs de saúde da
popu|ação portuguesa.
2. Peíorço, reíorma, human|zação e eí|các|a do Se|.|çc Nac|cna| oe Sa0oe, aor|ndo-o à
|nc.açac, à /|e·|o|||oaoe, a novas íormas de çes|ac oescen||a||zaoa, |nc|u|ndo as
componentes soc|a| e empresar|a|.
3. A preíerenc|a c|ara pe|os metodos de traoa|ho assentes no tempo |ntegra|, na ded|cação
p|ena e na organ|zação de centros de responsao|||dade, |nter||gando os conce|tos de
remuneração, produt|v|dade e qua||dade dos serv|ços prestados.
4. A assoc|ação dos sectores soc|a| e pr|vado à reso|ução dos proo|emas de saúde,
c|ar|í|cando regras, separando águas, e||m|nando íormas de prom|scu|dade que desnatem
o BNB, mas sem rece|o de recorrer e ava||ar novas íormas de part|c|pação não estata|.
O que está em causa para nos são as pessoas. Da| que |mporta garant|r resu|tados no
con|unto e em cada um dos oo|ect|vos a que nos oor|gámos:
- no esíorço dos programas de prevenção e saúde púo||ca, promovendo a saúde e
preven|ndo a doença;
- no acesso ráp|do e human|zado a todos os cu|dados e serv|ços de saúde com re|evo
para o ccmoa|e sem ||eç0as às ||s|as oe esoe|a e oa|a a |0man|zaçac oc a|eno|men|c e
accmoan|amen|c |n|eç|a| ocs 0|en|es,
- na garant|a da qua||dade na prestação dos cu|dados de saúde, em cond|çoes de
|gua|dade para todos;
- no reíorço e qua||í|cação |ntens|vas de todos os proí|ss|ona|s de saúde.
Continuamos, pois, a apostar num autêntico «contrato para a
saúde», assente em seis e|ementos fundamentais: o acesso dos
cidadãos aos cuidados de saúde, a sua qua|idade, a protecção
e segurança, a promoção activa da saúde, a boa gestão dos
recursos e a regu|ação das actividades profissionais.
(o; /om|n|s||açac |0o||ca - lmpoe-se estaoe|ecer uma nova re|ação do Estado com os
c|dadãos, as empresas e as organ|zaçoes da soc|edade c|v|| e prossegu|r uma estrateg|a
de Peíorma Democrát|ca do Estado, or|entada para a ma|or prox|m|dade dos c|dadãos,
para a ma|or descentra||zação, desconcentração e para uma me|hor coordenação hor|zonta|
das po||t|cas púo||cas à esca|a nac|ona|, reg|ona| e |oca| - ||gando act|vamente o
desenvo|v|mento reg|ona| à aí|rmação do poder |oca| e à conso||dação do Estado
democrát|co part|c|pado e su|e|to ao contro|o dos c|dadãos e da soc|edade c|v||. Ve||c|
oemcc|ac|a e·|çe 0m Fs|aoc mcoe|nc, ma|s aç|| e /|e·|.e|, am|çc ocs c|oaoacs e c0mo||oc|
ocs se0s oe.e|es e |esocnsao|||oaoes. Ve||c| c|oaoan|a e·|çe me||c| se|.|çc o0o||cc e
ccnsc|enc|a oe se|.|çc o0o||cc oe |cocs.
BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 7
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
E esta rea||dade susc|ta uma nova cu|tura c|v|ca, a compreensão do pape| actua| dos
med|a, a adequação dos s|stemas representat|vos: o íunc|onamento dos orgãos e
|nst|tu|çoes do poder po||t|co, dos part|dos po||t|cos e dos s|stemas e|ect|vos. O |e/c|çc oa
q0a||oaoe oa oemcc|ac|a e·|çe-ncs, ass|m, |e/c|mas oc||||cas nc ámo||c ocs s|s|emas
e|e||c|a|s, ocs mecan|smcs oe oa|||c|oaçac ocs c|oaoacs, na |eç0|açac oc se|.|çc oe
|n/c|maçac o0o||ca, na oescen||a||zaçac e oesccncen||açac oc Fs|aoc.
A organ|zação nac|ona| do Estado tem como cam|nhos convergentes a descentra||zação e
a desconcentração. A oescen||a||zaçac de poderes aponta aos seus dest|natár|os
essenc|a|s: os mun|c|p|os, as áreas metropo||tanas, as assoc|açoes de mun|c|p|os. A
oesccncen||açac tem de vencer a compart|mentação sector|a| das po||t|cas púo||cas e a
descoordenação resu|tante da coex|stenc|a de vár|os mode|os de organ|zação terr|tor|a|
da Adm|n|stração do Estado, o que const|tu| um oo|ce à compet|t|v|dade e eí|các|a de
Portuga| no contexto europeu. Ürge assum|r 0m |mo0|sc oc||||cc nc ámo||c oa
oesccncen||açac e oescen||a||zaçac, nc q0ao|c oa |n|ens|/|caçac e me||c||a oas |e|ações
en||e a /om|n|s||açac e cs c|oaoacs.
Neste quadro, |mporta |ançar verdade|ros Pactos para o Desenvo|v|mento Part|c|pado soo
a íorma de contratos-programa negoc|ados com o Ooverno, tendo em v|sta a de|egação
de determ|nadas competenc|as, ora soo a adm|n|stração Oentra|, acompanhadas dos
recursos respect|vos, pactos que deverão assegurar a part|c|pação da soc|edade c|v||.
A desconcentração do PlDDAO e do lll OOA poderá serv|r para est|mu|ar o a|argamento
dos Pactos para o Desenvo|v|mento Part|c|pado, transíormando-os em verdade|ros Pactos
para a Oompet|t|v|dade Terr|tor|a|, em sent|do |ato.
A Ìniciativa Ìnternet, proposta pe|o Governo, é extremamente
ambiciosa para a Administração Púb|ica. Ter todos os formu|ários
na net em 2002, com o respectivo envio e|ectrónico genera|izado
em 2003, todos os serviços púb|icos «on |ine» em 2005.
Por outro |ado o desenvo|v|mento da soc|edade de |níormação e do conhec|mento determ|na
novas ex|genc|as, oportun|dades e desaí|os po||t|cos e |nst|tuc|ona|s na construção de um
novo mode|o de Estado para o Bec. XXl.
Na verdade, a concepção soc|a|-ourocrát|ca e|aoorada para a |ntervenção estata| nas
soc|edades |ndustr|a|s, oaseada na autor|dade, na segregação sector|a|, na organ|zação
p|ram|da| e na auto-centragem das adm|n|straçoes púo||cas deverá ser suost|tu|da por
íormas de organ|zação que promovem a reconstrução dos apare|hos estata|s que,
|nsp|radas, nas transíormaçoes ocorr|das no sector pr|vado, garantam o cumpr|mento de
contratos econom|cos e soc|a|s, v|sem a promoção da compet|t|v|dade nac|ona| e
assegurem act|vamente os d|re|tos soc|a|s.
Trata-se, de íacto, de assum|r exp||c|tamente a concret|zação do nc.c oa|ao|çma oc mcoe|c
oe c|çan|zaçac oc Fs|aoc que pr|v||eg|a a í|ex|o|||zação da gestão, d|m|nu| os n|ve|s
h|erárqu|cos, aumenta a autonom|a de dec|são, assegura a part|c|pação, va|or|za os
resu|tados, |ntegra a ava||ação e o contro|o e se pos|c|ona ao serv|ço dos c|dadãos e das
empresas na prossecução do |nteresse púo||co.
Pôr a Administração Púb|ica ao efectivo serviço dos cidadãos e
do desenvo|vimento é o primeiro ob[ectivo do Governo. Servir os
cidadãos, as empresas, a sociedade, desburocratizar, simp|ificar
são as pa|avras de ordem para o Estado e a Administração.
A transíormação da Adm|n|stração do Estado não e, no entanto, espontânea nem |med|ata
ex|g|ndo, a par do reíorço de núc|eos estrateg|cos de íormu|ação de po||t|cas púo||cas, o
respect|vo acompanhamento e, necessar|amente, a const|tu|ção de redes de |nteracção,
de execução e de ava||ação.
A |mportânc|a chave da Adm|n|stração Púo||ca, quer na prestação de serv|ços aos c|dadãos
e às empresas, quer no de||neamento e execução das po||t|cas púo||cas num quadro em
que se |mpoe uma redução eíect|va da despesa púo||ca, ex|ge a preparação de actuaçoes
expressamente d|r|g|das à reorgan|zação e aumento da eí|các|a da Adm|n|stração Púo||ca,
essenc|a| ao oem estar dos c|dadãos e à capac|dade compet|t|va nac|ona|.
Por a Adm|n|stração Púo||ca ao eíect|vo serv|ço dos c|dadãos e do desenvo|v|mento e o
pr|me|ro oo|ect|vo do Ooverno. Berv|r os c|dadãos, as empresas, a soc|edade,
desourocrat|zar, s|mp||í|car são as pa|avras de ordem para o Estado e a Adm|n|stração.
/ Pe/c|ma oa /om|n|s||açac |0o||ca |mo||ca oc| |ssc, necessa||amen|e, a o|cmcçac oa
|nc.açac oes|çnaoamen|e ncs ocm|n|cs oc emo|eçc o0o||cc, ocs mcoe|cs c|çan|zac|cna|s
e oa coe|ac|cna||zaçac oa Scc|eoaoe oe |n/c|maçac na /om|n|s||açac |0o||ca. Ass|m, e
necessár|a a deí|n|ção de mode|os organ|zac|ona|s dos serv|ços da Adm|n|stração Púo||ca,
tendo em v|sta o seu aperíe|çoamento, s|mp||í|cação e í|ex|o|||dade, a rac|ona||zação da
evo|ução dos eíect|vos da Adm|n|stração Púo||ca, atraves da contenção do seu cresc|mento
e da me|hor|a qua||tat|va do perí|| da íunção púo||ca, e a d|íusão da Boc|edade de lníormação
na Adm|n|stração, espec|a|mente no sent|do de assegurar a d|spon|o|||dade e|ectron|ca de
|níormação adm|n|strat|va, promover o íunc|onamento dos serv|ços on||ne e íac|||tar o acesso
à Adm|n|stração, por parte dos c|dadãos e dos agentes econom|cos e soc|a|s.
A ln|c|at|va lnternet, proposta pe|o Ooverno, e extremamente amo|c|osa. Ter todos os
íormu|ár|os na net em 2002, com o respect|vo env|o e|ectron|co genera||zado em 2003,
todos os serv|ços púo||cos ·on-||ne· em 2005.
As reíormas da adm|n|stração devem |ncrementar a transparenc|a e a ap||cação do o||nc|o|c
ccns|||0c|cna| oa s0os|oa||eoaoe.
Transparenc|a que passa pe|a oor|gação de por na lnternet os re|ator|os de act|v|dades
dos organ|smos dependentes do Ooverno, em termos c|aros e acess|ve|s.
A rea||zação do |nteresse púo||co não tem que c|rcunscrever-se ao d||ema do ·ma|s ou
menos Estado, me|hor Estado·. Deve, antes, conceoer um Estado que garanta a rea||zação
das tareías íundamenta|s de preservação e progresso da scc|eoaoe oemcc|a||ca em
cond|çoes não so de íazer oem por s| propr|o, na oase uma permanente aposta na qua||dade
e numa et|ca ex|gente de serv|ço púo||co, como de íazer oem atraves do aproíundamento
dos mecan|smos soc|a|s da cooperação, da concertação, da descentra||zação e da part||ha
de responsao|||dades.
Ta| perspect|va propoe uma renovação de parad|gma. No respe|to ma|s escrupu|oso pe|a
rea||zação dos d|re|tos íundamenta|s, des|gnadamente os de natureza econom|ca e soc|a|.
Mas no ape|o a uma |de|a de so||dar|edade |ncorporada na propr|a consc|enc|a e v|venc|a
c|v|cas da c|dadan|a e não por a||enação das responsao|||dades a oeneí|c|o do |nd|v|dua||smo
e do ego|smo, que certos estereot|pos dom|nantes tendem a íazer preva|ecer.
O Partido: um espaço aberto de pIuraIismo e soIidariedade
Prec|samos de um Part|do mot|vado e moo|||zado, mas permanentemente v|rado para a
soc|edade e para os proo|emas dos portugueses. Demonstrámos sempre, ao |ongo da
h|stor|a do PB, capac|dade de |novação e de ||gação à soc|edade.
O PS e|ege este Congresso como ponto de afirmação de uma
reforçada atitude de abertura - não só ao exterior do círcu|o dos
seus mi|itantes, não só cada vez mais à sociedade civi|; mas à
consideração e ao debate de prob|emas e preocupações que não
têm cabido no |imitado círcu|o da po|ítica portuguesa.
Devemos manter-nos í|e|s a uma trad|ção de p|ura||smo, de coníronto de |de|as e de
so||dar|edade. lmporta, porem, preservar a |ea|dade, quer no assum|r das d|íerenças, quer
no íavorecer da coesão. Bo um PB íorte, aí|rmat|vo e aoerto à soc|edade poderá comoater
os íenomenos de descrença na v|da po||t|ca, de descred|to das causas c|v|cas e de
aostenc|on|smo.
O |S e|eçe es|e Ccnç|essc ccmc ocn|c oe a/||maçac oe 0ma |e/c|çaoa a|||0oe oe aoe||0|a
- nac sc ac e·|e||c| oc c||c0|c ocs se0s m||||an|es, nac sc caoa .ez ma|s à scc|eoaoe c|.||,
mas à ccns|oe|açac e ac oeoa|e oe o|co|emas e o|ecc0oações q0e nac |em cao|oc nc
||m||aoc c||c0|c oa oc||||ca oc||0ç0esa E cumpre reconhecer que esse c|rcu|o e um c|rcu|o
de ra|o curo. Tende a pr|v||eg|ar o d|a a d|a, a rot|na |níormat|va, o convenc|ona|, os pequenos
trocos. A verdade, soorepoe a sedução do escânda|o; ao un|versa| antepoe o ao pe da
porta; à prospecção preíere o aqu| e agora; à prevenção de r|scos pr|v||eg|a a gestão de
agrados; à equan|m|dade dos |u|zos e das at|tudes sooreva|or|za a rad|ca||zação do d|scurso
e o ataque cerrado; à cons|deração do |nteresse gera|, o |nteresse dos pequenos grupos
de pressão.
Mas se prec|samos de um Part|do Boc|a||sta capaz de assum|r as suas d|íerenças |nternas,
mas un|do no essenc|a| e í|e| aos seus pr|nc|p|os e va|ores, prec|samos tamoem de todos
aque|es que, por part||harem os nossos pro|ectos, se assoc|aram connosco na construção
do pro|ecto da Nova Ma|or|a, que queremos a|argar e conso||dar.
O PS deverá manter-se fie| ao espírito dos Estados Gerais. Partido
aberto ao exterior, o PS tem de ser também um Partido aberto a si
próprio, aos seus mi|itantes. Tem aqui, em particu|ar, de
prosseguir a via da paridade, reforçando progressivamente o
pape| das mu|heres na vida partidária e instituciona| a todos os
níveis e abrir caminho à participação das novas gerações.
Üm PB autonomo que se|a capaz de garant|r a coní|ança |nd|spensáve| para aí|rmar e
reíorçar o seu pro|ecto em deíesa dos nossos va|ores comuns prec|sa de se manter aoerto
à soc|edade e à cu|tura - ped|ndo e merecendo a coní|ança dos portugueses e cont|nuando
a prat|car o d|á|ogo e a concertação, como marcas de ||oerdade e de so||dar|edade.
O |S oe.e|a, ass|m, man|e|-se /|e| ac eso||||c ocs Fs|aocs Ge|a|s - aoe||c e nac sec|a||c - nc
q0a| ccn.e|çem e |em oe ccn||n0a| a ccn.e|ç|| c|oaoacs ccm cs ma|s o|.e|scs oe|c0|scs
oc||||ccs, ccm a 0n|ca ccno|çac oe |eccn|ece|em nc |a|||oc Scc|a||s|a e na s0a |oen||oaoe
0m o|c/ec|c ocs|||.c, mco|||zaoc| e oe m0oança oa|a |c||0ça| O Boc|a||smo Democrát|co e
0m mc.|men|c, um pro|ecto sempre em renovação - a sua h|stor|a e a de uma |uta constante
dos c|dadãos e da soc|edade pe|a reíorma soc|a|, com respe|to pe|a ||oerdade. Saoe|emcs
me|ece| essa |e|ança oe ccmoa|e çene|csc e aoe||c, ccn||a a |n|c|e|ánc|a e c ocçma||smc.
O PB coní|a sooretudo neste ano de e|e|çoes autárqu|cas no d|nam|smo e na capac|dade
dos seus m|||tantes e d|r|gentes a n|ve| conce|h|o, d|str|ta| e reg|ona| sendo dev|da uma
pa|avra espec|a| à m|||tânc|a sempre generosa dos e|ementos da JB. O PB conta com a
va||osa exper|enc|a dos seus m|||tantes empenhados na v|da s|nd|ca| e nas secçoes de
empresa para a|udar a íomentar permanentemente a aoertura à soc|edade c|v||
correspondendo aos seus anse|os de progresso.
Temos de dar oportunidades de emergência aos novos quadros,
tantas vezes portadores de uma outra cu|tura de rigor e exigência,
tão necessária para prestigiar o exercício da vida po|ítica. É um
desafio renovador que ho[e se co|oca ao PS e que o Congresso
tem de impu|sionar com coragem e determinação.
Part|do aoerto ao exter|or, o PB tem de ser tamoem um Part|do aoerto a s| propr|o, aos seus
m|||tantes. Tem aqu|, em part|cu|ar, de prossegu|r a v|a da par|dade, reíorçando
ACÇÃO SOClALlSTA 8 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
progress|vamente o pape| das mu|heres na v|da part|dár|a e |nst|tuc|ona| a todos os n|ve|s
e aor|r cam|nho à part|c|pação das novas geraçoes.
Nestes termos, o PB deverá |ançar um grande deoate nac|ona| soore a redução da |dade
oc .c|c e co/ec||.cs q0an||/|caocs ma|s amo|c|cscs, nc cam|n|c oa oa||oaoe. Por exemp|o
em 2004 dever|amos ter uma norma de part|c|pação de cada um dos sexos em |ugares de
responsao|||dade po||t|ca não |níer|or a um terço.
Üm part|do po||t|co resu|tante na sua íorma actua| de uma Pevo|ução natura|mente
decap|tadora de geraçoes corre o r|sco, se não romper cora|osamente com a sua rot|na
|nterna, de ver pro|ongar-se um dom|n|o gerac|ona| da sua d|recção. 7emcs oe oa|
coc||0n|oaoes oe eme|çenc|a acs nc.cs q0ao|cs, |an|as .ezes oc||aoc|es oe 0ma c0||a
c0||0|a oe ||çc| e e·|çenc|a, |ac necessa||a oa|a o|es||ç|a| c e·e|c|c|c oa .|oa oc||||ca. É um
desaí|o renovador que ho|e se co|oca ao PB e que o Oongresso tem de |mpu|s|onar com
coragem e determ|nação.
O PS deverá |ançar um grande debate naciona| sobre a redução
da idade do voto e ob[ectivos quantificados mais ambiciosos, no
caminho da paridade. Por exemp|o em 2004 deveríamos ter uma
norma de participação de cada um dos sexos em |ugares de
responsabi|idade po|ítica não inferior a um terço.
Neste quadro o Oongresso deve perm|t|r que, no prox|mo mandato da Oom|ssão Nac|ona|,
se rea||ze um processo de rev|são estatutár|a de carácter extraord|nár|o, apto a aco|her
dec|s|vas |novaçoes e corr|g|r d|storçoes ex|stentes.
Devem ser seus oo|ect|vos, nomeadamente:
- A garant|a de uma eíect|va aoe||0|a à scc|eoaoe perm|t|ndo ao part|do, de íorma |novadora,
a cooperação regu|ar com os e|ementos ma|s d|nâm|cos daque|a, nomeadamente |novando
na estruturação |nterna e modo de íunc|onamento dos seus orgãos de d|recção.
O PB |n|c|ou de mane|ra exemp|ar o c|c|o po||t|co que deu |ugar a uma ·Nova Ma|or|a·,
ce|eorada com os e|e|tores na oase de um Oontrato de Leg|s|atura, em 1995, nos Estados
Oera|s. Oom a sua at|tude o PB pos í|m a um c|c|o de v|da po||t|ca autor|tár|a, oaseada no
aut|smo part|dár|o das or|entaçoes po||t|cas, com secundar|zação das regras da separação
de poderes e o coní||to aoerto com as chamadas ·íorças de o|oque|o·.
O aproíundamento de uma nova re|ação de coní|ança, que perm|t|u a a|ternânc|a
democrát|ca, pode e deve ser acompanhada por uma |e/c|ma oe o|cceo|men|c oa|||oa||c
||ao|c|cna|, nc sen||oc oe /a.c|ece| a o|co||a |ns|||0c|cna||zaçac e .|.enc|a |eç0|a| ocs mcocs
oe |e|ac|cnamen|c e oe cccoe|açac en||e c oa|||oc, cs se0s m||||an|es e o|||çen|es e as
oe|scna||oaoes |noeoenoen|es o|socn|.e|s oa|a a .|.enc|a oe|manen|e oc eso||||c oc Ccn||a|c
oe |eç|s|a|0|a.
- A garant|a de uma ma|s eí|caz oa|||c|oaçac oemcc|a||ca no processo de íormação das
or|entaçoes po||t|cas oanoc coc||0n|oaoe e/ec||.a oe |n|e|.ençac a |cocs cs m||||an|es,
o|||çen|es e |||0|a|es e|e||cs em c|çacs oe |eo|esen|açac oemcc|a||ca oc Fs|aoc.
- / ma|c| oa|||||a oe |esocnsao|||oaoes nas oec|sões oc oa|||oc nomeadamente pe|a
art|cu|ação ma|s coníorme com o Estado de D|re|to democrát|co da ||gação entre o part|do
e os seus representantes e|e|tos, |mpu|s|onando ao mesmo tempo as propr|as Peíormas
lnst|tuc|ona|s do Estado, |nc|u|ndo as |e|s e|e|tora|s.
O nosso ob[ectivo ú|timo é o de reconci|iar os cidadãos com a
vida po|ítica e o funcionamento das instituições democráticas.
Neste sentido ape|amos não apenas ao PS, mas a todos os
partidos e forças sociais, para um esforço con[unto de mudança e
renovação.
/ oemcc|ac|a oc||||ca, ccm a s0a na|0|eza o|0|a||s|a, nac ocoe o|esc|no|| oa e·|s|enc|a oe
oa|||ocs oc||||ccs /c||emen|e |eo|esen|a||.cs e ao|cs a ccn|||o0|| oa|a c e·e|c|c|c oc ocoe|
oc||||cc. Porem, e prec|so não esquecer que o íundamento da democrac|a e a sooeran|a
popu|ar e que, como ta|, o seu grande pr|nc|p|o ordenador res|de no pr|mado da part|c|pação
dos c|dadãos na v|da po||t|ca.
lmporta, por |sso, reconhecer tamoem que todas as questoes ||gadas ao modo de íormação
e ao processo de íunc|onamento dos part|dos po||t|cos devem ser encaradas como mater|as
de |nteresse púo||co re|evante e não apenas como questoes reservadas ao |nteresse
part|cu|ar dos seus í|||ados.
