UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS FACULDADE DE DIREITO

DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO: COAÇÃO

Disciplina: Di !i"# Ci$il I

Al%n#s: & %n# '! (in)# Ga cia A*n!ls#n +is"# 'a Sil$a Cl#$is '! S#%,a ! Sil$a Fil)# Ma c!l# R#s!# '! Oli$!i a Misa!l M%s"a-a R!nan Ri.!i # '! Oli$!i a T)#/as Ja's#n S#%,a Las/a Val/i L0# '#s San"#s F !i"as

. que casou-se com 0enrique de +avarra. tendo o presidente da cerim3nia perguntado # noiva se era de sua vontade casar. pois impede a livre exposição da vontade do agente! $ablo 'tolze define o instituto como toda viol ncia psicológica a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar! 32 Esp0ci!s '! c#a45#2 321 C#a45# a.oberto de Castro +eves. antes de este se tornar 0enrique 12 da *rança. tratando-se de )ipótese de inexist ncia do negócio por aus ncia de elemento primeiro e principal para exist ncia. não existe qualquer consentimento ou manifestação de vontade! " vantagem pretendida pelo coator se obt&m mediante o uso de força física! Cite-se como exemplo. que se mantin)a em relutante silencio. a doutrina considera nulo o negócio praticado. a praticar um ato ou efetuar um negócio. quer por sua fama de maus )ábitos de )igiene! +o momento da celebração do casamento. por si mesma. quer por ser o noivo protestante.12 C#nc!i"#2 Conceitua-se coação como qualquer ameaça ou pressão injusta exercida sobre um indivíduo para forçá-lo. o que a fez balançar positivamente o rosto! 6rata-se de típico caso de . usando de força contra sua mão! (ma vez que inexiste qualquer manifestação de vontade.s#l%"a #% -6sica ! c#a45# !la"i$a #% /# al2 'egundo Carlos "lberto %onçalves. oferecem como exemplo )istórico de coação absoluta o caso da princesa /argot. na coação absoluta. sendo esta caracterizada pelo emprego da viol ncia psicológica com intuito de viciar a vontade! " coação. que se consubstancia na declaração de vontade! Cristiano *arias e +elson . citando o professor da $(C-. a princesa. mas sim o temor que ela inspira. recebeu um forte empurrão de sua mãe 4Catarina de /&dici5.. ela & o vício mais grave que pode afetar o negócio jurídico.os& . contra a sua vontade. não representa um vício. causando o defeito inerente # manifestação do agente! $ara Carlos "lberto %onçalves. por motivos políticos! +arra-se que ela não desejava se casar com ele..osenvald. a imposição da impressão digital do analfabeto em um contrato.

como no dolo! " coação acidental influi apenas nas condiçAes da avença. no 7ireito Contempor8neo. por atacar o requisito da exigibilidade de conduta diversa! 323 C#a45# p incipal ! c#a45# aci'!n"al2 Coação principal & assim denominada a que & a causa determinante do negócio! @mbora o Código Civil não faça a distinção. a conduta do coagido será considerada atípica. no 7ireito $enal. pois passa a ser mero instrumento nas mão do coator! " coação que constitui vício da vontade e torna anulável o negócio jurídico 4CC. por exemplo. segundo o art! ?? do C$. apontando-l)e a arma e propondo-l)e a alternativa. a doutrina entende existir coação principal e acidental.aus ncia de manifestação de vontade. ='e o fato & cometido sob coação moral irresistível. portanto. praticar o ato exigido pelo coator ou correr o risco de sofrer as consequ ncias da ameaça por ele feita! 6ratase. de uma coação psicológica! < o que ocorre. o que. mas em condiçAes menos desfavoráveis # vítima! " coação principal constitui causa de anulação do negócio jurídicoB a acidental somente obriga ao ressarcimento do prejuízo! . =a bolsa ou a vida>! $ablo 'tolze acrescenta que. art! 9:9. quando o assaltante ameaça a vítima. caracterizando coação física. a coação moral determina importantes efeitos jurídicos. permitiria a anulação do ato! $ablo 'tolze acrescenta que. deixa-se uma opção ou escol)a # vítima. só & punível o autor da coação>! 6rata-se. 115 & a relativa ou moral! +esta. se o coator empregar energia corporal para forçar o indivíduo a cometer um fato delituoso contra terceiro. sem ela o negócio assim mesmo se realizaria. ou seja. respondendo criminalmente apenas aquele que exerceu a conduta física! +ote-se que esta esp&cie de viol ncia não permite ao coagido liberdade de escol)a. in verbis. segundo a teoria finalista da ação. de causa excludente de culpabilidade. no 7ireito $enal.

