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Aula: 01 - Porque Filosofia na formação de professores?

Aula: 01 Temática: Porque Filosofia na formação de professores? Esta primeira aula tem como título uma questão que está diretamente relacionada a outras como: “afinal, o que é Filosofia”? “Para que serve”? “Para que aprender Filosofia em cursos de Licenciatura”? Assim, para tentar responde-las, temos que primeiramente ter em mente do que estamos falando: o que é Filosofia? A palavra filosofia é grega e atribui-se sua invenção ao filósofo grego Pitágoras de Samos (século V a. C). É composta por duas outras palavras: philo (aquele ou aquela que tem um sentimento amigável) – derivada de philia, que significa amizade e amor fraterno; e sophia (sabedoria) – derivada de sophós, sábio. Dessa forma, podemos dizer que filosofia é a “amizade pela sabedoria” e filósofo é o que tem amor, amizade, ao saber. Num contexto histórico, podemos verificar que a Filosofia foi o início da tentativa de explicação racional, sistemática e reflexiva do universo, da natureza e do homem, quando antes esta era composta pelo pensamento mítico[1].
[...] a Filosofia surgiu quando alguns pensadores gregos se deram conta de que a verdade do mundo o dos humanos não era algo secreto e misterioso, que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos, mas que, ao contrário, podia ser conhecida por todos por meio das operações mentais de raciocínio, que são as mesmas em todos os seres humanos (CHAUÍ, 2011, p.29).

Ou seja, a verdade não estaria nos deuses, mas no próprio mundo e no homem. Assim, a partir da Filosofia é que se torna possível a existência das diversas ciências que hoje conhecemos como Biologia, Matemática, Química, Psicologia, dentre outras. Tendo em vista que toda ciência pretende ser conhecimento verdadeiro; obtido por procedimentos rigorosos de pensamento; pretende agir sobre a realidade e fazer progressos nos conhecimentos, corrigindoos e aumentando-os (CHAUÍ, 2011). O conhecimento das diferentes ciências nasce, portanto, de problemas filosóficos[2] que impulsionam a investigação e busca pela verdade[3], ainda que esta não seja eterna e imutável. É a curiosidade infantil que impulsiona a indagação e visão crítica[4] do mundo, como diria Sócrates, considerado o pai da Filosofia, pois são as crianças que participam de novas experiências a cada instante questionando a realidade, sem o vício e conformação da visão adulta. Esta seria então, a postura filosófica.
A atividade filosófica é, portanto, uma análise, uma reflexão e uma crítica. Essas três atividades são orientadas pela elaboração filosófica de ideias gerais sobre a realidade e os seres humanos. Portanto, para que essas três atividades se realizem, é preciso que a filosofia se defina como busca do fundamento (princípio, causas, e condições) e do sentido (significação e

na ciência e na política for útil. se buscar compreender a significação do mundo. e procurando as causas que as fazem existir. sobre as causas. sua postura questionadora. as formas. a história da educação e a Filosofia se entrelaçam. mas radical.26). então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes (CHAUÍ. ou de uma primeira unidade para que você mesmo chegue a possíveis respostas. 1990). isto é. 2011. Ora. . p. então.. se não se deixar se guiar pela submissão às ideias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil. unidas ao fato de historicamente ser acessível a um pequeno grupo cujas principais preocupações não fossem a sobrevivência. para que serve a filosofia? Sua amplitude discursiva. não há como separá-la da educação. mas interpretação. política. Será que a questão título desta aula já pode ser respondida? Talvez precise de mais de uma primeira aula.finalidade) da realidade em suas múltiplas formas. sobre os conteúdos. mudar e desaparecer. praticamente todos os textos fundamentais da filosofia clássica implicam. uma preocupação com a educação (SEVERINO. A educação já se manifestava juntamente com a formulação das primeiras teorias filosóficas. muitas vezes incômoda para poderes políticos e tirânicos (haja vista sua retirada do ensino nas escolas no período ditatorial no Brasil). sobre procedimentos e conceitos científicos. a natureza e as formas do poder e suas mudanças. mas o pensamento e compreensão do real fazem da filosofia algo distante do que se considera útil para o senso comum[6]. mas a interpretação e avaliação crítica dos conceitos e métodos da sociologia e da psicologia. Dessa forma. 2011. o conhecimento de sua história e sistematização racional e crítica não nos será útil desta forma. nos referimos a uma utilidade. as significações das obras de arte e do trabalho artístico. da cultura. útil é o que nos concerne prestígio. 2011). ela consegue refletir e dialogar sobre tudo não se contentando com a superficialidade do conhecimento (não é objetiva. Quando questionamos para que serve algo.] A filosofia não é ciência: é uma reflexão sobre os fundamentos da ciência. fama e riqueza (CHAUÍ. como são e por que são. da história for útil. isto é. Não é política. Não é religião: é uma reflexão sobre os fundamentos da religião. ou seja.busca a raiz). poder. isto é. origens e formas das crenças religiosas. Em nossa sociedade atual. social e cultural humana. social. a filosofia.. Não é sociologia nem psicologia. mas: Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil. E.26). se conhecer o sentido das criações humanas nas artes. Não é história. se a filosofia é reflexão[5] sobre diversos aspectos constituintes da formação existencial. Não é arte: é uma reflexão sobre os fundamentos da arte. se dar a cada um de nós e a nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil. na explicitação de seus conteúdos. indagando o que essas formas de realidade são. de alguns atributos que garantam um retorno (mais imediato possível). permanecer. De fato. compreensão e reflexão sobre a origem. mas reflexão sobre o sentido dos acontecimentos inseridos no tempo e compreensão do que seja o próprio tempo (CHAUÍ. p. a um que-fazer humano. Vamos à segunda questão.[.

