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R. Bras. Zootec., v.27, n.2, p.

331-337, 1998

Digestão Total e Pré-Cecal dos Nutrientes em Potros Fistulados no Íleo
Ana Alix Mendes de Almeida Oliveira2, Augusto César de Queiroz 3, Sebastião de Campos Valadares Filho3, Maria Ignez Leão3, Paulo Roberto Cecon4, José Carlos Pereira3
RESUMO - Seis potros machos, 1/2 sangue Bretão-Campolina, fistulados no íleo, foram alimentados à vontade com três rações: R1 - capim-elefante, R2 - capim-elefante + milho moído e R3 - capim-elefante + milho moído + farelo de soja, para: 1) estimar e comparar a digestibilidade aparente da matéria seca (MS), obtidas por intermédio do indicador óxido crômico e da coleta total de fezes; 2) avaliar a digestibilidade aparente pré-cecal e pós-ileal da MS, matéria orgânica (MO), proteína bruta (PB) e fibra em detergente neutro (FDN), para as três rações; e 3) calcular, por diferença, o valor energético e protéico do grão de milho moído e sua combinação com o farelo de soja para eqüinos. Análise descritiva foi feita para todos os valores observados. Os coeficientes de digestibilidade aparente, estimados com o óxido crômico para as três dietas, subestimaram os valores obtidos pela coleta total de fezes. Maiores valores de digestibilidade aparente para MO, PB e constituintes da parede celular foram encontrados, quando se adicionou farelo de soja ao capim-elefante e milho moído (R3). A digestibilidade aparente do extrato etéreo foi similar tanto para o milho moído (R2) quanto para o milho moído mais farelo de soja (R3). O capim-elefante teve baixos valores de digestibilidade aparente, pré-cecal e pós-ileal. A digestibilidade aparente pré-cecal da PB, na ração 2, foi inferior à da ração 3 e maior para MS. A digestibilidade pós-ileal da FDN na ração 2 foi maior que a da ração 3. Os locais de digestão de PB, FDN, MS e MO foram influenciados pelas dietas, sendo o intestino delgado o local mais ativo de digestão da proteína e o intestino grosso, o mais ativo para a digestão da fibra. Palavras-chave: capim-elefante, digestibilidade aparente, eqüino, fístula, íleo, pós-ileal, pré-cecal

Total and Pre-cecal Digestion of the Nutrients in Colts Ileum Fistulated
ABSTRACT - Six male colts, ½ blood “Breton-Campolina” ileum fistulated were ad libitum fed with three rations: R1: elephant grass; R2: elephant grass plus ground corn, and R3: elephantgrass plus ground corn plus soybean meal, aiming: 1) to estimate and compare the total apparent digestibility of dry matter (DM), obtained by the marker chromic oxide and the total collection of feces, 2) to evaluate the pre-cecal and post-ileal apparent digestibility of DM, organic matter (OM), crude protein (CP), and neutral detergent fiber (NDF), for the three diets and 3) to calculate, for difference, the energy and protein values of corn and its combination with the soybean meal for equine. A descriptive analysis was made for all the observed values. The estimate coefficients of apparent digestibility, for the three diets, using chromic oxide underestimated the values obtained by total feces collection. Highest values of apparent digestibility for OM and CP and fiber constituents of cellular wall were found, when soybean meal was added to the elephant grass and to the ground corn (R3). The apparent digestibility ether extract was as much similar for the corn (R2) as for corn plus soybean meal (R3). The elephant grass had low values of pre-cecal and post-ileal apparent digestibility. The pre-cecal apparent digestibility of CP, in the diet 2, was lower than the diet 3 and higher for DM. The digestibility pre-ileal of NDF, in the diet 2, was higher than that of the diet 3. The sites of digestion of CP, NDF, DM and OM were influenced by diets, being the small intestine the site more active in the digestion of protein and the large intestine, the most active site for the digestion of fiber. Key Words: elephantgrass, apparent digestibility, equine, fistula, post-ileal, post-ileal, prececal

Introdução A importância de se fazerem estudos com a espécie Eqüus caballus está no fato de que se conhece muito pouco sobre sua nutrição e fisiologia da digestão. Apesar de o Brasil possuir uma das maiores populações de eqüídeos do mundo, cerca de
1Parte da Tese de Mestrado do primeiro autor, financiada 2Estudante de Doutorado - UNESP - Jaboticabal, SP. 3Professor do DZO/UFV. Pesquisador do CNPq. 4Professor do DMA/UFV.