a coação. ="rt! 9C9! " coação. o juiz. pois & possível que sua concord8ncia coincida com a viol ncia. para viciar a declaração da vontade. # sua família. com base nas circunst8ncias. o negócio não se teria concretizado! Contudo. assim. o negócio deve ter sido realizado somente por ter )avido grave ameaça ou viol ncia. se algu&m foi vítima de coação. )á de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável # sua pessoa. que provocou na vítima fundado receio de dano # sua pessoa. ou aos seus bens!$arágrafo Dnico! 'e disser respeito a pessoa não pertencente # família do paciente. sem que esta gerasse aquela! 1ncumbe # parte que pretende a anulação do negócio jurídico o 3nus de provar o nexo de causa e efeito entre a viol ncia e a anu ncia! . decidirá se )ouve coação!> 2erifica-se. que nem toda ameaça configura a coação. ou seja. a5 deve ser a causa determinante do atoB b5 deve ser graveB c5 deve ser injustaB d5 deve dizer respeito a dano atual ou iminenteB e5 deve constituir ameaça de prejuízo # pessoa ou a bens da vítima ou a pessoa de sua família! 721 Ca%sa '!"! /inan"!2 7eve )aver uma relação de causalidade entre a coação e o ato extorquido. # sua família ou aos seus bens! 'em ela. & necessário reunirem-se os requisitos estabelecidos no dispositivo supratranscrito! "ssim. mas deu seu consentimento independente de ameaça. vício do consentimento! $ara que tal ocorra. não restará caracterizado o referido defeito do negócio jurídico. na lição de Carlos "lberto %onçalves.72 R!8%isi"#s 'a c#a45#2 7ispAe o art! 9C9 do Código Civil.

de dilig ncia normal! $or esse crit&rio. do novo estatuto civil que não se considera coação o simples temor reverencial! "ssim. se a m&dia das pessoas se sentir atemorizada na situação da vítima. a saDde. ter-se-ão em conta o sexo. determina o art! 9C? do Código Civil. mas se for acompan)ado de ameaças ou viol ncias. )á de ser de tal intensidade que efetivamente incuta na vítima um fundado temor de dano a bem que considera relevante! @sse dano pode ser moral ou patrimonial! $ara aferir a gravidade ou não da coação. assim como uma ameaça incapaz de perturbar pessoa jovem e sadia pode afetar profundamente pessoa doente e idosa! 7iz o art! 9CE. a idade. "rt! 9C?! +o apreciar a coação. ou seja. o temperamento do paciente e todas as demais circunst8ncias que possam influir na gravidade dela! Cabe verificar se a ameaça bastou para amedrontar o indivíduo contra quem foi dirigida não qualquer outro nem a m&dia das pessoas! $or exemplo. um ato incapaz de abalar um )omem pode ser suficiente para atemorizar uma mul)er. são mais suscetíveis de se sentir atemorizadas do que outras! $or essa razão. para viciar a manifestação de vontade. o emprego do vocábulo simples no dispositivo legal suprarreferido evidencia que o temor reverencial não vicia o consentimento quando desacompan)ado de ameaças ou viol ncias! F simples temor reverencial não se equipara # coação.7232 G a$i'a'!2 " coação. como os superiores )ierárquicos! +ão se anula um negócio mediante a simples alegação do empregado. se . a condição. o de avaliar em cada caso as condiçAes particulares ou pessoais da vítima! "lgumas pessoas. em razão de diversos fatores. se compara a reação da vítima com a do )omem m&dio. segunda parte. quando estes constituem a contraparte ou apenas recomendaram a celebração da avença com terceiro. respectivamente. não se reveste de gravidade suficiente para anular o ato o receio de desgostar os pais ou outras pessoas a quem se deve obedi ncia e respeito. malgrado se recon)eça a utilidade desse respeito para o relacionamento social! 6odavia. o pai ou o coronel. transforma-se em vício da vontade! 1gualmente. do fil)o ou do soldado no sentido de que foi realizado para não desgostar. então a coação será considerada grave! 'egue-se o crit&rio concreto. o patrão.

