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UNIDADE 1 - Texto introdutório Variação linguística Ao usarmos uma língua, sabemos que há mais de uma maneira de dizer a mesma

coisa. Nós sabemos, por exemplo, que podemos dizer algo de modo mais formal ou informal. Sabemos se uma pessoa é da Bahia ou do Rio Grande do Sul, do Brasil ou de Portugal, apenas observando a maneira como ela fala. Em outras palavras, a língua sofre variações, que estão condicionadas a vários fatores. O uso da língua de uma maneira ou de outra depende, sobretudo, de fatores geográficos, socioeconômicos, da faixa etária, do maior ou menor grau de formalidade e mesmo do sexo dos falantes. Assim, as palavras farol, sinal e semáforos constituem exemplos de variação geográfica da língua portuguesa falada no Brasil. A ausência de concordância verbal na frase “eles foi embora”, por exemplo, caracteriza a fala de pessoas com baixa escolaridade normalmente pertencentes às classes econômicas menos privilegiadas financeiramente. Quando se ouve “sem essa, véi!” sabemos tratar-se de um jovem. Observa-se igualmente que falamos de maneiras diferentes quando nos dirigimos a uma pessoa hierarquicamente superior no ambiente de trabalho e quando nos dirigimos à namorada ou a um filho. O termo por obséquio, por exemplo, pode ser adequado no primeiro caso, mas no segundo, seria totalmente inadequado. Apesar de a língua em comunicação aceitar essas variações, o padrão culto da língua é tido como a modalidade que goza de maior prestígio, e a sociedade investe de poder quem o utiliza. O padrão culto representa um ideal cultivado pela elite intelectual. Do ponto de vista social, a língua padrão é que tem valor. Mas do ponto de vista linguístico, nenhuma variedade é melhor que a outra, visto que todas têm uma organização interna e se prestam à comunicação. Assim sendo, não há julgar as formas de comunicação dos indivíduos de uma sociedade como certa ou erradas, pois elas constituem uma forma de expressão de grupos pertencentes a uma sociedade. (BIZZOTTO, Lúcia Helena. Redação, interpretação e produção de texto. Texto adaptado. Promove, 2004)

