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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA

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Agricultura familiar e inovação paradigmática na pesquisa agropecuária
Contexto, interação e ética para a inclusão social 1
José de Souza Silva 2

Campina Grande-PB, Agosto de 2008

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Capítulo convidado para integrar o livro Ciência como Instrumento de Inclusão Social (titulo provisório) a ser publicado pela EMBRAPA. 2 Engenheiro Agrônomo com Mestrado em Sociologia da Agricultura e Ph.D. em Sociologia da Ciência e Tecnologia. É pesquisador das relações ciência-tecnologia-sociedade-inovação (CTSI), da EMBRAPA Algodão <souza@cnpa.embrapa.br>, e Pesquisador Associado da Red Nuevo Paradigma para a inovação institucional na América Latina <josedesouzasilva@gmail.com>

Introdução
“A crise do desenvolvimento nao se dirige somente aos meios e às possibilidade, concerne também à natureza dos fins do desenvolvimento [...] é preciso admitir que a crise do desenvolvimento é antes de tudo uma crise da razão e da cultura ocidentais ... pois o único modelo [de desenvolvimento] atualmente operativo no mundo é o modelo ocidental”3

A cada modelo de agricultura deve corresponder um paradigma que lhe é relevante. Nem sempre foi assim. A emergência da ciência moderna a partir do século XVI institucionalizou uma visão mecânica de mundo que homogeneizou a percepção da natureza e ativ idades humanas, incluindo a agricultura e a própria prática científica. A partir da percepção científica do universo como uma engrenagem precisa, regular e previsível, a metáfora do mundo-máquina estabeleceu uma visão da agricultura como uma máquina de produzir alimentos e fibras, que também deve funcionar de forma precisa, regular e previsív el. Nesta concepção mecânica da realidade, só deve existir um tipo de agricultura, a agricultura moderna derivada da ciência moderna, que é a única forma confiável para gerar conhecimento válido, com o aval dominante de uma única tradição filosófica, o Positivismo, que aceitou contribuições das c orrentes racionalista e empirista de pensamento. Depois da Segunda Guerra Mundial, o esforço ocidental para a modernização da agricultura e da pesquisa agropecuária foi condicionado pelo mecanicismo e evolucionismo desta perspectiva secular. Por um lado, a agricultura foi percebida e tratada c omo uma máquina, mas por outro deveria evoluir da forma tradicional—inferior —que prevalecia no mundo tropical, para a forma moderna—superior —que prevalecia no mundo temperado. Para realizar a chamada Revolução Verde, promovida como relevante e inevitável pelo vencedor da Segunda Guerra Mundial e seus aliados, foram criados os Centros Internacionais de Pesquisa Agrícola (CIPAs) e seus contrapartes nacionais, os Institutos Nacionais de Pesquisa Agrícola (INPAs). Estes atores institucionais foram concebidos sob a influencia da visão de mundo e do paradigma clássico da ciência moderna que monopolizou a paisagem institucional e científica dos últimos séculos (Busch e Sachs 1981). O fim do monopólio do paradigma clássico da ciência moderna foi determinado pela crise da época histórica do industrialismo. A partir dos anos 60, a humanidade percebeu que a coerência produtiva, simbólica e de consumo da sociedade industrial não está em correspondência com os limites do planeta, e criticou a visão de mundo, valores, crenças, conceitos, teorias e modelos constitutiv os desta sociedade (Attali et al. 1980). Mais além do paradigma clássico, com a época histórica emergente surgem outras opções paradigmáticas—neo-racionalismo, neo-evolucionismo e construtivismo—para lidar com a complex idade, diversidade, diferenças e contradições da realidade. As referidas opções ratificam que, assim como nem todo tipo de agricultura valoriza a dimensão social desta atividade, nem todo paradigma é inclusivo do cuidado com a referida dimensão. Depreende-se daí que cada tipo de agricultura tem o paradigma que lhe corresponde, sem a necessidade de imposição de um paradigma sobre um tipo de agricultura para o qual não foi concebido. Este livro centra suas contribuições no caso particular da agricultura familiar, e elege o principio da inclusão social como indicador do potencial da pesquisa agropecuária pública para resgatar e promover a relevância da dimensão social da agricultura. Para interpretar os significados dos capítulos 2-8 do livro, este capítulo: (i) contextualiza a agricultura no mundo dos paradigmas científicos; (ii) faz o mesmo para o caso da agricultura familiar no mundo dos paradigmas de desenvolvimento; (iii) sintetiza a atual mudança de época histórica que condiciona a crise de paradigmas científicos e de desenvolvimento; e (iv) interpreta

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Jean-Marie Domenach, em Domenach (1980:13)

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o significado do giro epistemológico na ciência como conseqüência da mudança de época, na pesquisa agropecuária e na EMBRAPA, com evidências da literatura e dos relatos dos capítulos. Transcendendo o paradigma clássico da ciência moderna, uma revolução epistemológica está transformando a natureza da ciência com implicações ontológicas, metodológicas e axiológicas para a prática científica. Este capítulo examina sua presença na pesquisa agropecuária da EMBRAPA voltada para a agricultura familiar. Com as limitações próprias do reduzido tamanho da amostra, as evidências derivadas da análise de conteúdo dos capítulos mostram a penetração ainda incipiente da mudança de época histórica em curso neste tipo de pesquisa agropecuária da Empresa, através da crítica epistemológica ao paradigma clássico da ciência moderna e da adoção de premissas do emergente paradigma construtivista que valoriza o contexto, interação e ética. Já que este paradigma é mais apropriado para cuidar da inclusão social na agricultura do que os paradigmas neo-racionalista e neo-evolucionista emergentes, o capítulo inclui implicações teóricas e práticas para a gestão das relações ciência-tecnologia-sociedade-inovação (CTSI) na EMBRAPA e no Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA). A agricultura no mundo dos para digmas A partir da publicação em 1962 do livro A Estrutura das Revoluções Científicas, de Thomas Khun, o conceito de paradigma 4 ganhou popularidade ao transcender o imaginário técnico-científico para invadir também o imaginário social. Em termos gerais, um paradigma é um marco de referência que articula uma constelação de “regras” para condicionar a forma de ser, sentir, pensar, fazer e falar de uma comunidade de atores. Um paradigma emerge de uma visão de mundo. Uma visão de mundo articula um conjunto de premissas através das quais um individuo, família, grupo social, comunidade, sociedade ou até mesmo uma civ ilização olha para a realidade para compreendê-la e nela atua para transformá-la. Como uma premissa é uma crença, e uma crença é uma verdade que não necessita ser demonstrada, uma visão de mundo—concepção de realidade—é um regime de verdades sobre o que é e c omo funciona a realidade. Os candidatos a paradigma científico 5 (Guba e Lincoln 1998) concebem premissas (verdades) e constroem respostas para perguntas vinculadas às dimensões ontológica (sobre a natureza da realidade), epistemológica (sobre a natureza do conhecimento e do processo para sua geração), metodológica (sobre o método e a natureza do indagar) e axiológica (sobre os valores éticos e estéticos e a natureza da intervenção). Na dimensão ontológica, respondem à pergunta: que é a realidade? Na dimensão epistemológica: que é relevante conhecer na realidade? Na dimensão metodológica: como vamos conhecer o que é relevante conhecer na realidade? Na dimensão axiológica: que valores éticos e estéticos devem prevalecer na intervenção para conhecer o que é relevante conhecer na realidade? A fonte de coerência para as respostas a estas perguntas é a visão de mundo—concepção de realidade—que prevalece entre os autores e seguidores de um paradigma e seu regime de verdades sobre o que é a realidade e como esta funciona. De acordo com Khun (1970), um paradigma científico 6 define os valores culturais a cultivar, os temas relevantes a pesquisar, as perguntas críticas a responder, as teorias apropriadas a adotar,
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É justo reconhecer que entre as duas guerras mundiais do século XX, Ludwik Fleck antecedeu Thomas Khun na concepção filosófica do que depois seria institucionalizado como o conceito de paradigma, a partir de uma análise do desenvolvimento dos fatos científicos, que ele considerava uma invenção e não uma descoberta (Fleck 1981). 5 Nos referimos ao momento inicial em que um cientista ou grupo de cientistas propõe à comunidade científica mais ampla um novo paradigma, que ainda não está disponível, não foi validado nem tem seguidores fora do espaço dos que lhe estão desenvolvendo. O paradigma delineado na referida proposta deve preencher alguns requisitos para a consideração, avaliação e aceitação da comunidade científica. 6 Imaginemos, por exemplo, o antigo paradigma geocêntrico da Astronomia, cuja premissa-guía enunciava: a Terra é fixa e é o centro do universo.

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o paradigma clássico viu o universo como uma engrenagem e concebeu o mundo como uma máquina cujo funcionamento é preciso. sintetizada por pensadores mecanicistas como Isaac Newton (1643-1727) e aperfeiçoada por positiv istas como Auguste Comte (1798-1857). Rouse 1987. Independente das debilidades da teoria de Khun que. Então ocorre uma revolução cie ntífica 10 provocada por outros modos— estilos (a la Ludwik Fleck)—de pensamento. Mas a teoria de Khun foi sobre o fenômeno de ascensão e declínio dos paradigmas científicos. os exemplos paradigmáticos de pesquisa realizada a emular e até a natureza dos resultados de pesquisa a encontrar. Cedo ou tarde. através da competição. a verdade maior a partir da qual toda a coerência do paradigma foi construída. anomalias8 emergem contrariando premissas do paradigma. 9 Imaginemos o paradigma geocêntrico da Astronomia perdendo a confiança de seus promotores. Originado a partir da visão mecânica de mundo concebida por cientistas empiristas como Francis Bacon ( 1561-1626) e racionalistas como René Descartes ( 1596-1650). a agricultura é vista como uma máquina de produzir alimentos e fibras. promovendo “a máquina como a medida do homens” (Adas 1989). uma atividade produtiva é percebida como uma máquina menor mas com uma dinâmica semelhante. Dupas 2006). revelando a persistência de sua dependência cultural da metáfora do mundomáquina presente em sua linguagem técnica cotidiana. sua conclusão é aceita até por seus críticos: os paradigmas científicos não são eternos. quando a geração de conhecimento responde às premissas do paradigma científico dominante. pela obsolescência de sua premissa-guia. que terminam por conceber paradigmas que competem entre si para substituir àquele que perdeu a confiança da comunidade científica.as regras metodológicas a seguir. ao estágio civilizado (hoje. sugerindo que a Terra não é fixa nem o centro do universo. o mais competitiv o. ao longo da época histórica do industrialismo. ocorre o que Khun denomina ciência normal 7 . o paradigma clássico e sua concepção mecânica da realidade influenciaram a percepção da natureza. o mais apto ou. como “algo” “produzido” à semelhança das “coisas” produzidas pelas máquinas das indústrias modernas. e a dinâmica do seu avanço é acumulativa. Ainda hoje. Já os evolucionistas sociais. do ser humano. Porém. de forma irreversível. muitos cientistas falam de “produção” científica do conhecimento. viram o mundo como um organismo. por exemplo. podendo inclusive determinar sua crise 9 irreversível. porque a existência é uma eterna luta pela sobrevivencia. Muitos assumem o conhecimento como sinônimo de informação. Nesta v isão mecânica. 1980. Restivo 1988). onde civilizaç ões e sociedades evoluem do estágio primitivo (hoje. subdesenvolvido). Isso é o que ocorre com o ‘paradigma clássico’ da ciência moderna. obtendo resultados em conflito com o enunciado de sua premissa-guía. 10 Imaginemos a efervescência criativa e negociações políticas no processo de crítica ao paradigma geocêntrico e de concepção de paradigmas candidatos à superação de suas deficiências e insuficiências. desenvolv ido). seguidores e guardiões. a maioria dos programas de pesquisa e desenvolvimento agrícola do século XX define como seu objetiv o aumentar a produção e/ou a produtividade da agricultura (Busch 1994). Se o mundo é uma máquina. como Herbert Spencer (1820-1903). 7 Imaginemos as comunidades científicas associadas à Astronomia gerando conhecimento científico a partir da premissa-guía do paradigma geocêntrico. Não por acidente. concede excessiv a autonomia à comunidade cientifica e pouca importância à influência da sociedade nas revoluções científicas. até o mundo científico já reconhece a insustentabilidade do monopólio do paradigma clássico (Harding 1986. instrumentalmente) conhecimento. 8 Imaginemos os seguidores do paradigma geocêntrico da Astronomia. Attali et al. regular e previsível (Adas 1989). Sob estas condições. uma organização científica também “produz” (racionalmente. enquanto o mundo do desenvolvimento associa a atual crise de legitimidade da ciência moderna a suas contribuições ao aumento de desigualdades na humanidade e à vulnerabilidade do planeta (Leiss 1974. Morazé 1979. onde vence o mais forte. em termos contemporâneos. Durante o seu monopólio. que nas últimas quatro décadas perdeu um monopólio de quatro séculos como única fonte confiável de geração de conhecimento científico v álido. Assim como uma indústria produz um bem. Haraway 1989. 4 . da sociedade e da agricultura.

