DOR ONCOLÓGICA Ricardo Alcantara 1 – Introdução.

A Associação Internacional para o Estudo da Dor considera dor como uma experiência sensorial e emocional desprazerosa associada a um dano tecidual potencial ou real ou descrita em termos desta lesão. Em suma, a magnitude real da dor experimentada pelo paciente envolve, além da lesão orgânica propriamente dita, fatores relacionados ao afeto, ao comportamento, cognição e percepção fisiol!gica da pessoa. "egundo a #$"%&'#(, o câncer é respons)vel por *+, de todas as mortes, sendo -ue nos pa.ses desenvolvidos c/egam a 0+, dos !1itos. 2erca de 3+, dos pacientes com câncer em est)dio avançado apresentam dor moderada ou severa e 4+, a 3+, deles não têm controle ade-uado desse sintoma. A dor oncol!gica é decorrente de in5meras causas. 6ode ser7 *. "om)tica, devido ativação dos nociceptores cutâneos e profundos8 é muito precisa, 1em localizada e é caracterizada como pontada ou agul/ada %exemplo7 dor da met)stase !ssea8 0. 9isceral -ue ocorre por compressão, distensão ou estiramento de v.sceras maciças ou ocas8 é caracterizada como em pressão ou aperto e est) associada n)usea ou v:mito8 e ;. <europ)tica, -ue ocorre -uando /) lesão parcial ou completa do sistema nervoso central ou periférico, em conse-=ência de processos compressivos, infiltrativo ou mesmo lesão da pr!pria estrutura nervosa.

A estratégia terapêutica para a1ordagem da dor oncol!gica deve ser 1aseada no uso simultâneo ou sucessivo de métodos adaptados necessidade de cada paciente. A relação de confiança médicoApaciente é de extrema importância para o tratamento do doente com dor oncol!gica. 2 .vio da dor deve ser feito durante toda a evolução da doença. radioterapia e -uimioterapia( e 00. 1( 'ist!ria médica7  2ondiç@es cl. depressão e deterioração f. A dor persistente %2ronificada( ocasiona alteraç@es do sono e do apetite. além de provocar ansiedade.Princípio !" ico . # . decorre do tratamento %cirurgia. a( Avaliação inicial da dor7  'ist!ria da dor7  Bocalização8  Intensidade %escala de +A*+(8  In.cio. o al. 4. visceral eEou neurop)tica. 6or isso. da dor oncol!gica é devido ao pr!prio tumor.nicas gerais.sica. >?. duração e curso8  Catores relacionados8  Dipo7 som)tica.Aproximadamente. c( 'ist!ria psicoAsocial. coincide com a neoplasia. # profissional de sa5de deve confiar no paciente e demonstrar -ue acredita nas suas -ueixas.!a $ para o trata%$nto. # 0 .

. Em resumo7  2onfiar no paciente8  FeAavaliação fre-=ente8  <ão protelar o tratamento8  Aplicar instrumentos confi)veis para mensurar a dor e fazer a correlação ade-uada da escala analgésica aplicada com a escada analgésica da #$".tratamento ade-uado envolve a avaliação constante do paciente e a modificação da terapêutica de acordo com sua necessidade. . ' cala d$ int$n idad$ da dor. As escalas aplicadas na Gnidade de Dor do 'ospital das 2linicas da GC$H são7 &.

I .

6ode causar falência /ep)tica dose dependente. por via oral. por via oral.8  <os casos de dor aguda7 9ia parenteral %inLet)vel(. etc. por via oral8  <imesulida. #s AI<Es não proporcionam analgesia satisfat!ria na dor severa e na dor neurop)tica. exceto se /ouver alguma contraA indicação para o seu uso. não devendo ser prescrito em /epatopatias.+A>+mg. A dose é *4mgEMg com intervalo de dose entre -uatro e seis /oras. d( #pi!ides7  #s opi!ides são os agentes mais importantes para o al. I1uprofeno. KiofenacJ. 2ataflamJ 4+mg de 3E3 /oras. a( Antiinflamat!rios nãoAesteroidais %AI<Es(7  "ão utilizados -uando o paciente começa a sentir dor e tam1ém são mantidos -uando o paciente est) usando opi!ide. 1( 6aracetamol7 Ini1e a ciclooxigenase cere1ral. Denoxicam. c( Dipirona7 A dose é *4mgEMg com intervalo de dose entre -uatro e seis /oras.na7 2odein J .& – (rata%$nto. Estão indicados nas dores associadas ao processo inflamat!rio. 2omo são medicamentos com mecanismos de ação diferentes. essa associação %AI<Es e opi!ide( proporciona mel/or efeito analgésico.  Diclofenaco7 9oltaremJ. Intervalo de 4 .vio da dor oncol!gica8  #pi!ides fracos7  2ode.