O nosso oo|ect|vo ú|t|mo e o de reconc|||ar os c|dadãos com a v|da po||t|ca e o íunc|onamento
das |nst|tu|çoes democrát|cas.
Neste sent|do ape|amos não apenas ao PB, mas a todos os part|dos e íorças soc|a|s, para
um esíorço con|unto de mudança e renovação.
Preservar a autonomia estratégica do PS, compreender a
dinâmica de evo|ução da sociedade portuguesa
\|vemos um paradoxo no s|stema po||t|co. A esquerda do Part|do Boc|a||sta, dez por cento
de portugueses tem s|do s|stemat|camente |mped|dos de contr|ou|r d|rectamente para a
governao|||dade de uma soc|edade moderna, europe|a e em mudança.
Esta questão e tanto ma|s grave para o Pa|s quanto e certo que não surge, à d|re|ta do PB,
a|nda que |deo|og|camente em opos|ção a nos propr|os, qua|quer pro|ecto modern|zador
para a soc|edade portuguesa.
O ma|or part|do da opos|ção v|ve com o comp|exo de oota-aoa|xo, numa postura agress|va
e rad|ca|, mas, p|or do que |sso, não e capaz de |nterpe|ar o Ooverno, o PB e a soc|edade
em nome de respostas d|versas aos novos desaí|os das soc|edades modernas. Assume
permanentemente como actua|s os proo|emas de há uma ou duas decadas que, a||ás,
nem sequer souoe enírentar quando t|nha responsao|||dades governat|vas.
Vivemos um paradoxo no sistema po|ítico. À esquerda do Partido
Socia|ista, dez por cento de portugueses têm sido
sistematicamente impedidos de contribuir directamente para a
governabi|idade de uma sociedade moderna, europeia e em
mudança. Esta questão é tanto mais grave para o País quanto é
certo que não surge, à direita do PS, ainda que ideo|ogicamente
em oposição a nós próprios, qua|quer pro[ecto modernizador
para a sociedade portuguesa.
O PBD o|ha para as questoes da nova econom|a e da nova soc|edade com os o|hos
t|p|cos de um ant|go proíessor de í|nanças púo||cas, que repete à soc|edade as rece|tas de
ortodox|a í|nance|ra, que nunca íoram a||ás ap||cadas pe|os seus governos, os ma|s
gastadores de sempre no cresc|mento da despesa púo||ca, numa v|são estr|tamente macro-
econom|ca, tota|mente avessa à compreensão dos modernos proo|emas da compet|t|v|dade
e da |novação.
Be a |sto |untarmos o popu||smo descam|sado da outra d|re|ta, ma|s compreendemos que
a |nex|stenc|a à esquerda do PB de uma íorça po||t|ca aoerta, moderna, europe|a,
representando as novas d|nâm|cas soc|a|s, se|a e|a o POP, o BE ou outro qua|quer que
possa emerg|r no espectro po||t|co, e a ma|s grave |acuna do nosso s|stema part|dár|o e o
ma|s ser|o oostácu|o à me|hor governao|||dade em torno de so|uçoes po||t|cas ma|s estáve|s,
assentes nos va|ores da so||dar|edade e da |ust|ça soc|a|.
O PB deve |ançar um desaí|o c|aro de mudança a quem pretenda med|ar po||t|camente o
e|e|torado à sua esquerda, para que evo|ua e contr|ou|ndo eíect|vamente para a
governao|||dade, assente na procura de so|uçoes modernas, com aoertura e esp|r|to de
d|á|ogo construt|vo, para os grandes proo|emas nac|ona|s.
Este desaí|o não corresponde a uma renúnc|a à autonom|a estrateg|ca do PB, antes a
ex|ge, reíorçando a||ás a respect|va v|ao|||dade. Ate porque essa çc.e|nao|||oaoe nac e
ocss|.e| sem 0m |S /c||e, o|0|a|, ccm .ccaçac ma|c|||a||a e aoe||0|a a |coas as e·o|essões
oe o|cç|essc à esq0e|oa e ac cen||c oa .|oa oc||||ca.
Agora o que e aosurdo e que ha|a quem traduza a sua h|potet|ca opção de esquerda pe|a
recusa em contr|ou|r com o PB para a governao|||dade, numa |og|ca de quanto p|or me|hor,
íazendo do ataque aos soc|a||stas o oo|ect|vo ú|t|mo da sua expressão po||t|ca.
O desafio |ançado não corresponde a uma renúncia à autonomia
estratégica do PS, antes a exige, reforçando a|iás a respectiva
viabi|idade. Até porque essa governabi|idade não é possíve| sem
um PS forte, p|ura|, com vocação maioritária e abertura a todas as
expressões de progresso à esquerda e ao centro da vida po|ítica.
Agora o que é absurdo é que ha[a quem traduza a sua hipotética
opção de esquerda pe|a recusa em contribuir com o PS para a
governabi|idade, numa |ógica de quanto pior me|hor, fazendo do
ataque aos socia|istas o ob[ectivo ú|timo da sua expressão
po|ítica.
Não se trata de deíender uma opção un|íorm|zadora, mas de s0sc||a| 0ma sc|0çac caoaz
oe a/||ma| 0ma oc||||ca scc|a| ma|s e·|çen|e, oe/ensc|a oe 0ma scc|eoaoe e0|coe|a mcoe|na
- a oa|||| oa e.c|0çac oemcc|a||ca ocs oa|||ocs ac|0a|s c0 oe|a c||açac oe 0ma nc.a /c|ça
oc||||ca.
Esta opção |mp||ca que não ex|st|ndo uma íorça po||t|ca apta a assum|r uma governao|||dade
estáve| e coerente com o Part|do Boc|a||sta, este está preparado para d|sputar soz|nho as
prox|mas e|e|çoes autárqu|cas, mantendo-se apenas os acordos presentemente em v|gor,
devendo porem exercer a sua acção no sent|do de íac|||tar a emergenc|a de uma nova
so|ução que íavoreça a estao|||dade íutura do propr|o s|stema po||t|co.
Não existindo uma força po|ítica apta a assumir uma
governabi|idade estáve| e coerente com o Partido Socia|ista, este
está preparado para disputar sozinho as próximas e|eições
autárquicas, mantendo-se apenas os acordos presentemente em
vigor.
A autonom|a estrateg|ca do Part|do Boc|a||sta quanto a a||anças deve ass|m manter-se.
Oom aoertura, nos termos reíer|dos e perante a evo|ução do s|stema po||t|co, mas centrada
no respe|to dos pr|nc|p|os e na prát|ca da esquerda democrát|ca europe|a.
António Guterres
BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 9
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
MOÇÀO POLÌTÌCA DE ORÌENTAÇÀO NACÌONAL:
SOClALlSMO EM DEMOCRAClA
l - A responsabiIidade do PS
O futuro do país depende em grande parte da evoIução do Partido SociaIista.
O objectivo desta moção é fazer com que o PS encare de frente, neste
Congresso, esta sua responsabiIidade.
O Part|do Boc|a||sta está no poder; cont|nuará norma|mente no poder nestes prox|mos do|s
ou tres anos; a prooao|||dade de v|r, de novo, nas prox|mas e|e|çoes |eg|s|at|vas, a ser o
part|do ma|s votado mantem-se a|ta; nas prox|mas e|e|çoes autárqu|cas tem, tamoem, ooas
cond|çoes para ter um oom resu|tado, com a|gumas v|tor|as |mportantes e poucas derrotas.
O PB tem d|r|gentes com provas |á dadas em mater|a de campanhas e|e|tora|s. \erdade se
d|ga, os nossos adversár|os tem-nos dado, a|gumas vezes, com a sua |nepc|a, a|guma a|uda.
Em qua|quer caso, se est|vessemos un|camente preocupados com os resu|tados e|e|tora|s
do PB, não nos dar|amos ao traoa|ho de apresentar esta moção; ||m|tar-nos-|amos a dar uma
ou outra sugestão e, neste prox|mo Oongresso, |r|amos para as oancadas dar um contr|outo
com as nossas pa|mas para a sat|síação gera|.
Vas, 0m oa|||oc e m0||c ma|s oc q0e 0m s|mo|es aoa|e||c e|e||c|a|. Aos seus m|||tantes pede-
se a|go ma|s do que a s|mp|es part|c|pação em desí||es e com|c|os, ou a aí|xação de cartazes,
act|v|dade , a||ás, cada vez ma|s d|spensada. O pape| dos m|||tantes não se esgota, tamoem,
na s|mp|es part|c|pação com a sua presença e as suas pa|mas em Oongressos para que
se|am e|e|tos em ||stas co|ect|vas, írequentemente, ||stas ún|cas
Os part|dos po||t|cos são os orgãos oás|cos da construção da Democrac|a e os seus m|||tantes
são c|dadãos que se ag|ut|naram, exactamente, porque entenderam ser essa a me|hor íorma
de contr|ou|r para o seu pa|s. É essa a sua mot|vação proíunda.
Os m|||tantes de oase, para consegu|rem íazer a|go que se|a um contr|outo v|s|ve| prec|sam,
u|trapassando desân|mos e d|í|cu|dades, de manter uma at|tude cont|nuada de part|c|pação,
de cr|t|ca, de reí|exão, de sent|do das responsao|||dades, de ousca de so|uçoes, e ate, de
sonho e crença nas poss|o|||dades do seu part|do e do seu pa|s.
Em part|cu|ar, cs m||||an|es q0e ace||em se| cano|oa|cs a 0m Ccnç|essc, oe.em es|a| c|en|es
oe q0e ace||am 0ma |esocnsao|||oaoe e que, na|guma med|da, o íuturo do seu part|do e do
seu pa|s de|es depende.
O PB teve, tem e cont|nuará a ter um pape| centra| na construção da Democrac|a portuguesa.
7em, oc| |ssc, 0ma ç|anoe |esocnsao|||oaoe oa|a ccm c oa|s. Esta responsao|||dade repousará
nos que v|erem a ser de|egados ao Oongresso.
Temos preocupaçoes que tocam o centro da v|da do part|do e que se re|ac|onam com
prát|cas e rot|nas que se íoram estaoe|ecendo ao |ongo destes anos. Oueremos expo-|as
aos de|egados no Oongresso, ped|ndo-|hes que procurem corr|g|r erros e d|m|nu|r deí|c|enc|as
que, a nosso ver, estão na or|gem de d|í|cu|dades que o part|do atravessa e c q0e e ma|s
ç|a.e, c |moeoem oe oesemoen|a| o|enamen|e c oaoe| q0e es|a ac se0 a|cance e c oa|s
oe|e ocoe esoe|a|.
Acred|tamos se| es|e c mcmen|c o|co|c|c para o PB o|har estes proo|emas de írente e começar,
|enta, seguramente e sem rupturas, a superar deíe|tos |nter|ores. F es|a a |azac oe se| e a
mc||.açac cen||a| oes|a mcçac.
Peceamos que, soo a aparenc|a do nada acontecer, da cont|nu|dade e do entend|mento, se
nada íor íe|to, o part|do se este|a, por dentro, a deí|nhar.
Não vemos, na verdade, como e que a Democrac|a pode ser constru|da em Portuga| sem o
PB /s o|ecc0oações sco|e c mcoc oe /0nc|cnamen|c oc |S sac, ass|m, o|ecc0oações
sco|e c /0|0|c oc ncssc oa|s.
ll - As moções dos anteriores Congressos
Os oa|||ocs oc||||ccs sac, c0 oe.em se|, ç|anoes esoaçcs oe |e/|e·ac sco|e c mcoc oe
ccns||0çac oas scc|eoaoes. Ouando não desempenham esta tareía esvaz|am-se por dentro
e perdem coesão.
No p|ano dos pr|nc|p|os não há no |nter|or do PB d|vergenc|as s|gn|í|cat|vas. A |e|tura das
moçoes apresentada no Oongresso de há do|s anos reve|a uma c|ara consc|enc|a da
necess|dade de um deoate |nterno e uma notáve| s|nton|a no p|ano dos propos|tos e dese|os
re|at|vos ao íuturo.
Bendo um part|do de espectro |argo, o PB não tem no seu |nter|or nenhuma ruptura |deo|og|ca.
Para a|em da moção do Becretár|o Oera|, dese|amos reíer|r outras, apresentadas ao anter|or
Oongresso, cu|a redacção aprec|amos e com que nos sent|mos írancamente |dent|í|cados
no p|ano dos pr|nc|p|os e das |de|as gera|s.
Peíer|mo-nos às moçoes de or|entação nac|ona| suoscr|tas por Pedro Jordão e por Manue|
A|egre e outros, e às moçoes sector|a|s de |ndo|e gera| suoscr|tas por Pe|s Borges, João
Oar|os Boares, Pu| Oosta, Jose Manue| Podr|gues Marto, Becretar|ado da Oonce|h|a de
L|sooa, e Becçoes de Acção Bector|a| da FAÜL ( a ordem e a da puo||cação na Acção
Boc|a||sta).
Estas moçoes íoram, em con|unto com as outras que não chegaram a ser aprec|adas pe|o
Oongresso, remet|das para aprec|ação à Oom|ssão Nac|ona| que as ouv|u e recomendou
em o|oco.
Não vamos tentar repet|r aqu|, por pa|avras nossas, o que ne|as ío| escr|to, porque não o
íar|amos me|hor e porque cons|deramos que os Oongressos não devem ser ocas|ão para
exerc|c|os de repet|ção de traoa|hos anter|ores.
L|m|tamo-nos a d|zer que, dum modo gera|, concordamos com e|as e as cons|deramos
|nte|ramente actua|s.
Vas oe|ç0n|amcs, |amoem, oc|q0e e q0e |an|cs |e·|cs .a||ocs ||.e|am, nc /0noc, 0m |ac
oeq0enc, c0 q0ase n0|c, |moac|c sco|e a .|oa oc |a|||oc Scc|a||s|a?
Oom esta pergunta tocamos uma questão centra| re|ac|onada com o Oongresso de 1999,
não tanto com o que |á se passou, mas com o que se segu|u.
Da moção de Anton|o Outerres apresentada no anter|or Oongresso transcrevemos:
·.|mporta reconhecer que = estrutura organ|zat|va actua| do PB apresenta a|nda |nsuí|c|enc|as
quanto à capac|dade de responder aos desaí|os do re|ançamento da m|||tânc|a e à adopção
de íormas ma|s eí|cazes de re|ac|onamento com uma soc|edade c|v|| cada vez ma|s comp|exa
e d|vers|í|cada.
Pazac oe|a q0a| en|enoemcs q0e aocs as e|e|ções |eç|s|a||.as oe '999 a D||ecçac oc |S
oe.e|a o|cmc.e| a c||açac oe 0m Fc|0m q0e o|cmc.a 0m oeoa|e e 0m occ0men|c c||en|aoc|
sco|e a |e/c|ma oa es||0|0|a c|çan|za||.a oc |a|||oc /ace acs nc.cs oesa/|cs ccm q0e se|emcs
ccn/|cn|aocs ncs o|c·|mcs ancs em ncme oc nco|e |oea| oa oa|||c|oaçac oc||||ca oemcc|a||ca.·
|c|q0e nac se |ea||zc0 es|e Fc|0m? Oompreendemos que o Becretár|o Oera|, s|mu|taneamente
Pr|me|ro M|n|stro, não se tenha pod|do encarregar do assunto. Vas ccmc e·o||ca| q0e n0ma
Ccm|ssac Nac|cna|, e|e||a n0ma ||s|a 0n|ca oe aoc|c à mcçac oc Sec|e|a||c-Ge|a|, n|nç0em
|en|a |e.an|aoc c ass0n|c nem tenha surg|do uma equ|pe d|sposta a |evar a tareía para
d|ante?
F|a nes|e Fc|0m que as moçoes Bector|a|s e outros textos pod|am ser aprec|ados e d|scut|dos.
F|a nes|e Fc|0m que pod|am ser aprec|ados contr|outos de m|||tantes e |ndependentes soore
os grandes proo|emas da v|da nac|ona|: da Educação, da Baúde, da Begurança, da Just|ça,
das Forças Armadas, da Econom|a, do traoa|ho e do desemprego, da lndústr|a, da Agr|cu|tura,
do Amo|ente das Peíormas F|sca|s e Adm|n|strat|va, das Pev|soes Oonst|tuc|ona|s, da
Peg|ona||zação da Peíorma autárqu|ca.
F|a nes|e Fc|0m que o PB se dev|a deoruçar soore os grandes proo|emas que resu|tam da
g|ooa||zação e da comp|ex|dade do mundo onde vamos v|ver.
Porque não ío| nada íe|to? Porque não cumpr|u a D|recção a tareía para que ío| mandatada?
Aperceoeu-se, ao menos, de quanto |sso ío| grave?
Perderam-se do|s anos. O que podemos íazer, neste momento e |e|cma| ccm |ns|s|enc|a a
o|cocs|a oe /n|cn|c G0|e||es oe '999, com as prec|soes ad|c|ona|s de o Forum dever ser
cont|nuado e se| a Ccm|ssac Nac|cna|, e|e||a oc| es|e Ccnç|essc a en||oaoe |esocnsa.e|
oe|a s0a e/ec||.açac, devendo, para o eíe|to, des|gnar uma equ|pe responsáve| pe|a sua
concret|zação, de que poderão íazer parte e|ementos exter|ores à Oom|ssão Nac|ona|, e que
deverá íazer um re|ator|o anua| dado a conhecer ao part|do.
lll- A revisão dos Estatutos
Há um outro proo|ema de |mportânc|a cruc|a| que se re|ac|ona com este Oongresso: c oa
|e.|sac ocs Fs|a|0|cs.
O empoorec|mento í|agrante da v|da |nterna do part|do , mu|to em espec|a| ao n|ve| das
íederaçoes, resu|ta, em grande parte, a nosso ver, de deí|c|enc|as estrutura|s dos actua|s
Estatutos.
Oons|derámos, ass|m, que o ad|amento da rev|são para um íuturo congresso depo|s de
não ter s|do poss|ve| em do|s congressos segu|dos, e|a a||amen|e |nccn.en|en|e oa|a c
oa|||oc.
Não tendo, nem a Oom|ssão Nac|ona|, nem a Oom|ssão Po||t|ca Nac|ona| dec|d|do, nas suas
ú|t|mas reun|oes, |nc|u|r a rev|são estatutár|a na Ordem de Traoa|hos deste Xll Oongresso,
estávamos d|spostos, dada a |mportânc|a que atr|ou|mos ao assunto, a |ns|st|r com o
Becretár|o-Oera| ate à aoertura do Oongresso, para ser e|e, usando a competenc|a que os
Estatutos |he coníerem, a propor esta |nc|usão.
Ao |ermos a Ordem de Traoa|hos aprovada para este Oongresso pe|a Oom|ssão Nac|ona|
encontramos o art|go n' 5 que d|z:
·De||oe|açac oe||cça|c||a oe o||me||a oa||e oc n` 2 oc a|||çc ô oc n`' oc a|||çc ''5 ocs
Fs|a|0|cs, |eccn|ecenoc ac Ccnç|essc Nac|cna| a /ac0|oaoe oe oe|eça| na Ccm|ssac Nac|cna|
ocoe|es oe |e.|sac e·||ac|o|na||a ocs es|a|0|cs, nc oecc||e| oc o||me||c anc oc o|c·|mc
manoa|c, oc| ma|c||a oe oc|s |e|çcs·.
A |e|tura deste art|go n' 5 mostra-nos em que ío| procurada uma íormu|a para reso|ver o
proo|ema.
A de|egação da competenc|a na Oom|ssão Nac|ona| ta|vez se|a , neste momento, a ún|ca
íormu|a poss|ve| mas en|enoemcs q0e oe.e se| 0saoa ccm 0m ç|anoe c0|oaoc e
o|eca0ções ao|c|cna|s.
Fazemos notar que uma questão centra| da rev|são dos Estatutos e a q0es|ac oas
António Brotas
1' Buoscr|tor
ACÇÃO SOClALlSTA 10 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
|ne|enc|as que se arrasta há anos e tem cr|ado um permanente ma| estar no |nter|or do
part|do. /caoa| ccm as |ne|enc|as ncs Ccnç|esscs Nac|cna| e oas Feoe|ações e oese/c
oe m0||cs sec|c|es oc oa|||oc.
Norma|mente , a rev|são dev|a ser dec|d|da no Oongresso em que so pode haver, no
máx|mo, 25 por cento de de|egados por |nerenc|a.
Oom a transíerenc|a da competenc|a para a Oom|ssão Nac|ona|, a rev|são va| ser dec|d|da
por uma Oom|ssão cu|os e|ementos são todos, com os actua|s Estatutos, de|egados por
|nerenc|a ao Oongresso Nac|ona|
No momento actua|, com as |nerenc|as e com a e|e|ção prev|a do Becretár|o Oera| e dos
Pres|dentes das Federaçoes, os Oongressos arr|scam-se a ser meras reun|oes de
consagração com mu|to pouco |nteresse.
Os e|ementos da Oom|ssão Nac|ona| vão necess|tar de uma grande |senção e de um
sent|do mu|to proíundo dos |nteresses do part|do para acaoarem com as propr|as
|nerenc|as .
O part|do necess|ta de se deoruçar soore esta questão para encontrar uma so|ução que
ootenha um |argo consenso. É necessár|o, a|nda, que aque|es que para e|a contr|ou|rem
tenham acesso à Oom|ssão Po||t|ca para a expor e deíender.
Propomos, ass|m, à seme|hança do que se íez com as moçoes sector|a|s no Oongresso
anter|or, que as o|cocs|as oe |e.|sac ocs Fs|a|0|cs ao|esen|aoas a es|e Ccnç|essc
s0osc|||as oc| 20 oe|eçaocs ||ans||em a0|cma||camen|e oa|a a Ccm|ssac Nac|cna|
podendo os representantes dos que as suoscreveram |r às reun|oes da Oom|ssão
Nac|ona| onde se|a d|scut|da a reíorma dos Estatutos, podendo, a|nda, part|c|par noutros
encontros e com|ssoes que a Oom|ssão Nac|ona| cr|e para estudar o assunto.
Pe|a nossa parte, cons|deramos que para reso|ver o proo|ema será necessár|o procurar
so|uçoes m|stas e na|guma med|da |nvent|vas.
Acred|tamos que, conven|entemente aoordada a questão, o part|do consegu|rá chegar
a uma so|ução de consenso.
A apresentação de propostas , soo a íorma de moçoes, que trans|tem depo|s para a
Oom|ssão Nac|ona|, e a íorma |nd|cada para , |á neste Oongresso, começarmos a aoordar
o proo|ema.
A|guns dos suoscr|tores desta moção propoem-se apresentar uma moção sector|a| com
uma proposta de rev|são seme|hante a uma outra que tentaram apresentar no Oongresso
anter|or. Oons|deramos út|| apresenta-|a, |á aqu|, em ||nhas gera|s e com a|guns dos
argumentos que a |ust|í|cam:
·Be, nos Oongressos com a íorma actua|, íossem pura e s|mp|esmente supr|m|das as
|nerenc|as, os Oongressos perder|am qua||dade e, na|guns casos, pod|am transíormar-
se em reun|oes |nconsequentes e caot|cas.
Üm part|do não pode ex|g|r aos seus quadros ma|s va||osos, mu|tas vezes empenhados
em tareías íundamenta|s, que, para serem de|egados aos Oongressos tenham,
necessar|amente, de se íazer e|eger, em e|e|çoes por ||sta, nas suas secçoes, na|guns
casos prat|camente íechadas e, noutros, com uma v|da po||t|ca com hor|zontes mu|to
||m|tados.