por exemplo. por anuir em negócio que l)e acarretasse prejuízo de valor mais ou menos equivalente! 'e os valores em jogo fossem ostensivamente desproporcionais. por si só. do ato extorquido que o resultante da ameaça não se configuraria a coação! @m outras palavras. com efeito. por sua condição. inspirem respeito e obedi ncia 4tais como ascendentes. )ouvesse equival ncia entre os valores confrontados. marido. contrária ao direito ou abusiva! $rescreve. em alguns casos. superiores )ierárquicos5. ao receável do ato extorquido>! 'e menor o dano receável. para não perder um bem de determinado valor. uma agravante de ameaça! F Código Civil de 9G9H exigia. elas não necessitam se revestir da mesma gravidade de que se revestiriam se emanasse de outras fontes. tamb&m. referindo-se ao exercício do direito! 7esse modo. o pedido de abertura de inqu&rito policial ou a intimidação feita pela mul)er a um )omem de propor contra ele ação de investigação de paternidade! @m todos esses casos. do Código Civil que não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito! "ssim. como sucede no caso de ameaça de um dano moral para extorquir um valor material! 727 In9%s"i4a2 6al expressão deve ser entendida como ilícita. para a configuração da coação 4art! GI5 que. conquanto jurídica. primeira parte. não constitui coação a ameaça feita pelo credor de protestar ou executar o título de cr&dito vencido e não pago.referidas ameaças provierem de pessoas que. pelo menos. pelo menos. valores )eterog neos e insuscetíveis de comparação. constitui exercício anormal ou abusivo de um direito! "ssim. ao dizer que o dano deveria ser =igual. só )averia coação se. não se caracterizaria o aludido vício do consentimento! F Código de ?JJ? não cont&m essa exig ncia. diante da ameaça. o agente procede de acordo com o seu direito! F citado art! 9CE emprega o adjetivo =normal>. que não consta em outras legislaçAes e era alvo de críticas. configura-se a coação não apenas quando o ato praticado pelo coator contraria o direito como tamb&m quando sua conduta. o art! 9CE. principalmente por não considerar o valor de afeição e porque podem ter os bens. porque o temor reverencial &. o agente optasse. & injusta a conduta de quem se vale dos meios legais para obter vantagem .

A/!a4a '! p !9%6. depredação. socorrendo-se de outras pessoas! " imin ncia de dano. =atual e inevitável>. cárcere privado. tem )oje acepção ampla. variando a apreciação temporal segundo as circunst8ncias de cada caso! F mal & iminente sempre que a vítima não ten)a meios para furtar-se ao dano. não significa que a ameaça deva realizar-se imediatamente! Kasta que provoque. ou da autoridade pDblica! " exist ncia de dilatado intervalo entre a ameaça e o desfec)o do ato extorquido permite # vítima ilidir-l)e os efeitos. usado no art! 9C9.# < p!ss#a #% a .indevida! $or exemplo. como sofrimentos físicos. ainda. desde logo. exigida pelo Código. tortura etc! $ode configurar coação tamb&m a ameaça de provocação de dano patrimonial. não constitui coação capaz de viciar o ato>! 6em ela em vista aquele prestes a se consumar. pois =a ameaça de um mal impossível. ameaça denunciá-lo caso não realize com ele determinado negócioB a do marido que surpreende a mul)er em adult&rio e obt&m dela a renDncia # sua meação em favor dos fil)os para não prosseguir com a queixa-crime! F problema não se altera pelo fato de )aver a vítima da coação agido com culpa! 72: Dan# a"%al #% i/in!n"!2 " lei refere-se a dano iminente. um temor de intensidade suficiente para conduzi-la a contratar! 72. que significa. greve etc! $ode o lesado sentir-se intimado. surpreendendo algu&m a praticar algum crime. quer com os próprios recursos. remoto ou evitável. como inc ndio.!ns 'a $6"i/a #% a p!ss#as '! s%a -a/6lia ! " intimidação # pessoa pode ocorrer de diversas formas. com ameaça de dano a pessoa de sua família! F termo =família>. a do credor que ameaça proceder # execução da )ipoteca contra sua devedora caso esta não concorde em desposá-loB a do indivíduo que. quer mediante auxílio de outrem. compreendendo não só a que resulta do casamento como tamb&m a decorrente de união estável! . na lição de Clóvis Keviláqua. no espírito da vítima.