UNIDADE 1 - Leitura complementar Os diferentes níveis de linguagem Você já deve ter observado que a língua portuguesa não é falada do mesmo modo em todas as regiões do país, não é falada do mesmo modo por todas as classes sociais e, além disso, passou por muitas alterações no decorrer do tempo. Ou seja, o português, como qualquer outra língua, não é uma unidade homogênea e uniforme. Ela poderia ser definida como um conjunto de variedades. Essa diversidade na utilização do idioma, que implicou o surgimento de diversos níveis de linguagem, é consequência de inúmeros fatores, como o nível sociocultural. Pessoas que não frequentaram sequer a escola primária
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utilizam o idioma de modo diferente daquelas que tiveram um contato maior com a escola e com a leitura. Ainda no plano social, é importante observarmos as diferenças na utilização da língua em função da situação de uso. Falamos de um modo mais informal quando estamos entre amigos, por exemplo, e de um modo mais formal quando estamos no ambiente de trabalho. Assim, as condições sociais são determinantes no modo de falar das pessoas, gerando o que podemos chamar de variações socioculturais. Outro fator determinante na utilização do idioma é a localização geográfica. Nas diversas regiões do Brasil, observamos diferenças no modo de pronunciar as palavras, ou seja, há diferentes sotaques: o sotaque mineiro, o gaúcho, o nordestino, etc. Também no vocabulário observam-se diferenças entre regiões e também na fala de quem mora na capital e de quem vive na zona rural. Além desses fatores, é importante destacar também as variações que a língua sofre no decorrer do tempo, ou seja, a variação histórica. Por exemplo, o vocabulário muda: muitas palavras usadas frequentemente no século XIX caíram em desuso nos séculos XX e XXI. Por outro lado, novas palavras e expressões surgiram em decorrência de diversos fatores, como o desenvolvimento tecnológico. Palavras como avião, satélite espacial, computador e televisão certamente não faziam parte da conversa das pessoas no século XIX... Esses diversos níveis de linguagem também podem ser observados no texto escrito. Ao abrirmos um jornal ou uma revista podemos perceber uma diversidade de linguagens nos diversos textos existentes: a crônica esportiva, o horóscopo, a página policial, a de política e a de economia; todos apresentam termos e “jargões” específicos da área que está sendo tratada. Essas diferenças se relacionam diretamente à intenção de quem produz o texto, ao assunto e também ao destinatário, ou seja, a quem o texto se dirige. Certo, errado ou adequado? Tendo em vista os vários níveis de linguagem, é natural que se pergunte o que é considerado “certo” e o que é “errado” em um determinado idioma. Na verdade, devemos pensar a língua em termos de “adequação”. A fim de que o processo de comunicação seja eficiente, devemos sempre ter em vista o que vamos dizer (a mensagem), a quem se destina (o destinatário), onde (local em que acontece o processo de informação) e como será transmitida a mensagem. Levando em consideração estes fatores, escolhemos uma forma adequada de estabelecer a comunicação. [...]. Acontece que, normalmente, a escola nos diz que “certo” é tudo aquilo que está de acordo com a gramática normativa. O problema é que, a partir dessa afirmação, somos levados a utilizar a norma gramatical em todas as situações. E, em muitos casos, a linguagem pode soar um tanto quanto “afetada”, sem naturalidade. Não devemos concluir, entretanto, que a norma gramatical que aprendemos na escola é inútil. Ao contrário. Desde que usada no momento adequado, ela se revela extremamente útil. De novo o critério de adequação: ao responder por
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capazes de nomear e caracterizar os seres. a elaboração da mensagem requer uma linguagem mais precisa e menos alusiva. b. como substantivos e adjetivos. principalmente. entretanto. Além disso. a concordância e a colocação das palavras.. A língua escrita demanda. a ortografia. [. (MOYSÈS.) Língua falada e língua escrita: diferenças básicas A comunicação oral normalmente se desenvolve em situações em que o contato entre os interlocutores é direto: na maioria dos casos. 2000) Em síntese.impossibilidade de apagamento. c. além das palavras utilizamos outros elementos como os gestos. a comunicação. a pontuação.. Do contrário. comprometendo. são eficientes e suficientes obedece a outros critérios. pois língua escrita e língua falada são duas modalidades diferentes de comunicação.. como o assunto (tema). é fundamental pensar também em aspectos relacionados à estrutura do texto. eles estão em presença um do outro. De fato falamos de um modo escrevemos de outro. nosso texto ficará confuso. redator e leitor não precisam mais da proximidade física para que a mensagem se transmita satisfatoriamente. sobram apenas as palavras.. A inter-ação pela linguagem. na língua falada. Ingedore. Não devemos escrever do modo como falamos.interação face a face. São Paulo: Contexto. descrever lugares e objetos.. vemo-nos obrigados a utilizar formas de referências mais precisas. [.planejamento simultâneo ou quase simultâneo à execução.. assim.]. Em seu lugar. São Paulo: Saraiva. Carlos Alberto. bem como identificar claramente os interlocutores no caso de representação de diálogos. A língua escrita é uma outra realidade. Esse maior trabalho cria textos cuja compreensão não depende do lugar e do tempo em que são produzidos ou lidos: como a língua escrita busca ser suficiente em si mesma. 2005. (KOCH. corremos o risco de não sermos devidamente interpretados. são claramente conhecidos. Quando falamos. um esforço maior de precisão: devem-se indicar datas. assim. por exemplo. a expressão do rosto e.escrito a questões de uma prova. pois essas palavras passam principalmente a relacionar partes do texto entre si e não mais a designar dados da realidade exterior. pode-se dizer que a fala apresenta as seguintes características: a . por isso. a divisão em parágrafos e a coesão.] a norma gramatical é fundamental. [. 3 . Na língua escrita. num lugar e momento que. tendo cada uma delas suas características próprias.] Quando escrevemos. os olhares. ou em trabalho acadêmicos. algo chamado entonação da frase. Língua Portuguesa – Atividade de leitura e produção de textos. O uso de pronomes e certos advérbios que.

o escritor pode processar o texto a partir das possíveis reações do leitor.acesso imediato ao feed-back (retroalimentação. g. pode ser promovida tanto pelo falante como pelo ouvinte. e. pauta-se por meio dos seguintes traços: a.livre consuta a outros textos. por sua vez. f.a reformulação pode não ser tão marcada.possibilidade de revisão para operar correções.interação à distância (espaço-temporal).sem condições de consulta a outros textos. A escrita.planejamento anterior à execução.d.) 4 .o falante pode processar o texto. é privada e promovida apenas pelo escritor. pública. c. b. Maria Lúcia da Cunha Victório de Oliveira. Língua falada e escrita: como se processa a construção textual. g. e. redirecionando-o a partir das reações do ouvinte.ampla possibilidade de reformulação: essa reformulação é marcada. Universidade de São Paulo. monitoração) do ouvinte. d. (ANDRADE.

