Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento

1. Introdução
Nesta apostila são abordados os principais aspectos relacionados com a seleção e aplicação de motores de indução incluindo motores de alto rendimento. Inicialmente são apresentados e discutidos as características da carga e dos motores que determinam sua a escolha. Em seguida são apresentados e discutidos critérios técnicos que são determinantes para a correta seleção de motores. A seleção do motor para uma determinada aplicação determina o seu custo inicial e também o seu custo de operação. O emprego de um motor de potência insuficiente pode acarretar um funcionamento inadequado do sistema a ele acoplado, resultando numa baixa produtividade. Também pode resultar em avarias prematuras no motor. Por outro lado, um motor de potência acima da necessária, além de um custo inicial maior, resultará num baixo rendimento, baixo fator de potência e vida útil reduzida. Todas estas conseqüências são indesejáveis do ponto de vista econômico e técnico. Num contexto mais amplo, a correta aplicação e seleção de motores assume grande importância na atualidade devido ao crescente custo e escassez de energia que se verifica não apenas no Brasil, mas também em outros países. Conforme mostram as estatísticas, cerca de 60-70% de toda a energia elétrica produzida é convertida em energia mecânica por meio de motores elétricos. Em setores industriais este percentual chega a 80% e em setores comerciais a 50%. Medidas de redução de consumo, quer sejam elas restritas ao âmbito industrial, quer sejam elas de maior alcance passam necessariamente pela redução do consumo de motores elétricos, o qual pode ter um valor significativo considerando-se a sua vida útil (15 a 20 anos). Conforme será visto, para cada aplicação existe uma infinidade de opções de motores que variam em termos de características, custos de aquisição, custos de operação e tecnologia de fabricação. A correta análise de cada uma destas alternativas exige um conhecimento bastante sólido do princípio de operação dos motores elétricos e dos principais fatores que influenciam o seu desempenho. Deve-se salientar que em geral a correta seleção do motor é sempre uma excelente forma de reduzir custos operacionais. Não é apenas o tipo de motor que determinará os custos de operação, mas também as suas características e nível de carregamento. Mesmo um motor de alta eficiência poderá acarretar custos maiores que um standard, caso a sua escolha não for feita dentro de critérios técnicos e econômicos. Sendo o motor de indução o mais empregado na atualidade, a presente apostila será restrita a este tipo de motor. Contudo, muitas das características e considerações apresentadas também se aplicam a outros tipos de motores.

2. Principais Características dos Motores de Indução
As principais características dos motores de indução são apresentadas e discutidas na seqüência. Para a correta escolha do motor, torna-se imperativo o correto entendimento de cada uma delas. Também é interessante citar que muitas das características são estabelecidas em normas nacionais (NBR7094) e internacionais (NEMA, CSA, IEC 34, VDE 530, etc), outras são atribuídas pelo fabricante em função dos materiais, critérios e da tecnologia empregada na fabricação do motor.

03 FREQUÊNCIA ( p. TENSÃO ( p.10 1. significa que o motor não possui reserva de potência.u. Trata-se. sendo também aceito o cv. Quando a potência efetivamente utilizada corresponde à nominal multiplicada pelo fator de serviço deve-se admitir uma elevação de temperatura de 100 C além do limite de temperatura da classe de isolação do motor. HP e W e seus múltiplos. portanto) possuem uma determinada capacidade de sobrecarga por tempo limitado. Um motor de potência de 5 kW e com fator de serviço de 1.95 0. o torque de partida. recomenda o uso do watt como unidade de potência. 2. ) 0.2 Fator de Serviço O fator de serviço representa uma reserva de potência que o motor possui e que pode ser usada em regime contínuo (este tipo de regime é também chamado de regime S1. Em geral esta potência referese ao regime de trabalho contínuo. motores de aplicação geral devem suportar uma sobrecarga de torque de 60% da acima do nominal por 15 segundos. ) 1. de acordo com as normas nacionais e internacionais). O fator de serviço não deve ser confundido com a sobrecarga momentânea do motor. A potência que pode ser obtida do motor é assim a potência nominal (indicada na placa) multiplicada pelo fator de serviço.75 kW em regime contínuo.Zonas de Operação do Motor de Indução 2 . a qual vale por curtos períodos de tempo. De acordo com a norma brasileira. ou seja de forma ininterrupta.15 = 5. De acordo com as normas.u. tais como o fator de potência e o rendimento.02 1. Mesmo motores sem indicação de fator de serviço (fator de serviço 1. o torque máximo e a corrente de partida não devem sofre alterações.0. a qual serve também como referência para o ajuste dos dispositivos de proteção do motor. Muitos fabricantes fornecem a curva de sobrecarga do motor.PUCRS.15 pode trabalhar continuamente com 5 ⋅ 1. 2. da potência de saída do motor.95 “B” 0.98 1.Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. Na prática utilizam-se as unidades de cv. Luís Alberto Pereira . portanto.05 “A” 0. pode também haver alterações em algumas das características do motor. Quando não for indicado um fator de serviço.1 Potência Nominal É a potência mecânica máxima que o motor pode fornecer no seu eixo em regime de trabalho normal e sob condições nominais. Contudo. quando o fator de serviço for utilizado.90 NOMINAL ZONA “ A ” ZONA “ B ” figura 1 . A norma brasileira. a qual está especificada na placa de identificação.