6.200.000 cavalos, além de 2.060.000 muares e 1.350.000 asininos (FAO, 1992), o número de publicações, nessa área, ainda permanece limitado. HINTZ (1983) relatou que o conhecimento da fisiologia da digestão dos eqüinos é essencial para práticas nutricionais sólidas. Faz-se necessário conhecer não somente como o trato digestivo funciona,

pela CAPES.

03 3. estudos de digestibilidade parcial. avaliar as digestibilidades disponíveis para os eqüinos. Essas diferenças podem influenciar na Foram objetivos desta pesquisa comparar os forma pela qual os nutrientes são absorvidos. Os animais fistulados foram alojados O uso de eqüinos fistulados.07 1. por meio da digestibilidade parcial do amido com o uso de eqüinos coleta de fezes. Os coeficientes obtidos de gastrintestinal. microbiana.74 0. 53. principalmente. em que foram utilizados bovinos. GIBBS et al. por diferença.02 1.9. FDN. auxiliam na determinação de fistulados no íleo distal. Material e Métodos fistulados nos diferentes segmentos do trato gastrintestinal.40 1.78 0. têm provocado incrível avanço na com idade e peso médios de 18 meses e 196 kg. determinandotura mineral e vitamínica à vontade. cuja digestão básica é respectivamente. para MS. 36. para o amido. mestiços das raças Bretão-Campolina. proteína bruta. e pós-ileal.capim-elefante. respectivamente.capimTabela 1 . enzimática.25 % PV 2. no em baias individuais..65 0. PB e FDN.Consumos de matéria orgânica. sendo metade às 8h Com a coleta total de fezes ou com o uso de indicae a outra parte às 16h.9.02. para estudos de digestão de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa.16 1.38%. (1977) deram início a uma série de estudos de a ser.21 0. No Brasil. matéria problema seria utilizar dados de digestibilidade apaorgânica (MO).57 - kg/dia 6. celulose e lignina Table 1 Intake of organic matter. ou seja.04. A digestão nos eqüinos se divide pectivamente. 51.61%.70 0. Ensaios de digestão com eqüinos.10 0. podencoeficientes de digestibilidade aparente da matéria do interferir diretamente na perda da energia digestível seca.28 2. ether extract. NDF. (1995) relataram que os dados cular. fisiologia da digestão dessa espécie. não são citadas na literatura nacioMinas Gerais (OLIVEIRA. e 56. oferecido junto com o concentrado.capim-elefante entes no nível do intestino grosso.32 0.47 % PV 1.78 - kg/dia 4. MS. e O experimento foi conduzido no Departamento fistulações feitas com sucesso.67 1. suínos e coelhos.47 % PV 2.07 0. 1995). FDA.17 1. respectivaem pré-cecal.35. a digestibilidade dos nutriração 1 .84 - . parcial em eqüinos. ainda são intensamente realizados.10 1. os valores energéticos e protéicos obtidos com a digestibilidade aparente total não são do milho em grão triturado e sua combinação com o indicativos da qualidade real dos alimentos protéicos farelo de soja para eqüinos. restrato gastrintestinal. e avaliar os coeficientes de que a digestibilidade parcial permite melhor compredigestibilidade aparente total.07 0.22 1.37 2. mas o quanto eficiente o seu funcionamento pode vir et al. HOUSEHOLDER mais grão de milho triturado e ração 3 .332 OLIVEIRA et al. e 48.18 0. obtidos pela coleta total de fezes. 55. de eqüinos fistulados. mostram o comportaefeitos do processamento dos grãos de aveia e sorgo. O volumoso foi se. Foram utilizados seis nal consultada.93 1.35 0. contudo. MO.crude protein. com bebedouro automático e misíleo permite o estudo da digesta ileal. O consumo diário dos nutrientes dores.69 0. ração 2 . com o uso potros machos. para as três rações estudadas. celullose and l ignin Nutriente Nutrient Consumo do nutriente da ração Nutrient intake of the diet Ração 1 Diet Ração 2 Diet Ração 3 Diet Matéria orgânica (Organic matter) Proteína bruta (Crude protein) Extrato etéreo (Ether extract) FDN (NDF) FDA (ADF) Celulose (Cellulose) Lignina (Lignin) kg/dia 3. estimados pelo indicador externo óxido crômico.14 2.03. pode-se estimar a digestibilidade total dos é mostrado na Tabela 1. extrato etéreo. 1991).14 0. As rações estudadas foram: nutrientes e. Esses autores estudaram os digestibilidade total. mento dos nutrientes ao longo de todo o trato triturados ou micronizados.14 0.97 0. pré-cecal e pós-ileal da ensão do valor biológico dos nutrientes.14 0. e 53. a solução para esse aparentes pré-cecais da matéria seca (MS). (1996) acrescentaram três rações fornecidas. calFARLEY et al. proteína bruta (PB) e FDN. Trabalhos em outros países. por diferença. não mencionam sobre as digestibilidade parcial pré-cecal para aveia triturada e contribuições isoladas dos diferentes segmentos do micronizada e sorgo moído e micronizado foram.30 1. a digestibilidade pré-cecal dos nutrientes.55 0. assim. ADF.16 0. 62. para as rente parcial.87 0. com os (RADICKE et al. cuja digestão predominante é mente.