mas com significados diferentes). Por que ele saiu? / Ela quer saber por que ele saiu. Trata-se do equívoco provocado por palavras semelhantes.Porquê · É substantivo e vem antecedido por artigo. Você fez isso por quê? 3 . mas com sentidos diferentes) e dos homônimos (iguais na grafia ou na pronúncia. LEITURA COMPLEMENTAR I .HOMÓFONOS E PARÔNIMOS QUE CAUSAM DÚVIDAS Os porquês 1 . como é o caso dos parônimos (palavras parecidas.Unidade 2 HOMÓFONOS E PARÔNIMOS Leitura básica Palavras homônimas e parônimas constituem um perigo na comunicação. 2 .Por quê · Em final de frase interrogativa.Por que · Em frases interrogativas diretas e indiretas. Neste espaço serão destacados alguns dos principais exemplos. 5 . Você sabe os porquês daquele fato? Se não / Senão Se não – é uma hipótese negativa: substitui-se por caso não. · Quando equivale a pelo(s) qual(is) A razão por que saímos será esclarecida. A língua portuguesa está repleta de palavras homônimas e parônimas. Só porque o repreenderam. 4 . chorou.Porque · Em frases afirmativas.

Tomara que chova. pode ser substituído por tem. Ele está acima de mim. senão estamos perdidos. A baixo – Uma ideia de movimento. a não ser. Daqui a pouco serão três horas. A fim / Afim A fim de – ideia de finalidades.O que acontecerá se não tomarmos cuidado? Senão – Pode ser substituído por: do contrário. Olhou-me de alto a baixo. Há / A Há – noção de tempo transcorrido. não pode ser substituído por tem. 6 . Ele adotou aquela medida a fim de ser popular. (Ir a algum lugar) Abaixo / A baixo Abaixo – uma posição fixa. Onde / Aonde Referem-se a lugar e distinguem-se pela regência verbal. Há (tem) três anos que não o vejo. A cima / A cima Acima – uma posição fixa. passado. A – noção de tempo futuro. Não é uma hipótese. Ele está abaixo de mim. (guardar em algum lugar) Ele iria aonde o amigo fosse. Ele procurou o livro onde o guardou. Nossa ideia de gestão empresarial é afim. Afim – ideia de afinidade.

A par : ciente. Há cerca de : noção aproximada de tempo.).” (=defeito). quando): “Mal você chegou. para junto de. Ao encontro de : a favor. títulos. assim que. 2. À-toa (adjetivo): ordinário. substantivo (=doença.” (=Assim que você chegou). use o velho “macete”: MAL x BEM. sem abatimentos (câmbio. Mora a cerca de dez quadras do centro da cidade. À toa (advérbio): sem rumo. A cerca de : a uma distância aproximada de. COM SIGNIFICADOS DIFERENTES            Acerca de : sobre. conjunção (=logo que. · MAL pode ser: 1. Olhou-me de baixo a cima. todos se levantaram. Pessoa à-toa. Andar à toa. II – EXPRESSÕES SEMELHANTES. “Ele foi mal treinado.” (=Logo que saiu de casa). imprestável.” (x bem treinado).” (x lobo bom). advérbio (=opõe-se a BEM): “Ele está trabalhando mal. MAU x BOM.” (=doença).” (x se comportou muito bem). “A criança se comportou muito mal. Vida à-toa. “Ele está de mau humor. Ao invés de : ao contrário de Em vez de : em lugar de.” (x trabalhando bem). 3. foi assaltado. Fala acerca de alguma coisa. De encontro a : contra. problema): “Ele está com um mal incurável.” (x bom profissional). · Na dúvida. sem ágio. Trabalha há cerca de cinco anos. “Tem medo do lobo mau. Usar uma expressão em vez de outra. etc. Ao par : de acordo com a convenção legal. “Mal saiu de casa. ações. Mau / Mal · MAU é um adjetivo e se opõe a BOM: “Ele é um mau profissional. “O seu mal é não ouvir os mais velhos. a respeito de.” (x bom humor). defeito.A cima – uma ideia de movimento. 7 .