na. As doses m)ximas são7 I++mgEdia se a função renal estiver normal8 0++mgEdia.> mgEMg. em idosos acima de ?4 anos.+mg a cada -uatro /oras. na administração por via oral é de +. "ensitramJ. por via oral8  Dramadol7 DramalJ.+mg de fosfato de code.4E.+mg a cada -uatro /oras. "e o al. Intervalo de dose entre -uatro e seis /oras. 6ara infusão cont.nua. por via oral8  2ode. administrar com cuidado doses incrementais de * a 0mg. DimorfJ solução inLet)vel7 A dosagem para administração peridural em adultos é de 4mg na região lom1ar %dose inicial(. DimorfJ comprimido7 *4 a . A dose média recomendada. 0.+7 4++mg de paracetamol e ?.dose entre -uatro e seis /oras. A dose oral para adultos é de *+ a .  #pi!ides potentes7  $orfina7 O o opi!ide de eleição para dor moderada e severa8  "ulfato de morfina7 *. 2odexJ ?. a +..vio da dor não for conseguido dentro de uma /ora.++mgEdia. com depuração da creatinina menor -ue . fracionada.vio da dor por até 0I /oras. Doses complementares de * a 0mg podem ser > .. por via oral. "NladorJ 4+A*++mg. DimorfJ solução oral7 2ada um mililitro %0> gotas( contém *+mg de sulfato de morfina. 6ode proporcionar al. a dose inicial recomendada é de 0 a I mgE0I /oras. DramadonJ. Intervalo de dose entre -uatro e seis /oras.4 ou .na e paracetamol7 DNlexJ. .+mlEminuto e .

>+mg ou *++mg a cada *0 /oras. trocar de opi!ide8 <ão associar agonista com agonistaAantagonista8 <ão utilizar DolantinaJ ou place1o8 ".vio da dor. excitação e agressividade. DimorfJ B27 Gma c)psula de . por-ue /) um antagonismo fisiol!gico. Dolerância droga7 Beva necessidade de doses cada vez maiores do medicamento para o al. Est) mais relacionada com analgesia insuficiente ou doses inade-uadas para o controle da dor. por via oral8  <ão /) dose m)xima para a morfina8  A depressão respirat!ria não ocorre comumente na presença de dor. de /or)rio e por escrito.administradas se o al. "e ocorrer depressão respirat!ria deve ser usado o antagonista opi!ide %nalorfina( revertendo tanto o efeito analgésico como o efeito depressivo respirat!rio. a dose inicialmente usada de opi!ide8  # es-uema posol!gico deve ser simples.+mgEI a *0/. /ipertermia.+mg. Feduzir em 0+. I. A dose inicial dever) ser de 4 a 0+mgE?+ Mg de peso8  #xicodona7 #xNcontin J . suores frios.     ? . <o caso de tolerância.+A4+mgE*0/. individualizado.vio da dor não foi conseguido inicialmente. 4. dores e contraturas musculares.sticas7 Diarréia. por via oral8  $etadona7 $etadon J *+A.  2aracter. DimorfJ "67 Administração intramuscular.ndrome de a1stinência7 O provocada pela interrupção 1rusca do uso dos opi!ides.

+++ pacientes8  Dependência f. Dratamento7 "u1stituir o opi!ide usado por outro de meia vida mais longa como a metadona. é irrelevante no tratamento da dor do câncer.  Dependência ps. 6orém.sica7 O normal no uso de opi!ides por mais de três semanas. Incidência7 Gm para *+. onde é imperativo o al.cio7 "! pode vir a ocorrer em pacientes com pro1lemas psicol!gicos e psi-ui)tricos ou na-ueles com /ist!ria anterior de exposição a drogas. e( Drogas adLuvantes7 #timizam a analgesia de outros f)rmacos7  Antidepressivos7 "ão usados nos casos de dor neurop)tica com a finalidade de potencializar o efeito do opi!ide.  Anticonvulsivantes7 "ão tam1ém usados nos casos de dor neurop)tica ocasionada por compressão ou lesão do sistema nervoso.-uica ou v.vio da dor e a -ualidade de vida8  A morfina não é medicação exclusiva de estados terminais e não é o 5ltimo recurso terapêutico. f( 2orrelação da escala de dor com a escada analgésica7 3 . diminuir ansiedade e depressão e para mel/orar o sono.