Mas, com as d|spos|çoes actua|s, o part|do estrat|í|ca-se, enve|hece e pouco se renova.
Nos Oongressos Nac|ona| e das Federaçoes os de|egados por |nerenc|a não u|trapassam
um quarto dos de|egados. Mas, quando são e|e|tas a Oom|ssão Nac|ona| e as Oom|ssoes
Po||t|cas das Federaçoes, írequentemente por ||sta ún|ca, a grande ma|or|a dos seus
e|ementos provem dos de|egados |nerentes.
Formam-se ass|m, a n|ve| Nac|ona| e das Federaçoes, camadas de d|r|gentes que, de
|nerenc|a em |nerenc|a, de Oongresso em Oongresso, se mantem d|r|gentes, dependendo
so, para se manter nesta cond|ção, de quem íaz as ||stas.
lnev|tave|mente, aíastam-se das Becçoes que mu|tos de|es passam a o|har como um
mundo d|stante.
C|emcs q0e se|a ocss|.e|, oa|a 0|||aoassa| es|a s||0açac, enccn||a| /c|mas m|s|as, q0e
mantendo a e|e|ção dos de|egados nas secçoes, perm|tam a outros m|||tantes ser e|e|tos
de|egados por v|a de ||stas votadas d|rectamente por todos os m|||tantes das Federaçoes,
ou mesmo d|rectamente à esca|a nac|ona|·.
Outros suoscr|tores tenc|onam apresentar uma |mportante proposta de reestruturação
dos Estatutos com a suost|tu|ção da Oom|ssão Nac|ona| e da Oom|ssão Po||t|ca Nac|ona|
por um ún|co orgão representat|vo e de e|e|ção |nd|v|dua|, ·q0e se|a c c|çac, oc|
e·ce|enc|a, oa o|0|a||oaoe e oc oeoa|e oc||||cc-.
Outros, a|nda, d|spoem-se a propor a supressão da ex|genc|a das ||stas comp|etas na
e|e|ção dos de|egados das Becçoes aos Oongressos, que tem d|í|cu|tado mu|to a
representação das m|nor|as e o aparec|mento de ma|s ||stas. (De íacto, neste Oongresso,
são ex|g|das ||stas comp|etas com 50 por cento e ma|s um sup|entes).
Fazemos um ape|o aos de|egados que venham a ser e|e|tos e tenham propostas a íazer
soore a Pev|são dos Estatutos, para que as apresentem, a|e à oa|a ||m||e oe 20 oe Va|çc,
soo a íorma de moçoes sector|a|s que possam, depo|s, trans|tar para a Oom|ssão Po||t|ca.
lV - As críticas do exterior e a prática interna
Na Oomun|cação Boc|a| surgem, írequentemente, ataques ao PB, a|guns |n|ustos e outros
ma|s ou menos |nst|gados por outros part|dos. A parte os exageros, e uma s|tuação que
podemos cons|derar norma| n0m |eç|me oe ||oe|oaoe oe e·o|essac, q0e c |S oe/enoe e
semo|e oe/enoe|a.
O PB não tem que se preocupar mu|to com estas cr|t|cas (sa|vo nos casos de man|íesto
exagero e má íe). Oompete à Oomun|cação Boc|a| expr|m|r os pontos de v|sta da
soc|edade c|v||, mas esta tareía e sempre, |nev|tave|mente, desempenhada com a|guma
d|storção.
Não convem, a||ás, coníund|r a |ní|uenc|a superí|c|a| de a|guns comentadores
part|cu|armente háoe|s, mas espec|a||zados so nos acontec|mentos |med|atos, com eíe|tos
proíundos e a |ongo prazo.
Oom respe|to aos outros part|dos, há que d|zer que os sectores da op|n|ão púo||ca que
ho|e cons|deram que o PB governa ma|, estão, tamoem, í|rmemente convenc|dos de
que os outros part|dos não íar|am me|hor.
O que pode verdade|ramente preocupar os m|||tantes do PB, e a |nsuí|c|enc|a e
superí|c|a||dade com que vem tratados na Oomun|cação Boc|a| vár|os grandes proo|emas
da v|da nac|ona|.
Mas, nesta mater|a, o PB tem responsao|||dade. Oom eíe|to, írequentemente, as dec|soes
do Ooverno so são dadas a conhecer à op|n|ão púo||ca, na íase ú|t|ma, com uma
|ust|í|cação í|na|, mas sem e|ementos que mostrem, de um modo conv|ncente, serem as
ma|s adequadas.
Or|a-se, ass|m, a |de|a de as grandes dec|soes serem tomadas no pa|s, ao n|ve| dos
gao|netes m|n|ster|a|s, de um modo nem sempre coordenado, e com oase em estudos
de núc|eos íechados, que nem sempre terão s|do os suí|c|entes.
Esta |de|a |á ex|st|a no tempo dos governos do PBD, mas acentuou-se nos ú|t|mos tempos.
Os m|||tantes do PB so tem, em re|ação aos outros c|dadãos, a |níormação ad|c|ona| de
saoerem que os gao|netes de estudo do part|do tem estado prat|camente íechados.
O propr|o Orupo Par|amentar do PB surpreende, írequentemente, os m|||tantes com
|n|c|at|vas que nem sempre correspondem ao seu sent|r e, outras vezes, var|am de ano
para ano, sem os m|||tantes í|carem a saoer propr|amente porque.
Os deputados não se tem, a||ás, mostrado part|cu|armente atentos para ouv|rem as
op|n|oes e sugestoes dos m|||tantes do PB.
Nesta moção não vamos, dar exemp|os que documentem o que reíer|mos, e·ac|amen|e
oc|q0e cs e·emo|cs (a|ç0ns a e·|ç|| a|ençac 0|çen|e; sac m0||cs, e o Oongresso não
poder|a, de modo a|gum deoruçar-se soore e|es.
Não vamos, tamoem, re|atar aspectos da v|da |nterna do PB que nos parecem
part|cu|armente errados, porque os congress|stas os conhecem, e porque c q0e
oese/amcs, .e|oaoe||amen|e, e ccn|||o0|| oa|a a c||açac oe ccno|ções q0e cs ocssam
a||e|a| e me||c|a|.
O PB prec|sa, no essenc|a|, de mod|í|car a sua prát|ca. Não a sua |deo|og|a.
A proposta oás|ca que íazemos, e a de que, sem demora, na sequenc|a deste Oongresso,
se|a posto em marcha o Forum proposto por Anton|o Outerres em 1999, espaço de
deoates e reí|exão, e que se|am act|vados Oao|netes de Estudo em que os tecn|cos do
PB possam contr|ou|r, com o seu saoer, para o part|do e para o pa|s.
Bem |sto o PB e um con|unto de orgãos d|spersos e desconexos.
Be este Forum e os Oao|netes de Estudo v|erem a íunc|onar, a e|es |evaremos os mu|tos
dos assuntos que aqu| om|t|mos por aoso|uta |mposs|o|||dade de o Oongresso os tratar.
A soc|edade c|v|| não e um corpo exter|or ao PB. O PB íaz parte da soc|edade c|v||. Mas,
mu|tas vezes, as oases do PB tem a sensação de ser a parte da soc|edade c|v|| menos
ouv|da pe|os d|r|gentes do PB.
O PB prec|sa, verdade|ramente, de uns Estados Oera|s aoertos ao seu |nter|or. Aoertos,
tamoem, natura|mente a quem que|ra v|r do exter|or: a pessoas, mas não a grupos,
porque senão, as negoc|açoes passam, de novo, por c|ma, da caoeça dos m|||tantes do
PB.
O Forum reíer|do e os Oao|netes de Estudos podem e devem ser os e|ementos essenc|a|s
e permanentes desses Estados Oera|s.
Há grandes deoates que estão a ía|tar na Boc|edade portuguesa e, que |nev|tave|mente,
se |rão a desenro|ar: soore a Educação, o Ordenamento do Terr|tor|o, a Econom|a e
outros.
O PB tem toda a vantagem em os |n|c|ar no seu |nter|or.
V - A apresentação desta moção
Apesar dos seus mu|tos deíe|tos, os Oongressos são uma oportun|dade dada aos
m|||tantes de oase para |ní|uenc|arem o íuturo do seu part|do.
Para o íazerem prec|sam, nas suas secçoes, de organ|zar e apresentar ||stas de cand|datos
a de|egados ao Oongresso.
É uma tareía que ex|ge esíorço, mas está ao a|cance da genera||dade dos m|||tantes das
secçoes de res|denc|a e sector|a|s.
Nos termos do Art|go 58 dos Estatutos as cand|daturas a de|egados das secçoes são
apresentadas ccm oase em mcções oc||||cas oe c||en|açac nac|cna|. Estas moçoes
podem ser apresentadas por qua|squer m|||tantes do PB devendo, no entanto (nos termos
do Pegu|amento aprovado para este Oongresso) ter 50 de|egados e|e|tos para serem
apresentadas no Oongresso.
A e|e|ção do Becretár|o Oera| e a e|e|ção dos de|egados das secçoes são íe|tas no
mesmo d|a, mas são e|e|çoes d|st|ntas.
Os cand|datos a Becretár|o Oera| do PB tem, |mperat|vamente, de apresentar uma moção
de or|entação gera|, mas os Oongressos í|cam empoorec|dos quando as ún|cas moçoes
gera|s apresentadas são estas apresentadas pe|os cand|datos a Becretár|o Oera|.
Booretudo, numa s|tuação como a actua| em que, quase certamente, haverá um ún|co
cand|dato, o nosso camarada Anton|o Outerres, com um |argu|ss|mo apo|o do part|do.
Oom eíe|to, n|nguem pode esperar que o pensamento po||t|co de Anton|o Outerres
co|nc|da com o de todos os sectores do part|do.
Os sectores do PB que se s|ntam capazes e achem oportuno apresentarem ao Oongresso
moçoes de or|entação gera| devem íaze-|o.
F esse c ma|c| ccn|||o0|c q0e ocoem oa| ac Ccnç|essc.
BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 11
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
Bem |sso, o Becretár|o Oera| í|ca sem poder sent|r o que pensam e propoem outros
sectores do part|do e arr|sca-se, de m|stura com e|og|os e sugestoes pontua|s, a í|car a
ouv|r-se a s| propr|o.
Oueremos c|aramente d|zer que não há, da nossa parte, qua|quer opos|ção à cand|datura
de Anton|o Outerres a Becretár|o Oera|.
Oons|deramos que part|do prec|sa, neste momento, da sua cont|nuação como Becretár|o
Oera| e que |he deve ser dado todo o apo|o.
Mas o apo|o a Anton|o Outerres não s|gn|í|ca aod|carmos de op|n|oes propr|as e do
d|re|to de as expr|m|r no |oca| ma|s adequado, no Oongresso do Part|do Boc|a||sta.
A ||oerdade de cr|t|ca e de op|n|ão e o oem ma|s prec|oso de PB.
O seu uso so pode oeneí|c|ar o part|do.
Vl - ApeIo aos miIitantes
Esta moção ío| preparada por m|||tantes do PB de Becçoes de L|sooa e de Oonce|hos
v|z|nhos que, por |mperat|vos de tempo e outros, não t|veram poss|o|||dade de a d|scut|r
prev|amente com m|||tantes de outras secçoes.
A moção será puo||cada na ·Acção Boc|a||sta· e será apresentada no Oongresso se as
||stas que a e|a se reíer|rem e|egerem 50 de|egados.
Oueremos d|zer que estamos, em pr|nc|p|o, de acordo com esta ex|genc|a. Não pode
ser dado a todos os m|||tantes que escrevam uma moção de or|entação g|ooa| ·tempo
de antena· para a apresentar no Oongresso em pe de |gua|dade com o Becretár|o Oera|.
O número de 50 de|egados parece-nos |nte|ramente razoáve|. Mas acontece que a
·Acção Boc|a||sta· tem uma t|ragem de 5.500 exemp|ares, cerca de um dec|mo do número
de m|||tantes do PB. A esmagadora ma|or|a das Becçoes do PB não a receoe e os
ass|nantes so vão receoer o número em que vão ser puo||cadas as moçoes quase soore
a data ||m|te de apresentação das ||stas de cand|datos nas secçoes (12, 13 ou 14 de
Março).
Ass|m, a esmagadora ma|or|a dos m|||tantes não terá, mu|to provave|mente, conhec|mento
desta nossa moção antes da data ||m|te de apresentação das ||stas.
Faremos o poss|ve| para d|vu|gar esta moção, mas e de crer que e|a so poderá ter os 50
de|egados e|e|tos se m|||tantes nossos desconhec|dos, com quem não temos nenhum
contacto, tomarem a |n|c|at|va de organ|zarem e apresentarem ||stas a e|a reíer|das nas
suas secçoes.
Berá |sto poss|ve|? Não está mu|to nos háo|tos do PB. No entanto, se ta| v|er a acontecer
na|gumas secçoes, queremos d|zer aos m|||tantes e|e|tos por essas ||stas que teremos
mu|to prazer em os encontrar no Oongresso ( se nos propr|os íormos e|e|tos) e o que
|hes propomos será, se t|vermos 50 e|e|tos, que nos encontremos no Oongresso como|nar
o me|hor modo de ger|r o tempo que nos íor dado para apresentar a ||sta.
Depo|s, se ta| íor poss|ve|, tentaremos apresentar uma ||sta de cand|datos à Oom|ssão
Nac|ona| do PB. Be o consegu|rmos, teremos certamente e|e|tos e mostraremos que no
PB o renovamento e, tamoem, poss|ve| de oa|xo para c|ma. Be o não consegu|mos,
teremos íorçado o cam|nho para que ta| se|a poss|ve| num prox|mo Oongresso.
Üma co|sa estamos conv|ctos, e este o cam|nho do renovamento do Part|do Boc|a||sta.
Fazemos um ape|o aos que pensam o mesmo para tentarem connosco aqu||o que
mu|tos |u|gam |mposs|ve|.
António Brotas; Edmundo Pedro; José Cardoso Fontão;
Maria Cristina Neto; António Lopes Vieira; ÁIvaro Rodrigues;
Jaime Bastos GonçaIves; José António CoeIho da Fonseca;
Joaquim Maria Prada; António Pires dos Santos;
Armando RamaIho; Viriato WoIfango de Macedo;
Concepcion TipIe OIiveira; Prieto de OIiveira; Diamantino Neto;
João Ramos Chasqueira; Mário Pedro
ACÇÃO SOClALlSTA 12 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
XÌÌ CONGRESSO DO PARTÌDO SOCÌALÌSTA
MOÇÀO
PORTUGAL PRlMElRO
evo|ução po||t|ca do Part|do Boc|a||sta, apos o |mpacto cr|ado pe|o grande
mov|mento c|v|co, po||t|co e soc|a| que íoram os Estados Oera|s Para Üma
Nova Ma|or|a, que resu|tou no í|m do cavaqu|smo e na nova exper|enc|a do
PB no poder, a que se |unta a propr|a evo|ução nac|ona|, europe|a e mund|a|,
são razoes que |ust|í|cam, c|nco anos passados, uma reava||ação do cam|nho percorr|do
atraves da rea||zação do Xll Oongresso do Part|do Boc|a||sta. Oongresso que deve perm|t|r
um deoate amp|o e ||vre, part|c|pado por todos os soc|a||stas, que não se esgote na aná||se
do passado e nas quere|as do presente, mas traga novas perspect|vas para o íuturo do PB
e de Portuga|.
A presente moção não tem como oo|ect|vo d|sputar o poder a quem o tem exerc|do com
|eg|t|m|dade, mas tão so contr|ou|r para o deoate, que há mu|to achamos necessár|o e
mesmo urgente, deoate que deve ser cora|oso, rea||sta e actua|, centrado nos desaí|os que
se co|ocam a Portuga| e ao Part|do Boc|a||sta, à entrada do novo m||en|o. Ocas|ão de grande
s|gn|í|cado, que deve ser aprove|tada para aí|rmar os progressos a|cançados, nos ma|s
var|ados dom|n|os, pe|os governos do Pr|me|ro M|n|stro Anton|o Outerres, mas que não deve
desconhecer os ser|os desaí|os co|ocados a Portuga| e aos portugueses, oem como não
pode escamotear a|gumas íraquezas da governação do Pa|s, co|ocando sempre o prest|g|o
e o progresso de Portuga|, oem como a me|hor|a da v|da dos portugueses, em part|cu|ar os
de ma|s oa|xos recursos econom|cos e educac|ona|s, na pr|me|ra ||nha das preocupaçoes
do poder po||t|co. O que |mp||ca encontrar novas íormas de me|horar o exerc|c|o da act|v|dade
po||t|ca, qua||í|cando-a e tornando-a ma|s transparente e compreens|ve| aos o|hos dos
c|dadãos, no sent|do de uma cu|tura de part|c|pação na v|da democrát|ca, em ||nha com a
trad|ção e a vocação do Part|do Boc|a||sta.
Porque, se|amos c|aros, a act|v|dade po||t|ca e ma| v|sta em Portuga| por razoes írequentemente
verdade|ras, compreens|ve|s e ate íac||mente demonstráve|s, que tem a ver com o mau
íunc|onamento dos part|dos po||t|cos e a sua hegemon|a na v|da da Nação, com o ego|smo
dos |nteresses estaoe|ec|dos, po||t|cos e corporat|vos, com a |nex|stenc|a de uma verdade|ra
pedagog|a c|v|ca e com a má qua||dade e a |mpreparação para a act|v|dade governat|va de
a|guns dos actores po||t|cos. Apesar d|sso os portugueses, depo|s de quase c|nquenta anos
de reg|me autor|tár|o que esmagou a prát|ca e a cu|tura democrát|cas, nunca de|xaram, antes
e depo|s do 25 de Aor|| de 1974, de responder presente a todos os chamamentos da
democrac|a, part|c|pando sempre que |hes ío| ped|do e íazendo as suas esco|has com notáve|
oom senso e patr|ot|smo. Trata-se de uma rea||dade exemp|ar que não pode ser |gnorada e
que |mp||ca uma responsao|||dade acresc|da para os c|dadãos que detem responsao|||dades
po||t|cas, natura|mente ma|ores para aque|es que no topo das h|erarqu|as part|dár|as
representam o poder po||t|co, se|a no governo se|a na opos|ção.
Esta moção,·Portuga| Pr|me|ro·, parte da consc|enc|a desta rea||dade para uma procura de
novas v|as de dar resposta aos anse|os, à d|spon|o|||dade e às capac|dades dos portugueses,
sem qua|squer preconce|tos ou |nteresses pessoa|s ou de grupo, mas consc|entes da
||oerdade de pensamento e de acção que adqu|r|mos em 25 de Aor|| de 1974. Oonsc|entes
tamoem de que as d|vergenc|as |deo|og|cas, sendo natura|s em todas as soc|edades, não
são o proo|ema essenc|a| no Part|do Boc|a||sta, como provave|mente não o serão entre a
ma|or|a dos portugueses, pe|o que não surpreenderá que a presente moção se deoruce
essenc|a|mente soore a gestão do Estado e da prát|ca po||t|ca e governat|va do PB, questoes
que tem assum|do em Portuga| contornos estrateg|camente re|evantes, na med|da em que
são oostácu|os concretos ao oom governo, que a não serem reso|v|dos com coragem e
eí|các|a, comprometem, porventura de íorma |rremed|áve|, o pro|ecto po||t|co do PB e da
Nova Ma|or|a.
Esta e uma moção dos |dea|s soc|a||stas e de comoate ao cavaqu|smo e à d|re|ta, cu|a
prát|ca governat|va íez esco|a e está a|nda mu|to presente na soc|edade portuguesa e não
apenas no PBD. Esta e uma moção de |de|as e de propostas concretas para me|horar a
econom|a e a soc|edade portuguesas. Não e uma moção de íu|an|zação da v|da po||t|ca e
recusamos as táct|cas de poder, |nd|v|dua| ou de grupo, que cons|deramos vaz|as de conteúdo
c|v|co e |nte|ectua| e, ma|s |mportante, aíastadas dos |nteresses de Portuga| e dos portugueses.
l - Ética e Pedagogia RepubIicanas
Oo|ocamos a et|ca no topo das preocupaçoes desta moção, na med|da em que a|guma
descrença, ho|e presente na v|da po||t|ca nac|ona|, tornam |nev|táve| o dever de o íazer. O
contrár|o ser|a |n|c|ar este traoa|ho íug|ndo a uma pr|me|ra d|í|cu|dade po||t|ca, o que não e
ace|táve|, na med|da em que queremos aí|rmar o Part|do Boc|a||sta como o Part|do cu|a
h|stor|a e cu|a cu|tura íoram mo|dadas na esco|a da Ét|ca Pepuo||cana e cu|a trad|ção de
serv|ço púo||co, ncs |moõe a oe/esa oe meo|oas |ao|oas, e/|c|en|es e ||ansoa|en|es, q0e
oe|m||am ça|an||| acs scc|a||s|as e ac |a|s q0e c |S ccn||n0a |ç0a| a s| o|co||c e nac ||0oe a
s0a |e|açac oe ccn/|ança ccm cs oc||0ç0eses, a||a.es oe oc||||cas oe o|cç|essc e oe
oesen.c|.|men|c s0s|en|aoc, q0e |e/c|cem e ccnsc||oem c |eç|me oemcc|a||cc.
É nossa conv|cção de que a construção de uma soc|edade moderna e |usta em Portuga| so
e poss|ve| se assum|da pe|o con|unto da soc|edade, |sto e, em d|á|ogo com todas as íorças
soc|a|s. Mas, ao mesmo tempo, assum|mos com c|areza que em democrac|a representat|va
há a |eg|t|m|dade e o dever dos orgãos do poder po||t|co para governar sem hes|taçoes,
|evando à prát|ca os programas suíragados pe|o voto ||vre do povo. Ou se|a, não pode nem
deve haver qua|squer dúv|das soore a |eg|t|m|dade do Ooverno do PB para governar com
determ|nação e í|rmeza, mesmo quando |sso possa contrar|ar op|n|oes d|vergentes e |nteresses
estaoe|ec|dos. Vas nac se ocoe oesccn|ece| q0e a |eç|||m|oaoe oe q0a|q0e| çc.e|nc e, na
o|a||ca, |e/c|çaoa c0 en/|aq0ec|oa oe|c ccmoc||amen|c e||cc ocs se0s memo|cs,
ncmeaoamen|e nas scc|eoaoes mcoe|nas, em q0e a e·|s|enc|a oe c|çacs oe ccm0n|caçac
scc|a| ocoe|cscs e ||.|es /az c esc|0||n|c o0o||cc oe caoa ac|c c0 oe caoa |n|ençac ocs
oe|en|c|es oe ca|çcs oc||||ccs.