Variação da Corrente do Estator em Função da Velocidade 3 .PUCRS. Pela norma brasileira NBR 7094 antiga. Luís Alberto Pereira . Fora destas condições existem alterações nas características nominais. 2.3 Tensão Nominal É a tensão de trabalho do motor em condições normais. Em ambas as zonas de operação. todo o motor deve ser capaz de funcionar satisfatoriamente quando alimentado tanto com tensão 10% abaixo como 10% acima da tensão nominal. conforme mostra a figura 1. o motor também deve ser apto a funcionar por tempo limitado. 2. no entanto. A combinação das variações de freqüência e tensão são enquadradas em duas zonas: A e B. especialmente a potência nominal que deverá reduzida. apresentando. desvios superiores àqueles da zona A e com elevação de temperatura também maior. A nova norma NBR 7094 estabelece uma nova sistemática para a operação do motor sob freqüência e tensão com desvios em relação aos valores nominais.Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. Na zona B. no entanto.motor trifásico  η  3 ⋅V⋅  ⋅ cos(ϕ)  100  (1) 15 Corrente do Estator (A) 12 Corrente (A) 9 6 3 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Velocidade Mecânica (%) figura 2 . O valor da corrente depende do rendimento e do fator de potência do motor sendo dado pela seguinte relação: Is = Pm (A) . contudo alguns desvios nas características nominais. A elevação de temperatura pode também ser superior àquela que ocorreria em operação normal. O motor deve ser capaz de operar continuamente na zona A apresentando.4 Corrente Nominal É a corrente que o motor solicita da rede sob tensão. desde que a freqüência seja a nominal. Os motores são em geral fabricados para operação numa temperatura ambiente máxima de 40 graus centígrados e uma altitude máxima de 1000 acima do nível do mar. freqüência e potência nominais. o motor deve ser capaz de fornecer o seu torque nominal. é a tensão de projeto do motor. não deve ser excedida sob períodos prolongados de tempo sob risco de avariar o motor.

2. Esta característica visa também a coordenação dos dispositivos de proteção do motor. expressa em Hz. 2. A corrente de partida de um motor de indução é em geral de 5 a 8 vezes a corrente nominal. correspondendo ao torque nominal. indicada no catálogo do fabricante e na placa do motor (cv. o torque de partida (Tp) e o torque mínimo (Tmin). motivo pelo qual o tempo para a partida não deve ultrapassar o limite estabelecido pelo fabricante.rendimento em %. HP ou watts).potência mecânica fornecida no eixo. Motores com escorregamento até 5% são considerados de escorregamento normal. a corrente elevada causa quedas de tensão na rede de alimentação e dispositivos de manobra e proteção. acima deste valor classifica-se o motor como sendo de alto escorregamento. cos(ϕ) . 1HP = 746 watts. todos mostrados na figura 4. potência de projeto. Quando isto for necessário é aconselhável uma consulta ao catálogo do fabricante. A figura 3 mostra uma curva típica de variação do torque em função da velocidade do rotor. havendo em geral uma alteração na potência nominal.5 Freqüência Nominal É a freqüência da rede de alimentação do motor. O escorregamento representa a diferença em percentual entre a velocidade mecânica no eixo e a velocidade síncrona. Is = Pm (A) . O escorregamento nominal depende da categoria do motor. Luís Alberto Pereira . Caso a potência seja indicada em cv deve-se convertê-la usando-se a relação: 1 cv = 736 watts. também são importantes o torque máximo (Tmax).Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. contudo as características de partida e de funcionamento serão alteradas. A variação da corrente em função da velocidade do motor (rotação) expressa em percentual da velocidade síncrona é mostrada na figura 2. O desvio aceitável da freqüência da rede em relação ao valor nominal está dado na figura 1.PUCRS. expressa em percentual da velocidade síncrona. O conjugado máximo exige correntes superiores à corrente nominal e por isso não pode ser fornecido 4 . Deve-se salientar que é possível utilizar-se um motor de 50 Hz na freqüência de 60 Hz.6 Escorregamento Nominal É o escorregamento para a condição de plena carga do motor.7 Torque Nominal É o torque fornecido pelo motor no seu eixo sob tensão e corrente nominais. assim ser levados em conta no projeto da instalação onde o motor se encontra. Além disso. provocando no mesmo um aquecimento adicional. sendo também caracterizado por duas zonas de operação. no Brasil a freqüência padronizada é de 60 Hz.fator de potência nominal. η . Os efeitos da partida do motor devem. Altos escorregamentos estão relacionados com perdas elevadas nos enrolamentos do rotor. motores com potência menor ou inferior a 315 kW e com tensão menor que 1000 volts devem estar aptos a suportar uma sobrecorrente de 50% acima da nominal por 2 minutos. De acordo com a norma brasileira (NBR 7094).motor monofásico  η  V ⋅  ⋅ cos(ϕ)  100  (2) Pm . 2. Pode-se observar que durante o período de partida o motor solicita uma corrente acima da nominal. Além do torque nominal (Tn na figura 4).