relativo à cárdia Cartucho . tom de voz.pertences de qualquer instrumento ou máquina.contrário ao pútrido.principal. ocasionar Brocha .ferro temperado Asso . apanhado na caça Cassado .pôr fogo a Ascender . ave.má sorte.tipo de prego Broxa .anulado Cardeal .frade de Cartuxa Cédula . acento ortográfico Assento . prelado.base. adjunto ou assessor Aço .do verbo assar Anticéptico .documento Sédula . planta.guarnecer de asas Azar .III – LISTA DOS PRINCIPAIS HOMÔNIMOS E PARÔNIMOS DA LÍNGUA PORTUGUESA Acender .carga de arma de fogo Cartuxo .contrário ao cepticismo Antisséptico .feminino de sédulo (cuidadoso) Cegar .ceifar 8 . ponto (cardeal) Cardial .elevar-se. subir Acento . que não é principal Assessório .inflexão de voz.tornar ou ficar cego Segar . desinfetante Asar . lugar de sentar-se Acessório .tipo de pincel Caçado – perseguido.diz respeito a assistente.

do verbo cerrar (fechar) Serra .título do soberano da Pérsia Cheque .polido.perigo. referente às relações dos cidadãos entre si Cocho .denso. do v. saudação Concerto . saciar Sevar .tabuleiro Coxo .ato de ceder Sessão – tempo. cerrar (fechado) Serrado . part. duração. chefe de tribo árabe Cinta .relativo ao Direito Civil Civil . terreno murado.ordem de pagamento Xeque .recenseamento Senso .remendo. serrar (cortar) Cerração . montanha. lance de jogo de xadrez.ralar Chá .particípio de serrar (cortar) Cessão . reparação 9 .do verbo sentir Cível .juízo Censual .corte.instrumento cortante.relativo aos sentidos Cerra .extensão Cumprimento . harmonia Conserto .relativo a censo Sensual .nutrir. do v. pequeno quarto de dormir. Secção ou seção .infusão de folhas para bebidas Xá .Cela .ato de serrar Cerrado .aposento de religiosos.ato de cumprir.sessão musical.arreio de cavalgadura Censo .tira de pano Sinta . compartimento de prisioneiros Sela . divisão Cevar .nevoeiro denso Serração .que manqueja Comprimento .

Concílio .copa Dispensa .decoroso Descente .desprevenido Distratar – desfazer (contrato).mergulhado Emigração . abandonar um país Imigração . entrar em.ato de emigrar.refutar Emergir . Elidir .que emergiu Imerso . Destratar – insultar.suposição Conjuntura .conselho Conjetura . diferenciar.momento Coser .sair de onde estava mergulhado Imergir .assembléia de prelados católicos Consílio .atender.costurar Cozer . sair de.cozinhar Decente .ato de descrever Discrição .ato de imigrar.distinguir.inocentar Discriminar .distinguir-se. ingressar em um país 10 . conceder Diferir .qualidade de discreto Descriminar . posicionar-se contrariamente. adiar (um compromisso marcado) Descrição .que desce Deferir .mergulhar Emerso . diferenciar Despensa .eliminar Ilidir .não notado Desapercebido .ato de dispensar Despercebido .

aplicar castigo ou pena Infringir .sofrer pena ou castigo Estático . vivo Experto .o que tem expectativa Esperto .absorto Estirpe .inteligente.desfrutar Fuzil .formar poça Espectador .correr Fruir .coisa que se extraiu de outra Flagrante . desentendimento.transgredir Incipiente .que está em começo.Eminente – excelente.firme Extático . desavença Acidente .evidente Fragrante . colisão.flexão do verbo extirpar Estrato .espreitar Expiar . pôr em circulação Imissão .o que observa um ato Expectador .dar posse Empoçar . insensato 11 .arma de fogo Fusível .choque. elevado Iminente .ato de imitir.filas de nuvens Extrato .perfumado Fluir . iniciante Insipiente – ignorante. relevo geográfico Infligir . linhagem Extirpe .ato de emitir.peça de instalação elétrica Incidente – episódio. importante.que está por acontecer Emissão .perito ("expert") Espiar .desastre.raiz. fazer entrar Empossar .

corrigir Recreação .ato de interceder.imposto 12 . distinto Ratificar . ato de mandar Mandato .ato de recriar Recrear .saliente no aspecto físico Preeminente .redução de sexta-feira.fêmea do cervo Sesta .tipo de prego.criada. mancha moral Taxa .intensidade.recreio Recriação .propósito Intensão . força Intercessão .Intenção .fatigado Mandado . defeito. escreva Cerva .disputa Preito .grave.nó que se desata facilmente Lasso .criar de novo Ruço .proporcionar recreio Recriar . intervir Interseção – corte. autorização ou procuração Paço .confirmar Retificar . hora canônica.homenagem Proeminente . intervalo musical Tacha .ordem judicial. insustentável Russo .período de permanência em cargo.marcha Pleito .nobre.hora do descanso Sexta .da Rússia Serva . ponto de cruzamento Laço .palácio real ou episcopal Passo .