duas vezes ao dia para a análise do óxido crômico para estimar a produção de fezes total. formado por três períodos e três rações. Foram encontrados em outros trabalhos valores de digestibilidade mais elevados para a coleta total do que pelo método estimado pelo óxido crômico 60 Digestibilidade (%) Digestibility (%) 54. pela manhã e tarde. pesadas e secas em estufa de ventilação forçada a 65°C. cinzas. A determinação do óxido crômico foi realizada de acordo com a metodologia descrita por WILLIANS et al. Foram coletadas amostras dos alimentos fornecidos e das sobras diariamente durante os períodos de coletas de digesta do íleo. após a defecação. retiradas e armazenadas alíquotas de 10. Figure 1 . × ( % Nut.0%. Ao final dos três períodos de coletas. sempre às 8 e 16 h. Fluxo de MS fecal = 100x quantidade de indicador fornecida % indicador na MS fecal Fluxo de MS ileal = Indicador ingerido x 100 % do indicador na MS ileal MS consumida × ( % Nut. celulose.) − Fluxo MS Ileal × %Nut.4 (15. sendo.% Cr MS ingerida x 100 %Cr MS Fecal .) MS consumida × ( % Nut. O experimento constou de três períodos de 26 dias cada. ( ) x 100 × 100 Digestibilidade Pós . sendo os 15 primeiros dias utilizados para adaptação. As digestas de íleo foram coletadas a intervalos de 28 horas. das fezes e das digestas de íleo foram homogeneizadas. adotou-se a análise descritiva dos parâmetros avaliados: digestibilidade aparente total. No entanto. (FDA).R. para as três rações e seus respectivos coeficientes de variação (CV). foram retiradas amostras.3 (21. iniciando-se às 10 h e encerrando-se às 6 h. algumas perdas de fístulas e animais durante o experimento comprometeram o delineamento adotado.Mean total apparent digestibility of the dry matter by total collected.2) 15.6) CDAMS CDADM CDAMSOC CDADMOS R2 R3 Figura 1 -Coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca.Bras. e óxido crômico (CDAMSOC). elefante mais grão de milho triturado mais farelo de soja. como indicador externo. as amostras dos alimentos fornecidos.ileal (%) = ( ) Digestibilidade total (%) = MS cons x (%Nut) . fornecido em duas doses diárias de 5 g.cecal (%) = MS cons. MS cons. A coleta total de fezes foi feita em um período de 24 horas. Utilizou-se óxido crômico.) − Fluxo MS Ileal × %Nut. e os estimados com o óxido crômico podem ser vistos na Figura 1. Logo após. por 72 horas.5 (64. As análises de MS. após.MS exc fezes x (%Nut) x 100 MS consumida x (%Nut) Digestibilidade total estimada pelo marcador (%) = %Cr MSFecal .4) 46.5 (7.Zootec. foram moídas em moinho com peneira de 1 mm2.8 (12. Foi utilizado delineamento em quadrado latino 3 x 3.9) 49. das sobras. pré-cecal e pós-ileal dos nutrientes. Portanto. fibra em detergente ácido. com dois 333 animais por ração. O fluxo de MS fecal. FDN. lignina e extrato etéreo EE foram feitas conforme descritas por SILVA (1990). homogeneizadas. fluxo de MS ileal e as digestibilidades pré-cecal e pós-ileal foram calculadas utilizando-se as seguintes fórmulas: Resultados e Discussão Os coeficientes de digestibilidade aparente da MS. (CDADM) and chromic oxide( CDADMOS) for the three diets and their respective coefficient of variation.) Digestibilidade Pré .4) 50 40 30 20 10 0 R1 23. × ( % Nut. obtidos pela coleta total. Com relação às fezes. (1962). nitrogênio total (N total). Os valores obtidos com o óxido crômico subestimaram os coeficientes de digestibilidade da MS obtidos com a coleta total. obtidos pelos métodos de coleta total (CDAMS). cinco dias para a coleta de fezes e seis para as coletas de digestas. totalizando seis amostras por animal.1 (10. sendo todas acondicionadas em sacos plásticos. diretamente do piso. via oral.2) 44.