já que estas ocorrem dentro de uma seqüência “natural”. humanos) em “produtos”. 5 . para a agricultura moderna. os INPAs foram criados para preocuparse com o aumento da produtividade e não com questões de sustentabilidade. Nos casos raros de presença de um antropólogo ou sociólogo. nesta perspectiva não ex iste lugar relevante para a pesquisa agropecuária praticante de opções paradigmáticas situadas fora das premissas do paradigma clássico da ciência moderna. já que sua neutralidade de origem está assegurada pelo “método científico” que evita a interferência de valores e interesses humanos. a modernização da economia incluiu também a modernização da agricultura. reducionismo. cujo futuro é antecipado pelo conceito de agricultura de “precisão”. políticas. praticas culturais. O que não ex iste ou não é relevante no contexto da pesquisa também não é relevante para a pesquisa do contexto. sociais. solo. clima. e dos que transferem aos que adotam. a agricultura moderna derivada da aplicação da ciência moderna. Historicamente. desnecessário problematizar este processo. porque a máquina é insensível a considerações desta natureza. Este esquema reproduziu um mecanicismo in stitucional que simplificou de forma reducionista a complexidade da realidade da pesquisa agropecuária daquela época. Refletindo o ethos produtivista da época do industrialismo. objetivismo e suposta neutralidade da ciência moderna. ecológica e ética não são uma prioridade para a pesquisa agropecuária. aquela que reproduz o paradigma clássico da ciência moderna (ex. ecológica e ética da agricultura (conceituada de forma mais ampla) são ignoradas ou violadas. social. historicamente. superior. os estudos visavam aumentar o grau de adoção dos resultados da pesquisa. materiais. já que numa máquina não há gente (só “partes” e “peças” da “engrenagem”). Molnar et al. éticas. sem questionar sua relevância nem o processo para sua geração. manej o de animais. Então. T ambém existe apenas uma pesquisa agropecuária. social. a questão da inclusão social tampouco preocupa à pesquisa agropecuária. Em conclusão. Em resumo. equidade. No país a pesquisa agropecuária. cultural. sob a influencia do paradigma clássico da ciência moderna no contexto da época do industrialismo. as dimensões humana. razão pela qual nos anos 70 foi criada a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) para gerar inovações para esta modernização. raríssimos estudos de impacto e nenhum estudo social. água. institucionais e filosóficas não têm lugar na pesquisa agropecuária dos INPAs. culturais. justiça distributiva. É. que antes incluía institutos regionais na sua organização espacial. financeiros. a agricultura dispensa conhecimentos sociais e exige apenas c onhecimentos sobre plantas. inferior. para os quais é desnecessário investigar as relações CTSI. foi vista como inadequada para promover a transição da agricultura tradicional. No Brasil..As dimensões humana. portanto. e dela só se espera que seja “eficiente” na transformação de “recursos” (naturais. a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMBRATER) para transferir ditas inov ações e o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) para financiar sua adoção. enfatizando suas insuficiências. Para quem olha através da perspectiva de uma organização-máquina. para realizar pesquisas comprometidas com as realidades regionais. estas dimensões são invisív eis ou irrelevantes na agricultura-máquina. animais. Vista como máquina. se nesta perspectiva não há lugar relevante para a agricultura tradicional em geral. dos que geram aos que transferem. Alguns INPAs criaram a área de socioeconomia para gerar estatísticas e fazer cálculos da relação custo-benefício. indígena ou urbana em particular. só existe lugar relevante para uma agricultura. como em alguns Centros Internacionais de Pesquisa Agrícola (CIPAs). questões humanas. cultural. que não deve trabalhar com problemas complexos para a pesquisa senão apenas com problemas simples de pesquisa. Mas não por uma decisão consciente dos gerentes. Nesta perspectiva. Uma das evidências mais reveladoras da prevalência da visão mecânica de mundo nas ciências associadas ao desenvolvimento da agricultura é a baixa presença (ou mesmo ausência) histórica das ciências sociais e humanas na maioria dos institutos nacionais de pesquisa agrícola (INPAs). 1992). inclusão social. nem para a agricultura familiar. principalmente as de ordem quantitativa. além do mecanicismo.

Santo Agostinho propôs em Cidade de Deus que tudo evolui em “fases” naturais. 1991). o mundo foi criado. inclusive os de desenvolv imento internacional que influenciaram os modelos e matrizes institucionais do desenvolv imento nacional. Esta premissa do desenvolv imento como um processo ev olucionário realizado em etapas lineares foi 11 12 Ver Leiss (1974). Sobre estas transformações na agricultura e pesquisa agropecuária. a qualquer custo. Kloppenburg (1988a. Altieri (1987). o paradigma clássico inclui uma racionalidade evolucionista quando incorpora a idéia de progresso/desenvolvimento. 18 Ver Jackson (1980). Friedland et al. Walsh et al. Friedland et al. Baugarten (2001). o paradigma clássico também incorporou e promoveu o lema Ordem e Progresso da filosofia positivista de Auguste Comte. Merrill (1976). Chambers (1989). Kloppenburg (1988a. 13 Ver Cleaver (1973). (1997). Nuñez-Jover (2002). Röling (2003). cujo impacto mundial no final do século XIX e no início do século XX foi mais forte no Brasil. inclusive a familiar 19 . 15 Ver Bonnano et al. a idéia de progresso (Dupas 2006) no passado e a idéia de desenvolvimento 22 (Sachs 1992. Sachs 1992. Scheneider (2006). Nowotny et al. 1992). 21 Ao lado do lema da Revolução Industrial. Escobar 1998) no presente são condicionadas pela premissa ev olucionista que as assume como processos lineares rumo à perfeição inevitável. Díaz e Heler (1992). Restivo (1988). progresso e desenvolvimento são sinônimos usados em épocas distintas para camuflar seu verdadeiro significado e propósito: crescimento econômico. Deo e Swanson (1991). Dallmayr e McCarthy (1977). social. McMichael (1995). Wallerstein (2001). Bonnano et al. 20 Sobre as transformações nas relações CTSI e na prática científica. Durante o seu monopólio. Em sua dimensão político-ideológica. 16 Ver Rouse (1987). McMichael (1994). 1994). para interpretar o “ciclo da vida” da humanidade. segundo seu livro Esboço de um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano. Mas uma revolução paradigmática está em curso também no mundo do desenvolvimento. 1991. A agricultura familiar no mundo do de senvolvimento Em analogia com a teoria de Khun. No fim do século XVIII. Friedmann (1993). o progresso e a igualdade dentro de cada nação e a real perfeição da humanidade. (1991). (1994). que ainda hoje ostenta o referido lema em sua Bandeira. cultural. Kloppenburg (1991). Flora (1991. (2002). Nowotny et al. Gleick (1993). ecológica e ética. Santos et al. Existem esforços de construção de opções paradigmáticas para a ciência16 . 22 Em última instância. Kirschenmann (1988). 17 Ver Busch (1982. Reconciliando a filosofia da historia com a teologia cristã. 1984. Díaz (2000). em seu desempenho histórico 14 e no recente esforço de intensificação de sua globalização 15 . 6 . que precede a própria ciência moderna com sua invenção há 12 mil anos durante o neolítico. Bawden (1998). o paradigma clássico influenciou vários tipos de paradigmas. 14 Ver Berlan (1991). 1992). ver Harding (1991). Bentz e Shapiro (1998). (2001). a última das quais permitiria a abolição da desigualdade entre as nações. a pesquisa agropecuária17 e a agricultura18 . Berry (1977). com implicações para a agricultura familiar e a pesquisa agropecuária. Röling (2000). Na sua idéia da salv ação como um plano de Deus. (2001). e sobre propostas para sua prática comprometida com as dimensões humana. RodríguezAguirre (2002). (1991). Ver Lewontin e Berlan (1986). Sobral et al. De Souza Silva (2004b). 19 Ver Merrill (1976). O capítulo revela uma bibliografia sobre críticas à ciência moderna e à pesquisa agropecuária dela resultante. para contribuir ao objetivo superior do sistema capitalista: acumular riqueza material de forma crescente e constante (Attali et al. Goodman e Watts (1998). 1988b. os paradigmas de desenvolvimento também têm ascensão e declínio. no discurso do capitalismo. Condorcet dividiu a história em dez fases. Neste paradigma. ver Figueiredo (1989). havia crescido e progredido. mas estava decaindo e chegaria ao seu final. Shi va (1992). (2004). inclusive a agrícola. Haraway (1989). Escobar 1998. Domenach 1980. de acordo com o qual o ser humano caminharia para uma era em que a organização social e política da sociedade seria produto das luzes da razão. Dupas 2006).A ciência moderna11 e a pesquisa agropecuária12 estão questionadas. mudanças profundas na sociedade estão alterando as relações CTIS e a prática científica20 . Tampouco são eternos. Hightower (1973). bem como a agricultura moderna13 que resulta de sua aplicação. (1994). 1980. Em síntese. Com sua concepção mecanicista da realidade institucionalizada no lema da própria Revolução Industrial—a indústria é o “motor” do progresso—o paradigma clássico 21 invadiu com suas premissas outras esferas da ativ idade humana.

o “Professor Rostow [estava] menos preocupado em desenvolver uma teoria e mais em escrever um manifesto não-comunista” (Baran e Hobsbawm 1973:48). 7 . Esta concepção evolucionista da história foi incorporada pelo paradigma clássico sob o discurso eurocêntrico de que a Europa ocidental era um espelho para todas as sociedades (Dussel 2000). Durante a prevalência da época histórica do agrarianismo. paradigmas e modelos concebidos longe de nosso contexto e sem nossa participação nem compromisso com nosso futuro. Mas. Hoje nossa educação continua influenciada pela pedagogia da resposta que forma seguidores de caminhos. Sob a dicotomia superior-inferior. o mundo era percebido como algo vivo. (iv) sociedades que. a agricultura não era percebida como uma máquina de “produzir” ou como um negocio “lucrativo” senão como um modo de vida. segundo Arturo Escobar. foi considerada tradicional. e a 23 A Teoria do Crescimento Econômico de Walter W. Nesta evolução. internacionais e nacionais. Segundo seus críticos. A sociedade evolui do tradicional ao moderno. despolitiza. Sua liderança epistêmico-ideológica não mudou a lógica da superioridade de uns grupos. A expansão colonial (Brockway 1979. ou que pode ser homogeneizada. Por isso o projeto da modernidade européia inclui sua outra face. 1988) foi facilitada pela dicotomia superior-inferior (De Souza Silva 2006). cuja expansão geopolítica ex igiu a adoção dos valores. do subdesenvolvido ao desenvolv ido. Esta debilidade teórica se deve ao fato de que. do subdesenvolvimento ao desenvolvimento. Com o capitalismo mercantil superando o feudalismo agrário. Sua nobre missão de reordenar a realidade global à medida da ordem social que interessava à realidade européia era uma missão impossível: impor a falsa premissa de que a realidade global é homogênea. Para ser como Eles. tropical. questionada por Paulo Freire que propõe a pedagogia da pergunta (Freire 1986) para formar construtores de caminhos que ainda não existem. desenvolvidos. é inevitável pensar como Eles (De Souza Silva 2008). a colonialidade (Mignolo 2007). (ii) sociedades com as precondições para a decolagem. Inicialmente. globais e locais. na qual há raças superiores e raças inferiores. Rostow em Etapas do Crescimento Econômico: Um manifesto não-comunista para explicar desenvolv imento como sinônimo de crescimento econômico 23 . para que deixemos de ser meros receptores de idéias. matéria prima abundante. interesses e compromissos da humanidade (Pachón-Soto 2007). em plena Guerra Fria. as sociedades seguem cinco etapas “naturais” que as classificam em: (i) sociedades tradicionais. e (v) sociedades que alcançaram a última fase caracterizada por um alto consumo de massa. do inferior ao superior. A partir da idéia de raça (Quijano 2007). teorias. mão de obra barata. 1983. (iii) sociedades onde a decolagem já ocorreu. como se estes coincidissem com os valores. caminham para a maturidade do desenvolvimento. esta visão orgânica do mundo e da agricultura foi lentamente alterada até que o capitalismo industrial mobilizou a ciência moderna para criar uma justificativ a científica do mundo à conveniência dos interesses dos impérios da Europa ocidental (Castro-Gómez e Grosfoguel 2007). normaliza e “naturaliza” a complexidade e diversidade de um processo histórico fortemente condicionado pelo choque dialético de eventos e interesses. e a atual hierarquização em desenvolvidos-subdesenvolvidos (Escobar 1998). sua perspectiva evolucionista simplifica. do primitiv o ao civilizado. interesses e compromissos da Europa ocidental. civilizados/desenvolvidos. A mesma estratégia está em curso desde a Segunda Guerra Mundial quando os Estados Unidos emergiram como potência hegemônica. “o problema do modo clássico de inovação não é necessariamente sua origem européia senão o fato de que. No entanto.reafirmada em 1962 por Walter W. havendo decolado. mentes dóceis—obedientes —e corpos disciplinados (De Souza Silv a 2008). divino e misterioso. inferior. a dicotomia serviu para a classificação social da humanidade em civilizadosprimitivos (Quijano 2007). a agenda oculta da expansão colonial incluía a ampliação do acesso a mercados cativos. sendo uma concepção particular. haja sido imposto a todos como o único modo possível de inov ação. a agricultura do Novo Mundo. constitutivos das contradições que emanam de relações assimétricas de poder que geram condições desiguais para diferentes atores em distintos contextos. por certos atores e em certo idioma. subdesenvolvidos” (Escobar 2005:8). Rostow foi amplamente criticada por diferentes pensadores do mundo (Wilber 1973). sobre outros. conceitos. desenvolvida a partir de certo lugar.