Esta rea||dade comp|exa não pode ser torneada e menos a|nda denegr|da, na med|da que
representa um reíorço da democrac|a e não um seu exagero. Por |sso os c|dadãos que se
d|spoem, em democrac|a, a assum|r os r|scos da v|da po||t|ca, devem compreender os ||m|tes
e as regras da sua |ntervenção, em que o conce|to da et|ca repuo||cana assume uma
|mportânc|a que não e apenas s|moo||ca, mas um |nstrumento permanente da |eg|t|m|dade
democrát|ca. Ou se|a, não e apenas a exemp|ar|dade et|ca dos governantes que se apresenta
como uma questão essenc|a| das democrac|as modernas, e tamoem a capac|dade dos
governantes prat|carem e promoverem a pedagog|a da et|ca púo||ca, a qua| representa
uma ma|s va||a de |eg|t|mação, porque e atraves dessa pedagog|a que os d|r|gentes po||t|cos
cr|am o me|o e o amo|ente que se|am eíect|va e aíect|vamente capazes de reíorçar a
|eg|t|m|dade do poder democrát|co e de contr|ou|r para reíormar as prát|cas e as cu|turas,
porventura negat|vas, que ex|stam na soc|edade. /|em oe q0e a oeoaçcç|a oa F||ca
Peo0o||cana e, e|a o|co||a, |no0|c|a oas |eç|as oe ocm çc.e|nc e, oc| |ssc, nac |es||amcs em
a/||ma| q0e em |coas as oec|sões oa|||oa||as e çc.e|na||.as a ccmocnen|e e||ca oa oec|sac e
|ac |e|e.an|e ccmc a oec|sac em s| mesma, oe|c se0 e/e||c e·emo|a| /0n|c oa scc|eoaoe,
e/e||c |no0|c| oe |eç|as oe oca c|oaoan|a e oa necessa||a ccn/|ança en||e çc.e|nan|es e
çc.e|naocs.
Acresce, que no contexto da comp|ex|dade crescente das soc|edades modernas e em v|sta
dos poderes e da |mportânc|a atr|ou|da aos me|os de comun|cação, o prest|g|o da democrac|a
e o oom nome dos governantes está, sem margem para qua|quer a|ternat|va, ||gado à
|nst|tuc|ona||zação de me|os de ver|í|cação e de contro|o |ndependentes. lsto e, as |nst|tu|çoes
|ndependentes de contro|o são o me|o que perm|te aos agentes po||t|cos dorm|r descansados
e não podem ser tratadas como ourocrac|as |es|vas da eí|các|a dos governos, ou como
íorças de o|oque|o, porque são, de íacto, |nstrumentos |nsuost|tu|ve|s das ooas prát|cas
governat|vas e uma garant|a ad|c|ona| de deíesa da act|v|dade po||t|ca e da honra dos c|dadãos
que exercem essa act|v|dade.
É neste contexto que deve ser enquadrada a po|em|ca recente soore as íundaçoes, |nst|tutos
e empresas de cap|ta|s púo||cos, que teve eíe|tos mu|to negat|vos para o PB e para a|guns
dos seus d|r|gentes, comprometendo, na ace|tação popu|ar, o pro|ecto po||t|co do PB, ev|denc|a
que não pode ser menosprezada ou |ust|í|cada atraves de supostas ou verdade|ras |utas
|nternas, pe|a acção da opos|ção ou pe|a ex|stenc|a de qua|squer centra|s de man|pu|ação
desaíectas ao PB. Devemos enírentar a rea||dade, dura e crua, de que os proo|emas hav|dos
íoram cr|ados por nos propr|os e que quanto ma|s depressa ass|m íor entend|do pe|o PB,
tamoem ma|s rap|damente podemos u|trapassar os seus eíe|tos. O0 se/a, o|cocmcs q0e
se/am |e/c|m0|aocs, oe a||c a oa|·c a necess|oaoe, a ca|ac|e||zaçac e cs me|cs oe /|sca||zaçac
oe |coas as |ns|||0|ções c||aoas c0 s0s|en|aoas ccm o|n|e||c oc Fs|aoc, em ||n|a, a||as, ccm
as c||||cas q0e /|zemcs, coc||0namen|e, ac ca.aq0|smc.
Esta reíormu|ação, que e urgente, der|va tamoem de razoes meramente pragmát|cas, pe|o
íacto de não ser poss|ve| desenvo|ver uma adm|n|stração púo||ca moderna, responsáve| e
transparente, ao serv|ço da modern|zação do Pa|s, co|ocando ao seu |ado |nstrumentos
para|e|os de gestão do Estado, para ma|s saoendo-se quanto trans|tor|a e a v|da dos governos
re|at|vamente à |ongev|dade das naçoes. E apesar de serem mu|tas as razoes que |ust|í|cam
ser um erro a cr|ação dessas |nst|tu|çoes, ||m|tamo-nos a deí|n|r quatro: porque nunca e
cred|ve| tentar íazer uma co|sa e a sua contrár|a, |sto e, não e poss|ve| desenvo|ver uma
adm|n|stração púo||ca moderna e de qua||dade e, ao mesmo tempo, cr|ar serv|ços para|e|os
que, na prát|ca, suost|tuem os serv|ços púo||cos e desva|or|zam a sua acção e o seu prest|g|o;
porque pe|a sua mera ex|stenc|a cr|am guerras de competenc|a a|tamente desmot|vadoras
e desresponsao|||zadoras dos íunc|onár|os púo||cos, a|em de eros|vas do poder po||t|co |unto
dos c|dadãos; porque não íoram cr|ados me|os de contro|o cred|ve|s e, ass|m sendo, a sua
cr|ação, ou manutenção, não e et|camente deíensáve|; porque e uma so|ução cara.
Não co|ocamos estes proo|emas no p|ano da honest|dade pessoa| dos nossos camaradas
governantes. Mas reconhecemos ex|st|r a|gum desconhec|mento, da parte de a|guns,
das regras dum estado democrát|co moderno e a|guma ausenc|a de cu|tura democrát|ca
em mu|tos dos nossos d|r|gentes po||t|cos, oem como |nsuí|c|ente exper|enc|a do
íunc|onamento de organ|zaçoes comp|exas, o que se reve|a nos mode|os de dec|são e
de gestão adoptados, írequentemente desa|ustados e |ncoerentes. L|m|tação que tem
consequenc|as oov|as na qua||dade da gestão dos governos e da adm|n|stração púo||ca,
mas tamoem na opac|dade do Estado. De íacto, a organ|zação e a transparenc|a do
A
Henrique Neto
1' Buoscr|tor
BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 13
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
Estado moderno estão a|tamente íac|||tadas pe|o uso das tecno|og|as da |níormação, na
med|da em que os c|dadãos e os me|os de comun|cação podem ter acesso |med|ato à
genera||dade das |níormaçoes dos d|íerentes m|n|ster|os e secretar|as, ev|tando-se versoes
d|versas, ou mesmo ía|sas, para o que acontece e acaoando com a especu|ação ou, no
m|n|mo, anu|ando a sua sustentação no tempo. E se e ev|dente que o uso |ntens|vo das
tecno|og|as da |níormação, como |nstrumento da transparenc|a do Estado, |mp||ca um
ma|or r|gor íorma| da parte dos d|r|gentes po||t|cos, tamoem e certo que |sso conduz a
uma ma|or cu|tura de responsao|||dade da parte dos quadros e dos traoa|hadores da
adm|n|stração púo||ca, a|em, natura|mente, de uma produt|v|dade acresc|da. Para o
demonstrar, oasta recordar o sucesso do recenseamento e|e|tora| rea||zado antes das
ú|t|mas e|e|çoes |eg|s|at|vas, tornado acess|ve| na lnternet, para ver|í|car o que pode ser
íe|to neste dom|n|o e as vantagens de r|gor e de transparenc|a que estes me|os
comportam.
lníe||zmente, o traoa|ho rea||zado para o recenseamento não teve a cont|nu|dade dev|da
e o exemp|o ío| rap|damente esquec|do, resu|tando da| que sectores |nte|ros da
adm|n|stração púo||ca não tenham rea||zado as reíormas modern|zadoras necessár|as,
como e o caso part|cu|armente representat|vo da Begurança Boc|a|, que cont|nua a
acumu|ar d|v|das das empresas e cu|o mode|o de gestão e ma|s do que deí|c|ente, pe|a
razão s|mp|es de que não e poss|ve| adoptar novas e ma|s modernas íormas de
organ|zação, ooter ma|or transparenc|a ou uma eí|các|a acresc|da, tratando quant|dades
enormes de dados com metodos e tecno|og|as herdadas do passado e, natura|mente,
ooso|etos.
Acontece tamoem que o Estado não pode |ust|í|car a ía|ta de transparenc|a dos seus
actos, ou procurar íormas a|ternat|vas de contornar as regras de contro|o |ega|mente
|nst|tu|das na adm|n|stração púo||ca, com o argumento da menor qua||dade dos serv|ços
ou dos íunc|onár|os, entre outras razoes porque o Estado nunca cr|ou os me|os ou
d| spon| o| | | zou as tecno| og| as necessár| as, nem promoveu uma verdade| ra
descentra||zação das dec|soes e das acçoes correspondentes, que e a v|a |donea para
reduz|r o g|gant|smo das ourocrac|as adm|n|strat|vas, íac|||tando o contro|o democrát|co
dos actos e das dec|soes dos responsáve|s po||t|cos. Acresce, que o argumento da má
qua||dade do íunc|ona||smo púo||co nem sequer e verdade|ro. O que acontece e que a
genera||dade dos agentes po||t|cos não íaz qua|quer esíorço ser|o para conhecer os
serv|ços da adm|n|stração púo||ca soo as suas ordens e ut|||za s|stemat|camente a
|ntermed|ação do chamado pessoa| de coní|ança, que |eva cons|go para os m|n|ster|os,
o que oov|amente condena ao |nsucesso qua|quer traoa|ho de equ|pa e de co|aooração
eíect|va entre a act|v|dade po||t|ca e a ourocrac|a que a serve, dese|ave|mente com
ded|cação e competenc|a, |evando à prát|ca as dec|soes do poder po||t|co.
A pedagog|a da Ét|ca Pepuo||cana passa tamoem pe|a contenção dos excessos da
cu| tura de poder rap| damente assum| da por mu| tos novos governantes, cu|a
demonstração púo||ca e mu|to pre|ud|c|a| ao oom nome da act|v|dade po||t|ca e ao conce|to
de oom governo. Excessos que vão desde a arrogânc|a de mu|tos governantes à ía|ta de
d|spon|o|||dade para atender suoord|nados e que|xosos; da re|ação pr|v||eg|ada com os
poderosos, íora das c|rcunstânc|as e dos |oca|s propr|os, aos corte|os de automove|s e
de motor|stas, em contrad|ção com a pooreza dos recursos nac|ona|s; da av|dez por
mordom|as e preoendas às assemo|e|as de íunc|onár|os púo||cos a aor||hantar os
d|scursos dos governantes; das íormas cr|at|vas de pagar a í|de||dade e a devoção, às
d|versas remuneraçoes cr|adas para compensar os oa|xos ordenados pagos aos po||t|cos.
Baoemos que nada d|sto ío| |nventado pe|o PB, mas assum|mos que o PB na opos|ção
e nas suas cr|t|cas ao cavaqu|smo, cr|ou a responsao|||dade de ser d|íerente.
Oom a nota de que não e et|ca nem po||t|camente ace|táve| a desva|or|zação dos cargos
po||t|cos, pr|nc|pa|mente daque|es que resu|tam da e|e|ção popu|ar, dev|do a n|ve|s de
remuneração que chegam a ser c|nco, dez e v|nte vezes |níer|ores à remuneração dos
memoros dos Oonse|hos de Adm|n|stração das empresas com cap|ta|s púo||cos. O que
so pode conduz|r à tentação dos cargos po||t|cos se tornarem portas g|rator|as do poder
econom|co.
ll - DesenvoIvimento e Cidadania
O desenvo|v|mento econom|co, soc|a| e cu|tura| de qua|quer povo está assoc|ado de
íorma |rrecusáve| ao seu desenvo|v|mento humano, sendo esta conv|cção uma das razoes
que |ust|í|cam a pr|or|dade da educação na cart||ha po||t|ca do PB. Todav|a não oasta
aí|rmar a pa|xão pe|a educação, e tamoem necessár|o ter v|são e po||t|cas c|aras acerca
do mode|o educac|ona|, das pr|or|dades e dos recursos d|spon|ve|s. Ou se|a, o
reconhec|mento da rea||dade portuguesa íaz-nos acred|tar de que, no dom|n|o da
educação, a pr|or|dade nac|ona| deva ser a |gua|dade de oportun|dades, o que passa
pe|o acesso de todos os portugueses a n|ve|s de educação que |hes perm|ta ooter uma
c|dadan|a p|ena e consequente, o que e |ncompat|ve| com a s|tuação actua| de pr|v||eg|o
do ens|no super|or à custa dos |nvest|mentos necessár|os para ooter n|ve|s de acesso e
de qua||dade sat|síator|os no ens|no pre-esco|ar, pr|már|o e secundár|o.
É nossa conv|cção que o desenvo|v|mento e a modern|zação da v|da portuguesa - po||t|ca,
econom|ca e soc|a| - depende do acesso de todos os portugueses a um determ|nado
n|ve| de esco|ar|dade com qua||dade, por exemp|o ate ao 12' ano, para o que será
necessár|o reíormu|ar as pr|or|dades educat|vas em Portuga|, em v|sta do desenvo|v|mento
de uma sã c|dadan|a e de uma part|c|pação ma|s ||vre e ma|s consc|ente no |oca| de
traoa|ho e na v|da democrát|ca, mas tamoem tendo em conta do|s íactores ad|c|ona|s
re|evantes: em pr|me|ro |ugar a ex|stenc|a de oov|as d|í|cu|dades orçamenta|s que dever|am
|mped|r o Estado de querer íazer tudo, porque ass|m sendo não o íará oem e,
segu|damente, porque acred|tamos que a v|da democrát|ca portuguesa |á e
suí|c|entemente adu|ta para ser poss|ve| ped|r à genera||dade das íam|||as portuguesas
um ma|or esíorço para a educação dos seus í||hos, concentrando esse esíorço nos
n|ve|s super|ores do ens|no, com opçoes ||vres entre o ens|no super|or pr|vado e o ens|no
super|or púo||co, de|xando o Estado de íavorecer o í|nanc|amento púo||co do ens|no
super|or, por razoes que tem s|do essenc|a|mente corporat|vas, antes de serem nac|ona|s.
Outra questão a necess|tar de tratamento urgente resu|ta da redução do número de
a|unos no ens|no púo||co, pr|már|o e secundár|o, com sa|as de au|as a íunc|onar com
me|a dúz|a de cr|anças, ao mesmo tempo que novas esco|as pr|vadas, pagas com d|nhe|ro
do Estado, í|orescem. Ou se|a, e o momento |dea| para o|har de írente o proo|ema dos
transportes esco|ares, não apenas porque essa e a razão porque as íam|||as preíerem
as esco|as pr|vadas, mas tamoem porque e a v|a correcta de me|horar o p|aneamento
pedagog|co e econom|co das esco|as e a me|hor so|ução para ev|tar a íuga à esco|a e o
|nsucesso esco|ar.
No p|ano soc|a|, os governos do PB contr|ou|ram de íorma re|evante durante os ú|t|mos
c|nco anos para uma soc|edade ma|s |usta, |nseparáve| de uma c|dadan|a responsáve|,
nomeadamente atraves do rend|mento m|n|mo garant|do, da d|scr|m|nação pos|t|va a
íavor dos rend|mentos ma|s oa|xos e da reíorma do s|stema í|sca|. Todav|a devemos
reconhecer que estas reíormas íoram |evadas a caoo pr|nc|pa|mente por v|a |eg|s|at|va e
sem um esíorço equ|va|ente na qua||dade da gestão púo||ca, o que de íorma d|recta e
|nd|recta compromete o esíorço de reduz|r a exc|usão soc|a|. Ou se|a, o Estado tem de
ter a capac|dade para comp|ementar as med|das de ass|stenc|a com med|das de
íormação e de |ntegração no mercado de traoa|ho e na soc|edade, dos sectores ma|s
desíavorec|dos, |nterrompendo de íorma sustentáve| o c|rcu|o v|c|oso da |gnorânc|a e da
pooreza. Do|s |nstrumentos poderosos para |nterromper, de íorma v|rtuosa, esse c|rcu|o
v|c|oso são: o ens|no pre-esco|ar para todas as cr|anças, com transporte e a||mentação
e o ens|no proí|ss|ona| de qua||dade.
Não podemos |gnorar que apesar de todas as promessas e de a|guma evo|ução pos|t|va,
v|nte ou tr|nta por cento das cr|anças portugueses, or|undas das íam|||as ma|s poores,
não tem acesso ao ens|no pre-esco|ar, a sua íormação e a rua, sendo a causa
essenc|a|mente econom|ca, pe|o que dar a essas cr|anças o d|re|to à |gua|dade de
oportun|dades, ev|tando o ma|s que prováve| |nsucesso esco|ar suosequente, não e
uma questão de oportun|dade po||t|ca, mas um dever de c|dadan|a e a verdade|ra essenc|a
de qua|quer estrateg|a de progresso e de desenvo|v|mento de Portuga|.
Por outro |ado devemos reconhecer, neste campo, a necess|dade de ev|tar a coníusão
entre os serv|ços soc|a|s do Estado e das |nst|tu|çoes pr|vadas. Os governos não podem
ace|tar de íorma pass|va a genera||zação do conce|to de que os oo|ect|vos soc|a|s do
Estado são me|hor rea||zados por |nst|tu|çoes pr|vadas sem, no m|n|mo, estaoe|ecer íormas
de ava||ação e de contro|o da qua||dade e dos custos respect|vos. A c|dadan|a passa
tamoem pe|a qua||dade do Estado e pe|a íorma como os c|dadãos se revem nas
| nst| tu| çoes púo| | cas, | nseparáve| da íorma como ava| | am as suas propr| as
responsao|||dades, nomeadamente c|v|cas e í|sca|s, perante o Estado e a soc|edade.
Se||a 0m e||c ç|a.e |ncen||.a|, c0 mesmc aoenas ace||a|, a oes.a|c||zaçac oc oaoe| oc
Fs|aoc, oe|·anoc c|esce| c n0me|c oe |ns|||0|ções scc|a|s oe o||e||c o||.aoc oaças ccm c
o|n|e||c ocs ccn|||o0|n|es, ccm a aç|a.an|e oesses ccn|||o0|n|es saoe|em, oc| e·oe||enc|a
o|co||a, oa |ne·|s|enc|a oe ccn||c|cs o0o||ccs q0a||/|caocs.
Üma outra área em que o pape| do Estado e |nsuost|tu|ve| e no comoate à tox|co-
dependenc|a, que e o ma|or í|age|o soc|a| das soc|edades modernas e uma das novas
íormas de m|ser|a e de ant|-progresso na íam|||a e na soc|edade. Bendo ho|e c|aro que
as med|das deíens|vas e p|edosas postas em prát|ca pe|os governos e pe|as |nst|tu|çoes
da soc|edade apenas de|xam agravar o proo|ema sem o reso|ver, nem do ponto de v|sta
cr|m|na| nem na opt|ca med|ca. Por |sso e necessár|o comoater a econom|a do tráíego
atraves de novas íormas de tratar os doentes ou v|c|ados, dev|damente |dent|í|cados,
em duas íases d|st|ntas de apo|o do Estado: em centros de aco|h|mento ||vre, as chamadas
sa|as de chuto, que devem ser tamoem de conv|v|o e de soc|a||zação, e em centros de
tratamento |nterno, o que deve const|tu|r uma segunda íase de tratamento daque|es
tox|co-dependentes que ace|tem tentar a cura eíect|va. Apo|o que para ser eí|caz não
deve perm|t|r outras íormas de soorev|venc|a na marg|na||dade e devotando todos os
recursos ad|c|ona|s à prevenção, pr|nc|pa|mente nas esco|as.
O Part|do Boc|a||sta prec|sa demonstrar com urgenc|a de que não v|ve íora do seu tempo
e enírentar a|guns outros proo|emas das soc|edades modernas, repondo o deoate e
|ntroduz|ndo de novo na agenda po||t|ca da Assemo|e|a da Pepúo||ca, as |e|s soore a
|nterrupção vo|untár|a da grav|dez e das un|oes de íacto entre homossexua|s. Não o
íazer e uma concessão aos sectores ma|s retrogrados da soc|edade portuguesa,
|nace|táve| num part|do europeu íorma|mente da área soc|a||sta e da soc|a| democrac|a.
Üma outra questão que não a|uda ao desenvo|v|mento nac|ona|, nem ao prest|g|o da
v|da democrát|ca e da c|dadan|a entre os portugueses, são as |ntervençoes casu|st|cas
e írequentemente aro|trár|as dos governos, por ma|s oem |ntenc|onadas que se|am, porque
|mp||cam mudanças po||t|cas e de or|entação demas|ado írequentes e por |sso d|í|ce|s
de exp||car aos c|dadãos, o que contr|ou| para a sua |nsegurança e descrença na
act|v|dade po||t|ca, ate porque essas mudanças íavorecem ou pre|ud|cam sempre a|guem,
o que perm|te todas as suspe|tas soore a mot|vação das mudanças, quase sempre
|nsuí|c|entemente conhec|das e deoat|das. |c| essa |azac as oec|sões oc||||cas e cs
o|/e|en|es o|cç|amas çc.e|namen|a|s oe.em ccn|e| 0ma ccn||n0|oaoe co.|a, q0e se/a
.|s|.e| oa|a a çene|a||oaoe ocs oc||0ç0eses, a|em oe oe.e|em |e|, semo|e q0e ocss|.e|,
es|0ocs |ecn|ccs o|e.|amen|e |ea||zaocs e ccn|ec|ocs, nac oe.enoc ccns|||0|| s0|o|esas
oa|a a co|n|ac o0o||ca, |s|c e, nac oe.em se| cce||cs |e|||aocs oa ca||c|a oe q0a|q0e|
çc.e|nan|e, ccmc |ns||0men|c oa |0|a oc||||ca, |n|e|na e e·|e|na ocs oa|||ocs, c0 oa|a c
ccns0mc |meo|a|c ocs me|cs oe ccm0n|caçac.
ACÇÃO SOClALlSTA 14 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
Acresce que as írequentes gu|nadas po||t|cas tornam a governação excess|vamente
vocac|onada para o curto prazo e comprometem qua|quer estrateg|a g|ooa| de
desenvo|v|mento do Pa|s, que para ser oem suced|da deve ser estáve| e oeneí|c|ar de
uma dese|áve| cont|nu|dade de po||t|cas. Nesse sent|do, durante os ú|t|mos anos do PB
no poder, ío| v|s|ve| a cont|nuação da prát|ca cavaqu|sta de a|teração das po||t|cas com
or|gem na mudança dos m|n|stros, o que tem contr|ou|do para os c|dadãos duv|darem
dos governos, porque se aperceoem, oem me|hor do que gera|mente se pensa, que não
ex|ste uma or|entação po||t|ca c|ara e sentem que essa não e a v|a correcta para a reso|ução
dos proo|emas que saoem, por exper|enc|a propr|a, ex|st|rem.
Em resumo, o desenvo|v|mento de uma c|dadan|a consc|ente e part|c|pat|va, não e uma
aostracção po||t|ca ou soc|a|, mas uma necess|dade concreta das soc|edades modernas
e uma med|da do oom governo e da ooa pedagog|a et|ca e po||t|ca. Da mesma íorma, o
sucesso do desenvo|v|mento econom|co e soc|a| passa pe|a ex|stenc|a de uma estrateg|a
nac|ona| c|ara e coerente, que se|a um quadro de reíerenc|a acess|ve| a todos, agentes
po||t|cos, econom|cos e soc|a|s, que soorev|va para a|em das cont|ngenc|as da con|untura
po||t|ca e dos d|versos |nteresses em presença.