6 37.40%).40%). FDN.80 e 86. quantitativa e qualitativamente. MEYERS et al. sendo o maior para a ração 3. podem ser vistos na Tabela 2.2 87.5 44. aos consumos de FDN de R2 e R3: 2. A inclusão de milho ou milho mais farelo de soja melhorou a digestibilidade aparente da MO.8 13. aumentando.4 72. (49.8 21.2%). Celulose e Lignina. PB. foram superiores às obtidas para a ração 1 (24.3 28.9 86. segundo o NRC (1989).70%). quando foram adicionados milho e farelo de soja.4 (%).4 18. Isso pode ser explicado pela redução no teor de FDN da ração 3.9 CDAT1 TADC R3 CV2 15.3 21.1 24. 1975). as coletas feitas durante o dia tendem a subestimar a digestibilidade.8 29.7 CDAT1 TADC R2 CV2 21. com menor coeficiente de variação (13.3 57. Os baixos valores de digestibilidade encontrados para a ração 1 podem ser explicados pelo alto consumo de FDN.2 16. comparados. Os animais alimentados com capim-elefante (R1) digeriram menos matéria seca (23.7 25.2 34. mostrando que os eqüinos dependem.9 54. o qual obteve 27. R3. respectivamente.8 23. Houve efeito sinérgico positivo da proteína da ração.50% obtidos por FERREIRA (1994) e 4.90 e 18. Os valores referentes às rações 2 e 3. EE.00% de óleo na ração. FDN. O CDEE da ração 2 apresentou-se 1. 1992).24% com inclusão de 9. o consumo de fibra em excesso pode causar diminuição na digestibilidade dos nutrientes (WOLTER. indicando proximidade dos dados obtidos (87. encontraram valores de CDEE. da fonte protéica fornecida. quando se elevou o teor de PB da ração com milho ou milho mais farelo de soja. de 61.4 42.59% superior ao da ração 3.2 12.7 68. Coeficiente de variação (Coefficient of variation). . estimados com a coleta total. 68.30 e 1. para as rações 2 e 3 (57. obtidos para a digestibilidade da MO.5 26.1 49.00% encontrado por FERREIRA (1994).Coeficientes de digestibilidade aparente total (CDAT) dos nutrientes nas rações Nutriente (Nutrient) Materia seca (Dry matter) Materia orgânica (Organic matter) Extrato etéreo (Ether extract) Proteína bruta (Crude protein) FDN (NDF) FDA (ADF) Celulose (Cellulose) Lignina (Lignin) 1 2 CDAT1 TADC R1 CV2 10.37 kg/dia. ou capim-elefante e milho mais farelo de soja.8 20. MO. neste trabalho. foram superiores aos encontrados por COSTA (1990). conseqüentemente. Ao verificar a composição química do capim-elefante. R2.7 23. Verificou-se semelhança entre os CDEE das rações 2 e 3. observa-se que as digestibilidades da MO. FDA. nota-se que os valores encontrados para a R1 foram inferiores aos das rações 2 e 3. porém inferior ao valor de 36. em virtude do pico de excreção de fezes durante o período noturno. segundo PARKINS et al.2 28. Observa-se que o menor coeficiente de digestibilidade da proteína foi obtido para a ração 1 (21. Os resultados obtidos de CDEE.30%). 5. A razão pela qual foram subestimados os dados poderia ser atribuída ao período de coleta de fezes.7 47..40. 