Torques Típicos do Motor de Indução 5 . Este tipo de motor apresenta em geral um grau de aproveitamento do material ativo menor em relação a motores standard. sob tensão e freqüência nominais. a fim de que o motor possa acelerar e atingir a velocidade nominal. o motor de indução alimentado a partir da rede da concessionária não é muito adequado onde se exige velocidade variável. a variação de velocidade é possível numa faixa bastante ampla. Uma vez que a velocidade do motor depende da freqüência e do número de pólos. é importante salientar que este deve ser maior que torque de partida da carga. designados como N. este tipo de motores tendem a caírem em desuso sendo a sua utilização justificável apenas em casos isolados. D. quando alimentado por meio de um conversor estático. De acordo com a norma. H.Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. A velocidade mecânica depende do escorregamento. Desta forma. continuamente pelo motor. Luís Alberto Pereira . existe um número limitado de velocidades para os motores de indução alimentados diretamente da rede. Cada categoria estabelece uma determinada forma da curva de torque versus velocidade.PUCRS. o motor deve poder fornecer 60% acima do torque nominal por 15 segundos. o qual determina qual a sobrecarga que o motor pode suportar por tempo limitado. Igualmente importante é o torque máximo. 2. Em virtude dos custos decrescente com dispositivos de controle de velocidade a base de semicondutores. Existem motores que podem ser operados em 2 ou mais velocidades a partir da reconexão dos seus enrolamentos. Em relação ao torque de partida. todo motor de indução possui capacidade de fornecer um torque acima do nominal por breves períodos de tempo.8 Velocidade Nominal É a velocidade (rpm) do motor funcionando à potência nominal. A escolha da categoria do motor é feita tendo em vista o tipo da carga acionada. tipicamente em torno de 5% e em motores de alto escorregamento até 10%. Deve-se salientar que a norma brasileira estabelece categorias de motores: N. como por exemplo o motor conhecido como Dahlander. Desta forma. do número de pólos e da freqüência da rede de alimentação. NY e HY. No entanto. T (ω) Tmax Tp Tmin carga Tn ωn ω figura 3 . Os valores de catálogo em geral referem-se a motores de categoria normal. A velocidade do motor de indução varia muito pouco entre a condição de vazio e plena carga. ele visa suprir eventuais picos de carga.

9 Rendimento Nominal É o rendimento que o motor apresenta sob carga. O rendimento nominal é especificado pelo fabricante e depende do projeto e da tecnologia empregada na fabricação do motor. freqüência e condições de ambiente nominais.rendimento em percentual Pm .Curva Típica do Fator de Potência versus Carga 6 . Pe − Pp P η = m ⋅ 100 = ⋅ 100 Pe Pe η . O rendimento representa a relação em percentual entre a potência elétrica fornecida pela rede e a potência mecânica fornecida no eixo.PUCRS.Curva Típica de Rendimento versus Carga cos ( φ ) 25 50 75 100 125 carga (%) figura 5 . De acordo com a norma os motores de indução devem suportar uma sobrevelocidade de 20% por 2 minutos sem que isso acarrete problemas mecânicos ao rotor. Luís Alberto Pereira . tensão. Deve-se salientar que o rendimento varia com a carga aplicada no eixo conforme mostra a curva típica na figura 5.potência mecânica (útil) no eixo (watt) ( ) (3) η ( %) 25 50 75 100 125 carga (%) figura 4 .Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. 2.

Desta forma deve-se evitar. ambos indesejados. Em geral. Existem dispositivos eletrônicos chamados de Controladores de Fator de Potência que podem ser acoplados ao motor a fim de melhorar o seu fator de potência. eventualmente acarretando multas e/ou operação ineficiente da instalação. Elas existem sempre que o motor estiver conectado à rede. Existe uma parcela das perdas que variam com a carga e uma parcela que é fixa.PUCRS.somatório das perdas (watt).potência elétrica de entrada (watt) Pp . As principais perdas são descritas e discutidas no que segue: a) Perda sob Carga (Perdas Joule) São as perdas que ocorrem nos enrolamentos do estator e do rotor devido ao efeito Joule. O seu uso requer.Resistência de Fase do Estator Perdas Joule no Rotor Pcr = 3 ⋅ I r 2 ⋅ R r I r .10 Perdas As perdas representam a parcela da potência que o motor consome durante o seu funcionamento. deixar o motor funcionando sob carga muito inferior à sua potência nominal. Deve-se salientar que esta parcela de perdas depende da temperatura de trabalho dos enrolamentos. uma vez que significa custos operacionais e de aquisição do motor maiores que o necessário. Além disso. uma vez que isto acarreta um baixo rendimento e um baixo fator de potência. um estudo técnico-econômico. chamados de motores de alto rendimento. podendo chegar a 50%. A curva típica mostra que o motor obtém o maior rendimento dentro da faixa de operação que vai de 75% a 100% da carga nominal. O rendimento máximo que cada motor apresenta depende dos materiais utilizados na sua fabricação e das dimensões do mesmo. sempre que possível. chegando a valores em torno de 98% para grandes motores (acima de 500 CV).Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. o rendimento aumenta com as dimensões e a potência do motor. todavia. 2. que são mais caros que os normais em cerca de 30%. Elas são dadas pela seguinte expressão: Perdas Joule do Estator: Pcs = 3 ⋅ Is 2 ⋅ R s (4) R s . Luís Alberto Pereira . A economia de energia proporcionada permite que o custo adicional retorne num tempo muito menor que a sua vida útil. Por outro lado. Motores monofásicos de baixa potência apresentam rendimentos baixos.corrente do rotor (5) 7 . Existem atualmente motores com rendimento acima do normal. O mesmo vale para o fator de potência. Pe . o consumo de energia do motor está diretamente relacionado com o valor das perdas. um motor com baixo fator de potência contribui para que o fator de potência global da instalação seja baixo. uma vez que as resistências também dependem da temperatura.