Ouando ma|s à írente reíer|rmos o exemp|o do cresc|mento econom|co da lr|anda,
devemos ter a consc|enc|a de que há mu|tos anos ex|ste um mode|o econom|co e uma
estrateg|a de desenvo|v|mento por detrás do sucesso |r|andes, segu|dos com notáve|
d|sc|p||na, coerenc|a e determ|nação. É |sso que amo|c|onamos para Portuga| e não o
mov|mento íeor|| e |nconsequente da act|v|dade po||t|ca casu|st|ca e íu|an|zada.
lll - Administração e Serviços PúbIicos
Na sua segunda |eg|s|atura o PB cr|ou, e oem, o M|n|ster|o da Peíorma do Estado, que
preíer|amos se chamasse M|n|ster|o da Oestão e lníormat|zação do Estado, por razoes
que esperamos se tornem compreens|ve|s ao |ongo deste texto. Desde |ogo, porque
acred|tamos que a reíorma do Estado passa pe|a qua||dade da gestão e não, nesta íase,
por novas reíormas |eg|s|at|vas ou por novas a|teraçoes de í||osoí|a po||t|ca, que e a
tentação hao|tua| a que o novo m|n|ster|o tamoem não íug|u. Por |sso o mandato do
M|n|ster|o d|r|g|do pe|o camarada A|oerto Mart|ns, que mu|to respe|tamos, deve ser c|aro:
c|çan|za| cs se|.|çcs oc Fs|aoc, oe|a .|a oa çes|ac, oe /c|ma a |c||0ça| |e| 0m
/om|n|s||açac |0o||ca mcoe|na e e/|c|en|e, caoaz oe |esocnoe| às /0s|as necess|oaoes
ocs c|oaoacs.
O Estado e íornecedor de serv|ços púo||cos, írequentemente o ún|co íornecedor, serv|ços
que são cada vez ma|s comp|exos em do|s p|anos d|st|ntos: o p|ano c|ent|í|co e proí|ss|ona|
do serv|ço em causa - Baúde, Just|ça, Educação, Begurança Boc|a|, etc. - e o p|ano da
organ|zação gera| do Estado, componente esta que, no caso portugues, e a ma|s
determ|nante. lsto e, entre nos, os pr|nc|pa|s proo|emas ex|stentes nos serv|ços íornec|dos
pe|o Estado, não são do dom|n|o da c|enc|a med|ca ou |ur|d|ca, ou |eg|s|at|va, em que a
qua||dade gera| e |gua|, ou mesmo super|or, a outros pa|ses, mas do dom|n|o da gestão,
sem o que a ap||cação dos conhec|mentos c|ent|í|cos e tecn|cos, oem como as |e|s
ex|stentes, não servem com qua||dade, eí|các|a e em tempo út||, as pessoas.
É, neste contexto, que o conhec|mento e a exper|enc|a das tecn|cas de gestão em
organ|zaçoes comp|exas se reve|a necessár|o, como um recurso |nsuost|tu|ve| na acção
do Estado, em part|cu|ar na ut|||zação rac|ona| das tecno|og|as da |níormação. Mu|tas
das |acunas e |nsuí|c|enc|as actua|s da acção do Estado não resu|tam duma |ncapac|dade
|nata dos serv|ços púo||cos em responder às necess|dades dos utentes, como os teor|cos
da genera||zação da act|v|dade pr|vada em áreas trad|c|ona|mente reservadas ao Estado
querem íazer crer, mas da |ncapac|dade do Estado em ut|||zar as tecn|cas de gestão e as
tecno|og|as d|spon|ve|s e em uso, por exemp|o, nas empresas. Ou se|a, como temos
sustentado em |númeras oportun|dades, não e poss|ve| d|r|g|r organ|zaçoes do secu|o
XXl com os metodos e tecno|og|as herdadas do secu|o XlX, como acontece nos nossos
serv|ços púo||cos.
Esta |nsuí|c|enc|a do Estado resu|ta tamoem do háo|to dos d|íerentes governos
|mp|antarem nos m|n|ster|os, apos cada mudança governamenta|, adm|n|straçoes
temporár|as de pessoa| po||t|co de coní|ança à margem, e írequentemente em opos|ção,
aos proí|ss|ona|s da Adm|n|stração Púo||ca. Fazem-no em vez de contr|ou|rem para o
reíorço cont|nuado da gestão e da organ|zação púo||cas e da qua||dade dos recursos
humanos e tecn|cos ex|stentes nos m|n|ster|os e nos dema|s serv|ços do Estado.
Deíendemos a so|ução oposta, que e a de íomentar aqu||o que em mu|tos outros pa|ses
e conhec|do como o governo dos d|rectores gera|s, que de íorma a|go |n|usta ío|
car|caturado no programa da te|ev|são |ng|esa ·¥es M|n|ster·, porque, apesar de ter graça,
o programa não acentua dev|damente o íacto oov|o de que e ao m|n|stro que caoe o
poder de dec|são e de gestão dos |nteresses em presença, a|nda que o programa
demonstre de íorma c|ara a qua||dade e o conhec|mento das questoes da governação
por parte dos quadros da adm|n|stração, mesmo em coníronto com o poder po||t|co. O0
se/a, na /om|n|s||açac |0o||ca, ccmc a||as nas emo|esas, nac se ocoe |e| ocm çc.e|nc
sem oesscas ccmoe|en|es e mc||.aoas e nac |a oesscas ccmoe|en|es e mc||.aoas sem
oca çes|ac.
Mu|tas destas d|í|cu|dades da gestão do Estado resu|tam da |de|a errada de que os
m|n|ster|os e secretar|as podem ser d|r|g|dos atraves da act|v|dade de ·despacho· que
e, por vezes, o cerne da act|v|dade dos governos, assum|ndo que as dec|soes tomadas
por esta v|a podem ser |evadas à prát|ca com qua||dade e eí|c|enc|a, o que não e verdade
em nenhuma organ|zação, púo||ca ou pr|vada. Antes de at|ng|r este topo de eí|c|enc|a da
organ|zação, qua|quer que e|a se|a, e |mpresc|nd|ve| que os d|r|gentes íaçam, e|es
propr|os, o contro|o de execução das dec|soes, atraves de íormas pedagog|cas de
|nst|tuc|ona||zação do traoa|ho em grupo. Essa e a v|a para uma adm|n|stração púo||ca
moderna e mot|vada e não o uso e aouso de organ|zaçoes para|e|as.
É nossa conv|cção que a reíorma da gestão púo||ca e um íactor determ|nante do
desenvo|v|mento nac|ona|, cu|a necess|dade e urgente assum|r, ate porque e ho|e c|aro
que o mau íunc|onamento dos serv|ços púo||cos Educação, Baúde, Just|ça, Begurança
Boc|a|, autarqu|as, etc. - são íactores que |mpedem o desenvo|v|mento das empresas e
da act|v|dade econom|ca em gera|. Por exemp|o, a má gestão púo||ca e sempre apontada
pe|os gestores estrange|ros a traoa|har em Portuga|, como o íactor ma|s negat|vo da sua
act|v|dade entre nos, mas os mesmos gestores dão norma|mente uma nota mu|to pos|t|va
aos traoa|hadores portugueses, apesar das |nsuí|c|enc|as de educação e de íormação
que todos reconhecem ex|st|rem. Ou se|a, será |usto cu|pao|||zar os íunc|onár|os púo||cos,
tamoem traoa|hadores, ao ponto de pretender cr|ar serv|ços para|e|os, supostamente
ma|s eí|cazes, pe|as |nsuí|c|enc|as da Adm|n|stração Púo||ca?
Acred|tamos que não |c| |ssc |eccn|ecemcs q0e a ma q0a||oaoe ocs se|.|çcs o0o||ccs
em |c||0ça| e, essenc|a|men|e, 0m o|co|ema oe çes|ac, c0/a |esocnsao|||oaoe |es|oe,
çcs|e-se c0 nac, na o||ecçac oc||||ca oc oa|s, |s|c e, ncs çc.e|ncs. O0an|c ma|s oeo|essa
en/|en|a|mcs es|a |ea||oaoe me||c|, ncmeaoamen|e a||a.es oe 0m oac|c oe |eç|me q0e
|e|||e a |e/c|ma e a mcoe|n|zaçac oa /om|n|s||açac |0o||ca e c se0 mcoe|c oe çes|ac oa
|0|a oc||||cc/oa|||oa||a, c||anoc as ccno|ções necessa||as oa|a 0ma /om|n|s||açac |0o||ca
oeq0ena, es|a.e|, o|c/|ss|cna|, e/|c|en|e e mcoe|na.
Oomo |á aí|rmado, o uso qua||í|cado das tecno|og|as da |níormação e um |nstrumento
|ncontornáve| da reíorma da Adm|n|stração Púo||ca e do Estado, por todas as razoes |á
expressas, mas tamoem porque a ap||cação das tecno|og|as da |níormação |mp||ca um
mode|o de organ|zação, que |dea|mente deve ser hor|zonta| a toda a adm|n|stração, e
uma d|sc|p||na metodo|og|ca que tem um va|or propr|o na reíorma do Estado. O0 se/a,
0ma oas |azões oc|q0e se /0s||/|ca a e·|s|enc|a oe 0m V|n|s|e||c oa Pe/c|ma oc Fs|aoc
|es|oe nc /ac|c oese/a.e| oe q0e a s0a acçac c|0ze |c||zcn|a|men|e |cocs cs m|n|s|e||cs e
se|.|çcs a0|cncmcs, nac oa|a cs |c|na| |ç0a|s mas oa|a cs |c|na| ccmoa||.e|s, c q0e nac
ocoe se| seoa|aoc oe 0ma oe|eçaçac oe ocoe|es o|co||cs e oe a|ç0ma oe|e|m|naçac e
|n|e|.ençac oc||||cas oc |||me||c V|n|s||c.
Üma nota opt|m|sta para d|zer que e com a|guma esperança que temos ass|st|do ao
esíorço desenvo|v|do no M|n|ster|o da Just|ça, no sent|do de dotar os d|íerentes
departamentos do M|n|ster|o, Tr|ouna|s e Notar|ado com os me|os modernos perm|t|dos
pe|as tecno|og|as da |níormação, modern|zando por essa v|a a Just|ça em Portuga|. Trata-
se de uma |ntervenção que deve ser segu|da com o ma|or |nteresse, se|a porque da
me|hor|a do íunc|onamento da Just|ça depende, em grande parte, a modern|zação da
soc|edade e da propr|a act|v|dade econom|ca, se|a pe|os eíe|tos de transíerenc|a que o
sucesso dessas med|das poderá ter no con|unto dos serv|ços íornec|dos pe|o Estado.
Da mesma íorma, reconhecemos o va||oso traoa|ho de |níormat|zação dos serv|ços
rea||zado pe|o Ooverno do PB no M|n|ster|o das F|nanças, em opos|ção ao mu|to pouco
que ío| íe|to pe|os governos do PBD.
Entretanto e para nos ev|dente que sem um esíorço correspondente nos M|n|ster|os da
Educação e da Baúde, oem como na Begurança Boc|a|, não haverá uma gestão rac|ona|
dos serv|ços correspondentes do Estado. Ncmeaoamen|e, c s|s|ema nac|cna| oe sa0oe
nac e s0s|en|a.e| se nac |c0.e| 0ma |e/c|m0|açac ccmo|e|a oc mcoe|c oe çes|ac e oe
/|nanc|amen|c, nc sen||oc oe oe|m||||. a; a a0|cncm|a oe çes|ac oas ç|anoes |ns|||0|ções
oe sa0oe, ccm c /|nanc|amen|c a se| /e||c a||a.es oc oaçamen|c ocs se|.|çcs o|es|aocs,
o; ||oe|a||zaçac oa .enoa ocs meo|camen|cs q0e nac necess||em oe |ece||a meo|ca, c;
||oe|oaoe oe |ns|a|açac oe nc.as /a|mac|as, o; a|a|çamen|c oa ||s|a ocs meo|camen|cs
çene||ccs, e; |eo|mens|cnamen|c oas emoa|açens ocs meo|camen|cs, /; esca|cnamen|c
oa ccmoa|||c|oaçac ocs se|.|çcs scc|a|s em /0nçac ocs |eno|men|cs oc aç|eçaoc /am|||a|,
oesoe q0e cc||ec|amen|e .e||/|caocs, ç; ma|c| a0|cncm|a oas ç|anoes |ns|||0|ções oe
sa0oe oa|a ccn||a|a| e |em0ne|a| cs se0s o|c/|ss|cna|s O que, como e oov|o, so será
poss|ve| de rea||zar com qua||dade e competenc|a atraves do contro|o, tecn|co e po||t|co,
|oca| e centra|, perm|t|do pe|a ut|||zação das tecno|og|as da |níormação.
A||ás o sector da saúde e aque|e onde e ma|s v|s|ve| o ao|smo ex|stente entre a qua||dade
c|ent|í|ca de mu|tos dos nossos proí|ss|ona|s e as cond|çoes de traoa|ho e de rea||zação
proí|ss|ona| ex|stentes no B|stema Nac|ona| de Baúde. E, nesse sent|do, como portugueses
que gostam do seu Pa|s, e com crescente preocupação que saoemos da írustração de
a|guns dos nossos me|hores med|cos e c|ent|stas de reputação |nternac|ona|, mu|tos
dos qua|s acaoam por se í|xar no estrange|ro para poderem traoa|har com a|guma
d|gn|dade. Nesse sent|do, c ||.|c |ecen|emen|e o0o||caoc oe|c ||c/essc| Van0e| /n|0nes
ccns|||0| 0ma oen0nc|a cc|a/csa oas |ns0/|c|enc|as e ocs e||cs oe çes|ac ccme||ocs nc
sec|c| oa sa0oe em |c||0ça|, ccm a aç|a.an|e oe q0e cs çc.e|nan|es se ao|essam a
m|n|m|za| as .e|oaoes oc ||.|c, em .ez oe as 0||||za| ccmc 0m |ns||0men|c oe m0oança.
Os suoscr|tores da presente Moção cons|deram que outro íactor essenc|a| na reíorma do
Estado, e a descentra||zação de mu|tas das competenc|as da Adm|n|stração Oentra| e do
poder de dec|são correspondente. lníe||zmente, depo|s da derrota do Peíerendo da
Peg|ona||zação, momento esse que |á reve|ou a|guma |ndeterm|nação do PB, os governos
do Part|do Boc|a||sta tamoem não souoeram, ou não qu|seram, enírentar o desaí|o da
desconcentração dos serv|ços púo||cos, ||ud|ndo uma das ma|s sent|das re|v|nd|caçoes
dos autarcas e das popu|açoes. Desconcentração que ío|, a||ás, precon|zada por todos
os sectores de op|n|ão durante o deoate da reg|ona||zação e que, por ta| íacto, não dever|a
causar excess|va po|em|ca na soc|edade portuguesa, se rea||zada no momento propr|o.
É de notar que a desconcentração dos serv|ços do Estado |mp||ca, pe|o menos, duas
cond|çoes re|evantes: a coerenc|a do mode|o de oase reg|ona| que, para ev|tar po|em|cas
ad|c|ona|s, ace|tamos se|a a actua| d|v|são d|str|ta| e a ex|stenc|a de um s|stema de
|níormação que perm|ta a ma|s amp|a dec|são |oca| com a ma|s r|gorosa ver|í|cação e
ava||ação centra||zadas. A||ás, este e o exemp|o c|aro daqu||o que so e poss|ve| rea||zar
BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 15
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
modernamente, com qua||dade e transparenc|a, com o recurso aos poderosos me|os da
soc|edade da |níormação.
A nossa opção por uma d|v|são adm|n|strat|va de oase d|str|ta| resu|ta do íacto do Pa|s
não poder cont|nuar a ser governado com tantas d|v|soes adm|n|strat|vas quantos os
m|n|ster|os e secretar|as de Estado ex|stentes, com os d|íerentes serv|ços a soorev|verem
sem nenhuma coerenc|a espac|a| e sem a poss|o|||dade de cr|ar um mode|o eí|caz e
compat|ve| de gestão dos serv|ços desconcentrados do Estado. Por exemp|o, a d|v|são
do D|str|to de Le|r|a por duas Oom|ssoes de Ooordenação Peg|ona| (OOP´s) e a ex|stenc|a
de uma nova reíorma em curso na Becretar|a de Estado do Tur|smo para outra d|v|são
adm|n|strat|va do tur|smo nac|ona| - como se a rea||dade tur|st|ca pudesse ser tratada a
regua e esquadro- são pequenos exemp|os da |rrea||dade dos mode|os actua|s de gestão
do Estado.
Entretanto, a ía|ta de vontade po||t|ca ou a |ncapac|dade tecn|ca para enírentar o desaí|o
de reíormar a adm|n|stração do Estado, centra|, autárqu|ca e serv|ços autonomos, e um
per|go rea| da nossa democrac|a e uma oomoa de re|og|o de|xada aos nossos í||hos,
pe|o que não hes|tamos em aí|rmar: se nada íor íe|to com urgenc|a, a democrac|a
portuguesa correrá o r|sco da |ngovernao|||dade, s|tuação que í|cará a dever-se à c||vagem
entre a crescente comp|ex|dade da máqu|na do Estado e as respostas |ax|stas, amadoras
e desadequadas. Para que se não pense que ex|ste exagero, c|tamos a|guns exemp|os:
1. A anarqu|a uroan|st|ca ex|stente nas nossas grandes c|dades e o predom|n|o dos ma|s
var|ados |nteresses pr|vados; os atrasos e rev|soes de preços írequentes nas ooras
púo||cas, exemp|o o Oentro Ou|tura| de Be|em e o A|queva; a gestão tard|a e ataoa|hoada
do caso das vacas |oucas e, pr|nc|pa|mente, a ausenc|a de um s|stema cred|ve| de garant|a
a||mentar; as ooras, os atrasos e a desorgan|zação no Porto Oap|ta| da Ou|tura, |n|c|at|va
dom|nada essenc|a|mente pe|o oetão; os aoat|mentos do Terre|ro do Paço e o processo
de ava||ação das responsao|||dades; a ausenc|a de enquadramento uroano dos túne|s
no mesmo |oca|; as d|scussoes soore os acessos aos estád|os para 2004 e a chantagem
dos |nteresses pr|vados; os atrasos e o custo desses mesmos estád|os e as re|açoes
com o mundo do íuteoo|; os atrasos e custos correspondentes no metropo||tano do
Porto, oem como a ausenc|a de um mode|o de gestão cred|ve|; os poderes e os resu|tados
da Parque Expo, oem como a contao|||dade cr|at|va ut|||zada; o mode|o ut|||zado para os
deo|tos às companh|as petro||íeras e com a Lusoponte; as d|v|das do B|stema Nac|ona|
de Baúde; os ac|dentes de traoa|ho na construção c|v|| e no mar; os atrasos no |ançamento
dos programas do lll OOA, como, por exemp|o, o POE e o B|íter; a íraca ap||cação das
|e|s de regu|ação das ooras púo||cas e concursos púo||cos; etc. Ouestoes todas d|íerentes
que tem um íactor em comum, resu|tarem de |nsuí|c|enc|as e de erros de gestão, que
custam v|das e centenas de m||hoes de contos aos contr|ou|ntes, para a|em do prev|sto
e do necessár|o, a|em do desgaste provocado à autor|dade do Estado.
2. Os aosurdos pre|u|zos na TAP e a |ncoerente negoc|ação com a Bw|ssa|r; o deí|c|t
acumu|ado na PTP sem vantagem v|s|ve| para quem paga; a gestão de a|to r|sco da PT,
com atrasos |nace|táve|s na cooertura nac|ona| com í|ora opt|ca; as coníusoes estrateg|cas
da EDP (águas, te|ecomun|caçoes, Bras||) comprometendo o íornec|mento de energ|a
e|ectr|ca às empresas e às íam|||as; a venda do cap|ta| da Petroconto| à ENl em desacordo
com as regras estaoe|ec|das e a |e|; a ía|ta de esc|arec|mento púo||co soore a compra do
cap|ta| da W|gg|ns na Boporce| e soore o mode|o de gestão prev|sto para o sector do
pape|, se púo||co se pr|vado e neste caso com quem; o surrea||smo da parcer|a do
Estado no Autodromo do Estor||; as anoma||as e as coníusoes estrateg|cas do processo
O|mpor; o programa Po||s e a sua re|ação com a Parque Expo; a ausenc|a de coerenc|a
g|ooa|, de prev|s|o|||dade e de transparenc|a nos d|versos processos em curso das
pr|vat|zaçoes. Bão tudo íactores de coní||to, aoerto ou potenc|a|, sem que ex|sta uma
estrateg|a c|ara e transparente, ou se|a, são proo|emas de gestão ma| preparados e ma|
tratados, com custos mu|to e|evados no desgaste do Ooverno do PB, a|em de geradores
de desconí|ança nos agentes econom|cos e nos c|dadãos.
3. Aumento da dependenc|a do transporte rodov|ár|o sem med|das de contro|o adequado,
nomeadamente o desenvo|v|mento de a|ternat|vas atraves dos transportes íerrov|ár|o e
mar|t|mo; a dec|são soore novas pontes em L|sooa, sem qua|quer deoate ou estudo
acerca das pr|or|dades nac|ona|s ma|s re|evantes; |nvest|mentos aosurdos em A|cântara,
que transíormam um dos me|hores portos do mundo para paquetes de tur|smo, act|v|dade
a|tamente rentáve|, num ca|s soír|ve| para contentores, cu|a v|da út|| de serv|ço não será
ma|s do que quatro ou c|nco anos, dev|do aos novos e ma|ores oarcos que estão a
entrar ao serv|ço em todo o mundo, pro|ecto de que resu|tarão custos amo|enta|s e
|og|st|cos enormes e o congest|onamento ad|c|ona| do centro de L|sooa; ausenc|a de
uma estrateg|a c|ara e de acção dec|d|da no term|na| de contentores em B|nes;
|ncapac|dade de dec|são e de coerenc|a na atr|ou|ção de novos cursos ao Ens|no Buper|or.
Trata-se de |ncoerenc|as estrateg|cas cu|a grav|dade so será poss|ve| apurar no íuturo,
mas que reve|am graves proo|emas na gestão do Pa|s e que comprometem o seu íuturo.
Ou se|a, a qua||dade da gestão do Estado e das |nst|tu|çoes que de|e dependem, necess|ta
de ser repensada com coragem e rea||smo, porque se tornou num íactor ||m|tat|vo do
desenvo|v|mento e da modern|zação de Portuga|, que não sendo reso|v|do reduz|rá
drast|camente o cresc|mento econom|co e a convergenc|a com a Ün|ão Europe|a. O
Part|do Boc|a||sta deve, por |sso, pr|v||eg|ar no Ooverno as componentes de aná||se
estrateg|a e de gestão.
lV - Um Sistema PoIítico Moderno
O s|stema po||t|co que resu|tou do 25 de Aor|| de 1974 e das c|rcunstânc|as da |uta
po||t|ca que se segu|u, tem respond|do de íorma sat|síator|a às necess|dades da
democrac|a portuguesa, o que e tanto ou ma|s notáve| quanto a v|venc|a democrát|ca
nunca ío| um ponto a|to da nossa h|stor|a como povo. Em part|cu|ar, o nosso reg|me
democrát|co tem perm|t|do a estao|||dade po||t|ca, a a|ternânc|a no poder, a |ntegração
de Portuga| na Ün|ão Europe|a, a|em do regu|ar íunc|onamento das |nst|tu|çoes
democrát|cas. Acresce que íoram íe|tas a|teraçoes sucess|vas à Oonst|tu|ção da Pepúo||ca
de 1976 mas, no essenc|a|, a nossa |e| íundamenta| cont|nua a honrar os portugueses
que a escreveram e a aprovaram.