que em 1930 somavam 1400 no mundo tropical (Busch e Sachs 1981). o lócus do controle recaiu sobre as próprias plantas tropicais. 1983. a ênfase é menos na transferência de tecnologia e mais nos arranjos institucionais supranacionais de controle da propriedade intelectual (Organização Mundial de Comércio—OMC e Organização Mundial de Propriedade Intelectual—OMPI). De Souza Silva (1988. a moderna representada pelo agronegócio exportador que aumenta a competitividade internacional do Brasil. classificar. que em 1800 integravam uma rede de 1600 jardins botânicos nas colônias tropicais (Busch e Sachs 1981) Aqui. por isso os CIPAs criaram bancos de germoplasma. 1989. 2006). algodão (Kloppenburg 1988a). ela foi transferida junto com a introdução de jardins botânicos (Brockway 1979). o debate sobre a agricultura e a pesquisa agropecuária. No debate. foi considerada moderna. que na década de 80 eram 16. Chambers (1989). 1988. 8 . 25 Ver Cleaver (1973). cacau. Quando no século XIX Justus von Liebig inventou a Química Agrícola. 2006).agricultura do Velho Mundo. incluindo plantas tropicais (Crosby 1972. Só quando a botânica econômica ofereceu o potencial para identificar. os colonizadores não transferiram tecnologia para os trópicos 24 . Aí prevaleceu o simples saqueio de tesouros tropicais. quando os impérios europeus buscaram o apoio da ciência e seu potencial para a exploração e apropriação dos tesouros tropicais (Kloppenburg 1988a. o potencial para alterar o desempenho fisiológico das plantas com Nitrogênio. Brockway 1979. O outro lado está dividido em duas correntes. O lócus do controle é a informação (De Souza Silv a 1989. os Institutos Nacionais de Pesquisa Agropecuária (INPAs) (Busch e Sachs 1981). De Souza Silva 1989. Juma 1989). animais e microorganismos. sustentabilidade de fatores eco-ambientais e geração de emprego e renda. Fósforo e Potássio foi transferido junto com uma rede de estações experimentais agrícolas. 1997. Quando a genética de Mendel foi retomada no século XX. A corrente mais visível no debate propõe que o esforço público deve ser concentrado apenas na agricultura familiar. Estas iniciativas de disseminação da ciência ocidental (Basalla 1967). porque esta contribui mais do que a agricultura capitalista à segurança alimentar da sociedade. mas sem possibilidade de transformar. Kloppenburg (1988a. 2006). não de intercâmbio. Imediatamente depois de 1492. junto com os Centros Internacionais de Pesquisa Agrícola (CIPAs). 2006. o lócus do controle foi a Plantation constituída de plantas selecionadas a partir das observações realizadas nos jardins botânicos (Brockway 1979). O lócus de controle são os recursos genéticos de plantas dos trópicos. Busch e Sachs (1981). 1988). Aqui. Shiva (1992). um dos lados defende que o país deve priorizar apenas um único tipo de agricultura. 2006). o lócus do controle foi a agenda de pesquisa dos cientistas das colônias tropicais. o que não está acontecendo com a ênfase necessária no Brasil. Merrill (1976). 1991). 1988b. e a criação de seus contrapartes nacionais. para facilitar o controle sobre seus produtos (Brockway 1979). café. A outra corrente propõe a coexistência de 24 As primeiras viagens foram de conquistas. a Revolução Verde foi inventada depois da Segunda Guerra Mundial para transferir a técnica de hibridação. 1988b. observar e comparar. 2008) do que para os países “receptores”. No início. superior. assim como elementos igualmente históricos de dissidência e resistência. Portanto. através da transferência de tecnologia. para facilitar o acesso despersonalizado de países de clima temperado aos recursos genéticos de plantas dos países de clima tropical (Kloppenburg 1988b). O debate no Brasil sobre o agronegócio e a agricultura familiar (Valente 2008) revela elementos deste esforço histórico para homogeneizar tanto a agricultura quanto a pesquisa agropecuária que esta necessita. De Souza Silva 1997. A transformação da agricultura tradicional para a agricultura moderna foi realizada com o apoio crítico da prática da transferência de tecnologia agrícola dos superiores aos inferiores (De Souza Silva 1997. Com a Biologia moderna (aliada à Física) permitindo conhecer e alterar o código genético de plantas. 1987. v isaram assegurar mais benefícios para os países de origem das tecnologias (Busch e Sachs 1981. além da criar “entidades sintéticas”. que tiv eram que incluir pesquisa c om as culturas de interesse dos impérios europeus: cana-de-açúcar. e a quase homogeneização da pesquisa agropecuária e da agricultura que resultou de sua aplicação25 . Busch (1994). A transferência de tecnologia ocorre a partir das estratégias de ocupação. deve ter um enfoque histórico e crítico. Brockway (1979. 1983. temperado.

Ao período em que prevalece sua influência. Guba e Lincoln 1994. se este negocio deixar de dar lucro. O livro compartilha evidências sobre as características da agricultura familiar que justificam seu tratamento diferenciado. No primeiro caso. Por isso na agricultura capitalista existe pouco compromisso com as dimensões humana. os atores sociais estão aí porque este é o modo de vida de suas famílias.múltiplos tipos de agricultura. porque eles não podem mudar de negócio quando lhes convier. porque este tipo de agricultura é socialmente mais relevante do que o agronegócio. este debate se restringe ao plano da agricultura. como é o caso do capítulo 7 deste livro. A mudança de época e o fenômeno do de clínio e asce nsão de paradigmas cie ntíficos e de de senvolvimento Estamos todos vulneráveis. sua racionalidade econômica os leva à atitude de que. rituais e significados culturais para dar sentido à sua existência e à ex istência de tudo mais a sua v olta. concebidas a partir das diferenças e não a partir de um enfoque que trata estas agriculturas de forma homogênea. No segundo caso. Funtowicz e Ravetz 1993. os atores sociais entram ou permanecem na agricultura como uma opção de negócio. Quando estes sistemas prevalecem sobre outros sistemas de idéias. a humanidade está experimentando uma mudança de época histórica (De Souza Silv a et al. A primeira entende que a pesquisa agropecuária deve concentrar sua capacidade no aumento da competitiv idade do agronegócio nacional. maior volume de exportações e entrada de divisas no país. chamase época histórica 26 . privilegiando uma delas em detrimento da outra. enquanto as referidas dimensões são cruciais na agricultura familiar. demonstra-se a necessidade e possibilidade de uma pesquisa agropecuária orientada por paradigmas diferentes do clássic o. c ódigos. a segunda do agrarianismo ao industrialismo. 2006). e passam a ser alvo de estratégias diferentes para sua contribuição à competitividade da agricultura capitalista. mas raramente para fazer uma autocrítica profunda com implicações ontológicas. cada uma destas correntes de pensamento percebe um papel diferente para a pesquisa agropecuária. relações de poder. Desde a segunda metade do 9 . Desde a década de 1960. Este modo de vida deve ser sustentáv el. ecológica e ética. O que caracteriza uma época histórica é a ex istência coerente de um sistema de idéias para interpretar a realidade. Busch 2001) emergem junto com o fenômeno da mudança de época iniciada na década de 60 (Dicken 1992. A segunda indica a sustentabilidade da agricultura familiar como o alvo preferencial da pesquisa agropecuária pública. Bentz e Shapiro 1998. Amin 1997. inclusive o direito a uma pesquisa agropecuária comprometida com as peculiaridades desta agricultura. Porém. a segunda como um modo de vida. Quando estas dimensões experimentam transformações qualitativas e 26 A humanidade está experimentando sua terceira mudança de época histórica. social. A primeira ocorreu do extrativismo ao agrarianismo. Opções paradigmáticas (Kloppenburg 1991. Como c onseqüência. um sistema de técnicas para transformar a realidade e um sistema de poder para controlar a realidade. eles mudam para outro negócio. modos de v ida e cultura. A terceira defende uma pesquisa agropecuária capaz de usar distintos paradigmas para os diferentes tipos de agricultura constitutiv os da realidade brasileira. técnicas e poder durante um longo período da história. epistemológicas. O referido modo de vida inclui mas transcende a dimensão econômica para incluir outras dimensões onde estes atores constroem valores. e pouco se questiona a ciência moderna em geral e as ciências naturais e sociais constitutiv as da pesquisa agropecuária em particular. Curiosamente. metodológicas e axiológicas. Hoogvelt 1997). ou à sustentabilidade da agricultura familiar. Quando estas entram no debate. o fazem de forma passiv a. e que cada um deles tenha suas peculiaridades e exigências atendidas por diferentes conjuntos de políticas de Estado. cultural. incluindo a agricultura familiar. eles condicionam a natureza das relações de produção. do cidadão ao planeta. já que este é quem mais contribui ao crescimento econômico. e não apenas competitivo. Uma das distinções mais críticas entre as agriculturas capitalista e familiar é que a primeira é percebida e tratada como um negócio lucrativo. N o capítulo. Albrow 1997.

informática. privatização. Três rev oluções— tecnológica. inclusive paradigmas científicos (Nowotny et al. 2001) e de desenvolvimento (Sachs 1999). A ascensão da ideologia do mercado sobre a ideologia do Estado exige revisão do papel do Estado. sem precedentes na história. porque a globalização é promov ida a partir de falsas premissas (Gray 2000). • Revolução tecnológica. Lamentavelmente. Uma característica destas revoluções é que tratam seu objeto de pesquisa como se uma máquina cibernética que funciona como uma rede ou sistema de informação auto-regulado. I sso ocorre desde a década de 1960 (Castells 1996). já atingiu o teto máximo de sua contribuição à acumulação do sistema capitalista. com igualdade de oportunidades para todos. terceirização. 1997. nanotecnologia e neurociências não respondem às premissas do paradigma do industrialismo senão forjam outro sistema de técnicas para transformar a realidade na época emergente. desregulamentação. modos de v ida e cultura dominantes durante o industrialismo criam uma crise de legitimidade do paradigma clássico que viabilizou a construção da sociedade industrial. Caminhamos hoje para a sociedade da informação. os produtos. alguns atores identificaram a crise do paradigma do industrialismo em particular (Bell 1999) e da civilização ocidental em geral (Attali et al. Revolução econômica. liberalização. onde os que decidem não são eleitos para que os eleitos não decidam.simultâneas em suas características. biotecnologia. 1980). os crític os denunciam a emergência de um governo mundial. Em um cambio de época. produto e fator estratégico para a criação de riqueza e poder). 10 . cuja coerência produtiva. N o século XXI. Sob esta racionalidade instrumental. Kovel 2002). processos e serviços relevantes serão os intensiv os de conhecimento. processamento. O regime de acumulação de capital do industrialismo está em crise irreversív el. e 80% deste total oc orre nos 24 países mais ricos (Rifkin 2000). os paradigmas vinculados ao paradigma clássico da ciência moderna que viabilizou a concepção. novos materiais. de técnicas e de poder emergentes. A partir da década de 1960. segundo Castells (1996). Em espaços multilaterais. Mudanças qualitativ as e simultâneas nas relações de produção. regras transnacionais— tratados de livre comércio—são criadas longe do escrutínio público. de técnicas e de poder que prevaleceram até então está sendo desafiada e superada em importância por outros sistemas de idéias. relações de poder. O grave é que a globalização é promovida como um processo “natural” e irreversível. e impostas por agentes internacionais das mudanças nacionais. venda. Por isso. As revoluções da robótica. transformando a informação no fator estratégico para a criação de riqueza e poder. tudo se reduz à geração. tudo muda. • século XX. compra e consumo de informação. modernização do setor público. a humanidade assiste o declínio do industrialismo e a ascensão do informacionalismo (informação é insumo. institucionalizadas em arranjos institucionais supranacionais. Já nos anos 70. econômica e cultural—em curso condicionam a atual mudança de época histórica (Castells 1996. como a Organização Mundial de Comércio (OMC). sem Presidente nem eleições. 1998). isso significa que a humanidade experimenta uma mudança de época histórica. que dependem dos av anços daquela para seus próprios avanços. Mas o número de perdedores não para de crescer. transferência. A relev ância dos sistemas de idéias. acesso. implementação e consolidação da época histórica do industrialismo foram questionados por movimentos étnicos e sociais que proliferaram na sociedade civil de todo o planeta. a facilidade do acesso à informação na INTERNET é restrito a menos de 10% da humanidade. Esta é uma estratégia global para criar um regime de acumulação de capital para a ordem corporativa mundial emergente. Capra 1996. como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. simbólica e de consumo não está em sintonia com as potencialidades e limites do planeta (Carson 1962. Destaca-se a revolução na tecnologia da informação que prevalece sobre as outras.