fator que depende da resistividade da chapa B m .freqüência d . Do ponto de vista construtivo e de projeto elas dependem também da freqüência. do tipo de rolamento. Do ponto de vista operacional elas dependem basicamente da freqüência e do nível de tensão aplicados. Elas são divididas em duas parcelas: perdas por correntes induzidas (também chamadas de correntes de Foucault ou correntes parasitas) e perdas por histerese.fatores que depende do tipo de chapa (valor típico x=1.3) Perdas Magnéticas Totais (7) Pmag = ε ⋅ B m 2 ⋅ f 2 ⋅ d 2 ⋅ V + λ ⋅ B m x ⋅ f c) Perdas Mecânicas (8) As perdas mecânicas dependem basicamente das dimensões geométricas da máquina. tipo de lubrificação. x . nível de indução magnética e dimensões geométricas (volume) e do tratamento que elas sofrem (ou não) durante o processo de fabricação. percentual de silício.volume das chapas Perdas por Histerese em W: Ph = λ ⋅ B m x ⋅ f λ ⋅ .Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. também chamadas de partes ativas. quanto maior o volume de material condutor (cobre e alumínio) menor será esta parcela de perdas. A quantidade de material condutor é determinada pelo custo e pelo espaço disponível para o mesmo. potência requerida do ventilador acoplado ao eixo e do atrito rotacional. Torna-se difícil estabelecer uma relação exata entre todas as variáveis que as influenciam. Luís Alberto Pereira . R r .6 ⋅ τ p ⋅ v 2 ( ) (9) 8 .PUCRS.resistência do rotor Conforme pode ser visto pelas fórmulas. b) Perdas Magnéticas (Perdas no Ferro) Esta parcela ocorre em todas as partes ferromagnéticas que são atravessadas por fluxo magnético. Estas parcelas são em geral expressas em watts por unidades de volume dadas aproximadamente pelas seguintes expressões: Perdas por Correntes Induzidas em W Pci = ε ⋅ B m 2 ⋅ f 2 ⋅ d 2 ⋅ V (6) ε . da qualidade das chapas (expressas em perdas em W/kg).indução máxima nas chapas (Tesla) f . da espessura das chapas.espessura das chapas V. Uma expressão aproximada pode no entanto ser estabelecida: Pmec = k ⋅ D ⋅ L + 0.

número de pólos da máquina d) Perdas Adicionais Esta é uma parcela de perdas que toma em conta efeitos secundários sobre as perdas. perdas por pulsação do fluxo nos dentes. Outras normas estabelecem que as perdas adicionais são em torno de 10-15% das perdas totais sob plena carga. 9 . k . conforme mostra a figura 3.PUCRS. perdas devido a harmônicos superiores de campo. Isto permitirá que a carga acionada possa ser acelerada até a velocidade nominal. 3. 2. Uma vez que as perdas adicionais dependem de uma série de fatores é muito difícil estabelecer mesmo uma fórmula aproximada. A norma IEC 34.2.fator que depende do tipo de ventilação utilizado.passo polar 2⋅p p . a norma brasileira estabelece que motores de aplicação geral devem ser capazes de suportar um acréscimo de 60% de torque acima do nominal por 15 segundos. As normas japonesas não consideram as perdas adicionais. estabelece que as perdas adicionais devem ser consideradas como sendo 0.Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. As principais perdas de caráter secundário que estão incluídas nesta parcela são: perdas por efeito pelicular.comprimento do rotor v .5 % da potência do motor. obtém-se valores bastante diferentes quando o mesmo é determinado segundo diferentes normas. imperfeições e tolerâncias construtivas (excentricidade do rotor. Desta forma elas são determinadas com sendo um percentual das perdas totais da máquina.diâmetro do rotor L . especialmente aqueles relacionados com a partida.11 Características da Carga O ponto de partida para a determinação do motor adequado é a consideração da curva de torque versus velocidade da carga. ainda que por breves instantes de tempo. A curva de torque versus velocidade do motor deve ser. superior à curva de torque da carga. Fatores que Determinam a Escolha do Motor O motor elétrico a ser escolhido deverá atender às solicitações da carga em regime contínuo e também durante os transitórios que ocorrerem sem que haja prejuízos provocados por excesso de calor gerado. em todas velocidades menores que a velocidade de operação nominal.velocidade periférica do rotor em m/s τp = π ⋅D . para máquinas com ventilação superficial vale aproximadamente 15 D . havendo fatores que são dados inclusive em normas (veja-se por exemplo a NBR 7094). que é adotada pela maioria dos países europeus. Como as perdas adicionais influenciam o rendimento. Na seqüência são apresentadas os principais fatores que devem ser considerados na especificação do motor. Além do regime permanente deve-se verificar se a carga solicitará do motor torques maiores que o nominal. Sob este aspecto. por exemplo) e em máquinas de alta tensão perdas por efeito corona. Luís Alberto Pereira . ao passo que a norma NEMA e CSA determinam procedimentos para a determinação indireta das perdas adicionais por meio de ensaios.