1974 e MAURICIO. foi superior para todos os quatro constituintes da parede celular. Houve resposta positiva para a digestibilidade da PB.8 63. sendo essa a única dieta que atendeu às exigências de PB e energia. que foi de 3.80.3 12. FDA. celulose e lignina. pois.00% de farelo de dendê.70%).40%).6 105.8 46. Considerando-se que os coeficientes de variação foram próximos (19. (1982). Observa-se que o coeficiente de variação da ração 1 foi elevado (47. (VEIGA et al.1%) do que os alimentados com capim-elefante e milho (54.9 5. nota-se que o teor de proteína bruta foi inferior aos 4. O menor consumo de FDN pode reduzir a taxa de passagem.50%).5 30.7 30.8 44.334 Table 2 - OLIVEIRA et al.7 35. A digestibilidade aparente.4 56. Devido ao aumento da taxa de passagem em nível de intestino delgado.4 33.2 4.9 43.20 e 56. (1989).90%).3 23. respectivamente. Apparent total digestibility (TADC) coefficients of nutrients in the diets Tabela 2 . Para o coeficiente de digestibilidade do extrato etéreo (CDEE).00. O CDPB encontrado para a ração 1 foi próximo ao observado por FURTADO (1991) (28.9 28. encontram-se próximos. (1966) encontraram altas taxas de recuperação de óxido crômico nas fezes coletadas no período noturno.00%. e 10.70% obtidos por FURTADO (1991). e 73.90%). HAENLEIN et al.9 14.5 34. encontrada para os animais da ração 3. Os valores encontrados para a digestibilidade aparente de MS. para melhor digestibilidade. ao adicionarem 0.28 kg/dia.7 47.

em geral.Bras. Os coeficientes de digestibilidade pré-cecais (intestino delgado) e pós-ileais (intestino grosso) da MS.7) 12. mas que são fonte imediata de substrato para a fermentação no intestino grosso.0 e 53.5 (164.6 (65. Outra explicação seria atribuída à digesta.CP. As digestibilidades para MO e PB foram maiores para a ração 2. 92.0 (81. Os coeficientes de digestibilidade para o grão de milho. MO.6 (109.7) 22.7) 27. foram superiores para MS.20.OM.6 (42.8) 45. como fornecimento de energia. amido.8) Pré-cecal Prececal Pós-ileal Postileal MO PB FDN Figura 2 .OM. PB e FDN (%) para a ração 1 e seus respectivos coeficientes de variação (CV). 50 Digestibilidade (%) 40 Digestibility (%) 30 20 10 0 29.CP.3 74. pois. Figure 2 . A digestibilidade aparente dos concentrados pode ser vista na Tabela 3.2 78.0 Média Mean CV1 2.1 Milho Corn 71. se maior quantidade de farelo de soja for digerida no intestino delgado. respectivamente. o tempo de retenção da digesta em nível de ceco e cólon e favorecendo a fermentação da fibra no intestino grosso.8 Média Mean CV1 39. e 71.4 95.1 Milho + Farelo de soja Corn + Soybean meal 1 Coeficiente de variação (Coefficient of variation). JULLIAND et al.5 (69. respectivamente. Nota-se que a adição do farelo de soja ao milho contribuiu para maiores digestibilidades da MS e FDN.R. quando somente o milho foi fornecido como concentrado. podendo conter pectina.60%. que vem do íleo e chega ao ceco.2) 31.9 34. and NDF for the diet 2 and their respective coefficient of variation.1%. espera-se pouca contribuição para o intestino grosso. Melhores condições de fermentação.5) Pré-cecal Prececal Pós-ileal Postileal -10 MS MO PB -8. PB e FDN (%) para a ração 2 e seus respectivos coeficientes de variação (CV). MO.2) 18.9 (41. Tabela 3 . obtidos por ARAÜJO (1994). podem auxiliar na digestibilidade dos constituintes da parede celular dos vegetais.Digestibilidades pré-cecais e pós-ileais da MS. o que poderia explicar os maiores valores de digestão para a FDN na ração 3.6 (74.4 (25. PB e FDN encontram-se nas Figuras 2. A partir 25 Digestibilidade (%) Digestibility (%) 22. os quais podem ser atribuídos à metodologia do saco de nylon adotada pelo autor. 2 e 3.7) Pré-cecal Prececal Postileal Pós-ileal MS MO PB FDN Figura 4 .0 (5. 