Entretanto, como |á aí|rmado antes, tem s|do notáve| o oom senso do povo portugues
em todas as íases da nossa democrac|a de tr|nta anos, em gera| nas esco|has e|e|tora|s
sucess|vamente íe|tas e, em part|cu|ar, nas e|e|çoes para a Pres|denc|a da Pepúo||ca,
que pe|a sua |mportânc|a poder|am ter aíectado o equ|||or|o |nst|tuc|ona| do reg|me. Ou
se|a, apesar das mú|t|p|as |nsat|síaçoes ex|stentes em sectores da soc|edade, dos
chamados excessos da comun|cação soc|a| e das rea|s d|í|cu|dades econom|cas de
uma grande parte das íam|||as portuguesas, o nosso reg|me democrát|co, nos ú|t|mos
tr|nta anos, conso||dou-se, o que e notáve| e um va|or a preservar.
Ass|m sendo, estamos convenc|dos de que o nosso atraso re|at|vamente à Europa, os
proo|emas ex|stentes na nossa econom|a e no nosso processo de desenvo|v|mento, não
são resu|tantes do nosso s|stema po||t|co e por |sso não se reso|verão por a|teraçoes
que se |he possam ser |ntroduz|das. Ou se|a, vo|tamos a ver|í|car que as verdade|ras
questoes do deoate po||t|co devem centrar-se na prát|ca e na gestão do s|stema e não
em por em causa a sua capac|dade de responder adequadamente às necess|dades
nac|ona|s. Oomo exemp|o, reíer|remos a questão da descentra||zação do Estado, cu|a
grav|dade não pode ser desment|da, mas que resu|ta apenas da Oonst|tu|ção não estar
a ser cumpr|da e não de qua|squer outras razoes. Tamoem, re|at|vamente à menor
part|c|pação dos c|dadãos na v|da democrát|ca, de que agora tanto se ía|a, essa não e o
resu|tado das |e|s do reg|me, mas das prát|cas hegemon|cas dos part|dos po||t|cos, porque
de íorma gera| exercem o poder de íorma a co|ocar os |nteresses part|dár|os ac|ma de
todas as outras cons|deraçoes.
De íacto o povo está cansado do d|scurso po||t|co do poder que, em todas as
c|rcunstânc|as, d|v|de as questoes entre a pos|ção certa, que e s|stemat|camente a do
part|do do governo, e a pos|ção errada que e a de todos os outros part|dos, sendo a
s|tuação |nversa tamoem natura|mente a prat|cada. Oomo e oov|o, esta prát|ca, em
como|nação com a d|sc|p||na |mposta aos m|||tantes e d|r|gentes em todos os part|dos
po||t|cos portugueses, mecan|za e ret|ra cred|o|||dade ao deoate po||t|co e, ma|s grave,
perm|te a perversão da qua||dade po||t|ca e governat|va e a soorev|venc|a s|stemát|ca do
erro e da asne|ra na gestão do Pa|s. Ou se|a, o mesmo oom senso popu|ar, de que
ía|amos antes, sente ma|s do que por vezes saoe que não e norma| que as co|sas se
passem dessa íorma e não podendo ou não querendo assum|r uma pos|ção ma|s act|va
ou rad|ca|, que não está na nossa trad|ção, os c|dadãos ||m|tam-se a cr|t|car e
des|nteressam-se da v|da po||t|ca.
Esta e a razão porque deíendemos a|gumas a|teraçoes ao s|stema po||t|co, pr|nc|pa|mente
no sent|do de dotar as |e|s e|e|tora|s com os c|rcu|os un|nom|na|s, cu|a mot|vação pr|nc|pa|
não resu|ta do convenc|mento de que os deputados e|e|tos por estes c|rcu|os possam
ser qua||tat|vamente d|íerentes, mas porque esta e a ún|ca íorma de |ntroduz|r a|guma
concorrenc|a à hegemon|a po||t|ca dos part|dos portugueses, tornado-os ma|s
compet|t|vos e, numa segunda íase, conduz|ndo-os à |ntrodução de a|teraçoes no seu
íunc|onamento. Da mesma íorma deíendemos a part|c|pação de cand|daturas
|ndependentes nas e|e|çoes autárqu|cas. O0 se/a, ac|eo||amcs q0e nac |a oemcc|ac|a
sem oa|||ocs oc||||ccs, mas |amoem |emcs a ccn.|cçac oe nac |a.e| .e|oaoe||a
oemcc|ac|a q0anoc |coc c ocoe| oc||||cc se ccncen||a nas c|çan|zações oa|||oa||as e
nen|0m ocoe| e |ese|.aoc acs c|oaoacs.
Üma outra questão tem a ver com a estao|||dade governat|va e a tendenc|a para cons|derar
que essa estao|||dade está assoc|ada, apenas, a v|tor|as e|e|tora|s por ma|or aoso|uta, o
que não e verdade|ro, po|s nada |mpede a cr|ação de co||gaçoes ou de acordos de
|nc|denc|a par|amentar. E se essa não e a so|ução ma|s írequente na v|da po||t|ca
portuguesa, esse íacto não pode ser desassoc|ado dos part|dos po||t|cos nac|ona|s
tenderem a cons|derar o |nteresse nac|ona| num segundo p|ano e a co|ocarem
írequentemente o poder tota| do part|do ac|ma de todas as outras cons|deraçoes.
Na actua| con|untura po||t|ca, apos a exper|enc|a de acordos pontua|s para íazer aprovar
os d|versos Orçamentos do Estado dos governos soc|a||stas, e prev|s|ve| uma evo|ução
no sent|do de procurar íormas ma|s estáve|s de exerc|c|o do poder, o que a acontecer so
se |ust|í|ca se íor íe|to à esquerda do espectro po||t|co, com exc|usão das tentaçoes de
B|oco Oentra|, e sem a dependenc|a de mecan|smos que descaracter|zem os pr|nc|p|os
essenc|a|s do |deár|o do PB . Em qua|quer caso não deve ser pe|a v|a |eg|s|at|va que se
deve encontrar a necessár|a estao|||dade po||t|ca, mas pe|a v|a da negoc|ação com outros
part|dos, sem o que, a convocação de novas e|e|çoes e a íorma norma| em democrac|a
de reso|ver os o|oque|os do s|stema po||t|co.
F|na|mente, a tareía de me|horar a governao|||dade do Pa|s, passa por uma conv|venc|a
ma|s c|v|||zada e ma|s eíect|va entre os part|dos po||t|cos e por uma deíesa ma|s c|ara e
ma|s transparente do |nteresse nac|ona|. Oo|ect|vos que devem resu|tar de uma pedagog|a
po||t|ca que pode ser íe|ta pe|o PB, nomeadamente nas autarqu|as, onde não v|mos
razoes vá||das para recusar a|gumas co||gaçoes, nomeadamente com os part|dos da
esquerda.
V - Uma Economia Competitiva
Tem s|do aí|rmado por responsáve|s do PB e do Ooverno que o mode|o econom|co
prossegu|do durante os ú|t|mos anos está esgotado. É uma constatação que so peca
ACÇÃO SOClALlSTA 16 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
por tard|a, porque de íacto o mode|o nunca serv|u oem o desenvo|v|mento e o progresso
nac|ona|s, no contexto da Ün|ão Europe|a e do mundo. Pe|a razão s|mp|es de que o
mode|o aposta em íactores que não a|teram para me|hor a re|ação de troca da nossa
econom|a com o exter|or, íactor estrateg|camente determ|nante numa econom|a pequena
e aoerta como a nossa, porque necess|tamos de equ|pamentos e de produtos que temos
de adqu|r|r no exter|or e cu|o va|or e mu|to super|or à capac|dade produt|va nac|ona|
exportáve| (|ndústr|a, agr|cu|tura, pescas e tur|smo) mesmo em s|tuação de p|eno emprego
De /ac|c, a aoesac oe |c||0ça| à Jn|ac F0|coe|a e à mceoa 0n|ca, aoesa| oa s0a ç|anoe
|moc||ánc|a e oc ace||c oc||||cc oa oec|sac, nac e ma|s oc q0e 0m e|emen|c, a|noa q0e
|e|e.an|e, oa|a 0ma .|sac oc oaoe| oe |c||0ça| nc m0noc, mas a q0e /a||am cs |es|an|es
e|emen|cs, n0nca e·o|esscs c0 ass0m|ocs, oa|a ccns|||0|| 0ma es||a|eç|a nac|cna|.
Nestas c|rcunstânc|as, depo|s de 25 de Aor|| de 1974, os ún|cos sectores da econom|a
que soíreram uma evo|ução mu|to pos|t|va no sent|do da sua modern|zação e adequação
à concorrenc|a |nternac|ona| íoram os sectores í|nance|ro e da grande d|str|ou|ção,
pr|v||eg|ados que íoram pe|a acção do Estado, mas tamoem, reconhecemo-|o, por
capac|dade propr|a a|udada pe|a íorte concorrenc|a ex|stente. Em contraponto, os sectores
da construção c|v||, ooras púo||cas e |moo|||ár|o cresceram mas não se modern|zaram e,
pe|o contrár|o, segu|ram um cam|nho de |nsustentáve| terce|ro mund|smo, cu|as
consequenc|as são oov|as: ocuparem uma quant|dade excess|va dos recursos humanos
nac|ona|s e sem a íormação adequada; terem uma contr|ou|ção suostanc|a| para a má
qua||dade e para o mau gosto do uroan|smo nac|ona|, com eíe|tos desastrosos na
desorgan|zação das nossas c|dades; contr|ou|rem oastante para a oa|xa produt|v|dade
nac|ona|; consum|rem, atraves dos preços especu|at|vos, uma proporção excess|va do
rend|mento dos portugueses e dos recursos do Estado. A que acresce o íacto |nexp||cáve|
de que se trata de sectores dependentes do Estado e por este proteg|dos - Estado como
c||ente e como regu|ador - apesar de serem sectores que írequentemente v|vem nos ||m|tes
da |ega||dade.
O sector produt|vo |ndústr|a, agr|cu|tura e pescas tem t|do um progresso mu|to |ento,
com perda de compet|t|v|dade no p|ano |nternac|ona|, mesmo na |ndústr|a, que noutros
pa|ses assume a contr|ou|ção pr|nc|pa| para a compet|t|v|dade g|ooa| da econom|a, mas
que em Portuga| não sa| da med|an|a, nomeadamente porque aqu||o que íaz e vende
não e va|or|zado no mercado |nternac|ona|, se|a porque temos mu|to poucos produtos
í|na|s e |nsuí|c|ente d|vers|dade econom|ca, se|a porque há ía|ta de empresas |ntegradoras.
|c|q0e nac ac|eo||amcs n0ma eccncm|a oe se|.|çcs, a0|cncmamen|e oe 0m sec|c| o|co0||.c
/c||e e mcoe|nc, oe.e|a se| c sec|c| o|co0||.c a o||c||oaoe oc Gc.e|nc nc oesen.c|.|men|c
oa eccncm|a oc||0ç0esa, nc sen||oc oe co|e| 0ma |e|açac oe ||cca ma|s /a.c|a.e| ccm c
e·|e||c| Por |sso não concordamos com a ía|ác|a dom|nante que tende a desva|or|zar a
|mportânc|a do sector produt|vo e a escamotear os eíe|tos do deí|c|t da Ba|ança de
Transaçoes Oorrentes, o qua| a|nda que sem eíe|tos camo|a|s no contexto da moeda ún|ca,
não de|xa por |sso de representar um empoorec|mento re|at|vo do nosso Pa|s.
Ou se|a, a compet|t|v|dade das empresas e da econom|a portuguesa em gera|, necessár|a
para me|horar a v|da dos portugueses, depende de uma re|ação de troca ma|s íavoráve|
com o exter|or, so poss|ve| atraves de um sector produt|vo moderno e tecno|og|camente
avançado, capaz de cr|ar produtos |novadores e va|or|zados nos mercados |nternac|ona|s.
Esta conv|cção e coní|rmada pe|a exper|enc|a da lr|anda, pa|s que part|u de uma oase
de desenvo|v|mento tão poore quanto a portuguesa e com quem temos d|versas
aí|n|dades cu|tura|s e re||g|osas, mas cu|a econom|a cresceu no per|odo de 1994-1998 à
med|a de 7,2 por cento ao ano, contra 2,9 por cento em Portuga|, cr|ando ma|s emprego,
com menos stock de cap|ta| e, pr|nc|pa|mente, com ma|or produt|v|dade do traoa|ho.
(ver quadro l.)
OUADRO l
PRODUTO, EMPREGO E 56+ DE CAPÌTAL
Taxas de variação média anua|
1964-73 1974-83 1984-93 1994-98
lrIanda:
PlB............................................ 4.6 ................. 3.7 ................ 4.7 ................. 7.2
Emprego .................................. 0.1 ................. 0.3 ................ 0.8 ................. 3.6
S|cc| de cap|ta| ...................... 1.4 ................. 3.3 ................ 2.7 ................. 3.1
Memo:
Produt|v|dade do traoa|ho ......... 4.5 ................. 3.4 ................ 3.9 ................. 3.4
Espanha:
PlB........................................... 6.2 ................. 2.5 ................ 2.7 ................. 2.5
Emprego ................................. 0.7 ................. 0.6 ................ 0.6 ................. 1.1
S|cc| de cap|ta| .................... 12.6 ................. 5.6 ................ 4.1 ................. 3.8
Memo:
Produt|v|dade do traoa|ho ........ 5.5 ................. 3.2 ................ 2.2 ................. 1.4
PortugaI:
PlB........................................... 5.7 ................. 3.6 ................ 3.7 ................. 2.9
Emprego ................................. 0.9 ................. 0.6 ................ 0.9 ................. 0.7
S|cc| de cap|ta| .................... 12.8 ................. 6.3 ................ 4.6 ................. 4.0
Memo:
Produt|v|dade do traoa|ho ........ 4.7 ................. 3.0 ................ 2.7 ................. 2.1
Este exemp|o da lr|anda deve ser cu|dadosamente ava||ado, sendo |nace|táve| a sua
írequente desva|or|zação pe|o poder po||t|co, por razoes meramente deíens|vas, como
se a|gumas vez as questoes se reso|vessem pe|a negação da rea||dade desagradáve|.
Nesta moção mu|tas das propostas íe|tas, como a aposta no ens|no secundár|o, a
íormação |ntens|va de engenhe|ros, a pr|or|dade dada ao desenvo|v|mento de um sector
produt|vo moderno, a atracção do |nvest|mento estrange|ro e a contenção dos gastos
em ooras púo||cas, íazem há mu|to parte da estrateg|a |r|andesa, cu|a coerenc|a e d|sc|p||na
cr|ou o ma|or sucesso da econom|a europe|a dos ú|t|mos dez anos. \e|a-se que durante
o ano passado a econom|a portuguesa deverá ter cresc|do apenas 2,8 por cento, o
ma|s oa|xo cresc|mento da Europa em parcer|a com a ltá||a, mas a lr|anda segue no topo
dos pa|ses europeus com um cresc|mento da econom|a de 10,5 por cento.
Acresce que o cresc|mento econom|co da lr|anda e oaseado no mode|o das chamadas
econom|as pos |ndustr|a|s, o que se torna c|aro, entre outras razoes, por uma acentuada
redução de em|ssoes de OO2 por un|dade de PlB, a exemp|o de outros pa|ses europeus
como a Espanha, a Buec|a e a ltá||a, em contrad|ção com o e|evado cresc|mento deste
íactor de po|u|ção em Portuga|. Ou se|a, esta e uma demonstração ad|c|ona| dos erros
do mode|o econom|co prossegu|do em Portuga|, oaseado no oetão e em so|uçoes
|ndustr|a|s u|trapassadas, energ|a |ntens|vas, sendo mu|to íraco em cap|ta| humano e
nos novos íactores de compet|t|v|dade das soc|edades do conhec|mento. (ver quadro
ll.)
OUADRO ll
Não e portanto uma surpresa ver|í|car que a lr|anda, em apenas dez anos, converg|u em
termos rea|s com a Ün|ão Europe|a, cu|a med|a u|trapassou em 1996/1997, quando,
entre nos, este e a|nda um oo|ect|vo |ong|nquo que n|nguem se atreve a quant|í|car. (ver
quadro lll.) . |c| |ssc o|cocmcs q0e a ccn.e|çenc|a |ea| oe |c||0ça| ccm cs oa|ses ma|s
a.ançaocs oa Jn|ac F0|coe|a oasse a se| q0an||/|caoa e cs çc.e|ncs |esocnsao|||zaocs
oc||||camen|e oe|cs co/ec||.cs o|cç|amaocs, na meo|oa em q0e a ccn.e|çenc|a ccm a
J.F. e a|noa c 0n|cc e|emen|c es||a|eç|cc ccnsens0a| en||e |cocs cs çc.e|ncs.
OUADRO lll
O mode|o deíend|do de pr|v||eg|ar o sector produt|vo, não pode ser separado da questão
do |nvest|mento estrange|ro, que em Portuga| está em queda, mas que em qua|quer
caso nunca ío| d|recc|onado para o sector produt|vo, sendo pr|nc|pa|mente de or|gem
BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 17
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
especu|at|va. lnvest|mento estrange|ro que na lr|anda não tem um va|or aoso|uto super|or
a Portuga|, mas com a d|íerença de que e dest|nado pr|nc|pa|mente à |ndústr|a, 92,9 por
cento do tota|, quando em Portuga| o |nvest|mento estrange|ro na |ndústr|a, se c|íra por
apenas 18,7 por cento. \er quadros l\ e \.
OUADRO lV
ÌNVESTÌMENTO DÌRECTO ESTRANGEÌRO
Em percentagem do PÌB
1975-84 1985-94 1995-98 Média
M||hoes de do|ares:
lr|anda .................................. 220.1 ............. 577.5 .......... 2515.8 ............. 751.6
Espanha ............................. 1272.1 ........... 8269.5 .......... 7400.8 ........... 5209.1
Portuga| ................................ 119.6 ........... 1337.2 .......... 1592.3 ............. 872.4
Em percentagem do PlB:
lr|anda ......................................... 1.5 ................. 1.3 ................ 3.5 ................. 1.7
Espanha ...................................... 0.8 ................. 2.0 ................ 1.3 ................. 1.4
Portuga| ....................................... 0.5 ................. 2.0 ................ 1.5 ................. 1.3
Fonte: Oá|cu|os eíectuados a part|r de ser|es do FMl |n|e|na||cna| F|nanc|a| S|a||s||cs
OUADRO V
DÌSTRÌBUÌÇÀO SECTORÌAL DO ÌNVESTÌMENTO
DÌRECTO ESTRANGERO
Média 1990-1997
lrIanda Espanha PortugaI
lndústr|a da qua|: .............................................. 92.9 .............. 45.3 ............... 18.7
Ou|m|ca, petro|eo e p|ást|cos ............... 16.2 .............. 11.7 ................ n.d.
Prod. Metá||cos e maqu|nar|a ............... 58.3 ................ 0.0 ................ n.d.
Oomerc|o e reparaçoes ...................................... 0.0 .............. 10.3............... 15.0
Act|v|dades í|nance|ras ....................................... 0.0 .............. 21.8 ............... 29.5
lmoo|||ár|o e serv|ços as empresas .................... 0.0 .............. 18.1 ............... 24.6
Outros ................................................................. 7.1 ................ 4.5 ............... 12.2
Tota| ................................................................. 100.0 ............ 100.0 ............. 100.0
Fonte: OODE (1998c). Em Portuga| e Espanha o peso do sector |moo|||ár|o e a med|a de 1993-97
Ou se|a, os s|gnatár|os da presente moção cons|deram não haver razão sustentáve| para
que a econom|a portuguesa não possa crescer tanto como a |r|andesa, |á que nos do|s
casos a oase de part|da e oa|xa e a margem de cresc|mento e grande. O íacto de que
|sso não está a acontecer resu|ta do mode|o econom|co segu|do em Portuga|, da ausenc|a
de uma estrateg|a c|ara e coerente e das c|rcunstânc|as espec|í|cas da or|entação gera|
do Pa|s, nomeadamente:
1. Desorgan|zação da econom|a provocada por ausenc|a de d|sc|p||na nas re|açoes das
empresas com o Estado, o que provoca a desregu|ação e a |nd|sc|p||na entre as propr|as
empresas resu|tantes do mau íunc|onamento da Just|ça, do não pagamento das d|v|das
à Begurança Boc|a| e ao F|sco, do atraso nos pagamentos do Estado aos íornecedores,
da po||t|ca de sustentação de empresas ía||das, da ía|ta de autor|dade regu|adora do
Estado, do não cumpr|mento, em mu|tos empresas, das |e|s do traoa|ho, com eíe|tos na
v|c|ação da concorrenc|a, e da ausenc|a de uma po||t|ca energet|ca e de transportes
estrateg|camente adequada e í|áve|.
2. lneí|các|a e má qua||dade dos s|stemas de ens|no e de íormação proí|ss|ona| e
|neí|c|enc|a de uma parte s|gn|í|cat|va do s|stema c|ent|í|co e tecno|og|co. Nomeadamente,
a coníusão entre ens|no púo||co e pr|vado, a ía|ta de a|unos nos cursos ded|cados às
c|enc|as exactas, como a engenhar|a, o excess|vo número de cursos no ens|no super|or
e o |nteresse marg|na| de mu|tos de|es, a má qua||dade do ens|no secundár|o, para ma|s
sem sa|das proí|ss|ona||zantes qua||í|cadas e o íraco aprove|tamento dos a|unos em todos
os n|ve|s do ens|no. Ouanto ao s|stema c|ent|í|co, a |nd|sc|p||na gera| do s|stema, a ausenc|a
de cr|ter|os de compet|ção, ava||ação e compensação dos |nvest|gadores e das |nst|tu|çoes
do Estado e a |nex|stenc|a de uma estrateg|a |ndustr|a| e de ava||ação, não ourocrát|ca,
dos apo|os do Estado à |nvest|gação e ao desenvo|v|mento tecno|og|co.
3. Po||t|ca de ooras púo||cas e de hao|tação consum|dora de uma parte excess|va dos
recursos nac|ona|s, na adm|n|stração centra| e nas autarqu|as, resu|tante de mu|tas ooras
de íachada e do excesso de |nvest|mentos de necess|dade duv|dosa (hosp|ta|s, hao|tação
para especu|ação, portos como em A|cântara, pontes como Barre|ro Ohe|as, estád|os
ma|estát|cos, centros de congressos), s|tuação agravada por preços excess|vos e por
rev|soes de preços nas ooras púo||cas, cu|o contro|o e mu|to duv|doso.
4. Ausenc|a de uma po||t|ca act|va de atracção do |nvest|mento estrange|ro para a |ndústr|a,
agr|cu|tura e pescas e a ex|stenc|a de uma |ncompreens|ve| po||t|ca |ncent|vada pe|o
Estado de |nvest|mento nac|ona| no estrange|ro, esco|ha agravada pe|o íacto da
esmagadora ma|or|a desse |nvest|mento ser rea||zado em pa|ses onde não ex|ste comerc|o
||vre ( Bras|| e Norte de Aír|ca) e por |sso não conduz|r a í|uxos comerc|a|s acresc|dos
para Portuga|, nem a um re|ac|onamento empresar|a| e tecno|og|co ex|gente.