Desconsiderando-se o atrito mecânico o tempo de aceleração em segundos pode ser estimado pela seguinte expressão: t a = ωm ⋅ (Tmmed − Trmed ) ( Jm + J c ) (10) ωm . O torque máximo é em geral especificado no catálogo dos fabricante. Outro fator importante na escolha do motor é o tempo de aceleração.conjugado médio da carga em N.m O conjugado motor médio pode ser calculado aproximadamente pelas seguinte expressões:  Tp Tmax Tmmed = 0. o conjugado máximo do motor deve ser maior que os picos eventuais solicitados cargas.PUCRS.momento de inércia da carga referido ao eixo do motor em kg.m Tmmed − Trmed . Sobrecargas acima destes parâmetros devem ser acordados entre fabricante e comprador.Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof.momento de inércia do motor em kg. Este tempo deve ser sempre inferior ao tempo de rotor bloqueado que o motor suporta. Luís Alberto Pereira .conjugado acelerante médio em N. Em geral os fabricantes aconselham que o tempo de aceleração não deva ser superior a 80% do tempo de rotor bloqueado. o qual vem especificado no catálogo do fabricante.conjugado médio do motor em N.m² Tmmed .velocidade nominal mecânica em rad/s Jm .Curva do Ciclo de Carga do Motor 10 . que é o tempo que o motor levará para acionar a carga desde o repouso até a velocidade nominal.m Trmed . Desta forma.m² J c .45 ⋅  T + T n  n    ⋅ Tn  (Motor Categoria N e H) (11) pcarga P 5 P2 P 3 P1 P 4 t1 t2 t3 t4 t5 tempo figura 6 . O tempo de rotor bloqueado será calculado tendo como base a curva de torque da carga e do motor.

b) Regime de Curta Duração Neste tipo de regime o motor alterna períodos de carga com períodos de repouso... O tempo de operação do motor não é suficiente para que a temperatura atinja um valor estável. conforme ilustra a figura 6.12 Regimes de Serviço De grande importância para a especificação do motor é ciclo de trabalho do motor. a temperatura máxima pode ser bastante elevada atingindo os limites da classe de isolação. as quais variam em função do tipo de carga: Trmed = Tnr Trmed = 0. .Torque resistente de partida Trn . onde se coloca a carga solicitada do motor e o respectivo tempo de duração correspondente. Além disto o tempo de repouso é tal que o motor volta a atingir a temperatura ambiente (resfriamento completo) (figura 8). o regime de trabalho do motor dever ser enquadrado num dos 10 regimes típicos de funcionamento. A opção por um ou outro será também influenciada pela experiência e por critérios econômicos. Para motores que foram selecionados corretamente a temperatura máxima situa-se próxima da máxima temperatura suportada pelo motor. Os regimes normalizados podem ser agrupados em três categorias: a) Regime Contínuo Neste tipo de regime o motor fornece potência e torque constantes no eixo durante todo o tempo de funcionamento.S9. existe para cada carga vários motores que podem ser escolhidos.6 ⋅ Tp Tn ⋅ Tn (Motor Categoria D) (12) Para o cálculo do conjugado resistente médio pode-se utilizar as seguintes expressões. e S10. S2. Este regime de trabalho determinará o aquecimento do motor. após a retirada da carga.. Tmmed = 0.Torque resistente nominal à velocidade nominal Pode-se verificar com base em dados de fabricantes que de acordo com os critérios abordados. Deve-se salientar que embora o motor não atinja uma temperatura estável. os quais são denominados de regime S1. 2. para fins de especificação. De acordo com as normas nacionais e internacionais.PUCRS. Luís Alberto Pereira . pontes móveis. Motores que trabalham por tempo prolongado (horas ou dias) ou ininterruptamente enquadram-se neste regime (figura 7). Este tipo de regime é comum em plataformas giratórias. o qual pode ser indicado por meio de um diagrama de carga. etc. O regime mais importante é o S1 (regime contínuo) que é o regime para o qual os fabricantes em geral especificam as características dos motores. A especificação deste tipo de motor deve sempre 11 .Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof.5 ⋅ Trp + Trn Trmed = (carga com torque constante) (13) (14) ( ) (carga com torque linear) (2 ⋅ Trp + Trn ) 3 (carga com torque parabólico) (15) Trp .. A temperatura do motor atinge um valor estável.