só produtores. Sob a visão cibernética de mundo que emerge da revolução tecnológica. políticos. econômica e cultural. 28 Ver Anexo-2 no final do capítulo. igualmente distintas para a pesquisa agropecuária na EMBRAPA em particular e no Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA) em geral. vendedores. fibras e outros tipos de bens e serviços. mercadológica e contextual—de mundo27 que originam três macro paradigmas—neoracionalista. metodológicas e axiológicas. ecológica e ética. respectivamente. Destas revoluções. regular e previsível. modo de vida indígena—cujo estado atual é criticado para justificar uma proposta de um futuro melhor onde a referida questão é percebida e tratada de forma mais relevante. alternativa à proposta neoliberal que nos conduz todos à uma catástrofe anunciada. para incluir mais de 70% da humanidade que hoje estão excluídos da esperança de um futuro relevante para todos. 11 . nas quais a inclusão social é v ista diferencialmente. justamente aquelas que foram ignoradas ou violadas pelo paradigma da época histórica do industrialismo. 2003). O foco do seu compromisso epistemológico continua a eficiência da 27 Ver Anexo-1 ao final do capítulo. Embora a construção de cenários não tem lugar neste capítulo. compradores e consumidores de informação. tecnológicos. processadores. coerente e integral. O referido anexo sintetiza algumas premissas constitutivas dos paradigmas de desenvolvimento em conflito na época histórica emergente. Na prática. ecológicos e institucionais mais específicos. vulnerabilidade ecológica. surge o paradigma neo-racionalista de desenvolv imento para o qual a agricultura continua sendo uma máquina de produzir alimentos. atuais e futuras. Como na máquina do industrialismo. Como o mundo em geral. ganha sofisticação—neo-racionalismo—e mantém sua percepção dos seres humanos como recursos humanos. para cultivar o discurso do poder transformador da ciência como garantidor constante de seu financiamento. que é incompatível com os limites do planeta (Capra 1982. alguns elementos de referencia para este esforço coletivo imprescindível pode ser sintetizado assim: • Cenário-1: Mundo-rede—conhecer para controlar . 29 O Anexo-3 distingue entre o ‘modo clássico’ de inovação e o ‘modo contextual’ que emerge a partir das premissas da visão contextual de mundo e do paradigma construtivista de desenvolvimento. até o final da primeira metade do século XXI. Estas implicações são melhor visualizadas quando exploramos os cenários futuros possíveis para a agricultura e a pesquisa agropecuária. Apesar de que estes movimentos reiv indicam um mundo relevante para todos. neo-evolucionista e construtivista—de desenvolv imento 28 que originam paradigmas científicos. movimentos étnicos e sociais proliferam questionando premissas da civilização ocidental e v alores da sociedade industrial de consumo. o reinado da razão. Na máquina cibernética não existe gente. Em seu conjunto. com a prevalência da importância da revolução na tecnologia da informação. O referido anexo sintetiza algumas premissas constitutivas das visões de mundo em conflito na época histórica emergente. equidade de gênero. três v isões— cibernética. a agricultura de precisão que emerge neste cenário é uma máquina cibernética que se pode controlar para seu funcionamento mais preciso. sem lugar para a emoção. Resultarão concepções distintas de agricultura e de inovação29 . a pesquisa agropecuária se atualiza primeiro em relação às revoluções técnico-científicas. eles ainda não conseguiram apresentar à humanidade uma proposta. teorias. participação da sociedade civil. conceitos. econômicos. tecnológica. desigualdade e exclusão social. estes movimentos tentam resgatar e promover a relevância das dimensões humana. modelos e paradigmas cuja aplicação resultaram na coerência produtiva e de consumo da sociedade industrial. cultural. autoridade patriarcal. No cenário da agricultura de precisão. Esta revolução inclui uma critica à civilização ocidental e seus v alores. 1996. sociais.• Revolução cultural. nesta máquina todo o que entra se chama “recurso” e tudo que sai se chama “produto”. emergem. culturais. epistemológicas. social. Desde os anos 60s. cada um deles destaca a relevância de certa questão—direitos humanos. com implicações ontológicas. Neste instrumentalismo. a menos que algo radicalmente distinto da globalização “natural” em curso ocorra antes de 2030.

A questão é desnecessária. as dimensões humana. respectivamente. equidade e sustentabilidade no país. ecológica e ética são também constitutiv as da sustentabilidade desta ativ idade. mão de obra barata. humanas e nãohumanas. esta questão é uma inconveniência. o ecológico e o ético são barreiras ao lucro e à acumulação cuja lógica exige acesso fácil a mercados cativos. intelectual) e o que dele sai se chama mercadoria. mentes obedientes e corpos disciplinados. da agricultura. premissas e estratégias para. as dimensões humana. definir. A questão da inclusão social na agricultura não está em sua agenda. ecológica e ética são invisíveis ou estão ausentes. Neste cenário. na prática. A questão da inclusão social na agricultura é parte do seu discurso da responsabilidade social. social. a razão é usada apenas para regular as ações. a competição. sob a premissa de que a existência é uma luta pela sobrevivência através da competição. a pesquisa agropecuária amplia sua perspectiva para apropriar-se de múltiplos paradigmas que permitem tratar de forma apropriada as agriculturas constitutivas da realidade na qual deve ser relev ante para assegurar seu financiamento. A inclusão social é um princípio constitutivo do enfoque da pesquisa agropecuária vinculada à agricultura familiar. financeiro. humano. Neste cenário. Nesta racionalidade comunicativa. a sabedoria está no balanço 12 . Sob a visão mercadológica de mundo que emerge da revolução econômica. Para a agricultura capitalista. Cenário-3: Mundo-ágora—compreender para transformar . o humano. ganha sofisticação—neo-evolucionismo—com a percepção dos seres humanos como capital humano. A realidade é socialmente construída e pode ser socialmente transformada—construtivismo. camuflada pelo efeito eufemístico do conceito de competitiv idade. Seu compromisso epistemológico é com a sustentabilidade das relações-condições-significados associados à complex idade. • Cenário-2: Mundo-arena—conhecer para dominar . social. a agricultura competitiva que emerge neste cenário é um mercado constituído de arenas comerciais e tecnológicas onde o gladiador vencedor elimina seus competidores para e assegurar sua existência. porque é politicamente correto defender o social frente às desigualdades nacionais e planetárias. Mas. Para a pesquisa agropecuária. A agricultura sustentáv el que emerge neste cenário é uma trama de relações e significados entre as formas e modos de v ida que transformam a natureza para assegurar sua existência. o cultural. surge o paradigma construtivista para o qual a agricultura é um espaço para o intercâmbio intercultural e interinstitucional entre atores dependentes da natureza para a existência. Neste economicismo. cuja emoção estimula a imaginação para a criatividade. surge o paradigma neo-evolucionista para o qual a agricultura é um provedor de matérias primas. inspirar e orientar conjuntos distintos de esforços para fortalecer ou transformar os diferentes tipos de agriculturas que forem relevantes para a competitiv idade. acumulação) e com isso assegurar o seu financiamento. matéria prima abundante. sem distinguir se esta é do tipo capitalista ou familiar. Como o mundo. a solidariedade crítica à sustentabilidade de todas as formas e modos de v ida ganha justificação e legitimidade a partir da consciência da interdependência entre atores humanos e não-humanos. social. cultural. a pesquisa agropecuária adota a ideologia do mercado e se atualiza em relação ao foco de suas contribuições ( lucro. podem-se imaginar e construir políticas. porque tudo o que entra no mercado se chama capital (natural. complexa—de mundo que emerge da revolução cultural. que lhes permite fazer perguntas nunca feitas antes e propor o que ainda não existe. Sob a visão contextual— holística. a partir da consciência da interdependência entre todas as formas e modos de vida. o social. cultural. os seres humanos são talentos humanos. para então atualizar-se em relação às revoluções técnico-científicas em curso. O foco de seu compromisso epistemológico é a competitividade da agricultura. diversidade e diferenças das relações entre as formas e modos de vida. Com sua imaginação. todos dependentes da visão de mundo e do paradigma de desenvolvimento dominantes. • A partir destes cenários possíveis.agricultura.

O giro epistemológico na ciência e na pesquisa agropecuária O paradigma clássico da ciência moderna está em crise. possibilidades e limitações para atender aos distintos interesses e compromissos das diferentes agriculturas com as quais trabalha. 31 Ver. Restrepo (2007). Díaz (2000). o princípio da igualdade de oportunidades não é justo neste caso. emergem outras opções paradigmáticas para a prática científica (Bentz e Shapiro 1998. Harding 1991). Khun (1970). Mas. Harding (1986). Restivo (1988). o crédito quando mal utilizado pode significar. Rosemberg (1976). Como conseqüência. Enquanto o agronegócio teve oportunidades e apoio de políticas públicas para organizar-se e capitalizar-se. ainda que este represente uma conquista significativa. Gouldner (1971). sem oportunidade nem apoio relevantes para organizar-se e capitalizar-se. Husserl (1970). Guba e Lincoln 1998. A partir da amostra das experiências compartilhadas neste livro. O giro epistemológico provocado pela mudança de época ocorre na ciência. Ake (1978). ele já não tem o monopólio da interpretação da realidade nem das intervenções para sua transformação. Aronowitz (1988). ciências sociais 32 e pesquisa agropecuária33 . 2003). Depois de quatro séculos de supremacia do paradigma clássico da ciência moderna. em última instância. e o grau de aplicação dos paradigmas emergentes na agropecuária por parte dos referidos atores. Leiss (1974). Japiassú (1981). Castro-Gómez e Grosfoguel (2007). Smith (1987). diante do persistente gargalo da a assistência técnica e extensão rural. apesar de que isso parece decorrer menos de uma política ou estratégia institucional e mais do grau de sensibilidade e formação filosófica. interativo e ético Não existe uma senão múltiplas ciências. Wallerstein (1999a. Walsh et al. Röling (2000. Feyerabend (1975). e na pesquisa agropecuária. por exemplo. Considerando a história de exclusão da agricultura familiar pelas políticas públicas relevantes no Brasil.estabelecido entre suas prioridades. 32 Ver. De Sousa Santos (2005). uma maior porcentagem do orçamento proveniente do tesouro nacional deve ser dirigida à correção desta distorção histórica cujas conseqüências negativas prevalecem ainda hoje. pois o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF)30 é de criação recente. Castro-Gómez (2005). nas últimas quatro décadas seu monopólio entrou em uma crise de legitimidade (Dallmayr e McCarthy 1977. Morazé (1979). (2002). De Souza Silva 2004b). Rose (1986). e suas contribuições continuam imprescindíveis. O paradigma clássico fez contribuições inestimáv eis à humanidade. compromisso social dos atores envolv idos em relação às rupturas paradigmáticas em curso. desde 30 Sobre o PRONAF. na EMBRAPA a pesquisa agropecuária já incorpora premissas da virada epistemológica que permite perceber e tratar a agricultura familiar como ela merece. inclusive no Brasil. Rose (1994). O que varia é o grau de consciência histórica. Merchant (1980). incluindo as ciências sociais. Existem outros ‘futuros’ possív eis e mais relevantes do que aquele que resultaria da concepção mecânica oferecida pela ciência moderna como a única concepção válida para gerar conhecimento relevante para a construção do futuro. 13 . por exemplo. teórica e metodológica dos pesquisadores da Empresa envolvidos com este tipo de agricultura. ainda está longe de solucionar as questões relativas à agricultura familiar. a inclusão social e o giro epistemológico na EMBRAPA: Do universal. Haraway (1989). Lander (2005). Fee (1986). mecânico e neutro ao contextual. Mas o certo é que existem ev idências de que muitos tratam a agricultura familiar de acordo com sua natureza e dinâmica. Domenach (1980). ele está questionado desde a segunda metade do século XX no mundo da ciência31 . porque. Lubchenco (1998). Rouse (1987). 1999b). por exemplo. Concebido no século XVI. apropriação cognitiva. a agricultura familiar foi excluída ou tratada como uma inconveniência inevitável. quando se trata da pesquisa agropecuária pública. Assim. aperfeiçoado nos séculos XVII e XVIII e consolidado no século XIX. inviabilizar o agricultor familiar devido seu crescente endividamento. A agricultura familiar. Keller (1988).