A existência de Poseidon (deus dos mares) era verdade aos gregos antigos. ao que será ou virá. Dentre tais civilizações. E essa autoridade vem do fato de que o narrador ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados” (CHAUÍ. não deixem de ler! Até a próxima aula! [1] Pensamento mítico: pensamento que aceita o mito (mitologia) como verdade. a verdade é um atributo dado a realidade conforme perspectiva de determinado sujeito observador. Também faz parte do senso comum os conselhos e ditos populares que são tidos como verdades e seguidos pelo povo. Réflexion. Assim. Hesíodo. É uma forma de conhecimento vulgar ou popular. anunciar. o mito é uma narrativa sobre a origem do mundo e de tudo que nele existe. Para os gregos. [6] Senso Comum: é um tipo de conhecimento adquirido pelo homem a partir de experiências. passando da educação do senso comum para uma atitude crítica e filosófica em relação às questões que envolvem o ensino e os processos educacionais. em latim. “A palavra mito vem do grego. contar. tem reproduzido de forma escrita a narração acerca da origem do Universo e deuses. [2] O conceito de problema filosófico será melhor discutido na aula 4. pode não mais o ser. 2011). 2) como consciência. como única resposta verdadeira da realidade. 19). porém a verdade é um valor. narrar. a verdade mudou. principalmente as Antigas. e deriva de dois verbos: mytheyo (contar. em hebraico se diz emunah (significa confiança. 2) “exame racional de todas as coisas sem preconceito e sem prejulgamento”.Por enquanto. é uma narrativa feita em público.837). 2011) [4] Crítica: palavra proveniente do grego. [5] Reflexão: (in. mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem a narrativa como verdadeira porque confiam naquele que narra. falar alguma coisa para outros) e do verbo mytheo (conversar. com a teoria heliocêntrica (o sol é o centro do sistema). não existe verdade absoluta e imutável porque supostas verdades. aceita por grandes civilizações. (ABBAGNANO. poeta grego. mythos. sua forma mais elevada é a revelação divina). Réflexion. 3) “atividade de examinar e avaliar detalhadamente uma ideia. É um saber que se baseia no modo comum e espontâneo de assimilar informações e conhecimentos úteis no cotidiano. um comportamento. gonia= origem). ficamos com a citação de Guzzo (2006) acerca da Filosofia da Educação: é por meio dela que o educador poderá adquirir pressupostos e conceitos que fundamentem uma boa argumentação docente. Riflessioné) em geral. Diferente da concepção atual de mito como uma mentira ou lenda. ou seja. ai. Quanto a concepção do termo “verdade”. Em grego. o ato ou o processo por meio do qual o homem considera suas próprias ações. 1998. . uma obra artística ou científica” (CHAUÍ. p. com o passar do tempo ou em outro espaço. it. a saber: I) como conhecimento que o intelecto tem de si mesmo. vivências e observação do mundo. segundo a mitologia grega. alétheia (o que se manifesta ou se mostra para os olhos. (CHAUÍ. [3] Verdade: é esta que orienta e movimenta a própria filosofia. baseada. a fidelidade ao que realmente aconteceu) e. é uma crença fundada na esperança e na confiança em uma promessa. um costume. o não esquecido). 3) como abstração. na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. um valor. Reflection. p. ao rigor e exatidão de um relato. nomear. designar). podemos encontrar diferenças também nas diferentes línguas. o que significa dizer que o verdadeiro confere às coisas um sentido que elas não teriam se fossem consideradas indiferentes à verdade e à falsidade. discernir e decidir corretamente”. Caracteriza-se por conhecimentos empíricos (sensíveis) acumulados ao longo da vida e passados de geração em geração. e hoje? Deixou de ser? Há alguns séculos acreditávamos que a Terra era o centro do universo (geocentrismo). a grega. No livro Teogonia (Teo= deus. veritas (refere-se à precisão. fr. Até a próxima aula em que conceituaremos a Filosofia da Educação. Notas: A cada aula terão algumas notas de rodapé que servirão como um glossário para que possam melhor compreender conceitos e termos em sua contextualização filosófica. possuí três sentidos principais: 1) “capacidade para julgar. portanto. Este conceito foi determinado de três maneiras. 2011.