Regime de Funcionamento Contínuo pcarga pperdas Temperatura tempo figura 8 .Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof.Regime de Funcionamento Intermitente 12 . 60 e 90 minutos. ser acompanhada pela indicação do tempo de funcionamento. 30. c) Regime Intermitente Neste tipo de regime o motor opera alternadamente com e sem carga.Regime de Funcionamento por Tempo Limitado duração do ciclo pcarga pperdas Temperatura tempo figura 9 . o tempos de operação padronizados são: 10. Em ambos os pcarga pperdas Temperatura tempo figura 7 . Segundo as normas. Luís Alberto Pereira .PUCRS.

uma vez que não são levadas em conta as perdas que estão associadas aos diversos valores de potência solicitados. laminadoras.PUCRS. Este regime é típico em dispositivos que são acionados ciclicamente como no caso de correias transportadoras. Luís Alberto Pereira . a) Método das Perdas Médias Este método consiste em determinar as perdas médias do motor durante um ciclo de funcionamento e compará-las com as perdas nominais para as quais o motor foi projetado (tendo em vista que o projeto foi realizado para regime contínuo). Além disso. O método mais comumente empregado na prática é o de obter-se um regime contínuo equivalente ao regime real de trabalho do motor.13 Determinação do Regime Equivalente ao Regime Contínuo Existem métodos que permitem selecionar motores tendo em vista o seu ciclo real de funcionamento e as temperaturas atingidas durante o ciclo de trabalho. Este método pressupõe que a igualdade de perdas resultará numa igualdade na temperatura média de trabalho da máquina. Na seqüência são analisados os diversos métodos que podem ser empregados para a determinação da potência equivalente em regime contínuo. p carga P5 P2 P3 P1 Q1 t1 Q2 t2 Q3 t3 P4 Q4 t4 t5 tempo Q5 figura 10 . O ponto de partida é a curva de potência solicitada 13 . Tais métodos são em geral bastante complexos porque necessitam a determinação da elevação de temperatura do motor. 2. não havendo aquecimentos excessivos nem danos ao isolamento. etc. Deve-se salientar que a potência equivalente em regime contínuo não deve ser tomada como a média das diversa potências que a carga exige durante um ciclo de trabalho. o que é sempre uma tarefa bastante difícil e trabalhosa. estampadeiras.Curva do Ciclo de Carga do Motor e Perdas Associadas períodos a temperatura não atinge um valor estável: durante a carga o tempo não é suficiente para que a temperatura estável seja atingida e durante a retirada da carga (resfriamento) também o tempo não é suficiente para que o equilíbrio com o meio ambiente seja atingido.Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. Tal procedimento conduz em geral à escolha de um motor de capacidade abaixo da exigida. Para pequenas variações de carga este procedimento é contudo aceitável. Estes métodos tomam como base que o regime equivalente contínuo (S1) será equivalente termicamente ao regime real. os casos práticos envolvem cargas que variam de forma muitas vezes conhecida de forma pouco precisa.

Além disso. Ieq = I12 ⋅ t1 + I2 2 ⋅ t 2 + I3 2 ⋅ t 3 + K + In 2 ⋅ t n t1 + t 2 + t 3 + K + t n (17) O procedimento consiste em calcular a corrente equivalente com base no ciclo de trabalho do motor e em seguida selecionar um motor com corrente igual ou superior à corrente equivalente. Desta forma a escolha do motor será feita por meio de aproximações sucessivas. Luís Alberto Pereira . A perda média Qmed será então dada como: Q med = Q 1 ⋅ t1 + Q 2 ⋅ t 2 + Q 3 ⋅ t 3 + K + Q n ⋅ t n t1 + t 2 + t 3 + K + t n (16) A determinação da curva de perdas e também da perda média exige o conhecimento do rendimento do motor. Caso houver uma discrepância muito grande entre os valores. deve-se considerar também as sobrecargas que o motor está sujeito e o processo de partida. Inicialmente escolhe-se um motor com base na potência média da carga multiplicada por 1. A partir da curva de potências solicitadas do motor é determinada a corrente correspondente. conforme mostra a figura 11. toma-se o próximo motor. Estas perdas serão denominadas de Qi e os tempos de duração das perdas de ti. Em seguida compara-se o valor das perdas equivalentes com as perdas nominais do motor. O método é assim indicado para casos em que os picos de carga são de curta duração não havendo risco de aquecimento excessivo. Deve-se salientar que este método fornece valores bastante exatos para a temperatura média de trabalho da máquina. A corrente equivalente é determinada pela fórmula que segue. considerandose a faixa de tolerância admitida.3 (fator prático)e calcula-se pela fórmula acima as perdas equivalentes. conforme mostra a figura 10. ou seja que as perdas médias sejam menores ou iguais às perdas nominais. No entanto. Caso a corrente não possa ser aproximada por valores constantes dentro dos intervalos. como no método anterior.PUCRS. do motor versus tempo (curva de carga. até que haja uma concordância entre os valores. Para cada carga determina-se um valor de perdas que lhe corresponde (figura 10). pode-se utilizar a seguinte relação para a determinação da corrente equivalente: ∑t Ieq = 1 ∑ ti i =1 n ⋅ n ∫i 0 2 ⋅ dt (18) 14 .Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. mostrada na figura 6). b) Método da Corrente Equivalente Neste método a corrente variável que circula no motor sob diferentes condições de carregamento é substituída por uma corrente equivalente que produz as mesmas perdas que a corrente que circula no motor. os valores máximos da temperatura não são considerados.