Krimsky (1984). subdesenvolv imento não é o oposto do desenvolvimento senão sua fase embrionária (Rist 1997).. eles ganham adjetiv os para refletir sua posição na escala quantitativa do desenvolvimento. Aspiram o diploma de “desenvolvido”. paradigmas e modelos dos “desenvolvidos”. epistemológicas.subdesenvolvidos (Escobar 1998). Oasa e Jennings (1982). ciências das organizações (Begun 1994) economia (Kelsey 1988). Nas ciências sociais.. Todas assumem que a realidade é constituída de relações. É apenas uma entre outras opções igualmente válidas. Seus seguidores. por exemplo. Kloppenburg (1991). que não existe (Sachs 1992). para explicar a dinâmica humana. Prigogine e Stengers (1984). 1999. São muitas as correntes de pensamento v inculadas a esta teoria. principalmente sua concepção mecânica de mundo. Byrne (1998). e os que constroem 33 Ver por exemplo. e na organização de insetos sociais (Eder e Rembold 1987). Muitos já exibem a etiqueta de país “em desenvolvimento” e uns poucos a de país “emergente”. 2008). a principal fonte de inspiração para suas premissas ontológicas. A ciência moderna é acusada de. através da Teoria da Complexidade (ex. Dupas 2006). Bauer 1999. Busch (1984. As exceções não-positivistas na Teoria da Complexidade são raras mas excelentes (ex. Cajigas-Rotundo (2007). Mas o caminho é longo e ex ige sacrifícios. Hightower (1973). Esta teoria influencia campos do conhecimento fora de suas disciplinas de origem. A perfeição e a felicidade estão ao alcance de todos que adotem as idéias. a realidade é constituída de relações e significados entre diferentes formas e modos de vida. Morin 1984. como em fenômenos climáticos (Lorenz 1963). O questionamento se ramifica em todas as esferas da ativ idade humana (Attali et al. Lewontin e Berlan (1986). apesar de que a Teoria da Complexidade também inspira cientistas sociais neopositiv istas que emulam o que acontece na Física e Biologia modernas (ex. Tetenbaum (1998).várias perspectivas e disciplinas. sob a lógica evolucionista. Prigogine (1996). Existe um caminho único para o desenvolvimento que fará felizes a todas as sociedades. Nesta lógica. Lorenz (1963). teorias. Ignoram o papel dos significados culturais que os humanos constroem para dar sentido à sua existência e à de tudo que os rodeia. que já são perfeitos e felizes. tudo está questionado.. (1991). Varela 1999. Gleick (1993). Holland (1995). Na diversidade paradigmática emergente. Deo e Swanson (1991). conceitos. Estratégia (Stacey 1993). Capra (2003). Reason 2000). Busch et al. usar o ambíguo conceito de desenvolv imento para reproduzir a dicotomia superiorinferior (De Souza Silva 2006. gestão (Lissack 1997) e comportamento humano (Munné 1995). Hock (1999). Sachs 1992. mas sua hegemonia epistêmica acabou. neo-positiv istas— neo-racionalistas e neo-evolucionistas transferem para as sociedades e suas instituições a lógica da auto-organização que ocorre em fenômenos naturais. 1980). a realidade é socialmente construída e transformada. 2005). Waldrop (1992). como governo (Kiel 1994). Nelas. Marcus (1985). Ver. Lockeretz (1990). mudança institucional (Bauer 1999). Astley 1985. Enquanto no mundo das ciências físicas e naturais o giro epistemológico ocorre principalmente a través da Teoria da Complex idade34 . Os subdesenvolvidos nunca se graduam em desenvolvidos. porque estes autores assumem a premissa construtivista de que. Reason 2000). principalmente no mundo do desenvolvimento (Escobar 1998. Cleaver (1973). metodológicas e ax iológicas (De Souza Silva 2004b). McCourkle (1989 ). Existem cientistas sociais satisfeitos como meros receptores de conceitos que emergem da Física e da Biologia modernas. a epistemologia da ciência moderna não é a única e nem sempre a mais relevante. Álvarez-González et al. Já não podemos viver sem ele. e a interdependência entre todas as formas de vida exige a interação entre elas. Eles criticam as fronteiras epistemológicas e limites metodológicos das teorias positiv istas e propõem a Teoria da Complexidade para transcender tais fronteiras e limites. nas ciências sociais oc orre uma revolução epistemológica de outra ordem. que no passado classificou a humanidade em civilizadosprimitivos (Quijano 2007) e hoje nos hierarquiza em desenvolvidos. Chambers (1989). 34 A literatura sobre a Teoria da Complexidade é vasta e não para de crescer. da perspectiva dos humanos. E ficam satisfeitos e iludidos. 1994). No mundo da ciência moderna. no cosmo tudo se relaciona com tudo. o giro epistemológico ocorre de forma variada. 14 .

. Lander (2000). Shove e Rip (2000). o filósofo portoriquenho Nelson Maldonado-Torres. o antropólogo colombiano Arturo Escobar. Castro-Gómez e Rivera (1999). outras criativas e independentes (ex. Pachón Soto 2007). condenando os demais a ser “povos sem história”. não-eurocêntricos 35 . e faz uma leitura descolonizada e descolonizadora para deslegitimar a história universal linear criada pela Europa ocidental à sua conveniência. Agosto de 2000. Sobre o eurocentrismo ver Amin (1989). como relata na Europa o número especial de Science and Public Policy. os de colonialidade do poder (estrutura global de poder criada a partir da idéia de raça que nos classificou em civilizados-primitivos no passado e hoje nos hierarquiza em desenvolvidossubdesenvolvidos). o sociólogo peruano Aníbal Quijano. através do Proyecto Latinoamericano de Investigación sobre Modernidade/Colonialidade. (2001). como para outros pensadores que se preocupam com a sustentabilidade de todas as formas e modos de v ida. 36 Ver Caswill e Shove (2000a. como a 21st Internacional Agricultural Economics Conference realizada em Sacramento. moral e tecnológica do povo da Europa ocidental em relação aos outros povos do mundo. paradigmas e modelos inspirados em valores e crenças. Mignolo et al. Byerlee e Echeverría 2002). Walsh et al. 37 Num esforço não-eurocêntrico. Alemanha. Echeverría et al. como a Via Campesina e outros que pressionam para. Na pesquisa agropecuária ocorrem mudanças por pressão da globalização (Bonte-Friedheim e Sheridan 1997). a partir da visão de mundo do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. O grupo cultiva um pensamento filosófico independente—nem melhor nem pior. originalidade epistemológica e pensar filosófico competente. 1996. entre outras reivindicações. 38 Nestes eventos. Junho de 2000: “ciências sociais interativas”. o contexto é a referência. Watson (2000) e Orme (2000). geográfica. teorias e paradigmas revolucionários. como interpretou acertadamente Eric Wolf. 2005) e Castro-Gómez e Grosfoguel (2007). Existem muitas iniciativas científicas imitativ as (ex. iniciativas das comunidades de cientistas (Buttel e Newby 1980. Califórnia. Kloppenburg 1991). um maior cuidado com a dimensão agroecológica. teorias. Busch 1993. Para este grupo. Para uma síntese do grupo e seu pensamento. o sociólogo portoriquenho Ramón Grosfoguel e a lingüista norteamericana naturalizada equatorina Catherine Walsh. militar. o semiólogo teórico cultural argentino Walter Mignolo. a interação a estratégia e a ética o garantidor desta sustentabilidade. Entre outros conceitos. conceitual e espiritual sobre os povos subalternos para destruir sua identidade e abortar sua vontade de mudar o mundo) representam as conseqüências da vigência da dicotomia superior-inferior (ver De Souza Silva 2008).conceitos. 38 35 O eurocentrismo promoveu a superioridade genética. Baldwin (2000). By erlee 1998. 36 Um grupo de cientistas sociais latinoamericanos está ganhando visibilidade e credibilidade globais por sua ousadia intelectual. da Grécia clássica à Roma. o sociólogo venezuelano Edgardo Lander. cultural. Simmons e Walker (2000). o filósofo colombiano Santiago Castro-Gómez. 2000b). diferente—do conhecimento autorizado pelo “superior” (Escobar 2003. Estes ev entos foram usados para “identificar cientificamente” as “tendências” para a pesquisa agropecuária. Agosto de 1997. o BID e alguns de seus seguidores apresentaram as “tendências da globalização” através de um “discurso científico” que as promovia como se fossem paradigmas a ser 15 . o Banco Mundial. e com outros grupos de atores sociais e institucionais. Sao “eurocêntricos” os conceitos. Busch e Bingen 2002) e principalmente pressões de certos mov imentos sociais globais. 37 Seus principais integrantes são o filósofo argentino Enrique Dussel. Para um acesso direto ao pensamento do grupo.. Woolgar (2000). Lander (2000). o grupo gera conceitos e teorias pós-ocidentais que desmistificam o discurso eurocêntrico que nos mantém reféns dos marcos exclusivos da ciência moderna. colonialidade do saber (geopolítica do conhecimento que institui e faz prevalecer a visão de mundo do dominador) e colonialidade do ser (violência física.. Gibbons (2000). Puignau 1997). ver Escobar (2003) e Pachón-Soto (2007). o antropólogo venezuelano Fernando Coronil. Também há os que adotam o paradigma construtivista na prática científica em interação com outras disciplinas das ciências físicas e naturais. Wallerstein (1996). ver Castro-Gómez e Mendieta (1998). e a XXIV Conference of the International Association of Agricultural Economists realizada em Berlin. e de Roma à Europa ocidenta. e esforços oficiais da “comunidade internacional” com pretensões hegemônicas (ex. Blaut (1993). e em relação a suas principais instituições. idéias e ideais originados na Europa ocidental. (2002. o Estado e a ciência modernos.

Alston et al. o contexto é a referência mais relev ante para inspirar a natureza das interpretações e orientar a dinâmica das intervenções. seu sistema capitalista e sua ciência ocidental. Echeverría (1998). do ecológico e do ético. 23 de Junho de 2008. como Byerlee (1998). Um exemplo do primeiro caso é o de Kloppenburg (1991. a partir do papel das ciências agrárias na transferência de tecnologia agrícola do mundo temperado para o mundo tropical (De Souza Silva 1997). representado pelo paradigma clássico. Anderson (1998). por exemplo. por causa da lógica desumana. Friedman (2000). cultural.. matéria prima abundante. Opinião. Roseboom e Rutten (1998) e Rukuni et al. Kloppenburg (1988a. nem é desenvolv ido por atores da “comunidade internacional”. 1992) que enfrentou a reação conservadora do paradigma clássico (ex. (1994). Buttel e Newby (1980).Não obstante. 2008) e De Souza Silva et al. mentes dóceis e corpos disciplinados dos “subdesenvolvidos” (De Souza Silva 2008). 39 A perspectiva crítica na pesquisa agropecuária40 assume a agricultura como uma trama de relações e significados entre as diferentes formas e modos de vida. (1998). Mruthyunjaya e Ranjitha (1998). Flora (1991. De Souza Silva (2006) realizou a desconstrução e descolonização da história do desenvolvimento da agricultura tropical. para resgatar a relevância do humano. (1998).. Molnar et al. Anunciaram também a emergência de um novo ‘paradigma institucional’ para inspirar a substituição do ‘Modelo INPA’ (Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária) pelo ‘Modelo SNPA’ (Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária). a presença chinesa no continente africano faz parte da busca pelos recursos naturais indispensáveis para a expansão de sua economia [. 2003). Destes eventos resultaram publicações difundidas no mundo inteiro. Eles desafiam as premissas da civilização ocidental e os v alores da sociedade industrial de consumo. que valoriza as dimensões humana. De Souza Silva (1988).. 1998.. Röling (2000. Como resultado. como os novos ‘mecanismos de financiamento’ da pesquisa agropecuária (ex. (1991). A3). 16 . propõem uma mudança paradigmática. 1992). social. Marcus (1985). representado principalmente (mas não exclusiv amente) pelo paradigma construtivista. 2006). e cresce o número dos que o transcendem para criar opções paradigmáticas não-eurocêntricas. 2000). 1994). No segundo caso. 1991). Como na ciência em geral e nas ciências sociais em particular. mecânico e neutro.] Países como Malauí e Namíbia acusam a China de um comportamento predatório. 39 Como exemplo contemporâneo da vigência da dicotomia superior-inferior. Muitas iniciativas adotam a versão crítica do paradigma construtivista. Prey e Umali-Deininger (1998). (2005. Friedland et al. 1992) por criticar dito paradigma e apresentar uma proposta para sua desconstrução e reconstrução crítica nas ciências agrárias. a inclusão social ganha importância. a revolução epistemológica nesta ativ idade tem origem em questionamentos feitos por alguns movimentos étnicos e sociais que proliferaram a partir da década de 1960. desde 1492. Nos dias atuais. denuncia em seu artigo Quem tem medo da China na África?: “Desde a década de 1960. do cultural. a China tem estabelecido com a África um programa silencioso e eficaz nas áreas da saúde e construção civil. ecológica e ética. ao empregar mão de obra mal remunerada sem assegurar a devida transferência tecnológica” (Folha de São Paulo. do social. do universal. Entre outras conclusões. ao contextual. 41 Ver também De Souza Silva (2004. cujos interesses são servidos apenas com a reprodução da dicotomia superior-inferior que facilita a renovação do acesso dos “desenvolvidos” aos mercados cativos. saber (ciência) e vida (ética). Nesta perspectiva. Fals-Borda (1990. a interação é a estratégia crítica para a criar espaços de intercâmbio intercultural e interinstitucional e a ética é o ingrediente para influenciar a dinâmica das relações entre poder (política). tanto Kloppenburg (1991) quanto De Souza Silva (2006) 41 . 1988b. condicionada pela dicotomia superior-inferior (De Souza Silva 2008). tanto na inovação tecnológica que transforma a realidade material quanto na inovação institucional que transforma modos de interpretação e intervenção de seguidos. interativo e ético. Busch (1984. Jacques D´Adesky. 40 Ver. Doutor em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP) e Coordenador do Programa Sul-Sul do Conselho LatinoAmericano de Ciências Sociais (CLACSO). fundos competitivos). no esforço de compreender para transformar as relações CTSI. as dimensões ignoradas ou violadas pelo paradigma da época histórica do industrialismo. anti-social e daninha ao ambiente da dicotomia superior-inferior (De Souza Silva 2008). o giro epistemológico crítico na pesquisa agropecuária não tem origem no mundo oficial do desenvolvimento global. Bonnano et al.