3 e 4. na ração 3. and NDF for diet 1 and their respective coefficient of variation. MO.Coeficientes de digestibilidade aparente dos nutrientes nos concentrados Table 3 Apparent digestibility coeficients of the nutrients in the concentrade 335 MS DM Concentrado Concentrate MO OM PB CP EE CV1 14. . 70 60 50 40 30 20 10 0 Digestibilidade (%) 62.2 (0. and NDF for the diet 3 and their respective coefficient of variation.7) (80.9) Digestibility (%) 10.3 6.Pre-cecal and post-ileal digestibility of DM. para as rações 1.OM. respectivamente.0 (71. Para a ração 1. PB e FDN.1) 10.0) 20. Figure 3 .90.6) 13.0 (47.0 25.0) 31. MO.6 (12.1 28. que não foram digeridos no intestino delgado.9) (12.8) 22.0 78.5) (70.Digestibilidades pré-cecais e pós-ileais da MS. % of DM.4 (34. (1993) verificaram que o farelo de soja pode ter efeito inibitório sobre os microrganismos celulolíticos.9) 22.0 10.Pre-cecal and post-ileal digestibility of DM.CP. Esta diferença pode ser atribuída a possíveis efeitos da combinação dos dois alimentos milho e farelo de soja.5 (60.0 96.2) (58.9 21.8 0.9 81. além de outros. os valores obtidos com o farelo de soja são superiores aos obtidos com o milho.Zootec.7 2. Figure 4 Prececal and postileal digestibility.0 (12.Digestibilidades pré-cecais e pós-ileais da MS. PB e FDN (%) para a ração 3 e seus respectivos coeficientes de variação (CV). compostos nitrogenados.4 (77.9) 20 15 10 5 0 2.5 6.1 (13.5 53. 90. em função do estímulo dos proteolíticos. observou-se que as médias de dois animais apresentaram fluxos positivos.7 Média Mean CV1 14.8 (18.5) MS 6.7) 35.9 Média Mean FDN NDF Média Mean CV1 4. Porém.1 75.7 9. 74.8) FDN Figura 3 .

o que pode ser atribuído à grande maior consumo de FDN e da pequena contribuição de secreção de fosfato. em relação à ração 3. ainda assim. para o ceco.60%.10%) e FDN Para a proteína bruta.90 e mos à fibra. podendo indicar que coeficientes de digestibilidade pré-cecais da MS e os locais de digestão para proteína bruta podem ser MO foram. digestibilidade pré-cecais da PB (22.00%).60%) comportaram-se de forma semelhante aos HINTZ (1975).. considerando-se baixos que o esperado. Para a ração 2 (Figura 3). a uma taxa de 20 a 30 cm por pela Figura 4. foram. o que de concentrado. 1989). foram obtidas (10. superiores em 45.0%) podem estar superestimados. o principal local de digestão protéica é o da proteína. os relação aos da ração 1 (22. nota-se. no intestino grosso. Com relação à temática para os especialistas da área. para a digestibilidade pré-cecal da MS. nas rações 2 e 3. digestibilidades aparentes pré-cecais e pós-ileais de para dietas exclusivas de volumosos de baixo valor 45. cuja função é tamponar o ceco substratos energéticos para fermentação adequada.40 e 12. comprometendo a ação da enzima a valor apresentado na ração 1 pode ter sido superesamilase pancreática. avança. para possível fermentação microbiana.50%.80%. apresentaram-se baixos. Observaram-se menores digestibilidades cinco animais. observa-se que esta fonte de energia. os resultados obtidos.90%) e MO (31. evidenciando maior confiabilidade nos pós-ileal da FDN para a ração 1. ou. WOLTER (1975) e FRAPE (1992) valores resultantes da ração 2. Uma vez que menores fluxos de MS Os resultados obtidos com a MS e MO. pois não se FDN.70%). Com relação à digestibilidade comparadas às rações 2 e 3. 