uma vez que para pequenas variações de velocidade existe uma proporção direta entre torque e potência.Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. d) Método da Potência Equivalente Este método é muito semelhante ao do torque equivalente. Luís Alberto Pereira . Ele também não se aplica a motores com rotor em curto-circuito com ranhuras profundas ou com dupla gaiola onde existem períodos prolongados de partida e frenagem. uma vez que ele considera invariável esta parcela de perdas durante o funcionamento do motor.PUCRS. c) Método do Torque Equivalente Este método baseia-se no fato de que o torque é aproximadamente proporcional à corrente quando se considera que o fluxo magnetizante é aproximadamente constante. Esta restrição devese ao fato de que a resistência secundária do rotor varia muito nestes regimes fazendo com que as hipóteses sobre as quais o método está baseado não sejam válidas. Para a utilização deste método deve-se construir uma curva de torque versus tempo que corresponde à curva de carga do motor (figura 12).Curva do Ciclo de Carga do Motor e Correntes Associadas Este é um método que pode ser utilizado em todo os casos onde as perdas constantes (perdas rotacionais e perdas no ferro) não variam. Considerando-se a curva de carga. p carga P5 P2 I2 P1 I1 t1 t2 t3 P3 I3 I5 P4 I4 t4 t5 tempo figura 11 . Além disso ele não se aplica a casos onde o fluxo varia bastante durante a operação do motor. como nos casos de frenagem de motores com rotor em curto circuito). a potência equivalente é calculado pela seguinte fórmula: Peq = P12 ⋅ t1 + P2 2 ⋅ t 2 + P3 2 ⋅ t 3 + K + Pn 2 ⋅ t n t1 + t 2 + t 3 + K + t n 15 (20) . O torque equivalente é calculado pela seguinte fórmula: Teq = T12 ⋅ t1 + T2 2 ⋅ t 2 + T3 2 ⋅ t 3 + K + Tn 2 ⋅ t n t1 + t 2 + t 3 + K + t n (19) As restrições da aplicação deste método são as mesmas que o da corrente equivalente. Um método mais apropriado nestes casos é a determinação direta das perdas como no método das perdas equivalentes.

fazendo-se correções nas potências que aparecem nos diagramas a fim de levar em conta as perdas. também deve ser considerado na escolha do motor se existe condições especiais no ambiente onde o motor será instalado tais como poeira. 16 . etc. Para condições além do especificado. p carga P5 P2 P1 T1 t1 t2 T2 P3 T3 t3 P4 T4 t4 t5 tempo T5 figura 12 . Isto deve-se ao fato de que a ventilação do motor fica reduzida em função da altura e temperatura ambiente. 2. Isto deve-se ao fato de que apenas a curva de potência útil está sendo considerada. por sua vez. que possuem um grau de proteção elevado. perigo de explosão. maresia. A redução da capacidade de ventilação. etc. a qual não leva em conta as perdas no motor. Um caso típico é o de motores navais. todo o motor deve estar apto a trabalhar dentro das suas características nominais até uma temperatura ambiente máxima de 40o C e altitudes até de 1000 acima do nível do mar.Curva do Ciclo de Carga do Motor e Torques Associados As restrições para a aplicação deste método são as mesmas que o método da corrente equivalente. proteção extra para os cabos na caixa de ligação.14 Características do Meio Ambiente De acordo com as normas.PUCRS. Além destes fatores. a potência nominal do motor deve ser reduzida de acordo com a tabela 1. deve-se à maior rarefação do ar com o aumento da altitude.Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. Luís Alberto Pereira . como nos casos de frenagem e arranque. O custo de tais motores é contudo maior que os de fabricação normal. pintura especial. o método pode também ser utilizado. Ele também não se aplica a casos onde houver uma grande variação de velocidade durante o funcionamento. Em muitos casos pode ser necessário a escolha de um tipo especial de motor. gases em suspensão. Contudo. projetado e fabricado para atender as necessidades específicas do ambiente.

que tanto a variação de tensão como os desequilíbrios afetam o rendimento do motor.74 0.. possuindo um limite bem inferior aos demais materiais ativos (ferro e cobre).Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof.81 0.92 0. Este último valor é um valor aproximado dado nas normas. F e H. Cada classe possui um limite máximo de temperatura.57 0.57 3500 1. Quando ultrapassam a temperatura máxima permitida. Desta forma. Luís Alberto Pereira . 2. A este valor deve ainda ser acrescido o valor da diferença entre o ponto mais quente do enrolamento e sua temperatura média.85 0.82 0. O motor deve ser capaz de operar continuamente na zona A apresentando. no entanto. os materiais isolantes perdem as suas características mecânicas e de isolação.88 0. conforme a tabela 2. HAltitude) 2.05 0.94 0.85 0. As normas nacionais e internacionais classificam os materiais em cinco classes de isolação: A.77 0.76 0.60 0.99 0.83 0.67 2000 1.PUCRS.71 1500 1.74 0.78 0. dadas pelas suas características próprias.72 0.16 Classe de Isolação Os materiais dos quais os motores são fabricados suportam uma elevação máxima de temperatura.05 0.68 0.00 0.91 0. conforme mostra a tabela 2.66 0. E. ou com desvio máximo de 5% entre as tensões fundamentais das fases.52 tabela 1 .05 0. Na zona B.96 0.04 0.70 0.93 0.89 0.Redução de Potência com a Altitude e Temperatura Ambiente (T-Temperatura. o motor também deve ser apto a funcionar. A fórmula seguinte descreve a relação entre as temperaturas: Tmax = Tamb + ∆Tmed + ∆T (21) 17 . desvios superiores àqueles da zona A e com elevação de temperatura também maior.64 2500 1.63 0. bandagens.77 0.72 0.62 0.67 0. Os materiais isolantes (verniz.98 0.) são os mais sensíveis à temperatura. contudo alguns desvios nas características nominal.87 0. Deve ser salientado. A norma brasileira enquadra a combinação das variações de freqüência e tensão em duas zonas: A e B. O limite é obtido a partir da soma da temperatura ambiente máxima (40o C) com a elevação de temperatura média do enrolamento.15 Características da Rede Além da freqüência e nível de tensão. para a especificação do motor é necessário considerar os desvios de tensão aos quais a rede está sujeita e de que forma eles afetam o funcionamento do motor em termos de desempenho e elevação de temperatura.93 0. Os motores também devem ser alimentados com tensões praticamente equilibradas.99 0.87 0.92 0.70 0. apresentando.86 0. o tipo de material isolante determina o nível de elevação de temperatura que o motor pode suportar.76 0.97 0.. conforme mostra a figura 1. B.80 0.60 3000 1. resinas. T/ H 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 1000 1. provocando danos ao motor.02 0.05 0. A elevação de temperatura pode também ser superior àquela que ocorreria em operação normal.55 4000 1.65 0.80 0..