5. lnex|stenc|a de po||t|cas de va|or|zação da produção nac|ona|, nomeadamente nas
compras púo||cas, pr|nc|pa|mente aos novos sectores |ndustr|a|s tecno|og|camente
avançados, ía|ta de |ncent|vos à exportação, oem como a ausenc|a de cr|ter|os estrateg|cos
de se|ect|v|dade nos programas de apo|o às empresas, como o Programa Operac|ona|
da Econom|a (POE).
6. Ausenc|a, na |ndústr|a portuguesa, de um número s|gn|í|cat|vo de produtos í|na|s,
|ndustr|a|s e de consumo, va|or|záve|s nos mercados externos, e excesso de produção
de peças, componentes, íerramentas e s|stemas, a|em de produtos pouco va|or|zados,
como o text|| e a coníecção, o que reduz mu|to a va|or|zação g|ooa| do sector produt|vo
portugues, agravando a re|ação de troca com o exter|or.
7. Número excess|vo de pequenas empresas comerc|a|s, de ut|||dade econom|ca e de
capac|dade de soorev|venc|a ma|s do que duv|dosa, mu|tas de|as cr|adas e |ncent|vadas
por programas governamenta|s, como o PPOOOM, a conv|ver com a ía|ta dramát|ca de
empresas de |nteríace entre a produção agr|co|a e a grande d|str|ou|ção, quer re|at|vamente
ao mercado |nterno quer d|r|g|das à exportação, que os d|versos governos te|mam em
não íomentar.
8. Excesso de despesas do Estado com eíe|tos na carga í|sca|, mas sem resu|tados
qua||í|cantes na econom|a e na soc|edade, agravando o deí|c|t dos orçamentos do Estado
e o end|v|damento gera| da Nação. Em para|e|o a esco|ha de prát|cas de opac|dade
orçamenta|, nomeadamente a ex|stenc|a de enormes sa|dos ocu|tos, de d|v|das do Estado
e das suas |nst|tu|çoes, o que representa um mode|o de gestão oposto ao que deve ser
o oom governo, que e aque|e que se rege pe|o pr|nc|p|o das ooas contas.
Em part|cu|ar, o gasto excess|vo dos recursos nac|ona|s e comun|tár|os em ooras púo||cas,
em assoc|ação com a sa|da de cap|ta|s dest|nados ao |nvest|mento portugues no
estrange|ro e o íraco |nvest|mento estrange|ro em Portuga|, são íactores cu|a como|nação
negat|va e desastrosa e provoca a redução do |nvest|mento produt|vo no Pa|s e por esta
v|a da produção nac|ona|, pr|nc|pa|mente em novos sectores conhec|mento |ntens|vos e
ma|s va|or|zados, com eíe|tos graves na Ba|ança de Transaçoes Oorrentes e na re|ação
de troca da nossa econom|a com o exter|or, o que ||m|ta um cresc|mento sustentado e de
qua||dade.
Neste contexto, a econom|a portuguesa tem de adoptar rap|damente um mode|o que
va|or|ze a re|ação de troca da nossa produção com o exter|or, mode|o que resum|remos
na tese segu|nte:
O desenvo|v|mento econom|co e soc|a| de Portuga|, no contexto da Ün|ão Europe|a e da
g|ooa||zação, passa pe|o desenvo|v|mento de um sector produt|vo moderno, gerador de
produtos dese|áve|s nos mercados externos, que pr|v||eg|e a |novação e a d|íerença.
O íactor humano qua||í|cado, cu|to e com a adequada íormação c|ent|í|ca, ma|s o acesso
íác||, ráp|do e oarato ao mundo atraves de transportes e de comun|caçoes de ú|t|ma
geração, serão os recursos essenc|a|s.
O nosso atraso e dependenc|a actua|s re|at|vamente à Europa, oor|ga a re|açoes
pr|v||eg|adas da nossa econom|a e do nosso s|stema c|ent|í|co e tecno|og|co com os
Estados Ün|dos e o Japão.
No centro deste mode|o de desenvo|v|mento econom|co está a |ndústr|a e neste sector o
aumento do número de produtos í|na|s e essenc|a|, oo|ect|vo que pode ser rea||zado de
duas íormas comp|ementares:
- Atraves do desenvo|v|mento de produtos |novadores, não ex|stentes no mercado mund|a|,
|á que o íactor de |novação reduz drast|camente os custos de entrada nos mercados e
const|tu|, no nosso tempo, o ma|s íorte íactor da compet|t|v|dade de qua|quer econom|a.
Para |sso Portuga| tem a|guns argumentos a seu íavor: uma certa d|spon|o|||dade do
s|stema c|ent|í|co e tecno|og|co, que resu|ta do n|ve| a|nda |nsuí|c|ente da procura; o
cresc|mento do número de doutorados; uma |ndústr|a de íerramentas e protot|pagem
ráp|da tecno|og|camente avançada e |nternac|ona|mente reconhec|da; a|guma capac|dade
|nvent|va que e prem|ada |nternac|ona|mente com a|guma regu|ar|dade.
- Pe|a atracção do |nvest|mento estrange|ro para o sector produt|vo, atraves de po||t|cas
act|vas e se|ect|vas no |nvest|mento de empresas |ntegradoras que dom|nem mercados
em produtos compat|ve|s com as qua||í|caçoes nac|ona|s, o que aorange um |eque amp|o
em que se podem sa||entar, a t|tu|o de exemp|o, os sectores segu|ntes: te|ecomun|caçoes,
|níormát|ca, or|nquedos, |azer e desporto, transportes, utens|||os med|cos, emoa|agem,
mater|a| e|ectr|co, e|ectrodomest|cos, deíesa, e|ectron|ca de consumo. Bendo que o
argumento de atracção deste t|po de |nvest|mento estrange|ro, e o da redução do
|nvest|mento necessár|o por cada un|dade de produto |ançada no mercado, |á que a
capac|dade |ndustr|a| |nsta|ada em Portuga|, no dom|n|o das íerramentas, engenhar|a de
produto, protot|pagem ráp|da, peças, componentes, s|stemas e serv|ços, perm|te a essas
empresas serem meramente |ntegradoras, reduz|ndo por esta v|a o n|ve| de |ntegração
vert|ca| hao|tua| na Europa, aprox|mando-nos do mode|o em uso no Japão de produção
í|ex|ve|. Ou se|a, o argumento, que e rea|, perm|te a essas empresas concentrar os seus
|nvest|mentos no desenvo|v|mento de produtos, na comerc|a||zação e na d|str|ou|ção,
com a vantagem da sua ma|s ráp|da adaptação às var|açoes do mercado e por esta v|a
a uma compet|t|v|dade acresc|da.
Ou se|a, a |ndústr|a portuguesa pode assum|r, no contexto europeu, uma vocação
|ntegradora oaseada na |mportânc|a que a í|ex|o|||dade, oem como a redução do íactor
tempo e do |nvest|mento necessár|o ao |ançamento de novos produtos, assum|u na
compet|t|v|dade |ndustr|a| das naçoes.
Oomo e ev|dente a pr|me|ra a|ternat|va e a ma|s dese|áve| como o mode|o |dea| para a
econom|a portuguesa, mas não e rea||sta oasear o nosso progresso |ndustr|a| apenas na
ACÇÃO SOClALlSTA 18 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
nossa capac|dade para desenvo|ver, produz|r, comerc|a||zar e d|str|ou|r produtos
|novadores. Por |sso, e necessár|o atra|r o |nvest|mento estrange|ro or|entado para o
desenvo|v|mento de produtos dest|nados ao mercado í|na|, ut|||zador/consum|dor.
De notar que este mode|o econom|co á a|tamente compat|ve| com a s|tuação portuguesa
no campo dos recursos humanos e com o oo|ect|vo estrateg|co de me|horar a qua||dade
do traoa|ho nac|ona|, porquanto:
- Dá um novo sent|do ao pape| das nossas un|vers|dades e da comun|dade c|ent|í|ca,
como resu|tado do cresc|mento da procura de serv|ços de |nvest|gação e de
desenvo|v|mento tecno|og|co.
- Pesponde à crescente necess|dade de cr|ação de empregos para ||cenc|ados, centrando
o cresc|mento íuturo nas áreas das engenhar|as.
- Or|a oportun|dades de emprego, mesmo para desempregados de |onga duração com
íraca esco|ar|dade, na med|da em que uma parte re|evante da act|v|dade |ndustr|a|, sendo
d|r|g|da a produtos í|na|s, comporta um número e|evado de montagens, emoa|agens e
transportes. A|em de aprove|tar a oportun|dade de |oca||zar as novas empresas
|ntegradoras nas reg|oes do |nter|or, na med|da em que estas un|dades íaor|s sendo
d|r|g|das à montagem dos produtos e não a outras operaçoes de íaor|co ma|s comp|exas,
perm|tem um menor |nd|ce de espec|a||zação med|a, |ogo compat|ve| com os recursos
humanos d|spon|ve|s.
A|nda no campo dos recursos humanos nac|ona|s d|scordamos íronta|mente com a |de|a,
mu|to deíend|da em c|rcu|os do Ooverno e do PB, de que a ace|eração do cresc|mento
econom|co depende do aumento do número de traoa|hadores |m|grantes, ía|a-se em
quarenta m||. De íacto, o cresc|mento do número de traoa|hadores |nd|íerenc|ados, com
oa|xo n|ve| de esco|ar|dade, soc|a|mente desproteg|dos, que e mode|o dom|nante entre
nos, so pode contr|ou|r para ||ud|r a necess|dade de a|terar o mode|o econom|co no
sent|do que propomos nesta moção. Acresce que o cresc|mento da |m|gração perm|t|rá
apenas a soorev|venc|a de empresas que v|vem nas margens da |ega||dade e que |á não
dev|am ex|st|r, a|em de cr|ar a prazo um proo|ema soc|a| grave, quando por íorça da
evo|ução do c|c|o econom|co as empresas não puderem manter esses traoa|hadores.
Entretanto, a coerenc|a do mode|o econom|co descr|to nesta moção e ev|dente, não so
pe|as razoes expostas, mas tamoem porque o t|po de |nvest|mento estrange|ro se|ect|vo
que se deíende contr|ou| para um dese|áve| re|ac|onamento com parce|ros e mercados
ex|gentes, írequentemente |novadores, ou se|a, arrasta para dentro da nossa econom|a
a |nternac|ona||zação, que de íorma a|go pr|már|a se tem procurado promover atraves do
|nvest|mento nac|ona| noutros pa|ses. Ooerenc|a que ío| oem v|s|ve| para a Ün|ão Europe|a,
que cons|derou o Pacto Terr|tor|a| Para o Emprego da Mar|nha Orande, como o me|hor
dos o|tenta apresentados em toda a Europa, pacto que se oaseou no mode|o descr|to.
Üma nota oreve para reíer|r que os produtos agr|co|as podem ter uma contr|ou|ção
re|evante na me|hor|a da re|ação de troca da nossa econom|a com o exter|or, a exemp|o
do que acontece, por exemp|o, na v|z|nha Espanha. Basta para tanto compreender que
os proo|emas da agr|cu|tura portuguesa não são agr|co|as mas de comerc|a||zação e
que a ma|or necess|dade dos agr|cu|tores portugueses e a ex|stenc|a de empresas de
|nteríace entre a produção e a grande d|str|ou|ção, de íorma a concentrar as vendas e a
garant|r contractos regu|ares à produção, de|xando aos agr|cu|tores o encargo de me|horar
a qua||dade dos produtos e a produt|v|dade. Para ver|í|car que ass|m e, oasta comparar
a evo|ução mu|to pos|t|va de sectores da agr|cu|tura como o v|nho, o |e|te, o tomate e a
oeterraoa, onde há garant|as contratua|s de escoamento da produção, com a
genera||dade dos outros sectores onde |sso não acontece.
Pe|at|vamente à act|v|dade tur|st|ca, que tem uma grande |mportânc|a no emprego e na
nossa oa|ança í|nance|ra, ser|a út|| que os governos compreendessem que devem dar
autonom|a às reg|oes de tur|smo que verdade|ramente ex|stem A|garve, Made|ra, Le|r|a/
Fát|ma, L|sooa/B|ntra/Estor||, Açores para íazerem a sua propr|a promoção, de|xando
de cr|ar reg|oes adm|n|strat|vas de tur|smo art|í|c|a|s, ou se|a, são as propr|as reg|oes de
tur|smo que conhecem me|hor do que o Estado o que devem íazer. O que, oov|amente,
não |mpede que outras reg|oes do Pa|s cr|em e desenvo|vam os seus propr|os produtos
tur|st|cos, mas sem d|v|soes art|í|c|a|s e consequentemente |rrea|s.
E, nesse sent|do, aqu||o que o Estado pode e deve íazer e promover po||t|cas de qua||dade,
desde a íormação proí|ss|ona| ao uroan|smo, dos transportes à segurança nas ruas e
nos |oca|s de d|versão, do desenvo|v|mento de programas cu|tura|s, à ||mpeza, asse|o e
arrumação dos |oca|s púo||cos e ate na cert|í|cação dos d|íerentes operadores e empresas
do sector. Po||t|ca de qua||dade que e o me|o ma|s eí|caz de promover o tur|smo nac|ona|
e o ún|co que o va|or|za e me|hora a sua compet|t|v|dade no p|ano |nternac|ona|.
A ex|stenc|a do M|n|ster|o da O|enc|a e Tecno|og|a na estrutura dos governos do PB, tem
s|do um íactor mu|to pos|t|vo que or|g|nou novas preocupaçoes e mudanças re|evantes
na soc|edade portuguesa, nomeadamente uma nova cu|tura de responsao|||dade, atraves
do processo de ava||ação do s|stema c|ent|í|co e tecno|og|co nac|ona|, oem como a
ex| stenc| a de ma| s e, pr| nc| pa| mente, me| hores pro| ectos de | nvest| gação e
desenvo|v|mento. Nomeadamente, a Agenc|a para a lnovação, tem dado exemp|os de
grande compreensão e adequação dos pro|ectos apo|ados pe|o Estado à rea||dade
econom|ca nac|ona|, pr|nc|pa|mente atraves da pr|or|dade estrateg|ca de |novação nos
produtos.
F|na|mente, não podemos term|nar este cap|tu|o dest|nado à econom|a, sem uma reí|exão
dura acerca da ausenc|a de v|são e a |nsensatez que tem pres|d|do à pr|vat|zação de um
|eque a|argado de a|gumas das me|hores empresas nac|ona|s. Não porque se|amos
contrár|os às pr|vat|zaçoes, mas porque as pr|vat|zaçoes não devem const|tu|r um dogma,
que tenha de ser ap||cado de íorma |nd|íerente ao |nteresse nac|ona| e às cond|çoes
espec|í|cas de cada sector e de cada empresa. Ou se|a, as pr|vat|zaçoes devem ser
mot|vadas por razoes econom|cas e de compet|t|v|dade da econom|a portuguesa e não
para a g|or|a e para o |nteresse, |nd|v|dua| ou de grupo, dos d|íerentes part|c|pantes no
processo.
Em concreto, nada nos oor|ga a proceder a pr|vat|zaçoes se est|ver em causa o contro|o
nac|ona| de empresas em sectores estrateg|cos ou de empresas com uma contr|ou|ção
part|cu|ar para o conhec|mento proí|ss|ona|, c|ent|í|co e tecno|og|co nac|ona|, como
|nsensatamente ío| perm|t|do no caso do Totta e da venda da Oa|p à |ta||ana ENl e como
parece estar a desenhar-se no sector do pape|. - Boporce| e Portuce| e do c|mento,
O|mpor. Trata-se de empresas exce|entes, com uma contr|ou|ção para o progresso e
desenvo|v|mento de cade|as de va|or nac|ona|s que não pode ser menosprezada, íactor
que não tem s|do suí|c|entemente va|or|zado pe|os sucess|vos governos, s|tuação
agravada pe|a tentat|va de manter secretas as cond|çoes de pr|vat|zação ate o ú|t|mo
momento poss|ve|. O que, se aumenta mu|to o poder e margem d|scr|c|onár|a do M|n|ster|o
das F|nanças, tamoem cr|a ao Ooverno e ao Part|do Boc|a||sta emoaraços permanentes
e, ma|s tarde ou ma|s cedo, proo|emas et|cos de d|í|c|| so|ução no quadro do reg|me
democrát|co.
A |sto deve-se acrescentar a or|entação estrateg|ca errada, ou ate desastrosa , de a|gumas
empresas em íase de pr|vat|zação, mas onde a|nda ex|ste uma grande responsao|||dade
do Estado na gestão, como e o caso da EDP, da PT e da TAP, onde se prosseguem
estrateg|as de a|to r|sco, caso da PT, ou erradas, caso da EDP, ou sem qua|quer estrateg|a,
caso da TAP. Oomo exemp|o, ut|||zamos apenas o exemp|o da EDP, a me|hor empresa
nac|ona| da área da engenhar|a e das tecno|og|as energet|cas, que está a de|xar deter|orar
o seu pr|nc|pa| patr|mon|o í|s|co e |nte|ectua| e a sua rede e|ectr|ca e de produção de
energ|a, nomeadamente h|dráu||ca, para íazer aqu||o que a empresa não saoe íazer,
te|ecomun|caçoes e |nvest|mentos no estrange|ro. Ou se|a, em vez de reíorçar a sua
competenc|a no ramo da energ|a e no serv|ço aos c||entes do sector energet|co e das
engenhar|as, a EDP compromete m||hoes de contos numa estrateg|a que |he não compete,
apenas porque tem d|nhe|ro e um recurso potenc|a|, a rede de í|ora opt|ca. Pede que
poder|a, com ma|s razão, ser d|spon|o|||zada à PTP, que possu| provave|mente o ma|or
stock de conteúdos em |magem, conteúdos que custaram r|os de d|nhe|ro à PT , o que
|ust|í|cou a aqu|s|ção da Lusomundo.
Neste contexto, deíendemos a ex|stenc|a de duas empresas nac|ona|s concorrentes na
área das te|ecomun|caçoes, a PT e uma nova empresa que, como |á d|to, dever|a ter no
seu núc|eo a PTP, ate para dar a|guma capac|dade econom|ca e sent|do à estrateg|a do
Ooverno de manter a PTP como grande consum|dora de recursos do Estado. Mas, para
esta segunda empresa de te|ecomun|caçoes, como para o s|stema de comun|cação/
|níormação em gera|, e essenc|a| a cooertura comp|eta do terr|tor|o nac|ona| com í|ora
opt|ca, o que poder|a ser íac||mente consegu|do atraves da un|ão dos recursos ex|stentes
neste dom|n|o da EDP, Br|sa, OP, Metro de L|sooa e do Porto e T\ Oaoo. Bo|ução que
poder|a ser rea||zada, atraves de um consorc|o entre estas empresas, que vender|a o
acesso a quem o pretendesse, o que, supomos, ser|a uma me|hor so|ução para a íutura
te|ev|são d|g|ta| do que uma nova rede de antenas terrestres.
Em resumo, a econom|a portuguesa está num v|s|ve| |mpasse que, coníorme deíend|do
nesta moção, resu|ta dos var|ados íactores descr|tos e de um mode|o estrateg|co
|ncoerente e |neí|caz. Devemos por |sso ter a amo|ção de rea||zar a convergenc|a rea|
com a Ün|ão Europe|a numa decada, crescendo a um r|tmo seme|hante ao da lr|anda,
para o que temos todas as cond|çoes como povo e como econom|a. Prec|samos apenas
da estrateg|a certa, de po||t|cas adequadas e da d|sc|p||na necessár|a.
V - O PapeI de PortugaI no Mundo, GIobaIização
e ReIações lnternacionais
Ta| como M|chae| Porter, deíendemos o re|ac|onamento das empresas portugueses com
mercados e parce|ros ex|gentes, como íorma de desenvo|ver todas as capac|dades
nac|ona|s, ate porque a exp|osão esco|ar em curso, apesar das suas |nsuí|c|enc|as, nos
perm|te ter ho|e uma amo|ção ma|or no nosso processo de desenvo|v|mento.
Pe|ac|onamento preíerenc|a| que não se deve ||m|tar às empresas, mas que deve |nc|u|r
o s|stema c|ent|í|co e tecno|og|co. O0, o||c oe c0||a /c|ma, ac|eo||amcs q0e sc ocoe|emcs
se| e·ce|en|es na F0|coa a||a.es oe 0ma ||çaçac es||a|eç|ca ccm oa|ses |ecnc|cç|camen|e
a.ançaocs e /c||emen|e |nc.aoc|es, ccmc cs Fs|aocs Jn|ocs e c Jaoac.
Não se trata de qua|quer aíastamento da nossa vocação e das nossas responsao|||dades
europe|as, mas tão so de ter uma estrateg|a propr|a no quadro da Ün|ão Europe|a,
aprove|tando a nossa pos|ção geográí|ca e a nossa trad|ção un|versa||sta para desenvo|ver
parcer|as estáve|s com outras partes do mundo, cu|a contr|ou|ção para o nosso processo
de desenvo|v|mento nos se|a út||. Durante secu|os a estrateg|a nac|ona| ío| encontrar
a||ados, como a lng|aterra, que nos a|udassem a deíender do nosso poderoso v|z|nho, a
Espanha. Actua|mente essa estrateg|a cont|nua vá||da, com a d|íerença de que o va|or
ma|or de qua|quer parcer|a |á não e m|||tar mas econom|co, o que |ust|í|ca que nos vo|temos
para o nosso outro v|z|nho, os Estados Ün|dos.
De uma íorma s|mp|es d|remos que, como no passado, necess|tamos de um adversár|o
com quem possamos med|r íorças e que se|a un|í|cador da vontade nac|ona|, que sempre
ío| e e út|| que cont|nue a ser, a Espanha. Oomo e c|ar|í|cador ter em cada momento um
padrão de sucesso ou mode|o estrateg|co a segu|r e que tenha cond|çoes seme|hantes
às nossas, no presente a lr|anda e, í|na|mente, um a||ado que nos a|ude a consegu|r os
nossos oo|ect|vos e cu|os |nteresses não se|am coní||tua|s com os nossos, no caso os
Estados Ün|dos.
Acresce que os Estados Ün|dos e o ma|or mercado ||vre do mundo, onde tudo se vende,
sendo |á que ex|stem a|gumas das me|hores un|vers|dades do g|ooo e um s|stema
BÜPLEMENTO ACÇÃO SOClALlSTA 19
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
c|ent|í|co aoerto, onde |á há a|gumas reg|oes de em|gração nac|ona| e onde mu|tos
estudantes portugueses tem s|do oem receo|dos e oot|do carre|ras or||hantes, tanto para
os que |á í|caram como para aque|es que vo|taram e const|tuem ho|e uma parte re|evante
da exce|enc|a nac|ona| em d|versas áreas do conhec|mento. Ou se|a, apenas por
prov|nc|an|smo nos podemos perm|t|r desperd|çar as oportun|dades de parcer|a com os
Estados Ün|dos no campo da c|enc|a e da tecno|og|a, ou ter rece|o de enírentar o mercado
amer|cano na |ndústr|a.
Neste contexto, temos de aí|rmar a conv|cção de que o enorme |nvest|mento íe|to no
Bras|| por empresas portuguesas, mu|tas das qua|s da oro|ta do Estado, não tem qua|quer
|ust|í|cação que não se|a a da íac|||dade, porque se ía|a a mesma ||ngua e ex|stem no
Bras|| mu|tas empresas à venda a preço razoáve|. Todav|a, trata-se de uma reg|ão de a|to
r|sco econom|co, onde não ex|ste ||oerdade de comerc|o e que, por |sso mesmo, não
comporta í|uxos comerc|a|s com Portuga|, que e o oo|ect|vo re|evante de qua|quer pro|ecto
de |nternac|ona||zação d|gno do nome.