u)ant$ Opi/id$ pot$nt$ .-. Dor %od$rada Dores de média intensidade 1a $ I2 ' cala )i ual d$ dor 1 – &.-.u)ant$ AIN' Parac$ta%ol Dipirona .u)ant$ P .Ad.AIN' .Ad. Dor $)$ra Dores de forte intensidade 1a $ II2 ' cala )i ual d$ dor & – 3.-.Corr$lação da $ cala )i ual da dor co% a $ cada anal*+ ica 1a $ III2 ' cala )i ual d$ dor 3 – 14. Dor l$)$ Dores de pe-uena intensidade Opi/id$ 0raco .AIN' .Ad.-.-.

+3. aumentar a dose de 4+A*++.  Fegras7 #s analgésicos devem ser administrados por via oral e nos /or)rios ade-uados8  Amitriptilina7 04A*++mg.5 . uma vez ao dia8  2ar1amazepina7 *++A3++mg uma a duas vezes ao dia8  Dor maior -ue ? na escala analgésica7 #pi!ide potente de curta duração %$orfina *4A. e se a dor for menor -ue I. aumentar a dose de 04A4+. 1( "#"7 *+. d( 2onversão7 A relação de morfina oral para morfina venosa é de .. c( FeAavaliação do tratamento com morfina7  Ditulação7 Dose di)ria mais dose "#"8  Incrementos7 "e a dor for maior -ue ? na escala analgésica. a( Dipo de dor7 9isceral versus som)tica versus neurop)tica. da dose di)ria de morfina nos intervalos. para * ou de 4 vezes8 e( Cator de conversão para morfina7 2ode. oxicodona Q * e metadona Q . *+ . constipação intestinal. se for entre I e ?.+mg IEI/(8  Dor menor -ue I7 AI<Es.D$0inição t$rap6utica. sedação e depressão respirat!ria. dipirona 4++mg IEI/ ou >E> /. aumentar em 04.na Q +..+mg IEI/(8  Dor entre I e ?7 #pi!ide fraco associado a AI<Es %DNlex . paracetamol.AI8 f( Efeitos colaterais da morfina7 <)usea.

lia com o tratamento da dor rece1ido pelo paciente e seu impacto na -ualidade de vida.  Indicação de profissionais respons)veis pelo controle da dor. tendo como 1ase os procedimentos menos invasivos. permitindo -ue ele não sinta dor.  Disponi1ilidade e ade-uação de opç@es do controle da dor em cada setor em particular. Devem ser considerados -uando se desenvolve um programa formal de controle de -ualidade na prestação de serviços para o al.  Efetividade das opç@es utilizadas para prevenir e tratar a dor. 2omo /) v)rios modos de a1ordar a dor do paciente oncol!gico.  Avaliação da prevalência e intensidade dos efeitos secund)rios e das complicaç@es associadas com o controle da dor.  "atisfação da fam. ** . alguns pontos7  "atisfação dos pacientes ao rece1erem o tratamento da dor e seu impacto na -ualidade de vida. o tratamento deve consistir no uso de métodos adaptados s necessidades de cada doente.  Gso de técnicas diagn!sticas ade-uadas para o tratamento das s.  Avaliação sistem)tica da dor por câncer em todos os setores onde os pacientes são tratados.ndromes dolorosas comuns no câncer.vio da dor .7 –Conclu ão.

orgEdoUnloadsE"DDE 2ACC0++>. 6/iladelp/ia7 Bippincott &illiams T &ilMins8 0+++. Di"aia 66R. et al. *.vel em7 /ttp7EEUUU. $issouri7 $os1N8 0++0. Fic/ard 2. 2linical HNnecologN. 2ancer Cacts T Cigure. Kutler "'. Acessado em 0+ de setem1ro de 0++P. "ão 6aulo7 Foca8 0+++. . Boeser RD. Bippincott &illiams T &ilMins 6u1lis/ers7 0++*. 2reasman &DD.cancer. R5nior 'RC. KonicaVs $anagement of 6ain. 0. Educational FevieU "Nstems8 Fevisiting 6ain $anagement in 2ancer 6atients7 KreaMt/roug/ 6ain and Its Dreatment8 LulN 0++P. 4. Dispon. 'osMins &R.R$0$r6ncia . ?. 2ancerologia Atual7 Gm Enfo-ue $ultidisciplinar.Sed. >S ed. *S ed. .. >. Karacat CC.American 2ancer "ocietNA #ncologic 6ain. DurM D2. 6rinciples 6ractice of HNnecologN #ncologN. *0 . I.