Motores que operam acima da sua potência nominal. fazem com que o material isolante se deteriore mais rapidamente diminuindo a vida útil do motor (este efeito é denominado envelhecimento).Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. a fim de evitar avarias prematuras. Os principais sistemas de partida são: a) Chave Estrela-Triângulo b) Chave Compensadora c) Chave Série-Paralelo d) Partida Eletrônica 18 . havendo uma redução significativa quando da redução da tensão na partida.PUCRS. As classes mais comuns de motores são B. C lasse de Isolam ento Tem peratura Am biente ∆ T = Elev ação de Tem peratura ( m étodo da resistênc ia ) ºC K A 40 60 E 40 75 B 40 80 F 40 105 H 40 125 Dife rença entre o ponto m ais quente e a tem peratura m édia Total: Tem peratura do ponto m ais quente ºC 5 5 10 10 15 ºC 105 120 130 155 180 tabela 2 . Considerando-se motores com o mesmo volume de material ativo (cobre e ferro).elevação de temperatura Os fabricantes oferecem motores em geral em uma ou duas classes de isolação. toma-se um motor com uma classe de isolação maior. Em especial o torque varia com o quadrado da tensão. Esta é uma alternativa muitas vezes utilizada na prática: ao invés de selecionar um motor maior.temperatura ambiente ∆Tmed . Desta forma deve-se tomar cuidado para que o motor não opere com potências acima da nominal por tempo prolongado. ao se passar de uma classe de isolação para outra pode-se retirar mais potência do motor.temperatura máxima do enrolamento Tamb . 2. especialmente quanto à redução de tensão.Classes de Isolação Normalizadas e Elevação de Temperatura Admitida Tmax . Luís Alberto Pereira . Também deve ser considerado o tempo de aceleração e de rotor bloqueado quando da partida com tensão reduzida. As curvas características que aparecem nos catálogos referem-se à aplicação da tensão nominal durante a partida.17 Sistema de Partida O sistema de partida deve também ser cuidadosamente avaliado na escolha do motor.diferença entre a média do enrolamento e o ponto mais quente (norma) ∆T . F e H.

tais como bombas. Categoria N : torque de partida.Curva de Torque das Categorias N. tais como forma e número de ranhuras do rotor. Categoria H : torque de partida elevado. 2. A maioria dos motores utilizados na prática pertencem à categoria N.. etc. A alteração da característica de torque é feita alterando-se as características de projeto do motor. classe HY (a antiga norma NBR 7094 estabelecia apenas 3 categorias de motores: N .Seleção e Aplicação de Motores de Indução Standard e de Alto Rendimento – Prof. classe H. Luís Alberto Pereira . H e D). ventiladores e máquinas operatrizes. Na ligação em estrela o torque de partida e é de 25% do valor indicado para os motores de categoria N. classe D. Estes valores normalizados dependem da potência e número de pólos do motor. corrente de partida de escorregamento normais. corrente de partida e escorregamento normal (menor que 5%). Categoria D : conjugado de partida alto. escorregamento alto (maior de 5%).18 Categoria do Motor Baseado na forma da curva de torque versus velocidade do motor. mas previstos para partida estrela-triângulo. como em elevadores. corrente de partida alta. Categoria NY : são motores com características parecidas com os motores de categoria normal (designados como N).PUCRS. Na ligação em estrela o torque de partida e é de 25% do valor indicado para os motores de categoria H.. torque máximo e torque mínimo e escorregamento para cada uma das categorias. classe NY. transportadores. H e D 19 . mas previstos para partida estrela-triângulo. tais como em cargas de alta inércia. T(ω) D H N ω figura 13 . São usados em casos onde exige-se torques de partida extremamente elevados e com correntes limitadas na partida. As normas também estabelecem valores limites de torque de partida. A forma característica das categorias N. São utilizados onde exige-se um torque de partida acima no normal. as normas estabelecem 5 categorias básicas de motores: classe N. britadeiras. Podem ser utilizados para acionamento de cargas onde não são exigidos elevados torques de partida. H e D são mostradas na figura 13. Categoria HY : são motores com características parecidas com os motores de categoria H.