a acentuação. foi disponibilizado um material informativo que permitirá a vocês responderem às questões propostas.jornada Viajem . não tem sujeito. fiquem à vontade para consultarem outras fontes. A fim de esclarecer alguns dos aspectos que comumente causam dificuldades àqueles que desejam utilizar a norma culta da língua. Nesses casos. o verbo haver não sai do singular. na busca desenfreada pela atualização e aperfeiçoamento de seu perfil. mas também conhecimentos que vão além dos específicos da profissão. o profissional se dedica a estudar línguas estrangeiras e se esquece do seu próprio idioma. ocorrer. Muitas pessoas ficam confusas quando empregam o verbo haver.trânsito Tráfico . O verbo haver indicando existência Usado com o sentido de existir.inchado (Fonte: Manual de Redação – PUCRS . ficam esquecidos alguns dos principais aspectos da língua portuguesa. que sempre concordam com o sujeito. acontecer).censurar. Também quando é sinônimo de acontecer ou ocorrer. iniciativa e capacidade de trabalhar em equipe. Dessa forma.do verbo viajar Vultoso . ou seja. a ortografia. as regências.Tachar . Observe: 13 .Adaptado) Unidade 03 O mercado de trabalho contemporâneo trouxe à tona uma verdadeira revolução do perfil do profissional competitivo. o verbo haver é impessoal. Exige-se do profissional do século XXI não somente características como criatividade. talvez por causa do que ocorre com os sinônimos (existir. o verbo haver nunca deve ser usado no plural. A língua materna fica relegada ao segundo plano.negócio ilícito Viagem . e.determinar a taxa de Tráfego . notar defeito em.volumoso Vultuoso . por exemplo. como. as sugeridas na bibliografia básica e complementar do curso. especialmente aqueles relacionados à informática e a uma segunda língua. Como este conteúdo é vastíssimo. VERBOS IMPESSOAIS: Haver – Fazer 1. pôr prego em Taxar . assim. como as concordâncias.

Ela fala inglês tão bem ou melhor que o marido. Ocorrem /Acontecem/Há muitos acidentes naquela rodovia. (tempo decorrido) Faz uns 15 dias que não vejo a cor do sol. Ocorreram /Aconteceram/Houve muitos acidentes naquela rodovia. Portanto faça sempre a concordância com os verbos existir. ocorrer ou acontecer: Deve haver /Devem existir muitas pessoas na sala. durante ela e depois dela. Isso também vale para os verbos que atuarem como auxiliares do verbo haver. Faz dez dias que não faço exercícios físicos. devendo permanecer no singular . acontecer e ocorrer. Pode haver /Podem ocorrer fortes pancadas de chuva à tarde. Choveu antes da festa. ( Pasquale Cipro Neto) REGÊNCIAS DIFERENTES Examinemos o seguinte exemplo: Choveu antes. 2. durante e depois da festa. Existiam /Havia muitas pessoas na sala. sempre quando este for empregado como sinônimo de existir. Ocorriam /Aconteciam/Havia muitos acidentes naquela rodovia. Em junho. durante a festa e depois da festa. 3. / Havia meses que não o visitava. Verbos haver indicando tempo O verbo haver fica no singular quando indica ideia de tempo decorrido: Há anos não o vejo. vai haver/vão ocorrer muitas festas naquela cidade. mas deixe o verbo haver no singular quando empregado como sinônimo de algum dos três verbos citados. Verbo fazer no sentido de tempo decorrido Verbo fazer no sentido de tempo decorrido é impessoal. 14 .Existem /Há muitas pessoas na sala. Choveu antes da festa.

ocorrerá crase antes do termo feminino. Domingos Paschoal. VERBO PREFERIR No padrão culto da língua. Na escrita. temos a ocorrência da preposição "a".Ela fala inglês tão bem quanto o marido ou melhor do que ele. Observe: Vou a + a igreja. Se surgir a forma “ao”. 2005). Basta colocar um termo masculino no lugar do termo feminino que se está em dúvida. [ir a + a igreja] Vou à igreja. Aprender a usar a crase. 15 . exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo "a" que está determinando o substantivo feminino igreja. No exemplo acima. a união delas é indicada pelo acento grave. portanto. São Paulo. [Dizer a + a irmã] Sou grata à população. consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição (pedida pelo verbo) e um artigo (palavras femininas). Observe os outros exemplos: Refiro-me à aluna. elas se unem. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. Prefiro mais trabalhar do que passar fome [errado] Prefiro trabalhar a passar fome [certo] “Tive uma suspeita e preferi dizê-la a guardá-la”. (Machado de Assis) “A se apresentar mal vestida prefere não ir” (Ciro dos Anjos) (CEGALLA. "mistura". [Grata a + a irmã] Dica: Há uma maneira de verificar a existência da crase em alguns casos. esse verbo não se constrói com a locução conjuntiva do que nem com o advérbio mais. [Refirir a + a aluna] Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores. CRASE: principais casos A palavra crase é de origem grega e significa "fusão". utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a crase. Na língua portuguesa. Companhia Editora Nacional. Ed. é o nome que se dá à "junção" de duas vogais idênticas [a+a]. Quando ocorre esse encontro das duas vogais a + a.