20. proteína bruta da dieta. Com relação à digestibilidade pré-cecal da MS. essa virtude da maior taxa de passagem decorrente do foi inferior à da MS. atribuída. a carboidratos estruturais e na produção de ácidos digestibilidade pré-cecal da MS apresentou-se muito graxos voláteis. a taxa de passagem pré-cecal dos eqüinos é sabe quanto o animal aproveita dos compostos muito rápida.80%. Os coeficientes de e da MS (29. Baixos fluxos em nível ileal que o principal local de digestão protéica é a região podem ser esperados com o aumento da relação de pré-cecal. Para a ração 3.00%. maior escape do amido timado. o que não permitiria adesão de microrganispós-ileais da MS (21. respectivamente. Segundo FRAPE (1992).70%. milho e para a fermentação microbiana pós-ileal. 22. A adição do milho pós-ileal da FDN. deve-se ao elevado teor de cinzas presentes proteína bruta aumenta proporcionalmente ao teor de na digesta ileal. contribuiria energeticamente adição de milho ao capim-elefante e.5% pode estar carboidratos estruturais era o intestino grosso. em nível ileal podem ser esperados com o aumento da relação de intestino delgado. com coedigestibilidade pré-cecal obtidos apresentaram-se mais ficiente de variação baixo (18. que as digestibilidades pré-cecais e minuto. de do capim-elefante ter sido baixo. em média. e o cólon. uma vez que. 1988). pois sua digestibilidade. superestimado. o que pode ter sido em pós-ileal (intestino grosso) da matéria orgânica. é uma grande intestino grosso (GIBBS et al. os valores de 62. A do milho. diferença entre os valores de MS e MO. a digesta nitrogenados nesse local.60 e 35. provavel(1988). apresentando coeficiente de variação para as digestibilidades pós-ileais da FDN (31.40 e 62. foram calculados os coeficienando na síntese protéica. Os resultados obtidos de digestibilidades concentrado na ração. com 13. é baixa. foi menor que O principal local de digestão da FDN foi o inteso obtido para a ração 1. na fermentação de tes de digestibilidade dos nutrientes. devido à metodologia de coleta adotada. respectivamente. foram proporcionais ao esperado. o valor estimado na ração 1 não pode ser relacionado à metodologia adotada para as poderia ser próximo ao valor obtido para a ração 3. . o à sua estrutura. coletas de digesta ileal e. ao número de animais Com relação aos coeficientes de digestibilidade préutilizados. em nível pré-cecal. A influenciados pela dieta. enquanto maiores fluxos são pré-cecais da proteína bruta. resultados obtidos. responsável pela maior digestibilidade foi maior no intestino grosso.70%).50 e 27. De acordo com GIBBS et al. ainda.10%). em (MEYER.00%. sendo obtido da média de tino grosso. ou. A digestibilidade nutritivo.00%). evidenciando os altos valores obtidos baixa (2. influencifarelo de soja aumentou as digestibilidades pré-cecais. o papel do intestino delgado na digestão da mente. O coeficiente de variação (80. Apesar de o teor de carboidratos solúveis cecal da proteína bruta. O valor obtido para a citaram que o primeiro local de digestão dos digestibilidade pré-cecal da FDN de 9. desses dois animais. esperados quando se aumenta a relação do volumoso respectivamente.336 OLIVEIRA et al.60%) bastante elevado (71. triturado pode ter contribuído. 25.50%). Quando comparadas as digestibilidades O milho adicionado ao capim-elefante funcionou como pré-cecais e pós-ileais da MS. Assim. de 31. provavelmente.