política. Associados apenas à agricultura familiar. e não apenas a ambiental. e (v) as dimensões humana. Na pesquisa agropecuária da EMBRAPA. 2000. (iv) é mais razoável aprender inventando a partir do local do que perecer imitando a partir do global. Evidências do giro epistemológico Um giro epistemológico implica em uma mudança conceitual. apenas para anunciar sua—bem-vinda e alvissareira—presença. porque a realidade não é homogênea. Buscam. reducionista. a existência do Marco Referencial em Agroecologia (EMBRAPA 2006) é um indicador indireto da sua presença. os poucos relatos compartilhados e examinados não abrangem experiências com as revoluções técnico-científicas nas ciências físicas e naturais. com ou sem aceitação de sua natureza. Por exemplo. 17 . positivista—da ciência moderna. Aceitação do recente fim do monopólio histórico do paradigma clássico—mecanicista. epistemológicas. experiências. 42 Existem diferentes fontes de informação para observar o giro epistemológico na EMBRAPA. políticos e institucionais.se ev idências (i) do giro epistemológico. aspirações. (ii) a inovação relev ante emerge de processos de interação social. uma transformação do regime de verdades sobre a realidade e sua dinâmica. Assim. social e econômica. as afirmações enunciadas aqui se vinculam exclusivamente à natureza da amostra das experiências relatadas. e não de forma linear como quer o modo clássico no qual uns geram. teórica e metodológica e pelos distintas formas de expressão escrita de seus autores. pela variação na ênfase dada às dimensões filosófica. são também imprescindíveis para a sustentabilidade da humanidade e o planeta. outros transferem e o resto adota. Então. institucional e filosófica. metodológicas e axiológicas do paradigma clássico da ciência moderna. Kloppenburg (1991) e De Souza Silva (2006) concluem que (i) o desenvolvimento é contextual e não universal. Rahman e Fals-Borda 1991). As evidências mais v isív eis do giro epistemológico na EMBRAPA são principalmente: • • • • Aceitação da premissa de que a ciência não é a única fonte válida de verdades sobre a natureza e sua dinâmica. foram eleitos quatro indicadores. e a aplicação de paradigmas emergentes sem consciência do fenômeno que lhe dá origem. isso pode ser identificado de diferentes formas: o entendimento da crise paradigmática em curso. O giro epistemológico na EMBRAPA Os capítulos deste livro não são suficientes para concluir sobre o giro epistemológico na pesquisa agropecuária da EMBRAPA42 . Crítica explícita a premissas ontológicas. cultural. inclusive nas ciências agrárias (Fals-Borda 1990. este capítulo examina apenas os significados que os textos geram para a interpretação da penetração do giro epistemológico na pesquisa agropecuária da EMBRAPA. Para isso. A partir de premissas distintas mas convergentes. (iii) o conhecimento significativo é interativamente gerado e apropriado no contexto de sua aplicação (dimensão prática) e implicações (dimensão ética). da sua concepção à sua avaliação. e (iv) da ética como princípio reitor condicionando o processo de inovação. 1998. e não ignorando ou violando os saberes. limitado pela exígua amostra das experiências relatadas aqui. necessidades e histórias locais. a aceitação de sua natureza. com ou sem aplicação dos paradigmas emergentes. Aceitação e adoção de outras opções paradigmáticas para a interpretação da realidade e sua transformação. sej a na crítica ao paradigma clássico ou na adoção ou indicação de outras opções paradigmáticas. objetivista.comunidades de atores sociais. (iii) da interação como estratégia de atuação e mobilização dos atores sociais para sua participação na pesquisa. econômicos. (ii) da valorização do contexto (realidade) como referência tanto para inspirar interpretações quanto para orientar intervenções. Mas este capítulo se limita a usar os capítulos 2-8 deste livro como sua fonte interpretativa. sonhos. assim como de geração de conhecimento relev ante.

Mas não deixam explicita sua consciência da gênese da ascensão da importância do contexto. Valorização de experiências. desenvolv imento local. uso das potencialidades locais. Evidências da relevância do contexto A valorização do contex to como referência implica na aceitação de que o c onhecimento não é universal senão contextual. diferentes das do paradigma clássico. Consciência da crise da ciência moderna e a indicação explícita da adoção de outras premissas epistemológicas. e que alguns já o praticam. metodológicas e axiológicas. uns o incluem por contingência metodológica e não por consciência ontológica. como o autor deste capítulo. epistemológicas. Apenas os relatos dos capítulos 3 e 7 exploram criticamente esta dimensão. Nesta amostra. Os demais o valorizam enfatizando o diálogo de saberes. Encontramos desde a consciência do fenômeno. saberes. a interação e a ética na prática científica. o conhecimento deve ser gerado e apropriado no contexto de sua aplicação (dimensão prática) e implicações (dimensão ética). rituais. e contribui com argumentos históricos. inov ações. O relato é consciente deste ev ento histórico. inspirando outras premissas ontológicas. costumes. conhecimento tradicional e sua reconstrução. códigos. assume-se aqui que o referido paradigma não é uma novidade para muitos cientistas da Empresa. 18 . sendo concebidos a partir de uma realidade particular. há muito tempo. a inovação 43 Como a construção do paradigma construtivista iniciou antes da EMBRAPA ser criada. variando o grau de consciência de sua importância. Em síntese. mas não mostram con sciência do fenômeno histórico que lhe origina. seguido dos relatos dos capítulos 3 e 7. A análise de conteúdo realizada revela a penetração variada do giro epistemológico na pesquisa agropecuária da EMBRAPA vinculada à agricultura familiar. hábitos. têm pouca ou nenhuma chance de serem bem sucedidos em outras realidades. respeito a hábitos locais. defendendo e propondo premissas para a pesquisa agropecuária. intercâmbio de experiências intercomunitárias. O relato do capítulo 3 também inclui uma crítica à ciência moderna e sua racionalidade instrumental. ofícios. práticas e histórias locais. capacidades e potencialidades locais. convivência com a realidade local. com aplicação de suas premissas. As evidências mais comuns da valorização do contex to incluem principalmente: • • • Resgate de valores. conscientemente ou não. filosóficos e conceituais sobre a crise da ciência moderna. Com variação do grau de consciência de seus autores. os demais relatos valorizam o contexto. Evidências da relevância da interação A incorporação da importância da interação como estratégia de atuação implica em assumir que só a participação de atores locais n o processo de inov ação pode aumentar a possibilidade de que as inovações geradas sejam relevantes para eles em sua realidade. muitas das quais já são aplicadas nas experiências relatadas. até a aplicação inconsciente de premissas do paradigma construtivista. Os relatos têm em comum a v alorização do contexto. O relato do capítulo 2 é o que mais abunda sobre a relevância do contexto. não pelo fato de serem externos senão porque. Crítica a modelos exógenos impostos. experiências e saberes. significados. indicando a penetração do paradigma construtivista 43 na pesquisa agropecuária. Daí porque o contexto é a referencia máxima para uma comunidade de atores que decide fazer contribuições relevantes para os atores sociais e institucionais da realidade para a qual existe. principalmente de atores locais não necessariamente treinados formalmente. Para ser localmente significativo.• • Aceitação da existência e relevância de outras perspectivas. os autores do capítulo 7 compreendem a crise da ciência moderna. experimento em escala real.

Preocupação. direitos sociais e de cidadania. Estas evidências se revelam na menção a parcerias. sua sustentabilidade e seu sentido de ser (de existir). Cuidado com todas as condições. Igualmente. intercâmbios. relações e significados que geram. fórum da agricultura familiar. intervenção interdisciplinar. oficinas pedagógicas. crítica e indignação com violações a condições. capacitação para a autonomia das comunidades. associativ ismo. relações e significados associados à geração da vida. redes de referência.socialmente relevante emerge de processos de interação com a participação daqueles que a necessitam e serão por ela impactados. planejamento estratégico participativ o (PEP). e também aos modos de vida destas formas de vida. cuidado ecológico e não apenas viabilidade econômica. decisões c ompartilhadas. compromisso coletiv o e relevância social a propostas de intervenção para o benefício de comunidades de atores diferentes dos executores das referidas propostas. pesquisa-ação. preocupação com a privatização do conhecimento tradicional. o rural. embora alguns não são explícitos sobre seu compromisso com esta dimensão da pesquisa. mas não se pode afirmar que existe uma consciência axiológica 19 . espaços comunitários. preservação da identidade cultural de grupos de atores onde este aspecto está erodido. embora variem quanto ao grau de consciência da gênese desta importância. Consciência e aceitação da interdependência entre os atores humanos. Consciência e aceitação da premissa de que a realidade é uma trama de relações e significados entre as diferentes formas e modos de vida que lhe constituem. práticas transculturais. melhoramento da auto-estima dos grupos sociais. avaliação dialogada. Consciência e aceitação da premissa de que só a participação agrega mais coerência contextual. O uso combinado de múltiplos métodos participativos. estímulo aos jovens para valorização do conhecimento ancestral. de ordem principalmente metodológica. Os relatos das experiências revelam este tipo de evidência. como o modo de vida urbana. É possível identificar sua presença nas menções à necessidade de espaços e oportunidades para o exercício da cidadania. o indígena. facilita a incorporação do princípio da inclusão social na pesquisa agropecuária. relações e significados que geram. Práticas de cultivo das condições. imposição de modelos forâneos que fraturam a coesão social e práticas culturais locais. Pode-se afirmar que o giro epistemológico está na EMBRAPA. de todas as formas de v ida. e não somente à v ida humana. As evidências associadas à dimensão ética da pesquisa agropecuária são principalmente: • • • • Respeito à v ida de todas as espécies do planeta. mas sua penetração não resulta de iniciativas institucionais deliberadas. legitimidade política. inovações sociais e não apenas tecnológicas. incluindo a humana sem pretensões antropocêntricas. As principais evidências da valorização da interação são: • • • • Consciência e aceitação da premissa de que a realidade é socialmente construída e pode ser socialmente transformada. diagnósticos rápidos participativos. sustentam e dão sentido à vida. tratamento dos atores sociais como sujeitos e não como objetos da pesquisa. Evidências da relevância da ética A ética implica no cultiv o das condições. ensaios de síntese. mudança da lógica individual para a coletiva. pode-se concluir que a adoção de certas premissas. relações e significados que geram. sustentam e dão significado à vida. avaliação com a participação de famílias locais. inclusão social. • Os relatos incluem evidências da importância da interação como estratégia de ação. e entre estes e os não-humanos constitutivos da realidade que queremos entender para transformar. conservação participativa. mantêm e dão sentido à vida.