Compramos os móveis a prazo. Preferiu ficar lado a lado com seus companheiros 16 . [assistir a + aquele] Principais casos em que a crase NÃO ocorre: Diante de substantivos masculinos: Fomos a pé. Estou disposto a ajudar. Crase em algumas locuções adverbiais. Aquilo Haverá crase diante desses pronomes sempre que o verbo exigir a preposição "a". Ela não tem nada a dizer. Aquela (s).Veja os exemplos: Refiro-me ao aluno / Refiro-me à aluna. Foram dormir à meia-noite. prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas. Por exemplo: Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho. Crase na indicação de horas: Acordei às sete horas da manhã. Quando há repetição de palavras: Estavam frente a frente. Elas chegaram às dez horas. Diante de verbos no infinitivo: A criança começou a falar. [dedicar a + aquela senhra] Quero agradecer àqueles que me socorreram. Por exemplo: à tarde às ocultas às pressas à medida que à noite às claras às escondidas à força à vontade à proporção que à exceção de à chave à procura à frente de às vezes às turras Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s). [agradecer a + aqueles] Assisti àquele filme três vezes. Fazer o exercício a lápis.

Foram citados apenas alguns.com. se perguntássemos a esses profissionais o que é um texto. trabalham com a linguagem (professores. Companhia Editora Nacional. Domingos Paschoal.): “O texto constitucional contém matérias que estariam melhor na legislação ordinária”. advogados. 17 . Prefiro trabalhar a passar fome. Unidade 4 Considerações acerca da noção de texto O que é um texto? A palavra TEXTO é frequentemente usada no cotidiano por profissionais que. durante ela e depois dela.http://www. durante e depois da festa. jornalistas. Choveu antes da festa. diplomatas.soportugues. esse verbo não se constrói com a locução conjuntiva do que nem com o advérbio mais. etc. Choveu antes da festa. No entanto. eles teriam dificuldade para determinar precisamente o significado dessa palavra. Ela fala inglês tão bem ou melhor que o marido.php . Fiquem à vontade para explorar o uso do acento grave em outras fontes) COMPLEMENTOS DE TERMOS DE REGÊNCIAS DIFERENTES Examinemos o seguinte exemplo: Choveu antes. (Machado de Assis) “A se apresentar mal vestida prefere não ir” (Ciro dos Anjos) (CEGALLA. VERBO PREFERIR No padrão culto da língua. 2005). de uma forma ou de outra.adaptado (Os casos de crase são muitos. Ed. “Tive uma suspeita e preferi dizê-la a guardá-la”. São Paulo. durante a festa e depois da festa. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa.br/secoes/sint/sint79. Ela fala inglês tão bem quanto o marido ou melhor do que ele.

as ideias se estruturam segundo uma forma adequada. isto é. e. não pode ser um amontoado de frases. Dentre os principais fatores destacam-se: COERÊNCIA  as ideias se desenvolvem em ordem lógica. palavras e expressões indicadoras de coesão entre um parágrafo e outro são usadas com propriedade e adequação . é preciso entender quais são os fatores de textualidade. Um texto é um todo organizado de sentido. há manutenção temática. O significado de uma frase do texto será depreendido da totalidade. nexo. UNIDADE:  todas as ideias são relevantes para a ideia central e relacionamse com ela. sentido. repetição de ideias já expressas. a mesma frase em um contexto diferente poderá apresentar sentidos diferentes. o texto se compõe de introdução. isto é. 18 . Um texto precisa ter COERÊNCIA. a divisão em parágrafos é adequada. não um aglomerado desconexo de fios. O sentido de cada uma das partes é dado pelo todo. impedindo que haja fragmentação da mesma ideia em vários parágrafos ou a apresentação de muitas num só parágrafo. não há redundâncias. A palavra texto vem de uma das formas do verbo latino texo que quer dizer “tecer”.   CLAREZA:   não há pormenores excessivos. mas também a progressão textual.   ORGANIZAÇÃO:    há uma ideia central que orienta todo o texto. ou seja. ou uma combinação adequada de formas de ordenação. para tanto.Para entender o que é um texto. o que faz com que um texto seja um texto e não um amontoado de frases. a sequência dos parágrafos é natural e coerente. O texto é um tecido. é preciso definir suas propriedades. explicações desnecessárias. Assim. desenvolvimento e conclusão.