Portuga| não e uma grande potenc|a econom|ca e dever|a ev|tar comportamentos de
grande potenc|a, ate porque necess|tamos de todos os recursos d|spon|ve|s, no curto
prazo, para rea||zar o essenc|a|, que e |nvest|r em Portuga| na d|vers|í|cação da nossa
act|v|dade econom|ca, nomeadamente na |ndústr|a, em novos sectores e produtos que
va|or|zem a nossa capac|dade compet|t|va no concerto das naçoes. Acontece, no nosso
ponto de v|sta, que os |nvest|mentos íe|tos no Bras|| d|í|c||mente serão rentao|||zados no
curto prazo e, em qua|quer caso, não acrescentam recursos para a modern|zação
ace|erada que precon|zamos para Portuga|.
Pe|at|vamente a Aír|ca, |ust|í|ca-se uma acentuada preocupação em manter exce|entes
re|açoes po||t|cas e aíect|vas com todos os povos de ||ngua oí|c|a| portuguesa, sem de|xar
todav|a de deíender o prest|g|o e os |nteresses de Portuga| e os pr|nc|p|os porque se
rege a nossa democrac|a, na nossa re|ação com os governos, a|nda que sem pretender
|mpor o nosso propr|o mode|o.
No campo econom|co devemos desenvo|ver os í|uxos comerc|a|s poss|ve|s, compat|ve|s
com a coorança dev|da ou a compensação rec|proca, nomeadamente nos sectores
trad|c|ona|s da nossa |ndústr|a e comerc|o, mas devemos reconhecer que d|í|c||mente
esses pa|ses poderão ter, no íuturo prox|mo, uma íorte contr|ou|ção para o nosso propr|o
processo de modern|zação e de desenvo|v|mento. Ou se|a, será atraves de um íorte e
qua||í|cado cresc|mento econom|co, apenas poss|ve| num quadro de re|ac|onamento
|nternac|ona| ex|gente, que Portuga| poderá amea|har os recursos que nos perm|tam
cumpr|r a nossa vocação e os nossos sent|mentos aír|canos.
O a|argamento da Ün|ão Europe|a íavorece pr|nc|pa|mente os pa|ses ma|s poderosos da
Europa Oentra| e será uma íonte de preocupação para o nosso processo de
desenvo|v|mento e para a econom|a portuguesa, nomeadamente se não assum|rmos
com rap|dez e determ|nação um novo mode|o econom|co, na ||nha do que ío| proposto
anter|ormente neste texto. lsto e, |mpoe-se que o a|argamento nos encontre numa pos|ção
econom|ca ma|s avançada, |e|a-se numa pos|ção de ma|or d|vers|dade e va|or|zação da
produção nac|ona| e não em concorrenc|a d|recta nos mesmos sectores com os pa|ses
do Leste, que tem custos mu|to ma|s oa|xos e, pr|nc|pa|mente, recursos humanos ma|s
qua||í|cados. Por outro |ado, compreendemos as |mp||caçoes po||t|cas pos|t|vas do
a|argamento, mas cons|deramos ser errado para o propr|o processo da construção
europe|a, querer que|mar etapas, sem uma ava||ação suí|c|ente das d|í|cu|dades cu|tura|s,
econom|cas e po||t|cas do a|argamento.
Neste contexto Portuga| deve ag|r com grande precaução no deoate europeu, aostendo-
se de contr|ou|r para o ·d|rector|o· dos grandes pa|ses, mas pr|v||eg|ando a
|nst|tuc|ona||zação da democrac|a europe|a e a democrat|zação dos orgãos de poder
europeus. Nomeadamente o reíorço do Par|amento Europeu, mas tamoem a cr|ação de
uma Begunda Oâmara ou Benado Europeu, com representação |gua| de todos os Estados
da Ün|ão Europe|a, cond|ção que dever|a ter preced|do o Tratado de N|ce, mas que e a
íorma |donea de ace|tar o prece|to democrát|co da |gua|dade de representação de todos
os c|dadãos da Europa.
No campo da deíesa e segurança nac|ona|s, d|scordamos da evo|ução trad|c|ona||sta
das po||t|cas que tem s|do segu|das em Portuga|, nomeadamente em re|ação à esco|ha
dos equ|pamentos e dos oo|ect|vos estrateg|cos que |hes estão suo|acentes.
Oons|deramos que neste dom|n|o, como em quase todos os outros, a |novação e a
d|íerenc|ação comportam v|rtudes e oportun|dades que Portuga| não pode desperd|çar,
ate por íorça dos recursos escassos à nossa d|spos|ção, nomeadamente no |n|c|o do
processo que conduz|rá às Forças Armadas Europe|as. Em concreto, cons|deramos que
as nossas Forças Armadas devem ter a|guma vocação espec|í|ca, a de responder ao
oo|ect|vo pr|or|tár|o de garant|r a sooeran|a e a segurança no espaço da nossa zona
econom|ca exc|us|va, re|at|vamente a ac|dentes natura|s, desastres mar|t|mos e aereos e
ataques amo|enta|s ou da cr|m|na||dade |nternac|ona|.
Trata-se de um oo|ect|vo compat|ve| com os nossos recursos e que poderá conduz|r
Portuga| a ser um dos pr|me|ros pa|ses do mundo a desenvo|ver uma capac|dade
espec|í|ca neste dom|n|o, que pode e deve ser a|tamente qua||í|cada e tecno|og|camente
avançada, a|em de comp|etar, por d|íerença, as restantes íorças armadas europe|as.
Nesse sent|do, não prec|samos de ma|s me|os aereos F16, mas de um número e|evado
de he||copteros capazes de coor|r com rap|dez toda a zona exc|us|va, como não se
|ust|í|ca uma armada cara composta de suomar|nos, mas de |anchas ráp|das e um ou
ma|s nav|os de transporte de tropas e de outros me|os de apo|o, para des|ocaçoes no
quadro das m|ssoes de paz e de a|uda aos pa|ses de ||ngua oí|c|a| portuguesa, a|em de
me|os soí|st|cados de prevenção e de ||mpeza nos casos de ac|dentes eco|og|cos.
Os suoscr|tores da presente moção cons|deram um escânda|o púo||co, para ma|s num
pa|s de trad|ção mar|t|ma, o número de ac|dentes ocorr|dos nas águas à nossa guarda
e, pr|nc|pa|mente, a |ncapac|dade nac|ona| de socorrer os homens do mar, portugueses
e estrange|ros, que constantemente morrem sem qua|quer sent|do ou necess|dade, por
ausenc|a de me|os aereos em prevenção permanente, |e|a-se he||copteros, se|a no
cont|nente se|a nas ||has. A|em da questão de perda de sooeran|a e da d|gn|dade nac|ona|,
que resu|ta do recurso, para estes í|ns, a outros pa|ses, nomeadamente à Espanha.
Trata-se de transíormar um constrang|mento nac|ona| numa oportun|dade de |novar e de
antec|par a|guma d|v|são de tareías no p|ano europeu.
Do nosso ponto de v|sta, a verdade|ra pooreza dos pa|ses res|de na ía|ta de v|são e de
qua||í|cação para rea||zar aqu||o que está na sua capac|dade íazerem e não íazem.
lnversamente, os pa|ses são r|cos quando deí|nem com r|gor aqu||o que podem íazer e
o íazem com qua||dade, ma|s a|nda se nesse processo saoem antec|par as necess|dades
propr|as e a|he|as, sendo que nenhuma resposta a qua|quer oportun|dade e ma|s noore
do que aque|a que envo|ve a deíesa da v|da humana. Ou se|a, não v|mos qua|quer
|ust|í|cação para que um Estado moderno e democrát|co, mas com poucos recursos,
cons|dere necessár|o ter av|oes F16 ou suomar|nos, dest|nados a operaçoes cu|a
necess|dade, com toda a prooao|||dade nunca se ver|í|cará, e de|xe morrer os seus
homens do mar por ía|ta de um he||coptero d|spon|ve| 24 hora por d|a em cada zona do
espaço que nos está coní|ado
A |nternac|ona||zação das econom|as e um processo ant|go a que Portuga| dos
descoor|mentos deu o ma|s determ|nante dos |mpu|sos, processo que ío| entretanto
ace|erado por v|rtude dos acordos de comerc|o ||vre, d|nam|zados pe|os Estados Ün|dos
e que correspondem aos |nteresses da econom|a e das empresas norte amer|canas. E
a|nda que se|a cedo para compreender, em toda a sua d|mensão, qua| o sa|do í|na| para
cada povo deste processo, e todav|a |negáve| que os ma|ores oeneí|c|ados são os
consum|dores, que podem adqu|r|r tudo aqu||o de que prec|sam e podem comprar, a
preços ma|s oa|xos, a que se segue uma nova oportun|dade para os pa|ses com custos
de mão de oora e com |níra-estruturas, í|s|cas e humanas, que |hes perm|ta a preíerenc|a
das empresas mu|t|nac|ona|s para as suas des|oca||zaçoes, na ousca dos ma|s oa|xos
custos.
Ou se|a, a |nternac|ona||zação não e um processo ||near, com ganhos ou pre|u|zos
ev|dentes e |gua|s para todos, mas uma oportun|dade que para ser aprove|tada em toda
a sua d|mensão, tem de ser oem ger|da e de ser |ntegrada num mode|o coerente de
desenvo|v|mento econom|co, o que |níe||zmente não e, g|ooa|mente, o nosso caso.
Vl - Leiria, Uma Região ModeIo
O mode|o para a econom|a proposto antes neste texto, |nsp|rou-se na h|stor|a e na v|venc|a
da econom|a e da v|da soc|a| do d|str|to de Le|r|a, a|em natura|mente, da aná||se da
econom|a portuguesa e do conhec|mento da genera||dade dos pa|ses europeus, Estados
Ün|dos, Japão, Oore|a e B|ngapura, para c|tar apenas estes. Mas essenc|a| ío| a exper|enc|a
co|h|da na reg|ão de Le|r|a, cu|a econom|a cresce o dooro da med|a nac|ona| e que
reve|a uma notáve| compet|t|v|dade no p|ano |nternac|ona|, verdade|ro oanco de ensa|o
de mu|tas das propostas que íazemos.
As gentes de Le|r|a são traoa|hadoras, o que não chegar|a, mas reve|am tamoem uma
grande capac|dade de |n|c|at|va e apesar do íorte |nd|v|dua||smo e |ndependenc|a
dom|nantes em Le|r|a e no Oeste, ex|stem conce|hos como a Mar|nha Orande onde há
uma grande trad|ção de acção co|ect|va e de cooperação, com or|gem na |ndústr|a v|dre|ra
e na cu|tura pro|etár|a que a|| se desenvo|veu e que pouco a pouco se tem expand|do e
|ní|uenc|ado o mode|o empresar|a| da reg|ão, na med|da em que a genera||dade dos
empresár|os de ho|e íoram, no passado, operár|os.
A econom|a de Le|r|a, como a do Oeste em gera|, e composta de pequenas e med|as
empresas, que íormam um tec|do econom|co mu|to d|vers|í|cado - composto de |ndústr|a,
a ma|s ant|ga de Portuga|, de agr|cu|tura, c|aramente d|íerenc|ada no contexto nac|ona|,
de pescas e de tur|smo - com um equ|||or|o entre sectores e uma modern|dade g|ooa|
que não tem para|e|o no nosso Pa|s. Modern|dade que resu|ta tamoem de uma vocação
|nternac|ona| c|ara, cr|ada a part|r dos sectores |ndustr|a|s do v|dro, dos mo|des e da
cerâm|ca, mas que ho|e se estende à genera||dade das d|versas áreas da econom|a da
reg|ão.
A |ndústr|a da reg|ão de Le|r|a não e |á ho|e mu|to d|íerente das reg|oes |ndustr|a|s ma|s
avançadas dos outros pa|ses europeus, notave|mente d|vers|í|cada v|dros, mo|des,
engenhar|a de produtos, protot|pagem, s|stemas |níormát|cos e de automação, cerâm|ca,
mater|a| e|ectr|co, e|ectron|ca, meta|urg|a, s|stemas para automove|s, cartonagem,
moo|||ár|o, cute|ar|a, art|gos de p|ást|co, íund|ção |n|ectada, conservas de pe|xe e íruta,
coníecção e vestuár|o, tecno|og|as da |níormação com serv|ços de apo|o modernos
nas áreas da gestão, da |níormát|ca e dos recursos humanos. Bendo que a d|vers|í|cação
at|ng|da e os contactos |nternac|ona|s adqu|r|dos são uma oase de exce|enc|a para uma
eíect|va ||derança |ndustr|a| no p|ano nac|ona|, mas tamoem no p|ano |nternac|ona|. É,
a||ás por |sso, que mu|tas empresas estrange|ras, nomeadamente da área das novas
tecno|og|as se |nsta|aram na reg|ão, empresas como a Hasco, Eschman, DHL, Thyssen,
Oraph|te Techno|og|es.
A agr|cu|tura e composta de pequenas exp|oraçoes, d|r|g|das para produtos va|or|záve|s
no mercado, como as írutas, os pr|mores, o v|nho, a produção |ndustr|a| de írangos,
com uma percentagem |nteressante de produção íe|ta em estuías, e, em gera|, com uma
ooa qua||dade dos produtos. Ou se|a, no panorama agr|co|a portugues não ex|stem
mu|tas reg|oes com as mesmas potenc|a||dades, nomeadamente tendo em v|sta o
mercado externo, como a reg|ão de Le|r|a e Oeste, mas ex|stem áreas a |ust|í|car uma
|ntervenção do Estado: para reso|ver os proo|emas amo|enta|s na su|n|cu|tura e para
|ncent|var novas íormas |ntegradas de comerc|a||zação e d|str|ou|ção.
ACÇÃO SOClALlSTA 20 BÜPLEMENTO
XÌÌ CONGRESSO NACÌONAL DO PS
A act|v|dade de pesca da reg|ão tem soír|do com a desorgan|zação gera| do sector e
das po||t|cas s|mp||stas da Ün|ão Europe|a, cu|o oo|ect|vo tem s|do desmante|ar oarcos
ma|s de que |novar em novas íormas de captura, novos t|pos de emoarcaçoes adequadas
a cada t|po de pe|xe e de pesca e uma nova organ|zação da act|v|dade, que va|or|ze o
pe|xe como um íactor que se d|z escasso: desde a í|xação de epocas de captura ao
estudo c|ent|í|co das espec|es, da automação das artes de pescar ao s|stema de
comerc|a||zação e d|str|ou|ção, com garant|a de qua||dade e a des|gnação de or|gem ou
marca. Evo|ução que tem em Pen|che uma ooa oase de part|da e uma cu|tura do mar
d|st|nta, a|em de novos e modernos me|os de construção e de reparação nava|s,
adequados à pesca.
O tur|smo da reg|ão possu| uma marca |nternac|ona|mente conhec|da e prest|g|ada,
Fát|ma, mas a r|queza tur|st|ca do D|str|to de Le|r|a e ma|s comp|eta, compreendendo
a|guns dos ma|s representat|vos monumentos nac|ona|s, ooas pra|as, grutas, termas e
gastronom|a. Bendo que o ma|or proo|ema da reg|ão neste sector da econom|a e a
írag|||dade da promoção tur|st|ca |ntegrada, um nome uma reg|ão, o que íaz com que a
marca Fát|ma se|a ma|s rentao|||zada por L|sooa do que por Le|r|a. Trata-se, por |sso, de
autonom|zar a marca Fát|ma/Le|r|a no sent|do de í|xar os tur|stas, nac|ona|s e estrange|ros,
para estad|as comp|etas e ma|s |ongas, e menos v|s|tas de um d|a a part|r de L|sooa.
A reg|ão do Oeste e Le|r|a tem todas as cond|çoes para const|tu|r a oase |og|st|co de
Portuga|, com cond|çoes seme|hantes às de Poterdão, |sto e, a concentração dos
transportes, aereo, mar|t|mo, íerrov|ár|o e rodov|ár|o, num entreposto |ntermoda|,
const|tu|do pe|o aeroporto da Ota, o porto de Pen|che, com vocação para contentores,
as ||nhas íerreas do Norte e Oeste, a|em do novo comoo|o de a|ta ve|oc|dade e as rodov|as
A1, A8 e lP6. Ta| como Poterdão, este s|stema tem a vantagem da prox|m|dade de uma
grande metropo| e de serv| ços, L| sooa, sem o | nconven| ente dos grandes
congest|onamentos uroanos a e|a |nerentes.
Mas e no p|ano do conhec|mento e, pr|nc|pa|mente, no p|ano da |nvest|gação c|ent|í|ca
que Le|r|a tem as suas ma|ores carenc|as para que o mode|o se |mponha em deí|n|t|vo,
na med|da em que a reg|ão não tem uma un|vers|dade púo||ca e a sua dependenc|a do
conhec|mento c|ent|í|co/ourocrát|co de Oo|mora, com quem nunca ex|st|u uma
comun|cação eí|caz da parte das empresas, torna |nv|áve| ut|||zar a |mensa gama de
tecno|og|as |ndustr|a|mente ex|stentes na reg|ão, a ma|s vasta do Pa|s, para a cr|ação e o
desenvo|v|mento do conhec|mento c|ent|í|co.
A modern|zação da ||nha íerrea do Oeste e uma proíunda necess|dade sent|da pe|as
pessoas de todos os quadrantes soc|a|s, tanto para os que não possuem automove|
como para aque|es, que |á são mu|tos, que tendo automove| preíer|am íazer as suas
v|agens regu|ares ut|||zando o cam|nho de íerro, poupando v|das, gaso||na, o amo|ente e
reduz|ndo a tensão que const|tu| conduz|r nas estradas da reg|ão, nomeadamente para
L|sooa.
Oomo uma reg|ão autonoma do ponto de v|sta econom|co, Le|r|a ressente-se da sua
permanente dependenc|a do poder po||t|co centra|, ourocrát|co, |ncapaz de compreender
as necess|dades e as potenc|a||dades da reg|ão, poder que usa uma ||nguagem e
prát|cas desadequadas re|at|vamente às amo|çoes e à v|venc|a |oca| e |nternac|ona| das
gentes da reg|ão e que íaz parte da cu|tura presente no d|a a d|a dos traoa|hadores, dos
empresár|os e dos quadros. Nomeadamente a d|v|são do D|str|to por duas com|ssoes
de coordenação reg|ona|, oem como a ausenc|a de orgãos |oca|s de p|aneamento e de
dec|são, são questoes |nace|táve|s para todas as ||deranças |oca|s, se|am part|dár|as,
econom|cas ou soc|a|s.
Oomo |á aí|rmado, um dos pr|nc|pa|s oo|ect|vos estrateg|cos do desenvo|v|mento do
D|str|to de Le|r|a, no seu con|unto, e a e||m|nação das grandes ass|metr|as de
desenvo|v|mento e de cr|ação de r|queza entre o e|xo Le|r|a /Mar|nha Orande re|at|vamente
aos conce|hos do Norte do D|str|to, de acordo com o que ío| deí|n|do no Pacto Terr|tor|a|
para o Emprego. Bendo a|nda dese|áve| uma d|scr|m|nação pos|t|va no |nvest|mento
púo||co a íavor destes conce|hos.
Em qua|quer caso a Peg|ão de Le|r|a const|tu| uma oase avançada do mode|o econom|co
que precon|zamos para Portuga|, mode|o oaseado no conhec|mento e na qua||í|cação
do traoa|ho, que se|am econom|ca e soc|a|mente rentao|||záve|s, de íorma ||vre e sem a
dependenc|a excess|va do Estado. Ass|m |sso possa v|r a ser compreend|do pe|o poder
po||t|co, com oeneí|c|os oov|os para o desenvo|v|mento e modern|zação de Portuga|.
Vll - Juventude e Futuro
Pensar o íuturo da Nação está ||gado de íorma d|recta à sua Juventude, o que não e
separáve| da educação c|v|ca, c|ent|í|ca e cu|tura| dos |ovens. Ou se|a, a qua||dade da
act|v|dade po||t|ca, a et|ca e a pedagog|a repuo||canas de que ía|amos, oem como as
po||t|cas de educação, são íactores re|evantes da íormação da |uventude portuguesa e,
por essa v|a, da qua||dade do desenvo|v|mento e do íuturo de Portuga|.
Da mesma íorma, não há desenvo|v|mento humano da |uventude sem um amo|ente
ex|gente e íormat|vo, nomeadamente na área dos comportamentos, se|a esse amo|ente
na íam|||a, na esco|a, na soc|edade e no Estado, sendo a nosso ver |nd|scut|ve| que o
n|ve| de ex|genc|a pe|a qua||dade exerc|do soore a nossa |uventude se tem v|ndo a
degradar em todas estas áreas e nomeadamente na esco|a e na acção do Estado, que
são as áreas que podem ser tratadas no âmo|to desta moção.
É tamoem por esta razão que |amentamos o n|ve| de degradação do Estado e o amo|ente
gera| de |nd|sc|p||na que se v|ve em Portuga|, desde a desorgan|zação uroana ao hao|tua|
|ncumpr|mento de horár|os, da prom|scu|dade dos |nteresses à |rresponsao|||dade a
que se chama ía|samente democrac|a - do me|o academ|co, do carre|r|smo po||t|co,
írequente nos part|dos po||t|cos e na genera||dade das h|erarqu|as do Estado, ao oa|xo
n|ve| de ex|genc|a v|s|ve|, por exemp|o, nas oa|xas prop|nas, no acesso ao Ens|no Buper|or
com nota negat|va e na permanenc|a dos a|unos nas un|vers|dades para t|rar um curso
sem ||m|te prát|co de tempo.
De íacto, os suoscr|tores desta moção preocupam-se menos com a qua||dade da nossa
|uventude, em que depos|tam coní|ança e esperança, do que com os maus exemp|os e
os maus |nstrumentos de|xados pe|as geraçoes que actua|mente detem o poder em
Portuga|, po||t|co e econom|co, e que vão |egar aos |ovens de ho|e. Esta e, tamoem, a
d|mensão necessár|a de uma nova pedagog|a do poder, como |á tratado neste traoa|ho,
num outro contexto.
A íormação dos |ovens e de oase h|stor|ca e por essa v|a írequentemente mu|to pouco
|novadora e não d|nâm|ca. Esta e tamoem a razão porque precon|zamos a |ntrodução
do estudo do ¨Tema do Futuro" na educação dos |ovens em todos os n|ve|s do ens|no,
do pre-esco|ar ao un|vers|tár|o, como um e|emento |novador da pedagog|a da íormação,
nomeadamente atraves da ||gação permanente de todos os íenomenos tratados na esco|a,
como a||ás na íam|||a, com a d|nâm|ca da tempora||dade e da re|at|v|dade da v|da humana.
Ens|nar a pensar o íuturo e a |nterag|r com e|e, e uma das ma|s noores e das ma|s
proí|cuas íormas de constru|r esse íuturo, com ma|s qua||dade e ma|s ex|genc|a |nd|v|dua|
e co|ect|va.
Bem gostar|amos que essa íosse a mensagem ma|s íorte a emerg|r deste Xll Oongresso
do Part|do Boc|a||sta, uma mensagem ex|gente, v|rada para o íuturo, capaz de moo|||zar
os portugueses ao redor de oo|ect|vos nac|ona|s de progresso, modern|dade e |ust|ça.
Henrique Neto