e geram novas contradições que influenciam a natureza e dinâmica das realidades emergentes. Porém. Diante de opções em conflito. o que precisa mudar é apenas a realidade e não as pessoas que mudam a realidade. Como ocorre com um instrumento (Idhe 1993). Portanto. durante o período de prevalência dos paradigmas de uma época histórica. Como cada janela é construída a partir de um ângulo particular. estes modos de interpretação e intervenção servem de referência para definir como “anormais” outros cujas premissas—verdades—estão em conflito e desafiam as v erdades dos paradigmas dominantes. comunidade. Por isso. Toda época histórica estabelece certos paradigmas de interpretação e intervenção que se tornam hegemônicos entre outros paradigmas que coexistem no mesmo período. pelas distintas lentes culturais dos observadores situados em cada janela. Mas bem que esta pode ajudá-los a melhorar sua vida. A forma como percebemos o mundo condiciona nossa forma de intervir nele. Ainda quando dois objetos ou fenômenos em um mesmo horizonte visual são v istos de janelas distintas. o que implica na adoção do princípio da inclusão social. 2006). eles são percebidos diferentemente. numa mudança de época. 44 45 Arturo Escobar. esforço este no mundo da inovação institucional. Institucionalizados como “normais”. pode-se concluir que a EMBRAPA necessita sensibilizar gerentes e pesquisadores para um esforço de desconstrução e reconstrução de seus modos de interpretação e intervenção. sua concepção particular amplifica a relevância de alguns aspectos da realidade enquanto reduz ou torna invisível a importância de outros. para enfocar certa parte do contexto. Neste caso. para tomar decisões ético-políticas sobre quais entre eles são mais relevantes para prevalecer na definição da hierarquia de valores e objetivos fins que servem de critérios para subordinar as contribuições de paradigmas que tratam com os meios. As rupturas paradigmáticas e as mudanças qualitativas correspondentes geram novos e reconfiguram antigos problemas. (2005:9). grupos sociais. a interação como estratégia e a ética como garantidor do compromisso com a sustentabilidade de todas as formas e modos de vida. as iniciativas de mudança se concentram principalmente na mudança das “coisas” e raramente no modo—estilo. ou princípio do bemestar inclusivo 45 . conforme o caso. tecnologia e inovação. como atualmente. em De Souza Silva et al. é crític o (re) conhecer os paradigmas disponíveis nos campos de interesse. Conclusão “Se o paradigma clássico—eurocêntrico—de inovação não é satisfatório para promover o bem-estar inclusivo. Supõe-se que estas já adotam o estilo de pensamento “normal” da época histórica. Isso é mais forte na matriz institucional oficial do que se c onvenciona chamar “desenvolvimento”. Mas. chegou a hora de inovar nossa forma de inovar”44 Não só de ciência vivem os humanos. principalmente se a prática científica assumir o contexto como referência. duas janelas situadas em ângulos distintos e apontando para horizontes diferentes nunca mostram a mesma realidade.(ética) da necessidade entre os pesquisadores envolv idos com experiências similares. dominar (neo-ev olucionismo) ou transformar (construtivismo). o modo “normal” de pensamento dominante está questionado e perde seu monopólio como fonte explicativa da realidade e sua dinâmica. e pode tornar-se obsoleto. a la Ludwik Fleck—de pensamento das “pessoas” que mudam as coisas (De Souza Silva et al. 20 . pelo menos não explicitamente nos relatos compartilhados aqui. Mas nem todos os paradigmas v alorizam estes aspectos da realidade. Isso é o que se pode concluir a partir de uma análise de conteúdo dos casos apresentados neste livro. Um paradigma é uma perspectiva—janela cultural—através da qual olhamos a realidade que queremos conhecer— compreender —para controlar (neo-racionalismo). este princípio pressiona a favor da opção que beneficia o maior número possível de famílias. O caráter seletiv o dos paradigmas é o indicador verificável de sua não-neutralidade. principalmente nas organizações públicas de ciência. ¿Por qué innovar nuestra forma de innovar?. sociedades ou formas de vida. Mas nem toda janela mostra a mesma paisagem. Já Einstein reconhecia que o observador transforma o objeto observado com seu método de observação.

por outro lado. são muitas e profundas as implicações teóricas e práticas da sua dependência da sensibilidade individual de pesquisadores. por parte de organizações que tentam reconstruir sua sustentabilidade institucional fraturada pela mudança de época histórica. Por isso. o antropólogo Arturo Escobar. o principal papel da ciência “normal” é descobrir e descrever a realidade como ela “realmente” é. às vezes. Se estas sugestões forem tomadas em conta. Portanto. o giro epistemológico na EMBRAPA é ainda incipiente e não resulta de um processo institucional deliberado. três sugestões emergem para a EMBRAPA abrangendo o SNPA. há motiv os para comemorar. apesar da boa notícia da presença do paradigma construtivista na pesquisa agropecuária da EMBRAPA. os demais relatos são essencialmente descritivos. ex iste uma variação na forma de relatar suas respectivas experiências.que não podem ser compreendidas e. muitos dos autores dos relatos estão sob o efeito da lógica da mudança de época histórica. os seres humanos têm que se adaptar às coisas que mudaram. de caráter introdutório. mecânicas. para predizer e controlar seu comportamento. na agricultura e pesquisa agropecuária. porque a filosofia de inovação que muda as “coisas” para mudar as pessoas está condicionando o fracasso de 75% das iniciativas de transformação institucional no mundo. No entanto. Formular um Marco Referencial em Inovação Institucional. A filosofia de mudar as “coisas” emergiu da visão mecânica de mundo concebida pela ciência moderna. e não de uma iniciativa planejada da Empresa. Seria muito diferente se fossem percebidos como talentos humanos (De Souza Silva 2007). Para isso. Com exceção do relato do capítulo 7. Chegou a hora de inovar nossa forma de inovar. 2006). embora não necessariamente apliquem sistemática e rotineiramente estas premissas em sua prática científica. já praticam premissas de certos paradigmas emergentes enquanto. deve descobrir as leis “naturais” e. não se pode superar um problema complexo sob a mesma percepção—modo de interpretação—e com o mesmo método—modo de intervenção—que o geraram. citado ao início desta conclusão. Por um lado. ainda são reféns de certas premissas de paradigmas em declínio. A EMBRAPA deve examinar qual é a filosofia de inovação in stitucional que prevalece na empresa. independente de como estas ocorreram na prática. imutáveis. Inclusive a maioria dos autores não parece estar consciente que sua prática científica diferente já não responde aos ditames da ciência moderna senão aos do paradigma construtivista da época histórica em construção desde os anos 60. que é interpretativo. através da visão de mundo—concepção de realidade—dominante na época histórica em crise. O objetivismo assume que existe uma realidade fora de nós (out there) que é concreta e independe de nossa percepção. Como a realidade é como é. seguindo a Albert Einstein. está correto. muitas das propostas de mudança sugerem apenas reconfigurar as “partes” e “peças” da “engrenagem”. universais. No mundo-máquina não há gente. por conveniência mas não por convicção. chegou a hora de valorizar a filosofia de inovação que muda as “pessoas” que mudam as coisas. o que revela a pressão da premissa do objetiv ismo do paradigma clássico da ciência moderna. Percebidos como “recursos”. explorando as implicações dos relatos das experiências da pesquisa agropecuária da EMBRAPA com a inclusão social na agricultura familiar. sobre as relações CTSI. Mas. outras implicações mais específicas emergirão delas: 1. cujo conteúdo versaria sobre A Inovação da Inovação: Transformações nas relações ciência-tecnologia. da interação e da ética na prática científica em geral e na pesquisa agropecuária em particular. nem sequer percebidas. por isso. dificilmente o modo de pensamento da comunidade de atores que constituem a organização. Porque. Assume-se que já são muitos os que comungam das premissas associadas a estas dimensões. Inferindo a partir apenas deste livro. Assim. Então. como os seguidores da etnobiologia. compartilhadas aqui. aumenta o número de pesquisadores sensív eis aos apelos e pressões que chegam de distintas fontes para a valorização do contexto. Segundo um estudo global realizado pela Rede Novo Paradigma para a inovação institucional na América Latina (De Souza Silva et al.sociedadeinovação: implicações para organizações de ciência e tecnologia agropecuária. Portanto. Esta seria a 21 . Muito possiv elmente.

No mundo. pois. Conclui-se. Um dos resultados desta iniciativ a é a formação de comunidades de argumentação sobre as relações CTSI e suas implicações teóricas e práticas para a relevância e gov ernança da EMBRAPA e SNPA. (ii) o marco conceitual mínimo para compreensão do tema. estratégias—inspiradores. (iii) uma síntese das transformações nas relações CTSI como conseqüência da mudança de época histórica atual. Busch e Sachs 1981. Realizar conferências. alguns cientistas já refletem há décadas sobre o momento contemporâneo e suas implicações para as relações CTSI. e algumas iniciaram processos para incorporar suas implicações. a ciência influencia os imaginários técnico e social. 3. que a pesquisa agropecuária deve ser pensada filosófica. cotidianamente. políticas e estratégias para lidar com suas implicações. no processo dialético de suas mútuas influências. assim como outros futuros relevantes para a humanidade e o planeta. através da introdução de inovações institucionais para a gestão destas relações. porque os cientistas não têm o direito de decidir o que deve ser feito apenas porque sabem como fazê-lo. O documento incluiria (i) o marco contextual da relevância do tema. (iii) um marco histórico-crítico das relações CTSI constitutivas da emergência da agricultura tropical e pesquisa agropecuária desde 1492. milhões de atores humanos e não-humanos têm sua existência afetada negativ a e positivamente pela prática científica. onde prevaleceu o poder assimétrico entre seu s criadores e disseminadores da Europa ocidental e seus seguidores no resto do mundo (Brockway 1979. No mundo e no Brasil. muitas instituições já debatem estas mudanças há décadas. Em última instância. Nós sugerimos outro tipo de exercício mais desafiante e geralmente mais frutífero: imaginar as implicações de não fazê-lo. e se as mudanças globais em curso transformam as relações CTSI em organizações de ciência e tecnologia agropecuária. Igualmente. 2006). a conclusão institucional mais ampla pode ser sintetizada assim: se 75% dos processos de inovação institucional para construir sustentabilidade institucional fracassam. a EMBRAPA deve iniciar um processo de debate destas mudanças nas referidas relações para revisar antigas e formular novas políticas e estratégias de sua gestão na EMBRAPA e no SNPA. e historicamente porque foi condicionada por um processo cuja variante tropical resultou de relações CTSI globais desiguais. seminários e cursos sobre as transformações das relações CTSI em andamento. 2. A EMBRAPA ainda não iniciou um debate generalizado e organizado para construir uma nova compreensão das relações CTSI e derivar critérios. Porém. se este fracasso está associado a modelos de mudança institucional inspirados na filosofia de inovação que muda as “coisas” para mudar as pessoas. 1983. Mas isso ocorre de forma asistemática. fragmentada. 1988. usando como insumo o Marco Referencial em Inovação Institucional. na EMBRAPA. área ou linha de estudos e pesquisas das relações CTSI para inspirar e orientar o aperfeiçoamento da governabilidade e relev ância da EMBRAPA e do SNPA. Neste tipo de situação. Já não é política nem socialmente aceitáv el que cientistas e gerentes das relações CTSI ignorem a natureza filosófica e a magnitude ética de sua profissão. e sobre sua gestão na EMBRAPA e no SNPA. Na prática.fonte inicial de inspiração e orientação do debate sobre o tema na EMBRAPA e SNPA. e (v) elementos—critérios. Filosófica e eticamente pelo já exposto. como conseqüência de suas reflexões críticas sobre a atual mudança de época histórica. as organizações investem um tempo excessiv o para responder à pergunta se há ou não vantagens em um processo de debate visando mudanças. Como ativ idade humana transformadora da realidade. De Souza Silva 1989. ética e historicamente. as relações CTSI devem ser pensadas eticamente porque. indicativos e orientadores de iniciativas por parte da EMBRAPA abrangendo o SNPA. Até quando? A que custo? 22 . Criar um programa. premissas. princípios. (iv) um esboço dos cenários emergentes para as relações CTSI e sua gestão. seus impactos não são neutros na realidade que transformam. dispersa. estas três sugestões têm como objetiv o epistemológico/axiológico ampliar o número daqueles que na EMBRAPA e no SNPA pensam a ciência filosoficamente.