Esse conjunto de articulações entre palavras e ideias é o responsável pela textualidade. "aquilo que o produtor do texto faz. um filme. São sete fatores de textualidade: coesão. temores. COESÃO TEXTUAL: conceito e mecanismos "A coesão não nos revela a significação do texto. sendo uma unidade de sentido. mas de uma série de elementos presentes na situação de interação. verbalmente ou visual e verbalmente ao mesmo tempo. produzir um texto é adotar uma posição sobre um dado assunto e argumentar em favor dela. um texto não precisa ser necessariamente verbal. enfim. de um lado. produzir um texto não é amontoar frases sem qualquer relação entre elas. representa uma atitude em relação a ela. Por isso ele revela ideias. e não uma reunião de frases desconexas. A coesão acontece por meio da relação entre as ideias do texto. visualmente. uma sequência de suas partes constitutivas e uma articulação lógica de suas ideias e palavras. b) a leitura de um texto deve. Pode ser estabelecidas entre palavras 19 . Segundo Travaglia (1996:83). levar em conta aquilo que ele diz e. a relação entre o ponto de vista social que ele expressa e aquele em oposição ao qual se constitui. Desse conceito de texto. aceitabilidade. do sentido. expectativas. que normalmente são chamados de condições de produção". de outro. Halliday) Um texto. pressupõe uma organização interna. intencionalidade. Todo texto apresenta um ponto de vista sobre a realidade. daquilo que pretende dizer. A coerência se dá no plano das ideias. que pode ser verbal. ressalta-se que um texto é produzido por um sujeito num dado tempo e num determinado espaço." (M. intertextualidade. situacionalidade. Mesmo que a negue. como ele constitui e constrói o seu texto [ ] depende não só da sua vontade. coerência. Assim. revela-nos a construção do texto enquanto edifício semântico. se a primeira característica de um texto é ser um todo organizado de sentido. Qualquer que seja a forma como o conteúdo se manifesta. Em síntese: Um texto é um todo organizado de sentido. anseios. Um quadro. isto é. pois engajamento ou alienação são posições a respeito dos acontecimentos.Outro ponto a ser destacado é que. aquilo que faz com que um texto seja um todo significativo. uma visão de mundo da formação social em que está o seu produtor. Além disso. pode-se concluir que: a) a leitura de um texto não pode basear-se em fragmentos isolados. informatividade. um gesto são textos. visual ou verbal e visual ao mesmo tempo e manifesta um ponto de vista social sobre uma dada questão.

no entanto. 2004. Lúcia Helena. 2 – Palavras ou expressões sinônimas ou quase-sinônimas: Ex: Os quadros de Van Gogh não tinham nenhum valor em sua época. (BIZZOTO. como orações. 4 – Um termo-síntese Ex: O país é cheio de entraves burocráticos. A palavra limitações sintetiza o que foi dito antes. sim. Por outro lado. Nada. Tentativa desesperada de recordar alguma coisa. Ex: Glauber Rocha fez filmes memoráveis. Lá passam muitos filmes divertidos. seja ela comercial ou ideológica. mas. porém. Nenhum sinal de vida humana. É o caso de: EX: O dia está bonito. Apenas o mar imenso. Pena que o cineasta mais famoso do cinema brasileiro tenha morrido tão cedo. não chegam a constituir textos. nem os representantes do sistema.que retomam outras já mencionadas no texto. como pode se dar entre segmentos maiores do discurso. RECURSOS DE COESÃO 1 – Epítetos : palavra ou frase que qualifica pessoa ou coisa. o consumidor. Todas essas limitações acabam prejudicando o importador.) Parece fora de dúvida que pode haver textos destituídos de elementos de coesão. é ocultada por uma inversão: a propaganda sempre mostra que quem sai ganhando com o consumo de tal ou qual produto ou idéia não é o dono da empresa. Depois. podem ocorrer sequenciamentos coesivos de enunciados que. pagar uma infinidade de taxas. a propaganda é mais um veículo da ideologia dominante. Essa ligação. mas cuja textualidade se dá no nível da coerência. Apostila do Promove. 3 – Repetição de uma palavra: Ex: A propaganda . Houve telas que serviram até de porta de galinheiro. frases ou parágrafos. Redação. por faltar-lhes a coerência. 20 . Não gosto de ir ao cinema. pois ontem encontrei seu irmão no cinema. É preciso preencher um semnúmero de papéis. Mas não devemos tomá-las ao acaso. como em: EX: Olhar fito no horizonte. interpretação e produção de texto. está sempre ligada aos objetivos e aos interesses da classe dominante. Assim. 5 – Pronomes Ex: Vitaminas fazem bem à saúde.