ao contrário do que ocorre com o erro. art! ??:. que se a coação =disser respeito a pessoa não pertencente # família do paciente. existe presunção legal de que ela & eficaz para viciar o consentimento do contratanteB se . dispAe. inovando. que muios autores t m considerado )aver coação mesmo quando o mal ameaçado se dirige contra o próprio coator. podia caracterizar a coação se ficasse demonstrado que ela )avia sido bastante para sensibilizá-lo e intimidá-lo! " doutrina francesa moderna faz apenas uma restrição. entretanto. no Codex anterior. qualquer que seja a sua esp&cie 4C*. citado por Carlos "lberto %onçalves. mister se faz comprovar que tal ameaça foi adequada para viciar a anu ncia! F Código Civil de ?JJ?. como a de piloto de provas ou escafandrista! @ntende 7emolombe que se trata de uma questão de fato. com base nas circunst8ncias. admitindo uma exegese ampliadora! "ceitava-se. como na )ipótese do fil)o que. L HM5! $ara os fins de intimidação. se a ameaça se dirige ao c3njuge. & preciso que sejam analisadas as circunstancias subjetivas da vítima.elata 'ílvio . trata-se de estran)o ou de parentes que não os ali numerados. & inegável a exist ncia da coação e. seja decorrente dos laços de consanguinidade ou da adoção. incluem-se tamb&m as ameaças a parentes afins. do vício do consentimento! 'egundo Cristiano *arias e +elson . como cun)ados. noiva ou noivo.6amb&m não se faz distinção entre graus de parentesco. sogros etc! " doutrina já vin)a entendendo que a refer ncia do texto a familiares. como um amigo íntimo. o juiz. idade sexo. que ao magistrado compete resolver! 'e a viol ncia que o fil)o ameaçou exercer sobre seu próprio corpo for considerada como viol ncia exercida contra o próprio pai. formação intelectual e profissional serão levadas em conta para aferir a exist ncia ou inexist ncia de coação! . para a aferição dos elementos listados. abrangendo inclusive pessoas não ligadas ao coacto por laços de amizade! . no parágrafo Dnico do art! 9C9. ascendente ou descendente. portanto. para obter a anu ncia do pai.osenvald. ameaça suicidar-se. que a ameaça dirigida a pessoa não ligada ao coacto por laços familiares. serviçais. onde são analisadas as circunst8ncias objetivas! "ssim. ou se envolver numa guerra. ou adotar profissão perigosa. decidirá se )ouve coação>! F texto & bastante amplo. era meramente exemplificativa.odrigues. assim.

se dela tivesse ou devesse ter con)ecimento a parte a que aproveite. e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos!> F Código Civil de ?JJ? altera substancialmente a disciplina do diploma anterior. con)ecimento do mencionado vício do consentimento! 7esse modo.:. prescrevendo o art! 9CC que o negócio jurídico subsistirá 4não podendo. C#a45# !=! ci'a p# "! c!i #2 7ispAe o art! 9CN do Código Civil. pois. como o testamento e a promessa de recompensa. sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter con)ecimentoB mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que )ouver causado ao coacto>! $revaleceu. que responderá civilmente com o terceiro pelas perdas e danos devidos #quele. ="rt! 9CN! 2icia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro. uma cumplicidade do beneficiário. o princípio da boa-f&. nem podendo ter. uma vez que ali não existem =partes>. mas. ser anulado5 =se a coação decorrer de terceiro. a coação exercida por terceiro só vicia o negócio e permite a sua anulação pelo lesado se a outra parte. a tutela da confiança da parte que recebe a declaração de vontade sem ter. a coação de terceiro continuará ensejando sempre a anulação. que se beneficiou. dela teve ou devesse ter con)ecimento! 0á. como proclama o retrotranscrito art! 9CN! @m caso de negócio jurídico unilateral. desse modo. nesse caso. sim. agente e terceiros a quem se dirige a declaração de vontade! .

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