5. F. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) . MG. em relação ao concentrado contendo milho e farelo de soja.G. Roma. S. v.. 1975. n. Zootech.60 e 21. S.D. DAVID. H. JULLIAND. Equi. celulose e lignina. FARLEY. MG:UFV. ed. MG: UFV. MS e MO foram influenciados pelas dietas.1091-5.. 1995. Conclusões Os coeficientes de digestibilidade aparente total da MS.. POTTER.A. para as três rações estudadas. além do menor tempo de retenção da digesta no intestino grosso.25. UFMG: Escola de Veterinária. 228p.60%). 51p. 1982. FAO PRODUCTION YEARBOOK. POTTER. que foi similar a ração 2.3. 52p.. 165p. Digestion of soybean protein in the equine small and large intestine.. POTTER. O menor valor de digestibilidade pós-ileal. PREVOST. 1992. p.Universidade Federal de Minas Gerais.7-19. B. Equine Nutrition and Physiology Society. J. FDA. ANDREASI. v.T. J. M. J. 5. 1995.. 1989. D. The apparent digestibility of complete diet cubes given to Throughbred horses and the use of chromic oxide as an inert faecal marker.16. M. POTTER.Zootec. SP: ESALQ. FERREIRA. TISSERAND.50%).B. Equine Vet. 59 p.G. R. S. Fac.Anim. Belo Horizonte. J. GIBBS. ESAL. Jacq. 71p.4. 1992. FDN.Ontario. Maringá: UEM... p. 2. MEYER. et al.. et al. São necessários mais estudos para adequar melhor a metodologia de coleta para amostragem da digesta ileal e determinação da digestibilidade précecal e pós-ileal dos nutrientes nos eqüinos.C.. SCHELLING. 1994. Vet.2. Viçosa. Determinação da digestibilidade aparente em eqüídeos através do óxido crômico da lignina e da coleta total de fezes. Vet. o local mais ativo para digestão de fibra.H. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) . P.G. MG. H. In: ENCONTRO NACIONAL DE EQUIDEOCULTURA. Afr. Zarazoga. VEIGA.Universidade Federal de Viçosa. Digestão total e pré-cecal dos nutrientes em potros fistulados no íleo. 1966. Recebido em: 03/12/96 Aceito em: 19/07/97 . 2.11. YOON..H. SMITH. SCHUMACHER. Maringá.M. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) Escola Superior de Agricultura de Lavras. Os coeficientes médios de digestibilidade aparente total da PB. COSTA. SNOW. n. G. Digestibilidade de rações para equüinos contendo níveis crescentes de farelo de dendê (Elseis guineensis. C. J. J. G. p.A. The significance of small vs large intestinal digestion of cereal grain and oilseed protein in the equine.24. Lavras. O. HINTZ. 14. Sci. D.60-5. In: USA EQUINE NUTRITION AND SOCIETY PHYSIOLOGY. sendo que o intestino delgado foi o local mais ativo de digestão da proteína e o intestino grosso. p. Consumo e digestibilidade de dietas compostas por capim-elefante (Pennisetum purpureum) e feno de guandu (Cajanus cajan) em eqüinos.. 1993.F. MG... estimados pelo óxido crômico.. Digestive physiology of the horse. J. Nutrients requerimentes of horses. MAURÍCIO. The determination of chromic oxide in feces samples by atomic absortion spectrophotometry.. 59. G. Missouri. foram maiores que os coeficientes da ração 1 (capimelefante) e ração 2 (capim-elefante mais grão de milho triturado). 1994.E. et al. FRAPE. D.S. IISMAA. Sci. 1992. G. Nutricion y alimentacion del caballo.n. 100p..) Piracicaba. Belo Horizonte. 1989. Sci.D. p.F. Uso da técnica de saco de náilon móvel na determinação da digestibilidade aparente dos nutrientes de alguns concentrados e volumosos para eqüinos..D.L. Análise de alimentos (Métodos químicos e biológicos). Dissertação (Mestrado em Zootecnia) .46. D.W. Os locais de digestão da PB. foram subestimados devido à baixa recuperação do indicador nas fezes. 1988. n. Louis..38. Agric. Acribia.4. Zootec. v. Ensaio de digestibilidade em eqüinos recebendo rações com uréia. v. R. Acribia. ADAMS. 1977. 1992. UFMG: Escola de Veterinária..9. quando a dieta utilizada foi capim-elefante mais grão de milho triturado e farelo de soja. H.. 1989. 1991..V. GIBBS..C. v. Viçosa.D. respectivamente..J. v. POTTER..177-234. Zaragoza. para a ração 3. para as rações 2 e 3 (25. SCHELLING. UFV.St.ed. R. Digestion of hay protein in different segments of the equine digestive tract. Ontario... 1991.NRC. Nutrient utilization in different segments of the equine digestive tract. Vet. Viçosa. p. Proceedings.. 1989. F. p.350-5. M. PARKINS. O intestino delgado possui intensa digestão enzimática. 63 p.Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. HINTZ. v. Y. A. v.H. J. G. O escape proveniente da MS do intestino delgado serve de substrato para os microrganismos do intestino grosso. FURTADO.R. HO USEHOLDER. G.44. 1990. WILLIANS. 403p. J..I. G... K. 1995. p. exceto para a digestibilidade aparente total do EE. S. v. 1996. J. p. p.T. Digestibilidade aparente da matéria seca em eqüinos ½ sangue Bretão e ½ sangue Inglês. n.13-6.138. WOLTER. Determinacion of the fecal excrection rate of horses with chromic oxide. n.. Sci. 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