com efeito. porque. portanto. 6 – Numerais . Ex: Foram divulgados dois avisos: o primeiro era para os alunos e o segundo cabia à administração do colégio. ali. aí servem como referência espacial para personagens e leitor. finalidade. já que. 7. mas.Advérbios pronominais (classificação de Rocha Lima e outros) expressões adverbiais como aqui.Ex: O colégio é um dos melhores da cidade. acolá. Ex: Santos Dumont chamou a atenção de toda Paris. Ex: As crianças comemoravam juntas a vitória do time do bairro. 9 – Metonímia Ex: O governo tem-se preocupado com os índices de inflação. 2006. Ele já foi eleito seis vezes. causa.) CONECTORES Palavras que estabelecem elos entre segmentos do discurso e que podem ser de naturezas diversas: oposição. Exemplo:  então. Seus dirigentes se preocupam muito com a educação integral. São Paulo: Editora Scipione. em algumas circunstâncias. O Planalto diz que não aceita qualquer remarcação de preço. entretanto. Ex: O diretor foi o primeiro a chegar à sala. Lá demorou mais de duas horas admirando as belezas do Rio. no entanto.essa figura de linguagem consiste na omissão de um termo ou expressão que pode ser facilmente depreendida em seu sentido pelas referências do contexto. embora . etc. (VIANA. 21 . O Sena curvou-se diante de sua invenção. conclusão. retomam dados anteriores numa relação de coesão. Ex: Aquele político deve ter um discurso convincente. Ex: Ele não podia deixar de visitar o Corcovado. lá. 8 – Elipse . Roteiro de Redação – Lendo e argumentando.as expressões quantitativas. isto é. Abriu as janelas e começou a arrumar tudo para a assembléia com os acionistas. Antônio Carlos. mas duas lamentavam não terem sido aceitas no time campeão.

tanto mais .. porque. Exemplos de coesão estabelecida por conectores entre orações em um mesmo período: Todos saíram mais cedo a fim de que pudessem ir ao cinema .. porque. que. pois (colocada após o verbo). à medida que.   Ele estudou muito. desde que. ainda que. Nesse caso. ou seu sentido lógico.que. as pessoas estão com problemas respiratórios.. por isso pois (colocada antes do verbo). identificar a relação entre as ideias. 22 embora. O conector a fim de estabelece uma relação de FINALIDADE entre as orações. (menos). visto que como. (???) Conjunção e. a menos que.. uma vez que. assim que. que se. portanto... porém. (tão). conforme. contanto que Relação Adição Oposição Conclusão Explicação Causa Condição Consequência (tão).. sempre que. entretanto logo. no entanto. O ideal é refletir sobre as ideias e. a construção também perderá sua coerência. a partir daí.que.. nem (= e não).A coesão deixa de existir quando a conjunção empregada não corresponde à relação existente entre as orações do período. se bem que. conquanto à proporção que.. Naquele dia ele realmente ficou muito cansado porque correu demais... ao passo que. não só. desde que. mesmo que. todavia. (tamanho) que Conformidade como. para que Obs: Os conectores apresentados no quadro acima ajudam na identificação das relações entre as ideias de um período.que. logo que Finalidade a fim de que. como Tempo quando. (tanto). enquanto.mas também mas. Mas ele deve ser um apoio.quanto.. segundo Concessão Proporção Comparação (mais) . quanto mais.. contudo.que. porém foi aprovado no concurso (???) Embora o ar esteja muito seco e o nível de poluição esteja alto..

) 23 . Carlos Alberto.O conector porque estabelece uma relação de CAUSA entre as orações. São Paulo: Editora Saraiva. O conector assim que estabelece uma relação de TEMPO. Os rapazes foram jantar assim que chegaram em casa. Embora estivesse muito cansado. 2005. Língua Portuguesa – Atividades de leitura e produção de textos. O conector embora estabelece uma relação de CONCESSÃO (ver definição nos textos disponibilizados) (MOYSÉS. resolveu trabalhar um pouco mais em seu projeto de pesquisa.