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um mundo constituído de redes cibernéticas. que é transformada em bens e serviços a ser ofertados. produtores. exporta dores. Para a “máquina de inovar”. As inovações importantes são “ofertadas” por organizações de ciência e tecnologia. com a participação dos que as necessitam e que são impactados por seu uso. a interação é desnecessária. e (iii) a acumulação como seu objetivo. e entre estes e seu contexto relevante. porque tudo que entra no mercado é percebido como “capital”: capital natural. A “gerência da eficiência” é restringida ao mundo dos meios . e se move sob os ditames da racionalização: a busca da eficiência. capital financeiro. para que os fins sirvam de critério para subordi nar a contribuição dos meios. investidores. precisão. A interação social é imprescindível: os “expertos” não têm o direito de definir sozinhos o “que deve ser feito” só porque sabem “como fazer”. contextuais. predição. Os excluídos emergem de relações assimétricas que forjam processos desiguais para a criação. conceituais e éticos. peças da engrenagem. controle. recursos humanos. A maior competitividade é seu objetivo. riqueza e poder . Nossa imaginação nos permite criar mais além da experiência atual e do conhecimento prévi o. quantificação. As organizações são “redes” inovadoras: consomem. realidades e aspirações) do contexto onde ocorrem a aplicação e as implicações de suas contribuições. As inovações relevantes “emergem” de processos de interação social. O desempenho da “or ganização-rede” é dependente da qua ntidade dos meios disponíveis. capital intelectual. (ii) o lucro máximo como seu critério. quanto maior é sua eficiência maior é o seu grau de sustentabilidade. a existência é uma luta pela sobrevivência através da competição. As organizações são “provedores” de bens e serviços demanda dos pelo mercado. e correspondência (externa) para sua maior relevância entre os atores do contexto. capazes de “alinhar” os diferentes tipos de “recursos” com os “objetivos” e “metas” a serem alcançados. clientes. na interdependência. apropriação e uso de informação. A eficiência produtiva é seu objetivo. a sustentabilidade emerge da solidariedade. As inovações importantes são “produzidas” por organizações de ciência e tecnologia que dependem da inteligência racional de seus cientistas. de seu conhecimento das tendências do mercado e do valor econômico agrega do a seus produtos y/o serviços. A organização requer administradores eficientes e tecnologicamente atualizados. Esta é uma realidade caórdica (caos + ordem) que hoje está vulnerável por causa de problemas antropogênicos— criados pela ação humana. Nós não somos cidadãos senão provedores. competidores. o mundo tem potencialida des naturais. processadores e “produtores” de informação. A organização é melhor administrada por economistas ou profissionais que percebam o mercado como a fonte de solução para os problemas atuais. etc. etc. A “gerência da competitividade” é restringida ao mundo do mercado. O “provedor de inovações” interage com os “clientes” para conhecer suas “demandas”. onde tudo é reduzido a informação e todos são percebidos como consumidores. os cientistas sabem o que é melhor para a sociedade e o planeta. capital social. A organização sustentável é a organização competitiva. processadores. etc. e cuja sustentabilidade é uma propriedade emergente da interação humana que permite a construção coletiva de modos de vida sustentáveis] Os seres humanos são “talentos humanos”.Visão cibernética Anexo-1: Visões de mundo em conflito na época histórica emergente Visão mercadológica Metáfora guia: mundo-mercado [um agrega do de arenas comerciais e tecnológicas onde a importância de tudo é reduzida a sua função econômica. Isso implica em coerência (interna) para uma melhor eficiência. sob os ditames da “razão”. da eficiente gestão destes meios e da alta produtividade de sua transformação em bens e serviços a ser ofertados. O desempenho da “or ganizaçãoprovedora” é dependente do gra u de sua conectividade com as demandas de seus clientes. Metáfora guia: mundo-trama [uma trama de relações e significados entre diferentes formas e modos de vida. quanto maior é sua competitividade maior é seu grau de sustentabilidade. acesso. criativos. processam e produzem informação. porque tudo que entra na máquina é percebido como “recurso”: recursos naturais. etc. O Estado trata “a questão social” com políticas sociais compensatórias: os excluídos são os ineficientes da sociedade. Até a natureza—a vi da—é passível de ser vendida e comprada] Os seres humanos são “capital humano”. que é o fator estratégico emergente mais crítico para a criação de riqueza e poder] Os seres humanos são “recursos humanos”. 34 . que é a principal fonte de referência para a inovação. que interpretam os sinais do mercado como a melhor fonte de inspiração. A “gerência na turbulência” exige que fins e meios sejam negociados juntos. etc. inspiradas nos desafios (necessidades. A organização sustentável é a organização eficiente. velocidade. humanas. sem lugar para a emoção. As organizações são “facilitadores” de mudança . recursos financeiros. pois estes são os únicos atores relevantes. Visão contextual Metáfora guia: mundo-rede [uma “máquina cibernética” que funciona como um sistema de informação autoregulado. consumidores. A organização sustentável é a organização cambiante. O mercado é o juiz que premia aos competitivos e castiga aos não-competitivos: os excluídos são os não-competitivos da sociedade. e assume (i) a oferta e a demanda como suas leis. O desempenho da “or ganizaçãofacilitadora” de mudança emerge da interação entre seus subsistemas. Os gerentes devem ser competentes. que inova e muda junto com seu contexto cambiante. capital humano.

comércio e gestão. sob uma racionalidade instrumental: todos os problemas são reduzidos a questões técnicas. através da aprendizagem social. gerando bens e serviços e construindo significados culturais e espirituais que dão sentido à existência: civilização do ser. O mercado está no comando do mundo da inovação. Uns inovam. humanos. A vulnerabilidade institucional resulta da perda de eficiência. linear e cumulativo para um progresso tecnológico aonde a felicidade e o bem-estar chegam com a possessão de bens e acesso a serviços: civilização do ter/do acesso. O conhecimento útil—demandas —é neutro. sempre com solução de mercado. A ciência é a única via aceitável para “produzir” conhecimento válido. os subdesenv olvidos devem seguir os exemplos compartilhados para forjar seguidores de caminhos já existentes. somos e seremos “diferentes”. para ser como os desenvolvidos. A vulnerabilidade institucional resulta da perda de relevâ ncia: perda de correspondência com o contexto e seus atores significativos. A inovação útil deriva da interação entre expertos e clientes. Existe uma realidade complexa mas objetiva. social. comércio e gestão. outros transferem e muitos adotam as inovações “produzidas” por expertos racionais que sabem o que é melhor para todos. e de competição individual como estratégia de sobrevivência para a existência. A sociedade está no comando do mundo da inovação. intelectual. organização produtiva e gestão dos meios. e que se pode descobrir. Paradigma neo-racionalista Conhecer para controlar Metáfora-guia: O mundo-mercado (arenas comerciais e tecnológicas) O desenvolvimento é um processo natural de destruição criativa para um crescimento econômico onde a felicidade e o bem-estar chegam com o consumo de bens materiais e culturais: sociedade de consumo. que não voam se não o fazem abraçados. onde os problemas são reduzidos a questões de oferta-demanda . O conhecimento racional— informação—é neutro. sob uma racionalidade comunicativo-relacional. Sob a “pedagogia da resposta”. onde os problemas antropogênicos são resolvidos pela interação humana . inventa ndo a partir das histórias e saberes locais. e exige a capacitação dos inferiores— subdesenv olvidos —pelos superiores— desenvolvidos —para o mimetismo dos casos exitosos dos últimos. a participação de outros atores do contexto é uma inconveniência. sem incluir dimensões subjetivas. materiais. A inovação relevante emerge de processos de interação social. para ser como os desenvolvidos. predizer e controlar para manejá-la. Existe uma realidade simples e objetiva. descrever. independente de nossa percepção. A “aprendizagem para o desenvolvimento” se dá por imitação. O conhecimento científico e de mercado são os únicos necessários e válidos. A aprendizagem para a inovação é contextual. O desenvolvimento sustentável resulta da gestão eficiente dos “recursos”. Os saberes—científicos e tácitos —são válidos se são localmente relevantes. e exige adestramento dos inferiores— subdesenv olvidos —pelos superiores— desenvolvidos —para fechar a brecha de informação entre ambos. O desenvolvimento sustentável resulta da gestão competitiva do “capital” natural. A sustentabilidade é uma questão de melhor tecnologia de produção. Não há desenvolvidos nem subdesenv olvidos: todos fomos. a ética. financeiros. a participação é imprescindível. como a social. Sustentabilida de é uma questão de melhor tecnologia de produção. a solução lógica resulta em mais ciência. As máquinas estão no comando do mundo da inovação. e é “produzido” no mundo dos expertos/clientes. e dependente do processo de evolução natur al e da dinâmica das leis da oferta e da demanda. Paradigma construtivista Compreender para transformar 35 . Existem múltiplas realidades dependentes das diferentes percepções dos distintos grupos de atores sociais em seus diferentes contextos. Paradigma neo-evolucionista Conhecer para dominar Metáfora-guia: O mundo-trama (de relações e significados) O desenvolvimento é um processo contextual de criação de felicidade e bem-estar inclusivo. humano. A solução requer apenas melhores tecnologias de produção. que se deriva da perda de correspondência com o mercado. isso emerge da interação huma na. ou tem sua demanda criada pela publicida de com o apoio de ciências do comportamento. A solução dos problemas de eficiência requer apenas melhores tecnologias de produção e gestão. os subdesenv olvidos devem seguir instruções criadas para forjar seguidores de caminhos já existentes. negociação e (re)construção de significados. A aprendizagem para o desenvolvimento se dá por repetição.Anexo-2: Paradigmas de “desenvolvimento” em conflito na é poca histórica emerge nte Metáfora-guia: O mundo-rede (“máquina cibernética”) O desenvolvimento é um processo racional. sob uma racionalidade econômica. financeiro. a participação dos atores do contexto é desnecessária. A solução exige interação. traduzível à linguagem matemática. do social. que aprendem em interação com o contexto. para aumentar a competitividade tecnológica e econômica. A sustentabilidade exige cultivar as condições. naturais. para mobilizar a imaginação. e é “produzido” no mundo dos expertos. traduzível à linguagem do mercado. capacida de e compromisso para a promoção do humano. para não perecer imitando a partir dos “desenhos globais” criados em outros lugares. do ecológico e do ético. como anjos com uma asa. Somos interdependentes. que se deriva da perda de coerência produtiva interna. Segue leis universais. são realidades socialmente construídas e transformadas. A vulnerabilidade institucional resulta da perda de competitividade. com a participação dos que a necessitam e/ou serão por ela impactados. para aumentar a eficiência produtiva. O conhecimento significativo— compreensão—é gerado e apropriado no contexto de sua aplicação e implicações. a cultural e a espiritual. e exige formar construtores de caminhos . Sob a “peda gogia da resposta”. relações e significados que geram e sustentam a vida. independente de nossa percepção. tecnologia e gestão.

controlar e manejar a realidade par a explorá-la em benefício de todos. motivos. Modo contextual—construtivista Propósito: compreender para transformar 36 . o fator humano não intervém na constituição da realidade objetiva. é necessário negociar os valores éticos e estéticos que devem prevalecer na intervenção. e afasta o “objeto” da pesquisa do seu “contexto” (não-contextual) por que este contém muitas variáveis que não são relevantes para a relação causa-efeito. racionalmente. O contexto e sua complexidade não são relevantes para a pesquisa. O método científico é neutro porque assegura a nãointervenção de valores e interesses humanos. Uma ciência da sociedade. para permitir conhecê-la. A emoção (os desejos. Uma ciência para a sociedade. além de entender a natureza e dinâmica dos processos físicos. A realidade é socialmente construída e pode ser socialmente transformada. só o conhecimento científico descreve a realidade como ela “realmente” é. Existe uma realidade objetiva que é independente de nossa percepção e é traduzível à linguagem matemática (objetivismo—positivismo ontológico). previsível. químicos e biológicos que funcionam de forma independente da interpretação e intervenção humana . Modo clássico—positivista Propósito: conhecer para controlar Anexo-3: Modos de innovação.Visão mecânica de mundo: o mundo é uma máquina precisa. que finalmente adotam tudo que foi gerado. O todo é dinâmico e diferente do conjunto de suas partes. para conhecer o todo é preciso desmontá-lo para conhecer suas partes constituintes. valores. manejável e traduzível à linguagem matemática. O método científico afasta o “pesquisador” do “objeto” da pesquisa para suprimir a intervenção de valores e interesses humanos (neutro). regular. o contexto é a chave para compreender os significados dos fenômenos (contextual) e o sentido da existência (valorativo). É relevante conhecer as “leis naturais” que regem o funcionamiento da realida de. A interpretação e transformação da realidade depende do diálogo de “saberes”. As alianças. incluindo a menor de todas onde está sua essência—reducionismo. devem ser seletivas. por convicção. para compreender sua natureza e dinâmica é necessário compreender a trama das relações e significados cambiantes que o constituem—holismo. predizer. que só os cientistas estão capacitados para identificar e resolver. predizê-la. Somente os “aspectos tangíveis” da “realidade concreta” são importantes. As “organizações de inovação” atuam holística e interativamente no seu contexto relevante. todas dependentes das diferentes percepções dos distintos grupos de atores sociais em seus diferentes contextos (contextualismo— construtivismo ontológico). sem separar pesquisa-transferência-adoção. frustrações) é a fonte da ação. É relevante compreender os processos de interação social através dos cuais diferentes grupos de atores sociais constróem suas distintas percepções da realidade. descrever. A prática científica é uma atividad humana impregnada de valores e interesses. que não tem intermediário porque é interactiva (ciência com consciência). a razão é apenas um regula dor da ação. É imprescindível mudar as “pessoas” que mudam as coisas. As inovações socialmente relevantes emergem de complexos processos de interação social. senão apenas mudar as “coisas” para mudar as pessoas. Sem interação não há compreensão nem inovação relevantes. O contexto e sua complexidade sao relevantes para a pesquisa. descrevê-la. A inovação emerge da interação. O único que se pode fazer com a realidade é conhecê-la para descrevê-la. entre o conhecimento científico e outros “conhecimentos tácitos” dos atores locais. Existem múltiplas realidades. quando inevitáveis. e é suficiente para conhecer. otros transferem e muitos adotam. paixões. Conhecimento socialmente relevante é gerado de forma interativa no contexto de sua aplicação e implicações. controlá-la e manejá-la para explorá-la . Os problemas relevantes são problemas complexos do contexto para a pesquisa. com a participação daqueles que a necessitam e serão por elas impactados. sonhos. controlável. que é intermediada pela tecnologia (ciência sem consciência). é necessário criar (separadamente) orga nizações de “pesquisa” que geram conhecimento e tecnologias e organizações de “transferencia” que extendem isso aos “usuários”. que existe independente da vontade humana . controlá-la e manejá-la para explorá-la em benefício de todos. A inovação é uma dádiva da ciência para a sociedade. que também são intérpretes de sua realidade. A razão é a fonte da ação. A interacción social é desnecessária. O melhor método permite a interacción entre pesquisador e atores do contexto. Uns inovam. Não há outros “saberes” válidos. A ciência não necessita mudar as “pessoas” que mudam as coisas. predizê-la. O problemas importantes são problemas simples de pesquisa. porque podem e devem ser medidos e comparados. Um problema complexo para a pesquisa revela muitos problemas de pesquisa. O todo é constituído de partes. O conhecimento científico é o único conhecimento válido. não a razão. clássico e contextual Visão contextual de m undo: o mundo é uma trama complexa de relações e significados entre diferentes formas e modos de vida. e sem compromisso coletivo não há capacidade social para superar problemas complexos.